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De casa de detenção a casa de livros: ex-Carandiru vira referência mundial de bibliotecas

A Biblioteca de São Paulo (BSP), construída no local onde funcionou o presídio do Carandiru, foi escolhida uma das quatro melhores do mundo em 2018 pela Feira do Livro de Londres. Para saber o que levou a BSP a esse patamar, a Sputnik Brasil falou com a porta-voz da instituição, Sueli Motta, que explicou os principais atrativos do espaço.

Com pouco mais de oito anos de existência, a Biblioteca de São Paulo, pertencente à Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo e gerida pela organização social SP Leituras, já conseguiu ser finalista do prêmio de Biblioteca do Ano, oferecido pela Feira do Livro de Londres em parceria com a Associação de Editores do Reino Unido (UK Publishers Association). Única participante não europeia entre as quatro melhores, a BSP concorreu com bibliotecas de Oslo (Noruega), Aarhus (Dinamarca) e Riga (Letônia), sendo esta última, a Biblioteca Nacional da Letônia, a vencedora.

“O simples fato de estarmos entre os finalistas deste prêmio, junto com outras três bibliotecas extraordinárias, é o reconhecimento internacional do trabalho feito ao longo desses anos para oferecer à população uma biblioteca cidadã, aberta à diversidade e focada no público e nas comunidades a que serve”, disse Pierre André Ruprecht, diretor executivo da SP Leituras, que acompanhou de perto a cerimônia de premiação na capital britânica.

Para concorrer a essa honraria, a equipe da BSP enviou um material de candidatura que, segundo seus representantes, destacou os diferenciais do projeto e das atividades diárias “que transformaram a área onde anteriormente existia a Casa de Detenção do Carandiru em uma praça cultural, local de acolhimento e descobertas”. De acordo com eles, a BSP está “calcada no conceito de biblioteca viva” e “tem seu foco na valorização das pessoas, nos seus saberes e na troca de experiências”.

Piso térreo, com acervo infantojuvenil, equipado com cabines de leitura
© FOTO : EQUIPE SP LEITURAS

Em entrevista à Sputnik Brasil, Sueli Motta, superintendente de Bibliotecas da SP Leituras, atribuiu o sucesso da Biblioteca de São Paulo no exterior a dois fatores: a simbologia do local onde ela foi instalada, que foi palco do massacre de 111 detentos, em 1992, na antiga Casa de Detenção de São Paulo (Complexo Penitenciário do Carandiru), e a pluralidade do público atendido por ela, que varia de bebês até idosos, com opções diversas. 

“Eu avalio que a missão está sendo cumprida e, todos os dias, a gente trabalha um pouquinho mais nesse sentido”, de deixar para trás o estigma da violência que marcou a região onde a BSP foi instalada. “A Biblioteca de São Paulo veio com um projeto forte de modernidade, muito calcada numa filosofia, numa metodologia, de fazer trabalhar como biblioteca viva, onde várias situações são levadas em consideração, mas, fundamentalmente, a pessoa é o grande centro das operações da biblioteca”, afirmou Sueli, listando algumas atividades culturais oferecidas frequentemente à população e contando a história de um suposto ex-detento do Carandiru que se tornou usuário da biblioteca. 

Entre esse público diversificado da BSP, os títulos de maior procura, de acordo com a superintendente, são os de literatura, com destaque para poesia e romance:

“Ultimamente, o que o pessoal tem visto muito é terror. O pessoal gosta bastante de terror, romance. Também buscam auto-ajuda… A parte de espiritismo também o pessoal curte bastante. Mas poesia e romance ainda têm sido os tópicos mais procurados.”

Para Sueli Motta, o reconhecimento internacional alcançado na Feira do Livro de Londres pela BSP abre espaço para importantes discussões no Brasil sobre o direito do cidadão à leitura e o acesso à biblioteca com qualidade, temas de forte apelo se considerados os baixíssimos níveis de leitura entre os brasileiros em geral. De acordo com uma pesquisa realizada pela Market Research World, o Brasil ocupa a 27ª posição num ranking de 30 países consultados sobre os índices de leitura. Segundo esse levantamento, os brasileiros dedicariam cerca de cinco horas por semana ao hábito de ler, contra quase 11 horas dos indianos, primeiros colocados na lista.

Fonte: Sputnik

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