Página inicial / Notícias / Como incentivar a leitura entre as crianças da geração digital

Como incentivar a leitura entre as crianças da geração digital

Ainda um hábito de poucos brasileiros, ler promove o desenvolvimento, a capacidade de crítica e a construção de conhecimento

Você sabia que abril é um mês que homenageia a leitura? São várias comemorações: Dia Internacional do Livro (2/4), Dia da Biblioteca no Brasil (9/4), Dia Nacional do Livro Infantil (18/4) e Dia Mundial do Livro (23/4). A leitura é libertadora, transforma, informa, emociona e humaniza. Promove o desenvolvimento, a capacidade de crítica e a construção de conhecimento. Na infância, é uma das maiores aliadas para o aprendizado de uma criança, pois possibilita a consolidação da fluência na língua e ajuda na interpretação de texto, além de ser extremamente importante para que um jovem/adulto possa ter participação ativa na comunidade, na economia e na vida pessoal.

Foto: DINO / DINO

No entanto, no Brasil, a leitura ainda é um hábito praticado por poucos. Segundo a última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em 2016, 44% da população brasileira não lê e 30% nunca comprou um livro. De acordo com os dados, adolescentes entre 11 e 13 anos são os que mais leem por gosto (42%), seguidos por crianças de 5 a 10 anos (40%). O estudo também revela que 67% da população não contou com alguém que o incentivasse a ler, enquanto 33% tiveram influência da mãe ou de algum representante do sexo feminino (11%), seguida pelo professor (7%).

Mas como pais e educadores podem estimular a leitura entre as crianças? De acordo com a professora Lucimara Morais, coordenadora pedagógica do colégio Le Petit, em Brasília, a principal ferramenta é o exemplo. “Pais e professores que querem desenvolver o hábito de leitura nas crianças precisam ter em mente que eles devem ser modelos dessa prática. Não é apenas entregar um livro aos pequenos e pedir que eles leiam, mas mostrar, no dia a dia, por meio da ação, do exemplo, a importância de ser um leitor e os benefícios que isso traz para a vida”, explica a professora.

Outro desafio é conseguir despertar para a leitura uma geração quase entorpecida pela comunicação em meio digital. Apesar de haver no mercado grande disponibilidade de e-books e outras leituras on-line, as atividades praticadas na internet estão relacionadas principalmente às redes sociais, blogs, música e vídeo. Isso não deixa de ser uma leitura, mas de texto menores. “O hábito de ler está ligado ao acesso aos livros e materiais do tipo. A internet potencializou esse acesso, e isso é um aspecto muito positivo, mas ainda há diferenças importantes com o meio tradicional. Ler no papel, por exemplo, exige uma organização espacial de leitura, que as telas nem sempre oferecem. Pela internet podemos ter acesso a histórias narradas por grandes autores e contadores brasileiros – e isso certamente é um estímulo à criatividade e imaginação -, mas quando ouvimos uma história contada em um livro, sem tantos recursos, ou por um adulto, em uma roda familiar, os aspectos afetivos e sensoriais dão um toque inesquecível às histórias e estimulam outras áreas cerebrais, principalmente a memória afetiva”, explica Lucimara. Segundo a pedagoga, na internet, há ainda o problema da falta de confiabilidade, os perigos virtuais e também o desconhecimento sobre os efeitos à exposição demasiada às telas. “A tecnologia tem seus benefícios, é uma ferramenta de conhecimento instantâneo, mas deve existir responsabilidade em seu uso. Em relação às crianças o problema é ainda maior. Há muitos alertas por parte de entidades de defesa da infância sobre o tempo de exposição às atividades nas telas. Estudos relacionam distúrbios físicos, psicológicos e comportamentais, como dificuldade de concentração e depressão, ao uso excessivo da tecnologia e pais precisam estar atentos. Antes dos dois anos de idade, as telas não são recomendadas e a partir dessa idade, apenas com acompanhamento dos responsáveis e por poucos minutos”, afirma Lucimara.

Veja cinco dicas da professora para incentivar a leitura entre as crianças:
• É fundamental que o livro faça parte do dia a dia de todos. Para isso, é importante permitir seu acesso, visitar livrarias, bibliotecas e feiras. Passar algum tempo nesses locais, sem pressa, para que a criança escolha uma leitura atraente, é uma ótima sugestão.
• Escolheu o livro? Comece estabelecendo uma quantidade mínima de páginas por dia ou estipule um tempo determinado. Isso ajuda a criar um ritmo de leitura e faz com que os livros sejam devorados mais rapidamente, dando oportunidade para novas histórias.
• Sempre que possível, os pais devem fazer sugestões de leitura aos filhos, sem transformar isso em uma obrigação;
• Inclua atividades culturais na programação da família, como musicais e teatros. Isso ajuda no interesse pelas obras;
• Que tal promover uma roda de leitura em casa para compartilhar as histórias que todos estão lendo? Além de aprender um pouco mais com cada experiência, é uma excelente atividade para dar exemplo e espalhar o hábito em todas as gerações.

A leitura no Galois – Além da família, a sala de aula é fundamental no processo de fomentar o amor pela literatura e o Galois tem projetos para crianças e adolescentes em todas as fazes de aprendizado. No Ensino Infantil, por exemplo, além da Ciranda Literári – proposta que se disponibiliza livros para serem lidos em sala de aula ou em casa – os pequeninos têm um espaço especial para estimular o gosto pela leitura, onde, duas vezes por semana, escutam uma historinha. Ao final, cada criança recebe uma fantasia para interpretar, a sua maneira, a história lida pelo professor. Além disso, às sextas-feiras, elas são acolhidas com uma “contação” teatralizada.
Já os alunos do fundamental participam do Projeto Literário, que promove debates e dias de autógrafo com autores e, ainda, uma vez por semana, vão a biblioteca para escolher um título para ler em casa.
Para os meninos do Ensino Médio, além do Galoisrtes (uma gincana de provas, de ampla variedade de competências e habilidades, entre elas algumas que trabalham obras literárias obrigatórias para o PAS), existe também o Clube da Leitura – um espaço aberto e voluntário para a discussão e aprendizagem de textos diversos.

Fonte: https://www.terra.com.br

Sobre admin

Check Also

Bate-Papo FGV | Desafios e dificuldades na cultura e no mercado editorial no país, Marieta de Moraes

Clique na imagem para assistir o vídeo A cultura perdeu o protagonismo no Brasil no …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *