Página inicial / Notícias / Comunidade pode adotar obras raras da Biblioteca Pública do RS

Comunidade pode adotar obras raras da Biblioteca Pública do RS

Entre os livros do acervo raro, estão originais do gaúcho Simões Lopes Neto e um poema de 1519. Reabertura do prédio original completa três anos neste mês.

Por Janaína Lopes, G1 RS

Acervo de obras raras está acondicionado em armários especiais, alguns deles com caixas de papel filifold, para evitar deterioração — Foto: Janaína Lopes/G1

A Biblioteca Pública do Rio Grande do Sul resguarda um patrimônio cultural que acumula alguns séculos no segundo andar. É o setor de obras raras, em que 1,2 mil itens catalogados podem ser consultados, como o poema épico Pharsalia, do poeta romano Lucano: o grande volume, com versos em latim escritos em letras góticas, de 1519, o livro mais antigo da biblioteca.

Graças a um projeto custeado pelo BNDES em 2007, os volumes foram higienizados e acondicionados em armários de madeira, com telas na parte de trás, que permitem a ventilação necessária para ajudar a conservar itens tão sensíveis, além de capas de poliéster. Alguns dos livros raros ainda ganharam uma caixa, feita de papel filifold, especial para acondicionamento de peças vulneráveis.

Após os processos de limpeza e o acondicionamento correto, o próximo passo é o restauro dos livros, já castigados pelo tempo. Nessa etapa, a Biblioteca conta com o auxílio da comunidade e da associação de amigos. “O projeto é uma parceria com a sociedade, se chama ‘Biblioteca Pública Recuperando a Memória’, que são obras que precisam de restauro, um restauro mais elaborado, que aqui não temos condições de fazer”, explica a diretora da biblioteca, Morgana Marcon.

Há um setor especializado em restauro na biblioteca, mas a bibliotecária explica que não tem disponível todo o equipamento necessário. “Então, orçamos com dois, três laboratórios de restauro fora [da biblioteca] as obras, que são fotografadas, para ter um laudo sobre o que precisa fazer.”

Escrita em latim, edição de 1519 de poema romano é o volume mais antigo do acervo raro da Biblioteca Pública do RS — Foto: Janaína Lopes/G1

Essas informações são disponibilizadas aos interessados em escolher uma obra para ser adotada. Morgana conta que 120 obras já foram recuperadas dessa forma. Os demais volumes estão disponíveis para adoção. “Tem obras que vão de cento e poucos reais a R$ 800, R$ 900”, diz a diretora.

As obras mais antigas do acervo especializado sobre a história do Rio Grande do Sul também podem ser adotadas, conforme Morgana. São três andares de livros, mapas, anuários, fotografias e outros documentos que ajudam a retratar os fatos marcantes do estado.

Para quem se interessar em participar do projeto de restauro, a orientação é entrar em contato com a equipe da biblioteca, nos números 3224.5045 e 32259426 ou no e-mail bpe.direcao@gmail.com.

A biblioteca ainda oferece livros em braile, periódicos, acesso gratuito à internet, em quatro computadores e pelo sinal de wifi, liberado no prédio restaurado. O acesso à rede é um dos serviços mais procurados pelo público, usado por cerca de 500 pessoas a cada mês, segundo Morgana.

A oferta do wifi foi uma das novidades da reabertura do prédio, após a reforma. “Isso trouxe outro público que vem para pegar o sinal do wifi e às vezes acaba pegando a programação cultural, levando livros para casa”, comenta a diretora.

“Tem gente que entra aqui, mora há 30 anos em Porto Alegre ou mais, e nunca entrou na biblioteca, por mais coisa que tenha, por mais que se divulgue.”

Dessa forma, a biblioteca vai se mantendo atuante e presente na vida das pessoas que procuram por cultura e informação no centro de Porto Alegre. Segundo Morgana, o número de empréstimos por mês caiu nos últimos anos: chegavam a 900, e atualmente não passam de 500.

Em compensação, a gente não perdeu aquele leitor do jornal do dia. Tem um público de leituras que vem todo dia ler o jornal”, diz Morgana.

Atrair os jovens é um dos objetivos da equipe da biblioteca, diz Morgana. “Adolescente geralmente vai porque tem que ler aquele material, porque a professora pediu. Mas a maior parte do público leitor mesmo é nessa faixa etária e a gente tenta investir neles”, observa a diretora.

Fonte: G1

Sobre admin

Check Also

Informativo nº 02/2019 – Universalização das Bibliotecas Escolares

Curitiba, 07 de março de 2019 Prazo até maio de 2020 para universalização das bibliotecas …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *