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Leitura Acessível

Clássico da literatura infanto-juvenil, “O Pequeno Príncipe” ganha versão em braille

O livro “O Pequeno Príncipe”, do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, é um dos grandes clássicos da literatura-infanto juvenil mundial com traduções para mais de 360 idiomas e dialetos. E em 2014 essa obra também ganhou uma versão inclusiva escrita em braille, publicada pelo artista e deficiente visual Claude Garrandes, com o apoio da Fundação da Juventude Antoine de Saint-Exupéry. No entanto, a versão em braille foi produzida com edição limitada, tornando-se um objeto raro.

Infelizmente, a oferta de livros em braille ainda é limitada e de difícil acesso para a população. Mas existem instituições que trabalham nessa área com o intuito de promover a inclusão de deficientes visuais no mundo literário, como é o caso da Fundação Dorina Nowill para Cegos e o Instituto Benjamin Constant.

Fundação Dorina Nowill para Cegos

A Fundação Dorina Nowill para Cegos produz anualmente milhares de páginas em braille de livros didático-pedagógicos, paradidáticos, literários e obras específicas solicitadas pelas pessoas com deficiência visual. Os livros são distribuídos gratuitamente em escolas, bibliotecas, associações e organizações que possuem esse cunho social. Além dos livros em braille também são feitas versões audio descritivas e digitais.

Para quem tiver o interesse nas obras, a fundação disponibiliza o empréstimo de mais de 1600 títulos falados por meio da Biblioteca Circulante do Livro Falado. Para solicitar o empréstimo, é necessário preencher um ficha de cadastro escolhendo de 15 a 20 títulos de interesse disponíveis no acervo, que também podem ser alterados posteriormente. Cada pessoa pode retirar até três livros por vez e permanecer com eles por até 60 dias.

Os empréstimos podem ser feitos por correio ou pessoalmente, a biblioteca fica localizada na Rua Dr. Diogo de Faria, 558 – Vila Clementino – SP, e o horário de atendimento é de segunda a sexta, das 8h às 17h. Para mais informações, entre em contato pelo e-mail biblioteca@fundacaodorina.org.br ou  pelo telefone (11) 5087-0991.

Instituto Benjamin Constant

O Instituto Benjamin Constant, localizado no Rio de Janeiro, produz obras didáticas e paradidáticas com o objetivo de suprir a necessidade de escolas públicas, bibliotecas públicas e instituições sem fins lucrativos que atuam nesse setor.

Para fazer a solicitação das obras o responsável pela instituição deve assinar os livros desejados na listagem de livros em braille e preencher a solicitação para recebimento de livros em braille disponíveis no site do Benjamin Constant, além de informar o nome completo do aluno, data de nascimento e nível de escolaridade.

Cada instituição pode solicitar até 50 títulos e as solicitações devem ser encaminhadas para o e-mail dib@ibc.gov.br ou pelos correios aos cuidados da Divisão de Imprensa Braille (DIB).

Fonte: São Paulo para Crianças

Mil e uma possibilidades de leitura

PUBLISHNEWS, TALITA FACCHIN

O Podcast do PublishNews recebeu Pedro Miliet, consultor em tecnologia digital em acessibilidade, para falar sobre o mercado de livros acessíveis

Em um país com mais de 6,5 milhões de pessoas com alguma deficiência visual, a acessibilidade na leitura é um assunto de extrema importância. Para entender mais sobre o papel do livro acessível no mercado editorial, o Podcast do PublishNews conversou com Pedro Miliet, consultor em tecnologia digital em acessibilidade, hoje vinculado ao Consórcio Daisy.

Quando falamos sobre livros acessíveis, o que logo vem na memória é o livro em braile, mas existem vários outros formatos disponíveis e o investimento para ajudar o deficiente visual é o que não falta. “Nos últimos 20 anos nós tivemos uma evolução no campo da tecnologia para o deficiente visual que mudou completamente a vida das pessoas”, contou.

O crescimento do mercado de audiolivros, o incentivo dos governos ao redor do mundo e os reflexos da Lei Brasileira de Inclusão (LBI) também pautaram a conversa. Pedro explicou de maneira didática como a Lei interfere no mercado. “Em primeiro lugar ela estabelece a obrigatoriedade de oferecer um formato acessível sempre que uma pessoa com deficiência quiser comprar”, explicou, enumerando ainda outras especificidades da Lei e o que precisa ser melhorado. “O que falta aqui, é a comunicação e a informação para a pessoa com deficiência visual desse Brasil enorme, ter consciência dos direitos que ela tem”, declarou lembrando ainda que outro ponto a ser considerado é o alto índice de desemprego da pessoa com deficiência visual.

Pedro Miliet

Pedro Miliet

Além da LBI, para Pedro, do ponto de vista de compromisso com a produção de livros acessíveis, o mercado brasileiro está muito adiante da maior parte do mundo. “Essa obrigatoriedade do livro em formato Daisy e depois em formato ePUB do PNLD é uma revolução em termos de acessibilidade relativamente ao mundo. Não há, acredito, outro país no mundo que tenha esse tipo de exigência com relação ao mercado editorial”, declarou.

Novas maneiras de ler, os desafios de se fazer um livro acessível, a evolução da qualidade das vozes, os avanços no campo da interatividade e nas ferramentas de leitura, a criação de avatares mais interativos, a importância dos metadados e para onde caminha o mercado dos livros acessíveis também fizeram parte da conversa.

O Podcast do PublishNews é um oferecimento da Metabooks, a mais completa e moderna plataforma de metadados para o mercado editorial brasileiro, da UmLivro, novo modelo de negócios para o mercado editorial: mais livros e mais vendas, e da Auti Books, dê ouvidos a sua imaginação, escute Audiobooks. Você também pode ouvir o programa pelo SpotifyiTunesGoogle PodcastsOvercast e YouTube.

Fonte: PUBLISHNEWS

Mundo comemora Sistema Braile de escrita e leitura para cegos

© Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Texto po Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil  Rio de Janeiro  

O Dia Mundial do Braile, comemorado neste sábado (4), enfatiza a importância do sistema de escrita para deficientes visuais, cuja primeira versão foi apresentada pelo jovem francês Louis Braille, em 1825.A assessora da direção do Instituto Benjamin Constant (IBC), professora Maria da Glória de Souza Almeida, disse que o sistema braile foi o grande passo dado para tirar toda uma parcela da sociedade do obscurantismo absoluto de séculos e mais séculos e deu a essa parcela a possibilidade de se educar, de adquirir cultura, de ter trabalho e lazer. Segundo Maria da Glória, o sistema de escrita e leitura em relevo desenvolvido por Louis Braille aos 16 anos de idade colocou o cego em pé de igualdade com a pessoa que enxerga em termos de escrita, de leitura e de mecanismo de aquisição de conhecimento.Maria da Glória atualmente forma professores na área de alfabetização no IBC. Para ela, cega desde a infância, Louis Braille foi uma figura exponencial em toda a humanidade porque pensava no coletivo. Lamentavelmente, ele não pôde ver sua criação reconhecida em todo o mundo como um método ou sistema que daria ao cego a possibilidade de ultrapassar os seus limites, porque isso só ocorreu em 1854, dois anos após a morte de Braille. “Mas ele está na história e na memória de qualquer pessoa que pensa a sociedade de uma forma mais humanística, buscando uma inclusão verdadeira”.

Preservação

A professora defendeu a preservação do código braile, apesar das novas tecnologias que vêm surgindo nos últimos tempos para apoio às pessoas com deficiência visual. “São coisas que se complementam, não se excluem”, disse. “O sistema braile não é excluído pela tecnologia, como também a tecnologia não pode ser obscurecida pelo sistema braile. São coisas diferentes que trazem à pessoa cega a possibilidade de conhecer, tanto quanto para os videntes”. Maria da Glória sustentou que o sistema braile não perdeu importância diante das novas ferramentas que surgem e “não pode ser jogado à margem. Não é justo”.

O IBC é o centro de referência nacional na área da deficiência visual e está vinculado ao Ministério da Educação. O sistema braile é baseado em um código criado pelo capitão Charles Barbier de la Serre para permitir a comunicação noturna entre os soldados do exército francês.

No ano passado, o IBC registrou um total de 340 alunos matriculados e 430 reabilitandos, isto é, pessoas que perderam a visão na juventude, na idade adulta e até na terceira idade e podem readquirir a capacidade da leitura por meio do código braile.

Invenção

A coordenadora de Revisão da Fundação Dorina Nowill para Cegos e membro do Conselho Mundial e do Conselho Ibero-americano do Braile, Regina Oliveira, cega desde os 7 anos de idade e alfabetizada com braile, considerou que uma das maiores invenções da espécie humana foi a escrita. “E as pessoas que enxergam continuam usando a escrita. Mesmo quando manuseiam um smartphone ou laptop, elas estão em contato com a escrita. E as pessoas cegas, não. O único contato que a gente tem com a escrita é por meio do braile. No mais, a gente ouve”, disse.

Regina avaliou que as novas tecnologias são importantes e têm ajudado muito os cegos. Ela destacou, contudo, que não vê ainda uma maneira de alfabetizar crianças cegas, ensinando ortografia, pontuação, matemática, física, química, fonética, que não seja por meio da escrita. “O único contato natural que as crianças que nascem cegas ou que perdem a visão nos primeiros anos de vida podem ter é o braile”.

Para a coordenadora da Fundação Dorina Nowill, as tecnologias são aliadas do código braile, sobretudo à medida que os jovens vão avançando no ensino médio e na universidade. “Não tem como passar para o braile tudo que existe no mercado editorial. Faz muita diferença você poder usar um livro digital. Isso ajuda muito”, admitiu.

Regina acentuou, por outro lado, que estudos mostram que quando uma pessoa lê, seja com os olhos ou com o tato, é a mesma área do cérebro que ela ativa nas duas formas de leitura. “E isso faz muita diferença para o desenvolvimento intelectual dela”.

No Dia Mundial do Braile, a União Mundial de Cegos publicou um texto incentivando o uso do braile e estimulando pais e professores nessa direção. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há no Brasil 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual, sendo 582 mil cegos e os demais com baixa visão.

Tanto a Fundação Dorina Nowill como o Instituto Benjamin Constant planejam realizar eventos em comemoração ao Dia Nacional do Sistema Braile, que se comemora em 8 de abril.

Fonte: Agência Brasil

39% das pessoas com deficiência visual costumam ler todos os dias

Fundação Dorina Nowill e Datafolha apresenta que 57% das pessoas com deficiência visual (cegos ou com baixa visão) têm interesse pela leitura, mas ainda possuem dificuldade para encontrar essas publicações.

Texto por setor3

As instituições especializadas e bibliotecas são os principais meios usados para ter informações sobre livros acessíveis. (crédito da imagem: divulgação)

Fundação Dorina Nowill para Cegos apresenta resultados de pesquisa Cenários da Leitura Acessível, realizada pelo Datafolha, sobre acessibilidade e leitura lançado em meados de agosto deste ano. Levantamento contou com análises quantitativas e qualitativas e traça perfil de pessoas com deficiência visual com práticas de leitura. Quem possui esses hábitos, em geral, são mulheres de escolaridade elevada.

Esse estudo está em sua segunda edição e consultou 261 pessoas de todo país entre dias 02 e 20 de julho, sendo a primeira edição em 2012 feito pela Ipsos.

Entre os locais onde buscam informações sobre livros disponíveis para pessoas com deficiência visual, estão as instituições especializadas e as bibliotecas. 39% dos entrevistados costumam ler todos os dias, 57% têm interesse em livros e 71% deles sentem prazer na atividade. Entre os gêneros literários mais procurados, estão os religiosos ou espiritualistas, que despertam o interesse de 76% dos participantes, seguidos por romances e dramas com 68%.

Entre os motivos apontados para o gosto pela leitura, estão: uma possibilidade de ampliar conhecimento, assim como conhecer muitas coisas que suprem a falta de visão (descrições, contextualizações, entender sentimentos causados pela observação visual); fonte de lazer – sonhar, experimentar sensações, ‘viajar na história’, imaginar; e o fato da leitura permitir que as pessoas ampliem visões e experiências através dessa prática, mesmo as que nunca saíram de suas cidades e Estados.

Entre os livros adaptados, as pessoas sentem mais falta de didáticos. 19% dos entrevistados sentem falta de livros acadêmicos e 80% do público costumam ler ou acessar conteúdos de jornais, revistas e artigos.

As formas como as pessoas com deficiência visual acessam os livros também foi questionado. 79% dos leitores se utilizam de algum recurso tecnológico para acessar os livros, sendo que 66% do público preferem os falados, audiolivros e PDF com leitor de tela acessível. O braile é utilizado por 34% dos leitores.

As editoras em geral ainda não produzem na leitura acessível. Somente 25% dos entrevistados atribuíram nota 9 ou 10 para a facilidade de encontrar livros didáticos, enquanto 61% avaliaram esse processo com nota 6 ou menor. Em um panorama qualitativo, esse número cai ainda mais: só 13% dos entrevistados atribuíram as duas maiores notas. Para livros de literatura geral: 33% os que avaliam com nota máxima a facilidade de encontrar o conteúdo acessível em uma mostra quantitativa e 20% em um recorte qualitativo.

Alexandre Munck, superintendente da Fundação Dorina Nowill para Cegos, pontua: “Infelizmente, os livros não nascem acessíveis, o que dificulta muito o acesso a eles. É necessário que a pessoa com deficiência visual solicite o livro acessível e apenas após a solicitação – que geralmente demora 30 dias – é que acontece a entrega do livro”.

No ano de 2018, a Fundação produziu e distribuiu 21.722 livros em formatos áudio, digital acessível e braile. Foram 164 novos títulos produzidos. “A leitura é fundamental para todas as pessoas. Por esse motivo, o livro é indispensável para o processo educacional de todas as pessoas, inclusive as com deficiência visual”, defende o superintendente.

Fonte: Setor3 | Senac São Paulo

Pessoas com deficiência visual querem ler mais

Pesquisa apresentada pela Fundação Dorina Nowill mostra que 57% das pessoas cegas ou com baixa visão gostam de ler, mas são impedidas de manter esse hábito pela falta de publicações acessíveis. Estudo destaca grande procura por jornais e revistas, mostra que editoras de livros não compreendem a importância de recursos de acessibilidade e reforça a necessidade de edições em braile, com fonte ampliada, audiolivros e outras ferramentas.

Texto por Luiz Alexandre Souza Ventura

Descrição da imagem #pracegover: Foto da gráfica da Fundação Dorina destaca uma máquina de impressão em braille. Crédito: Divulgação.

Pessoas com deficiência visual buscam na leitura diária mais conhecimento e novas sensações, mas a falta de recursos específicos de acessibilidade para esse público ainda é uma grande barreira. É o que destaca a pesquisa sobre leitura e acessibilidade feita pelo Datafolha e apresentada nesta semana pela Fundação Dorina Nowill para Cegos no I Encontro com Editoras, em São Paulo.

O estudo ouviu pessoas de todo o País entre 2 de julho e 3 de agosto. Entre os entrevistados, 57% das pessoas cegas ou com baixa visão têm interesse pela leitura, 39% costumam ler todos os dias e 71% sentem prazer nessa atividade. O hábito foi apontado como fonte de lazer, para sonhar, conhecer sensações, viajar na história, imaginar e ampliar visões e experiências sem sair de casa.

Para acessar os livros, 79% dos leitores usam recursos tecnológicos, 66% preferem audiolivros e ou leitores de tela. O braile é utilizado por 34% dos leitores.

Descrição da imagem #pracegover: Exemplares do livro ‘Eu Sou Malala’, da ativista paquistanesa Malala Yousafzai, impressos em braile. Crédito: Divulgação.

A pesquisa ressalta que as pessoas com deficiência visual estão em constante busca por alternativas à falta de visão, como descrições e contextualizações, que ajudam a compreender as sensações obtidas por meio da observação visual.

Muitos títulos são publicados apenas em formato digital ou com áudio, o que reforça o uso de leitores de tela em smartphones e tablets, inclusive para acessar artigos, reportagens, as redes sociais ou aplicativos de mensagens.

Livros didáticos adaptados fazem falta para 19% dos entrevistados e 80% das pessoas com deficiência visual entrevistadas costumam ler ou acessar conteúdos de jornais, revistas e artigos.

EDITORAS CRIAM BARREIRAS – A pesquisa mostra que editoras de livros não têm interesse em recursos de leitura acessível. Apenas 25% dos entrevistados atribuíram afirmaram ter facilidade de encontrar livros didáticos, enquanto 61% disseram que essa oferta é restrita.

Descrição da imagem #pracegover: Regina Oliveira, coordenadora de revisão da Fundação Dorina, é cega e está em pé, de frente para a câmera, segurando uma bengala. Ao fundo, uma oficina gráfica com vários equipamentos para impressão. Crédito: Divulgação.

MITOS DERRUBADOS – “O estudo do Datafolha desmistifica a ideia de que pessoas cegas ou com baixam visão não podem ler, além de mostrar que a literatura desperta o interesse das pessoas com deficiência visual ou baixa visão, e que existem várias formas de ler”, diz Alexandre Munck, superintendente da Fundação Dorina Nowill para Cegos.

A instituição tem a maior gráfica para impressões em braile na América Latina (uma das maiores do mundo), com capacidade para 450 mil páginas por dia.

Fonte: Estadão

Ler com a ponta dos dedos e com os ouvidos

Dorina Nowill encomenda pesquisa ao Datafolha para saber o perfil leitor das pessoas com deficiência visual. Resultado será anunciado no próximo dia 21.

Estima-se que o Brasil tenha 6,5 milhões de pessoas com alguma deficiência visual que os impede de ler. Desse universo, quantos são leitores? O que leem? Como leem? Para responder a essas perguntas, a Fundação Dorina Nowill encomendou ao Datafolha um estudo que analisa as condições de acesso aos livros por essa população, a atuação dos intermediários da leitura e o comportamento leitor desse público. Os resultados serão divulgados no próximo dia 21. “A pesquisa é reveladora e mostra um nicho importante e ainda pouco atendido pelo mercado editorial. São mais de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual e, entre eles, uma parcela de leitores ávidos por novidades e que são grandes consumidores de leitura acessível”, diz Alexandre Munck, superintendente executivo da Fundação Dorina.

Fonte: PUBLISHNEWS