Livros Infantis

Livro infantil com temática LGBTQ+ gera polêmica educacional em Taiwan

Por Beh Lih Yi

(Thomson Reuters Foundation) – Um livro infantil de tema LGBTQ+ sobre dois príncipes que se apaixonam e se casam gerou protestos de pais em Taiwan, depois de ter sido adicionado a um programa de leitura apoiado pelo governo.

“King & King”, publicado originalmente em holandês, conta a história de um jovem príncipe que foi pressionado por sua mãe a se casar com uma princesa, mas depois se apaixonou por outro príncipe.

A versão chinesa do livro foi adicionada a uma lista de livros que o governo distribuiu para estudantes de seis e sete anos neste mês em Taiwan, que, no ano passado, se tornou o primeiro lugar na Ásia a permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

O programa de leitura faz parte de uma atividade extracurricular que visa fomentar o amor pela leitura e não é obrigatório nas escolas. Apesar disso, a medida gerou protestos do lado de fora do Ministério da Educação nesta semana.

Leia a matéria completa publicado pelo Extra

LIVRO INFANTIL INÉDITO RESGATA MEMORÁVEIS HISTÓRIAS DA CULTURA DE POVOS AFRICANOS

Obra A África recontada para crianças, de Avani Souza Silva apresenta os contos e fábulas mais famosos de países que falam a língua portuguesa

Texto Victória Gearini

Imagem meramente ilustrativa – Divulgação / Pixabay

Lançado em abril deste ano, o livro A África recontada para crianças, da escritora Avani Souza Silva, constrói uma narrativa cultural com as histórias mais famosas contadas nos países africanos, onde a língua portuguesa é predominante.

Capa da obra A África recontada para crianças (2020) / Crédito: Divulgação / Martin Claret

A brilhante obra, publicada pela editora Martin Claret, tem como ilustradora das imagens Lila Cruz, que por meio de traços belos e caprichados explicita o discursivo linguístico apresentado no decorrer da leitura

O leitor tem diante de si uma obra singular no mercado editorial brasileiro. Esta analogia de contos tradicionais e fábulas recria, com esmero e criatividade, uma fatia importante e representativa das narrativas orais e infantis de países africanos, todos eles pertencentes à uma comunidade da língua portuguesa”, escreveu no prefácio da obra, Marana Borges, jornalista e mestre em Teoria da Literatura pela Universidade de Lisboa.

Bem humoradas, as narrativas deste livro envolvem lobos, coelhos, leões, e claro, muitas aventuras. Músicas, gastronomia, adivinhas e vestimentas são alguns dos elementos que compõem a cultura de povos africanos, que são minuciosamente apresentados nesta formidável obra.

Acesse a matéria completa em Aventuras na História

Literatura infantil e protagonismo feminino: elas como personagens principais

Texto por Redação

Pedagoga destaca a importância do incentivo à leitura de livros infantis protagonizados por personagens femininas e indica 5 títulos que desenvolvem nas crianças valores e virtudes importantes, como ser guerreira, destemida, curiosa, questionadora e forte. Confira!

Desde sempre os livros são poderosas ferramentas para que o ser humano conheça mais sobre ele mesmo e o mundo ao seu redor. Por isso, a literatura infantil contribui de forma significativa para o desenvolvimento do autoconhecimento, senso crítico, valores morais e virtudes; ou seja, atua na formação da identidade e influencia nas relações com o todo.

Com as crianças isso não é diferente! De acordo com Claudia Onofre, pedagoga e consultora educacional da plataforma Dentro da História, é neste contexto que o hábito de ler se torna ainda mais importante. ‘’A leitura na infância é essencial, pois é a fase onde a criança está construindo o seu ‘’eu’’, formando seus valores, identificando suas virtudes, aprendendo o que é o certo ou errado e como o mundo funciona para assim moldar suas condutas. É neste momento que a criança desenvolve características importantíssimas para o sucesso na vida adulta e em suas relações, seja no âmbito acadêmico, profissional ou pessoal’’, explica.

Nesse cenário é possível compreender quão relevante é mostrar para meninos e meninas o significado dos movimentos atuais, incluindo o cenário onde a mulher luta cada vez mais por espaço e tem cada vez mais voz para ser quem ela quiser, onde quiser. A partir disso, a educadora listou 3 motivos que reforçam a importância da literatura infantil onde ‘Elas’ são as protagonistas.

Acesse a matéria completa em  Embarque na viagem e compreenda a importância da literatura infantil e a representatividade das personagens femininas nela. 

Livros infantis se equilibram entre literatura e educação para falar de assédio sexual

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A escritora Penélope Martins queria que a protagonista de seu livro “Minha Vida Não É Cor de Rosa” passasse pelas experiências habituais das adolescentes. A descoberta da autonomia, o primeiro namorado, a mudança de escola -o primeiro assédio.

Ainda nas primeiras páginas do livro, a garota de 14 anos é abordada por um homem que, dentro de um carro, finge que vai pedir informação e mostra a ela suas partes íntimas.

“Na primeira vez em que fui vítima desse tipo de situação, eu tinha uns nove anos”, diz a autora. “E, se converso sobre esse tema com qualquer grupo, metade das mulheres levanta a mão para dizer ‘eu também, eu também’.”

O livro, que foi premiado pela Biblioteca Nacional no ano passado, é um dos que abraçam o desafio de falar sobre assédio sexual a um público jovem, em um país onde, a cada 15 minutos, uma criança ou adolescente é vítima de violência sexual, segundo dados da Childhood Brasil.

É uma tendência que vem com o avanço do movimento MeToo -vale lembrar que a expressão surgiu numa corrente que buscava escancarar como o abuso é recorrente na vida das mulheres desde a infância e, muitas vezes, fica encoberto em silêncio.

Enquanto a obra de Martins é direcionada a adolescentes, há outras que buscam abordar a questão para crianças. Um deles é “Leila”, do escritor Tino Freitas e da ilustradora Thais Beltrame e que teve colaboração de Elvira Vigna nos primeiros estágios de concepção.

Acesse a matéria completa publicada pelo GaúchaZH e conheça outros livros infantis que tratam do assédio sexual. 

De forma lúdica, livro digital ensina conservação de livros às crianças

Texto por Maria Eduarda Nogueira / Assessoria de Comunicação da ECA

A história em quadrinhos “Biblioteca: um lugar mágico” faz parte de um projeto de pesquisa da Escola de Comunicações e Artes

Para pesquisador, o incentivo à leitura nas crianças pode apresentar bons resultados a longo prazo – Reprodução / Biblioteca: um lugar mágico

Projeto desenvolvido na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP resultou no livro digital infantil Biblioteca: um lugar mágico, obra pensada para mostrar de forma didática e divertida a importância da conservação dos livros. Lançado no Portal de Livros Abertos da USP, o livro é parte do projeto de pesquisa do professor Francisco Paletta, do Departamento de Informação e Cultura (CBD) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP.

A pesquisa contou com a ajuda do professor Waldomiro Vergueiro, também do CBD. “Numa conversa com o professor, a gente decidiu que ia ser em formato de história em quadrinhos, tentando transformar a ida da criança na biblioteca em uma aventura”, conta o professor Paletta.

O trabalho foi desenvolvido com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O projeto Busca, recuperação e organização da informação e do conhecimento na web de dados procura entender como o usuário lida com as informações na internet. “Eu tenho avaliado várias faixas etárias para tentar entender o comportamento do usuário em relação ao livro”, comenta Paletta. Durante a pesquisa, que está em andamento, o professor viu a necessidade de olhar também a criança como usuária.

A ideia de começar pelas menores faixas etárias parte do princípio de que uma criança que aprende a gostar de livros saberá como melhor conservá-los ao longo da vida.

O livro procura ter um viés pedagógico. As crianças na história participam de uma oficina de restauro de um livro que está em péssimas condições. “O objetivo é mostrar para a criança que o livro precisa de cuidado.”

Ideia faz parte do projeto de pesquisa do professor Francisco Paletta, da Escola de Comunicações e Artes da USP – Reprodução / Biblioteca: um lugar mágico

Expansão do projeto

O livro foi lançado digitalmente, mas o professor conta que o objetivo é ter cópias impressas para trabalhar com crianças em escolas e bibliotecas públicas, promovendo atividades tais como as que os personagens do livro vivenciam. Isso faz parte do projeto Livro e Leitura, que almeja espalhar o gosto pela leitura entre as crianças brasileiras.

Em 2020, será lançado o segundo livro da coleção, com enfoque no livro digital e no uso da internet durante a infância. Francisco Paletta colabora com o instituto americano Better Internet for Kids, que luta por uma rede mais segura para as crianças.

O projeto terá ainda uma publicação final, de caráter acadêmico, relacionada diretamente ao projeto Fapesp, que lida com a preservação e conservação da informação digital.

“A ideia agora é encontrar professores e alunos que estejam interessados no projeto e inseri-los em um grande projeto de extensão”, comenta o professor Paletta. Os alunos não têm que ser necessariamente do CBD para atuarem como multiplicadores do projeto.

2,43 livros por ano

Uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto Pró-Livro, em 2016, mostra que o brasileiro lê, em média, 2,43 livros por ano. Uma média baixa, em comparação, por exemplo, aos franceses, que atingem a marca de 21 livros anualmente.

As razões para esse fenômeno são muitas, mas uma delas pode ser a dificuldade de tomar gosto pela leitura desde a infância. Considerando o contexto atual, em que diversas telas competem pela atenção da criança, essa missão se torna mais difícil ainda.

Nesse sentido, iniciativas como o livro infantil Biblioteca: um lugar mágico se tornam promissoras em um país que luta para formar gerações de leitores.

Fonte: Jornal da USP

As formas e os materiais dos livros infantis podem ser um convite à leitura

Nas últimas décadas, o Brasil viveu uma revolução na parte gráfica dos livros, e os destinados especialmente às crianças ganharam muito com isso

Texto por Cristiane Rogerio

(Foto: Getty Images)

Era uma vez um grupo de crianças de várias idades que se viu diante de uma estante de livros meio maluca. De longe, já se observava uma imensidão de cores e tons, era impossível organizar o olhar. Quando elas foram chegando mais perto, viram que cada obra possuía um tamanho diferente: umas chegavam a passar dos 30 centímetros, outras não mediam mais que 10. Mais próximo ainda, perceberam que havia lombadas – aquele material que segura, cola ou costura as páginas – diversas. Algumas em tecido, outras se diferenciavam da cor da capa do livro, umas finas, outras grossas. As crianças começaram, então, a querer mexer em tudo, a pegar, mesmo.

 Os bebês tentavam segurar, exploravam de todas as formas. As crianças maiores se encantavam com  os tipos de ilustração (aquarela, carvão, lápis, colagens). Abriam, alisavam as folhas, voltavam para ver de novo e notavam que, dentro das obras, além das histórias, havia um jeito especial de contar as histórias. Variavam os desenhos, as letras, as cores das páginas, os papéis; tinha até livro com buracos, abas para abrir e personagens presos dentro das dobras. Uma loucura de opções.

Num cenário ideal, as características dessa estante fictícia estariam em qualquer biblioteca básica – fosse ela em casa, na escola, em instituições públicas ou livrarias. A boa notícia é que, nas últimas décadas, o Brasil avançou graficamente no mercado do livro por conta de várias questões: políticas públicas nos setores de economia, educação e cultura; formação de professores; edições diferenciadas nas livrarias que recebem crianças; novas editoras, mais voltadas para livros feitos artesanalmente ou com formatos mais ousados, desafiando as gráficas brasileiras; artistas com mais espaço para imaginar histórias em que se privilegie um casamento potente entre texto, imagem e design. É também por isso que os livros que líamos quando crianças não eram como esses que vemos hoje. Dos bebês aos maiores, a materialidade das obras ficou cada vez mais relevante para o convite à leitura.

Afinal, quando falamos de estímulo à leitura, em qualquer idade, diversidade é fundamental. Desde bebê, a criança vai experimentando o mundo pelos sentidos. “Propor a elas diversas experiências, portanto, mostra que o livro também pode ser um caminho para conhecer o mundo. O material é importante, pois vai contribuir para que essa criança se sinta estimulada a conhecer outros títulos, uma vez que ele também passa a ser objeto de curiosidade, de prazer e, claro, de pensar”, diz a arte-educadora Camila Feltre, mestre em artes na Unesp, professora do curso de pós-graduação O Livro Para a Infância d’A Casa Tombada (SP) e autora do livro É Um Livro…? Mediações e Leituras Possíveis (Ed. Cultura Acadêmica/Unesp).

Um mundo novo

O que não falta, aliás, é variedade quando o assunto é livro “só para bebês”. Nesse caso, não apenas por uma questão de segurança ou de capacidade motora e cognitiva. “Para eles, a materialidade é primordial também por outro motivo: o literário se apresenta no corpo, nos sentidos. Aí entram a textura, a sonoridade, o manuseio das páginas. O formato traz autonomia narrativa, ou seja, o bebê se vê como leitor, mesmo com a mediação de um adulto”, diz a psicóloga Cássia Bittens, criadora do projeto Literatura de Berço e pesquisadora da área de Crítica Literária da PUC-SP.

Ela exemplifica esse conceito com o livro Uma Lagarta Muito Comilona(Ed. Callis), um clássico do norte-americano Eric Carle, que narra a história de uma lagarta que sai do ovo faminta e come uma maçã na segunda-feira, duas peras na terça, três ameixas na quarta e por aí vai até se empanturrar, engordar, virar casulo e, então, borboleta. A trajetória superconhecida do bicho acontece de forma diferente pelo tom de humor que textos e imagens oferecem, e também porque, na versão original (há mais de uma dezena delas pelo mundo), o autor deixa marcas do caminho da lagarta com furos que correspondem ao número de frutas. “Ao brincar com eles, o bebê está sendo ativo na leitura e, ao mesmo tempo, entrando no mundo da fantasia, que é o que o literário faz com qualquer um de nós [nos coloca no lugar do outro]. Para o bebê, isso acontece por esse meio concreto”, diz.

(Foto: Shutterstock)

Como escolher

Independentemente de ser uma obra para bebê ou criança maior, a escolha do livro merece atenção. Não é por ser “bonito”, ter capa dura, texturas ou cores que ele é bom. Seja um livro-brinquedo (os de plástico, para ler no banho; os de pano, para a criança manusear com mais segurança; os pop-up ou com abas, para adulto e criança brincarem e se surpreenderem), seja um livro informativo (com a prioridade de ensinar algo como números, letras e cores), seja um com “apenas” uma história, há várias maneiras de avaliarmos a qualidade de uma obra e, a partir daí, formar um repertório.

“Em um bom livro, nada que está ali é por acaso: formato, tamanho, técnica da ilustração, paleta de cores, fonte da letra. Tudo que está presente é para comunicar algo. Na hora de escolher, é importante atentar para essas possibilidades”, diz Denise Guilherme, mestre em educação e criadora de A Taba, empresa e site especializados em curadoria de livros. Sendo assim, já que as opções nas prateleiras são inúmeras, os pais devem se informar sobre as obras e ler indicações, claro. Mas nada se compara ao impacto que a leitura vai causar neles próprios.

Por isso, a dica é: experimente! Se ao longo dos anos o adulto, em geral, se desliga da materialidade do livro, quando se torna pai ou mãe tem a oportunidade de reencontrar esse prazer. Retornamos àquela sensação de aprender algo novo – não raro, porém, a gente se afoba na hora de “ensinar”. Qual a saída, então? Para a atriz Letícia Liesenfeld, contadora de histórias e pesquisadora, acima de tudo, é essencial que o adulto se conecte ao livro antes de apresentá-lo à criança. “Quando trabalhei em oficinas com famílias com bebês nas redes de bibliotecas em Portugal, a primeira coisa que eu pedia para as pessoas é que pegassem nos livros, examinassem pequenas falhas, cheirassem…”, diz. Em vez de se posicionar na frente da criança dizendo a ela como fazer, a especialista sugere que você fique atrás dela para auxiliá-la ou a coloque no colo. “Até para ensinar a pressão ideal para virar as páginas, algo que é bem complexo para os pequenos”, completa.

 Por fim, vale lembrar que, seja cartonado, com números e cores, cheio de recursos de texturas ou feito “somente” para fácil manipulação das pequenas mãos, o livro para crianças também deve preservar a surpresa. Algo que pode vir do estranhamento, do riso, da aba que ora abre para cima e ora para baixo, da leitura que tem de ser feita de ponta-cabeça… O papel é o limite – ou melhor, não é. 

Fonte: Revista Crescer

A importância do livro infantil

O livro infantil promove o conhecimento de forma lúdica, contribuindo também para a memorização e relação de empatia com o objeto de estudo.

Texto por  Marília Paiva, presidenta do Conselho Regional de Biblioteconomia – 6ª Região (MG/ES)

A leitura é um processo cujo estímulo pode e deve ser introduzido no cotidiano mesmo antes da alfabetização formal. Antes mesmo da escola, a família é o principal lugar de aproximação com a cultura escrita e, com certeza, o lugar privilegiado para possibilitar à criança a entrada no mundo mágico da leitura, especialmente a literária.

A literatura infantil compartilhada, lida e relida e com pessoas que cercam a criança de atenção e afeto, ajuda no desenvolvimento de habilidades, como o desenvolvimento da fala, criatividade, funções neurológicas da aprendizagem, ampliação de vocabulário e, ainda, trabalha a capacidade de interpretação. Os livros infantis promovem o conhecimento de forma lúdica, contribuindo também para a memorização e relação de empatia com o objeto de estudo.

O Dia Nacional do Livro Infantil (18) é uma homenagem ao escritor Monteiro Lobato, nascido em 18 de abril de 1882, cuja obra mais conhecida é o Sítio do Picapau Amarelo, focada no público infanto-juvenil. A estória se passa no sítio da Dona Benta, avó de Narizinho e Pedrinho, onde habitam criaturas como o Visconde Sabugosa e a Cuca.

Os livros infantis contemporâneos tratam de uma diversidade de temas humanos, e, em sua forma e conteúdo, podem ajudar a formar pessoas mais plurais, com uma visão ampliada de si mesma, da sociedade e do mundo em que vive. O hábito da leitura a partir do estímulo familiar é com certeza um fator que pode colocar as crianças em uma situação superior de preparo para o mundo letrado.

Para aquelas crianças que não encontram no ambiente familiar o local e situações propícias ao aprendizado da leitura e da literatura, as bibliotecas escolares passam a ser ainda mais fundamentais, pois representarão a primeira oportunidade de letramento. Toda a estrutura física, o acervo, as atividades e equipe da biblioteca escolar devem ser voltados para a recepção e imersão daquelas crianças no mundo da leitura.

Um bibliotecário bem preparado e sensível a essa fase delicada de aproximação da criança com a leitura será fundamental para articular recursos e atividades da biblioteca para encantar o pequeno e promissor leitor, mas também garantir o aprendizado efetivo para que ele se torne um leitor que usufrua do prazer da leitura com autonomia.

Algumas pesquisas, como o estudo Retratos da Leitura, apontam que a população brasileira tem baixo índice de leitura e de compra de livros. Ressalvado o conceito restrito que a pesquisa dá ao termo leitor, esse resultado deve nos alertar para a importância da educação de qualidade, que envolva o desenvolvimento pleno de competências de leitura, e nisso as bibliotecas escolares tem um lugar de alta relevância. Se a educação é uma das principais ferramentas para a construção de um país melhor, o investimento em conhecimento é uma forma inteligente de melhorar o futuro.

Muitos que dizem “não gostar de ler” provavelmente são pessoas que não tiveram acesso ao mundo da leitura e da literatura na infância, quando mais poderiam se encantar e aprender. Pode ser que não tenham sido apresentadas da forma adequada a esse universo, por meio de mediadores afetuosos e espaços propícios. Ou ainda, que não tiveram a oportunidade de se identificarem com algum gênero textual que despertasse o interesse pela leitura.

O livro apresenta um enriquecimento da vida e ampliação do mundo do leitor, desvendando culturas e realidades diferentes, dando acesso a experiências que não poderiam ser realizadas no curto espaço de apenas uma vida. Mesmo a leitura de entretenimento, pode reduzir o estresse e estimular o cérebro, sem contar as possibilidades da biblioterapia.

É importante estimular a leitura desde a infância, pois ela pode ser libertadora e auxiliar em todas as fases da vida. O acesso à leitura na infância é fundamental na formação do leitor competente e crítico, habilidade importantíssima no processo de aprendizado ao longo da vida. O princípio do pensamento é a linguagem e a leitura é meio importante para se tornar um adulto humanista: vocabulário, imaginação e muitas experiências.

Marília Paiva é presidenta do CRB-6 – 18ª  gestão. É Doutora (2016) e Mestre (2008) em Ciência da Informação pela Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais, onde cursou a graduação em Biblioteconomia (2004). Atualmente é professora adjunta da Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais, atuando no Departamento de Organização e Tratamento da Informação, ministrando disciplinas para os cursos de graduação de Biblioteconomia, Arquivologia e Museologia. Suas áreas de interesse são: políticas públicas de informação para bibliotecas; bibliotecas públicas e escolares.

Fonte: Literalmente Uai