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Conheça a pesquisa sobre bibliotecas prisionais vencedora de prêmio nacional

Dissertação de mestranda da UFS abordou estímulo à leitura em bibliotecas prisionais

Trabalho foi desenvolvido no Prefem. Fotos: Divulgação/Paulo Fernades Júnior

Texto por Abel Victor

Até janeiro de 2018, tudo levava a crer que Raquel Gonçalves iria enveredar pelo tema da biblioteca escolar no mestrado. Ela, além de se interessar pelo assunto, já atuava na área. Mas um convite da orientadora Germana Araujo mudou o curso da pesquisa realizada no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Informação da Universidade Federal de Sergipe (PPGCI/UFS).

Germana perguntou o que a então orientanda achava de realizar um trabalho no Presídio Feminino de Sergipe (Prefem), localizado em Nossa Senhora do Socorro, onde a docente colabora com o projeto Odara, que oferece capacitações às internas. Foi uma surpresa para Raquel que nunca tinha entrado em um presídio e cogitado o tema. Isso até a primeira visita, quando “se apaixonou pela causa” e observou que a biblioteca da unidade “ precisava ser utilizada, ser explorada”.

Foi, a partir daí, que surgiu a ideia de criar um projeto de intervenção para ampliar o uso da biblioteca do Prefem através de dinâmicas culturais, como clubes de leitura e exibição de curtas-metragens. Para isso, Gonçalves analisou o espaço e mapeou os temas que interessavam as internas.

“A gente via que tinha uma utilização da biblioteca, mas sempre com os mesmos livros. Lá, o empréstimo funciona da seguinte forma: você solicita o livro através de uma folha que vai passando de cela em cela e uma responsável pela biblioteca pega esses livros e leva até a essas internas. Então, assim, havia uma repetição de livros, sempre pedindo os mesmos livros, porque era por recomendação”, explica.

“Então, o nosso trabalho tinha o intuito de dinamizar o uso, que elas pudessem utilizar livros que nunca foram emprestados, sobre assuntos de temáticas sobre o feminismo, maternidade, violência doméstica, direito da mulher e vários outros assim que não eram explorados. Aí, através das dinâmicas culturais, a gente conseguiu fazer uma ponte entre curtas-metragens e os livros”, complementa.

Leia a matéria completa publicada pela Universidade Federal de Sergipe

Pesquisa da everis identifica hábitos de acessibilidade e navegação na internet de pessoas com necessidades especiais

Pesquisa da everis identifica hábitos de acessibilidade e navegação na internet de pessoas com necessidades especiais

  • Estudo focou no uso de leitores de tela, que facilitam navegação e uso de pessoas com deficiências visuais, mas beneficiam também idosos e aqueles com deficiências diversas.
  • Resultados reforçam potencial de consumo deste grupo, que representa 23,9% da população brasileira e é econômica e digitalmente ativo.

A everis, consultoria de negócios e TI do Grupo NTT Data, acaba de concluir a “2ª pesquisa brasileira sobre o uso de leitores de tela por pessoas com deficiências”, totalmente on-line. Seu objetivo foi conhecer os hábitos dos brasileiros com deficiência física, intelectual, visual e auditiva ao usarem leitores de telas de computadores, tablets e celulares para acesso aos mais diversos softwares e aplicativos mobile. Ou seja, entender como as empresas podem desenvolver soluções mais acessíveis às pessoas com necessidades especiais. Acesse a íntegra: https://estudoinclusivo.com.br/relatorio-2020 .

Trata-se de um tema extremamente relevante considerando-se que no último censo do IBGE se identificou que existem cerca de 23,9% pessoas (45.606.048) que sofrem com alguma deficiência no Brasil, sendo que, deste total, 8,2% têm condições limitantes severas. A deficiência com maior incidência entre os brasileiros é a visual (18,8%), seguida por auditiva (5,1%), motora (7%) e mental ou intelectual (1,4%). Este contingente de brasileiros precisa e deve ter acesso a produtos e serviços acessíveis, tanto públicos como privados, e este direito é garantido pela Lei Brasileira de Inclusão, nº 13.146/2015.

Entre as principais constatações dessa segunda edição da pesquisa da everis está o fato da maioria das pessoas com necessidades especiais entrevistadas (74,5%) considerar a internet acessível, enquanto na primeira eram apenas 65%. Outra constatação importante foi que mais de 68% dos participantes possuem renda própria, ou seja, são consumidores e impactados pela falta de acessibilidade das plataformas digitais. Ao questionar os entrevistados sobre o leitor de tela para desktop de sua preferência, a maioria informou preferir utilizar o NVDA (76,6%), ficando o JAWS em segundo lugar com 10,8%. Entre os navegadores de celulares e tablets, o mais usado é o TalkBack com Chrome, apontado por 45% dos participantes, enquanto 27,9% usam o VoiceOver com Safari.

Leia a matéria completa publicada pelo SEGS

Plataforma de leitura gamificada estimula envolvimento dos alunos

A gamificação é uma ferramenta que utiliza elementos dos jogos para engajar e tornar os conteúdos didáticos mais atrativos. Nesse processo, a tecnologia é uma facilitadora, uma vez que possui linguagem familiar para a atual geração, viabiliza a interatividade e autonomia do aluno e, ainda, gera a possibilidade de personalização e coleta de dados.

Foto: Arquivo / DINO

Uma solução que utiliza a gamificação para potencializar o hábito de ler é a plataforma digital de leitura Árvore. No ambiente, os alunos têm a missão de salvar uma floresta, plantando novas árvores a partir de itens que conquistam com suas leituras. Assim, o estudante acompanha o progresso do seu cultivo e a ampliação de sua frequência e repertório de leitura, unindo aprendizagem e jogo. 

“Escolhemos a metáfora da floresta em crescimento para criar uma narrativa que engaje e represente o desenvolvimento do aluno como leitor. Nosso objetivo é promover e fortalecer o hábito da leitura, estimulando que o aluno leia um pouquinho todos os dias na plataforma”, explica Danielle Brants, Cofundadora e Gerente de Produto na Árvore.

Outro elemento de gamificação utilizado na Árvore é a Liga de Leitores, um campeonato de leitura entre os usuários. Dessa forma, é possível construir e manter o hábito de ler  através de elementos que mantenham o aluno entretido com desafios e missões. Danielle ainda destaca o quanto as informações disponibilizadas pela plataforma, a partir de relatórios, podem ajudar a personalizar a experiência e fazer com que o estudante seja o protagonista do seu próprio aprendizado: “A partir dos dados, é possível trazer novos desafios aos alunos que já evoluíram ou estímulos para aqueles que ainda enfrentam dificuldades”.

Leia a matéria completa publicada pelo Terra

O PDF destrói a experiência da leitura na infância

‘A leitura literária de um livro físico é uma experiência sinestésica e artística fundamental para a infância. Sem essa experiência, a formação de leitores fica bastante comprometida’, defende Volnei Canônica em sua coluna

A leitura literária de um livro físico é uma experiência sinestésica e artística fundamental para a infância. Sem essa experiência, a formação de leitores fica bastante comprometida. Podemos apenas contribuir para que as crianças sejam decodificadoras do texto e mantidas à parte das referências sobre a arte visual narrativa.

Os efeitos do livro impresso transformado em formato PDF são tão maléficos que eu poderia enumerar e abordar diferentes questões e ainda não daria cabo de todas. Partindo, evidentemente, da infração da Lei nº 9.610/98 do Direito Autoral, e seguindo pela subtração e desrespeito ao trabalho dos autores e do mercado editorial. Mas vou abordar esses malefícios pela perspectiva na qual atuo de maneira mais efetiva, que me permite fazer afirmações aparentemente duras. São, na verdade, afirmações embasadas na prática da mediação de leitura.

Retomo aqui o pensamento sobre leitura como experiência. De outra maneira, não seria necessário o envolvimento de diferentes artistas na concepção do livro. Na estruturação do seu formato, opção pela natureza do papel específico a cada tipo de leitura, em sua gramatura, a diagramação da obra trabalhando a respiração do texto, o ritmo entre a sequência das páginas gerando a surpresa, um ritmo proposto para o leitor. Você já se questionou por que uma ilustração invade a próxima página ou por que motivo quem projetou o livro deixa uma página sem texto ou sem imagem? Se já se questionou, está entendendo do que estou falando.

Quando livros infantis, projetados para serem impressos e encadernados, se transformam em um arquivo PDF, retorna-se ao formato de leitura em rolo, como era do pergaminho, como na leitura egípcia ancestral. Fazer isso é achatar a tridimensionalidade, deformar as ilustrações, excluir o movimento do livro, aniquilar a textura e o trabalho de diferentes artistas: escritores, ilustradores, diagramadores, editores, revisores, tradutores. Então, quando entregamos um PDF, o que realmente estamos entregando ao leitor?

Leia a matéria completa publicada pelo PublishNews

O impacto de Carolina Maria de Jesus na literatura

Conheça a trajetória da autora e de sua obra a partir da visão de sua filha Vera Eunice de Jesus e de especialistas

Texto por André Bernardo

Crédito: Wikimedia Commons

Livros que marcam a história. Essa poderia ser uma frase que define bem a obra Quarto de Despejo: O Diário de Uma Favelada, de Carolina Maria de Jesus (1914-1977). A autora mineira retrata a sua vida na favela do Canindé, em São Paulo, na época que era catadora de materiais recicláveis. Ela propôs outro tipo de escritor para além do homem branco rico, mas uma mulher negra periférica. “Apresentou a mulher negra em toda a sua complexidade: educa seus filhos, luta por seus direitos, entende a Educação como uma possibilidade de transformação social, etc. Hoje, se temos uma legião de Carolinas nas periferias brasileiras, temos de agradecer a ela”, afirma Amanda Crispim, doutoranda em Letras pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).

O impacto da autora não foi apenas na literatura, mas sua filha Vera Eunice de Jesus, de 67 anos, contou a NOVA ESCOLA a influência que sua mãe teve para a escolha de se tornar professora. A primeira aluna que Vera teve na vida foi a escritora mineira. Na ocasião, Vera tinha apenas 10 anos e cursava o 5º ano da EE Prisciliana Duarte de Almeida, no bairro de Parelheiros, em São Paulo. Todos os dias, ela chegava da escola e “dava aula” de Língua Portuguesa para a mãe. Com o tempo, desenvolveu até uma metodologia de trabalho: ensinava regras de ortografia e gramática a partir dos manuscritos da mãe. “Matemática nunca foi meu forte. Mas, em Português, sempre tirei nota alta”, recorda Vera Eunice, com uma gostosa gargalhada. “Eu tinha uma professora, a dona Idalina, que escolhia as melhores redações da turma e mandava publicar no ‘Clube da Folhinha’. Todo mês, saía redação minha no jornal Folha de S. Paulo”, conta.

Carolina de Jesus não foi apenas a primeira aluna de Vera Eunice. Foi também sua primeira professora. Apesar de só ter estudado até o 2º ano do Ensino Fundamental no Colégio Allan Kardec, em Sacramento (MG), foi Carolina de Jesus quem ensinou a Vera Eunice e seus irmãos, João José e José Carlos, a soletrar as primeiras palavras. Na época, trabalhava como lavadeira na casa de uma fazendeira da região, Maria Leite Monteiro de Barros, que se ofereceu para pagar os estudos da menina. “Minha mãe sempre valorizou a Educação. Não deixava a gente faltar à aula. Nem deixava de comparecer à reunião dos pais. Pegava no nosso pé para a gente estudar. Quando chovia e o Tietê inundava, levava a gente a nado, nas costas”, afirma Vera Eunice.

Leia a matéria completa publicada pelo site Novaescola

Conheça a importância da leitura na Era da Informação

O livro tem sido um excelente companheiro para todas as horas, principalmente na pandemia do Covid-19

Para o escritor, professor e coordenador do curso de Jornalismo do Centro Universitário Fametro, Gustavo Soranz, ler continua sendo fundamental na formação da subjetividade | Foto: Divulgação

Nesta quinta-feira (29) é celebrado o Dia Nacional do Livro. A data tem como objetivo ressaltar a importância do hábito que é capaz de transmitir conhecimento, emocionar, divertir e relaxar. O livro tem sido um excelente companheiro para todas as horas, principalmente na pandemia do Covid-19. Para se ter uma ideia, neste período, cresceu o número de sebos on-line e a compra de aparelhos que facilitam a leitura de livros digitais. Além disso, a Associação Nacional de Livrarias (ANL) registrou, em setembro, aumento de 10,6% com vendas de livros.

Para o escritor, professor e coordenador do curso de Jornalismo do Centro Universitário Fametro, Gustavo Soranz, ler continua sendo fundamental na formação da subjetividade enquanto indivíduos e da sociedade. “É por meio da leitura que a gente adquire não só conhecimento, mas também valores e princípios, e isso é muito importante levando em conta que hoje a informação está disponível com facilidade nos dispositivos móveis e circula com velocidade avassaladora”, destaca.

Na avaliação de Soranz, isso não significa que as pessoas estejam mais informadas ou lendo mais, mas sim que estão sendo assediadas por informação o tempo todo e, com isso, o nível de atenção e leitura é cada vez mais superficial. As pessoas se acostumam a ler somente títulos e pequenas frases.

“E, devido a isso, a população não tem tempo e nem consegue elaborar argumentações muito extensas, afinal, no ambiente das redes digitais isso não prolifera, tudo é muito rápido e curto. E a leitura combate isso porque ajuda a desenvolver a nossa atenção, paciência e reflexão, que são essenciais para enfrentar esse desafio que é viver nessa avalanche de informações”, critica o professor.

Leia a matéria completa publicada pelo Em Tempo

Dia Nacional do Livro tem como referência fundação da Biblioteca Nacional

Nesta quinta-feira, dia 29 de outubro, comemora-se no Brasil o Dia Nacional do Livro. A data é regulamentada pela Lei Federal 5.191, de 13 de dezembro de 1966, que obriga as escolas públicas e particulares de ensino fundamental e médio a comemorarem-na sem interrupção dos trabalhos escolares. Coincide, não por acaso, com a fundação da Biblioteca Nacional, no Rio.

Nascida a 29 de outubro de 1810, no Rio de Janeiro, a Biblioteca Nacional foi criada inicialmente para abrigar o acervo da Real Biblioteca Portuguesa. A coleção chegara ao país em 1808, quando Dom João VI transferiu a Coroa para sua maior e mais importante colônia, o Brasil – logo depois o país abandonaria essa condição e entraria para o Reino Unido. Além de livros, havia manuscritos, mapas, estampas, moedas e medalhas.

Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. Foto: Creative Commons/Halleypo

A Real Biblioteca era composta pela Biblioteca do Rei e pela Biblioteca da Casa do Infantado, esta destinada aos príncipes. Após a independência, passou a se chamar Biblioteca Imperial e Pública. Na República, foi rebatizada Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. E, em 1948, adotou o nome pelo qual é conhecida até hoje: Biblioteca Nacional

Em 1821, D. João e sua Corte voltaram para Portugal e levaram parte dos documentos e livros da Biblioteca. Entretanto, muitos itens ficaram no acervo da biblioteca no Rio. Hoje, a Biblioteca Nacional é considerada a maior da América Latina e está entre as dez maiores do mundo.

Fonte: Biblioteca Parque Villa Lobos

Judiciário terá planos nacionais de leitura e esporte para pessoas presas

O Conselho Nacional de Justiça começa na próxima semana a discutir planos nacionais de fomento à leitura e ao esporte nos ambientes de privação de liberdade. Previstas na Lei de Execução Penal, essas atividades são consideradas fundamentais nas dinâmicas de ressocialização de pessoas que tiveram contato com o sistema prisional ou com o sistema socioeducativo, voltado à responsabilização de adolescentes que cometeram infração.

Os temas serão discutidos em dois grupos de trabalho (GT), criados por meio de portarias do presidente do Supremo Tribunal Federal e do CNJ, ministro Luiz Fux. Integram os colegiados representantes do poder Judiciário e do sistema de Justiça, assim como do Executivo e da sociedade civil. As primeiras reuniões ocorrem no próximo dia 27 de outubro (GT Esporte) e 28 de outubro (GT Leitura).

Embora a legislação nacional trate da remição da pena por meio da leitura, do esporte e da cultura, os índices de aplicação da medida são baixos, especialmente pela dificuldade de o Estado prover os serviços. De acordo com dados do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen) de 2019, das mais de 750 mil pessoas privadas de liberdade no país, apenas 3,5% tiveram acesso à remição de pena pela leitura e 2,3% participaram de alguma atividade complementar à educação formal, incluindo atividades culturais. No campo dos esportes, somente 0,4% acessou remição de pena por essa modalidade.

Leia a matéria completa publicada pelo Consultor Jurídico

Senadores destacam Dia Nacional do Livro e defendem projetos de incentivo ao setor

Senadores destacaram a passagem do Dia Nacional do Livro, celebrado nesta quinta-feira (29). A data foi criada em 1810 em comemoração à fundação da primeira biblioteca brasileira, a Real Biblioteca, no Rio de Janeiro.

O senador Paulo Rocha (PT-PA) observou que ler é importante para a ampliação do conhecimento e para a saúde mental. “Leia. Leia sempre. Leia muito”, sugeriu em postagem no Twitter. O senador Confúcio Moura (MDB-RO) reforçou a mensagem. Para ele, o livro é uma fonte de conhecimento, por meio do qual somos transportados a “lugares fantásticos”. “Basta ter interesse e coragem de embarcar em diferentes histórias”, tuitou.

Já o senador Romário (Podemos-RJ) citou o poeta Mario Quintana (1906-1994) para exaltar a importância da leitura: “O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado”. Quintana também foi escolhido pelo senador Cid Gomes (PDT-CE) para fazer sua homenagem. “Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas”, citou o senador em sua postagem.

A venda de livros cresceu durante a pandemia. Pesquisa da Nielsen Book, coordenada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) mostrou que a receita do mercado editorial digital teve um crescimento de 140% em três anos. Balanço de setembro da Associação Nacional de Livrarias (ANL) revelou uma recuperação do mercado com crescimento de 8,1% em unidades e 10,6% em faturamento contra o mesmo período do ano passado, principalmente em função das vendas online.

O crescimento, porém, não recuperou a perda de 20% no faturamento total do setor de 2006 a 2019, de acordo com dados do SNEL. Por isso, o senador Jean Paul Prates (PT-RN) apresentou o PL 2.148/2020, que estabelece medidas para ajudar as micros, pequenas e médias empresas do setor editorial no período de calamidade pública.

Fomento 

O projeto acrescenta dispositivo na Política Nacional do Livro no Brasil (Lei 10.753, de 2003) para que instituições financeiras e agências de fomento públicas realizem abertura de linhas de crédito para empresas do setor editorial e livreiro, como refinanciamento de empréstimos existentes com instituições públicas ou privadas, flexibilização dos requisitos de análise de crédito e período de carência equivalente ao da duração do estado de calamidade. A matéria aguarda designação de relator.

Jean Paul Prates observa que a crise alcança o setor editorial em um momento delicado, sobretudo para pequenas e médias editoras e livrarias. Ele ressalta que o setor editorial e livreiro faz muito pela cultura e contribui para o debate intelectual, mesmo dispondo de poucos recursos.

“São essas editoras, por exemplo, que mais lançam e divulgam os novos autores brasileiros e obras estrangeiras de alto valor literário e pouco apelo de mercado. São essas livrarias que disseminam esse conhecimento na sociedade, apresentando e fazendo o livro chegar na casa de milhões de brasileiros”, sublinha.

Incentivo à leitura

Também tramitam no Senado projetos de lei com objetivo de facilitar e incentivar o hábito da leitura na população. Uma das propostas garante um acervo mínimo de livros às famílias de estudantes da educação básica. O PL 3.471/2019, do senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO), assegura às famílias com filhos de até 17 anos matriculados em instituição pública de ensino o recebimento de dois livros, independentemente do número de filhos, a cada bimestre letivo, de conteúdo artístico ou científico. A distribuição do material será de responsabilidade da instituição de ensino em que o aluno estiver matriculado.

O projeto estabelece que a doação dos livros será financiada com recursos da União, não contabilizando a aplicação mínima de 18%, prevista no art. 212 da Constituição Federal, da receita resultante de impostos, para a manutenção e desenvolvimento do ensino.

“A ideia central dessa proposição é demonstrar que a cesta básica não se compõe somente de produtos alimentares. É preciso que os livros passem a fazer parte dela e do cotidiano de aquisição patrimonial das famílias brasileiras. Estudos têm mostrado a diferença positiva de desempenho na alfabetização de crianças, quando elas dispõem em casa de livros, jornais e revistas”, destaca o senador. O projeto ainda não tem relator.

Kajuru também é autor do PL 4.681/2019, que prevê que cada moradia do Programa Minha Casa Minha Vida seja entregue com um computador com aplicativos básicos e apto ao uso de internet, e ao menos 20 livros de humanidades, especialmente de literatura e obras de referência.

“A custos relativamente reduzidos, dada a crescente ampliação da escala na oferta de produtos e serviços de informática, o Estado pode induzir, sem controlar, o desenvolvimento espiritual da cidadania. E não há meio melhor para isso do que a leitura”, diz o senador ao justificar a proposta, que será relatada pelo senador Luiz Carlos Heinze (PP-RS).

Doação

Outra forma de facilitar o acesso da população aos livros é enriquecer o acervo das bibliotecas públicas. Para isso, o PL 4.657/2019, do senador licenciado Veneziano Vital do Rêgo (PSB-PB), oferece isenção da taxa de inscrição em concursos públicos para os candidatos que comprovarem a doação de livro novo a biblioteca pública. Quem comprovar a doação de livro usado em bom estado terá direito à redução da taxa em 50%.

“Grande parte das bibliotecas públicas nacionais encontra-se desprovida de acervo bibliográfico adequado para pleno atendimento da população. Este projeto de lei, portanto, visa corrigir essas duas dificuldades enfrentadas atualmente pelos estudantes, especialmente por aqueles que se dedicam a concursos públicos e demais processos seletivos: de um lado, oferece-se a isenção ou redução da taxa de inscrição e, de outro, guarnece-se as bibliotecas públicas nacionais de maior quantidade de obras”, diz Veneziano na proposta.

Há em análise no Senado ainda projeto para tornar lei federal a Recomendação 44, de 2013, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de que a cada livro lido pelo preso ele pode ter remição de quatro dias de pena. O PL 4.988/2019 também é de Kajuru, para quem o incentivo à leitura é estratégia importante para a pessoa para o retorno ao mercado e ajudar a reduzir a reincidência criminosa. Ambos os projetos aguardam a escolha de seus relatores.

Proposições legislativas

Fonte: Agência Senado

Clube de leitura do Memorial da América Latina discute obra de João do Rio

Terceiro encontro do Ler a América Latina acontece dia 14 de novembro

Terceiro encontro do Ler a América Latina acontece dia 14 de novembro (Foto: Divulgação)

O Memorial da América Latina promove, no dia 14 de novembro, o terceiro encontro do clube de leitura Ler a América Latina, iniciativa de fomento e valorização da literatura latino-americana do Cbeal (Centro Brasileiro de Estudos da América Latina).

O próximo encontro será sobre o conto “O bebê de tarlatana rosa”, do escritor brasileiro João do Rio, pseudônimo literário de Paulo Barreto. Publicada na coletânea Dentro da Noite, em 1910, a história narra o encontro entre Heitor e uma misteriosa figura mascarada durante o carnaval carioca.

Com o objetivo de fomentar a leitura e a discussão sobre a literatura latino-americana, o clube acontece uma vez por mês, aos sábados, com curadoria da equipe da Biblioteca Latino-Americana, todos realizados por meio da plataforma Zoom, sempre das 10h às 11h30.

Os contos selecionados para o projeto ficam disponíveis gratuitamente para download. Neste ciclo de 2020, com o tema Literatura Fantástica, já foram realizados encontros sobre “A chinela turca”, de Machado de Assis, e “A casa tomada”, de Julio Cortázer. Em dezembro, a atividade será sobre Horacio Quiroga.

Leia a matéria completa publicada pelo A Cidade ON Campinas

Isolamento social estimula leitura infantil

Múltiplas escolhas para promover o desenvolvimento

Texto por Marília Paiva

A pandemia de Covid-19 avançou pelo Brasil, obrigando grande parte da população ao isolamento social para conter a velocidade de disseminação da doença. A rotina foi modificada, as aulas, suspensas, e as crianças em casa sentem falta do ambiente escolar, do contato com os amigos e das atividades ao ar livre. O entretenimento dos pequenos desafia pais e responsáveis. É preciso investir no hábito da leitura como uma atividade extremamente benéfica ao desenvolvimento infantil e, mais ainda, em tempos de pandemia, como uma forma de ocupar o tempo ocioso.

A diversidade disponível de obras literárias infantis é enorme, desde as fantasiosas até as interativas, como brincadeiras e jogos. Quem não possui muitas obras em casa e tem o privilégio do acesso à internet pode acessar obras temporariamente disponíveis, gratuitamente, em sites de editoras e outras entidades. Um exemplo é a plataforma Kidsbook, do Itaú, oferecendo 13, sem necessidade de cadastro. Outro exemplo é a ONG Mais Diferenças com livros em formatos acessíveis (audiovisual, libras, Daisy e texto) a crianças com diferentes tipos de deficiência. Ao iniciar a leitura, o livro virtual ganha vida com animações e sons, inclui recursos como audiodescrição, chamando a atenção dos pequenos e tornando a leitura acessível e atraente. Os recursos auxiliam na promoção do interesse pelo material, principalmente entre meninos e meninas que ainda não desenvolveram esse hábito. As plataformas dispõem de títulos com histórias importantes e reais em linguagem apropriada, como “Malala, a Menina que Queria Ir para a Escola”, de Adriana Carranca, ou clássicos revisitados, como “O Alienista”, de Machado de Assis.

Quem tem livros guardados ou perdidos pela casa pode oferecer às crianças a experiência única do livro impresso, com peso, cheiro, formato e cores que atraem a humanidade há tanto tempo. Afinal, muitos podem ter em casa um livro comprado e nunca lido, um presente rejeitado, um livro querido que foi afastado do convívio pela correria do cotidiano.

Desde histórias leves até construções literárias mais complexas e sofisticadas, os livros infantis apresentam muitas escolhas para promover o desenvolvimento literário, cognitivo e interpretativo, afastando os pensamentos de um cotidiano tenso. A prática da leitura ajuda a combater o estresse. Uma pesquisa da Universidade de Sussex revelou que ler por apenas seis minutos reduz em até 68% os níveis de estresse.

Fonte: O Tempo

Leitura amplia relevância profissional e destaque no mundo corporativo

Com a proximidade do Dia Nacional do Livro, em 29 de outubro, o CEO da Prime Talent, David Braga, reforça a importância de buscar todo tipo de literatura, em meio físico ou digital.

Comemorado em 29 de outubro, o Dia Nacional do Livro tem o objetivo de destacar a importância da leitura na vida das pessoas, por vários motivos: ampliação e transmissão de conhecimentos, enriquecimento cultural, diversão e relaxamento, entre outros. Neste ano, em particular, em que o surgimento do novo coronavírus forçou à mudança nos hábitos de lazer – com a proibição de eventos, passeios e reuniões físicas com os amigos -, ele se tornou uma companhia ainda melhor para o período de isolamento social, com destaque para o crescimento da procura pelas obras digitais. No meio corporativo, isso não é diferente: ler é um ótimo caminho para ganhar relevância profissional e destaque na empresa.

De acordo com o CEO da Prime Talent, David Braga, o indicado é que todos tenham acesso a literaturas distintas, ou seja, não se restrinjam aos assuntos técnicos ou da área de atuação. “É preciso ler de tudo um pouco. Dessa forma, o profissional terá traquejo para conversar sobre vários assuntos e com pessoas de níveis hierárquicos distintos. Os livros também expandem o repertório e as experiências, fazendo líderes diferenciados. Quem não lê, escreve errado, interpreta mal, erra mais e, consequentemente, gera prejuízos às corporações”, argumenta.

headhunter acrescenta que a leitura, inclusive, é uma fonte rica para a inovação, processo que não está ligado apenas ao uso de tecnologias. “Sem ser clichê, “quem lê viaja”, ou seja, interage com outras formas de pensamento, tem novas ideias, estimula a criatividade, além de aplicar boas práticas no seu dia a dia e aprimorar a empatia. E inovar não é justamente melhorar o que você faz todos os dias?”. pontua Braga. Ele lembra que, atualmente, há obras disponíveis no mercado em vários idiomas e sobre todo tipo de assunto.

Leia a matéria completa publicada pelo Belo Horizonte

80 anos do Curso de Biblioteconomia da Escola de Sociologia e Política de São Paulo

Em comemoração aos 80 anos do curso de Biblioteconomia e Ciência da Informação, a Sociologia e Política – Escola de Humanidades está lançando o livro “Biblioteconomia: passado e futuro de uma profissão”.

Na próxima quarta-feira, dia 28, às 19h,  nossa comunidade (docentes, discentes e funcionários) se reunirá nesta comemoração online e convida você a participar desse evento que será muito especial para o curso de Biblioteconomia e Ciência da Informação, que faz parte da história da profissão no Brasil.

Confira a programação da live:

19h | Abertura (Prof. Dr. Angelo Del Vecchio – Diretor Geral)

19h15 | Apresentação do evento (Livro comemorativo e Website Biblio 80 anos) – (Profa. Dra. Valéria Valls – coordenadora do curso de Biblioteconomia)

19h30 | “Biblioteconomia: Passado e futuro de uma profissão” (Profa. Maria das Mercês Apóstolo e Profa. Adriana Souza)

20h | “Desafios da leitura em um mundo digital” (Prof. Dr. José Castilho Marques Neto)

Para assistir ao lançamento, acesse aqui!

Lançamento de livro

Biblioteconomia: passado e futuro de uma profissão

Editora Sociologia e Política

Quando: 28 de outubro de 2020, às 19h

Onde: canal no Youtube da FESPSP

Ebook: disponível para download aqui em formato e-pub e pdf

Retratos da Leitura: Apontamentos sobre os leitores de literatura

Texto por João Luís Ceccantini

A impressão imediata provocada por uma primeira visada da quinta edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, apresentada em 2020, é a de que o intervalo de quatro anos que separa esta edição da anterior não trouxe à tona diferenças gritantes quanto a boa parte dos dados apresentados. Um aspecto peculiar, entretanto, se faz evidente: a presença de uma nova demanda aos respondentes, que produziu um subconjunto de dados original. Foram obtidos pela inclusão na pesquisa de um módulo de questões com o objetivo de compreender o universo específico dos leitores de literatura.

No universo geral dos sujeitos pesquisados, em que 52% dos respondentes são inseridos na categoria leitor, 28% declararam ser leitores de livros de literatura e 30% informaram que são leitores de literatura apenas em outros meios. Tomada como base a população brasileira em 2019 com 5 anos ou mais (193 milhões de pessoas) é, portanto, substantivo o número de leitores que se dedicam à leitura da literatura. No contexto da pesquisa, a literatura é considerada de forma bastante abrangente. São tomadas como literatura as obras que se opõem àquelas de natureza essencialmente utilitária/informativa. Ou seja, literatura, no contexto da pesquisa abarca diferentes gêneros (romance, poesia, conto, crônica etc.) e diversas modalidades (clássicos nacionais e estrangeiros; best-sellers; literatura infantil; literatura juvenil. etc.).

Um primeiro aspecto importante que vale a pena destacar quanto aos leitores de literatura é que há um predomínio de leitoras (56%) em oposição ao número de leitores (44%). Intensifica-se a tendência de um número superior de leitoras já observado em edições passadas da Retratos da Leitura no Brasil, assim como também em outras sondagens, de menor porte, realizadas sobretudo em contexto escolar e regional. Essas pesquisas vêm apontando, ao longo das duas últimas décadas, que há, de modo geral, um público leitor feminino crescente, que tem por particularidade a valorização da literatura. Observa-se também que que há mais pessoas jovens, com 5 a 29 anos, entre leitores de livros de literatura do que entre outros tipos de leitores; a partir dos 30 anos, no entanto,

Leia a matéria completa publicada pelo Conta uma Históri

Livro da ECI reúne estudos com foco no leitor de gêneros diversos

Pesquisadores de grupo da pós-graduação publicam trabalhos orientados pela professora Lígia Dumont; prefácio é de Roger Chartier

Toda leitura, dos romances populares aos clássicos, é boa, e o contexto e a vivência de quem lê determinam, de forma decisiva, o sentido extraído. Essas são apenas algumas das convicções consolidadas ao longo da trajetória do Grupo de Pesquisa Informação e Leitura, vinculado ao Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação da UFMG. Formalizado no CNPq em 2007 e dedicado à investigação da introjeção do conhecimento por parte do leitor, o grupo acaba de publicar alguns de seus estudos no livro Leitor e leitura na Ciência da Informação, organizado pela professora Lígia Maria Moreira Dumont e editado pela Escola de Ciência da Informação (ECI) da UFMG.

O volume reúne trabalhos de ex-orientandos de Lígia, hoje pesquisadores, bibliotecários ou professores em instituições pelo Brasil. Segundo a organizadora do livro, que coordena o grupo Informação e Leitura, os oito capítulos da obra refletem a valorização de teorias que substanciam a visão do foco no leitor com base nos preceitos da Ciência da Informação. “Valorizamos também os diálogos com teorias e metodologias diversificadas, o que tem muito a ver com a complexidade do objeto de estudo”, afirma Lígia. Nas pesquisas do grupo, a ciência da informação conversa com teorias da recepção, sociologia das representações, etnometodologias, antropologia simbólica e história cultural, entre outros campos disciplinares.

Os autores tratam da experiência de grupos de leitores diversos, como amantes das histórias em quadrinhos, universitários que buscam conhecimento acadêmico e profissional, adolescentes beneficiados pela mediação da biblioteca da escola, crianças em situação de risco e frequentadores de bibliotecas públicas de Belo Horizonte e do Vale do Jequitinhonha.

Lígia Dumont ressalta que os interesses de seu grupo têm recaído, em boa parte, sobre os estratos sociais que mais precisam de leitura e conhecimento. Ao apresentar o livro, ela diz que as pesquisas têm em comum a certeza de que a leitura deve ser uma forma de garantir a todos o acesso à informação, o que é cidadania. “Os conhecimentos adquiridos, acrescidos de novas leituras, vão se modificando, se complementando e interagindo, a fim de transformar o ato de ler em uma ação verdadeiramente significativa”, escreve a organizadora.

Leia a matéria completa publicada pela UFMG

O incentivo à leitura e escrita para alunos especiais

Professores e mães de estudantes da região de Campinas relatam as iniciativas para vencer os obstáculos da aprendizagem e os resultados positivos que são alcançados

EPTV na Escola 2020 com o tema “A tecnologia que melhora o mundo, melhora mesmo a minha vida?”: estímulo a leitura e escrita de todos. — Foto: iStock

O número de alunos com necessidades especiais estudando em escolas regulares vem aumentando ano a ano. Dados do Censo Escolar 2018, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostram que entre 2014 e 2018, o Brasil registrou um aumento de 33,2% no número de matrículas desses estudantes. Em 2014, eram 886.815 alunos com deficiência, altas habilidades ou transtornos globais do desenvolvimento. Já em 2018, o total saltou para 1,2 milhão de alunos.

A educação inclusiva, que é quando alunos portadores ou não de necessidades especiais dividem a mesma classe, acolhe e revela o potencial de crianças e jovens que precisam de adaptações para que a aprendizagem possa funcionar e gerar maior autonomia.

“A alfabetização, a leitura e a escrita são os pontos mais desejados”, afirma Maibi Mascarenhas, coordenadora de pós-graduação em educação inclusiva no Instituto Brasileiro de Formação de Educadores (IBFE).

Ela explica que os alunos podem precisar de um tempo maior para a realização das atividades, de recursos específicos, textos mais objetivos, ferramentas complementares, como o apoio de imagens, músicas, atividades lúdicas, apresentação de materiais concretos, como o próprio livro, painéis e brincadeiras. Cabe à gestão da escola oferecer isso a eles.

“Uma dica muito importante é utilizar assuntos que eles gostem para atraí-los. A repetição de informações também os ajuda a fixar o conteúdo e a aumentar o interesse pela leitura e pela produção de texto”, diz.

Leia a matéria completa publicada pelo EPTV

Idosos paulistas do ‘Clube de Leitura 6.0’ leem o dobro da média brasileira

De acordo com a pesquisa ‘Retratos da Leitura no Brasil’ de 2020, a quantidade anual média de livros lidos por habitante no país é de 4,95; enquanto no projeto vinculado ao Governo de São Paulo os idosos leem 10 livros

A Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo, em parceria com a Fundação Observatório do Livro e da Leitura, promove o ‘Clube de Leitura 6.0’ visando a organização de encontros para propiciar aos idosos uma melhor qualidade de vida e incentivar o entretenimento cultural saudável, no qual todos os participantes devem ler pelo menos 10 livros durante um ano.

Por meio de recursos captados via Fundo Estadual do Idoso, a iniciativa tem colaborado para que mais de 760 idosos paulistas, distribuídos por 26 cidades do Estado (São Paulo, Santos, Santo André, São Bernardo do Campo, Guarulhos, Osasco, Suzano, Itapevi, Campinas, Sorocaba, Sumaré, Piracicaba, Araraquara, São José dos Campos, São José do Rio Preto, Sertãozinho, São Carlos, Itapetininga, Rio Claro, Jales, Descalvado, Pirassununga, Ribeirão Preto, Penápolis, São Caetano do Sul e Bauru), leiam mais que o dobro da média brasileira.

Segundo a última edição da pesquisa ‘Retratos da Leitura no Brasil’, que será divulgada nesta segunda-feira, 14 de setembro, pelo Instituto Pró-Livro e Itaú Cultural, a quantidade anual média de livros lidos por habitante no país é de 4,95.

“Com os dados revelados pela pesquisa, que é a mais ampla e relevante sobre o tema, fica mais evidente a importância de valorizarmos projetos como este, que são fundamentais para a saúde mental e emocional dos idosos, estimulando o envelhecimento ativo por meio da leitura, além de apoiar a inclusão digital deles” disse Célia Parnes, Secretária de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo.

Leia a matéria completa publicada pelo SEGS

Clube de leitura do Memorial da América Latina discute obra de Julio Cortázar

Crédito: Governo do Estado de São Paulo

O Memorial da América Latina promove, no dia 17 de outubro, o segundo encontro do clube de leitura Ler a América Latina, iniciativa do Centro Brasileiro de Estudos da América Latina (CBEAL) de fomento e valorização da literatura latino-americana, que teve início em setembro.

O próximo encontro será sobre “A casa tomada”, do escritor argentino Julio Cortázar. Publicado em 1946 na revista literária Los Anales de Buenos Aires, dirigida por Jorge Luis Borges, o conto foi incluído na coletânea Bestiário, em 1951. O texto apresenta a história de dois irmãos, moradores de uma casa que, aos poucos, vai sendo ocupada por forças misteriosas.

Com o objetivo de fomentar a leitura e a discussão sobre a literatura latino-americana, o clube acontece uma vez por mês, aos sábados, com curadoria da equipe da Biblioteca Latino-Americana, todos realizados por meio da plataforma Zoom, sempre das 10h às 11h30. Os contos selecionados para o projeto estarão disponíveis gratuitamente para download. Neste ciclo de 2020 o tema foi Literatura Fantástica e, no primeiro encontro, o conto analisado foi “A chinela turca”, de Machado de Assis. Estão previstos para esse ano, ainda, leituras de João Rio e Horacio Quiroga.

A mediação do debate fica por conta do colaborador da Biblioteca Latino-americana, Eduardo Martins de Azevedo Vilalon.

Leia a matéria completa publicada pelo ABC do ABC

Com livros digitais, bibliotecária leva a experiência de clube de leitura para aulas remotas

Educadora relata como o uso de tecnologia facilita encontros virtuais e permite que alunos adotem trilhas de acordo com seu interesse e ritmo de leitura

Texto por Amélia Cristina Ferreira

Desde 2009, desenvolvo o Clube de Leitores, um trabalho que consiste em interagir com os alunos a respeito de livros, filmes e cultura geral. É como uma gincana: no início do ano, as crianças se reúnem em equipes, escolhem cor e grito de guerra e ao longo do ano desenvolvemos desafios e atividades. Com a pandemia, tudo isso ficou restrito porque o colégio ficou fechado.

É claro que, nas aulas remotas, os professores incentivam a leitura, mas como não poderíamos ficar parados esperando tudo voltar ao normal, pensei em promover encontros virtuais com a biblioteca no sentido mais amplo dessa palavra, que é o encontro com o aluno de uma forma mais prazerosa, na qual ele vai buscar o que realmente quer ler.

Como mediadora da leitura, promovo reuniões voluntárias de estudantes do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental, que são realizadas no contraturno das aulas. Começamos com um bate-papo em que pergunto o que eles estão fazendo, o que gostam de ler, quais filmes e séries assistem e, assim, eles se soltam. É uma conversa em que dou voz ao leitor, e isso acaba instigando ele a querer saber mais. Muitas vezes, eles não sabem que uma série ou um filme que gostam foram inspirados em um livro, e dessa forma começo a apresentar a literatura de forma geral.

Também realizo brincadeiras e dinâmicas, como jogos de perguntas sobre uma obra específica, ou sobre um tema ou gênero. Em seguida, vem a hora da história, onde leio uma obra e depois discutimos sobre ela. Reservo o momento final para indicar outros livros com temas parecidos ao do encontro.

Tanto os livros que eu leio e indico, assim como os paradidáticos que os professores das disciplinam sugerem, estão na plataforma de leitura digital Árvore. Presencialmente, não tínhamos tanto tempo para explorar a ferramenta, mas agora durante a pandemia surgiu essa necessidade de buscar livros digitais. Com um vasto acervo, a ferramenta trabalha com editoras renomadas, livros de qualidade que tocam o imaginário infantil e criatividade e autores que dialogam muito bem com a área de educação.

Além disso, também conhecemos a ferramenta Conquistas dentro da Árvore, que é como se fosse um joguinho que, quanto mais obras os alunos leem, mais ganham recursos para plantar árvores na brincadeira. O aluno entende essa dinâmica, mas não faz apenas por conta do jogo. Ele desenvolve prazer em ler. Ainda é um pouco cedo para afirmar, mas percebo que as crianças estão explorando mais a ferramenta.

Quando o professor não tem tempo de planejar uma sequência didática, os alunos podem acessar trilhas de leitura disponíveis na plataforma e selecionadas pelo professor.

Com essa prática, percebi que os alunos estavam buscando um espaço como esse dos encontros, onde poderiam interagir com os colegas e com uma pessoa além do conteúdo das aulas e tivessem mais liberdade para falar. As famílias também notaram que o momento é uma chance de discutir e incentivar leituras que proporcionam novas aprendizagens.

Eu já trabalho há 17 anos nessa área e acabamos conhecendo os gostos das crianças de cada faixa etária. Mas fica claro que, para ser um bom motivador de leitura, você também deve ler. Não adianta apenas falarmos que é importante. Se não demonstrarmos que nos encantamos e maravilhamos com livros e suas histórias, não adianta. O seu filho ou aluno vai perceber que a importância da leitura é só um discurso se você não aplicar isso em seu cotidiano.

Fonte: Porvir – Inovações em Educação

Projeto de acessibilidade de livros ganha adeptos

O clube de leitura irá reunir obras brasileiras infantis e juvenis, a ficarem disponíveis na plataforma da ONU, que já conta com livros de outros países e idiomas

Texto por Estadão Conteúdo

Instituições brasileiras do livro e do mercado editorial se uniram à ONU para criar o projeto Clube de Leitura em língua portuguesa, com temáticas ligadas aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da instituição global. A iniciativa é da Câmara Brasileira do Livro (CBL), da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) (sessão brasileira da iBBY, Conselho Internacional sobre Literatura para Jovens) e a Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições (FEBAB).

O clube irá reunir obras brasileiras infantis e juvenis, a ficarem disponíveis na plataforma da ONU, que já conta com livros de outros países e idiomas.

A CBL trabalha agora para lançar uma plataforma onde será possível inscrever as obras brasileiras e a FNLIJ será a responsável pela seleção dos títulos.

Segundo as entidades, essa é uma oportunidade de fazer com que esses livros se tornem referências bibliográficas em escolas públicas e particulares, com a chancela da ONU. O lançamento deste Clube de Leitura em Língua Portuguesa acontecerá na Feira do Livro de Bolonha em 2021, programada para abril.

Leia a matéria completa publicada pelo Correio

Por dentro dos clubes de assinaturas de livros

Podcast do PublishNews reuniu alguns clubes de assinaturas de livros para fazer um recorte sobre esse modelo de negócio

Poucas coisas marcaram tanto o mercado editorial brasileiro quanto o Círculo do Livro, clube de assinatura de livros criado em 1973. Naquela época, os sócios recebiam em casa periodicamente uma revista promocional e livros que se destacavam por serem sempre muito bem editados. Dez anos depois, em 1983, o Círculo chegou a ter 800 mil associados, mas no final da década de 1990, o modelo entrou em declínio e Círculo encerrou suas atividades e os clubes de assinaturas de livros também caíram no esquecimento.

A reinvenção veio em 2014, quando surgiram no mercado dois dos maiores clubes de assinatura de livros atualmente, a Leiturinha, focada em livros infantis e a TAG – Experiências Literárias. Hoje, a lista dos clubes de assinatura cresceu e muitos leitores já apostam nesse modelo para ter acesso aos livros.

Depois deles, surgiram outros tantos e, nos últimos meses, o mercado ganhou o reforço de pelo menos dois novos players. Para apresentar os novatos e entender o efeito da pandemia nos clubes de assinatura, o Podcast do PublishNews dessa semana convidou Gustavo Lembert, da TAG; Leonardo de Paula, da Leiturinha; Renata Nakano, do Clube de Leitura Quindim; José Luis Tahan, do clube Realejo; Maria Carolina Borin, da Panaceia e Alex Catharino, do Clube Ludovico. Juntos, eles dão um panorama deste segmento do mercado editorial brasileiro.

Leia a matéria completa publicada pelo Publishnews

Pesquisa mostra que cresce o hábito de leitura entre crianças

A 5ª Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil é feita com pessoas que leram, inteiro ou em partes, pelo menos um livro nos três meses anteriores ao levantamento

Texto por Estadão Conteúdo

Pedro Fortes Costa tem 7 anos e está muito orgulhoso de suas conquistas. Na quarentena, em São Paulo, ele começou a ler livros sozinho e tem encarado volumes dos mais variados tamanhos e gêneros. Das tiras de Mafalda e Snoopy a lendas brasileiras e biografias que ele vai listando com sua vozinha: Rasa Parks, Mandela, Obama, Carolina Maria de Jesus. “Ler é divertido como ver TV. Mas gosto mais de ler. Eu amo livros”, conta.

O incentivo que recebeu dos pais desde bebê ganhou reforço quando o avô, que mora no Rio, depois de muito debater com as filhas qual livro poderia agradar ao garoto, mandou pelo correio uma coletânea do Snoopy no aniversário do neto, em junho. Ele devorou. Nascia aí um combinado entre os dois: quando Pedro acaba um livro, o avô manda outro. “Acho que me empolguei com isso”.

Tive uma experiência parecida aos 8, 9 anos, quando uma tia se mudou para longe e começou a me enviar livros. Isso foi extraordinário para mim. Além da questão da descoberta da leitura, receber uma correspondência no próprio nome dá uma noção de lugar de mundo diferente para a criança”, diz Alexandre Fortes, professor universitário de história que hoje, aos 54 anos, faz a triste constatação: “Nunca vou conseguir ler o quanto eu gostaria”. Falta tempo.

Maia, de 32 anos, mãe de Pedro e Jorge, de 2 anos, que já escolhe histórias para o irmão contar, está na mesma situação do pai. “Hoje, sou mais leitora de livro infantil”, brinca – e faz uma ponderação interessante. “Nós sempre tivemos a rotina de leitura aqui, mas a escola tem um papel muito importante na sala de aula e com as bibliotecas circulantes, que levam o livro para dentro de casa.”

Leia a matéria completa publicada pelo GAZ

“Classe C é leitora e compradora de livros”, diz coordenadora da Pesquisa Retratos da Leitura

Zoara Failla participa, ao lado de Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural, de edição especial do Podcast do PublishNews

O Instituto Pró-Livro e o Itaú Cultural divulgam, na próxima segunda-feira (14), os resultados da Pesquisa Retratos da Leitura, o mais completo estudo sobre os hábitos de leitura do brasileiro. O Podcast do PublishNews dessa semana recebeu Zoara Failla, coordenadora da pesquisa, para falar sobre um aspecto do estudo que muito interessa aos editores e livreiros: os hábitos de compra dos leitores brasileiros. O episódio teve ainda a participação de Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural.

O primeiro dado importante apontado por Zoara é que caiu o número de brasileiros que compraram pelo menos um livro nos últimos três meses. Se no estudo de 2015, 30% responderam sim a esta pergunta, na edição e 2019, este índice caiu para 27%. Extrapolando estes números, o Ibope Inteligência, responsável pela condução do estudo, conclui que apenas 52 milhões de brasileiros compraram pelo menos um livro no período indicado na pergunta. Zoara analisa que, ao olhar para outros dados da pesquisa, percebe-se que houve incremento importante do número de pessoas com nível superior e das classes A e B, – potenciais compradores de livros – que passaram a dedicar mais do seu tempo livre acessando a internet e redes sociais. “É possível que essa redução se explique pelo fato de esse pessoal estar lendo menos. Tem menos leitores nestes segmentos e isso certamente irá impactar no percentual de compradores de livros”, disse.

A compra é a principal forma de acesso ao livro. A maioria dos brasileiros (41%) continua acessando o livro por meio de compras em livrarias físicas ou em lojas virtuais. Uma parcela importante (25%) disse que ganham os livros que leem de presente. O acesso pelas bibliotecas se manteve estável entre 2015 e 2019.

Na hora de escolher um livro para a compra, o brasileiro continua levando em conta, em primeiro lugar, o tema ou assunto. O título do livro ganhou destaque na pesquisa de 2019. Se em 2015, este fator era importante para apenas 17% dos respondentes; agora, 31% deles julgaram importante o título, que é mais relevante na hora de escolher um livro do que o nome do autor (27%). O preço vem em quarto lugar.

Leia a matéria completa publicada pelo Publishnews

Livros para ler, ouvir, ver e tocar

Dois projetos gratuuitos têm muitas opções com recursos de acessibilidade. ‘Literatura Acessível’, do Instituto Incluir, leva contações de histórias online para crianças, com títulos próprios como ‘Melhor amigo da Bengala’, ‘A princesa que tinha um cromossomo a mais’, ‘O menino que escrevia com os pés’ e ‘A menina que perdeu a perna’. E a Secretaria da Pessoa com Deficiência de SP acaba de inaugurar uma biblioteca com clássicos da literatura mundial que têm audiodescrição, legendas, interpretações em Libras e leitura simples. Obras como ‘Peter Pan’, ‘Volta ao Mundo em 80 dias’, ‘O Menino do Espelho’ e ‘O Menino Azul’ ja estão no catálogo.

Texto por Luiz Alexandre Souza Ventura

Descrição da imagem #pracegover: Cópia da tela da versão acessível do livro ‘Volta ao Mundo em 80 Dias’, de Júlio Verne, que tem a capa original do livro do lado esquerdo, com título em francês, e uma intérprete de Libras do lado direito. Crédito: Reprodução.

Dois projetos que compartilham literatura com acessibilidade gratuitamente estão disponíveis e têm muitos títulos. São iniciativas ue promovem inclusão, reforçam o hábito da leitura e ampliam o conhecimento.

‘Literatura Acessível’, do Instituto Incluir, apresenta uma série de livros para sensibilizar crianças e escolas sobre a importância da inclusão e da acessibilidade (clique aqui para conhecer). Além de publicar os ebooks ‘Melhor amigo da Bengala’, ‘A princesa que tinha um cormossomo a mais’ e ‘O menino que escrevia com os pés’ com versões em Libras, braile, audiodescrição, pictograma em português e alemão, o projeto compartilha a contação de histórias online, com a atriz Bia Mussi e o escritor Marcos Lima, autor de ‘Histórias de Cego’.

As contações têm legendagem e audiodescrição. “É uma forma de gerar um conteúdo virtual similar aos encontros presencias”, diz Carina Alves, diretora do Instituto Incluir e autora dos quatro livros, dois com participação de Mari Meira, e um, em parceria com Elyse Mattos, fundadora do Instituto Ico Project, voltado à causa do autismo. São obras de ficção, disponíveis em versões físicas e em ebooks em multiformato – Libras, braille, audiodescrição e pictograma – e multilinguismo – português e alemão.

Leia a matéria completa publicada pelo site Estadão.

Ler ouvindo: audiolivro oferece praticidade

Formato se mostra como opção para impulsionar leituras

Texto por Germana Macambira

Michell Platini, diretor da Associação Pernambucana de Cegos – Foto: Michell Platini/Divulgação

Bentinho e Capitu, Rubião e Quincas Borba e Brás Cubas e todas as histórias que rodeiam a respectiva trilogia machadiana “Dom Casmurro”, “Quincas Borba” e “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, literalmente chegaram aos ouvidos do diretor da Associação Pernambucana de Cegos, Michell Platini, nos idos anos em que prestou vestibular.

“Eu não encontrava livros em Braile nem ampliados, com letras maiores”, explica ele que, à época, tinha baixa visão e precisava de conteúdos de literatura para ser aprovado e ingressar em uma universidade.

A partir de então, apresentado que foi a narrativas em audiolivro, não se afastou mais do formato que vem ganhando adeptos, em paralelo ao mercado tradicional de leituras e aos e-books, seja pela praticidade (liberdade) de degustar romances, ficção, biografias, poesias e tantos outros, onde quer que se esteja, seja pelo acompanhar vivências de personagens trocando o correr dos olhos nas páginas pelo abrir dos ouvidos.

“A questão da narração é essencial para se apegar (ou não) a um audiobook. Um livro sem ritmo de leitura, sem pontos e vírgulas, é ruim, tira o estímulo”, complementa Michell, que cita o escritor pernambucano Valdir de Oliveira, autor de “Fábulas da Gente (2018), publicado também no formato de audiolivro com contexto de contos e fábulas contadas em tom lúdico e  por diversas vozes.

Leia a matéria completa publicada pelo site Folha de Pernambuco.

Governo de São Paulo disponibiliza livros em diversos formatos acessíveis

Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência é a responsável pela iniciativa

A iniciativa conta com 13 obras literárias em libras, legenda, áudio, imagem e leitura simples; a história “Peter Pan” é uma delas

Texto por Redação

Para possibilitar o acesso de pessoas com deficiência ao mundo da literatura, a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD), em parceria com o Centro de Tecnologia e Inovação (CTI) e a ONG Mais Diferenças, está disponibilizando livros em formatos acessíveis para pessoas que sofrem com alguma deficiência. No total, são 13 obras literárias disponíveis em diferentes formatos: libras, legenda, áudio, imagem e leitura simples. Uma delas é a história de “Peter Pan”.

A iniciativa garante o acesso de todas as pessoas aos livros acessíveis, que possuem diversos recursos de acessibilidade, como narração e texto em português, audiodescrição e animação das imagens, tradução e interpretação em Libras e leitura fácil – que traz adequações em relação à linguagem, conteúdo e forma para ampliar a compreensão.

Segundo a secretária estadual do SEDPcD, Célia Leão, além de importante, uma ação como esta garante que todos que desejam ler tenham acesso à leitura. “É possível viajar por meio da leitura, conhecer um mundo novo, novas descobertas. Além de mais conhecimento e cultura, a boa leitura, dá asas à imaginação. Leitura é liberdade. Quando falamos em leitura acessível, garantimos que todos que queiram ler, leiam! Esse é mais um atendimento com respeito que o Governo de SP disponibiliza”, disse.

Leia a matéria completa publicada no site Revide.

No Instagram, influenciadores incentivam hábito de leitura

Perfis dão dicas de livros que vão além das listas dos ‘mais vendidos’. Entre eles, está o de Adriel Bispo, de 12 anos e 760 mil seguidores

Texto por Estadão Conteúdo

(foto: FOTOS: Instagram/Reprodução da Internet)

Com as limitações impostas pelo isolamento social, a leitura acabou tornando-se uma forte aliada dos chamados “quarenteners”. “Esse momento de quarentena mostrou para as pessoas como é importante aprender a estar consigo mesmo”, afirma Pedro Pacífico, advogado de 27 anos, que mergulhou no mundo dos influenciadores digitais em 2017 ao criar o perfil @book.ster no Instagram.

Ao longo dos últimos cinco meses, desde que a pandemia foi decretada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), Pedro tem visto um grande crescimento em seu perfil literário na rede social, que agora já conta com mais de 260 mil seguidores. “As pessoas estão tentando desenvolver hábitos mais saudáveis e a leitura é um deles. Isso talvez seja um efeito positivo do momento tão horrível que estamos vivendo”, reflete.

Quem acompanha as várias leituras que ele compartilha no Instagram todos os dias, nem imagina que esse hábito demorou para ser aprimorado. “Sempre gostei de ler desde criança, mas nunca fui um leitor tão assíduo. Ficava perdido na hora de escolher o livro, não sabia muito o que ler, não tinha referências”. O depoimento de Pedro pode ser a realidade de muitas outras pessoas, que também se perdem na infinidade de possibilidades de leituras. “Acabava recorrendo sempre às listas de mais vendidos, achando que lá estariam os melhores livros”, completa.

Leia a matéria completa publicada no site Estado de Minas.

Memorial da América Latina lança clube de leitura online sobre literatura latino-americana

Com quatro encontros, projeto Ler a América Latina tem início no dia 19 de setembro, com o conto “A chinela turca”, de Machado de Assis

O Memorial da América Latina lança, no dia 19 de setembro, uma nova atividade online: o clube de leitura Ler a América Latina. Neste primeiro módulo estão previstos debates sobre Machado de Assis, Julio Cortázar, João Rio e Horacio Quiroga.

Com o objetivo de fomentar a leitura e a discussão sobre a literatura latino-americana, o clube terá quatro encontros, aos sábados, com curadoria da equipe da Biblioteca Latino-Americana, todos realizados por meio da plataforma Google Meet, sempre das 10h  às 11h30. Todos os contos selecionados para o projeto estarão disponíveis para download.

O tema do primeiro encontro é Literatura Fantástica, em que será discutido o conto “A chinela turca”, de Machado de Assis. Publicado pela primeira vez no jornal A Época, em 1875, foi incluído na coletânea Papéis Avulsos, em 1882. O conto apresenta a história do bacharel Duarte que, ao se preparar para ir a um baile com Cecília, recebe a visita do major Lopo Alves, disposto a ler para ele um livro de 180 páginas.

A mediação do debate fica por conta do colaborador da Biblioteca Latino-americana, Eduardo Martins de Azevedo Vilalon.

O link para acessar a plataforma será enviado por e-mail 15 minutos antes do encontro. Haverá emissão de certificado (frequência mínima de 75%). As inscrições devem ser feitas por formulário online, no link https://forms.gle/VeyAdBnNQ61bfXjP6

A atividade também está comprometida com a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), que prevê 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estando relacionada ao Objetivo 4: ““Assegurar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos” (https://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/).

Confira a programação completa

19 de setembro

“A chinela turca”, Machado de Assis

17 de outubro

“A casa tomada”, Julio Cortázar

 14 de novembro

“O bebê de tarlatana rosa”, João do Rio

12 de dezembro

“O travesseiro de pena”, Horacio Quiroga

Serviço:

Clube de Leitura Ler a América Latina

Dias 19/09, 17/10, 14/11 e 12/12

Das 10h às 11h30

Plataforma: Google Meet (o link será enviado 15 minutos antes do encontro)

Inscrições: https://forms.gle/VeyAdBnNQ61bfXjP6

Certificados: frequência mínima de 75% do total de encontros do ciclo

Fonte: Memorial da América Latina

Live “Livro acessível como ferramenta de inclusão”

A Biblioteca de Ciências Humanas da Universidade Federal do Ceará e o Plurissaberes convidam todas e todos para mais uma live no canal Plurissaberes BCH UFH:

‘LIVRO ACESSÍVEL COMO FERRAMENTA DE INCLUSÃO’

é o tema a ser abordado pelos professores Lindolfo Jr. (UECE) e Katyuscia Silva (UFRN)

Mediação: Joana Páscoa

Audiodescrição: Stefanie Viana

A audiodescrição será feita no YourStream. O link será disponibilizado na hora live.

***Emitiremos declaração de participação. ***

Os detalhes da candidatura de SP à Capital Mundial do Livro

Texto por Leonardo Neto    

Podcast do PublishNews desta semana recebe Luiz Alvaro Salles Aguiar de Menezes, secretário de Relações Internacionais da cidade de SP, para falar dos planos de transformar a capital paulista em Capital Mundial do Livro em 2022

Desde março, um comitê especial prepara a candidatura da cidade de São Paulo para o título de Capital Mundial do Livro em 2022, reconhecimento concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Se escolhida, a cidade de São Paulo fará companhia a cidades como Madri, Alexandria, Athenas, Buenos Aires, Sharjah e Kuala Lampur, além de assumir uma série de compromissos com o incentivo à leitura.

Quem encabeça esta iniciativa é a secretaria de Relações Internacionais da capital paulista, liderada por Luiz Alvaro Salles Aguiar de Menezes, um velho conhecido do mercado editorial e ex-titular da gerência de Relações Internacionais da Câmara Brasileira do Livro (CBL). Ele é o entrevistado desta semana do Podcast do PublishNews.

Na conversa gravada na última quinta-feira (13), Luiz Alvaro contou que saiu da CBL para assumir o cargo de secretário de Relações Internacionais da cidade de São Paulo com o projeto de candidatura à Capital Mundial do Livro debaixo do braço. Já tinha essa ideia em mente.

Leia a matéria completa publicada no site PublishNews.

Taxação do livro: o que pensa quem incentiva a leitura na periferia

Texto por Tony Marlon

No país em que 30% da população nunca comprou um livro, e a média de leitura até o fim é de dois por ano, existe o ministro da Economia Paulo Guedes, que defende uma taxação de 12%. A ideia compõe a proposta de reforma tributária que está sendo discutida no Congresso Nacional.

Em resumo, hoje o mercado de livro é protegido pela Constituição, em seu artigo 150, de pagar impostos. A lei 10.865, de 2004, também garantiu ao livro a isenção de Cofins e PIS/Pasep. Estes são mecanismos de barateamento da produção para democratizar o acesso.

Com as mudanças propostas por Guedes, essa isenção acabaria, levando as editoras a precisarem subir seus preços para garantir uma margem de lucro e alguma chance de continuarem existindo num mercado em crise. As livrarias, por sua vez, fariam o mesmo até essa conta chegar em você e em mim. Para se ter uma ideia, o mercado editorial já encolheu 20% desde 2006.

Por trás do raciocínio de Guedes está a ideia de que o livro seja hoje um produto consumido pela elite brasileira que, logo, poderia pagar mais por ele. Daí a ideia de taxar. Sugeriu dar o livro de graça aos empobrecidos, mas não explicou como. De cara, dois erros, entre tantos.

Lei a matéria completa publicada no site ECOA.

Benefícios de ler para crianças em fase pré-escolar

Texto por Clara Ribeiro

Você sabia que existem muitos benefícios em ler para crianças pequenas? Mesmo bem antes de aprenderem a ler e escrever, de fato, elas podem se familiarizar com o universo das letras e das histórias.

Quando estão na fase pré-escolar, já sabem muitas coisas que não sabiam quando eram bebês. Eles não leem sozinhos, mas se os pais e professores leem para eles, conseguem ter discernimento sobre diversos fatores. Por exemplo:

  • Os livros são lidos da frente para trás.
  • As imagens devem estar com o lado direito para cima.
  • A leitura é feita da esquerda para a direita.
  • A linguagem dos livros é diferente da linguagem falada.
  • As palavras têm sons diferentes.
  • Existem palavras familiares e desconhecidas.
  • As histórias têm um começo, um meio e um fim.

Todas essas são habilidades iniciais de alfabetização podem ser fortalecidas e desenvolvidas, sobretudo com a ajuda dos adultos que cercam as crianças.

Escolher muitos livros diferentes para ler em voz alta aumentará o vocabulário dos pequenos. Com essa atitude, eles irão aprender:

  • Texto é constituída por palavras escritas.
  • As letras em uma ordem específica formam uma palavra.
  • Existem espaços entre as palavras.

Essas informações ajudarão quando as crianças começarem a aprender a ler na escola.

Leia a matéria completa publicada no site do Notícias Concursos.

Os benefícios da leitura na adolescência; confira dicas

Além de contribuir para a preparação de provas e vestibulares, o hábito estimula a criatividade e diminui o estresse

Texto por Redação

A adolescência é uma fase de descobertas e transformações, e também pode ser um período ideal para o incentivo à leitura. O hábito de ler pode contribuir para a compreensão de textos, aumento da criatividade e na diminuição do estresse e da ansiedade.

Diante da pandemia do coronavírus, algumas ações podem contribuir para o aumento da leitura neste período.

Crédito: Divulgação
Além de contribuir para a preparação de provas e vestibulares, o hábito estimula a criatividade e diminui o estresse

Uma pesquisa da Universidade de Emory, nos Estados Unidos, comprovou que a leitura provoca no cérebro humano sensações como se o leitor tivesse realmente vivido o momento do livro.

“Nessa fase em que o adolescente está descobrindo o mundo e formando suas opiniões, as leituras vêm como uma ferramenta importante de conhecimento, de compreensão das suas perspectivas, dos seus desejos e dos projetos de vida”, diz Carla Tossato, coordenadora educacional de projetos da rede Marista de Educação Básica.

Leia a matéria completa publicada no site da Catraca Livre.

Projeto de leitura para pessoas acima de 60 anos está com inscrições abertas em Itapetininga

Segundo a prefeitura, a iniciativa é totalmente digital e segura. Acervo virtual possui mais de 30 mil títulos de diversos gêneros literários.

Texto por G1 Itapetininga e Região

Biblioteca Municipal de Itapetininga — Foto: Reprodução/Street View

A Biblioteca Municipal “Dr. Júlio Prestes de Albuquerque”, em Itapetininga (SP), criou um novo projeto de leitura voltado para pessoas acima de 60 anos.

O projeto “Clube de Leitura 6.0” surge como opção de lazer ao público por meio de leituras digitais e intervenção virtual com debates.

Segundo a prefeitura, a iniciativa é totalmente digital e segura, possibilitando que os membros do clube tenham acesso gratuito ao acervo virtual, que possui mais de 30 mil títulos de diversos gêneros literários.

Os participantes do projeto serão autorizados a ler um livro a cada 15 dias e participarão de encontros virtuais, nos quais mediadores conduzirão debates sobre uma mesma obra.

Leia a matéria completa publicada pelo site do G1 Itapetininga e Região e saiba mais sobre o projeto de leitura.

Audiolivros ganham força com novas tecnologias

Texto por Roseli Andrion

Ler um livro ou escutar uma história?! Em um mundo onde as pessoas têm cada vez menos tempo para si mesmas e vivem o tempo todo bombardeadas de informação, uma tecnologia relativamente antiga combinada com plataformas bem modernas de distribuição vem ganhando força e chama cada vez mais atenção. São os audiolivros: livros na íntegra narrados por uma voz humana em formato digital. Eles voltaram com tudo…

Quando surgiram pela primeira vez, ainda nos anos 80, os áudios eram gravados em fitas K7. Dependendo da sua idade você provavelmente nunca sequer teve contato com uma dessas. Depois a gravação passou para o também já ultrapassado CD, lembra dele? Nenhuma das duas tecnologias pegou no Brasil e o audiolivro acabou meio esquecido na história. Mas agora o momento é outro; audiolivro por assinatura via streaming; estilo Netflix. Moderno, né?

Aqui no Brasil, o faturamento do setor de audiolivros quadruplicou nos últimos quatro anos. Nos Estados Unidos, com quase 90 milhões de títulos disponíveis, o setor cresceu 20% a mais em relação ao resto da indústria editorial durante os primeiros oito meses de 2017.

Leia a matéria completa publicada pelo Olhar Digital para saber quais são essas novas tecnologias.

Instituição realiza mapeamento dos planos de livro e leitura no Brasil

Iniciativa visa incentivar e apoiar o desenvolvimento das ações voltadas para a consolidação dos planos de leitura no país

As políticas públicas do livro, leitura, literatura e bibliotecas são de suma importância para a democratização do acesso aos livros, do fortalecimento das bibliotecas, da economia do livro, formação de leitores, entre outros. É notório o quanto essas políticas estão sofrendo ataques na atual conjuntura brasileira, tanto na cultura como na educação.

Tendo esses desafios em vista, a “Rede Leitura e Escrita de Qualidade para Todos” (LEQT) está desenvolvendo um mapeamento das iniciativas dos grupos que lutam pela construção dos Planos Estaduais e Municipais do Livro e Leitura (PELLLBs e PMLLLBs). Hoje estados como o do Rio de Janeiro e municípios como o de São Paulo já contam com seus planos, mas a maioria das regiões ainda não têm seus Planos.

José Castilhos Marques Neto e Renata Costa, ex-secretários Executivos do Plano Nacional do Livro e Leitura conduzirão esse mapeamento e pesquisa juntamente com o apoio dos integrantes da Rede. A LEQT vai atuar por meio de seus grupos de trabalho (GTs), em especial o GT territórios para incentivar e apoiar o desenvolvimento das ações voltadas para a consolidação dos planos de leitura no maior número possível de estados e municípios brasileiros.

Acesse a matéria completa publicada pela Biblioo e saiba como participar do levantamento das políticas públicas locais do livro, leitura, literatura e bibliotecas

Livros infantojuvenis são grafitados em muros de Brasília

Com a ideia de popularizar e democratizar a leitura, o escritor e redator publicitário Hugo Barros é responsável pelo projeto

Texto por Clara Ribeiro

Com a ideia de popularizar e democratizar a leitura, o escritor e redator publicitário Hugo Barros lançou seu primeiro livro, “O menino invisível” em um muro de Brasília. Só depois que teve a sua publicação em papel.

Interessante, não? Página por página foi grafitada pela artista Camilla Santos, que atende pelo nome artístico Siren, contando a história de forma colorida e totalmente diferente da convencional.

A ação deu tão certo que se tornou um projeto encabeçado por Barros. O “Livro de Rua” nasceu para dar espaço a outros títulos infantojuvenis nas ruas brasilienses.

“Não é apenas um livro grafitado na rua, são também os assuntos encontrados nela. Faz mais sentido quando você imprime na rua porque ela pode dar mais força para as histórias, como a adoção de animais ou bullying, por exemplo”, conta o autor.

Acesse a matéria completa publicada pelo Notícias Concursos e conheça mais sobre o projeto “Livro na Rua”

Live QuartaàsQuatro vai debater papel das bibliotecas, leitura e gestão da informação na pós-pandemia

A próxima QuartaàsQuatro, live promovida semanalmente pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), unidade de pesquisa do MCTI, acontece no dia 22/07, com transmissão ao vivo pelo YouTube.

O tema desta edição é “Informação e Infodemia na Pós-Pandemia: Biblioteca, Leitura e Gestão”, com a participação de Glòria Pérez-Salmerón (IFLA), Emir Suaiden (Unb) e Cecília Leite (Ibict).

A epidemia do novo coronavírus trouxe novos desafios informacionais. Durante o bate-papo, os participantes abordarão diversos temas como o problema das informações falsas e o papel das bibliotecas e da leitura no mundo pós-pandemia. “Acreditamos que a biblioteca, a leitura e a gestão são três pontos que a Ciência da Informação precisa estar atenta nesse contexto”, diz Cecília Leite, diretora do Ibict.

Acesse a matéria completa publicada pelo Ibict e conheça mais sobre a live e dos pesquisadores que participaram da mesma

A leitura e o leitor integral: lendo na biblioteca da escola

Para quê mais um trabalho sobre leitura na escola fundamental da rede pública no Brasil, tendo por centro de interesse a camada da população cuja preocupação primeira é com a sobrevivência diária, em condições precárias de vida? Quem conhece o poder da leitura sabe que ela nos permite ler mais do que palavras. Através dela podemos ler o mundo. Desenvolver a prática literária em escolas públicas significa reconstruir a história junto a uma nova geração de alunos, oriundos de diferentes estratos sociais. O exercício da leitura é uma ferramenta de transformação e socialização, especialmente para crianças e pré-adolescentes. Neste livro, a autora aposta, ainda, na necessidade dos educadores se enxergarem como uma ponte entre o livro e o aluno. Conscientes, devem rever a importância do ato de ler nas escolas, bem como o papel dessa prática na constituição de cidadãos.

Fonte: Editora Autêntica

Práticas de Leitura de Histórias em Quadrinhos no Ensino Fundamental

Práticas de leitura de histórias em quadrinhos no ensino fundamental apresenta sugestões de práticas de leitura realizadas com o gênero história em quadrinhos (HQ), tendo como base teórica os autores Vygotski (aprendizagem), Bakhtin (linguagem), Marcuschi (gêneros textuais), Soares (letramento) e Solé (habilidades de compreensão leitora), entre outros. O leitor encontra nestas páginas atividades de leitura com o gênero HQ elaboradas com base em estratégias de compreensão de texto sugeridas por Solé. As autoras também propõem o uso do conceito de sequência didática (Dolz) para organizar as atividades propostas – atividades que possibilitam a interação entre os indivíduos, para que eles possam socializar o conhecimento na compreensão de que a linguagem ocorre em função de relações interpessoais, por meio dos enunciados produzidos pelos indivíduos durante as situações comunicativas.

Fonte: Editora Appris

Neuroeducação. Qual é o papel das ilustrações no aprendizado pelo livro didático?

Texto por Louise Moraes

Imagem: Licenciado por Pixabay

A Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos (vol. 101, no. 257) traz artigos multitemáticos, buscando contribuir para a aquisição de conhecimentos na área educacional, sobretudo neste momento de reclusão em casa durante a pandemia em curso de COVID-19. Um dos focos da edição é a neuroeducação, que integra as áreas de neurociências, psicologia e educação (SHOLL-FRANCO; MARRA; 2012). O estudo “Bases neuroeducativas do papel das ilustrações: uma proposta de análise de livro didático” foi realizado pelos pesquisadores Kleyfton Soares da Silva, do Instituto Federal Goiano e Laerte Silva da Fonseca, do Instituto Federal de Sergipe.

Kleyfton e Laerte direcionam seu foco para o papel das ilustrações em livros didáticos sob a perspectiva neuroeducativa, que busca o entendimento do processo de ensino e aprendizagem com base em evidências científicas do campo da neurociência (SILVA, 2018). A partir dos avanços tecnológicos, hoje é possível investigar mecanismos cerebrais subjacentes à aprendizagem (HORVATH; LODGE; HATTIE, 2017) e sabe-se que, no caso das ilustrações, determinadas características podem facilitar ou dificultar o entendimento do conteúdo a ser ensinado. Utilizando como referencial teórico a Teoria da Aprendizagem Multimídia (TAM) e noções da neurociência cognitiva, foi construída uma ficha para a análise de ilustrações de livros didáticos com conteúdos matemáticos.

Acesse a matéria completa em SciELO em Perspectiva – Humanas

Literatura infantil e protagonismo feminino: elas como personagens principais

Pedagoga destaca a importância do incentivo à leitura de livros infantis protagonizados por personagens femininas e indica 5 títulos que desenvolvem nas crianças valores e virtudes importantes, como ser guerreira, destemida, curiosa, questionadora e forte. Confira!

Desde sempre os livros são poderosas ferramentas para que o ser humano conheça mais sobre ele mesmo e o mundo ao seu redor. Por isso, a literatura infantil contribui de forma significativa para o desenvolvimento do autoconhecimento, senso crítico, valores morais e virtudes; ou seja, atua na formação da identidade e influencia nas relações com o todo.

Com as crianças isso não é diferente! De acordo com Claudia Onofre, pedagoga e consultora educacional da plataforma Dentro da História, é neste contexto que o hábito de ler se torna ainda mais importante. ‘’A leitura na infância é essencial, pois é a fase onde a criança está construindo o seu ‘’eu’’, formando seus valores, identificando suas virtudes, aprendendo o que é o certo ou errado e como o mundo funciona para assim moldar suas condutas. É neste momento que a criança desenvolve características importantíssimas para o sucesso na vida adulta e em suas relações, seja no âmbito acadêmico, profissional ou pessoal’’, explica.

Nesse cenário é possível compreender quão relevante é mostrar para meninos e meninas o significado dos movimentos atuais, incluindo o cenário onde a mulher luta cada vez mais por espaço e tem cada vez mais voz para ser quem ela quiser, onde quiser. A partir disso, a educadora listou 3 motivos que reforçam a importância da literatura infantil onde ‘Elas’ são as protagonistas.

Acesse a matéria completa em  Embarque na viagem e compreenda a importância da literatura infantil e a representatividade das personagens femininas nela. 

Variedades biblioteca de amparo lança projeto de entrega livros delivery

Os dez primeiros livros serão entregues na terça-feira,. dia 30 Foto: Divulgação

A Biblioteca Municipal “Carlos Ferreira”, em Amparo, lança na terça-feira (30) o projeto “Leitura em Casa”, que consiste na entrega de livros às pessoas cadastradas por meio do sistema delivery. O serviço fica disponível às terças-feiras e quintas-feiras, das 14h às 17h, e tem como objetivo estimular a leitura em tempos de isolamento social por conta do avanço do novo coronavírus.

De acordo com a bibliotecária Renata Pegoraro Soldateli, os interessados podem pedir os títulos e agendar a entrega por meio do telefone (19) 3807-2508 ou pela rede social Facebook, na página oficial da biblioteca encontrada no endereço www.facebook.com/biblioteca.carlosferreira.

Os pedidos serão atendidos por ordem de chegada. Um motorista devidamente identificado será o responsável pela entrega e por receber a devolução dos livros. O regulamento segue o mesmo do período pré-pandemia, com empréstimo válido por 10 dias e multa no valor R$ 1,50 a cada dia de atraso na devolução.

Cada pessoa pode solicitar no máximo uma unidade na categoria Literatura, até seis em obras infantis e dois das categorias infanto-juvenil, didáticos e paradidáticos. Todas as regras do projeto podem ser encontradas na página da biblioteca no Facebook.

Acesse a matéria completa publicada pela Rota das Águas  e conheça outros projetos desenvolvidos pela equipe da Biblioteca Municipal “Carlos Ferreira”.

Como a leitura pode combater a ansiedade na pandemia

Texto por Leopoldo Rosa Da CNN, em São Paulo

Dante Gallian, autor do livro “A literatura como remédio”
Foto: Theresa Pereira Gallian

Um dos maiores lugares comuns sobre a ficção diz respeito ao escapismo que ela produz diante da realidade. E em meio a uma pandemia, escapar se tornou questão de sobrevivência para muita gente que está isolada na quarentena.

Com as livrarias e bibliotecas fechadas na maior parte das cidades, as compras nas livrarias pela internet e a retomada de livros que foram deixados nas prateleiras de casa alentaram muita gente. É o caso da economista Mariana Caetano. Em home office desde o início da pandemia em março, ela diz que está usando o tempo ocioso para ler mais.

“Estou tendo mais tempo, mas também leio mais porque é uma forma de diminuir meu tempo de tela. Percebi que estar muito tempo no computador me dava uma ansiedade que o livro não dá, fico mais relaxada, mais concentrada do que em outras coisas. E estou lendo só coisas bem leves, romances, ficção…”

Acesse a matéria completa em CNN Brasil

Clubes de leitura aproximam pessoas, distraem e proporcionam trocas de experiência no isolamento

Durante a quarentena, clubes de leitura reúnem online leitores de todo o País; veja ainda dicas de como montar um clube do livro

Texto por Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

Ler é um ato solitário, e quem já participou de um clube do livro ou assistiu ao filme O Clube de Leitura de Jane Austen, por exemplo, sabe como a leitura compartilhada e a escuta podem ser transformadoras.

Cleide Tomazini Aichele, de 78 anos, nunca foi muito de ler, mas desde que começou a frequentar o Clube de Leitura 6.0 assim que ele foi inaugurado, um pouco antes do início da quarentena, no Núcleo de Convivência de Idosos do Centro de Assistência e Promoção Social Nosso Lar, na Mooca, isso mudou.

Foram dois encontros presenciais no início do projeto, do qual só pode participar quem tiver mais do que 60 anos, e então o isolamento começou. Eles passaram a se reunir online semanalmente para discutir a leitura proposta pelo clube criado pelo Observatório do Livro – que está presente em 60 cidades do Estado e, se não fosse pela pandemia, já estaria em 100 municípios. Em uma semana, os participantes conversam sobre o e-book que leram. Na outra, sobre o audiolivro que ouviram.

Cleide Tomazini Aichelle começou a ler recentemente, depois do incentivo do Clube 6.0 Foto: Acervo pessoal

A leitura está ajudando Cleide, que entrou mal na quarentena. Ela tinha perdido o companheiro que estava ao seu lado havia 60 anos e levado um tombo feio no dia 11 de março. “Eu estava mal e percebi que meu organismo não estava reagindo. Não podia sair, nem estava disposta a sair. Ler está me ajudando a passar o tempo, a refletir e a formar opinião. Isso tem ocupado a minha cabeça. Meu ânimo está melhor e sinto que estou com mais coragem”, diz.

Nas discussões, ela conta, ainda prefere apenas ouvir. E só isso já é enriquecedor. “Como li pouco na vida, não tenho facilidade de comentar os livros, mas é muito interessante perceber que às vezes a leitura de outra pessoa não bate com a sua.”

Acesse a matéria completa publicada pelo Estadão e compreenda a importância dos clubes de leitura. 

Elas são crianças, negras e agitam a internet falando sobre livros

Ele tem 12 anos e é um dos grandes influenciadores do Instagram.

Adriel, um menino baiano e negro viu sua vida transformada da noite para o dia por conta de um ato de racismo.

Sua conta na rede social Instagram estava tímida e graças a ação dos seus seguidores, os milhares de compartilhamentos fez com que instagrammers renomados chegassem até ele e se tornassem parte da sua rede.

“É muita gente querendo o seu bem. E uma das melhores coisas é que você vai poder compartilhar o seu amor pelos livros para mais de 500 mil pessoas. Que outras crianças tomem você como exemplo e entendam o poder de transformação da leitura! A leitura é uma ferramenta incrível de empatia, Adriel, e você já aprendeu muito bem isso”, postou Pedro Pacífico (o @book.ster).

Tá ficando profissa!Adriel,

No seu perfil do “insta” está escrito: “De Salvador para o mundo” e o jovem Adriel já ganhou uma assessoria, inclusive da sua mãe, para monitorar a conta e assim ele pode se dedicar mais à leitura.

Acervo pessoal do Instagram

Além disso, algumas celebridades como Gisele Bündchen enviaram elogios e mensagens de apoio.

Assistir aos seus vídeos no youtube é uma experiência gratificante.

Ele é uma simpatia em pessoa e as críticas literárias são apresentadas de forma bem espontânea e divertida. E ele não se intimida com alguns dos “tijolaços” que ele tem que ler, afinal, ler é a paixão da sua vida.

Para curtir e seguir as dicas literárias do Adriel, aqui vão os links:

https://www.instagram.com/livrosdodrii/

https://www.youtube.com/channel/UCM4QTjdg3G_rAEEVf0ijJEw

Denúncias de casos de injúria racial pela internet podem ser realizadas pelo Disk 100, serviço do Governo Federal que recebe denúncias de violação de direitos humanos. A denúncia também pode ser feita em delegacias comuns e especializadas em crimes raciais e delitos de intolerância.

Booktubers engajadas

Helena e Eduarda Ferreira são irmãs gêmeas que moraram no Morro da Providência, a primeira favela do Rio de Janeiro.

Um cenário marcado pela violência, que as obrigava ficar em casa.

O legal desta história é que a reclusão compulsória se transformou num grande projeto de estímulo à leitura e em 2015 elas criaram o “Pretinhas Leitoras”.

A explicação do nome não poderia ser mais clara e direta: “Porque a gente é preta e a gente lê”- diz Helena

As rodas de leitura com as crianças do Morro da Providência aconteciam na própria casa e se tornou a grande opção cultural contrapondo a escassez de tudo na favela.

Em 2018 o projeto deu um salto e elas criaram o canal no youtube “Pretinhas Leitoras”, que tem mais de 20 mil inscritos.

Mesmo com todo o poder de alcance da internet, estas meninas não abrem mão do contato olho no olho nos encontros mensais que realizam no Morro da Providência com as crianças para falar de livros e do enfrentamento do racismo nas escolas.

“Antigamente a gente não se aceitava como era por causa do nosso cabelo e nossa cor”, conta Eduarda, cuja biblioteca pessoal possui títulos como “Solta os cabelos”, ” Meu crespo é de rainha” e “Amoras”.

Para ela, que pretende fazer doutorado em literatura negra, os livros são uma forma de “incentivar pessoas negras a se amarem através de outras histórias.”

Helena também pretende seguir a carreira de professora e sonha com uma vida diferente para as crianças da região.

“Quero que elas tenham sonhos que possam realizar, que acessem a biblioteca e que tenham um lugar que possam se sentir seguras, sem tiroteio e violências.” – afirma.

Foto: acervo pessoal

Mãe e camerawoman

Elen Ferreira, a mãe das meninas, é professora dos primeiros anos da educação básica e pesquisadora sobre infância.

Ela diz que suas filhas não são excepcionais, apenas tiveram acesso e estímulo, mesmo morando numa comunidade que sequer tem pontos de cultura como uma biblioteca ou teatro.

“Nós temos crianças fadadas ao encarceramento domiciliar sem cometer delito nenhum. O país prepara infâncias negras e pobres para ficarem enclausuradas desde a mais tenra idade.”- afirma

Aos olhos da grande maioria dos moradores de comunidades, o sonho de trilhar uma carreira acadêmica, transformam Helena e Eduarda em “meninas prodígio”, mas para sua mãe são sonhos naturais, que toda criança poderia ter.

Elen também contribui para o canal dando ideias e filmando os vídeos com um celular. Apesar de um “certo sofrimento” pelos recursos técnicos escassos, os vídeos são postados e rendem centenas de comentários positivos.

“ Este projeto traz um senso de responsabilidade social muito grande na vida das minhas filhas e isto pra mim é extremamente importante.” – diz Elen

Conheça mais sobre estas “booktubers” aqui.

Fonte: Revista Ecos da Paz

Com bibliotecas fechadas, grupo distribui livros para crianças no Grajaú, na Zona Sul de SP

47 crianças participam de roda de leitura, que leva livros a moradores do bairro pela ONG Pagode 27.

Texto por Bernardo Bertoloto, SP1

“Pagode da 27” distribui livros nas casas de moradores do Grajaú

Durante a quarentena, com as escolas e bibliotecas fechadas, a ONG Pagode 27 começou a distribuir livros, máscaras e também cestas básicas na região do Grajaú, na Zona Sul de São Paulo, onde possui uma residência cultural há 15 anos.

Na sede da organização também há uma biblioteca, mas como as reuniões do grupo agora são raras, a ONG passou a levar, uma vez por mês, os livros infantis para as crianças, que leem e devolvem para outra criança ter a mesma oportunidade.

Todas as crianças precisam relatar a história e dizer se gostaram e o que acharam dela.

Uma das 47 crianças que participa do projeto é Ketlyn, de 10 anos. Ela disse que teve um pouco de dificuldade, mas gostou.

Os voluntários da ONG também ganham presentes, com livros como mensagens.

“É emocionante, né, porque a nossa ideia de levar um livro pra criança e ela se empolgar com isso e emocionar ela, emociona a gente também”, disse um dos voluntários.

Fonte: G1

Clubes do livro ganham força em meio à pandemia

Modalidade conquistou adeptos durante a quarentena e é uma opção cômoda para manter o hábito de leitura em dia

Texto por Amanda Capuano 

No conforto do lar, leitores recebem kits literários escolhidos mensalmente por curadores  TAG/Instagram

A crise no mercado editorial brasileiro não é de hoje, e a pandemia do coronavírus deu à situação contornos ainda mais dramáticos com o fechamento das livrarias em todo o país. Diante deste cenário, os clubes de livros despontaram como uma alternativa cômoda para alimentar o hábito de leitura durante o confinamento, conquistando mais adeptos com uma premissa simples: os usuários desembolsam um valor mensal e recebem, no conforto do lar, um livro selecionado por curadores. A obra, usualmente, é entregue em uma caixinha acompanhada de brindes, que variam de chaveiros a um título adicional, a depender do clube e do pacote escolhido. 

Com planos a partir de 49,90 reais ao mês, o Intrínsecos, da editora Intrínseca, registrou um aumento de 117% em seus assinantes somente no mês de maio. Parte disso, é claro, deve-se à revelação de que o título de junho seria o lançamento antecipado de A Vida Mentirosa dos Adultos, aguardado romance de Elena Ferrante — que, para os demais leitores, só chega às livrarias em setembro. Mas sua ascensão é uma tendência desde o início da quarentena, e tem impacto para além das assinaturas. “É um crescimento geral do interesse. Tivemos um aumento nos assinantes mas vimos também um crescimento no número de seguidores nas redes sociais, no acesso aos nossos blogs e no tempo de permanência em nossos conteúdos”, relata Danielle Machado, editora-executiva da Intrínseca, que aponta a curadoria minuciosa como o grande diferencial da modalidade. 

Kit Intrínsecos ‘A Vida Mentirosa dos Adultos’, de Elena Ferrante Livros da Joe/Instagram

Quem também observou um aumento considerável na procura foi a TAG, que anotou um salto de 70% nas visitas ao site na comparação com o período pré-pandemia. Segundo o sócio Arthur Dambros, a maior procura pela literatura é um reflexo da fase de angústia e ansiedade que o mundo enfrenta, que leva à busca por hábitos mais saudáveis. Apesar disso, o período também impõe certa dificuldade de concentração, o que motivou a empresa a criar o Conexão TAG, um portal online destinado a reunir os assinantes para leituras conjuntas, e que compila vídeos de autores, capítulos em áudio, podcasts e materiais para download. “Num momento tão fragmentado como esse, os leitores gostam do contato que a gente proporciona. O clube não só facilita a vida como produto, mas também é uma espécie de aconchego diante de toda a incerteza”, analisa ele.

Acesse a matéria completa em VEJA e conheça mais sobre os clubes leitura mantidos por diversos setores do mercado editorial. 

Elefante Letrado libera acesso a acervo de livros digitais para auxiliar escolas durante período de isolamento social

Texto  por  Guilherme Ricacheski

Com mais de 4 milhões de livros lidos, plataforma de incentivo a leitura coloca biblioteca com 579 títulos em português e 421 livros em inglês à disposição de alunos de todas as instituições de ensino.

Mostrando solidariedade em meio à pandemia da Covid-19, as empresas têm buscado fazer a sua parte para contribuir com a sociedade. É o caso do Elefante Letrado, plataforma de leitura digital fundada em 2013 com o propósito de promover a formação do hábito da leitura e o desenvolvimento da compreensão leitora em estudantes do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental. A plataforma pode, ainda, ser utilizada na Educação Infantil.

Neste período de isolamento social, a empresa oferece, de forma gratuita, 30 dias de acesso a todas as funcionalidades da plataforma para as escolas utilizarem e indicarem aos seus alunos. Até o momento, o Elefante Letrado já doou mais de R$ 100 mil na distribuição gratuita do serviço para escolas de todo o Brasil.

O Elefante Letrado está presente em 15 estados brasileiros e cinco países, Brasil, Estados Unidos, Holanda, Japão e Reino Unido. O acervo inclui obras de 214 autores, com 579 livros em português e 421 em inglês. Nomes como Ziraldo e Monteiro Lobato são encontrados na plataforma, que conta com uma curadoria especializada e livros nivelados de acordo com a fluência e a compreensão leitora.

A sócia-fundadora do Elefante Letrado, Scheila Vontobel, destaca a importância da ação em meio à situação atual: “A pandemia da Covid-19 é algo que atinge a população como um todo, por isso a decisão de estarmos à disposição das escolas e dos alunos, auxiliando-os a manter o hábito da leitura e seguir as atividades de aprendizagem durante este período”, afirma. “Acreditamos que essa gratuidade irá facilitar para que uma gama de escolas e estudantes possa conhecer o nosso trabalho e se beneficiar dos conteúdos que desenvolvemos com tanto comprometimento e cuidado”, completa.

Sobre o Elefante Letrado

A plataforma de leitura Elefante Letrado disponibiliza livros de diferentes gêneros textuais (contos, poesias, crônicas, fábulas, entre outros), classificados de acordo com níveis de proficiência do leitor. O estudante faz seu próprio percurso de leitura, escolhendo entre títulos variados e avançando nos diferentes níveis à medida que realiza os jogos de compressão leitora, que estão alinhados a descritores da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Com isso, os professores têm acesso, em tempo real, a relatórios de desempenho dos estudantes, permitindo que educadores e estudantes reflitam sobre o progresso nas diferentes habilidades de leitura. Os alunos também conseguem gravar as leituras e responder questões sobre as obras.

Fonte: Segs

Mas, pode? A importância da leitura na primeira infância

Todas as crianças têm o direito de entrar em contato com os mais variados gêneros literários e tipos de livros. É a partir deste encontro que elas poderão desenvolver o gosto genuíno pelos livros. Além de aproveitar integralmente os benefícios que os livros tem as oferecer. Por isso, nós da Curadoria da Leiturinha temos como objetivo propiciar o encontro dos nossos pequenos leitores, e sabemos a importância da leitura na primeira infância, com essa variedade presente na literatura mundial. Modéstia à parte, nosso país, o Brasil, possui como uma de suas grandes riquezas, a literatura e ilustração destinadas aos livros infantil. Poderíamos passar aqui horas apenas citando grandes nomes como Ruth Rocha, André Neves, Nelson Cruz e, claro, Marilda Castanha. Mas, antes de falar da grande autora que assina este livro, quero introduzir o objetivo do envio desta grande obra para nossos pequenos leitores.

Nós, pais, não temos a pretensão de nos tornar especialistas em tudo que fazemos com os pequenos

Mas, quando, por exemplo, vamos começar a introdução alimentar, pesquisamos ao máximo sobre o assunto para propiciar aos nossos filhos as melhores primeiras impressões e experiências com comida. Isso porque temos o objetivo que ele goste de comer e crie bons hábitos alimentares. O mesmo deveria acontecer com os livros.

O mesmo deveria acontecer para a leitura!

Por mais que não compreendamos totalmente os benefícios de alguns tipos de leituras, é inegável que entrar em contato com elas trará boas consequências para o desenvolvimento dos nossos pequenos.  Concordamos que, pode ser que uma criança não goste de uma verdura ou um legume de primeiro. Ou então, não entenda a importância de comer aquilo. Mas, mesmo assim, não deixamos de incentivar o hábito de comê-los, porque sabemos que será bom para nossos filhos. A dica que aqui deixo é: faça o mesmo com os livros! Tenho certeza que a médio prazo você conseguirá entender a importância que aquela obra teve no crescimento e construção da infância do seu pequeno.

Voltando à história… ou a autora. Antes da obra, vem a criadora, e essa criadora tem uma grande importância para nós da Leiturinha. Por isso não poderíamos exitar em fazer uma produção Original Leiturinha para a primeira infância com ela.

Sobre a autora

Marilda Castanha, mãe de dois filhos já adolescentes, começou a ilustrar livros infantis na década de 1980, enquanto era estudante de artes plásticas. Afirmando o quanto desenhar é coisa séria, Marilda coleciona prêmios e fãs fiéis. Não há um que arrisque um traço para criança no papel que não conheça a riqueza da sua obra. Marilda é a cara do valor da nossa cultura. Tanto que foi até para a Coréia do Sul, no Nami Concours, contar pro mundo como consegue atingir tanta gente às vezes sem usar muita palavra. Como uma boa mineira, com seu traço brasileiro repleto de significado.

Sobre a obra

Mas, Pode? Por ser um livro ilustrado, ilustrações, texto e projeto gráfico têm que fazer sentido para formar um conjunto harmonioso.

“Daí a importância de todos os elementos do livro, inclusive as abas, (ou dobraduras internas) que se abrem em determinadas páginas. Elas não estão ali por acaso. A narrativa do texto e das imagens pediam que a surpresa contida, nas imagens  e no texto, fosse ora resguardada, ora revelada. A escolha do formato do livro também tem um porquê. Por ser um livro para crianças (sendo elas alfabetizadas ou não), escolhemos um formato que, mesmo com as abas abertas não ficasse exageradamente grande e ainda coubesse no colo. Ou nas mãozinhas de uma criança pequena.”, diz Marilda.

Ao receberem o Mas, Pode? Marilda espera que as crianças possam, com a ajuda dos pais e da leitura compartilhada, perceberem novas formas de entender e nomear. Não só as cores, mas também o mundo.

Nas palavras da autora…

Perguntamos a autora como ela acredita que esta obra chegará na casa dos pequenos. Ela deixou a seguinte mensagem:

“Eu gosto muito de observar como as crianças se expressam, como elas lidam com o imaginário e – principalmente – como elas se organizam para se expressar através da linguagem. Quando meus filhos eram bem pequenos eu comecei a anotar as inúmeras frases que revelavam como eles definiam e apreendiam os diferentes conceitos de mundo. Pela observação e/ou por ideias concretas, muito visuais, eles iam me mostrando como estavam entendendo o mundo.

Ouvi então frases extremamente poéticas. Mais recentemente, quando pensava nas primeiras ideias para fazer o livro, fui ler, por acaso, um catálogo de tintas. Aí percebi como que alguns nomes que damos às cores lembram aquela forma poética das crianças pequenas. Por exemplos, nomes como: branco geada, amarelo fogo, vermelho amora, vermelho rubi ou verde topázio, além de serem muito poéticos nos sugerem imagens. Ou seja, quando lemos podemos “ver” a cor.

Para a criança muito pequena isto é importante, porque ela terá dados concretos. Tanto para fazer comparações quanto para entender melhor o mundo que ela está descobrindo. Sei que muitos destes termos do livro talvez serão novidade para as crianças. Por isto a importância da leitura compartilhada, da presença dos pais, que podem ser os melhores  mediadores da leitura de um  livro. Juntos, adultos e crianças verão formas inusitadas – ou não – de entender e nomear, não só as cores, mas também o mundo.”

Fonte: Blog da Leiturinha

DIANTE DA PANDEMIA DO COVID19, DEGASE ESTIMULA JOVENS A PRÁTICA DA LEITURA

Texto por Paulo Araújo

Foto: Divulgação

Instituição capacita agentes de leitura para atuarem nos espaços socioeducativos

Nesse período de isolamento, a comunidade socioeducativa tem se debruçado sobre os mais variados projetos que sejam viáveis de implementar no sistema. Um dos mais eficientes, que garantem os protocolos preventivos à Covid-19, é a oferta de obras literárias aos adolescentes. No Centro de Atendimento Intensivo (CAI) Belford Roxo, o CAI Baixada, a bibliotecária Simone Barros tem aproveitado ainda mais o espaço de leitura reinaugurado esse ano com as mediações de leitura para os internos, que podem ser seguidas de debates sobre o texto lido em rodas de conversas ou mesmo estimular a criação de desenhos ou outros textos.

Já em Volta Redonda, os agentes Jorge Luís e André Peixoto implementaram no Centro de Socioeducação Irmã Asunción de La Gandara Ustara (Cense Ialgu) uma ação que incentiva o hábito da leitura no s jovens. “Independentemente da função que se exerce nessa comunidade é dever de todos zelar pela garantia dos direitos”, afirmam eles.

Na opinião do diretor-geral do Departamento Geral de Gestão Socioeducativa (Degase), Márcio Rocha, salas de leitura trazem a perspectiva de despertar nos adolescentes o interesse pelo conhecimento de algo novo. “Assim como a pandemia é algo incomum para nossas gerações, ler passou a ser uma prática exercida por poucos. Ter um espaço para a prática da leitura nesse momento de distanciamento entre as pessoas passou a ser algo muito importante”, salientou.

As atividades de estímulo à leitura dão continuidade ao trabalho desenvolvido nas salas de leitura no Cense Dom Bosco, EJLA e Cense Ilha, PACGC, Cense Volta Redonda e GCA, Cense Friburgo, Criaad São Gonçalo e Criaad Ilha, Cecel e Cai Belford Roxo. Onze unidades que foram inauguradas ou revitalizadas nos últimos meses, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) e a Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec).

Empréstimo de livros nas unidades da capital

Adolescentes que estão em unidades na cidade do Rio podem solicitar à Divisão de Pedagogia (Diped) e à Biblioteca Claudio Tourinho Saraiva, na Ilha do Governador, o empréstimo de livros nas unidades, com o objetivo de lhes oferecer mais opções de atividades culturais durante este período de pandemia, quando há menor oferta de atividades.

“Estimular o gosto pela leitura é muito importante em qualquer fase da vida, no sentido em que ajuda a despertar a criatividade, aumentar o vocabulário, e melhorar a escrita, sobretudo na adolescência, que se trata de uma fase de transformação da vida em que a dificuldade de nomear o que se sente pode vir acompanhado de uma agressividade incontrolada e ou uma enfermidade”, explica Lilian Casimiro, uma das bibliotecárias da equipe.

Em sua opinião, em contextos de privação de liberdade, a atividade se torna essencial. “Além da leitura contribuir na redução do estresse e ansiedade, atua também como uma atividade de cultura e lazer para os adolescentes, principalmente nesses tempos de isolamento social”, conclui Lilian Casimiro.

Danielle Torres, também bibliotecária, enfatiza que a experiência de leitura é rica sob diversos aspectos: “sobretudo na abordagem de saúde mental, a atividade ajuda a amenizar o medo e a insegurança, sentimentos tão presentes em tempos de pandemia”, salientou, acrescentando que o servidor também pode manter o hábito de ler ou aproveitar o momento para começar. “ Criamos um ponto de leitura da biblioteca na recepção da Escola de Gestão Socioeducativa Paulo Freire”.

Formação de agentes facilitadores

A Biblioteca Degase não apenas oferece as obras, mas também disponibiliza uma formação de agentes facilitadores para atuarem em atividades culturais com uso dos recursos literários. Mesmo nesse momento de trabalho remoto, o operador socioeducativo interessado – seja ele agente, técnico, gestor ou voluntário – pode contar com essa ferramenta de capacitação à distância.

A Biblioteca preparou material e orientação a quem se dispuser a atuar nos ambientes de ressocialização; basta entrar em contato pelo e-mail biblioteca@novodegase.rj.gov.br e solicitar o material, que também conta com acompanhamento técnico. Essa capacitação, através da Escola de Gestão Socioeducativa Paulo Freire (ESGSE), certifica com horas para fim de progressão funcional.

Fonte: SOLIDÁRIO

Clube do livro terá segunda edição online no próximo dia 13

Em sua segunda edição online, o Clube do Livro de Araras, que conta com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura, por meio da Biblioteca Municipal, será realizado no próximo dia 13 (sábado), a partir das 15h30, pela plataforma digital Google Meet.

Durante a reunião literária será discutida a obra “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão”, da escritora e jornalista pernambucana Martha Batalha. Antes de ser publicado no Brasil, o romance de estreia da escritora foi vendido para editoras da Alemanha e Noruega.

Para participar do encontro é simples. Basta logar a conta de e-mail do gmail, acessar o site – https://meet.google.com/, clicar em “digite o código da reunião”, digitar fyo-fzvo-xum, clicar em “participar” e aguardar a aprovação para entrar na sala on-line. Os internautas participam de bate-papo durante a atividade.

“No primeiro clube online, onde conversamos sobre Vidas Secas, do Graciliano Ramos, contamos com 12 participantes. Além de ararenses, tivemos uma galera de Ribeirão Preto e da capital”, comentou Gustavo Grandini Bastos, bibliotecário municipal.

Em pouco sobre o livro

Antigas cartas de sua irmã Guida, há muito desaparecida, surpreendem Eurídice, uma senhora de 80 anos. No Rio de Janeiro dos anos 1950, Guida e Eurídice são cruelmente separadas, impedidas de viver os sonhos que alimentaram juntas ainda adolescentes. O livro aborda a história destas duas mulheres, duas irmãs, tentando lutar contra as forças sociais que insistem em frustrá-las. Invisíveis em uma sociedade paternalista e conservadora, elas se desdobram para seguir em frente.

Em 2019, a obra foi para os cinemas com o título de “A Vida Invisível”. Com o gênero drama e romance, o longa teuto-brasileiro foi dirigido por Karim Aïnouz e contou com o elenco estrelado por Fernanda Montenegro, Carol Duarte, Julia Stockler e Gregório Duvivier.

O filme ganhou o prêmio principal da Mostra Um Certo Olhar, do Festival de Cannes, no ano de seu lançamento.

Fonte: Notícias de Araras

A importância da leitura em tempos de isolamento

Além de ser uma forma de explorar o mundo sem sair de casa, ler também alivia o estresse e nos deixa mais feliz. Confira algumas histórias inspiradoras

Texto por Sistema Fecomércio

A psicóloga do Sesc Fortaleza, Telma Fernandes, explica que, diante do atual momento, muitos estão desenvolvendo um nível alto de estresse. Para a profissional, uma das sugestões para as pessoas lidarem melhor com a situação é ler. — Foto: Pixabay

A rápida propagação do Novo Coronavírus (COVID-19) levou o mundo inteiro a adotar medidas preventivas de isolamento social. Nesse período, é fundamental ficar em casa para conter o avanço da doença, assim como enfrentar os riscos para quem trabalha em serviços essenciais, o que tem gerado impactos na vida das pessoas. A mudança da rotina de casa, dos filhos e do trabalho, as incertezas sobre o presente e o futuro, o bombardeio de informações, o medo, enfim, são apenas alguns dilemas enfrentados pela maioria da população neste período de pandemia e isolamento social.

Além dos cuidados essenciais com higienização e alimentação, o atual momento exige uma atenção especial para nós mesmos, uma vez que a falta de conhecimento e de uma solução imediata gera um aumento de ansiedade, insegurança, estresse, tristeza e outros sentimentos. Só para se ter uma ideia, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendou algumas ações com o objetivo de amenizar os impactos negativos da pandemia, como escrever e, principalmente, ler. Neste momento, os livros têm sido ótimos companheiros de quarentena.

“A leitura é a minha grande paixão, logo, nesse momento, mais do que nunca, reconheço o poder que o livro tem, pois abre portas à reflexão, é um suporte de autoconhecimento. Não tenho dúvidas de que ler, neste momento, é o que eu mais tenho feito para viver melhor o isolamento”, relata Ivana Chaves, assistente de biblioteca do BiblioSesc.

Para ela, os livros são poderosos aliados para a nossa saúde mental e felicidade, mesmo em tempos de pandemia, uma vez que o hábito da leitura ajuda a avaliar novas perspectivas ou respostas, o que funciona inclusive como um alívio, pois nos permite desbravar os desafios enfrentados pelos personagens nas narrativas. “Outro ponto consolador é o fato de que a leitura faz com que o leitor perceba que ele não está sozinho na vivência de suas adversidades”, pontua.

Ivana Chaves não é a única que encontra nos livros um conforto neste momento de incertezas e desafios. O universitário Quintino Barbosa, de Sobral, também está aproveitando a quarentena para colocar a leitura em dia. “Minha relação com a leitura é, com certeza, um casamento estável, de amor e compromisso. Nesse período, tenho mergulhado ainda mais no mundo da literatura e da arte como um tudo”, declara. Desde o início do isolamento, ele já leu “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, “Tieta do Agreste”, de Jorge Amado, dentre outros clássicos, além de livros de contos e poesia. “Para mim, é uma rica fonte de divertimento e conhecimento“, destaca.

Literatura faz bem à saúde

A psicóloga do Sesc Fortaleza, Telma Fernandes, explica que, diante do atual momento, muitos estão desenvolvendo um nível alto de estresse. Para a profissional, uma das sugestões para as pessoas lidarem melhor com a situação é ler. Relaxamento muscular, meditação, ativação da memória e promoção da empatia são apenas alguns dos benefícios de uma boa leitura. “A dica é escolher livros com temas e assuntos que você se identifica, que prenda a sua atenção e faça você mergulhar no contexto, transformando-se, assim, em mais um personagem da história”, afirma.

A outra sugestão para aliviar a tensão é escrever. Conforme ressalta a psicóloga, adotar uma rotina de anotações diárias sobre nossas emoções alivia os sentimentos, ajuda a processar as angústias e organiza os pensamentos. “As anotações podem ser feitas em poucas linhas. Relate, busque formas de entender, aceitar e trabalhar suas emoções”, orienta.

É o que Quintino costuma fazer, mas, no seu caso, seus relatos vêm em forma de contos e poesias. “Escrever é uma das atividades que mais gosto de fazer, é minha sina realmente. Ler, escrever, ouvir música, desenhar, pensar, enfim tudo isso me ajuda a me manter tranquilo e entretido”, ressalta.

A arte de se aproximar

O BiblioSesc é a unidade móvel de biblioteca do Sesc que oferece à comunidade de Fortaleza, bem como da região Metropolitana, o livre acesso às estantes, através de um cadastro gratuito feito com um documento de identificação e um comprovante de endereço. A ideia é possibilitar o empréstimo de livros e revistas gratuitamente, pelo prazo de catorze dias, mesmo prazo em que as visitas ocorrem, ou seja, de catorze em catorze dias.

No entanto, por conta da pandemia, as visitas do BiblioSesc foram suspensas temporariamente, mas isso não significa que boas iniciativas não estejam chegando aos ávidos leitores. O vínculo, explica Ivana Chaves, segue por meio do WhatsApp, ferramenta que tem sido uma ponte para o envio de sugestões de livros, cursos online, bem como arquivos de obras virtuais disponibilizadas gratuitamente, links de lives literárias, dicas de vídeos e curiosidades sobre o universo da leitura.

“Foi a alternativa que encontramos para amenizar o impacto do isolamento em nossas vidas, além de ajudar a superar a saudade que sentimos dos nossos encontros. Os grupos que criamos são espaços de trocas literárias, que ajudam a fidelizar nosso contato com os leitores e amenizar a ansiedade deles”, afirma.

E é assim, mantendo a leitura em dia, que pessoas como Quintino e Ivana seguem na esperança por dias melhores. Como a bibliotecária costuma dizer, precisa-se, mais do que nunca, semear livros para nos aproximar, da vida e dos outros, chegar perto, estar junto, mesmo durante o isolamento social. “E quando tudo isso passar, e você avistar um belo caminhão, com aplicações adesivas nos tons azul, branco e amarelo, já sabe do seu semear. Portanto, em breve, todos vão poder nos procurar para colocar o papo e as reservas em dia. O abraço está garantido, além de livros à mão cheia, claro”, conclui Ivana Chaves, saudosa, mas cheia de esperança em dias melhores.

Fonte: G1

Clube do Livro de Itapetininga realiza encontro online

Evento será no próximo sábado (6) e contará com uma conversa entre os participantes sobre a obra literária ‘Frankestein’, de Mary Shelley.

Texto por G1 Itapetininga e Região

Clube do Livro de Itapetininga realiza encontro online — Foto: Reprodução/Street View

Por conta da pandemia de coronavírus e do distanciamento social, a biblioteca de Itapetininga (SP) realizará, através do Clube do Livro, um encontro virtual no próximo sábado (6).

Durante o evento haverá uma conversa entre os participantes sobre a obra literária “Frankestein”, de Mary Shelley. O livro pode ser baixado gratuitamente através deste link.

O bate-papo acontecerá através do Google Meet, às 16h. Para participar é necessário comentar na publicação do Facebook e entrar em contato com a administração da página para receber o link de acesso.

Fonte: G1 Itapetininga e Região

Incentivar crianças a ler pode deixar a quarentena mais leve

Para a professora Elaine Assolini, a leitura, além de entreter, acalma e ajuda a explicar o mundo para os pequenos

Texto por Flavia Coltri

A mudança de rotina causada pela quarentena tende a deixar as pessoas mais ansiosas, apavoradas e até mesmo entediadas. As crianças não estão livres desses sentimentos e, por conta disso, muitos pais buscam atividades que possam tornar o período um pouco mais suave para os pequenos.

Segundo a professora Elaine Assolini, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, a leitura é uma ótima opção de ocupação para as crianças. Ela explica que ler durante a quarentena pode acalmar e ajudar a explicar o mundo e também o que está acontecendo no momento.

Elaine destaca que os livros não devem ser deixados de lado com o fim do isolamento social, pois são fundamentais para a educação nessa faixa etária. “Crianças que leem não caem nas armadilhas do funcionamento ideológico da linguagem, portanto, serão cidadãos críticos, sujeitos que vão discutir o mundo à sua volta.”

A leitura de obras clássicas é sempre bem-vinda. A professora indica alguns nomes e obras da literatura brasileira como Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato, Ou Isto ou Aquilo, de Cecília Meireles, e O Menino Maluquinho, de Ziraldo, entre outros clássicos infantis.

Fonte: Jornal da USP

Ler em um formato diferente é ler pior?

O confinamento aumentou ainda mais a digitalização de nossa leitura, que transforma silenciosamente nossos circuitos neurais. Há vantagens em consumir conteúdo em papel em relação ao do celular ou de um e-book?

Jovem lê um livro digtal em Sevilla, na Espanha, no último dia 20 de maio.PACO PUENTES / EL PAIS

Texto por Carmen Pérez-Lanzac

O circuito neural que nos dá a capacidade cerebral para ler está mudando rapidamente para todos. Tablets, computadores, laptops, Kindles e celulares estão substituindo os antigos livros, promovendo uma transformação silenciosa em cada um de nós. O ser humano não nasceu para ler. A aquisição da alfabetização é uma das conquistas mais importantes do Homo sapiens. O ato de ler reorganizou completamente um circuito de nosso cérebro. Mudou a própria estrutura das conexões neurais e isso transformou a natureza do pensamento humano. Em 6.000 anos, a leitura deu impulso ao nosso desenvolvimento intelectual. A qualidade de nossa leitura não é apenas um indicador de nosso pensamento, é a melhor maneira que conhecemos para desenvolver novos caminhos na evolução cerebral de nossa espécie. Mas, como mudou a qualidade de nossa atenção à medida que lemos mais e mais em telas e dispositivos digitais? Este processo vem sendo reforçado durante o confinamento. Nossa capacidade de percepção estará, como afirmou o filósofo Josef Pieper, diminuindo ao nos depararmos com um excesso de estímulos e informações?

Em seu livro O Cérebro no Mundo Digital – Os Desafios da Leitura na Nossa Era (Editora Contexto), a neurocientista Maryanne Wolf, diretora do Centro para a Dislexia da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, observa que no cérebro impera uma máxima: “Use essa capacidade ou perca-a”. Assim, cada meio de leitura beneficia alguns processos cognitivos em detrimento de outros. Wolf lança uma pergunta: a mistura de estímulos que distraem continuamente nossa atenção e o acesso imediato a várias fontes de informação dá ao leitor menos incentivo para construir suas próprias reservas de conhecimento e pensar criticamente por si mesmo?

A plasticidade do nosso cérebro nos permite formar circuitos cada vez mais extensos e sofisticados, dependendo do que lemos e em que plataforma o fazemos. Como sugeriu o psicólogo cognitivo Keith Stanovich, aqueles que não leram muito e bem terão menos bases para a inferência, a dedução e o pensamento analógico, ficando propensos a serem vítimas de informações falsas ou não comprovadas. Wolf acredita que não vemos mais nem ouvimos com a mesma qualidade de atenção porque vemos e ouvimos muito e, além disso, também queremos mais.

Ela mesma vivenciou a mudança. Teve que se esforçar para reler O Jogo das Contas de Vidro, de Hermann Hesse, um dos livros que a marcaram em sua juventude e que lembrava que não era especialmente leve. Depois de um primeiro fracasso, teve que definir períodos de leitura de 20 minutos para terminar o livro, o que lhe tomou duas semanas. “O ritmo vertiginoso com que eu costumara ler meus gigabytes diários de informações não me permitia parar o tempo suficiente para entender o que Hesse estava transmitindo”, escreve ela em O Cérebro no Mundo Digital.

A linguista Naomi Baron é, com Wolf, a ponta de lança dessa questão nos Estados Unidos. Baron comenta que os jovens trocam de mídia 27 vezes por hora e, em média, consultam o celular entre 150 e 190 vezes por dia. Por sua plasticidade, afirma o neurocientista argentino Facundo Manes, o cérebro se adapta às mudanças ambientais e a atenção que dedicamos aos avanços possíveis graças às novas tecnologias nos faz enfrentar uma nova maneira de processar informações. O cérebro tem que se adaptar a essas mudanças, e as crianças e os jovens que estão crescendo entregues às novas tecnologias possivelmente desenvolvam e potencializem a capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo “em detrimento de outras habilidades”.

Nem todos os especialistas concordam com essa tese ou acreditam que nossa leitura seja afetada pelo formato escolhido. A Comissão Europeia quis fomentar o debate, por isso, apoiou entre 2014 e 2018 (com um milhão de euros no total, cerca de 6 milhões de reais) o projeto E-Read, que financiou 200 professores universitários de toda a Europa para estudar o assunto e se reunirem regularmente. Anne Mangen, do Centro de Leitura da Universidade de Stavanger, na Noruega, foi uma das coordenadoras do grupo. Vários estudos merecem destaque nessa experiência, dois deles da própria Mangen: ela comparou o entendimento impresso e no Kindle de um conto apimentado e de outro de mistério de 28 páginas (o mais longo estudado até o momento) entre um grupo de alunos do ensino médio. Concluiu que os alunos que leram o livro impresso entenderam melhor as duas histórias, principalmente na hora de ordená-las cronologicamente.

Ladislao Salmerón, professor de Psicologia Evolutiva e Educação da Universidade de Valência, foi com seu então estagiário, Pablo Delgado, o autor do estudo mais relevante da equipe conhecida como Grupo Stavanger. Eles realizaram um metaestudo de 54 estudos realizados entre 2000 e 2017, com um total de 170.000 participantes de diferentes idades, que demonstra que a compreensão de textos expositivos e informativos (não narrativos) é maior quando são lidos em papel do que em mídia digital, especialmente se o leitor está com um tempo de leitura limitado. “O que descobrimos é que, em igualdade de condições, sistematicamente se entende melhor o que é lido em papel”, diz Salmerón. E o que mais o surpreendeu: quanto mais jovens as pessoas, maior a diferença de compreensão entre os dois formatos.

Durante a década passada, houve um importante esforço para aproximar as telas das escolas. O projeto One Toplap per Child, planejado para reduzir o fosso digital, levou minicomputadores para crianças do Uruguai a Ruanda. Outros projetos os levaram a Glasgow ou ao Estado do Kansas. Também na Espanha houve esforços para aproximar a tecnologia dos pequenos. O Governo da Andaluzia entregou um minicomputador a 390.000 estudantes. Salmerón, que está em contato com a comunidade educacional, diz que recebe cada vez mais pedidos para falar sobre os possíveis efeitos negativos da leitura excessiva nas telas. “A tecnologia entrou nas escolas levada por esperança e fé”, diz Anna Mangen, “e muita gente tem vergonha de se tornar antiquada vetando a tecnologia”. Ladislao não se esquecer da reação de um alto funcionário dinamarquês que participou de uma das apresentações do Grupo Stavanger: “Mas o que fizemos?”.

Um dos assuntos que preocupam os especialistas em ensino é o efeito que essa nova maneira de ler pode ter nas universidades. Uma pesquisa realizada por Baron e Mangen com professores universitários dos Estados Unidos e da Noruega, que será divulgada no próximo ano, revelou que 40% dos 150 entrevistados pedem aos alunos menos leituras que antes e um terço deles respondeu que fazia isso porque diretamente não liam o que lhes pediam que lessem. No total, 81% afirmaram que em sua opinião a tecnologia digital está levando os alunos a leituras mais superficiais.

Distintos graus de interesse na Europa

Antes de decretar o estado de alarme, Salmerón preparava um estudo com cerca de 100 estudantes universitários para detectar, por meio de um eletroencefalograma, o nível de atenção durante a leitura em formato impresso e digital (o financiamento era do BBVA). Atualmente, ele está computando os resultados de uma pesquisa com 4.000 espanhóis sobre as mudanças nos hábitos de leitura durante o confinamento. O professor acredita que, embora o aumento da leitura digital ajude a se chegar a alunos que, de outra forma, não teriam acesso às leituras em papel, é urgente encontrar soluções para limitar os efeitos negativos que o formato digital tem na compreensão da leitura. Ele vê um contraste importante no interesse por essa questão em relação ao norte da Europa. Diz que, para fazer um estudo sobre o benefício da leitura nas telas, encontra inúmeros candidatos. Por outro lado, para estudar seu lado negativo, é difícil encontrar participantes e patrocinadores. Cita André Schueller-Zwierlein, responsável pela biblioteca da Universidade de Regensburg (Alemanha), por seu esforço na promoção da leitura profunda. Schueller-Zwierlein considera que as bibliotecas têm a responsabilidade de criar salas diferentes para diferentes tipos de leitura (em sua biblioteca há 13 salas diferentes) e promover o ensino das habilidades de leitura.

Há pouco mais de um ano, o Grupo Stavanger divulgou uma declaração resumindo os resultados obtidos pelos pesquisadores participantes. Um dos responsáveis ​​pela redação, Paul van den Broek, especialista holandês e membro do grupo de profissionais que prepara o relatório PISA, destaca que não se opõe à leitura digital, mas ressalta que cada formato tem um público para o qual é adequado e que o assunto precisa ser aprofundado. A declaração defende a relevância do texto impresso para a leitura de textos longos, especialmente quando se trata de compreender em profundidade e reter informações.

Dentre as recomendações incluídas, três se destacam: 1) ampliar a pesquisa sobre as condições em que o aprendizado e a compreensão em textos impressos e digitais aumentam ou diminuem, 2) o ensino aos estudantes de estratégias de domínio da leitura em profundidade no ambiente digital e que as instituições educacionais motivem os alunos a ler livros impressos em sua grade curricular e 3) que os professores estejam cientes de que intercambiar o aprendido mediante papel e lápis não é indiferente à mudança para o digital.

Ler nem sempre é divertido. Implica esforço, diz Anna Mangen. “Devemos pedir evidências de que a leitura digital melhora a leitura”, diz a especialista norueguesa, que enfatiza: “É importante, pois é uma questão de saúde mental”. Como disse o visionário tecnológico Edward Tenner, seria uma pena se uma tecnologia tão genial acabasse ameaçando o tipo de intelecto que a tornou possível.


PARA QUE OU PARA QUEM É MELHOR, ESSA É A PERGUNTA, POR FACUNDO MANES (NEUROCIENTISTA E DOUTOR POR CAMBRIDGE)

A leitura supõe, em primeira instância, reconhecer o formato das letras e, com elas, as palavras. Mas também, durante a leitura, percebemos a totalidade do texto como se fosse uma paisagem. Assim, fazemos uma representação mental dele, que serve de base para a interpretação das informações que estamos processando. Na neurociência, não há consenso sobre qual é o formato mais adequado para a leitura. Muitos estudos mostram as vantagens do papel, enquanto outros apontam que não há diferença alguma entre os dois formatos ou mostram as vantagens do formato digital. A pergunta importante não é qual formato é melhor, mas para quem, para quê, e quando. É o mesmo para um adulto e uma criança? É melhor para leituras escolares, mas pior para leituras recreativas? Existem vantagens que justifiquem o uso de um formato específico para textos de ficção, mas não para os técnicos? Uma das mudanças estruturais que ocorre na leitura digital é que nela a experiência do limite não se dá de maneira tão acabada como na leitura no papel: quando lemos na tela vemos apenas uma parte do livro, podemos avançar ou voltar ao longo do texto, mas essa noção de finitude não é tão clara. É por isso que a metáfora da “navegação” usada para se referir à Internet não é aleatória, já que não há caminho predeterminado e também não se sabe onde está a margem. Um livro tradicional, por sua vez, oferece ao leitor traços topográficos que lhe permitem se orientar sem perder de vista o conjunto: a página à esquerda, a página à direita, os quatro cantos e um texto fluido que não é interrompido por links ou anúncios. A isto se soma a possibilidade de tocar as páginas com as mãos e deixar um rastro à medida que se avança na leitura, o que nos propicia um informe sensorial-motor de quanto lemos e quanto falta. Todos esses elementos fazem com que muitas pessoas percebam a leitura no papel como algo mais controlável, pois lhes oferece um mapa mental coerente e sem nenhum obstáculo. Por sua vez, a orientação espacial tem um impacto na memória: muitas pessoas dizem que é mais fácil recordar o que leem quando lembram onde as informações estavam situadas. A interação com o texto é diferente em cada plataforma, já que esta se encontra relativamente bloqueada (por exemplo, em um formato sem possibilidade de edição) ou tem uma capacidade de inserção sem marcas de limite entre o alheio e o próprio (por exemplo, em um texto de processador). Escrever nas margens, sublinhar, destacar e voltar para trás para reler uma frase é algo mais vinculado ao livro em papel. Esse senso de apropriação do texto a partir dos traços originais torna o livro um pouco mais próximo. Embora talvez seja pelo fato de a pessoa ter sempre lido nesse formato. É importante entender que a compreensão da leitura é um processo posterior à decodificação: primeiro se lê e depois se compreende o que é lido. Sabemos que, para um leitor, ler em uma tela não é o mesmo que ler um livro. Faltam mais pesquisas que avaliem o efeito do uso da tecnologia no funcionamento cognitivo a longo prazo. Enquanto isso, o segredo estaria em usar a tecnologia de maneira equilibrada e saudável.

Fonte: El País

Leitores: Leitura, bibliotecas escolares e alunos com diversidade funcional. Que relação?

A sociedade exige cada vez mais que a escola desenvolva competências nos alunos, no sentido destes mesmos serem agentes transformadores da realidade envolvente.

Texto por António José Alves Oliveira

A sociedade exige cada vez mais que a escola desenvolva competências nos alunos, no sentido destes mesmos serem agentes transformadores da realidade envolvente. A prestação de um ensino de qualidade tem sido uma preocupação de todos os intervenientes no processo educativo, que não pode, nem deve, ser separada de um princípio assente na igualdade de oportunidades para todos.

A educação de crianças com diversidade funcional nas turmas regulares veio provocar mudanças profundas no sistema educativo, partindo de alterações legislativas, organizativas e em mudanças das práticas educativas. O conceito de escola inclusiva baseia-se numa premissa: a de uma educação para todos, promovendo o respeito pelas diferenças e percursos individuais, devendo toda a comunidade escolar estar empenhada no processo de ensino e aprendizagem de todos os alunos. 

Uma abordagem inclusiva requer uma filosofia organizacional que vise o desenvolvimento de metodologias/estratégias diferenciadas, trabalho cooperativo/colaborativo entre professores, técnicos e famílias, medidas educativas adequadas e ajustadas aos alunos, recursos humanos e tecnológicos que lhes permitam melhorar o seu potencial humano. A questão da diversidade funcional no âmbito da Educação Especial tornou-se num princípio crucial do ponto de vista da equidade educativa e da coesão social. A elaboração de uma resposta coerente, integrada e sistemática a esta problemática, exige que se conheça as diferentes problemáticas educacionais.

Sendo hoje o Mundo uma aldeia global, onde a informação percorre os mais recônditos cantos do planeta a uma velocidade outrora impensável, os meios tecnológicos de divulgação são progressivamente mais diversificados e eficazes para os seus utilizadores. Perante este facto, a escola, sendo a instituição melhor capacitada para o papel de educar/formar os indivíduos que compõem a sociedade em que vivemos, deve estar preparada para conseguir acompanhar esse desenvolvimento acelerado do conhecimento e ser capaz de motivar todos os alunos, com ou sem dificuldades permanentes de aprendizagem e participação, durante toda a sua escolarização.

O aluno quando comunica através da linguagem verbal ou escrita, desenvolve situações de diálogo, revela as suas vivências, confronta as suas opiniões, aperfeiçoa o ato de falar, ler e escrever. 

Numa época em que o tema da literacia assume uma importância fulcral no desenvolvimento das sociedades contemporâneas, a experiência da leitura está interligada, não só no saber fazer implícito nas exigências profissionais a que os indivíduos estão sujeitos, mas também melhoria da sua qualidade de vida, quando pensamos que a leitura pode proporcionar-nos prazer, conforto e estimulação intelectual. 

A biblioteca escolar é um elemento da organização do estabelecimento escolar. Portanto, pode constituir-se como um pólo de renovação pedagógica, de comunicação, de animação cultural, de estimulação do conhecimento e de desenvolvimento do pensamento crítico dos alunos. É neste cenário que a diferenciação pedagógica surge como um elemento fundamental no trabalho da biblioteca escolar, no que respeita à promoção de competências de leitura em alunos com diversidade funcional. 

A criação ou transformação das bibliotecas escolares em bibliotecas inclusivas será, inequivocamente, um modo de rentabilizar a documentação disponível em proveito da maximização das competências académicas dos alunos,  com resultados que se tornarão evidentes no desenvolvimento da inclusão laboral dos cidadãos com diferenças ao nível cognitivo, visual, auditivo ou motor.

É possível estimular a leitura dos alunos com diversidade funcional através da biblioteca da escola ou de uma qualquer biblioteca pública, desde que se tenha em conta a forma como o seu utilizador acede à mesma. Basta implementar algumas das tecnologias de apoio disponíveis atualmente, por exemplo: livros em áudio, com pictogramas,  filmes legendados ou com interprete de Língua Gestual Portuguesa, digitalizadores de texto, lupas digitais, etc.)

O professor-bibliotecário é aquele que pode abrir as portas da leitura a alunos com desvantagem intelectual, e frequentemente, social e económica. Mas dar o mesmo a todos no espaço da biblioteca da escola, não é respeitar a individualidade  ou responder às  necessidades educativas de cada aluno; é antes, promover a infoexclusão, algo que a escola inclusiva tem de erradicar, se quer ser verdadeiramente democrática.

Portanto, o professor-bibliotecário assume um papel vital, provavelmente ainda subvalorizado, na preparação e inclusão dos indivíduos no mundo que os rodeia. Mas a biblioteca não se resume apenas às funções de pesquisa documental, empréstimo de livros, ocupação de tempos livres, animação ou difusão de trabalhos. Através de diferentes formas de dinamização e estimulação de hábitos de leitura, a biblioteca está a desempenhar uma função de promoção da cultura e da inclusão social das pessoas com limitações na actividade e participação, de modo a que estas possam aceder ao conhecimento em igualdade de oportunidades, mas melhorando as suas condições e, assim, alcançarem um verdadeiro gosto pela leitura. A valorização crescente das necessidades especiais dos utilizadores das bibliotecas, parece estar a contribuir progressivamente para mudanças legislativas e alterações no funcionamento das bibliotecas públicas, que esperamos terem vindo para ficar.

Fonte: Reconquista

A Mídia, a Literatura e a Formação de Leitores

Texto por Alexandre da Costa Leite

(Foto: Freepik)

Há pouco, terminei de reler Memorial de Aires. Li devagar, como quem degusta um vinho. Livro delicioso, aconchegante, personagens com uma densidade que salta do romance, demonstração da supremacia absoluta do escritor. Os ranhetas cismam com a falta de enredo, mas ali está o enredo do cotidiano simples do protagonista e a relação dele com dois velhos que tentam permanecer próximos aos filhos postiços. O enredo é a solidão desses personagens. Dizem que Machado não era um narrador descritivo, não revelava ambientes e o cenário da cidade em seus textos, mas é nele que mais me sinto inserido no Rio de Janeiro daquele fim do século 19. Em Machado está guardado um intenso espírito de época que o tornou universal. Virei a última página com tristeza saudosa antes de emergir novamente no inóspito e pandêmico século 21.

Sílvio Romero, um dos progenitores da nossa crítica literária, acreditou que Machado de Assis fabricava um pessimismo que não integrava o caráter do brasileiro. Faltou a Sílvio Romero conhecer a nossa produção contemporânea para verificar a entronização da melancolia inócua e premiada que paira sobre os textos de ficção hoje publicados. Nossos autores seriam mais expressivos se fossem capazes de reconstruir o agudo e irônico pessimismo de Machado.

A literatura foi perdendo a centralidade dentro do panorama cultural do nosso país. Nestes tempos de pandemia, quando todos estamos confinados e com restritas escolhas de lazer, não observo muitas referências aos livros. O que prevalece intensamente são as lives (o novo fenômeno propagado pela tecnologia), as séries da Netflix, uns poucos filmes e mais nada. Apesar de as séries e filmes se originarem no trabalho do texto, a literatura é quase um elemento invisível no resultado das produções.

Existem os youtubers literários – poderia alguém me lembrar, tentando fazer justiça à visibilidade da palavra. Reconheço que os youtubers que comentam livros concretizam uma bela iniciativa, mas dos poucos que assisti ficou-me o sentimento de que desejam chamar mais atenção para eles próprios do que às obras apresentadas. Repito que foi uma sensação genérica que me ocorreu, não está livre de ser um equívoco de interpretação. Além desses críticos amadores em vídeos da Internet, temos os resenhistas da grande imprensa. Infelizmente, os resenhistas não conseguem ocultar um sintoma crônico, escrevem como se fossem patrocinados pelas grandes editoras ou pela camaradagem com autores.

A profissão de crítico deve ser uma luta constante contra todas essas dependências pessoais, que desautorizam seus juízos, sem deixar de perverter a opinião. Para que a crítica seja mestra é preciso que seja imparcial, – armada contra a insuficiência dos seus amigos, solícita pelo mérito dos seus adversários.” – Ensinava Machado na ancestralidade de O ideal do crítico.

Nos jornais, desapareceram os suplementos sobre literatura, tudo que se vê no arremedo simplório de crítica dos nossos dias contraria o ancestral “Ideal do crítico”, que estabeleceu uma “crítica pensadora, sincera, perseverante e elevada” – segundo Machado de Assis. A revelação óbvia é que a imensa pluralidade das publicações despejadas nos últimos anos inviabilizou o ofício da crítica séria e abrangente, que se exilou no feudo intelectual das universidades. “A crítica desamparada pelos esclarecidos é exercida pelos incompetentes” – sentenciou Machado.

Derrame de autores no mercado editorial não significa potência literária. Pelo contrário, o sentido da literatura se corrompeu, desbotou-se, diluiu-se numa infinidade de obras construídas por fórmulas prontas e conceitos comerciais. Alguns dos nossos escritores, principalmente os mais jovens, resgataram o aspecto inventariante do realismo. As maiores editoras focalizam em nomes famosos da mídia para turbinar vendas setorizadas, vendas que não sustentam as grandes redes de livrarias, livrarias que caem nas mãos de bancos que cobram melhores resultados financeiros. Outros autores investem mais em marketing do que em conteúdo. Pequenas editoras não distribuem os livros que produzem, são onerosas para o autor, cobram alto pelo envio do que publicam, transformam o mercado dos livros numa firma de agiotagem cultural.

(…) houve todo um planejamento de marketing para escrever o livro que o mercado pedia.” – Dizia Sérgio Sant’Anna sobre um escritor americano ao criticar a intervenção do marketing na obra literária.

A situação se agrava ao constatarmos que o escritor brasileiro não quer aprender a ler outros escritores, ele só quer aprender a ser lido. A recíproca não surge sem má vontade. Os índices mostram que o Brasil possui poucos leitores ativos (média de leitura é de 5 livros por ano). Numa proporção ainda menor estão os leitores de qualidade. A degradação geral da leitura e da criação, aliada a um sistema educacional precário, fizeram da resenha dos tietes opção à crítica acadêmica. Para completar, as feiras literárias e outros eventos dedicados aos livros servem mais ao comércio e ao lucro do que à formação de leitores. A literatura se tornou um braço forte do negócio publicitário, canonizam autores pueris, divulgam celebridades que são escritores de ocasião e restringem o foco a nichos que geram os best-sellers. A literatura virou uma sala barulhenta cheia de ninguém. Buscam o lucro com a ficção através da farsa. O resultado é que a estratégia não alimenta as corporações que controlam as livrarias de maior porte, terminam na falência. Não formamos leitores, formamos compradores aleatórios de livros e decoradores de estantes.

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Alexandre da Costa Leite é jornalista e escritor.

Fonte: Observtório da Imprensa

Semeadores de livros

Edição especial do PublishNews Entrevista reúne respostas e diversos pontos de vista sobre os direitos fundamentais da humanidade: a leitura, a escrita e a literatura

Texto por Talita Facchini

Você acha que o livro vai salvar o mundo? A pergunta foi feita por Leonardo Neto, editor-chefe do PN, para algumas pessoas que passaram pelo Podcast do PublishNews no último ano. As respostas, claro, variam, passando pelas otimistas e pessimistas. No quinto episódio especial do PublishNews Entrevista, programa que que tem criado um arquivo da memória do mercado editorial brasileiro, André Argolo reuniu essas respostas e diversos pontos de vista sobre os direitos fundamentais da humanidade: a leitura, a escrita e a literatura.

“O Brasil é um país – eu acho importante falar isso, em todos os lugares – que nunca se preocupou com o livro, nunca se preocupou com a literatura”, define Eduardo Lacerda (Patuá), que em sua entrevista, falou ainda sobre a história do livro no país e o descaso que continua até hoje com o livro e a leitura. José Castilho também participa da seleção da semana, em sua entrevista, ele falou sobre a Política Nacional de Leitura e Escrita, que por conta do PN ficou conhecida como Lei Castilho e Luiz Alves Jr (Global), sobre como vê o Brasil em relação à leitura. “O Brasil, pra mim, não foi descoberto”, afirma. “A gente vê as grandes discussões prevendo o futuro, negociando o que foi feito no passado, mas dificilmente você vê pessoas que são multiplicadores de informações, levantando o problema da leitura, porque não se educa uma criança, não se dá à uma criança uma educação plena se ela não passar pela leitura”, completa.

Também fazem parte do episódio Marilena Nakano (ex-presidente e voluntária da Rede Beija-flor / Bibliotecas Vivas), Cida Saldanha (Livraria da Vila), Camila Cabete (Kobo) e Jiro Takahashi (editor) falando sobre a importância do livro e definindo em suas palavras, o que é a literatura.

Fonte: Publish News

‘Podemos afirmar que a tendência é que o livro digital tenha mais peso nos nossos hábitos de leitura’

Texto por Lorenzo Herrero

Em entrevista ao PublishNews, CEO de distribuidora de conteúdos digitais da Espanha, fala sobre o impacto do coronavírus no mercado

Arantza Larrauri é CEO da Libranda, distribuidora de conteúdos digitais da Espanha | © Linkedin da profissional

A pandemia mudou os hábitos de lazer em todo o mundo. O livro está se tornando um aliado e companheiro fiel nos dias de hoje, quando reuniões com amigos ou espetáculos estão proibidos. No entanto, o leitor encontrou as livrarias fechadas. O aumento da leitura no formato digital já vinha sendo confirmado em relatórios, como o Informe del Libro Digital, publicado em 2019. O documento é realizado pela Libranda, distribuidora de conteúdos digitais da Espanha. Muita coisa mudou desde a publicação, por isso, Lorenzo Herrero, editor do PublishNews em Espanhol resolveu atualizar esse assunto com Arantza Larrauri, CEO da Libranda.

PublishNews em Espanhol – Como o coronavírus está afetando o mercado espanhol de livros digitais?

Arantza Larrauri – A terrível pandemia da covid-19 e o consequente confinamento em que estamos imersos favoreceram naturalmente o consumo de entretenimento digital, bem como a leitura digital, tanto do ponto de vista da demanda quanto da oferta.

Do ponto de vista da demanda nessas semanas de confinamento, detectamos um crescimento nas vendas de livros digitais de mais de 130% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Entradas em bibliotecas digitais e empréstimos digitais também se multiplicaram. Houve também um aumento significativo no número de novos usuários, em algumas dessas plataformas o número de usuários cresceu cinco vezes e o tempo que os leitores passam lendo nessas plataformas também aumentou.

Do ponto de vista da oferta, detectamos um interesse crescente em dar o salto digital por parte dos editores que não tinham ainda começado a digitalizar seus catálogos e por aquelas livrarias que ainda não estavam oferecendo a seus clientes a possibilidade de adquirir conteúdo em formato digital a partir do seu e-commerce.

PNES – O livro digital em espanhol, de acordo com o seu relatório, cresce 12%, mas podemos saber se esse crescimento se deve a um aumento na compra daqueles que já leem digitalmente ou se o livro digital está alcançando mais leitores todos os dias?

AL – Muito provavelmente, esse crescimento de 12,5% em 2019 é devido a uma mistura de ambos os efeitos. A proporção exata de um e outro efeito é conhecida pelas plataformas que prestam o serviço ao usuário final (a plataforma de vendas, a assinatura ou a biblioteca digital), pois sabem quantos novos leitores se registram e começam a ler digitalmente em suas plataformas.

Infelizmente, a Libranda não tem essa informação. Entretanto, podemos dizer que acreditamos que o crescimento é uma consequência de ambos os efeitos, porque as próprias plataformas de bibliotecas digitais, de vendas e de assinaturas nos falam de uma constante evolução ascendente no número de leitores que registram e ativam seus serviços. Um exemplo disso é o aumento no número de usuários ativos do serviço de empréstimo digital eBiblio em 2019 vs. 2018 que o Ministério da Cultura [da Espanha] tornou público, que foi de 36%.

PNES – Qual é o peso desse aumento no grande número de ofertas dos editores na compra desses livros em formato digital durante esse período?

AL – Como em qualquer mercado, as políticas de estímulo à oferta e à demanda são recompensadas, dando frutos. De fato, no mundo dos livros digitais, ofertas e promoções de preços são feitas naturalmente todos os dias, e se em tempos de confinamento houve mais dessa modalidade de oferta, me parece uma resposta lógica, porque em circunstâncias excepcionais é compreensível que também haja respostas excepcionais.

De qualquer forma, não creio que essa tenha sido a principal razão pela qual estamos experimentando um crescimento tão extraordinário nessas semanas.

Penso que o principal motivo foi a situação de confinamento em nossas casas, que teve o duplo efeito de tornar impossível a compra de livros de outras maneiras e de aumentar o tempo disponível para a leitura de muitas pessoas.

Uma pista do que aponto no ponto anterior é dada pelo fato de os registros terem sido multiplicados por cinco em algumas plataformas de assinatura de livros (sem ter alterado a taxa de assinatura) e os registros em bibliotecas públicas digitais terem se multiplicado. Nesses casos, a alta não implica em nenhum custo associado, nem agora no confinamento nem antes dele).

Estou confiante de que muitas das pessoas que descobriram a leitura digital como resultado da situação extraordinária que estamos enfrentando tiveram uma experiência agradável de leitura e decidem continuar gostando no futuro.

PNES – Como você acha que isso afetará a atração de leitores para o mundo digital através de obras gratuitas ou com um desconto significativo? Estamos atraindo leitores para o formato digital ou pode ter um efeito negativo a longo prazo?

AL – Eu acho que – como em qualquer mercado que tem um comportamento racional -, os agentes que oferecem um produto sabem qual o preço que devem definir (neste caso, os livros) para serem competitivos no mercado, para poder satisfazer os clientes já por sua vez, sejam sustentáveis como empresas.

Com base nessa crença no comportamento racional, as ações que estão sendo tomadas para atrair novos leitores para o mundo digital parecem legítimas e corretas para mim, e não acho que elas tenham algum efeito negativo.

PNES – Onde está o futuro do livro digital: plataformas de assinatura, empréstimos para bibliotecas ou vendas individuais?

AL – Bem, também nesse sentido, acho que no futuro prevalecerá a diversidade de maneiras de acessar o livro digital. E quando falo sobre o futuro, falo um ou dois anos, porque hoje, em um ambiente tão imprevisível e mutável quanto aquele em que vivemos, um ou dois anos é um longo prazo!

Em nosso relatório, refletimos o peso de cada um desses canais e modelos de negócios em 2019 em todo o mundo e por território. No ano passado, o maior peso foi detido pelas vendas unitárias com 89,9%, seguido pela assinatura com 5,8% e pelas bibliotecas públicas com 4,3%.

É possível que essa tendência continue nos próximos anos, mas, sem dúvidas, o crescimento será muito relevante na assinatura e também no empréstimo digital.

De fato, em países como o nosso, Espanha, ambos os modelos de negócios têm um peso acima da média. A assinatura teve uma participação de 8,5% na Espanha em 2019 (com um crescimento de 20%) e o empréstimo digital uma participação de 5,1% (com um crescimento de 34%).

PNES – O que você acha que o coronavírus significa para o mercado de livros digitais?

AL – Será uma oportunidade para mais pessoas descobrirem, apreciarem e apreciarem suas virtudes.

PNES – Como o vírus afetou sua vida profissional até agora?

AL – Para mim, ajudou a confirmar mais uma vez que a equipe humana que constitui a empresa em que trabalho é extraordinária: sempre demonstrou maturidade, coragem, unidade e capacidade de agir para enfrentar circunstâncias difíceis.

Por outro lado, em um nível prático, a tarefa de combinar o ambiente de trabalho com a esfera doméstica e familiar é pelo menos curiosa: videoconferências de trabalho, videoconferências das aulas da escola de minhas filhas, recepção de pacotes, passeios com o cachorro, passeios ao supermercado, etc. Tudo ao mesmo tempo e no mesmo espaço. De uma maneira ou de outra, estamos todos aprendendo a ser malabaristas hoje em dia!

Fonte: Publishnews

Conversas on-line sobre a importância da leitura para bebês

A Taba, especializada em curadoria de livros infantis, realiza um ciclo de conversas on-line sobre a leitura com bebês, reunindo especialistas de diferentes áreas para abordar o contato com a linguagem e a literatura na primeiríssima infância.

Os assuntos abordados envolvem corpo e movimento, narração de histórias, leitura em espaços educativos, tendências contemporâneas da leitura para bebês e os desafios de editar livros pensados para esse público.

As conversas acontecem às segundas e quintas-feiras e sãos transmitidas pelo Instagram, Facebook e YouTube.

As inscrições podem ser feitas pelo Blog da Taba.

Ciclo de conversas leitura com bebês: sobre palavras, histórias e tudo que nos une

  • Quinta-feira, 14/5, às 19h Cantos, cantigas e brincadeiras cantadas: a importância do corpo e do movimento para bebês (com Juliana Daher)
  • Segunda-feira, 18/5, às 19h Contar histórias para bebês: um ato de amor (com Ivani Magalhães)
  • Quinta-feira, 21/5, às 19h Leitura para bebês em espaços educativos: a experiência de um berçário (com Ana Paula Yazbek)
  • Segunda-feira, 25/5, às 19h O que pode o encontro de professores, crianças e livros? (com Paulo Fochi)
  • Quinta-feira, 28/5, às 19h O que ler para as crianças muito pequenas? Tendências contemporâneas da literatura para bebês (com Cássia Bittens)
  • Segunda-feira, 1/6, às 19h Os desafios de editar livros para bebês: a coleção Literatura de colo (com Daniela Padilha)

Fonte: Lunetas

Leitura tecnológica

Hábito se beneficia da transformação digital

Texto por Marília Paiva

A pandemia do novo coronavírus interferiu profundamente no cotidiano de milhares de pessoas no mundo. A tecnologia se tornou muito importante nesse período de isolamento social, pois encurta distâncias com a comunicação entre familiares e amigos, proporcionando momentos de diversão com atividades recreativas.

Muitas pessoas aproveitam para investir na leitura, dando uma chance a livros guardados, enquanto outros apostam em versões digitais. Mais do que nunca, as ferramentas tecnológicas e as bibliotecas, vistas como rivais, atuam em conjunto na promoção dos hábitos de leitura.

A imersão cada vez maior da população no uso de eletrônicos levou muitos a apostaram que era apenas uma questão de tempo para o hábito de leitura de livros impressos ser extinto. E, assim como as cartas se transformaram em mensagens de texto e visitas a amigos em ligações por telefone, o livro seria esquecido. Felizmente, não foi o que aconteceu.

Os equipamentos eletrônicos se tornaram também ferramentas de leitura, propiciando conforto ao usuário e algumas vantagens: os e-books podem ser acessados do próprio celular ou computador; alguns aparelhos, como o Kindle, ainda apresentam diversas opções de tela, permitindo até mesmo redução de brilho, para parecer uma página impressa. No fim das contas, muitos utilizam o livro físico e as versões digitais.

Com o isolamento social e a impossibilidade de visitar as bibliotecas, a tecnologia cumpre um papel fundamental de continuar permitindo o hábito da leitura, durante a reclusão. A leitura de livros, sobretudo de literatura, pode ajudar a acalmar a mente, já que, com tantas notícias reais e ruins sendo bombardeadas em todas as mídias, é normal algumas pessoas sofrerem com a ansiedade e a preocupação.

A leitura propicia uma viagem a outros mundos, a outras experiências, incentivando a imaginação, distraindo dos problemas da vida real, ou até mesmo ensinando sobre a experiência da humanidade em outros momentos difíceis. As bibliotecas, mesmo fechadas, também cumprem um importante papel com livros digitais gratuitos, selecionando e divulgando pesquisas e dados relevantes sobre a Covid-19, fazendo contação de histórias para crianças e orientando seus usuários sobre acesso a benefícios emergenciais etc.

O leitor contemporâneo, com acesso à Internet, tem possibilidade de fazer escolhas de forma mais prática, podendo selecionar a obra, como e onde vai ler, inclusive, acessando um acervo imenso de livros digitais de acesso livre e gratuito. Outra vantagem desse tipo de livro é a acessibilidade, uma vez que existem audiolivros e opções de aumento de tamanho da fonte, que permitem a inclusão de pessoas com deficiência visual, garantindo a inserção dessa parcela da população no ambiente literário.

Fonte: O Tempo

Clubes de leitura da Biblioteca de São Paulo e Biblioteca Villa-Lobos em maio trazem escritoras premiadas

Expoentes da literatura brasileira contemporânea, as autoras lançaram novos romances no último ano

Os clubes de leitura online de maio na Biblioteca de São Paulo (BSP) e Parque Villa-Lobos, realizados em parceria com a editora Companhia das Letras, trarão livros de duas escritoras premiadas, Noemi Jaffe e Maria Valéria Rezende, que narram histórias também protagonizadas por mulheres. A BSP e a Biblioteca Villa-Lobos (BVL) são instituições da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, geridas pela Organização Social SP Leituras, eleita pelo segundo ano consecutivo uma das 100 Melhores ONGs do Brasil.
Expoentes da literatura brasileira contemporânea, as autoras lançaram novos romances no último ano. Em ambos os casos, a editora parceira do programa dará gratuitamente aos primeiros inscritos em cada um dos eventos uma cópia eletrônica dos livros. Os encontros serão realizados por meio da plataforma Zoom, através de link que será enviado aos participantes por e-mail.

No dia 22, das 15h às 17h, a BSP coloca na roda de discussão “O que Ela Sussurra”, de Noemi. Baseado em fatos reais, o livro narra a história de Nadejda, jovem russa que memoriza poemas de seu marido, morto pelo regime soviético, para evitar que se percam. As inscrições já estão abertas desde o?dia?8 de maio e podem ser feitas clicando aqui.

Uma semana depois, também das 15h às 17h, a BVL traz para o debate “Carta à Rainha Louca”, de Maria Valéria. O livro conta a história de Isabel das Santas Virgens, que escreve da prisão à rainha Maria I, conhecida como a Rainha Louca, sobre os atos cometidos pelos homens da Coroa em seu nome. As inscrições serão abertas a partir de quinta-feira (14), às 10h, clicando aqui.

Os clubes de leitura online fazem parte da programação das bibliotecas e vão de encontro ao conceito #CulturaemCasa, da Secretaria, que visa estimular o distanciamento social por meio da ampliação do acesso e da oferta de conteúdos virtuais dos equipamentos.

As bibliotecas continuam com atividades presenciais suspensas. Para mais informações, por favor, visite os sites das bibliotecas clicando em BSP ou em BVL.

Dia 22 de maio, das 15h às 17h

BSP – Clube de Leitura Online em parceria com a Companhia das Letras

“O Que Ela Sussurra”, de Noemi Jaffe

Vagas limitadas. Inscrições a partir das 10h,?dia?8 de maio, clicando aqui.

Ao se inscrever, os primeiros participantes recebem um link da editora para baixar o título gratuitamente

Dia 29 de maio, das 15h às 17h

BVL – Clube de Leitura Online em parceria com a Companhia das Letras

“Carta à Rainha Louca”, de  Maria Valéria Rezende

Vagas limitadas. Inscrições a partir das 10h do dia 14 de maio pelo link.

Ao se inscrever, os primeiros participantes recebem um link da editora para baixar o título gratuitamente

Fonte: Agora Vale

Bibliotecários levam literatura até os lares brasileiros

Vestida de Emília, a bibliotecária Regina Garcia Brito lê Reinações de Narizinho”. Fotos: Priscila Ferreira

Bibliotecários gravam vídeos para levar literatura até os lares brasileiros

Nesse momento mundial tão difícil, onde todos nós estamos unidos no combate a disseminação do coronavírus, inclusive  com escolas e bibliotecas fechadas, o Conselho Regional de Biblioteconomia 8ª região (CRB-8) convidou a todos os bibliotecários do Estado de São Paulo para que ajudem a levar a literatura para dentro das casas brasileiras.

Por meio de uma campanha voluntária e solidáriabibliotecários vêm gravando vídeos, lendo livros. Ou ainda trechos deles para as crianças de todo o Brasil. De certo, esses vídeos, postados no Canal do YouTube do CRB-8,  estimulam, portanto,  que muitas crianças continuem  então tendo acesso a literatura, mesmo com as bibliotecas fechadas.

Incorporando personagem: 

Assim, muitos bibliotecários já aderiram a Campanha. Regina Garcia Brito, de 42 anos, está gravando vídeos lendo capítulos do livro “Reinações de Narizinho”, de Monteiro Lobato. Regina então surpreendeu a todos se vestindo como a personagem Emília. Inclusive, já que precisava dos óculos para fazer a leitura explicou na gravação “Vocês devem estar se perguntado, boneca usa óculos? Psiu, então eu peguei os óculos da dona Benta, se não como eu iria ler aqui para vocês”.

Segundo Regina Garcia Brito, que está em férias, e vem preparando os vídeos em casa, ela não tem filhos, mas imagina o grande desafio que as mães estão passando para entreter as crianças com atividades de qualidade. Portanto aderiu à campanha do CRB-8.

A bibliotecária conta ainda que não foi a primeira vez que se vestiu de Emília. Ela atua na Biblioteca Céu Azul da Cor do Mar, na Zona Leste de São Paulo. A primeira vez que se vestiu de Emília em 2018 foi para receber os bebês que estavam chegando pela primeira vez a escola.

A boneca Emília tem uma relação afetiva com os adultos e também muitas crianças são apresentadas para esse importante personagem da literatura brasileira. Além disso, nem todos a conhecem, uma vez até me perguntaram se eu era o Patati, dos palhaços Patati Patatá”, contou Regina. Ela  salientou ainda a importância de ficar em casa para prevenir o agravamento da pandemia.

Bibliotecários emocionam: 

Mostrando bem a realidade das mães brasileiras que estão trabalhando em casa, a bibliotecária Kelly Cristina Souza de Araujo Andrade, que atua em Itapetininga, precisou se virar para contar uma história ao lado da mãe Maria Joana e de seu pequeno filho Felipe, que não parava por um minuto durante a gravação. Mas quem assiste ao vídeo se emociona com o livro “A Colcha de Retalhos”, de Conceil Corrêa da Silva. A história está relacionada ao momento atual, pois fala do relacionamento de avó e neto e o sentimento de saudades.

Assista: “A Colcha de Retalhos” (Conceil Corrêa da Silva) – Bibliotecária Kelly Cristina S. de A. Andrade 

Já a bibliotecária de Cajamar, Celita Lima Bastos Alves, fez um vídeo com ajuda da criança Vitória. Ambas contaram a história “Bruxa, bruxa venha a minha festa”, de Arden Druce.

Ruth Rocha: 

Uma das mais importantes escritoras brasileiras de literatura infanto-juvenil, Ruth Rocha, foi lembrada pela bibliotecária Susan Sanches Bueno Modesto, do Sesi de São José dos Campos, que leu o livro “A Coisa”.  Além disso, a  escritora também foi recomendada pela bibliotecária Adriana Pimpinatti Zuffo. Adriana, além de contar, também ilustrou a história “A Primavera da Lagarta” (Ruth Rocha).

Da mesma forma, a bibliotecária Roselene Mariane Medeiros gravou vários vídeos. Entre eles, “Lulu Adora Histórias”, de Anna McQuinn, que também fala da importância da biblioteca.

Assista ao vídeo: “A Primavera da Lagarta” (Ruth Rocha) –  Bibliotecária Adriana Pimpinatti Zuffo 

De acordo com a presidente do Conselho Regional de Biblioteconomia – 8ª região, Regina Celi de Sousa, entre as muitas funções do bibliotecário, especialmente o escolar, está a formação de leitores infantis.

A escola e a biblioteca podem atuar juntas promovendo o protagonismo das crianças desde a Educação Infantil. Nesse momento de isolamento social, com a ajuda da tecnologia e da solidariedade podemos promover à contação e levar boas histórias para nossas crianças”, lembrou ela.

Enfim, os vídeos  estão postados  no Canal  YouTube do CRB-8. Inclusive novas histórias vem sendo postadas mensalmente. Visando, assim, levar literatura de qualidade para crianças. 

Serviço:

Home office da Leitura: História contadas por bibliotecários

Veja também: Canal do YouTube do CRB-8

Fotos: Priscila Ferreira e João de Pontes Junior – Divulgação / Arquivo pessoal

Fonte: Cristina Aguilera com informações do CRB-8

Assessoria de imprensa

Fonte: Ego Notícias

Clube do livro: encontro deste mês será online

Devido à pandemia do novo coronavírus, o Clube do Livro, que conta com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura, por meio da Biblioteca Municipal, será realizado de modo online neste mês. O livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, será discutido pela plataforma Google Meet sábado (16), a partir das 15h30.

Para participar do encontro é simples. Basta logar a conta de e-mail do gmail, acessar o site – https://meet.google.com/, clicar em “digite o código da reunião”, digitar kzf-nzvd-mtr, clicar em “participar” e aguardar a aprovação para entrar na sala on-line. Os internautas participam de bate-papo durante a atividade.

“O Clube do Livro foi uma grata surpresa. A cada edição, reunimos mais participantes. E, por esse motivo, iremos continuar com as reuniões, mesmo neste período de isolamento social. Vidas Secas é um expoente da nossa literatura”, comentou Gustavo Grandini Bastos, bibliotecário municipal.

Fonte: Notícias de Araras

Leitura de imagem: um convite à criatividade

Texo por Clarissa Padovani Mussoi*

Se ilustração é a ação de esclarecer e imagem é representação de pessoa ou objeto através de desenho, gravura, escultura, como define Aurélio (2020), podemos dizer que os livros imagem ou ilustrativos são um convite à criatividade. No entanto, porque consideramos a escrita mais importante que a imagem? Vamos tentar esclarecer alguns aspectos referentes à essa questão.

Desde os primórdios, a necessidade de se comunicar foi percebida através das pictografias encontradas nas cavernas, passando pelos hieróglifos, as escritas cuneiformes, dentre outros tipos de publicação (se podemos dizer assim, papiros e pergaminhos) , até chegarmos no século XV com a criação da imprensa por Johannes Gutenberg. A invenção da imprensa impulsionou a criação de panfletos e livros, tornando a leitura um instrumento de poder. Muito embora o acesso ao livro fosse privilégio dos nobres.

A questão é que hoje supervalorizamos a escrita e, de certa maneira, perdemos aquela atenção ao visual. Os bebês ou crianças não alfabetizadas iniciam seu contato com o mundo dos adultos de maneira visual. Se não sabem falar, apontam para o que querem. Desta forma, o universo infantil está alicerçado num mundo em que a visão aponta para as cores, para os objetos, para o tipo de comida, enfim aponta. Esse é o meio de comunicação entre esses dois mundos. Nós adultos somos interlocutores no processo de pré-alfabetizar. Vejamos, a imagem e o ouvir são gêneros primários ao de escrever. Por que então, com o passar do tempo, e a pós-alfabetização esquecemos das imagens?

Com o passar dos tempos e com os ciclos de alfabetização concluídos e o encaminhamento às etapas posteriores, o mundo deixa um pouco a ludicidade para entrar num mundo mais “quadrado”, onde as construções de conhecimento são criadas através de livros e suas diferentes formas e gêneros. Podemos observar isso até mesmo quando existem críticas referentes a livros adotados em escolas em que não há escrita. Como assim pagar um livro tão caro para não ter texto? É aí o ponto da nossa questão.

A leitura de imagem confronta universos cognitivos “não explorados”. O livro ou uma imagem possibilita novas criações, novas percepções e novas leituras para um grupo de mesma faixa etária e que constroem histórias diferentes através das suas percepções de mundos e criações familiares entrelaçadas. Da maneira em que um livro de imagem possui como narrador, dentro da sua narrativa, fragmentos do tempo referente àquela determinada cena. O foco é a imagem e por muitas vezes, a ilustração é confundida com essa leitura, pois a ilustração pode ser representada por uma fotografia, um tempo parado. Nesse sentido, a ilustração complementa uma história. Mas se essa ilustração não houver texto, torna-se numa imagem, abrindo campo para novas possibilidades.

Dessa maneira, quando falamos em leitura de imagem e nas diversas possibilidades de leitura, estamos construindo uma história do início ao fim ou do fim para o início ou só do meio, ou de um objeto apresentado na história e seus diversos cenários. Isso estimula a criatividade e criação de histórias diferentes, a partir do momento em que se opta por abordar uma temática, ou várias temáticas entrelaçadas ou não.

Sem grandes pormenores, um livro só terá validade se houver texto? E todo o processo construtivo entre leitura-escrita em que você é o autor do texto do livro daquela imagem!? Isso não vale a pena?! Se questionarmos o quão importante é essa relação de construção da sua ideia e memória através de uma imagem vale mais do que criar conhecimento a partir do que se leu. Até mesmo é possível estimar quantas pessoas preferem “ler” uma postagem de imagem nas redes sociais do que um texto extremamente longo. 

Essas novas percepções vem de encontro ao tempo e a forma como a informação e a internet faz com que tudo flua de maneira rápida. Aprender a ler e aprender a ler imagens vai além do que ler letras e números. As palavras possuem informações a partir do momento em que são construídas. Será a imaginação um privilégio das crianças? Por que nós adultos não nos permitimos imaginar e estimular a criatividade? O quanto livros ilustrados podem tornar a leitura mais prazerosa? Será que nos tornamos analfabetos visuais? Vamos refletir sobre isso?!

*Por Clarissa Nogueira do E. S. Padovani Mussoi – CEO da Códice, consultoria em gestão da informação. Texto criado em 26 abril 2020, para a live realizada no instagram @psi.milenaaragao em 06 maio 2020. Para maiores informações, clarissa@codiceconsultoria.com.br – 55 54 999400560 Acesse também a www.codiceconsultoria.com.br e nossos canais no Linkedin, Facebook e Instagram como @codice.consultoria

Fonte: Linkedin – Clarissa Padovani Mussoi

Para ler, ouvir e assistir literatura

Evento on-line na USP e filmes no site “Persona Cinema” ampliam formas de conhecer livros e autores

Por Maria Laura López

Audiobooks ganham cada vez mais espaço no mercado editorial – Ilustração: Nicola Einarson via flickr

O ato de gravar uma leitura é tão antigo quanto o próprio gravador, mas os audiolivros ou audiobooks, como conhecemos hoje, foram inventados nos Estados Unidos por volta de 1930, e tinham como objetivo tornar conteúdos literários acessíveis para deficientes visuais. Hoje em dia, essa ferramenta possui várias utilidades que vão desde auxiliar nos estudos a promover clubes de leitura a distância. E é justamente esta última ideia que o Centro Universitário Maria Antonia da USP propõe para todos aqueles que o acompanham.

A atividade O Que Você Está Lendo Agora? consiste em gravar um vídeo, com até três minutos de duração, lendo o trecho de um livro e falando um pouco sobre ele. Com isso, a instituição pretende incentivar não só a leitura, mas também a interação com o público neste momento em que encontros presenciais não são permitidos. Até agora alguns clássicos já foram narrados, como Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, Guerra e Paz, de Tolstói, e O Quarto Branco, de Daniela Aguerre. Os vídeos devem ser enviados para imprensama@usp.br, e serão publicados nas redes sociais do Maria Antonia.

Dentre os primeiros livros a serem narrados em audiobooks estavam a Bíblia, peças de Shakespeare e a Declaração de Independência dos Estados Unidos. Atualmente esse catálogo é muito maior e aparece como tendência no mercado editorial. “No ano passado, a maior feira de livros do mundo, a Feira de Frankfurt, reservou uma área de 600 m2 para empresas de áudio”, afirma a professora Vânia Lima, do Departamento de Informação e Cultura da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. Entretanto, para a narração completa de um livro, é necessário ter os direitos autorais. Por isso a maior parte das iniciativas gratuitas na internet propõe apenas uma leitura parcial das obras.

A professora Vânia Lima, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP – Foto: Arquivo pessoal

Segundo Vânia, o isolamento que estamos vivendo hoje não tem tanta influência sobre a procura por esse tipo de suporte, até porque o acesso ao livro físico continua o mesmo – só a compra precisa ser feita on-line. “A opção do audiobook me parece estar mais vinculada a um perfil de consumidor específico, que quer se apropriar de novos conteúdos enquanto realiza outras atividades, como cozinhar, caminhar e dirigir”, diz ela. Nesse sentido, o audiolivro aparece como o podcast na vida cada vez mais movimentada das pessoas.

No entanto, para a professora, as experiências de ler e ouvir são muito distintas e individuais. “Além de livros e audiolivros serem objetos diferentes, eles também são caminhos diferentes pelo mesmo universo. A influência na compreensão da obra literária também me parece uma questão individual”, afirma Vânia. Segundo ela, o fato de o cérebro processar a informação escrita diferente da informação sonora faz com que algumas pessoas assimilem melhor o texto e outras respondam melhor ao estímulo visual e sonoro. 

Cinema sobre autores e livros

São várias as possibilidades de compreender e discutir literatura para além da simples leitura de uma obra. No âmbito do audiovisual, o site Persona Cinema fez uma lista com dez documentários que falam sobre personalidades da literatura brasileira. Os filmes aparecem com os respectivos links e pequenos comentários sobre os autores ali destacados. Dentre eles estã0 Wilson Martins (1921-2010), autor de História da Inteligência Brasileira e um dos maiores críticos literários brasileiros e grandes escritores como Manuel Bandeira (1886-1968) e Adélia Prado.

A lista termina com um filme sobre Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), um dos maiores representantes da poesia brasileira. E alguém que pode resumir bem o que é a literatura no Brasil e os artistas como ele: “Escritor: não somente uma certa maneira especial de ver as coisas, senão também uma impossibilidade de as ver de qualquer outra maneira.”

Fonte: Jornal da USP

Literatura antirracista para crianças e jovens

Texto: Vitor Taveira

Projeto idealizado por quilombola capixaba, Pretaria lança projeto Blackids, clube de leitura por assinatura para público infanto-juvenil
Nascida na comunidade quilombola de Angelim, em Conceição da Barra, Mirtes dos Santos é CEO da startup Pretaria

Primeiro clube de leitura por assinatura com foco na literatura antirracista do Brasil, o Pretaria BlackBooks foi idealizado e é comandado por Mirtes dos Santos, uma capixaba de origem quilombola que é mestre em Direito e Sociologia. O projeto acaba de apresentar mais uma novidade: o Blackids, um box infanto-juvenil, com foco na valorização da identidade negra e da representatividade para crianças e adolescente.

Para os assinantes, o box trará a cada mês livros infanto-juvenis que abordem direta ou indiretamente as questões étnico-raciais, além de outros brindes. Segundo Mirtes, o objetivo é orientar pais, mães e responsáveis sobre a importância de incentivar a leitura de literatura antirracista para crianças e adolescentes, sejam elas negras ou não.

“A obra escolhida é uma surpresa que virá de encontro com as motivações do projeto de estimular o leitor para uma formação social livre de preconceitos e fortalecer as publicações de editoras e autores negros brasileiros”, disse. A curadoria é feita por mulheres negras por meio de um grupo composto por ativistas, intelectuais, escritoras e pesquisadoras convidadas.

O projeto oferece planos com pagamento mensal, semestral ou anual tanto para o público adulto como para o infanto-juvenil e com entregas para todo o Brasil. Entre as propostas do projeto está o trabalho com algumas editoras especializadas e que não costumam ter espaço nas grandes livrarias, como Cora, Crivo, Malê, Nandyala e Perspectiva.

Enquanto o número de vendas em livraria tem caído, os clubes de assinatura apresentam um crescimento significativo nos últimos anos, segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABCcomm), despontando como uma nova tendência no mercado editorial. A Câmara Brasileira do Livro (CBL), estima a existência de 25 clubes de assinatura de livros no Brasil, totalizando 2 milhões de assinantes. Destes, a Pretaria é o primeiro e único até o momento que apresenta como foco a questão étnico-racial.

O grupo editorial Pretaria foi lançado em 25 de julho de 2015, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. No ano passado, a partir de uma campanha de financiamento coletivo, deu o pontapé para o início do projeto do clube de leitura, que agora ganha um novo plano para contemplar também o público mais jovem.

Além de Mirtes, o grupo tem como co-fundadora e diretora de tecnologia da informação Neide Sellin, e a atriz e escritora Suely Bispo.

Para mais informações, o e-mail para contato é pretaria.ed@gmail.com, além da página oficial e em redes sociais como Facebook e Instagram.

Fonte: Século Diário

Ampliado diálogo com bibliotecas públicas para aplicação acompanhada dos Indicadores LEQT – Qualidade em Projetos de Leitura

Como parte do processo de consolidação dos Indicadores LEQT – Qualidade em Projetos de Leitura, no mês de março foi intensificado o diálogo com bibliotecas públicas para a realização da aplicação teste dos instrumentos, que têm como objetivo subsidiar avaliação ou monitoramento de ações e projetos do campo da leitura realizados em escolas, bibliotecas públicas e privadas e em outras ações comunitárias, considerando-se cinco dimensões distintas: política, estrutura, formação de profissionais, práticas de promoção da leitura e mudanças.

No dia 09/03, a convite da SP Leituras, os Indicadores LEQT foram apresentados para 22 profissionais, representantes de bibliotecas públicas, que participaram da primeira reunião do Grupo de Trabalho do SisEB (Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo). Na semana seguinte, em 12/03, a mesma pauta foi discutida com três profissionais da Biblioteca Pública Municipal Monteiro Lobato, de São Bernardo do Campo.

O objetivo é que, nos próximos meses, três bibliotecas públicas realizem a testagem dos Indicadores.Em breve, após validação, o instrumento ficará à disposição para todas as instituições que tenham interesse em avaliar e monitorar seus projetos de leitura.

Publicado por: Rede LEQT

Fonte: GIFE

Ebook ou impresso: como os apaixonados pela leitura mantêm seu hábito diário

Livros físicos e digitais dividem opinião do público; segundo pesquisa, brasileiro lê, em média, 2,43 livros por ano

Texto por Bruna Stroisch

Não lia nem rótulo de shampoo”, brinca Luisa Moreira de Oliveira, de 26 anos. A jornalista, natural de Florianópolis, contou que o gosto pela leitura veio aos 12 anos, após ganhar de presente da mãe um livro com foco no público infantojuvenil.

Luisa Moreira de Oliveira criou um canal no YouTube para falar sobre livros – Foto: Arquivo pessoal/ND

A partir daí, o hábito da leitura foi ganhando cada vez mais espaço na rotina de Luisa, que hoje, tem mais de 400 livros na estante. Ela lê cerca de cinco livros por mês.

Nesta quinta-feira (23), é celebrado o Dia Mundial do Livro. De acordo com a última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, desenvolvida pelo Instituto Pró-Livro, divulgada em 2016, o brasileiro lê, em média, 2,43 livros por ano e o desafio continua a ser incentivar a leitura, uma vez que 44% da população não lê e 50% nunca comprou um livro.

Livro “de verdade”

O ato de manusear o livro, folhear as páginas e sentir o cheiro fazem parte de um “ritual” de leitura que Luisa não consegue deixar de lado, ainda que tenha um leitor de livros digitais, os chamados eBooks.

Prefiro o livro físico. Tenho mais livros impressos que digitais. O eBook é uma forma de ler mais rápida, mas confesso que não consumo tanto os livros digitais. A ideia de pegar o livro na mão, abrir e ler as páginas é o que eu mais gosto”, explica.

A preferência pelos livros impressos vai ao encontro do projeto, que, recentemente, foi colocado em prática pela jornalista. Ela lançou, no final de 2019, um canal no YouTube onde posta dois vídeos por semana comentando sobre suas últimas leituras e aquisições.

O livro impresso é mais ‘visual’ para quem me acompanha nos vídeos. Além disso, como leitora, gosto mais da ideia de colocar um livro na estante. De organizá-los”, conta.

  • Último livro que leu: Vermelho, Branco E Sangue Azul, de Casey Mcquiston;

  • Está lendo: Quinze dias, de Vitor Martins.

Não sai da mochila

Há mais de cinco anos, o dispositivo eletrônico para leitura de livros digitais não sai da mochila de Paulo Renato Orione, de 27 anos. A relação de Paulo com o leitor de livros digitais, no entanto, não foi um caso de amor à primeira vista.

O empresário comenta que tinha “preconceito” com a ferramenta, pois ainda era apegado aos livros físicos.

Paulo Renato Orione é adepto dos livros digitais – Foto: Arquivo pessoal/ND

Quando dei uma chance, vi as muitas possibilidades. É portátil, cabe no bolso. Ando com o dispositivo para todo o lado. Não é prático carregar livros físicos e graças ao dispositivo consegui ler muito mais”, conta.

Segundo Paulo, as qualidades do leitor digital são diversas. Ele diz que consegue ler um livro por semana com mais agilidade. “Consigo adaptar a leitura. Posso configurar a fonte e o espaçamento do jeito que eu gosto. Às vezes, o livro físico tem uma letra pequena ou grande demais, ou a folha é ruim, por exemplo”.

Parte da rotina

O empresário confessa que ainda encara os livros físicos com certo “romantismo”. Porém, a leitura de livros digitais já ultrapassou a dos impressos. Paulo reserva momentos da rotina para a leitura, com sessões de 10 a 15 minutos ao longo do dia. As horas perdidas no celular, foram trocadas pela leitura de um eBook.

  • Último livro que leu: O futuro do dinheiro, de Rudá Pellini;

  • Recomendação: A river in darkness: One Man’s Escape from North Korea, de Masaji Ishikawa.

Futuro do impresso

Há algum tempo, está em pauta a discussão sobre o fim dos impressos, sejam revistas, livros ou jornais. Para Luisa Oliveira, o fim é improvável, uma vez que ela não acredita que haverá uma migração em massa dos leitores para o meio digital.

De acordo com Rogério Christofoletti, professor do curso de Jornalismo da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), a venda de livros impressos no Brasil ainda é maior do que a de livros eletrônicos. O mercado, no entanto, vem enfrentando uma crise, uma vez que o brasileiro tem deixado de lado o hábito de ler.

Mercado de livros impressos vem enfrentando uma crise – Foto: Márcio Henrique Martins/FCC

Paralelo a isso, o professor explica que a distribuição de livros no país é cara, além dos custos da produção e estocagem, que também impactam o mercado. Para driblar isso, as editoras têm investido em catálogos de livros eletrônicos.

Há, por outro lado, aquelas que investem em projetos gráficos inovadores e na qualidade visual dos livros, para que a experiência de leitura no formato impresso seja única e não possa ser transposta ao meio eletrônico.

Vejo, com base em dados, que o livro impresso tem muito caminho pela frente no Brasil. Não há uma curva de ultrapassagem. O eletrônico não ultrapassou o impresso e isso traz um alento à indústria”, prevê Christofoletti.

Fonte: ND+

Bibliotecas públicas de SP promovem atividade sobre mediação de leitura na era digital

Em maio, escritora e jornalista Goimar Dantas conduzirá encontro online voltado a profissionais do setor

O SisEB (Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo) realizará a atividade “Mediação de Leitura na Era Digital”, nos dias 5, 6 e 7 de maio. O evento gratuito, que tem vagas limitadas, será online e contará com três turmas (cada uma em um dos dias citados), sempre das 15h às 17h.

A atividade será conduzida pela escritora e jornalista Goimar Dantas e visa abordar a mediação de leitura por meio de uma interação ativa nas plataformas digitais. As pré-inscrições podem ser feitas em http://siseb.org.br/agenda/.

O público-alvo e os pré-requisitos para participar são:

  • trabalhar em bibliotecas de acesso público do Estado de São Paulo;

  • ter ensino superior completo;

  • ter boas noções de informática, internet;

  • ter acesso por banda larga.

O link de acesso à plataforma será enviado um dia antes da atividade. Importante acrescentar que condições especiais de atendimento, como tradução em Libras, devem ser informadas na pré-inscrição. Saiba mais em: www.siseb.org.br.

Fonte: Portal do Governo do Estado de São Paulo

Contação de histórias com acessibilidade para crianças

 Os vídeos têm tradução em Libras e audiodescrição (Foto: Amanda Vieira/JP)

Além de se informar para proteger-se do novo coronavírus, as pessoas com deficiência também precisam de lazer durante a quarentena. Mas a falta de acessibilidade é persistente. Para quebrar essa barreira, a equipe piracicabana Encanto Produções e Eventos pensou em uma forma de levar o “mundo mágico” das princesas para todas as crianças pelos vídeos em seu canal no YouTube. A primeira produção disponível para os pequenos é a história da Bela e Cinderela, que conta com tradução em Libras (Língua Brasileira de Sinais), legendas e audiodescrição.

“Assim que surgiu uma oportunidade de gravarmos, nosso primeiro pensamento foi: ‘como podemos fazer com que esse conteúdo esteja de fato disponível para todas as crianças?’”, lembra Giulia Sbrissa, produtora artística. “Iniciamos os nossos estudos e preparativos para produzirmos, além de vídeos comuns, vídeos que podem ser assistidos e compreendidos por cada criança, dentro de suas particularidades”, conta.

A equipe visa continuar a produção com acessibilidade para o YouTube e levá- -las, após a quarentena, para os eventos presenciais. “Nosso principal objetivo é levar carinho, diversão e entretenimento de qualidade para dentro de cada casa, para cada família, principalmente neste momento tão vulnerável”, enfatiza Giulia.

De acordo com Leonardo Moraes, produtor cultural e diretor, a equipe recebeu apoio da intérprete de Libras Beatriz Turetta, também coordenadora do grupo Libras Piracicaba e Região, e a intérprete que aparece nos vídeos é Shalimar Laureano, que tem direito a uma fantasia e senta- -se ao lado das princesas durante a contação de histórias. “[A Beatriz] nos instruiu com vários tópicos sobre como realizar essas gravações de forma correta, porque além da nossa intenção de acertar, é necessário que as atividades sejam feitas de uma maneira que o público que está recebendo consiga compreender e usufruir desse material”, avalia Moraes.

Para Beatriz, a intérprete ocupar o mesmo espaço que as princesas ocupam é “uma conquista” para a área. “Não tenho palavras, [eles] foram muito sensíveis à necessidade das crianças, não só das surdas, mas se preocuparam se ia ser acessível para as crianças cegas”, avalia Beatriz.

Conforme conta Cristiane Sbrissa, administradora da equipe, eles se atentam à recepção do público para aprimorar a acessibilidade nos próximos vídeos.“Estamos recebendo muitas mensagens de carinho de diversas famílias e profissionais que estão felizes e tocados pelo resultado dessa primeira produção, assim como diversos feedbacks de profissionais de todo o Brasil que estão nos ajudando a ajustar alguns detalhes técnicos para as próximas gravações”, afirma Cristiane.

Andressa Mota

Fonte: Jornal de Piracicaba

Leia mulheres: clube do livro em Florianópolis dá visibilidade à literatura feminina

Projeto mundial tem grupo fixo na Capital catarinense; participantes fazem reuniões virtuais em meio à pandemia do coronavírus

Texto Catarina Duarte

Lançado em 1977, o ‘Seminário dos ratos’, de Lygia Fagundes Telles, é o livro do mês de abril do Leia Mulheres Florianópolis. O clube de leitura, que completou quatro anos em março, é dedicado exclusivamente à literatura feminina.

O projeto surgiu em 2014 com a escritora Joanna Walsh. Por meio da #readwomen2014, a britânica propôs que naquele ano apenas autoras fossem lidas por seus seguidores. A ideia era dar visibilidade às mulheres dentro do mercado editorial.

A pesquisa Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, vinculada à Unb (Universidade de Brasília), mostrou que entre 1965 e 2014, mais de 70% dos livros publicados por grandes editoras foram escritos por homens.

No Brasil, o Leia Mulheres passou a ocupar livrarias e espaços culturais no ano seguinte. Os clubes se espalharam por diversas capitais brasileiras, chegando a Florianópolis em 2016.

Os encontros, que já reuniram dezenas de participantes, acontecem no último sábado de cada mês na BU (Biblioteca Universitária) da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

Não há restrição quanto à participação de homens no clube, mas as mediadoras dos debates são sempre mulheres. Assim, explica uma das fundadora do grupo na Capital, o espaço tem garantias de que a discussão abordará o universo feminino.

Por meio do clube é que as pessoas acabam percebendo como não é habitual ler autoras. Eu mesma percebi que na minha biblioteca só tinham livros escritos por homens. Isso mudou bastantes depois do Leia”, comenta Liandra Schug.

Graduanda do curso de Letras Português, Liandra fundou o grupo com uma colega um ano após entrar na universidade. Desde então, media os debates mensais, que têm público de cerca de 20 pessoas.

Discussões virtuais

Com o avanço do coronavírus em Santa Catarina, as reuniões do Leia Mulheres passaram a ser virtuais. A primeira em meio à pandemia acontece neste sábado (25).

O calendário com as obras também sofreu alterações, substituindo obras com edições limitadas ou de acesso mais difícil por livros online, por exemplo.

Até o fim do ano, obras de Cora Coralina, Ana Miranda e Ayobami Adebayo devem ser lidas pelas participantes do grupo.

Para participar do Leia Mulheres Florianópolis basta entrar em um grupo que as administradoras mantêm no Facebook. Não há restrições de idade ou gênero.

Fonte: ND+

A leitura ajuda a viver

Esse é o título de um capítulo de “Os Livros, Nossos Amigos”, do bibliófilo Eduardo Frieiro

Texto por Claudia Costa

Se tem uma biblioteca com jardim, você tem tudo” – Cícero (106-43 a.C.) – é o tema que a professora Marisa Midori aborda tratando a leitura como remédio para a monotonia, o medo, a ansiedade, a angústia e a solidão, diante da quarentena obrigatória que estamos vivendo por causa da covid-19.

Nesta edição, a professora dá voz a um bibliófilo raramente mencionado, salvo pelos historiadores do século 18, Eduardo Frieiro. Nascido em Belo Horizonte, foi professor universitário e escritor, fundou a Faculdade de Filosofia e também a Biblioteca Pública de Minas Gerais, hoje Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa.”Foi um bibliófilo muito respeitado, um grande conhecedor dos livros, principalmente de brasilianas”, afirma a professora, acrescentando que tem uma produção considerável, navegando por vários gêneros, romances, ensaios históricos, artigos e circunstâncias

Marisa destaca o volume Os Livros, Nossos Amigos, publicado pela primeira vez em 1941, pela Livraria Paulo Bloom, em Belo Horizonte, e que teve várias edições. “Esse livro vai desde a arte de amar os livros até os problemas relacionados às famosas gralhas nas tipografias, que atrapalham os leitores, desesperam os autores e também os tipógrafos”, relata, e atenta para o capitulo 4, A leitura ajuda a viver, que vem bem ao caso nesses dias de pandemia.

Ouça no link acima a íntegra da coluna Bibliomania.

Fonte: Jornal da USP

Grupo da FURG lança canal no Youtube para leitura de livros e histórias infantis

Ação visa o promover a formação de leitores no período de isolamento social

por Júlia Sassi

O Grupo de Estudo e Pesquisa em Alfabetização e Letramento (Geali), coordenado pelas professoras Gabriela Medeiros e Silvana Zasso, do Instituto de Educação (IE) da FURG, divulga a criação de um canal no Youtube para leitura de livros de histórias infantis.

Desde 2017 o grupo, que realiza ações de ensino, pesquisa e extensão, desenvolve o projeto “Histórias que Navegam”, que promove o incentivo à leitura em espaços escolares e não escolares. Neste momento de isolamento social, a proposta é compartilhar a leitura de livros de histórias infantis por professoras e estudantes de graduação e pós-graduação.

Com o canal, o Geali busca incentivar o gosto pela leitura, especialmente neste momento em que as crianças estão sem frequentar a escola, devido a pandemia mundial do Coronavírus (Covid-19).

Fonte: FURG

‘Quarentena cultural’: Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto promove agenda gratuita na internet

Por G1 Ribeirão Preto e Franca

A Fundação do Livro e Leitura começou a promover uma programação cultural gratuita com músicos e escritores durante o período de isolamento social em Ribeirão Preto (SP). A ’40tena cultural’ é realizada por meio de lives no Instagram com o objetivo de incentivar as pessoas a permanecer em casa e evitar aglomerações.

Devido às medidas de isolamento social contra o contágio do novo coronavírus, museus, teatros, entre outros centros culturais estão fechados desde março por força de um decreto municipal de calamidade pública.

Prevista para acontecer no final de maio, a Feira Internacional do Livro de Ribeirão Preto foi adiada para setembro em função da pandemia.

Literatura ganha força com produção de conteúdo pela Internet

No Youtube, diversos booktubers aprofundam interesse nos livros

Por Carol Steques* e Camila Souza*

Bel Rodrigues tem um canal no YouTube que discute literatura e criminalidade
Bel Rodrigues tem um canal no YouTube que discute literatura e criminalidade | Foto: Reprodução / Instagram / CP
Um livro faz com que o leitor viaje com uma história, se emocione, dê risada e tenha sentimentos pelos personagens. Quando terminada a leitura, muita gente corre até um amigo ou parente, que também tenha lido, para trocar ideia sobre o assunto. É muito gostoso para o leitor ter outras pessoas que também tenham lido o livro e comentem as histórias, entrando ainda mais no universo lúdico da literatura, que muitas vezes atravessam gerações. Afinal, até hoje todo mundo que conhece Dom Casmurro tem a sua opinião sobre a famosa pergunta: Capitu traiu ou não Bentinho?
Hoje em dia, com as redes sociais, viajar no universo da literatura ficou ainda mais fácil. Amanda Bormida, criadora do Instagram @estanteaoluar, faz resumos de livros no perfil e conta que começou o projeto pois não tinha muitas pessoas para compartilhar ideias e sentimentos sobre os livros que lia, e por meio da plataforma teve essa oportunidade.

“Sempre tive uma afinidade muito grande com livros, e através da página isso se fortaleceu, pois ver publicações com opiniões sobre as mesmas obras que me interesso, traz um sentimento de união, de que haviam pessoas com as mesmas ideias e pensamentos que eu sobre determinados assuntos”, declarou.

Natália Marcelino também produz conteúdo literário em seu perfil no Instagram (@leiturasdanat), criado em 2015. Além de escrever resenhas, Natália compartilha indicações de autores e métodos de leitura com seus seguidores que, hoje, são mais de 23 mil.

Ela conta que a motivação para criar o perfil foi o desejo de dividir suas experiências literárias e, assim, fazer com que outras pessoas também sintam vontade de ler. “Recebo muitos feedbacks de pessoas que voltaram a ler, que descobriram novos gêneros e autores. No Brasil ainda há muitas barreiras com a leitura, então fico muito feliz em saber que, de alguma forma, contribuo para aumentar o número de leitores”, explicou.

YouTube

Nesse momento de isolamento social em função do novo coronavírus, além do Instagram, o Youtube também é uma ótima plataforma para aqueles que querem se aprofundar ainda mais nas histórias. Diversos youtubers, também chamados de booktubers, falam sobre literatura.

Um exemplo disso é o canal da Bel Rodrigues, que traz assuntos como livros, cinema e criminologia. É muito interessante vermos os diferentes gêneros literários que trazem os canais, incentivando o leitor a explorar cada vez mais todos os tipos de temas que o livro pode proporcionar.

Uma das temáticas que Bel aborda é a Segunda Guerra Mundial, e fala sobre livros como “O Diário de Anne Frank” e “Os Fornos de Hitler”. Além da literatura, ela traz outras histórias sobre os temas que aborda em seu canal, como o relato de sua visita ao Campo de Concentração de Sachsenhausen, na Alemanha.

Assim como Bel, Jéssica Ribeiro também optou pela plataforma do YouTube. No canal “Jella em Prosa”, criado em 2015, ela compartilha suas experiências no universo dos livros. Jéssica explica que entrou no BookTube, como é conhecida a comunidade literária na plataforma, pela vontade de falar sobre literatura.

Produzir os vídeos de maneira divertida e despretensiosa fez com que a paixão pelos livros aumentasse. Assim, tomou a decisão de estudar literatura para falar do assunto com mais propriedade. Jéssica conta que recebeu muitos retornos de pessoas que acompanhavam seu canal e decidiram conhecer histórias e livros específicos devido aos seus comentários.

“É muito curioso e muito legal fazer parte do processo de formação leitora de alguém, e digo isso não somente como produtora, mas também como leitora, porque consumo muito esses conteúdos”.

Jéssica destaca a importância da troca de experiências entre leitores na plataforma de vídeos. “A quantidade de pessoas com quem eu posso falar sobre literatura é a coisa pela qual eu mais sou grata dentro da experiência de ter um canal literário”.

Viajar nesse universo é uma alternativa para quem busca distração, principalmente em dias de quarentena. Os produtores de conteúdos literários apresentam, em diversos formatos, análises e indicações para incentivar e despertar a paixão pelos livros.

*Sob supervisão de Luiz Gonzaga Lopes

Fonte: Correio do Povo

 

Universidade do Minho conta histórias interactivas e multiculturais

A leitura como lição de casa

Texto por Henrique Rodrigues    

Em sua coluna, Henrique Rodrigues defende as possibilidades de criação e divulgação literárias em tempos de quarentena

Confesso que saí por esses dias para ver o mar e respirar um pouco durante uns minutos. Se mesmo os presidiários têm direito a um banho de sol, deve haver algum malefício físico e, especialmente, psicológico em permanecer muitos dias seguidos sem fixar os olhos num ponto distante.

A praia estava numa grande ressaca, com as ondas quase lambendo o calçadão, de maneira que o mar revolto se juntou ao horizonte naquele opaco entardecer, numa cena que parecia resumir, entre o poético e o dramático, o nosso estado semiapocalíptico atual.

Talvez por isso, ao retornar ao claustro onde estamos agora, tenha pensado que estamos vivendo uma rara ocasião em que todo o planeta para diante – ou, mais precisamente, à mercê – de um evento histórico. Estranhamente, somente uma nova ameaça letal fez com que o mundo inteiro parasse, sem saber até quando, enquanto luta contra algo invisível, como se abruptamente nos tornássemos personagens das ficções distópicas que nos entretêm há anos. E a única arma que as pessoas têm contra esse inimigo é justamente não fazer nada. Ou melhor: ficar em casa.

Pode haver pelo menos um aspecto positivo – se é que o termo se aplica – nessa parada abrupta a que nos submetemos. Se o tempo sempre foi escasso para uma reflexão maior sobre as grandes questões, eis uma oportunidade de fazer um balanço e pensarmos em alguns caminhos para quando voltarmos a olhar para frente.

Na parte que nos cabe, vale pensar num fato quase óbvio que estamos vivendo durante essa quarentena. O setor cultural, além de nunca ter recebido o destaque merecido no país, vem sendo atacado há algum tempo, sobretudo moralmente. Muita gente tem afirmado que as manifestações culturais são coisa de vagabundo, e essas mesmas pessoas estão em casa agora vendo filmes, séries, jogando videogames, de repente até lendo livros. Talvez seja uma oportunidade para lembrar a elas que tudo isso é feito por profissionais que precisam ser respeitados e valorizados, moral e financeiramente, convém lembrar.

Por falar em oportunidade, além do audiovisual, a fruição da literatura tem sido bastante favorecida nesse novo contexto. Estão pipocando inúmeras iniciativas como a distribuição de livros gratuitos; contadores de histórias e poetas se apresentam em vídeos e lives; escritores, editores e demais profissionais da área conversam com o público nas redes sociais. Várias instituições estão colocando no ar iniciativas para promoção da leitura. Não me lembro de ver tanta gente mobilizada para fazer ideias circularem usando criatividade e pouco ou nenhum recurso – mesmo porque, com tudo parado, os artistas em geral estão passando por um tremendo perrengue.

Assim como o comércio em geral, o de livros está diretamente afetado pela falta de movimento, que chega como um pancadão num setor que já vem sendo bombardeado por crise após crise. Mas aí que é está o lance. Apesar de parecer um paradoxo (que de fato é), se por um lado o comércio de livros passa por um grande buraco, por outro a literatura respira a fortes e belas lufadas.

Sei que o assinante do PublishNews é bastante safo e entende do riscado, mas não custa lembrar que livro e literatura são coisas diferentes. Em termos de Brasil, boa parte da melhor literatura produzida não é encontrada nas livrarias físicas, pois está sendo publicada em editoras pequenas, em tiragens mínimas, que nem chega a ser distribuída nos canais convencionais. E basta uma olhada rápida nos destaques das livrarias e nos títulos das listas de mais vendidos, onde está evidente que a literatura não é atualmente a categoria preferida do mercado. Enfim, “livros são papéis pintados com tinta”, já disse o Fernando Pessoa no poema “Liberdade”.

Por isso a literatura, de certa forma, é livre do livro. E nem precisaria mencionar o importantíssimo movimento de slams e saraus, cuja natureza marcada pela oralidade não prescinde de qualquer elo da cadeia editorial impressa para se capilarizar país adentro, especialmente nas periferias.

A literatura, se não for uma necessidade, é um direito. Daí que temos faca e queijo nas mãos para compreender o momento atual como possibilidade de ser realizada a grande ação socioeducativa que falta ao Brasil para valorização da leitura literária. Considerando que boa parte das pessoas está seguindo as orientações de isolamento social, ou pelo menos seguirá à medida que os infectados aumentem no território, seria bastante viável a criação de um programa em parceria dos governos, ONGs e empresas privadas. E nem precisamos inventar a roda, bastando costurar e replicar as melhores práticas entre tantos projetos de pequeno porte já existentes, como os que citei lá em cima.

Sim, pode parecer utopia, mas não estamos vivendo a era do inesperado? E se após tudo isso muitas pessoas voltassem à vida entendendo que os livros são bens culturais necessários e relevantes para as nossas existências, valorizando, em todos os aspectos, a nossa rica e vasta literatura?

Nesse período difícil em que estamos, a experiência literária talvez seja uma das melhores perspectivas para enxergarmos os nossos abismos pessoais e coletivos, tanto para superá-los quanto conviver com eles. A literatura pode ser não só uma das melhores atividades para ser realizada no ambiente doméstico: por tudo o que oferece sobre a condição humana, ela pode também ser redescoberta como um novo caminho para aprendermos a voltar para casa.

Fonte: PUBLISHNEWS

Bibliotecas escolares e sua importância no processo de incentivo ao hábito da leitura

Texto por A Tribuna

A leitura é um dos meios pelo qual se obtém conhecimento das mais diversas áreas facilitando então, a argumentação e vocabulário para a produção de um texto oral ou também escrito.

A escola em parceria com a biblioteca escolar tem grande parcela de responsabilidade para com o incentivo à leitura, pois promove o hábito nas crianças, estas irão crescer sabendo que a leitura enriquece o conhecimento e da grande importância que ela exerce na vida do ser humano.

A biblioteca deve assumir seu lugar no espaço pedagógico, como um centro de incentivo a leitura e propagador de conhecimento gerado pela humanidade.

A prática da leitura constitui-se ato presente na vida da criança desde o momento em que começa a ter noção do mundo que a cerca. No entanto, ao longo da vida escolar desses educandos, nem sempre há o devido interesse pela leitura. Com isso faz-se necessário à criação de mecanismos que despertem o interesse e o gosto pela leitura.

A leitura é uma prática que veio se desenvolvendo gradativamente durante século, os primeiros sinais de leituras começam nos primórdios das paredes das cavernas onde homens pintavam, desenhavam animais, esses eram meios de se comunicar visualmente.

Com os avanços que ocorreram constatou-se que a leitura era algo produtivo e que favorecia o crescimento, não somente das pessoas, como da própria comunidade. Fatos que aos poucos fortaleceram a sua divulgação, criando situação favoráveis à leitura em voz alta e em locais públicos. Liam-se romances, poemas e passagens religiosas.

Seguindo esse raciocínio, constata-se que o ato de ler tem várias funções e especificações. Serve para demonstrar a qualidade do leitor e sua expressividade, como um ritual do falar corretamente ou como meio de divulgar algo que queira colocá-lo em circulação.

A leitura amplia os conhecimentos traz novas possibilidades de mundo. Eleva o nível de entendimento deste, e ampliando a visão do indivíduo, e de suas ações gerando um comportamento mais crítico diante do texto, sintetizando cada estudo realizado.

É perceptível a importância da biblioteca no crescimento e aprimoramento físico, intelectual, espiritual e social do indivíduo no decorrer de sua vida. E esse trabalho tem início com a biblioteca escolar, que atende as crianças e adolescentes desde o início de sua vida acadêmica e cabe ao profissional bibliotecário oferecer esse apoio aos professores e demais participantes da comunidade escolar, em prol do desenvolvimento dos alunos. E para isso é necessário profissionais competentes, acervos e equipamentos atualizados, atendimento excelente, estrutura física e visual acolhedora, equipe multidisciplinar, apoio da equipe gestora e atividades dinâmicas que possibilitem vivências no mundo da leitura.

Portanto cabe ao profissional bibliotecário e a esse espaço, denominado biblioteca escolar, fazer a diferença desde a infância na vida do aluno, levando-o a perceber a importância e o gosto que a leitura tem e o que é capaz de oferecer em sua vida.

É através da leitura que se promove a facilidade em interpretar, facilitando a compreensão de outras disciplinas escolares, interpretação de informações que nos rodeiam no dia a dia, nos tornando críticos e capazes de melhor apreender os acontecimentos políticos, sociais, econômicos e afetivos que ocorrem em nossa sociedade.

(*) Terezinha Caldeira e Cristiane Castro são professores da rede municipal de ensino de Rondonópolis – MT.

Fonte: A Tribuna MT

Autores indicam livros sobre isolamento: tema é comum na literatura

Milton Hatoum, Michel Laub, Joca Terron, Adriana Lisboa indicam leituras que vão do terror à reflexão

Texto por Nahima Maciel

Milton Hatoum
(foto: Fabio Setimio/Divulgação)

A literatura está cheia de prosa e verso sobre isolamento. Pode ser distopia, ficção científica, poesia, existencialismo, horror, violência, contemplação. O isolamento social ou psicológico é um tema constante e rendeu clássicos como a peça Entre quatro paredes, de Jean Paul Sartre, Moby Dick, de Herman Melville, e Robinson Crusoé, de Daniel Dafoe, só para citar uns poucos. O Correio pediu a autores consagrados da literatura contemporânea brasileira que escolhessem algumas leituras sobre isolamento para serem consumidas na quarentena. Alguns, como Adriana Lisboa, estão fora do país. A escritora vive em Austin, no Texas (Estados Unidos) e está há mais de três semanas em confinamento. Outros, como André de Leones, já escreveram sobre o tema. Em Dentes negros, ele imagina uma sociedade apocalíptica na qual restaram poucos seres humanos. E há muitos, como o premiado Milton Hatoum, que escreveram sobre o vazio e a solidão, mas a filosófica e existencial. Veja abaixo as recomendações de quem produz ficção e encontra na leitura um alento para tempos difíceis.

Autor de Relato de um certo Oriente, Dois irmãos e Cinzas do Norte, todos vencedores do Prêmio Jabuti, Milton Hatoum escolheu A gaiola, um “livrinho” recém-lançado pela Editora 34 e escrito pelo mexicano José Revueltas.

“A gaiola faz um recorte da vida degradante de três presidiários numa penitenciária da Cidade do México. Conciso, denso, narrado com traços de oralidade, o livrinho de Revueltas é ainda um exercício de estilo, bem ajustado a um gênero literário difícil: a novela. A estranheza, a violência, o horror do cotidiano são metáforas da descida ao inferno. Enfim, uma metáfora do nosso tempo.”

Giovana Madalosso

Finalista do Prêmio Clarice Lispector de 2017 com o livro de contos A teta racional e autora do romance Tudo pode ser roubado, Giovana Madalosso escolheu dois livros. Para “espairecer”, ela indica Nostalgia, do romeno Mircea Carterescu. E para refletir, ela sugere A terra inabitável, do jornalista americano David Wallace Wells.

Nostalgia: “Um romance que rompe convenções, composto por cinco partes autônomas, e lança o leitor para bem longe daqui, para uma Bucareste fantástica e para o encantador universo onírico de Cartarescu”.

A terra inabitável: “A crise da Covid-19 pode ser considerada a ante-sala da futura (e nada distante) crise climática. A terra inabitável ajuda a entender os desdobramentos e as formas de combate a essa outra catástrofe que vem em nossa direção”.

Adriana Lisboa

Oficialmente, Austin, no Texas, declarou estado de “shelter in place” na semana passada por causa da epidemia do coronavírus, mas o auto-isolamento começou há muito para Adriana Lisboa, que mora na cidade e dá aulas na universidade no Departamento de Espanhol e Português da Universidade do Texas. “Na prática, estamos vivendo (isso) há um par de semanas”, conta. Para pensar sobre o viver isolado, ela indica Entre quatro paredes, uma peça escrita por Jean-Paul Sartre em 1944 e que traz a frase clássica “o inferno são os outros”. Na história imaginada pelo filósofo francês, três personagens estão confinados em uma misteriosa sala sem que se saiba exatamente o porquê.

“É um texto que trata da liberdade humana, de que modo a concebemos e como ela se manifesta no âmbito das nossas relações. Penso que a nossa atual quarentena é um momento apropriado para refletir sobre como queremos que seja a era pós-Covid, e de que modo podemos finalmente encenar um real humanismo não apenas no modo como nos relacionamos com os outros humanos em toda parte mas também com os animais, rios, mares, florestas, montanhas. Quem sabe finalmente entendemos que a liberdade de uns não pode significar o inferno dos outros.”

Joca Terron

Em seu romance mais recente, A morte e o meteoro, Joca Reiners Terron narra a trajetória de um personagem em um cenário distópico no qual precisa evacuar índios da Amazônia enquanto os chineses fazem planos de habitar Marte. Para o isolamento, ele recomenda a leitura de Um homem que dorme, do francês Georges Perec, cuja única edição brasileira, da Nova Fronteira (1988) está fora de catálogo, mas pode ser encontrada em PDF na internet.

“E o bom é que o PDF, no máximo, infecta somente computador, né. A história de um estudante em crise, solitário, em estado letárgico, trancado em si mesmo e em sua água-furtada, relata aquela dúvida do início da vida adulta: o que fazer a partir de agora, e como? É um clássico de um dos maiores romancistas do século XX, senão o maior.”

André de Leones

Nascido em Silvânia, no interior de Goiás, André de Leones ganhou o Prêmio Sesc de Literatura em 2006 com o romance Hoje está um dia morto e, desde então, publicou outros seis livros e foi finalista de prêmios como o Oceanos, São Paulo de Literatura e Jabuti. Se tivesse que escolher um livro sobre isolamento, seria O terror, de Dan Simmons. É, como diz o título, um livro de terror inspirado em caso real. Em 1845, dois navios (Erebus e Terror) zarparam da Inglaterra capitaneados por John Franklin, oficial da Marinha Real e explorador calejado, com o objetivo de encontrar a Passagem Noroeste, que liga os Oceanos Atlântico e Pacífico na região do Círculo Polar Ártico.

“A tripulação contava com mais de uma centena de homens e havia provisões para uma viagem de três anos. O problema foi que, pelo segundo verão consecutivo, não houve degelo naquelas paragens e os navios acabaram presos ao norte do Canadá. E aqui a imaginação de Simmons começa a trabalhar para valer: além das óbvias questões de sobrevivência inerentes ao isolamento em uma região tão inóspita, os membros da expedição são acossados pelo que parece ser um animal gigantesco. Eles, então, tentam empreender uma fuga a pé, através do gelo. Como se pode perceber desde o título, trata-se de uma história de terror, tornada ainda mais horripilante porque muito dela aconteceu de fato. Claro que Simmons reinventa a coisa a seu modo e inclui diversos elementos fantásticos, mas, ao final da viagem, fica bastante claro quem é o maior responsável por aquilo que é aludido desde o título: o próprio homem.”

Michel Laub

Autor de seis romances, o gaúcho Michel Laub se volta para a italiana Natalia Ginzburg em tempos de isolamento. Nascida em uma família judaica da Sicília, Natália viu o pai e os irmãos serem perseguidos pelo regime fascista durante a Segunda Guerra. Seus livros mais conhecidos são o romance Léxico familiar e As pequenas virtudes, uma reunião de ensaios que Michel Laub recomenda para tempos de incerteza e recolhimento.

“É um misto de memória e conjunto de ensaios, escritos em épocas diferentes, mas com a mesma característica: uma inteligência afetuosa, digamos, partindo de algo que nos diz bastante respeito no momento: a visão de alguém que viveu um período histórico muito difícil (o fascismo italiano, a Segunda Guerra) e encontrou forças na vida miúda da casa, do dia a dia.

Fonte: Correio Braziliense

Plataformas online de leitura garantem entretenimento para quem está em quarentena

Sites, redes sociais literárias e clubes de assinatura de livros são alternativas para aprender, entreter-se e manter a saúde mental

Por Jean Pecharki

Sites, redes sociais literárias e clubes de assinatura de livros são alternativas para aprender e se entreter

Com o grande volume de informação chegando instantaneamente pelos celulares e a disponibilidade quase infinita de sites e plataformas oferecendo conteúdo, muitas vezes fica difícil encontrar aquela leitura ideal para o momento oportuno.

Contudo, diversas plataformas online têm contribuído para ampliar o acesso ao conhecimento, disponibilizando centenas de milhares de livros, estudos, teses e dissertações, dos mais variados gêneros e campos de conhecimento. Em tempos de confinamento obrigatório, essas são ótimas alternativas para aprender, entreter-se e manter a saúde mental. Para tanto, basta ter um aparelho conectado à internet, seja um notebook, celular, tablet ou e-reader. Veja abaixo algumas opções selecionadas e boa leitura!

Portal Domínio Público

O espaço já é um velho conhecido dos internautas brasileiros ávidos por informação e famoso por abrigar um rico acervo com quase 190 mil arquivos entre livros, imagens, sons e vídeos. Os trabalhos disponibilizados no portal, administrado pelo Ministério da Educação (MEC), estão em domínio público ou têm seus direitos autorais cedidos legalmente pelos titulares das obras. Desde o seu lançamento, em 2004, já foram realizados mais de 40 milhões de downloads.

No portal é possível encontrar romances, poesias e crônicas de autores brasileiros e estrangeiros consagrados de todas as épocas, não só em português como também em outros idiomas, como Machado de Assis, Fernando Pessoa, William Shakespeare e Franz Kafka. Em seu acervo contam clássicos da literatura mundial como “A Divina Comédia” de Dante Alighieri e “A Volta ao Mundo em 80 Dias” de Júlio Verne.

Para explorar, basta acessar o Portal Domínio Público.

Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (USP)

Criada em janeiro de 2005, a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) é um órgão da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da Universidade de São Paulo (USP). Foi fundada para abrigar e integrar a coleção brasiliana reunida ao longo de mais de oitenta anos pelo bibliófilo José Mindlin e sua esposa Guita.

Considerada uma das mais importantes coleções privadas do país, parte do acervo físico de 32 mil títulos está disponível para download gratuito na internet. São cerca de 2.200 livros, além de almanaques, cartas, folhetos e manuscritos, alguns datados de 1521. As obras são divididas entre literatura brasileira, história do Brasil, poesias, romances e biografias. Vale muito a visita.

Conheça o site da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin.”

“Biblioteca Nacional Digital

A Biblioteca Nacional Digital faz parte da Fundação Biblioteca Nacional e conta com aproximadamente 2,1 milhões de documentos em seu acervo. Todo o material também é de domínio público ou autorizado pelo titular.

De acordo com a entidade, a digitalização de suas obras tem como objetivo tornar visível toda uma crise das estruturas culturais tradicionalmente centradas no livro e na leitura individualizada. O projeto está centrado em três pilares: captura e armazenamento das peças, tratamento técnico e publicação do acervo digital. A entidade tem parcerias com a Library of Congress e UNESCO, além das Bibliotecas Nacionais da França, Espanha, Portugal e Argentina.

Saiba mais sobre a Biblioteca Nacional Digital.

Many Books

Apesar de ser uma plataforma originalmente de língua inglesa, o portal conta com centenas de livros em português, além de diversos outros idiomas. Na lista, clássicos da literatura brasileira e mundial. Todas as obras são divididas por gêneros e classificação, de acordo com a opinião dos leitores. Uma ótima opção para quem pretende praticar também outras línguas.

Confira o acervo da Many Books.

Machado de Assis – Vida e obra

Nascido também de uma iniciativa do poder público, o site foi criado para lembrar o centenário da morte do autor, considerado por muitos o maior nome da literatura brasileira de todos os tempos.

O portal disponibiliza sua obra completa de forma totalmente acessível, gratuita e intuitiva, com fácil navegação. São 300 livros organizados e revisados, divididos em romance, contos, poesia, crônica, teatro, crítica, tradução e miscelânea.

Acesse o site Machado de Assis – Vida e obra

Para as crianças – Kidsbook

O banco Itaú lançou uma campanha onde disponibiliza uma série exclusiva de livros digitais infantis escritos por autores como Antonio Prata, Marcelo Rubens Paiva, Luis Fernando Veríssimo, dentre outros. São 13 obras que podem ser baixadas de forma totalmente gratuita e sem a necessidade de cadastro. Os livros contam com ilustrações animadas e som, para ajudar a entreter ainda mais os pequenos.

Visite e aproveite o Kidsbook .

Editoras oferecem e-books gratuitamente

Algumas editoras optaram por liberar e-books de forma gratuita pela internet para incentivar a população a permanecer em casa durante o período de quarentena. A L&PM, por exemplo, lançou uma campanha no dia 17 de março e passou a distribuir um e-book grátis por dia, até o dia 31. No site são disponibilizados clássicos da editora, assim como títulos policiais, de fantasia e aventura.

Amazon apostou em campanha semelhante e também tem disponibilizado centenas de livros digitais de forma gratuita. A promoção, contudo, é válida apenas para quem possui o e-reader da marca, o Kindle, ou para quem tiver o aplicativo instalado no celular, disponível gratuitamente para Android e IOS.

É possível escolher publicações clássicas da literatura nacional e internacional, obras contemporâneas, dissertações de mestrado ou doutorado, filosofia, ficção, história, dentre outras opções. Também são disponibilizados alguns best-sellers, além de HQs, mangás e comics.”

Grupos de discussão

Ler não precisa ser um hábito solitário. Há também aqueles leitores que tem por hábito discutir as obras após o término da leitura, compartilhando impressões e garimpando novos títulos. Mesmo em confinamento social, os debates são possíveis por meio dos grupos de discussão disponíveis em portais e aplicativos. Veja abaixo algumas opções:

Skoob

Uma das redes sociais desenvolvida para leitores mais ativa da internet, a Skoob disponibiliza diversos recursos para facilitar a vida do leitor e promover um debate amplo sobre as obras. Pelo site ou pelo aplicativo, disponibilizado para Android e iOS, é possível criar uma estante virtual organizando o acervo, adicionar outros usuários na sua rede de contatos para debater impressões e opiniões sobre determinado livro, participar de grupos de discussão, além de negociar trocas.

Os grupos são divididos por estilo literário, autores e títulos, tudo de forma intuitiva e organizada. Alguns, como os livros com a temática de Harry Potter, contam com mais de 10 mil membros.

Para explorar é só acessar a Skoob.

Google Books

Muita gente não sabe, mas o Google possui um “Google” específico apenas para o universo da literatura. A página tem um dos índices mais diversificados do mundo para buscar livros na íntegra, parte deles fornecidos de forma totalmente gratuita.

No espaço de busca, em vez de digitar um serviço, tente procurar o nome do autor ou obra de sua preferência e pronto. O resultado de busca lhe dará uma infinidade de e-books. Mesmo quando disponíveis apenas para venda é possível folhear algumas páginas e conhecer diversos outros detalhes da obra para não errar na hora da compra.

Conheça o Google Livros.

Orelha de livro

Outra boa opção para conectar amantes da literatura. Nesta rede social é possível cadastrar todos os livros já lidos, além dos que se pretende ler num futuro próximo. Também é possível fazer o download de algumas obras que se encontram em domínio público em formato PDF.

Ao selecionar um título, você encontrará informações gerais sobre a obra e o autor, assim como a classificação baseada na opinião dos outros leitores, que são exibidas na caixa de comentários da página dedicada ao livro, garantindo boas discussões a respeito da obra. É possível fazer o login diretamente com sua conta do Facebook.

Veja mais informações no site Orelha de livro.

Wattpad

Uma das maiores plataformas de histórias do mundo, a Wattpad conecta aproximadamente 80 milhões de escritores e leitores ao redor do planeta. A plataforma digital oferece milhares de livros e outros textos de forma gratuita. Além do site, também é possível acessar o aplicativo diretamente do celular, com versões disponíveis para Android e iOS. As obras estão disponíveis em dezenas de línguas, além do português.

Conheça a Wattpad

“Universidade Falada – audiolivros

Os audiobooks têm ganhado cada vez mais a preferência de muitos leitores pela conveniência de se escutar o seu autor favorito em qualquer lugar. Referência no assunto, a Universidade Falada é a maior loja de audiolivros e audiocursos da América Latina.

O espaço disponibiliza uma enorme variedade de obras e autores. Claro, a maioria é paga, porém, há espaço para arquivos gratuitos, que podem ser baixados por um bom leitor que ainda não tem tanta intimidade com a prática de escutar suas obras preferidas.

Ouça os audiolivros da Universidade Falada.

TAG Clube de Assinatura de Livros

Mas se você é daqueles inveterados que sente falta de um bom livro em formato físico e está preocupado por não sair de casa, não se preocupe, pois é possível ter um título novo todos os meses na porta da sua casa. A TAG Experiências Literárias é um dos clubes de assinatura de livros mais conhecida do país.

Pagando uma assinatura mensal, é possível receber a cada mês uma edição especial de um autor surpresa, totalmente reeditada de forma exclusiva aos associados do clube. Junto com a edição, o assinante recebe também uma revista contando um pouco sobre a vida e obra do autor selecionado.

A curadoria dos títulos é feita por grandes nomes da literatura brasileira e mundial, garantindo a qualidade das obras que chegam a sua casa. Por lá já passaram nomes como Luis Fernando Veríssimo e Mario Vargas Llosa, Nobel de Literatura em 2010.

Conheça mais sobre a TAG Clube de livros.

Fonte: Sempre Família

Contadores de história fazem sucesso na web, e obras infantis são liberadas gratuitamente

Artistas fazem transmissões ao vivo com interpretações de livros que passam a ser disponibilizados, sem cobrança, em plataformas de e-books; em rede social, Globo Livros libera acervo com ilustrações para colorir

SP: Bibliotecários criam canal para mediar leitura e informação no isolamento social

Com ajuda do Sindsep, servidores municipais também estão na luta para que toda categoria consiga trabalhar a distância, já que bibliotecas não estão na lista de serviços essenciais

5 beneficios de la lectura de libros durante la cuarentena

La lectura de libros puede llegar a ser una excelente actividad en periodos de confinamiento. Estar en casa sin poder salir a la calle es una situación compleja que la mayoría de personas estamos experimentando por primera vez. Toda la complejidad laboral, de relaciones y de actividades se ve reducida a cuatro paredes cuyas principales vías de escape son Internet, la radio y la televisión. Pero hay otra vía de escape que favorece nuestra salud mental: la lectura de libros.

Es complicado animar a las personas a que lean libros cuando estas están superadas por las circunstancias del momento. El agobio y el estrés florecen en ellas al no poder llevar una actividad personal y profesional como tenían planificadas hace tiempo. No les falta razón, pero es el momento de mantener la mente despejada y preparada para el día de mañana cuando todo esto acabe. Y es por eso por lo que recomendamos la lectura de libros. Para dejar a un lado la saturación informativa, resetear nuestra mente y poder salir de casa hacia otros mundos y tiempos a través de nuestra imaginación.

La Fundación Germán Sánchez Ruipérez, a través de su Laboratorio Contemporáneo de Fomento de la Lectura, comenta que la lectura de libros es un factor de equilibrio frente a la fatiga digital y la infoxicación durante la cuarentena. También dice que las personas más mayores son quienes deben cuidarse más en esta cuarentena. Explica que «cuanto más se lee más conexiones entre neuronas se producen, aumentando la reserva cognitiva del lector, la cual es un factor protector frente al deterioro cognitivo y la demencia». Desde Baratz hemos escrito mucho sobre los beneficios de la lectura. Incluso hemos compartido las teorías científicas que avalan los beneficios de leer y lo bueno que es leer antes de dormir. Nunca nos habíamos planteado un post sobre los beneficios de leer en épocas de confinamiento por pandemias, pero allá vamos.

¿Por qué la lectura de libros puede ayudar a las personas cuando estas no pueden salir de casa?

  1. La lectura de libros ayuda a desconectar y combatir el aburrimiento. La monotonía diaria al no poder salir de casa puede llevarnos a la desesperación y a un profundo aburrimiento. Es por eso por lo que la lectura de libros se presenta como una excelente vía de escape. Una forma de salir de la monotonía, evadirse momentáneamente de la realidad y salir de casa a través de la imaginación.
  2. Los libros son excelentes compañeros de vida. Los libros hacen que no nos sintamos solos, independientemente de dónde estemos y cómo. El acompañamiento de los libros, y su lectura, favorece el proceso emocional al sentirnos acompañados, entretenidos, incluso a veces entendidos.
  3. La lectura de libros crea vínculos con personas cercanas o que comparten inquietudes. Es verdad que la lectura de un libro tiende a ser un acto individual que requiere un mínimo de desconexión con lo que sucede alrededor, pero cuando esta lectura acaba es el momento de conectar y conversar con otras personas de la casa sobre el libro (o con cualquier otra persona afín a través de los medios digitales). La lectura puede llegar a ser un acto individual, pero está en nosotros hacerla un acto colectivo y compartido. Por cierto, no hay que olvidarse de seguir leyendo a los peques de la casa para fomentar la lectura y la conexión con ellos.
  4. La lectura de libros activa la memoria y favorece la capacidad de pensamiento crítico. Hay momentos en los cuales nuestro razonamiento y concentración se pueden ver nublados por el confinamiento y por la falta de la actividad diaria. Es por eso por lo que la lectura de libros se presenta como un excelente remedio para activar nuestra memoria y concentración en lo que hacemos, así como para favorecer el pensamiento crítico y el razonamiento. Más en la actualidad con toda la vorágine informativa a la que estamos todas las personas sometidas.
  5. La lectura de libros previene el estrés y combate el insomnio. El cambio de hábitos y horarios, sumado a no poder llevar una vida activa, trastoca toda la planificación personal y laboral. Es normal darle vueltas a cualquier asunto, tema o actividad que nos gustaría hacer ahora mismo, pero que no podemos llevar a cabo por la situación de confinamiento. Esto puede dirigirnos tanto a una situación donde florezca el estrés como a una donde no podamos dormir al darle vueltas a todos los temas que nos gustaría hacer, pero que no podemos. Es por eso por lo que la lectura de libros se presenta como un buen antídoto ante tales males ya que favorece la relajación y el desvío de la atención hacia otros temas y lugares.

Fonte: ComunidadBTZ

Sem perder a magia, contadoras de histórias utilizam as redes para entreter

Profissionais têm feito lives e vídeos para não perderem o contato com a garotada durante a quarentena

Texto por Jéssica Malta

Beatriz Myrrha é uma das que está usando a internet para contar histórias
Foto: Gláucia Rodrigues/Divulgação

Em tempos de coronavírus, a principal  recomendação feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é manter-se em casa. Nesse cenário de confinamento, entreter as crianças – que, seguindo a orientação dos órgãos sanitários, tiveram as aulas suspensas – pode ser um desafio.

A boa notícia é que existem diferentes opções dedicadas aos pequenos disponíveis na internet. Uma delas surgiu da movimentação de contadoras de histórias ao redor do país. Com diversos eventos adiados ou cancelados por conta da pandemia, elas passaram a utilizar as redes sociais para darem continuidade ao ofício.

Com um canal de contação de histórias ativo no YouTube desde 2015, o “Fafá Conta”, a curitibana Flávia Scherner foi uma das contadoras a aderirem ao movimento. “Vi que um autor que eu gosto da Irlanda ia fazer uma live lendo seus livros, aí pensei em pegar os livros que eu tenho em casa e também fazer essa leitura online”, conta.

Flávia não foi a única a apostar nas redes sociais. Ela lembra que outras amigas e companheiras de profissão também decidiram transportar a contação de histórias para o universo digital. “Quando a gente notou que havíamos tido a mesma ideia, a gente se juntou para fortalecer o movimento e nos organizamos para que nenhuma se apresentasse no mesmo horário da outra”, explica. “Foram cinco mulheres, todas trabalhando na mesma área, para o mesmo nicho, se unindo nesse movimento de sororidade”, destaca.

Com uma programação de segunda à sexta-feira, Flávia, que tem mais de 151 mil seguidores somente no Instagram, relata que a resposta do público à novidade tem sido bastante positiva. “Não imaginava que fosse acontecer dessa forma. Na primeira live, foram umas 70 pessoas assistindo. No dia seguinte o número já chegou a 3 mil”, diz.

Ela afirma que a média de público que passa pelas lives tem sido de 6 mil pessoas.

Uma história por dia

A mineira Anna Lirah é outra contadora de histórias que também apostou nas redes sociais para continuar com o trabalho. “Em janeiro eu tinha me proposto a contar uma história por dia, mas acabei adiando. Quando começou a quarentena, eu pensei: agora é a hora”, comenta.

Apresentando-se diariamente no Instagram desde a última semana, Anna ressalta as particularidades da contação online. “Pela internet, a gente tem a possibilidade de mostrar o livro mais de perto, para as pessoas acompanharem. Quando conto pessoalmente, só mostro o livro no final. Então, nas lives a gente acaba podendo indicar mais, mostrar mais as ilustrações”, afirma.

Outra diferança da empreitada virtual de Anna Lirah é a participação do filho Otto, de cindo anos. “Estamos nós dois dentro de casa. Quando faço as lives, inevitavelmente ele participa. Nas primeiras, ele participou intensamente e foi um desafio, tive que ter muito jogo de cincutra, mas, ao mesmo tempo, foi lindo. Não pdoeria excluí-lo desse momento, já que estou fazendo algo pelas crianças, não teria sentido deixá-lo de fora”, analisa.

Exercício de amor

Outra contadora de histórias que tem aproveitado o seu ofício para entreter a criançada usando a tecnologia é Beatriz Myrrha, que está comemorando em 2020, 30 anos de carreira.

Ela revela que sempre teve uma boa relação boa com a câmera e que tem gravados vídeos e postado em suas redes. “Eu fico imaginando que tem uma outra pessoa do lado, tentando comunicar com ela. Quando a gente conta uma história, o ouvinte conversa muito com a gente. Agora não acontece isso, mas tenho que tirar de dentro de mim, imaginar o que naquele momento poderia fazer para essa pessoa que está dentro da casa ser tocada também com as histórias”, diz.

A contadora ressalta que, mais do que nunca, está praticando não só um exercício duplo de imaginação, mas também um exercício de amor enorme. “É um presente à distância, mas, independente do que você faz, é uma maneira de contribuir um pouco. A gente precisa ajudar os outros com aquilo que existe de melhor e esse lugar é o do artista”, salienta.

Beatriz Myrrha ressalta o poder da arte que, segundo ela regenera e traz alegria para as pessoas. “E isso é fundamental para curar; até para deixar o sistema imunológico mais forte. As histórias têm tantas respostas para a vida. Quando a gente escuta aprende várias lições”, pontua.

Confira os perfis das contadoras no Instagram

Anna Lirah (annalirahart)

Beatriz Myrrha (beatrizmyrrha)

Camila Genaro (@camila.genaro)

Carol Levy (@carollevy)

Emília Nuñez (@maequele)

Fafa Conta (@fafaconta)

Marina Bastos (@marinabastoshistorias)

Fonte: O TEMPO

E-book gratuitos, mais de 50 editoras

São mais de 50 editoras que possuem e-books gratuitos. Boa leitura!

Edições UFC – Universidade Federal do Ceará
http://www.editora.ufc.br/livros-digitais

Edições UVA – Universidade Estadual Vale do Acaraú
http://www.uvanet.br/edicoes_uva/

EDIFBA – Instituto Federal da Bahia
https://portal.ifba.edu.br/prpgi/editora/multidisciplinarhttps://portal.uneb.br/eduneb/download/

EdiPUCRS – Puc-Rs
https://editora.pucrs.br/digital/ebooks.html

Editora Argos – Unochapecó
https://www.editoraargos.com.br/farol/editoraargos/ebooks/departamento/e-books-gratis/2148

Editora da UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz
http://www.uesc.br/editora/index.php?item=conteudo_livros_digitais.php

Editora da UFCSPA – Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre
https://ufcspa.edu.br/index.php/editora/obras-publicadas

Editora da UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul
https://lume.ufrgs.br/handle/10183/182637

Editora da UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina
https://editora.ufsc.br/estante-aberta/

Editora Fio Cruz – Fio Cruz
http://books.scielo.org/fiocruz/

Editora Fundação Casa Rui Barbosa – Casa Rui Barbosa
http://www.casaruibarbosa.gov.br/interna.php?ID_S=472

Editora IFC – Instituto Federal Catarinense
http://editora.ifc.edu.br/category/e-books/

Editora IFG – Instituto Federal de Goiás
https://editora.ifg.edu.br/editoraifg/catalog

Editora IFPB – Instituto Federal da Paraíba
http://editora.ifpb.edu.br/index.php/ifpb

Editora Massangana – Fundação Joaquim Nabuco
https://www.fundaj.gov.br/index.php/pagina-editora-massangana

Editora Metodista – Universidade Metodista de São Paulo
http://editora.metodista.br/livros-gratis

Editora Puc Rio – Puc-Rio
http://www.editora.puc-rio.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=3

Editora Tiradentes – Universidade Tiradentes
https://editoratiradentes.com.br/e-book

Editora UEMA – Universidade Estadual do Maranhão
http://www.editorauema.uema.br/?page_id=212

Editora UEMG – Universidade do Estado de Minas Gerais
http://eduemg.uemg.br/catalogo

Editora UEMS – Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul
http://www.uems.br/editora/menu/a5164dc0ceaa9bb6e5ce77293dd375f1

Editora UEPG – Universidade Estadual de Ponta Grossa
https://portal-archipelagus.azurewebsites.net/farol/eduepg/ebooks/departamento/Livros%20digitais%20em%20acesso%20aberto/286/

Editora UFFS – Universidade Federal da Fronteira Sul
http://www.uffs.edu.br/institucional/reitoria/diretoria_de_comunicacao/editora-uffs/copy_of_catalogo

Editora UFJF – Universidade Federal de Juiz de Fora
http://www.ufjf.br/editora/publicacoes-gratuitas/

Editora UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais
https://www.editoraufmg.com.br/#/pages/ebooks

Editora UFPB – Universidade Federal da Paraíba
http://www.editora.ufpb.br/sistema/press5/index.php/UFPB/catalog/category/Ebooks

Editora UFPR – Universidade Federal do Paraná
https://www.editora.ufpr.br/livros%20digitais

Editora UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro
http://www.editora.ufrj.br/Download

Editora UFRR – Universidade Federal de Roraima
http://ufrr.br/editora/index.php/ebook

Editora Unb – Universidade de Brasília
https://www.editora.unb.br/AcessoLivre.php

Editora UNEMAT – Universidade do Estado do Mato Grosso
http://portal.unemat.br/index.php?pg=site&i=editora&m=catalogo-eletronico

Editora Unesp – UNESP
http://editoraunesp.com.br/catalogo/ebooks

Editora UNIFAP – Universidade Federal do Amapá
https://www2.unifap.br/editora/catalogo/e-books/

Editora Unijuí – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul
https://www.editoraunijui.com.br/ebooks

Editora Univali – Universidade do Vale do Itajaí
https://www.univali.br/vida-no-campus/editora-univali/e-books/Paginas/default.aspx

Editora Universitária da UFRPE – Universidade Federal Rural de Pernambuco
http://www.editora.ufrpe.br/catalogo-download

Editora Univille – Universidade da Região de Joinville
https://www.univille.edu.br/pt_br/institucional/proreitorias/prppg/setores/editora/livros_digitais/608845

Editora Unp – Universidade Potiguar
https://unp.br/edunp/catalogo/

Editora UPF – Universidade de Passo Fundo
http://editora.upf.br/index.php/e-books-topo

Educ – Puc-SP
https://www.pucsp.br/educ/ebook/egratis.htm

EdUECE – Universidade Estadual do Ceará
http://www.uece.br/eduece/index.php?option=com_docman&task=cat_view&gid=23&Itemid=1171

Eduerj – Universidade do Estado do Rio de Janeiro
https://www.eduerj.com/eng/?product_cat=livros-digitais

Edufac – Universidade Federal do Acre
http://www2.ufac.br/editora/livros-digitais

Edufes – Universidade Federal do Espirito Santo
http://edufes.ufes.br/items/browse?search=&advanced%5B0%5D%5Belement_id%5D=&advanced%5B0%5D%5Btype%5D=&advanced%5B0%5D%5Bterms%5D=&range=&collection=&type=19&user=&tags=&public=&featured=&submit_search=Procurar+por+itens

Eduff – Universidade Federal Fluminense
http://www.eduff.uff.br/index.php/catalogo/e-books

EDUFMA – Universidade Federal do Maranhão
http://www.edufma.ufma.br/index.php/loja/

EDUFPI – Universidade Federal do Piauí
https://www.ufpi.br/e-book-edufpi

EDUFRA – Universidade Federal Rural da Amazônia
https://portaleditora.ufra.edu.br/index.php?option=com_content&view=article&id=596&Itemid=390&lang=pt

EDUFRB – Universidade Federal do Recôncavo da Bahia
https://www1.ufrb.edu.br/editora/titulos-publicados

EdUFSCAR – Universidade Federal de São Carlos
https://www.edufscar.com.br/farol/edufscar/ebooks

Edufu – Universidade Federal de Uberlândia
http://books.scielo.org/edufu/

Eduneb – Universidade do Estado da Bahia
https://portal.uneb.br/eduneb/download/

EDUNIOESTE – Universidade Estadual do Oeste do Paraná
https://portal-archipelagus.azurewebsites.net/farol/edunioeste/ebooks

EDUPE – Universidade de Pernambuco
http://www.edupe.com.br/menu.php?cate=10

Educs – Universidade de Caxias do Sul
https://www.ucs.br/site/editora/e-books/e-books-administracao/

EDUTFPR – Universidade Federal Tecnológica do Paraná
http://portal.utfpr.edu.br/editora/catalogo-da-editora-utfpr

Essentia – Instituto Federal Fluminense
http://essentiaeditora.iff.edu.br/index.php/livros

EUEPA – Universidade do Estado do Pará
https://paginas.uepa.br/eduepa/index.php/category/e-books-de-2020/

Museu Paraense Emílio Goelbi
https://www.museu-goeldi.br/assuntos/publicacao/livros-digitais

Fonte: Biblioteca de Ciências Sociais Aplicadas da UFPR

Ação Cultural “Jovem Poeta” seleciona textos de crianças e adolescentes on-line

Texto po Jota Abreu – Da Redação

As atividades presenciais da 9ª Semana Municipal de Incentivo e Orientação ao Estudo e à Leitura, que estavam programadas entre os dias 30/3 a 03/4 deste ano, foram adiadas por conta da pandemia da Covid-19. Com as recomendações de manter isolamento, todas as atividades nas bibliotecas, escolas, CEUs estão suspensas. Apesar disso, a Ação Cultural Jovem Poeta, que inicialmente seria nas escolas, já foi toda transformada para a versão on-line.

A Semana Municipal de Incentivo e Orientação ao Estudo e à Leitura é objeto da lei municipal 14.999/09, fruto de iniciativa do vereador Eliseu Gabriel (PSB). “Temos parceria com as secretarias de Educação e de Cultura para essa realização. Infelizmente, tivemos que adiar toda a programação neste ano, mas vamos manter a Ação Cultural Jovem Poeta para como uma forma de estimularmos a escrita, a leitura e de incentivar que pais e filhos tenham interação poética nessa época de quarentena”, disse o vereador.

A Ação Cultural Jovem Poeta é uma atividade voltada para duas faixas etárias: de 8 a 12 anos e de 13 a 15. Cinco poemas de cada faixa etária e de cada região da cidade irão compor um e-Book. O material será disponibilizado, gratuitamente, para os parceiros, para as redes sociais das bibliotecas, CEUs, escolas. Também será divulgado nas redes sociais Estudo e Leitura. A inscrição e o envio do poema são feitos diretamente no site:  http://www.jovempoeta.com.br/

Fonte: CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO PAULO

Crianças em quarentena: quando a leitura se torna um porto seguro

Texto por Cléo Busatto

Dias atrás a Vânia, de Verona, pediu para eu gravar uma história para Francesca, sua filha, e para as crianças das instituições que atuam como o português como língua de herança na Itália. Estas iniciativas estão espalhadas pelo mundo e eu tenho visitado algumas delas para desenvolver ações em língua portuguesa, através dos meus livros.

Além de coordenadora de uma destas ações, Vânia é uma das tantas mães brasileiras que mora na Itália e que se encontra numa situação atípica: viver uma quarentena com filho pequeno, por conta da pandemia do Coronavírus. Enquanto escrevo este artigo, milhares de crianças de todo o mundo, inclusive as brasileiras, se encontram na mesma situação das italianinhas.

Young mother, read a book to her child, boy in the living room of their home, rays of sun going through the window

E então me pergunto: o que fazer quando a realidade se torna insustentável, quando o tédio toma conta da vida, a desesperança começa a bater na porta, os dias não passam, as ruas continuam desertas, mas não se pode descer para andar de bicicleta ou brincar?

Talvez seja a hora de ler ou ouvir um texto literário inteligente e envolvente, daqueles que propagam a esperança. Eu chamo estes textos de “história com alma”, porque eles trazem alívio e conforto e tratam de temas que são universais, como os valores humanos. Nesta categoria estão os contos de fadas, e eles foram os primeiros escolhidos para os vídeos que tenho produzido para enviar à Francesca e seus amiguinhos.

A boa literatura torna o mundo mais habitável, nos desliga das preocupações e nos coloca num outro lugar, o da ficção. Envolvida pelo espaço ficcional, a criança pode vivenciar a experiência e as emoções do personagem e esquecer as suas angústias. E mais, a partir do encontro com o personagem e sua história, ela pode ativar seus próprios sentimentos e sair do espaço ficcional, quem sabe tocada, quem sabe modificada, ainda que não tenha essa consciência no momento da leitura ou da audição.

As boas histórias nos conectam com nossa essência, o que é de grande valia nesses tempos difíceis, e nos ajudam a manter a serenidade e o equilíbrio. Assim como o brincar, ler e contar histórias favorece a presentificação do sujeito, o que pressupõe estar inteiro na experiência literária e se encontrar a partir dela. Abrir um bom livro literário é um ganho para pais e filhos, com uma vantagem: o livro não precisa ligar na tomada.

Fonte: News Rondônia

Biblioteca e tecnologia na construção de um mundo melhor

Democratização da leitura e dos grupos virtuais de discussão de livros

Por MARCOS MIRANDA | PRESIDENTE DO CONSELHO FEDERAL DE BIBLIOTECONOMIA

Uma pesquisa da TIC Domicílios revelou que 70% dos brasileiros usam a internet, representando 126,9 milhões de pessoas. É muito raro encontrar alguém que não esteja conectado, especialmente na era da tecnologia na palma da mão, afinal, 230 milhões de smartphones estavam ativos no Brasil em 2018, de acordo com a 30ª Pesquisa Anual de Administração e Uso de Tecnologia da Informação nas Empresas.

Muitos acreditam que essa evolução tecnológica tornou desafiador o incentivo à leitura. Como a biblioteca pode disputar a atenção dos leitores com a tecnologia?

O debate é importante neste mês do bibliotecário (março), pois, com o surgimento das primeiras novidades tecnológicas, retornou também o mito de que os livros de papel desapareceriam das prateleiras, sendo substituídos por arquivos eletrônicos. Alguns também apostavam que a leitura se tornaria um hábito do passado, em função das redes sociais, videogames e filmes.

Entretanto, observa-se que o livro impresso, em sua materialidade e intelectualidade, ainda existirá por muito tempo. Muitos leitores se deliciam em manusear o livro físico, folhear suas páginas, sentir seu cheiro e contemplar o formato.

Ao contrário do que se pensava, a tecnologia se tornou uma aliada das bibliotecas, bibliotecários e usuários. A inovação propiciou a automação dos serviços, processos e produtos de informação, garantindo acesso mais rápido na busca e recuperação da informação.

A tecnologia ainda incrementou o compartilhamento dos acervos de documentos e dados com o surgimento das bibliotecas digitais, democratizando a leitura, a produção e o acesso a e-books.

Os bibliotecários podem participar amplamente da promoção de serviços e produtos nas redes sociais na era da tecnologia. A parceria entre bibliotecas e tecnologia também pode contribuir parao incentivo à leitura.

As gerações que nasceram e cresceram na era digital, cada vez mais, utilizam dispositivos para acessar a informação e leitura. Os grupos de discussões sobre livros, rodas de leitura, compartilhamento de acervos e, até mesmo, os clubes de livro virtuais são uma realidade entre os jovens.

A aliança se tornou forte e benéfica em função da atualização constante dos bibliotecários. Nota-se como é importante utilizar a inovação para fornecer serviços de qualidade e acompanhar as mudanças no mundo.

As bibliotecas marcam presença no ciberespaço, promovendo a interação entre os usuários nas redes sociais para atender necessidades de informação específicas, orientar a leitura, disseminar informações, eventos, fóruns etc.

O jovem pode dar o primeiro passo rumo a uma vida de leituras incríveis e enriquecedoras ao encontrar as bibliotecas também no mundo digital.

Fonte: O Tempo

Clássico da literatura infanto-juvenil, “O Pequeno Príncipe” ganha versão em braille

O livro “O Pequeno Príncipe”, do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, é um dos grandes clássicos da literatura-infanto juvenil mundial com traduções para mais de 360 idiomas e dialetos. E em 2014 essa obra também ganhou uma versão inclusiva escrita em braille, publicada pelo artista e deficiente visual Claude Garrandes, com o apoio da Fundação da Juventude Antoine de Saint-Exupéry. No entanto, a versão em braille foi produzida com edição limitada, tornando-se um objeto raro.

Infelizmente, a oferta de livros em braille ainda é limitada e de difícil acesso para a população. Mas existem instituições que trabalham nessa área com o intuito de promover a inclusão de deficientes visuais no mundo literário, como é o caso da Fundação Dorina Nowill para Cegos e o Instituto Benjamin Constant.

Fundação Dorina Nowill para Cegos

A Fundação Dorina Nowill para Cegos produz anualmente milhares de páginas em braille de livros didático-pedagógicos, paradidáticos, literários e obras específicas solicitadas pelas pessoas com deficiência visual. Os livros são distribuídos gratuitamente em escolas, bibliotecas, associações e organizações que possuem esse cunho social. Além dos livros em braille também são feitas versões audio descritivas e digitais.

Para quem tiver o interesse nas obras, a fundação disponibiliza o empréstimo de mais de 1600 títulos falados por meio da Biblioteca Circulante do Livro Falado. Para solicitar o empréstimo, é necessário preencher um ficha de cadastro escolhendo de 15 a 20 títulos de interesse disponíveis no acervo, que também podem ser alterados posteriormente. Cada pessoa pode retirar até três livros por vez e permanecer com eles por até 60 dias.

Os empréstimos podem ser feitos por correio ou pessoalmente, a biblioteca fica localizada na Rua Dr. Diogo de Faria, 558 – Vila Clementino – SP, e o horário de atendimento é de segunda a sexta, das 8h às 17h. Para mais informações, entre em contato pelo e-mail biblioteca@fundacaodorina.org.br ou  pelo telefone (11) 5087-0991.

Instituto Benjamin Constant

O Instituto Benjamin Constant, localizado no Rio de Janeiro, produz obras didáticas e paradidáticas com o objetivo de suprir a necessidade de escolas públicas, bibliotecas públicas e instituições sem fins lucrativos que atuam nesse setor.

Para fazer a solicitação das obras o responsável pela instituição deve assinar os livros desejados na listagem de livros em braille e preencher a solicitação para recebimento de livros em braille disponíveis no site do Benjamin Constant, além de informar o nome completo do aluno, data de nascimento e nível de escolaridade.

Cada instituição pode solicitar até 50 títulos e as solicitações devem ser encaminhadas para o e-mail dib@ibc.gov.br ou pelos correios aos cuidados da Divisão de Imprensa Braille (DIB).

Fonte: São Paulo para Crianças

Bebeteca ‘Maurinho Martos’: espaço para formar pequenos leitores e cidadãos

Escape poético

Tese da FaE investiga livros não ficcionais para crianças que lançam mão de elementos da literatura e das artes visuais

No livro Plume, publicado em 2012, a escritora e ilustradora francesa Isabelle Simler oferece breve compêndio de aves, desde as mais comuns, como a galinha e o pato, até outras menos conhecidas, como o íbis e o martim-pescador. Destinado ao público infantil, o volume fornece informações sobre os bichos – nesse sentido, é natural pensar que se trata de um livro restrito à divulgação científica. Mas a autora introduz ao menos um elemento que incita à imaginação: em cada página, aparece um pedaço do corpo de um gato, de nome Plume (pena, em francês).

A obra de Isabelle Simler é exemplo claro de um produto híbrido, que introduz elementos ficcionais na não ficção, e um dos 30 livros, brasileiros e estrangeiros, analisados na pesquisa de doutorado do bibliotecário Marcus Vinícius Rodrigues Martins, defendida em fevereiro deste ano no Programa de Pós-graduação em Educação da UFMG.

“Investiguei obras que apresentam a ideia de complementaridade, nas quais se encontra a ficção dentro da não ficção. Elas trabalham a informação e, ao mesmo tempo, a delicadeza e a imaginação”, comenta Marcus Vinícius. Segundo ele, os livros não ficcionais superam a perspectiva do conteúdo didático e escolarizante, oferecendo maneiras diferentes de as crianças ampliarem seu repertório em espaços como a casa, um museu, um parque ou uma biblioteca fora da escola.

Página de Plume: presença do gato estimula a imaginação
Página de Plume: presença do gato estimula a imaginaçãoAcervo da pesquisa

“Esses livros têm em comum um escape poético, eles fazem a informação dialogar com a literatura e as artes visuais. Além disso, convocam à participação do pequeno leitor, que interage com a obra. Faz-se uma aliança da voz da criança com a do adulto especialista. Em um dos volumes que estudei, o autor sugere que o leitor fotografe nuvens, antes de abordar o assunto do ponto de vista científico”, explica o pesquisador.

Pêndulo ampliado

De acordo com Marcus Vinícius Martins, os estudos sobre obras não ficcionais para a infância são incipientes, mesmo em países com tradição de pesquisa sobre livros infantis. A base bibliográfica para seu trabalho incluiu produção teórica em português, francês, espanhol e inglês. “Encontrei, com muita frequência, nesse material, uma separação bem marcada entre ficção e não ficção, o que parece explicar a falta de construções teóricas sedimentadas”, diz o bibliotecário.

Marcus explorou a metodologia de expansão na arquitetura de sua análise. Com isso, ele logrou “ampliar o pêndulo entre ficcionalidade e não ficcionalidade para pensar a obra híbrida e dar visibilidade ao uso de dispositivos ficcionais, como forma de quebrar a racionalidade científica tão presente na não ficcionalidade”, segundo trecho da tese.

O autor ressalta que, nas escolas, o interesse é maior pelos livros de ficção, e as obras não ficcionais são tratadas apenas como suporte didático para conteúdos disciplinares. Ele considera que esses livros têm potencial mais amplo, de “abrir um tema e apresentar o mundo” ao público infantil. Na tese, Marcus recorre a ideias da teórica canadense Nikola Von Merveldt para esclarecer a interação entre imagem e palavra. “Muitos livros não ficcionais equiparam o texto visual e o verbal na construção da informação. Assim, não há sobreposição de discursos para informar o leitor. Ademais, elementos como a fuga de convenções referentes à divulgação científica e a multiplicidade de vozes dialogam para atingir um constructo verbal e visual coerente”, escreve o agora doutor em educação, que foi orientado pela professora Célia Abicalil Belmiro.

Um dos aspectos a que Marcus Vinícius Martins pretende se dedicar é o da mediação. Segundo ele, é preciso discutir como conduzir rodas de leitura com base nas obras híbridas e apresentar esse gênero a mediadores em potencial, como professores, pedagogos e bibliotecários. O pesquisador sugere ainda alguns temas para futuros estudos, como a presença de recursos como gráficos, infográficos e mapas conceituais nas obras não ficcionais, novos direcionamentos para a divulgação de ciência, o intercâmbio da educação artística com a científica e a estética da não ficção.

TeseLivros não ficcionais para crianças
Autor: Marcus Vinícius Rodrigues Martins
Orientadora: Célia Abicalil Belmiro
Defesa: 12 de fevereiro, no Programa de Pós-graduação em Educação

Itamar Rigueira Jr.

Jornada Leitura no Cárcere reúne 2,5 mil participantes em todo o país

FOTO: No Maranhão, participantes assistem à Jornada da Leitura no Cárcere – Claudia Gouveia / Justiça Presente

Despertar o interesse e estimular as pessoas em privação de liberdade para a leitura, enfatizando o poder dos livros na redução das penas e a importância da educação para o retorno à sociedade: esses foram os temas debatidos durante a Jornada Nacional da Leitura no Cárcere, evento transmitido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e constituído por palestras assistidas por mais de 2,5 mil pessoas em todos os estados do país, com mais de 7 mil visualizações registradas.

As palestras foram realizadas pela internet nos dias 5, 6 e 7 de fevereiro e estão disponíveis no canal do CNJ no YouTube. Com o apoio dos coordenadores estaduais do programa Justiça Presente, diversas salas coletivas presenciais foram organizadas no Amazonas, Amapá, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Santa Catarina e Tocantins. As salas tiveram a presença de magistrados, representantes do Executivo, do Ministério Público e da Defensoria Pública, servidores e outros entusiastas.

Em depoimentos comoventes, detentos com penas a cumprir, egressos do sistema penitenciário, juízes de varas de execução penal, escritores, professores, voluntários, editores de livros e profissionais do sistema de Justiça apresentaram experiências nas prisões que mostram como o acesso aos livros e o mergulho na leitura têm ajudado as pessoas privadas de liberdade.

A jornada é uma iniciativa do Observatório do Livro, apoiada pelo Programa Justiça Presente. O programa é parceria entre o CNJ, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e o Ministério da Justiça e da Segurança Pública e busca enfrentar problemas históricos no sistema prisional e socioeducativo do Brasil.

Jornada

Nas palavras do presidente do Observatório da Leitura, Galeno Amorim, “a Jornada Leitura no Cárcere é algo permanente”. Entusiasta da redução de pena pela leitura e responsável pela mediação nas palestras, Galeno explicou que a Jornada seguirá anualmente e que as experiências e informações transmitidas ficarão disponíveis de forma gratuita por meio dos vídeos das palestras. A meta é sensibilizar voluntários a criar clubes de leitura em presídios que ainda não contam com essa possibilidade para remição de pena.

Entre os módulos disponíveis no YouTube a partir do evento, o primeiro apresenta uma visão geral do tema, com a apresentação de projetos de leitura bem-sucedidos em prisões brasileiras, depoimentos de egressos do sistema prisional que tiveram redução da pena pela leitura e a visão de professores e escritores que são voluntários em clubes de livros no cárcere.

O segundo módulo traz o testemunho de pessoas privadas de liberdade que se tornaram leitores vorazes, de pessoas em privação de liberdade que tiveram livros publicados, de editores que colocaram seus serviços à disposição de pessoas presas para publicação de novas obras e de voluntários apaixonados por projetos de remição da pena pela leitura.

O terceiro e último módulo detalha as normas que garantem a redução do tempo de prisão por meio da leitura, aborda os desafios de fazer com que essa política ganhe escala nas prisões, orienta pessoas que desejam ser voluntárias e coloca a necessidade de uma maior parceria entre Judiciário e Executivo dos estados para que esse direito esteja disponível ao maior número possível de presos.

Ler reduz penas

A mobilização pelo estímulo à leitura ao longo do cumprimento da pena de privação de liberdade tem por base a Recomendação n. 44/2013 e a Resolução CNJ n. 307/2019, ambas do CNJ. A Recomendação orienta os tribunais a permitir que os detentos reduzam a pena por meio da leitura. Para cada livro lido, o detento tem quatro dias de redução do seu tempo na prisão, desde que apresente um resumo do livro em até 30 dias após a leitura.

Resolução CNJ n. 307/2019, por sua vez, instituiu uma Política de Atenção a Pessoas Egressas do sistema prisional e coloca a necessidade de ações para a reinserção social das pessoas privadas de liberdade. Com base nas regras da redução das penas por meio de ações educativas, a Jornada Leitura no Cárcere colocou o tema da remição pela leitura em discussão, mostrando clubes de livro em várias prisões.

No entanto, para que essas ações ganhem escala nas superlotadas unidades prisionais, a Jornada buscou orientar potenciais voluntários a organizar projetos que visem criar novos clubes de leituras e bibliotecas e ampliar o número de pessoas para a leitura das resenhas escritas pelos presos. A redução da pena por livro lido é aceita após o leitor preso apresentar um resumo do livro. Essa resenha deve ser validada para que o benefício seja concedido. Conforme as regras em vigor, cada detento pode ter até 48 dias de redução da pena por ano após a leitura de 12 livros.

Um dos suportes para a expansão dos clubes de leitura nas prisões e acesso mais amplo dos presos às bibliotecas é a maior aproximação entre o Judiciário e o Executivo nos estados. A finalidade é que representantes dos dois poderes busquem atuar de forma conjunta e complementar para tornar a remição da pena pela leitura uma política efetiva nas prisões.

Um dos desafios dos clubes de leitura das prisões é estimular a criação de grupos de voluntários para acompanhar os detentos, de forma que as resenhas escritas por eles sejam lidas e encaminhadas aos juízes de execução penal para a validação da remição da pena.

Luciana Otoni
Agência CNJ de Notícias

Fonte: CNJ

BOLSONARO E OS PRESIDENTES QUE LIAM

Temer abrigou Moreira sem mexer na biblioteca

(Texto foi alterado para incluir a informação sobre Getúlio Vargas, no primeiro parágrafo)

O Brasil tem dois ex-presidentes com assento na Academia Brasileira de Letras (ABL): José Sarney e Fernando Henrique Cardoso. Morto em 1954, Getúlio Vargas ocupou a cadeira nº 37. Juscelino Kubitschek passou perto da instituição: em 1975, perdeu a eleição para a cadeira nº 1 por dois votos para o goiano Bernardo Élis.

Ao contrário de muitos de seus antecessores que eram leitores apaixonados ou ao menos, avalistas de políticas culturais e de estímulo à leitura, a relação do presidente Jair Bolsonaro com esse universo é de descaso ou desconforto.

Em novembro, passou despercebido que pela primeira vez em 25 anos, o presidente não anunciou a Ordem do Mérito Cultural, a principal condecoração do setor, que prestigia artistas de todos os segmentos: literatura, artes plásticas, teatro, cinema e música. No Dia Nacional da Cultura de 2019, Bolsonaro comandou cerimônia de balanço dos 300 dias de governo.

Na semana passada, o presidente irritou-se com perguntas sobre a reforma da biblioteca do Planalto para abrigar o gabinete da primeira-dama Michelle Bolsonaro. “Estão descendo a lenha que a biblioteca vai diminuir em vez de elogiar a primeira-dama”, reclamou, e “deu uma banana” para os jornalistas.

No mês passado, Bolsonaro criticou os livros didáticos e prometeu que em sua gestão, “virão com a bandeira do Brasil na capa, o hino nacional e um estilo mais suave”. Depois, soltou a frase emblemática: “Os livros hoje em dia, como regra, é [sic] um amontoado de muita coisa escrita”.

Há anos Bolsonaro reitera que seu livro de cabeceira é a “Verdade Sufocada”, do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, acusado de torturar presos no DOI-Codi. Nunca citou outro título. Seu desprezo pelo universo artístico, especialmente literário, contrasta com a postura de muitos de seus antecessores.

Temer abrigou Moreira sem mexer na biblioteca

Depois que transmitiu o cargo para o general Costa e Silva, o marechal Castello Branco planejava se dedicar à leitura dos clássicos da literatura universal e a escrever suas memórias, conforme relato de Lira Neto na biografia do primeiro presidente do regime militar.

É singular que Castello tenha passado os seus últimos dias na fazenda da escritora Rachel de Queiroz, no Ceará, de quem era amigo próximo. Mas ele viria a falecer quatro meses após deixar o cargo, vítima de acidente aéreo. Entre os destroços do bimotor, próximo ao seu corpo, encontraram um exemplar da primeira edição de “Iracema”, autografado pelo próprio José Alencar. Era um presente de Rachel a um terceiro, mas ela receava que Castello o surrupiasse para incorporá-lo à sua biblioteca.

Juscelino Kubitschek prezava especialmente a companhia de escritores. Declarava que nunca recebeu denúncias de corrupção envolvendo sua equipe, que se não estava trabalhando, estava em processo de criação, sem tempo para atos de improbidade.

O ministro da Casa Civil de JK era o escritor e crítico literário Álvaro Lins; o secretário de Imprensa era o escritor mineiro Autran Dourado; e seu conselheiro pessoal e redator de discursos era o poeta Augusto Frederico Schmidt. Subchefe de gabinete, o escritor Cyro dos Anjos redigiu uma das mensagens anuais ao Congresso a quatro mãos com o antropólogo Darcy Ribeiro.

Meses antes, no exercício do mandato de governador de Minas Gerais, Juscelino esteve com Getúlio Vargas às vésperas do gesto fatal. Getúlio foi a Belo Horizonte para a inauguração de uma usina e aceitou o convite para pernoitar no Palácio das Mangabeiras. Insone, tomado pela angústia, foi flagrado por Juscelino com um exemplar de Eça de Queirós nas mãos. “Nunca durmo sem antes ler um pouco”, justificou, em passagem que consta do último volume da trilogia “Getúlio”. Doze dias depois, daria cabo da própria vida.

José Sarney foi jornalista, é poeta e escritor, autor, entre outros títulos, de dois romances: “Saraminda” e “O Dono do Mar”. Sociólogo e professor universitário, FHC publicou dezenas de obras nas áreas de sociologia e ciência política. Nos últimos anos, assinou quatro volumes de seus diários na Presidência.

Dilma Rousseff e Michel Temer são leitores ávidos e frequentes. Sarney convenceu Temer a recriar o Ministério da Cultura e foi autor da Lei do Livro, sancionada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que regulamentou o setor literário e instituiu programas de fomento à leitura.

Na abertura da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em 2004, Lula fez a infeliz comparação de um livro a uma esteira de ginástica: “Dá preguiça começar, mas depois de vinte minutos a gente vê como é importante.”

Com o tempo, Lula se converteria à leitura. Divulga-se hoje, equivocadamente, que ele começou a ler na prisão em Curitiba. Na verdade, ele se tornou um leitor frequente em 2011, quando se submeteu ao tratamento do câncer na laringe. Na ocasião, leu as biografias de Getúlio, João Goulart, Franklin Roosevelt, Nelson Mandela.

Num país com problemas candentes como desemprego e profunda desigualdade social, desmontar a biblioteca do palácio parece uma filigrana, mas é um aceno ruim para um governo que almeja entrar para a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A instituição responde pelo Pisa, avaliação internacional que testa estudantes nas áreas de leitura, matemática e ciências. Em leitura, o Brasil ficou no 58º lugar no ranking de 80 países na última prova. Um relatório do Banco Mundial estimou que, nesse ritmo, o Brasil vai demorar 260 anos para atingir o nível de países desenvolvidos em leitura.

Quando Michel Temer criou a Secretaria-Geral da Presidência para acomodar Moreira Franco no Planalto, desalojou a Subsecretaria de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, que passou a funcionar no prédio da Vice-Presidência.

Com o deslocamento do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) para o Ministério da Economia, há gabinetes vazios no Planalto que poderiam acomodar a primeira-dama e preservar o espaço de leitura, memória e pesquisa.

O Brasil pode ser admitido na OCDE mesmo com mau desempenho no Pisa e uma massa de analfabetos funcionais. Mas será algo como chegar a uma festa sofisticada, com trajes rotos e sapatos sujos, pela porta dos fundos.

Andrea Jubé é repórter de Política em Brasília. Escreve às terças-feiras

Fonte: Valor Econômico

‘A produção de autoria negra é muito maior do que o mercado editorial apresenta’

Quilombola capixaba, Mirtes dos Santos criou primeiro clube de leitura antirracista por assinatura do país

Texto por Vitor Taveira, do Século Diário

Mirtes dos Santos (Foto: Pedro Borges – Alma Preta)

Ativista do movimento negro, Mirtes dos Santos nasceu na comunidade quilombola de Angelim, em Conceição da Barra, norte do Estado. Mestre em Direito e Sociologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF), ela acredita na importância no incentivo à leitura e valorização da literatura afro-brasileira e da diáspora africana como estratégia para combater o racismo e a discriminação em nossa sociedade.

Por isso ela criou o Pretaria BlackBooks, considerado o primeiro Clube de Leitura por Assinatura com foco nas questões étnico-raciais e no combate ao racismo. A cada mês os assinantes recebem um livro sugerido por uma equipe de curadoras. “Nosso trabalho é pioneiro e totalmente desenvolvido por mulheres negras, ativistas e pesquisadoras das literaturas e das relações étnico-raciais no Brasil e no mundo”, conta.

Confira a entrevista que ela deu ao Século Diário.

Por que surgiu a ideia de criar um clube de leitura antirracista?

Os clubes de leituras existentes não destacam a literatura produzida por escritores não brancos ou que tratam temáticas relacionadas às questões raciais, racismo e antirracismo, portanto, a Pretaria vem para para atender essa demanda urgente dos leitores e tornar-se o primeiro Clube de Leituras por Assinatura do Brasil do gênero especializado em literatura antirracista, voltado para a valorização da literatura afro-brasileira e da diáspora africana, através do incentivo à leitura e da capacitação dos leitores nas temáticas das relações étnico-raciais com foco na superação do racismo e da discriminação.

Como é o funcionamento do Pretaria?

Enviamos aos nossos assinantes do Clube de Leituras Pretaria BlackBooks todo mês, uma BlackBox com livros que fazem parte do nosso Programa de Formação Antirracista, contendo um livro, brindes e dicas de leitura focadas na conscientização, desconstrução e superação do racismo. Em parceria com autores e editoras, apresentamos aos nossos leitores obras e trabalhos artísticos que estão em consonância com os objetivos da Pretaria. E estamos abertos a novas parcerias.

Como é feita a seleção dos livros que são enviados aos sócios?

Nós temos um projeto pedagógico de formação antirracista, em que nosso grupo editorial, composto por uma curadoria técnica e convidadas, escolhe alguns dos principais livros que são indicados em cada BlackBox do mês. Estas obras possuem conteúdos que contribuem para o processo de conscientização, desconstrução e superação do racismo e preconceitos.

Como ser membro do Clube?

O assinante do Clube Pretaria BlackBooks acessa o site www.pretaria.com.br, escolhe um dos planos de assinaturas e recebe em casa uma Blackbox mensal contendo um livro, brindes e dicas de leitura. O prazo de adesão ao Clube é todo dia 20 do mês, escolhendo um dos planos de assinaturas na plataforma da Pretaria. O recebimento é no final de cada mês.

Que tipo de serviços são oferecidos?

O Clube de Leituras Pretaria BlackBooks é um serviço por assinaturas, nós disponibilizamos três planos que compreendemos como etapas no processo de formação antirracista. Cada BlackBox contém livros que parte desde a conscientização, desconstrução até a superação do racismo. Não estamos prometendo um milagre, mas sim um diálogo à sociedade brasileira para buscar a eliminação dos preconceitos e discriminações raciais por meio do incentivo à leitura.

Qual a importância da produção acadêmica e literária para o enfrentamento do racismo no Brasil e no mundo? Como a literatura se articula com o ativismo?

A partir de 1978, a produção literária afro-brasileira dinamiza-se bastante por conta da criação da série Cadernos Negros, que, publicando contos e poemas, tem se tornado o principal veículo de divulgação da escrita daqueles que resolvem colocar no papel suas experiências e visão de mundo. Além de proporcionar espaço para os criadores, a série, organizada pelo Quilombhoje, também vem se tornando um instrumento para o exercício das leis 10.639 e 11.645 [que tratam do ensino da história e cultura afro-brasileiras], pois se constitui numa fonte extremamente rica para veiculação da cultura, do pensamento e do modo de vida dos afro-brasileiros.

Essas obras dos escritores afro-brasileiros têm dificuldade de circular nos meios hegemônicos? Por quê?

Hoje já percebemos maior acesso dessas obras em espaços hegemônicos, como grandes editoras e eventos literários, mas os autores negros e negras no Brasil publicavam suas obras através de produções e editoras independentes, como os cadernos negros do Quilombohoje, que revela grandes nomes da literatura brasileira há mais de 40 anos. Um exemplo é a Conceição Evaristo, hoje uma das escritoras negras mais lembradas quando se fala de autoria negra, mas seus livros só foram conhecidos do grande público após seus 70 anos de idade, quando já eram conhecidos há tempos principalmente por grupos de militantes e pesquisadores das temática das diversidades.

Há um crescimento notável nos últimos anos das publicações de autores negros e negras no Brasil e dos livros com temática étnico-racial? A que atribui isso?

Sim, na verdade a produção de autoria negra é muito maior do que o mercado editorial ou as livrarias apresentam, porém, nos últimos anos alguns autores ganharam notoriedade na mídia ao denunciar a ausência destes em importantes eventos literários no Brasil como na Flip em 2018 [Feira Literária Internacional de Paraty, um dos mais importantes eventos de literatura do Brasil], assim como a reivindicação da inclusão de autores negros nos currículos escolares.

Que autores ou obras você recomenda para quem está querendo um primeiro contato com a literatura antirracista?

Indicamos na BlackBox de dezembro de 2019, em parceria com a Editora Nandyala, que inaugurou o nosso Programa de Formação Antirracista do Clube, a importante obra teórica Racismo & Sociedade (2012), do escritor cubano Carlos Moore, pela editora Nandyala. A obra do autor possibilita ao leitor uma compreensão das raízes epistemológicas do racismo na história da humanidade. Já na BlackBox de janeiro 2020, em parceria com a Editora Letramento, disponibilizamos aos nossos leitores o mais novo lançamento no Brasil, a versão em português do Best-Seller Por que não converso mais com pessoas brancas sobre raça (2019), da premiada jornalista britânica Reni Eddo-Lodge. Eddo-Loge já escreveu para o New York Times, The Voice, Daily, Telegraph, Guardian, Independent, Stylist, The Pool, Dazed and Confused e New Humanist, mas este é seu primeiro livro.

Fonte: Geledés

Pesquisadora investiga a relação entre memória e emoção durante processo de leitura

Confira a entrevista com a doutoranda em Estudos Linguísticos da Universidade Federal de Uberlândia, Maria de Fátima de Mello.

Texto por Tarde Nacional – Brasília

A doutoranda em Estudos Linguísticos da Universidade Federal de Uberlândia, Maria de Fátima de Mello, investiga a relação entre memória e emoção durante processo de leitura. O tema faz parte de pesquisa acadêmica desenvolvida por ela. Durante entrevista ao programa Tarde Nacional, ela explicou que a memória é um elemento fundamental durante o processo de leitura e compreensão do texto. Segundo a pesquisadora, conteúdos emocionalmente intensos são mais facilmente aprendidos.

“A maneira como os alunos são afetados em sala de aula pelas experiências vivenciadas na vida escolar deixam marcas que não serão esquecidas totalmente com o passar do tempo e que terão muita influência na relação dele com a leitura e com o aprendizado da leitura”, explica.

Ouça a entrevista completa sobre o tema no player:

Fonte: EBC

Governo Doria cria comissão para analisar escolha de livros para presidiários de SP

FOLHAPRESS

Rogério Gentile E Guilherme Seto

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A gestão João Doria (PSDB) decidiu criar uma comissão para avaliação dos livros disponibilizados aos detentos do estado de São Paulo pelo programa Remição em Rede. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (13) após reunião entre membros da administração estadual e as entidades responsáveis pelo projeto.

A Folha de S.Paulo revelou que a administração Doria havia vetado uma lista de livros do projeto que continha autores consagrados como o colombiano Gabriel García Márquez, o franco-argelino Albert Camus, o cubano Leonardo Padura e a norte-americana Harper Lee, entre outros.

O governo do estado negou, em um primeiro momento, que tenha havido censura. No entanto, posteriormente, por meio de nota, disse que a Funap (órgão do governo responsável por desenvolver programas sociais nos presídios) determinou nesta quinta (13) que o programa inclua a lista de livros indicada inicialmente pelo projeto.

O Remição em Rede é administrado com a participação da empresa Jnana Consultoria (da educadora Janine Durand), do grupo Mulheres do Brasil, e das editoras Record, Planeta, Todavia e Boitempo.

Na mesma nota, a administração estadual afirma que “foi definida a criação de uma equipe multidisciplinar composta por integrantes da Funap, da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) e do Mulheres do Brasil para tratar do processo de escolha de obras e da metodologia de condução dos clubes de leitura.”

Até então, não havia essa análise prévia da lista de livros por parte do governo do estado. O pacote era elaborado pelo grupo que criou o Remição em Rede, que informava os livros que seriam enviados e os remetia para a Funap.

O Remição em Rede implementou clubes de leitura em dez penitenciárias na gestão Márcio França (PSB). Na primeira fase do projeto, de setembro de 2018 a agosto de 2019, houve participação de 200 presos.

Além de estimular a leitura, o programa contribui para a chamada remição da pena, que consiste na possibilidade de o presidiário abreviar o tempo de cumprimento de sua pena por meio do estudo.

Cada livro lido pode diminuir a pena em quatro dias. O preso pode ler 12 livros por ano e conseguir com isso até 48 dias de remição da pena. Para isso, ele também precisa escrever uma resenha, que é encaminhada ao juiz regional para que seja efetivada a diminuição da pena.

Em julho de 2019, o governo do estado renovou o programa Remição em Rede por mais 12 meses. O objetivo era ampliar o alcance para 400 presos, incluindo mais dez presídios.

No mês seguinte, as quatro editoras participantes doaram 240 exemplares de 12 títulos, que seriam acrescentados à biblioteca circulante já existente.

Os livros, no entanto, não foram remetidos pela Funap aos presídios. Em dezembro, as organizadoras do projeto solicitaram uma reunião com a fundação, órgão do governo responsável por desenvolver programas sociais nos presídios, para entender o que estava acontecendo.

“Nos avisaram ali que a lista de livros havia sido riscada na íntegra pelo diretor executivo da instituição, o coronel Henrique Pereira de Souza Neto”, afirma a educadora Janine Durand, articuladora do projeto, que tem custo zero para o poder público.

“Depois falaram que o problema estava concentrado em três obras, mas não nos informaram em quais”, afirma. “Essa situação toda nos deixou estupefatos.”

Em razão dos protestos contra a censura, disse Janine, a Funap pediu o envio de uma mensagem de texto com uma justificativa para a escolha de cada um dos livros, o que ocorreu na mesma semana.

A resposta veio no dia 3 de dezembro. Reginaldo Caetano da Silva, superintendente da diretoria de atendimento e promoção humana da Funap, declarou que a justificativa seria encaminhada à chefia de gabinete da instituição.

No texto, o diretor afirma que havia sido indicado “um título que, diante das novas propostas da gestão atual, não atende ao que se espera para a população atendida pela Funap.”

Ele não indica no e-mail qual é a obra censurada. A Funap também não revelou à Folha qual seria o livro, e tampouco o especificou na reunião desta quinta-feira (13).

Doze livros formam a lista: “As Cartas Que Não Chegaram”, de Maurício Rosencof; “Vá, Coloque Um Vigia”, de Harper Lee; “Crônica De Uma Morte Anunciada”, de Gabriel Garcia Márquez; “O Estrangeiro”, de Albert Camus; “O Fim de Eddy”, de Édouard Louis; “O Amor Que Sinto Agora”, de Leila Ferreira; “Bonsai”, de Alejandro Zambra; “Caderno de Memórias Coloniais”, de Isabela Figueiredo; “O Quarto Branco”, de Gabriela Aguerre; “Enquanto Os Dentes”, de Carlos Eduardo Pereira; “Cabo de Guerra”, de Ivone Benedetti; e “Paisagem de Outono”, de Leonardo Padura.

Os livros compõem um amplo leque de temas e pode ser difícil apontar os conteúdos que teriam desagradado a direção do órgão do governo do estado.

O romance “Cabo de Guerra”, da editora Boitempo, tem como narrador da história um agente de governo infiltrado nos grupos de esquerda durante a ditadura militar brasileira.

Crítica do livro publicada na Folha de S.Paulo aponta que “o que mais atordoa [no livro] não é a brutalidade dos militares, mas a passividade do protagonista. A ausência de culpa sobre os atos que levam à morte de diversas pessoas é transtornante”.

Padura é um dos mais importantes escritores cubanos de sua geração, para citar outro possível óbice para os avaliadores da Funap. “Paisagem de Outono”, da Boitempo, faz parte da tetralogia “Estações Havana”, na qual as investigações criminais do protagonista Mario Conde são utilizadas por Padura para desvelar sua visão sobre a sociedade de Cuba.

“O Fim de Eddy”, da editora Tusquets, é o relato de um processo de formação “marcado pela descoberta sofrida da homossexualidade num ambiente social asfixiante, no qual a fome e a miséria moldavam o cotidiano das pessoas”, segundo análise publicada na Folha de S.Paulo.

Em dezembro, diante da medida adotada pelo governo, as organizadoras do projeto solicitaram a devolução dos livros doados.

“Agradecemos a colaboração e permanecemos à disposição para qualquer outro esclarecimento”, respondeu a Funap na mensagem em que comunicou a restituição.

OUTRO LADO

Em nota da terça-feira (11), a gestão Doria afirmou que “não faz juízo de valor dos livros” e ressaltou que “não há nenhum tipo de censura ou veto a livros”.

Nesta quinta (13), disse que o Remição em Rede vai contribuir com o programa Lendo a Liberdade, da Funap, “que disponibiliza 650 mil livros para leitura espontânea, sem vinculação com remição de pena,  em 206 salas de leitura nas unidades prisionais.”

O trabalho resultou, informa o governo do estado, no “empréstimo no empréstimo de quase 612 mil obras aos reeducandos, além de 18 mil atendimentos nos Clubes de Leitura.”

TENDÊNCIA

A medida do governo paulista encaixa-se em contexto mais amplo de censura a obras artísticas no Brasil.

No começo do mês, a Secretaria de Educação de Rondônia distribuiu um memorando e uma lista de livros para serem recolhidos das escolas por conterem o que foi definido como “conteúdos inadequados” a crianças e adolescente. A pasta voltou atrás após questionamentos à medida.

A lista das obras censuradas incluía 43 títulos, de autores como Caio Fernando Abreu, Carlos Heitor Cony, Euclides da Cunha, Ferreira Gullar, Nelson Rodrigues, Rubem Fonseca, Franz Kafka, Mário de Andrade e Machado de Assis.

No ano passado, diversos espetáculos foram atacados ou censurados pelo governo federal, sob comando de Jair Bolsonaro, ou por algum de seus órgãos.

Parte deles, como o músico Arnaldo Antunes, a peça “Res Publica 2023”, pôsteres de filmes nacionais que estavam nos corredores e no site da Ancine (Agência Nacional de Cinema) e o longa-metragem “Bruna Surfistinha”, foi reunida em festival contra a censura promovido pela Prefeitura de São Paulo em janeiro de 2020

Fonte: GaúchaZH

BOCA DO CÉU 2020

Foto: Pedro Napolitano Prata | Boca do Céu 2018
EDITAL BOCA DO CÉU 2020 – INSCRIÇÕES ABERTAS
 
A nona edição internacional do Boca do Céu será de 25 a 30 de maio de 2020, tendo como sede principal a Oficina Cultural Oswald de Andrade, no Bom Retiro, em São Paulo – espaço maravilhoso que já foi a casa do Boca em outros anos.
 
Na última edição, em 2018, nós realizamos pela segunda vez este edital, o que nos permitiu conhecer diversas contadoras e contadores de histórias de todo o Brasil e de fora daqui. Foram quase 70 inscrições, das quais uma parte foi convidada a compor a programação do Boca do Céu nos espaços por onde as histórias passaram naquele ano.
 
O resultado tem sido muito bonito e tem trazido muito aprendizado – acreditamos que para todas e todos – então resolvemos seguir nessa caminhada.
 
Anunciamos, com muita alegria, portanto, que estão abertas as inscrições para o Edital 2020 do Boca do Céu! Sejam muito bem vindas e bem vindos e boa sorte para todo mundo!
 
Links:
Datas:
Inscrições: 06 de fevereiro a 06 de março de 2020
Resultados: 30 de março de 2020 – no nosso site: www.bocadoceu.com.br
 
Dúvidas, críticas, sugestões e afagos: edital@bocadoceu.com.br

Projeto incentiva idosos de Santo André a praticarem hábito da leitura

Realizado por meio de parceria da Prefeitura com o Governo do Estado, Clube de Leitura 6.0 promove envelhecimento ativo e saudável

Texto por Daniele Vieira

Prefeitura de Santo André lançou o projeto Clube de Leitura 6.0
Crédito: Alex Cavanha/PSA

A Prefeitura de Santo André lançou nesta quarta-feira (12) o projeto Clube de Leitura 6.0. A iniciativa visa incentivar o hábito de ler em munícipes da terceira idade, promovendo assim um envelhecimento ativo e saudável.

O projeto é realizado em parceria com o Fundo Estadual do Idoso, vinculado ao Governo do Estado de São Paulo, e oferece leitura gratuita de livros digitais, rodas de conversas e sessões semanais de biblioterapia em grupo.

A iniciativa é realizada em 18 cidades paulistas e Santo André é o primeiro município do ABC a contar com o programa. Cada clube de leitura possui, em média, dez membros, que se reúnem uma vez por semana para ler e falar sobre o livro lido. Os encontros, de duas horas, são sempre no mesmo lugar e horário.

Na primeira parte, as leituras, em voz alta ou individualmente, são feitas nos tablets fornecidos pelo projeto. Em seguida, acontecem as rodas de conversa com sessões de biblioterapia. Voluntários ensinam os idosos a manusear os aplicativos de leitura em tablets, celulares e computadores.

O lançamento do projeto contou com a presença do prefeito Paulo Serra, que aproveitou a ocasião para anunciar que o Crisa (Centro de Referência do Idoso de Santo André) vai passar a funcionar em um novo espaço.

“É importante a gente dividir com vocês que vamos ter um novo Centro de Referência do Idoso de Santo André. Assinamos um contrato com o Tênis Clube e no mês de abril, aniversário da cidade, quem vai ganhar o presente é a nossa melhor idade, com a belíssima estrutura do Tênis Clube, e a ampliação dos trabalhos realizados no Crisa”, comentou o prefeito.

O Clube de Leitura 6.0 é uma iniciativa do Observatório do Livro e da Leitura, uma fundação privada com sede em Ribeirão Preto, selecionada em edital para captar recursos pelo Fundo do Idoso do Estado de São Paulo.

“A importância do projeto é muito grande, porque a gente trabalha com a longevidade, buscamos isso para a nossa população, quando fazemos isso criamos um novo desafio, que é como envelhecer com saúde. O projeto vai nesta direção porque, através destes clubes de leitura, conseguimos ter uma escuta empática, socialização e a possibilidade muitas vezes, através das histórias dos livros, de lidar com a vida de outra maneira”, afirmou o secretário de Cidadania e Assistência Social, Marcelo Delsir.

Interessados em se inscrever devem entrar em contato com o Crisa, no telefone 4992-8132, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, ou nos Cras (Centros de Referência de Assistência Social) Utinga, Vila Luzita, Alzira Franco ou Ana Maria.

Relação dos Cras participantes:

Cras Vila Luzita

Estrada do Pedroso, 236 – Vila Luzita

Telefone: 4455-8527

Cras Utinga

Av. Utinga, 1971 – Vila Metalúrgica

Telefone: 4994-4766

Cras Alzira Franco

Rua Amapola, s/n – Jardim Alzira Franco

Telefone: 4437-2932

Cras Ana Maria

Praça Venâncio Neto – Avenida Nestor de Barros, s/n – Jardim Ana Maria

Telefone: Não disponível

Fonte: Portal ABCdoABC

Governo de SP censura livros de projeto de leitura para presidiários, diz articuladora

Governo de SP é acusado de vetar distribuição de livros para presos

A Fundação “Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel” (Funap), vinculada à Secretaria Estadual da Administração Penitenciária (SAP), vetou uma lista de 11 obras literárias de uma iniciativa de estímulo à leitura que funcionava em penitenciárias do estado de São Paulo, segundo a articuladora do projeto. Na relação, havia títulos como “Crônica de uma morte anunciada”, do colombiano Gabriel García Márquez, “O estrangeiro”, de Albert Camus, e “Inverno”, de Leonardo Padura.

Procurada, a Funap nega a censura. Está marcada para a tarde desta quinta-feira (13), na sede do órgão, no Centro da capital paulista, na qual se discutirá a inclusão dos livros nos projetos de leitura frequentado pelos presos paulistas (leia mais abaixo).

A relação dos livros foi feita pelo projeto Remição em Rede, que realizou, entre setembro de 2018 e agosto de 2019, uma atividade de incentivo à leitura com um grupo de 200 presos. Cada livro lido pode diminuir a pena em quatro dias. O detento pode ler 12 livros por ano e conseguir com isso até 48 dias de remição da pena.

De acordo com Janine Durand, educadora e articuladora do projeto Remição em Rede, em julho de 2019, a Funap renovou a parceria para executar o programa de incentivo à leitura por mais 12 meses.

Segundo Janine, um mês depois, o projeto entregou à Funap 240 exemplares, 20 de cada um dos 11 títulos, para serem incorporados a uma biblioteca circulante já existente no sistema prisional. Compõem a relação as seguintes obras:

  • “As cartas que não chegaram”, de Maurício Rosencof
  • “Vá coloque um vigia”, de Harper Lee
  • “Crônicas de uma morte anunciada”, de Gabriel Garcia Marques
  • “O estrangeiro”, de Albert Camus
  • “O fim de Eddy”, de Édouard Louis
  • “O amor que sinto agora”, de Leila Ferreira
  • “Bonsai”, de Alejandro Zambra
  • “Caderno de Memórias Coloniais”, de Isabela Figueiredo
  • “O quarto branco”, de Gabriela Aguerre
  • “Enquanto os dentes”, de Carlos Eduardo Pereira
  • “Cabo de Guerra”, de Ivone Benedetti
  • “Inverno”, Leonardo Padura

Todos eles foram doados por quatro editoras: Recordo, Todavia, Companhia das Letras e Boitempo.

No entanto, segundo Janine, esses livros nunca saíram da Funap. “Desde a entrega dos livros, não tivemos nenhum retorno sobre a retomada do projeto”, explica a articuladora do Remição em Rede.

No dia 25 de novembro de 2019, Janine conta ter participado de uma reunião na Funap, ocasião em que quis esclarecer sobre a não retomada do projeto. Ela diz ter ouvido a seguinte sugestão feita por Reginaldo Caetano da Silva, superintendente da diretoria de atendimento e promoção humana da Funap: “[A relação dos 11 livros sugeridos] Não são títulos muito adequados aos presos, vocês têm livros mais para autoajuda?”.

Janine diz ter ficado perplexa com o que ouviu. Nessa reunião, conta ter se negado a alterar a relação dos títulos. “Nosso trabalho é feito por voluntários, a Funap tem mediadores que nós formamos, articulamos clubes de leitura. A elaboração da lista de livros não é aleatória, escolhemos autores consagrados, de vários países. A ideia é incentivar a leitura de obras literárias, e fazer com que os presos tenham uma cidadania plena, não trabalhamos com autoajuda nesse projeto”, explica a educadora.

Janine conta ainda que, para retomar o projeto com aqueles 11 títulos, a Funap solicitou uma justificativa por escrito para que cada uma das obras fosse utilizada pelo projeto. “Prometeram nos responder dois dias depois de enviar as justificativas. Fizemos isso e não tivemos nenhum retorno.”

Como não obteve resposta da SAP, Janine diz ter sido obrigada a pegar os livros de volta, no dia 27 de dezembro. “A gente escuta falar de censura, mas, quando ela se materializa na sua frente, é muito chocante.”

O que diz o governo

A Fundação “Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel”- Funap disse por meio de nota que “o programa “Lendo a Liberdade” disponibiliza 650 mil títulos em 206 salas de leitura mantidas pela Fundação nas Unidades Prisionais, o que resultou, em 2019, no empréstimo de quase 612 mil obras aos reeducandos, além de 18 mil atendimentos nos Clubes de Leitura”. “Trata-se de programa prioritário, como estratégia de reintegração social e, por tal motivo, sua expansão no sistema penitenciário paulista recebe permanente incentivo.”

Ainda de acordo com a nota da Funap, “dos títulos disponíveis, 115 são indicados para a atividade específica de remição de pena pela leitura, pelo qual o preso pode diminuir sua pena”. “São obras dos mais diversos gêneros literários, origens e matizes ideológicos. Entre os autores, estão George Orwell, Franz Kafka, Gabriel Garcia Márquez, Ernest Hemingway, Mia Couto, José Saramago, Machado de Assis, Jorge Amado, Luiz Ruffato, Marcelo Rubens Paiva, Marçal Aquino, Fernando Moraes, Patrícia Campos Mello, Aldous Huxley, Jack London, Ian McEwan e J.M. Coetze. O programa faz um rodízio de títulos e é possível que os livros sugeridos entrem futuramente para remição pela leitura. Por isso, não há nenhum tipo de censura ou veto a livros.

O projeto “Remição em Rede” é apenas uma pequena parte de todo um trabalho desenvolvido. Será realizada uma reunião nesta quinta com a colaboradora que sugeriu as obras para debater a inclusão das publicações.”

Fonte: G1 São Paulo

A leitura é livre

Se ataques à democracia provocam preocupações, São Paulo e Rondônia, cada estado a seu modo, resolveram dar a sua contribuição negativa ao censurar livros de autores consagrados da literatura nacional e internacional.

Em 6 de fevereiro, a Secretaria de Educação rondonense mandou recolher das escolas uma série de obras por trazer “conteúdos inadequados” a crianças e adolescentes. Entre eles estão clássicos como “Macunaíma”, de Mário de Andrade, e “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis.

Ao ser questionado, o governo de Rondônia disse que tudo era “fake news”. Mas, após reportagem comprovar que se tratava de um memorando oficial, o estado recuou e desistiu da empreitada.

De maneira semelhante, a administração João Doria (PSDB-SP) vetou uma lista de livros de um projeto de leitura para presidiários do estado. Entre eles estavam obras de autores renomados, como o colombiano Gabriel García Márquez, o franco-argelino Albert Camus e a norte-americana Harper Lee.

Em nota, o governo afirmou que não fazia juízo de valor sobre os livros escolhidos e que tampouco os tivisse censurado. Já a fundação responsável pelo projeto, ligada ao Palácio dos Bandeirantes, declarou que uma das obras (sem especificar qual), “diante das novas propostas da gestão atual, não atende ao que se espera a população atendida”.

Não há dúvida de que o alerta foi acionado, tanto em Roraima como em São Paulo. É perigoso quando buracratas se sentem no direito de decidir o que pode e o que não pode ser lido pela população.

O que esses censores não entendem é que, quando mais de proíbem os livros, mais fortes e necessários eles se tornam.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), durante evento em novembro de 2019 – Zanone Fraissat – 11.nov.2019/Folhapress

Fonte: Agora São Paulo

II SIMPÓSIO INTERNACIONAL E V NACIONAL DE TECNOLOGIAS DIGITAIS NA EDUCAÇÃO

Apresentação

Enquadrado no tema geral “Leitura e Escrita no Mundo Digital”, o II Simpósio Internacional e V Nacional de Tecnologias Digitais na Educação – IV – SNTDE 2020, promovido pelo Grupo de Estudos e Pesquisas Sobre Tecnologias Digitais na Educação – GEP – TDE da Universidade Federal do Maranhão – UFMA, estimula a discussão sobre o uso pedagógico das tecnologias na educação, assim como a apresentação de trabalhos originais relacionados às temáticas do evento.

O V – SNTDE 2020 será realizado entre os dias 04 e 07 de Agosto de 2020 nas dependências do Centro Pedagógico Paulo Freire da Universidade Federal do Maranhão em São Luís – MA e contará com a participação de pesquisadores e Nacionais e Internacionais.

Na programação do evento contamos com apresentações de trabalhos completos, resumos (poster), conferências, palestras, mesas redondas e minicursos. Contamos com a sua presença !!

Será fornecido certificado de participação de 40 horas para todos os inscritos e também os artigos aceitos pela comissão científica serão divulgados em anais eletrônicos e e-book com ISBN e selo da editora EDUFMA.

Mais informações: https://doity.com.br/sntde2020?fbclid=IwAR11zJEeb69LRAqxkrEMj84zxXA_4qYM-HJEHMnWjrm92KcX07A9yeEdSME

Marisa Lajolo e Regina Zilberman traçam a história da literatura na perspectiva do leitor e da leitura

Especialistas em literatura avaliam como se deu a formação da sociedade leitora no país

A prática da leitura ainda não está plenamente ativa entre os brasileiros: 44% da população não lê e 30% nunca comprou um livro, de acordo com pesquisa Retratos da Leitura do Instituto Pró-Livro. Nesse cenário, Marisa Lajolo e Regina Zilberman apresentam a edição revista da obra A formação da leitura no Brasil, lançamento da Editora Unesp, originalmente publicada em 1996.

“Apresentamos um traçado consistente do nascimento, da consolidação e das transformações das práticas de leitura da sociedade brasileira, sem ignorar o fato de que cada época, cada obra e cada autor trazem consigo características próprias. Por esse viés, acompanhamos, fascinados, o amadurecimento do leitor – o que, por consequência, também nos esclarece sobre as conexões intrínsecas entre o universo fantasioso (e fantástico) da literatura e o mundo social em que habitamos”, explicam as autoras.

O livro propõe, além da representação da leitura e do leitor nas obras brasileiras dos séculos XIX e XX, uma reflexão sobre o papel do aparelho escolar no âmbito da criação e veiculação da literatura, e a identificação dos processos de remuneração do intelectual, com suas idas e vindas, avanços e recuos ao longo de duzentos anos de história. “Não ignoramos os aspectos próprios ao universo das letras, como a influência escolar na massificação da literatura, os processos de remuneração do escritor e a questão de gênero. Esta ganha especial relevância na análise da formação de um público leitor feminino, na transição entre os séculos mencionados, quando a mulher, ainda que limitada aos afazeres domésticos, acaba por desencadear a popularização de um filão literário mais específico: a prosa de ficção”.

Do primeiro ao último capítulo de A formação da leitura no Brasil, da construção do leitor à leitora no banco dos réus, várias histórias se enovelaram. “A emancipação do leitor encena, de certo modo, o processo de libertação de que se originou a sociedade moderna. Nesse sentido, narrar a formação da leitura no Brasil significa também narrar, sob esse viés, a história da modernização de nossa sociedade. Essa história que parece não ter um final feliz sinaliza que também a outra história, a do leitor, não termina bem”.

Sobre as autoras – Marisa Lajolo é professora da Unicamp e da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Publicou várias obras sobre leitura no Brasil. Em 2009, em parceria com João Luís Ceccantini, organizou a obra Monteiro Lobato, livro a livro: Obra infantil, eleito pelo Prêmio Jabuti o melhor livro de 2009 na categoria não ficção, publicada pela Editora Unesp. Regina Zilberman possui graduação em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1970), doutorado em Romanística – Universidade de Heidelberg (Ruprecht-Karls) (1976), e pós-doutorado no University College (Inglaterra) (1980-1981) e na Brown University (EUA) (1986-1987). Uma das maiores especialistas brasileiras em literatura infantojuvenil.

Título: A formação da leitura no Brasil
Autoras: Marisa Lajolo e Regina Zilberman
Número de páginas: 468
Formato: 16 x 23 cm
Preço: R$ 74,00
ISBN: 978-85-393-0819-4

Assessoria de Imprensa da Fundação Editora da Unesp
imprensa.editora@unesp.br
(11) 3242-7171 ramal 517

Fonte: Editora Unesp

TJ-SP anula lei estadual que previa remição da pena por meio de leitura

Texto por Tábata Viapiana

Viola a competência privativa da União a lei estadual que cria uma modalidade de remição da pena. Assim entendeu o Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo ao declarar a inconstitucionalidade da Lei Estadual 16.648/2018, que institui nos presídios paulistas a possibilidade de remição da pena de presos que leiam ao menos um livro por mês.

TJ-SP anulou lei estadual que previa remição da pena por meio da leitura

A ação direta de inconstitucionalidade foi movida pela Procuradoria-Geral de Justiça contra o governador do Estado e o presidente da Assembleia Legislativa. A decisão no Órgão Especial se deu por unanimidade.

“Não se está a criticar o instituto da remição da pena pela leitura, mas a discutir se o ente federativo (Estado) poderia (ou não) criá-lo e regulamentá-lo, por veículo legislativo próprio. A norma jurídica em tela tem por assunto-chave a remição da pena, instituto pertencente às searas do direito penal e do direito processual penal (execução penal)”, disse o relator, desembargador Beretta da Silveira, que completou: “A definição e regulamentação desse instituto somente poderia dar-se por meio de lei federal”.

O desembargador também afirmou que houve “flagrante invasão da iniciativa privativa do chefe do Poder Executivo”. A lei impugnada é de iniciativa parlamentar e, segundo Beretta da Silveira, “não apenas determinou a criação de novo órgão administrativo na unidade carcerária, mas também lhe atribuiu funções específicas no controle e avaliação das atividades de leitura e correção das resenhas a serem ulteriormente apresentadas pelos presos”, o que só pode ser feito por iniciativa do Executivo.

Neste caso, conforme o relator, houve violação aos artigos 24, § 2º, e 47, inciso XIX, alínea a, da Constituição do Estado – e, por reflexo, violação aos artigos 61, § 1º, inciso II, e 84, inciso VI, ambos da Constituição da República.

Fonte: Consultor Jurídico

Mediação de leitura e censura: uma rima em busca de solução

PUBLISHNEWS, HENRIQUE RODRIGUES

Em sua coluna, Henrique Rodrigues aponta para possíveis caminhos para a circulação livre de ideias no mundo dos livros

A essa altura do campeonato, o episódio da lista de livros que seriam recolhidos pela Secretaria de Educação de Rondônia já teve algum desfecho. Mas como práticas censoras têm se tornado rotineiras no país, é possível que, infelizmente, esta coluna já esteja encadeada com um novo caso. Se não, vamos lá.

A tentativa de cerceamento da circulação de obras literárias é um dos maiores problemas na área do livro nos últimos tempos. A ele se somam todas das dificuldades do setor, algumas de ordem basicamente econômica, como a crise editorial surgida há alguns anos e que, ao que tudo indica, está longe de se resolver, haja vista a declaração de falência e fechamento de grandes redes de livrarias. Os índices de leitura historicamente baixos, ao que parece, já deixam de impactar qualquer um, uma vez que são o retrato real da ausência de investimentos tanto de políticas públicas quanto nos bolsos dos cidadãos. Naturalmente, há uma relação natural entre ambas lacunas, pois se as pessoas não são educadas para valorizar a leitura ao longo da vida, só por milagre isso aconteceria em escala. Não por acaso, as melhores iniciativas de incentivo à leitura no Brasil geralmente são de curta cobertura, às vezes alcançando a casa dos milhares, mas nunca chegando aos milhões – que é realmente o volume dos que têm direito à educação e à cultura e não recebem como deveriam.

Nesse cenário com ilhas de resultados e um oceano de abandono, o perigo da censura surge como grande ameaça, porque conta com o forte ingrediente da ignorância e com largo poder de alcance. Segundo as diretrizes ultraconservadoras dos grupos que assumiram o Poder Executivo nos últimos anos, ocupando prefeituras e governos estaduais e federal, a leitura literária, assim como as manifestações culturais em geral, estariam a serviço de pensamentos e práticas subversivas e conspiratórias. Entram aí desde o fantasma ameaça comunista até nomes que sempre foram hors concours no país, como Paulo Freire ou Chico Buarque, passando por proibições de bruxas em livros infantis até a incompreensão de metáforas rudimentares. Ainda que muitos casos recaiam para o campo do anedótico de tão absurdos, precisamos lembrar que entre o riso e o choro só existe o nariz, como bem disse Millôr Fernandes.

Em Rondônia, o argumento oficial para a composição da lista de livros a serem recolhidos foi a suposta denúncia de que um livro de Rubem Fonseca contém… palavrão. Mesmo que já tenham vindo a público os áudios comprovando a censura, em que a gerente de Educação Básica replica uma ordem do secretário de Educação, Suamy Vivecananda Lacerda Abreu, o discurso oficial é tão ensaboado que faria um bagre tremer nas bases. A culpa teria sido dos técnicos, que fizeram o pente-fino das obras e a minuta do ofício, que não teria sido assinado e emitido, o que também não é verdade, pois o sistema trabalha com assinatura eletrônica, que consta no documento.

É provável que, em função da repercussão negativa da tentativa de censura, evidenciada pelo fato de o Estado de Rondônia ter decretado sigilo na tramitação de documentos (o que é ilegal), as altas chefias daquela secretaria esteja à caça dos responsáveis pelo vazamento da ordem contendo a lista. É provável que, identificado, o indivíduo seja sumariamente exonerado, no mínimo. Pela minha rápida experiência numa secretaria de Educação, lembro-me que as equipes técnicas são geralmente formadas por professores que já tiveram experiência em sala de aula, mas que precisam a todo tempo cumprir ordens de chefias passageiras, que pouco ou nada entendem do assunto por serem meras indicações políticas. E preciso dar toda minha solidariedade e empatia a esse/a educador/a que, ao divulgar a lista, fez cumprir o juramento de quando se formou na profissão: eu também não pensaria duas vezes.

E é nesse ponto que precisamos observar o que pode ser feito nesse cenário, já que as práticas de censura não devem terminar tão cedo. Muitos casos não vêm a público, pois no Brasil o modelo de Operação Abafa é bastante eficiente, seja nas esferas públicas ou privadas, porque o medo de perder o emprego é real e faz com que muitos trabalhadores em funções operacionais, mesmo com formação e experiência, se convertam em braços silenciosos da censura.

Mas vale lembrar: os censores raramente se assumem como tal, quase sempre utilizam o codinome de protetores da família e da moral, alardeando conceitos tão tortos que fariam a Torre de Pisa se tornar ângulo reto. O fato é que essas figuras quase sempre têm muito medo da exposição, de maneira que, com as redes sociais, é muito fácil tornar pública uma situação de censura. E a ética jornalística assegura o sigilo das fontes: denunciemos, com nome e sobrenome, pessoas de poder que praticam censura.

E como postar nas redes sociais nossas indignações às arbitrariedades não adianta muita coisa, creio que vale apontarmos para o campo da mediação de leitura, que é nossa grande lacuna para que o acesso à literatura se dê em mais volume e de forma espontânea (prometo desenvolver o assunto na próxima coluna), vejamos que a lista de Rondônia contém 43 livros, entre os quais obras de Machado de Assis, Kafka, Carlos Heitor Cony, Mário de Andrade, Rubem Fonseca e “todos os livros de Rubem Alves”. É uma relação de excelentes obras para serem trabalhadas em clubes de leitura e debatidas em sala. Mais que uma afronta adolescente de fazer o proibido diante de ordem superior, é preciso respeitar os clássicos como uma herança cultural. Se há dúvidas sobre como fazer, sugiro a leitura de Como e por que ler os clássicos universais desde cedo, da Ana Maria Machado. Aliás, autora estupidamente censurada há pouco mais de um ano.

Cada obra dessa lista puxa muitos fios de leituras. Por exemplo, debater o conto Feliz Ano Novo, de Rubem Fonseca, pode ser uma grande oportunidade de suscitar reflexão sobre as desigualdades sociais ainda muito fortes no país, além de poder se falar sobre o funcionamento do próprio aparelho censor. O texto foi proibido de circular em 1975 por, segundo registro oficial, “exteriorizar matéria contrária à moral e aos bons costumes”, sendo publicado novamente apenas em 1989. Penso em como deve ser triste para o autor ter vivido para ver seu livro passando por um novo ciclo de censura.

Não podemos nos esquecer de que muitas pessoas são favoráveis à proibição de obras literárias cujo conteúdo seja um pouco mais complexo e questionador. Tal como ocorre em Rondônia, onde o governador está ligado a movimentos como a “Marcha para Jesus” há uma relação direta entre grupos religiosos neopentecostais e a nova censura. Esse novo populismo, no qual a cartilha do pastor deve ser seguida à risca pelos fiéis, cria situações em que as próprias famílias são orientadas a apontar obras literárias como supostamente ofensivas.

Não estranha que tenha sido um vereador pastor (ou o contrário?) que incitou o recente episódio envolvendo o romance juvenil Enfim, capivaras, da escritora gaúcha Luisa Geisler, cuja participação na feira do livro da cidade de Nova Hartz (RS) foi cancelada. Robinson Bertuol, do PSC, afirmou como quem vence uma batalha: “Para a alegria das crianças e felicidade dos pais, o livro foi retirado de circulação e autora não virá para Feira do Livro de Nova Hartz.” A autora, cuja trajetória muito bem-sucedida na literatura acompanho há anos, tem certo paralelo com Rubem Fonseca nesse caso, pois a censura foi causada pelo mesmo conteúdo social para o qual muitos querem fechar os olhos. No caso, o comportamento real da nova geração de jovens brasileiros.

É bastante danoso não conseguirmos oferecer, da forma como deveria ser feito, a literatura de qualidade produzida no Brasil atualmente, especialmente porque há uma variedade de temas, estilos e dicções sendo publicadas em todo o território. Ao mesmo tempo, não é raro encontrar cidades pelo país cujas únicas livrarias existentes são evangélicas. Desse modo, a leitura literária se torna uma obrigação pelo direito ao acesso à diversidade cultural, garantido pela Constituição.

Mais do que nunca, é importante lembrar que vivemos oficialmente numa democracia, na qual a circulação de ideias, da fabulação e da fruição artística em geral são direitos garantidos por lei. Aos casos como o de Rondônia, mais um dos muitos em voga, cabe o combate em todos os campos possíveis, nas escolas, bibliotecas e outros espaços físicos e digitais existentes, para que não se configurem como eventos normais do cotidiano.

A própria expressão utilizada para a operação, “pente-fino”, remete à popular cata de piolhos, conferindo aos livros o mesmo status dos parasitas que devem ser erradicados das cabeças dos alunos. Em tempo, o mesmo termo “parasita” foi utilizado recentemente pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, para se referir a servidores públicos.

É preciso que artistas da palavra, editores, educadores e pais que não concordam com as práticas censoras denunciem, exponham essas tentativas de cerceamento, ao mesmo tempo em que lancem mão de atividades que abram as cucas dos alunos. A censura, no fim das contas, é o grande parasita que, cada vez mais, tenta ganhar espaço na cabeça de tantos brasileiros.

Fonte: PUBLISHNEWS

Mil e uma possibilidades de leitura

O Podcast do PublishNews recebeu Pedro Miliet, consultor em tecnologia digital em acessibilidade, para falar sobre o mercado de livros acessíveis

Texto por Talita Facchin

Em um país com mais de 6,5 milhões de pessoas com alguma deficiência visual, a acessibilidade na leitura é um assunto de extrema importância. Para entender mais sobre o papel do livro acessível no mercado editorial, o Podcast do PublishNews conversou com Pedro Miliet, consultor em tecnologia digital em acessibilidade, hoje vinculado ao Consórcio Daisy.

Quando falamos sobre livros acessíveis, o que logo vem na memória é o livro em braile, mas existem vários outros formatos disponíveis e o investimento para ajudar o deficiente visual é o que não falta. “Nos últimos 20 anos nós tivemos uma evolução no campo da tecnologia para o deficiente visual que mudou completamente a vida das pessoas”, contou.

O crescimento do mercado de audiolivros, o incentivo dos governos ao redor do mundo e os reflexos da Lei Brasileira de Inclusão (LBI) também pautaram a conversa. Pedro explicou de maneira didática como a Lei interfere no mercado. “Em primeiro lugar ela estabelece a obrigatoriedade de oferecer um formato acessível sempre que uma pessoa com deficiência quiser comprar”, explicou, enumerando ainda outras especificidades da Lei e o que precisa ser melhorado. “O que falta aqui, é a comunicação e a informação para a pessoa com deficiência visual desse Brasil enorme, ter consciência dos direitos que ela tem”, declarou lembrando ainda que outro ponto a ser considerado é o alto índice de desemprego da pessoa com deficiência visual.

Pedro Miliet

Além da LBI, para Pedro, do ponto de vista de compromisso com a produção de livros acessíveis, o mercado brasileiro está muito adiante da maior parte do mundo. “Essa obrigatoriedade do livro em formato Daisy e depois em formato ePUB do PNLD é uma revolução em termos de acessibilidade relativamente ao mundo. Não há, acredito, outro país no mundo que tenha esse tipo de exigência com relação ao mercado editorial”, declarou.

Novas maneiras de ler, os desafios de se fazer um livro acessível, a evolução da qualidade das vozes, os avanços no campo da interatividade e nas ferramentas de leitura, a criação de avatares mais interativos, a importância dos metadados e para onde caminha o mercado dos livros acessíveis também fizeram parte da conversa.

O Podcast do PublishNews é um oferecimento da Metabooks, a mais completa e moderna plataforma de metadados para o mercado editorial brasileiro, da UmLivro, novo modelo de negócios para o mercado editorial: mais livros e mais vendas, e da Auti Books, dê ouvidos a sua imaginação, escute Audiobooks. Você também pode ouvir o programa pelo SpotifyiTunesGoogle PodcastsOvercast e YouTube.

Fonte: PUBLISHNEWS

Ônibus-biblioteca leva sonhos e conhecimento para o extremo sul de São Paulo

Iniciativa, da líder comunitária Sônia Estela, conhecida no movimento sindical como Fumaça, e do coletivo Perifeminas, teve a ajuda e a solidariedade de dirigentes e funcionários do Sindicato e de moradores da região da Barragem

Leonardo Guandeline

Foto: Seeb-SP

Um convite ao conhecimento e a um mundo onde ainda é possível sonhar, mesmo com toda a ignorância dominante e as sucessivas tentativas de censura por parte de alguns governantes às artes. Na Barragem, periferia no extremo sul de São Paulo, a líder comunitária Sônia Estela, conhecida no movimento sindical como Fumaça, materializou, ao lado das irmãs Sidneia e Silvani, do coletivo Perifeminas, um sonho: o de democratizar no bairro, um dos mais pobres da capital paulista, o acesso à leitura.

Com a ajuda de moradores da região, a pracinha da Rua Dois agora tem uma biblioteca comunitária funcionando em um antigo ônibus revitalizado em esquema de mutirão. No entorno, vasos de flores feitos com pneus, ao lado de placas com alguns dizeres como “amizade”, “afeto” e “solidariedade”, embelezam a praça.

Dentro do veículo, porém, um novo colorido, o dos livros, reluz nos olhos principalmente dos mais novos. As obras, cerca de 400 neste primeiro momento, foram doadas em sua maioria por dirigentes e funcionários do Sindicato, em uma corrente de solidariedade, amor e socialização do conhecimento.

“Doar um livro é um gesto de amor. É um ato transformador, tanto para quem o faz quanto para os que recebem. Além do acesso ao conhecimento, a literatura nos permite sonhar, argumentar, contestar, mudar e revolucionar”, enfatiza Sônia Estela.

Além das doações de livros, a líder comunitária destaca o voluntariado dos vizinhos. “Foi uma corrente de amor ao próximo, de solidariedade, de esforço conjunto e de ajuda mútua. É uma melhoria para as pessoas, para a região, para o nosso crescimento enquanto ser humano. Diferentemente do “voluntariado” praticado por alguns bancos, como o do Santander, este tem um caráter social, de transformação, humanidade, entrega”, acrescenta.

No próximo dia 29, outro projeto parceiro do Sindicato, o CineB Solar, este sustentável e de democratização do acesso ao cinema nacional, estará na pracinha da Barragem exibindo o filme “Selvagem”, de Diego da Costa. Os convites para a sessão ao ar livre podem ser retirados com Silvani, no próprio ônibus-biblioteca.

Para que a biblioteca da Barragem continue a levar histórias e conhecimento para a região, toda a ajuda é bem-vinda. Bancários interessados em doar livros em bom estado podem fazê-lo diretamente a um dirigente do Sindicato (veja aqui os endereços e contatos das regionais) ou pessoalmente na Sede da entidade, na Rua São Bento, 413 (Edifício Martinelli), Centro.

“Aqui os livros censurados pelo governo de Rondônia; principalmente os escritos por Machado de Assis, Mário de Andrade, Nelson Rodrigues e Rubem Fonseca; são bem-vindos”, salienta Sônia Estela.

 Fonte: Spbancarios