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Coletivo combate o racismo por meio da literatura

Texto por Sandra Kanashima

Quem são as escritoras negras do Brasil? Esta questão surgiu há cerca de dois anos, quando quatro alunas da ETEC Parque da Juventude perceberam que a biblioteca da unidade carecia de obras de escritoras negras. Ana Carine Souza, Iara Moraes, Lais Hellen Santos e Andreza de Lourdes Lima Rocha cursavam o técnico de Biblioteconomia, e resolveram fazer seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) sobre o tema.

Nascia então, o projeto “Mulheres Negras na Biblioteca”, cuja iniciativa segue até hoje com o objetivo de combater o racismo.

Segundo Ana Carine, o projeto começou recebendo cerca de 20 livrosde doações, os quais foram divulgados para os alunos da ETEC e a resposta foi bastante positiva.

As estudantes perceberam que o mesmo déficit se repetia em outras bibliotecas públicas e resolveram expandir sua atuação, indo para outros espaços da zona norte, onde além do incentivo ao aprimoramento do acervo, foram realizadas diversas atividades, como bate-papos com escritoras e sarau de poesia.

Das salas da ETEC, o projeto tomou rumo e virou um coletivo, que vai aos poucos, conquistando o seu caminho.  Além de Ana Carine e Iara, a bibliotecária KettyValêncio e a jornalista Juliane Sousa se juntaram ao grupo.

A ideia do movimento é marcar presença, tanto nas prateleiras das bibliotecas, quanto em locais onde haja essa lacuna, a fim de quebrar preconceitos e valorizar o talento de tantas escritoras negras no país. As principais ferramentas, a arte e a educação, elementos fundamentais para a construção da identidade e formação de um cidadão.

Carine diz que as redes sociais são grandes aliadas quanto à difusão da ideia e alcance do público. “A maior parte do público é formada por meninas negras, mas não são elas nosso único alvo. Acreditamos que o propósito vai além da representatividade, para que todos conheçam nossa história sob outra perspectiva, como ferramenta de combate ao racismo”, explica.

Dentre tantas atividades que o grupo realiza, como encontros com escritoras, bate papos e rodas de poemas,  alguns dos objetivos é levar atividades às unidades do Sesc, participar de novos editais e produzir material audiovisual sobre escritoras negras.

Diante iniciativas como esta, a cena vem mudando, embora não possamos, ainda, dizer que a presença de autoras e artistas negras seja constante no campo da arte e literatura brasileira. Mas é por meio desses projetos que os caminhos se abrem,e conteúdos de mulheres afro descendentes começam a ser reconhecidas no circuito cultural brasileiro.

Quem quiser conhecer um pouco mais do trabalho do grupo, pode acompanhar pela rede social: facebook.com/mulheresnegrasnabiblio.

Fonte: SP Norte

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