Livros Digitais

Concorrência saudável: livros digitais ganham cada vez mais espaço e mantêm prestígio de formato físico

Texto por Johann Germano

Não tem capa dura, não tem cheiro, não envelhece, não desbota, não ocupa espaço, cabe na palma da mão e é possível levá-lo a qualquer lugar e acessá-lo a qualquer hora. Mesmo com todos esses benefícios, o livro digital, o chamado ebook, ainda está conquistando espaço entre os leitores que curtem o tradicional livro de papel. Tudo bem, certo?

A resposta é sim. De acordo a presidente da Primavera Editorial, Lu Magalhães, a mudança de hábito com as novas tecnologias é gradativa, mas sem necessariamente abandonar o papel. Ela enumera outras vantagens dos ebooks.

Você pode comprar mais, tê-lo mais à mão. É uma questão de praticidade o livro digital. Quando você se joga nessa leitura, é muito simples ser atraído por ela, porque ela traz uma praticidade muito grande”, relata, em entrevista à Sagres TV, no programa Tom Maior desta quinta-feira (25).

À direita, Lu Magalhães, no programa Tom Maior (Foto: SagresTV)

Segundo Lu Magalhães, um levantamento feito pela Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro – realizada pela Nielsen Book e coordenada pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e Câmara Brasileira do Livro – aponta que houve um crescimento de 7,7% nas vendas de livros digitais para o mercado nacional. De acordo com a presidente da Primavera Editorial, o dado significa que, descontada a variação do IPCA no período, o aumento real foi de 3,3%. O melhor resultado foi registado na venda de Obras Gerais, que obteve um aumento real de 14,8%.

Lu Magalhães não defende que haja uma competição entre os novos formatos de livros e os queridinhos das prateleiras físicas, mas fatores como a pandemia, por exemplo, que exige o isolamento social e faz da internet uma grande aliada por causa do e-commerce, pode consolidar ainda mais os formatos digitais. “Ainda há uma resistência”, afirma. “Mas se olharmos os números, os dados depois dessa pandemia, eu acho que não tem volta”, analisa.

Acesse a matéria completa em Sagres Online

‘Podemos afirmar que a tendência é que o livro digital tenha mais peso nos nossos hábitos de leitura’

Texto por Lorenzo Herrero

Em entrevista ao PublishNews, CEO de distribuidora de conteúdos digitais da Espanha, fala sobre o impacto do coronavírus no mercado

Arantza Larrauri é CEO da Libranda, distribuidora de conteúdos digitais da Espanha | © Linkedin da profissional

A pandemia mudou os hábitos de lazer em todo o mundo. O livro está se tornando um aliado e companheiro fiel nos dias de hoje, quando reuniões com amigos ou espetáculos estão proibidos. No entanto, o leitor encontrou as livrarias fechadas. O aumento da leitura no formato digital já vinha sendo confirmado em relatórios, como o Informe del Libro Digital, publicado em 2019. O documento é realizado pela Libranda, distribuidora de conteúdos digitais da Espanha. Muita coisa mudou desde a publicação, por isso, Lorenzo Herrero, editor do PublishNews em Espanhol resolveu atualizar esse assunto com Arantza Larrauri, CEO da Libranda.

PublishNews em Espanhol – Como o coronavírus está afetando o mercado espanhol de livros digitais?

Arantza Larrauri – A terrível pandemia da covid-19 e o consequente confinamento em que estamos imersos favoreceram naturalmente o consumo de entretenimento digital, bem como a leitura digital, tanto do ponto de vista da demanda quanto da oferta.

Do ponto de vista da demanda nessas semanas de confinamento, detectamos um crescimento nas vendas de livros digitais de mais de 130% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Entradas em bibliotecas digitais e empréstimos digitais também se multiplicaram. Houve também um aumento significativo no número de novos usuários, em algumas dessas plataformas o número de usuários cresceu cinco vezes e o tempo que os leitores passam lendo nessas plataformas também aumentou.

Do ponto de vista da oferta, detectamos um interesse crescente em dar o salto digital por parte dos editores que não tinham ainda começado a digitalizar seus catálogos e por aquelas livrarias que ainda não estavam oferecendo a seus clientes a possibilidade de adquirir conteúdo em formato digital a partir do seu e-commerce.

PNES – O livro digital em espanhol, de acordo com o seu relatório, cresce 12%, mas podemos saber se esse crescimento se deve a um aumento na compra daqueles que já leem digitalmente ou se o livro digital está alcançando mais leitores todos os dias?

AL – Muito provavelmente, esse crescimento de 12,5% em 2019 é devido a uma mistura de ambos os efeitos. A proporção exata de um e outro efeito é conhecida pelas plataformas que prestam o serviço ao usuário final (a plataforma de vendas, a assinatura ou a biblioteca digital), pois sabem quantos novos leitores se registram e começam a ler digitalmente em suas plataformas.

Infelizmente, a Libranda não tem essa informação. Entretanto, podemos dizer que acreditamos que o crescimento é uma consequência de ambos os efeitos, porque as próprias plataformas de bibliotecas digitais, de vendas e de assinaturas nos falam de uma constante evolução ascendente no número de leitores que registram e ativam seus serviços. Um exemplo disso é o aumento no número de usuários ativos do serviço de empréstimo digital eBiblio em 2019 vs. 2018 que o Ministério da Cultura [da Espanha] tornou público, que foi de 36%.

PNES – Qual é o peso desse aumento no grande número de ofertas dos editores na compra desses livros em formato digital durante esse período?

AL – Como em qualquer mercado, as políticas de estímulo à oferta e à demanda são recompensadas, dando frutos. De fato, no mundo dos livros digitais, ofertas e promoções de preços são feitas naturalmente todos os dias, e se em tempos de confinamento houve mais dessa modalidade de oferta, me parece uma resposta lógica, porque em circunstâncias excepcionais é compreensível que também haja respostas excepcionais.

De qualquer forma, não creio que essa tenha sido a principal razão pela qual estamos experimentando um crescimento tão extraordinário nessas semanas.

Penso que o principal motivo foi a situação de confinamento em nossas casas, que teve o duplo efeito de tornar impossível a compra de livros de outras maneiras e de aumentar o tempo disponível para a leitura de muitas pessoas.

Uma pista do que aponto no ponto anterior é dada pelo fato de os registros terem sido multiplicados por cinco em algumas plataformas de assinatura de livros (sem ter alterado a taxa de assinatura) e os registros em bibliotecas públicas digitais terem se multiplicado. Nesses casos, a alta não implica em nenhum custo associado, nem agora no confinamento nem antes dele).

Estou confiante de que muitas das pessoas que descobriram a leitura digital como resultado da situação extraordinária que estamos enfrentando tiveram uma experiência agradável de leitura e decidem continuar gostando no futuro.

PNES – Como você acha que isso afetará a atração de leitores para o mundo digital através de obras gratuitas ou com um desconto significativo? Estamos atraindo leitores para o formato digital ou pode ter um efeito negativo a longo prazo?

AL – Eu acho que – como em qualquer mercado que tem um comportamento racional -, os agentes que oferecem um produto sabem qual o preço que devem definir (neste caso, os livros) para serem competitivos no mercado, para poder satisfazer os clientes já por sua vez, sejam sustentáveis como empresas.

Com base nessa crença no comportamento racional, as ações que estão sendo tomadas para atrair novos leitores para o mundo digital parecem legítimas e corretas para mim, e não acho que elas tenham algum efeito negativo.

PNES – Onde está o futuro do livro digital: plataformas de assinatura, empréstimos para bibliotecas ou vendas individuais?

AL – Bem, também nesse sentido, acho que no futuro prevalecerá a diversidade de maneiras de acessar o livro digital. E quando falo sobre o futuro, falo um ou dois anos, porque hoje, em um ambiente tão imprevisível e mutável quanto aquele em que vivemos, um ou dois anos é um longo prazo!

Em nosso relatório, refletimos o peso de cada um desses canais e modelos de negócios em 2019 em todo o mundo e por território. No ano passado, o maior peso foi detido pelas vendas unitárias com 89,9%, seguido pela assinatura com 5,8% e pelas bibliotecas públicas com 4,3%.

É possível que essa tendência continue nos próximos anos, mas, sem dúvidas, o crescimento será muito relevante na assinatura e também no empréstimo digital.

De fato, em países como o nosso, Espanha, ambos os modelos de negócios têm um peso acima da média. A assinatura teve uma participação de 8,5% na Espanha em 2019 (com um crescimento de 20%) e o empréstimo digital uma participação de 5,1% (com um crescimento de 34%).

PNES – O que você acha que o coronavírus significa para o mercado de livros digitais?

AL – Será uma oportunidade para mais pessoas descobrirem, apreciarem e apreciarem suas virtudes.

PNES – Como o vírus afetou sua vida profissional até agora?

AL – Para mim, ajudou a confirmar mais uma vez que a equipe humana que constitui a empresa em que trabalho é extraordinária: sempre demonstrou maturidade, coragem, unidade e capacidade de agir para enfrentar circunstâncias difíceis.

Por outro lado, em um nível prático, a tarefa de combinar o ambiente de trabalho com a esfera doméstica e familiar é pelo menos curiosa: videoconferências de trabalho, videoconferências das aulas da escola de minhas filhas, recepção de pacotes, passeios com o cachorro, passeios ao supermercado, etc. Tudo ao mesmo tempo e no mesmo espaço. De uma maneira ou de outra, estamos todos aprendendo a ser malabaristas hoje em dia!

Fonte: Publishnews

Autores e livreiros relatam suas experiências com o livro digital

Seja no lugar de escritor, ou do leitor, nomes locais e nacionais observam os rumos e a adaptação ao suporte literário

O Kindle, da Amazon, é uma das tecnologias difundidas no Brasil para a leitura no suporte digital

O romance “A Sombra de um outro Mundo” (ficção científica), e-book da escritora cearense Mylena Araújo (28), já alcançou mais de 30 mil visualizações. Desde que começou a publicar nas plataformas digitais há quatro anos, ela comemora a possibilidade de interagir com os leitores em tempo real. Na sequência dessa publicação, surgiram o miniconto “Tereza” e a série de contos macabros “Lugar Nenhum”.

Habituada à plataforma de autopublicação do Wattpad, Mylena, contudo, não tem, como leitora, preferência entre livros digitais e físicos. Para a autora, existe uma complementariedade de ambos os formatos. “Não há uma versão melhor que a outra. Cada uma oferece aquilo de que o leitor necessita”, identifica.

A exemplo de Mylena, o autor L.M Ariviello (nome artístico do cearense Manoel Oliveira) costuma publicar seus textos no Wattpad. O segundo livro, “A Herdeira de Hélzius”, está disponível em versão impressa e digital. Com o e-book, Ariviello admite que a recepção da obra ainda é tímida. “Apesar de muita gente ler no formato digital hoje em dia, eu percebo certa resistência. Muitos leitores são tradicionais e preferem o livro físico mesmo”, destaca ele.

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Mylena Araújo conquistou seu público leitor pela ferramenta digital de autopublicação do WattpadFoto: Alexandre de Almeida

Segundo Alexandre Munhoz, gerente de Kindle no Brasil, os leitores passam a ler mais, quando adotam o livro digital. “E não necessariamente trocam um suporte pelo outro. Não vemos uma disputa (entre digital e impresso)”, reflete.

Vencedora do 4º Prêmio Kindle de Literatura com a obra “Dias Vazios”, a psicóloga e escritora carioca Bárbara Nonato acrescenta que muitos leitores ainda veem os livros digitais como “aperitivos” da versão impressa. Além de R$ 30 mil pelo prêmio da Amazon, ela ganhou a oportunidade de publicar seu novo livro no papel, por meio da Editora Nova Fronteira.

“Quando comecei a escrever, meu primeiro livro saiu impresso. Depois publiquei outros só no digital, e alguns leitores falavam ‘ah, quando sair impresso eu compro’. Hoje, vejo que tudo está mais amplo nesse sentido. Muita gente tem se adaptado à leitura digital”, observa a autora.

Grandeza

Para Angela Gutierrez, presidente da Academia Cearense de Letras, a grandeza de uma obra literária não se perde à medida que o leitor troca de suporte. “Machado de Assis continuará a ser um escritor extraordinário se sua obra for lida em um e-book. Mas leio pouco em suporte digital. Desde criança, me afeiçoei ao livro de papel. O prazer da leitura vem, claro, da qualidade intrínseca da obra, mas, algumas vezes, pode ser intensificado por certos paratextos que a apresentam”, conta a escritora.

Vencedor do prêmio Jabuti de Literatura em duas categorias, em 2018, o cearense Mailson Furtado chama atenção para a predominância de um “nicho” formado por leitores jovens no ambiente digital.

Segundo o autor de “À Cidade”, esse público “lê principalmente prosa, em sua grande maioria títulos categorizados como ‘young adults’, em suas diversas vertentes: fantasia, ficção científica, terror”, detalha. Mailson enfatiza que disponibilizar sua obra no formato digital ajudou-lhe a alcançar um público distinto do leitor do livro impresso.

Em 2011, a escritora cearense Julie Oliveira publicou uma “versão animada” de seu livro infantil, “Brincando com Matemática”, pela Conhecimento Editora, empresa na qual trabalhou como sócio-editora. A publicação saiu nos primórdios do livro digital no Brasil e, tanto sua concepção, como a recepção dos leitores, ganhou ares de experimentação.

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A escritora cearense Julie Oliveira teve experiência de produzir um e-book ainda antes da chegada da Amazon no mercado brasileiroFoto: Isanelle Nascimento

“Além disso, a editora não tinha muitos conhecimentos sobre esse mercado, tampouco recursos de investimento/marketing em torno desses suportes. Lembro que, curiosamente, os retornos de leitores que recebemos foram todos de pessoas sediadas em outros países. Pra mim, representou na época uma possibilidade de expandir as fronteiras a partir desses ‘novos formatos’”, reflete Julie.

Distinção

Os autores são unânimes em sinalizar como o livro impresso tem seu espaço consolidado no mercado livreiro (apesar da atual crise das livrarias) e apelos bem distintos em relação ao e-book. Sobre os pontos a favor da aquisição do suporte de leitura digital, dois dos itens mais sensíveis são a portabilidade e a questão do impacto ambiental.

“A vantagem principal seria a portabilidade, em um mundo cada vez mais fluído em tempo-espaço, isso conta demais. Entre outras, citaria, a depender dos dispositivos, a interação que se tem com o próprio texto, os hiperlinks, e por vezes até o contato direto com o autor”, elenca Mailson.

Ariviello se diz do “time que defende os e-books”, mesmo sem ter tido uma boa experiência quanto à formação de leitores via suporte digital. “Acho que eles são o futuro. É uma forma mais politicamente correta, não destrói o meio ambiente para criar papel. No Wattpad, você pode ter contato com outras pessoas que estão lendo aquele mesmo livro”, conta o autor cearense.

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L.M Ariviello observa como boa parte dos leitores ainda é muito fiel ao livro impressoFoto: Isanelle Nascimento

Rapidez

Julie Oliveira destaca como o e-book favorece a pesquisa de trechos específicos da obra, a interação com o acesso ao significado das palavras e links similares. E reforça a praticidade de armazenamento das obras e para carregar consigo os dispositivos.

“Esse é um ponto extraordinário, nesses tempos de malas que ‘tem que ser leves’. Além da quantidade de ‘autores independentes’ que tem se autopublicado e utilizado esses mecanismos para distribuição de suas obras”, acrescenta a escritora.

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Mailson Furtado destaca a presença de leitores jovens no “nicho” dos suportes de leitura digitalFoto: Helene Santos

Mailson Furtado complementa como a acolhida de todos os formatos é um caminho espontâneo para o autor encontrar seus leitores. “Creio que o escritor deve estar onde existam leitores, não podemos negar qualquer que seja o formato. Afinal, a literatura ali está”, observa.

De forma lúdica, livro digital ensina conservação de livros às crianças

Texto por Maria Eduarda Nogueira / Assessoria de Comunicação da ECA

A história em quadrinhos “Biblioteca: um lugar mágico” faz parte de um projeto de pesquisa da Escola de Comunicações e Artes

Para pesquisador, o incentivo à leitura nas crianças pode apresentar bons resultados a longo prazo – Reprodução / Biblioteca: um lugar mágico

Projeto desenvolvido na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP resultou no livro digital infantil Biblioteca: um lugar mágico, obra pensada para mostrar de forma didática e divertida a importância da conservação dos livros. Lançado no Portal de Livros Abertos da USP, o livro é parte do projeto de pesquisa do professor Francisco Paletta, do Departamento de Informação e Cultura (CBD) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP.

A pesquisa contou com a ajuda do professor Waldomiro Vergueiro, também do CBD. “Numa conversa com o professor, a gente decidiu que ia ser em formato de história em quadrinhos, tentando transformar a ida da criança na biblioteca em uma aventura”, conta o professor Paletta.

O trabalho foi desenvolvido com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O projeto Busca, recuperação e organização da informação e do conhecimento na web de dados procura entender como o usuário lida com as informações na internet. “Eu tenho avaliado várias faixas etárias para tentar entender o comportamento do usuário em relação ao livro”, comenta Paletta. Durante a pesquisa, que está em andamento, o professor viu a necessidade de olhar também a criança como usuária.

A ideia de começar pelas menores faixas etárias parte do princípio de que uma criança que aprende a gostar de livros saberá como melhor conservá-los ao longo da vida.

O livro procura ter um viés pedagógico. As crianças na história participam de uma oficina de restauro de um livro que está em péssimas condições. “O objetivo é mostrar para a criança que o livro precisa de cuidado.”

Ideia faz parte do projeto de pesquisa do professor Francisco Paletta, da Escola de Comunicações e Artes da USP – Reprodução / Biblioteca: um lugar mágico

Expansão do projeto

O livro foi lançado digitalmente, mas o professor conta que o objetivo é ter cópias impressas para trabalhar com crianças em escolas e bibliotecas públicas, promovendo atividades tais como as que os personagens do livro vivenciam. Isso faz parte do projeto Livro e Leitura, que almeja espalhar o gosto pela leitura entre as crianças brasileiras.

Em 2020, será lançado o segundo livro da coleção, com enfoque no livro digital e no uso da internet durante a infância. Francisco Paletta colabora com o instituto americano Better Internet for Kids, que luta por uma rede mais segura para as crianças.

O projeto terá ainda uma publicação final, de caráter acadêmico, relacionada diretamente ao projeto Fapesp, que lida com a preservação e conservação da informação digital.

“A ideia agora é encontrar professores e alunos que estejam interessados no projeto e inseri-los em um grande projeto de extensão”, comenta o professor Paletta. Os alunos não têm que ser necessariamente do CBD para atuarem como multiplicadores do projeto.

2,43 livros por ano

Uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto Pró-Livro, em 2016, mostra que o brasileiro lê, em média, 2,43 livros por ano. Uma média baixa, em comparação, por exemplo, aos franceses, que atingem a marca de 21 livros anualmente.

As razões para esse fenômeno são muitas, mas uma delas pode ser a dificuldade de tomar gosto pela leitura desde a infância. Considerando o contexto atual, em que diversas telas competem pela atenção da criança, essa missão se torna mais difícil ainda.

Nesse sentido, iniciativas como o livro infantil Biblioteca: um lugar mágico se tornam promissoras em um país que luta para formar gerações de leitores.

Fonte: Jornal da USP

Em suportes impressos ou digitais, o valor da boa leitura

Por Jacir J Venturi (*)
Há uma sensação de enlevo e êxtase quando imergimos em uma boa leitura, quer pelo aconchego de um livro impresso, quer pela praticidade de um tablet ou outro dispositivo digital. Afinal – ao contrário de algumas previsões belicosas –, os e-books e as versões em papel não são rivais, e sim suportes diferentes que retratam uma harmoniosa convivência entre gerações analógicas, imigrantes digitais e nativos digitais.

Vivenciamos uma época singular da história com a superabundância de livros, revistas e jornais a preços acessíveis – muito diferente de uma realidade não tão distante –, e o acesso gratuito a praticamente todos os grandes clássicos da literatura universal por meio de downloads.

Há exatos 30 anos, o físico inglês Tim Berners-Lee criou a fantástica rede www, com a “ambição de que um dia ela abraçasse toda a Terra” – segundo suas palavras –, e sequer a patenteou para que fosse “livre e igualitária”. Só para dar uma ideia de seu gigantismo, nos dias de hoje a cada 5 minutos a internet hospeda novos dados que equivalem, em gigabytes, à totalidade do conteúdo da Biblioteca do Congresso norte-americano – a maior do mundo em acervo físico –, conquanto uma parcela significativa de bits da web seja fútil, quando não perniciosa.

Assim, a internet tornou-se a quase realização do grande sonho dos diretores da antiga Biblioteca de Alexandria, que no período do século III a.C. ao século IV d.C. continha praticamente todos os registros escritos da Antiguidade em cerca de 700 mil rolos de papiros. Seu lema era “adquirir um exemplar de cada manuscrito existente na face da Terra”.

A aquisição desses exemplares, no entanto, era uma odisseia. Cada pergaminho era obtido por diferentes meios – prioritariamente escambo ou pilhagem –, aproveitando-se do fato de que os navios que partiam de Alexandria singravam todos os mares conhecidos à época. No entanto, pela raridade, o manuseio era restrito aos mais conspícuos mestres da época. Atualmente, em contrapartida, vivemos a Era da Informação, com uma profusão mais ampla e democrática de conteúdo na web, apesar de ainda persistirem restrições de informações, especialmente estratégicas, científicas e tecnológicas.

Os suportes digitais para leitura são práticos, armazenam vários livros – uma facilidade para as viagens – e os preços para download são módicos. Porém, alguns estudos indicam que ler na tela pode eventualmente ser menos eficiente em comparação ao livro impresso para a compreensão e retenção de conteúdo, em especial os mais complexos e para gerações que não são nativas digitais.

Apesar dessa realidade global, o Brasil ainda é um país com baixo índice de leitores, ao menos em termos de conteúdos úteis, pois, considerando a leitura espontânea (ou seja, excluindo os indicados pelas escolas), não chega a dois per capita, enquanto na França é sete e nos EUA é cinco. Afinal, o brasileiro gasta, em média, 3h45 min por dia em redes sociais. Sim, ocupamos o segundo lugar (o primeiro são as Filipinas), num ranking de 45 países, conforme pesquisa publicada há um mês pela GlobalWebIndex, com sede em Londres. Isso significa menos leituras, menos estudo e menor convivência com familiares e amigos no mundo real.

Um robusto estudo de 298 páginas denominado Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, indica que quase 56% dos brasileiros se declaram leitores – o critério é ter lido um livro ou parte dele nos últimos três meses. Nos dois extremos, temos 30% que nunca compraram um livro e 25% com boas habilidades em leitura e escrita. Um recorte interessante desse estudo mostra que a maioria considera que a leitura ensina a viver melhor e que se converte em bons hábitos, inclusive citando uma pesquisa da Universidade de Roma que chegou à conclusão de que os leitores são mais felizes do que os não leitores.

E esse mesmo estudo também comprova o que todos sabemos: são os exemplos e não as palavras que influenciam a formação de novos leitores. Nesse sentido, prevalece a premissa de que a criança não nos ouve, mas nos imita, ou seja, pais e professores leitores formam crianças leitoras.

Ademais, os bons leitores têm melhor compreensão de textos, loquacidade, pensamento crítico e escrita fluente na norma culta, requisitos tão valorizados nos concursos e na vida profissional. Quem bem lê, bem escreve. E sobre essa importância de uma boa escrita, os antigos já nos ensinavam em bom latim: verba volent, scripta manent (as palavras voam, os escritos ficam).

*Jacir J. Venturi é autor de três livros e membro do Conselho Estadual de Educação. Foi professor da UFPR, PUCPR e Coordenador na Universidade Positivo.

Fonte: Campo Grande News

Leer cuentos a los peques: ¿en papel o en soporte electrónico?

Una de las tareas cotidianas a las que nos enfrentamos diariamente es la de leer cuentos a nuestros peques. Es algo que puede ocurrir a cualquier hora y en muchas ocasiones lo demandan como paso imprescindible antes de quedarse dormidos. Por esto siempre nos preocupamos en buscarles una lectura adecuada, algún cuento que les pueda gustar y que esté indicado para su edad. Sin embargo, toda la importancia que le damos a la elección del contenido no la tenemos en cuenta para la elección del continente. No solemos tener en cuenta el soporte en la selección del libro y como vamos a ver a continuación sí que tiene importancia.

Según el estudio «Differences in Parent-Toddler Interactions With Electronic Versus Print Books» de Tiffany G. Munzer, Alison L. Miller, Heidi M. Weeks, Niko Kaciroti y Jenny Radesky  de la American Academy of Pediatrics (AAP):

«Los padres y los niños pequeños verbalizaban menos con los libros electrónicos, y la colaboración era menor. Los estudios futuros deben examinar aspectos específicos del diseño de los libros en tablets que apoyen la interacción entre padres e hijos. Es posible que los pediatras deseen continuar promoviendo la lectura compartida de libros impresos, particularmente para los niños pequeños y los niños más pequeños».

En palabras del propio estudio, esto es debido a la brecha lógica de conocimiento existente entre los padres y los niños pequeños. El desarrollo de un niño de entre 24 – 36 meses está caracterizado por un lenguaje emergente y habilidades socioemocionales, así como habilidades inmaduras de funcionamiento ejecutivo. Estas diferencias de desarrollo entre padre e hijo pueden hacer que los niños sean susceptibles a las distracciones en los libros electrónicos más desarrollados, que tienen como puntos fuertes las fotografías, vídeos o sonidos. Además, debido a la flexibilidad de su memoria inmadura, los niños pequeños dependen más de las ayudas de los adultos para transferir la información desde el medio digital al mundo real, tienen mayor dificultad para comprender información presentada en medios digitales en comparación con el trato personal, y retienen mejor la información cuando el medio digital es visto con un adulto.

Es por esto que, aunque las nuevas tecnologías han llegado para quedarse, no podemos pasar por alto que los métodos tradicionales de lectura ofrecen unos resultados mucho más satisfactorios con los más pequeños de la casa que los recursos más innovadores.

Para realizar este experimento los autores reclutaron a 37 parejas de padres y niños pequeños (de unos 2 y 3 años) de la Universidad de Michigan y entornos comunitarios (consultorios pediátricos, centros de cuidado infantil y centros comunitarios). El experimento fue grabado en vídeo, siguiendo un protocolo de lectura y encuestas que duraban unos 75 minutos en una sala de estar que contenía un espejo, sofás, 3 libros en cajas (2 libros en tablets y 1 libro impreso) y cámaras de video. Los resultados del estudio fueron los siguientes:

La figura 3 muestra el número de intervalos que contienen cada tipo de verbalización de los padres de acuerdo al soporte utilizado. Las verbalizaciones dialógicas -o verbalizaciones de ida y vuelta- en padres fueron mayores con libros impresos (11,9) respecto a los libros electrónicos, ya fueran estos básicos (8,3) o tecnológicamente mejorados (6,2). Esto quiere decir que los padres leen más los textos en los libros impresos que en los libros electrónicos básicos y, a su vez, leen más los textos en los libros electrónicos básicos que en los mejorados, y además encuentran un feedback en los niños. La tendencia se repite en las verbalizaciones no dialógicas, es decir sin encontrar un feedback, pero aquí se producen más verbalizaciones con los libros electrónicos mejorados. Además, tuvieron más verbalizaciones en el libro impreso respecto a los libros electrónicos cuando estaban fuera de la tarea o no concentrados.

En cuanto a las verbalizaciones de los niños podemos analizarlas gracias al gráfico número 4 del estudio:

En este caso, la figura 4 nos muestra el número de intervalos que contienen cada tipo de verbalización de los niños pequeños. Las verbalizaciones producidas con libros en los niños pequeños fueron mayores con libros impresos (15.0) que en libros electrónicos, ya sean tecnológicamente más avanzados (11.5) o más básicos (12.5). Los niños pequeños no tuvieron grandes diferencias en verbalizaciones negativas en todos los soportes, y de igual forma fuera de la tarea. El total de las verbalizaciones de niños pequeños fueron mayores con los libros impresos (18.8) que con libros electrónicos ya sean estos más avanzados (13.8) o menos (15.3).

Las conclusiones del estudio de la AAP sugieren que debido al menor número de verbalizaciones cuando usan los libros electrónicos, los pediatras deberían recomendar el libro impreso para padres e hijos que comparten la lectura. Además, debe haber una comunicación con los desarrolladores de software para que no incluyan mejoras audiovisuales irrelevantes en los libros electrónicos destinados a niños pequeños. Por último, los padres que leen con sus hijos en libros electrónicos deben centrarse más en la lectura y no tanto en los elementos tecnológicos.

Imagen superior cortesía de Shutterstock

Fonte: ComunidadBaratz

Tecnologia ajuda a estimular a leitura e a desenvolver o pensamento crítico

Fonte: G1