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Apaixonadas por livros, influencers apostam em lives, desafios de leitura e dicas durante quarentena

Dia Mundial do Livro é comemorado nesta quinta-feira (23); criadoras de conteúdo sobre literatura no interior de SP estão usando a criatividade durante a pandemia e interação com internautas.

Por Caroline Andrade

Mell Ferraz passou a fazer lives, debates com convidados e desafio de leitura — Foto: Arquivo Pessoal

O Dia Mundial do Livro é celebrado nesta quinta-feira (23) e, durante o período de quarentena por conta da Covid-19, muitos estão aproveitando a internet para descobrir e explorar a literatura. Com isso, os influenciadores digitais voltados para quem é apaixonado por livros estão apostando em conteúdos diferenciados para atrair ainda mais público.

Um desses influenciadores no interior de São Paulo é a Mellory Ferraz Carrero, professora de redação e literatura em Jundiaí (SP), e conhecida como Mell Ferraz no seu canal Literature-se, que tem mais de 129 mil inscritos, 790 vídeos publicados e completa 10 anos em 2020.

Ao G1, a jovem, que é apaixonada por livro desde criança, disse que o engajamento no canal aumentou bastante durante a pandemia. Assim, como forma de atrair os internautas, ela passou a criar um conteúdo especial.

Estou montando lives no Instagram sobre conteúdos específicos e com convidados específicos. Também estou fazendo um desafio de leitura diária, sendo pelo menos um conto por dia, e publicando sempre no canal.”

Ela afirma que percebeu que os seguidores estão mais presentes. “Estão mais dispostos. O engajamento é muito mais importante do que números, porque os números não que dizem tanta coisa. Antes de tudo é o engajamento e a conversa que sai do conteúdo disponibilizado. E isso está acontecendo bastante”, conta.

Mell ainda afirma que os livros têm o papel de confortar os leitores, principalmente nesse período de quarentena e isolamento social.

Muitas pessoas estão dentro de casa, nesse distanciamento. Então, esse contato com os livros acaba sendo um contato com outras pessoas também, com outras perspectivas. Agora eu vejo em mim e nas outras pessoas isso de buscar e encontrarem na literatura um lugar de conforto”, reforça.

Quando criei o Literature-se eu lembro que não estava passando por um bom momento na minha vida, psicologicamente falando, e eu lembro que os livros me ajudaram a suportar este momento. Então eu criei justamente para isso, encontrar um espaço no qual eu pudesse encontrar outras pessoas e falar sobre literatura, compartilhar essa paixão em comum.”

A criadora de conteúdo diz que lê cerca de 70 livros por ano e tem mais de 800 volumes na estante.

Na minha vida eu aprendo muito com os livros. Eu sou tímida, retraída, então com a literatura eu acabo suplantando algo que eu deixo de lado, que é esse contato. A literatura é uma forma muito bonita e prazerosa de você conseguir entrar em contato com o olhar do outro. Eu acho que a gente deveria dar mais valor para isso, a gente descobre muito da nossa própria cultura através da literatura.”

Dicas diárias

Quem também está criando conteúdos literários especiais para a quarentena é a sorocabana Sabrina da Silva Novaes, de 30 anos. A estudante de pedagogia é dona de um perfil com mais de 13 mil seguidores.

Com mais de 20 livros lidos em 2020, Sabrina afirma que os encontros literários e o hábito da leitura têm a ajudado muito a passar pela quarentena. “Ultimamente tenho feito posts com dicas de leituras para quarentena. Tenho dado dicas de livros alegres e até de dramas para reflexão. Está tendo um retorno bacana”, relata.

Sabrina contou ao G1 que o número de engajamentos no perfil também aumentou bastante nas últimas semanas e mais seguidores têm interagido com ela nas publicações.

Além disso, a influenciadora conta que o “Clube do livro”, que costuma ser reuniões onde leitores discutem determina obra , passou a ser feito de forma online.

É uma coisa nova e difícil. Nós somos de uma geração muito ativa e funcional e a leitura pode auxiliar como uma distração e informação. Qualquer tipo de leitura é válida, um jornal, um livro”, finaliza.

Sabrina tem instagram literário com mais de 13 mil seguidores — Foto: Arquivo pessoal

Paixão por livros

Além dos conteúdos criados por youtubers e outros influenciadores, editoras e livrarias têm disponibilizados diversos e-books gratuitos para os leitores.

A estudante Mariana Bonini, de 26 anos, foi uma das pessoas que aproveitou a quarentena para colocar a leitura em dia.

Eu aproveitei esse período e visitei vários perfis sobre livros no Instagram. Isso reavivou minha curiosidade pelos livros e meu amor pela leitura. Isso despertou minha vontade de ler de novo”, conta.

Fonte: G1

Literatura ganha força com produção de conteúdo pela Internet

No Youtube, diversos booktubers aprofundam interesse nos livros

Por Carol Steques* e Camila Souza*

Bel Rodrigues tem um canal no YouTube que discute literatura e criminalidade
Bel Rodrigues tem um canal no YouTube que discute literatura e criminalidade | Foto: Reprodução / Instagram / CP
Um livro faz com que o leitor viaje com uma história, se emocione, dê risada e tenha sentimentos pelos personagens. Quando terminada a leitura, muita gente corre até um amigo ou parente, que também tenha lido, para trocar ideia sobre o assunto. É muito gostoso para o leitor ter outras pessoas que também tenham lido o livro e comentem as histórias, entrando ainda mais no universo lúdico da literatura, que muitas vezes atravessam gerações. Afinal, até hoje todo mundo que conhece Dom Casmurro tem a sua opinião sobre a famosa pergunta: Capitu traiu ou não Bentinho?
Hoje em dia, com as redes sociais, viajar no universo da literatura ficou ainda mais fácil. Amanda Bormida, criadora do Instagram @estanteaoluar, faz resumos de livros no perfil e conta que começou o projeto pois não tinha muitas pessoas para compartilhar ideias e sentimentos sobre os livros que lia, e por meio da plataforma teve essa oportunidade.

“Sempre tive uma afinidade muito grande com livros, e através da página isso se fortaleceu, pois ver publicações com opiniões sobre as mesmas obras que me interesso, traz um sentimento de união, de que haviam pessoas com as mesmas ideias e pensamentos que eu sobre determinados assuntos”, declarou.

Natália Marcelino também produz conteúdo literário em seu perfil no Instagram (@leiturasdanat), criado em 2015. Além de escrever resenhas, Natália compartilha indicações de autores e métodos de leitura com seus seguidores que, hoje, são mais de 23 mil.

Ela conta que a motivação para criar o perfil foi o desejo de dividir suas experiências literárias e, assim, fazer com que outras pessoas também sintam vontade de ler. “Recebo muitos feedbacks de pessoas que voltaram a ler, que descobriram novos gêneros e autores. No Brasil ainda há muitas barreiras com a leitura, então fico muito feliz em saber que, de alguma forma, contribuo para aumentar o número de leitores”, explicou.

YouTube

Nesse momento de isolamento social em função do novo coronavírus, além do Instagram, o Youtube também é uma ótima plataforma para aqueles que querem se aprofundar ainda mais nas histórias. Diversos youtubers, também chamados de booktubers, falam sobre literatura.

Um exemplo disso é o canal da Bel Rodrigues, que traz assuntos como livros, cinema e criminologia. É muito interessante vermos os diferentes gêneros literários que trazem os canais, incentivando o leitor a explorar cada vez mais todos os tipos de temas que o livro pode proporcionar.

Uma das temáticas que Bel aborda é a Segunda Guerra Mundial, e fala sobre livros como “O Diário de Anne Frank” e “Os Fornos de Hitler”. Além da literatura, ela traz outras histórias sobre os temas que aborda em seu canal, como o relato de sua visita ao Campo de Concentração de
Sachsenhausen, na Alemanha.

Assim como Bel, Jéssica Ribeiro também optou pela plataforma do YouTube. No canal “Jella em Prosa”, criado em 2015, ela compartilha suas experiências no universo dos livros. Jéssica explica que entrou no BookTube, como é conhecida a comunidade literária na plataforma, pela vontade de falar sobre literatura.

Produzir os vídeos de maneira divertida e despretensiosa fez com que a paixão pelos livros aumentasse. Assim, tomou a decisão de estudar literatura para falar do assunto com mais propriedade. Jéssica conta que recebeu muitos retornos de pessoas que acompanhavam seu canal e decidiram conhecer histórias e livros específicos devido aos seus comentários.

“É muito curioso e muito legal fazer parte do processo de formação leitora de alguém, e digo isso não somente como produtora, mas também como leitora, porque consumo muito esses conteúdos”.

Jéssica destaca a importância da troca de experiências entre leitores na plataforma de vídeos. “A quantidade de pessoas com quem eu posso falar sobre literatura é a coisa pela qual eu mais sou grata dentro da experiência de ter um canal literário”.

Viajar nesse universo é uma alternativa para quem busca distração, principalmente em dias de quarentena. Os produtores de conteúdos literários apresentam, em diversos formatos, análises e indicações para incentivar e despertar a paixão pelos livros.

*Sob supervisão de Luiz Gonzaga Lopes

Fonte: Correio do Povo

 

Pesquisa avalia influência de youtubers na leitura infanto-juvenil

A pesquisa usou como parâmetro de análise do mercado editorial brasileiro a publicação de livros por parte dos youtubers

 Texto por Redação com UFMS

Livros de youtubers expostos na livraria – Foto: Reprodução/Internet

Há muito, a internet assumiu forte papel influenciador em diversas áreas do conhecimento e comportamentais e não está sendo diferente com relação ao hábito de leitura das crianças e adolescentes.

Uma das questões levantadas é com relação à influência dos youtubers no hábito de leitura desse público infanto-juvenil, principalmente os receptores de seus vídeos e posteriores consumidores de suas obras editoriais.

No Campus do Pantanal (Cpan), a professora do curso de Letras, Carina Marques Duarte coordena a pesquisa “A massificação da literatura infantil concomitante ao avanço das mídias digitais, avanços e retrocessos”, da qual participa a acadêmica Emília Souza Arrua, idealizadora do projeto de iniciação científica.

“O projeto surgiu a partir uma grande reflexão realizada após a leitura do livro “A aventura do livro do leitor ao navegador” (1998), de Roger Chartier. Desde a publicação desta obra o cenário global passou por inúmeras mudanças, nem sempre positivas. Em um mundo “conectado”, a facilidade de acesso à informação e à diversidade de conteúdos disponíveis não avaliza a qualidade dos referidos conteúdos”, explica Carina.

Iniciada em agosto de 2019, a pesquisa baseou-se na aplicação de questionários a 20 crianças de uma escola pública e 20 crianças de uma escola particular de Corumbá. O projeto teve o apoio das coordenações pedagógicas das escolas.

A proposta é que os questionamentos apontem se as crianças têm o hábito da leitura, que obras costumam ler e se acessam os conteúdos digitais, especialmente aqueles produzidos por youtubers. Atualmente, a pesquisa está na fase de observação dos dados obtidos nos questionários e elaboração do database.

“Já é possível a constatação de alguns resultados, que, por sua vez, acarretaram grandes surpresas após a análise dos questionários. Em suma, foi constatado que os alunos da rede estadual leem mais livros clássicos que os alunos da rede privada, além de demonstrarem maior interesse pela leitura”, expõe a coordenadora.

Livros

A pesquisa usou como parâmetro de análise do mercado editorial brasileiro a publicação de livros por parte dos youtubers, que, cada vez mais, ocupam o cenário literário, segundo a pesquisadora. Diante da grande quantidade de youtubers, a pesquisa focou o escritor Luccas Neto.

“Primeiramente, devemos pontuar que a influência dos youtubers sobre os jovens leitores é imensa. Uma criança de três anos (e este é apenas um exemplo), hoje, se coloca diante da televisão e quer assistir ao Luccas Neto. Em seguida, o seu objeto de desejo será o boneco do Luccas Neto. Por fim, o alvo do seu interesse será, também, o livro do youtuber. Portanto, os pequenos acabam se tornando consumidores das obras produzidas pelos youtubers”, aponta Carina.

A problemática levanta-se quanto à relevância desses livros, segundo a pesquisadora. “Se por um lado, apresentam jogos, passatempos e conteúdo educativo, por outro, não propiciam aos jovens leitores o contato qualificado com o universo fabulado, contato que, segundo Antonio Candido, é imprescindível. A experiência estética – decorrente da imersão nos textos de Andersen, dos Irmãos Grimm, de Marina Colassant e Ruth Rocha, por exemplo – está ausente da leitura dessas obras editoriais massificadas”, afirma.

Carina pontua que as obras produzidas por youtubers são sucessos de vendas, o que, entretanto, não significa que tenham sobre os leitores um efeito equivalente ao de um bom texto literário.

“Oportunamente, me vem à memória o escritor Mario Vargas Llosa, que, em 2010, ao receber o prêmio Nobel, afirmou que “um mundo sem literatura se transformaria num mundo sem desejos, sem ideais, sem desobediência, um mundo de autômatos privados daquilo que torna humano um ser humano: a capacidade de sair de si mesmo e de se transformar em outro, em outros, modelados pela argila dos nossos sonhos”. A literatura tem um alto potencial transformador, uma vez que aperfeiçoa a condição humana”, completa.

Quanto à influência de youreaders – que comentam sobre obras literárias diversas – a sua atuação será válida sempre que suscitar nos jovens o interesse pela boa literatura, acredita Carina.

“A leitura de um texto literário (que não é experimentada pela maioria das pessoas) nos “sequestra” do nosso mundo cotidiano, ao qual, em seguida, retornamos, mas de uma maneira inteiramente nova, enriquecidos pela experiência estética. A esta experiência, lembrando Antonio Candido, todos os indivíduos têm direito, e o nosso desafio, enquanto profissionais da área de Letras, é contribuir para que o acesso ao universo da leitura ocorra de forma qualificada e prolífica”, finaliza.

Fonte: A Crítica

Paixão pelos livros fez de Gabi bibliotecária e “booktuber”

Faculdade em Ciência da Informação, mestrado e doutorado na mesma área, canal no YouTube, clubes do livro, bibliotecas. Aos 28 anos, Gabriela Pedrão construiu extenso currículo por uma única paixão: os livros!

O que é um bibliotecário? Ela já está acostumada ao arregalar dos olhos quando conta qual é sua profissão.

Bibliotecária é a palavra que faz gregos e ribeirão-pretanos questionarem: “Sério?”, “Mas isso existe?”, “Bibliotecária não é a velhinha chata que faz ‘xiu’ na biblioteca?”.

São tantos questionamentos que o canal no Youtube, “É o último, juro”, com mais de oito mil inscritos, criado para falar sobre literatura, se transformou também em espaço para discutir a profissão.

Fala, bibliotecária”, é uma das sessões que Gabi criou para compartilhar o que pouca gente sabe:

– O bibliotecário é uma ponte entre as pessoas e o que elas procuram. Talvez, você venha à biblioteca sem saber muito bem o que quer. Se o bibliotecário conhecer o acervo, ele vai saber o que te mostrar.

Gabi, então, gosta de espalhar para o mundo que escolheu ser bibliotecária. Se diverte com a cara de espanto e com as perguntas que surgem. Até porque, a profissão que escolheu seguir é o reflexo da sua grande paixão.

Eu sempre gostei de ler. E sempre fui leitora assídua.

Tem um caderninho onde anota, desde 2013, os livros lidos, com ano, nota para a obra e procedência. No total, são 131 obras. Só no ano passada, leu 37 livros. A meta para esse ano é de 40!

A bibliotecária Gabi sempre esteve entre os livros. Mesmo quando nem cogitava ser bibliotecária.

A biblioteca da escola tinha um formato um tanto inusitado. Um balcão separava os alunos do acervo de livros. E uma bibliotecária sempre simpática buscava o exemplar que o pequeno leitor escolhia.

O que poderia ser desestímulo para muito aluno, despertou o olhar curioso de Gabriela.

Para mim, era o máximo. Eu pensava: ‘Esse lugar é muito secreto!’. Tinha curiosidade pela biblioteca.

Os pais eram professores e, então, não faltou incentivo para a leitura. Na infância, além dos livros que pegava na misteriosa biblioteca da escola, ela se encantou pelos gibis velhos, que comprava nos acervos de bancas de revistas.

Na adolescência, se embrenhou na história de Harry Porter e virou fã. Até em lançamento de livro à meia noite fez os pais a levarem.

Eu tinha 11 anos quando Harry Poter foi lançado. Era a mesma idade dele. Fomos crescendo juntos. Não havia nada tão envolvente para adolescentes, que falasse a nossa língua.

Veio daí o encantamento pelas histórias de fantasia e ficção científica que ainda hoje está com ela.

Na época de prestar o vestibular, a cabeça encheu de dúvidas. Pensou em Arqueologia, História, mas a mãe, que fazia coro para que a menina ficasse em Ribeirão Preto, comprou um manual da Fuvest para auxiliar.

Na época, o curso se chamava Ciência da Informação e Documentação. Não tinha Biblioteconomia no nome.

Foi a mãe quem se interessou primeiro: “Gabriela, isso aqui é sua cara!”.

Aos 17 anos, então, Gabi entrou na USP Ribeirão Preto, para alegria da mãe. E dos livros.

Eu me identifiquei com o curso logo de início. E já me interessei pelo trabalho em biblioteca, o que pouca gente se interessava.

Terminou a graduação, emendou o mestrado e atualmente está no Doutorado.

Entre o percurso de pesquisa e estudos, trabalhou na biblioteca de uma escola, ajudou a montar uma biblioteca e passou a coordenar o Clube do Livro da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto. A partir deste mês, expande a ideia como coordenadora do Clube do Livro do Sesc Ribeirão.

  – A leitura é um universo de infinitas possibilidades. Estimula a criatividade, o pensamento, faz mexer as coisas dentro da cabeça. Quando você percebe, está vendo outros mundos, outras épocas na visão de várias pessoas.

A ideia do canal no Youtube surgiu quatro anos atrás, entre o fim do mestrado e a aprovação no Doutorado. Gabi, de imediato, não passou no doutorado que queria por pouco, e a chateação tomou conta.

Eu fiquei muito deprimida. E precisava fazer alguma coisa da vida!

Os “booktubers” já ganhavam os olhares e cliques no meio virtual, mas Gabi percebia uma lacuna. Quase ninguém falava sobre as obras de fantasia, ficção científica e suspense policial.

Na época, ela trabalhava na biblioteca de uma escola e poderia, então, guardar muitos coelhos em uma cartola só.

Eu pensei que poderia fazer os alunos se interessarem mais pela biblioteca!

Deu certo. Mas, além dos livros, outra coisa chamava a atenção dos seguidores.

Nenhum canal dos que eu conhecia tinha uma bibliotecária comentando livros. Então, eu enfatizava que era bibliotecária e muitas pessoas começaram a querer saber sobre isso.

Quando percebeu o interesse pela sua profissão, Gabi não conteve a animação.

– A biblioteconomia precisa ocupar espaços para falar de literatura. Biblioteca não é um lugar chato, onde só tem coisas velhas. O bibliotecário não é um velho. É preciso ocupar espaços e quebrar rótulos.

Começou, então, a falar também sobre a profissão. E, mais recentemente, criou uma terceira vertente que também tem tudo a ver com o que faz e justifica anotar cada livro que lê em um caderninho, com catalogação por data e nota.

Eu sou extremamente organizada. E as pessoas querem saber como fazer para estudar, para se organizarem.

A parte preferida, porém, continua aquela do início da história.

É a literatura!

A “booktuber” Gabi sempre esteve entre os livros. Mesmo quando nem cogitava ser “booktuber”.

Gabriela leva para a internet o apreço pelo livro de papel. E garante:

O livro não vai acabar!

Ela apresenta dados: uma pesquisa da Fundação do Livro e Leitura revelou que Ribeirão Preto tem um percentual de leitura maior do que o do Brasil.

A pesquisa Perfil do Leitor de Ribeirão Preto, feita pela Fundação do Livro e da Leitura  em parceria com a Unaerp (Universidade de Ribeirão Preto), mostrou que 67% dos ribeirão-pretanos leêm, enquanto, no Brasil, a média é de 56%.

Gabi acredita também que, seja pela tela do celular ou do computador, as pessoas se dedicam à leitura o tempo todo: lendo a timeline do Facebook ou a notícia que pulou na tela.

As pessoas estão muito conectadas à mídia escrita!

Para quem está começando a viajar pelo mundo das letras, a dica é ler. Simplesmente.

– Não importa onde ou o que. Não importa por qual obra você comece. O importante é ler. Seja para amadurecer outros tipos de leitura ou apenas como passatempo.

A coleção do Harry Poter, é claro, está entre seus livros preferidos.
“O nome da rosa”, de Umberto Eco, ocupa lugar no ranking pelo desafio da leitura.

Demorei oito anos para ler esse livro! Começava, parava e recomeçava de novo.

Na bolsa, Gabi anda sempre com um livro. Companheiro para qualquer minuto vago que sobre no tempo.

A leitora Gabriela sempre esteve entre os livros. Mesmo quando nem cogitava que essa seria sua grande paixão.

Fonte: História do Dia