Mulheres

Escritoras negras aliam poder da literatura à denúncia das desigualdades e opressões

Inspiradas na realidade das periferias e sertões nordestinos, elas misturam aspectos da vida pessoal e questões sociais

Texto por Lucila Bezerra

Luna começou a viver a poesia nas ruas através do projeto Agentes da Palavra – Divulgação

No último dia 25 de Julho foram comemorados o Dia da Mulher Negra Latinoamericana e Caribenha e também o Dia do Escritor. Em todo o Brasil, diversas mulheres negras se utilizam da escrita para contar as suas histórias e para lutar contra as opressões impostas pelo racismo, pelo machismo e pelo patriarcado, a exemplo de Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo e Maria Firmina dos Reis, com obras reconhecidas nacional e internacionalmente. Elas utilizam o poder da palavra e dos versos como ferramenta de denúncia e transformação social.

“Se a gente for olhar na nossa literatura, por vezes as mulheres negras são citadas e tratadas com estereótipos, mas não há uma valorização das histórias contadas por essas próprias mulheres”, afirmou a baiana Jamile Araújo, que é física, comunicadora popular e escritora.

Jamile é umas das autoras do livro “De Bala em Prosa”, que reúne textos de diversos autores que falam sobre as expressões do racismo no Brasil. O nome do livro faz uma referência a a morte do músico Evaldo Rosa e do catador de materiais recicláveis Luciano Macedo causada por 80 tiros disparados por policiais militares do Rio de Janeiro em abril de 2019.

Jamile exemplifica que algumas trajetórias demoram a ser reconhecidas “A gente tem como exemplo é a própria Carolina Maria de Jesus, que era catadora de material reciclável, e escrevia nos seus diários a partir das angústias que ela sentia, da fome, do peso de ser mãe solteira que precisava sustentar dos seus filhos, de ser mãe solteira e pobre, e a partir disso foi a forma dela falar das suas angústias. O livro foi traduzido, ficou famoso, mas essa forma de escrita ainda não é valorizada”.

Apesar de sempre ter utilizado da escrita como uma forma de expressar as suas emoções, Jamile se dedicou à formação superior em física antes de se tornar escritora, mas depois foi voltando a sentir necessidade de utilizar a palavra como forma de se expressar após se deparar com diversas formas de opressão e preconceitos. “Com o período da formação em física isso ficou meio adormecido, mas, a partir do momento que eu ingressei nos movimentos sociais, isso meio que voltou à tona, sobretudo quando eu tenho um contato com a leitura de mundo,  entender o que é o racismo, o que é o machismo, o que é o patriarcado, a exploração dos trabalhadores”, disse Jamile, “Isso trouxe a angústia, mas também me fez ter vontade de voltar a escrever e me expressar”.

Para a poetisa recifense Luna Vitrolira isso não foi diferente. Ela começou a viver a poesia nas ruas através de um projeto chamado Agentes da Palavra, onde viajava pelos sertões e pelas periferias para levar seus versos. “O agente de saúde ele vai de de casa em casa para verificar água, para dar uma informação, a gente ia para dizer poesia”, relembra.

Ela aponta que sempre teve na escrita um instrumento de autocuidado através dos diários e, com o passar do tempo descobriu na palavra o papel de dar voz àqueles que são oprimidos. “Quando eu começo na literatura, infelizmente eu não começo com essa consciência desse papel tanto artístico, quanto político, quanto poético-literário. Mas intuitivamente eu sempre tive a poesia como guiança, então eu vou pra rua com um posicionamento político, mesmo que esse posicionamento não estivesse no meu discurso, estava na minha prática”, afirmou a poetisa.

A literatura tem o papel de fazer as escritoras encontrarem a própria voz dentro do lugar onde vivem, sendo utilizada como instrumento de denúncia e uma forma de se chamar atenção. “A minha poesia começa no sertão, então quando eu começo a declamar no sertão para pessoas sertanejas, isso tem um lugar de identificação também. Então isso respaldava e fundamentava tudo o que eu comunicava para as pessoas”, disse.

Luna também percebe em sua poesia uma função social “Então, para mim, a minha poesia sempre esteve nesse lugar político, sempre foi uma ferramenta de transformação social, de conscientização, de humanização. Hoje a minha poesia fala da minha voz, da minha vida, do meu lugar de fala, do lugar de onde eu vejo o mundo. Então passa pelo lugar de ser uma mulher negra, uma mulher negra, gorda, nordestina e sertaneja”.

Fonte: Brasil de Fato – Pernambuco

Mulheres se mobilizam contra o machismo na literatura de cordel

Devido ao crescimento da iniciativa, a organização já articulou um ciclo de reuniões setoriais por Estado e outras atividades, tudo de forma a repudiar o preconceito na tradicional arte Foto: Saullo Alves

Texto por Diego Barbosa

Denominado Movimento das Mulheres Cordelistas contra o Machismo, grupo conta com apoio de mais de 70 coletivos de todo o Brasil, página nas redes sociais e cronograma de ações

Recentemente, no dia 27 de junho, a cordelista sergipana Izabel Nascimento ministrou a primeira palestra do III Encontro de Cordelistas da Paraíba, um evento virtual. Na ocasião, ao tratar do tema “O cordel como ferramenta de transformação social”, a artista fez um recorte histórico para denunciar o traço forte do machismo que também ocorre nesse gênero literário. A intenção era vislumbrar mudanças numa poesia que ainda não reconhece, não valoriza nem sequer respeita o papel e o protagonismo da mulher cordelista.

Conforme Izabel, durante o momento formativo já era possível perceber resistência à temática em algumas intervenções feitas por quem estava assistindo. Contudo, foi num grupo de WhatsApp e numa publicação no Facebook, na semana subsequente à palestra, que um grupo de poetas cordelistas resolveu polemizar o assunto, não apenas expondo e atacando virtualmente a artista, mas também julgando, questionando e agitando pautas hipotéticas sobre a vida, formação e atuação dela na seara do cordel.

“Essa não foi a primeira vez em que apresentei o tema numa palestra e isso sempre incomodou muitos homens, especialmente os que praticam atos machistas. É fato que não sou a primeira mulher a sofrer por conta desse problema. No entanto, foi a primeira vez também que um grupo de mulheres se reuniu e resolveu organizar um movimento de denúncia e enfrentamento ao machismo no cordel e de ação em defesa de todas as mulheres cordelistas”, conta.

Assim nasceu a campanha #cordelsemmachismo, atualmente formada por um grupo denominado Movimento das Mulheres Cordelistas contra o Machismo. No momento, são mais de 70 coletivos de diversos estados do Brasil aliados à causa, totalizando cerca de 1.500 mulheres unidas.

Acesse a matéria completa publicada pelo Diário do Nordeste e saiba mais sobre o Movimento das Mulheres Cordelistas contra o Machismo

Bibliotecas do Senado e da Câmara destacam presença feminina em seus acervos digitais

Stella Vaz (no alto) e Judite Martins participaram do Parlabiblio, iniciativa das bibliotecas do Senado e da Câmara Fonte: Agência Senado

As bibliotecas do Senado e da Câmara promoveram na quarta-feira (1º) um debate sobre a produção feminina presente no acervo digital das duas Casas. O evento, que ocorreu por meio de uma “live” transmitida pela internet, faz parte do Parlabiblio, iniciativa das duas bibliotecas para apresentar seus serviços e acervos digitais, além de incentivar a leitura e a discussão de temas relevantes.

Participaram do encontro de quarta-feira as bibliotecárias Stella Vaz, do Senado, e Judite Martins, da Câmara. O encontro foi transmitido pelos perfis das duas bibliotecas no Instagram: @biblioteca.senado e @biblioteca.camara. Essas lives estão armazenadas no IGTV dos dois canais e podem ser vistas a qualquer momento.

Durante o debate, as duas profissionais fizeram uma análise histórica, com base nas obras apresentadas, sobre a produção feminina e a atuação das mulheres na conquista de direitos civis, políticos e sociais. Elas também discutiram a importância dessas escritoras, que, ressaltaram, foram responsáveis por conquistas como o direito das mulheres de votar e serem votadas.

Stella Vaz apresentou algumas das obras da coleção Escritoras do Brasil, com destaque para os livros Mármores, de Francisca Júlia da Silva; A Mulher Moderna, de Josefina Álvares; e Opúsculo Humanitário, de Nísia Floresta. Ela apresentou ainda estudos da Consultoria Legislativa do Senado e bibliografias sobre autoras negras e masculinidades. Todos esses títulos estão disponíveis na biblioteca digital do Senado.

O encontro, segundo Stella, trouxe conscientização sobre a trajetória histórica da pauta feminina na busca da conquista de direitos e sobre o quanto ainda falta conquistar.

Durante séculos as mulheres foram silenciadas, e hoje nós temos essa abertura para tentar resgatar a história delas, oferecendo essas obras em nossos acervos digitais. Mas ainda há um grande caminho a ser percorrido — disse Stella.

Judite Martins também mencionou alguma das obras disponíveis no acervo digital da Câmara, como os livros O Voto Feminino no Brasil e Bertha Lutz, ambos de autoria de Teresa Cristina de Novaes Marques. As obras integram a série Perfil Parlamentar (73), das Edições Câmara.

Para Judite, essas duas obras são de grande relevância, pois na primeira (O Voto Feminino no Brasil) a autora traça uma linha do tempo dos principais eventos que levaram à aquisição do direito da mulher de votar e ser votada. A outra (Bertha Lutz) traz a biografia, com a atuação parlamentar e a trajetória política, de uma das mais destacadas lideranças do movimento feminista na primeira metade do século XX.

Nossa atuação aqui não visa apenas condenar nem desprezar a produção masculina, mas dar destaque à produção feminina, fazendo uma análise histórica de como as mulheres adquiriram o direto de fala na sociedade. Trazer essa temática é uma forma de reduzir as desigualdades históricas. Hoje há muitas deputadas, senadoras e servidoras públicas, e estamos aqui para representar essa temática. Tem muita mulher produzindo no Parlamento e isso se reflete nas bibliotecas digitais — observou Judite.

Fonte: Agência Senado

Literatura infantil e protagonismo feminino: elas como personagens principais

Texto por Redação

Pedagoga destaca a importância do incentivo à leitura de livros infantis protagonizados por personagens femininas e indica 5 títulos que desenvolvem nas crianças valores e virtudes importantes, como ser guerreira, destemida, curiosa, questionadora e forte. Confira!

Desde sempre os livros são poderosas ferramentas para que o ser humano conheça mais sobre ele mesmo e o mundo ao seu redor. Por isso, a literatura infantil contribui de forma significativa para o desenvolvimento do autoconhecimento, senso crítico, valores morais e virtudes; ou seja, atua na formação da identidade e influencia nas relações com o todo.

Com as crianças isso não é diferente! De acordo com Claudia Onofre, pedagoga e consultora educacional da plataforma Dentro da História, é neste contexto que o hábito de ler se torna ainda mais importante. ‘’A leitura na infância é essencial, pois é a fase onde a criança está construindo o seu ‘’eu’’, formando seus valores, identificando suas virtudes, aprendendo o que é o certo ou errado e como o mundo funciona para assim moldar suas condutas. É neste momento que a criança desenvolve características importantíssimas para o sucesso na vida adulta e em suas relações, seja no âmbito acadêmico, profissional ou pessoal’’, explica.

Nesse cenário é possível compreender quão relevante é mostrar para meninos e meninas o significado dos movimentos atuais, incluindo o cenário onde a mulher luta cada vez mais por espaço e tem cada vez mais voz para ser quem ela quiser, onde quiser. A partir disso, a educadora listou 3 motivos que reforçam a importância da literatura infantil onde ‘Elas’ são as protagonistas.

Acesse a matéria completa em  Embarque na viagem e compreenda a importância da literatura infantil e a representatividade das personagens femininas nela. 

Bibliotecas do Senado e da Câmara debatem em live produção literária feminina

Texto por Comunicação Interna

Stella Maria Vaz (na foto), bibliotecária do Senado, e Judite Martins, bibliotecária da Câmara, abordarão conteúdos e obras das bibliotecas digitais das duas Casas que tratam de temas relacionados à mulher e à produção literária e acadêmica feminina
Osmar Arouck/Biblioteca do Senado

As bibliotecas do Senado Federal e da Câmara dos Deputados promovem mais uma live para apresentar ao público serviços, produtos e acervos on-line disponíveis nas duas Casas legislativas. Desta vez, as bibliotecárias Stella Maria Vaz, do Senado, e Judite Martins, da Câmara, abordarão conteúdos e obras das bibliotecas digitais que tratam de temas relacionados à mulher e à produção literária e acadêmica feminina. A transmissão pode ser acompanhada no Instagram pelos canais @biblioteca.senado e @biblioteca.camara, nesta quarta-feira (1º), às 17h.

A Parlabiblio, explicou Stella Vaz, é uma iniciativa das duas Casas que surgiu para reforçar a atuação das respectivas bibliotecas nas redes, em meio às mudanças comportamentais promovidas pelo distanciamento social (devido à pandemia de coronavírus). Segundo a servidora, a live de quarta-feira, além de trazer ao conhecimento do público o acervo de autoras femininas presentes nas bibliotecas das duas Casas, pretende ainda promover a fala, a escuta, o protagonismo e o empoderamento feminino.

— Além de ser uma oportunidade de contato positivo do cidadão com o Parlamento, o qual está atento às necessidades sociais e aberto ao diálogo, isso reforça o papel das bibliotecas como espaço fomentador de leitura, cultura e reflexão, democratizando o acesso à informação e estimulando o pleno exercício da cidadania — ressaltou Stella, ao reforçar a importância do trabalho neste momento em que as bibliotecas permanecem fechadas ao público por causa do isolamento social.

Fonte: Agência Senado

10 autoras para conhecer a literatura da Amazônia hoje

Texto por Fred Di Giacomo

A escritora Márcia Kambeba
Imagem: Márcia Kambeba/Acervo pessoal

Na última coluna, a “Arte fora dos centros” conversou com a pesquisadora paraense Suelen Silva sobre sua atuação na área de descentralização da cultura, tanto na Amazônia, onde viveu a maior parte da vida, quanto na Alemanha, onde mora hoje. Na mesma semana, a editora Monomito, fundada pela amazonense Adriana Chaves e o paraense Toni Moraes anunciou que está procurando textos inéditos escritos por mulheres cis e trans paraenses, ou que vivem no Pará. O projeto vai se chamar “Trama das Águas: Literatura contemporânea produzida por mulheres no e do Pará.”. Quem tem interesse em se inscrever pode ler o regulamento aqui.

O Pará faz parte da Amazônia Legal, área que engloba os sete estados da região norte, o Mato Grosso e o oeste do Maranhão. Embalados pela entrevista com a Suelen e o anúncio de “Trama das Águas”, listamos 10 autoras para conhecer a literatura da Amazônia hoje.

Acesse a matéria completa no ECOA Por um mundo melhor e conheça as autoras.

A LITERATURA DE MULHERES PERIFÉRICAS

Conversamos com nove escritoras e poetas que usam a palavra como arma para transformar olhares e construir novas narrativas na literatura brasileira

Texto por Carolina Delboni

“Digam ao povo brasileiro que meu sonho era ser escritora, mas eu não tinha dinheiro para pagar uma editora”. A frase é de Carolina Maria de Jesus, escritora, negra, favelada e catadora de papel. Ela viveu às margens do seu tempo, mas não foi a única e nem a última. A literatura está cheia de textos produzidos por mulheres periféricas. Não são conhecidas pela grande mídia, procuradas pelas grandes editoras nem têm uma orla de seguidores nas redes sociais. São mulheres que vivem na periferia, da sociedade e na própria geografia da cidade. Muitas, não por acaso, são negras.

A arte salva e não há literatura que não seja capaz de ser ferramenta de transformação social. Não à toa, essas mulheres poetizaram a própria existência – para existir. Mulheres que encontraram moradia na escrita. Existir é exercício diário no mundo, mas existir na própria periferia do mundo é um trabalho muito mais árduo. Demanda doses extras de oxigênio, que é outra coisa que parece andar em falta. Mas, enquanto o mundo entra em colapso, são exatamente as mulheres periféricas que nos lembram de que é preciso peito pra viver – ou sobreviver.

Carolina Maria de Jesus Crédito: Reprodução/Acervo Instituto Moreira Salles

Carolina Maria de Jesus

Carolina Maria de JesusCrédito: Reprodução/Acervo Instituto Moreira Salles

Carolina Maria de Jesus poetizou sua existência. Aos 33 anos, desempregada e grávida, mudou-se de Minas para a favela do Canindé, na zona norte da capital paulista. Trabalhava como catadora de papel e, nas horas vagas, registrava o cotidiano da favela em cadernos que encontrava no lixo que recolhia. Um destes diários deu origem a seu primeiro livro, Quarto de Despejo – Diário de uma Favelada, publicado em 1960. A obra virou best-seller.

Muitas outras poetizam diariamente a mulher periférica brasileira. Elas afloram, na sociedade, uma possibilidade de literatura. Entre livros, publicações acadêmicas, redes sociais, coletivos, saraus, o que for. Mulheres que ampliam olhares para um lugar onde a sociedade não está acostumada a olhar. De onde isolamento social é justificativa pra nascer projeto coletivo. De onde pandemia impulsiona cultura. Porque a literatura de mulheres periféricas salva.

A Tpm conversou com nove escritoras e poetas que usam as palavras para transformar olhares e construir novas narrativas na literatura brasileira.

Acesse a matéria completa em Revista TRIP e conheça as outras autoras. 

Papa nomeia mulheres para Biblioteca Apostólica Vaticana e para Autoridade de Informação Financeira

Biblioteca foi criada há mais de 500 anos e possuiu mais de 80 mil manuscritos. Já a Autoridade de Informação Financeira é instituição da Santa Sé que atua na luta contra a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo.

Papa Francisco em imagem de arquivo — Foto: Reprodução/AP

O Papa Francisco nomeou nesta sexta-feira (12) duas mulheres para funções de liderança no Vaticano para a chefia da Biblioteca Apostólica Vaticana e para Autoridade de Informação Financeira (AIF).

Drª. Raffaella Vincenti assumirá a chefia da Biblioteca Apostólica Vaticana, onde já atuava como secretária. A biblioteca foi criada há mais de 500 anos e possuiu mais de 80 mil manuscritos.

Antonella Sciarrone Alibrandi, de 55 anos, assumirá a Autoridade de Informação Financeira, que é instituição da Santa Sé que atua na luta contra a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo. Atualmente, ele ocupa cargo de pró-reitora vigária da Universidade Católica do Sagrado Coração, na Itália.

Autoridade de Informação Financeira faz parte do Grupo Egmont, que atualmente reúne as unidades de informações financeiras de 152 países e jurisdições. Nesse fórum, os países trocam de informações e tratam de boas práticas de colaboração internacional.

Em julho de 2019, o Papa Francisco nomeou uma brasileira, Cristiane Murray, para atuar como sua vice-porta-voz.

Fonte: G1

Leia mulheres: clube do livro em Florianópolis dá visibilidade à literatura feminina

Projeto mundial tem grupo fixo na Capital catarinense; participantes fazem reuniões virtuais em meio à pandemia do coronavírus

Texto Catarina Duarte

Lançado em 1977, o ‘Seminário dos ratos’, de Lygia Fagundes Telles, é o livro do mês de abril do Leia Mulheres Florianópolis. O clube de leitura, que completou quatro anos em março, é dedicado exclusivamente à literatura feminina.

O projeto surgiu em 2014 com a escritora Joanna Walsh. Por meio da #readwomen2014, a britânica propôs que naquele ano apenas autoras fossem lidas por seus seguidores. A ideia era dar visibilidade às mulheres dentro do mercado editorial.

A pesquisa Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, vinculada à Unb (Universidade de Brasília), mostrou que entre 1965 e 2014, mais de 70% dos livros publicados por grandes editoras foram escritos por homens.

No Brasil, o Leia Mulheres passou a ocupar livrarias e espaços culturais no ano seguinte. Os clubes se espalharam por diversas capitais brasileiras, chegando a Florianópolis em 2016.

Os encontros, que já reuniram dezenas de participantes, acontecem no último sábado de cada mês na BU (Biblioteca Universitária) da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

Não há restrição quanto à participação de homens no clube, mas as mediadoras dos debates são sempre mulheres. Assim, explica uma das fundadora do grupo na Capital, o espaço tem garantias de que a discussão abordará o universo feminino.

Por meio do clube é que as pessoas acabam percebendo como não é habitual ler autoras. Eu mesma percebi que na minha biblioteca só tinham livros escritos por homens. Isso mudou bastantes depois do Leia”, comenta Liandra Schug.

Graduanda do curso de Letras Português, Liandra fundou o grupo com uma colega um ano após entrar na universidade. Desde então, media os debates mensais, que têm público de cerca de 20 pessoas.

Discussões virtuais

Com o avanço do coronavírus em Santa Catarina, as reuniões do Leia Mulheres passaram a ser virtuais. A primeira em meio à pandemia acontece neste sábado (25).

O calendário com as obras também sofreu alterações, substituindo obras com edições limitadas ou de acesso mais difícil por livros online, por exemplo.

Até o fim do ano, obras de Cora Coralina, Ana Miranda e Ayobami Adebayo devem ser lidas pelas participantes do grupo.

Para participar do Leia Mulheres Florianópolis basta entrar em um grupo que as administradoras mantêm no Facebook. Não há restrições de idade ou gênero.

Fonte: ND+

A invisibilidade dos arquivos femininos: entrevista com Luciana Heymann

De acordo com pesquisadora, “o menor número de arquivos de mulheres nas instituições de memória reflete a desigualdade de oportunidades que tem marcado a sociedade brasileira, responsável por reservar mais e melhores lugares para os homens”.

Cristiane d’Avila entrevista Luciana Quillet Heymann

Na apresentação do dossiê “Mulheres, arquivos e memórias”, publicado pela Revista do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), em março de 2018, as organizadoras apontam para a invisibilidade feminina nos arquivos públicos, nacionais e internacionais. Para além da presença ou ausência de mulheres na historiografia, o texto de apresentação do dossiê indica algo importante: não há apenas lacunas em narrativas sobre mulheres, mas uma imensa ausência de fontes sobre ou produzidas por elas.

Os arquivos são instituições que expressam relações de poder. Silêncio e invisibilidade não são elementos neutros na construção de suas fontes e fundos. A partir deles podemos perceber questões como a negociação entre memória e esquecimento, o direito ao uso e à privacidade de dados pessoais e a luta por reconhecimento e prevalência de desejos e interesses. Em momento no qual vozes femininas são caladas, muitas vezes à força e violentamente, há que se ressaltar a importância dos processos de arquivamento de suas experiências como sujeitos históricos e o papel das instituições de memória.

Luciana Heymann (Fiocruz). Foto: Vinícius Pequeno, DAD/COC/Fiocruz.
Luciana Heymann (Fiocruz). Foto: Vinícius Pequeno, DAD/COC/Fiocruz.

Para se ter uma percepção do contexto aqui referido, dos 305 arquivos pessoais custodiados pelo Arquivo Nacional (AN), no Rio de Janeiro, apenas 26 são de mulheres. Na Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, dos 88 arquivos pessoais sob a guarda do Departamento de Arquivo e Documentação, apenas seis (6) são de sujeitos femininos – os nomes e um pequeno resumo de cada um estão ao final do artigo.

Para falar sobre o tema, entrevistei Luciana Quillet Heymann, historiadora, doutora em Sociologia e pesquisadora do Departamento de Arquivo e Documentação da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz. Segundo explica a historiadora, “o menor número de arquivos de mulheres nas instituições de memória reflete a desigualdade de oportunidades que tem marcado a sociedade brasileira, responsável por reservar mais e melhores lugares para os homens”.

A que você atribui a baixa representatividades das mulheres nos arquivos?

Em primeiro lugar, creio que essa baixa representatividade espelha a presença minoritária das mulheres na vida pública. Essa presença vem aumentando, mas ainda está longe de uma situação paritária. Prova disso é que está para ser votado um projeto de Lei (PL 2.235/2019) que prevê a reserva de ao menos 30% das cadeiras de Deputado Federal, Deputado Estadual, Deputado Distrital e Vereador para mulheres. Não tenho dados sobre outros campos de atuação, mas o que se observa, em geral, é tanto uma menor presença feminina como mulheres em cargos de menor prestígio em relação aos ocupados por homens.

Como você avalia a situação das mulheres em arquivos de instituições de memória e científicas?

O menor número de arquivos de mulheres nas instituições de memória reflete a desigualdade de oportunidades que tem marcado a sociedade brasileira, responsável por reservar mais e melhores lugares para os homens (e aqui não estou me detendo na enorme desigualdade que atinge negros e negras, fazendo com que a representatividade das mulheres negras seja infinitamente menor do que a das mulheres brancas). Embora haja sinais de que essa situação está mudando, o número de mulheres em cargos políticos ou na liderança de grupos de pesquisa, ao menos nas ciências biomédicas, segue sendo bem menor, o que explica que homens sejam franca maioria como titulares de arquivos em instituições o Arquivo Nacional e a Casa de Oswaldo Cruz. Até as instituições voltadas para o campo literário, onde poderíamos imaginar uma situação mais paritária, a presença masculina é bem mais expressiva (basta consultar o Guia de Acervo do Arquivo Museu de Literatura Brasileira da Fundação Casa de Rui Barbosa).

Há outros fatores no âmbito dos arquivos que fomentam essa situação?

Essa baixa representatividade também espelha as políticas de aquisição de acervo nas instituições, que naturalmente priorizam titulares que tiveram atuação destacada nos seus respectivos campos de atuação. A desatenção com relação a essa situação, porém, colabora para a reprodução da invisibilidade das mulheres.  Se pensarmos que tais espaços estão inseridos nas dinâmicas de poder, produzindo hierarquias e definido condições de acesso às fontes históricas, fica claro que é preciso assumir uma postura crítica com relação à disparidade entre homens e mulheres nos acervos institucionais.

O que poderia ser feito para reverter esse quadro?

Vejo como caminho para reverter a baixa representatividade das mulheres em instituições arquivística uma política ativa de prospecção de arquivos de mulheres que possam ser incorporados. Devem ser arquivos compatíveis com a linha de acervo de cada instituição, já que é importante manter coerência na constituição dos acervos, mas privilegiar arquivos de mulheres é uma forma de ativismo diante da invisibilidade da atuação feminina em diferentes áreas da vida social. Trata-se de uma ação que, a médio prazo, resultará em acervos mais plurais e representativos e, por isso mesmo, mais atraentes para diferentes públicos. Isso sem falar na possibilidade de criar espaços de arquivamento voltados, especificamente, para arquivos de e sobre mulheres.

Pode sugerir uma ação?

Uma possibilidade seria investir na história arquivística dos arquivos de titulares homens, já que muitos foram reunidos, organizados e preservados por mulheres (esposas, filhas, secretárias). Há muitos casos que documentam esse “cuidado feminino”, responsável, muitas vezes, pela própria existência dos documentos. Jogar luz sobre essa atuação teria como resultado não apenas dar visibilidade a essas “guardiãs da memória”, mas denunciar a própria subalternidade feminina nos âmbitos privado e público.

Outra possibilidade seria desenvolver projetos que prospectassem, nos arquivos existentes, a presença de mulheres. Missivistas mulheres presentes nos arquivos pessoais de homens, mas também personagens femininas cuja atuação esteja documentada em arquivos institucionais.

Os arquivos da casa Oswaldo Cruz
Alda Lima Falcão (1925-)

Doação feita por Valéria Lima Falcão em 2013.

Nasceu em 27 de março de 1925, em Aracati (CE), filha de João Barbosa Lima e Raimunda Pereira Lima. Sua trajetória profissional, iniciada em 1939, aos 14 anos, esteve ligada a instituições da área da saúde pública. Primeiramente atuou no Serviço de Malária do Nordeste (1939-1942), depois no Serviço Nacional de Malária (1942-1956), e posteriormente no Instituto Nacional de Endemias Rurais (1956-1975), que a partir de 1976 passou a fazer parte da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Nessa instituição foi pesquisadora e chefe do Laboratório de Leishmanioses do Centro de Pesquisas René Rachou, como também curadora da Coleção de Flebotomíneos. Em 1958 fez o curso de especialização em entomologia médica da Faculdade de Higiene e Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Aposentou-se em 1994, mas permaneceu desenvolvendo seus trabalhos sobre sistemática de flebotomíneos. Em 2007 recebeu o título de pesquisadora emérita da Fiocruz.

Fonte: http://basearch.coc.fiocruz.br/index.php/alda-falcao

Dely Noronha de Bragança Magalhães Pinto (1942-)

Nasceu em 24 de novembro de 1942, no Rio de Janeiro, filha de Décio Noronha e Ottilia Noronha. No pré-vestibular para medicina, conheceu o professor Fritz de Lauro, médico aposentado e futuro padrinho de formatura do Curso de História Natural, e que teve grande influência em sua trajetória profissional. Foi nas aulas deste professor que desenvolveu seu interesse pela biologia. Em 1963 ingressou no Curso de História Natural da Faculdade Nacional de Filosofia, da Universidade do Brasil, concluindo-o em 1968. Ainda em 1963, iniciou seu trabalho como estagiária no Instituto Oswaldo Cruz (IOC), graças à influência de Domingos Arthur Machado Filho, que havia sido seu professor no científico. No IOC trabalhou inicialmente na Seção de Bacteriologia e, depois, na Coleção de Diptera, com Lauro Travassos. A contratação definitiva como pesquisadora do IOC se deu em 1983, quando por um breve período passou a se dedicar ao estudo dos moluscos. À época, foi responsável por amplas modificações nas instalações do Laboratório de Esquistossomose Experimental do Departamento de Helmintologia, como a implantação do sistema de água corrente para os aquários de moluscos. Em 1989 assumiu a curadoria da Coleção Helmintológica, cargo que ocupou até 2007, mesmo após a sua aposentadoria em 1996.

Fonte: http://basearch.coc.fiocruz.br/index.php/dely-noronha

Dyrce Lacombe de Almeida (1932-)

Doação feita pela própria pesquisadora em 2013.

Nasceu em 16 de março de 1932, no Rio de Janeiro, filha de Luís Lacombe e Maria Franco da Cunha. Em 1955 graduou-se em história natural pela Faculdade Nacional de Filosofia (FNFi) da Universidade do Brasil. Ainda estudante, trabalhou na faculdade como assistente de Olympio da Fonseca Filho e participou do curso de extensão universitária em zoologia ministrado por Newton Dias dos Santos, do Museu Nacional. Em 1952 fez o Curso de Entomologia Geral do IOC com Rudolf Barth. A partir desse momento, como bolsista da instituição, iniciou uma frutífera carreira de pesquisa junto ao pesquisador, trabalhando com anatomia e histologia de insetos, principalmente barbeiros. Aposentou-se em 1991, mas permaneceu no IOC desenvolvendo suas pesquisas sobre cracas, embiópteros e histologia de barbeiros.

Fonte: http://basearch.coc.fiocruz.br/index.php/dyrce-lacombe

Elizabeth Rachel Leeds (1942-)

Doação feita pela própria Elizabeth Rachel Leeds em 2007.
Nasceu em 30 de agosto de 1942, em Worcester (Massachusetts, Estados Unidos). Formada em ciência política pela Universidade de Boston, foi voluntária do Peace Corps Volunteers e colaboradora do antropólogo Anthony Leeds, com quem se casou em 1967, em suas pesquisas sobre favelas, iniciadas em 1965. Sua dissertação de mestrado foi defendida na Universidade do Texas e sua tese de doutorado, no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Além das favelas, pesquisou a imigração em Portugal, direitos humanos e políticas de segurança pública no Brasil. De 1989 a 1997 foi diretora executiva do Centro de Estudos Internacionais no MIT. É co-fundadora e presidente honorária do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, iniciado em 2005.

Fonte: http://basearch.coc.fiocruz.br/index.php/fundo-elizabeth-leeds

Hortênsia Hurpia de Hollanda  (1917-2011)

Doação feita por Virgínia Torres Schall em 2013.

Nasceu em 26 de maio de 1917, em Corumbá (MS), filha de Horácio Hurpia Filho e Olívia Bacchi Hurpia. Em 1941 formou-se em língua e literatura anglo-germânica pela Faculdade Nacional de Filosofia e, em 1949, concluiu o curso de nutrição pela Universidade do Brasil. Especializou-se em saúde pública e educação em saúde na Universidade do Chile em 1950. Dois anos depois obteve o título de mestre em saúde pública e educação na Universidade da Califórnia, em Berkeley, Estados Unidos. De 1949 a 1955 foi assistente técnica da Divisão de Educação Sanitária do Serviço Especial de Saúde Pública. A partir de 1954 atuou no Departamento Nacional de Endemias Rurais, onde formulou e coordenou, em caráter pioneiro, programas de educação em saúde, em perspectiva multiprofissional, integrando as áreas de epidemiologia, psicologia, educação, ciências sociais e clínica médica. Morreu em 5 de maio de 2011, em Votuporanga (SP).

Fonte: http://basearch.coc.fiocruz.br/index.php/hortensia-de-hollanda

Maria Cristina Fernandes de Mello (1950-)

Os documentos foram doados pela titular à COC /Fiocruz em 2011, por intermédio do arquiteto Renato Gama-Rosa, do Departamento de Patrimônio Histórico (DPH/COC).

Nasceu em 21 de setembro de 1950, em São Paulo. Graduou-se em 1974 pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em 1976 ingressou, por concurso público, na Universidade Federal Fluminense (UFF), como professora do curso de Teoria e História da Arquitetura. No mesmo ano ingressou na Universidade Gama Filho, onde permaneceu até 1979 como professora de Desenho. Cursou o doutorado em Restauração de Monumentos entre 1982 e 1988 na Scuela de Specializzacione da Universidade de Roma, tendo defendido a tese “Le torri del Padiglione Moresco nella Fondazione Oswaldo Cruz a Rio de Janeiro”. Em 1986 foi contratada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a convite de Sérgio Arouca, para projetar e coordenar a obra de restauração do Pavilhão do Relógio. Posteriormente, também coordenou as obras de restauração dos prédios que constituem o Núcleo Arquitetônico Histórico de Manguinhos. Em agosto de 1989 foi instituído o Departamento de Patrimônio Histórico da Casa de Oswaldo Cruz, do qual foi a primeira chefe. Em 1990 tornou-se servidora pública nesta instituição.

Fonte: http://basearch.coc.fiocruz.br/index.php/maria-cristina-de-mello

Sarah Hawker Costa (1949-)

Nasceu em 4 de junho de 1949, em Londres, filha de Albert Arthur Hawker e Rosamund Ann Maurenn Hawker. Sua formação acadêmica foi realizada na Inglaterra, onde obteve os títulos de bacharel em ciências pela Universidade de Surrey (1971), de mestre em demografia médica pela Universidade de Londres (1972) e de doutora em saúde pública pela Universidade de Oxford (1995), com a apresentação da tese “The determinants and consequences of induced abortion in Rio de Janeiro, Brazil”. Foi professora e pesquisadora titular do Departamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos da Escola Nacional de Saúde Pública/Fiocruz. Atuou também como assessora de programas na Fundação Ford no Brasil, na área de saúde reprodutiva.

Fonte: http://basearch.coc.fiocruz.br/index.php/fundo-sarah-hawker

Virginia Maria de Niemeyer Portocarrero (1927-)

A coleta dos documentos foi realizada entre 2008 e 2010, através de contato da titular com a equipe do DAD/COC e com a intermediação de Margarida Maria Rocha Bernardes. A assinatura do Termo de Doação ocorreu em 2010.

Nasceu em 23 de outubro de 1917, no Rio de Janeiro, filha de Tito Portocarrero e Dinah de Niemeyer Portocarrero. Formou-se bacharel em ciências e letras pelo Colégio Pedro II da avenida Marechal Floriano, no centro do Rio de Janeiro, e mais tarde realizou o Curso de Aperfeiçoamento e Arte Decorativa da Escola Politécnica Nacional de Engenharia, adquirindo formação de decoradora, professora de desenho e desenhista. Ao ler uma matéria no jornal “O Globo”, na qual o governo solicitava voluntários para a Segunda Guerra Mundial, inscreveu-se sem o conhecimento da família e foi selecionada. Ficou à disposição do Primeiro Escalão da Força Expedicionária Brasileira, cujo contingente total era de 25.334 cidadãos, sendo 67 enfermeiras. Em 7 de julho de 1944 seguiu para Nápoles, Itália, como integrante do 2º Grupo (General Diretor de Saúde Marques Porto). Após quase um ano de trabalho voluntário na guerra, regressou ao Brasil em 7 de julho de 1945. Em 1957, as enfermeiras “febianas” foram incorporadas ao Exército Brasileiro. Voltou ao serviço ativo do Exército como 2º tenente e passou a atuar como enfermeira na Policlínica Central do Exército. Passou para a reserva em 25 de setembro de 1962 como 1º tenente e foi promovida a capitão em 1963.

Fonte: http://basearch.coc.fiocruz.br/index.php/virginia-portocarrero

Referências bibliográficas

SIMIONI, A. P.; ELEUTÉRIO, M. DE L. Apresentação do Dossiê Mulheres, arquivos e memórias. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, n. 71, p. 19-27, 12 dez. 2018.

VASSALLO, Jaqueline. “Mujeres y patrimônio cultural: el desafio de preservar lo que se invisibiliza”. In: Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, n. 71, p. 80-94, dez. 2018.

Cristiane d’Avila é jornalista, doutora em Letras pela PUC-Rio, Tecnologista em Saúde Pública da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), onde atua no Departamento de Arquivo e Documentação. Mestre em Comunicação Social e Especialista em Comunicação e Imagem pela PUC-Rio. É organizadora do livro “Cartas de João do Rio a João de Barros e Carlos Malheiro Dias”, publicado pela Funarte em 2013, e autora do livro “João do Rio a caminho da Atlântida”, publicado em 2015 com apoio da Faperj. Colabora mensalmente com o Café História com textos sobre História das Ciências e da Saúde.

Como citar este artigo

HEYMANN, Luciana Quillet. A invisibilidade dos arquivos femininos: entrevista com Luciana Quillet Heymann (Entrevista feita por Cristiane d’Avila). In: Café História – história feita com cliques. Publicado em 16 de março de 2020. Disponível em: https://www.cafehistoria.com.br/entrevista-com-luciana-heymann/. ISSN: 2674-5917

Fonte: Café História

Mulheres estão no centro da programação de março na Biblioteca de São Paulo

Texto por Geyse Garcia

Este mês, a Biblioteca de São Paulo, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, gerida pela Organização Social SP Leituras (entre as 100 Melhores ONGs do Brasil, pelo segundo ano consecutivo), traz uma programação repleta de oficinas, clubes de leitura e outras atividades voltadas para as mulheres. No dia 8, comemora-se o Dia Internacional da Mulher e nada mais justo e necessário do que colocá-la no centro da programação, seja como tema, seja como público-alvo.

A programação do “Leitura ao pé do ouvido”, em que frequentadores da biblioteca são convidados a ouvir a leitura de trechos de livros, traz três escritoras mulheres dos quatro previstos: a americana Angela Davis e as brasileiras Aline Bei e Jarid Arraes. Todas as sextas, das 16h30 às 17h. Veja as obras que serão lidas na programação abaixo.

A cordelista cearense Jarid Arraes também será convidada do “Segundas Intenções” deste mês, no sábado, 28, das 11h às 13h. A autora do premiado “Redemoinho em dia quente”, vencedor do APCA de Literatura na categoria contos, e dos livros “Um buraco com meu nome”, “As lendas de dandara” e “Heroínas negras brasileiras em 15 cordéis” vai falar sobre sua carreira e obra. A mediação será do jornalista Manuel da Costa Pinto.

Na “Oficina de poesia para mulheres” – a poeta, tradutora, editora e curadora literária Lubi Prates parte do gênero para pensar o lugar social determinado para os corpos de mulheres cis e transgênero. Além do gênero, serão considerados outros marcadores sociais, como raça, classe e outros elementos que contribuem para a construção pessoal e são importantes para se alcançar uma dimensão poética. Os encontros, para pessoas maiores de 16 anos, acontecerá no sábado e domingo, 14 e 15, das 10h às 12h. Veja abaixo como fazer as inscrições.

DICA

A dica do mês é o programa “Vespertino”, uma realização do Secs Santana, que inicia a série “Presença Negra na Música Erudita”, com quatro concertos dedicados a compositoras e compositores negros de todo o mundo. O pianista Hercules Gomes apresenta, no primeiro recital, um repertório voltado para música brasileira, abrangendo desde o período colonial, com o Padre José Maurício Nunes Garcia (1767-1830), até os dias atuais, com Laércio de Freitas, Moacir Santos e composições próprias, passando pelo período da formação da música brasileira, com Joaquim Callado, Patápio Silva e Pixinguinha. Será no domingo, 29, das 15h às 16h.

Sobre a BSP

A biblioteca tem programação que atende públicos de diferentes faixas etárias e interesses diversos. Com oficinas, contações de histórias, cursos e atividades como xadrez e yoga, o equipamento vai além do acervo, promovendo, sobretudo, o compartilhamento de experiências e saberes. Inaugurada em fevereiro de 2010, a BSP foi inspirada na Biblioteca de Santiago, no Chile, faz parte do SisEB (Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo) e totaliza 40 mil itens (livros, DVDs, CDs, além de jogos) no acervo. Pessoas com deficiência possuem acesso integral a todos os ambientes e podem utilizar o conjunto de audiolivros, livros em Braille e demais equipamentos de acessibilidade.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO DE MARÇO NA BSP:

INFANTIL

Hora do conto” – Contação de histórias da literatura infantojuvenil, para aguçar o hábito da leitura e a imaginação das crianças. Com equipe BSP. Não é necessário inscrição.

Sextas-feiras, às 15 horas

Dia 6 – “O pássaro lapão”, de Pedro Bandeira
Dia 13 – “O cabrito que era cachorro”, de Cris Miguel e Sérgio Serrano
Dia 20 – “Bruxas enfeitiçadas”, de John Patience
Dia 27 – “As cabras”, de Cris Miguel e Sérgio Serrano

Sábados e domingos, às 16 horas.

Dia 1º – “Villa-Lobos – o maestro”, de Lucia Fidalgo. Com a Cia. Três Lunas
Dia 7 – “Procura-se: Carlinhos Coelho, o ladrão de livros”, de Emily Mackenzie. Com Recantação
Dia 8 – “As antiprincesas”, de Juana Azurduy. Com a Cia. Luarnoar
Dia 14 – “A Saga do balão”, baseado em poemas de Manuel Bandeira. Com o Grupo #BoraLê (Interpretação em Libras)
Dia 15 – “Mortina: uma história que vai fazer você morrer… de rir”, de Barbara Cantini. Com Paula Dugaich
Dia 21 – “Sementes de papel”, de  Bea e Silvia Gil. Com Irene Tanabe
Dia 22 – “Um dia, um rio”, de Leo Cunha. Com a Cia. Hespérides
Dia 28 – “Babuxa”, de Almir Correia. Com Marina Bastos
Dia 29 – “O colecionador de águas”, de Elaine Pasquali Cavion. Com a Cia.Cantando Cont

Lê no Ninho” – Atividade de estímulo e iniciação à leitura para crianças entre 6 meses e 4 anos, realizada com livros lúdicos, tablets, contação de histórias e músicas. Pais e responsáveis podem, ao fim emprestar os kits utilizados, com dois livrinhos e um fantoche, e reproduzir a experiência em casa. Sábados e Domingos, das 11h às 11h45. (nos dias 8 e 22, a atividade acontece no Parque da Juventude, dentro do programa Domingo no Parque). Com equipe BSP. Vagas limitadas, preenchidas por ordem de chegada.

Brincando e Aprendendo” – Programa que reúne intervenções, jogos teatrais, atividades rítmicas e brincadeiras educativas. A partir de 7 anos. Com equipe BSP. Vagas limitadas, preenchidas por ordem de chegada.

Quartas-feiras, das 15h às 16 horas.

Dia 4 – Corrida de bexigas
Dia 11 – Desafio: castelo de copos
Dia 18 – Estoura balões: Dia da Poesia
Dia 25 – Futebol

Pintando o 7” – Atividades para pintar, desenhar, colar e criar, inspiradas em temas literários, ecológicos e culturais, desenvolvendo assim as capacidades artísticas e criativas das crianças. A partir de 6 anos. Com equipe BSP. Vagas limitadas, preenchidas por ordem de chegada.

Quintas-feiras, das 15h às 16h.

Dias 5  e 12 – Atividades paralelas à “Exposição Invenções Gráficas na Ilustração”
Dia 19 – Confecção de foguetes
Dia 26 – Confecção de animais de papel

TODOS OS PÚBLICOS

Exposição Invenções Gráficas na Ilustração Ibero-americana – Criada a partir do Catálogo Ibero-América Ilustra (publicação realizada anualmente desde 2010 pela Fundação SM em parceria com a FIL Guadalajara – Feira Internacional do Livro de Guadalajara), a exposição tem curadoria do ilustrador Fernando Vilela, foi concebida e apresentada em 2019 no Instituto Tomie Ohtake. Visitação: terça a domingo, das 9h30 às 18h30. Até 29 de março. Parceria: Instituto Tomie Ohtake, Fundação SM e Biblioteca de São Paulo.

Jogos Sensoriais” – Divertida experiência lúdica que estimula as habilidades sensoriais e a memória, com jogos e brincadeiras para pessoas com e sem deficiência. Terças-feiras, , das 15h às 16. A partir de 11 anos. Com equipe BSP. Vagas limitadas, preenchidas por ordem de chegada.

Domingo no Parque” – Espaço de leitura para toda a família com sessões de contação de histórias, no Parque da Juventude. Não é necessário inscrição. Em caso de chuva, a atividade será realizada dentro da Biblioteca.

Dia 8

11h às 11h45 – Sessões do programa Lê no ninho. Com a equipe BSP
12h às 16h – Espaço de leitura para toda a família com sessões de contação de histórias. Com a Trupe Pitirilo

Dia 22

11h às 11h45 – Sessões do programa Lê no ninho. Com a equipe BSP.
12h às 16h – Espaço de leitura para toda a família com sessões de contação de histórias. Com Os Fabulistas

Jogos para Todos! Oficina de xadrez”: Os participantes aprendem as regras, os movimentos das peças e algumas táticas do xadrez, além de disputar partidas. Pessoas com deficiência visual dispõem de tabuleiros adaptados. Sábados, das 11h às 13h.  Com a FOX – Formação e Orientação de Xadrez. Vagas limitadas, preenchidas por ordem de chegada.

Leitura ao pé do ouvido” – Frequentadores da biblioteca são convidados a ouvir a leitura de trechos de livros, podendo conhecer assim novos autores, títulos e assuntos. Com equipe BSP. Não é necessário inscrição.

Sextas-feiras, das 16h30 às 17h

Dia 6 – “Mulheres, cultura e política”, de Angela Davis
Dia 13 – “O peso do pássaro morto”, de Aline Bei, e “Identidades”, de Felipe Franco Munhoz
Dia 20 – “O caçador de pipas”, Khaled Hosseini
Dia 27 – Aquecimento Segundas Intenções: “Um buraco com meu nome”, de Jarid Arraes

Sala de videogames” – A BSP oferece aos seus frequentadores mais uma opção de diversão, uma sala equipada com videogame, com os jogos mais legais do momento. De terça a sexta, das 9h30 às 18h. Aos sábados e domingos, das 10h às 18h. Vagas limitadas, preenchidas por ordem de chegada.

BSP até você – Projeto aproximação” – Toda semana, um grupo de funcionários realiza atividades recreativas e culturais, na quadra esportiva da Comunidade Zaki Narchi, com as crianças que ali moram. Quartas-feiras, das 10h30 às 11h30. Não é necessário inscrição.

JOVEM

Luau BSP” – O programa apresenta aos jovens temas relacionados à música, literatura, poesia, atualidade e espaço para apresentações artísticas. Com equipe BSP. A partir de 13 anos. Quintas-feiras, das 12h30 às 13h30. Não é necessário inscrição.

ADULTO

Oficina de poesia para mulheres” – Oficina de escrita poética para mulheres, cis e trans, que parte do gênero para pensar o lugar social determinado para estes corpos. Com Lubi Prates, poeta, tradutora, editora e curadora literária. A partir dos 16 anos. Sábado e Domingo, 14 e 15, das 10h às 12h. Inscrições a partir das 10h do dia 3 de março, pelo link www.bsp.org.br/inscricao

Narração de histórias e imagem narrativa” – Nesta oficina, os alunos são iniciados na arte da narrativa oral, formando uma roda de histórias. Na segunda parte, os participantes criarão uma narrativa ilustrada, utilizando desenho e colagem para criar um livro coletivo. Stela Barbieri é autora de 24 livros infanto juvenis. Como artista expôs no Brasil e exterior e tem obras nas coleções do Centro Cultural São Paulo em outros museus. É assessora de artes da educação infantil e ensino fundamental na escola Vera Cruz  e atualmente faz parte do conselho da Pinacoteca do Estado de São Paulo. Fernando Vilela publicou mais de 90 livros ilustrados em dez países, dentre os quais 20 são de sua autoria. Realizou diversas exposições no Brasil e no exterior e possui obras em importantes coleções, como a do Museum of Modern Art (MoMA) de Nova York e da Pinacoteca do Estado de São Paulo. A partir de 16 anos. Sábado, 21, das 14h às 17h30. Inscrições a partir das 10h do dia 21 de fevereiro, pelo link www.bsp.org.br/inscricao

Clube de Leitura 6.0” – Destinado ao público com mais de 60 anos, os encontros terão leituras e discussões de livros lidos por meio de tablets fornecidos pelo projeto. Em seguida, acontecem as rodas de conversa com sessões de biblioterapia. Uma iniciativa da Fundação Observatório do Livro e da Leitura, com apoio da SP Leituras. A partir de 60 anos. Terças-feiras, do dia 17 de março a 22 de dezembro, das 14h às 16h. Observação: não é necessário ter tablet. Inscrições a partir das 10h do dia 5 de março, pelo link www.bvl.org.br/inscricao, diretamente no balcão de atendimento da biblioteca ou pelo telefone (11) 2089-0800. Formação de turma com mínimo de 10 participantes.

Compartilhando saberes: Yoga” – Em ambiente aconchegante e inspirador você poderá desfrutar desta prática milenar, que promove o bem-estar e a melhora da qualidade de vida. As aulas de Hatha Yoga serão direcionadas com posturas e técnicas simples, que podem ser praticadas por qualquer pessoa, e contemplam o trabalho dinâmico do corpo (alongamento – fortalecimento muscular – equilíbrio), a concentração na respiração e o relaxamento. Recomenda-se que os praticantes ingiram apenas alimentos leves antes da aula e usem roupas confortáveis. Com Amanda Velloso. Sábados, 14, 21 e 28, das 10h às 11h30. Vagas limitadas, preenchidas por ordem de chegada.

Sarau na BSP: Literatura, canto e poesia”. Com o Grupo de Poetas Cantores e Declamadores Independentes de São Paulo. Domingo, 15, das 14h30 às 16h30.
Coordenação de Terezinha Rocha. Não é necessário inscrição.

Clube de Leitura” – A obra a ser discutida este mês é “1984”, de George Orwell”. Todos os meses a BSP seleciona um livro e propõe a discussão de detalhes da história com os leitores da obra, incentivando assim o encontro de pessoas, o debate literário e o hábito da leitura. Com equipe BSP. Quinta-feira, 19, das 15h às 17h. Não é necessário inscrição.

Segundas Intenções” – Bate-papo com a cearense Jarid Arraes, cordelista, poeta e autora do premiado “Redemoinho em dia quente”, vencedor do APCA de Literatura na categoria contos, e dos livros “Um buraco com meu nome”, “As lendas de dandara” e “Heroínas negras brasileiras em 15 cordéis”. Mediação de Manuel da Costa Pinto. Sábado, 28 de março, das 11h às 13h. Não é necessário inscrição. Estudantes universitários podem pedir certificado de participação.

Vespertino” – A série “Presença Negra na Música Erudita” apresenta no primeiro semestre de 2020 compositoras e compositores negros de todo o mundo. O pianista Hercules Gomes apresenta, no primeiro de quatro concertos, um repertório voltado para música brasileira, abrangendo desde o período colonial, com o Padre José Maurício Nunes Garcia (1767-1830), até os dias atuais, com Laércio de Freitas, Moacir Santos e composições próprias, passando pelo período da formação da música brasileira, com Joaquim Callado, Patápio Silva e Pixinguinha. Domingo, 29, das 15h às 16h. Não é necessário inscrição. Realização Sesc Santana.

Curso de Libras – Módulo básico” – Indicado para quem deseja iniciar o estudo da Língua Brasileira de Sinais, com o objetivo de ampliar as possibilidades de comunicação e interação social e profissional com surdos. Aulas ministradas com professor ouvinte e surdo, metodologia bilingue Libras-português. Com Thalita Passos e Luana Milani. A partir de 16 anos. Quartas e sextas-feiras, entre os dias 4 e 25, das 14h às 17h30. Inscrições pelo link www.bsp.org.br/inscricao

DE OLHO NAS INSCRIÇÕES

Curso de narração de narração de histórias” – O curso trabalha a potencialidade das narrativas de literatura oral e aspectos relativos à comunicação e expressão.  O conteúdo programático abordará os vários tipos de histórias – como lendas, mitos, fábulas, história de origem, contos de fadas, entre outros -, a relação com a música, técnicas como interpretação, oralidade e improvisação, e o papel do contador de histórias ao longo da história universal. A partir de 16 anos. Quartas-feiras, dias 1, 8, 15, 22, 29 de abril, e dias 6, 13 e 20 de maio, das 14h30 às 17h30. Realização: Arte Despertar em parceria com a Biblioteca de São Paulo. Iniciativa financiada via ProAC – ICMS. Inscrições a partir das 10h do dia 13 de março, pelo link www.bsp.org.br/inscricao

Serviço:

Biblioteca Parque Villa-Lobos

Av. Queiroz Filho, 1.205 – Alto de Pinheiros, São Paulo / SP.

Telefone: (11) 3024-2500.

Funcionamento: terça a domingo (fechado às segundas), das 9h30 às 18h30.

Todas as atividades são gratuitas.

www.bvl.org.br

Fonte: Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo

Curso – Literatura catalã e gênero: leituras femininas

Natureza do curso:  Difusão

Público Alvo: Alunos de graduação, pós-graduação e interessados em geral.

Objetivo: Fornecer um panorama geral da história da literatura catalã escrita por mulheres, dar a conhecer algumas das autoras mais representativas de cada época.

Programa: CLIQUE AQUI

Carga horária:  30.00h

Vagas: Máximo: 45. Mínimo: 15.

Certificado/Critério de Aprovação:  Mínimo de 75% de frequência obrigatório. Os certificados serão enviados por e-mail quando os ministrantes disponibilizarem a lista de aprovados no sistema.

Coordenação:  Profa. Dra. Valéria Gil Condé (FFLCH/USP).

Ministrante(s): Profa. Jessica Ferrer Escandell

Promoção:  Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas (FFLCH/USP).

Período de Realização:  03/03/2020 a 23/06/2020

Horário:  Terça-feira, das 14:00 às 16:00

Local:  Faculdade de Letras da USP, sala a definir (Av. Prof. Luciano Gualberto, 403 – Cidade Universitária – Butantã – São Paulo/SP)

Gratuito.

Bibliotecária lança clube de assinatura especializado em livros de mulheres negras

Ketty Valencio – Foto divulgação
Proposta da Africanidades é enviar, através de curadoria especializada, livros escritos por mulheres negras e produtos feitos por afro-empreendedores

Após inovar com a primeira livraria especializada em literatura feita por mulheres negras no país, a bibliotecária e empresária Ketty Valencio lança, neste mês de outubro, o Clube de Assinatura Africanidades, também o primeiro do país especializado também em literatura negra, sendo majoritariamente com livros escritos por mulheres negras.O clube Africanidades será trimestral e os assinantes receberão o primeiro kit a partir de novembro. A temática escolhida é “Resistência Negra” e a curadora desta primeira edição é a escritora Jarid Arraes. O livro escolhido será sempre uma surpresa para os assinantes.

“Nosso clube tem a intenção de ser uma ferramenta de estímulo a leitura por meio do protagonismo de pessoas negras e principalmente da valorização das narrativas realizadas pelas mulheres negras. Somos uma vanguarda cultural e queremos presentear nossos leitores com o que há de melhor e mais exclusivo na literatura, bem como no setor de afro-empreendedorismo. Trazemos a literatura protagonizada somente por mulheres, desde sua concepção até mesmo o design, a programação, a curadoria, a autoria e a gestão”, contou Ketty Valencio, que desde que surgiu a ideia, passou um ano trabalhando para colocar tirar a ideia do papel e colocá-la em prática.

Vale destacar que os assinantes recebem, trimestralmente, um equivalente a oito produtos, contendo um kit temário surpresa, com o livro escolhido pela curadora especial, marcador de páginas e outros produtos de marcas e grifes de afro-empreendedores, principalmente de empresas compostas por mulheres negras.

Curadoras escolhidas
Conforme explica Ketty Valencio, a escolha das curadoras se deu a partir da vivência de cada uma delas – todas mulheres negras nesta primeira etapa – e da ligação que elas possuem com os temas propostos.

O primeiro livro será escolhido por Jarid Arraes. Jarid é nascida em Juazieor do Norte, na região do Cariri (CE) em 12 de fevereiro de 1991. Escritora, cordelista, poeta e autora dos livros “Redemoinho em dia quente”, “Um buraco com meu nome”, “As lendas de Dandara” e “Heroínas Negras Brasileiras em 15 cordéis”, além de mais de 70 títulos publicados em literatura de cordel. É curadora do selo literário Ferina. Atualmente vive em São Paulo, onde criou o Clube da Escrita para Mulheres.

As outras curadoras são a poeta Ryane Leão, a jornalista Bianca Santana e a escritora e jornalista Esmeralda Ribeiro.

Sobre a Livraria Africanidades
Criada em 2015, a Livraria Africanidades ganhou uma sede física em 2017, quando a empreendedora Ketty Valencio sentiu a necessidade de organizar o acervo e de promover encontros.

Formada em biblioteconomia, Ketty é também pesquisadora, pós-graduada em gênero e diversidade sexual na Unifesp e MBA-Bens Culturais: Cultura, Gestão e Economia na FGV faz curso de especialistas de Cultura, educação e relações étnico-raciais na USP e após sete anos trabalhando em bibliotecas, investiu no próprio negócio e conta com um viés inédito: o protagonismo das mulheres negras na literatura mundial.  Um breve passeio pelo site e é possível encontrar livros de autoras como Alice Walker, Angela Davis, Jarid Arraes, Maria Firmino, Noémia de Sousa, entre outras.

Além da livraria física, Ketty possui também um site, com o acervo da livraria, que permite a compra virtual e também o pagamento parcelado e traz títulos que dificilmente são encontrados nos grandes magazines ou livrarias online, fazendo, mais uma vez um recorte que preza pela inclusão de autores independentes, pouco conhecidos e/ou acessados.

A livraria possui estantes como feminismo, ficção, não ficção, poesia, religião, nacionais, ciências sociais, entre outras, mas tudo voltado à cultura negra. Além do site, Ketty também percorre eventos e festivais literários, evidenciando o formato que se propõe a ser acessível e viável.

Serviço – Para conhecer o Clube de Assinatura Africanidades, acesse: http://clube.livrariafricanidades.com.br

Diversidade e representatividade no universo dos quadrinhos

Por Nathan Vieira

Com o decorrer do nosso dia-a-dia, ao consumir um produto como um filme, uma série ou mesmo uma história em quadrinhos, acabamos não percebendo a importância de algumas características presentes em determinados personagens. Acontece que ter um personagem que faça parte de uma minoria pode ser muito mais impactante do que nós pensamos, por causa de uma coisinha chamada representatividade. É que, durante muito tempo, era difícil que uma pessoa, parte de uma minoria, se identificasse com algum personagem da ficção. Com o passar dos anos, isso foi mudando, e as produções começaram a ficar mais inclusivas — algo que acabou reverberando também nas HQs, resultando numa maior diversidade entre a safra de personagens.

Em entrevista para o Canaltech, o psicólogo Rodrigo Casemiro explica o impacto da representatividade: “A pessoa se sente pertencente. Sente-se reconhecida, sua subjetividade e seu modo de ser não são excluídos, a diferença é a peculiaridade de cada um e há este sentimento de pertencimento. A autoestima pode ser fortalecida, pois ocorre a sensação de acolhimento, de que somos enxergados. A autoestima é o valor que damos a nós mesmos, mas também recebe influência da maneira como somos vistos, e se somos representados por personagens, ficcionais ou reais, isto é muito positivo para os aspectos psicológicos”.

Para que você entenda a importância da representatividade, vamos exemplificar: pense que uma criança que nasceu paraplégica esteja condicionada a usar cadeira de rodas ao longo de toda a vida. Essa criança cresceu vendo heróis com os quais seus colegas se identificavam, mas que não faziam com que ela se sentisse representada. Então, um novo herói dos quadrinhos é cadeirante, e o fato de usar cadeira de rodas não o impede de combater o crime. A partir da criação desse novo personagem, a criança passa a se identificar verdadeiramente com alguém, que — ainda que fictício — entende tudo o que ela vive sendo uma cadeirante (o preconceito, as dificuldades), e passa o ensinamento de que a cadeira de rodas não deve ser um empecilho para fazer o que se tem vontade, tornando-se um exemplo a ser seguido. Essa é a magia da representatividade.

“Quando há a representatividade é como se uma validação ocorresse, um reconhecimento da existência dessa criança. Ela entende que podemos ser de inúmeras maneiras. A criança sente que existem outras pessoas iguais a ela, ocorre o mecanismo psicológico da identificação. Em obras ficcionais, há, normalmente, um personagem que é tido como herói, e ele tem desafios a serem realizados, e esta é uma fonte de inspiração para a criança resolver os próprios desafios”, aponta o psicólogo.

Com o decorrer do nosso dia-a-dia, ao consumir um produto como um filme, uma série ou mesmo uma história em quadrinhos, acabamos não percebendo a importância de algumas características presentes em determinados personagens. Acontece que ter um personagem que faça parte de uma minoria pode ser muito mais impactante do que nós pensamos, por causa de uma coisinha chamada representatividade. É que, durante muito tempo, era difícil que uma pessoa, parte de uma minoria, se identificasse com algum personagem da ficção. Com o passar dos anos, isso foi mudando, e as produções começaram a ficar mais inclusivas — algo que acabou reverberando também nas HQs, resultando numa maior diversidade entre a safra de personagens.

Em entrevista para o Canaltech, o psicólogo Rodrigo Casemiro explica o impacto da representatividade: “A pessoa se sente pertencente. Sente-se reconhecida, sua subjetividade e seu modo de ser não são excluídos, a diferença é a peculiaridade de cada um e há este sentimento de pertencimento. A autoestima pode ser fortalecida, pois ocorre a sensação de acolhimento, de que somos enxergados. A autoestima é o valor que damos a nós mesmos, mas também recebe influência da maneira como somos vistos, e se somos representados por personagens, ficcionais ou reais, isto é muito positivo para os aspectos psicológicos”.

Para que você entenda a importância da representatividade, vamos exemplificar: pense que uma criança que nasceu paraplégica esteja condicionada a usar cadeira de rodas ao longo de toda a vida. Essa criança cresceu vendo heróis com os quais seus colegas se identificavam, mas que não faziam com que ela se sentisse representada. Então, um novo herói dos quadrinhos é cadeirante, e o fato de usar cadeira de rodas não o impede de combater o crime. A partir da criação desse novo personagem, a criança passa a se identificar verdadeiramente com alguém, que — ainda que fictício — entende tudo o que ela vive sendo uma cadeirante (o preconceito, as dificuldades), e passa o ensinamento de que a cadeira de rodas não deve ser um empecilho para fazer o que se tem vontade, tornando-se um exemplo a ser seguido. Essa é a magia da representatividade.

“Quando há a representatividade é como se uma validação ocorresse, um reconhecimento da existência dessa criança. Ela entende que podemos ser de inúmeras maneiras. A criança sente que existem outras pessoas iguais a ela, ocorre o mecanismo psicológico da identificação. Em obras ficcionais, há, normalmente, um personagem que é tido como herói, e ele tem desafios a serem realizados, e esta é uma fonte de inspiração para a criança resolver os próprios desafios”, aponta o psicólogo.

Fogo (brasileira), Katana (japonesa), da DC, e Tempestade (queniana), da Marvel

Tanto a Marvel quanto a DC apostam em personagens provenientes de diferentes partes do mundo. Isso ajuda a trazer à tona culturas que não são retratadas costumeiramente, como é o caso do povo romani, por exemplo.

Na Marvel, temos a Feiticeira Escarlate representando justamente o povo romani, assim como Mercúrio, seu irmão. Eles também têm origem judia, pois são filhos do Magneto. A Ásia também é bem representada, com Blindspot (chinês), Armor (japonesa) e Amadeus Cho (coreano). A América Latina é a origem de vários personagens, como Ventania (venezuelana), Motoqueiro Fantasma (mexicano) e Inferno (colombiano). Se você acha que o Brasil ficou de fora, está muito enganado, pois temos o Mancha Solar. A representatividade da África fica por conta de ninguém menos que Tempestade (queniana) e Pantera Negra. Cheyenne e Apache dão voz à cultura indígena.

Já na DC, o Asa Noturna representa o povo romani. O Lanterna Verde, por sua vez, um dos mais famosos personagens criados pela empresa, é afro-americano. Miranda Tate é descendente de chineses e árabes. Os judeus também são representados por Batwoman. Os personagens de origem asiática da DC são Atom (chinês), Katana (japonesa) e Linda Park (coreana). Já os personagens latino-americanos são Questão (dominicana) e Besouro Azul (mexicano), assim como Fogo, que representa o Brasil. A África é representada por Vixen, Ísis (egípcia) e Zalika (queniana). A cultura indígena ganha fôlego com a personagem Ya’Wara.

Sexualidade e identidade de gênero

Estrela Polar (homossexual), Sera (transgênero e lésbica) e Shade (drag queen)

Trazer à tona diferentes sexualidades tem sido uma atitude relativamente recente por parte da indústria das HQs, mas aos poucos, as empresas conseguiram inserir personagens que representam a realidade da comunidade LGBTQIA+. Para Rodrigo Casemiro, a representatividade ajuda na autoaceitação e no autoconhecimento. “Muitas vezes as pessoas, sejam crianças, adolescentes ou adultos, sentem e pensam algumas coisas, percebem características suas que não reconhecem nas pessoas mais próximas, e não sabem nem como nomear o que estão sentindo ou percebendo. Quando elas veem em obras, sejam HQs, séries, livros, filmes, novelas, esquetes, entre outros, os personagens que são como ela, há uma ampliação de consciência e autoconhecimento, e isso favorece a autoaceitação”, o psicólogo explica.

No caso da Marvel, a bissexualidade é representada por Daken, o filho de Wolverine. Seus poderes envolvem feromônios e sedução, e ele já usou tanto para despertar o interesse de homens quanto de mulheres. Por sua vez, Wiccano, filho da Feiticeira Escarlate, e Teddy Altman, filho do Capitão Marvel, são referência na Marvel quando se trata de homossexualidade. Eles têm um relacionamento e até já mencionaram noivado. No entanto, o primeiro (e até hoje o principal) personagem gay da Marvel foi o Estrela Polar, criado na década de 70. Em 2012, foi publicada uma edição de Surpreendentes X-Men com o primeiro casamento gay da Marvel, protagonizado por ele. Já Phyla-Vell, irmã de Hulkling, é lésbica. Sua namorada é a Serpente da Lua, filha do Drax (dos Guardiões da Galáxia).

Deadpool, que é um dos personagens mais famosos da editora, também faz parte da comunidade LGBTQIA+. Ele se enquadra na pansexualidade, que é a atração por pessoas, independente se é homem ou mulher, cis ou trans. E por falar em personagens trans, a Marvel tem o Ken Shiga, amigo da Garota-Esquilo, que é um homem trans. Os transgêneros também são representados por Sera, que é uma mulher trans e lésbica, já que tem uma relação com Angela. Uma das apostas mais recentes da Marvel para a diversidade é Shade, uma mutante dos X-men que é uma drag queen. Em entrevistas, os criadores já disseram que ela vai ter mais espaço nas próximas edições.

A DC não fica atrás, e também aposta na diversidade. A empresa aborda a assexualidade (a falta de atração sexual a qualquer pessoa) por meio da personagem Tremor. Já a intersexualidade (variação de caracteres sexuais que inclui cromossomos ou órgãos genitais que dificultam a identificação de um indivíduo como totalmente feminino ou masculino) é representada por Cavaleiro Brilhante. Durante os quadrinhos, é dita inclusive a seguinte frase: “Eu não sou apenas um homem ou uma mulher. Eu sou os dois”, o que ilustra bem a realidade de alguém intersexual. A DC também trouxe à tona Lee Serrano, um personagem não-binário (que não se identifica exclusivamente como homem ou mulher, estando portanto fora do binário de gênero e da cisnormatividade). O Midnighter também é um personagem que faz parte da comunidade LGBTQIA+. Ele é casado com Apollo, outro herói. As lésbicas são representadas por Maggie Sawyer, que aparece nas histórias de Superman.

Doença e Deficiência

Gavião Arqueiro (deficiente auditivo) da Marvel, Oráculo (paraplégica) da DC e Demolidor (deficiente visual), da Marvel

De acordo com o psicólogo, falta de representatividade pode resultar no preconceito: “Se apenas o que é dito normativo é visto, lido, ouvido, conhecido, quando surge algo diferente dessa normatividade, acontece a rejeição, a tentativa de exclusão, e isto é o preconceito. Não acontece a alteridade, o preconceito é um bairrismo muito prejudicial e destrutivo”. Tendo isso em mente, é possível ver que a diversidade também ajuda a trazer informação em torno de uma realidade que acaba não sendo a da maioria. Uma doença ou uma deficiência que vira assunto em pauta na mídia, ainda que na ficção, ajuda o público a compreender melhor do que se trata.

Na Marvel, é o Gavião Arqueiro que traz a representatividade para os deficientes auditivos. Por sua vez, o Mercúrio é o portador de transtorno de personalidade limítrofe (um padrão de comportamento anormal caracterizado por instabilidade nos relacionamentos interpessoais). Outra heroína que ajuda a pregar a diversidade é Silhouette, que é paraplégica, e combate o crime usando muletas. Um caso bem famoso é o do Demolidor, que é deficiente visual. Jane Foster luta contra o câncer de mama, nos quadrinhos, e traz um pouco de como é essa realidade. Já na DC, a representatividade dos deficientes auditivos cabe ao Flautista, enquanto o Doutor Meia-Noite representa os deficientes visuais. Isso, é claro, além da Bat-Girl/Oráculo, que combate o crime na cadeira de rodas.

Casemiro encerra dizendo que essas obras que apostam na diversidade “facilitam o acesso às informações, movimentam discussões positivas em todos os âmbitos da sociedade. Preconceitos são identificados e podem e devem ser repensados. Por isso existe uma responsabilidade para o artista que produz tais obras, para que não aconteça um desserviço”.

Fonte: Canaltech

Cárcere e literatura: Mulheres encarceradas publicam livro de poesias em SP

Texto por Amanda Stabile e Juliana Santoros

O lançamento contou com a presença de mulheres que viveram na Penitenciária Feminina da Capital e são autoras do livro; entre mais de mil textos produzidos, 101 foram selecionados para a obra

O lançamento do livro aconteceu na Biblioteca Mário de Andrade e a sul-africana Daphney Tukisi recitou o seu poema| Foto: Juliana Santoros/Ponte Jornalismo

“A todas as Rita’s, as Cristiane’s
às negras, às brancas ou às pardas
– se bem que pardo é um papel
A todas que viram e lembraram que, por fim,
é só rodar a baiana
e tirar o pijama
pular da cama
porque a caminhada quem faz
é nós”

Jaqueline Ferreira fez dessa dedicatória seu poema: à baiana, à paulista e à mineira. Para todas as mulheres que enfrentam barreiras diariamente, seja para vencer a fome, a violência ou o machismo. A jovem de 23 anos é uma das autoras do livro Mulheres Poetas: Penitenciária Feminina da Capital, lançado na Biblioteca Mário de Andrade, na última quinta (25/7), que reúne os poemas frutos do sarau Asas Abertas. O sarau acontece todas as quartas-feiras na capela da PFC (Penitenciária Feminina da Capital), localizada na zona norte de SP, e é organizado pelo Coletivo Poetas do Tietê.

Jaqueline Ferreira é uma das autoras do livro | Foto: Juliana Santoros/Ponte Jornalismo

Após passar 1 ano e 3 meses na PFC, Jaqueline, em liberdade, se orgulha de estudar Direito no Centro Universitário Central Paulista (UNICEP), em São Carlos, interior de São Paulo: “Faço direito porque já fiz muito errado e agora não me calo”. A jovem, que sempre nutriu o desejo de publicar um livro, escreve desde os 15 anos e conta que sua paixão por poesias começou cedo quando, na quinta série, ganhou de uma professora de português sua primeira antologia.

“Eu conheci o sarau quando estava na PFC há uns 6 meses. Eu me interessei primeiramente porque eu queria esquecer de onde eu estava”, explica Ferreira. A partir de então começou a levar várias amigas para a atividade. “O projeto ajuda a gente a manter uma disciplina. Gera um pensamento de liberdade, você pensa ‘fora da cachola’ e isso o sistema não quer”, conta a autora.

Da esquerda para a direita: Rafaela Maccari, Jaqueline Ferreira, Vanessa Ferrari, Lucas Verzola e Jaime Queiroga | Foto: Juliana Santoros/Ponte Jornalismo

Jaime Queiroga, o idealizador do Sarau Asas Abertas, explica que, para eles, o mais importante é elas acreditarem que podem seguir em frente estudando. “Nós temos vários casos de mulheres analfabetas ou analfabetas funcionais que começam a ler e ter curiosidade com a leitura”, conta.

Os principais temas abordados pelas mulheres nos poemas são saudade e perdão. “Nos poemas, eu peço pra elas enfrentarem seus medos, suas certezas, escreverem sobre isso. Nossa pegada é essa questão da autoestima através da poesia”, explica Jaime. Ele brinca que “se aqui fora, as pessoas tivessem a vontade de ler como tem lá dentro, nós seríamos o primeiro país do mundo em leitura”.

Jaime Queiroga é organizador do Sarau Asas Abertas | Foto: Juliana Santoros/Ponte Jornalismo

Além do sarau, Jaqueline também participava do Clube de Leitura Penguin-Companhia das Letras, um projeto que oferece remissão de pena por meio da leitura. Vanessa Ferrari, editora e coordenadora do projeto da Companhia das Letras de clubes de leitura, explica que a regra é simples: para cada livro lido, o preso pode remir 4 dias da sua pena.

“A gente empresta os livros e elas têm 30 dias para ler. Depois acontece uma roda de leitura, com mediador e eles produzem uma resenha que é o documento que vai para o juiz responsável para avaliar se a pena vai ser reduzida ou não”, diz Vanessa.

Vanessa Ferrari é editora e coordenadora do clube de leituras| Foto: Juliana Santoros/Ponte Jornalismo

“Primeiramente a gente faz o resumo pela remissão, mas depois do primeiro a gente faz só pelo prazer”, conta Rafaela Maccari. A jovem, hoje com 20 anos, confidencia que a paixão por Jorge Amado nasceu após resenhar ‘Capitães da Areia’ para o clube. “Depois de resumir eu nunca mais me esqueci do que falava o livro. Se eu escrever eu não esqueço mais”.

Os poemas de Rafaela também preenchem as páginas do livro recém-lançado. “Foi no sarau que eu comecei a escrever. Antes eu não escrevia, só escutava rap”, recorda. Em seu primeiro contato com o projeto, Maccari ainda não tinha o nome na lista para a atividade, mas voltou na semana seguinte já com 12 poesias prontas para compartilhar.

Rafaela Maccari recitando sua poesia “Angústia” | Foto: Juliana Santoros/Ponte Jornalismo

“Participando do sarau eu fiquei bem menos triste. Toda semana que minha mãe vinha me visitar eu mostrava as poesias para ela. Eu fiz muitas poesias pra ela”, conta Rafaela. Ela também chama a atenção para a visão da sociedade sobre as mulheres encarceradas e alerta: “é importante que as pessoas vejam que a gente também tem e precisa de cultura lá dentro”.

Há um ano, Rafaela deixou a penitenciária. Mas são os cinco meses dentro do sistema carcerário que impedem a reconstrução da sua vida. A ex-estudante de filosofia tentou retomar a faculdade, na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), onde cursava o segundo ano, mas não conseguiu. “Eu sentia o preconceito dos professores. Eu larguei porque eu não aguentava mais”, recorda.

Rafaela Maccari e Jaqueline Ferreira | Foto: Juliana Santoros/Ponte Jornalismo

No mercado de trabalho não foi diferente. “Faz um ano já que eu estou na rua e não consegui o emprego. Duas entrevistas que eu fiz a mulher me disse que eu não me encaixava no perfil da empresa”, conta. “Então eu faço faxina, é o que eu faço pra sobreviver. Mas é difícil, por mais que eu tire o esmalte da minha unha, os piercings da minha cara, parece que está escrito na minha testa”.

Rafaela, que hoje mora em Maringá (PR), conta que, por conta do sarau, nunca mais parou de escrever. Ela confessa que, em um futuro próximo, pretende voltar para a sala de aula. “Agora em junho, eu participei do vestibular para a Universidade Estadual de Maringá [UEM]. Prestei o vestibular pra Biologia”, explica. “Em agosto sai o resultado, se eu passar vou continuar estudando. Hoje eu só faço faxina, mas a gente tem que comer, pagar água, luz, aluguel. A geladeira tá vazia, mas a gente tá na luta”, finaliza Rafaela.

O livro Mulheres Poetas: Penitenciária Feminina da Capital foi organizado pelo coletivo Poetas do Tietê  e produzido por meio do Programa para a Valorização de Iniciativas Culturais (VAI), da Secretaria Municipal de Cultura e pela Edições Tietê (do próprio coletivo). O evento de lançamento em maio, organizado pelo coletivo e a prefeitura, foi restrito para convidados.

Confira mais imagens do lançamento:

Fonte: Ponte

Bibliotecária lança livraria voltada a diversidade negra feminina

Bibliotecária, professora e pesquisadora, Francilene do Carmo Cardoso morou por 10 anos no Rio de Janeiro, o que lhe fez perceber que muito da produção literária abundante em terras cariocas não chegava à sua terra natal São Luís, capital do Maranhão. Somou-se a isso sua militância à favor das causas negras e feminina, resultando na criação da Lekti, livraria e sebo voltada para as mulheres e para as temáticas raciais, africana, afro-brasileira, indígenas etc.

Inaugurada no último dia 22 de junho, a “Lekti Sebo Livraria” fica localizada na Feira do João Paulo, em São Luiz, “uma encruzilhada em termos geográficos e políticos”, onde são encontrados livros novos e usados, consultoria e assessoria de trabalhos acadêmicos, normalização, cursos de formação continuada para a área dos direitos humanos, questões raciais, biblioteconomia e da  literatura preta feminista.

A Lekti mulheres, livros, normalização e relações raciais surgiu da vontade de seguir contribuindo com a renovação do pensamento crítico. É um espaço para valorizar a produção de mulheres em toda sua diversidade e das questões raciais, negros, árabes, imigrantes, africanos, indígenas, ciganos, quilombolas”, diz sua idealizadora que é doutora em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A Lekti, cujo nome é inspirada numa palavra em crioulo, língua do Haiti que significa “leitura”, também oferece o espaço para cursos e oficinas, lançamento de livros e rodas de conversas. “O Haiti teve uma das revoluções pretas mais importantes da história mundial aonde pretos  tomaram o poder naquele país. A Lekti vem pra tornar mais acessível a nossa história preta ainda silenciada pelo epistêmicidio, isto é, silenciamento, banimento de autores negros e negras no espaço escolar e acadêmico”, garante.

Francilene do Carmo Cardoso. Foto: Facebook

Ainda sobre a sua militância à favor das causas negras e feminina, Francilene explica que desde a graduação, e mais ainda no doutorado, teve a oportunidade de acessar muito da produção das intelectuais negras, “várias delas silenciadas nas ementas dos cursos da graduação, causado pelo epistêmicidio, ou seja, banimento das suas contribuições”. Segundo ela, a empreitada é também uma forma de “repaginar” sua atuação profissional, sobretudo após passar por uma tentativa de impedimento para assumir cargo de professora efetiva na UFMA, caso que ainda tramita na Justiça.

Aqui no Maranhão, contraditoriamente já que somos o segundo estado mais preto do país, com 80 % da população preta e parda. Mesmo assim ainda elas [intelectuais negras] são poucos debatidas. Nesse sentido, nós colocamos do outro lado, daqueles que pretendem descolonizar as mentes, construir para produção de conhecimento crítico desde a periferia”, diz ela explicando que a Livraria já tem parceria com várias editoras do Rio e SP como a Malê.

Livrarias no Brasil

Um levantamento feito pelo Jornal Nexo no ano passado mostra que dos 5.570 municípios do Brasil, apenas 1.527 contam com livrarias. O total nacional de estabelecimentos é de 3.095, que são distribuídos irregularmente: enquanto a região Sudeste tem 1.715 livrarias (55% do total), o Norte apresenta apenas 105 locais do tipo (4%). Isso significa que no país existe uma livraria para cada 64 mil habitantes, enquanto nos Estados Unidos existe um estabelecimento para cada 14 mil pessoas.

Um levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), realizado no ano passado a partir de dados do Ministério do Trabalho, mostra que o número de livrarias e papelarias em funcionamento no Brasil encolheu 29% em 10 anos. No final de 2017, eram 52.572 estabelecimentos – 21.083 a menos do que o país reunia em 2007. Das mais de 21 mil lojas que fecharam as portas em 10 anos, metade delas encerraram as atividades de 2013 para cá. Somente em 5 anos, o número de papelarias e livrarias encolheu 22%.

Fonte: Biblioo

‘ABCDELAS’: livro traz alfabeto ilustrado de mulheres históricas

Na Aviação, na Ciência, na História. As mulheres podem mudar qualquer mundo, inclusive os considerados “masculinos”. Conheça “ABCDELAS”, de Janaina Tokitaka

da Redação

Você sabia que muitas áreas de atuação socialmente consideradas masculinas não seriam o que são hoje sem o trabalho das mulheres? Ou melhor: sua criança sabe disso? É o caso da ciência, da programação de computadores, da aviação, e por aí vai. Foi desse desejo de sensibilização sobre como as referências que observamos no dia a dia influenciam na construção do sujeito que nasceu o livro “ABCDELAS“, de autoria da escritora e ilustradora Janaina Tokitaka, lançamento da Companhia das Letrinhas. A literatura infantil pode ser uma janela para uma infância conectada com a diversidade, a igualdade e o respeito.

Para apresentar pioneiras de diversas profissões, o livro compõe um abecedário ilustrado do trabalho feminino – e feminista, afinal, no diálogo sobre representatividade da mulher está pressuposta a luta pela igualdade de direitos. O resultado é um divertido acervo afetivo de mulheres que transformaram realidades ao redor do mundo, e uma forma de transmitir às crianças o valor da História que foi escrita antes de nós.

No livro, mulheres como a aviadora Anésia Pinheiro Machado, a bióloga inglesa Margaret Elizabeth Fountaine, e a chef de cozinha francesa Eugénie Brazier ganham cada uma pequena biografia em forma de conto, com linguagem poética e bem-humorada.

Uma mistura de livro informativo com literatura autobiográfica, “ABCDELAS” convida meninas e meninos a reverenciar trajetórias profissionais historicamente invisibilizadas. Se tivermos sorte, as crianças sairão do livro sem ter dúvida nenhuma de que as mulheres mudaram, mudam e ainda mudarão o mundo.

“ABCDELAS”, de Janaina Tokitaka
A cada letra, o leitor vai conhecer histórias raras e valiosas de mulheres que revolucionaram seus campos de atuação. Foram essas heroínas do dia a dia que contribuíram para que as mulheres de hoje pudessem trabalhar em diferentes áreas, mesmo em profissões que um dia foram consideradas “masculinas”.

Empoderamento feminino é assunto de criança?

“Empoderamento feminino é até mais assunto de criança do que de adulto, porque o poder formativo da infância é imenso. Crianças absorvem tudo ao redor delas” – Janaina Tokitaka

Por ser indicado para o público infantil – apesar de não encantar somente às crianças – o livro preenche também uma lacuna histórica, que é a da quantidade reduzida de heroínas meninas, em comparação com a de heróis meninos. Ao mostrar mulheres transformadoras em sua área de atuação, a obra mostra às crianças que há outros jeitos de ser menina em uma história, e não só princesa ou mocinha.

“Muitas vezes as personagens femininas nos livros infantis só mostram um ideal de feminilidade e eu acho que isso é muito redutor”

A autora chama as referências que os adultos oferecem aos pequenos de “pecinhas de construir identidade”, e resgata sua experiência pessoal ao escrever histórias como essa. “ABCDELAS” não é o primeiro livro de Janaina a se preocupar com a representatividade feminina. O livro “Princesas guerreiras” – leia a matéria do Lunetas sobre – também trazia esse tema. Também escrito e ilustrado por Janaina, o livro “Pode pegar“, que também já apareceu por aqui, trabalha a questão dos papéis “de menina” e “de menino”, e como eles são construídos no nosso imaginário.

“Pensei na minha infância e como teria me sentido melhor se tivesse mais personagens me incentivando a ser independente e forte”.

Confira a entrevista com a autora:

Lunetas – Empoderamento feminino é assunto de criança? Por quê? Qual sua opinião sobre o termo em si?

Janaina Tokitaka – Acho que é até mais assunto de criança do que de adulto, porque o poder formativo da infância é imenso. Crianças absorvem tudo ao redor delas. Então acho muito importante que a gente redobre os cuidados no sentido de mostrar para as meninas que elas podem ser o que quiserem: astronautas, químicas, desenhistas. Muitas vezes as personagens femininas nos livros infantis só mostram um ideal de feminilidade e eu acho que isso é muito redutor.

Sobre a palavra “empoderamento”, eu acho a intenção do termo melhor do que o termo em si, porque relações de “poder” não são necessariamente uma utopia em que eu acredito. Acho também que é importante não usar o termo como uma hashtag sem sentido. O que eu entendo por “empoderamento” é ampliar a auto estima, o potencial e abrir os horizontes das meninas e mulheres.

Lunetas – Esse não é o seu primeiro livro nessa temática. No Princesas Guerreiras ele também aparece com força. Conta um pouco como esse assunto dialoga com seus interesses artísticos?

Janaina – Eu acho que esse interesse partiu da minha experiência com a maternidade. Depois que tive minha filha, comecei a prestar atenção redobrada em como os personagens e narrativas são levados muito a sério pelas crianças. Como tudo ao redor deles, são modelos, pecinhas que eles vão usar para montar suas próprias identidades. Pensei na minha infância e como teria me sentido melhor se tivesse mais personagens me incentivando a ser independente e forte, ou personagens asiáticas em papéis de protagonismo. Então, como escritora, comecei a me preocupar mais. Talvez seja verdade que a maternidade é um eterno “se preocupar”, mas talvez isso não seja uma coisa ruim.

Lunetas – Fiquei curiosa para saber qual critério você usou para escolher uma ou outra profissão. A falta de representatividade feminina em algumas áreas foi uma delas, por exemplo?

Janaina – Sim! Quis escolher trajetórias e áreas que a gente não imediatamente associa à mulheres, sempre buscando ser inclusiva. A programação de computadores, por exemplo, tem muitas pioneiras e pesquisadoras importantíssimas e no entanto até hoje é uma área em as mulheres sofrem muita discriminação.

“Essa educação para fazer as crianças pararem de ver área x ou y como ‘masculina’ ou ‘feminina’ é muito importante”

Lunetas – O que você gostaria que uma menina pensasse ao ler este livro e conhecer todas essas personalidades históricas? E um menino?

Janaina – Gostaria que esse livro funcionasse para elas, como todo bom livro, como uma espécie de janela. Através dessa janela, a leitora vai descobrir muitas possibilidades, muitas maneiras de ser e pensar. Eu gosto muito de biografias e de História no geral porque acho que quando a gente se vê como um ponto em uma linha temporal maior do nós mesmos, isso nos acalma e dá segurança.

Gosto muito de ler as histórias de autoras e ilustradoras que produziram antes de mim, me sinto menos sozinha. E acredito, mesmo, que os meninos vão empatizar e se identificar com as histórias deste livro, mesmo que elas sejam protagonizadas por personagens que não tem o mesmo gênero que eles.

“Para os meninos, é importante que eles tenham várias referências do que é ser uma mulher”

Clique aqui para saber mais sobre o livro.

Fonte: Lunetas

Mafalda ganha nova compilação totalmente dedicada ao feminismo

Depois de ganhar tradução para o guarani, as tirinhas da Mafalda conquistaram uma compilação totalmente dedicada ao feminismo. Sempre contestadora, a personagem de Quino busca colocar o dedo na ferida e ressaltar algumas das contradições da nossa sociedade, ainda tão longe da igualdade de gênero.

A antologia Mafalda: Femenino Singular, é uma publicação da editora Lumen. A ideia para o livro surgiu após imagens da personagem aparecerem em faixas durante manifestações feministas ocorridas na Espanha em 2018.

“O ruim da grande família humana é que todos querem ser o pai”

O volume conta com 140 páginas e sai por € 11,90 (impresso) ou € 7,99 (e-book) – mas, infelizmente, só está disponível em espanhol. Com um humor ácido, a menina pergunta o que a mãe acha sobre o movimento feminista, enquanto essa limpa a casa; brinca de bonecas para “levar passear o instinto” e não perde a oportunidade de criticar a masculinidade tóxica dos amiguinhos.

Espia só alguns dos quadrinhos que você encontra na compilação:

Miguelito -Que estranho, Mafalda! Você brincando de mamãe?
Mafalda – Bom… é isso mesmo!
Mafalda – De vez em quando convém levar o instinto para passear um pouco”

“MAMÃE, QUE Futuro você vê a esse movimento pela liberação d….”

“E isso que os roteiristas das telenovelas têm a delicadeza de não mostrar os protagonistas quando as contas de luz, telefone, impostos municipais, gás, plano de saúde chegam no meio de seus dramas românticos”

Susanita – Ai, ai! Como conversamos! E que delicioso seu chá, senhora Mafalda”
Mafalda – Obrigada, senhora Susanita
Susanita – E me conta: tem alguma fofoca sobre o que nos traz a moda para essa temporada?
Mafalda – Bem, segundo eu li… Parece que segue levando muita injustiça, claro que com umas bestialidades ao viés muito boas, isso sim!
Susanita – Não sei por que algumas pessoas se metem a brincar de senhoras se não sabem manter a idiossincrasia!”

Manolito – E além disso, isso de que um cara deixe o cabelo comprido não é coisa de homem. Que piada!
Mafalda – Você me convenceu, Manolito. Realmente, há que ver como é masculino se preocupar com o comprimento do cabelo dos outros! Você vê? É disso que esse país precisa! Homens que se preocupem com temas transcendentais como esse… E não idiotas que se importem com o que é importante.”

Fonte: hypeness

A bibliotecária que criou uma livraria especializada em escritoras negras

Aos 34 anos, a empreendedora e bibliotecária Ketty Valêncio decidiu que poderia tomar uma atitude para mudar a falta de acesso à literatura feita por escritoras negras. Com essa proposta surgiu a Livraria Africanidades, especializada em literatura afro-brasileira e feminista.

A livraria reúne títulos de diversas escritoras negras, como Alice Walker, Angela Davis, Jarid Arraes e Maria Firmino. Com um novo site sendo lançado este mês, os livros são vendidos com frete grátis.

Segundo Ketty contou ao Catraca Livre, a motivação veio do fato de ser ela mesma uma mulher negra, tendo percebido a falta de representatividade destas mulheres na literatura. Além de ser formada em biblioteconomia, a empresária também é pesquisadora e pós-graduanda  em gênero e diversidade sexual na Unifesp e realizou um MBA em Bens Culturais: Cultura, Gestão e Economia na FGV.

O negócio próprio surgiu após sete anos de trabalho em bibliotecas e pretende dar destaque ao protagonismo das mulheres negras na literatura. A compra dos livros pode ser feita completamente online, através do Pagseguro. O catálogo inclui desde obras infantis até livros de arte, passando por obras de referência de diversos campos dos saberes.

Para saber mais, acesse o site da Livraria Africanidades ou curta a página da empresa no Facebook.

Fonte: Hypeness

Senac-SP distribui 15 mil livros e promove atividades sobre mulheres na literatura

‘Semana Senac de Leitura’ oferece palestras, bate-papos e oficinas com autoras em 60 unidades da rede; programação é gratuita.

 Por Amauri Terto

Reprodução/Instagram
Sarau com a slammer Mel Duarte é um dos destaques da programação. 


Mulheres na Literatura – Leitura e Escrita Que Transformam Vidas
é o tema da 4ª Semana Senac de Leitura, que levará encontros com autores, rodas de conversas, palestras e feiras de trocas de livros e gibis para 60 unidades da rede em todo o Estado de São Paulo.

A programação será realizada entre 22 e 27 de abril com entrada gratuita.

Um encontro entre as autoras Maria Vilani (mãe rapper Criolo), Jarid ArraesGoimar Dantas, com mediação de Bel Santos Mayer (coordenadora de projetos de fomento à leitura), dará início às atividades na segunda (22), às 15h, na Sede do Senac, localizada na Vila Buarque, no centro da capital paulista.

Entre os destaques da programação estão bate-papo sobre literatura trans com Amara Moira no Senac Tatuapé; oficina de preparo de sobremesas a partir da releitura de textos de Cora Coralina (1889-1985), com Fernanda Suzumura e Bárbara Meire, no Senac Penha; e sarau com a slammer e produtora cultural Mel Duarte no Senac Francisco Matarazzo.

No Senac Aclimação, Clara Barzaghi ministrará a palestra Espaço da Mulher no Mercado Editorial; e no Senac Itaquera haverá oficina de escrita com base na obra de Clarice Lispector ministradas por por Eliete de Oliveira. A programação completa com detalhes sobre inscrições estão disponíveis no portal do Senac. 

Livros e leituras no transporte público  

A fim de incentivar a participação do público na extensa programação, o Senac promove nesta quarta (10) e quinta (11) atividades em estações da CPTM, Metrô (Via Quatro) e EMTU, além da distribuição gratuita de 15 mil livros da Editora Senac São Paulo.

Contações de histórias e gincanas sobre grandes mulheres da literatura brasileira serão realizados por equipes da instituição nas estações de trem Pinheiros, Osasco e Palmeiras-Barra Funda (CPTM) e de metrô São Paulo Morumbi e Largo Treze (Via Quatro); nos terminais de ônibus Jabaquara, Santo André, Diadema, São Bernardo, Guarulhos (EMTU).

Estão programadas também ações no terminal Magalhães Teixeira, em Campinas e nas linhas intermunicipais e o VLT da Baixada Santista (EMTU).

As atividades ocorrerão ao longo do dia em diferentes horários.

No ano passado, o tema da Semana Senac de Leitura teve como tema livros que viraram filmes e séries. Em 2017, foram realizadas atividades relacionadas à literatura fantástica e HQ’s. No primeiro ano do evento, foram organizadas ações de leitura em parceria com o Instituto Rubem Alves.

Fonte: www.huffpostbrasil.com

5 Mulheres Mackenzistas para se inspirar

Por Louise Teixeira Diório 

A Universidade Presbiteriana Mackenzie foi pioneira na área educacional ao trazer métodos de inclusão até então inexistente no País. O que poucos sabem, entretanto, é que a ideia inicial surgiu de uma mulher, a missionária norte-americana Mary Ann Annesley Chamberlain. Ao longo desses 148 anos de história, diversas mulheres foram essenciais para o progresso desse grande complexo educacional que conhecemos hoje. Com isso, preparamos um TOP 5: mulheres mackenzistas para se inspirar:

1 – Mary Ann Annesley Chamberlain

Ao lado de seu marido George Chamberlain, foi precursora de toda a história do Mackenzie ao abrir sua residência para lecionar para crianças que não pertenciam a elite paulistana da época. As classes eram mistas, com filhos de escravos e estrangeiros. Mary era contra castigos, punições, lições decoradas e a favor da educação e formação integral do ser humano, rompendo com preconceitos de classe social, raça, gênero e etnia.

Na época, a repercussão foi tão grande que, em 1878, a Escola Americana, como era intitulada inicialmente, recebeu a visita imperial de Dom Pedro II que, impressionado com o estilo de ensino americano dos missionários, ajudou posteriormente para que a escola ganhasse maior potência.

2 – Maria Antônia da Silva Ramos

Você já se perguntou a quem pertence o nome dado para uma das ruas mais movimentadas ao redor do Mackenzie? A Rua Maria Antônia é uma homenagem à Maria Antônia da Silva Ramos, filha do senador do Império João da Silva Machado, barão de Antonina, da alta elite e herdeira de terras na região do Higienópolis e Consolação. Ela não chegou a estudar na instituição, mas teve um papel fundamental para seu crescimento.

A baronesa Antonina vendeu parte de sua propriedade, por um valor simbólico, ao reverendo George Chamberlain. O terreno com cerca de 27,7 mil m² corresponde atualmente a parte tombada do campus, conhecidos como o Bosque de Arquitetura, Edifício Mackenzie (prédio 1), Biblioteca George Alexander (prédio 2), Edifício Horace Lane (prédio 3), Edifício Chamberlain (prédio 10), Edifício Marcia P. Brown (prédio 16), Diretoria do Colégio Presbiteriano (prédio 17), o muro de arrimo entre as Ruas Maria Antonia e Itambé e o Monumento em homenagem a Revolução Constitucional de 1932.

3 – Adelpha Silva

Adelpha Silva Rodrigues de Figueiredo foi uma das primeiras bibliotecárias do Brasil. Nascida em 1894, em Sorocaba, interior de São Paulo, começou sua vida profissional como professora na Escola Americana. Sua paixão por livros e seu interesse em organizar e preservar acervos, a levaram posteriormente para o curso de biblioteconomia na Universidade de Columbia, em Nova Iorque.

Ao retornar, passou a trabalhar na biblioteca George Alexander, prédio 2, onde implantou o sistema dewey de catalogação, registro de acervo e classificação de material. Algo que até o momento era inédito para a época, virou rotina para os frequentadores como, por exemplo, o acesso livre aos livros das estantes. Além do Mackenzie, também trabalhou na Biblioteca Pública Municipal Mário de Andrade e fundou a primeira Escola de Biblioteconomia do Estado, em 1936.

4 – Esther de Figueiredo

Advogada e professora, foi pioneira ao ser a primeira mulher a assumir o cargo de Ministra no Brasil, na pasta de Educação, de 1982 a 1985, durante o governo do presidente João Figueiredo que, apesar do sobrenome, não continham grau de parentesco.

Na área acadêmica, foi a primeira mulher da América Latina a comandar a reitoria de uma universidade, no caso, a Universidade Presbiteriana Mackenzie. Nascida em Mococa, interior de São Paulo, possuía o talento para as artes. Era uma exímia pianista e gostava de escrever poesias nas horas vagas.

5 – Chu Ming Silveira

Diretamente de Xangai, para o Brasil, Chu Ming Silveira foi a criadora do protetor telefônico, popularmente conhecido como ‘Orelhão’. Formada em Arquitetura no Mackenzie, em 1964, ganhou reputação no design brasileiro e no mobiliário urbano mundial. O projeto foi desenvolvido durante o tempo que chefiou o Departamento de Projetos da Companhia Telefônica Brasileira.

Sinônimo de sucesso, sua criação foi projetada em diversos países, como Moçambique, Angola, Peru, Colômbia, Paraguai e China. Sua inovação foi citada até mesmo por Carlos Drummond de Andrade, em uma das crônicas do Jornal do Brasil. “De repente – notaram? – a rua melhorou em São Paulo, com o aparecimento do telefone-capacete… A verdade é que a rua ficou sendo outra coisa, com as pessoas descobrindo que não precisam mais fazer fila no boteco ou na farmácia para dar um recado telefônico”, escreveu.

Fonte: falauniversidades.com.br

Poeta e feminista tem arquivo pessoal aberto para consulta pública

Poeta e feminista tem arquivo pessoal aberto para consulta pública
Um acervo vasto para os interessados nos direitos das lutas feministas que aconteceram no Brasil no início do século passado.

No mês em homenagem à mulher, a Escola de Ciências Sociais (FGV CPDOC) abre para consulta pública o arquivo pessoal de Anna Amélia de Queiroz Carneiro de Mendonça, poeta, tradutora e feminista. São aproximadamente 5 mil documentos textuais para pesquisa. Um acervo vasto para os interessados nos direitos das lutas feministas que aconteceram no Brasil no início do século passado.

No acervo, há preciosidades documentais sobre a igualdade de direitos entre homens e mulheres, o divórcio, a questão sufragista, a saúde feminina e a importância da atuação política das mulheres em tempos de guerra.

Com destaque na época por sua representatividade na luta pelos direitos da mulher, Anna Amélia participou de diversos eventos nacionais e internacionais. Em 1935, foi convidada pelo então presidente Getúlio Vargas a representar o Brasil no 12º Congresso Internacional Feminista que aconteceu em Istambul, na Turquia. No evento, expôs a tese Mulher Cidadã, cujo conteúdo sintetizava as ideias da primeira onda efervescente do feminismo brasileiro. Integrou ainda uma aliança pan-americana em prol das pautas femininas e foi companheira de luta de mulheres, como Bertha Lutz.

A poeta e formadora de opinião vanguarda foi a primeira mulher a integrar o Tribunal Eleitoral compondo a mesa das eleições de 1934, levando as contestações femininas à Assembleia Constituinte.

Anna Amélia teve três filhos. Dentre eles, a reconhecida crítica teatral Bárbara Heliodora, maior especialista em Shakespeare do Brasil, falecida em 2015.

O arquivo pode ser acessado gratuitamente no site.

Fonte: FGV

Mafalda, 50 anos de feminismo em tirinhas

 Texto por Fernanda Caballero | El País Brasil*

A personagem de Quino convida à reflexão sobre o machismo e o papel da mulher em suas aventuras com Susanita, Libertad e sua família

“Mafalda é uma menina que não se cala nunca, mas o que a torna uma feminista é que acima de tudo acredita na equidade.” – Quino

Mafalda é uma personagem que nasceu há mais de 50 anos, mas as suas reflexões não deixam de ser atuais. Desde sua concepção, Mafalda tem sido reflexiva e combativa em questões como maternidade, guerra e infância. Mafalda: Femenino Singular é a nova compilação das tirinhas de Quino da editora espanhola Lumen, que pretende mostrar o que faz da personagem um ícone da luta das mulheres.

Lola Albornoz, editora da Lumen e responsável pela antologia, explica a Verne que a ideia desta seleção surgiu com a imagem de Mafalda em faixas durante a manifestação feminista de 2018 na Espanha. “No trabalho de Quino há muita reflexão que pode contribuir para o movimento feminista”, comenta.

Quino declarou recentemente sua afinidade com a luta feminista: “Sempre acompanhei as causas de direitos humanos em geral e dos direitos das mulheres em particular, a quem desejo sorte em suas reivindicações”.

O editor do livro diz que a primeira coisa que se pensa sobre Mafalda é que representa a menina que não para de protestar e desafiar o status quo, mas, para Albornoz, o feminismo nas tirinhas não é tão simples: “Mafalda, sua mãe, e [suas duas amigas] Susanita e Libertad nos ajudam a ver que há muitos tipos de feministas e mulheres. Se Mafalda é o estado reivindicativo do feminismo recente, sua mãe e Susanita são as mulheres no passado. E Libertad vem de uma família em que a mãe trabalha e sua visão é completamente futurista “.

Entre cerca de 2.000 tirinhas publicadas por Quino desde 1963, Albornoz diz que não foi difícil encontrar material suficiente para dedicar um volume de 140 páginas às reflexões de Mafalda sobre o papel das mulheres e críticas ao machismo de seu entorno. “Nunca tinha sido posto o foco editorial sobre este tema nas tirinhas. Mas não é só Mafalda se queixando sobre o papel feminino, é a menina que convidando à reflexão”, diz Albornoz.

Em seguida, selecionamos algumas tirinhas que fazem parte da antologia Mafalda: Femenino Singular:

Reflexões de uma feminista sobre a maternidade

 

Mafalda contra o machismo

Ai Susanita, Susanita!

Originalmente publicado em: *El País Brasil

Fonte: Revista Prosa Verso e Arte

Filmes se destacam por mostrar a vida de mulheres ligadas à literatura

Mulheres dedicadas à escrita estão em alta no atual painel da sétima arte, seja nos roteiros, seja nas obras adaptadas

RD Ricardo Daehn

A esposa mostra a dificuldade de inserção das mulheres no meio outrora limitado aos homens: o universo literário (foto: Alpha Filmes/Divulgação)

Há uma cena do drama A esposa (em cartaz na cidade) em que a autora Elaine Monzell reclama, na década de 1960, de um mundo reservado aos homens, no meio literário. Ela demostra a falta de prestígio das mulheres, tendo como exemplo o barulho das páginas de “um livro nunca aberto”. Muito antes de cogitado para o Nobel, o marido (e quase antagonista da personagem central feita por Glenn Close) Joe Castleman a desencoraja a investir na profissão que relega a muitos, horas de solidão, impasses com rejeições de editores e, claro, pobreza financeira.

O peculiar processo literário de Castleman, o dono do Nobel na trama de A esposa, tropeça em críticas como a de conter “personagens engessados” e “diálogos empolados”. O discurso de reconhecimento desse personagem de ficção (numa trama baseada em romance escrito por uma mulher, e roteirizado para os cinemas por outra) pode até vir a excluir a vital presença da mulher dele na construção de uma carreira, mas o certo é que, nos dias de hoje, especialmente no cinema (e particularmente nesta temporada de prêmios), as mulheres não ficam de fora.

A ser entregue pelo Sindicato dos Atores no dia 27 de janeiro, os troféus SAG se juntam à onda de valorização de filmes concebidos por mulheres: basta perceber o reconhecimento de filmes com autoria feminina integrada ao roteiro, caso de Podres de ricos, A favorita, Cafarnaum e Você nunca esteve realmente aqui. Ponto em comum, portanto, para as indicações no Bafta (prêmio máximo do cinema, na Inglaterra) e no Globo de Ouro. Confira abaixo, produções de destaque de Hollywood que vêm ancoradas por feitos literários de mulheres.

A private war 

(foto: Kamala Films/Divulgação)

Ainda sem data de estreia no Brasil, e sob uma modesta renda de US$ 2,5 milhões, o longa A private war (dirigido pelo estreante em ficção Matthew Heineman) não esgota o interesse na elogiada performance da protagonista Rosamund Pike (de Garota exemplar), no retrato de parte da vida da jornalista Marie Colvin, morta em 2012.

Com roteiro criado a partir de um artigo de Marie Brenner para a Vanity fair (chamado Marie Colvin´s private war), o longa explora a veia destemida da correspondente de guerra Colvin que, entre entrevistas com ditadores mundo afora, despertou atenção especial do líder militar líbio Muammar al-Gadaffi. Em 2003, às vésperas da invasão do Iraque, a escritora conheceu o fotógrafo Paul Conroy (Jamie Dornan), parceiro de muitas aventuras, entre as quais a do registro de incontáveis covas de vítimas do regime de Saddam Hussein.

Foi de uma cama de hospital, sob o impacto da perda de um olho (atingido por granada), que a repórter do Sunday Times narrou a crise humanitária decorrente da ação dos rebeldes Tigres Tâmeis, na guerra civil do Sri Lanka. Até a morte, no Cerco de Homs (na Síria), Marie Colvin trabalhou em conflitos espalhados por regiões diversas, como Zimbábue e Chechênia. Na crise motivada pela Indonésia, em 1999, contra a independência de Timor-Leste, ficou atribuída à ação de Colvin a salvação de 1500 pessoas, entre mulheres e crianças.
Poderia me perdoar?
(foto: Archer Gray/Divulgação)

O que poderia fazer uma pessoa para ser dada como persona non grata, entre pacatos funcionários de bibliotecas e arquivos públicos? A resposta está no desenvolvimento do longa estrelado por Melissa McCarthy, e assinado por Marielle Heller: Poderia me perdoar?. Cercando a vida da falsificadora Leonore Carol Lee Israel, morta aos 75 anos, em 2014, o longa mostra um cotidiano de roubos de escritos e de descarte de máquinas de escrever (para ocultação de provas) da mulher que, alcoólatra, conviveu com um parceiro de crime chamado Jack Hock (Richard E. Grant), e que havia estado na cadeia por dois anos.

Engambelados, donos de livraria e agente do FBI perseguiram a dupla de escritores fracassados que vendiam material adulterado de expoentes como Ernest Hemingway e Dorothy Parker, com lucro entre US$ 600 e US$ 2000. A escritora que, tendo sido freelancer da revista Esquire, escreveu biografias como a da magnata da indústria de cosméticos Estée Lauder e da colunista Dorothy Kilgallen, chegou a figurar com obras na lista de best-seller do The New York Times e redigir a autobiografia, em 2008.

O retorno de Mary Poppins

(foto: Disney Buena Vista/Divulgação)

Numa nova incursão pela Rua da Cerejeira (visitada num filme clássico de 1964, com a estrela Julie Andrews), a governanta Mary Poppins (Emily Blunt), dona de intenções calculadas e, enigmática, pelas atitudes superficiais, assombra a todos por administrar ilusões que enquadram as crianças traquinas de uma famosa mansão. Adaptação da personagem imponente criada na literatura da mística autora australiana P. L. Travers, O retorno de Mary Poppins deixa clara a porção “fada” da protagonista. Poppins investe em viagens psicodélicas, junto aos preceptores, adeptos de um sistema de autodescobertas, quando se trata de educação.

Esotérica, bissexual, determinada e dona de humor irregular, a autora P. L. Travers, nascida no início do século 20 (e morta, aos 96 anos), se dizia britânica, entre porção de bravatas das quais a mais ousada foi a de dizer ter sido mero instrumento de escrita para a própria Poppins que teria lhe ordenado a escrita, ditada, a partir de um mero “anote”.

Filosofia e folclore, além de experiências compartilhadas com índios navajos e mestre zen, estiveram entre as bases de vida para a criação de Travers, que foi seguidora do guru armênio Gurdjieff. Daí, muitos desconsiderarem as verdades reveladas no filme Walt nos Bastidores de Mary Poppins, criado em 2013, e que mostrava o trabalho de pequisa de Travers para criar Poppins.

Fonte: Correio Braziliense

Livros escritos por mulheres indicados por bibliotecárias

Uma estudante do curso de Biblioteconomia da ECA/USP postou numa página do Facebook o seguinte pedido:

Preciso de indicações de livros que vocês tenham amado, escritos por mulheres

O resultado foi inesperado. Em poucas horas surgiram dezenas de sugestões, e a postagem continuou recebendo comentários por vários dias. Como a lista ficou muito boa resolvemos, com a concordância da autora do pedido, publicá-la aqui, como indicação de leitura para as férias.

A lista é bastante heterogênea, contendo desde literatura leve, que marcou a adolescência de várias leitoras, até modernos ícones feministas, como a autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, sem esquecer das histórias em quadrinhos. O critério de elaboração foi o gosto de quem colaborou, em sua maioria mulheres estudantes de biblioteconomia ou bibliotecárias, mas os homens também contribuíram alegremente. Complementamos com uma ou outra indicação no momento da redação deste post, e temos certeza de que as sugestões continuam surgindo.

Simone de Beauvoir e Jane Austen estão entre as ausências notáveis, mas não importa. Não se trata de uma lista de melhores, mas de uma lista de livros amados.

Muitos desses títulos talvez estejam disponíveis nas bibliotecas da USP ou em alguma biblioteca pública perto de vocês. Aproveitem!

Adeus, Haiti. Edwidge Dantica
Amada. Tony Morrison
O amante. Marguerite Duras
Americanah. Chimamanda Ngozi Adichie
A amiga genial. Elena Ferrante
Anarquistas Graças a Deus. Zelia Gattai
Antes do baile verde. Lygia Fagundes Telles
A arte de ler. Michele Petit
Autobiografia de todo mundo. Gertrude Stein

Lygia Fagundes Telles

Baratas. Scholastique Mukasonga
The bell jar. Sylvia Plath
A biblioteca invisível. Geneviève Cogman
As boas mulheres da China. Xinran
As brumas de Avalon. Marion Zimmer Bradley

A cabeça do santo. Socorro Acioli
Calibã e a bruxa. Silvia Federici.
Caniços ao vento. Grazia Deledda
Os casamentos entre as zonas 3, 4 e 5. Doris Lessing
O caso do dez negrinhos. Agatha Christie
O castelo animado. Diana Wynne Jones
A chave de casa. Tatiana Salem Levy
Ciranda de pedra. Lygia Fagundes Telles
Como esquecer. Myriam Campello
O conto da aia. Margareth Atwood
A cor púrpura. Alice Walker
Corte de espinhos e rosas (série). Sarah J Mass
Crepúsculo (saga). Stephanie Meyer

Um defeito de cor. Ana M Gonçalves
Desmundo. Ana Miranda
Delta de Vênus. Anaïs Nin
O diário de Anne Frank. Anne Frank
Dias de abandono. Elena Ferrante
A diferença invisível. Mademoiselle Caroline e Julie Dachez (Quadrinhos)
O direito de ler e de escrever. Silvia Castrillon
A dor. Marguerite Duras

E no final a morte. Agatha Christie
E o vento levou… Margaret Mitchell
Entrevista com Vampiro. Anne Rice
Éramos seis. Maria José Dupré
Estação Onze. Emily St. John Mandel

Falsas Aparências. Sarah Waters
O feiticeiro de Terramar. Ursula K. Le Guin
Frankenstein. Mary Shelley

A garota no trem, A. Paula Hawklin
The grass is singing. Doris Lessing
A guerra não tem rosto de mulher. Svetlana Aleksiévitch

Hibisco roxo. Chimamanda Ngozi Adichie
História de quem foge e de quem fica. Elena Ferrante
História do novo sobrenome. Elena Ferrante
Hoje é o último dia do resto da sua vida. Ulli Lust (Quadrinhos)

As lendas de Dandara. Jarid Arraes

Memórias eróticas de Paris na Belle Époque. Anne Maria Villefranche
As meninas. Lygia Fagundes Telles
Minha prima Raquel . Daphne DuMaurier
Mornas eram as noites. Dina Salústio
O morro dos ventos uivantes. Emily Brontë
Mulheres que correm com os lobos. Clarissa Pinkola Estés

Niketche: uma história de poligamia. Paulina Chiziane
Ninguém vira adulto de verdade. Sarah Andersen (Quadrinhos)
No seu pescoço. Chimamanda Ngozi Adichie
A nova mulher e a moral sexual. Alexandra Kolontai

Olhos d’água. Conceição Evaristo
O osso: poder e permissão. Erika Balbino.
Outros jeitos de usar a boca. Rupi Kaur
A paixão segundo GH. Clarice Lispector
O papel de parede amarelo. Charlotte Perkins Gilman
Para educar crianças feministas. Chimamanda Ngozi Adichie
Perto do coração selvagem. Clarice Lispector
O peso do pássaro morto. Aline Bei
Placas tectônicas. Margaux Motin (Quadrinhos)
Persépolis. Marjane Satrapi (Quadrinhos)
Pollyanna . Eleanor H. Porter

Quarto de despejo. Carolina de Jesus
O que o sol faz com as flores. Rupi Kaur
O Quinze. Rachel de Queiroz

Rebecca. Daphne DuMaurier

O sol é para todos. Harper Lee

Os teclados. Teolinda Gersão
Um teto todo seu. Virginia Woolf
O torreão. Jennifer Egan
Trono de vidro (série). Sarah J Mass

Virginia Woolf

Um útero é do tamanho de um punho. Angélica Freitas

A vida invísivel de Euridice Gusmão. Marta Batalha
A vida que ninguém vê. Eliane Brum

Zonas úmidas. Charlotte Roche

Outras fontes indicadas no post

Mulheres negras na biblioteca

https://www.facebook.com/mulheresnegrasnabiblio/

30 escritoras brasileiras contemporâneas para conhecer em 2018

homoliteratus.com/escritoras-brasileiras-contemporaneas/

créditos: o post que provocou a chuva de sugestões é da Debyh Dias. Como muita gente colaborou, não dá para citar todos os nomes. Agradecemos a todas (e todos).

Fonte: Blog da Biblioteca da ECA

Em São Paulo, ONU Mulheres promove amanhã sua 1ª caça aos livros sobre igualdade de gênero

A estação Vila Prudente, do metrô de São Paulo, será palco amanhã (25), às 14h, da primeira caça aos livros promovida pela ONU Mulheres no Brasil. Participantes terão uma hora para encontrar uma das 150 cópias do livro “Malala: a menina que queria ir para a escola”, da brasileira Adriana Carranca. Desses volumes, 30 trazem um cupom para a troca por mais uma obra, escolhida e autografada por atrizes e personalidades brasileiras e estrangeiras, como a britânica Emma Watson, embaixadora da Boa Vontade da agência das Nações Unidas.

Atriz Emma Watson esconde livros no metrô de Londres. Imagem de novembro de 2016. Foto: Instagram/Emma Watson

A estação Vila Prudente, do metrô de São Paulo, será palco amanhã (25), às 14h, da primeira caça aos livros promovida pela ONU Mulheres no Brasil. Participantes terão uma hora para encontrar uma das 150 cópias do livro “Malala: a menina que queria ir para a escola”, da brasileira Adriana Carranca. Desses volumes, 30 trazem um cupom para a troca por mais uma obra, escolhida e autografada por atrizes e personalidades, como a britânica Emma Watson, embaixadora da Boa Vontade da agência das Nações Unidas.

A ação do organismo internacional visa incentivar a leitura de obras escritas por mulheres e que abordem igualdade de gênero, raça e etnia. A inciativa foi inspirada no clube de leitura online de Watson, chamado “Nossa estante compartilhada” (do inglês, “Our Shared Shelf”). Famosa por interpretar a Hermione da série Harry Potter, a atriz enviou para o Brasil um volume assinado do livro “A Cor Púrpura”, de Alice Walker.

A caça aos livros da agência das Nações Unidas leva o nome do Movimento ElesPorElas (HeForShe, em inglês), criado pela ONU para trazer homens e meninos para a luta pelo fim das desigualdades de gênero. O projeto está aberto para receber apoio de qualquer pessoa, sejam homens ou mulheres. Com o jogo no metrô de São Paulo, o organismo internacional espera envolver mais jovens no movimento.

Queremos incentivar cada vez mais a leitura de livros sobre mulheres inspiradoras e sobre a igualdade de gênero, em especial entre jovens, pois a leitura é uma fonte poderosa de conhecimento e empoderamento. A literatura feminista é capaz de nos trazer novas perspectivas, de transformar a nossa maneira de pensar, de nos fornecer novas referências de representatividade, e de eliminar preconceitos, de modo a inspirar os leitores e leitoras a se tornarem conscientes de comportamentos preconceituosos e que discriminam e se tornarem agentes da mudança para a igualdade de gênero”, disse Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres Brasil.

Atrizes e apresentadoras brasileiras também apoiam caça aos livros

As integrantes do elenco do Canal GNT, Astrid Fontenelle, Bela Gil, Fernanda Rodrigues, Gaby Amarantos, Helena Rizzo, Mariana Weickert, Micaela Goes, Mônica Martelli e Pitty também deram sua contribuição para a caça aos livros, selecionando obras para as sortudas e sortudos que acharem os cupons premiados.

Outros títulos foram escolhidos por Camila Pitanga, embaixadora da ONU Mulheres no Brasil, Taís Araújo e Kenia Maria, defensoras dos Direitos das Mulheres Negras da agência das Nações Unidas, e Juliana Paes, defensora para a Prevenção e a Eliminação da Violência contra as Mulheres. A diretora-executiva da Mauricio de Sousa Produções, Mônica Sousa, e a representante da ONU Mulheres Brasil, Nadine Gasman, também mandaram volumes para a competição.

A Caça aos Livros ElesPorElas HeForShe é realizada em parceria com o Metrô de São Paulo e com o apoio das empresas Atento, Avon, Canal GNT e Heads Propaganda.

Confira abaixo as obras que foram escolhidas e doadas pelas personalidades apoiadoras da ação:

Malala, a menina que queria ir para a escola

Adriana Carranca

A cor púrpura

Alice Walker

A princesa salva a si mesma neste livro

Amanda Lovelace

Um defeito de cor

Ana Maria Gonçalves

Mulheres, Raça e Classe

Angela Davis

Mônica Força

Bianca Pinheiro

Sejamos todos feministas

Chimamanda Adichie

Para educar crianças feministas

Chimamanda Adichie

A hora da estrela

Clarice Lispector

Mulheres que correm com os lobos

Clarissa Pinkola Estés

Ponciá Vicêncio

Conceição Evaristo

Olhos d’água

Conceição Evaristo

A amiga genial

Elena Ferrante

Vivendo minha vida

Emma Goldman

Histórias de ninar para garotas rebeldes Vol. 1 e 2

Francesca Cavallo e Elena Favilli

Lute como uma garota

Laura Barcella e Fernanda Lopes

O Conto da Aia

Margaret Atwood

As cientistas: 50 mulheres que mudaram o mundo

Rachel Ignotofsky

Fome

Roxane Gay

O segundo sexo

Simone de Beauvoir

Um teto todo seu

Virginia Woolf


Para mais informações sobre o movimento ElesPorElas HeForShe, acesse e declare seu apoio com uma assinatura: www.ElesPorElas.org

Siga o movimento ElesPorElas HeForShe nas redes sociais:Facebookfacebook.com/ElesPorElasHeforShe
Instagraminstagram.com/ElesPorElasHeForShe
Twittertwitter.com/ElesPorElas

Para informações à imprensa, contatar:
Amanda Talamonte
Coordenadora do Movimento ElesPorElas HeForShe
ONU Mulheres Brasil
Email: amanda.talamonte@unwomen.org

Fonte: ONU BR

Mulheres trocam serviços domésticos por leituras na periferia

A ideia da Coletiva ELAS é apresentar trechos e obras feministas a donas de casa da zona norte de SP

Créditos: Reprodução / Coletiva ELAS
O Coletiva ELAS é um grupo artístico liderado pela atriz Rafaela Castro

Já imaginou a moeda de troca de um serviço ser a leitura de um trecho de uma obra literária? Essa é a proposta do jogo performático “Cuidando da Casa”, da Coletiva ELAS, em que o grupo artístico liderado pela atriz Rafaela Castro oferece às donas de casa da zona norte de São Paulo um dia de trabalhos domésticos, como lavagem de roupa, limpeza da casa ou até mesmo preparação de comida.

A ideia da iniciativa é fazer com que as mulheres que vivem na região do Jaraguá, zona norte da cidade, tenham acesso e leiam trechos e obras feministas, enquanto as atrizes fazem o trabalho doméstico.

O jogo cênico da Coletiva ELAS faz parte do projeto M.U.L.H.E.R, contemplado pelo Programa Municipal de Valorização de Iniciativas Culturais – VAI, que visa misturar a ficção e a realidade de duas atrizes periféricas com as histórias de vida tecidas em conjunto com mulheresparticipantes da ação.

Durante todo o processo, as atrizes vão fazer provocações às mulheres, questionando-as sobre o conteúdo lido. Estas, por sua vez, podem interromper a atriz que está trabalhando para sanar dúvidas sobre a leitura também. O encontro não possui tempo limite, sendo encerrado sempre com o fim de um dos motores da ação: ou quando o texto acaba, ou quando o serviço acaba. Para finalizar a imersão, as atrizes vão coletar depoimentos em vídeo das donas de casa sobre a experiência vivida por elas.

A partir dessa ação, a Coletiva produzirá uma performance cênica baseada na vivência com essas mulheres e irá apresentá-la na EMEF Brigadeiro Henrique Raymundo Dyott Fontenelle e no CEU Pêra Marmelo, em 12 sessões gratuitas e abertas ao público geral. O processo criativo tem orientações da artista convidada Mônica Rodrigues, que fará a preparação vocal do elenco. As apresentações estão previstas para acontecer em junho de 2018, mas ainda não há datas fechadas.

Além da performance cênica, o grupo produzirá um fanzine como forma de registro do trabalho. O impresso será distribuído após o término das apresentações e serão deixados alguns exemplares em equipamentos públicos.

Fonte: Catraca Livre

TV USP mostra obras de mulheres do acervo da Biblioteca Brasiliana

Vídeo destaca novo programa de visitas temáticas promovido pela biblioteca

A TV USP acaba de produzir o vídeo Mulheres no Acervo da Biblioteca Brasiliana, que aborda o novo programa de visitas promovido pela Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) da USP.

O programa é intitulado A voz feminina na literatura brasileira e tem como objetivo mostrar livros e documentos produzidos por escritoras brasileiras, desde o século 18 até o século 20, que pertencem à Biblioteca Brasiliana. Os visitantes poderão ver os originais de O Quinze, de Rachel de Queiroz, manuscritos de Clarice Lispector e documentos de Patrícia Galvão, a Pagu, por exemplo. As próximas visitas estão previstas para os dias 9, 13, 14, 15 e 16. As inscrições devem ser feitas neste link.

Assista ao vídeo Mulheres no Acervo da Biblioteca Brasiliana, da TV USP clicando na imagem acima.

Fonte: Jornal da USP

Em busca de mais afeto na literatura, Ketty Valêncio criou a Africanidades, que precisou virar um negócio

“Eu, mulher negra, resisto”, diz a camiseta de Ketty Valêncio, fundadora da Livraria Africanidades (Foto: Camila Honorato).

Eu sentia falta de um projeto que mostrasse afeto na literatura. Tive uma infância com várias complicações e me apoiei em mulheres fortes para seguir em frente. Usei os livros como válvula de escape, mas foi muito difícil eu me ver representada”, diz a bibliotecária e há pouco tempo empreendedora, Ketty Valêncio, de 35 anos. Ela criou, primeiro, um modesto e-commerce para revender especificamente livros de autores e autoras negros. Graças ao sucesso — o que confirma que a dor dela era a de muitos —, foi levada a tornar mais sério o seu empreendimento e, com isso, a Livraria Africanidades passou a existir também fisicamente, na capital paulista.

Ela criou a Africanidades para entregar ao mundo algo que sentia falta: “A literatura precisa ser mais acolhedora”. Ketty nasceu na periferia e conta que aprendeu a amar os livros na escola, mesmo que não se sentisse representada, nem nas tramas nem nos personagens, das histórias que lia. As dificuldades  também estavam fora dos livros, como se vê nas lembranças dela sobre o período: “O aluno não quer estar na escola porque há um quê de perversidade, principalmente para quem tem a pele preta. Os passeios, as brincadeiras e as festas eram prioridade das pessoas brancas. Na adolescência, passei a me deparar com a objetificação do corpo da mulher negra. A meu ver, há muito da questão do racismo na questão da saúde mental de quem é negro no Brasil, já que a nossa solidão está intrinsecamente ligada à depressão”.

A decoração da livraria foi cedida por amigos de Ketty, apoiadores de sua proposta (Foto: Camila Honorato).

Enquanto via a romantização e a objetificação da mulher negra nas obras que os professores indicavam à classe, como Iracema, de José de Alencar, e O Cortiço, de Aluísio de Azevedo, Ketty começou a buscar, por conta própria, outras referências literárias. E que encontrou alento nas palavras duras de autoras negras como Maria Firmina dos Reis e Carolina de Jesus(que está em um quadrinho na parede da Africanidades e que Ketty pediu para segurar, na foto de abertura desta reportagem).

Já mais madura, formada em biblioteconomia pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESP-SP) e com MBA em Bens Culturais pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), ela diz que teve a certeza de que o mercado editorial não mudaria sua lógica por conta própria:

As editoras endossam a venda de determinados autores”, diz. Dados de uma pesquisa realizada no ano passado, pela UnB mostram a escassez de autores (e especialmente autoras) negros entre os títulos publicados no país. Dos 692 livros nacionais analisados, publicados entre 1965 e 2014, mais de 70% foram escritos por homens, 90% deles brancos. E, sobre representatividade, os dados mostram que nas histórias publicadas por esses escritores, 60% dos protagonistas são homens e, destes, 80% são brancos e 90% heterossexuais.

QUANDO UMA DOR SE TRANSFORMA EM UM NEGÓCIO

Quando estava fazendo seu MBA, em 2014, Ketty teve a chance de colocar em prática a vontade, cada vez mais latente, de dar visibilidade a autores negros e prototipou o que viria a ser a Africanidades. Na época, ela vendia fanzines de cunho político da Anarcopunk. A iniciativa chamou a atenção e ela sentiu que havia leitores, ou seja, consumidores, interessados nisso. Era hora de profissionalizar o incipiente negócio.

Inspirada em autoras negras contemporâneas, como Angela Davis, Alice Walker e Virginia de Nascimento, passou então a estudar formas de vender livros deste segmento. Conversou com editoras e solicitou exemplares para revenda em um e-commerce. Cerca de 2 mil reais foram usados como investimento inicial na compra dos primeiros exemplares e no o desenvolvimento do site.

Mais do que empreendedora, Ketty se vê como um agente impulsionador da educação da população jovem e negra. A Africanidades vem ganhando destaque e apresentando resultados financeiros satisfatórios, diz, com um faturamento mensal de 4 mil reais. Mas ela ainda atua como bibliotecária no Sesc Osasco, na Grande São Paulo e encara o ofício como responsabilidade social: “Ser bibliotecária tem um lado educativo e transformador. Muitas crianças e adolescentes chegam até mim, então, posso criar acervos e incentivar a leitura das literaturas negra, LGBT e feminista, por exemplo”.

Para ela, é importante dar voz a obras de ficção e estudos que mostrem a cultura negra de uma ótica diferente. “É errado a gente acreditar na visão pessimista da herança escravocrata, de que a violência contra os negros é natural nas ruas e até nas relações afetivas. É errado a gente acreditar que não pode ser feliz”, afirma, ao falar sobre o que acredita ser literatura:

Viver outras vidas com a leitura é uma forma poderosa de cura”

O acervo da Africanidades é variado e vai desde obras infantis a livros adultos, como Sangue Negro (57 reais), antologia poética da moçambicana Noêmia de Sousa, e Laços de Sangue (45 reais), de Octavia E. Butler, ficção científica que conta a história de uma mulher californiana transportada para a uma fazenda escravista no sul dos Estados Unidos.

Nas estantes da Africanidades, obras infantis e adultas, com foco na população negra (Foto: Camila Honorato).

Seu relacionamento com as editoras, como a Odysseus e a Morro Branco, fornecedoras de parte dos livros comercializados, acontece na base da consignação. Da venda dos exemplares, 40% do lucro vai para a Africanidades e o restante é repassados para as editoras, sendo que essa margem não é fixa e pode variar conforme os meses do ano. Além disso, ela publica exemplares adquiridos diretamente com autores independentes. Nestes casos, a porcentagem do lucro fica entre 30% e 50%.

QUANDO SEU SUCESSO É SINAL DE UMA FALHA NO SISTEMA

Dentre as dificuldades que encontrou ao empreender, Ketty cita as questões políticas de editoras maiores, que a seu ver seguem priorizando determinados perfis (de autor, de temática). Além disso, diz, o preço elevado do livro físico no Brasil ainda é um empecilho para a livraria que não trabalha com e-books. Mas ela se incomoda, ainda que paradoxalmente, é com o próprio sucesso:

A Africanidades existe por causa de uma falta enorme de espaço para esses autores no mercado. É triste essa deficiência ter promovido a minha ascensão”

A atuação da livraria também se estende em projetos complementares. Ketty integra o Mercado Negra, projeto que viabiliza o empreendedorismo de mulheres negras promovendo feiras e encontros. Hoje, o site da Africanidades segue como a principal fonte de renda da bibliotecária, mas aos poucos, vai cedendo espaço para a comercialização feita no espaço físico, recém-inaugurado, na Casinha Lá do Mato, compartilhado por outras empreendedoras mulheres, e sede da saboaria natural de mesmo nome.

Na loja física, que ocupa um dos cômodos da casa, Ketty atende a compradores que chegam com hora marcada, e também realiza alguns eventos. Está nos planos ampliar o espaço físico da Africanidades e “promover outras linguagens artísticas”, comercializando produtos como quadros e camisetas, além de ceder o ambiente para eventos que dialoguem com a cultura negra e, como fala, incentivem  o contato físico entre as pessoas. “Há um grande valor nos encontros artísticos, no fato de alguém sair de casa para comprar um livro ou usar esse espaço para conversar, conhecer outras pessoas. E um ato simples, porém transformador”, diz, e segue transformando a própria vida e a da muita gente.

Texto por Camila Honorato

Fonte: Projeto Draft

Escritora Jarid Arraes participa de oficina e bate-papo no Sesc Ipiranga

Como parte do projeto “Heroínas Reais”, autora realiza oficina de cordel e dialoga sobre sua coleção “Heroínas negras brasileiras”.

Jarid Arraes
Crédito: Dani Costa Russo

Nos dias 10 e 11/3, o Sesc Ipiranga recebe a escritora e cordelista Jarid Arraes para uma oficina de cordel e um bate-papo sobre sua obra e carreira. Os eventos integram o projeto Heroínas Reais e acontecem no Espaço de Leitura da Unidade.

A autora

Jarid Arraes é escritora, cordelista e autora dos livros “As Lendas de Dandara” e a coleção “Heroínas Negras Brasileiras”. Nascida em Juazeiro do Norte, na região do Cariri, Ceará, atualmente vive em São Paulo, onde criou o “Clube da Escrita Para Mulheres”. Até o momento, tem mais de 60 títulos publicados em Literatura de Cordel, incluindo a coleção “Heroínas Negras na História do Brasil”.

O bate-papo

No dia 11/3, Jarid Arraes recebe o público em uma roda de conversa para discutir sua obra e o protagonismo feminino negro na literatura. Sua coleção “Heroínas Negras Brasileiras” utiliza da linguagem poética dos cordéis para debater o espaço e voz das mulheres negras na sociedade, falando sobre a vida de quinze mulheres. Com classificação etária de 12 anos, a atração é gratuita e acontece às 15h.

A oficina

Para incentivar a escrita, poesia e criatividade, o público é convidado a escrever seu próprio cordel ao contar a história de uma mulher negra, no dia 10/3, às 14h30. Após a confecção, os participantes podem ler o material e dividir as experiências e lições presentes nas vidas das protagonistas escolhidas.

Heroínas Reais

O projeto “Heroínas Reais” discute o protagonismo das mulheres com uma programação composta por bate-papos, contações e mediações de leitura feitos por autoras e coletivos femininos. Destacando o papel da heroína real, humana e todos os desafios que são impostos diariamente às mulheres, o “Heroínas Reais” dialoga com esse processo de reflexão, discussão e ruptura atual, mostrando a mulher nos mais variados espaços e linguagens.

Serviço

Escrita de Cordel

Quando: 10/3, terça-feira, às 14h30

Local: Galpão (Espaço de Leitura)

Quanto: Grátis

Classificação: Livre

Bate-papo – Jarrid Arraes

Quando: 11/3, quarta-feira, às 15h.

Local: Galpão (Espaço de Leitura)

Quanto: Grátis

Classificação: 12 anos

Fonte: ABC do ABC

Biblioteca em NY homenageia mulheres brasileiras

A próxima Quarta Literária prestará tributo às mulheres extraordinárias do Brasil

A Biblioteca Brasileira em Nova York informou que a próxima Quarta Literária, no dia 28, às 6:00 pm, será dedicada às mulheres extraordinárias do Brasil, tendo como exemplo um pouco das vidas e obras de Madalena Caramuru, Carolina Maria de Jesus e Nísia Floresta.

Filha da índia Moema e do português Diogo Álvares Corrêa, Madalena Caramuru foi a primeira mulher brasileira a saber ler e escrever, segundo atestam alguns historiadores, como Gastão Penalva e Francisco Varnhagen. Em 1534, Madalena casou-se com Afonso Rodrigues, natural de Óbidos, Portugal, que segundo Gastão Penalva, foi o responsável pelo ingresso de Madalena no mundo das letras.

Madalena escreveu uma missiva de próprio punho ao Padre Manoel da Nóbrega, no dia 26 de março de 1561, pedindo que as crianças escravas fossem tratadas com dignidade. Oferecida a quantia de 30 peças para o resgate das crianças. Em homenagem a Madalena, os Correios lançaram um selo que simboliza a luta pela alfabetização da mulher no Brasil, em 14 de novembro de 2001.

Carolina de Jesus é considerada uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil. A autora viveu boa parte de sua vida na favela do Canindé, na zona norte de São Paulo, sustentando a si mesma e seus três filhos como catadora de papéis. Em 1958, foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas, que publicou o diário de Carolina sob o nome Quarto de Despejo. Com o dinheiro do livro, a autora se mudou da favela. Chegou a publicar outros livros, mas nenhum repetiu o enorme sucesso de sua primeira publicação.

A obra da autora foi objeto de diversos estudos, tanto no Brasil quanto no exterior.

Nísia Floresta Brasileira Augusta, pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto, nascida em 1810, foi uma educadora, escritora e poetisa brasileira. É considerada uma pioneira do feminismo no Brasil e foi provavelmente a primeira mulher a romper os limites entre os espaços públicos e privados publicando textos em jornais, na época em que a imprensa nacional ainda engatinhava. Nísia também dirigiu um colégio para moças no Rio de Janeiro e escreveu livros em defesa dos direitos das mulheres, dos índios e dos escravos.

Em seu livro “Patronos e Acadêmicos”, referente às personalidades da Academia Norte-Riograndense de Letras, Veríssimo de Melo começa o capítulo sobre Nísia da seguinte maneira: “Nísia Floresta Brasileira Augusta foi a mais notável mulher que a História do Rio Grande do Norte registra”.

O Brazilian Endowment for The Arts (BEA) é um instituto cultural brasileiro, presidido pelo autor e professor Domício Coutinho, e que conta com inúmeros frequentadores. Há mais de uma década, o Brazilian Endowment for The Arts trabalha para promover a literatura, arte e cultura brasileiras em Nova York (EUA). O trabalho é realizado por uma equipe preparada e capacitada para atuar em diversos projetos e se reflete nos produtos de qualidade e de reconhecimento internacional. A BEA fica na 240 East 52nd St., em Manhattan (NY).

Fonte: Brazilian Voice

Sesc Ipiranga lança projeto de literatura ‘Heroínas Reais’

Evento revelará trajetória de mulheres revolucionárias no País

Texto Miriam Gimenes

A literatura feminina não é uma realidade recente na Cultura brasileira. A fim de mostrar isso, o Sesc Ipiranga (Rua Bom Pastor, 822), a partir do dia 3, dá inicio a uma programação de literatura que revela o protagonismo de mulheres que marcaram época por meio da escrita. Ao evento, que traz um paronama histórico desde o século 16 até os dias atuais, deu-se o nome de Heroinas Reais.  Serão bate-papos, oficinas, show, mediação de leitura e contação de história, trazendo grandes nomes da literatura feminina que, por meio da escrita ou da ilustração, deixaram sua marca e promoveram o debate a partir da ótica da mulher.

O primeiro item da programação, que vai do dia 3 de fevereiro – às 17h – a 3 de março, será a contação de Histórias de Heroínas Reais, feito pelo Coletivo Cafuzas, dedicado a pesquisar as culturas indígenas, africanas e afro-brasileiras com foco nas narrativas orais e escritas. O encontro é na Praça do Livro.

Nas mesas de bate-papo e mediação de leitura as convidadas expõem um pouco da sua trajetória, discutem sobre o papel da mulher na história brasileira e traçam perspectivas sobre o futuro da literatura feminina. Uma delas é a escritora Clara Averbuck, que tem sete livros publicados e obras adaptadas para cinema e teatro, que fala dia 18, às 15h. A programação completa está no site sescsp.org.br/ipiranga .

Fonte: Diário do Grande ABC