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Leitura Juvenil

Clássico da literatura infanto-juvenil, “O Pequeno Príncipe” ganha versão em braille

O livro “O Pequeno Príncipe”, do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, é um dos grandes clássicos da literatura-infanto juvenil mundial com traduções para mais de 360 idiomas e dialetos. E em 2014 essa obra também ganhou uma versão inclusiva escrita em braille, publicada pelo artista e deficiente visual Claude Garrandes, com o apoio da Fundação da Juventude Antoine de Saint-Exupéry. No entanto, a versão em braille foi produzida com edição limitada, tornando-se um objeto raro.

Infelizmente, a oferta de livros em braille ainda é limitada e de difícil acesso para a população. Mas existem instituições que trabalham nessa área com o intuito de promover a inclusão de deficientes visuais no mundo literário, como é o caso da Fundação Dorina Nowill para Cegos e o Instituto Benjamin Constant.

Fundação Dorina Nowill para Cegos

A Fundação Dorina Nowill para Cegos produz anualmente milhares de páginas em braille de livros didático-pedagógicos, paradidáticos, literários e obras específicas solicitadas pelas pessoas com deficiência visual. Os livros são distribuídos gratuitamente em escolas, bibliotecas, associações e organizações que possuem esse cunho social. Além dos livros em braille também são feitas versões audio descritivas e digitais.

Para quem tiver o interesse nas obras, a fundação disponibiliza o empréstimo de mais de 1600 títulos falados por meio da Biblioteca Circulante do Livro Falado. Para solicitar o empréstimo, é necessário preencher um ficha de cadastro escolhendo de 15 a 20 títulos de interesse disponíveis no acervo, que também podem ser alterados posteriormente. Cada pessoa pode retirar até três livros por vez e permanecer com eles por até 60 dias.

Os empréstimos podem ser feitos por correio ou pessoalmente, a biblioteca fica localizada na Rua Dr. Diogo de Faria, 558 – Vila Clementino – SP, e o horário de atendimento é de segunda a sexta, das 8h às 17h. Para mais informações, entre em contato pelo e-mail biblioteca@fundacaodorina.org.br ou  pelo telefone (11) 5087-0991.

Instituto Benjamin Constant

O Instituto Benjamin Constant, localizado no Rio de Janeiro, produz obras didáticas e paradidáticas com o objetivo de suprir a necessidade de escolas públicas, bibliotecas públicas e instituições sem fins lucrativos que atuam nesse setor.

Para fazer a solicitação das obras o responsável pela instituição deve assinar os livros desejados na listagem de livros em braille e preencher a solicitação para recebimento de livros em braille disponíveis no site do Benjamin Constant, além de informar o nome completo do aluno, data de nascimento e nível de escolaridade.

Cada instituição pode solicitar até 50 títulos e as solicitações devem ser encaminhadas para o e-mail dib@ibc.gov.br ou pelos correios aos cuidados da Divisão de Imprensa Braille (DIB).

Fonte: São Paulo para Crianças

Pesquisa avalia influência de youtubers na leitura infanto-juvenil

A pesquisa usou como parâmetro de análise do mercado editorial brasileiro a publicação de livros por parte dos youtubers

 Texto por Redação com UFMS

Livros de youtubers expostos na livraria – Foto: Reprodução/Internet

Há muito, a internet assumiu forte papel influenciador em diversas áreas do conhecimento e comportamentais e não está sendo diferente com relação ao hábito de leitura das crianças e adolescentes.

Uma das questões levantadas é com relação à influência dos youtubers no hábito de leitura desse público infanto-juvenil, principalmente os receptores de seus vídeos e posteriores consumidores de suas obras editoriais.

No Campus do Pantanal (Cpan), a professora do curso de Letras, Carina Marques Duarte coordena a pesquisa “A massificação da literatura infantil concomitante ao avanço das mídias digitais, avanços e retrocessos”, da qual participa a acadêmica Emília Souza Arrua, idealizadora do projeto de iniciação científica.

“O projeto surgiu a partir uma grande reflexão realizada após a leitura do livro “A aventura do livro do leitor ao navegador” (1998), de Roger Chartier. Desde a publicação desta obra o cenário global passou por inúmeras mudanças, nem sempre positivas. Em um mundo “conectado”, a facilidade de acesso à informação e à diversidade de conteúdos disponíveis não avaliza a qualidade dos referidos conteúdos”, explica Carina.

Iniciada em agosto de 2019, a pesquisa baseou-se na aplicação de questionários a 20 crianças de uma escola pública e 20 crianças de uma escola particular de Corumbá. O projeto teve o apoio das coordenações pedagógicas das escolas.

A proposta é que os questionamentos apontem se as crianças têm o hábito da leitura, que obras costumam ler e se acessam os conteúdos digitais, especialmente aqueles produzidos por youtubers. Atualmente, a pesquisa está na fase de observação dos dados obtidos nos questionários e elaboração do database.

“Já é possível a constatação de alguns resultados, que, por sua vez, acarretaram grandes surpresas após a análise dos questionários. Em suma, foi constatado que os alunos da rede estadual leem mais livros clássicos que os alunos da rede privada, além de demonstrarem maior interesse pela leitura”, expõe a coordenadora.

Livros

A pesquisa usou como parâmetro de análise do mercado editorial brasileiro a publicação de livros por parte dos youtubers, que, cada vez mais, ocupam o cenário literário, segundo a pesquisadora. Diante da grande quantidade de youtubers, a pesquisa focou o escritor Luccas Neto.

“Primeiramente, devemos pontuar que a influência dos youtubers sobre os jovens leitores é imensa. Uma criança de três anos (e este é apenas um exemplo), hoje, se coloca diante da televisão e quer assistir ao Luccas Neto. Em seguida, o seu objeto de desejo será o boneco do Luccas Neto. Por fim, o alvo do seu interesse será, também, o livro do youtuber. Portanto, os pequenos acabam se tornando consumidores das obras produzidas pelos youtubers”, aponta Carina.

A problemática levanta-se quanto à relevância desses livros, segundo a pesquisadora. “Se por um lado, apresentam jogos, passatempos e conteúdo educativo, por outro, não propiciam aos jovens leitores o contato qualificado com o universo fabulado, contato que, segundo Antonio Candido, é imprescindível. A experiência estética – decorrente da imersão nos textos de Andersen, dos Irmãos Grimm, de Marina Colassant e Ruth Rocha, por exemplo – está ausente da leitura dessas obras editoriais massificadas”, afirma.

Carina pontua que as obras produzidas por youtubers são sucessos de vendas, o que, entretanto, não significa que tenham sobre os leitores um efeito equivalente ao de um bom texto literário.

“Oportunamente, me vem à memória o escritor Mario Vargas Llosa, que, em 2010, ao receber o prêmio Nobel, afirmou que “um mundo sem literatura se transformaria num mundo sem desejos, sem ideais, sem desobediência, um mundo de autômatos privados daquilo que torna humano um ser humano: a capacidade de sair de si mesmo e de se transformar em outro, em outros, modelados pela argila dos nossos sonhos”. A literatura tem um alto potencial transformador, uma vez que aperfeiçoa a condição humana”, completa.

Quanto à influência de youreaders – que comentam sobre obras literárias diversas – a sua atuação será válida sempre que suscitar nos jovens o interesse pela boa literatura, acredita Carina.

“A leitura de um texto literário (que não é experimentada pela maioria das pessoas) nos “sequestra” do nosso mundo cotidiano, ao qual, em seguida, retornamos, mas de uma maneira inteiramente nova, enriquecidos pela experiência estética. A esta experiência, lembrando Antonio Candido, todos os indivíduos têm direito, e o nosso desafio, enquanto profissionais da área de Letras, é contribuir para que o acesso ao universo da leitura ocorra de forma qualificada e prolífica”, finaliza.

Fonte: A Crítica

A produção da literatura infantil e juvenil brasileira reunida em catálogo

Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil publica seu catálogo que reúne a produção de 65 criadores

Texto por Redação

A Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (Aeilij) acaba de colocar à disposição a sétima edição do seu Anuário, referente à produção de 2019. Ao todo, o documento reúne capas, resenhas e informações gerais sobre 105 títulos produzidos por 65 criadores e publicados por 61 editoras. “É um material rico para pesquisa e referência da produção editorial da literatura infantil e juvenil brasileira, especialmente para educadores, livreiros, bibliotecas e centros culturais”, comentou Rosana Rios, presidente da Aeilij na apresentação do catálogo que ganhou ilustrações de Nireuda Longobardi. O volume traz ainda uma entrevista com Daniel Munduruku. Clique aqui para visualizar o catálogo ou aqui para imprimi-lo.

Fonte: PUBLISHNEWS

Revista Novos Olhares: a internet acabou com a leitura entre os jovens?

Artigo discute como os meios digitais revolucionaram a relação entre os adolescentes e os livros

O senso comum diz que a internet acabou com a leitura entre os adolescentes. O artigo “Adolescentes e o livro: internet como mediadora de novas práticas de leitura” diz o contrário. Escrito pelas pesquisadoras Marina Machiavelli e Liliane Dutra Brignol, o trabalho faz parte da mais recente edição da revista Novos Olhares.

Segundo o artigo, a internet potencializou novas formas de se conectar com o ambiente da leitura. É através dela que os jovens acompanham seus autores favoritos, veem indicações feitas por youtubers – os especializados em livros são chamados booktubers – , compartilham suas leituras e se conectam com outros leitores.

No ambiente digital, nem sempre são os PDFs e eReaders que se sobressaem. Na pesquisa feita por Machiavelli e Brignol, os adolescentes afirmaram preferir o livro impresso à leitura no celular, por exemplo. O celular, na verdade, é mais “o responsável por permitir o compartilhamento de experiências de leitura com os amigos”.

Isso não descarta a leitura em dispositivos como o Kindle ou o Lev, no entanto. Segundo as autoras, “o adolescente pode ser leitor de dispositivos digitais ao mesmo tempo em  que  lê  o  livro  impresso.  Ele  vai  de  um  ao  outro  descobrindo  espaços  de encontros e interesses.”

O objetivo do artigo era analisar o impacto dos suportes digitais e também como a internet transformou as práticas de leitura. Para isso, as autoras fizeram uma pesquisa com alguns adolescentes leitores na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. A partir de discussões com seis jovens na faixa etária de 14 a 16 anos, um grupo relativamente homogêneo, foi possível entender mais sobre como esse grupo se relaciona com os livros em um contexto de tanta presença da internet.

A prática de leitura não se resume a simplesmente ler o livro e guardá-lo na estante depois. Na verdade, o que foi percebido é que cada vez mais os leitores se transformam em seguidores, em fãs. Acompanham lançamentos, seguem os autores nas redes sociais, fazem grupos para discussões de livros, criam narrativas alternativas – as chamadas fanfics. No artigo, Machiavelli e Brignol dizem que os jovens “querem se sentir parte, ter a oportunidade de se aproximar não só da obra, mas daquilo que o autor representa.”

De fato, a internet revolucionou a leitura. Mas não necessariamente de forma negativa. O que a pesquisa mostra é que “o adolescente lê, lê do seu jeito, lê aquilo que o faz sentir, faz se emocionar, faz querer compartilhar, faz questionar e faz refletir sobre sua realidade, mas, acima de tudo, o faz constituir-se enquanto leitor.”

Revista Novos Olhares, v.8 n.2 (dez/2019)

Novos Olhares é a revista de Estudos Sobre Práticas de Recepção a Produtos Midiáticos, do  Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos  Audiovisuais (PPGMPA). A publicação semestral, em seu oitavo volume, discute temas variados, envolvendo jornalismo, comunicação organizacional, cinema, literatura e muitos outros.

A revista está disponível para download gratuito no Portal de Revistas da USP.

por Maria Eduarda Nogueira Oliveira

Fonte: ECA/USP

PLATAFORMA DIGITAL CONSEGUE AMPLIAR ÍNDICE DE LEITURA EM ESCOLAS

Texto por Jorge Marin

Um concurso literário digital chamado “Li, Gravei – Concurso de Booktubers”, realizado no primeiro semestre de 2019 pela plataforma de leitura Árvore de Livros, conseguiu a proeza de, durante um único mês, fazer com que alunos de diversas escolas do Brasil lessem mais de 1900 livros acessados por dispositivos eletrônicos, atingindo uma marca superior a 5 mil horas de leitura!

A proposta do concurso era que, via plataforma digital Árvore de Livros, os alunos dos anos finais do ensino fundamental e do nível médio se envolvessem na leitura de obras clássicas da literatura brasileira — de Machado de Assis a Marina Colasanti — e produzissem, em pequenas equipes, uma resenha em vídeo para o YouTube.

Ao promover a conexão entre esses diferentes formatos de linguagem sem sair do mundo digital, o preferido dos jovens, a Árvore de Livros busca atingir o objetivo de formar novos leitores nas escolas num momento em que o desempenho dos alunos brasileiros é considerado “estacionado” em leitura, matemática e cicências segundo os dados do Pisa 2018, exame internacional de educação promovido pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) cujos resultados foram divulgados no último dia 3 de dezembro.

A Árvore de Livros

Lançada em 2014, a Árvore de Livros é uma edtech, nome dado a empresas que desenvolvem e se utilizam da tecnologia para potencializar a aprendizagem. Reconhecendo que leitura é a atividade primordial no envolvimento do estudante com as diversas áreas do conhecimento, a empresa tem como premissa filosófica que “incentivar o hábito da leitura ajuda os alunos a terem sucesso acadêmico e a se tornarem cidadãos mais críticos e ativos na sociedade.”

A missão (ambiciosa) da “Árvore” é transformar a educação no Brasil por meio da formação de novos leitores.

Inspirada no lema “plantar leitura muda histórias!”, a plataforma mantém atualmente parceria com mais de 600 editoras, o que permite a disponibilização on-line de mais de 30 mil títulos divididos entre livros, jornais e revistas de todo o mundo. Mas o papel de biblioteca digital é pequeno para os objetivos da Árvore de Livros, que aposta numa equipe pedagógica de apoio a educadores, em relatórios individualizados de acompanhamento de leituras e em outros projetos similares ao vitorioso “Li, Gravei”.

Fonte: Mega Curioso

La literatura infantil y juvenil en América Latina, en la mirada de tres autores

Hoy comienza el Filbita. Infobae Cultura dialogó con tres escritores de libros para chicos —el uruguayo Horacio Cavallo, la peruana Micaela Chirif y el brasileño Renato Moriconi— sobre la salud del género en el continente y la importancia de fomentar la lectura desde la infancia

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Qué momento atraviesa la literatura infantil y juvenil en América Latina

Qué momento atraviesa la literatura infantil y juvenil en América Latina

Cuando éramos chicos, a todos, casi sin excepción, de una u otra manera, nos pasó cerca el anzuelo de la literatura. Algunos —los más afortunados— abrieron la boca y mordieron y desde entonces viven con un pie adentro del mundo de las letras. Otros, en cambio, saboreamos ese universo de grandes y nos adaptamos con mayor o menor facilidad. Pero todos, ahora, ya adentro, y sabiendo las virtudes y satisfacciones que trae la lectura cotidiana, nos preguntamos: ¿qué tan interesados están el Estado, el mercado, los artistas, los editores y la sociedad en general de que los más chicos lean?

Hoy comienza la novena edición del Filbita, el festival dedicado a la literatura infantil y juvenil que reúne escritores e ilustradores de distintas partes del mundo. Son tres días y treinta actividades. Aprovechando la visita, Infobae Cultura habló con algunos de los invitados para que den un panorama general de América Latina y respondan, entre otras preguntas, una que, pese a ser ingenua, sigue siendo vital: ¿es importante que los niños ingresen en la literatura? Horacio Cavallo, narrador y poeta uruguayo, responde que, “más que importante, es fundamental”.

El autor de El marinero del canal de Suez y Poemas para leer en un año —ambos libros ilustrados por Matías Acosta— dice que es necesario “oficiar de mediadores en su camino de lectores. Si alguna vez un libro nos tembló en las manos vivimos de cerca esa especie de magia que tiene la literatura. Esa sensación que trasciende lo lógico y que conecta dos individuos lejanos en el tiempo y el espacio, en muchos casos, es el primer paso para no querer abandonar el mundo de la lectura”.

Micaela Chirif (Foto: María Fernanda Conde Biondi)

Micaela Chirif (Foto: María Fernanda Conde Biondi)

Convencido a niveles activistas, asegura en este breve diálogo con Infobae Cultura que “la lectura transforma, abre la cabeza a nuevas experiencias, y en particular en los niños aumenta la capacidad de abstracción, la imaginación, la creatividad. Hace seres curiosos, activos y por lo tanto también creativos”. ¿No son, acaso, las cualidades que queremos desarrollar en los más chicos? Y todo empieza con un libro, “el instrumento —como decía Borges— que es una extensión de la memoria y de la imaginación”. Un libro, después otro, después otro.

Renato Moriconi es brasileño: artista plástico, profesor y autor de libros para niños. “Desde mi punto de vista —dice ahora, del otro lado del teléfono, en portugués—, la gran función de la literatura en una sociedad, tanto para los niños como para los adultos, es no tener función; la función del arte es no tener una función definida. Puede ser buena para diversas cosas y puede también no serlo; puede servir para uno y tal vez para otro ser totalmente inadecuada”.

“Me gusta mucho una definición de Joseph Campbell, de su libro El poder del mito: el mito no es del mundo de la verdad y de la mentira, sino del mundo de la poesía. Tomando esa idea, creo que la literatura, no solo para niños sino para todos, no tiene una función única y específica, didáctica, y resulta muchas veces irrelevante, porque se necesita de ese mundo más allá de la verdad y de la mentira. La literatura infantil es mucho más rica inclusive en ese tipo de manifestación poética, mítica, espectacular, surreal, del mundo de la fantasía: de lo que no tiene función”, agrega Moriconi.

Horacio Cavallo (Gentileza Filbita)

Horacio Cavallo (Gentileza Filbita)

A las pocas horas de haber aterrizado, la escritora peruana Micaela Chirif relativiza la voracidad del consumo literario. “Leer libros, sí, siempre y cuando no sean cualquier cosa. Por literatura entendamos una literatura de calidad. ¿Y qué cosa es na literatura de calidad? Yo creo que es la que enseña a confiar a los niños en la palabra y que los adentra en el mundo del lenguaje, en la construcción del sentido a través de la palabra. Sabemos que hay un montón de libros que no hacen eso”, le dice a Infobae Cultura en un breve intercambio por audios de WhatsApp.

Y continúa: “Por eso es importante no caer en la idea de que porque los niños lean vayan a ser mejores personas o por alguna aproximación al libro va a haber un efecto mágico que nos convierta en algo mejor de lo que somos. Los libros no nos eximen del trabajo sobre nosotros mismos y de la responsabilidad que tenemos hacia los niños. Parte de esa responsabilidad es producir, escribir e ilustrar libros de calidad: que fomenten el espíritu crítico, que permitan un ejercicio de la libertad creativo, que convoquen a los lectores a forman parte, sin caer en lo panfletario o en lo didactista”.

Renato Moriconi (Gentileza Filbita)

Renato Moriconi (Gentileza Filbita)

Hace años que la literatura infantil y juvenil —la LIJ, como se la llama coloquialmente— dejó de ser un género menor, un hobbie de narradores, un nicho comercial. Hoy, la LIJ cuenta con autores especializados, ilustradores exclusivos y lectores atentos. Su desarrollo implica seguir pensar cómo se trabaja, casi desde la pedagogía, sobre la creatividad y la imaginación de los chicos. Eso que María Teresa Andruetto llamó “salirse de uno mismo para mirar desde los ojos de un otro”, un proceso que, bien trabajado desde la niñez, puede tener resultados asombrosos en la adultez.

Pero, ¿qué momento está atravesando la LIJ, específicamente en América Latina, donde los procesos políticos y culturales pendulan entre la integración y el recorte? “El panorama es muy amplio —sostiene Micaela Chirif con cautela—, pero de lo que yo conozco y gente haciendo un trabajo valiosísimo en Colombia, en México, en Argentina, en Chile, en Perú, en Ecuador, por poner literatura de calidad al alcance de los niños. Todos los países de América Latina compartimos las mismas dificultades, en mayor o menor grado. En Perú, los presupuestos para cultura y edición son muy limitados”.

“Pero más allá de los trabajos individuales que son muy valiosos, si no se articulan en instituciones, en entidades un poco más grandes, esa fuerza individual se agota. Por eso sí es importante que como gremio se organizarse en un esfuerzo colectivo. También es importante que haya apoyo del Estado. Por otro lado, hay producción de literatura muy mala, tampoco vamos a negar eso. Y hay una serie de cosas que se les ofrecen a los niños y a las niñas desde criterios estrictamente comerciales que no contribuyen a la formación de lectores ni a acercarlos a lo que llamamos literatura”, agrega.

Micaela Chirif (Foto: Bereniz Tello)

Micaela Chirif (Foto: Bereniz Tello)

“Desde este pequeño mercado editorial que es Uruguay se la ve muy bien, goza de buena salud en todo el continente”, dice Horacio Cavallo en referencia a la LIJ, y agrega: “Hay editoriales independientes haciendo libros con un trabajo estético y conceptual hermoso. La poesía (la pobre Cenicienta) es tenida en cuenta a la hora de pensar en libros para niños y jóvenes. Hay lugar para que diferentes actores desarrollen su trabajo. Hay, quizás, a mí entender, mayor cruce de editoriales de un país a otro, algo que siempre fue muy difícil de mantener”.

“Hay también, creo yo, un público interesado en leer libros que hablan de nosotros y de nuestros vecinos. Aún así es un momento complicado desde lo económico para el mundo editorial en toda América Latina. Pero siento que hay mucho trabajo, mucha voluntad desde los mediadores, los autores de texto y de ilustración, los editores y los libreros para continuar con esta batalla de toda la vida que es contagiar el gusto por la literatura a los más chicos”, concluye.

Qué momento atraviesa la literatura infantil y juvenil en América Latina
Qué momento atraviesa la literatura infantil y juvenil en América Latina

Moriconi sostiene que “no es de hoy que nuestra cultura, nuestra literatura, nuestra sociedad, padece de cierta crisis de identidad. Estamos formados por diversas matrices, pero hay unas que sobresalen a las otras, dominan, y esa crisis, esa lucha, esa tensión puede ser un rasgo en común de nuestras manifestaciones artísticas. Creo que vivimos la tensión entre lo establecido, la lengua del dominador por sobre los pueblos que fueron dominados. Y también los pueblos dominados que quieren tener voz, en la sociedad, en la cultura, están en nuestras manifestaciones artísticas”.

“Y la literatura infantil no está fuera de esa tensión. Es un campo que manifiesta cada vez más esa tensión. Eso define también un momento, no sé si actual, pero sí define nuestra literatura y nuestro arte, más que lo que se veía veinte o treinta años atrás”, concluye.

Fonte: infobae

A importância da leitura e literatura infantil na formação das crianças e jovens

(*) Marisalva Alves

(*) Cleilta Vieira

A infância é o melhor momento para o indivíduo iniciar sua emancipação mediante a função liberatória da palavra. É entre os oito e treze anos de idade que as crianças revelam maior interesse pela leitura. O estudioso Richard Bamberger reforça a idéia de que é importante habituar a criança às palavras. “Se conseguirmos fazer com que a criança tenha sistematicamente uma experiência positiva com a linguagem, estaremos promovendo o seu desenvolvimento como ser humano.”

Inúmeros pesquisadores têm-se empenhado em mostrar aos pais e professores a importância de se incluir o livro no dia-a-dia da criança. Bamberger afirma que, comparada ao cinema, ao rádio e à televisão, a leitura tem vantagens únicas. Em vez de precisar escolher entre uma variedade limitada, posta à sua disposição por cortesia do patrocinador comercial, ou entre os filmes disponíveis no momento, o leitor pode escolher entre os melhores escritos do presente e do passado. Lê onde e quando mais lhe convém, no ritmo que mais lhe agrada, podendo retardar ou apressar a leitura; interrompê-la, reler ou parar para refletir, a seu bel-prazer. Lê o que, quando, onde e como bem entender.

Essa flexibilidade garante o interesse continuo pela leitura, tanto em relação à educação quanto ao entretenimento.

O desenvolvimento de interesses e hábitos permanentes de leitura é um processo constante, que principia no lar, aperfeiçoa-se sistematicamente na escola e continua pela vida afora.

No caso dos bebês, que ainda estão em processo de desenvolvimento da visão, os contrastes são ótimas pedidas, pois atraem a atenção dos pequenos. Bem como os livros de pano, banho e interativos (com sons, por exemplo), que são perfeitos para os leitores de berço. Também é fundamental que o adulto responsável compreenda que mesmo que a criança ainda seja muito novinha, ela absorve muito na leitura compartilhada, principalmente o amor e o carinho deste momento. Descobrir estes sentimentos desde bebezinhos, poderá ser uma excelente conquista para toda a vida.

Diante disso, a escola busca conhecer e desenvolver na criança as competências da leitura e da escrita e como a literatura infantil pode influenciar de maneira positiva neste processo. Assim, Bakhtin (1992) expressa sobre a literatura infantil abordando que por ser um instrumento motivador e desafiador, ela é capaz de transformar o indivíduo em um sujeito ativo, responsável pela sua aprendizagem , que sabe compreender o contexto em que vive e modificá-lo de acordo com a sua necessidade.

Quanto mais cedo a criança tiver contato com os livros e perceber o prazer que a leitura produz, maior será a probabilidade dela tornar-se um adulto leitor. Da mesma forma através da leitura a criança adquire uma postura crítico-reflexiva, extremamente relevante à sua formação cognitiva.

Estratégias para o uso de textos infantis no aprendizado da leitura, interpretação e produção de textos também são exploradas com o intuito final de promover um ensino de qualidade, prazeroso e direcionado à criança. Somente desta forma, transformaremos o Brasil num país de leitores.

(*) Marisalva Alves da Silva e Cleilta Vieira dos Santos Silva são educadoras da rede de ensino de Rondonópolis

Fonte: A Tribuna MT

Terror para leitores destemidos

Walkiria Vieira – Grupo Folha

A jornalista e escritora paranaense Susan Cruz acaba de lançar sua nova obra “A Criança Invisível”, uma história de terror direcionada ao público infantil. A história narra a trajetória de uma menina que teme a sombra que habita sua casa, uma metáfora para a depressão da mãe. Aos poucos, a garotinha entende que ela precisa ajudar a mãe a se livrar dessa sombra. Para isso precisa enxergar-se novamente, porque sente que está desaparecendo.

De acordo com a escritora, trabalhar com a questão da criança invisível foi a maneira de mostrar o quanto de nós reflete-se no emocional das crianças. “Quando esse espelhamento é comprometido sobra um vazio, uma ausência da própria imagem como indivíduo”, afirma a autora que, para escrever, pesquisou profundamente o tema na psicologia. As ilustrações são da artista e tatuadora londrinense Paty Oliveira. O livro é publicado pela Luva Editora, do Rio de Janeiro, e marca a estreia do selo “Luvinha”, voltado para livros infantis.

A atração pelo gênero é observada por estudiosos e pesquisadores como um incentivo à leitura em razão da criação de uma atmosfera de suspense cuja explicação nada possui de sobrenatural, sendo essencialmente psicológica. “Nessa narrativa escrita em terceira pessoa utilizo recursos linguísticos para aproximar o leitor. Exemplo disso é a ausência de nomes nas personagens. “Achei interessante denominá-las apenas pelos substantivos “mãe” e “filha” para que as crianças possam imaginar qualquer pessoa dentro da história, inclusive a si mesmas em algumas situações”, comenta Susan.

Susan Cruz acaba de lançar 'A Criança Invisível”: segundo os pesquisadores, o terror atrai as crianças pelo clima de suspense
Susan Cruz acaba de lançar ‘A Criança Invisível”: segundo os pesquisadores, o terror atrai as crianças pelo clima de suspense | Ricardo Chicarelli 

De acordo com a bibliotecária Priscila de Jesus Apolinário Ribeiro, o interesse existe e o trabalho gráfico desenvolvido nas obras as torna ainda mais interessantes. “Tudo faz parte da leitura”, observa. No local onde trabalha, a Bibliotecária Pública Infantil de Londrina, há vários títulos disponíveis: “A Casa do Terror”, “Contos de Assombração”, “Contos de Imaginação e Mistério”, “Doze Horas de Terror”, “Fiquem Fora do Porão”, “Formaturas Infernais”, “Pânico no Acampamento”, “Terror na Biblioteca” e “Terror na Festa”, cita.

Um dos mais procurados na biblioteca infantil, que oferece empréstimos gratuitamente, chama-se “Sete Histórias Para Sacudir o Esqueleto”, de Angela Lago, Companhia das Letrinhas. Fantásticas e divertidas, as histórias encantam pela criatividade e humor. Casos de assombrações são recontados como nas narrativas mineiras – esqueletos desfilam pelas páginas e os cemitérios são cenários para defuntos falsos ou não, sonhos e muita imaginação. Obra também consagrada pelo público é “Duas Casas”, de Roseana Murray (Abacatte Editorial) na qual a separação dos pais é tratada de forma delicada e poética neste livro, que usa como gancho a existência de duas casas para sugerir o fim da relação e a divisão da família.

Terror em primeiro plano

Além dos livros, filmes e séries do gênero são cada vez mais prestigiados. Se antes as salas de cinema eram único lugar para a experiência, hoje os canais de assinatura oferecem títulos para todas as faixas etárias. No escuro da sala ou madrugada adentro no quarto, é o fã quem faz seus horários e investe na mania. Diante da tela, a identificação com os enredos é uma das explicações para o sucesso de público. “Uma Noite de Crime”, “Ánimas”, “O grito”, “Maggie – A Transformação” e “A Bruxa”, são exemplos.

Grande atrativo na plataforma da Netflix, a série “O Mundo Sombrio de Sabrina” se passa na cidade de Greendale, onde uma garota metade bruxa e metade mortal, ao completar 16 anos, terá de escolher entre o mundo mágico da família ou o mundo humano dos amigos. As cenas sombrias e elementos perturbadores se somam ao drama adolescente, com ensinamentos e reflexões, em meio às aventuras dos outros personagens da série. E conquista. “Black Sumer”, “Bates Motel” e “A Ordem” também estão na lista dos mais desejados e temidos.

Biblioteca é ponto de referência

No intervalo entre as aulas regulares e os cursos extras, a estudante do 9º ano do Ensino Fundamental, Yasmim Caroline Pontes, 13 anos, encontra na leitura, um momento para relaxar e divertir-se. Conserva pelos gibis grande admiração e sobre o gênero de terror, considera interessante. “Estimula a curiosidade e gosto de terror, principalmente dos filmes. Depois que assisti ‘It, A Coisa’, quis ler o livro também”, recorda. Além das obras paradidáticas, sugeridas pela escola, lê com gosto, por iniciativa. “O Mistério da Casa Verde”, de Moacyr Scliar, é uma sugestão da jovem leitora. Com suspense, aventura, amor e ação, o livro prende a atenção. “Eu me identifico com as personagens”. De acordo com sua mãe, a Técnica em Comunicação Zuleika Pontes, o hábito vem desde os primeiros anos de vida. “Também aproveita as obras de acesso online oferecidas pela biblioteca digital da escola e eu reconheço que a influenciei, pois também leio bastante”, comenta.

Yasmim Caroline Pontes, 13 anos, estudante: “Livros de terror me despertam a curiosidade”
Yasmim Caroline Pontes, 13 anos, estudante: “Livros de terror me despertam a curiosidade” | Walkiria Vieira

Frequentadora da biblioteca pública, Betânia Azevedo observa a filha Alice, de um ano e meio, descobrindo o universo da leitura. Os de capa dura e coloridos são os que mais atraem a atenção da pequena. “Eu comecei a vir para pegar livros para meu filho de 8 anos, o Guilherme. Estou empenhada a tirá-lo do celular e está funcionando. Tem semana que venho duas vezes”, diz. De prateleira em prateleira, Betânia conta que se esforça para surpreender o filho: “Guilherme gosta de aventura”.

Alice Azevedo, um ano e meio, já gosta de ler e sua referência é o irmão, Guilherme, de 8 anos
Alice Azevedo, um ano e meio, já gosta de ler e sua referência é o irmão, Guilherme, de 8 anos | Walkiria Vieira

Serviço:

“A Criança Invisível”, Susan Cruz

Preço: R$29,90

Livraria Curitiba, do Shopping Catuaí 3294-8300

LA Bella Maffia Tattos – Rua Benjamin Constant, 1777 – Fone: 3361-8554

Biblioteca Pública Infantil Londrina Monteiro Lobato

R. Maestro Egídio Camargo do Amaral, 1-87 – Centro

Funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 8 às 18 horas.

Mais informações: 3371-6603

Fonte: Folha de Londrina

Dicas para promover o gosto pela leitura em crianças e adolescentes

Texto por  Mônica Macabú

O dia a dia que sufoca, o trânsito que te faz perder horas preciosas do seu dia e a carga horária exaustiva de trabalho, são fatos que colaboraram muitas vezes para que muitos pais e familiares de crianças e adolescentes tenham pouco tempo para estar junto da rotina deles. Se o dia a dia de muitas famílias já é intenso, imagine como esses pais e familiares poderiam ter tempo para desfrutar da convivência em família da leitura literária?

Para o mediador de leitura, Victor Ramos, que atua na formação de leitores e na Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias (RNBC), é primordial que o ato de ler esteja no ambiente familiar, de quem possa apresentar a leitura a criança. Mas o mediador reconhece as dificuldades e a falta de tempo dos pais e familiares para atividades em família. “É preciso dar alternativas e indicar caminhos para que pais e familiares possam dentro do seu tempo estimular a leitura de forma prazerosa. A leitura tem que ser estimulada de forma prazerosa e agradável, para que cada criança e adolescente possa experimentar o gosto pela leitura e criar o hábito e prazer pelo ato de ler livro” analisa o mediador.

O mediador destaca algumas dicas para que os pais, mães e familiares possam estimular a leitura literária na rotina de crianças e adolescentes

.É importante lembrar que cada família pode também realizar o incentivo à leitura com outras atividades e que as sugestões não têm como objetivo tornar a leitura uma obrigação, mas sim atentar para o fato de que pequenas ações ajudam a colaborar com a prática da leitura em família.

1-Estimule seu filho a frequentar a biblioteca da escola

Se há na escola de seu filho uma biblioteca escolar, estimule e instigue seu filho a se tornar um frequentador desse espaço e a realizar empréstimos de livros na biblioteca.

2-Faça troca de livros e atividades literárias nos encontros com a família ou amigos

Nos encontros familiares ou com amigos proponha a troca de livros de literatura entre as crianças e adolescentes. Rodas de leitura para entreter as crianças até a hora de almoço ou lanche e para adolescentes um bate papo sobre o que eles leem ou gostam de ler. “Quantos não ligam a TV ou habilitam o Wi-Fi de casa em um churrasco para distrair as crianças e adolescentes? Faça diferente e já coloque no grupo do WattsApp da família, que o próximo encontro será regado a alegria, abraços e literatura.” brinca o especialista.

3- Aproveite os eventos culturais e literários das bibliotecas da sua região.

Frequente as bibliotecas públicas e as bibliotecas comunitárias da sua região aos fins de semana com sua família. Muitos espaços têm atividades literárias e culturais aos fins de semana com atividades gratuitas.

4-Leve livros para casa

A leitura é um dos melhores hábitos que pais ou familiares podem proporcionar a uma criança ou adolescente. A leitura fortalece laços e cria vínculos., aprimora a escrita e o vocabulário, colabora para o aprendizado de diversos conteúdos e instiga a imaginação. Se não há como fazer a aquisição de livros, seja você a ponte entre ele e os seus filhos, torne-se um mediador, pegue livros emprestados em bibliotecas e leia para o seu filho. Aproveitem a vontade de tornar seus filhos leitores e busquem o prazer pela leitura juntos” afirmou o mediador de leitura.

Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias

Se você for do estado do Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Pernambuco, São Paulo, Maranhão, Pará e Ceará, você pode procurar e conhecer as bibliotecas da RNBC, no site: https://www.rnbc.org.br/p/localidades.html.

Desde 2015, mais de 100 bibliotecas comunitárias nas regiões Norte, Nordeste, Sul e Sudeste experimentam e vivenciam a atuação em rede, com a RNBC- Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias, com ações e trabalho diário de incentivo à leitura e à literatura e a democratização do acesso ao livro e à cultura literária.

Fonte: Clipp Segs

Como ensinar habilidades socioemocionais por meio da Literatura

Além de estimular sentimentos como empatia, personagens podem ensinar crianças e adolescentes a lidar com emoções complexas no processo de crescimento

Por Camila Cecílio

 
Crianças aproveitam o “faz de conta” para elaborar suas próprias questões: Crédito: Pixabay

Observar através da janela a cidade que, embora às vezes suja, guarda muitas belezas. Perceber que há pessoas diferentes convivendo em um mesmo espaço – um rapaz tatuado que não tira os olhos do celular, um homem cego com seu cão-guia, um músico e seu violão ou uma senhora segurando um vidro cheio de borboletas. Essas são algumas das experiências que o menino Cadu tem ao andar de ônibus no livro Última parada, Rua do Mercado, de Matt de la Pena.

Ao lado da avó, Cadu aprende que é preciso ser gentil com os outros, dizer boa tarde e oferecer o assento no ônibus a quem mais precisa. “É um convite para olhar ao redor com disponibilidade para perceber a poesia nos detalhes e, principalmente, nos outros”, diz a obra, que faz parte do conteúdo trabalhado com crianças dos anos iniciais do Ensino Fundamental no Colégio Marista Anjo da Guarda, em Curitiba (PR), para desenvolver nos pequenos habilidades socioemocionais, como a empatia.

Estudos feitos por universidades ao redor do mundo indicam que ler torna as pessoas mais empáticas. A pesquisa de autoria do professor Keith Oatley, do Departamento de Psicologia Aplicada e Desenvolvimento Humano da Universidade de Toronto, no Canadá, aponta que, ao investigar a vida de personagens da ficção – suas emoções, motivações e pensamentos –, o leitor pode formar suas próprias ideias e aplicá-las na vida real.

Para Oatley, que também é romancista, o estudo reforça a necessidade das humanidades em escolas e universidades como parte do processo educacional. Fortalece, ainda, a ideia de que a ficção, não apenas em livros, mas em romances, contos, peças e filmes, não é apenas entretenimento, mas “tão importante quanto estudos de engenharia e negócios”.

Literatura, uma aliada no dia a dia escolar

Professora e pós-doutora em Artes pela Universidade de Campinas (Unicamp), Fernanda Maria Macahiba Massagardi acredita que ensinar não é simplesmente determinar, informar e deixar as crianças ansiosas com “uma quantidade desumana de conteúdo sem sentido”, mas sim mediar, levar o aluno a pensar e agir a partir de reflexões individuais e coletivas. Ela sustenta que, além de possibilitar a imersão em um mundo de sensibilidades, a educação literária contribui para o desenvolvimento cognitivo e afetivo, na medida em que proporciona a formação de um sujeito crítico, que não apenas decodifica, mas interpreta e recria situações. Em sua tese de doutorado, Percursos da Literatura na Educação – Ensinar Contando Histórias, a pesquisadora analisa as obras Nárnia, de C. S. Lewis, e Sítio do Pica-pau Amarelo, de Monteiro Lobato, nas quais aponta a relação de alguns personagens com o desenvolvimento da criança.

Trazer essas relações para a sala de aula requer um professor com conhecimento sobre o processo criativo, a representação do mundo na criança, a aquisição de conhecimentos, a vida real e os sonhos de seus alunos – além de entender quais fatores incentivam as crianças a buscar momentos de prazer e conhecimento na leitura.

Por seu lado, as crianças aproveitam o “faz de conta” para elaborar, ainda que de maneira inconsciente, seus pontos de vista. Celize Ogg Nascimento Domingos, coordenadora pedagógica dos anos iniciais do Ensino Fundamental do Colégio Marista Anjo da Guarda, em Curitiba (PR), conta que os pequenos são capazes de observar conflitos e emoções de personagens. Na instituição, o conteúdo trabalhado com alunos do 1º ao 5º ano aborda, especialmente, questões relacionadas às diferenças, presentes em livros como Diversidade, de Tatiana Belinky, O Reizinho Mandão, de Ruth Rocha, e o já citado Última Parada, Rua do Mercado. Os efeitos da literatura transpõem a sala de aula e acabam chegando aos responsáveis, diz a coordenadora.

“Pedimos aos pais para buscar na literatura formas de conversar com a criança, que muitas vezes não sabe verbalizar algumas coisas, mas encontra na fantasia um repertório maior para se comunicar”, diz ela. Celize cita como exemplo crianças que sempre pedem para ouvir as mesmas histórias. “Significa que aquele enredo vai além da fantasia, que está trazendo emoções que fazem com que ela, de alguma forma, se reconheça ali”.

A noção de que os livros guardam não apenas ensinamentos, mas também sentimentos e realidades particulares e sociais foi um aprendizado pessoal da pesquisadora Fernanda Massagardi. Para ela era mágico perceber que a Narizinho de Monteiro Lobato, como ela, também subia em árvores e gostava de se debruçar sobre as margens de um rio. “A mágica da literatura é que ela pode não ser real, mas oferece experiências muito mágicas”.

O aluno como protagonista de sua própria história

Para os jovens, a percepção da relação entre a literatura e as habilidades socioemocionais é um pouco diferente, mas o impacto é tão grande quanto. A experiência da Escola Estadual Aloysio Barros Leal, no Ceará, mostra que por meio do exercício de se colocar no lugar das pessoas é que se aprende a ter um olhar generoso.

Situada na periferia de Fortaleza, com uma significativa parcela da comunidade do entorno de origem negra, há três anos a escola passou a trabalhar obras das escritoras Conceição Evaristo e Angela Davis com seus alunos. “Quando trago Conceição Evaristo, trago uma escritora negra que traz na cor de sua pele o mapa de sua história, trago alguém que relata a história das mães, avós e bisavós desses alunos, que conta a história das mulheres brasileiras”, conta a professora Camile Baccin, especialista em Ensino Metodológico de Literatura Brasileira pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Com isso, diz ela, os alunos exercitam autoconhecimento, empatia, sensibilidade. “Muitos dos meninos e meninas se identificam e se reconhecem nas narrativas e na poética dessa escritora”.

O projeto surgiu de uma preocupação da professora em desenvolver nos jovens as competências socioemocionais para lhes dar ferramentas e lidar com um cotidiano em que o preconceito e os tantos “nãos” ouvidos todos os dias contribuem para torná-los insensíveis. “Comecei a me perguntar de que forma a literatura poderia impactar no desenvolvimento socioemocional desses jovens que vêm de uma realidade tão árida, de vidas tão duras, cheios de faltas, sem estrutura familiar e socioeconômica”, diz.

Livros usados por escola pública de Fortaleza (CE). Crédito: Camila Baccin

Partindo do que considera os principais pilares das habilidades socioemocionais – conhecer, fazer, ser e conviver – Camile apoiou seu trabalho na música e na literatura. “A gente se questiona: como é que minhas experiências podem desenvolver uma relação com a arte da literatura? Peço a eles que tragam suas histórias e seus relatos para que possamos confrontar com os textos. Eu trago as músicas dos Racionais MC e eles reconhecem as características da vida deles nas músicas do Mano Brown, enfrentando e quebrando paradigmas de uma sociedade tão injusta”.

O que diz a BNCC?

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) tem 10 Competências Gerais como pilares: conhecimento; pensamento científico, crítico e criativo; repertório cultural; comunicação; cultura digital; trabalho e projeto de vida; argumentação; autoconhecimento e autocuidado; empatia e cooperação; e responsabilidade e cidadania.

As competências são definidas como uma mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho.

LEIA MAIS: Quando as emoções entram no currículo

Socioemocionais na prática

Essa definição aponta para a necessidade de os alunos serem capazes de utilizar os saberes adquiridos para dar conta do seu dia a dia, sempre respeitando princípios universais, como a ética, os direitos humanos, a justiça social e a sustentabilidade ambiental.

LEIA MAIS: Competências socioemocionais de A a Z: glossário para usar na sala de aula

Na prática, as escolas devem promover não apenas o desenvolvimento intelectual, mas também o social, o físico, o emocional e o cultural, compreendidos como dimensões fundamentais para a perspectiva de uma educação integral. A despeito de todas as novas tecnologias, Fernanda Massagardi reforça que “o professor é o grande guardião do saber na hora de ensinar habilidades socioemocionais”.

A seguir, a professora Camile Baccin explica, passo a passo, como trabalhar habilidades socioemocionais com alunos do Ensino Médio. Para isso, ela escolheu uma atividade que pode ser desenvolvida em quatro horas de aula, com o intuito de despertar a empatia por meio do texto literário.

Passo 1: A escolha do texto
A escolha do conteúdo a ser trabalhado com os alunos deve ser minuciosa. Camile, por exemplo, avaliou todo o contexto de suas turmas do Ensino Médio e decidiu priorizar a literatura feminina negra com textos que recaem, sobretudo, na existência difícil das personagens femininas afrodescendentes, que enfrentam um cotidiano racista, estruturado num sistema historicamente preconceituoso. Tudo é intersecção: gênero, raça e classe, por isso a escolha do material.

Passo 2: Conhecendo os escritores
Os escritores podem ser apresentados aos alunos por meio de slides e/ou entrevistas disponíveis em vídeos em plataformas como o Youtube. Para isso, a dica é organizar a sala em semicírculo para, em seguida, iniciar um debate.

Passo 3: A entrega do texto escolhido
Camile propõe que o material escolhido seja entregue individualmente a cada aluno. O momento deve ser de leitura individual e silenciosa.

Passo 4: A apresentação do conteúdo
A ideia é apresentar o conteúdo para toda a classe. Se for a leitura de um poema, por exemplo, a sugestão da professora Camile é que cada aluno leia, de forma voluntária ou escolhidos pelo professor, uma estrofe.

Passo 5: As vozes da sala
Agora é hora de ouvir os alunos. Promover o debate a partir do conceito de identidades e levantar a questão: quem se identifica com o livro/texto/poema?

Passo 6: O que é empatia?
Nesse debate, discuta o significado de empatia para preparar os alunos para uma produção escrita. A sugestão é que os alunos escrevam relatos pessoais relacionando suas histórias com o conteúdo abordado na aula.

Passo 7: Anotações
As anotações serão entregues à professora para uma revisão e devolvidos na aula seguinte para a reescritura. O resultado do processo pode ser um painel com a exposição dos relatos e dos textos lidos. O título do painel sugerido: Por que desenvolver a empatia é importante?

Fonte: novaescola.org.br

I Ciclo de Oficinas: Práticas de Leitura Literária na Escola

O I Ciclo de Oficinas Práticas de Leitura Literária na Escola, promovido pelo curso de pós-graduação Literatura para Crianças e Jovens, convida à reflexão de situações práticas da leitura literária em sala de aula, a partir de estudos provenientes da didática do ensino da literatura, da teoria e da crítica especializadas. Além disso, serão objeto de análise pesquisas recentes realizadas por alunas que concluíram o curso de pós-graduação no Instituto. O Ciclo de Oficinas representa uma oportunidade para a atualização dos conhecimentos necessários a todo educador preocupado em promover a formação de leitores de literatura críticos. É voltado para professores, coordenadores e diretores de Educação Infantil e Ensino Fundamental, bibliotecários, mediadores de leitura, editores e profissionais do livro para crianças e jovens.

Informações:

Dia 30 de março de 2019, das 09:00 às 17:30

Dia 27 de abril de 2019, das 09:00 às 17:30

Dia 18 de maio de 2019, das 09:00 às 17:30

Local:
Instituto Vera Cruz
Rua Baumann, 73, Vila Leopoldina – São Paulo/SP
Próximo à estação Imperatriz Leopoldina da CPTM

Mais informações e inscrições: https://site.veracruz.edu.br/instituto/eventos/i-ciclo-de-oficinas-praticas-de-leitura-literaria-na-escola/?fbclid=IwAR3_EyKs9Bc3oGRxFHcffigrQr7sNn1u_xbwV2e4mYEYIfCM_NaJ8Cfr3vk

Nova plataforma promete levar experiência imersiva a jovens leitores

PUBLISHNEWS
Nextale, app que mistura texto a efeitos visuais e sonoros para uma leitura digital dinâmica, busca parceria com editoras para realizar projetos adotáveis por escolas

Tem texto, é digital, mas não é um e-book comum. Tem áudio, mas também não é um audiolivro. Pode até ter animação, mas também não é um vídeo. O que é então? É um nexbook.Criado pela startup carioca Nextale, o novo formato quer mudar o jeito de ler livros pelo celular. Para dar a sensação de imersão no texto, os nexbooks chegam aos leitores com recursos de efeitos sonoros e visuais que prometem prender a atenção e ampliar a imaginação enquanto o leitor vai avançando na trama. O ritmo de leitura de cada um controla os efeitos, então, à medida em que o leitor avança, os efeitos acompanham a leitura.

'Capa' de 'As fadas', que serve de degustação do Nextale | Reprodução
‘Capa’ de ‘As fadas’, que serve de degustação do Nextale | Reprodução

Para o lançamento da plataforma, a Nextale colocou à venda dois títulos, ambos de Charles Perrault: Chapeuzinho Vermelho (R$ 4,99) e O Barba Azul (R$ 4,99) e ainda As fadas como degustação gratuita. “Começamos pelas histórias de Charles Perrault porque elas são um excelente exemplo de narrativa de ficção que os leitores já têm em seu imaginário. A ideia era resgatar o afeto por Chapeuzinho Vermelho para apresentar um produto completamente novo, e não-infantil, já que as versões originais de Perrault são bem diferentes daquelas que costumamos conhecer” explica Priscila Vaz, uma das sócias da Nextale e também pesquisadora na área de narrativas e contos de fadas.

O produto começou a ser desenvolvido no ano passado e teve o apoio de alguns programas de fomento à startups. No Rio, a empresa contou com o apoio do Startup Rio e o financiamento da FAPERJ para desenvolver sua primeira versão comercializável. A Nextale ainda foi acelerada pelo programa Inovativa Brasil, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

Agora, a empresa está em busca de editoras e parceiros para ampliar seu catálogo. “É fundamental compreender, que sendo um produto 100% digital, nossos livros são dinâmicos e evoluem a todo momento. Como usamos a lógica do content first, cada livro que fazemos é único, mas nossa tecnologia em desenvolvimento vai permitir que façamos a produção em massa” explica Rafael Santos, o outro sócio, responsável pelo desenvolvimento dos produtos.

O formato nexbook foi pensado para leitores a partir dos 11 anos de idade que já estejam maduros para leituras mais longas. A aposta da empresa é atender as demandas escolares de leitura, produzindo livros que já são hoje utilizados como paradidáticos, e ajudando a aumentar o interesse dos jovens pela leitura.

O catálogo em construção vai englobar diversos livros de domínio público, que ainda hoje movimentam muito a indústria do livro. “Estamos focando no público jovem, porque ele é mais propenso a aceitar com facilidade as novas tecnologias. Mas fazemos um produto que encanta e agrada públicos de 11 a 90 anos!”, completa Priscila.

O app está disponível, no momento, somente para o sistema operacional Android. A empresa disponibiliza um vídeo-trailer de um de seus livros, para que o público possa entender melhor o produto.

Fonte: PUBLISHNEWS

Jovens e literatura

O programa Participação Popular discute sobre literatura na era digital. Participe!

Os leitores tradicionais não trocam o prazer de pegar um bom livro, tocar as suas páginas e virar as folhas impressas, sentir o cheiro de papel novo e até mesmo observar as folhas amareladas ou as dedicatórias na contracapa do exemplar na estante.

Na era digital, observamos um novo comportamento, a leitura de livros que se amplia por meio dos e-books (livros digitais) e outras ferramentas como as redes sociais. Surgem os booktubers- comentaristas literários do youtube – e jovens escritores que usam as redes e seguidores para publicar textos. A quantidade de informação aumenta, assim como a leitura, mas e a qualidade? Como despertar nos jovens o prazer pela leitura também das obras clássicas?

Assista e participe desse programa. Ele vai ao ar na segunda-feira,ao vivo,das 13h às 14h,na TV Câmara,no portal Câmara Notícias (http://tv.camara.leg.br) e o no canal da Câmara no YouTube.

Comentários e perguntas podem ser feitos pelo telefone 0800-619-619, por e-mail para participacaopopular@camara.leg.br , pelo WhatsApp no número (61) 99620-2573 ou pelo chat do YouTube e Facebook da Câmara dos Deputados, que farão transmissão simultânea com a TV Câmara.

Para esse programa confirmaram presença os seguintes convidados:
1- Robson Coelho Tinoco – Professor Titular do Depto. de Teoria literária e literaturas da Universidade de Brasília;
2- Marina Oliveira, jovem escritora e autora de “A Parede Branca do Meu Quarto”
3- Zoara Failla – Coordenadora da Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil do Instituto Pró-livro, via SKYPE
4- Deputado a confirmar

Fonte: TV CÂMARA

A importância da leitura e literatura infantil na formação das crianças e jovens

A infância é o melhor momento para o indivíduo iniciar sua emancipação mediante a função liberatória da palavra. É entre os oito e treze anos de idade que as crianças revelam maior interesse pela leitura. O estudioso Richard Bamberger reforça a idéia de que é importante habituar a criança às palavras. “Se conseguirmos fazer com que a criança tenha sistematicamente uma experiência positiva com a linguagem, estaremos promovendo o seu desenvolvimento como ser humano.” Inúmeros pesquisadores têm-se empenhado em mostrar aos pais e professores a importância de se incluir o livro no dia-a-dia da criança. Bamberger afirma que, comparada ao cinema, ao rádio e à televisão, a leitura tem vantagens únicas. Em vez de precisar escolher entre uma variedade limitada, posta à sua disposição por cortesia do patrocinador comercial, ou entre os filmes disponíveis no momento, o leitor pode escolher entre os melhores escritos do presente e do passado. Lê onde e quando mais lhe convém, no ritmo que mais lhe agrada, podendo retardar ou apressar a leitura; interrompê-la, reler ou parar para refletir, a seu bel-prazer. Lê o que, quando, onde e como bem entender. Essa flexibilidade garante o interesse continuo pela leitura, tanto em relação à educação quanto ao entretenimento.

O desenvolvimento de interesses e hábitos permanentes de leitura é um processo constante, que principia no lar, aperfeiçoa-se sistematicamente na escola e continua pela vida afora. No caso dos bebês, que ainda estão em processo de desenvolvimento da visão, os contrastes são ótimas pedidas, pois atraem a atenção dos pequenos. Bem como os livros de pano, banho e interativos (com sons, por exemplo), que são perfeitos para os leitores de berço. Também é fundamental que o adulto responsável compreenda que mesmo que a criança ainda seja muito novinha, ela absorve muito na leitura compartilhada, principalmente o amor e o carinho deste momento. Descobrir estes sentimentos desde bebezinhos, poderá ser uma excelente conquista para toda a vida.

Diante disso, a escola busca conhecer e desenvolver na criança as competências da leitura e da escrita e como a literatura infantil pode influenciar de maneira positiva neste processo. Assim, Bakhtin (1992) expressa sobre a literatura infantil abordando que por ser um instrumento motivador e desafiador, ela é capaz de transformar o indivíduo em um sujeito ativo, responsável pela sua aprendizagem , que sabe compreender o contexto em que vive e modificá-lo de acordo com a sua necessidade.

Quanto mais cedo a criança tiver contato com os livros e perceber o prazer que a leitura produz, maior será a probabilidade dela tornar-se um adulto leitor. Da mesma forma através da leitura a criança adquire uma postura crítico-reflexiva, extremamente relevante à sua formação cognitiva. Estratégias para o uso de textos infantis no aprendizado da leitura, interpretação e produção de textos também são exploradas com o intuito final de promover um ensino de qualidade, prazeroso e direcionado à criança. Somente desta forma, transformaremos o Brasil num país de leitores.

(*) Marisalva Alves da Silva e Cleilta Vieira dos Santos são educadoras da rede de ensino de Rondonópolis.

Fonte: A Tribuna

As crianças, o sexo e a guerra


A pauta literária desta semana – a educação sexual das crianças – veio de um candidato a presidente da República que alardeia seu conservadorismo à brasileira, aquele machismo “só de brincadeirinha”, anterior aos tempos politicamente corretos.  Entre as preocupações desse conservador está o incentivo a práticas sexuais diversas e precoces a partir da leitura de Aparelho sexual & Cia – Um guia inusitado para crianças descoladas (Companhia das Letras, R$ 37,90, esgotado), da escritora francesa Hélène Bruller e do cartunista suíço Zep.

O livro, que não foi comprado nem distribuído pelo Ministério da Educação em 2011, quando o governo brasileiro tentou implantar o projeto Escola sem Homofobia, teve 29 exemplares adquiridos pela Biblioteca Nacional. Uma quantidade pouco significativa diante das vendas de cerca de 1,5 milhão de cópias de Aparelho sexual & Cia. Traduzido em dez idiomas, mas fora de catálogo no Brasil, um exemplar custa, atualmente, entre R$ 160 e R$ 230 em sebos virtuais.

Enquanto a Companhia das Letras recomendava a leitura para jovens acima de 11 anos, Hélène Bruller, em entrevista ao jornal El País, acha que essa indicação cabe aos pais, pois depende da maturidade da criança. A intenção do livro é informar sobre sexo com naturalidade, discutindo masturbação, namoro, beijo, contracepção, entre outros tópicos. Algo que a inglesa Babette Cole fazia em livros como Mamãe botou um ovo e  Cabelinhos nuns lugares engraçados (ambos da editora Ática e encontrados apenas em sebos por preços acima de 70 reais). O primeiro, lançado em 1993 no Reino Unido, traduzido para 72 idiomas, vendeu em torno de 3 milhões de exemplares no mundo inteiro,  trata da reprodução pelo olhar das crianças. O segundo, sobre puberdade.

Babette Cole, que morreu em 2017, provocou polêmica nos anos 1990 ao falar sobre sexo de maneira bem-humorada com crianças. Houve protestos em livrarias de algumas cidades da Escócia contra ilustrações de espermatozoides nas capas de Mamãe botou um ovo. Ainda hoje não faltam críticas de blogueiros preocupados com o que seria uma visão do sexo como forma de diversão, sem responsabilidade ou restrições, com caricaturas mostrando casais em diferentes posições sexuais. Ainda assim, a obra de Babette foi bem recebida por especialistas em literatura infantil no Brasil, com indicação de leitura a partir de 6 anos de idade. Um de seus grandes sucessos, Mamãe nunca me contou (Ática, R$ 67), aborda a atividade sexual de adultos, os afetos de homossexuais e a dificuldade de uma criança em identificar gênero pela aparência de cada um.

Para muitos adultos, aparentemente, sexo é uma prática a ser descoberta por autodidatas, sem qualquer tipo de orientação fora a repressão que coíba a atividade não procriadora. Esses talvez considerem mais a adequada a leitura por crianças do doloroso Querido mundo (BestSeller, R$ 29,90), os relatos da menina Bana Alabed, hoje com 9 anos, sobre a guerra na Síria. Bana ficou conhecida por publicar frases pedindo a paz ou contando o sofrimento de sua família em Aleppo, onde nasceu. Por ser muito jovem, sua credibilidade como observadora sempre foi posta em dúvida, mas a mãe da menina, Fathima, professora que estudou jornalismo, diz que ensinou a filha a escrever em inglês. A sofisticação do vocabulário nos tuites foi bastante questionada. O livro, no qual conta sua convivência com a guerra e a fuga da família para a Turquia, onde vivem hoje, traz depoimentos de Bana entremeados por cartas da mãe, que deu à luz dois meninos em plena guerra.

Fonte: Portal da Anna Ramalho Jornalismo

Saiba porquê estas adolescentes são colecionadoras de livros

Texto por Tatiana Marin

A paixão pela leitura das colecionadoras de livros. | Foto: Hermann Traub/Pixabay

Oinsetinho que desperta o prazer pela leitura está picando os adolescentes desta geração. Mesmo com um leque de dispositivos eletrônicos a disposição, a paixão pelos livros acomete os jovens com esta “doença” saudável que é o vício pela leitura e as fazem ser colecionadoras de livros.

Em 2015 a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Ibope, por encomenda do Instituto Pró-Livros revelou um dado interessante. Entre os que afirmam que leem por gosto, a grande maioria compõe-se e adolescentes entre 11 e 13 anos (42%) e crianças de 5 a 10 anos (40%).

Outro indicativo é o perceptível aumento de esforços do mercado editorial direcionado aos jovens. Sagas e coleções infanto-juvenis vem ocupando cada vez mais espaço nas prateleiras das livrarias e, com isso, impulsionam os ávidos jovens leitores em busca dos novos lançamentos.

Em mais um capítulo do especial sobre bibliotecas e a Lei 12.224, contamos um pouco sobre adolescentes que amam ler e são colecionadoras de livros.

Sair da realidade”

Com a meta de ler 50 livros em 2018, Fernanda Sanches Machado Rocha, de 13 anos tem no mínimo 40 livros em sua estante – entre eles, 5 em inglês -, mas este número não representa a quantidade de livros que já leu. “Eu só guardo os meus preferidos, os outros eu troco no sebo”, diz ela. Até o momento, Fernanda já leu 29 livros.

Sempre gostei de ler e lia gibi,  mas parei de ler por um tempo”, conta ela. Mas o livro de fantasia “Enraizados” recobrou a avidez pela leitura. “Depois que li este livro pensei ‘ler é tão legal, porque eu parei?’”, questionou-se. Ela também lê livros digitais, mas prefere os de papel.

Livro para mim é um jeito de sair da realidade, a gente pode entrar em qualquer história e se perder totalmente. Leitura é uma coisa que muda a vida. Quanto mais a gente lê, mais forma seu caráter. É um jeito diferente de se divertir, se entreter e escapar do celular”, define

Alguns dos livros de Fernanda. | Foto: Arquivo Pessoal

A mãe de Fernanda, a médica Magali da Silva Sanches Machado, de 54 anos, acha muito interessante este gosto pela leitura. “Ainda mais nesses dias de hoje que a gente vê eles no celular. Acho muito interessante ela gostar de ler. Abre um outro mundo, aumenta o vocabulário”, avalia Magali e conta que Fernanda até influencia os amigos.

O gosto da filha é tamanho que às vezes é preciso refrear os impulsos. “Se ela vai na livraria, quer comprar uns 4 ou 5 livros, então às vezes dou uma segurada. Às vezes eu digo ‘não aguento mais comprar livro’, mas meu marido diz ‘não reclama’. A gente fala assim brincando, mas gosto muito desse hábito dela”, explica.

Um trem invisível”

A vida de leitora de Giovanna Pereira, de 14 anos, é dividida entre a época em que apenas gostava de ler e agora, que é viciada em leitura. O responsável por isso foi um livro dado de aniversário pela avó. Nos nichos do seu quarto estão distribuídos cerca de 60 livros, entre os que leu a pedido da escola e os que comprou e ganhou. Ela não se desfaz de nenhum. “Eu tenho dó”, explica.

Neste ano ela já leu 11 livros e tem 17 publicações na sua lista de desejos. Mas seu sonho de consumo é a coleção “Instrumentos Mortais”. “Não é de terror”, adverte, “mas tem tema sobrenatural”, adiciona.

Ler é viajar momentaneamente para lugares que você nunca vai conseguir ir. É como se fosse um ticket ou bilhete de um trem invisível para um lugar inalcançável na realidade. A leitura faz a pessoa ter sonhos e querer ler mais”, detalha Giovanna.

Vitória Gomes Rodrigues, de 14 anos, é outra das colecionadoras de livros e tem um acervo um pouco menor, com cerca de 30 livros. Ela conta que na 6ª série sua família mudou-se de cidade e na nova escola havia um projeto de leitura nas férias. “A escola de antes não incentivava a leitura”, conta.

Com a incumbência da escola para as férias, ela não só escolheu e leu o livro, como descobriu a paixão pelas histórias. “Eu achei um livro com histórias de garotas normais, baseadas em histórias das princesas, eu gostei muito”, relata ela.

400 livros

Júlia Mazzini ainda não é adolescente, tem 9 anos, mas quando chegar lá vai bater, não só os da sua idade, mas também adultos. Na verdade, já bate. Segundo seu pai, o jornalista André Mazzini, “ela já deve ter lido uns 400 livros. Ela tem muito mais livros do que eu e minha esposa já lemos na vida inteira”.

Júlia lê desde os 3 anos. | Foto: Arquivo Pessoal

Também, pudera, Júlia aprendeu a ler e escrever aos 3 anos. “Começou o fascínio desde então. Minha esposa, que é pedagoga, e eu sempre lemos muito e temos muitos livros em casa”, afirma o jornalista. “Este gosto dela começou a se espalhar para outros mundos. Ela ganhou o concurso nacional de redação da Folha de São Paulo aos 6 anos”, conta o pai.

Eu gosto da sensação de entrar no personagem, é uma viagem que se faz sem sair do lugar, a gente mergulha como se fosse uma lagoa e se esquece do mundo”, descreve Julia, que prefere os grandes livros, “com mais história”.

Ao ser perguntada sobre qual livro ela está lendo no momento ela responde: “vários”. Simples assim. Alguns deles são “Harry Potter e a Ordem da Fênix” que faz parte da coleção que ela está terminando. Ainda tem “Pax”, que está lendo com a mãe e, com o irmão mais novo, está relendo “Felizmente o Leite”.

O pai percebe o benefício que a leitura trouxe à filha. “Ela consegue desenvolver diálogos de reflexões muito interessantes com a gente por conta da leitura. Consegue lidar com os sentimentos, situações adversas, na escola ou em outro ambiente. Ela tem a capacidade de refletir sobre o que acontece, o que é um tanto incomum com a maioria das crianças, e acredito que isso seja devido à leitura”, pontua.

Fonte: Mídia Max

O incansável incentivo à leitura com apoio da criatividade

É papel da escola desenvolver o hábito da leitura, que deve ser iniciado ainda em casa, antes da inserção da criança no universo educativo. Esse incentivo dentro da escola deve permear todos os segmentos, de maneira incansável.

Mesmo quando este hábito da leitura não é construído dentro do âmbito familiar, seja qual for o motivo, há a possibilidade de atrair para o prazer da leitura, apresentando como um hobby, ou como uma brincadeira, dependendo da idade de quem inicia.

Por vezes, o prazer da leitura entra no cotidiano da família por iniciativa e crianças e adolescentes que foram estimulados na escola, por seus professores ou bibliotecários.

Ler é fundamental para quem deseja se comunicar. E quem não precisa ou tem o desejo de ouvir e ser ouvido? Todos precisamos disso. Quem lê melhor, escreve melhor, fala melhor e amplia sua rede de possibilidades.

Desde a Educação Infantil as crianças precisam ser estimuladas a irem à biblioteca e escolherem, livremente, títulos que atraiam a atenção e que despertem a curiosidade em descobrir o que há dentro de cada livro. A exploração do lúdico com a Contação de Histórias, por exemplo, tem se mostrado eficiente para crianças desse segmento que pela própria idade não dominam a leitura mas passam a fazer parte, como protagonistas, dos enredos dos livros escolhidos.

Esse movimento vai se refinando à medida em que os alunos crescem e passam a ter interesses mais específicos, tornando-se seletivos em suas escolhas.

No Ensino Médio, com foco na Literatura, organiza-seum roteiro de leitura para que os jovens a tenham em sua rotina, tornando-se natural e fundamental no período de vestibular. Quando a leitura faz parte da vida do adolescente, desde pequeno, o hábito se refina com o passar dos anos.

A leitura das obras exigidas pelos vestibulares é um dos campos de atuação dessa proposta, uma vez que essas obras mais clássicas podem ser intercaladas com lançamentos ou com títulos não exigidos pelos vestibulares, mas que podem ser importantes para uma análise ampla e intertextual, uma das mais importantes habilidades do Enem.

É muito importante que nossa juventude adquira não apenas o hábito, mas o prazer e a satisfação na leitura, para que o aperfeiçoamento lingüístico e social seja natural.

Uma ferramenta muito eficiente em parceria com a prática da leitura, e que auxilia de forma muito significativa na boa interpretação das obras literárias de vestibulares, é a arte cênica.

Com o teatro, há a união de três fatores primordiais na leitura: interpretação, compreensão e produção. Em uma fase de grandes desafios para os jovens, unir os estudos literários ao conhecimento teatral, que também os desenvolve de forma social, aprimora os conteúdos trabalhados em sala de aula e transfere segurança e ludicidade para quem participa.

Não podemos, como educadores, deixar de insistir e bater na tecla do incentivo à leitura. Cabe a nós, como escola, mostrar a importância da leitura na vida das crianças, alcançando as famílias e a sociedade como um todo.

Texto por Luciana Cannizza Carrieri, professora e coordenadora de Língua Portuguesa e Regina Pinheiro, assistente de Núcleo Psicopedagógico do Colégio Marista Nossa Senhora da Glória (SP), do Grupo Marista.

Fonte: Campo Grande News