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Museologia

Museus durante a pandemia é o tema abordado no V Encontro de Museus-Casas Literários

O evento, realizado a distância, reúne profissionais de diversas instituições para troca de experiências em tempos de pandemia

Casa Guilherme de Almeida
Crédito: André Hoff

A quinta edição do Encontro, promovido pela Rede de Museus-Casas Literários de São Paulo, equipamentos da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo e gerenciados pela Poiesis, será inteiramente on-line e gratuito.

“Dentro das Casas, pela internet” é o tema do evento que acontecerá em três dias seguidos, de quinta a sábado: dias 23 e 24 de julho, quinta e sexta-feira, das 18h às 20h, e dia 25, sábado, das 15h às 17h. Em três mesas-redondas realizadas a distância, profissionais de diversas instituições de São Paulo e de outros locais do país compartilharão suas experiências a partir da interrupção de atendimento presencial ao público, que impulsionaram a implementação de novas ações via internet, bem como suas perspectivas para o período de reabertura desses espaços ao público.

O encontro visa à participação de instituições com perfil de museu-casa que podem ser distinguidos como espaços focados em literatura, em âmbito nacional. Seu objetivo é promover a troca de experiências entre instituições fundamentalmente relacionadas a personalidades da literatura, por meio de profissionais a elas ligados, ou cujo campo de estudos se associe ao segmento.

Acesse a matéria completa publicada pelo ABC do ABC e confira as informações sobre a inscrição e a programação do evento

Resgate de uma memória dolorida

Professora Mariana Cabral descreve as perdas do incêndio no MHNJB, que atingiu coleção de esqueletos indígenas: “É uma tragédia humana”

Texto por Mariana Cabral / Coordenadora do Centro Especializado em Arqueologia Pré- histórica do MHNJB

Área do Museu de História Natural e Jardim Botânico atingida pelo fogo
Rogerio Pateo / NAV/ DAA UFMG

Minha quarentena acabou com a ligação assustada da minha colega Maria Jacqueline Rodet: “Mariana, houve um incêndio no museu?” Eu demorei um pouco a entender e saí ligando em busca de informações. Nosso museólogo, André Leandro, me atendeu com uma voz tensa: “É verdade, Mariana, estou indo para lá”.

Era segunda-feira, 15 de junho, meu 88° dia de quarentena. Já circulavam fotos do prédio da Reserva Técnica 1 com o teto desabado e fumaça. Fiquei com um aperto no peito. Pensei no Museu Nacional, que queimou há menos de dois anos. Será que a gente não aprendeu nada?

Mandei áudios e mensagens para colegas do Museu de História Natural de Jardim Botânico (MHNJB), enquanto pegava uma máscara e a chave do carro. Não lembro nada do caminho: só a entrada no Museu e o porteiro, Ramon, me olhando, sério: “Você tá sabendo do incêndio, professora?”

Os bombeiros ainda mantinham a mangueira ligada, e um deles me explicou que estavam usando água com cuidado porque sabiam que as peças eram delicadas. Bem, havia mesmo peças delicadas… mas havia muito mais do que “peças” na coleção queimada.

Algumas dezenas de esqueletos, oriundos de diversos sítios arqueológicos de várias regiões de Minas Gerais, compunham uma das maiores coleções de esqueletos arqueológicos indígenas antigos da América do Sul. Muito além da tragédia científica, o incêndio nessa coleção é uma tragédia humana.

Essas pessoas, que foram cuidadosamente sepultadas por suas famílias e grupos, há 1 mil, 2 mil, 5 mil, 8 mil anos, foram escavadas em pesquisas científicas conduzidas desde meados do século passado por pesquisadoras e pesquisadores que tinham no Museu o ambiente institucional para receber e guardar essas coleções.

Existe um amplo debate ético na arqueologia sobre os modos como lidamos com sepultamentos, desde a decisão de escavá-los, retirando os esqueletos dos lugares onde seus grupos decidiram descansá-los, até o uso de suas imagens em publicações, expondo muitas vezes seus crânios e faces, sem uma autorização de fato. É uma discussão complexa, que o tempo todo permeia a arqueologia, essa disciplina especializada em estudar as coisas e as pessoas de outros tempos.

A coleção arqueológica que se queimou no museu, contendo muitos esqueletos humanos, foi construída como escolha consciente de pesquisadoras e pesquisadores, baseada na compreensão de que retirar esses corpos e suas tralhas era essencial para narrarmos suas histórias. Histórias que foram, de fato, contadas em livros, em artigos, em trabalhos acadêmicos ou não e mesmo na exposição que o Museu inaugurou em dezembro passado. Mas ver essas coleções queimadas gera um sentimento de frustração – e até de culpa – que é difícil contornar: como pode um acervo desses se queimar?

A coleção arqueológica que se queimou no museu, contendo muitos esqueletos humanos, foi construída como escolha consciente de pesquisadoras e pesquisadores, baseada na compreensão de que retirar esses corpos e suas tralhas era essencial para narrarmos suas histórias.

Nestas duas semanas posteriores ao incêndio, estruturamos uma verdadeira força-tarefa de resgate nos escombros, com o acompanhamento constante da Polícia Federal, que investiga as causas do fogo. Por ora, a arqueologia oferece o conhecimento e as práticas essenciais para a escavação do acervo queimado. A museologia nos orienta sobre a organização prévia do espaço e das coleções. A conservação disponibiliza o saber e as técnicas para garantir a preservação do acervo resgatado, que se encontra nos mais variados graus de combustão: desde as suaves coberturas de fuligem à transformação absoluta em cinza, passando por amálgamas inéditos que misturam embalagens de vidro com pedaços da coleção, invólucros de plástico que aderem às peças que protegiam, metais retorcidos que ainda sustentam delicados ossos humanos.

Para além dos vestígios sobreviventes das coleções ali armazenadas, a equipe agora trabalha também no resgate de uma nova coleção, a coleção do incêndio, uma memória dolorida que não podemos deixar para trás.

Fonte: Universidade Federal de Minas Gerais

Museu de Arte Sacra de São Paulo comemora 50 anos

Texto por Redação PortalR3

Celebrando seu Jubileu de Ouro, a instituição ativa e viva no cenário cultural paulistano, comemora meio século com inúmeras conquistas. (Foto: Divulgação)

Museu de Arte Sacra de São Paulo – MAS/SP, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, comemora seus 50 anos de existência, narrando grande parte das ações da qual foi protagonista ou ator. O momento atual coloca em suspensão o planejamento elaborado para a celebração, a qual não foi cancelada, apenas adiada. Uma grande exposição está sendo preparada para a nova data provavelmente em 2021.

A origem

Estabelecido há meio século na ala esquerda do Mosteiro da Luz, em plena região central de São Paulo, o Museu de Arte Sacra é fruto de uma parceria entre o Governo do Estado de São Paulo, na figura do então governador Abreu Sodré, com a Cúria Metropolitana, e na do Cardeal Arcebispo D. Agnelo Rossi. Vale o destaque para a participação decisiva de Luís Arrobas Martins, então Secretário da Fazenda do Governo da época. A importância da instituição para a sociedade naquele momento pode ser destacada pelo importante fato de a instituição ter aberto suas portas com 6 meses de antecedência à sua criação. Seu acervo, composto por milhares de peças, é resultado da junção da coleção da Cúria e de obras do governo paulista. É uma das principais instituições culturais brasileiras voltadas ao estudo, conservação restauro e exposição de objetos relacionados às artes, com destaque ao segmento sacro e barroco.

Com o decorrer das décadas, sua atuação constante e sólida no circuito cultural brasileiro permite que a instituição seja vista não apenas como uma guardiã de peças históricas, mas como um ativo participante da redação da história dos dias atuais, aproximando-se das pessoas, conquistando novos públicos e atuando em vertentes diversas, como cursos, concertos, projeções de cinema, palestras e atuação no universo digital.

O prédio

O Mosteiro da Luz é um convento de recolhimento de monjas enclausuradas da Ordem das Concepcionistas da Imaculada Conceição, fundado em 1774 por iniciativa da religiosa carmelita Helena Maria do Sacramento. Única edificação colonial do século XVIII em São Paulo a preservar seus elementos, materiais e estrutura originais, em pleno uso e atividade, encontra-se inserido em meio à última chácara conventual urbana da cidade. É tombado nas esferas federal, estadual e municipal. Considerado um dos mais importantes e bem conservados exemplares da arquitetura colonial brasileira do século XVIII, o Mosteiro da Luz tem suas origens na capela em homenagem a Nossa Senhora da Luz. O próprio São Frei Galvão projetou o edifício e trabalhou como pedreiro e supervisor durante a sua construção, concluindo-o parcialmente em 1788. Nos anos seguintes, continuaria a realizar novas ampliações, incorporando a antiga Capela da Luz ao novo prédio. Após sua morte em 1822, São Frei Galvão foi inumado no local, em sepultura, cuja construção foi concluída apenas nas primeiras décadas do século XIX. Para que o visitante possa conhecer o método construtivo utilizado, o museu mantém uma sala em taipa de pilão, que permite ver as paredes originais com espessura de 1,05m, testemunho de como eram erguidas as edificações no século XVIII.

Acesse a matéria completa publicada pelo PortalR3 e conheça mais sobre o Museu de Arte Sacra de São Paulo – MAS/SP

Edital – Programa Nacional de Apoio à Pesquisa 2020

Estão abertas as inscrições para o edital do Programa Nacional de Apoio à Pesquisa/2020.

O Programa visa incentivar a produção de conhecimento científico a partir de estudos que tenham o acervo da Fundação Biblioteca Nacional (FBN) como fonte principal de objeto de pesquisa.

Em 2020 estão previstas 4 (quatro) bolsas para pesquisadores doutores.

A escolha do tema do projeto é livre. Receberão bônus na avaliação, no entanto, projetos que se enquadrem nas seguintes áreas:

1- Bicentenário da independência do Brasil

2- Ciência da Informação e Patrimônio Cultural

3- Filologia e Literaturas

4- História e Memória

Veja o edital e mais informações sobre a seleção em: https://www.bn.gov.br/edital/2020/edital-programa-nacional-apoio-pesquisa-biblioteca-nacional

Fonte: Biblioteca Nacional

UFMG planeja comissão para estudar prejuízos com incêndio no Museu de História Natural

Chamas destruíram parte do prédio central da administração, principalmente salas onde ficam coleções que não estão em exposição. “Afetou uma parte muito importante”, lamentou diretora.

Texto por Rodrigo Franco e Valeska Amorim, TV Globo e G1 Minas — Belo Horizonte

Museu de História Natural da UFMG pega fogo em BH — Foto: Reprodução/TV Globo

A Universidade Federal de Minas Gerais deve montar uma comissão de professores e especialistas para avaliar os prejuízos após um prédio pegar fogo na manhã desta segunda-feira (15) no Museu de História Natural e Jardim Botânico, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ninguém se feriu. O incêndio começou por volta das 6h30 e destruiu a edificação. O tradicional Presépio do Pipiripau não foi atingido.

O incêndio foi debelado rapidamente, mas o trabalho de rescaldo precisou ser lento para preservar o acervo, formado por mais de 260 mil itens, entre peças e coleção científica de plantas e reserva vegetal.

Mariana Lacerda, diretora do Museu de História Natural da UFMG — Foto: Rodrigo Franco / TV Globo

“A gente não tem muita informação sobre o alcance e as perdas que o incêndio vão ocasionar. O momento é aguardar a ação dos bombeiros. O que foi afetado é uma parte do prédio central da administração, principalmente três salas da reserva técnica onde ficam as coleções que não estão em exposição, afetou uma parte muito importante do museu mas a gente só vai ter a dimensão depois que a perícia acontecer”, explicou a professora Mariana Lacerda, diretora do museu.

A UFMG informou que deve ser criada uma comissão de professores e especialistas para avaliar prejuízos.

“Segundo o segurança no turno das cinco horas da manhã, ele fez uma ronda e não havia incêndio. Às 5h30, os barulhos do vidro de uma das janelas estourando ele percebeu que o incêndio tinha dado início”, comentou o tenente Lobo, do Corpo de Bombeiros.

Ainda de acordo com o militar, a chamada foi recebida pelos bombeiros por volta das 6 horas da manha. O combate às chamadas durou em torno de 30 minutos. Depois que o incêndio foi controlado, começou outro desafio: preservar parte do acervo atingido pelo fogo.

O rescaldo é demorado devido às substâncias e ao material, na tentativa de se preservar o acervo do museu, informou o bombeiro.

História e natureza convivem nos 600 mil metros quadrados do museu da UFMG. A vegetação de mata Atlântica divide espaço com especies exóticas e mais de 265 mil itens de diversas áreas do conhecimento.

São as coleções da paleontologia, arqueologia e parte da biologia também, algum acervo ligado a zoologia. A gente vai saber qual foi o alcance depois que a perícia for feita. A área atingida pelo fogo vai ser periciada pela a Policia Federal. Peritos e investigadores vão apurar as causas do incêndio.

Presépio do Pipiripau

Em meio à tristeza, um alento: o Presépio do Pipiripau, um dos acervos mais famosos do museu, não foi atingido pelo fogo – o prédio que foi afetado fica distante.

“Agora é hora de arregaçar as mangas, fazer o que precisa ser feito, entender a situação,todos os pesquisadores e cientistas estão envolvidos e comprometidos com uma etapa que vai ser de recuperar e entender qual foi o dano causado”, ressaltou a diretora Mariana Lacerda.

Incêndio em Museu de História Natural da UFMG — Foto: Divulgação / Cobom
Incêndio em Museu de História natural da UFMG — Foto: Divulgação/Cobom

Fonte: G1

Imperdível: rico acervo de itens da Panair do Brasil agora pode ser visitado online

Texto por Carlos Ferreira

A partir desse final de semana, o Museu Histórico Nacional disponibiliza online 271 itens da coleção Panair do Brasil – a primeira sobre uma empresa incorporada ao acervo do museu.

Resultado de doações feitas por ex-funcionários da empresa e familiares, parte da coleção foi exibida ao público ano passado na exposição “Nas asas da Panair”, que traçou um panorama histórico de uma das empresas pioneiras da aviação comercial no Brasil, tendo funcionado entre 1929 e 1965.

Todos os itens agora online encontram-se com foto e descrição completa na coleção digital. Tem de tudo o que você possa imaginar e que relembra as operações de uma das mais pujantes empresas brasileiras, fechada após decreto.

Também está disponível na biblioteca digital do MHN o catálogo da exposição “Nas asas da Panair”, que reúne imagens da coleção, conta parte da história e traz uma cronologia da empresa.

A coleção

A mostra contém itens da coleção criada em 2017, como resultado de uma parceira entre a empresa Panair do Brasil e a Família Panair, uma associação que reúne antigos funcionários da companhia. Ao longo de um ano foram coletados quase 700 peças, entre objetos e material de divulgação impresso.

Quase todos contribuíram com folhetos, medalhas comemorativas, uniformes, adereços, louça, maletas de mão, brindes, fotografias, fitas e CDs com entrevistas, outros tipos de documentos e pequenos luxos – como protetor de caneta tinteiro, guardanapo de linho e talher de prata dos “tempos da Panair”. Alguns objetos foram adquiridos nos leilões de liquidação da empresa.

Desde sua concepção inicial, foi prevista a doação da coleção ao MHN. Durante dois anos, Rodolfo da Rocha Miranda, diretor-presidente da Panair do Brasil, coordenou a coleta da memorabilia, que foi, concomitantemente, organizada por historiadores e museólogos.

Todos os colaboradores tiveram os itens doados cadastrados e fotografados. A Panair do Brasil financiou a construção da coleção e esta exposição como uma homenagem a seus funcionários, familiares e todos os que, ao longo dos últimos cinquenta anos, contribuíram para manter viva a memória da empresa e daqueles que contribuíram com ela.

“A companhia de aviação Panair é o símbolo de uma época do Brasil quando a viagem de avião representava um ideal de vida moderna. O contato direto com as peças da coleção aproxima todos da história de modo sensível”. Paulo Knauss, diretor do MHN

Anúncio veiculado pela Panair do Brasil em 16 de fevereiro de 1933 (coleção Paulo Laux).

Sobre a Panair

Há exatos 90 anos, em 1929, surgia no Brasil uma subsidiária da americana Nyrba (Nova Iorque – Rio – Buenos Aires) que, no ano seguinte, incorporada pela Pan American, passou a se chamar Panair.

Em 1961, com a entrada dos empresários Celso da Rocha Miranda (1917-1986) e Mario Wallace Simonsen (1909-1965), a Panair teve seu longo processo de nacionalização concluído. Era a Panair que, nos anos 1930 atendia a Amazônia, promovendo a integração da região com o resto do país. Com seus hidroaviões, levava carga e remédios e transportava doentes.

A Panair do Brasil se tornou a segunda maior companhia aérea do mundo e a excelência de atendimento nos voos e em terra rendeu-lhe a expressão “padrão Panair” para designar qualquer coisa que fosse de alta qualidade fora do âmbito da aviação.

Em 10 de fevereiro de 1965, a Panair do Brasil teve suspensas todas as suas concessões de voo, por um despacho do presidente da República Marechal Castello Branco.

A alegação, provadamente inverídica, foi a de que a situação financeira da empresa era irrecuperável. Sem poder operar, a companhia dispensou os funcionários, mas a saúde financeira da companhia permitiu que todos fossem indenizados.

No ano seguinte, ainda sob o choque do desmonte da empresa, foi criada a Família Panair. Desde 1966, o grupo se encontra uma vez por ano para preservar a memória da companhia e a amizade entre eles.

Panair na memória

A canção de Milton Nascimento e Fernando Brant, escrita em 1974, tinha o título “Saudade  dos aviões da Panair”. A empresa fora fechada pelo governo militar e, por precaução, os autores criaram um segundo título: “Conversando no bar”. Foi em um voo da Panair que Brant tomou a primeira coca-cola da sua vida e o menino Milton, segundo ele próprio, era convidado a visitar a cabine de comando quando viajava com os pais.

Em 2005, o jornalista paulista Daniel Leb Sasaki publicou o livro “Pouso forçado”, relançado em 2015 em edição muito ampliada, depois da Lei de Acesso à Informação e da Comissão Nacional da Verdade, que propiciaram ao autor acesso a material inédito. A primeira edição foi indicada ao Prêmio Jabuti.

O cineasta Marco Altberg lançou, em 2007, o documentário “Nas Asas da Panair – uma história de glamour e conspiração”, que narra a história da companhia através de depoimentos de ex-funcionários, dos familiares do seu presidente, Paulo de Oliveira Sampaio, dos acionistas Rocha Miranda e Simonsen e ex-passageiros, como Eduardo Suplicy, Norma Benguell, Milton Nascimento e Fernando Brant.

A exposição “Nas asas da Panair” é uma realização do MHN/Ibram, com patrocínio da Panair do Brasil, produção da Artepadilla e apoio da Associação de Amigos do MHN.

Fonte: AEROIN

Museus e o fim da quarentena: como garantir a segurança do público e das equipes

À medida que as quarentenas terminam gradualmente em várias regiões e países, os museus precisam revisar e atualizar seus protocolos de segurança sanitária para reabrir adequadamente. Embora as regulamentações nacionais variem dependendo da evolução específica da pandemia da COVID-19, existem algumas medidas básicas que podem ser tomadas para proteger a saúde dos visitantes e da equipe

PREPARAÇÃO PARA A CHEGADA DO PÚBLICO

  • Definir o número máximo de visitantes permitidos no museu e informar ao público sobre o assunto.

  • Definir o número máximo de visitantes por sala de exposição e informar ao público (é recomendável definir um número máximo de pessoas por metro quadrado para permitir uma distância de segurança de 1,5 m entre cada visitante).

  • Determinar o tempo médio de visita para estabelecer intervalos de tempo.

  • Considerar a reabertura gradual das exposições.

  • Na medida do possível, estabelecer um sistema de reserva (online, por telefone e/ou email). Se possível, criar um sistema de bilheteria on-line.

  • Considere o horário de funcionamento estendido.

  • Considere horários de funcionamento dedicados a determinados grupos (por exemplo, maiores de 65 anos de idade).

  • Negar acesso a pessoas que apresentam sintomas da doença.

  • Notificar o público sobre restrições relacionadas ao contexto no website da instituição (se houver) e antes de entrar no museu.

ACESSO PÚBLICO – ADAPTANDO O FLUXO DE VISITANTES

  • Evitar ou gerenciar filas nas entradas e balcões.

  • Fazer marcações no solo para as filas, de modo a garantir que a distância recomendada de 1,5 m entre os visitantes seja mantida.

  • Garantir a distância entre os visitantes e os balcões de recepção, possivelmente instalando vidro para proteger funcionários e visitantes.

  • Fechar os guarda-volumes que requeiram a presença de funcionários para evitar manuseio e contato desnecessários (os armários podem permanecer disponíveis se forem desinfetados regularmente entre os usos).

  • Garantir a manutenção de fluxos separados de entrada e saída e orientar o percurso nas salas de forma unidirecional (se possível).

  • Visitas guiadas e atividades educativas podem ser oferecidas se a distância de segurança entre os participantes for respeitada.  Definir intervalos de tempo específicos para visitas em grupo e restringir seu tamanho.

  • Aberturas de áreas comerciais comuns (lanchonete, livraria, lojas) estão sujeitas a regulamentos nacionais específicos.

ACESSO PÚBLICO – FORTALECIMENTO DAS MEDIDAS DE SAÚDE

  • Instalar dispositivos com desinfetante para as mãos na entrada do museu e fornecer sinalização de alerta para incentivar os visitantes a respeitar as medidas de saúde em vigor.

  • Garantir que os visitantes tenham acesso aos banheiros (permitindo que lavem as mãos com sabão e água e dando preferência a material higiênico descartável).  Adaptar esse acesso às regras de distanciamento social em vigor (marcação no chão, etc.).

  • Garantir que os dispositivos, tais como audioguias, fones de ouvido e outros equipamentos similares que requerem manuseio sejam sistematicamente desinfetados após cada utilização.

  • Instalações para deficientes e dispositivos educativos com botões de controle devem ser limpos frequentemente com desinfetantes.

  • As portas internas deverão permanecer abertas (se possível). Caso contrário, elas devem ser desinfetadas toda vez que forem usadas.

PESSOAL DE RECEPÇÃO E SEGURANÇA

  • A equipe de segurança deve estar presente na recepção e nas salas do museu para garantir não apenas que haja distância suficiente entre o visitante e as obras em exibição, mas também para garantir que haja distância suficiente entre os próprios visitantes. Se necessário, para garantir a segurança das obras e visitantes, as equipes podem ser complementadas por pessoal adicional.

  • Fornecer aos funcionários dispositivos de proteção adequados (proteção de caixa registradora, máscaras, desinfetantes), condição obrigatória para abertura ao público.

MEDIDAS DE LIMPEZA E CONSERVAÇÃO

NO ESCRITÓRIO

  • Considerar a adaptação sustentável dos planos de emergência.

  • Estender empréstimos para minimizar movimentação, manuseio e transporte.

  • Áreas acessíveis às equipes serão limpas de acordo com as diretrizes nacionais.

  • Equipamentos usados por vários membros da equipe precisarão ser desinfetados regularmente. Na ausência de padrões de desinfecção, este equipamento não deve ser usado.

  • Os funcionários limparão seu local de trabalho diariamente com toalhas à base de álcool ou toalhas de papel, independentemente do serviço de limpeza em vigor.

  • Qualquer funcionário cuja atividade não exija presença no local continuará trabalhando em casa e de acordo com os regulamentos nacionais.

Finalmente, recomenda-se que os museus que não estiverem em posição de atender a essas medidas estendam seus fechamentos temporários.

Acesse: ICOM_protocolo_de_reabertura

Fonte: ICOM Brasil

Ibermuseus apresenta dois importantes recursos para o setor neste Dia Internacional dos Museus

Uma Ferramenta de Autodiagnóstico em Acessibilidade e um Centro de Documentação foram criados para promover a igualdade, a diversidade e a inclusão, e para apoiar a gestão dos museus.

Partindo da premissa de que os museus devem ser instituições abertas, democráticas e inclusivas para todas as pessoas, o Programa Ibermuseus, por meio de seu Observatório Ibero-americano de Museus, apresenta uma ferramenta que facilita o diagnóstico da acessibilidade das instituições museológicas.

Como resultado de uma estreita colaboração com a Direção-Geral do Património Cultural de Portugal, nasce a Ferramenta de Autodiagnóstico em Acessibilidade do Ibermuseos, um recurso on-line que permite aos museus conhecer o grau de acessibilidade de sua sede, localização, exposições, comunicação, consultoria, capacitações, emprego, avaliação e gestão.

Depois de responder a um grupo de perguntas simples, a instituição conhecerá sua situação por meio de um resumo dos resultados e uma representação gráfica deles, que pode ser baixada em vários formatos. O recurso também possui um glossário e uma seção para disseminar boas práticas.

Ao mesmo tempo, a ferramenta também apoiará o desenho de políticas públicas, uma vez que facilita aos órgãos de gestão dos museus dos países membros do Ibermuseus o acesso a relatórios globais sobre as instituições de cada país.

Além deste importante recurso, o Centro de Documentação Ibermuseus – CDI disponibiliza ao público mais de 200 publicações de países da região.

O CDI contempla uma grande diversidade de temas relacionados ao universo dos museus, como Acessibilidade, Comunicação, Conservação, Restauração, Curadoria, Educação, Estatística, Estudos de Público, Gestão, Inventário, Legislação, Memória, Museografia, Museologia, Patrimônio, Sustentabilidade, Tráfico Ilícito, entre outros.

Os visitantes podem filtrar sua pesquisa por país, ano, tema ou tipo de documento. No CDI encontra-se uma série de estudos, guias, manuais, reflexões, catálogos, revistas, publicações do Ibermuseus, recomendações e declarações históricas da museologia ibero-americana.

A apresentação pública desses dois recursos ocorre em um momento de fechamento temporário das instituições e adoção do trabalho remoto por muitos técnicos de museus. Dessa forma, muitos profissionais poderão de casa trabalhar na implementação de medidas acessíveis em suas instituições ou na expansão de seu conhecimento por meio de publicações que são referências na região.

Acesse:

Ferramenta de Autodiagnóstico da Acessibilidade

Centro de Documentação Ibermuseos

Juntos somos mais fortes – Museus pela igualdade

Fonte: Ibermuseos

18ª Semana Nacional de Museus começa nessa segunda-feira

Começa nessa segunda-feira, a Semana Nacional de Museus (18ª SNM) com programações online planejadas por museus e instituições culturais de todo o país. Com o tema “Museus para a Igualdade: diversidade e inclusão”, a temporada é a 18ª edição do evento orquestrado pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) em comemoração ao Dia Internacional dos Museus (18 de maio).

Em virtude da necessidade da adoção de medidas de prevenção ao Coronavírus (Covid-19), ainda na segunda quinzena de março, o Ibram recomendou que os eventos presenciais planejados para a 18ª SNM fossem cancelados e sugeriu que as instituições buscassem moldar suas atividades para ambiente virtual.

Segundo Patrícia Fernandes, coordenadora da Divisão de Promoção Museal, no Ibram, que coordena a realização da Semana de Museus, devido à necessidade de adaptações na programação, muitas das mais de 900 instituições inscritas incialmente não chegaram a informar suas novas programações. “Nós estamos buscando pelas redes sociais mapear todas as atividades programadas e iremos divulgá-las em nossos canais ao longo da Semana”.

“Após a interrupção do funcionamento dos museus, infelizmente, essa adaptação foi necessária. Mas o que podemos destacar como ponto positivo é que, em meio à pandemia, as pessoas poderão ter acesso às instituições e participar de atividades desenvolvidas mesmo daquelas que ficam distantes geograficamente. Isso graças à reorganização dos museus no intuito de manter o contato com o público”, concluiu Patrícia Fernandes.

Serão várias atividades programadas. Entre os Museus Ibram, no dia 18, estão previstos o lançamento dos novos sites institucionais do Museu do Diamante (MG) e do Museu Imperial (RJ). Já o Museu Casa Histórica de Alcântara (MA) e o Museu Casa da Hera (RJ) também lançarão os seus acervos online por meio da plataforma Tainacan, nos dias 18 e 19, respectivamente.

No dia 24 de maio, o Museu Villa-Lobos (RJ) lançará na plataforma Google Arts&Culture, a exposição virtual Native Brazilian Music: 80 anos, que conta o percurso da gravação de um dos discos mais icônicos da história da música brasileira. Lá também serão disponibilizadas 50 fotos do acervo do museu.

Confira aqui outras atividades dos Museus Ibram e acesse o Guia da Programação da 18ª Semana Nacional de Museus e acompanhe a realização de outras atividades pelo nosso Facebook e Instagram.

Fonte: Museus

Museu de ciências lança vídeos analisando diversos aspectos da pandemia

Toda segunda-feira, no YouTube, o Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast) traz discussões sobre o novo coronavírus, avaliando efeitos políticos e de saúde pública

Em meio à pandemia do novo coronavírus, precisamos dar ouvidos aos cientistas e pesquisadores para entendermos melhor o atual cenário. Por isso, o Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast), no Rio de Janeiro, desenvolveu um projeto no YouTube chamado de Ciência e Cultura em Tempos de Pandemia para tratar de assuntos relevantes e atualizados relacionados ao Sars-CoV-2.

Todas as segundas-feiras, um vídeo novo vai ao ar. Esta é mais uma atividade do Mast em Casa, iniciativa do museu que reúne ações para levar conteúdo e conhecimento às pessoas neste período de isolamento social.

Nos vídeos, são discutidos os efeitos políticos e sociais da pandemia de Covid-19, as formas de contágio e como combater e brecar o avanço da doença.

O primeiro vídeo da série conta com a presença de Luiz Ramiro, cientista político e professor na Universidade Federal Fluminense (UFF), que aponta erros e acertos no combate à disseminação do vírus.

Em outro episódio, Josiane Carvalho Guilherme, mais conhecida como Josi Ticuna, coordenadora do Projeto Piloto de Agrovida-Naãne Arü Mã’u – Terra e Vida, discute a doença sob a ótica de aldeias e populações indígenas — assim como Priscila Faulhaber, doutora em ciências sociais, retoma o assunto em vídeo publicado nesta semana.

Os vídeos são curtos, com cerca de 3 minutos cada, visando estimular a reflexão sobre este momento que vem modificando drasticamente a rotina de todos ao redor do mundo. Assista a playlist do canal do Mast no Youtube:

Fonte: Revista Galileu

Dia da Memória do Poder Judiciário estimula reflexão sobre democracia e cidadania

​​​Em abril, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou, em sessão plenária, a instituição do Dia da Memória do Poder Judiciário: 10 de maio passou a integrar o calendário da Justiça para celebrar um patrimônio cultural construído desde o Brasil Colônia e legado para as gerações presentes e futuras. O presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, foi o relator da proposta que deu origem à Resolução 316/2020. Segundo o ministro, “somos os guardiões de uma história que moldou e construiu nossas instituições judiciárias”.

A sugestão partiu do comitê do Programa Nacional de Gestão Documental e Memória do Poder Judiciário (Proname), que incentiva e apoia ações de preservação e divulgação da herança histórica da Justiça em todo o país. O objetivo é promover a conservação do acervo memorial dos tribunais, bem como homenagear as personalidades que marcaram a história da Justiça brasileira. Existem documentos, processos, objetos e imóveis, bibliotecas e museus que contam, por esse prisma, a história da sociedade e do Estado.

No Superior Tribunal de Justiça (STJ), uma unidade assume o papel de testemunhar a evolução histórico-jurídica do país. A Secretaria de Documentação (SED) faz jus à teoria clássica dos bens culturais, ao manter sob a sua responsabilidade a tríade museu, arquivo e biblioteca. Hoje, a SED é composta por três coordenadorias (Gestão Documental, Memória e Cultura, Biblioteca), voltadas especialmente para a proteção do patrimônio cultural da corte.

Por que 10 de maio?

A data faz referência ao alvará de 10 de maio de 1808, por meio do qual Dom João VI criou a Casa da Suplicação do Brasil. A iniciativa foi implementada dois meses após a família real se estabelecer no Rio de Janeiro, onde chegou em 7 de março daquele ano, após uma temporada em Salvador, fugindo da ameaça de invasão pelas tropas de Napoleão Bonaparte em Portugal.

A medida marca a independência da Justiça brasileira em relação à portuguesa. Com a criação da Casa da Suplicação do Brasil, os recursos de apelações e agravos passaram a ser julgados no Rio de Janeiro, e não mais em Lisboa. O alvará de D. João VI determinava que “a Relação desta cidade se denominará Casa da Suplicação do Brasil e será considerada como Superior Tribunal de Justiça para se findarem ali todos os pleitos em última instância”. Neste ano de 2020, nossa Justiça comemora 212 anos.

Pensando nisso, o CNJ preparou duas sessões especiais – a primeira foi conduzida na última quinta-feira (7), na sede do STF, e a outra será realizada na terça (12), no próprio conselho. Além disso, o CNJ criou um selo comemorativo e disponibilizou em seu site informações sobre a data, inclusive com matérias produzidas por outros órgãos da Justiça, que poderão participar pelo Portal de Comunicação Integrada do Poder Judiciário.

Gestão documental

O coordenador de Gestão Documental do STJ, Julio Cesar Souza, afirma que parte da memória institucional se encontra registrada em documentos de arquivo, pela capacidade que eles possuem de registrar os fatos, preservar e estender no tempo suas evidências. “São testemunhos importantes da evolução da instituição e de suas relações com a sociedade, e constituem importante fonte de pesquisa.”

Para atender ao pesquisador, não basta à instituição guardar documentos. Segundo o coordenador, eles precisam ser tratados, organizados e estar disponíveis. Nesse aspecto, a gestão documental é fundamental. Só ela, com a aplicação de técnicas e instrumentos específicos, pode garantir que documentos de valor histórico sejam separados daqueles sujeitos à eliminação.

Arquivo virtual

Um exemplo da importância desse tratamento ar​quivístico para a preservação da memória institucional é o Arquivo.Cidadão. Nesse ambiente virtual, estão disponíveis para consulta vários conjuntos documentais acumulados pelo STJ. São documentos recolhidos para a posteridade em razão do valor que possuem como prova ou fonte de informação para o tribunal e a sociedade.

Imagem aérea das obras da sede do STJ, projetada por Oscar Niemeyer e inaugurada em 22 de junho de 1995. O complexo de 140 mil metros quadrados comporta a circulação de 6 mil pessoas por dia.

​​Em 2019, mais de 49 mil pessoas visitaram o acervo virtual e puderam ter acesso a documentos como as fotos da construção da sede do tribunal ou processos que definiram entendimentos jurídicos sobre temas relevantes. São registros da evolução da corte e da sociedade, preservados a serviço da memória do país.
Na página do Arquivo.Cidadão, o usuário tem acesso ao boletim MomentoArquivo, que a cada mês relata um caso de repercussão julgado ao longo dos 30 anos de história do tribunal.

O portal do STJ também traz informações sobre o processo de sua criação na Constituinte de 1988, os antecedentes históricos e as transformações posteriores, até a era do processo eletrônico.

Museu

A memória do STJ tem um lugar cativo na sede do tribunal. Logo na entrada do Museu, o visitante se depara com vestes talares e um habeas corpus escrito em papel higiênico – lembrando que a Justiça é para todos.

Há um vídeo explicativo sobre o tribunal, móveis históricos e a galeria com a primeira composição da corte, proveniente do Tribunal Federal de Recursos (TFR) – cujos magistrados, servidores e recursos materiais foram incorporados ao STJ na instalação do novo tribunal, em 1989.

O Museu tem uma sala onde a história do extinto TFR se confunde com os primeiros passos do STJ. Os 42 anos da instituição que deu origem ao STJ são contados nessa exposição permanente do acervo do extinto tribunal.

Criado pela Constituição de 1946 e instalado em 1947 como segunda instância da Justiça Federal, o TFR é relembrado nessa mostra, que tem a finalidade de aproximar o Judiciário do cidadão, revelando a formação da cultura jurídica do país, com suas ideias e seus personagens.

A exposição permite uma viagem aos tempos em que a Justiça funcionava com procedimentos artesanais. Um exemplo dessa realidade tão distante do processo eletrônico é a mesa de madeira com estrutura em ferro na qual os volumes dos processos em papel eram remontados. Utilizada até 1992, a mobília traz as marcas das perfurações deixadas pela furadeira que abria caminho para os barbantes na costura feita com a ajuda de uma sovela – um tipo de agulha grossa.

O Museu do STJ, que também resgata a memória do extinto TFR, reúne móveis históricos, instrumentos de trabalho, processos, documentos diversos, vestimentas, fotos, condecorações e outras peças.

​Também compõe a mostra a mesa da sala de julgamentos da primeira sede do TFR. A exposição reúne, ainda, processos, documentos, vestimentas e fotografias que retratam como era a atividade judiciária do tribunal ancestral do STJ.
Patrimônio de todos

Para o chefe da Seção de Memória e Difusão Cultural do STJ, Evanildo Carvalho, “a memória é o principal ingrediente das construções identitárias, pois cria e fortalece nos indivíduos as ideias de pertencimento e, a partir disso, fundamenta os laços de reconhecimento e solidariedade no interior de uma comunidade, o que resulta na coesão social”. Segundo ele, reconhecer e trabalhar a memória como um valor “é o que alicerça e assegura a identidade da organização, sua conformação no espaço social”.

O espaço destinado à memória da instituição oferece ao público uma galeria de arte contemporânea, cujas exposições temporárias integram um calendário anual.

O tribunal mantém diversos programas educativos que promovem visitas de estudantes de todos os níveis e grupos de idosos ao museu e outras dependências.

O Museu do STJ fica disponível para visitação de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h. No momento, porém, em virtude da pandemia da Covid-19, a sede do STJ está fechada para o público.

O acervo do Museu do STJ pode ser conhecido também pela internet.

STJ 30 anos

Entre dezembro de 2018 e abril de 2019, o site do STJ publicou a série de reportagens 30 anos, 30 histórias​, em comemoração aos 30 anos de instalação do tribunal. Criada com a promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988, a nova corte foi oficialmente instalada em 7 de abril de 1989.

A iniciativa da Secretaria de Comunicação Social teve o objetivo de resgatar a memória de três décadas de prestação jurisdicional por meio de 30 personagens que, de alguma forma, tiveram suas vidas afetadas pelos julgamentos ou contribuíram, muitas vezes de forma anônima, para a construção dessa história.

A série de reportagens deu origem a uma exposição multimídia, aberta em 2 de outubro de 2019 na sede do tribunal, e também a uma edição especial da revista digital Panorama STJ.

Biblioteca digital

Com quase 130 mil documentos, a Biblioteca Digital Jurídica (BDJur) é um dos maiores acervos digitais jurídicos da América Latina. Atualmente, usuários do Brasil e do exterior acessam a plataforma para visualizar – e baixar – itens como livros, artigos jurídicos, palestras, bibliografias, conteúdos doutrinários, obras de arte, textos da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam) e do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR), além de documentos produzidos pelo próprio STJ.

Criada em 2005, a BDJur foi a primeira biblioteca digital do Poder Judiciário inscrita sobre uma plataforma livre, permitindo acesso direto ao seu conteúdo por meio de ferramentas de busca. O repositório de material jurídico e administrativo é mantido pelo STJ. Além disso, estão disponíveis obras raras, artigos e palestras em vídeo de juristas renomados, trabalhos acadêmicos (de autoria dos ministros e servidores) e mais de 130 títulos de revistas jurídicas das principais editoras do país.

Fonte: STJ

Chamada de submissão de capitulo para livro com o tema “Atuação de Arquivistas, Bibliotecários e Museólogos em épocas de pandemias”

Em época de pandemia e mudanças do nosso fazer profissional em diferentes ambientes informacionais, é necessário reinventar-se e desenvolver novas competências para continuar atendendo as demandas sociais. Dessa forma, eu e Professora Daniela Spudeit estamos organizando uma obra para evidenciar as práticas informacionais e também estudos teóricos acerca da atuação dos profissionais de informação em época de pandemias. Os textos serão avaliados de acordo com o rigor metodológico e devem ter entre 10 e 20 páginas. Os textos selecionados comporão um ebook de acesso gratuito. Prazo para envio: 01 de junho para email ebookpandemia@gmail.com.

Museu distribui máscaras a idosos; a ação acontece até quinta no Centro Histórico

AJUDA – São 300 unidades produzidas de tecido para uso da proteção facial

As proteções serão entregues ao grupo de risco, acompanhadas de bilhetes com instruções sobre os cuidados necessários no momento de lavar o tecido

Com o objetivo de aumentar o acesso dos idosos a uma das medidas de proteção na luta contra o coronavírus, a Biblioteca Municipal Paulo Bomfim doará ao público da terceira idade cerca de 300 máscaras produzidas de tecido no período em que o uso da proteção facial se tornou obrigatório para sair às ruas. Os equipamentos são distribuídos até quinta-feira (30), das 10 horas às 13h30, no Museu Conceição de Itanhaém, localizado na Praça Narciso de Andrade, no Centro Histórico.

Estampadas ou coloridas, as máscaras recebem proteção com dupla camada de tecido, que segundo estudo publicado recentemente na revista ‘ACS Nano’ mostrou que uma combinação de tecidos, com duas ou mais, pode filtrar até 99% das gotículas quando uma pessoa infectada tosse ou fala próxima de alguém saudável.

Os tecidos que antes estavam sem uso nas residências das profissionais ganharam novo destino. A bibliotecária Maraléia Menezes e a artesã Dirce de Paula deram nova utilidade ao material, transformando-os em máscaras faciais. “Quando vi o tecido em casa, percebi que era a oportunidade perfeita para ajudar quem tanto precisa. Conseguimos produzir um número significativo para doar às pessoas”, ressalta Léia, como é conhecida pelos amigos.

As proteções serão entregues ao grupo de risco (pessoas com idade acima de 60 anos), acompanhadas de bilhetes com instruções sobre os cuidados necessários no momento de lavar o tecido.

Fonte: Prefeitura de Itanhaém

Museu da USP sobre história da medicina mostra acervo pela internet

Toda semana, o museu da Faculdade de Medicina vai expor em suas redes sociais itens importantes do acervo; história das pandemias é um dos temas abordados

Uma seringa de vidro usada em 1930; a primeira máquina da América Latina que funcionou como coração artificial em 1958; e peças de cera, da mesma época, que mostram de forma realista lesões de pele, como as que surgem da sífilis. Materiais como esses, que contam a história da Medicina, serão agora apresentados ao público pelas redes sociais da Faculdade de Medicina da USP (FacebookInstagramYouTube e Twitter). Eles fazem parte do acervo do Museu Histórico Prof. Carlos da Silva Lacaz, que está fechado por causa da pandemia de coronavírus.

Gripe espanhola é um dos temas abordados no acervo do Museu Histórico da Faculdade de Medicina – Foto: National Museum of Health and Medicine / Domínio público

Para compartilhar conhecimentos com as pessoas que estão em casa, até que seja possível reabrir o museu de forma segura, serão apresentados semanalmente três projetos. Em História das pandemias e das endemias, às segundas-feiras, o museu vai tratar da gripe espanhola em São Paulo, em 1918, e dos aspectos históricos de endemias como doença de Chagas, sífilis e tuberculose. O material é produzido pelos historiadores do museu em parceria com pesquisadores e pós-graduandos convidados.

Às quartas-feiras, O acervo e suas histórias apresentará vídeos explicativos com os conteúdos do acervo, incluindo materiais, documentos, obras de arte ou iconografia, com indicação de procedência, historicidade e relevância. A seleção será feita com base em itens raros que não constam da exposição física.

O Acervo e sua preservação, tema das sextas-feiras, vai abordar informações sobre preservação do acervo, mostrando como o museu está trabalhando com os seus materiais neste período de fechamento.

Para compartilhar conhecimentos com as pessoas que estão em casa, até que seja possível reabrir o museu de forma segura, serão apresentados semanalmente três projetos. Em História das pandemias e das endemias, às segundas-feiras, o museu vai tratar da gripe espanhola em São Paulo, em 1918, e dos aspectos históricos de endemias como doença de Chagas, sífilis e tuberculose. O material é produzido pelos historiadores do museu em parceria com pesquisadores e pós-graduandos convidados.

Às quartas-feiras, O acervo e suas histórias apresentará vídeos explicativos com os conteúdos do acervo, incluindo materiais, documentos, obras de arte ou iconografia, com indicação de procedência, historicidade e relevância. A seleção será feita com base em itens raros que não constam da exposição física.

O Acervo e sua preservação, tema das sextas-feiras, vai abordar informações sobre preservação do acervo, mostrando como o museu está trabalhando com os seus materiais neste período de fechamento.

Livro disponível para download no Museu Histórico da Faculdade de Medicina [clique na imagem para ver] – Foto: Reprodução/FMUSP

Cultura médica

O Museu Histórico da Faculdade de Medicina foi criado em 1977 com apoio da elite médica paulista e de parte significativa dos professores e alunos da própria Faculdade. Considerado o primeiro museu de cultura médica do Brasil, atualmente é voltado para a pesquisa e para o público geral, com exposições e roteiros educativos em temas como História das práticas médicas e de saúde, Arte e Medicina, História social das doenças, entre outros. O museu recebe grupos de estudantes que cursam desde o ensino fundamental, até cursos de graduação e pós-graduação oriundos de todo o Brasil e do mundo.

No site do museu é possível conhecer parte do acervo em um guia disponível on-line, além de ter acesso a livros completos para download sobre a história da medicina.

Mostra Virtual do Museu Histórico “Prof. Carlos da Silva Lacaz”
Faculdade de Medicina da USP

Segunda: História das pandemias e das endemias

Quarta: O acervo e suas histórias

Sexta: O acervo e sua preservação

Disponível em: FacebookInstagramYouTube e Twitter

Site: https://www.fm.usp.br/museu

Telefone: (11) 3061-7249

E-mail museu.historico@fm.usp.br

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Exposição “A Pele Enferma” conecta a arte ao mundo científico

A mostra reúne quarenta peças em cera, produzidas pelo artista plástico Augusto Esteves entre as décadas de 30 e 50, representando as principais doenças dermatológicas existentes naquela época

Fonte: Jornal da USP

Instituto Ricardo Brennand: do canivete à maior coleção bélica do mundo

Texto: Juliana Aguiar

 (Foto: Divulgação)
Foto: Divulgação

Suntuoso, histórico, afastado da cidade, com esculturas em mármore e paredes estampando obras raras. O Instituto Ricardo Brennand (IRB) é, acima de tudo, um castelo metalinguístico. É como viajar no tempo, entrar em um castelo gótico que conta a história do medievo, das lutas e das armas brancas, através de uma das maiores coleções bélicas do mundo. O espaço, construído pelo empresário pernambucano Ricardo Brennand, que faleceu no último sábado (25), vítima da Covid-19, para resguardar sua coleção particular artística e histórica, era um embrião nos seus pensamentos da infância, idealizado após ganhar um canivete de presente do pai. “O que seria um brinquedo para qualquer menino de minha idade veio a despertar uma vocação de colecionador”, afirmou.

Em 1990, depois de vender parte de suas fábricas, Ricardo decidiu investir na construção de um espaço cultural voltado à preservação e memória de seu acervo pessoal. Com isso, começou a adquirir obras de arte e artefatos relacionados à história brasileira. Inaugurado em 2002, o Instituto, que reúne os sonhos do pequeno Ricardo, é localizado nas terras do antigo engenho São João, no bairro da Várzea, e ocupa uma área de 77 mil m2, cercado por uma reserva preservada de Mata Atlântica. O nome foi escolhido, assim como o seu próprio, em homenagem ao tio. Lá, o canivete da infância se transformou em mais de 3 mil peças, entre facas, espadas, adagas, estiletes e armaduras. Com destaque para as armaduras de 1515, a espada pistola alemã de 1590, as espadas que pertenceram ao Rei Faruk do Egito e o conjunto de fuzis que pertenciam a Dom Pedro I e Dom Pedro II.

Frequentado por nomes de peso, a solenidade de abertura do Castelo, com a exposição Albert Eckhout volta ao Brasil, contou com a presença do príncipe Frederik, herdeiro da Dinamarca. Em 2003, Beatrix, a então rainha da Holanda, também esteve presente para inaugurar a mostra permanente Frans Post e o Brasil holandês. Com 15 telas, é a maior coleção mundial do pintor holandês, que foi o primeiro paisagista das Américas e também primeiro pintor da paisagem brasileira. É também a única coleção que reúne as quatro fases artísticas da carreira de Post, sendo a primeira a que corresponde ao período no qual ele pintou o Brasil, representada pelo quadro A Ilha de Antonio Vaz em Pernambuco, onde hoje estão os bairros de São José e Santo Antônio, na área central do Recife.

A exposição integra uma das mais completas coleções de documentação histórica e iconográfica do Brasil Holândes que exibe, ainda, quadros com autorretratos, documentos e manuscritos assinados por Maurício de Nassau, além de um vasto acervo das invasões do Nordeste brasileiro pelos holandeses no século 17. O IRB possui uma das mais modernas instalações museológicas do Brasil, que conta com o museu de armas brancas Castelo São João, a Pinacoteca, biblioteca, auditório, o Jardins das Esculturas e uma galeria para exposições temporárias e eventos, além da Capela Nossa Senhora das Graças e do Restaurante Castelus.

Ao longo da trajetória, o espaço se tornou referência nacional como espaço cultural que abriga um relevante acervo memorial do país. Recebeu, em 2008 e 2009, o título de Menção Honrosa no Prêmio Darcy Ribeiro, do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Em poucos anos, o museu se tornou atrativo certo do roteiro pedagógico de escolas do Grande Recife e das rotas turísticas da cidade. Em 2017, o IRB foi eleito o melhor museu da América Latina no prêmio Travelers’ Choice Awards, do site de viagens TripAdvisor, ano em que o Metropolitan Museum of Art, de Nova York, figurou no topo mundial. Na lista global, o Instituto assumiu o 18º lugar, enquanto a Pinacoteca de São Paulo ocupou o 20º. Em anos anteriores, o IRB também foi destaque na premiação.

Oitocentos brasileiro
Coleção Janete Costa e Acácio Gil Borsoi e O julgamento de Nicolas Fouquet são as mostras que estavam em cartaz no Castelo antes do fechamento, causado como medida contra a Covid-19. Também ilustram as paredes do Instituto obras dos pernambucanos Francisco Brennand, Tereza Costa Rêgo, José Cláudio, Ismael Caldas, Reynaldo Fonseca e Aloísio Magalhães, que fazem parte do acervo de pintura. Nas grandes salas e corredores, vitrais e mobiliários góticos disputam espaço com candelabros, tapetes, pinturas e esculturas clássicas, como a réplica de O pensador, de Auguste Rodin, fundida em bronze e autenticada pela Casa Rodin de Paris.

Estão presentes na coleção de arte brasileira pinturas, esculturas, desenhos e gravuras de artistas como Abelardo da Hora, Carlos Julião, Claude François Fortier, Nicolas-Antoine Taunay, Jean-Baptiste Debret, Johann Moritz Rugendas, Henri Nicolas Vinet, Franz Heinnrich Carls e Benedito Calixto. Na coleção europeia, onde predominam temáticas de cenas de gênero e armaria, constam obras de Francesco Maltese, Enrique López Martínez, Tito Lessi e Blaise Alexandre Desgoffe. Também constam no acervo pinturas oitocentistas de temática orientalista e de nus femininos, de autoria de Delphin Enjolras e William-Adolphe Bouguereau.

Ainda dentro do complexo arquitetônico, a Biblioteca José Antônio Gonsalves de Mello reúne a história colonial brasileira, com destaque para o período do Brasil holandês. O acervo também abriga partituras dos pernambucanos Euclides de Aquino Fonseca, compositor, e Padre Jaime Cavalcanti Diniz, musicólogo. Além das exposições permanentes e temporárias, o Instituto oferece visitas educativas, cursos de história da arte, programas de arte-educação, encontros literários, palestras e oficinas. Nos últimos anos, o espaço passou a abrigar, ainda, festas de casamento, formaturas, 15 anos e demais eventos solenes. A Capela de Nossa Senhora das Graças, de estilo gótico, construída para a sua esposa, Graça, ministra missas mensais.

El museo del futuro se despide de las exposiciones de masas

La crisis sanitaria transformará la vida de las instituciones de arte, que tendrán que aprender a vivir con una drástica caída de ingresos por la venta de entradas

Decenas de visitantes se apiñan para observar la 'Gioconda' en el Louvre en 2015.Decenas de visitantes se apiñan para observar la ‘Gioconda’ en el Louvre en 2015.RAPHAEL GAILLARDE / GAMMA-RAPHO VIA GETTY IMAGES

PEIO H. RIAÑO

Nadie sabe cómo será la reapertura de los museos cuando pase la crisis sanitaria de la Covid-19, pero todos coinciden en que nada será como antes. En el futuro vaticinado por los responsables de estas instituciones no hay “taquillazos”. No habrá lugar para salas abarrotadas como la de El Bosco, en el Prado, Dalí, en el Reina Sofía, o Leonardo, en el Louvre. “En el mundo post-Covid los museos dejarán de ser objetivo del turismo masivo y los indicadores de éxito serán menos cuantitativos y más cualitativos”, apunta Ana Botella Diez del Corral, Responsable de Programas Publicos, en la Wellcome Trust del Reino Unido, que propone cerrar los museos al menos tres meses y reactivar de manera gradual.

La vuelta no va a ser fácil. Los hábitos de higiene han alterado las pautas sociales y disparado el miedo. “Es una crisis de salud, pero también una crisis existencial que va a provocar cambios fundamentales en nuestro estilo de vida. No tiene sentido seguir con las mismas prácticas museológicas (en las exposiciones, los programas públicos o la educación). Debemos replantearlo todo. No dejo de preguntarme cómo reabrir y contribuir de manera relevante a las necesidades sociales”, añade Botella.

Las alteraciones socioeconómicas van a transformar las condiciones materiales que han sustentado un modelo internacional colapsado. Será difícil volver a atraer público al museo: “Llevará un tiempo convencerlo de que acepte encerrarse durante dos horas en un espacio junto a gran número de gente”, sostiene María López-Fanjul, conservadora de los Museos Nacionales de Berlín. Para el día de la reapertura pide endurecer las exigencias sanitarias ante el contacto entre el público y el personal, y un aforo limitado (por higiene y por tranquilidad). “Seguramente estemos viviendo el fin de la tiranía de los récords de números de visitantes, a favor de una experiencia museística centrada en el bienestar del público”, cuenta la especialista.

Museos sin turistas

Es un cambio real, que obliga a reconsiderar las prioridades hacia el desarrollo de la comunicación virtual y de lo local. María López-Fanjul espera que se refuerce la idea de que la cultura no es ocio y los museos “lugares de esperanza, cuyas obras de arte cuentan infinitas historias de superación y supervivencia”. Miguel Zugaza, director del Museo de Bellas Artes de Bilbao, adelanta que habrá que esforzarse en “explicar una vez más por qué el arte es tan relevante y necesario para la sociedad, como terapia o tan solo para tratar de entender el mundo y sus crisis. Este debe ser el centro de la reflexión”, incide. Zugaza cree que “los museos turísticos se resentirán sin duda a corto plazo, pero seguramente les ayudará a reencontrarse con su alma más pura, alejada de los intereses mercantiles y materiales”.

La dirección del Museo del Prado explica que el 60% de sus visitantes son turistas internacionales y reconocen que es un colectivo que se va a reducir “dramáticamente”. Además, la situación española de incertidumbre y parón económico “va a suponer un tremendo problema de gestión, porque la venta de entradas es la primera fuente de ingresos del museo”. El gasto social cerrará el grifo y volverán a gestionar la escasez. Solo el Museo del Prado aplicó un plan de salvaguarda contra el Covid-19, un día antes del cierre: control de aforos ante los cuadros más populares y rebaja a 500 el número de entradas gratuitas, un recorte cercano a los 3.000 visitantes. Fue peor, porque el museo se vació, en una imagen inusual que podría repetirse en la reapertura. La merma de taquilla saldrá muy cara a los museos: el Prado recaudó 19,4 millones de euros, en 2018. Es el 75,5% del total de ingresos propios (25,6 millones de euros). Es decir, en tres meses de parón perdería más de 5 millones de euros solo en taquilla.

Debacle económica

La presidenta y directora ejecutiva de la American Alliance of Museums, Laura L. Lott, ha puesto cifra a la debacle económica: los museos de EE UU pierden al día 33 millones de dólares (30,6 millones de euros). La semana pasada, el MoMA de Nueva York, uno de los museos más ricos del mundo, notificó a sus educadores un mensaje demoledor: “Pasarán meses, si no años, antes de que podamos volver a los niveles de presupuesto y operaciones para requerir los servicios de los educadores”. La dirección ha despedido a todos.

“Quizá la ‘normalidad anormal’ que llegue será una oportunidad para ahondar en la sostenibilidad de los museos, para la mejor preservación de los bienes y mejor calidad de la experiencia de los ciudadanos”, cuenta a este periódico Pilar Fatás, directora del Museo Nacional de Altamira. “La sostenibilidad es un término contrario al consumismo cultural masificado de los últimos años”, añade Fatás. Cree que tardaremos en recuperar los hábitos, pero nada será como lo entendíamos antes de esta crisis. Los irremediables cambios sociales van a provocar “nuevos modelos de visitas”. “En el Museo de Altamira, por ejemplo, la necesidad de conservación de la cueva trasciende el hecho de visitarla”, añade. La directora de Altamira avanza que la nueva situación económica mermará “ostensiblemente” los presupuestos de las instituciones públicas. En el Ministerio de Cultura no han cuantificado las pérdidas a las que se enfrenta el sector y recuerdan que corresponderá a las autoridades sanitarias certificar la reapertura de la actividad y entonces será cuando estudien un plan de acción.

Nuevas exposiciones

El gerente del Museo Nacional Thyssen, Evelio Acevedo, prefiere no concretar cómo compensarán la pérdida de los ingresos en taquilla, pero cree que la organización de las exposiciones tradicionales implicará “algunas dificultades adicionales a la hora de conseguir préstamos y movilizar obras, pero no se puede esperar un cambio radical en el modelo expositivo”. Frente a esta opinión, Manuel Borja-Villel, director del Reina Sofía, cree que “habrá que reflexionar sobre nuevos modelos museísticos”. “Quizás haya que plantear las muestras de otro modo, pensar más en la investigación”, subraya. El intercambio de obra internacional, con España e Italia como capitales del patrimonio europeo y los países con más infecciones del continente, alterará la política de las exposiciones temporales.

“Habrá un cambio en la experiencia estética, ya que el tipo de relación con el público será distinta. También cambiarán nuestras prácticas artísticas, formas de producción y relación”, cuenta Borja-Villel. Cree que esta situación derivará, “al menos temporalmente”, en la desaparición del museo como objetivo turístico: “Pasará mucho tiempo hasta que el visitante vuelva a tener confianza y poco a poco comience a viajar o a moverse como hacía hace unas semanas”, añade.

Pepe Serra, director del Museo Nacional de Arte de Cataluña (MNAC), está convencido de que la pandemia acelerará la crisis de “la carrera absurda por las audiencias, con grandes exposiciones de muy alto coste y corta duración, pensadas para atraer al público de forma puntual”. Un modelo “claramente cuestionable”. “Se puede plantear un museo con otro tempo. Un lugar que es ante todo servicio público y debe servir a todas y todos. Esta crisis es una lección sobre la fragilidad de un modelo de capitalismo”, indica Serra, que señala cómo la potencia y la fortaleza ciudadana ha salido reforzada.

Fonte: EL PAÍS

Los retos del sector cultural ante la transformación digital. ¿Inversión o gasto?

¿Cómo afecta la transformación digital a las organizaciones? ¿Cuáles son los retos presentes y los desafíos futuros a los que se enfrentan? Este artículo pretende abordar esta problemática y poner especial énfasis en aquellas organizaciones que se encuentran en el sector cultural dentro de la Administración Pública, como son las Bibliotecas, Archivos y Museos. Para ello se analizará el informe Fesabid «Las bibliotecas públicas en España: diagnóstico tras la crisis económica» y el informe de Esade «Administración 2030: Una visión transformadora. Propuestas para la próxima década».

La implicación del personal bibliotecario ha sido y es admirable

La Administración Pública actual en España está sometida a tensiones con diferentes variables que la están afectando a las demandas por parte de los ciudadanos y también al modelo de interacción entre las mismas, debido fundamentalmente a distintas razones como pueden ser:

  1. El envejecimiento progresivo de la población, y en consecuencia de los profesionales de la administración que también tienen una tasa de envejecimiento y no reposición preocupante. Entre el 2000 y el 2025 la población de más de 80 años se habrá triplicado.
  2. La atomización de la cosa pública que muchas veces dificulta encontrar un camino simple y ágil para tratar al ciudadano con la administración, haciendo que todas las listas de múltiples administraciones concentren en una única voz la posibilidad de interactuar con el ciudadano.
  3. La creciente demanda de los servicios públicos siendo los ciudadanos cada vez más exigentes, y también el aumento de los desequilibrios entre los ciudadanos y las administraciones que les dan servicio.

Profundizando en el sector de la Cultura, he seleccionado la parte que corresponde al mundo de las Bibliotecas, Archivos y Museos, el cual sufrió un mayor impacto a nivel de desinversión y disminución en los Presupuestos Generales del Estado entre los años 2010 y 2016. De hecho, de acuerdo al informe Fesabid sobre las Bibliotecas Públicas, varios son los datos que llaman la atención y demuestran este impacto:

  1. Reducción de 251 bibliotecas públicas en este periodo.
  2. Reducción de la inversión de 24,1 millones de euros en el periodo 2012-2016.
  3. Casi un millón y medio de personas (1.480.453) NO pueden acceder al servicio bibliotecario en municipios pequeños de 400 hasta algunos casos 10.000 habitantes.
  4. El Presupuesto de Cultura del 2008 al 2013 sufrió una caída media del 44 %, en donde la partida respecto a las bibliotecas y museos desciende aproximadamente un 22 %

Por ejemplo, un análisis del impacto del 2010-2016 entre la media de las bibliotecas públicas a nivel nacional y la mayor red de bibliotecas públicas perteneciente a la comunidad autónoma de Andalucía confirma algunos desequilibrios entre la media española y la media andaluza.

Bibliotecas Andalucía media española

Los datos hablan por sí solos, respecto a la diferencia de la mayor red que en muchos casos no cuenta en gasto corriente, préstamos, visitas por habitante no supera un 50 % de la media nacional. Deseo apuntar que la media de valoración social en el año 2017 es similar, y eso es como consecuencia de la implicación de los bibliotecarios públicos que, a pesar de la disminución de la inversión y disminución de gasto importante en estos años, han sabido continuar motivados con una implicación admirable comprometida con la visión de las bibliotecas públicas en cuanto al fomento de la lectura pública, así como que la biblioteca pública sea un centro de cultura de acceso público y universal a la ciudadanía independiente del nivel social, cultural o económico.

Respecto al sector de los Museos, la digitalización de sus colecciones nos muestra a través de una comparativa (entre los 10 museos más importantes del mundo) cuántos registros y objetos digitales se encuentran disponibles a través de Internet para cualquier ciudadano del mundo que tenga posibilidad de acceder a la red:

Colecciones online de museos repartidos por el mundo

Apuntar que se estima que el Museo del Prado en el año 2018 ha supuesto una inyección en la economía española de aproximadamente 745 millones de euros, de acuerdo al informe de EY presentado por el socio responsable del estudio Alberto Castilla y que supone 16 veces más que el presupuesto anual de ese mismo año.

Una aportación que, según destacó el director de la institución, Miguel Falomir, este miércoles durante la presentación del documento, es 16 veces mayor que el presupuesto total del museo, que en 2018 se situaba en los 45 millones de euros.

La tecnología en las organizaciones y en el sector cultural

Las organizaciones han cambiado gracias a la tecnología en los últimos 40 años debido a tres inventos fundamentales, y que han supuesto un cambio social, económico y cultural, como han sido:

  1. El invento del ordenador personal, allá por 1975 por IBM.
  2. La aparición masiva de Internet en 1991 y de la web.
  3. La aparición del teléfono inteligente y poder garantizar la movilidad como un hecho para el acceso a la información: IPhone en 2007.

Estos cambios en la tecnología han hecho que la sociedad cambie sus hábitos, sus maneras de comunicarse y también la manera de acceder y tratar la información, así como procesos, documentos, y todo lo que nos relaciona en nuestra vida personal y laboral.

Por otro lado, las organizaciones, y gracias a estos cambios en la tecnología, han podido mejorar la eficiencia de una manera exponencial en cuanto a procesos, interacción entre los trabajadores y la relaciones entre los clientes y los proveedores.

En el caso del sector de la Cultura, estos cambios en la tecnología han hecho que la información que estaba concentrada en los museos como son las colecciones y las obras de arte, o los libros o documentos que están en las bibliotecas, o también la documentación pública que se encuentra en los archivos pueda ser buscada y descargada a través de Internet en los últimos 20 años de manera espectacular.

Con la aparición del teléfono inteligente y tablets el concepto de movilidad sumado al de acceso universal a la información hace que a través de las aplicaciones informáticas podamos acceder desde cualquier dispositivo no solo a cualquier información publicada, sino que los trabajadores de las organizaciones podamos trabajar desde cualquier lugar con las aplicaciones corporativas desde cualquier lugar como si estuviéramos en nuestro puesto de trabajo (descripción de fondos documentales, descripción de obras de arte, introducción de datos de libros físicos o electrónicos, descarga de copias de documentos históricos,….).

Esto también beneficia a los trabajadores del sector de la Cultura, y especialmente los que trabajan en bibliotecas, archivos y museos. Un ejemplo importante es el catálogo colectivo de la Red Española de Bibliotecas universitarias (REBIUN) que permite importar cualquier registro bibliográfico que se encuentre en el catálogo e introducirlo al sistema particular de la biblioteca evitando tener que escribirlo manualmente con una ventaja en eficiencia y tiempo.

Reto de la Cultura para beneficiarse de la tecnología

El sector de la Cultura puede beneficiarse a través de la tecnología para mejorar las demandas de los ciudadanos, así como de los trabajadores de las instituciones con distintas funciones.

  1. Mayor acceso a la información y trámites, haciendo más sencillo, ágil y con un retorno de la inversión respecto a la inversión realizada.
  2. Digitalización de documentos que tienen que garantizarse su preservación por la importancia documental y por su valor histórico.
  3. Mejora de procesos ágiles que disminuyen la burocratización y mejoren la tramitación de determinados procesos:
    • Profesionales: Trámites electrónicos (creación registros bibliográficos, descripción automática de fondos…)
    • Ciudadanos: descarga de libros electrónicos, acceder a los documentos críticos.

La administración pública y el sector de la Cultura tienen la oportunidad de afrontar los siguientes retos y desafíos de aquí hasta el 2030:

  1. Visibilidad y comunicación ajustada a los retos actuales de los ciudadanos.
  2. Nivel de servicio excelente y sostenibilidad de los servicios públicos prestados.
  3. Cercanía y lenguaje segmentado a toda la ciudadanía, qué se puede ofrecer y para qué.

Para ello la Administración requiere que trate al sector de la Cultura como un sector que tiene un retorno respecto a la inversión realizada, así como el establecimiento de unos indicadores a largo plazo que permiten comparar este sector con unos ratios que puedan contribuir a establecer unos objetivos, visión y misión acordes a una estrategia de políticas culturales.

Los factores de inversión, sostenibilidad y racionalización son variables que tienen que estar dentro del sector de la cultura, así como transparencia y rendición de cuentas respecto a la inversión realizada, retorno de la inversión y beneficios sociales obtenidos tras estas inversiones. Algunas recomendaciones para mejorar estos indicadores pueden venir de colaboraciones entre las empresas y la administración pública, a través de una mejora respecto a la actual ley de mecenazgo que puede ser poco ambiciosa respecto al alcance definido. Puedo sugerir indicadores relacionados con:

  1. Indicadores de cohesión social respecto a la localización.
  2. Indicadores de fomento de la lectura segmentado en lectores, usuarios físicos y virtuales.
  3. Creación de catálogos de contenidos educativos junto a los colegios y universidades públicas próximas para poder acceder desde los catálogos colectivos de las bibliotecas a mayor número de contenidos.

Otra recomendación puede ser como con los compromisos de los Objetivos de Desarrollo Sostenibles 2030 que públicamente han sido asumidos por el actual gobierno y que tiene como reto reducir la brecha del acceso a los servicios de las bibliotecas en núcleos pequeños, pues más de un millón y medio de población puede no tener garantizado este derecho básico universal.

Juan Repiso Arteche

Director General de Baratz

Imagen superior cortesía de Shutterstock

Fonte: ComunidadBTZ

Masp reforça conteúdo digital em suas redes sociais a partir deste mês

O Museu de Arte de São Paulo promoverá lives com curadores e convidados em rede social

O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) preparou alguns conteúdos digitais para continuar levando arte ao público enquanto estiver fechado.

A partir de 6 de abril, toda segunda e sexta-feira, às 18h, seguidores poderão acompanhar lives no Instagram do @masp com conversas entre curadores do museu e convidados.

A primeira edição, que acontece na próxima segunda, 6/4, terá o encontro de Adriano Pedrosa e Lilia Schwarcz, diretor artístico e curadora-adjunta de histórias do museu, em torno das histórias no MASP, noção plural e polifônica que guia a programação do museu anualmente desde 2016. Esse termo, em português, abrange tanto a ficção como a não ficção, as narrativas pessoais, políticas, econômicas, culturais e mitológicas.

Além dos conteúdos habituais nas mídias digitais do museu (como os #TBTs que resgatam momentos históricos), a nova série masp [curadoria] em casa leva ao Instagram, Facebook e Twitter comentários de curadoras e curadores sobre uma imagem relacionada ao museu a partir de uma perspectiva pessoal. Pode ser uma obra, um detalhe da arquitetura, uma exposição, uma atividade, uma palestra ou um seminário, do passado recente ou remoto.

Já o MASP Áudios, aplicativo gratuito disponível para download, reúne cerca de 170 comentários feitos por curadores artistas, professores, pesquisadores e crianças sobre as obras mais icônicas do acervo. Está disponível para download na App Store e no Google Play.

O canal do YouTube traz os vídeos de seminários e palestras, entrevistas com os artistas e outros detalhes sobre algumas exposições. No Google Arts & Culture ainda é possível fazer um tour virtual e explorar a exposição permanente do MASP, o “Acervo em Transformação”.

Editorias: Cultura

Museus conectados

Estadão Conteúdo

Já faz quase duas semanas que museus e centros culturais de São Paulo estão com as portas fechadas como parte das medidas para tentar conter o avanço da covid-19. Em outros tempos, a suspensão das atividades deixaria o público sem nenhum acesso às coleções. Mas a internet permite boas alternativas: museus estão diversificando suas atrações online para manter seus acervos vivos, mesmo sem estarem fisicamente abertos.

A Pinacoteca, que já vinha buscando maior proximidade com o público na web – como ao adotar a forma “Pina” em seus materiais de comunicação -, reforçou a presença nas redes. Com a hashtag #pinadecasa, passou a apresentar diariamente informações sobre sua coleção. Sempre pela manhã, no Facebook e no Instagram, uma postagem com descrições feitas pelos curadores traz curiosidades sobre determinada obra.

Do brasileiro Almeida Júnior, a pintura Leitura, de 1892, foi a primeira a ganhar destaque. Na composição, à frente de uma paisagem calma, uma mulher lê um livro em um terraço. Ao visualizar a obra, estimulado a interagir na caixa de comentários, o público reage de forma bastante positiva: alguns elogiam a escolha da pintura por passar “tranquilidade neste momento turbulento”; outros escrevem que, embora já tenham visto a tela no museu, desconheciam os detalhes apresentados.

A Pinacoteca também passou a utilizar os stories no Instagram para relembrar antigas exposições e compartilhar fotos de seus seguidores no museu. A interação, porém, não se restringe ao passado: hoje, às 11h, seu diretor-geral, Jochen Volz, fará uma transmissão ao vivo para contar o que esperar da mostra OsGêmeos: Segredos, que, inicialmente prevista para abrir este fim de semana, precisou ser adiada.

O Itaú Cultural chegou a inaugurar duas mostras antes do avanço do vírus – uma dedicada ao arquiteto Rino Levi e outra com obras de Sandra Cinto.

Agora, o público pode aproveitá-las pelo site do centro cultural. É possível fazer um tour em realidade virtual pelo hoje extinto Cine Universo, projetado por Levi em 1936. Entre 2 e 12 de abril, haverá também a mostra online Metrópole em Construção, com filmes sobre a urbanização de São Paulo. De Sandra Cinto, o site compartilha um caderno sobre seu universo poético – um plano de aula proposto pela artista, que pode servir como instrumento lúdico para pais e filhos durante a quarentena. A partir de 6 de abril, haverá ainda um vídeo em 360 graus de sua exposição, que foi interrompida.

Também na Avenida Paulista, o Instituto Moreira Salles (IMS) lançou ontem um podcast com dicas de leitura. Conhecido por realizar mostras de expoentes da fotografia, o centro cultural tem reforçado a divulgação de seu acervo online nas redes sociais – como os trabalhos de Peter Scheier, exibidos até então em uma retrospectiva no local. No YouTube, há vídeos de conversas com artistas e curadores. E, na próxima terça-feira, 31, das 14h às 22h, o instituto promove uma maratona de edição de verbetes da Wikipédia sobre arte brasileira e feminismo.

Outro que também investe em uma maratona para editar verbetes da Wikipédia é o Museu do Ipiranga, que realiza seu WikiConcurso até 15 de junho. Fechada há anos, a instituição vem buscando intensificar sua presença online enquanto não volta a funcionar fisicamente.

Cartão-postal da cidade, o Masp tem adotado a estratégia de difundir seu acervo nas redes sociais. Outra aposta é a expansão do aplicativo Masp Áudios (disponível para Android e iOS) unindo seu conteúdo – que inclui comentários de curadores, artistas, professores e pesquisadores – a vídeos divulgados nos canais digitais. No YouTube, há uma boa seleção de vídeos de seminários, palestras, entrevistas com artistas e exposições.

No MAM, além de poder fazer um tour por mais de dez exposições – incluindo exibições recentes de Mira Schendel e Ismael Nery -, o público pode conferir diariamente nas redes sociais postagens feitas com a hashtag #HistóriasDoAcervo. Toda quarta-feira, o museu divulga também conteúdos com #ArtistaDaSemana – as últimas postagens foram dedicadas a Antonio Dias e Thiago Honório, ambos com trabalhos a serem expostos este ano no museu.

Também às quartas-feiras, o setor educativo faz lives com oficinas, contação de histórias e brincadeiras para as crianças. Há ainda quiz, indicação de leituras e playlists para ajudar no entretenimento durante a quarentena.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: ISTOÉ

Faça tours por famosos museus brasileiros sem sair de casa!

Que tal dar um passeio virtual no MASP, na Pinacoteca, no Museu Nacional ou no Museu do Amanhã?

Por: Redação

Ficar de quarentena dá uma saudade e tanto dos rolêzinhos culturais, né? Estamos com o mesmo sentimento! Para acalentar os corações que não abrem mão de um passeio por museus e suas exposições, a Agenda Catraca Livre preparou uma lista de famosos museus de São Paulo, do Rio e de outros estados onde é possível fazer tours virtuais!

Você pode conhecer mais de 20 museus nacionais no Google Arts & Culture. A plataforma oferece, de forma digitalizada, passeios online por dentro das galerias – e, acredite se quiser, você ainda pode visualizar obras raras em alta definição!

Preparades para curtir muita cultura, arquitetura e arte? Então, arrasta a tela:

Criado por Lina Bo Bardi, o MASP é o cartão postal de SP com seu vão gigantesco - um dos maiores do mundo!

Crédito: IStock/@Solange_ZCriado por Lina Bo Bardi, o MASP é o cartão postal de SP com seu vão gigantesco – um dos maiores do mundo!

Museu de Arte de São Paulo (MASP) é um museu privado sem fins lucrativos, fundado pelo empre­sário brasileiro Assis Chateaubriand, em 1947, tornando-se o primeiro museu moderno no país!

Além dos interiores do museu, você pode conferir mais de 1.000 itens e as mostras “Arte na moda: Coleção MASP Rhodia”, “Arte da Itália: de Rafael a Ticiano”, “Arte do Brasil até 1900”, “Arte da França: de Delacroix a Cézanne”, “Acervo em transformação”, “Histórias da Loucura: Desenho do Juquery”.

Clique aqui para fazer um tour no MASP.

Pinacoteca do Estado de São Paulo

Crédito: IStock | CifotartPinacoteca do Estado de São Paulo

Pinacoteca do Estado de São Paulo é um museu de artes visuais dedicado à arte brasileira do século 19 ao contemporâneo. Fundada em 1905 pelo Governo do Estado de São Paulo, pertence à Secretaria de Estado da Cultura e é o mais antigo museu de arte na cidade!

Além de conhecer os interiores do museu, você pode conferir mais de 500 itens e a incrível obra “Mestiço”, de Candido Portinari, em alta definição.

Clique aqui para fazer um tour na Pinacoteca.

Museu Nacional de Belas Artes

Crédito: Alexandre Macieira – RioturMuseu Nacional de Belas Artes

Situado no centro histórico do Rio de Janeiro, o Museu Nacional de Belas Artes é o mais importante museu de arte do país. Reúne um acervo de setenta mil itens entre pinturas, desenhos, gravuras, esculturas, objetos, documentos e livros.

Além de conhecer os interiores do museu, você pode conferir mais de 2.000 itens e 16 mostras, entre elas “Renina Katz”, “Portinari”, “Djanira: Cronista de ritos, pintora de costumes” e “O Espaço da Arte”.

Clique aqui para fazer um tour no Museu Nacional de Belas Artes.

fachada do MAM

Crédito: DivulgaçãoMAM SP

Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) é uma instituição sem fins lucrativos fundada em 1948. Sua coleção reúne mais de cinco mil obras de arte moderna e contemporânea brasileira.

Além de conhecer os interiores do museu, você pode conferir mais de 100 itens e 11 mostras, entre elas “A Arte de Expor Arte”, “Arte Brasileira Sobre Papel”, “Devoção” e “Faces do Desejo”.

Clique aqui para fazer um tour no MAM SP.

MAM Rio (Museu de Arte Moderna) - Tour online museus

Crédito: DivulgaçãoMAM Rio

Criado em 1948, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) ocupa um lugar único no cenário da produção artística brasileira. Suas coleções de artes plásticas somam cerca de quinze mil obras, entre esculturas, pinturas, fotografias, desenhos, gravuras, instalações e mídias contemporâneas.

Além de conhecer os interiores do museu, você pode conferir mais de 200 itens e as mostras “Fotografia Africana”, “Um Museu Carioca”e “Arquitetura e Construção”.

Clique aqui para fazer um tour no MAM Rio. 

Museu Imperial,Petrópolis

Crédito: Wania Corredo/MTurFachada do Museu Imperial, em Petrópolis

Museu Imperial foi inaugurado em 16 de março de 1943 com grande acervo de peças relativas ao período imperial brasileiro. Ao longo das últimas sete décadas, acumulou um acervo de quase 300 mil itens.

Além de conhecer os interiores do museu, você pode conferir mais de 400 itens e três mostras, entre elas “Paisagem Petropolitana”.

Clique aqui para fazer um tour no Museu Imperial.

Museu do Futebol

Crédito: SPTurisMuseu do Futebol, no estádio do Pacaembu

Mais do que sobre esporte, o Museu do Futebol é, antes de tudo, um museu sobre a história do povo brasileiro. Um museu cercado pelos mistérios da euforia que todos temos pela bola, pelo drible e pelo gol.

Além de conhecer os interiores do museu, você pode conferir mais de 700 itens e 14 mostras, entre elas o “Museu do Impedimento”: projeto colaborativo que reúne histórias e memórias compartilhadas pelo público sobre as mulheres do futebol que ousaram jogar durante o período de proibição da prática desse esporte no Brasil, entre 1941 e 1979.

Clique aqui para fazer um tour no Museu do Futebol.

Museu Oscar Niemeyer (MON)

Crédito: Claiton BiaggiMuseu Oscar Niemeyer (MON)

Inaugurado em 2002, o Museu Oscar Niemeyer (MON) é um espaço dedicado à exposição de artes visuais, arquitetura, urbanismo e design. Possui cerca de 35 mil metros quadrados de área construída e mais de 17 mil metros quadrados de área expositiva, considerada a maior da América Latina!

Além de conhecer os interiores do museu, você pode conferir mais de 600 itens e 9 mostras, entre elas “Ásia: a terra, os homens, os deuses” e “Irmãos Campana”.

Clique aqui para conhecer o MON e fazer tours em outros museus.

Núcleo sagrado profano no museu afro brasil

Crédito: DivulgaçãoNúcleo Sagrado Profano, no Museu Afro Brasil. Nesse núcleo estão representadas festividades celebradas no Brasil, ligadas ao sagrado e celebradas no espaço festivo da rua

Localizado no Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega, dentro do mais famoso Parque de São Paulo, o Parque Ibirapuera, o Museu Afro Brasil se tornou uma instituição pública em 2009, e desde então conserva um acervo com mais de seis mil obras, entre pinturas, esculturas, gravuras, fotografias, documentos e peças etnológicas, de autores brasileiros e estrangeiros, produzidos entre o século XVIII e os dias de hoje.

Além de conhecer os interiores do museu, você pode conferir mais de 300 itens e 7 mostras, entre elas “O Espírito da África” e “O Maracatu e o Guerreiro de Alagoas: festividades afro-brasileiras”.

Clique aqui para fazer um tour no Museu Afro Brasil.

Museu Nacional - Tour online museus

Crédito: DivulgaçãoMuseu Nacional

Museu Nacional/UFRJ está vinculado ao Ministério da Educação. É a mais antiga instituição científica do Brasil e o maior museu de história natural e antropológica da América Latina. Criado por D. João VI, em 06 de junho de 1818, sofreu um grande incêndio em 2018.

Entre as peças de seu acervo, muitas eram exemplares únicos, como esqueletos de dinossauros, múmias egípcias, além de utensílios produzidos por civilizações ameríndias durante a era pré-colombiana.

Além de conhecer os interiores do museu, você pode conferir mais de 100 itens e 10 mostras, entre elas “Kumbukumbu: cultura africana”, “Brasil Indígena”, “Egito Antigo”e “Paleontologia”.

Clique aqui para conhecer o Museu Nacional e fazer tours em outros museus.

Casa Guilherme de Almeida

Crédito: DivulgaçãoCasa Guilherme de Almeida

A Casa Guilherme de Almeida , localizada na antiga residência do poeta modernista, é o único museu-casa de São Paulo a abrigar o acervo de um escritor. Ela preserva os objetos, móveis e obras de arte que pertenceram a Guilherme e à sua esposa Baby de Almeida.

Além de conhecer os interiores do museu na opção “Um pequeno grande museu”, você pode conferir mais de 90 itens expostos no local.

Clique aqui para fazer um tour na Casa Guilherme de Almeida.

Museu do Amanhã - Tour online museus

Crédito: @museudoamanha/FacebookMuseu do Amanhã visto de fora, na Praça Mauá

O Museu do Amanhã é um ambiente de ideias, explorações e perguntas sobre a época de grandes mudanças em que vivemos e os diferentes caminhos que estão por vir. Inaugurado em dezembro de 2015 no Píer Mauá, oferece uma narrativa sobre como poderemos viver e moldar os próximos 50 anos.

Além de conhecer os interiores do museu, você pode conferir mais de 1.000 itens e cinco mostras, entre elas “Rios em Extinção”, “A Espécie Mais Perigosa do Planeta”, e “A Beleza Escondida da Matemática”.

Clique aqui para fazer conhecer o Museu do Amanhã e fazer tours em outros museus.

Fachada do Museu da Imigração

Crédito: Vanessa Canoso – DivulgaçãoMuseu da Imigração do Estado de São Paulo

Museu da Imigração do Estado de São Paulo herda do Memorial do Imigrante toda a história de preservação da memória das pessoas que chegaram ao Brasil por meio da Hospedaria de Imigrantes, e o relacionamento construído, ao longo dos anos, com as diversas comunidades representativas da cidade e do Estado.

Além de conhecer os interiores do museu, você pode conferir mais de 100 itens e duas mostras: “O Caminho das Coisas” e “Viagem, sonho e destino” .

Clique aqui para fazer um tour no Museu da Imigração.

Tour online museus - Museu Histórico Nacional

Crédito: José Caldas/MHN / @museuhistoriconacional/FacebookMuseu Histórico Nacional

Numa ponta que avançava sobre o mar, conhecida como Ponta do Calabouço, entre as praias de Piaçaba e Santa Luzia, no centro histórico do Rio, os portugueses construíram em 1603 a Fortaleza de Santiago, origem do conjunto arquitetônico que hoje abriga o Museu Histórico Nacional.

Além de conhecer os interiores do museu, você pode conferir mais de 200 itens e quatro mostras, entre elas “Rio de Leandro Joaquim”e “Figurinos de Sophia”.

Clique aqui para conhecer o Museu Histórico Nacional e fazer tours em outros museus.

CCBB Rio

Crédito: @ccbb.rj/FacebookCCBB Rio

Inaugurado em 12 de outubro de 1989, o CCBB Rio de Janeiro tornou-se um dos mais importantes centros culturais do país. É o centro mais visitado do Brasil e está entre os 30 mais visitados do mundo. O edifício reúne vários espaços para diferentes atrações culturais, como música, teatro, cinema e exposições. Além disso, tem uma biblioteca e uma biblioteca de vídeos, e hospeda o Arquivo Histórico e o Museu do Banco do Brasil.

Além de conhecer os interiores do museu, você pode conferir mais de 200 itens e sete mostras, entre elas “Los Carpinteros: objeto vital”e “Abraham Palatnik”.

Clique aqui para fazer um tour no CCBB Rio. 

Tour online museus

Crédito: Victor Neco – divulgaçãoMuseu da Casa Brasileira

Museu da Casa Brasileira é o único do país especializado em design e arquitetura, tendo se tornado uma referência nacional e internacional nesses temas.

Além de conhecer os interiores do museu, você pode conferir mais de 90 itens e o “30º Prêmio Design MCB”.

Clique aqui para conhecer o Museu da Casa Brasileira e fazer tours em outros museus.

Fonte: Catraca Livre

Museus e equipamentos de Cultura de SP ampliam oferta de conteúdo digital após coronavírus

Secretário estadual de Cultura diz que pasta intensifica acesso remoto de acervos para minimizar impacto de isolamento social, e estuda divulgação de ‘aperitivo’ online do Museu da Língua Portuguesa antes da reabertura.

Texto por Lívia Machado

MIS divulga conteúdo para que público possa assistir em casa durante isolamento social — Foto: Reprodução/Instagram

Museus e equipamentos culturais de São Paulo começaram a ampliar a oferta de conteúdos em suas plataformas digitais, após o governo decretar o fechamento dos estabelecimentos por conta do avanço do coronavírus no país.

Dentre as ações, serão disponibilizados shows de música, concertos, visitas virtuais a museus, palestras, bate-papos, livros e espetáculos. A medida faz parte da orientação do governo estadual dada as organizações sociais responsáveis pela gestão dos 57 espaços culturais – dentre eles, teatros, programas de formação e corpos artísticos.

Segundo o secretário estadual de Cultura e Economia Criativa, Sérgio Sá Leitão, o Museu da Imagem e Som (MIS), por exemplo, terá mais partes do seu acervo online, além exposições virtuais.

Redes sociais dos museus divulgam os conteúdos que podem ser acessados de casa — Foto: Reprodução/Instagram

“O que ainda não está digitalizado, será para que possa ser disponibilizado. Isso vai acontecer com o conteúdo de exposições. O mesmo vale para as outras instituições no âmbito da secretaria. Vamos intensificar a disponibilização desses acervos”, disse Sá Leitão.

A pasta também estuda uma forma de oferecer digitalmente uma espécie de aperitivo do Museu da Lingua Portuguesa. Na última quinta-feira (12), crianças de escolas públicas puderam testar algumas das novas tecnologias do espaço, após o espaço abrir para visitas em dias específicos antes da reabertura oficial, prevista para o final de junho.

“Já solicitamos à equipe do Museu, demos essa diretriz, para que se intensifique a presença online e eles estão vendo o que é interessante, o que pode ser disponibilizado como uma prova, um aperitivo, do que será o Museu”, afirmou o secretário.

Na avaliação do secretário, no caso do Museu da Língua Portuguesa, a oferta digital precisa ser analisada de forma criteriosa para que não desestimule o público a viver a experiência presencialmente.

“A questão do Museu da Língua Portuguesa especificamente é que nós não queremos fazer com que depois a abertura perca o seu interesse porque o conteúdo já foi disponibilizado, então é preciso ajustar a dose para que haja essa presença online, haja disponibilização de conteúdo, mas que isso não seja um fator de produção de perda de interesse depois para se ter a experiência do museu ao vivo e em cores.”

Sobre a reabertura, o secretário afirma que previsão segue sob análise. “Obviamente que isso vai depender da duração desse enfrentamento ao coronavírus. Se houver ainda alguma possibilidade de risco, não faremos a reabertura na data que estava prevista, em 25 de junho (para convidados) e para o público no dia 27. Eu espero que seja possível, que seja viável manter esta data. De qualquer maneira, o museu estará pronto para ser reaberto na última semana de junho”, disse o secretário.

Orquesta Sinfônica

As ações também ocorrerão no âmbito da OSESP, da Escola de Música Tom Jobim, da SP Companhia de Dança.

No caso da Orquestra Sinfônica, o secretário afirma que haverá gravações para serem divulgadas nos sites. A ideia é registrar apresentações de solistas ou duetos e ofertar tal conteúdo virtualmente.

“É possível fazer solos, duetos sem que isso seja um risco a saúde dos músicos. Já estudamos isso com uma consultoria também médica e isso foi considerado adequado. Então faremos o registro, a filmagem e gravação do áudio, solo ou em dupla, e vamos disponibilizar conteúdos”, explicou.

“Temos na orquestra alguns melhores dos solistas do Brasil nos seus instrumentos, então estamos falando de música de altíssima qualidade que será disponibilizada nos próximos dias para que as pessoas possam ter um alento e fruir cultura, fruir arte, nesse período de distanciamento social”, disse o secretário.

Ainda de acordo com o secretário a, a lista será atualizada diariamente com novos conteúdos. A lista completa pode ser conferida no site: http://www.cultura.sp.gov.br/culturaemcasa

Veja abaixo a relação:

MÚSICA

Jazz Sinfônica

  • Concertos do Festival de Inverno de Campos do Jordão

  • Jazz Sinfônica Brasil & Toquinho

  • Jazz Sinfônica Brasil & Carlinhos Brown

  • Jazz Sinfônica Brasil & Fafá de Belém

  • Jazz Sinfônica Brasil & Lenine

  • Jazz Sinfônica Brasil & Diogo Nogueira

Emesp Tom Jobim

  • Playlist com trechos e concertos completos da Orquestra Jovem do Estado

  • Playlist com trechos de concertos da Orquestra Jovem Tom Jobim

MUSEUS

Museu da Imagem e do Som (MIS)

Segundo o Museu, para inaugurar a campanha #MISemCasa, os internautas irão conferir, na íntegra, o bate-papo que o cineasta Fernando Meirelles realizou no Museu sobre o filme Dois Papas (dirigido por Meirelles, o longa recebeu três indicações ao Oscar 2020) nessa sexta, às 11h.

A atividade, realizada parceria com a Diretoria de Cultura e Comunidade da Sociedade Brasileira de Psicanálise (SBPSP), aconteceu no dia 7 de fevereiro deste ano.

Museu do Futebol

  • Exposições disponíveis na plataforma Google Arts and Culture

  • Visita virtual ao museu pelo Google Street View

  • Artigos do Centro de Referência do Futebol Brasileiro

  • Palestras do Futsal Week Summit

Pinacoteca

  • Roda de conversa com Grada Kilomba e Djamila Ribeiro: Desobediências Poéticas

  • Conversa com artistas e curadoras: Mulheres radicais

  • Visita virtual ao museu

  • Exposições disponíveis na plataforma Google Arts & Culture

Museu da Imigração

  • Acervo Digital: 250 mil imagens digitalizadas revelam a história da imigração em São Paulo e no Brasil

  • Ebook ‘Acervo Digital do Museu da Imigração’

  • Exposição virtual “O Caminho das Coisas”

  • Exposição virtual “Viagem, sonho e destino”

  • Lugares e recomeços: série de entrevistas com descendentes e imigrantes de comunidades

  • Materiais educativos sobre as exposições atuais e anteriores do museu

  • Imagens dos espaços do complexo da antiga Hospedaria de Imigrantes do Brás no passado e no presente

  • Playlist “#PorDentrodoCPPR”: vídeos com informações sobre desenvolvimento de exposições, pesquisa de documentos de família, coleção de história oral, entre outros assuntos

  • Reencontre seu passado: depoimentos de visitantes que pesquisaram informações no Acervo Digital do Museu e encontraram informações dos seus antepassados

Museu do Café

  • Exposição disponível na plataforma Google Arts & Culture

  • Plataforma interativa com três telas de Benedicto Calixto expostas no Salão do Pregão do Museu do Café e detalhes e curiosidades de cada uma das pinturas

  • Receitas de drinks feitos com café servidos na cafeteria do museu

Casa Guilherme de Almeida

  • Visita virtual ao museu

Museu Casa Portinari

  • Poéticas da Memória: depoimentos de pessoas que fizeram parte do convívio da família Portinari e de seu mais ilustre membro, moradores de Brodowski que guardam memórias da formação da cidade, seus costumes, tradições, problemas sociais, fauna, flora entre outros

  • Exposições disponíveis na plataforma Google Arts and Culture

  • Jogos online

  • Museu Felícia Leirner/ìndia Vanuíre e Auditório Cláudio Santoro

  • Jogo da memória

  • 13 jogos educativos com peças do acervo da instituição e informações sobre os povos indígenas

TEATRO E ÓPERAS

  • Theatro São Pedro

  • Trechos de Óperas do Theatro São Pedro

  • Trechos e ópera completa da Academia de Ópera e Orquestra Jovem do Theatro São Pedro

SP Escola de Teatro

  • Palestra da poeta e escritora Adélia Prado

  • Seminário com Fernanda Montenegro

BIBLIOTECAS E LEITURA

Biblioteca de São Paulo

  • Playlist com bate-papos com escritores do programa Segundas Intenções

  • Encontro com escritores finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura 2018

Biblioteca Parque Villa-Lobos

  • Playlist com bate-papos com escritores do programa Segundas Intenções

  • Encontro com escritores finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura 2018

Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo – SisEB

Palestras sobre literatura, leitura e bibliotecas

  • Inovar na Biblioteca Pública: como chegar aos novos públicos | Ramón Salaberria (México)

  • Livres para ler (Free to Read) – Palestra completa | Mirela Roncevic (Croácia)

  • Um projeto de articulação entre a sociedade e o Estado para a leitura | Javier Mariano Areco (Argentina)

  • Oficina de Escrita Criativa | Noemi Jaffe

  • Os rumos da leitura | Pedro Bandeira

  • Conversando com a escritora | Eva Funari

  • Biblioteque-se com Laerte Coutinho

  • Ficção, utopia e literatura | Ricardo Azevedo

  • Para educar uma criança é preciso uma aldeia inteira | Tião Rocha

  • A escrita como instrumento de reconhecimento e autoconhecimento| Bianca Santana

  • O território e a mediação de conflitos pela cultura | Marcos Felipe

  • Nossas histórias, nossas memórias | Karen Worcman

  • Literatura como a possibilidade de construir outros mundos | Isabel Santos Mayer

  • Transcender com a poesia | Roberta Estrela D’Alva

  • Entre o jogo e a literatura | Ivelise Fortim

  • Games e literatura: conexões para construir conhecimento | Pedro Zambon

  • Trazer o jogo para o diálogo | Francisco Tupy

DANÇA

São Paulo Companhia de Dança

  • Espetáculo O Lago dos Cisnes (2018) completo

  • Espetáculo Noite Tchaikovsky (2017)

Fonte: G1

IV Simpósio Internacional de Pesquisa em Museologia será adiado para o segundo semestre de 2020

Atendendo às medidas de prevenção contra a disseminação do coronavírus (COVID-19) , o IV Simpósio Internacional de Pesquisa em Museologia (IV SInPeM) será adiado para o segundo semestre de 2020, em data ainda a ser divulgada.

As inscrições permanecerão abertas para submissão de trabalhos e participação no evento por meio do site www.even3.com.br/ivsinpem2020.

Para aqueles que já finalizaram o processo e realizaram o pagamento, a inscrição já está garantida para a futura data, devendo apenas aguardar a comunicação por parte da Comissão Organizadora.

Havendo algum impedimento para a manutenção da inscrição no evento, será preciso entrar em contato pelo e-mail ivsinpem.usp@gmail.com

O evento tem como tema a Resiliência Científica: Ações Museológico-Curatoriais. Seu objetivo é discutir os contornos e as especificidades dos processos curatoriais museológicos e os respectivos estudos acadêmicos a partir de abordagens que evidenciem as características das interlocuções interdisciplinares, tratem das especificidades de ensino e pesquisa neste contexto e, especialmente, problematizem as urgências contemporâneas no que diz respeito à proposição e à consolidação de museus e processos museológicos.

Fonte: SISEMSP

Butantan fecha museus e biblioteca por tempo indeterminado

(Foto: Divulgação)

O Instituto Butantan, maior centro de pesquisas biomédicas do mundo, decidiu fechar por tempo indeterminado seus três museus – Biológico, Histórico e de Microbiologia – e a biblioteca da instituição, a partir deste sábado, 14 de março. As atividades nesses espaços estão suspensas.

Essa é uma medida de prevenção ao coronavírus (covid-19), atendendo a orientação do Governo do Estado de São Paulo para que as pessoas evitem aglomerações. O parque do Butantan permanecerá aberto para visitação. Mais informações em www.butantan.gov.br.

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Fonte: Repórter Diário

Centros Culturais e museus fecham as portas em São Paulo por conta de Coronavírus; MASP contraria decisão da maioria

Sem data de reabertura prevista, os orgãos estão seguindo orientações do Ministério da Saúde

DA REDAÇÃO

CCBB

O surto do Coronavírus no Brasil tem causado alterações na agenda cultural do país. Após o anuncio do adiamento da SP-Arte, o Centro Cultural de São Paulo, Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e a Biblioteca Mário de Andrade anunciaram o fechamento sem data de reabertura prevista. Contrariando a decisão da maioria das instituições, o Museu de Arte de São Paulo (MASP) usou a sua página no Instagram para anunciar que mantém abertas as portas.

Masp mantém portas abertas (Foto: Reprodução/Instagram)
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O Masp decidiu apenas cancelar algumas atividades de sua programação, tais como vernissages, palestras, oficinas e cursos, além do atendimento no Centro de Pesquisa, e reduzir o número de visitantes em todos os espaços do museu.  No Rio de Janeiro, atividade coletivas como cinemas e teatros também estão com as programações suspensas.

CENTRO CULTURAL SÃO PAULO

A medida segue orientações do Ministério da Saúde de evitar a presença em locais com aglomerações. Até o momento, o Covid-19 já infectou mais de 90 pessoas no Brasil, mas sem fatalidades.

Na quarta-feira (11/03), em comunicado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) caracterizou a situação como uma pandemia.

Além disso, outros museus foram fechados no mundo como o do Prado, na Espanha, o Rijksmuseum, o Stedelijk e o Van Gogh Museum, na Holanda. Em Nova York, o The Metropolitan Museum, Metropolitan Opera, Carnegie Hall e o New York Philharmonic também anunciaram que fechariam as portas temporariamente.

Fonte: Casa Vogue

“Museus para a igualdade: diversidade e inclusão”

ANA MODERNO

Com esta reflexão, reforça-se a importância dos museus e do seu papel de mediadores entre património cultural e as pessoas, envolvendo-as e intervindo na acção cívica.

O título deste texto poderia ter sido escolhido na sequência das manifestações racistas, em particular os recentes episódios vividos no futebol. Mas não.

Trata-se do tema que o ICOM (Conselho Internacional dos Museus) elegeu para a edição de 2020 do Dia Internacional dos Museus (18 de maio). Uma escolha bastante assertiva nos tempos que se vivem.

A opção por temáticas em torno da igualdade de direitos ou da sustentabilidade ambiental são cada vez mais considerados por estes organismos para reflexão e discussão. E não é a primeira vez que a urgência destes temas se traz para a mesa.

Recorde-se o cenário do pós-Segunda Guerra Mundial e a tentativa de reunificação das nações após as feridas deixadas pelo grande conflito.

A criação, mais tarde, da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), e, consequentemente, do ICOM, impunha-se no restabelecimento estruturado do património e criação de políticas internacionais para os museus.

Recordem-se, igualmente, as manifestações dos anos 60 do século XX e os movimentos de afirmação das minorias, que ditaram a mudança no pensamento museológico e guiaram os primeiros passos da Nova Museologia (menos elitista e mais participativa).

Aos museus passariam a caber outras funções para além das da preservação e exposição dos bens.

Exemplo disso é o acrescento da área da educação nos museus.

Na actualidade, as matérias em torno da igualdade, da inclusão e dos movimentos sociais (casos das migrações e dos refugiados) são discutidas e repensadas, cabendo aos museus e demais instituições culturais a participação no debate.

Com esta reflexão, reforça-se a importância dos museus e do seu papel de mediadores entre património cultural e as pessoas, envolvendo-as e intervindo na acção cívica.

São instituições “ao serviço da sociedade, que adquirem, conservam, investigam, comunicam e expõem o património material e imaterial da humanidade e do seu meio envolvente com fins de educação, estudo e deleite” (definição de museu pelo ICOM).

Fonte: Jornal de Leiria

Seminário Acervos Culturais Digitais: Perspectivas e Desafios

O seminário tem como finalidade promover o debate sobre o gerenciamento e a disponibilização de acervos culturais em plataformas digitais, salientando-se a experiência de museus, arquivos e centros de documentação. Na forma de mesas de debate, conferências e minicursos, o evento pretende apresentar e problematizar os desafios que envolvem este tipo de ação, buscando apresentar experiências neste cenário. Entre elas, serão destacados os casos de aplicação do projeto Tainacan em instituições-memória brasileiras, ferramenta de código aberto voltada à gestão de coleções culturais.

PROGRAMAÇÃO

Dia 12 de março de 2020
8h30 – Credenciamento
9h – Abertura
9h30 – Lançamento da Plataforma Tainacan do Museu Major José Levy Sobrinho
10h – Conferência 1
Acervos em rede e memória em tempos de cultura digital: experiências e desafios do projeto Tainacan. Profa. Dra. Luciana Conrado Martins (equipe Tainacan | Percebe)
11h – Conferência 2
O projeto Tainacan na prática: casos de implantação de acervos digitais nos museus do Ibram. André Luiz Dadona Benedito (equipe Tainacan)
12h às 14h – Almoço
14h – 17h – Minicurso
Organização e publicação de acervos digitais e exposições em rede com o software Tainacan (Neste mini-curso serão apresentadas e exploradas as possibilidades do software Tainacan para a organização e publicação de acervos culturais na Internet. O Tainacan é uma ferramenta flexível para WordPress que permite a gestão e a publicação de coleções digitais, e pode ser instalado em qualquer site a partir do repositório oficial do WordPress. O mini-curso irá apresentar, por meio de exercícios práticos, o passo a passo para a instalação e utilização do Tainacan, explorando seus recursos de criação e configuração de coleções, criação de taxonomias, buscas facetadas, entre outras possibilidades) Profa. Dra. Luciana Conrado Martins (equipe Tainacan | Percebe)

Dia 13 de março de 2020
9h – Mesa-Redonda
Acervos digitais em rede – relatos de experiências
– Uma gestão digital em rede: o Museu Eclesiástico da Diocese de Limeira – César Gonçalves (Comissão de Bens Culturais Eclesiásticos da Diocese de Limeira) e Thiago Mendes (Centro Paula Souza)
– Digitalização e difusão do acervo do Museu “Major José Levy Sobrinho” na Plataforma Tainacan – Profa. Dra. Adriana Pessatte Azzolino (Diretoria de Memória e Centro de Ciências – Prefeitura Municipal de Limeira)
– O processo de digitalização do acervo Rocha Netto do Centro Cultural Martha Watts – Joceli de Fátima Cerqueira Lazier (Centro Cultural Martha Watts)
– Ambiente digital confiável em centros de documentação: o caso do Centro de Memória-Unicamp – Prof. Dr. João Paulo Berto (Centro de Memória-Unicamp)
11h – Conferência de encerramento
Implantação do Tainacan nos Museus do IBRAM. Amanda de Almeida Oliveira (Instituto Brasileiro de Museus)
12h às 14h – Almoço
14h – 17h – Minicurso
Tratamento de coleções para a internet com o software Open Refine (O mini-curso tem como objetivo apresentar procedimentos e ferramentas para facilitar a publicação de coleções culturais na Internet. Para isso serão apresentados procedimentos técnicos de normalização, limpeza, correção de problemas sintáticos e preparação dos dados, fundamentais para a melhoria da qualidade da documentação museológica a ser publicada na Internet. Durante a oficina, faremos atividades práticas com o software Open Refine, visando a melhoria de desempenho nos processos de busca e recuperação da informação) André Luiz Dadona Benedito e Clara Andreozzi de La Rocque Couto.

Inscrições gratuitas pelo link: bit.do/acervos

Mais informações: https://www.facebook.com/events/460115008204554/

Adiado para o segundo semestre de 2020 – IV Simpósio Internacional de Pesquisa em Museologia

Atendendo às medidas de prevenção contra a disseminação do coronavírus (COVID-19) , o IV Simpósio Internacional de Pesquisa em Museologia (IV SInPeM) será adiado para o segundo semestre de 2020, em data ainda a ser divulgada.

As inscrições permanecerão abertas para submissão de trabalhos e participação no evento por meio do site www.even3.com.br/ivsinpem2020.

Para aqueles que já finalizaram o processo e realizaram o pagamento, a inscrição já está garantida para a futura data, devendo apenas aguardar a comunicação por parte da Comissão Organizadora.

Havendo algum impedimento para a manutenção da inscrição no evento, será preciso entrar em contato pelo e-mail ivsinpem.usp@gmail.com

O evento tem como tema a Resiliência Científica: Ações Museológico-Curatoriais. Seu objetivo é discutir os contornos e as especificidades dos processos curatoriais museológicos e os respectivos estudos acadêmicos a partir de abordagens que evidenciem as características das interlocuções interdisciplinares, tratem das especificidades de ensino e pesquisa neste contexto e, especialmente, problematizem as urgências contemporâneas no que diz respeito à proposição e à consolidação de museus e processos museológicos.

Fonte: SISEMSP

Interior de São Paulo tem rota de museus imperdível

Em Taubaté, uma das opções é o Museu Mazzaropi, que reúne acervo de riquezas do cinema nacional

O Brasil é dono de uma riqueza cultural imensa e uma das melhores maneiras de conhecê-la é viajando. Fazer um tour pelos museus do interior de São Paulo, por exemplo, é uma grande pedida para adultos e crianças. A lista de opções é imensa.

Comece pelo Museu Mazzaropi (www.museumazzaropi.org.br), em Taubaté, cidade a 130 km da capital. Seu acervo conta com mais de 20 mil itens sobre a vida do ator, humorista e cineasta Amácio Mazzaropi, que, ao longo da carreira, imortalizou personagens do imaginário nacional com obras como ‘Tristeza do Jeca’, ‘Jeca Tatu’ e ‘As Aventuras de Pedro Malasartes’. O prédio do museu fica no espaço onde funcionou a PAM Filmes, estúdio onde vários clássicos do cinema brasileiro foram gravados.

Ainda em Taubaté, o universo fantástico criado por Monteiro Lobato está abrigado no museu que leva o nome do escritor e fica em casarão do século 19, onde ele nasceu e morou até os 12 anos. Por lá, além de uma biblioteca infantil recheada de obras, há também uma área verde batizada de Sítio do Pica Pau Amarelo, um de seus clássicos. A cidade abriga também o Museu da Imigração Italiana, que conta a história da chegada dos europeus e interação com a sociedade local da época.

Continuando o caminho, a próxima parada é São Luiz do Paraitinga, que em 2019 inaugurou um museu dedicado à população. O acervo narra os 250 anos da cidade com histórias dos moradores, passando por sua fundação, festas populares, cultura caipira e musicalidade, e também relembrando suas tragédias, como a enchente de 2010. Ainda falando de cultura caipira, São Bento do Sapucaí é lar do Museu do Carro de Boi.

Na mesma região, a charmosa Campos do Jordão é casa do museu Felícia Leirner, espaço cultural espalhado por 35 mil metros de construções e área verde. Por lá está também a Casa da Xilogravura, criada para preservar esta arte.

Aos fãs de ciência, a parada é em São José dos Campos, com visitas ao Memorial Aeroespacial Brasileiro (MAB) e o Observatório Astronômico (DCTA).

Já em Cunha, o destaque fica por conta do Museu Francisco Veloso, que guarda artefatos militares e imagens da Revolução de 32, conflito que teve na cidade um ponto geográfico estratégico. Aos religiosos, a região reúne dois marcos importantes. O primeiro em Guaratinguetá, onde fica o museu Frei Galvão, que reúne milhares de documentos da história do Vale do Paraíba e da vida do franciscano, famoso por seus poderes de cura e que foi canonizado em 2007. E o segundo em Aparecida, onde fica o Memorial da Devoção Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do País. O complexo abriga cinema, museu de cera, exposições e loja.

Fonte: SEGS

Museus literários de SP reúnem super programação gratuita em 2020

As oficinas e programas de formação abordam de arqueologia à cultura popular com foco no Mazzaropi

Por: Redação

As casas e museus literários de São Paulo vão passar 2020 “compondo memórias” com sua programação gratuita cheia de reflexões sobre a história de expressões artísticas e culturais!

Essa linha curatorial pertence a três espaços culturais da capital: Casa das Rosas, Casa Guilherme de Almeida e Casa Mário de Andrade, e pretendem, entre março e setembro, identificar tendências nos campos da literatura (e da tradução literária), do cinema, da música e outras linguagens.

mazzaropi faz parte da programação dos museus literários de sp

Crédito: Fabricio BrizonA partir de 3 de março, a Casa Mário realiza o curso ‘Mazzaropi e outros caipiras’

Casa Mário de Andrade

A partir de 3 de março, a Casa Mário, um dos museus literários, realiza o curso “Mazzaropi e outros caipiras”. Ministradas pelo jornalista, escritor e roteirista Matheus Trunk, as aulas vão discutir a representação do tipo popular do interior do estado de São Paulo: o caipira, o matuto, o roceiro, passando pelas representações na pintura de Almeida Júnior (1850-1889); na música de Cornélio Pires (1884-1958) e Ariovaldo Pires (1907-1979); e no cinema de Amácio Mazzaroppi (1912-1981).

Para participar, é necessário se inscrever pelo site do museu até 2 de março.

Com inscrições também abertas, o Centro de Pesquisa e Referência do museu Casa Mário de Andrade realiza a primeira edição do Programa Formativo sobre Patrimônio, Memória e Gestão Cultural.

museus literários compor histórias

Crédito: Belson EbeltCasa Mário de Andrade realiza primeira edição do Programa Formativo sobre Patrimônio, Memória e Gestão Cultural

Com duração de cinco meses, o programa é composto por cursos e atividades relacionados à preservação e gestão do patrimônio cultural brasileiro, área à qual Mário também se dedicou.

As aulas acontecem, semanalmente, às terças e quintas e, quinzenalmente, aos sábados.

O processo seletivo segue até 3 de março e, para participar, o candidato deve preencher uma ficha de inscrição, disponível no site do museu, e enviar juntamente com uma carta de intenção e currículo para contato@casamariodeandrade.org.br.

Os encontros vão acontecer entre 7 de abril a 19 de setembro. A Casa Mário de Andrade fica na R. Lopes Chaves, 546 – Barra Funda.

Casa das Rosas

Na queridinha Casa das Rosas, no primeiro fim de semana de março, acontece a oficina de escrita “Memória: Um Território em Disputa”.

A partir da investigação do espaço do museu em busca de presenças e ausências, a atividade convida os participantes a refletirem sobre a memória como um território de poder como estímulo para o exercício de criação e construção de narrativas.

As inscrições podem ser feitas a partir de 15 de fevereiro presencialmente, na recepção do museu literário, ou on-line, por meio desse link. A oficina acontece nos dias 7 e 8 de março. A Casa das Rosas fica na Av. Paulista, 37 – Bela Vista.

museus literários programação 2020

Crédito: Blenda SoutoCasa das Rosas, Casa Guilherme de Almeida e Casa Mário de Andrade adotam o conceito “Compondo memórias” para suas programações ao longo de 2020

Casa Guilherme de Almeida

Por fim, entre 18 e 20 de março, acontece na Casa Guilherme de Almeida a oficina “Arqueologia da tradução: a epigrafia como testemunho tradutório”.

A oficina aborda os princípios da epigrafia, uma ciência auxiliar da história que investiga antigas inscrições, e o processo de decifração destas.

Nela, são apresentadas epígrafes de todo o mundo à luz da tradução, já que esses registros demonstram que o ofício do tradutor, seja na função de escriba ou copista, é milenar e sempre foi indispensável como mediação intercultural.

As inscrições vão até 17 de março e podem ser feitas neste link. A Casa Guilherme de Almeida fica na R. Macapá, 187 – Sumaré.

Fonte: Catraca Livre

Quadrinhos infantis ganham exposição em São Paulo

Texto por Marcelo Naranjo

Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo – AQC-ESP comemora o Dia do Quadrinho Nacional com a exposição Quadrinhos Infantis Brasileiros, na Biblioteca Latino-Americana Victor Civita do Memorial da América Latina, dos dias 30 de janeiro até 10 de fevereiro de 2020.

A abertura oficial será no dia 1º de fevereiro, sábado, das 10h às 14h.

Um bate-papo com autores de quadrinhos infantis acontece no local, às 11h, com a presença dos artistas Cesar Sandoval (Turma do Arrepio e Trapalhões), Marco Cortez (Senninha), Denise Ortega (roteirista do Sitio do Pica-pau amarelo e Menino Maluquinho), Régis Rocha (Herói) e Jal (MSP).

Exposição 150+1 ano de Quadrinhos Brasileiros em 150 tiras, realizada em 2019 celebrando os 150 anos de Nhô Quim de Ângelo Agostini – a primeira história em Quadrinhos do Brasil – será agora realizada na Biblioteca Pública Municipal Professor Ernesto Manoel Zink, em Campinas, de 30 de janeiro a 29 de fevereiro.

A entrega do 36º Troféu Ângelo Agostini acontece no dia 13 de Junho de 2020, com exposições, palestras, bate-papo, feira de quadrinhos e a entrega do troféu aos melhores de 2019, também na Biblioteca Latino-Americana Victor Civita do Memorial da América Latina. A programação será divulgada próxima do evento.

Fonte: UNIVERSO HQ

Homenagem a Hilda Hilst abre comemorações dos 50 anos do MIS

‘Revelando Hilda Hilst’ celebra 90 anos do nascimento da da escritora, poeta e dramaturga

Por: Redação

A grande escritora, poeta e dramaturga paulista Hilda Hilst (1930-2004) abre as comemorações do aniversário de 50 anos do Museu da Imagem e do Som (MIS-SP) com uma exposição todinha em sua homenagem!

Chamada “Revelando Hilda Hilst“, a mostra aborda a vida e obra da escritora no ano que se comemora 90 anos do seu nascimento.

hilda hilst em 1999

Crédito: Eduardo SimõesHilda Hilst (1930-2004) foi uma poetisa, cronista, dramaturga e ficcionista brasileira. É considerada uma das maiores escritoras brasileiras do século 20

Com curadoria do artista visual e jornalista Jurandy Valença, o projeto leva ao MIS vários retratos de Hilda Hilst, alguns deles inéditos, desenhos de sua autoria nunca antes exibidos em público, além de quinze edições originais dos livros de Hilda, com capas de artistas como Darcy Penteado, Clovis Graciano, Wesley Duke Lee, Tomie Ohtake, Jaguar, Millôr Fernandes, Maria Bonomi e Arcângelo Ianelli.

A mostra se completa com a instalação sonora Rede Telefonia, de Gabriela Greeb e Mario Ramiro, na qual é possível ouvir a voz da autora por intermédio de gravações originais realizadas na década de 1970, quando ela tentava se comunicar com o além.

Nos áudios em primeira pessoa e em conversas com pessoas próximas como Lygia Fagundes Telles, ela discorre sobre o tempo, comenta obras e escritores, fala de sua solidão, de sua escrita, do desejo de ser lida e traduzida. Na mostra do MIS, o público também pode acessar – via QR Code – áudios com cerca de 20 poemas lidos por Hilda Hilst.

hilda hilst em 1959

Crédito: Fernando LemosRevelando Hilda Hilst traz uma exposição de fotos da escritora, poeta e dramaturga no ano que se comemora 90 anos do seu nascimento

Já a programação paralela traz leituras de seus poemas, com convidados como Cida Moreira, Marina de La Riva e Dudu Bertholini.

Para completar, a programação do MIS ainda tem exibição dos filmes “Hilda Hilst pede contato” e “O Unicórnio“, além da leitura dramática de uma de suas peças, “O visitante”, escrita em 1968 em plena Ditadura Militar.

“Revelando Hilda Hilst” reúne ainda fotografias da escritora, registradas por quatro fotógrafos em períodos diferentes, separadas em quatro séries:

A primeira série exibe registros de Hilda, de 1959, quando ela tinha 29 anos. Quem as tirou foi o fotógrafo português Fernando Lemos, falecido em dezembro do ano passado.

A segunda série, realizada em 1990 pelo fotógrafo, arquiteto, músico e desenhista paulistano Gal Oppido (1952) retrata Hilda com 60 anos; os registros foram feitos durante uma entrevista que o escritor Caio Fernando Abreu fazia com Hilda para a revista A-Z.

hilda fotografada por gal oppido

Vale ressaltar que a maioria das fotografias de Oppido e Simões nunca foram exibidas! Gal Oppido

hilda fotografada por gal oppido

Em 1990, Gal Oppido retrata Hilda com 60 anosGal Oppido

A mostra no MIS também apresenta uma série do fotógrafo paulistano Eduardo Simões (1956), que realizou fotos de Hilda Hilst na sua residência, a Casa do Sol, em Campinas (SP), em 1999. As imagens registram não só a escritora, mas sua casa e seu entorno, inclusive seus inseparáveis companheiros, as dezenas de cachorros que moravam com ela.

A quarta e última série é do jornalista, fotógrafo e curador independente, Eder Chiodetto, autor do livro “O lugar do escritor” (Cosac Naif/2002), que retrata 36 escritores brasileiros, entre eles Hilda Hilst, em registros feitos sete anos antes de sua morte.

hilda hilst por Eder Chiodetto

Crédito: Eder ChiodettoRegistros de Eder Chiodetto foram feitos sete anos antes da morte de Hilda

Parece demais, não é? A exposição “Revelando Hilda Hilst” fica em cartaz no MIS de 1º de fevereiro a 15 de março de 2020. Você pode conferir toda a mostra de terça a sábado, das 10h às 22h, e aos domingos, até 20h. A entrada é gratuita!

Fonte: Catraca Livre

Museu é um lugar de coisas velhas?

Por Dirceu Mauricio (*)

A história dos museus é muito antiga e já mudou muito até os dias atuais. Porém a ideia que grande parte da sociedade brasileira tem dos museus é carregada de estereótipos negativos, principalmente de que apenas coisas antigas ou valiosas estão guardadas no museu. Entretanto hoje qualquer coisa pode ser musealizada dependendo do olhar ou do valor que se atribui a ela.

Mesmo assim ainda é forte a ideia errada do que vem a ser um museu. A exemplo disso, há uma frase comum, que os profissionais que trabalham nessas instituições escutam quando perguntam: o que é um museu? A resposta mais frequente é “museu é um lugar que guarda coisas velhas”. Essa ideia de museu já foi confirmada pelo museólogo da Unirio, Mário Chagas, quando pesquisava a percepção de pessoas da cidade do Rio de Janeiro quanto ao que a palavra museu significava para elas.

Refletindo sobre os conceitos e missões dessas instituições de memória, vamos encontrar diferentes definições e funções dos museus ao longo de sua história. Passado de espaços sagrados de deuses, como o “Templo das Musas”, para espaços de uma elite da sociedade que ostenta o conhecimento nos “gabinetes de curiosidades”, chega a espaços populares onde qualquer pessoa da sociedade possa frequentar.

Atualmente podemos ver formas mais poéticas de definição de museus, tal como a definição do já citado Mário Chagas, apresentada pelo Instituto Brasileiro de Museus, que o define como: “Os museus são casas que guardam e apresentam sonhos, sentimentos, pensamentos e intuições que ganham corpo através de imagens, cores, sons e formas. Os museus são pontes, portas e janelas que ligam e desligam mundos, tempos, culturas e pessoas diferentes”.

Hoje temos bons exemplos de museus no Brasil, tais como o Museu das Culturas Dom Bosco, um museu universitário, ligado à Universidade Católica Dom Bosco, localizado em Campo Grande, capital do Estado de Mato Grosso do Sul, que, ao abrigar um rico acervo histórico, oferece diferentes atividades educativas culturais.

Seu programa educativo recebe públicos de todas as idades, oferecendo palestras de educação patrimonial, manuseio de réplicas de objetos do acervo, visitas mediadas às coleções e apresentação de vídeos documentários com temas ligados às coleções de arqueologia, etnologia, paleontologia, mineralogia e zoologia. O Programa educativo funciona de terça a sábado em horários pré-agendados.

Uma boa sugestão de lazer e cultura para as férias é visitar um museu. Visite o museu mais próximo da sua casa, ou mesmo, se estiver viajando, não deixe de viver essa experiência, porque museu é lugar de conhecimento, cultura e lazer!

* Dirceu Mauricio Van Lonkhuijzen é coordenador do Museu das Culturas Dom Bosco UCDB

Fonte: Campo Grande News

Museus comunitários de favelas brasileiras são tema de palestra em Paris

 
A historiadora Gleyce Kelly
A historiadora Gleyce Kelly RFI

Gleyce Heitor é museóloga e doutoranda em História pela PUC-RJ. Ela faz parte de seu doutorado em Paris, onde profere a palestra “Museus comunitários no Brasil: mecanismos de luta por moradia, território e dignidade”, na quarta-feira (8). O evento é promovido pelo Grupo de Reflexão sobre o Brasil Contemporâneo da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHHSS, na sigla em francês).

Gleyce tem mestrado em Museologia e Patrimônio e experiência com projetos de mediação cultural, educação e programas públicos em museus, exposições e demais instituições de arte. No seu doutorado, ela pesquisa duas experiências de museus comunitários: o Museu da Beira da Linha do Coque, em Recife, e o Museu das Remoções, na Vila Autódromo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

“Neste panorama, eu vou apresentar como os moradores de periferia, especialmente os de favelas em Recife e no Rio de Janeiro, criaram museus comunitários para contar as suas histórias, as histórias de ocupação destas favelas e também elaborar narrativas e contranarrativas frente ao modo como essas favelas são representadas – de maneira geralmente negativa, estereotipada, como espaços de violências, de ausências e precariedades – pelo senso comum e pela mídia hegemônica”, explica.

Museologia social

Ela conta que os museus comunitários fazem parte de uma área de estudos chamada museologia social.

“A museologia social é uma ética, uma filosofia, um modo de compreender os museus que tem uma dimensão internacional, mas encontra bastante ressonância no Brasil. E os museus comunitários, principalmente no Brasil, estão ligados ao empenho de diferentes grupos sociais: indígenas, quilombolas, pessoas que moram em favelas e em contextos urbanos empobrecidos e que foram historicamente excluídas das narrativas dos museus oficiais”, afirma.

“Os museus comunitários têm como característica um processo de autodeterminação, um modo de a comunidade entender, contar, reinterpretar a sua história, mas também tem um forte trabalho na produção de redes, de unidade dentro destas comunidades. São museus que têm como interesse mostrar que a favela tem história, que estas pessoas têm história e como estas histórias são marcadas pela luta pela permanência no território e por construir estes espaços com as próprias mãos, sem o apoio do governo”, diz ela sobre os objetos de seu estudo.

“São museus marcados por este trabalho de coletividade e que buscam contar a história deste coletivo no intuito de assegurar direitos”, resume.

Escola do Louvre

Em 2016, ela ganhou uma bolsa que a trouxe para estudar na Escola do Louvre. Sobre a experiência em terras francesas e a relação com a sua vivência em museus brasileiros, Gleyce faz questão de distinguir os contextos.

“Eu não só estudei na Escola do Louvre como fui estagiária da diretoria de mediação do Museu do Louvre e penso que são experiências muito distintas. O Louvre foi construído para ser um Museu de grande público. Ele é alvo de políticas que buscam mantê-lo como um espaço incontornável de Paris”, analisa.

No Brasil, ela conta que trabalhou em museus de diferentes portes, como o CCBB-RJ, o Museu de Arte do Rio, o Museu Murillo La Greca, “que é menor, mas é bem relevante para cena artística local, e eu diria que estes museus têm as suas dinâmicas próprias”.

“O museu Murillo La Greca não alcança os números de visitação do CCBB-RJ, mas ele é superimportante para a formação dos artistas locais. O CCBB é superimportante para a formação cultural de quem está no centro do Rio de Janeiro. Assim como o Museu Nacional era um museu basilar para quem tinha o interesse em compreender a história da ciência, da antropologia, uma certa história da formação do Brasil e que tinha e continua tendo um papel importante na formação de grupos escolares, de pesquisadores e de cientistas”, reflete.

“Eu acho que os museus têm os seus visitantes, têm as suas dinâmicas. Não é porque não têm filas que os museus são relegados ao abandono ou que não são visitados: tem sempre algum trabalho feito ali, mesmo quando a gente não está vendo”, finaliza.

Fonte: RFI

Selos postais, museologia e o registro da memória

Hoje, 18 de dezembro, é celebrado o Dia do Museólogo. Como toda data comemorativa, é importante refletir sobre sua importância a partir do significado da museologia nos dias atuais. Além disso, vale fazer uma aproximação entre esta área de conhecimento e a filatelia.

De acordo com a Lei Nº 7.287, de 18 de Dezembro de 1984, que regulamenta a profissão, o museólogo é responsável pelo planejamento, direção, administração e supervisão de museus e instituições culturais similares. Pode atuar na área de pesquisa, educação e administração/conservação do acervo museológico. Apesar de a lei ser dos anos 1980, esta carreira não é recente. O primeiro curso de museologia brasileiro é o Curso de Museus, criado em 1932 e ministrado pelo Museu Histórico Nacional. Hoje em dia, tem caráter de graduação e está sob responsabilidade da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).

Não obstante a criação pioneira do curso de Museus, de acordo com um estudo de Luciana Ferreira da Costa, durante todo o século XX só foi criada mais uma graduação, em 1969, na Universidade Federal da Bahia. Somente no início do século seguinte os cursos de museologia se espalharam pelo país, hoje contando com 16 no total. Essa expansão é explicada devido às políticas de incentivo aos espaços museais no início dos anos 2000 (a Política Nacional dos Museus – PNM) que resultaram, dentre outras ações, na criação do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM). Em conjunto, o incentivo à expansão do ensino universitário promovido nos mesmos anos resultou na criação de novos espaços para a museologia. A área, então, passou a estar sob a tutela de instituições de ensino e pesquisa de qualidade, sendo a maioria dos cursos atualmente ofertados por universidades federais.

A formação de novos museólogos nos últimos anos é bastante positiva no que concerne à filatelia, uma vez que os selos e as coleções filatélicas podem ser objeto de análise destes profissionais. O próprio Museu Nacional dos Correios conta com museólogos responsáveis pelo acervo da instituição, inclusive o filatélico. Além disso, alunos de graduação recentemente passaram a se interessar pela temática e surgiram trabalhos que tiveram como fontes de estudo o acervo filatélico do Museu dos Correios. É o caso das duas monografias de Natasha Meija Buarque, sobre a presença de mulheres nos selos postais brasileiros. Por outro lado, a filatelia se beneficia da análise feita pelo método específico da museologia. Passa-se, então, a produzir conhecimento a partir da utilização dos selos como fonte.

O espaço de atuação dos museólogos vem a conhecimento do público: os museus nos selos postais brasileiros

Outra questão que deve ser levada em consideração é a representação em selos do espaço de atuação do museólogo. De uma maneira geral, os museus foram focalizados em anos diversos e há uma tendência para figurar uma obra ou parte do acervo e não a fachada do museu em si. Este tipo de registro tem uma vantagem: o selo, como objeto que circula, é responsável por levar ao conhecimento da população amplas informações visuais e textuais sobre as instituições museais e seus acervos. Ou seja, qualquer pessoa que adquira um selo sobre esta temática poderá ter contato com o que reside dentro de um museu sem conhecê-lo fisicamente.

É interessante notar como os museus e os selos postais guardam entre si semelhanças. Ambos são responsáveis, à sua maneira, em conservar e registrar aquilo que é tido como significativo na construção cultural, social e histórica de determinados grupos.

Assim, o selo, como objeto responsável pelo registro memorialístico daquilo que é considerado importante por determinados setores da sociedade, ao longo do tempo, trouxe os museus e seus acervos como parte essencial das políticas de cultura do Brasil. Isso é visível, inclusive, nas datas de lançamento dos selos. O primeiro a ser circulado com esta temática é de 1968 e é uma homenagem ao Museu Nacional pelos seus 150 anos. Nesse período, consolidavam-se os passos para a profissionalização da museologia, que se desenvolvia então somente em curso ministrado no Rio de Janeiro. Coincidentemente, o último espaço a ser celebrado em selo é também o mesmo Museu, que completou seu bicentenário em 2018, mesmo ano em que a instituição, infelizmente, foi acometida por um incêndio. Em comum entre as duas emissões, está a presença da Harpia ou gavião-real, ave símbolo do Museu Nacional.

A filatelia, em 1968 e em 2018, trouxe à tona a importância desta instituição, lembrando que os museus e seus profissionais, os museólogos, são de grande relevância tanto no passado quanto no presente e, por isso, objetos de registro filatélico.

Referências:

BUARQUE, Natasha Meija. A Visibilidade das Mulheres por Meio da Filatelia Brasileira: Identificação e Problematização de Gênero no Acervo Filatélico do Museu dos Correios (1843- 2015). Trabalho de Conclusão de Curso em Museologia. UnB, Brasília: 2018.

COSTA, Luciana Ferreira da. Percurso Histórico da Formação em Museologia No Brasil. XIX Encontro Nacional De Pesquisa Em Ciência Da Informação. Universidade Estadual de Londrina. Anais Eletrônicos, Londrina, 2018.

LEI Nº 7.287, de 18 de Dezembro de 1984. Dispõe sobre a regulamentação da profissão de museólogo. Disponível em <http://cofem.org.br/legislacao_/legislacao/#lei-7287>

Fonte: Correios

Acervo de Augusto Boal vai para o Museu Lasar Segall, em São Paulo

Texto por Nelson Gobbi

Dez anos após a morte do dramaturgo, suas obras ganha novas montagens de publicações, enquanto grupos ligados ao Teatro Oprimido fazem Festival no Rio

A pedagoga e “curinga” Maiara Caravlho, no interior do Centro do Teatro do Oprimido, na Lapa

RIO — Autor de 40 peças e 22 livros, traduzido para mais de 20 idiomas e estudado em universidades de todo o mundo por conta do método do Teatro do Oprimido, Augusto Boal (1931-2009) acaba de ter seu acervo transferido para São Paulo. Antes mantido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde o dramaturgo se formou em Engenharia Química na década de 1950, o material chegou anteontem ao Museu Lasar Segall, onde será incorporado à Biblioteca Jenny Klabin Segall, especializada em artes do espetáculo.

Após quase ser deslocado para a Universidade de Nova York, em 2011, o acervo foi abrigado pela Faculdade de Letras da UFRJ um ano depois. Desde então, boa parte do material foi digitalizado, como o conteúdo em áudio e em VHS e sua correspondência, sobretudo durante o exílio, entre 1971 e 1986. Um conteúdo que pode ser acessado pelo site do Instituto Augusto Boal, criado em 2010 e presidido pela viúva do dramaturgo, a psicanalista Cecilia Thumim Boal.

O Teatro do Oprimido caminha com suas próprias pernas. O meu foco é o resto da obra do Boal, que foi ofuscada pelo sucesso do método — comenta Cecília. — Ele era um super escritor, com experiências que vão da música à política. O interesse por estes outros aspectos também vem crescendo.

Desenvolvido por Boal nos anos 1960, método do Teatro do Oprimido segue sendo estudado por acadêmicos de todo o mundo e aplicado na prática por centenas de coletivos, nos cinco continentes, dez anos após a morte do dramaturgo. No Rio, a sua permanência pode ser vista no Centro do Teatro do Oprimido, que ocupa desde 1997 um casarão na Lapa, e nos 10 grupos com os quais trabalha, a exemplo das Marias do Brasil, composto por trabalhadoras domésticas, ou o Panteras, que reúne pessoas LGBTs moradores de favelas. Todos os grupos estão em cartaz no Festo, o Festival Teatro do Oprimido, em cartaz até amanhã, no CTO e nas Bibliotecas Parques do Centro, Manguinhos e da Rocinha.

Coordenadora do CTO entre 1994 e 2008, e uma de suas mais antigas curingas — como são chamados os multiplicadores do método — Bárbara Santos vê um avanço do método do Teatro do Oprimido na última década, sobretudo no Leste Europeu.

Vemos este movimento em países como Polônia, República Tcheca e Rússia, além da Ásia e no mundo árabe — diz Bárbara, que vive na Alemanha desde 2009, e é autora de três livros sobre o tema. — No Brasil, ele também passou a ser mais estudado, enquanto em outros países já era uma disciplina nas universidades.

Tal interesse é comprovado também nas livrarias: este ano, a Editora 34, que detém os direitos de sua obra, publicou uma nova edição de “Teatro do Oprimido e outras poéticas políticas”, de 1974. No primeiro semestre de 2020 será a vez “Teatro legislativo” (1996) ser reeditado. Para 2021, está prevista a publicação de uma seleção de suas peças e, para 2022, uma reedição de “Jogos para atores e não atores” (1992).

Especulação imobiliária preocupa

A atualidade de seus textos também poderá ser vista no palco. No ano que vem, a companhia paulistana Coisas Nossas de Teatro vai montar “O corsário do rei”, com direção de Dagoberto Feliz. A peça de 1985 é inspirada na figura real do corsário René Duguay-Trouin, que tomou o Rio de Janeiro em 1711 e conseguiu um “resgate” do Império Português para não queimar a cidade.

Ao mesmo tempo em que a obra segue atual, a nossa realidade permite leituras semelhantes às da época. Não é preciso nenhum esforço para atualizar a trama – aponta Dagoberto.

No espaço do CTO, cedido pelo governo estadual até setembro de 2020, o que preocupa é a especulação imobiliária: em janeiro, o Instituto Palmares de Direitos Humanos (IPDH) foi despejado de um de um dos casarões vizinhos, no Corredor Cultural da Lapa. O trabalho junto aos grupos é mantido pelo patrocínio da Petrobras, em vigor até janeiro.

Somos um grupo cultural com atuação em responsabilidade social, o que conta para o patrocínio. Existe uma cultura condicionada aos editais, mas sempre buscamos outras soluções, como cursos e residências – conta o jornalista Alessandro Conceição, curinga e coordenador do CTO.

Fonte: Jornal O Globo

Nova edição de “Livro” traz dossiê sobre museus e bibliotecas

Revista do Núcleo de Estudos do Livro e da Edição da USP será lançada nesta terça-feira, na Livraria da Vila

Texto por Caio Santana

A Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da USP é uma das instituições analisadas em artigos publicados no dossiê da nova edição da revista Livro – Foto: Marcos Santos/ USP Imagens

Um amplo e rico documento sobre a relevância dos museus e bibliotecas. Assim pode ser descrito o dossiê “Museus/Bibliotecas”, publicado na nova edição da revista Livro, que será lançada nesta terça-feira, dia 19, a partir das 18 horas, na Livraria da Vila, em São Paulo. Editada pelo Núcleo de Estudos do Livro e da Edição (Nele) da USP, em parceria com a Ateliê Editorial, Livro tem 450 páginas e chega ao público em edição dupla: é o número 7 e 8 da revista.

Ilustrado com fotos e imagens coloridas, o dossiê “Museus/Bibliotecas” é composto de nove artigos, que abordam diferentes aspectos ligados a esse tema. Um deles é assinado pelo professor Frédéric Barbier, da École Pratique des Hautes Études, em Paris, na França, um dos mais importantes historiadores do livro da atualidade, autor de História do Livro e de História das Bibliotecas, entre outras obras. Em seu artigo, intitulado “Bibliotecas e museus – Algumas reflexões sobre conjuntura histórica”, Barbier destaca que, atualmente, a história das bibliotecas passa por um renascimento, em razão de diversos fatores. “Em primeiro lugar, a renovação historiográfica leva em consideração a biblioteca sob uma perspectiva mais antropológica, concentrada no status e no papel das instituições na sociedade de seu tempo, nos hábitos do público e dos profissionais e nas representações da biblioteca dentro do modelo cultural global”, escreve o professor. “Por outro lado, ‘a terceira revolução do livro’, em que estamos empenhados, levanta a questão da biblioteca sob uma linguagem renovada. No mundo da informação partilhada, a biblioteca não pode mais funcionar sob o princípio tradicional de estocagem e precisa inventar novo papel.”

A tradição italiana dos museus inserida nas bibliotecas” é o título do artigo de Andrea De Pasquale, diretor da Biblioteca Nacional Central de Roma, na Itália. Nele, Pasquale mostra como as bibliotecas italianas governamentais, a partir da primeira metade do século 19, criaram áreas permanentes de exposição de seus acervos, em busca de ampliar o atendimento ao público.

O Prêmio Amigo do Livro é representado por um troféu concebido pela artista plástica Maria Bonomi – Foto: Jorge Maruta / USP Imagens

A Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro e a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da USP também são temas de artigos publicados no dossiê, assinados, respectivamente, pela professora Marisa Midori, docente da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP e editora de Livro, ao lado de Plinio Martins Filho, e pelo historiador Carlos Zeron, diretor da BBM.

Outros artigos publicados no dossiê são “As Bibliotecas nos Itinera Erudita et Bibliothecaria”, de Fiammetta Sabba, “Propósitos museológicos da Real Biblioteca (1913-1980)”, de María Luisa López-Vidriero Abelló, “A Biblioteca-Museu Inguimbertina de Carpentras”, de Jean-François Delmas, e “Hibridismo, Fab Lab, Terceiro Lugar… Museal?”, de Christophe Didier.

A apresentação é de autoria dos organizadores do dossiê, Marisa Midori e Andrea De Pasquale. “Os estudos que compõem este dossiê apontam para reflexões inovadoras no campo da história das bibliotecas. Por exemplo, a percepção das coleções bibliográficas como artefatos museológicos e seus pontos de contato com a política, mas também com a própria cultura do livro, seja do ponto de vista da bibliofilia, seja em sua relação com a cultura de massas”, escrevem os organizadores. “Isso nos leva a refletir sobre as múltiplas formas de apropriação das bibliotecas, ontem e hoje, desde a percepção de que elas se inscrevem nos itinerários dos viajantes eruditos do passado até a sua adequação às visitas de um público bem mais abrangente de leitores e de frequentadores.”

Ilustração do poema O Aprendiz de Feiticeiro, de Goethe, feita por Ferdinand Barth – Wikimedia Commons
A nova edição da revista Livro – Foto: Reprodução

Outras seções da revista

Além do dossiê “Museus/Bibliotecas”, Livro traz também outras sessões fixas, como Almanaque, que inclui dois artigos: “Escritores e publicidade – Das origens da publicidade no Brasil à década de 1970”, de Ubiratan Machado, e “Machado e Garnier”, de Cláudio Giordano.

O professor José de Paula Ramos Jr., também da ECA, é responsável pela seção Letra e Arte. Foi ele que selecionou, para esta edição de Livro, uma tradução inédita de O Aprendiz de Feiticeiro, do poeta alemão Johann Wolfgang Goethe. Além de trazer o poema em versão bilíngue (alemão e português), em tradução de Roberto Oliveira, a seção traz artigos que contam a trajetória editorial do texto de Goethe, desde suas origens até quando ele se torna um desenho animado produzido pelos estúdios Disney.

Na seção Leitura, há uma pesquisa inédita da Ana Cláudia Suriani, professora da Universidade de Londres, na Inglaterra, que apresenta a fortuna editorial do escritor Machado de Assis. “Com seu levantamento empírico baseado em outros levantamentos existentes, creio que temos o último balanço do que Machado escreveu”, disse a professora Marisa Midori ao Jornal da USP.

Já na seção Debate estão publicados dois textos: “Os manuscritos de Georg Lukács”, de István Monok, e “A invasão das fake news nas democracias”, de Jaen-Yves Mollier.

Conversas de Livraria, Arquivo, Acervo, Memória, Bibliomania e Estante são outras seções da revista Livro.

Entrega do Prêmio Amigo do Livro

Durante o lançamento da nova edição da revista Livro, nesta terça-feira, dia 19, será entregue o Prêmio Amigo do Livro, na forma de uma escultura da artista plástica Maria Bonomi. Concedido pelo Nele, a honraria será destinada a quatro personalidades ligadas ao livro e à biblioteca: Antônio Agenor Briquet de Lemos, Geraldo Moreira Prado, conhecido como Mestre Alagoinha, Gustavo Piqueira e Ubiratan Machado.

A revista Livro, número 7/8, do Núcleo de Estudos do Livro e da Edição (Nele) da USP, será lançada nesta terça-feira, dia 19, às 18 horas, na Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915, Pinheiros, em São Paulo).

Fonte: Jornal da USP

Hábito de frequentar museus traz uma série de benefícios para os filhos

É importante estimular iniciativa.Programe-se junto com ele e boa diversão!

Joyce Moysés

Da Redação

O aprendizado por meio de vivências está se difundindo. Sabe-se da importância de desenvolver competências como curiosidade, autonomia cognitiva, inter-relacionamento de conteúdos… Segundo Daniela Schlochauer (pedagoga e mãe de três crianças) e Georgia Lobacheff (formada em artes plásticas e jornalismo, com mestrado em curadoria, mãe de um menino), o olhar puramente tecnológico, proposto pelo STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) está sendo mudado para STEAM, a fim de incluir a arte como um elemento essencial à formação infantil.

Para Daniela e Georgia, que levam seus filhos a museus desde bebês, falar sobre arte dá a chance de abordar temas como respeito e inclusão social. “Por que não se pode gritar ali? Por respeito ao próximo”, exemplifica Georgia, que fundou com Daniela no ano passado a Curió Arte & Criança, para organizar e mediar visitas de grupos infanto-juvenis de escolas públicas e privadas. “Assim como a leitura e o raciocínio lógico, é urgente estimular o olhar e a sensibilidade artística, alfabetizando as crianças também na linguagem visual”, continua.

Desde 2004, a Secretária de Educação (Seduc) tem parcerias com o Museu do Café, as Ruínas Engenho São Jorge dos Erasmos, a Fundação Arquivo e a Memória de Santos, entre outros, por acreditar que educação, patrimônio e História formam um tripé de sustentação para a construção da cidadania.

A professora Adriana Negreiros, responsável pela área de História/Seduc Santos, acredita que “visitar museus e demais espaços de educação não-formal constituem meios para que o educando se aproprie do conhecimento acumulado historicamente, reflita sobre o presente e vislumbre o futuro. Ações de educação patrimonial propiciam refletir sobre conceitos de identidade e pertencimento”.Imaginação e progresso. Ao entrar em contato com bens patrimoniais, conhecemos nossa história e valorizamos quem somos, de acordo com a professora, que concorda com a afirmação de Mário Vargas Llosa, prêmio Novel de Literatura 2010, de que os museus são tão importantes para um país como escolas e hospitais, pois curam, não o corpo, mas a mente. Uma parede do Museu Histórico Regional de Cusco, no Peru, eterniza o recado do escritor de que substituem a visão diminuída e mesquinha da vida e das coisas por outra ampliada, generosa e plural.

Para Llosa, “museus afinam a sensibilidade, estimulam a imaginação, refinam os sentimentos e despertam nas pessoas o espírito crítico e autocrítico. O progresso não significa somente muitas escolas, hospitais e estradas. Também, e acima de tudo, essa sabedoria que nos capacita a diferenciar o feio do belo, o inteligente do estúpido, o bom do mau e o tolerável do intolerável, a que chamamos cultura”.

Se há algum plano de apostar mais nesse tipo de cultura e diversão para os santistas? De acordo com Adriana, a Seduc, por meio da Seção de Projetos Especiais Educacionais e Seção de Formação, quer consolidar projetos como o Centro Vivo, que propõe estudos do meio no Centro Histórico de Santos; o Museu do Café; o Projeto Vou Volto, em parceria com a Universidade de São Paulo, nas Ruinas São Jorge dos Erasmos; o projeto Santos da Gente, que propõe estudos em locais como Aquário de Santos e Museu de Pesca.

Há, ainda, diferentes ações na área continental de Santos. Para este semestre, “já temos programadas ações para professores e alunos, tais como roteiros históricos, arqueológicos étnico-raciais, oficina de arqueologia para professores no Engenho dos Erasmos”, revela a professora.

Sinergia entre pais e filhos. “Sempre que posso, vou a museus com minha filha, hoje com 11 anos”, diz Carol Aguiar, networker com larga experiência em projetos de marketing e comunicação. “É o tipo de passeio que proporciona ter ótimas conversas entre pais e filhos, andar de mãos dadas por cenários de encantamento. Nós trocamos impressões sobre o local, as regras, os trabalhos expostos, a sensação que uma obra nos causa e até sobre o estado de silêncio diante de algo novo”. Para Carol, fazer pausas na correria do dia a dia para ir a exposições, lugares históricos, galerias de arte torna a todos mais sensíveis e humanos.

“Muito do que já visitei com minha filha foi útil no seu desenvolvimento em sala de aula e nos trabalhos escolares, que ficaram mais criativos. Tais passeios marcam mais os filhos do que os pais imaginam”, finaliza a mãe de Mariana, que já tem o próximo passeio combinado em casa. Será ao novo espaço do Museu da Imagem e do Som (MIS), o MIS Imersão, na capital, que recebe este mês exposição interativa em homenagem a Leonardo da Vinci, o inventor e artista italiano mundialmente famoso por obras como Mona Lisa e A Última Ceia.

Fonte: A TRIBUNA

Seminário no Museu Victor Meirelles aborda temática LGBT nos acervos

Entre os dias 4 e 6 de novembro 20 palestrantes discutem identidades e expressões de gênero e sexualidades não normativas

V JORNADAS SOBRE BIBLIOTECAS DE MUSEOS EN EL MUSEO DE AMÉRICA

La Red de Bibliotecas de Museos (BIMUS) organiza junto con el Museo de América las V Jornadas sobre Bibliotecas de Museos, que se celebrarán los próximos días 21 y 22 de noviembre en el salón de actos del Museo.

El programa se ha diseñado con la intención de posicionar en el ámbito iberoamericano este tipo de biblioteca especializada. Por ello, contaremos con profesionales de la biblioteca del Museo de Antioquía en Medellín, del Museo Serralves en Oporto y de The Getty Research Institute de Los Ángeles.

El objetivo es plantear un marco para el debate sobre dos grandes ejes temáticos, que se corresponden con cada uno de los días de las jornadas:

El tratamiento y gestión de las colecciones especiales en las bibliotecas de museos, prestando especial atención al caso de los museos de arte contemporáneo y abordando aspectos como su definición, conservación o los criterios de documentación.El uso y accesibilidad del patrimonio bibliográfico en las bibliotecas de museos, incidiendo especialmente en el papel que desempeñan dentro de la comunidad.

Coste de las jornadas:

  • Cuota general: 30 €
  • Cuota reducida:15€ (estudiantes y desempleados). Las personas que se acojan a la cuota reducida deberán acreditar su situación y adjuntar la documentación necesaria en el momento de aportar el justificante de pago

Programa e inscripción en el enlace

http://www.culturaydeporte.gob.es/cultura/areas/museos/mc/bimus/v-jornadas/inscripciones.html

O museólogo é um pouco da memória do país

César Romero

Antes palácio real na capital francesa, o Louvre começou a se organizar como museu em 1692 (foto/divulgação)

O museólogo é o profissional que cuida da ciência da museologia. Entre suas tarefas estão a administração, manutenção, organização e acondicionamento das obras de arte, peças históricas e exposições que podem ser fixas ou temporárias. É um pesquisador, que identifica, organiza, cuida da preservação e classificação de peças de valor artístico e histórico. Planeja, organiza exposições, busca intercâmbios, parceiros, sempre tendo o cuidado educativo e possibilidades de atrair público, formar multiplicadores, monitores e pessoal de apoio.

Um museólogo é um exercício de paciência, cautela, senso observante, capacidade de acumulação, análise, pensamento lógico, intuitivo e um certo refinamento para cuidar da fragilidade dos objetos artísticos. Ordenação e clareza são indispensáveis.

O curso tem duração de quatro anos, podendo se estender em cursos de pós-graduação.  Os temas mais estudados são: história da arte, história geral e do Brasil, arqueologia, antropologia, estética, noções de conservação e restauração.

O mercado de trabalho para a profissão que foi regulamentada em 1985 é amplo: administração de museus, centros culturais, centros de pesquisas, galerias, aquisição de obras de arte. Nunca esquecer o trabalho educativo.

O principal objetivo de um museólogo é exercer a comunicabilidade entre acervo e atuações paralelas com o grande público, buscando aproximações entre indivíduos e a arte, humanizando condutas e a constante compreensão entre as mudanças que se misturam na existência e as pessoas. Convém aos museólogos um tempo trinitário: passado, aqui-e-agora e as possibilidades do futuro. O futuro é formado por metas, reflexões pertinentes sobre possibilidades em que a comunidade e criadores se aproximem de suas missões, especialmente construção de identidade. O Museu do Louvre – Paris (foto) tem o maior número de museólogos contratados.

A atualidade firma a cultura como um grande ideal, dissipando diferenças entre os povos, ganhando uma outra realidade, mais igualitária e humana, no intercâmbio das mais diversas estéticas e encontros. No Brasil a divulgação do que acontece com os museólogos em cada trabalho é pífio e geralmente tão distanciado que não aglutina. Chega ao grande publico.

Um museu obrigatoriamente deveriam ter um museólogo que deve ter dinamismo, quando se discute arte em processos de debates, seminários, palestras, congressos, exposições de acervos e temporárias, sem preconceito das formas de expressões.

O conceito é pensado. O museólogo é referência ao que persevera no patrimônio cultural de um país. É um pouco a memória do país.

Fonte: Correio 24 horas

MAM SP inaugura exposição Fernando Lemos: ilustrações literárias

Créditos: Divulgação
Museu de Arte Moderna de São Paulo está em cartaz com a exposição Fernando Lemos: ilustrações literárias, que pode ser visitada na Biblioteca Paulo Mendes de Almeida, no horário de funcionamento do museu, de segunda a sexta-feira. A mostra reúne desenhos originais do artista que ilustraram contos e poemas ao longo de seu período de colaboração com o jornal O Estado de S. Paulo, na década de 1950, jogando luz sobre sua atuação como designer e ilustrador de publicações.

Fernando Lemos (Lisboa, 1926) já atuava como fotógrafo e artista gráfico em Portugal quando emigrou para o Brasil em 1953. Instalado por algum tempo na Pensão Mauá, no Rio de Janeiro, Lemos fotografou escritores e artistas ao seu redor.

Créditos: Divulgação

Os traços geométricos utilizados por Lemos já apresentavam sinais da modernidade, acompanhando o movimento abstrato que acabara de chegar ao Brasil. “Assim, é possível revisitar um período de nossa cultura em que as artes gráficas e a literatura mantiveram uma relação criativa e potente“, conta Felipe Chaimovich, curador da exposição.

Serviço

Fernando Lemos: Ilustrações Literárias

Biblioteca Paulo Mendes de Almeida

Museu de Arte Moderna de São Paulo

Parque Ibirapuera – Av. Pedro Álvares Cabral, s/n° – Vila Mariana, São Paulo – SP, 04094-000

(11) 5085-1308

A partir de 15/10/2019 de terça a sexta-feira, das 10 às 18h

Fonte: Acesso Cultural

El Prado crea una herramienta ‘online’ para poner sus obras en contexto

El museo presenta una línea del tiempo basada en la inteligencia artificial que permite dotar de un marco histórico y cultural a las obras y autores, así como ampliar información sobre ellos

Una demo de la nueva herramienta de línea del tiempo y lectura ampliada de la web del Museo del Prado.
Las pinturas y esculturas son las mismas de siempre. También la historia que las rodea. Lo que cambia con la herramienta online de línea del tiempo y lectura aumentada que acaba de lanzar el Museo del Prado es la manera de abordarlas y conjugarlas. Y, sobre todo, de ponerlas en contexto. En colaboración con Telefónica, la pinacoteca ha desarrollado un método para su página web basado en la inteligencia artificial –que es, además, gratuito y pionero en el mundo– que permite relacionar las obras de arte de su colección con los grandes acontecimientos históricos, científicos y culturales ocurridos en su época. ¿Sabía que cuando Goya pintaba su Pelele Mozart componía su sinfonía número 40? ¿O que El Bosco ejecutó su tríptico de El Jardín de las Delicias en la misma época en la que vivió Martín Lutero? “Esta es una herramienta que puede ayudar a comprender el mundo en que se crearon estos cuadros y a la vez entender el mundo de hoy”, aseguró en el acto de presentación Javier Solana, Presidente del Real Patronato del Museo. “Nos gustaría que esta herramienta se entendiera como un regalo del Museo a la comunidad educativa en su bicentenario”, agregó el director, Migue Falomir. “Se trata de un instrumento de conocimiento fantástico”.
La propuesta es una moneda de doble cara. La primera ofrece una lectura aumentada de los textos explicativos de 5.500 fichas de obras de las 17.000 que existen en español (más 2.700 en su versión en inglés). Al acceder a la web semántica del Prado (que se lanzó en 2015 también en colaboración con Telefónica, y que permite interconectar las piezas artísticas y los autores de la colección con otros contenidos como conferencias, documentos, archivos del museo…), ahora resulta posible pinchar sobre ciertas palabras relativas a conceptos y temas clave que ayudan a ampliar las referencias sobre una pieza en concreto. Por ejemplo: en la entrada en línea de Las Meninas, se puede acceder a información ampliada sobre Velázquez (el autor); Antonio Palomino (tratadista que dedicó un epígrafe a esta pintura en su historia de los pintores españoles de 1724); o Felipe IV (el rey que se refleja en el espejo del cuadro). Al hacer clic sobre estas palabras, el sistema ofrece varias opciones: leer la correspondiente entrada de la Wikipedia, ver la página de autor dentro de la web del Museo del Prado (cuando la hay), o acceder a su línea del tiempo.Esta última opción define la segunda cara del proyecto. Se trata de una aplicación que permite visualizar las obras del museo en orden cronológico. Sobre estas, se superponen en capas los principales acontecimientos históricos, literarios, pictóricos, arquitectónicos, musicales, filosóficos, escénicos y científicos de la época (se puede seleccionar hasta cinco de estas ocho estas categorías a la vez). Proseguimos con el ejemplo de Las Meninas, que se pintaron en 1656. Ese mismo año, Hendrick Dubbels terminó El puerto de Ámsterdam en invierno, un cuadro que también se guarda en el Prado. En torno a esas fechas nacieron Carlos XI, uno de los grandes monarcas de Suecia; Bartolomeo Cristofori, el inventor del piano, o Edmund Halley, el astrofísico que puso nombre al comenta que observamos por última vez en 1986. Aunque la propuesta se ha diseñado para el público general, parece claro que sus utilidades en el terreno de la educación son amplias. Además, permite acercar el Museo del Prado a todo aquel que no puede visitarlo físicamente. “La tecnología solo tienen sentido si mejora la vida de las personas”, afirmó Eduardo Navarro, directivo de Telefónica que también participó en la presentación. “En la educación, ya no sirve lo de memorizarlo todo: el gran reto ahora es estar preparado para los muchos retos de la sociedad. Y, en ese sentido, ahora priman la creatividad y la capacidad de poner las ideas en contexto”.
 Fonte: EL PAÍS

XII Encuentro Latinoamericano de Bibliotecarios, Archivistas y Museólogos (EBAM)

DATA: 14 a 18 de setembro de 2020

João Pessoa – Paraíba – Brasil

O Encuentro Latinoamericano de Bibliotecarios, Archivistas y Museólogos (EBAM), é um espaço aberto, gratuito, de convergência livre e inclusiva em torno de questões e problemas relacionados à atividade de bibliotecas, arquivos e museus. Seu objetivo é compartilhar experiências, trocar ideias, disseminar conhecimentos e promover discussões a partir de diferentes pontos de vista e inquietações com objetivo de fortalecer a colaboração interna de cada país e a criação de redes de cooperação internacional.

Considerado o maior evento em âmbito latino-americano nas áreas de Arquivologia, Biblioteconomia e Museologia, o é realizado anualmente em países com representação no comitê permanente e já teve as seguintes edições:

  • I EBAM (14, 15 y 16 de septiembre 2009 – La Paz, Bolivia) Auditorio: Salón “Revolución” de la Vicepresidencia del Estado Plurinacional de Bolivia;

  • II EBAM (9, 10 y 11 de septiembre 2010 – Lima, Perú) Auditorio: Universidad Nacional de San Marcos;

  • III EBAM (14, 15 y 16 de septiembre 2011 – La Paz, Bolivia) Auditorio: Salón “Revolución” de la Vicepresidencia del Estado Plurinacional de Bolivia;

  • IV EBAM (1-3 de octubre 2012 – Buenos Aires, Argentina) Auditorio: “Jorge Luis Borges” de la Biblioteca Nacional Argentina;

  • V EBAM (16, 17 y 18 de octubre 2013 – Sao Luis, Maranhao, Brasil) Auditorio de la Universidad Federal de Maranhao – UFMA;

  • VI EBAM (24, 25 y 26 de septiembre 2014 – Medellín, Antioquia, Colombia) Auditorio Fraternidad, Instituto Tecnológico Metropolitano, sede Boston;

  • VII EBAM (28, 29 y 30 de septiembre 2015 – Valparaíso, Chile). Aula Magna Universidad de Playa Ancha;

  • VIII EBAM (26, 27 y 28 de septiembre 2016 – Montevideo, Uruguay). Sala Auditório Vaz Ferreira, Biblioteca Nacional;NTRO LATINOAMERICANO DE BIBLIOTECÁRIOS, ARQUIVISTAS E MUSEÓLOGOS (EBAM);

  • IX EBAM (9, 10, 11, 12 y 13 de octubre 2017 – Ciudad de México, México). Museo Numismático Nacional de Casa de Moneda de México;

  • X EBAM (17, 18, 19, 20 y 21 de septiembre de 2018 – La Paz, Bolivia). Salón Revolución de la Vicepresidencia del Estado e

  • XI EBAM (5, 6, 7, 8 Y 9 de agosto de 2019 – San Juan, Puerto Rico). Museo de Arte de Puerto Rico. Teatro Raúl Juliá.

Atualmente o EBAM conta com representantes de dezessete países em seu Comitê Permanente e Coordenadores Nacional (Argentina, Bolivia, Brasil, Chile, Colombia, Costa Rica, Cuba, Estados Unidos, México, Nicaragua, Panamá, Paraguay, Perú, Puerto Rico, República Dominicana, Uruguay e Venezuela) e essa representação promove a participação de um expressivo número de participantes a cada edição do evento. Para 2020 está planejado um evento com cinco dias consecutivos de atividades e apresentações de trabalho relacionados com a temática do encontro que irá das 8 às 17h e um dia dedicado a visitas guiadas a bibliotecas, arquivos e museus.

Mais informações: http://www.ebam.com.ar/

Museus e ambientes digitais são tema de seminário de pesquisa no Museu da Vida

omo os profissionais de museus e da divulgação científica vêm realizando pesquisas em ambientes digitais? Como essas pesquisas têm alimentado as práticas museais? O universo digital é riquíssimo e oferece muitas possibilidades a instituições culturais e científicas. É preciso estudar, pesquisar e, claro, fazer conexões! Em um momento de revoluções tecnológicas, refletir sobre estes temas e trocar ideias é uma forma de incentivar o debate, a pesquisa e a prática.

Por isso, que tal vir debater conosco e compartilhar experiências?

Fique ligado: no dia 14 de outubro, das 9h30 às 16h30, o Museu da Vida irá realizar o II Seminário de Metodologias de Pesquisa em Museus, com o tema “Museus e ambientes digitais: pesquisas e aplicações”. O encontro está sendo organizado pelo Núcleo de Estudos de Público e de Avaliação em Museus (Nepam), do Museu da Vida, e contará com pesquisadores nacionais e estrangeiros, além de profissionais que trabalham na interface entre tecnologia, ciência e arte. O seminário é voltado para profissionais e estudantes das áreas de museus, divulgação científica, sistemas de informação, comunicação, design de conteúdo e demais interessados nos temas do evento.

“No seminário, será possível entrar em contato com estudos em redes sociais voltados para a divulgação científica, bem como experiências com deep learning (aprendizagem profunda de máquinas) e inteligência artificial no espaço museal. A proposta é buscar refletir sobre o impacto das novas tecnologias no mundo contemporâneo”, explica Denise Studart, pesquisadora do Nepam e coordenadora do evento.

Acompanhe a programação e divulgue para seus amigos!

9h30 às 10h15 | Mesa de Abertura
. Magali Romero Sá, vice-diretora de Pesquisa e Educação da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz)
. Alessandro Batista, chefe do Museu da Vida (COC/Fiocruz)
. Vanessa F. Guimarães, coordenadora do Núcleo de Estudos de Público e Avaliação em Museus (MV/COC/Fiocruz)

10h20 às 11h | 1ª Conferência
“Metodologias de Pesquisa Qualitativa em Ambientes Digitais” – Tiago Coutinho, sociólogo e professor da UFRJ
A partir de cursos ministrados sobre metodologia qualitativa em ambientes digitais, analisando a produção massiva de dados e os diferentes ambientes digitais produzidos pela internet, colocam-se inúmeras questões para as continuidades e/ou rupturas com os métodos de pesquisa chamados tradicionais. A conferência tem como objetivo ressaltar as diversas características de estudos no mundo digital. Captação de dados, amostragem, mensuração e ética serão alguns pontos abordados nesta apresentação, com exemplos da área de divulgação científica.

11h às 12h10 | Apresentação de pesquisas sobre “Museus, Patrimônio Digital e Divulgação Científica em Mídias Sociais e na Web”
“Museus na Internet” – Luisa Rocha, museóloga e professora da UNIRIO
Do uso das tecnologias ao mundo digital, os museus virtuais enfrentam a necessidade de gerar políticas, estratégias e estruturas para o universo digital capazes de estabelecer diálogos com a sociedade. As tecnologias a serviço do patrimônio digital disponibilizam uma quantidade significativa de recursos para fins documentais, de pesquisa e comunicação, subsidiando ações educativas e de entretenimento.
. “Interatividade na divulgação científica nas redes” – Diego Bevillaqua, assessor científico da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz)
Na apresentação, serão detalhadas algumas pesquisas específicas realizadas em blogs de divulgação científica, redes sociais, revistas digitais e aplicativos de museus como exemplo de um olhar sobre as formas como essas mídias têm incorporado as questões de interatividade.
“Museus e centros de ciência latino-americanos no Facebook” – Fabio Gouveia, pesquisador do Núcleo de Estudos de Público e Avaliação em Museus (MV/COC)
Partindo do campo de análise em redes sociais e a partir de um levantamento no Facebook com métodos digitais, será abordada como se configura a interrelação entre os museus/centros de ciência latino-americanos associados à RedPOP e também a relação com os respectivos seguidores dessas páginas.

12h10 às 12h50 | Debate com o conferencista e os palestrantes da manhã
Mediação: Fernanda Marques, jornalista e coordenadora do Núcleo de Mídias e Diálogo com o Público (MV/COC)

12h50 às 13h50: Intervalo para o brunch (no foyer do Museu)

14h às 14h40 | 2ª Conferência 
“Potencial e desafios da inteligência artificial e das novas técnicas de aprendizagem profunda de máquina (deep learning) para a criação de conteúdos” – Jean-Pierre Briot, diretor de Pesquisa, Centre Nacional de la Recherche Scientifique/CNRS (França)
A conferência irá focar na atual revolução da geração de conteúdo artístico por meio de técnicas de “aprendizagem profunda”. Jean-Pierre Briot fará uma breve introdução sobre o que é inteligência artificial (IA) e depois irá discorrer sobre como funciona a aprendizagem-máquina com redes neurais artificiais, dando exemplos na geração de pinturas, músicas e fotos, e mostrando experiências interessantes com o uso de IA em museus. A conferência será feita em português.

14h45 às 15h45 | Experiências com o uso de inteligência artificial em museus e na arte
“IRIS+, inteligência artificial e engajamento com os visitantes no Museu do Amanhã” – Leonardo Menezes, gerente de Conteúdo, Museu do Amanhã
A experiência IRIS+ é uma parceria entre o Museu do Amanhã e a IBM para captar a opinião do público a partir da mensagem “que amanhã queremos construir”, uma das perguntas norteadoras da Exposição Principal do Museu. Durante a conversa, a assistente digital IRIS pergunta ao visitante sobre suas principais preocupações. As respostas obtidas por meio desse aplicativo de inteligência artificial vêm norteando a programação do Museu e apoiando a área de pesquisa em diversas questões.
“Tota Machina, uma instigante interseção entre arte e inteligência artificial” – Katia Wille, artista plástica
Na individual “Das tripas coração”, da artista Katia Wille, obras de arte percebem a presença do visitante antes mesmo dele ver a obra e se relacionam com ele. A ideia é estabelecer uma simbiose sensorial entre obra de arte e espectador. Para que isso seja possível, a artista desenvolveu – em parceria inédita com a Microsoft – um conceito de máquinas cognitivas integradas ao ambiente, iniciativa pioneira em uma exposição de arte no Brasil.

15h50 às 16h30 | Debate com o conferencista e os palestrantes da tarde
Mediação: Denise Studart, Núcleo de Estudos de Público e Avaliação em Museus (MV/COC)

Serviço:
MUSEUS E AMBIENTES DIGITAIS: PESQUISAS E APLICAÇÕES
EVENTO GRATUITO

II Seminário de Metodologias de Pesquisa em Museus, Nepam (MV/COC)
Data: 14 de outubro de 2019, segunda-feira
Horário: 9h30 às 16h30
Local: Auditório do Museu da Vida, Fiocruz (Av. Brasil, 4.365, Manguinhos, Rio de Janeiro)
Não é necessário fazer inscrição prévia.

Exposição Batman 80 abre em SP com imersão na jornada do homem-morcego

Osmar Portilho

Do UOL, em São Paulo

Fãs do homem-morcego têm um refúgio garantido em São Paulo até o dia 15 de dezembro. Aberta hoje ao público no Memorial da América Latina, em São Paulo, a exposição Batman 80 propõe uma jornada dos fãs de Bruce Wayne desde os quadrinhos, passando por TV, cinema e games.

“O que nós construímos foi uma homenagem à altura da importância de um personagem como o Batman. Criamos uma experiência imersiva para fãs e também para o público geral conhecer mais sobre o homem-morcego, seu universo e como ele evoluiu ao longo desses 80 anos”, disse Ivan Freitas da Costa, curador da exposição.

A pompa da mansão Wayne

Esqueça as catracas: a entrada da Batman 80 é uma rica porta de madeira. Ao atravessá-la, você se depara com uma reprodução da luxuosa mansão Wayne, onde você pode contemplar a longa mesa de jantar, bisbilhotar a biblioteca de Bruce ou se sentar próximo da lareira. É claro: toda a cenografia é acompanhada por quadrinhos raros, brinquedos antigos muitos itens invejáveis de colecionadores.

Batcaverna e os vilões

Deixando o luxo para trás, a reprodução da Batcaverna usa todo o potencial tecnológico do tema passear pela evolução de Batman em todas as mídias possíveis. Na sequência, um longo corredor passeia pelas celas do asilo Arkham com os principais rivais de Batman: são fichas técnicas e totens interativos com as vozes de cada um deles.

Enquanto Bane, Charada e outros têm destaque menor, Arlequina, Mulher-Gato e Coringa ganharam espaços com mais ativações. O espaço destinado ao arquirrival de Batman, inclusive, tem a sala mais legal entre todas. As icônicas risadas de A Piada Imortal estampam todas as paredes, que exibem brinquedos, miniaturas e referências para todos aqueles que interpretaram o personagem. A missão aqui de criar um perturbador covil de Coringa foi realizada com êxito: espelhos distorcidos, armadilhas e uma parede cheia de bonecas. Bizarro! E legal demais também.

O encontro com o homem-morcego

É natural que os inimigos de Batman ocupem um espaço tão grande da exposição, afinal, eles são vitais para a criação da saga e são donos de personalidades mais marcantes que do próprio Bruce Wayne no imaginário dos fãs. Além de passear, pela mansão Wayne e Batcaverna, a Batman 80 também nos coloca em locais clássicos: que tal encontrar o comissário Gordon no teto da delegacia com o Batsinal apontado para o céu escuro de Gotham? Está lá. Os encontros com homem-morcego acontecem em diversos pontos da jornada, mas ganha um tom apoteótico ao se deparar com uma estátua gigante do super-herói na despedida da exposição.

Serviço: Batman 80 – A exposição

Data: de 5 de setembro a 15 de dezembro de 2019
Local: Memorial da América Latina | Espaço Multiuso | Portões 8, 9 e 13
Avenida Auro Soares de Moura Andrade, 664 (Zona Oeste), São Paulo, SP, 01156-001
Estação Barra Funda do Metrô
Estacionamento pago no local.

Ingressos

Terça a Sexta: R$ 35,00 inteira e R$ 17,50 meia
Sábados, Domingos e Feriados: R$ 45,00 inteira e R$ 22,50 meia
Meia-entrada para estudantes, idosos, professores e portadores de necessidades especiais conforme legislação vigente
Entrada gratuita para crianças até 4 anos
Ingressos com hora marcada à venda no site www.batman80expo.com.br e na bilheteria do Memorial.

Fonte: UOL

Por que este museu em BH é modelo de segurança contra incêndio

O aparato do Museu de Artes e Ofícios para atuar em situações de emergência

Texto por Gustavo Werneck

Museu de Artes e Ofícios (MAO), na Praça Rui Barbosa (Estação), no Centro de BH, é referência para o Corpo de Bombeiros em segurança(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

Visitar um museu é abrir os olhos para a beleza, mergulhar fundo na cultura e sair com a sensação de que aprendeu e se divertiu. Em Belo Horizonte, o Museu de Artes e Ofícios (MAO), na Praça Rui Barbosa (Estação), no Centro, é referência para o Corpo de Bombeiros em segurança, pois, de acordo com os militares, dispõe de todos os elementos que compõem o sistema de prevenção de combate a incêndio e pânico. Levantamento do Ministério Público de Minas Gerais ao qual o EM teve acesso revela que, um anos depois do trágico incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro, Minas tem mais de 80% de imóveis do patrimônio sem sistema contra incêndio.

Com até 150 mil visitantes por ano e mais de 2,5 mil itens em exposição – o prédio é tombado pelo Iepha e o acervo pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) –, o equipamento apresenta extintores, sistema de alarme, hidrante, sinalização, rota de fuga e brigadistas, entre outros, informa a supervisora técnica Gabriela Araújo Batista.

Inaugurado em dezembro de 2005 pelo Instituto Cultural Flávio Gutierrez, presidido pela empresária Ângela Gutierrez, o MAO está desde 2016 vinculado à Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, via Serviço Social da Indústria (Sesi/Fiemg). “Todos nós somos brigadistas. Eu, por exemplo, já vou para o terceiro curso”, conta Gabriela.

Sistema de proteção contra chamas, alarmes e funcionários treinados são destaque no Museu de Artes e Ofícios de BH(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

Já na tricentenária Santa Luzia, os moradores anseiam pela reabertura da Casa de Cultura/Museu Histórico Aurélio Dolabella, na Praça da Matriz, que guarda a memória local e o acervo referente à Revolução Liberal de 1842, que terminou na cidade e opôs as tropas do Exército, chefiadas por Luís Alves de Lima e Silva (1803-1880), o Duque de Caxias, e os liberais sob o comando do mineiro Teófilo Otoni (1807-1869). O casarão que, conforme pesquisas recentes teria sido hospital para os feridos nos combates, tem projeto para restauração pronto e bancado pela prefeitura e aguarda o sinal verde do Iepha e do Iphan para ser posto em prática, informa o secretário municipal de Cultura, Ulisses Brasileiro.

“Estamos só aprovando a liberação dos projetos para começar as obras. Acreditamos que isso será possível em outubro, devendo a intervenção durar um ano e meio. Parte dos recursos está garantida pelo Fundo Municipal de Cultura, devendo o restante ser captado, via lei de incentivo, em empresas instaladas aqui”, explica o secretário.

Demanda por ações urgentes em Santa Luzia

Casa de Cultura/Museu Histórico Aurélio Dolabella, em Santa Luzia, guarda a memória local e o acervo referente à Revolução Liberal de 1842(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

O historiador Marco Aurélio Fonseca, a arquiteta e paisagista Márcia Souza e a paisagista Márcia Dantas, mostraram as dependências do imponente imóvel que requer ação mais do que urgente. O valioso acervo, durante muito tempo guardado em situação precária e de forma inadequada, se encontra, agora no Salão da Baronesa, sobrado da Rua Direita, no Centro Histórico de Santa Luzia, entregue aos cuidados da conservadora de arte Maria Clara de Assis e da museóloga Juliana Facre.

Em resposta ao Estado de Minas, a superintendente do Iphan em Minas, Célia Corsino, informou que o projeto apresentado pela Prefeitura de Santa Luzia foi aprovado pelos técnicos da autarquia federal. Em nota, a direção do Iepha informa que o projeto de restauração da Casa de Cultura de Santa Luzia está em processo de análise: “Em reunião em julho com as arquitetas da Prefeitura de Santa Luzia, técnicos da instituição orientaram sobre as adequações necessárias no projeto, visando à sua aprovação. O Iepha aguarda o encaminhamento do projeto revisado, conforme acordado em reunião, para as devidas providências”.

Encontro de museus em BH

Casa de Cultura de Santa Luzia aguarda liberação de recursos para passar por reformas(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

Reiterando a necessidade de ações de prevenção e “cuidado diário” com os bens culturais, além da realização de projetos, a diretora de Museus da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult), Ana Werneck, informa que, no período de 11 a 13 do próximo mês, no Arquivo Público e Museu Mineiro, BH será sede do Encontro Estadual de Museus, com o tema “Gestão de risco e segurança”, em parceria com o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Um dos focos está na capacitação técnica. “O Ibram tem especialistas de renome e haverá estudo de casos, sendo um deles o bom exemplo em capacitação do Museu do Ouro, em Sabará”.

Mesmo com problemas de sobra e susceptíveis a riscos, os museus brasileiros tiveram aumento na visitação após a tragédia no Nacional. De acordo com o Ibram, a média este ano, em relação ao mesmo período em 2018, foi de 31% – para se ter uma ideia de público, cerca de 38,4 milhões de pessoas estiveram em 1.405 museus, contra 32,2 milhões em 2017.

“A tragédia no Rio, associada ao incêndio da Catedral de Notre-Dame, em Paris, França, abriu os olhos para a gestão e prevenção de riscos e levou a uma maior conscientização das pessoas para seus bens culturais”

Margareth Monteiro, diretora-interina do Museu da Inconfidência, em Ouro Preto

Considerado um dos três do país (vinculados ao Ibram) com maior número de visitantes – os outros são o Imperial, de Petrópolis (RJ), e o da República, na capital fluminense –, o Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, na Região Central do estado, registrou 40% de aumento nas férias de julho, com 32 mil pessoas – nos primeiros seis meses de 2019, houve 100 mil visitantes, devendo superar os 210 mil do ano passado.

“A tragédia no Museu Nacional no Rio, associada ao incêndio, em abril, da Catedral de Notre-Dame, em Paris, França, abriu os olhos para a gestão e prevenção de riscos e levou a uma maior conscientização das pessoas para seus bens culturais, despertando o sentimento de pertencimento”, avalia a diretora-interina do Inconfidência, historiadora Margareth Monteiro. “Estamos numa efervescência”, resume.

Fonte: Gerais – Jornal Estado de Minas

Collecteurs quer divulgar informações coleções de arte particulares

Collecteurs é um site e plataforma de mídia social que se proclama o Museu Coletivo das Coleções Privadas

Texto por Sophie Haigney

coleção de arte privada de Roberto Toscano e sua mulher, Nadia Toscano-Palon, reúne obras de artistas como Daniel Turner, Anish Kapoor, James Turrell e Oscar Tuazon. Desde 2012, o acervo cresceu para mais de cem peças, em parte guardadas ou sendo restauradas. Como na maioria das coleções privadas, essas obras raramente são vistas por alguém fora do círculo próximo ao casal.

Este é um problema para muitos colecionadores, incluindo os Toscanos, que querem exibir seus acervos para públicos maiores ou acreditam que seja seu dever compartilhar as obras que possuem. Embora colecionadores das altas faixas do mercado estejam abrindo cada vez mais museus particulares, pode ser difícil arcar com os custos ou manter o pessoal necessário para operar tais espaços. Coleções particulares às vezes são tão inacessíveis, disse Toscano, que mesmo os artistas não sabem onde estão algumas de suas obras. Esse é um dos motivos pelos quais Toscano quer tornar públicas informações sobre a localização de obras de arte. “Se eu não as puser em algum banco de dados público, essas obras acabam sumindo do planeta”, disse.

Collecteurs é um site e plataforma de mídia social que se proclama o Museu Coletivo das Coleções Privadas. Abrigado no New Museum’s New Inc., uma incubadora cultural, Collecteurs é uma corporação de utilidade pública com a missão declarada de trazer obras de arte à luz – pelo menos, às luzes da internet. Seus fundadores são o casal de colecionadores Jessica e Evrim Oralkan, que acabaram sobrecarregados pelo tamanho de sua própria coleção de arte. Eles lutam para administrar a coleção e compartilhá-la com o público. “Você chega num ponto em que não cabe mais nada nas paredes”, afirmou Oralkan.

Os Oralkans puseram sua coleção pessoal online, a exemplo dos Toscanos e 1.200 outros colecionadores. Qualquer um com um computador pode ver as imagens das obras que eles possuem. Acessá-las e usá-las num nível básico é grátis. Mas os usuários podem associar-se a planos mais completos (um de US$ 15 mensais e outro de US$ 125) que dão acesso a benefícios como ingressos para feiras de arte e a oportunidade de serem entrevistados pelo site editorial da plataforma.

Além de compartilhar arte, colecionadores buscam ferramentas para conectar-se com galeristas e curadores e, quem sabe, falar sobre o que têm nas paredes. “Colecionadores costumavam ser quase um clube privado de pessoas muito tradicionalistas em sua privacidade e comportamento”, ressaltou Ronald Varney, consultor independente sobre fine art de Nova York. “Mas hoje é comum a pergunta ‘quanta publicidade vou conseguir com isso?’.”

Colecionadores tentam aproveitar a energia da mídia social sem o burburinho a ela associado, proporcionando uma janela para o quase secreto mundo das coleções privadas. Embora o valor total da arte em poder de particulares seja incalculável, as vendas e leilões de obras de arte vêm crescendo, atingindo US$ 67,4 bilhões em 2018 – muito disso passando por mãos privadas. Varney chamou o mundo das coleções particulares de “universo nebuloso”, uma vez que vendas privadas não são notificadas e casas de leilão não são obrigadas a divulgar os nomes de seus clientes.

“Uma obra de um famoso artista contemporâneo foi vendida num grande leilão da Christie’s há alguns anos e a venda ganhou destaque no noticiário”, recordou Varney. “Após ser vendida, a peça foi listada como ‘desaparecida’ no site do artista. A obra simplesmente desapareceu numa coleção privada.”

Por sua própria natureza, Collecteurs tem uma óbvia limitação: as obras só podem ser vistas online. “Não é qualquer um que tem dinheiro para abrir um museu particular”, garantiu Oralkan. “Então as pessoas procuram opções alternativas, e essas muito provavelmente serão digitais.”

O conceito de museu digital não é realmente novo. Muitos museus há muito digitalizaram suas coleções e qualquer um com acesso à internet pode pesquisar suas imagens. Mas quando é que algo passa de uma coleção de imagens online para um museu online, e Collecteurs está habilitado para isso?

“Não é realmente um museu, por mais que se amplie a definição”, disse Claire Bishop, professora de história da arte do Centro de Graduação da Universidade da Cidade de Nova York, que pesquisou e escreveu sobre os efeitos da tecnologia digital na arte visual. Para ela, a falta de ênfase na pesquisa, a precariedade de informações contextuais sobre os objetos e a ausência de curadoria extensiva fazem de Collecteurs mais uma rede social que um museu.

“Se a definição mínima de museu digital for uma coleção de imagens online reduzidas, então um arquivo como o Artstor é o maior museu digital do mundo”, avaliou Bishop, referindo-se a uma biblioteca digital de imagens sem fins lucrativos que reuniu milhões de imagens para estudantes. O uso da palavra museu, segundo ela, é equivocado e representa mal os objetivos do projeto.

“Temos uma chance de recriar a ideia de como um museu pode ser”, analisa Oralkan. “Entre não ser visto e ser visto digitalmente, o digital ganha força.” Mas nem todo mundo está interessado em mostrar o que tem em cofres e paredes. “Estamos lidando com figuras que não querem chamar a atenção para sua riqueza e fazem questão de que ninguém chegue a elas”, acrescentou Justin Anthony, um dos fundadores da empresa Artwork Archive, baseada em Denver. / TRADUÇÃO ROBERTO MUNIZ

Fonte: Terra

Diálogos no Museu | A Formação do Acervo Institucional do Museu da Cidade

A Formação do acervo institucional do Museu da Cidade

Dando sequência à nossa programação, inaugurada em 16 de abril de 2019, apresentamos o terceiro evento da série O Museu da Cidade: história, acervos e território, que abordará três dos cinco acervos operacionais do Museu da Cidade de São Paulo: fotográfico, arquitetônico e bens móveis. A proposta da ação, além de apresentar e contextualizar historicamente a formação desses acervos é propor reflexões sobre a memória (presença e invisibilidades) do território paulistano a partir da interlocução entre essas coleções.

PROGRAMA 20/08

9h – Credenciamento (inscrições no dia do evento, por ordem de chegada).

9h45 – Abertura            

10h – Painel 1: O Departamento de Cultura e a formação da coleção fotográfica do Museu da Cidade

A criação da Divisão de Documentação Histórica e Social em 1935 bem como a consolidação do Departamento de Cultura em 1936 trouxe, ao Município de São Paulo o recebimento de acervos e consequentemente sua salvaguarda, bem como novas possibilidades culturais acerca da cidade, sua memória e seus territórios. Desde o Departamento de Cultura até os dias de hoje, o Museu da Cidade de São Paulo possui um acervo fotográfico de grande valor histórico e documental, que retrata predominantemente a cidade de São Paulo e suas transformações urbanas nos últimos 150 anos. O painel pretende apresentar e discutir o perfil desse acervo.

Palestrantes:

– Walter Pires (Arquiteto do Departamento do Patrimônio Histórico – DPH/SMC)

– João de Pontes Junior (Bibliotecário do Museu da Cidade de São Paulo – DMU/SMC)

Mediação:

Vera Lúcia Cardim (Socióloga, especialista em Museologia e servidora aposentada da Secretaria Municipal de Cultura)

11h30 – Debate

12h – Almoço e visitas mediadas às exposições do Solar da Marquesa de Santos, Beco do Pinto e Casa da Imagem 

14h – Painel 2: O IV Centenário e a Formação das coleções de bens móveis e arquitetônicas

As comemorações dos 400 anos de fundação da cidade de São Paulo (1954) trouxeram inúmeras reverberações, dentre elas, a restauração da Casa do Bandeirante, localizada no bairro do Butantã com o propósito de reafirmar o possível protagonismo paulista na história do país. Hoje, essa edificação pertence coleção arquitetônica do Museu da Cidade. O painel, portanto objetiva discutir aspectos sobre a formação do acervo arquitetônico em consonância com a aquisição de mobiliários e alfaias coletados nas fazendas do interior de São Paulo e Minas Gerais no intuito de criar ambientações para essas casas históricas no contexto do IV Centenário.

Palestrantes:

– Rosaelena Scarpeline (Bibliotecária, Doutoranda em Historia da Arte IFCH-Unicamp e ex-Diretora da Biblioteca do Centro de Memória da Unicamp)

– Regina Helena Vieira dos Santos (Arquiteta  do Museu da Cidade de São Paulo – São Paulo – DMU/SMC)

Mediação:

-Vera Toledo Piza (Museóloga do Centro Cultural São Paulo – CCSP/SMC)

15h30 – Debate               

16 – Visita mediada com a curadora Gabriela Rios à exposição “Do Cenário ao Museu”.

A mostra reflete a formação do acervo de bens móveis do Museu da Cidade, no contexto histórico do restauro da Casa do Bandeirante e das festividades do IV Centenário de São Paulo (1954).

17h – Encerramento

 

PROGRAMAÇÃO COMPLETA DA SÉRIE HISTÓRICA

O MUSEU DA CIDADE: HISTÓRIA, ACERVOS E TERRITÓRIO

 16 e 17 de abril – O Museu da Cidade e a representação do território

Percurso institucional, desafios de gestão de acervos e ações extramuros

18 de junho – A cidade como acervo operacional

Memória social, políticas de patrimônio e planejamento urbano

Lugares de memórias difíceis e narrativas periféricas

20 de agosto – A Formação do acervo institucional do Museu da Cidade

O Departamento de Cultura e a formação da coleção fotográfica

O IV Centenário e a Formação das coleções de bens móveis e arquitetônicas

22 de outubro – Entre o tangível e o intangível (desenvolver)

A formação do acervo documental e de história oral

10 de dezembro – O Educativo do Museu da Cidade (em desenvolvimento)

Origens e desafios contemporâneos

O PROJETO DIÁLOGOS NO MUSEU DA CIDADE

Lançado em abril de 2019, o projeto Diálogos no Museu da Cidade foi estruturado a partir de curadoria compartilhada entre os setores da Museologia, Curadoria, Educativo e Arquitetura do museu com o objetivo de apresentar a sua história institucional e, sobretudo, destacar o seu papel social como espaço público privilegiado para as necessárias reflexões sobre as dinâmicas culturais e sociais da cidade de São Paulo.

Nesse sentido, o projeto Diálogos no Museu articula as diferentes ações culturais em desenvolvimento no âmbito do Museu, buscando estruturar as ações curatoriais; oferecer suporte à produção de conteúdo para as futuras exposições; promover a reflexão sobre as exposições em cartaz; desenvolver ações extramuros da instituição (expedições, exposições, caminhadas, dentre outros); estimular a pesquisa acadêmica, interna e externa, a partir dos seus acervos institucionais; e promover a aproximação do museu com as comunidades acadêmica e museológica e a população da cidade sobre a qual a instituição atua, de modo a exercer todo o seu potencial institucional no processo contínuo e dinâmico de construção da cidade física e simbólica.

O MUSEU DA CIDADE DE SÃO PAULO

O Museu da Cidade de São Paulo, instituição pública vinculada ao Departamento dos Museus Municipais da Prefeitura Municipal de São Paulo, caracteriza-se como uma instituição polinucleada, configurada por uma estrutura em rede distribuída pelo território e composta por monumento, logradouro e edificações históricas tombadas. Para além desse acervo arquitetônico, o Museu da Cidade conta ainda com os acervos fotográfico, documental, de bens móveis históricos e de história oral.

Entretanto, o Museu da Cidade nos coloca frente ao desafio de tratar como acervo operacional uma cidade-capital, sede da Região Metropolitana e considerada como uma das capitais mundiais. Caracterizada por um intenso e acelerado processo de construção e transformação urbana, resultante da efervescência econômica do Estado, a cidade de São Paulo acabou por transformar-se em um dos principais polos atrativos de fluxos migratórios internos e externos. Essa combinação de povos e culturas é o que faz de São Paulo uma cidade marcada por uma vitalidade cultural diversificada, que lhe confere, também, o caráter de polo difusor de cultura.

Nesse sentido, cabe ao Museu da Cidade de São Paulo, por meio das suas ações museológicas, estabelecer uma relação articulada com as dinâmicas da vida urbana a fim de compreender seu território e atuar sobre ele com o objetivo de promover o sentimento de pertencimento, a valorização da cidade e a inclusão de distintos sujeitos culturais. Do mesmo modo, sua organização em rede, composta por unidades distribuídas pela cidade, possibilita a esse museu uma atuação simultânea em diferentes pontos de um território dotado de múltiplas centralidades.

Tendo em vista os desafios que nos são apresentados por essa tipologia de museu, demos início ao projeto Diálogos no Museu da Cidade, que tem por objetivo promover ações culturais que cumprem o objetivo de registrar sua história institucional, a formação e consolidação dos seus acervos e a valorização das suas diversas possibilidades de atuação sobre o território no qual está inserido.

Vaquinha é criada para reconstruir maior biblioteca de antropologia da América do Sul

No dia 2 de setembro de 2018, um incêndio destruiu o acervo do Museu Nacional, instituição científica mais antiga do Brasil que desde 1818 acumulava mais de 20 milhões de itens na maior coleção de história natural da América Latina. No primeiro andar do prédio, ficava a Biblioteca Francisca Keller, que tinha o maior acervo de antropologia e ciências humanas da América do Sul.

Parte do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS), Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), criado em 1968 e o primeiro curso de pós-graduação em Antropologia Social do país, a biblioteca tinha cerca de 37 mil itens. Eram obras de referência, livros, periódicos, teses, dissertações, anais de congressos, entre outros. Era também um espaço de convivência relevante para os profissionais da área.

A pouco menos de a tragédia completar um ano, os pesquisadores já receberam 10.500 volumes de doações e outros oito mil estão a caminho. Eles esperam chegar a 40 mil em um período de três anos. Falta agora o financiamento para reabrir a biblioteca em um novo espaço planejado pela Faculdade de Arquitetura da UFRJ, no Horto Botânico, na Quinta da Boa Vista.

Para acelerar o processo de arrecadamento de fundos, eles estão fazendo uma vaquinha na plataforma Benfeitoria. A verba será usada para a demolição de paredes internas do espaço, restaurar o piso, fazer acabamento e pintura, colocar forro, fazer a instalação elétrica e de ar condicionado e o restauro de ferragens. Esperam conseguir R$ 129 mil até o dia 12 de setembro.

“Temos livros, temos um projeto, temos uma equipe interdisciplinar trabalhando para a reabertura da biblioteca, agora precisamos da sua ajuda para tornar esse sonho possível”, diz a antropóloga Olívia Maria Gomes da Cunha, no vídeo feito para a divulgação da campanha.

Fonte: GALILEU

Conta aí, mestre: a inclusão de surdos em museus de ciência

O acesso ao conhecimento para surdos nunca foi tão amplo como nos dias de hoje, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido para alcançar o melhor dos mundos. O mestre em Divulgação Científica André Fillipe de Freitas Fernandes conhece essa realidade de perto. Desde a graduação, ele já havia trabalhado com a inclusão de pessoas com deficiência auditiva em escolas e como mediador em dois museus de ciências. “Percebi que estes careciam de estratégias para receber o público com deficiência, principalmente o público com que sempre trabalhei – o surdo”, conta André, que levou a inquietação para o mestrado. O resultado foi a dissertação “A inclusão de surdos em museus de ciência: um estudo no Museu do Amanhã e no Museu da Vida”, defendida em julho. O agora mestre responde a perguntas dos seguidores do Museu da Vida e esclarece pontos importantes sobre acessibilidade. Fala aí, mestre!

Museu da Vida (@museudavida): Como se dá essa questão da acessibilidade para surdos nos dois museus de ciências estudados?
André Fillipe de Freitas Fernandes:
 O foco principal do estudo foi analisar as exposições dos museus, o que eles têm feito para promover a inclusão do público surdo e os principais desafios. Minha pesquisa escolheu esses dois museus no intuito de comparar como um museu criado em 1999 (ano em que existiam poucas leis e regulamentações de acessibilidade) e outro fundado em 2015 trabalham com a inclusão de surdos. Percebemos que, independentemente dos contextos, ambos os museus começaram a desenvolver estratégias de acessibilidade recentemente. O Museu do Amanhã está um pouco na frente na capacitação de recursos humanos para receber e atender o público surdo – inclusive, o quadro de funcionários deste museu possui um educador surdo. Além disso, possui tablets com intérpretes de LIBRAS no final da exposição para auxiliar na contextualização do que foi visto. Já no Museu da Vida, encontramos duas atividades com recursos de acessibilidade para o público surdo, mas somente uma de longa duração: a esquete “Conferência Sinistra”, que contou com a tradução simultânea de três intérpretes, além da exposição temporária “Insetos Ilustrados”, que utilizou janelas de LIBRAS em alguns vídeos e tablets.

Maria Fernanda Marques Fernandes (@fernandamarques81): As visitas eram direcionadas a grupos de pessoas com deficiência auditiva ou havia integração entre visitantes com e sem deficiência? O que você observou na pesquisa sobre essa integração nos museus?
André Fillipe de Freitas Fernandes:
 As visitas em ambos os museus foram somente com o grupo de surdos. Ambos os museus estão preocupados com a inclusão do público surdo e têm desenvolvido estratégias para aproximar esse público. No Museu da Vida, peças teatrais têm sido adaptadas e, no Museu do Amanhã, a presença de tablets com janela de LIBRAS já é uma realidade, além da presença de um educador surdo.

Helena Dale (@arpef.fonoaudiologia): Partindo do princípio básico que, durante as visitas, foi oferecida acessibilidade aos surdos (intérprete de Libras e legenda), que aspecto chamou mais sua atenção em relação às visitas desse público especificamente?
André Fillipe de Freitas Fernandes:
 A falta de autonomia durante as visitas. Ambos os museus não estão preparados para uma visita que garanta a compreensão dos conteúdos expositivos sem a ajuda de um intérprete e/ou educador-mediador surdo. Isso poderia ser melhorado expandindo as tecnologias assistivas disponíveis, como a contratação de intérpretes e educadores-mediadores surdos posicionados na entrada do museu, para oferecer informações sobre os espaços. Além disso, introduzir janelas de LIBRAS nos aparatos e nos vídeos, utilizar tablets com recurso de vídeo-guia para ajudar na localização do museu e na compreensão das exposições, entre outras possibilidades.

Roberta Cristine (@roberthacristine): Qual foi ou é a maior dificuldade encontrada em facilitar a acessibilidade de pessoas surdas ou com deficiência auditiva?
André Fillipe de Freitas Fernandes:
 As barreiras informacionais e comunicacionais. Tratando-se de museus de ciências, muitas palavras são difíceis de serem compreendidas pelo público surdo. Nem sempre essas palavras têm sinais equivalentes em LIBRAS. Essas questões, na maioria das vezes, não podem ser sanadas porque muitos desses espaços não possuem tecnologias assistivas (janela de LIBRAS, intérpretes…) propícias para esse público.

Julianne Gouveia (@_amarelodeserto): A educação de surdos tem sido ampliada nos últimos anos, mas ainda requer demandas específicas. Na sua opinião, de que maneira esse contato com a ciência via museus acessíveis contribui especificamente para a formação deles?
André Fillipe de Freitas Fernandes: Essa questão foi abordada por dois surdos durante as entrevistas deste estudo. Os museus possuem um potencial educativo e científico muito grande, que, na maioria das vezes, complementa e aprofunda o que muitos estudantes aprendem na escola, universidade e cursos. Também podem ajudar na escolha profissional deles.

Museu da Vida (@museudavida): Você citou, no resumo da sua dissertação, que trabalhou especialmente com jovens surdos. Percebeu alguma diferença geracional entre eles e pessoas com deficiência mais velhas quanto à maneira com que se relacionam com os museus?
André Fillipe de Freitas Fernandes:
 Definimos uma categoria de surdos para analisar os museus – escolhemos estudantes universitários do curso de Letras-LIBRAS da UFRJ porque, para nós, esses jovens universitários começaram a ter uma maturidade crítica para avaliar, questionar e sugerir características que beneficiem sua comunidade surda. A diferença de idade não era muito grande entre os participantes do estudo e não foi um item utilizado como critério para escolha desses jovens.

Renata Heinzelmann (@renata.heinzelmann): Qual foi a principal conclusão da pesquisa?
André Fillipe de Freitas Fernandes: 
Ambos os museus estão preocupados com a questão da acessibilidade para o público surdo. Eles têm buscado aprimorar suas atividades para esse público, mas a falta de janelas de LIBRAS nas exposições, o baixo número de profissionais especializados e a falta de autonomia durante as visitas foram os principais entraves observados.

Com edição de Julianne Gouveia.

 

Fonte: Museu da vida

Por que são poucos no Brasil os Museus sobre a ditadura, por Álvaro Miranda

Na verdade, foi e continua sendo a maneira negociada e camuflada de perpetuar as bases sociais e econômicas instituídas durante os mais de 20 anos de ditadura civil-militar no país.

Por que são poucos no Brasil os Museus sobre a ditadura

por Álvaro Miranda

Inevitável a lembrança que me ocorreu dos esforços de diferentes atores e segmentos, principalmente de alguns governos e da Comissão da Verdade, quando percorria semana passada, acompanhado da minha filha Gabriela, um dos principais campos de concentração da Alemanha nazista, em Oranienburg, na região metropolitana de Berlim.

Para além de algumas poucas unidades museológicas existentes (talvez a mais famosa seja o Memorial da Resistência de São Paulo, criado em 2009), dos documentos impressos e trabalhos registrados virtualmente, a partir de iniciativas em vários estados, o Brasil honesto para as atuais e futuras gerações deveria construir uma rede interestadual de monumentos, praças, prédios, museus, estátuas e diferentes tipos de espaços em memória do que aconteceu no país durante a ditadura civil-militar.

Mesmo que isso seja impossível na atual conjuntura, sonhos se transformam em devaneios para utopias factíveis em melhores dias futuros. Mas não um memorial só dos horrores praticados, mas sim instrumento de política pública para esclarecer, com seminários, cursos, filmes, peças, debates e outras atividades permanentes o que a ditatura representou na época e suas influências na configuração do que vivemos na atualidade.

Também inevitável a indagação sobre as dificuldades de uma política pública dessa natureza, para aquém e além do atual governo, uma vez que nossa democracia completa 30 anos. A pergunta é: por que nessas três décadas ficamos aquém? Antes de propor reflexão para uma possível resposta, alguns flashes do campo de concentração nazista, que funcionou de 1936 a 1945 e hoje transformado no Gedenkstätte und Museum Sachsenhaunsen.

Situado num bairro bucólico, com casas de jardins pacatos e floridos, os ares do campo transformado em memorial lembram a calmaria e o canto de pássaros semelhantes à atmosfera do Cemitério de Congonhas, em São Paulo, ou o Jardim da Saudade, no bairro de Sulacap, no Rio de Janeiro. Inevitável também sentir o silêncio presente sob um céu de verão eloquentemente azul guardando os horrores do passado com todas as nuvens cinzentas e tempestades de sons imagináveis da dor e da brutalidade humanas.

Ao transpor sua entrada principal, quem nos recebe na nossa imaginação é ninguém menos do que o jurista e filósofo Jeremy Bentham, com seu panoptismo do século XVIII. Uma torre em semicírculo envidraçada voltada para todos os lados do interior do campo de concentração com sua vasta área em forma de quase um triângulo equilátero e suas guaritas em pontos estratégicos ao longo dos muros. Em suma: sistema de vigilância em que os vigiados estão sempre expostos mas nunca veem quais vigilantes os observam por todos os lados.

Hoje permanecem alguns dos barracões utilizados na época para diferentes finalidades, além dos alojamentos coletivos. Servem agora para setores de exposições do memorial, com detalhes que vão dos mais variados objetos, tais como beliches dos dormitórios, instalações hidráulicas de cozinha e banheiros, bancadas envidraçadas de fotos, livros de anotações “administrativas” sobre os presos e até fragmentos de roupas, de chinelos e de diversas outras coisas e apetrechos pessoais das vítimas encarceradas. Repito: os alemães preservaram até pedaço de chinelo das vítimas daquele tempo de horrores.

Não só turistas estrangeiros ou pesquisadores visitam o ex-campo de concentração. Veem-se famílias de alemães com crianças e adolescentes sendo conduzidos ou pelos próprios pais ou em grupos de estudantes de diferentes níveis escolares guiados por professores. Turismo mais do que pedagógico nada tendo a ver com a história indigente de simples registro do horror pitoresco ou espécie de história apenas “passada” e obrigatória nos currículos acadêmicos: na verdade turismo político e ativo promovido pelo próprio Estado a fim de que o passado não se repita.

Essa ideia e perspectiva são corroboradas em cada detalhe do percurso da visita e, mais ainda, à saída, cujo vizinho é nada menos do que a escola preparatória científica de polícia de  Brandenburg. Em cada passo do visitante o silêncio é um convite à reflexão para além do repúdio, da indignação e de um sentimento desconcertante em relação à consciência do que um ser humano é capaz de fazer com outro. A placa na instituição vizinha é eloquente em relação ao mandamento de que o passado tem que ser preservado para que ele não se repita.

FICAMOS AQUÉM APESAR DA REDEMOCRATIZAÇÃO 

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Em meio a possíveis respostas diferentes sobre as razões pelas quais não temos uma rede de centros memoriais como política pública, com apoio de recursos da União e descentralizada pelos entes federativos, uma hipótese, que, certamente, não é nada original: a tentativa de silêncio e esquecimento não teve como objetivo evitar revanchismos diante do desconforto de setores de direita ou reacionários para concretizar o possível. Não foi tática, por exemplo, para se criar bases a fim de se olhar para frente como ânimo de progresso e desenvolvimento mediante suposta necessidade de se desvencilhar do passado. Na verdade, foi e continua sendo a maneira negociada e camuflada de perpetuar as bases sociais e econômicas instituídas durante os mais de 20 anos de ditadura civil-militar no país.

Há que se fazer profunda reflexão sobre questões interpenetradas à luz de uma visão diacrônica e materialista, isto é: conectar atores, interesses em conflito, condições  internas e externas da nossa redemocratização política, na década de 1980, que fez permanecer até hoje as bases sociais e econômicas instauradas pela ditadura. Sem esgotar o assunto, algumas questões:

1 – A ditadura, que promoveu forte concentração de renda, com seu terrorismo de estado, manteve-se por mais de duas décadas a ferro e fogo, em grande parte desse período, na base da censura, sequestros, torturas, assassinatos, prisões e sumiço de pessoas, e depois se retira de cena sem derramamento de uma gota de sangue? Como explicar tal fenômeno numa situação na qual não ocorreu uma deposição ou derrubada de governo, mas sim uma sucessão seguindo a alternância de governos que a própria ditadura instituíra desde 1964, só que agora, na chamada democracia, com a primeira eleição de forma indireta (Tancredo Neves), e as demais pelo voto direto.

2 – Os protagonistas da redemocratização, isto é, os governadores, primeiros a serem eleitos pelo voto direto (1982) antes da primeira eleição para presidência da República (1989), foram, em sua maioria, os próceres também da submissão ao receituário neoliberal do Consenso de Washington na década seguinte. Nesse ponto, há que se refletir sobre a nova configuração das oligarquias locais frente ao poder central. E como o fortalecimento histórico do poder central, contraditoriamente, foi e é importante para entendermos a submissão do país às forças imperialistas. Submissão essa chancelada pelo Poder Legislativo, com seu apoio das representações regionais (subnacionais), e pelo Poder Judiciário, a exemplo das recentes decisões do STF liberando o desmonte da Petrobras. Com uma visão materialista, Joachim Hirsch tem razão ao afirmar que a fase atual do capitalismo precisa de estados submissos “fortes” para garantir sua expansão extraterritorial.

3 – Não se pode enxergar a Assembleia Nacional Constituinte de 1987/1988 como resultado simplesmente do movimento “Diretas já”. Ou seja, fotografá-la de forma isolada e pontual sem relacioná-la diretamente à ditadura no sentido de saber quem foram seus atores principais, que mudanças ocorriam no contexto internacional, o rumo tomado pela tal “Constituição Cidadã” já durante a ANC e o que ela fez surgir e permanecer. Lembre-se, por exemplo, que a ANC, que iniciara seus trabalhos em março de 1987, com previsão de encerramento em novembro do mesmo ano, só terminou em agosto de 1988, sendo promulgada em 5 de outubro. O atraso resultara do impasse causado pelas forças do chamado “Centrão”, na virada de 1987 para 1988, contra os avanços progressistas e democráticos que vinham ocorrendo nas propostas debatidas nas subcomissões  e comissões temáticas da Assembleia. “Centrão” esse que permanece até hoje, embora com muitos atores diferentes, defendendo porém os mesmos interesses da época da Constituinte e da ditadura.

4 – Quando ao tomar posse em 1994 FHC diz “aqui termina a Era Vargas”, o gesto representava o início do desmonte do estado, com um discurso supostamente moderno e progressista. Recebeu amplo apoio midiático e da classe média embevecida de ter o real igual ao dólar, classe média feliz e saltitante em suas viagens para Miami. Afinal, o então presidente era um intelectual que se supunha ter um pé na esquerda, teórico da dependência, depois aprimorado “pós-modernamente”, transformando-se num príncipe eurocêntrico, muito bem visto pelos olhos dos vira-latas complexados. Ser neoliberal era considerado moderno com seu discurso de que o marxismo estava ultrapassado. Tinha ares moderados e conciliadores e empunhava a bandeira de uma questionável social democracia já praticamente falida no velho primeiro mundo.

5 – A eleição de governos na América Latina como os de Lula, Hugo Chaves, Evo Morales e outros nos anos 2000 é interpretada por observadores como uma reação à década anterior, esta sim a “década perdida”, e não a da hiperinflacionária 1980. Uma reação ao Consenso de Washington. De 2010 para cá o que chamam avanço da direita pelo mundo nada mais é do que a crise do Capital reconfigurando  mercados sob a égide imperialista e neocolonialista. O Brasil está voltando a ser uma triste colônia em situação pior do que a do Consenso de Washington. A onda de direita não é simplesmente uma postura filosófica “pura” de costumes, religião e histeria moralista, desconectada da macroeconomia. Hoje é esse o quadro: desmonte das economias nacionais, golpes, guerras híbridas e esculhambação judicial, como vem ocorrendo no Brasil e outros países.

Essas são algumas questões que podem ajudar a responder as dificuldades do Brasil para a criação de uma ampla rede memorial de espaços, museus, institutos, praças, monumentos e outros equipamentos para impedir que o silêncio e o esquecimento se transformem em armas para o aprofundamento das desigualdades sociais e econômicas.

A presente reflexão certamente contém eventuais erros e lacunas. Escrevi esse texto no celular, neste domingo, 21 de julho, num dos saguões de acesso das salas de embarque do Aeroporto Leonardo da Vinci, em Fiumicino, de Roma. Se a interpretação aqui apresentada é míope, que seja corrigida com novas lentes ou ajustada num grau aqui e ali. É uma forma de reação e pesquisa essa escrita. Espécie de “máquina de guerra” para usar uma expressão delleuziana. Tem sido muito difícil ficar quieto diante do que está acontecendo com o Brasil.

Da mesma forma, impossível ficar insensível diante do contraste entre ares e humores e a beleza da diversidade e da criatividade. Sabe o leitor o que é poder entrar na sede da ONU de bermuda? Ou então escrever ao som de um piano à disposição de quem quiser tocar, no saguão do aeroporto, para uma espécie de karaokê internacional? Durante o último domingo, dezenas de pessoas de diferentes idades e nacionalidades se revezaram e deram verdadeiros concertos-relâmpagos para os que esperavam a hora do seu embarque.

Comparando o baixo astral do Brasil – aliás, sem igual nem na época da ditadura, ou na do Consenso de Washington – com a alegria, o talento e a criatividade do trânsito cosmopolita, lembro uma frase de Alysson Leandro Mascaro, para quem é difícil o aprendizado na empiria da dor. Aproveito para dizer que essa música e essa alegria de tantos que passam parecem nos convidar a fazer algo imediatamente pela vida, pela nossa vida e a dos outros, algo que realmente importe, alguma coisa agora, sem adiamento ou meias palavras. Afinal, lembrando Schumpeter, que viu no capitalismo um “perene vendaval de destruição criativa”, finalizo ao som de “Imagine”, de John Lennon, tocado quando escrevo essas últimas linhas por um adolescente talvez francês, espanhol ou peruano, com uma frase de John Maynard Keynes: “a longo prazo todos estaremos mortos”. Daí que há de se fazer algo agora, urgente!

Álvaro Miranda – Jornalista, mestre e doutor pelo Programa de Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento (PPED) pela UFRJ

Fonte: Jornal GGN

SOBRE O MITO DA NEUTRALIDADE EM BIBLIOTECAS, ARQUIVOS E MUSEUS

As instituições de memória precisam colocar em discussão as percepções internas e externas sobre sua neutralidade e nós precisamos chegar a uma conclusão sobre o que isto significa

Como funcionam os setores de acervo e pesquisa de um museu

Vera e Cláudia, funcionárias do MAC-PR: equipe é responsável por todos os registros do acervo de 1.800 obra se documentação – Foto: Kraw Penas/SECC
As equipes dos setores do museu trabalham juntas para preservação do acervo. Kraw Penas/SECC
O registro de todas as obras é realizado pelo setor de acervo.. Kraw Penas/SECC

Quando se vai a uma exposição de arte contemporânea, o espectador mal desconfia que, por trás de todas as obras expostas, há uma burocracia anterior à beleza da arte que envolve sobretudo planilhas, números e registros, o que requer atenção minuciosa da equipe responsável pelo acervo do museu ? o do Museu de Arte Contemporânea do Paraná, que completará 50 anos em 2020, conta com cerca de 1,8 mil obras que precisaram, e precisam, passar por registros, atualizações e vistorias constantes.

“É muito trabalho. As pessoas conhecem mais a parte da obra de arte, até a guarda. Mas tem todo um lado de sentar, pesquisar todos os termos, fichas e laudos”, diz a responsável pelo acervo do Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC-PR), Cláudia Rejane Chavarinski Almeida Santos.

Formado por pinturas, esculturas, desenhos, gravuras, objetos, tapeçarias, instalações, vídeos e outras manifestações artísticas, o acervo é proveniente de prêmios de Salões, doações recomendadas pelo Conselho Consultivo e aquisições. Além da guarda em condições adequadas de temperatura e umidade na reserva técnica (no momento, o museu está funcionando nas dependências do Museu Oscar Niemeyer por conta da reforma na sede, e conta com reserva bidimensional, tridimensional, mapoteca e sala de molduras), há um longo processo de registro e outras informações levantadas pela equipe do acervo.

“Precisa saber o contexto da obra, a vida dela, como a obra chegou, o estado, quem é o artista. Ano da obra, doação, número do tombo, registro no livro tombo. O percurso documental do acervo é muito detalhado”, explica Cláudia, que é historiadora e mestre em Sociologia pela UFPR ? no momento ela cursa doutorado na mesma universidade. Além disso, o acervo do MAC-PR está disponível on-line para pesquisadores na Rede de Informações Museus Paraná (Pergamum Museus); e é o acervo quem insere as informações de todos os trabalhos no sistema.

Na reserva técnica, as normas seguidas são as do MON, que adota padrões de museus por todo o mundo com 47% de umidade relativa do ar e 22.4ºC de temperatura ? tudo medido por um aparelho chamado termo-higrômetro. “Se a umidade estiver alta a obra pode ter fungos. Muito baixa, ressecamento. As tridimensionais podem oxidar e ter várias interferências”, esclarece Cláudia.

Quando é formatada uma exposição, a equipe do acervo também é parte fundamental do processo: o curador passa a lista prévia de obras que pretende expor e é verificado pelo acervo se todas estão em condição de serem expostas e se existe alguma obra danificada. “O acervo se envolve diretamente até o dia da abertura da exposição”, fala Cláudia. Além disso, nesta documentação prévia levantada há artistas que deixam especificações sobre como a obra deve ser montada/exposta, manipulada e acondicionada. “Nesses casos, seguimos rigorosamente o pedido do artista. Quando não tem essas indicações seguimos as normas de segurança e o olhar do curador”.

Manuscritos, imagens e textos críticos compõem memória
Outro setor que complementa a área de acervo do MAC-PR é o de pesquisa e documentação, responsável por registrar a memória das artes visuais, além de contar com textos críticos, catálogos, manuscritos, imagens, entre outros materiais. De acordo com Juciley Eunice Moreira de Oliveira, responsável pelo setor, a hemeroteca do MAC-PR conta com 22.381 artistas, 4.424 entidades promotoras, 4.077 textos assinados, 247 assuntos e 4.443 livros. O museu conta ainda com uma parte multimídia com mais de 1 mil títulos e toda a documentação do Salão Paranaense desde o seu início, em 1944.

A Pesquisa é aberta ao público para pesquisas e consultas locais e recebe pessoas de todo o país. “Tudo é disponível ao pesquisador, que pode escanear e fotografar os materiais, mas não sai para empréstimo”, explica Juciley. Outro trabalho realizado é atualizar constantemente o cadastro dos artistas e realizar a triagem de doações de materiais. “É um trabalho muito gostoso de se realizar”, diz Juciley.

O setor também auxilia no levantamento de informações para montagem de cronologia em exposições, textos para catálogos e registros de toda a memória do acervo ? quando o artista é vivo, são gravadas entrevistas em áudio ou vídeo para que o museu conte com essa memória documentada.
“Procuramos todos os documentos, fontes e comprovações sobre a trajetória do artista”, ressalta uma das integrantes da Pesquisa e Documentação, Vera Regina Biscaia Vianna Batista.

Também historiadora, ela já atuou anteriormente no setor de acervo do MAC-PR e tem uma experiência extensa em museus: trabalhou, por exemplo, no extinto Museu de Arte do Paraná (hoje Museu Paranaense). “Os setores de um museu trabalham sempre interligados. Não tem como cada um ser independente. No fim, tudo funciona em função do acervo, tanto a pesquisa como o educativo. A gente tem que trabalhar sempre em conjunto”, salienta Vera.

MAC-PR 50 Anos

Criado em 11 de março de 1970 por decreto oficial, o Museu de Arte Contemporânea do Paraná completa 50 anos em março de 2020. Desde o início do seu funcionamento, foi responsável por ser um espaço de tendências e discussões sobre arte contemporânea. Atualmente, seu acervo é composto por 1.800 obras de artistas paranaenses e brasileiros, além de estrangeiros. É referência em pesquisa e documentação no Estado para pesquisadores da área e realiza ações de arte e educação para a comunidade. Sua sede, (no centro de Curitiba, onde estava desde 1974) está fechada para reforma e restauro. Por enquanto, o MAC-PR funciona nas salas 8 e 9 do Museu Oscar Niemeyer (MON).

Serviço
O Setor de Pesquisa é aberto para atendimento a pesquisadores e comunidade de terça a sexta-feira das 10h às 18 horas, mediante agendamento pelo telefone: (41) 3233-6872 pesquisamac@seec.pr.gov.br.

Fonte: BEM PARANÁ

Curso – Museu Memória Do Bixiga É De Todos Nós.

O curso “Museu Memórias do Bixiga é de Todos Nós” tem como principal proposta a criação coletiva de sentidos e pertencimento sobre o museu com sua comunidade. Serão realizadas atividades práticas e lúdicas para que os participantes se aproximem do universo dos museus, da preservação e da comunicação do patrimônio cultural. Durante as aulas os participantes serão protagonistas na criação de ações culturais com o objetivo de colaborar com as ações do MUMBI, que poderão se transformar em colaborações de longo prazo.
A metodologia do curso foi desenvolvida pela Profa. Viviane Sarraf durante sua atuação como curadora e coordenadora do Centro de Memória da Fundação Dorina Nowill para Cegos e em sua pesquisa de Pós Doutorado sobre Curadorias Participativas no Programa de Pós Graduação Interunidades em Museologia – USP.
Professora: Viviane Sarraf
Assistente: Paula Talib
Convidados: Paulo Santiago e Vera Rodrigues

Local: Museu Memórias do Bixiga – Rua dos Ingleses, 118 – Morro dos Ingleses – São Paulo – SP

Datas: 01, 08, 15, 29 de junho e 06 de julho de 2019

Horário: 15h as 18h

Inscrições: gratuitas por e-mail. Assunto: Inscrição Mensagem: Nome completo, idade, contato telefônico e se tem alguma deficiência (qual) para museubixiga@gmail.com

OBS: Os participantes irão receber certificado.

Mais informações: https://www.facebook.com/events/2365004547070020/

Exposição convida a sociedade a conhecer o patrimônio da USP

“Museus e Acervos da USP” está em cartaz na Casa de Dona Yayá, em São Paulo, com entrada grátis

Casa de Dona Yayá está ocupada pelos painéis da mostra – Foto: Gabriel Fernandes – CPC / Reprodução

.A USP coordena uma série de instituições ligadas à área da cultura, como museus, bibliotecas e centros de divulgação cultural e científica, além de todo um complexo universo de acervos, como coleções artísticas e conjuntos de obras de grandes intelectuais, por exemplo.

Na intenção de ressaltar a importância dessa vasta fonte de produção de conhecimento de que a Universidade dispõe e extrapolar os muros que a cercam, o Centro de Preservação Cultural (CPC) da USP abriu a exposição Museus e Acervos da USP.

Montada na atual sede do CPC, a histórica Casa de Dona Yayá, na Bela Vista, região central de São Paulo, a mostra traz, através de 40 painéis fotográficos, um olhar abrangente sobre todo esse patrimônio da Universidade – como um contraponto à desvalorização que a ciência e a pesquisa vêm ganhando no debate nacional, segundo os organizadores..

Entrada da exposição na Casa de Dona Yayá – Foto: Gabriel Fernandes – CPC / Reprodução

.Criado em 2002, o Centro de Preservação Cultural da USP realiza um trabalho de inventariação dos acervos e coleções mantidos sob a tutela da USP. No ano passado, ele publicou um guia intitulado Museus e Acervos da USP, feito através de um recorte dos museus e acervos abertos ao público geral.

Da intenção de se divulgar a publicação, surgiu a exposição de mesmo nome, inicialmente alocada no prédio da Reitoria da USP, na Cidade Universitária. “A exposição tem um caráter diferente do guia. Ela trabalha com outra linguagem e tem o objetivo de reforçar a publicação”, conta Cibele Monteiro, uma das responsáveis pela concepção e coordenação da mostra.

A inauguração na Reitoria aconteceu no contexto que sucedeu ao incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro, em setembro do ano passado. Cibele conta que naquele momento ela teve um caráter muito importante de chamar a atenção para esses museus e acervos, reafirmando-os e dando reconhecimento a eles. Agora, com a transferência da mostra para a Casa de Dona Yayá, ela explica que outro objetivo se evidencia.

“Aqui na Casa de Dona Yayá a ideia é termos a Universidade sendo reconhecida por outro público, o público externo. Convidar as pessoas a conhecer os diversos museus e acervos que a USP possui e entender que a Universidade faz um trabalho muito além do ensino nos cursos”, conta Cibele..

Exposição é composta de 40 painéis – Foto: Gabriel Fernandes – CPC / Reprodução

.A abertura da Museus e acervos da USP na Casa de Dona Yayá também se deu em um contexto importante. A inauguração aconteceu com a realização de uma mesa de debate, no dia 15 de maio, data que ficou marcada por ocorrer uma série de manifestações pelo País em defesa da educação. Mesmo sabendo que o público poderia ser afetado pelos protestos, o CPC decidiu manter o evento e publicou nota justificando.
“Compreendemos que o evento se soma à mobilização nacional contra os ataques à educação pública impostos pelo governo atual. O evento representa uma oportunidade de valorizar a Universidade e seu papel de diálogo com a sociedade, já que as discussões da mesa e a exposição são formas de revelar a riqueza e a importância do patrimônio universitário e de debater sobre sua relevância e seus desafios”, anunciou o CPC na nota.

A exposição é realizada em parceria com a Reitoria e a Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da USP. Segundo Cibele, a ideia é que, após esta longa temporada em que ficará na Casa de Dona Yayá – prevista para se encerrar no dia 20 de fevereiro de 2020 -, ela circule por outras unidades da USP, principalmente nos campi do interior. “Grande parte dos acervos é fruto de pesquisa da própria Universidade. Então há na exposição um convite para a comunidade conhecer melhor aquilo que a Universidade produz”, conclui.

A exposição Museus e Acervos da USP fica aberta até 20 de fevereiro de 2020, de segunda a sexta-feira, das 9 às 17 horas, na Casa de Dona Yayá (Rua Major Diogo, 353, Bela Vista, em São Paulo). Entrada grátis. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 2648-1501.

Fonte: Jornal da USP

A função dos museus na sociedade brasileira é tema do “Diálogos na USP”

Especialistas debatem a importância dos museus como ambiente de pesquisa e quais são os principais desafios na preservação da memória brasileira

 

Dia 18 de maio é o Dia Internacional dos Museus. O objetivo desta data é incentivar a população ao hábito de visitar e apreciar os museus, seja de arte, arqueologia, zootecnia ou história. Ao todo, o Brasil possui mais de 3.700 museus, sendo 65% deles públicos, entre os quais 456 federais. A Universidade de São Paulo, por exemplo, tem 45 museus, com cerca de 36 milhões de peças.

Os museus são espaços culturais. Mas, para além dessa sua qualidade visível a todos, o que muitos visitantes talvez não se deem conta é que os museus também são importantes espaços de pesquisa. Isso em qualquer latitude. As coleções que os museus tanto no Brasil quanto no exterior apresentam a seu público muitas vezes são uma parte mínima de seu acervo. Muitas vezes, é justamente essa parte não visível de um acervo que serve para pesquisas nas mais diferentes áreas do conhecimento.

Mas o quanto os museus, no Brasil, são valorizados? Como eles se mantêm diante de crises financeiras que acabam por negligenciar a cultura?

Para falar sobre a importância dos museus como espaço cultural e de pesquisa, o Diálogos na USPrecebeu os professores Carlos Roberto Brandão, diretor do Museu de Arte Contemporânea da USP, o MAC, e ex-presidente do Instituto Brasileiro de Museus do Ministério da Cultura, e Solange Ferraz Lima, professora e diretora do Museu Paulista da USP.

O professor Carlos Brandão ressaltou a expressividade do número de museus no Brasil, mas também apontou para o fato de que, dos 5.500 municípios brasileiros, apenas 1.200 possuem museus. Isto gera uma grande preocupação, já que “os municípios que não têm museus também têm sua história, mas não têm como garantir esta memória”. Mesmo que seja economicamente inviável ter um museu por cidade, “temos que ter uma política para garantir que essas memórias sejam preservadas”, afirmou Brandão.

Para Solange Ferraz, o Dia Internacional dos Museus não deve apenas ser celebrado, mas sim tratado como um “dia para pensar para que servem os museus e que funções eles cumprem na sociedade”. A professora relembrou que a data também é marcada por diversas atividades em várias instituições, “eventos debatendo as políticas de amparo aos museus e da cultura material, que é o que nos diferencia de outras instituições de pesquisa e ensino”.

Carlos Roberto Brandão – Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Solange Ferraz Lima – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Brandão também salientou a importância dos museus para pesquisas, função que normalmente não chega ao público, mas que é fundamental, principalmente nos museus universitários. “A pesquisa é fundamental, até para justificar nossa própria existência”, disse. O professor também comentou que as investigações feitas por essas instituições “não se limitam ao seu próprio acervo, mas também pesquisas de público e museologia”.

A professora Solange Ferraz também destacou a importância da pesquisa nos museus universitários,principalmente na formação de alunos. “Embora não sejamos, dentro da Universidade, unidades de ensino, nós fazemos parte dessa função complementar, que é permitir que alunos de diversos departamentos e diversas áreas possam participar e entender o que é um trabalho curatorial, porque ele é transdisciplinar”, afirmou.

Diálogos na USP tem apresentação de Marcello Rollemberg, produção da Editoria de Atualidades do Jornal da USP e da Rádio USP e trabalhos técnicos de Rafael Simões.

Fonte: Jornal da USP 

SENADOR DEFENDE APLICAÇÃO DE RECURSOS DA LEI ROUANET EM BIBLIOTECAS E MUSEUS

Pelo projeto 20% dos impostos devem ser destinados para as áreas de museus, bibliotecas, mediatecas e arquivos

Museus celebram a literatura de cordel com atrações grátis

Casa das Rosas, Guilherme de Almeida e Mário de Andrade promovem oficinas, exposições e exibições de filmes sobre o tema

Por Guilherme Queiroz

De origem ibérica, a literatura de cordel foi incorporada na história do Brasil e virou sinônimo da cultura nordestina, tendo sido declarada patrimônio cultural brasileiro em setembro. Os pequenos livretos, com ilustrações feitas por vezes com técnica de xilogravura, costumam retratar histórias locais e aventuras fantásticas. De maio a junho, a Casa das Rosas, a Casa Guilherme de Almeida e a Casa Mário de Andrade recebem uma programação gratuita que celebra o cordel.

A Casa Das Rosas, na Avenida Paulista, apresenta a exposição O Cordel em Portugal e no Brasil. Um acervo de mais de 100 obras, que foram produzidas no Brasil e em Portugal entre os séculos XVII  e XX, ficará exposto no local. A coleção do curador da mostra Arnaldo Saraiva mostra diferentes estilos dessa literatura. No mesmo local devem ser exibidos filmes sobre o assunto. Um deles, lançado em 2014, é inspirado em um cordel feito pelo músico Alceu Valença, também diretor do longa.

Divulgação/Veja SP

Já a Casa Guilherme de Almeida, no Sumaré, realiza uma oficina de xilogravura, técnica de talhamento em madeira utilizada para a elaboração das capas dos cordéis. Além disso, o local exibe o filme O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro e debate a importância de Glauber Rocha, diretor do longa-metragem, no chamado cinema de cordel. A produção exibida é de 1969 e faz referência aos cordelistas nordestinos.

Na Casa Mário de Andrade, Barra Funda, as atividades são voltadas para a escrita. No curso Literatura de Cordel, os interessados poderão conhecer a história do gênero literário e desenvolver textos com orientação dos professores. A exposição O Cordel na Pauliceia xibe folhetos contemporâneos que foram produzidos em São Paulo.

Para participar de uma oficina ou curso os interessados precisam realizar inscrição no site de cada museu. Confira abaixo a programação completa:

Casa das Rosas. Avenida Paulista, 37- Paraíso.

  • Exposição O Cordel em Portugal e no Brasil. 7 de maio a 6 de junho

  • Exibição do filme O Homem que Virou Suco (1981, direção de João Batista de Andrade). 16 de maio (quinta-feira), às 19h

  • Exibição do filme A Luneta do Tempo (2014, direção de Alceu Valença). 6 de junho (quinta-feira), às 19h

Casa Guilherme de Almeida. Rua Macapá, 187 – Sumaré.

  • Oficina de Xilogravura: capa de cordel. 7 a 28 de maio, às terças-feiras, das 15h às 17h

  • Glauber Rocha e o Cinema de Cordel. 11 de maio (sábado), às 15h

Casa Mário de Andrade. Rua Lopes Chaves, 546 – Barra Funda.

  • Exposição O Cordel na Pauliceia. Abertura em 10 de maio (sexta-feira)

  • Curso Literatura de Cordel. 9 de maio a 13 de junho, às quintas-feiras, das 19h às 21h

  • Lançamento do CD SerTão Distante, do artista pernambucano Aldy Carvalho. 4 de maio (sábado) das 16h às 18h

Fonte: Veja São Paulo

Objetos contam histórias: qual é a sua?

 

As oficinas terão como objetivo apresentar um pouco a história, as ações e os cuidados com os acervos do Museu do Ipiranga. Esses encontros buscarão despertar seu interesse pela conservação de sues objetos, documentos e fotografias pessoais. Ao final, os participantes elaborarão uma exposição compartilhando suas memórias.

Coordenação: Denise Peixoto com a participação de especialistas do Museu do Ipiranga.

2, 9, 16, 23, 30 de abril e 7 de maio, das 14h às 16h30, no Auditório do Museu do Ipiranga (Av. Nazaré, 268)

Inscrições: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdgs4cl2EhBzMLW_pI6Gju4eaUXPefsg5hwTyrcT30Ulk6ziw/viewform

Mais informações: cursosmp@usp.br ou (11) 2065-8075

Fonte: www.facebook.com

O que aconteceria se os museus europeus tivessem que devolver a arte colonial espoliada?

Holanda e França decidem devolver obras de arte aos seus lugares de origem, mas a questão se estende a países de quase todo o continente

O que aconteceria se os museus europeus tivessem que devolver a arte colonial espoliada?

Passear pelo Museu Britânico, em Londres, é o equivalente a dar a volta ao mundo. É o lugar mais visitado em todo o Reino Unido, mas na verdade as pessoas vão a ele para admirar um pedaço da Grécia antiga, conhecer a Pedra Roseta, uma estela de granodiorito que desvendou os hieróglifos do Egito Antigo, ou o Iraque anterior à guerra de 2003. O que seria dos grandes museus europeus se começassem a devolver a arte saqueada no passado para os seus países de origem? Alguns deles já estão dando pequenos passos nessa direção. O Rijksmuseum, de Amsterdã, planeja resolver o espólio colonial no Sri Lanka e na Indonésia devolvendo as peças de sua coleção que foram roubadas ou saqueadas.

“Sabe-se que muitas coleções do Louvre, do British Museum e muitos outros museus europeus se nutriram de obras que inicialmente não pertenceriam a eles”, dizem a Verne por email as especialistas em patrimônio cultural Raquel García Revilla e Olga Martínez Moure, da Universidade à Distância de Madri(Udima).

O que aconteceria se os museus europeus tivessem que devolver a arte colonial espoliada?
Um canhão de bronze, prata e rubis do reino de Kandy, do Sri Lanka, que o Rijksmuseum pretende devolver
Para analisar essas situações, ambas recordam as palavras do arqueólogo Sam Hardy: “A retenção de antiguidades que foram extraídas mediante expedições de punição [ver box abaixo] é uma intolerável perpetuação da violência colonialista”.

Este ajuste de contas pendentes do museu holandês se soma ao do Governo da França. O presidente Emmanuel Macron abriu a porta no final de 2018 para a entrega de dezenas de peças de arte africana expostas em museus do país. As nações prejudicadas às quais pretende restituir as peças são o Mali, o Benim, a Nigéria, o Senegal, a Etiópia e o Camarões, por meio de um relatório abrangente que defende a restituição artística.

É uma mudança de padrão até agora inédita, que contrasta com a atitude escorregadia que costumam adotar grandes instituições, como o próprio Museu Britânico. Seu principal conflito é com a Grécia, que há décadas reivindica mármores e estátuas do Partenon de Atenas.

Um embaixador britânico, Lord Elgin, arrancou no século XIX parte do friso do grande ícone arquitetônico de nossa civilização e o levou ao Reino Unido para acabar vendendo-o a seu Governo. Se ele se saiu bem em sua jogada disparatada foi graças a seus contatos poderosos nos dois países.

A Espanha é uma das antigas potências europeias com menos material roubado, embora também tenha uma reivindicação pendente. A Colômbia solicita a devolução do tesouro Quimbaya, um grupo de objetos pré-colombianos expostos no Museu da América, em Madri. Embora tenha sido um presente do presidente Carlos Holguín para a rainha María Cristina em 1893, o país argumenta que o político colombiano deu as obras ilegalmente, não tendo pedido permissão ao Congresso.

Angola reivindica algumas de suas esculturas a Portugal e o conflito sobre o busto de Nefertiti entre a Alemanha e o Egito se mantém há décadas. O México também pede à Áustria o Cocar de Moctezuma, que foi parar no Museu Etnográfico de Viena.

Turquia quer seu patrimônio de volta

O que aconteceria se os museus europeus tivessem que devolver a arte colonial espoliada?
Da esquerda para a direita: esculturas do Benin, no Musée du Quai Branly, de Paris. / (GERARD JULIEN /AFP/GETTY); estátuas Mbali de Angola no Museu Nacional de Etnologia, de Lisboa (Museu Nacional de Etnologia), e o busto egípcio de Nefertiti, no Neues Museum Berlin. / (WIKIMEDIA COMMONS)

Há vários países batendo na porta do museu londrino nos últimos anos. De fato, recebe reivindicações de quase todos os continentes: Benin, Iraque, Chile, Egito e Turquia lutam para recuperar seu patrimônio alojado no centro de Londres.

A avalanche de petições é tamanha que os britânicos iniciaram em outubro de 2018 uma série de palestras mensais em que explicam como muitas de suas obras chegaram a suas instalações, para mostrar que nem todo o seu catálogo é resultado de saques.

Raquel García Revilla e Olga Martínez Moure, professoras do Curso de Empresas e Atividades Turísticas da Udima, destacam o empenho da Turquia na recuperação de seu legado cultural. “Vem fazendo isso desde 1934, quando reivindicou várias esfinges de Hattusa (a capital do Império Hitita), que estão atualmente em Berlim.”

O Governo turco criou uma Comissão para atingir o seu objetivo. Em 2012, iniciou uma campanha de pouco sucesso com a qual também requereu o retorno de obras de museus de Nova York, Berlim, Paris e Los Angeles. Um dos requisitos exigidos dos países que reivindicam sua arte à Europa é “garantir que tenham as condições necessárias para o tratamento e a manutenção das obras recuperadas”, lembram os especialistas em patrimônio.

Um dos argumentos dos museus para não devolver as obras a seus países de origem é o risco de deterioração durante a viagem de volta e o questionamento sobre a possibilidade de essas nações de conservá-las e expô-las de maneira apropriada.

García Revilla e Martínez Moure destacam que países como o Reino Unido e a França não podem se desincumbir da proteção dessas obras caso deixem de expô-las em seu território. “O máximo cuidado com as obras é responsabilidade de todos e os Governos têm de zelar por isso. Lembremos que a arte é a sublimação do patrimônio comum, por isso todos devemos nos envolver neste processo”, dizem elas.

NÃO É UM ASSUNTO DO PASSADO

Por expedições de punição, como mencionou o arqueólogo Sam Hardy, se entendem, além daquelas praticadas nas colônias, as que ocorrem durante um conflito bélico. A mais proeminente é o saque dos judeus pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, mas não é a única nem a mais recente.

O próprio Sam Hardy, especialista em tráfico ilícito de antiguidades, explicou em 2015 a EL PAÍS o saque que estava ocorrendo na Síria, um país incapaz de proteger sua arte diante da urgência da guerra. “As redes criminosas e as máfias estão explorando o caos para saquear e roubar. Grupos armados estão saqueando peças e contrabandeando-as para financiar a compra de armas ou diretamente para trocá-las por elas”, relatou.

Hoje, após este saque sistemático, muito pouco se sabe sobre este patrimônio. Agora resta apenas uma escavação ativa no país, mas quando a guerra começou, em 2011, havia quase 200 equipes internacionais trabalhando lá. Nestes casos, ao contrário de um espólio colonial, nos deparamos com um patrimônio que é crucial para entender a história da humanidade e que acaba perdido, sem possibilidade de recuperação”, dizem as especialistas em patrimônio cultural Raquel García Revilla e Olga Martínez Moure.

Fonte: El País

Museus e patrimônio no Brasil são tema de jornada de estudos na Universidade de Borgonha

BORGONHA, Dijon – No próximo dia 12 de março, das 9h45 às 17h, o Centro Georges Chevrier – Sociétés et sensibilités realiza a Jornada de Estudos: ‘Museus e patrimônio no Brasil: experiências comunitárias e insurgentes’.

By Universität von Burgund – fr:Fichier:Université de Bourgogne (logo).svg, (Public Domain, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=14864057)

O evento é organizado pelo antropólogo, professor do Departamento do Instituto Diderot da Universidade de Borgonha e diretor do Centro Georges Chevrier, Pr. Jean-Louis Tornatore.

A Jornada de Estudos apresentará situações únicas que possibilitarão destacar a singularidade das abordagens e práticas brasileiras. Efeito direto da “mobilidade externa”, apoiado pela região da Borgonha, Franche-Comté é uma primeira realização de uma parceria entre a Universidade de Borgonha e da Universidade Federal de Pelotas (RS).

Com o evento dá-se início a uma rede de pesquisa que liga o Centro Georges Chevrier (Universidade de Borgonha), o Programa de Pós-graduação em Memória Social e Patrimônio (Universidade Federal de Pelotas), o Programa de Pós-graduação em Ambiente Construído Sustentável e Patrimônio (Universidade Federal de Minas Gerais) e da Universidade Federal de Goiás (Bacharelado em Museologia e Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social).

Clique aqui para obter maiores informações.

Programa
10:00-10:15
Jean-Louis Tornatore (uB, CGC)

abertura

Manhã: 10.15-12.30

Moderador: Alain Chenevez (uB, CGC)

Manuelina Duarte (Universidade de Liège e Universidade Federal de Goiás, Brasil)
Museologia social no Brasil: origens, políticas públicas e experiências
Influenciado pelos franceses, a Nova Museologia, também enraizada na singularidades brasileiras, alimentou o pensamento de Paulo Freire e da Museologia social no Brasil, tendo como momentos-chave: o 1º Encontro Internacional de Ecomuseus no Rio de Janeiro (1992) e a criação do Programa Pontos de Memória pelo Instituto Brasileiro de Museus (2009). A conferência apresentará essa trajetória, caracterizará a política pública mencionada e mostrará algumas experiências concretas.

Maria Leticia Mazzucchi Ferreira (Universidade Federal de Pelotas, RS, Brasil)
O programa Pontos de Memória: um ensaio sobre participação popular?
O programa Pontos de Memória foi criado no Brasil sob o governo do PT e estava ligado aos Ministérios da Justiça e da Cultura. A ideia de memória estava diretamente ligada aos processos de identidade e reparação simbólica dos grupos socialmente excluídos. Entre as várias experiências creditadas como “Pontos de Memória” estão os chamados “museus comunitários”. Serão apontados os problemas e o progresso desta política memorial no país.

14h-17h
Moderador: Yannick Sencébé (AgroSup Dijon, CAESER)

Hugues de Varine

Inculturação na museologia brasileira

Ao lado de um conjunto de movimentos inovadores em vez inclusivos do que pode ser atribuída a uma “nova museologia” brasileira (educação patrimonial, o trabalho sobre a memória, ecomuseus, museus comunitários e territórios), constato o aparecimento de formas, redes e personalidades que marcam museologias invenção específica para certas populações usando o museu como uma ferramenta de luta política, social, cultural, econômica, na sociedade brasileira. Três áreas são particularmente exemplares em seus objetivos e métodos: museologia indígena, museologia afro-brasileira e museologia LGBT. Estamos testemunhando fenômenos que surgiram desde a década de 1990 e são particularmente relevantes no novo contexto político. Pode-se falar de uma “inculturação”, em reação a formas de opressão.

Leonardo Castriota (Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil)
Heranças dos insurgentes. Estetização e resistência cultural no Brasil contemporâneo
Nos últimos anos, têm-se multiplicado nas cidades brasileiras de “ação direta” iniciativas de ocupação e reutilização de locais públicos e edifícios de valor patrimonial de forma crítica – mais ou menos clara – a representatividade da poder constituído ou mesmo casos formais de participação, como os conselhos do património, que se inscreveram na luta pela redemocratização do país desde a década de 1970, será proposto elementos problematização desta perspectiva “insurgente” no Área de patrimônio, ocupação de ruas abandonadas ou não utilizadas, praças e prédios no Brasil, desafiando o direito à cidade e à memória.

Jean-Louis Tornatore

Conclusão. Perspectivas: insurgências, contra-hegemonia

Gostaríamos de propor um contraste entre as situações brasileira e francesa. O desenvolvimento notável aqui da museologia social e uma expressão insurgente de ligações patrimoniais deve ser medido contra a possibilidade de escrever um cenário contra-hegemônico do patrimônio. Na encruzilhada de ambos, questiona-se a possibilidade de “devolver” instituições museológicas e patrimoniais e, consequentemente, sua capacidade de transformação social e resistência à hegemonia política e econômica.

Os oradores

Manuelina Duarte professor de museologia da Universidade de Liège (Bélgica) e Professor do Programa de Pós-Graduação (Mestrado / PhD) em Antropologia Social da Universidade Federal de Goiás, no Brasil. Foi Diretora do Departamento de Processos Museológicos do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) de 2015 a 2016.

Maria Leticia Mazzucchi Ferreira é professora da Universidade Federal de Pelotas e pesquisadora do Programa de Mestrado e Doutorado em Memória Social e Patrimônio Cultural e do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas, CNPq. Ela realiza pesquisas sobre museus de memória e patrimônio em lugares de sofrimento.

Hugues de Varine é ex-diretor do ICOM. Ele é ator e observador de ecomuseus e museologia social. Suas publicações incluem a cultura dos outros (Le Seuil, 1976) As raízes do futuro (ASDIC, 2002) O museu singular e plural (Paris, L’Harmattan, 2017).

Leonardo Castriota é professor da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais e coordenador adjunto do Programa de Pós-Graduação em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável. Atualmente, ele está conduzindo pesquisas sobre heranças insurgentes

Fonte: Revista Museu

Colecionador brasiliense doa 2 mil insetos ao Museu Nacional do Rio

Acervo foi iniciado pelo pai do médico Luiz Cláudio Stawiarski, que era biólogo, há mais de 30 anos

Texto por Agência Brasil

colecionador insetos (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A sala de jantar do médico Luiz Cláudio Stawiarski está tomada por insetos. Sobre a mesa, quadros entomológicos exibem as mais variadas formas de aranhas, besouros e libélulas. Um móvel de madeira posicionado ao lado da mesa reúne gavetas de borboletas e mariposas. Ao todo, são 2 mil insetos que, neste sábado (23), serão doados ao Museu Nacional do Rio de Janeiro para ajudar na reconstrução do acervo, destruído por um incêndio de grandes proporções, em setembro do ano passado.

“Vejam, borboletas de asas verdes, elas são muito raras. E esta, a maior espécie de mariposa encontrada no Brasil”, diz Luiz Cláudio, enquanto exibe orgulhoso a coleção. Ele é filho de Victor Stawiarski, professor de biologia, que por 30 anos, a partir de 1940, deu aula no Museu Nacional. Os insetos, paixão do pai que faleceu em 1979, foram coletados tanto pelo pesquisador quanto pelo médico no Rio de Janeiro, Paraná e Pará. O acervo têm hoje, portanto, entre 30 e 40 anos.

O material que está na casa do médico era usado pelo pai nas aulas que dava. Além desses, o biólogo havia coletado centenas de outros, que faziam parte do acervo do Museu Nacional. “Foi a minha filha que deu a ideia de fazer a doação. Aqui, o material ficava guardado, tudo bagunçado. Não vou dizer que ele vai voltar para o lugar de onde não deveria ter saído, porque se não tivesse saído, teria queimado”.

Insetos raros, como borbboletas de asas verdes, estão na coleção de mais de 30 anos. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A doação será feita no nome do Victor Stawiarski: “Certeza que de onde ele estiver, ele estará feliz com isso”. Luiz Cláudio conta que, por meses, dedicou-se a organizar o material. Colou partes quebradas e reposicionou alfinetes que haviam se soltado do isopor da base dos quadros e gavetas.

Amor aos insetos

O principal objetivo de expor os insetos é despertar o amor à natureza. “Quem conhece, respeita. Meus filhos nunca mataram um bicho. Se acham um inseto, vão soltar lá fora. Você passa a se sentir mais um ser vivo, não é superior a ninguém”, diz.

Ao lado do marido, Luiza Stawiarski, concorda. Professora aposentada, ela fez cursos com o sogro, no Rio de Janeiro. Dele, ganhou dois quadros. O preferido exibe insetos que se camuflam na natureza. Entre eles, uma borboleta com olhos de coruja nas asas e outras com asas que imitam folhas secas. “Elas têm inclusive partes que parecem folhas quebradas”, mostra Luiza. Os quadros também serão doados.

Luiz Cláudio Stawiarski mostra, orgulhoso, coleção iniciada pelo seu pai,
biólogo que dava aula no Museu Nacional (Foto: Marcelo Camargo/
Agência Brasil)

O preferido de Luiz Cláudio é outro, o dos besouros: alguns grandes, quase do tamanho de um punho fechado, e outros pequenos, menores que a falange de um dedo. O que encanta neles, explica o médico, não é a armadura, mas a leveza que escondem. “Você custa a imaginar que eles possam voar. A parte de fora parece uma armadura. Mas quando levanta, você vê a asa, fininha. Isso é um contrassenso, como é que se sustenta?”, intriga-se.

Referência internacional

Segundo a professora do departamento de entomologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Marcela Monne, o acervo de insetos do Museu Nacional era referência no país e internacionalmente. Não há um número exato de insetos, mas a estimativa é de que a coleção reunia entre 5 e 10 milhões de peças. Apenas uma pequena parte escapou do incêndio, 42 mil exemplares de moscas e mosquitos.

Foi com Marcela que Stawiarski entrou em contato para fazer a doação. A professora explica que o acervo doado, quando chegar ao Rio de Janeiro, será analisado quanto a qualidade e deverá ser disponibilizado como acervo científico, usado para pesquisa. Amanhã, um caminhão do Museu Nacional buscará o material na casa de Luiz Cláudio e a viagem será feita por terra.

“As doações têm vindo não só de insetos, mas de materiais, como alfinetes, que precisamos para a reconstrução do acervo”, conta a professora. Outras pessoas que desejem doar algum acervo de interesse da instituição podem entrar em contato com o Museu pelo site. Outro canal para doações é via Sociedade Brasileira de Zoologia, que incentiva instituições nacionais a doarem exemplares de suas coleções.

Desde o incêndio, Marcela conta que recebe mensagens de pessoas que querem aprender a coletar insetos para ajudar a reconstruir o acervo. Ela esclarece, no entanto, que a coleta não pode ser feita por amadores. Para isso, é necessário ter autorização do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. “O pesquisador só recebe autorização para coletar o animal ou a planta com a qual ele trabalha, [na área] em que é especialista”, explica.

Fonte: Globo Rural

BNDES prorroga até 29/3 prazo para inscrição de projetos de segurança em museus e acervos públicos

Interessados poderão se capacitar com webinar nesta segunda-feira, 18

Valor disponível para projetos é de até R$ 17,7 milhões

Primeira etapa da chamada selecionou projetos do Museu Mariano Procópio em Juiz de Fora e do Museu Histórico e Diplomático no Palácio Itamaraty (RJ)

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)  prorrogou até o dia 29 de março o prazo para inscrição de projetos de segurança em Instituições Culturais Públicas de Guarda de Acervos Memoriais. O objetivo é selecionar propostas que contemplem investimentos em sistemas de detecção, prevenção e combate a incêndio e pânico, instalações elétricas e sistema de proteção contra descargas atmosféricas em museus, arquivos e bibliotecas. O valor total disponível é de até R$ 17,7 milhões no âmbito da Lei Rouanet.

Chamada – Com disponibilidade inicial de R$ 25 milhões, a primeira etapa da chamada para projetos de segurança em Instituições Culturais Públicas de Guarda e Acervos Memoriais foi lançada em outubro de 2018 e selecionou projetos do Museu Mariano Procópio, em Juiz de Fora (R$ 3,3 milhões), e do Museu Histórico e Diplomático, localizado no Palácio Itamaraty, no Rio de Janeiro (R$ 4  milhões). Na ocasião, o BNDES identificou grande demanda, com projetos que não puderam ser enquadrados por não terem apresentado adequadamente todas as informações solicitadas. Para contribuir com os interessados, o Banco decidiu realizar uma oficina para orientação quanto à apresentação de propostas, voltada para gestores de museus e instituições de guarda de acervos culturais de todo o Brasil.

Oficina – O BNDES, em conjunto com o IPHAN, realizará treinamento gratuito no formato webinar (seminário transmitido pela internet)  na próxima segunda-feira, 18, das 14h às 17h30. Quem tiver dúvidas deverá registrar suas perguntas previamente em um formulário  ou enviá-las durante o evento. Para assistir basta acessar o canal do BNDES no Youtube (www.youtube.com/bndes). O vídeo permanecerá no ar para consulta dos interessados.

Acervos – Acervos memoriais são os bens patrimoniais de inegável valor histórico, pelos quais se pode ter acesso a informações valiosas de várias áreas do saber, de forma a preservar a identidade e a memória de uma comunidade. Esse conjunto inclui acervos museológicos, arquivísticos e bibliográficos.

Serão consideradas elegíveis instituições públicas que guardem acervos memoriais brasileiros de propriedade pública que estejam abrigados em edificações tombadas pelo IPHAN e que possuam, no mínimo, um dos seguintes graus de reconhecimento: a) tombado pelo IPHAN, b) registrado em nível nacional ou mundial pela UNESCO por meio do “Prêmio Memória do Mundo” ou c) participante da listagem de acervos bibliográficos no “Catálogo do Patrimônio Bibliográfico Nacional – CPBN”, gerido pela Biblioteca Nacional.

Proponentes – Poderão propor projetos a própria Instituição Cultural de Guarda de Acervo Memorial ou outra instituição que a represente, desde que seja sem fins lucrativos, constituída há pelo menos 2 anos e com finalidade cultural. A proponente deve demonstrar capacidade técnica e de gestão no desenvolvimento de projetos culturais, a qual será avaliada pela Comissão Técnica (CT) e, posteriormente, pela equipe técnica e jurídica do BNDES, durante a fase de análise de cada projeto.

Modalidades – As propostas poderão contemplar tanto a elaboração de projetos executivos quanto a implantação física de sistemas de detecção, prevenção e combate a incêndio e pânico; sistemas de proteção contra descargas atmosféricas; e modernização das instalações elétricas.

O valor máximo apoiável por proposta é de R$ 4 milhões, sendo no máximo R$ 1 milhão para a elaboração dos projetos. No caso de solicitação apenas da implantação física dos sistemas de segurança, somente serão aceitos os projetos executivos já aprovados pelos órgãos competentes (de bombeiro e de patrimônio).

O valor máximo a ser apoiado pelo BNDES respeitará o valor aprovado no Programa Nacional de Apoio a Cultura (PRONAC), devendo, essa condição, ser comprovada no momento da contratação de recursos pelo Banco. As propostas devem ter prazo de execução máximo de 36 meses, podendo ser prorrogado, a critério do BNDES.

Inscrições – As inscrições são gratuitas e podem ser feitas por meio de formulário eletrônico disponível na página www.bndes.gov.br/seguranca-de-acervos, onde também é possível encontrar orientações para elaboração da proposta.

Fonte: BNDES

Parceria com Museu de Arte Sacra incentiva leitura em estação de metrô

Homem l? livro sentado em poltrona da sala de leitura do Museu de Arte Sacra na esta??o Tiradentes do Metr?
O Senac Tiradentes disponibilizou cerca de 600 livros na estação Tiradentes da Linha 1-Azul do Metrô, na região central da capital paulista.
As publicações podem ser acessadas no espaço de leitura que integra a sala que o Museu de Arte Sacra possui na estação, com livre acesso aos usuários do local de terça-feira a domingo, das 9 às 17 horas.
Os visitantes podem ler no próprio espaço ou levar um livro por vez, sem a necessidade de realização de cadastros ou empréstimos. Os títulos abordam cultura geral, assuntos contemporâneos sobre a sociedade e sobre a cidade de São Paulo.
Além de prever a inclusão semestral de novas publicações no catálogo, o espaço de leitura também contará com uma mediação de leitura por mês até abril, conduzida pela equipe da biblioteca do Senac Tiradentes.
“O livro é um potente instrumento de poder e acredito que esse projeto na comunidade levará leitores a refletirem cada vez mais sobre si mesmos, sobre os outros e sobre o mundo”, afirma Adriana Rafael, bibliotecária do Senac Tiradentes.
Cláudio Oliveira, bibliotecário do Museu de Arte Sacra, também destaca a parceria. “A ação é de grande importância para manter o espaço ativo e incentivar o hábito de leitura do público visitante. Além de estimular esse desejo pela leitura, também faz os usuários do Metrô pararem um pouquinho para apreciar e, até mesmo, levar um livro de que tenha gostado”.

A estação Tiradentes do Metrô está localizada na avenida Tiradentes, número 551.

Conheça também os cursos com inscrições abertas no Senac Tiradentes.

6º Congreso Internacional Educación y Accesibilidad en Museos y Patrimonio

6º Congreso Internacional de Educación y Accesibilidad en Museos y Patrimonio: “Nada para nosotros sin nosotros”, noviembre de 2019, en Sao Paulo – Brasil

La 6ª Edición del Congreso Internacional de Educación y Accesibilidad en Museos: “Nada para nosotros sin nosotros” se celebrará en Sao Paulo Brasil entre los días 27 y 29 de noviembre de 2019. Está previsto ofrecer una programación paralela con visitas a museos el 30 de noviembre.

Los ejes temáticos de esta edición son: Participación; Educación, Accesibilidad y Derechos Humanos y Accesibilidad en el Patrimonio Histórico.

En breve vamos divulgar la pagina oficial del congreso con la programación, fechas para envío de comunicaciones, inscripciones y otros detalles.

Esperamos a todos!!

Organización : IEB- USP, MAM-SP, Itaú Cultural y Comité Permanente del Congreso Internacional de Educación y Accesibilidad en Museos y Patrimonio (EAMP)

Dirección Científica: Almudena Domínguez – Universidad de Zaragoza, Antonio Espinosa Ruiz – Vilamuseu, Juan García Sandoval – Museos de la Región Murcia, Viviane Sarraf – IEB-USP, Daina Leyton – MAM-SP, Tayná Menezes e Valéria Toloi – Itaú Cultural

Mais informações: https://www.facebook.com/congresoeamp/

Ministério cria grupo para verificar condições de museus, bibliotecas e imóveis tombados

Prédio histórico do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, em chamas durante incêndio que destruiu em setembro de 2018 a maior parte de seu acervo — Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Quase cinco meses após o incêndio que destruiu o Museu Nacional, o governo federal criou nesta segunda-feira (28), por ordem do ministro da Cidadania, Osmar Terra, um grupo de trabalho para esquadrinhar as condições de museus, bibliotecas e imóveis tombados da União. O legado da Olimpíada do Rio de 2016 também será auditado pelos técnicos do governo.

O secretário especial de Cultura, Henrique Pires, informou que o grupo terá seis meses para mapear eventuais riscos ao patrimônio cultural e apresentar um plano de ação que já contenha sugestões orçamentárias para solucionar situações críticas que venham a ser identificadas ao longo da inspeção. A intenção, segundo o ministério, é garantir o funcionamento e a manutenção desses imóveis.

“Os bens culturais tombados têm enorme valor simbólico e referencial para o Brasil. Qualquer destruição de patrimônio é uma perda irreparável, não somente pelo valor financeiro, mas, principalmente, pelo valor simbólico”, enfatizou o secretário.

Dono de um acervo com cerca de 20 milhões de itens, o Museu Nacional viu a maior parte dos fósseis, múmias, registros históricos e obras de arte mantidos em suas dependências virarem cinzas em um incêndio em setembro do ano passado, durante o governo Michel Temer.

As causas do incêndio ainda estão sendo investigadas, porém, especialistas apontaram após a tragédia que o prédio bicentenário estava em situação de penúria, com falta de manutenção e fiação elétrica exposta.

Apesar da importância histórica, o Museu Nacional foi afetado pela crise financeira da UFRJ e estava há pelo menos três anos funcionando com orçamento reduzido. A situação chegou ao ponto de o museu anunciar uma “vaquinha virtual” para arrecadar recursos junto ao público para reabrir a sala mais importante do acervo, onde ficava a instalação do dinossauro Dino Prata.

De acordo com o Ministério da Cidadania, o grupo de trabalho criado nesta segunda-feira será presidido pela Secretaria Executiva da pasta com coordenação técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O Ministério da Cidadania é responsável pela administração direta de 30 museus federais. Além disso, a pasta gerencia dezenas de espaços culturais ligados à Fundação Nacional de Artes e ao Iphan, entre os quais a Biblioteca Nacional, do Rio de Janeiro.

Legado olímpico

Parque Olímpico do Rio foi palco dos jogos olímpicos de 2016 — Foto: Alexandre Macieira/Riotur

A assessoria do ministério afirmou que o Parque Olímpico da Barra da Tijuca e o Velódromo Olímpico, ambos no Rio, também serão alvo do Raio-X que será feito pelo grupo de trabalho.

Após o fim do evento internacional, o espaço que custou bilhões aos cofres públicos ficou em estado de abandono. Grande parte do legado olímpico continua sem uso.

De acordo com o Ministério da Cidadania, o governo pretende assegurar aos dois espaços que foram palco da Olimpíada de 2016 condições de segurança para que continuem funcionando com plena capacidade.

Fonte: G1

Museus Históricos: poder, educação e sociedade

Um museu histórico é muito mais do que um lugar onde são guardadas coisas velhas. Confira o que constitui um museu histórico atualmente e como essa instituição se transformou ao longo do tempo.

Por Eneida Queiroz

Em geral, sabemos para que serve uma escola, uma universidade, uma galeria artística, um veículo de comunicação, uma empresa de design, um jardim público, uma cafeteria ou uma loja comercial. Mas e quanto aos museus históricos? Será que nós temos essa clareza?

museu histórico
Museu Historico Nacional, no Rio de Janeiro. Foto: Museu Histórico Nacional / José Caldas.

Um museu é muito mais do que um lugar onde são guardadas coisas velhas. Neste artigo, o meu objetivo é mostrar o que constitui um museu histórico atualmente e como essa instituição se transformou ao longo do tempo.

Definição básica de museu histórico

Uma pessoa pode acumular no quintal de casa uma enorme coleção de garrafas: mas será que essa pessoa documenta esses objetos? Existe no quintal dela um inventário com o arrolamento de cada garrafa daquela coleção? Ela faz uma catalogação (fichas catalográficas de cada peça) com dimensões, material, data, origem, fabricante, tipo de rótulo, cor e demais características de todos os itens que ela guarda? Ela saberia dizer onde está a garrafa de número 358, ou ela precisaria procurar? Certamente, esse hipotético personagem não faz empréstimos de itens da sua coleção, não dá baixa no inventário, não abre seu quintal para o público, não fotografa e nem divulga suas peças em um site ou mídias sociais. Ora, ele não faz nada disso por uma razão muito simples: ele não é museólogo e nem possui um museu no quintal – trata-se apenas de um colecionador de coisas velhas.

Todo museu, histórico ou não, é uma instituição bastante complexa e não pode ser confundido com o simples acúmulo de objetos. Para que uma instituição seja considerada museu, ela deve “conservar, investigar, comunicar, interpretar e expor, para fins de preservação, estudo, pesquisa, educação, contemplação e turismo, conjuntos e coleções de valor histórico, artístico, científico, técnico ou de qualquer outra natureza cultural, abertas ao público, a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento”. 1 Além disso, ela deve ser permanente2 e não possuir fins lucrativos.3

Os museus históricos, ao contrário de uma pinacoteca ou de um museu de mineralogia, se caracterizam pela multiplicidade tipológica do acervo e pela coerência temática. Vamos considerar como exemplo o Museu Histórico Nacional, localizado na cidade do Rio de Janeiro: ele reúne milhares de peças, desde réplicas das pinturas rupestres da Serra da Capivara aos originais de anjos barrocos  vindos de igrejas do século XVIII, do manto da Princesa Isabel ao uniforme de gari da Comlurb, do quadro do último baile imperial4 aos exemplares de nossas constituições republicanas. Todas essas peças são tipologicamente diversas, mas tematicamente unidas, e com uma consequência narrativa: contar a história do Brasil por meio dos objetos que são testemunhos de seu tempo.

Você pode se perguntar: mas como contar a história do Brasil? Quem deveria fazer isso não são as escolas, as universidades e os livros? Se já temos tantos narradores, qual o papel dos museus de história? A missão do Museu Histórico Nacional, defendida em seu Plano Museológico de 2016 é de “promover a mobilização coletiva para valorizar a consciência histórica e o direito ao patrimônio cultural do Brasil, por meio da formação e preservação de acervo, ação educativa e construção de conhecimento”5. No entanto, ainda que não esteja escrito em sua missão “contar a história do país”, a construção de qualquer acervo museológico (baseado em escolhas e omissões) interpreta e narra um assunto tanto por meio da expografia escolhida, como das ações de comunicação e educação da instituição. Logo todo museu histórico constrói uma narrativa sobre o passado.

Museus Históricos: dos homens ilustres à história vista debaixo

Hoje é ponto pacífico para museólogos e historiadores as profundas relações entre poder e memória. Raiz do próprio nome “museu”, as musas da mitologia clássica eram filhas de Zeus (o poder) e Mnemosine (deusa da memória). Os museus, principalmente no seu início, assim como quase sempre fizeram os registros e livros históricos, guardaram a história dos vencedores. No caso dos museus, essa história esteve por muito tempo materializada em objetos como espadas, mantos reais, uniformes militares, quadros de batalhas, leis de compra de terras, cuja valoração atrelava-se ao vínculo com esses homens ilustres ou com acontecimentos militares e políticos marcantes para a afirmação das histórias estatais. Era uma “história acontecimental e política”6 – e isso pode ser visto ainda hoje.

No campo da historiografia, essa história tradicional, contudo, começou a ser fortemente contestada no final da década de 1920, por um movimento historiográfico francês chamado “Movimento dos Annales” (ou “Escola dos Annales”). Formado em torno da Revista dos Annales esse movimento combateu a chamada “história acontecimental” (uma história linear, fundamentalmente política e diplomática), e novos atores, para além dos grandes monarcas e estadistas, passaram a ser sujeitos históricos das narrativas acadêmicas.

Na década de 1960, outro movimento historiográfico, mas agora surgido no Reino Unido, contribuiu para consolidar o lugar do “homem comum” nas narrativas dos historiadores: o movimento da “história vista de baixo”. Essa história, em oposição à antiga história tradicional do poder, buscou explorar a vida, os costumes e as tradições daqueles que costumavam ser esquecidos: servos, escravos, trabalhadores pobres livres, mulheres, etc.

museu histórico nacional no Rio
“Farmácia Homeopática”, Museu Histórico Nacional, (RJ). Foto: Museu Histórico Nacional / José Caldas.

Essa renovação não se limitou ao campo da historiografia, mas ocorreu também no campo dos museus. Os museus históricos ao longo do século XX questionaram suas tipologias, o elitismo da formação de seus acervos e – primordialmente – sua função social. Os museólogos passaram a ver os museus históricos cada vez menos como espaços exclusivos das elites e cada vez mais como um espaço de toda a sociedade – um museu histórico está a serviço do desenvolvimento dessa sociedade. Isso significa dizer que todo museu histórico possui uma dimensão educativa e política, afinal, ele visa ao despertar das comunidades, por mais pobres que sejam, para o seu “direito à memória” – para alguns setores conservadores da elite, os museólogos – antes guardiões do relicário da poderosa elite do passado – começaram a se tornar tão subversivos como os antropólogos, sociólogos, cientistas políticos e historiadores. 7

Museu Histórico: lugar para pensar e inquietar

Essas transformações no campo da museologia foram consagradas principalmente na década de 1970, quando houve a ampliação do conceito de patrimônio, incluindo o ambiente natural. Um dos maiores marcos desta década de mudanças foi a Mesa Redonda de Santiago, em 1972, em que os participantes deste evento da área de museologia discutiram o papel dos museus na América Latina, chegando-se ao conceito de “Museu Integral”.

O Museu Integral leva em consideração a totalidade dos problemas da sociedade, proporcionando à comunidade uma tomada de consciência do seu próprio meio natural e cultural. Assim, os museus deveriam se engajar socialmente, com participação da própria comunidade. O território e o patrimônio estão ligados intimamente à comunidade, sendo esta população ativa no museu e não mais se restringindo ao papel de público que somente visita o edifício e observa as obras e os objetos.

As transformações e o desenvolvimento social são aspectos basilares para o desempenho desse novo museu: princípios da “Nova Museologia”, reiterados com a Declaração de Quebec, de 1984, e com o Movimento Internacional da Nova Museologia (MINOM). Ao falar do passado, o museu fala do hoje.

É preocupante constatar que muitos museus históricos no Brasil ainda não obedecem aos requisitos básicos que configuram as boas práticas museais e, até mesmo, os rigores da legislação que normatiza o campo. Mas é importante saber que Museu – para ganhar esse título – tem um compromisso não apenas patrimonial, como também educacional e de entretenimento: ele deve ser capaz de espantar, maravilhar, instruir, fazer pensar, inquietar, curtir e relaxar.


Notas

1 Estatuto de Museus, Lei 11904/2009. Confira aqui. 

2 É plenamente possível, e louvável, a realização de diversas exposições temporárias em centros culturais diversos. Mas o desejo de fundar um museu requer outro nível de investimento e compromisso.

3 Pode ser um museu público ou privado. Se for privado, a captação de recursos deve se restringir à garantia de sua boa administração. Vale lembrar que museus públicos, além dos repasses de verbas governamentais, podem desenvolver outras formas de captação. Ver o “Programa de financiamento e fomento” de Subsídios para Elaboração de Plano Museológico, disponível aqui.

4 Quadro “A Ilusão do Terceiro Reinado”, mais conhecido como “O Último Baile da Ilha Fiscal”, pintura de Aurélio de Figueiredo, 1905.

5 BRASIL, MUSEU HISTÓRICO NACIONAL. Plano Museológico. Rio de Janeiro: Museu Histórico Nacional, 2016, p.13.

6 No caso do Museu Histórico Nacional, criado em 1922 para celebrar o centenário da Independência do Brasil, a formação de seu acervo foi marcada por uma concepção de história monumental, celebrativa e nacionalista – o barroco mineiro, canhões da Guerra do Paraguai, trono de Dom Pedro II, etc. A partir das décadas de 1980 e 1990 a instituição viveu uma renovação conceitual que se imprimiu em novo acervo. Sendo o museu da história do país, por natureza seu colecionismo deve ser incessante, com objetos do presente, e – literalmente – qualquer coisa pode ser de interesse do MHN, em decorrência da grande abrangência temática do conceito de “história”.

7 Para citar um exemplo da força da educação patrimonial, cito a comunidade de pescadores de Itaipu, em Niterói. Habitando aquela praia há séculos, foram eles que se apoderaram do patrimônio histórico do lugar, para fincar pés nas areias e impedir a especulação imobiliária que ameaçava a praia: um dos pescadores recolhia fósseis e ossadas humanas da “Duna Grande”, sambaqui com mais de 8 mil anos existente na praia de Itaipu. E requisitaram as ruínas de um antigo claustro de mulheres, ali mesmo na praia, para ser criado o Museu de Arqueologia de Itaipu. Com ajuda do IPHAN, eles venceram. Educação patrimonial também é um empoderamento identitário.


Referências Bibliográficas

ARAÚJO, Marcelo Mattos; BRUNO, Maria Cristina Oliveira (orgs.). A Memória do Pensamento Museológico Contemporâneo. São Paulo: Comitê Brasileiro do ICOM, 1995.

ARAÚJO, Mirela Leite de. As narrativas, o território e os pescadores artesanais: políticas e processos comunicacionais no Museu de Arqueologia de Itaipu. Dissertação (Mestrado em Museologia), São Paulo, USP, 2015, 249 f.

BRASIL, Ibram. Subsídios para Elaboração de Plano Museológico. Brasília, 2016. Disponível aqui. Acesso em: 27 jan. 2019.

LOPES, Maria Margaret. A favor da desescolarização dos Museus. 1991. Disponível aqui. Acesso em: 27 jan. 2019.

SANTOS, Maria Célia. Musas, Revista Brasileira de Museus e Museologia, número 8. “Entrevista”. Brasília, 2018. p. 110.

SANTOS, Maria Célia. “A escola e o museu: uma história de confirmação dos interesses da classe dominante”.In: Repensando a ação cultural e educativa dos museus. Salvador: EDUFBA, 1990.

VARINE, Hugues de. “A Nova Museologia: ficção ou realidade”. In: Museologia Social. Porto Alegre: Unidade Editorial/ Secretaria Municipal de Cultura, 2000.


Outras referências

Para conceitos-chaves da museologia: clique aqui.

Programa Nacional de Educação Museal / Glossário: clique aqui.

Estatuto de Museus, Lei 11904/2009: clique aqui.

Museu no Chile é referência em Direitos Humanos: clique aqui.

Eneida Queiroz é historiadora do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Graduada e mestre em história pela Universidade Federal Fluminense (UFF), autora de romances históricos sobre personagens femininas de museus brasileiros.

Como citar este artigo

QUEIROZ, Eneida. Museus Históricos: poder, educação e sociedade. In: Café História – história feita com cliques. Disponível em: https://www.cafehistoria.com.br/museus-historicos-educacao-sociedade. Publicado em: 28 jan. 2019.

Fonte: Café História

O espelho e o manto: como pensar hoje os museus?

Estaríamos assim tão equivocados se considerássemos os museus espaços de educação informal, que pudessem precisamente conjugar o divertimento com a aprendizagem e a ciência?

A 17 de Maio de 2016, o destacado jornal online espanhol conhecido precisamente pelo nome de El Español publicou entrevistas a vários diretores de museus e especialistas em museologia do país vizinho. O motivo destas entrevistas prendia-se com o facto de se comemorar o Dia Internacional dos Museus no dia seguinte. As visões dos entrevistados eram de tal modo díspares que o título escolhido pelos jornalistas foi precisamente “Lejos del museo ideal”, que podemos traduzir como: longe do museu ideal. De entre os entrevistados, destaco Miguel Zugaza que, na altura, era ainda diretor do Museo del Prado. Na entrevista, o historiador de arte defendia que os museus, tal como a generalidade das instituições culturais, devem ser profissionalizados e não andarem ao sabor dos interesses partidários. Zugaza sabe do que fala ou não tivesse ele “aguentado” no Prado devido a um pacto de regime entre o PP e o PSOE que viria a “modernizar” o funcionamento do referido museu ainda em tempos de José Maria Aznar. O mesmo Zugaza acrescentaria que “aquilo que de bom foi feito no Prado deveu-se à profissionalização do museu”. Mas o que significa, para Zugaza, profissionalizar o museu? Depreendemos, através das suas palavras, que profissionalizar significa que o critério aplicado deve advir da qualidade das coleções, da expografia e do trabalho de investigação dos técnicos/investigadores do museu. Com isto dá a entender que a qualidade de uma exposição não deveria apenas ser medida pelo número de visitantes, mas sim por um conjunto amplo de fatores, entre os quais, obviamente, também se encontra o número de pessoas que visitam a exposição. Zugaza é um conhecido defensor da gratuitidade dos museus nacionais. Mas será que entradas gratuitas por si só “equilibram” e tornam mais “justa” a relação da qualidade expositiva com receitas?

Em Setembro, escrevi um texto de opinião, para este mesmo jornal, no qual destacava o comunicado do ICOM Portugal, de 27 de julho de 2018, referente ao projeto de decreto-lei do novo regime de gestão dos museus. No referido texto destacava algumas das propostas que, em meu entender, potenciavam os museus; usei, para isso, uma analogia com a figura de Odradek – um ser autómata criado por Kafka – como exemplo do panorama atual dos museus portugueses e da tendência para a mecanização: mecanização de procedimentos, de atividades, de exposições, etc. Ao trazer Odradek à colação, falava essencialmente de receitas, que crescem, e falava de conteúdos, que faltam. Resumindo: sem pessoas não há museus. Zugaza sabe bem que o êxito dos museus advém essencialmente da qualidade das coleções e também da competência profissional das pessoas que trabalham no museu; não de iniciativas fugazes e espetaculares que tanto podem resultar em sucessos como em falhanços rotundos. Os museus precisam de ser consistentes, mas para serem consistentes precisam de diretores e técnicos que percebam o que é trabalhar num museu, trabalhar com o património e com a patrimonialização. Zugaza, aliás, não surgiu do nada, a sua carreira (e vida, uma vez que é filho de Leopoldo Zugaza) é toda ela feita em museus, alguns pequenos, outros maiores, umas vezes como técnico, outras como diretor. Estar ligado aos museus toda uma vida não é, por certo, um requisito fundamental, contudo, não seria descabido pensar que para a profissionalização é necessário estar por dentro do assunto… perceber as particularidades da gestão cultural e conhecer a dinâmica funcional de um museu. Será possível adquirir todo este saber específico, estando fora de um museu?

 Já dizia Franz Boas…

Mas o que é realmente um museu? A meu ver, os princípios fundamentais da administração do museu já foram identificados, há mais de um século, pelo antropólogo Franz Boas num texto publicado, em 1907, na revista Science.Segundo o antropólogo germano-americano, os museus servem sobretudo três funções: divertimento, educação e promoção da investigação. Curiosamente, os mesmos princípios que ainda hoje caracterizam o museu, segundo a definição do ICOM de 2007: “O museu é uma instituição permanente sem fins lucrativos, ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público, que adquire, conserva, investiga, comunica e expõe o património material e imaterial da humanidade e do seu meio envolvente com fins de educação, estudo deleite”.

A conciliação destes três fins não é tarefa fácil: o mesmo Boas se questionava, no século passado, sobre “qual seria o melhor método para tornar as coleções acessíveis ao público e ao mesmo tempo úteis para o avanço da ciência”, respondendo que o museu deveria ser como – se desejava que fosse – a universidade: capaz de transmitir a ciência para o grande público. Estaríamos assim tão equivocados se considerássemos os museus espaços de educação informal, que pudessem precisamente conjugar o divertimento com a aprendizagem e a ciência?

O espelho e o manto

Fernando Pérez Oyarzun, arquiteto chileno – professor visitante em Cambridge e Harvard – e atual diretor do Museo Nacional de Bellas Artes do Chile, usou uma interessante analogia para explicar a arquitetura enquanto relação com o corpo humano, usando os termos espelho e manto para a caracterizar. Em ambos os casos, como indica Pérez, “a perceção do nosso corpo pressupõe, desde a origem, uma dupla distância de compreensão”. Essa perceção pode, precisamente, estar assente em dois polos fundamentais quando relacionados com um objeto exterior: o espelho, no qual o edifício aparece à nossa frente como um outro, um outro que aspira, simultaneamente, à equivalência e à autonomia; e o manto, que nos cobre, envolve e protege, representando a vida e o final: uma roupa ou um sarcófago.

Quando estamos na presença de um museu, estamos perante esses dois polos de compreensão: o espelho, que projeta a nossa humanidade e que nos permite ver, do outro lado, todas as nossas possibilidades enquanto seres humanos, aquelas obras belíssimas, aquilo que fomos no passado, e o manto, que nos envolve, que nos guia e permite orientarmo-nos na visão presente que temos do passado e do futuro. Por esse motivo, os museus são valiosos, são-no enquanto espaços de reflexão e aproximação à narrativa humana, mas também enquanto locais de orientação da identidade. Merecem por isso ser pensados, merecem mais do que uma regularização e do que um mimetismo num código… num NIF. A aspiração à autonomia é legítima, mas nem todos temos, lutamos ou criamos condições para a ter. Alguns deixam-se arrebatar pelo espelho, outros apenas procuram o manto, mas, para que esta seja conseguida, são precisos os dois: o espelho e o manto.

O autor escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

Fonte: PÚBLICO

Pinacoteca resgata rico acervo da cidade

De cerca de 150 obras que compõem a reserva técnica dos museus sorocabanos, 60 estão expostas para visitação
 
A Pinacoteca foi instalada em sete salas do Chalé Francês, que fica em frente à Estação Ferroviária – Foto: Erick Pinheiro
O “Coração de Ofélia”, de Lucia Castanho, é uma das obras contemporâneas que se unem a imagens de uma Sorocaba antiga, registradas por artistas como Zezé Corrêa, Ettore Marangoni e Nelson Molina na recém-inaugurada Pinacoteca de Sorocaba, que funciona no Chalé Francês. A cidade ganhou esse espaço exclusivo para as artes plásticas na terça-feira, dia 22. A iniciativa, da Prefeitura por meio da Secretaria de Cultura (Secult), tem como objetivo disponibilizar ao público obras que pertenciam aos museus e estavam na reserva técnica.

Sete salas abrigam quadros e esculturas de artistas que vivem ou viveram em Sorocaba. Logo ao entrar, as primeiras obras fazem um registro histórico das décadas de 1920 a 1960, pelo olhar de Zezé Corrêa e Ettore Marangoni. Em seguida, chamam a atenção as pinturas de Nelson Molina, que retratam um dia chuvoso na cidade. Quanta beleza. Dá vontade de passar horas e horas olhando. Esses quadros pertenciam a um médico que colecionava obras de arte. Após o seu falecimento, a família doou o acervo para a Prefeitura.

Numa outra sala é possível observar obras que foram contempladas pelo Prêmio Flávio Gagliardi. Mais à frente, há uma série de fotografias produzidas durante um workshop. Há ainda uma sala que exibe grandes quadros: um corpo masculino e outro feminino. Eles dialogam com um pequeno trabalho, todo feito à mão. Quantas coisas são ditas ali, sem precisar de palavras.

Ampliação

O secretário da Cultura de Sorocaba, Werinton Kermes, disse que a exposição atual conta com 60 obras, mas deve ser ampliada. Pelo menos 150 obras foram “encontradas” na ocasião da transferência do acervo pertencente à reserva técnica dos museus — que estava no Palacete Scarpa (antiga sede da Secretaria da Cultura) — para o Arquivo Público e Histórico Municipal, também conhecido como Arquivo Central da Prefeitura.

Será feito um levantamento dessas obras para planejar a recuperação, incluindo a questão financeira, já que para o restauro é necessária a contratação de especialistas na área.

Ainda conforme Werinton, as obras que não precisam de recuperação ficarão em uma reserva técnica na própria Pinacoteca, para serem expostas em outros momentos. A ideia, disse o secretário, é que as exposições sejam trocadas de tempos em tempos, assim o público sempre terá novidades para ver no museu.

Werinton afirma que o espaço também estará à disposição de artistas plásticos de Sorocaba para realizarem suas mostras.

Segurança

As preciosidades da Pinacoteca, no entanto, correm riscos. Um dia após a inauguração, o espaço foi arrombado e um homem furtou o ventilador. A facilidade de entrar no local gera preocupação, principalmente relacionada a atos de vandalismo. Questionada se reforçará a segurança, a Prefeitura disse que já existe uma base da Guarda Civil Municipal (GCM) ao lado da Casa do Turista e da Estação Ferroviária, além da ronda diária. “Tanto é que graças a esse trabalho da Secretaria de Segurança e Defesa Civil é que o objeto foi recuperado”, argumenta o órgão municipal.

Visitas

A Pinacoteca Municipal conta com visitas monitoradas, assim como ocorre nos demais museus de Sorocaba. Escolas e grupos interessados devem entrar em contato com a Secretaria da Cultura para fazer o agendamento pelo telefone (15) 3212-8170 ou pelo e-mail secult@sorocaba.sp.gov.br. A Pinacoteca fica na avenida Afonso Vergueiro, 280, Centro (em frente à estação ferroviária), e funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h. A entrada é gratuita. Mais informações: (15) 3211-0143 ou 3211-0578.

4ª. Jornada Científica Internacional da Rede MUSSI

Mediações da informação, democracia e saberes plurais

4ª. Jornada Científica Internacional da Rede MUSSI

27 e 28 junho de 2019 – Belo Horizonte

Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Escola de Ciência da Informação

Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI)

1ª. Chamada para submissão de trabalhos

A Rede Franco-Brasileira de Pesquisadores em Mediações e Usos Sociais de Saberes e Informação (Rede MUSSI) reúne pesquisadores brasileiros e franceses inseridos no campo de estudos da informação, comunicação, documentação e áreas afins, interessados em temáticas de pesquisa que associam os aspectos epistemológicos, teóricos, metodológicos e práticos da informação às demandas da sociedade. A partir dessa demarcação, seu objetivo é promover a pesquisa, bem como a formação e trocas entre pesquisadores e estudantes, favorecendo o estabelecimento de elos institucionais e científicos entre grupos, laboratórios de pesquisa e programas de pós-graduação do Brasil e da França. À medida de sua consolidação, outras adesões internacionais são acolhidas, no movimento próprio dos intercâmbios e parcerias entre seus membros.

Diversas iniciativas vêm sendo realizadas para promover o debate e as interações no âmbito da Rede Mussi. Em 2008 foi organizado o 1o. Colóquio Internacional Mediações e Usos dos Saberes e da Informação: um diálogo França-Brasil, no Rio de Janeiro (Brasil), com o suporte do ICICT/Fiocruz (Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde/Fundação Oswaldo Cruz) e do Ibict/MCT (Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia/Ministério da Ciência e Tecnologia). Em 2010 organizou-se a 1a. Jornada Científica Internacional Mediações documentárias: entre realidades e imaginários, a partir do mesmo princípio de avaliação e de dimensão internacional dos colóquios, na Université d’Avignon et des Pays de Vaucluse, na cidade de Avignon (França). Em 2011 realizou-se o 2o.  Colóquio Internacional Mediações e hibridações: construção social dos saberes e da informação, promovido pela Université Paul Sabatier, Toulouse 3, na cidade de Toulouse (França). Em 2012, a 2a. Jornada Científica Internacional Redes e processos infocomunicacionais: mediações, memórias e apropriações foi organizada por meio de uma parceria entre o IBICT/MCTI, o ICICT/FIOCRUZ e a UNIRIO. No ano de 2013 foi realizado o 3º. Colóquio científico internacional, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), com o tema As transformações do documento no espaço-tempo do conhecimento e, em 2016, na Ecole Nationale de Formation Agronomique (Ensfea), na cidade de Toulouse, França, foi realizada a 3a. Jornada científica internacional com o tema Mediação dos saberes: ciência da informação-documentação e memórias. O quarto Colóquio foi organizado pela Université de Lille 3, (Lille, França), em 2018, com o tema Mediação dos saberes: a memória no contexto da construção documentária.

Em cada um desses eventos publicaram-se as Séries Internacionais da Rede Mussi em formato de anais impressos com ISBN.

As Jornadas Científicas Internacionais constituem um espaço de discussão e atualização das temáticas das pesquisas em andamento, promovendo a interação entre os pesquisadores e estudantes, além do planejamento  das atividades da Rede Mussi e da escolha do tema do colóquio seguinte.

Objetivos

A Jornada se inscreve no âmbito das atividades e metas da Rede Mussi e tem por objetivos

  • Apresentar e intercambiar resultados dos trabalhos científicos e das diferentes iniciativas e reflexões dos atores da Rede Mussi (pesquisadores e estudantes) a fim de qualificar e divulgar os conhecimentos produzidos, bem como favorecer a pesquisa, o ensino e a formação nos programas de pós-graduação;

  • Compreender e analisar as dinâmicas acadêmicas, econômicas e institucionais da pesquisa em Ciência da Informação na França e no Brasil, visando estabelecer e consolidar parcerias de pesquisa;

  • Incentivar o fortalecimento e a expansão da Rede Mussi.

Temática

Mediações da informação, democracia e saberes plurais é a temática escolhida para a 4ª. Jornada Científica Internacional da Rede Mussi, que ocorrerá na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte, nos dias 27 e 28 de junho de 2019. A temática justifica-se em função da emergência de refletirmos sobre a mediação da informação e dos saberes plurais como formas de democratização da produção científica e cultural em diversas instâncias – na sociedade, na universidade, nas comunidades, nas cidades e nos ambientes digitais.

Nesse escopo, a 4a. edição das jornadas da Rede Mussi incorpora em seu programa quatro eixos temáticos:

  • Informação, comunidades, redes e saberes plurais nos espaços culturais: bibliotecas, museus e arquivos;

  • Patrimônios materiais e imateriais: mediação informacional e saberes plurais;

  • Mediações de saberes e informação: lugares, políticas, memórias e formas de resistência;

  • Mediação da informação em contextos digitais: aspectos políticos e democratização dos saberes.

Datas importantes

15/março/2019: data limite de envio dos resumos, em uma lauda, em arquivo formato Word (.doc) contendo: título; indicação de autoria (ou autores); formação;  instituição; eixo ao qual a proposta de trabalho se vincula e palavras-chave;

25/março/2019: avaliação dos resumos pelo Comitê Científico;

05/abril/2019: anúncio dos resumos das comunicações aprovados e publicação do programa preliminar da Jornada;

30/abril/2019: data limite de envio dos textos completos (de 10 a 15 laudas) e das fichas de inscrição. A taxa de inscrição inclui o material da Jornada e os Anais;

10/maio/2019: retorno aos autores das considerações do Comitê Científico;

24/maio/2019: envio do texto completo em versão definitiva;

27 e 28 de junho de 2019: realização da Jornada.

Os resumos e os textos completos devem ser enviados para:  4jornadamussi@gmail.com

Coordenação científica

Maria Guiomar Frota (UFMG)

Fabrício Silveira (UFMG)

Comitê Científico

Fabrício Silveira (UFMG)

Gustavo Saldanha (IBICT-UFRJ)

Icléia Thiesen (UNIRIO)

Isabelle Fabre (ENSFEA)

Maria Aparecida Moura (UFMG)

Maria Guiomar Frota (UFMG)

Patrick Fraysse (Université Paul Sabatier, Toulouse 3)

Regina Marteleto (IBICT-UFRJ)

Stéphane Chaudiron (Université de Lille 3)

Viviane Couzinet (Université Paul Sabatier, Toulouse 3)

Yves Jeanneret (CELSA-Paris Sorbonne)

Instruções para submissão de trabalhos

Poderão submeter trabalhos:

  • Pesquisadores seniores e recém-doutores;

  • Doutorandos com qualificações aprovadas.

O processo de submissão e avaliação de trabalhos ocorrerá em duas etapas, de acordo com o calendário da Jornada.

Protocolo de redação do texto

  1. corpo do texto em português ou francês;

  2. título, resumo e palavras-chave (máximo de 5) em português, francês e inglês;

  3. tamanho máximo do texto – 15 páginas (incluindo bibliografia, ilustrações, anexos etc.);

  4. formatação – A4 (margens superior e esquerda de 3 cm e inferior e direito de 2 cm), entrelinha 1,5, parágrafo justificado e hifenizado (sem colunas), com páginas numeradas;

  5. corpo do texto e intertítulos – fonte Times New Roman 12;

  6. notas e referências ao final do texto;

  7. os textos completos deverão obedecer à última edição das normas ABNT 6022 (apresentação de artigos em publicações periódicas), 6023 (Referências), 6028 (Resumos) e 10520 (Citações);

  8. a inclusão de tabelas, gráficos ou ilustrações deverá obedecer as Normas de Apresentação Tabular do IBGE;

  9. os arquivos deverão ser enviados em formato Word.

Os textos deverão apresentar a problemática, o campo de aplicação, o método e os resultados obtidos, ou os resultados parciais no caso de pesquisa em andamento.

Uma folha de estilo contendo os templates do evento  será enviada aos autores.

O texto completo das comunicações que foram pré-aprovadas em formato de resumo poderá ser objeto de modificações, em função de demandas dos avaliadores.

A aprovação definitiva da comunicação requer a inscrição, no Colóquio, do autor, ou de pelo menos um dos autores, no caso de co-autorias.

As comunicações aprovadas e apresentadas serão publicadas em anais.

Protocolo de apresentação oral

A apresentação da comunicação será realizada em português ou francês, de acordo com o idioma do autor, com o apoio de dispositivos eletrônicos visuais com textos curtos, claros e objetivos redigidos nos dois idiomas, com dupla projeção, em francês e português.

Fonte: Ecce Liber

Museus vão ficar abertos até meia-noite no aniversário de SP

Além dos museus, outros espaços recebem programação especial no aniversário de São Paulo; na foto: Pinacoteca do Estado de São Paulo

Texto por Redação

Para comemorar o aniversário de São Paulo, o Governo do Estado realiza diversas ações culturais e de lazer em museus, parques e diversos equipamentos culturais espalhados pela capital. As estações Sé, República e São Paulo-Morumbi também contam com exposições especiais e diversas atividades movimentam os parques estaduais por todo o fim de semana. Vai ter rolê pra todo mundo no feriadão!

Museus

Nos museus, o público conta com uma boa notícia: eles vão ampliar o horário de funcionamento no feriado e estarão abertos para visitação até meia-noite, com programação especial e atividades relacionadas à história, à cultura e à diversidade da cidade.

foto da casa das rosas tirada de seu jardim
Casa das Rosas está na lista dos museus que ficam abertos até meia-noite durante o aniversário de São Paulo

Entre os que ficam abertos até mais tarde, estão o Museu da Imagem e do Som – MIS, que recebe um evento pré-Carnaval no dia 25, das 11h à meia-noite com três blocos de rua – um deles voltado para crianças – comandando a festa com muita música; o Museu Catavento recebe o “Espetáculo de Mágicas”, que mistura ilusionismo com química e física; e a Casa das Rosas, que vai convidar os visitantes para um café da manhã e conversa sobre a relação de Haroldo de Campos e o romance “Macunaíma”, de Mário de Andrade.

A programação e a relação dos museus com horário estendido, você confere aqui.

Bibliotecas

As bibliotecas manterão os programas permanentes e especiais, divididos por faixa etária. Não é preciso inscrição antecipada e as vagas são preenchidas por ordem de chegada.

No dia do aniversário da cidade, a Biblioteca do Parque Villa Lobos recebe o “Hora do Conto da BVL”, momento de contação de histórias que aguçam o hábito da leitura e da imaginação da criançada, com o conto de Iracema Cerdán Galvez “Um passeio pela cidade de São Paulo”, interpretado pelo Tricotando Palavras.

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Biblioteca Parque Villa-Lobos tem programação especial no aniversário de SP

A Cia. LaMínima também se apresenta na BVL para a criançada com o espetáculo Radio Varieté, em que três palhaços montam uma parafernália tecnológica aparentemente obsoleta que vai se transformar em um estúdio de rádio-circo-teatro e apresentar atrações jornalísticas dramático-musicais, em uma homenagem ao palhaço brasileiro e ao rádio. O visitante também pode frequentar a Sala de Videogames, das 9h30 às 18h30.

Toda a programação das bibliotecas, você confere aqui.

Orquestra e dança

Ainda no dia 25, acontece a performance da São Paulo Companhia de Dança (SPCD), no Espaço Cultural Porto Seguro.  Já no domingo, dia 27, a Orquestra Jazz Sinfônica apresenta, na Sala São Paulo, o Concerto em comemoração ao Aniversário da Cidade de São Paulo, com repertório de grandes nomes da MPB, como Tom Jobim, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Pixinguinha, Adoniran Barbosa, Dominguinhos e Gilberto Gil, entre outros.

Cena do espetáculo sechs tanze da são paulo companhia de dança
Crédito: Wilian AguiarSão Paulo Companhia de Dança se apresenta no Espaço Porto Seguro

Confira mais informações neste link.

Parques Estaduais

Para curtir o feriado do aniversário da cidade, os parques estaduais oferecem diversas atividades também!

O Parque Villa-Lobos apresenta o “Verão Cartoon Network 2019” e, entre 19 de janeiro e 3 de fevereiro, conta com um parque de diversões com a temática do canal infantil com brinquedos de diversos tipos relativos ao verão, como tirolesa, piscina de bolinhas, parede de escalada, cama elástica, tobogã, além de atrações artísticas com os personagens do canal.

Entre os dias 25 e 27 de janeiro, o Parque Candido Portinari (anexo ao Villa-Lobos) recebe o Família no Parque, projeto recreativo com atividades interativas para crianças como jogos, brincadeiras, áreas kids e atividades especiais.

garoto fazendo acrobacias no bungee trampolim
Crédito: divulgaçãoBungee trampolim é uma das atrações no feriado do Família no Parque

No Parque Dr. Fernando Costa, é o “Festival de Verão com Festa do Sorvete” que toma conta! A feira de gastronomia apresenta produtos relacionados ao sorvete, além de exposição e venda de artesanato e apresentações musicais regionais e também infantis. No dia, rola também atividades recreativas para crianças por meio de brinquedos infláveis, com cobrança de ingresso pelo proponente.

Mais informações sobre os parques podem ser verificadas aqui.

Trilhos

Entre os dias 21 e 26 de janeiro, as estações Trianon-Masp (corredor interno) e Sumaré (área externa) são iluminadas com as cores da bandeira da cidade de São Paulo (vermelha, branca, verde e amarela).

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Estação Sumaré ganha iluminação especial no aniversário de São Paulo
Na estação São Paulo-Morumbi acontece na quinta, dia 24, e na sexta, dia 25, a apresentação musical da Banda da Paz, dentro do Projeto “Eu faço a Paz”, em parceria com o Maestro Caixote e Carlos Albatrós. O projeto visa a promoção e incentivo a paz e a banda conta com cinco artistas.

Curtiu? Grande parte das apresentações são gratuitas (salvo as sinalizadas) e em cada link tem informações sobre todas as ações culturais promovidas para o aniversário de São Paulo. Ah… e não se preocupe com os horários! Para garantir o acesso à programação, todas as linhas do Metrô e CPTM vão funcionar em horário especial no dia 25, até 1h.

Fonte: Catraca Livre

Museu Republicano de Itu amplia acessibilidade para visitante

Por Larissa Santos
Foto: Divulgação/ Museu Republicano de Itu

Típico programa das férias escolares, a visita ao museu se transformou. A experiência exclusivamente visual de contemplar obras, arquitetura e legendas se tornou obsoleta. Há alguns anos, equipamentos culturais vêm apostando em vivências interativas ou que sensibilizem os outros sentidos do público. Tornar acessíveis para as pessoas com deficiência os diversos espaços e formas de aprendizado é a tônica desse movimento. O Museu Republicano de Itu, ligado ao Museu Paulista (MP) da USP, integra o rol de instituições que conta com recursos multissensoriais para pessoas com deficiência visual.

Disponíveis desde maio de 2018 para grupos de visitantes agendados, os recursos de acessibilidade estão agora disponíveis em tempo integral para o público. Quem quiser conhecer o Museu Republicano pode fazer uma visita guiada com audiodescrição em português ou inglês, que narra o caminho do visitante, e interagir com réplicas táteis, como objetos tocáveis e versões em alto-relevo das obras expostas e da própria arquitetura do museu.

A Pró-Reitoria de Cultura e Extensão (PRCEU) da USP, com apoio da Fundação USP e do Banco Santander, foi responsável por fomentar, entre 2015 e 2018, a implementação dos recursos multissensoriais. O programa envolveu diversas áreas do museu, como informática, comunicação visual, conservação e o serviço educativo, sob coordenação de sua supervisora, a professora Maria Aparecida de Menezes Borrego. A Fundação Dorina Nowill e a Escola de Cegos Santa Luzia de Itu colaboraram com consultoria.

Saguão do Museu: inaugurado em 19 de abril de 1923 – Foto: Hélio Nobre
O acervo do Museu Republicano reúne fotos, documentos, objetos e obras de arte – Foto: José Rosael

O sobrado que abriga o Museu Republicano, sede da Convenção de Itu de 1873, é uma relíquia da história brasileira. Por isso, os recursos multissensoriais começam já em sua fachada, com réplicas em alto-relevo da entrada, para que o público com deficiência visual possa senti-la. Os azulejos portugueses que decoram o espaço também ganharam réplicas em relevo: a partir da textura, o cérebro pode montar uma imagem.

O espaço do museu celebra e guarda a memória do início do movimento republicano no Brasil e o começo da república. Inaugurado em 1923, seu acervo reúne retratos, objetos pessoais, mobiliário e documentos textuais da segunda metade do século 19 e da primeira metade do século 20.

Fachada do Museu Republicano de Itu – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

O patrimônio cultural do espaço vai além do que está evidente. O museu, junto com seu centro de estudos, faz publicações e oferece cursos, oficinas e reuniões cientificas para diferentes públicos. Com a consolidação dos recursos multissensoriais, além de estudantes, acadêmicos, educadores e  visitantes em geral, o museu deseja se tornar mais convidativo para o público com deficiência.

O Museu Republicano de Itu é aberto ao público de terça à domingo, das 10h até às 17h. O espaço fica localizado na Rua Barão de Itaim 67, Centro Histórico de Itu, distante cerca de 100 km da capital. Para mais informações acesse https://www.facebook.com/museurepublicano/

Fonte: Jornal da USP

Museu Nacional em Lego pode ajudar a financiar reconstrução do Museu real

POR MARIA CLARA DIAS

Museu Nacional LEGO (Foto: Divulgação)
VENDAS DA MAQUETE DO MUSEU NACIONAL FEITO EM LEGO SERÃO REVERTIDAS PARA A RECONSTRUÇÃO DO LOCAL (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Há 4 meses do incêndio que deixou em escombros o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, a fabricantes de brinquedos Lego adentra as iniciativas para reconstrução do patrimônio. A empresa divulgou, por meio de seu site, um projeto do Museu feito dos famosos blocos de encaixe. Se o brinquedo for de fato comercalizado, toda a verba arrecadada por suas vendas será revertida para a reconstrução do Museu real.

Para que a miniatura faça oficialmente parte do catálogo da Lego, deve haver, ao menos, 10 mil assinaturas no site em que a pequena maquete é divulgada. A ideia foi publicada em uma plataforma que permite que projetos sejam enviados. Com o número de assinaturas atingido, o brinquedo é vendido. A votação popular estará disponível até agosto de 2020 na página ideias Lego.

Até o momento, a ideia já conta com pouco mais de 5 mil assinaturas. Para votar, é necessário fazer um breve cadastro.

O incêndio ocorrido em 2 de setembro de 2018 no Museu Nacional pôs a perder mais de 20 milhões de objetos históricos, artísticos e culturais reconhecidos oficialmente como patrimônios brasileiros. Entre eles, o fóssil do maior dinossauro já encontrado na América do Sul e o crânio da habitante mais antiga das Américas, Luzia.

O tempo de reconstrução do Museu é estimado em 20 anos. Em sua página, a fabricante diz que manterá o Museu Nacional “vivo no imaginário” e que irão “reconstruí-lo tiojolo a tijolo, ressaltando sua importância histórica”.

Fonte: Época Negócios

Memorial da América Latina tem aplicativo gratuito de visitação

Por meio de cinco opções de roteiros de visitação, usuário tem acesso a informações sobre história, arquitetura e acervos

Do Portal do Governo
Quem tem curiosidade em visitar o Memorial da América Latina, mas ainda não tem como se deslocar ao espaço físico pode aproveitar a novidade. A Instituição conta um aplicativo para visitas virtuais e/ou presenciais dos seus espaços. Nele, o usuário tem acesso a informações sobre a história, a arquitetura e os acervos da Fundação, por meio de cinco opções de roteiros de visitação, possibilitando um passeio abrangente e agradável.A escolha da ordem dos roteiros é livre e pode ser feita de acordo com a preferência do visitante. O primeiro roteiro é a rota essencial, que traz informações sobre a Galeria Marta Traba, a Biblioteca Latino-Americana, a Mão da América, o Salão de Atos, a Passarela e o Auditório Simóm Bolívar.

A arquitetura de Oscar Niemeyer é o tema do segundo roteiro. Nele é possível saber um pouco mais sobre os detalhes e as curiosidades a respeito do projeto e da execução das obras do complexo cultural da Barra Funda. Ao longo de sua história, o Memorial acumulou importantes obras de arte doadas por artistas brasileiros e latino-americanos. O acervo pode ser apreciado no roteiro “Arte por todo lugar”.

Coleção

Destaque do terceiro roteiro, a Biblioteca Latino-Americana, composta hoje por aproximadamente 40 mil volumes, é espaço para pesquisadores e estudantes que se interessem em conhecer melhor a cultura latino-americana.

O roteiro “Pavilhão da Criatividade”, que reúne expressiva coleção de arte popular latino-americana, proporciona uma experiência com a cultura de diversos países do continente a partir de seu rico artesanato.

O aplicativo está disponível nas lojas do Google Play para Android e nas Lojas da Apple Store para IOS. Basta buscar por Memorial da América Latina e baixá-lo, gratuitamente.

Fonte: Governo do Estado de São Paulo

Como estão os principais museus públicos do país?

Museu Nacional após o incêndio de setembro. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Em levantamento feito pela VICE, vimos que demissão de funcionários, portas fechadas e água caindo pelas goteiras são rotina de alguns dos principais locais de exposição.

Num trágico domingo de setembro, o Museu Nacional, a instituição científica mais antiga do país, foi destruído por um incêndio no Rio de Janeiro. As causas ainda estão sendo investigadas, mas já é sabido que o prédio tinha sérios problemas estruturais e de segurança desde 2014, quando passou a receber só 60% da verba destinada para sua manutenção.

O problema na conservação de museus no Brasil não é fenômeno recente. Um levantamento a partir do Cadastro Nacional de Museus em 2017 aponta que 12,9% dos 2.254 museus públicos do país estão fechados ou foram extintos. Os recentes cortes de verba pública na cultura e na área científica também ajudam a aumentar o estado de alerta em relação à conservação dos patrimônios no país.

A VICE apurou o status de seis dos principais museus públicos nacionais para conferir o atual estado das instituições. Conferimos parcerias, investimentos públicos e conservação do espaço. Os resultados não são muito animadores.

Museu do Ipiranga, São Paulo

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Imagem: Wikipedia

Por que é importante: O Museu do Ipiranga foi o primeiro museu fundado na cidade de São Paulo e é um dos mais visitados da capital paulista. A instituição científica que está vinculada à Universidade de São Paulo foi fundada em 7 de setembro de 1895 e é o maior símbolo da Independência do Brasil.

Como está hoje: Em 2013, quando comemorava seus 120 anos de fundação, o Museu do Ipiranga emitiu um aviso de que seria fechado em tempo indeterminado por conta de problemas no forro do teto. Na nota divulgada, a instituição afirmou que, por causa de vistorias técnicas, percebeu-se a necessidade de uma reforma para “garantir a proteção física do acervo”. Continua fechado até hoje.

O futuro: O museu recebe 3,2% da verba que a foi destinada, segundo a Folha de S.Paulo. O acervo paulista fez aniversário de cinco anos com as portas fechadas um mês antes do incêndio no Museu Nacional, localizado no Rio de Janeiro. Algumas peças foram transferidas para outras unidades e a previsão é que ele reabra em 2022, data em que se comemora o bicentenário da Independência do Brasil.

Acervo Thomé Portes Del Rei, Minas Gerais

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Imagem: Wikipedia

Por que é importante: Em 1759, nasceu neste prédio a ativista política, mineradora e poetisa Bárbara Heliodora. A arquitetura colonial ainda se mantém no século XXI. Ali, se destacam o Braço da Balança de pesagem do Quinto do Ouro, louças e objetos da época. Os bordados de João Cândido e o quadro Baronesa de Cana Verde também estão no acervo.

Como está hoje: O prédio chegou a ficar interditado em 2010 por razões de risco do desabamento do teto. Um investimento foi feito, mas a estrutura continua precária. A energia do museu, por exemplo, é divida com a biblioteca da cidade. Neste momento, a instituição está passando por uma reestruturação. Segundo o jornal O Tempo, uma estagiária está fazendo o planejamento de forma gratuita.

O futuro: Os planos são para que o acervo se mude para um casarão ao lado, mas ainda não tem previsão para finalizar o projeto.

Museu Arqueológico de Araruama, Rio de Janeiro

Imagem: Divulgação

Por que é importante: Fundado em 1862, a antiga Fazenda Aurora é uma casa cultural que já serviu como lugar de comercialização de negros escravizados. O museu contava com um acervo que resgatava a valorização da cultura das populações pré-coloniais.

Como está hoje: Por conta da má conservação, o museu está fechado para visitação desde 2013. Segundo reportagem do G1, o lugar recebeu a última visita técnica do Corpo de Bombeiros em 2007.

O futuro: Durante esse tempo de interdição, o acervo foi movido para o Museu Nacional do Rio de Janeiro, destruído por um incêndio no dia 2 de setembro. A instituição segue com visitas monitoradas com painéis e imagens.

Memorial da América Latina, São Paulo

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Imagem: Pixabay

Por que é importante: Projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, o Memorial foi construído para ser um espaço de integração dos países da América Latina. Localizado na Barra Funda, em São Paulo, ele também acolhe o Parlamento Latino-Americano desde 1989.

Como está hoje: O Memorial da América Latina sofreu um incêndio no mesmo ano em que houve o fechamento do Ipiranga em São Paulo, 2013. O início de um curto-circuito em uma lâmpada do auditório foi o que causou as chamas. Com isso, 16 bombeiros foram atingidos com o fogo e dois deles sofreram feridas graves. Em 2017, o local foi reaberto com os projetos restaurados de Oscar Niemeyer e Tomie Othakie. A tapeçaria feita pela artista foi reconstruída com material não-inflamável.

O futuro: Após a inauguração, a assessoria declarou que teve como prioridade nas obras “a segurança, acessibilidade, conforto e visibilidade do ambiente”. Desde então, o Memorial se tornou um dos maiores centros culturais da cidade de São Paulo, recebendo de mostras de arte à grandes festivais nacionais

Museu Nacional do Mar, Santa Catarina

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Imagem: Wikimedia Commoms

Por que é importante: Localizado no bairro de São Francisco do Sul, em Florianópolis, o espaço é considerado o maior patrimônio naval brasileiro. O museu foi criado em 1992 e aberto ao público no ano seguinte. O local reúne um extenso acervo retratando a grande diversidade de embarcações que pertencem ao território nacional.

Como está hoje: Em 2015, o Museu Nacional do Mar em Santa Catarina foi encontrado com goteiras, umidade e falta de climatização. O descuido acarretou na retirada de acervo do artista e navegador Amyr Klink em março, por conta do risco de depreciação do material. O museu se encontra com uma sala e um artefato patrimonial interditados por conta de problemas estruturais e aguarda manutenção, sem previsão de entrega.

O futuro: A instituição conta com parcerias do Governo do Estado e instituições privadas para manter o funcionamento. Segundo o coordenador, não corre risco de fechar.

Cinemateca, São Paulo

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Imagem: Wikipedia

Por que é importante: Fundada pelo Ministério da Educação e da Cultura em 1956, a instituição é uma das principais responsáveis por preservar a memória do cinema nacional. A Cinemateca concebe mostras e apresentações de materiais raros da filmografia brasileira.

Como está hoje: A instituição destinada a conservação do patrimônio cinematográfico sofreu um incêndio em 2016, destruindo cerca de 500 obras. Os filmes feitos na década de 40 e que estavam expostos no local foram o maior prejuízo da instituição. O local segue funcionando normalmente.

O futuro: Em março deste ano, o Governo do Estado passou a gestão da Cinemateca para a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp), vinculada ao MEC. O contrato tem duração de 3 anos.

Museu de Arte de Brasília, Brasília

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Museu em obras. Valter Campanato/Agência Brasil

Por que é importante: O MAB foi fundado em 1985 e se transformou em um dos mais importantes museus de arte moderna e contemporânea do Brasil. Inicialmente ele abrigou o Clube das Forças Armadas, logo depois se transformou no Casarão do Samba para, a seguir, abrigar um acervo da estética artística dos anos 50.

Como está hoje: O museu está fechado por recomendação do Ministério Público, desde 2007. Investigações apontaram que o local não tinha estrutura o suficiente para comportar visitas. Após ser interditado, o acervo foi encaminhado ao Museu Nacional da República, localizado no mesmo estado.

O futuro: A reconstrução do museu ficou parada por 10 anos e foi retomada em outubro de 2017. A previsão é de que o espaço seja reaberto em 2018.

Museu Afro Brasil, São Paulo

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Imagem: Wikimedia Commoms

Por que é importante: A instituição se destaca pela afirmação da participação histórica pela perspectiva africana na formação da identidade brasileira. O acervo que conta com seis mil obras celebra a memória e a pesquisa da cultura negra em âmbito nacional.

Como está hoje: O Museu Afro Brasil demitiu 25 funcionários em 2015 após um corte de orçamento de R$1,6 milhão. Na época, a instituição também teve que adiar duas exposições previstas. Com nenhuma mudança no orçamento desde então, o museu organiza outras formas de captação, como projetos paralelos de realização, para poder pagar as despesas. Ainda funciona normalmente.

O futuro: A instituição quer virar referência de gestão em ações para a cultura afro-brasileira. A assessoria afirma que a aplicação e exposição de novos projetos é parte crucial para o desenvolvimento do museu.

Museu da Língua Portuguesa, São Paulo

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Imagem: Wikipedia

Por que é importante: Com mais de 3 milhões de visitantes em 10 anos de história, o Museu da Língua Portuguesa tem grande importância na história da capital paulista. Ele foi construído na Estação da Luz por ser um local de grande fluxo de imigrantes que chegavam ao país. O papel do local é de valorizar os traços históricos da língua portuguesa.

Como está hoje: No final de 2015, o Museu da Língua Portuguesa sofreu um incêndio causado por curto-circuito que teve início no primeiro andar do prédio. Um bombeiro faleceu enquanto tentava conter o fogo. Pelo acervo ser majoritariamente digital, as obras não foram tão prejudicadas.

O futuro: O Governo do Estado assinou um acordo juntamente com a Fundação Roberto Marinho para a reforma do museu, um mês após a tragédia. O custo total da obra será de R$65 milhões e a abertura está prevista para 2019.

Assista ao vídeo “Como a impressão 3D pode ajudar a reconstruir o acervo do Museu Nacional”

Fonte: VICE

Google disponibiliza tour virtual pelo Museu Nacional antes do incêndio

Texto por Leo Escudeiro

Referência internacional em pesquisas, o Museu Nacional foi atingido em setembro deste ano por um incêndio de grandes proporções, que destruiu o prédio da instituição e boa parte de seu acervo. Em um esforço para preservar a memória do local e promover a arte, o Google disponibilizou nesta quinta-feira (13) um tour virtualcom imagens em 360º do museu, além de oito exposições online.

Com apoio da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Ministério da Educação, o Museu Nacional e o Google Arts & Culture lançaram o material, que vem com imagens de 164 peças atingidas durante o incêndio de 2 de setembro. Os artefatos disponíveis incluem o famoso crânio de Luzia, o fóssil humano mais antigo das Américas, a réplica de Titanossauro e o maior meteorito já encontrado no Brasil, o Meteorito de Bendegó, pesando 5.260 quilos.

Já no tour virtual, as imagens em 360º foram capturadas em 2017, por meio do Museum View, ferramenta que permite mergulhar pela estrutura interior de museus de vários cantos do mundo. O tour pode ser guiado com narração em português, inglês e espanhol, e donos de headsets de realidade virtual podem ter uma experiência ainda mais imersiva.

A experiência anunciada nesta quinta está disponível em site e aplicativo e pode ser também explorada a partir do Google Assistente. “Quando o usuário conversar com o assistente inteligente do Google sobre museus, história e até mesmo dinossauros, ele será levado para essa experiência imersiva pelo acervo. Para começar, é só dizer: ‘Ok Google, você gosta de dinossauro?’”, explica a empresa em um comunicado.

Chance Coughenour, gerente global de preservação histórica do Google Arts & Culture, ressalta a importância de se democratizar o acesso à arte, ao mesmo tempo em que se preserva a herança do mundo. Ele acredita que a tecnologia contribui para esse propósito. “Mesmo que as imagens não possam substituir o que foi perdido, elas oferecem uma maneira de lembrar as grandes peças do museu”, pondera Coughenour.

Parte do propósito do Google Arts & Culture é trabalhar com o setor cultural, desenvolvendo novas maneiras de engajamento dos usuários com arte e cultura. A parceria com o Museu Nacional foi feita em 2016, e a plataforma conta ainda com mais de 50 instituições parceiras no Brasil, entre elas o MASP, a Pinacoteca de São Paulo, o MAM-Rio o Museu do Amanhã e o Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Fonte: GIZMODO BRASIL

Pesquisa analisa fake news sobre museus nas eleições

Origem dos recursos foi assunto mais explorado; objetivo do projeto é preparar instituições para antecipar problemas no ambiente digital

Museu Nacional:
Museu Nacional foi assunto de notícias falsasAna Cecília Rocha Veiga

O tema predominante das notícias falsas relacionadas a museus, no período das últimas eleições no Brasil, foi o financiamento de instituições e exposições. Posts no Facebook, Twitter e WhatsApp provocaram desinformação acerca, por exemplo, da responsabilidade de decisão do governo federal sobre patrocínios de mostras e reformas nos museus. Grande parte das situações discutidas nas redes sociais refere-se ao financiamento via Lei Rouanet. Nessa modalidade de incentivo, quem escolhe os projetos que receberão os recursos oriundos de renúncia fiscal são as empresas e pessoas físicas, não o Estado,  como equivocadamente divulgado em muitas postagens.

Essa é uma das informações que constam do relatório Museus e fake news: Eleições 2018, produzido pelo LavGRAFT, grupo de pesquisa da UFMG. O documento contém levantamento sobre a existência de fake news vinculadas aos museus e tem o objetivo de contribuir para análises futuras sobre os possíveis impactos das notícias maliciosas nessas instituições, quanto a aspectos como gestão, acesso de visitantes e políticas públicas. O relatório integra a investigação Museus virtuais e blogs culturais, do Curso de Museologia da Escola de Ciência da Informação.

Os dados foram coletados entre 31 de agosto e 28 de outubro de 2018, com apoio do projeto Eleições sem Fake, do Departamento de Ciência da Computação da UFMG, incluindo o Monitor de WhatsApp, ferramenta disponível apenas para pesquisadores cadastrados. O Monitor ranqueia, diariamente, mensagens, imagens, vídeos, áudios e links mais compartilhados nos grupos públicos sobre política. Atualmente, o software acompanha 364 grupos.

De acordo com a professora da ECI Ana Cecília Rocha Veiga, coordenadora do LavGRAFT, as fake news mencionaram projetos via Lei Rouanet que não chegaram a se concretizar, atribuíram valores mais altos a projetos efetivamente realizados e acusaram o Museu Nacional, incendiado recentemente, de não utilizar em reformas recursos do BNDES que, na verdade, haviam sido comprometidos, mas não repassados até a data do incêndio.

“Nosso objetivo é, com base na compreensão do fenômeno das notícias falsas associadas aos museus, elaborar ferramentas, diretrizes e recomendações para que os museus possam estruturar seus processos de gestão de crise e sua presença digital”, afirma Ana Cecília.

‘Guerra ao demônio’
Foram registradas 14 imagens relacionadas ao tema museus compartilhadas no período eleitoral. A imagem mais difundida retratava a performance La bête, realizada em 2017, no Museu de Arte Moderna de São Paulo, na qual o artista caminhou nu, cercado por crianças. Quatro montagens diferentes da fotografia foram compartilhadas 98 vezes, por nove dias, nos grupos monitorados pelo sistema. A montagem mais difundida relacionava a cena a uma obra de arte em que aparece o demônio cercado por crianças e estava acompanhada pela frase “Espero que esta imagem ajude você a entender, de uma vez por todas, que tipo de guerra estamos travando”.

Ainda de acordo com o relatório, foram compartilhadas 186 vezes, no período eleitoral, 27 mensagens de WhatsApp mencionando museus, ao longo de 15 dos 59 dias do período monitorado. Em 3 de setembro, 16 das 50 mensagens mais compartilhadas continham a palavra museu, e 15 delas abordavam o incêndio do Museu Nacional.

As mensagens versavam, em geral, sobre o impacto que a chamada PEC do Teto de Gastos teria na manutenção da instituição, informavam sobre gastos com leis de incentivo fora da realidade e questionavam a filiação partidária do reitor da UFRJ, instituição responsável pelo Museu Nacional.

A pesquisa levantou também os compartilhamentos sobre museus registrados pelos sites de checagem. Lupa, E-farsas e Boatos.org foram os três mais compartilhados. O artigo mais compartilhado analisa 13 programas de governo dos candidatos e constata que somente dois deles fazem menções explícitas à proteção aos museus. A checagem foi compartilhada mais de 35 mil vezes no Facebook.

“A expectativa é de, ao menos, minimizar os danos causados pelas notícias falsas, em especial com a ajuda dos funcionários e usuários de museus. Os visitantes assíduos podem se tornar ativistas digitais, combatendo as fake news e contribuindo para a difusão do conhecimento e para a proteção das instituições culturais brasileiras”, diz Ana Cecília Rocha Veiga. “Os museus devem ser capazes de antecipar problemas com a virtualidade. Prevenção ainda é a melhor estratégia.”

A professora ressalta que pesquisadores de diversas áreas são convidados a analisar os dados constantes no relatório e dividir suas conclusões com a equipe do LavGRAFT.

Ana Cecília Rocha Veiga assina artigo sobre o tema na edição desta semana do Boletim UFMG.

Encontro preparatório para a VIII Semana de Museus da USP

O Encontro Preparatório pretende apresentar, articular e discutir com as diferentes instâncias da USP a retomada da realização da Semana de Museus. A proposta inicial é que a VIII Semana de Museus ocorra no segundo semestre de 2019, em conjunto com o Simpósio Internacional de Pesquisa em Museologia (SINPEM) do Programa de Pós-Graduação Interunidades em Museologia (PPGMUS). A partir dessa proposta inicial pretende-se discutir o novo formato e estratégias para o planejamento e execução do evento.

 

As inscrições devem ser feitas no formulário disponível em: https://goo.gl/forms/Qel15rJ7xvEJ8gfG3

A programação do evento e mais informações estão disponíveis em e.usp.br/csp.

National Geographic produz documentário sobre incêndio do Museu Nacional

Produção resgata história de itens de equipamento público e se debruça sobre os caminhos para a reconstrução do acervo do equipamento

O que sobrou do prédio do Museu Nacional, no Rio: produção ´da NatGeo vai além dos escombros e refaz caminho de algumas pesquisas do acervo

Pesquisa FAPESP tem edição especial sobre museus de ciência brasileiros

<i>Pesquisa FAPESP</i> tem edição especial sobre museus de ciência brasileiros
Revista conta a história do Museu Nacional e sua trágica destruição no incêndio e discute alternativas para tornar os museus mais seguros e sustentáveis

Agência FAPESP – Está nas bancas a edição de outubro de Pesquisa FAPESP, número especial que conta a história do Museu Nacional e sua trágica destruição no incêndio de 2 de setembro deste ano. Em 72 páginas e 18 reportagens, também disponível integralmente no site da revista, a edição apresenta a situação de outros museus de ciência do Brasil e do exterior e discute formas de gestão e financiamento que tornem os museus de pesquisas mais seguros e sustentáveis.

O incêndio destruiu boa parte da sede e do acervo do maior e mais importante museu de história natural da América Latina, sediado no Palácio de São Cristóvão, na zona oeste do Rio de Janeiro, residência oficial da monarquia brasileira até 1889. Perderam-se exemplares da fauna brasileira coletados no século 19, múmias egípcias da coleção do imperador Pedro II, fósseis de dinossauros e outros animais pré-históricos, além de artefatos de povos indígenas, alguns já extintos. O rico acervo antropológico e etnográfico será parcialmente recomposto com a ajuda de povos indígenas e associações populares.

Ao longo de setembro, a equipe da revista realizou dezenas de entrevistas para resgatar a história do Museu Nacional e conhecer o que foi consumido na tragédia, além de identificar como devem ocorrer a seguir as etapas de recuperaçãoreconstrução do prédio e reconstituição de acervos. A destruição de várias coleções e o colapso parcial da estrutura interna do prédio devem afetar, em grau variado, as atividades de 89 professores e quase 500 estudantes de especialização, mestrado, doutorado e em estágio de pós-doutorado.

Um dos programas afetados é o de arqueologia, que perdeu laboratórios e possivelmente boa parte da coleção de artefatos e fragmentos ósseos humanos de um período que vai de 40 mil a 10 mil anos atrás – o mais famoso deles é o crânio de Luzia, o mais antigo remanescente humano da América do Sul, resgatado dos escombros. Outra área bastante afetada é a zoologia, que perdeu as coleções de insetos, aracnídeos e moluscos. Já o herbário, localizado em outro prédio, escapou ileso.

A tragédia de setembro motivou a visita a outras instituições semelhantes, conhecidas como museus universitários, que, de modo semelhante ao Museu Nacional, são centros de produção de conhecimento: promovem exposições, realizam pesquisas científicas e atuam na formação de pesquisadores.

Um deles é o Museu Paraense Emílio Goeldi. Criado em 1866 em Belém, no Pará, é o segundo mais antigo museu de história natural do país. Seu acervo de 4,5 milhões de itens está bem acondicionado em vários prédios de um campus distante do local de exposições. Mas, por falta de verbas, o acervo não está protegido como deveria de sinistros como um incêndio.

Em São Paulo, o Museu Paulista, mais conhecido como Museu do Ipiranga e ligado à Universidade de São Paulo (USP), está fechado desde 2013 por problemas estruturais no prédio e busca formas de captar os recursos necessários para a reforma e para garantir seu funcionamento pós-reinauguração.

Manter e preservar acervos grandes é uma atividade complexa e cara. Começa com a criação de ambientes com condições de segurança, iluminação e umidade adequados para a exposição e exige o trabalho constante de técnicos e especialistas de diferentes áreas para a conservação das peças.

Embora possa não ser viável para todos os museus de pesquisa, a parceria público-privada tem funcionado no Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, onde há cerca de 1.200 sítios arqueológicos com pinturas rupestres datadas de pelo menos 4 mil anos atrás. Ali, no município de São Raimundo Nonato, a Fundação Museu do Homem Americano mantém um museu para a exibição de ossadas e artefatos humanos encontrados na região. Em dezembro, planeja inaugurar em um munícipio vizinho o Museu da Natureza, com exposições focadas em material geológico, climático e dos animais que viveram no passado remoto na região.

A revista Pesquisa FAPESP é uma publicação mensal, disponível por assinatura e para compra avulsa em bancas e livrarias.

Mais informações: revistapesquisa.fapesp.br.

Fonte: Agência FAPESP

ALIANÇA FRANCESA DOA LIVROS PARA A BIBLIOTECA DO MUSEU NACIONAL

No dia 2 de setembro o mundo assistiu com tristeza ao incêndio do Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Um dos mais importantes patrimônios históricos do Brasil foi destruído em um acidente. Entre as perdas estava o acervo da Biblioteca Francisca Keller, localizada no prédio do museu. Fundada em 1968, ela dispunha do maior acervo de literatura antropológica do Brasil, e um dos mais importantes da América Latina.

Apesar do luto, logo surgiu um esforço coletivo para tentar reconstruir o museu e recuperar o máximo possível do seu acervo. A Biblioteca Claudie Monteil entrou nessa iniciativa! Doaremos parte de nosso acervo francófono de sociologia, filosofia e antropologia.

A campanha está rolando no site Biblioteca Francisca Keller + 50 e eles também estão aceitando contribuições financeiras para apoiar a reconstrução de seu espaço físico.

campanha-de-doacao

Fonte: Aliança Francesa São Paulo

BNDES abre chamada pública de R$ 25 milhões para segurança de museus

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou Chamada Pública para Seleção de Projetos de Patrimônio Cultural – Segurança em Instituições Culturais Públicas de Guarda de Acervos Memoriais. O objetivo é selecionar propostas de projetos de segurança (Detecção, Prevenção e Combate a Incêndio e Pânico, Instalações Elétricas e Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas) em edificações históricas que guardem Acervos Memoriais Brasileiros (museus, arquivos, bibliotecas).

O valor total da Chamada Pública é de até R$ 25 milhõe,s no âmbito da Lei Rouanet, e tem validade de 24 meses, prorrogável por igual período a contar da data da publicação. Os requisitos do certame foram desenhados com base na Portaria Iphan nº 366, de 4 de setembro de 2018, que dispõe sobre as diretrizes a serem observadas para projetos de prevenção e combate ao incêndio e pânico em bens edificados tombados.

Acervos

Acervos memoriais são os bens patrimoniais de inegável valor histórico, pelos quais se pode ter acesso a informações valiosas de várias áreas do saber, de forma a preservar a identidade e a memória de uma comunidade. Este conjunto inclui acervos museológicos, arquivísticos e bibliográficos.

Serão consideradas elegíveis instituições públicas que guardem acervos memoriais brasileiros de propriedade pública que estejam abrigados em edificações tombadas pelo Iphan e que possuam no mínimo um dos seguintes graus de reconhecimento: a) tombado pelo Iphan; ou b) registrado em nível nacional ou mundial pela Unesco por meio do “Prêmio Memória do Mundo”; ou c) participante da listagem de acervos bibliográficos no “Catálogo do Patrimônio Bibliográfico Nacional – CPBN” gerido pela Biblioteca Nacional.

Proponentes

Poderão propor projetos a própria Instituição Cultural de Guarda de Acervo Memorial ou outra instituição que a represente desde que seja, sem fins lucrativos, constituída há pelo menos 2 anos e com finalidade cultural. A proponente deve demonstrar capacidade técnica e de gestão no desenvolvimento de projetos culturais, a qual será avaliada pela Comissão Técnica e, posteriormente, pela equipe técnica e jurídica do BNDES, durante a fase de análise de cada projeto.

Modalidades

As propostas poderão contemplar a elaboração de projetos executivos e a implantação física de sistemas de detecção, prevenção e combate a incêndio e pânico; sistemas de proteção contra descargas atmosféricas; e modernização das instalações elétricas.

O valor máximo apoiável por proposta é de R$ 4 milhões, sendo no máximo R$ 1 milhão para a elaboração dos projetos. No caso de solicitação apenas da implantação física dos sistemas de segurança, serão aceitos apenas os projetos executivos já aprovados pelos órgãos competentes (de bombeiro e de patrimônio).

O valor máximo a ser apoiado pelo BNDES respeitará o valor aprovado no Programa Nacional de Apoio a Cultura (PRONAC), devendo esta condição ser comprovada no momento da liberação de recursos pelo BNDES. As propostas devem ter prazo de execução máximo de 36 meses, podendo ser prorrogado, a critério do BNDES.

Inscrições

As inscrições são gratuitas e serão feitas por meio de formulário eletrônico e por meio da ferramenta online, da versão digitalizada. A elaboração da proposta deverá seguir as orientações disponíveis no site www.bndes.gov.br/seguranca-de-acervos

O prazo de inscrição inicia em 5 de outubro e encerra em 14 de novembro.

Fonte: Instituto Brasileiro de Museus – IBRAM

V Fórum Permanente de Museus Universitários

 

Clique na imagem e leia a carta aberta da Rede de Professores e Pesquisadores em Museologia, do Fórum Permanente de Museus Universitários e da Rede Museus Universitários aos Ministérios da Educação e Cultura

V Fórum Permanente de Museus Universitáriospretende promover e consolidar o debate sobre os museus universitários e instituições afins no Brasil, com a perspectiva de delinear diretrizes para uma política de preservação do patrimônio universitário.

O evento contará com a participação de representantes de universidades de todas as regiões do país, presidentes de redes de museus universitários dos EUA e da União Europeia e presidentes dos comitês internacionais de Museus Universitários e de Formação de Pessoal – The International Council of Museums.

Organizado em palestras, painéis, mesa redonda, GTs, articula-se em torno de três eixos temáticos: 1) diagnóstico dos museus universitários no Brasil; 2) gestão e formação de profissionais em museus universitários; 3) conformação e dinâmica de redes de museus universitários.

O último dia será dedicado à discussão, em plenária, de proposições dos GTs, com vistas ao fortalecimento do Fórum.

Mais informações: https://www.ufmg.br/rededemuseus/forum2018/

Unesco estima que reconstrucción de Museo Nacional de Río tomará unos 10 años

 

Unesco estima que reconstrucción de Museo Nacional de Río tomará unos 10 años

La Organización de las Naciones Unidas para la Educación, la Ciencia y la Cultura (Unesco) calcula que la restauración del Museo Nacional de Río de Janeiro, que perdió el 90 % de su acervo después de ser consumido por las llamas, tomará unos 10 años, informaron hoy fuentes oficiales.

“Es un trabajo de muchos años. No existe en este momento ninguna solución mágica que permita reconstruir el museo en unos meses. Tenemos un largo trabajo de identificación de los escombros, muchos de los cuales son fragmentos de artículos del museo”, afirmó la representante de la Unesco en Brasil, Marlova Jovchelovitch Noleto, en una rueda de prensa.

De acuerdo con la representante, la reconstrucción del Museo será un trabajo gradual que se llevará a cabo en varias etapas porque también hay que tener en cuenta “la reconstrucción del edificio histórico en sí, que también demanda tiempo”.

Jovchelovitch Noleto consideró que a medida que se adelanten los trabajos, el Museo podrá abrir sus puertas al público paulatinamente y por etapas.

La representante de la Unesco en Brasil habló con los medios acompañada de los miembros de la misión de emergencia de esa organización, comandada por la italiana Cristina Menegazzi quien dijo que el acervo puede ser reconstruido con donaciones de otros museos y el uso de tecnologías avanzadas, como impresiones 3D.

La misión de emergencia, de la que también hacen parte el consultor del Centro Internacional de Estudios para la Conservación y Restauración de Bienes culturales, José Luiz Pedersoli Junior, y dos especialistas de la ciudad alemana de Colonia, estará en Brasil hasta el 23 de septiembre.

Durante ese tiempo realizará varias visitas técnicas al Museo a fin de garantizar la estabilidad estructural del edificio y ayudar en las labores de recuperación de objetos de la colección y de elementos arquitectónicos que se encuentran entre los escombros.

Asimismo, visitará otros seis edificios que conservan la memoria histórica, como el Archivo Nacional y la Biblioteca Nacional.

El Museo Nacional de Río de Janeiro, el más antiguo e importante de Brasil, perdió prácticamente todo su acervo histórico, científico y cultural tras ser consumido por las llamas hace algo más de dos semanas.

Construido por decisión del rey Juan VI de Portugal e inaugurado el 6 de junio de 1818, el Museo Nacional fue el escenario escogido por la princesa Leopoldina, mujer del emperador Pedro I, para firmar la declaración de independencia de Brasil en 1822 y también acogió la primera Asamblea Constituyente tras el fin del imperio.

En su acervo figuraban valiosos documentos y piezas únicas, como el esqueleto de Luzia, los restos humanos más antiguos descubiertos en Suramérica, que databan de hace unos 12.000 años y cuyo destino hasta ahora se ignora.

Según la Unesco el trabajo de recuperación del museo se apoya actualmente con tres fuentes de recursos: el Fondo de Emergencia de la Unesco creado en 2015, el aporte del Ministerio de Educación de 10 millones de reales (unos 2,40 millones de dólares) para los esfuerzos iniciales de sustentación del edificio del museo y las donaciones de otros países.

Fonte: EDITORA LISTIN DIARIO 

MPF pede investigação sobre condições de museus na capital paulista

Os edifícios Conjunto do Ipiranga, Museu de Artes de São Paulo,Teatro Municipal e Biblioteca Municipal Mário de Andrade devem ser vistoriados

(foto: Thiago Henrique/Flickr)

Com base em notícias publicadas pela imprensa sobre a conservação das edificações onde estão museus e monumentos na capital paulista, o Ministério Público Federal (MPF) determinou a instauração de uma investigação preliminar para apurar as condições da estrutura e de segurança contra incêndio dessas edificações.

Segundo a ação, devem ser investigados o Conjunto do Ipiranga – formado pelo Museu Paulista, Monumento à Independência, Casa do Grito e Parque da Independência -, o Museu de Artes de São Paulo (MASP), o Teatro Municipal e o edifício-sede da Biblioteca Municipal Mário de Andrade.

Todos esses prédios e acervos são tombados ou estão em processo de tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). As notícias também relatam que, além dos problemas estruturais, essas construções não têm Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros.

Os bens tombados da investigação precisam de imediata atenção, pois podem encontrar-se em situação análoga ao Museu Nacional, no Rio de Janeiro, e ao Museu da Língua Portuguesa, na Estação da Luz, em São Paulo, tendo em conta a notícia de problemas estruturais em suas instalações e em seus equipamentos de segurança”, disse a procuradora da República Suzana Fairbanks, responsável pelo inquérito civil público que apura a regularidade, as medidas adotadas e os projetos para recuperação do conteúdo museológico do Museu da Língua Portuguesa, destruído por um incêndio ocorrido em 21 de dezembro de 2015.

Fonte: Correio Braziliense

Campanha pede doação de livros para biblioteca do Museu Nacional

Um dos enormes prejuízos causados pelo incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro, no início de setembro, foi a destruição do acervo da Biblioteca Francisca Keller (BFK), do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social. Para reerguer a biblioteca, fundada há 50 anos, o programa iniciou uma campanha para receber doações de livros e publicações.

Um incêndio atingiu, no início do mês, o Museu Nacional do Rio de Janeiro, na Quinta da Boa Vista, destruindo o palácio e a maior parte de seu acervo – Tânia Rêgo/Agência Brasil “A Biblioteca Francisca Keller foi incinerada, mas não morta. Uma biblioteca só morre quando não tem mais leitores. Nós temos leitores. Agora precisamos de livros”, diz o texto da campanha, que é assinado pela Comissão para reconstrução e renovação da BFK.

Interessados em doar podem saber mais detalhes no site da campanha, onde há informações sobre os livros que foram queimados e títulos que já foram doados por outras pessoas ou institutos de pesquisa.

A biblioteca tinha 37 mil volumes e era considerada uma das mais importantes na área de ciências sociais no Brasil e na América Latina. Seu acervo era principalmente de obras contemporâneas e contava com títulos importantes para os pesquisadores do programa e de outras instituições de ensino.

O Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social tem nota máxima (sete) na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e foi um dos mais afetados pelo incêndio no Museu Nacional. Grande parte de seu acervo sobre etnias indígenas, por exemplo, foi consumido pelo fogo. Salas de aula e de pesquisa que ficavam no palácio precisaram ser realocadas no Horto Botânico, assim como salas de professores e pesquisadores.

Fonte: BOL Notícias

Eduardo Viveiros de Castro: “Gostaria que o Museu Nacional permanecesse como ruína, memória das coisas mortas”

A tragédia do incêndio do Museu Nacional não deverá ser suficiente para abrir um debate sério no Brasil sobre o “descaso” a que tem sido votada a cultura, diz o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro. Este é “um país onde governar é criar desertos”.

Texto por Alexandra Prado Coelho

Eduardo Viveiros de Castro, 67 anos, é um dos mais conhecidos antropólogos brasileiros, autor de vários livros e do conceito de perspectivismo ameríndio [teoria a partir da visão ameríndia do mundo], e professor do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a instituição que na noite de domingo para segunda-feira foi destruída pelo fogo, que arrasou quase totalmente uma colecção de mais de 20 milhões de peças, com um valor incalculável. Falou ao PÚBLICO por telefone a partir do Rio.

Qual é a dimensão da perda do Museu Nacional do Rio de Janeiro para o Brasil e para o mundo?
Museu Nacional talvez fosse o lugar mais importante do Brasil em termos do seu valor como património cultural e histórico, não só brasileiro como mundial. Trata-se da destruição do ground zero, o lugar central que era o símbolo da génese do país como nação independente e continha um acervo inestimável, não só do ponto de vista da história da cultura e da natureza brasileiras mas com peças de significado mundial. Foi destruída toda a colecção de etnologia indígena, inclusive de vários povos desaparecidos, foi destruída toda a biblioteca do sector de Antropologia, e foi destruído o Luzia, o fóssil humano mais importante e antigo das Américas. É uma perda que não tem como reverter, não há nada que se possa fazer que mitigue, que amenize essa situação. Só se pode chorar em cima do leite derramado, que não adianta nada.

As causas últimas desse incêndio, todo o mundo sabe quais são. É o descaso absoluto desse Governo, e dos anteriores, para com a cultura. O Brasil é um país onde governar é criar desertos. Desertos naturais, no espaço, com a devastação do cerrado, da Amazónia. Destrói-se a natureza e agora está-se destruindo a cultura, criando-se desertos no tempo. Estamos perdendo com isso parte da história do Brasil e do mundo, porque se trata de testemunhos com significado para toda a civilização.

É portanto uma perda com impacto a nível mundial.
Com certeza, tem impacto brasileiro, português, porque boa parte da história de Portugal estava nesse museu também, visto que foi a residência de D. João VI, e também da história mundial – a colecção de etnologia não tinha significado apenas para o Brasil pelo facto de os povos aqui representados habitarem essa parte do planeta, esses povos têm significado para a história da humanidade. Além disso, havia peças muito valiosas que não eram apenas de povos indígenas no território brasileiro, peças africanas, egípcias, etruscas.

É uma perda incalculável que se explica – não se justifica, mas explica-se – pelo descaso absoluto que todos os Governos, e esse Governo ilegítimo em particular, votam à cultura, com cortes dramáticos nos orçamentos da cultura e da educação, ameaças grave de desmontagem das universidades públicas [o Museu Nacional está ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro]. É um projecto de devastação, de criação de desertos, desertos no espaço e no tempo. A destruição do museu é um deserto no tempo, é destruir a memória, destruir a História.

E para si, em particular, o que é representa?
O Museu Nacional abrigava vários departamentos da Universidade. Era um museu de exposição, mas também de pesquisa, eu fazia parte do sector de pesquisa, de um programa de doutoramento em Antropologia. A minha relação com a parte física do museu, com os objectos, era bem menor do que a de vários colegas meus. A perda pessoal, imediata, para mim é a da Biblioteca de Antropologia, que devia ter uns 200 mil títulos e que era um instrumento de trabalho fundamental para a minha actividade como docente.

Essa perda atingiu-me de maneira directa, perdemos toda uma biblioteca construída ao longo de 50 anos. Como etnólogo, relativamente à colecção do Museu Nacional, significou para mim a perda de toda a memória material desses povos que foram destroçados pelo colonialismo europeu e que estavam ali como testemunhas mudas da história sinistra que foi a invasão da América pelas potências europeias.

A biblioteca de Antropologia tinha manuscritos, volumes insubstituíveis
Manuscritos, menos, porque a biblioteca central do Museu Nacional já não estava no edifício que foi destruído, estava num anexo, e é essa que contém as obras raras. A do programa de doutoramento era muito moderna, tinha toda a produção antropológica, sociológica, histórica, dos últimos 50 anos. Embora teoricamente possa ser refeita, não há dinheiro para o fazer. De resto, os fósseis, as borboletas, os insectos, as colecções de estudo, isso é insubstituível.

O que é que se deve fazer agora, perante este edifício queimado?
A minha vontade, com a raiva que todos estamos sentindo, é deixar aquela ruína como memento mori, como memória dos mortos, das coisas mortas, dos povos mortos, dos arquivos mortos, destruídos nesse incêndio.

Eu não construiria nada naquele lugar. E, sobretudo, não tentaria esconder, apagar esse evento, fingindo que nada aconteceu e tentando colocar ali um prédio moderno, um museu digital, um museu da Internet – não duvido nada que surjam com essa ideia. Gostaria que aquilo permanecesse em cinzas, em ruínas, apenas com a fachada de pé, para que todos vissem e se lembrassem. Um memorial.

Esta tragédia pode abrir um debate sério no Brasil sobre esse desinvestimento na cultura?
Não, não vai abrir. Já houve incêndios gravíssimos no Brasil em museus, no de Arte Moderna em 1978, no Museu da Língua Portuguesa em São Paulo, ontem mesmo houve um incêndio numa mansão histórica no centro de Salvador. Acho que não vai haver reflexão nenhuma, até porque o país está mergulhado numa crise política, moral, cultural e económica gigantesca. Vai haver gritaria durante algum tempo, choro, ranger de dentes, e em seguida vai-se voltar ao que sempre foi, planos para o futuro que não se concretizam, verbas que se prometem e não se entregam. Tenho muito medo que se tente vender o canto de sereia da privatização dos museus, retirá-lo da universidade, transformá-lo numa fundação privada. Enfim, essa panaceia de estilo americano que nunca dá certo no Brasil.

Há quem diga que para além do descaso do poder político há um desinteresse geral das pessoas, que acham que a cultura não é a prioridade e que se deve gastar dinheiro em coisas mais urgentes. Vê isso assim?
O Museu Nacional era altamente frequentado, em parte porque a entrada era muito barata, situava-se numa zona popular da cidade, no centro de um parque muito conhecido. Curiosamente, este ano no Carnaval uma das escolas de samba do Rio teve como tema os 200 anos do Museu, com alegorias e fantasias que evocavam as múmias, os dinossauros. Ele fazia parte da cultura popular brasileira, da cultura popular carioca, pelo menos.

Mesmo com essa ligação afectiva, o impacto do que aconteceu não será suficiente para mudar alguma coisa?
Não sei dizer. Na segunda-feira à noite, houve uma manifestação no centro do Rio, na Cinelândia, bastante grande, umas 20 mil pessoas, essencialmente estudantes universitários jovens, protestando, a partir do incêndio do museu, mas generalizando para todo o descaso desse Governo com a educação e a cultura.

Certamente as pessoas que estão passando fome e estão desempregadas não diriam que a cultura é a coisa mais importante mas a ideia de que o povo despreza a cultura não é verdadeira. Quem despreza a cultura é a burguesia, o agro-negócio, os deputados ruralistas, os que estão interessados em devastar o país para produzir soja para vender para a China.

Desvalorizando certamente ainda mais os símbolos da cultura indígena.
Os índios são a pedra no sapato da classe dominante, porque as terras indígenas são públicas, não podem ser privatizadas, e o projecto da classe dominante é privatizar 100% das terras brasileiras. Para eles, os índios são um tropeço, um obstáculo, um escândalo inclusive, um símbolo do atraso do país, quando na verdade deviam ser vistos como símbolo de um futuro possível de um país que está num planeta que está sendo destruído pelo chamado progresso.

Os índios são aqueles que conseguiram sobreviver mantendo um modo de vida menos suicida e são vistos como um povo do passado. Uma maneira de refazer esse museu talvez fosse pedir aos povos indígenas brasileiros que contribuíssem com a sua cultura material para refazer pelo menos o acervo de etnologia.

 Falou-se muito na forma como o incêndio afectou a imagem do Brasil no mundo. Isso terá influência nas próximas eleições de Outubro?
O facto de ter havido uma repercussão mundial muito grande talvez tenha sacudido um pouco a consciência dos políticos brasileiros e sobretudo dos candidatos à eleição. Certamente, agora que começou a fase de debates entre os candidatos à Presidência, o tema vai entrar na agenda. Não tenho dúvida de que todos vão falar do Museu Nacional, agora como vão falar e o que vão falar, é algo que é muito difícil de estimar.

Com as sondagens a dar vantagem a Jair Bolsonaro caso Lula, que se encontra na prisão, não participe, estamos perante a possibilidade de vitória de um candidato ainda mais preocupante para uma política cultural.
Aí é a catástrofe absoluta. Eu sou uma pessoa muito pessimista em geral, mas não sou ao ponto de achar que Bolsonaro vai ser eleito. Acho que ele não consegue se eleger Presidente do Brasil. Mas representa uma parte grande da população e o problema é que há pessoas que votam nele e que vão continuar aí e isso é muito triste.

O Brasil está passando por um processo de polarização política muito grande, existe uma camada subterrânea fascista que era melhor ter deixado quieta e que está se movimentando. Não é só no Brasil, há no mundo inteiro um renascer de sentimentos fascistas, autocráticos, e isso aqui é representado por esse candidato repugnante que é o Jair Bolsonaro, que defende a tortura, elogia a ditadura, quer armar a população, e que se inspira naquele louco patético que é o Donald Trump nos Estados Unidos. Se ele for eleito, é o fim. Pego o avião e vou embora – não sei para onde, mas para algum lugar.

Fonte: ÍPSILON

Solidariedade ao Museu Nacional e medidas de proteção do acervo da Biblioteca Nacional

O corpo técnico e a direção da Biblioteca Nacional prestam sua solidariedade às comunidades de Educação, Cultura e Ciência do Brasil pela perda irreparável do patrimônio do Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro.
Junho de 2018 - Fachada da Biblioteca Nacional após remoção dos tapumes e lona.
Junho de 2018 – Fachada da Biblioteca Nacional após remoção dos tapumes e lona.

A preservação da memória nacional tem inestimável valor para a formação e identidade de um povo. Grande parte das instituições brasileiras de cultura tem relevância que ultrapassa as fronteiras nacionais, por abrigar obras e coleções de incalculável valor para a Humanidade.

Por esse motivo, a Biblioteca Nacional, instituição bicentenária que abriga tesouros bibliográficos do Brasil e do Mundo, ciente de seu papel e responsabilidade pela guarda de parte significativa da memória do País, traz a público as medidas de proteção de seu acervo já em vigor, bem como aquelas que integram planejamento futuro de melhorias.

Atualmente, a casa possui 260 extintores em funcionamento; 15 hidrantes internos; 1 hidrante de passeio (próprio para que sejam acopladas mangueiras de incêndio); 12 brigadistas que se revezam em plantão durante 24 horas, contando com três profissionais sempre disponíveis por dia; sistema de detecção de fumaça e alarme de incêndio (revisto recentemente); sinalização de rota de fuga; e central de monitoramento de segurança.

Com o objetivo de complementar e estender as providências de segurança em vigor, a Biblioteca Nacional aprovou recentemente junto ao Corpo de Bombeiros projeto para a complementação do sistema existente que envolve iluminação de emergência; reforma da casa de máquinas; complementação da rota de fuga e sinalizações; e plano de Gerenciamento de risco.

Fonte: Biblioteca Nacional

Mais que um incêndio, um triste símbolo de um país que abandona a si mesmo

Um país que deixa sua memória histórica arder corre o perigo de queimar com ela seu presente e seu futuro

Texto por Juan Arias

Pessoas observam como as chamas destroem o Museu Nacional.
Pessoas observam como as chamas destroem o Museu Nacional. RICARDO MORAES REUTERS

O incêndio que destruiu o Museu Nacional do Rio, e com ele 200 anos da história do Brasil, foi mais do que um incêndio. As chamas são o triste símbolo de um país que abandona a espinha dorsal da ciência, a da cultura e da arte para privilegiar uma política mesquinha de pequenos interesses pessoais dos que deveriam ser os guardiões da maior riqueza de um país, que é a memória da sua cultura.

Não é por caso que, ainda neste ano, nem um só ministro do Governo tenha participado das festividades do bicentenário do Museu Nacional no Rio. Não é por caso que todos os mecanismos de proteção do museu estavam abandonados, e que os professores tivessem que pagar a passagem de ônibus das faxineiras do museu, que já havia sido abandonado à própria sorte.

As imagens dessas labaredas queimando o coração cultural e histórico do Brasil, que estão correndo o mundo, poderiam ser um triste presságio, às vésperas de uma eleição presidencial que se prenuncia incendiária e incerta para este país. Quem estranha os surtos autoritários e direitistas que estamos observando deveria analisar o Museu Nacional em chamas, pela incúria de quem deveria ter cuidado de preservar sua riqueza histórica. Poderia assim entender melhor o voto de raiva de milhões de brasileiros desiludidos com um sistema democrático que agoniza a partir da morte de seus valores culturais.

Um país que deixa sua memória histórica arder corre o perigo de queimar com ela seu presente e seu futuro, comprometidos pelo abandono de seus melhores valores, que agonizam asfixiados por uma classe política incapaz de entender que não existem saltos na formação das novas gerações. Elas se constroem, se aperfeiçoam e se modernizam a partir dessa memória do passado. Sem memória, os jovens que deverão criar o novo Brasil sem romper o cordão umbilical com o que seus antepassados lhe deixaram acabarão como náufragos sem bússola, num mar já muito agitado pela incerteza e pelas nuvens negras antidemocráticas e obscurantistas que o ameaçam.

Sem esperança, então? Não. Brasil é maior que seus melhores museus, e todos os povos aprenderam na escola sobre seus fracassos e derrotas. Que, das cinzas tristes e amargas do Museu Nacional do Rio, um novo Brasil possa ressuscitar como a ave fênix da mitologia. Um Brasil que só será melhor e mais justo se a cultura e a ciência chegarem a todos, em vez de serem apenas patrimônio dos privilegiados.

Que as chamas do Museu Nacional, que hoje entristecem o Brasil e o mundo, sirvam de alarme e de exame de consciência na hora de digitar, dentro de algumas semanas, o voto na urna eletrônica, para não escolher de novo os que têm sido incapazes de preservar a rica memória deste país que hoje parece, como o museu que ardeu, abandonado à própria sorte.

Fonte: EL PAÍS

II Seminário Especial: Lugar de Memória: O acervo da Biblioteca do Museu Nacional como patrimônio cultural

Sobre o Evento

Em homenagem aos 200 anos do Museu Nacional o evento busca, além de comemorações, compreender a Biblioteca do Museu Nacional (BMN) como lugar de memória e seu acervo raro como patrimônio cultural vinculado à construção identitária do Museu Nacional – a instituição científica mais antiga do país e umdos maiores museus de História Natural e de Antropologia das Américas. Destinado à estudantes e profissionais de Biblioteconomia, Memória Social e Ciência da Informação, e àqueles que que possuem algum vínculo com o Museu Nacional, o evento se propõe a abrir o debate sobre os conceitos supracitados, bem como trazer relatos de professores do Museu Nacional, renomados dentro e fora do país, sobre a importância do acervo da BMN na memória da Instituição.

Mais informações: https://www.eventbrite.com.br/e/ii-seminario-especial-lugar-de-memoria-o-acervo-da-biblioteca-do-museu-nacional-como-patrimonio-tickets-48072286503?aff=ehomecard

MinC anuncia investimentos literatura e museus

Serão investidos quase R$ 9 milhões em literatura, bibliotecas e museus (Foto: Arquivo Infonet)

O ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, lançou, nesta terça-feira (3), o Programa Leitura Gera Futuro (#leituragerafuturo), que prevê investimento de R$ 6 milhões em três editais, voltados para a criação de bibliotecas digitais, a realização de feiras literárias e a publicação de livros com temática relacionada aos 200 anos da Independência do Brasil. No mesmo evento, o ministro e o presidente do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), Marcelo Araujo, lançaram a 4ª edição do Prêmio de Modernização de Museus, que vai garantir R$ 2,8 milhões em prêmios para iniciativas de modernização e preservação do patrimônio museológico brasileiro.

No total, serão quase R$ 9 milhões investidos em setores até então carentes de recursos. Os editais serão publicados no Diário Oficial da União até sexta-feira (6) e ficarão disponíveis para consulta no portal do Ministério da Cultura (MinC) – www.minc.gov.br. Desde 2015, o Departamento de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do MinC não lançava editais.

“Estamos cumprindo um compromisso assumido e retomando uma agenda que é fundamental para a formação de cidadãos críticos e conscientes de seu papel na sociedade. Um dos diferenciais do programa #leituragerafuturo é que queremos fomentar a criação de  bibliotecas digitais, espaços contemporâneos de estímulo à leitura e acesso a livros por meios digitais”, ressaltou o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão.

Ele também destacou a importância do Prêmio de Modernização de Museus. “É uma forma de valorizar iniciativas modelo de preservação de nossos acervos museológicos. Nas edições anteriores, os valores dos prêmios variavam de R$ 10 mil a R$ 50 mil. A 4ª edição passa a oferecer premiação de R$ 100 mil, o que faz desse prêmio um dos maiores da área de museus em todo o território nacional”, afirmou. De acordo com o presidente do Ibram, Marcelo Araujo, o edital “representa a retomada de uma iniciativa importantíssima que responde à Política Nacional de Museus e oferece uma oportunidade de consolidação para as instituições museológicas brasileiras”.

Livro, leitura e bibliotecas

Em sintonia com as novas tecnologias, o edital Bibliotecas Digitais destinará R$ 2 milhões (R$ 100 mil por prêmio) para fomentar a criação do conceito de biblioteca digital em vinte bibliotecas públicas estaduais ou municipais do país. O edital prevê a aquisição de leitores de livros digitais (e-readers) e de licenças e direitos para acesso digital a conteúdos e livros, além de ações de modernização e adequação da estrutura, tornando os espaços mais atrativos. Conforme previsto na modalidade de convênios, a contrapartida de cada biblioteca será de 20%, podendo ser comprovada em bens e serviços adicionados.

Em outra frente, o MinC vai aportar R$ 3 milhões para 17 ações literárias no país, como feiras, jornadas e bienais, entre outros. Três projetos receberão R$ 400 mil cada; quatro, R$ 200 mil cada; e dez, R$ 100 mil cada. Podem concorrer entidades privadas sem fins lucrativos. Um dos pré-requisitos para inscrição do projeto é que o evento já tenha sido realizado pelo menos uma vez. Receberão pontuação extra feiras que sejam acessíveis para pessoas com deficiência e as que promovam intercâmbio literário com outros países
.
Outro edital lançado pelo ministro nesta terça-feira garante R$ 1 milhão em prêmios para obras literárias com temática relacionada aos 200 anos da Independência do Brasil, comemorados em 2022. Serão premiadas 25 obras no valor de R$ 40 mil cada. Podem concorrer pessoas físicas brasileiras ou naturalizadas, com obras inéditas.

Modernização de museus

O MinC, por meio do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/MinC), vai distribuir 28 prêmios de R$ 100 mil cada, totalizando R$ 2,8 milhões, para iniciativas bem-sucedidas de modernização e preservação do patrimônio museológico implementadas por instituições museológicas ou por mantenedores de museus, no período de 2015 a 2018.

Os prêmios poderão ser utilizados no desenvolvimento de pelo menos uma das seguintes iniciativas: ações e estudos estratégicos para a modernização de instituição museológica, inclusive gestão e sustentabilidade; manutenção das ações/programações museológicas regulares; setor educativo; exposições; preservação e digitalização de acervos museológicos; atividade editorial e curatorial em instituição museológica; capacitação de funcionários e gestores para atividades específicas no campo museológico; reforma, reaparelhamento e modernização de museus (infraestrutura); adaptação de espaços para acessibilidade de pessoas com mobilidade reduzida e pessoas com deficiência; ações de difusão, divulgação e promoção institucional; e ações para prevenção de riscos ao patrimônio museológico (implementação de plano de gestão de riscos, plano de emergência, plano de segurança para intervenções em bens imóveis).

Fonte: Infonet

3º Seminário Tecnologia e Cultura

O Centro de Memória e Informação da Fundação Casa de Rui Barbosa promove, nos dias 27 e 28 de agosto, o 3º Seminário Tecnologia e Cultura. O evento visa discutir as novas questões geradas pela utilização das tecnologias de informação e comunicação nas áreas de arquivos, bibliotecas e museus. 

A participação é gratuita porém é necessária a inscrição online para controle quantitativo de inscritos e emissão de certificado. Elas estarão abertas até o limite máximo da capacidade do auditório da Fundação Casa de Rui Barbosa.

Saiba mais sobre o evento pelo seu site

EPM – Encontro Paulista de Museus

O EPM – Encontro Paulista de Museus é organizado pelo SISEM-SP e hoje configura-se como o maior evento do setor museal paulista, reunindo anualmente mais de mil participantes. Espaço de reflexão e diálogo sobre diversos temas relacionados à museologia, o EPM consolidou-se como um importante espaço para a troca de experiências e debates entre profissionais de museus, gestores públicos de cultura, estudantes e interessados provenientes de todas as regiões do Estado de São Paulo e do Brasil.

Àqueles que não podem comparecer ao evento ou que gostariam de rever as apresentações das edições anteriores, são disponibilizados registros em vídeo na ferramenta “Canal EPM“, do site do SISEM-SP.

Mais informações: https://www.sisemsp.org.br/epm/

As raridades da biblioteca do Metropolitan Museum de Nova York

De revista dadaísta a fotos da Rússia imperial, cerca de 50 mil itens já foram digitalizados e liberados gratuitamente na internet

FOTO: REPRODUÇÃO IMAGEM DE ‘FONTE’, DE MARCEL DUCHAMP, EM EDIÇÃO DA REVISTA DADAÍSTA ‘THE BLIND MAN’

O Metropolitan Museum of Art, em Nova York, vem digitalizando quantidades significativas de sua biblioteca de quase um milhão de volumes. Em março de 2018, o museu já contava com cerca de 50 mil títulos digitalizados, segundo um post no blog da instituição. A iniciativa visa preservar materiais em papel que correm o risco de se deteriorar.

No site do museu, o material fica na seção Digital Collections. Ele pode ser lido on-line ou baixado no formato PDF. A iniciativa se junta a um esforço geral de disponibilização do acervo do Metropolitan na rede. Em março do ano passado, 375 mil imagens de obras de arte do acervo foram colocadas no ambiente virtual.

A variedade dos materiais da biblioteca cobre inúmeros formatos, estilos e épocas. Há uma seção dedicada apenas a “livros raros”.

“Interessado em Dada?”, pergunta o blog do museu. Um dos itens digitalizados recentemente é um número da revista dadaísta “The blind man”. A publicação era editada por um dos precursores do movimento, Marcel Duchamp, e traz uma imagem de sua obra mais conhecida, “Fonte”, réplica de um mictório de porcelana que o artista assinou como “R. Mutt, 1917”.

FOTO: DIVULGAÇÃO DETALHE DA EXIBIÇÃO DE REI KAWAKUBO, ESTILISTA DA GRIFE JAPONESA COMME DES GARÇONS

Outra seção disponibilizada consiste de livros raros da Rússia imperial e início da era soviética. São materiais como livros ilustrados, álbuns de fotografias, catálogos de exibições e catálogos de coleções particulares e institucionais, russos e ucranianos, datados dos séculos 19 e 20. Um dos volumes, da década de 1880, é um levantamento fotográfico de igrejas de toda a Rússia.

Há coisas mais recentes também, como materiais explicativos da mostra da estilista japonesa Rei Kawakubo, fundadora da grife Comme des Garçons. Realizada em 2017, a exposição focou em seus trabalhos do início dos anos 1980.

A seção Costume Institute agrupa muitas coleções e conjuntos relacionados à moda, incluindo publicações, fotos, tecidos, catálogos e desenhos. Há uma coleção de panfletos sobre o “dandismo”, movimento inglês do século 19 que glorificava a estética e aparência, e que tinha o escritor irlandês Oscar Wilde (1854-1900) entre seus adeptos.

Fonte: NEXO JORNAL

Novo guia mostra museus e acervos da USP

Publicação foi produzida pelo Centro de Preservação Cultural da Universidade

O histórico prédio do Museu Paulista da USP, no bairro do Ipiranga, em São Paulo – Foto: Francisco Emolo/Arquivo Jornal da USP

O Centro de Preservação Cultural (CPC) da USP acaba de produzir e disponibilizar na internet o Guia de Museus e Acervos da USP, que mostra o rico patrimônio cultural da Universidade. A obra traz informações sobre 45 unidades da USP, com seus acervos e espaços acessíveis ao grande público. Em agosto, o guia deverá ganhar uma versão impressa.

O guia possui dois objetivos, segundo a pesquisadora Cibele Monteiro, responsável pela seção de acervos e coleções do CPC: divulgar os museus e acervos da Universidade, tanto para a comunidade USP como para o público externo, e aumentar o interesse das pessoas por esse patrimônio. “Pensamos que seria importante a publicação de um guia para chamar a atenção da própria Universidade e, assim, podermos pensar na criação de políticas de preservação e de redes de especialistas para o desenvolvimento desses acervos, que são de todas as áreas da Universidade”, comenta Cibele.

Obras raras do acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da USP – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Os acervos são muito diversificados. Há acervos formados antes mesmo da criação da Universidade, como é o caso do Museu Paulista. Outros são frutos de doação, como o da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM), ou formados por aquisição de acervos de intelectuais, como é o caso do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB). Mas também há os acervos produzidos por pesquisas feitas na Universidade. Por exemplo, o Arquivo Geral da USP recebeu recentemente o acervo, organizado em 2013, da Orquestra Sinfônica da USP (Osusp), que conta a história do grupo.

Acervos localizados fora da Cidade Universitária, em São Paulo, também são destacados no  Guia de Museus e Acervos da USP. Entre eles estão, por exemplo, a Tecidoteca da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), na zona leste paulistana, o Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC), em São Carlos, o Museu Republicano de Itu e as Ruínas Engenho São Jorge dos Erasmos, em Santos.

A Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, localizada na Cidade Universitária, em São Paulo – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Guia de Museus e Acervos da USP é o segundo número da série de guias publicados pelo CPC. O primeiro, lançado em maio de 2018, foi o Guia dos Bens Tombados ou em Processo de Tombamento da USP, também disponível na internet.

Já em fase de planejamento, o terceiro guia da série terá como título Referências Culturais e Memória, que abordará o patrimônio imaterial e lugares de memória da USP. O quarto será sobre as obras escultóricas em espaços externos, que será feito em colaboração com a professora Fabiana Oliveira, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP.

O Centro de Preservação Cultural, criado em outubro de 2002, é um órgão da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP que substituiu a Comissão de Patrimônio Cultural, formada em 1986. Desde 2004, está sediado na Casa de Dona Yayá, imóvel tombado localizado no bairro da Bela Vista, na capital paulista.

Guia de Museus e Acervos da USP  está disponível neste endereço: http://biton.uspnet.usp.br/cpc/index.php/patrimonio-da-usp/acervos-e-colecoes/

Guia dos Bens Tombados ou em Processo de Tombamento da USP, primeiro volume da série de guias do CPC, pode ser acessado aqui

Fonte: Jornal da USP

Igreja de 130 anos vira biblioteca e museu

O projeto foi concluído este ano; veja fotos da renovação

Você consegue imaginar uma igreja virando uma biblioteca? Foi o que aconteceu com uma catedral de 1884, em Heusden, na Holanda, que deu espaço para uma biblioteca e museu.

De acordo com o Apartment Therapy, a biblioteca tem em seus 3.000 m² salas de reuniões, áreas de estudos, algumas lojas e um bar. Os responsáveis pelo projeto são do escritório Molenaar & Bol & Van Dillen Achitects, que aproveitaram espaços inacessíveis antigamente.

Outra curiosidade fica por conta das estantes, que foram colocadas em um sistema de trilhos para que possam ser movidas pelos corredores da igreja. Além disso, construiram um restaurante no pavilhão do jardim, que dá vista para o lado sul da antiga igreja.

Fonte: Revista Casa Vogue

A metrópole histórica em exposição de fotos

Mostra reúne 124 imagens do acervo do Museu da Cidade de São Paulo na Casa da Imagem

Cidade! Mais precisamente a cidade de São Paulo, tão fotografada em sua imensidade, muito julgada em sua aparência. Quem a define feia não a conhece. Quem a define enigmática se sente por ela atraído e procura de alguma forma compreendê-la. Pode ser via música, verso, literatura, mas sem dúvida nenhuma a imagem lhe rende a melhor homenagem. Muito já foi mostrado, poucas vezes foi compreendida. Muito foi definida: cidade pedra, cidade cinza, da chuva e da garoa. Cidade amada, cidade odiada. Mais uma vez, uma exposição procura apresentar a cidade de São Paulo, suas múltiplas vertentes, suas múltiplas possibilidades de ser compreendida. Talvez por isso o nome desta exposição Equações da Metrópole, inaugurada último sábado, 28, na Casa da Imagem, mereça um momento de reflexão.

Viaduto do Chá nos anos 1940: ainda sem os arranha-céus Foto: Museu da Cidade

Com curadoria de Henrique Siqueira e Mônica Calderón a mostra é composta por 124 imagens do acervo fotográfico do Museu da Cidade de São Paulo e dois filmes de Benedito Junqueira. Um módulo especial no Solar da Marquesa de Santos, prédio ao lado da Casa da Imagem, será dedicado ao fotógrafo Valério Vieira, com sua obra (de 1922) Panorama de São Paulo.

Nesta exposição os curadores partiram do próprio acervo do Museu da Cidade, percorrendo um período de 140 anos de história fotográfica da cidade entre 1862 e 2002. A ideia é apresentar o cenário de São Paulo, não só a passagem de vila à metrópole já tão explorada, mas mostrar as mais variadas fases da sua construção e de seus personagens. Então, se no andar inferior da Casa da Imagem a presença é a da paisagem, no superior é o habitante da cidade que domina: “Queremos mostrar o habitante no espaço urbano, a infância, o trabalho na indústria, na construção civil”, nos conta Henrique Siqueira. Uma cidade que não existe sem seus habitantes. “Desmitificar a visão da metrópole e tentar compreender o cenário da cidade”, diz o curador. Assim, desfilam à nossa frente imagens de fotógrafos que desde o fim do século 19 e durante o século 20 se voltaram a desvendar a cidade por meio da imagem. Uma tentativa de entender esta cidade tão vilipendiada, rompida e rasgada, que cresceu solta e que se impõe ao nosso olhar.

Casa que vendia luvas de pelica na Rua Direita: São Paulo elegante Foto: Museu da Cidadee

Criar uma memória da cidade de São Paulo tem raízes antigas. O acervo do Museu da Cidade de São Paulo, com mais de 74 mil fotografias e 154 anos de histórias, foi formado por Aurélio Becherini (1879-1939), considerado o primeiro fotojornalista da cidade de São Paulo. Suas fotos são as responsáveis por ele ter sido contratado pela prefeitura de São Paulo, pelo então prefeito Washington Luís (1869-1957), que queria registrar as transformações que viria a fazer. Preocupado, Becherini adquire por conta própria fotografias que já haviam sido feitas por outros fotógrafos, também empenhados em registrar a cidade, tais como Augusto Militão de Azevedo (1837-1905), Guilherme Gaensly (1843-1928) e Valério Vieira (1862-1941). Desta forma ele pôde elaborar um Álbum Comparativo da Cidade de São Paulo.

Em 1934, sempre se antecipando, Becherini procura o então prefeito Fabio Prado (1887-1963) e lhe oferece seu arquivo, formado por suas fotografias e por fotografias que havia adquirido de outros fotógrafos. Será o próprio Mario de Andrade (1893-1945), que dirigia o recém-criado Departamento de Cultura, que vai se entusiasmar com o material e aprovar sua compra. Mas será outro fotógrafo, Benedito Junqueira Duarte (1910-1995), que se encarregará de organizar, limpar e identificar o material. É assim que nasce a seção de iconografia do Departamento de Cultura da cidade de São Paulo. É assim que São Paulo tem a mais antiga coleção pública de fotografias da cidade.

E é desta forma que vamos acompanhar a exposição, percorrendo os mais variados momentos da cidade, sua paisagem rural e sua verticalização, o registro de seu centenário em 1954, o retrato da cidade por German Lorca, Sérgio Jorge, Marcia Alves e Cristiano Mascaro. Uma cidade que à revelia de seus retratistas cresce e escapa. E ainda falta muito para conhecer, ou melhor, para resolver as equações da metrópole!

Panorâmica. Valério Vieira (1861-1941) é considerado um dos grandes retratistas da cidade de São Paulo. Mas ele foi muito mais do que isso. Um inovador no fazer fotográfico. Nos primeiros anos do século 19 andou tranquilamente por várias áreas da criação: fotografia, pintura e música. Nascido em Angra dos Reis, muda-se para São Paulo em 1890, onde começa a se destacar na fotografia. Em 1905 consegue apresentar sua primeira panorâmica. Um painel de 12 metros de comprimento. Mas será em 1919 que ele vai realizar sua segunda panorâmica, um painel de 360 graus. O pedido é feito pela prefeitura de São Paulo para ser apresentado nos festejos da Independência em 1922. A imagem, conhecida como Panorama de São Paulo, foi feita a partir da junção de cinco fotografias e possui 16 metros de extensão por 1,42 metro de altura, ampliada com o apoio técnico do químico Conrado Wessel (1891-1993). Foi pintada por Valério Vieira, numa técnica conhecida como foto-pintura: “Ela apresenta os bairros da Luz Santa Ifigênia e Campos Elísios, registrando o começo da industrialização de São Paulo”, nos conta Renato de Cara, diretor do departamento dos museus municipais.

A imagem que foi já apresentada e restaurada pelo MIS em 1998 passou a ser imagem permanente do Museu em 2006. Quem capitaneou o importante e difícil trabalho de recuperação da imagem foi a restauradora Florence Maria White de Vera. E foi ela mesma que foi chamada no ano passado, em 2017, para uma nova restauração da tela. Desta vez ela contou com a participação da também restauradora Ana Maria Caires Scaglianti e com o suporte de Mariza Melo que é conservadora e restauradora do Museu da Cidade. Até o final de setembro será possível ver não apenas a imagem de Valério Vieira, mas apenas uma técnica e estética fotográfica do início do século 20, mas o trabalho minucioso de quem guarda nossa memória.

Texto por Simonetta Persischetti

Fonte: Estadão

Aula Aberta FESPSP – Os Museus na era da hiperconexão: desafios na gestão de acervos e do conhecimento

Atualmente, muitos museus usam a tecnologia em larga escala, tanto nas exposições quanto no acervo. A aula aberta da pós-graduação em Gestão de Acervos Museológicos pretende apresentar os principais desafios da gestão de museus na contemporaneidade.

Será dia 8 de março, às 19h, no auditório da FESPSP.

Inscreva-se neste link: http://www.fespsp.org.br/pagina/aulaaberta.

Ações Multiplicadoras – O Museu e a Inclusão Sociocultural

O processo seletivo para o curso Ações Multiplicadoras – O Museu e a Inclusão Sociocultural já está aberto! Para participar é só preencher a ficha de pré-inscrição disponível no nosso site (goo.gl/iF9dfr) enviar para a acoesmultiplicadoras@pinacoteca.org.br até o dia 07 de março!

DOWNLOAD – Ficha de pré-inscrição:
https://goo.gl/iF9dfr

Os participantes serão selecionados obedecendo aos seguintes critérios: perfil e ordem de inscrição. Será dada a prioridade a educadores de organizações que não tenham participado de edições anteriores do curso.

Os selecionados serão informados a partir do dia 08 de março e a inscrição será realizada no Núcleo de Ação Educativa da Pinacoteca gratuitamente.

ESTRUTURA: Curso de capacitação com 48 horas, divididas em 16 aulas semanais, às quintas-feiras, das 14h
às 17h30.

PÚBLICO-ALVO: educadores atuantes em organizações públicas ou privadas que desenvolvam projetos e programas socioeducativos com pessoas em situação de vulnerabilidade social.

OBJETIVO GERAL: dar ao participante subsídios para a elaboração, execução e avaliação de projetos educativos em arte e cultura voltados à inclusão sociocultural dos grupos com os quais atuam, de forma a potencializar sua atuação socioeducativa.

DATAS:
Dia 22, 23, 29 de março, das 14h às 17h30
Dia 05, 12, 19, 26 de abril, das 14h às 17h30
Dia 03, 10, 17, 24 de maio, das 14h às 17h30
Dia 07, 14, 21, 28 de junho, das 14h às 17h30
Dia 05 de julho, das 14h às 17h30

NÚMERO DE VAGAS:
28 vagas

LOCAL DAS AULAS:
Pina_Luz

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO:
– O museu e sua função social;
– Aspectos da ação educativa em museus e metodologias contemporâneas de ensino da arte;
– Conceitos de exclusão e inclusão social e sua aplicabilidade nos museus;
– Direitos culturais e museus;
– Apresentação dos Programas Educativos Inclusivos da Pinacoteca;
– Aspectos da leitura de imagens;
– Visitas ao acervo da Pinacoteca: potenciais educativos;
– Desenvolvimento de recursos educativos em arte;
– Sistemas de avaliação para ações socioeducativas;
– Construção de projetos educativos;
– Apresentação dos projetos desenvolvidos pelos participantes.

OUTRAS AÇÕES:
Acompanhamento dos projetos elaborados que venham a ser desenvolvidos.

A pré-inscrição deve ser feita por meio do e-mail acoesmultiplicadoras@pinacoteca.org.br até o dia 07 de março de 2018 (quarta-feira).

Para mais informações, entre em contato com o Núcleo de Ação Educativa da Pinacoteca:
Programa de Inclusão Sociocultural educainclusiva@pinacoteca.org.br 
(11) 3324-0942

Fonte: https://www.facebook.com/events/393898701037860/

Nem precisa ter jogo para ir ao Pacaembu

Texto Ademir Medici

O Museu do Futebol é um espaço obrigatório não apenas para esportistas. É também um laboratório para quem curte história e memória. E é lá que se reúne uma gente simpática que leva adiante o projeto do Memofut. Conhecem?

Estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu. Hoje não haverá jogo de futebol. Mas a movimentação é grande na Praça Charles Miller e no Museu do Futebol, incluindo a sua rica biblioteca, com jornais, revistas e livros das mais variadas épocas e lugares, todos tratando do esporte rei brasileiro.

No Auditório Armando Nogueira, parte integrante do Museu do Futebol, acontece a 95ª reunião do Memofut, sigla do Grupo Literatura e Memória do Futebol, que em março comemorará 11 anos de rica existência.

Na plateia, homens de várias idades, profissões e clubes do coração, e uma jovem esportista. Vários ostentam camisetas dos seus clubes. É possível ver um são-paulino conversando animadamente com um corintiano e um palmeirense. Um dos presentes veste a camisa da Seleção do Paraguai. O clima é da maior cordialidade.

Durante mais de três horas, com um pequeno intervalo para o café, a conversa gira em torno do futebol, e o tema é Copa do Mundo – e mesmo durante o café só se fala em futebol.

São todos, verdadeiramente, pesquisadores e amantes do futebol. Um complementa e amplia a memória de outro. Aquele jogo na Copa da Inglaterra em 1966, aquele lance na Copa da Suécia em 1958 – não obrigatoriamente de uma partida do Brasil.

Impressionante o alto grau de conhecimento desses brasileiros de várias partes da Capital, Grande São Paulo e de cidades como Jundiaí, de um grupo animado que tem entre os representantes Helio Maffia. Muito simpático. Maffia é um nome clássico da preparação física, com atuação nos grandes clubes paulistas, chegando a técnico do Corinthians.

GIPEM DO FUTEBOL

Para nós, do Grande ABC, que participamos da última reunião – a convite do designer Luiz Romano, de São Caetano – o Memofut lembra muito o Gipem (Grupo Independente de Pesquisadores da Memória). O Memofut, como o Gipem, é um grupo sem constituição jurídica formal. E funciona muito bem.

Missão: promover a difusão da literatura e outras formas de expressão cultural e artística do futebol e apoiar a preservação da memória do futebol.

Visão: ser uma referência na pesquisa, no estudo e no debate do tema futebol em todas as suas vertentes culturais e artísticas e na preservação da memória do futebol em todas as suas manifestações. Tornar-se um centro de referência para historiadores, pesquisadores e editores.

Valores: apartidário, sem fins comerciais. O grupo é extremamente rigoroso no respeito aos direitos autorais das fontes de pesquisa e publicará sempre que identificáveis as respectivas fontes.

Estes princípios, redigidos por Domingos Antonio D’Angelo Junior quando dos dez anos do MemofuT, foram facilmente observados durante a 95ª reunião, realizada em 3 de fevereiro último, um sábado pela manhã – as reuniões são sempre no primeiro sábado do mês – e de manhã.

O coordenador, professor Alexandre Andolpho, conduziu a reunião, que constou de três palestras das mais participativas.

Gustavo Carvalho alinhavou curiosidades sobre as Copas do Mundo.

O bibliotecário Ademir Takara discorreu sobre a história da história das Copas do Mundo.

Alexandre Andolpho analisou com a plateia os chamados ‘grupos da morte’ nas Copas do Mundo.

Em quase 11 anos participaram das reuniões do Memofut jogadores de futebol famosos, jornalistas, autores de obras sobre o futebol, colecionadores de álbuns de figurinhas e tanta gente mais.

GENTE, QUE BIBLIOTECA!

Deixamos o Pacaembu à tarde, desviando dos blocos de Carnaval paulistanos. Não deu tempo de visitar o Museu do Futebol propriamente dito. Um bom tempo foi passado na biblioteca, conduzidos pelo xará, Ademir Takara, que nos mostrou uma bibliografia riquíssima, com vários títulos referentes ao futebol do Grande ABC. Toda a obra do saudoso Paschoalino Assumpção, por exemplo, está nesta biblioteca.

Aprendemos muito. Fechamos alguns acordos. Descobrimos títulos belíssimos. Mas tudo isso fica para amanhã, aqui mesmo, em Memória.

AMANHÃ EM MEMÓRIA

Eles pesquisam e escrevem sobre futebol

Um intercâmbio com a biblioteca do Museu do futebol

Esportistas do Grande ABC que participam das reuniões do Memofut.

Fonte: Diário do Grande ABC