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Literatura

Literatura e cultura negras marcam Virada da Consciência em novembro

© Rovena Rosa/Agência Brasil

Texto por Daniel Mello – Repórter da Agência Brasil – São Paulo

A cidade de São Paulo recebe entre os dias 17 e 20 de novembro a segunda edição da Virada da Consciência, com diversos eventos culturais, de formação profissional e diversão ligados ao Dia da Consciência Negra. A programação foi anunciada hoje (16) na Faculdade Zumbi dos Palmares, zona norte da capital.

Festa literária

Integra o calendário a sétima edição da Flink Sampa – Festa do Conhecimento, Literatura e Cultura Negra. O escritor Machado de Assis foi escolhido como patrono deste ano, em um esforço de resgate da herança negra do autor. “Nós vamos trazer alguns especialistas em Machado de Assis para falar conosco”, disse o curador da mostra literária, Tom Farias, citando o professor aposentado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Eduardo de Assis Duarte que escreveu um livro especificamente sobre Machado de Assis afrodescendente como um dos convidados. O livro de Assis Duarte será lançado na Flink Sampa.

Outros nomes de destaque são o do professor e membro da Academia Brasileira de Letras Domício Proença Filho e o do presidente de Cabo Verde, o escritor Jorge Carlos Fonseca. Nomes contemporâneos, como a escritora Jarid Arraes, e de importância nos últimos anos, como Paulo Lins, autor de Cidade de Deus, também estarão presentes.

Novos autores

“A Flink veio com a proposta de aproximar esses escritores, mostrar que eles existem e colocá-los diante do público. Esse partilhamento de ideias, de pensamento, que faz com que as grandes editoras e livrarias passem a expor e publicar autores negros”, explica Farias sobre os objetivos do evento.

Para o curador, o país vive atualmente um momento de expansão no número de escritores e leitores, inclusive, através das redes sociais. “A gente vêm muita gente hoje lendo. A rede social fez com que as pessoas lessem. Você não precisa ler só livro, você lê outros livros pela rede social”, diz Farias a respeito das novas dinâmicas da escrita. Segundo ele, os resultados dos prêmios de literatura têm mostrado que o Brasil tem produzido cada vez mais autores jovens. “O escritor antigamente era o idoso, ninguém conhecia. A gente só lia autores mortos. E hoje, não. Os escritores estão muito próximos da gente”, diz.

Escolas, universidades e até restaurantes

Além da mostra literária, a Virada terá atividades de gastronomia e sobre tecnologia, envolvendo a rede estadual de ensino. A programação envolve ainda, de acordo com o reitor da Zumbi dos Palmares, José Vicente, os Sescs da capital e do interior, assim como os campi da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Vicente acredita que a expansão do número de parceiros pode fazer com que a Virada deste ano envolva até 1 milhão de pessoas. “Aumentou o número de parceiros, foi para mais cidades e tem uma comunicação muito mais forte para divulgar o evento”, ressaltou sobre o crescimento do evento em relação ao ano passado.

Os estudantes da rede estadual do ensino técnico e regular (público e privada) vão ser convidados a participar do Festival AfroMinuto. “Em que os alunos constroem a trajetória de um herói negro em uma historiazinha de um minuto. Toda a rede Paula Souza e as escolas públicas do estado de São Paulo estão participando desse trabalho”, detalhou o reitor.

As atividades contam ainda com a parceria de empresas, shoppings e restaurantes. “A gente tem uma rede de quase 50 restaurantes que produziram um prato especial para esta data”, acrescentou Vicente.

Tony Tornado

O Troféu Raça Negra, que há 17 anos é entregue a personalidades com destaque na causa negra no país, homenageia neste ano o ator Tony Tornado. Com 89 anos, Tony começou a carreira artística como cantor e dançarino na década de 1960. No entanto, se consolidou tempos mais tarde, na década de 1970, como ator, com importantes papeis na televisão, onde trabalhou por mais de 40 anos.

O ator e cantor, Tony Tornado, fala durante o lançamento da Virada da Consciência. – Rovena Rosa/Agência Brasil

A programação da Virada da Consciência está disponível na internet.

As atividades da Flink Sampa também podem ser conferidas na internet.

Fonte: Agência Brasil

Seminário Aos Pés Do Baobá: Contação de história e mediação de leitura no Museu Afro

Este seminário tem por objetivo dar continuidade ao processo de reflexão sobre as práticas educativas realizadas pelo núcleo de Educação do Museu Afro Brasil, nas quais o acervo do Museu Afro Brasil, bem como as leis 10.639/2003 e 11.645/2008 são os pontos de partida para as ações desenvolvidas pelo núcleo.

Aos Pés do Baobá” é uma ação realizada pelo Núcleo de Educação do Museu Afro Brasil, o projeto aproxima à contemporaneidade uma prática ancestral, que ainda está presente nas famílias brasileiras: a transmissão de conhecimentos através das histórias contada pelos nossos pais e avós de forma educativa.

Atividade gratuita

Das 10h às 17h

Público-alvo: Livre

Inscrições: https://forms.gle/eKZJKqUR8NTcFqN8A

Fonte: CEERT

 

Diversidade: literatura infantil fortalece identidade de crianças afro-brasileiras

Mosaico Cultural

Katarine Flor


“Me dei conta que meninas como eu, cor de chocolate, podiam existir na literatura”

Com o livro infantil, as crianças têm o primeiro contato com a leitura. Por meio de histórias fantásticas, elas desenvolvem o senso crítico, a criatividade e o hábito de ler. Nesta reportagem, vamos conhecer duas pequenas leitoras, mas vou deixar que elas se apresentem:

– Meu Nome é Maria Flor. Eu tenho 10 anos. Eu gosto de culinária, de princesa e eu também gosto de livros que falam sobre biografia, livros como Zumbi e Bucala, que são livros africanos.

– Maria Alice, quatro. Eu gosto de livro de culinária… Eu gosto do livro da Iara!

Desde cedo, Maria Flor e Maria Alice tiveram acesso a livros que traziam personagens negros como protagonistas.

Entre as publicações preferidas de Maria Flor está ‘Zumbi, o pequeno guerreiro’, da editora Quilombhoje. Ela conta a história do líder do Quilombo dos Palmares. Usando livremente a imaginação, o autor Kayodê recria a infância do herói brasileiro, que Maria Flor já conhece de cor e salteado.

– Uma pessoa negra, que lutou a favor das pessoas. E ele queria contar essa história. E o desenho [mostra] como ele era quando criança.

Outro livro recomendado pela ávida leitora é ‘Bucala – a pequena princesa do Quilombo do Cabula’, de Davi Nunes, da editora Uirapuru. E a Flor, o que pensa a respeito?

– O da Bucala, eu acho que foi uma pessoa boa e gentil que fez.

Diferente de Flor e de Alice, na infância, a nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, só tinha acesso à histórias inglesas e estadunidenses. Ela conta que foi uma leitora precoce, bem como uma escritora precoce:

– Quando comecei a escrever aos sete anos – contos a lápis com ilustrações de crayon – eu escrevia o mesmo tipo de história que eu lia. Todos os meus personagens eram brancos de olhos azuis, que brincavam na neve, comiam maçãs e falavam muito do clima, que lindo era quando o sol saia. 

A aparência física, os hábitos alimentares e culturais dos personagens que ilustravam as histórias  lidas e escritas pela pequena menina africana eram bastante diferentes das pessoas e do lugar onde ela vivia.

 – Não tinhamos neve, comíamos mangas e nunca falávamos do clima porque não era necessário.

Por apenas ler publicações de outros países, Chimamanda conta que estava convencida de que os livros, por natureza, deveriam ter personagens estrangeiros e narrar coisas com as quais ela não se identificava.

– Eu amava os livros ingleses e estadunidenses que lia. Despertaram minha imaginação e me abriram para novos mundos. As consequências involuntárias foram que eu não sabia que personagens como eu podiam existir na literatura. Descobrir escritores africanos me salvou de conhecer uma só história.

A partir dessa descoberta, a escritora africana diz que sua percepção sobre a literatura se transformou.

– Me dei conta que meninas como eu, com cor de chocolate, cujo cabelo crespo não se podia prender em rabos de cavalo, também podiam existir na literatura. Comecei a escrever sobre coisas que eu reconhecia.

Hoje, Chimamanda Adichie é uma das principais escritoras de literatura africana da atualidade. Autora de poemas, contos e romances, ela falou sobre “O perigo da história única” em um evento do  TEDx.

Os livros da autora já foram traduzidos para mais de 30 idiomas. A escritora africana venceu o prêmio de ficção do Baileys Women’s Prize de 2007 e o de “melhor dos melhores” da década do mesmo prêmio.

Assim como Chimamanda, a educadora brasileira Odara Dèlé fala sobre como é importante para as crianças negras se reconhecerem positivamente nos personagens dos livros que lêem.

– Para a menina ou menino negro se ver em uma obra é extremamente importante, ainda mais com atributos positivos. Muitas vezes, nos ambientes escolares, se ressaltam aspectos negativos da população africana e afro-brasileira. 

Odara Dèlé é autora de ‘Lukenya e seu poder poderoso’. O livro é escrito em português e em kimbundu, língua originária do território africano nas regiões da República do Congo e de Angola.

– Os leitores têm essa possibilidade de fazer esse fluxo transatlântico entre o continente africano e o americano através de um livro infanto-juvenil. 

Página a página, Lukenya leva o leitor a viver uma aventura em busca de um grande tesouro. O livro traz referências da cultura africana como a ancestralidade, a oralidade, a música e a filosofia. 

A ideia, diz Dèlé, é  fortalecer as identidades negras ainda na infância. Ela conta que muitas das palavras que nós usamos aqui no Brasil tiveram origem no  Kimbundu, e agora fazem parte da nossa herança cultural.

– As palavras mais usuais que nós usamos no nosso dia-a-dia é dengo, cafuné, caçula, moleque, quitanda… São palavras que usamos em nosso cotidiano e não temos essa percepção de que houve essa herança africana.

O Kimbubdu está entre as cerca de 2.092 línguas de origem africana. O Diego Barbosa é pesquisador. No artigo ‘Encontros e Confrontos Linguísticos: O Local e o Global na África’, ele conta que esse número corresponde a cerca de 30% de todas as línguas do mundo.

A escritora brasileira Odara Dèlé explica que a existência de livro infantis com protagonistas afro-brasileiros é importante não só para a construção e fortalecimento da identidade da criança negra como também para que as crianças brancas desenvolvam o sentimento de empatia e na noção de respeito às diferenças.

Edição: Geisa Marques

Fonte: Brasil de Fato

Literatura negra infantojuvenil é destaque no “Diversidade em Ciência”

No Diversidade em Ciência, Ricardo Alexino Ferreira entrevista Kiusam Regina de Oliveira, professora de Educação das Relações Étnico-Raciais da Universidade Federal do Espírito Santo, doutora em Educação e mestre em Psicologia pela Universidade de São Paulo, que fala sobre literatura infantojuvenil negra e sua interseção com a Educação.

Kiusam é autora dos livros O Mundo no Black Power de Tayó, selecionado para o Acervo Básico da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ/2014), na categoria Criança; O Mar que Banha a Ilha de Goré, ganhador, em 2014, do Prêmio Escritores Negros da Biblioteca Nacional e da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir); e Omo-Obá: Histórias de Princesas, selecionado pelo Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), em 2011.

Ela é também artista multimídia, arte-educadora, bailarina, coreógrafa e contadora de histórias da mitologia afro-brasileira.

Diversidade em Ciência é um programa de divulgação científica voltado para as ciências das diversidades e direitos humanos e vai ao ar toda segunda-feira, às 13 horas, com reapresentações às terças-feiras, às duas horas da manhã, e aos sábados, às 14 horas, com direção e apresentação do jornalista, professor da USP e membro da Comissão de Direitos Humanos da USP, Ricardo Alexino Ferreira, e operação de áudio de João Carlos Megale.

Diversidade em Ciência é gravado no estúdio do Departamento de Comunicações e Artes/Educomunicação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP).

A Rádio USP-FM pode ser sintonizada em 93,7 MHz/SP ou pelo link: http://jornal.usp.br/radio/

Fonte: Jornal da USP

Livros expandem conhecimento das crianças, mas ainda são caros

Além de entreter e divertir, a prática melhora as habilidades sociais como como a concentração, o raciocínio lógico e o vocabulário

JOÃO FREITAS

Livros expandem conhecimento das crianças, mas ainda são caros

Ilustração

Imagine embarcar para uma outra realidade, conhecer personagens, lugares e histórias onde e quando quiser. Parece um truque de mágica, não é mesmo? Mas é exatamente isso que a leitura proporciona às pessoas. A prática, além de entreter e divertir, também expande conhecimentos e estimula a criatividade de crianças e adultos leitores.

Para os menores, a literatura possui uma importância ainda maior. Como estão em processo de crescimento, os livros contribuem positivamente para os pequenos no desenvolvimento de habilidades sociais, como a concentração, o raciocínio lógico, a imaginação, o vocabulário, entre outras.

Para falar sobre o tema, o Circuito Mato Grosso conversou com o historiador e produtor cultural Clóvis Matos. Ele, que é o idealizador do projeto Inclusão Literária, responsável pela entrega de livros nos locais mais isolados do Estado, destacou que a prática é essencial para formar cidadãos mais capacitados. “Toda a criança que tem o hábito de ler será uma pessoa diferenciada no futuro. A leitura faz com que as pessoas tenham maior capacidade de discutir e argumentar sobre diversos temas”.

No entanto, os negócios empresariais referentes ao mercado literário têm passado por sérios problemas. De acordo com um levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), diversos produtos como brinquedos e eletrônicos registrarão o melhor desempenho, nos últimos seis anos, nas vendas para o Dia das Crianças. Em contrapartida, o segmento de livrarias e papelarias sofrerá forte queda e vai faturar 4,1% menos que na mesma data em 2018.

O índice vai de encontro a outras estatísticas nada animadoras para os aficionados por leitura. Conforme dados do Ministério do Trabalho, 21.083 livrarias fecharam as portas na última década. Além do mais, 30% da população admite nunca ter comprado um livro, aponta um estudo da Pesquisa Retratos da Leitura.

Clóvis acredita que fatores operacionais, como o elevado custo de produção dos livros, ajudam a explicar os números negativos. “O livro é um objeto caro e, mesmo sendo de fundamental importância para o conhecimento, as pessoas não enxergam dessa forma. O papel utilizado para confeccioná-lo tem um custo altíssimo, pois é voltado apenas para a exportação, o que faz com que ele seja cotado em dólar. Embora tenhamos um mercado gráfico muito bom, o valor para produzi-lo é o que encarece”.

O historiador ressalta que a família deve estimular o hábito de ler, principalmente nas crianças e nos adolescentes “Essa prática deve ser incentivada primeiramente em casa. É muito difícil alguém se tornar um leitor sem ter um exemplo no convívio próximo. Se os pais cultivam esse hábito, o interesse da criança será um processo natural”. Segundo Clóvis, as escolas também são cruciais no processode propagação literária. Ele explica que as instituições de ensino devem ter um planejamento para impulsionar a adesão pelo hábito. “Ficar preso unicamente ao material didático faz com que a leitura se torne chata. A leitura é algo inteligente, é uma troca de conhecimentos. Chato é ficar burro”.

Ele fez críticas ao Poder Público e afirma que os governantes têm a obrigação de criar mecanismos com o objetivo de difundir a literatura na sociedade. “O brasileiro não tem muitos acessos à literatura. E não se trata de interesse, garanto. Quando entrego livros nas áreas mais isoladas, o povo fica muito contente e diz que gostaria de ler, mas que não as obras não chegam nesses lugares. O que percebo é que quanto mais longe eu vou, mais as pessoas querem livros. E isso é papel do Estado, que deveria fazer programas para fomentar a cultura para essas pessoas”, frisou.

Amor pela literatura

Reconhecido nacionalmente por ser um dos maiores incentivadores da causa, Clóvis contou que a sua paixão pela leitura surgiu na infância, quando ainda morava em Iporá, município localizado no oeste do Estado de Goiás.

“Comecei a ter gosto pelo hábito quando tinha oito anos de idade, lendo gibis. Minha família tinha um hotel na cidade, que era muito pequena e não tinha uma livraria sequer. Mas mesmo assim, nós recebíamos muitas pessoas que passavam pela região e algumas delas deixavam quadrinhos, revistas e almanaques que me despertavam muito interesse”.

“Na época, também fui muito influenciado por um grupo de estudantes da Universidade de Brasília, que se hospedavam no hotel da minha família. Eles sabiam do meu interesse por literatura e traziam diversos livros. Com onze anos, já tinha lido Cem Anos de Solidão, do Gabriel Garcia Marquez. Desde então, nunca mais parei”.

Inclusão Literária

Com o passar do tempo, o que era hobby se transformou em um ambicioso projeto de fomento à leitura em Mato Grosso – o “Inclusão Literária”. Em quase 14 anos da iniciativa, Clóvis já distribuiu cerca de 140 mil livros, de forma gratuita, para moradores de, aproximadamente, 180 localidades do Brasil.

Ele conta que a inspiração veio no período em que prestava serviços para uma livraria. “Eu trabalhava no departamento de marketing da empresa e criei espaços dentro da loja para que os leitores pudessem ter acesso a trechos de obras literárias. A intenção era fazer com que os clientes lessem algumas páginas e comprassem os livros. Porém, elas terminavam a leitura após frequentarem a livraria por alguns dias e não levavam nada [risos]”.

“Então, eu percebi que se as pessoas com total facilidade de acesso não tinham dinheiro para comprar os livros, imagina quem mora na zona rural ou nas pequenas cidades do interior, que não tem uma livraria ou biblioteca por perto. Foi aí que coloquei quase três mil livros da minha biblioteca pessoal dentro de caixas e fui distribuir em uma escola, no distrito da Varginha [em Santo Antônio do Leverger – 36 km da Capital]”.

A rotina e a entrega do homem de 65 anos também chamam a atenção. Ele revelou que fica menos da metade dos meses em casa. “Quando passo mais de 10 dias aqui, já começo a ficar fissurado, procurando algum lugar para levar o meu trabalho [risos]”. Mas não pense que o período em casa é marcado apenas por descanso. “Estou sempre em busca de donativos, selecionando e catalogando livros para a execução do projeto. É um trabalho contínuo, direta ou indiretamente”.

O custo anual do Inclusão Literária, segundo Matos, gira em torno de R$ 150 mil, contando os gastos com documentação, combustível e revisão dos veículos utilizados, alimentação, hospedagens e aquisição de novos livros. Para isso, ele conta com o apoio de patrocinadores, que ajudam a manter o projeto.

“Sou muito ajudado pela Energisa e pelo Shopping 3 Américas, que juntos cobrem 50% do projeto. Eu tenho que me virar para levantar mais fundos. Para isso, realizo eventos como feiras de livros, que são vendidos a preços populares. Contudo, é importante frisar que o objetivo é gerar renda para a manutenção do programa, que funciona a base de doações”.

A menos de três meses para a chegada do Natal, Clóvis se prepara para dar vida ao personagem mais famoso da época. O Papai Noel Pantaneiro, como é conhecido, conta que o ritmo de trabalho é intenso no fim do ano, mas que o resultado faz todo o empenho valer a pena.

“São 45 dias seguidos trabalhando como Papai Noel no shopping e nos meus projetos sociais. Nesse período, costumo receber muitos presentes doados pelas pessoas. Para se ter uma ideia, no ano passado entreguei quase 5 mil brinquedos e livros em mais de 40 comunidades do Pantanal. E a expectativa é ainda maior para esse ano”.

Clóvis Matos enfatiza que o Inclusão Literária e o Papai Noel Pantaneiro são projetos que o orgulham e que o motivam a seguir com as ações. “A maior felicidade é ver uma criança sorrir ao ganhar um presente ou ao pegar um livro. É um grande prazer ver as pessoas felizes e satisfeitas com o que eu faço. Trabalho por isso e pretendo continuar até quando a saúde permitir”.

Fonte: Circuito Mato Grosso

Os desafios de atrair as crianças para o universo da literatura

Com o mercado editorial em queda no Brasil, editoras e autores pensam em novas estratégias para conquistar os pequenos leitores

Por: Daniel Medeiros

Werika Júlia, de 13 anos, é apaixonada por livros Foto: Jose Britto/Folha de Pernambuco

O Dia das Crianças já chegou e com ele a dúvida sobre o que dar de presente para filhos, sobrinhos, netos ou afilhados. Brinquedo? Celular? Por que não um livro? Afinal de contas, na mesma data também é celebrado o Dia Nacional da Leitura, oportunidade de introduzir os pequenos ao universo da literatura. Especialistas em educação não cansam de defender a importância de cultivar o hábito de ler desde a infância, mas ao analisar o mercado editorial no país a constatação é de que os livros infantis ainda representam uma porção muito pequena do quantitativo de obras vendidas por ano. Correndo atrás do prejuízo, escritores e editoras lançam mão de múltiplas estratégias para atrair o leitor mirim, aliando novas tecnologias e uma dose de criatividade.

Para que se torne uma prática cotidiana entre meninos e meninas, o ato de ler um livro precisa ser visto como prazer e não uma obrigação. É o que defende a pedagoga Cristiane Soares, técnica do Programa Manuel Bandeira de Formação de Leitores, da Prefeitura do Recife, que trabalha a mediação de leitura por meio das bibliotecas. “A leitura é fundamental para a criação do imaginário. Por isso, o ideal é que a criança seja inserida nesse processo pelo viés do encantamento. O livro não deve ser encarado como apenas uma ferramenta para ela aprender algo, pois ele por si só tem um papel muito importante na formação das identidades”, defende.

Se o objetivo é despertar o fascínio no pequeno leitor, vale a pena estimular o lado lúdico que a literatura proporciona. Nesse sentido, uma das ferramentas mais antigas que a humanidade dispõe é a contação de histórias. Essa tradição milenar vem sendo resgatada nos últimos anos, seja em escolas, livrarias, feiras literárias, festivais ou centros culturais. Mas nem é preciso ser um profissional da educação para replicar o método. Um exemplo é Renato Oliveira, bacharel em ciências da computação e morador do estado de Goiás. A paixão por contar histórias para as duas filhas – uma de 6 e outra 4 anos de idade – fez com que ele criasse um aplicativo voltado para isso.

Disponível de forma gratuita, o “Contatória” oferece 14 contos narrados pelo próprio criador. “A minha proposta sempre foi criar uma ferramenta de auxílio para pais e mães. Gostava de criar histórias e contá-las para as minhas filhas na hora de dormir. Mas como todo mundo tem seu limite, às vezes eu ficava cansado. Comecei a gravar tudo e colocar os áudios para elas ouvirem. Deu muito certo comigo e achei que poderia dar com outras pessoas também”, relembra. “Comprar livros, lê-los para os filhos, sugerir que eles próprios contem histórias, mostrar as coisas que você descobriu com um livro: tudo isso motiva muito as crianças”, declara Renato.

Incentivar o gosto pela leitura é uma preocupação partilhada pela profissional autônoma Maria José. Na última quinta-feira, ela visitou a Bienal do Livro de Pernambuco, que está instalada do Centro de Convenções, ao lado do filho José Paulo, de 12 anos. “Desde quando ele tinha dois ou três anos de idade, eu já comprava coleções de fábulas e contos de fadas. Ele tem gavetas e mais gavetas cheias dessas obras em casa”, diz. Já a balconista Adriana da Silva, que também prestigiou o evento, nem precisou fazer muito esforço para convencer a filha, Werika Julia, 13, de que ler é bom. “Ela gosta muito de livros, desde que aprendeu a ler. É uma coisa que vem dela. Eu só tento incentivar e observar sempre o conteúdo do que ela está vendo”, conta. O pequeno João Miguel, 8, já é um leitor voraz, principalmente de gibis. “Foi ele que convenceu a família toda a vir para a Bienal”, confessa a mãe, Wedna Gomes.

Mercado em queda

Ainda que os leitores mirins não estejam extintos, o momento não é dos melhores para quem produz e comercializa livros para esse público. Refletindo a crise no mercado editorial, as vendas de obras de literatura infantil caíram nos últimos anos. Segundo a pesquisa anual divulgada pela Associação Nacional de Livrarias, o faturamento ligado às vendas de livros infantojuvenis em 2018 teve uma queda de 7% em relação ao ano interior. Ainda assim, o segmento representou 14,2% do faturamento total do setor livreiro.

Tentando driblar os desafios do mercado, editora de todo o país têm investido em soluções criativas para atrair não só as crianças, mas também seus pais. Uma iniciativa que está na moda é a dos livros personalizados. Empresas como a Sweet Books, do Rio de Janeiro, e a Dentro da História de São Paulo, trabalham com versões customizáveis de clássicos infantis e personagens que fazem sucesso com a criançada. Meninos e meninas são transformados em personagens de livros, como “O pequeno príncipe”, “Branca de Neve” e “Turma da Mônica”, através de um avatar que combina as características físicas do pequeno leitor ao traço original da obra escolhida. Tudo isso é feito por meio da internet e o exemplar é entregue na casa do cliente. Os clubes de assinatura representam outra inovação a qual os pais costumam recorrer. Por um preço fixo, os assinantes recebem kits com diferentes livros, além de outros brindes. A Taba, Leiturinha e Doce Leitura são exemplos de clubes que fornecem esse tipo de serviço.

A crise também não espantou os pernambucanos da Viu Cine, produtora responsável por animações como “Além da lenda” e “Pedrinho e a chuteira da sorte”. Através da criação de uma agência de licenciamento, a Viu Marcas, a empresa vem investindo em transportar os personagens conhecidos na TV e na internet para os livros. Até agora, já foram lançados cinco títulos da série “Além da lenda” e, até o próximo ano, esse número só deve aumentar.

“Eu não acredito nessa visão de que criança não gosta de ler. Estamos passando por um momento muito complicado e vemos como as pessoas da nossa geração têm dificuldade na interpretação de texto. Foi esse problema que deu margem às fake news, por exemplo. As pessoas não conseguem entender o que é dito e nem filtrar nada. Nós, como produtores de conteúdo, temos que incentivar as crianças a questionar, aprender e, a partir daí, surgir um cidadão melhor”, defende Bruno Antônio, coautor das obras. O “Além da lenda” surgiu como série de TV e deve ganhar um longa-metragem em agosto de 2020.

Para que os livros consigam prender a atenção do público tanto quanto a animação, os criadores apostam numa linguagem mais interativa. “Quando lançamos o primeiro título, decidimos colocar algumas brincadeiras para incentivar a criança. A cada capítulo, o leitor tem que resolver um pequeno desafio, que dá a ele algumas pistas para desvendar o caso no final da história. Isso também instiga a criança a querer ler cada vez mais”, explica Bruno, que ressalta a responsabilidade de escrever para quem ainda está em desenvolvimento. “Nós trabalhamos com o folclore brasileiro e algumas dessas lendas têm um conteúdo um pouco pesado. Tomamos todo o cuidado para que as histórias não sejam interpretadas de maneira negativa. Não devemos renegar nossas histórias do passado, mas podemos apresentá-las de um modo mais leve”, afirma.

Fonte: Folha PE

Bibliotecária lança clube de assinatura especializado em livros de mulheres negras

Ketty Valencio – Foto divulgação
Proposta da Africanidades é enviar, através de curadoria especializada, livros escritos por mulheres negras e produtos feitos por afro-empreendedores

Após inovar com a primeira livraria especializada em literatura feita por mulheres negras no país, a bibliotecária e empresária Ketty Valencio lança, neste mês de outubro, o Clube de Assinatura Africanidades, também o primeiro do país especializado também em literatura negra, sendo majoritariamente com livros escritos por mulheres negras.O clube Africanidades será trimestral e os assinantes receberão o primeiro kit a partir de novembro. A temática escolhida é “Resistência Negra” e a curadora desta primeira edição é a escritora Jarid Arraes. O livro escolhido será sempre uma surpresa para os assinantes.

“Nosso clube tem a intenção de ser uma ferramenta de estímulo a leitura por meio do protagonismo de pessoas negras e principalmente da valorização das narrativas realizadas pelas mulheres negras. Somos uma vanguarda cultural e queremos presentear nossos leitores com o que há de melhor e mais exclusivo na literatura, bem como no setor de afro-empreendedorismo. Trazemos a literatura protagonizada somente por mulheres, desde sua concepção até mesmo o design, a programação, a curadoria, a autoria e a gestão”, contou Ketty Valencio, que desde que surgiu a ideia, passou um ano trabalhando para colocar tirar a ideia do papel e colocá-la em prática.

Vale destacar que os assinantes recebem, trimestralmente, um equivalente a oito produtos, contendo um kit temário surpresa, com o livro escolhido pela curadora especial, marcador de páginas e outros produtos de marcas e grifes de afro-empreendedores, principalmente de empresas compostas por mulheres negras.

Curadoras escolhidas
Conforme explica Ketty Valencio, a escolha das curadoras se deu a partir da vivência de cada uma delas – todas mulheres negras nesta primeira etapa – e da ligação que elas possuem com os temas propostos.

O primeiro livro será escolhido por Jarid Arraes. Jarid é nascida em Juazieor do Norte, na região do Cariri (CE) em 12 de fevereiro de 1991. Escritora, cordelista, poeta e autora dos livros “Redemoinho em dia quente”, “Um buraco com meu nome”, “As lendas de Dandara” e “Heroínas Negras Brasileiras em 15 cordéis”, além de mais de 70 títulos publicados em literatura de cordel. É curadora do selo literário Ferina. Atualmente vive em São Paulo, onde criou o Clube da Escrita para Mulheres.

As outras curadoras são a poeta Ryane Leão, a jornalista Bianca Santana e a escritora e jornalista Esmeralda Ribeiro.

Sobre a Livraria Africanidades
Criada em 2015, a Livraria Africanidades ganhou uma sede física em 2017, quando a empreendedora Ketty Valencio sentiu a necessidade de organizar o acervo e de promover encontros.

Formada em biblioteconomia, Ketty é também pesquisadora, pós-graduada em gênero e diversidade sexual na Unifesp e MBA-Bens Culturais: Cultura, Gestão e Economia na FGV faz curso de especialistas de Cultura, educação e relações étnico-raciais na USP e após sete anos trabalhando em bibliotecas, investiu no próprio negócio e conta com um viés inédito: o protagonismo das mulheres negras na literatura mundial.  Um breve passeio pelo site e é possível encontrar livros de autoras como Alice Walker, Angela Davis, Jarid Arraes, Maria Firmino, Noémia de Sousa, entre outras.

Além da livraria física, Ketty possui também um site, com o acervo da livraria, que permite a compra virtual e também o pagamento parcelado e traz títulos que dificilmente são encontrados nos grandes magazines ou livrarias online, fazendo, mais uma vez um recorte que preza pela inclusão de autores independentes, pouco conhecidos e/ou acessados.

A livraria possui estantes como feminismo, ficção, não ficção, poesia, religião, nacionais, ciências sociais, entre outras, mas tudo voltado à cultura negra. Além do site, Ketty também percorre eventos e festivais literários, evidenciando o formato que se propõe a ser acessível e viável.

Serviço – Para conhecer o Clube de Assinatura Africanidades, acesse: http://clube.livrariafricanidades.com.br

Mãe escreve livro e transforma filha com vitiligo em heroína: ‘É especial’

Por George Corrêa, G1 Santos

Mãe montou livro para ajudar filha a lidar melhor com o vitiligo. — Foto: Bia Bastos

Mãe montou livro para ajudar filha a lidar melhor com o vitiligo. — Foto: Bia Bastos

A designer gráfica Tatiane Santos de Oliveira usou a criatividade e fez um livro onde a filha Maria Luiza, de sete anos, é a grande heroína da história. O objetivo foi fazer com que Maria Luiza, que tem vitiligo, aprenda a lidar melhor com a doença que não tem cura. Moradora de Peruíbe, no litoral de São Paulo, Tatiane explica que a filha descobriu o vitiligo quando tinha três anos, logo depois que ela ficou grávida do segundo filho.

Depois do susto, a designer contou ao G1 que pensou em formas de deixar o assunto mais leve em casa. “A gente contornava as manchinhas com canetinhas, descobrindo formatos divertidos”, afirma. “Meu papel como mãe era deixá-la confortável e forte com a situação. Conforme ela foi crescendo, ela começou a gostar muito de livros. Fui procurar algum que tivesse um personagem com vitiligo e, na minha pesquisa, não achei nada”.

Como trabalha com diagramação, a designer relata que teve a ideia de fazer um livrinho para a filha: “A Menina Feita de Nuvens”. Ela fez o texto, as ilustrações e o projeto. Na publicação, Maria Luiza é uma heroína que tem um segredo e um poder especial. “Mostrei o livro para alguns amigos, que gostaram muito e me incentivaram a procurar uma editora”, explica. “A ideia ficou um ano parada, quando a Editora Estrela resolveu publicar. Então, posso dizer que isso tudo foi um acidente”, ri Tatiane.

O resultado foi acima do esperado. O livro entrou na Bienal do Livro de São Paulo de 2018 e Tatiane diz que recebe muitas mensagens pelas redes sociais, de pais que vivem a mesma situação. “É um retorno maravilhoso. A Maria Luiza gosta muito do livro, ela ama as manchinhas dela e lida muito bem com isso. Até meu filho mais novo faz manchinhas na perna dele. Ele mudou o olhar”. Ainda segundo Tatiane, os amigos da escola da filha, que leram o livro, ficaram olhando o próprio corpo para ver se tinham manchinhas também. “A própria criança quer levar o livro para a escola e mostrar que ela é especial”.

Atualmente, Tatiane diz que faz o possível para o livro chegar às escolas. “Visito algumas escolas para fazer a leitura do livro por minha conta mesmo e acabo deixando um livro na biblioteca para despertar o interesse para o assunto. A maioria das pessoas desconhecem essa doença, ainda existe muito preconceito, algumas pessoas acham que é contagioso”, explica.

Maria Luiza, de 7 anos, virou heroína no livro "A Menina Feita de Nuvens", criado pela mãe. — Foto: Arquivo pessoal
 Maria Luiza, de 7 anos, virou heroína no livro “A Menina Feita de Nuvens”, criado pela mãe. — Foto: Arquivo pessoal

Vitiligo

O médico Roberto Debski explicou ao G1 que o vitiligo é uma doença autoimune, onde as células de imunidade do corpo atacam os melanócitos, que produzem a melanina. A melanina é a responsável por dar cor à pele, pelos, cabelos, barbas, cílios e outros. Quando atacadas, deixam de produzir, surge a falta de pigmentação e as manchas aparecem.

Debski reforça que o vitiligo não é uma doença contagiosa. Pode ser causada por estresse, fatores hereditários ou excesso de luz solar. “Ela se manifesta na pele, em diversas regiões do corpo e, embora não tenha cura, possui tratamentos que buscam diminuir a incidência das manchas”, explica. Um dos mais utilizados é com radiação ultravioleta (UV), mas os resultados são pequenos, demoram e dependem muito de fatores individuais de cada paciente.

O médico ainda ressalta que o surgimento do vitiligo pode indicar a presença de outras doenças autoimunes. “É sempre indicado que o paciente faça exames para identificar outras possíveis doenças autoimunes. Quando a pessoa tem a predisposição ao vitiligo e ele se manifesta, pode estar com alguma outra coisa sem saber”, explica. Por não ser contagiosa, os efeitos mais significativos da doença são psicológicos. “Não traz riscos à vida, nem para a saúde. Mas às vezes o fator da aparência pode desencadear problemas como depressão ou ansiedade e o tratamento psicológico nesses casos é muito importante”, finaliza.

Maria Luiza faz desenhos com manchas provocadas pelo vitiligo. — Foto: Arquivo pessoal

Maria Luiza faz desenhos com manchas provocadas pelo vitiligo. — Foto: Arquivo pessoal

Fonte: G1 Santos

Curso “O cordel brasileiro – tradição, diálogos e atuação”

A Biblioteca Parque Villa-Lobos (Av. Queiroz Filho, 1.205 – São Paulo / SP) realiza este mês o curso O cordel brasileiro – tradição, diálogos e atuação.

Nas aulas que acontecerão de 9 a 23 de outubro, das 14h às 18h, sempre as quartas e sextas, o aluno irá descobrir qual foi o processo histórico e geográfico que possibilitou o surgimento do cordel.

Sua poética, seus principais autores e gerações e como ele dialoga com a literatura brasileira e outras artes. Aderaldo Luciano dos Santos será o responsável pelo curso, ele é doutor e mestre em Ciência da Literatura pela UFRJ, porta, escritor e músico.

As inscrições podem ser feitas clicando aqui.

Fonte: PUBLISHNEWS

Literatura infantil é discutida em evento internacional na UFMG

Por Thaís Leocádio, G1 Minas

Evento na Faculdade de Educação da UFMG vai discutir literatura infantil entre os dias 1º e 4 de outubro — Foto: Foca Lisboa/Divulgação/UFMG

Evento na Faculdade de Educação da UFMG vai discutir literatura infantil entre os dias 1º e 4 de outubro — Foto: Foca Lisboa/Divulgação/UFMG

Começa, nesta terça-feira (1º), o XIII Jogo do Livro e III Seminário Latino-americano, na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A conferência de abertura do evento será ministrada pelo escritor Ilan Brenman, às 19h, no Auditório Neidson Rodrigues, no Campus Pampulha.

Entre os mais de 60 livros publicados por Ilan Brenman, estão “Até as princesas soltam pum”, “Telefone sem fio” e “O que cabe num livro”.

Até sexta-feira (4), serão realizados oficinas, palestras, mesas de discussão e bate-papos sobre literatura para crianças e jovens. Entre os convidados estão a ilustradora argentina Anabella López e o poeta e professor colombiano Alfredo Vanín.

O escritor de literatura infantil Ilan Brenman fará conferência de abertura do XIII Jogo do Livro — Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre

O escritor de literatura infantil Ilan Brenman fará conferência de abertura do XIII Jogo do Livro — Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre

 Com o tema “Acervos literários: formação, mediação e pesquisa”, o evento organizado pelo Grupo de Pesquisa do Letramento Literário (GPELL) vai discutir temas como a importância das bibliotecas e as relações entre a universidade e a educação básica.

Interessados devem se inscrever no momento do credenciamento, no saguão do auditório, a partir das 16h. Mais informações e a programação completa estão no site do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale).

Fonte: G1 Minas

Projeto busca democratizar o acesso à literatura nas periferias do Brasil

Mateus Santana, à frente da Bienal do Livro da Quebrada, fala sobre o impacto da leitura na vida das pessoas; veja como ajudar

POR PAULA JACOB | FOTOS DIVULGAÇÃO

Apesar de o Brasil ser um país com uma pluralidade de histórias e contadores, o mercado editorial ainda está restrito aos escritores homens. Segundo dados levantados pelo Centro de Pesquisa da Universidade de Brasília (UnB), 70% dos livros publicados entre 1965 e 2014 eram de homens. Destes, 90% eram de homens, brancos, de classe média alta, nascidos no eixo Rio-São Paulo – algo longe de ser a realidade da maioria da população brasileira. O acesso à literatura, portanto, também se fecha nesta “bolha intelectual”, afastando interessados e possíveis leitores de novas histórias. Insatisfeito com este cenário, Mateus Santana desenvolveu a Bienal do Livro da Quebrada, um evento pensado para democratizar o acesso à literatura nas periferias do país.

“A literatura já é um espaço de pouco acesso. Na periferia, ela ainda chega de forma agressiva, em uma linguagem que a gente não entende, porque viemos de uma formação educacional ruim”, explica Mateus em entrevista à Casa Vogue. O evento ainda está em fase de pré-produção e captação de recursos, mas possui diretrizes bem estabelecidas. Além da fomentação da leitura na periferia, Mateus quer trazer apresentações de slam, shows e oficinas de escrita para inspirar outros jovens. Nascido na Ceilândia, cidade satélite do Distrito Federal, e crescido na Samambaia, ele conta o quanto a literatura foi importante no seu processo de autoconhecimento e no crescimento profissional. “O acesso aos livros me ajudou a escrever melhor, me inspirou a cursar faculdade [ele é formado em Publicidade e Propaganda] e a me tornar um escritor profissional”, pontua ele, que é autor de O amor ao próximo é legalizado. Abaixo, confira o bate papo sobre a proposta da Bienal do Livro da Quebrada, a importância dos livros na periferia e como você pode ajudar:

Como surgiu a ideia da Bienal do Livro da Quebrada?
A ideia do projeto veio de uma inquietação minha. Eu sou autor também e, como negro, escritor, morador de periferia, notava o quanto o mercado literário é muito excludente. Ele ainda publica, em sua grande maioria, o perfil do homem branco, rico e de determinadas cidades do país. Consequentemente, os eventos literários reproduzem isso, já que são essas pessoas que estão sendo vistas no mercado literário. Eu, por exemplo, enfrentei muitas dificuldades para publicar meu primeiro livro. Acabei assinando com uma editora depois de três anos negociando. E mesmo depois de publicar, não tive qualquer suporte deles. Enfim, foi muito estressante. Foi vendo esses eventos literários em grandes centros urbanos, com a mesma gama de artistas, de forma extremamente excludente, que decidi que queria criar um evento literário na periferia, com a linguagem da periferia e com as pessoas da periferia que saíram de lá. A gente não tem acesso e mesmo que a gente vá nesses eventos literários, o sentimento é de não pertencimento e não de inclusão.

O idealizador do projeto e escritor Mateus Santana

Qual a importância da literatura nas periferias?
Ela é extremamente importante, falo isso por experiência própria. O acesso à educação que a gente tem é muito precário. Eu me formei no Ensino Médio muito cedo e mesmo assim enfrentei diversas dificuldades, porque o ensino que tive na escola não era suficiente para outras coisas. Inclusive, meu português era extremamente ruim, tinha dificuldades para escrever. Minha vontade de ler despertou daí: eu queria aprender a escrever melhor, e nada melhor do que ler. E depois de ter acesso à leitura, o mundo expandiu para mim. Foi a partir daí que tive interesse em fazer faculdade, escrever profissionalmente e buscar saber mais sobre as várias questões sociais que me atravessam sem eu nem saber porquê. O acesso à literatura abre o nosso olhar para o mundo. Quem vem da periferia só consegue ver aquilo que o cotidiano mostra; não temos essa visão de mundo ampla. Os livros têm esse peso.

Saindo do campo pessoal, conseguimos ver o impacto dela na realidade de outras pessoas por meio dos relatos que nos mandam nas redes sociais. A literatura tem uma importância enorme, e, justamente por isso, eu vejo que ela é negada a muitos. Não há nada mais forte que o conhecimento. E se você nega o conhecimento para uma grande parte da população, dificilmente essa parcela vai entender como a sociedade funciona. Logo, o poder continua na mão de poucas pessoas.

Por que criar um evento da comunidade, para a comunidade, na comunidade?
O evento é algo que impacta muito mais do que a palavra, é muito mais forte. Recentemente, participei da Bienal Brasil do Livro e da Leitura, no Distrito Federal, e, depois de dar uma palestra, fui assistir outros no evento. Muitas das coisas ditas por pessoas nesses lugares é extremamente utópico para a gente. Um deles, bem famoso, disse que não tinha vontade de mudar o mundo, porque queria apenas escrever e ser reconhecido por isso. Isso chegou a mim de uma maneira muito negativa, porque quando você não quer mudar o mundo, você está satisfeito como ele está. E isso para mim é muito chocante. O mundo é totalmente desigual, ele beneficia pessoas em detrimento de outras. Para mim não existe essa lógica de não querer mudar o mundo. Eu quero mudar o mundo o tempo inteiro, eu quero que as coisas sejam mais iguais o tempo inteiro.

Portanto, para nós que nascemos na periferia, ver alguém que passou pelas mesmas coisas é muito mais motivador. Não temos aquele discurso utópico de: “Ah é só você acreditar nos seus sonhos, é só você sonhar que você vai conseguir, todo mundo tem as mesmas oportunidades”. A gente sabe que não é todo mundo que tem as mesmas chances. Muita gente não tem nem chance de sonhar, porque passa muito tempo acordado para levar o dinheiro para casa. O nosso discurso é muito mais pé no chão, o que, consequentemente, traz mais inspiração. Vemos maneiras práticas de passar a mensagem para o jovem adolescente que ele pode chegar a algum lugar – e não se restringe à literatura, também se aplica em outras áreas.

Como está sendo o processo de desenvolvimento deste projeto? Você já tem um lugar definido?
A Bienal em si ainda está sendo construída. Fazer um evento desse porte é extremamente difícil. Estamos falando sobre dar acesso à literatura e ao ensino, e todas vezes que você faz algo que tem como missão a democratização do acesso a qualquer coisa, você sempre passa por empecilhos. Não temos o costume de querer igualar as coisas para todo mundo – e mesmo que fale que tenha e apoie na internet, é muito difícil levar para frente. Falta incentivo financeiro para construir algo como a Bienal.

Eu quero que ela aconteça em cidades brasileiras fugindo ao máximo do eixo Rio-São Paulo. Existe esse estigma de que para alguma coisa acontecer, um projeto sair do papel, você precisa estar em um desses dois lugares. Claro que, em algum momento, eu quero chegar nesse pólo, mas queria construir tudo isso em outro lugar primeiro. Penso em alguma cidade no Nordeste, que não seja Salvador. Além disso, independente do lugar, a minha meta com o evento é empoderar as pessoas das periferias de maneira econômica. Sabendo que a Bienal vai acontecer em novembro na favela X, meses antes eu quero oferecer cursos gratuitos de formação e treinamento em fotografia, audiovisual, produção executiva… para que essas pessoas trabalhem no evento de forma remunerada. É uma forma do dinheiro sair de lá e voltar para lá.

Em paralelo a isso, estamos tocando um projeto de arrecadação e doação de livros. Foi a forma que encontrei de consolidar a ideia da Bienal de alguma forma. Senão, íamos ficar só no campo da ideia: “Um dia vai ter uma Bienal, um dia, um dia…”. Então criei esse braço, no qual a Bienal é uma ponte.

“Não temos aquele discurso utópico de: “Ah é só você acreditar nos seus sonhos, é só você sonhar que você vai conseguir, todo mundo tem as mesmas oportunidades”. A gente sabe que não é todo mundo que tem as mesmas chances. Muita gente não tem nem chance de sonhar, porque passa muito tempo acordado para levar o dinheiro para casa.”

Mateus Santana

E como funciona a doação de livros?
A Bienal está com 38 voluntários espalhados pelo Brasil realizando ações de arrecadação de livros. Além disso, muitas pessoas entram em contato pelas redes sociais com interesse de fazer essa doação. Como ainda não temos verba para centralizar todos esses títulos aqui no Distrito Federal, os voluntários estão estocando os títulos nas respectivas casas. Fizemos um mapeamento para destinar corretamente os livros de acordo com a necessidade do local, público alvo e tudo mais. Hoje temos mais de quatro mil livros arrecadados e 26 projetos cadastrados, além da participação da Bienal nas doações de livros para bibliotecas públicas. Eu queria muito poder centralizar essa logística, para enviarmos tudo de uma forma mais bonita, com cartão, recadinho, uma caixa. Mas, infelizmente, não temos dinheiro para essas coisas.

Bienal do Livro da Quebrada
Para doar livros e/ou auxiliar de alguma forma o evento: bienaldaquebrada@gmail.com
Instagram: @bienaldaquebrada
Twitter: @bienalquebrada
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Fonte: CASA VOGUE

Educadora de Porto Alegre é finalista em prêmio internacional com livro infantil adaptado para braile

Por Lilian Lima, G1 RS

Educadora conquistou o segundo lugar em etapa brasileira de concurso internacional — Foto: Jefferson Bernardes/PMPA

Educadora conquistou o segundo lugar em etapa brasileira de concurso internacional — Foto: Jefferson Bernardes/PMPA

Uma professora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Dolores Caldas, do bairro Restinga, em Porto Alegre, foi indicada para participar de um prêmio internacional em Bruxelas, na Bélgica, em outubro, com um livro infantil adaptado para braile.

Creusa Fraga Marques garantiu presença após ganhar o segundo lugar no Concurso Nacional do Livro Tátil, entregue na noite desta terça-feira (17) no Rio de Janeiro. A etapa brasileira selecionou cinco obras para representar o país na Europa.

O concurso internacional Typhlo&Tactus estimula a produção de livros para crianças com deficiência visual e é promovido pela instituição de caridade francesa Les Doigts Qui Rêvent (Dedos que Sonham, em tradução livre).

Poesia em braile: saiba mais sobre a obra

A educadora foi reconhecida pela adaptação para o braile, aplicação de cor e texturização do livro “A vida do meu jeito. Não importa como!”, da escritora paranaense Léia Cassol. Creusa, que tem 22 anos de experiência como psicopedagoga, é especialista em Educação Especial e Deficiência Visual e está há oito anos na rede municipal.

“O papel da escola é produzir e fazer com que esse aluno tenha acesso à literatura, às diversas fontes de escrita. Esse prêmio pra mim diz muito, principalmente dentro da rede pública”, diz a professora ao G1.

Trabalho envolveu recortes, pesquisa de materiais, escolha de cores de contraste e criação de texturas. — Foto: Arquivo pessoal

Trabalho envolveu recortes, pesquisa de materiais, escolha de cores de contraste e criação de texturas. — Foto: Arquivo pessoal

O livro transcrito foi produzido pela professora para 14 alunos cegos ou com baixa visão que frequentam a Sala de Integração e Recursos Visuais (SIR) da escola. O núcleo é referência em suporte pedagógico para a inclusão de alunos com deficiência visual e atende escolas municipais das zonas Sul e Oeste da Capital.

“Esse livro foi pensando para uma menina que estuda aqui na escola. Ela tem 8 anos, está em processo de alfabetização. É uma menina que tem todas as condições cognitivas de ler e escrever em braile. A Ana Luiza é uma menina muito exigente. Ela quer sempre mais. Tu dá um livro e ela diz: ‘Nossa, esse livro é lindo. Qual o outro que tu tens?’ Então, a gente fica sempre em busca de algo novo para ela estudar”.

Foram duas semanas de um trabalho minucioso que envolveu recortes, pesquisa de materiais, escolha de cores de contraste e criação de texturas para a obra de literatura infantil.

“Eu gosto muito desse livro porque ele é uma poesia. A ilustração se deu em cima dessa poesia, página por página, tentando ser fiel à ilustração do livro. Esse foi o diferencial. Eu trabalho com uma colega que é cega e tudo que é produzido passa pela avaliação dela. Foi um trabalho muito artesanal”.

Com 24 páginas, é um poema que explora o valor e a felicidade nas coisas simples da vida, como banho de chuva, a beleza das flores e correr pela rua.

“O livro diz que tu tens que fazer as coisas do teu jeito, sem se importar com os outros e tem que ser feliz, sonhar. E é isso que a gente trabalha com o aluno que tem acesso a esse livro”.

“Eu gosto de levar para casa para ler com a mãe e os manos. É muito legal. Eu aprendi com ele”, conta a pequena Ana Luiza Pereira Pinheiro, aluna do 2º ano do Ensino Fundamental.

De acordo com a educadora, produzir a descrição fidedigna de um livro em imagens é extremamente desafiador e já faz parte dos atrativos da sala de inclusão.

“O desenvolvimento da autonomia depende do aluno, mas depende também do professor: da sua sensibilidade e afeto, do entendimento da diferença, do respeitar de abraçar. A gente precisa se debruçar sobre aquilo que o aluno é capaz de aprender naquele momento”, destaca a professora.

Ana Luiza, de 8 anos, é uma das alunas que participam da sala de inclusão. — Foto: Arquivo pessoal

Ana Luiza, de 8 anos, é uma das alunas que participam da sala de inclusão. — Foto: Arquivo pessoal

Fonte: G1 RS

Curso – Roger Chartier: A escrita, o livro, a literatura

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Como parte da programação do mês de setembro e outubro de 2019, propomos o curso livre de título “A escrita, o livro, a literatura”. O presente curso, composto de cinco seminários, se propõe a analisar a história de longa duração e os desafios do presente. Analisa a dupla natureza do livro, material e discursiva que oferece sólido ponto de apoio para vários trabalhos de pesquisa. Serão abordadas a história do livro, a história dos textos e a história da cultura escrita. Refletir sobre os modos de atribuição dos textos ou sobre a dupla natureza do livro é aproximar-se de uma terceira questão que o historiador não enuncia sem apreensão: a das relações entre a história do escrito e a literatura. O curso será ministrado por Roger Chartier, autor de “A história ou a leitura do tempo”, ensaio que reflete sobre as interrogações que permeiam, hoje em dia, a escritura da história.

Com Roger Chartier, professor do  Collège de France, em Paris,  e  professor visitante na Universidade da Pensilvânia. Seu trabalho segue a tradição da escola dos Annales, tendo se dedicado especialmente à história do livro e da leitura. É especialista em história das práticas culturais.

(Foto: Renata Teixeira)

Local: Sesc Centro de Pesquisa e Formação ver no mapa

Data: 30/09 A 04/10 – SEG, TER, QUA, QUI, SEX – 14H ÀS 18H

Mais informações me inscrições: https://www.sescsp.org.br/aulas/200937_ROGER+CHARTIER+A+ESCRITA+O+LIVRO+A+LITERATURA?fbclid=IwAR1YPEYpXtvx8fiqCYeJtKI6fzC8UZM6LqMiN3GO_hAoLhp4ux0y0ynEflk

A importância da leitura na infância

Curso – Pedagogia dos Saraus: Teoria e Prática Literária e Educativa

MINISTRANTE: RODRIGO CIRÍACO (EDUCADOR, ESCRITOR)

SOBRE O CURSO: Espaços privilegiados de troca e produção poética e literária, os saraus e slams se configuraram como uma das principais manifestações orais e artísticas do início do século XXI. O curso propõe o estudo, reflexão e construção destas linguagens em espaços educativos, além de exercícios e provocações estéticas, poéticas e literárias.

PÚBLICO-ALVO: Prof. de Ensino Infantil e Fundamental I, Prof. de Ensino Fundamental II e Médio – Língua Portuguesa, Prof. Orientador de Sala de Leitura – todos com regência de classe nas EMEFs da DRE São Miguel

CARGA HORÁRIA: 20 horas presenciais

CRONOGRAMA: 09/09/2019 À 05/10/2019

TURMA 01: INÍCIO 09/09, as segundas, das 18h30 às 22h30 (CEU CURUÇÁ)
TURMA 02: INÍCIO 13/09, as sextas-feiras, das 08hs às 12hs (CEU SÃO CARLOS)
ENCERRAMENTO: 05/10, das 08hs às 12hs

CURSO COM CERTIFICAÇÃO, VÁLIDA PARA EVOLUÇÃO FUNCIONAL.

INFOS, INSCRIÇÕES: DIPED / DRE São Miguel: https://dipedmp.wixsite.com/meusite

Biblioteca de São Paulo divulga atividades sobre literatura fantástica

Encontro com a escritora Flávia Muniz integra o Programa Viagem Literária; bate-papo na capital ocorrerá em 11 de setembro

Do Portal do Governo

Neste mês, o público de 76 bibliotecas de cidades paulistas tem um encontro marcado com a literatura fantástica e os principais autores desse gênero literário no Brasil. A iniciativa integra o programa Viagem Literária, promovido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado, por meio do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo (SisEB), e realizado pela SP Leituras – Associação Paulista de Bibliotecas e Leitura.Em 11 de setembro, às 10h, a escritora Flávia Muniz, criadora de contos, novelas de literatura fantástica e romances dark, participará de um bate-papo na Biblioteca de São Paulo (BSP), na zona norte da capital. De 16 a 18 deste mês, a autora participará de conversas com o público das bibliotecas de cidades da região de Bauru.Ao todo, 15 escritores participam do módulo de Literatura Fantástica. Em clima de conversa descontraída, eles falam sobre temáticas e enredos extraordinários e favorecem a aproximação dos cidadãos da leitura. A ação também promove a reciclagem do acervo, com a aquisição de obras dos escritores convidados, o que torna as bibliotecas culturalmente mais atraentes para as comunidades.

Frequência

Na 12ª edição, o programa busca estimular o prazer pela literatura e ampliar a frequência nas bibliotecas, além de disseminar o conhecimento. Em maio deste ano, o Viagem Literária passou pelo interior do Estado, com o módulo de Contação de Histórias.

Agora, pela primeira vez, a ação oferece ao público a oportunidade de um contato pessoal com os principais escritores desse gênero literário no Brasil. Os livros dos autores escolhidos estão entre os mais vendidos e os mais emprestados nas bibliotecas brasileiras.

O Viagem Literária foi lançado em 2008 e, desde então, já passou por 217 municípios paulistas, levando escritores, contadores, fábulas, mitos e lendas do folclore brasileiro e da literatura universal para mais de 330 mil cidadãos que vivem no território paulista.

Os interessados podem conferir a programação completa pela internet.

Serviço

Programa Viagem Literária

Flávia Muniz

11 de setembro (quarta-feira)
São Paulo (SP) – 10h – Biblioteca de São Paulo

16 de setembro (segunda-feira)
Lins (SP) – 9h – Biblioteca Nicolau Zarvos
Cafelândia (SP) – 15h – Biblioteca de Cafelândia

17 de setembro (terça-feira)
Lençóis Paulista (SP) – 9h – Biblioteca Orígenes Lessa
Macatuba (SP) – 15h – Biblioteca Carlos Drummond de Andrade

18 de setembro (quarta-feira)
Jaú (SP) – 9h – Biblioteca Rubens do Amaral

Fonte: Governo de São Paulo

Jorge Luis Borges: 120 años de un «ser literario» de imaginación infinita

El célebre narrador construyó un legado imperecedero de cuentos, poemas y ensayos, con obras de referencia como «Ficciones» y «El Aleph»

Su posición política, abiertamente antiperonista y conservadora, suscitó polémica y lo mantuvo alejado de Julio Cortázar y del Nobel de Literatura

Texto por Tono Gil

La inabarcable imaginación del escritor Jorge Luis Borges sigue maravillando al mundo 120 años después de su nacimiento en Buenos Aires, cuna de un «ser literario» que dejó una profunda huella en la historia por su ingeniosa prosa y un humor muy particular.

Nacido el 24 de agosto de 1899, Borges exhibió desde temprana edad una devoción al mundo de las letras que más adelante lo convertiría en un autor universal, con una obra de fuerte identidad que inspiró a numerosas generaciones de escritores y, al mismo tiempo, los mantuvo a una distancia prudencial.

«Es como el sol, no hay que alejarse mucho porque nos da un ligero calor, pero si uno se acerca mucho se quema», explica a la agencia Efe Alejandro Vaccaro, autor de«Borges, vida y literatura», biografía de un personaje con una originalidad cuya magnitud hacía que sus colegas temiesen «caer en la copia».

La «concisa» prosa de este «ser literario» y una«belleza» en el uso de las palabras que «no se ve en otros escritores» cautivaron a Vaccaro, presidente de la Sociedad Argentina de Escritores (Sade), cargo que Borges también ostentó entre 1950 y 1953.

Hasta su muerte en Ginebra (Suiza) en 1986, el célebre narrador construyó un legado imperecedero de cuentos, poemas y ensayos, con obras de referencia como «Ficciones» (1944) y «El Aleph» (1949), aunque no es esa faceta de autor de la que más orgulloso se sentía.

Jorge Luis Borges, en 1982
Jorge Luis Borges, en 1982 – ABC

“«Que otros se jacten de las páginas que han escrito; a mí me enorgullecen las que he leído», sostuvo Borges.

Su amor por la lectura lo empujó a ejercer como bibliotecario de 1937 a 1945 –época en la que ya era conocido por sus creaciones– y le sirvió para convertirse en director de la Biblioteca Nacional Argentina de 1955 a 1974.

«Es muy difícil hablar de un escritor de mediados de siglo XX para acáque no haya sentido el impacto de la obra de Borges»”, afirma Vaccaro, que cita como ejemplos a Mario Vargas LlosaOrhan Pamuk y Umberto Eco.

¿Cómo funcionaba la cabeza del argentino? ¿Cómo se le ocurrían las inverosímiles situaciones que impregnan sus relatos? Son preguntas que el biógrafo sigue haciéndose después de más de veinte años de investigación de su figura.

«Es muy difícil situarse en esa mente de tanto conocimiento, veía más allá de lo que ven todos», valora.

Humor y sarcasmo

Uno de los rasgos personales más característicos de Borges es su humor lleno de sarcasmo, una herramienta que, más allá de sus obras, sacó a relucir para comentar algunos de los trabajos de sus contemporáneos.

«”Cien años de soledad” es una gran novela, aunque quizás con cincuenta años hubiera sido suficiente», apuntó Borges sobre la creación de Gabriel García Márquez.

Su posición política, abiertamente antiperonista y conservadora, suscitó polémica y, según Vaccaro, lo mantuvo alejado del otro gran referente de la literatura argentina del siglo XX: Julio Cortázar.

Además, su viuda, María Kodama, ha sostenido que el escritor nunca se alzó con el Nobel de Literatura pese a estar nominado en diversas ocasiones por «cuestiones políticas».

Jorge Luis Borges
Jorge Luis Borges – ABC

El escritor se quedó ciego alrededor de 1955 y, al final de su vida, se trasladó a Ginebra por miedo a que los efectos del cáncer que le habían diagnosticado se convirtiesen en un espectáculo para los medios argentinos.

Semanas antes de morir, el escritor envió una carta a la agencia Efe en la que expuso que se sentía «misteriosamente feliz» siendo un «hombre invisible» en la ciudad suiza.

«Soy un hombre libre. He resuelto quedarme en Ginebra, porque Ginebra corresponde a los años más felices de mi vida. Mi Buenos Aires sigue siendo el de las guitarras, el de las milongas, el de los aljibes, el de los patios. Nada de eso existe ahora. Es una gran ciudad como tantas otras», expresó en la misiva.

Al igual que su inventiva, el legado literario de Borges no conoce límites y, a 120 años de su nacimiento, la «universalidad» de su obra, según Vaccaro, lo mantiene como un referente global del mundo de las letras.

Fonte: ABC

Narrativas com personagens históricos ganham os leitores

Livros que tratam da história do Brasil são campeões de vendas e permanecem expandindo alcance nacionalmente

Por CARLOS ANDREI SIQUARA

Eduardo Bueno e Mary Del Priore
Eduardo Bueno e Mary Del Priore são referências do segmento de não ficção Foto: L&PM Editores/Editora Planeta/Divulgação

Laurentino Gomes, Eduardo Bueno e Mary Del Priore se tornaram referências de escritores que conseguiram conquistar o público brasileiro com suas narrativas históricas e deixar os leitores ávidos por um novo volume. Gomes, com sua trilogia sobre a história do Brasil, por exemplo, vendeu 2,5 milhões de exemplares. E Bueno não fica muito distante, já somando mais de 1 milhão de títulos vendidos de sua “Coleção Brasilis”, centrada no período colonial brasileiro.

Dentre os três, Mary é a que tem uma bibliografia mais extensa, com 16 títulos produzidos nas últimas duas décadas. Neste mês, aliás, ela amplia essa lista com um novo trabalho intitulado “D. Maria I” (Ed. Benvirá), em que aprofunda o olhar para a história da avó de Pedro I, a que ficou conhecida como “a rainha louca de Portugal”. Em comum, eles compartilham a experiência de levar para o papel narrativas históricas, mas temperadas com os artifícios da ficção.

Gomes, contudo, pondera que “não preenche lacunas de conhecimento histórico com ficção”, mas busca se valer da literatura e do jornalismo para deixar as informações, comprovadas por pesquisas acadêmicas, mais palatáveis. “Não se podem inventar coisas que não estão referendadas pelo trabalho acadêmico, mas você pode usar a forma literária, jornalística, uma maneira de construir a narrativa de modo a capturar e reter a atenção do leitor de interesse geral. É isso que procuro fazer”, frisa ele.

Bueno segue um caminho semelhante, sendo ele mesmo o pioneiro nessa seara de retratar os personagens da história brasileira de uma maneira menos quadrada. “Eu fui muito influenciado pelos autores do chamado ‘New Journalism’, como Truman Capote (1924-1984). Eles praticavam um jornalismo literário. Então, a minha abordagem da história é basicamente fundamentada nesse chamado ‘jornalismo literário’. É claro que o que eu faço não é mais jornalismo, mas, no fundo, o que eu sou é um jornalista. Então, a minha abordagem, o meu olhar sobre o Brasil colônia, é um olhar jornalístico com pitadas literárias sobre o período colonial brasileiro, que é muito rico”, completa Bueno.

Mary, por sua vez, recorda a fala de Gilberto Freyre (1900-1987), que, para ela, ilustra um pouco do método empregado por ela ao compor um texto de matriz histórica para um público mais amplo. “Gilberto Freyre defendia uma escrita impressionista, que pudesse fazer com que o leitor tivesse a sensação do toque, do cheiro, da audição. Ele afirmava que o historiador, em sua escrita, deveria colocar, assim, suas impressões no papel. Então, quando eu vou escrever um livro sobre algum período específico, procuro conhecer a música do período, a cultura, os registros de imagem, fotografias, o que compõe um esforço de recuperar a visão de um mundo perdido”, explica Mary.

“Há a intenção de abrirmos uma janela para o que não conseguimos ver no presente, mas podemos dar a vez ao leitor, por meio das palavras, recriando esse mundo com detalhes mais apurados, com descrições dos comportamentos até as indumentárias, dos interiores à vida nas ruas”, acrescenta ela.

Fenômeno

Continuamente, as obras de não ficção assinadas por autores brasileiros têm dominado as listas dos livros mais vendidos, enquanto, como observa o próprio Gomes, a ficção é mais representada por nomes estrangeiros. Para Gomes, isso é algo curioso e revela aspectos importantes sobre o presente.

“No passado, já houve escritores de ficção que foram muito bem-sucedidos, como Fernando Sabino, em Minas, e Jorge Amado, na Bahia, autores que se tornaram best- sellers, mas acho que hoje estamos vivendo no Brasil um momento de pouca fantasia, de pouca imaginação, um momento muito duro, muito cru, em que estamos discutindo de forma muito polarizada nossa identidade, olhando para o passado para explicar o presente e entender quais os rumos do futuro”, opina o escritor.

“Nesse ambiente, a literatura de não ficção acaba triunfando sobre a de ficção. Eu diria que há pouca poesia, há pouco romance, há pouco sonho no Brasil de hoje. O que se vê é muita gritaria nas redes sociais, na imprensa, nos discursos políticos. Então, acho que a literatura de não ficção pode infundir algum traço de racionalidade nesse debate”, conclui Gomes.

Fonte: O Tempo

Especial literatura: cinco coleções literárias que marcaram gerações

Literatura Sítio do Picapau Amarelo
Sítio do Picapau Amarelo

Literatura: Hoje eu separei cinco coleções que marcaram gerações e que podem ajudar você a incentivar o início do hábito de leitura dos seus filhos

*Por Eduardo Villela

Todos nós temos em nossa memória aqueles que foram nossos melhores amigos de infância. Emília, Mônica, Harry Potter são alguns dos personagens que fizeram parte da minha geração e será de muitas outras que surgirão. Como falei no texto da semana passada (linkar), é importante que os pais incentivem desde cedo seus filhos a lerem. A leitura facilita o aprendizado da criança sobre o funcionamento do mundo ao seu redor, o entendimento mais apurado do convívio social e da relação com a natureza, assim como desenvolve mais rapidamente o senso crítico, a sensibilidade e a empatia.

Hoje eu separei cinco coleções que marcaram gerações e que podem ajudar você a incentivar o início do hábito de leitura dos seus filhos.

Um clássico atemporal é o Sítio do Picapau Amarelo. A série de 23 volumes de literatura infantil brasileira foi escrita pelo autor Monteiro Lobato entre 1920 e 1947. Uma curiosidade é que a obra, que tem atravessado gerações, foi introduzida de um livro anterior do autor, A Menina do Narizinho Arrebitado (1920). A história foi reformulada e mais tarde republicada como o primeiro capítulo de Reinações de Narizinho (1931), que é o livro que serve de propulsor à série. Os anos passam, mas não esquecemos das delícias preparadas pela Dona Benta e Tia Nastácia ou das as aventuras de Emília, Narizinho e Pedrinho pelo sítio.

Outro sucesso atemporal é a Série Vagalume. A coleção de livros infanto-juvenis foi lançado em janeiro de 1973 pela Editora Ática. Suas capas foram se adaptando aos novos públicos, mas os enredos continuam apaixonando os jovens leitores, que muitas vezes liam por indicação da escola. Até 2013, a coleção tinha um total de 91 obras, divididas na série Vaga-lume, com 69 livros, e a Vaga-lume Júnior, com 22. Entre os mais famosos estão os títulos A Ilha Perdida, O Escaravelho do Diabo, Açúcar Amargo, Deu a Louca no Tempo e A Turma da Rua Quinze.

Um autor consagrado que marcou a minha juventude e de muitas outras pessoas é o escritor brasileiro Pedro Bandeira. O sucesso é tanto que até hoje ele é considerado o autor de literatura juvenil mais vendido no Brasil com mais de 23 milhões de exemplares e ganhador de vários prêmios, como o Troféu APCA da Associação Paulista de Críticos de Arte e o Prêmio Jabuti. Sua obra ficou marcada na memória pelos seus grandes livros como os da coleção Os Karas, O Fantástico Mistério de Feiurinha e A Marca de uma Lágrima, entre mais de 80 títulos publicados.

Se mudarmos a linguagem e fomos para os quadrinhos, o que logo vem a sua mente? A dentuça mais famosa do país. A Turma da Mônica foi criada pelo cartunista Mauricio de Sousa em 1959. Engana-se quem acha que a personagem mais famosa da rua do limoeiro foi a primeira inspiração para o Mauricio, a primeira tirinha tinha como os personagens principais Bidu e Franjinha. A partir dos anos 1960, a série começou a ganhar a identidade atual com a criação de Mônica e Cebolinha, entre 1960 e 1963. Para se adaptar ao novo mercado dos animes, Mauricio criou a ‘Turma da Mônica Jovem’ com os personagens adolescentes.

Para as novas gerações, a principal série de livros de fantasia foi escrita pela autora britânica J. K. Rowling. A série narra as aventuras de um jovem chamado Harry James Potter, que descobre aos 11 anos de idade que é um bruxo ao ser convidado para estudar na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Desde o lançamento do primeiro romance, Harry Potter e a Pedra Filosofal, em 26 de junho de 1997 até maio de 2015, já haviam sido vendidas mais de 450 milhões de cópias em todo o mundo, sendo traduzida para 73 idiomas.

* Eduardo Villela é book advisor e, por meio de assessoria especializada, ajuda pessoas, famílias e empresas na escrita e publicação de seus livros. Mais informações em www.eduvillela.com

Fonte: Cabine Cultural

#VIAGEMLITERÁRIA: BIBLIOTECAS DO INTERIOR PAULISTA RECEBEM ESCRITORES DE LITERATURA FANTÁSTICA

#VIAGEMLITERÁRIA: BIBLIOTECAS DO INTERIOR PAULISTA RECEBEM ESCRITORES DE LITERATURA FANTÁSTICA

Programa Viagem Literária acontece entre os dias 9 de setembro e 2 de outubro, percorre 76 cidades e é destinado a todas as idades

A literatura fantástica e os principais autores desse gênero literário, no Brasil, têm encontro marcado, em setembro, com o público de 76 bibliotecas de cidades paulistas.  A iniciativa faz parte do programa Viagem Literária, promovido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado por meio do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo (SisEB) e realizado pela Organização Social SP Leituras.

Os escritores convidados são Ana Lúcia Merege, André Vianco, Affonso Solano, Bárbara Morais, Douglas MCT, Enéias Tavares, Eric Novello, Fábio Kabral, Felipe Castilho, Flávia Muniz, Giulia Moon, Helena Gomes, Jim Anotsu, Marcelo Amaral e Renata Ventura.

Em clima de conversa descontraída, os escritores – que desta vez falam de temáticas e enredos extraordinários – favorecem a aproximação dos cidadãos da leitura. A ação também promove a reciclagem do acervo, com a aquisição de obras dos escritores convidados, o que torna as bibliotecas culturalmente mais atraentes para suas comunidades.

Em sua 12ª edição, o programa busca estimular o prazer pela literatura e ampliar a frequência nas bibliotecas, além de disseminar o conhecimento. Este ano, o Viagem Literária itinerou pelo interior do estado com o módulo de Contação de Histórias, em maio. Agora, pela primeira vez, oferece ao público a oportunidade de um contato pessoal com os principais escritores e escritoras desse gênero literário no Brasil.

Este é um momento especial para trocar ideias, impressões e ampliar o interesse. Os livros dos autores escolhidos estão entre os mais vendidos e os mais emprestados nas bibliotecas brasileiras.

O Viagem Literária foi lançado em 2008 e, desde então, já passou por 217 municípios paulistas levando escritores, contadores, fábulas, mitos e lendas do folclore brasileiro e da literatura universal para mais de 330 mil cidadãos que vivem no Estado de São Paulo.

Veja a programação completa em www.viagemliteraria.org.br

Douglas MCT

9 de setembro (segunda-feira)

Dracena (SP) – 9h – Biblioteca Profª Nile Teresinha Arinos de Carvalho – Douglas MCT

Adamantina (SP) – 15h – Biblioteca Cônego João Baptista de Aquino – Douglas MCT

10 de setembro (terça-feira)

Osvaldo Cruz (SP) – 9h – Biblioteca Belmiro Borini ­- Douglas MCT

Tupã (SP) – 15h – Biblioteca Prof. Tobias Rodrigues – Douglas MCT

11 de setembro (quarta-feira)

Lutécia (SP) – 9h – Biblioteca Profª Maria Cecília da Silva Grohmann – Douglas MCT

Helena Gomes

9 de setembro (segunda-feira)

Santos (SP) – 9h – Biblioteca de Artes Cândido Portinari – Helena Gomes

Santo André (SP) – 15h – Biblioteca Nair Lacerda – Helena Gomes

10 de setembro (terça-feira)

Vargem Grande Paulista (SP) – 9h – Biblioteca Vereador Márcio Fernando – Helena Gomes

Itapevi (SP) – 15h – Biblioteca Monteiro Lobato – Helena Gomes

11 de setembro (quarta-feira)

Santana de Parnaíba (SP) – 9h – Biblioteca Jorge Amado – Helena Gomes

Flávia Muniz

11 de setembro (quarta-feira)

São Paulo (SP) – 10h – Biblioteca de São Paulo – Flávia Muniz

16 de setembro (segunda-feira)

Lins (SP) – 9h – Biblioteca Nicolau Zarvos – Flávia Muniz

Cafelândia (SP) – 15h – Biblioteca de Cafelândia – Flávia Muniz

17 de setembro (terça-feira)

Lençóis Paulista (SP) – 9h – Biblioteca Orígenes Lessa – Flávia Muniz

Macatuba (SP) – 15h – Biblioteca Carlos Drummond de Andrade – Flávia Muniz

18 de setembro (quarta-feira)

Jaú (SP) – 9h – Biblioteca Rubens do Amaral ­- Flávia Muniz

André Vianco

16 de setembro (segunda-feira)

Penápolis (SP) – 9h– Biblioteca Prof. Fausto Ribeiro de Barros – André Vianco

Ubarana (SP) – 15h – Biblioteca Emiliana Vilerá – André Vianco

17 de setembro (terça-feira)

Birigui (SP) – 9h – Biblioteca Dr. Nilo Peçanha – André Vianco

Araçatuba (SP) – 15h – Biblioteca Rubens do Amaral – André Vianco

18 de setembro (quarta-feira)

Itapura (SP) – 9h – Biblioteca de Itapura – André Vianco

25 de setembro (quarta-feira)

São Paulo (SP) – 10h – Biblioteca Parque Villa-Lobos – André Vianco

Renata Ventura

16 de setembro (segunda-feira)

Jundiaí (SP) – 9h – Biblioteca Prof. Nelson Foot – Renata Ventura

Várzea Paulista (SP) – 15h – Biblioteca Profª Zulmar Zuleika Turcato Maraccini – Renata Ventura

17 de setembro (terça-feira)

Itatiba (SP) – 9h – Biblioteca Francisco da Silveira Leme (Chico Leme) – Renata Ventura

Pinhalzinho (SP) – 15h – Biblioteca João Teixeira Gonçalves – Renata Ventura

18 de setembro (quarta-feira)

Mogi Mirim (SP) – 9h – Biblioteca de Mogi Mirim – Renata Ventura

Giulia Moon

23 de setembro (segunda-feira)

Cananéia (SP) – 9h – Biblioteca Eduardo Boechat Ramos – Giulia Moon

Iguape (SP) – 15h – Biblioteca de Iguape – Giulia Moon

24 de setembro (terça-feira)

Itariri (SP) – 9h – Biblioteca Athiê Jorge Curi – Giulia Moon

Itanhaém (SP) – 15h – Biblioteca Poeta Paulo Bomfim – Giulia Moon

25 de setembro (quarta-feira)

Praia Grande (SP) – 9h – Biblioteca Porto do Saber – Giulia Moon

Affonso Solano

23 de setembro (segunda-feira)

Franca (SP) – 9h – Biblioteca Dr. Américo Maciel de Castro Jr. – Affonso Solano

Buritizal (SP) – 15h – Biblioteca Alcyr Pistore – Affonso Solano

24 de setembro (terça-feira)

Sertãozinho (SP) – 9h – Biblioteca Profª Sônia Regina Mossin Garcia – Affonso Solano

Jardinópolis (SP) – 15h – Biblioteca Dr. João Baptista Berardo – Affonso Solano

25 de setembro (quarta-feira)

Ribeirão Preto (SP) – 9h – Biblioteca Guilherme de Almeida – Affonso Solano

Marcelo Amaral

23 de setembro (segunda-feira)

Ilhabela (SP) – 9h – Biblioteca Prefeita Nilce Signorini – Marcelo Amaral

Caraguatatuba (SP) – 15h – Biblioteca Afonso Schmidt – Marcelo Amaral

24 de setembro (terça-feira)

São Luiz do Paraitinga (SP) – 9h – Biblioteca Nelson Ferreira Pinto – Marcelo Amaral

Lagoinha (SP) – 15h – Biblioteca Maria Amenayde Ribeiro Leite – Marcelo Amaral

25 de setembro (quarta-feira)

Natividade da Serra (SP) – 9h – Biblioteca Pública Comunitária Ler é Preciso – Marcelo Amaral

Jim Anotsu

23 de setembro (segunda-feira)

Leme (SP) – 9h – Biblioteca Profª Carolina de Moura Hildebrand – Jim Anotsu

Porto Ferreira (SP) – 15h – Biblioteca Flávio da Silva Oliveira – Jim Anotsu

24 de setembro (terça-feira)

Américo Brasiliense (SP) – 9h – Biblioteca Profª. Alzira Dias de Toledo Piza – Jim Anotsu

Ibaté (SP) – 15h – Biblioteca Comendador Nello Morganti – Jim Anotsu

25 de setembro (quarta-feira)

Torrinha (SP) – 9h – Biblioteca Prof. Ismael Morato de Almeida Lara – Jim Anotsu

Felipe Castilho

23 de setembro (segunda-feira)

Ourinhos (SP) – 9h – Biblioteca Tristão de Athayde – Felipe Castilho

Fartura (SP) – 15h – Biblioteca Prof. Roberto Moreira – Felipe Castilho

24 de setembro (terça-feira)

Itaporanga (SP) – 9h – Biblioteca José Figueiredo de Castilho – Felipe Castilho

Itapeva (SP) – 15h – Biblioteca Profª Josina Vasques Ferrari – Felipe Castilho

25 de setembro (quarta-feira)

Barra do Chapéu (SP) – 9h – Biblioteca do Centro Público De Cultura, Desenvolvimento e Lazer – Felipe Castilho

Bárbara Morais

23 de setembro (segunda-feira)

Itu (SP) – 9h – Biblioteca Jardim Vitória – Bárbara Morais

Pilar do Sul (SP) – 15h – Biblioteca José de Alencar – Bárbara Morais

24 de setembro (terça-feira)

Alambari (SP) – 9h – Biblioteca Kelly Cristina Ramos – Bárbara Morais

Itapetininga (SP) – 15h – Biblioteca Dr. Júlio Prestes de Albuquerque – Bárbara Morais

25 de setembro (quarta-feira)

Pardinho (SP) – 9h – Biblioteca de Pardinho – Bárbara Morais

Ana Lúcia Merege

30 de setembro (segunda-feira)

Barretos (SP) – 9h – Biblioteca Affonso de Escragnolle Taunay – Ana Lúcia Merege

Colina (SP) – 15h – Biblioteca Elliz Vaz de Almeida – Ana Lúcia Merege

1 de outubro (terça-feira)

Bady Bassitt (SP) – 9h – Biblioteca Monteiro Lobato – Ana Lúcia Merege

Votuporanga (SP) – 15h – Biblioteca Castro Alves – Ana Lúcia Merege

2 de outubro (quarta-feira)

Estrela D’Oeste (SP) – 9h – Biblioteca Sebastião José da Silva Filho – Ana Lúcia Merege

Enéias Tavares

30 de setembro (segunda-feira)

Anhumas (SP) – 9h – Biblioteca de Anhumas – Enéias Tavares

Rancharia (SP) – 15h – Biblioteca Castro Alves – Enéias Tavares

1 de outubro (terça-feira)

Marília (SP) – 9h – Biblioteca João Mesquita Valença – Enéias Tavares

Garça (SP) – 15h – Biblioteca Dr. Rafael Paes de Barros – Enéias Tavares

2 de outubro (quarta-feira)

Tarumã (SP) – 9h – Biblioteca Anna Aparecida José de Brito – Enéias Tavares

Fábio Kabral

23 de setembro (segunda-feira)

Guaratinguetá (SP) – 9h – Biblioteca Dr. Diomar Pereira da Rocha – Fábio Kabral

Taubaté (SP) – 15h – Biblioteca Prof. José Jerônimo de Souza Filho – Fábio Kabral

24 de setembro (terça-feira)

Jacareí (SP) – 9h – Biblioteca Macedo Soares – Fábio Kabral

Guararema (SP) – 15h – Estação Literária Profª Maria de Lourdes Évora Camargo – Fábio Kabral

25 de setembro (quarta-feira)

Suzano (SP) – 9h – Biblioteca Profª Maria Eliza de Azevedo Cintra – Fábio Kabral

Eric Novello

23 de setembro (segunda-feira)

Rio Claro (SP) – 9h – Biblioteca Profª Maria Victoria Alem Jorge

Cordeirópolis (SP) – 15h – Biblioteca Profª Aita Bentivegna Dias

24 de setembro (terça-feira)

Limeira (SP) – 9h – Biblioteca Prof. João de Sousa Ferraz –

Santa Bárbara D’Oeste (SP) – 15h – Biblioteca Maria Aparecida de Almeida Nogueira –

25 de setembro (quarta-feira)

Monte Mor (SP) – 9h – Biblioteca José Maluf

Fonte: Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo

Projeto Mais que Obrigatórias lê e discute o livro ‘Quarto de despejo’, de Carolina Maria de Jesus

Carolina Maria de Jesus (Foto: Reprodução)

No próximo dia 25/8, domingo, das 16h às 18h, o projeto “Mais que Obrigatórias”, que acontece no Sesc Campinas, lê e discute o livro “Quarto de despejo”, de Carolina Maria de Jesus.

Com Mário Augusto Medeiros da Silva, sociólogo e pesquisador de literatura.

O livro, escrito em 1960, é considerado um marco da literatura negra e feminina no Brasil. Ele narra o cotidiano da autora nas comunidades pobres da cidade de São Paulo.

O evento “Mais que Obrigatórias” é constituído de atividades em diferentes formatos que abordam textos que compõem a lista dos livros indicados para as provas dos principais vestibulares do Estado.

A atividade acontece na Biblioteca e a entrada é gratuita. (Carta Campinas com informações de divulgação)

Fonte: Carta Campinas

Em Guaianases, biblioteca conta história e faz homenagem a Cora Coralina

Espaço é considerado o primeiro com temática feminista em São Paulo

LUCAS VELOSO

Com um título autoexplicativo, começa neste sábado (17) a exposição “Memórias da Biblioteca Cora Coralina: Cinco décadas de histórias em Guaianases”. Fundado em 1966, o espaço homenageia a poetisa goiana e é considerado o primeiro com temática feminista em São Paulo.

Organizada pelo Centro de Pesquisa de Documentação Histórica Guaianás, a mostra tem como objetivo abordar a história da biblioteca e a sua ligação com o bairro, que teve origem com as populações indígenas, mas hoje é conhecido pela forte presença de nordestinos.

Primeiro dia de funcionamento da biblioteca Cora Coralina em 1966 – Arquivo Municipal/Divulgação

Para isso, expõe documentos, jornais, revistas e imagens. Há, ainda, obras e áudios que narram a vida de Cora Coralina, além de trabalhos produzidos por mulheres na biblioteca sobre feminismo.

A biblioteca foi o primeiro espaço municipal a oferecer uma programação no período noturno para atender aos trabalhadores.

Biblioteca Cora Coralina – R. Otelo Augusto Ribeiro, 113, Guaianases. Seg. a sex.: das 9h às 18h. Sáb.: das 9h às 16h. Dom.: das 10h às 15h. Até 15/9. Livre. Grátis.

Fonte: Guia Folha São Paulo

O alquimista digital

Paulo Coelho faz parceria com Recode para criar clubes de leitura e de discussões sobre tecnologia em bibliotecas brasileiras

Texto por PUBLISHNEWS, Redação

Paulo Coelho quer incentivar o empoderamento digital de jovens brasileiros | Niels Akermann

Com o objetivo de incentivar o uso de tecnologias para o fomento à leitura, Paulo Coelho e a ONG Recode fecharam uma parceria para lançar a Trilha do Alquimista Digital que quer incentivar a formação de clubes de leituras e de discussões sobre tecnologia em bibliotecas de todo o Brasil.As inscrições para participar do projeto estão abertas e vão até o próximo dia 19. Para participar, a biblioteca deve ter CNPJ válido e ao menos dois computadores disponíveis para o uso dos frequentadores. Após a inscrição, as bibliotecas habilitadas receberão livros digitais de Paulo Coelho para criar um Clube de Leitura sobre suas obras.

Toda a trilha é gamificada e as bibliotecas participantes podem receber desafios surpresa durante o percurso e prêmios que vão desde livros digitais do Paulo Coelho e exemplares autografados pelo autor até e-readers.

Para concorrer aos prêmios, os membros do clube de leitura precisam realizar ao menos dois cursos de tecnologia para empoderamento digital da plataforma Recode e debater dois livros do autor.

O próximo passo será gravar um vídeo sobre a experiência e aprendizados com o clube. A Recode irá receber um vídeo finalista por biblioteca, com premiações previstas para os realizadores e o profissional da biblioteca a partir da seleção dos melhores materiais.

Para Rodrigo Baggio, presidente da Recode, a tecnologia é uma grande parceira do acesso a conhecimento e oportunidades para os jovens. “Com o game, queremos fortalecer o empoderamento digital dessa geração e contribuir para o desenvolvimento das comunidades no entorno da biblioteca”, defendeu.

Todas as informações e o link para inscrições no Game do Alquimista Digital estão disponíveis no site da plataforma.

Fonte: PUBLISHNEWS

“Bloqueio de leitor”: o mal que assombra aqueles que se dedicam à literatura

Ary Quintella

Quintella: “O bloqueio de leitor é algo insuportável. Falta algo na vida, e não sei como preencher o vazio.”| Foto: Pixabay

Ocasionalmente, reaparece nas redes sociais um ensaio do escritor britânico Geoff Dyer sobre as suas dificuldades para ler ou terminar de ler livros. Intitulado Reader’s block e publicado originalmente em 2000, quando o escritor tinha 41 anos, o texto descreve o desânimo de Dyer ao olhar para as suas estantes e perceber que não deseja ler nenhum dos livros ainda intocados. E assim, compra outros, por não querer ler os que já possui. E continuará pensando, olhando para as estantes: “There’s nothing left to read”.

Dyer narra como, para passar o tempo em um voo transatlântico, compra dois livros, cujos títulos aliás parecem paradigmáticos: O leitor, de Bernhard Schlink, e Uma história da leitura, de Alberto Manguel. O voo termina e nenhum dos dois foi lido. Justamente, tenho ambos os livros em casa, e não os li. O segundo foi presente de uma amiga querida, há muitos anos, e ele serve ao menos para me fazer pensar nela, quando vejo a lombada.

Geoff Dyer é um escritor que sempre leio com prazer e considero o primeiro livro que dele comprei, Out of sheer rage: wrestling with D. H. Lawrence (1997), um marco na literatura contemporânea. Nele, Dyer narra sua tentativa de escrever um estudo sobre D.H. Lawrence, o qual, por procrastinação, nunca consegue concluir ou mesmo começar na forma como planejara. A própria liberdade de tempo para escrever torna-se um empecilho: “I had nothing to keep me from writing my study of Lawrence, and so I never buckled down to it”. Lawrence é aliás um autor que nunca li, embora tenha em casa, desde o final da adolescência, Filhos e amantes e Lady Chatterley’s lover, ambos esperando pacientemente que eu me dedique a eles.

Dyer procrastina também a releitura dos romances de Lawrence, o que poderia ser necessário para elaborar o estudo sobre o autor: “I thought, why should I? Why should I re-read this book [Women in love] that I not only had no desire to re-read but which I actively wanted not to re-read”. Parece manifestar preferência pela correspondência e os poemas de Lawrence, mas na hora de viajar para uma temporada de seis semanas em uma ilha grega — onde, naturalmente, não conseguirá escrever nada — indaga-se se deveria ou não levar uma edição dos poemas completos, que afinal será deixada para trás em Roma.

Out of sheer rage, porém, consegue ser um comentário bem-sucedido sobre D.H. Lawrence e sua obra, uma reflexão sobre a literatura em geral e também uma autobiografia de Dyer. Alguns dos livros do autor foram traduzidos no Brasil, mas creio que não este, o meu predileto. Dyer expõe, em tom feroz e cômico, seus defeitos, suas antipatias e a intensidade de suas reações às coisas e às pessoas. Em um momento, ganha de presente um livro de ensaios acadêmicos sobre Lawrence, com títulos e temas pretensiosos, como Alternatives to logocentrism in D.H. Lawrence, e queima o livro “in self-defence. It was the book or me because writing like that kills everything it touches”.

O texto de Dyer sobre seu bloqueio como leitor, sendo do ano 2000, pertence já à era digital, mas é anterior ao surgimento e à multiplicação das redes sociais. Estas, com seu oferecimento capcioso e constante de notícias, na maior parte do tempo sem interesse ou utilidade, atrapalham a imersão na leitura. Somos também tentados a aceitar oferta profusa de filmes e séries em nossos computadores. Dyer cita um ensaio do pensador George Steiner, que tenho — e li — intitulado The uncommon reader, o qual, embora publicado em 1978, portanto antes da era digital, critica “the near-dyslexia of current reading habits”. Steiner indica que já não lemos como nossos antepassados, inclusive pela falta de silêncio e solidão. O silêncio, segundo ele, e nisso concordo plenamente, tornou-se um luxo.

Em Reader’s block, Geoff Dyer conta como, nascido em um ambiente de poucos recursos em uma cidade provinciana, único da família a gostar de ler e não tendo ainda viajado, para ele a leitura era, na juventude, a única forma de acesso a outros mundos. Aos 41 anos, escritor de sucesso, constata: “Reading, which gave me a life, is now just part of that life”.

Bloqueio de leitor

Há períodos em que sofro de um bloqueio e leio menos do que gostaria. Isso notei, pela primeira vez, aos 15 ou 16 anos, quando lamentei com um amigo estar atravessando uma fase em que, a meu juízo, eu estava lendo pouco. Acabara então de escrever meu primeiro — e até hoje único — romance. Tratava-se de uma história de amor passada entre o Rio de Janeiro e uma fazenda em Minas Gerais, na Zona da Mata, na época do Império. Era, vejo hoje, uma autobiografia, fora o fato de que eu não existia ainda no século 19. Desencorajado pelo meu pai — ele mesmo escritor — que, com o objetivo de me incentivar foi, para minha sensibilidade adolescente, excessivamente crítico, procrastinei e nunca revisei o romance. “I blame my father”, informa Geoff Dyer, de repente, na página 143 de Out of sheer rage, quando não consegue montar um quadro de avisos de cortiça para a cozinha, comprado na Ikea.

Houve, desde a adolescência, outros períodos em que acusei a mim mesmo por não estar lendo o suficiente. Olho para as minhas estantes, suspiro e penso comigo mesmo: “Não tenho interesse por nenhum desses livros. Nenhum deles é o livro que quero ler”. O bloqueio de leitor é algo insuportável. Falta algo na vida, e não sei como preencher o vazio.

Naturalmente, coloca-se a questão do que seria “ler o suficiente”. Estou ciente de que não poderei nunca ler tudo o que espero. Sei também que nem sequer os 6.000 volumes na biblioteca de casa eu poderei ler. Segundo Steiner, não é um verdadeiro leitor aquele que “has not experienced the reproachful fascination of the great shelves of unread books, of the libraries at night of which Borges is the fabulist”. A menção ao escritor argentino não poderia ser mais apropriada, já que boa parte da obra de Jorge Luis Borges, grande leitor, é um comentário sobre livros, bibliotecas e outros autores.

Romances curtos às vezes me causam um bloqueio, enquanto que posso ler relativamente rápido livros longuíssimos, totalmente imerso no texto. Guerra e paz — 1.620 páginas na tradução que prefiro, em francês, por Henri Mongault, editada pela Gallimard na Pléiade — é a leitura mais deliciosa que jamais fiz. Sonho com uma vida em que eu pudesse ininterruptamente ler o romance de Tolstói e recomeçá-lo em seguida, em um ciclo constante. Em busca do tempo perdido é uma leitura e releitura de toda a vida. Abri o primeiro tomo aos 11 anos, fiquei fascinado, e nunca mais parei. Releio sempre os quatro primeiros tomos. Lembro de frases de cor, cito falas dos personagens, que eu pareço conhecer como figuras do meu cotidiano. Sei onde encontrar meus trechos prediletos, e esses eu releio sem parar. Durante muito tempo, porém, senti não estar maduro para os três últimos tomos. Há alguns anos, eu os li pela primeira vez, e a obra toda ganhou nova dimensão, e a minha vida junto.

Após a morte do romancista canadense Robertson Davies, em 1995, lançou-se uma coletânea de palestras suas sobre literatura e leitura. Nem que fosse apenas pelo seu título — The merry heart — seria impossível não ficar indiferente ao livro. Davies dá um conselho simples: se não está gostando do livro, pare de lê-lo; a vida é muito curta para passá-la lendo algo que não desperta seu interesse. Montaigne, em seus Ensaios, diz o mesmo, no capítulo sobre livros. Afirma querer passar “doucement, et non laborieusement, ce qui me reste de vie”. Por isso, busca na leitura “prazer, por meio de uma diversão honesta”. Se a leitura apresenta alguma dificuldade, ou é tediosa, ele evita angustiar-se a respeito (“je n’en ronge pas mes ongles”) e deixa o volume de lado, ao menos temporariamente.

Robertson Davies considera-se “um leitor irresponsável” (“a rake at reading”). Diz ele: “I have read those things which I ought not to have read, and I have not read those things which I ought to have read”. Como suas leituras deveram muito ao acaso e ao seu faro, Robertson Davies estima que, se vivesse de novo, não leria necessariamente os mesmos livros, pois outros apareceriam frente a ele.

O que significa ler?

Davies formula percepções que todo leitor contumaz, dentro de si, sente com relação à leitura. Segundo ele, “books choose us” e “we find, and are found by, the books we need to enlarge and complete us”. Acredita que, mesmo quando nos deixamos guiar pelo acaso em nossas leituras, “the inward spirit, I am convinced, knew very well what it was doing”. Essa frase lembra um comentário de Borges: “Un libro es una cosa entre las cosas, un volumen perdido entre los volúmenes que pueblan el indiferente universo, hasta que da con su lector, con el hombre destinado a sus símbolos. Ocurre entonces la emoción singular llamada belleza”.

Pesquisando na minha biblioteca, vejo que muitos escritores se detiveram sobre o que significa ler. Parece ser um tema recorrente. Talvez isso seja natural, já que um autor superlativo foi, em algum momento ao menos, também um leitor atento.

Italo Calvino publicou em uma revista italiana de notícias, em 1981, artigo incentivando os italianos a ler os clássicos — texto hoje conhecido como Perché leggere i classici — mas é no “romance” Se um viajante numa noite de inverno que ele analisa em detalhe o que é ler e escrever um livro. O personagem principal, Leitor, começa a ler dez romances, que nunca chega a acabar, porque as cópias são todas defeituosas ou incompletas. No início da obra, Calvino dá as várias razões — pouco menos de vinte — pelas quais livros não são comprados ou lidos. No final, Leitor conversa em uma biblioteca pública com outros leitores sobre como encaram a leitura. O “quarto leitor” diz exatamente o que eu mesmo penso: “cada novo livro que leio passa a ser parte do livro global e unitário que é a soma de todas as minhas leituras”.

Em 1905, Proust publicou, com o título de Sur la lecture, um texto encantador. Redigido para servir de prefácio à sua tradução de um livro de John Ruskin, Sur la lecture (conhecido depois como Journées de lecture) inicia-se com a descrição de Proust, criança, em sua atividade como leitor durante o verão na casa dos tios, que podemos ainda hoje visitar em Illiers-Combray. A primeira frase diz que os dias da infância passados com um livro predileto são os que foram vividos mais intensamente. Isso já dá o tom. As atividades que o obrigam a parar de ler — almoço, jantar, passeios com a família — parecem longas. Em algum momento, porém, a leitura do livro termina. Proust descreve a saudade dos personagens que aí surge:

Então, é isso? […] Esses seres aos quais tínhamos dado mais de nossa atenção e de nosso carinho do que às pessoas da vida real […] nunca mais as veríamos, nunca mais saberíamos nada delas.

Várias páginas depois, Proust afirma ser a leitura “uma amizade sincera”, da qual não fazem parte as “mentiras” necessárias nas relações com as outras pessoas. O texto termina com a observação de que escritores frequentemente preferem ler os clássicos, e não seus contemporâneos. Como leitor, tenho a mesma predileção e, se não li alguns dos livros nas minhas prateleiras, às vezes é simplesmente porque eles são ainda muito recentes.

Os clássicos, nos diz Proust, “contêm todas as belas formas de linguagem abolidas, que guardam a lembrança de usos ou formas de sentir que já não existem”. E aqui, Borges pode nos ajudar a completar o pensamento proustiano. Em palestra que deu na Universidade de Belgrano em 1978, ele declarou:

Cada vez que leemos un libro, el libro ha cambiado, la connotación de las palabras es otra. Además, los libros están cargados de pasado […] Hamlet no es exactamente el Hamlet que Shakespeare concibió a principios del siglo 17 […] Hamlet ha sido renacido […] Los lectores han ido enriqueciendo el libro […] Si leemos un libro antiguo es como si leyéramos todo el tiempo que ha transcurrido desde el día en que fue escrito y nosotros.

Em Os devaneios do caminhante solitário, redigidas em seus dois últimos anos de vida, Rousseau inicia o “quarto passeio” dizendo: “Dentre os poucos livros que ainda leio às vezes, Plutarco é aquele que me prende e me traz mais benefícios. Foi a primeira leitura da minha infância, será a última da minha velhice”. Rousseau sofria de misantropia e mania persecutória. Cabe lembrar que o “primeiro passeio” se inicia com a célebre frase: “Estou, assim, sozinho na Terra, não tendo outro irmão, próximo, amigo, sociedade além de mim mesmo. O mais sociável e mais amoroso dos homens dela foi proscrito por uma decisão unânime”. É fascinante, por isso, ver o filósofo, na velhice, voltar à leitura predileta dos seus primeiros anos como leitor, como se estivesse preservando uma amizade.

Tolstói fugiu de casa abruptamente, em estado de agitação mental, aos 82 anos, na madrugada do dia 28 de outubro de 1910. Na noite do mesmo dia, escreve carta, de uma estação de trem, à sua filha Alexandra, pedindo que lhe enviasse, ou se viesse vê-lo trouxesse com ela, os seguintes livros, que estivera lendo antes de fugir: os Ensaios de Montaigne, Os irmãos Karamázov, o romance Uma vida, de Maupassant, e o livro espiritual de um autor russo, P. P. Nikolayev. Tolstói morreria em 7 de novembro, em outra estação de trem, Astapovo. É comovente a necessidade que sentiu, na reta final, de ter consigo os livros que estava lendo.

Tanto no seu ensaio Reader’s block como em Out of sheer rage, Geoff Dyer parece apontar para o fato de que, à medida que envelhecemos, lemos menos, inclusive pela razão que ele dá, de que a leitura deixa de ser a vida, e passa a fazer parte da vida. Outro escritor britânico, Alan Bennett, em um romance cômico de 2007 e intitulado, como o ensaio de George Steiner, The uncommon reader, apresenta o oposto: um personagem que nunca leu e, de repente, na idade madura, vira um leitor obstinado e maníaco. Esse personagem é, nada mais, nada menos, do que Elizabeth II. Sim, ela própria. Bennett, em um dos livros mais engraçados que já li, imagina que a Rainha da Inglaterra, pouco a pouco, vira uma ávida leitora e passa a ler tudo, romances, poesia, biografias, peças de teatro.

Em um jantar de gala que oferece ao Presidente da França no castelo de Windsor, a rainha decide conversar sobre Jean Genet, para constrangimento de seu hóspede, que nunca leu o autor. Ao passar a ser uma grande leitora, única entre seus conhecidos, a rainha causa problemas. Como comenta seu secretário particular, ler é uma atividade excludente, pois embora todos saibam ler, ninguém na verdade lê.

Pouco a pouco, Elizabeth II volta a ler menos. A leitura já não é uma necessidade. Agora, sente que precisa escrever. De início, o primeiro-ministro se anima: um livro popular, indolor sobre a juventude da rainha, a Segunda Guerra Mundial, seu casamento, um best-seller. Logo vem o temor, ao perceber que não é isso. A rainha tem em mente “something more radical. More… challenging”. Na verdade, inspira-se em Proust e deseja emular o narrador de Em busca do tempo perdido, que “looks back on a life that hasn’t really amounted to much and resolves to redeem it by writing the novel, which we have just in fact read”. Esta, afinal, é a mensagem de todo escritor: a de que escrever é a verdadeira vida, é o que permite processar, por em ordem as experiências atravessadas, que incluem, também, as leituras feitas. O bloqueio do leitor, assim, pode ser sintoma de que é chegado o momento de escrever.”

Fonte: Gazeta do Povo

Biblioteca apresenta torneio de literatura em seminário internacional

A Biblioteca Municipal Prof. Nelson Foot foi selecionada para divulgar seu torneio de Literatura Fantástica “Harry Potter” no 11º Seminário Internacional Biblioteca Viva, o mais importante das bibliotecas públicas do Estado de São Paulo. O evento, que começou nesta segunda-feira (5), conta com a presença da diretora do Departamento de Fomento à Leitura e Literatura da biblioteca, Camila de Freitas Rosalem, e das bibliotecárias Michele Bueno e Priscila Nozaki, que terão um painel sobre o torneio sendo apresentado em um telão ininterruptamente.

Torneio de Literatura Fantástica “Harry Potter” ocorre durante as férias de janeiro e julho e inclui palestras, bate-papos, jogos e cosplay

Esse é um momento de grande relevância para Jundiaí. O seminário Biblioteca Viva oferece a oportunidade de compartilharmos nosso trabalho e nos inspirarmos em diferentes experiências nacionais e internacionais para que, cada vez mais, possamos nos tornar uma biblioteca viva e inovadora”, afirma Camila.

O torneio de Literatura Fantástica “Harry Potter” foi desenvolvido pelo Departamento de Fomento à Leitura e Literatura da Biblioteca Prof. Nelson Foot, com o apoio do Comitê Jovem Que Lê – jovens voluntários que atuam com a biblioteca, ajudando a pensar e implementar ações de incentivo à leitura. O projeto ocorre durante as férias de janeiro e julho, atraindo o público entre 14 e 29 anos para o ambiente da biblioteca. De forma dinâmica e lúdica, os participantes, inspirados em Hogwarts – escola de magia que serve de palco principal para os livros da série Harry Potter – são divididos em equipes e executam tarefas, como jogos cooperativos e intervenções artísticas, que incentivam a leitura e a convivência. O torneio inclui desde palestras e oficinas de escrita criativa até desfile de cosplay (onde os participantes se fantasiam de personagens).

Realizado no Centro de Convenções Rebouças até a próxima quarta (7), o Seminário Internacional de Bibliotecas Públicas e Comunitárias é uma das principais iniciativas do Governo do Estado de São Paulo e da Secretaria de Cultura e Economia Criativa para inspirar, fortalecer e transformar as bibliotecas de acesso público nos 645 municípios paulistas.

No evento, representantes da Biblioteca apresentam um painel sobre o torneio Harry Potter

Ao lado de outras ações, como o Prêmio São Paulo de Literatura e o programa Viagem Literária, o Seminário Biblioteca Viva é parte integrante de um conjunto de atividades do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo – SisEB, coordenadas pela Unidade de Difusão Cultural, Bibliotecas e Leitura para a propagação do livro e do gosto pela leitura no Estado de São Paulo.

Assessoria de Imprensa

Fotos: Fotógrafos PMJ

Fonte: Prefeitura de Jundiaí

Para expandir a história e aquecer o mercado editorial, séries ganham adaptações literárias

Texto por Jéssica Malta

ADAPTAÇÃO – A série espanhola “Elite” vai inspirar uma trilogia; o primeiro romance será lançado ainda este ano

Não é difícil fazer uma lista dos livros que ganharam adaptações para a televisão e para o cinema. No universo das séries, exemplos recentes disso se converteram em grandes sucessos, como as produções da Netflix “Orange Is The New Black” e “House Of Cards”. Apesar de esse ser o caminho mais comum, o contrário também acontece e rende bons capítulos em páginas sucessos editoriais.

Prova disso é o acordo recente entre a Netflix e o Grupo Planeta, que prevê o lançamento de livros baseados nas séries “La Casa de Papel”, “Elite” e “La Casa de Las Flores”.

Segundo Cassiano Elek Machado, diretor editorial da Planeta Brasil, braço brasileiro do grupo editorial espanhol, a primeira adaptação deve ser lançada no segundo semestre deste ano. “O que posso adiantar é que esse projeto será um romance, um livro de ficção feito a partir da série Elite”.

A previsão é de que a obra seja lançada em novembro no México e na Espanha. “Devemos receber o material daqui a mais ou menos um mês para avaliarmos se vamos lançar na mesma época”, diz.

Além das adaptações de “Elite”, que formarão uma trilogia, “La Casa de Papel” e a série “La Casa de Las Flores” devem ganhar fanbooks – publicações não-ficcionais que trazem conteúdos exclusivos para os fãs.

Em um cenário de crise editorial, Machado avalia o projeto de forma positiva. “Os livros perderam terreno para as mídias sociais e para o streaming. De fato, a disputa pelo tempo de lazer acaba ficando um pouco mais intensa com essas outras atrações. Então, esse projeto é interessante por ser um estímulo para que as pessoas, principalmente os jovens que consomem séries, possam também ter mais quilometragem em leitura”, acredita.

A jornalista Victoria Hope, editora-chefe do portal Amelie Magazine, especializado em cultura pop e cinema, reforça o coro. Para ela, que trabalha no ramo de séries de TV e cinema há 10 anos, a aproximação entre os seriados e a literatura é uma forma de manter a relevância das obras literárias. “Os livros nunca deixarão de existir, assim como as séries e os filmes, mas é preciso que esses mercados se adaptem e se conectem de alguma forma”, pontua ela, que cita como exemplo o crescente interesse pelos livros que serviram de inspiração para “Game Of Thrones” após o sucesso da série.

Mais conteúdo

Além de serem uma boa maneira de aquecer o mercado editorial, as adaptações acabam se tornando uma boa maneira de ampliar o universo dramático das séries. Um dos exemplos disso é o seriado “Lost”. Sucesso na telinha, a produção da ABC deu origem a livros que exploraram o universo ficcional do seriado, cobrindo brechas deixadas pelos episódios audiovisuais.

“Com essas adaptações é possível também explorar mais a psicologia por trás dos personagens, suas motivações e conhecer detalhes que antes não eram percebidos na série”, afirma Hope.

Além de adicionarem novos detalhes e pontos de vista às séries, as adaptações podem trazer novas histórias para o mesmo universo ficcional. Esse é o caso da série policial “CSI”, que deu origem a 19 livros. O mesmo aconteceu com os spin-offs televisivos da produção, “CSI: Miami” e “CSI: NY”, que inspiraram oito e quatro livros, respectivamente.

“Fãs de cultura pop, principalmente séries de televisão e cinema, tendem a buscar por uma extensão das histórias que mais amam. É um público que busca por mais conteúdos que os mantenham ‘dentro’ daquele universo o maior tempo possível”, analisa.

Fonte: Hoje em Dia

Biblioteca Mário de Andrade expõe cordéis históricos

Estadão Conteúdo

Depois de apresentar obras raras escritas por mulheres e livros para crianças também raros, de seu acervo, a Biblioteca Mário de Andrade se volta, agora, à literatura de cordel e exibe, pela primeira vez, parte da coleção de seis mil folhetos de cordel adquirida em 2015 do embaixador Rubem Amaral Jr. Até essa aquisição, a biblioteca contava com 330 folhetos.

Cordel – A História dos Folhetos Nordestinos no Acervo da Mário será aberta no dia 6, às 19h, com uma conversa entre os cordelistas cearenses Jarid Arraes e Moreira de Acopiara com mediação de Rita Palmeira, e poderá ser visitada até o dia 30 de agosto na Sala do Pátio.

Reconhecido em 2018 como patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo Iphan, o cordel feito aqui é diferente daquele que surgiu na Europa no século 15 e continuou popular em Portugal e na Espanha nos séculos seguintes, embora seja influenciado por ele. Lá, eles são escritos em prosa. Aqui, quase sempre em verso – isso porque ele se desenvolveu com os cantadores de viola e repentistas no Nordeste.

Essas diferenças, curiosidades com relação à sua origem, a chegada ao Brasil, seus momentos mais emblemáticos no País, os temas e os principais nomes do gênero o visitante conhece no texto dos curadores Joana Morena de Andrade e Rizio Bruno Sant’Ana, que acompanha as três vitrines com as publicações históricas.

Na primeira delas, estarão folhetos portugueses e espanhóis – e brasileiros que adaptaram algumas dessas histórias. Um exemplo. Veremos História do Imperador Carlos Magno e dos Doze Pares de França, impresso no Porto em 1881; A Batalha de Oliveiros com Ferrabraz (parte da história do primeiro), impresso em Juazeiro do Norte em 1951; e de novo A História de Carlos Magno e os Doze Pares da França, feito no Rio provavelmente em 1980.

O folheto mais antigo da exposição, que é também o mais antigo do acervo da Biblioteca Mário de Andrade, é de 1692: Marquez de Mantua – Tragédia do Marquez de Mantua, & do Emperador Carlos Magno.

A segunda vitrine será dedicada à editora Guajarina, do Pará, que publicou cordéis primeiro como suplemento de sua revista e, depois do sucesso deles, como edições avulsas, entre o início e meados dos anos 1900. Lampião aparece em vários deles – e abre caminho para a terceira vitrine, com obras sobre o cangaço e questões sociais.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: ISTOÉ

Literatura: confira cinco livros para conhecer São Paulo

Cidade da garoa, que nunca dorme: São Paulo. Uma cidade tão antiga quanto moderna, que mistura todos os tipos de pessoas nas calçadas da Avenida Paulista.

Na literatura, a cidade consegue ser cenário e até personagem principal. Segue uma lista de 5 livros que mostram São Paulo em suas diversas facetas. Confira!

Das terras bárbaras | Editora Tordesilhas

O que pode ligar um jesuíta do século XVII a um jovem diplomata dos nossos dias? Muita coisa, sobretudo se o funcionário for descendente do padre. Das terras bárbaras conta o sofrimento do jesuíta Diogo Vaz de Aguiar, seus percalços e deleites no Novo Mundo. Entre seus fabulosos personagens, há vários históricos, e as pessoas verídicas daquele tempo emprestam realismo a uma narrativa de muitas guinadas. Das terras bárbaras não é apenas repleto de surpresas, mas tem cheiro, gosto, cores e sons do Brasil seiscentista, do Portugal barroco, da África colonial, da São Paulo metrópole, da Lisboa moderna e até de Brasília. É um romance sobre arrebatamentos e temores de todos os tamanhos.

A capital da solidão | Editora Objetiva

Numa narrativa envolvente e reveladora, o leitor é convidado a conhecer momentos cruciais da trajetória da cidade que, por mais de uma ocasião, esteve ameaçada de penosos retrocessos, senão de extinção, por motivo do abandono dos moradores, da precariedade de recursos e do que por vezes pareceu uma irremediável falta de futuro. O destino de São Paulo, ao longo dos três primeiros séculos de existência, foi de isolamento e de solidão. Em 1872, os primeiros sinais de prosperidade começavam a visitá-la, por conta da riqueza trazida pelo café, mas ainda assim a população de pouco mais de 30 mil habitantes a situava numa rabeira com relação às demais capitais brasileiras. Em 1890 já tinha dobrado de tamanho. O momento em que finalmente engrena é súbito como uma explosão – na passagem do século XIX para o XX, a cidade se transformou num aglomerado de gente vinda de diferentes partes do mundo e começou a virar a São Paulo que se conhece hoje.

As meninas | Companhia das Letras

Num pensionato de freiras paulistano, em 1973, três jovens universitárias começam sua vida adulta de maneiras bem diversas. A burguesa Lorena, filha de família quatrocentona, nutre veleidades artísticas e literárias. Namora um homem casado, mas permanece virgem. A drogada Ana Clara, linda como uma modelo, divide-se entre o noivo rico e o amante traficante. Lia, por fim, milita num grupo da esquerda armada e sofre pelo namorado preso. As meninas colhem essas três criaturas em pleno movimento, num momento de impasse em suas vidas. Transitando com notável desenvoltura da primeira pessoa narrativa para a terceira, assumindo ora o ponto de vista de uma ora de outra das protagonistas, Lygia Fagundes Telles constrói um romance pulsante e polifônico, que capta como poucos o espírito daquela época conturbada e de vertiginosas transformações, sobretudo comportamentais.

São Paulo nas alturas | Editora Três Estrelas

Nos anos 1950, uma grande transformação ocorreu em São Paulo: arquitetos modernos passaram a ser maismais requisitados por uma renovada indústria imobiliária. Em pouco mais de 10 anos, foram criados os mais icônicos edifícios da cidade, graças à aliança de arquitetos talentosos, como Niemeyer, David Libeskind Franz Heep, com empreendedores audazes, entre eles Artacho Jurado, Octavio Frias de Oliveira e José Tjurs. Em São Paulo nas alturas, Raul Juste Lores reconstitui esse importante período, apresentando a surpreendente trajetória de seus principais personagens, mulheres e homens que deram rumo novo à arquitetura, à construção e à vida urbana no Brasil. O livro traz também 98 fotos e um guia dos prédios em São Paulo.

Quando eu vim-me embora | Editora Leya Brasil

Entre as décadas de 1930 e 1980, milhares de pessoas abandonaram a terra onde nasceram e foram para outro estado – que, para elas, era como se pertencesse a outro país: São Paulo era outro mundo, tinha outra forma de organização, de lutas, de sociabilidade, de trabalho e até mesmo de falar o português. Com seu estilo coloquial e direto e uma narrativa envolvente, sem perder o rigor com os fatos, Marco Antonio Villa, autor dos best-sellers Mensalão, Ditadura à brasileira e Um país partido, oferece aos leitores a voz não do narrador, mas dos próprios migrantes: são eles que relatam a viagem no pau de arara, a chegada à capital paulista, a dificuldade de adaptação, os empregos, a melhoria de vida, a educação dos filhos, a construção da tão sonhada casa própria. Também estão presentes as reações, os exemplos de solidariedade, as angústias e as alegrias.

Fonte: JORNAL DO BRASIL

Uma editora orgulhosamente periférica: a LiteraRUA dá voz a quem vive e escreve nas bordas de São Paulo

Toni C. criou a LiteraRUA em 2011 para dar voz e espaço a autores e temas que falavam com os moradores da periferia.

Uma notificação judicial devido a uma disputa por herança fez Toni Carlos e a família deixarem para trás o terreno onde viviam no Bairro do Limão, na Zona Norte de São Paulo. Era meados dos anos 1990, e Toni tinha 15 anos. Contrariado, se mudou com os parentes para Carapicuíba, na região metropolitana da capital, mas jurou que um dia voltaria para morar exatamente no mesmo lugar.

Para dar vazão a seus sentimentos, começou a escrever. Na escola, fazia fanzines e jornais; em casa, escrevia cartas para manter o contato com os amigos do Limão, numa época em que as pessoas não dispunham de celular e muito menos WhatsApp. “Foi a primeira relação que tive com a força da palavra”, diz.

A percepção sobre a “força da palavra” está na raiz de sua história de empreendedorismo. Toni Carlos, 40, é o fundador da LiteraRUA, editora e livraria voltada a publicar livros que enfocam questões da periferia e das minorias, como as temáticas negra e feminista. Em oito anos, foram 20 obras publicadas, que juntas venderam mais de 50 mil cópias.

O estalo que levou à criação da editora surgiu em algum momento anterior, ali no meio dos anos 2000, quando ele conheceu o Sarau da Cooperifa (movimento cultural ativo há 19 anos na Zona Sul de São Paulo). Sentiu ter encontrado a sua turma:

“Nunca imaginei ver pessoas que trabalharam o dia inteiro tirar um pedaço amarrotado de papel do bolso e ler uma poesia que elas escreveram. Foi quando percebi que eu não era o único que fazia isso e passei a me reconhecer como um desses autores que se autopublicam”

A LiteraRUA saiu do papel em 2011, com a publicação de dois livros: Poucas Palavras, com letras do rapper Renan Inquérito; e Um Sonho de Periferia, com textos escritos por crianças atendidas pela ORPAS (Obras Recreativas, Profissionais, Artísticas e Sociais), durante oficinas ministradas por Toni. No ano seguinte, ele publicou seu próprio romance, O Hip Hop está morto, uma narrativa “quase autobiográfica” que se pretende uma porta de entrada para quem quer conhecer a história do movimento.

Embora ele seja o único sócio da empresa, a operação é tocada em parceria com o amigo Demetrios Santos, 42, que desde o começo o ajuda no desenvolvimento dos projetos, e de Luciana Macedo, 37, a única funcionária de fato, responsável pela parte administrativa do negócio.

VENDER LIVROS DE OUTRAS EDITORAS AJUDOU A SUSTENTAR O NEGÓCIO

Formado em Publicidade pela Escola Técnica Oswaldo Cruz, Toni foi trabalhar em 2002 no portal Vermelho. Criou uma seção sobre cultura hip hop, cujos artigos publicados seriam reproduzidos num livro da LiteraRua, Hip Hop a Lápis (que chegou a ser adotado por alguns colégios do Brasil em um projeto-piloto do governo federal para atender à lei que torna obrigatório o ensino sobre história e cultura afro brasileira nas escolas).

“Hip Hop a Lápis” foi o nome que ele deu, em 2006, ao seu ponto de cultura, parte de uma política pública em que entidades e coletivos recebem verba para desenvolver ações culturais em suas comunidades. Em 2010, seu trabalho no desenvolvimento de projetos lhe rendeu um prêmio de R$ 20 mil do Ministério da Cultura, com o qual começou a estruturar a LiteraRUA.

“Foi aí que começamos a adotar uma cabeça de negócio”, diz. Até então, ele desenvolvia alguns projetos, inclusive literários, a partir de editais públicos. Mas viu que esse não era o melhor caminho para fazer as obras chegarem às pessoas.

“Não adianta dar um livro para quem não gosta de ler. Distribuir livros funciona como política educacional, mas, dentro do nosso conceito de querer transformar pela literatura, percebemos que distribuir livros cria problemas”

Os principais entraves, explica, eram os critérios de distribuição impostos pelos editais (e nem sempre fáceis de definir), e a falta de sustentabilidade financeira, já que não havia dinheiro para fazer uma nova tiragem dos livros quando estes esgotavam.

Vendo o pai, que nunca vendeu os quadros que pintou, ele entendeu a importância da parte comercial para quem produz arte: “Sem o comércio não é possível fechar o elo. E aí o artista não consegue se comunicar com o mundo”.

Com essa ideia em mente, Toni criou a livraria virtual junto com a editora. É um canal para vender a produção da LiteraRUA e comercializar também outras publicações com temáticas alinhada à sua espinha dorsal: a periferia, suas lutas e questionamentos. “Isso começou a gerar referência porque, na época, estas obras não entravam nas livrarias.”

COMO A LITERARUA CONSEGUIU FURAR O CERCO DAS GRANDES LIVRARIAS

Quando lança um livro, a LiteraRUA organiza uma turnê com o autor por bibliotecas, escolas e centros culturais em regiões da periferia de São Paulo, e também por grandes livrarias, inclusive as mais elitizadas. No início, não foi fácil acessar as cadeias varejistas. “Existia uma soberba. O mercado estava pujante, então dava para desprezar esse nicho”, diz. O nicho desprezado, claro, era a literatura produzida nas bordas da cidade.

“Sabotage – um bom lugar” permitiu que a LiteraRUA entrasse no catálogo das grandes livrarias.

A relação mudou a partir de um livro dele mesmo, Toni: Sabotage – Um Bom Lugar, de 2013, biografia do rapper assassinado uma década antes, aos 29. Sabotage era um artista conhecido por ter encontrado no rap uma saída para escapar da vida do crime. No ano de sua morte, despontaria nas telas em uma participação no filme Carandiru, de Hector Babenco (inspirado em livro de Drauzio Varella), que foi visto por mais de 4,6 milhões de pessoas no cinema.

Toni acompanhava o trabalho de Sabotage. Em janeiro de 2003, estava acampado em Porto Alegre para o Forum Social Mundial, e pretendia encontrar o rapper, que participaria do evento — mas foi morto antes de embarcar para a capital gaúcha. Toni conta que foi ele próprio quem soube da notícia e a dividiu com o resto do grupo no acampamento.

O escritor coletou material para o livro durante uma década, mas a pesquisa intensiva e as entrevistas com a família de Sabotage começaram em 2011. A biografia é até hoje a obra mais vendida da LiteraRUA, com 10 mil exemplares.

“Cem por cento do mercado comercial veio com a gente, a partir do Sabotage”, diz Toni. A relação da LiteraRUA com as grandes livrarias se mantém desde então e, na avaliação do empreendedor, foi até aprimorada com a crise do mercado editorial, que segundo ele precisou se render a títulos mais populares, de autoras e autores negros inclusive.

“A oferta tem sido afetada com o fechamento de lojas e a migração da venda para o online. Como leitor e cidadão, não posso achar bom que uma livraria feche. Do ponto de vista do negócio, é um concorrente que vai embora. Porém, no médio prazo, isso tem o efeito de desestimular a leitura”

O fato é que, na contramão da crise, a LiteraRUA vem crescendo. Em 2018, o negócio faturou 212 mil reais. Ao comparar as vendas do primeiro semestre daquele ano com o primeiro semestre de 2019, Toni diz que o aumento foi de 300%.

NOS PROJETOS, AUTORES E EDITORA DIVIDEM CUSTOS E RECEITA

Uma das preocupações da LiteraRUA é em como estabelecer uma relação de cooperação com os autores. Toni diz que a editora funciona como um coletivo e as obras são pensadas em conjunto, da capa à comercialização. Enquanto a praxe no mercado editorial é que os autores fiquem com 10% do valor da venda dos livros, na LiteraRUA a operação se dá de forma diferente, já que os custos e a receita são partilhados entre o autor e a editora.

As frações dessa divisão dependem caso a caso. “Cada autor é um parceiro nosso. Isso é importante porque o autor é, em grande medida, responsável por fazer o livro circular. Ele é o maior vendedor de livros que existe”, diz. Como estratégia de mercado, essa política de remuneração dificulta a escala dos projetos, mas o empreendedor está seguro desse caminho, mesmo que implique em obstáculos financeiros.

“Se eu fizesse diferente, talvez conseguisse publicar um livro por mês. Mas não quero ser predatório. Acredito que a arte tem, sobretudo, uma função social. Se tiver apenas o viés econômico, pode até ser um produto comercial, mas não é verdadeiramente arte”

As tiragens começam em mil exemplares (e, após a primeira, são geradas conforme a demanda). Os livros da LiteraRUA custam entre R$ 19,90 a R$ 97,90, com um ticket médio R$ 50. Em 2018, foram três títulos novos. Essa média deve se manter em 2019: um livro já foi publicado este ano e mais dois estão previstos.

Toni e Demetrios recepcionando Odara, a nova autora da LiteraRUA.

Um desses próximos lançamentos é Lukênya, obra voltada ao público infantil sobre uma garota negra que vai descobrindo o próprio cabelo. O livro será publicado em português e kimbundu, língua bantu falada em Angola. A autora, Odara Dèlé, é professora de Sociologia do ensino médio, na rede estadual, e empreendedora à frente do Alfabantu, um aplicativo para o ensino do idioma.

Toni entrou em contato com Odara enquanto participavam do Vai Tec, aceleração para empreendedores de baixa renda promovida pela ADE SAMPA. Com uma bolsa de 32 mil reais, o programa de seis meses deu fôlego à LiteraRUA em 2018.

Neste ano, a editora foi selecionada para outra iniciativa, desta vez da Aceleradora de Negócios de Impacto da Periferia (ANIP), que oferece mentorias e um aporte de 20 mil reais — o uso do dinheiro será definido em conjunto no fim da aceleração (de sete meses), em novembro.

O foco agora é trabalhar com mais autores, lançar cada vez mais títulos e vender também mais obras de outras editoras. O objetivo deve ser atingido, se depender apenas da determinação do empreendedor. Em 2010, uma década e meia após deixar à revelia a casa onde morava no Limão, Toni cumpriu a promessa de retornar ao bairro. A casa não existia mais, mas ele fez questão de comprar um apartamento no condomínio construído no terreno. “Eu falo que foi uma vingança positiva.”

Fonte: Draft

Crítico alemão mostra como a literatura transforma a civilização

Recém-lançado no Brasil, “O Mundo da Escrita”, de Martin Puchner, é comentado pela professora Marisa Midori

Texto por Roberto C. G. Castro 

O imperador macedônio Alexandre, o Grande (356-323 antes de Cristo), foi profundamente influenciado pela Ilíada, de Homero, que lhe dava o exemplo do líder grego Aquiles para inspirar suas conquistas. Antes dele, Assurbanípal (690-627, aproximadamente), rei da Assíria, teve como modelo a Epopeia de Gilgamesh, um poema épico sumério sobre o mitológico rei Gilgamesh. Mais recentemente, o Manifesto Comunista, de Marx e Engels, embalou milhões de mentes e corações em vários países e modelou a Revolução Russa de 1917.

Esses são alguns exemplos citados pelo crítico literário alemão Martin Puchner em seu livro O Mundo da Escrita – Como a Literatura Transformou a Civilização, lançado em maio passado pela Editora Companhia das Letras.

O livro foi comentado pela professora Marisa Midori em sua coluna Bibliomania, transmitida no dia 5 de julho de 2019 pela Rádio USP (93,7 MHz).

Ouça a matéria:

Fonte: Jornal da USP

E se a literatura não existisse?

O dinamismo do mundo atual compromete nossa forma de ser e agir? Com tanta falta de tempo, será que estamos perdendo algo importante da vida? De que forma poderíamos evoluir como seres humanos? Segundo o professor Rafael Ruiz da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), respostas para essas e outras questões relacionadas a nossa existência podem ser encontradas na literatura. O docente, que tratou sobre o tema na última edição do Ciclo de Palestras “Química às 16” do Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da USP, concedeu entrevista exclusiva sobre o assunto. Confira, abaixo, o bate-papo na íntegra.

IQSC: Quais benefícios que a literatura trouxe e/ou traz para a sociedade você destacaria como sendo os mais importantes até hoje? Por que?

Rafael: A Literatura, pelo menos a boa literatura, é sempre revolucionária e libertadora. Não acredito que seja necessário fazer “literatura engajada” ou “literatura política”. Aliás, penso que essa é uma das formas mais tristes de instrumentalizar e rebaixar a Literatura. Uma boa obra sempre nos força a repensar a nossa vida, as nossas circunstâncias, as nossas motivações. Sempre nos faz pensar. A Literatura sempre é, como gosto de dizer, um sinal de alerta, um amarelo ou um vermelho no nosso dia a dia que nos grita: pare e pense, não fique nessa correria à toa. E quando nos permitimos parar e pensar e nos deixamos surpreender pela Literatura, então nos abrimos à possibilidade de uma mudança significativa na nossa vida e, portanto, na nossa sociedade.

IQSC: Como começou sua relação com a literatura e o que mais te encanta na área?

Rafael: Começou quando fazia colegial em Sevilla, na Espanha, com um professor apaixonado pela Literatura e que, em lugar de pedir fichamentos e resumos, lia para nós obras clássicas e fazia os seus comentários e, o que mais me surpreendeu, pedia para que nós também falássemos o que tínhamos achado ao ouvir aqueles textos. Foi mágico. E acho que foi isso que me encantou. O poder da palavra! A palavra escrita de um bom autor penetra na alma e atinge o mais profundo de nós.

IQSC: Quais são as suas referências literárias e de que forma elas podem ser utilizadas como ferramentas de reflexão? Poderia nos dar algum exemplo?

Rafael: Gosto de Dostoiévski e de Tolstói. Gosto da forma que tratam isso que é, de certa forma inabarcável, e que chamamos de “interioridade” ou “intimidade” e que, acredito, estarmos cada vez mais longe de conhecer. Ambos sempre me ajudaram e me ajudam a entrar em mim mesmo, a me conhecer e, na medida em que isso é possível, a conhecer também os outros. Não naquilo que é externo, mas na sua profundidade.

Dentre os modernos, gosto de Tolkien, do Senhor dos Anéis e da sua intuição de que precisávamos – e acredito que foi isso que ele tentou – de um novo mito fundador para poder encontrar sentido nas nossas vidas no mundo contemporâneo. E gosto de Susanna Tamaro. Suas obras e seus textos têm a força do vivo e do real. E isso, hoje, faz toda a diferença. Estamos ficando muito confusos com tanto mundo virtual, com tanto avatar e selfies.

Na Unifesp, no curso de Medicina, organizo junto com meu colega Dante Gallian o que chamamos de “Laboratório de Humanidades” e é uma experiência única. Um grupo de vinte ou trinta alunos e profissionais da Saúde, discutindo durante um semestre sobre Crime e Castigo, O idiota, Ana Karenina, A morte de Ivan Ilitch, Odisseia, O retrato de Dorian Gray. No site você pode ver os depoimentos de muitos deles sobre como a Literatura ajuda na reflexão.

Rafael Ruiz acredita que, se a literatura não existisse, a sociedade seria composta por pessoas solitárias e egoístas. Foto: Henrique Fontes/IQSC

IQSC: Como você avalia o atual cenário científico de estudos relacionados à literatura no Brasil? Estamos em um bom estágio?

Rafael: Acredito que sim. Há muita coisa boa sendo escrita e publicada nas Universidades públicas e por estudiosos, mas tenho receio de que esse tipo de coisa tenha produzido um “estado de espírito” na sociedade que acabou levando as pessoas a pensarem que Literatura é coisa de especialista, de que não dá, para o homem ou a mulher comum, enfrentarem obras clássicas. A Literatura sempre foi escrita para o povo. A boa Literatura aparecia, na maior parte das vezes, nos jornais e era aguardada com ansiedade. Os textos dos autores clássicos mexiam com as pessoas diretamente, sem necessidades de críticas, análises e estudos especializados. Não digo que isso não seja bom e necessário. O que estou dizendo é que a Literatura não é feita nem escrita para os especialistas, mas para todos. Todos podemos deixar-nos surpreender pelos irmãos Karamazov, ou pela Elegância do Ouriço, de Muriel Barbery, para citar uma autora atual.

IQSC: Como você imagina que a sociedade seria se não existisse a literatura?

Rafael: É só ler A História sem Fim, de Michel Ende. Essa é a trama do livro. Surpreendente e apaixonante. Ou Fahrenheit 451, de Ray Badbury. Seria uma sociedade onde as pessoas seriam muito solitárias e egoístas, mesmo vivendo todas muito juntas, e onde os sentimentos seriam quase inexistentes. Uma sociedade de surdos-mudos afetivos. Acredito que estamos caminhando nessa direção. E não percebemos nada disso.

IQSC: Na sua opinião, quais elementos são primordiais para que as pessoas ajam verdadeiramente como bons seres humanos? Como a literatura pode auxiliar nesse processo?

Rafael: Essa seria uma resposta muito longa, mas, nos tempos que correm, nesses nossos tempos atuais, acredito que é preciso aprender com Ulisses, ou com Aliocha ou o Príncipe Miskin, ou, então, com Gandalf e Galadriel. É preciso aprender a ter misericórdia e compaixão. É preciso saber relevar, não dar tanta importância aos erros, saber passar por cima dos furos dos outros. É preciso, antes de mais nada, saber ter tempo para ouvir, ouvir mesmo, até o fim, ouvir tudo aquilo que o outro quer nos dizer e nos comunicar. Penso que a velocidade do Twitter, do Instagram ou do Facebook estão encurtando o nosso tempo e a nossa paciência. Não sabemos mais ter tempo para ouvir ou, como diz Daniel Pennac, em Como um romance, não sabemos mais ter tempo para ler nem para amar. E esse tempo é sempre um tempo roubado. Roubado à obrigação de viver. A Literatura ensina a ter e dar tempo ao outro. Isso é que nos torna mais humanos. E quando não é assim, infelizmente acredito que chegamos ao que tristemente encontramos hoje: intolerância, ódio e desqualificação. Nada disso nos torna melhores seres humanos.

IQSC: Há espaço para a literatura em todas as áreas de nossas vidas? Há rejeição ou má utilização dela em algum campo?

Rafael: Não sei como responder a isso. Acho que não se trata de “espaço em todas as áreas”. A nossa vida é única, ela não deveria ser fragmentada, nem “espacializada” e, muito menos, não deveria ser “setorializada” ou dividida em papéis. Se houver algum espaço onde possa entrar a Literatura será no meu eu interior e, a partir daí, ela se comunica com tudo da minha vida. A Literatura me afeta, me modifica e, por isso, afeta e modifica as diferentes áreas da minha vida.

Se é possível utilizá-la mal? Sim. É claro. A Literatura é uma arma perigosa. Ela pode manipular sentimentos, emoções e pensamentos. Ela pode influenciar a cometer coisas horríveis como se fossem muito boas. Ela pode carregar os homens e as mulheres até “O coração das trevas”, como diria Joseph Conrad. Isso também é humano, muito humano, aliás. Mas ela também, na minha opinião e seguindo Dostoiévsky, poderá nos salvar. De que? Como diria Shakespeare, do inverno das nossas desesperanças.

IQSC: Como quebrar velhos paradigmas e preconceitos como, por exemplo, de que a área de humanidades supostamente não traria retornos palpáveis e imediatos à sociedade?

Rafael: Talvez a resposta não seja a esperada, mas é que simplesmente a Literatura não traz mesmo retornos palpáveis e imediatos. A Literatura trabalha na longa duração. Ela mexe naquilo que há de mais profundo em nós. Acho que o primeiro paradigma que devemos quebrar é esse: por que é que ainda insistimos em encontrar soluções rápidas e imediatas? Isso é falso. A promessa da “Modernidade” de que a técnica e o progresso seriam imediatos e eficazes já se comprovou falsa. Nada é assim com o homem. Há um tempo humano, um tempo próprio do homem e da mulher que não é mesmo esse tempo medido pelo relógio ou pela internet online. Tudo tem o seu tempo. Cada pessoa tem o seu próprio tempo. E a Literatura ensina, a quem quiser se deixar ensinar, a conhecer esse tempo de cada um. Gosto de lembrar algo que é repetitivo na Odisseia e que, de alguma forma, é “fundante” na nossa sociedade, vamos chamar de “ibérica”. Sempre que Ulisses chega a algum lugar, a uma nova ilha ou um novo povo, convidam-no a sentar, oferecem-lhe comida, bebida, água e vinho… e lhe dizem: senta, come, bebe e, quando estiveres refeito, conta-nos a tua história: quem és, de onde vens e por que estás aqui. Não é maravilhoso isto? Esse é o tempo humano. O tempo em que se pode sentar, comer e falar com os amigos sem pressa nenhuma, sem resumir as ideias, sem reduzi-las a cinco ou seis palavras chaves. Parece-me que esse seria um bom paradigma a ser quebrado.

Entrevista: Henrique Fontes – Assessoria de Comunicação do IQSC/USP

Fonte: Instituto de Química de São Carlos

Bibliotecária lança livraria voltada a diversidade negra feminina

Bibliotecária, professora e pesquisadora, Francilene do Carmo Cardoso morou por 10 anos no Rio de Janeiro, o que lhe fez perceber que muito da produção literária abundante em terras cariocas não chegava à sua terra natal São Luís, capital do Maranhão. Somou-se a isso sua militância à favor das causas negras e feminina, resultando na criação da Lekti, livraria e sebo voltada para as mulheres e para as temáticas raciais, africana, afro-brasileira, indígenas etc.

Inaugurada no último dia 22 de junho, a “Lekti Sebo Livraria” fica localizada na Feira do João Paulo, em São Luiz, “uma encruzilhada em termos geográficos e políticos”, onde são encontrados livros novos e usados, consultoria e assessoria de trabalhos acadêmicos, normalização, cursos de formação continuada para a área dos direitos humanos, questões raciais, biblioteconomia e da  literatura preta feminista.

A Lekti mulheres, livros, normalização e relações raciais surgiu da vontade de seguir contribuindo com a renovação do pensamento crítico. É um espaço para valorizar a produção de mulheres em toda sua diversidade e das questões raciais, negros, árabes, imigrantes, africanos, indígenas, ciganos, quilombolas”, diz sua idealizadora que é doutora em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A Lekti, cujo nome é inspirada numa palavra em crioulo, língua do Haiti que significa “leitura”, também oferece o espaço para cursos e oficinas, lançamento de livros e rodas de conversas. “O Haiti teve uma das revoluções pretas mais importantes da história mundial aonde pretos  tomaram o poder naquele país. A Lekti vem pra tornar mais acessível a nossa história preta ainda silenciada pelo epistêmicidio, isto é, silenciamento, banimento de autores negros e negras no espaço escolar e acadêmico”, garante.

Francilene do Carmo Cardoso. Foto: Facebook

Ainda sobre a sua militância à favor das causas negras e feminina, Francilene explica que desde a graduação, e mais ainda no doutorado, teve a oportunidade de acessar muito da produção das intelectuais negras, “várias delas silenciadas nas ementas dos cursos da graduação, causado pelo epistêmicidio, ou seja, banimento das suas contribuições”. Segundo ela, a empreitada é também uma forma de “repaginar” sua atuação profissional, sobretudo após passar por uma tentativa de impedimento para assumir cargo de professora efetiva na UFMA, caso que ainda tramita na Justiça.

Aqui no Maranhão, contraditoriamente já que somos o segundo estado mais preto do país, com 80 % da população preta e parda. Mesmo assim ainda elas [intelectuais negras] são poucos debatidas. Nesse sentido, nós colocamos do outro lado, daqueles que pretendem descolonizar as mentes, construir para produção de conhecimento crítico desde a periferia”, diz ela explicando que a Livraria já tem parceria com várias editoras do Rio e SP como a Malê.

Livrarias no Brasil

Um levantamento feito pelo Jornal Nexo no ano passado mostra que dos 5.570 municípios do Brasil, apenas 1.527 contam com livrarias. O total nacional de estabelecimentos é de 3.095, que são distribuídos irregularmente: enquanto a região Sudeste tem 1.715 livrarias (55% do total), o Norte apresenta apenas 105 locais do tipo (4%). Isso significa que no país existe uma livraria para cada 64 mil habitantes, enquanto nos Estados Unidos existe um estabelecimento para cada 14 mil pessoas.

Um levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), realizado no ano passado a partir de dados do Ministério do Trabalho, mostra que o número de livrarias e papelarias em funcionamento no Brasil encolheu 29% em 10 anos. No final de 2017, eram 52.572 estabelecimentos – 21.083 a menos do que o país reunia em 2007. Das mais de 21 mil lojas que fecharam as portas em 10 anos, metade delas encerraram as atividades de 2013 para cá. Somente em 5 anos, o número de papelarias e livrarias encolheu 22%.

Fonte: Biblioo

Campinas recebe evento em homenagem a vida e obra de Guilherme de Almeida

Texto por G1 Campinas e Região

Escritor e poeta Guilherme de Almeida — Foto: Acervo Casa Guilherme de Almeida

Campinas (SP) recebe, a partir desta quinta-feira (4), uma programação cultural em homenagem a vida e obra de Guilherme de Almeida, considerado o “príncipe dos poetas”. O evento tem entrada gratuita e conta com diversas atrações até dia 11 de julho. [Confira a programação completa abaixo]

Entre as atividades estão declamações de poesias, apresentações musicais, doações de livros, palestras, esquetes, projeções de documentários e uma exposição com as obras do autor.

O poeta e ensaísta Guilherme de Almeida, nascido em Campinas, foi membro da Academia Paulista de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, do Seminário de Estudos Galegos, de Santiago de Compostela e do Instituto de Coimbra.

Confira as atrações

Quinta (4)

  • 10h às 12h– Homenagens a Guilherme de Almeida/ Apresentação conjunta das bandas da EsPCEx e da Polícia Militar/ Esquete Cartas para Guilherme/ Entrega de Poesias/ Poetas caracterizados / Declamações Poéticas por poetas e alunos da rede municipal de ensino/ Doação de Livros (Autores Campineiros e outras Literaturas); Atividades serão realizadas na Praça “Guilherme de Almeida” – Avenida Francisco Glicério.
  • 15h– Exposição sobre Guilherme de Almeida/ História, declamação e música de Guilherme para alunos da EMEF Profª Angela Cury Zakia; Atividades serão realizadas na Biblioteca Pública Distrital de Sousas “Guilherme de Almeida” – Rua Cabo Oscar Rossin, 63.
  • 19h30– Abertura da Exposição “Capas de Obras Literárias e Traduções de Guilherme de Almeida” / Palestra “Guilherme de Almeida, sua obra como Tradutor”, com o Prof. Duílio Battistoni Filho/ Projeção de Documentários sobre o Poeta Guilherme de Almeida; Atividades serão realizadas no Centro de Ciências, Letras e Artes (CCLA) – Rua Bernardino de Campos, 989.

Sexta (5)

  • 12h– Participação Musical do Coro Carlos Gomes, com participação do Maestro Leandro Gouveia/ Canções brasileiras e canções de poesia de Guilherme de Almeida/ Declamações poéticas/ Entrega de poesias;Atividades serão realizadas no Saguão – Paço Municipal da Prefeitura de Campinas – Avenida Anchieta, 200.

Sábado (6)

  • 15h30– Palestra “Nosso Poeta Campineiro”, com o acadêmico e escritor Adilson Roberto Gonçalves, e participação musical do tenor Daniel Duarte; Atividades serão realizadas Academia na Campineira de Letras e Artes – (ACLA) – Rua Dr. Mascarenhas, 412.

Domingo (7)

  • 10h– Convivência com Guilherme/ Apresentação da banda da Polícia Militar/ Revisitando Guilherme de Almeida, com a Cia. Teatral Cenarte e Portal do Poeta Brasileiro/ Doação de livros; Atividades serão realizadas na Centro de Convivência – Praça Imprensa Fluminense, s/n.

Terça (9)

  • 9h – Solenidade Cívico Militar – Revolução de 32; Atividade será realizada na Praça dos Voluntários de 32 – Av. da Saudade, s/n.

Quarta (10)

  • 12h30– Almoço Poético/ Palestra “Contribuição de Guilherme de Almeida no quadro literário brasileiro”, com Aline Romariz, Presidente da ANLPPB/ Declamação Poética com Cássio Siqueira (Compras de convite pelo telefone (19) 3234-6401); Atividades serão realizadas no Rotary Club Carlos Gomes – Avenida Benjamin Constant, 1704.
  • 19h– Exposição sobre Guilherme de Almeida/ Palestra “Guilherme de Almeida como tradutor de poesia”, com o Prof. Dr. Eugênio Gardinalli Filho/ Declamações poéticas – Lisa França, Poetisa e Artista Plástica e Neusa Maria Doretto, do Portal do Poeta Brasileiro, com participação musical de Lúcia Farias; Atividades serão realizadas na Biblioteca Pública Distrital de Sousas “Guilherme de Almeida” – Rua Cabo Oscar Rossin, 63.

Quinta (11)

  • 10h– Homenagens a Guilherme de Almeida/ Declamações Poéticas/ Esquete “Cartas para Guilherme”, com a Cia. Teatral Cenarte e Portal do Poeta Brasileiro/ Entrega de Poesias/ Doação de Livros; Atividades serão realizadas na Praça Beira Rio, em Sousas.
  • 15h– Declamações em homenagem ao poeta Guilherme de Almeida; Atividade será realizada no Ateliê Lisa França – Rua Monsenhor Dr. Emilio José Salim, 118.
  • 20h– Recital da ABAL : Interpretações de canções com a poesia de Guilherme de Almeida e Canções de Antônio Carlos Gomes/ Revisitando Guilherme de Almeida, com a Cia. Teatral Cenarte e Portal do Poeta Brasileiro e participação musical dos Meninos Cantores de Campinas e do Maestro Leandro Gouveia/ Canções brasileiras e canções de poesia de Guilherme de Almeida/ Entrega do Diploma Mérito Cultural Guilherme de Almeida (Homenageados: Margareth Reali e Duda Moura); Atividades serão realizadas no Teatro Municipal José de Castro Mendes – Rua Conselheiro Gomide, 62.

Serviço

  • O que: “Semana Guilherme de Almeida” em Campinas
  • Quando: De 4 de julho a 11 de julho
  • Quanto: Entrada gratuita

Fonte: G1 Campinas e Região

Leitura, literatura e a biblioteca na escola

Desde 2010, a Lei 12.244 determina a universalização obrigatória de bibliotecas em qualquer instituição de ensino até 2020. Mas esta meta ainda está longe de ser alcançada. O Brasil possui apenas uma biblioteca pública para cada 30 mil habitantes, sendo 7.166 cadastradas no Sistema Nacional de Bibliotecas do Ministério da Cultura. Para entender melhor sobre as bibliotecas no Brasil e sobre como este espaço pode contribuir para os processos de aprendizagem na escola recebemos a professora Marilia de Abreu Martins de Paiva no programa Pensar a Educação, pensar o Brasil do dia 01 de julho de 2019.

Fonte: Pensar a Educação

Contadores de histórias infantis dão continuidade a uma tradição milenar

A arte faz parte da comunicação humana literalmente desde que ela existe; presente nas atividades para crianças no Brasil, a contação se mantém forte e passa por diferentes formatos

Ana Maria Machado festeja 50 anos de carreira com novas edições e homenagem

Estadão Conteúdo

Ana Maria Machado já foi jornalista, fez programa de rádio, foi dona de uma livraria. Entre uma função e outra, jamais deixou de escrever. Com 12 anos, teve uma redação escolar, “Arrastão”, publicada na revista Folclore. Profissionalmente, porém, sua estreia aconteceu em 1969, quando publicou histórias na revista infantil Recreio. Desde então, nessas cinco décadas de produção que comemora agora, já soma mais de cem livros publicados no Brasil e em mais de 17 países, entre obras para crianças, adultos e de não ficção, alcançando mais de 18 milhões de exemplares vendidos.

Para as crianças, Ana Maria destaca-se como criadora de um texto de rara musicalidade, além de um estilo leve e, ao mesmo tempo, denso – seu nome é uma das referências nacionais, ao lado de Ruth Rocha e Lygia Bojunga Nunes. Já sua literatura adulta é marcada por uma escrita apurada, desafiadora, denunciadora. Na verdade, tais frases poderiam ser invertidas, pois Ana Maria busca a cumplicidade do leitor, independente de sua idade.

Ganhou inúmeros prêmios, com destaque para o Hans Christian Andersen, em 2000, considerado o Nobel da literatura infantil mundial. Presidiu a Academia Brasileira de Letras por dois mandatos (2012 e 2013). Colecionou ainda dissabores, como ser obrigada a deixar o Brasil em 1970, quando se exilou na França. E foi lá que trabalhou com o sociólogo Roland Barthes, cuja orientação resultou em uma tese de doutorado que, por sua vez, foi editada em livro como “Recado do Nome” (1976), sobre a obra de Guimarães Rosa.

Ana Maria encontrou-se com a reportagem na sede da Editora Moderna, em São Paulo, que detém cerca de 60 de seus títulos para crianças – alguns já se tornaram clássicos, como “Bisa Bia, Bisa Biel” e “Era Uma Vez um Tirano”. Os festejos pelas cinco décadas de escrita profissional continuam com o lançamento, nesta semana, de uma edição comemorativa dos 20 anos de “Audácia Dessa Mulher” (Alfaguara), em que revisita Capitu, personagem de Machado de Assis. Ela ainda será homenageada na 19ª Bienal Internacional do Livro, que acontece no Rio, em agosto, e já prepara “Vestígios”, reunião de contos já publicados com inéditos. Aos 77 anos, mantém uma rotina artística ativa.

Antes de iniciar a carreira como escritora, você fez um curso de pintura, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, que te ajudou depois na escrita, não?

Com certeza. Fiz um curso de pintura no MAM com Aloizio Carvão, que foi muito importante: eu nunca tinha trabalhado com alguém que tivesse sido tão exigente, mas, ao mesmo tempo, que tivesse me dado tanta força, me preparando para a dureza de ser artista.

E como isso a levou para a escrita?

Foi algo inconsciente, sem sentir. O principal foi aprender a estar exposta à crítica permanente (apresentávamos nossos trabalhos aos membros do grupo), o que possibilitou o desenvolvimento da autocrítica como atitude de artista. Sempre escrevi, desde menina, mas não tinha pensado em transformar isso em uma profissão – levava minha carreira de pintora, fazendo exposições individuais e coletivas. Quando fui desafiada, comecei a escrever profissionalmente.

Foi nessa época, 1969, que a ditadura militar endureceu ainda mais. Você foi presa e, depois, obrigada a se exilar em Paris.

Não foi nada preparado: em dez dias, já estava em um navio cargueiro. E ainda tive de embarcar em um porto no Nordeste. Anos depois, escreveria sobre essa época no romance Tropical Sol da Liberdade.

Em Paris, você fez o curso de doutorado com Roland Barthes. Foi algo pensado?

Não. Soube que ele estava voltando de uma viagem ao exterior e abriria espaço para 20 pessoas como ouvintes de seu curso, em Paris. Eu me inscrevi e, depois de uma entrevista, ele me chamou para pertencer a esse grupo. Logo, ele passou a me orientar no doutorado, na pesquisa que eu já iniciara no Brasil, com o Afrânio Coutinho, sobre a importância do nome na obra de Guimarães Rosa.

Nesse período fora, você continuou colaborando com a Recreio. De alguma forma, o exílio marcou essas histórias?

Talvez. Hoje, vejo que Currupaco Papaco é uma história de exílio, pois mostra um papagaio que vive em um lugar frio, quase virando picolé, e com vontade de voltar para um lugar quente, onde tinha frutas, todo mundo era amigo.

Aliás, qual é o desafio hoje para se escrever para o público infantil? A tecnologia alterou alguma coisa?

Não acho que tenha mudado intrinsecamente, mas mudaram as circunstâncias da criança. Ou seja, mudaram a tecnologia, a velocidade, mudou também o tipo de tentação: agora não é mais quintal, subir em árvore, brincar com o cachorro andando na rua – agora é o joguinho. Mas o que mudou de fato são os adultos em volta da criança, que não dão mais exemplo de leitura. Isso é muito forte. Outra mudança importante diz respeito à preocupação dos adultos em volta da criança em relação à leitura: ora as crianças são cobradas para ler, ora os adultos desconfiam da leitura, temendo o conteúdo e vendo fantasma onde não existe.

Isso faz lembrar o caso de uma mãe que, no ano passado, postou que seu livro “O Menino que Espiava Pra Dentro”, de 1983, estaria incitando o suicídio entre as crianças, certo?

Sim, foi algo como um tsunami que, de tão absurdo, eu nem sabia como agir. E o assunto ainda rende, pois continuo recebendo ameaças.

A obra de Monteiro Lobato também sofreu acusações.

Quem lê Lobato sabe da existência de coisas que são criticáveis, erradas, desprezíveis, mas nada disso tira o que Lobato traz de bom. Quem leu sabe medir o que se deve jogar fora e o que é aproveitável.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: ISTOÉ

Em novo livro, Martin Puchner conta a história da escrita na civilização

Estadão Conteúdo

A tarefa a que Martin Puchner, professor de literatura comparada da Universidade de Harvard, se propôs era ambiciosa: escrever uma história da escrita que mostrasse como ela transformou a civilização global. Tarefa que ele cumpriu com uma bibliografia enorme e viagens por várias partes do mundo, condensadas agora em O Mundo da Escrita (Companhia das Letras).

O livro vai da Epopeia de Gilgamesh, passa por Alexandre, O Grande, Sócrates, Buda, Jesus Cristo, pela narrativa árabe, dá um contorno pelos Maias e pela tradição oral africana, pela literatura europeia e soviética, passa pelo pós-colonialismo e chega a Hogwarts (o castelo de Harry Potter).

Ao mesmo tempo, desenha a história das tecnologias que deram suporte a esses trabalhos, da invenção à popularização da escrita, até a impressão em massa e o papel.

Sobre esses assuntos, Puchner respondeu a algumas questões por e-mail.

Você diz no livro que precisamos de uma interpretação sólida para entrar em contato com os textos “fundamentais”. Qual é o lugar para melhor fazer isso?

O “fundamentalismo textual” se tornou cada vez mais importante para mim. Eu estava, no livro, traçando a influência de textos como os primeiros épicos (Homero), religiosos (a Bíblia hebraica) ou políticos (Declaração de Independência dos EUA) e percebi o quanto nossas sociedades ainda dependem deles. Reverenciar textos antigos não é necessariamente ruim, mas as coisas ficam ruins se não nos permitirmos flexibilidade o suficiente para interpretá-los de acordo com nossas necessidades. Isso deve acontecer em todos os lugares, na universidade, na mídia, mas também em igrejas e instituições religiosas, escolas, tribunais.

Você encontrou na sua pesquisa casos de difusão de desinformação proposital, baseada em novas tecnologias?

Quando se quer que novas tecnologias apareçam e mudem o mundo da escrita, a autoridade de velhas instituições é desafiada. Veja a Reforma Protestante. A imprensa permitiu a Lutero enfrentar a instituição mais poderosa do mundo, a Igreja Católica. Esse desafio também significou que, repentinamente, outras regras para publicações foram criadas e, sim, muita desinformação foi espalhada pelas impressoras. Mas novas instituições emergem e adquirem autoridade e confiança – os jornais, por exemplo. Então, sim, sempre houve desinformação, mas também vejo um padrão na História que leva para a criação de novas instituições.

Você também diz acreditar que “é sempre melhor ter uma perspectiva global” sobre a literatura. Hoje em dia, líderes globais resistem à ideia em muitas áreas. Qual é o papel da literatura nesse contexto?

O termo “literatura universal” foi criado por Goethe em 1827, em meio a um momento nacionalista, mas Goethe resistiu a esse nacionalismo. Ele começou a ler literatura de outras culturas, China, Índia, Pérsia. Agora, estamos de volta num momento intensamente nacionalista em todo o mundo. É por isso que penso que promover a literatura universal é tão importante. Ela nos permite ver o mundo de diferentes perspectivas; e porque a literatura tem tanta importância na formação das sociedades, nos permite um entendimento mais profundo de outras culturas.

O Brasil está numa crise cultural e editorial, com livrarias falindo e investimentos governamentais na cultura caindo. Teoricamente, você pensa que o mundo da escrita precisa passar por novas crises para se reinventar?

Bem, não temos escolha. Estamos atravessando uma enorme transformação e temos que tirar o melhor dela. A mudança tecnológica tem lados bons e ruins. Mais está sendo escrito e lido por mais por mais pessoas do que em qualquer momento da história humana. As barreiras de acesso para pessoas comuns se tornarem autores e publicarem desapareceram. Essa é uma enorme democratização da literatura e da escrita. Por outro lado, há algumas coisas, como as fake news e as crises no mercado editorial. Não há soluções simples. No livro, quis olhar para trás nos momentos iniciais em que imensas transformações mudaram a maneira com que nos comunicamos por escrito. Cada transformação causou enormes ansiedades; as pessoas pensavam que suas sociedades estavam desmoronando. Às vezes, guerras religiosas aconteceram como resultado. A escrita é uma ferramenta poderosa. Mas no fim, sou otimista. No passado, aprendemos a manejar essa ferramenta. Acredito que vamos aprender de novo.

Fonte: ISTOÉ

As editoras vão violentar a obra de Monteiro Lobato?

A entrada em domínio público da obra de Monteiro Lobato (1882-1948), praxe ao se completarem 70 anos da morte de um escritor, traz de volta a tesoura da censura para traçar o figurino politicamente correto. Estigmatizadas como racistas, algumas passagens de livros infantis do autor de A Menina do Narizinho Arrebitado (1920) serão reescritas ou até apagadas por editoras e revistas infantis – conforme já anunciaram publicamente.

Em 1941, Lobato foi enquadrado pela Lei de Segurança Nacional e fichado no Dops. A perseguição vai voltar?

Em primeiro lugar, registre-se que o estado de domínio público de uma obra não autoriza sua mutilação. Significa apenas que os publicadores já não pagarão direitos autorais aos herdeiros do autor. A integridade dos livros, patrimônio moral imprescritível, deve ser mantida por quem desejar publicá-los – sob pena de cometimento do crime nefando da censura, seja pelo corte, seja pela reescrita do texto.

Já se usa nas edições para biblioteca das escolas públicas (Lobato foi adotado em São Paulo já em 1920) a intervenção da “nota explicativa”, pela qual trechos considerados inapropriados aos alunos são alvejados com um asterisco para assinalar atividades hoje fora da lei, como o abate de animais silvestres (proibido em 1967), presentes em obras como A Caçada da Onça (1924), ou observações literárias feito “macaca de carvão” ou “carne preta”, sobre a personagem Tia Nastácia – um dos seres humanos mais admiráveis da obra de Lobato.

Como muitos luminares de seu tempo, o criador do polêmico Jeca-Tatu se deixou levar pelas ideias eugenistas que no primeiro quartel do século 20 contaminaram brasileiros de fina inteligência e grosso preconceito, a exemplo de Afrânio Peixoto, Artur Neiva, Juliano Moreira, Fernando Azevedo, Alfredo Ellis, Roquete Pinto, Sílvio Romero e Euclides da Cunha. Circulava nos salões da aristocracia intelectual a crença de que a mestiçagem da população comprometia o progresso do Brasil.

O ensaio Raça e Assimilação, de Oliveira Viana, um racista convicto, defendia a impossibilidade da miscigenação e pregava a progressiva arianização do povo brasileiro. Lúcia Miguel Pereira, no ensaio Prosa de Ficção – De 1870 a 1920, salientou que era um era esporte nacional “uns exaltarem os alemães, outros, os franceses, alguns os ingleses e americanos do Norte, mas todos concordavam em que os brasileiros e seus avós, portugueses ou negros, pouco valiam.”

Coube a Gilberto Freire, com Casa-grande e senzala (1933), desvendar a opulência do caldeamento étnico e sua riqueza social na forja da sociedade nacional – inclusive como poderoso instrumento de combate ao racismo. “Mestiço é que é bom”, diria depois seu discípulo Darci Ribeiro.

Mas daí banir Lobato da estante e crucificá-lo por racismo, e por isso censurar sua obra, vai uma grande diferença. A dualidade, de discriminação na vida e igualdade na ficção, sobressai no conto Negrinha (1920), em que o escritor destila, com horror literário, seu nojo à escravidão, ao bordar a triste história de uma órfã de sete anos, ainda nascida na senzala, tomada para criação mas torturada, à moda do pelourinho, por uma “virtuosa dama” saudosa da escravatura, que mantinha sua senzala particular.

Lobato também compara a boneca Emília a uma “bruxa”, e, entre elogios rasgados às habilidades da “negra da estimação” Tia Nastácia (“a melhor quituteira deste e de todos os mundos”), equiparara-a à “velha” Dona Benta ao chamá-las de “respeitáveis matronas.”

A grandiosa biografia de Lobato, precursor da prosa modernista, também editor fecundo, militante do nacionalismo, defensor da exploração do petróleo, não pode ser maculada, desde a infância de seus leitores, por trechos esparsos que não comprometem a excelência de sua obra.

Terror para leitores destemidos

Walkiria Vieira – Grupo Folha

A jornalista e escritora paranaense Susan Cruz acaba de lançar sua nova obra “A Criança Invisível”, uma história de terror direcionada ao público infantil. A história narra a trajetória de uma menina que teme a sombra que habita sua casa, uma metáfora para a depressão da mãe. Aos poucos, a garotinha entende que ela precisa ajudar a mãe a se livrar dessa sombra. Para isso precisa enxergar-se novamente, porque sente que está desaparecendo.

De acordo com a escritora, trabalhar com a questão da criança invisível foi a maneira de mostrar o quanto de nós reflete-se no emocional das crianças. “Quando esse espelhamento é comprometido sobra um vazio, uma ausência da própria imagem como indivíduo”, afirma a autora que, para escrever, pesquisou profundamente o tema na psicologia. As ilustrações são da artista e tatuadora londrinense Paty Oliveira. O livro é publicado pela Luva Editora, do Rio de Janeiro, e marca a estreia do selo “Luvinha”, voltado para livros infantis.

A atração pelo gênero é observada por estudiosos e pesquisadores como um incentivo à leitura em razão da criação de uma atmosfera de suspense cuja explicação nada possui de sobrenatural, sendo essencialmente psicológica. “Nessa narrativa escrita em terceira pessoa utilizo recursos linguísticos para aproximar o leitor. Exemplo disso é a ausência de nomes nas personagens. “Achei interessante denominá-las apenas pelos substantivos “mãe” e “filha” para que as crianças possam imaginar qualquer pessoa dentro da história, inclusive a si mesmas em algumas situações”, comenta Susan.

Susan Cruz acaba de lançar 'A Criança Invisível”: segundo os pesquisadores, o terror atrai as crianças pelo clima de suspense
Susan Cruz acaba de lançar ‘A Criança Invisível”: segundo os pesquisadores, o terror atrai as crianças pelo clima de suspense | Ricardo Chicarelli 

De acordo com a bibliotecária Priscila de Jesus Apolinário Ribeiro, o interesse existe e o trabalho gráfico desenvolvido nas obras as torna ainda mais interessantes. “Tudo faz parte da leitura”, observa. No local onde trabalha, a Bibliotecária Pública Infantil de Londrina, há vários títulos disponíveis: “A Casa do Terror”, “Contos de Assombração”, “Contos de Imaginação e Mistério”, “Doze Horas de Terror”, “Fiquem Fora do Porão”, “Formaturas Infernais”, “Pânico no Acampamento”, “Terror na Biblioteca” e “Terror na Festa”, cita.

Um dos mais procurados na biblioteca infantil, que oferece empréstimos gratuitamente, chama-se “Sete Histórias Para Sacudir o Esqueleto”, de Angela Lago, Companhia das Letrinhas. Fantásticas e divertidas, as histórias encantam pela criatividade e humor. Casos de assombrações são recontados como nas narrativas mineiras – esqueletos desfilam pelas páginas e os cemitérios são cenários para defuntos falsos ou não, sonhos e muita imaginação. Obra também consagrada pelo público é “Duas Casas”, de Roseana Murray (Abacatte Editorial) na qual a separação dos pais é tratada de forma delicada e poética neste livro, que usa como gancho a existência de duas casas para sugerir o fim da relação e a divisão da família.

Terror em primeiro plano

Além dos livros, filmes e séries do gênero são cada vez mais prestigiados. Se antes as salas de cinema eram único lugar para a experiência, hoje os canais de assinatura oferecem títulos para todas as faixas etárias. No escuro da sala ou madrugada adentro no quarto, é o fã quem faz seus horários e investe na mania. Diante da tela, a identificação com os enredos é uma das explicações para o sucesso de público. “Uma Noite de Crime”, “Ánimas”, “O grito”, “Maggie – A Transformação” e “A Bruxa”, são exemplos.

Grande atrativo na plataforma da Netflix, a série “O Mundo Sombrio de Sabrina” se passa na cidade de Greendale, onde uma garota metade bruxa e metade mortal, ao completar 16 anos, terá de escolher entre o mundo mágico da família ou o mundo humano dos amigos. As cenas sombrias e elementos perturbadores se somam ao drama adolescente, com ensinamentos e reflexões, em meio às aventuras dos outros personagens da série. E conquista. “Black Sumer”, “Bates Motel” e “A Ordem” também estão na lista dos mais desejados e temidos.

Biblioteca é ponto de referência

No intervalo entre as aulas regulares e os cursos extras, a estudante do 9º ano do Ensino Fundamental, Yasmim Caroline Pontes, 13 anos, encontra na leitura, um momento para relaxar e divertir-se. Conserva pelos gibis grande admiração e sobre o gênero de terror, considera interessante. “Estimula a curiosidade e gosto de terror, principalmente dos filmes. Depois que assisti ‘It, A Coisa’, quis ler o livro também”, recorda. Além das obras paradidáticas, sugeridas pela escola, lê com gosto, por iniciativa. “O Mistério da Casa Verde”, de Moacyr Scliar, é uma sugestão da jovem leitora. Com suspense, aventura, amor e ação, o livro prende a atenção. “Eu me identifico com as personagens”. De acordo com sua mãe, a Técnica em Comunicação Zuleika Pontes, o hábito vem desde os primeiros anos de vida. “Também aproveita as obras de acesso online oferecidas pela biblioteca digital da escola e eu reconheço que a influenciei, pois também leio bastante”, comenta.

Yasmim Caroline Pontes, 13 anos, estudante: “Livros de terror me despertam a curiosidade”
Yasmim Caroline Pontes, 13 anos, estudante: “Livros de terror me despertam a curiosidade” | Walkiria Vieira

Frequentadora da biblioteca pública, Betânia Azevedo observa a filha Alice, de um ano e meio, descobrindo o universo da leitura. Os de capa dura e coloridos são os que mais atraem a atenção da pequena. “Eu comecei a vir para pegar livros para meu filho de 8 anos, o Guilherme. Estou empenhada a tirá-lo do celular e está funcionando. Tem semana que venho duas vezes”, diz. De prateleira em prateleira, Betânia conta que se esforça para surpreender o filho: “Guilherme gosta de aventura”.

Alice Azevedo, um ano e meio, já gosta de ler e sua referência é o irmão, Guilherme, de 8 anos
Alice Azevedo, um ano e meio, já gosta de ler e sua referência é o irmão, Guilherme, de 8 anos | Walkiria Vieira

Serviço:

“A Criança Invisível”, Susan Cruz

Preço: R$29,90

Livraria Curitiba, do Shopping Catuaí 3294-8300

LA Bella Maffia Tattos – Rua Benjamin Constant, 1777 – Fone: 3361-8554

Biblioteca Pública Infantil Londrina Monteiro Lobato

R. Maestro Egídio Camargo do Amaral, 1-87 – Centro

Funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 8 às 18 horas.

Mais informações: 3371-6603

Fonte: Folha de Londrina

Bartolomeu Campos de Queirós no Momento Literário

Katy Navarro fala sobre a vida e a obra deste escritor brasileiro

Um poeta e escritor que descobriu a magia das palavras ainda criança. É Bartolomeu Campos de Queirós. Nasceu em Minas Gerais em 25 de agosto de 1944. Perdeu a mãe quando tinha de 6 anos. Lembrava que a mãe era uma grande leitora e que ele lia os livros que ela lia. Só que a mãe ficou doente, com câncer e sofreu por muitos anos. Contava que ela cantava bonito. Era soprano. Quando a dor da doença era muito forte e a morfina não era suficiente, ela cantava mais. A voz atravessava a casa e o quintal. A família sabia que era o momento de mais dor.Bartolomeu Campos de Queirós, já adulto, um dia se deu conta que ele fez o mesmo com a escrita. Quando sentia dor, uma dor interior, escrevia. Dizia que o pai era caminhoneiro e viajava muito. Foi por isso que menino, passou, então, a ter uma forte influência do avô que morava em Pitangui, uma cidade perto de Papagaio.Bartolomeu Campos de Queirós contava que o avô praticamente o alfabetizou ensinando as letras do alfabeto que Bartolomeu achava que eram poucas, para o muito que ele, ainda menino, queria escrever. Na infância seu melhor exercício era pensar em uma palavra que ele não pudesse escrever. Acreditava que a palavra nunca escreve tudo que a emoção sente.

O menino que virou escritor construiu uma obra com 66 livros publicados. Alguns foram traduzidos para o inglês, o espanhol e dinamarquês. Entre eles “Os cavaleiros das sete luas”,“Ciganos”, “Para criar passarinho” e “Vermelho amargo”, este último para adultos.

Bartolomeu Campos de Queirós é considerado um dos principais autores da literatura infanto-juvenil brasileira. Para ele, o homem é feito do real e do ideal e a literatura quando aparece para as crianças, vem com esse diálogo da fantasia que seria o que existe de mais importante na construção do mundo. Afirmava que se existe o novo é porque ele foi fantasiado anteriormente. Então nós devemos à fantasia ao movimento do mundo com destaque para a educação que não pode existir unicamente para informar o que já foi feito, mas para abrir uma porta para fantasiar o futuro e transformar. Democratiza-se assim o poder de criar, imaginar, recriar e romper o limite do provável.

Bartolomeu Campos de Queirós cursou o Instituto de Pedagogia em Paris e participou de importantes projetos de leitura no Brasil. Foi presidente da Fundação Clóvis Salgado e do Palácio das Artes, ambos em Minas Gerais. É idealizador do Movimento por um Brasil Literário, do qual participou ativamente. Por suas realizações, recebeu condecorações no exterior e no Brasil. Recebeu os maiores prêmios da literatura brasileira, como o Jabuti. Definia literatura como uma conversa sobre as dúvidas e as delicadezas. Pensava que a literatura não é uma conversa crua como desejam as ciências exatas. A literatura é mais gentil. Trabalha com as inseguranças, com as faltas, que são coisas que nos unem.

Bartolomeu Campos de Queirós morreu em 16 de janeiro de 2012. Deixou seus livros e suas ideias. Entre elas a de que a gente só suporta o dia de hoje, porque a gente tem uma perspectiva do amanhã. Não há como viver sem fantasiar!

Fonte: Empresa Brasil de Comunicação

Ilustração e texto, num livro infantil, é como letra e música, defende Mauricio Negro em entrevista para a PNTV

PUBLISHNEWS, REDAÇÃO
O autor e ilustrador passou pela PublishNewsTV, falou sobre seus novos projetos e deu sua opinião sobre os mais diversos assuntos

A PublishNewsTV dessa semana recebeu o escritor e ilustrador Mauricio Negro. Diferente de muitas pessoas que estão sentindo na pele as consequências da crise do mercado livreiro, Mauricio garante que vive outro momento. “Nem sei o que estou fazendo aqui dando essa entrevista porque devia estar trabalhando”, brincou, dizendo ainda que nos dois últimos meses apareceram vários projetos para ocupar seu tempo. “Esses projetos têm vindo como uma luva, quando você chega nos 50 acontece essas coisas, começa a vir aqueles projetos que você sempre esperou e antes não veio”, comentou o ilustrador.O criador conta que começou sua carreira como designer gráfico produzindo diversos tipos de conteúdo, de capa de disco à campanha de outdoor, mas lembra que sua primeira encomenda foi justamente uma capa de livro. Depois de algum tempo, viu que trabalhar com livro era “mais legal” e passou também a escrever suas obras.

Sobre os novos projetos, ele comentou sobre a obra que homenageia o Brasil toca choro, série da TV Cultura que traça um panorama histórico do primeiro gênero da música urbana tipicamente brasileira. A obra será lançada este mês no Museu da Imagem e do Som (MIS). Outro livro que vem por aí é a antologia Nós, sobre a literatura indígena e que foi escrita por 10 autores de povos diferentes. O livro, ilustrado por Negro, sairá pela Companhia das Letrinhas.

A atual situação do mercado editorial também foi tema da conversa. Negro lembra que anos atrás tudo parecia mais fácil. “Tínhamos uma fartura de tudo, fartura de evento, de orçamento, era uma época muito boa”, comentou Mauricio, que ainda consegue ver o lado bom da crise. “A gente está sendo obrigado a se mexer”, analisou, contando que ele mesmo começou a fazer uma pós-graduação em gestão cultural para se atualizar.

Durante a conversa Negro contou ainda como se especializou na arte e cultura indígena – dando detalhes e apontando curiosidades sobre o assunto -, como acredita que a própria arte o escolheu, sobre as premiações de infantojuvenis, sobre lugar de fala e a questão dos direitos autorais para o ilustrador. “Vejo como uma questão em aberto para sempre, ela é imprecisa e uma conta que não fecha, que nem a questão da previdência”, brincou sobre o último assunto, que em sua opinião é um tema complexo e difícil de discutir.

No bate-papo descontraído, Mauricio Negro mostrou algumas de suas obras, conversou sobre outros temas e até entrou mais a fundo na expressão “não entendeu? Quer que eu desenhe?” explicando que muitas vezes o ilustrador desenha justamente para confundir, abrindo assim uma boa discussão sobre o tema.

No nosso programa mais curto, Talita Facchini continua com a arqueologia do PN e Luciana Melo mostrou um pouco da terceira edição da Feira Mística da editora Pensamento. Todos os nossos programas estão disponíveis no nosso canal no Youtube.

Fonte: PublishNews

O que as crianças perdem quando não há ogros, bruxas e princesas nas histórias infantis?

As narrativas para os pequenos estão mudando; como eles e a sociedade são afetados pelo processo?

cuentos niños

Texto por Eva Carnero

O pai, trabalhando / mãe, no lar/ tudo já está em seu posto / tudo já em seu lugar. Não parecem versos com os quais alguém gostaria de educar seus filhos, mas muitos pais que hoje defendem com firmeza os postulados feministas, para não dizer todos, provavelmente elogiaram a autora alguma vez. Sim, certamente todos eles o fizeram, pois a autora não é outra senão Gloria Fuertes, uma poetisa que se caracterizou pela identidade feminista e escreveu essas letras nos anos setenta, no livro El Hada Acamarelada. Cuentos em Verso (A Fada Melosa. Contos em Verso). São os mesmos versos que, curiosamente, faltavam em algumas versões publicadas em 2017, quando se comemorou seu centenário de nascimento. Segundo conta a professora de Educação Primária e Infantil da Universidade Internacional de La Rioja, Concepción María Jiménez, a estrofe não figurava em todas as novas edições, e poucas crianças lerão esses versos.

O caso exposto pela professora universitária dá uma medida de até que ponto existe um temor, uma atitude preventiva em relação ao conteúdo das histórias e — por uma justificável extensão — em relação a toda obra literária destinada às crianças. Para as tenras mentes infantis, as histórias podem se tornar exemplos perversos a imitar, podem ensinar modelos com os quais perpetuem atitudes inadequadas, prejudiciais à sociedade, quase imperdoáveis em casos extremos… Talvez seja assim, talvez não, mas não há dúvida de que as histórias exercem um efeito inegável na ideia da realidade desenvolvida pelas crianças. “São o caminho mais eficaz para responder ao que cada um sente, em que calçamos os sapatos do outro e que nos ajudam não apenas a nos conhecer e nos entender, mas também a reconhecer o mundo”, explica Jiménez.

As histórias devem ser realistas?

Quando você lê ao seu filho Chapeuzinho VermelhoCinderela ou Os Três Porquinhos não está apenas transmitindo uma história com a qual a criança se entretém, desfruta e viaja com imaginação. Além disso, e aqui está o mais interessante, você está mostrando a ele “o reflexo da vida, com a crueldade, a inveja, o egoísmo, a coragem, a generosidade e tudo que caracteriza o ser humano”, diz Jiménez. Tudo que é bom e tudo que é mau. “Talvez por isso, nas histórias, os personagens não sejam ambivalentes, isto é, não sejam bons e maus ao mesmo tempo como realmente são os seres humanos, o que ajuda as crianças a compreender mais facilmente a diferença entre a maldade e a bondade” reflete Jiménez.

E assim pensa a professora que as histórias deveriam ser, pois se não mostram a realidade como ela é perdem a capacidade de responder às perguntas que sempre acompanharam o ser humano, aquelas que giram em torno da tristeza, do amor, da inveja… Neste sentido, ela defende com firmeza os contos de fadas e sua linguagem simbólica, e contraria a opinião de que “esse tipo de relato narra histórias simplórias, onde não existem problemas e tudo é idealizado”. Segundo ela, “se olharmos para os contos de Andersen ou dos irmãos Grimm veremos muitas coisas que seriam perversas: bruxas, ogros, atrocidades, crimes… Existe muito drama e muito conflito, algo de que as crianças tendem a gostar”.

Mas o enfoque próprio dos contos tradicionais não costuma ser visto em muitas histórias infantis modernas nas quais, de acordo com Jiménez, “o que encontramos são instruções para administrar as emoções, para controlar os estereótipos e os gêneros, e para trabalhar os valores, quando, na verdade, o conto é algo íntimo, que cada pessoa interpreta de seu próprio interior”. A professora diz que direcionar esses sentimentos através da literatura é como fornecer uma receita para a vida. De acordo com ela, e por muito boas intenções que se tenham ao fazê-lo, algumas das histórias que se contam agora tratam sobre como devemos instruir a criança para que veja a vida de “forma bonita”, ou seja, como um lugar onde não existem decepções, conflitos ou dor: “Uma mentira que faz parte dessa nova política de não incomodar. Uma tarefa que fazem suprimindo o que é característico do conto tradicional, a transgressão, o simbolismo, a emoção, a ambiguidade…”

Uma maneira de entender que os outros pensam diferente

Além de mostrar à criança como é o mundo que a rodeia, cada história encerra uma mensagem única, “de forma simbólica, ensina a criança como lidar com as vicissitudes do dia a dia, aliviar os medos e enfrentar as ansiedades que certas incertezas podem provocar”, diz a professora. Neste caso é preciso levar em conta que o ensinamento que cada criança tira não é sempre o mesmo, pois cada um interpreta a história à sua maneira.

O cérebro de cada criança se forma a partir de suas próprias experiências, mas também observando os exemplos da vida dos adultos, assim como as histórias que lhe contam. Estas têm um peso muito importante, embora não chegue a ser determinante”, esclarece Moisés de la Serna, doutor em Psicologia, escritor e mestre em Neurociência. Outra função que a Neurologia atribui às histórias é ajudar a criança a entender as dimensões do tempo e do espaço. Através da estrutura sequencial do relato, o cérebro cria lembranças que registra em ordem cronológica, o que, em última instância, pressupõe a existência de um passado, um presente e um futuro. É uma estrutura simples, mas básica para a vida social.

Segundo de la Serna, as histórias oferecem outra qualidade interessante para o desenvolvimento emocional das crianças. O especialista vê nesse tipo de histórias “uma maneira de aprender a entender que os outros podem ter diferentes formas de pensar, intenções e motivações”. Assim, o psicólogo diz que “a criança aumenta suas habilidades sociais desenvolvendo o que é conhecido como teoria da mente, isto é, a capacidade de saber que os outros têm pensamentos diferentes dos que ela tem”. Muito próxima dessa ideia, a professora Jiménez relaciona outra capacidade mais com a leitura de histórias, a de ensinar a se colocar na pele do outro (algo que nem sempre é benéfico), “essa empatia tão necessária em nossos dias”. Todas essas qualidades podem ser encontradas em maior ou menor grau nas histórias de todas as épocas, embora seja verdade que com nuances significativas que variam com o momento histórico.

O que existe de ‘tóxico’ nas histórias?

Jiménez descreve uma evolução interessante desse tipo de histórias, com ênfase em alguns aspectos particularmente relevantes. Para começar, temos as “histórias com moral de Perrault, nas quais se percebe a crueldade e há inclusive finais dramáticos. Mais tarde, no século XIX, os irmãos Grimm publicaram essas mesmas histórias suavizando o final para evitar tanta ‘crueldade’. E no século XX, a Disney também transformou várias dessas histórias para levá-las ao cinema”, diz. E as mulheres sabem bem que o cinema nem sempre conta as coisas como são. Finalmente, a especialista acredita que, desde a década passada, muitas dessas histórias primigênias foram manipuladas ou adaptadas para responder a necessidades diferentes, para se adequarem à época atual.

A doutora em Pedagogia, professora da Universidade Rovira i Virgili, escritora e contadora de histórias Maria Concepción Torres acredita que “os elementos do conto tradicional ainda aparecem em muitas narrativas atuais, enquanto muitos deles tentam apresentar situações reais próximas do menino ou da menina, ou do jovem ao qual se dirige a história: suas vivências, suas preocupações… que não são as mesmas de 10 ou 20 anos atrás”. Daí a mudança de enfoque, que desafia a tradição e tem um reflexo tangível fora das páginas das histórias para crianças.

Por exemplo, uma escola em Barcelona decidiu retirar de sua biblioteca Chapeuzinho Vermelho e A Bela Adormecida, junto com outros 200 títulos (30% dos livros do jardim da infância) por conterem histórias “tóxicas” do ponto de vista de gênero. É uma decisão que convida os pais a considerar se devem ler essas histórias para seus filhos ou se isso ajudaria a perpetuar o machismo na sociedade. Em outras palavras, uma notícia que mostra a enorme importância atribuída aos contos infantis na formação da sociedade.

Mas os contos, como qualquer mensagem, não devem ser tirados do contexto. “As mensagens dessas histórias devem ser situadas no momento de sua criação para poder compreendê-las. Quando as transferimos para a nossa realidade é quando se faz essa análise de estereótipos sexistas”. Torres defende os contos tradicionais e considera que devem continuar sendo transmitidos para poder contrastar a história com a realidade e, assim, gerar um pensamento crítico. E isso, ironias da literatura, certamente ajuda a ser mais livre no mundo real.

Fonte: El País

Conheça a livraria especializada em obras de pessoas negras

Texto por Giorgia Cavicchioli

Ketty Valêncio quer facilitar o acesso à narrativas negras. Foto: Maria Ribeiro

Quantos autores negros você já leu? Quantas histórias com protagonistas negros você lembra? E quantas publicações falando sobre a vivência negra? Sabemos que a literatura, como todas as outras esferas da sociedade, ainda é muito racista.

Foi pensando em mudar esse cenário que a empreendedora e bibliotecária Ketty Valêncio inaugurou a Livraria Africanidades.

De acordo com ela, “a livraria deseja facilitar cada vez mais as narrativas negras e que isso se torne uma proliferação do enegrecimento da literatura como algo naturalizado”.

Leia a entrevista completa:

Quando surgiu a ideia da livraria? De onde veio a inspiração?

Ketty Valêncio: Foi através da minha experiência pessoal, de minhas inquietações perante a trajetória escolar e acadêmica. De ter na infância e na adolescência a companhia de um sentimento avassalador, uma sensação de estrangeirismo absurda, de estar desconectada comigo mesma e principalmente nos lugares onde estava. Logo depois tive um reencontro mágico com a literatura, dessa forma percebi que a literatura produzida por pessoas negras me resgatava e me emancipava, pois eu me via na história e/ou me identificava com as narrativas, assim as palavras que eu lia tinham o codinome de afeto. Entretanto as minhas inspirações também são do passado, por meio das minhas e dos meus ancestrais e hoje sou apenas a continuidade.

Como o projeto foi colocado em prática? Conte um pouco dessa trajetória.

Ketty: No fim do curso de MBA em Bens Culturais pude elaborar um plano de negócio, que de tal modo decidi colocar na teoria o meu grande sonho. Foi um período de grande aprendizado, pois assim tive a certeza que seria possível ter o meu próprio negócio. Após a conclusão do curso, fui com a cara, coragem e com muitas inseguranças, em colocar a existência desse projeto na prática. Iniciei com o formato de e-commerce, em um site básico e também comecei a participar como expositora em feiras culturais e entre outros lugares.

Teve algum ponto de virada?

Ketty: Algo que foi determinante na minha trajetória profissional, foi ter ajuda de pessoas que confiaram no meu trabalho, que me deram a oportunidade para iniciar, como ofertas de eventos, indicações de pessoas para conhecerem o meu empreendimento e também tive muito apoio dos meus familiares e amigas/os.

Como as pessoas podem ter acesso aos livros?

Ketty: Através da loja virtual ou visitando o espaço físico. O espaço físico é uma grande conquista e também uma ferramenta de resistência. A idealização desse lugar foi para ser um ponto de encontro que fomentasse a cultura negra, principalmente pela literatura. Estar em um território considerado periférico, sendo um contraponto de uma sociedade que celebra os seus centros e invisibiliza as suas margens, é algo totalmente político.

Por qual motivo é importante que exista uma livraria como essa?

Ketty: A importância da existência de um empreendimento como o meu, significa muitas coisas, como a história é fragmentada, que ela é diversa e que a população negra merece ser reconhecida e o mais importante, que nós negras/os podemos ser o que quisermos. Na realidade eu apenas queria vender livros, disseminar narrativas negras que foram e ainda sofrem o apagamento histórico, porém o meu empreendimento apenas existe por causa que vivemos em uma sociedade racista, misógina e classista.

O que isso significa?

Ketty: Isso significa que fazer algo simples, de apenas determinar a minha existência e de uma parte da maioria da população, pode ser revolucionário, no entanto há algo muito grave por trás disso. Por isso que eu e outras pessoas temos que evidenciar habitantes que são povos originários, contudo a sua dizimação fazem parte de um projeto nacional.

Qual o retorno que você tem da livraria? O que as pessoas costumam falar?

Ketty: O retorno geralmente é positivo. Consigo acessar muitas pessoas de lugares diferentes e geralmente recebemos muitos elogios. Muitas pessoas querem fazer parte disso, através de oferta de construção de eventos no espaço físico e também de diversas autores negros/as que querem fazer parte do acervo da livraria.

Quais os próximos passos para a livraria? Tem algum sonho para ela?

Ketty: O céu é o limite para nós. A livraria deseja facilitar cada vez mais as narrativas negras e que isso se torne uma proliferação do enegrecimento da literatura como algo naturalizado.

Fonte: Yahoo! Notícias

‘A literatura pode ajudar a entender o valor de uma luta coletiva’

Conceição Evaristo vê na escrita um espaço de afirmação para grupos que tiveram as identidades agredidas.

Texto por Rafaella Martinez

A origem humilde de Maria da Conceição Evaristo de Brito não a impediu de seguir um caminho rodeado de palavras.
Foto: NAIR BUENO/DL

O alarme soa e o grupo de adolescentes deixa a roda instalada no piso térreo do Sesc Santos. Uma das alunas do Programa Juventude permanece na sala e prolonga a conversa com a escritora de 72 anos: questiona sobre identidade, sentimentos e frustrações. Essa interação com os jovens é, nas palavras de Conceição Evaristo, a força de potencialização não apenas de sua obra, mas também de uma nova construção de sociedade, pautada no resgate da humanidade e, quem sabe, na construção de futuro diferente e mais igualitário.

Maria da Conceição Evaristo de Brito nasceu em Belo Horizonte, em 1946. A origem humilde e a tardia conclusão dos estudos (deixou os bancos escolares já aos 25 anos) não a impediu de seguir um caminho rodeado de palavras: se graduou Letras pela UFRJ, trabalhou como professora da rede pública de ensino da capital fluminense e fez mestrado em Literatura Brasileira pela PUC do Rio de Janeiro, com a dissertação Literatura Negra: uma poética de nossa afro-brasilidade (1996).

Os direitos humanos e a valorização da cultura negra são assuntos recorrentes nas palavras que soprou pelo mundo, registradas em livros que atravessaram as barreiras ideológicas e nacionais e já foram traduzidos para francês, inglês e espanhol. A mulher que teve o primeiro espaço de recepção junto aos seus pares do movimento negro, hoje luta para que seu reconhecimento lance luz também a diversos outros autores negros que foram e ainda são apagados das histórias.

“O caminho está sempre em construção. Talvez hoje a positividade desse caminho seja a força com que todos os fatos acontecem e são divulgados. É preciso lutar permanentemente pela visibilidade. Quero que através da minha imagem outros possam ser levantados, como outros tantos nos permitiram chegar até aqui”, conta.

Da infância simples, Conceição lembra da composição feminina de sua casa. Uma cena que se repete em diversos lares Brasil afora: avó, mãe e tia que viveram na subalternidade, mas cujas lutas – mesmo que não em movimentos sociais propriamente ditos – apresentaram outros caminhos.

“Nós crescemos trabalhando em ‘casa de família’ e fomos caminhando, nos afirmando. Minha filha já tem outras perspectivas e meu padrasto pedreiro, se estivesse vivo, veria o neto cursar Engenheira. Viver é lutar. Em alguns momentos a luta é pelo aqui e agora, mas com uma dignidade que deixa lições para as gerações futuras”.

EM TODOS OS ESPAÇOS

Autora premiada, Conceição insiste no poder das narrativas – inclusive o de desconstruir outras narrativas. Seus textos e visões de mundo saíram dos espaços reclusos de sua mente inquieta e ganharam as salas de aulas, lugar onde ainda acha imprescindível estar.

“Eu cresci sem conhecer nenhum escritor de perto. Hoje a criança negra ou a criança branca que me vê na mídia pode enxergar uma possibilidade futura para ela. Acredito de verdade que a mídia, a militância e a educação são capazes de neutralizar forças negativas e conceber a ideia de uma nação justa”.

Nesse quesito, a escritora acredita que cada um, com suas opções políticas – e não necessariamente partidárias – tem responsabilidade pela luta coletiva a partir de seu lugar social. “Não existe milagre, existe construção. Nesse sentido, a mídia constrói um discurso social, cria um lugar de cultura e quanto mais esse discurso for diverso e plural, mais a gente tem possibilidade de ver direitos mais iguais”, conta, refletindo que possivelmente há dez anos ela não estaria inclusa em atividades desenvolvidas por um órgão como o Sesc falando de literatura negra sem ser uma literatura folclórica.

PROCESSO HISTÓRICO

Conceição acredita que o processo histórico é sempre de construção e a experiência negra mostra que não existe mudança de uma hora para outra.

“Tudo é construído paulatinamente. Cada escritor negro que se apresenta, que fala de seu processo criativo e do seu entendimento de literatura só faz com que a Literatura Nacional ganhe. A gente vai forçando uma marca, assim como a autoria indígena faz e como a literatura homoafetiva faz. Essa última, por exemplo, vai construindo outras formas de relacionamento que vão inclusive desconstruir uma literatura que traz um imaginário heteronormativo. Esses grupos que tiveram suas identidades agredidas ou negadas têm na literatura um espaço de recuperação, de afirmação”.

UM BRASIL DE DÉBORAS E SAMARAS

Em sua obra, ‘Histórias de Leves Enganos e Parecenças’, Conceição apresenta personagens como Dolores Feliciana e Andina: mulheres abatidas por opressões sociais. Enquanto a primeira representa uma das tantas mães que choram a morte dos filhos, a segunda busca uma forma de alimentar a fome dos seus.

A narrativa, embora ficcional, é também o retrato de um Brasil doente: dados da Fundação Abrinq apontam que em 20 anos, o assassinato de jovens negros cresceu 429% e um relatório do Banco Mundial afirma que a pobreza aumentou no Brasil entre 2014 e 2017, atingindo 21% da população (43,5 milhões de pessoas).

Ao tomar conhecimento da história de santistas como Débora – fundadora das Mães de Maio após o assassinato do filho no período que ficou conhecido como ‘Crimes de Maio’ – e Samara, presidente da Associação dos Cortiços do Centro, Conceição destaca que embora não tenha passado por essas situações, sua condição de mulher negra a permite experimentar essa dor enquanto inserida no coletivo e registrá-la em seus textos.

“Essa realidade precisa ser dita. Um problema que não é tocado é como se ele não existisse. Um menino de 13 ou 14 anos disse que começou a ler meu texto e a princípio era a história de uma mãe arrumando a roupa do filho, mas depois esse texto foi criando um incômodo. Essa literatura para incomodar precisa ser escrita. Eu gosto desse processo de criação, onde eu preciso pegar esse leitor de surpresa e fazer ele questionar por qual motivo isso mexe com ele. O incômodo gera reação e quem sabe ele se sinta tão comprometido com isso a ponto de compreender o valor de uma luta coletiva?”, pondera.

Ela se recorda de uma ocasião, também em sala de aula, que um estudante branco compartilhou e só após a leitura do texto parou para pensar, que até chegar ao quarto da empregado doméstica era preciso passar por diversos espaços compartilhados da casa e que essa distância, além de física, era também emocional.

“O texto literário que tem o poder de convocar a sua humanidade faz com que você enxergue o outro de forma diferente. Ele entendeu que ela só aparecia na hora que se tornava necessária. E eu espero que esse menino, que por tradição será um dos mandantes dessa nação no futuro, pelo menos cresça refletindo sobre essa realidade injusta e formas de transformá-la. O poder do texto literário é, em outras palavras, o de acordar a humanidade do outro”.

Mais uma vez, ela volta a bater na tecla da importância da educação. “Acredito mais no jovem do que nas pessoas da minha idade. Acho que os mais velhos estão mais viciados, mais fechados em seus valores. O jovem tem a chama da juventude, do novo. E nesse sentido, a juventude negra que cresce experimentando uma sensação de morte é ainda mais aguerrida. Eles estão mudando a história dos cursos superiores, sabem por qual motivo estão aqui”.

MUITO MAIOR QUE UMA CADEIRA

No ano passado, a maior campanha popular da história tinha como objetivo fazer com que Conceição Evaristo fosse a primeira mulher negra a assumir uma cadeira na Academia Brasileira de Letras (ABL). A falta de representatividade negra e feminina na centenária instituição é notória: das 298 pessoas que já ocuparam cadeiras, apenas 8 são mulheres.

Da experiência, ela guarda apenas aprendizados. “Não sei se me candidataria de novo. Sei que a minha campanha mudou a história e fez as pessoas pensarem inclusive sobre as regras de seleção. O resultado mostrou o que é a ABL. Eu não perdi nada. A Academia é que perdeu a oportunidade de ser um espaço mais plural”, finaliza.

Fonte: Diário do Litoral

Encontro com os escritores recebe Ana Maria Machado e Ruth Rocha

Em sua décima segunda edição, a série Encontro com os escritores recebe as premiadas autoras Ana Maria Machado e Ruth Rocha para um bate-papo com seus leitores sobre suas vidas e obras, com mediação da editora Lenice Bueno. O evento homenageia os 50 anos da revista Recreio, importante publicação infantil descontinuada em 2018 e conta com sessão de autógrafos das autoras. O encontro gratuito acontece em 11 de junho, das 19h às 21h, na sede da Universidade do Livro. É preciso inscrever-se previamente.

A série Encontro com os escritores consiste em um ciclo de conversas com autores renomados nos mais diversos segmentos, de romancistas e poetas a quadrinistas, biógrafos e divulgadores científicos. Os encontros anteriores foram com Luis Fernando Verissimo, Milton Hatoum, Laurentino Gomes, Laerte e Luis Gê, Ignácio de Loyola Brandão, Pedro Bandeira, Mary del Priore, Rodrigo Lacerd, Cristovão Tezza, Marina Colasanti e Maria Valéria Rezende.

Sobre as autoras – Ana Maria Machado nasceu no Rio de Janeiro em 1941. Com quase de 50 anos de carreira, Ana Maria tem mais de cem livros publicados no Brasil e em mais de 17 países, somando mais de 18 milhões de exemplares vendidos.  Ficou conhecida como escritora, tanto pelos livros voltados para adultos como aqueles voltados para crianças e jovens. Em 1993, tornou-se hors-concours dos prêmios da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Em 2000, ganhou o prêmio Hans Christian Andersen, considerado o prêmio Nobel da literatura infantil mundial. E em 2001, a Academia Brasileira de Letras lhe deu o maior prêmio literário nacional, o Machado de Assis, pelo conjunto da obra. Ocupa a cadeira número 1 da Academia Brasileira de Letras, que presidiu de 2011 a 2013.

Ruth Rocha é formada em Ciências Políticas e Sociais pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Entre 1957 e 1972 foi orientadora educacional do Colégio Rio Branco. Nessa época, começou a escrever sobre educação para a revista Cláudia. Nesse período, Sonia Robato, que dirigia a revista Recreio, fez um convite-desafio para Ruth: escrever uma história para crianças. Assim nasceu Romeu e Julieta, a primeira de uma série de narrativas publicadas na revista, que mais tarde Ruth veio a dirigir. A partir de 1973 trabalhou como editora e, em seguida, como coordenadora do departamento de publicações infantojuvenis da editora Abril. Palavras, muitas palavras, seu primeiro livro, saiu em 1976. Depois vieram Marcelo, Marmelo, Martelo — seu best-seller e um dos maiores sucessos editoriais do país, com mais de setenta edições e vinte milhões de exemplares vendidos —, O reizinho mandão — incluído na “Lista de Honra” do prêmio internacional Hans Christian Anderson —, Nicolau tinha uma ideia, Dois idiotas sentados cada qual no seu barril e Uma história de rabos presos, entre muitos outros. Em mais de cinquenta anos dedicados à literatura, a escritora tem mais duzentos títulos publicados e já foi traduzida para vinte e cinco idiomas. Ruth recebeu prêmios da Academia Brasileira de Letras, da Associação Paulista dos Críticos de Arte, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, além do prêmio Santista, da Fundação Bunge, o prêmio de Cultura da Fundação Conrad Wessel, a Comenda da Ordem do Mérito Cultural e oito prêmios Jabuti, da Câmera Brasileira de Letras. Em 2008, foi eleita membro da Academia Paulista de Letras.

Encontro com Ana Maria Machado e Ruth Rocha
Data: 11 de junho de 2019
Horário: das 19h às 21h
Inscrições: até às 16h do dia 11/06 ou enquanto houver vagas
Entrada gratuita
Inscrições: clique aqui
Local: Universidade do Livro |Praça da Sé, 108, 7º andar (esquina com Rua Benjamim Constant) | Estação Sé do Metrô | São Paulo (SP)

Menino paulista realiza sonho de construir uma ‘cordelteca’

Pedro Popoff, o “Pedro do Cordel”, tem ascendência russa e administra um espaço exclusivo à literatura regionalista no Sudeste

GIBITECA BALÃO TRAZ TODA REPRESENTATIVIDADE EM UMA MOSTRA COM ARTISTAS DA PERIFERIA DE SÃO PAULO

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Neste sábado aconteceu a inauguração da nova exposição “Expo GB!”, com artistas da periferia de São Paulo,  para propagar a arte e a literatura à população da zona leste de São Paulo.

A mostra acontece na Gibiteca Balão, um espaço cheio de cultura, arte e literatura, que promove ao público periférico da capital paulista, adentrando no mundo da cultura pop.

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O projeto tem a iniciativa de expandir a leitura, entretenimento e as práticas lúdicas para a população de bairros carentes de cultura, então uns amigos da região de Itaquera, tiveram que se locomover para diversas áreas centrais da cidade para ter contato com todo o tipo de produções e atividades de cultura pop e nerd.

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A região leste paulistana é uma das regiões mais carentes de projetos culturais, foi então que surgiu a ideia de montar a Gibiteca Balão, que oferece oficinas, rodas de bate-papo e sessões de jogos. Além de propagar novos artistas a mostrarem seus trabalhos no espaço, em diversas áreas de vários estilo como escultura, crítica social, releituras, tirinhas e muita diversidade.

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Desde a sua ideia, a gibiteca já acumulou muitas experiências e vínculos divulgando trabalhos de ilustradores novatos e renomados, através dos eventos promovidos o espaço, assim ajudando o coletivo a crescer. Atualmente o projeto já soma mais de 50 eventos realizados na região e funciona como um espaço de leitura, discussão e fomento à cultura e entretenimento, com oficinas, rodas de bate-papo e sessões de jogos.

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A exposição “Expo GB!”,  que inaugurou neste final de semana dia 11, apresenta um pouco alguns artistas que inspiraram o projeto da gibiteca, fazendo com que esse sonho de levar a cultura para os bairro carentes, em um lugar para todos, abrindo as portas da cultura para a população. Assim mostrando todo o trabalho e dedicação que cada artista, fazendo essa história acontecer. Por isso que para a curadoria da exposição, foram escolhidos dois tipos de artistas, os parceiros da gibiteca e os criadores periféricos.

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A mostra começou neste sábado (11) e vai até dia 31 de maio, com uma lista de grandes nomes das artes nacionais, que mesmo quem não pode ir na inauguração, poderá prestigiar a exposição que conta com nomes como Bianca Alves, Bianca Colorato, Charles Mos, Cris Magno, Felipe Bezerra Soares, Gau Effe, Geraldo Felício, Germana Viana, Juliana C. Santos, Kiko Garcia, Letícia Ferreira, Lucan Henrique, Mariana Waechter, Matheus Guilherme, Mônica Helena, Rafael Eulálio, Regi Munhoz, Régis Rocha, Rosi Bomfim e Thina Curtis.

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O trabalho dessa galera estará disponível para todos os amantes de quadrinhos e da cultura pop, que gostam de prestigiar a arte nacional brasileira e também conhecer novas caras da nona arte, com trabalhos incríveis e memoráveis que está exposto na Gibiteca Balão, que fica na Okupação Cultural Coragem, no Conjunto Residencial José Bonifácio, na zona leste de São Paulo e está aberto para todos de todas as regiões paulistanas.

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Além da mostra, “Expo GB”, o público pode conferir durante o evento, um ambiente repleto de reapresentação através do trabalho de diversos autores, mas também muita cultura nerd, com bate-papos abrangendo obras em questões sociais, sempre com o perspectiva da periferia.

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Além de ter rolado muita música, ao som de uma playlist especial com músicas escolhidas pelos artistas convidados, deve também um cantinho de criação de arte, aberto ao público, além da mostra “Expo GB”, também aconteceu uma exposição dos alunos da oficina Rabisca GB e também alguns comes e bebes, afinal todo bom evento, sempre pensa no lado cultural do evento, até mesmo no lado astronômico, que não deixa de ser cultura.

A Gibiteca Balão abre a partir de quinta-feira até domingo, a partir das 14 horas.

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Serviço
Gibiteca Balão [“Expo GB!“] Okupação Cultural Coragem
Data: 11 a 31/Maio/2019
Horas: 14:00 às 19:00 (Quinta à Sábado)
14:00 às 18:00 horas (Domingo)
Endereço: Rua Vicente Avelar, 53
Conjunto Residencial José Bonifácio
Itaquera – São Paulo/SP
Facebook | Instagram

Fonte: O Barquinho Cultural

COMO AMPLIAR A LEITURA LITERÁRIA NAS ESCOLAS?

É possível ampliar a leitura literária nas escolas – e fora delas? Neste 1º de maio, Dia da Literatura Brasileira, Christine Castilho Fontelles propõe uma reflexão sobre o assunto. O artigo foi publicado originalmente no blog do Instituto Ecofuturo e no portal Promenino.

A literatura à deriva

Há alguns anos, assisti a uma saborosa palestra do escritor Cristovão Tezza, cujo tema era “A literatura à deriva”. Perguntado sobre como promover ampliação da leitura literária nas escolas – assunto que tem sido o fundamento do meu trabalho há mais de 15 anos -, ele falou sobre a polêmica envolvendo seu romance “Aventuras provisórias”, indicado para as escolas de Santa Catarina, que foi considerado inadequado por uma auxiliar pedagógica por conter linguagem chula, discurso ao qual se somou o de alguns pais de alunos – fenômeno fácil de reconhecer nos dias atuais, quando qualquer indício de oposição ao o que se quer é seguido por uma feroz caça às bruxas, que vai de impropérios disparados pelas redes sociais a agressões às vias de fato. O episódio o motivou a escrever em sua coluna na Gazeta do Povo, de Curitiba, um texto intitulado “Não me adotem”, publicado em 2009.

Segundo Tezza, há um certo antagonismo entre o conservadorismo propagado nas escolas e o caráter libertário da literatura. Literatura é vida real e texto de escola tem os contornos do socialmente correto – termo que uma querida amiga, Silvia Castrillón, prefere substituir por “moralmente hipócrita”. Ora, banir das escolas a reflexão e o debate sobre temas que são eminentemente humanos é retirar delas sua função de formar seres humanos integrais, aptos a viver em ambientes e situações que requererão dele conhecimentos, abertura e habilidades para um mundo cada vez mais multi e intercultural.

Eu não li o livro, mas assusta a forma como o fato veiculou: um fragmento da obra foi retirado do contexto da narrativa e linchado na praça pública das mídias, como se fosse, palavras do autor, um haikai.

Como se diz há muito tempo, não se julga um livro pela capa, embora ela possa, a capa, ser fator de escolha do livro, coisa que frequentador de livrarias e de antenadas bibliotecas conhece bem. E isso não é estratégia de país tido como pouco afeito à leitura – bibliotecas recém-abertas estão sendo fechadas Brasil adentro, como foi o caso das bibliotecas públicas no Rio de Janeiro, uma delas, a de Manguinhos, uma biblioteca Parque, inspirada no modelo da Colômbia, não por falta de leitor, mas por decisão da gestão pública sobre onde ela acha que é importante alocar recursos públicos. Recentemente estive num evento literário no Chile e conheci uma biblioteca em Copenhague que descarta anualmente 30% do seu acervo físico porque passa a ser encontrado em meio digital e, assim, conseguem ter espaço para expor os livros com as capas de frente, usando a estratégia para atrair leitores.

Foto: Valdecir Galor/SMCS – Agência de Notícias da Prefeitura de Curitiba

Para que serve, então, a literatura? Vejamos como é tratada nas escolas. As escolas levam seus alunos a exposições de arte e não aplicam questionário, ensinam música e, em vez de transformar o aprendido em prova, promovem uma bela apresentação, sugerem filmes como outra linguagem para compreender fatos históricos e trocar ideias, levam ao teatro para oferecer acesso à cultura e em todos os casos como experiência estética. Mas a literatura, não!, à leitura literária são levados para fazer prova de entendimento de texto, de conferência para provar que leram, quando não seus fragmentos de literatura são usados para o ensino de gramática. Dá para gostar? Dá para se envolver? Dá para querer mais? Está condenada a não “servir” para nada.

Se não é para proporcionar experiência ética e estética, que passa inevitavelmente pela escola. Se não é para nos humanizar na medida em que, como ensina Alberto Manguel, viabiliza nossas experiências no tempo e no espaço – uma vez que não podemos nos deslocar (ainda!) de volta ao passado ou visitar o futuro e nem estar pessoalmente em todos os lugares para provar das culturas e das geografias que banham este planeta! Que é, ou deveria ser, também missão realizada na escola.

Em “A literatura em perigo”, Tzvetan Todorov fala sobre a importância de romper as amarras burocráticas do ensino de literatura para que seja possível incursionar pelo que ela tem a dizer sobre o humano, para muito além das convenções sociais que sempre buscam silenciar tensões e distensões, colocando a sociedade no trilho do positivismo: ordem e progresso. Como se não falar do que aflige, encanta, amedronta, transcende, assombra, fosse garantia de uma vida plácida e sem conflitos.

Ainda outro dia tentaram banir das escolas brasileiras o livro de Monteiro Lobato, acusado de propagar o racismo, alegando que os professores não tinham condições de lidar em sala de aula com resquícios literais e literários de uma sociedade de passado escravocrata e presente acintosamente preconceituoso e racista. Assim condena-se um grande escritor e se assume a pouca intimidade e o despreparo de professores com o uso do texto literário como condenação e resultado de geração espontânea, no lugar de oferecer as condições necessárias para garantir uma formação leitora de qualidade para todos. E quem tem em mãos “Caçadas de Pedrinho”, edição atual, certamente encontra numa das primeiras páginas uma mensagem onde se diz que não se recomenda a caça de animais silvestres da fauna brasileira e aquela é apenas uma história de ficção!

Para que serve a literatura? Para nada, dizia o poeta e querido amigo Bartolomeu Campos de Queirós, querendo dizer para tudo, para tudo que pode nos humanizar. Ele, um raro ser, que era poesia em movimento, capaz de nos apresentar a dor e a ausência em finas fatias de tomate servidas nas páginas do desconcertante “Vermelho Amargo”.

O papel de um escritor não é dizer aquilo que todos somos capazes de dizer, mas sim aquilo que não somos capazes de dizer”, dizia a escritora Anaïs Nin. Pilhar esta experiência que a literatura, e só ela proporciona, é praticamente pilhar de crianças e jovens desde muito cedo percepção e consciência de que somos seres de narrativas, que escrevemos para dizer quem somos e nos conectar, de uma forma íntima, com a teia da vida. Para muito além dos limites de realidade traçados pela superficialidade ou banalidade dos textos que trafegam em larguíssima escala pelas mídias e redes sociais. Então, sim, nunca lemos tanto. Mas é preciso ler melhor, para melhor atendermos às demandas da vida e fazer deste lugar o melhor lugar do mundo para se viver, para todos!

E, para quem acha que a literatura é um luxo imaterial, fica a pergunta: como a matéria pode ter criado algo tão imaterial quanto a consciência? E para que serve mesmo a consciência?

Fonte: EU QUERO MINHA BIBLIOTECA

A bibliotecária que criou uma livraria especializada em escritoras negras

Aos 34 anos, a empreendedora e bibliotecária Ketty Valêncio decidiu que poderia tomar uma atitude para mudar a falta de acesso à literatura feita por escritoras negras. Com essa proposta surgiu a Livraria Africanidades, especializada em literatura afro-brasileira e feminista.

A livraria reúne títulos de diversas escritoras negras, como Alice Walker, Angela Davis, Jarid Arraes e Maria Firmino. Com um novo site sendo lançado este mês, os livros são vendidos com frete grátis.

Segundo Ketty contou ao Catraca Livre, a motivação veio do fato de ser ela mesma uma mulher negra, tendo percebido a falta de representatividade destas mulheres na literatura. Além de ser formada em biblioteconomia, a empresária também é pesquisadora e pós-graduanda  em gênero e diversidade sexual na Unifesp e realizou um MBA em Bens Culturais: Cultura, Gestão e Economia na FGV.

O negócio próprio surgiu após sete anos de trabalho em bibliotecas e pretende dar destaque ao protagonismo das mulheres negras na literatura. A compra dos livros pode ser feita completamente online, através do Pagseguro. O catálogo inclui desde obras infantis até livros de arte, passando por obras de referência de diversos campos dos saberes.

Para saber mais, acesse o site da Livraria Africanidades ou curta a página da empresa no Facebook.

Fonte: Hypeness

Museus celebram a literatura de cordel com atrações grátis

Casa das Rosas, Guilherme de Almeida e Mário de Andrade promovem oficinas, exposições e exibições de filmes sobre o tema

Por Guilherme Queiroz

De origem ibérica, a literatura de cordel foi incorporada na história do Brasil e virou sinônimo da cultura nordestina, tendo sido declarada patrimônio cultural brasileiro em setembro. Os pequenos livretos, com ilustrações feitas por vezes com técnica de xilogravura, costumam retratar histórias locais e aventuras fantásticas. De maio a junho, a Casa das Rosas, a Casa Guilherme de Almeida e a Casa Mário de Andrade recebem uma programação gratuita que celebra o cordel.

A Casa Das Rosas, na Avenida Paulista, apresenta a exposição O Cordel em Portugal e no Brasil. Um acervo de mais de 100 obras, que foram produzidas no Brasil e em Portugal entre os séculos XVII  e XX, ficará exposto no local. A coleção do curador da mostra Arnaldo Saraiva mostra diferentes estilos dessa literatura. No mesmo local devem ser exibidos filmes sobre o assunto. Um deles, lançado em 2014, é inspirado em um cordel feito pelo músico Alceu Valença, também diretor do longa.

Divulgação/Veja SP

Já a Casa Guilherme de Almeida, no Sumaré, realiza uma oficina de xilogravura, técnica de talhamento em madeira utilizada para a elaboração das capas dos cordéis. Além disso, o local exibe o filme O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro e debate a importância de Glauber Rocha, diretor do longa-metragem, no chamado cinema de cordel. A produção exibida é de 1969 e faz referência aos cordelistas nordestinos.

Na Casa Mário de Andrade, Barra Funda, as atividades são voltadas para a escrita. No curso Literatura de Cordel, os interessados poderão conhecer a história do gênero literário e desenvolver textos com orientação dos professores. A exposição O Cordel na Pauliceia xibe folhetos contemporâneos que foram produzidos em São Paulo.

Para participar de uma oficina ou curso os interessados precisam realizar inscrição no site de cada museu. Confira abaixo a programação completa:

Casa das Rosas. Avenida Paulista, 37- Paraíso.

  • Exposição O Cordel em Portugal e no Brasil. 7 de maio a 6 de junho

  • Exibição do filme O Homem que Virou Suco (1981, direção de João Batista de Andrade). 16 de maio (quinta-feira), às 19h

  • Exibição do filme A Luneta do Tempo (2014, direção de Alceu Valença). 6 de junho (quinta-feira), às 19h

Casa Guilherme de Almeida. Rua Macapá, 187 – Sumaré.

  • Oficina de Xilogravura: capa de cordel. 7 a 28 de maio, às terças-feiras, das 15h às 17h

  • Glauber Rocha e o Cinema de Cordel. 11 de maio (sábado), às 15h

Casa Mário de Andrade. Rua Lopes Chaves, 546 – Barra Funda.

  • Exposição O Cordel na Pauliceia. Abertura em 10 de maio (sexta-feira)

  • Curso Literatura de Cordel. 9 de maio a 13 de junho, às quintas-feiras, das 19h às 21h

  • Lançamento do CD SerTão Distante, do artista pernambucano Aldy Carvalho. 4 de maio (sábado) das 16h às 18h

Fonte: Veja São Paulo

Dia do livro: Conheça leitores que adaptaram sua leitura as novas plataformas

Comodidade e interatividade chamam a atenção dos novos leitores

Leitores se adaptaram as novas plataformas (Foto: Amanda Rocha – A Cidade ON)
O brasileiro está cada vez mais conectado. Somos o terceiro país que mais passa o tempo na internet. São mais de nove horas, todos os dias. Com tantos dispositivos na palma da mão, muitos leitores têm encontraram um formato de leitura diferente, mas com o mesmo conteúdo.Seja pela comodidade ou pelo preço, os livros digitais estão ganhando cada vez mais adeptos, como é o caso da jornalista Paula dos Santos. Ela utiliza o kindle, uma espécie de tablet, que permite aos usuários comprar, baixar, e ler livros e outras mídias digitais.

“Não é todo livro que a gente consegue levar na bolsa. O Kindle é muito fininho e levinho, fica na bolsa sempre e levo ele para todos os lugares. Assim, se eu vou ao banco, a uma consulta ou a qualquer outro lugar que eu tenha que esperar, consigo ler um pouco”, acredita.

Nas contas da jornalista, já são oitos livros lidos no dispositivo e a meta é chegar aos 25 neste ano.

Mas Paula não está sozinha. A pedagoga Juliana Neves também utiliza o dispositivo. Ela já leu mais de 20 livros na plataforma. Para ela, a interatividade é o que mais lhe chama a atenção.

“Uma das coisas que mais gosto é a possibilidade de você ler o texto e ir fazendo sua nota, o que em um livro comum você teria que colar um postit ou escrever a lápis. Depois você consegue visualizar todas as suas notas, encontrar a nota que você quer e tem ainda o dicionário e o tradutor”.

Para Uiliam Moraes Folsta, coordenador do curso de pedagogia da universidade de Araraquara, o uso dos livros digitais é uma tendência.

“A tendência é que haja uma migração maciça do livro impresso para o livro eletrônico, talvez pela facilidade de acesso e barateamento do custo”, acredita Uiliam, que destaca ainda a importância de incentivar a leitura, seja nos livros físicos ou nas plataformas digitais.

Fonte: https://www.acidadeon.com

Dia Nacional do Livro Infantil: ‘O maravilhoso serve de contrapeso ao real’

Escritora e professora da UFRJ Georgina Martins estuda a fantasia na literatura

A escritora e professora da UFRJ Georgina Martins Foto: Acervo pessoal
A escritora e professora da UFRJ Georgina Martins Foto: Acervo pessoal

RIO — Um universo do qual a realidade não dá conta. Seres do folclore, objetos mágicos, lugares únicos. O maravilhoso na literatura é objeto de estudo da escritora, professora da UFRJ e especialista em teoria e crítica da literatura infantil e juvenil Georgina Martins .

Como nasceu a literatura do maravilhoso?

Qual seria a “função” dessa literatura?

O maravilhoso serve de contrapeso à banalidade e à regularidade do cotidiano, como disse o historiador francês Jacques le Goff; ou seja, os personagens e os objetos entram nas narrativas ficcionais e operam eventos espantosos no cotidiano: a abóbora é transformada em carruagem, tapetes voam, sapo vira príncipe, lâmpadas realizam desejos. O mundo fica de ponta-cabeça, e os personagens se apropriam daquilo que não podem ter na realidade.

Como localizar nas livrarias as nossas maravilhas literárias?

Procurando livros do Câmara Cascudo, livros sobre mitologia indígena, mitologia africana, lendas urbanas…

O que os pequenos leitores ganham quando apresentados à metalinguagem contida nas mitologias?

Prazer na leitura, com grande importância cultural. As histórias evocam comportamentos éticos, falam de valores morais, coragem, perseverança e solidariedade.

Fonte: https://oglobo.globo.com

Festival de Leitura e Literatura

Evento gratuito e itinerante, em quarta edição, estará de 22/4 a 1/5 em dez bairros de Bauru

O grupo Cabeças de Livro, como de costume, é presença marcante no evento: incentivo a uma divertida e produtiva relação com o universo das páginas e suas histórias dos diversos estilos

Bauru recebe entre os dias 22 de abril (amanhã) e 1° de maio o 4º. Festival de Leitura e Literatura (Feleli), evento literário e artístico que vai circular por dez bairros da cidade. 

Realizado pela Giralua Companhia de Artes, com a produção executiva da Arte&Efeito Produções, o Feleli foi premiado pelo Programa de Ação Cultural-SP e conta com o apoio da Secretaria de Cultura de Bauru. Toda programação é gratuita. 

Ao todo, serão 40 ações artísticas distribuídas em dez dias. As apresentações incluem espetáculos cênicos, contação de histórias, performance narrativa, encontro com escritores, sarau, dança, shows musicais, slam, entre outras atividades.

DIÁLOGOS 

A idealizadora do evento, Valsineire Castro, destaca que o Feleli é “altamente generoso, pois dialoga com todas as idades”.

E mais: pretende, desde sua concepção, ser um ponto de encontro amável e vigoroso entre artistas, produtores e público.

SERVIÇO 

A programação completa pode ser conferida pelo link: https://www.facebook.com/FestivaldeLeituraeLiteratura/. Outras informações: (14) 98103-6389. www.arteefeito.com.br

O que ocorre amanhã

Bairro da vez: Altos da Cidade

Bosque da Comunidade: rua Araújo Leite,

Vila Universitária

9h às 17h – Tenda da Leitura – Espaço de Leitura com 200 livros disponíveis para apreciação no local e mediadores de leitura

9h30 e 14h30 – Alicce Oliveira (Cuiabá-MT)

Exetina Kopenoty – Histórias Indígenas

Livre para todas as idades

16h às 17h – Intervenção Literária com Cabeças de Livro

Auditório da Escola Estadual Ernesto Monte: Praça das Cerejeiras, 4-44

19h às 20h – Leitura Encenada para juventude com Giralua Companhia de Artes

Você sabia?

Em 2018, o público total atingido foi de 3.035 pessoas. Em 2019, previsão é alcançar 4.500

Fonte: JCNET

No Dia Nacional da Literatura Infantil autores e ilustradores analisam sua importância

Livros com histórias e desenhos pensados para crianças e adolescentes conseguem alcançar aspectos linguísticos e estéticos, ajudando a formar cidadãos plenos e com capacidade crítica

Texto por Mariana Mesquita

Detalhe de ilustração de Rosinha
Foto: Reprodução

Desde 2002, a cada 18 de abril o Brasil comemora o Dia Nacional da Literatura Infantil. E, apesar da crise econômica estar afetando o mercado livreiro como um todo, sempre há motivos para celebrar o fato. “É como no dia do aniversário de alguém querido. A gente comemora a existência desse objeto. E comemorar o livro é comemorar as pessoas que ainda acreditam que ele é um portal de comunicação onde você consegue acessar afetos, memórias e senso crítico, também. Porque quando a gente lê, a gente pensa”, destaca Luciano Pontes.

Ele é autor e ilustrador de livros infantis – e também vem atuando como curador do Festival Internacional de Literatura Infantil de Garanhuns (Filig), que no ano passado realizou sua quarta edição. “É muito importante comemorar, porque – independentemente do tempo e do espaço – o livro é um dos produtos culturais mais importantes que existem, e quando é feito para as crianças isso assume uma importância ainda maior, porque é assim que se formam novos leitores”, reforça por sua vez Rosinha, premiada ilustradora e escritora do segmento.

Ainda menosprezado por algumas pessoas, que não enxergam a dimensão de sua importância e complexidade, os livros feitos para crianças e adolescentes vêm alcançando um patamar de excelência nas últimas décadas.

“Eu sou autor e ilustrador e meu primeiro livro infantil foi feito em parceria com o etnólogo Pierre Verger, na década de 1980, falando sobre lendas africanas. De lá para cá, a coisa se profissionalizou e melhorou bastante. Tivemos momentos de pico, como em 2014, quando Roger Mello tornou-se o primeiro ilustrador latinoamericano a receber o prêmio Hans Christian Andersen, o mais importante na área da literatura infantil”, relembra Enéas Guerra, que comanda em Salvador (BA) a editora Solisluna, detentora de um catálogo onde as obras infantojuvenis se destacam. 

Para Rosinha, vencedora de prêmios importantes como o Jabuti, o auge da produção para o setor, no Brasil, se deu após a criação de políticas públicas específicas, como o Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE). Desenvolvido a partir de 1997, ainda durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, o programa tomou impulso nas gestões de Lula e Dilma Rousseff.

“No início, os livros eram em preto e branco, pequenos, e só quem vencia as concorrências eram as grandes editoras. Quando Lula entrou, houve uma democratização nesse processo. Começou a haver limite de títulos por editora, e só 10% das obras podia ser de livros estrangeiros, traduzidos. A produção foi incentivada. Foram realizadas feiras no Brasil inteiro, os autores e ilustradores passaram a ser reconhecidos e receber prêmios fora do País”, relata.

Rosinha, ilustradora e escritora – Crédito: Divulgação

“Nessa época, houve uma ampliação real dos acervos das bibliotecas das escolas públicas de todo o Brasil, e também uma qualidade maior no que estava sendo distribuído, porque tinha mais produção, mais oferta de obras entre as quais se escolher”, acrescenta Luciano Pontes.

Porém, na gestão de Michel Temer, diz Rosinha, o PNBE foi “completamente desvirtuado, enquanto política pública de acesso ao livro”. Apesar disso, em 2018 houve edital, seleção de livros e publicação em diário oficial de uma lista de obras que seriam distribuídas às escolas públicas.

“Só que a gente já está no quarto mês de 2019 e o governo de Jair Bolsonaro, até o momento, não resolveu essa questão nem está dando conta de se organizar para cumprir o que Temer havia deixado determinado”, critica ela, alertando para o fato de que várias editoras pequenas já fecharam as portas desde 2016. “São três anos em que a gente faz no máximo dois livros a cada ano, quando antes fazia de oito a dez. Vários autores e ilustradores vêm sendo obrigados a buscar outros trabalhos. Então, o momento é de muito receio em relação ao que vem pela frente”, lamenta.

Objetos para a alma

“O Nordeste tem excelentes autores, muita gente boa trabalhando em Pernambuco, no Ceará. Inclusive, enquanto fonte de inspiração o Nordeste é inesgotável, tanto que muitos autores de livros infantis do sul do País vêm se inspirar por aqui”, conta Enéas Guerra – ele mesmo, um paulista que se apaixonou pela Bahia e para lá se mudou, desde os anos 1970. “O livro faz parte da formação dos seres humanos, como cidadãos plenos. O livro tem essa tarefa, é capaz dessa magia”, ressalta. 

“Não é um objeto comestível, é algo feito para a alma. Não consumindo esse tipo de produto, a gente traz o diagnóstico de uma sociedade que está adoecendo”, destaca Luciano Pontes, para quem a boa literatura infantojuvenil consegue dialogar “com todas as infâncias”.

Detalhe de capa de livro da Solisluna – Crédito: Solisluna/Divulgação

“É muito importante ler a literatura direcionada a esse tipo de público, porque ela toca em aspectos linguísticos e estéticos. Ela não é só texto. Alia duas linguagens, a narrativa e a não-verbal, de maneira muito sofisticada. Quando pegamos um livro infantil, estamos diante de um artefato que é um conjunto artistíco, onde há um diálogo integrado”, descreve.

Para Luciano, é importante que se pense o livro nesse sentido. “É um projeto gráfico, tipográfico, estético, narrativo, construído em prol de um sentido, de uma história. E isso às vezes acontece de forma completamente diferente do que ocorre na obra de literatura dita adulta”, explica. Ele lamenta o fato de que ainda hoje, “independentemente do público, da inserção na escola e das políticas de governo, a literatura ainda é muito mal vista e pouco lida, especialmente a infantojuvenil”. “É a concretização da negação do direito à cultura. A literatura perpassa essa questão de não se ter resposta à necessidade humana de ter acesso à cultura”, finaliza. 

Legado polêmico de Lobato

Abril é um mês especial quando se fala em livros voltados para a infância. O Dia Internacional do Livro Infantil é comemorado no dia 2, em homenagem ao nascimento, em 1805, do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen (autor de clássicos como “A Pequena Sereia” e “O Patinho Feio”).

Mas, no Brasil, a data que ganhou mais destaque foi 18 de abril, dia do aniversário de Monteiro Lobato, criador de um dos maiores legados voltados para esse público. De sua imaginação, surgiram personagens que marcaram várias gerações de crianças, desde que seu primeiro livro infantil, “A menina do narizinho arrebitado”, foi publicado, em 1920. Nascido em 1882 e falecido em 1948, Lobato inseriu Narizinho, Pedrinho, Dona Benta, Tia Nastácia, Visconde de Sabugosa e, especialmente, Emília na memória afetiva brasileira. 

Quase um século depois dessa história ter começado, os direitos autorais do Sítio do Picapau Amarelo, junto com as demais obras de Monteiro Lobato, deixaram de ser protegidos (a lei diz que eles perduram por 70 anos após a morte do autor). Como agora são de domínio público, desde o dia 1º de janeiro qualquer editora pode publicar as histórias do “pai da literatura infantil brasileira” – sejam as histórias originais, sejam adaptações ou novos textos que remetam a ele e a seus personagens.

Detalhe de capa de livro da Solisluna – Crédito: Solisluna/Divulgação

Extremamente queridos do público, os personagens centenários também vêm precisando lidar com as mudanças culturais que afetam nossa sociedade. O autor vem sendo acusado de expressar ideias racistas em suas obras, especialmente quando se refere à famosa Tia Nastácia (constantemente menosprezada por Emília em suas características negras e pelo fato de não saber escrever).

Em 2010, o livro “Caçadas de Pedrinho”, de 1933, foi denunciado por militantes negros como sendo uma obra racista, levando o Conselho Nacional de Educação (CNE) a vetar a distribuição da obra nas escolas públicas brasileiras. Na sequência, em 2011, o Ministério da Educação (MEC) publicou um parecer contrário à proibição do livro, recomendando que a leitura seja feita aliada a uma política antirracista dentro do sistema de ensino e que as novas edições contenham uma nota técnica contextualizando o momento histórico em que o livro foi produzido.

Fonte: Folha PE

Literatura fantástica encanta até quem já nasceu com tablet

Dia Nacional do Livro Infantil é nesta sexta, data do nascimento de Monteiro Lobato

Ilustração de Samuel Casal Foto: Samuel Casal/Editora do Brasil

Texto por Roberta Pennafort e Karen Acioly

RIO — Monstros, fadas, bruxas, gigantes e personagens tradicionais do folclore brasileiro povoam a literatura infantil e juvenil desde antes de nossos bisavós virarem suas primeiras páginas. A chamada literatura do maravilhoso, habitada por estes e outros seres cujas existências não podem ser explicadas pela racionalidade adulta e carimbadas no imaginário das crianças pelos clássicos europeus, segue motivando lançamentos e debates, e encantando mesmo quem já vem ao mundo com um tablet no berço.

Neste Dia Nacional do Livro Infantil — a data é a do nascimento de Monteiro Lobato (1882-1948) —, o criador de Emília, Narizinho e Pedrinho é lembrado justamente por suas histórias fantásticas. À parte as controvérsias sobre o racismo que lhe entranha as narrativas, Lobato é marco da literatura maravilhosa brasileira, por ter trazido a gerações de leitores alegrias mitológicas como a Cuca, o Saci, a Curupira, entre outros tantos companheiros nossos existência afora.

Com ele, estão Câmara Cascudo (1898-1986), profundo entendedor das manifestações culturais nacionais, com seus recontos, Graciliano Ramos (“A terra dos meninos pelados”), Joel Rufino dos Santos (“O saci e o curupira”) e autores que se dedicam à literatura dos povos da floresta e das divindades da mitologia africana, como Kaká Werá, Daniel Mundukuru, Kiusam Oliveira, Sonia Rosa e Rogério Andrade Barbosa.

A escrita maravilhosa desembarcou no Ocidente nas versões pioneiras do italiano Giambatistta Basile, que abririam portas e janelas para Hans Christian Andersen e os Irmãos Grimm. No Brasil, depois de Lobato viriam os textos juvenis de ficção científica dos anos 1960, e os autores do apogeu da literatura infantil e juvenil, Sylvia Orthof, Fernanda Lopes de Almeida, Ana Maria Machado, Maria Clara Machado…

O maravilhoso é tudo aquilo que é sobrenatural e que, ainda assim, ninguém estranha. Um personagem sai voando, e tudo bem. O lobo mau come a avó inteira, e depois você a encontra abrindo a barriga dele — aponta Alexandre de Castro Gomes, autor de livros adotados em escolas, muitos deles sobre monstros e folclore, como “Quem matou saci?” (Escarlate), “Encontros folclóricos de Benito Folgaça” (Editora do Brasil) e “Condomínio dos monstros”(RHJ). — A literatura infantil se apropriou do maravilhoso e sabe utilizá-lo muito bem. A cabeça da criança tende a ser mais mágica.

Ilustração de Samuel Casal Foto: Samuel Casal/Editora do Brasil

No catálogo que levou neste mês à Feira literária de Bolonha, voltada à produção para este público, a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) destacou lançamentos nessa linha. Viajaram à Itália, por exemplo, “A avó amarela”(Oze), de Júlia Medeiros e Elisa Carareto, que tem dentes de porcelana e cozinha lembretes; “O búfalo que só queria ficar abraçado” (Carochinha), de Thais Laham Morello e Juliana Basile, cheio de afetos; a delicada “Casa de passarinho” (Positivo), de Ana Rosa Costa e Odilon Moraes, entre outras gemas verdes e amarelas.

Meu modo de trabalhar magia e o fantástico é em cima do real. Em “Pedro e a lua” (Jujuba), há um menino, uma pedra e uma tartaruga. A fantasia entra no momento em que a tartaruga é uma pedra e a pedra é um pedaço da lua — diz Odilon Moraes, aos 30 anos de ilustrações. — Não tem dragão, fada, duende, mas a possibilidade de dar outro sentido às coisas. A criança está muito mais no mundo concreto do que nós. Quer coisa mais fantasiosa do que o dinheiro do adulto, um pedaço de papel?

Ilustração de Samuel Casal Foto: Samuel Casal/Editora do Brasil

O número de títulos vem caindo a cada ano, na esteira da crise das editoras, ressalta Elizabeth Serra, à frente da FNLIJ. Mas o momento é áureo para a literatura infantil em termos das virtudes de texto e imagem.

O maravilhoso sempre existiu, e valorizamos os marcos, como “Flicts”, do Ziraldo, que está fazendo 50 anos e traz a originalidade da imagem e da ideia juntos. Melhor do que livro didático, só livro de literatura. A cultura da escrita é a da liberdade, da independência — diz Elizabeth.

Nesta quinta-feira, das 10h às 18h, na Biblioteca Parque Estadual, no Centro, a edição especial do evento “Conversa Literária” terá rodas de conversa atravessadas pelo mundo maravilhoso.

Existe uma censura atualmente nesse sentido. Editoras querem histórias do dia a dia da criança — critica a organizadora, Cintia Barreto. — Mas este universo é muito importante para a formação humana, leva o público infantil a outros mundos, ampliando seu repertório e potencial criativo. Viemos dessa tradição.

Fonte: O Globo

A liberdade literária contra a ditadura da seriedade

Por Henrique Rodrigues

Em sua coluna, Henrique Rodrigues alerta para o perigo da censura na produção literária recente

Há poucos anos, quando muitas editoras dependiam de editais do governo para sobreviver, começou a surgir um questionamento dentre autores, especialmente na literatura infantojuvenil, sobre o conteúdo desejado para os livros. O que inicialmente se referia a formatos e tamanhos passou a se dar também no texto, uma vez que tal palavra poderia comprometer a inscrição e eliminar a obra. Ou o autor alterava o conteúdo, ou o livro poderia nem ser publicado, visto que mirava unicamente na venda em escala.

Mais recentemente, algumas situações em relação aos textos passaram a ganhar espaço na mídia, especialmente naqueles lidos em escolas. O escritor José Mauro Brant teve 98 mil exemplares do seu livro Enquanto o sono não vem, adotado pelo PNLD, recolhidos a partir de reclamação de alguns pais e professores. O livro, composto por contos da tradição oral brasileira, traz um em que o rei pretende se casar com a filha, que se nega e por isso é isolada numa torre. “O Brasil vive uma crise de inteligência”, disse o autor ao El País. Brant, ator e contador de histórias bastante reconhecido na área, é um profissional com décadas de estrada.

Em pouco tempo, outros livros de autores também conhecidos caíram na mesma peneira. Um de Leo Cunha foi atacado em Atibaia, município paulista, porque contém dois ou três palavrões. Ricardo Azevedo teve uma obra vetada numa escola porque uma orientadora acreditou que termos como “burraldo” e “paspalhão” poderiam ser aprendidos pelos alunos e usados em bullying. Kiusam de Oliveira quase teve um texto proibido numa escola porque ele conta a história de princesas africanas – inclusive descumprindo a Lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino da cultura e história africana e afro-brasileira. Já Ana Maria Machado, vencedora do Prêmio Hans Christian Andersen, um tipo de Nobel da literatura infantojuvenil, foi acusada de fazer apologia ao suicídio porque num dos seus livros o personagem engasga com um pedaço de maçã como forma de entrar no mundo da imaginação.

O que todos esses casos têm em comum é a origem da censura, provocada por um pensamento restrito e, ao que parece, pouca ou nenhuma familiaridade com quaisquer práticas leitoras de alguns pais, professores e outras pessoas, cuja opinião encontra eco no governo ou em escolas e instituições. Ou seja, indivíduos que não conseguem estabelecer uma relação mínima com o universo simbólico da palavra escrita determinam o que pode e o que não pode fazer parte da formação cultural de várias outras pessoas. O argumento é, muitas vezes, escorado por orientações de igrejas neopentecostais, cujos representantes também ocupam atualmente cargos políticos.

Há algumas semanas, fiquei estarrecido ao descobrir que um professor da rede pública do Rio de Janeiro foi afastado pela Secretaria de Educação porque usou uma charge em sala de aula, para ensinar sobre ironia. A charge mostrava Bolsonaro e Trump abraçados. Em vários momentos da história o humor e a política entraram em choque, com diferentes tipos de manifestações. A política, bem como a religião, representa o poder manifesto da seriedade, que é o grande objeto do riso – aliás, o oposto do riso é o sério, não a tristeza, mesmo porque, como disse o Millôr Fernandes, entre o riso e o choro só existe o nariz.

Trabalhei na Secretaria de Educação como superintendente pedagógico em 2009. Foi por alguns meses, mas no pouco tempo, no meio daquele caos, deu para entender porque a educação pública não funciona. No entanto, dentre todos os problemas, não havia esse tipo de censura explícita e oficial contra um conteúdo de aula.

Sem dúvida, o professor Marcos Antônio Tavares da Silva lançou mão de sua autonomia de cátedra (garantida pela Constituição de 88) para tratar de um assunto atual, utilizando a charge como exemplo da ironia, que é um recurso de expressão artística. Apontar como objeto do riso pessoas poderosas é também um recurso bastante usado há séculos. E utilizar charge em sala de aula é absolutamente normal.

Esses episódios tornam o nosso ambiente cultural muito similar ao do período da Ditadura. Mas o que causa maior preocupação é que agora, diferentemente de algumas décadas, há um tipo de adesão sinistra por boa parte da população ao pensamento obscuro, envolto por um manto de falsa proteção da “família”. Circulou recentemente um vídeo da ministra Damares Alves acusando livros infantis de ensinarem bruxarias para as crianças.

Vale lembrar que tal caça às bruxas da literatura infantojuvenil não acontecia dessa forma nem no período ditatorial. Em entrevista ao Estadão, Ruth Rocha se lembra como suas obras passavam despercebidas pela censura: “Não viram o que eu estava dizendo. Na verdade, eles não olharam história infantil, só vigiavam a música popular.” Daí que artistas de várias áreas, como Ziraldo, Sylvia Orthof e a própria Ana Maria Machado, tenham se voltado à literatura infantil, espaço onde era possível expressar as ideias literárias sem o jugo da mão censora. A revista Recreio foi um marco dessa busca pela liberdade: a Ditadura não tinha olhos para a potência alegórica – e naturalmente “subversiva” – dessa literatura.

A falta de uma educação para a leitura, favorecida pelo alcance das redes sociais, nos levou a um ponto em que a ignorância se dissemina rápida e amplamente, criando um tipo novo de aparelho repressor com orientação oficial e impulso de boa parte da população, que concorda com a censura. Todos que trabalham(os) pela literatura precisam(os) levar em conta esse aspecto.

Crianças e jovens, cujas mentes são mais abertas para o maravilhamento da literatura, são uma grande esperança para que esse quadro se dissolva. Ainda sem as máscaras da seriedade e do falso moralismo, precisam de acesso e de mediação para que a experiência da leitura literária seja um campo de liberdade para o enfrentamento da vida, com todos os seus risos e lágrimas. Como afirma o escritor e pesquisador Ilan Brenman no livro A condenação de Emília: “A literatura infantojuvenil de qualidade não garante a felicidade e nem a conquista de bens materiais, mas possibilita que nossa mente se torne mais flexível e livre, capaz de compreender a complexidade do mundo visível e invisível”.

Fonte: https://www.publishnews.com.br

Capuchinho Vermelho e outros contos infantis vetados por serem sexistas

Escola de Barcelona decide afastar mais de 200 contos infantis da sua biblioteca por não acautelarem valores de género

O Capuchinho Vermelho, A Bela Adormecida ou até A Lenda de Sant Jordi, o santo padroeiro da Catalunha, já não podem ser lidos na Escola Tàber de Barcelona, instituição gerida pelo governo autónomo catalão. Uma revisão ao catálogo da biblioteca da escola levou a que esses e muitos outros contos infantis tenham passado a ser proibidos, por veicularem ideais considerados sexistas.

No total, foram mais de 200 os títulos retirados do catálogo infantil da biblioteca – destinado a crianças até aos seis anos, em idade pré-escolar -, num trabalho de revisão que contou com a ajuda dos próprios pais das crianças. Ou seja, cerca de 30% da coleção de livros para aquela faixa etária foi banida. Em 60% dos títulos, os problemas de género detetados foram considerados menos graves, enquanto somente 10% estavam escritos conforme uma perspetiva igualitária de género, de acordo com a comissão responsável pela revisão.

Em declarações à televisão municipal Betevé, uma das mães envolvidas no processo não quis confirmar os títulos vetados e desvalorizou a questão dos contos tradicionais, revelando tratarem-se de “uma minoria” entre os livros afastados. “Também foram vetados livros para aprender o abecedário, as cores, os hábitos, etc. A sociedade está a mudar e é mais sensível às questões de género, mas isso ainda não está a ser refletido nos contos”, disse Anna Tutzó.

A maior marca de sexismo encontrada, acrescentou, foi a associação de valores como a valentia e a competitividade ao sexo masculino. “Também em situações de violência, ainda que sejam pequenas travessuras, são sempre os meninos que as protagonizam contra as meninas, o que contribui para passar uma ideia de a quem é permitido ter atos violentos contra quem”, referiu, citada pelo El País.

A revisão dos catálogos da biblioteca infantil já foi entretanto anunciada também por outras escolas de Barcelona, avança o mesmo jornal.

Já em relação aos títulos existentes para a faixa etária a partir dos seis anos – ou seja, na escola primária -, Anna Tutzó, da comissão de revisão da Escola Tàber, diz que não planeiam vetar nenhum, porque a leitura já pode aí ser feita com “algum espírito crítico”. “Na primeira infância [pré-escolar], as crianças são esponjas que absorvem tudo. Na escola primária, os alunos já têm mais capacidade crítica e esses livros podem ser uma oportunidade para aprender, de forma a que eles mesmos saibam identificar esses elementos sexistas”.

Fonte: https://www.dn.pt

Senac-SP distribui 15 mil livros e promove atividades sobre mulheres na literatura

‘Semana Senac de Leitura’ oferece palestras, bate-papos e oficinas com autoras em 60 unidades da rede; programação é gratuita.

 Por Amauri Terto

Reprodução/Instagram
Sarau com a slammer Mel Duarte é um dos destaques da programação. 


Mulheres na Literatura – Leitura e Escrita Que Transformam Vidas
é o tema da 4ª Semana Senac de Leitura, que levará encontros com autores, rodas de conversas, palestras e feiras de trocas de livros e gibis para 60 unidades da rede em todo o Estado de São Paulo.

A programação será realizada entre 22 e 27 de abril com entrada gratuita.

Um encontro entre as autoras Maria Vilani (mãe rapper Criolo), Jarid ArraesGoimar Dantas, com mediação de Bel Santos Mayer (coordenadora de projetos de fomento à leitura), dará início às atividades na segunda (22), às 15h, na Sede do Senac, localizada na Vila Buarque, no centro da capital paulista.

Entre os destaques da programação estão bate-papo sobre literatura trans com Amara Moira no Senac Tatuapé; oficina de preparo de sobremesas a partir da releitura de textos de Cora Coralina (1889-1985), com Fernanda Suzumura e Bárbara Meire, no Senac Penha; e sarau com a slammer e produtora cultural Mel Duarte no Senac Francisco Matarazzo.

No Senac Aclimação, Clara Barzaghi ministrará a palestra Espaço da Mulher no Mercado Editorial; e no Senac Itaquera haverá oficina de escrita com base na obra de Clarice Lispector ministradas por por Eliete de Oliveira. A programação completa com detalhes sobre inscrições estão disponíveis no portal do Senac. 

Livros e leituras no transporte público  

A fim de incentivar a participação do público na extensa programação, o Senac promove nesta quarta (10) e quinta (11) atividades em estações da CPTM, Metrô (Via Quatro) e EMTU, além da distribuição gratuita de 15 mil livros da Editora Senac São Paulo.

Contações de histórias e gincanas sobre grandes mulheres da literatura brasileira serão realizados por equipes da instituição nas estações de trem Pinheiros, Osasco e Palmeiras-Barra Funda (CPTM) e de metrô São Paulo Morumbi e Largo Treze (Via Quatro); nos terminais de ônibus Jabaquara, Santo André, Diadema, São Bernardo, Guarulhos (EMTU).

Estão programadas também ações no terminal Magalhães Teixeira, em Campinas e nas linhas intermunicipais e o VLT da Baixada Santista (EMTU).

As atividades ocorrerão ao longo do dia em diferentes horários.

No ano passado, o tema da Semana Senac de Leitura teve como tema livros que viraram filmes e séries. Em 2017, foram realizadas atividades relacionadas à literatura fantástica e HQ’s. No primeiro ano do evento, foram organizadas ações de leitura em parceria com o Instituto Rubem Alves.

Fonte: www.huffpostbrasil.com

Sucesso de público, exposição os planetas do Ziraldo, na casa melhoramentos, é prorrogada até 11 de maio

Por Gabriela Galdino

A mostra pode ser conferida de quarta a sábado e tem agenda aberta para grupos e escolas

Vista quase 20 mil pessoas desde que entrou em cartaz, em outubro passado, a exposição Os Planetas do Ziraldo foi prorrogada e poderá ser conferida até 11 de maio na Casa Melhoramentos, um dos mais novos e modernos espaços culturais da capital paulista. Boa notícia também para grupos e escolas, a agenda para visitas será reaberta.

Baseada no fascínio do cartunista pelo Universo, a mostra tem curadoria da cineasta e dramaturga Daniela Thomas, filha de Ziraldo, e da produtora e fotógrafa Adriana Lins. O encantamento do escritor por planetas, estrelas e galáxias resultou, ao longo dos anos, em várias obras, como a recente coleção Os Meninos dos Planetas e, ainda, Flicts, O Planeta Lilás e O Pequeno Planeta Perdido – todas publicadas pela Editora Melhoramentos e retratadas na exposição.

Flicts, que completa 50 anos em 2019 e fala sobre a cor da Lua, surgiu na época da corrida espacial. A obra tem destaque na mostra devido a uma história curiosa: quando o astronauta Neil Armstrong visitou o Rio de Janeiro, Ziraldo providenciou uma versão do livro em inglês. Após ler a obra, Armstrong reconheceu: “The Moon is Flicts”.

O bilhete escrito por Armstrong a Ziraldo está na exposição, assim como os rascunhos do escritor. “Podemos ver todo o processo criativo, com originais e rabiscos, como ele constrói a história. É um processo que meu pai sempre guardou a sete chaves, mas nessa exposição permitimos que isso seja mostrado”, explica Daniela.

Ao preparar a montagem do espaço, Daniela atendeu às recomendações do cartunista: “Meu pai não é muito fã de exposições interativas ou virtuais, mas de certa forma criamos uma sensação de 3D com os visitantes podendo passear em diferentes planos da exposição, dando a sensação de uma viagem tridimensional entre as galáxias”, ilustra Daniela. Todas as janelas da mostra receberam uma impressão do cosmos Ziraldiano para imersão dos visitantes.

128 anos de história

Além da mostra dedicada a Ziraldo, quem for à Casa Melhoramentos terá a oportunidade de conhecer a exposição Melhoramentos 128 anos, baseada no acervo histórico da editora. Os visitantes vão explorar os principais momentos da produção de papel no Brasil e também conhecer um pouco a história do prédio que abriga a Casa Melhoramentos, construído em 1948 e tombado pelo patrimônio histórico de São Paulo. No local, estão expostos também móveis que resgatam o ambiente do escritório antigo da companhia, cédulas que foram impressas pela editora durante a Revolução de 1932 e exemplares de matrizes de litogravura – técnica de gravura que dava origem aos livros e que consiste na criação de marcas ou desenhos sobre uma matriz de pedra calcária feitos com um lápis gorduroso.

A exposição Melhoramentos 128 anos está aberta de segunda e terça, das 9h às 18h, e de quarta a sábado, das 9h às 20h.
Agendamentos de escolas e grupos para as exposições devem ser feitos pelo e-mail eventos@casamelhoramentos.com.br ou pelo telefone (11) 3874-0913, de segunda a sexta, das 10h às 17h.

SERVIÇO:

Casa Melhoramentos
Endereço: Rua Tito, 479 – Vila Romana – São Paulo – SP.
Entrada franca.

Exposição Os Planetas do Ziraldo
Quarta a sábado, das 9h às 20h, inclusive nos feriados de 19 de abril (Páscoa) e 1º de maio (Dia do Trabalho). Entrada permitida até 19h e sujeita à capacidade do evento.

Fonte: www.segs.com.br

Biblioteca Nacional homenageia Monteiro Lobato com exposição

Monteiro Lobato: escritor, editor, tradutor e criador de alguns dos mais importantes personagens da literatura infantil e juvenil brasileira; Biblioteca Nacional (BN): guardiã da cultura, oitava maior biblioteca do mundo. Para celebrar essa “parceria”, no ano em que a obra de Lobato cai em domínio público, será aberta, no dia 17 de abril, a exposição “Monteiro Lobato: o homem, os livros”, com material do acervo da Instituição, guardado há muitos anos e pouco mostrado ao público – alguns até inéditos. A data da abertura é emblemática: um dia antes da data de seu nascimento, não por acaso celebrado como o Dia Nacional do Livro Infantil.

Identidade visual da exposição Monteiro Lobato - o homem, os livros.Identidade visual da exposição Monteiro Lobato - o homem, os livros.
 

A curadoria é da bibliotecária Ana Merege, uma entusiasta da obra do escritor, e de Veronica Lessa, coordenadora de Difusão Cultural da BN.

“Ao pesquisar sobre Lobato, vemos que sua contribuição à literatura brasileira foi muito além das fronteiras do Sítio do Pica-pau Amarelo. É o que procuramos mostrar nesta exposição, chamando atenção para o trabalho dele como editor e tradutor, cuja iniciativa deu grande impulso ao mercado do livro no Brasil. Ao mesmo tempo, buscamos contemplar os vários artistas que contribuíram para enriquecer suas obras”, explica Merege.

Para Helena Severo, presidente da BN, Monteiro Lobato figura na constelação dos grandes intelectuais brasileiros do século XX. “Sua obra infantil, embora datada, ainda permanece no imaginário de várias gerações de brasileiros. Além de reunir edições históricas dos livros de Lobato, a exposição traz também algumas de suas correspondências com grandes nomes da cultura brasileira de seu tempo. Mais do que homenagear, a proposta da exposição busca resgatar a memória literária de Monteiro Lobato através da disponibilização do vasto acervo da Biblioteca Nacional.”

A exposição ficará em dois ambientes no terceiro andar do prédio sede, na Avenida Rio Branco: o Salão de Obras Raras e o corredor do terceiro andar. Dentro do salão, um painel fará a cronologia da vida e obra de Lobato e duas vitrines mostrarão os trabalhos mais conhecidos do escritor, todos originais, sob um olhar diferenciado, através dos desenhos dos ilustradores dos livros, como Voltolino, Belmonte, Andre Le Blanc e Jean-Gabriel Villin, entre outros.

Outra vitrine mostrará os livros escritos para adultos, incluindo a primeira edição de Urupês, de 1918, a edição de 1970 de O Presidente Negro, seu único romance, coletâneas de crônicas e artigos e obras adaptadas, traduzidas e adaptadas por ele. Entre os destaques, estão um exemplar da primeira edição de Vida e Morte de M.J. Gonzaga de Sá, de Lima Barreto, e cartas trocadas entre os dois autores – Monteiro Lobato era o editor de Lima Barreto.

Além das obras originais, na varanda estarão expostos os estudos e os desenhos do ilustrador Rui de Oliveira para a primeira adaptação das histórias de Lobato para a televisão, a série O Sítio do Pica-pau Amarelo.

O autor

José Bento Monteiro Lobato nasceu em Taubaté, São Paulo, em 1882. Homem de grande diversidade e talento, foi considerado gênio e pioneiro da literatura infantil e juvenil. Contudo, sua vocação era mesmo para as artes: pintura, fotografia e o mundo das letras. Suas publicações tiveram como propósito ser um instrumento de luta contra o atraso cultural e a miséria do Brasil. Em 1919, mudou-se para o Rio de Janeiro e criou o Sítio do Pica-Pau Amarelo, que o celebrizou. Em 1920, lança O Narizinho Arrebitado, leitura adotada nas escolas. Traz para a infância um rico universo de folclore, cultura popular e muita fantasia. Publica Reinações de Narizinho, Caçadas de Pedrinho e O Pica-Pau Amarelo. Os Trabalhos de Hércules concluem uma saga de 39 histórias e quase um milhão de exemplares vendidos. Suas obras foram traduzidas para diversos idiomas, tais como francês, inglês, italiano, alemão, espanhol, japonês e árabe.

Faleceu em 4 de julho de 1948, pobre, doente e desgostoso, aos 66 anos de idade. O cortejo do seu velório foi acompanhado por 10 mil pessoas cantando o Hino Nacional.

Serviço

Monteiro Lobato: o homem, os livros

Abertura: 17 de abril
Exposição: 18 de abril a 18 de julho

Fundação Biblioteca Nacional
Avenida Rio Branco, 217, Rio de Janeiro/RJ

Fonte: www.bn.gov.br

Cordel sobre a Lei Maria da Penha é usado para ensinar alunos do Ceará

Professor da USP comenta sobre a iniciativa da Secretaria de Educação daquele estado

Por Marcus De Rosa

Foto: Divulgação – twitter.com/tiaosimpatia

Escolas do Ceará estão usando a tradicional arte nordestina do cordel para ensinar sobre cidadania e direitos das mulheres. O projeto é uma parceria do Instituto Maria da Penha e Secretaria de Educação do Ceará, e já atinge mais de 30 escolas do Estado.

A obra usada é o cordel A Lei Maria da Penha, do cordelista cearense Tião Simpatia. O professor Paulo Iumatti, do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP, comenta sobre a iniciativa, dando uma perspectiva sobre o uso do cordel na pedagogia e no ensino da cidadania.

Iumatti explica, ainda, por que o cordel é um meio tão útil e flexível, auxiliando em diversas áreas da educação. O ensino de leis, segundo o professor, se encaixa plenamente na forma do cordel, que funciona excepcionalmente para explicar regras e normas.

Ouça a matéria da Rádio USP no link: https://jornal.usp.br

Parâmetros para a composição de um acervo em literatura infantil: o conto

Por Cristiane Mori

Dando início à série de posts sobre composição de acervo, a professora Cristiane Mori fala sobre os contos e indica o que não pode faltar numa biblioteca infantil

Este texto é o primeiro de uma série de textos que faremos aqui no Blog Singularidades, objetivando apresentar alguns parâmetros para a composição de um acervo de livros que potencialize o trabalho didático com a literatura infantil e contribua para a formação do leitor literário, a ampliação de seu repertório e o desenvolvimento de critérios de escolha que possam apoiar o mediador de leitura a empreender, gradativamente, uma curadoria. Começaremos com este item:

Contos

‘Contos’ é uma categoria que pode ser denominada ‘guarda-chuva’, uma vez que sempre há, especialmente no caso da literatura infanto-juvenil, um ‘sobrenome’ a completar e especificar de que conto se trata: de encantamento, de repetição, cumulativo, de esperteza (ou de enganação), de assombração, dentre outros.

Além disso, a expressão contos populares pode, em certa medida, ser aplicada à maioria desses contos listados – se não, a todos –, porque todos os contos nasceram na tradição popular, eram contados oralmente e foram passados de boca em boca até serem coletados e registrados.

Isso aconteceu com um conto como Chapeuzinho Vermelho e também com um conto de enganação, que tem Pedro Malasartes como personagem, ou com Cinderela. Nesse caso, costuma-se falar em contos de fadas, mas Câmara Cascudo (2006)[1] indica o emprego do termo mais amplo contos de encantamento ou maravilhosos, para designar aquele conjunto de contos que apresenta um elemento mágico.

Cascudo, a propósito, em suas incursões pelo Brasil, coletou e registrou centenas de contos e propôs uma classificação que inclui, ao lado dos contos de encantamento ou maravilhosos, também os contos humorísticos, contos de exemplo, contos religiosos, contos de animais, contos novelescos ou de amor e recompensa e os contos de fórmula ou acumulativos, que já mencionamos.

Quando se pretende organizar o acervo de uma biblioteca – seja escolar, de sala ou pessoal – é mister incluir as coletâneas de contos. O mercado editorial coloca à nossa disposição uma miríade de títulos, no entanto,  nem todas primam pela qualidade, seja dos textos seja das ilustrações.

Muitos não são fiéis às versões originais e apresentam adaptações que resultam em textos mal escritos e com enredos empobrecidos. Por isso, é fundamental conhecer aquelas coletâneas que buscaram ser fiéis aos textos originais, o que facilitará a escolha de qual coletânea comprar e/ou adotar na escola.

Contos populares clássicos

As coletâneas de contos de encantamento coletados e registrados por Charles Perrault e pelos Irmãos Jacob e Wilhem Grimm são presença obrigatória em qualquer biblioteca. Foram histórias contadas por adultos, camponeses que viviam na França nos séculos XVII e XVIII, que se transformaram nos contos que conhecemos e (re)contamos até hoje.

Vivendo os tempos de horror do reinado de Luís XIV, os camponeses sofriam toda sorte de privação e eram perseguidos, caso não seguissem o cristianismo. Os contos – ao lado de outras manifestações populares, como danças e canções – eram sua forma de manter viva as tradições pagãs e, principalmente, de retratarem os horrores que viviam e as soluções – que só poderiam ser mágicas – para suas infelicidades.

Era comum que esses camponeses trabalhassem como servos na casa dos burgueses e foi assim que os contos de sua tradição chegaram até nós, principalmente, pelas mãos de Charles Perrault.

De acordo com Darton (1986)[2] – historiador americano, especialista em história da França do século XVIII – Perrault provavelmente coletou a tradição oral do povo francês com a babá de seu filho. No entanto, ele modificou tudo, para que os sofisticados frequentadores dos salões apreciassem a sua primeira versão dos Contos de Mamãe Ganso, publicada pela primeira vez em 1697.

Assim, quando publicados, os contos não tinham mais todas aquelas tintas de incesto, canibalismo, sedução e outros elementos próprios à tradição popular; ao contrário, foram amenizados e ganharam, na pena de Perrault, uma perspectiva moralizante e pedagógica.

Chapeuzinho Vermelho, A Bela Adormecida, O Pequeno Polegar, Barba Azul, As Fadas, O Gato de Botas, Pele de Asno, Cinderela, Os Desejos Ridículos, Ríquete de Topete estão entre os contos que compõem a coletânea de Perrault que, para a maioria dos pesquisadores, inaugura a literatura infantil. E até hoje, mais de 320 anos depois, os contos de Perrault continuam a ser editados e a encantar crianças de todo o mundo, inclusive as nossas!

Na Alemanha, os irmãos Wilhelm e Jacob Grimm coletaram mais de 200 contos e, em 1802, reuniram-nos na coletânea Contos para o lar e as crianças. De acordo com Ana Maria Machado (2002)[3], o próprio título já mostrava que, diferentemente de Perrault, o livro não se destinava à leitura pela corte; seu objetivo era o de ‘preservar um patrimônio literário tradicional do povo alemão’ (p. 71), razão pela qual procuraram, em sua prosa, manter uma linguagem fiel àquela empregada pelos contadores populares.

Além de novas versões para os contos de Perrault, os irmãos Grimm deixaram como legado alguns dos clássicos preferidos pelas crianças (e pelos adultos, também), como Branca de Neve e João e Maria, dentre tantos outros.

Finalmente, encerrando uma espécie de trilogia dos contos de fadas, encontramos o dinamarquês Hans Christian Andersen. Entre 1835 e 1842, ele lançou seis volumes de contos para crianças.

Além de recontar contos populares, como haviam feito Perrault e os irmãos Grimm, Andersen criou novas histórias, as quais, segundo Machado (2002), seguiam ‘o modelo dos contos tradicionais, mas [traziam] sua marca individual e inconfundível – uma visão poética misturada com profunda melancolia’ (p. 72).

A importância da obra de Andersen é tamanha, que se comemora o Dia Internacional do Livro Infanto-Juvenil na data de seu aniversário – 2 de abril – e o mais importante prêmio para escritores do gênero tem seu nome. Seu legado inclui, dentre outras, histórias como O Patinho Feio, A Roupa Nova do Imperador, Polegarzinha, A Pequena Sereia e Soldadinho de Chumbo.

Ainda de acordo com Machado (2002), a escrita autoral de Andersen animou outros escritores a incursionarem no universo da literatura para crianças e alguns escritores já consagrados o fizeram, como Oscar Wilde – cujos contos O Rouxinol e a Rosa e O Gigante Egoísta são simplesmente imperdíveis – e Ítalo Calvino, que nos presenteou com as belíssimas Fábulas Italianas, uma coletânea de contos da tradição popular de seus país, a Itália.

A fim de conhecer toda a riqueza da obra desses autores, recomenda-se a leitura de:

– PERRAULT, Charles. Contos de Perrault. 4 ed. Rio de Janeiro: Villa Rica, 1994. (Coleção Grandes obras da cultura universal, 8).

– IRMÃOS GRIMM. Contos maravilhosos infantis e domésticos (1812 – 1815). Ilust. J. Borges. São Paulo: Cosac Naify, 2012.

– ANDERSEN, Hans Christian. O Patinho Feio e outras histórias. Trad. Heloísa Jahn. São Paulo: Editora 34, 2017.

CALVINO, Italo. Fábulas italianas. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. 

Contos populares brasileiros

A tradição popular europeia, representada nos contos de Perrault, Grimm e Andersen, chegou no Brasil, onde se mesclou à tradição oral africana e indígena e deu origem ao que se pode denominar tradição oral brasileira.

Para conhecê-la, recomenda-se especialmente os Contos Folclóricos Brasileiros, de Marco Haurélio (São Paulo: Paulus, 2010. Coleção Lendas e Contos), que segue a classificação proposta por Câmara Cascudo e traz exemplares para cada tipo de conto.

Histórias à brasileira: a Moura Torta e outras (Ilust. Odilon Moraes. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2002) inaugura uma série de 04 volumes, em que Ana Maria Machado retrata de forma bastante extensiva a nossa tradição popular. 

Contos cumulativos

São inúmeros os títulos disponíveis no mercado que trazem contos cumulativos ou acumulativos, ou seja, contos em que a estrutura do enredo se repete e, a cada ação, um novo elemento é introduzido e acrescentado aos anteriores.

A formiguinha e a neve, da tradição popular, ou A casa sonolenta (WOOD, Audrey. Ilust Don Wood. 16 ed. São Paulo, Ática, 2009. Coleção Abracadabra) são só alguns dos inúmeros exemplos.

Num bom acervo não pode faltar a Coleção Conta de novo, da editora FTD, de Ana Maria Machado, que conta com títulos como Ah, cambaxirra, se eu pudesse, O rei Bigodeira e sua banheira, O domador de monstros, Pimenta no cocoruto, Uma boa cantoria e O barbeiro e o coronel: 

Contos de esperteza ou de enganação

Aqui, recomendam-se, especialmente, as coletâneas que trazem as aventuras de Pedro Malasartes, como Malasartes: Histórias de um Camarada Chamado Pedro (PESSÔA, Augusto, Rio de Janeiro: Rocco, 2007. Coleção Na Boca do Povo).

Contos de assombração

Os contos de assombração também integram a tradição popular de muitos países e, no caso do Brasil, é de Ricardo Azevedo o título indicado: Contos de Enganar a Morte (São Paulo: Ática, 2003.

Contos populares do mundo

Assim como o Brasil, muitos países têm uma vasta tradição de contos populares e, atualmente, o mercado editorial coloca à nossa disposição inúmeras coletâneas que nos permitem entrar em contato com as tradições de vários lugares do mundo. Para a composição do acervo das bibliotecas – escolar, de sala ou pessoal – recomenda-se, especialmente:

– NEIL, Philip. Volta ao mundo em 52 histórias. Trad. Hildegard Feist. Ilust. Nilesh Mistry. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 1998.

– HIRATSUKA, Lúcia. Contos da montanha. São Paulo: SM, 2005.

– E a coleção Histórias de outras terras, editada pela FTD, que, em cada volume, traz as histórias árabes, greco-romanas, africanas e russas, todas recontadas por Ana Maria Machado.

Tantos outros excelentes títulos poderiam ter sido mencionados, mas esses que recomendamos aqui já são, com certeza, o início de um acervo, cuja qualidade contribuirá para a formação pequenos (e grandes) leitores literários!

[1] CASCUDO, Câmara Luís da. Literatura oral no Brasil. 2 ed. São Paulo: Global, 2006.

[2] DARTON, Robert. O grande massacre de gatos. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2014.

[3] MACHADO, Ana Maria. Como e por que ler os clássicos universais desde cedo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.

Fonte: blog.singularidades.com.br

Dia do Livro Infantil: escritor premiado fala sobre literatura no interior de SP

Por Ana Beatriz Serafim

Dia do Livro Infantil: escritor premiado fala sobre literatura no interior de SP — Foto: João Paulo Hergesel/Arquivo Pessoal
Dia do Livro Infantil: escritor premiado fala sobre literatura no interior de SP — Foto: João Paulo Hergesel/Arquivo Pessoal

De repente, o ventilador de teto vira uma hélice de helicóptero que sobrevoa um mundo encantado ou um poste de luz passa a ser um extraterrestre disfarçado, pronto para atacar. Da imaginação de João Paulo Hergesel histórias diversas se materializaram em 22 livros já publicados.

O escritor de 26 anos mora em Alumínio (SP) e é formado em licenciatura em letras, tem mestrado em comunicação e cultura e atualmente faz doutorado em comunicação. No Dia do Livro Infantil, comemorado em 2 de abril, João Paulo conta ao G1 sobre a carreira e revela que era a criança que gostava de inventar histórias.

“Eu olhava para as coisas e acreditava que elas eram mais do que aparentavam ser. Lembro que, no passado, eu imaginava diálogos entre a porta e a janela do meu quarto, sugeria ações humanas para os brinquedos, entre outras invencionices.”

Das publicações, João Paulo tem sete livros infantis e infanto-juvenis, cinco juvenis e cinco para o público adulto, além de cinco livros acadêmicos para a área de pesquisa do escritor. Para o escritor, as crianças formam o público mais receptivo à narrativa de histórias criativas, que beiram o fantástico.

“Quando, em encontros e bate-papos literários, falo de princesas malvadas, de vacas que cantam, de gatos que mergulham no fundo do mar, etc., sinto que o interesse é grande; então, fazer essa transição para a escrita se torna ainda mais prazerosa.”

João Paulo ainda explica que as histórias voltadas ao público infanto-juvenil trabalham tramas diferentes da literatura adulta. “As narrativas infantis contêm temáticas que dialogam diretamente com o contexto linguístico, histórico, social e cultural da criança.”

Escritor fala sobre literatura infantil no interior de SP — Foto: João Paulo Hergesel/Arquivo Pessoal
Escritor fala sobre literatura infantil no interior de SP — Foto: João Paulo Hergesel/Arquivo Pessoal
Para ele, o consumo desse tipo de história movimenta o lado cognitivo, psicológico, criativo e intelectivo do público.

Outra importância da literatura infantil é a representatividade que as histórias promovem nas crianças, fazendo com que elas se espelhem nos personagens e desenvolvam afeto. João explica que a ficção acaba sendo um reflexo encantado da realidade e permite que os jovens leitores se apropriem de características dos personagens para aplicá-las em seu dia a dia.

“Todo mundo pode ser um super-herói durante a leitura e, posteriormente, utilizar as virtudes heroicas na vida real. Eis, inclusive, a importância de disseminar mensagens positivas e benévolas nas histórias direcionadas a esse público.”

Viver de livros?

João Paulo Hergesel é premiado por publicações na literatura para crianças e adolescentes — Foto: João Paulo Hergesel/Arquivo Pessoal
João Paulo Hergesel é premiado por publicações na literatura para crianças e adolescentes — Foto: João Paulo Hergesel/Arquivo Pessoal

Na região de Sorocaba (SP), ele percebe ações que ajudam a promover a literatura destinada a crianças e adolescentes, como contação de histórias e bate-papos. Entretanto, a baixa frequência de público em eventos literários preocupa quem trabalha no setor.

“Por mais que sejam eventos gratuitos, intensamente divulgados em redes sociais e na imprensa, que recebam apoio informal de amigos e conhecidos, a adesão é escassa. Como consequência, torna-se difícil viver somente com a profissão de escritor; temos de desenvolver outras atividades para conseguirmos uma renda compatível com o custo de vida no Brasil.”

Mesmo assim, o jovem já recebeu prêmios pelas publicações na área infanto-juvenil. Uma das mais importantes foi o Prêmio Barco a Vapor (Fundação SM), em 2018, pelo livro “A vaca presepeira”.

Entre outras conquistas de João estão o Desafio dos Escritores (Câmara dos Deputados), que premiou o “Um gato caolho do rabo comprido”; o Concurso Monteiro Lobato (SESC-DF), que premiou o “Como calar a boca de um dragão?”; o Prêmio Ganymedes José (União Brasileira de Escritores), que premiou “Criaturas de linguagem” e o “Nectarinas”; e o Programa de Ação Cultural (Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo), que financiou o “Quem disse que não te entendo?”.

*Colaborou sob supervisão de Eduardo Ribeiro Jr./G1

Fonte: g1.globo.com

Poeta e feminista tem arquivo pessoal aberto para consulta pública

Poeta e feminista tem arquivo pessoal aberto para consulta pública
Um acervo vasto para os interessados nos direitos das lutas feministas que aconteceram no Brasil no início do século passado.

No mês em homenagem à mulher, a Escola de Ciências Sociais (FGV CPDOC) abre para consulta pública o arquivo pessoal de Anna Amélia de Queiroz Carneiro de Mendonça, poeta, tradutora e feminista. São aproximadamente 5 mil documentos textuais para pesquisa. Um acervo vasto para os interessados nos direitos das lutas feministas que aconteceram no Brasil no início do século passado.

No acervo, há preciosidades documentais sobre a igualdade de direitos entre homens e mulheres, o divórcio, a questão sufragista, a saúde feminina e a importância da atuação política das mulheres em tempos de guerra.

Com destaque na época por sua representatividade na luta pelos direitos da mulher, Anna Amélia participou de diversos eventos nacionais e internacionais. Em 1935, foi convidada pelo então presidente Getúlio Vargas a representar o Brasil no 12º Congresso Internacional Feminista que aconteceu em Istambul, na Turquia. No evento, expôs a tese Mulher Cidadã, cujo conteúdo sintetizava as ideias da primeira onda efervescente do feminismo brasileiro. Integrou ainda uma aliança pan-americana em prol das pautas femininas e foi companheira de luta de mulheres, como Bertha Lutz.

A poeta e formadora de opinião vanguarda foi a primeira mulher a integrar o Tribunal Eleitoral compondo a mesa das eleições de 1934, levando as contestações femininas à Assembleia Constituinte.

Anna Amélia teve três filhos. Dentre eles, a reconhecida crítica teatral Bárbara Heliodora, maior especialista em Shakespeare do Brasil, falecida em 2015.

O arquivo pode ser acessado gratuitamente no site.

Fonte: FGV

“É a literatura que te tira do tiro e da viatura”

Conheça a história de jovens da periferia que contam como a literatura foi o fator transformador em suas vidas

Texto por Karla Dunder

Jardson Remido leva literatura e poesia para jovens da periferia
Jardson Remido leva literatura e poesia para jovens da periferia Fernando Cavalcanti/Divulgação

Jardson Remido chega com uma camiseta cobrindo o rosto, levanta a blusa, exibe um livro na cintura e diz: “É a literatura que te tira do tiro e da viatura”. Com essa performance, o jovem de 25 anos aborda meninos e meninas da quebrada e incentiva a leitura.“Larguei a escola, me envolvi com a malandragem, entrei numa parada errada com o tráfico e fui preso, foram três meses na Fundação Casa”, conta. Nesse período, a mudez tomou conta. “Não tinha vontade de falar e tive momentos de muita reflexão”.

Ali conheceu dois nomes que mudaram os rumos de sua vida. Um disco do rapper Sabotage e a biografia de Malcom X. Com o rap descobriu a força da palavra e o impacto da música. “Queria cantar daquele jeito, escrevi uma palavra e travei. Comecei a pesquisar, prestar a atenção no que as pessoas diziam para aprender novas palavras e depois comecei a fazer minhas rimas”.

Com Macolm X veio a identificação com a história de vida. “Ele passou por muitas coisas que passei também, foi preso, perdeu o pai, mas conseguiu mudar”. E com Daniel Lima, o Dali, participou de um projeto de rap chamado Traficando a Palavra. “A gente precisa falar no contexto que esses moleques estão inseridos, não adianta vir com o discurso moralista de que precisa ir para a escola e estudar, isso eles já ouvem em casa”.

Daí veio a ideia da abordagem performática com o livro na cintura. “Chego perto do pivete, saco o livro e digo: ‘não troque bala, troque palavras”.

Remido teve a oportunidade de voltar a Fundação Casa e falar do poder transformador da palavra com os internos. “Agradeci o sr. Paiva, o cara que cuidava do ferrolho”. Também teve a oportunidade de ir ao Ceará participar de um evento de música e literatura. Pai de um bebê de sete meses, Jardson está desempregado e vive levando a poesia para as pessoas nos trens. “Quero estudar arte visual, continuar trabalhando com a força da palavra, sem esquecer a força do afeto”.

Ele participou do seminário “Seminário Leitura e Escrita: Lugares de Fala e Visibilidade”, realizado pelo Itaú Social e Sesc São Paulo, com curadoria  da Comunidade Educativa CEDAC e do Instituto Emília realizado na última semana. Em sua mesa estavam Ketlin Santos e Bruno de Souza para discutir “Literatura e sobrevivência? Juventudes em risco”.

Ketlin Santos: oportunidade com a literatura
Ketlin Santos: oportunidade com a literatura Fernando Cavalcanti/Divulgação
Ketlin e Bruno descobriram o encanto pela literatura na biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura, em Parelheiros, extremo sul de São Paulo.
A jovem Ketlin cresceu ajudando a mãe a cuidar de seus 8 irmãos. “Minha mãe criou os filhos sozinha, sempre trabalhou para sustentar a família e minha avó ajudava a olhar os netos”.
Em 2009, jovens do Instituto Brasileiro de Estudo e Apoio Comunitário promoveram uma série de cursos para a formação de jovens e adolescentes em direitos humanos. Organizavam rodas de leitura em uma sala de uma escola.

“Minha mãe percebeu que aquela poderia ser uma oportunidade para mim, para não ficar só em casa com meus irmãos e me incentivou a participar”. Dali, o grupo abriu uma biblioteca em uma salinha em uma Unidade Básica de Saúde, mas logo foram desalojados para dar espaço para um dentista.

Sem muita opção de lugar, foram parar na “Casa do Coveiro” no Cemitério dos Protestantes. Ali deram sequência ao trabalho da biblioteca que vai muito além de emprestar livros.

“Tínhamos poucas opções de lazer e aos poucos criamos um espaço de convivência, aprendemos formas de mediação de leitura e de como devemos lidar com as necessidades da comunidade”, explica a jovem que hoje é arte-educadora, feminista e estudante do curso de pedagogia.

Bruno de Souza: espaço de diálogo
Bruno de Souza: espaço de diálogo Fernando Cavalcanti/Divulgação

Para Bruno de Souza “a biblioteca vai muito além de ter livros em prateleiras, é um espaço de descobertas e nesse trabalho aprendi com a literatura que é possível seguir por outros caminhos, me abriu novas possibilidades”.

Bruno viveu parte da infância no Jardim Ângela, bairro que já foi considerado um dos mais violentos do país. “Meus pais mudaram para Parelheiros para termos um pouco mais de segurança e um contato maior com áreas verdes”, conta.

Na escola, Bruno se destacava pela curiosidade e inquietações. “Em uma aula de geografia, o professor falava sobre o solo e eu sugeri visitarmos uma bica próxima para ver de perto a erosão”. A ideia não foi bem aceita. O menino foi expulso da sala e a sugestão lhe rendeu três dias em casa.

“Não tive coragem de contar para os meus pais, então saía para ir ao colégio e para não ficar na rua, fiquei de ‘castigo’ na biblioteca”. Como resultado, o engajamento na comunidade: o estudante de pedagogia trabalha hoje com os jovens da região para desenvolver o protagonismo e lideranças locais. “A biblioteca é um espaço de diálogo, que recebe pessoas e conecta histórias.”
Fonte: R7

Biblioteca Nacional disponibilizará obras infanto-juvenis

Produções de Monteiro Lobato serão ponto de partida, a partir de exposição sobre o autor, que será aberta ao público em 18 de abril

O primeiro livro publicado pelo escritor Monteiro Lobato será disponibilizado digitalmente pela Fundação Biblioteca Nacional (Ilustração: Reprodução)

A Biblioteca Nacional (BN) terá três novas coleções Brasilianas em formato digital. O órgão, vinculado ao Ministério da Cidadania, está trabalhando para disponibilizar ao público obras de literatura infantil e juvenil, a partir das produções de Monteiro Lobato; obras musicais, a partir de partituras impressas; e obras cartográficas.

O anúncio foi feito pela presidente da instituição, Helena Severo, ao secretário especial da Cultura do Ministério da Cidadania, Henrique Medeiros Pires, em visita ao centro memorial, na última sexta-feira (15). A visita foi a primeira de uma série que o gestor pretende fazer ao centro memorial. “Temos um grande desafio em relação à preservação e valorização das instituições de memória no Brasil”, destacou.

No encontro, Henrique Pires conheceu, em detalhe, os projetos da instituição e anunciou que será criado o Prêmio Monteiro Lobato de estímulo à criação literária infanto-juvenil. Das futuras coleções, a de literatura infantil e juvenil tem a primeira ação traçada a partir da pesquisa para a abertura da exposição Monteiro Lobato: o homem, os livros, que será aberta ao público no dia 18 de abril, data de nascimento do escritor.

A mostra terá cerca de 50 itens entre livros originais e cartas trocadas entre o homenageado e o escritor Lima Barreto. “Monteiro Lobato era editor de Lima. Essa, aliás, é uma faceta que as pessoas não conhecem. Ele, por exemplo, fomentou o mercado do livro no Brasil, sobretudo, na distribuição, criando mais de 2 mil pontos de vendas”, conta Ana Merege, que divide a curadoria da mostra com Verônica Lessa.

Mágicos ilustradores

A exposição terá como ênfase a relação entre Monteiro Lobato e os ilustradores dos livros, a exemplo de Voltolino, Wiese, Villin, J. U. Campos, Belmonte, Nino, Rodolpho, Lamo, Le Blanc e Avgvstvs. O escritor escolhia diretamente cada um deles, já que era editor da própria obra. “Queremos abrir essas páginas e mostrar ao público como era a arte de cada um desses artistas”, adianta Merege.

Curadora de Divisão de Manuscritos, Ana Merege conta que a Brasiliana de literatura infantil e juvenil nasce dessa organização expositiva, quando vai digitalizar e disponibilizar digitalmente o primeiro livro publicado do escritor: A menina do narizinho arrebitado (1920), obra da Editora Revista do Brasil e ilustrada por Voltolino, pseudônimo do artista João Paulo Lemmo Lemmi, que colaborou com o jornal O Malho e outros periódicos.

As duas Brasilianas de música e de cartografia ainda não estão em fase de produção. As bibliotecas digitais Brasiliana Fotográfica e Brasiliana Iconográfica contam com 7 mil documentos e média de 500 mil acessos por mês.

Assessoria de Comunicação

Secretaria Especial da Cultura

Ministério da Cidadania

Fonte: Ministério da Cidadania/Secretaria Especial da Cultura

 

Literatura de cordel poderá ser tema obrigatório na educação básica

Da Redação

 Visita a Biblioteca Publica Epifânio Dória em Aracaju, durante o Encontro de mobilização dos cordelistas em prol do Registro da Literatura de Cordel como patrimônio cultural brasileiro, no Museu da Gente Sergipana em Aracaju, Sergipe.

Proposições legislativas

A Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) votará na terça-feira (26), em caráter terminativo, o PLS 136/2018, que estabelece a literatura de cordel como tema obrigatório do currículo da educação básica. Da ex-senadora Regina Sousa (PI), a proposta modifica a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) para que sejam acrescentados no currículo o repente e demais cantos de improviso característicos da cultura brasileira.

Regina Sousa menciona as origens históricas do cordel e sua relevância como expressão cultural no Brasil, especialmente no Nordeste. Para ela, o estudo do cordel na escola proporcionará contato com o mundo da poesia a partir do cotidiano: “É a porta de entrada para o mundo da literatura para grande parcela da população e pode ser o mote para a criação do hábito de leitura para milhões de brasileiros”.O senador Paulo Paim (PT-RS), em seu relatório, recomenda a aprovação do projeto, mencionando a importância das diversas manifestações culturais populares baseadas no improviso. Ele afirma que “a medida terá o condão de promover o conhecimento e a cultura, por meio dessas formas populares de poesia”.

Voto contrário

No entanto, o senador Izalci Lucas (PSDB-DF) ofereceu voto em separado contra a proposta. Izalci argumenta que o estudo da literatura de cordel na educação básica já é contemplado dentro das competências gerais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Além disso, o cordel é explicitamente incluído nas habilidades exigidas no ensino fundamental.

Ainda que fosse possível e recomendável incluir o tema nos currículos escolares, isso não seria mais necessário, porquanto a matéria já figura entre as habilidades a serem desenvolvidas por nossas crianças e adolescentes, conforme estipula a BNCC”, afirma Izalci na justificação de seu voto.

Se aprovado na CE, o texto segue para exame da Câmara dos Deputados.

Fonte: Agência Senado

No Grajaú, primeira edição de Festa Literária consolida narrativa cultural da periferia

Até sábado, Flig celebra as diversas expressões artísticas e o trabalho de escritores da região do extremo sul da cidade de São Paulo
por Redação RBA publicado 20/03/2019 15h00
FLIG/REPRODUÇÃO

Festa Literária do Grajaú (Flig)

Evento ocorre em cinco CEus da região e no Centro Cultural do Grajaú com mesas de debates e shows

São Paulo – Teve início nessa terça-feira (19) a primeira edição da Festa Literária do Grajaú (Flig), evento que fomenta o trabalho de autores e artistas do extremo sul da cidade de São Paulo e incentiva a cultura do livro e da leitura. Até sábado (23), os Centros Educacionais Unificados (CEUs) da região, Vila Rubi, Cidade Dutra, Parelheiros, Navegantes e Três Lagos, além do Centro Cultural do Grajaú, serão sede de mesas de debates, oficinas, saraus, exposições, shows e encontros com escritores locais, como parte das atividades da festa, que é gratuita.

Organizada por uma rede de bibliotecárias e artistas, a Flig se soma a outras iniciativas culturais semelhantesque adentram na literatura a partir do ponto de vista do ser periférico, como a Festa Literária da Penha (FliPenha), na zona leste da capital paulista, inspiração para os agitadores culturais do Grajaú reivindicarem poder de fala e representação, como ressalta a bibliotecária Cíntia Mendes, uma das colaboradoras da Flig.  “Podemos fazer isso, nós temos esses talentos aqui para falar por nós”, explica.

“A partir do momento que você traz uma pessoa da comunidade para apresentar um livro, que ela publicou, você mostra que o sonho é possível, que não é tão difícil assim, a literatura é para todos. Meu vizinho fez, eu também posso fazer”, afirma Cíntia.

O encontro para a formação da rede que deu alcance à Flig é, por si só, um rompimento de bolhas ao aproximar as diversas expressões artísticas da periferia dos moradores locais. “Muita gente não sabia que o talento estava ao lado”, comenta a bibliotecária sobre o encontro potencializado pela própria literatura. “Ao mesmo tempo que você entende o próprio mundo e que tem essa representatividade na literatura, é importante também que ofereça e busque ler coisas diferentes para conhecer mais do mundo do outro.”

A partir ainda dessa valorização local, a primeira edição da Flig presta homenagem à ativista Adélia Prates, reconhecida na região do Grajaú pela atuação de combate à violência contra a mulher e pela luta de direitos que simboliza, de acordo com a organização, a força e a resiliência da comunidade mesmo diante das adversidades econômicas.

Confira a programação completa da Flig

 Programação Flig

Fonte: Rede Brasil Atual

1º PerifaCon™

A primeira comic con da favela

O PerifaCon™ é uma iniciativa de amantes de quadrinhos, livros, desenhos e cultura pop no geral que cresceram nas periferias de São Paulo. O evento tem como objetivo levar para a periferia esse universo que historicamente é negligenciado nessa temática. Fomentar a cultura pop, nerd e geek nas periferias de São Paulo, contribuindo para a quebra de barreiras culturais, promovendo o acesso de marcas e produtores à periferia e vice-versa.

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IMPRENSA:
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PROGRAMAÇÃO
Estamos soltando aos poucos nas mídias sociais, em breve programação completa no site perifacon.com

ENCERRAMENTO DE INSCRIÇÕES:
24/02/2019

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I Ciclo de Oficinas: Práticas de Leitura Literária na Escola

O I Ciclo de Oficinas Práticas de Leitura Literária na Escola, promovido pelo curso de pós-graduação Literatura para Crianças e Jovens, convida à reflexão de situações práticas da leitura literária em sala de aula, a partir de estudos provenientes da didática do ensino da literatura, da teoria e da crítica especializadas. Além disso, serão objeto de análise pesquisas recentes realizadas por alunas que concluíram o curso de pós-graduação no Instituto. O Ciclo de Oficinas representa uma oportunidade para a atualização dos conhecimentos necessários a todo educador preocupado em promover a formação de leitores de literatura críticos. É voltado para professores, coordenadores e diretores de Educação Infantil e Ensino Fundamental, bibliotecários, mediadores de leitura, editores e profissionais do livro para crianças e jovens.

Informações:

Dia 30 de março de 2019, das 09:00 às 17:30

Dia 27 de abril de 2019, das 09:00 às 17:30

Dia 18 de maio de 2019, das 09:00 às 17:30

Local:
Instituto Vera Cruz
Rua Baumann, 73, Vila Leopoldina – São Paulo/SP
Próximo à estação Imperatriz Leopoldina da CPTM

Mais informações e inscrições: https://site.veracruz.edu.br/instituto/eventos/i-ciclo-de-oficinas-praticas-de-leitura-literaria-na-escola/?fbclid=IwAR3_EyKs9Bc3oGRxFHcffigrQr7sNn1u_xbwV2e4mYEYIfCM_NaJ8Cfr3vk

‘A literatura da periferia é um mercado paralelo’, diz organizadora da Festa Literária do Grajaú

A partir desta terça-feira (19) tem início a primeira Festa Literária do Grajaú (Flig), com uma série de atividades artísticas e culturais em cinco CEUs (Centros Educacionais Unificados), e no Centro Cultural Grajaú, na zona sul de São Paulo.

Organizada pela professora Michele Santos, 38, professora da rede estadual e mediadora do sarau Sobrenome Liberdade, pela bibliotecária Cíntia Mendes, 32, além de outros bibliotecários dos CEUs da região e agitadores culturais do Grajaú, a Flig busca trazer experiências de outras feiras literárias do país, mas pensada para atender autores do extremo sul de São Paulo. Ao todo, dez pessoas têm ajudado na organização do evento.

“Acho que uma das coisas mais difíceis para quem escreve na periferia é buscar essa legitimação”, comenta Michele. “Ter a união de todas essas pessoas que estão fazendo coisas interessantes na região ajuda a legitimar esse trabalho e a privilegiar todos esses artistas”, completa Cíntia.

Ao longo dos cinco dias de evento, a Flig promoverá quatro mesas de debates, mais de cinco oficinas, saraus, encontros com escritores, exposições e shows com artistas locais. Esta primeira edição homenageia Adélia Prates, figura importante do Grajaú pela militância pelos direitos das mulheres há mais de 30 anos.

No último sábado (16), a Agência Mural conversou com as organizadoras sobre a presença dos livros na periferia, a importância dos saraus no fomento à literatura e a representatividade feminina. “A periferia expõe feridas, expõe a desigualdade social. Não tem como falar de Brasil sem falarmos das periferias”, afirma Michele.

Michele Santos é uma das organizadoras da feira. A Flig começa na terça (19) (Rômulo Cabrera/Agência Mural)

Agência Mural: O que é literatura para vocês e como veem sua presença na periferia, especialmente no Grajaú?
Flig: Apesar de acreditarmos que o incentivo à leitura e a formação de novos leitores pode ajudar a transformar uma sociedade, não somos totalmente crentes da afirmação de que literatura salva. Acreditamos, sim, que os grandes livros são aqueles que te inquietam. E essa inquietude está longe de uma salvação. Às vezes, ela está mais para uma ruptura. Talvez seja esse movimento de ruptura que promova o crescimento das pessoas e, sobretudo, do ser periférico. A literatura delineou todas as nossas escolhas na vida.

E o mercado editorial?
A literatura na periferia é um mercado paralelo. É uma luta todos os dias. Acho que uma das coisas mais difíceis para quem escreve na periferia é buscar essa legitimação, esse reconhecimento. Tanto que quando procuramos quem escreve na periferia, muito raramente iremos encontrar alguém que seja só escritor – aquele cara que acorda e escreve. É sempre um trabalho paralelo, entende? Ter a união de todas essas pessoas que estão fazendo coisas interessantes na região ajuda a legitimar o nosso trabalho. Para nós, a Flig está sendo uma forma de reconhecer os talentos locais, não só para quem é de fora, mas para todos nós. Essa festa está servindo como uma rede de fortalecimento também.

A programação da Flig conta com alguns saraus, além de uma mesa de debate sobre o tema. Qual a importância dos saraus para a literatura periférica?
Os saraus funcionam como ponto de encontro de pessoas que estão fazendo [literatura] e de outras tantas que estão interessadas nesta vertente artística. Servem, vale dizer, não apenas  como pontos de expressão, mas como pontos de venda dos autores periféricos, uma vitrine para todos estes trabalhos, valorizando os artistas da região.

Cintia Mendes é bibliotecária e aponta as dificuldades dos escritores das periferias (Rômulo Cabrera/Agência Mural)

Sobre a presença da periferia na literatura: qual a importância, para vocês, de se representar as periferias na literatura?
Acho que é bem difícil para um autor que não tenha essa existência periférica, que viveu cercado de privilégios, simular este universo tão bem quanto faria alguém que nasceu e viveu aqui. Isso nos faz lembrar de Geovani Martins [autor carioca de “O Sol na cabeça”]. Foi um caso curioso porque ele trouxe [em sua obra] com tanta força a fala daqueles meninos do Rio de Janeiro, que você fica com um eco dos moleques conversando, aquele tipo de fala, “os menó e tal”. Não só o que é dito, mas como é dito, para nós é uma escolha política.

Temas como a vida e a existência são tratados de forma diferente?
Que tipo de mundo é retratado em um universo feito apenas de questões existenciais? Na periferia temos tantas outras questões mais pontuais, que muitas vezes não temos tempo para questionamentos existenciais, porque a gente está preocupado em pagar os boletos, trabalhar, viver. A gente não pode se dar ao luxo do existencialismo. A periferia expõe feridas, expõe a desigualdade social, expõe uma realidade muitas vezes encoberta. Não tem como falar de Brasil sem falarmos das periferias – ainda mais num país como o nosso.

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E com relação às mulheres? Sempre ouvimos falar muito do Sérgio Vaz, Ferréz, mas pouco das mulheres, com exceção de algumas poucas.
Acho que nós mulheres ainda temos muito a conquistar. Respeitamos muito a todos eles e a história que, com muita luta, construíram e fortaleceram, por exemplo, o cenário dos saraus nas periferias. Mas vale dizer que parte disso acabou se desenvolvendo de maneira bem machista, a princípio. Há alguns anos, tivemos um movimento chamado “Não poetize o machismo”, dentro do universo dos saraus, movimento que acabou rachando algumas organizações ao expor certas situações. As mulheres começaram a cobrar isso. Hoje a gente tem espaços específicos, movimentos reservados só para mulheres, como o Slam das Minas, o Sarau das Pretas, por exemplo.

Ainda é difícil pensar em um futuro em que voltemos a coabitar os mesmos espaços em pé de igualdade [homens e mulheres]. Dentro da literatura periférica, achamos importante que mais e mais mulheres passem a ser lembradas. De certa forma, esse racha na historicidade dos saraus, e da literatura periférica, obriga os caras a pensarem: “Não chamaremos outras mulheres?”, ou, “Só chamaremos pessoas brancas?”. Acho que a gente está aprendendo com essa questão da representatividade.

O que pensam do termo “literatura marginal”?
Gostamos mais de “literatura periférica”, apesar de não nos importarmos com o termo “marginal”. Estar à margem não é e nunca foi um problema. Em verdade, isso não estigmatiza, mas mostra de onde viemos, sua importância e toda a carga e história que o nosso universo carrega. É tão difícil o lugar de onde viemos, de chegar onde chegamos, que fazemos questão que isto seja lembrado, que viemos da periferia e que nossa literatura é, sim, periférica.

Rômulo Cabrera é correspondente de Suzano
romulocabrera@agenciamural.org.br

Fonte: Agência Mural

Carolina Maria de Jesus | Google homenageia escritora

Carolina Maria de Jesus é a homenageada do Google nesta quinta-feira — Foto: Divulgação/Google

Carolina Maria de Jesus foi uma escritora brasileira, considerada uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil. E para homenagear esta grande mulher, o Google está exibindo um novo Doodle em sua pagina inicial.

Quem foi Carolina Maria de Jesus

Carolina Maria de Jesus (Sacramento, 14 de março de 1914 — São Paulo, 13 de fevereiro de 1977) foi uma escritora brasileira, conhecida por seu livro Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada publicado em 1960.

Carolina de Jesus é considerada uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil. A autora viveu boa parte de sua vida na favela do Canindé, na zona norte de São Paulo, sustentando a si mesma e seus três filhos como catadora de papéis. Em 1958, tem seu diário publicado sob o nome Quarto de Despejo, com auxílio do jornalista Audálio Dantas. O livro fez um enorme sucesso e chegou a ser traduzido para quatorze línguas.

Carolina de Jesus era também compositora e poetisa. Sua obra permanece objeto de diversos estudos, tanto no Brasil quanto no exterior.

História de Carolina Maria de Jesus

Juventude

Carolina Maria de Jesus nasceu em 14 de março de 1914, na cidade de Sacramento, em Minas Gerais, numa comunidade rural, de pais negros analfabetos. Era filha ilegítima de um homem casado e foi maltratada durante toda sua infância. Aos sete anos, sua mãe a obrigou a frequentar a escola, depois que a esposa de um rico fazendeiro decidiu pagar seus estudos, mas ela interrompeu o curso no segundo ano, tendo já conseguido aprender a ler e a escrever e desenvolvido o gosto pela leitura.

Mudança para a favela do Canindé

Em 1937, sua mãe morreu e ela se viu impelida a migrar para a metrópole de São Paulo. Carolina construiu sua própria casa, usando madeira, lata, papelão e qualquer material que pudesse encontrar. Saía todas as noites para coletar papel, a fim de conseguir dinheiro para sustentar a família.

Em 1947, aos 33 anos, desempregada e grávida, Carolina Maria de Jesus instalou-se na extinta favela do Canindé, na zona norte de São Paulo, num momento em que surgiam na cidade as primeiras favelas, cujo contingente de moradores estava em torno de cinquenta mil. Ao chegar à cidade, conseguiu emprego na casa do notório cardiologista Euryclides de Jesus Zerbini, médico precursor da cirurgia de coração no Brasil, o que permitia a Carolina ler os livros de sua biblioteca nos dias de folga. Em 1948, deu à luz seu primeiro filho, João José. Teve ainda mais dois filhos: José Carlos e Vera Eunice, nascidos em 1949 e 1953 respectivamente.

Ao mesmo tempo em que trabalhava como catadora, registrava o cotidiano da comunidade onde morava, nos cadernos que encontrava no material que recolhia, que somavam mais de vinte. Um destes cadernos, um diário que havia começado em 1955, deu origem ao seu livro mais famoso, Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, publicado em 1960.

Publicação de Quarto de Despejo

Publicado em 1960, a tiragem inicial de Quarto de Despejo foi de dez mil exemplares e esgotou-se em uma semana. Desde sua publicação, a obra vendeu mais de um milhão de exemplares e foi traduzida em quatorze línguas, tornando-se um dos livros brasileiros mais conhecidos no exterior. Depois da publicação, Carolina Maria de Jesus teve de lidar com a raiva e inveja de seus vizinhos, que a acusaram de ter colocado suas vidas no livro sem autorização.

A autora relatou que muitos dos moradores da favela chegaram a jogar, nela e em seus três filhos, os conteúdos de seus penicos. Definia a favela como “tétrica”, “recanto dos vencidos” e “depósito dos incultos que não sabem contar nem o dinheiro da esmola.”

O professor da USP Ricardo Alexino Ferreira caracterizou a escrita de Carolina como “direta, nua e crua, mas, ao mesmo tempo, suave.”

Após o lançamento, seguiram-se três edições, com um total de cem mil exemplares vendidos, tradução para treze idiomas e publicados em mais de quarenta países.

Publicação de Quarto de Despejo nos EUA

Em 1962, Quarto de Despejo foi publicado nos Estados Unidos pela editora E. P. Dutton com o título Child of the Dark. No ano seguinte, como parte da coleção Mentor, a tradução ganhou uma edição de bolso, publicada primeiro pela New American Library, depois pela Penguin USA. Segundo o autor Robert Levine, somente das vendas desta edição, que totalizaram mais de trezentas mil cópias nos EUA, Carolina e sua família deveriam ter recebido, pelo contrato original, mais de cento e cinquenta mil dólares. Contudo, não foi encontrado indício algum de que ela tenha recebido sequer uma pequena parte disto.

Pagamento de direitos autorais das traduções

Em março de 1961, uma reportagem afirmou que a publicação de Quarto de Despejo havia rendido a Carolina Maria de Jesus seis milhões de cruzeiros em direitos autorais, contudo a quantia exata variava, de acordo com a reportagem.

É certo que Carolina tinha direito a dez por cento do preço de venda das traduções, com trinta por cento de sua parte reservada a Audálio Dantas; ela recebia pequenos pagamentos em dólares das editoras estadunidenses, mas, por força do contrato original, não podia autorizar traduções de sua obra: este direito fora cedido à editora Paulo de Azevedo, uma filial da editora Francisco Alves.

Saída da favela

Depois da publicação de Quarto de Despejo, Carolina Maria de Jesus mudou-se para Santana, bairro de classe média, na zona norte de São Paulo. Em 1963, publicou, por conta própria, o romance Pedaços de Fome e o livro Provérbios. Posteriormente, em 1969, Carolina acumulou dinheiro suficiente para se mudar de Santana para Parelheiros, uma região árida da Zona Sul de São Paulo, no pé de uma colina. Próxima de casas ricas, local de algumas das mais pobres habitações do subúrbio da cidade, com impostos e preços menores, era lá que Carolina esperava encontrar solitude.

Paralheiros se caracterizava por fortes contrastes entre ricos e pobres: grandes casarões ao lado de barracos, que, via de regra, surgiam em vales, onde o ar era poluído pelas indústrias da região do Grande ABC. Embora pobre, Parelheiros era o mais próximo que Carolina poderia chegar do interior de sua infância sem deixar São Paulo e suas escolas públicas, para as quais seus filhos iam de ônibus. Agora passando boa parte de seu tempo sozinha, lia o jornal e plantava milho e hortaliças, apesar de reclamar que seus esforços de jardinagem rendessem tanto quanto custassem.

Carolina nunca quis se casar para não se submeter a um homem. Cada um dos seus três filhos era fruto de um relacionamento diferente.

A filha de Carolina, Vera Eunice tornou-se professora e contou em entrevista, que sua mãe aspirava a se tornar cantora e atriz.

Morte

Em 13 de fevereiro de 1977, Carolina Maria de Jesus morreu, vítima de insuficiência respiratória.

Fonte: Play in Traffik

Encontro ‘Passaporte: Literatura’

O evento proporciona aos participantes uma viagem pelo universo afetivo e criativo em que os autores e as obras se encontram e multiplicam. Poetas e escritores são, antes de tudo, grandes leitores e são também um ótimo instrumento para guiar os leitores dentro do mundo a ser explorado dentro de uma biblioteca. No primeiro encontro, participam o tradutor Douglas Pompeu e o escritor e tradutor luso-alemão Mário Gomes, para um bate-papo sobre a literatura contemporânea e a relação deles com autores de língua alemã, lendo e comentando obras que foram importantes na sua formação. A ênfase desse encontro será o lançamento da tradução Variações sobre tonéis de chuva (Edições Jabuticaba) do reconhecido e premiado poeta alemão da atualidade, Jan Wagner. O encontro é gratuito e aberto ao público.

Mais informações: https://www.goethe.de/ins/br/pt/sta/sap/ver.cfm?fuseaction=events.detail&event_id=21490213

Coletivo combate o racismo por meio da literatura

Texto por Sandra Kanashima

Quem são as escritoras negras do Brasil? Esta questão surgiu há cerca de dois anos, quando quatro alunas da ETEC Parque da Juventude perceberam que a biblioteca da unidade carecia de obras de escritoras negras. Ana Carine Souza, Iara Moraes, Lais Hellen Santos e Andreza de Lourdes Lima Rocha cursavam o técnico de Biblioteconomia, e resolveram fazer seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) sobre o tema.

Nascia então, o projeto “Mulheres Negras na Biblioteca”, cuja iniciativa segue até hoje com o objetivo de combater o racismo.

Segundo Ana Carine, o projeto começou recebendo cerca de 20 livrosde doações, os quais foram divulgados para os alunos da ETEC e a resposta foi bastante positiva.

As estudantes perceberam que o mesmo déficit se repetia em outras bibliotecas públicas e resolveram expandir sua atuação, indo para outros espaços da zona norte, onde além do incentivo ao aprimoramento do acervo, foram realizadas diversas atividades, como bate-papos com escritoras e sarau de poesia.

Das salas da ETEC, o projeto tomou rumo e virou um coletivo, que vai aos poucos, conquistando o seu caminho.  Além de Ana Carine e Iara, a bibliotecária KettyValêncio e a jornalista Juliane Sousa se juntaram ao grupo.

A ideia do movimento é marcar presença, tanto nas prateleiras das bibliotecas, quanto em locais onde haja essa lacuna, a fim de quebrar preconceitos e valorizar o talento de tantas escritoras negras no país. As principais ferramentas, a arte e a educação, elementos fundamentais para a construção da identidade e formação de um cidadão.

Carine diz que as redes sociais são grandes aliadas quanto à difusão da ideia e alcance do público. “A maior parte do público é formada por meninas negras, mas não são elas nosso único alvo. Acreditamos que o propósito vai além da representatividade, para que todos conheçam nossa história sob outra perspectiva, como ferramenta de combate ao racismo”, explica.

Dentre tantas atividades que o grupo realiza, como encontros com escritoras, bate papos e rodas de poemas,  alguns dos objetivos é levar atividades às unidades do Sesc, participar de novos editais e produzir material audiovisual sobre escritoras negras.

Diante iniciativas como esta, a cena vem mudando, embora não possamos, ainda, dizer que a presença de autoras e artistas negras seja constante no campo da arte e literatura brasileira. Mas é por meio desses projetos que os caminhos se abrem,e conteúdos de mulheres afro descendentes começam a ser reconhecidas no circuito cultural brasileiro.

Quem quiser conhecer um pouco mais do trabalho do grupo, pode acompanhar pela rede social: facebook.com/mulheresnegrasnabiblio.

Fonte: SP Norte

Câmara aprova criação de prêmio de literatura infanto-juvenil

O Plenário aprovou há pouco a criação do Prêmio Monteiro Lobato de Literatura para a Infância e a Juventude. A medida está prevista no Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 859/17 e segue para análise do Senado.

O prêmio decorre de uma emenda ao Tratado de Amizade, Cooperação e Consulta firmado pelo governo brasileiro com Portugal. O texto adicional foi assinado em Salvador, na Bahia, em maio de 2017 e aguarda aprovação do Congresso Nacional.

A condecoração será concedida a cada dois anos a escritores e ilustradores de livros de literatura infanto-juvenil dos estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

O objetivo é homenagear autores de livros de língua portuguesa dedicados à infância e a juventude que contribuam com o patrimônio literário e artístico do idioma. O valor do prêmio será correspondente à soma das contribuições dos países membros do tratado – Brasil e Portugal.

José Bento Monteiro Lobato (1882-1948) foi um escritor, tradutor e editor brasileiro. Considerado o fundador da moderna literatura infantil no Brasil, Monteiro Lobato nasceu em Taubaté, interior de São Paulo, e ganhou popularidade com obras para crianças, a principal delas O Sítio do Picapau Amarelo – série de 23 volumes de literatura fantástica escrita entre 1920 e 1947. A série tem origem em um dos livros do escritor, Reinações de Narizinho, publicado em 1931.

ÍNTEGRA DA PROPOSTA:

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Rachel Librelon

Fonte: Agência Câmara Notícias

CIÊNCIA, DIVERSÃO E LITERATURA EM TRÊS LIVROS DE UMA AUTORA CIENTISTA

ANA PAULA BOSSLER DA UFTM É UMA BIÓLOGA E ESPECIALISTA EM CIÊNCIA DIVERTIDA, CONFIRA DICAS DE LIVROS ESCRITOS PELA PROFESSORA

Sabia que ciência, diversão e literatura tem tudo a ver?

Uma cientista na Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) escreve histórias legais para crianças. A professora Ana Paula Bossler é uma bióloga e especialista em ciência divertida, pois ensina os fenômenos científicos de um jeito descontraído. Selecionamos três livros da professora para ficar como #dicadodia para você que curte ciências e boas leituras.

1 – ERA UMA VEZ UMA FLORESTA PORTÁTIL

É a história do menino Raimundo que gosta muito do poeta Carlos Drumond de Andrade. Além disso, é apaixonado pela natureza e fica encantado com bichos grandes e pequenos. Ele se juntou ao amigo Fernando para montar uma floresta em miniatura.

Com garrafas de plástico cheias de terra montaram canteiros, uma belezura de ver! Qual será o destino das plantações feitas pelos meninos? Para saber é só ler…

 

 

2 – DE QUE COR É O LÁPIS COR DE PELE? OU O QUE MENINOS BORBOLETAS AMARELAS E BOLHAS DE SABÃO TÊM EM COMUM?

Alice chegou em casa com uma novidade da escola. Tinha um novo coleguinha na sala. O nome dele era Hermeto, em homenagem ao músico brasileiro Hermeto Pascoal. O menino era branco, branco, branco… albino! Alice não entendeu bem o que era ser albino, mas foi pesquisar.

O novo colega levou para a sala de aula muito aprendizado sobre sua pele clarinha, além de toda musicalidade sobre seu nome.  A turma aprendeu sobre cores, peles, melanina e diferenças. Quer aprender também? Para conhecer é só ler…

 

3 – MUITO POUCO

É muito ou é pouco?

“Uma tartaruga ter cem anos é pouco. Uma pessoa ter cem anos é muito”.

“Ter uma espinha no nariz é muito. Ter um único fio de cabelo na cabeça, é pouco”

“Um abraço apertado, um picolé bem gelado, um piquenique animado é muito pouco!”

“Quem quer brincar de muito pouco?” Para brincar é só ler…

Todos os livros são feitos em pareceria entre UFTM, CNPQ, Instituto TIM e Núcleo Experimental de Cinema e Animação, com produção da Editora Rolimã.

Fonte: Minas Faz Ciência

30 filmes sobre livros, escritores, editoras e livrarias

A literatura sempre rendeu boa matéria-prima para o cinema; selecionamos 30 filmes que retratam os bastidores do mundo dos livros

Maria Fernanda Rodrigues
Ocinema sempre gostou de personagens escritores – reais e ficcionais. E tem feito bons filmes sobre os bastidores do mundo dos livros: o processo criativo e de escrita, o trabalho de uma editora, o dia a dia dentro de uma livraria, o impacto da literatura na vida de leitores e por aí vai.

Às vésperas do Oscar, que em 2019 tem Glenn Close concorrendo na categoria melhor atriz por seu papel em A Esposa, em que ela é casada com um escritor que vence o Nobel, e Melissa McCarthy como uma escritora com bloqueio criativo que acaba procurada pelo FBI em Poderia me Perdoar?, selecionamos 30 filmes para quem gosta de literatura – filmes sobre livros, escritores, editoras, livrarias e leitores.

30 filmes sobre livros

A Esposa, Björn Ronge (2019)

Joan Castleman (Glenn Close) abriu mão de seu talento literário para seu marido poder brilhar em A Esposa. Ao saber que ele seria premiado com o Nobel de Literatura, ela entra em crise e decide abandoná-lo depois de 40 anos juntos. O filme mostra os bastidores da mais prestigiada premiação do mundo dos livros, na Academia Sueca, e os bastidores da vida do casal.

Poderia me Perdoar?, Marielle Heller (2018)

Baseado em fatos reais, Poderia me Perdoar? se passa na década de 1990 e conta a história da escritora Lee Israel (Melissa McCarthy). Sem conseguir se adaptar às mudanças do mercado editorial, sofrendo um bloqueio criativo e sem dinheiro para pagar o aluguel, ela encontra uma carta da comediante Fanny Brice, personagem da biografia que tenta escrever, e percebe o interesse de sebos e colecionadores por esse tipo de raridade. Decide, então, forjar mensagens e bilhetes escritos por nomes famosos.

Meia-noite em Paris, Woody Allen (2011)

Gil (Owen Wilson) é um roteirista americano que gostaria de ser um grande escritor. Durante uma viagem a Paris com a noiva e a família dela, ele sai sozinho para alguns passeios noturnos e, quando o relógio bate meia-noite, ele é transportado para a Paris dos anos 1920, onde conhece alguns dos escritores e artistas que inveja: F. Scott Fitzgerald, Gertrude Stein, Ernest Hemingway, Salvador Dali, entre outros. Esse é o enredo de Meia-noite em Paris.

O Escritor Fantasma, Roman Polanski (2010)

Em O Escritor Fantasma, Adam Lang (Pierce Brosnan) é um ex-primeiro ministro britânico que vive em semi-exílio numa ilha do Maine, nos Estados Unidos. Duramente criticado por ter autorizado a prisão e tortura de suspeitos de terrorismo, Lang trabalha em sua autobiografia, pela qual recebeu US$ 10 milhões antes mesmo de começar a escrever. Quando McCrea, velho amigo de Lang e autor do livro, morre, a editora logo contrata um substituto (Ewan McGregor). Ghost writer do livro, ele vai entrevistar o político e concluir o manuscrito – mas em meio a acusações e suspeitas de que McCrea foi assassinado, o escritor passa a temer por sua própria vida.

As Horas, Stephen Daldry (2002)

As Horas conta a história de como o romance Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf, repercute na vida de três mulheres de gerações diferentes que, de um jeito ou de outro, têm de lidar com o tema do suicídio em suas vidas. São elas: Clarissa Vaughan (Maryl Streep), uma americana às voltas com uma recepção para um amigo portador do vírus da Aids; Laura Brown (Julianne Moore), uma grávida, nos anos 1950, com um filho pequeno e um casamento infeliz; e a própria Virginia Woolf (Nicole Kidman), que, nos anos 1920, enfrenta uma depressão enquanto tenta terminar seu romance.

O Carteiro e o Poeta, Michael Radford (1994)

Por razões políticas o poeta Pablo Neruda (Philippe Noiret) se exila em uma ilha na Itália. Lá, um desempregado (Massimo Troisi) quase analfabeto é contratado como carteiro extra, encarregado de cuidar da correspondência do poeta. Os dois iniciam uma grande amizade, que é contada em O Carteiro e o Poeta, adaptação do livro do escritor chileno Antonio Skármeta.

Encontrando Forrester, Gus Van Sant (2000)

Jamal Wallace (Robert Brown) é um adolescente que ganha uma bolsa de estudos em uma escola de elite de Manhattan pelo seu desempenho nos testes e na quadra de basquete. Após uma aposta com seus amigos, ele conhece ele conhece William Forrester (Sean Connery), um talentoso e recluso escritor com quem desenvolve uma profunda amizade. Percebendo talento para a escrita em Jamal, Forrester procura incentivá-lo para seguir este caminho. Essa é a história narrada em Encontrando Forrester.

Minhas Tardes com Margueritte, Jean Becker (2010)

Baseado no livro de Marie-Sabine, Minhas Tardes com Margueritte retrata um encontro improvável entre Germain (Gérard Depardieu), um cinquentão quase analfabeto, e Margueritte (Gisèle Casadesus), uma senhora apaixonada por livros. Ele senta ao lado dela no parque e ela recita versos em voz alta, dando a ele a chance de descobrir a magia dos livros, que nunca fizeram parte da vida dele. Mas ela está perdendo a visão.

Os Belos Dias de Aranjuez, Wim Wenders (2017)

Os Belos Dias de Aranjuez se passa no verão, na cidade espanhola do título, e apresenta um escritor que começa a usar sua máquina de escrever para contar uma história passada num terraço. Um homem e uma mulher conversam. Eles revelam intimidades e discutem conflitos morais, familiares e sexuais.

Providence, Alain Resnais (1977)

Obra-prima de Resnais, Providence retrata um escritor Clive Langham (John Gielgud) que, prestes a perder a batalha para um câncer, reúne seus familiares enquanto luta, também, para terminar seu derradeiro romance. Vemos no filme a evolução da estrutura literária desse romance, em que Clive usa como modelo sua família, transformando de modo perverso a personalidade dos filhos.

Desconstruindo Harry, Woody Allen (1998)

Em Desconstruindo Harry, Harry Block (Woody Allen) é um escritor que usa suas experiências amorosas como inspiração para livros e contos, o que não agrada nem um pouco as pessoas ligadas a ele. Convidado para uma homenagem que será feita pela faculdade de onde foi expulso quando jovem, ele se vê sem companhia. Após acompanhar um amigo, Richard (Bob Balaban), em um exame médico, ele aceita viajar com ele como retribuição. Harry convida ainda Cookie (Hazelle Goodman), uma prostituta negra com quem tem um programa na noite anterior da viagem. Prestes a partir, Harry tem a ideia de sequestrar seu filho para que ele possa ver o pai sendo homenageado, mesmo com a mãe dele, Joan (Kirstie Alley), tendo proibido sua viagem.

Shakespeare Apaixonado, John Madden (1999)

O jovem astro do teatro londrino William Shakespeare (Joseph Fiennes) sofre de bloqueio criativo e não consegue escrever sua peça. Um dia, ele conhece Viola De Lesseps (Gwyneth Paltrow), uma jovem que sonha em atuar, algo proibitivo no final do século 16. Para burlar o preconceito e ter sua chance, Viola se disfarça de homem e começa a ensaiar o texto de Will, que começou a fluir e passou a dar vazão ao amor entre os dois. O que eles não contavam era com o casamento arranjado pela família entre Viola e Lorde Wessex (Colin Firth). Essa é a história de Shakespeare Apaixonado.

Louca Obsessão, Rob Reiner (1990)

Em Louca Obsessão, o famoso escritor Paul Sheldon (James Caan) sofre um acidente de carro e é socorrido pela enfermeira Annie (Kathy Bates), que afirma ser sua fã número um. Ela o leva para sua isolada casa e cuida de sua saúde, mas um dia acaba tendo acesso aos originais do próximo livro do escritor e descobre que sua personagem predileta será morta. Essa revelação faz com que sua personalidade doentia se revele e Sheldon se vê à mercê das loucuras da admiradora.

Mais Estranho Que a Ficção, Marc Forster (2007)

Em Mais Estranho Que a Ficção, Harold Crick (Will Ferrell), um funcionário da Receita Federal, passa a ouvir seus pensamentos como se fossem narrados por uma voz feminina. A voz narra não apenas suas ideias, mas também seus sentimentos e atos com grande precisão. Apenas Harold consegue ouvir esta voz. O incômodo aumenta ainda mais quando descobre pela voz que está prestes a morrer, o que o faz desesperadamente tentar descobrir quem está falando em sua cabeça e como impedir sua própria morte. Enquanto isso, a narradora luta para completar o que pode ser seu melhor livro.

O Mestre dos Gênios, Michael Grandage (2016)

O Mestre dos Gênios conta a história do editor Max Perkins (Colin Firth), que trabalhou na editora Scribner com alguns dos maiores gênios da literatura, como Ernest Hemingway (Dominic West), F. Scott Fitzgerald (Guy Pearce) e Thomas Wolfe (Jude Law).

A Garota do Livro, Marya Cohn (2016)

Em A Garota do Livro, Alice Harvey (Emily VanCamp), de 28 anos, é assistente editorial, mas sonha em ser escritora. Filha de um poderoso agente literário de Nova York, ela vai ser obrigada a enfrentar dolorosos acontecimentos de seu passado ao ser convidada para trabalhar no lançamento de um livro de Milan Daneker (Michael Nyqvist), um antigo cliente de seu pai que se aproximou dela no início da adolescência dela com a desculpa de orientar seus escritos e que deixou marcas profundas e traumáticas na garota.

A Proposta, Anne Fletcher (2009)

Na comédia romântica com cara de Sessão da Tarde A Proposta, Margaret Tate (Sandra Bullock) é uma poderosa editora de livros, que se vê em apuros ao ser comunicada de sua deportação para o país-natal, o Canadá. Para evitar que isto ocorra ela declara estar noiva de Andrew Paxton (Ryan Reynolds), seu assistente. Perseguido por Margaret há anos, ele aceita participar da farsa, mas impõe algumas condições.

As Palavras, Brian Klugman e Lee Sternthal (2012)

Rory Jansen (Bradley Cooper) trabalha em uma editora de livros. Ele sonha em publicar seu próprio livro, mas a cada nova tentativa se convence mais de que não é capaz de escrever algo realmente bom. Um dia, em uma pequena loja de antiguidades, ele encontra uma pasta com várias folhas amareladas. Rory começa a ler e logo não consegue tirar a história da cabeça. Logo ele resolve transcrevê-la para o computador, palavra por palavra, e a apresenta como se fosse seu livro. O texto é publicado e Rory se torna um sucesso de vendas. Mas tudo muda quando ele conhece um senhor (Jeremy Irons) que lhe conta a verdade por trás do texto encontrado.

Nunca Te Vi, Sempre Te Amei, David Hugh Jones (1987)

Nunca Te Vi, Sempre Te Amei conta a história de Helene Hanff (Anne Bancroft), uma escritora americana, que por 20 anos se corresponde com Frank Doel (Anthony Hopkins), o gerente de uma livraria especializada em edições raras e esgotadas. Tudo começou pelo fato de Helene adorar livros raros, que não se encontravam em Nova York. Só que ela não poderia imaginar que uma carta para uma pequena livraria em Londres, que negocia livros de segunda mão, a levaria a iniciar um correspondência afetuosa com Frank.

Mensagem Para Você, Nora Ephron (1999)

Mensagem Para Você é um clássico das comédias românticas e retrato ainda atual da briga das pequenas e grandes livrarias. Kathleen (Meg Ryan), dona de livraria independente, inicia conversa na internet com um desconhecido (Tom Hanks). De repente, a vida dela é abalada com a chegada de uma enorme livraria, que pode acabar com o negócio que sua família toca há 42 anos, e começa a implicar com o executivo. Ela só não suspeita que ele seja a pessoa por quem ela acaba se apaixonando na troca de e-mails.

Um Lugar Chamado Notting Hill, Roger Mitchell (1999)

Um Lugar Chamado Notting Hill, outro clássico da comédia romântica. Will (Hugh Grant), dono de livraria especializada em livros de viagem localizada em Notting Hill, em Londres, recebe a inesperada visita de uma atriz americana famosa, Anna Scott (Julia Roberts), e eles se apaixonam.

A Livraria, Isabel Coixet (2018)

No final da década de 50, uma mulher (Emily Mortimer) recém-chegada em uma pacata cidade do litoral da Inglaterra decide abrir uma livraria. Sua iniciativa é vista com maus olhos pela conservadora comunidade local, que passa a se opor tanto a ela quanto ao seu negócio, obrigando-a lutar por seu estabelecimento. A Livraria é baseado no livro homônimo de Penelope Fitzgerald.

O Clube de Leitura de Jane Austen, Robin Swicord (2007)

Baseado no livro de Karen Joy Fowler, O Clube de Leitura de Jane Austen acompanha a história de Bernadette (Kathy Baker), que foi casada 6 vezes e hoje vive sozinha, que sugere a criação do clube do livro Sempre Austen o Tempo Todo, dedicado aos livros da escritora Jane Austen, alegando que ela é perfeita para curar os males do mundo. Jocelyn, Allegra, Prudie, Sylvia e Grigg aceitam fazer parte dele e reúnem mensalmente para discutir uma obra da escritora inglesa. Com o tempo eles se abrem sobre suas vidas, percebendo as mudanças neles ocorridas.

A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata, Mike Newell (2018)

Em A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata, Juliet Ashton (Lily James) é uma escritora na Londres de 1946 que decide visitar Guernsey, uma das Ilhas do Canal invadidas pela Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, depois que ela recebe uma carta de um fazendeiro contando sobre como um clube do livro local foi fundado durante a guerra. Lá ela constrói profundos relacionamentos com os moradores da ilha e decide escrever um livro sobre as experiências deles na guerra.

Além das Palavras, Terence Davies (2016)

Além das Palavras conta a história da poeta americana Emily Dickinson (Cynthia Nixon). Na infância, nos anos 1800, ela cresceu numa família rica. Seu interesse pelas palavras e o cotidiano a faz começar escrever poemas. Mas ela sempre é muito solitária.

Sylvia – Paixão Além de Palavras, Christine Jeffs (2003)

A história de Sylvia Plath (Gwyneth Paltrow), uma das mais principais escritoras americanas, é contada em Sylvia – Paixão Além de Palavras. Nascida em Boston durante a Grande Depressão, Sylvia ainda jovem tentou cometer suicídio, na casa de sua mãe. Ela viaja à Inglaterra para estudar em Cambridge e lá conhece o jovem poeta Ted Hughes (Daniel Craig), por quem se apaixona e vive um longo romance.

Capote, Bennett Miller (2006)

Em novembro de 1959, Truman Capote (Philip Seymour Hoffman) lê um artigo sobre o assassinato de quatro integrantes de uma conhecida família de fazendeiros no Kansas. O assunto chama sua atenção já que ele acredita ser esta a oportunidade perfeita de provar que, nas mãos do escritor certo, histórias de não ficção podem ser tão emocionantes quanto as de ficção. Acompanhado pela escritora Harper Lee (Catherine Keener), sua amiga de infância, ele viaja até lá e surpreende a sociedade local com sua voz infantil, seus maneirismos femininos e roupas não convencionais. A história é contada em Capote.

Miss Potter, Chris Noonan (2006)

A britânica Beatrix Potter (Renée Zellweger) se tornou um verdadeiro fenômeno da literatura no início do século 20 ao criar um dos personagens mais queridos da literatura infantil, Peter Rabbit, o Pedro Coelho. Miss Potter conta sua história e as dificuldades do início da carreira.

Cora Coralina – Todas as Vidas, Renato Barbieri (2017)

Cora Coralina – Todas as Vidas resgata a história da poeta e doceira Cora Coralina, revelada já idosa e que viveu até os 95 anos. Não se trata de uma cinebiografia tradicional tentando dar conta de uma rica história de vida. É um docfic em que vemos atrizes no papel de Cora, mas não numa narrativa linear ou cronológica. São elas Walderez de Barros, Teresa Seiblitz, Camila Márdila, Maju Souza e Camila de Queiroga. O filme é permeado por poemas e por infomações e imagens documentais.

?Mary Shelley, Haifaa Al Mansour (2018)

É a história da juventude de Mary Shelley, autora do clássico Frankenstein, contada a partir de seu romance com o poeta Percy Shelley.

Em Busca da Terra do Nunca, Marc Forster (2004)

J.M. Barrie (Johnny Depp) é um bem-sucedido autor de peças teatrais, que, apesar da fama, enfrenta problemas com seu trabalho mais recente, que não foi bem recebido pelo público. No filme Em Busca da Terra do Nunca, Barrie reencontra a inspiração ao fazer sua caminhada diária pelos jardins Kensington, em Londres. É lá que ele conhece a família Davies, formada pela viúva Sylvia (Kate Winslet) e seus quatro filhos. Da convivência com as crianças, o escritor cria seu personagem de maior sucesso: Peter Pan.

 Fonte: Terra

Empreendedora negra cria a maior distribuidora de livros no exterior, “Livros For Kids”

Com o propósito de promover a língua portuguesa e a cultura brasileira entre as famílias multiculturais que vivem no exterior, a empreendedora brasileira Vanessa Pfeil, que mora na Alemanha há 10 anos, criou a “Livros For Kids“, a maior distribuidora de livros em português brasileiro em toda ÁsiaEuropa e Estados Unidos. A empresa vende clássicos da literatura infantil.

Durante uma vinda ao Brasil, Vanessa comprou 200 livros infantis para os filhos. Após publicar em uma rede social alguns exemplares usados para venda e doação, recebeu diversas mensagens de pedidos, a ponto de ter o perfil bloqueado. A iniciativa teve muito sucesso e isso deu origem a Livros For Kids, que tem um grande acervo de clássicos infantis, um vasto material para alfabetização em português e muita informação sobre a cultura brasileira para crianças e jovens, de 0 a 17 anos.

Além do site, a empresa possui pontos de vendas fixos nos EUA e em todos os países da Europa e Ásia, resultado do crescimento em dois anos.

Nosso objetivo é ser um canal de difusão e promoção da língua portuguesa e da cultura brasileira, promovendo o Brasil de forma positiva para os estrangeiros. Oferecemos livros em português, com preços acessíveis, para que o maior número de famílias possa deixar o português como língua de herança para os seus filhos”, explica Vanessa.

Formada em administração, Vanessa afirma que o grande diferencial da Livros For Kids é ter valor do frete menor em relação às empresas que enviam livros em português para fora do Brasil. Isso porque a distribuidora tem representantes exclusivos nos países onde tem pontos de venda, tornando o frete local.

Nascida e criada na favela Nova Holanda, no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio de Janeiro, a empreendedora foi aluna do primeiro pré-vestibular comunitário da região. Seu projeto não só valoriza a educação e a cultura brasileira no exterior, como tem grandes responsabilidade com sua origem. Vanessa destina 10% de tudo que é vendido a três projetos sociais que envolvem educação no Brasil e na África: o FARO Maré: projeto de alfabetização de adultos; o pré-vestibular comunitário, no Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré (CEASM); e o Instituto DORCAS, de alfabetização de mulheres adultas no Senegal, África.

Fonte: Mundo Negro

Leitura de ficção literária estimula a empatia em crianças

Pesquisadores da Escola de Pesquisas Sociais, de Nova York, descobriram que a leitura de histórias e contos de ficção podem estimular que adultos e crianças entendam o seu próximo ou, ainda, se coloquem no lugar dele. Essa habilidade, que seria denominada de empatia, possibilita e facilita as relações sociais para melhor compreender situações e ações do cotidiano. Durante os experimentos de leitura, a ficção literária foi a que mais estimulou o cérebro dos participantes.
Pelos resultados positivos, essa se tornou uma das práticas recomendadas por Celize Ogg Nascimento Domingos, coordenadora-pedagógica do Ensino Fundamental – Anos Iniciais do Colégio Marista Anjo da Guarda, em Curitiba (PR). Ela sugere que ler para os filhos, além de fortalecer a relação, permite que tanto adultos como crianças vivenciem situações inéditas. “Ao se colocar no lugar dos personagens é possível analisar a maneira como cada um reagiu a determinada situação, opinar sobre as atitudes positivas e questionar o que poderia fazer de diferente”, explica.

A coordenadora avalia também que o papel da família é fundamental no quesito empatia, por ser o primeiro vínculo social da criança. Depois, na escola, surgem outros desafios e é preciso que o aluno esteja equipado emocionalmente para poder lidar com as diferenças e estabelecer relações positivas e saudáveis. “Estimular a empatia é um trabalho de todos. Tanto em casa como na escola é preciso ensinar pelo exemplo e mostrar que nem sempre todos concordam ou têm a mesma opinião sobre os assuntos, mas que com compreensão é possível chegar a um caminho do meio”, analisa Celize. Além da leitura, ela dá outras dicas para ensinar e reforçar a habilidade da empatia nos pequenos (e também nos grandes, por que não?):

1. O dia a dia das famílias é cada vez mais agitado e acelerado, então é importante estabelecer um tempo para conversar com as crianças. Falar sobre situações do trabalho e da vida adulta mostra que os pais também têm dificuldades, tanto quanto os filhos, e o diálogo ajuda a superar essas questões. A hora do café da manhã ou após o almoço, por exemplo, podem ser bons momentos para criar essa rotina.
2. Lembre-se de estar totalmente presente nesses momentos. Dividir a atenção com o celular, tablet ou televisão mostra que você está apenas parcialmente presente e isso é um péssimo exemplo de empatia.
3. Em situações de conflito não basta apenas pedir desculpas da boca para fora. Estimule a criança a entender o sentimento do outro e perguntar como pode resolver a situação.
4. Da mesma forma, pedir desculpas quando errar com a criança é um bom exemplo e mostra que a comunicação está aberta. Conversar para entender o que houve e como a situação pode ser contornada é o próximo passo.
5. Atividades artísticas como aulas de música, pintura e dançar em dupla são bons exercícios para entender sentimentos próprios e do seu par, além de estimular vínculos afetivos, especialmente para crianças introspectivas.

Fonte: REVISTA NEWS

Aproximadamente nove mil cordéis estão sendo digitalizados

A Casa de Rui Barbosa está digitalizando aproximadamente nove mil cordéis. Até o momento, duas mil obras estão finalizadas, restando sete mil cordéis para serem escaneados ao longo de 2019. Ao fim dessa execução, obras com domínio público ficarão disponíveis onlines, as outras dependerão da aprovação de cordelistas ou familiares.

O acervo da Casa de Rui Barbosa é referência no resguardo da literatura de cordel. Na fundação há obras produzidas no início do século XX. Por exemplo, o exemplar de oito páginas do cordelista Francisco Chagas Batista, datado de 1905. Na obra do paraibano ele conta a vida do cangaceiro Antônio Silvino.

Justamente por isso nasceu a ideia de digitalizar todo o acervo da fundação. Inúmeros estudiosos, entusiastas da literatura brasileira, entre outros vão até a Casa de Rui Barbosa com finalidade de aprender e descobrir mais sobre a origem da literatura de cordel. Sendo assim, a fundação espera tornar o conteúdo ainda mais acessível, de tal maneira que até mesmo professores possam utilizar como material didático nas escolas.

Fundação Casa de Rui Barbosa

Fundação Casa de Rui Barbosa

A casa de Rui Barbosa surgiu em 1928 no Museu-Biblioteca. Anos depois, em 1966, a fundação foi juridicamente reconhecida pela lei federal, cabendo-se do dever de desenvolver a cultura, a pesquisa, o ensino, além da divulgação e do culto a obra de Rui Barbosa.

Dentre as inúmeras iniciativas, a principal foi a criação do Arquivo-Museu de Literatura Brasileira, que preserva documentos literários, iconografia, correspondência e originais de escritores brasileiros.

Fonte: EPÍLOGO

Estudo destaca editores de livros infantis

Trabalho de Conclusão de Curso elaborado na USP traz entrevistas com profissionais do livro infanto-juvenil

Um trabalho de conclusão de curso (TCC) apresentado neste mês na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP foi o tema da coluna Bibliomania, da professora Marisa Midori, que foi ao ar no dia 8 de fevereiro de 2019 pela Rádio USP (93,7 MHz). Intitulado Editores e Livros Infantis (1978-2018), o trabalho foi feito pela então aluna do curso de Editoração da ECA Isabella Mimura Sato, sob orientação do professor Edmir Perrotti.

Ouça no link acima a íntegra da coluna.

Fonte: Jornal da USP

Jean-Claude Alphen: livros ajudam a criança empreender a sua jornada particular pela vida

Jean-Claude Alphen: “livros para a infância podem ser literatura com um grande L!”
O entrevistado de hoje, Jean-Claude Alphen, já ilustrou mais de 100 livros e é autor de 30. Ele é brasileiro, carioca, mas foi criado na França, onde viveu até os 11 anos de idade. Voltou para o Brasil, formou-se em Publicidade e Marketing pela ESPM e também em Artes Plásticas na FAAP, trabalhou como ilustrador no Marco Zero e no Jornal da Tarde até se tornar ilustrador de literatura infantil, primeiro, dos principais autores brasileiros e mais tarde de seus próprios livros infantis. Atualmente, ele está no Canadá, preparando o lançamento de quatro de seus livros e onde vai trabalhar para as editoras locais em 2020. De imediato, lança a versão canadense de “Adélie”, um dos seus livros preferidos, pela Editora D’eux. Jean-Claude foi laureado por nove vezes, como autor, com o selo “Altamente Recomendável” da Fundação Nacional de Literatura Infantil e Juvenil.  Recebeu também o prêmio da Revista Crescer, o Prêmio literário Glória Pondé da Fundação Biblioteca Nacional e foi por cinco vezes o finalista do Prêmio Jabuti e vencedor em 2017 com “Adélia”..
Página de “Pinóquia”, livro do PNLD literário (Programa Nacional do Livro e Material Didático), escrito e ilustrado por Jean-Claude, lançamento da Melhoramentos Editora
Rosa Maria: Desde quando escreve e ilustra livros de literatura infantil?

Jean-Claude: Ilustro há 30 anos e escrevo há mais de 15. Mas publicar mesmo meus próprios livros para a infância só mesmo a partir de 2007.

RM: Como a literatura infantil entrou na sua vida?

JC: Eu comecei a ilustrar livros escolares e via que era bem legal ilustrar livros de literatura. Era o caminho natural. Ilustrei mais de 100 livros de todos os autores… Quase todos. E pensei que poderia também me arriscar como autor.

RM: Comente um pouco sobre a sua formação em literatura infantil.

JC: Sou autodidata. Nunca fiz curso de desenho nem de escrita. Gosto de pensar (mesmo que possa estar errado), que isso não me engessou. Eu ilustrava mãos de quatro dedos e me corrigiam nas editoras de livros didáticos. Isso faz um bom tempo. Aprendi muito com isso, mas também me engessou no meu traço. Hoje, faço mãos com 3, 4 dedos e ninguém percebe. O que vale mesmo é a narrativa visual casada com o texto. O resto é secundário.

RM: Vamos falar de números? Quantos livros já escreveu? Quantos livros já ilustrou? Quantos personagens já criou e quais são eles?

JC: Já ilustrei mais de 100 e escrevi 30 livros. Não dá pra falar de todos eles, mas gosto muito do “Otávio não é um porco-espinho” e de “Adélia”. São meus preferidos. Mas todos são meus filhos e gosto de cada um deles do jeito que são.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

RM: Quais são seus livros só de imagem e como analisa esse tipo de obra para crianças?

JC: Tenho alguns. É muito complicado publicar livros assim no Brasil. Normalmente naufragam. Tem que ter texto pra dar certo. Fiz um livro chamado “Escondida”, Edições SM, do qual gosto muito. Os animais estão na mira da extinção agora e era minha homenagem ao risco que correm. Fiz girafas, elefantes, guepardos… etc. Mas estão todos desenhados de forma acadêmica, bem realistas. E é um livro-imagem do qual me orgulho muito.

RM: Sua obra tem algum alinhamento político ou filosófico?

JC: Tem. Sou defensor ferrenho da ecologia e dos animais. Ilustro o que posso de natureza e de bichos. Se isso faltar, não estaremos mais num planeta habitável. Gosto também de abordar temas de psicologia nos meus livros. Tudo baseado na necessidade da criança empreender a sua jornada particular pela vida. Gosto de abordar, sobretudo, a questão da identidade, da fabricação da identidade na criança que vai influenciar e moldar o futuro adulto que ela será. Gosto de tocar no assunto da transformação, dessa metamorfose de criança em algo a mais. Não acredito que a criança suma. Num livro meu antigo eu dizia “adultos são crianças que cresceram pra cima…”e que muitos fazem de conta que não são mais crianças.”

Página do livro “Talvez eu seja um elefante”, Editora Melhoramentos

RM: Como tem sido o seu “diálogo” com as crianças?

JC: Vou para as escolas não tantas vezes como eu deveria, porque isso na verdade tem que ser feito a conta-gotas. Mas adoro ter este contato direto. Me transformo em um deles. Mas claro que tenho minha responsabilidade de autor adulto. Que sou. A criançada é toda igual: crianças de favelas ou dos bairros mais privilegiados. Depois, aí não é mais minha faixa etária. Trabalho livros para crianças até no máximo 10 anos. Já vi fotos de turmas de crianças de 10 anos que já se formaram e que disseram que lembram até hoje do dia em que fui à escola delas. Então, deve ter sido bom pra elas também, né?

RM: Certamente foi muito bom para elas, sim, Jean.  Como avalia o progresso da literatura infantil no Brasil?

JC: Não me sinto apto para avaliar o trabalho de outros colegas. Isso quem tem que fazer são os críticos.

RM: Quais são seus planos para 2019?

JC: Em 2019, estou meio que partindo pra um voo mais longe. Estou trabalhando para o Canadá. Vou ilustrar livros para uma editora de lá. E vendi livros da minha autoria também. Aqui está complicado publicar mais. O mercado está ruim e temo pelo futuro dos livros para a infância. Temo que possamos perder a liberdade essencial de falar, de expressar com liberdade o que queremos que as crianças leiam. Por isso, acho bom começar a publicar fora também. É uma consequência natural tentar ser reconhecido também fora do seu país. Obrigado pela oportunidade de falar com quem se interessa por literatura. Porque livros para a infância podem ser literatura com um grande L!

Coleção Salamandra assinada e ilustrada por Jean-Claude com a série “A outra história de” e outros livros de sua autoria

Fonte: Portal UAI

O VALOR DOS CONTOS DE FADAS E A IMPORTÂNCIA DE CONTAR HISTÓRIAS

O valor dos contos de fadas.
 
“A alma do ser humano tem uma necessidade inesgotável de que a substância contida nos contos de fada flua em suas veias, da mesma maneira que o corpo precisa de substâncias nutritivas fluindo dentro de si” – Rudolf Steiner-
 
Contar histórias é uma forma antiga de transmitir conhecimentos, valores, fantasias e memórias. Temos feito desde tempos imemoriais. O DNA humano é feito de histórias. Ao longo deste post, que acompanham com citações de figuras respeitáveis sobre os assim – chamados contos de fadas, vamos abordar o significado profundo que eles contêm, bem como o papel importante no desenvolvimento saudável da criança e da criança.
 
Era uma vez…

Uma história é uma recriação de imagens através de palavras. As crianças são especialmente sensíveis às histórias, porque vivem em um mundo em que as imagens exercem uma tremenda influência para elas.

Durante os primeiros sete anos de vida, a criança ainda não está familiarizada com o pensamento abstrato. A formação de imagens é a maneira pela qual ela se aproxima do mundo, desce sobre ele e é incorporada à existência terrena, um processo que acontece gradualmente.

As abstrações não têm (e não deveriam ter, porque não é o que você precisa naquele momento) influência em seus processos internos. As imagens, por outro lado, ajudam você a entender o mundo. A primavera é, no momento, apenas uma palavra abstrata e desprovida de significado profundo, enquanto a descrição de uma paisagem verde e florida com céu azul será traduzida em uma imagem que será mais útil para você.

A imaginação é a chave para o desenvolvimento harmonioso dos seres humanos, especialmente em seus estágios iniciais.
“Os contos de fada que me contaram na minha infância têm um significado mais profundo do que qualquer verdade que me ensinaram na vida” – Friedrich Schiller-
 
Como as imagens desempenham um papel tão importante no desenvolvimento de meninas e meninos, torná-las adequadas ao que precisam é uma tarefa que os contadores de histórias aperfeiçoaram, uma vez que os seres humanos são seres humanos. O conto de fadas popularmente conhecido contém imagens que respondem às preocupações atuais de seus corpos físicos, seus humores e sua essência espiritual.
 
“As imagens de contos de fadas são uma fonte inesgotável de” água viva “para acelerar nossa compreensão do mistério” homem “e seu destino na terra, sempre em forma original e surpreendente!” -Goethe-
 
Narração estimula a formação de imagens através do que os sentidos entender, aumentar a sua criatividade e perguntando sobre uma história que vai criar a criança ea criança uma curiosidade saudável e perguntas que responder às preocupações vitais e atemporais: Por quê? Para que? Como? Para onde? Em que momento? Com que ajuda?
“Contos de fada são inestimáveis ​​para toda a sua vida; eles apontam o caminho luminoso que ele terá que percorrer durante sua própria vida e dar a ele a força para enfrentá-lo. Os contos de fadas são um legado inestimável do passado que alimenta e protege a vida interior da criança “- Rudolf Steiner-
Contar histórias
 
“Se você quer que seus filhos sejam espertos, leia os contos de fadas, se você quer que eles sejam mais inteligentes, leia mais contos de fadas. Quando examino a mim mesmo e meus métodos de pensar, chego à conclusão de que o dom da fantasia significava mais para mim do que qualquer talento do pensamento abstrato e positivo ” – Albert Einstein.
 
Alejandro Jodorowsky diz que a verdade não pode ser conhecida, mas podemos conhecer a expressão dessa verdade, que é a beleza. A beleza é importante . Apreciar a beleza e mostrar a reverência que ela merece torna nossa vida mais bonita. A história deve ser transmitida, portanto, lindamente.
Para as crianças, o mundo é um lugar inegavelmente belo. A visão adulta da realidade, no entanto, tenta impor pontos de vista que tendem a fomentar imagens mentais desprovidas de beleza. A mídia é um exemplo claro disso, atormentado por imagens violentas, destrutivas e doentias, sem utilidade para o desenvolvimento saudável. Como adultos devemos considerar, antes de permitir que as crianças recebam essas imagens, se elas representam a beleza a que aspiram. A história de um conto fantástico no tom certo irá ter um efeito calmante sobre a alma da criança ea criança, que favorecerá a formação correta do corpo físico durante os primeiros sete anos de vida, preparando-se para a assimilação posterior de conceitos lógicos. Da fantasia à razão nessa ordem.
“É importante enfatizar que para uma história manter verdadeiramente a atenção da criança, alertar e estimular sua curiosidade, além disso, estimular sua imaginação para ajudar a desenvolver seu intelecto e esclarecer suas emoções; ele tem que concordar com suas ansiedades e aspirações; faça-o reconhecer plenamente suas dificuldades, ao mesmo tempo em que sugere resolver os problemas que lhe dizem respeito. 

Destaques como é importante que o adulto está próxima, ter o cuidado de dar todo o crédito à gravidade dos conflitos da criança, sem diminuir em tudo, e estimulando, simultaneamente, a sua confiança e seu futuro ” (Bruno Bettelheim : A psicanálise dos contos de fadas)
Contar histórias para nossos filhos é uma excelente maneira de dar a eles ferramentas bonitas, saudáveis, estimulantes e apropriadas para o seu desenvolvimento. Qualquer menina ou menino apreciará muito a narração cuidadosa e dedicada de um conto de fadas. Há uma infinidade de literatura fantástica para crianças que respeita as premissas de uma boa história, e compartilharemos algumas dessas opções em posts futuros. Mas há um modo sublime, ainda mais alto, de fazê-lo: você pode inventar suas próprias histórias . Nós fizemos isso e continuaremos fazendo isso. Eles podem até ver a luz na forma de uma publicação, quem sabe. Por enquanto, é suficiente para nós sabermos que essas histórias cumpriram o propósito de preparar nossas filhas para “O mais maravilhoso conto de fadas de todos: a vida” (Hans Christian Andersen).
“Os contos de fada são mais que reais, não porque nos dizem que os dragões existem, mas porque nos dizem que os dragões podem ser derrotados” – Gilbert K. Chesterton-
Autor: Jorge Benito mindfulscience.es

‘Macunaíma Ópera Tupi’, musical de Iara Rennó, comemora os 90 anos da obra de Mário de Andrade

Em São Paulo – De 6 a 10 de fevereiro, poderá ser visto no Teatro do Sesc Vila Mariana o “Macunaíma Ópera Tupi – Trans_criação”, um musical de Iara Rennó baseado na obra de Mário de Andrade.

Para comemorar os 90 anos de Macunaíma – O Herói Sem Nenhum Caráter, obra essencial de Mário de Andrade, a “Ópera Tupi”, de Iara Rennó, ganha nova montagem. São 22 artistas no palco, onde se fundem música, teatro, dança e interações audiovisuais.

Durante a apresentação, juntam-se à interpretação das músicas um grupo de atores e bailarinos que encenam a história musicada do herói Macunaíma.

Ao longo da trama, o personagem é interpretado por diversos artistas, como Aretha Sadick, Jaider Esbell e a própria Iara. A cantora, além de incorporar o protagonista, interpreta Ci, amor do herói, a sereia Uiara e a feiticeira Circe.

Com direção artística compartilhada entre Iara e Gert Seewald, o espetáculo se apropria, além do texto original, de trechos de cartas do autor, de citações de nomes como Micheliny Verunshk, Toni Morrison e Tom Zé e de fragmentos de obras como a epopeia “Odisseia”, de Homero, “O Príncipe”, tratado político de Nicolau Machiavel, e o manifesto “Poesia Pau-Brasil”, do escritor Oswald de Andrade.

O repertório musical do espetáculo é composto basicamente pelas canções do disco Macunaíma Ópera Tupi (Selo SESC, 2008), que terá lançamento digital em todas as plataformas, também pelo Selo SESC, em 2019.

Os ingressos variam de R$ 9 a R$ 30 e podem ser adquiridos nas Unidades ou pelo Portal do Sesc. (Carta Campinas com informações de divulgação)

Ficha técnica
Elenco:
Aretha Sadick como Macunawoman Trans_mito
Pascoal da Conceição como Mário de Andrade e o Gigante Piaimã
Iara Rennó como Makunaimãe, Ci, Uiara, Circe
Jaider Esbell como Makunaimã Xamã
Luz Marina como Maanape
Negravat como Jiguê e Uiara

Banda:
Curumin- bateria, sampler e voz
Simone Sou – percussão e vocal
Guilherme Held – guitarra
Daniel Gralha – trompete
Edy do Trombone – trombone e percussão
Aline Falcão – baixo synth e teclados

Corpo de Baile:
Regina Santos – coreografia e performance
Janette Santiago – coreografia e performance
Luciane Ramos-Silva – coreografia e performance
Mia Omori – performance
Ana Maira Favacho – performance
Silvana de Jesus – performance

Cordas:
Luiz Amato – violino
Alexandre Cunha – violino
Alexandre Mazak – viola
Sérgio Schreider – violoncelo

Concepção, música, pesquisa e adaptação de textos: Iara Rennó
Direção Artística: Iara Rennó e Gert Seewald
Dramaturgia: Iara Rennó e Gert Seewald
Colaboração de texto e roteiro: Carol Ribeirinha
Colaboração dramatúrgica: Bruno Siniscalchi
Direção Musical: Iara Rennó
Arranjos de base: banda
Arranjo de cordas: Arrigo Barnabé (Mandu Sarará), Dante Ozzetti (Jardineiro e Naipi); Luiz Amato (Rudá); Iara Rennó (Macunaíma)
Transcrição e adaptações para cordas: Luiz Amato
Coreografias: Regina Santos, Janette Santiago, Luciane Ramos
Cenografia: Gert Seewald
Figurinos: Ísis Cecchi
Video mapping: Ligalight
Obras projetadas: desenhos de Jaider Esbell
Iluminação: Miwi
Projeto gráfico: Rodrigo Barja
Fotos da arte (Iara): José de Holanda
Direção de arte da pintura corporal (Iara) nas fotos da arte: Ricardo Castro
Pintura corporal fotos arte: Lau Neves
Produção Executiva: Paloma Espíndola e Josie Rodrigues
Produção administrativa: Paloma Espíndola
Comunicação: Carola Gonzales
Realização: SESC São Paulo e MacunaÓpera Produções Artísticas

Duração: 150 minutos

Local: Teatro

Limitado a 4 ingressos por pessoa.

Fonte: Carta Campinas

Um ano de produção da literatura infantil e juvenil

Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil lança anuário com toda a produção literária de seus associados

A Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (Aeilij) acaba de colocar no ar o seu Anuário de 2019. Nele estão listados os livros lançados pelos criadores associados durante o ano passado. A publicação, cuja capa é ilustrada por Maria Carolina Pereira Jorge, traz ainda uma entrevista com João Paulo Hergesel, vencedor da última edição do Prêmio Barco a Vapor, uma linha do tempo das principais atividades da entidade durante 2018 e resenhas dos livros vencedores do I Prêmio Aeilij: Catarina e o lagarto (All Print), de Katia Gilaberte; Esopo: Liberdade para as fábulas (Escarlate), de Luiz Antonio Aguiar, e A alma secreta dos passarinhos (Olho de Vidro), de Elisabeth Teixeira. Para conferir o Anuário, clique aqui.

Uma trama de cordéis

Historicamente marginalizada, a literatura brasileira de folhetos alcança fase de reconhecimento e institucionalização

Augusto Zambonato

Tradicional expressão cultural brasileira, a literatura de cordel vive um momento de reflorescimento. Após sucessivas transformações de produção e circulação, ao longo do século XX, o gênero chegou a ter sua morte anunciada por estudiosos e autores no fim da década de 1980. Desde os anos 2000, no entanto, vem encontrando outras formas de sobrevivência, em novos formatos, com outros públicos e como objeto de atenção acadêmica. O mais recente capítulo dessa história é seu reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que coloca no horizonte do Estado e da sociedade a necessidade de estratégias para proteger a produção e a atuação de poetas cordelistas.

O início dessa literatura pode ser identificado com o momento em que, em fins do século XIX, no Nordeste, poemas transmitidos oralmente ganharam impressão. Esses folhetos, vendidos em feiras de estados como Paraíba, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte, tornaram-se rapidamente populares – a tal ponto que, por volta de 1910, o paraibano Leandro Gomes de Barros (1865-1918) instalou-se no Recife com a Tipografia Perseverança e se tornou o primeiro autor e editor do país a viver exclusivamente de cordéis. A partir dos anos 1950, com os movimentos de migração para o Norte, Sudeste e Brasília, os folhetos disseminaram-se por todo o país, possibilitando a criação de uma rede que hoje inclui poetas, pesquisadores, escolas, editoras e associações – a mais conhecida delas, a Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), com sede no Rio de Janeiro.

Se considerado desde seus antecedentes, o percurso do cordel é secular, tem início em outro continente e implica uma complexa relação entre cultura erudita e popular. “A importância dessa literatura é histórica. Ela nasceu no século XVI, na Europa, foi a grande responsável pela vulgarização de textos gregos e latinos e veiculou notícias sobre as descobertas e todo um imaginário sobre o Novo Mundo na Itália, França e Espanha”, afirma Francisco Claudio Alves Marques, da Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista (FCL-Unesp), campus de Assis. Em Escritos e ditos: Poéticas e arquétipos da literatura de folhetos – Itália/Brasil (Humanitas, no prelo), ele investiga as matrizes europeias do cordel brasileiro, que se inicia com a adaptação, em versos, de narrativas aqui aportadas via Portugal.

“A poesia de cordel nordestina apresenta traços de uma produção escrita anterior, que vem se juntar à oralidade fortemente presente na região”, escreve Marques, apontando as principais fontes que inspiraram cantadores e poetas populares: além de histórias comuns na península Ibérica, fábulas, passagens bíblicas e conhecimentos diversos reunidos em almanaques e enciclopédias. No livro, o pesquisador mostra como o talento desses artistas, ao contrário do que muitas vezes se pensa, não depende da capacidade de improvisação, mas do modo como adaptam o repertório literário já existente: pelas suas vozes e mãos, narrativas ancestrais passam a falar sobre a experiência do próprio público, que assim se deixa encantar.

Produzidos por poetas quase sempre autodidatas e de origem humilde, os folhetos tiveram inicialmente um público de ouvintes, mais do que de leitores. “No começo do século XX, especialmente no campo, enquanto bordavam, debulhavam milho ou feijão, ou descansavam do trabalho, as pessoas ouviam leituras coletivas de folhetos de cordel”, registra Marques. Circulando na rotina dos trabalhadores do interior nordestino, as narrativas dialogavam de diferentes maneiras com as circunstâncias e o contexto do público – muitas vezes dando forma, como argumenta o pesquisador, à consciência de injustiças, ao desejo de desforra contra abusos de poder, a críticas à realidade.

Um dos exemplos estudados por Marques é o mito da Cocanha, país imaginário cujo retrato circula na cultura popular europeia desde o século XIII, tendo uma de suas figurações mais conhecidas em um quadro do pintor belga Pieter Bruegel (1525-1569). No Brasil, essa terra de abundância deu origem a São Saruê, onde tudo é “bom e fácil”. Como canta o poeta Manoel Camilo dos Santos no folheto Viagem a São Saruê, de 1947, lá “não precisa se comprar/ não há fome nem doença/ o povo vive a gozar/ tem tudo e não falta nada/ sem precisar trabalhar”. Comentando o contraste entre o país retratado na narrativa e a realidade daqueles que a ouviam, Marques afirma: “A comunidade nordestina vive às voltas com as secas periódicas, as hostilidades do clima, a falta de alimentação. Essa narrativa, de origem francesa, ganha uma nova função ao dialogar diretamente com a realidade da comunidade nordestina. Ela se revitaliza”.

As relações dessa literatura com o contexto também estão no centro do interesse do historiador Paulo Teixeira Iumatti, vice-diretor entre 2014 e 2018 do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP), que prepara a publicação de Vozes negras na cantoria: Cantadores afrodescendentes e as disputas em torno do gênero do Marco (1870-1930) (Almedina, no prelo), a respeito desse tipo de cordel. Trata-se de folhetos em que o autor imagina construir para si um castelo ou outra espécie de fortificação – ambiente que governa como um rei e que serve de metáfora para a própria construção poética –, oferecido como uma espécie de desafio a outros poetas. É o que acontece, por exemplo, em A fortaleza que levantei dentro de uma lagoa (1953), de Joaquim Francisco Santana (1877-1917), conforme uma das estrofes finais: “Já ouvi um poeta me dizer/ que fazia um muro igual ao meu/ se há este audaz é muito longe/ eu creio que ele já morreu/ que meu muro está predificado/ quem o imita ainda não nasceu”.

“O Marco é a transposição do desafio da viola para o registro da escrita”, explica Iumatti, ressaltando o vínculo dessa poesia com a modalidade de cantoria em que dois compositores se apresentam em uma competição de regras rígidas em termos de métrica e rima. Segundo o pesquisador, esse gênero é uma forma poética peculiar ao contexto nordestino, cujas características principais têm conexão com a sociedade escravista, em especial a ideia de que, no interior de sua fortaleza, o poeta tem domínio absoluto sobre pessoas e coisas. Estudando poemas compostos logo após a Abolição por afrodescendentes como Joaquim Francisco Santana (1877-1917), o professor do IEB defende que a linguagem hiperbólica do Marco, de elogio do poeta à própria obra, serviu de luta simbólica num contexto em que era preciso “manter a cabeça erguida diante da exclusão e do racismo”. “Os cantadores negros de que tenho registros – são poucos, mas significativos – utilizaram o Marco como uma ferramenta de disputa e um instrumento para se afirmar em um contexto de exclusão”, diz Iumatti.

Produção literária
“A grande luta travada ao longo do século XX pelos poetas foi pelo reconhecimento do cordel como literatura”, informa a historiadora Rosilene Alves de Melo, professora da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), na Paraíba, e consultora do Iphan. Ela conta que, embora sempre tenha havido reconhecimento popular, essa literatura permaneceu durante décadas à margem, acumulando episódios de perseguições a poetas e editores, apreensão e queimas de folhetos e prisões – como a de José Bernardo da Silva (1901-1971) em Limoeiro (PE), em 1934. “O cordel é um gênero que conseguiu se construir a duras penas, com muito sacrifício e pouco dinheiro. A maioria dos poetas morreu na miséria, no esquecimento, sem recursos, mas nunca desistiu”, comenta Melo.

O fato de se tratar de uma literatura originada em contextos pobres e de menor proximidade com a cultura letrada deu muitas vezes origem a um estigma. “A literatura de cordel nunca foi muito reconhecida pelo universo da literatura oficial, embora muitos poetas e escritores fossem seus admiradores”, afirma Iumatti, que recusa o rótulo de “popular” para essa produção. “A literatura de cordel sempre fez a mediação entre universos: um mais letrado e outro da cultural oral, como uma poesia que chegava a pessoas que nem sequer sabiam ler”, explica. De acordo com ele, à medida que buscam formas de legitimação, cordelistas tendem a se identificar relativamente menos com a cultura popular, que passa a ser vista como repertório para inspiração, estudo e criação, e não como meio exclusivo onde os folhetos são produzidos e circulam.

A ABLC, fundada em 1988, contribui para essa trajetória. “A criação é uma resposta à não aceitação do cordel pela Academia Brasileira de Letras”, diz Rosilene Melo, referindo-se às duas candidaturas do cordelista Raimundo Santa Helena (1926) rejeitadas pelos imortais, em 1983 e 1986. A institucionalização do cordel trouxe até mesmo novos parâmetros para a composição dos poemas, que foram se modificando com o tempo, como explica o cordelista Gonçalo Ferreira da Silva, presidente da instituição. São três os critérios estéticos: métrica, rima e oração, isto é, os poetas devem obedecer rigorosamente a quantidades convencionais de sílabas por verso, rimar todo o poema e construir narrativas coerentes, com começo, meio e fim. “A literatura de cordel é feita para ser lida, cantada ou declamada, então deve ter a rigorosa sonoridade”, diz Silva. Ele destaca também a importância da correção da linguagem: “Não é admissível que hoje ainda se escreva e fale errado. Você deve escrever errado se não souber escrever certo. A ABLC respeita a tradição e guarda em seu acervo a linguagem matuta – quando se escrevia ‘pruquê’, ‘prumodi’, ‘pruvia’. Mas guardamos como material de museu, e não material para ser usado agora”.

Sobrevivência
Na tentativa do cordel de sobreviver, os poetas buscaram, ao longo das décadas, diferentes maneiras de concretizar seu trabalho. Inicialmente, os folhetos eram impressos em gráficas nas capitais e pequenas tipografias em cidades do interior. Com a proliferação de jornais e a diminuição do custo dos equipamentos, alguns poetas adquiriram suas próprias máquinas, ganhando autonomia no processo de produção e, consequentemente, de divulgação do trabalho. Entre 1910 e 1960, inicialmente no Nordeste, e depois com a circulação do cordel por outras regiões do país, constituiu-se uma rede de produção e venda que permitiu a autores e editores sobreviver dos folhetos.

Hoje os cordéis estão longe do ambiente de seu nascimento, as feiras. O surgimento dos supermercados na década de 1970, a hiperinflação e o consequente aumento do preço do papel nas décadas de 1980 e 1990 exigiram a completa reformulação da atuação desses autores, que ficaram cada vez mais distantes de seu público. “No início dos anos 2000, o cordel estava em uma crise profunda”, conta Rosilene Melo, da UFCG. A saída encontrada foi levar o cordel para as escolas. Desde então, em oficinas, minicursos e palestras, poetas procuram estimular o conhecimento do gênero e o gosto pela sua leitura. Como consequência dessa atuação, editorialmente se abriu um novo campo, o do cordel didático, com livros escritos nesse estilo que contemplam aspectos dos Parâmetros Curriculares Nacionais. Com tiragens que podem ultrapassar 100 mil exemplares, essas obras tratam de temas como ciências, história, linguagem, além de muitas vezes adaptarem clássicos literários nacionais e estrangeiros. “Essa entrada na escola salvou o cordel do desaparecimento no Brasil”, avalia a pesquisadora da UFCG. Para Marques, o interesse de alunos dos ensinos médio e fundamental pode representar o surgimento de novos autores no gênero.

Outro fator apontado como essencial para a sobrevivência do cordel é a manutenção de arquivos de folhetos. A ABLC reúne hoje 13 mil títulos em seu acervo e cerca de 2 mil livros de apoio à pesquisa, além de 27 “cordeltecas” implantadas em todo o território nacional. Com o projeto “Sementes de poesia”, Melo pretende revitalizar e ampliar as coleções do Acervo de Literatura Popular José Alves Sobrinho e do Centro de Formação de Professores (UFCG) em Campina Grande e da Fundação Casa de José Américo, em João Pessoa. Marques tem dedicado o projeto “Organização, classificação e catalogação do acervo de literatura de cordel” aos 800 folhetos de cordel doados ao Centro de Documentação e Apoio à Pesquisa (Cedap) pela ABLC. Já Iumatti está trabalhando, com um grupo de alunos e com apoio do Iphan e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), no Portal de Literatura de Cordel, que, abrigado no site do IEB-USP (bit.ly/PortalCordel), reúne metadados de acervos de diversas instituições nacionais e estrangeiras dedicados ao cordel e que tem como objetivo principal o apoio à pesquisa. “Se o leitor não vai à leitura, a leitura vai ao leitor”, sintetiza o presidente da ABLC.

Um bem tuteladoUma estrofe de 10 versos de sete sílabas abriu o pedido encaminhado, em 2010, pela Academia Brasileira de Literatura de Cordel ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) solicitando o registro do cordel como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro: “Nós, membros da academia/ da cultura guardiã/ solicitamos ao Iphan/ que veja com simpatia/ nossa eterna poesia/ como histórico documento/ E neste requerimento/ de conteúdo fiel/ pedimos para o cordel / o seu registro e tombamento”. Em setembro de 2018, o conselho consultivo do órgão aprovou o pedido, reconhecendo a literatura de cordel como um bem a ser preservado pelo Estado em conjunto com a sociedade brasileira.

Uma equipe de pesquisadores desenvolveu, entre 2012 e 2017, por encomenda do Iphan, o dossiê que dá fundamento ao registro, documentando a história nacional da literatura de cordel e mapeando a produção hoje realizada no Brasil. “O registro é uma decisão do Estado brasileiro que vai ficar para gerações futuras. Daí a necessidade desse inventário, que tem como objetivo recolher informações que comprovem que esse bem merece ser registrado”, explica Rosilene Alves de Melo, professora da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) que atuou como consultora do órgão, coordenando a pesquisa e redigindo o dossiê.

Para a elaboração do documento escrito e do documentário em vídeo, que ficarão disponíveis ao público, foram realizadas 140 entrevistas com poetas, pesquisadores, donos de editoras de folhetos, no Brasil todo. “Nessas reuniões recolhemos também as sugestões de salvaguarda das obras, que devem ser feitas pelos próprios poetas”, conta Melo.

As ações de preservação são a principal decorrência do processo de registro, que tem como finalidade atender determinações legais de promoção e acesso à cultura, em especial os artigos 215 e 216 da Constituição Federal. “A história do cordel agora muda radicalmente. Até 2018, era uma poesia praticada livremente pelas pessoas; agora é um bem tutelado pelo Estado”, resume Melo, ressaltando a dimensão coletiva da atuação desses poetas, que deve passar pela construção de formas de organização e articulação. A partir deste ano, segundo ela, o órgão de proteção ao patrimônio terá ações destinadas especificamente ao cordel.

Projeto
Organização, classificação e catalogação do acervo de literatura de cordel “Gonçalo Ferreira da Silva” (nº 18/03453-0); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular; Pesquisador responsávelFrancisco Claudio Alves Marques (Unesp); Investimento R$ 17.320,60.

Fonte: Revista Pesquisa FAPESP

Jovens e literatura

O programa Participação Popular discute sobre literatura na era digital. Participe!

Os leitores tradicionais não trocam o prazer de pegar um bom livro, tocar as suas páginas e virar as folhas impressas, sentir o cheiro de papel novo e até mesmo observar as folhas amareladas ou as dedicatórias na contracapa do exemplar na estante.

Na era digital, observamos um novo comportamento, a leitura de livros que se amplia por meio dos e-books (livros digitais) e outras ferramentas como as redes sociais. Surgem os booktubers- comentaristas literários do youtube – e jovens escritores que usam as redes e seguidores para publicar textos. A quantidade de informação aumenta, assim como a leitura, mas e a qualidade? Como despertar nos jovens o prazer pela leitura também das obras clássicas?

Assista e participe desse programa. Ele vai ao ar na segunda-feira,ao vivo,das 13h às 14h,na TV Câmara,no portal Câmara Notícias (http://tv.camara.leg.br) e o no canal da Câmara no YouTube.

Comentários e perguntas podem ser feitos pelo telefone 0800-619-619, por e-mail para participacaopopular@camara.leg.br , pelo WhatsApp no número (61) 99620-2573 ou pelo chat do YouTube e Facebook da Câmara dos Deputados, que farão transmissão simultânea com a TV Câmara.

Para esse programa confirmaram presença os seguintes convidados:
1- Robson Coelho Tinoco – Professor Titular do Depto. de Teoria literária e literaturas da Universidade de Brasília;
2- Marina Oliveira, jovem escritora e autora de “A Parede Branca do Meu Quarto”
3- Zoara Failla – Coordenadora da Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil do Instituto Pró-livro, via SKYPE
4- Deputado a confirmar

Fonte: TV CÂMARA

Temas tabus nos livros infantis será tema de debate em livraria de SP

As editoras Marcia Leite e Daniela Padilha e a ilustradora Aline Abreu batem papo sobre o tema na Livraria NoveSete neste sábado (2)

Um menino de 11 anos que se vê obrigado a lidar com sentimentos desconhecidos e sem saber ainda o que é o amor. Em síntese, esta é a proposta do livro A coisa brutamontes (Editora Companhia Editora de Pernambuco, 44 pp, R$ 40), de Renata Penzani, com ilustrações de Renato Alarcão, que será lançado na Livraria NoveSete (Rua França Pinto, 97, Vila Mariana – São Paulo / SP), neste sábado (02), a partir das 15h. Além de contar com a presença da autora, que conversará com o público e autografará a obra, o evento de lançamento terá ainda um encontro com a participação da escritora e educadora Marcia Leite (editora da Pulo do Gato), de Daniela Padilha (editora da Jujuba) e da ilustradora e mestre em crítica literária Aline Abreu, com mediação da jornalista especializada em literatura para a infância, Cristiane Rogerio. O bate-papo terá como tema Os pode-não-podes na literatura infantojuvenil: os temas tabus nos livros para crianças, com a proposta de conversar sobre assuntos frequentemente ignorados pelos adultos, como morte, melancolia e solidão, e como isso afeta as crianças.

Fonte: PUBLISHNEWS

A importância da leitura e literatura infantil na formação das crianças e jovens

A infância é o melhor momento para o indivíduo iniciar sua emancipação mediante a função liberatória da palavra. É entre os oito e treze anos de idade que as crianças revelam maior interesse pela leitura. O estudioso Richard Bamberger reforça a idéia de que é importante habituar a criança às palavras. “Se conseguirmos fazer com que a criança tenha sistematicamente uma experiência positiva com a linguagem, estaremos promovendo o seu desenvolvimento como ser humano.” Inúmeros pesquisadores têm-se empenhado em mostrar aos pais e professores a importância de se incluir o livro no dia-a-dia da criança. Bamberger afirma que, comparada ao cinema, ao rádio e à televisão, a leitura tem vantagens únicas. Em vez de precisar escolher entre uma variedade limitada, posta à sua disposição por cortesia do patrocinador comercial, ou entre os filmes disponíveis no momento, o leitor pode escolher entre os melhores escritos do presente e do passado. Lê onde e quando mais lhe convém, no ritmo que mais lhe agrada, podendo retardar ou apressar a leitura; interrompê-la, reler ou parar para refletir, a seu bel-prazer. Lê o que, quando, onde e como bem entender. Essa flexibilidade garante o interesse continuo pela leitura, tanto em relação à educação quanto ao entretenimento.

O desenvolvimento de interesses e hábitos permanentes de leitura é um processo constante, que principia no lar, aperfeiçoa-se sistematicamente na escola e continua pela vida afora. No caso dos bebês, que ainda estão em processo de desenvolvimento da visão, os contrastes são ótimas pedidas, pois atraem a atenção dos pequenos. Bem como os livros de pano, banho e interativos (com sons, por exemplo), que são perfeitos para os leitores de berço. Também é fundamental que o adulto responsável compreenda que mesmo que a criança ainda seja muito novinha, ela absorve muito na leitura compartilhada, principalmente o amor e o carinho deste momento. Descobrir estes sentimentos desde bebezinhos, poderá ser uma excelente conquista para toda a vida.

Diante disso, a escola busca conhecer e desenvolver na criança as competências da leitura e da escrita e como a literatura infantil pode influenciar de maneira positiva neste processo. Assim, Bakhtin (1992) expressa sobre a literatura infantil abordando que por ser um instrumento motivador e desafiador, ela é capaz de transformar o indivíduo em um sujeito ativo, responsável pela sua aprendizagem , que sabe compreender o contexto em que vive e modificá-lo de acordo com a sua necessidade.

Quanto mais cedo a criança tiver contato com os livros e perceber o prazer que a leitura produz, maior será a probabilidade dela tornar-se um adulto leitor. Da mesma forma através da leitura a criança adquire uma postura crítico-reflexiva, extremamente relevante à sua formação cognitiva. Estratégias para o uso de textos infantis no aprendizado da leitura, interpretação e produção de textos também são exploradas com o intuito final de promover um ensino de qualidade, prazeroso e direcionado à criança. Somente desta forma, transformaremos o Brasil num país de leitores.

(*) Marisalva Alves da Silva e Cleilta Vieira dos Santos são educadoras da rede de ensino de Rondonópolis.

Fonte: A Tribuna

Mercado cultural se anima com obras de Monteiro Lobato em domínio público

Lucas Buzatti

Ilustrações de Fendy Silva para a coleção lançada pela editora Ciranda Cultural, trazendo personagens icônicos do Sítio do Picapau Amarelo e, inclusive, o próprio Monteiro Lobato

Ilustrações de Fendy Silva para a coleção lançada pela editora Ciranda Cultural, trazendo personagens icônicos do Sítio do Picapau Amarelo e, inclusive, o próprio Monteiro Lobato

“Marmelada de banana, bananada de goiaba, goiabada de marmelo”. A continuação da música de Gilberto Gil desemboca no título da obra mais icônica de Monteiro Lobato. Incrustada no imaginário coletivo do brasileiro, “Sítio do Picapau Amarelo” entrou em domínio público neste mês, tornando livre a edição de textos da obra. Isso significa, também, que desenhos, espetáculos teatrais e musicais sobre a trama podem ser produzidos sem pagamento de direitos autorais – notícia que empolgou o mercado cultural, que já vislumbra novos lançamentos editoriais e audiovisuais.

Escrito entre 1920 e 1947, “Sítio do Picapau Amarelo” compreende 23 volumes que reúnem histórias de estímulo ao universo imaginativo infantil. No sítio, Dona Benta, uma amável senhora de 70 anos, vive com a neta Lúcia, de apelido Narizinho, e a Tia Nastácia, empregada da casa. Junto aos residentes, misturam-se personagens que transitam entre o real e o imaginário, tal como a boneca de pano Emília, o Visconde de Sabugosa e a assustadora Cuca. Primo de Narizinho, Pedrinho também volta e meia sai da cidade para passar as férias no sítio.

Monteiro Lobato

O livro é o abre-alas da vasta produção literária infantojuvenil de Monteiro Lobato, cuja morte completou 70 anos em 2018. Natural de Taubaté (SP), o escritor faleceu em 4 de julho de 1948, aos 66 anos, vítima de um espasmo cerebral. Também jornalista, editor e empresário, Lobato é considerado até hoje um dos grandes nomes da literatura brasileira.

Produções

Entre as novas publicações motivadas pela inclusão do clássico de Lobato em domínio público estão os livros da série “A Turma do Sítio do Picapau Amarelo”. Tratam-se de oito volumes lançados até agora, pela editora Ciranda Cultural, cada um dedicado a uma história ou personagem do sítio. Os livros trazem ilustrações inéditas do paulistano Fendy Silva, que também é educador especializado em educação infantil.

“As histórias contam o que os personagens aprontam dentro e fora do Sítio do Picapau Amarelo, um lugar onde acontece de tudo, desde visitas de anjos e personagens de contos de fadas a conversas entre animais falantes”, explica o ilustrador. “Eles também viajam para lugares incríveis, como o País da Gramática e o País das Fábulas, onde aprendem muitas coisas”, completa.

Silva destaca que a ideia de ilustrar as obras partiu da importância do legado do escritor de Taubaté. “Lobato tinha uma habilidade incrível de contar histórias de uma forma tão empolgante e ao mesmo tempo ensinar cultura. É leitura obrigatória para toda criança brasileira. O que se aprende lendo os livros de Lobato equivaleria a muitos anos de currículo escolar”, defende, revelando que a ideia é lançar novos volumes.

Sítio do Picapau Amarelo

Para o ilustrador – que tem na “ousada e exótica” Emília sua personagem favorita – o rico universo de Lobato ainda é uma importante ferramenta de imaginativa, mesmo em tempos repletos de opções virtuais de divertimento.

“Acredito que a cultura de uma pessoa e até de uma nação se dê, também, graças a bons hábitos de leitura. Portanto, penso que seja uma questão de exposição à cultura e de desenvolvimento do hábito e do gosto pela leitura. Uma reeducação”, finaliza.

Fonte: Jornal Hoje em Dia

Quando se conta um conto e se retira um ponto

ILUSTRAÇÃO HELDER OLIVEIRA

Linguagem “politicamente incorreta” de provérbios, contos ou canções deve ser discutida, mas não apagada

RAQUEL ALBUQUERQUE

Há já algumas décadas que a história da Carochinha é contada pela metade: o fim verdadeiro na versão original incluía pássaros sem olhos e sem penas perante o desgosto da protagonista. Mas isso foi ‘apagado’. Nos últimos anos, outras histórias infantis, como o Capuchinho Vermelho ou Hansel e Gretel, têm sido adaptadas para retirar situações consideradas violentas. Mas, defendem os especialistas, mais do que reescrever as histórias quando se tornam desadequadas ou politicamente incorretas, importa parar para as discutir.

“A língua não muda à mesma velocidade que a sociedade. Transformar os contos tradicionais não faz sentido. E não acho que, numa lógica de cidadania, um provérbio ou outro tipo de expressão possa ser mudado por decisão. Pode é acabar por cair em desuso”, defende Antónia Coutinho, linguista e professora na Universidade Nova de Lisboa (UNL). Expressões como ‘entre marido e mulher não se mete a colher’, ‘com um olho no burro, outro no cigano’ ou ‘mulher honrada não tem ouvidos’ são outros exemplos. Passam de geração em geração, arrastando os costumes e perceções das suas épocas, mas também a violência, desigualdade social e discriminação racial então aceites.

“Parar para pensar no que dizemos agudiza a nossa sensibilidade e faz-nos deixar de usar a língua de forma mecânica. Passamos a questionar o que já está enraizado e que é necessário desnaturalizar”, explica a investigadora do Centro de Linguística da UNL. Foi também esse o princípio de base defendido pela PETA, uma organização não-governamental de defesa dos animais, que lançou na semana passada, nos Estados Unidos, uma campanha sugerindo alternativas a provérbios antianimal. Também o PAN tem usado as redes sociais para sugerir alternativas a expressões de violência contra os animais, defendendo a importância de a linguagem acompanhar a sociedade.

ACABAR COM O MEDO

Nas novas versões “politicamente corretas” dos livros infantis, como o Capuchinho Vermelho, o lobo deixa de comer a avó. Já a história dos irmãos Hansel e Gretel, que quase acabam comidos por uma bruxa depois de se perderem na floresta, foi sendo aligeirada desde o século XIX quando foi registada e publicada pelos irmãos Grimm.

O antropólogo Paulo Jorge Correia, um dos maiores especialistas nacionais em literatura de tradição oral, critica o facto de se estar a retirar a sensação de medo destas histórias. “As crianças gostam desse lado dos contos”, defende. “Mas hoje também têm menos tempo para ouvir histórias, porque socializam mais cedo e deixam o casulo familiar. Pior do que isso são os pedagogos que defendem que o medo e a violência devem ser cortados por fazerem mal aos mais novos. Essa ideia entrou no mercado do livro e as histórias têm sido adaptadas ao ‘delicodoce’.”

O risco é criar uma “sociedade assética”, defende o investigador. “Esse mundo considerado violento, e desadequado à realidade atual, está a ser rejeitado e higienizado. Se tivermos uma sociedade totalmente assética, as crianças pensam que não existe mal no mundo. E acho que isso está a acontecer”, diz. “Deve haver liberdade para perceber o mundo como ele realmente é. E os contos trazem algo único: a natureza humana, por mais chocante que ela possa ser.”

A violência doméstica e a misoginia, ou seja, o desprezo e preconceito contra as mulheres, estão presentes em muitos contos. “São um retrato de uma civilização rural onde a ordem social consistia em ter o homem acima da mulher e apenas Deus acima do homem”, afirma Paulo Jorge Correia, acrescentando que os contos se resumem à luta entre “velhos e novos, homens e mulheres, ricos e pobres”.

Também nas cantigas infantis a banalização da violência do homem sobre a mulher está presente. E algumas têm sido alvo de alterações (ver caixa). Para José Barata-Moura, ex-reitor da Universidade de Lisboa e também autor de célebres canções infantis, “a cultura está sempre presente em qualquer cantiga infantil”, podendo apenas ser diferente no ângulo, género, linguagem ou expressão do imaginário. “No meu entendimento, uma cantiga não é um objeto de consumo imediato para entreter, é uma ocasião de conversa e de aprofundar o diálogo entre os mais velhos e os mais novos.” Ainda que admita que a produção infantil foi durante muito tempo “menor e feita rapidamente para ser consumida no Natal”, o filósofo e cantor considera que “arranjar alternativas às cantigas é uma forma pobre de lidar com um problema real”.

O PAPEL DA ESCOLA

Se estes provérbios, contos, histórias e cantigas realmente expressam formas de discriminação racial ou violência doméstica, devem ser ensinados nas escolas? “É claro que não devem ser postas nos manuais, mas não podem ser silenciados nas escolas, devem ser discutidas. É papel da escola pegar nessas formas de dizer as coisas e desconstruir os seus significados”, diz José Pacheco, presidente do Instituto de Educação da Universidade do Minho.

O antropólogo Paulo Jorge Correia concorda. “Há o risco de esta literatura oral perpetuar esses arquétipos”, sejam eles raciais ou sexistas. Admitindo que numa fase inicial e estrutural da educação de uma criança, as formas de expressão mais discriminatórias ou violentas possam ser omitidas, o professor da Universidade do Algarve defende, no entanto, que esta literatura não deixe de ser publicada tal e qual como é. “Até mesmo para que estes cidadãos, quando estiverem formados, tenham acesso a esta tradição oral e a conheçam.”

Para a linguista e professora da UNL, o “mais urgente” é discutir o assunto e sensibilizar a população. “A escola tem de ter essa função mas a responsabilidade recai sobre os professores, as editoras responsáveis pelos manuais escolares, os revisores de texto, os pais e a comunicação social. Tenho sérias dúvidas de que a solução seja limpar ou apagar a história e a cultura.” O mesmo defende José Barata-Moura. “A solução não é impingir uma moralidade exterior, que se repete mecanicamente, mas antes apostar no diálogo. Embora seja muito mais fácil despejar uma mensagem moralista e irmos dormir descansados.”

Fonte: Expresso

Torneio de Literatura Fantástica lota auditório da Biblioteca Nelson Foot

Monteiro Lobato para o século XXI

Ao cair em domínio público, os livros do Sítio do Picapau Amarelo incentivam grandes autores infantis brasileiros a recontar as histórias de Narizinho e Emília com uma linguagem politicamente correta

ENCONTRO Monteiro Lobato, seus personagens e Mauricio de Sousa: versão modernizada

Texto por Luisa Purchio

Os grandes clássicos da literatura são atemporais. Com o passar dos anos, o público leitor continua sedento da genialidade de seus autores, que souberam como ninguém traduzir emoções resistentes ao tempo. Com Monteiro Lobato (1882-1948), não é diferente. O pai de Narizinho, Emília, Dona Benta e Tia Nastácia nunca deixou de fazer parte da infância dos brasileiros, mesmo que autores contemporâneos tenham tomado um pouco do seu espaço. Agora, quase cem anos após a publicação de seu primeiro livro, suas criações ressurgirão. A razão da guinada é que elas caíram em domínio público. A lei brasileira determina que as obras perdem proteções de Direitos Autorais após 70 anos contados do 1º de janeiro subsequente ao falecimento do autor. Como Lobato morreu em 1948, seus livros estão liberados em 2019. Na prática, isso significa que, para lançá-los, não é mais preciso pagar por direitos autorais ou pedir autorização aos herdeiros para realizar adaptações.

Para ganhar novos leitores e lucrar com vendas de exemplares, diversas editoras estão preparando adaptações — uma rotina no mercado editorial, a exemplo do que ocorreu com “O Pequeno Príncipe” em 2015. Em relação a Lobato, lançamentos de livros e até a produção de um filme estão previstos para este ano. É o caso da Girassol Brasil Edições, que lançará o livro “Turma da Mônica — Narizinho Arrebitado”, assinado, ao lado de Lobato, por Mauricio de Sousa, outro criador consagrado de histórias infantis. Na nova versão da obra, os personagens do Sítio do Picapau Amarelo ganham novas ilustrações: Narizinho tem desenho de Magali, Emília de Mônica e Pedrinho de Cebolinha. No início, Mauricio, de 83 anos, relutou em colocar o seu nome ao lado do de Lobato, de quem é fã desde criança. “Eu morava em Mogi das Cruzes, ainda uma cidade pequena do interior, e me encantei com o jeito caboclo dele descrever uma fazenda e seus habitantes”, diz à ISTOÉ. “Isso tudo estimula quem quer ser escritor ou desenhista como eu. As ilustrações dos livros de Lobato, obra de diversos grandes artistas, foram inspiradoras. O desenhista Belmonte era meu preferido.”

Escritor nos períodos pré-modernista e modernista, Lobato revolucionou a literatura infantil. Além de traduzir para o papel a imaginação de uma criança, ele lançou ideias à frente de seu tempo, como o protagonismo feminino de Narizinho e Emília. Mas nem tudo são flores em sua obra. Lobato é bastante controverso, principalmente pelas manifestações racistas nas histórias. A principal vítima é Tia Nastácia, cozinheira que trabalha para Dona Benta e que confeccionou os bonecos vivos Emília e Visconde. Para relançar as obras de Lobato no século XXI, muitos optaram por adaptar esses trechos à etiqueta do politicamente correto. No livro de Mauricio, em vez de dona Benta ser descrita como “velha”, é chamada de “senhora”, e partes como “negra beiçuda” foram suprimidas. “A obra de Lobato não é em sua essência racista, por isso foi possível suavizar algumas expressões sem mudar radicalmente o texto”, diz Regina Zilberman, uma das maiores especialistas em Lobato, responsável pela adaptação. “Hoje em dia, temos mais cuidado com as palavras, e isso é muito bom. É só uma questão de afinar a linguagem para não criar situações embaraçosas na escola.”

O escritor Pedro Bandeira, que também compõe a lista dos maiores autores infantojuvenis, concorda com Zilberman. Ele está preparando o livro “Narizinho, a menina mais querida do Brasil”, da editora Moderna, uma adaptação do original “Reinações de Narizinho”, de 1931. “Eu não gosto de palavras como negra beiçuda, nem macaca de carvão. Se alguém quiser dizer, que o diga, mas não virá de minha autoria”, diz. Por outro lado, Bandeira diz ser contra os excessos do politicamente correto. “Outro dia eu vi o nome ‘Branca de Neve e os sete amiguinhos portadores de nanismo’. Anão é anão, não é um xingamento. Se tivermos de falar ‘o portador de nanismo’, o mundo acabou”, diz ele. Assim como outros fãs, parece difícil para Bandeira reconhecer o racismo de Lobato, mas ele não o nega. “As suas cartas e crônicas demonstram que ele era eugenista, mas em um tempo em que todo mundo acreditava na superioridade das raças. O Lobato sabia mudar de ideia. Se tivesse vivido mais, certamente teria mudado”, diz.

PERDAS E GANHOS

Há quem defenda, no entanto, a leitura dos textos originais às crianças. É o caso de Camila Werner, que entre 2015 e 2018 foi responsável pelo selo Globinho, que edita os textos integrais de Lobato. “A literatura não está para fazer lição de moral, ela está para refletir o mundo e a gente pensar sobre ele”, diz ela. Para isso, seriam necessários mediadores que expliquem o contexto histórico em que foram escritos. “Em um país com tantos problemas na educação, será que os pais e professores vão saber conversar sobre isso?”, diz ela. No livro “A condenação de Emília: o politicamente correto na literatura infantil”, fruto de uma tese de doutorado na USP, o professor e escritor Ilan Brenman defende que esconder conflitos não é saudável para as crianças, pois elas passariam a desconhecer o mundo como ele é. Ele acredita que os livros são uma oportunidade de os pequenos conhecerem e enfrentarem seus monstros interiores, no que chama de escoamento literário. “Eu nunca vi pessoas falando que leram Lobato e se tornaram racistas ou antiecologistas. Se você tem vontade de matar uma onça e a matou no livro, a fantasia cumpriu a sua função”, diz Brenman. Ele ressalva, no entanto, que algumas adaptações não são um problema, desde que a alma da obra esteja contemplada. “O complicado é ir limpando e não sobrar nada. O politicamente correto às vezes se equivale a regimes ditatoriais, que apagam a história.”

Se, de um lado, o domínio público permite às editoras publicar sem custos autorais as obras de Lobato, de outro pode criar uma armadilha. O governo não compra livros nessas condições e assim as empresas perdem um relevante mercado. As adaptações surgem então como uma forma de vender, já que, com novos autores, surgem novos livros. No ano passado, porém, nem o Lobato adaptado — que não havia sido lançado —, nem o original — que estava para cair em domínio público —, puderam ser inscritos no Plano Nacional do Livro Didático 2019 e 2020, cujos editais selecionam os livros das escolas públicas. “Quem ganha com o domínio público de Lobato é a sociedade brasileira”, diz Pedro Bandeira. Os textos originais estão disponíveis gratuitamente em sua integridade para que o público possa conhecer a literatura da época e fazer os seus próprios juízos de valor.

Turma da Mônica – Narizinho Arrebitado

Autor: Monteiro Lobato

Apresentação na orelha: José Vicente – Reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares

64 páginas

Girassol Brasil Edições

Fonte: IstoÉ

Técnicas em biblioteconomia promovem escritoras negras

Dentro e fora das bibliotecas públicas, ex-alunas da Etec Parque da Juventude usam a formação para combater o racismo por meio da literatura

Texto por Portal do Governo

Uma constatação de alunas da Escola Técnica Estadual (Etec) Parque da Juventude, na capital, durante a produção do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), deu origem ao projeto Mulheres Negras na Biblioteca.

Em 2016, Ana Carine Souza, Iara Moraes, Lais Hellen Santos e Andreza de Lourdes Lima Rocha cursavam o técnico de Biblioteconomia quando perceberam que a biblioteca da unidade carecia de obras de escritoras negras, tema do TCC delas.

Na época, elas pediram doações e receberam cerca de 20 livros, que foram divulgados para os alunos e tiveram excelente retorno. A iniciativa segue até hoje com o objetivo de combater o racismo.

As estudantes perceberam que o mesmo problema se repetia em outras bibliotecas públicas da cidade e resolveram expandir sua atuação. O fim do TCC levou a iniciativa para outros espaços da zona Norte, onde além do incentivo ao aprimoramento do acervo, foram realizadas atividades como bate-papos com escritoras e um sarau de poesia.

O grupo acabou virando um coletivo, que segue com o trabalho. Além de Ana Carine e Iara, a bibliotecária Ketty Valêncio e a jornalista Juliane Sousa se juntaram às ex-alunas. A atuação delas é feita agora por meio da aprovação de projeto em edital da Prefeitura de São Paulo, que permite levar as atividades para dentro e fora de bibliotecas municipais. As jovens acreditam que seja possível enxergar na profissão um enfoque em produção cultural.

“Hoje com as redes sociais conseguimos ver o alcance que o projeto tem, com o grande aumento da procura por essa literatura”, diz Ana Carine. “A maior parte do público é formada por meninas negras, mas não são elas nosso único alvo. Acreditamos que o propósito vai além da representatividade, para que todos conheçam nossa história sob outra perspectiva, como ferramenta de combate ao racismo.”

Neste ano, estão entre os objetivos do grupo, levar atividades às unidades do Sesc, participar de novos editais e produzir material audiovisual sobre escritoras negras.

Fonte: Portal do Governo

Interatividade e produção sob demanda dão gás à literatura infantil

Gênero teve o maior faturamento do setor de janeiro a setembro do ano passado

Gislene Gambini, dona da livraria especializada em livros para crianças NoveSete – Jardiel Carvalho/Folhapress

Texto por Tatiana Vaz

A literatura infantil no Brasil teve um salto de qualidade estética, visual e narrativa nos últimos anos, segundo especialistas na área. A mudança resultou em prêmios no exterior e em maior interesse do público.

De acordo com um estudo do Sindicato Nacional de Editores de Livros, com base em dados da Nielsen até outubro de 2018, o gênero tem o maior faturamento do setor – 24,01% do total, de janeiro a setembro do ano passado. Comparado ao mesmo período do ano anterior, os preços dos títulos subiram 7,30%.

Aberta em 2007 na zona sul de São Paulo, a llivraria NoveSete conta com um acervo de 15 mil livros infantojuvenis.

A proprietáriam Gislene Gambini, 63, é quem faz a curadoria de tdas as obras, recebidas tanto de grandes editores quanto de autores independentes. “Minha preocupação é vender um produto de qualidade”, diz.

Gislene diz que é difícil fechar a conta. Segundo ela, a NovaSete não indica livros a pedido de editoras e fica com uma margem pequena das vendas. Houve épocas em que teve prejuízo, mas hoje a livraria fecha as contas no azul.

A concorrência no segmento tem crescido nos últimos anos. Clubes de assinatura que entregam obras em casa têm ganhado espaço e alcançado lugares onde não há lojas físicas – apenas 1.527 dos 5.570 municípios brasileiros têm livrarias e 55% delas estão nas regiões Sul e Sudeste.

Um dos primeiros clubes de leitura destinado à primeira infância, A Taba foi idealizado pela pedagoga Denise Guilherme, 41, em 2013.

Ela deu aula para professores antes de trabalhar com curadoria de livros em bibliotecas de instituições públicas e privadas. Decidiu abrir o clube depois de criar um blog com resenhas de livros e detectar o interesse pelo tema.

“Montei um grupo de especialistas em literatura para crianças e, no primeiro ano, lemos centenas de livros para selecionar os melhores. Ter mais concorrentes nos ajuda a divulgar a ideia do clube, mas nosso diferencial é a curadoria”, diz.

A Taba não faz divisões de leitores por idade e sim por experiência. As opções vão de livros para bebês até obras para crianças maiores.

Denise não abre números, mas diz que os assinantes triplicaram no último ano e duplicaram no anterior. O kit de assinaturas chega com um livro selecionado, uma explicação sobre o autor e a obra e mapa de atividades.

“Não fechamos acordo para enviar livros recorrentes de uma única editora, prezamos pela qualidade e diversidade e pretendemos seguir assim”, afirma a empresária.

O mercado parece promissor também para startups, como é o caso da Dentro da História, criada em 2012 por quatro empresários de ramos distintos. Um deles, André Campelo, 34, chegou a criar um divulgador de histórias em vídeo, na época chamado de YouTube dos Livros.

“A ideia não vingou, mas foi a semente para o surgimento da Dentro da História, que agora estamos levando para Europa com a nossa marca internacional, a Playstories”, diz.

Na Dentro da História, pais e filhos podem personalizar uma das 30 narrativas disponíveis na plataforma com personagens licenciados, como os da Turma da Mônica e Show da Luna.

Desde sua criação, a empresa já vendeu mais de 250 mil livros. Hoje conta com 30 funcionários e um faturamento de R$ 12 milhões. Os custos só são gerados a partir do pagamento da impressão dos livros. Os custos só são gerados a partir do pagamento da impressão dos livros.

Com três sócios, Campelo investiu R$ 300 mil na nova empreitada. No Brasil, o conteúdo custa R$ 69,90
mais frete; na Inglaterra e Espanha custará 29 (R$ 124,10).

Enquanto há startups que fazem produção em série de livros, profissionais independentes trabalham em grupo para criar volumes costurados à mão, cheios de dobraduras e feitos de papéis especiais. É o caso da BabaYag, criada em 2016 por profissionais do setor editorial.

As obras mais artesanais são vendidas em feiras independentes. “Essa liberdade de criação acaba por nos ajudar também no nosso trabalho para as editoras”, diz a escritora Carolina Moreyra, 43, sócia-colaboradora da BabaYag.

Fonte: Folha de S.Paulo

A Taba lança guia gratuito com mais de 200 indicações de livros

Em dúvida do que ler com as crianças dentre tantas opções? Baixe gratuitamente o “Guia de indicações literárias” do nosso parceiro A Taba

A Taba

Empresa especializada em curadoria de livros infantis que disponibiliza conteúdos relacionados ao universo da literatura, contrinuindo para a formação do repertório.

Quais critérios levar em consideração na hora de escolher um livro para as crianças? O que ler em cada idade? O que é afinal um livro de qualidade?

Para ajudar mães, pais, professores, mediadores de leitura e demais pessoas que convivem com crianças nessas e outras tantas interrogações, nosso parceiro A Taba criou o Guia de indicações literárias para 2019. A publicação reúne mais de 200 obras direcionadas ao público infantil e infantojuvenil. O material é assinado pela equipe A Taba, formada por profissionais especializados em literatura, educação e mediação de leitura, como a idealizadora Denise Guilherme, mestre em Educação e formadora de professores e consultora na área de projetos de leitura para Fundação Victor Civita e Instituto Natura.

O que ler em cada idade?

Quando o assunto é literatura ou qualquer outra produção artística para crianças, aqui no Lunetas, costumamos dizer que boas histórias agradam pessoas com todas as idades, de zero a cem anos.

Porém, vale sempre observar algumas questões antes de apresentar uma obra a uma criança. Qual a relação dela com a leitura? Há familiaridade com o livro? A leitura é mediada ou a criança já lê por conta própria? E o tema do livro, desperta interesse na criança? Todos esses pontos dão pistas de sua relação com a literatura, e ajudam a selecionar os livros, mais do que somente padrões etários pré-determinados isoladamente.

Assim, somente a idade da criança não determina quais livros ela pode ou quer ler. Além disso, os fatores mencionados acima na hora da seleção podem influenciar na boa experiência da criança ou jovem com o livro, a fim de não sobrecarregá-lo com leituras avançadas para o seu contexto e condição, ou então entediá-la com histórias que ficam aquém do seu desejo por ler e descobrir histórias.

O material está disponível no site d’A Taba em formato pdf, e pode ser baixado gratuitamente. Para contemplar todos que acessarem o material em busca de dicas de como ler com sua criança, o material resolve a questão da classificação etária dos livros em níveis de leitura. As indicações estão divididas por faixa de leitura, conforme já estabelecido pelo serviço de assinatura, que mensalmente envia livros para todo o Brasil. São eles:

O material está disponível no site d’A Taba em formato pdf, e pode ser baixado gratuitamente. Para contemplar todos que acessarem o material em busca de dicas de como ler com sua criança, o material resolve a questão da classificação etária dos livros em níveis de leitura. As indicações estão divididas por faixa de leitura, conforme já estabelecido pelo serviço de assinatura, que mensalmente envia livros para todo o Brasil. São eles:

1. Livros para bebês
Livros ideal para crianças que estão no berçário ou na Educação Infantil.

2. Livros para leitores iniciantes
Livros para crianças que estão na Educação Infantil e também para aquelas que estão nos primeiros anos do Ensino Fundamental.

3. Livros para leitores autônomos
Livros para crianças que estão no terceiro e quarto ano do Ensino Fundamental

4. Livros para leitores experientes
Livros para crianças que estão no quarto e quinto ano do Ensino Fundamental.

“Todos os anos, gestores, coordenadores e professores têm o desafio de escolher as melhores obras disponíveis para realizar o trabalho com a leitura literária na escola. Uma tarefa difícil já que o acesso a bibliotecas e livrarias não é tão simples e, muitas vezes, educadores não possuem tempo e nem se sentem seguros para escolher, dentre os tantos livros disponíveis, quais os melhores para o trabalho com a leitura”, diz a apresentação do material.

“Você vai encontrar livros de diferentes editoras, autores, ilustradores, projetos gráficos, gêneros e temáticas, que irão contribuir para a ampliação de repertório”, diz o texto do guia

Cada livro indicado vem acompanhado de uma pequena resenha assinada pela A Taba. Dentre eles, estão clássicos que atravessam gerações encantando os leitores, como “Peter Pan“, de J.M. Barrie (aqui apresentado na edição da Pequena Zahar), contemporâneos e lançamentos, como “Olavo“, de Odilon Moraes (Jujuba Editora, 2018), “Dois meninos de Kakuma“, de Marie Ange Bordas (Pulo do Gato, 2018) e “Monstros“, de Alice Hoogstad (Amelí, 2018), além de livros nacionais que fazem parte de memória da literatura infantojuvenil brasileira, como “Corda Bamba“, de Lygia Bojunga.

Conheça o Guia de indicações literárias da A Taba.

*A ilustração em destaque nesta matéria faz parte do livro “Eloísa e os bichos“, de Jairo Buitrago e Rafael Yockteng (Pulo do Gato, 2013).

Fonte: Lunetas

Edgar Allan Poe: 210 anos depois, grandioso como nunca

POR OSCAR NESTAREZ*

RETRATO DE EDGAR ALLAN POE (FOTO: WIKIMEDIA COMMONS)
Em 19 de janeiro de 2019, Edgar Allan Poe completaria 210 anos de vida. Mais de dois séculos após seu nascimento em Boston (EUA), ele permanece como um dos maiores autores da literatura ocidental. O que explica esta grandiosidade? O que justifica o interesse de gerações e gerações pela sua figura, pelo seu legado? Qual é a origem do fascínio que títulos como O Corvo, O Gato PretoA Queda da Casa de Usher, O Barril de Amontillado e inúmeros outros continuam a exercer em nós, tanto tempo depois?

Hoje existem, pelo mundo, milhares de pesquisadores em busca dessas respostas. E vêm de áreas que não se restringem às letras: da filosofia, da psicologia, da história e da antropologia, entre outras. Talvez aí encontremos uma possível chave para entendermos o feitiço Poe: o fato de sua obra transcender a ficção literária, em muitas esferas.

Seus contos e poemas alcançam os recessos e os mistérios da alma humana — mas sempre com os dedos da escuridão, é verdade. Afinal, para muitos (o signatário desta coluna entre eles), trata-se do fundador, ou do “consolidador” das narrativas de horror e de mistério como as conhecemos hoje.

Retrato inquietante
Outro fator que contribui para o sucesso de Poe é a sua figura. O olhar provocador, os cabelos desalinhados, os lábios cinicamente desenhados: antes mesmo dos textos, o próprio retrato do autor já causa estranhamento. É impossível não nos inquietarmos diante de sua expressão ora enigmática, ora melancólica, mas prestes a sair da moldura para nos fustigar, assustar, desestabilizar. É o retrato de um rosto esculpido pela genialidade, mas também vincado pelo desequilíbrio, pelo álcool e por uma incontrolável tendência à autodestruição.

Pois, quanto à vida de Poe, também ela é uma duradoura fonte de interesse e comoção. Foi uma vida algo breve e trágica, que começou naquele janeiro de 1809 e se encerrou misteriosamente em outubro de 1849, em Baltimore.

Hoje, é conhecida a trajetória de Poe rumo à ruína. Alguns biógrafos atribuem-na ao contato precoce com a morte — antes de completar três anos, ele perde a mãe, Elizabeth Arnold. O pai, David Poe, desaparece sem dar notícias. Mas devemos considerar também o temperamento combativo do autor, que sempre lhe custou caro: primeiro, a ruptura com o pai adotivo (o que o impediu de herdar sua significativa fortuna); depois, o “convite para se retirar” da Universidade de Charlottesville; por fim, os confrontos com chefes, que resultaram em seguidas demissões.

Dividindo águas
Mesmo assim, em meio ao caos exterior e interior, Poe conseguiu atingir o sublime. Desde 1827, quando publica seu primeiro livro — Tamerlão e Outros Poemas — até quase que o final da vida, ele jamais deixou de escrever. Contra tudo (e muitas vezes contra todos), legou-nos uma obra que praticamente dividiu as águas da literatura — as escuras das claras.

Hoje, a sombra de Poe alcança muito além dos livros. Trata-se de uma influência cuja origem é complexa — um território em que biografia e obra se confundem para aproximar o homem do mito. Seja como for, 210 anos após seu nascimento, nós o encontramos por todos os lados: ele está entre os escritores mais adaptados da história do cinema, roteiristas vivem recorrendo à sua ficção para criar séries, seus contos e poemas são frequentemente levados aos palcos do teatro, game designers têm transformado suas histórias em jogos, e por aí vai.

EDGAR ALLEN POE (FOTO: WIKIMEDIA COMMONS)

HQs celebram o mestre
Os quadrinhos também estão sob essa sombra. Aqui mesmo, no Brasil, temos dois exemplos recentes de como Poe influencia a nona arte. O primeiro é a coletânea Delirium Tremens, publicada pela editora Draco para marcar a efeméride de janeiro de 2019. A HQ traz oito histórias livremente inspiradas no universo poeano.

Algumas narrativas acenam sutilmente para os elementos ficcionais/biográficos de Poe. É o caso de “In articulo mortis”, criada a partir do interesse do autor pelas novidades de sua época—- notadamente, a hipnose, que o encantou e o levou a escrever “Os fatos no caso do sr. Valdemar”. O mesmo acontece com “Butim”, que explora o maior medo de Poe: ser enterrado vivo; e de “Murder”, que envolve a mística de O Corvo com as brumas da ficção científica e da conspiração.

A trágica biografia do autor de O Corvo também é o objeto de A Vida e os Amores de Edgar Allan Poe, publicada pela editora do Sebo Clepsidra. A HQ tem roteiro de R.F. Lucchetti, o papa das narrativas pulps brasileiras, e arte de Eduardo Schloesser. Ambas serão lançadas no Festival Edgar Allan Poe, evento comemorativo com palestras, leituras dramáticas e exibição de filmes que acontecerá no dia 19 em São Paulo (este link tem mais informações).

TÚMULO DE EDGAR ALLAN POE (FOTO: WIKIMEDIA COMMONS)

Poe, personagem
Por tudo isso e muito mais, Edgar Allan Poe continua vivo — e lido. Continuam enfeitiçando-nos os movimentos de sua escrita e de seu atormentado espírito; os rodopios de uma alma insatisfeita.

Criando com a própria vida, ele acabou por tornar-se o grande personagem de si mesmo. Antes de Roderick Usher, de Arthur Gordon Pym ou de William e Wilson, foi Poe, e ninguém mais, a vítima de neuroses transmutadas em atrocidades, o acossado pelas sombras, o perseguido e o perseguidor, o obcecado por aquilo que oculta o espesso véu do cotidiano.

Melhor para nós que, em meio a tanto tumulto, Poe ainda encontrasse lucidez para empunhar a pena. E para imprimir, no papel, a marca perene do gênio, que mais de dois séculos não foram capazes de apagar.

*Oscar Nestarez é ficcionista de horror e mestre em literatura e crítica literária. Publicou Poe e Lovecraft: Um Ensaio Sobre o Medo na Literatura (2013, Livrus) e as antologias Sexorcista e Outros Relatos Insólitos (2014, Livrus) e Horror Adentro (2016, Kazuá).

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Fonte: GALILEU

HQ que conta história de Carolina de Jesus ganha prêmio internacional

 A graphic novel conta a infância pobre da escritora, sua vida sofrida, fama e seu esquecimento

Por: Isabela Alves

Carolina Maria de Jesus foi uma escritora brasileira que se tornou um fenômeno literário na década de 60, com auxílio do jornalista Audálio Dantas. Seu livro de estreia, Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, ficou no topo da lista de mais vendidos e foi publicado em mais 13 países.

O que mais chama a atenção na história da escritora negra, pobre e favelada é que ela reunia características que até hoje fazem milhões de mulheres serem discriminadas e excluídas socialmente.

Carolina começou a estudar aos sete anos, mas interrompeu o curso no segundo ano. Apesar do pouco tempo na escola, ela conseguiu aprender a ler e a escrever e ainda desenvolveu o gosto pela leitura. Tempos depois, tornou-se mãe de três filhos e os sustentou sozinha trabalhando como catadora.

Apesar de ser considerada uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil, sua literatura marginal passou desconhecida na academia. Como uma maneira de resgatar a história da escritora, João Pinheiro e Sirlene Barbosa criaram uma história em quadrinhos (HQ) chamada ‘Carolina’, que retrata a infância pobre dela em Minas Gerais, a vida sofrida em São Paulo, a fama, as ilusões, as decepções e o seu declínio.

A graphic novel, que possui 128 páginas, venceu o prêmio especial do Festival de Quadrinhos de Angoulême, o mais importante do mundo do gênero. A cerimônia de entrega ocorrerá no dia 24 de janeiro, na França. Os interessados podem encontrar a obra na Amazon.

Fonte: 

Obra de Monteiro Lobato cai em domínio público, sem o pagamento de direitos autorais

Especialistas comemoram a democratização deste legado

Texto por Ana Clara Brant 
(foto: Kleber Sales/CB/D.A Press )

Desde 1º de janeiro, a obra de Monteiro Lobato (1882-1948), considerado o pai da literatura infantil no Brasil, caiu em domínio público. Isso significa que direitos autorais sobre seus livros e artigos não são mais protegidos. Está dispensada a autorização para utilizá-los. A proteção aos direitos autorais perdura por 70 anos, desde o primeiro dia do ano seguinte ao da morte do autor. Na prática, qualquer editora poderá publicar as histórias de Lobato – tanto reedições quanto adaptações que remetem a ele e a seus personagens.

“Não deixa de ser uma forma de democratizar, tornando o autor mais acessível. No Brasil, têm ocorrido muitos problemas com a administração de direitos por conta de herdeiros. Um aspecto interessante é que como Lobato era uma figura muito rica e complexa, (a liberação) permite a divulgação de perfil mais amplo de sua obra, principalmente por meio da disponibilização de arquivos pessoais, como cartas”, afirma Maria Cristina Soares, professora titular da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (Fale/UFMG).

Com a novidade, vários lançamentos estão previstos para este ano. A Globo Livros, que detinha desde 2007 os direitos exclusivos sobre a obra do criador de Pedrinho, Dona Benta e Tia Nastácia, deve colocar no mercado edições especiais de A chave do tamanho e O Picapau Amarelo. Em fevereiro, a Companhia das Letras lança nova edição de Reinações de Narizinho, além da biografia juvenil de Monteiro Lobato preparada por Marisa Lajolo, especialista na obra do autor, em parceria com a historiadora Lilia Schwarcz.

Pedro Bandeira, outro grande nome de nossa literatura infantil, está adaptando obras de Lobato para as crianças do século 21. Narizinho, a menina mais querida do Brasil será publicado em breve pela Editora Moderna.

A jornalista e escritora mineira Marcia Camargos, biógrafa do escritor e coautora de Monteiro Lobato: Furacão na Botocúndia (Edições Senac), vai lançar uma versão para o público jovem do livro de contos Urupês, que completou 100 anos em 2018 e tornou famoso o personagem Jeca Tatu.

EXPOSIÇÃO Na quarta-feira (16), a Biblioteca Nacional, com sede no Rio de Janeiro, abrirá exposição dedicada a Lobato. O público poderá ver exemplares de primeiras edições de livros dele, cartas trocadas com Lima Barreto, de quem foi editor e amigo, e vários manuscritos.

A instituição guarda cerca de 1 mil itens relativos ao escritor paulista, entre livros, manuscritos e cartas. “Nosso acervo sempre esteve disponível para a consulta do público. Uma parte dele, inclusive, está acessível digitalmente no nosso site. Agora, com o domínio público, haverá maior interesse das pessoas e das próprias editoras e autores sobre o legado dele, sem contar que aumenta a divulgação. Isso é importantíssimo”, destaca Ana Merege, curadora da Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional.

EDITOR José Bento Monteiro Lobato nasceu em Taubaté, interior de São Paulo, em 18 de abril de 1882. Formou-se em direito na Faculdade do Largo São Francisco, na capital paulista, mas abandonou a profissão. Foi escritor, jornalista, tradutor, editor, empresário e fazendeiro. Fundou sua própria editora, publicando dezenas de livros para adultos e crianças.

Em 1920, Lobato lançou seu primeiro livro infantil, A menina do narizinho arrebitado, com grande sucesso. A partir daí, surgiram as histórias do Sítio do Picapau Amarelo, com aventuras bem brasileiras, recuperando costumes do interior, além de lendas do folclore como o saci. O autor usou também elementos da literatura universal, da mitologia grega, dos quadrinhos e do cinema. Além de tudo isso, tornou-se pioneiro da literatura paradidática.

Essa personalidade multifacetada é um dos aspectos que mais chamam a atenção da biógrafa Marcia Camargos. “Ele se envolveu em quase todos os setores da vida nacional. Da culinária ao movimento sem-terra, passando pelo petróleo, automóvel e até espiritismo, quando perdeu seus filhos. Depois da biografia (parceria dela com Carmen Lúcia de Azevedo e Vladimir Sacchetta), passamos a escrever artigos sobre os mais variados assuntos”, comenta.

MODERNO A professora Maria Cristina Soares ressalta a faceta do paulista não só como autor, sobretudo de livros infantis, mas como editor. Em parceria com Eliane Marta Teixeira Lopes, ela organizou a coletânea Lendo e escrevendo Lobato, que reúne textos de vários especialistas.

“Em parte, ele foi responsável pela modernização do mercado editorial brasileiro. Há um episódio muito curioso. A gente mal tinha livrarias naquela época. Certa vez, ele escreveu uma carta para todos os estabelecimentos comerciais do Brasil, com exceção dos açougues, oferecendo, de maneira irônica, um objeto chamado livro”, conta.

Sem dúvida, a faceta mais difundida de Lobato é sua importância para a literatura infantil. Marcia Camargos afirma não ter dúvida de que ele é o Hans Christian Andersen do Brasil. Esse dinamarquês escreveu os clássicos A pequena sereia e O patinho feio.

Monteiro Lobato se dedicou às crianças por não encontrar livros com temática brasileira para ler para os filhos. “Ele já escrevia para adultos e percebeu que as historinhas infantis não tinham nada a ver conosco. Lobato foi – e ainda é – um autor popular que defendia a literatura como instrumento da transformação da realidade, da formação de cidadãos. Uma literatura acessível ao grande público”, enfatiza.

Maria Cristina Soares destaca que esse autor revolucionário jamais infantilizou as crianças. “Ele trata da complexidade do pensamento delas, mas lidando com imaginação. Sua obra tem uma qualidade e uma relevância literária impressionantes. Sem contar a perspectiva didática interessante, pois aborda temas como mitologia e ciências. Até hoje Monteiro Lobato é lido, pois é atemporal, sem contar que sua obra ganhou outras leituras que ajudaram a disseminá-lo, como a própria televisão”, conclui.

PIONEIRO E POLÊMICO 

Símbolo do nacionalismo no país, Monteiro Lobato foi um dos líderes da campanha O Petróleo é Nosso (foto: Arquivo EM/D.A Press)

Monteiro Lobato é alvo de polêmicas que voltarão à cena agora, quando sua obra cai em domínio público. Em 2010, um de seus livros mais importantes, Caçadas de Pedrinho (1933), foi acusado de “teor racista” pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), que recomendou ao governo não distribuí-lo a escolas públicas. Posteriormente, a relatora do caso voltou atrás e decidiu que cada professor deveria dar explicações aos alunos sobre o preconceito presente no livro.

A discriminação estaria presente no tratamento conferido à personagem Tia Nastácia e a animais como o macaco e o urubu, entre outras passagens. Uma das frases escritas por Lobato é: “Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão”.

“Monteiro Lobato é um autor que não só reflete uma visão que muitos consideram racista, mas também tinha traços de uma desqualificação do negro mais significativa do que outros escritores. Sem dúvida, ele se alinha com uma perspectiva racial muito complicada”, observa Maria Cristina Soares, organizadora da coletânea Lendo e escrevendo Lobato.

Há pouco tempo, lembra a professora, comentou-se a ligação do criador de Emília, Tia Nastácia e Narizinho com a Ku Klux Klan, organização racista norte-americana. A revista Bravo! chegou a publicar cartas inéditas do escritor paulista se referindo a isso. “Um dia se fará justiça ao Ku Klux Klan; tivéssemos uma defesa dessa ordem, que mantém o negro no seu lugar, e estaríamos livres da peste da imprensa carioca – mulatinho fazendo o jogo do galego, e sempre demolidor porque a mestiçagem do negro destrói a capacidade construtiva”, escreveu Lobato, em 1938.

No entanto, a professora Maria Cristina Soares chama a atenção para o contexto em que Monteiro Lobato se formou. Nascido em 1882, seis anos antes da abolição da escravatura, e fazendeiro (recebeu terras como herança do avô), ele era uma homem de seu tempo, apesar de considerado visionário.

“Lobato nasceu no século 19, mas tinha pensamentos do século 19 e do século 20. Essa polêmica (do racismo) foi importante para trazer o outro lado dele, mas temos que entendê-lo em toda a sua complexidade. Ninguém nega que Lobato comungava desses ideários segregadores. Porém, não dá para desqualificar sua literatura por conta disso. Temos de situar o leitor naquele contexto em que o negro tinha um outro valor, infelizmente. Deve-se entender aquele momento histórico”, pondera a professora da Universidade Federal de Minas Gerais.

Zilka Salaberry (dona Benta), Jacira Sampaio (Tia Nastácia), Dirce Migliaccio (Emília) e André Valli (Visconde de Sabugosa) em Sítio do Picapau Amarelo, sucesso da Rede Globo nos anos 1970 (foto: Globo/Reprodução )

REFLEXO 

A biógrafa Marcia Camargos não vê Lobato propriamente como racista, mas como um reflexo das ideias da época em que viveu. A jornalista reconhece, porém, que o escritor era defensor da eugenia. Essa teoria defende o aprimoramento da raça humana por meio da seleção de características hereditárias e genéticas consideradas “superiores” que seriam próprias dos brancos, por exemplo, em detrimento de negros e asiáticos.

“Ele se entusiasmou com isso, tinha tais arroubos porque queria achar soluções para o país, acreditando que a miscigenação era um fator prejudicial na formação do povo brasileiro. Ele namorou todas essas teorias, mas depois caiu em si”, garante Marcia Camargos.

De acordo com a especialista, a prova de que Lobato não desprezava os negros está no fato de ter escrito Negrinha (1920), eleito um dos 100 melhores contos brasileiros do século 20. O texto (veja trecho nesta página) retrata a coisificação e a animalização de uma órfã de 4 anos.

“Negrinha é um libelo contra o racismo, contra o espírito escravocrata, contra a hipocrisia da Igreja. Só essa obra anula todas as outras que poderiam ter algum caráter racista. As pessoas devem compreender que Monteiro Lobato tinha a mentalidade da época, embora fosse um homem à frente do seu tempo. Em sua casa ainda havia resquícios da escravidão. Não teria como Tia Nastácia ser a Dona Benta, proprietária de um sítio. Isso não refletia a realidade, pois o negro ainda era tratado como objeto”, afirma a autora de Furacão na Botocúndia.

No entanto, Marcia considera fundamental questionar a obra do escritor paulista. “Entendo que há pessoas que leram e se sentiram incomodadas – e é bom que se sintam assim, justamente para questionar. Monteiro Lobato sempre considerou a criança um ser independente, cujo senso crítico deve ser desenvolvido. Ela não pode ser colocada numa bolha. Principalmente no caso da criança negra, ela tem de questionar mesmo, caso se sinta ofendida. Só assim vai se formar um adulto crítico”, defende a biógrafa de Lobato.

PETRÓLEO 

Monteiro Lobato era ferrenho nacionalista. Em 1936, ele lançou O escândalo do petróleo, defendendo a exploração do combustível apenas por empresas brasileiras. A campanha mobilizou o Brasil a partir de 1947, com o fim da 2ª Guerra Mundial e a derrubada do Estado Novo, ditadura comandada por Getúlio Vargas.

Lobato foi um dos líderes da campanha O Petróleo é Nosso. Defendia que a independência econômica deveria ser complemento da liberdade política decorrente da democracia. De acordo com ele, isso só seria possível com a exploração do combustível pelos brasileiros.

No período em que morou nos Estados Unidos, onde atuou como adido comercial, o escritor tomou conhecimento de conquistas tecnológicas e industriais ligadas à exploração do petróleo e do ferro. De volta ao país, ajudou a implantar a Companhia Petróleos do Brasil. Graças à grande facilidade com que foram subscritas as ações, Monteiro Lobato fundou empresas de perfuração de petróleo, como a Companhia Petróleo Nacional, a Companhia Petrolífera Brasileira e a Companhia de Petróleo Cruzeiro do Sul.

A maior delas, fundada em julho de 1938, era a Companhia Mato-grossense de Petróleo, que buscava o “ouro negro” perto da fronteira com a Bolívia.

“Ele sempre achou que tínhamos condições de ser autossuficientes com relação ao petróleo. Naquela época, nem se imaginava a extração no mar. Vemos em toda a trajetória dele o desejo de que o Brasil fosse um país desenvolvido, com distribuição de renda. Era até uma visão meio positivista. Lobato chegou a bater de frente com várias pessoas, inclusive do governo. Sem dúvida, foi questionador e inquieto, vivia se reinventando. Ele queria o melhor para o país”, conclui a biógrafa Marcia Camargos.

Fonte: Uai

EXPOSIÇÃO CORDEL NA VITRINE

Entre os dias 15 e 26 de janeiro de 2019, das 10:00 às 20:00 horas, acontecerá no Centro Cultural Olido, na Av São João, 473, em frente ao Largo do Paissandu, a Exposição Cordel na Vitrine com a presença de poetas cordelistas.

Todos os dias acontecerá:

Vendas de cordéis;

Bate papo poético;

Exposição e venda de Xilogravura;

Apresentação musicais;

Dia 26 às 18:30 terá o encerramento da exposição, com o Sarau Bodega do Brasil que será Bodega na Vitrine, com microfone aberto para quem chegar.

DIREITO À LITERATURA: UMA NECESSIDADE SOCIAL

Por Coletivo Leitor

Toda literatura é uma forma de expressão da sociedade. As palavras nos conduzem a fazer diversas reflexões, a percorrer por mundos desconhecidos ou pouco explorados e a desenvolver a capacidade de analisar o mundo criticamente. Além disso, a leitura também possibilita uma enorme variedade de ideias e permite inúmeros benefícios para nós, leitores. Nesse sentido, odireito à literatura é uma necessidade social justamente porque colabora para a formação de cada cidadão.

Antonio Cândido, um dos maiores críticos literário do país, afirmava que a Literatura é um direito tão importante que se iguala às necessidades mais básicas de um ser humano. Em uma de suas citações, ele menciona:

[…] “assim como não é possível haver equilíbrio psíquico sem o sonho durante o sono, talvez não haja equilíbrio social sem a literatura. Deste modo, ela é fator indispensável de humanização e, sendo assim, confirma o homem na sua humanidade, inclusive porque atua em grande parte no subconsciente e no inconsciente”.

Para entendermos o contexto, é importante ressaltarmos que a literatura é parte essencial da construção do caráter de uma pessoa. Por meio de histórias, os livros conseguem ensinar sobre relações intra e interpessoais, o autoconhecimento e a empatia, por exemplo. Assim, a leitura deixa de ser uma distração para se tornar um instrumento de enriquecimento pessoal e intelectual.

FORMAÇÃO DA PERSONALIDADE E HUMANIZAÇÃO

Por ter participação ativa na construção de habilidades sociais, a literatura contribui para moldar a personalidade de cada pessoa a partir de estímulos, histórias e pensamentos diversos. Isto é, com base na observação de uma realidade, o leitor consegue absorver conhecimentos e formular, sob a sua percepção e por meio das consequências existentes na obra, o seu conceito de “certo e errado”.

Dessa forma, o leitor passa a discernir quais atitudes recrimina e quais exalta, entre outros aspectos que estão diretamente relacionados à formação da personalidade.

Além disso, antes do direito à literatura está o direito à alfabetização, muito ligado à humanização e à inclusão de pessoas na sociedade. Isso porque, a partir do reconhecimento de sinais e signos da comunicação, é possível acreditar na ascensão social e no enriquecimento pessoal, cultural e profissional.

Assim, a junção desses dois direitos pode transformar realidades construindo um indivíduo completo com capacidade crítica e discernimento.

O DIREITO À LITERATURA

A Lei n. 13.696 de 12 de julho de 2018, publicada originalmente no portal da Câmara dos Deputados, instituiu a Política Nacional de Leitura e Escrita. No art. 2º,, está explícita a universalização do direito ao acesso ao livro, à leitura, à escrita, à literatura e às bibliotecas.

A Lei reconhece a leitura e a escrita como direito de todos. Também trata da criação de políticas de estímulo à leitura a fim de possibilitar o exercício pleno da cidadania e promover a construção de uma sociedade mais justa.

Já no art. 3º estão claros os objetivos dessa publicação, que são, por exemplo:

I – democratizar o acesso ao livro e aos diversos suportes à leitura por meio de bibliotecas de acesso público, entre outros espaços de incentivo à leitura, de forma a ampliar os acervos físicos e digitais e as condições de acessibilidade;

II – fomentar a formação de mediadores de leitura e fortalecer ações de estímulo à leitura, por meio da formação continuada em práticas de leitura para professores, bibliotecários e agentes de leitura, entre outros agentes educativos, culturais e sociais;

III – valorizar a leitura e o incremento de seu valor simbólico e institucional por meio de campanhas, premiações e eventos de difusão cultural do livro, da leitura, da literatura e das bibliotecas;

(Ver mais emPolítica Nacional de Leitura e Escrita)

Vale conferir, também, o que nos diz a Base Nacional Comum Curricular, quando descreve os objetivos dos campos que devem ser explorados no ensino de Língua Portuguesa, o Campo artístico-literário:

[…] Trata-se, assim, de ampliar e diversificar as práticas relativas à leitura, à compreensão, à fruição e ao compartilhamento das manifestações artístico-literárias, representativas da diversidade cultural, linguística e semiótica, por meio:

– da compreensão das finalidades, das práticas e dos interesses que movem a esfera artística e a esfera literária, bem como das linguagens e mídias que dão forma e sustentação às suas manifestações;

– da experimentação da arte e da literatura como expedientes que permitem (re)conhecer diferentes maneiras de ser, pensar, (re)agir, sentir e, pelo confronto com o que é diverso, desenvolver uma atitude de valorização e de respeito pela diversidade;

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC/SEB, 2017.

RECONHECIMENTO DO DIREITO

Apesar de seu reconhecimento no Legislativo, o direito à leitura também precisa ser uma responsabilidade social. Enquanto parte da sociedade, é importante que nos responsabilizemos. Além disso, que façamos a nossa contribuição para a construção de um caminho mais fácil e prazeroso ao acesso à literatura.

Dessa forma, cada pessoa que se dispõe a incentivar a leitura estará colaborando para o crescimento de um país mais digno, democrático e igualitário. É importante ressaltar que, assim como ações individuais podem contribuir para a disseminação da leitura, é fundamental que as instituições de ensino tenham participação nesse contexto na vida de crianças e jovens.

O direito à literatura deve ser colocado em prática desde os princípios da socialização em casa e na escola. Para isso, profissionais da educação podem cumprir seu papel no incentivo a partir da estruturação de um acervo bem planejado e que atenda às necessidades da comunidade. Para entender como montar uma biblioteca escolar, elaboramos um material que vai te ajudar.

CTA _ montar acervo da escola

 Fonte: Coletivo Leitor

Filmes se destacam por mostrar a vida de mulheres ligadas à literatura

Mulheres dedicadas à escrita estão em alta no atual painel da sétima arte, seja nos roteiros, seja nas obras adaptadas

RD Ricardo Daehn

A esposa mostra a dificuldade de inserção das mulheres no meio outrora limitado aos homens: o universo literário (foto: Alpha Filmes/Divulgação)

Há uma cena do drama A esposa (em cartaz na cidade) em que a autora Elaine Monzell reclama, na década de 1960, de um mundo reservado aos homens, no meio literário. Ela demostra a falta de prestígio das mulheres, tendo como exemplo o barulho das páginas de “um livro nunca aberto”. Muito antes de cogitado para o Nobel, o marido (e quase antagonista da personagem central feita por Glenn Close) Joe Castleman a desencoraja a investir na profissão que relega a muitos, horas de solidão, impasses com rejeições de editores e, claro, pobreza financeira.

O peculiar processo literário de Castleman, o dono do Nobel na trama de A esposa, tropeça em críticas como a de conter “personagens engessados” e “diálogos empolados”. O discurso de reconhecimento desse personagem de ficção (numa trama baseada em romance escrito por uma mulher, e roteirizado para os cinemas por outra) pode até vir a excluir a vital presença da mulher dele na construção de uma carreira, mas o certo é que, nos dias de hoje, especialmente no cinema (e particularmente nesta temporada de prêmios), as mulheres não ficam de fora.

A ser entregue pelo Sindicato dos Atores no dia 27 de janeiro, os troféus SAG se juntam à onda de valorização de filmes concebidos por mulheres: basta perceber o reconhecimento de filmes com autoria feminina integrada ao roteiro, caso de Podres de ricos, A favorita, Cafarnaum e Você nunca esteve realmente aqui. Ponto em comum, portanto, para as indicações no Bafta (prêmio máximo do cinema, na Inglaterra) e no Globo de Ouro. Confira abaixo, produções de destaque de Hollywood que vêm ancoradas por feitos literários de mulheres.

A private war 

(foto: Kamala Films/Divulgação)

Ainda sem data de estreia no Brasil, e sob uma modesta renda de US$ 2,5 milhões, o longa A private war (dirigido pelo estreante em ficção Matthew Heineman) não esgota o interesse na elogiada performance da protagonista Rosamund Pike (de Garota exemplar), no retrato de parte da vida da jornalista Marie Colvin, morta em 2012.

Com roteiro criado a partir de um artigo de Marie Brenner para a Vanity fair (chamado Marie Colvin´s private war), o longa explora a veia destemida da correspondente de guerra Colvin que, entre entrevistas com ditadores mundo afora, despertou atenção especial do líder militar líbio Muammar al-Gadaffi. Em 2003, às vésperas da invasão do Iraque, a escritora conheceu o fotógrafo Paul Conroy (Jamie Dornan), parceiro de muitas aventuras, entre as quais a do registro de incontáveis covas de vítimas do regime de Saddam Hussein.

Foi de uma cama de hospital, sob o impacto da perda de um olho (atingido por granada), que a repórter do Sunday Times narrou a crise humanitária decorrente da ação dos rebeldes Tigres Tâmeis, na guerra civil do Sri Lanka. Até a morte, no Cerco de Homs (na Síria), Marie Colvin trabalhou em conflitos espalhados por regiões diversas, como Zimbábue e Chechênia. Na crise motivada pela Indonésia, em 1999, contra a independência de Timor-Leste, ficou atribuída à ação de Colvin a salvação de 1500 pessoas, entre mulheres e crianças.
Poderia me perdoar?
(foto: Archer Gray/Divulgação)

O que poderia fazer uma pessoa para ser dada como persona non grata, entre pacatos funcionários de bibliotecas e arquivos públicos? A resposta está no desenvolvimento do longa estrelado por Melissa McCarthy, e assinado por Marielle Heller: Poderia me perdoar?. Cercando a vida da falsificadora Leonore Carol Lee Israel, morta aos 75 anos, em 2014, o longa mostra um cotidiano de roubos de escritos e de descarte de máquinas de escrever (para ocultação de provas) da mulher que, alcoólatra, conviveu com um parceiro de crime chamado Jack Hock (Richard E. Grant), e que havia estado na cadeia por dois anos.

Engambelados, donos de livraria e agente do FBI perseguiram a dupla de escritores fracassados que vendiam material adulterado de expoentes como Ernest Hemingway e Dorothy Parker, com lucro entre US$ 600 e US$ 2000. A escritora que, tendo sido freelancer da revista Esquire, escreveu biografias como a da magnata da indústria de cosméticos Estée Lauder e da colunista Dorothy Kilgallen, chegou a figurar com obras na lista de best-seller do The New York Times e redigir a autobiografia, em 2008.

O retorno de Mary Poppins

(foto: Disney Buena Vista/Divulgação)

Numa nova incursão pela Rua da Cerejeira (visitada num filme clássico de 1964, com a estrela Julie Andrews), a governanta Mary Poppins (Emily Blunt), dona de intenções calculadas e, enigmática, pelas atitudes superficiais, assombra a todos por administrar ilusões que enquadram as crianças traquinas de uma famosa mansão. Adaptação da personagem imponente criada na literatura da mística autora australiana P. L. Travers, O retorno de Mary Poppins deixa clara a porção “fada” da protagonista. Poppins investe em viagens psicodélicas, junto aos preceptores, adeptos de um sistema de autodescobertas, quando se trata de educação.

Esotérica, bissexual, determinada e dona de humor irregular, a autora P. L. Travers, nascida no início do século 20 (e morta, aos 96 anos), se dizia britânica, entre porção de bravatas das quais a mais ousada foi a de dizer ter sido mero instrumento de escrita para a própria Poppins que teria lhe ordenado a escrita, ditada, a partir de um mero “anote”.

Filosofia e folclore, além de experiências compartilhadas com índios navajos e mestre zen, estiveram entre as bases de vida para a criação de Travers, que foi seguidora do guru armênio Gurdjieff. Daí, muitos desconsiderarem as verdades reveladas no filme Walt nos Bastidores de Mary Poppins, criado em 2013, e que mostrava o trabalho de pequisa de Travers para criar Poppins.

Fonte: Correio Braziliense

O ano de Monteiro Lobato

Obra do criador do “Sítio do Pica Pau Amarelo” entra em domínio público e volta a circular em diferentes projetos

ALEXANDRE LUCCHESE

Este é o ano em que Monteiro Lobato (1882-1948) passará a ser visto com outros olhos. Com a chegada de 2019, toda a obra do escritor paulista, criador do Sítio do Picapau Amarelo, entra em domínio público,  e qualquer editora tem agora liberdade para lançar seus títulos infantis e adultos — na íntegra ou em adaptaçõs – sem a necessidade de pagar direitos autorais. Segundo a legislação brasileira, direitos autorais estão protegidos por 70 anos a partir do ano subsequente à morte do autor – a de Monteiro Lobato completou 70 anos em 4 de julho de 2018.

Fraga / L&PM
Emília e Visconde de Sabugosa em ilustração de Fraga para projeto da editora L&PMFraga / L&PM

Boa parte dos especialistas no estudo de Lobato não estão preocupados com edições descuidadas ou oportunistas. Ao contrário, estão curiosos para ver as representações do Sítio do Picapau Amarelo se multiplicarem. Isso porque, apesar do texto cair em domínio público, as ilustrações clássicas dos livros do autor seguem reservadas. Ou seja, muitos editores devem procurar novos ilustradores para comporem seus lançamentos.

O designer gráfico Magno Silveira está otimista quanto às possíveis novidades. Silveira é responsável pela pesquisa iconográfica das edições de Lobato pela Biblioteca Azul, selo da Globo Livros, que recupera ilustrações clássicas do Sítio:

– Foram aqueles ilustradores do período de 1920 a 1948 que sacramentaram em nossa mente a Emília, o Visconde, o Pedrinho… Toda a turma. Eram artistas acostumados com a linguagem da publicidade e dos periódicos, sabiam como concentrar expressões corporais e faciais de modo a torná-las inesquecíveis. Deixaram seu legado. Agora creio que os horizontes serão ampliados, poderemos ter surpresas boas em novas imagens.

A Biblioteca Azul, que já vinha publicando a obra de Lobato antes de 2019, pretende lançar mais duas aventuras do Sítio ao longo do ano: A Chave do Tamanho e O Picapau Amarelo. Pelo menos mais três editoras já confirmaram que vão publicar suas edições da obra infantojuvenil de Lobato: Companhia das Letras, Sesi-SP e L&PM Editores.

O primeiro título a sair pela Companhia será Reinações de Narizinho, iniciando uma coleção coordenada por Marisa Lajolo, referência muito conhecida nos estudos sobre Lobato. Marisa também planeja lançar pela editora, até fevereiro, Reinações de Monteiro Lobato, escrito por ela e a historiadora Lilia Schwarcz. Trata-se de uma biografia do escritor voltada para crianças. Segundo Marisa, escrever para o público infantil não foi empecilho para tratar de temas densos e às vezes até polêmicos, como as acusações de racismo sofridas pela obra de Lobato nas últimas décadas:

– Demos a palavra a Lobato, para ele contar sua própria história, conversando o tempo todo com os leitores. O maior desafio foi modular o tom do narrador. Como Lobato falaria com crianças de hoje? Como ele comentaria as polêmicas sobre sua obra? Como falar do Brasil de Lobato, um Brasil tão antigo, com crianças de hoje?  Gostamos muito das discussões e aprendizagens que escrever o livro nos proporcionou.

A gaúcha L&PM já está distribuindo às livrarias 10 títulos do Sítio, em formato pocket. A coleção, que poderá ser ampliada, começou a ser projetada em 2017 e conta com ilustrações de Gilmar Fraga, artista gráfico de Zero Hora.

– Eu me inspirei em ilustradores clássicos do Sítio, como Belmonte e André Le Blanc, e também na série de televisão, que fez parte da minha formação. Tudo isso também se mistura com referências mais modernas que trago comigo – afirma Fraga.

Até agora, o projeto mais ambicioso divulgado é o da Sesi-SP Editora. O grupo deve lançar toda a obra infantojuvenil de Lobato, compiladas em 27 edições, entre fevereiro e julho. Com a pretensão de conquistar leitores também fora do Brasil, a editora convidou ilustradores brasileiros e portugueses para compor o trabalho. Cada livro contará com imagens originais de um ilustrador diferente.

– A fabulação de Lobato é magistral e se perpetua no tempo pela criatividade, inventividade e força inconteste na construção dos personagens. Acreditamos que existe agora um retorno ou um esforço para que se retome a fabulação na formação da criança e do adolescente para fazer frente ao pragmatismo da tecnologia e das novas mídias – explica Rodrigo de Faria e Silva, diretor editorial da Sesi-SP.

Fonte: GaúchaZH

Biblioteca Municipal de Jundiaí terá 3º Torneio de Literatura Fantástica

A Biblioteca Municipal Professor Nelson Foot promove, no dia 26 de janeiro, sábado, a partir das 12 horas, o “3º Torneio de Literatura Fantástica – Uma viagem pelo mundo de Harry Potter”. Para participar, é necessário inscrever-se no site da biblioteca e a entrada é solidária mediante doação de 1 livro de literatura em bom estado de conservação para o Projeto Geladeira Literária. As vagas são limitadas.

Torneio de literatura na biblioteca tem como tema o bruxinho mais famoso do mundo

Os participantes inscritos no torneio de literatura serão divididos em três equipes e participarão das seguintes atividades:

  • Potter esmiuçado: A História por trás do mundo mágico de J.K. Rowling (Palestra com o Prof. Me. Victor Menezes, Doutorando pela UNICAMP)

  • Quadribol

  • Tribunal Bruxo

  • Olivaras – Oficina de varinhas

  • Sarau Pottermore

O Sarau é uma das provas a ser cumprida em equipe e cada uma delas poderá apresentar quantas atrações desejar, desde que não ultrapasse o tempo estipulado para a execução da atividade, que é de 25 minutos. Poderão compor a prova: desfile de cosplay, encenação de um trecho, declamação, monólogo, músicas, danças, ilustrações sobre a saga (desde que realizadas durante a prova), entre outros.

O evento contará também com um Workshop de Escrita Criativa ministrado pela escritora jundiaiense Fabi Zambelli; Bate-papo com o Professor Me. Victor Menezes sobre a saga Harry Potter; Intervenção artística com o Grupo Leviosá; além de atividades como Quadribol, Xadrez Bruxo, quebra-cabeça, caça-palavras, palavras cruzadas e quiz. Todos os participantes terão direito a lanche.

A Biblioteca Municipal Professor Nelson Foot está localizada na Avenida Dr. Cavalcanti, 396, Centro, dentro do Complexo Argos. Mais informações podem ser obtidas diretamente com a Biblioteca pelo telefone (11) 4527-2110 ou do email biblioteca@jundiai.sp.gov.br.

(Fonte: Biblioteca Municipal Prof. Nelson Foot; Imagens: Divulgação)

Fonte: TVTEC News 

Transformar as crianças em personagens das suas narrativas favoritas é o negócio da Dentro da História

Texto por Maisa Infante

André Campelo, Diego Aguiar e Felipe Paniago querem que as crianças tenham experiências imersivas com a literatura.

Imagine seu filho, sobrinho ou afilhado recebendo em casa um livro em que ele é um dos protagonistas ao lado de personagens que ele ama. É isso que faz a Dentro da História, uma startup de impacto social fundada em 2016, em Campinas (SP), por André Campelo, 33, Flávio Aguiar, 34, Diego Moraes, 30, e Felipe Paniago, 37. O negócio deu tão certo que eles acabam de ingressar no mercado espanhol com o nome de Playstories.

A Dentro da História é uma editora que funciona por meio de uma plataforma digital em que é possível criar um livro personalizado no qual a criança é um dos personagens. O primeiro passo para fazer a publicação é escolher de qual história a criança vai participar. São 29 títulos ligados a personagens como Turma da Mônica, Show da Luna, Patrulha Canina, Smilinguido, Galinha Pintadinha, além dos 12 principais clubes de futebol do Brasil.

Em seguida, é hora de começar a criar o avatar. É possível escolher o tom de pele, o tipo de cabelo, a cor dos olhos, a roupa, o sapato e os acessórios. Há ainda opções de cadeira de rodas e óculos escuros (para crianças com deficiência) e careca (para aquelas que fazem tratamento contra o câncer). Os traços sempre seguem as características do personagem escolhido.

Depois de criar o avatar, o livro é gerado e antes de clicar em comprar é possível ver como ficou. Pronto! A criança está dentro de uma história em que interage com o personagem e vai receber o livro em casa. O preço é 69,90 reais. Desde 2016, já foram vendidos 250 mil livros personalizados e o faturamento da empresa em 2018 ficou em 12 milhões de reais — o dobro do que foi em 2017.

COMO LEVAR A EXPERIÊNCIA DA IMERSÃO PARA A LITERATURA

Em meio a um mundo digital, em que as crianças parecem já nascer sabendo usar a tecnologia, a Dentro da História acredita que encontrou uma forma de transformar um produto muito presente na realidade infantil — já que o livro faz parte do processo de alfabetização — em algo mais próximo do universo digital que elas tanto adoram.

Os livros da Dentro da História possuem na capa o nome e o avatar da criança.

André e Flávio empreendem juntos desde 2006. Eles são de Campinas, interior de São Paulo, e tiveram juntos uma agência de marketing digital e uma startup chamada Widbook, que era uma rede social de ebooks, pela qual era possível descobrir novas obras e publicar livros eletrônicos de forma gratuita. “Chegamos a ter 400 mil usuários e 60 mil histórias em 73 idiomas diferentes, mas era preciso crescer muito mais para gerar monetizações atrelada a conteúdo”, diz André.

De certa forma, essa empresa aproximou os empreendedores do universo dos livros e das editoras e fez com que eles percebessem que, ao contrário de outros tipos de conteúdo muito consumidos pelas crianças (como áudio, vídeo e games), os livros não tinham uma plataforma que conectasse produtores a consumidores.

Além disso, a indústria do livro não costuma ter experiências imersivas. “A única indústria que já nasceu completamente estruturada para o protagonismo é a do game”, diz o empreendedor. Foi aí que chegaram na ideia da Dentro da História. André fala mais  respeito:

Queríamos fazer algo com educação, criança e tecnologia. E o conteúdo seria o caminho porque, até os 8 anos, a criança não tem o seu device e usa o tablet ou o smartphone dos pais”

A solução que encontraram foi unir o físico e o digital. A experiência começa no ambiente digital, com a criação do avatar, e termina com um livro impresso chegando na casa da família. “Na mão da criança, esse livro é um device”, afirma. Na plataforma, o processo de criação do avatar se transforma em um game.

Como o clique “comprar” é a última etapa do processo, os pequenos podem testar avatares diferentes em diversas histórias quantas vezes quiserem. Além disso, é possível ver o livro pronto e folheá-lo digitalmente antes da compra. André conta que, até o dia anterior à entrevista, o processo de criação de avatares já tinha acontecido mais de 7 milhões de vezes.

Apenas quando já estavam com o conceito pronto, Flávio e André foram buscar a expertise dos outros dois sócios, Diego e Felipe, que trabalhavam na Móvile, empresa que desenvolve marketplaces mobile. Hoje, Flávio e André cuidam da parte de negócios, Diego, de produto, e Felipe, de marketing e performance.

ELES QUEREM IMPACTAR 10 MILHÕES DE CRIANÇAS ATÉ 2023

O fato de as crianças estarem dentro do livro, lado a lado com personagens que elas gostam, tem impacto positivo no desenvolvimento e na aprendizagem da criança, segundo André. Ele cita uma pesquisa feita em Londres, em 2017, que afirma que os produtos personalizados na primeira infância ajudam os pequenos a aprender mais palavras. Por isso, a questão da identificação é um ponto central:

Colocar a criança dentro da história tem a ver com protagonismo, pertencimento e identificação. E isso se dá pelo nome, centralidade dela no roteiro e identificação física”

Levando esse ponto em conta, desenvolver novas características para os avatares é algo que está sempre em pauta e evolução. Tem ainda a questão da memória afetiva e das relações familiares. “Os pais são a extensão da escola. Quando eles chegam em casa e vão ler com os filhos, nosso produto ajuda a gerar impacto e boas lembranças para a vida toda.”

O processo de criação do avatar é bem intuitivo e pode ser feito pelas próprias crianças, que escolhem cor de pele, cabelo, olho, roupa etc.

A meta é atingir a publicação de 1 milhão de livros no Brasil em 2019 e impactar 10 milhões de crianças no mundo até 2023. Os desafios são grandes, principalmente no Brasil, onde o hábito de leitura não é muito arraigado e há barreiras socioeconômicas a serem transpostas. “Temos muito para fazer por aqui. Em uma faixa de 0 a 8 anos, são 21 milhões de crianças com as quais podemos trabalhar”, afirma o empreendedor. A estratégia é operar em parceria com fundações e com o poder público para que os livros cheguem a diversas camadas sociais.

A CONEXÃO DIRETA COM O LEITOR DEIXOU A EMPRESA LONGE DA CRISE DO SETOR

A crise das grandes livrarias — que impactou muitas editoras — não passa nem na porta da Dentro da História. O modelo criado permite que a empresa  faça a ligação direta com o usuário final, como diz André:

Temos um caminho completamente diferente das grandes editoras, porque não geramos custos quando não vendemos e não precisamos de intermediários para fazer a venda”

Esse novo modelo trouxe a vantagem de trabalhar sem o custo do estoque e do distribuidor, mas também trouxe o desafio de criar uma nova cadeia de produção para fazer os livros personalizados. Na Dentro da História, cada livro é um arquivo único que vai para a impressão, o que é uma novidade para o mercado gráfico. André fala mais a respeito: “Essa estruturação de produção não existia. No mercado editorial, quase não existe a possibilidade de fazer um a um, apenas baixa tiragem. Então, a gente precisou trabalhar no desenvolvimento dessa cadeia”.

O primeiro parceiro da Dentro da História foi a Turma da Mônica. O lançamento da empresa foi feito na Bienal do Livro de 2016, em um estande que comemorava os 80 anos do desenhista Mauricio de Sousa. Eles montaram uma gráfica dentro do evento e as pessoas podiam criar a história nos totens instalados no estande e pegar o livro impresso na sequência. Foi ali que os empreendedores testaram, pela primeira vez, o produto.

Em 2018, na Bienal do Livro, a Dentro da História imprimia os livros da Turma da Mônica na hora. Foi o primeiro teste de produto da empresa.

Do investimento inicial de 300 mil reais feito pelos sócios, dois terços, segundo André, foi para essa experiência. “Qualquer livro de empreendedorismo vai te dizer para não fazer isso, mas foi um sucesso.”

Entre livros digitais e cartazes com o avatar criado pela criança, eles fizeram 15 mil personalizações nos dez dias do evento. “Foi uma experiência incrível. Ficamos no estande observando as famílias. E vimos muitas discussões sobre a identificação da criança, que não necessariamente fazia um avatar parecido com ela.”

A rápida aprovação do produto trouxe um novo desafio para os empreendedores: acelerar o negócio antes do que imaginavam. “O primeiro desafio de toda startup é provar que aquilo que ela está fazendo tem sentido. A gente provou nos primeiros seis meses e aí precisamos trazer mais conteúdo.” A partir daí, eles decidiram investir no licenciamento de novas histórias e personagens.

Como atuam com marcas globais, o processo pode demorar. “Algumas aprovações demandam um ano de negociações, porque estamos falando de inovação dentro de uma cadeia global. Existem várias camadas de aprovação”, fala André. Em 2017, havia oito histórias na plataforma e, em 2018, 29. Para 2019, eles esperam chegar a 40, já que há negociações em andamento que devem ser finalizadas ao longo do ano. Os fundadores também têm participado de rodadas com investidores-anjos. André conta que quem está dando suporte para os sócios agora é Peter Vesterbacka, um dos desenvolvedores do Angry Birds.

COM O SUCESSO NO BRASIL, ELES APOSTARAM NO EXTERIOR

De olho no mercado internacional, a Dentro da História lançou, mês passado, a plataforma Playstories, na Espanha. Ela funciona exatamente como a brasileira, mas por enquanto apenas com o licenciamento da Patrulha Canina, que está entre as três histórias que mais fazem sucesso por lá. André conta:

Ainda tem muito mercado dentro do Brasil, mas a gente entendeu que a inovação criada aqui, por ter conteúdos globais, precisaria ser levada a outros países”

Essa operação internacional é muito recente, então, ainda não há números para compartilhar. Mas a meta é estar em mais cinco países da Europa até o final de 2019. A Inglaterra é o próximo. Flávio está morando fora do Brasil desde junho passado para ficar à frente dessa nova empreitada e eles contrataram, como head da empresa lá fora, Igor Burattini, 33, que mora há mais de dez anos na Finlândia, país que tem o sistema educacional mais avançado do mundo.

Levar um modelo de negócios de sucesso para outro país traz novos desafios, já que a cultura e os hábitos são diferentes. “Para os espanhóis a principal data de compra não é o Natal, mas o dia de Reis, que é 6 de janeiro”, exemplifica André. E completa: “A sensação é que a gente está lançando uma nova startup”. Que venha uma nova empreitada em prol da leitura e da educação.

Fonte: DRAFT

Leitura e literatura: festival vem aí

Evento será realizado entre abril e maio deste ano e, até lá, prossegue em fase de chamamento de grupos culturais interessados em participar

Em sua quarta edição, o Festival de Leitura e Literatura (Feleli) será realizado em Bauru entre 22 de abril e 1 de maio. Até lá, prossegue com chamamento para grupos artísticos culturais. Em tempo: os interessados serão selecionados por intermédio de curadoria da Giralua Companhia de Artes.

O evento contemplado com o Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo (ProAC), no Edital Festivais, com realização da Giralua e produção executiva da Arte&Efeito Produções. Tem, ainda, apoio da Secretaria Municipal de Cultura.

Essa participação de grupos por chamamento é um diferencial deste ano.

“Estamos neste processo de chamamento dos grupos até o dia 28 de janeiro com o objetivo de selecionar espetáculos artísticos cujas linguagens integrem literatura com teatro, intervenção cênica, intervenção literária, contação de história e performance-narração com duração mínima de 45 minutos, que irão compor a grade de programação do Feleli 2019”, detalha Val de Castro, produtora da Giralua Companhia de Artes.

Também estão abertas as inscrições da 3ª Feira Interativa de Zines e Afins (FIZ), que será realizada no Centro Cultural “Carlos Fernandes de Paiva”, no dia 27 de abril de 2019 , com exposição, troca e venda de produções gráficas e publicações independentes, tais como zines, livros e livretos, postais, pôsteres (lambe-lambe), gravuras, quadrinhos e toda uma abrangência de impressos literários com as características de pequena tiragem, alto valor artístico e conceito artesanal.

“Para efetivamente participar da FIZ, os interessados deverão se inscrever na convocatória até o dia 28 de janeiro de 2019. Podem se inscrever artistas, designers, grupos, coletivos, editores e editoras independentes, com trabalho produzido e compartilhado no Brasil e na América Latina”, explica Val.

A FIZ é uma das 40 ações culturais da programação inteiramente gratuita do Feleli.

Irá a 10 bairros

O festival irá a dez bairros, chegando a públicos que não possuem acesso à produção cultural e artística em sua distribuição centralizada. Nas três edições anteriores, o Feleli impactou 9 mil pessoas, informam os organizadores.

“A ideia que norteia o Festival de Leitura e Literatura não é a cadeia produtiva editorial, mas a difusão de atividades artísticas e literárias para bairros e locais inusitados através de artistas e suas criações”, define a produtora da Giralua Companhia de Artes.

SERVIÇO

O regulamento do IV Feleli e da 3ª FIZ, além da ficha de inscrição do festival, estão disponíveis para download no link: http://arteefeito.com.br/feleli-2019/. Informações: (14) 9 8103-6389 (WhatsApp). E ainda: https://www.facebook.com/GiraluadeArtes/

Fonte: Jornal da Cidade

Livros escritos por mulheres indicados por bibliotecárias

Uma estudante do curso de Biblioteconomia da ECA/USP postou numa página do Facebook o seguinte pedido:

Preciso de indicações de livros que vocês tenham amado, escritos por mulheres

O resultado foi inesperado. Em poucas horas surgiram dezenas de sugestões, e a postagem continuou recebendo comentários por vários dias. Como a lista ficou muito boa resolvemos, com a concordância da autora do pedido, publicá-la aqui, como indicação de leitura para as férias.

A lista é bastante heterogênea, contendo desde literatura leve, que marcou a adolescência de várias leitoras, até modernos ícones feministas, como a autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, sem esquecer das histórias em quadrinhos. O critério de elaboração foi o gosto de quem colaborou, em sua maioria mulheres estudantes de biblioteconomia ou bibliotecárias, mas os homens também contribuíram alegremente. Complementamos com uma ou outra indicação no momento da redação deste post, e temos certeza de que as sugestões continuam surgindo.

Simone de Beauvoir e Jane Austen estão entre as ausências notáveis, mas não importa. Não se trata de uma lista de melhores, mas de uma lista de livros amados.

Muitos desses títulos talvez estejam disponíveis nas bibliotecas da USP ou em alguma biblioteca pública perto de vocês. Aproveitem!

Adeus, Haiti. Edwidge Dantica
Amada. Tony Morrison
O amante. Marguerite Duras
Americanah. Chimamanda Ngozi Adichie
A amiga genial. Elena Ferrante
Anarquistas Graças a Deus. Zelia Gattai
Antes do baile verde. Lygia Fagundes Telles
A arte de ler. Michele Petit
Autobiografia de todo mundo. Gertrude Stein

Lygia Fagundes Telles

Baratas. Scholastique Mukasonga
The bell jar. Sylvia Plath
A biblioteca invisível. Geneviève Cogman
As boas mulheres da China. Xinran
As brumas de Avalon. Marion Zimmer Bradley

A cabeça do santo. Socorro Acioli
Calibã e a bruxa. Silvia Federici.
Caniços ao vento. Grazia Deledda
Os casamentos entre as zonas 3, 4 e 5. Doris Lessing
O caso do dez negrinhos. Agatha Christie
O castelo animado. Diana Wynne Jones
A chave de casa. Tatiana Salem Levy
Ciranda de pedra. Lygia Fagundes Telles
Como esquecer. Myriam Campello
O conto da aia. Margareth Atwood
A cor púrpura. Alice Walker
Corte de espinhos e rosas (série). Sarah J Mass
Crepúsculo (saga). Stephanie Meyer

Um defeito de cor. Ana M Gonçalves
Desmundo. Ana Miranda
Delta de Vênus. Anaïs Nin
O diário de Anne Frank. Anne Frank
Dias de abandono. Elena Ferrante
A diferença invisível. Mademoiselle Caroline e Julie Dachez (Quadrinhos)
O direito de ler e de escrever. Silvia Castrillon
A dor. Marguerite Duras

E no final a morte. Agatha Christie
E o vento levou… Margaret Mitchell
Entrevista com Vampiro. Anne Rice
Éramos seis. Maria José Dupré
Estação Onze. Emily St. John Mandel

Falsas Aparências. Sarah Waters
O feiticeiro de Terramar. Ursula K. Le Guin
Frankenstein. Mary Shelley

A garota no trem, A. Paula Hawklin
The grass is singing. Doris Lessing
A guerra não tem rosto de mulher. Svetlana Aleksiévitch

Hibisco roxo. Chimamanda Ngozi Adichie
História de quem foge e de quem fica. Elena Ferrante
História do novo sobrenome. Elena Ferrante
Hoje é o último dia do resto da sua vida. Ulli Lust (Quadrinhos)

As lendas de Dandara. Jarid Arraes

Memórias eróticas de Paris na Belle Époque. Anne Maria Villefranche
As meninas. Lygia Fagundes Telles
Minha prima Raquel . Daphne DuMaurier
Mornas eram as noites. Dina Salústio
O morro dos ventos uivantes. Emily Brontë
Mulheres que correm com os lobos. Clarissa Pinkola Estés

Niketche: uma história de poligamia. Paulina Chiziane
Ninguém vira adulto de verdade. Sarah Andersen (Quadrinhos)
No seu pescoço. Chimamanda Ngozi Adichie
A nova mulher e a moral sexual. Alexandra Kolontai

Olhos d’água. Conceição Evaristo
O osso: poder e permissão. Erika Balbino.
Outros jeitos de usar a boca. Rupi Kaur
A paixão segundo GH. Clarice Lispector
O papel de parede amarelo. Charlotte Perkins Gilman
Para educar crianças feministas. Chimamanda Ngozi Adichie
Perto do coração selvagem. Clarice Lispector
O peso do pássaro morto. Aline Bei
Placas tectônicas. Margaux Motin (Quadrinhos)
Persépolis. Marjane Satrapi (Quadrinhos)
Pollyanna . Eleanor H. Porter

Quarto de despejo. Carolina de Jesus
O que o sol faz com as flores. Rupi Kaur
O Quinze. Rachel de Queiroz

Rebecca. Daphne DuMaurier

O sol é para todos. Harper Lee

Os teclados. Teolinda Gersão
Um teto todo seu. Virginia Woolf
O torreão. Jennifer Egan
Trono de vidro (série). Sarah J Mass

Virginia Woolf

Um útero é do tamanho de um punho. Angélica Freitas

A vida invísivel de Euridice Gusmão. Marta Batalha
A vida que ninguém vê. Eliane Brum

Zonas úmidas. Charlotte Roche

Outras fontes indicadas no post

Mulheres negras na biblioteca

https://www.facebook.com/mulheresnegrasnabiblio/

30 escritoras brasileiras contemporâneas para conhecer em 2018

homoliteratus.com/escritoras-brasileiras-contemporaneas/

créditos: o post que provocou a chuva de sugestões é da Debyh Dias. Como muita gente colaborou, não dá para citar todos os nomes. Agradecemos a todas (e todos).

Fonte: Blog da Biblioteca da ECA

Ecoando as periferias, Sérgio Vaz completa 30 anos de poesia

“Arte e cultura têm poder de resgatar a humanidade e cidadania”, defende poeta da zona sul de São Paulo

Texto  por Mayara Paixão
Poeta Sérgio Vaz, 54, criador da Cooperifa - Créditos: Divulgação
Poeta Sérgio Vaz, 54, criador da Cooperifa / Divulgação

Neste 10 de dezembro de 2018, o mineiro Sérgio Vaz completa 30 anos de produção literária. Vivendo em São Paulo há quase 50 anos e tendo o estado como cenário de muitos de seus trabalhos, já pode ser considerado um paulista. Há três décadas, ele publicava sua primeira obra, intitulada “Subindo a ladeira mora a noite” e, desde então, foram mais sete títulos publicados.

Versando sobre as vozes e realidades das periferias paulistas, o poeta retrata o racismo, a desigualdade econômica e também a cultura que pulsa nas regiões periféricas da cidade. Humilde, ele entende a importância de seu trabalho, mas acredita que há muito para fazer, ainda mais quando se trata dos autores negros e independentes. “Se já está difícil para a dita ‘alta literatura’, quem dirá para autores da periferia.”

Buscando dar vazão não só ao seu trabalho, mas ao de centenas de outras vozes, Vaz é fundador da Cooperativa Cultural da Periferia (Cooperifa) e idealizador do Sarau da Cooperifa.

Em homenagem ao trabalho prestado à poesia e às periferias brasileiras, Sérgio Vaz recebe, em dezembro, o Prêmio Santo Dias de Direitos Humanos pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp).

O poeta conversou com a Rádio Brasil de Fato sobre as transformações ao longo destes 30 anos, suas inspirações, o cenário político e literário brasileiro e o papel da arte na vida da juventude.

Confira a íntegra da entrevista:

Brasil de Fato — Em 30 anos de construção na literatura, o que sente que mudou?

Sérgio Vaz — Acho que o que mudou foi a identidade da periferia. Quando comecei, nem eu bem entendia o que queria escrever, porque tinha um preconceito e achava que a poesia era e tinha que ser uma linguagem difícil. Minha poesia começou a falar do lugar em que eu vivo, em que permaneço, no qual eu luto, então me deu uma identidade que talvez eu não tivesse. A poesia ajudou a minha pessoa e às vezes eu colaboro com a poesia. Acho que é isso: identidade.

Várias obras suas, em especial as primeiras produções, são independentes. Como você enxerga o espaço no mercado editorial para autores que trazem as pautas e as vozes das periferias para os livros?

O Brasil é um país que não lê. Não lê o pobre, não lê a classe média, não lê o rico e é um país que agora no mercado editorial está passando por uma crise muito grande. Se já para a dita “alta literatura”, quem dirá para autores da periferia.

Mas a vantagem entre nós, autores negros e periféricos, é que criamos um mercado próprio. Os lançamentos geralmente são nos saraus, que são mais de 50 acontecendo em São Paulo e no Brasil, então a gente tem uma rede: compramos os livros dos amigos e os amigos compram os nossos livros, e saímos distribuindo de mão em mão.

Apesar de eu já estar em uma editora e não fazer mais livro independente, ainda pego eles para poder vender, para manguear ele na rua. Para mim não mudou muita coisa. Acho que para nós a batalha vai ser sempre a mesma.

Qual é o papel que a literatura – e a arte como um todo – pode desenvolver na vida das pessoas, em especial da juventude?

Acho que arte e cultura têm um poder de resgatar a humanidade e a cidadania. Essa juventude hoje está consumindo saraus, slams, batalhas e rima. Está popularizando a literatura.

A literatura, para além dos livros, está passando de boca em boca no ouvido dessa molecada e essa juventude é muito inteligente, muito mais rápida, e está gostando de ter voz.

Acho que o mais importante de tudo é ter voz, dizer o que você pensa, o que você acha e cortar os atravessadores. Quem fala pelos jovens da periferia tem que ser os jovens da periferia. Nós não precisamos de pessoas para dizer o que a gente tem que fazer, ouvir ou falar.

Você nasceu em 1964, ano em que começa a ditadura militar no Brasil. Hoje você enxerga que sentiu os efeitos do regime militar na sua vida e formação?

Nessa época eu não tinha nem ideia do que era a ditadura, tamanha era a ditadura. A periferia não tinha a participação política que tem hoje.

Eu servi o exército em 1983, lá que eu descobri que nós vivíamos em uma literatura em que não éramos os heróis, e sim os vilões da democracia.

A partir daí que eu tomo conhecimento, a minha cabeça muda, começo a me interessar por uma literatura mais política, engajada, começo a ouvir um outro tipo de música — já venho dos bailes black de São Paulo, música negra americana e brasileira, e aí me interesso mais pela música popular brasileira dos anos 1960 e 1970, que combatia a ditadura.

Qual foi a “virada de chave” que te fez começar a produzir literatura?

Acho que quando eu li Carolina de Jesus, Quarto de Despejo. Eu tinha uma ideia elitista da literatura, da poesia, e quando li Carolina, pensei: é isso! Fala da minha gente, da minha cor, da minha raça, do meu povo, do meu bairro. Foi aí que eu tive percepção de que a poesia podia ser uma arma de defesa e de ataque.

Pelos olhos da periferia, como tem visto o momento político que vivemos hoje, em especial o que nos espera com o resultado das eleições?

É trágico. Você vê a democracia agonizando novamente e as pessoas sequer sabem o que pode acontecer. A periferia, como sempre, estava de uma certa forma de direita. Mas eu não acho que ela seja de direita e acho também que não é de esquerda. A maioria da população está um pouco alienada devido ao trabalho, pouco estudo, à correria.

Há de se lembrar também que a mesma periferia votou duas vezes no Lula e duas vezes na Dilma. No começo, senti que o povo estava precisando de um herói, de alguém que falasse aquilo que eles estão precisando no momento, que é segurança, saúde, educação, essas coisas. Mas ele [Bolsonaro] disse de uma forma violenta, e as pessoas não conseguiram entender direito. Ele falou diretamente o que as pessoas queriam ouvir. E talvez a esquerda, de alguma forma, não tenha conseguido uma linguagem para que as pessoas entendam realmente quais são as propostas do partido.

Então eu vi que as pessoas estavam mais alienadas do que fascistas. Vi muita gente falar de pobre de direita e eu não acredito nisso, até porque essas coisas sempre começaram na Avenida Paulista e a gente não tem nenhum negro ou pobre na Lava Jato, nesse escândalo todo. A periferia, infelizmente, pegou as notícias que vinham — e a gente sabe que esse trabalho está sendo feito há muitos anos — e essa eleição foi simplesmente o momento final que o golpe deu na população brasileira.

Edição: Guilherme Henrique

Fonte: Brasil de Fato

A área do livro e da leitura está entrando em colapso?

Texto por Volnei Canônica

Em sua coluna, Volnei fala sobre ‘ Panorama sobre o Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Brasil?’ evento programado para acontecer de 30/11 a 02/12 em Caxias do Sul

A cidade de Caxias do Sul, RS, receberá entre dias 30/11 e 02/12 o I Panorama sobre o Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Brasil: Ondes estamos e para onde vamos?

O evento faz parte das ações de inauguração do Instituto de Leitura Quindim que nasceu em 19 de setembro de 2014 como Centro de Leitura. Em sua missão, o Instituto busca promover o direito à infância, à educação, à cultura, ao livro, à leitura, à literatura e às bibliotecas, no Brasil e no exterior, por meio da experiência literária e da construção de políticas públicas que garantam esses direitos.

O I Panorama é um convite para que os diferentes atores que compõem o “Ecossistema do Leitor” possam refletir sobre a atual conjuntura e projetar novos cenários para a área, a fim de restabelecer um equilíbrio para esse ecossistema e garantir ao leitor o direito à leitura, educação, cultura e fruição literária. 

Desde a sua criação, o Instituto vem discutindo o que chamamos de “Ecossistema do Leitor”. Neste ecossistema os múltiplos atores coabitam, com suas diferenças e necessidades, e precisam estabelecer relações entre si na busca de fortalecer e garantir a sua sobrevivência e equilíbrio para atuar e contribuir com maior impacto sobre o leitor.

Nos últimos 10 anos alguns avanços foram conquistados, como por exemplo, a Lei Nacional de Leitura e Escrita e a Lei da Biblioteca Escolar. Outros avanços estão projetados, mas ainda precisam ser concretizados. Num ecossistema, tudo é vivo e passível de mudanças. Novas necessidades que nem estavam no radar se apresentarão com a crise econômica e política que já se estabeleceu no país.

Estamos vivenciando um momento difícil em que bibliotecas, livrarias e editoras estão fechando as suas portas. Programas de governos para o livro e a leitura sendo engavetados. Livros sendo censurados e tirados de circulação por causa de uma onda conservadora, numa tentativa de estabelecer o politicamente correto e diminuir as múltiplas leituras, cerceando assim o pensamento crítico. Com tudo isso, e muitos outros desafios, como os atores que coabitam esse ecossistema estão planejando a sua sobrevivência e a sobrevivência dos seus pares?

Este panorama não tem a intenção de encontrar as soluções para os inúmeros desafios que se apresentam a partir de 2019. Mas é o primeiro passo para um movimento contínuo de reflexões e encontros. É um convite para olharmos o que construímos e refazermos o nosso modus operandi, repensando as estruturas estabelecidas e nos reconectando com o todo para encontrar o equilíbrio desse ecossistema.

O I Panorama sobre o Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Brasil: onde estamos e para onde vamos? Está dividido em 3 grandes eixos: Políticas Públicas, Mercado Editorial e Promoção da Leitura.

O eixo Políticas Públicas, acontecerá na tarde de sexta-feira, dia 30/11, no plenário da Câmara dos Vereadores de Caxias do Sul e vai abordar duas temáticas: Marcos regulatórios: avanços e o que ainda está em construção e Um território leitor: como as políticas públicas reverberam nos municípios e estados.

Já no sábado, dia 01/12, o eixo central das discussões será o Mercado Editorial e as mesas de debate programadas serão: O mercado editorial na última década e o seu futuro para os próximos 5 anos; O mercado editorial internacional como uma alternativa para a atual crise; A tecnologia, as inovações e os desafios: um convite ao novo; Coletivos, publicações independentes e financiamentos A ilustração e o seu espaço no mercado nacional e internacional.

No último dia do panorama, 02/12, o eixo Promoção da Leitura trará para as rodas de discussões os temas: O que os números contam e como superar as estatísticas; Um por todos e todos por um Brasil de leitores; A promoção da leitura na era digital; Eventos literários e os impactos na formação dos leitores e Os caminhos para autores do Rio Grande do Sul ultrapassarem as fronteiras.

Nomes como do Deputado Federal Rafael Motta (PSB); o coordenador do FNDE/MEC, Lauri Cericatto; o Diretor do Departamento do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do MINC, Guilherme Relvas; a Secretária de Educação e Cultura do Rio Grande do Norte, Cláudia Santa Rosa; o ex-Secretário do Plano Nacional do Livro e da Leitura – PNLL, José Castilho Marques Netto; a Presidente da Federação Brasileira de Associação de Bibliotecários, Adriana Ferrari; a Presidente da Liga Brasileira de Editores, Raquel Menezes e muitos outros atores que trabalham nesse “Ecossistema do Leitor” já estão confirmados para as discussões sobre as temáticas do I Panorama sobre o Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas.

O evento é gratuito e conta com o apoio do Ministério da Cultura, por meio da Secretaria da Economia da Cultura/Diretoria do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas, da Forma Certa – soluções gráficas personalizadas, do Sesc de Caxias do Sul e do Intercity Hotel. Quem quiser participar dos debates precisa fazer a sua inscrição pelo e-mail: inauguracaoquindim@gmail.com

Ainda no dia 30/11, o Instituto de Leitura Quindim entregará para a sociedade a sua Biblioteca Infantil e Juvenil. Uma biblioteca de referência, com mais de 5 mil livros, em diferentes línguas, muitos premiados e que estarão à disposição das crianças, pais, familiares, professores e promotores de leitura no Brasil.

O Instituto é uma entidade sem fins lucrativos, idealizado pelo casal Volnei Canônica e Roger Mello, mas que, na sua estrutura, tem um time de pessoas comprometidas com a infância: Adriana Camêlo Lucena, Aline Zilli, Fabiano Finco, Graziela Cunha Canônica, Jonas Piccoli, Luiza Darsie da Motta, Marli Fronza, Paola Marchett de Bastiani e Vania Marta Espeiorin.

Informações

I Panorama sobre o Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Brasil: onde estamos e para onde vamos?

Dia 30/11 – eixo Políticas Públicas Das 15h às 17h30

Local: Plenário da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul – RS 18h30 – Inauguração da Biblioteca Infantil e Juvenil do Quindim

Local: Centro Cultural Moinho da Cascata

Dias: 01/12 – eixo Mercado Editorial e 02/12 – eixo Promoção da Leitura, das 9h às 16h

Local: Intercity Hotel

EVENTO GRATUITO

inscrições: inauguracaoquindim@gmail.com

Fonte: Publishnews

Representatividade negra na literatura é instrumento de afirmação política

Texto por Diego Barbosa

Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus, Djamila Ribeiro e outras tantas figuras endossam o panorama de produção literária

É a partir de escrevivências que Conceição Evaristo demarca o lugar da cultura afro no Brasil, projetando sentimentos do povo com foco no feminismo

Há um termo simultaneamente poético e forte para designar a escrita gestada a partir do cotidiano, das lembranças e da experiência de vida pessoal e de todo um povo: escrevivências. Quem o trouxe à vista foi a escritora mineira Conceição Evaristo – um dos nomes mais importantes e necessários da literatura brasileira contemporânea – exatamente para dar destaque aos sentimentos de toda ordem que atravessam a condição de ser afrodescendente no País que dividimos morada.

Ao singrar pelas páginas a costurar alegrias, emoções, gritos e sussurros de uma camada da sociedade ainda tão fortemente marginalizada, excluída e silenciada, a autora faz da arte um poderoso instrumento de luta contra o racismo e o machismo instalados no alicerce da população.

Um triste panorama a se considerar num território em que negras e negros são a maioria, conforme pesquisa divulgada em novembro do ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nela, se constatou que o número de brasileiros que se autodeclararam pretos aumentou 14,9% entre os períodos de 2012 e 2016, resultando em uma nação de maior parte afro. Neste Dia da Consciência Negra, conferir relevo a iniciativas que prezam pelo respeito e afirmação da identidade de matriz africana neste solo, se faz, portanto, bastante imperativo.

De Cruz e Sousa (1861-1898) a Joel Rufino dos Santos, passando por Maria Firmina dos Reis (1825-1917) e Elisa Lucinda, a literatura que contempla o segmento é ampla e bebe de diferentes matrizes para alavancar significativas reflexões. Em comum entre elas: um cuidadoso trabalho com as palavras de modo a fazer com que o que foi escrito possa gerar engajamento. Configure-se, enfim, como afirmação política.

Inspirado por essa realidade, o Verso traz um apanhado de algumas das principais vozes no âmbito das letras nacionais e internacionais que fazem valer esse intento e injetam alta voltagem crítica nos textos que assinam. Carolina Maria de Jesus (1914-1977) integra esse time. Moradora da antiga favela do Canindé, em São Paulo, é conhecida pelos relatos em seu diário, reveladores de uma rotina miserável, de total degradação da mulher negra, pobre, mãe, escritora e favelada que era.

Descoberta pelo jornalista Audálio Dantas – que, encarregado de fazer uma matéria na favela onde ela morava, acabou a conhecendo e percebeu o quanto Carolina tinha a dizer – é autora do livro “Quarto de despejo”, obra-referência para compreensão do Brasil indigesto em que vivemos, além de várias outras de semelhante amplitude e importância.

Militância

Outras potentes vozes se somam a Carolina Maria de Jesus e a inicialmente citada Conceição Evaristo para bradar força e ativismo afro. Figura que tem ganhado cada vez mais repercussão no País devido à publicação do livro “Quem tem medo do feminismo negro?”, Djamila Ribeiro é mestre em Filosofia Política pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordena a coleção Feminismos Plurais, da Editora Letramento, pela qual lançou “O que é lugar de fala” (2017).

Feminista, filósofa e acadêmica paulistana, Djamila Ribeiro é referência no estudo sobre o ativismo negro
FOTO: ALEX BATISTA / REVISTA GOL

Na principal obra sob sua assinatura, ela se utiliza de nomes do porte de Sueli Carneiro, Alice Walker, Chaimamanda Ngozi Adichie e Bell Hooks para abordar temáticas como os limites da mobilização nas redes sociais, as políticas de cotas raciais e as origens do feminismo negro no Brasil e nos Estados Unidos. Um recorte bastante amplo do que acomete os tempos atuais, feito destacado pela pesquisadora Simone Ricco em artigo escrito por Vagner Amaro, fundador da Editora Malê – voltada para publicação de autores e autoras negros.

Segundo a estudiosa, “a gente quer falar de literatura brasileira, mas de um recorte dela, o que está sendo produzido na literatura nacional contemporânea e destacando a produção negra. E muitos não sabem o que está acontecendo, não conhecem os autores, não têm ideia de como é o texto e ficam presos, muitas vezes, associando a literatura negra a um texto mais panfletário e muitas vezes não é o que acontece. A militância ocorre de uma forma bem mais literária”.

Em voga

Já em outro âmbito, dos escritores estrangeiros outrora ofuscados que ganharam maior destaque no Brasil com a recente publicação de obras, James Baldwin (1924-1987) é um dos que merecem maior atenção. Personagem de renome da literatura americana do século XX, nasceu em Nova York e é autor de uma vasta e relevante obra de ficção e não-ficção.

Entre os assuntos abarcados pelo seu guarda-chuva, estão a luta racial e questões de sexualidade e identidade. “O quarto de Giovanni” e “Terra estranha” são as obras editadas recentemente em solo nacional, pela Companhia das Letras.

Já Toni Morrison nunca perde o pique de ser bem-vinda e comentada ao redor do globo por deixar como legado a vivência das negras norte-americanas ao longo dos séculos XIX e XX. Ela já venceu o Pulitzer e foi a primeira escritora negra a receber o Prêmio Nobel de Literatura, em 1993, atestando o quão longe pode ir um tratamento esmerado sobre o genuinamente ser negro.

Fonte: Diário do Nordeste

Literatura infantil em acesso aberto enfrenta desafios para se consolidar

Movimento de acesso aberto, inicialmente voltado para a produção acadêmica, ganha força em outras esferas, mas ainda precisa superar barreiras

Artigo da InCID: Revista de Ciência da Informação e Documentação avalia vantagens e desafios da literatura infantil disponível gratuitamente na internet – Foto: Tinta1975/Wikimedia Commons

A literatura para crianças comprovadamente desenvolve o imaginário infantil e, para isso, é preciso que o livro conquiste pela narrativa interessante e outras características que envolvam os leitores mirins no enredo das histórias e permita-lhes viajar e vivenciar aventuras e experiências diferentes que as histórias proporcionam. Com a tecnologia de hoje, é possível encontrar essas obras on-line para serem lidas em tablets, computadores ou smartphones. Isso é bom ou ruim? As autoras do artigo publicado na revista InCID: Revista de Ciência da Informação e Documentação põem em pauta as vantagens e desafios da literatura infantil em acesso aberto.

Dentre as vantagens da literatura infantil em acesso aberto temos um grande alcance dos leitores às obras na internet, baixo custo, diferentemente dos livros impressos, e “a disponibilização de histórias em domínio público e variedade de formas proporcionadas pelas tecnologias para o formato digital e eletrônico”, sem esquecer o papel dos pais, professores e bibliotecários: permitir e incentivar esse exercício on-line de leitura. Em contrapartida há as desvantagens ou desafios: as questões dos direitos autorais, a relutância dos autores a criarem obras para o formato on-line e a iniciativa de conquistar-se os leitores com textos e ilustrações que explorem as possibilidades dos recursos digitais e eletrônicos para os livros infantis.

O artigo apresenta o mapeamento da literatura infantil existente em acesso aberto nos idiomas português e espanhol, cujos sites mais relevantes constam listados no artigo. Não se trata aqui de desprezar os textos impressos, segundo as autoras, mas de explorar os recursos singulares possibilitados pela tecnologia. As autoras chamam a atenção para o fato de que “a literatura infantil é arte […] narrativa voltada para instigar a imaginação”. Salienta-se a visão adultocêntrica da literatura infantil a “formar as opiniões das crianças, influindo na apropriação da língua e da cultura”, por meio de lendas, contos de fadas, folclore, adivinhas, trava-línguas, etc. Hoje, além dessas modalidades, a literatura infantil retrata tópicos e questões do cotidiano “cujos protagonistas são crianças que resolvem seus problemas do cotidiano sem a interferência dos adultos”.

Cabe lembrar que o movimento de acesso aberto, inicialmente, era voltado para a produção acadêmica, mas cada vez mais ganha força em outras esferas, entre elas, a produção literária voltada ao público infantil. Não se pode esquecer, contudo, que “o acesso aberto gera outras necessidades, como a regulamentação dos direitos autorais das obras publicadas na Internet”. O projeto Creative Commons, concebido inicialmente nos Estados Unidos, foi idealizado exatamente para suprir essa necessidade de regulamentação dos direitos autorais, facilitando, com respaldo de leis, a circulação e difusão de obras on-line.

Os sites encontrados disponibilizam as histórias em texto corrido, sem a preocupação com as imagens e formatos, “o que deixa a desejar ao se tratar de literatura infantil, dificultando a leitura e deixando-a cansativa, sem fluidez”. Relacionando as análises dos sites e blogs em português e espanhol, pode-se observar que a forma de apresentação desmotiva a leitura, principalmente para as crianças, pois a parte visual não é atrativa. É preciso que os autores sejam estimulados ao hábito de publicar no formato digital em acesso aberto. Ainda quanto à forma, “percebe-se um enorme descuido na divulgação das histórias em relação aos direitos autorais, pois em sua grande maioria não apresentam o autor nem a data”, o que remete a uma falta de preocupação quanto à disponibilização de uma literatura infantil de qualidade.

As autoras consideram os desafios maiores do que as vantagens, o que pode estar relacionado com as poucas e “recentes iniciativas voltadas para esse setor”, tendo como exemplo que a “única base de dados efetiva encontrada foi o Portal Domínio Público”, no formato PDF, não recomendável porque é apenas a “transposição do impresso para o digital, desprezando as tecnologias disponíveis para tal”, as quais são capazes de proporcionar uma leitura mais atraente visualmente, convidando o leitor a imergir nas mais variadas histórias.

Concluindo, o artigo ressalta a importância da existência de sites de textos infantis para estimular e autonomia aos leitores mirins, pois são instrumentos valiosos na “formação de indivíduos criativos, participativos, críticos e leitores para a vida toda”.

Clarice Fortkamp Caldin – Doutora em Literatura pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC e Professora Associada I na mesma Universidade.
E-mail clarice.fortkamp.caldin@ufsc.br

Priscila Machado Borges Sena – Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. E-mail priscilasena.ufsc@gmail.com

Jéssica Bedin – Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. E-mail jessicabedin06@gmail.com

Artigo

CALDIN, C.; SENA, P.; BEDIN, J. Literatura infantil em acesso aberto: análise das vantagens e desafios. InCID: Revista de Ciência da Informação e documentação, São Paulo, v. 9, n. 1, p. 130-145, 2018. ISSN: 2178-2075. DOI: https://doi.org/10.11606/issn.2178-2075.v9i1p130-145 . Disponível em: <
http://www.revistas.usp.br/incid/article/view/133893> . Acesso em: 23 ago. 2018.

Fonte: Jornal da USP

A volta ao mundo em 144 livros: um mapa-múndi feito com capas

Um usuário do Reddit criou um mapa mundial com a obra literária mais representativa de cada país

Não é fácil dizer qual é a obra literária mais representativa de cada país, mas houve uma tentativa no Reddit. Este mapa foi criado por Backforward24, um usuário do fórum, e, em cada país, vemos a capa de um de seus livros mais importantes. São 144 livros frente aos 193 Estados reconhecidos pela ONU.

Trata-se de uma segunda versão, já que a primeira continha alguns exemplos pouco canônicos. Por exemplo, o livro escolhido para a Espanha havia sido A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón, mas, neste novo mapa de 18 de março, já aparece Dom Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes. Mesmo assim, e apesar da colaboração de muitas pessoas sugerindo títulos, ainda há divergências. Para citar uma: a obra escolhida para Cuba foi Havana Bay, um romance em língua inglesa de Martin Cruz Smith, autor norte-americano.

Apresentamos o mapa em fragmentos que podem ser ampliados. Também usamos o título em português, quando há tradução publicada. O divertido deste mapa, precisamente, não é que escolhe o livro mais conhecido de cada país, e sim que dá novas ideias para nos aproximarmos de tradições literárias desconhecidas.

A volta ao mundo em 144 livros: um mapa-múndi feito com capas

A volta ao mundo em 144 livros: um mapa-múndi feito com capas

A volta ao mundo em 144 livros: um mapa-múndi feito com capas

A volta ao mundo em 144 livros: um mapa-múndi feito com capas

A volta ao mundo em 144 livros: um mapa-múndi feito com capas

A volta ao mundo em 144 livros: um mapa-múndi feito com capas

A volta ao mundo em 144 livros: um mapa-múndi feito com capas

A volta ao mundo em 144 livros: um mapa-múndi feito com capas

EUROPA

Noruega: Fome, de Knut Hamsun

Islândia: A Voz, de Arnaldur Indriðason

Suécia: A Saga de Gösta Berling, de Selma Lagerlöf

Finlândia: Soldados Desconhecidos, de Väinö Linna

Dinamarca: Senhorita Smilla e o Sentido da Neve, de Peter Høeg

Letônia: Nāvas Ena, de Rūdolfs Blaumanis

Estônia: Verdade e Justiça, de A. H. Tammsaare

Lituânia: White Field, Black Sheep: A Lithuanian American Life, de Daiva Markelis

Belarus: Vozes de Tchernóbil: A História Oral do Desastre Nuclear, de Svetlana Alexievich

Ucrânia: A Morte de um Estranho, de Andrei Kurkov

Moldávia: Educação Siberiana, de Nivolai Lilin

Romênia: A Floresta dos Enforcados, de Liviu Rebreanu

Bulgária: Sob o Jugo, de Ivan Vazov

Polônia: Pan Tadeusz, de Adam Mickiewicz

Alemanha: Os Buddenbrook, de Thomas Mann

Países Baixos: A Descoberta do Céu, de Harry Mulisch

Bélgica: The Sorrows of Belgium, de Leonid Andreyev

Luxemburgo: In Reality: Selected Poems, de Jean Portante

Reino Unido: Grandes Esperanças, de Charles Dickens

Irlanda: Ulisses, de James Joyce

República Checa: O Bom Soldado Svejk, de Jaroslav Hašek

Eslováquia: Rivers of Babylon, de Peter Pišťanek

França: O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas

Espanha: Dom Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes

Portugal: Memorial do Convento, de José Saramago

Áustria: O Homem sem Qualidades, de Robert Musil

Suíça: Heidi, de Johanna Spyri

Itália: A Divina Comédia, de Dante Alighieri

Eslovênia: Alamut, de Vladimir Bartol

Croácia: Café Europa, de Slavenka Drakulic

Hungria: Eclipse of the Crescent Moon, de Géza Gárdonyi

Bósnia e Herzegovina: O Diário de Zlata, de Zlata Filipovic

Sérvia: O Dicionário Khazar, de Milorad Pavić

Montenegro: Montenegro, de Starling Lawrence

Albânia: O General do Exército Morto, de Ismail Kadaré

Macedônia: A Irmã de Freud, de Goce Smilevski

Grécia: Ilíada, de Homero

Rússia: Guerra e Paz, de Liev Tolstoi

AMÉRICA

Canadá: Anne of Green Gables, de L. M. Montgomery

Estados Unidos: O Sol É Para Todos, de Harper Lee

México: Pedro Páramo, de Juan Rulfo

Guatemala: Homens de Milho, de Miguel Ángel Asturias

Belize: Beka Lamb, de Zee Edgell

Honduras: Cipotes, de Ramón Amaya Amador

El Salvador: Aroma de Café Amargo, de Sandra Benítez

Nicarágua: O País Sob Minha Pele, de Gioconda Belli

Costa Rica: La Isla de los Hombres Solos, de José León Sánchez

Panamá: Plenilunio, de Rogelio Sinán

Colômbia: Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez

Venezuela: Dona Bárbara, de Rómulo Gallegos

Guiana: O Palácio do Pavão, de Wilson Harris

Suriname: Hoe Duur Was de Suiker, de Cynthia McLeod

Guiana Francesa: Papillon, de Henri Charrière

Equador: Huasipungo, de Jorge Icaza

Brasil: Dom Casmurro, de Machado de Assis

Peru: Lituma nos Andes, de Mario Vargas Llosa

Bolívia: Raza de Bronce, de Alcides Arguedas

Paraguai: Eu o Supremo, de Augusto Roa Bastos

Argentina: Ficções, de Jorge Luis Borges

Chile: A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende

Uruguai: Futebol ao Sol e à Sombra, de Eduardo Galeano

Cuba: Havana, de Martin Cruz Smith

Haiti: Breath, Eyes, Memory, de Edwige Danticat

República Dominicana: A Fantástica Vida Breve de Oscar Wao, de Junot Díaz

Bahamas: The Measure of a Man, de Sidney Poitier

Jamaica: A Breve História de Sete Assassinatos, de Marlon James

Puerto Rico: When I Was Puerto Rican, de Esmeralda Santiago

Pequenas Antilhas: Vasto Mar de Sargaços, de Jean Rhys

Groenlândia: Islands, the Universe, Home, de Gretel Ehrlich

ÁFRICA

Argélia: O Estrangeiro, de Albert Camus

Líbia: No País dos Homens, de Hisham Matar

Egito: Entre Dois Palácios, de Naguib Mahfuz

Marrocos: O Menino de Areia, de Tahar Ben Jelloun

Mauritânia: Silent Terror: A Journey into Contemporary African Slavery, de Samuel Cotton

Mali: Soundiata ou L’Épopée Mandingue, de Mamadou Kouyaté

Níger: Sarraounia, de Abdoulaye Mamani

Chade: As Raízes do Céu, de Romain Gary

Sudão: Lyrics Alley, de Leila Aboulela

Nigéria: O Mundo se Despedaça, de Chinua Achebe

Camarões: O Velho Negro e a Medalha, de Ferdinand Oyono

República Centro-Africana: Batouala, de René Maran

Sudão do Sul: They Poured Fire on Us from the Sky, de Benson Deng, Alephonsion Deng, Benjamin Ajak e Judy A. Bernstein

Etiópia: Sob o Olhar do Leão, de Maaza Mengiste

Somália: O Pomar das Almas Perdidas, de Nadifa Mohamed

República Democrática do Congo: L’Ante-Peuple, de Sony Labou Tansi

Uganda: Abessijne Kronieken, de Moses Isegawa

Quênia: Pétalas de Sangue, de Ngũgĩ wa Thiong’o

Tanzânia: Desertion, de Abdulrazak Gurnah

Angola: A Gloriosa Família – O Tempo dos Flamengos, de Pepetela

Zâmbia: Scribbling the Cat: Travels with an African Soldier, de Alexandra Fuller

Moçambique: Terra Sonâmbula, de Mia Couto

Zimbábue: The House of Hunger, de Dambudzo Marechera

Namíbia: Born of the Sun, de Gillian Cross

Botsuana: Agência Nº 1 de Mulheres Detetives, de Alexander McCall Smith

África do Sul: Desonra, de J. M. Coetzee

ÁSIA

Turquia: Meu Nome É Vermelho, de Orhan Pamuk

Geórgia: O Cavaleiro na Pele de Pantera, de Shota Rustaveli

Armênia: The Fool, de Raffi

Azerbaijão: Blue Angels, de Chingiz Abdullayev

Irã: Shahnameh, The Epic of the Kings, de Ferdowsi

Iraque: The Madman of Freedom Square, de Hassan Blasim

Síria: The Dark Side of Love, de Rafik Scahmi

Líbano: The Hakawati, de Rabih Alameddine

Israel: Mornings in Jenin, de Susan Abulhawa

Kuwait: A Map of Home, de Randa Jarrar

Emirados Árabes Unidos: The Sand Fish, de Maha Gargash

Arábia Saudita: Cities of Salt, de Abdur Rahman Munif

Qatar: The Emergence of Qatar, de Habibur Rahman

Iêmen: The Hostage, de Zaid Damaj Mutiee

Omã: The Turtle of Oman, de Naomi Shihab Nye

Cazaquistão: The Book of Words, de Abay Qunanbayuli

Turquemenistão: A Tale of Aypi, de Ak Welsapar

Uzbequistão: Chasing the Sea, de Tom Bissell

Quirguistão: Jamilia, de Chingiz Aitmatov

Tajiquistão: Hurramabad, de Andrei Volos

Afeganistão: O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini

Paquistão: O Fundamentalista Relutante, de Mohsin Hamid

Nepal: Palpasa Cafe, de Narayan Wagle

Índia: O Deus das Pequenas Coisas, de Arundhati Roy

Butão: The Circle of Karma, de Kunzang Choden

Bangladesh: Uma Era de Ouro, de Tahmima Amam

Myanmar: Smile as They Bow, de Nu Nu Yi

Laos: On the Other Side of the Eye, de Bryan Thao Worra

Tailândia: Four Reigns, de Kukrit Pramoj

Vietnã: The Sorrow of War, de Bao Ninh

Camboja: First They Killed My Father, de Loung Ung

Taiwan: Green Island, de Shawna Yang Ryan

Sri Lanka: Anil’s Ghosts, de Michael Ondaatje

Mongólia: The Blue Sky, de Galsan Tschinag

Coreia do Norte: The Aquariums of Pyongyang, de Kang Chol-hwan

Coreia do Sul: A Vegetariana, de Han Kang

Japão: Coração, de Natsume Soseki

China: Dream of the Red Chamber, de Cao Xueqin

Malásia: The Garden of the Evening Mists, de Twan Eng Tan

Brunei: Some Girls: My Life in a Harem, de Jillian Lauren

Indonésia: Child of all Nations, de Pramoedya Ananta Toer

Filipinas: Noli Me Tangere, de José Rizal

Timor Leste: The Redundancy of Courage, de Timothy Mo

OCEANIA

Austrália: Cloudstreet, de Tim Winton

Papua-Nova Guiné: Death of a Muruk, de Bernard Narokobi

Vanuatu: Blackstone, de Grace Mera Molisa

Ilhas Salomão: Suremada, de Rexford T. Orotaloa

Fiji: Tales of the Tikongs, de Epeli Hau’ofa

Nova Zelândia: The Bone People, de Keri Hulme

Fonte: EL PAÍS

Militar e autor de Os Sertões: Flip 2019 homenageará Euclides da Cunha

Rodrigo Casarin

Autor do clássico “Os Sertões”, jornalista, engenheiro e integrante do exército nacional, Euclides da Cunha será o homenageado da edição de 2019 da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), que acontecerá entre os dias 10 e 14 de julho. “A obra de Euclides tem qualidade literária indiscutível, é um clássico brasileiro que nem sempre é lembrado. É também uma obra de não ficção e esse foi um dos aspectos que ressaltei sobre a minha curadoria. Finalmente, a obra de Euclides, em especial ‘Os Sertões’, é de uma atualidade assombrosa e serve como ponto de partida para debates em diversas áreas”, diz Fernanda Diamant, a nova curadora do evento, em entrevista ao blog.

A biografia de Euclides é marcada por múltiplas atividades. Em 1888, após tentar quebrar a própria* baioneta durante uma visita do ministro da Guerra em protesto contra a monarquia, foi excluído do Exército, para onde seria reconduzido após a proclamação da República, no dia 15 de novembro de 1889, e chegaria ao posto de Segundo Tenente. Nem só de farda viveu, no entanto. Como engenheiro, trabalhou na construção da Estrada de Ferro Central do Brasil. Como engenheiro, trabalhou na construção da Estrada de Ferro Central do Brasil. Como jornalista, fez história escrevendo para “A Província de São Paulo”, mais tarde transformado em “O Estado de São Paulo”.

Pelo jornal que foi para o interior da Bahia no final da década de 1890 cobrir a revolta de Canudos. Presenciando o massacre que os militares, sob a batuta do Estado, promoveram contra o movimento encabeçado por Antônio Conselheiro, começou a colocar em xeque suas ideias e a plena fé no governo republicano. Do trabalho como correspondente e do choque de realidade que presenciou que nasceu “Os Sertões”, clássico da literatura nacional publicado em 1902 e dividido em três partes: “A Terra”, “O Homem” e “A Luta”.

Membro da Academia Brasileira de Letras e também autor de livros como “Contraste e Confrontos” e “Peru Versus Bolívia”, Euclides nasceu em 1866 no Rio de Janeiro, onde morreu em 1909, aos 43 anos, após ser baleado por Dilermando vinha tendo um caso com Ana, mulher de Euclides, que resolveu se vingar dos dois à bala. Fracassou. Ele que acabou levando o tiro fatal e Dilermando, que agira em legítima defesa, depois foi absolvido por um júri popular. “Sua vida e sua obra são impressionantemente atuais, podemos tirar delas muitos assuntos para debater: política, filosofia, história, jornalismo, ciência, racismo, religião, literatura, ecologia, guerra e violência”, argumenta Fernanda, a curadora, sobre sua escolha.

Fernanda Diamant. Foto: Nino Andres.

Por que a escolha do Euclides como homenageado?

A escolha foi feita em primeiro lugar porque a obra de Euclides da Cunha tem qualidade literária indiscutível, é um clássico brasileiro que nem sempre é lembrado. É também uma obra de não ficção e esse foi um dos aspectos que ressaltei sobre a minha curadoria. Finalmente, a obra de Euclides, em especial “Os Sertões”, é de uma atualidade assombrosa e serve como ponto de partida para debates em diversas áreas.

Quais traços da obra e da biografia do Euclides mais chamam sua atenção? Por quê?

Euclides era do exército brasileiro, era engenheiro e jornalista. “Os Sertões” surge do trabalho dele como correspondente de guerra. Ele é enviado pelo jornal “O Estado de São Paulo” para cobrir a revolta de Canudos, no interior da Bahia. Vai com convicções políticas sobre a natureza do conflito que vão mudando conforme entra em contato com a realidade local.

Depois de termos Lima Barreto e Hilda Hilst como homenageados, agora o Euclides, um nome que me parece bem mais estabelecido em nosso cânone. O que isso simboliza? Sua curadoria da Flip se voltará mais para a literatura que se aproxima, emula ou segue abertamente a tradição canônica?

A escolha não teve esse critério. Euclides me parece a homenagem ideal nesse momento do Brasil. Sua obra discute uma série de temas que dizem respeito ao que estamos vivendo. Faz parte do cânone mas não é um autor popular, então acho que fazer sua obra mais acessível também será importante. Ainda, é um autor de não ficção, outra característica que considerei.

Quando você foi anunciada curadora, falou sobre o papel que a não ficção tem e teria em seu trabalho. “Os Sertões”, a grande obra de Euclides, segue essa linha. Essa escolha é mais uma sinalização no sentido de privilegiar a não ficção?

Quero apenas deixar claro que a ficção também terá bastante espaço na Flip, apenas quero dar mais espaço para a não ficção.

Aliás, há quem torça o nariz para a literatura de não ficção e pense que a Flip deveria preencher boa parte das cadeiras de suas mesas com autores de ficção literária – e dando preferência para nomes nacionais. O que você pensa disso?

Eu não tenho essa impressão, acho que a Flip tem espaço suficiente para os dois gêneros e público idem. Conheço muitos leitores vorazes que só consomem não ficção de qualidade. Percebo isso também como editora da [revista] Quatro Cinco Um, que cobre os dois gêneros.

Euclides morreu baleado em uma troca de tiros, após ele mesmo balear um amante de sua mulher. Como você encara esse episódio final da vida do escritor? Me parece simbólico termos a homenagem a um autor que morreu numa situação dessas ao mesmo tempo em que o Brasil promete facilitar as leis para que a população tenha novamente acesso amplo às armas.

Ainda não tinha feito essa associação com a biografia do autor, mas apenas confirma minha tese. Sua vida e sua obra são impressionantemente atuais, podemos tirar delas muitos assuntos para debater: política, filosofia, história, jornalismo, ciência, racismo, religião, literatura, ecologia, guerra e violência.

Já tem em mente quais eixos temáticos deverão nortear a Flip do ano que vem?

Todos esses assuntos [mencionados na resposta anterior], espero, terão espaço na programação.

Fonte: Blog Página Cinco

‘Meu pé de laranja lima’ concorre a prêmio no Reino Unido

O Cilip Carnegie Medal, um dos prêmios literários mais antigo do Reino Unido, reconhece os melhores livros infantis escritos ou traduzidos para o inglês

Dois dos mais antigos prêmios de literatura infantil do Reino Unido, o Cilip Carnegie e o Kate Greenaway Medals divulgaram os livros indicados para sua edição de 2019. Concedido pela CILIP: Instituto Chartered de Profissionais de Biblioteconomia e Informação, o prêmio é dado ao melhor livro escrito ou traduzido para o inglês e ao melhor livro ilustrado destinado às crianças e jovens. Dentre os nomes que aparecem na lista está a obra My sweet orange tree (Pushkin Chlidren’s Books) (Meu pé de laranja lima – Melhoramentos), livro de José Mauro de Vasconcelos e que foi traduzido por Alison Entrekin. Em março serão anunciados os finalistas do prêmio e logo depois, as obras serão lidas por crianças e jovens através de grupos de leitura em escolas e bibliotecas públicas. Os ganhadores serão anunciados no dia 17 de junho. A lista completa com os selecionados você encontra clicando aqui.

Fonte: PUBLISHNEWS

Festival literário de Jaú celebra a diversidade

Programação reunirá escritores, músicos e artistas plásticos em debates e saraus

O 1º Festival Literário Independente reunirá 48 atrações e a abertura será no Tijuana Rock Bar. Reprodução Facebook

Jaú – Entre os dias 9 e 18 de novembro, Jaú (47 quilômetros de Bauru) será palco do 1º Festival Literário Independente de Jaú (Flij), promovido pelo coletivo Literocupa e 11 Editora, que reunirá 48 atrações como saraus, café literário, oficinas de poesia, escrita criativa e quadrinhos, apresentações musicais e “rodas de conversa” sobre temas como literatura feminista, periférica, negra, infantil e de cordel. Os autores Michel Yakini, Daniel Carvalho, Poeta em Queda, Mariana Lacava e Mateus Grava são alguns dos convidados.

Segundo os organizadores, a iniciativa tem por objetivo estimular e facilitar o acesso da população às mais diversas vertentes da literatura e atividades culturais. Trata-se de uma iniciativa totalmente independente, sem nenhum apoio do poder público, e todas as atrações são gratuitas.

“Nossa ideia é criar uma conexão do espectador com a leitura e com a arte, permitindo às pessoas que despertem seus próprios critérios de interpretação”, diz Tamires Frasson, do Literocupa – coletivo que há mais de dois anos ocupa espaços públicos para realização de saraus, varais de poesia e oficinas literárias.

“Nós, da 11 Editora, sempre publicamos títulos que falam sobre o negro, a mulher, o interiorano, a periferia, o Nordeste, valorizando a diversidade”, conta Léa Prado, sócia-proprietária da 11 Editora. “Estamos levando um pouco de tudo isso ao festival, com atrações que se contraponham a esses tempos bicudos e mostrem a beleza da literatura, da música e das artes plásticas”.

PROGRAMAÇÃO

A programação será aberta no dia 9, a partir das 19h30, no Tijuana Rock Bar. Estão programadas duas rodas de conversa: “Literatura de cordel como patrimônio cultural brasileiro”, com Francisco Carlos Pontes, e “A Literatura Negra no Brasil e sua importância na representatividade”, com Sara Poetiza, Bruno Caldeira, Alan Tomaz e Cleber Amaral, com mediação de Jussara Felipe. Também haverá oficina de xilogravura, com Eder Grassi, sarau e exposição de fotografias do jornalista Rodrigo Castro.

No dia 10, as atividades prosseguem das 13h às 17h, na Escola Estadual Jardim dos Pires I, com oficina de poesia, sarau, música, contação de histórias pelos alunos e roda de conversa sobre “Literatura Marginal” com o poeta e professor Daniel Carvalho, mestre em Letras pela Universidade de São Paulo (USP).

Das 17h às 20h, o festival ocupa o Vitrolê Cultural e traz a exposição Trop-ciclagem, com Eder Grassi, apresentação musical com Gabriel Chapolin e a roda de conversa “O papel da literatura na sociedade”, com Poeta em Queda, Thiago Athayde e Matheus Grava, tendo como mediador Rafael Augusto.

Fonte: JCNET

A queda das livrarias e o futuro do livro e da literatura

Texto Thales Guarcy

Em artigo, o escritor e editor Thales Guaracy fala sobre um possível recomeço para o mercado editorial

Nas últimas semanas, começaram a surgir as primeiras notícias mais concretas da queda anunciada do mercado editorial brasileiro, pelo menos da forma como o conhecemos.

A Livraria Cultura, segunda maior rede de livros do país, pediu concordata e entrou no período judicial em que precisa apresentar uma proposta de pagamento aos credores para não ser liquidada.

A Saraiva, que já vinha renegociando pagamentos com as editoras, depois de um período de inadimplência, cortou 20 da sua centena de lojas num processo de reestruturação que deve estar longe de terminar.

A Companhia das Letras, editora com um dos maiores catálogos do país, teve seu capital vendido para a Penguin Random House, que já era sócia minoritária e tem mais cacife para segurar as contas.

É o fim do livro? Não, é um novo começo. Entre as editoras, existe a tendência da concentração, para que as empresas possam ganhar com a chamada cauda longa – vendas de muitos títulos, agregadas, dão alguma receita. E aumenta a importância da publicação digital, ou da autopublicação, que deixa de ser a alternativa de quem foi rejeitado pelas editoras, para aos poucos tomar o lugar do mainstream.

Isso vale tanto para os livros de não ficção, aí incluída a autoajuda, que já tem grande força no livro digital, quanto na literatura. Ela, que assim como o cinema já teve seus arautos do apocalipse, não está acabando. Pelo contrário. Muda o processo de criação, de divulgação e comercialização, mas a literatura nunca foi tão importante e ativa quanto agora.

O romance sempre teve um papel fundamental no desenvolvimento humano. A literatura é a vanguarda das ideias, que são o começo da ação e, portanto, das grandes mudanças. Basta dar alguns exemplos do passado, como 1984, em que George Orwell já imaginava um mundo em que todos eram vigiados em tempo real. Ou Viagem à Lua, de Júlio Verne, que já previa no século XIX o disparo de um bólido tripulado ao satélite da Terra, para voltar com auxílio da gravidade lunar.

Tudo aquilo que se imagina hoje é o primeiro passo da realidade de amanhã. A literatura tem ainda o poder de penetrar na alma humana, formar o indivíduo, que nela recolher a mais profunda e verdadeira fonte de ensinamentos: a experiência humana.

Em vez de perder com a crise do mercado editorial e do livro impresso, a literatura ganha força inaudita com o advento da internet. Ela permite que hoje qualquer um escreva em qualquer lugar do mundo – e seja lido. Como atividade profissional, isso exige também uma adaptação aos novos tempos: a formação de redes de leitores e o uso de mecanismos de venda também virtuais. Mas isso não é o fim da literatura ou do livro. É, pelo contrário, sua renovação mais impactante desde Gutenberg.

* Thales Guaracy é jornalista, cientista social, escritor e editor. Foi diretor editorial da Saraiva para Livros de Ficção e Não Ficção e criador do Prêmio Benvirá de Literatura. Como autor, tem duas dezenas de livros de ficção e não ficção publicados, o mais recente “A Criação do Brasil 1600-1700”, pela Editora Planeta

Fonte: PUBLISHNEWS

Confira 8 exposições voltadas à literatura em São Paulo

Em homenagem ao Dia Nacional do Livro, comemorado nesta segunda-feira, 29, apresentamos mostras ligadas à literatura em cartaz na cidade de São Paulo

A Biblioteca à Noite

Concebida pelo multiartista canadense Robert Lepage, em parceria com o escritor argentino Alberto Manguel, a mostra (foto abaixo) propõe, a partir de realidade virtual, uma imersão por bibliotecas ao redor do mundo, como a Biblioteca da Abadia de Admont, na Áustria; a Biblioteca do Congresso Americano. Sesc Avenida Paulista. Av. Paulista, 119, metrô Brigadeiro, 3170-0800. 10h30/21h (dom. e fer., 10h30/18h30; fecha 2ª). Grátis. Até 10/2/2019.

Estrutura Explodida – Vidobra de Haroldo de Campos

A mostra não homenageia somente Haroldo de Campos (1929-2003), mas também comemora o nascimento da poesia concreta no Brasil. São expostos ao público 20 obras originais do poeta. Casa das Rosas. Av. Paulista, 37, metrô Brigadeiro, 3285-6986. 10h/22h (dom. e fer., 10h/18h; fecha 2ª). Grátis. Por tempo indeterminado.

Machado de Assis na BBM: Primeiras Edições e Raridades

Buscando destacar a variedade da obra do escritor, que atuou em dezenas de jornais e revistas, a mostra reúne 108 itens, que incluem 17 periódicos com textos dele e 40 obras coletadas postumamente por pesquisadores. A curadoria é do professor Hélio de Seixas Guimarães. Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin. R. da Biblioteca, 21, Cidade Universitária, 2648-0841. 8h30/17h30 (fecha sáb. e dom.). Grátis. Até 22/11.

Mário de Andrade: uma Missão de Vida ou Morte

Com documentos e objetos de expedição feita ao Nordeste, a mostra celebra os 80 anos da Missão de Pesquisas Folclóricas, idealizada quando Mário era diretor do Departamento de Cultura de São Paulo. Casa Mário de Andrade. R. Lopes Chaves, 546, Barra Funda, 3666-5803. 10h/18h (fecha 2ª). Grátis. Até 11/11.

Millôr: Obra Gráfica

No Instituto Moreira Salles, a retrospectiva reúne 500 desenhos originais de Millôr Fernandes (1923-2012), feitos, sobretudo, para a imprensa. A seleção inclui desde autorretratos até ilustrações de sua visão crítica do País. Av. Paulista, 2.424, metrô Paulista, 2842-9120. 10h/20h (fecha 2ª; 5ª, 10h/22h). Grátis. Até 27/1/2019

Nós: 100 Anos

Há cem anos, Guilherme de Almeida lançava o livro ‘Nós’. A mostra lembra o centenário da publicação, com edições históricas, reproduções e manuscritos, além de outras obras literárias de nomes como Mário de Andrade e Cassiano Ricardo. Casa Guilherme de Almeida. R. Macapá, 187, Pacaembu, 3673-1883. 10h/18h (fecha 2ª). Grátis. Por tempo indeterminado.

Os Planetas de Ziraldo

Com curadoria de Daniela Thomas e Adriana Lins, a exposição mostra a influência que o universo exerce na obra do cartunista, que resultou em obras como ‘Flicts, O Planeta Lilás’. Casa Melhoramentos. R. Tito, 479, V. Romana, 3874-0402. Inauguração: hoje (19). 9h/21h (fecha dom. a 3ª). Grátis. Até 22/12.

Ziraldo… De A a Zi

A exposição é um passeio pelo universo ‘ziraldiano’ e permite conhecer a intimidade do artista, um pouco de sua vida pessoal e seus métodos de criação. Além de obras conhecidas, há experimentações gráficas, pinturas, rascunhos, anotações, cadernos de infância e outras raridades. São mais de 500 obras – entre elas, 200 criações originais do ‘pai’ do Menino Maluquinho, que completa 75 anos de carreira. Sesc Interlagos. Av. Manuel Alves Soares, 1.100, 5662-9500. 10h/17h (fecha 2ª e 3ª). Grátis. Até 4/8/2019.

Fonte: IstoÉ

Eva Furnari: “O faz de conta é importante para a criança. Ao simbolizar, o inconsciente manifesta-se”

Quando pequena, dotada do puro saber dos 6 anos, desenhou um homem-palito. Vestiu uma roupinha nele, blusa e calça, e entusiasmou-se com o próprio traço. É esse maravilhamento que desde então acompanha Eva Furnari, que costuma perceber cada coisa por meio do figurado. Felpo Filva, o coelho poeta, Lolo Barnabé, o inventor acidental, e Pandolfo Bereba, o príncipe que lista os defeitos alheios, surgiram com outros personagens do olhar criativo da autora, dona de uma narrativa ritmada e cheia de graça – zigue-zague harmônico de palavras e ilustrações.Eva nasceu em Roma, capital italiana, em 1948, mas aos 2 anos desembarcou no  Brasil. Em 1976, formou-se em arquitetura e urbanismo pela Universidade de São Paulo (USP) e, de 1974 a 1979, foi professora de artes no Museu Lasar Segall. Estreou na literatura em 1980, com a coleção de histórias visuais Peixe Vivo, e na mesma época colaborou no suplemento infantil da Folha de S.Paulo, com as tirinhas da Bruxinha. Com mais de 60 títulos publicados, prêmios vários e mil ideias, a escritora e desenhista sente que ainda há muitas linhas