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De onde vem a crise de grandes redes de livrarias no Brasil

Texto por Juliana Domingos de Lima

Varejistas de livros como Livraria Cultura e Saraiva enfrentam dificuldades e Câmara Brasileira do Livro cobra regulação de descontos

UNIDADE DA LIVRARIA CULTURA NO CONJUNTO NACIONAL, EM SÃO PAULO FOTO: SAMPAIST/CREATIVE COMMONS

Duas varejistas importantes do mercado de livros no país, as livrarias Cultura e Saraiva atravessam uma fase difícil.

A primeira pediu recuperação judicial em 24 de outubro e a segunda anunciou na segunda-feira (29) que está fechando 20 lojas.

Em comunicado enviado à coluna Babel, do jornal O Estado de S. Paulo, a Saraiva disse vir tomando medidas voltadas à evolução da operação e continuidade do negócio, que incluem o fechamento das lojas e o fortalecimento do seu e-commerce.

As vendas online representam atualmente 38,4% do negócio, que conta com 84 livrarias físicas.

Já o pedido de recuperação judicial (a reorganização econômica, administrativa e financeira de uma empresa, feita com a intermediação da Justiça, para evitar a falência) da Cultura revelou que a aquisição da operação brasileira da Fnac, em 2017, piorou a crise da rede livreira.

Desde a incorporação da cadeia de lojas, a receita líquida da Cultura diminuiu 39% e o endividamento com os bancos é de R$ 63 milhões.

Em 2017, a empresa fechou duas lojas em São Paulo. Em julho de 2018, demitiu centenas de funcionários. Assim como a Saraiva, também pretende ampliar a porcentagem do comércio eletrônico em relação às vendas totais, atingindo 70% em cinco anos.

A crise não é de hoje: o volume de vendas de livros vem caindo cerca de 3% ao ano desde 2015. Além da crise econômica que afeta diferentes setores, a chegada da Amazon ao Brasil, em 2014, atraiu para o e-commerce clientes que antes compravam no varejo tradicional.

A situação das grandes redes de livrarias acaba agravando a crise do mercado editorial brasileiro. Saraiva e Cultura não têm conseguido pagar ou têm atrasado o pagamento de seus fornecedores nos últimos meses.

Como num efeito cascata, os donos de editoras estão sendo obrigados a demitir, reduzir a quantidade de lançamentos e, em alguns casos, lutar contra a possibilidade de fechar as portas”, diz uma reportagem da Época Negócios de junho de 2018.

Quais as razões

Ouvido pelo Nexo em julho de 2018, o presidente da Associação Nacional de Livrarias, Bernardo Gurbanov, elencou algumas das causas para o mau momento econômico das longevas redes de livrarias (a Livraria Cultura foi fundada em 1947 e a Saraiva, em 1914):

Contexto macro de recessão

Baixo índice de leitura dos brasileiros

Crescimento do comércio eletrônico e da leitura em dispositivos digitais

Aumento expressivo dos aluguéis, sem se aplicar isenção de IPTU

Os aluguéis também estão subindo muito e não recebemos nenhum tipo de apoio do poder público, como é o caso, por exemplo, de igrejas, que não pagam IPTU”, disse Gurbanov.

Pressão contra os descontos

Em reflexo das medidas adotadas pelas redes de livrarias, a Câmara Brasileira do Livro enviou um ofício a Eliseu Padilha, atual ministro da Casa Civil.

A carta cobra um posicionamento a respeito da medida provisória que pretende instituir a Política Nacional de Regulação do Comércio de Livros.

Segundo defende a entidade, a medida poderá ser uma resposta de apoio do governo à atual crise que afeta o setor livreiro no país.

A medida determina que o livro deve ser comercializado pelo preço determinado pela editora durante um ano após seu lançamento, impedindo o oferecimento de grandes descontos, como os que são oferecidos por sites como a Amazon, nesse período.

Fonte: Nexo

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