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Humanidades Digitais

Humanidades digitais e o papel das Bibliotecas

O uso de recursos de humanidades digitais, como mapeamento do sistema de informação geográfica (SIG), visualizações de dados e mineração de textos está transformando o estudo das ciências humanas em faculdades e universidades em todo o mundo – e as bibliotecas acadêmicas estão desempenhando um papel central na orientação do uso dessas tecnologias.

De fato, a biblioteca é o principal motivador e defensor do uso das humanidades digitais na maioria das universidades, comprovando o valor da biblioteca no fortalecimento da missão da sua instituição.

Essas conclusões vêm de um estudo envolvendo quase 200 bibliotecários acadêmicos de todo o mundo, conduzido em junho e julho de 2019 pelo Library Journal em conjunto com a Gale, uma empresa Cengage. Os destaques da pesquisa estão detalhados neste relatório.

A pesquisa revela que o uso das humanidades digitais está aprimorando o ensino e as atividades acadêmicas das instituições de ensino superior na maioria dos países. Por exemplo, o uso de ferramentas de análise de texto está trazendo novas ideias para o estudo de obras literárias, e as ferramentas de mapeamento GIS estão ajudando estudantes e acadêmicos a aprofundar sua compreensão das tendências e períodos históricos. Apesar das incursões das instituições, existe uma lacuna significativa no uso das humanidades digitais entre grandes universidades de pesquisa e faculdades menores. Isso sugere uma oportunidade importante para bibliotecas acadêmicas em instituições com menos alunos para assumir uma posição de liderança ao trazer esses recursos para seus campi.

A falta de conhecimento entre os professores é uma das principais razões citadas pelas quais faculdades e universidades não atualmente oferecem recursos de humanidades digitais, e os bibliotecários podem ajudar a resolver esse desafio criando a capacidade do corpo docente de usar essas ferramentas. O custo também é um fator, sugerindo a necessidade de ferramentas econômicas que removem barreiras à academia  digital. Embora apenas uma pequena maioria (54%) das faculdades e universidades ofereça atualmente humanidades digitais, outras 20% planejam adicionar essas capacidades ou estão em processo de fazer isso. As instituições que atualmente as oferecem descobriram que essas ferramentas e métodos estão tornando os temas de humanidades mais acessíveis a uma gama maior de pessoas.

UTILIZAÇÃO DE HUMANIDADES DIGITAIS

Segundo a pesquisa, as tecnologias mais comuns de humanidades digitais em uso atualmente são o mapeamento GIS (usado por 42% das instituições), visualizações de dados (35%) e mineração de texto (33 por cento). A pesquisa sugere que as instituições na vanguarda do uso da tecnologia têm maior probabilidade de incorporar ferramentas de humanidades digitais em seus programas. Em toda a pesquisa, cerca de 5% dos entrevistados descreveram a cultura de sua instituição como um “inovador” em tecnologia e outro 14% disseram que são “pioneiros”. Essas porcentagens são um pouco maiores entre as instituições com recursos de humanidades digitais – e crescem dramaticamente entre instituições que possuem um centro de humanidades dentro da biblioteca.

Embora as humanidades digitais sejam freqüentemente usadas como uma ferramenta de ensino, raramente são oferecidas como uma ferramenta separada campo de estudo, especialmente em instituições menores. Apenas um terço das faculdades e universidades oferece humanidades como um curso individual ou como crédito eletivo para outro curso. Quatorze por cento oferece como diploma de bacharel, 8% como mestrado e apenas 6% oferece como bacharelado. Atualmente, apenas um quarto das instituições traz esses recursos para aulas de 100 níveis ou seminários. Os departamentos que mais se envolvem com as humanidades digitais são os Departamentos de História e Inglês, seguidos pela Literatura e Artes Visuais.

IMPACTO NA APRENDIZAGEM E NA ACADEMIA

Os participantes da pesquisa descreveram várias maneiras inovadoras pelas quais os professores de suas instituições estão usando as humanidades digitais para aprimorar o ensino e a pesquisa. Essas ferramentas e métodos estão envolvendo mais estudantes no estudo de ciências humanas, enquanto expandem o conhecimento de conteúdo dos alunos e sua perspicácia digital.

Na Universidade de Wisconsin-Milwaukee (UWM), um projeto colaborativo chamado “March on Milwaukee” digitalizou artefatos históricos da luta da cidade por direitos civis. Mapas interativos, cronogramas, e outras ferramentas digitais adicionam um contexto valioso que enriquece a compreensão dos alunos sobre o tópico. O projeto teve um “impacto profundo” no ensino da história pública, diz Ann Hanlon, chefe de coleções para bibliotecas UWM.

Os recursos de humanidades digitais ajudam a dar vida aos conceitos abstratos, explica Wendy Kurtz, especialista em humanidades digitais da Gale, professora do Departamento de Espanhol e Português da Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA). “Os alunos podem experimentar o conteúdo com o tato e visualmente com a ajuda de ferramentas de humanidades digitais ”, diz ela.

Além de ajudar na compreensão, essas ferramentas permitem que pesquisadores e estudantes expressem seu conhecimento de maneiras novas e empolgantes.

Muitos professores que consultam o Laboratório de Humanidades Digitais da UWM incorporam recursos multimodais às tarefas em seus cursos, como fazer com que os alunos criem seus próprios podcasts. “Os alunos são capazes de ver a si mesmos como produtores de conhecimento em vez de apenas consumidores ”, diz Hanlon.

Sarah Ketchley, outra especialista em humanidades digitais da Gale que ensina uma Introdução ao Digital do Curso de humanidades da Universidade de Washington, diz que as humanidades digitais ajudam a envolver uma gama de estudantes no estudo de ciências humanas. “Tenho alunos de ciências e humanidades da minha turma”, ela observa. “Por exemplo, tenho estudantes de ciência da computação que estão interessados ​​em fazer uma análise computacional de textos de humanidades. As humanidades digitais como campo de estudo derrubaram barreiras em todo o mundo. ”

O envolvimento de estudantes na criação de artefatos de humanidades digitais tem muitos benefícios, observaram os entrevistados. Aqui estão alguns dos exemplos que eles citaram:

  1. “As humanidades digitais deram aos alunos novas experiências de pesquisa que mudaram seus planos de carreira. “
  2. “As humanidades digitais aumentaram a confiança dos alunos no uso da tecnologia”.
  3. “Isso levou os alunos a experimentar coisas novas e expandir sua gama de habilidades bem como aprender o pensamento crítico em torno da tecnologia.”

O PAPEL DA BIBLIOTECA EM CONDUZIR A CAPACITAÇÃO EM HUMANIDADES DIGITAIS

A biblioteca é líder em ajudar e melhorar o uso de humanidades digitais no campus. Três quartos das bibliotecas acadêmicas oferecem serviços ad hoc que suportam projetos de humanidades, revela a pesquisa – e um quarto das instituições possui centro de humanidades digitais localizado dentro da biblioteca. Ajudando alunos e professores a usar ferramentas e recursos de humanidades digitais é uma maneira significativa de os bibliotecários demonstrarem valor para suas instituições.

Praticamente todos os participantes da pesquisa – 99% – acreditam que a biblioteca deve desempenhar um papel importante no apoio às humanidades digitais, mais comumente como um “colaborador completo do projeto e participante “. Isso já está acontecendo em muitas instituições: quando perguntado sobre o grau de envolvimento de suas bibliotecas no apoio ao uso de humanidades digitais no campus hoje, 36% disseram “muito envolvidos” e 33% disseram “um pouco envolvidos”. Somente 4% não estão envolvidos nas iniciativas de humanidades digitais de suas instituições.

Os bibliotecários estão desenvolvendo a conscientização sobre os recursos de humanidades digitais em seus campus. Eles estão ajudando professores e alunos na pesquisa usando ferramentas de humanidades digitais. E eles estão reunindo pesquisadores de diferentes departamentos para compartilhar ideias. Sessenta e cinco por cento das bibliotecas acadêmicas ajudam os pesquisadores a planejar as necessidades de preservação digital. Sessenta por cento defendem o apoio às humanidades digitais em toda a instituição; 54% aconselham acadêmicos de humanidades digitais no início dos projetos; e pedidos de subsídios de co-patrocinador de 32%.

As fontes mais comuns de financiamento para essas iniciativas são as operações do orçamento da biblioteca (62%) e / ou subsídios (42%). As menores instituições são especialmente dependentes de doações.

Internacionalmente, as doações são menos comuns e mais financiamento provém de orçamentos dos departamentos de tecnologia da informação ou das próprias bibliotecas.

APOIO AO ALUNO

As bibliotecas acadêmicas usam uma variedade de métodos para ensinar os alunos sobre humanidades digitais, fornecendo suporte individual na biblioteca e bibliotecários incorporados que expõem os alunos ao uso dessas ferramentas nas classes. Esses esforços estão afetando a maneira como os alunos interagem com a biblioteca de maneiras positivas, revela a pesquisa.

COMO SUA BIBLIOTECA ENSINA OS ESTUDANTES SOBRE HUMANIDADES DIGITAIS?

Ensinar os alunos sobre humanidades digitais resultou em aumentos “significativos” no uso dos arquivos da biblioteca, bancos de dados e outros materiais para 13% dos entrevistados. 16% dos bibliotecários observaram aumentos “significativos” na empolgação dos alunos em fazer pesquisas e 8% acreditam que a capacitação em humanidades digitais resultou em um novo uso da biblioteca por estudantes que não a utilizavam antes.

Na East Central University, em Oklahoma, a adição de um Laboratório de Humanidades Digitais na biblioteca resultou no que Casey Lowry, especialista em recursos eletrônicos, descreve como um aumento “moderado” no envolvimento dos alunos com a biblioteca e no uso de bancos de dados da biblioteca. No entanto, também mudou a maneira como os alunos veem a biblioteca e seus serviços.

“O novo Laboratório de Humanidades Digitais ajudou os alunos a ver a biblioteca como um espaço para trabalhar em projetos e bibliotecários como recursos úteis quando precisam de ajuda para usar a tecnologia ”, diz ela.

CHAVE PARA O SUCESSO

Bibliotecas que hospedam um centro de humanidades digitais parecem estar bem posicionados para liderar o uso dessas ferramentas no campus – e elas são também colhendo outros benefícios. Enquanto 28% de todas as faculdades e universidades pesquisadas possuem um centro de humanidades digitais localizado na biblioteca, esse percentual sobe para 44% entre instituições de médio porte. Desses, 11% dizem ter o centro dentro do biblioteca aumentou significativamente o uso da biblioteca. Usando uma escala de 10 pontos, a pesquisa solicitou aos bibliotecários que avaliassem a eficácia de seus programas e serviços de humanidades digitais.

Vinte e cinco por cento dos entrevistados deram três respostas inferiores (1, 2 ou 3) e 19% deram as três principais respostas (8, 9 ou 10). No entanto, a classificação de eficácia foi mais alta entre as instituições com centro de humanidades hospedado na biblioteca. 39% dos bibliotecários acreditam que é importante (8, 9 ou 10) adquirir ferramentas e coleções digitais exclusivas para apoiar o uso das humanidades digitais em sua instituição – e esse número sobe para 49% da Association of Research Libraries Membros (ARL). Outra estratégia que parece eficaz é oferecer uma bolsa para promover o uso de humanidades digitais. Dez por cento das bibliotecas em geral – e 19% das bibliotecas que hospedam um centro de humanidades digitais – dizem que fazem isso, incluindo UWM.

“Temos um programa de bolsas de ensino de humanidades digitais bastante recente”, Hanlon diz. “É um programa de incentivo com uma bolsa de US $ 500 que os professores podem usar para suprimentos e despesas, e é concedido a professores que planejam usar algum tipo de digital

ferramenta ou método de humanidades. Eles se reúnem como um grupo algumas vezes durante o semestre no outono para compartilhar o que estão fazendo um com o outro, o que é útil e, em seguida, no semestre da primavera, eles criam documentação e participam de um painel de discussão sobre a experiência deles ”.

Hanlon classificou o suporte de humanidades digitais de sua biblioteca como 9 em 10, e ela credita muito desse sucesso ao cultivo de parcerias. Por exemplo, a biblioteca firmou parceria com o Escritório de Pesquisa, o Centro de Excelência em Ensino e Aprendizagem e outros departamentos para promover o uso de humanidades digitais no campus. “É sobre construção de relacionamento”, diz ela.

SUPERAÇÃO DE BARREIRAS AO USO DE HUMANIDADES DIGITAIS

Embora o uso das humanidades digitais tenha um grande impacto no ensino e na academia, 46% dos participantes da pesquisa disseram que atualmente sua instituição não possui recursos de humanidades digitais. Há uma oportunidade significativa para as bibliotecas ajudarem a preencher essa lacuna, mas os bibliotecários devem ser criativos e engenhoso na forma como eles abordam o desafio.

O tamanho de uma instituição é um fator-chave: mais de 80% das instituições com pelo menos 15.000 os alunos têm recursos de humanidades digitais, em comparação com apenas 37% das escolas com menos de 5.000 alunos.

Universidades com nível de programas de pós-graduação (64%) são mais propensas a oferecer humanidades digitais do que instituições de graduação (53%) e faculdades comunitárias (19%). Em outras comparações, escolas públicas são um pouco mais favoráveis que instituições privadas, e as escolas dos EUA são mais prováveis ​​do que escolas internacionais de usar metodologias de humanidades digitais.

Exatamente metade das instituições que atualmente não oferecem apoio às humanidades digitais disse que gostariam de fazê-lo, mas não tem planos no momento. Quatro por cento estão no processo de adição de humanidades digitais e 16% estão planejando fazê-lo.

Não é de surpreender que o custo seja a maior barreira à entrada, seguido por uma falta de conhecimento entre os professores.

ALAVANCANDO OPORTUNIDADES DE COLABORAÇÃO

A experiência da East Central University é típica de muitas instituições menores. Nesta universidade pública com menos de 4.000 estudantes, o uso das humanidades digitais “ainda é muito novo”, diz Lowry. A universidade adicionou um Laboratório de Humanidades Digitais à sua biblioteca no outono de 2018 com a ajuda de uma bolsa, mas o financiamento não incluía dinheiro para contratar qualquer equipe dedicada de humanidades digitais. Lowry supervisiona o laboratório, além de suas principais responsabilidades, que incluem gerenciar todos os recursos eletrônicos e empréstimos entre bibliotecas.

“Idealmente, o Laboratório de Humanidades Digitais teria uma nova posição na equipe que poderia se concentrar em desenvolver esforços de humanidades digitais no campus, mas isso não aconteceu ”, diz ela. Apesar desse desafio, Lowry espera que as habilidades do corpo docente cresçam significativamente nos próximos anos com os bibliotecários de ligação que trabalham com os departamentos acadêmicos da universidade incentivam e apoiam o uso de humanidades digitais.

“Acredito que os bibliotecários de ligação podem ajudar a aumentar a presença de humanidades digitais através de comunicação com a faculdade ”, diz ela. “Realizei várias sessões de treinamento neste verão com todos

bibliotecários para familiarizá-los com o funcionamento de nossos equipamentos de humanidades digitais, e criamos um plano de comunicação para o próximo ano que ajudará os bibliotecários a espalhar idéias e informações sobre as possibilidades das humanidades digitais para ensino e pesquisa “.

USE O QUE VOCÊ CONSEGUE

Kurtz viu em primeira mão a diferença de capacidade entre grandes universidades de pesquisa e instituições menores. Ela obteve seu diploma de graduação em uma pequena faculdade de artes liberais que não possuía infra-estrutura bem desenvolvida para apoiar humanidades digitais. Depois de se formar, ela trabalhou no Centro de Humanidades Digitais da UCLA, que colaborou com bibliotecários com foco no uso de GIS, metadados e outras especialidades.

“Seria muito mais raro encontrar um bibliotecário de GIS em uma instituição menor”, observa ela. Em faculdades e universidades menores, as bibliotecas devem fazer uso criterioso dos recursos disponíveis. Os bibliotecários também podem advogar por mais recursos convencendo os líderes da importância de humanidades digitais. “Enquadrar como uma necessidade profissional é fundamental”, diz Kurtz. Investir em ferramentas que facilitam o uso das humanidades digitais também pode ajudar. Por exemplo, muitos dos membros do corpo docente não possuem as habilidades técnicas necessárias para tirar proveito dos recursos de humanidades digitais.

Uma plataforma como o Gale Digital Scholar Lab, que Kurtz ajudou a desenvolver, pode resolver esse desafio. “Ela o orienta no processo de criação de um projeto de mineração e visualização de texto, para que você não tenha que ser especialista nesses processos ”, diz ela. “Isso ajuda a quebrar as barreiras de aprendizado dos métodos de humanidades digitais.”

OLHANDO À FRENTE

Apesar dos desafios, uma clara maioria dos entrevistados espera que o suporte da biblioteca nas humanidades digitais aumente no próximo ano.

“As humanidades digitais expandem a audiência que nossa pesquisa envolve”, conclui Ketchley, “e as bibliotecas desempenham um papel valioso na aproximação das pessoas e na expansão de sua capacidade de usar essas ferramentas. ”

SOBRE A PESQUISA

Este relatório é baseado nas respostas de 189 bibliotecários de todo o mundo a uma pesquisa de 37 perguntas enviado por e-mail em 20 de junho de 2019. A pesquisa foi desenvolvida em conjunto com a Gale, uma empresa Cengage. Os dados foram coletados e tabulados pela Divisão de Pesquisa do Library Journal. Os dados não são ponderados. Para os fins desta pesquisa, humanidades digitais se referem à aplicação e / ou desenvolvimento de ferramentas e recursos digitais que permitem aos pesquisadores realizar novos tipos de análises de disciplinas de humanidades, como literatura, história e filosofia.

Os entrevistados consistiram de funcionários que atuam em bibliotecas de instituições de pós-graduação / profissionais (46%), faculdades ou universidades de graduação (38%) e faculdades comunitárias (11%). Setenta e quatro por cento das instituições respondentes estão localizadas nos Estados Unidos e 26 por cento são internacionais. Quase 59% das instituições respondentes são financiadas publicamente.

Os cargos mais comuns daqueles que responderam à pesquisa foram bibliotecário de referência (19%), diretor da biblioteca (15%) e bibliotecário-chefe (13%).

Plataforma Gale de Humanidades Digitais

== Referência ==

GALE. Digital humanities in action: How Academic Libraries Play a Prominent Role in Advancing Digital Humanities on Campus. Gale, Nov. 2019. Disponível em: https://go.aws/2WUwwZ3 Acesso em: 23 maio 2020.

Fonte: AGUIA

Tecnología al servicio de las Humanidades: Una mirada latinoamericana

María José Afanador LlachUniversidad de los Andes

Las tecnologías digitales han abierto puertas y ventanas antes impensables para el estudio de la humanidad. Pero, ¿de qué manera han sido utilizadas por los humanistas para estudiar y divulgar sus objetos de estudio? Comencemos por comprender qué son las Humanidades y cuáles son las características y usos de algunas de las tecnologías que están transformando su quehacer.

Las Humanidades se han ocupado históricamente del estudio del lenguaje, la música, el arte, la literatura, el teatro y también del estudio del pasado. Su trayectoria desde el pensamiento humanista renacentista del studia humanitatis, el estudio de la humanidad, es inseparable de la historia de la imprenta.

El libro se convirtió en el medio por excelencia a través del cual las disciplinas de Humanidades han transmitido, construido, interpretaciones sobre la experiencia, la cultura y la historia de la humanidad. En la era digital esto ha cambiando rápidamente, abriendo la posibilidad de que las Humanidades se renueven hacia nuevos modelos de producción y difusión de conocimiento que son posibles con el poder de la computación y en entornos digitales conectados en red.

Interpretar la tecnología es cosa de humanistas

Antes de la era de la World Wide Web y la web 2.0, la digitalización comenzó a transformar la investigación en las Humanidades. Al digitalizar convertimos formas tradicionales de almacenamiento de información como el papel y las fotografías, en códigos binarios –ceros y unos– para el almacenamiento en computadores. Esta transmutación ha traído consigo posibilidades de acceso a fuentes primarias digitalizadas, a los datos que las representan y, por ende, al uso de metodologías computacionales para analizarlos. Eso sí, la tarea de interpretación es, y seguirá siendo, potestad de los humanistas.

El otro desarrollo tecnológico es el computador cuya historia no se reduce al hardware y al software sino a una historia más grande sobre cultura y conocimiento. En esta historia el computador constituye un proyecto “para la producción de significado” y aparece como proveedor de una respuesta al problema de la presentación, organización y mejora del conocimiento. En este desarrollo tecnológico, que se presume lejano de las Humanidades y las ciencias sociales, el aporte de la lingüística al “desarrollo de lenguajes computables formales es especialmente significativo”. Después de todo, las Humanidades y las ciencias sociales no han tenido trayectorias completamente separadas de las ciencias de la computación.

Ser humanista ayer y hoy

Los humanistas solemos basar nuestras investigaciones en el estudio de objetos culturales accesibles físicamente en instituciones de la memoria como archivos, bibliotecas y museos. Sin embargo, con el giro digital podemos acceder a millones de representaciones digitales de objetos culturales a un clic de distancia por medio de bibliotecas, archivos y museos digitales.

Además de tener acceso a la representación, los archivos digitales nos permiten acceder a los metadatos de los objetos para analizarlos. El concepto de metadatos, que es bien conocido en el mundo de las ciencias de la información, es central para las Humanidades digitales. Se trata de datos sobre datos, es decir, el objeto cultural tiene una serie de descriptores que suministran información ampliada y contextualizada del objeto. Por ejemplo, su fecha y lugar de producción y el autor del objeto —-si se conoce-—, por mencionar algunos ejemplos básicos. Hoy podemos agregar, analizar y visualizar los metadatos de aquellos repositorios de objetos culturales digitales que permitan la minería de datos.

Para poner algunos ejemplos, este ejercicio puede ser útil para organizar y analizar la colección de todas las obras de arte de un museo; o para analizar los lugares y fechas desde los cuales personajes importantes mantuvieron correspondencia en un archivo epistolar.

Estas nuevas formas de acceso y organización de los objetos de la cultura humana pueden ser útiles para formular nuevas preguntas de investigación sobre el pasado o indagar con mayor acceso a información viejas preguntas.

Además de la investigación basada en datos y la creación de esquemas de metadatos, las nuevas formas de pensamiento del giro digital posibilitan la programación de algoritmos que pueden llegar a ser fructíferos en la automatización de procesos que tardarían mucho tiempo. Por ejemplo, la transcripción automática de manuscritos de la temprana edad moderna, o el análisis de los patrones de color y trazo en obras de arte para determinar autoría.

Pero el giro digital conlleva no solamente un problema técnico, sino que presenta un “horizonte crítico porque subvierte el orden de los regímenes epistemológicos y disciplinares en los que hasta ahora se había asentado el conocimiento”. Es decir, nos enfrentamos a procesos de producción de conocimiento mediados por el pensamiento computacional, el software y las interfaces digitales.

Ana Galvañ / Telos

Datos y brechas digitales

Lo anterior es solo posible si tenemos acceso a infraestructuras digitales para investigación. Las infraestructuras digitales son entonces ecosistemas básicos donde se puede acceder a los materiales y a los sistemas y procesos necesarios para la investigación, la enseñanza y la difusión de la cultura. Los gobiernos de América Latina han realizado esfuerzos notables para construir infraestructuras digitales públicas en las áreas de la ciudadanía digital. Pero esto no ha ocurrido en campos como las Humanidades.

En contraste, los países del Norte Global tienen políticas de infraestructura digital bien definidas para las Humanidades, a menudo denominadas “una capa integrada de instrumentos digitales” para tareas como la minería de textos y el análisis algorítmico de grandes cantidades de materiales culturales. Los instrumentos analíticos computacionales basados en datos para la investigación en Humanidades en Europa y Estados Unidos parecen estar convirtiéndose en una característica definitoria de la práctica de las Humanidades digitales en estos contextos.

La cuantificación del conocimiento, la conversión de textos y de la cultura material en datos estructurados para el análisis plantea la pregunta de qué tanto los sistemas le dan cabida a la ambigüedad que es inherente al ámbito de las Humanidades. Las Humanidades se enfocan en la crítica, en la interpretación, en reconstruir y explicar las ambigüedades, complejidades, las diferencias y las interacciones de la cultura humana. De esta forma, la cuantificación de la cultura humana para ser leída y procesada por la máquina nunca va a reemplazar la reflexión crítica, que es el corazón del trabajo de los humanistas.

Una mirada desde el sur

Debemos preguntarnos sobre los retos de construir infraestructuras digitales en países con brechas digitales profundas.

Lugares donde falta mucho por hacer en la gestión de archivos históricos patrimoniales, tanto en físico como en digital, o donde los archivos sobre temas sensibles sobre derechos humanos están en riesgo de desaparecer.

Contextos con un pasado colonial que luchan por proveer a sus poblaciones con conectividades, habilidades y competencias digitales para participar más democráticamente de los beneficios del giro digital.

Países con brechas en educación y acceso a medios digitales e Internet que no son desarrolladores sino consumidores de las tecnologías digitales que son ubicuas en el mundo de hoy.

Los contextos institucionales, culturales, económicos y culturales de Latinoamérica distan de los países del Norte Global. En este último es donde se producen las tecnologías, protocolos y estándares a partir de los cuales se están construyendo las prácticas reconocidas hoy como parte del campo de las Humanidades digitales.

Una mirada singular desde estos otros lugares puede ayudar a desarrollar una conciencia crítica y ética frente a las implicaciones del uso y abuso de tecnologías digitales. El humanista en la era digital deberá estar atento a las implicaciones en términos de desigualdades que en el Sur Global trae la adopción acrítica de la computación y de los sistemas de inteligencia artificial.

Humanidades digitales latinoamericanas

Pero ¿qué otras particularidades pueden desarrollarse para pensar unas humanidades digitales latinoamericanas más allá de la construcción de repositorios de datos accionables por computadores? Desarrollar proyectos alrededor de comunidades de aprendizaje con diferentes niveles de conectividad y acceso a tecnologías puede ser una oportunidad para avanzar en el reto de las alfabetizaciones digitales.

Incentivar las comunidades DiY (Do it Yourself, Hazlo tú mismo en español) para desarrollar propuestas creativas, improvisadas, de software libre y acceso abierto para las memorias colectivas, de narrativas históricas plurales, de miradas expansivas sobre el mundo de la cultura donde se reconozcan la diversidad de lenguas, historias, riquezas naturales, rituales y patrimoniales de la región.

Podemos proponer unas Humanidades digitales situadas no al servicio de la tecnología sino al servicio de la humanidad. Abramos una conversación donde se involucren públicos amplios, en algunos casos para avanzar en la digitalización y catalogación de la cultura y mejorar las formas en las que investigamos, en otros casos para apoyar causas de justicia social y activismo digital como parte constitutiva de una agenda expansiva de las Humanidades desde el sur.

Fonte: The Conversation

Se a internet apaga os dados, quem vai zelar pela nossa história digital?

Já pensou como será que acessaremos nosso passado daqui 500 anos? - Thinkstock

 

Já pensou como será que acessaremos nosso passado daqui 500 anos?

Olívia Fraga

Colaboração para Tilt, em São Paulo*

Resumo da notícia

  • É provável que suportes materiais atuais para registro de dados estejam obsoletos no futuro
  • Fartura de registros é facilitada por empresas privadas como Google e Facebook
  • Mas se usuário morre ou empresa fecha as portas, esses dados podem se perder
  • Formação de cientistas de dados e iniciativas de arquivo podem ajudar a manter parte dos dados

Olhe ao redor e procure as pegadas da ação humana. Você enxerga um celular ali, nota um notebook desligado no canto, cadernos e folhas soltas marcadas a caneta sobre uma mesa. Agora imagine-se no ano de 2519, e que sua tarefa é entender a história de 500 anos atrás. No arranque tecnológico em que vivemos, é provável que quase todo suporte material atual para registro de dados esteja obsoleto em 2519. De que serve, por exemplo, uma fita cassete sem um tocador?

Se hoje a lógica do “quanto menor o dispositivo, maior o acervo” já nos assombra, o que acontecerá com todo o conteúdo gerado nas redes? Armazenada na nuvem, a quem pertence a narrativa de bilhões de pessoas e todo o volume de dados digitalizados? O trabalho do historiador que quiser fazer um balanço dos anos 2000 será tão ou mais complexo que o de um pesquisador que estuda a Idade Média, por exemplo?

Abundância: faca de dois gumes

O futuro da informação nunca foi tão pouco palpável, mas o excesso de fatos históricos não é exatamente a raiz do problema. O historiador Renato Rodrigues da Silva pesquisou a aristocracia inglesa na Alta Idade Média. Fontes primárias produzidas no período estudado na sua pesquisa, que sobreviveram até nossos dias, são poucas.

Professor de história medieval da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), em Guarulhos (SP), ele afirma que a história não é feita a partir do conhecimento de uma amostra gigantesca de fontes. “A história não é o passado, apenas; como campo científico, ela é o conhecimento que se tem deste passado. O passado nunca muda; o conhecimento que temos dele muda sempre”, complementa.

Como exemplo, ela compara a fonte histórica à testemunha no tribunal: ela só responde quando perguntada. “Para cada tipo de pergunta, uma testemunha pode ser melhor que outra. Você não seleciona de primeira alguém com deficiência visual para ser testemunha ocular de um crime.”

A questão de algoritmos e redes sociais

Com um smartphone o tempo todo no bolso, coletamos e registramos toneladas de dados em nossas vidas, e parte deles serve de registro histórico. Mas a internet passa a ilusão de que temos algum controle sobre isso.

“Ao mesmo tempo em que a gente produz muita informação, esse registro nem sempre está acessível. Essas fotos podem ‘sumir’ quando eu morrer ou quando o próprio Facebook sumir — é só pensar no Orkut e toda a memória que estava lá e foi perdida”, explica Mariana Valente, diretora do InternetLab e coordenadora do Creative Commons Brasil.

O mesmo vale para documentos armazenados digitalmente nas redes. “Eles de fato facilitam o acesso em relação a arquivos físicos, mas têm uma durabilidade muito pequena. Servidores e sites desaparecem, e a memória vai embora”, diz Pablo Ortellado, professor do curso de Gestão de Políticas Públicas da USP.

Daí a fartura de registros é facilitada por empresas privadas. “Se você procurar meu nome na internet, vai aparecer um monte de coisa que pode ser relevante sobre mim e outras que podem não ser. Mas o ponto central é que é o algoritmo do mecanismo de busca que você usa —por exemplo, o do Google— que determina o que vai vir antes do quê”, afirma Mariana.

Sabemos por alto quais os critérios que o Google usa para organizar os resultados das buscas, mas não os detalhe dos algoritmos. E as regras também vão mudando com o tempo. Afinal, são determinadas por pessoas de uma empresa que tem seus próprios interesses.

Isso ainda é pouco questionado: os algoritmos são quase sempre vistos como neutros, que estariam devolvendo ao usuário a informação mais relevante. “A gente esquece que o aprendizado de máquina personaliza até mesmo as buscas. Um conteúdo que aparece para mim pode aparecer diferente para você”, argumenta Mariana.

É preciso investimento

Para Sabina Leonelli, professora de Filosofia e História da Ciência na Universidade de Exeter (Inglaterra), qualquer dado e seus possíveis cruzamentos serão documentos históricos “em um futuro próximo”, mas não sabemos se eles estarão acessíveis no longo prazo. Pense na dificuldade que é hoje ler um disquete ou uma fita VHS. Nada disso tem 100 anos. Imagine daqui a 500.

“A informação digital pode se revelar muito menos duradoura que a de papel, especialmente pela escassez de investimentos na preservação da memória digitalizada. Além disso, temo que a crescente exclusão digital que vemos agora vá se tornar ainda maior. Grupos menos favorecidos terão menos recursos de preservar dados sobre seu passado e história”, diz Leonelli.

Lucas Lago, mestre em engenharia da computação pela USP, criou um bot de transparência no Twitter. Chamado projeto7c0, copia e arquiva tuítes de políticos, para guardar mesmo o que é apagado. “O que é publicado digitalmente pode ser alterado, então devemos criar ferramentas para preservar”, explica.

“Por mais que o Twitter queira garantir a privacidade das postagens realizadas ali, e até mesmo o direito ao esquecimento, a Constituição diz que discursos de administradores públicos devem ser públicos”, diz Lucas, detalhando o objetivo de seu projeto.

Iniciativas como a dele, no entanto, cobrem recortes pequenos dessa história digital. A pesquisadora Lee Humphreys, professora-assistente de Comunicação da Universidade Cornell, nos EUA, duvida que, no futuro, historiadores e usuários comuns tenham mais facilidade — ou oportunidade — de acessar esses bancos.

“O armazenamento e o gerenciamento de dados de mídia social não são apenas vastos; são muito complexos. Há grandes chances de os historiadores terem dificuldade em acessar a maioria dos dados digitais. Em uma pesquisa, concluímos que as pessoas guardavam mais fotos antes de comprar uma câmera digital do que depois de comprá-la. Não é apenas a criação de dados que importa, mas o armazenamento e o acesso subsequente que serão importantes para o futuro.”

Lee Humphreys.

A ascensão das humanidades digitais

É por isso que habilidades em “humanidades digitais” devem se tornar indispensáveis aos historiadores nos próximos anos. Isso já está acontecendo em todos os campos do conhecimento e na arqueologia, que estuda a pegada humana por meio dos registros materiais deixados por nós — de utilitários triviais como vasos e talheres a equipamentos eletrônicos.

Sabina Leonelli acredita que os cientistas de dados não estão necessariamente sendo treinados para pensar historicamente. “Em meu trabalho, pude comprovar a facilidade com que os cientistas de dados muitas vezes usam dados sem investigar sua origem.”

Em tempos de desinformação no WhatsApp, a chamada ciência cidadã transforma cada usuário das redes em um “ente participante”, como define Mariana Valente. Todo mundo pode registrar, organizar e analisar informações, e discuti-las coletivamente. Construir sentido de forma coletiva e organizada é a razão de ser da internet.

“É importante fazer com que os curadores tradicionais, os museus, os arquivos, façam esse trabalho de organização levando em consideração como as informações são criadas hoje, mas os novos tipos de curadoria de informação precisam pensar numa política de preservação, em se entenderem como criadores de memória. Isso tudo vai além das instituições que já existem, no momento em que a produção descentralizou muito”, alerta Mariana.

Em se tratando de órgãos oficiais e a nível federal, o Brasil está bem servido. Daniel Flores, doutor em ciência da informação e professor de arquivologia da UFF (Universidade Federal Fluminense) considera o Arquivo Nacional brasileiro “um caso de excelência”, que faz uso do que há de mais moderno no mundo sobre a gestão e preservação digital.

Esse tipo de trabalho é fundamental, mas insuficiente. “Esta é uma questão de cidadania. Além dos órgãos públicos, a sociedade civil também tem o seu papel de fiscalização e acompanhamento”, conclui.

* colaborou Rodrigo Trindade

Fonte: Tilt

25 anos da Herói | Editores relembram curiosidades e desafios da revista

Por Claudio Yuge

Quem hoje abre sites como o Canaltech ou qualquer outro que fale sobre nichos de tecnologia, cultura pop e assuntos mais direcionados, talvez não imagine como era acessar essas informações nos anos 1990, quando a comunidade brasileira começou a crescer muito em torno desses temas. Não havia internet, então as publicações impressas eram as únicas fontes mais confiáveis e recorrentes. E, dentre as opções na banca, uma fez história: a Herói, que em 2019 comemora 25 anos.

Para celebrar, o editor-chefe da Herói, André Forastieri, e os colaboradores Pablo Miyazawa, Odayr Braz Júnior e Dani Ianni falaram um pouco sobre as curiosidades e histórias que marcaram a trajetória da revista e do próprio cenário geek/nerd brasileiro naquela época. Eles contaram muita coisa a respeito durante um painel da Comic Con Experience 2019, em São Paulo.

Imagem: Claudio Yuge/Canaltech

Só para contextualizar, tudo começou com Forastieri e Rogério de Campos, que no começo dos anos19 90 eram redatores da revista Set. Em 1994, eles deixaram a Editora Azul para criar a editora Acme, que seria então a mãe da Herói ao lado da Nova Sampa. O grande carro-chefe era a série animada Cavaleiros do Zodíaco, que seria a grande responsável pela popularização dos animes e mangás em solo tupiniquim.

Do início à invasão nas bancas

Forastieri sempre foi fã de heróis e ficção científica, então sua vontade era de ter uma publicação brasileira semelhante às que ele leu durante sua infância e adolescência. “Quando era pequeno, em Piracicaba, sempre comprava quadrinhos em uma certa banca, onde vi uma vez a Cinemin, da Ebal, que tinha o Superman do Christopher Reeve na capa”, recorda.

“O filme não tinha saído e era uma revista sobre personagens. Depois, já mais velho, quando fui escrever sobre quadrinhos na Folha de S. Paulo, comprava todas as revistas gringas que falavam de quadrinhos e ficção científica, como a Comics Scene e a Fangoria. ‘Por que não temos uma revista dessa no Brasil?’, pensei. Aqui tinha a Terror e Ficção, da Editora Azul, mas, então, quando abri a Acme, a ideia da primeira revista era para ser essa e não a General”.

A General, que também mirava um público mais velho, era mais ampla; abordava música, cinema e cultura pop em geral.

Imagem: Reprodução/Amazon

Braz Júnior lembra-se bem dos primeiros dias de confecção da Herói.

“O que lembro quando falamos da Herói é a gente em um apartamentinho, onde nasceu a primeira edição. Teve até um quartinho onde eu ficava que um dia acabou a luz e fiquei uns três ou quatro dias trabalhando sem iluminação. Como trabalhávamos até o final da noite, então ficava com a luz do monitor”.

Segundo Braz Júnior, nesse período a Acme editava quatro revistas, “uma de quadrinhos, uma de RPG, uma de cinema e outra de série de TV”. Quando veio a ideia de fazer algo para aproveitar o hype em torno dos Cavaleiros do Zodíaco, surgiu então a oportunidade de lançar material semanal — e, posteriormente, bissemanal.

O nome? Quem batizou foi Forastieri. “A revista iria se chamar Saga ou Fusão. Aí tinha uma revista chamada Hero, que estava falindo, então falei ‘por que não chamar essa revista de Herói?’”. E assim ficou.

Improviso fazia parte do cotidiano

“Foi meu primeiro emprego como jornalista e, quando fui fazer entrevista para a vaga, aquele lugar era uma loucura. A quantidade de gente que passava o tempo todo gritando e falando bobagem era grande e pensei que era impossível que dali saísse a revista (risos). Mas sabia que se entrasse ali minha vida mudaria… e mudou mesmo”, comenta Miyazawa, que depois da Herói passou pelas versões nacionais da Electronic Gaming Monthly (EGM), Rolling Stone, entre outras.

Uma das grandes barreiras para publicar o conteúdo estrangeiro por aqui era conseguir imagens e até mesmo as informações básicas, pois não havia internet naquela época.

“A gente não tinha imagem de praticamente nada. Quando precisávamos de imagens dos Cavaleiros do Zodíaco, escaneávamos as caixas dos bonecos, de amigos que compravam para os filhos. E usávamos com parcimônia, para não gastar tudo de uma vez. Muita coisa a gente também tirava de captura direta dos próprios desenhos”.

Segundo Forastieri, o pessoal da Liberdade, bairro povoado por muitos imigrantes japoneses na capital paulistana, ajudava bastante na hora de conseguir o conteúdo original. “Tínhamos um esquema quase mafioso (risos). Assim que essas fontes recebiam as revistas japonesas, guardavam para a gente”.

Revista teve vários formatos e nomes derivados (Imagem: Reprodução/Amazon)

Outros assuntos, como a chegada dos Pokémon, dependiam dessas edições. Os textos, posteriormente traduzidos, assim como as imagens para ilustrar as matérias, vinham desse material asiático, incluindo vídeos.

A estratégia girava em torno de terminar o trabalho rapidamente e estar presente no máximo de locais possível.

“A gente chegava em todo o lugar porque a estratégia era entupir todas as bancas do Brasil. Os exemplares que voltavam, a gente relançava. A ideia era: ‘Se não tivermos dez exemplares da Herói em cada uma das maiores bancas do Brasil, estamos fazendo errado’. Assim as pessoas também podiam colecionar, porque se o cara não tinha dinheiro naquela semana, na outra ele tinha e a edição que ele perdeu voltava para ele poder comprar”, explica Forastieri.

Invasão ao set de gravações do Homem-Aranha de Sam Raimi

Uma das histórias mais curiosas da trajetória da Herói é a inesperada presença de Miyazawa, Forastieri e Braz Júnior no set de gravações do primeiro Homem-Aranha de Sam Raimi, em 2001. “A gente estava fazendo uma cobertura da E3 (Electronic Entertainment Expo) em Los Angeles e um site dizia que as gravações do filme estavam acontecendo perto do nosso hotel. Como a gente não estava fazendo nada, fomos lá. Era umas 11 da noite, estava tudo fechado, era um dia de semana, acho que terça-feira”, recorda Miyazawa.

Só havia um policial fazendo a segurança e, depois de perguntar se podia entrar na área para ver, o trio conseguiu seguir em frente. “Fomos andando, andando e ninguém parava a gente. Passamos por gruas, haviam umas caixas de jornal do Daily Bugle (do famoso J. Jonah Jameson). As ruas tinham sido molhadas por mangueiras, estavam lá placas de carros de Nova York, inclusive da polícia (NYPD) — as filmagens aconteciam em Los Angeles, mas a história se passava em Nova York.”

Em certo momento, Forastieri deixou o grupo e foi embora. “Mas continuamos andando, até que chegamos do lado do Sam Raimi. A gente ficou ali um tempo enquanto ele tentava dirigir uma cena de ação. Não tinha nenhuma celebridade, porque era uma sequência feita por dublês. Era a que o Peter Parker perseguia o ladrão que matou o Tio Ben”, diz Braz Junior.

Da esquerda para a direita: Miyazawa, Dani, Forastieri e Braz Junior (Imagem: Claudio Yuge/Canaltech)

“Pensamos que poderíamos ficar ali acompanhando toda a gravação, já que ninguém tinha notado que estávamos ali. Mas aí o Sam Raimi olhou para a gente e perguntou: ‘Quem são esses caras?’. Antes de ir embora, ficamos umas três horas lá”, diverte-se Miyazawa.

Na época, os filmes de super-heróis não faziam o sucesso de hoje e os responsáveis pela Herói não tinham a menor noção de que o Homem-Aranha de Sam Raimi seria um dos hits que abririam caminho para o Marvel Studios. “No final, o que aconteceu virou só uma notinha na Herói, com uma foto de longe” — imagine o que isso seria nos dias atuais, com Instagram e selfies por todo lado?

O começo do fim da Herói

A Acme nasceu, segundo Forastieri, “com o equivalente a R$ 12 mil, o que acabou em três meses”. A Herói ajudou a editora a continuar no setor, com um estrondoso sucesso. No auge, chegou à tiragem de 450 mil exemplares, até mais que a Veja em seu tempos de glória. Quando as últimas edições, já em meados de 2000, foram lançadas, vendiam 27 mil unidades — algo impensável para o mercado editorial atual, que migrou para o ambiente digital.

Segundo Forastieri, durante todos os anos da revista, houveram reuniões com a Editora Abril e seu então poderoso braço infantojuvenil, a Abril Jovem — que poderia injetar o fôlego financeiro necessário para a prolongar a vida da Herói. “Tivemos várias conversas com a Abril e a Abril Jovem, mas era uma arrogância e hoje aí está o resultado. Estamos felizes, mas tem muita gente que saiu de lá infeliz”.

Entretanto, a chegada da web foi rápida e cruel para o mercado impresso em geral, principalmente na virada dos anos 2010. ”A gente vivia mudando a revista e, com a chegada da internet, haviam coisas muito mais legais que a Herói por lá. As pessoas passaram a poder acessar, cada um, o que queria ver ali de uma forma muito mais viva do que era a revista. Tentamos fazer para gente mais velha, com outros formatos, como a Herói Plus”, lembra Forastieri.

Imagem: Claudio Yuge/Canaltech

“E também tinha uma grande limitação nossa, que era não conseguirmos vender anúncio. Se tivesse sido lançado pela Editora Abril na época, junto com Mundo Estranho e Superinteressante, talvez a força do grupo pudesse ter levado em frente.”

A sobrevida no site e na memória dos fãs

Também houve tentativas de levar a publicação para o mundo virtual. “Mas nunca conseguimos fazer com que o site desse grana. Quando isso começou a acontecer, houve uma separação, já estávamos fazendo outras coisas; começamos a fazer quadrinhos na (editora) Pixel e o setor de games estava crescendo loucamente. O mundo foi mudando e vários outros sites também passaram a existir com esse conteúdo”, recorda Forastieri.

Imagem: Claudio Yuge/Canaltech

Dani, que foi editora de arte durante um bom tempo e até hoje interage com os leitores em redes sociais e no próprio site (com quase 125 mil cadastros ativos), mantém um pouco do legado da Herói vivo no ambiente digital. “A coisa mais legal, já depois, quando a equipe era reduzida e estava no fim, era receber os relatos dos fãs e de filhos de fãs em posts com revistas antigas. Até hoje as pessoas lembram da importância da Herói.”

E Forastieri complementa: “talvez a lógica que a Herói tenha atualmente é encontrar os fãs ao vivo. Para que as pessoas que vivem em nichos na internet possam ter essa sensação de comunidade”.

Fonte: Canaltech

I Encontro de Gestão e Preservação de Dados de Pesquisa em Humanidades

Será realizado nos dias 25 e 26 de setembro, o I Encontro de Gestão e Preservação de Dados de Pesquisa em Humanidades. O evento acontecerá no Arquivo Nacional e na Fundação Getúlio Vargas – FGV e contará com mesas de debates e workshops.

O crescente interesse pelos dados coletados ou gerados pelas atividades de pesquisa na última década criou uma demanda por estruturas organizacionais, tecnológicas e por capital humano que pudessem dar conta da gestão, sustentabilidade e utilização ampla desses novos ativos informacionais. Estudos, pesquisas, bem como o desenvolvimento de infraestruturas de apoio à gestão de dados de pesquisa no Brasil, em um primeiro momento, tiveram maior interesse por pesquisadores de áreas de exatas, ambientais e saúde.

No entanto, pesquisadores das áreas de ciências sociais e humanas, neste momento também começam a se preocupar com a preservação de seus dados e a vislumbrar possibilidades de reuso desses dados.  Por esta razão, a comunidade de interesse na temática “Dados de pesquisa” entende que é essencial trazer também para o âmbito das ciências sociais e das humanidades essa discussão, considerando principalmente as peculiaridades desses dados que precisarão de tratamentos e normas de uso e reuso diferentes dos adotados pelos dados gerados em outros domínios do conhecimento.

O “I Encontro de Gestão e Preservação de Dados de Pesquisa em Humanidades” é organizado pelo Arquivo Nacional, a FGV e o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia – Ibict, tem por objetivo criar uma discussão entre os atores que lidam com dados de pesquisa em humanas e ciências sociais e propor uma rede de gestão e preservação de dados de pesquisa que considerem princípios FAIR em sua organização.

Faça sua inscrição aqui.
 
PROGRAMAÇÃO:
25/09 (quarta-feira) – mesas de debates – 9h às 18h – Local: Arquivo Nacional (Praça da República, 173 – Centro – RJ)
Dia 26/09 (quinta-feira) – workshops:
Manhã: Curadoria de Dados de pesquisa (Jonathan Crabtree – ODUM Institute) – 9h às 12h l Local: FGV (Praia de Botafogo, 190, 10º andar, Sala 1027 – Botafogo – RJ)
Tarde: Implementação de Dataverse para Gestão e curadoria de dados de pesquisa: (Miguel Arellano) – 14h às 18h l Local: FGV (Praia de Botafogo, 190, 10º andar, Sala 1027 – Botafogo – RJ)

Liaison Librarians: ¿Que son los bibliotecarios de enlace?

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Cada vez es más frecuente encontrar en la literatura profesional el término liaison librarians, especialmente cuando se trata de determinados temas como el papel profesional del bibliotecarios en las Humanidades Digitales, Apoyo a la Investigación o en la Gestión de Datos de Investigación (RDM). la tarea fundamental del bibliotecario de enlace tiene que ver con el nuevo desempeño profesional en respuesta de las últimas tendencias en bibliotecas universitarias.

El término bibliotecario de enlace tiene una amplia variedad de perspectivas, incluyendo aquellas más cercanas que pueden usar diferentes terminos y matices como son “bibliotecario temático”, “Asesor bibliotecario” “bibliotecario departamental” y/o “bibliotecario integrado

Las bibliotecas universitarias existen dentro del contexto de sus instituciones específicas y comparten con estas entornos políticos, sociales y normativos más amplios. En este contexto cada vez con más frecuencia hablamos de las partes interesada​​s​ o socios colaboradores (del inglés stakeholder) en referencia a una persona, organización o empresa que tiene un interés común en una empresa u organización. Las partes interesadas pueden ser los trabajadores de esa organización, sus accionistas, los clientes, los proveedores de bienes y servicios, proveedores de capital, las organizaciones civiles y gubernamentales que se encuentren vinculadas a la misma. En este sentido el bibliotecario de enlace responde a este perfil de socio colaborador interno.

Un bibliotecario de enlace sobrepasa y amplia las funciones tradicionales de la profesión para participar en iniciativas de colaboración con el personal académico y administrativo. La biblioteconomía de enlace implica generalmente a bibliotecarios individuales que asumen la responsabilidad de apoyar a los grupos con los que se relacionan en todas las áreas principales de la biblioteconomía (formación, gestión de colecciones y servicios de referencia) y también a menudo involucra componente de “extensión”. Principalmente el bibliotecario de enlace se centran en la colaboración con el académico para conectarse mejor con los investigadores, y apoyar y de manera más intensa su trabajo académico, siendo el principal punto de contacto de un alumno o de un investigador con la biblioteca. Los bibliotecarios de enlace pueden asistir al investigador en y tareas tales como:

  • Consejos para encontrar información y pedagogía digital

  • Ayuda en el uso de recursos (bases de datos, gestores de referencias, servicios de información.. )

  • Obtener cualquier consulta sobre la biblioteca

  • Apoyo a las tareas de investigación

  • Minería de datos y de textos

  • Producción académica digital

  • Curación de contenidos, perservación, metadatos

En el caso de las Humanidades Digitales, esta área implica el trabajo de equipos de investigación en espacios o centros de colaboración. Los miembros del equipo podrían incluir a investigadores y profesores de múltiples disciplinas, bibliotecarios, científicos de datos y expertos en preservación, tecnólogos con experiencia en métodos críticos de computación e informática y estudiantes universitarios. Esto permite a los investigadores analizar nuevas cuestiones sobre la experiencia humana a una escala y alcance sin precedentes, fomentando una investigación altamente interdisciplinaria, involucrando a equipos de disciplinas que tradicionalmente no han interactuado con estudiosos de las humanidades, aportando visibilidad a la forma en que los humanistas piensan y trabajan.

A medida que las Humanidades Digitales (DH) evolucionan, el papel de las bibliotecas y bibliotecarios que trabajan en este campo continúa desarrollándose. Por lo general, su trabajo exige comunicarse con los departamentos, ofrecer referencias bibliográficas y ayudar en el desarrollo de la investigación en una variedad de formatos, ofrecer novedades, tendencias y manejo de colecciones. De este modo, estas nuevas funciones pueden requerir del aprendizaje de nuevas habilidades; así, los especialistas en la materia que trabajan en el campo de las humanidades se ven abocados a asumir nuevos roles como resultado del interés por las humanidades digitales, incluyendo temas relativos el valor del acceso abierto, el trabajo con formatos y herramientas sostenibles, archivos y teoría archivística, intercambio de datos, ética de la información, metadatos, publicación digital, evaluación, uso de datos y lo relativo a visibilidad de la información científica.

En lo relativo a la formación, la biblioteconomía de enlace no aboga por el abandono de los conocimientos básicos sobre la información, ni de ninguno de los otros elementos esenciales de la caja de herramientas del bibliotecario, si no que promueve activamente el desarrollo y la extensión de nuevas habilidades para participar de una manera más activa con la comunidad académica.

La tarea y el desempeño del bibliotecario de enlace, en lo que se refiere a la gestión programática de modelos, conlleva la gestión y evaluación del trabajo de cada bibliotecario de enlace para mejorar la capacidad y eficiencia de este servicio. Este proceso de construcción de relaciones y colaboración toma tiempo, pero los beneficios de trabajar en estrecha colaboración con docentes e investigadores es crucial para el éxito de la institución.

En esencia el bibliotecario de enlace demuestra el potencial del papel de enlace y enfatiza la necesidad de flexibilidad, imaginación e iniciativa en aquellos que ocupan estos puestos. La investigación necesita que los especialistas en la materia y enlaces (bibliotecarios) establezcan un fuerte compromiso para generar servicios de valor.

Fonte: Universo Abierto

TOI IV – I Simpósio Organização do Conhecimento e Humanidades Digitais

CONTRIBUIÇÕES PARA CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO

Evento GRATUITO – VAGAS LIMITADAS – CERTIFICADO DE PARTICIPAÇÃO USP

Inscrição

OBJETIVO
O Simpósio tem por objetivo apresentar e discutir as iniciativas referentes à Organização do Conhecimento em instituições do patrimônio cultural como Bibliotecas, Arquivos, Museus e demais Centros de Documentação para disponibilizar suas coleções no ambiente digital, dando suporte para a pesquisa nas Humanidade Digitais. Ao mesmo tempo pretende-se incentivar a definição de uma estratégia comum que possa melhorar a cooperação entre os estudiosos digitais e as instituições do patrimônio cultural no desenvolvimento de projetos de Organização do Conhecimento e Humanidades Digitais.

PÚBLICO ALVO
O I SIMPÓSIO ORGANIZAÇÃO DO CONHECIMENTO E HUMANIDADES DIGITAIS tem como foco profissionais da informação como bibliotecários, arquivistas e museólogos; docentes e pesquisadores; estudantes, empresas, startups, gestores, analistas, especialistas e consultores que atuam na área de gestão e organização da informação e do conhecimento como elementos de convergência com as Humanidades Digitais.

LOCAL
Local – USP – Escola de Comunicação e Artes (ECA) – Auditório Lupe Cotrim – 1º andar
Dia – 21 de maio de 2018
Horário – 14h às 17h30

I Congresso Internacional em Humanidades Digitais

A Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO, por meio do Laboratório de Preservação e Gestão de Acervos Digitais – LABOGAD e a Fundação Getulio Vargas – FGV, por meio do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil – CPDOC e do Laboratório de Humanidades Digitais – LHuD, organizam-se para a realização do Congresso Internacional em Humanidades Digitais – HDRio2018, que terá lugar na Cidade do Rio de Janeiro, no período de 9 a 13 de abril de 2018.

Mais informações: https://www.facebook.com/events/1091040297698035/