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Leitura para Bebês

Mas, pode? A importância da leitura na primeira infância

Todas as crianças têm o direito de entrar em contato com os mais variados gêneros literários e tipos de livros. É a partir deste encontro que elas poderão desenvolver o gosto genuíno pelos livros. Além de aproveitar integralmente os benefícios que os livros tem as oferecer. Por isso, nós da Curadoria da Leiturinha temos como objetivo propiciar o encontro dos nossos pequenos leitores, e sabemos a importância da leitura na primeira infância, com essa variedade presente na literatura mundial. Modéstia à parte, nosso país, o Brasil, possui como uma de suas grandes riquezas, a literatura e ilustração destinadas aos livros infantil. Poderíamos passar aqui horas apenas citando grandes nomes como Ruth Rocha, André Neves, Nelson Cruz e, claro, Marilda Castanha. Mas, antes de falar da grande autora que assina este livro, quero introduzir o objetivo do envio desta grande obra para nossos pequenos leitores.

Nós, pais, não temos a pretensão de nos tornar especialistas em tudo que fazemos com os pequenos

Mas, quando, por exemplo, vamos começar a introdução alimentar, pesquisamos ao máximo sobre o assunto para propiciar aos nossos filhos as melhores primeiras impressões e experiências com comida. Isso porque temos o objetivo que ele goste de comer e crie bons hábitos alimentares. O mesmo deveria acontecer com os livros.

O mesmo deveria acontecer para a leitura!

Por mais que não compreendamos totalmente os benefícios de alguns tipos de leituras, é inegável que entrar em contato com elas trará boas consequências para o desenvolvimento dos nossos pequenos.  Concordamos que, pode ser que uma criança não goste de uma verdura ou um legume de primeiro. Ou então, não entenda a importância de comer aquilo. Mas, mesmo assim, não deixamos de incentivar o hábito de comê-los, porque sabemos que será bom para nossos filhos. A dica que aqui deixo é: faça o mesmo com os livros! Tenho certeza que a médio prazo você conseguirá entender a importância que aquela obra teve no crescimento e construção da infância do seu pequeno.

Voltando à história… ou a autora. Antes da obra, vem a criadora, e essa criadora tem uma grande importância para nós da Leiturinha. Por isso não poderíamos exitar em fazer uma produção Original Leiturinha para a primeira infância com ela.

Sobre a autora

Marilda Castanha, mãe de dois filhos já adolescentes, começou a ilustrar livros infantis na década de 1980, enquanto era estudante de artes plásticas. Afirmando o quanto desenhar é coisa séria, Marilda coleciona prêmios e fãs fiéis. Não há um que arrisque um traço para criança no papel que não conheça a riqueza da sua obra. Marilda é a cara do valor da nossa cultura. Tanto que foi até para a Coréia do Sul, no Nami Concours, contar pro mundo como consegue atingir tanta gente às vezes sem usar muita palavra. Como uma boa mineira, com seu traço brasileiro repleto de significado.

Sobre a obra

Mas, Pode? Por ser um livro ilustrado, ilustrações, texto e projeto gráfico têm que fazer sentido para formar um conjunto harmonioso.

“Daí a importância de todos os elementos do livro, inclusive as abas, (ou dobraduras internas) que se abrem em determinadas páginas. Elas não estão ali por acaso. A narrativa do texto e das imagens pediam que a surpresa contida, nas imagens  e no texto, fosse ora resguardada, ora revelada. A escolha do formato do livro também tem um porquê. Por ser um livro para crianças (sendo elas alfabetizadas ou não), escolhemos um formato que, mesmo com as abas abertas não ficasse exageradamente grande e ainda coubesse no colo. Ou nas mãozinhas de uma criança pequena.”, diz Marilda.

Ao receberem o Mas, Pode? Marilda espera que as crianças possam, com a ajuda dos pais e da leitura compartilhada, perceberem novas formas de entender e nomear. Não só as cores, mas também o mundo.

Nas palavras da autora…

Perguntamos a autora como ela acredita que esta obra chegará na casa dos pequenos. Ela deixou a seguinte mensagem:

“Eu gosto muito de observar como as crianças se expressam, como elas lidam com o imaginário e – principalmente – como elas se organizam para se expressar através da linguagem. Quando meus filhos eram bem pequenos eu comecei a anotar as inúmeras frases que revelavam como eles definiam e apreendiam os diferentes conceitos de mundo. Pela observação e/ou por ideias concretas, muito visuais, eles iam me mostrando como estavam entendendo o mundo.

Ouvi então frases extremamente poéticas. Mais recentemente, quando pensava nas primeiras ideias para fazer o livro, fui ler, por acaso, um catálogo de tintas. Aí percebi como que alguns nomes que damos às cores lembram aquela forma poética das crianças pequenas. Por exemplos, nomes como: branco geada, amarelo fogo, vermelho amora, vermelho rubi ou verde topázio, além de serem muito poéticos nos sugerem imagens. Ou seja, quando lemos podemos “ver” a cor.

Para a criança muito pequena isto é importante, porque ela terá dados concretos. Tanto para fazer comparações quanto para entender melhor o mundo que ela está descobrindo. Sei que muitos destes termos do livro talvez serão novidade para as crianças. Por isto a importância da leitura compartilhada, da presença dos pais, que podem ser os melhores  mediadores da leitura de um  livro. Juntos, adultos e crianças verão formas inusitadas – ou não – de entender e nomear, não só as cores, mas também o mundo.”

Fonte: Blog da Leiturinha

Leitura para bebês em espaços educativos: a experiência de um berçário

“A conversa de hoje é com Ana Paula Yazbek. Ana Paula é pedagoga formada pela Faculdade de Educação da USP, com especialização em Educação de Crianças de zero a três anos pelo Instituto Singularidades; iniciou mestrado na FEUSP em 2018 e está pesquisando sobre o papel da educadora de bebês e crianças bem pequenas. É sócia-diretora do Espaço Educação Infantil, escola que atende crianças de toda Educação Infantil (dos 0 aos 5 anos e onze meses). Além de acompanhar o trabalho das educadoras, atua em cursos de formação de professores desde 1995 e desde 2002 está voltada exclusivamente aos estudos desta faixa etária.

Esse encontro é parte do Ciclo de Conversas sobre Leitura com Bebês: um evento realizado pela Taba em parceria com o Itaú Social e apoio do Associação Nova Escola, Instituto Avisa Lá, Escalier, Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, Instituto Singularidades e Unibes Cultural.

Para saber mais sobre A Taba, acesse: https://ataba.com.br

Para acessar nossos conteúdos, visite nosso blog: https://blog.ataba.com.br

Fonte: A Taba

Conversas on-line sobre a importância da leitura para bebês

A Taba, especializada em curadoria de livros infantis, realiza um ciclo de conversas on-line sobre a leitura com bebês, reunindo especialistas de diferentes áreas para abordar o contato com a linguagem e a literatura na primeiríssima infância.

Os assuntos abordados envolvem corpo e movimento, narração de histórias, leitura em espaços educativos, tendências contemporâneas da leitura para bebês e os desafios de editar livros pensados para esse público.

As conversas acontecem às segundas e quintas-feiras e sãos transmitidas pelo Instagram, Facebook e YouTube.

As inscrições podem ser feitas pelo Blog da Taba.

Ciclo de conversas leitura com bebês: sobre palavras, histórias e tudo que nos une

  • Quinta-feira, 14/5, às 19h Cantos, cantigas e brincadeiras cantadas: a importância do corpo e do movimento para bebês (com Juliana Daher)
  • Segunda-feira, 18/5, às 19h Contar histórias para bebês: um ato de amor (com Ivani Magalhães)
  • Quinta-feira, 21/5, às 19h Leitura para bebês em espaços educativos: a experiência de um berçário (com Ana Paula Yazbek)
  • Segunda-feira, 25/5, às 19h O que pode o encontro de professores, crianças e livros? (com Paulo Fochi)
  • Quinta-feira, 28/5, às 19h O que ler para as crianças muito pequenas? Tendências contemporâneas da literatura para bebês (com Cássia Bittens)
  • Segunda-feira, 1/6, às 19h Os desafios de editar livros para bebês: a coleção Literatura de colo (com Daniela Padilha)

Fonte: Lunetas

Bebeteca ‘Maurinho Martos’: espaço para formar pequenos leitores e cidadãos

“Novos livros para bebês valorizam as histórias e são menos informativos”

Estadão Conteúdo

Ilustração do livro Onde Está Tomás?, de Micaela Chirif (Reprodução)

Quem circula por livrarias certamente já se deparou com livros para bebês. De plástico ou pano, eles normalmente se assemelham mais a um brinquedo ou são informativos: têm a função de apresentar animais, cores e números. Diferentemente do que acontece na Europa ou nos Estados Unidos, por aqui é difícil achar em meio às prateleiras literatura para esse público.

Daniela Padilha, fundadora da Editora Jujuba, percebeu a lacuna há cinco anos. Interessada em compreender o processo de mediação com leitores da chamada primeiríssima infância (0 a 3 anos), ela idealizou uma roda de leitura para pais e bebês. E, quando saiu em busca de livros literários, não encontrou. “Há muitos livros de pano, para banho, cartonado com barulho, textura, mas pouquíssima literatura, no sentido de ter história. Queria outra coisa. Acredito que esses outros assuntos podem aparecer, mas a narrativa tem de ser mais importante”, afirma Daniela.

A inquietação da editora deu origem à coleção Literatura de Colo que hoje tem cinco títulos. Do Reino Unido, Daniela trouxe Urso e Barco, de Cliff Wright; da Espanha, Azul, que tem roteiro de Meritxell Martí e ilustrações de Xavier Salomó; e do Chile, Onde Está Tomás?, escrito por Micaela Chirif e ilustrado por Leire Salaberria. Por ter um catálogo constituído prioritariamente por autores brasileiros, Daniela provocou escritores e ilustradores para que eles produzissem para esses novíssimos leitores. Da provocação nasceram O Que Tem Aí?, de Rosinha, e Bia e o Elefante, de Carolina Moreyra e Odilon Moraes.

Para formar a coleção, a editora se preocupou com a diversidade em múltiplos aspectos. Além de mesclar autores nacionais e estrangeiros, a coleção Literatura de Colo reúne texto em prosa e poesia, ilustrações com traços variados, livro imagem (em que a história é contada por meio de imagens) e livro ilustrado (em que texto verbal e imagens se relacionam na narrativa).

Todos são produzidos em papel cartão, mais resistente, têm bordas arredondadas e, claro, contam uma história. Para um leitor mais desavisado, O Que Tem Aí? pode ser um livro que simplesmente ensina os números. Mas é muito mais. Por meio de uma brincadeira de perguntas e respostas, Rosinha também apresenta, sem didatismo, animais e cores. O livro instiga o leitor a virar as páginas e desdobrá-las, descobrindo assim o próximo personagem, em um jogo poético de repetição.

Acostumada a levar a brincadeira para a literatura, Rosinha conta que nunca havia criado para leitores tão pequenos. Segundo a autora, o que mudou foi o tipo de pesquisa que desenvolveu para a criação, não a profundidade. “Procurei brincar mais para encontrar soluções ainda mais lúdicas, que foi o que eu pensei em especial para este livro.”

Assim como Rosinha, Odilon também nunca havia produzido para leitores tão pequenos. Para entender como se dá a comunicação, ele e Carolina resgataram e analisaram livros que gostam. “Foi um processo muito diferente. Do ponto de vista da ilustração, meus livros não têm personagens fortes – muitas vezes eles não têm nem rosto. Eles são quase a situação, o contexto. Desta vez pensei que precisava ser como a Eva Furnari, que cria personagens fortes.”

Os dois criaram a história da coelha Bia e seu amigo Elefante e, por meio deles, tecem jogos de opostos. Enquanto Bia é pequena e rápida, o Elefante é grande e lento. Na narrativa, a coelha funciona como o elemento adulto, mais racional, enquanto seu amigo faz as vezes da criança, que quer brincar mais, dorme mais cedo. “A coelha dá referências de civilização, é a voz dos pais; já o Elefante é selvagem. A criança vai se identificar com ele, mas terá um carinho por Bia”, diz Odilon.

A história estimula o mediador, seja pai, mãe, irmão mais velho ou professor, e ajuda no estabelecimento do vínculo afetivo. “É mais fácil para o adulto se envolver numa narrativa e, por meio da história, também conquistar o leitor bebê. É difícil mediar um livro quando só há elementos soltos”, diz Daniela.

Fonte: Gazeta do Povo – Sempre em Família

Literatura para bebês

Estadão Conteúdo

Quem circula por livrarias certamente já se deparou com livros para bebês. De plástico ou pano, eles normalmente se assemelham mais a um brinquedo ou são informativos: têm a função de apresentar animais, cores e números. Diferentemente do que ocorre na Europa ou nos Estados Unidos, por aqui é difícil achar em meio às prateleiras literatura para esse público.

Daniela Padilha, fundadora da Editora Jujuba, percebeu a lacuna há cinco anos. Interessada em compreender o processo de mediação com leitores da chamada primeiríssima infância (0 a 3 anos), ela idealizou uma roda de leitura para pais e bebês. E, quando saiu em busca de livros literários, não encontrou.

“Há muitos livros de pano, para banho, cartonado com barulho, textura, mas pouquíssima literatura, no sentido de ter história. Queria outra coisa. Acredito que esses outros assuntos podem aparecer, mas a narrativa tem de ser mais importante”, afirma Daniela.

A inquietação da editora deu origem à coleção Literatura de Colo, que hoje tem cinco títulos. Do Reino Unido, Daniela trouxe Urso e Barco, de Cliff Wright; da Espanha, Azul, que tem roteiro de Meritxell Martí e ilustrações de Xavier Salomó; e do Chile, Onde Está Tomás?, escrito por Micaela Chirif e ilustrado por Leire Salaberria. Por ter um catálogo constituído prioritariamente por autores brasileiros, Daniela provocou escritores e ilustradores para que eles produzissem para esses novíssimos leitores. Da provocação nasceram O Que Tem Aí?, de Rosinha, e Bia e o Elefante, de Carolina Moreyra e Odilon Moraes.

Para formar a coleção, a editora se preocupou com a diversidade em múltiplos aspectos. Além de mesclar autores nacionais e estrangeiros, a coleção Literatura de Colo reúne texto em prosa e poesia, ilustrações com traços variados, livro imagem (em que a história é contada por meio de imagens) e livro ilustrado (em que texto verbal e imagens se relacionam na narrativa).

Todos são produzidos em papel cartão, mais resistente, têm bordas arredondadas e, claro, contam uma história. Para um leitor mais desavisado, O Que Tem Aí? pode ser um livro que simplesmente ensina os números. Mas é muito mais. Por meio de uma brincadeira de perguntas e respostas, Rosinha também apresenta, sem didatismo, animais e cores. O livro instiga o leitor a virar as páginas e desdobrá-las, descobrindo assim o próximo personagem, em um jogo poético de repetição.

Acostumada a levar a brincadeira para a literatura, Rosinha conta que nunca havia criado para leitores tão pequenos. Segundo a autora, o que mudou foi o tipo de pesquisa que desenvolveu para a criação, não a profundidade. “Procurei brincar mais para encontrar soluções ainda mais lúdicas, que foi o que eu pensei em especial para este livro.”

Assim como Rosinha, Odilon também nunca havia produzido para leitores tão pequenos. Para entender como se dá a comunicação, ele e Carolina resgataram e analisaram livros que gostam. “Foi um processo muito diferente. Do ponto de vista da ilustração, meus livros não têm personagens fortes – muitas vezes eles não têm nem rosto. Eles são quase a situação, o contexto. Desta vez pensei que precisava ser como a Eva Furnari, que cria personagens fortes.”

Os dois criaram a história da coelha Bia e seu amigo Elefante e, por meio deles, tecem jogos de opostos. Enquanto Bia é pequena e rápida, o Elefante é grande e lento. Na narrativa, a coelha funciona como o elemento adulto, mais racional, enquanto seu amigo faz as vezes da criança, que quer brincar mais, dorme mais cedo. “A coelha dá referências de civilização, é a voz dos pais; já o Elefante é selvagem. A criança vai se identificar com ele, mas terá um carinho por Bia”, diz Odilon.

A história estimula o mediador, seja pai, mãe, irmão mais velho ou professor, e ajuda no estabelecimento do vínculo afetivo. “É mais fácil para o adulto se envolver numa narrativa e, por meio da história, também conquistar o leitor bebê. É difícil mediar um livro quando só há elementos soltos”, diz Daniela. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Isto É

Curso on-line – Infâncias e leituras

Objetivos

Nova turma a partir de 03/12! O objetivo desta formação é incentivar práticas de leitura do adulto para e com a criança como oportunidade de fortalecimento dos vínculos e da participação ativa na educação desde a primeira infância. Ampliar e democratizar as oportunidades de acesso à cultura das crianças brasileiras.

Conteúdo programático

1. Leitores e Leituras;
2. Arte e palavra na primeira infância;
3. O papel dos mediadores: pontes entre livros e leitura;
4. Construindo uma biblioteca para a primeira infância.

Expectativas de aprendizagem

Refletir, discutir e instrumentalizar a formação de mediadores de leitura. Ampliar referências sobre leitura, literatura e infância.

Público

Equipe pedagógica de organizações da sociedade civil, Gestores escolares, Professores

Temas abordados

Arte e palavra na primeira infância; O papel dos mediadores de leitura; Construção de biblioteca para a primeira infância.

Modalidade

On-line autoformativo

Carga horária

20 horas

Certificado

Sim

Informações e inscrições: https://polo.org.br/leitura-escrita-e-matematica/formacao/7/infancias-e-leituras?fbclid=IwAR3UeZ2uZj598K7KQoUIux8HGC0Ha46p3PsRijgDrbxXChuZd8ozfeKgGOM

A importância da leitura e literatura infantil na formação das crianças e jovens

(*) Marisalva Alves

(*) Cleilta Vieira

A infância é o melhor momento para o indivíduo iniciar sua emancipação mediante a função liberatória da palavra. É entre os oito e treze anos de idade que as crianças revelam maior interesse pela leitura. O estudioso Richard Bamberger reforça a idéia de que é importante habituar a criança às palavras. “Se conseguirmos fazer com que a criança tenha sistematicamente uma experiência positiva com a linguagem, estaremos promovendo o seu desenvolvimento como ser humano.”

Inúmeros pesquisadores têm-se empenhado em mostrar aos pais e professores a importância de se incluir o livro no dia-a-dia da criança. Bamberger afirma que, comparada ao cinema, ao rádio e à televisão, a leitura tem vantagens únicas. Em vez de precisar escolher entre uma variedade limitada, posta à sua disposição por cortesia do patrocinador comercial, ou entre os filmes disponíveis no momento, o leitor pode escolher entre os melhores escritos do presente e do passado. Lê onde e quando mais lhe convém, no ritmo que mais lhe agrada, podendo retardar ou apressar a leitura; interrompê-la, reler ou parar para refletir, a seu bel-prazer. Lê o que, quando, onde e como bem entender.

Essa flexibilidade garante o interesse continuo pela leitura, tanto em relação à educação quanto ao entretenimento.

O desenvolvimento de interesses e hábitos permanentes de leitura é um processo constante, que principia no lar, aperfeiçoa-se sistematicamente na escola e continua pela vida afora.

No caso dos bebês, que ainda estão em processo de desenvolvimento da visão, os contrastes são ótimas pedidas, pois atraem a atenção dos pequenos. Bem como os livros de pano, banho e interativos (com sons, por exemplo), que são perfeitos para os leitores de berço. Também é fundamental que o adulto responsável compreenda que mesmo que a criança ainda seja muito novinha, ela absorve muito na leitura compartilhada, principalmente o amor e o carinho deste momento. Descobrir estes sentimentos desde bebezinhos, poderá ser uma excelente conquista para toda a vida.

Diante disso, a escola busca conhecer e desenvolver na criança as competências da leitura e da escrita e como a literatura infantil pode influenciar de maneira positiva neste processo. Assim, Bakhtin (1992) expressa sobre a literatura infantil abordando que por ser um instrumento motivador e desafiador, ela é capaz de transformar o indivíduo em um sujeito ativo, responsável pela sua aprendizagem , que sabe compreender o contexto em que vive e modificá-lo de acordo com a sua necessidade.

Quanto mais cedo a criança tiver contato com os livros e perceber o prazer que a leitura produz, maior será a probabilidade dela tornar-se um adulto leitor. Da mesma forma através da leitura a criança adquire uma postura crítico-reflexiva, extremamente relevante à sua formação cognitiva.

Estratégias para o uso de textos infantis no aprendizado da leitura, interpretação e produção de textos também são exploradas com o intuito final de promover um ensino de qualidade, prazeroso e direcionado à criança. Somente desta forma, transformaremos o Brasil num país de leitores.

(*) Marisalva Alves da Silva e Cleilta Vieira dos Santos Silva são educadoras da rede de ensino de Rondonópolis

Fonte: A Tribuna MT

Livros para bebês com narrativas, sim!

Jujuba, editora independente há 9 anos no mercado de literatura infantil, volta-se para a primeiríssima infância com uma coleção de livros diversos e que afirmam o bebê como leitor de literatura

CRISTIANE ROGERIO

(Foto: Shutterstock)

Lugar de bebê é no… colo! E lugar de livro, veja só, também! Mas de que colo estamos falando? De um colinho-carinho, colinho-aconchego, colinho-toda-a-atenção-do-mundo. A editora Daniela Padilha, criadora da Jujuba Editora e mãe de dois filhos pequenos, há alguns anos vem pesquisando as relações entre os livros e os bebês.

De leitor em leitor, passou a desejar ter em seu catálogo livros que acolhessem os bem pequenos, mas que atraíssem o adulto também. Nasce, assim, a coleção Literatura de Colo, que a Jujuba lança com cinco livros para a primeiríssima infância (período da gestação aos 3 anos de idade). Dois são brasileiríssimos: O que tem aí?, da artista pernambucana Rosinha, e Bia e o elefante, da dupla Carolina Moreyra e Odilon Moraes. Os outros três que o público terá acesso agora, são o adorável Azul, dos espanhóis Meritxell Martí e Xavier Salomó; Onde está Tomás?, da peruana Micaela Chirif com a espanhola Leire Salaberria, e O urso e o barco, do inglês Cliff Wright.. Misturando autores brasileiros e estrangeiros, são convites à surpresa, ao olhar detalhes, seguir a narrativa. Embora dentro de uma coleção, são completamente diferentes um do outro, mais uma raridade no nosso mercado editorial.

Daniela Padilha (Foto: Divulgação)
Daniela acredita que as obras se conectam aos diálogos e escutas possíveis com os bebês anteriores à fala. “Que ainda estão na ordem do sentir, do estar, da relação primeira”, diz. Para 2020, a Jujuba relançará o clássico OPS, de Marilda Castanha, e ainda inéditos de Renato Moriconi, Stela Barbieri e Fernando Vilela e Lalau e Laurabeatriz. CRESCER conversou com a editora Daniela Padilha para saber mais sobre como uma editora escolhe um livro voltado para esta fase sem perder a essência da busca por uma boa literatura desde a barriga.

Como surgiu seu interesse por esta “fase” da literatura?
Daniela Padilha: Curioso é que surgiu isso antes até da primeira gravidez! (risos). Depois, já grávida, quis fazer alguns projetos e em 2015 eu fiz uma roda de conversa no Sesc Belenzinho. Comecei a procurar livros e pesquisar muito.

Você ja sabia que tinha livros interessantes para esse público fora do Brasil?
Sim, eu já sabia que tinha muita coisa de qualidade sendo feita lá fora, mas que nem sempre chegava aqui por uma questão de custo. Isso começou a acontecer nos últimos anos, quando algumas editoras passaram a investir mais em obras para esse público.

Por que acaba-se priorizando livros sem narrativas ou o que chamamos de “livros-brinquedo”? Custo?
Os livros que vêm pra cá são livros mais baratos de comprar para traduzir. São livros que não têm tanta preocupação com uma história, são geralmente editoras que contratam um ilustrador, sem ser alguém que cria algo autoral. E ele faz vários livros e na quantidade fica mais barato. E vai naquela ideia de “ah, mas ele nem entende a história, é só um bebê”.

O que eu quis com o Literatura de Colo era tentar procurar fora e aqui de dentro do Brasil livros que tenham histórias para serem contadas. Por exemplo que podem falar de opostos, indo além do “em cima/embaixo”, “frio/quente”. Pelas pesquisas que fiz e por experiência própria, acho muito difícil criar uma relação com algo que é dado artificialmente a você. Se um pai ou mãe está com um bebê no colo e a única coisa que ele pode dizer é “triângulo” “bola” “quadrado” não vai fazer muito sentido para ele… E então não fará sentido àquele momento. Ela pode até apontar, mas “bola” ela vai “aprender na vida”, como dizia Paulo Freire.

Então vamos falar do livro O que tem aí?, da Rosinha. Eu tenho falado com as pessoas pós-leitura que faço, assim: “Sim, é um livro sobre cores, sobre números, sobre animais, sobre o ‘Cadê? Achou!’… Mas é mais do que isso!”
A gente começou a mapear esses tipos de livros pensando, por exemplo, por que as cores são tão importantes de falar para a criança, por que tantos de animais. E como fazer isso sendo diferente? Criando uma história. Para que a gente consiga criar a história destes pais com as crianças. Eles se vincularem com o livro e a criança também.

E é isso o que interessa, né?
É um livro que precisa da mediação do adulto, que ela não dá conta sozinha. Pode até ser uma reclamação (risos), mas acho bom. Se há uma intenção é criar esse vínculo. É ver que é esta a parte boa! Claro que a criança cria uma relação sozinha, mexe, etc. Mas com o adulto fica melhor. Em Azul, por exemplo: o adulto, que sabe ler, pode dizer “céu”, que é a única palavra escrita ali. Mas há uma narrativa acontecendo na imagem: um gato que derrubou um anel, que caiu…

Azul, Ed. Jujuba, R$ 42 (Foto: Divulgação)

Já o livro da Rosinha tem bicho de verdade e bichos inventados, a rima é uma provocação para os adultos! Ela tem uma facilidade de se comunicar com os menores. O uso de cores, etc. E quando pensamos nos bichos e cores, pensei nela e para ela é fácil brincar. Ela diz que é uma “brincante do livro”. E a gente tinha o desafio de ter um livro interativo, e queria um livro do cadê achou, muita coisa em um projeto! E aí veio a ideia das abas, com as cores, os bichos e os números, e a rima…

E o nonsense! E assim vai se dando a narrativa em diversos aspectos para as crianças!

O que tem aí?, Ed. Jujuba, R$ 42 (Foto: Divulgação)
O que tem aí?, Ed. Jujuba, R$ 42 (Foto: Divulgação)

Uma outra coisa que também é caracterítica ao, por exemplo, ler um livro ilustrado (pensando nele como a relação de dança entre palavra e imagem), é a necessidade de uma companhia. É mais gostoso se estiver lendo com alguém! Como o Odilon Moraes sempre diz: você lê desconfiando do que lê, sabe que tem algo a decifrar, a mais…
E o bebê só “existe” a partir do outro, a partir da relação com o outro.

Estas questões passam também por outro engano que cometemos, que é falar da criança pequena como “futuro leitor”. Ela é uma leitora naquele momento e, assim, vou produzir ou ler algo interessante para ela naquele momento.
É enxergar o bebê como algo que já é. Aí você oferece algo de qualidade. Se faz sentido para o mediador, será de um jeito, mas se você não acha importante…

Assim, de alguma maneira, os livros para bebês acabam tocando na questão de formação do leitor adulto, não?
Sim, e até o adulto e quem a gente acha que não é leitor, mas que é leitor. Lendo algum tipo de texto, imagem…

Muito mais importante pensar no direito à ficção.
Sim e pode ser que o livro não seja o seu lugar da ficção, e depois você pode achar outros.

E que podemos estabelecer relações diferentes com os livros…
Eu quero mesmo dizer que sejam livros que “não servem para nada”, mas “só” para ter uma relação de afeto!

E o livro é um convite a “ter um tempo” a mais…
Tempo externo e tempo interno. É um período muito pesado, principalmente para a mãe, cheio de cobranças. E não podemos colocar o livro como mais uma coisa que ser feita… mas conversar o que pode provocar de bom naquele momento. Aí só fazendo para entender: colocar um bebê no colo e ler e ver esta conexão acontecer! Quando você para para fazer isso, acalma você internamente, acalma ele. E estou falando de livro, mas pode ser música!

E em outros espaços, como a escola?
Acredito que dentro do espaço maior é buscar esta conexão possível. É esse “acalmar” dos dois lados, o respeito ao tempo de leitura e saber que ele mesmo engatinhando pode “estar” na leitura.

Então pensar o livro criando relações com os outros tantos adultos. Aquela cena da criança pequena trazendo um livro para a pessoa que ela acabou de conhecer… E a narrativa são códigos compartilhados.
E é isso que atrai o adulto. A ideia é mexer mais com essa nossa ideia aqui de livros para esta fase da criança: e, sim, eu sonho mesmo é que a gente tenha uma ampla produção de livros brasileiros para bebês.

Fonte: Revista Crescer

Leitura na gestação e na infância fortalece vínculos e facilita a alfabetização, diz pedagoga

No Dia Mundial do Livro, G1 mostra a importância do hábito no desenvolvimento das crianças. Duas mães de Araraquara (SP) contam como a leitura ajudou na interação com as filhas.

Por Geovana Alves*

Mães de Araraquara liam para bebês durante a gestação. — Foto: Geovana Alves/EPTV

O hábito da leitura durante a gestação e a infância fortalece vínculos entre mãe e filho e ainda facilita a alfabetização das crianças, segundo a pedagoga com doutorado em psicologia, Marcia Cristina Argenti Perez, de Araraquara (SP).

No Dia Mundial do Livro, comemorado nesta terça-feira (23), o G1 conversou com mães da cidade que seguiram essa rotina na gestação e sentem o interesse maior das filhas pelo livros durante a infância. Também ouviu a pedagoga sobre a importância do hábito no desenvolvimento das crianças.

Leitura durante a gestação

Aos quatro meses de gestação, Maria Vitória Gomes Almeida Santos sentiu a filha Lis movimentar-se pela primeira. Ela cursava o segundo ano de Ciências Sociais em Araraquara (SP) e estudava para os trabalhos e provas finais. Daquele momento em diante, a estudante passou a ler em voz alta os livros das disciplinas para a bebê.

Maria Vitória contou que os livros sempre estiveram presentes na rotina das duas, o que resultou em um interesse crescente por parte de Lis que acompanha a mãe nas leituras, aulas e visitas à biblioteca desde os cinco meses. (Veja o vídeo abaixo).

A jovem diz que percebe que a filha, hoje com 1 ano e um mês, tem um interesse maior pelos livros em relação a outras crianças da mesma idade.

“Ela pega um livro infantil e senta junto quando eu estou estudando. Às vezes ela presta atenção na minha leitura mesmo”, explicou a estudante.

Clique na imagem para ver o vídeo

De mãe para filha

Já Géssia Maria Ramelo Nascimento de Oliveira, de 39 anos, já havia estudado a influência dos sons intrauterinos para o bebê e colocou as dicas em prática enquanto esperava Natália.

Leitora ávida desde criança, ela guardou uma coleção de contos infantis para quando fosse mãe, mas não imaginou que leria todos os exemplares para acalmar a filha antes mesmo do nascimento.

“Às vezes eu me perguntava se ela realmente estava escutando, mas nunca achei perda de tempo. Eu sentia ela pulando muito a noite e quando eu lia parecia que ela ficava mais calma, ai eu usava isso para dormir”, conta Géssia.

Ela voltou a ler para Natália aos cinco meses, mas percebia que as pessoas tinham dúvidas sobre o benefício da prática para uma criança tão nova. No grupo de mães que participava, apenas uma amiga fazia comentários positivos.

Lis tem um ano e demonstra interesse pelos livros desde os cinco meses. — Foto: Geovana Alves/EPTV

Mesmo assim, a família criou uma rotina de ler todas as noites e isso perdura até hoje. Às vezes eles utilizam um livro ilustrado para criar histórias a partir dele.

Hoje com 5 anos, Natália é elogiada pela professora devido à criatividade, percepção de mundo e os desenhos que ilustram suas histórias.

No próximo ano ela entrará no processo de alfabetização escolar, mas já conhece muitas palavras dos livros lidos pela mãe.

Natália pede que os pais leiam para ela todas as noites antes de dormir. — Foto: Géssia Oliveira/Arquivo pessoal

Laços fortalecidos e alfabetização

Segundo a pedagoga com doutorado em psicologia, Marcia Cristina Argenti Perez, o momento fortalece os vínculos entre pais e filhos e desenvolve as linguagens na criança, tornando-a humana e inserida na cultura.

De certa forma, ela terá o desenvolvimento da memória, percepção, formas de linguagem e pensamento. A criança não vai se apropriar de tudo o que foi oferecido, mas já entrará em contato desde cedo”, explicou a pedagoga.

Marcia afirma que a alfabetização ocorre mais naturalmente quando há um contato anterior com textos, pois já se criaram os intelectos de visões, emoções e leitura de mundo.

Ainda segundo a pedagoga, a alfabetização permite outras sensações quando a criança já tem esse ‘arsenal’, porque ela “chega ao momento da imaginação e as palavras remetem às coisas que estão na mente dela”.

Dosar frequência

A pedagoga também alerta que é importante dosar a frequência da leitura, para não gerar uma sensação de culpa com a ausência da mesma.

Além disso deve haver uma disposição do adulto em mediar o momento, já que a iniciativa deve ser inserida como interação entre as gerações.

É prazerosa essa relação, porque as crianças aprendem pelos adultos. O livro aproxima, porque ela estará próxima ao adulto protagonista que dá vida a obra, ao contrário da televisão que somos passivos”, disse Marcia.

Menina de Araraquara tem coleção de contos infantis que mãe leu para ela durante a gestação. — Foto: Géssia Oliveira/Arquivo pessoal

Estipular um horário, assim como a hora da alimentação e do banho auxilia a compreensão de que o momento não é perda de tempo. Colocar-se no lugar da criança ao questionar “o que estou ensinando para ela?” também é válido, de acordo com Marcia.

Da mesma forma, evitar o uso de aparatos tecnológicos para a leitura é vantajoso para os envolvidos. Géssia inclusive percebe que a filha sente-se mais acolhida quando ela leem juntas, se comparando ao momento em que mexe no celular.

Dia Mundial do Livro

O Dia Mundial do Livro está no calendário oficial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

A data busca reconhecer o poder das obras como uma ponte entre gerações e que passa pelas culturas.

*Sob supervisão de Fernando Bertolini, do G1 São Carlos e Araraquara.

Fonte: G1

“BEBETECA” INCENTIVA INICIAÇÃO À LEITURA NAS UNIDADES DE EDUCAÇÃO INFANTIL

Com o programa de incentivo à leitura desenvolvido nas creches do município, as unidades de educação infantil receberam em fevereiro, uma coleção educacional chamada de “Bebeteca”, que é composto por 220 livros.
A coleção visa atender as crianças de 8 meses a 4 anos de idade e todo o acervo pedagógico forma a “Bebeteca”, que complementa o universo infantil e educacional dos bebês e crianças das creches da Prefeitura de Salto.
A coleção é composta por livros sonoros que emitem sons de animais urbanos e domésticos assim como sons de animais selvagens, com conteúdo de formas geográficas, sonoro com ruídos de veículos, apresentação de boas maneiras no dia a dia dos alunos, importância do relacionamento com animais domésticos, do relacionamento com colegas, da higiene pessoal, livro de pano com histórias infantis, demonstração de cores, contos rimados de clássicos infantis, identificação de relevos e texturas pelo tato, incentivo para hábitos saudáveis como brincar, comer, dormir, importância da espiritualidade, contos de fadas e personagens diversos, enredos diversos, cartonados. A coleção traz também com sistema de escreva e apague composto por caneta e apagador, cartonados com olhinhos que se mexem com personagens diferenciados, com possibilidade de contagem numérica, sistema aperte e ouça com personagens, sistema toque e sinta com texturas diversas, de pano com chocalho e abordagens infantis, com mordedor e fantoches, livro dobrável com pista e brinquedos ilustrado contemplando o abecedário, sistema de luva em tecido e sistema ilustrado com personagens infantis.
Ao total, 15 coleções foram adquiridas e atendem em torno de 2.119 crianças. “O material da “Bebeteca” é um incentivo às crianças que estão na creche, pois estimula a aprendizagem, além da audição, da coordenação motora e conhecimento de diversos assuntos, de uma forma leve e suave”, garante a secretária da Educação, Fernanda Barbutto, que se orgulha de mais um investimento educacional na rede municipal.

Confira o vídeo

Fonte: Prefeitura de Salto

A leitura para pequenos de 0 a 3 anos: os bebês e os livros infantis

Por Sarah Helena

A primeira infância: a literatura como ato de brincar

O período dos 0 aos 6 anos é considerado como a primeira infância. Este é um período importantíssimo no desenvolvimento humano. Entre outros fatores, nessa época da vida acontecem processos fundamentais, como o crescimento físico, o amadurecimento do cérebro, o desenvolvimento da fala e da capacidade de aprendizado e a iniciação social e afetiva. Um dos avanços da neurociência foi, justamente, descobrir as potencialidades da primeira infância, reconhecendo sua importância para a sociedade como um todo. Uma vez que o desenvolvimento humano é resultado da combinação da genética com a qualidade das relações que desenvolvemos e do ambiente no qual estamos inseridos, podemos dizer que quando as condições para o desenvolvimento durante a primeira infância são boas, maiores são as probabilidades de os pequenos alcançarem seu melhor potencial, tornando-se adultos mais equilibrados, realizados e felizes.

A leitura para bebês

Os primeiros 3 anos de vida de uma pessoa são os mais importantes de sua vida, pois é neste período que acontece o início das conexões sinápticas que o influenciarão pelo resto da vida. Não é à toa que pesquisas descrevem o período dos primeiros 1000 dias (a contar desde a gestação até os quase três anos de vida da criança) como os mais importantes para o desenvolvimento, pois é neste período que o cérebro está mais ativo do que nunca, sendo moldado e absorvendo tudo o que é novo e acomodando o que já foi experienciado. Logo, não há dúvidas sobre o quanto ler para os bebês é importante!

Nesta fase da vida, o papel do mediador é essencial no momento da leitura compartilhada, é ele quem vai intermediar a relação entre os bebês e a linguagem! Souza (1994, p,110) nos diz que “A língua, como fato social, supõe para qualquer enunciado um direcionamento, quer dizer, o fato de orientar-se sempre para um outro. Sem isso um enunciado não pode existir. Ou seja, não há diálogo possível sem uma outra pessoa.”.

E, PARA INSERI-LOS NESTE UNIVERSO, NADA MELHOR DO QUE A LITERATURA!

Os benefícios da leitura para bebês

Ao mesmo tempo que a leitura entretém o bebê por meio da contação, das imagens e, algumas vezes, do formato do livro, ela também cria um ambiente rico em estímulos, o que colabora com o desenvolvimento do pequeno. Ouvir a voz cadenciada de quem conta a história infantil, se torna um ritual prazeroso tanto para o cuidador, quanto para bebê, fortalecendo o vínculo entre eles, trazendo calma e aconchego.

Como fazer?

Posições legais e confortáveis:

– Deite-se com seu bebê e coloque o livro sobre vocês;

– Sente-se e coloque-o em seu colo com o livro à frente;

– Com seu pequeno sentado, deixe que ele mesmo segure o livro infantil (quando já conseguir fazer isso) e ensine-o a virar as páginas;

– E quantas posições mais forem legais e confortáveis para vocês! Tente sempre manter uma proximidade com o olhar de seu bebê – vale lembrar que a visão deles, nos primeiros meses, ainda está em desenvolvimento, e o que apresenta longe de seu campo de visão não é visto com nitidez.

Faça diferentes entonações de voz de acordo com cada situação ou personagem.

Faça mímicas, gesticule… use o corpo todo para contar uma história! Contar histórias pode ser uma brincadeira muito divertida!

Quando forem ler, deixe que observe as imagens, aponte as ilustrações com o dedo, aponte os personagens e objetos, falando seus nomes, reproduzindo seus sons;

Abuse das cantigas populares: existem muitos livros de canções ilustradas que podem ser efetivos nesta faixa etária, devido ao grande interesse dos pequenos. Leia cantando, ou simplesmente cante o que souber, lembrando-se de repetir as mesmas cantigas, de forma que seu pequeno as memorize e absorva o conteúdo apresentado.

Utilize objetos, bonecos ou outros recursos e dê vida aos personagens, variando a maneira de contar aquela história…

Repetição é muito importante! Os pequenos nesta faixa etária precisam da repetição para absorver os conteúdos apresentados. A cada leitura, um novo elemento é compreendido e, por isso, a repetição é tão prazerosa.

Os bebês compreendem melhor os sons quando falamos devagar, portanto, ao ler, pronuncie as palavras lentamente.

Estabeleça uma rotina de leitura. Ler sempre nos mesmos momentos do dia (antes de dormir, por exemplo) pode contribuir para compreensão da rotina, melhora os vínculos entre vocês, além de criar e estabelecer o hábito e o prazer pela leitura!

Principais dúvidas na hora de ler para bebês

Quais os livros mais indicados para bebês?

Para crianças de até um ano de idade, os livros mais indicados são os com contrastes em preto e branco, pois prendem a atenção dos pequenos, já que sua visão ainda está em processo de desenvolvimento, até por volta dos oito meses de vida. Os livros-brinquedolivro de pano, livro de banho, cartonado, com abas, livro com recursos sonoros, táteis e visuais – mediados por um adulto, são uma boa pedida, pois podem ser adotados como objetos de transição, podem estar presentes em momentos de brincadeiras, são resistentes à fase oral e duráveis ao manuseio. O psicanalista D. W. Winnicott (1975), observou que, por volta dos oito meses, os bebês experienciam uma sensação de onipotência que, em tese, pode ser encarada como a sensação que o bebê tem de acreditar que ele próprio criou um objeto, de modo que ele passa a se apegar a ele, criando uma ponte entre sua realidade interna e a realidade externa. Estes objetos podem ser fraldas, mantas, bonecas ou pelúcias. Eles também funcionam como um elo entre a realidade do bebê e a da mãe que, geralmente, começa a se distanciar gradualmente do cuidado integral.

Porém, não devemos nos prender somente a estes tipos de livro infantil, apresentando também livros em brochura e quaisquer outros que tivermos ao alcance que, apesar de não serem de materiais resistentes, também são leituras muito importantes. Quanto mais variados os gêneros e tipos de livros, mais rica a experiência literária dos bebês.

E quando o bebê não se interessa pelo livro ou fica muito agitado durante a leitura?

Por mais que o adulto esteja ansioso por fazer uma leitura para seu bebê, nem sempre ele vai estar disponível ou calmo o suficiente para ouvir a história toda atentamente. Isso é muito natural, pois nesta fase é difícil prender a atenção dos pequenos por muito tempo. Portanto, é importante sentir qual o movimento do bebê e respeitar seu tempo, sem deixar de oferecer o livro novamente mais adiante.

E se meu bebê rasgar o livro?

Quando se trata da relação entre bebês e livros, devemos esperar por amassados, rasgos ou outros danos. Isso é natural, já que os pequenos ainda não controlam sua força e ainda não aprenderam a manusear os livros. No entanto, o contato das crianças com a literatura deve sempre a prioridade. Portanto, se o livro rasgou, tente aproveitar a oportunidade para ensinar o pequeno sobre como manuseá-lo, cuidadosamente. Outro ponto importante é não descartar o livro danificado, afinal, ainda que uma página ou outra esteja rasgada ou amassada, ainda temos o restante todo da história para aproveitar!

Meu bebê entende o que leio/falo?

A compreensão dos bebês varia muito de acordo com a singularidade de cada um, assim como qualquer outro aspecto do desenvolvimento. Segundo a psicanalista Françoise Dolto, os bebês são capazes de nos compreender e mais, eles também nos respondem – cabe a nós perceber e promover esta comunicação, que pode ser mediada por palavras, mas que não se limita a elas, afinal, o corpo também fala. Isso significa que devemos sempre nos comunicar com eles, apostando em sua compreensão, desde o nascimento, ainda que não nos respondam como gostaríamos.

Fonte: leiturinha.com.br

25 livros que os bebês devem conhecer antes de deixar as fraldas

A pedagoga Ana Paula Yazbek selecionou 25 obras da literatura infantil para ler com as crias já na primeira infância

A Taba

Empresa especializada em curadoria de livros infantis que disponibiliza conteúdos relacionados ao universo da literatura, contribuindo para a formação do repertório.

Nosso parceiro A Taba é  um grupo de estudiosos de literatura infantil e juvenil, professores, pais, bibliotecários e contadores de histórias com o objetivo de formar uma aldeia, um coletivo de pessoas que vive e experimenta leituras.

Esta lista foi feita pela Ana Paula Yazbek, formada em Pedagogia pela USP (Universidade de São Paulo), e sócia diretora do Espaço da Vila, berçário que atende crianças de zero a três anos, desde 2002, em São Paulo.

Todos as obras estão à venda na Livraria A Taba, e as resenhas abaixo são assinadas pela editora de cada obra, disponíveis no site da Amazon.

1. “Meu gato mais tonto do mundo”, de Gilles Bachelet 

O autor Gilles Bachelet cria seu elefante em sua própria casa como se fosse um gato. Enquanto ele tenta entender a qual raça pertence seu felino, os leitores podem se deliciar com as travessuras do suposto gato, suas manias e estranhezas. A história pode parecer absurda, mas Meu gato mais tonto do mundo, escrito e ilustrado por Bachelet, é capaz de entreter e divertir crianças de diferentes idades com suas curiosas situações bemhumoradas. O livro ganhou o Prêmio Baobab de l’album du salon du livre et de la presse jeunesse de Montreuil e o Prêmio du salon jeunesse de Saint-Étienne, ambos em 2004.

2. “O Grúfalo”, de Julia Donaldson e Axel Scheffler

Usando de astúcia e imaginação, um ratinho vai criando um monstro terrível e assustador, o Grúfalo, e diverte-se espantando seus predadores. Mas qual não é o seu espanto ao ver sua imaginação personificada à sua frente. O Grúfalo, de Julia Donaldson, é uma divertida fábula sobre os poderes da nossa imaginação. As bonitas ilustrações, de Axel Scheffler, complementam a graça do texto e convidam a acompanharmos o ratinho em seu passeio pela floresta.

3. “Tanto tanto”, de Trish Cooke

Uma divertida família se reúne para uma festa-surpresa. Enquanto o aniversariante não chega, todos querem brincar, agarrar e beijar o bebê da casa.

4. “Abrapracabra”, de Fernando Vilela

Na história, dona cabra caminhava perto de sua casa quando encontrou uma lâmpada encantada. “Pense uma palavra mágica, mas cuidado ao falar, um desejo imaginado ela irá realizar”, disse o gênio. “Abrapracabra!”, gritou o bicho! Uma grande aventura se inicia. Dona cabra viaja para os mais inusitados lugares do mundo e faz amizade com vários animais como um urso polar, um camelo e um peixe espada. Juntos, eles mostram que quem tem um amigo, nunca está sozinho, mesmo nas situações mais complicadas.

 5. “Mamãe zangada”, de Jutta Bauer

Após a simpática ovelha Selma, a Cosac Naify traz aos admiradores de Jutta Bauer outra comovente publicação da autora: Mamãe zangada. A partir de um tema intenso – a delicada relação entre mãe e filho -, Jutta cria uma emocionante metáfora para mostrar o que acontece com as crianças quando levam uma bronca daquelas. A história é sobre pinguins, mas certamente se aplica aos seres humanos. Quando leva uma bronca da mãe, o pequeno pinguim se despedaça em pleno ar e cada pedaço do seu corpo vai parar em um lugar bem distante. Com ilustrações expressivas e texto sucinto, a autora dá voz aos sentimentos e às fragilidades humanas ao alertar para o poder destruidor da indelicadeza. Um livro doce, com final surpreendente, mas sem meias-palavras. Um aprendizado para pais e filhos.

6. “Ops”, de Marilda Castanha

O menino derruba o sorvete no chão, chuta a bola e quebra o vidro da janela, voa no balanço pra frente e pra trás e… Oooops! Neste livro de uma palavra só, Marilda Castanha propõe às crianças pequenas um exercício de observação e descobertas. Ilustrado em cores vivas, cada página dupla traz uma situação diferente de “ops”, de cenas desastradas a enganos que cometemos no dia a dia, como abrir um livro de cabeça para baixo. Para não leitores perspicazes e curiosos.

7. “Ter um patinho é útil”, de Marisol Misenta (Isol)

Um menino encontra um patinho e o agarra. Se balança nele, coloca-o no nariz, usa como chapéu, como apito, como cachimbo e até como cotonete para enxugar as orelhas depois do banho… Quando se pensa ter chegado ao final da leitura, ao virar a última página, vem a gostosa surpresa: um outro livro – ou o mesmo livro, sob outra perspectiva. Em Ter um menino é útil, Isol nos apresenta – literalmente – o outro lado da história. A partir de um jogo visual simples e muito divertido, a autora utiliza as mesmas ilustrações para mostrar que qualquer situação pode ter diferentes pontos de vista.

8. “Leo e Albertina”, de Christine Davenier

Leo é um porquinho apaixonado pela galinha Albertina. Leo não sabia como chamar a atenção de Albertina, pois ela nem notava sua presença. Então resolveu pedir conselhos a seus amigos. Será que alguém tinha uma boa ideia para dar a Leo?

9. “Tem lugar para todos”, de Massimo Caccia

Moscas, abelhas, mariposas, sapos, todos enfileirados atrás de um tatu, de um coala, de um tucano… Todos em ordem, muito comportados, seguindo uns aos outros. Mas para onde vão? Uma das histórias mais famosas do mundo – a da Arca de Noé – agora recontada por meio de ilustrações modernas, que, com um traço simples e claro, criam uma narrativa capaz de despertar a curiosidade e a imaginação do leitor.

10. “A velhinha que dava nome às coisas”, de Cynthia Rylant

Era uma vez uma velhinha que já não tinha nenhum amigo, pois todos eles haviam morrido. Por isso, ela começou a dar nome às coisas que durariam mais que ela: sua casa, seu carro, sua poltrona. Até o dia em que um cachorrinho apareceu no seu portão. Então, a velhinha acaba dando um nome ao cachorrinho, mesmo correndo o risco de sobreviver a ele.

11. “Dez sacizinhos”, de Tatiana Belinky

Uma viagem pela magia e encanto de um dos personagens mais conhecidos do folclore brasileiro, o saci, menino negro, com uma perna só, que fuma cachimbo e usa carapuça vermelha que lhe confere poderes mágicos. Ele não é mau, apenas gosta de fazer travessuras, como dar nó no rabo do cavalo, assustar cachorros e pregar peças nos viajantes. Depois cai em gostosas gargalhadas com o resultado das molecagens. Tatiana Belinky, que já tem netos e bisnetos, mais uma vez reparte com os leitores as curtições da infância, que continuam vivinhas, vivinhas em sua memória.

12. “Vai embora, grande monstro verde”, de Ed. Emberley

O que é que tem um nariz azul esverdeado, dentes brancos afiados e grandes olhos amarelos? É O Grande Monstro Verde! Mas, não fique assustado. Dê uma olhada neste livro cheio de recortes e veja ele se transformar diante dos seus olhos. Aí, quando estiver pronto para mostrar quem é que manda de verdade, simplesmente feche o livro e faça-o sumir.

13. “Grunter”, de Mile Jolley e Deborah Allwright

Este livro pode mostrar ao pequeno leitor como não tratar seus amigos. Isto porque Grunter é, realmente, um porco insuportável. Ele detesta tudo, ele come demais, ele é mau, zangado e muito egoísta. E não se cansa de fazer maldades. Até que os animais da fazenda decidem tomar uma atitude – dão para Grunter um presente bombástico.

14. “Bruxa, bruxa, venha à minha festa”, de Arden Druce e Pat Ludlow

Uma garota pede que toda sorte de seres assustadores compareça a sua festa. E lá vão: bruxa, gato, espantalho, coruja, árvore, duende, dragão, pirata, tubarão, cobra, unicórnio, fantasma, babuíno, lobo e, epa!, Chapeuzinho Vermelho?

15. “Cadê o pintinho?”, de Marcia Leite e Anita Prades

Propõe uma divertida interpretação e um desafio visual para a conhecida cantiga infantil. As ilustrações coloridas e cheias de humor provocam imediata identificação do pequeno leitor, garantindo a compreensão do texto até mesmo para aqueles que ainda não sabem ler. O pulo do gato: em cada dupla de páginas um animal e sua respectiva voz são apresentados, provocando a construção de uma pirâmide de texto e de bichos. A pergunta que dá título ao livro orienta o esconde-esconde em que o leitor é o pegador à procura do pintinho que se esconde em diferentes lugares entre os animais.

16. “O lenço”, de Patricia Auerbach

Você sabe para que serve um lenço? Eu já descobri. Posso contar para você? Uma menina encontra um lenço na gaveta da mãe, e com ele mil possibilidades: o lenço se transforma numa vela, num manto, num vestido e no que mais a imaginação mandar, mostrando que todo objeto cotidiano tem seu lado lúdico.

17. “Telefone sem fio”, de Ilan Brenman

Ilan Brenman, autor de muitos livros de sucesso, não tirava da cabeça a cena de um grupo de crianças e adultos falando um no ouvido do outro, ao brincar de telefone sem fio, e as variadas expressões – de curiosidade, alegria, estranheza – que cada um fazia ao ouvir o cochicho. Pensou que essa experiência poderia se transformar em livro. Chamou seu amigo Renato Moriconi, que também é autor de livros infantis, para escrever essa obra a quatro mãos. O resultado é um livro só de imagens com vários personagens inusitados, cochichando um na orelha do outro. O que cada um estará cochichando ao pé do ouvido só mesmo as crianças poderão dizer.

18. “A pequena marionete”, de Gabrielle Vincent

Empregando o lápis, o papel e boa dose de imaginação, a artista belga Gabrielle Vincent compôs uma obra inesquecível: uma narrativa sem palavras que conta, por meio de imagens, a história de um menino, uma boneca de pano e um velho homem de teatro, um titeriteiro que encena seu espetáculo em um teatrinho de rua.

19. “Totó”, de Neal Layton e Michael Rosen

Esta é minha pessoa de estimação. Suas orelhas não ouvem tão bem quanto as minhas. Ela tem as garras muito fracas. O pêlo dela só cobre a cabeça. Fui eu que escolhi o nome dela: Totó. Um livro terno, engraçado, todo ao contrário, que acompanha as aventuras de uma menininha com seu cãozinho de estimação (ou será que é um cãozinho com sua menininha de estimação?). Observe como os seres humanos são estranhos, nesta visão canina do mundo, do autor premiado Michael Rosen e do novo talento Neal Layton.

20. “1, 2, 3, Estrelas!”, de Anne-Sophie Baumann

Uma libélula possui 2 asas? Não, 4! Onde se esconde o tatu de 9 cintas? Atrás da árvore! E quantas estrelas povoam a imensidão do céu? Bilhões! Uma abordagem bem diferente dos números, através de uma viagem lúdica e colorida ao coração da natureza.

21. “Assim como você”, de Guido Van Genechten

O peixe, a galinha, o carneiro… todos os animais se parecem com a gente. Eles têm sede, têm fome, gostam de brincar, de correr e de pular. Adoram carinho, a casa e a família. Assim como você mostra que as crianças e os animais têm muitos motivos para se amar. Um livro para saborear do começo ao fim.

22. “Eram cinco”, de Ernst Jandl

Todos estavam sentados esperando para serem atendidos. Mas o que será que existe atrás daquela porta que faz as pessoas entrarem preocupadas e saírem sorridentes? Eram cinco na fila de espera, cada qual com a sua mazela. E atrás daquela porta, uma luz. Escrito pelo poeta concretista austríaco Ernst Jandl e ilustrado pelo artista plástico Norman Junge, esse livro minimalista é indicado para pequenos leitores que têm medo de médico.

23. “Grão de milho”, de Ollala González

Esta é a história de um menino tão pequeno quanto um grão, e por isso, seus pais lhe deram o nome de Grão de Milho. Ele adora ajudar sua mãe, é forte e sabe muito bem resolver os problemas que surgem no cotidiano, apesar de ser tão pequenino.

 24. “Na garupa do meu tio”, de David Merveille

Homenagem a um dos cineastas mais importantes da França, Jacques Tati (1907-82), o livro-imagem Na garupa do Meu tio, do ilustrador David Merveille (1968-), traz uma sequência de cenas que convida o leitor a apreciar uma nova aventura do senhor Hulot pela cidade de Paris. Como num livro cinematográfico, cada dupla tem um folder que revela uma surpresa. Vários elementos retirados dos filmes de Tati estão espalhados pelas ilustrações de Merveille: a casa de Hulot e a fonte em forma de peixe de Meu tio, ou a rotatória em Playtime.

25. “Onda”, de Suzy Lee

A premiada artista Suzy Lee faz uso de elementos muito simples para criar uma bela história — que não precisa de absolutamente nenhuma palavra para ser contada. Com um uso refinado de linha e cor, ela explora a força na natureza, da amizade e das novas experiências.

Para ler o restante da lista de livros que os bebês devem conhecer antes deixar as fraldas, acesse A Taba.

Resumo

A literatura para bebês vai muito além dos livros cartonados e de banho. Até mesmo obras para leitores iniciantes podem ser lidas com os pequeninos, já que o foco da leitura está mais no vínculo afetivo do que em entender a história. Confira essas 25 dicas.

Fonte: Lunetas

Curso de Leitura para Bebês

O curso pretende apoiar a instituição de uma prática habitual de leitura e de conversa sobre os livros pelo professor, no dia a dia da educação infantil, a partir da reflexão sobre critérios de escolha de livros interessantes, planejamento das situações de leitura e levantamento de expectativas de aprendizagens para os bebês e crianças bem pequenas, na perspectiva de contribuir para que construam a familiaridade com os livros, o interesse em folheá-los e em ouvir sua leitura de modo que desenvolvam uma progressiva escuta atenta e interessada.

Fonte: Nova Escola

Bebeteca, da Faculdade de Educação da UFMG forma mediadores de leitura para a primeira infância

Com o objetivo de aprimorar a formação de mediadores de leitura para a primeira infância, o projeto Bebeteca, vinculado ao Nepei e Ceale – Alfabetização, Leitura e Escrita, da Faculdade de Educação da UFMG (FAE/UFMG), é um espaço que realiza oficinas e encontros, inclusive abertos a membros da comunidade externa. Para mais informações, entre em contato: 3409-6222 ou nepeifae.ufmg@gmail.com

Fonte: TV UFMG

Itaú Social e Instituto Emília lançam curso sobre mediação de leitura na primeira infância

Formação online e gratuita está alinhada com a proposta do programa Leia para uma Criança

O Itaú Social e o Instituto Emília lançam o curso online e gratuito “Infâncias e leituras – A leitura como vínculo, prazer e aprendizado”. Em sintonia com o programa Leia para uma Criança, a formação pretende estimular práticas de leitura do adulto para e com as crianças, fortalecendo vínculos afetivos e a participação ativa na educação desde a primeira infância, dos 0 e 6 anos.

As inscrições podem ser feitas até 18/11 neste link, no campo “Inscrição”.

Serão abordadas questões-chave sobre a importância do mediador na formação dos pequenos leitores: o papel da leitura e da literatura; a relevância da arte e da poesia, do brincar e da voz e das palavras na infância; e o mediador como ponte entre os leitores e os livros. O curso é voltado para famílias, professores(as), educadores(as), bibliotecários(as) e demais interessados(as).

O curso tem duração de 4 semanas, de 19/11 a 14/12. A dedicação semanal é de 4 horas, em média. Será fornecido certificado de participação.

Fonte: Itaú Social

Curso ON LINE GRATUITO “Infâncias e leituras – A leitura como vínculo, prazer e aprendizado”

Programa

Semana 1 Boas vindas
Leitores e Leituras
Leitura como prática de vida.
Muitas leituras e muitos leitores.
A leitura literária como direito.
Semana 2 Arte e palavra na primeira infância 
Pensar as infâncias.
O papel da poesia e do brincar.
A leitura na primeira infância.
Semana 3 O papel dos mediadores: pontes entre livros e leitura
O que é mediação de leitura?
Caminhos da mediação.
Leitura na primeira infância.
Semana 4 Construindo uma biblioteca para a primeira infância
Por onde começar?
Critérios de seleção.
Desafios e leituras na primeira infância.

MOOC 100% online e gratuito
4 semanas de duração
4 h. semanais de dedicação

Para participar basta ter acesso a Internet e um conhecimento básico das ferramentas digitais, como Facebook, para a troca de ideias e reflexões.

Será fornecido um certificado de participação.

Inscrição

É muito fácil e rápido, siga estas orientações:
  1. Inscrever-se na plataforma.
    • Preencher o formulário.
    • O sistema enviará um e-mail para verificar se seu endereço está correto (se o email não chegar, verifique sua pasta de spam).
    • Recebido o email, confirmar sua inscricão e você poderá acessar a plataforma online.
  2. Inscrever-se no curso.
    • Uma vez dentro da plataforma selecione o curso INFÂNCIAS E LEITURAS e clique no botão Inscrição.
    • A partir deste momento, você poderá aceder ao curso com o seu nome de usuário e senha.

 

Mais informações: https://laboratorioemilia.com/web/infancias-e-leituras/

A importância da leitura para os bebês

Atividade fortalece o vínculo com o adulto e ajuda no desenvolvimento da criança
Foto: Marcelo Freire

“Os bebês têm uma vinculação ao som desde a gestação e, ao nascer, estão atentos a toda musicalidade do ambiente ao redor”, diz Ana Flavia Castanho, pedagoga, especialista na capacitação de professores na área de Formação de Leitores e da Didática de Matemática. Isso porque, ainda no útero materno, desde o quarto mês, eles conseguem ouvir e distinguir vários sons. A modulação da voz humana é uma das primeiras coisas que aprendem a interpretar quando nascem. Ou seja, não falam, mas escutam muito.

Sendo assim, é importante oferecer aos bebês experiências afetivas e cuidadosas com as diferentes musicalidades que a voz humana assume, incluindo conversas, cantos ou leituras. Aos poucos, eles vão percebendo as particularidades e as nuances melódicas e de ritmo de cada situação.

Isso significa que não há limite de idade para começar a ler para uma criança? Não há. É uma prática que pode ser feita desde que ela nasce, seja em casa ou no cotidiano de creches, berçários e escolas de Educação Infantil. São vários os ganhos para o desenvolvimento.

Um é a criação, ou fortalecimento, de vínculo com quem está lendo, pois a criança compreende que aquele é um momento de atenção dedicada a ela e à leitura. “Ela observa as reações do adulto e percebe quando ele está se divertindo ou quando fica emocionado com a história, por exemplo. Então, a qualidade da interação é essencial para ela querer repetir a experiência”, diz Edi Fonseca, pedagoga e pesquisadora na área de leitura para crianças. A observação vale também para o adulto, que tem a chance de conhecer melhor o bebê e acompanhar sua aprendizagem.

Outro ponto fundamental é que, ao compartilhar com o bebê seu encantamento com a leitura, o adulto contribui para aproximar os pequenos do mundo da literatura. Primeiro por meio da linguagem oral, com a mediação da leitura e contação de histórias, e depois com a apresentação da linguagem escrita, quando as crianças manuseiam os livros.

Esse contato com a literatura ajuda no desenvolvimento da escuta e da oralidade, pois a leitura amplia o vocabulário e revela que a língua escrita normalmente é mais formal do que a falada e pode assumir estilos diferentes, conforme os autores e os gêneros (poesia, contos, história rimada etc) escolhidos.

Também enriquece o imaginário da criança, algo essencial para estimular a capacidade criativa delas. Em um sentido amplo, a leitura permite a ela conhecer melhor a si mesma, o mundo e a cultura em que vive, construindo sentido e significado ao que a cerca.

ONDE BUSCAR MAIS INFORMAÇÕES

Para entender melhor os benefícios da leitura para bebês e saber como planejar esses momentos, Nova Escola criou, em parceria com a Fundação Itaú Social, um curso gratuito sobre o assunto.

Conduzido por Ana Flavia, por meio de vídeo-aulas, o curso tem nove etapas, nas quais será possível compreender como os bebês se apropriam dos livros e das leituras, conhecer experiências realizadas no Brasil e no exterior, aprender com exemplos de boas práticas e pensar em critérios para um bom planejamento.

Para a Fundação Itaú Social é uma iniciativa complementar ao programa Ler para uma criança, que, desde sua criação, em 2010, já distribuiu gratuitamente mais de 50 milhões de livros infantis impressos. “É uma sinergia óbvia e necessária. Ambas são ações importantes para melhorar a educação no nosso país como um todo, afinal, quanto mais uma criança está ligada à leitura, mais propício será para que se torne um futuro leitor”, diz Angela Dannemann, superintendente da Fundação Itaú Social.

Promover o acesso a livros desde pequeno é também uma maneira de combater a desigualdade. “Há pesquisas mostrando que crianças, de zero a seis anos, que não têm acesso à leitura possuem um vocabulário pelo menos três vezes menor do que o daquelas com acesso”, afirma Angela. “O cérebro se desenvolve com base nas relações estabelecidas entre o que é dado pela genética e as experiências da vida. Assim, a qualidade dessas vivências é um fator decisivo no desenvolvimento das capacidades atuais e futuras da criança”, completa Edi.

Fonte: Nova Escola

Como inserir a leitura no universo das crianças?

Catapulta Livros dá dicas para pequenos criarem hábito da leitura desde bebês

Creditos: PixaBay/Divulgação

Nessa nova onda de tecnologia com fácil acesso a tablets e celulares, uma grande dúvida surgiu entre pais e professores: qual a melhor maneira de fazer com que a leitura se torne um hábito infantil? A Catapulta Editores preparou algumas dicas para ajudar nesse desafio, separando orientações por idades.

“A leitura, quando apresentada na infância, traz diversos benefícios no desenvolvimento dos pequenos: melhora o raciocínio, a coordenação motora, a imaginação, criatividade, amplia o vocabulário e auxilia no processo de aprendizagem da leitura… Nosso objetivo é inserir todos esses estímulos em livros lúdicos e interativos, que atraiam a atenção e a vontade de ler nas crianças”, explica a diretora da Catapulta Editores, Carmen Pareras.

Conforme os bebês vão crescendo, a tática para continuar incentivando a leitura deve mudar. No início os pais devem estar presentes todo o tempo, lendo e prendendo a atenção dos pequenos, porém, após alguns anos, os responsáveis devem pedir para que as crianças leiam para eles, expliquem ou interajam. Confira as dicas abaixo:

Como ler para bebês de 0 a 5 meses

Nesta fase, os bebês são muito pequenos para compreender o que as palavras dos livros querem dizer, mas é nessa idade que ela já pode ser introduzida. Use gestos, faça sons com a voz, imite sons que o bebê faz. A partir de três meses, o bebê já começa a reagir e tentar responder com os mesmos barulhos que escuta.

Dica: Dê preferência para os livros de pano, como Amigos da Natureza, da Catapulta Editores. Nesta idade o bebê tende a colocar tudo na boca, então para não machucar, livros moles são os indicados.

Como ler para bebês de 6 meses a 1 ano

Aproveite da conexão que o bebê cria com a família nesta idade e interaja com ele. Durante a leitura, converse e faça perguntas simples, estimulando a tentativa de resposta. Por exemplo: Como faz o gatinho? “Miau”. Além de incentivar o processo de fala, o pequeno começa a associar os sons a objetos e animais.

Dica: Escolha livros que tenham sons, estimulem a curiosidade e iniciem o processo de associação entre sons, imagens e objetos. Os livros Pets e Safari da editora são indicados para aprimorar esta etapa.

Como ler para pequenos de 1 a 2 anos

Ao ler para os pequenos nesta fase, use de recursos para representar o que está lendo, como sua própria voz. Ao ler, imite sons e peça para que a criança faça também, insista até ela repetir da mesma maneira que foi reproduzido no livro. Assim que ela reagir ao pedido, interaja com ela, brinque e peça outros sons.

Dica: Prefira livros que tenham anexos para mover, emitam sons ou possuam texturas diferentes. Os Pets e A Floresta são livros que unem textura, sons e imagem, aprimorando três sentidos do bebê: visão, tato e audição.

 

Como ler para crianças de 2 a 4 anos

Neste momento, talvez você precise de um pouco mais de paciência, pois as crianças vão pedir para você ler a mesma história diversas vezes. Use isso como ponto positivo. Peça para ela contar a sua própria versão, estimule na interpretação da história, ressaltando sentimentos e impressões escritas no texto. Além disso, peça para ela completar a história, comece contando e no meio incentive: “o que acontece agora?”.

Dica: Procure livros com atividades recreativas, em que as crianças possam desenhar, pintar, escrever e completar. Pode começar a inserir livros com histórias mais longas também, desta forma incentiva a memória do pequeno, que terá que lembrar o que acontece, interpretar os personagens, etc.

“A Catapulta possui a Coleção Desfile, com Desfile de Dinossauros e Desfile na Fazenda. Além de serem dobráveis, o que estimula a coordenação motora do pequeno ao desvirar a página, ele terá uma história para desenvolver e raciocinar”, explica Carmen.

Como ler para crianças de 4 a 6 anos

Chegou a grande fase de alfabetização. A presença dos responsáveis para inserir livros mais complexos é essencial. A criança terá que entender o sentido da história, das palavras e entender completamente o começo, o meio e o fim. No início da aprendizagem, foque em ler a história como ela realmente é, sem mudar palavras e expressões. Desta maneira, você ajuda o vocabulário da criança a se expandir.

Não ligue de ler várias vezes, nem pedir para que ela leia com você, seja uma frase, uma palavra ou até mesmo a página inteira. Comece devagar e, aos poucos, vá aumentando a dose de leitura. Quando você menos perceber, a criança estará lendo sem você ter que pedir.

Dica: Estimule a criatividade e curiosidade das crianças, criando uma vontade maior de ler. Opte por livros que ensinem como fazer e como funcionam as coisas.

Acima de 8 anos

Não é só porque aprendeu a ler que a tarefa acaba! Continue incentivando para que o crescidinho continuar no hábito da leitura. Converse sobre o livro com ele, ou seja, leia um capítulo e debata, veja o que ele achou da história, o que encontrou de mais interessante.

Dica: Procure livros que sejam do interesse da criança. Tomamos como exemplo a coleção O Mais Completo Guia, da Catapulta. Em três volumes, o guia traz assuntos para crianças mais aventureiras, que gostam de natureza e de explorar.

Fonte: Portal Rosa Choque

Literatura infantil para pegar, virar, sentir…

Nas últimas décadas, o Brasil viveu uma revolução na parte gráfica dos livros, e os destinados especialmente às crianças ganharam muito com isso. Saiba como o material pode influenciar no convite à leitura

livro bebê criança (Foto: Thinkstock)
Quando falamos de estímulo à leitura, a palavra mais importante é diversidade (Foto: Thinkstock)

Era uma vez um grupo de crianças de várias idades que se viu diante de uma estante de livros meio maluca. De longe, já se observava uma imensidão de cores e tons, era impossível organizar o olhar. Quando elas foram chegando mais perto, viram que cada obra possuía um tamanho diferente: umas chegavam a passar dos 30 centímetros, outras não mediam mais que 10. Mais próximo ainda, perceberam que havia lombadas – aquele material que segura, cola ou costura as páginas – diversas: algumas em tecido, outras se diferenciavam da cor da capa do livro, umas finas, outras grossas. As crianças começaram, então, a querer mexer naquela coisa toda, a pegar mesmo.

Os bebês tentavam segurar, exploravam de todas as formas. As crianças maiores se prendiam aos tipos de ilustração (aquarela, carvão, lápis, colagens). Abriam, alisavam as folhas, voltavam para ver de novo e notavam que, dentro daqueles livros, além das histórias, havia um jeito especial de contar as histórias. Variavam os tipos de desenhos, de letras, de cores das páginas, de papéis; tinha até livro com buracos, abas para abrir e personagens presos dentro das dobras, ali no grampo que prende as páginas. Uma loucura de opções.

Afinal, quando falamos de estímulo à leitura, em qualquer idade, a palavra mais importante é diversidade. Desde bebê, a criança vai experimentando o mundo pelos sentidos. “Propor diversas experiências a elas, portanto, mostra que o livro também pode ser um caminho para conhecer o mundo. O material é importante, pois vai contribuir para que essa criança se sinta estimulada a conhecer outros títulos, uma vez que ele passa a ser objeto de curiosidade, de prazer e, claro, de pensar”, diz a arte-educadora Camila Feltre, mestre em artes na Unesp, professora do curso de pós-graduação O Livro Para a Infância d’ A Casa Tombada (SP) e autora do livro É Um Livro… ? Mediações e Leituras Possíveis (Ed. Cultura Acadêmica/Unesp).

Como escolher
Não é porque o livro é “bonito”, tem capa dura ou está cheio de abas, texturas ou cores que ele é bom. Seja um livro-brinquedo (os de plástico, para ler no banho; os de pano, para a criança manusear com mais segurança; os pop-up ou com abas, para adulto e criança brincarem e se surpreenderem na hora da narrativa), seja um livro informativo (com a prioridade de ensinar algo como números, letras e cores) ou seja um com “apenas” uma história, há várias maneiras de avaliarmos a qualidade de uma obra e, a partir daí, formar um ótimo repertório.

“Em um bom livro, nada que está ali é por acaso: formato, tamanho, técnica da ilustração, paleta de cores, fonte da letra. Tudo está para comunicar algo. Na hora de escolher, é importante atentar para essas possibilidades”, diz Denise Guilherme, mestre em educação e criadora de A Taba, empresa e site especializados em curadoria de livros. Sendo assim, já que as opções nas prateleiras são inúmeras, os pais devem se informar sobre as obras e ler indicações. Mas nada como o impacto que a leitura vai causar neles próprios.

Por isso, a dica é: experimente! Se ao longo dos anos o adulto, em geral, se desliga da materialidade do livro, quando se torna pai ou mãe tem a oportunidade de reencontrar esse prazer. Retornamos àquela sensação de aprender algo novo – não raro, porém, a gente se afoba na hora de “ensinar”. Qual a saída, então? Para a atriz, contadora de histórias e pesquisadora Letícia Liesenfeld, acima de tudo, é essencial que o adulto se conecte ao livro antes de apresentá-lo à criança. “Quando trabalhei em oficinas com famílias com bebês nas redes de bibliotecas em Portugal, a primeira coisa que eu pedia para as pessoas é que pegassem nos livros, examinassem pequenas falhas, cheirassem…”, diz. Em vez de ficar na frente da criança dizendo a ela como fazer, a especialista sugere que você vá por trás dela ou a coloque no colo. “Até para ensinar a pressão ideal para virar as páginas, algo que é bem complexo para os pequenos”, completa.

A variedade de materiais das obras é ainda maior quando o assunto é livros “só para bebês”. Nesse caso, não apenas por uma questão de segurança ou de capacidade motora e cognitiva. “Para eles, a materialidade é fundamental também por outro motivo: o literário se apresenta no corpo, nos sentidos. Aí entram a textura, a sonoridade, o manuseio da página. O formato traz autonomia narrativa, ou seja, o bebê se vê como leitor, mesmo com a mediação de um adulto”, diz a psicóloga Cássia Bittens, criadora do projeto Literatura de Berço e pesquisadora da área de Crítica Literária da PUC-SP.

Ela exemplifica esse conceito com o livro Uma Lagarta Muito Comilona (Ed. Callis), um clássico do norte-americano Eric Carle, que narra a história de uma lagarta que sai do ovo faminta e come uma maçã na segunda-feira, duas peras na terça, três ameixas na quarta e por aí vai até se empanturrar, engordar, virar casulo e, então, borboleta. A trajetória superconhecida do bicho acontece de forma diferente pelo tom de humor que textos e imagens oferecem, e também porque, na versão original (há mais de uma dezena delas pelo mundo), o autor deixa marcas do caminho da lagarta com furos que correspondem ao número de frutas. “Ao brincar com eles, o bebê está sendo ativo na leitura e, ao mesmo tempo, entrando no mundo da fantasia, que é o que o literário faz com qualquer um de nós [nos coloca no lugar do outro]. Para o bebê, isso acontece por esse meio concreto”, diz.

Por fim, vale lembrar que, seja cartonado, com números e cores, cheio de recursos de texturas ou feito “somente” para fácil manipulação das pequenas mãos, o livro para crianças também deve preservar a surpresa. Algo que pode vir do estranhamento, do riso, da aba que ora abre para cima e ora para baixo, da leitura que tem de ser feita de ponta-cabeça… O papel é o limite – ou melhor, não é.

Testando os sentidos

Para além do literário e do envolvimento com as histórias e seus jogos simbólicos, livros de diferentes materiais estimulam os cinco sentidos de crianças de todas as idades e os tornam familiares – especialmente no caso dos bebês

1. TECIDO – encontrados em maior quantidade em lojas de brinquedos artesanais, os livros com tecidos são fáceis de o bebê manusear e pegar, como os com velcro, por exemplo, oferecendo possibilidades de a criança brincar. Se não tiver nenhum item musical, pode até ser lavado!

2. PLÁSTICO OU BORRACHA – são amados pelos bebês porque podem tornar as brincadeiras na água, tanto no banho quanto nas pequenas piscinas no verão, ainda mais divertidas. Fáceis de pegar, provavelmente eles vão querer arrastar o objeto pela casa toda, pois são os mais leves de todos.

3. CARTONADOS – estes têm as folhas mais grossas e também dão autonomia mais rápido para o bebê conseguir imitar o adulto no ato de folhear. Escolha os arredondados nas pontas, que são melhores ainda para o manuseio. Mais pesados, vão provocar na criança pequena mais relações do livro com o espaço (como deixar bater no chão ou empilhar em um canto da sala). Sim, como os outros já citados, ela vai querer colocar na boca, atenção!

4. COM MÚSICA – como os brinquedos, a escolha da música ao toque estimula a noção de causa e efeito, além de distrair o pequeno em horas de apuros! O ideal é escolher com sons não muito altos, além de músicas suaves para que o estímulo não cause irritações desnecessárias (para o bebê e o adulto!).

5. COM TEXTURAS E BURACOS – os livros com tecidos ou cartonados podem oferecer diferentes texturas para as crianças exercitarem o tato, com pelinhos, papéis ásperos, barulhos extras que surpreendem, buracos que compõem formas etc.

6. COM POP-UP – abre a página e, pronto, algo “pula” (que, em inglês, significa pop-up) na frente do bebê. Quem não se encanta? Tanto que há livros assim também para colecionadores, como uma versão especial de O Pequeno Príncipe. É uma oportunidade de treinar a convivência com peças delicadas, mesmo que, para compreender isso, o seu filho tenha de rasgar as páginas, sem querer.

7. COM ABAS – há diversas opções no melhor estilo “abre e uma surpresa aparece”. O bebê vai querer repetir sem parar e quanto mais criativo e interessante, melhor!

8. COM DEDOCHES – estes, acima de tudo, servem para chamar a atenção na hora de ler ou narrar a história, com esse recurso divertido. Aos poucos, ele mesmo vai tentar “ser” o personagem também.

Fonte: Revista Crescer

Psicóloga alerta sobre a importância da leitura na educação infantil

Na atualidade, em meio a tantas tecnologias, há os que pensam que livro é coisa do passado. Quem sabe o poder que tem uma história bem contada, os benefícios que ela poderá proporcionar, com certeza dirá que não existem tecnologias que substitua o prazer de tocar as páginas de um livro e, por meio delas, descobrir um universo de encantamento. Utilizar a literatura requer dos pais e dos educadores muita sensibilidade para ser primeiramente afetado e, posteriormente, afetar o outro, no universo de sentidos e de significados.

Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, em seu artigo 29, a educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem por finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família. A educação infantil, necessariamente, ao produzir espaço de ensino-aprendizagem, deve sempre estar preocupada em reproduzir momentos de prazer, de lazer, de construção do lúdico.

Para a psicóloga Renata Dias, criança saudável é criança que brinca. E o livro poderá ser introduzido como um brinquedo facilitador para as primeiras aquisições da criança. “Por meio da literatura, a criança desenvolverá a imaginação, compreenderá suas emoções, seus sentimentos, e com isso, desenvolverá capacidade de expressar melhor suas ideias”, afirma, acrescentando que a escola para as crianças pequenas não deve ser entendida como um espaço onde os pais, para trabalharem, deixam seus filhos para serem cuidados. Renata explica que o educandário deve ser entendido como um espaço de aprendizado no qual, por meio de brincadeiras, acontecerá o desenvolvimento global da criança. “Ingressar na vida escolar desde cedo favorece as relações sociais, um processo permanente de troca mútua de sentimentos, de experiências e de conhecimentos”, completa.

Importância do incentivo a leitura

É necessário incentivar a criança à leitura para que ela se desenvolva como um cidadão crítico, que saiba ler e interpretar, libertando-se do analfabetismo funcional. Pesquisas, que avaliam o grau de alfabetização no Brasil, evidenciam uma preocupante realidade: uma grande parte da população brasileira, que sabe ler e decodificar letras, mal sabe escrever, apresenta severas dificuldades em organizar as ideias na forma escrita, não conseguindo avançar para além do texto, não realizando uma interpretação crítica e de forma reflexiva. Essa realidade pode ser transformada a partir do momento que cada pai/educador estimular a criança para o universo da leitura, criando rotinas de leitura em casa, mesmo que seja uma hora antes de dormir.

É por meio dessa rotina, estimulada de forma espontânea e criativa, que a criança poderá adquirir o hábito da leitura. “Uma atitude de não transformação, de empurrar as possibilidades de mudanças deste contexto para o outro, para a escola ou para o poder público, afastará, para mais distante, a possibilidade de alterar essa realidade do analfabetismo funcional. Entre as atitudes de mudanças possíveis, sugiro aos pais dedicar algumas horas, com carinho e paciência, para conversar e contar estórias para as crianças. E se a criança já cresceu, a dica é um estreitamento de laços, uma aproximação, para conversar sobre seus interesses e oferecer livros, que possam auxiliar em suas descobertas”, comenta a psicóloga.

Saiba mais sobre relação das crianças com os livros

Incentivar a formação de hábitos de leitura na idade em que outros hábitos se formam é fundamental. Assim como despertar a curiosidade para a história e para as estórias, mostrando aos pequenos que bons livros podem ser fonte de prazer e de conhecimento. O desenvolvimento do hábito de leitura deveria ser um processo constante e, obrigatoriamente, ter seu início no lar, para ser aperfeiçoado na escola e ser continuado pela vida.

Para a psicóloga, o hábito da leitura oferece ao estudante uma grandiosa bagagem cultural. Quem não lê terá dificuldades de perceber, de se expressar, de se comunicar com o outro e de interpretar a sua realidade. “O universo da escrita, apreendido através da leitura, desenvolve no estudante formas eficazes para lidar com as informações provenientes do meio no qual ele se encontra inserido e com os próprios processos do pensamento. E ainda, desenvolve aptidões de autorregulação (maior tolerância às frustrações), regulação das próprias atividades cognitivas e de suas estratégias de planejamento. Vale acrescentar também que esse jovem, quando inserido no mercado de trabalho, terá maior abertura ao diálogo na equipe, postura mais colaborativa, maior autonomia e maior desempenho”, acrescenta.

Leitura e alfabetização

A “alfabetização”, segundo a psicóloga Renata Dias, inicia-se mesmo na primeira relação que a mãe (ou cuidador) constrói com a criança. É a mãe que, por meio de seu cuidado, garante não só as funções vitais (fome, sede), mas favorece a constituição da vida afetiva. O cheiro materno, o acalento no corpo de quem cuida, a maneira como somos recebidos e apresentados ao mundo nos primeiros tempos, esse cuidado é uma condição de possibilidades para as primeiras aquisições do processo de subjetivação, ou seja, a base primeira para a alfabetização. “As interlocuções, entre mãe?criança?pai, auxiliarão a criança em sua compreensão de mundo e na decodificação de símbolos. Outra questão que vale ressaltar é que a narrativa faz parte da vida da criança, mesmo antes de seu nascimento. Por meio da voz amada que já fala dela, depois fala com ela, das canções de ninar e, posteriormente, das cantigas de roda. Assim, crianças bem pequenas já demonstrarão interesse pelas estórias e pela história”, esclarece.

Nesse sentido, torna-se fundamental para a formação da criança, que ela ouça muitas estórias. Desde pequena, a criança se encantará ouvindo histórias de como foi que nasceu, dos fatos que aconteceram com ela ou com as pessoas de sua família. Essas histórias reais são fundamentais para auxiliar na construção de sua identidade, permitindo que ela possa compreender melhor as relações familiares.

Oferecer livros às crianças antes do primeiro ano de vida é fundamental, bem como fazer do momento da leitura um momento de curiosidade, de descobertas e de prazer. Assim que a criança conseguir se sentar, e mesmo durante o seu banho, se podem oferecer livros, que são os livros de banho. Dessa forma, o livro será introduzido com naturalidade no cotidiano da criança. “Esse comportamento é mais facilitado quando a família também valoriza e tem a prática da leitura. Ao oferecer um livro à criança é necessário observar quais assuntos chamam mais sua atenção. O vínculo afetivo que se estabelece entre o contador de estórias e a criança também estimulam a sua curiosidade para a leitura. É relevante a postura ativa e criativa do contador de estórias, que traz vida ao enredo à medida que o narra. Isso faz toda a diferença para despertar o interesse pela leitura. Contar e ouvir estórias, junto com quem se ama, é compartilhar uma experiência gostosa e motivadora para novas descobertas”, orienta Renata Dias.

Os livros e as ilustrações

A psicóloga afirma que qualquer livro poderá despertar a curiosidade da criança, basta que o contador de estória promova uma interação afetuosa e animada. Segundo Renata Dias, é importante levar a criança para o universo da magia e do encantamento das palavras, com entonação de voz que dá vida a narrativa e que faça brilhar seus olhos. Dessa forma a curiosidade é ativada e a criança se motivará para saber mais e mais. “O livro sem texto, apresentando somente ilustrações, pode também ser um convite à autonomia, colocando o contador e a criança como autores da estória que pode ser narrada, como construtores da própria narrativa, como sujeitos da própria história. Assim, desde cedo, a criança poderá perceber sua responsabilidade de ser, o que a permitirá atuar e fazer diferença no mundo no qual vive”, observa.

O livro pode ser considerado um brinquedo e por isso deve ser carregado por todos os lugares pela criança.

? Dos 10 meses a 2 anos:  é importante que sejam estórias curtas, com gravuras simples e atrativas. Livros de plástico, pano, e, até mesmo, com fantoches.

? Dos 2 aos 3 anos: desejável que sejam estórias com textos simples e poucos personagens. Livros com fantoches podem ser excelentes opções para aumentar o vocabulário da criança, auxiliando-a também na construção de noções básicas.

? Dos 3 aos 6 anos: estórias que sugerem vivências de seu ambiente familiar e escolar. Há também os livros Puzle (quebra cabeça) para várias faixas etárias.

De acordo com Renata Dia, o educador, ou os pais, só estimulará a criança para o universo literário, se ele sentir primeiro o despertar de seu próprio encantamento pela leitura. “Não há como deixar a educação do filho nas mãos de outra pessoa e querer que a criança tenha um desenvolvimento saudável”, finaliza.

Fonte: Jornal Correio da Cidade

Literatura para bebês amplia vocabulário de crianças em até 60%

PRIMEIRA INFÂNCIA | Estimular o contato precoce com livros amplia o vocabulário das crianças

Pode parecer que não, mas a importância dos livros para os bebês vai além de um apanhado de papel para tocar, rasgar e mastigar. Mais que o desenvolvimento sensorial, a leitura tem impacto no desenvolvimento da linguagem e vocabulário na primeira infância, período que vai de zero a 6 anos.

O estudo “Impacto da leitura feita pelo adulto para a criança, na primeira infância, para o desenvolvimento do indivíduo”, da Fundação Itaú Social, aponta que bebês que têm acesso à literatura chegam aos 6 anos com 60% mais vocabulário que os que não são expostos a esse tipo de estímulo. O levantamento considerou artigos científicos publicados desde o início da década de 1990.

A gente não dá o livro para o bebê porque acha que ele vai rasgar e morder. Mas aquele livro traz um imaginário, uma linguagem e uma história que é muito importante para o desenvolvimento da criança. Ela se alfabetiza e passa pela educação inteira com mais facilidade”, argumenta a superintendente da Fundação Itaú Social, Angela Dannemann. A entidade promove ações para incentivar a leitura para crianças. No mês de outubro de cada ano, famílias podem se registrar na Internet para receber dois livros gratuitos. Desde 2010, 51 milhões de exemplares já foram doados.

Não só ler para um bebê, mas ler para uma barriga grávida faz diferença. O primeiro sentido do bebê depois do tato é a audição”, completa Angela.Para a especialista em promoção da leitura e literatura infantil na Espanha, Beatriz Sanjuán, a literatura não ocorre somente por meio dos livros. Ela destaca que é importante que os pais e pessoas ao redor dos pequenos estabeleçam conexão com eles. O contar história e a intenção de comunicar são mais importantes que o significado das palavras.

Eles entendem tudo porque não apenas as palavras comunicam. Não importa qual o idioma ou as palavras utilizadas, não importa o significado, mas a intenção de acolher e fazê-lo se sentir parte deste mundo”, diz.

Na era dos tablets e smartphones, as opiniões sobre a inclusão desses itens na educação das crianças se dividem. Por um lado, alguns especialistas acreditam que os aparelhos eletrônicos afastam as crianças dos livros. Por outro, há quem advogue que eles são ferramentas importantes para formar leitores críticos.

O doutor em didática da literatura pela Universidade Autônoma de Barcelona, Lucas Ramada Prieto, afirma que não se deve tentar isolar as crianças das novas tecnologias. Em vez disso, é importante focar em conteúdos relevantes e estimular a leitura crítica.

Pai de primeira viagem de uma menina de 8 meses, o professor de kitesurf, Ricardo Coelho, acredita que o importante é manter um equilíbrio saudável entre livros tradicionais e mídias digitais. “Eu, quando criança, não li tanto, então tive mais dificuldade para adquirir velocidade e compreensão. Para ela, acho que já vai ajudar bastante essa coisa de ter livros, estímulos. No celular, ela escuta músicas e já demonstra a personalidade. Eu já sei do que ela gosta e não gosta”, explica. Por enquanto, acrescenta, as mídias digitais são um último recurso de entretenimento, a preferência da família é apresentar livros de história em papel, feitos de tecido, musicais e até um de plástico, para a hora do banho.

DIA DO LIVRO INFANTIL

A data é comemorada no Brasil em 18 de abril, aniversário do escritor Monteiro Lobato, autor de obras do Sítio do Pica-pau Amarelo

Fonte: O Povo

Leitura para bebês, sim!

Ler para bebês | Unsplash Images

Sabemos que ler para as crianças é importante, mas e para os bebês? Também! Antes mesmo de nascer, o bebê já está fazendo “leituras” do mundo: ele ouve a voz da mãe e já responde com determinados movimentos ainda na barriga, por exemplo. Ao chegar ao mundo cheio de informações, o bebê passa a tentar entender os tempos de espera, a ausência, os sinais de voz, os gestos e os cuidados que recebe. Tudo isso (e muito mais) são, sim, atos de leitura.

Evélio Cabrejo-Parra, especialista em leitura na Primeira Infância, afirma que as crianças pequenas são músicos em estado puro, com uma audição extraordinária. Esse “super poder” impactará no desenvolvimento cognitivo, e, ainda mais importante, emocional/psíquico dos pequenos. Por isso, deve ser estimulado – e muito!

Vale reforçar que proporcionar literatura para os bebês não significa tentar alfabetizá-los. A leitura literária nessa etapa está ligada ao mergulho desses recém-chegados à floresta de  linguagem que nos cerca: música, entonações, ritmos, cores, pausas, símbolos, etc. Trata-se de dar a eles material para pensarem sobre si mesmos e o mundo, criando significados mesmo antes de falarem. Parra diz ainda que “há uma musicalidade própria do texto” diferente das demais; uma musicalidade capaz de inserir a criança desde cedo na língua, patrimônio cultural de todos nós e que requer conhecimentos específicos de identidade (como modulação de voz, palavras adequadas a esse ou aquele contexto, etc.).

O que você talvez não saiba, mas deveria:

  • Entre o terceiro e o quinto mês de gestação o sistema auditivo do bebê se constitui e a voz da mãe começa a ser processada e chegar com uma ressonância particular. É possível ler para o bebê ainda na barriga!

  • Os bebês podem “estragar” os livros? Os bebês mordem, tocam, babam, rasgam os livros porque essa é a maneira deles de testar cores, texturas, formatos – ou seja, informações. É preciso ensiná-los a apreciar as obras sem estragá-las e não limitar a leitura e o contato físico com os livros apenas “quando ele estiverem prontos”. Quanto antes, melhor!

  • Os bebês e as crianças não-alfabetizadas podem não saber ler de modo convencional (dominando um código), mas antes de entrarem na escola, eles já simulam comportamentos leitores que viram por aí. Tudo isso forma uma preciosa bagagem para quando a criança tiver de empregar suas próprias viagens solitárias no mundo do saber e da linguagem.

  • Não é melhor cantar para os bebês? Os bebês precisam de música, pois eles se atentam a tonalidade e ritmo. A leitura tem sua própria musicalidade e ela deve ser uma das muitas opções do cardápio musical das crianças pequenas, não a única.

  • É nos primeiros anos de vida que o cérebro humano atinge seu pico de conexões cerebrais. Essas interligações representam a capacidade de aprendizagem e as pesquisas mostram que seu maior ou menor número depende não apenas de genética, como de estímulos de qualidade, que devem ocorrer na creche ou em casa. Ler é uma das maneiras de estimulá-lo.

  • A leitura amplia o vínculo do cuidador (seja mãe, pai ou outro responsável) com o bebê, ampliando a relação de afeto essencial para o desenvolvimento infantil.

  • Bebetecas: isso mesmo, bibliotecas para bebês existem! Esses espaços são pensados para responder às necessidades de crianças entre 6 meses e 3 anos de vida, levando em consideração a importância do brincar e da socialização dos pequenos, além de seu conforto. Além disso, frequentar bibliotecas públicas é um direito de todos os cidadãos, inclusive dos bebês. Procure uma em sua cidade!

Mãos às obras

Formar um leitor autônomo, isto é, uma criança capaz de navegar sozinha em busca do saber com senso crítico, requer acompanhamento e incentivo desde bem cedo. Esse é o papel indispensável da família e dos educadores. Mas, por onde começar? O primeiro passo você já deu ao se informar sobre o assunto. Abaixo listo algumas fontes de informação de leitura para crianças.

Dicas do que ler – com Denise Guilherme, especialista da área

A Taba – especialista em curadoria de literatura infantil.

Blog A Cigarra e a Formiga – Daisy compartilhe as aventuras literárias com os filhos pequenos.

Blog das Letrinhas – espaço da Editora Cia das Letras para debater os temas relacionados ao selo voltado para a literatura infantil.

Lê no ninho – programa de leitura para crianças entre 6 meses e 3 anos da Biblioteca Villa Lobos (SP)

Saiba mais sobre leitura para bebês

http://revistaemilia.com.br/ler-historias-para-os-bebes-2/

http://ataba.com.br/a-taba-responde-leitura-para-bebes/

https://revistacrescer.globo.com/Os-primeiros-1000-dias-do-seu-filho/noticia/2014/12/bem-vindo-ao-cerebro-do-seu-bebe.html

Texto por Pricilla Kesley

Fonte: O Globo

A palavra na primeira infância

A palavra é o primeiro alimento do bebê. É ela que conduz a criança ao desenvolvimento emocional e cognitivo, à construção do imaginário e ao processo de aquisição da linguagem.

Em todas as culturas, as crianças se reconhecem, compreendem tempos e espaços, criam vínculos e constroem memórias afetivas por meio da palavra. Por esse motivo, o direito à leitura e a outros bens culturais deve ser garantido, para que tenham oportunidades de desenvolver as competências de leitura e escrita necessárias ao pleno exercício da cidadania. 

O psicanalista colombiano Evélio Cabrero-Parra considera que a linguagem cotidiana tende a ser imperativa, dando orientações e limites sobre o que fazer ou não. A literatura, por sua vez, oferece novo vocabulário e histórias de outros lugares, perspectivas e possibilidades. 

Quando um adulto lê para uma criança, ela escuta com maior liberdade e apreende o que necessita.

O afeto e a disponibilidade dos pais são mais determinantes para as práticas de leitura do que a condição socioeconômica. A qualidade das interações e conversas no ambiente familiar favorece a apropriação de ferramentas essenciais para viver e conviver em mundo letrado e a participação efetiva em sociedade que é mediada pela palavra. As escolas e creches, embora não sejam as únicas responsáveis pela promoção da leitura, acabam sendo lugares privilegiados para garantir o acesso à palavra, à cultura e à arte.

Em março, autores e ilustradores de literatura infantojuvenil e especialistas em temas e políticas ligados à primeira infância, à cultura e ao desenvolvimento infantil trouxeram à tona, durante o Seminário Internacional Arte, Palavra e Leitura na Primeira Infância, realizado no Sesc Pinheiros, em São Paulo, a reflexão sobre os diferentes olhares que podem contribuir para ampliar referenciais e inspirar novas práticas. 

A escritora e educadora Yolanda Reyes, reconhecida na área de formação de leitores, destaca a necessidade de refletir sobre a pedagogia de literatura, que deve dar vazão à imaginação das crianças e jovens para que sejam capazes de recriar o caminho deixado pelas pegadas do criador/autor. 

Um de seus questionamentos nos ajuda a refletir: ‘De onde surgiu esse consenso que obriga todos a sublinharem a mesma coisa em um mesmo parágrafo de um conto, a entenderem rapidamente as mesmas ideias principais e a enxergarem todas as obras a partir de um mesmo ponto de vista?’. E sua conclusão: ‘No fundo, os livros são isso: conversas sobre a vida. E é urgente, sobretudo, aprender a conversar’.

Texto por Dianne Melo, gestora de programas e projetos sociais e educacionais do Itaú Social.

Fonte: Diário do Grande ABC

Livros auxiliam desenvolvimento infantil

Contato com histórias desde cedo permite que a criança “tome gosto” pela leitura

A professora Aline Sales Esteves na hora da história: momento para incentivar desenvolvimento das crianças LAURA AGOSTINHO

É por meio das histórias que as crianças têm contato com os primeiros livros, com as letras, cores e sons. Pode parecer estranho, mas o ato de ouvir histórias faz tão bem aos pequenos que é recomendado até mesmo durante a gestação. 

De acordo com a coordenadora pedagógica da Educação Infantil do Colégio da Fundação Educacional Dr. Raul Bauab, Ana Maria Galvão de Barros Almeida, a criança que convive desde a infância com os livros tem tendência a escrever melhor. “A leitura amplia a criatividade e auxilia na alfabetização. O hábito deve ser ensinado em casa, desde pequeno”, comenta.

Atualmente, há opções que facilitam a prática da leitura por crianças de diferentes idades e em diversas ocasiões. Há livros de plástico, que podem ser molhados durante o banho, ou de pano, para evitar que os pequenos rasguem enquanto manuseiam.

De 6 meses a 1 ano, trabalhamos a parte senso-motora. A criança vai apalpar, sentir texturas, conhecer formas, tatear as folhas”, conta a pedagoga Priscila Tomé Cok. Ela acrescenta que até os 2 anos de idade os livros auxiliam no desenvolvimento da coordenação motora dos alunos. “Esses hábitos induzem a criança a querer ler cada vez mais.”

O incentivo deve ser constante, tanto na escola quanto em casa. A ação facilita a alfabetização e desperta habilidades de linguagem, vocabulário e criatividade. Além disso, o recurso pode ser utilizado para apresentar às crianças diferenças entre as pessoas, as culturas, a lidar com questões cotidianas e emocionas e a entender normas e regras. 

A autônoma Kátia Cilene de França Locatelli, mãe do pequeno Noah Locatelli, de 2 anos, avalia que o momento da leitura faz diferença no desenvolvimento do filho. “Ele gosta muito, faz perguntas. Às vezes, ele mesmo pega o livro e fala que vai ler para mim”, conta.

Além de fazer bem para a alfabetização, a historinha ajuda a criança a entender quando é hora de prestar atenção, de se concentrar, de ficar em silêncio e de ouvir.

Interação

O momento da historinha em casa é visto como hora de prazer e interação entre os pais e os filhos. “Tem de ser um momento gostoso, para eles ficarem juntos”, conta a professora Aline Sales Esteves.

O tempo dedicado à leitura pode ser incrementado com fantoches, objetos com som e outros artifícios que prendam a atenção do filho. A professora Sirlene Aparecida Rodrigues ressalta que estes objetos são utilizados principalmente com as crianças menores. “Aqui, nos usamos dedoches, chocalhos para os bebês, o que faz muita diferença no desenvolvimento deles. Eles ficam mais atentos.”

A mãe do Noah avalia que a hora da história é um momento único dos pais com o filho. “Quando ele está com o pai não pede livros, pede para falar as letras das palavras que vê.”

Fonte: Comércio do Jahu

I Seminário Internacional Arte, Palavra e Leitura na Primeira Infância

O I Seminário Internacional Arte, Palavra e Leitura na Primeira Infância reunirá renomados especialistas nacionais e internacionais em um intercâmbio de experiências e reflexões, visando a composição de um panorama teórico e prático contemporâneo sobre o lugar da cultura na infância.

O evento, que será realizado nos dias 13, 14 e 15 de março de 2018 no SESC Pinheiros, em São Paulo, é uma iniciativa do Instituto Emília e da Comunidade Educativa CEDAC, realizada com o SESC São Paulo e a Fundação Itaú Social.

A programação se estrutura em oficinas com especialistas, na parte da manhã, e com mesas-redondas e apresentações de experiências, na parte da tarde.

As atividades da tarde são gratuitas (mediante inscrição prévia), mas as oficinas são pagas. As mesas-redondas serão o espaço para trocas de pensamentos e práticas entre os especialistas em torno de temas desafiadores na área da leitura na primeira infância. Já as oficinas serão um espaço para discussão e vivência de práticas diretamente ligadas ao dia a dia dos promotores de leitura e daqueles que trabalham diretamente com a primeira infância.

Este projeto visa aprofundar o debate sobre a arte, a palavra e a leitura na vida da criança, considerando as novas descobertas nos campos cognitivo e educacional, e ampliar os subsídios teóricos e práticos em uma área em que a bibliografia em língua portuguesa ainda é escassa e em que a ampliação da reflexão se coloca como uma a necessidade fundamental para a formulação de políticas e estratégias para a formação de futuros leitores.

Local: SESC Pinheiros (Rua Pais Leme, 195)
Data: 13, 14 e 15 de março de 2018
Oficinas: das 9h às 12h30
Seminário: das 14h às 18h30

Site do Evento: I Seminário Internacional Arte, Palavra e Leitura na Primeira Infância