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Clubes de Leitura

Clubes de leitura aproximam pessoas, distraem e proporcionam trocas de experiência no isolamento

Durante a quarentena, clubes de leitura reúnem online leitores de todo o País; veja ainda dicas de como montar um clube do livro

Texto por Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

Ler é um ato solitário, e quem já participou de um clube do livro ou assistiu ao filme O Clube de Leitura de Jane Austen, por exemplo, sabe como a leitura compartilhada e a escuta podem ser transformadoras.

Cleide Tomazini Aichele, de 78 anos, nunca foi muito de ler, mas desde que começou a frequentar o Clube de Leitura 6.0 assim que ele foi inaugurado, um pouco antes do início da quarentena, no Núcleo de Convivência de Idosos do Centro de Assistência e Promoção Social Nosso Lar, na Mooca, isso mudou.

Foram dois encontros presenciais no início do projeto, do qual só pode participar quem tiver mais do que 60 anos, e então o isolamento começou. Eles passaram a se reunir online semanalmente para discutir a leitura proposta pelo clube criado pelo Observatório do Livro – que está presente em 60 cidades do Estado e, se não fosse pela pandemia, já estaria em 100 municípios. Em uma semana, os participantes conversam sobre o e-book que leram. Na outra, sobre o audiolivro que ouviram.

Cleide Tomazini Aichelle começou a ler recentemente, depois do incentivo do Clube 6.0 Foto: Acervo pessoal

A leitura está ajudando Cleide, que entrou mal na quarentena. Ela tinha perdido o companheiro que estava ao seu lado havia 60 anos e levado um tombo feio no dia 11 de março. “Eu estava mal e percebi que meu organismo não estava reagindo. Não podia sair, nem estava disposta a sair. Ler está me ajudando a passar o tempo, a refletir e a formar opinião. Isso tem ocupado a minha cabeça. Meu ânimo está melhor e sinto que estou com mais coragem”, diz.

Nas discussões, ela conta, ainda prefere apenas ouvir. E só isso já é enriquecedor. “Como li pouco na vida, não tenho facilidade de comentar os livros, mas é muito interessante perceber que às vezes a leitura de outra pessoa não bate com a sua.”

Acesse a matéria completa publicada pelo Estadão e compreenda a importância dos clubes de leitura. 

Clubes do livro ganham força em meio à pandemia

Modalidade conquistou adeptos durante a quarentena e é uma opção cômoda para manter o hábito de leitura em dia

Texto por Amanda Capuano 

No conforto do lar, leitores recebem kits literários escolhidos mensalmente por curadores  TAG/Instagram

A crise no mercado editorial brasileiro não é de hoje, e a pandemia do coronavírus deu à situação contornos ainda mais dramáticos com o fechamento das livrarias em todo o país. Diante deste cenário, os clubes de livros despontaram como uma alternativa cômoda para alimentar o hábito de leitura durante o confinamento, conquistando mais adeptos com uma premissa simples: os usuários desembolsam um valor mensal e recebem, no conforto do lar, um livro selecionado por curadores. A obra, usualmente, é entregue em uma caixinha acompanhada de brindes, que variam de chaveiros a um título adicional, a depender do clube e do pacote escolhido. 

Com planos a partir de 49,90 reais ao mês, o Intrínsecos, da editora Intrínseca, registrou um aumento de 117% em seus assinantes somente no mês de maio. Parte disso, é claro, deve-se à revelação de que o título de junho seria o lançamento antecipado de A Vida Mentirosa dos Adultos, aguardado romance de Elena Ferrante — que, para os demais leitores, só chega às livrarias em setembro. Mas sua ascensão é uma tendência desde o início da quarentena, e tem impacto para além das assinaturas. “É um crescimento geral do interesse. Tivemos um aumento nos assinantes mas vimos também um crescimento no número de seguidores nas redes sociais, no acesso aos nossos blogs e no tempo de permanência em nossos conteúdos”, relata Danielle Machado, editora-executiva da Intrínseca, que aponta a curadoria minuciosa como o grande diferencial da modalidade. 

Kit Intrínsecos ‘A Vida Mentirosa dos Adultos’, de Elena Ferrante Livros da Joe/Instagram

Quem também observou um aumento considerável na procura foi a TAG, que anotou um salto de 70% nas visitas ao site na comparação com o período pré-pandemia. Segundo o sócio Arthur Dambros, a maior procura pela literatura é um reflexo da fase de angústia e ansiedade que o mundo enfrenta, que leva à busca por hábitos mais saudáveis. Apesar disso, o período também impõe certa dificuldade de concentração, o que motivou a empresa a criar o Conexão TAG, um portal online destinado a reunir os assinantes para leituras conjuntas, e que compila vídeos de autores, capítulos em áudio, podcasts e materiais para download. “Num momento tão fragmentado como esse, os leitores gostam do contato que a gente proporciona. O clube não só facilita a vida como produto, mas também é uma espécie de aconchego diante de toda a incerteza”, analisa ele.

Acesse a matéria completa em VEJA e conheça mais sobre os clubes leitura mantidos por diversos setores do mercado editorial. 

Clube do livro terá segunda edição online no próximo dia 13

Em sua segunda edição online, o Clube do Livro de Araras, que conta com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura, por meio da Biblioteca Municipal, será realizado no próximo dia 13 (sábado), a partir das 15h30, pela plataforma digital Google Meet.

Durante a reunião literária será discutida a obra “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão”, da escritora e jornalista pernambucana Martha Batalha. Antes de ser publicado no Brasil, o romance de estreia da escritora foi vendido para editoras da Alemanha e Noruega.

Para participar do encontro é simples. Basta logar a conta de e-mail do gmail, acessar o site – https://meet.google.com/, clicar em “digite o código da reunião”, digitar fyo-fzvo-xum, clicar em “participar” e aguardar a aprovação para entrar na sala on-line. Os internautas participam de bate-papo durante a atividade.

“No primeiro clube online, onde conversamos sobre Vidas Secas, do Graciliano Ramos, contamos com 12 participantes. Além de ararenses, tivemos uma galera de Ribeirão Preto e da capital”, comentou Gustavo Grandini Bastos, bibliotecário municipal.

Em pouco sobre o livro

Antigas cartas de sua irmã Guida, há muito desaparecida, surpreendem Eurídice, uma senhora de 80 anos. No Rio de Janeiro dos anos 1950, Guida e Eurídice são cruelmente separadas, impedidas de viver os sonhos que alimentaram juntas ainda adolescentes. O livro aborda a história destas duas mulheres, duas irmãs, tentando lutar contra as forças sociais que insistem em frustrá-las. Invisíveis em uma sociedade paternalista e conservadora, elas se desdobram para seguir em frente.

Em 2019, a obra foi para os cinemas com o título de “A Vida Invisível”. Com o gênero drama e romance, o longa teuto-brasileiro foi dirigido por Karim Aïnouz e contou com o elenco estrelado por Fernanda Montenegro, Carol Duarte, Julia Stockler e Gregório Duvivier.

O filme ganhou o prêmio principal da Mostra Um Certo Olhar, do Festival de Cannes, no ano de seu lançamento.

Fonte: Notícias de Araras

Clubes de leitura da Biblioteca de São Paulo e Biblioteca Villa-Lobos em maio trazem escritoras premiadas

Expoentes da literatura brasileira contemporânea, as autoras lançaram novos romances no último ano

Os clubes de leitura online de maio na Biblioteca de São Paulo (BSP) e Parque Villa-Lobos, realizados em parceria com a editora Companhia das Letras, trarão livros de duas escritoras premiadas, Noemi Jaffe e Maria Valéria Rezende, que narram histórias também protagonizadas por mulheres. A BSP e a Biblioteca Villa-Lobos (BVL) são instituições da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, geridas pela Organização Social SP Leituras, eleita pelo segundo ano consecutivo uma das 100 Melhores ONGs do Brasil.
Expoentes da literatura brasileira contemporânea, as autoras lançaram novos romances no último ano. Em ambos os casos, a editora parceira do programa dará gratuitamente aos primeiros inscritos em cada um dos eventos uma cópia eletrônica dos livros. Os encontros serão realizados por meio da plataforma Zoom, através de link que será enviado aos participantes por e-mail.

No dia 22, das 15h às 17h, a BSP coloca na roda de discussão “O que Ela Sussurra”, de Noemi. Baseado em fatos reais, o livro narra a história de Nadejda, jovem russa que memoriza poemas de seu marido, morto pelo regime soviético, para evitar que se percam. As inscrições já estão abertas desde o?dia?8 de maio e podem ser feitas clicando aqui.

Uma semana depois, também das 15h às 17h, a BVL traz para o debate “Carta à Rainha Louca”, de Maria Valéria. O livro conta a história de Isabel das Santas Virgens, que escreve da prisão à rainha Maria I, conhecida como a Rainha Louca, sobre os atos cometidos pelos homens da Coroa em seu nome. As inscrições serão abertas a partir de quinta-feira (14), às 10h, clicando aqui.

Os clubes de leitura online fazem parte da programação das bibliotecas e vão de encontro ao conceito #CulturaemCasa, da Secretaria, que visa estimular o distanciamento social por meio da ampliação do acesso e da oferta de conteúdos virtuais dos equipamentos.

As bibliotecas continuam com atividades presenciais suspensas. Para mais informações, por favor, visite os sites das bibliotecas clicando em BSP ou em BVL.

Dia 22 de maio, das 15h às 17h

BSP – Clube de Leitura Online em parceria com a Companhia das Letras

“O Que Ela Sussurra”, de Noemi Jaffe

Vagas limitadas. Inscrições a partir das 10h,?dia?8 de maio, clicando aqui.

Ao se inscrever, os primeiros participantes recebem um link da editora para baixar o título gratuitamente

Dia 29 de maio, das 15h às 17h

BVL – Clube de Leitura Online em parceria com a Companhia das Letras

“Carta à Rainha Louca”, de  Maria Valéria Rezende

Vagas limitadas. Inscrições a partir das 10h do dia 14 de maio pelo link.

Ao se inscrever, os primeiros participantes recebem um link da editora para baixar o título gratuitamente

Fonte: Agora Vale

Leia mulheres: clube do livro em Florianópolis dá visibilidade à literatura feminina

Projeto mundial tem grupo fixo na Capital catarinense; participantes fazem reuniões virtuais em meio à pandemia do coronavírus

Texto Catarina Duarte

Lançado em 1977, o ‘Seminário dos ratos’, de Lygia Fagundes Telles, é o livro do mês de abril do Leia Mulheres Florianópolis. O clube de leitura, que completou quatro anos em março, é dedicado exclusivamente à literatura feminina.

O projeto surgiu em 2014 com a escritora Joanna Walsh. Por meio da #readwomen2014, a britânica propôs que naquele ano apenas autoras fossem lidas por seus seguidores. A ideia era dar visibilidade às mulheres dentro do mercado editorial.

A pesquisa Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, vinculada à Unb (Universidade de Brasília), mostrou que entre 1965 e 2014, mais de 70% dos livros publicados por grandes editoras foram escritos por homens.

No Brasil, o Leia Mulheres passou a ocupar livrarias e espaços culturais no ano seguinte. Os clubes se espalharam por diversas capitais brasileiras, chegando a Florianópolis em 2016.

Os encontros, que já reuniram dezenas de participantes, acontecem no último sábado de cada mês na BU (Biblioteca Universitária) da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

Não há restrição quanto à participação de homens no clube, mas as mediadoras dos debates são sempre mulheres. Assim, explica uma das fundadora do grupo na Capital, o espaço tem garantias de que a discussão abordará o universo feminino.

Por meio do clube é que as pessoas acabam percebendo como não é habitual ler autoras. Eu mesma percebi que na minha biblioteca só tinham livros escritos por homens. Isso mudou bastantes depois do Leia”, comenta Liandra Schug.

Graduanda do curso de Letras Português, Liandra fundou o grupo com uma colega um ano após entrar na universidade. Desde então, media os debates mensais, que têm público de cerca de 20 pessoas.

Discussões virtuais

Com o avanço do coronavírus em Santa Catarina, as reuniões do Leia Mulheres passaram a ser virtuais. A primeira em meio à pandemia acontece neste sábado (25).

O calendário com as obras também sofreu alterações, substituindo obras com edições limitadas ou de acesso mais difícil por livros online, por exemplo.

Até o fim do ano, obras de Cora Coralina, Ana Miranda e Ayobami Adebayo devem ser lidas pelas participantes do grupo.

Para participar do Leia Mulheres Florianópolis basta entrar em um grupo que as administradoras mantêm no Facebook. Não há restrições de idade ou gênero.

Fonte: ND+

Projeto incentiva idosos de Santo André a praticarem hábito da leitura

Realizado por meio de parceria da Prefeitura com o Governo do Estado, Clube de Leitura 6.0 promove envelhecimento ativo e saudável

Texto por Daniele Vieira

Prefeitura de Santo André lançou o projeto Clube de Leitura 6.0
Crédito: Alex Cavanha/PSA

A Prefeitura de Santo André lançou nesta quarta-feira (12) o projeto Clube de Leitura 6.0. A iniciativa visa incentivar o hábito de ler em munícipes da terceira idade, promovendo assim um envelhecimento ativo e saudável.

O projeto é realizado em parceria com o Fundo Estadual do Idoso, vinculado ao Governo do Estado de São Paulo, e oferece leitura gratuita de livros digitais, rodas de conversas e sessões semanais de biblioterapia em grupo.

A iniciativa é realizada em 18 cidades paulistas e Santo André é o primeiro município do ABC a contar com o programa. Cada clube de leitura possui, em média, dez membros, que se reúnem uma vez por semana para ler e falar sobre o livro lido. Os encontros, de duas horas, são sempre no mesmo lugar e horário.

Na primeira parte, as leituras, em voz alta ou individualmente, são feitas nos tablets fornecidos pelo projeto. Em seguida, acontecem as rodas de conversa com sessões de biblioterapia. Voluntários ensinam os idosos a manusear os aplicativos de leitura em tablets, celulares e computadores.

O lançamento do projeto contou com a presença do prefeito Paulo Serra, que aproveitou a ocasião para anunciar que o Crisa (Centro de Referência do Idoso de Santo André) vai passar a funcionar em um novo espaço.

“É importante a gente dividir com vocês que vamos ter um novo Centro de Referência do Idoso de Santo André. Assinamos um contrato com o Tênis Clube e no mês de abril, aniversário da cidade, quem vai ganhar o presente é a nossa melhor idade, com a belíssima estrutura do Tênis Clube, e a ampliação dos trabalhos realizados no Crisa”, comentou o prefeito.

O Clube de Leitura 6.0 é uma iniciativa do Observatório do Livro e da Leitura, uma fundação privada com sede em Ribeirão Preto, selecionada em edital para captar recursos pelo Fundo do Idoso do Estado de São Paulo.

“A importância do projeto é muito grande, porque a gente trabalha com a longevidade, buscamos isso para a nossa população, quando fazemos isso criamos um novo desafio, que é como envelhecer com saúde. O projeto vai nesta direção porque, através destes clubes de leitura, conseguimos ter uma escuta empática, socialização e a possibilidade muitas vezes, através das histórias dos livros, de lidar com a vida de outra maneira”, afirmou o secretário de Cidadania e Assistência Social, Marcelo Delsir.

Interessados em se inscrever devem entrar em contato com o Crisa, no telefone 4992-8132, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, ou nos Cras (Centros de Referência de Assistência Social) Utinga, Vila Luzita, Alzira Franco ou Ana Maria.

Relação dos Cras participantes:

Cras Vila Luzita

Estrada do Pedroso, 236 – Vila Luzita

Telefone: 4455-8527

Cras Utinga

Av. Utinga, 1971 – Vila Metalúrgica

Telefone: 4994-4766

Cras Alzira Franco

Rua Amapola, s/n – Jardim Alzira Franco

Telefone: 4437-2932

Cras Ana Maria

Praça Venâncio Neto – Avenida Nestor de Barros, s/n – Jardim Ana Maria

Telefone: Não disponível

Fonte: Portal ABCdoABC

Livros renascem com clubes de leitura e pequenas livrarias começam a tomar espaço das megastores

Apesar de sucessivos revezes do mercado editorial brasileiro, há quem não enxergue crise. Otimistas do setor garantem que o Brasil nunca leu tanto, dando fôlego a inovações, como as autopublicações

Encontro de leitoras que assinam a TAG Inéditos, em 29 de junho, na Livraria do Comendador, em São Paulo.RODOLFO BORGES

Texto por Rodolfo Borges

O mercado editorial brasileiro lamentou neste ano um encolhimento de 25% desde 2006 ― e uma redução de faturamento de 4,5% em 2018, pelo quinto ano consecutivo. No ano passado, as editoras também registraram uma queda de 11% na produção de livros. O balanço reflete não apenas o resultado da crise econômica por que o país passou nos últimos anos, mas o ocaso das maiores redes de livrarias do país, cujos prejuízos se disseminaram pelas editoras. Em meio a demissões, fechamento de casas editoriais e pedidos de recuperação judicial de livrarias, contudo, ainda há quem trabalhe com livros no Brasil e garanta: não há crise nenhuma.

“O brasileiro nunca leu tanto”, assegura Ricardo Almeida, CEO do Clube de Autores, a maior plataforma de autopublicação da América Latina. A empresa de apenas quatro funcionários cuida da publicação de cerca de 50.000 autores ― que são conectados por meio dessa plataforma com editores, revisores, designers, gráficas e livrarias ― e trabalha atualmente na elaboração de um algoritmo capaz de identificar potenciais best sellers antes mesmo da impressão. Para Almeida, a crise está no modelo de megastore, que levou Saraiva e Livraria Cultura a pedirem recuperação judicial em 2018 ― o Clube de Autores registrou crescimento de 30% em 2018.

Os dados do último Retratos da Leitura no Brasil corroboram a percepção de Almeida, que diz ver mais pessoas lendo na rua, no transporte público. A população leitora do país subiu de 50% para 56% entre 2011 e 2015, de acordo com o relatório mais recente (uma atualização do levantamento deve ser publicada em 2020), e a quantidade média de livros lidos por anos foi de 4 para 4,96. Os critérios para chegar a esses números, todavia, são frouxos. Para entrar na pesquisa, basta ter lido um trecho de um livro nos três meses anteriores à pesquisa; além disso, da média de 4,96, apenas 2,43 foram lidos até o fim, e 2,88 foram lidos por vontade própria.

De qualquer forma, o número de livros vendidos saltou de 318,6 milhões em 2006 para 352 milhões em 2018 (o preço médio dos livros caiu 34%). E se as grandes livrarias perdem espaço nas vendas ― a participação caiu de 53,11% em 2017 para 46,25% em 2018 ―, os clubes de leitura apareceram pela primeira vez na lista, com 1,08% do mercado no ano passado. O Brasil conta atualmente com dois milhões de assinantes de clubes de leitura, uma empreitada encabeçada pela TAG no país desde 2014. “A crise não é de leitor. É do mercado do livro”, diz Arthur Dambros, diretor de marketing da TAG, que fechou seu primeiro ano, em 2015, com apenas 100 assinantes e hoje conta com 45.000.

Clubes de leitura

Todo mês, cada uma dessas 45.000 pessoas, que pagam de 45,90 a 55,90 reais mensais. recebe uma caixa com livros, que pode conter um exemplar inédito, editado pela própria TAG, ou uma indicação de personalidades como Fernanda Montenegro ou o médico estrela Patch Adams, acompanhados de clássicos curtos e de um encarte com material para discussão. “Levamos um ano e meio até angariar os primeiros assinantes. O pessoal não entendia direito. Nunca tivemos investidor, ficamos um ano e meio dando prejuízo e com dificuldades para crescer, mas logo começamos a lucrar”, conta Dambros.

E o sucesso da TAG levou milhares de pessoas a se encontrar para debater textos literários. Ao descobrir que seus assinantes começaram a interagir, a empresa sediada em Porto Alegre desenvolveu um aplicativo para ajudar a promover os encontros. A gerente administrativa Carolina Bonfim, 31 anos, coordena um desses grupos em São Paulo e frequenta outro deles em Guarulhos. E mantém contato com assinantes de Campinas. É um perfil que se repete em quase todos os outros assinantes da TAG: participam de vários clubes de leitura ao mesmo tempo. “Eu lia quando criança. Recentemente percebi que estavam faltando palavras, eu estava defasada. Minha irmã assinava a TAG e me emprestou um livro. O capricho é muito grande. Assinei em novembro de 2017. Tem mês em que a gente lê cinco livros”, diz Carolina.

Assinantes do Clube de Leitura TAG Curadoria se reúnem em um café em São Paulo no dia 30 de junho de 2019.RODOLFO BORGES

No encontro promovido por ela em junho, em um Fran’s Café na região da avenida Paulista, o livro em pauta era Jude, o obscuro, de Thomas Hardy, indicado pela atriz Fernanda Montenegro. Doze assinantes da TAG se reuniram numa tarde de domingo, enquanto centenas de pessoas se mobilizavam do lado de fora do café em uma manifestação de apoio ao ministro da Justiça, Sergio Moro. Nem todos tinham conseguido terminar de ler o livro. Entre esses estava o professor Rogério Augusto Barbosa, 47 anos. Envolvido na mudança para um novo apartamento ― do qual reservaria um quarto apenas para guardar livros ―, o professor não se importou em engolir spoilers, porque queria rever os amigos.

Em comum entre os colegas, a expressiva média de 50 livros lidos por ano e o hábito de comprar livros em promoção, geralmente em feiras. Alguns dos participantes do encontro tinham acabado de chegar à capital paulista e buscavam novas amizades. Cada um se apresentou e expôs suas impressões sobre o livro em pauta, comparando com outras histórias já lidas e debatidas. A mesma dinâmica se repetiu no encontro promovido pela guia turística Patricia Smith, da TAG Inéditos, para discutir A rede de Alice, de Kate Quinn, na Livraria do Comendador, no bairro da Bela Vista, em São Paulo. Um grupo de 13 mulheres ― 70% dos assinantes da TAG são mulheres e mais da metade têm pós-graduação completa ou em execução ― tirou uma tarde de sábado para se reunir ao redor de livros.

Gestora da livraria, Carol Camargo diz que a loja, que divide um casarão tombado com um café, tem recebido 32 eventos por mês, entre debates literários e saraus. O estabelecimento não cobra aluguel, mas seus administradores sabem que 38% dos frequentadores desses eventos saem da livraria com pelo menos um livro comprado. “O investimento ainda não se pagou, mas crescemos 25% acima do esperado no nosso primeiro ano”, celebra Camargo. Segundo ela, a projeção do resultado foi feita no auge da crise do mercado editorial, em outubro de 2018. “Mas as pessoas não pararam de consumir livros. Foi a má gestão dos grandes grupos que impediu que a verba voltasse para as editoras”, analisa a gestora, para quem o atendimento individualizado das livrarias independentes ganhou força.

Internet

É a mesma impressão do presidente da Câmara Brasileira do Livro, Vitor Tavares. “O mercado vai se ajustando. Num primeiro momento, todo mundo ficou muito preocupado. Mas percebemos que funcionários que deixaram grandes empresas abriram pequenos negócios, novas livrarias surgiram. A figura do livreiro como consultor literário retornou”, analisa. Tavares chama a atenção ainda para o aumento das vendas pela internet ― as livrarias exclusivamente virtuais elevaram de 2,91% para 4,24% sua participação nas vendas.

A Estante Virtual, por exemplo, registrou um crescimento de 18% nas vendas no primeiro trimestre do ano em relação a 2018. O site, que deu alcance nacional aos sebos, intermediou a venda de 23,8 milhões de livros desde 2005. Erica Cardoso, gerente de marketing da Estante Virtual, identifica uma série de movimentos simultâneos no mercado livreiro: a migração das compras para a internet (o comércio eletrônico tem crescido em média 12,4% ao ano no Brasil) e a tendência a poupar, por conta da crise econômica, são alguns deles. “Temos ainda o reuso e o consumo consciente, que vieram para ficar. Por fim, há essa remodelagem das relações entre editoras, distribuidoras e livrarias”, avalia. Tudo isso explicaria por que a Estante Virtual virou o maior marketplace dedicados a livros do país.

A Desculpe a Poeira é um sebo que se beneficia das vendas in loco e no ambiente digital. “Uma loja do tamanho da minha, de 18 metros quadrados, não seria sustentável sem a internet”, constata o jornalista Ricardo Lombardi, que abandonou as redações em 2014 para abrir o sebo no garagem da casa de sua mãe, no bairro de Pinheiros, em São Paulo. “Quando falo internet me refiro a uma plataforma de vendas forte como a Estante Virtual, mas também a redes sociais como Instagram, Facebook e Twitter. Essas redes amplificam a minha presença no mercado”. Segundo o dono do Desculpe a Poeira, a venda na loja é mais expressiva que a virtual, “mas sem a receita da internet a conta não fecharia”. Parte da experiência de “achar um livro que você não procurava”, o grande ativo de uma livraria, é contemplada na internet pelo Instagram, de acordo com o livreiro.

Se os rumos apontam para o virtual, a grande aposta do momento são os audiolivros. O Brasil ganhou em junho sua terceira empresa dedicada ao assunto. A Auti Books se uniu à Ubook e à Tocalivros, que desbravam um mercado novo por aqui, mas já consolidado em países como Estados Unidos e Alemanha. O Google Play também oferece audiolivros e ainda são aguardadas as chegadas de plataformas estrangeiras, como Audible, da Amazon, e Storytel. “Nosso grande competidor hoje é o Fortnite. A competição é por tempo”, diz Claudio Gandelman, CEO da Auti Books.

Já para Eduardo Albano, sócio fundador e diretor de conteúdo do Ubook, o desafio é acostumar o público brasileiro a ouvir livros. “Com a quantidade de pessoas que a gente vê andando de fone de ouvido na rua, parece que é uma questão de mostrar que o audiobook existe”, diz. Como estratégia para atrair o público nacional, a Ubook, que iniciou neste ano uma expansão para países da América Latina, criou uma área com notícias lidas em tempo real. Já a Tocalivros se esmera em produzir conteúdos mais elaborados, em produções que envolvem até 30 narradores, como no caso de Guerra dos tronos. Para superar a defasagem do mercado brasileiro, a empresa tenta manter o fluxo de 25 novas produções por mês. Sem tempo para crise.

Fonte: EL PAÍS

Como os clubes de livros podem ajudar uma editora?

PUBLISHNEWS, FERNANDA GRABAUSKA
Em seu artigo, Fernanda fala sobre o crescimento e as vantagens dos clubes de assinaturas de livros

Em tempos de insegurança no mercado, qualquer novo empreendimento é cercado de certa desconfiança quando entra em cena. Presentes há tempo considerável, mas certamente jovens em relação ao negócio que integram, clubes de assinatura têm encontrado seu espaço não tanto entre as editoras, mas ao lado delas.

Se, cinco anos atrás, o modelo de clubes de assinatura era encarado com cinismo, o movimento agora é o inverso: as caixinhas de livro se tornaram um mercado milionário e as empresas que as enviam, parceiras desejáveis. Os contingentes de leitura atendidas por clubes como TAG e Leiturinha cresceram e vicejam, muito a despeito dos pífios números de leitura no Brasil.

Mas o que os clubes de livros têm a oferecer para as editoras? O aporte financeiro é uma das vantagens óbvias – sem o risco que se corre com consignação, a renda de cada projeto tem data certa para entrar. O lucro não é tudo, entretanto. Diria que clubes de livros atuam também como scouts com um índice de 100% de sucesso: apresentam novos títulos às editoras enquanto já garantem uma edição inteira, muitas vezes superando os 20 mil exemplares, esgotada na pré-venda. O sucesso de tal edição, depois disso, pode se transformar em argumento de venda para o comercial.

O conhecimento de público é outro ponto de contato entre clubes e editoras. É sabido que muitos dos clubes contam com grupos de discussão – estejam eles em aplicativos, redes sociais ou, como nos velhos tempos, em reuniões presenciais. Essa inteligência, que engloba a visão do usuário a respeito não só da história que o livro conta, mas de sua edição e de seu design, é traduzida em números e pode ser grande amiga da editora na hora de posicionar seu produto em comunicação digital e também nas livrarias. A pulverização do público que frequenta pontos de venda físicos acaba sendo menos dificultosa quando se está municiado de informações certeiras a respeito do consumidor que se procura.

Por último – e talvez mais interessante -, o negócio dos clubes é democrático. Qualquer editora, grande ou pequena, pode ser parceira. Basta ter tino para o público e vontade de trabalhar.

Quem diria que um hábito tão particular e solitário como o consumo de literatura poderia passar por uma revolução tão intensa? Há cinco anos, arrisco que ninguém. Mas hoje… aposto que seus olhos estão à frente, perguntando-se o que vem por aí.

Fonte: PUBLISHNEWS

Clubes de assinaturas de livros focam em públicos específicos

A advogada Iolanda Wilhelm, de Agudo, lançou o Clube da Gurizadinha. Ela quer divulgar mais a cultura do Estado entre os pequenos
FOTO: /CLUBE DA GURIZADINHA/DIVULGAÇÃO/JC

Crianças, gestores de negócios ou religiosos. Há uma modalidade para cada perfil de assinante

Texto por Giana Milani 

O segmento editorial tem se reinventado para não sucumbir ao digital. Uma das apostas são os clubes de assinaturas de livros, que entregam mensalmente obras selecionadas e brindes personalizados. Tri, baita e vereda são alguns dos termos gaúchos que formam o diferencial do Clube da Gurizadinha, negócio com o objetivo de introduzir a cultura do Rio Grande do Sul para o público infantil.

Idealizado por Iolanda Wilhelm, de 32 anos, o projeto nasceu em Agudo e foi lançado no Clube de Tradições Gaúchas (CTG) local em 2018. Depois de trabalhar como advogada, ela fechou o escritório para se dedicar integralmente à empreitada.

“Não estava contente com a minha profissão. Admiro bastante o nosso bairrismo e tem poucas obras sobre o assunto para crianças. As que têm são com a linguagem mais séria, pesada”, explica. Ela aponta que a iniciativa também ajuda a divulgar os costumes gaudérios para outros estados do Brasil.

O empreendimento foi inspirado, ainda, em Otávio, de 2 anos e 9 meses, filho de Iolanda. “Fui buscar alguma leitura para ele, com interatividade e pensei que seria uma boa alternativa criar algo assim”, relata.

O Clube da Gurizadinha custa R$43,90 mensais, mais o frete, com valor único, a R$ 10,00. Iolanda contabiliza, atualmente, 70 assinantes. “Tem gente de Porto Alegre, Gravataí, Caxias do Sul, da Fronteira, é uma grande mistura”, diz.

A clientela recebe em casa um livro, escolhido por uma psicopedagoga, de acordo com o nível de leitura da criança. Ele vai acompanhado de um resumo da obra, dicas e curiosidades para auxiliar na contação da história, além de brindes que resgatam a essência gaúcha.

“Pensamos nos brindes com bastante carinho. Há alguns meses foi o jogo de cinco marias, produzido artesanalmente. Em julho, no mês das avós, foi uma receita de cuca, com fantoche. Em setembro, um vira mate e em outubro será um peão”, elenca a empreendedora. “Buscamos fazer a ligação com a tradição”, complementa.

A parte contábil é terceirizada, assim como a diagramação e impressão do material, que é realizada por uma agência de marketing. No entanto, Iolanda garante que ela é a cabeça da criação. “Sinto-me realizada com o clube. Essa é uma área que gosto e me trouxe um outro jeito de ver as coisas”, justifica.

Apesar de distribuir livros de autores não-gaúchos, um dos planos futuros da empreendedora é ter no portfólio algumas obras de autoria dela. Dessa forma, levará os personagens que já compõe os kits, como o “guri” Cícero e a “guria” Catarina, para viverem suas próprias histórias. 

Crescimento na demanda: Leiturinha salta de 18 assinantes para 170 mil

Guilherme Martins fundou o Leiturinha com um sócio em 2014
FOTO: /LEITURINHA/DIVULGAÇÃO/JC

Os pacotes dos produtos do clube de assinatura Leiturinha são encaminhados, mensalmente, a mais de 5 mil cidades brasileiras. O número de adeptos, que em maio de 2014, no início do negócio, totalizava 18, hoje bate quase 170 mil. O empreendimento apresenta um expressivo crescimento, talvez não tão planejado em outubro de 2013, quando os amigos Rodolfo Reis e Guilherme Martins, ambos pais, resolveram criar algo para crianças.

“Começamos a pensar no negócio com muito carinho. A proposta era que nossos filhos fossem os primeiros a olharem o produto”, recorda Guilherme. Paralelamente, eles dividiram o empreendedorismo com outros empregos. Até que tiveram que se dedicar integralmente ao Leiturinha. “Rapidamente, estávamos no azul e a empresa já se pagava”, argumenta.

Nesse momento, foi preciso decidir qual rumo seguir. “Estávamos entre ter uma empresa legal, para ter uma renda ou se corríamos atrás de fazer algo muito grande. Escolhemos o segundo caminho”, relata.

Guilherme pontua que a Playkids (líder global em conteúdo educativo infantil) entrou no clube como investidora para possibilitar a expansão. Em pouco tempo, eram mil assinantes. Em 2015, 10 mil. Em 2016, 30 mil. E agora caminha para 200 mil.

O Leiturinha tem três opções de planos: mini, uni, duni. O mini foi lançado em janeiro e oferece um livro e um brinde a R$ 29,90 mensais. O uni (R$ 44,90) tem livro, brinde, material de dicas aos pais, surpresas especiais para estimular o desenvolvimento e descontos exclusivos na Loja Leiturinha. Já o duni (R$ 64,90) tem os mesmos itens do anterior, só que com dois livros mensais. Em qualquer modalidade, é possível assinar com, no mínimo, seis meses de adesão.

O sócio comenta que o processo de curadoria é uma das maiores preocupações do clube. “Eu e o Rodolfo não somos do mercado editorial, não teríamos a percepção para escolher os livros. Uma pedagoga escolhia com base em catálogos. Esse processo mudou um pouco. Agora, temos curadoria da Playkids, uma equipe com 30 pessoas”, detalha.

O Leiturinha teve que se firmar ainda com as editoras. “Compramos 2,5 milhões de livros por ano. Isso permite que tenhamos algumas especificações. Temos títulos exclusivos”, assinala.

Segundo ele, o modelo de negócio é diferente do e-commerce tradicional porque há uma previsibilidade de receita. “Você tem relacionamento a longo prazo com seu cliente. Escutamos muito os nossos consumidores, o feedback”, acrescenta. O empreendedor sente-se orgulhoso do negócio. Além de Valentina, com nove anos, ele é pai de Pedro, de cinco, que nasceu quase com o Leiturinha. “Uma coisa muito bonita que aconteceu foi ver meus filhos crescerem com os livros e perceber o quanto eles gostam, o quanto associam às coisas boas”, diz.

A vantagem da assinatura, destaca, é que ela cria o hábito da leitura. “O pacote é como um presente, é uma experiência. Tem uma coisa que eu falo para todo mundo: o livro infantil não vai morrer”, garante. De acordo com Guilherme, as obras, pelos olhos da criança, se tornam um brinquedo.

Empreendedores criam serviço para católicos no Rio Grande do Sul

Matheus Bazzo é sócio do clube de assinatura Minha Biblioteca Católica
FOTO: /EQUIPE MINHA BIBLIOTECA CATÓLICA/DIVULGAÇÃO/JC

Mensalmente, os cerca de 15 mil assinantes do clube Minha Biblioteca Católica recebem em casa um box com um livro e outros itens ligados à religião, como imagens de devoção e marca-páginas, por exemplo. O negócio gaúcho foi criado por três amigos católicos em dezembro de 2017 e o primeiro envio foi realizado em janeiro de 2018. A modalidade tem o custo de R$ 59,90.

De acordo com um dos sócios, Matheus Bazzo, uma das características do clube é a alta qualidade dos títulos. “Procuramos o melhor tratamento editorial tanto na área gráfica quanto na de tradução”, descreve. “Temos um time dentro da empresa que escolhe as obras, baseadas em livros consolidados da tradição. São livros que todos os católicos gostam e outros que consideramos tesouros escondidos, que são muito bonitos e importantes na história”, explica.

O empreendimento conta com 25 colaboradores. A equipe criativa trabalha em Porto Alegre e a parte de expedição e atendimento ao cliente é localizada em Dois Irmãos. Conforme Matheus, a ideia surgiu da oportunidade no meio. “Tínhamos o interesse em comum em empreender na área. Notamos que isso faz falta no meio católico. No Brasil é mais raro, mas em outros países é popular”, expõe.

“A Minha Biblioteca Católica é o clube que gostaríamos de assinar”, sublinha, acrescentando que são enviadas biografias também. De acordo com ele, a faixa etária dos associados do clube de assinatura de livros surpreende. “É um público bem jovem. A maioria tem entre 20 e 40 anos. Nas bordas sempre tem gente mais nova, e também mais idosa. O mais velho tem 92 anos”, revela. “Às vezes, as pessoas relacionam o catolicismo aos mais velhos, mas uma identidade comum nos fiéis nos últimos anos é tentar voltar a descobrir as belezas do mundo cristão”, diz Matheus.

A iniciativa ganhou elogios de religiosos, dentre eles o Padre Paulo Ricardo, que contabiliza quase um milhão e meio de seguidores no Facebook. Devido ao sucesso, Matheus tem expandido a atuação empreendedora na religião. Em agosto, juntamente com outro grupo de investidores, fundou a Lumine, plataforma de streaming com catálogo de produtos audiovisuais para religiosos.

Clube aposta em livros de gestão

Bruno Andrade, CEO da Blueprintt
FOTO: BLUEPRINTT/DIVULGAÇÃO/JC

Voltado para executivos e profissionais com interesse em gestão de negócios, o Blueprintt Box completou um ano em junho de 2019. Os planos custam entre R$ 79,00 (para quem adere anualmente) e R$ 97,00 (assinatura mensal). “O clube começou após percebemos que a leitura de bons livros é uma característica unânime entre os homens de sucesso que alcançam o topo dos negócios”, conta Bruno Andrade, CEO da empresa.

Segundo ele, a equipe de curadoria escolhe conteúdos que produzirão as habilidades e conhecimento necessários para alcançar o sucesso. A assinatura, explica, melhora o hábito de ler. “Eles são conscientes de que precisam ler. Quando compram, na maioria das vezes, não passam do primeiro capítulo e o livro se torna mais um item na decoração das estantes”, aponta Bruno.

O assinante recebe uma obra, um resumo executivo com as principais sacadas do livro (para relembrar conceitos já lidos) e plano de leitura para finalizar em 25 dias. A entrega é feita para todo o país, mas São Paulo é o estado com o maior número de assinantes, concentrando 35% da base total de membros.

Blueprintt não nasceu como box. O empreendimento, com sede na cidade paulista de Barueri, existe há mais de dez anos e é focado no desenvolvimento da gestão, promovendo eventos e cursos. 

Fonte: Jornal do Comércio

O alquimista digital

Paulo Coelho faz parceria com Recode para criar clubes de leitura e de discussões sobre tecnologia em bibliotecas brasileiras

Texto por PUBLISHNEWS, Redação

Paulo Coelho quer incentivar o empoderamento digital de jovens brasileiros | Niels Akermann

Com o objetivo de incentivar o uso de tecnologias para o fomento à leitura, Paulo Coelho e a ONG Recode fecharam uma parceria para lançar a Trilha do Alquimista Digital que quer incentivar a formação de clubes de leituras e de discussões sobre tecnologia em bibliotecas de todo o Brasil.As inscrições para participar do projeto estão abertas e vão até o próximo dia 19. Para participar, a biblioteca deve ter CNPJ válido e ao menos dois computadores disponíveis para o uso dos frequentadores. Após a inscrição, as bibliotecas habilitadas receberão livros digitais de Paulo Coelho para criar um Clube de Leitura sobre suas obras.

Toda a trilha é gamificada e as bibliotecas participantes podem receber desafios surpresa durante o percurso e prêmios que vão desde livros digitais do Paulo Coelho e exemplares autografados pelo autor até e-readers.

Para concorrer aos prêmios, os membros do clube de leitura precisam realizar ao menos dois cursos de tecnologia para empoderamento digital da plataforma Recode e debater dois livros do autor.

O próximo passo será gravar um vídeo sobre a experiência e aprendizados com o clube. A Recode irá receber um vídeo finalista por biblioteca, com premiações previstas para os realizadores e o profissional da biblioteca a partir da seleção dos melhores materiais.

Para Rodrigo Baggio, presidente da Recode, a tecnologia é uma grande parceira do acesso a conhecimento e oportunidades para os jovens. “Com o game, queremos fortalecer o empoderamento digital dessa geração e contribuir para o desenvolvimento das comunidades no entorno da biblioteca”, defendeu.

Todas as informações e o link para inscrições no Game do Alquimista Digital estão disponíveis no site da plataforma.

Fonte: PUBLISHNEWS

10 Clubes de Leitura movimentam os clubes paulistas

Texto por  Carlos Battesti

Programa Cultural do Sindi Clube discutirá obras de autores nacionais e internacionais na 1ª quinzena de agosto

O Programa Cultural Sindi Clube inicia o mês de agosto com 10 Clubes de Leitura que serão realizados nos clubes paulistas. Nesta quinta-feira (1), o Clube de Leitura do Primeiro de Maio Futebol Clube debaterá o livro “O tempo entre costuras”, de Maria Dueñas, com mediação de Gloria Gonçalves, às 19h30. E o Clube de Leitura do Alphaville Tênis Clube, também a partir das 19h30, discutirá a obra de Raduan Nassar, “Lavoura Arcaica”, com mediação de Rodrigo Scalon.

Na sexta-feira (2), o Clube de Leitura da Sociedade Esportiva Palmeiras traz a obra “A Casa dos Espíritos”, de Isabel Allende para o debate, com a mediação de Luziete M. S. Dal Poggetto, às 19 horas. No sábado (3), o Clube de Leitura do São Paulo Futebol Clube, a partir das 15 horas, colocará em discussão “O conto da Aia”, de Margaret Atwood com a ajuda da mediadora Iara Hand.

O Clube de Leitura do Anhembi Tênis Clube trará a mediadora Iamara Rocha para debater o livro “A Casa Assombrada”, de John Boyne na próxima segunda-feira (5), a partir das 19h30. Na quinta-feira (8) acontecerão três Clubes de Leitura. Às 19 horas, o Clube de Leitura do Esporte Clube Sírio coloca em discussão a obra “A ilha de Sacalina”, de Anton Tchékhov por meio da mediadora Christianne Boulos.

Já o Clube de Leitura do Clube Paineiras do Morumby, em dois horários (às 11 horas e às 15 horas), as obras “Memorial de Maria Moura”, de Rachel de Queiroz e “A guerra não tem rosto de mulher”, de Svetlana Alexiévitch. A mediação dos dois encontros ficará a cargo de Debora Nascimento, Zelita Guedes e Ana Maria Caledônio Simões.

A programação da 1ª quinzena de agosto se encerra no sábado (17), com o Clube de Leitura do Esporte Clube Pinheiros, que promoverá dois grupos de discussão da obra “O Apanhador no Campo de Centeio”, de J. D. Salinger, um às 10 horas e outro às 14 horas.

Sobre o Sindi Clube – É o único representante sindical dos clubes esportivos, sociais, culturais e recreativos do Estado de São Paulo, e há 30 anos desenvolve programas, projetos e iniciativas em defesa dos interesses das agremiações sócio esportivas do estado e do Brasil. Com uma base de 1.400 clubes, aos quais oferece uma estrutura especializada em administração nas áreas jurídica, trabalhista, fiscal, contábil e tributária, recursos incentivados, cultural, esportes e lazer. A entidade é também um interlocutor frequente do governo, consultado e ouvido pelas autoridades de todos os níveis do país, além de federações, confederações e organizações de todos os segmentos da vida nacional. A instituição mantém a Universidade Corporativa Sindi Clube (Unisindiclube), que oferece um extenso programa de formação, treinamento e aperfeiçoamento de profissionais de clubes, por meio de uma completa grade de cursos, seminários, palestras e workshops. O Sindi Clube também oferece o Programa Sindi Clube Aprendiz, instituído em 2005, com aprovação do Ministério Público do Trabalho, para ser aplicado em todas as atividades dos clubes e facilitar o cumprimento da Lei da Aprendizagem (10.097/00).

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Fonte: Clipp Segs

Leituras que libertam: a experiência de um Clube do Livro no Cárcere

Texto por Coletivo Liberta Elas

O afastamento das mulheres e da população negra dos espaços de educação formal sempre foi uma estratégia utilizada pelo Estado

“(…) interessante essa pegada do racismo que vocês trouxeram. Eu sempre achei que fosse uma questão de dinheiro, mas vocês me colocaram pra pensar”. Foi essa fala que escutamos de uma participante do Clube do Livro, oficina que o coletivo pernambucano Liberta Elas realizou entre os meses de março e junho deste ano na Colônia Prisional Feminina de Abreu e Lima, município vizinho de Recife. O intuito da oficina é possibilitar o acesso das mulheres encarceradas ao mundo das letras.

O afastamento das mulheres e da população negra dos espaços de educação formal sempre foi uma estratégia utilizada pelo Estado brasileiro de silenciamento e manutenção da subordinação dessas pessoas.

Em 1854, foi instituído legalmente no país o decreto n° 10.331 em que estudar era uma atividade proibida para a população negra. Mais de cem anos se passaram e encontramos como participantes do Clube do Livro mulheres negras, na sua maioria mães e que não concluíram seus estudos. São essas mulheres que diariamente são massacradas pelo racismo, sexismo e pelas desigualdades de classe presentes na sociedade brasileira. Por isso, priorizamos, no Clube do Livro, a escolha de autoras negras como bell Hooks, Conceição Evaristo, Paulina Chiziane e as poetisas pernambucanas Amanda Timóteo, Lídia Lins e Rafa Lima que a partir das suas próprias experiências e percepções de mundo tratam das dores e das alegrias da mulher negra. Apesar da diversidade de escritas, os textos trazem temas comuns como racismo, sexualidade, violência, misoginia e maternidade.

 Outro objetivo do Clube do Livro foi a possibilidade da viabilização de remição de pena pela leitura. A recomendação n°44/2013 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) prevê a redução da pena em quatro dias para cada obra lida, sendo o limite de doze obras a cada ano, perfazendo o total de 48 dias de remição por leitura a cada 12 meses. Inicialmente, a oficina não contemplou as reeducandas com a remição, pois existe uma lista de livros determinada com as obras que devem ser lidas, resenhadas, analisadas e enviadas por ofício à juíza ou ao juiz de execução penal competente. Autores como Shakespeare, Eça de Queiroz, Victor Hugo, Paulo Coelho e Oscar Wilde são alguns dos nomes presentes na lista oficial de livros que prevê, em sua grande maioria, “clássicos” nacionais e internacionais.

As obras elencadas demonstram uma escolha do sistema prisional por visões hegemônicas de mundo e de sujeitos. As leituras indicadas vêm de espaços, na maioria das vezes, distantes das vivências das mulheres sob custódia do Estado.

Por outro lado, o projeto piloto do Clube do Livro, optou, neste primeiro momento, por trabalhar com textos escolhidos pelo coletivo Liberta Elas, ressaltando que a educação considerada formal ainda tem “dificuldade” de incorporar escritas que não sejam produzidas por autores brancos.

Durante a realização das oficinas, o conceito de escrevivência de Conceição Evaristo, em que a escrita é indissociável da experiência vivida de cada uma, permeou não só a escolha dos textos, mas as vivências desses encontros. É revolucionário o processo educativo de mulheres negras que passam a conhecer as histórias e escritas de outras mulheres negras que viveram situações similares com as delas.

CONCEIÇÃO EVARISTO, ESCRITORA, MESTRE EM LITERATURA E DOUTORA EM LITERATURA COMPARADA.

Evaristo ressalta a ação política no ato de escrever quando afirma que “A nossa escrevivência não pode ser lida como história para ninar os da casa grande e sim para incomodá-los nos seu sono injusto”. Na discussão do seu conto ‘Olhos d’água’, em que a autora relata não lembrar da cor dos olhos de sua mãe porque sempre estavam marejados de lágrimas, uma das participantes falou que também não lembrava da cor dos olhos de sua mãe e disse: “Na última visita eu peguei meu pai e minha mãe e disse: painho, venha cá! E segurei o rosto dele pra olhar a cor dos olhos dele. Depois eu disse: mainha, venha cá! E olhei os olhos dela também”. Em outro conto de Evaristo, chamado ‘Maria’, uma das participantes mais assíduas do Clube do Livro disse que entendia o que a autora quis dizer porque a mãe dela foi também trabalhadora doméstica e trazia as sobras das festas da patroa assim como a personagem ‘Maria’ fez no livro.

Nos primeiros encontros, um dos pontos trazidos pelas participantes era saber o objetivo do Clube do Livro. Explicamos que nossa intenção seria trabalhar a autoestima e o autocuidado por meio da leitura de textos. Trouxemos, dessa forma, o afeto como parâmetro para os nossos encontros, criando um local seguro para que as histórias vividas por essa mulheres pudessem ser trazidas sem culpa em um espaço de liberdade e cuidado.

A cada encontro, depoimentos dolorosos cortavam a leitura do texto. Grande parte das mulheres identificou-se com as linhas desenhadas pelas autoras. Muitas contestavam, estranhavam a perspectiva que estava sendo apresentada; outras, envergonhadas, pareciam não acreditar jamais que alguém, algum dia, pudessem escrever sobre sua realidade. “Olha, mas ela era negra!”, disse uma participante enquanto assistia a um vídeo sobre a vida de Conceição Evaristo.

Outro momento de surpresa foi quando dissemos que Amanda Timóteo e Lídia Lins eram pernambucanas. A cada encontro, surgiam novas mulheres interessadas em saber o que acontecia nos Clubes do Livro. Era incrível ver como a discussão se desenrolava a cada temática que levávamos. Os debates nos fizeram observar também o despertar para uma identidade negra. No decorrer dos encontros, uma das participantes manifestou o desejo de assumir o cabelo crespo, inspirada em uma das integrantes do Liberta Elas e perguntou: “quanto tempo leva pra meu cabelo ficar assim que nem o teu? Quando eu for pra rua eu vou cortar”. Nesse constante exercício de fazer com que as mulheres pudessem olhar para si mesmas, levamos a poesia “Clandestinas” de Amanda Timóteo, autora do zine Buceta Poética. O nome do livro foi o ponto de partida para a discussão sobre liberdade, consentimento, autonomia reprodutiva, prazer e autoestima ao mesmo tempo que relatos de violência e estupros eram constantes em suas narrativas.

Essas narrativas expressam como o encarceramento dessas mulheres é a etapa final da necropolítica praticada pelo Estado brasileiro.

A maioria das mulheres encarceradas são negras, pobres e sem acesso a políticas públicas que não sejam a repressão, a proibição e a punição praticadas pelos operadores do sistema de justiça criminal – policiais militares e civis, juízes, desembargadores e membros do Ministério Público. A demanda da mulher presa é urgente e histórica. Desta forma, mobilizar essas mulheres por meio de contra narrativas que trazem vivências de resistência e luta foi o que o Clube do Livro se propôs a fazer por meio dos textos selecionados.

Fonte: CartaCapital

Há 10 anos presidiários fazem dos livros seus companheiros

Oferecido inicialmente pela Fundação Palavra Mágica, atualmente, Fundação Observatório do Livro e da Leitura, o projeto foi criado em 2009, em Ribeirão Preto e Serra Azul, chegando a 17 unidades prisionais em diversas regiões do Estado, beneficiando  …

O projeto Clubes de Leitura em Presídios, desenvolvido pela Fundação Observatório do Livro e da Leitura com a Fundação Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel (Funap), da Secretaria da Administração Penitenciária do Estado, comemorou seus 10 anos de existência na 19ª Feira Nacional do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, com o seminário Clube de Leitura em Presídios: 10 anos transformando vidas. A atividade aconteceu no dia 10 de junho (segunda-feira), às 11h, no Auditório Pedro Paulo da Silva, nas dependências do Centro Cultural Palace.

Os convidados para debater a trajetória do projeto foram o juiz coordenador do Departamento Estadual de Execução Criminal da 6ª Região Administrativa Judiciária de Ribeirão Preto, José Roberto Bernardi Liberal; Carlos Alberto Ferreira de Souza, coordenador das Unidades Prisionais da Região Noroeste da Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo; o diretor-adjunto de Atendimento e Promoção Humana da Funap, Sebastião Carlos Romão da Silva; Tania Cosci, da Faculdade de Direito da Unaerp; a integrante da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Franca, Fernanda P. Sousa Cruz; a coordenadora de Letras do Instituto Federal de Sertãozinho, Andréia Ianuskiewtz; o ex-monitor da Funap nos clubes de leitura do Centro de Progressão Penitenciária de Jardinópolis, Carlos Andrade; e o presidente da Fundação Observatório do Livro e da Leitura, Galeno Amorim. A mediação foi feita por Luciana Paschoalin, coordenadora de Projetos da Fundação Educandário.

Segundo Galeno Amorim, quando criou a Fera do Livro há 19 anos, sua iniciativa era criar uma sociedade anônima e que todos os moradores da região se sentissem responsáveis pelo evento. “A sociedade abraça e defende, assim as coisas se perpetuam. As coisas acontecem”, comentou Amorim. O idealizador do projeto destacou que, nestes 10 anos, foram mais de oito mil presos beneficiados e meio milhão de livros lidos”, acrescenta o presidente. “Uma história de impacto, é muito mais relevante do que estatísticas e números”, conclui.

Galeno Amorim disse, durante o evento, que pretende lançar mais um novo projeto, que inclui a participação de presidiários acusados pela Lei Maria da Penha. “Queremos esse projeto para instruir e fazer com que este preso não venha a agredir, abusar, assassinar ou molestar suas companheiras ou mesmo desconhecidas”, explica. Segundo ele, o livro pode, e é, fonte de reabilitação do preso na sociedade. Usar isso nos presídios facilita o processo.

Abrangência do projeto

Desde os primeiros clubes, criados em 2009, em Ribeirão Preto e Serra Azul, a ação já chegou a 17 unidades prisionais em várias regiões do estado e beneficiou, diretamente, mais de oito mil homens e mulheres presos. No ano passado, 1.153 detentos passaram pelos clubes nas unidades prisionais de Ribeirão Preto (3), Araraquara (3), Serra Azul (3), Itirapina (2), Jardinópolis, Franca, Pontal, Taiúva, Casa Branca e Guariba. Cada clube possui, em média, entre 10 e 20 participantes, que leem um livro por mês, escolhido pelos próprios presos – em alguns locais, esse número chegou a 24 livros/mês, cinco vezes a média nacional.

O projeto chega ao seu décimo aniversário com uma novidade: agora, a leitura dos livros, seguida da produção de uma resenha, pode proporcionar a remição da pena. A cada livro lido, a Justiça pode reduzir a pena em até quatro dias.

Essa iniciativa levou o formato e a dinâmica dos clubes de leitura para as unidades prisionais da região de Ribeirão Preto, o que fortaleceu as nossas ações de promoção do acesso ao livro e à leitura, ampliando processos de formação de leitores na prisão”, afirma o gerente regional da Funap em Ribeirão Preto, Silvio Luís do Prado. “Os clubes em penitenciárias demonstram a capacidade transformadora da leitura na vida das pessoas”, concluiu o presidente da Fundação Observatório do Livro e da Leitura, Galeno Amorim.

Em 2018, o projeto foi contemplado com a Certificação de Tecnologia Social da Fundação Banco do Brasil, que reconhece iniciativas sociais com boa qualificação.

19ª Feira Nacional do Livro

A 19ª Feira Nacional do Livro acontece entre os dias 9 a 16 de junho de 2019 em Ribeirão Preto (SP). Trata-se de um dos maiores encontros culturais do país e neste ano traz o tema “Entre Uma História e Outra, Uma Nova História – Um Mundo Melhor para Todos. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável” que embasa a tônica de todos salões de ideias, conferências, palestras, mesas-redondas, oficinas, exposição de filmes, shows, espetáculos infantis, performances, contações de histórias, entre outras atividades. São planejadas mais de 330 atrações culturais totalmente gratuitas com nomes referências nas esferas literária, educacional e cultural. A programação completa pode ser acessada no site da Fundação:
https://fundacaodolivroeleiturarp.files.wordpress.com/2019/05/19_fnlrp_revista_final.pdf

Homenageados – Como em todos os anos, a Feira Nacional do Livro fará homenagem a um país – e o escolhido foi a Suécia. Quanto aos autores celebrados, o escritor principal é Ignácio de Loyola Brandão; o autor educação é Boaventura de Sousa Santos; a autora infantojuvenil é Heloisa Prieto; autor local, Gilberto Andrade de Abreu e a professora homenageada, Amini Boainain Hauy. O patrono desta edição é o empresário Luiz Octávio Junqueira Figueiredo.

Realização

O Ministério da Cidadania, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, Prefeitura Municipal, Alta Mogiana, GasBrasiliano, Tanger e Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto apresentam a 19ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto com: Patrocínio Ouro: Alta Mogiana – Açúcar, Etanol e Energia; GasBrasiliano e Tanger. Patrocínio Prata: Ambient, Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto, Passalacqua, Grupo São Francisco e Savegnago Supermercado. Patrocínio Bronze: Grupo Maubisa, Pedra Agroindustrial, Ribeirão Shopping e Riberdoces. Patrocínio: ACIRP – Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto, Madeiranit e Grupo Via Brasil. Instituição Cultural Parceira: SESC – Serviço Social do Comércio. Parceria Cultural: Fundação Dom Pedro II e Theatro Pedro II, Colorado John Deere, Imma Escola de Design, Santa Helena, Senac – Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial, Sesi – Serviço Social da Indústria, Grupo Thathi de Comunicação. Apoio Cultural: Consulado Geral da Suécia em São Paulo, Centro Universitário Barão de Mauá, Centro Universitário Moura Lacerda, Ecofalante, Superintendência de Gestão Ambiental, Heurys Tecnologia, IEA – Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, Shopping Iguatemi – Ribeirão Preto, Monreale Hotel Ribeirão Preto, NW3 Comunicação, Protécnica – Proteção Individual Técnica, Rodonaves, Usina São Martinho, Unaerp – Universidade de Ribeirão Preto, Verbo Nostro Comunicação Planejada, Sistema Clube de Comunicação, EPTV, Rádio CBN, Record TV e SBT. Apoio: Secretaria Municipal da Cultura, Secretaria Municipal da Educação, Secretaria Municipal de Turismo, Teatro Municipal de Ribeirão Preto, Centro Cultural Palace, Diretoria de Ensino Região de Ribeirão Preto, Câmara Municipal de Ribeirão Preto, Ribeirão Preto – Convention & Visitors Bureau, Brasil Convention & Visitors Bureau, Fundação Educandário, Colégio Marista, Biblioteca Padre Euclides, OAB, Sincovarp – Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto, Macboot, Grupo Utam, ALMA – Academia Livre de Música e Artes, IPCCIC – Instituto Paulista de Cidades Criativas e Identidades Culturais, Instituto Ribeirão 2030, Recicla Bytes, Coderp, Daerp, Transerp, Corpo de Bombeiros, Guarda Civil Municipal, Polícia Militar. Realização Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, Prefeitura Municipal, Governo do Estado de São Paulo – Secretaria da Cultura e Economia Criativa, Secretaria Especial da Cultura, Ministério da Cidadania, Brasil – Governo Federal.

Sobre a Fundação – A Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto é uma entidade de direito privado, sem fins lucrativos. Trata-se de uma evolução da antiga Fundação Feira do Livro, criada em 2004, especialmente para realizar a Feira Nacional do Livro da cidade, hoje considerada a segunda maior Feira a céu aberto do país. Com uma trajetória sólida e projeção nacional e internacional, a entidade ganhou experiência e, atualmente, além da Feira, realiza outros projetos ligados ao universo do livro e da leitura com calendário de atividades permanente durante todo o ano. A Fundação se mantém com o apoio de mantenedores e patrocinadores, com recursos diretos e advindos das leis de incentivo, em especial do Pronac e do Proac.

Atendimento à Imprensa
Verbo Nostro Comunicação Planejada – (16) 3632-6202 / 3610-8659
Jornalistas responsáveis:
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Colaboração:
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Gabriel Todaro e Angelo Davanço – redação@verbo.jor.br

Fonte: Pautas Incorporativas

Clube de leitura em presídios faz 10 anos e seminário na Feira do Livro de Ribeirão

Um programa que já permitiu a remissão da pena de mais de 8 mil homens e mulheres, o Clube de Leitura em Presídios comemora 10 anos com um seminário durante a 19ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto. Realizado pela Fundação Observatório do Livro e da Leitura, em parceria com a Funap (Fundação “Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel”), da Secretaria da Administração Penitenciária do Estado, o programa já chegou a 17 unidades prisionais do Estado de São Paulo. O seminário “Clube de Leitura em Presídios: 10 anos Transformando Vidas” será na próxima segunda (10/06), às 11h, no Centro Cultural Palace, com entrada gratuita.

Os convidados para debater a experiência de sucesso são o juiz coordenador do Departamento Estadual de Execução Criminal da 6ª Região Administrativa Judiciária de Ribeirão Preto, José Roberto Bernardi Liberal; Carlos Alberto Ferreira de Souza, coordenador das Unidades Prisionais da Região Noroeste da Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo; o diretor-adjunto de Atendimento e Promoção Humana da Funap, Sebastião Carlos Romão da Silva; Tania Cosci, da Faculdade de Direito da Unaerp; a integrante da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Franca, Fernanda P. Sousa Cruz; a coordenadora de Letras do Instituto Federal de Sertãozinho, Andréia Ianuskiewtz; o ex-monitor da Funap nos clubes de leitura do Centro de Progressão Penitenciária de Jardinópolis, Carlos Andrade; e o presidente da Fundação Observatório do Livro e da Leitura, Galeno Amorim. A mediação será feita por Luciana Paschoalin, coordenadora de Projetos da Fundação Educandário.

17 clubes e 8.000 presos

Desde os primeiros clubes, em 2009, em Ribeirão Preto e Serra Azul, a ação já chegou a 17 unidades prisionais em várias regiões do estado e beneficiou, diretamente, mais de oito mil homens e mulheres presos. No ano passado, 1.153 detentos passaram pelos clubes nas unidades prisionais de Ribeirão Preto (3), Araraquara (3), Serra Azul (3), Itirapina (2), Jardinópolis, Franca, Pontal, Taiúva, Casa Branca e Guariba. Cada clube possui, em média, entre 10 e 20 participantes, que leem um livro por mês, escolhido pelos próprios presos – em alguns locais, esse número chegou a 24 livros/mês, cinco vezes a média nacional.

O projeto chega ao seu décimo aniversário com uma novidade: agora, a leitura dos livros, seguida de uma resenha, pode proporcionar a remição da pena. A cada livro lido, a Justiça pode reduzir a pena em até quatro dias.

Os livros têm uma capacidade extraordinária de mudar as pessoas”, diz o estudante de Direito Carlos Andrade, que participou dos clubes enquanto esteve preso nas penitenciárias de Serra Azul e Jardinópolis. “Os livros mudaram radicalmente meu modo de pensar e agir e a minha própria vida”, afirma.

Essa iniciativa levou o formato e a dinâmica dos clubes de leitura para as unidades prisionais da região de Ribeirão Preto, o que fortaleceu as nossas ações de promoção do acesso ao livro e à leitura, ampliando processos de formação de leitores na prisão. Essa e outras importantes parcerias na área da leitura nas outras regiões do estado se juntaram ao que historicamente já era realizado pela fundação nesse campo, culminando, em 2018, na criação do Programa de Incentivo à leitura – Lendo a Liberdade,” afirma o gerente regional da Funap em Ribeirão Preto, Silvio Luís do Prado.

Esses clubes em penitenciárias demonstram a capacidade transformadora da leitura na vida das pessoas”, diz o presidente da Fundação Observatório do Livro e da Leitura, Galeno Amorim. Em 2018, o projeto foi contemplado com a Certificação de Tecnologia Social da Fundação Banco do Brasil, que reconhece iniciativas sociais com boa qualificação.

Fonte: CliqueABC