Livros Impressos

Ebook ou impresso: como os apaixonados pela leitura mantêm seu hábito diário

Livros físicos e digitais dividem opinião do público; segundo pesquisa, brasileiro lê, em média, 2,43 livros por ano

Texto por Bruna Stroisch

Não lia nem rótulo de shampoo”, brinca Luisa Moreira de Oliveira, de 26 anos. A jornalista, natural de Florianópolis, contou que o gosto pela leitura veio aos 12 anos, após ganhar de presente da mãe um livro com foco no público infantojuvenil.

Luisa Moreira de Oliveira criou um canal no YouTube para falar sobre livros – Foto: Arquivo pessoal/ND

A partir daí, o hábito da leitura foi ganhando cada vez mais espaço na rotina de Luisa, que hoje, tem mais de 400 livros na estante. Ela lê cerca de cinco livros por mês.

Nesta quinta-feira (23), é celebrado o Dia Mundial do Livro. De acordo com a última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, desenvolvida pelo Instituto Pró-Livro, divulgada em 2016, o brasileiro lê, em média, 2,43 livros por ano e o desafio continua a ser incentivar a leitura, uma vez que 44% da população não lê e 50% nunca comprou um livro.

Livro “de verdade”

O ato de manusear o livro, folhear as páginas e sentir o cheiro fazem parte de um “ritual” de leitura que Luisa não consegue deixar de lado, ainda que tenha um leitor de livros digitais, os chamados eBooks.

Prefiro o livro físico. Tenho mais livros impressos que digitais. O eBook é uma forma de ler mais rápida, mas confesso que não consumo tanto os livros digitais. A ideia de pegar o livro na mão, abrir e ler as páginas é o que eu mais gosto”, explica.

A preferência pelos livros impressos vai ao encontro do projeto, que, recentemente, foi colocado em prática pela jornalista. Ela lançou, no final de 2019, um canal no YouTube onde posta dois vídeos por semana comentando sobre suas últimas leituras e aquisições.

O livro impresso é mais ‘visual’ para quem me acompanha nos vídeos. Além disso, como leitora, gosto mais da ideia de colocar um livro na estante. De organizá-los”, conta.

  • Último livro que leu: Vermelho, Branco E Sangue Azul, de Casey Mcquiston;

  • Está lendo: Quinze dias, de Vitor Martins.

Não sai da mochila

Há mais de cinco anos, o dispositivo eletrônico para leitura de livros digitais não sai da mochila de Paulo Renato Orione, de 27 anos. A relação de Paulo com o leitor de livros digitais, no entanto, não foi um caso de amor à primeira vista.

O empresário comenta que tinha “preconceito” com a ferramenta, pois ainda era apegado aos livros físicos.

Paulo Renato Orione é adepto dos livros digitais – Foto: Arquivo pessoal/ND

Quando dei uma chance, vi as muitas possibilidades. É portátil, cabe no bolso. Ando com o dispositivo para todo o lado. Não é prático carregar livros físicos e graças ao dispositivo consegui ler muito mais”, conta.

Segundo Paulo, as qualidades do leitor digital são diversas. Ele diz que consegue ler um livro por semana com mais agilidade. “Consigo adaptar a leitura. Posso configurar a fonte e o espaçamento do jeito que eu gosto. Às vezes, o livro físico tem uma letra pequena ou grande demais, ou a folha é ruim, por exemplo”.

Parte da rotina

O empresário confessa que ainda encara os livros físicos com certo “romantismo”. Porém, a leitura de livros digitais já ultrapassou a dos impressos. Paulo reserva momentos da rotina para a leitura, com sessões de 10 a 15 minutos ao longo do dia. As horas perdidas no celular, foram trocadas pela leitura de um eBook.

  • Último livro que leu: O futuro do dinheiro, de Rudá Pellini;

  • Recomendação: A river in darkness: One Man’s Escape from North Korea, de Masaji Ishikawa.

Futuro do impresso

Há algum tempo, está em pauta a discussão sobre o fim dos impressos, sejam revistas, livros ou jornais. Para Luisa Oliveira, o fim é improvável, uma vez que ela não acredita que haverá uma migração em massa dos leitores para o meio digital.

De acordo com Rogério Christofoletti, professor do curso de Jornalismo da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), a venda de livros impressos no Brasil ainda é maior do que a de livros eletrônicos. O mercado, no entanto, vem enfrentando uma crise, uma vez que o brasileiro tem deixado de lado o hábito de ler.

Mercado de livros impressos vem enfrentando uma crise – Foto: Márcio Henrique Martins/FCC

Paralelo a isso, o professor explica que a distribuição de livros no país é cara, além dos custos da produção e estocagem, que também impactam o mercado. Para driblar isso, as editoras têm investido em catálogos de livros eletrônicos.

Há, por outro lado, aquelas que investem em projetos gráficos inovadores e na qualidade visual dos livros, para que a experiência de leitura no formato impresso seja única e não possa ser transposta ao meio eletrônico.

Vejo, com base em dados, que o livro impresso tem muito caminho pela frente no Brasil. Não há uma curva de ultrapassagem. O eletrônico não ultrapassou o impresso e isso traz um alento à indústria”, prevê Christofoletti.

Fonte: ND+

Na era digital, livros físicos ainda são preferência de leitores

MARIANA CHECONI

Mesmo com a era digital e a tecnologia, que proporciona diversas maneiras de ler livros e histórias, algumas pessoas preferem o bom e velho livro de papel. Seja pela sensação que ele traz ou pelo conforto aos olhos, diversos motivos fazem com que as páginas não substituam as telas.

O jovem Gabriel Lima Alvares Nogueira conta que não abre mão dos livros físicos por conta da sensação que eles trazem. “Tocar as páginas e sentir o cheiro dos livros novos quando chegam em casa ou quando compro na livraria não tem preço. Gosto também dos detalhes de cada um, como a lombada, capa e contracapa. Além disso, gosto de sentir o peso dele nas mãos e pensar que em poucas gramas posso viajar para outro universo”, afirma.

Gabriel conta que seu gênero favorito é épico. “O Senhor dos Anéis, As Crônicas de Gelo e Fogo e Hobbit são alguns dos meus preferidos”, revela.

Para a estudante de jornalismo Amanda Schnaider, a sensação do livro físico vai além do toque. “Ter ele em mãos parece que me faz mergulhar ainda mais na história. Meus gêneros favoritos são romance e ficção. Gosto bastante de histórias sobrenaturais e de aventuras, mas também as de amor, com drama envolvido. Um livro que junte todos esses gêneros conquista meu coração”, conta.

Não só pelo contato e pelo envolvimento nas histórias, mas também para admirá-los, os livros podem servir para decorar os ambientes. “Gosto de juntar todos os livros em uma estante no meu quarto e olhar para eles toda vez que passo. O problema é que tenho que manter a estante bem limpa para não atacar a minha rinite”, brinca Amanda.

A professora de literatura Priscila Lopes Polachini ressalta a importância da leitura para a formação das pessoas. Por isso, é importante incentivar logo na infância. “A bagagem literária é de extrema importância para a formação de jovens leitores. Auxilia no enriquecimento do vocabulário e na formulação da linguagem oral e escrita”, explica.
“Hoje em dia, estimular os jovens a ler é uma tarefa complexa, pois os meios eletrônicos atraem mais que um livro. O segredo está em oferecer uma leitura que instigue o novo leitor para a descoberta deste mundo maravilhoso”, completa.

Benefícios

Uma das vantagens da leitura para o cérebro é que melhora o funcionamento, pois ler aumenta as conexões neurais, fazendo com que o cérebro funcione melhor. É como fazer ginástica, só que para a cabeça.

Além disso, uma pesquisa da Universidade Emory, dos EUA, descobriu que ler afeta nosso cérebro como se realmente tivéssemos vivenciado os eventos sobre o qual estamos lendo.
Além disso, ainda estimula a criatividade, melhora a inteligência, refina a escrita e o vocabulário e também incita o senso crítico.

Quando lemos um livro em estilo romance, por exemplo, a capacidade de imaginar o cenário em que a ação se desenvolve, além da imagem física dos personagens, leva a criar um outro mundo dentro de nossas cabeças.

A leitura é um grande exercício para o cérebro, por isso, quanto mais se pratica a leitura, mais o cérebro é ativado. Todos os gêneros de leitura têm resultados similares.

Procura por livrarias cresce 8% no Natal

Para as livrarias, o Natal é uma das principais datas por conta da alta demanda de presentes, especialmente de amigo-secreto. De acordo com dados do índice Cielo do Varejo Ampliado ,o destaque do Natal de 2019 foram as livrarias. No levantamento, que compara o mesmo período do ano anterior, o segmento de livrarias, papelarias e afins teve um crescimento no Natal de 8%.

O diretor de Marketing, E-commerce e TI de uma livraria da cidade, Felipe Pavoni, conta que os três livros mais vendidos de 2019 foram ‘A Sutil Arte De Ligar O Foda-Se’, de Mark Manson; ‘O Poder da Autorresponsabilidade’, de Paulo Vieira; e ‘O Milagre Da Manhã’, de Elrod Hal. “Estes foram os três títulos mais vendidos no ano. Já os gêneros mais procurados em 2019 foram autoajuda, negócios, literatura, administração e direito. Também observamos um crescimento em vendas de livros infantis”, conta.

Pavoni ainda ressalta que as pessoas continuam consumindo os livros físicos. “Isso acontece mesmo entre os jovens, que já nasceram cercados de tecnologia. O hábito de leitura dos livros digitais é complementar ao livro físico. Identificamos que mais de 30% de clientes que compram um livro digital, adquirem o mesmo título também no formato físico. Acreditamos que as possibilidades digitais podem estimular a leitura pela praticidade e mobilidade, especialmente em um país como o Brasil, onde as pessoas podem levar muito tempo em deslocamentos urbanos – como casa e trabalho”, explica.

Fonte: Jornal de Jundiaí

Em suportes impressos ou digitais, o valor da boa leitura

Por Jacir J Venturi (*)
Há uma sensação de enlevo e êxtase quando imergimos em uma boa leitura, quer pelo aconchego de um livro impresso, quer pela praticidade de um tablet ou outro dispositivo digital. Afinal – ao contrário de algumas previsões belicosas –, os e-books e as versões em papel não são rivais, e sim suportes diferentes que retratam uma harmoniosa convivência entre gerações analógicas, imigrantes digitais e nativos digitais.

Vivenciamos uma época singular da história com a superabundância de livros, revistas e jornais a preços acessíveis – muito diferente de uma realidade não tão distante –, e o acesso gratuito a praticamente todos os grandes clássicos da literatura universal por meio de downloads.

Há exatos 30 anos, o físico inglês Tim Berners-Lee criou a fantástica rede www, com a “ambição de que um dia ela abraçasse toda a Terra” – segundo suas palavras –, e sequer a patenteou para que fosse “livre e igualitária”. Só para dar uma ideia de seu gigantismo, nos dias de hoje a cada 5 minutos a internet hospeda novos dados que equivalem, em gigabytes, à totalidade do conteúdo da Biblioteca do Congresso norte-americano – a maior do mundo em acervo físico –, conquanto uma parcela significativa de bits da web seja fútil, quando não perniciosa.

Assim, a internet tornou-se a quase realização do grande sonho dos diretores da antiga Biblioteca de Alexandria, que no período do século III a.C. ao século IV d.C. continha praticamente todos os registros escritos da Antiguidade em cerca de 700 mil rolos de papiros. Seu lema era “adquirir um exemplar de cada manuscrito existente na face da Terra”.

A aquisição desses exemplares, no entanto, era uma odisseia. Cada pergaminho era obtido por diferentes meios – prioritariamente escambo ou pilhagem –, aproveitando-se do fato de que os navios que partiam de Alexandria singravam todos os mares conhecidos à época. No entanto, pela raridade, o manuseio era restrito aos mais conspícuos mestres da época. Atualmente, em contrapartida, vivemos a Era da Informação, com uma profusão mais ampla e democrática de conteúdo na web, apesar de ainda persistirem restrições de informações, especialmente estratégicas, científicas e tecnológicas.

Os suportes digitais para leitura são práticos, armazenam vários livros – uma facilidade para as viagens – e os preços para download são módicos. Porém, alguns estudos indicam que ler na tela pode eventualmente ser menos eficiente em comparação ao livro impresso para a compreensão e retenção de conteúdo, em especial os mais complexos e para gerações que não são nativas digitais.

Apesar dessa realidade global, o Brasil ainda é um país com baixo índice de leitores, ao menos em termos de conteúdos úteis, pois, considerando a leitura espontânea (ou seja, excluindo os indicados pelas escolas), não chega a dois per capita, enquanto na França é sete e nos EUA é cinco. Afinal, o brasileiro gasta, em média, 3h45 min por dia em redes sociais. Sim, ocupamos o segundo lugar (o primeiro são as Filipinas), num ranking de 45 países, conforme pesquisa publicada há um mês pela GlobalWebIndex, com sede em Londres. Isso significa menos leituras, menos estudo e menor convivência com familiares e amigos no mundo real.

Um robusto estudo de 298 páginas denominado Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, indica que quase 56% dos brasileiros se declaram leitores – o critério é ter lido um livro ou parte dele nos últimos três meses. Nos dois extremos, temos 30% que nunca compraram um livro e 25% com boas habilidades em leitura e escrita. Um recorte interessante desse estudo mostra que a maioria considera que a leitura ensina a viver melhor e que se converte em bons hábitos, inclusive citando uma pesquisa da Universidade de Roma que chegou à conclusão de que os leitores são mais felizes do que os não leitores.

E esse mesmo estudo também comprova o que todos sabemos: são os exemplos e não as palavras que influenciam a formação de novos leitores. Nesse sentido, prevalece a premissa de que a criança não nos ouve, mas nos imita, ou seja, pais e professores leitores formam crianças leitoras.

Ademais, os bons leitores têm melhor compreensão de textos, loquacidade, pensamento crítico e escrita fluente na norma culta, requisitos tão valorizados nos concursos e na vida profissional. Quem bem lê, bem escreve. E sobre essa importância de uma boa escrita, os antigos já nos ensinavam em bom latim: verba volent, scripta manent (as palavras voam, os escritos ficam).

*Jacir J. Venturi é autor de três livros e membro do Conselho Estadual de Educação. Foi professor da UFPR, PUCPR e Coordenador na Universidade Positivo.

Fonte: Campo Grande News

Livro físico ainda tem lugar cativo entre leitores

Ter o livro em mãos e poder marcar trechos e virar páginas é importante para alguns leitores

Melissa Duarte*

O casal Larissa Yassunaga e Marcelo Felipe de Moura compartilha o amor pelos livros(foto: Shodo Yassunaga/Divulgação)

O cheiro de papel, o toque macio de um livro nas mãos, uma história novinha em folha a ser reconhecida na ponta dos dedos. O uso de e-books vem aumentando nos últimos anos, mas, para diversos leitores — mesmo os jovens, que já nasceram no meio digital —, nada substitui o verdadeiro livro de papel.

É assim com o casal Larissa Yassunaga, de 18 anos, e Marcelo Felipe de Moura, 20. Um dos passatempos dos dois é ler livros. “Quando você está lendo livro físico, você se desconecta de celular, tecnologia e de coisas do tipo”, defende o jogador de pôquer, que ainda não se adaptou à leitura on-line — por tablet, computador ou celular. Foi influenciado primeiro pela mãe, que era professora; depois, já adolescente, pelo jogo, a fim de buscar conhecimento e melhorar o desempenho.
Bibliotecas não deixam de ser alternativas frente à falta de políticas públicas e ao custo dos livros(foto: Iano Andrade/CB/D.A Press)
“Eu gosto de ter o livro em mãos, de poder colocar marcadores em todas as partes que me emocionaram, me fizeram rir ou que simplesmente gostei”, acrescenta a estudante, que pretende montar a própria biblioteca. “Eu gosto de ter o livro, não é só ter o livro físico”, completa o jovem, que compra quase todos os que lê.
Quando perguntada sobre um livro marcante, Larissa não hesita: “Outros jeitos de usar a boca (2014), da Rupi Kaur”. Sucesso de vendas, o livro da poeta feminista indiana fez com que a jovem descobrisse novas perspectivas sobre a vida. “Ela lê até mais do que eu”, diverte-se Marcelo, que tem na literatura de autoajuda o gênero favorito.
Livro Vida de delegada: primeiro impresso por editora, depois autopublicado(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
Impressão literária
“Cresci rodeada de mulheres contadoras de histórias”, relembra a poeta Meimei Bastos, 28, sobre a mãe e a avó. Influenciada por elas, a jovem brincava de ser escritora durante a infância. “Quando você ouve uma história e vai contá-la depois, você cria em cima dela”, continua. Tomar gosto por lazer não foi suficiente: por isso, lançou o livro Um verso e mei (2018), da editora brasiliense Malê, e trabalha com slam — poesia falada que versa sobre periferia, violência e preconceitos em geral.
“Acho que todas as vezes que uma mulher publica um livro, está ajudando, incentivando outras a tomarem posição e coragem para enfrentar desafios. Foi assim com Cora Coralina, Carolina Maria de Jesus e tantas outras que enveredaram por essa seara”, analisa a delegada Maria Aparecida Veras, 59, uma das autoras do livro Vida de delegada (2018).
A obra subverte a visão tradicional do que ocorre nas delegacias e traz à tona o ponto de vista feminino, sob a ótica das delegadas. “Leio gibis desde criança, então amo livro físico. Além disso, todas as escritoras são formadas em direito, o que significa que temos mania de sublinhar e colorir trechos de livros”, conta a escritora. “Também entendemos que o impresso atingiria um maior número de pessoas, considerando que muitas ainda têm dificuldades com plataformas digitais”, analisa ela, sobre o fato de a publicação ter sido impressa.
“Só consegui me imaginar escritora quando li Carolina (Maria de Jesus)”, complementa Meimei. Inspirada pelo trabalho da escritora mineira — uma das primeiras autoras negras do Brasil —, ela vê nas jovens e nas futuras gerações a continuidade para a literatura. A filha Sofia, 8, por exemplo, segue os passos da mãe e brinca de imaginar, criar e escrever histórias em quadrinhos. A perenidade, no entanto, foi além do exemplo dentro de casa: a poeta divulgou o trabalho em escolas e bibliotecas públicas.
“Biblioteca é um acervo vivo”, define o editor Andrey do Amaral, da editora Pergunta Fixar. Para o professor de literatura, elas são fundamentais. Atualmente, ele percebe o mercado editorial em declínio: o fechamento de livrarias e de distribuidoras, e a redução do comércio contribuem para o fato. “(Livros físicos) dependem de políticas públicas para formarem leitores, como a distribuição de novos exemplares nesses locais para renovar o acervo”, analisa.
“Gosto de sentir o cheiro dos livros, da tinta no papel”, descreve o editor, que se define como amante dos livros e apaixonado pelo papel. A biblioteca dele, por exemplo, já chegou aos 10 mil exemplares. “É como se fosse um alimento para a alma”, continua Amaral.
O profissional compara a impressão de livros à fabricação de discos de vinil: para ele, nenhum dos dois irá acabar, mas só chegará a um público segmentado. Segundo ele, o declínio do mercado abala a economia e chega às gráficas, que acabam ficando com menos papel e funcionários no quadro. Dessa forma, o preço do exemplares também sobe. Se o livro on-line surge como uma alternativa mais barata e acessível, não deve substituir os que são impressos: “O e-book é um complemento, uma nova mídia para novos públicos”, analisa.
*Estagiária sob supervisão de Severino Francisco.  

Leer cuentos a los peques: ¿en papel o en soporte electrónico?

Una de las tareas cotidianas a las que nos enfrentamos diariamente es la de leer cuentos a nuestros peques. Es algo que puede ocurrir a cualquier hora y en muchas ocasiones lo demandan como paso imprescindible antes de quedarse dormidos. Por esto siempre nos preocupamos en buscarles una lectura adecuada, algún cuento que les pueda gustar y que esté indicado para su edad. Sin embargo, toda la importancia que le damos a la elección del contenido no la tenemos en cuenta para la elección del continente. No solemos tener en cuenta el soporte en la selección del libro y como vamos a ver a continuación sí que tiene importancia.

Según el estudio «Differences in Parent-Toddler Interactions With Electronic Versus Print Books» de Tiffany G. Munzer, Alison L. Miller, Heidi M. Weeks, Niko Kaciroti y Jenny Radesky  de la American Academy of Pediatrics (AAP):

«Los padres y los niños pequeños verbalizaban menos con los libros electrónicos, y la colaboración era menor. Los estudios futuros deben examinar aspectos específicos del diseño de los libros en tablets que apoyen la interacción entre padres e hijos. Es posible que los pediatras deseen continuar promoviendo la lectura compartida de libros impresos, particularmente para los niños pequeños y los niños más pequeños».

En palabras del propio estudio, esto es debido a la brecha lógica de conocimiento existente entre los padres y los niños pequeños. El desarrollo de un niño de entre 24 – 36 meses está caracterizado por un lenguaje emergente y habilidades socioemocionales, así como habilidades inmaduras de funcionamiento ejecutivo. Estas diferencias de desarrollo entre padre e hijo pueden hacer que los niños sean susceptibles a las distracciones en los libros electrónicos más desarrollados, que tienen como puntos fuertes las fotografías, vídeos o sonidos. Además, debido a la flexibilidad de su memoria inmadura, los niños pequeños dependen más de las ayudas de los adultos para transferir la información desde el medio digital al mundo real, tienen mayor dificultad para comprender información presentada en medios digitales en comparación con el trato personal, y retienen mejor la información cuando el medio digital es visto con un adulto.

Es por esto que, aunque las nuevas tecnologías han llegado para quedarse, no podemos pasar por alto que los métodos tradicionales de lectura ofrecen unos resultados mucho más satisfactorios con los más pequeños de la casa que los recursos más innovadores.

Para realizar este experimento los autores reclutaron a 37 parejas de padres y niños pequeños (de unos 2 y 3 años) de la Universidad de Michigan y entornos comunitarios (consultorios pediátricos, centros de cuidado infantil y centros comunitarios). El experimento fue grabado en vídeo, siguiendo un protocolo de lectura y encuestas que duraban unos 75 minutos en una sala de estar que contenía un espejo, sofás, 3 libros en cajas (2 libros en tablets y 1 libro impreso) y cámaras de video. Los resultados del estudio fueron los siguientes:

La figura 3 muestra el número de intervalos que contienen cada tipo de verbalización de los padres de acuerdo al soporte utilizado. Las verbalizaciones dialógicas -o verbalizaciones de ida y vuelta- en padres fueron mayores con libros impresos (11,9) respecto a los libros electrónicos, ya fueran estos básicos (8,3) o tecnológicamente mejorados (6,2). Esto quiere decir que los padres leen más los textos en los libros impresos que en los libros electrónicos básicos y, a su vez, leen más los textos en los libros electrónicos básicos que en los mejorados, y además encuentran un feedback en los niños. La tendencia se repite en las verbalizaciones no dialógicas, es decir sin encontrar un feedback, pero aquí se producen más verbalizaciones con los libros electrónicos mejorados. Además, tuvieron más verbalizaciones en el libro impreso respecto a los libros electrónicos cuando estaban fuera de la tarea o no concentrados.

En cuanto a las verbalizaciones de los niños podemos analizarlas gracias al gráfico número 4 del estudio:

En este caso, la figura 4 nos muestra el número de intervalos que contienen cada tipo de verbalización de los niños pequeños. Las verbalizaciones producidas con libros en los niños pequeños fueron mayores con libros impresos (15.0) que en libros electrónicos, ya sean tecnológicamente más avanzados (11.5) o más básicos (12.5). Los niños pequeños no tuvieron grandes diferencias en verbalizaciones negativas en todos los soportes, y de igual forma fuera de la tarea. El total de las verbalizaciones de niños pequeños fueron mayores con los libros impresos (18.8) que con libros electrónicos ya sean estos más avanzados (13.8) o menos (15.3).

Las conclusiones del estudio de la AAP sugieren que debido al menor número de verbalizaciones cuando usan los libros electrónicos, los pediatras deberían recomendar el libro impreso para padres e hijos que comparten la lectura. Además, debe haber una comunicación con los desarrolladores de software para que no incluyan mejoras audiovisuales irrelevantes en los libros electrónicos destinados a niños pequeños. Por último, los padres que leen con sus hijos en libros electrónicos deben centrarse más en la lectura y no tanto en los elementos tecnológicos.

Imagen superior cortesía de Shutterstock

Fonte: ComunidadBaratz