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Desafios das bibliotecas comunitárias na pandemia

Devido à pandemia do novo coronavírus, nove bibliotecas comunitárias fecharam as portas temporariamente. Para manter as bibliotecas funcionando, foi criado uma campanha de financiamento coletivo (Foto: Reprodução/Rede Social Livro Livre Curió)

As bibliotecas comunitárias surgem a partir de iniciativas institucionais, como de ONGs, igrejas ou associações de bairros, mas também podem surgir de iniciativas individuais de uma ou mais pessoas físicas. Raphael Rodrigues, estudante do curso de Filosofia na Universidade Estadual do Ceará (UECE) e criador da Biblioteca Viva, localizada no Barroso, explica a importância dessas bibliotecas de iniciativa popular para a sociedade:

“A importância das bibliotecas é de que elas são um modo de intervenção do espaço público. Elas são um equipamento necessário, como a gente pode ver, justamente pra tentar resolver um problema que a gente vê que é muito comum, que é o problema da acessibilidade aos livros. Principalmente nas periferias pras pessoas que não tem poder aquisitivo – a gente sabe que livro no Brasil é caro e pra muita gente já é um problema adquirir livros -, ela se torna ainda mais necessária.”

Roda de Conversa sobre Depressão e Suicídio, realizada na Biblioteca Viva, que contou com a participação do psicólogo Évio Giani (Foto: Arquivo Pessoal)

Raphael conta que, no primeiro mês da Biblioteca Viva, 54 livros foram emprestados. Três anos depois, esse número cresceu e, hoje, a biblioteca empresta em média 600 livros por mês. Já a Biblioteca Comunitária Livro Livre Curió, que funciona dentro da residência do poeta Talles Azigon, conta com um acervo com mais de 500 livros e recebe mais de 800 visitas ao mês:

“A Livro Livre Curió, que já existe há mais de 2 anos na comunidade, tem um público médio de 800 a 1000 visitas por mês. A maioria dessas visitas são de crianças que estão no período escolar, ou seja, de 5 a 14 anos. Também temos bastante fluxo de jovens e também alguns idosos da comunidade. A maioria das pessoas que são atendidas são da comunidade do Curió, e o Curió está entre os menores IDHs de Fortaleza.”

Raphael Rodrigues, que também atua como captador de recursos na Biblioteca Viva, revela a mudança que ele percebe no ambiente em que este equipamento cultural está localizado:

“A gente passou a notar que a biblioteca promove outras formas de viver, de pensar, de agir, de se relacionar com o mundo. A perda desse espaço significaria uma perda de perspectiva porque a gente sabe que, principalmente para bairros de periferia, há um grande problema de perspectiva do que a gente consegue, do que a gente pode, devido às dificuldades de infraestrutura dos locais.”

Devido à pandemia do novo coronavírus, as bibliotecas Viva e Livro Livre Curió fecharam suas portas temporariamente. Além delas, outras 7 bibliotecas de iniciativa popular de fortaleza passam pela mesma situação. São elas: Biblioteca Popular Papoco de Ideias (Pan Americano); Biblioteca da Filó (Jangurussu); Narcoteca (Pirambu); Biblioteca Bate Palmas (Conjunto Palmeiras); Biblioteca Comunitária Okupação (Antônio Bezerra); Biblioteca Quintal Cultural (Grande Bom Jardim); e Biblioteca Viva a Palavra (Serrinha).

A Livro Livre Curió nasceu no dia 31 de Março de 2018, na casa da Dona Ritinha (mãe de Talle Azigon), que é manicure, depiladora e mediadora de leituras na comunidade do Curió, em Fortaleza (Foto: Arquivo Pessoal)

Esses equipamentos culturais já passavam por problemas, pois não conseguiam arrecadar dinheiro suficiente para pagar aluguel, água e luz. Mas com a chegada da Covid-19, a situação apenas se agravou. Talles Azigon alerta para o prejuízo que o fechamento definitivo desses equipamentos pode causar:

“Caso essas bibliotecas venham a fechar devido a todos os desdobramentos do coronavírus, a gente tem um impacto muito negativo. Imagina só todas essas comunidades que foram citadas, elas são ausentes de equipamentos culturais, ausentes de equipamentos sociais. Então o morador e a moradora desses bairros têm, além da biblioteca, pouquíssimos espaços onde ela pode ter acesso a informação e conhecimento. Então a gente já tem uma desigualdade muito grande, não só econômica mas também uma desigualdade de acesso à informação na cidade de Fortaleza. Com a extinção, com o fechamento dessas bibliotecas esse abismo torna-se cada vez maior.”

Para manter as bibliotecas funcionando, foi criado uma campanha de financiamento coletivo na plataforma Sympla. Você pode contribuir até o final do mês de maio.

Reportagem de Mariana Bueno com orientação de Carolina Areal e Igor Vieira

Fonte: Radio Universitária

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