Página inicial / Cultura / Descolonizar o espaço público e as instituições culturais: a construção do lugar iconoclasta contemporâneo

Descolonizar o espaço público e as instituições culturais: a construção do lugar iconoclasta contemporâneo

Texto por Diogo Goes, Professor do Ensino Superior e Diretor de Eventos

A iconoclastia conseguiu trazer, felizmente, para o debate público e mediático, o questionamento da qualidade das transformações estéticas que acontecem no território que habitamos. E com isso, também questionar e deslegitimar as narrativas historiográficas e o como estas são lecionadas no interior dos espaços letivos. Do mesmo modo, devemos questionar a forma como são expostas e apresentadas as “narrativas do preconceito” nas nossas instituições culturais e museológicas.

Toda a arte desempenha uma tarefa social, de inclusão, participação cívica, educação estética e desenvolvimento de espírito crítico e por isso, necessariamente, deverá desenvolver a tolerância e o respeito pela diferença. Por essa razão, uma arte que povoa o espaço público ornamentando-o com alegorias de um passado, cujo questionamento não pode ser posto em causa, não estará a cumprir a sua função.

A iconoclastia conseguiu trazer, felizmente, para o debate público e mediático, o questionamento da qualidade das transformações estéticas que acontecem no território que habitamos. E com isso, também questionar e deslegitimar as narrativas historiográficas e o como estas são lecionadas no interior dos espaços letivos. Do mesmo modo, devemos questionar a forma como são expostas e apresentadas as “narrativas do preconceito” nas nossas instituições culturais e museológicas.

A manutenção de discursos museográficos desatualizados, persistentes ainda em muitas instituições museológicas, um pouco por todo o país, desempenha a função legitimadora, da manutenção de uma hegemonia “fetichista” de um passado, tantas vezes escrito com o sangue e suor daqueles que a museologia não tem sabido, nem ousado falar.

Persistem as narrativas assentes na manutenção de autores de referência do Estado Novo, perpetuando o mito de uma determinada “Portugalidade” e de uma “nacionalidade racial”, assim como o mito do “bom colonizador” e de que, “não há racismo em Portugal”, como apregoam determinados líderes políticos. Afinal há, ou talvez, nunca tenha deixado de existir! Confundir a denúncia e o combate ao racismo, com o questionamento da “arte” no espaço público, pela iconoclastia, é por isso um equívoco intencional de uma elite, que é parte interessada no incendiar de novas “fogueiras em São Domingos”. Marchas sobre uma qualquer capital, fazem lembrar Mussolini marchando sobre Roma ou Napoleão entrando em Paris! Não foram estes “Senhores”, a patrocinarem o seu auto-elogio e culto ao líder por via da estatuária ou de grandes obras de arte, financiadas pelos erários públicos e a demolirem e saquearem o património artístico e edificado dos territórios invadidos?

Acesse a matéria completa em O Jornal Económico

Sobre admin

Check Also

Projeto de leitura para pessoas acima de 60 anos está com inscrições abertas em Itapetininga

Segundo a prefeitura, a iniciativa é totalmente digital e segura. Acervo virtual possui mais de …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *