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Literatura

Instituto de Estudos Brasileiros destaca a literatura de cordel

Literatura de cordel – Foto: Cecilia Olliveira – Flickr

Acervo da USP conta com mais de 4 mil volumes do gênero literário mais popular do Nordeste

Texto por Claudia Costa

A literatura de cordel chegou ao Brasil no século 18 através dos portugueses – ganhou esse nome porque os folhetos eram expostos amarrados em cordões, estendidos em pequenas lojas de mercados populares ou até mesmo nas ruas – e foi responsável pela difusão da arte folclórica, principalmente no Nordeste. Através de versos e rimas, o poeta compõe uma literatura popular absorta em elementos culturais que narram o cotidiano, com temas que vão da política e da religião até milagres e disputas. Para homenagear o Dia do Cordelista, comemorado em 19 de novembro, a série Acervos do Mês, do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP, destaca o seu vasto acervo de literatura de cordel, que reúne documentos de diferentes períodos, advindos de doações avulsas e de pesquisas realizadas durante o período de 1968 a 2004.

Capa do livro Leandro Gomes de Barros: o Mestre da Literatura de Cordel – Vida e Obra, de Arievaldo Viana – Foto: Arquivo IEB-USP

A coleção do IEB reúne mais de 4 mil documentos de autores expressivos da literatura de cordel, como Leandro Gomes de Barros, considerado o primeiro escritor brasileiro do gênero, além de carregar também o título de Maior Poeta Popular do Brasil. Além disso, presta homenagem ao escritor Arievaldo Viana, autor do livro Leandro Gomes de Barros: O Mestre da Literatura de Cordel – Vida e Obra, que faleceu neste ano. Como está escrito na página do IEB: “Ele estará para sempre referenciado em nossos acervos dedicados à literatura de cordel e em nossos corações”.

O público pode acompanhar outras coleções do catálogo (o link leva à referência do documento). Da coleção de Flávio Motta são listados 150 documentos, entre eles, o folheto A Mulher que Virou Cobra por Zombar de Frei Damião, de Pedro Bandeira Pereira de Caldas, impresso pela Editora e Folhetaria Luzeiro do Norte, e História da Princesa Cristina, de João Martins de Athayde, com ilustrações de José Stênio Silva Diniz, datado de 4 de novembro de 1973 e publicado pela Tipografia São Francisco, ambos impressos em Juazeiro do Norte.

De Gilmar de Carvalho, narrador das tradições populares do Ceará e do Nordeste que está se preparando para lançar no próximo ano o livro Poéticas da Voz – Aboios, Benditos, Cantoria, Cordel, Emboladas, Loas, Saraus, Torém, Trovas, pode ser encontrado no acervo do IEB, por exemplo, o folheto de oito páginas Raul Seixas – A saga do Maluco Beleza (2000), integrante da Coleção Cordel Sempre Vivo.

Com mais de 150 documentos, a coleção de José Saia Neto inclui vários folhetos, como História de Rosa Branca – ou a Filha do Pescador, com 40 folhas, impresso pela Editora José Bernardo da Silva, de Juazeiro do Norte, e A Mulher de Quatro Metros que Anda de Feira em Feira, com autoria e ilustrações de Enéias Tavares dos Santos (Editora e Agência de Folhetos Casa do Trovador Rodolfo Coelho Cavalcante, 1974, Aracaju).

O escritor Valdomiro Silveira (no centro), 1937 – Foto: Arquivo IEB-USP/Fundo Valdomiro Silveira

Já a coleção da antropóloga Ruth Brito Lemos Terra reúne quase 500 obras, entre elas o folheto de dez páginas A Visão Misteriosa – O Homem que Dormiu 100 Anos, de 1974, de autoria de João Cordeiro de Lima (Editora Manoel Caboclo e Silva, de Juazeiro do Norte) e Antonio Conselheiro: o Santo Guerreiro de Canudos, de Rodolfo Coelho Cavalcante, com ilustrações de José Soares da Silva (Editora e Agência de Folhetos Casa do Trovador Rodolfo Coelho Cavalcante, 1977).

Há também obras avulsas, incluindo outros 1.600 folhetos. Destaque para a série intitulada A Chegada de Lampeão no Inferno / Continua – A Triste Sorte d’uma Meretriz, de José Pacheco da Rocha, com ilustrações atribuídas a Damásio Paulo de Oliveira (Tipografia São Francisco, 1962, Juazeiro do Norte).

Outros autores de literatura de cordel presentes no acervo do IEB são João Martins Athayde, João de Barros e Patativa do Assaré. Ha ainda panfletos, fotografias, registros sonoros e matérias extraídas de publicações sobre a literatura cordelista. A coleção também possui xilogravuras de José Martins dos Santos e outras reunidas pelo folclorista Théo Brandão.

Da esquerda para a direita: Hebel Quintela, Valdemar Cavalcante, Graciliano Ramos, Aloísio Branco, Raquel de Queiroz e José Auto, 1º de janeiro de 1931 – Foto: Arquivo IEB-USP/Fundo Graciliano Ramos

Outros acervos do mês

Ainda em novembro, a série Arquivos do Mês destaca outros dois acervos preservados pelo IEB. O primeiro deles é o da romancista, cronista, contista e dramaturga brasileira Raquel de Queiroz (1910-2003). Autora consagrada, com apenas 20 anos publicou seu primeiro romance, O Quinze, em 1930, considerado um marco na literatura regionalista, o que lhe rendeu o prêmio da Fundação Graça Aranha em 1931. Em 1977, tornou-se a primeira mulher a integrar a Academia Brasileira de Letras (ABL). Na coleção do IEB se encontram documentos relacionados ao romance Memorial de Maria Moura (1993), pelo qual Rachel de Queiroz recebeu o Prêmio Camões – o arquivo ainda está em processo de organização e descrição.

O outro destaque do mês é o acervo de Valdomiro Silveira (1873-1941), escritor do início do século 20, que foi promotor público, advogado, jornalista, secretário da Educação, deputado estadual e vice-presidente da Constituinte Paulista. Como contista, fixou-se nos costumes e tradições paulistas, publicando, entre outras obras, Os Caboclos (1920), sua narrativa mais conhecida, Nas Serras e nas Furnas (1931) e Mixuangos (1937). O Fundo da Coleção Valdomiro Silveira também está em processo de organização.

A série Acervos do Mês do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP está disponível neste link.

Fonte: Jornal da USP

Segmento de biografias cresce com grandes livros e lições valiosas

Leitura. (Foto: Pexels)

O segmento de biografias é um dos favoritos dos brasileiros e existem diversos motivos para isso. Além de apresentar aos principais passos da história de sucesso de personalidades incríveis, essas obras fornecem grandes lições de vida e aprendizados valiosos.

De acordo com dados levantados pela quarta edição da Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Ibope Inteligência para o Instituto Pró-Livro (IPL) em 2015 e realizada a cada quatro anos, cerca de 35 milhões de brasileiros consomem obras de memórias e biografias – número equivalente a quase 40% do universo de leitores.

Segmento é um dos que mais cresce

Segundo dados da Nielsen Bookscan, o lançamento de livros de memórias em 2017 fez o segmento disparar em vendas no país e crescer 23,4% em relação a 2016, com uma alta de 8% no número de exemplares vendidos. Para fins de comparação, o setor de livros como um todo cresceu apenas 6%.

A tendência de crescimento continuou nos últimos anos e a quinta edição pesquisa da IPL revelou que ainda que o Brasil tenha perdido parte dos seus leitores, a média de livros lidos por eles aumentou de 4,54 para 4,95.

Além disso, cerca de 54% do público feminino se identifica como leitora, frente a 50% do público masculino, e impressionantes 82% dos entrevistados afirmaram que gostariam de ter lido mais, o que indica que os números devem crescer nos próximos quatro anos.

Diversas biografias fizeram sucesso entre os leitores nacionais e abaixo será possível conhecer algumas das mais recomendadas para qualquer leitor que queira ingressar nesse fenômeno.

Leia a matéria completa publicada pelo Portal R3

Lançamentos da literatura que ajudam a entender o racismo no Brasil

Com ficção, reflexão e poesia, três lançamentos convidam leitor a mergulhar em histórias que ajudam a entender o racismo no Brasil

Texto por Nahima Maciel

(foto: Companhia das Letras/Editoria Todavia/Companhia das Letras/Divulgação)

Racismo, pensamento africano contemporâneo, histórias de heroínas negras pouco contadas nas escolas e no dia a dia: os temas são abordados em uma boa leva de livros que acabam de desembarcar nas editoras. Para entender importância de celebrar o Mês da Consciência Negra, vale mergulhar na leitura de autores brasileiros que refletem sobre racismo, desigualdade, violência e discriminação sexual no cenário contemporâneo. O Diversão & Arte fez uma seleção que tem desde ensaios até ficção, incluindo um elegante livrinho de história escrito em forma de cordel sobre mulheres negras que fizeram a história do Brasil e sumiram dos livros e das narrativas.

O avesso da pele

De Jeferson Tenório. Companhia das Letras, 190 páginas. R$ 59,90

Terceiro romance do autor, um professor de literatura nascido no Rio de Janeiro e radicado em Porto Alegre, traz a história de um também professor de literatura, negro como Tenório, vítima de diversas abordagens racistas por parte da polícia e cuja vida acaba por ser tirada em um desses episódios. “Dos três livros que tenho, O avesso da pele foi o que se aproximou mais da minha vida, mas ele surge, na verdade, a partir de um livro que gosto bastante que é o Hamlet, a história de um filho que tem uma relação com um pai fantasma. Eu sempre quis escrever um livro sobre ausência paterna.

E também queria falar sobre um professor de literatura. Depois de sofrer uma abordagem policial em Porto Alegre, em 2016, achei que podia abordar esses três temas: ausência paterna, violência policial e educação”, conta Tenório. Estruturado com várias vozes narrativas, o livro é conduzido pelo filho do professor. Ao mesmo tempo em que revisita a história do pai ausente, o narrador investiga sua própria origem. O racismo é tema constante – Tenório decidiu escrever o livro após ele mesmo sofrer uma abordagem policial sem justificativa –, mas as relações familiares e a educação em um país marcado pela desigualdade social ocupam lugar importante na narrativa. O autor, que já esteve no programa Conversa com Bial, é também um dos convidados da edição on-line da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), programada para dezembro.

Leia a matéria completa publicada pelo Uai e conheça sobre as outras obras.

Biblioteca oferece bibliografia antirracista para celebrar Dia da Consciência Negra

A Biblioteca do Senado lançou um boletim de bibliografias selecionadas em comemoração ao Dia da Consciência Negra. Chamado de “Branquitude e Antirracismo: Alianças Possíveis”, a lista traz diversos títulos que incentivam a reflexão sobre o racismo no Brasil e promovem o debate sobre as relações raciais e o papel dos indivíduos na luta antirracista. Entre os livros selecionados estão: Não basta não ser racista, sejamos antirracistas, de Robin Diangelo; Tecendo redes antirracistas: Áfricas, Brasis, Portugal, de Anderson Ribeiro Oliva e O povo brasileiro, de Darcy Ribeiro. As obras selecionadas estão disponíveis no site da Rede Virtual de Bibliotecas (RVBI). A reportagem é de Lara Kinue.

Fonte: Agência Senado

‘Sempre fui em busca dos meus sonhos, como ela’, diz bibliotecária sobre escritora Carolina Maria de Jesus

Izabel Monteiro, de 33 anos, trabalha na Biblioteca Carolina Maria de Jesus, do Museu Afro Brasil, em SP, e vê similaridades entre sua vida e a da escritora negra autora de ‘Quarto de Despejo’. Série especial do G1 ‘O que nos une’ marca semana da Consciência Negra.

Texto por Fábio Tito

Antes de entrar na faculdade para cursar biblioteconomia, Izabel Monteiro, de 33 anos, fez um preparatório no Cursinho Popular Carolina de Jesus, no Capão Redondo, Zona Sul de São Paulo. Saiu de lá, como diversos outros estudantes, sem saber sequer que era uma importante escritora negra quem dava nome ao local.

Também mal sabia que essa coincidência faria tanto sentido poucos anos depois, quando conseguiu um estágio na Biblioteca Carolina Maria de Jesus, que faz parte do Museu Afro Brasil, no Parque Ibirapuera.

Na semana da Consciência Negra, o G1 publica a série especial “O que nos une”. As reportagens lembram personagens negros e negras importantes na história do Brasil, através do olhar de pessoas inspiradas por eles ou que têm trajetórias similares.

Izabel Monteiro, responsável pela Biblioteca Carolina Maria de Jesus, em São Paulo, exalta a memória da escritora e seu ‘diário de uma favelada’. Ela posou para fotos no amanhecer diante do museu onde trabalha, no Parque Ibirapuera — Foto: Fábio Tito/G1

“Até então eu não sabia a importância dessa mulher negra na literatura brasileira. E aí eu vim trabalhar no museu, onde tive o contato com as obras da Carolina. Inclusive, eu li todos os livros da Carolina, sou fã da escrita dela. Preservar essa memória é uma responsabilidade muito grande, um desafio que eu faço com o maior orgulho”, afirma Izabel.

Não por acaso, os olhos da bibliotecária brilham quando alguém pergunta sobre Carolina. Depois de estudar sobre a vida da escritora, Izabel viu familiaridades entre a história delas duas.

Carolina Maria de Jesus saiu de Sacramento, no interior de MG, para tentar a vida em São Paulo, onde se instalou na favela do Canindé, na Zona Central. Os pais de Izabel também haviam deixado o Nordeste em busca de oportunidades na cidade grande do Sudeste.

Leia a matéria completa publicada pelo G1

“Bibliotecário lê livros por telefone a idosos em casas de repouso de cidade da Espanha”

“O projeto “Contos por telefone” foi idealizado por Juan Sobrino para que idosos continuassem ouvindo histórias mesmo à distância.| Foto: Reprodução/Facebook Ayuntamento Soto del Real”

“Juan Sobrino é bibliotecário na Biblioteca Municipal Pedro Lorenzo, em Soto del Real, Madri. Ele, juntamente com outros funcionários da instituição e voluntários, costuma ir a casas de repouso para ler aos idosos que nelas vivem. O programa de leitura nas casas existe desde 2015 e a rotina sempre foi selecionar um título interessante aos ouvintes e sentar-se ao lado deles para ler. Mas, com a pandemia, isso não foi mais possível.”

“Então, o que fazer para manter os idosos de Soto del Real entretidos nas casas de repouso, se não era mais possível ter contato físico com eles por conta das restrições? Foi aí que Juan teve a ideia de ler os livros por telefone e criou o Cuentos por teléfono. “Pensei nos idosos, que são os mais vulneráveis ​​à Covid-19 e que não podem sair de casa com frequência, e também naqueles que estão em lares de cuidado especial e não podem receber visitas de familiares ou amigos”, contou Juan em entrevista à prefeitura de Soto del Real.”

“E apesar de o momento não ser dos melhores, a pandemia trouxe um progresso: levar o programa de leituras para o telefone, melhorou a frequência com que ele acontece. Ao El País Juan contou que agora os idosos podem ouvir novas histórias uma vez por semana e não precisam mais esperar um mês. Além disso, foi feito um reforço para que cada voluntário fale sempre com a mesma pessoa. A intenção é criar um vínculo afetivo para que cada vez mais os voluntários saibam o que aquele idoso gosta de ouvir, acertando em cheio seus corações.”

Leia a matéria completa publicada pelo Sempre Família

Cidinha da Silva: conheça a escritora negra brasileira que será lida por milhões no mundo todo

Cidinha da Silva teve o livro ‘Os nove pentes d’África’ incluído no Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) / Foto: Lis Pedreira

Escritora mineira nascida em Belo Horizonte, Cidinha da Silva, de 53 anos, será lida por milhões de estudantes e professores de escolas públicas de educação básica de todo o Brasil. A autora da ficção literária “Os nove pentes d’África” — publicada pela Mazza Edições, em 2009 — teve o livro incluído no , que distribui gratuitamente obras didáticas, literárias e pedagógicas a instituições de ensino público fundamental do país.

Operacionalizado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, do Ministério da Educação, o PNLD atende alunos do 6º ao 9º ano do ensino fundamental. Para receber os livros oferecidos pelo programa, os dirigentes das redes de ensino público básico de cada localidade precisam manifestar interesse e encomendar os materiais oferecidos.

Assim, desde setembro deste ano, o livro de Cidinha — que vem acompanhado de um guia sobre como deve ser utilizado em sala de aula — pode ser requisitado diretamente ao programa do governo federal por diretores e professores da rede pública de ensino.

Com 17 livros publicados, Maria Aparecida da Silva (seu nome de batismo) é graduada em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e, além de escritora, presidiu o Geledés – Instituto da Mulher Negra e foi gestora de cultura na Fundação Cultural Palmares.

Leia a matéria completa publicada pelo Hypeness

A literatura comparada como exercício democrático

Elena Brugioni fala sobre pós-colonialismo e pós-modernismo na perspectiva da literatura comparada, vertente que guia sua pesquisa em crítica literária em busca de caminhos não-hegemônicos

Texto por Luisa Ghidotti Souza

Literaturas africanas comparadas é um livro da professora Elena Brugioni que traz à área da crítica literária uma proposta de análise pouco explorada no Brasil. A autora chegou à Unicamp em 2016 para ministrar disciplinas em literatura africana na graduação dos cursos de Letras e Estudos Literários. A obra oferece grande contribuição, não só para a formação dos estudantes, mas também para as discussões sobre literatura comparada e estudos pós-coloniais, que vêm alcançando maior visibilidade no Brasil. Como nos mostra Brugioni, as pesquisas sobre esse tema vêm sendo conduzidas, em todo o mundo, com especial atenção ao tema do pós-colonialismo.

A recente obrigatoriedade do ensino de cultura e literatura africanas nas escolas brasileiras amplia o interesse pelo assunto. Como nos mostra Brugioni, as pesquisas em literatura africana vêm sendo conduzidas por pesquisadores, em todo o mundo, com especial atenção ao tema do pós-colonialismo, e discorre sobre alguns pontos relevantes para a esse tipo de análise aplicada aos romances históricos africanos. Literaturas africanas comparadas  é finalista na categoria Línguas, Letras e Artes, do Prêmio ABEU 2020, da Associação Brasileira de Editoras Universitárias.

Editora da Unicamp: Para além do amparo teórico para a sala de aula da graduação, quais outras contribuições Literaturas africanas comparadas pode oferecer à área de crítica literária no Brasil?

Elena Brugioni: O livro é fruto de um percurso de estudo que tenho desenvolvido nos últimos anos, e a ideia principal foi reunir trabalhos e reflexões que pautam minha trajetória acadêmica no âmbito da pesquisa e da docência. As obras literárias analisadas no livro, bem como os tópicos críticos e as problematizações teóricas abordadas, pretendem estabelecer um diálogo com os debates que configuram os campos das Literaturas Africanas, da Literatura Comparada e dos Estudos Pós-coloniais em diversos contextos acadêmicos e institucionais, não apenas de língua portuguesa. Neste sentido, penso que a contribuição do livro, além de trazer para a sala de aula alguns dos mais canônicos e recentes debates críticos que pautam estes campos de estudo, é apresentar discussões e propostas que estabelecem um diálogo com problematizações teóricas matriciais que configuram as críticas literárias contemporâneas no âmbito dos estudos recentes sobre romance africano, do debate crítico comparatista sobre sistemas literário e literatura-mundial e das cartografias teóricas pós-coloniais, dentro e fora do Brasil. A literatura como sistema e alegoria nacional, ou ainda, como registro social e político, a relação da escrita literária com a modernidade e o capitalismo global, os temas da oposição e da resistência às narrativas coloniais e imperiais que pautam o romance africano contemporâneo, a relação entre escrita literária, história, memória e futuro em diversos contextos e situações pós-coloniais são algumas das questões desenvolvidas no livro. O contraponto entre línguas e tradições intelectuais, áreas de estudo, campos disciplinares e geografias críticas distintas são algumas das diretrizes teóricas e metodológicas que procurei seguir neste ensaio cujo objetivo primordial é o de pensar as literaturas africanas e suas possíveis cartografias críticas por meio de perspectivas conceituais e teóricas de matriz transacional. Por fim, pensando na contribuição que o livro pode dar ao campo da crítica literária no Brasil, não quero dizer que tentei fazer algo novo, pois não tenho grande simpatia por novidades — sobretudo quando se trata de crítica literária —, mas certamente procurei ensaiar leituras teóricas menos desgastadas e trazer alguns repertórios bibliográficos menos comuns.

Leia a entrevista completa publicada pela Unicamp

‘A sociedade quer novas histórias’, diz escritor negro finalista do prêmio Jabuti

Alê Santos concorre na categoria ensaio com obra que traz histórias de personagens da história afro falando sobre lutas. Escritor de Guaratinguetá (SP) fala sobre reconhecimento em mercado editorial, predominantemente branco.

Texto por Poliana Casemiro

Alê Santos concorre ao prêmio Jabuti — Foto: Divulgação

O publicitário e escritor Alê Santos, de Guaratinguetá (SP), foi indicado ao prêmio Jabuti, um dos mais importantes da literatura do país. Negro, do interior e de periferia, Alê recebeu destaque, que rendeu a indicação, pelo livro “Rastros de Resistência” que traz histórias de personagens da história afro falando sobre as lutas deles.

“Essa indicação representa uma quebra do paradigma. Uma sociedade que não se assumia racista e que passou a tomar posição. As pessoas estão se tocado que não é normal viver em um país em que você entra em um estabelecimento e todos são brancos. E que a maioria dos pobres são pretos”, disse.

Alê concorre na categoria ensaios na 62ª edição do prêmio. O autor comenta que a atual edição ouviu uma luta das minorias, que tenta extrapolar as barreiras majoritárias brancas do mercado editorial. Com ele, Djamila Ribeiro, Petrônio Domingues, ambos negros e com obras sobre o racismo, além do líder indígena, Ailton Krenak.

Alê Santos trabalha há dez anos com literatura, mas ganhou voz no mercado com a internet. O autor viralizou no twitter com as “threads” — como são chamadas as publicações em série — contando a saga de líderes negros e explicações sobre a origem do racismo. Depois do viral, recebeu convite de editoras para transformar as postagens em obras.

Leia a matéria completa publicada pelo G1

STJ julgará pedido para tirar livro de Monteiro Lobato de escolas públicas

Texto por Sérgio Rodas

Acórdão que reconhece a incompetência do Supremo Tribunal Federal para analisar mandado de segurança contra parecer do Conselho Nacional de Educação, homologado pelo Ministro da Educação, é omisso se não ordenar a remessa da ação à corte competente — no caso, o Superior Tribunal de Justiça.

Com esse entendimento, a 1ª Turma do STF, por unanimidade, aceitou, nesta terça-feira (20/10), embargos de declaração do Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara) e enviou para o STJ processo que pede que o livro Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato, seja retirado da lista de leitura obrigatória em escolas públicas.

Em 2014, o ministro Luiz Fux negou liminar no MS do Iara para que a então presidente, Dilma Rousseff, decidisse se o livro deveria ser retirado da lista de leitura ou não. Segundo Fux, o presidente da República tem o poder, mas não a obrigação, de avocar para si a decisão sobre questões administrativas que julgue urgentes ou importantes. A decisão foi confirmada pelo colegiado.

Leia a matéria completa publicada pelo Consultor Jurídico

Ícones da literatura infantil invadem o Metrô de SP

As aventuras de Narizinho, Emília e Pedrinho podem ser ouvidas gratuitamente pelos usuários da linha metroviária e por todas as pessoas cadastradas no aplicativo da Tocalivros

Crédito: Divulgação/Tocalivros

Uma menina de oito anos, de nariz arrebitado, que adora jabuticaba e tem como melhor amiga uma boneca de pano falante e divertida. No mês das crianças, nada mais justo do que os personagens mais icônicos da literatura infantil brasileira ganhar os vagões do Metrô de São Paulo. Pó de Pirlimpimpim, de Monteiro Lobato, é o audiolivro gratuito de outubro que compõe o projeto entre a Tocalivros Social, por meio do Clube Digital de Leitura, e a Linha da Cultura do Metrô de São Paulo.

As aventuras de Narizinho, Emília e Pedrinho para desvendar os mistérios do pó de pirlimpimpim podem ser baixadas gratuitamente em audiolivro. Basta fazer um cadastro na plataforma da Tocalivros e resgatar o cupom SERCRIANCA clicando aqui ou apontar a câmera do seu smartphone para o QRCode nos cartazes presentes nas estações da linha 4 amarela da ViaQuatro, que se conecta com as estações do Metrô.

Além dos usuários do Metrô, o audiolivro está disponível para qualquer pessoa cadastrada no aplicativo. Uma ótima oportunidade de aproveitar o Dia das Crianças com muita cultura e entretenimento com os pequenos. 

Leia a matéria completa pulicada pelo ABC do ABC

Dupla de escritoras lança o livro infantil “Que História é Essa?”

Novidade será apresentada em live, nesta segunda

Clarissa Padovani Mussoi e Cintia Rezzadori assinam a obra Foto: Reprodução

Texto por Siliane Vieira

A dupla de escritoras Clarissa Padovani Mussoi (carioca radicada em Caxias) e Cintia Rezzadori (farroupilhense radicada em Santa Catarina), aproveitaram o Dia das Crianças para lançar ao mundo uma novidade dedicada aos pequenos. É o e-book Que História é Essa?, divertida história sobre uma traça que tenta mostrar para um rato as confusões que ele arruma dentro de uma biblioteca. As ilustrações são assinadas por Gloria Brandão.

O lançamento oficial será por meio de live, às 20h desta segunda (12), no www.youtube.com/crb8sp. O e-book pode ser adquirido pelo site da Amazon, ao valor de R$ 16,78. As autoras planejam que Que História é Essa? ganhe formato físico ainda neste mês. Para mais tarde, a ideia é oferecer ainda versões do livro em inglês e italiano.

Fonte: Pioneiro

Proposta determina que bibliotecas públicas tenham acervo de literatura infantil

O Projeto de Lei 621/20 determina que as bibliotecas públicas ou aquelas pertencentes a instituições federais – como museus, centros de documentação e memória, fundações ou órgãos similares – deverão organizar acervos de literatura infantil e infantojuvenil.

Daniela do Waguinho, autora da proposta
Cleia Viana/Câmara dos Deputados

O texto em tramitação na Câmara dos Deputados determina ainda que, apenas mediante o cumprimento dessa condição, as bibliotecas pertencentes a instituições privadas poderão receber apoio financeiro ou doações de acervo pelo poder público.

“Desenvolver nas crianças o gosto pela leitura é uma estratégia para melhorarmos os níveis de aprendizagem escolar e para nos contrapormos à tendência de crescimento do analfabetismo funcional”, afirmou a autora, deputada Daniela do Waguinho (MDB-RJ).

Tramitação
A proposta tramita em caráter conclusivo e será analisada pelas comissões de Cultura; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Reportagem – Ralph Machado

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Novo site trata da Literatura Brasileira no século XXI

Projeto é uma parceria entre a Unifesp e a SP Leituras

No mês dedicado à leitura e literatura, o site Literatura Brasileira no XXI, realizado em parceria pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), por meio da atuação do curso de Letras da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (EFLCH) – Campus Guarulhos, e a SP Leituras – Associação Paulista de Bibliotecas e Leitura, entra no ar. O conteúdo traz um cardápio variado de textos, dissertações, críticas, entrevistas e podcasts sobre o tema, tendo como base o acervo de obras contemporâneas e as programações culturais da Biblioteca de São Paulo (BSP) e da Biblioteca Parque Villa-Lobos (BVL). A BSP e a BVL são instituições da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, geridas pela Organização SP Leituras, eleita pelo segundo ano consecutivo como uma das melhores ONGs do Brasil.

O projeto contempla ainda um conjunto diferenciado de obras sobre Literatura Brasileira Contemporânea no século XXI disponíveis na BSP e na BVL, além de ações de mediação e formação, como oficinas de criação e crítica, em parceria com as equipes das bibliotecas integrantes do SisEB – Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo. Em razão do Dia da Leitura e da Literatura, comemorado em 12 de outubro, o site inclui, em sua estreia, conteúdos relacionados com os temas “Literatura Esporte Clube”, “Mulheres na Literatura” e “Literatura pode ser cura?”.

“Esperamos, com este projeto, contribuir para dar o destaque que a Literatura Brasileira Contemporânea, que é de altíssima qualidade e enorme diversidade – de autores, de temas, de formas e de gênero – merece”, diz Pierre André Ruprecht, diretor executivo da SP Leituras.

Leia a matéria completa publicada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

Obras literárias ganham novos formatos para pessoas com deficiência

Ao todo, 13 obras estão disponíveis online e gratuitamente; veja

Obras literárias ganham novos formatos para pessoas com deficiência. Foto: Thinkstock/Veja Leia mais em: https://veja.abril.com.br/educacao/57-das-criancas-entre-5-e-9-anos-ja-usaram-computador/

A Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência anunciou a disponibilização de quatro obras literárias gratuitas acessíveis em formato de libras, legenda, áudio, imagem e leitura simples para a população.

Entre as 13 obras já disponíveis para pessoas com deficiência, os clássicos literários Come, menino, de Letícia Wierzchowski, A mulher que matou os peixes, de Clarice Lispector, Um sonho no caroço de abacate, de Moacyr Scliar, e A aldeia sagrada, de Francisco Marins, ganham destaque.

Segundo a secretaria, o objetivo do projeto é proporcionar o acesso de pessoas com deficiência ao mundo da literatura. A ação faz parte do programa Leitura Inclusiva.

As obras, que podem ser acessadas no site Pessoa com Deficiência e contribuem com a equiparação de oportunidades e o fortalecimento das políticas, programas e projetos relativos aos direitos das pessoas com deficiência, com ênfase no acesso ao livro e à leitura, introduzindo a questão da acessibilidade e inclusão, de forma articulada e transversal.

Leia a matéria completa publicada pelo ACidade ON – São Carlos

Clube de leitura do Memorial da América Latina discute obra de Julio Cortázar

Crédito: Governo do Estado de São Paulo

O Memorial da América Latina promove, no dia 17 de outubro, o segundo encontro do clube de leitura Ler a América Latina, iniciativa do Centro Brasileiro de Estudos da América Latina (CBEAL) de fomento e valorização da literatura latino-americana, que teve início em setembro.

O próximo encontro será sobre “A casa tomada”, do escritor argentino Julio Cortázar. Publicado em 1946 na revista literária Los Anales de Buenos Aires, dirigida por Jorge Luis Borges, o conto foi incluído na coletânea Bestiário, em 1951. O texto apresenta a história de dois irmãos, moradores de uma casa que, aos poucos, vai sendo ocupada por forças misteriosas.

Com o objetivo de fomentar a leitura e a discussão sobre a literatura latino-americana, o clube acontece uma vez por mês, aos sábados, com curadoria da equipe da Biblioteca Latino-Americana, todos realizados por meio da plataforma Zoom, sempre das 10h às 11h30. Os contos selecionados para o projeto estarão disponíveis gratuitamente para download. Neste ciclo de 2020 o tema foi Literatura Fantástica e, no primeiro encontro, o conto analisado foi “A chinela turca”, de Machado de Assis. Estão previstos para esse ano, ainda, leituras de João Rio e Horacio Quiroga.

A mediação do debate fica por conta do colaborador da Biblioteca Latino-americana, Eduardo Martins de Azevedo Vilalon.

Leia a matéria completa publicada pelo ABC do ABC

O QUE SÃO FANFICS E COMO ELAS ESTÃO GANHANDO O MERCADO EDITORIAL

Texto por Waldir Leo Santos

Quando os fãs resolvem usar da imaginação para construir novas histórias em seus universos favoritos, nascem as fanfics. Conheça um pouco sobre essas obras criadas por fãs e fique sabendo como algumas dessas obras ganharam o mundo.

O que são as fanfics?

Fanfic é a abreviação de fan fiction, uma expressão em inglês que se traduz para “ficção de fã”. Ou seja, é quando um admirador se inspira em uma trama consolidada no mercado para criar uma história própria, decidindo novos destinos e situações para personagens criados por outra pessoa.

Um enredo seu com personagens da cultura pop? Parece uma ótima ideia e realmente é!

Muitas pessoas se enganam ao acreditar que as fanfics nascem e morrem como histórias de “gaveta”, pois existem vários exemplos conhecidos de best-sellers que surgiram a partir de uma história de fã.

Para citar alguns exemplos

Posso começar citando 50 Tons de cinza, romance hot que lotou tanto as filas dos cinemas quanto as livrarias. E.L James nunca escondeu a origem de seu renomado livro: Crepúsculo. Sim, 50 tons de Cinza é uma fanfic adaptada do best-seller.

Bella e Edward foram transformados em Anastasia Steele e Christian Grey, o livro perdeu o universo vampiresco para ganhar tons mais sensuais e o vampiro se tornou um playboy rico com desejos incomuns.

Leia a matéria completa publicada pelo Jambô Editora

Livro infantil com temática LGBTQ+ gera polêmica educacional em Taiwan

Por Beh Lih Yi

(Thomson Reuters Foundation) – Um livro infantil de tema LGBTQ+ sobre dois príncipes que se apaixonam e se casam gerou protestos de pais em Taiwan, depois de ter sido adicionado a um programa de leitura apoiado pelo governo.

“King & King”, publicado originalmente em holandês, conta a história de um jovem príncipe que foi pressionado por sua mãe a se casar com uma princesa, mas depois se apaixonou por outro príncipe.

A versão chinesa do livro foi adicionada a uma lista de livros que o governo distribuiu para estudantes de seis e sete anos neste mês em Taiwan, que, no ano passado, se tornou o primeiro lugar na Ásia a permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

O programa de leitura faz parte de uma atividade extracurricular que visa fomentar o amor pela leitura e não é obrigatório nas escolas. Apesar disso, a medida gerou protestos do lado de fora do Ministério da Educação nesta semana.

Leia a matéria completa publicado pelo Extra

A literatura pode reverter a desvalorização do olhar das mulheres negras no Brasil

A afirmação é de Winnie Bueno, que está com um novo projeto que leva a leitura de escritoras negras às periferias

Texto por Fabiana Reinholz

Desde muito pequena sempre tive os livros como meus amigos e como espaço de refúgio – Marília Dias

O hábito de leitura no país, apesar de ter avançado, ainda está aquém do ideal. Segundo a quarta edição do estudo Retratos da Leitura no Brasil, publicada pelo Instituto Pró-Livro em 2016, desenvolvida a cada quatro anos, o número de pessoas consideradas leitoras saltou de 88,2 milhões em 2011 para 104,7 milhões em 2015. Contudo 44% da população brasileira está enquadrada como “não leitores”. As mulheres continuam lendo mais do que os homens: 59% são leitoras, enquanto 52% são leitores.

“Livro é um bem caro, infelizmente, e o controle de acesso ao conhecimento é uma ferramenta de manutenção de poder. Não é, sem razão que querem taxar os livros ainda mais”, afirma a  doutoranda em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande Do Sul (UFRGS), Winnie Bueno.

Os livros, no país, estão livres de isenção desde 1946, quando o escritor Jorge Amado, então deputado federal pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), conseguiu que fosse incluída na Constituição daquele ano a isenção de impostos para o papel utilizado na impressão de livros, jornais e revistas. A proposta tinha como objetivo permitir que o livro e a imprensa pudessem chegar às camadas mais amplas da população, em um país marcado intensamente pelo analfabetismo. O legado de Jorge Amado sobreviveu à época da ditadura, sendo consolidado na Constituição de 1988, em seu artigo 150, que determina que é vedada à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios criarem impostos de qualquer natureza sobre o livro e a imprensa escrita.

Agora, o governo de Jair Bolsonaro (sem partido), impulsionado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que chegou a afirmar que livro é coisa da elite, pretende, através de uma reforma tributária, taxar os livros em 12%. Diversas associações do setor como a Associação Brasileira de Difusão do Livro (ABDL), a Associação Nacional das Livrarias (ANL) e a Câmara Brasileira do Livro (CBL), lançaram o Manifesto em Defesa do Livro.

Com objetivo de reverter essa lógica e de democratizar o acesso de pessoas negras à literatura, Winnie criou o Tinder dos livros, em 2019, transformando-se no Winnieteca. Recentemente, a iyalorixá e mestra em Direito pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, com pesquisa dedicada ao pensamento de Patricia Hill Collins, lançou o projeto Lendo Mulheres Negras nas Comunidades. Esse visa equipar cinco bibliotecas comunitárias com 40 obras sobre mulheres negras. O financiamento coletivo pode ser acessado aqui.

Em entrevista ao Brasil de Fato RS, Winnie fala dos seus projetos, da importância da escrita feita por mulheres negras e da proposta de se taxar livros em 12%. “Numa sociedade estruturalmente racista, onde ferramentas ideológicas são articuladas para cercear a subjetividade dessas mulheres, a escrita é um importante instrumento de autodefinição”, afirma. Para ela, a proposta de taxação é um ataque à educação, extremamente elitista e representa um projeto de manutenção do poder. “Como eles não podem mais queimar os livros, visam tornar os mesmos inacessíveis. É um retrocesso”.

Veja abaixo a entrevista completa

Brasil de Fato RS – Poderia começar nos contando um pouco da tua trajetória e teu encontro com a literatura?

Winnie Bueno – Eu sempre li. Desde muito pequena sempre tive os livros como meus amigos e como espaço de refúgio. Os livros me davam a oportunidade de acolhimentos que eu não encontrava na escola, por exemplo. Fui uma adolescente rata de biblioteca e minha mãe e minha vó me davam livros de presente sempre. Minha vó lê muito, e eu sempre vi minha vó lendo, é um hábito construído pelo afeto entre as mulheres da minha família. Minha vó, minha mãe, minhas primas.

BdFRS – Ao falarmos de literatura, como tu avalias a literatura feita por mulheres, em especial, mulheres negras no país? A importância dessa literatura? E o que ainda precisamos evoluir?

Winnie – A escrita para mulheres, sobretudo para mulheres negras, é uma ferramenta importante de autodefinição. A escrita de mulheres negras fez possível que essas mulheres escrevessem em voz própria suas narrativas e trajetórias. Numa sociedade estruturalmente racista, onde ferramentas ideológicas são articuladas pra cercear a subjetividade dessas mulheres, a escrita é um importante instrumento de autodefinição. Isso está mobilizado na escrita de Carolina de Jesus, de Conceição Evaristo, de Jarid Arraes, todas elas encontraram na escrita formas de falar sobre mulheres de maneira complexa, viva, sincera e não estereotipada.

O que precisa evoluir é o incentivo para a publicação de obras de mulheres negras e a circulação dessas obras. Os livros de mulheres negras precisam ocupar as prateleiras de destaque nas livrarias, precisam estar acessível a outras mulheres negras, precisam circular mais e com mais destaque.

“Os livros de mulheres negras precisam ocupar as prateleiras de destaque nas livrarias, precisam estar acessível a outras mulheres negras, precisam circular mais e com mais destaque” / Fabiana Reinholz

BdFRS – Pensando em formas de democratização da leitura de mulheres negras, gostaria que tu nos contasse sobre o projeto Winnieteca, lançado ano passado. Qual a trajetória e história dele até o momento?

Winnie – A Winnieteca é uma forma de possibilitar acesso aos livros para quem não tem como acessar. Livro é um bem caro, infelizmente, e o controle de acesso ao conhecimento é uma ferramenta de manutenção de poder. Não é sem razão que querem taxar os livros ainda mais. A Winnieteca é uma possibilidade de reverter essa lógica, é pra isso que ela foi criada, para que as pessoas negras possam acessar os livros que elas precisam e contornar as barreiras do racismo nesse acesso. A gente tem conseguido acessar muitas pessoas, mas ainda falta. Falta gente que entenda a importância de dar um livro que uma pessoa precisa, para quem precisa.

BdFRS – E também gostaria que falasse sobre o novo projeto Lendo Mulheres Negras Nas Comunidades.

Winnie – O Lendo Mulheres Negras nas Comunidades é um financiamento coletivo que visa equipar cinco bibliotecas comunitárias nas cinco regiões do país com uma seleção de livros sobre mulheres negras. Eu fiz a curadoria desses livros, mobilizando tanto autoras da literatura, quanto livros de teoria feminista e compreendidos importantes sobre mulheres negras. Serve para colocar esses livros nas periferias, acessíveis à comunidade negra. Do que vale traduzir a Patricia Hill Collins se as pessoas para quem ela escreveu os livros não puderem acessar esses livros?

BdFRS – Qual o papel da leitura no combate ao racismo e às demais formas de manifestação de ódio e preconceito?

Winnie – Conhecimento é uma das poucas coisas que ninguém pode te tirar. Ler livros de mulheres negras é uma forma de compreender a sociedade a partir do olhar dessas mulheres. O olhar de mulheres negras sobre a sociedade brasileira é totalmente desvalorizado nesse país, a leitura pode reverter esse cenário.

BdFRS – Paira agora uma nova ameaça quando falamos de leitura, a taxação de livros. Como tu vê essa proposta e impactos que ela pode trazer?

Winnie – Essa proposta é um ataque à educação, é extremamente elitista e representa um projeto de manutenção do poder. Como eles não podem mais queimar os livros, visam tornar os mesmos inacessíveis. É um retrocesso.

BdFRS – Tu és uma grande estudiosa das obras da socióloga Patricia Hill Collins. Gostaria que nos falasse da sua importância para o ativismo e para o pensamento feminista negro. E que avaliação tu fazes do movimento feminista negro no país?

Winnie – Foi o ativismo político e intelectual de mulheres negras que desmantelou o mito da democracia racial. Foram ativistas como Sueli Carneiro, Jurema Werneck, Maria Conceição Fontoura, Nilma Bentes, Nilma Lino Gomes que construíram e tocaram as principais lutas por justiça social nesse país. O movimento de mulheres negras brasileiro é um dos mais potentes projetos de justiça social da história. E continua sendo.

São mulheres que pensam outro pressuposto civilizatório a partir da pluralidade, da heterogeneidade, isso é profundamente democrático e transformador.

Projeto Lendo Mulheres Negras nas Comunidades pretende equipar cinco bibliotecas comunitárias com 40 obras sobre mulheres negras / Divulgação

Fonte: Brasil de Fato Rio Grande do Sul

Autores indígenas refletem sobre literatura

Texto por Estadão Conteúdo

Essa é uma história nova e, ao mesmo tempo, muito antiga. Nova porque começou a ser escrita, literalmente, há cerca de 30 anos, depois da Constituição de 1988, depois do início das políticas públicas para a alfabetização dos povos indígenas e da promulgação da Lei n.º 11.645, que, em 2008, incluiu a temática História e Cultura Afro-brasileira e Indígena no currículo das escolas, abrindo caminho para a publicação de obras literárias. E antiga porque é milenar, remete a conhecimentos e tradições de muito antes de Cabral e foi passada oralmente de geração em geração.

Uma história que começou a ser contada em livro por nomes como Eliane Potiguara, Kaká Werá e Daniel Munduruku, e que hoje encontra novas vozes, linguagens e temas – sempre com o mesmo respeito pela ancestralidade e pela terra.

Julie Dorrico tem 30 anos. Mora em Porto Velho, é macuxi, escritora, poeta e faz doutorado em literatura indígena na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande de Sul. Pelas suas contas, existem hoje, no Brasil, 57 autores indígenas. Ainda é pouco, mas é um começo – e Julie ajuda a divulgar o trabalho deles em seu canal no YouTube, o Literatura Indígena Brasileira.

Se antes o espaço era ocupado pelos autores de livros para crianças – e Julie diz que essa foi uma estratégia dos próprios escritores que, ao iniciar o diálogo com a sociedade dominante, optaram por começar a falar com educadores e crianças -, hoje vemos pensadores como Ailton Krenak e Davi Kopenawa despertando o interesse do grande público.

Leia a matéria completa publicada pelo site ISTOÉ.

As histórias do continente africano em destaque

Texto por Marco Antônio Reis

As histórias do continente africano em destaque

1ª parte

2ª parte

Autores e Livros tem edição especial abordando a literatura produzida por escritores negros. Um dos assuntos é o acervo da Biblioteca do Senado dedicado a autores que discutem a inserção dos negros na sociedade, mas também há espaço para obras de valor literário, como os livros de Maria Firmina dos Reis e de Conceição Evaristo.

Na entrevista da semana, a conversa é com Avani Souza, que lançou ‘A África recontada para crianças’, uma verdadeira viagem pela cultura dos países africanos de língua portuguesa. E no Encantos de Versos, Marluci Ribeiro apresenta quatro poetas negros que precisam ter a obra lida sempre.

Autores no programa

Achille Mbembe, Angela Davis, Maria Firmina dos Reis, Conceição Evaristo, Machado de Assis, Avani Souza, Adão Ventura, Oliveira Silveira, José Alberto e Carlos de Assumpção.

Fonte: Senado Federal

Memorial da América Latina lança clube de leitura online sobre literatura latino-americana

Com quatro encontros, projeto Ler a América Latina tem início no dia 19 de setembro, com o conto “A chinela turca”, de Machado de Assis

O Memorial da América Latina lança, no dia 19 de setembro, uma nova atividade online: o clube de leitura Ler a América Latina. Neste primeiro módulo estão previstos debates sobre Machado de Assis, Julio Cortázar, João Rio e Horacio Quiroga.

Com o objetivo de fomentar a leitura e a discussão sobre a literatura latino-americana, o clube terá quatro encontros, aos sábados, com curadoria da equipe da Biblioteca Latino-Americana, todos realizados por meio da plataforma Google Meet, sempre das 10h  às 11h30. Todos os contos selecionados para o projeto estarão disponíveis para download.

O tema do primeiro encontro é Literatura Fantástica, em que será discutido o conto “A chinela turca”, de Machado de Assis. Publicado pela primeira vez no jornal A Época, em 1875, foi incluído na coletânea Papéis Avulsos, em 1882. O conto apresenta a história do bacharel Duarte que, ao se preparar para ir a um baile com Cecília, recebe a visita do major Lopo Alves, disposto a ler para ele um livro de 180 páginas.

A mediação do debate fica por conta do colaborador da Biblioteca Latino-americana, Eduardo Martins de Azevedo Vilalon.

O link para acessar a plataforma será enviado por e-mail 15 minutos antes do encontro. Haverá emissão de certificado (frequência mínima de 75%). As inscrições devem ser feitas por formulário online, no link https://forms.gle/VeyAdBnNQ61bfXjP6

A atividade também está comprometida com a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), que prevê 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estando relacionada ao Objetivo 4: ““Assegurar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos” (https://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/).

Confira a programação completa

19 de setembro

“A chinela turca”, Machado de Assis

17 de outubro

“A casa tomada”, Julio Cortázar

 14 de novembro

“O bebê de tarlatana rosa”, João do Rio

12 de dezembro

“O travesseiro de pena”, Horacio Quiroga

Serviço:

Clube de Leitura Ler a América Latina

Dias 19/09, 17/10, 14/11 e 12/12

Das 10h às 11h30

Plataforma: Google Meet (o link será enviado 15 minutos antes do encontro)

Inscrições: https://forms.gle/VeyAdBnNQ61bfXjP6

Certificados: frequência mínima de 75% do total de encontros do ciclo

Fonte: Memorial da América Latina

Papel social: ler mulheres na literatura brasileira

No Brasil também temos uma porção de autores que nós precisamos valorizar, em especial mulheres brasileiras cuja contribuição é indispensável para o alcance de uma sociedade mais justa

Texto por Da Reportagem

É preciso reformular a ideia do escritor inacessível, ou apenas remeter ao clássicos
Foto: Pexels

Franz Kafka já disse que a “literatura é sempre uma expedição à verdade”, e qual é a nossa verdade quanto sociedade? Se as notícias de jornais nos trazem a informação com tempo de validade contado, na literatura a informação se junta a uma outra, transforma-se em ideia e então, já em narrativa, dura, persiste e finalmente aguça o senso crítico e nos faz pensar sobre as coisas que afetam nossas vidas.

Best-sellers internacionais enchem prateleiras de livrarias, o que é justo, já que leitura sempre será bem-vinda. Mas no Brasil também temos uma porção de autores que nós precisamos valorizar, em especial mulheres brasileiras cuja contribuição é indispensável para o alcance de uma sociedade mais justa.

A literatura brasileira contemporânea – e feminina – como papel social

É preciso reformular a ideia do escritor inacessível, ou apenas remeter ao clássicos. Todo o respeito à Machado de Assis ou Castro Alves, mas a literatura brasileira está viva e tem muito conteúdo bom que infelizmente é pouco divulgado, principalmente de escritoras mulheres. Elas são mães, pesquisadoras, mulheres negras, homossexuais, moradoras de periferia, etc. Ler o que essas mulheres têm a dizer é um aprendizado necessário como indivíduo e cidadão, além de ceder-lhes espaço para discutir questões sociais, de gênero e raciais que são mais dominadas por homens ou por uma elite.

Leia a matéria completa publicada pelo site Diário do Litoral.

Roger lança projeto para publicar 50 livros de autores negros e indígenas

Roger Machado durante entrevista no novo CT do Bahia, em Salvador
Imagem: Darío Guimarães Neto/UOL

Texto por Demétrio Vecchioli

Uma das principais vozes do movimento negro no futebol brasileiro, o técnico do Bahia, Roger Machado, quer promover a negritude e a luta antirracista para muito além do esporte. O treinador é o mecenas de um projeto que pretende lançar 50 livros de autores negros e indígenas nos próximos cinco anos e, quem sabe, se tornar uma editora no futuro. Já em 2020 serão publicados 10 livros da coleção Diálogos da Diáspora que, graças ao financiamento do Projeto Canela Preta, de Roger, chegarão ao mercado com preço acessível para a parcela mais carente da população, formada em sua maioria por negros.

“Quando minhas filhas eram pequenas, eu procurava livros para elas, de literatura infanto-juvenil, com autores e personagens negros, e tinha dificuldade e encontrar. Essa inquietação cresceu quando li o livro da Chimamanda Adichie que fala do perigo da história única, como é prejudicial o país quando a história é contata só por um lado, o lado que detém os meios da produção do conhecimento”, conta Roger.

Essa inquietação também é presente na academia. “Menos 10% dos livros publicados no Brasil são de autores não brancos e isso é um reflexo da exclusão no espaço acadêmico. Com a chegada de mais negros à universidade, fruto das cotas socioraciais, a gente está tendo maior produção sobre racismo, lutas contra desigualdade social, e a gente entendeu que era importante ter um fomento de produção editorial desse espaço”, conta Tadeu de Paula, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e um dos coordenadores do Grupo de Pesquisa Egbé.

Os dois se encontram como pais com filhos numa mesma escola gaúcha. Ele disse: ‘Que tal a gente pensar conjuntamente?’ E eu disse que era isso que eu tava procurando fazer. Eu não conseguia achar o fio por onde começar, mas é isso que eu quero. E daí surgiu a ideia de nos próximos cinco anos eu fazer o financiamento de 10 publicações por ano de autores não brancos.”

Leia a matéria completa publicada no site UOL.

Violeira usa traços da literatura de cordel em suas obras

Compositora Laís de Assis se inspira na cultura do romanceiro popular nordestino

O programa Revoredo desta semana apresenta o trabalho da violeira Laís de Assis. Mestre em Música na área de Etnomusicologia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), a artista é também compositora, pesquisadora e educadora musical.

Participou de importantes festivais de música em Recife, Pernambuco, como o Sonora – Ciclo Internacional de Compositoras, Projeto Elas São Frevo e Festival de Cultura Mostra da Roda e é considerada como uma das poucas mulheres que tocam a viola nordestina instrumental longe do canto.

Em suas obras traz a cultura do romanceiro popular nordestino, conhecido como literatura de cordel. São folhetos que guardam arte e literatura por meio de poesias e xilogravura, assim como da música e do canto de seus versos acompanhados pela viola ou rabeca. O programa apresenta as  músicas: Ponteada, Guaxo, Maria Bunita, Galo de ouro e Espelhos.

Ouça o programa Revoredo na íntegra no player acima.

Fonte: Jornal da USP

Editoras independentes criam projetos para fomentar mercado literário

Projeto permite que novos autores tenham suas histórias publicadas obra física e digital, além do resgate de clássicos

Texto por Beatriz Araujo

Editoras independentes lançaram campanha de financiamento coletivo pela plataforma Catarse | Foto: Reprodução

Manaus – Com o objetivo de movimentar a indústria literária e levar oportunidades a autores independentes por meio da criação de boas histórias, as editoras independentes Lendari e o Grupo Estante, do jornalista amazonense Mário Bentes, lançaram as campanhas de financiamento coletivo para desenvolver contos inéditos, e inovar com a publicação de textos clássicos como os originais escritos por Machados de Assis, em 1873.

Criada em 2014, a editora Lendari é especializada e conhecida nacionalmente por suas histórias de fantasia, realismo mágico, terror e ficção científica, que cativam seus leitores e auxilia novos autores brasileiros a entrar no mundo da leitura. Atualmente a editora o projeto “Matadores de aluguel: o sindicato”, a primeira coletânea do selo Morgue, que une thrillers e romances policiais e permite que autores brasileiros desenvolvam histórias curtas e misteriosas para serem publicadas. O projeto é organizado pela escritora J. M. Menez e encontra-se com edital aberto até 31 de agosto de 2020.

Os autores precisam escrever histórias onde os protagonistas sejam assassinos profissionais em uma missão para O Sindicato, uma organização secreta que pouco se sabe, mas que é influente o suficiente para não deixar pistas ou indícios concretos sobre sua existência. As histórias poderão se passar em qualquer época, de forma que os autores possam ter liberdade de explorar cenários, regiões, períodos históricos específicos do passado e usar tais elementos para a melhor construção do enredo de suas tramas. O projeto deve ser uma franquia com outras continuações em sub-temáticas que serão definidas pela editora na ocasião do anúncio dos próximos projetos.

Projeto permite que os autores sejam moderno e criativos na criação das histórias de terror | Foto: Reprodução

Já o Grupo Estante lançou o projeto ‘Histórias da Meia-Noite”, que busca desenvolver uma nova edição do livro de contos de 1873 do escritor, Machado de Assis, em edições impressas individuais de cada uma das seis histórias. Os contos possuem títulos lançados originalmente em jornais nos quais Assis trabalhava. A obra é composta por seis contos: “A parasita azul”, “As bodas de Luís Duarte”, “Ernesto de Tal”, “Aurora sem dia”, “O relógio de ouro” e “Ponto de vista”.

Leia a matéria completa publicada no site do Em Tempo.

A importância da Literatura Infantojuvenil

Texto por Renata Neves

Muito se tem debatido, principalmente na internet, acerca de quais livros devem ser considerados como literatura e quais não, e o ramo infantojuvenil é um dos principais discutidos. Algumas pessoas tentam argumentar e insistem em dizer que não deveria ser considerado (ALÔ, JÚLIA DE LETRAS), mas eu, como uma boa defensora desse conteúdo vim esclarecer a importância da literatura infantojuvenil para a formação de leitores.

É importante ressaltar que embora esse tipo de leitura seja feita e promovida visando uma idade específica (crianças/adolescentes), isso não impede que pessoas de outra faixa etária, como os adultos, consumam esse material, uma vez que eles tratam dos mesmos assuntos abordados em diversos outros livros, apenas de uma perspectiva diferente.

É necessário compreender também que a literatura infantojuvenil não é um gênero literário por si mesmo, isso quer dizer que dentro dele você pode encontrar de tudo, desde ficção científica, suspense, romance e uma infinidade de temas.

A problemática de tudo consiste na ideia errônea de que os jovens sabem/entendem menos, e por isso algumas pessoas partem da premissa (TOTALMENTE INCOERENTE) de que esses livros seguem uma linha de raciocínio boba, quando na verdade ambos os pensamentos estão errados. Independente do tema abordado um livro sempre possui algo para aderir a nossa vida, seja uma nova palavra, uma lição vivenciada pelos personagens ou a simples experiência de conhecer um novo mundo.

Leia a matéria completa publicada no site do Beco Literário.

Game com Mário de Andrade permite passear por SP em plena pandemia

Texto por SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Esqueça por um instante a pandemia do novo coronavírus. Imagine agora o escritor Mário de Andrade (1893-1945) perambulando pelo centro da capital, no começo do século passado, atrás das frases perdidas do livro “Paulicéia Desvairada”.

Na história, que ultrapassa os limites do surreal, o poeta pretende mostrar sua obra, no dia seguinte, aos amigos e ao público na Semana Moderna de 1922.

Contudo, o livro é roubado por um homem que viajou no tempo e acaba, após uma confusão, tendo as suas partes espalhadas pelo centro histórico.

Esse é o enredo do game que o redator e designer Fifo Lazarini, 37 anos, lança para celular até o fim do ano. A ideia principal é que a novidade ajude como complemento ao conteúdo escolar, mas que possa interessar também aos entusiastas da literatura em geral.

Leia a matéria completa em GaúchaZH e saiba mais sobre o jogo relacionado com a obra de Mário de Andrade.

Escritoras negras aliam poder da literatura à denúncia das desigualdades e opressões

Inspiradas na realidade das periferias e sertões nordestinos, elas misturam aspectos da vida pessoal e questões sociais

Texto por Lucila Bezerra

Luna começou a viver a poesia nas ruas através do projeto Agentes da Palavra – Divulgação

No último dia 25 de Julho foram comemorados o Dia da Mulher Negra Latinoamericana e Caribenha e também o Dia do Escritor. Em todo o Brasil, diversas mulheres negras se utilizam da escrita para contar as suas histórias e para lutar contra as opressões impostas pelo racismo, pelo machismo e pelo patriarcado, a exemplo de Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo e Maria Firmina dos Reis, com obras reconhecidas nacional e internacionalmente. Elas utilizam o poder da palavra e dos versos como ferramenta de denúncia e transformação social.

“Se a gente for olhar na nossa literatura, por vezes as mulheres negras são citadas e tratadas com estereótipos, mas não há uma valorização das histórias contadas por essas próprias mulheres”, afirmou a baiana Jamile Araújo, que é física, comunicadora popular e escritora.

Jamile é umas das autoras do livro “De Bala em Prosa”, que reúne textos de diversos autores que falam sobre as expressões do racismo no Brasil. O nome do livro faz uma referência a a morte do músico Evaldo Rosa e do catador de materiais recicláveis Luciano Macedo causada por 80 tiros disparados por policiais militares do Rio de Janeiro em abril de 2019.

Jamile exemplifica que algumas trajetórias demoram a ser reconhecidas “A gente tem como exemplo é a própria Carolina Maria de Jesus, que era catadora de material reciclável, e escrevia nos seus diários a partir das angústias que ela sentia, da fome, do peso de ser mãe solteira que precisava sustentar dos seus filhos, de ser mãe solteira e pobre, e a partir disso foi a forma dela falar das suas angústias. O livro foi traduzido, ficou famoso, mas essa forma de escrita ainda não é valorizada”.

Apesar de sempre ter utilizado da escrita como uma forma de expressar as suas emoções, Jamile se dedicou à formação superior em física antes de se tornar escritora, mas depois foi voltando a sentir necessidade de utilizar a palavra como forma de se expressar após se deparar com diversas formas de opressão e preconceitos. “Com o período da formação em física isso ficou meio adormecido, mas, a partir do momento que eu ingressei nos movimentos sociais, isso meio que voltou à tona, sobretudo quando eu tenho um contato com a leitura de mundo,  entender o que é o racismo, o que é o machismo, o que é o patriarcado, a exploração dos trabalhadores”, disse Jamile, “Isso trouxe a angústia, mas também me fez ter vontade de voltar a escrever e me expressar”.

Para a poetisa recifense Luna Vitrolira isso não foi diferente. Ela começou a viver a poesia nas ruas através de um projeto chamado Agentes da Palavra, onde viajava pelos sertões e pelas periferias para levar seus versos. “O agente de saúde ele vai de de casa em casa para verificar água, para dar uma informação, a gente ia para dizer poesia”, relembra.

Ela aponta que sempre teve na escrita um instrumento de autocuidado através dos diários e, com o passar do tempo descobriu na palavra o papel de dar voz àqueles que são oprimidos. “Quando eu começo na literatura, infelizmente eu não começo com essa consciência desse papel tanto artístico, quanto político, quanto poético-literário. Mas intuitivamente eu sempre tive a poesia como guiança, então eu vou pra rua com um posicionamento político, mesmo que esse posicionamento não estivesse no meu discurso, estava na minha prática”, afirmou a poetisa.

A literatura tem o papel de fazer as escritoras encontrarem a própria voz dentro do lugar onde vivem, sendo utilizada como instrumento de denúncia e uma forma de se chamar atenção. “A minha poesia começa no sertão, então quando eu começo a declamar no sertão para pessoas sertanejas, isso tem um lugar de identificação também. Então isso respaldava e fundamentava tudo o que eu comunicava para as pessoas”, disse.

Luna também percebe em sua poesia uma função social “Então, para mim, a minha poesia sempre esteve nesse lugar político, sempre foi uma ferramenta de transformação social, de conscientização, de humanização. Hoje a minha poesia fala da minha voz, da minha vida, do meu lugar de fala, do lugar de onde eu vejo o mundo. Então passa pelo lugar de ser uma mulher negra, uma mulher negra, gorda, nordestina e sertaneja”.

Fonte: Brasil de Fato – Pernambuco

O legado de J.R.R. Tolkien na cultura e sua literatura fantástica

J.R.R. Tolkien é uma referência na literatura fantástica. | Foto: Reprodução.

Texto por Guilherme Schanner

Não é exagero dizer que J.R.R. Tolkien é a maior referência para a literatura fantástica. Além de suas obras terem atraído milhares de fãs pelo o mundo inteiro, também é a base para toda a fantasia moderna, seja pela a história de aventura em um mundo mágico, a presença de seres encantados, como elfos e anões, ou pela sutileza poética em sua narrativa.

A obra mais reconhecida de Tolkien, O Senhor dos Anéis, conta a história de Frodo Bolseiro, um hobbit que recebeu a missão de destruir o Um Anel para derrotar Sauron, o Senhor do Escuro. Ao longo de sua jornada, Frodo e seus amigos passam por perigos e desafios até a conclusão da aventura.

Esse tipo de história inspirou na criação de muitas outras desse gênero, como a saga de Harry Potter, de J.K. Rowling, ou As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R.R. Martin. Embora a narrativa de cada um seja distinta, ambas contêm em seus respectivos mundos os aspectos de magia e de aventura. A própria autora J.K. Rowling afirmou isso:

Penso que, se deixarmos de lado o fato de que os livros falam de dragões, varinhas mágicas e magos, os livros de Harry Potter são muito diferentes, especialmente no tom. Tolkien criou toda uma mitologia. Não penso que alguém possa dizer que eu tenha feito isso.

Leia a matéria completa publicada pelo Fala Universidades e compreenda a importância de J.R.R. Tolkien para a literatura fantástica.

Instituição realiza mapeamento dos planos de livro e leitura no Brasil

Iniciativa visa incentivar e apoiar o desenvolvimento das ações voltadas para a consolidação dos planos de leitura no país

As políticas públicas do livro, leitura, literatura e bibliotecas são de suma importância para a democratização do acesso aos livros, do fortalecimento das bibliotecas, da economia do livro, formação de leitores, entre outros. É notório o quanto essas políticas estão sofrendo ataques na atual conjuntura brasileira, tanto na cultura como na educação.

Tendo esses desafios em vista, a “Rede Leitura e Escrita de Qualidade para Todos” (LEQT) está desenvolvendo um mapeamento das iniciativas dos grupos que lutam pela construção dos Planos Estaduais e Municipais do Livro e Leitura (PELLLBs e PMLLLBs). Hoje estados como o do Rio de Janeiro e municípios como o de São Paulo já contam com seus planos, mas a maioria das regiões ainda não têm seus Planos.

José Castilhos Marques Neto e Renata Costa, ex-secretários Executivos do Plano Nacional do Livro e Leitura conduzirão esse mapeamento e pesquisa juntamente com o apoio dos integrantes da Rede. A LEQT vai atuar por meio de seus grupos de trabalho (GTs), em especial o GT territórios para incentivar e apoiar o desenvolvimento das ações voltadas para a consolidação dos planos de leitura no maior número possível de estados e municípios brasileiros.

Acesse a matéria completa publicada pela Biblioo e saiba como participar do levantamento das políticas públicas locais do livro, leitura, literatura e bibliotecas

Ana Carolina Carvalho de Almeida Nascimento desenvolve o projeto de pesquisa “Uma história da literatura de cordel no Rio de Janeiro contada pelos periódicos guardados na Biblioteca Nacional”

A pesquisa “Uma história da literatura de cordel no Rio de Janeiro contada pelos periódicos guardados na Biblioteca Nacional”, em desenvolvimento pela bolsista Ana Carolina Carvalho de Almeida Nascimento, explora um conjunto de artigos publicados em jornais do Rio de Janeiro que tratam da presença da literatura de cordel na cidade.

Ana Carolina Carvalho de Almeida Nascimento, pesquisadora e bolsista do Programa de Apoio à Pesquisa da Biblioteca Nacional.

No final do ano de 2018, a Literatura de Cordel foi reconhecida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como Patrimônio Cultural Brasileiro. O reconhecimento é resultado de um longo processo de articulação, que envolveu poetas de cordel e suas entidades representativas, pesquisadores acadêmicos e instituições de guarda de acervos.

A Fundação Biblioteca Nacional guarda em seu acervo folhetos de cordel que começaram a ser organizados como uma coleção no ano de 1985, a partir da atuação do pesquisador Bráulio do Nascimento, especialista em romances e contos populares, e então assessor da Diretoria da Biblioteca. No ano de 2012, a seção de Depósito Legal da Biblioteca realizou uma campanha de captação de folhetos para a atualização do acervo, que segue em curso. Para os poetas de cordel, a Biblioteca Nacional, a partir do registro de autoria, é um importante espaço de referência para a construção das suas identidades como autores.

Mas além dos folhetos, a instituição guarda na seção de Publicações Seriadas um acervo precioso para a história e documentação da literatura de cordel, e que não foi devidamente explorado e divulgado: os artigos publicados nos mais diversos jornais e revistas do país que trataram, ao longo das décadas, desta forma expressiva sob múltiplas interpretações.

Acesse a matéria completa publicada pela Biblioteca Nacional e saiba mais sobre o novo site da Biblioteca Apostólica Vaticana

Breve história da literatura indígena contemporânea: pioneiros

Eliane Potiguara aos 27 anos Imagem: Instagram/Eliane Potiguara

Texto por Fred Di Giacomo

Quando a jovem Eliane Potiguara, indígena e periférica, começou a publicar poemas, crônicas e jornalismo independente, no final da década de 1970, o que viria a ser chamado de “literatura indígena” ainda não sonhava em existir – era literalmente tudo mato.

Contemporânea dos poetas marginais da “geração mimeógrafo”, Eliane publicava “poemas-pôster” e cartilhas mimeografadas com suas criações artísticas desde 1979. Um ano depois, sairia o primeiro livro publicado por autores indígenas oficialmente: “Antes o mundo não existia” (Livraria Cultura Editora), de Umúsin Panlõn Kumu e Tolamãn Kenhíri, membros do povo Desana.

De 1980 até 1996, o acesso dos escritores indígenas ao mercado literário foi difícil. A produção da “literatura nativa”, como prefere o escritor guarani Olivio Jekupé, era viabilizada de maneira guerrilheira. Em 1996 a publicação de “Histórias de Índio” (Companhia das Letrinhas), de Daniel Munduruku, deu início a um boom do que se chamou “literatura indígena”, transformada pelas grandes editoras em um nicho de livros infanto-juvenis. Foi nessas décadas que floresceu o que a escritora e acadêmica Graça Graúna chama de “literatura indígena contemporânea” (livros com autoria individual e elementos da literatura ocidental que se diferenciavam dos mitos orais da “literatura indígena clássica”).

Para contar a história destes pioneiros, homenageio o clássico “Mate-me por favor” composto por entrevistas dos artistas fundadores do punk, sem intervenções do narrador. Me parece fazer sentido em uma literatura que começou oral e debate, com atenção, as questões referentes ao lugar de fala. Aqui, troquei algumas ideias com Eliane Potiguara, 70, Olivio Jekupé, 54, Aílton Krenak, 66, e Daniel Munduruku, 56. Seria interessante ter falado também com Kaka Werá, Graça Graúna, Daniel Cabixi, Umúsin Panlõn Kumu e Tolamãn Kenhíri, mas essa fica para o volume dois dessa breve história.

Acesse a matéria completa publicada pelo ECOA por um mundo melhor e conheça mais sobre a literatura indígena.

Obra de Carolina de Jesus será publicada pela Companhia das Letras

Projeto terá supervisão de Vera Eunice de Jesus, filha de Carolina, e da escritora Conceição Evaristo.

“Casa de Alvenaria” será o primeiro título do novo projeto. REPRODUÇÃO/COMPANHIA DAS LETRAS “

Texto por Amauri Terto

A Companhia das Letras anunciou nesta sexta-feira (17) que irá publicar a obra de Carolina de Jesus (1914-1977), uma das principais escritoras negras da literatura nacional. Nascida na cidade mineira de Sacramento, ela viveu a maior parte da vida em São Paulo, na favela do Canindé, em Santana, em Parelheiros.

Carolina trabalhou como catadora para sustentar os três filhos e registrou inúmeras histórias, além do cotidiano de fome e pobreza em cadernos encontrados no lixo. Na década de 1950 foram encontrados mais de 20 diários.

Ela ganhou reconhecimento com o livro Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada (1960), organizado pelo jornalista Audálio Dantas. Diversos de seus escritos, no entanto, nunca foram publicados ou estão fora de circulação.

A Companhia das Letras planeja publicar todo o material escrito por Carolina – hoje espalhado por diferentes acervos -, incluindo romances, diários, contos, poesias, peças de teatro e escritos memorialísticos.

Acesse a matéria publicada pelo Huffpost e entenda como será as publicações das obras de Carolina Maria de Jesus pela Companhia das Letras

Editora cria prêmio de R$ 100 mil para incentivar produção de terror

Contexto da pandemia ressaltou o consumo de histórias que têm ameaça e pavor como elementos essenciais. Concurso da Darkside tem inscrições abertas até setembro

Texto por Pedro Galvão

Para quem se dedica à atividade criativa, receber um prêmio financeiro para viabilizar um projeto geralmente é encarado como a “luz” que faltava. A editora Darkside adota essa estratégia, mas quer fazer surgir um universo de sombras com o recém-lançado Prêmio Machado de Literatura, Quadrinhos e Outras Narrativas, dedicado a impulsionar a publicação de histórias apavorantes.

“A arte é seiva do céu e das sombras. Novos nomes da literatura, dos quadrinhos e de todas as possibilidades artísticas que brotam das palavras surgem em um momento de transformação. Diante deste novo mundo, devemos gritar, devemos criar, riscar antigos ideais e mudar o agora”, assim é anunciada a campanha, que distribuirá um total de R$ 100 mil para produções relacionadas ao terror e à fantasia em cinco diferentes linguagens: romances e contos; quadrinhos; obras de não ficção; outras narrativas, categoria que contempla audiovisual, podcasts, poesia, prosa, teatro, música, roteiros, exposições virtuais, reportagens, ensaios, jogos e outras ideias; além de uma última dedicada a conferir mentoria a projetos já iniciados, mas ainda não concluídos.

“É um momento delicado do país, no qual não temos nenhum tipo de apoio focado na cultura, no universo artístico. Neste período da pandemia, essa fragilidade é ainda maior. Esse foi um feedback que recebemos dos nossos próprios leitores. Há muita gente precisando de um estímulo para voltar a escrever e acreditar que a arte é transformadora para o ser humano. Ouvimos muitos relatos sobre a angústia do confinamento. Foi por isso que colocamos esse prêmio no ar”, afirma Christiano Menezes, diretor editorial e sócio da Darkside, sobre essa que é a primeira edição do prêmio.

Acesse a matéria completa publicada pelo Estado de Minas e entenda mais sobre o Prêmio Machado de Literatura, Quadrinhos e Outras Narrativas promovido pela editora Darkside.

Mulheres se mobilizam contra o machismo na literatura de cordel

Devido ao crescimento da iniciativa, a organização já articulou um ciclo de reuniões setoriais por Estado e outras atividades, tudo de forma a repudiar o preconceito na tradicional arte Foto: Saullo Alves

Texto por Diego Barbosa

Denominado Movimento das Mulheres Cordelistas contra o Machismo, grupo conta com apoio de mais de 70 coletivos de todo o Brasil, página nas redes sociais e cronograma de ações

Recentemente, no dia 27 de junho, a cordelista sergipana Izabel Nascimento ministrou a primeira palestra do III Encontro de Cordelistas da Paraíba, um evento virtual. Na ocasião, ao tratar do tema “O cordel como ferramenta de transformação social”, a artista fez um recorte histórico para denunciar o traço forte do machismo que também ocorre nesse gênero literário. A intenção era vislumbrar mudanças numa poesia que ainda não reconhece, não valoriza nem sequer respeita o papel e o protagonismo da mulher cordelista.

Conforme Izabel, durante o momento formativo já era possível perceber resistência à temática em algumas intervenções feitas por quem estava assistindo. Contudo, foi num grupo de WhatsApp e numa publicação no Facebook, na semana subsequente à palestra, que um grupo de poetas cordelistas resolveu polemizar o assunto, não apenas expondo e atacando virtualmente a artista, mas também julgando, questionando e agitando pautas hipotéticas sobre a vida, formação e atuação dela na seara do cordel.

“Essa não foi a primeira vez em que apresentei o tema numa palestra e isso sempre incomodou muitos homens, especialmente os que praticam atos machistas. É fato que não sou a primeira mulher a sofrer por conta desse problema. No entanto, foi a primeira vez também que um grupo de mulheres se reuniu e resolveu organizar um movimento de denúncia e enfrentamento ao machismo no cordel e de ação em defesa de todas as mulheres cordelistas”, conta.

Assim nasceu a campanha #cordelsemmachismo, atualmente formada por um grupo denominado Movimento das Mulheres Cordelistas contra o Machismo. No momento, são mais de 70 coletivos de diversos estados do Brasil aliados à causa, totalizando cerca de 1.500 mulheres unidas.

Acesse a matéria completa publicada pelo Diário do Nordeste e saiba mais sobre o Movimento das Mulheres Cordelistas contra o Machismo

A literatura infantil no desenvolvimento das crianças

Liu Oubinã é escritora infnato-juvenil

Texto por Eliana Oubiña

As histórias infantis fazem parte das nossas vidas desde os tempos antigos, nos quais elas eram contadas oralmente e passadas de geração em geração. No séc. XVI, surgiram os livros impressos, a partir da imprensa de Gutenberg. Contudo, os primeiros livros para crianças foram produzidos ao final do século XVII, pois antes disso, não se escrevia para elas. Produções literárias para essa faixa etária diferenciada, com interesses próprios e necessitando de formação específica só surgiram em meados da Idade Média, com a emergência de uma nova noção de família, centrada em núcleos unicelulares (pai, mãe e filhos).

Hoje sabemos o quanto a literatura tem a capacidade de alimentar a alma, por isso, é tão importante para as relações pessoais, que haja o compartilhamento da leitura, onde se dá a comunicação de afeto entre pais e filhos. Nesse momento é necessário criar um ambiente adequado e tranquilo; estabelecer um horário; se possível, ter uma variedade de narrativas e; contá-las de uma forma criativa para que a criança e o adulto descubram o leitor que há em todos. Assim tornamos o hábito da leitura algo prazeroso e divertido, que ficará registrado na memória das crianças. Além disso, esse exercício ajuda no desenvolvimento psicológico, amplia o vocabulário e a criatividade, desenvolvendo a linguagem e o pensamento, trabalhando atenção e socialização e tudo isso acontece a partir do momento que ele percebe a si e ao outro, através da leitura.

Leia a matéria completa em A Tarde

Festival de literatura negra: curta cinco dias de programação online

Evento multicultural tem curadoria de Ketty Valencio, da Livraria Africanidades

Texto por Redação

Durante cinco dias, você tem a chance de conferir a programação online e super empoderada do primeiro “Fellin – Festival de Literatura Negra da Zona Norte de SP“. Organizado pela bibliotecária Ketty Valencio, responsável pela Livraria Africanidades, o evento tem debates plurais e inéditos – além de uma série de performances.

Crédito: Divulgação
Aryani Marciano é uma das atrações do Festival Literário de Literatura Negra da Zona Norte de São Paulo

As lives são transmitidas pelo YouTube do Fellin entre os dias 13 e 17 de julho. Estão programados cinco debates, uma oficina, uma contação de histórias e duas performances. Para não perder nada, acompanhe o Instagram do evento.

Tudo começa às 19h20 do dia 13, com a performance da atriz, artista e pesquisadora de danças de matrizes africanas Fernanda Dias. Ela é uma das fundadoras de Os Ciclomaticos Cia de Teatro e do Coletivo Negraacåo.

A primeira mesa às 20h. Esmeralda Ribeiro, Márcio Barbosa e Miriam Alves falam sobre os 42 anos de Cadernos Negros. A série organizada pelo Quilombhoje ajudou a impulsionar a produção literária afro-brasileira.

Acesse a matéria completa publicada pelo Catacra Livre e conheça a programação completa da “Fellin – Festival de Literatura Negra da Zona Norte de SP“

Fonte: Catraca Livre

Festival apresenta produção literária de autores negros de São Paulo

A partir da próxima segunda-feira (13) começa a primeira edição do Festival Literário de Literatura Negra da Zona Norte de São Paulo – Fellin. A idealizadora do projeto Ketty Valencio diz que a mostra busca “marcar território” nessa parte da capital paulista que, apesar de ter uma das maiores concentrações de pessoas negras, não tinha um festival cultural de peso, como os que acontecem na zonas sul e leste da cidade.

“É uma região onde moram bastante pessoa negras, tem a ver com essa questão da ancestralidade, dos quilombos”, explica Ketty sobre o histórico da região, onde existiram várias comunidades de negros que fugiram da escravidão. “Concentração de escolas de samba, que tem a ver como as pessoas que começaram a se organizar antes de mim e você. Tem vários saraus, tem jongos [dança afrobrasileira], festa de São Benedito [santo de origem africana], que tem a ver com essa relação com os quilombos”, contextualiza, ao exemplificar como esse passado foi determinante para a vida cultural dessa parte da cidade.

História e Afrofuturismo

A organizadora tentou trazer essa diversidade de manifestações culturais para o festival. A abertura vai tratar da publicação dos Cadernos Negros, antologias de poesia afrobrasileira que são publicadas periodicamente desde 1978 pelo grupo Quilombhoje. Na terça-feira, estará no palco virtual a artista multilinguagem Aryani Marciano, que fará uma contação de histórias.

Ketty destaca que a pandemia do novo coronavírus trouxe o desafio para os artistas de se apresentarem sem a proximidade direta com os espectadores. “Está sendo experimental, até para os convidados. Porque a gente quer o contato com o público, com o olhar, saber o que eles estão pensando”, diz.

Saiba mais sobre o Festival Literário de Literatura Negra da Zona Norte de São Paulo – Fellin na matéria publicada pelo UOL.

Qual a importância da diversidade de personagens em obras literárias?

Texto por Por Amanda Marques – Fala! UFPE

No campo das obras literárias, a influência sobre o leitor é de grande importância para a atenção de uma leitura marcante, tendo como objetivo atingir o máximo da atenção do público. Assim, a diversidade é a base para compor uma maior interação com o público por apresentar personagens que se assemelham, em micro ou macro, com o receptor da obra.

Em O Cortiço, de Aluísio de Azevedo, publicado no século XIX de cunho naturalista, mostra um leque de personagens na obra brasileira clássica, o qual explora a riqueza de diversidade dos personagens no cortiço e fora dele.

Assim, várias pautas sociais podem ser refletidas nessa literatura, como o racismo, machismo e prostituição, que remetem a infeliz realidade da época e as quais ainda se espelha no século XXI.

Livro O Cortiço. | Foto: Reprodução.

IMPORTÂNCIA DA REPRESENTATIVIDADE NA LITERATURA

Além disso, a questão da representatividade na literatura traz uma carga importante para a identificação do leitor com os personagens e o fortalecer no detalhamento dos sujeitos da obra, como suas reações diante de situações e sentimentos, estabelece um vínculo com o receptor, esse que terá a oportunidade de refletir mais sobre as características destacadas pelos personagens e conhecimentos adquiridos a partir da literatura.

Compreenda a importância da representatividade na literatura lendo a matéria completa publicada no Fala Universidades

Com lives, Biblioteca convida para o Torneio de Literatura Fantástica

Promovido pela Biblioteca Municipal Prof. Nelson Foot desde 2018, sempre no período de férias, o Torneio de Literatura Fantástica já começou, este ano, em ambiente virtual. Todos os sábados haverá uma live (transmissão ao vivo) pelo Instagram, para que os fãs de Harry Potter possam matar as saudades e trocar ideias com convidados e especialistas na saga da autora britânica J. K. Rowling.

Segundo a diretora do Departamento de Fomento à Leitura da Unidade de Gestão de Educação (UGE), Camila Rosalem, a atividade já é consagrada no calendário da biblioteca e, neste mês de julho, chegaria à sua sexta edição. A necessidade de distanciamento social, porém, fez com que um novo formato fosse idealizado, diferente das edições anteriores. “Em parceria com o historiador Victor Menezes, doutorando em gerontologia pela Unicamp, que apoia voluntariamente as ações na biblioteca no campo da literatura fantástica, sugerimos aos fãs a partir de 14 anos que acompanhem as lives que ele realizará todos os sábados de julho pelo seu perfil do Instagram, sempre com um convidado, assim como ele, especialista em Harry Potter”, explica.

Torneio de Literatura Fantástica na biblioteca: este mês, a sexta edição será on-line. Fotos: Fotógrafos PMJ

A primeira live foi realizada no último sábado (4), tendo como convidado Thiego Novais, do Canal Observatório Potter, com um bate-papo sobre as obras e uma análise em diferentes aspectos das personagens trazidos pela literatura. Para participar, não é necessária inscrição prévia; basta acessar o perfil do instagram @paraalemdehogwarts.

Acesse a matéria completa em Prefeitura de Jundiaí

É possível pensar na literatura sem palavras?

Livros ilustrados e o papel das imagens para quem ainda não domina letras e frases são temas do quarto episódio do PodAprender

“Uma imagem vale mais do que mil palavras”, já dizia o ditado. Quando se pensa em literatura, nos vêm à mente livros cheios de narrativas apoiadas em muitas palavras e frases, mas literatura e alfabetização não estão, necessariamente, ligadas uma à outra. Existem diferentes formas de aprendizagem que fazem uso dos estímulos visuais para estabelecer relações entre ideias, adquirir conhecimento, além de exercitar a criatividade e a imaginação.

Livros ilustrados podem ser a porta de entrada para um mundo que apresenta à criança infinitas possibilidades. Publicações que apoiam sua narrativa apenas em imagens cumprem um papel importante, que é o de lançar aqueles que ainda não lêem numa jornada onde se começa a tomar gosto pela literatura antes mesmo de se aprender a ler. Crianças já têm, desde bebês, um ambiente criado para que a leitura do mundo, dos símbolos e dos signos seja estabelecida.

A psicóloga e psicanalista Cláudia Serathiuk destaca que no caso de crianças pequenas, o livro ilustrado é um meio que requer um adulto junto para conduzir a narrativa. “É muito mais necessário um mediador de leitura do que, propriamente, um livro em si, porque o mediador também vai dar acesso à interpretação e à leitura por meio das imagens ou palavras”, afirma.

Acesse a matéria completa em Polinize e conheça mais sobre o livro ilustrado e sua importância na aprendizagem das crianças. 

Bibliotecas do Senado e da Câmara destacam presença feminina em seus acervos digitais

Stella Vaz (no alto) e Judite Martins participaram do Parlabiblio, iniciativa das bibliotecas do Senado e da Câmara Fonte: Agência Senado

As bibliotecas do Senado e da Câmara promoveram na quarta-feira (1º) um debate sobre a produção feminina presente no acervo digital das duas Casas. O evento, que ocorreu por meio de uma “live” transmitida pela internet, faz parte do Parlabiblio, iniciativa das duas bibliotecas para apresentar seus serviços e acervos digitais, além de incentivar a leitura e a discussão de temas relevantes.

Participaram do encontro de quarta-feira as bibliotecárias Stella Vaz, do Senado, e Judite Martins, da Câmara. O encontro foi transmitido pelos perfis das duas bibliotecas no Instagram: @biblioteca.senado e @biblioteca.camara. Essas lives estão armazenadas no IGTV dos dois canais e podem ser vistas a qualquer momento.

Durante o debate, as duas profissionais fizeram uma análise histórica, com base nas obras apresentadas, sobre a produção feminina e a atuação das mulheres na conquista de direitos civis, políticos e sociais. Elas também discutiram a importância dessas escritoras, que, ressaltaram, foram responsáveis por conquistas como o direito das mulheres de votar e serem votadas.

Stella Vaz apresentou algumas das obras da coleção Escritoras do Brasil, com destaque para os livros Mármores, de Francisca Júlia da Silva; A Mulher Moderna, de Josefina Álvares; e Opúsculo Humanitário, de Nísia Floresta. Ela apresentou ainda estudos da Consultoria Legislativa do Senado e bibliografias sobre autoras negras e masculinidades. Todos esses títulos estão disponíveis na biblioteca digital do Senado.

O encontro, segundo Stella, trouxe conscientização sobre a trajetória histórica da pauta feminina na busca da conquista de direitos e sobre o quanto ainda falta conquistar.

Durante séculos as mulheres foram silenciadas, e hoje nós temos essa abertura para tentar resgatar a história delas, oferecendo essas obras em nossos acervos digitais. Mas ainda há um grande caminho a ser percorrido — disse Stella.

Judite Martins também mencionou alguma das obras disponíveis no acervo digital da Câmara, como os livros O Voto Feminino no Brasil e Bertha Lutz, ambos de autoria de Teresa Cristina de Novaes Marques. As obras integram a série Perfil Parlamentar (73), das Edições Câmara.

Para Judite, essas duas obras são de grande relevância, pois na primeira (O Voto Feminino no Brasil) a autora traça uma linha do tempo dos principais eventos que levaram à aquisição do direito da mulher de votar e ser votada. A outra (Bertha Lutz) traz a biografia, com a atuação parlamentar e a trajetória política, de uma das mais destacadas lideranças do movimento feminista na primeira metade do século XX.

Nossa atuação aqui não visa apenas condenar nem desprezar a produção masculina, mas dar destaque à produção feminina, fazendo uma análise histórica de como as mulheres adquiriram o direto de fala na sociedade. Trazer essa temática é uma forma de reduzir as desigualdades históricas. Hoje há muitas deputadas, senadoras e servidoras públicas, e estamos aqui para representar essa temática. Tem muita mulher produzindo no Parlamento e isso se reflete nas bibliotecas digitais — observou Judite.

Fonte: Agência Senado

LIVRO INFANTIL INÉDITO RESGATA MEMORÁVEIS HISTÓRIAS DA CULTURA DE POVOS AFRICANOS

Obra A África recontada para crianças, de Avani Souza Silva apresenta os contos e fábulas mais famosos de países que falam a língua portuguesa

Texto Victória Gearini

Imagem meramente ilustrativa – Divulgação / Pixabay

Lançado em abril deste ano, o livro A África recontada para crianças, da escritora Avani Souza Silva, constrói uma narrativa cultural com as histórias mais famosas contadas nos países africanos, onde a língua portuguesa é predominante.

Capa da obra A África recontada para crianças (2020) / Crédito: Divulgação / Martin Claret

A brilhante obra, publicada pela editora Martin Claret, tem como ilustradora das imagens Lila Cruz, que por meio de traços belos e caprichados explicita o discursivo linguístico apresentado no decorrer da leitura

O leitor tem diante de si uma obra singular no mercado editorial brasileiro. Esta analogia de contos tradicionais e fábulas recria, com esmero e criatividade, uma fatia importante e representativa das narrativas orais e infantis de países africanos, todos eles pertencentes à uma comunidade da língua portuguesa”, escreveu no prefácio da obra, Marana Borges, jornalista e mestre em Teoria da Literatura pela Universidade de Lisboa.

Bem humoradas, as narrativas deste livro envolvem lobos, coelhos, leões, e claro, muitas aventuras. Músicas, gastronomia, adivinhas e vestimentas são alguns dos elementos que compõem a cultura de povos africanos, que são minuciosamente apresentados nesta formidável obra.

Acesse a matéria completa em Aventuras na História

Literatura infantil e protagonismo feminino: elas como personagens principais

Pedagoga destaca a importância do incentivo à leitura de livros infantis protagonizados por personagens femininas e indica 5 títulos que desenvolvem nas crianças valores e virtudes importantes, como ser guerreira, destemida, curiosa, questionadora e forte. Confira!

Desde sempre os livros são poderosas ferramentas para que o ser humano conheça mais sobre ele mesmo e o mundo ao seu redor. Por isso, a literatura infantil contribui de forma significativa para o desenvolvimento do autoconhecimento, senso crítico, valores morais e virtudes; ou seja, atua na formação da identidade e influencia nas relações com o todo.

Com as crianças isso não é diferente! De acordo com Claudia Onofre, pedagoga e consultora educacional da plataforma Dentro da História, é neste contexto que o hábito de ler se torna ainda mais importante. ‘’A leitura na infância é essencial, pois é a fase onde a criança está construindo o seu ‘’eu’’, formando seus valores, identificando suas virtudes, aprendendo o que é o certo ou errado e como o mundo funciona para assim moldar suas condutas. É neste momento que a criança desenvolve características importantíssimas para o sucesso na vida adulta e em suas relações, seja no âmbito acadêmico, profissional ou pessoal’’, explica.

Nesse cenário é possível compreender quão relevante é mostrar para meninos e meninas o significado dos movimentos atuais, incluindo o cenário onde a mulher luta cada vez mais por espaço e tem cada vez mais voz para ser quem ela quiser, onde quiser. A partir disso, a educadora listou 3 motivos que reforçam a importância da literatura infantil onde ‘Elas’ são as protagonistas.

Acesse a matéria completa em  Embarque na viagem e compreenda a importância da literatura infantil e a representatividade das personagens femininas nela. 

Bibliotecas do Senado e da Câmara debatem em live produção literária feminina

Stella Maria Vaz (na foto), bibliotecária do Senado, e Judite Martins, bibliotecária da Câmara, abordarão conteúdos e obras das bibliotecas digitais das duas Casas que tratam de temas relacionados à mulher e à produção literária e acadêmica feminina
Osmar Arouck/Biblioteca do Senado

As bibliotecas do Senado Federal e da Câmara dos Deputados promovem mais uma live para apresentar ao público serviços, produtos e acervos on-line disponíveis nas duas Casas legislativas. Desta vez, as bibliotecárias Stella Maria Vaz, do Senado, e Judite Martins, da Câmara, abordarão conteúdos e obras das bibliotecas digitais que tratam de temas relacionados à mulher e à produção literária e acadêmica feminina. A transmissão pode ser acompanhada no Instagram pelos canais @biblioteca.senado e @biblioteca.camara, nesta quarta-feira (1º), às 17h.

A Parlabiblio, explicou Stella Vaz, é uma iniciativa das duas Casas que surgiu para reforçar a atuação das respectivas bibliotecas nas redes, em meio às mudanças comportamentais promovidas pelo distanciamento social (devido à pandemia de coronavírus). Segundo a servidora, a live de quarta-feira, além de trazer ao conhecimento do público o acervo de autoras femininas presentes nas bibliotecas das duas Casas, pretende ainda promover a fala, a escuta, o protagonismo e o empoderamento feminino.

— Além de ser uma oportunidade de contato positivo do cidadão com o Parlamento, o qual está atento às necessidades sociais e aberto ao diálogo, isso reforça o papel das bibliotecas como espaço fomentador de leitura, cultura e reflexão, democratizando o acesso à informação e estimulando o pleno exercício da cidadania — ressaltou Stella, ao reforçar a importância do trabalho neste momento em que as bibliotecas permanecem fechadas ao público por causa do isolamento social.

Fonte: Agência Senado

Na luta por mais visibilidade no mercado editorial

Neste episódio do Podcast do PublishNews, Jéssica Balbino e Ketty Valencio falam sobre a lista de 100 autoras pretas brasileiras criada por elas e a luta constante para dar mais visibilidade para esses autores

Texto por Talita Facchini    

Os livros guardam centenas de milhares de histórias. São inúmeros assuntos tratados pelos mais diversos aspectos. Mas quando se trata dos autores, essa diversidade já não é tão grande. O podcast desta semana conversou com duas pessoas que acreditam que todas as narrativas transformam o mundo. Que cansaram de ouvir que não existem muitos livros publicados por negros e de aceitar a pouca presença de escritoras e escritores negros em eventos e feiras brasileiras. Eles estão sim por aí. Em todos os lugares. Basta querer enxergar.

Para facilitar essa busca, a jornalista, pesquisadora em literatura marginal e dona do site Margens, Jéssica Balbino, e a jornalista, com pós graduação em Projetos Culturais e proprietária da Livraria Africanidades, Ketty Valencio, uniram forças e criaram uma lista com mais de 100 autoras pretas e brasileiras para o leitor conhecer.

Ketty Valencio e Jéssica Balbino

Numa edição especial, só com a presença de mulheres, quisemos saber mais sobre como surgiu esta lista, sobre as inúmeras ideias que podem fazer a diferença e trazer os livros de autoras negras e a literatura africana para o centro das atenções e como elas enxergam o mercado editorial.

Jéssica contou que a ideia da lista surgiu a partir do pedido de outras mulheres. O mapeamento começou e veio de Ketty a ideia de tornar a lista pública. “A gente fez juntas a lista e quando ela estava meio pronta, mostrei para a Mel Duarte – que também frequenta muitos slams e faz parte do Slam das Minas em São Paulo – e ela sugeriu mais alguns nomes”, explicou Jéssica. A lista chegou a ter 137 nomes de autoras negras e depois de uma segunda avaliação, chegaram nos 100 nomes, cada uma com uma mini biografia e links para trabalhos já publicados. A lista agora está aberta para que autoras negras possam se automapear. “Creio que já temos aí mais de 200 mulheres mapeadas”, comemora Jéssica.

Ketty frisou também a importância da lista no sentido de mostrar para as pessoas que a literatura feita por mulheres negras não é uma novidade e nem deveria ser vista como tal. “É muito demarcador a questão do racismo e da misoginia quando você pensa que é novidade. Por que eu não conheço esses autores? Por que eu nunca vi isso? Por que eu nunca estudei? E essa lista potencializa a questão de não ter mais uma desculpa mesmo. Tem que consumir essas mulheres, ouvir o que elas têm a dizer”.

As duas falaram ainda sobre a participação de autores negros em feiras literárias, sobre como fazer a literatura africana circular, como trazer esses livros para a frente das grandes livrarias e o papel dos livreiros nessa disseminação. “O mercado editorial reflete o que a sociedade é o que a sociedade acredita. E não podemos romantizar isso porque a sociedade tem todas essas opressões. Ela ressalta todas essas opressões”, analisou Ketty. “Se o capitalismo é irmão do racismo e de outros ismos que a gente abomina, então o mercado editorial é isso também e depende de nós. Eu estou tentando reinventar a máquina com outros livreiros”, explicou. “O mercado editorial é reflexo da sociedade”.

O Podcast do PublishNews é um oferecimento da Metabooks, a mais completa e moderna plataforma de metadados para o mercado editorial brasileiro, da UmLivro, novo modelo de negócios para o mercado editorial: mais livros e mais vendas, e da Auti Books, dê ouvidos a sua imaginação, escute Audiobooks. Você também pode ouvir o programa pelo Spotify, iTunes, Google Podcasts, Overcast e YouTube.

Indicações

Site Margens

Instagram Margens

Lista de 100 escritoras pretas brasileiras para você conhecer

Instagram Jéssica Albino

Instagram Livraria Africanidades

Instagram Mel Duarte

Um defeito de cor – Ana Maria Gonçalves

Pequenos incêndio por toda parte – Celest Ng

Little fires everywhere – Netflix

Queen Sono – Netflix

Hannah Gadsby – Douglas – Netflix

O livro de Líbero (Intrínseca)

Fonte: PublishNews

‘O livro de ouro dos contos de fadas’ reúne clássicos da literatura

A edição tem tradução assinada por Monteiro Lobato

O livro reúne alguns dos famosos textos desses mestres em uma edição cuidadosa | Foto: Divulgação

Charles Perrault, Hans Christian Andersen e os irmãos Jacob e Wilhelm Grimm se tornaram nomes de referência para a literatura infantojuvenil em todo o mundo e criaram histórias que encantam ainda hoje nosso imaginário popular. O livro de ouro dos contos de fadas, da Nova Fronteira, reúne alguns dos famosos textos desses mestres em uma edição cuidadosa, que promete fazer a alegria de leitores de todas as faixas etárias.

Para evidenciar a universalidade e atemporalidade dessas narrativas, artistas brasileiros contemporâneos foram convidados a preparar ilustrações inéditas para o livro, que ganhou ares de item de colecionador. Alexandre Camanho foi o escolhido para transformar em imagens as cenas pungentes de Perrault; Lelis, com suas aquarelas, deu forma ao universo de Andersen; e Renato Moriconi emprestou seus traços aos personagens sombrios dos Grimm. 

Acesse a matéria completa publicada no Em Tempo e conheça mais sobre o livro “O Livro de ouro dos contos de fadas”.

Livros infantis se equilibram entre literatura e educação para falar de assédio sexual

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A escritora Penélope Martins queria que a protagonista de seu livro “Minha Vida Não É Cor de Rosa” passasse pelas experiências habituais das adolescentes. A descoberta da autonomia, o primeiro namorado, a mudança de escola -o primeiro assédio.

Ainda nas primeiras páginas do livro, a garota de 14 anos é abordada por um homem que, dentro de um carro, finge que vai pedir informação e mostra a ela suas partes íntimas.

“Na primeira vez em que fui vítima desse tipo de situação, eu tinha uns nove anos”, diz a autora. “E, se converso sobre esse tema com qualquer grupo, metade das mulheres levanta a mão para dizer ‘eu também, eu também’.”

O livro, que foi premiado pela Biblioteca Nacional no ano passado, é um dos que abraçam o desafio de falar sobre assédio sexual a um público jovem, em um país onde, a cada 15 minutos, uma criança ou adolescente é vítima de violência sexual, segundo dados da Childhood Brasil.

É uma tendência que vem com o avanço do movimento MeToo -vale lembrar que a expressão surgiu numa corrente que buscava escancarar como o abuso é recorrente na vida das mulheres desde a infância e, muitas vezes, fica encoberto em silêncio.

Enquanto a obra de Martins é direcionada a adolescentes, há outras que buscam abordar a questão para crianças. Um deles é “Leila”, do escritor Tino Freitas e da ilustradora Thais Beltrame e que teve colaboração de Elvira Vigna nos primeiros estágios de concepção.

Acesse a matéria completa publicada pelo GaúchaZH e conheça outros livros infantis que tratam do assédio sexual. 

10 autoras para conhecer a literatura da Amazônia hoje

Texto por Fred Di Giacomo

A escritora Márcia Kambeba
Imagem: Márcia Kambeba/Acervo pessoal

Na última coluna, a “Arte fora dos centros” conversou com a pesquisadora paraense Suelen Silva sobre sua atuação na área de descentralização da cultura, tanto na Amazônia, onde viveu a maior parte da vida, quanto na Alemanha, onde mora hoje. Na mesma semana, a editora Monomito, fundada pela amazonense Adriana Chaves e o paraense Toni Moraes anunciou que está procurando textos inéditos escritos por mulheres cis e trans paraenses, ou que vivem no Pará. O projeto vai se chamar “Trama das Águas: Literatura contemporânea produzida por mulheres no e do Pará.”. Quem tem interesse em se inscrever pode ler o regulamento aqui.

O Pará faz parte da Amazônia Legal, área que engloba os sete estados da região norte, o Mato Grosso e o oeste do Maranhão. Embalados pela entrevista com a Suelen e o anúncio de “Trama das Águas”, listamos 10 autoras para conhecer a literatura da Amazônia hoje.

Acesse a matéria completa no ECOA Por um mundo melhor e conheça as autoras.

Elas são crianças, negras e agitam a internet falando sobre livros

Ele tem 12 anos e é um dos grandes influenciadores do Instagram.

Adriel, um menino baiano e negro viu sua vida transformada da noite para o dia por conta de um ato de racismo.

Sua conta na rede social Instagram estava tímida e graças a ação dos seus seguidores, os milhares de compartilhamentos fez com que instagrammers renomados chegassem até ele e se tornassem parte da sua rede.

“É muita gente querendo o seu bem. E uma das melhores coisas é que você vai poder compartilhar o seu amor pelos livros para mais de 500 mil pessoas. Que outras crianças tomem você como exemplo e entendam o poder de transformação da leitura! A leitura é uma ferramenta incrível de empatia, Adriel, e você já aprendeu muito bem isso”, postou Pedro Pacífico (o @book.ster).

Tá ficando profissa!Adriel,

No seu perfil do “insta” está escrito: “De Salvador para o mundo” e o jovem Adriel já ganhou uma assessoria, inclusive da sua mãe, para monitorar a conta e assim ele pode se dedicar mais à leitura.

Acervo pessoal do Instagram

Além disso, algumas celebridades como Gisele Bündchen enviaram elogios e mensagens de apoio.

Assistir aos seus vídeos no youtube é uma experiência gratificante.

Ele é uma simpatia em pessoa e as críticas literárias são apresentadas de forma bem espontânea e divertida. E ele não se intimida com alguns dos “tijolaços” que ele tem que ler, afinal, ler é a paixão da sua vida.

Para curtir e seguir as dicas literárias do Adriel, aqui vão os links:

https://www.instagram.com/livrosdodrii/

https://www.youtube.com/channel/UCM4QTjdg3G_rAEEVf0ijJEw

Denúncias de casos de injúria racial pela internet podem ser realizadas pelo Disk 100, serviço do Governo Federal que recebe denúncias de violação de direitos humanos. A denúncia também pode ser feita em delegacias comuns e especializadas em crimes raciais e delitos de intolerância.

Booktubers engajadas

Helena e Eduarda Ferreira são irmãs gêmeas que moraram no Morro da Providência, a primeira favela do Rio de Janeiro.

Um cenário marcado pela violência, que as obrigava ficar em casa.

O legal desta história é que a reclusão compulsória se transformou num grande projeto de estímulo à leitura e em 2015 elas criaram o “Pretinhas Leitoras”.

A explicação do nome não poderia ser mais clara e direta: “Porque a gente é preta e a gente lê”- diz Helena

As rodas de leitura com as crianças do Morro da Providência aconteciam na própria casa e se tornou a grande opção cultural contrapondo a escassez de tudo na favela.

Em 2018 o projeto deu um salto e elas criaram o canal no youtube “Pretinhas Leitoras”, que tem mais de 20 mil inscritos.

Mesmo com todo o poder de alcance da internet, estas meninas não abrem mão do contato olho no olho nos encontros mensais que realizam no Morro da Providência com as crianças para falar de livros e do enfrentamento do racismo nas escolas.

“Antigamente a gente não se aceitava como era por causa do nosso cabelo e nossa cor”, conta Eduarda, cuja biblioteca pessoal possui títulos como “Solta os cabelos”, ” Meu crespo é de rainha” e “Amoras”.

Para ela, que pretende fazer doutorado em literatura negra, os livros são uma forma de “incentivar pessoas negras a se amarem através de outras histórias.”

Helena também pretende seguir a carreira de professora e sonha com uma vida diferente para as crianças da região.

“Quero que elas tenham sonhos que possam realizar, que acessem a biblioteca e que tenham um lugar que possam se sentir seguras, sem tiroteio e violências.” – afirma.

Foto: acervo pessoal

Mãe e camerawoman

Elen Ferreira, a mãe das meninas, é professora dos primeiros anos da educação básica e pesquisadora sobre infância.

Ela diz que suas filhas não são excepcionais, apenas tiveram acesso e estímulo, mesmo morando numa comunidade que sequer tem pontos de cultura como uma biblioteca ou teatro.

“Nós temos crianças fadadas ao encarceramento domiciliar sem cometer delito nenhum. O país prepara infâncias negras e pobres para ficarem enclausuradas desde a mais tenra idade.”- afirma

Aos olhos da grande maioria dos moradores de comunidades, o sonho de trilhar uma carreira acadêmica, transformam Helena e Eduarda em “meninas prodígio”, mas para sua mãe são sonhos naturais, que toda criança poderia ter.

Elen também contribui para o canal dando ideias e filmando os vídeos com um celular. Apesar de um “certo sofrimento” pelos recursos técnicos escassos, os vídeos são postados e rendem centenas de comentários positivos.

“ Este projeto traz um senso de responsabilidade social muito grande na vida das minhas filhas e isto pra mim é extremamente importante.” – diz Elen

Conheça mais sobre estas “booktubers” aqui.

Fonte: Revista Ecos da Paz

Marisa Midori fala sobre a queima de livros na literatura ficcional

O tema desta semana dá continuidade à série do mês sobre a destruição dos livros na história da humanidade

Texto por Claudia Costa

Na coluna Bibliomania, a professora Marisa Midori volta ao tema da queima dos livros, mas desta vez na ficção literária. Segundo ela, também na ficção os livros foram queimados às carreiras. “A começar pela gigantesca e improvável biblioteca medieval construída por Umberto Eco em O Nome da Rosa (…) ou da dor pungente e da revolta que Cervantes desperta em nós, leitores, quando do julgamento e da queima dos livros de Dom Quixote”, cita.

A professora ainda lembra do livro de Sébastien Mercier, escrito no final do século 17, uma ficção ambientada no ano 2440 – título da obra –, na qual os bibliotecários reuniram “numa vasta planície todos os livros [julgados] frívolos, inúteis ou perigosos”. Marisa conta o que aconteceu depois através de um trecho: “Pusemos fogo a esta massa espantosa, como um sacrifício expiatório oferecido à verdade, ao bom senso e ao verdadeiro gosto – havia livros demais, concluíram os bibliotecários! Foram salvos: Homero, Platão, Virgílio, Plínio, Salústio, Shakespeare, Torquato Tasso, Montaigne. Rousseau também, embora privado de muitas tolices poéticas”.

Segundo Marisa, o historiador francês Lucien Polastron, abordado na primeira coluna desta série, é também fonte para as narrativas ficcionais. Além disso, afirma, todos os títulos citados têm sua atualidade.

Ouça no player acima a íntegra da coluna Bibliomania.

Bibliomania

A coluna Bibliomania, com a professora Marisa Midori, vai ao ar toda sexta-feira às 9h00, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

Fonte: Jornal da USP

A LITERATURA DE MULHERES PERIFÉRICAS

Conversamos com nove escritoras e poetas que usam a palavra como arma para transformar olhares e construir novas narrativas na literatura brasileira

Texto por Carolina Delboni

“Digam ao povo brasileiro que meu sonho era ser escritora, mas eu não tinha dinheiro para pagar uma editora”. A frase é de Carolina Maria de Jesus, escritora, negra, favelada e catadora de papel. Ela viveu às margens do seu tempo, mas não foi a única e nem a última. A literatura está cheia de textos produzidos por mulheres periféricas. Não são conhecidas pela grande mídia, procuradas pelas grandes editoras nem têm uma orla de seguidores nas redes sociais. São mulheres que vivem na periferia, da sociedade e na própria geografia da cidade. Muitas, não por acaso, são negras.

A arte salva e não há literatura que não seja capaz de ser ferramenta de transformação social. Não à toa, essas mulheres poetizaram a própria existência – para existir. Mulheres que encontraram moradia na escrita. Existir é exercício diário no mundo, mas existir na própria periferia do mundo é um trabalho muito mais árduo. Demanda doses extras de oxigênio, que é outra coisa que parece andar em falta. Mas, enquanto o mundo entra em colapso, são exatamente as mulheres periféricas que nos lembram de que é preciso peito pra viver – ou sobreviver.

Carolina Maria de Jesus Crédito: Reprodução/Acervo Instituto Moreira Salles

Carolina Maria de Jesus

Carolina Maria de JesusCrédito: Reprodução/Acervo Instituto Moreira Salles

Carolina Maria de Jesus poetizou sua existência. Aos 33 anos, desempregada e grávida, mudou-se de Minas para a favela do Canindé, na zona norte da capital paulista. Trabalhava como catadora de papel e, nas horas vagas, registrava o cotidiano da favela em cadernos que encontrava no lixo que recolhia. Um destes diários deu origem a seu primeiro livro, Quarto de Despejo – Diário de uma Favelada, publicado em 1960. A obra virou best-seller.

Muitas outras poetizam diariamente a mulher periférica brasileira. Elas afloram, na sociedade, uma possibilidade de literatura. Entre livros, publicações acadêmicas, redes sociais, coletivos, saraus, o que for. Mulheres que ampliam olhares para um lugar onde a sociedade não está acostumada a olhar. De onde isolamento social é justificativa pra nascer projeto coletivo. De onde pandemia impulsiona cultura. Porque a literatura de mulheres periféricas salva.

A Tpm conversou com nove escritoras e poetas que usam as palavras para transformar olhares e construir novas narrativas na literatura brasileira.

Acesse a matéria completa em Revista TRIP e conheça as outras autoras. 

Literatura LGBTQIA+: “Sendo um autor Queer, do Norte, este é um espaço que preciso reivindicar”, diz Andrew Oliveira

Em entrevista a GQ Brasil, o escritor de “Vazio da Forma”, livro recém lançado que aborda questões como depressão, paternidade e aceitação, afirma: “Precisamos de narrativas que saiam da caixinha que nos colocaram onde só podemos falar de nossas sexualidades ou identidades de gênero. Não somos apenas essa única história: o sofrimento referente a isso”

Texto por Ademir Correa

Andrew Oliveira: “Eu não saí ileso de nenhum tipo de violência verbal ou física. E, atrelada à violência estrutural externa, desde cedo somos ensinados a nos odiar, então criamos a violência interna, feito uma simbiose. Homem gay já é um indivíduo que tem muito ódio de si mesmo acumulado. Homem gay negro e/ou indígena tem isso em dobro; e o afeminado em triplo” (Foto: Divulgação)

GQ Brasil: Como vê a importância da representação LGBTQIA+ na literatura?

Andrew Oliveira: Acredito que precisamos urgentemente – para ontem – de mais e mais narrativas que saiam do velho parâmetro cis-heteronormativo que, sabemos, nos inunda e nos sufoca em suas mídias, não dando qualquer espaço para mostrar a diversidade de gênero, sexualidade e cor que no mundo existe. Para você ver, apenas um pouco do que nós, autores LGBTQIA+ (sobretudo nós, os de cor), conseguimos mostrar, já causa um alvoroço, um pandemônio de exaltações. É para isso que estamos aqui. E mais ainda, precisamos de narrativas LGBTQs que saiam, também, da caixinha que nos colocaram onde só podemos falar de nossas sexualidades ou identidades de gênero. Não somos apenas essa única história: o sofrimento referente a isso. É claro, a minha sexualidade ditou absolutamente tudo que permeia a minha vida, e em muitas ocasiões na infância e adolescência o preconceito retirou o meu senso de valor próprio, mas sempre tentei demonstrar que sou outras personas além de “por quem eu me atraio” ou “o sofrimento que passei por conta de minha orientação sexual”. Tudo o que escrevo tenta fugir disso, mas sem me esquecer das agruras da realidade. Ela está sempre lá. Sendo um autor Queer, do Norte do país, mestiço de pai indígena e mãe negra – ou afro-indígena, se assim preferir –, sinto que tenho uma responsabilidade imensa a cumprir, um espaço que preciso reivindicar para mostrar o meu trabalho.

Acesse a entrevista completa em Revista GQ.

Conheça iniciativas que buscam maior representatividade negra na literatura

Autores e personagens negros foram historicamente invisibilizados e estereotipado na literatura. Mais recentemente, pesquisas, perfis em redes sociais e editoras buscam revelar essa lacuna

Texto por Valentine Herold

Livros escritos por autoras e autores negros foram historicamente invisibilizados e vêm ganhando um pouco mais de atenção de grandes editoras nos últimos anos – FOTO: DIVULGAÇÃO

O tempo é de pluralidade e de quebra de paradigmas, não adianta querer negar ou voltar atrás. Movimentos crescentes, liderados por minorias historicamente invisibilidades, vêm ganhando espaço no campo cultural e mostrando a urgente necessidade de ressignificar padrões comportamentais e estéticos seculares. Na literatura não é diferente: clubes de leituras, editoras e projetos popularizados através das redes sociais apontam a imensa lacuna no mercado tradicional de publicações de autoras e autores negros.

Uma pesquisa do Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea da Universidade de Brasília (UnB) vem colhendo informações dos romances publicados pelas maiores editoras brasileiras desde 2003 com o objetivo de traçar o perfil do romancista e do romance nacional. E os números não negam a realidade do racismo estrutural do país.

Os resultados mais recentes são da segunda fase da pesquisa, divulgada em 2018, que analisou livros lançados entre 2005 e 2014 e não diferem muitos daquelas colhidos na análise de romances lançados entre 1990 e 2004, na primeira fase da pesquisa. Apenas 2,5% dos autores são não-brancos e 6,3% dos personagens são declaradamente negros, 6,9% mestiços e apenas 1,1% indígena, contra 77,9% de personagens brancos.

Dados que, infelizmente, não surpreendem quem está a par da dinâmica das relações raciais na sociedade brasileira, mas que contradizem os resultados do último censo realizado pelo IBGE em 2018, em que cerca de 55% da população se declarou como não branca (pretos e pardos).

A falta de representatividade negra por si só não é o único problema na produção literária. Historicamente, assim como em outras tantas linguagens artísticas, personagens negros foram estereotipados. Pobre e criminosos quando homens, donas de casa ou personagens extremamente sexualizadas quando mulheres. “É a mulher que existe na narrativa para satisfazer os desejos dos homens, sempre muito provocadora, mas nunca a mulher com quem eles casam”, avalia a doutoranda em Teoria Literária pela UFPE, Adriana Minervina da Silva.

Atualmente ela analisa a construção da subjetividade feminina na obra Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves, mas há anos se dedica a pesquisar a representação da mulher negra na literatura brasileira. “É muito importante termos autoras e autores negros que publicam e trazem protagonistas negros em suas obras”, afirma. Para Adriana, é preciso ainda que escritores negros do passado que nunca tiveram sua obra legitimada sejam agora redescobertos e publicados. “É um debate que vai muito da discussão do que é uma obra canônica.”

POETA A Pernambucana Bell Puã começou no slam e agora também publica sua poesia -DIVULGAÇÃO
EDITORA Vagner Amaro é co-fundador da Malê, que publica desde 2016 autores negros – DIVULGAÇÃO/Francisco Jorge
PESQUISA Adriana Minervina é doutoranda em Teoria da Literária na UFPE e se debruça sobre a obra Um Defeiro de Cor – DIVULGAÇÃO
REDES SOCIAIS Maria Ferreira mantém o perfil Impressões de Maria, em que resenha livros com enfoque em raça e gênero – DIVULGAÇÃO

Representatividade e a “escrevivência”

A expectativa para muitos leitores e profissionais do livro é que as iniciativas mais recentes de valorização de autores negros, potencializadas após 2014, reflitam na próxima fase da pesquisa da UnB. Mas, independentemente de dados, há uma percepção empírica de mudança gradual que vem acontecendo por fora das grandes editoras, no mercado mais independente do setor literário, como é o caso da editora Malê.

Fundada no Rio de Janeiro em 2016, a Malê publica autores negros brasileiros e de outros países, como Angola, Moçambique, Senegal e República do Congo, tanto de literatura infantil, juvenil quanto adulta. Vagner Amaro, co-fundador e editor, avalia como o crescimento da Malê pode refletir positivamente nos catálogos de outras editoras. “Em menos de um ano, por exemplo, colocamos no mercado três títulos da escritora Conceição Evaristo. Em um mesmo período em que houve uma ampliação da visibilidade da escritora, isso dá sinais para o mercado. A mudança ainda que tímida, não se deu como uma forma de atender às reivindicações dos autores negros, ela se deu porque a partir do trabalho de editoras como a Malê, outras editoras médias e maiores passaram a dar mais atenção para estes autores”, reflete.

Um ponto de convergência entre iniciativas como a pesquisa de Adriana, a Malê e todos os outros necessários movimentos de valorização de autores negros pode ser traçado a partir do termo “escrevivência”, desenvolvido pela própria Conceição Evaristo. A palavra é usada para denominar uma escrita que nasce da vivência do cotidiano e da memória dos próprios escritores e que se comunica com a vida de tantos leitores. Uma perspectiva individual que carrega simbolismos, dores e sonhos universais.

Para Vagner, esse conceito entretanto se desvencilha do que se entende por autoficção. “Ele dialoga com o conceito de literatura negro-brasileira. Acho renovador, uma vez que as narrativas da literatura brasileira estiveram por muito tempo fortemente ‘umbilicais’. Talvez no futuro pesquisadores vão colocar escrevivência em diálogo com os estudos culturais e com as relações entre pós-colonialismo e literatura, ou até, já estejam fazendo isso”, aponta.

Além de publicar livros, a Malê também atua como agenciadora literária, possui um canal no YouTube, uma revista digital gratuita e um prêmio anual. A última edição, de 2019, contemplou quatro categorias e uma delas – Jovens escritor@s negr@s: Conto e Crônica – foi vencida pela pernambucana Bell Puã com o livro Mama Áfica é Mar Solteira, que será lançado este ano.

Conhecida por fazer parte do Slam das Minas de Pernambuco e por ter representado o Brasil em uma competição internacional de slam na França, ela passou da poesia oral para a escrita de forma muito natural. “Minha experiência na literatura começou, claro, antes de tudo como leitora. Como escritora foi primeiro através do slam, eu nem pensava em publicar, mas tive grandes oportunidades e os caminhos foram se abrindo”, lembra.

Na sua formação de leitora durante a adolescência, autores negros não eram maioria das referências. Mas durante seu processo de identificação como mulher negra, Bell passou a também procurar mais leituras representativas e traz hoje temáticas relacionadas a questões de gênero e raça em sua produção. “Eu consigo falar de muitas coisas, de tudo que eu quiser falar. Mas sem dúvidas esses temas estão comigo, mesmo que de maneira subjetiva. Estão comigo da melhor e da pior forma possível e é importante que eu fale sobre eles sempre que possível”, avalia.

Na busca por livros escritos por autores negros, muitos leitores procuram blogs, perfis nas redes sociais ou “booktubers” cujo foco seja justamente este. A baiana Maria Ferreira é, além de graduada em Letras, dona do perfil do Instagram e do blog Impressões de Maria, que mantém desde 2013, quando estava no último ano do Ensino Médio. Inicialmente, ela resenhava livros sem recorte definido, mas com o passar dos anos suas leituras acompanharam seu próprio processo de amadurecimento enquanto mulher negra.

“Acredito que o trabalho desenvolvido pelos blogs e canais literários ajudam a dar mais visibilidade e fazer com que mais pessoas conheçam e se interessem por essas obras”, diz. Através do perfil na rede social, Maria criou uma rede de leitores interessados em ampliar seus repertórios a partir de sua curadoria e resenhas.

“Diante do atual cenário sociopolítico, a busca por livros que abordem a temática do racismo e desigualdade de gênero é um caminho para que haja mudanças estruturais. Só a partir do momento que se entende o funcionamento do sistema, é que se pode alterar esse sistema, essa estrutura, principalmente sabendo qual lugar ocupamos nessa realidade”, conclui Maria.

Confira 10 livros, entre clássicos e contemporâneos, que abordam o racismo:

MARIA FIRMINA DOS REIS Publicado em 1859, Úrsula é considerado o primeiro romance escrito por uma mulher no Brasil. Maria Firmina dos Reis, negra e maranhense, retrata a história de amor entre Úrsula e Tancredo ao mesmo tempo em que tece fortes críticas à sociedade escravocrata. Ter dado voz a personagens escravizados foi um macro à época. – DIVULGAÇÃO/EDITORA TAVERNA
ANA MARIA GONÇALVES Com quase mil páginas, Ana Maria Gonçalves conta a emocionante história de Kehinde, natural do Benin, que, ainda jovem foi escravizada e levada ao Brasil. Se passa, portanto, no início do século 20, mas foi lançado em 2006. Depois de muito tempo a protagonista consegue voltar à África, já idosa e cega, decide voltar ao Brasil em busca de seu filho. – DIVULGAÇÃO/EDITORA RECORD
NEI LOPES Escritor e compositor, Nei Lopes coloca em pauta o racismo brasileiro no Rio de Janeiro dos anos 1950 através da vida de diversos personagens. É uma viagem por uma década importante para a afirmação da negritude brasileira, publicada em 2015. – DIVULGAÇÃO/EDITORA RECORD
CAROLINA MARIA DE JESUS Esta é a única obra de não-ficção da lista. Lançado em 1960, este livro é o diário da autora, uma mineira radicada em São Paulo que teve pouco acesso aos estudos formais. Através do cotidiano de Maria Carolina de Jesus, é possível entender mais do tecido social da vida em uma comunidade. – DIVULGAÇÃO/EDITORA ÁTICA
PAUL BEATTY Vencedor do Man Booker Prize de 2016, este romance retrada a vida de um jovem negro que, após perder o pai (um sociólogo polêmico) morto pela polícia, decide reinstaurar a segregação racial. Nesta tentativa, ele é levado a julgamento na Suprema Corte dos Estados Unidos. – DIVULGAÇÃO/TODAVIA
HARPER LEE Também lançado em 1960, mas nos Estados Unidos, este romance conta a história de um homem negro acusado de estrupar uma mulher branca na década de 1930 e de como foi julgado a partir de uma sociedade racista. Além de ter vencido o Pulitzer, o livro foi adaptado para os cinemas em 1962 (o filme venceu três categorias do Oscar) – DIVULGAÇÃO/JOSÉ OLYMPO
TONI MORRISON Escrito no início dos anos 1960, O Olho Mais Azul foi lançado em 1970 por Toni Morrison, a primeira mulher negra a ganhar o Nobel de Literatura, em 1993. É a emocionante história de uma família negra e pobre americana, os Breddlove, e como cada integrante sofre com o racismo estrutural na década de 1940, tempo em que é ambientado o livro. – DIVULGAÇÃO/TAG LIVROS
CONCEIÇÃO EVARISTO A pobreza e a violência urbana da quais parte da população negra brasileira é vítima são retratadas nos 15 conto deste livro, com muitas mulheres protagonistas. Foi lançado em 2014 por Conceição Evaristo, um dos grandes nomes da literatura brasileira contemporânea. – DIVULGAÇÃO
RALPH ELLISON O romance Homem Invisível é um clássico da literatura norte-americana. Lançado em 1952, retrata a mudança de um jovem begro do Sul para Nova York no início do século 20. Sua cor o torna invisível e, entre fracassos e decepções, a vida do portagonista é uma grande analogia à situação dos negros nos EUA. – DIVULGAÇÃO/JOSÉ OLYMPO
CHIMAMANDA NGOZI ADICHIE Fenômeno da literatura mundial, a autora nigeriana lançou este que é seu quarto livro em 2013. A protagonista do romance é Ifemelu, uma jovem que emigra para os Estados Unidos com o intuito de cursar faculdade e fugir do regime repressor da Nigéria. Quinze anos depois, ela volta a seu país e reencontra o amor de sua joventude. – DIVULGAÇÃO/COMPANHIA DAS LETRAS

Fonte: JC

Racismo e literatura: Escritoras dão voz à herança africana no Brasil

 

A poetisa Dinha é uma das autoras negras brasileiras que refletem, por meio de suas obras, os impactos do racismo silenciado no país

O Brasil é o país com o maior número de afrodescendentes no mundo. No entanto, sua herança africana tem sido oficialmente relegada há décadas, e o racismo, silenciado.

Hoje, várias autoras brasileiras estão buscando mudar esse quadro, desde escritoras de ficção consagradas, como Conceição Evaristo, passando pela poetisa underground Dinha, à contadora de histórias infantis Avani Souza Silva. Dar voz à cultura africana no Brasil e combater a discriminação racial é o compromisso literário dessas mulheres.

Negra e periférica

Dinha – apelido da escritora Maria Nilda de Carvalho Mota – define-se como uma “mulher negra e periférica” que encontrou na literatura um refúgio onde “ninguém pode calar” sua voz.

Sua poesia, segundo suas próprias palavras, é um alto-falante para justificar a história do povo afro-brasileiro, condenado ao “silêncio” e reduzido à “escravidão” em um país de 210 milhões de habitantes, onde mais da metade da população é negra.

Dinha passou boa parte de seus 42 anos denunciando “um genocídio contra a população negra”. Enquanto estudava Letras na Universidade de São Paulo (USP), Dinha fez parte de movimentos sociais ligados à cultura hip hop na periferia de São Paulo e encontrou uma situação “horrível” e “vergonhosa” em relação à falta de estudos sobre literatura africana e afro-brasileira no currículo da faculdade.

A consciência desse déficit a marcou para sempre. “Sei que escrever não é suficiente, mas é uma parte importante da formação do imaginário social”, disse.

Em seu último livro de poemas, “Maria do povo” (Edições Me Parió Revolução, 2019), ela quis homenagear “pessoas comuns”, sem deixar de lado questões de gênero, raça e classe, que são sempre pontos fundamentais em sua obra.

Em 2015, ela publicou um livro que a colocou no radar da poesia independente e a tornou uma referência no movimento negro: “Zero a Zero: 15 poemas contra o genocídio da população negra”, no qual denuncia a violência machista e policial.

Segundo a poetisa, as primeiras conquistas na luta contra o racismo foram deixar de lado “a visão eurocêntrica” e deixar de “resumir a escravidão” à história dos povos africanos e seus descendentes “no Brasil e no mundo”.

Contos africanos

Avani Souza Silva, 67 anos, é autora de “A África recontada para crianças” (Martin Claret Editora, 2020).

O livro ilustrado, que acaba de ser lançado, traz fábulas contadas nos cinco países africanos de língua portuguesa (Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné Bissau, Moçambique e Angola) com o objetivo de trazer à população brasileira a cultura africana “que sempre foi esquecida” no Brasil.

Um exemplo é o “Ti Lobo”, de Cabo Verde, muito diferente do animal feroz pintado em fábulas europeias. Esse lobo africano alimenta-se de figos e é uma figura alegórica da seca e da fome que assolou o arquipélago durante gerações.

“A formação étnica do povo brasileiro é composta por três povos: o europeu, o africano e o indígena”, mas, em contraste, nas escolas do país “a história e a literatura da Europa sempre foram estudadas”, afirmou ela. Por outro lado, acrescentou, “basta olhar para os brasileiros” para perceber que “o brasileiro é negro” e “africano”.

Avani contou ainda que, antes de chegar à USP, onde se formou em Letras Clássicas e Vernáculas, “não tinha contato com o continente africano” e “sequer lido nenhum autor africano”, algo comum entre “a maioria do povo brasileiro”.

No entanto, ela acredita que, nos últimos anos, o Brasil deu um “grande passo” após aprovar duas leis, em 2003 e 2008, que tornaram obrigatório o ensino de história e cultura africana e indígena nos programas de educação básica do país.

Apesar de ainda ser uma realidade “muito incipiente” nas escolas brasileiras, que carecem de material didático e investimento na formação de professores, ela se mostra convicta da necessidade de divulgar as culturas africanas e indígenas para combater o racismo.

“Respeitá-la (literatura africana), amá-la, perceber a identidade cultural que temos com alguns países africanos é muito importante” para “ter mais tolerância”, declarou.

De empregada doméstica a escritora premiada

Afrobrasilidade, raça, gênero e classe também são temas que preencheram as páginas da obra de Conceição Evaristo, ex-empregada doméstica que se tornou um ícone do movimento negro no Brasil antes mesmo de receber o prêmio Jabuti em 2019.

Entre suas obras mais conhecidas está o romance “Ponciá Viencio” (Mazza, 2003), onde a escritora narra a trajetória de vida de uma jovem negra e pobre mulher em busca de sua identidade.

“Faço parte de uma geração que, na escrita, busca muito a afirmação de uma identidade negra” e “conta com orgulho essa identidade”, disse a escritora, de 74 anos, em entrevista ao centro Itaú Cultural.

Através da literatura, ela pretende revelar sua “subjetividade como mulher negra na sociedade brasileira” e “lutar para criar textos que se distanciem da literatura que nos estereotipa”.

Ao criar “outro imaginário” que se distancia da “ideologia que a sociedade” tem da população negra, a escritora defende que a principal função de sua obra é atuar como “vigilante”.

*Com EFE

Fonte: Jovem Pan

Os autores negros como maiores representantes da literatura brasileira

Vagner Amaro
Imagem: Francisco Jorge

Texto por Rodrigo Casarin

Em novembro do ano passado, publiquei uma entrevista com Vagner Amaro sobre o trabalho que e o editor faz à frente da Malê, casa especializada em literatura afro-brasileira. Na ocasião, ele comentou como encara a história dos nossos escritores negros: “Esta trajetória não acontece na literatura brasileira, esta trajetória é a literatura brasileira, se iniciando com o negro Teixeira e Sousa, primeiro romancista brasileiro, com a negra Maria Firmina dos Reis, primeira romancista brasileira, passando pelo negro Paula Brito, importantíssimo editor brasileiro do século 19, passando pelo negro Machado de Assis, maior escritor brasileiro…”.

Com os embates antirracistas tomando as ruas do mundo, voltei a conversar com Vagner para nos aprofundarmos nesse ponto: a presença de autores negros ao longo da história literária nacional. O editor lembra do “Panorama Editorial da Literatura Afro-Brasileira Através dos Gêneros Romance e Conto”, estudo feito pelos pesquisadores Luiz Henrique Silva de Oliveira e Fabiane Cristine Rodrigues, para indicar números que espantam e ao mesmo tempo escancaram o racismo sistêmico: entre 1859 e 2016 foram publicados comente 61 romances de autores negros, enquanto entre 1839 e 2016 saíram apenas 88 livros de contos de autores negros. A pesquisa pode ser lida aqui.

Vagner aponta que essa estrutura racista produz silenciamentos e foi pouco discutida ao longo do tempo, mas começou a ser desfeita com a chamada geração Cadernos Negros, referência à clássica publicação de poetas afro-brasileiros lançada em 1977. Apesar das adversidades, ele ressalta: enxerga a literatura negra brasileira como a mais representativa de nosso país: “Na maioria dos casos, ela é mais brasileira do que todo o resto que é produzido. Isso no sentido de ser feita por representantes literários descendentes dos povos que mais marcaram a cultura brasileira, com suas visões de mundo, tecnologias, línguas, ritmos e tantos outros conhecimentos. coletividade e em grandes temas. Mais brasileira porque o Brasil é um país de pobres e boa parte dos escritores negros foram e, ou, são pobres – o que vem garantindo possibilidades mais interessantes de representação do pobre, do povo, assim como do outro que é o rico. A cultura brasileira, como a entendemos hoje, é essencialmente negra. Então, quanto mais negra for a nossa literatura, mais brasileira ela será”.

Para o editor, essa visão se estende a todos os autores que fazem uso da cultura negra nacional em seus textos. E, olhando para um dos maiores fenômenos recentes de nossa literatura, diz encarar o crescente sucesso de Conceição Evaristo menos como um descobrimento da autora e mais como um reconhecimento de leitores que se enxergam na obra da mineira. “É o Brasil que lê literatura, recompondo seu espelho e voltando a se enxergar”.

Guia de leitura

Também retomei o papo com Vagner porque, na última ocasião, uma pergunta tinha ficado de fora da edição da entrevista devido ao tamanho e à complexidade da resposta. Estava claro que o tema da questão mereceria ser tratado com calma em outra oportunidade. Quis saber dele o seguinte: Para quem quiser mergulhar na história da literatura negra, quais são os títulos e autores que você considera fundamentais? Seria possível falar numa espécie de cânone literário negro?

O editor dispensou a ideia canônica; não ajudaria a compreender a situação da autoria negra no Brasil. Preferiu falar na trajetória desses escritores, como lembrei há pouco. E deu muitas dicas. Para começar, recomendou quatro livros para quem deseja refletir: “Literatura Negro-brasileira”, de Cuti (Selo Negro), “Brasil Autorrevelado”, de Miriam Alves (Nandyala), “Literatura Afro-brasileira: 100 Autores do Século 18 ao 21”, de Eduardo de Assis Duarte (Pallas), e “Negrismo”, de Luiz Henrique Silva de Oliveira (Mazza). Além disso, deixou uma lista para quem quiser se aprofundar nesse universo:

“A Cor da Demanda”, de Éle Semog (Malê).

“A Lei do Santo”, de Muniz Sodré (Malê).

“Carro do Êxito”, de Oswaldo de Camargo (Córrego).

“Casa de Alvenaria”, de Carolina Maria de Jesus (Lebooks).

Clara dos Anjos, de Lima Barreto (Penguin/ Companhia das Letras).

“Com A Palavra Luiz Gama” (Imprensa Oficial).

“Contos Escolhidos”, de Cuti (Malê).

“Correntezas e Outros Estudos Marinhos”, de Lívia Natália (Ogum’s Toques Negros).

“Enquanto os Dentes”, de Carlos Eduardo Pereira (Todavia).

“Estação Terminal”, de Sacolinha (Nankin).

“Estela sem Deus”, de Jefferson Tenório (Zouk).

“Gosto de Amora”, de Mário Medeiros (Malê).

“Insubmissas Lágrimas de Mulheres”, de Conceição Evaristo (Malê).

“Leite do Peito”, de Geni Guimarães (Mazza).

“Maréia”, de Miriam Alves (Malê).

“Não Pararei de Gritar”, de Carlos de Assumpção (Companhia das Letras).

“Mural de Ventos”, de Salgado Maranhão (José Olympio).

“Negra Nua Crua”, de Mel Duarte (Ijumaa).

“O Caçador Cibernético da Rua Treze”, de Fábio Kabral (Malê).

“O Crime do Cais do Valongo”, de Eliana Alves Cruz (Malê).

“Oliveira Silveira: Obra Reunida” (Corag).

“Poemas Antológicos de Solano Trindade” (Nova Alexandria).

“Sobre-viventes”, de Cidinha da Silva (Pallas).

“Terra Negra”, de Cristiane Sobral (Malê).

“Úrsula”, de Maria Firmina dos Reis (Fora do Ar).

“Vozes Guardadas”, de Elisa Lucinda (Record).

“Zanga”, de Davi Nunes (Segundo Selo).

Fonte: Página Cinco – UOL

A genialidade — e a melancolia — de Lima Barreto, um dos maiores nomes da literatura brasileira

Barreto enfrentava sérios problemas com o alcoolismo e teve um triste fim; sendo impedido de ver o sucesso de suas obras

Texto por Penélope Coelho

Lima Barreto, em 1917 – Wikimedia Commons

“Não é só a morte que iguala a gente. O crime, a doença e a loucura também acabam com as diferenças que a gente inventa”, a frase dita pelo escritor e jornalista Afonso Henrique de Lima Barreto, representa significativamente sua luta e também os últimos anos de sua vida.

Barreto tem uma trajetória de extrema importância para a literatura nacional no século 20, sendo um exímio escritor romancista, tratava de assuntos como o preconceito, racismo e problemas sociais. O autor não teve o reconhecimento que merecia em vida e suas obras ficaram conhecidas somente 20 anos depois da morte.

Triste infância

Em 13 de maio de 1881, no Rio de Janeiro, nascia Lima Barreto, de família humilde, o homem era descendente de escravos e desde cedo já enfrentava preconceitos. Ainda criança, sofreu uma grande perda em sua vida diante do falecimento precoce de sua mãe, uma professora primária.

Seu pai lutou com todas as forças para conseguir criar os filhos, mas, foi acometido por uma doença mental e acabou enlouquecendo, isso fez com que ainda muito jovem, Barreto se tornasse um dos responsáveis pela sua casa e uma referência para os seus três irmãos. Contrariando as estatísticas, ele se matriculou na Escola Politécnica, no curso de Engenharia, mas, abandonou a faculdade para se dedicar à sua família.

Início da carreira e alcoolismo

Apesar de contribuir para jornais desde a faculdade, Lima fez sua primeira grande aparição como jornalista em abril de 1907, quando escreveu algumas sátiras para a antiga revista Fon-Fon. Mas, a verdade é que o escritor já se dedicava há um tempo para a literatura.

O autor tratava de temas socioeconômicos e costumava evidenciar histórias de personagens negros. Em 1904, ele começou a escrever a primeira versão de seu romance Clara dos Anjos, abrangendo questões sobre a escravidão no Brasil, onde a jovem Clara, uma mulher negra, se envolve com um homem branco. O escritor não chegou a ver esse livro publicado.

Em 1911, Lima escreveu rapidamente aquela que viria a ser uma de suas maiores obras: O Triste Fim de Policarpo Quaresma — um romance do pré-modernismo considerado um dos principais representantes desse movimento. Essa história foi levado ao público pela primeira vez no formato de folhetim, para depois se tornar um livro.

Em suas escritas críticas o artista demonstrava muita personalidade, mas, em sua vida pessoal o homem vinha enfrentando sérios problemas. Em 1912, ele continuava colaborando com a imprensa, no entanto, começou a apresentar alguns episódios de alucinação e depressão ao mesmo tempo em que abusava do uso de álcool.

Em 1914 foi internado no manicômio conhecido como Hospital Nacional dos Alienados. Por um tempo, Barreto conseguiu proceder com a escrita e chegou a ver a publicação de O Triste Fim de Policarpo Quaresma, em 1915, para isso, ele tirou dinheiro do próprio bolso.

Busto de Lima Barreto no Rio de Janeiro / Crédito: Wikimedia Commons

O Triste Fim de um gênio

Seus dias finais foram extremamente solitários, o homem acabou se aposentando precocemente em 1918, já que não tinha mais condições de escrever como jornalista. O fantasma do alcoolismo e a depressão ainda estavam presentes em sua vida e a saúde do autor estava cada vez pior.

Em 1919, após uma série de crises nervosas, foi internado no manicômio novamente, essa triste experiência rendeu mais uma de suas obras: Cemitério dos Vivos, na qual o relata a realidade e a rotina que ele vivenciou no hospício. Devido ao uso exacerbado do álcool, o jornalista desenvolveu alguns problemas de saúde. Acabou morrendo sozinho em sua casa, no bairro de Todos os Santos, Rio de Janeiro.

Isso aconteceu no primeiro dia de novembro do ano de 1922, em decorrência de um ataque cardíaco. Seu pai faleceu apenas dois dias depois do filho e eles foram sepultados no cemitério de São João Batista.

A maioria de suas obras foi publicada após sua morte, nas décadas de 1940 e 1950, diante de uma extensa pesquisa encabeçada pelo biógrafo Francisco de Assis Barbosa. Mesmo que não tenha visto seus textos se tornarem grandes clássicos nacionais, Lima Barreto é um dos maiores nomes da literatura brasileira.

Sem medo de falar sobre preconceito e problemas sociais enfrentados por negros e mulatos, o autor é um dos grandes representantes dessa luta, em uma época onde o assunto não era evidenciado.

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Lima Barreto – Triste visionário, de Lilia Moritz Schwarcz (2017) –https://amzn.to/2UB2W9w

Diário do hospício & O cemitério dos vivos, de Lima Barreto (2017) – https://amzn.to/2XQWBc3

Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto (2018) – https://amzn.to/3fi7Srw

Clara dos Anjos, de Lima Barreto (2014) – https://amzn.to/2Ypwhou

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Fonte: Aventuras na História

LEITURA: Redes sociais ajudam a popularizar a literatura de terror no Brasil

“Quem tem predileção pelo gênero Terror gosta da adrenalina do medo, do suspense, do “não saber o que vem na sequência”, afirma o escritor desse gênero, AT Sérgio.

Texto por Festar Muito

Foto: Divulgação

Radicado no Rio de Janeiro, mas de origem Pernambucana, o escritor At Sérgio acaba de lançar uma coletânea intitulada ‘As 13: Histórias Diversas’, com dois contos inéditos, e indicado como um dos finalistas do Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica 2020, na categoria Narrativa Longa Literatura Juvenil, com ELES, primeiro livro autoral de AT, que une ficção científica e terror para o público infanto-juvenil, 2019 foi um ano redentor para a literatura de terror no Brasil.

Um nicho esquecido e pouco valorizado nas últimas décadas, o Terror deu ares de visibilidade, com acesso a grupos de leitores maiores e com um reconhecimento de uma produção vasta e rica em subgêneros e ambientações, especialmente com escritores nacionais.

O motivo, segundo o autor e sua equipe, é o ótimo trabalho de publicação das casas editoriais, que decidiram investir em uma produção nacional de qualidade, mas, obviamente, precisa ser creditado também aos escritores, que apostaram em autopublicação, atingindo e formando públicos leitores nas mais diversas plataformas.

Quem tem predileção pelo gênero Terror gosta da adrenalina do medo, do suspense, do “não saber o que vem na sequência”, lembra o escritor, e isso faz com que seja um desafio grande tornar uma história de Terror verdadeiramente conectada com seu público.

“Assim como é difícil fazer rir no teatro ou no cinema, e a comédia é uma das artes mais complexas, na escrita o Terror se torna um grande desafio, na medida em que precisa cativar o leitor a cada página, mantendo a tensão do começo ao fim”, lembra ele.

Entre as plataformas contribuidoras para a popularização do gênero estão as redes sociais, embora tragam à tona a problemática da disseminação das obras com os devidos créditos. “Obviamente, algo que é preciso, com o tempo, que seja muito bem trabalhado”, lembra AT, “mas a verdade é que o público está nas redes”, enfatiza.

Inclusive, é possível falar que o leitor de Terror, geralmente, tem uma predileção pelo consumo de outros tipos de informação, especialmente aquelas que estão conectadas com o universo geek, até porque uma das vertentes que apoia a amplitude do Terror nos dias de hoje está no desenvolvimento de jogos eletrônicos.

O autor

A.T. Sergio é um escritor pernambucano, romancista, organizador e participante de antologias nos gêneros terror, suspense, mistério e policial, publicado por diversas editoras nacionais e através da plataforma independente da Amazon.

Autor Hardcover, plataforma de aperfeiçoamento da escrita desenvolvida pela Vivendo de Inventar, depois de publicar contos em mais de 25 antologias, estreia em romances com essa publicação, “Eles”, após ter sido finalista no prêmio SweekStars, edição 2018.

Redator da revista eletrônica “A Arte do Terror”, é também colunista do portal literário “Literanima”, onde publica textos periódicos sobre criatividade e forma de escrita.

Fonte: RONDONIAOVIVO.COM

A (falta de) diversidade no mercado editorial brasileiro

O Podcast do PublishNews conversou com Vagner Amaro, editor da Malê, sobre a presença de autores e editores negros no mercado editorial brasileiro e em eventos literários e sobre importância dos livros abordarem a cultura afro-brasileira

Texto por Talita Facchini 

No dia 25 de maio, o afro-americano George Floyd morreu nos EUA depois que o policial Derek Chauvin, se ajoelhou sobre seu pescoço por sete minutos enquanto ele estava deitado de bruços. Esse triste episódio desencadeou inúmeras manifestações em diversos países e levantou mais uma vez a questão do racismo, assunto que nunca deveria ter saído de pauta.

Trazendo o tema para o mercado editorial, em 2014, dos livros publicados apenas 2,5% dos autores não eram brancos. Dos personagens retratados nos romances apenas 6,9% eram negros e só 4,5% eram protagonistas. Neste mesmo ano, segundo o IBGE os negros representavam 54% da população brasileira. Uma fotografia da força de trabalho da indústria do livro pode ser bem parecida com esta: a maioria dos trabalhadores de editoras e livrarias é composta por pessoas brancas. Para conversar sobre o assunto, o podcast desta semana ouviu Vagner Amaro, fundador da editora Malê.

Inaugurada em 2016, a Malê busca dar visibilidade a autores africanos e afro-brasileiros e desde então, algumas coisas mudaram no cenário editorial brasileiro. “A Malê surge em 2016, em um momento que outras vozes também estavam se colocando em relação a essa desigualdade tão grande no mercado editorial, então é o trabalho da Malê, junto com o trabalho de outras pequenas editoras que foram surgindo”, contou Vagner. “Em um certo momento, um grupo de intelectuais negros resolveu intensificar esse debate em relação a desigualdade e eu acho que de fato surgiu efeito”, definiu.

Para Vagner, um dos grandes problemas do que ele definiu como um “sistema literário da autoria negra” é que os livros não circulavam. “Eles não estavam nas livrarias, não estavam sendo distribuídos, eles não participavam dessas reuniões de compras e não eram inscritos nos prêmios”, explicou, algo que mudou com o trabalho das editoras como a Malê nos últimos anos.

Sobre a falta de diversidade no mercado de trabalho, Amaro tocou num ponto importante. “Se a gente for pensar na quantidade de editores negros atuantes no Brasil, é um número muito reduzido, não chega a 10 editores”, alertou. “E esses editores que empreenderam as empresas onde trabalham, ou seja, eles não foram absorvidos pelo mercado”, algo que segundo ele só comprova essa desigualdade. “As pessoas que estão pensando o mercado editorial não são negras”, concluiu.

A inclusão dos autores negros nos eventos literários também foi tema da conversa. Amaro lembrou da importância que a Flip de 2017 teve para a Malê e para os autores negros e falou o que tanto mudou nos últimos anos nas feiras literárias com relação a presença de autores negros e de editoras que publicam autores negros. “O que eu comecei a observar, muito atento em relação a isso, é como se o evento, a Flip, tivesse comunicado algo que os curadores entenderam que era essencial e passaram colocar isso nas suas programações”, lembrou.

A conversa com Amaro rendeu: a importância dos livros infantis abordarem a cultura africana e afro-brasileira, os problemas estruturais do mercado, e outros temas relacionados foram discutidos a fundo.

E o que as editoras podem fazer para mudar o mercado, além de somente se posicionar nas redes sociais? “Contratem pessoas negras”, resumiu Amaro. “Contratem pessoas negras, investiguem, pesquisem sua equipe e contratem pessoas negras. Quem é que avalia originais dessa editora? Tem alguma pessoa negra ai? Contrate uma pessoa para essa equipe. Quantos editores existem nessa equipe? Tem alguma pessoa negra? Contrate uma pessoa. As livrarias: na sua equipe de gerentes da sua rede de livrarias, quantos negros são gerentes? Contrate negros para serem gerentes das livrarias. No corpo da CBL, quantos membros fazem parte? Contratem negros para isso. Quantos negros fazem parte do time que pensa a Bienal de São Paulo? Contrate negros”, finalizou.

O Podcast do PublishNews é um oferecimento da Metabooks, a mais completa e moderna plataforma de metadados para o mercado editorial brasileiro, da UmLivro, novo modelo de negócios para o mercado editorial: mais livros e mais vendas, e da Auti Books, dê ouvidos a sua imaginação, escute Audiobooks. Você também pode ouvir o programa pelo Spotify, iTunes, Google Podcasts, Overcast e YouTube.

Indicações

Pequeno manual antirracista (Companhia das Letras) – Djamila Ribeiro

Queer eye – Netflix

Pose – Netflix

Grupo de literatura contemporâneo

Portal Literafro UFMG

Biografia Carolina Maria de Jesus (Malê)

Hollywood – Netflix

Bucala David Nunes – Netflix

Eu não sou seu negro – Globosat

O quarto de Giovanni (Companhia das Letras) – James Baldwin

Fonte: PublishNews

Global Digital Library, una biblioteca digital para llevar libros a todos los niños del mundo

Más de 600 millones de niños no saben leer a pesar de haber asistido a la escuela. Una de las principales razones es que no tienen acceso a recursos de lectura de calidad para esos primeros grados. La biblioteca digital Global Digital Library recoge más de 4.000 libros gratis en 50 idiomas, y los pone a disposición de todo el mundo en la web, en el móvil y para su impresión.

Global Book Alliance está detrás de esta biblioteca digital mundial. Su objetivo es proporcionar acceso a recursos de lectura gratuitos y de alta calidad para los primeros grados en idiomas que los niños utilizan y comprenden. Para finales de 2020 quieren proporcionar recursos de lectura en 100 idiomas, aunque recientemente la Agencia Noruega para la Cooperación al Desarrollo ha anunciado que llegarán a 250 idiomas en un año, siendo su objetivo final el ofrecer libros gratuitos a todos los niños del mundo para el 2030. Por cierto, comentar que la plataforma facilita la traducción y localización de recursos en más de 300 idiomas.

Global Book Alliance es un esfuerzo internacional en el que participan múltiples interesados que trabajan para transformar el desarrollo, la adquisición y la distribución de libros a fin de garantizar que ningún niño se quede sin libros. La misión de la Alianza Mundial del Libro es garantizar que los niños de todo el mundo dispongan de los libros y el material didáctico que necesitan para aprender a leer y leer para aprender.

Además del acceso vía web (ya sea a través un ordenador, tablet o smartphone) a libros e incluso juegos, me gustaría destacar el repositorio de la Global Digital Library en el que hay más de 500 archivos de libros listos para imprimir. Estos archivos incluyen las portadas y contraportadas y todas las páginas interiores con ilustraciones de alta resolución. Actualmente este repositorio está en 23 idiomas, incluidos los idiomas utilizados en varios países de África y Asica, además de su idioma puente, el inglés.

Respositorio para la impresión de libros de la Global Digital Library

Todos los contenidos de esta biblioteca digital están bajo alguna licencia Creative Commons, siendo las principales CC BY y CC BY-SA. Estas licencias impulsan la innovación y la creatividad, incluyendo la reutilización comercial. Además, apoyan firmemente el objetivo general de la Global Digital Library de compartir, traducir y contextualizar los materiales educativos de lectura para los primeros grados, los libros de texto abiertos y los recursos educativos abiertos.

Tres cosas para terminar: (1) Es un magnífico recurso a tener en cuenta para proporcionar lecturas a los peques de la casa, del colegio o de la biblioteca. (2) Muchos libros de esta biblioteca digital son utilizados en la aplicación para aprender a leer que Google ha lanzado: Read Along. (3) He echado en falta los libros con letras en mayúscula para esas primeras lecturas que hacen los peques cuando están aprendiendo a leer.

Fonte: Julián Marquina

Leitura para bebês em espaços educativos: a experiência de um berçário

“A conversa de hoje é com Ana Paula Yazbek. Ana Paula é pedagoga formada pela Faculdade de Educação da USP, com especialização em Educação de Crianças de zero a três anos pelo Instituto Singularidades; iniciou mestrado na FEUSP em 2018 e está pesquisando sobre o papel da educadora de bebês e crianças bem pequenas. É sócia-diretora do Espaço Educação Infantil, escola que atende crianças de toda Educação Infantil (dos 0 aos 5 anos e onze meses). Além de acompanhar o trabalho das educadoras, atua em cursos de formação de professores desde 1995 e desde 2002 está voltada exclusivamente aos estudos desta faixa etária.

Esse encontro é parte do Ciclo de Conversas sobre Leitura com Bebês: um evento realizado pela Taba em parceria com o Itaú Social e apoio do Associação Nova Escola, Instituto Avisa Lá, Escalier, Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, Instituto Singularidades e Unibes Cultural.

Para saber mais sobre A Taba, acesse: https://ataba.com.br

Para acessar nossos conteúdos, visite nosso blog: https://blog.ataba.com.br

Fonte: A Taba

A Mídia, a Literatura e a Formação de Leitores

Texto por Alexandre da Costa Leite

(Foto: Freepik)

Há pouco, terminei de reler Memorial de Aires. Li devagar, como quem degusta um vinho. Livro delicioso, aconchegante, personagens com uma densidade que salta do romance, demonstração da supremacia absoluta do escritor. Os ranhetas cismam com a falta de enredo, mas ali está o enredo do cotidiano simples do protagonista e a relação dele com dois velhos que tentam permanecer próximos aos filhos postiços. O enredo é a solidão desses personagens. Dizem que Machado não era um narrador descritivo, não revelava ambientes e o cenário da cidade em seus textos, mas é nele que mais me sinto inserido no Rio de Janeiro daquele fim do século 19. Em Machado está guardado um intenso espírito de época que o tornou universal. Virei a última página com tristeza saudosa antes de emergir novamente no inóspito e pandêmico século 21.

Sílvio Romero, um dos progenitores da nossa crítica literária, acreditou que Machado de Assis fabricava um pessimismo que não integrava o caráter do brasileiro. Faltou a Sílvio Romero conhecer a nossa produção contemporânea para verificar a entronização da melancolia inócua e premiada que paira sobre os textos de ficção hoje publicados. Nossos autores seriam mais expressivos se fossem capazes de reconstruir o agudo e irônico pessimismo de Machado.

A literatura foi perdendo a centralidade dentro do panorama cultural do nosso país. Nestes tempos de pandemia, quando todos estamos confinados e com restritas escolhas de lazer, não observo muitas referências aos livros. O que prevalece intensamente são as lives (o novo fenômeno propagado pela tecnologia), as séries da Netflix, uns poucos filmes e mais nada. Apesar de as séries e filmes se originarem no trabalho do texto, a literatura é quase um elemento invisível no resultado das produções.

Existem os youtubers literários – poderia alguém me lembrar, tentando fazer justiça à visibilidade da palavra. Reconheço que os youtubers que comentam livros concretizam uma bela iniciativa, mas dos poucos que assisti ficou-me o sentimento de que desejam chamar mais atenção para eles próprios do que às obras apresentadas. Repito que foi uma sensação genérica que me ocorreu, não está livre de ser um equívoco de interpretação. Além desses críticos amadores em vídeos da Internet, temos os resenhistas da grande imprensa. Infelizmente, os resenhistas não conseguem ocultar um sintoma crônico, escrevem como se fossem patrocinados pelas grandes editoras ou pela camaradagem com autores.

A profissão de crítico deve ser uma luta constante contra todas essas dependências pessoais, que desautorizam seus juízos, sem deixar de perverter a opinião. Para que a crítica seja mestra é preciso que seja imparcial, – armada contra a insuficiência dos seus amigos, solícita pelo mérito dos seus adversários.” – Ensinava Machado na ancestralidade de O ideal do crítico.

Nos jornais, desapareceram os suplementos sobre literatura, tudo que se vê no arremedo simplório de crítica dos nossos dias contraria o ancestral “Ideal do crítico”, que estabeleceu uma “crítica pensadora, sincera, perseverante e elevada” – segundo Machado de Assis. A revelação óbvia é que a imensa pluralidade das publicações despejadas nos últimos anos inviabilizou o ofício da crítica séria e abrangente, que se exilou no feudo intelectual das universidades. “A crítica desamparada pelos esclarecidos é exercida pelos incompetentes” – sentenciou Machado.

Derrame de autores no mercado editorial não significa potência literária. Pelo contrário, o sentido da literatura se corrompeu, desbotou-se, diluiu-se numa infinidade de obras construídas por fórmulas prontas e conceitos comerciais. Alguns dos nossos escritores, principalmente os mais jovens, resgataram o aspecto inventariante do realismo. As maiores editoras focalizam em nomes famosos da mídia para turbinar vendas setorizadas, vendas que não sustentam as grandes redes de livrarias, livrarias que caem nas mãos de bancos que cobram melhores resultados financeiros. Outros autores investem mais em marketing do que em conteúdo. Pequenas editoras não distribuem os livros que produzem, são onerosas para o autor, cobram alto pelo envio do que publicam, transformam o mercado dos livros numa firma de agiotagem cultural.

(…) houve todo um planejamento de marketing para escrever o livro que o mercado pedia.” – Dizia Sérgio Sant’Anna sobre um escritor americano ao criticar a intervenção do marketing na obra literária.

A situação se agrava ao constatarmos que o escritor brasileiro não quer aprender a ler outros escritores, ele só quer aprender a ser lido. A recíproca não surge sem má vontade. Os índices mostram que o Brasil possui poucos leitores ativos (média de leitura é de 5 livros por ano). Numa proporção ainda menor estão os leitores de qualidade. A degradação geral da leitura e da criação, aliada a um sistema educacional precário, fizeram da resenha dos tietes opção à crítica acadêmica. Para completar, as feiras literárias e outros eventos dedicados aos livros servem mais ao comércio e ao lucro do que à formação de leitores. A literatura se tornou um braço forte do negócio publicitário, canonizam autores pueris, divulgam celebridades que são escritores de ocasião e restringem o foco a nichos que geram os best-sellers. A literatura virou uma sala barulhenta cheia de ninguém. Buscam o lucro com a ficção através da farsa. O resultado é que a estratégia não alimenta as corporações que controlam as livrarias de maior porte, terminam na falência. Não formamos leitores, formamos compradores aleatórios de livros e decoradores de estantes.

***

Alexandre da Costa Leite é jornalista e escritor.

Fonte: Observtório da Imprensa

Literatura infantil: o mundo de faz de conta

A importância da literatura se dá porque as crianças começam a formar sua leitura de mundo e despertar para rabiscos, traços e desenhos desde muito cedo, conforme as oportunidades que lhe são oferecidas. O meio no qual a criança vive, ou seja, a oportunidade oferecida pela família como pela escola com os livros de literatura infantil, muito contribuem para seu desenvolvimento. Nesse sentido, uma criança que desde cedo escuta estórias contadas pelos seus pais, certamente será um adulto leitor acostumado ao hábito de leitura, terá prazer em ler, sua imaginação e criatividade serão estimuladas a expressar ideias. É bom ressaltar ainda que a literatura infantil oportuniza situações, nas quais as crianças podem interagir em seu processo de construção do conhecimento possibilitando, assim, o seu desenvolvimento e aprendizagem. Além disso, o universo da leitura não deve ser compreendido somente como recurso à alfabetização, mas também, como um instrumento que permite a interpretação e a compreensão daquilo que se lê.

Baseado em Paulo Freire (1997), nós educadores devemos estimular e propiciar ao alcance das crianças os livros infantis, os contos, as poesias, os mitos, as lendas, as fábulas, permitindo-lhes penetrar em seu universo mágico dos sonhos. É o caminho não apenas de sua descoberta, mas também um dos mais completos meios de enriquecimento e desenvolvimento de sua personalidade.

Dessa forma, diferentes habilidades são afloradas por meio da literatura, entre elas a linguagem, contribuindo para a ampliação do vocabulário e incentivando a criatividade e a vivência de mundo do faz conta. Faz-se necessário reconhecer a importância da Literatura Infantil e incentivar a formação do hábito de leitura na idade em que todos os hábitos se formam, isto é, na infância. Neste sentido, a Literatura Infantil é um caminho que leva a criança a desenvolver a imaginação, emoções e sentimentos de forma prazerosa e significativa, haja vista, que nessa fase, a linguagem é a habilidade que as crianças mais desenvolvem, sendo que a interlocução com o adulto favorece esse processo, principalmente quando mediado pela literatura, oferecendo contato com a língua escrita, já que linguagem cotidiana dá acesso à norma padrão da língua.

Ler, contar e ouvir histórias são atividades pelas quais a criança pode conhecer diferentes formas de falar, viver, pensar e agir, além do universo de valores, costumes e comportamentos de sua e de outras culturas situadas em tempos e espaços diversos. Sendo a leitura o caminho mais importante para chegar ao conhecimento, é fundamental que a criança se familiarize com os livros desde o primeiro ano de vida.

Todo bebê nasce apto à fala, um processo natural do desenvolvimento humano, no entanto ninguém nasce leitor. Para que isso aconteça é preciso incentivar o gosto pela leitura desde a creche. Vale destacar que a Educação Infantil tem a responsabilidade de resgatar e organizar o repertório das histórias que as crianças ouvem em casa e nos ambientes que frequentam, uma vez que essas histórias se constituem em rica fonte de informação sobre as diversas formas culturais de lidar com as emoções e com as questões éticas, contribuindo para a construção da subjetividade e da sensibilidade delas.

Sendo assim, ter o acesso à boa leitura é dispor de informação cultural que alimenta a imaginação e desperta o prazer pela leitura. A literatura é essencial ao homem e também à sua formação, pois promove o contato dele com alguma espécie de fabulação.

Torna-se necessário oferecer às crianças oportunidades de leitura de forma convidativa e prazerosa, sendo que neste sentido, a literatura infantil deve desempenhar um importante papel que é o de conduzir as crianças não só à aprendizagem contribuindo para uma escrita sistematizada, mas também oportunizar o desenvolvimento da reflexão e criticidade no aluno, além de permitir que se realize a leitura com fruição, isto é que se sinta prazer ao estar lendo.

Conclui-se diante do exposto acima que é fundamental que cada criança tenha o gosto e o prazer pela leitura, pois essa é uma dimensão essencial na vida de qualquer ser humano. Quando lemos estamos exercitando a mente e aguçando nossa inteligência.

(*) Carla Andressa Santos Muniz, Maria do Carmo Ferreira dos Santos Silva e Josiane de Lana C. Nascimento são professoras da Educação Infantil na UMEI Monteiro Lobato.

Fonte: A Tribuna

“Biblio Live: literatura infantil e brincadeiras como um direito da criança”

Com mediação da coordenadora de Bibliotecas da Secretaria de Cultura de Campinas, Renata Alexsandra, o bate-papo contará com a participação da Biblioteca Pública Infantil Monteiro Lobato e de amigos. Na pauta, trocas de ideias e de experiências sobre importância da literatura infantil e das brincadeiras como direitos essenciais da infância

Fonte: Cultura Abraça Campinas

Semeadores de livros

Edição especial do PublishNews Entrevista reúne respostas e diversos pontos de vista sobre os direitos fundamentais da humanidade: a leitura, a escrita e a literatura

Texto por Talita Facchini

Você acha que o livro vai salvar o mundo? A pergunta foi feita por Leonardo Neto, editor-chefe do PN, para algumas pessoas que passaram pelo Podcast do PublishNews no último ano. As respostas, claro, variam, passando pelas otimistas e pessimistas. No quinto episódio especial do PublishNews Entrevista, programa que que tem criado um arquivo da memória do mercado editorial brasileiro, André Argolo reuniu essas respostas e diversos pontos de vista sobre os direitos fundamentais da humanidade: a leitura, a escrita e a literatura.

“O Brasil é um país – eu acho importante falar isso, em todos os lugares – que nunca se preocupou com o livro, nunca se preocupou com a literatura”, define Eduardo Lacerda (Patuá), que em sua entrevista, falou ainda sobre a história do livro no país e o descaso que continua até hoje com o livro e a leitura. José Castilho também participa da seleção da semana, em sua entrevista, ele falou sobre a Política Nacional de Leitura e Escrita, que por conta do PN ficou conhecida como Lei Castilho e Luiz Alves Jr (Global), sobre como vê o Brasil em relação à leitura. “O Brasil, pra mim, não foi descoberto”, afirma. “A gente vê as grandes discussões prevendo o futuro, negociando o que foi feito no passado, mas dificilmente você vê pessoas que são multiplicadores de informações, levantando o problema da leitura, porque não se educa uma criança, não se dá à uma criança uma educação plena se ela não passar pela leitura”, completa.

Também fazem parte do episódio Marilena Nakano (ex-presidente e voluntária da Rede Beija-flor / Bibliotecas Vivas), Cida Saldanha (Livraria da Vila), Camila Cabete (Kobo) e Jiro Takahashi (editor) falando sobre a importância do livro e definindo em suas palavras, o que é a literatura.

Fonte: Publish News

Direitos da criança e literatura infantil são temas da Biblio Live amanhã

Nesta terça-feira, 19 de maio, às 20h, o Canal Cultura Abraça Campinas transmite mais um encontro “Biblio Live” sobre Literatura – e agora com o recorte infantil. O cenário desse vasto universo, os direitos da criança, as brincadeiras, e as ações da Biblioteca Infantil Monteiro Lobato estarão na roda de conversa.

Segundo a coordenadora das Bibliotecas Públicas da Secretaria de Cultura de Campinas, Renata Alexsandra, o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, lembrado nesta segunda, 18 de maio, será tema de destaque.

A live reunirá, além de Renata Alexsandra (também integrante do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente – CMCA), João Henrique, bibliotecário da Biblioteca Infantil Monteiro Lobato; Flávia Guimarães, pedagoga, projetista educacional, terapeuta social e conselheira do Cultura no Conselho da Criança e do Adolescente; e o pedagogo e contador de histórias, Ulisses Junior.

O público poderá interagir com perguntas.

Serviço

Biblio Live

Papo sobre Literatura Infantil e Brincadeiras como um Direito da Criança

Quando: 19/05, terça, às 20h

Canal  Cultura Abraça Campinas: youtube.com/CulturaAbraçaCampinas

Fonte: Campinas.sp.gov

Tesouro da selva: conheça grande obras de escritores amazonenses

Texto por Ana Gadelha

O Amazonas é lar de escritores com trajetórias de sucesso nacional e internacionalmente

Thiago de Mello, Tenório Telles, Milton Hatoum,Márcio Souza e Aldisio Filgueira | Foto: Divulgação

Manaus – A terra do açaí e do tucumã também é lar de vários autores renomados do cenário literário brasileiro. O Amazonas exportou grandes nomes que tiveram trabalhos publicados em várias línguas e passaram por diversos países. O Portal EM TEMPO listou algumas das principais obras de Milton Hatoum, Márcio Souza, Aldisio Filgueira, Tenório Telles e Thiago de Mello.

Milton Hatoum | Foto: Divulgação

Dois irmãos – Milton Hatoum

O segundo romance do aclamado escritor amazonense Milton Hatoum foi lançado em 2000, ganhou o Prêmio Jabuti de literatura brasileira na categoria de Melhor Romance e foi publicado nos Estados Unidos e diversos países da Europa. Passando-se em Manaus na época do Regime Militar, o livro narra a história da relação conturbada entre dois irmãos gêmeos, Yaqub e Omar, de uma família de ascendência libanesa.

Junto com a família, moram Domingas, a empregada, e seu filho, um menino cuja infância é moldada justamente por esta condição: ser o filho da empregada. É este menino que, trinta anos depois dos acontecimentos, vai contar o que testemunhou calado: histórias de personagens que se entregaram ao incesto, à vingança e à paixão desmesurada. O livro virou minissérie.

Márcio Souza | Foto: Divulgação

Galvez – Imperador do Acre – 

O livro marcou a estreia de Márcio Souza no meio literário, em 1976, e lhe concedeu o prêmio de escritor revelação da Associação Paulista de Críticos de Arte. A revista de críticas New Yorker definiu: “O livro é ao mesmo tempo uma delícia de comicidade e um conjunto de poucos prováveis, meio verdadeiras aventuras, recontadas com perícia e economia”.

A obra conta a vida e a prodigiosa aventura de Dom Luiz Galvez Rodrigues de Aria nas fabulosas capitais amazônicas, e a burlesca conquista do território acreano contada com perfeito e justo equilíbrio de raciocínio, para a delícia dos leitores. Ambientado no fim do século XIX, mostra como o rápido avanço da revolução industrial multiplicou a demanda da borracha.

Mad Maria – Marcio Souza

O livro relata os episódios mais macabros e inacreditáveis dos registros históricos da construção da ferrovia, focando-se num período de três meses, Márcio Souza força o leitor a confrontar o inferno. A ferrovia Madeira-Mamoré integraria uma região rica em látex na Bolívia com a Amazônia, mas encontrou obstáculos descomunais: 19 cataratas, 227 milhas de pântanos e desfiladeiros, centenas de cobras e escorpiões, a exuberância da floresta amazônica além da malária.

As obras inacabadas deixaram um saldo de 3,6 mil homens mortos, 30 mil hospitalizados e uma fortuna em dólares desperdiçada na selva. O engenheiro inglês Stephan Collier comandava com mãos de ferro a construção da ferrovia, liderando um enorme grupo de homens de todo o mundo, indispostos entre si, no meio de uma floresta selvagem, ameaçados por toda a sorte de infortúnios. O livro também virou minissérie.

Aldisio Filgueiras | Foto: Divulgação

 Estado De Sítio – Aldisio Filgueira

Estado de Sítio foi a primeira obra de Aldisio Filgueira, publicada em 1968, e ganhou nova versão em 2018, contando a trajetória literária do autor. Enuncia um posicionamento diante do mundo, ao mesmo tempo em que labora sua lírica com fundamento filosófico e estético.

Cidades do Puro Nada – Aldisio Filgueira

Livro mais recente do autor Aldisio Filgueira, a obra reúne poesias com o tema mais celebrado do escritor: a cidade de Manaus. Com tom de crítica social, Aldisio descreve sobre o crescimento populacional desenfreado na capital do Amazonas.

Tenório Telles | Foto: Divulgação

Renovação – Tenório Telles

A coletânea de crônicas do amazonense Tenório Telles, lançada em 2013, reúne obras publicadas ao longo de 15 anos de carreira do autor, com reflexões sobre acontecimentos cotidianos e temas sociais. A vida ganha com este livro um sentido superior, e a sua preocupação está em apelar para os homens para que eles não se esqueçam de que cada ação traz com ela as suas consequências, sejam boas ou más. Tenório Telles quer que os seus leitores conheçam as situações e as personalidades que mudaram o curso da História.

Thiago de Mello | Foto: Divulgação

Faz Escuro Mas Eu Canto: Porque a Manhã Vai Chegar – Thiago de Mello

O livro resgata os contornos verdadeiros das coisas e das almas – o amor ferido, as cantigas de roda, o açude, a fome, os sem-terra, entre outros. Em sua obra, Thiago de Mello inspira coragem e reacende a esperança de dias melhores.

Os Estatutos do Homem – Thiago de Mello

O livro de poemas se consagrou como um dos mais famosos da literatura brasileira. Este poema é uma afirmação dos valores eternos do homem. Na edição mais atual, há um depoimento de Pablo Neruda, poeta de quem Thiago foi muito amigo.

Fonte: D.emtempo

SESI-SP EDITORA LANÇA COLEÇÃO MONTEIRO LOBATO COM EXCLUSIVIDADE NA VERSÃO EM E-BOOK

Projeto gráfico é da premiada designer Raquel Matsushita; ilustrações são de artistas do Brasil, de Portugal e da ArgentinaA SESI-SP Editora lança a Coleção Monteiro Lobato com exclusividade na versão em e-book. Os primeiros títulos que chegam ao mercado, por meio de uma parceria com a Amazon Brasil, e que já estão em pré-venda, são: Aventuras de Hans Staden, O poço do Visconde, A reforma da natureza, Reinações de Narizinho (vol.1 e vol.2), Viagem ao céu, O saci e Dom Quixote das crianças.

Além disso, multiplicidade de leituras possíveis e tratamento estético são os diferenciais da Coleção Monteiro Lobato preparada pela SESI-SP Editora. Para tanto, o projeto gráfico foi desenvolvido pela premiada e experiente designer Raquel Matsushita. Outro ponto de destaque são as ilustrações feitas por grandes artistas, que contribuem para a leitura infantojuvenil e que apresentam um novo olhar para personagens que continuam a encantar e surpreender os leitores brasileiros de diversas gerações.

Além de ilustradores brasileiros, como Psonha e Eloar Guazzelli, esta coleção tem a participação de ilustradores de Portugal e da Argentina, os quais proporcionam um novo olhar sobre a obra de Monteiro Lobato, já que não haviam sido expostos anteriormente ao imaginário do autor.

Entretanto, Jorge Mateus, José Saraiva, David Penela e Cátia Vidinhas são os ilustradores portugueses que dão vida às obras O poço do Visconde, A reforma da Natureza, Viagem no céu e O saci, respectivamente. Já Anabella López, ilustradora argentina, do título Aventuras de Hans Staden.

Fonte: ABC Repórter 

Bibliotecários levam literatura até os lares brasileiros

Vestida de Emília, a bibliotecária Regina Garcia Brito lê Reinações de Narizinho”. Fotos: Priscila Ferreira

Bibliotecários gravam vídeos para levar literatura até os lares brasileiros

Nesse momento mundial tão difícil, onde todos nós estamos unidos no combate a disseminação do coronavírus, inclusive  com escolas e bibliotecas fechadas, o Conselho Regional de Biblioteconomia 8ª região (CRB-8) convidou a todos os bibliotecários do Estado de São Paulo para que ajudem a levar a literatura para dentro das casas brasileiras.

Por meio de uma campanha voluntária e solidáriabibliotecários vêm gravando vídeos, lendo livros. Ou ainda trechos deles para as crianças de todo o Brasil. De certo, esses vídeos, postados no Canal do YouTube do CRB-8,  estimulam, portanto,  que muitas crianças continuem  então tendo acesso a literatura, mesmo com as bibliotecas fechadas.

Incorporando personagem: 

Assim, muitos bibliotecários já aderiram a Campanha. Regina Garcia Brito, de 42 anos, está gravando vídeos lendo capítulos do livro “Reinações de Narizinho”, de Monteiro Lobato. Regina então surpreendeu a todos se vestindo como a personagem Emília. Inclusive, já que precisava dos óculos para fazer a leitura explicou na gravação “Vocês devem estar se perguntado, boneca usa óculos? Psiu, então eu peguei os óculos da dona Benta, se não como eu iria ler aqui para vocês”.

Segundo Regina Garcia Brito, que está em férias, e vem preparando os vídeos em casa, ela não tem filhos, mas imagina o grande desafio que as mães estão passando para entreter as crianças com atividades de qualidade. Portanto aderiu à campanha do CRB-8.

A bibliotecária conta ainda que não foi a primeira vez que se vestiu de Emília. Ela atua na Biblioteca Céu Azul da Cor do Mar, na Zona Leste de São Paulo. A primeira vez que se vestiu de Emília em 2018 foi para receber os bebês que estavam chegando pela primeira vez a escola.

A boneca Emília tem uma relação afetiva com os adultos e também muitas crianças são apresentadas para esse importante personagem da literatura brasileira. Além disso, nem todos a conhecem, uma vez até me perguntaram se eu era o Patati, dos palhaços Patati Patatá”, contou Regina. Ela  salientou ainda a importância de ficar em casa para prevenir o agravamento da pandemia.

Bibliotecários emocionam: 

Mostrando bem a realidade das mães brasileiras que estão trabalhando em casa, a bibliotecária Kelly Cristina Souza de Araujo Andrade, que atua em Itapetininga, precisou se virar para contar uma história ao lado da mãe Maria Joana e de seu pequeno filho Felipe, que não parava por um minuto durante a gravação. Mas quem assiste ao vídeo se emociona com o livro “A Colcha de Retalhos”, de Conceil Corrêa da Silva. A história está relacionada ao momento atual, pois fala do relacionamento de avó e neto e o sentimento de saudades.

Assista: “A Colcha de Retalhos” (Conceil Corrêa da Silva) – Bibliotecária Kelly Cristina S. de A. Andrade 

Já a bibliotecária de Cajamar, Celita Lima Bastos Alves, fez um vídeo com ajuda da criança Vitória. Ambas contaram a história “Bruxa, bruxa venha a minha festa”, de Arden Druce.

Ruth Rocha: 

Uma das mais importantes escritoras brasileiras de literatura infanto-juvenil, Ruth Rocha, foi lembrada pela bibliotecária Susan Sanches Bueno Modesto, do Sesi de São José dos Campos, que leu o livro “A Coisa”.  Além disso, a  escritora também foi recomendada pela bibliotecária Adriana Pimpinatti Zuffo. Adriana, além de contar, também ilustrou a história “A Primavera da Lagarta” (Ruth Rocha).

Da mesma forma, a bibliotecária Roselene Mariane Medeiros gravou vários vídeos. Entre eles, “Lulu Adora Histórias”, de Anna McQuinn, que também fala da importância da biblioteca.

Assista ao vídeo: “A Primavera da Lagarta” (Ruth Rocha) –  Bibliotecária Adriana Pimpinatti Zuffo 

De acordo com a presidente do Conselho Regional de Biblioteconomia – 8ª região, Regina Celi de Sousa, entre as muitas funções do bibliotecário, especialmente o escolar, está a formação de leitores infantis.

A escola e a biblioteca podem atuar juntas promovendo o protagonismo das crianças desde a Educação Infantil. Nesse momento de isolamento social, com a ajuda da tecnologia e da solidariedade podemos promover à contação e levar boas histórias para nossas crianças”, lembrou ela.

Enfim, os vídeos  estão postados  no Canal  YouTube do CRB-8. Inclusive novas histórias vem sendo postadas mensalmente. Visando, assim, levar literatura de qualidade para crianças. 

Serviço:

Home office da Leitura: História contadas por bibliotecários

Veja também: Canal do YouTube do CRB-8

Fotos: Priscila Ferreira e João de Pontes Junior – Divulgação / Arquivo pessoal

Fonte: Cristina Aguilera com informações do CRB-8

Assessoria de imprensa

Fonte: Ego Notícias

As imagens dos livros em “A Insustentável Leveza do Ser”

Marisa Midori continua em maio indicando leituras neste confinamento, além de homenagem ao jornalista Marcello Bittencourt

Texto Por Claudia Costa

Depois da série sobre o livro como remédio para a alma nestes tempos de confinamento por causa da pandemia da covid-19, a professora Marisa Midori continua a indicar leituras durante a quarentena em sua coluna Bibliomania. “Foi tentando escapar da monotonia, mas também da indignação que os desmandos políticos me têm provocado, que me deparei com o romance A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera”, comenta.

Segundo a professora, durante o mês de maio, a coluna deverá abordar as representações dos livros e das bibliotecas na literatura ficcional. A série é dedicada ao jornalista da Rádio USP, Marcello Bittencourt, produtor do programa Biblioteca Sonora, que faleceu no final de abril por conta da covid-19.

Voltando às imagens dos livros, a professora afirma que, no romance de Milan Kundera, há espaços preciosos em que o livro rouba a cena, e por isso ela lê um trecho em que a personagem, Tereza, encontra, pela primeira vez, Tomas. “A composição de Tereza daria um bom roteiro para uma pintura”, diz Marisa, destacando a imagem da personagem com o livro debaixo do braço.

Fonte: Jornal da USP

Coleção de livros digitais homenageia profissionais da saúde

Novo título ‘Super protetores’ é apresentado na coleção literária do Itaú Unibanco

(foto: Itaú Unibanco/Divulgação)

A coleção digital Leia para uma Criança apresenta um novo título infantil. Homenageando os profissionais de saúde, o livro Super protetores busca mostrar a importância dos profissionais da área de saúde na atual situação do país, retratados como os “super-heróis modernos”. Escrito por Jessé Andarilho e com ilustrações de Ivy Nunes, o título se junta a outros 15 livros.

“Em um momento de tantas dúvidas e, no qual as crianças estão fora de sua rotina, longe da escola, professores e amigos, é importante que elas possam entender de alguma forma o que está acontecendo. Falar dos médicos e dos demais profissionais que estão trabalhando com tanta dedicação nos permite levar o tema ao público infantil de forma lúdica, ao mesmo tempo que fazemos uma merecida homenagem”, diz Juliana Cury, superintendente de marketing institucional do Itaú.

Completando 10 anos em 2020, o programa faz parte da ação de incentivo à leitura na primeira infância do Itaú Unibanco e da Fundação Itaú Social. A coleção digital conta com 16 livros e autores renomados como Conceição Evaristo e Fernando Veríssimo. O conteúdo está disponível e pode ser acessado no site e via WhatsApp, enviando uma mensagem para o número (11) 98151-1078. Em formato PDF, os conteúdos podem ser compartilhados com outros contatos e acessados de qualquer smartphone.

Fonte: Correio Braziliense

Para ler, ouvir e assistir literatura

Evento on-line na USP e filmes no site “Persona Cinema” ampliam formas de conhecer livros e autores

Por Maria Laura López

Audiobooks ganham cada vez mais espaço no mercado editorial – Ilustração: Nicola Einarson via flickr

O ato de gravar uma leitura é tão antigo quanto o próprio gravador, mas os audiolivros ou audiobooks, como conhecemos hoje, foram inventados nos Estados Unidos por volta de 1930, e tinham como objetivo tornar conteúdos literários acessíveis para deficientes visuais. Hoje em dia, essa ferramenta possui várias utilidades que vão desde auxiliar nos estudos a promover clubes de leitura a distância. E é justamente esta última ideia que o Centro Universitário Maria Antonia da USP propõe para todos aqueles que o acompanham.

A atividade O Que Você Está Lendo Agora? consiste em gravar um vídeo, com até três minutos de duração, lendo o trecho de um livro e falando um pouco sobre ele. Com isso, a instituição pretende incentivar não só a leitura, mas também a interação com o público neste momento em que encontros presenciais não são permitidos. Até agora alguns clássicos já foram narrados, como Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, Guerra e Paz, de Tolstói, e O Quarto Branco, de Daniela Aguerre. Os vídeos devem ser enviados para imprensama@usp.br, e serão publicados nas redes sociais do Maria Antonia.

Dentre os primeiros livros a serem narrados em audiobooks estavam a Bíblia, peças de Shakespeare e a Declaração de Independência dos Estados Unidos. Atualmente esse catálogo é muito maior e aparece como tendência no mercado editorial. “No ano passado, a maior feira de livros do mundo, a Feira de Frankfurt, reservou uma área de 600 m2 para empresas de áudio”, afirma a professora Vânia Lima, do Departamento de Informação e Cultura da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. Entretanto, para a narração completa de um livro, é necessário ter os direitos autorais. Por isso a maior parte das iniciativas gratuitas na internet propõe apenas uma leitura parcial das obras.

A professora Vânia Lima, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP – Foto: Arquivo pessoal

Segundo Vânia, o isolamento que estamos vivendo hoje não tem tanta influência sobre a procura por esse tipo de suporte, até porque o acesso ao livro físico continua o mesmo – só a compra precisa ser feita on-line. “A opção do audiobook me parece estar mais vinculada a um perfil de consumidor específico, que quer se apropriar de novos conteúdos enquanto realiza outras atividades, como cozinhar, caminhar e dirigir”, diz ela. Nesse sentido, o audiolivro aparece como o podcast na vida cada vez mais movimentada das pessoas.

No entanto, para a professora, as experiências de ler e ouvir são muito distintas e individuais. “Além de livros e audiolivros serem objetos diferentes, eles também são caminhos diferentes pelo mesmo universo. A influência na compreensão da obra literária também me parece uma questão individual”, afirma Vânia. Segundo ela, o fato de o cérebro processar a informação escrita diferente da informação sonora faz com que algumas pessoas assimilem melhor o texto e outras respondam melhor ao estímulo visual e sonoro. 

Cinema sobre autores e livros

São várias as possibilidades de compreender e discutir literatura para além da simples leitura de uma obra. No âmbito do audiovisual, o site Persona Cinema fez uma lista com dez documentários que falam sobre personalidades da literatura brasileira. Os filmes aparecem com os respectivos links e pequenos comentários sobre os autores ali destacados. Dentre eles estã0 Wilson Martins (1921-2010), autor de História da Inteligência Brasileira e um dos maiores críticos literários brasileiros e grandes escritores como Manuel Bandeira (1886-1968) e Adélia Prado.

A lista termina com um filme sobre Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), um dos maiores representantes da poesia brasileira. E alguém que pode resumir bem o que é a literatura no Brasil e os artistas como ele: “Escritor: não somente uma certa maneira especial de ver as coisas, senão também uma impossibilidade de as ver de qualquer outra maneira.”

Fonte: Jornal da USP

Literatura antirracista para crianças e jovens

Texto: Vitor Taveira

Projeto idealizado por quilombola capixaba, Pretaria lança projeto Blackids, clube de leitura por assinatura para público infanto-juvenil
Nascida na comunidade quilombola de Angelim, em Conceição da Barra, Mirtes dos Santos é CEO da startup Pretaria

Primeiro clube de leitura por assinatura com foco na literatura antirracista do Brasil, o Pretaria BlackBooks foi idealizado e é comandado por Mirtes dos Santos, uma capixaba de origem quilombola que é mestre em Direito e Sociologia. O projeto acaba de apresentar mais uma novidade: o Blackids, um box infanto-juvenil, com foco na valorização da identidade negra e da representatividade para crianças e adolescente.

Para os assinantes, o box trará a cada mês livros infanto-juvenis que abordem direta ou indiretamente as questões étnico-raciais, além de outros brindes. Segundo Mirtes, o objetivo é orientar pais, mães e responsáveis sobre a importância de incentivar a leitura de literatura antirracista para crianças e adolescentes, sejam elas negras ou não.

“A obra escolhida é uma surpresa que virá de encontro com as motivações do projeto de estimular o leitor para uma formação social livre de preconceitos e fortalecer as publicações de editoras e autores negros brasileiros”, disse. A curadoria é feita por mulheres negras por meio de um grupo composto por ativistas, intelectuais, escritoras e pesquisadoras convidadas.

O projeto oferece planos com pagamento mensal, semestral ou anual tanto para o público adulto como para o infanto-juvenil e com entregas para todo o Brasil. Entre as propostas do projeto está o trabalho com algumas editoras especializadas e que não costumam ter espaço nas grandes livrarias, como Cora, Crivo, Malê, Nandyala e Perspectiva.

Enquanto o número de vendas em livraria tem caído, os clubes de assinatura apresentam um crescimento significativo nos últimos anos, segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABCcomm), despontando como uma nova tendência no mercado editorial. A Câmara Brasileira do Livro (CBL), estima a existência de 25 clubes de assinatura de livros no Brasil, totalizando 2 milhões de assinantes. Destes, a Pretaria é o primeiro e único até o momento que apresenta como foco a questão étnico-racial.

O grupo editorial Pretaria foi lançado em 25 de julho de 2015, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. No ano passado, a partir de uma campanha de financiamento coletivo, deu o pontapé para o início do projeto do clube de leitura, que agora ganha um novo plano para contemplar também o público mais jovem.

Além de Mirtes, o grupo tem como co-fundadora e diretora de tecnologia da informação Neide Sellin, e a atriz e escritora Suely Bispo.

Para mais informações, o e-mail para contato é pretaria.ed@gmail.com, além da página oficial e em redes sociais como Facebook e Instagram.

Fonte: Século Diário

Rhaiane Leal analisa obra do autor do ‘Sítio do Pica Pau Amarelo’ e comenta sobre o racismo e elitismo inseridos em sua criação literária

Jeca Tatu é um dos personagens mais famosos de Monteiro Lobato que cria a imagem do trabalhador do campo como um ‘homem atrasado’ em sua narrativa
Foto: Divulgação

Texto: Rennan Rebello

Em tempos de isolamento social por conta da pandemia do novo coronavírus (covid-19), a literatura tornou-se, mais uma vez, uma boa companhia durante momentos de tédios causados pela restrição de sair de casa. Além de ser um bom passatempo, os livros também são alicerces de informação para reflexão do atual momento e de uma projeção de sociedade.

Desta forma, a análise de obras se faz necessária a fim de manter diálogo com outros leitores (cidadãos) para a interpretação dos escritos e trajetória de determinados autores. Em São Gonçalo, o trabalho literário do consagrado escritor paulista Monteiro Lobato (1882-1948), um dos ícones do segmento infanto-juvenil no Brasil, foi analisado pela professora de História e revisora de textos, Rhaiane Leal, 25, ainda durante sua graduação na Faculdade de Formação de Professores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FFP/UERJ), no bairro do Patronato.

A análise culminou em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) intitulado como: “Urupês e ideias de Jeca Tatu: Monteiro Lobato e o projeto de identidade nacional no início do século XX” e na dissertação “Nacionalismo militante: uma análise da correspondência de Monteiro Lobato e Artur Neiva (1918-1942)”, no Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e da Saúde da Casa de Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio. Neste último trabalho, a pesquisadora encontrou elementos racistas no trabalho do autor do livro ‘O Sítio do Pica Pau Amarelo’.

“Durante a minha monografia eu abordei o Monteiro Lobato por uma perspectiva literária. Seus contos no início do século XX tinham um perfil muito voltado para queixas. Tanto que o seu primeiro de livro, o ‘Velha Praga, de 1914, onde ele reclamava das queimadas do ‘caipira’ no campo, onde adotava o discurso de reclamar sempre do homem do campo com a imagem de atrasado por meio do personagem ‘Jeca’ Tatu’. O Monteiro Lobtato era latifundiário e tinha fazenda no interior de São Paulo e dialogava politicamente com a classe média branca e elitista do país. No entanto, ele criticava o culto ao estilo francês e defendia que o Brasil precisava mudar neste aspecto. Já na minha dissertação, analisei 180 cartas que ele trocou com Arthur Neiva (político brasileiro e ex-secretário de Interior do Estado de São Paulo)e pude analisar o Monteiro Lobato não apenas como um homem das letras mas também como um político. Ele se engajou pela causa do petróleo e a metalurgia além de analisá-lo como empresário. Monteiro Lobato  passou a escrever livros para crianças porque percebeu que era lucrativo mas escasso no mercado”, explicou Rhaiane que teve experiências em sua infância e seu trabalho como agente de leitura como influências para sua pesquisa acadêmica referente ao escritor de Taubaté.

“O Monteiro Lobato sempre esteve presente na minha infância. Eu conheci sua obra através da TV Globo, em 2002, e me encantei com a fantasia em torno do ‘Sítio do Pica Pau Amarelo’. E eu associava ao bairro aonde morava em São Gonçalo, no Arsenal, que era bastante arborizado e tinha um campo de futebol, e minha casa apesar de simples era grande e arejada. E eu acabava associando ao sítio com minha residência. Passaram-se os anos e entre os anos de 2014 e 2015 tive o prazer de ser agente de leitura para trabalhar nas escolas municipais de São Gonçalo e passei a ser contadora de histórias e preferi trabalhar com crianças. Após este período, tive como legado o acesso aos livros e durante a graduação tive uma disciplina chamada ‘Teoria da História’ e conheci o trabalho do historiador Robert Darnton e ele retratava como o conto da ‘Chapeuzinho Vermelho’ e da ‘Cinderela’ eram usados pelos antigos regimes e trabalhado com os camponeses na França e na antiga região da Prússia (atual Alemanha) e percebi como a literatura servia de pano político. Como eu não sabia falar muito francês e queria abordar o Brasil, resolvi adotar o Monteiro Lobato, que é considerado o pai da literatura infantil mas na minha pesquisa utilizei os contos adultos que ele escreveu onde abordava questões políticas e sociais”, acrescentou a pesquisadora. Quanto a polêmica referente ao racismo inserido em representações de personagens na narrativa de Monteiro Lobato, que era ligado a movimento de eugenia no Brasil, Rhaiane analisou esta temática para a reportagem de O SÃO GONÇALO.

“Na questão social, na minha dissertação, também percebi que Monteiro Lobato era um intelectual que atuava em rede e tinha diversos tipos de contatos, tendo vínculos com médicos, cientistas e políticos da época. Ele também era um influenciador destas redes pois estava sempre escrevendo e publicando. Desta forma descobri a sua participação na Sociedade Eugênica de São Paulo. Sobre a acusação de Monteiro Lobato como racista, para mim não se trata de uma acusação e sim uma afirmação, uma vez que desde 1990 há trabalhos acadêmicos na plataforma da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) que já abordaram o racismo de Monteiro Lobato em suas obras. Na minha concepção, o Movimento Negro não o acusa de racismo mas sim afirma algo que já é algo incontestável. A carta que ele enviou à Artur Neiva em 10 de abril de 1928, da qual analisei, é o ápice desta constatação pois ele coloca seu apoio à Ku Klux Klan (grupo terrorista e racista criado nos Estados Unidos). Além disso, Monteiro Lobato representa o universo africano e negro de forma preconceituosa e estereotipada em suas obras”, pontuou a professora, que também explica a importância do estudo crítico  das obras de Monteiro Lobato e da reivindicação por outras narrativas.

“A questão não é tirar o peso do autor Monteiro Lobato em relação as obras em sua vida mas sim, fazer uma reflexão dos personagens negros, sobretudo a Tia Nastácia que é a sua personagem negra mais famosa. E ele a coloca como ‘negra beiçuda’, ‘macaca de carvão’, ‘negra do Congo’ e ignorante.  Na verdade, o Movimento Negro questiona a subalternização do passado colonial e defende novas formas de representações literárias para este mundo lúdico da mulher negra e do negro em geral pois temos o personagem do Saci (Pererê). Será que são estas referências que temos que ter para as crianças negras? Até quando a reprodução da mulher negra será justificada pelo contexto história? Este período não é uma maneira de passar a mão no autor. É importante entender a sua obra como fonte. Na sala de aula, eu vou usar esta obra de 1933 para compreender política, economia e a sociedade e como os homens pensavam mas nunca para dizer que aquilo condiz com o que pensamos hoje. Portanto, o professor precisa ser a ferramenta principal para que os alunos tenham um olhar crítico para qualquer tipo de documento. É importante sempre circunstancializar “, finalizou.

Recentemente a pesquisadora concedeu entrevista, de forma remota, ao programa ‘Aulas com Filatelia’ com Heitor Fernandes na Web Rádio Censura Livre, de São Gonçalo. Escute, abaixo.

Fonte: O São Gonçalo

Leia mulheres: clube do livro em Florianópolis dá visibilidade à literatura feminina

Projeto mundial tem grupo fixo na Capital catarinense; participantes fazem reuniões virtuais em meio à pandemia do coronavírus

Texto Catarina Duarte

Lançado em 1977, o ‘Seminário dos ratos’, de Lygia Fagundes Telles, é o livro do mês de abril do Leia Mulheres Florianópolis. O clube de leitura, que completou quatro anos em março, é dedicado exclusivamente à literatura feminina.

O projeto surgiu em 2014 com a escritora Joanna Walsh. Por meio da #readwomen2014, a britânica propôs que naquele ano apenas autoras fossem lidas por seus seguidores. A ideia era dar visibilidade às mulheres dentro do mercado editorial.

A pesquisa Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, vinculada à Unb (Universidade de Brasília), mostrou que entre 1965 e 2014, mais de 70% dos livros publicados por grandes editoras foram escritos por homens.

No Brasil, o Leia Mulheres passou a ocupar livrarias e espaços culturais no ano seguinte. Os clubes se espalharam por diversas capitais brasileiras, chegando a Florianópolis em 2016.

Os encontros, que já reuniram dezenas de participantes, acontecem no último sábado de cada mês na BU (Biblioteca Universitária) da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

Não há restrição quanto à participação de homens no clube, mas as mediadoras dos debates são sempre mulheres. Assim, explica uma das fundadora do grupo na Capital, o espaço tem garantias de que a discussão abordará o universo feminino.

Por meio do clube é que as pessoas acabam percebendo como não é habitual ler autoras. Eu mesma percebi que na minha biblioteca só tinham livros escritos por homens. Isso mudou bastantes depois do Leia”, comenta Liandra Schug.

Graduanda do curso de Letras Português, Liandra fundou o grupo com uma colega um ano após entrar na universidade. Desde então, media os debates mensais, que têm público de cerca de 20 pessoas.

Discussões virtuais

Com o avanço do coronavírus em Santa Catarina, as reuniões do Leia Mulheres passaram a ser virtuais. A primeira em meio à pandemia acontece neste sábado (25).

O calendário com as obras também sofreu alterações, substituindo obras com edições limitadas ou de acesso mais difícil por livros online, por exemplo.

Até o fim do ano, obras de Cora Coralina, Ana Miranda e Ayobami Adebayo devem ser lidas pelas participantes do grupo.

Para participar do Leia Mulheres Florianópolis basta entrar em um grupo que as administradoras mantêm no Facebook. Não há restrições de idade ou gênero.

Fonte: ND+

Lives – Dia Mundial do Livro

A celebração do Dia Mundial do Livro será mais do que especial! Você é nosso convidado para participar de conversas online e ao vivo com grandes escritores brasileiros: Conceição Evaristo, Mauricio de Sousa e Luiz Felipe Pondé. Imperdível! Anote aí: 23 de abril, às 11h no nosso Instagram (instagram.com/cbloficial) e às 16h na nossa página do Facebook (facebook.com/camaradolivro). Vamos juntos festejar os livros!

Fonte: https://www.facebook.com/events/558988471488587/

Festival Digital de Poesia

Quarentena de poeta é escrever. Por isso, a Academia Popular de Letras (APL), em parceria com a Biblioteca Municipal Paul Harris, de São Caetano do Sul, vai realizar seu 1º Festival Digital de Poesia. A proposta é reunir poemas de autores de todas as idades e cidades e compartilhá-los nos canais digitais da Academia. Uma seleção de 15 trabalhos será publicada em um minilivro para celular.

As inscrições são gratuitas e estão abertas até as 23h59 do dia 1º de maio. Basta enviar nome do autor, cidade e um poema de, no máximo, 20 linhas para o e-mail academiapopulardeletras@gmail.com. Ao se inscrever, o autor se responsabiliza pela autoria do trabalho.

“Escritor está sempre escrevendo, mas esse tempo de quarentena pode ter sido mais produtivo. Queremos ler e compartilhar esses trabalhos. Logo nossa biblioteca estará de portas abertas de novo e vamos voltar a nos encontrar”, afirma Ana Maria Guimarães Rocha, responsável pela rede de bibliotecas de São Caetano e presidente da APL.

Fonte: ABC do ABC

Bibliotecária Suzana Mafra comenta importância do Dia Nacional do Livro Infantil

Texto por Jaison Lorenceti

Bibliotecária Suzana Mafra

Neste sábado, 18, comemora-se o Dia Nacional do Livro Infantil e Dia de Monteiro Lobato. A data também é reservada para o Dia do Amigo. Num universo tão amplo de possibilidades, o livro é sempre uma boa companhia, principalmente em tempos de pandemia.

O distanciamento social criou desafios para superar aspectos da quarentena. No caso das crianças, a suspensão das atividades escolares e dos centros de educação infantil, fez quem os pais e tutores responsáveis tenham que inovar na hora de brincar e lidar com o ensino dos menores.

A bibliotecária brusquense, Suzana Mafra, concedeu entrevista ao vivo no Programa Da Hora para comentar sobre a importância da leitura ao público infantil.

Este é um período diferente que a gente vive, inédito; estamos invadidos por diversas mídias e também pode ser aproveitado para novos conhecimentos e hoje pela data eu recomendo a leitura do Monteiro Lobato”, destacou.

Suzana enfatizou que o conhecimento do público em geral das obras de Lobato é muito ligado aos conteúdos televisivos, com releituras da obra do escritor, considerado o maior autor nacional da literatura infantil. Porém, Suzana recomenda o toque e o envolvimento das crianças com os livros.

Ainda sim recomendo aos pais e a famílias que busquem pelo menos um livro do Lobato, e apresentem aos seus filhos. Ele foi um autor que viveu bastante e teve tempo de rever em vida toda a sua obra – principalmente a infantil”, destacou.

De acordo com a escritora, o acesso das obras é possível através da internet e na própria Biblioteca Pública Ary Cabral.

O Dia de Monteiro Lobato, também conhecido como Dia Nacional do Livro Infantil

Como estaria Monteiro Lobato, com este coração enorme pelo Brasil e pelas crianças no dia de hoje, diante deste tempo; ele foi um amigo do nosso país e teria muito o que dizer neste momento”, ressaltou.

Sobre o contato com a leitura, Suzana comentou que é importante inserir na vida dos filhos e utilizar de momentos distintos para apresentar obras literárias, que ajudam no desenvolvimento das crianças.

Vejo que os pais buscam orientar os filhos, mas o sistema, como está estruturado, essa velocidade toda, fica um pouco complicado, porém, é preciso apresentar a leitura pois a criança vai absorver aquilo que ela está pronta (os pais e professores são pontes) ”, explicou.

Segundo Monteiro Lobato: “Um país se faz com homens e livros.”

Sobre o catálogo de obras literárias infantis, Suzana chamou atenção para obras que tenham conteúdo didático.

Nós vivemos um momento de editoras de livros nunca vistos, somos tentados a comprar pela capa (o design evoluiu), então penso que livro é investimento e acho que a criança menor brinca, hoje é um objeto de decoração e não mais aquele objeto de guardar. Não deve ser mais um bem permanente e sim consumido, estar próximo”, ponderou.

Suzana Mafra é autora de livros infantis, poeta e bibliotecária

Suzana é autora dos livros Borboletras: poemas curtos que voam, pela Editora da UFSC, e e50 crônicas escolhidas, ambos pela Design Editora. Em 2010, ganhou o Primeiro lugar no concurso OFF FLIP poesia e recebeu menção honrosa no Prêmio Hernâni Cidade, de Portugal. Atua como bibliotecária na Biblioteca Pública de Brusque, onde desenvolve projetos de incentivo à leitura. Para as crianças, publicou o livro O Anjo Avoado, em parceria com a ilustradora Márcia Cardeal, pela editora Nova Letra.

Fonte: Rádio Diplomata

Doutor em literatura fala da importância de Monteiro Lobato

No Dia Nacional do Livro Infantil, o professor da UFSCar, Wilson Alves Bezerra, também dá dicas de livros para desfrutar na quarentena; confira

Texto por Flávio Mesquita

Sítio do Picapau Amarelo. Foto ilustrativa/ Arquivo

18 de abril de 1882. Esta foi a data de nascimento de um dos maiores escritores brasileiros, aquele que tem até hoje as obras infantis mais vendidas e com dezenas de adaptações para o cinema e para a televisão.

Nós estamos falando, é claro, de Monteiro Lobato. Dentre as várias obras, o Sítio do Picapau Amarelo foi a grande marca das obras infantis, publicada inicialmente em 1920, no livro “a menina do narizinho arrebitado”.

Segundo o professor do departamento de letras da UFSCar e doutor em literatura, Wilson Alves Bezerra, Lobato é o grande ícone da literatura infantil brasileira. “Monteiro Lobato é uma figura central da cultura brasileira. Ali na virada do século XIX para o século XX, ele foi pioneiro da indústria editorial, ele tinha a editora do Brasil. Ele foi um grande difusor da cultura com a revista do Brasil. E ele foi o nosso primeiro grande autor de livros infantis, com a Emília, com o Sítio do Picapau Amarelo. Então, ele é uma figura chave, uma figura inescapável da nossa cultura. Acho muito merecido que o nascimento dele seja o dia do livro infantil”, disse Bezerra.

Embora a importância de Monteiro Lobato seja inegável para a literatura infantil, nos últimos anos, suas obras foram questionadas quanto a referências racistas. Wilson Bezerra diz que é importante compreender o contexto em que a obras foram produzidas. “A gente tem percebido cada vez mais que existem aspectos do preconceito racial, do racismo, contra os negros na literatura dele. O que a gente faz diante disso? Vamos expurgar o Monteiro Lobato da história literária brasileira? Evidentemente que não. A gente tem que entender que o Lobato é um filho das elites brasileiras da virada do século XIX, ele nasceu em 1882 durante a escravidão no Brasil. O racismo faz parte do caldo cultural no qual ele se formou”, disse.

Monteiro Lobato

Como estamos falando em Dia Nacional do Livro Infantil, o professor traz algumas dicas de leituras nesse momento de quarentena. “Eu pensei em um livro de uma autora chamada Bianca Santana, chamado ‘Quando eu me descobri negra’, são pequenos relatos dessa autora contando como crianças que não são brancas, que não tem esse biótico caucasiano, como é que elas sofrem”, recomendou o professor.  

“Outro livro que eu acho bem bonito é o livro do Drauzio Varella, chamado ‘Nas ruas do Braz’, ele conta as memórias da infância dele, chegando sozinho ali nesse bairro italiano do Braz”, concluiu Bezerra.

Além dessas dicas do professor Wilson Bezerra, quem quiser conferir as obras de Monteiro Lobato, é só acessar a biblioteca digital nacional do Rio de Janeiro. Todas as obras do autor estão disponíveis para leitura. É só acessar http://bndigital.bn.gov.br.  

Quem prefere as adaptações infantis para o cinema, é só procurar pelas obras na cinemateca brasileira, em cinemateca.org.br.

Fonte: ACidadeON/São Carlos

Quarentena Literária disponibiliza acervo virtual a alunos da rede municipal de Atibaia

Iniciativa busca incentivar a leitura mesmo durante o período de suspensão da rotina escolar por conta da pandemia de Coronavírus

A Prefeitura da Estância de Atibaia lançou recentemente o Programa de Atividades Pedagógicas à Distância, iniciativa que disponibiliza, no site do Executivo, propostas educativas para os alunos do município durante o período de suspensão das aulas na rede de ensino em função da pandemia de Coronavírus. Agora, a Secretaria de Educação de Atibaia também disponibilizou aos estudantes da cidade a Quarentena Literária, espaço na plataforma digital com acervo virtual de livros.

Com a Quarentena Literária, a Administração Municipal busca continuar incentivando a leitura dos pequenos e jovens alunos de Atibaia, mesmo durante o período de suspensão da rotina escolar, fortalecendo as ações do “Ler e Escrever: Fonte do Saber”, projeto desenvolvido há anos no município para estímulo à leitura desde o ensino infantil. Além disso, com a disponibilização de livros direcionados para cada série e segmento da rede municipal, a Prefeitura incrementa ainda mais a aquisição de conhecimento por parte dos estudantes.

Para acessar os livros o aluno deve ingressar na plataforma digital com seu login e senha e selecionar a Quarentena Literária. Toda semana a Secretaria de Educação incluirá novos livros, formando um acervo virtual diversificado.

Antecipação das férias escolares

Vale lembrar que a Prefeitura, por meio da Secretaria de Educação, decidiu pela antecipação das férias escolares da rede municipal previstas para o mês de julho em virtude da pandemia de Coronavírus. A nova data do recesso será de 13 a 27 de abril para todos os segmentos do ensino municipal.

Durante o período de férias não serão postados novos conteúdos do Programa de Atividades Pedagógicas à Distância, com exceção do Reforço Escolar e Inglês, cujos conteúdos devem ser acessados e acompanhados pelos alunos semanalmente. Além disso, continuarão disponíveis durante todo o recesso, no site da Prefeitura ou pela plataforma digital, as atividades já publicadas para os alunos.

Fonte: Atibaia News

Literatura ganha força com produção de conteúdo pela Internet

No Youtube, diversos booktubers aprofundam interesse nos livros

Por Carol Steques* e Camila Souza*

Bel Rodrigues tem um canal no YouTube que discute literatura e criminalidade
Bel Rodrigues tem um canal no YouTube que discute literatura e criminalidade | Foto: Reprodução / Instagram / CP
Um livro faz com que o leitor viaje com uma história, se emocione, dê risada e tenha sentimentos pelos personagens. Quando terminada a leitura, muita gente corre até um amigo ou parente, que também tenha lido, para trocar ideia sobre o assunto. É muito gostoso para o leitor ter outras pessoas que também tenham lido o livro e comentem as histórias, entrando ainda mais no universo lúdico da literatura, que muitas vezes atravessam gerações. Afinal, até hoje todo mundo que conhece Dom Casmurro tem a sua opinião sobre a famosa pergunta: Capitu traiu ou não Bentinho?
Hoje em dia, com as redes sociais, viajar no universo da literatura ficou ainda mais fácil. Amanda Bormida, criadora do Instagram @estanteaoluar, faz resumos de livros no perfil e conta que começou o projeto pois não tinha muitas pessoas para compartilhar ideias e sentimentos sobre os livros que lia, e por meio da plataforma teve essa oportunidade.

“Sempre tive uma afinidade muito grande com livros, e através da página isso se fortaleceu, pois ver publicações com opiniões sobre as mesmas obras que me interesso, traz um sentimento de união, de que haviam pessoas com as mesmas ideias e pensamentos que eu sobre determinados assuntos”, declarou.

Natália Marcelino também produz conteúdo literário em seu perfil no Instagram (@leiturasdanat), criado em 2015. Além de escrever resenhas, Natália compartilha indicações de autores e métodos de leitura com seus seguidores que, hoje, são mais de 23 mil.

Ela conta que a motivação para criar o perfil foi o desejo de dividir suas experiências literárias e, assim, fazer com que outras pessoas também sintam vontade de ler. “Recebo muitos feedbacks de pessoas que voltaram a ler, que descobriram novos gêneros e autores. No Brasil ainda há muitas barreiras com a leitura, então fico muito feliz em saber que, de alguma forma, contribuo para aumentar o número de leitores”, explicou.

YouTube

Nesse momento de isolamento social em função do novo coronavírus, além do Instagram, o Youtube também é uma ótima plataforma para aqueles que querem se aprofundar ainda mais nas histórias. Diversos youtubers, também chamados de booktubers, falam sobre literatura.

Um exemplo disso é o canal da Bel Rodrigues, que traz assuntos como livros, cinema e criminologia. É muito interessante vermos os diferentes gêneros literários que trazem os canais, incentivando o leitor a explorar cada vez mais todos os tipos de temas que o livro pode proporcionar.

Uma das temáticas que Bel aborda é a Segunda Guerra Mundial, e fala sobre livros como “O Diário de Anne Frank” e “Os Fornos de Hitler”. Além da literatura, ela traz outras histórias sobre os temas que aborda em seu canal, como o relato de sua visita ao Campo de Concentração de Sachsenhausen, na Alemanha.

Assim como Bel, Jéssica Ribeiro também optou pela plataforma do YouTube. No canal “Jella em Prosa”, criado em 2015, ela compartilha suas experiências no universo dos livros. Jéssica explica que entrou no BookTube, como é conhecida a comunidade literária na plataforma, pela vontade de falar sobre literatura.

Produzir os vídeos de maneira divertida e despretensiosa fez com que a paixão pelos livros aumentasse. Assim, tomou a decisão de estudar literatura para falar do assunto com mais propriedade. Jéssica conta que recebeu muitos retornos de pessoas que acompanhavam seu canal e decidiram conhecer histórias e livros específicos devido aos seus comentários.

“É muito curioso e muito legal fazer parte do processo de formação leitora de alguém, e digo isso não somente como produtora, mas também como leitora, porque consumo muito esses conteúdos”.

Jéssica destaca a importância da troca de experiências entre leitores na plataforma de vídeos. “A quantidade de pessoas com quem eu posso falar sobre literatura é a coisa pela qual eu mais sou grata dentro da experiência de ter um canal literário”.

Viajar nesse universo é uma alternativa para quem busca distração, principalmente em dias de quarentena. Os produtores de conteúdos literários apresentam, em diversos formatos, análises e indicações para incentivar e despertar a paixão pelos livros.

*Sob supervisão de Luiz Gonzaga Lopes

Fonte: Correio do Povo

 

Ilustradores brasileiros se unem para explicar coronavírus aos pequenos

Criado em tempo recorde pela educadora Mônica Correia Baptista em conjunto com onze ilustradores, livro explica com delicadeza o que é o coronavírus e como as crianças podem se cuidar

Texto por Isabella Von Haydin e Vanessa Lima

Carta às meninas e aos meninos em tempos de COVID-19 (Foto: Divulgação)
Carta às meninas e aos meninos em tempos de COVID-19 (Foto: Divulgação)

Com os impactos do coronavírus, muitos pais se perguntam: como falar com as crianças sobre o que está acontecendo? Quais palavras usar para explicar que, devido a uma pandemia, não se pode mais ir à escola e nem visitar os amigos e os avós? Para ajudar, ilustradores brasileiros se reuniram e criaram o livro Carta às meninas e aos meninos em tempos de Covid-19.

Arquitetada pela pedagoga Mônica Correia Baptista, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a obra foi inspirada na Carta para los niños y ninãs en este momento de crisis, feito pela educadora chilena Isidora Lobo e pela ilustradora Carla Infante para instruir os pequenos de forma delicada sobre o que estava acontecendo por lá em 2019, quando medidas econômicas do governo geraram uma onda de protestos no país. “Esta carta tinha me tocado muito pelo carinho, pela potência da linguagem para quem precisa de uma mediação para compreender. Até que veio a tragédia do coronavírus e, na minha vivência como mãe, tia e avó, pensei em como é difícil para as crianças verem essa situação e compreenderem. Então, me inspirei nela”, diz a educadora.

Em formato de carta, a narrativa conta de forma delicada o que vem acontecendo no mundo, o que é o coronavírus e o que as crianças podem fazer para se proteger. As páginas trazem até dicas para o novo cotidiano. O intuito do projeto é ter uma distribuição gratuíta para atingir o máximo de pessoas possível. A obra está disponível em PDF e pode ser vista e compartilhada aqui. A ideia é criar também versões em inglês, espanhol e também com audiodescrição, para acolher também crianças deficientes visuais.

Ilustração de Alexandre Rampazo (Foto: Divulgação)
Ilustração de Alexandre Rampazo (Foto: Divulgação)

A obra conta com a participação de onze ilustradores, cada um responsável por uma página. Chama atenção também o tempo recorde em que foi produzida: menos de 5 dias. Alexandre Rampazo [vencedor do Troféu Monteiro Lobato de Literatura Infantil de 2019, concedido por CRESCER], responsável pela figura da super-heroína, conta que pensou na imaginação alimentando o real.

Mônica também atua no Fórum Mineiro de Educação Infantil (FMEI) e no Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação e Infância (NEPEI) e conta que os órgãos estão sempre muito atentos para levar em conta o protagonismo infantil. “As crianças não são sujeitos passivos e submissos, que só veem o mundo pela tradução. Essa concepção de infância nos obriga a pensar em produtos culturais que visam esse protagonismo, essa inteligência. Então trazemos a verdade, não escondemos que é um momento difícil. Elas percebem com muita força”, completa.

Fonte: Revista Crescer

Coronavírus: lançado e-book de história em quadrinhos para público infantil

“Falamos da pandemia de uma maneira lúdica”, diz Eduardo Jara, coordenador do programa de extensão Esag Kids

Fonte: ND+

Pandemias: o que a literatura do mundo nos ensina sobre elas

De Homero a Stephen King, diversos autores se debruçaram sobre o tema da pandemia e suas consequências sobre nós, como indivíduos e coletividade

Pandemias já foram temas de livros de ficção ou não; veja alguns títulos

De Lira Neto a José Saramago, um guia de obras sobre distintos cenários em que cotidianos, feito o nosso, foram drasticamente alterados devido a pandemias

Longe de ser recente, o desenvolvimento de tramas distópicas na literatura ganhou novo capítulo no começo desta década.

Com a adaptação para o cinema de “Jogos Vorazes” (“The Hunger Games”, no original), em 2012, da escritora e americana Suzanne Collins, o mercado editorial voltou o olhar com bastante afinco para essa temática, compondo um filão de obras infanto-juvenis nas quais o futuro do planeta é posto em xeque.

Na sequência, foram adaptadas ainda séries como “Divergente”, de Veronica Roth; “Mazze Runner”, de James Dashner; e “O Doador de Memórias”, de Lois Lowry, entre várias outras – uma porção delas, contudo, ainda existente apenas no papel.

São tramas mais pueris, claro (nada que se compare a clássicos absolutos, como “A Máquina do Tempo”, de H. G. Wells, e “Fahrenheit 451”, de Ray Bradbury, para citar apenas dois), mas bastante válidas para mostrar ao público leitor o quanto o assunto é diverso e pode ganhar camadas cada vez mais profundas.

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Ilustração: Thyagão

Corta para 2020. Mal o ano começa e já estamos enfrentando um cenário digno dessas histórias em que o fim de tudo parece logo ali. Dá para sentir no ar, nas telas, nas ausências.

Mas há algo específico neste caso: trata-se de uma pandemia, outro assunto já bastante explorado na literatura, com obras que conseguem se sobressair àquelas devido à maneira mais contundente de aproximação dos contextos narrados com os nossos, próprios.

Nesse movimento, o Verso lista alguns dos títulos mais importantes dentro desse caldeirão de referências de modo a fazer com que reflitamos sobre o início, os desdobramentos e o fim de cada ameaça pandêmica. Que personagens emergem? Que decisões são tomadas em situações-chave? Como líderes políticos e a própria população se posicionam quando nesse panorama?

Eis algumas perguntas que norteiam o olhar sobre os exemplares. São livros de ficção e não-ficção, assinados pelo cearense Lira Neto e o mineiro Pedro Nava, passando pelo português José Saramago e a canadense Margaret Atwood. Confira:

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“O poder e a peste: a vida de Rodolfo Teófilo”, de Lira Neto (Fundação Demócrito Rocha, 1999)

Ao fundir jornalismo, história e literatura, a obra conta a trajetória do baiano radicado no Ceará Rodolfo Teófilo – misto de cientista, industrial, escritor e divulgador científico – a partir de dois contextos de varíola, doença que vitimou milhares de pessoas na Fortaleza do final do século XIX e início do século XX. Sem apoio do poder público, o homem travou um verdadeiro duelo pessoal para combater a peste de seu tempo, lutando contra a falta de recursos, o medo daqueles que temiam a vacina e as consequências da seca e da fome. Tamanho esforço gerou resultados: só em 1902, Teófilo vacinou 1940 pessoas, não sendo registrado nenhum caso de varíola na capital cearense naquele ano. Com inteligência e munindo-se de acessível linguagem, Lira Neto oferece um livro que traz um importante exemplo do quanto epidemias foram vencidas pela teimosia e, sobretudo, crença na ciência, salvando milhares de vidas. Qualquer comparação com a situação do Brasil de hoje não é mera coincidência.

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“Ensaio sobre a cegueira”, de José Saramago (Companhia das Letras, 1995)

Um dos livros mais famosos do escritor português José Saramago (1922-2010) – tendo sido adaptado para o cinema em 2008, pelo diretor brasileiro Fernando Meirelles, com Julianne Moore e Mark Ruffalo no elenco – narra a realidade diante de uma terrível “treva branca”, que vai deixando cegos, um a um, os habitantes de uma cidade. Resguardados em quarentena, eles se perceberão reduzidos à essência humana, numa verdadeira viagem às trevas, desenvolvendo sentimentos que vão evoluir sob diversas formas: compaixão pelos doentes e necessitados, como idosos ou crianças; atos de violência e abuso sexual; lutas entre grupos pela pouca comida disponibilizada; embaraço por atitudes que nunca antes seriam cometidas, entre outras. Assim, a partir de uma fantasia sufocante, em 300 páginas de pura aflição, o autor, ganhador do Nobel de Literatura, guia a audiência no sentido de que feche os olhos e veja, recuperando, dentre outros valores, a lucidez e o afeto.

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“Chão de Ferro”, de Pedro Nava (Companhia das Letras, 2012)

Considerado o maior memorialista brasileiro, o médico e escritor mineiro Pedro Nava (1903-1984) relata,  no Capítulo III de “Chão de ferro”, a experiência com a pandemia de gripe espanhola no Rio de Janeiro de 1918. Em alguns trechos, ficam evidentes questões essenciais para a compressão do impacto da doença na até então capital do País. “Seu contágio já andou a pé, a passo de cavalo, à velocidade de trem de ferro, de navio e usa, nos dias de hoje, aviões supersônicos – espalhando-se pelo mundo em dois, três, quatro dias”, descreve o autor em certo momento. Em outro, conta: “Tornou-se calamidade de proporções desconhecidas nos nossos anais epidemiológicos nos dias terríveis da segunda quinzena de outubro e sua morbilidade e mortalidade só baixaram na ainda trágica primeira semana de novembro”. Uma obra, portanto, que recorda, a partir de uma perspectiva bastante íntimas, as proporções do surto que paralisou o mundo.

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“O Ano do Dilúvio”, de Margaret Atwood (Bertrand Editora, 2011)

Mundialmente conhecida pelo livro “O Conto da Aia” – que inspirou série homônima da Hulu –, a canadense Margaret Atwood detém pena atenta a contextos distópicos, especialmente envolvendo repressão e controle de camadas sociais, como ocorre em seu romance mais famoso. Neste “O Ano do Dilúvio”, ela expande os contextos e ameaças. Ambientado no futuro, apresenta a consequência do quanto a sociedade e as espécies têm mudado rapidamente, e o pacto social em pouco tempo se torna tão frágil quanto a estabilidade ambiental. Nesse cenário, diferentes vivências se avolumam: formas de vida ligadas à manipulação genética estão proliferando e há uma seita dedicada à fusão da ciência e religião, bem como à preservação de toda a vida vegetal e animal. Descrita como sombria, irônica e provocadora, a obra é a segunda da trilogia MaddAddão, atestando a força da ficção especulativa de Atwood.

Tire as dúvidas sobre o novo coronavírus: 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou pandemia do Covid-19, no dia 11 de março. O órgão alertou que o número de pacientes infectados, de mortes e de países atingidos deve aumentar nos próximos dias e semanas.

O termo pandemia se refere ao momento em que uma doença já está espalhada por diversos continentes com transmissão sustentada entre as pessoas.

TRANSMISSÃO E CUIDADOS

O novo vírus é transmitido por vias respiratórias, pelo ar, e por gotículas de saliva que saem em um espirro ou tosse, por exemplo, e também podem ser transferidas por contato físico ou superfícies contaminadas.

SINTOMAS

Os principais sintomas são tosse seca, febre e cansaço. Algumas pessoas podem sentir dores no corpo, inflamação na garganta, congestionamento nasal e diarreia.

PREVENÇÃO

As pessoas devem ter cuidado com a higienização das mãos e evitar tocar mucosas do olho, nariz e boca.

Fonte: Diário do Nordeste

“A literatura tem permitido que crianças negras se valorizem como tal”

Autora de livros infantis sobre racismo e direitos humanos, Kiusam de Oliveira é também professora e se inspirou em sua própria experiência com o preconceito para escrever histórias

Marília Marasciulo

Kiusam de Oliveira escreve livros infantis sobre temas como racismo e empoderamento (Foto: Reprodução/Facebook)

A autora de livros infantis Kiusam de Oliveira, 54 anos, abraçou uma causa nada simples: tratar de temas espinhosos como racismo e direitos humanos de uma forma que crianças compreendam, se identifiquem e, o mais importante, se encantem. Para isso, buscou na sua própria experiência e vivência como estudante e professora negra a inspiração para histórias que hoje são tidas como referência na educação infantil.

Nascida em Santo André, na Grande São Paulo, Oliveira é filha de uma tricoteira que sempre priorizou a educação. “Minha mãe, mesmo muito pobre, primava pelos estudos e dizia: ‘nós vamos dividir um ovo em quatro partes, mas você vai ter uma educação de qualidade’”, lembra a autora. Aos 14 anos, começou a cursar Magistério de 2º Grau, seguiu na Pedagogia, obteve especialização em deficiência intelectual, mestrado em Psicologia Escolar e doutorado em Educação.

Mas, além da carreira no magistério, e também por influência da mãe, Oliveira sempre gostou de escrever. “Ela fazia capangas [tipo de bolsa] e colocava dentro dos bolsos cadernetinhas com lápis pequenos e me dizia para escrever”, lembra a autora. Foi em algumas destas centenas de cadernetas — ela conta mais de 150 — que a autora encontrou as temáticas para suas histórias.

Em 2009, lançou seu primeiro livro: Omo-Oba: Histórias de Princesas, no qual contos e mitos de orixás femininos ganharam forma de princesas. Em 2013, publicou seu maior sucesso, O Mundo no Black Power de Tayó, em que questiona estereótipos racistas a partir do empoderamento de uma menina negra de 6 anos de idade. No ano seguinte, com O Mar que Banha a Ilha de Goré, a autora se aprofundou ainda mais nos temas, usando a viagem da protagonista, uma menina de 9 anos, para o Senegal, para abordar a história do tráfico de seres humanos escravizados durante a colonização europeia das Américas.

Agora, ela se prepara para lançar dois novos títulos em abril: O Mundo de Tayó em Quadrinhos e O mundo no Black Power de Akin, uma esperada versão de Tayó para meninos. “Entendo que essa literatura que eu faço, que chamo de literatura infantil negro-brasileira do encantamento, ajuda a criança negra a se reencontrar, a trazer esse encantamento ou reencantamento para seu corpo”, diz a autora. A seguir, ela fala mais sobre infância, racismo e educação:

Você sofreu os preconceitos que combate hoje durante a sua infância em Santo André?
Conheci as marcas do racismo em uma escola de freiras perto de casa, para onde fui quando estava próxima de completar 6 anos. Vou contar uma situação que foi muito marcante, para que as pessoas consigam compreender as marcas da violência na vida da gente. Eu não conseguia segurar meu xixi, e tinha uma necessidade ir ao banheiro imediatamente, com um atestado para isso. Um dia minha professora faltou e veio a diretora, ela era muito temida por nós. Ela dizia: “eu sou uma alemã de 2 metros de altura e vocês vão ter que me engolir.” Dava pavor.

Eu senti vontade de fazer xixi, levantei e pedi autorização para ir ao banheiro. Ela não autorizou, pediu para eu sentar novamente, e quando eu abri a perna para me movimentar e retornar à minha carteira, fiz xixi ali. Ela se levantou, agarrou a minha orelha, foi me arrastando, me levou ao banheiro, tirou minha roupa, abriu o chuveiro e me jogou embaixo da água fria. Comecei a chorar muito, gritava, porque tinha esperança da minha mãe me ouvir da nossa casa. Nisso ela pegou um tufo de papel higiênico e colocou dentro da minha boca. Aquilo rasgou minha gengiva, eu me lembro da água caindo com sangue. Aí ela saiu. Quando voltou, estava com todos os alunos da minha sala. As crianças começaram a rir e a gritar: “a macaca tá pelada, a macaca tá pelada!”.

Aí ela disse assim: “olhem bem para o que vocês estão vendo, é assim que todo preto deve ser tratado”. Isso pra mim foi muito marcante, porque minha mãe falava em casa sobre o racismo, e eu não entendia, eu era uma criança. Fui entender nesse dia.

Como essas vivências influenciaram sua escolha pela carreira no magistério?
Quando fui fazer uma habilitação na USP, na década de 1990, na área de deficiência intelectual, conheci grupos de estudos de formação de professores. E nesses grupos estudavam memórias que a gente tinha enquanto estudantes de pedagogia, e que a gente carregava na prática do magistério. Foi nele que consegui me lembrar de uma agressão racista de um professor de geografia. Hoje posso dizer que minha escolha de atuar como professora vem dessa potência de entender o quanto um professor e uma professora são capazes de determinar a vida de um estudante.

E depois de tantos anos, acha que a situação nas escolas melhorou?
A educação ganhou um novo corpo a partir da Lei Federal 10639, de 2003, que obriga o ensino da história da África nas escolas brasileiras. Foi tão importante que conseguiu alterar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Ela obrigou professores e profissionais da educação a olharem para a diversidade de uma outra forma, que valoriza, compreende e respeita. E pensar em projetos e ações a partir das falas e dos comportamentos das crianças, jovens e adultos em sala de aula.

Falo desta lei sempre com muita cerimônia, muito respeito, porque pra mim é uma lei revolucionária que alterou o padrão da educação brasileira desde a sua criação. Ela é tão revolucionária que não foca somente no espaço da sala de aula, ela obriga os profissionais da educação a se verem e se olharem. Nós precisamos nos olhar e refletir sobre a educação que tivemos: o que a vó falava sobre negros dentro de casa, a mãe, o pai, os filhos… que cenas racistas você viu quando foi para o mercado, como se portou, o que sentiu. É preciso olhar para isso.

Por que educar os professores faz parte da luta contra o racismo?
Trabalhei com formação de professores nos últimos 20 anos no Brasil inteiro, e as professoras adoram contar esse mesmo caso, o do aluno que reclama: “professora, fulana está me chamando de negrinha.” E eu pergunto: “e aí, qual foi a sua resposta?”. Elas costumam responder: “ué, eu falei, você não é negrinha mesmo?” E ainda complementam: “por que o próprio negro é racista?” Esse é um estereótipo para cima do negro.

Um estereótipo recorrente e reforçado na sala de aula.
Primeiro, vou dizer o seguinte: nao tem como negro ser racista, assim como não tem homem ser feminista, mulher machista. O que tem de possibilidade é no máximo reproduzirmos a forma com a qual somos tratados. Então, se eu recebo práticas racistas, e sou chamada de negrinha o tempo todo e passo a minha infância passando por situações violentas e de exclusão, uma hora eu vou querer não ser mais quem eu sou, vou me negar. Em algum momento dessa negação, vou preferir achar que tenho forças para alterar minha forma de ser e me tornar parecida com quem eu quero ser, que é uma pessoa branca. Vou alisar meu cabelo, vou usar certo tipo de roupa, tentar ser discreta nas cores (que é outro estereótipo). Mas isso não quer dizer que a pessoa está sendo racista, porque o conceito de racismo está atrelado a poder, poder real e concreto, coisa que o negro não tem.

De onde veio a inspiração para criar suas histórias?
Escrevo desde criança. Minha mãe era crocheteira e tricoteira, ela fazia capangas, e colocava dentro dos bolsos cadernetinhas com lápis pequenos e me dizia para escrever. Antes eu fazia garatujas, bolinhas, linhas. Com o tempo, aprendi a ler e a escrever, e aí comecei a trabalhar as letras dentro do modelo formal de escrita. Assim registrei as coisas. O incrível é que minha mãe guardou todas as minhas cadernetinhas. Tenho mais de 150 com histórias escritas, é um material que tem uma potência gigantesca com a forma que eu pensava, e há textos focados na questão racial desde a infância. Infelizmente, é uma questão que permanece, o corpo da criança negra é marcado pelo racismo. Todas as histórias que escrevo são reais. São experiências vistas, vividas, ouvidas por mim enquanto professora e como negra.

Como as crianças reagem aos seus livros?
Tem um vídeo que mostra um grupo de professoras trabalhando com o primeiro livro que eu lancei, Omo-Oba: Histórias de Princesas, e é notório perceber como as crianças receberam o livro naquela época. Foi muito surpreendente, porque elas olhavam e diziam que aquelas princesas eram falsas, de mentira, mas o mais comum era ouvir delas o que eram feias porque são pretas. Havia uma rejeição por parte de crianças negras e não negras. O livro foi lançado em 2009, e de lá para cá, especialmente nos últimos cinco anos, tenho percebido pelas cartas que recebo dos leitores que as crianças escolhem uma princesa e dizem “eu me pareço com tal”. É isso, porque nessa história eu trabalhei arquétipos femininos, então as crianças vão se identificando com aquilo para além da aparência.

Por que é tão importante trabalhar a identidade na literatura infantil?
Quando conto a história da Tayó, do meu livro O Mundo no Black Power de Tayó, muitas crianças de 5, 6 anos, verbalizam ali, no coletivo, “nossa, eu sou igual a Tayó, então eu sou negra?”. Tayó é uma personagem superempoderada, que se sabe linda porque se vê pelos olhos da mãe dela. Isso é o encantamento, ela nao se sabia negra, mas que bom que com 5, 6, 7 anos ela está tendo condições pela literatura hoje de se entender, se reconhecer e se valorizar enquanto negra. Dei aula até o ano passado na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), e recebia jovens com 25 anos, que relatavam que tinham acabado de se descobrir como negras.

Trecho de O Mundo de Tayó, de Kiusam de Oliveira (Foto: Divulgação)

Há alguns elementos recorrentes nas suas histórias, como a ancestralidade e o cabelo black power. Por que escolheu trabalhar com eles?
Esses são os elementos que faltam na literatura brasileira focada para os públicos infantil e juvenil. São elementos que os autores sempre tiveram grandes problemas para trabalhar. Ancestralidade é algo que é fundamental para qualquer origem étnico-racial, é um assunto visceral para todos e todas nós.

Para além disso, parto do princípio de que a África é o berço da humanidade, como cientistas já comprovaram há alguns anos. Para mim é o seguinte: independentemente da cor da pele, todos nós remontamos à África, então ancestralidade está em nós, acreditando nela ou não, basta olhar o legado de todas as pessoas que vieram antes da gente. Cabelo black power é recorrente, porque tanto no meio negro e no meio não negro ele continua a ser um assunto central. O cabelo crespo não é visto como bonito, como higiênico, como esteticamente coerente ou positivo.

Vivemos hoje em uma época de revisionismo e negacionismo histórico. Por que desconstruir o racismo é algo que ainda gera tantos embates e retrocessos?
Nós retornamos para um Brasil saído do… Eu ia usar a expressão colonialismo, mas nem vou, porque acho que ainda vivemos o colonialismo, a colonialidade está presente, e nós do movimento negro sempre pontuamos isso. O que acontece hoje é que está explícito. Como nós temos autoridades que não se furtam em demonstrar o seu racismo, por que os cidadãos comuns vão se furtar? Então quando temos um governo que coloca políticos todos alinhados em um mesmo pensamento de exclusão da população preta e desprezo pelo pobre, é isso que nós vamos ter: retrocesso. Não que esse retrocesso de práticas e pensamentos não existisse, ele sempre existiu, mas as pessoas eram mais discretas, se preocupavam com a forma como iam agir. Então é esse Brasil que estamos vivendo, capaz de olhar para mim, uma pessoa de 54 anos, e atirar uma pedra simplesmente porque estou com uma roupa branca.

Ao mesmo tempo, temos visto o tema entrar um pouco mais em pauta, aparecendo por exemplo no Oscar deste ano, cujo vencedor foi um curta justamente sobre black power. Que outros avanços você vê neste sentido?
O primeiro avanço que eu elencaria é toda a movimentação que os negros e negras estão conseguindo fazer nas redes sociais. As redes sociais se tornaram grandes plataformas de visibilidade coletiva. A gente consegue expor as práticas racistas, chamar as pessoas para o debate, com elas é impossível alguma pessoa dizer que o racismo não existe. Isso para mim é revolucionário. Outro espaço é a universidade, que vem sendo acessada por negros e negras. Isso é algo impagável, com o qual eu há 15 anos eu sonhava, mas não imaginava que alcançaríamos tanto.

Como seus livros podem transformar a relação de toda a sociedade com a cultura negra e africana?
Entendo que essa literatura que eu faço ajuda a criança negra a se reencontrar, a trazer esse encantamento ou reencantamento para seu corpo. Eu, por exemplo, era uma criança amada dentro da minha casa e na minha família, todos meu achavam linda, diziam que eu tinha olhos lindos, nariz lindo, boca linda. Mas cheguei na escola e conheci uma negação para meu ser e minha existência, e passei a não gostar mais de mim, a querer ser diferente para poder ser tratada com maior respeito. Então, neste caso, é um reencantamento. Para aquelas crianças que cresceram em lares onde pais e mães também viveram de forma visceral o racismo desse país, sem ter alguém para orientá-las de que “isso que fizeram com você é racismo, não aceite”, aí o primeiro momento é o encantamento de se entender como negra. Nós vivemos um tempo em que a literatura tem favorecido e proporcionado momentos dignos para que as crianças negras se reconheçam e se valorizem como tal. E isso é incrível.

Fonte: GALILEU

Maurice Sendak: El significado de la ilustración en los libros para niños

Maurice Bernard Sendak (10 de junio de 1928, Brooklyn, Nueva York – 8 de mayo de 2012,  Connecticut). Ilustrador y escritor de literatura infantil estadounidense.

Entrevista realizada por Walter Lorraine, editor jefe de la línea infantil Houghton-Mifflin en junio de 1977 y publicada en un número especial del Wilson Library Bulletin sobre “El Arte del libro Ilustrado”; traducida y reproducida en el Nº 1 (Caracas, junio de 1980) de la revista Parapara, publicación editada por el Banco del Libro (Sección Venezolana de IBBY), el Proyecto Interamericano de Literatura Infantil (PILI) y el Instituto Autónomo Biblioteca Nacional de Venezuela.

¿Qué piensa Usted de las funciones de la ilustración, en un libro?

Puede ser una mera decoración o un expansión del texto. Es la versión del texto hecha por el ilustrador, es su propia interpretación. Es la razón por la cual uno es socio activo en el libro y no un mero eco del autor. Ser ilustrador es ser un participante, es ser alguien que tiene la misma importancia, al expresarse, que el autor del libro, y, ocasionalmente, más importancia que éste, pero ciertamente nunca es ser el eco del escritor.

¿Considera Usted que hay diferentes categorías de ilustración?

Podría inventar categorías pero hablaré sólo acerca de la que me interesa y hago bien: ilustración interpretativa. Esta supone un trabajo vigoroso con el escritor. A veces sucede que uno mismo es el escritor; entonces trabaja con uno mismo. En este caso la dificultad, la tensión y la alegría de este trabajo consiste en el equilibrio entre texto e imagen. No se debe hacer jamás la misma cosa, no debe jamás ilustrarse exactamente lo que está escrito. Debe dejarse espacio en el texto para que la ilustración cumpla su función. Luego, se puede regresar a las palabras y entonces dan lo mejor de sí y la imagen cobra toda su dimensión.

¿Cómo definiría Usted un libro ilustrado?

Un libro ilustrado no es sólo lo que piensa la mayoría: una cosa con muchas imágenes, fácil de leer a los niños pequeños. Para mí es una cosa condenadamente difícil de hacer, muy similar a una complicada forma poética. A algunos poetas les gusta realmente entrar en formas difíciles, porque éste es el mayor reto en poesía. Pienso que un libro ilustrado es una de esas bellas y desafiantes formas que tanto exigen dado que se necesita dominar continuamente la situación, para, finalmente, lograr algo que parece tan fácil de hacer: combinar —si es posible, sin costuras—texto e ilustración.

Es como un poema, no deben percibirse las costuras, los empastes. Debe sentirse la obra como una entidad completa y total… Un libro ilustrado debe tener, cuando está terminado, ese aspecto de inconsútil. Si se ve una puntada, Usted pierde el juego. Yo no conozco otra forma de ilustrar que sea más interesante.

Los cuentos de hadas de los hermanos Grimm no son, obviamente, un material para libro ilustrado, pero ellos permiten ilustraciones interpretativas. Las ilustraciones tienen tanto que decir como el texto, el truco es decir la misma cosa pero en diversa forma. No es bueno ser un ilustrador que dice mucho de lo que hay en su mente, si esto no tiene nada que ver con el texto. Sin embargo, decir la misma cosa que el relato pero en una forma muy personal enriquece el sentido del cuento original, contribuye a dar dimensión al relato.

¿Hay un estilo de escribir particular que estimula un buen libro ilustrado?

No puede ser la forma pedante de escribir donde cada clavo esta clavado y cada hecho es obvio. Para mi gusto tiene que ser ambiguo, debe permitir que muchos significados brillen a través de él. No debe ser un texto pesado de manipular, que dice que Juanito va de la derecha a la izquierda, porque el ilustrador entonces no tiene otra alternativa sino que Juanito vaya de derecha a izquierda. El texto debe ser menos preciso, menos obvio, Puede establecer hechos, pero hechos que permitan al artista mover los personajes en cualquier dirección.

¿Cree Usted que falta talento en el área del libro ilustrado hoy en día?

Eso pensé yo por largo tiempo. Pensé que, histórica y socialmente, había una tierra estéril donde el suelo creativo no era fértil. Pero desde que estoy enseñando sé que esto no es verdad. Créanme, no veo muchas personas brillantes, pero veo algunas con mucho talento, y puedo decir sin miedo a equivocarme, que un pequeño número de mis mejores alumnos, está casi listo para ser publicado, Ellos tienen un enfoque ético hacia el libro ilustrado, un enfoque serio y vital y eso me hace comprender que mi opinión anterior sobre la falta de talento, era falsa.

Si los talentos están a nuestro alrededor y nadie los usa, ¿cuál es el problema? Me parece que falla el sistema. Si Usted habla con los editores cada uno de ellos le dirá: “Siempre buscamos gente nueva”. Pero yo me pregunto por qué no los están editando. He visto, con total imparcialidad, algunos libros de personas nuevas pero muy pocos están siendo editados. He tenido gran dificultad para colocar a algunos de mis dotados alumnos. ¿Cuál es el riesgo? Me parece que los editores son menos ambiciosos de lo que eran antes y, en general, menos valientes, menos dispuestos a enfrentar el peligro. Si Usted dice esto en voz alta tendrá la respuesta: “Pero estamos editando la obra de los jóvenes”. ¿Dónde lo están haciendo?

Sospecho que los editores temen tomar riesgos. Antes se arriesgaron, nada de eso sucede ahora. Tengo casi 50 años y cuando miro a mi alrededor veo jóvenes luchando contra montañas. Cuando yo era joven, en la década de los años 50, nos dieron todo el estímulo del mundo.

¿Piensa Usted que los críticos debieran apreciar de manera diferente las ilustraciones de los libros ilustrados?

Pienso que ellos deberían intentar entender la significación del libro ilustrado. Hay un fino misterio en esta difícil forma, un misterio que es asunto del artista. Un serio trabajo artístico no es nunca sólo una cosa. Lo que objeto es que los libros ilustrados son juzgados desde un punto de vista pedante, particular, frente a su relación con los niños y yo insisto que cualquier obra artística seria es mucho más que eso.

Pienso que cuando las personas están reseñando nuestros libros ocurre una colisión inevitable con los prejuicios concernientes a los niños.

Hay toda una teoría relativa a la infancia de la cual todos parten y cuando se trata de un libro ilustrado tratan de descubrir si se han seguido las “reglas” acerca de lo que se supone es correcto y saludable para los niños. Esto entra en conflicto, todo el tiempo, con esas cosas que son misteriosas. Los niños no necesitan de un enfoque pedante de los libros. Los niños son mucho más universales en sus gustos y pueden tolerar ambigüedades, peculiaridades y cosas ilógicas. Llegan a su inconsciente y las enfrentan lo mejor que pueden.

La ansiedad proviene de los adultos que sienten que el libro debe acatar un conjunto ritual de ideas acerca de la infancia, y se sienten inquietos si este acatamiento no se cumple. Un conflicto muy importante se suscita porque el artista no tiene en cuenta reglas específicas. El artista tiene que ser un poquito desconcertante, un poquito salvaje y un poquito desordenado. Este es el arte de un artista. Pero los artistas tienen dificultades porque se involucran en uno de los negocios más estirados, más rectos: el negocio de la infancia.

Muchas personas están empeñadas en proteger a los niños de lo que creen peligroso. El artista genuino tiene la misma preocupación. A pesar de esto su obra puede no responder a lo que los especialistas manifiestan que es correcto para los niños. El artista pone elementos en su obra que vienen de lo más profundo de sí mismo. Los toma de una vena peculiar de su infancia, siempre abierta y viva. Este es un don especial. El comprende que los niños saben más de lo que la gente supone. Los niños están dispuestos a enfrentarse con temas dudosos que los adultos quisieran que no conocieran.

Si un libro no sigue el trayecto de lo que el especialista considera correcto, es un mal libro para niños. De manera que los que hacemos libros ilustrados somos condenados más fácilmente que otros artistas creadores porque tratamos con sujetos tan delicados: los niños. Nosotros debemos proteger a los niños y sin embargo no están protegidos de otras cosas. No están protegidos de la terrible televisión. Nadie los protege de la vida porque es imposible hacerlo. Todo lo que tratamos de hacer seriamente es hablarles acerca de la vida ¿Qué hay de malo en esto? Y, de todas maneras, ya saben de la vida.

¿Qué elementos componen un buen libro para niños?

El elemento básico es la honestidad. Sobre cualquier texto que se trabaje, sea realista, fantástico o de ciencia ficción, debe comenzarse con una base de honestidad. Se debe decir la verdad al niño acerca del tema tanto como sea posible, sin mitigar esta verdad. Hay que reconocer que los niños son personas pequeñas y valientes que se enfrentan cada día a una multitud de problemas, tal como los adultos; que no están preparados para muchas cosas y que la mayoría anhela encontrar un poco de verdad en alguna parte.

Si este es el punto de partida, después puede procederse en la forma que se desee y echar el cuento de la manera que se quiera. Si es una amarga píldora que los niños no quieren tragar hay que darles la oportunidad de decir no. No se puede ser guardián de los niños ni decidir lo que los niños podrán o no leer ¿Por qué se mantiene a los niños en ghettos? ¿Por qué hay guardianes frente a las puertas diciéndoles qué es correcto y qué no lo es? Nosotros, adultos, tenemos la posibilidad de elegir, para leer, lo que nos gusta. ¿Por qué no les damos a los niños la misma oportunidad?

Fonte: cuentibujos

Biblioteca da USP homenageia a escritora Clarice Lispector

Por Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil – São Paulo

Para celebrar o centenário da escritora Clarice Lispector e o mês em que é celebrado o Dia Internacional da Mulher, a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, da Universidade de São Paulo (USP), vai expor trabalhos de 33 artistas nas quais eles analisam e refletem sobre a obra da escritora. A exposição A Imagem e a Palavra – Encontro com Clarice Lispector começa nesta segunda-feira (9) e ocorre até o dia 30 de abril.

Para a exposição serão apresentadas obras feitas com diversas técnicas, tais como gravuras, desenhos, pinturas, aquarelas, cerâmicas, fotografias e instalações artísticas. A visitação é gratuita. O objetivo é homenagear as mulheres por meio das obras da escritora.

“São produções desafiadoras para o artista visual. Porque envolvem a transformação, em imagens, da palavra de Clarice Lispector, que escreve de uma forma provocativa e que leva à reflexão”, disse Altina Felício, curadora e artista, que assina uma aquarela na exposição.

Clarice Lispector faria 100 anos no dia 10 de dezembro deste ano. Ela morreu um dia antes de completar 57 anos, em 1977, por complicações de um câncer no ovário. Dois meses antes ela lançou A Hora da Estrela, um de seus mais conhecidos romances. Clarice Lispector escreveu ainda A Paixão Segundo G.H., Perto do Coração Selvagem e Laços de Família, entre outros.

Ouça na Rádio MECClarice Lispector: vida e obra no Acervo da Rádio MEC

Fonte: Agência Brasil

Um Atlas para viajar pelo território e pela literatura ao mesmo tempo

Perceber a evolução histórica das paisagens no território continental português através de excertos de obras literárias dos séculos XIX e XX é possível através do projeto Atlas das Paisagens Literárias de Portugal Continental, uma parceria entre o IELT e o IHC, unidades de investigação da FCSH – Universidade Nova de Lisboa.

Sandra GonçalvesPort

“Com um grande estrondo o comboio entrou na estação. A plataforma ficou logo cheia de gente, que ia, arrebatada, com embrulhos, chapeleiros, acotovelando-se. Saloios com os passos pesados das suas solas pregueadas, apressavam-se; havia nas faces um ar estremunhado e pasmado; uma criança chorava desesperadamente…”

Assim descrevia Eça de Queirós, em 1880, a Estação de Santa Apolónia, em Lisboa. Excerto literário da obra “A Capital”, uma fulgente crítica aos oportunistas, aos falsos intelectuais, aos vícios de uma sociedade que vivia de expedientes menos honestos. Este é um dos 7.541 apontamentos que podem ser encontrados no Atlas das Paisagens Literárias de Portugal Continental, coordenado por Natália Constâncio e Daniel Alves, investigadores do IELT e IHC, respetivamente.

Através da leitura de obras literárias de escritores dos séculos XIX e XX, foram selecionados excertos que, por sua vez, foram referenciados a uma unidade territorial. Um trabalho rigoroso e exaustivo que pode agora ser consultado a partir de qualquer dispositivo com ligação à Internet (smartphone, tablet, PC) na aplicação online deste Atlas.

Concebido em 2010 pela investigadora Ana Isabel Queiroz, do Instituto de História Contemporânea, o projeto esteve adormecido até 2018, altura em que a coordenadora lançou o desafio a Natália Constâncio e Daniel Alves para lhe darem um novo impulso.

O que começou por ser um trabalho académico está agora aberto a todos os utilizadores para consulta, permitindo perceber a evolução da paisagem portuguesa através de excertos literários. Um menu no topo da aplicação permite escolher por entre 194 autores, 385 obras, 7.541 excertos literários e 27 temas, num total de 2.926 localizações precisas. Com o sistema de informação geográfica (GIS) ligado, a aplicação identifica a localização do utilizador e mostra todos os excertos literários que constam da base de dados num raio de 500 metros.

A base de dados do Atlas reúne mais de sete mil excertos recolhidos por “leitores de paisagens literárias”, em mais de 385 obras, de 194 escritores, do século XIX ao XX

Biblioteca Municipal: literatura infantil, infanto-juvenil, romances e obras para vestibulares estão disponíveis

109 novos livros entraram no acervo da Biblioteca Municipal Martinico Prado neste mês. Entre as temáticas disponíveis para empréstimos estão literaturas infantis e infanto-juvenis, romances nacionais e estrangeiros, jornalismo, games, história, política, religião, poesia e obras exigidas nos vestibulares da Fuvest/USP e da Unicamp.

Entre as novidades estão “Nove Noites”, de Bernardo Carvalho (obra exigida na Fusvest/USP); “Os olhos do dragão”, do norte-americano Stephen King; “A Guerra dos Tronos”, de George R. R. Martin, obra que foi a base do seriado produzido pelo canal HBO; “Um tesouro de contos de fadas” com inúmeros textos infantis clássicos; “Uma casa para o Sr. Biswas”, do ganhador do Prêmio Nobel de Literatura Vidiadhar Naipaul; “Clarice: uma vida que se conta”, de Nádia Batella Gotlib, biografia da escritora Clarice Lispector;  “O livro das religiões”, de Victor Hellern, Henry Notaker e Jostein Gaarder; “Jogada Final”, de Rezendeevil; “Golda”, de Elinor Burkett, sobre a ex-primeira-ministra de Israel; “A teus pés”, de Ana Cristina César (obra exigida na Unicamp); “Monstros microscópicos” de Nick Arnold; e “A jangada de pedra”, do autor laureado português José Saramago. (Clique aqui e acesse o catálogo do mês de março).

Quero emprestar um livro. Como eu faço?

Emprestar livros da Biblioteca Municipal é muito fácil. Basta realizar cadastro no local, das 8h às 17h, de segunda a sexta-feira, apresentar comprovante de residência (contas da Elektro ou do Saema), CPF (Cadastro de Pessoa Física), RG (Carteira de Identidade) e pagar taxa única de R$ 8,55.  Com o cadastro, o usuário recebe uma carteirinha que possibilita acesso aos serviços. Menores de idade devem estar acompanhados dos responsáveis.

Os empréstimos de livros são válidos por 15 dias, sendo a renovação realizada pessoalmente ou pelo telefone 3551-1534. No site da Prefeitura de Araras (www.araras.sp.gov.br), há possibilidade de consultar o acervo do local, clicando no ícone “Biblioteca Municipal”. São mais de 35 mil exemplares à disposição dos leitores.

A Biblioteca Municipal Martinico Prado fica na Rua. Dr. Armando Sales de Oliveira, s/nº, Centro.

Fonte: Notícias de Araras

ENTRETENIMENTOLivros contam de forma lúdica como é viver sem ouvir

Os livros são mesmo um universo fantástico. Além de nos proporcionar viajar através das páginas, enriquecer nosso vocabulário e trazer aprendizado, ainda trabalha a inclusão para diminuir o preconceito.

Autora Lak Lobato
Divulgação Autora Lak Lobato

Já escrevi aqui na coluna algumas vezes sobre a Fundação Dorina Nowill , que faz um trabalho maravilhoso de inclusão com pessoas cegas ou de baixa visão e de como a literatura em braile ainda precisa de espaço e oportunidades. Mas confesso que ainda não tinha dado conta sobre as pessoas com deficiência auditiva. Até essa semana, quando recebi três livros especiais.

Escute como um surdo; Lalá é assim: Diferente, igual a mim; E não é que eu ouvi? são os livros da autora carioca Lak Lobato , que ficou 22 anos sem audição e após participar do programa de implante coclear do Hospital das Clínicas (SP), e passar dois anos com incertezas, decidiu fazer o implante para reencontrar a trilha sonora da sua vida.

Lak faz parte do grupo com deficiência auditiva chamado de surdos oralizados, que não fazem uso da língua de sinais (LIBRAS) e são usuários de tecnologias auditivas.

Em 2014 lançou seu primeiro livro chamado “ Desculpe, não ouvi! ”, que conta a história de uma garota que perde e recupera a audição e em 2017 lançou “ E não é que eu ouvi? ”, segundo livro da carreira e primeiro voltado para o mundo infantil.

A importância de se trabalhar temas como esse na literatura é principalmente para trazer a representatividade para esses leitores que, em muitos casos, têm a autoestima baixa por usarem algum aparelho auditivo.

E foi justamente pensando nisso que nasceu o “ Escute como um surdo ”, livro que também visa, segundo a própria autora, empoderar o deficiente auditivo e adaptá-lo à condição de usar o aparelho com orgulho de si e como uma demonstração de coragem.

E você pode achar que falar sobre esse tema não tem importância, mas quanto mais esclarecimento pudermos ter sobre esse e outros assuntos, mais conseguiremos diminuir o preconceito e de quebra aumentar a inclusão.

A literatura inclusiva não deve se ater apenas a instituições ou pessoas engajadas, deve estar nas livrarias, em feiras literárias, em escolas como paradidáticos e onde mais pudermos divulgar. É apenas com informação que se desconstrói e elimina o preconceito.

Fonte: O Documento

Clássico da literatura infanto-juvenil, “O Pequeno Príncipe” ganha versão em braille

O livro “O Pequeno Príncipe”, do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, é um dos grandes clássicos da literatura-infanto juvenil mundial com traduções para mais de 360 idiomas e dialetos. E em 2014 essa obra também ganhou uma versão inclusiva escrita em braille, publicada pelo artista e deficiente visual Claude Garrandes, com o apoio da Fundação da Juventude Antoine de Saint-Exupéry. No entanto, a versão em braille foi produzida com edição limitada, tornando-se um objeto raro.

Infelizmente, a oferta de livros em braille ainda é limitada e de difícil acesso para a população. Mas existem instituições que trabalham nessa área com o intuito de promover a inclusão de deficientes visuais no mundo literário, como é o caso da Fundação Dorina Nowill para Cegos e o Instituto Benjamin Constant.

Fundação Dorina Nowill para Cegos

A Fundação Dorina Nowill para Cegos produz anualmente milhares de páginas em braille de livros didático-pedagógicos, paradidáticos, literários e obras específicas solicitadas pelas pessoas com deficiência visual. Os livros são distribuídos gratuitamente em escolas, bibliotecas, associações e organizações que possuem esse cunho social. Além dos livros em braille também são feitas versões audio descritivas e digitais.

Para quem tiver o interesse nas obras, a fundação disponibiliza o empréstimo de mais de 1600 títulos falados por meio da Biblioteca Circulante do Livro Falado. Para solicitar o empréstimo, é necessário preencher um ficha de cadastro escolhendo de 15 a 20 títulos de interesse disponíveis no acervo, que também podem ser alterados posteriormente. Cada pessoa pode retirar até três livros por vez e permanecer com eles por até 60 dias.

Os empréstimos podem ser feitos por correio ou pessoalmente, a biblioteca fica localizada na Rua Dr. Diogo de Faria, 558 – Vila Clementino – SP, e o horário de atendimento é de segunda a sexta, das 8h às 17h. Para mais informações, entre em contato pelo e-mail biblioteca@fundacaodorina.org.br ou  pelo telefone (11) 5087-0991.

Instituto Benjamin Constant

O Instituto Benjamin Constant, localizado no Rio de Janeiro, produz obras didáticas e paradidáticas com o objetivo de suprir a necessidade de escolas públicas, bibliotecas públicas e instituições sem fins lucrativos que atuam nesse setor.

Para fazer a solicitação das obras o responsável pela instituição deve assinar os livros desejados na listagem de livros em braille e preencher a solicitação para recebimento de livros em braille disponíveis no site do Benjamin Constant, além de informar o nome completo do aluno, data de nascimento e nível de escolaridade.

Cada instituição pode solicitar até 50 títulos e as solicitações devem ser encaminhadas para o e-mail dib@ibc.gov.br ou pelos correios aos cuidados da Divisão de Imprensa Braille (DIB).

Fonte: São Paulo para Crianças

Agência literária terá foco em autores periféricos

Agência Literária Casa Poética será inaugurada neste sábado (07) e já nasce agenciando nomes como Rodrigo Ciríaco, Dinha e Mariana Felix

No próximo sábado (07), o escritor Rodrigo Ciríaco comanda a inauguração da Casa Poética (Rua Miguel Rachid, 611), um espaço cultural erguido em Ermelino Matarazzo, na Zona Leste de capital paulista. O espaço quer ser um centro de referência para o livro, leitura, literatura e poesia na região e vai abrigar uma biblioteca e será palco de cursos, saraus, slams e encontros literários.

Mas mais do que isso. É sob esse teto que será erguida a Agência Literária Casa Poética, voltada exclusivamente para autores periféricos. A proposta é fortalecer o trabalho destes artistas que muitas vezes não encontram reverberação de seu trabalho em consultorias e agências existentes. Além de Rodrigo (na foto ao lado), outros 15 artistas farão parte do casting da agência. Entre eles estão: Dinha, Lucas Afonso, Mariana Felix, Cleyton Mendes e Jô Freitas.

Rodrigo explicou ao PublishNews que, nesse primeiro momento, a Agência vai funcionar como uma consultoria comercial e produtora executiva e artística dos autores, ajudando na divulgação. “São pessoas que tem um trabalho artístico já consolidado, mas têm dificuldades, por exemplo, em manter um portfólio atualizado ou em ter uma boa foto de divulgação. Queremos ajudar nesse aspecto”, explicou ao PublishNews. O meio de campo com editoras comerciais também está no horizonte da Casa Poética, adiantou Ciríaco. “Vamos sempre respeitar o interesse de cada agenciado. Vamos ver qual é a demanda de cada um. Se for por uma editora mais comercial, vamos fazer a ponte. Se não, vamos ajudar para que eles possam ter livros mais bem-finalizados”, disse.

Para marcar a inauguração da Casa Poética no sábado, a partir das 15h, acontece o bate-papo Literatura e Direitos Humanos, que reunirá Ferréz, Marcelino Freire, Bel Santos Mayer, Binho e Suzi, José Castilho e Márcio Black. As 17h tem início o Sarau dos Mesquiteiros, conduzido por jovens e adolescentes do território, encerrando as 18h com show poético-musical com Mariana Felix, Lika Rosa e Patrícia Meira.

Fonte: PUBLISHNEWS

O direito à literatura é fundamental e não admite censura

Por Beatriz Helena Ramos Amaral

Toda obra literária é antes de mais nada uma espécie de objeto, de objeto construído; e é grande o poder humanizador desta construção, enquanto construção. […] A produção literária tira as palavras do nada e as dispõe como todo articulado. Este é o primeiro nível humanizador.”

(ANTÔNIO CÂNDIDO, O Direito à Literatura)

Entre as mais expressivas vozes da história da cultura brasileira, o crítico literário, ensaísta, mestre e escritor Antônio Cândido afirmou que a luta pelos direitos humanos pressupõe a consideração não apenas dos direitos materiais, físicos, concretos, como também à igualdade de tratamento das minorias, de igualdade entre essas e a maioria e, evidentemente, de concessão a todos do direito de fruição da arte literária.

Em seu relevante ensaio intitulado “O Direito à Literatura”, apresenta três aspectos da literatura: “1) ela é uma construção de objetos autônomos como estrutura e significado; 2) ela é uma forma de expressão, isto é, manifesta emoções e a visão do mundo dos indivíduos e dos grupos; 3) ela é uma forma de conhecimento, inclusive como incorporação difusa e inconsciente.

Entre as características da literatura, que a fizeram merecer a autonomia, há pouco mais de um século, está a literalidade, que é o conjunto de características específicas (linguísticas, semióticas, sociológicas) e que se coloca como objeto de estudo da teoria da literatura. Independentemente de a percepção ser suficientemente clara ou não, é importante ressaltar, como o faz o mestre Antônio Cândido, que a natureza de “coisa organizada” da obra literária acaba por constituir um fator que deixa seus fruidores mais capazes de ordenar e organizar a mente e os sentimentos. Por conseguinte, acaba também melhor se organizando a visão de mundo dos leitores.

Em verdade, muitos são os aspectos que merecem destaque quando se aprecia, interpreta ou analisa a relação entre o sujeito que lê e a literatura, em todas as suas formas, desde as mais simples, como o provérbio, a quadrinha, as fábulas, as histórias infantis, os contos, os poemas, os romances, os ensaios.

Somente alguns poucos aspectos ressaltamos nestas ponderações, pois sua razão de ser se relaciona com a surpreendente notícia do início desde mês de fevereiro do ano de 2020 de que a Secretaria de Educação do Estado de Rondônia havia elaborado uma relação de “obras para serem recolhidas”, o que, por si só, desrespeita a Constituição Federal Brasileira e a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

E, se não bastasse o absurdo da notícia, a lista trazia obras de Machado de Assis, Mário de Andrade, Rubem Alves, Euclides da Cunha, simplesmente alguns dos nomes de maior qualidade estética e literária da cultura brasileira.

É preciso, mais uma vez, relembrar o conteúdo dos artigos 26 e 27 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que contemplam especialmente o direito à educação, e, bem ainda, o artigo 215 da Constituição Federal do Brasil que dispõe:

“O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais.” (grifei)

Ora, o mandamento constitucional é claro, explícito e não comporta a menor dúvida. O texto magno faz referência à valorização e ao reconhecimento das manifestações da cultura brasileira, onde estão incluídas, obviamente, todas as expressões estéticas, todas as linguagens artísticas, entre as quais a literatura ocupa relevante papel, um dos mais significativos, ao lado da música, do cinema, do teatro, das artes visuais, gráficas e plásticas, da fotografia, da dança.

O reconhecimento e a valorização determinados pelo artigo 215 da Carta Magna do Brasil se opõem diametralmente ao “recolhimento” de livros escritos por autores de alta qualidade literária, de expressivo grau de literalidade, de acordo com toda a crítica. E não só a crítica nacional. Também a crítica internacional, evidentemente. Machado de Assis e Mário de Andrade – apenas para citar dois nomes exponenciais entre os autores das obras que integram a indevida relação “preparada” na Secretaria de Educação de Rondônia – ocupam lugar privilegiado em qualquer país em que hajam sido lidos.

Estão ambos em patamares estéticos extremamente elevados. E, para completar o absurdo, as obras mencionadas, “Macunaíma”, de Mário de Andrade, e “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, estão entre as obras-primas dos dois autores. A importância, a seriedade, a imparcialidade e o rigor da crítica literária se assimilam ao exame da doutrina e da jurisprudência, para o Direito. Um dos maiores críticos de nossa era, George Steiner, em seu imenso legado, deixou-nos, ao lado de sua obra, afirmações como esta: “…. a atividade do crítico surge do seu amor pela obra de arte: é um ‘instinto primário de comunhão’ que faz com que queiramos compartilhar a rica experiência […]”

Ainda que assim não fosse, a gravidade da elaboração de toda e qualquer “lista” de “recolhimento” de livros, por qualquer órgão público, institui uma “censura”, também vedada em nossa legislação. Censura a obras de arte não é uma atitude própria de governos democráticos e livres. Lista e recolhimento de livros são expressões da Inquisição.

Registre-se, outrossim, que a lista só não surtiu os efeitos nocivos para os quais estava sendo preparada em razão do vazamento do assunto para a imprensa e da reação indignada da sociedade civil. Mas o precedente é grave e está a reclamar a atenção de todos os que acreditam na liberdade e no acesso à cultura como pilares básicos da vida em sociedades democráticas. O direito à literatura é fundamental. A censura é uma aberração de regimes totalitários.

Importante, sempre, lembrar que todos, inclusive o Estado, têm a obrigação de dar fiel cumprimento à Constituição, garantir as liberdades e assegurar o pleno acesso à cultura e à literatura. Concluindo, relembramos, mais uma vez, a sábia palavra de Antônio Cândido:

Utopia à parte, é certo que quanto mais igualitária for a sociedade, e quanto mais lazer proporcionar, maior deverá ser a difusão humanizadora das obras literárias, e, portanto, a possibilidade de contribuírem para o amadurecimento de cada um.”

Bibliografia:

AMARAL, Beatriz H. Ramos. A LITERATURA E O DIREITO: INTERFACES, CONEXÕES, FRONTEIRAS E RESSONÂNCIAS. Revista Fórum de Ciências Criminais – RFCC – Belo Horizonte, Ano 4, Volume 7 2017

CÂNDIDO, Antônio. O DIREITO À LITERATURA E OUTROS ENSAIOS, 1988

LAFER, Celso. www.https://youtu.be/8db2_eW_MDs O DIREITO À LITERATURA O Depoimento para a Ocupação Antônio Cândido, Itaú Cultural

WolF, Eduardo. A BUSCA PELO SUBLIME. GEORGE STEINER, “O Estado de São Paulo”, Caderno Aliás, página E4., edição de 9 de fevereiro de 2020

 é procuradora de Justiça aposentada do MP-SP e diretora do Movimento do Ministério Público Democrático.

Revista Consultor Jurídico, 2 de março de 2020, 8h00

Fonte: Consultor Jurídico

Há 75 anos, morria Mário de Andrade, um dos maiores escritores do país

© André Hoff: Casa Mário de Andrade

O escritor foi um dos idealizadores da Semana de Arte Moderna

Texto por Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil – São Paulo

Há 75 anos, o país perdia um de seus maiores escritores e críticos. Morria em São Paulo, no dia 25 de fevereiro de 1945, uma de nossas personalidades mais multifacetadas, que se definiu como “eu sou trezentos, trezentos e cinquenta”: o poeta, escritor, pesquisador, músico, folclorista, crítico de arte e primeiro gestor cultural do Brasil, Mário de Andrade.

“Quando eu morrer quero ficar, não contem aos meus inimigos, sepultado em minha cidade”, escrevera o poeta, que viveu, cresceu, produziu, morreu e foi sepultado em São Paulo.

Seu livro mais conhecido é Macunaíma, mas ele escreveu também Pauliceia Desvairada; Amar, Verbo Intransitivo; Ensaios sobre a Música Brasileira e Lira Paulistana
Seu livro mais conhecido é Macunaíma, mas ele escreveu também Pauliceia Desvairada; Amar, Verbo Intransitivo; Ensaios sobre a Música Brasileira e Lira Paulistana – André Hoff: Casa Mário de Andrade

Mário Raul de Morais Andrade nasceu na cidade de São Paulo em 1893, onde faleceu em 1945. Na infância estudou música, o que o levou a lecionar aulas particulares de piano. Também foi professor de história da música no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo.

Sua carreira literária teve início em 1917, com a publicação do livro Há uma Gota de Sangue em Cada Poema. Em 1922, com a publicação de Pauliceia Desvairada, ele colocou em prática seu projeto de renovação do país.

Além de sua carreira na música e na literatura, Mario de Andrade também dirigiu o Departamento de Cultura da Municipalidade Paulistana, mais tarde Secretaria Municipal da Cultura. Nesse departamento surgiu a ideia de criar uma biblioteca que servisse como depositária de toda a história cultural da cidade. Em 1960, essa biblioteca municipal paulistana, a segunda maior do país, recebeu o nome de Mário de Andrade.

Ele foi também um dos principais idealizadores do movimento modernista e da Semana de Arte Moderna, realizada em 1922. Seu livro mais conhecido é Macunaíma, mas ele escreveu também Amar, Verbo IntransitivoEnsaios sobre a Música Brasileira e Lira Paulistana.

“Parece assombroso uma pessoa ter produzido tanto quanto o Mário de Andrade. E em várias áreas. Ele tinha tempo para ser professor de piano, receber amigos, escrever cartas o tempo todo, de produzir romances e poesias, de gerir um departamento de cultura. É um exemplo para todas as gerações”, disse Marcelo Tápia, diretor geral da Rede de Museus-Casas Literários, em entrevista à Agência Brasil.

 Na infância estudou música, o que o levou a lecionar aulas particulares de piano
Na infância estudou música, o que o levou a lecionar aulas particulares de piano – André Hoff: Casa Mário de Andrade

Centenário da Casa Mário de Andrade

A casa onde ele viveu boa parte da vida, na Rua Lopes Chaves, na região da Barra Funda, é hoje um museu e este ano celebra 100 anos de sua construção. Foi nesta mesma casa, que ele definia como Morada do Coração Perdido e agora chamada de Casa Mário de Andrade, que ele morreu de enfarte, aos 51 anos.

Era nesse local que recebia os amigos, artistas e intelectuais, com quem criou a Semana de Arte Moderna; e onde dava aulas de piano. Foi nessa casa também que deixou viva a sua memória. “Saí desta morada que se chama o coração perdido e de repente não existi mais”, escreveu o poeta, certa vez. Nesse lugar ele viveu de 1921, um ano após ser construída, até 1945, quando morreu.

“Esse é um espaço de memória”, contou Marcelo Tápia, falando sobre a casa-museu. “Aqui é também um espaço de resistência porque se reporta a um tempo diverso e é ligado a um personagem que ajudou a fazer a história de São Paulo em vários aspectos, não só como escritor, mas também como professor de piano, como pesquisador da cultura popular e como primeiro diretor do Departamento Municipal de Cultura, o que seria hoje uma Secretaria de Cultura, com a preocupação de preservação do patrimônio e da memória”, disse ele.

“A mãe do Mário vendeu a casa que eles tinham lá no Largo do Paissandu e comprou esse conjunto de sobrados, projeto do famoso arquiteto Oscar Americano. Ela comprou esta casa [onde hoje é a Casa Mário de Andrade) para que morasse junto com uma irmã, a tia e uma filha. A segunda casa era para um irmão do Mário e a terceira seria para o Mário, quando ele se casasse. Como nunca se casou, ele permaneceu morando com a mãe aqui [na Casa Mário de Andrade]”, disse Marcelo Tápia.

Sua carreira literária teve início em 1917, com a publicação do livro Há uma Gota de Sangue em Cada Poema
Sua carreira literária teve início em 1917, com a publicação do livro Há uma Gota de Sangue em Cada Poema, por André Hoff: Casa Mário de Andrade

A casa guarda hoje apenas alguns objetos da época, pois boa parte do seu acervo foi levada para o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), da Universidade de São Paulo (USP). Um dos objetos que permanece no local é o piano em que dava aulas, além dos armários que projetou e mandou executar no Liceu de Artes e Ofícios. “Ele trouxe uma inovação à história do mobiliário brasileiro, com móveis feitos sob medida e com vidros para proteger os livros”, contou Tápia.

Para comemorar o centenário de construção dessa casa, o museu prepara, para meados deste ano, uma exposição da história sobre o uso da casa pela família de Mário de Andrade e, também, centro de estudos, teatro-escola, oficina cultural e, mais tarde, museu.

Edição: Aécio Amado

Fonte: Agência Brasil

‘A produção de autoria negra é muito maior do que o mercado editorial apresenta’

Quilombola capixaba, Mirtes dos Santos criou primeiro clube de leitura antirracista por assinatura do país

Texto por Vitor Taveira, do Século Diário

Mirtes dos Santos (Foto: Pedro Borges – Alma Preta)

Ativista do movimento negro, Mirtes dos Santos nasceu na comunidade quilombola de Angelim, em Conceição da Barra, norte do Estado. Mestre em Direito e Sociologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), ela acredita na importância no incentivo à leitura e valorização da literatura afro-brasileira e da diáspora africana como estratégia para combater o racismo e a discriminação em nossa sociedade.

Por isso ela criou o Pretaria BlackBooks, considerado o primeiro Clube de Leitura por Assinatura com foco nas questões étnico-raciais e no combate ao racismo. A cada mês os assinantes recebem um livro sugerido por uma equipe de curadoras. “Nosso trabalho é pioneiro e totalmente desenvolvido por mulheres negras, ativistas e pesquisadoras das literaturas e das relações étnico-raciais no Brasil e no mundo”, conta.

Confira a entrevista que ela deu ao Século Diário.

Por que surgiu a ideia de criar um clube de leitura antirracista?

Os clubes de leituras existentes não destacam a literatura produzida por escritores não brancos ou que tratam temáticas relacionadas às questões raciais, racismo e antirracismo, portanto, a Pretaria vem para para atender essa demanda urgente dos leitores e tornar-se o primeiro Clube de Leituras por Assinatura do Brasil do gênero especializado em literatura antirracista, voltado para a valorização da literatura afro-brasileira e da diáspora africana, através do incentivo à leitura e da capacitação dos leitores nas temáticas das relações étnico-raciais com foco na superação do racismo e da discriminação.

Como é o funcionamento do Pretaria?

Enviamos aos nossos assinantes do Clube de Leituras Pretaria BlackBooks todo mês, uma BlackBox com livros que fazem parte do nosso Programa de Formação Antirracista, contendo um livro, brindes e dicas de leitura focadas na conscientização, desconstrução e superação do racismo. Em parceria com autores e editoras, apresentamos aos nossos leitores obras e trabalhos artísticos que estão em consonância com os objetivos da Pretaria. E estamos abertos a novas parcerias.

Como é feita a seleção dos livros que são enviados aos sócios?

Nós temos um projeto pedagógico de formação antirracista, em que nosso grupo editorial, composto por uma curadoria técnica e convidadas, escolhe alguns dos principais livros que são indicados em cada BlackBox do mês. Estas obras possuem conteúdos que contribuem para o processo de conscientização, desconstrução e superação do racismo e preconceitos.

Como ser membro do Clube?

O assinante do Clube Pretaria BlackBooks acessa o site www.pretaria.com.br, escolhe um dos planos de assinaturas e recebe em casa uma Blackbox mensal contendo um livro, brindes e dicas de leitura. O prazo de adesão ao Clube é todo dia 20 do mês, escolhendo um dos planos de assinaturas na plataforma da Pretaria. O recebimento é no final de cada mês.

Que tipo de serviços são oferecidos?

O Clube de Leituras Pretaria BlackBooks é um serviço por assinaturas, nós disponibilizamos três planos que compreendemos como etapas no processo de formação antirracista. Cada BlackBox contém livros que parte desde a conscientização, desconstrução até a superação do racismo. Não estamos prometendo um milagre, mas sim um diálogo à sociedade brasileira para buscar a eliminação dos preconceitos e discriminações raciais por meio do incentivo à leitura.

Qual a importância da produção acadêmica e literária para o enfrentamento do racismo no Brasil e no mundo? Como a literatura se articula com o ativismo?

A partir de 1978, a produção literária afro-brasileira dinamiza-se bastante por conta da criação da série Cadernos Negros, que, publicando contos e poemas, tem se tornado o principal veículo de divulgação da escrita daqueles que resolvem colocar no papel suas experiências e visão de mundo. Além de proporcionar espaço para os criadores, a série, organizada pelo Quilombhoje, também vem se tornando um instrumento para o exercício das leis 10.639 e 11.645 [que tratam do ensino da história e cultura afro-brasileiras], pois se constitui numa fonte extremamente rica para veiculação da cultura, do pensamento e do modo de vida dos afro-brasileiros.

Essas obras dos escritores afro-brasileiros têm dificuldade de circular nos meios hegemônicos? Por quê?

Hoje já percebemos maior acesso dessas obras em espaços hegemônicos, como grandes editoras e eventos literários, mas os autores negros e negras no Brasil publicavam suas obras através de produções e editoras independentes, como os cadernos negros do Quilombohoje, que revela grandes nomes da literatura brasileira há mais de 40 anos. Um exemplo é a Conceição Evaristo, hoje uma das escritoras negras mais lembradas quando se fala de autoria negra, mas seus livros só foram conhecidos do grande público após seus 70 anos de idade, quando já eram conhecidos há tempos principalmente por grupos de militantes e pesquisadores das temática das diversidades.

Há um crescimento notável nos últimos anos das publicações de autores negros e negras no Brasil e dos livros com temática étnico-racial? A que atribui isso?

Sim, na verdade a produção de autoria negra é muito maior do que o mercado editorial ou as livrarias apresentam, porém, nos últimos anos alguns autores ganharam notoriedade na mídia ao denunciar a ausência destes em importantes eventos literários no Brasil como na Flip em 2018 [Feira Literária Internacional de Paraty, um dos mais importantes eventos de literatura do Brasil], assim como a reivindicação da inclusão de autores negros nos currículos escolares.

Que autores ou obras você recomenda para quem está querendo um primeiro contato com a literatura antirracista?

Indicamos na BlackBox de dezembro de 2019, em parceria com a Editora Nandyala, que inaugurou o nosso Programa de Formação Antirracista do Clube, a importante obra teórica Racismo & Sociedade (2012), do escritor cubano Carlos Moore, pela editora Nandyala. A obra do autor possibilita ao leitor uma compreensão das raízes epistemológicas do racismo na história da humanidade. Já na BlackBox de janeiro 2020, em parceria com a Editora Letramento, disponibilizamos aos nossos leitores o mais novo lançamento no Brasil, a versão em português do Best-Seller Por que não converso mais com pessoas brancas sobre raça (2019), da premiada jornalista britânica Reni Eddo-Lodge. Eddo-Loge já escreveu para o New York Times, The Voice, Daily, Telegraph, Guardian, Independent, Stylist, The Pool, Dazed and Confused e New Humanist, mas este é seu primeiro livro.

Fonte: Geledés

‘Caça às bruxas’ de Damares provoca autocensura no mercado literário infantil

Declarações de autoridades como a ministra demonizam seres imaginários como dragões e duendes e marcam tabus nas obras para crianças

Ilustração do livro 'Carona na Vassoura', editado no Brasil pela Brinque-Book.
Ilustração do livro ‘Carona na Vassoura’, editado no Brasil pela Brinque-Book.

"Nem os homens foram feitos para mandar... Nem as mulheres nasceram para obedecer". Ilustração do livro 'As mulheres e os homens', de Luci Gutiérrez.

Desde então, surgiram mais casos de reclamações contra obras infantis com tais elementos, conforme relatam diferentes editoras, escritores, educadores e ilustradores de livros infantis —mais um fator que se soma a iniciativas de caça aos livros como a da Secretaria da Educação de Rondônia, que determinou, ainda que não tenha sido efetivado, o recolhimento de 43 obras, como Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, ou Macunaíma, de Mario de Andrade. “A autocensura já acontece. Já tem editores falando que é melhor não publicar obras infantis com essas temáticas. Dizem: ‘Vamos fazer algo mais leve”, conta Rios, que também é presidente da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (AEILIJ).

O Governo brasileiro tem o maior programa de compra e distribuição de livros didáticos e literários do mundo —de acordo com números do Ministério da Educação (MEC), são comprados, anualmente, 120 milhões de livros didáticos e mais de 30 milhões de obras de literatura—. “Com um Executivo apoiado por grupos neo-pentecostais, eles querem produzir seu próprio material. O editor que quiser publicar uma obra com bruxas vai pensar 30 vezes antes de fazê-lo, porque sabe que ele não será comprado pelo poder público”, argumenta a escritora. Em agosto do ano passado, o MEC congelou 348 milhões de reais que seriam usados na compra de livros para escolas.

Em fevereiro de 2019, na esteira das polêmicas declarações de Damares Alves, a Leiturinha, maior clube de literatura infantil do país, com 170.000 assinantes, publicou um edital em que não aceitava obras com “seres mágicos, como bruxas, fadas e duendes” e, depois da má repercussão nas redes sociais, voltou atrás. “Foi um equívoco”, reafirmou à reportagem Fernando Collaço, chefe de comunicação da PlayKids, responsável pela Leiturinha. “Nenhum assunto deve ser tabu na literatura. Respeitamos posições políticas e religiosas, mas nosso desafio é conciliá-las com o trabalho de curadoria”, acrescentou. Apesar do episódio, Collaço conta que as reclamações que recebem dos assinantes têm mais a ver com o formato das obras do que com o conteúdo. “As queixas são sobre livros com muito texto para determinada idade, ou porque esperavam um livro mais colorido, ou um livro feito pano, com menos história e mais interatividade”, exemplifica.

Na Companhia das Letrinhas e no clube Expresso Letrinhas —selos infantis da Cia. das Letras— há reclamações de livros sobre bruxas, principalmente por parte de colégios confessionais, segundo informam autores da casa (que preferiram não se identificar), mas a editora declinou comentar os casos.

Renata Nakano, editora e idealizadora do Clube Quindim, comenta que a censura aos seres imaginários sempre existiu no mercado editorial. “Algumas editoras nunca publicaram essas histórias porque as escolas mais ortodoxas não adotam esses livros. Se você quer atingir um público amplo, a praxe é não escrever narrativas com esses elementos. Hoje, no entanto, existe uma autocensura maior”, diz. Nakano conta que “sempre tem um ou outro cancelamento” de assinatura no clube por conta de obras com seres fantásticos ou temas considerados inapropriados.

Rosana Rios menciona o caso de uma mãe que queimou o livro da colega da filha porque teria “demônios” dentro dele. “Em todos os casos que vi, as pessoas sequer leem. Olham uma frase ou uma página e decidem condenar a obra”, lamenta. “Para eles, bruxas e dragões são demônios, quando, na verdade, os contos de fadas são contos folclóricos, vêm da mitologia e mantiveram os elementos fantásticos dela. Resgatar essas histórias é enriquecedor”.

“Ideologia de gênero” e pedagogia

Para além da caça às bruxas, dragões, fadas e duendes, entra na roda a chamada “ideologia de gênero”. No último mês, os assinantes do Clube Quindim receberam o livro Banho!, de Mariana Massarani. A obra, protagonizada por crianças indígenas (apesar de não tratar dessa temática), conta a história de uma mãe que tenta dar banho nos quatro filhos de vez. No banheiro, esse momento vira uma viagem pela imaginação dos pequenos, que passeiam por diversos elementos da natureza brasileira e veem, por exemplo, botos e sucuris. “Recebemos reclamações que consideraram a obra pornografia infantil, já que os personagens aparecem pelados”, conta Nakano.

Ilustração de Mariana Massarani para o livro infantil 'Banho!'.
Ilustração de Mariana Massarani para o livro infantil ‘Banho!’.

Em agosto de 2019, o vereador Clayton Silva (PSC) da cidade de Limeira, no interior de São Paulo, solicitou à Secretaria Municipal de Educação a retirada do livro A bolsa amarela, publicado em 1976 por Lygia Bojunga e considerado um clássico da literatura infantil, porque, segundo ele, a obra “aborda ideologia de gênero”. O livro conta a história de Raquel, uma menina que entra em conflito ao reprimir —e guardar em sua bolsa amarela— três grandes vontades: a de crescer, a de ser menino e a de ser escritora. Após receber uma carta assinada pela AEILIJ, a Secretaria de Educação declinou o pedido do vereador.

A psicóloga Clarissa de Franco, que tem pesquisado os efeitos da retórica conservadora na educação infantil, explica que essas tentativas de censura vêm da ideia de que as crianças são propriedade do Estado. “Há uma confusão entre o que é público e o que é privado. Enquanto o público preza pela pluralidade, os conservadores suplantam isso pelos valores familiares do privado. No atual momento do Brasil, essas famílias religiosas encontraram espaço para fazer valer sua postura em diversos âmbitos”, diz. A literatura infantil seria só um deles.

“Os seres fantásticos são vistos como ameaça porque esses grupos [religiosos] têm um grande apego à literalidade da Bíblia, e aí o simbólico, que é um elemento estrutural da psique, perde espaço. O simbólico está tanto em uma placa de trânsito quanto em um conto de fadas. São elementos que ampliam a concepção de mundo e enriquecem o pensamento e as relações humanas”, explica a especialista.

Psicólogos e pedagogos argumentam que os seres fantásticos remetem aos arquétipos comportamentais trabalhados por psicanalistas como Sigmund Freud e Carl Jung. “São elementos importantes que as crianças têm para lidar com suas questões interiores. Retirar esses elementos das histórias é retirar a possibilidade de o leitor encontrar uma ressonância com sua própria realidade. As histórias fantásticas não estão aí para dizer que dragões existem, mas para mostrar que os dragões podem ser vencidos”, diz Rosana Rios.

A bruxa, por exemplo, é o arquétipo da dificuldade, conforme explica Illan Brenman, psicólogo e autor de literatura infantojuvenil. “Boas histórias precisam mostrar para a criança como é o mundo real através de símbolos que ela entenda. É como uma vacina literária, com anticorpos simbólicos. Os livros pegam um pouco do veneno do mundo —morte, dor, solidão, ciúmes— para ajudá-las a lidar com diferentes situações e sentimentos”, diz ele. Isso ajuda a preparar a criança, por exemplo, para a morte de um parente ou os ciúmes com a chegada de um novo filho. “Aí ela vai entender que a bruxa ou o dragão representam essas dificuldades da vida. Privá-la disso é estrangular a imaginação infantil. Quando você priva a criança do simbólico, sobra angústia, indisciplina e revolta. As histórias fora de perigo deixam as crianças desprotegidas e despreparadas”, afirma Brenman.

Renata Nakano argumenta que a censura sobre determinados temas na literatura infantil não é razoável no mundo digital, em que as crianças podem acessar, sozinhas, conteúdos delicados, inclusive sobre sexualidade ou violência, sem o intermédio dos familiares. “A literatura permite que o leitor vivencie novas experiências, preparando-o para lidar com elas e com os sentimentos que elas despertam e ela não pode ser neutra. A literatura incomoda, te tira da zona de conforto. Os contos de fadas são tradição da literatura infantil e tratam de temas universais, intrínsecos à condição humana. A bruxa de João e Maria, por exemplo, não simboliza apenas o mal. Ela pode representar a descoberta de um mundo novo, a saciação da fome…”. Nakano aponta ainda os estudos que mostram que a literatura é a única narrativa capaz de gerar empatia.

“A literatura, quando realmente livre, questiona justamente essas regras, instiga a criança a pensar”, diz a editora, que adianta que a próxima obra do Clube Quindim será precisamente uma antologia dos contos de fadas em quadrinhos. Há de se ver quais serão as reações.

Fonte: EL PAÍS

Marisa Lajolo e Regina Zilberman traçam a história da literatura na perspectiva do leitor e da leitura

Especialistas em literatura avaliam como se deu a formação da sociedade leitora no país

A prática da leitura ainda não está plenamente ativa entre os brasileiros: 44% da população não lê e 30% nunca comprou um livro, de acordo com pesquisa Retratos da Leitura do Instituto Pró-Livro. Nesse cenário, Marisa Lajolo e Regina Zilberman apresentam a edição revista da obra A formação da leitura no Brasil, lançamento da Editora Unesp, originalmente publicada em 1996.

“Apresentamos um traçado consistente do nascimento, da consolidação e das transformações das práticas de leitura da sociedade brasileira, sem ignorar o fato de que cada época, cada obra e cada autor trazem consigo características próprias. Por esse viés, acompanhamos, fascinados, o amadurecimento do leitor – o que, por consequência, também nos esclarece sobre as conexões intrínsecas entre o universo fantasioso (e fantástico) da literatura e o mundo social em que habitamos”, explicam as autoras.

O livro propõe, além da representação da leitura e do leitor nas obras brasileiras dos séculos XIX e XX, uma reflexão sobre o papel do aparelho escolar no âmbito da criação e veiculação da literatura, e a identificação dos processos de remuneração do intelectual, com suas idas e vindas, avanços e recuos ao longo de duzentos anos de história. “Não ignoramos os aspectos próprios ao universo das letras, como a influência escolar na massificação da literatura, os processos de remuneração do escritor e a questão de gênero. Esta ganha especial relevância na análise da formação de um público leitor feminino, na transição entre os séculos mencionados, quando a mulher, ainda que limitada aos afazeres domésticos, acaba por desencadear a popularização de um filão literário mais específico: a prosa de ficção”.

Do primeiro ao último capítulo de A formação da leitura no Brasil, da construção do leitor à leitora no banco dos réus, várias histórias se enovelaram. “A emancipação do leitor encena, de certo modo, o processo de libertação de que se originou a sociedade moderna. Nesse sentido, narrar a formação da leitura no Brasil significa também narrar, sob esse viés, a história da modernização de nossa sociedade. Essa história que parece não ter um final feliz sinaliza que também a outra história, a do leitor, não termina bem”.

Sobre as autoras – Marisa Lajolo é professora da Unicamp e da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Publicou várias obras sobre leitura no Brasil. Em 2009, em parceria com João Luís Ceccantini, organizou a obra Monteiro Lobato, livro a livro: Obra infantil, eleito pelo Prêmio Jabuti o melhor livro de 2009 na categoria não ficção, publicada pela Editora Unesp. Regina Zilberman possui graduação em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1970), doutorado em Romanística – Universidade de Heidelberg (Ruprecht-Karls) (1976), e pós-doutorado no University College (Inglaterra) (1980-1981) e na Brown University (EUA) (1986-1987). Uma das maiores especialistas brasileiras em literatura infantojuvenil.

Título: A formação da leitura no Brasil
Autoras: Marisa Lajolo e Regina Zilberman
Número de páginas: 468
Formato: 16 x 23 cm
Preço: R$ 74,00
ISBN: 978-85-393-0819-4

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Fonte: Editora Unesp

La creación de mundos en la literatura juvenil

Texto por Patricia García-Rojo

Es fácil caer en el error de pensar que todo vale cuando hablamos de literatura fantástica o de literatura juvenil. Tendemos a relacionar la fantasía con lo descabellado y, en muchas ocasiones, los mismos profesionales del cine o la literatura fantástica comenten el pecado de hacerlo –pensemos en la penúltima temporada de Juego de Tronos, en la que un dragón atravesaba el mundo más rápido que un avión supersónico–. Pero la fantasía no se sustenta en lo alocado, su pilar fundamental es la verosimilitud, como el de cualquier tipo de literatura.

Cuando leemos, establecemos un pacto con el autor del libro que tenemos entre las manos, un pacto que él ha firmado de antemano. Aceptamos creernos lo que nos cuenta, asumir como verdad lo que estamos leyendo. Pero el autor debe ponérnoslo fácil, porque ese pacto de ficción puede romperse en cualquier momento. Al escribir literatura fantástica es más importante que nunca favorecer el pacto de ficción para que el lector se sienta cómodo y no perciba que está leyendo una lista interminable de locuras que se van sumando sin orden ni concierto. Es fundamental crear una historia verosímil, es decir, una historia que parezca verdad. Y para eso necesitamos dotar a nuestro mundo y a nuestros personajes de una coherencia interna que los sostenga.

Hay grados a la hora de enfrentarnos a la creación de un mundo fantástico. Podemos crear un mundo completo, como dioses totales, o podemos basarnos en el mundo real para introducir algunos elementos fabulosos que resulten atractivos. En Yo soy Alexander Cuervo, mi última novela juvenil publicada, sitúo al lector a finales del siglo XIX en Centroeuropa. Presento a un chico burgués que sueña con ser mago, ilusionista. Hasta aquí me mantengo dentro de los límites de lo esperado, construyo para él un escenario acorde con la época y su posición social, unas relaciones familiares que parezcan lógicas. Pero conforme se va desarrollando la trama, comienzan a aparecer elementos misteriosos que nos hacen dudar de que el mundo sea tal y como creemos. Con el personaje de Aubrey Galaxia, la rival en el mundo del espectáculo de Alexander Cuervo, introduzco la magia dentro de la novela. La magia misteriosa de los cuentos de hadas. Este personaje actuará como bisagra entre el mundo real y el mundo mágico, el mundo real y el mundo de la fantasía. Pero los dos están entretejidos, forman parte del mismo escenario. Esto ocurre, por ejemplo, en Harry Potter, en Crepúsculo o en la saga de Los Legados de Lorien, que estoy leyendo ahora mismo. Un elemento fantástico: magia, vampiros, extraterrestres… se introduce en el escenario real. En estos casos, encarnados en un personaje, pero también podríamos tener un objeto singular que resultase mágico o que formase parte de una tecnología más desarrollada que, al entrar en contacto con nuestros personajes, los haga acceder al mundo de la fantasía. Por ejemplo, en El mar, aunque hablaremos de él más adelante, aparece una piedra mágica que trastoca la vida del protagonista porque con ella puede convertirse en cualquier persona que deseé. Un solo objeto mágico, ya transformaría en fantástico el mundo real, alterando las normas admitidas por todos.

La literatura fantástica está llena de elementos bisagra que sitúan en paralelo dos mundos: el real y el imaginado. Pensemos en Las crónicas de Narnia y su armario, o en el pozo de Alicia en el País de las Maravillas, en la ventana de Peter y Wendy que se convierte en el camino hacia Nunca Jamás… Son muchos los ejemplos de literatura juvenil y fantástica que utilizan este recurso. En Los Portales de Éldonon, mi primera saga publicada, investigué esta posibilidad. Creé Éldonon basándome en la teoría platónica sobre el mundo de las Ideas, y lo uní a la Tierra a través de portales mágicos custodiados por guardianes. Éldonon era el mundo de la imaginación, allí donde todas nuestras ideas se crean, donde nuestros sueños se construyen como películas y donde las musas trabajan para inspirarnos. Recogiendo gran parte de la tradición fantástica, Éldonon es un mundo espejo que podemos comparar con el mundo real. Un mundo fantástico, en el sentido más amplio de la palabra, en el que todo es posible. Pero aún construyendo un mundo que en apariencia no tiene normas, necesité acotarlo para que el lector aceptase mi pacto de ficción. Éldonon debía ser verosímil. Para ello creé cuatro oficios: creator, somnios, musas e imaginatos. Éstos últimos eran los encargados de regular el mundo de la imaginación. Pero todos cumplían normas, seguían protocolos y mostraban al lector los límites de lo posible dentro de Éldonon. Por poneros un ejemplo, en Éldonon existen las Puertas Libres, puertas que pueden conectarte con cualquier lugar dentro de ese otro universo. Aunque, para usarlas, necesitas introducir coordenadas firmes. En la segunda entrega de la saga, en Los cines somnios, hago a mis personajes viajar utilizando otro sistema, un método que se dejó de usar en el pasado, un libro mágico creado por gigantes. Me encontré con un verdadero aprieto cuando me di cuenta de que, si no encontraban pronto una puerta libre, jamás podrían regresar a su lugar de origen y mis personajes estarían perdidos para siempre. No podía, sin más, darle a uno de ellos poderes mágicos para regresar. No podía hacer que un personaje fuese a buscarlos si nadie sabía lo que habían hecho. El lector hubiese sospechado.

De modo que tenemos, por ahora, dos posibilidades a la hora de crear un mundo mágico: erigirlo a partir de la realidad o situarlo en paralelo al mundo real. Pero no son las únicas formas. Podríamos hablar ahora de la creación pura de un mundo distinto, como hizo Tolkien con El Señor de los Anillos, o como Laura Gallego en su reciente El Bestiario de Axlin. En estos casos, el autor crea desde el principio el mundo y, en ese camino creativo, puede alejarse más o menos de la realidad conocida por el lector. Es muy habitual crear mundos épicos medievales o mundos distópicos futuristas. En el primero de los casos, asistimos en ocasiones a la creación no sólo de un escenario particular, sino también de una flora y una fauna singular, incluso de razas distintas a la humana –hadas, elfos, dragones, enanos, orcos…–. En estos casos, la descripción se convierte en la gran aliada del escritor, que debe guiar la mirada del lector para que pueda construir por sí mismo todo ese escenario distinto que el autor ha ideado. Para ello, en ocasiones, los autores se apoyan en mapas, diagramas o ilustraciones que ayuden al lector. Son herramientas que pueden facilitar mucho la lectura y la comprensión del mundo.

El abismo de Helm (Tolkien)

Aún así, incluso en estas ocasiones en las que nos comportamos como dioses absolutos, hay grados y, en ellos, está también nuestro compromiso con el pacto de ficción. Tanto si creo un mundo épico medieval parecido al nuestro, pero con distintos países, manteniendo la misma flora y fauna, la misma raza, como si creo un mundo totalmente nuevo con su propio lenguaje y vocabulario, debo facilitar el tránsito por mi escenario al lector. Y, por lo tanto, estoy obligado a crear una serie de reglas internas que actúen como los pilares de mi mundo. Por poner un ejemplo absurdo, a todos nos habría parecido una broma al leer El Señor de los Anillos que apareciese una nave espacial en el libro tres. No formaba parte de las normas internas de la novela que existiesen los alienígenas ni una tecnología tan avanzada. Áragon no podía utilizar un teléfono móvil.

Establecer unos límites dentro del mundo que hemos creado ayuda al lector a situarse, a no sentirse perdido dentro de infinidad de escenarios sin normas. Cuando escribí Lobo. El camino de la venganza, reflexioné durante dos años sobre el mundo de los salteadores y las normas que debían regirlos. En esta novela planteo que hay una serie de personajes –salteadores– que pueden saltar dentro de los cuadros y aparecer en el mundo que estos representan. Lo hacen buscando objetos de valor que robar y llevar a tres grandes señores que actúan como reyes de esa realidad alternativa que planteo. La idea de poder viajar dentro de cualquier cuadro, me hacía tener un mundo infinito. Y eso despertaba muchas preguntas. Lo primero que tuve que plantearme era si incluir o no el arte abstracto. ¿Qué ocurriría si un salteador entraba dentro de un cuadro de Picasso? ¿Lograría alguna vez regresar a una realidad figurativa? Me decidí a descartar el arte abstracto por lo peligroso que podría resultar para la vida humana. Pero no todos los problemas estaban resueltos. ¿Y el tiempo? ¿Pasaba de igual manera en todos los cuadros? ¿Alguien que estaba retratado en un cuadro, aparecería siempre que saltase dentro allí? ¿Podría moverse, desaparecer? Hasta que no hube respondido todas las preguntas, no pude sentarme a escribir porque, si yo me sentía perdida en un mundo tan amplio, ¿cómo no se desorientaría el lector? Creé caminos para que los personajes se orientase, libretas de tópicos con pequeños cuadros para casos de urgencia, y dejé también sin responder aquellas preguntas que me ayudaban a mantener la intriga durante la trama. Cuanto más complejo es el mundo que se presenta, más trabajo de concepción de leyes internas habrá que hacer.

En cambio, cuando escribí Las once vidas de Uria-ha, la experiencia fue distinta. Sí, creé un mundo distinto al nuestro. Me decidí por una realidad imaginaria inspirada en una Babilonia tardomedieval. A esa estética, sumé una alteración de las normas que rigen la vida: existiría la reencarnación. Las personas con asuntos pendientes podrían reencarnarse en otras para solucionarlos y, a través de un ritual en la adolescencia, recordarían sus vidas anteriores. ¿Qué pasaba entonces con sus bienes? ¿Se heredaría en un mundo en el que existe la reencarnación? ¿Quién solucionaría los problemas legales relacionados con las propiedades de los difuntos que pudiesen volver a la vida? Decidí crear una institución: los cronistas. Serían los encargados de gestionar los bienes de los muertos y de regir en los asuntos de los reencarnados. Por otra parte, en ese mundo, existirían una suerte de héroes o semidioses que se habrían reencarnado hasta en once ocasiones, cuando lo normal y lógico era reencarnarse como máximo tres veces. Decidí que los llamasen los Perpetuos, puesto que sus reencarnaciones los harían cercanos a la inmortalidad. Pero también quise que tuviesen sus propios cronistas, puesto que tras tantas vidas, habrían hecho grandes fortunas.

Sea como sea, debemos tener en cuenta que no estamos escribiendo un ensayo teórico sobre el mundo de nuestra novela, sino dando pinceladas sencillas que ayuden a la comprensión del lector. Es fácil caer en la tentación de recrearse en la estructura de la realidad que hemos ideado, adjuntar un apéndice con las normas de la magia, otro con las dinastías de los reyes, otro con mapas, un glosario, una descripción pormenorizada de las razas… Es decir, podemos caer en la tentación de adjuntar el material que hemos desarrollado para poder escribir nuestra novela. ¿Es eso verdaderamente necesario para el lector? Podemos tener un lector apasionado que quiera conocer todos los detalles, yo conozco a algunos, pero la magia de la lectura está también en ese dejar al lector completar con su imaginación lo que nosotros vamos creando. Es, de alguna forma, un trabajo en equipo.

En los últimos años se han puesto muy de moda en la literatura juvenil fantástica las tramas distópicas como Los Juegos del Hambre o Divergente, en la que el mundo creado se basaba en el real, aunque deformándolo hacia un futuro terrible en el que la humanidad vive sometida de una u otra manera. Esta construcción, aunque parte de una historia compartida por la humanidad, se aleja hacia lo fantástico convirtiéndose en un mundo nuevo, que comprendemos como el mundo medieval alternativo porque se basa en pilares comunes a todos. Esto facilita el camino al lector, que solo debe buscar las diferencias para comprender la estructura interna del escenario. Aun así, también debemos ser cuidadosos a la hora de definir el futuro y es nuestra responsabilidad ser tan precisos como lo haríamos al escribir una novela situada en algún tiempo pasado. La documentación sobre los movimientos políticos, los eventos bélicos en el pasado de la humanidad, los regímenes autoritarios que han existido y la manera en que se han vivido nos ayudarán a dotar de coherencia interna a nuestra novela para alejarla de una visión naif y simplista que sólo hable de buenos y malos olvidando los grises. Es otro error catastrófico el considerar al lector joven como un lector poco crítico o al que es sencillo engañar, no sólo porque es falso, sino porque no estamos ayudando a la construcción de una conciencia crítica como lectores.

Rediseño de cubiertas de la saga «Divergente», por Risa Rodil

Hasta ahora, hemos recogido tres grados en la construcción de mundos fantásticos: elemento mágico dentro del mundo real, mundos paralelos y mundos nuevos. Pero, por supuesto, hay infinidad de puntos intermedios y son quizá esos lugares los más apasionantes de investigar. En mi novela El mar, de la que os he hablado antes, partía del mundo real para alterarlo debido a una catástrofe natural que inundaba para siempre todos los pueblos de costa del planeta. Lo que podría parecer el inicio de una novela distópica de las que acabamos de ver, se acababa convirtiendo en una utopía sobre el compañerismo, la vida sencilla y minimalista, la importancia de la comunidad… Utilizar ese escenario alterado me permitía modificar los roles y el comportamiento de los personajes, derrumbar los sistemas de valores aprendidos para crear nuevas formas de priorizar. Y ahí, en esa realidad de tejados que se convierten en viviendas, de personas que se desprenden de todo para vivir como cazadores de tesoros sumergidos, lejos de las nuevas tecnologías, despreciando el dinero o el poder, es donde aparece la piedra mágica de la que os hablé. El mar es un híbrido entre la creación de un mundo nuevo y la introducción de un elemento mágico ajeno a los personajes. Realmente, en la literatura fantástica todo vale siempre que construyamos un discurso coherente que se sustente en un pacto de ficción firme, todo ello orientado a la mayor verosimilitud posible.

Y en esos términos medios por explorar están los viajes en el tiempo, por ejemplo, como construcciones imaginadas del pasado, fantásticas. Y también los planetas inexplorados, suerte de mundos paralelos.

Hay mil recetas distintas para construir un escenario fantástico, el único límite será realizarnos las preguntas correctas y, sobre todo, valorar nuestra verdad. La tentación de hacernos trampas a nosotros mismos siempre estará ahí, el deux ex machina como esa solución fantástica, rápida y mágica llamará a nuestra puerta infinidad de veces. Pero ¿cuántas veces como lectores no nos hemos sentido decepcionados por este tipo de trucos en los libros que teníamos entre las manos? Las ideas, como las semillas, necesitan tiempo para crecer. No tengamos miedo a dárselo.

El respeto a la inteligencia del lector –y os aseguro que los lectores jóvenes son de los más críticos que encuentro– debe ser siempre nuestra brújula. Que la fantasía construya y la razón cimente. Que no se nos olvide nunca el pacto de ficción.

Esquema de J.K. Rowling para «Harry Potter y la Orden del Fénix»

Fonte: Revista Babar

Sobre o direito à literatura

A professora Marilena Nakano é a entrevistada dessa semana da PublishNewsTV. Ela é voluntária da Rede Beija-Flor, uma das vencedoras do último Prêmio IPL – Retratos da Leitura.

Em um dia de 2011, uma professora de professores percebeu que a sala de aula era insuficiente para formar verdadeiros educadores. Aí ela pegou os alunos, atravessou a rua, até o “território” bem na frente da universidade – tão perto, tão longe que era. Começaram limpando a praça e hoje aplicam o conceito de “bibliotecas vivas” em áreas vulneráveis de Santo André, cidade da Grande São Paulo e 14º município mais rico do país. A professora é Marilena Nakano, a entrevistada dessa semana do PublishNews Entrevista, programa da PublishNewsTV que busca formar um arquivo da memória editorial brasileira. Formava-se ali um embrião do que seria mais adiante a Rede Beija-Flor de Pequenas Bibliotecas Vivas de Santo André, um dos ganhadores da última edição do Prêmio IPL – Retratos da Leitura na categoria Organizações Sociais. Marilena lembra que dessa limpeza de praça nasceu uma relação que criou vínculos muito profundos com aquela população.

“Fizemos uma pesquisa e detectamos que, mais do que a pobreza material, existia um problema ali que era a pobreza cultural. Quando a gente fala em vulnerabilidade, a gente não tá falando só da pobreza material. Tem uma pobreza que assola a vida das pessoas que é, por exemplo, o não acesso à literatura como um direito”, defendeu na conversa que teve com André Argolo. “Não é uma questão de ordem: primeiro as questões materiais e depois as questões simbólicas. Não! Essas coisas têm que andar juntas. A vida não é separada. A vida é complexa e todo mundo vive tudo ao mesmo tempo”, completou.

O PublishNews Entrevista é um oferecimento do #coisadelivreiro, consultoria em marketing e inteligência de negócios para o mercado editorial.

Além de estar disponível no canal do PublishNews no YouTube, a entrevista com Marilena está disponível em áudio também pelas plataformas digitais: SpotifyiTunesGoogle Podcasts e Overcast.

Fonte: PUBLISHNEWS

A produção da literatura infantil e juvenil brasileira reunida em catálogo

Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil publica seu catálogo que reúne a produção de 65 criadores

Texto por Redação

A Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (Aeilij) acaba de colocar à disposição a sétima edição do seu Anuário, referente à produção de 2019. Ao todo, o documento reúne capas, resenhas e informações gerais sobre 105 títulos produzidos por 65 criadores e publicados por 61 editoras. “É um material rico para pesquisa e referência da produção editorial da literatura infantil e juvenil brasileira, especialmente para educadores, livreiros, bibliotecas e centros culturais”, comentou Rosana Rios, presidente da Aeilij na apresentação do catálogo que ganhou ilustrações de Nireuda Longobardi. O volume traz ainda uma entrevista com Daniel Munduruku. Clique aqui para visualizar o catálogo ou aqui para imprimi-lo.

Fonte: PUBLISHNEWS

A discussão sobre o direito à literatura em Antonio Candido

Por Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy

Estudos de direito e literatura multiplicam-se no Brasil. Enfrenta-se uma ainda forte tradição positivista, analítica e tecnicista, para a qual o direito é só a lei e as decisões judiciais e, quando muito, os livros que explicam leis e que comentam decisões judiciais. Esses livros formam o que os juristas denominamos de doutrina, expressão tomada à força (e imperceptivelmente) da teologia.

Há quem estude o direito na literatura, ou a literatura no direito. Eu acrescentaria o direito à literatura. A relação entre esses dois campos, direito e literatura, sugere que se abandonem fronteiras conceituais clássicas. O direito na literatura consiste em se alcançar aspectos jurídicos na produção literária de ficção. O que romances, novelas e contos falam sobre o direito e sobres os problemas jurídicos e sobre a justiça? A literatura no direito é teorização ou criticismo literário em textos jurídicos, que variam de decisões judiciais a petições. É um assunto que interessa aos estudiosos de retórica. Acrescento que a literatura no direito é também um olhar sobre os mencionados livros de doutrina. É um estudo sobre material burocrático.

Há um problema conceitual que precisa ser enfrentado, isto é, até que ponto o direito é literatura? Umberto Eco enfatizava que a escrita pode ser criativa ou científica. Eu acrescentaria a escrita burocrática. Há também a questão da tradução. Confirma Eco que Cervantes e Tolstoi, por exemplo, são conhecidos e muito mais lidos em tradução do que — provavelmente — por leitores versados na língua em que o Quixote e Guerra e Paz foram escritos.

O direito à literatura foi um assunto tratado por Antonio Cândido (1918-2017), figura central da crítica literária brasileira a partir dos anos 40 do século passado, segundo Roberto Schwarz. Refiro-me ao texto Direito à literatura, tema de palestra proferida em 1988, e publicado na coletânea Vários Escritos. As linhas gerais dessa intervenção sedimentam uma orientação segura para reflexão e aprofundamento. Antonio Candido revela-se (continuamente) lúcido, coerente, convicto. Era um humanista, na acepção mais completa que essa palavra possa nos remeter.

A discussão tem como pano de fundo a relação entre direitos humanos e literatura. Cândido lembra-nos que vivemos (parece que sempre) em épocas de barbaridades e de injustiças. Ainda cometamos as mesmas barbaridades e injustiças que denunciamos, e ainda que não celebremos esses feitos (ou desfeitos). Em 1988 Cândido registrava que já não mais se falavam coisas que ouvia quando era menino, isto é, “que haver pobres é a vontade de Deus (…), que os empregados domésticos não precisam descansar, que só morre de fome quem for vadio”. Contra essas sandices Cândido argumentava que se deve considerar que tudo que nos é indispensável é também indispensável ao próximo. É como definiu os direitos humanos. E é esse o ponto de partida de um direito à literatura.

Com base em Louis-Joseph Lebret, um padre dominicano francês que também era economista, Cândido dividiu os bens da vida em bens compressíveis e bens incompressíveis. Cosméticos, enfeites e roupas supérfluas são compressíveis. Alimentos, roupas e habitação são incompressíveis. Aqueles primeiros são substituíveis e inclusive descartados. Esses últimos são essenciais.

No direito (especialmente no direito tributário) explica-se a divisão com a teoria da seletividade, que orienta a fixação de alíquotas e de bases de cálculo de IPI e de ICMS. De acordo com Antonio Cândido os bens incompressíveis não são apenas os que asseguram a sobrevivência fática e física em níveis decentes. São também os que garantem a integralidade intelectual. É aí que encaixa a literatura.

Cândido definiu a literatura como toda criação de toque poético, ficcional ou dramático em todos os níveis de uma sociedade, em todos os tipos de cultura, desde o que chamamos folclore, lenda, chiste, até as formas mais complexas e difíceis da produção escrita das grandes civilizações. Nesse sentido, não passamos mais de um dia sem mergulharmos no universo da imaginação e da fabulação. Contamos, vivemos, sonhamos e imaginamos estórias. Além do que, a literatura é um instrumento poderoso de instrução e de educação, prossegue o crítico.

Há uma literatura sancionada (prestigiada pelo poder) e uma literatura perseguida, em oposição àquela primeira. Esta última, a literatura perseguida, é uma necessidade social. É uma literatura empenhada. Cândido menciona Castro Alves (e o Navio Negreiro), Bernardo Guimarães (e a Escrava Isaura), Vitor Hugo (e os Miseráveis). É uma literatura de humanitarismo romântico, centrada na equação “pobreza mais ignorância mais opressão é igual ao crime”. Lembra ainda Dickens (Oliver Twist), Dostoievsky (Crime e Castigo) e Emile Zóla no contexto do caso Dreyfuss. No Brasil, lembra Jorge Amado, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Raquel de Queiroz e Érico Veríssimo.

Defende uma sociedade igualitária de produtos literários. A literatura é uma necessidade universal. A literatura, prossegue Cândido, é um instrumento consciente de desmascaramento, apontando e denunciando onde há restrições e negações de direitos. A literatura denuncia a miséria, a servidão e a mutilação espiritual. Para Antonio Candido, a literatura erudita não pode ser monopólio de classes dominantes e também não pode ser distribuída de forma estratificante e alienante.

Inegável que há um direito à literatura, na medida em que se aceita a literatura como um bem incompressível, e na medida em que valorizo que seja imprescindível para o outro o que é essencial para mim (o que não deixa de ser uma formulação alternativa do imperativo categórico kantiano).

Fonte: Consultor Jurídico

Homenagem a Hilda Hilst abre comemorações dos 50 anos do MIS

‘Revelando Hilda Hilst’ celebra 90 anos do nascimento da da escritora, poeta e dramaturga

A grande escritora, poeta e dramaturga paulista Hilda Hilst (1930-2004) abre as comemorações do aniversário de 50 anos do Museu da Imagem e do Som (MIS-SP) com uma exposição todinha em sua homenagem!

Chamada “Revelando Hilda Hilst“, a mostra aborda a vida e obra da escritora no ano que se comemora 90 anos do seu nascimento.

Crédito: Eduardo Simões
Hilda Hilst (1930-2004) foi uma poetisa, cronista, dramaturga e ficcionista brasileira. É considerada uma das maiores escritoras brasileiras do século 20

Com curadoria do artista visual e jornalista Jurandy Valença, o projeto leva ao MIS vários retratos de Hilda Hilst, alguns deles inéditos, desenhos de sua autoria nunca antes exibidos em público, além de quinze edições originais dos livros de Hilda, com capas de artistas como Darcy Penteado, Clovis Graciano, Wesley Duke Lee, Tomie Ohtake, Jaguar, Millôr Fernandes, Maria Bonomi e Arcângelo Ianelli.

A mostra se completa com a instalação sonora Rede Telefonia, de Gabriela Greeb e Mario Ramiro, na qual é possível ouvir a voz da autora por intermédio de gravações originais realizadas na década de 1970, quando ela tentava se comunicar com o além.

Nos áudios em primeira pessoa e em conversas com pessoas próximas como Lygia Fagundes Telles, ela discorre sobre o tempo, comenta obras e escritores, fala de sua solidão, de sua escrita, do desejo de ser lida e traduzida. Na mostra do MIS, o público também pode acessar – via QR Code – áudios com cerca de 20 poemas lidos por Hilda Hilst.

Crédito: Fernando Lemos
Revelando Hilda Hilst traz uma exposição de fotos da escritora, poeta e dramaturga no ano que se comemora 90 anos do seu nascimento

Já a programação paralela traz leituras de seus poemas, com convidados como Cida Moreira, Marina de La Riva e Dudu Bertholini.

Para completar, a programação do MIS ainda tem exibição dos filmes “Hilda Hilst pede contato” e “O Unicórnio“, além da leitura dramática de uma de suas peças, “O visitante”, escrita em 1968 em plena Ditadura Militar.

“Revelando Hilda Hilst” reúne ainda fotografias da escritora, registradas por quatro fotógrafos em períodos diferentes, separadas em quatro séries:

A primeira série exibe registros de Hilda, de 1959, quando ela tinha 29 anos. Quem as tirou foi o fotógrafo português Fernando Lemos, falecido em dezembro do ano passado.

A segunda série, realizada em 1990 pelo fotógrafo, arquiteto, músico e desenhista paulistano Gal Oppido (1952) retrata Hilda com 60 anos; os registros foram feitos durante uma entrevista que o escritor Caio Fernando Abreu fazia com Hilda para a revista A-Z.

Vale ressaltar que a maioria das fotografias de Oppido e Simões nunca foram exibidas!

A mostra no MIS também apresenta uma série do fotógrafo paulistano Eduardo Simões (1956), que realizou fotos de Hilda Hilst na sua residência, a Casa do Sol, em Campinas (SP), em 1999. As imagens registram não só a escritora, mas sua casa e seu entorno, inclusive seus inseparáveis companheiros, as dezenas de cachorros que moravam com ela.

A quarta e última série é do jornalista, fotógrafo e curador independente, Eder Chiodetto, autor do livro “O lugar do escritor” (Cosac Naif/2002), que retrata 36 escritores brasileiros, entre eles Hilda Hilst, em registros feitos sete anos antes de sua morte. 

Crédito: Eder Chiodetto
Registros de Eder Chiodetto foram feitos sete anos antes da morte de Hilda

Parece demais, não é? A exposição “Revelando Hilda Hilst” fica em cartaz no MIS de 1º de fevereiro a 15 de março de 2020. Você pode conferir toda a mostra de terça a sábado, das 10h às 22h, e aos domingos, até 20h. A entrada é gratuita!

Fonte: Catraca Livre

Aplicativo identifica árvores com histórias de autores da literatura infantojuvenil

Narrados por grandes cantores, o app reconecta a sociedade com a natureza com as explicações dessas espécies.

Imagem de celular com aplicativo Natu Contos e do lado esquerdo escrito o texto: Natu Contos - Uma experiência literária com as árvores da Mata Atlântica.
A ideia é democratizar gratuitamente o aplicativo para contribuir como material educativo e acessível a diferentes públicos. (crédito da imagem: divulgação)

O aplicativo educacional Natu Contos ajuda o usuário a identificar cinco espécies nativas da Mata Atlântica, como: embaúba, ipê-amarelo, jequitibá, pau-brasil e pau-ferro. Tudo isso de um jeito bem diferente. Em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica, oferece uma aventura literária em parques e praças, em que adultos e crianças podem descobrir contos produzidos por autores da literatura infantojuvenil e narrados por grandes cantores brasileiros.

No final do ano passado, conseguiu R$ 17.415 no financiamento coletivo na plataforma Catarse para alcançar mais pessoas ao desenvolver versão para Android. Com sua meta estendida, pretende promover um novo vínculo afetivo e memorável entre árvores e os cidadãos de Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR) e Recife (PE).

Já disponível gratuitamente na plataforma IOS, agora o aplicativo precisava da ajuda do público para o desenvolvimento do designer para Android (meta de R$ 18.522,00). Estima-se que até julho de 2020, ele já esteja disponível nesta plataforma.

A plataforma Natu Contos traz árvores mapeadas em parques e praças das cidades de São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Uberaba (MG). Quando uma árvore é encontrada, um vídeo animado apresenta e, depois, um conto fica disponível para o adulto ler/ouvir com a criança embaixo da sua copa. Uma vez coletadas, as histórias e as fichas técnicas de cada árvore vão para uma biblioteca e podem ser relidas e ouvidas quantas vezes quiser, em qualquer lugar.

Em Amélia e seu Ipê-amarelo, de autoria de Índigo com narração de Tiê, por exemplo, Amélia que tinha tudo amarelo, até seu cabelo, adorava um eucalipto, mas não ligava para um ipê-amarelo que tinha em seu sítio. Quando ele floresceu na primavera, isso mudou. Já em Árvore de Estimação, de Tiago de Melo Andrade e narração de Lenine, uma menina fica triste por ter perdido o gramado e a sombra fresca de sua árvore de estimação queimada em um incêndio, onde ela tinha seu balanço. Em À procura do Pau-Brasil, de Andrea Pelagagi com narração de Fernanda Takai, um irmão e uma irmã tentam de todas as formas descobrir se a árvore que eles acharam era mesmo a espécie que deu nome ao nosso país.

Mais informações sobre o aplicativo também no Instagram e Facebook. Site: http://www.natucontos.com/

Fonte: setor3

Entre o jogo e a literatura | Ivelise Fortim

Ivelise Fortim é professora doutora dos cursos de Psicologia e de Tecnologia em Jogos Digitais na PUC-SP e participou do 11º Seminário Internacional Biblioteca Viva – Conhecimento, Leitura e Literatura: Novas Trilhas. Durante a sua fala na mesa-redonda “Games e literatura: conexões para construir conhecimento”, ela explica um pouco sobre as possibilidades narrativas dentro da literatura gamer.

Fonte: SisEB São Paulo

 

João Cabral de Melo Neto 100 anos – O centenário em homenagens

Celebrações pelo centenário do poeta pernambucano estão acontecendo em todo o País

Texto por Mariana Mesquita

João Cabral de Melo Neto, poeta – Foto: Folhapress/Arquivo

As celebrações pelo centenário de João Cabral estão acontecendo em todo o País, e vão de uma inusitada homenagem durante o festival de bonecos gigantes “Mamulengá 2020”, no município de Surubim, no Agreste pernambucano (onde estreia neste dia 09 uma montagem de “Morte e Vida Severina”), até o evento “Museu de Tudo”, na Casa das Rosas, em São Paulo (que acontecerá no dia 18, com recitais, leituras dramáticas e palestras). Em Pernambuco, a Secretaria Estadual de Cultura (Secult) está organizando atividades ao longo de todo o ano, juntando poetas, escritores e estudantes da rede pública.

Segundo o secretário Gilberto Freyre Neto (que é aparentado com João Cabral), a ideia é celebrar conjuntamente seu centenário, os cem anos de Clarice Lispector e os 120 anos de Gilberto Freyre, todos completados em 2020. “Não gosto de me ater ao marco da data. Sim, nove de janeiro é um dia importante, mas janeiro não é um mês bom para nós, porque as escolas não funcionam. O aniversário de Clarice é em dezembro, que também é um mês complicado. Então, vamos tentar trabalhar isso de forma mais ampla, sem fixar exclusivamente em datas”, adianta. Ele afirma que as ações estão sendo estabelecidas pelas secretarias de Cultura e Educação, com parcerias com instituições como a Academia Pernambucana de Letras, a Fundação Joaquim Nabuco e a Fundação Gilberto Freyre, e devem começar a ser postas em prática após o Carnaval.

Na véspera do centenário, a Fundação Joaquim Nabuco divulgou que a Coordenação-Geral de Estudos da História Brasileira (Cehibra) recebeu oficialmente a doação de dezesseis fitas cassete contendo entrevistas realizadas com o poeta, nos anos 1990, pelo escritor José Castello, num total de cerca de 20 horas de conversas.

O material foi cedido pelo próprio José Castello, após conferência realizada durante o Seminário Internacional Casa-Grande Severina (promovido pela Fundaj no campus Derby, em dezembro do ano passado, em homenagem a João Cabral e a Gilberto Freyre). As mídias ficarão disponíveis para a consulta de estudiosos e da comunidade em geral. O legado do poeta também será celebrado através de edições comemorativas.

O selo Alfaguara, da Companhia das Letras, prepara duas edições especiais: um volume em prosa, com discursos, entrevistas e outros textos dispersos, organizado pelo acadêmico Sérgio Martagão, e um volume com sua poesia completa, organizada pelo crítico e ensaísta Antonio Carlos Secchin. Secchin também é o autor de “João Cabral de Ponta a Ponta”, uma análise da obra do poeta que estava esgotada e será relançada pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe).

A editora Todavia traz uma biografia escrita pelo doutor em literatura e jornalista Ivan Marques, obra que procura cobrir toda a vida do autor. E Inez Cabral de Melo, filha de João, confessa aguardar com ansiedade a fotobiografia realizada por Eucanaã Ferraz e Valéria Lamego, que garimparam os álbuns da família, entre outras pérolas, e deve trazer o lado menos conhecido do poeta. A fotobiografia será publicada pela editora Verso Brasil – a mesma que, em 2018, relançou o livro “Joan Miró de Cabral”, que trouxe para o Brasil as gravuras produzidas pelo artista espanhol para ilustrar a obra de João, de quem se tornou grande amigo durante o tempo em que o poeta morou na Espanha.

“Meu pai não gostava de homenagens, mas acho que agora, vendo lá de cima, talvez fique mais à vontade. Eu acho ótimo, porque ele merecia”, conta Inez, que afirma que sua missão é provar ao mundo que João Cabral “além de grande poeta, era gente como a gente”. “Nunca o achei frio nem sem emoção. Apenas mais preciso em falar delas, sem os derramamentos sentimentais que detestava”, resume.

Fonte: Folha de Pernambuco

Assédio na mira da literatura infantil

Assédio na mira da literatura infantil

Livros abordam o assédio, uma das muitas questões delicadas e difíceis de se tratar, em especial com crianças e adolescentes

Texto por Estadão Conteúdo

Reprodução
Minha Vida Não É Cor-de-Rosa conquistou o primeiro lugar na categoria juvenil do Prêmio Literário da Fundação Biblioteca Nacional

Olívia é adolescente e vai sozinha de ônibus para a escola. Um dia, no caminho que faz a pé até o ponto, ela para por um instante para dar informações a um motorista. O homem abre a porta do carro, e a garota percebe que ele está sem a calça. Chocada, Olívia sai correndo. E se cala.

Leila, a baleia, adora vestir biquíni e nadar por aí com seus longos cabelos. Vira e mexe, encontra em suas andanças pelo mar seu vizinho Barão, o polvo. Ele lhe rouba um beijo, a segue, a incomoda. Sussurra frases em seu ouvido, lhe promete coisas, mexe na alça do seu top. Leila também se cala.

Olívia e baleia são, respectivamente, personagens de Minha Vida Não É Cor-de-Rosa, de Penélope Martins (Editora do Brasil), e Leila, de Tino Freitas e Thais Beltrame, livros que abordam o assédio, uma das muitas questões delicadas e difíceis de se tratar, em especial com crianças e adolescentes.

Em novembro, Minha Vida Não É Cor-de-Rosa conquistou o primeiro lugar na categoria juvenil do Prêmio Literário da Fundação Biblioteca Nacional, um dos mais prestigiados do País.

Nos dois casos, os autores acertam em cheio: conseguem tratar com leveza de um tema duro, respeitando o nível de compreensão do leitor para o qual se dirige. E vão além. Não tratam apenas de assédio – falam também de amizade e confiança. E podem abrir as portas para conversas em casa e onde mais se fizer necessário

Em Minha Vida Não É Cor-de-Rosa, Penélope se debruça sobre questões comuns da adolescência – o primeiro beijo, o primeiro namorado, a briga com a melhor amiga -, sem perder de vista o contexto das redes sociais, e chega a temas mais espinhosos, como o assédio a meninas e meninos. O livro é indicado pela editora para leitores a partir dos 14 anos.

Na história, a personagem principal – cujo nome só é revelado no fim da história, porque pode ser Olívia, mas pode ser o de qualquer menina – mora com os pais, com quem tem uma boa relação É independente, responsável e gosta de ouvir músicas “antigas”, como Caetano Veloso e Rita Lee. Mas, mesmo com toda abertura que tem em casa e com as amigas, não consegue contar para ninguém quando é vítima de assédio no meio da rua.

“É um livro absolutamente ficcional, mas, de um modo geral, é muito próximo da minha adolescência. Vivi duas situações de assédio quando era muito novinha. Eu tinha 11 anos, morava em um bairro distante, na periferia de São Bernardo, e ia para a escola de ônibus de linha”, conta Penélope. “Eu me senti culpada, envergonhada e, para a época, tive uma conversa ampla com meus pais. Minha família tinha uma certa liberdade para tratar de determinados assuntos, mas em outros aspectos não se afastava de uma família conservadora.”

No livro, Olívia também acaba conseguindo falar sobre o que viveu, o que alivia sua dor. E quando sofre uma segunda situação de assédio, consegue reagir e é acolhida.

Palavras e imagens. Indicado pela editora para leitores a partir de 8 anos, Leila é um livro ilustrado, desses em que imagens e texto se relacionam para contar a história. No projeto gráfico, Thais trabalha com a página dupla, tanto na horizontal quanto na vertical, como se não houvesse margem separando o lado esquerdo do direito.

Nas sucessivas abordagens do vizinho, Leila quer pedir socorro, mas não consegue. E certa hora, em que estão apenas os dois, Barão corta os cabelos que a baleia tanto amava. “Eu gosto assim, pequena”, ele diz. “Pequena, o que aconteceu aqui será nosso segredo! Não diga a ninguém!”

Leila mergulha então numa tristeza profunda e desiste de nadar. O luto e o resgate da baleia com a ajuda de amigos marinhos são narrados por meio de uma sequência de três páginas duplas verticais sem texto. Aqui, o leitor tem de girar o livro – da horizontal para a vertical – para fazer a leitura das imagens, e é esse movimento que dá profundidade ao mar, que faz o leitor sentir a queda e a tristeza profunda de Leila.

Ainda presa em uma profusão de sentimentos, a baleia encontra novamente Barão. E consegue falar tudo o que queria ter dito. É por meio da fala que Leila se liberta.

“O livro deixa clara a importância da voz. É preciso nos conhecermos, ouvirmos nossa própria voz”, diz Tino, que conta que a vontade de escrever sobre assédio surgiu após a visita a uma escola, em que teve a sensação de que uma das crianças sofria violência.

No livro, as ilustrações são como uma lente fotográfica, e Thais se aproveita de ângulos inusitados. Ora Leila nada no imenso mar, ora surge dentro do olho do Barão, pequena e frágil, ora o vizinho aparece imenso, ora vemos apenas um de seus tentáculos. É pelas imagens que descobrimos, por exemplo, o tamanho do Barão e como Leila se sente diminuída com a violência.

MINHA VIDA NÃO É COR-DE-ROSA

Autora: Penélope Martins

Editora: Editora do Brasil (136 págs.,R$ 50)

LEILA

Autores: Tino Freitas e Thais Beltrame

Editora: Abacatte (52 págs., R$ 44)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: CORREIO

Carolina de Jesus, uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil

Texto por João Paulo Silva
A ESCRITORA CAROLINA MARIA DE JESUS – CRÉDITO DA FOTO: AGÊNCIA BRASIL

Carolina de Jesus é um dos nomes mais importantes e também mais esquecidos da literatura brasileira. Uma mulher negra, pobre, favelada que presenteou a nossa literatura com sentimentos, emoções e desejos que ela registrou em pedaços de papéis.

Em uma sociedade altamente desigual, e que deixa de lado os pobres, negros e indígenas, Carolina encontrou uma forma de luta para levantar a voz, a voz de uma mulher negra e forte: papel e caneta. Suas obras foram traduzidas para várias línguas, como o alemão, o espanhol e o francês.

Carolina Maria de Jesus, nasceu na cidade de Sacramento, Minas Gerais, em 14 de março de 1914, mas mudou-se para a cidade de São Paulo em 1947, mesmo período em que começavam a surgir as primeiras favelas na cidade. Viveu boa parte da sua vida na extinta favela do Canindé, zona norte da capital paulista, e mesmo com pouco estudo ela registrou o seu cotidiano e o da favela onde morava em cadernos que encontrava no material que recolhia nas ruas.

Ela escreveu livros e diários com relatos emocionantes sobre a desigualdade social e o preconceito racial: “eu digo que a favela é o despejo de uma cidade. Nós, os pobres, somos como madeira velha.” Frases como essa foram descobertas no final da década de 1950 pelo jornalista brasileiro Audálio Dantas.

O jornalista se interessou pela escritora e seus escritos, então, em 1959, trabalhando na revista “O Cruzeiro”, o jornalista publicou trechos escritos por Carolina. Posteriormente, nascia o livro “Quarto de despejo: diário de uma favelada”, publicado em 1960 e traduzido para de treze idiomas e vendido em mais de 40 países.

Quarto de despejo é um livro atemporal, mostra problemas ainda existentes no Brasil nos dias atuais. Em 1961, publicou seu segundo livro, intitulado “Casa de Alvenaria”. Em 1963 ela publicou “Pedaços de fome”, seu único romance, que teve pouco retorno e, posteriormente, lançou “Provérbios”.

Com seus discursos Carolina não agradou a elite política da época, então acabou caindo no esquecimento e viveu de forma muito humilde até os últimos momentos de sua vida. Ela era mãe de três filhos e morreu em 13 de fevereiro de 1977, aos 62 anos. Algumas de suas obras foram publicadas após sua morte, das quais a mais significativa é “Diário de Bitita”, que contém suas memórias de infância e juventude na cidade Sacramento, Minas Gerais, até o momento em que vai para São Paulo.

Seu nome faz parte da literatura brasileira, literatura feminina e literatura de mulheres negras brasileiras. Hoje é estudado em várias partes do mundo, mas ainda encontra barreiras dentro do nosso país. Num país sem memória, o nome Carolina Maria de Jesus cai no esquecimento a cada dia que passa.

Se você não conhece, procure conhecê-la. Busque suas obras. Valorize seus escritos carregados de sentimentos.

“… Eu classifico São Paulo assim: O Palácio é a sala de visita. A Prefeitura é a sala de jantar e a cidade é o jardim. E a favela é o quintal onde jogam os lixos.” (Quarto de despejo: diário de uma favelada, Carolinna Maria de Jesus, 10ª edição, editora Ática, página 32).

Fonte: Mais Minas

BIBLIOTECÁRIA DESENVOLVE APLICATIVO DE LEITURA PARA CRIANÇAS QUE USA FERRAMENTAS DE INTERAÇÃO

Chamado de TecTeca , o aplicativo integra o Programa “Inova Maranhão”, da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI), do governo daquele estado

A nova forma de Marketing e agenciamento literário

Texto por DINO

DINO

É preciso inovar. Milhares de novos profissionais e Coachs surgiram nos últimos anos. O principal motivo dessa mudança de mercado é a Internet e seus novos usuários cheios de sonhos e prontos para virar notícia no mundo inteiro em questão de segundos.

Com essa nova mudança, novas empresas surgiram no meio cultural e se aprofundaram em estratégias de marketing e capacitação de forma a envolver o leitor, o escritor, e todos os profissionais do livro em um só nicho comercial.

Às três da manhã vê e-mails disparados de diversas partes do mundo, assim como informações de leituras e dicas de livros. Mas, um deles chama a atenção: um convite para uma publicação internacional coletiva, de baixo custo, com distribuição imediata.

Como entusiasta na carreira de escritor, procura averiguar essa nova forma de trabalho, e de imediato, recebe resposta da própria presidente conectada a esse novo mundo.

Entre uma conversa e outra, descobre seu curso de Escrita Online e assiste uma aula sobre os hábitos de leitura, na qual ela comenta fatos, enquanto vendedora, mas também espectadora. “Sinto que o hábito de leitura do brasileiro está mudando, e para melhor, na linha virtual, e caindo na linha impressa”.

A informação não vem apenas da mente imaginativa de uma escritora, mas, de dados precisos do IBGE.

Dados divulgados pela última Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios, em 2013, pelo IBGE, mostram que os hábitos de leitura dos brasileiros estão mudando radicalmente. Em quinze anos, a percentagem da população que afirma ter lido, nos últimos doze meses, entre dois e quatro livros, caiu de 45% para 38%.

Analistas consultados pela reportagem afirmam que esta situação pode ter paralelo com a expansão da tecnologia e o encurtamento do tempo que os brasileiros têm de folga.

Para o professor de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Ricardo Chesini, houve dois importantes fatores que interferiram no período que podem ter justificado estes índices: “Ao mesmo tempo em que os dispositivos eletrônicos se popularizaram, a renda média do brasileiro também aumentou. Isto fez com que as pessoas tivessem cada vez menos tempo de ociosidade, inclusive em momentos de lazer”.

Para ele, o brasileiro médio considera que os livros representam uma atividade monótona, em contraste com os smartphones e tablets modernos, e suas dezenas de funções.

O psiquiatra Roberto Moreira, do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), concorda com esta posição. “Estamos vivendo uma revolução em todos os sentidos. A lógica funciona neste caso: quanto mais o indivíduo sente necessidade de se atualizar, menos tempo ele tem para uma fuga da rotina”.

O número de livrarias no Brasil também diminuiu.

Dados do Ministério da Cultura indicam que, desde a virada do século até o ano de 2012, houve redução de cerca de 15% na quantidade de estabelecimentos comerciais do tipo, e 12% no número de livros físicos vendidos no período.

Em contraste com esta situação, é cada vez maior o interesse dos leitores pelos chamados e-books, ou livros digitais. “A aposta no mercado de dispositivos eletrônicos de leitura e lojas virtuais deste tipo deve ser considerada nesta década”, prevê Marcelo Carvalho, da Focus Consultoria. Para o analista, há grande possibilidade de o mercado crescer significativamente nos próximos anos: “Temos o grande exemplo da Amazon, que praticamente criou um nicho que não existia e passou a explorá-lo. Hoje, é uma das maiores vendedoras digitais do mundo.” A entrada de novas redes de livrarias tradicionais no ramo, como a Saraiva e seu dispositivo Lev, que concorre diretamente com o Kindle norte-americano, é um bom exemplo desta nova empreitada.

Outro ponto a ser observado neste aspecto literário é o gênero, ou melhor, os gêneros literários mais vendidos em determinados momentos. Na maioria das vezes, os dados podem servir inclusive como termômetro da sociedade atual.

Nos últimos anos, as publicações de autoajuda, campeãs de vendas no segmento não-ficção, vêm disputando espaço com best-sellers adolescentes e com temáticas distópicas, ou seja, livros em tempos futuros em que a sociedade geralmente é regimentada e com uma realidade completamente diferente da atual, além do excessivo uso da tecnologia por parte de um governo central.

Desta realidade emerge um herói ou heroína, que tenta combater o sistema. Alguns exemplos são as séries Divergente e Jogos Vorazes, escritas por autoras americanas, mas que podem encontrar paralelo com a realidade brasileira. “Este gênero de livros tornou-se popular após os protestos de junho de 2013 em todo o Brasil, onde a população passou a temer que o governo pudesse realmente querer controlar seus cidadãos”, afirma a Presidente da Associação Internacional de Escritores e Artistas, Izabelle Valladares.

A Associação surgiu de uma falha mercadológica, em um país muito limitado em editoras comerciais, era preciso que novos agentes literários habilitados em redes sociais surgissem , e a Literarte entrou no mercado, divulgando livros, escritores e artistas plásticos pelo mundo.

A empresa já atuou em mais de 50 países, divulgando a literatura nacional contemporânea e obras de arte de artistas plásticos, inclusive no Carrousel do Museu do Louvre, gerando um impulsionamento no mercado literário e na produtividade do meio editorial.

Inovar, empreender e evoluir, sempre.

Website: http://www.grupoliterarte.com.br

Fonte: Mundo do Marketing

Mercado editorial investe em livros que ensinam cidadania às crianças

O brasileiro 'Quem manda aqui? - um livro sobre política para crianças' teve seus direitos de publicação vendidos para 14 países Foto: Reprodução
O brasileiro ‘Quem manda aqui? – um livro sobre política para crianças’ teve seus direitos de publicação vendidos para 14 paísesFoto: ReproduçãoRuan de Sousa Gabriel – O Globo
Capa do livro
Capa do livro “Eleição dos bichos”, publicado pela Companhia das Letras Foto: Divulgação

A Companhia das Letrinhas já havia publicado outro livro do quarteto: “Quem manda aqui?”, que explica às crianças como funcionam as estruturas de poder e que ganhou uma edição espanhola e outra chilena. Ambos os livros nasceram de discussões e oficinas sobre democracia realizadas com crianças.

— Não é fácil vender direitos de publicação de livro infantil, ainda mais para países tão diferentes, mas esses livros falam de temas importantíssimos nesta época em que a democracia está ameaçada em vários países — diz Mell Brites, editora-executiva do Grupo Companhia das Letras. — Queremos publicar mais livros sobre política e temas como gênero, preconceito e refugiados para crianças. Precisamos conversar com as novas gerações se quisermos mudanças efetivas. É a única solução.

Desde a eleição de Donald Trump, as livrarias foram invadidas por títulos que tentam explicar a ascensão populista, como “O povo contra a democracia”, de Yascha Mounk, e “Como as democracias morrem”, de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt. Paralelamente, a oferta de títulos infantis que discutem temas como democracia e como lidar com a diferença também aumentou.

— Questões como feminismo, raça, classes sociais e meio ambiente ganharam espaço e a necessidade de debatê-las influencia também a produção literária voltada ao público infantil — diz Ana Tavares, gerente editorial da Zahar, editora que publicou biografias de líderes como Nelson Mandela, Rosa Parks e Malala Yousafzai para pequenos leitores. — Pais e responsáveis preocupados com o futuro da democracia tendem a incentivar crianças a buscar leituras mais críticas sobre o que estamos vivendo.

Lições de democracia

Assim como as obras que explicam a confusão política para os adultos, os títulos que dão lições de democracia às crianças vendem bem. Os quatro livros da coleção “Livros para o amanhã”, publicado pelo Boitatá, selo infantil da Boitempo, venderam mais de 35 mil exemplares desde o final de 2015. A coleção têm títulos como “O que são classes sociais?” e “A democracia pode ser assim”.

— Política também é coisa de criança — afirma Ivana Jinkings, diretora da Boitempo. — Os livros do Boitatá buscam responder a uma forte demanda que percebemos de pais e educadores quando encontram material de apoio adequado para explicar às crianças conceitos como “democracia”, “impeachment” e “corrupção”. As crianças veem tudo isso na TV e na internet e querem participar.

Capa do livro
Capa do livro “Meu crespo é de rainha”, de bell hooks, publicado pelo Boitatá, selo infantil da Boitempo Foto: Divulgação

O Boitatá publicou livros infantis e pensadores como a feminista negra americana Bell Hooks (“Meu crespo é de rainha”) e o italiano Antonio Gramsci (“O rato e a montanha”). Lançou também “O Capital para crianças”, Joan R. Riera, no qual o Vovô Carlos conta aos netinhos a história do operário Frederico, que não entendia por que não conseguia comprar na feira as meias que ele próprio produzia na fábrica. Só este ano, “O Capital para crianças” vendeu mais de 4,3 mil exemplares.

— Não são livros que levantam bandeiras, mas que tratam de política, filosofia, meio ambiente e diversidade de forma lúdica e delicada — diz Ivana. — Queremos livros que apontem formas diversas de ver e organizar o mundo, com o cuidado de não serem esquemáticos, dogmáticos ou totalizantes.

Turminha da liberdade

Giuliano Miotto, autor dos livros da Turminha da Liberdade, publicados pelo Instituto Liberdade e Justiça, também afirma tentar desviar do dogmatismo ao adaptar, para crianças, as ideias de pensadores liberais como o austríaco Ludwig von Mises e a russo-americana Ayn Rand.

— Meu objetivo não é ensinar valores de direita ou esquerda, mas universais, como responsabilidade individual, autoestima e produtividade — diz. — Responsabilidade individual para aprender a arrumar o quarto e cumprir suas tarefas; autoestima porque um povo sem autoestima empreende pouco; e que produtividade não é só ganhar dinheiro, mas ser útil, produzir algo de valor.

Os dois livros da Turminha da Liberdade — “Anya e o mistério do sumiço do cãozinho Galt” e “Antônio e o segredo do universo em breves lições” — foram financiadas coletivamente e podem ser comprados pela internet por R$ 42 (frete incluso). No primeiro livro, um cãozinho se revolta contra o autoritarismo de um rei que roubava os bens dos outros. No segundo, um vendedor de churros ensina as vantagens da livre iniciativa a um menino.

— Queremos que esses valores impactem positivamente a vida das crianças e também o debate político, que anda muito pobre: ou é “Lula preso” ou é “Lula livre” — afirma Miotto.

Para Maria Amélia Dalvi Salgueiro, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), a assimilação dos valores democráticos pelos pequenos leitores depende não só das historinhas que os livros contam, mas também do adulto que lê com a criança.

— Obras podem ser lidas politicamente a depender o mediador. O sentido de um texto é produzido no exercício de leitura. Até o livro mais progressista pode ser lido acriticamente — explica. — Só conseguimos formar leitores críticos quando instigamos suas dúvidas, acolhemos suas perguntas e os incentivamos questionar a realidade.

Fonte: Blog do Flávio Chaves

Curso – Literatura catalã e gênero: leituras femininas

Natureza do curso:  Difusão

Público Alvo: Alunos de graduação, pós-graduação e interessados em geral.

Objetivo: Fornecer um panorama geral da história da literatura catalã escrita por mulheres, dar a conhecer algumas das autoras mais representativas de cada época.

Programa: CLIQUE AQUI

Carga horária:  30.00h

Vagas: Máximo: 45. Mínimo: 15.

Certificado/Critério de Aprovação:  Mínimo de 75% de frequência obrigatório. Os certificados serão enviados por e-mail quando os ministrantes disponibilizarem a lista de aprovados no sistema.

Coordenação:  Profa. Dra. Valéria Gil Condé (FFLCH/USP).

Ministrante(s): Profa. Jessica Ferrer Escandell

Promoção:  Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas (FFLCH/USP).

Período de Realização:  03/03/2020 a 23/06/2020

Horário:  Terça-feira, das 14:00 às 16:00

Local:  Faculdade de Letras da USP, sala a definir (Av. Prof. Luciano Gualberto, 403 – Cidade Universitária – Butantã – São Paulo/SP)

Gratuito.

Literatura negra: conheça projetos, nomes e iniciativas de valorização desta arte

De portal de literatura ao primeiro romance publicado por uma mulher negra no Brasil, saiba mais sobre a produção na semana da Consciência Negra

 Por Jaiane Souza *
Foto: Editora Malê / Divulgação

Literatura é a expressão artística escolhida para encerrar o especial do Culturadoria que celebra o dia da Consciência Negra. Como diversas outras artes, a literatura negra e os escritores negros foram, e ainda estão sendo, constantemente invisibilizados. Suas produções são diversas, passando por romance, poesia, biografia e outras. Os temas escolhidos também, como escravidão, sociedade, gênero e política.

O Brasil, por exemplo, tem nomes de destaque na literatura negra. Carolina Maria de Jesus, uma catadora de papéis, teve o diário que mantinha transformado no clássico livro Quarto de despejo, um relato sobre o dia a dia em comunidades pobres de São Paulo. Outros nomes de destaque na contemporaneidade são de Ana Maria Gonçalves, autora de Um defeito de cor e Conceição Evaristo. A escritora é militante do movimento negro e de causas sociais. Também viveu na periferia e escreve sobre discriminação racial, de classe e de gênero. Além disso é poetisa, participa de antologias e já publicou no exterior.

Além delas, quem mais faz ou já fez literatura negra por aí? Separamos algumas iniciativas, grupos e nomes de pessoas que estão fazendo a diferença no cenário da literatura negra. Conheça e compartilhe conosco outros não listados.

Literafro

Este é o Portal da Literatura Afro Brasileira, que nasceu do trabalho do Grupo de Interinstitucional de Pesquisa Afrodescendências na Literatura Brasileira na Universidade Federal de Minas Gerais. O portal apresenta autores e autoras negras, artigos, resenhas, fala sobre teatro (grupos e dramaturgos), ensaístas e ainda dá notícias do que acontece no mundo da cultural literária negra. Ah! E como nós aqui do Culturadoria somos fãs de podcasts, não poderíamos deixar de indicar o deles. No canto inferior esquerdo do site você pode ouvir!

Livraria Bantu 

Um local onde a literatura negra, a cultura, a religiosidade e a corporeidade são o foco. É assim que funciona a Livraria Bantu. Localizado no coração da cidade de BH, o espaço é dedicado à produção literária de origem africana e afro descendente. A ideia começou com a jornalista Etiene Martins, pois ela procurava livros de escritores negros em livrarias tradicionais, mas nunca encontrava. Dessa forma, criou a própria livraria para promoção da literatura negra. O nome Bantu faz referência ao povo africano que foi responsável pela criação de mais de 600 línguas, inclusive o português. Na Livraria Bantu tem nomes como as já citadas Conceição Evaristo e Carolina Maria de Jesus, como também Lima Barreto, Lázaro Ramos, Bento Balói e a nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie.

Preta Poeta 

O projeto Preta Poeta funciona com a tentativa de resgatar a produção autoral de poetisas negras por meio de pesquisas e difundir a contribuição que essa produção tem para a sociedade e para a literatura em geral. Além disso, incentiva a produção poética, a declamação e a difusão da literatura negra feminina emergentes por meio de ações para toda a comunidade. Regularmente, o projeto convida coletivos, faz roda de leitura, sarau, feira de literatura, palestras e até lançamento de zine. Na página do Facebook você encontra mais informações sobre a atuação do Preta Poeta e fica sabendo onde vai ser cada evento.

literatura negra
Foto: Livia Wu / Divulgação

Maria Firmina dos Reis

Este, com certeza, é um nome fundamental na literatura brasileira. Principalmente quando falamos de escritoras mulheres e, sobretudo, negras. Maria Firmina dos Reis, a primeira escritora negra do Brasil, nasceu em São Luís do Maranhão em 1822 e não recebeu o nome do pai biológico. Não se sabe muito sobre a história de Maria Firmina, no entanto, ela era filha de mãe branca e  pai negro, provavelmente escravo. Aos oito anos de idade se mudou de São Luís. Firmina vivia sob boas condições financeiras, pois na nova cidade morava com uma tia que oferecia suporte. Dessa forma, teve a oportunidade de ser alfabetizada e entrar em contato com a literatura. Alguns anos mais tarde se tornou professora primária.

Já em 1859, Maria Firmina dos Reis foi pioneira na literatura negra no Brasil pois lançou Úrsula, que mais tarde foi considerado primeiro romance nacional feminino. A obra dá foco à escravidão através da narração do cotidiano de mulheres negras escravizadas e livres no país.

Entretanto, o livro não recebeu, na época, o reconhecimento merecido. Isso porque, de acordo com a escritora, ela não tinha estudado em terras europeias e nem dominava outros idiomas. Essas eram características comuns entre homens e mulheres ricos contemporâneos a Firmina. Mesmo assim, ela não deixava se intimidar. Por outro lado, uma característica curiosa em relação à escrita desta autora eram os prefácios do que escrevia. Eles sempre vinham da seguinte forma: “pouco vale este romance, porque escrito por uma mulher, e mulher brasileira, de educação acanhada e sem o trato e conversação dos homens ilustrados”.

O legado de Maria Firmina dos Reis continua, pois suas ações abriram caminhos para o surgimento de nomes como Carolina Maria de Jesus e Conceição Evaristo. Só para dar um exemplo, Firmina abriu uma escola gratuita onde as crianças não eram separadas pela cor da pele, iniciativa que eu causou escândalo no povoado em que vivia no Maranhão. A escola fechou em três anos.

Atualmente, o índice de racismo e violência contra os povos negros ainda é alto. Histórias como as que contamos são importantes para mostrar como nós resistimos e não desistimos. Literatura, teatro, dança, música, cinema e qualquer outra forma de manifestação artística é legítima independentemente da cor da pele, religião e classe social.

Fonte: CULTURADORIA 

Biblioteca do Senado destaca 15 autoras neste Mês da Consciência Negra

Lista foi produzida pela biblioteca do Senado Federal para incentivar a leitura de escritoras negras

 Texto por Deborah Fortuna

A autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie e a brasileira Djamila Ribeiro integram a lista (foto: Reprodução/ Facebook; Arquivo Pessoal)

Em homenagem ao Dia da Consciência Negra, a biblioteca Acadêmico Luiz Viana Filho, do Senado Federal, listou quinze livros de escritoras negras que compõem o acervo do local. O “Boletim de bibliografias selecionadas, autoras negras: protagonismo feminino” traz um panorama e incentiva a leitura dessas obras.

O boletim está inserido no Plano de Equidade de Gênero e Raça do Senado Federal, edição de 2019 a 2021 — uma publicação que está alinhada com o 5º objetivo dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.  

“A presença literária e no mercado editorial, em geral, destaca autores homens. Então, queríamos trazer as mulheres, principalmente as mulheres negras porque a presença delas é ainda menor”, explicou a coordenadora da biblioteca Patrícia Coelho.

A lista também traz obras de diferentes gênero literários, entre ficção, poesia e outros. “A maioria dessas obras também fala sobre a importância do empoderamento feminino e da luta de mulheres negras”, completou Coelho.

Uma das escritoras destacadas na lista é Cristiane Sobral, 45 anos. Autora de “Não vou mais lavar os pratos” (2010), “Só por hoje vou deixar o meu cabelo em paz” (2014), “O Tapete Voador (2016)”, “Terra Negra (2017)”, Sobral diz que as escritoras negras ainda compõem um percentual muito pequeno no mercado, o que faz com que elas fujam das editoras tradicionais e busquem crescimento em publicações independentes ou mercados menores. “Cada vez mais eu tenho descoberto e encontrado um número expressivo de pessoas negras [na literatura]. O que significa que nossa invisibilidade não significa inexistência”, disse.

Para a autora, o projeto tem grande importância para dar visibilidade à escrita e à história do povo negro, que, a partir do olhar de mulheres negras, são vistos não apenas como objetos de estudo, mas também como protagonistas, com histórias de “rompem o imaginário dos estereótipos”, com histórias de amor, superação, entre outras. “É muito importante ter mulheres negras como contadoras, como escritoras, ficcionistas e inventoras de suas narrativas”, completou.

O acervo está aberto ao público para consulta local. A biblioteca do Senado funciona de 9h às 18h30 de segunda a sexta-feira.

Veja a lista abaixo:

  1. Sejamos todos feministas – Chimamanda Ngozi Adichie

Neste livro, Adichie parte de sua experiência pessoal de mulher e nigeriana para mostrar que muito ainda precisa ser feito até que se alcance a igualdade de gênero. Segundo ela, tal igualdade diz respeito a todos, homens e mulheres, pois será libertadora para todos.

  1. Mulher negra: política governamental e mulher – Sueli Carneiro, Tereza Santos e Albertina Gordo de Oliveira Costa

Nesta publicação, apresenta-se um amplo diagnóstico sobre a situação da mulher no país durante 1975 e 1985, década declarada pela ONU como década da mulher

  1. Mulheres, raça e classe – Angela Davis

Publicado em 1981, tornou-se referência obrigatória para se pensar a dinâmica da exclusão capitalista, tomando como nexo prioritário o racismo e o sexismo.

  1. Insubmissas lágrimas de mulheres – Conceição Evaristo

O livro se revela um retrato de solidariedade e afeição feminina, por tocar no que é essencial, no que move, no que aproxima e une mulheres e, em especial, mulheres negras.

  1. Má feminista – Roxane Gay

A obra é uma seleção se ensaios engraçados e perspicazes. A autora nos leva a uma viagem sobre sua própria evolução como mulher negra, ao mesmo tempo em que nos transporta a um passeio pela cultura nos últimos anos. Má feminista é um olhar afiado, e nos alerta para a maneira pela qual a cultura que nos envolve torna-nos quem somos.

  1. Um defeito de cor – Ana Maria Gonçalves

Um defeito de cor projetou nacionalmente a escritora contando a trajetória da Kehinde, nascida no Benin (atual Daomé), desde o instante em que é escravizada, aos oito anos, até seu retorno à África, décadas mais tarde, como mulher livre.

  1. Diáspora negra no Brasil – Linda M Heywood

A obra ilustra como povos africanos remodelaram suas instituições culturais, crenças e práticas na medida em que interagiam com os negociantes de escravos portugueses até o ano de 1800. A partir daí a obra segue os centros-africanos que foram trazidos para o Brasil e mostra como a cultura da África Central foi incorporada pela cultura brasileira.

  1. Feminism is for everybody – Bell Hooks

Neste livro, Hooks mostra a natureza do feminismo e seu compromisso contra o sexismo, exploração sexista e qualquer forma de opressão. O livro apresenta uma visão original sobre políticas feministas, direitos reprodutivos, beleza, luta de classes feminista, feminismo global, trabalho, raça e gênero.

  1. Quarto de despejo – Carolina Maria de Jesus

Carolina era uma moradora da favela do Canindé e trabalhava como catadora. Registrava seu cotidiano nas folhas encontradas no lixo. Descoberta por um jornalista, ela publicou o primeiro livro Quarto de despejo: Diário de uma Favelada em 1960.

  1. Amor – Toni Morrison

Em Amor, Morisson refaz a mitologia do amor de uma perspectiva sombria e cria uma verdadeira jóia literária.

  1. Úrsula e outras obras – Maria Firmina dos Reis

Maria Firmina dos Reis foi a primeira escritora negra de que se tem notícia em nossa literatura. Neste livro, de 1859, ela descreve a crueldade do tráfico de pessoas sequestradas na África e transportadas nos porões dos “tumbeiros”. Neste mesmo romance, a crítica da escritora abrange o retrato lamentável da condição feminina da época.

  1. Quem tem medo do feminismo negro? – Djamila Ribeiro

Ensaio autobiográfico e uma seleção de artigos publicados no blog da revista CartaCapital (2014-2017). Recupera memórias de seus anos de infância e adolescência para discutir o que chama o silenciamento que sempre sofreu.

  1. Chica da Silva – Joyce Ribeiro

Em uma narrativa romanceada, a trajetória da escrava mineira Chica da Silva é contada misturando fatos com ficção. Joyce fez uma pesquisa meticulosa e imagina como foi a vida da personagem. Depois de muita luta para ser aceita em uma sociedade escravagista, a poderosa semianalfabeta Chica da Silva, ganha uma posição de destaque na cidade na cidade de Diamantina, Minas Gerais.

  1. Não vou mais lavar os pratos – Cristiane Sobral

Em Não vou mais lavar os pratos, 123 poemas ligados ao cotidiano, abordam temas como maternidade, memórias da infância, relações familiares e a situação atual da mulher negra, o grito da negritude.

  1. A cor púrpura – Alice Walker

Referência na luta contra o racismo e o machismo, a obra retrata a vida de Celie, mulher negra no sul dos Estados Unidos da primeira metade do século XX. Através de cartas, a protagonista conta sua trajetória de abusos físicos e psicológicos sofridos desde a infância pelo padrasto e depois pelo marido.

Fonte: Uai

A negritude em primeiro plano nos livros infantojuvenis

Livros infantojuvenis destacam personagens negros com o objetivo de representar e levar o debate sobre as singularidades de raça e seus questionamentos à infância

Texto por Adriana Izel

Chris Donizete levou para o livro vivências da mãe e da avó
(foto: Denadai Comunicação/Divulgação)

Mesmo que ainda de forma tímida, a literatura infantojuvenil tem aberto espaço para representar uma parcela da população que costuma ficar de fora do protagonismo: os negros. Nos últimos anos, cresceu o número de livros em que crianças negras fazem parte do ponto principal das tramas. Essa diversidade nas páginas é um resultado da abrangência do tema e de uma representação da realidade, já que o Brasil é um país com mais da metade da população declarada não branca, ou seja, formada por pardos e pretos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Introduzir a representação e o debate sobre questões ligadas à negritude logo na infância é um dos fatores apontados como primordiais para a luta contra o racismo. “As crianças não nascem com preconceitos ou juízos de valores. Elas adquirem com o tempo, repetem o comportamento das pessoas com as quais convivem e da sociedade que as cercam e, em determinado momento da infância, se tornam preconceituosas. E não estamos falando só do preconceito racial. Sabemos que os pais desempenham um papel essencial na criação de uma sociedade igualitária ao educarem os filhos para que não sejam perpetuadores de preconceitos. Na verdade, precisamos exercitar o não preconceito”, avalia a escritora Chris Donizete.

A jornalista e publisher da Soul Editora é a autora do livro MaríLia — A menina que não sabia que era preta, obra lançada neste ano que aborda o racismo na infância por meio da história da protagonista, uma garota que sofre preconceito de uma colega por conta da cor da pele. A menina a separa dos demais amigos por ser “pretinha”. “O livro abrange não só discussões sobre preconceito racial, mas também que tenhamos atitudes mais respeitosas com todos. Empatia para respeitar as diferenças que encontraremos no decorrer do caminho da vida: cor da pele, estruturas genéticas (peso, altura, tipo de cabelo, etc.), nacionalidade, religião, orientação sexual”, revela.

Inspirado nas vivências

A ideia de escrever o material veio da vivência da mãe e da avó de Chris Donizete, Maria e Lia, respectivamente, daí, inclusive, vem o nome da protagonista da história, uma junção que presta  homenagem às matriarcas. “O livro nasceu do relatos delas a respeito de situações, nas quais foram muito discriminadas e maltratadas. A primeira descoberta do preconceito foi na rua de casa e, posteriormente, na escola. Claro que não faltaram momentos na adolescência, na época do namoro ou ainda quando buscavam emprego. Mas algo que marcou muito foi minha mãe se descobrindo negra, sendo atacada por outra criança. O impacto de saber que sua cor não era aceita e ela nem tinha ideia do que ainda passaria. Minha mãe é de 1945, portanto imagine quanta coisa ela não passou”, afirma a autora.

Em MaríLia – A menina que não sabia que era preta, Chris Donizete adota uma linguagem simples, mas esclarecedora e positiva. “Foi totalmente pensada para agradar às crianças. O formato de rima, além de facilitar a leitura, ajuda muito o aprendizado daqueles que estão em processo de alfabetização. As ilustradoras (Fabiana Costa e Gabriela Hirota) foram fundamentais para dar vida aos personagens. A ideia é de que pais e professores, ao lerem a obra para seus filhos e alunos, tenham a consciência de que o racismo existe, mas que pode e deve ser combatido. Toda hora é hora de falar sobre a dor do outro. Que pais e mães negros possam empoderar seus filhos para que saibam combater e argumentar o racismo. É inadmissível, principalmente nos dias atuais, que a cor da pele de uma pessoa possa ser essa grande barreira. As crianças pretas devem sentir orgulho de sua cor, ancestralidade, traços e isso deve se iniciar no lar, para que possam se impor diante de situações racistas. Que todos saibam que racismo é crime”, completa.

A saga de MaríLia teve início neste ano em A menina que não sabia que era preta, mas ganhará novos desdobramentos. Ao Correio, Chris Donizete adiantou que, a partir de 2020, serão lançados mais volumes: MaríLia e Caju, que abordará a amizade com um menino ruivo; MaríLia e os amiguinhos bolivianos, história ambientada em uma sala de aula sobre as barreiras culturais envolvendo alunos bolivianos; MaríLia em Minha avó virou estrelinha, sobre a perda de um ente querido; MaríLia em Não compre, adote!, com ensinamentos sobre o universo da adoção de cães e gatos; e MaríLia e os monstros, que se destrincha sobre a depressão infantil. “Ela será a voz para aqueles que não têm. Os temas são os mais diversos, sempre voltados ao universo infantil”, acrescenta.

Professora Sinara Rúbia apresenta uma princesa negra e guerreira
(foto: Arquivo pessoal)

Novos olhares

Também foi neste ano que a professora Sinara Rúbia publicou o livro Alafiá, a princesa guerreira, pela Nia Produções Literárias. A obra nasceu da elaboração de uma monografia no curso de letras da Universidade Estácio de Sá (Unesca), em Petrópolis (RJ), iniciada após a procura — sem sucesso — da autora por referências na cultura negra para apresentar a filha de 3 anos. “Comecei a procurar personagens e referenciais dentro da literatura. Entendi a escassez e praticamente ausência de personagens negros com referenciais positivos e saudáveis. Quando tinha, eram sempre estereotipados e narrados de uma outra forma a partir do racismo”, explica em entrevista à Agência Brasil.

A partir desses questionamentos, surgiu Alafiá, a princesa guerreira. Num formato de conto de fadas tradicional, o livro retrata a aventura dessa princesa negra que foi escravizada no período da colonização brasileira e se tornou numa guerreira e quilombola. A história passa lições de resistência e resiliência. Para a criação do conto de Alafiá, Sinara entrevistou meninas negras entre 5 e 12 anos que integravam o sistema público de ensino de Petrópolis, com o objetivo de fazer uma representação mais real.

Conhecido como o “livreiro do Alemão”, Otávio Júnior é o autor de duas obras infantis em que o olhar negro e periférico são pontos-chaves. O primeiro deles é Da minha janela, com ilustrações de Vanina Starkoff e grafites do Atelier das Palavras — Associação Meninas e Mulheres do Morro. No livro, o autor compartilha as paisagens vistas por um jovem negro da favela, desde as mazelas — “Da minha janela escuto sons que me deixam muito triste. Às vezes não posso ir para a escola, nem jogar bola lá fora” — até as pequenas alegrias — “A nossa brincadeira preferida é microfone sem fio, que vira funk, que vira rima e se transforma em poesia”.

“Da minha janela eu vejo milhares de histórias e desejo contá-las, ouvi-las e ajudar a serem contadas. Vivo para contar histórias, sobretudo da favela, que é um mundo dentro de algumas cidades, com sua língua, costumes, cultura e tradições. Fui salvo por um livro, pois acredito na força desse objeto mágico — e quero que a favela esteja imortalizada dentro dele”, explica o autor nas próprias páginas do livro sobre a motivação da história.

A outra obra com essa temática do autor é Grande circo favela, com ilustrações de Roberta Nunes. A história acompanha Ju, uma menina negra que se encanta com um palhaço e com a vida circense, dois elementos que ela nunca tinha tido acesso até então na periferia onde mora. A pequena ajuda o personagem a criar um picadeiro na favela, mesmo com todas as adversidades, como a falta de lona, cadeiras, pipoqueiro, baleiro e bilheteiro.

Marília — A menina que não sabia que era preta

De Chris Donizete. Ilustrações de Fabiana Costa e Gabriela Hirota. Editora Soul, 44 páginas. Preço médio: R$ 39,90.

Alafiá, a princesa guerreira

De Sinara Rúbia. Ilustrações de Valeria Felipe. Nia Produções Literárias. Informações para compra em https://www.facebook.com/NiaProducoesLiterarias/.

Da minha janela

De Otávio Júnior. Ilustrações de Vanina Starkoff. Companhia das Letrinhas, 48 páginas. Preço médio: R$ 34,90.

Grande circo favela

De Otávio Júnior. Ilustrações de Roberta Nunes. Estrela Cultural, 32 páginas. Preço médio: R$ 34,90.

Fonte: Correio Braziliense