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Fontes de Informação

Editora Agir lança biografia em quadrinhos da ativista Angela Davis

Texto por Samir Naliato

A Agir, braço editorial da Ediouro, está lançando a biografia em quadrinhos Miss Davis – A vida e as lutas de Angela Davis (formato 20,5 x 27,5 cm, 196 páginas, capa cartonada, R$ 59,90).

A edição está em pré-venda na Amazon com frete grátis para usuários Prime e lançamento em agosto.

O roteiro é da francesa Sybille Titeux de la Croix, com arte do também francês Amazing Ameziane. Negra, ativista e revolucionária. Angela Davis é uma das maiores ativistas do nosso tempo. Sua história de vida e sua luta pelos direitos civis nos Estados Unidos a converteram em um símbolo do movimento negro e do feminismo.

Leia a matéria completa publicada pelo UNIVERSO HQ e saiba mais sobre esse lançamento.

Práticas de Leitura de Histórias em Quadrinhos no Ensino Fundamental

Práticas de leitura de histórias em quadrinhos no ensino fundamental apresenta sugestões de práticas de leitura realizadas com o gênero história em quadrinhos (HQ), tendo como base teórica os autores Vygotski (aprendizagem), Bakhtin (linguagem), Marcuschi (gêneros textuais), Soares (letramento) e Solé (habilidades de compreensão leitora), entre outros. O leitor encontra nestas páginas atividades de leitura com o gênero HQ elaboradas com base em estratégias de compreensão de texto sugeridas por Solé. As autoras também propõem o uso do conceito de sequência didática (Dolz) para organizar as atividades propostas – atividades que possibilitam a interação entre os indivíduos, para que eles possam socializar o conhecimento na compreensão de que a linguagem ocorre em função de relações interpessoais, por meio dos enunciados produzidos pelos indivíduos durante as situações comunicativas.

Fonte: Editora Appris

Você sabia que existe um mercado potencial para Catalogação além das bibliotecas?

Texto por Rachel Lione

A catalogação é uma das competências técnicas mais antigas e peculiares da profissão bibliotecária e está assegurada pela Lei nº 4.084, de 30 de junho 1962, no artigo 6º que trata das atribuições dos Bacharéis em Biblioteconomia.

De acordo com o Dicionário de Biblioteconomia e Arquivologia, o termo catalogação é definido como:

“Processo técnico para registro e descrição de itens tendo em vista a organização de catálogos. (…) Em sentido mais amplo, a catalogação abrange não somente a descrição bibliográfica, mas também a análise temática com seus produtos, entre eles a identificação temática. ”

A catalogação é uma terminologia mais ampla dos processos de representação descritiva, que detalha informações como autor, título, dados da publicação (editora, ano e local que foi publicado); também descreve características físicas, relacionadas ao formato da obra.

Já a representação temática é o processo no qual o bibliotecário irá atribuir e classificar os assuntos de um determinado item. Esse trabalho frequentemente é associado ao serviço em bibliotecas, no entanto é muito amplo e utilizado em outros contextos além do escopo de uma biblioteca.

A Netflix, empresa que provê conteúdos audiovisuais como filmes e séries de televisão por streaming, frequentemente divulga a contratação para o cargo de Tagger, cuja principal função consiste em assistir conteúdos da plataforma e classificá-los em assuntos de acordo com a terminologia cinematográfica.

É um trabalho do profissional bibliotecário, mas nem todos os contratados possuem essa formação, pelo fato de serem solicitadas outras competências que não são inerentes à profissão (mas deveriam ser), como inglês fluente, conhecimentos em filmes e conteúdos para TV, saber trabalhar em formato de projetos, entre outras.

O ramo de catalogação e classificação de conteúdos audiovisuais em plataformas on-line tem se mostrado uma área em ascendência. A pandemia do coronavírus aumentou exponencialmente a demanda por classificação desses conteúdos, uma vez que as instituições de ensino se viram obrigadas, de maneira brusca, a disponibilizar as aulas de seus cursos nessas plataformas.

A escola onde estudo inglês, por exemplo, é uma dessas instituições de ensino que ofereciam aulas presenciais, com alguns exercícios para serem realizados on-line. Devido às restrições estabelecidas em decorrência da pandemia, passou a disponibilizar o conteúdo das aulas em vídeos. A proposta de estudo oferecida pela escola é que o aluno assista aos vídeos disponibilizados diariamente, de acordo com o seu nível de conhecimento (básico, intermediário ou avançado). Além dessa primeira categoria, as aulas também são classificadas somente por números sequenciais e data da publicação na plataforma.

Para mim essa forma de organização dificulta muito a recuperação de toda a informação contida nos vídeos. Caso precise realizar uma busca por um tema como “Modal verbs”, por exemplo, será necessário lembrar em qual aula esse tema foi tratado (pois não há uma forma de buscar e recuperar a informação) restringindo o aluno a seguir a sequência de estudos proposta pela escola.

Acredito que o trabalho do bibliotecário como catalogador de conteúdos em plataformas é uma competência pouco conhecida pelo mercado de trabalho, inclusive por muitos profissionais do segmento. Neste artigo, foi evidenciado algumas demandas de trabalho e cabe à classe bibliotecária se empoderar das novas áreas de trabalho além do âmbito da biblioteca.

Referências

CUNHA, Murilo Bastos da; CAVALCANTI, Cordélia Robalinho de Oliveira. Dicionário de Biblioteconomia e Arquivologia. Brasília: Briquet de Lemos, 2008. xvi, 451 p. Disponível em: https://repositorio.unb.br/handle/10482/34113 Acesso em: 29 jun. 2020.

Fonte: LinkedIn

É possível pensar na literatura sem palavras?

Livros ilustrados e o papel das imagens para quem ainda não domina letras e frases são temas do quarto episódio do PodAprender

“Uma imagem vale mais do que mil palavras”, já dizia o ditado. Quando se pensa em literatura, nos vêm à mente livros cheios de narrativas apoiadas em muitas palavras e frases, mas literatura e alfabetização não estão, necessariamente, ligadas uma à outra. Existem diferentes formas de aprendizagem que fazem uso dos estímulos visuais para estabelecer relações entre ideias, adquirir conhecimento, além de exercitar a criatividade e a imaginação.

Livros ilustrados podem ser a porta de entrada para um mundo que apresenta à criança infinitas possibilidades. Publicações que apoiam sua narrativa apenas em imagens cumprem um papel importante, que é o de lançar aqueles que ainda não lêem numa jornada onde se começa a tomar gosto pela literatura antes mesmo de se aprender a ler. Crianças já têm, desde bebês, um ambiente criado para que a leitura do mundo, dos símbolos e dos signos seja estabelecida.

A psicóloga e psicanalista Cláudia Serathiuk destaca que no caso de crianças pequenas, o livro ilustrado é um meio que requer um adulto junto para conduzir a narrativa. “É muito mais necessário um mediador de leitura do que, propriamente, um livro em si, porque o mediador também vai dar acesso à interpretação e à leitura por meio das imagens ou palavras”, afirma.

Acesse a matéria completa em Polinize e conheça mais sobre o livro ilustrado e sua importância na aprendizagem das crianças. 

Neuroeducação. Qual é o papel das ilustrações no aprendizado pelo livro didático?

Texto por Louise Moraes

Imagem: Licenciado por Pixabay

A Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos (vol. 101, no. 257) traz artigos multitemáticos, buscando contribuir para a aquisição de conhecimentos na área educacional, sobretudo neste momento de reclusão em casa durante a pandemia em curso de COVID-19. Um dos focos da edição é a neuroeducação, que integra as áreas de neurociências, psicologia e educação (SHOLL-FRANCO; MARRA; 2012). O estudo “Bases neuroeducativas do papel das ilustrações: uma proposta de análise de livro didático” foi realizado pelos pesquisadores Kleyfton Soares da Silva, do Instituto Federal Goiano e Laerte Silva da Fonseca, do Instituto Federal de Sergipe.

Kleyfton e Laerte direcionam seu foco para o papel das ilustrações em livros didáticos sob a perspectiva neuroeducativa, que busca o entendimento do processo de ensino e aprendizagem com base em evidências científicas do campo da neurociência (SILVA, 2018). A partir dos avanços tecnológicos, hoje é possível investigar mecanismos cerebrais subjacentes à aprendizagem (HORVATH; LODGE; HATTIE, 2017) e sabe-se que, no caso das ilustrações, determinadas características podem facilitar ou dificultar o entendimento do conteúdo a ser ensinado. Utilizando como referencial teórico a Teoria da Aprendizagem Multimídia (TAM) e noções da neurociência cognitiva, foi construída uma ficha para a análise de ilustrações de livros didáticos com conteúdos matemáticos.

Acesse a matéria completa em SciELO em Perspectiva – Humanas

LIVRO INFANTIL INÉDITO RESGATA MEMORÁVEIS HISTÓRIAS DA CULTURA DE POVOS AFRICANOS

Obra A África recontada para crianças, de Avani Souza Silva apresenta os contos e fábulas mais famosos de países que falam a língua portuguesa

Texto Victória Gearini

Imagem meramente ilustrativa – Divulgação / Pixabay

Lançado em abril deste ano, o livro A África recontada para crianças, da escritora Avani Souza Silva, constrói uma narrativa cultural com as histórias mais famosas contadas nos países africanos, onde a língua portuguesa é predominante.

Capa da obra A África recontada para crianças (2020) / Crédito: Divulgação / Martin Claret

A brilhante obra, publicada pela editora Martin Claret, tem como ilustradora das imagens Lila Cruz, que por meio de traços belos e caprichados explicita o discursivo linguístico apresentado no decorrer da leitura

O leitor tem diante de si uma obra singular no mercado editorial brasileiro. Esta analogia de contos tradicionais e fábulas recria, com esmero e criatividade, uma fatia importante e representativa das narrativas orais e infantis de países africanos, todos eles pertencentes à uma comunidade da língua portuguesa”, escreveu no prefácio da obra, Marana Borges, jornalista e mestre em Teoria da Literatura pela Universidade de Lisboa.

Bem humoradas, as narrativas deste livro envolvem lobos, coelhos, leões, e claro, muitas aventuras. Músicas, gastronomia, adivinhas e vestimentas são alguns dos elementos que compõem a cultura de povos africanos, que são minuciosamente apresentados nesta formidável obra.

Acesse a matéria completa em Aventuras na História

Revista LexCult recebe submissão de trabalhos para “Dossiê Memória, História, Arquivos e Museus do Judiciário” até 31/7

O Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), conhecido por ser um dos espaços mais democráticos na área cultural do estado do Rio de Janeiro, é reponsável pela revista eletrônica LexCult, que objetiva publicar textos inéditos de pesquisadores nacionais e estrangeiros nas áreas cultural, educacional e jurídica. A revista tem caráter interdisciplinar e aceita submissões de professores e pesquisadores ligados a programas de pós-graduação das mais variadas áreas do conhecimento, que se relacionem com a Cultura, Educação e o Direito.

Para a segunda edição do ano de 2020 (A edição será publicada até o dia 31/8), as inscrições para submissão de trabalhos com o tema “Dossiê Memória, História, Arquivos e Museus do Judiciário” estão abertas, são gratuitas e os interessados poderão enviar seus trabalhos até o dia 31 de julho no site da revista, no link: http://lexcultccjf.trf2.jus.br/index.php/LexCult/about/submissions

Acesse a matéria completa em Tribunal Regional Federal da 2ª Região e conheça os eixos temáticos e o prazo para a submissão de artigos

Revistas em revista: descontinuidades e sumiço

Texto por Fernando Barros

(Foto: Unsplash/Yunming Wang)

Quem acompanha o mercado de revistas já deve ter observado que muitas das publicações mensais tiveram sua circulação alterada em meio à pandemia do novo coronavírus. Modificação esta que tem sido bem difícil precisar se representa um reflexo dos impactos provocados pela crise de Covid-19 ou consequência de um processo de mudanças já em curso há algum tempo no mercado editorial.

Dos grandes grupos midiáticos até editoras independentes, de revistas consagradas a outras que vêm tateando às cegas ou lutando bravamente por seu espaço, o momento é de transformação. E nesse cenário de passar em revista as nossas publicações, há de tudo: descontinuidades, reposicionamentos, expansões e sumiços eventuais.

A Editora Globo, por exemplo, foi a primeira a suspender as versões impressas durante o período da pandemia. Em comunicado oficial, justificou a medida como uma forma de se adaptar à nova realidade e adequar temporariamente a linha de produção e entrega das suas publicações. Assim, pelo menos até julho, não circulam por aí as revistas Crescer, Autoesporte, Pequenas Empresas Grandes Negócios, Casa Jardim e Globo Rural.

Do portfólio da editora, segue sendo impressa a feminina Marie Claire. No entanto, com periodicidade alterada para bimestral. A propósito, investir na circulação de edições a cada dois meses foi também a estratégia adotada por outras revistas para fazer frente a este período, como a Glamour e a GQ Brasil, ambas fruto da parceria editorial firmada entre a Globo e a Condé Nast.

Se algumas se tornaram bimestrais ou suspenderam sua circulação temporariamente, outras no entanto sumiram de vez. Alegando dificuldades econômicas do próprio mercado de mídia nos últimos tempos e o impacto da crise do novo coronavírus, a Editora Rocky Mountain comunicou o encerramento dos títulos Women’s Health e Runner’s World no país.

Acesse a matéria completa em Observatório da Imprensa

Literatura infantil e protagonismo feminino: elas como personagens principais

Texto por Redação

Pedagoga destaca a importância do incentivo à leitura de livros infantis protagonizados por personagens femininas e indica 5 títulos que desenvolvem nas crianças valores e virtudes importantes, como ser guerreira, destemida, curiosa, questionadora e forte. Confira!

Desde sempre os livros são poderosas ferramentas para que o ser humano conheça mais sobre ele mesmo e o mundo ao seu redor. Por isso, a literatura infantil contribui de forma significativa para o desenvolvimento do autoconhecimento, senso crítico, valores morais e virtudes; ou seja, atua na formação da identidade e influencia nas relações com o todo.

Com as crianças isso não é diferente! De acordo com Claudia Onofre, pedagoga e consultora educacional da plataforma Dentro da História, é neste contexto que o hábito de ler se torna ainda mais importante. ‘’A leitura na infância é essencial, pois é a fase onde a criança está construindo o seu ‘’eu’’, formando seus valores, identificando suas virtudes, aprendendo o que é o certo ou errado e como o mundo funciona para assim moldar suas condutas. É neste momento que a criança desenvolve características importantíssimas para o sucesso na vida adulta e em suas relações, seja no âmbito acadêmico, profissional ou pessoal’’, explica.

Nesse cenário é possível compreender quão relevante é mostrar para meninos e meninas o significado dos movimentos atuais, incluindo o cenário onde a mulher luta cada vez mais por espaço e tem cada vez mais voz para ser quem ela quiser, onde quiser. A partir disso, a educadora listou 3 motivos que reforçam a importância da literatura infantil onde ‘Elas’ são as protagonistas.

Acesse a matéria completa em  Embarque na viagem e compreenda a importância da literatura infantil e a representatividade das personagens femininas nela. 

Ubook vale a pena? Veja como funciona assinatura, catálogo e preço

Plataforma oferece variedade de livros, podcasts e outros conteúdos por meio de assinatura mensal

Texto por Barbara Ablas, para o TechTudo

O Ubook é um serviço que disponibiliza audiolivros, podcasts, e-books, entrevistas, séries, cursos e notícias em áudio. A ferramenta pode ser acessada por meio do site e em aplicativos para celulares Android e iPhone (iOS). O funcionamento é semelhante ao de serviços de streaming, como Netflix, Spotify e Rdio, e o recurso já soma mais de seis milhões de usuários.

A plataforma possui mais de 400 mil títulos de livros em várias áreas de conhecimento, diferentes idiomas e um vasto acervo exclusivo para o público infanto-juvenil. O site também é considerado a maior plataforma de conteúdo em áudio por streaming da América Latina. Os conteúdos são gravados por narradores, atores, editores, autores e sonoplastas profissionais. Além disso, os usuários podem usufruir gratuitamente de parte do conteúdo ou fazer uma assinatura com acesso ilimitado. Confira, a seguir, como funciona o Ubook e veja os principais destaques da plataforma.

Plataforma para ouvir livros oferece a possibilidade de navegar em milhares de conteúdos — Foto: Barbara Ablas/TechTudo
  1. O que é e como funciona o Ubook?

O Ubook é um serviço de assinatura de audiolivros e livros digitais por streaming que pode ser acessado via site (www.ubook.com) ou pelos aplicativos disponíveis para celulares. Os conteúdos ficam disponíveis em uma estante virtual, da mesma maneira que os filmes na Netflix ou no Globoplay, por exemplo, podendo ser acessados a qualquer hora e lugar. Para fazer login na plataforma, é necessário preencher um cadastro com uma conta de e-mail ou do Facebook.

Uma vantagem do acesso pelo app é a possibilidade de fazer o download das obras e ouvi-las mesmo sem conexão com a Internet, o que é bom para quem deseja economizar o pacote de dados. O sistema também tem a opção “Sleep”, que permite programar o tempo que o conteúdo deve tocar e quando deve parar de funcionar. Outras funcionalidades que merecem destaque são o player com botões de play e pause, controle de volume, opção de adiantar ou retroceder a narração e alteração de capítulos. O usuário pode ainda alternar entre diferentes dispositivos, utilizar marcadores para saber onde parou e continuar depois, e classificar o produto em até cinco estrelas.

Acesse a matéria completa publicada pelo Techtudo e conheça mais sobre as plataformas, o catálogo, o conteúdo gratuito e as formas de assinatura da Ubook. 

Live: Por que as revistas demoram tanto para publicar meus artigos?

A publicação de um artigo de pesquisa pode levar muito tempo. Algumas vezes, dois anos ou mais. A impressão que se tem ao submetermos um artigo é, mais ou menos, como a de lançar uma garrafa em alto mar. Decisões editoriais aparentemente simples, como avaliações preliminares (desk review) para conferir se o artigo está dentro do escopo do periódico, ou mesmo se se trata de um artigo científico, não são tomadas com a rapidez exigida. Pareceres demoram para chegar. Por sua vez, editores lidam com centenas de papers ao ano, dezenas e dezenas de pareceristas e muitas vezes com a própria produção do artigo: revisão gramatical, normalização bibliográfica, redação de abstracts, reformulação de gráficos e tabelas etc.

Enfim, ninguém – editores e autores(as) – parece muito satisfeito com o fluxo editorial dos nossos periódicos. O que acontece? Como funciona um periódico acadêmico? E como ele deveria funcionar? Esse debate quer tratar dessas e de outras questões que envolvem o processo de comunicação científica colocadas pela comunidade.

Neste evento promovido pelo Laboratório de análise do Campo Científico (LaCC) da UFPR convidamos cinco editores(as):  Adrian Gurza Lavalle (Brazilian Political Science Review), Bruno Speck (Revista Brasileira de Ciências Sociais), Lucas Massimo (Revista de Sociologia e Política), Luiz Augusto Campos (Dados) e Rachel Meneguello (Opinião Pública).

O debate será transmitido ao vivo no dia 27 de junho às 18 horas.

Fonte: Editoria RSOCP

Livros infantis se equilibram entre literatura e educação para falar de assédio sexual

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A escritora Penélope Martins queria que a protagonista de seu livro “Minha Vida Não É Cor de Rosa” passasse pelas experiências habituais das adolescentes. A descoberta da autonomia, o primeiro namorado, a mudança de escola -o primeiro assédio.

Ainda nas primeiras páginas do livro, a garota de 14 anos é abordada por um homem que, dentro de um carro, finge que vai pedir informação e mostra a ela suas partes íntimas.

“Na primeira vez em que fui vítima desse tipo de situação, eu tinha uns nove anos”, diz a autora. “E, se converso sobre esse tema com qualquer grupo, metade das mulheres levanta a mão para dizer ‘eu também, eu também’.”

O livro, que foi premiado pela Biblioteca Nacional no ano passado, é um dos que abraçam o desafio de falar sobre assédio sexual a um público jovem, em um país onde, a cada 15 minutos, uma criança ou adolescente é vítima de violência sexual, segundo dados da Childhood Brasil.

É uma tendência que vem com o avanço do movimento MeToo -vale lembrar que a expressão surgiu numa corrente que buscava escancarar como o abuso é recorrente na vida das mulheres desde a infância e, muitas vezes, fica encoberto em silêncio.

Enquanto a obra de Martins é direcionada a adolescentes, há outras que buscam abordar a questão para crianças. Um deles é “Leila”, do escritor Tino Freitas e da ilustradora Thais Beltrame e que teve colaboração de Elvira Vigna nos primeiros estágios de concepção.

Acesse a matéria completa publicada pelo GaúchaZH e conheça outros livros infantis que tratam do assédio sexual. 

História do Livro | As Bibliotecas e a Circulação dos Livros na Idade Média

Às vésperas de se iniciar o período hoje conhecido como Idade Média, o édito de Milão, promulgado em 313 pelo imperador romano Constantino (306 – 337), declarou a liberdade religiosa no Império. Isso permitiu que as bibliotecas das comunidades cristãs se desenvolvessem em plena luz. As primeiras coexistiram com as bibliotecas romanas: o próprio Constantino possuía milhares de volumes em rolos de papiro, alguns dos quais fez transcrever em pergaminho, material mais durável. O trabalho de preservação foi levado adiante por seu sucessor, Constâncio II (337 – 361), na Biblioteca Imperial de Constantinopla, que resistiria até o fim da Idade Média. Muitos clássicos gregos devem sua preservação às cópias bizantinas existentes ali.

A gravura em água-forte é do artista italiano Pietro Aquila (ca. 1650-1692) a partir de obra de Rafael Sanzio e Giulio Romano. Esta impressão é posterior, do século XVIII.

No século V, as bibliotecas romanas tinham desaparecido, ao passo que as cristãs cresciam em número e importância. Anteriores a essa data, houve algumas de vulto, como a do bispo Alexandre, em Jerusalém (século II), a de Cesareia (século III) e a que foi fundada pelo papa Dâmaso I na segunda metade do século IV, para guardar os documentos da Igreja. Nela viria a trabalhar Jerônimo (345 – 420), responsável pela Vulgata, a Bíblia latina. O comércio dos livros era nulo — já não existia a “taberna libraria”, onde, na Antiguidade, os livros copiados em massa eram postos à venda –, e os próprios leitores faziam circular as obras por meio de empréstimos e da confecção de novos exemplares.

Pouco a pouco, o papel de depositários do saber se transferiu dos membros da comunidade para as ordens e mosteiros a que pertenciam, nos quais se formaram bibliotecas e criaram oficinas de produção de livros. Entre os mais destacados contam-se os de Bizâncio, os das Ilhas Britânicas — notadamente a Irlanda, com seu estilo de influência céltica e saxã, que produziu obras únicas –, os de cidades da França e algumas da Espanha anterior à dominação islâmica. Ali, Isidoro, arcebispo de Sevilha (ca. 560 – 636), escreveu o que seria um dos livros mais populares ao longo de toda a Idade Média: a compilação de textos clássicos chamada “Etimologia”, também conhecida como “Origines”.

Além das bibliotecas de mosteiros, havia as particulares, que variavam desde uns poucos volumes colecionados por eruditos até as grandes bibliotecas palacianas. A mais famosa foi a de Carlos Magno (768 – 814), sediada em Aachen, na atual Alemanha, formada em grande parte por doações de nobres que conheciam seu amor pelos livros (e desejavam cair em suas boas graças). Ele próprio costumava enviar a Constantinopla e a outras cidades pessoas encarregadas de copiar ou adquirir manuscritos; a prática também era comum nas bibliotecas monacais, visto não haver outra forma de multiplicar os exemplares.

Acesse a matéria completa publicada pela Biblioteca Nacional

Concorrência saudável: livros digitais ganham cada vez mais espaço e mantêm prestígio de formato físico

Texto por Johann Germano

Não tem capa dura, não tem cheiro, não envelhece, não desbota, não ocupa espaço, cabe na palma da mão e é possível levá-lo a qualquer lugar e acessá-lo a qualquer hora. Mesmo com todos esses benefícios, o livro digital, o chamado ebook, ainda está conquistando espaço entre os leitores que curtem o tradicional livro de papel. Tudo bem, certo?

A resposta é sim. De acordo a presidente da Primavera Editorial, Lu Magalhães, a mudança de hábito com as novas tecnologias é gradativa, mas sem necessariamente abandonar o papel. Ela enumera outras vantagens dos ebooks.

Você pode comprar mais, tê-lo mais à mão. É uma questão de praticidade o livro digital. Quando você se joga nessa leitura, é muito simples ser atraído por ela, porque ela traz uma praticidade muito grande”, relata, em entrevista à Sagres TV, no programa Tom Maior desta quinta-feira (25).

À direita, Lu Magalhães, no programa Tom Maior (Foto: SagresTV)

Segundo Lu Magalhães, um levantamento feito pela Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro – realizada pela Nielsen Book e coordenada pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e Câmara Brasileira do Livro – aponta que houve um crescimento de 7,7% nas vendas de livros digitais para o mercado nacional. De acordo com a presidente da Primavera Editorial, o dado significa que, descontada a variação do IPCA no período, o aumento real foi de 3,3%. O melhor resultado foi registado na venda de Obras Gerais, que obteve um aumento real de 14,8%.

Lu Magalhães não defende que haja uma competição entre os novos formatos de livros e os queridinhos das prateleiras físicas, mas fatores como a pandemia, por exemplo, que exige o isolamento social e faz da internet uma grande aliada por causa do e-commerce, pode consolidar ainda mais os formatos digitais. “Ainda há uma resistência”, afirma. “Mas se olharmos os números, os dados depois dessa pandemia, eu acho que não tem volta”, analisa.

Acesse a matéria completa em Sagres Online

La universidad y sus revistas académicas: cinco hipótesis para una reflexión necesaria

Texto por Ciro Llueca[i]

Director de Biblioteca y Recursos de Aprendizaje

UOC

Palabras clave: ETHE, revistas científicas, gestión editorial, equipos editoriales, internacionalización

Introducción: lo que nos une

Poco importa si fue el Journal des sçavans el 5 de enero de 1665, o las Philosophical Transactions of the Royal Society, el 6 de marzo del mismo año, o si debemos esperar a 1731 para coronar a la primera revista con todos sus artículos revisados por pares, la  Medical Essays and Observations (Borrego, 2017). También puede ser circunstancial que señalemos a la primera revista académica en español, las Memorias académicas de la Real Sociedad de Medicina y demás Ciencias de Sevilla, en 1763 (Bartomeu et al., 2017). Y poco más que anecdótico resultaría destacar que la primera revista académica en digital, New Horizons in Adult Education, apareciera en 1987 (Alonso, 2017). O que podamos adjudicar la primera etiqueta de “Open access” a Psycoloquy en 1990 o a Surfaces en 1991 (Abadal, 2012).

A estos títulos les une en primer lugar y fundamentalmente su aspiración a convertirse en el registro social de invenciones e innovaciones que consta haber reivindicado Guédon (2001). Y en segundo lugar y nada desdeñable, que tienen tras su edición y su gestión instituciones de tipo diverso (universidades, asociaciones o sociedades profesionales, organismos de investigación, editoriales comerciales, administraciones públicas), que dan solidez institucional a la enorme apuesta académica que supone la publicación científica (Claudio-González; Villarroya, 2017), y que en mayor o menor medida acompañan con recursos humanos y materiales al personal académico, su principal impulsor, que dedica tiempo y generosidad a dirigir una revista académica. Sabemos que es difícil crear una revista, pero más difícil es mantenerla (Abadal, 2012). Porque esos recursos que atienden a una “serie de dimensiones que sobrepasan los conocimientos docentes y de investigación” (Repiso; Torres-Salinas; Aguaded, 2019) son, por supuesto, limitados y, más allá de ser limitados, deben ajustarse al nivel de prioridad que determina la institución que financia la revista.

La gestión editorial

Para conseguir este ajuste, en la UOC -una universidad joven y peculiar por su naturaleza, nacida digital-, hemos avanzado en la reflexión sobre el acompañamiento sostenido en la gestión de revistas científicas que brindamos a profesores e investigadores. Es un acompañamiento heterogéneo, con vocación de servicio a la estrategia institucional, que persigue la sostenibilidad del proyecto editorial, fomentar la calidad en el fondo y en la forma, y contribuir a proporcionar la máxima visibilidad.

El acompañamiento es heterogéneo, puesto que la universidad edita en solitario (es un ejemplo IDP: Revista de Internet, Derecho y Política) o bien coedita revistas junto a otras universidades (ETHE), o puede simplemente participar en comités editoriales (Internet Policy Review), y en cada uno de los supuestos el equipo de gestión debe mesurar su contribución, centrándose en lo que mejor puede aportar, de acuerdo con las necesidades de la dirección académica de la revista, ya sea ésta estrictamente científica o con carácter de divulgación.

Y todo ello con vocación de servicio a la estrategia institucional, como no podría ser de otro modo. La existencia del Plan de Conocimiento Abierto o la adhesión de la universidad a la declaración de San Francisco para impulsar cambios en la evaluación de la investigación forman parte de las razones de ser, también, de las revistas académicas que financia la universidad, por no hablar del Plan de Igualdad o de los esfuerzos por consolidar una universidad más global y más social.

Figura 1. Impacto y visibilidad de las revistas científicas de acceso abierto de la UOC (2019), infografía galardonada en CRECS 2019.

Finalmente, la gestión editorial de las revistas académicas procura una coordinación que garantiza la sostenibilidad del proyecto editorial, con iterativos esfuerzos para mejorar en la calidad de las publicaciones, tanto en aspectos formales como, en la medida de lo posible, en los relativos al valor de los contenidos y su visibilidad; tarea propia de argonautas, Hércules y Sísifos, como ha comparado Aliaga (2016).

Una reflexión necesaria

Decíamos que la reflexión ha sido un elemento permanente en los diferentes mandatos de los equipos de gobierno universitario, pero recientemente se ha concretado en una serie de hipótesis que han sido sometidas a la valoración de la Comisión de Investigación e Innovación, máximo órgano colegiado de asesoramiento al vicerrectorado de Planificación Estratégica e Investigación, donde tienen representación los académicos responsables de investigación de los Estudios de la UOC (facultades, en la terminología más habitual en España), así como el personal de gestión que los complementa. A las sesiones de trabajo se unieron, además, representantes de la dirección académica de las revistas y también personas expertas  del ámbito de la comunicación científica. Posiblemente hayan dado también sus frutos las sesiones precedentes del Seminario de Edición Científica, un evento creado en 2017 y en el que han participado generosamente Félix de Moya, Àlex López-Borrull, Mari Vállez, Aina Borràs, Ernest Abadal, Fernando Aguiar, e Isidro Aguillo, cuya crónica describió Corominas (2019).

Compartimos las hipótesis analizadas con el objetivo de contribuir a una reflexión más general de la publicación de revistas académicas, y también para someterlas al escrutinio público como criterio general de perfeccionamiento, de acuerdo con las tesis del sabio Oldenburg:

  1. Las revistas contribuyen y deben contribuir a la estrategia de la universidad.
  2. La profesionalización de las revistas comporta que las direcciones académicas se centren en aspectos estratégicos, y los equipos de gestión, en el resto.
  3. El reto importante, con la exigencia de sostenibilidad y de calidad, es la difusión.
  4. Es posible abordar una reflexión sobre los ámbitos en qué se deben centrar los esfuerzos.
  5. Al mismo tiempo, se debe definir el encaje de revistas divulgativas y otras herramientas de comunicación científica en el ecosistema de revistas.

Primera hipótesis: la contribución a la estrategia de la universidad

Entendemos que las revistas científicas contribuyen a la estrategia de la universidad, que en la UOC tiene entre sus funciones estatutarias “la creación, la transmisión y la difusión de la cultura y de los conocimientos científicos, humanísticos, técnicos y profesionales, y también la preparación para el ejercicio profesional” (UOC, 2014). Además, el Plan Estratégico vigente contiene tres ejes de trabajo específicos: promocionar la publicación de expertos/as internacionales en las revistas científicas propias; abrir el conocimiento de la universidad para convertirnos en referentes en Ciencia Abierta; y posicionar la universidad en debates, entidades y redes con influencia internacional (UOC, 2017).

El principal esfuerzo ha sido, pues, determinar qué indicadores contribuyen al cumplimiento de esta estrategia. Para cada revista académica se realiza el seguimiento del estado de indexación, desde los esenciales catálogos de bibliotecas y directorios, así como bases de datos generalistas y temáticas, hasta el Sello de Calidad FECYT, y la incorporación a Scopus, ESCI-WoS, y JCR-WoS. Cada revista presenta periódicamente un plan de indexación con acciones concretas, que permiten evaluar si se están llevando a cabo las acciones, independientemente del éxito de las mismas.

También en este ámbito se evalúa el nivel de coherencia con los ejes estratégicos ya descritos, con una mención explícita al valor de la contribución a la diplomacia científica de la universidad, gracias a las redes de autoría, revisión, membresía de los comités, y coedición institucional.

En parte, esta coherencia viene señalada por un protocolo institucional ad hoc (UOC, 2015), que persigue indisimuladamente una doble intención. La primera, marcar la hoja de ruta para las revistas ya existentes. La segunda, el establecimiento de unas reglas de juego efectivas para futuras iniciativas editoriales. No se aprueba la creación una nueva revista científica si no va a cumplir con los requisitos de aportación estratégica o con los criterios de calidad acordados.

Segunda hipótesis: estrategia y táctica con roles bien definidos

Si la difusión era un reto complejo, el reconocimiento a la aportación institucional del profesorado a las revistas académicas roza lo imposible. La cuestión claramente sobrepasa el ámbito de una o varias universidades, y la crítica al modelo de reconocimiento de la edición académica del profesorado, al menos en España, ha alcanzado el espacio público (Repiso, 2019; Gutiérrez-García, 2020). En esencia, para aquellos más ajenos al debate: en algunos países se reconoce explícitamente la participación en comités editoriales, en la dirección de revistas académicas, o en la evaluación de originales. Ya sea económicamente; o bien con méritos que ayuden a progresar o a mantener cierto nivel académico; o con compensación de horas de docencia, de investigación o de gestión. No es así en la mayoría, donde la participación en revistas académicas tiene, de facto, consideración de aportación altruista a la transferencia de conocimiento a la sociedad.

En nuestro caso, al mismo tiempo que intentamos influir en la dinámica universitaria de reconocimiento de méritos, e incluso en las políticas de ámbito estatal, hemos querido definir con claridad los roles de trabajo de los equipos que impulsan las revistas académicas. Y con todos los matices necesarios para una cuestión tan compleja, la apuesta está en separar la estrategia de la táctica de la práctica editorial.

Nuestro modelo ideal defiende que la dirección académica de las revistas se centre en dar coherencia a la línea editorial, al establecimiento y ejecución de los planes estratégicos; a la formación de los equipos editoriales y de la red de revisores; a la aprobación o descarte de los artículos propuestos y, también, a la construcción de la ya referida diplomacia científica, que en nuestro caso nos ha permitido tejer poderosas alianzas con otras instituciones, tanto locales como globales (por poner dos ejemplos: BID, coeditada con la Universitat de Barcelona; y Digithum, con la Universidad de Antioquia, Colombia). La voluntad internacionalizadora de la universidad tiene, en este aspecto, motivos para el orgullo: en la última década 3.276 académicos de 71 países participaron en las revistas académicas de la UOC.

Al mismo tiempo, la idea es que los equipos de gestión que acompañan a las revistas centren su actividad en garantizar los procesos operativos, incluyendo el cumplimiento del calendario, la sostenibilidad económica de los trabajos de producción editorial, que en nuestra institución están externalizados, y en aspectos cualitativos propios de cada equipo (indexación, por parte del equipo de Biblioteca; visibilidad por parte de Comunicación, aspectos legales por parte de Asesoría Jurídica, infraestructura tecnológica por parte de Tecnología, etc.), así como en asesorar para la toma de decisiones.

Tercera hipótesis: con la sostenibilidad y la calidad, el reto es la difusión

Cualquier universidad tiene recorrido en difusión de su investigación generada. Si exceptuamos las grandes instituciones reconocidas por los rankings, las universidades no suelen destacar a ojos del gran público por su capacidad de investigación. En el caso de una joven universidad que opera exclusivamente en Internet, el reto es todavía mayor. Y ello, pese a poner su foco en la confluencia entre sociedad y tecnología, un espacio que intenta dar respuesta a los desafíos del siglo XXI desde una perspectiva interdisciplinaria. Posiblemente, se requiere un relato que sitúe la investigación en la esencia de la universidad. Se necesita continuidad y visión de conjunto de las grandes acciones, al ser la mayor parte de acciones pequeñas y destinadas a públicos reducidos y no siempre segmentados. Deberían aumentarse los recursos destinados exclusivamente a la comunicación de la investigación, y mejorar la gobernanza en la toma de decisiones sobre comunicación de la investigación y la innovación. Nada que pueda sorprender a cualquier universidad del ámbito hispanohablante.

La aplicación del zoom del diagnóstico en las debilidades de las revistas académicas desvela que podrían estar más presentes en las acciones de comunicación de la investigación. No debemos  caer en la afirmación simplista que una mayor difusión puede solucionar todos nuestros males, y mucho menos cuando hay recorrido en la calidad de las revistas y en su indexación. Pero en la UOC, como ocurre en otras universidades, publicamos a expertos mundiales en nuestras cabeceras, y la difusión que somos capaces de realizar de estas colaboraciones puede mejorarse. Cuesta sacar provecho de esa interacción que se produce, desde cada revista académica, con la comunidad científica internacional.

Algunos ejemplos a vuelapluma lo pueden evidenciar. Darina Dicheva y Christo Dichev publicaron en ETHE un artículo de gran repercusión por su temática innovadora: la gamificación de la educación (Dichev; Dicheva, 2017): no consta comunicación pública al respecto. Søren Bro Pold, una autoridad de la estética digital, tiene publicado un artículo  en un monográfico sobre post-verdad en Artnodes en 2019 (Pold, 2019): tampoco realizamos acciones de comunicación sobre esta noticia, al margen de la que se hace en las redes sociales de la revista. Walther Bernecker o Daniel Kowalsky, primeras espadas de la historiografía reciente, han publicado en Dictatorships and Democracies en el último año (Bernecker, 2019; Kowalsky, 2019): la noticia de estas valiosas aportaciones tuvo un recorrido discreto. Un ejemplo adicional con resultado similar: Olga Sabido-Ramos, reconocida experta mundial en el estudio del cuerpo y los sentidos, ha publicado en Digithum un interesante texto sobre el concepto de la vergüenza, que no hemos sabido o podido situar al nivel de visibilidad que le podría corresponder en las redes sociales o en los medios de comunicación social (Sabido-Ramos, 2019).

Una oportunidad es la reciente aprobación de un plan institucional para la comunicación de la investigación y la innovación (UOC, 2019b), con cuatro objetivos bien delimitados: potenciar la imagen de la universidad como research university que genera nuevo conocimiento; situar esta comunicación el núcleo duro de la comunicación institucional, mediante una nueva estructura organizativa ad hoc; reforzar el prestigio institucional ante la comunidad científica; y dar visibilidad a la innovación social y tecnológica generada en la universidad. Un plan ambicioso para superar retos que no son menores, y en el que las revistas tienen acomodo e influencia. Insisto en rechazar que un refuerzo en la comunicación sea la única clave para solucionar el recorrido de nuestras publicaciones.

Cuarta hipótesis: ante recursos limitados, debemos priorizar

Que los recursos son limitados es más un epíteto que una obviedad. Y conjugar esta realidad con el deseo académico y con las numerosas oportunidades que pueden aparecer para crear nuevos proyectos editoriales, es complicado. Para ello, la UOC publicó un protocolo al que nos hemos referido (UOC, 2015), que definió una serie de criterios editoriales de apariencia básica, pero que han servido para establecer con claridad las reglas de juego.

En primer lugar, las revistas académicas que se impulsen en la universidad deben tener un foco temático que forme parte de los ámbitos de experiencia de la misma universidad, que en nuestro caso se inscribe en la convergencia de las tecnologías con el aprendizaje, con las transformaciones sociales y urbanas, la comunicación y el consumo digital propias de la sociedad del conocimiento; con la salud; y con los estudios de género, de cultura, de lengua y de arte.

Además, las revistas deben contar con un sistema de revisión por pares a doble ciego (double blind peer review), y deben publicar la lista anual de revisores.

En tercer lugar, las revistas tienen que asumir un compromiso de planificación para prever los contenidos con un año de antelación como mínimo, a fin de garantizar la puntualidad de la publicación en los meses establecidos. Esta periodicidad debe constar explícitamente en el portal web de la revista.

El cuarto criterio apunta a la necesidad de explorar y materializar el trabajo en colaboración con otras instituciones o revistas que aporten financiación.

En quinto lugar, las revistas deben ofrecer la descripción de cómo son, la exposición de su funcionamiento y de sus políticas, y sus metadatos, en las tres lenguas vehiculares de la universidad: catalán, español e inglés.

El protocolo regula también cuestiones relativas a los planes de gestión de cada revista (plan estratégico, plan de calidad, plan de comunicación, plan de visibilidad e indexación, plan de transparencia y responsabilidad social), a la gestión presupuestaria, al marco legal de aplicación (incluyendo aspectos éticos y de compromiso con el movimiento de Acceso Abierto), y a los órganos de gobierno.

En conclusión, el documento actúa como directriz institucional, dando seguridad a la propia universidad ante lo que debe sostener, y también al personal académico, sobre lo que debe garantizar en caso de aspirar a abrir una nueva cabecera, o mantener las ya existentes.

Quinta hipótesis: el ecosistema de la comunicación científica

En la clasificación que realizamos internamente, no referimos a revistas científicas cuando cumplen los criterios básicos ya mencionados en el apartado anterior, y a revistas divulgativas cuando cumplen uno o varios criterios, pero no todos, y especialmente cuando no contemplan el proceso de peer review, alma de la publicación científica. Pero lógicamente las cabeceras divulgativas (ComeIN, Mosaic, Oikonomics) contribuyen a la visibilidad y a la transferencia de conocimiento que se genera en la universidad, como también otras muchas herramientas de comunicación: páginas web de los proyectos de investigación; perfiles personales, grupales o institucionales en las redes sociales; redes sociales de las revistas, plataformas de divulgación de contenidos, etc.

La quinta hipótesis, pues, se centra en la definición del encaje de los esfuerzos comunicativos, implícitos o explícitos, que se generan en la universidad. Cuál es el soporte institucional que reciben, si es que deben recibirlo; y cuáles son sus aportaciones al ecosistema de la comunicación científica, en un contexto -no es preciso abundar en ello- en el que es importante el equilibro entre la libertad de cátedra y la acción dirigida institucionalmente. Nuevamente, es oportuno el plan de comunicación centrado en la investigación que se ha creado recientemente en la UOC, y puede contribuir a identificar buenas oportunidades en este ecosistema.

A modo de conclusión

La presente deliberación se centra en la importancia que tienen para las revistas científicas los organismos que dan solidez institucional a la publicación científica, sumando sus recursos personales y económicos al personal académico que habitualmente dirige estos proyectos. Estos organismos -universidades habitualmente- deben poder reflexionar sobre la aportación de estas revistas en materia de transferencia de conocimiento, en diplomacia científica, y en generación de contenidos de calidad con la mayor visibilidad posible. En esta reflexión necesaria se abordan posibles hipótesis con la voluntad de contribuir a un sistema de revistas científicas más sólido y más estratégico, puesto que la creación de una revista académica es difícil, pero su continuidad y consolidación es todavía más complicada.

Referencias bibliográficas:

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Universitat Oberta de Catalunya (2019b). Plan de Comunicación de la Investigación y la Innovación. Barcelona: UOC.

Cómo citar esta entrada:

Llueca, C. (2020). La universidad y sus revistas académicas: cinco hipótesis para una reflexión necesaria. Aula Magna 2.0. [Blog]. Recuperado de: https://cuedespyd.hypotheses.org/8280

[i] Ciro Llueca es director de Biblioteca y Recursos de Aprendizaje de la Universitat Oberta de Catalunya (UOC), área que incluye la gestión de las revistas académicas de la universidad, así como de la Editorial UOC. Es coordinador del Grupo de Repositorios de REBIUN (Red de Bibliotecas Universitarias Españolas); y coordinador del Grupo Bibliotecas y Propiedad Intelectual de FESABID (Federación Española de Sociedades de Archivística, Biblioteconomía, Documentación y Museística). Ha colaborado con universidades de América Latina y España.

Fonte: Aula Magna 2.0

Los Archivos Disney, un tesoro de la industria del cine

Dibujo inicial de uno de los fotogramas de ‘Dumbo’. / EFE

Un libro saca a la luz la tarea realizada por un bibliotecario para conservar los recuerdos asociados a la factoría de dibujos animados

Texto por Silvia García Herráez

En 1967 Dave Smith, un bibliotecario de California, empezó a recopilar información sobre las películas y la vida de Walt Disney. En 1970 Roy O. Disney (hermano de Walt) le contrató para crear los Archivos Disney, que, 50 años después, son un tesoro para la industria cinematográfica. Smith se unió a la compañía Disney el 22 de junio de 1970 (fecha oficial de la creación de los archivos) como su primer archivero. Su tarea inicial fue catalogar y documentar cada artículo que se encontraba en la oficina de Walt Disney en Burbnak, un espacio que no se había tocado desde la muerte del productor en diciembre de 1966.

El trabajo que realizó el archivero no solo permitió a la compañía recuperar algunos objetos que se dieron por perdidos, sino que también hizo posible recrear con fidelidad la oficina de Walt. Las fotos que el archivero tomó serían fundamentales para su restauración en 2015, dejándola tal cual se veía a su fallecimiento en 1966.

Smith, de cuya muerte se cumple un año y medio, desempeñó la labor de jefe archivero de Disney de 1970 a 2010. En 2007 fue nombrado ‘Disney Legend’, por la labor tan importante que realizó en todo este tiempo. Durante cinco décadas, los Archivos de Walt Disney han salvaguardado cuidadosamente los artículos más preciados de la historia de la compañía Disney. Desde guiones originales, accesorios, trajes y objetos de los rodajes hasta la correspondencia de Walt, dibujos, mapas de los parques temáticos, mercancías, millones de fotografías de archivo y multitud de efectos personales.

«Walt creó un tipo de espectáculo único con el que supo transmitir el carácter mágico y especial del mundo, y en ningún momento dejó de aprender, de cambiar y de aspirar a nuevos horizontes. Esta evolución es algo que siempre me ha fascinado de Walt Disney», explica John Lasseter en el libro ‘Los archivos de Walt Disney. Sus películas de animación 1921-1968’ (Taschen). Los Archivos se dividen en diferentes departamentos: investigación, colecciones, exposiciones, operaciones, biblioteca de fotos y laboratorio digital. La función de cada uno no solo es recopilar y conservar todos los aspectos de la historia de Disney, sino también hacer que ese material esté disponible para investigadores de todas las áreas de la compañía Disney, así como para historiadores, escritores y documentalistas.

Objetos con magia

Dan Lanigan, coleccionista de atrezo de cine, afirmaba a Efe en una entrevista que esos objetos históricos, «reliquias podríamos llamar, no solamente te ayudan a entender cómo se hicieron y cuál es la historia de cada película, sino que también te hacen sentir parte de ella». Por esa razón, decidió hacer ‘Prop Culture’ (Disney+), la serie documental que lleva al espectador al viaje de la búsqueda de objetos perdidos para devolverlos a los archivos de Walt Disney con su esplendor original.

«Esos objetos tienen una magia increíble. Cada vez que vemos alguno de ellos nuestra mente enseguida se teletransporta a esa película. Es como si esos accesorios tuvieran una conexión fuerte con nuestra mente, y eso me parece muy especial», señalaba el coleccionista. Hoy, desde Mickey Mouse -el primer personaje que alumbró la factoría Disney- hasta los más recientes, pasando por Blancanieves, Cenicienta, Pinocho o Peter Pan, tienen su hueco en la historia del cine no solo en la gran pantalla, sino también en sus Archivos.

Fonte: El Diario Vasco

Indígena adota a batida do rap para falar da resistência de seu povo

MC Kunumi lançou ‘Guerreiro da floresta’ nas plataformas digitais. Aos 14, ele protestou na abertura da Copa do Mundo no Brasil

Texto por Estado de Minas

MC Kunumi em cena do clipe Xondoro ka’aguy reguá (Guerreiro da floresta), que está disponível nas plataformas digitais (foto: Klaus Mitteldorf/Divulgação)

Selecionado para representar os povos indígenas na abertura da Copa do Mundo de 2014, em São Paulo, Werá Jeguaka Mirim, da aldeia Krukutu, na região de Parelheiros, extremo Sul da cidade, caminhou sobre o gramado da Arena Corinthians para soltar uma das três pombas da paz antes do início da partida entre os times do Brasil e da Croácia.

Na saída do campo, porém, ele, então com 13 anos, quebrou o protocolo e abriu uma faixa vermelha pedindo pela demarcação das terras indígenas.

Seis anos após o protesto, que repercutiu internacionalmente, a causa defendida por esses povos segue sem avanços significativos. E Werá, hoje aos 19, faz uso da música e da literatura para dar visibilidade à realidade de seu povo.

”É um costume na nossa aldeia ir à noite na casa de reza, fumar o nosso cachimbo e entoar cânticos pedindo força”, conta. ”Nós, os guaranis, temos uma ligação muito forte com a música, e isso foi o que me levou a gostar de rap. Nas minhas músicas e na literatura nativa que produzo, escrevo sobre o meu povo e a nossa luta.”

Para apresentar as rimas do que chama de rap indígena, ele assume o nome artístico Kunumi MC – uma derivação de ”curumim” (criança, em tupi-guarani) –, ou seja, “jovem MC”.

Em seu trabalho mais recente, Xondaro ka’aguy reguá (Guerreiro da floresta), disponível nas plataformas digitais, ele retrata a realidade dos povos indígenas desde a invasão dos portugueses até o presente momento.

”A música fala sobre um guerreiro que nasceu das águas e veio para libertar os indígenas e lutar por eles. É uma maneira de dizer que surgiu um MC indígena. Mas também não falo só de mim. A todo momento está surgindo um indígena para falar sobre o seu povo. Já faz tempo que muitas pessoas querem ajudar o indígena, mas por que um indígena não pode ajudar seu próprio povo?”, questiona.

O artista tem também um EP e um álbum lançados e já gravou com Criolo (foto: Fotos: Acervo pessoal MC Kunumi)

 

Acesse a matéria completa em Jornal Estado de Minas.

Calendário literário adere ao mês LGBT

Editoras ampliam no mês de junho a divulgação de obras cuja temática corrobora a luta pela igualdade nos direitos civis e o combate ao preconceito

Texto por Pedro Galvão

Se no Brasil junho sempre foi o mês das fogueiras, quadrilhas e bandeirolas, as cores do arco-íris vêm ganhando mais força a cada ano nessa altura do calendário, com as campanhas a favor dos direitos e do orgulho LGBT. Tudo começou com um episódio conhecido como Rebelião de Stonewall, ocorrida em 1969.

Em 28 de junho daquele ano, frequentadores do bar Stonewall Inn, em Nova York, resistiram a uma invasão violenta e discriminatória da polícia, desencadeando manifestações a favor da diversidade sexual e contra o preconceito sofrido por esses indivíduos em todo o planeta.

Essa luta vem ganhando novas páginas na literatura, com a temática LGBT ocupando uma vistosa fatia do trabalho de editoras. Em novembro do ano passado, a norte-americana Casey McQuiston lançou Vermelho, branco & sangue azul, seu primeiro romance. Trata-se de uma história de amor fictícia entre o filho da presidente dos EUA e o príncipe da Inglaterra. Chegou a figurar em 15º lugar na lista de mais vendidos do New York Times e foi escolhido pelo site Goodreads como o melhor de 2019 nas categorias romance e livro de estreia. Nas últimas semanas, esse e outros títulos ganharam destaque especial no mercado editorial.

No Brasil, o portal de comercialização de livros Estante Virtual promoveu a campanha Mês do Orgulho: 25 livros, autores e histórias LGBTQIA+ e diz ter notado efeito nas vendas. Segundo a empresa, os livros de ficção sobre essa temática cujas vendas mais se destacaram foram Com amor, Simon (2015), de Becky Albertalli, adaptado para o cinema em 2018, e a fantasia A menina submersa (2015), de Caitlín R. Kiernan.

Entre os de não ficção, os destaques foram Devassos no paraíso, de João Silvério Trevisan (2000), que apresenta um panorama histórico da causa LGBT no Brasil, Foucault e a teoria queer (2017), de Tamsin Spargo, com viés filosófico e teórico, e o livro reportagem Ricardo e Vânia (2019), de Chico Felitti.

Acesse a matéria completa em Estado de Minas e saiba mais as iniciativas dos setores do mercado editorial e audiovisual na promoção de conteúdos sobre a comunidade LGBTQIA+

 

Crise financeira da Cinemateca Brasileira é debatida com entidades do audiovisual

Texto por Marco Calejo

Em prol da Cinemateca Brasileira, a cultura nacional foi o tema central da Audiência Pública virtual da Câmara Municipal de São Paulo nesta quinta-feira (18/6). A reunião foi promovida pela Comissão de Educação, Cultura e Esportes, presidida pelo vereador Eliseu Gabriel (PSB).

O foco do debate foi sobre a atual crise econômica da instituição, que passa por dificuldades financeiras. A Cinemateca está instalada na capital paulista, em uma estrutura da Prefeitura de São Paulo, porém todo o acervo e os recursos de manutenção são de responsabilidade do governo federal.

Além de vereadores, a audiência contou com a participação do secretário municipal de Cultura, Hugo Possolo, de representantes de entidades cinematográficas e do diretor-geral da Acerp (Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto), que administra a Cinemateca Brasileira, Francisco Câmpera.

O que é a Cinemateca Brasileira

Criada em 1940, a Cinemateca Brasileira tem o maior acervo da América do Sul, com aproximadamente 250 mil rolos de filmes. A instituição preserva mais de um milhão de documentos audiovisuais, como roteiros, fotografias, cartazes, recortes de imprensa, livros e desenhos.

Acesse a matéria completa em Câmara Municipal de São Paulo e fique por dentro dos principais assuntos debatidos na audiência pública

 

Lei de direitos autorais mais rígida sobre mangás e revistas baixados entrará em vigor no Japão

Texto por Eduardo Graziosi Silva

O parlamento do Japão promulgou a lei de direitos autorais revisada proposta na sexta-feira para expandir a lei e punir aqueles que, conscientemente, baixam mangás, revistas e trabalhos acadêmicos carregados ou pirateados ilegalmente. A lei revisada entrará em vigor em 1º de janeiro de 2021. A revisão também proíbe “sites sanguessugas” que agregam e fornecem links para mídia pirateada a partir de 1º de outubro.

Uma reunião do gabinete japonês aprovou o projeto de lei em 10 de março. Anteriormente, a lei de direitos autorais formalizava a punição por downloads de músicas e vídeos enviados ilegalmente, bem como envios ilegais de todos os materiais.

A revisão ainda permitirá o download de “poucos quadros” de um mangá de várias dezenas de páginas ou mais, ou a publicação de fotografias onde o mangá não é o foco da foto (por exemplo, aparecendo em reflexões). A revisão também não punirá as pessoas que baixarem trabalhos derivados (como dōjin ou ficção de fãs) ou paródias.

As multas para reincidentes de downloads ilegais serão de até dois anos de prisão ou uma multa máxima de 2 milhões de ienes (cerca de US$ 18.274), ou ambos. As multas para aqueles que operam sites de sanguessuga incluem até cinco anos de prisão ou uma multa máxima de 5 milhões de ienes (cerca de US$ 45.686), ou ambos.

Também será proibido colar links para sites ilegais em quadros de mensagens anônimas ou criar “aplicativos sanguessugas”.

Um subcomitê da Agência de Assuntos Culturais do Japão concordou com um plano em fevereiro de 2019 para criar leis abrangentes que proíbem a prática de baixar conscientemente todas as mídias ilegais da Internet. No entanto, esse plano causou preocupações quando os críticos argumentaram que as regulamentações mais rígidas seriam muito amplas e dificultariam a liberdade de expressão dos usuários da Internet. A Agência de Assuntos Culturais revelou o esboço de um plano, que continha exceções para capturas de tela, a um painel de especialistas em 27 de novembro para discutir as mudanças propostas.

Fonte: AnimeNewsNetwork.

Disponível em: https://www.canalbang.com.br/post/lei-de-direitos-autorais-mais-r%C3%ADgida-sobre-mang%C3%A1s-e-revistas-baixados-entrar%C3%A1-em-vigor-no-jap%C3%A3o. Acesso em: 12 jun. 2020.

Fonte: Eduardo Graziosi Silva

Elefante Letrado libera acesso a acervo de livros digitais para auxiliar escolas durante período de isolamento social

Texto  por  Guilherme Ricacheski

Com mais de 4 milhões de livros lidos, plataforma de incentivo a leitura coloca biblioteca com 579 títulos em português e 421 livros em inglês à disposição de alunos de todas as instituições de ensino.

Mostrando solidariedade em meio à pandemia da Covid-19, as empresas têm buscado fazer a sua parte para contribuir com a sociedade. É o caso do Elefante Letrado, plataforma de leitura digital fundada em 2013 com o propósito de promover a formação do hábito da leitura e o desenvolvimento da compreensão leitora em estudantes do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental. A plataforma pode, ainda, ser utilizada na Educação Infantil.

Neste período de isolamento social, a empresa oferece, de forma gratuita, 30 dias de acesso a todas as funcionalidades da plataforma para as escolas utilizarem e indicarem aos seus alunos. Até o momento, o Elefante Letrado já doou mais de R$ 100 mil na distribuição gratuita do serviço para escolas de todo o Brasil.

O Elefante Letrado está presente em 15 estados brasileiros e cinco países, Brasil, Estados Unidos, Holanda, Japão e Reino Unido. O acervo inclui obras de 214 autores, com 579 livros em português e 421 em inglês. Nomes como Ziraldo e Monteiro Lobato são encontrados na plataforma, que conta com uma curadoria especializada e livros nivelados de acordo com a fluência e a compreensão leitora.

A sócia-fundadora do Elefante Letrado, Scheila Vontobel, destaca a importância da ação em meio à situação atual: “A pandemia da Covid-19 é algo que atinge a população como um todo, por isso a decisão de estarmos à disposição das escolas e dos alunos, auxiliando-os a manter o hábito da leitura e seguir as atividades de aprendizagem durante este período”, afirma. “Acreditamos que essa gratuidade irá facilitar para que uma gama de escolas e estudantes possa conhecer o nosso trabalho e se beneficiar dos conteúdos que desenvolvemos com tanto comprometimento e cuidado”, completa.

Sobre o Elefante Letrado

A plataforma de leitura Elefante Letrado disponibiliza livros de diferentes gêneros textuais (contos, poesias, crônicas, fábulas, entre outros), classificados de acordo com níveis de proficiência do leitor. O estudante faz seu próprio percurso de leitura, escolhendo entre títulos variados e avançando nos diferentes níveis à medida que realiza os jogos de compressão leitora, que estão alinhados a descritores da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Com isso, os professores têm acesso, em tempo real, a relatórios de desempenho dos estudantes, permitindo que educadores e estudantes reflitam sobre o progresso nas diferentes habilidades de leitura. Os alunos também conseguem gravar as leituras e responder questões sobre as obras.

Fonte: Segs

Marvel libera gratuitamente HQs em inglês criadas por artistas negros

Entre as edições disponíveis estão “Pantera Negra” e “Deathlok”
Imagem: Divulgação

Texto por UOL, em São Paulo

A Marvel liberou hoje o download gratuito de várias histórias em quadrinhos criadas por escritores e artistas negros. As revistas estarão disponíveis até o fim de junho e apenas em inglês.

“Vozes negras de criadores e personagens são uma parte entrelaçada a história da Marvel. Essas histórias em quadrinhos visam celebrar seus legados, desde décadas atrás ou mesmo este ano”, informou a editora.

Entre as edições disponíveis estão “Marvel’s Voice”, de 2020, “Ironhearth”, de 2018, “Pantera Negra”, de 1998, e “Deathlok”, de 1991.

Para acessar os quadrinhos, baixe o aplicativo “Marvel Unlimited”, disponível para Android e IOs. Clique em “Free Comics” na tela inicial e escolhas suas edições. Nenhuma informação de pagamento ou assinatura necessária, basta escolher e iniciar a leitura.

No Instagram, a editora disse que “este mês, a Marvel Unlimited tem uma seleção digital gratuita de quadrinhos liderados por criadores negros, destacando o trabalho de incríveis escritores e artistas negros”.

Fonte: Livros e HQs – UOL

Antigamente era assim

Hoje, quando queremos ouvir uma canção ou uma sinfonia que não temos em nossa coleção particular de discos ou CDs, fazemos uma busca e chegamos ao Youtube ou a um serviço qualquer de música por streaming. Muitos nem têm mais coleções em suporte físico, ou não se dão ao trabalho de procurar nelas.

Antigamente, aqueles poucos que tinham sorte de ter acesso a uma biblioteca como a da ECA, que possui há muitos anos uma excelente coleção de discos em vinil, CDs e fitas cassetes, procuravam no catálogo da biblioteca. E como as bibliotecárias faziam para criar um catálogo quando ainda não existiam bases de dados e internet? Na verdade, no caso da Biblioteca da ECA, quando não havia nem microcomputadores?

Bem, era mais ou menos assim:

frente
verso

Uma bibliotecária (ou bibliotecário) analisava a capa, encartes e rótulos do disco e transcrevia a informações importantes para uma ficha, de forma organizada e seguindo determinadas regras para garantir a padronização das informações. Observem que eram registrados os dados gerais do disco, como título, gravadora, data, série etc, e cada uma das faixas.

Essa ficha, que chamávamos de matriz, era de tamanho 10 x 15 cm, bem maior do que as fichas geralmente usadas em catálogos de bibliotecas, para poder mostrar os dados com clareza. Mesmo assim, muitas vezes era necessário usar o verso,ou mesmo duas ou três fichas, para álbuns com vários discos ou conteúdo muito extenso.

Mas não era só isso. Fazíamos também uma ficha pequena, 7,5 por 12,5 cm, para cada uma das peças musicais contidas nos discos. Mais ou menos assim:

As fichas pequenas eram organizadas em ordem alfabética de sobrenome de autor, para que fosse possível localizar a música que se queria ouvir. Se o pesquisador quisesse, também poderia consultar a ficha matriz,  antes de pedir o disco, para ver o conteúdo completo. Tanto as matrizes quanto os discos eram ordenados pelo seu número de localização – no exemplo, D39. Também era feitas fichas para os intérpretes, série, meio de expressão e país de origem dos compositores. No verso da ficha matriz eram indicados quais os desdobramentos – era como se chamavam as fichinhas por autor etc – feitos para cada disco. Isso importante para podermos localizar todo o conjunto de fichas ligadas a um disco, se fosse necessário fazer uma correção ou acrescentar o código das cópias em fita cassete, quando o disco era reproduzido (Fc60, no exemplo).

As bibliotecárias preparavam o rascunho manuscrito das fichas matrizes e passavam para seus auxiliares datilografarem e prepararem os desdobramentos.

E, além disso, para fazer uma boa catalogação, era frequentemente necessário fazer pesquisas para completar dados das capas e rótulos, nem sempre muito corretos.

E todo esse enorme trabalho nem sempre resolvia os problemas de quem pesquisava.  Não era possível, por exemplo, localizar uma obra específica sem saber o nome do compositor ou procurar por número de opus. Também era impossível fazer buscas cruzadas e localizar todas as obras de um compositor interpretadas por um solista ou grupo específico.

Atualmente o trabalho de catalogação de discos está um pouco mais simples e eficiente, já que o registro é feito numa base de dados e a busca pela internet tem praticamente todos os recursos necessários. Mesmo assim, catalogar cada disco, música por música, é uma tarefa demorada. Por esse motivo, muitos discos catalogados por processos manuais ainda não entraram na base de dados. Nosso velho fichário continua disponível, e deve ser consultado sempre que uma determinada gravação não for localizada na base de dados. Funciona, acreditem!

E não deixem de consultar nosso acervo. Temos gravações raras, que nem sempre estão disponíveis na internet.

Vejam mais algumas fichas de antigamente:

O primeiro álbum, comprado em 1971O primeiro álbum, comprado em 1971
verso

Este post só foi possível porque nossa funcionária Ana Paula levou as fichas para casa e está digitalizando todas.

Fonte: Blog da Biblioteca da ECA

Revista do Senado abre seleção de artigos sobre equidade e acessibilidade

Texto por Comunicação Interna

Os autores devem enviar os textos até 28 agosto e artigos serão publicados na primeira edição de 2021
Agência Senad
Fonte: Agência Senado

A Revista de Informação Legislativa (RIL), editada pelo Senado, iniciou segunda-feira (1º) chamada especial de artigos sobre equidade de gênero, equidade de raça e acessibilidade. Os autores devem enviar os textos até 28 agosto para o e-mail ril@senado.leg.br. Informações completas sobre a chamada estão disponíveis em www.senado.leg.br/ril/como-publicar.

Publicada ininterruptamente desde 1964 para divulgação de artigos inéditos de direito, ciência política e relações internacionais, a RIL é avaliada pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) como A2 — a segunda melhor nota — na área do direito.

​Segundo o chefe do Serviço de Publicações Técnico Legislativas, Raphael Melleiro, o tema da chamada levou em conta o inciso IV do artigo 3º da Constituição Federal, segundo o qual a promoção do bem de todos, “sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”, é um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil.

— A missão da revista é contribuir para a análise dos grandes temas em discussão na sociedade brasileira e, consequentemente, em debate no Congresso Nacional. Em nosso planejamento editorial, consideramos o tema equidade e inclusão muito oportuno, tanto pela relevância para a sociedade, quanto por estar alinhado com as inciativas da direção da Casa.

Os artigos selecionados serão publicados na primeira edição da RIL em 2021. Como a chamada é para uma edição regular da revista, os requisitos para a submissão de textos incluem titulação mínima, que exige dos autores e coautores dos artigos pelo menos o mestrado concluído, ressalta Raphael. Os artigos aprovados pelos pareceristas, mas não selecionados para essa edição, poderão ser publicados em edições posteriores da revista, após consulta aos autores.

Fonte: Agência Senado

UFRB disponibiliza e-books gratuitos com temas sobre a pandemia do coronavírus

Texto por Renato Luz

A Comissão Local de Enfrentamento da CoVid-19 do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) divulga o e-book “Estratégias para profissionais de saúde manejarem a ansiedade dos usuários dos serviços de saúde na pandemia”. A obra, no formato e-book, objetiva ajudar os profissionais de saúde no enfrentamento à pandemia, e apresenta discussões sobre medo, ansiedade, e estratégias práticas de intervenção.

A iniciativa partiu do Serviço de Psicologia que adaptou textos da professora Jeane Sakya Campos Tavares e do estudante de medicina, Carlos Antônio Assis de Jesus Filho. A publicações está disponível para leitura online e download gratuito na página do CCS.

“Educação em Tempos de Covid19” – O livro “Educação em Tempos de Covid-19: reflexões e narrativas de pais e professores”, lançado pela Editora Dialética e Realidade, tem a contribuição do professor Eniel do Espírito Santo (CECULT) da UFRB. O docente escreveu em coautoria com a professora Sara Dias-Trindade (Universidade de Coimbra) o capítulo 19 denominado: “Educação a distância e educação remota emergencial: convergências e divergências”.

Segundo Eniel, a obra é uma  resposta imediata às transformações ocorridas num breve espaço de tempo, que alterou o status quo da atuação educacional de professores e pais. “O capítulo apresenta os principais fundamentos da educação a distância (EaD), correlacionando-os com a educação ou ensino remoto emergencial, mesmo considerando-se as limitações de se construir uma narrativa concomitante a sua construção”, afirmou.

O livro encontra-se disponível para download gratuitamente.

Fonte: UFRB

Acaba de ser lançada edição fac-símile de dicionário japonês raro

Encontrado por pesquisadores da USP, o “Vocabvlario da Lingoa de Iapam” é publicado em co-edição entre instituições brasileiras e japonesa

Texto por Claudia Costa

Imagem: Jornal da USP/Luana Franzão

O Vocabvlario da Lingoa de Iapam foi descoberto em setembro de 2018, na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. Publicado em 1603 pelos jesuítas, o volume raro é o quarto de que se tem notícia e o primeiro do continente americano – os outros três estão na Inglaterra, França e Portugal – e sai agora em edição fac-similar pela Editora Yagi Shoten Shuppanbu, de Tóquio. Trata-se de um dicionário bilíngue japonês-português, impresso em Nagasaki, que registra mais de 32 mil palavras (escritas e faladas) em japonês da época, e que é até hoje uma referência para se conhecer a língua, a cultura e a história do país do final do século 16 e início do século 17 (leia mais sobre o dicionário emmatéria publicada no Jornal da USP).

O fac-símile é uma coedição da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e da Yagi Shoten Shuppanbu, com organização dos responsáveis pela descoberta, a professora Eliza Atsuko Tashiro Perez, do Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Japonesa da FFLCH, e Jun Shirai, na época docente da Shinshu University, do Japão, e professor visitante do programa.

O grande destaque são as imagens fotográficas em alta resolução de todas as páginas do dicionário. Além disso, a obra traz um prefácio de Harumichi Ishizuka, Professor Emérito da Hokkaido University e organizador do fac-símile do exemplar da Biblioteca Nacional da França, e textos de Helena Severo, ex-secretária municipal de Cultura do Rio de Janeiro e ex-presidente da FBN, e da professora Maria Arminda do Nascimento Arruda, diretora da FFLCH. Há ainda textos críticos assinados pelos organizadores, pela diretora executiva da FBN Maria Eduarda Marques e por duas especialistas em lexicografia jesuítica do Japão: Haruka Nakano (Shohoku College) e Emi Kishimoto (Osaka University).

Edição fac-símile de Vocabvlario da Lingoa de Iapam: imagens de alta qualidade, com prefácio, textos críticos e comparação tipográfica – Imagem: FFLCH/USP

O dicionário foi encontrado meio por acaso no Acervo de Obras Raras da Biblioteca Nacional, quando os pesquisadores buscavam por títulos publicados pela prensa jesuítica japonesa nos séculos 16 e 17. “Sabendo que a base formadora da Biblioteca Nacional fora a Biblioteca Real portuguesa mandada trazer pelo então príncipe regente D. João (1767-1826), partimos da hipótese de que esta tivesse em seus acervos obras dos jesuítas do Japão, devido aos interesses comuns entre a Coroa lusa e a Companhia de Jesus”, relata Eliza. Mas, diferindo dessa expectativa, diz a professora, o Vocabvlario foi encontrado no acervo bibliográfico e iconográfico doado por D. Pedro II, em 1891, e leva, a seu pedido, o nome da imperatriz Dona Teresa Cristina Maria (1822-1889). O que ainda não se sabe é o percurso do exemplar do dicionário desde Nagasaki até constituir o acervo da biblioteca particular do imperador, no Rio de Janeiro.

Tanto a edição brasileira da FBN como os outros três exemplares que têm sua existência física comprovada – da Biblioteca Bodleian da Universidade de Oxford, na Inglaterra, da Bibliothèque Nationale de France e da Biblioteca Pública de Évora, em Portugal – foram publicados em fac-símile por diferentes editoras japonesas, comenta Eliza. Além disso, ressalta, a coedição atual é a segunda com imagens fotográficas coloridas.

Outra particularidade da coedição é o trabalho de comparação tipográfica, feita pela pesquisadora Haruka Nakano, entre os quatro exemplares e um outro, que foi encontrado no Convento de Santo Domingos em Manila, nas Filipinas (dado como desaparecido, mas com uma fotocópia no acervo da Sophia University, de Tóquio).

Processo de edição

Foram 18 meses, desde a descoberta do dicionário até a publicação. Segundo a organizadora, logo depois que encontraram a obra, foi realizado contato com o professor Masayuki Toyoshima, um dos maiores pesquisadores das publicações dos jesuítas feitas no Japão. Como conta Eliza, a sugestão da publicação fac-similar partiu dele, que deu sequência aos acordos com a Editora Yagi Shoten, empresa com projeção no mercado editorial japonês pela publicação de obras clássicas e manuscritos.

A proposta de coedição foi submetida ao Centro de Pesquisa e Editoração da Biblioteca Nacional em maio de 2019 e aprovada em julho do mesmo ano. A etapa seguinte foi a formulação do convênio de coedição da obra fac-similar do Vocabulario da Lingoa de Iapam, assinado pelos representantes das três instituições ainda no final de 2019.

“Como envolveu duas instituições públicas brasileiras (uma federal e outra estadual) e uma editora comercial japonesa, o processo de elaboração da proposta e do convênio foi mais lento, pois exigiu cuidados sobre questões técnicas e jurídicas”, afirma. A professora acredita que a proposta deve ter sido a primeira submissão que a Biblioteca Nacional recebeu envolvendo uma editora japonesa, abrindo precedentes para iniciativas futuras.

Cada página do dicionário gerou uma imagem que foi reproduzida em tamanho original e com resolução de 540 dpi, em vez dos  tradicionais 300 dpi. “Incluindo capas e folha de guarda, são 676 imagens que permitem, segundo o presidente da Editora Yagi Shoten, identificar até mesmo mínimas manchas de tinta no papel”, comenta Eliza. Além disso, mesmo durante a revisão, são usadas as mesmas impressoras e papéis do livro final, para que seja possível um ajuste adequado da cor e do tom, entre outros muitos cuidados.

A edição fac-similar por enquanto não será vendida no Brasil, mas, obedecendo a uma cláusula do convênio de coedição, a Fundação Biblioteca Nacional receberá 30 exemplares. E ainda neste ano, como adianta Eliza, a revista Estudos Japoneses – editada pelo Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Japonesa da FFLCH – deve publicar uma resenha sobre a obra, a fim de levá-la ao conhecimento dos pesquisadores brasileiros.

Fonte: Jornal da USP

Impulsionados pela quarentena, e-books ganham popularidade inédita

Texto por Amanda Capuano

Os livros digitais caíram nas graças do público e se tornaram alternativa para manter o hábito de leitura durante o confinamento

Alternativa: E-books ganham nova popularidade na pandemia Jens Büttner/Getty Images

O coronavírus pode ter obrigado as livrarias a fechar as portas, mas a fome dos leitores por novas histórias continua — e as telas dos smartphones e de e-readers tornaram-se aliadas para manter o hábito de leitura durante o confinamento. Segundo um levantamento da Bookwire, que distribui e-books para cerca de 550 editoras no Brasil, o consumo de livros digitais deu um salto durante a quarentena.

Entre meados de março e o início de abril, a empresa distribuiu 9,5 milhões de exemplares digitais, entre pagos e gratuitos. O número corresponde a 80% do volume comercializado durante todo o ano de 2019 – período já considerado acima da média pelo diretor Marcelo Gioia. Tamanho crescimento pode ser explicado pelas promoções em massa das editoras, que passaram a disponibilizar e-books com preços muito reduzidos, e até mesmo gratuitos, no início do confinamento. “As ações durante a pandemia formaram novos leitores digitais, que passaram a consumir o formato neste primeiro momento”, explica Gioia.

Uma das estratégias adotadas pelas editoras é o Digital First, um termo “chique” que, na verdade, descreve algo bem simples: lançar a versão digital antes do título físico. A ação foi um dos caminhos seguidos pela editora Planeta para driblar a crise. Colo, Por Favor! Reflexões em Tempos de Isolamento, de Fabrício Carpinejar, e Você É Ansioso? Reflexões Contra o Medo, de Luiz Felipe Pondé, estão disponíveis em e-book e serão lançados posteriormente em papel. Já a obra o Autocontrole em Tempos de Estresse, de Augusto Cury, e a coleção O Mundo Pela Janela de Casa — que reúne contos inéditos ligados ao isolamento social — chegarão ao leitor exclusivamente em formato digital. O resultado foi um crescimento de 106% em relação a arrecadação prevista para abril com os e-books.

Além de ser uma alternativa logisticamente mais confortável em meio a pandemia, os livros digitais também são um meio de fomentar a leitura no confinamento. Nesse sentido, as promoções são essenciais para atrair o leitor para o formato. A Rocco fornece mensalmente uma lista de trinta títulos digitais sem custo. Na segunda quinzena de março, a Sextante chegou a distribuir 1,2 milhão de e-books gratuitos. “O plano é trazer o leitor para o ambiente digital. O e-book tem facilidades, principalmente em relação a portabilidade e agilidade”, analisa Marcos Pereira, dono e co-fundador da Sextante.

A um clique de distância

Quando o leitor busca um livro na internet, ele pode manter sua paixão pelo papel e receber o título físico em casa. Porém, com a pandemia, que afetou a logística da distribuição de algumas lojas, o dinamismo dos e-books, que chegam ao comprador de imediato, é uma vantagem e tanto. O preço reduzido também é um atrativo à parte em um cenário econômico conturbado. “Por mais que os livros físicos ainda sejam entregues, ficou tudo mais complexo. O e-book, em geral, é mais barato, e uma alternativa econômica diante de tanta gente enfrentando dificuldades financeiras com a renda reduzida”, analisa Cassiano Elek Machado, diretor editorial da Planeta.

Espera-se que o mercado editorial pós-pandemia mude drasticamente. Segundo dados da Bookwire, mesmo com a diminuição das gratuidades e ofertas em maio, as duas primeiras semanas do mês registraram três vezes mais vendas digitais do que o mesmo período do ano anterior. É difícil prever o que vai acontecer, mas os números são um indicativo de que os livros digitais podem cair nas graças do leitor mesmo com o fim da quarentena. Para Machado, tudo é uma questão de hábito, e a leitura de livros digitais durante esse período provavelmente terá impacto na maneira como a literatura será consumida no futuro. “Quando a pessoa cria um hábito novo, ela tende a seguir com ele. Os livros digitais tem vantagens importantes, uma vez que se aprende a operar nesse formato, as pessoas passam a consumi-lo mais.”

Fonte: Veja

‘Podemos afirmar que a tendência é que o livro digital tenha mais peso nos nossos hábitos de leitura’

Texto por Lorenzo Herrero

Em entrevista ao PublishNews, CEO de distribuidora de conteúdos digitais da Espanha, fala sobre o impacto do coronavírus no mercado

Arantza Larrauri é CEO da Libranda, distribuidora de conteúdos digitais da Espanha | © Linkedin da profissional

A pandemia mudou os hábitos de lazer em todo o mundo. O livro está se tornando um aliado e companheiro fiel nos dias de hoje, quando reuniões com amigos ou espetáculos estão proibidos. No entanto, o leitor encontrou as livrarias fechadas. O aumento da leitura no formato digital já vinha sendo confirmado em relatórios, como o Informe del Libro Digital, publicado em 2019. O documento é realizado pela Libranda, distribuidora de conteúdos digitais da Espanha. Muita coisa mudou desde a publicação, por isso, Lorenzo Herrero, editor do PublishNews em Espanhol resolveu atualizar esse assunto com Arantza Larrauri, CEO da Libranda.

PublishNews em Espanhol – Como o coronavírus está afetando o mercado espanhol de livros digitais?

Arantza Larrauri – A terrível pandemia da covid-19 e o consequente confinamento em que estamos imersos favoreceram naturalmente o consumo de entretenimento digital, bem como a leitura digital, tanto do ponto de vista da demanda quanto da oferta.

Do ponto de vista da demanda nessas semanas de confinamento, detectamos um crescimento nas vendas de livros digitais de mais de 130% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Entradas em bibliotecas digitais e empréstimos digitais também se multiplicaram. Houve também um aumento significativo no número de novos usuários, em algumas dessas plataformas o número de usuários cresceu cinco vezes e o tempo que os leitores passam lendo nessas plataformas também aumentou.

Do ponto de vista da oferta, detectamos um interesse crescente em dar o salto digital por parte dos editores que não tinham ainda começado a digitalizar seus catálogos e por aquelas livrarias que ainda não estavam oferecendo a seus clientes a possibilidade de adquirir conteúdo em formato digital a partir do seu e-commerce.

PNES – O livro digital em espanhol, de acordo com o seu relatório, cresce 12%, mas podemos saber se esse crescimento se deve a um aumento na compra daqueles que já leem digitalmente ou se o livro digital está alcançando mais leitores todos os dias?

AL – Muito provavelmente, esse crescimento de 12,5% em 2019 é devido a uma mistura de ambos os efeitos. A proporção exata de um e outro efeito é conhecida pelas plataformas que prestam o serviço ao usuário final (a plataforma de vendas, a assinatura ou a biblioteca digital), pois sabem quantos novos leitores se registram e começam a ler digitalmente em suas plataformas.

Infelizmente, a Libranda não tem essa informação. Entretanto, podemos dizer que acreditamos que o crescimento é uma consequência de ambos os efeitos, porque as próprias plataformas de bibliotecas digitais, de vendas e de assinaturas nos falam de uma constante evolução ascendente no número de leitores que registram e ativam seus serviços. Um exemplo disso é o aumento no número de usuários ativos do serviço de empréstimo digital eBiblio em 2019 vs. 2018 que o Ministério da Cultura [da Espanha] tornou público, que foi de 36%.

PNES – Qual é o peso desse aumento no grande número de ofertas dos editores na compra desses livros em formato digital durante esse período?

AL – Como em qualquer mercado, as políticas de estímulo à oferta e à demanda são recompensadas, dando frutos. De fato, no mundo dos livros digitais, ofertas e promoções de preços são feitas naturalmente todos os dias, e se em tempos de confinamento houve mais dessa modalidade de oferta, me parece uma resposta lógica, porque em circunstâncias excepcionais é compreensível que também haja respostas excepcionais.

De qualquer forma, não creio que essa tenha sido a principal razão pela qual estamos experimentando um crescimento tão extraordinário nessas semanas.

Penso que o principal motivo foi a situação de confinamento em nossas casas, que teve o duplo efeito de tornar impossível a compra de livros de outras maneiras e de aumentar o tempo disponível para a leitura de muitas pessoas.

Uma pista do que aponto no ponto anterior é dada pelo fato de os registros terem sido multiplicados por cinco em algumas plataformas de assinatura de livros (sem ter alterado a taxa de assinatura) e os registros em bibliotecas públicas digitais terem se multiplicado. Nesses casos, a alta não implica em nenhum custo associado, nem agora no confinamento nem antes dele).

Estou confiante de que muitas das pessoas que descobriram a leitura digital como resultado da situação extraordinária que estamos enfrentando tiveram uma experiência agradável de leitura e decidem continuar gostando no futuro.

PNES – Como você acha que isso afetará a atração de leitores para o mundo digital através de obras gratuitas ou com um desconto significativo? Estamos atraindo leitores para o formato digital ou pode ter um efeito negativo a longo prazo?

AL – Eu acho que – como em qualquer mercado que tem um comportamento racional -, os agentes que oferecem um produto sabem qual o preço que devem definir (neste caso, os livros) para serem competitivos no mercado, para poder satisfazer os clientes já por sua vez, sejam sustentáveis como empresas.

Com base nessa crença no comportamento racional, as ações que estão sendo tomadas para atrair novos leitores para o mundo digital parecem legítimas e corretas para mim, e não acho que elas tenham algum efeito negativo.

PNES – Onde está o futuro do livro digital: plataformas de assinatura, empréstimos para bibliotecas ou vendas individuais?

AL – Bem, também nesse sentido, acho que no futuro prevalecerá a diversidade de maneiras de acessar o livro digital. E quando falo sobre o futuro, falo um ou dois anos, porque hoje, em um ambiente tão imprevisível e mutável quanto aquele em que vivemos, um ou dois anos é um longo prazo!

Em nosso relatório, refletimos o peso de cada um desses canais e modelos de negócios em 2019 em todo o mundo e por território. No ano passado, o maior peso foi detido pelas vendas unitárias com 89,9%, seguido pela assinatura com 5,8% e pelas bibliotecas públicas com 4,3%.

É possível que essa tendência continue nos próximos anos, mas, sem dúvidas, o crescimento será muito relevante na assinatura e também no empréstimo digital.

De fato, em países como o nosso, Espanha, ambos os modelos de negócios têm um peso acima da média. A assinatura teve uma participação de 8,5% na Espanha em 2019 (com um crescimento de 20%) e o empréstimo digital uma participação de 5,1% (com um crescimento de 34%).

PNES – O que você acha que o coronavírus significa para o mercado de livros digitais?

AL – Será uma oportunidade para mais pessoas descobrirem, apreciarem e apreciarem suas virtudes.

PNES – Como o vírus afetou sua vida profissional até agora?

AL – Para mim, ajudou a confirmar mais uma vez que a equipe humana que constitui a empresa em que trabalho é extraordinária: sempre demonstrou maturidade, coragem, unidade e capacidade de agir para enfrentar circunstâncias difíceis.

Por outro lado, em um nível prático, a tarefa de combinar o ambiente de trabalho com a esfera doméstica e familiar é pelo menos curiosa: videoconferências de trabalho, videoconferências das aulas da escola de minhas filhas, recepção de pacotes, passeios com o cachorro, passeios ao supermercado, etc. Tudo ao mesmo tempo e no mesmo espaço. De uma maneira ou de outra, estamos todos aprendendo a ser malabaristas hoje em dia!

Fonte: Publishnews

O efeito da covid no livro digital

Texto por Leonardo Neto

Nos 49 primeiros dias de isolamento, a Bookwire distribuiu 9,5 milhões de unidades de livros digitais. Isso é quase 80% de tudo o que foi distribuído em 2019.

Muitos apostaram no crescimento das vendas de livros digitais nesse momento de pandemia, em que as lojas físicas estão fechadas. E ele veio. Em entrevista exclusiva ao PublishNews, Marcelo Gioia, CEO da Bookwire no Brasil, declarou que entre os dias 9 de março e 26 de abril, a distribuidora entregou a clientes finais 9,5 milhões de unidades de livros digitais. “Para se poder fazer uma comparação, em 2019 – o melhor ano em performance da Bookwire, que apresentou crescimento de 57% em faturamento em relação a 2018 – distribuímos um pouco menos que 12 milhões de unidades de e-books no ano inteiro. Cerca de 25 a 30 mil unidades todo dia. E nessa crise, em 49 ou 50 dias, foram distribuídos esses 9,5 milhões, 190 mil unidades de e-books todo dia nesse período”, disse.

PublishNews – O Painel do Varejo de Livros feito pela Nielsen e pelo SNEL publicado na semana passada mostrou que a venda de livros físicos em livrarias caiu quase 50% desde o fechamento das lojas de tijolo e argamassa. Com a dificuldade de acessar as livrarias, o leitor brasileiro buscou os livros digitais?

Marcelo Gioia – Sim, o leitor brasileiro reagiu de forma bastante imediata e passou a consumir muito mais livro digital. A Bookwire representa uma importante fatia do mercado. Atualmente servimos cerca de 550 editoras na distribuição de e-books e audiobooks. Isto para dizer que enxergamos um corte significativo do mercado digital, uma fotografia bastante completa da situação de todo o mercado. Desde que começamos a vivenciar mais de perto essa crise da covid-19, passamos a monitorar as curvas de unidades distribuídas (gratuitas e pagas) e receita semanalmente e o crescimento de ambas foi e está sendo muito vigoroso.

PN – Você consegue quantificar esse aumento?

MG – Do início do isolamento na maioria das cidades até final de abril – de 09 de março a 26 de abril para ser mais preciso – a Bookwire distribuiu 9,5 milhões de unidades de e-books, entre gratuitos e pagos. Para se poder fazer uma comparação, em 2019 – o melhor ano em performance da Bookwire, que apresentou crescimento de 57% em faturamento em relação a 2018 – distribuímos um pouco menos que 12 milhões de unidades de e-books no ano inteiro. Cerca de 25 a 30 mil unidades todo dia. E nessa crise, em 49 ou 50 dias, foram distribuídos esses 9,5 milhões, 190 mil unidades de e-books todo dia nesse período.

PN – A que você credita esse aumento?

MG – Algumas razões: a primeira, a mais óbvia, uma limitação de acesso ao livro físico. Mesmo com iniciativas belíssimas de livreiros independentes com atendimento proativo e entregas criativas e um agudo crescimento no e-commerce, o digital foi o porto mais seguro e mais imediato de leitores que queriam se precaver e se abastecer para o período da quarentena. A segunda razão foi uma reação ágil, qualidade inerente ao digital, e super engenhosa de muitas editoras que já nos primeiros dias criaram ações promocionais, muitas com entrega de livros a custo zero e outras com descontos muito agressivos com o claro objetivo de servir aos leitores que passariam a viver confinados e precisavam de cultura e conteúdo para ser consumido. A terceira é o crescimento consolidado e consistente do formato digital com espaço ainda para crescer por aqui.

PN – O leitor de livros digitais brasileiros busca algum gênero específico?

MG – Um busca por conteúdo religioso, filosofia, desenvolvimento pessoal, um retorno interessante à literatura clássica e em um segundo momento ficção.

PN – O ano passado foi muito importante para os audiolivros no Brasil, uma vez que aportaram aqui mais duas plataformas internacionais (Storytel e Kobo) e uma nacional nasceu para brigar por esse consumidor. Você consegue fazer um panorama de como esse formato tem se comportado desde então, apontando não só o crescimento nas vendas, mas também na disponibilidade de catálogo?

MG – Ótima pergunta. O audiobook está em franco crescimento e também obteve crescimento durante as semanas da crise, mas exatamente por não ter, ainda, um catálogo de tamanho comparativo aos de e-books e de livros impressos, apresentou curvas mais modestas, mas já apresenta um crescimento de 160% em vendas no modelo à la carte, ao menos na nossa experiência.

PN – O leitor-ouvinte brasileiro procura por um gênero específico quando quer ouvir um audiolivro?

MG – Negócios, desenvolvimento pessoal, religiosos … não nessa ordem.

PN – E quando ele vai buscar um audiolivro, qual o modelo é o preferido? O modelo de subscrição ou o a la carte?

MG – À la carte na maior parte dos casos, assinatura na sequência. Mas o que apresenta maior crescimento são os audiolivros distribuídos nas plataformas de streaming como Spotify, Deeezer e outras.

PN – Você acredita que esse aumento nas vendas se sustentará ao longo do tempo, passada a pandemia? Em outras palavras, é um crescimento circunstancial ou ele veio para se manter, mesmo depois de suspensas as medidas de isolamento social?

MG – Essa é a grande questão. Não sei o que o futuro trará, mas os sinais são alvissareiros. Nas semanas seguintes do pico do isolamento, entre o final de abril e os primeiros dias de maio, as promoções encolheram. Há menos desconto agressivos e menor quantidade de e-books e audiobooks a custo zero. Isso diminuiu bastante o número de unidade distribuídas diariamente para cerca de 140 mil unidades vendidas todos os dias, mas as métricas de unidades pagas e receita parecem estar encontrando um novo platô de curva. Hoje claramente existem mais leitores digitais do que tínhamos em fevereiro, por exemplo, e os leitores que já eram digitais ou multiformato passaram a consumir mais digital. Temos visto uma consolidação de um pouco mais de quatro vezes em termos de unidades distribuídas e 2,7 vezes o faturamento das últimas quatro semanas (semanas 16 a 19), ou seja um aumento em receita de 174% quando comparamos as mesmas semanas de 2019. Pessoalmente creio que mudaremos sim de platô, talvez em números um pouco mais acomodados quando a referência são números tão surreais quanto vimos acontecer no pico do isolamento, mas tudo dependerá do impacto macroeconômico da crise que se avizinha e do poder e criatividade do mundo editorial de continuar servindo e produzindo conteúdo a seus leitores.

Fonte: Publish News

As imagens dos livros em “A Insustentável Leveza do Ser”

Marisa Midori continua em maio indicando leituras neste confinamento, além de homenagem ao jornalista Marcello Bittencourt

Texto Por Claudia Costa

Depois da série sobre o livro como remédio para a alma nestes tempos de confinamento por causa da pandemia da covid-19, a professora Marisa Midori continua a indicar leituras durante a quarentena em sua coluna Bibliomania. “Foi tentando escapar da monotonia, mas também da indignação que os desmandos políticos me têm provocado, que me deparei com o romance A Insustentável Leveza do Ser, de Milan Kundera”, comenta.

Segundo a professora, durante o mês de maio, a coluna deverá abordar as representações dos livros e das bibliotecas na literatura ficcional. A série é dedicada ao jornalista da Rádio USP, Marcello Bittencourt, produtor do programa Biblioteca Sonora, que faleceu no final de abril por conta da covid-19.

Voltando às imagens dos livros, a professora afirma que, no romance de Milan Kundera, há espaços preciosos em que o livro rouba a cena, e por isso ela lê um trecho em que a personagem, Tereza, encontra, pela primeira vez, Tomas. “A composição de Tereza daria um bom roteiro para uma pintura”, diz Marisa, destacando a imagem da personagem com o livro debaixo do braço.

Fonte: Jornal da USP

Elsevier promove webinar sobre publicação de livros eletrônicos

A jornada do autor até chegar à publicação de um livro eletrônico pode ser permeada de questionamentos e dúvidas. Para satisfazer a necessidade de informações da comunidade científica acerca do assunto, a Elsevier preparou um seminário virtual com diversas reflexões, sugestões e orientações. No dia 7 de maio, às 15h, a editora de conteúdo Mariana Kühll e o editor de aquisições Rafael Teixeira farão uma apresentação com riqueza de detalhes nessa temática para os interessados em publicar livros científicos.

Entre os pontos que serão abordados, os usuários vão encontrar: introdução ao processo de publicação; por que publicar um livro; como publicar um livro; assessoria em redação e compilação de propostas; fundamentos da preparação do manuscrito; e ideias para promover o trabalho. Além disso, haverá ainda um tópico para falar sobre apoio a autores proporcionado pela Elsevier.

O webinar foi elaborado pela própria editora e não faz parte da agenda de treinamentos do Portal de Periódicos CAPES. Dessa forma, é preciso se registrar neste link e aguardar a confirmação no e-mail cadastrado. Recomenda-se que os inscritos preparem suas perguntas para participar ativamente do momento direcionado a discussões.

Inscrições

Elsevier no Portal de Periódicos CAPES

A comunidade acadêmico-científica brasileira tem acesso a diversos conteúdos da Elsevier Pelo Portal de Periódicos CAPES. Para visualizar as coleções disponíveis, é necessário entrar no link buscar base e pesquisar o nome da editora. Na opção buscar periódico é possível localizar as revistas científicas da Elsevier, inserindo no campo de consulta o nome da publicação, o código ISSN ou selecionando o editor/fornecedor “Elsevier ScienceDirect”.

Fonte: Portal de Periódicos Capes

Postais ilustrados mostram o Porto de antigamente

© Carlos Pereira Cardoso Avenida de Massarellos (1905-1910), a actual Alameda Basílio Teles

“Porto. Postais ilustrados antigos nas colecções da BPMP” é um acervo documental, disponível online, com mais de 700 postais que mostram como eram as ruas, mercados e jardins da Invicta desde o final do século XIX.

Texto Por Bebiana Rocha

Segundo a página da autarquia, este é “um dos mais relevantes fundos documentais da Biblioteca Pública Municipal do Porto” e reúne documentos digitalizados e disponibilizados pelos serviços municipais da cultura. O objectivo é não só preservar estes conteúdos únicos, mas também permitir passar melhor o tempo nesta quarentena. O acervo inclui postais “anteriores à Implantação da República e abrange a época áurea da edição e circulação do bilhete-postal ilustrado em Portugal”, período compreendido entre 1898-1940.

Alguns dos exemplares são raros, outros mais recentes, que foram incluídos pelo seu interesse para a história da cidade, como os azulejos do claustro da Biblioteca Pública Municipal do Porto. Vai poder conhecer os espaços, costumes, a vida económica, social e cultural do Porto de antigamente. Há vistas panorâmicas, azulejos, estátuas, cemitérios, lagos e fontes, fotografias da Foz, dos edifícios, ruas e jardins. Mostra também como eram os transportes, os divertimentos e a publicidade da altura.

As imagens são da autoria de fotógrafos anónimos e conceituados, como Aurélio Paz dos Reis e Domingos Alvão, ou ainda de artistas plásticos como Amadeo de Souza-Cardoso.

Fonte: Time In

Os textos que vem o livro: da orelha aos metadados (EAD)

Objetivos

Articular o conhecimento, a prática e o desenvolvimento da redação de textos do mercado editorial, com ênfase na escrita criativa. Entre os temas abordados estão os textos que compõem a capa de um livro: título, quarta capa, biografia e orelhas. Além disso, serão trabalhados os textos produzidos sobre o livro para sites, livrarias on-line, divulgação e imprensa. Esses textos são a sinopse, a ficha técnica, a seleção de palavras-chave e o release. Ao longo do curso o aluno poderá acompanhar diversos estudos de caso apresentados por diretores editoriais, comerciais, de arte e de marketing, editores e designers do mercado editorial.

Público-alvo

Todos os interessados no mercado editorial (iniciantes e profissionais em busca de atualização): editores; assistentes editoriais; jornalistas; estudantes de comunicação, editoração, jornalismo e letras; profissionais e futuros profissionais de editoras, assim como qualquer pessoa que queira aprimorar sua comunicação e sua escrita.

Metodologia

O curso é desenvolvido em um Ambiente Virtual de Aprendizagem, no qual serão disponibilizados textos, videoaulas, exercícios e material complementar (quando houver).

Inscrições

Até o dia 15 de maio

Mais informações

Fonte: Universidade do Livro

COVID-19: Tempo para mudanças editoriais nos quadrinhos no Brasil

Texto: Guilherme Smee

Como em outros momentos, o mercado editorial de quadrinhos se vê sacudido por contextos externos que fogem do seu controle. Já investigamos no blog Splash Pages a fundo a crise editorial que se abateu sobre o Brasil desde o começo desta década. Agora, vamos traçar alguns pensamentos sobre a atual situação que se encontra o nosso mercado doméstico de comics, com a Panini e o mercado internacional de comics, com a Marvel, DC Comics, e outras empresas que dependem do sistema de mercado direto. Neste primeiro texto, vamos falar um pouco sobre o mercado brasileiro e, em outra oportunidade, nos estenderemos em outros textos sobre o norte-americano e outras situações.

Esta coluna, como sempre, reflete as dúvidas, anseios e poucas certezas daquele que a escreve, e pouco tem a ver com as orientações, missão e valores do site que a veicula.

Sem dúvida é um momento para estas editoras, domésticas ou internacionais, repensarem as formas de vendas com que trabalham. Aqui no Brasil é bem verdade, a Panini Comics já sofria atrasos com a distribuição feita pela TOTAL, empresa da falida Editora Abril. Agora que conta com distribuição localizada feita por diversos pontos de vendas ao redor do Brasil, a Panini Comics teve a oportunidade de redistribuir muitos números que estavam atrasados. Ou seja, aumentou a circulação de seus títulos periódicos em circuitos de bancas de revistas e comics shops. A distribuição, apesar de continuar de certa forma setorizada, parece ter dado uma estabilizada em relação aos meses marcados nas capas das revistas e as datas em que estão presentes nas bancas.

Abrindo-se essa janela de respiro nas pautas de distribuição a serem resolvidas pela Panini Comics, em meio a pandemia do Novo Coronavírus abriu-se uma chaga que pouco era discutida pela empresa e pelos leitores da mesma: a disponibilidade de títulos digitais em português. Não muito tempo atrás, a Panini Comics abriu uma cruzada contra sites que divulgavam e disponibilizavam os famigerados scans de quadrinhos. Mais recentemente, foi alvo de polêmica em que ameaçava o site Guia dos Quadrinhos, um bastião da informação sobre publicações em quadrinhos no Brasil, de fazer uso indevido das capas publicadas pela editora.

O calcanhar de Aquiles, da Panini Comics, mais que distribuição e divulgação (comunicação) é, com certeza, o oferecimento de material digital. A diferença é que, para os leitores, pouca diferença faz a disponibilização destes títulos em vias virtuais, o que conta para o tipo de consumidor de perfil brasileiro é ter a revista. O brasileiro é um leitor muito mais colecionador do que conteudista. Muitas vezes o que importa mais é quantidade do que a qualidade.

Essa é mais uma das razões porque até hoje a Panini Brasil nunca havia se preocupado em ter um setor de comercialização digital próprio ou afiliado com outros aplicativos de exibição de quadrinhos virtuais, como o SocialComics ou o ComiXology, em português brasileiro. Contudo, num momento inesperado por todos como a crise da pandemia do COVID-19, a editora de origem italiana acabou disponibilizando alguns PDFs de publicações suas gratuitamente. Seria isso o indício da abertura do mercado de quadrinhos digitais de grande títulos e grandes personagens?

Outro indício foi que com os decretos governamentais impedindo o comércio de bancas, comic shops e livrarias, estabelecendo material impresso como material de segunda ordem e importância, a editora Panini Comics tirou do ar a sessão “checklist” e sua programação prévia que mal tinha completado um ano de vida. Ao mesmo tempo, seu sistema de pré-venda se encontra a todo vapor. Mesmo sem poder vender fisicamente seus produtos, a Panini Comics continua lucrando. A primeira edição de X-Men de Jonathan Hickman, por exemplo, já está esgotada, assim como muitas outras edições.

O que comprova, mais uma vez, a corda-bamba que é gerir um empresa com tantas publicações e possibilidades de publicações, como por exemplo a dimensão virtual. Caso a Panini tivesse resolvido suas publicações digitais antes do caos da Pandemia, hoje, estaria lucrando ainda mais com os seus “scans legais”, até porque muita gente reclama também das republicações de muitos materiais já esgotados nas bancas.

Como vamos ver na próxima coluna, falando sobre a situação dos Estados Unidos, aquele país já viu tempos ruins em que teve de suspender a distribuição. A saída, foi diminuir drasticamente as vendas e a distribuição. O Brasil, por mais que já tenha vivido inflações estratosféricas nos anos 1970 e 1980, nunca deixou de colocar publicações nas bancas por dois meses correntes como a situação me que vivemos agora. A solução para o Brasil, cada vez mais parece ser um fortíssimo – em distribuição e comunicação – acertado e azeitado sistema com entregas corretas, plano mix de assinaturas, brindes e vales-compra, fidelizando o comprador de forma parecida com o que faz a Amazon.com. Aliado a isso, um sistema de pré-vendas com impressão sob demanda, algo já testado anteriormente pela Panini, mas talvez com uma celeridade fora do contexto da época.

Eu bato mais uma vez na tecla de que a Panini deveria usar os personagens que dispõe a seu favor, para atrair seus clientes e não afastá-los. Criar uma comunicação forte que faça com que o leitor queira fazer parte da Panini como quer fazer da Marvel e da DC Comics por exemplo. É algo interessante para se parar para pensar que os leitores amem tanto Batman, Darth Vader, Conan, Wolverine, mas dêem de ombros ou se invoquem quando vêem o logo retangular amarelo. Tempo de pandemia é um tempo ótimo para que Panini reveja suas táticas e estratégias de marketing. Esse é meu pensamento.

A SEGUIR: Você vai conhecer a iniciativa que ficou conhecida com “A Implosão da DC Comics”.

Fonte: O Vício

Fotografía de prensa: directrices para un tratamiento archivístico normalizado de los distintos niveles de organización de los fondos

Texto: Elena Alfaya

Introducción

Es mi objetivo proporcionar directrices técnicas para llevar a cabo un tratamiento archivístico normalizado de las unidades y agrupaciones documentales fotográficas de prensa que forman parte de sus centros de documentación y/o archivo fotográfico. Proporcionar un tratamiento archivístico normalizado a las fotografías favorecería la visibilidad, accesibilidad a los investigadores a los grandes fondos e inclusión en bases de datos y fototecas digitales y virtuales. Hoy en día contamos con sistemas de bases de datos que ayudan en este propósito pero si queremos dar visibilidad a las fotografías deben estar descritas siguiendo modelos internacionales para poder ser recuperadas fácilmente y desde cualquier lugar. Es así como conseguimos resultados óptimos.

Las fotografías deben tratarse siguiendo los principios generales y fundamentales de la Archivística pero esto no siempre es así. Muchas fotografías son tratadas siguiendo sistemas propios del archivo al que pertenecen o del banco de imágenes en el que se encuentran.

Hacemos una propuesta de tratamiento archivístico normalizado de las fotografías de prensa debido a que no encontramos criterios comunes ni unificados sino una variedad descriptiva muy heterogénea, poca información sobre fondos fotográficos que sea accesible a todos los investigadores, pocas colecciones fotográficas en línea, dificultad para la recuperación de fondos fotográficos, dispersión de los mismos y falta de enlaces entre fondos fotográficos dispersos. Esta falta de acceso a los fondos fotográficos está condicionada por la Ley de Propiedad intelectual relativa a autores fotográficos que extiende el plazo de protección a 70 años postmortem del fotógrafo. “Los derechos de explotación de la obra duran toda la vida del autor y setenta años después de su muerte o declaración de fallecimiento.” (BOE 14.04.2018. Artículo 26, Capítulo 1, Título III, p.15) Y sin embargo, los archivos deben proporcionar “acceso y difusión de la información y el conocimiento necesarios para fines educativos, científicos y de desarrollo” (IFLA, 2012)”. Las fotografías de prensa son documentos de archivo y forman parte de nuestro patrimonio cultural. Su organización y difusión garantiza la reconstrucción de nuestra historia.

Son los documentalistas gráficos quienes gestionan los archivos fotográficos y recuperan información de fondos propios y de bancos de imágenes comercializadas así como de fondos fotográficos de otros medios, archivos y colecciones. El proceso al que se someten a las fotografías de archivo es intelectual y ha de ser hecho por profesionales especializados que sepan cómo interrogar los documentos sea y qué tipos de usuarios pueden necesitar acceder y recuperar la información.

Guia: como acompanhar animes e mangás no Brasil oficialmente?

Separamos as principais plataformas e editoras responsáveis pelos conteúdos no país

Texto por Fábio Garcia

Durante muito tempo quem quisesse acompanhar animes e mangás aqui no Brasil precisava aprender um outro idioma ou então apelar para fontes não oficiais.

Porém, com o avanço da tecnologia e o crescimento mercado editorial daqui, atualmente é muito fácil ler mangás recém-lançados no Japão ou então ver um episódio de anime poucas horas após a exibição japonesa. Como são muitas formas de se aproveitar esse conteúdo, fizemos um guia para você saber quais as fontes oficiais dos animes e mangás que tanto adoramos.

No caso dos mangás, o mercado nacional começou em meados dos anos 80 com a publicação de Lobo Solitário e Akira, mas foi no final de 2000 que a Editora Conrad trouxe Dragon Ball e Os Cavaleiros do Zodíaco, os primeiros mangás com leitura oriental e formato parecido com o japonês. De lá pra cá muitas editoras vieram, algumas se foram, e a variedade de títulos está gigantesca.

Já entre os animes, durante muito tempo o público brasileiro era refém de emissoras de televisão ou lançamentos em home video, por sorte o streaming surgiu e agora temos muitas possibilidades de se assistir animes por meios oficiais. Acredite, é possível assistir a mais de 80% da produção de animes da temporada no Japão! Listamos alguns dos meios aqui, e ainda lembramos de canais de televisão que exibem animações japonesas. Confira as dicas abaixo:

MANGÁ: EDITORA JBC

Divulgação

Com a crise da editora Conrad, a JBC se tornou a editora de mangás mais antiga em atividade. Seu catálogo atual tem títulos de peso como My Hero AcademiaBoa Noite Punpun e o clássico Akira. Além dos mangás físicos, disponíveis em livrarias e lojas especializadas, a JBC também aposta no mercado de quadrinhos digitais.

Inclusive ela é a única editora brasileira a lançar em lojas digitais os capítulos de mangá simultaneamente com o Japão, possibilitando que os fãs de séries como The Seven Deadly SinsEdens Zero e Card Captor Sakura Clear Card leiam as séries junto dos japoneses.

MANGÁ: EDITORA PANINI

Divulgação

Atualmente a maior editora de mangás do país é a Panini, que começou como quem não quer nada em 2002 publicando a versão mangá de Gundam Wing.

O catálogo da Panini é imenso, tendo NarutoOne Piece, Jojo’s Bizarre AdventurePokémon e por aí vai. Sempre antenada às novidades, ela também deve trazer em breve Demon SlayerAs Quíntuplas e Spy x Family. A grande vantagem da Panini é o fato de ela estar presente em bancas de jornal por todo o país, além das livrarias e lojas especializadas.

MANGÁ: OUTRAS EDITORAS

Divulgação

Atualmente temos muitas editoras lançando mangás no Brasil. A NewPOP Editora, por exemplo, tem títulos de peso como Made in AbyssGTO e Devilman, e ainda é uma das únicas que apostam em light novels, como Re:Zero e No Game No Life. Outra que chegou há pouco mas já conquistou o público com sua qualidade é a Pipoca & Nanquim.

Derivada de um famoso canal de YouTube, a editora já conseguiu publicar mangás de autores renomados como Jiro Taniguchi e Hirohiko Araki. Um mais elogiados por parte do público é o mangá-documentário Virgem Depois dos 30, uma obra pesada que mostra uma faceta do Japão nunca mostrada antes. Não podemos esquecer também a editora Veneta, responsável por trazer mangás em formato de luxo como Ayako de Osamu Tezuka e vários outros.

MANGÁ: APPS DE CELULAR

Divulgação

Uma das maiores revistas de mangás do mundo é a Shonen Jump. Recentemente, a editora Shueisha passou a disponibilizar os capítulos mais recentes de seus mangás no site e aplicativo MangaPlus, como forma de intimidar a pirataria de capítulos. Ou seja, semanalmente o fã brasileiro pode acompanhar os capítulos mais recentes de One PieceDragon Ball SuperMy Hero Academia e muito mais.

A estratégia parece ter dado certo, pois alguns fãs pararam de traduzir mangás famosos por não conseguir competir com a velocidade do oficial. Embora os capítulos mais antigos sejam deletados depois de algumas semanas, alguns mangás como Spy x Family estão inteiros lá. Infelizmente, somente em inglês e espanhol. Outro aplicativo que permite ler mangás é o Crunchyroll Manga, mas precisa ser assinante da Crunchyroll. Há uma variedade boa de mangás e alguns títulos como Edens Zero, são disponibilizados semanalmente junto com o Japão (mas capítulos mais antigos são deletados). Infelizmente, também só em inglês.

ANIME: CRUNCHYROLL

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O serviço de streaming totalmente dedicado a material japonês é o paraíso para quem curte animação japonesa. Muito mais do que uma simples “Netflix de anime”, a Crunchyroll oferece a chance do assinante assistir aos animes poucas horas após a exibição japonesa, com legenda em português.

No catálogo da Crunchyroll estão as maiores séries do outro lado do mundo, como NarutoDragon Ball SuperBleachHunter x Hunter, HaikyuuMy Hero AcademiaAttack on Titan e muito mais. Alguns animes, como Mob Psycho 100Black Clover e Bungou Stray Dogs também estão disponíveis com dublagem em português. A Crunchyroll ainda permite que uma pessoa não assinante assista aos animes, mas aí os episódios ficam com intervalos comerciais e sem a qualidade máxima.

ANIME: NETFLIX

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O maior serviço de streaming do mundo se rendeu fácil aos animes. Mesmo com a produção original intensa, uma parte bem considerável das visualizações da plataforma vem dos animes, então a Netflix começou a investir pesado em séries.

Cavaleiros do ZodíacoEvangelionPokémonHi Score GirlViolet EvergardenKakegurui e outros estão disponíveis na plataforma, geralmente com a opção de se assistir dublado ou legendado. Aos mais afobados, um aviso importante: os animes da Netflix são lançados após o término no Japão, ou seja, você precisa esperar um pouquinho a mais.

ANIME: PRIME VIDEO

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Assim como a Netflix, o Prime Video apostou muito em um catálogo de animes. Além de clássicos como InuYashaSonic X, Pokémon e Street Fighter Victory, o serviço de streaming da Amazon também traz animes recentes como Fire ForceWotakoi e Dororo.

Prime Vídeo também oferece transmissão de episódios à medida que são lançados no Japão, porém o serviço os disponibiliza somente uma semana após a transmissão original.

ANIME: REDE BRASIL

Divulgação

Mas não pense que o anime morreu na televisão aberta! A Crunchyroll fez uma parceria com a Rede Brasil e exibe animes dublados todos os dias. Atualmente quem tem dado as caras na emissora é o anime Black Clover, um dos sucessos recentes da Shonen Jump, e um rodízio de animes que podem ser vistos no streaming do serviço.

ANIMES: PLAYTV

Assim como fez com a Rede Brasil, a Crunchyroll realizou uma parceria com o canal pago e exibe semanalmente episódios dublados de Re:Zero e Darling in the FranXX às quartas-feiras, dentro do programa Mais Geek. Foi o retorno dos animes ao canal, que até algum tempo atrás exibia Yu-Gi-Oh e Naruto Shippuden.

Fonte: Omelete

Tesouro da Biblioteca do mosteiro de Santa Escolástica digitalizado

Manuscrito da Divina Comédia

Mais de duzentos incunábulos, os livros impressos com tipos ou carácteres móveis das prensas mecânicas, da Biblioteca de Santa Escolástica em Subiaco, serão digitalizados. As obras são dos séculos XV e XVI

Texto por Vatican News

Os incunábulos, livros impressos com tipos ou caracteres móveis das prensas mecânicas, da Biblioteca de Santa Escolástica em Subiaco, serão digitalizados. Parte da catalogação dos 206 incunábulos, impressos entre a metade do século XV e o ano de 1500, pertenciam aos monges beneditinos de Subiaco. O projeto é coordenado e dirigido pela Biblioteca Nacional Central de Roma, em colaboração com o Consórcio Europeu de Bibliotecas e o Mosteiro Beneditino e será financiado pela Fundação Polonsky.

A iniciativa, organizada em módulos, concentra-se em pequenas coleções públicas, privadas e eclesiásticas, espalhadas pelo território italiano que conservam acervos de extraordinária preciosidade e raridade e requerem particular atenção para sua tutela, conservação e utilização.

Onze bibliotecas de mosteiros no projeto

Além do Mosteiro de Santa Escolástica a fase inicial do projeto contará com a participação das abadias de Santa Justina, Praglia, Montecassino, Farfa, S. Nilo em Grottaferrata, Casamari, a Certosa de Trisulti, a Abadia de Cava dei Tirreni e o Oratório dei Gerolamini de Nápoles. São as 11 bibliotecas anexadas aos monumentos nacionais que foram retidas no final do século XIX pelo Estado Italiano depois da lei de confisco e que agora pertencem ao Ministério dos Bens Culturais e Turismo.

Leitura obrigatória para os monges

No site do Mosteiro de Santa Escolástica, lê-se que desde a redação da “Regra” de São Bento, foi imposto aos monges “a leitura tanto privada quanto comunitária, principalmente em particulares momentos do ano litúrgico. Portanto era necessário um lugar para conservá-los, mas em Santa Escolásticas não ficou nenhum sinal desta prática”. No final de 1100, o abade João V, amante da cultura, criou um “Scriptorium” na estrutura, para o qual chamou miniaturistas de grande fama de mosteiros italianos e estrangeiros.

Entre as várias comissões recorda-se a do “Sacramentarium Sublacense”, hoje conservado junto da Biblioteca Vallicelliana de Roma. No final de 1300 a biblioteca de Santa Escolástica contava com 10 mil livros, muitos dos quais foram perdidos com o passar dos séculos. Em 1465 sob iniciativa de dois clérigos o Mosteiro tornou-se sede da primeira tipografia italiana e aqui em 29 de outubro foi impresso o primeiro livro italiano no chamado “estilo Subiaco”.

No século XIX os livros foram confiscados pelo Estado Italiano e, como outros bens do mosteiro, colocados em leilão. Depois Santa Escolástica tornou-se um Monumento nacional. Hoje é Biblioteca Estatal e conta com 100 mil livros, 3780 pergaminhos, 15 mil documentos do ano de 1500 em diante, 440 códigos manuscritos e mais de 200 incunábulos, dos quais apenas 3 impressos em Subiaco.

Os promotores da iniciativa

Quem são os promotores do projeto? O Consortium of European Research Libraries, é uma entidade de pesquisa para a criação de instrumentos para o estudo de livros antigos impressos e manuscritos, enquanto que a Fundação Polonski dedica-se em investir em programas filantrópicos com objetivos de conservação, valorização e livre utilização das heranças históricas e dos patrimônios culturais e ao democrático acesso ao conhecimento e ao saber. O projeto de digitalização dos incunábulos das bibliotecas monásticas na Itália foi encaminhado em 2018.

Fonte: Vatican News

Ebook ou impresso: como os apaixonados pela leitura mantêm seu hábito diário

Livros físicos e digitais dividem opinião do público; segundo pesquisa, brasileiro lê, em média, 2,43 livros por ano

Texto por Bruna Stroisch

Não lia nem rótulo de shampoo”, brinca Luisa Moreira de Oliveira, de 26 anos. A jornalista, natural de Florianópolis, contou que o gosto pela leitura veio aos 12 anos, após ganhar de presente da mãe um livro com foco no público infantojuvenil.

Luisa Moreira de Oliveira criou um canal no YouTube para falar sobre livros – Foto: Arquivo pessoal/ND

A partir daí, o hábito da leitura foi ganhando cada vez mais espaço na rotina de Luisa, que hoje, tem mais de 400 livros na estante. Ela lê cerca de cinco livros por mês.

Nesta quinta-feira (23), é celebrado o Dia Mundial do Livro. De acordo com a última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, desenvolvida pelo Instituto Pró-Livro, divulgada em 2016, o brasileiro lê, em média, 2,43 livros por ano e o desafio continua a ser incentivar a leitura, uma vez que 44% da população não lê e 50% nunca comprou um livro.

Livro “de verdade”

O ato de manusear o livro, folhear as páginas e sentir o cheiro fazem parte de um “ritual” de leitura que Luisa não consegue deixar de lado, ainda que tenha um leitor de livros digitais, os chamados eBooks.

Prefiro o livro físico. Tenho mais livros impressos que digitais. O eBook é uma forma de ler mais rápida, mas confesso que não consumo tanto os livros digitais. A ideia de pegar o livro na mão, abrir e ler as páginas é o que eu mais gosto”, explica.

A preferência pelos livros impressos vai ao encontro do projeto, que, recentemente, foi colocado em prática pela jornalista. Ela lançou, no final de 2019, um canal no YouTube onde posta dois vídeos por semana comentando sobre suas últimas leituras e aquisições.

O livro impresso é mais ‘visual’ para quem me acompanha nos vídeos. Além disso, como leitora, gosto mais da ideia de colocar um livro na estante. De organizá-los”, conta.

  • Último livro que leu: Vermelho, Branco E Sangue Azul, de Casey Mcquiston;

  • Está lendo: Quinze dias, de Vitor Martins.

Não sai da mochila

Há mais de cinco anos, o dispositivo eletrônico para leitura de livros digitais não sai da mochila de Paulo Renato Orione, de 27 anos. A relação de Paulo com o leitor de livros digitais, no entanto, não foi um caso de amor à primeira vista.

O empresário comenta que tinha “preconceito” com a ferramenta, pois ainda era apegado aos livros físicos.

Paulo Renato Orione é adepto dos livros digitais – Foto: Arquivo pessoal/ND

Quando dei uma chance, vi as muitas possibilidades. É portátil, cabe no bolso. Ando com o dispositivo para todo o lado. Não é prático carregar livros físicos e graças ao dispositivo consegui ler muito mais”, conta.

Segundo Paulo, as qualidades do leitor digital são diversas. Ele diz que consegue ler um livro por semana com mais agilidade. “Consigo adaptar a leitura. Posso configurar a fonte e o espaçamento do jeito que eu gosto. Às vezes, o livro físico tem uma letra pequena ou grande demais, ou a folha é ruim, por exemplo”.

Parte da rotina

O empresário confessa que ainda encara os livros físicos com certo “romantismo”. Porém, a leitura de livros digitais já ultrapassou a dos impressos. Paulo reserva momentos da rotina para a leitura, com sessões de 10 a 15 minutos ao longo do dia. As horas perdidas no celular, foram trocadas pela leitura de um eBook.

  • Último livro que leu: O futuro do dinheiro, de Rudá Pellini;

  • Recomendação: A river in darkness: One Man’s Escape from North Korea, de Masaji Ishikawa.

Futuro do impresso

Há algum tempo, está em pauta a discussão sobre o fim dos impressos, sejam revistas, livros ou jornais. Para Luisa Oliveira, o fim é improvável, uma vez que ela não acredita que haverá uma migração em massa dos leitores para o meio digital.

De acordo com Rogério Christofoletti, professor do curso de Jornalismo da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), a venda de livros impressos no Brasil ainda é maior do que a de livros eletrônicos. O mercado, no entanto, vem enfrentando uma crise, uma vez que o brasileiro tem deixado de lado o hábito de ler.

Mercado de livros impressos vem enfrentando uma crise – Foto: Márcio Henrique Martins/FCC

Paralelo a isso, o professor explica que a distribuição de livros no país é cara, além dos custos da produção e estocagem, que também impactam o mercado. Para driblar isso, as editoras têm investido em catálogos de livros eletrônicos.

Há, por outro lado, aquelas que investem em projetos gráficos inovadores e na qualidade visual dos livros, para que a experiência de leitura no formato impresso seja única e não possa ser transposta ao meio eletrônico.

Vejo, com base em dados, que o livro impresso tem muito caminho pela frente no Brasil. Não há uma curva de ultrapassagem. O eletrônico não ultrapassou o impresso e isso traz um alento à indústria”, prevê Christofoletti.

Fonte: ND+

UFSCar e USP lançam atlas de regiões hidrográficas de São Carlos

Está disponível para download gratuito o e-book “Atlas histórico e socioambiental das regiões hidrográficas do município de São Carlos – SP”, cuja principal proposta “é compilar e analisar informações de ótima qualidade e procedência e, de maneira democrática, torná-las disponíveis, em linguagem clara e acessível, a pessoas com diferentes faixas etárias, formações e condições sociais e econômicas”, como consta no prefácio da publicação, escrito por Davi Gasparini Fernandes Cunha, professor do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da Universidade de São Paulo (USP).

A publicação é organizada por Denise de Freitas, docente do Departamento de Metodologia de Ensino (DME) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e Silvia Aparecida Martins dos Santos, especialista de laboratório do Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC) da USP, na área de Ensino de Ciências, Biologia e Educação Ambiental, e contou com a dedicação de mais de 20 pessoas, entre autores, colaboradores e revisores. Trata-se de um material pedagógico de apoio direcionado a estudantes e professores dos ensinos Fundamental e Médio, para auxiliar na abordagem de assuntos como a origem e a formação geológica da região, a flora e a fauna e a história da ocupação urbana, em diferentes períodos, focalizando os impactos gerados nas sub-bacias hidrográficas da região de São Carlos.

O trabalho é resultado do projeto “A utilização de bacias hidrográficas como unidade de pesquisa, ensino e extensão”, no contexto da Difusão e Popularização da Ciência e Tecnologia (C&T), apoiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), realizado em parceria entre o DME e o CDCC. Do projeto também foi originada a exposição itinerante “São Carlos por suas bacias”, que recebeu financiamento pelo 4º Edital Santander/USP/FUSP (parceria do banco Santander com a USP e a Fundação de Apoio à USP) de fomento às iniciativas de Cultura e Extensão.

O atlas está disponível para download gratuito no site do CDCC, em https://bit.ly/2RFHHSf.

Fonte: São Carlos Agora

Quadro para indexação de filmes

Texto por Marina Macambyra

Indexação de filmes é uma atividade complexa, que exige a atenção de indexadores em múltiplos aspectos. Temos que analisar as imagens que se movem, o som, os conteúdos explícitos e os que se escondem fora do quadro, elementos da linguagem audiovisual que nem sempre compreendemos bem. Tudo isso passa pelo filtro da nossa sensibilidade, ideologia, história pessoal, formação, cultura etc, filtro que não podemos deixar totalmente de lado, mas para o qual podemos nos manter alertas e conscientes. Essa não é uma tarefa que se possa fazer intuitivamente, como se entender o cinema ou audiovisual fosse uma capacidade natural, muito menos com pressa, como se nosso trabalho fosse apenas cumprir metas de processamento. Para indexar filmes são necessários critérios muito claros e método de trabalho.

A experiência de muitos anos indexando e observando o trabalho de outros profissionais e estagiários me fez identificar os equívocos mais comuns nessa prática:

  • excesso de economia de termos, geralmente resultante do medo de chegar a conclusões erradas

  • no lado oposto do primeiro, delírios de interpretação subjetiva produzindo indexação muito pessoal

  • esquecimento de termos óbvios

Para minimizar esses problemas e melhorar a consistência na indexação, criei um quadro para indexação de filmes, inspirado na grade proposta pela Johanna Smit para indexação de imagens fixas (SMIT, 1996; MANINI, 2002). Aproveitei da proposta da Johanna a ideia de usar uma grade como guia para o processo de análise e os conceitos de específico e genérico que ela trouxe da SHATFORD (1986). Depois de alguns testes práticos,  a última versão do quadro ficou assim: 

Neste link vocês podem encontrar o mesmo quadro da imagem acima, em duas versões: vazio, caso vocês queiram aproveitar em suas atividades, e preenchido com exemplos.

Explicando o quadro

As categorias Local da ação, Época da ação, Personagens, e Assuntos tópicos, divididos em Eventos, Ações, Áreas do conhecimento, Conceitos diversos e Sentimentos e emoções são as que usamos para indexar filmes. Foram definidas a partir da nossa experiência no atendimento aos usuários de filmes mas são necessariamente adequadas em outros contextos, em acervos com outros perfis e usuários com outras necessidades. O que é válido para qualquer situação é a ideia de sistematizar e registrar critérios de indexação e métodos de trabalho, para orientar o olhar do indexador.

Nem todas as categorias admitem  a divisão entre termos genéricos e específicos. Para o local da ação, por exemplo, podemos ter praias, no geral, e uma praia específica. O mesmo não se aplica para a época da ação, áreas do conhecimento e outras categorias que não trazem essa subdivisão no quadro. Observemos, além disso, que um filme ambientado na Praia do Forte também pode satisfazer  perfeitamente o usuário que busque imagens de praias em geral. Portanto, o indexador de imagens, tanto fixas quanto em movimento, normalmente usa termos genéricos e específicos para indexar a mesma imagem ou sequência de imagens em filmes. Essa questão fica mais clara observando os exemplos no quadro preenchido.

Filmes podem ser analisados no todo ou em partes sequências, cenas e até planos específicos, dependendo da política de indexação adotada. Assim, ao analisarmos um filme que narre a história de um médico que busca vingar a morte do filho com quem teve uma relação conflituosa, podemos indexá-lo com os termos vingança e relações pai e filho, que corresponderiam ao assunto geral da obra. E se o filme contiver várias sequências ambientadas no hospital mostrando a rotina de trabalho do personagem, podemos também usar os termos hospitais médicos. O quadro pode ser usado indistintamente para o assunto do filme como um todo e de trechos específicos. 

Recomendo muito cuidado ao indexar filmes usando termos que descrevam sentimentos e emoções, porque é a categoria na qual a subjetividade do indexador interfere com mais força. O erro mais comum é confundir o assunto do filme com o efeito causado em nossa própria sensibilidade. É preciso não esquecer que a ideia é identificar sobre que é o documento que estamos indexando – assunto é isso. Um filme que nos traz alegria não é, necessariamente, um filme sobre a alegria. Como essa distinção nem sempre é fácil de realizar, o mais prudente, quando se trata de emoções, é nos atermos ao que é efetivamente dito e mostrado de forma explícita no documento.

O que falta

Há duas categorias que tenho muita vontade de incluir no quadro, mas que ainda requerem mais estudos e amadurecimento:  linguagem cinematográfica e temas clássicos do cinema.

O primeiro é o mais complicado, já que exigiria, em princípio, conhecimentos técnicos sobre montagem, fotografia, narrativa etc. que poucos indexadores bibliotecários teriam. Além disso, a indexação nesse nível só seria interessante para um público bastante especializado.

Quanto ao que estou chamando de “temas clássicos do cinema” por não encontrar um nome melhor, acredito ser uma categoria mais fácil de tratar e de utilidade para um público bastante amplo e heterogêneo. Todos nós temos uma boa noção do que seja um filme sobre a luta do bem contra o mal, por exemplo, porque já assistimos a centenas de filmes que tratam desse tema. Temos ainda aqueles filmes que mostram um personagem que enfrenta sozinho toda uma coletividade que está contra ele, ou o estranho que chega e desestrutura uma família, sobre o outsider que precisa recuperar seu lugar no mundo, mulheres em conflito com a maternidade, personagens que foram escolhidos para cumprir uma missão, personagens obcecados por resolver um mistério etc.

Experimentem entrar na Internet Movie Database e fazer uma busca por um assunto muito popular como amor ou morte como palavra-chave. Entre as palavras-chaves mais populares atribuídas pelos usuários da base vamos encontrar triângulo amoroso, amor à primeira vista, carta de amor, morte do pai, morte da mãe, morte em massa etc. 

Não é tão difícil, penso, criar uma lista básica de temas importantes para indexar um acervo de filmes – tomando cuidado para não inventar nada muito complicado. Uma lista de poucos termos, com definições ou notas de escopo claras, estabelecida a partir de pesquisa com usuários e consulta em fontes especializadas seria uma ferramenta útil para indexadores de obras audiovisuais. Vou trabalhar nisso e aceito contribuições.

Como usar

Minha proposta não é preencher um quadro desses para cada documento a ser indexado. Isso dificilmente seria viável. Sugiro usá-lo em treinamento de indexadores, em atividades ocasionais para acertar procedimentos com a equipe ou nos casos em que o indexador estiver com dúvidas. De qualquer forma, mesmo que não se faça o preenchimento sistemático do quadro, é interessante consultá-lo regularmente.

Convido os colegas que se animarem a testar a me enviarem suas impressões e sugestões.

Referências

MANINI, Miriam Paula. Análise documentária de fotografias: leitura de imagens incluindo sua dimensão expressiva. In.: REPOSITÓRIO Institucional da UnB. Brasília: Universidade de Brasília, 2004. Disponível em
http://repositorio.unb.br/handle/10482/946. Acesso em 10 abr. 2020.

SHATFORD, Sara. Analyzing the subject of a picture: a theoretical approach. Cataloging and Classification Quarterly, New York, v. 6, n. 3, p. 39-62, 1986.

SMIT, Johanna W. Propositions for the treatment of iconographical information. In: CONGRESO INTERNACIONAL DE INFORMACION – INFO’97, 1997. Havana. Textos completos. Havana: IDICT, 1997. p. 1-14.

Fonte: A imagem, o som, o tempo

Há 180 anos, chegava a fotografia na imprensa brasileira

Há exatos 180 anos, a imprensa brasileira entrava em êxtase. Na verdade, não só a imprensa: a comunidade científica e a sociedade letrada, em geral, também estavam fascinadas com a notícia da façanha de dois cientistas franceses: Joseph Nicèphore Niépce (1765-1833) e Louis Jacques Mandé Daguerre (1787-1851). Não era para menos. A eles se deve a descoberta da daguerreotipia, ou seja, da fotografia.

Texto por Bruno Brasil

Rio de Janeiro a partir da Ilha das Cobras

Criado em 1839, logo no ano seguinte o daguerreótipo chegou ao Brasil. E, como no restante do mundo, chegou para revolucionar a forma como registramos a realidade à nossa volta. A imprensa e as artes, naturalmente, foram os meios que mais sentiram reflexos da inovação.

De início, separamos hoje algumas das primeiras considerações de jornais cariocas de vulto, a respeito da novidade. Parece que foi o Jornal do  Commercio quem deu o furo, no texto “Revolução nas artes do desenho”, de título para lá de certeiro, publicado em 1° de maio de 1839 – leia-o integralmente no link disponível no fim do texto. “Finalmente passou o daguerreotypo para cá os mares”, comemorava o mesmo Jornal do Commercio já em 17 de janeiro de 1840, sem deixar de ressaltar: “Hé preciso ter visto a cousa com os seus proprios olhos para se poder fazer idéa da rapidez e do resultado da operaçao”. “Quem de nós, há somente um anno, teria acreditado no daguerreotypo?”, se pergunta o Diário do Rio de Janeiro cerca de um mês depois. 

Como não poderia deixar de ser, logo toda a elite da capital imperial – e também de fora dela – passou a querer experimentar a novidade. Qual seria, afinal, o fascínio de ter a sua imagem “real”, como um reflexo de espelho, impressa para a posteridade? Uma nova classe surgiu cá por este lado do Atlântico: a dos daguereotipistas, que começaram a anunciar seus serviços nos jornais, no que seriam os classificados, onde àas vezes ficavam logo ao lado de avisos de escravos fugidos. Adeus às longas horas na mesma posição cansativa em frente aos obsoletos retratistas à óleo!

Fonte: Biblioteca Nacional

ABEC Brasil e Ibict lançam repositório de preprints

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Foto: Freepik/ Logo: Elisabete Werlang

Texto por Leandro Rocha

Nos próximos dias, a Associação Brasileira de Editores Científicos (ABEC Brasil) e o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) lançarão um repositório de preprints pioneiro, voltado para revistas científicas. Batizado de EmeRI – Emerging Research Information – o repositório parte de uma demanda de editores científicos, em meio à urgência de divulgar resultados de pesquisa sobre o novo coronavírus.original.

Na concepção original, repositórios são alimentados por autores.  As revistas não têm tal recurso à disposição e não têm como oferecer a informação nesse estágio intermediário, entre a aprovação na revisão inicial de conformidade e a tramitação pelos pareceristas científicos e a preparação editorial. O EmeRI inova, ao oferecer essa possibilidade”, afirma Piotr Trzesniak, Secretário-Geral da ABEC Brasil e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

O apoio da equipe de Coordenação Geral de Pesquisa e Manutenção de Produtos Consolidados do Ibict, comandada por Bianca Amaro, está sendo fundamental nessa rápida viabilização do projeto”, conclui.

O preprint é um artigo que ainda não passou pela tradicional avaliação por pares – que pode levar vários meses – mas que mesmo assim é disponibilizado para acelerar o acesso à informação. Atualmente, não há um servidor centralizado que permita às revistas científicas a publicação de preprints.

O EmerRI se propõe a ser uma plataforma aberta para revistas científica de todo o mundo, não apenas do Brasil, mas sempre com um olhar carinhoso para os países cientificamente emergentes.

Será alimentado pelos próprios editores. Os preprints deverão ter passado pelo processo de desk review – aprovados para prosseguir para a etapa de revisão por pares -, segundo o critério de cada revista, além de ter a autorização dos autores.

A proposta surgiu há cerca dez dias e será lançada com a expectativa de contar com colaboração de toda comunidade ligada à produção e editoração científica para a alimentação, bem como para avaliação e sugestões que possam ajudar o aperfeiçoamento da plataforma.

Fonte: ABEC Brasil

Biblioteca Blanche Knopf, no Recife, amplia digitalização de seu raro acervo de humanidades

Texto por Emannuel Bento

Biblioteca no Edifício Dirceu Pessoa, em Apipucos, após reforma e ampliação. (Foto: Fundaj/Divulgação)

No porão de um chalé centenário na Avenida Rui Barbosa, um pequeno acervo levantado pelo historiador José Antônio Gonsalves de Mello, diretor do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais (primeiro nome da Fundação Joaquim Nabuco), dava início a uma das coleções de ciências sociais e humanidades mais ricas do Brasil. A Biblioteca Blanche Knopf, com 65 anos de história e atualmente localizada no campus Apipucos da Fundaj, na Zona Norte do Recife, conta com mais de 130 mil volumes, entre livros, obras raras, fascículos e periódicos. Recentemente, a instituição tem se preparado para intensificar o processo de digitalização dessa coleção, com o objetivo de democratizar e preservar ainda o patrimônio. Parte das obras ser acessadas pode ser acessada pelo link fundaj.gov.br/index.php/biblioteca.

Entre os destaques da Blanche Knopf, é possível encontrar o acervo da revista A Pilhéria, sobre o comportamento recifense na década de 1920, e os álbuns Artístico commercial e industrial do estado de Pernambuco (1925), de Manuel Rodrigues Folgueira, ou Pernambuco e seus arrabaldes (1951), de Gilberto Ferrez. Os visitantes ainda podem conhecer quatro mil cordéis e 340 títulos de histórias em quadrinhos.

Até que um volume considerável seja digitalizado, existe um processo árduo de trabalho realizado por profissionais especializados, além do suporte dos bibliotecários. Hoje, 9 de abril, quando é comemorado o Dia da Biblioteca, vale conhecer o processo e resgatar um pouco da história do equipamento.

Para manusear as obras raras é preciso usar luvas e máscara, disponibilizadas pela equipe. (Foto: Gabriel Melo/Esp. DP)

“As pessoas que visitam a biblioteca podem ter acesso às obras mais antigas usando máscaras e luvas, mas nós estamos pensando há algum tempo que não adianta ter um material excelente se muitas pessoas não têm acesso”, diz Nadja Tenório, coordenadora da Blanche Knopf há cinco anos. “Um novo projeto de digitalização já foi aprovado, mas estamos aguardando o fim da pandemia para dar início, provavelmente em junho. É um trabalho longo pela extensão do material, que precisa ser escaneado sem danificar as obras. É preciso levar em conta o tipo do papel e o ano de produção da obra. Quase como fotografar página a página, frente e verso. Um trabalho demorado, mas necessário.”

A digitalização vai começar pelas obras mais raras, cerca de 15 mil volumes. “Temos como critérios o assunto abordado, tendo em vista os mais pesquisados pelos usuários. As obras que já se encontram em domínio público poderão ser consultadas a partir do site da Fundaj, de qualquer lugar do mundo. Já as que a reprodução é vedada pelos direitos autorais, poderão ser consultadas digitalmente pelos usuários in loco na biblioteca.”

De acordo com a bibliotecária aposentada Lúcia Gaspar, coordenadora da Blanche Knopf entre 1991 a 2002, o equipamento foi uma das primeiras bibliotecas do Brasil a disponibilizar um catálogo online de suas coleções, ainda em 1997. “Aquilo que você tinha escondido no acervo passou a ficar disponível para o mundo todo. Com isso, recebíamos muitos pesquisadores estrangeiros que procuraram pelo livro com o número para pegar na estante. Eles olhavam do país em que estavam e vinham direto na fonte”, diz Gaspar, que recorda também do lançamento da Pesquisa Escolar Online, em 2002. Foi um site de compilações de textos didáticos de temas do Norte e Nordeste, como fatos históricos, folclore e personalidades. Algumas compilações contaram com tradução em espanhol e inglês.

Da trágica enchente à grande coleção

 

Primeiro prédio da Biblioteca, na Avenida Rui Barbosa. (Foto: Fundaj/Divulgação)

Após o início através da coleção de José Antônio Gonsalves de Mello, o acervo começou a crescer quando a Fundação Joaquim Nabuco selou parcerias com organizações estrangeiras, visando aumentar o fluxo de cópias de folhetos e artigos de periódicos. Essa coleção só passou a ser considerada uma biblioteca em 1954, quando se mudou para Casa Forte, na sede do Instituto Joaquim Nabuco. O geógrafo e poeta Mauro Mota, um dos grandes intelectuais do Recife no século 20, assumiu como diretor do espaço. De acordo com um texto informativo da Fundaj, nessa época a biblioteca já recebia a visita de pesquisadores importantes, a exemplo do médico norte-americano Robert Briggs Watson (1903-1978).

Em 1975, uma enchente causada pela cheia do Rio Capibaribe, que marcou a história do Recife, danificou 90% do acervo da biblioteca. Foi esse episódio que estimulou a mudança do equipamento para o bairro de Apipucos, um local mais alto e com menos probabilidade de ser atingido pelas cheias do rio. No ano seguinte, a biblioteca recebeu uma doação generosa do editor norte-americano Alfred A. Knopf, que ficou tocado pela perda. Por isso, o espaço passou a se chamar Blanche Knopf, esposa do intelectual e especialista em edição de livros.

A biblioteca depois da cheia de 1975. (Foto: Fundaj/Divulgação)

Desde então, o acervo cresceu, agregando bibliotecas particulares de Joaquim Nabuco, Mauro Motta, Sylvio Rabello, Mário Souto Maior, Tadeu Rocha, José de Paiva Crespo e, a mais recente, a de Maximiano Campos. Além dos destaques citados no começo da reportagem, ainda existem obras raras como registros originais da Invasão Holandesa, datados do século 17, ou o livro Escrituras de escravos (1880), de Ernesto Augusto da Silva Freire. Por conta da conservação, esses tipos de volumes só podem ser consultados no espaço que, após a normalização do cotidiano, deve continuar preservando a memória de Pernambuco e do Nordeste.

Fonte: Diario de Pernambuco

Coronavírus: lançado e-book de história em quadrinhos para público infantil

“Falamos da pandemia de uma maneira lúdica”, diz Eduardo Jara, coordenador do programa de extensão Esag Kids

Fonte: ND+

O legado de Albert Uderzo, cartunista de Asterix e Obelix

Cocriador dos personagens ícones da cultura europeia, artista é referência no mundo das histórias em quadrinhos

380 milhões de exemplares vendidos. Tradução em 111 idiomas. 14 filmes de animação e live-action. Um parque temático. Esse é parte do saldo do sucesso de Asterix e Obelix, história em quadrinhos criada por René Goscinny e Albert Uderzo. Os dois amigos gauleses agora seguem seu rumo “órfãos” dos criadores originais. No dia 24 de março, Uderzo sofreu uma crise cardíaca fatal, 43 anos depois da morte de seu parceiro Goscinny.

O legado deixado pelo cartunista não se resume aos personagens simbólicos para a cultura europeia. Para Celbi Pegoraro, pesquisador do Observatório de Histórias em Quadrinhos, Uderzo deixou também “uma influência positiva em quadrinhistas e animadores ao redor do mundo”.

Desde 2013, Asterix e Obelix é de responsabilidade do roteirista Jean-Yves Ferri e do desenhista Didier Conrad, apesar das histórias continuarem a ser atribuídas aos criadores originais. Mesmo após décadas de existência, os aldeões da Gália continuam célebres. Asterix e os pictos, primeiro volume publicado por Ferri e Conrad, vendeu 2 milhões de cópias em uma semana, só na França.

O que explica o sucesso das HQs de Asterix e Obelix

Para o pesquisador do Observatório, a criação de um “universo singular com personagens que captam muito do espírito francês” é um dos motivos que contribuiu para que as histórias se tornassem populares no mundo afora. “Ao contrário de outras criações da escola franco-belga como Tintin e Spirou, as aventuras de Asterix parecem ter uma aceitação muito maior fora da Europa”, diz Pegoraro.

O estilo de grafismo dos desenhos, semelhante àqueles dos Estados Unidos nas décadas de 1940 e 1950, também explica o alcance que a HQ conseguiu fora do centro França-Bélgica. Neste vídeo, é possível ver Uderzo desenhando um de seus célebres personagens.

Em entrevista para o jornal Le Parisien, em 2018, Uderzo ressalta que Asterix e Obelix tem um “espírito transgeracional, independente”. Mas diz que nem ele mesmo pode explicar o sucesso de sua criação. “É como se você me perguntasse a receita da poção mágica”, responde, em referência ao filme Asterix e o Segredo da Poção Mágica, lançado no mesmo ano da entrevista.

Cartunista Albert Udezo, criador das HQ's de Asterix e ObelixEm parceria com René Goscinny, o cartunista Albert Uderzo marcou a cultura europeia com as histórias de Asterix e Obelix. Foto: Serge Picard/Le Parisien

A cultura franco-belga em Asterix e Obelix

Ambos de nacionalidade francesa, Uderzo e Goscinny conseguiram retratar elementos da história e cultura de seu país de forma precisa. Nas HQs é possível identificar não apenas aspectos do período da resistência da Gália aos romanos, mas também o cotidiano da política e burocracia locais, como explica Celbi Pegoraro.

“Os autores trabalham muito bem a religiosidade de cada povo e os estereótipos europeus quando apresentam os fleumáticos bretões, os militaristas godos, os esquentados da Hispânia e os indolentes corsos. As brincadeiras com a linguagem abusam do uso de trocadilhos e as piadas recorrentes são apresentadas sem exageros.”

Fonte: ECA/USP

Epidemias, confinamiento y arte

Las patentes de sanidad acreditaban, ante el puerto de destino, que un barco no tenía contágios

Patente de sanidad emitida el 23-1-1782 por la Junta de Sanidad de Barcelona a favor del bergantín Cristianum et Danielem. A.G.A.

Texto por Antonio Gil Albarracín

Encontrándonos confinados más de una tercera parte de la humanidad a causa de la epidemia del coronavirus que, procedente desde China, gracias a la globalización, se está extendiendo como la pólvora y es probable que aún se tarde en controlar dicha pandemia. Semejante situación resulta novedosa durante el último siglo pero, salvo su acelerada velocidad del contagio en todo el mundo, no es desconocida en el pasado, dando lugar a intentos de aislamiento y cordones sanitarios para aislar territorios amenazados.

En algunos casos la existencia de dichas epidemias dieron lugar a fenómenos literarios de primer orden, de los que el más conocido sería El Decamerón de Giovanni Boccaccio, escrito durante la peste bubónica que asoló Eurasia entre 1347 y 1353, reuniendo los cien relatos narrados por diez jóvenes florentinos confinados en una villa de Fiésole, próxima a Florencia, a la espera de que amainara la morbilidad del contagio.

Patentes de sanidad

Sin embargo, hasta ahora ha pasado inadvertida la existencia de unos documentos denominados patentes de sanidad, que presentan antecedentes medievales. Los mismos habrían de ser emitidos por parte de la Junta de Sanidad del puerto de partida con el fin de presentarlo en el puerto de atraque. La tripulación y viajeros de cualquier embarcación que no dispusiera del mismo quedaba confinada en un lazareto para pasar la cuarentena.

Los avances científicos de la medicina y el morbilidad causada por la peste de Marsella del año 1720 llevaron a los Estados occidentales y sus territorios de soberanía al acuerdo de obligar estrictamente a que cualquier embarcación que llegara a su puertos presentara la patente de sanidad emitida por el puerto de origen, acreditando no sufrir epidemia alguna; dicha obligación permanecería en vigor hasta el siglo XX. En aquellos puertos cuyas autoridades no suscribieron el acuerdo, la patente sería emitida por los consulados de los Estados firmantes. El éxito de dicho acuerdo fue evidente pues el episodio de 1720, que llegó hasta 1722, fue la última epidemia de peste bubónica padecida en territorio europeo.

Las patentes de sanidad son instancias, manuscritas normalmente, que al menos desde el siglo XVII, también aparecen impresas; en las mismas se incluía la declaración de hallarse libre de cualquier contagio el puerto del que se había zarpado.

Adornadas

Algunas de las citadas instancias fueron adornadas con grabados de calidad desigual que incluían el escudo heráldico representativo de la ciudad o del Estado, en muchos de los territorios católicos representaban el santoral que protegía cada población y bastantes ciudades consideraron que era una excelente ocasión para difundir la imagen de la misma representada desde el mar a vista de pájaro o mediante un plano; hecho que ha permitido atesorar en los archivos que custodian dicha documentación una extraordinaria colección de paisajes urbanos fechados entre los siglos XVII y XIX.

Muestra representativa de los mismos son las dos patentes de las que se hace referencia en esta breve noticia.

La patente de Barcelona, obra del grabador Ignacio Valls, fue reiteradamente emitida entre 1730 y 1817.

Patente de sanidad emitida por la Junta de Sanidad de Alicante el 14-2-1821 a favor del laúd San José que zarpaba con destino a Arenys de Mar. A.G.A.

La extraordinaria patente de Alicante encargada a Vicente López Portaña, pintor de Cámara desde 1815, dibujó esta patente hacia 1820, representado la ciudad de Alicante, coronada por el castillo de Santa Bárbara, desde el mar por cuyas aguas navegan, entre otras embarcaciones, un galeón y un imponente Neptuno sobre su carro, en contraposición neoplatónica con la corte celestial que encabeza la patente, presidida por la Santa Faz, a la muestran su devoción los santos Sebastián, Francisco de Paula y Roque.

Tema de enorme interés que he estudiado durante los últimos años; cuando la situación se normalice se colgará una exposición sobre estas patentes, que ya estaba programada de antemano, acompañada de catálogo en el que se tratará extensamente de este interesantísimo tema.

Antonio Gil Albarracín es doctor en Historia. Académico correspondiente de las Reales Academias de Bellas Artes de Nuestra Señora de las Angustias de Granada, de Alfonso X el Sabio de Murcia, y de Bellas Artes de San Fernando de Madrid y de la Historia, también de Madrid.

Fonte: La Voz de Almería

Diretório de fontes de informação científica de livre acesso sobre o Coronavírus

Diretório de fontes de informação científica de livre acesso sobre o Coronavírus, criado e mantido pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), tem como objetivo reunir as fontes de informação científica em acesso aberto, nacional e internacional, que disponibiliza conteúdos sobre o Coronavírus e COVID-19. Além dos artigos científicos já publicados e também aqueles que, de tão recentes, ainda não foram publicados. O Diretório reúne dados de pesquisa, ensaios clínicos, teses, dissertações e outros materiais referentes à produção dos pesquisadores do mundo todo. A navegação no Diretório é feita a partir dos diferentes tipos de fontes levantadas.

Trata-se de um Diretório que possui atualização constante. A equipe do Ibict está realizando buscas por fontes de informação em acesso aberto diariamente. Destacamos a valiosa colaboração do Grupo de Pesquisa Gestão da Informação e do Conhecimento na Amazônia (GICA), liderado pela Profa. Dra. Célia Regina Simonetti Barbalho e com a vice-liderança da Profa. Dra. Danielly Inomata, ambas da Universidade Federal do Amazonas.

Como é um trabalho de identificação e acesso à fontes de informação, convidamos a todos para participar indicando-nos fontes que, por ventura, ainda não estejam listadas neste Diretório. A indicação de novas fontes pode ser feita por meio do email: diretoriodefontes@ibict.br

É importante deixar claro que o objetivo deste Diretório é identificar e facilitar o acesso à produção científica nacional e internacional relacionada ao Coronavírus. Entretanto é importante frisar que nem todas as fontes aqui apresentadas são, em situação normal, fontes de acesso aberto. Muitas delas, notadamente em sua grande maioria internacionais, são de propriedade de grandes editoras comerciais, que cobram altos valores pelo seu acesso. Esperamos que este momento de crise mundial traga uma mudança definitiva no processo de comunicação científica. A começar que essas editoras comerciais, que têm lucros astronômicos com o conhecimento gerado por pesquisadores do mundo inteiro. É fundamental que essas editoras comerciais reavaliem a suas práticas e passem a cobrar valores que, de fato, não impeçam a disseminação dinâmica e irrestrita dos novos conhecimentos científicos, que resultam em um avanço mais célere da Ciência. Afinal, não podemos esquecer, e esta crise está nos lembrando, que a Ciência é um bem de toda a humanidade!

Fonte: Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict)

[Storytelling, Livros Raros] Contar histórias em tempos difíceis: acessar o passado durante uma pandemia

Texto por Claire McGuire

Às vezes, parece que estamos vivendo em tempos sem precedentes.

Vivemos em um mundo globalizado que está repleto de problemas globais – instabilidade, conflito e desigualdades que parecem insuperáveis. E agora, uma pandemia que está deixando um rastro de vidas perdidas, desemprego e serviços médicos sobrecarregados, enquanto segue seu curso em todo o mundo.

No entanto, os avanços da tecnologia no mundo de hoje nos permitem conectar de maneiras nunca antes possíveis. Podemos nos conectar um com o outro, e podemos nos conectar com as pessoas do passado. As pessoas que enfrentaram, sofreram e superaram momentos que eles próprios devem ter sentido não tinham precedentes.

Há conforto e sabedoria nessa conexão.

O poder das fontes primárias

Foi o filósofo espanhol George Santayana quem escreveu: “aqueles que não conseguem se lembrar do passado estão condenados a repeti-lo”. Embora tenha se tornado um ditado muito repetido e parafraseado, um aspecto dessa linha tem ressoado comigo ultimamente.

Em nossa era moderna, hiper-visual, somos inundados pela mídia. Falando de maneira geral, e pela minha experiência, as histórias não parecem totalmente reais até vermos evidências visuais delas.

Embora, à primeira vista, os materiais mais antigos possam parecer muito estranhos, abstratos e não relacionados à nossa vida moderna, eles ainda têm um poder muito real. Precisamos dessas fontes primárias. Além disso, precisamos de contar histórias, documentação e manutenção de registros que dê vida a essas fontes.

Uma conexão com o passado pode nos ajudar a entender nossa vulnerabilidade e capacidade de resiliência. Pode nos ajudar a aprender com as lições passadas, apreciar os avanços científicos e tecnológicos que temos agora e desenvolver um senso de solidariedade com a humanidade em geral.

Há consolo em saber que a humanidade superou desafios semelhantes no passado. Há também lições que não devem ser esquecidas.

Lições do passado

Embora a maioria de nós tente, nunca podemos estar verdadeiramente preparados para o que está por vir. Alguns meses atrás, seria difícil acreditar nas mudanças que nossas sociedades e governos estão fazendo em resposta à pandemia do COVID-19.

No entanto, podemos olhar para o passado para fazer previsões para o futuro.

A crise tem sido frequentemente o catalisador da mudança. Por exemplo, a epidemia de gripe que devastou a maior parte do mundo em 1918 também preparou o terreno para a criação de serviços nacionais de saúde na Europa e além.

Infelizmente, a crise também pode desencadear um lado mais feio da humanidade. A Peste Negra, que dizimou populações no  século 14, levou à violência desenfreada e retribuição, tendo como alvo as populações vulneráveis judeus e outros. Com a perspectiva de nossa compreensão moderna de patógenos, podemos considerar o sofrimento causado pela falta de conhecimento como uma lição que não deve ser repetida.

A xenofobia é um resultado de longa data das crises globais. A UNESCO se baseou no exemplo da Peste Negra como um alerta contra reações bruscas que buscariam restringir a conexão no futuro:

Pode ser tentador em tempos incertos, especialmente agora que o mundo está testemunhando a rápida disseminação do COVID-19, concluir que a única maneira de evitar desafios como a disseminação de doenças infecciosas é restringir o movimento e a troca e, de alguma forma, reverter globalização e conexão de diferentes culturas e povos. No entanto, a propagação da praga em um mundo sem aviões, trens e navios de cruzeiro serve como um lembrete de que as doenças podem se mover rapidamente, mesmo sem essas tecnologias.

Podemos acessar o passado para informar melhor a tomada de decisões agora e no futuro. Profissionais dos campos de serviço de informações, arquivo, preservação e conservação e catalogação são necessários para ajudar a descobrir, preservar e interpretar a evidência da fonte primária dessas lições.

Herança de esperança e compreensão

Diante dos muitos desafios prementes que o COVID-19 trouxe, também houve uma notável apreciação e necessidade de cultura – por conexão, entretenimento, inspiração e esperança.

O patrimônio cultural – especialmente os documentos, fotografias, materiais de arquivo e histórias de pessoas que enfrentam pandemias passadas – agora pode ressoar mais do que nunca com o público – possivelmente até mesmo com públicos que não teriam se envolvido prontamente antes.

Poderíamos abordar isso como uma oportunidade de nos envolver com nossas comunidades – conectando-as umas às outras e ao passado através da herança que protegemos e compartilhamos.

O patrimônio cultural pode dar uma perspectiva histórica. Pestilência e guerra há muito tempo abrem as portas para avanços médicos. Mesmo o conhecimento aparentemente simples e óbvio, como a higiene adequada e a lavagem das mãos, foi aprendido através de lições difíceis.

Boletim informativo de arquivo que descreve a higiene adequada
“Auxiliar de saúde voluntário de emergência de Ontário (filial da fronteira). ‘Boletim sobre Influenza ”de ArchivesOfOntario, CC PDM 1.0 https://bit.ly/2xDMrAY

O compartilhamento dessas histórias poderia ajudar as pessoas hoje em dia a entender a importância de levar a sério os conselhos de saúde pública sobre saneamento e higiene? Poderia ajudar a contextualizar nossa vulnerabilidade e, portanto, adicionar peso às iniciativas de saúde pública?

Uma rápida pesquisa on-line de “pandemias passadas” levará a muitas páginas de artigos de blog, reportagens e artigos de interesse humano publicados nas últimas semanas, todos baseados em um interesse aparentemente crescente por histórias de resposta histórica a doenças.

Um ótimo exemplo pode ser encontrado no Center for Disease Control (CDC), nos Estados Unidos. O site mantém um arquivo online de fotografias, cartazes de saúde pública, artigos e histórias de 1918 Flu epidemia e outros emergências de saúde pública do século 20. Eles compartilharam essas imagens nas mídias sociais com a tag #CDCHistory , com considerável envolvimento.

Em resposta ao COVID-19, há claramente interesse pelo contexto histórico entre a população em geral e, portanto, a necessidade de fornecer informações precisas e imparciais.

Esta pode ser uma oportunidade para engajamento?

As bibliotecas mantêm coleções que podem ajudar a sociedade a acessar os valores educacionais, sociais, científicos e artísticos do patrimônio documental e se conectar ao passado durante esse período em que muitos de nós anseiam por conexão.

Fonte: AWBB

ABNT libera lista de 32 normas gratuitas para contribuir no combate ao COVID-19

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), preocupada com a atual situação do país e do mundo colocou-se inteiramente à disposição, no sentido de contribuir para o esforço do governo na mitigação dos efeitos nocivos causados pelo corona vírus.

Em resposta à Resolução 356/2020 da ANVISA, disponibilizou na semana passada, gratuitamente à sociedade, as normas técnicas relacionadas à fabricação, importação e aquisição de dispositivos médicos identificados como prioritários para uso em serviços de saúde.

E nesta semana, coloca também à disposição as normas referentes à ventiladores pulmonares e mais alguns produtos. No total, são 32 normas técnicas gratuitas, que poderão ser visualizadas integralmente e impressas diretamente da Loja Virtual ABNT, no ABNTCatálogo (www.abntcatalogo.com.br).

Confira a listagem completa das normas:

ABNT NBR IEC 60601-1:2010 – Equipamento eletromédico – Parte 1: Requisitos gerais para segurança básica e desempenho essencial

ABNT NBR IEC 60601-1:2010 Emenda 1:2016 – Equipamento eletromédico – Parte 1: Requisitos gerais para segurança básica e desempenho essencial

ABNT NBR IEC 60601-1-2:2017 – Equipamento eletromédico – Parte 1-2: Requisitos gerais para segurança básica e desempenho essencial – Norma Colateral: Perturbações eletromagnéticas – Requisitos e ensaios

ABNT NBR IEC 60601-1-6:2011 Versão Corrigida 2013 – Equipamento eletromédico – Parte 1-6: Requisitos gerais para segurança básica e desempenho essencial – Norma colateral: Usabilidade

ABNT NBR IEC 60601-1-8:2014 Versão Corrigida 2015 – Equipamento eletromédico – Parte 1-8: Requisitos gerais para segurança básica e desempenho essencial – Norma colateral: Requisitos gerais, ensaios e diretrizes para sistemas de alarme em equipamentos eletromédicos e sistemas eletromédicos

ABNT NBR IEC 60601-1-10:2010 Versão Corrigida 2013 – Equipamento eletromédico – Parte 1-10: Requisitos gerais para segurança básica e desempenho essencial – Norma colateral: Requisitos para o desenvolvimento de controladores fisiológicos em malha fechada

ABNT NBR IEC 60601-1-10:2010 Emenda 1:2017 – Equipamento eletromédico – Parte 1-10: Requisitos gerais para segurança básica e desempenho essencial — Norma colateral: Requisitos para o desenvolvimento de controladores fisiológicos em malha fechada

ABNT NBR ISO 80601-2-12:2014 – Equipamento eletromédico – Parte 2-12: Requisitos particulares para a segurança básica e o desempenho essencial de ventiladores para cuidados críticos

ABNT NBR ISO 14971:2009 – Produtos para a saúde — Aplicação de gerenciamento de risco a produtos para a saúde

ABNT NBR ISO TR 24971:2014 – Produtos para a saúde – Orientações para a aplicação da ABNT NBR ISO 14971

ABNT NBR IEC 62366: 2016 – Produtos para a saúde — Aplicação da engenharia de usabilidade a produtos para a saúde

ABNT NBR ISO 11193-2:2013 – Luvas para exame médico de uso único – Parte 2: Especificação para luvas produzidas de policloreto de vinila

ABNT NBR ISO 11193-1:2015 – Luvas para exame médico de uso único – Parte 1: Especificação para luvas produzidas de látex de borracha ou solução de borracha

ABNT NBR 16693:2018 – Produtos têxteis para saúde – Aventais e roupas privativas para procedimento não cirúrgico utilizados por profissionais de saúde e pacientes – Requisitos e métodos de ensaio

ABNT NBR 16064:2016  – Produtos têxteis para saúde – Campos cirúrgicos, aventais e roupas para sala limpa, utilizados por pacientes e profissionais de saúde e para equipamento – Requisitos e métodos de ensaio

ABNT NBR 14858:2010  – Artigos de nãotecidos de uso odonto-médico-hospitalar – Terminologia

ABNT NBR 14920:2008 – Nãotecido para artigo de uso odonto-médico-hospitalar – Determinação da resistência à penetração bacteriológica a seco

ABNT NBR 15622:2008 – Nãotecido para artigo de uso odonto-médico-hospitalar – Determinação da resistência à penetração bacteriológica a úmido

ABNT NBR 14614:2017 – Nãotecido para artigo de uso odonto-médico-hospitalar – Determinação da barreira úmida na jarra Mason

ABNT NBR ISO 13688:2017  – Vestimentas de proteção – Requisitos gerais

ABNT NBR 13697:2010  – Equipamento de proteção respiratória — Filtros para partículas

ABNT NBR 13698:2011  – Equipamento de proteção respiratória — Peça semifacial filtrante para partículas

ABNT NBR 16360:2015  – Proteção ocular pessoal — Protetor ocular e facial tipo tela — Requisitos

ABNT NBR 14873:2002  – Nãotecido para artigos de uso odonto-médico-hospitalar – Determinação da eficiência da filtração bacteriológica

ABNT NBR 15052:2004  – Artigos de nãotecido de uso odonto-médico-hospitalar – Máscaras cirúrgicas – Requisitos

ABNT NBR ISO 10651-6:2015 – Ventiladores pulmonares para uso médico — Requisitos particulares para segurança e desempenho essencial – Parte 6: Equipamento de suporte ventilatório para uso domiciliar

ABNT NBR ISO 10651-5:2017 – Ventiladores pulmonares para uso médico — Requisitos particulares de segurança e de desempenho essencial – Parte 5: Reanimadores de emergência a gás

ABNT NBR ISO 10651-4:2011 – Ventiladores pulmonares – Parte 4: Requisitos particulares para reanimadores operados manualmente

ABNT NBR ISO 10651-3:2014 – Ventiladores pulmonares para uso médico – Parte 3: Requisitos particulares para ventiladores de transporte e emergência

ABNT NBR ISO 18562-2:2020 – Avaliação de biocompatibilidade de vias de gases respiratórios em aplicações de cuidados à saúde – Parte 2: Ensaios para emissões de matéria particulada

ABNT NBR ISO 18562-1:2020 – Avaliação de biocompatibilidade de vias de gás de respiração em aplicações de cuidados à saúde – Parte 1: Avaliação e ensaio dentro de um processo de gerenciamento de risco

ABNT, ajudando o Brasil na Luta contra o COVID-19!

Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)Provnet

Revistas científicas liberam acesso ao público para pesquisa sobre coronavírus

Publicações mais importantes da área de ciências querem contribuir com informações e divulgação de estudos para auxiliar no combate à pandemia

Texto por Thais Helena Santos

A cobertura jornalística dos grandes veículos de comunicação sobre a pandemia de coronavírus tem sido elogiada pela qualidade na prestação de serviço que têm oferecido para a sociedade. Esses veículos são hoje as fontes mais confiáveis sobre a covid-19 de acordo com uma pesquisa divulgada pelo professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, Carlos Eduardo Lins da Silva, em suacolunano Jornal da USP.

Para auxiliar nessa aquisição de informação confiável e de qualidade, além de contribuir com as pesquisas, editoras das principais revistas científicas de todo o mundo liberaram o acesso a documentos e dados publicados sobre coronavírus e outras epidemias a partir de estudos que já estão sendo publicados. Estas revistas, como as famosas Science e Nature, possuem critérios rigorosos para publicação e são editadas para disseminar o conhecimento científico, os avanços e pesquisas que estão sendo conduzidas internacionalmente.

Estudiosos do ramo da ciência, que precisam se manter sempre atualizados, já estão acostumados a obter informações por meio de artigos científicos nestas publicações. Mas elas ficam restritas porque o acesso geralmente é por assinatura, feita pelas universidades, com custos que chegam a R$ 6 mil por título anualmente. Daí a importância de se ter agora o acesso aberto e gratuito para todos os públicos.

Materiais como a revista Science estão com acesso aberto para pesquisa sobre coronavírus – Foto: Reprodução/Science

Os editores das principais revistas se reuniram por meio de uma iniciativa chamada Wellcome Trust, criada em 2016, que estabelece princípios entre a comunidade científica para compartilhar dados e publicações em tempos de crise para o benefício da saúde pública. Eles estão oferecendo conteúdo de acesso aberto diretamente relacionado à covid-19 para “promover o alcance da ciência no mundo e combater a atual epidemia”, ressalta a página oficial.

Na Universidade de São Paulo, aAgência USP de Gestão da Informação Acadêmica (Aguia) tem trabalhado na divulgação dessas publicações científicas que estão com acesso aberto. De acordo com Elisabeth Adriana Dudziak, da área de comunicação científica e divulgação de recursos de informação, é muito importante que todas as pessoas tenham acesso a esse material neste momento. “Em geral, o acesso aos recursos é simples e direto. Mas há alguns editores que pedem o preenchimento de formulários antes de habilitar os acessos”, explica.

 

Revista Scientific American tem diretório dedicado exclusivamente ao coronavírus – Foto: Reprodução

Estão disponíveis, por exemplo, a família de publicações Science, uma das mais respeitadas do mundo; oThe New England Journal of Medicine, que criou uma página específica e oferece vários recursos para pesquisa; outra é a editoraRockefeller University Press, que tornou todas as suas publicações relacionadas à covid-19 acessíveis noPubMed Central (PMC) e outros repositórios públicos.

ADotLib no Brasil, que distribui livros digitais, periódicos eletrônicos e bases de dados das principais editoras científicas do mundo, em todas as áreas do conhecimento, também aderiu à iniciativa Wellcome Trust de acesso gratuito. Outro exemplo, o site da revista Scientific Americancolocou um diretório dedicado exclusivamente ao coronavírus que aborda o tema sob vários aspectos, desde saúde pública, medicina e biotecnologia, sociedade e comportamento,  até meio ambiente. Em todos esses casos, “são fontes de informação seguras, coerentes, reais e com um claro contexto clínico”, conforme destaca e-mail divulgado pela DotLib.

Texto completo emhttps://jornal.usp.br/universidade/revistas-cientificas-liberam-acesso-ao-publico-para-pesquisa-sobre-coronavirus/

Comércio brasileiro de HQs recorre à tecnologia para enfrentar o coronavírus

Por Claudio Yuge

O mercado editorial brasileiro já está resistindo a uma crise há alguns anos, com o fechamento de grandes livrarias, como a rede Fnac, e a dificuldade de grupos que antes eram líderes nas bancas, a exemplo da Editora Abril. A alta do dólar e as dificuldades de distribuição já vinham dificultando a vida de vários comerciantes e agora, com a pandemia global do coronavírus, como fica a venda de quadrinhos no Brasil?

Embora o e-commerce desses produtos já exista há anos, a coisa ficou complicada para os donos de negócios menores porque esse serviço não é considerado essencial — e bem, grande parte dos clientes mais fieis apreciam a convivência com os proprietários e a comunidade de leitores e jogadores de cardgames e Role Playing Games.

Imagem: Divulgação/Itiban Comic Shop

Itiban Comic Shop, em Curitiba, por exemplo, tem recorrido a kits de produtos com desconto para os nichos de consumidores. Conjuntos de cardgames ou livros para crianças são encomendados via redes sociais e WhatsApp e entregues nas casas dos consumidores com uma taxa mínima de entrega — tudo muito bem higienizado, o que é muito importante neste momento.

Aliás, a tecnologia tem sido importante neste momento de distanciamento social. O encontro semanal do clube de leitura da loja, o ItiClub, em vez de ser realizado presencialmente, aconteceu por meio da gravação de cada participante comentando suas impressões sobre A Mão do Pintor, da argentina Maria Luque.

Comix Book Shop, em São Paulo, também aposta em descontos expressivos, de até 50%, e frete grátis para tentar manter as vendas enquanto as pessoas estão no isolamento.

Editoras refazem planejamento

A situação na impressão e envio do material também ficou mais complicada, obrigando as grandes editoras a repensarem o cronograma da temporada. A Panini Comics precisou ajustar o lançamento de títulos atrelados às estreias de filmes, a exemplo de Novos MutantesViúva Negra e Mulher-Maravilha. Para contribuir com a corrente de solidariedade que oferece conteúdo grátis para quem tem que ficar em casa, a companhia disponibilizou alguns quadrinhos da Marvel e mangás na faixa para leitura em plataformas digitais.

A Mythos Editora anunciou que vai paralisar as atividades em abril, maio e junho e muitas entregas só vão acontecer no segundo semestre. O grupo também deve recorrer à tecnologia para se manter próximo aos lojistas e leitores, com links de compra, resenhas, entre outras ações. Uma dessas frentes é o uso do Issuu, que permite a visualização online de trechos ou histórias completas — você pode ler Guerra Total, de Judge Dredd, por completo, por exemplo.

Imagem: Divulgação/Devir Livraria

A Devir e a Mino, que estão com novos volume de A Liga Extraordinária e Estranhos no Paraíso e seis livros do projeto Narrativas Periféricas, respectivamente, ficam na dependência do funcionamento das gráficas, distribuidoras e, principalmente, das comic shops — afinal, se não há onde expor, fica mais difícil chegar até os consumidores.

Quadrinhos na Cia., Nemo, Veneta, DarkSide Books, Planeta DeAgostini, Comix Zone, Pipoca & Nanquim, entre outras também decidiram interromper seus lançamentos e remessas pelo menos até maio. Todo o cronograma foi afetado e só deveremos ver a retomada do calendário de maneira mais uniforme no segundo semestre.

Fonte: Canaltech

Quadrinhos digitais abrem novas possibilidades, mas editoras ainda tentam torná-los uma opção viável

Por Samir Naliato

O mercado editorial digital continua avançando, ainda que em velocidade mais lenta do que outras mídias, como música e audiovisual. Novas tecnologias, a exemplo dos tablets e smartphones, têm sido importantes, mas editoras e leitores ainda esbarram em problemas para a opção ser mais difundida.

Países como o Brasil, com dimensões continentais e uma rede tecnológica deficitária, enfrentam um obstáculo a mais. Nos Estados Unidos, as editoras de quadrinhos, como MarvelDCImageDark Horse e outras, disponibilizam todos as suas publicações no formato digital em serviços próprios ou terceirizados, ainda que as vendas jamais tenham alcançado o mesmo número do impresso.

Ou seja, no mercado norte-americano, a conta ainda não fecha para quem produz.

DC Comics digital

Por outro lado, no Japão, um dos mercados com mais consumidores e leitores do mundo, as vendas do digital superaram o impresso pelo segundo ano consecutivo, em 2019.

Se por um lado o digital facilita e simplifica etapas da produção (como a distribuição, o principal problema por aqui) e do consumo, por outro exige características que nem sempre estão disponíveis em âmbito nacional com a mesma eficácia: uma rede de internet fixa e móvel estáveis, computadores e notebooks.

A leitura dos quadrinhos (virada de página, zoom e outros recursos próprios, como leitura guiada) é feita com o uso do mouse ou do teclado.

Aparelhos como tablets Samsung ou iPad com telas de 10 polegadas também podem ser ótimas saídas, por simularem uma experiência bem próxima de revistas tradicionais.

A leitura digital aparece como uma opção viável e rápida em momentos como o que o mundo está vivendo agora, com a pandemia do coronavírus e o pedido de autoridades para as pessoas permanecerem em suas casas. Não é por acaso que vários autores independentes e editoras como PaniniEuropaMarsupialMythosJambôMSPComix Zone e outras estão disponibilizando conteúdo gratuito pelo meio digital, uma vez que a facilidade, rapidez e alcance são justamente os seus grandes benefícios.

Plataformas de streaming de filmes e séries são as mais utilizadas, já que as opções para leitura são mais limitadas.

Mangá digital

O mercado editorial brasileiro, como um todo, enfrenta uma crise há alguns anos. Gigantes do meio, como a Editora Abril e diversas livrarias passam por dificuldades. Se as vendas tradicionais sofrem esses problemas, um campo novo, ainda em formação, também vivencia essa realidade.

No Brasil, há algumas opções disponíveis para leitores lerem quadrinhos digitalmente.

Amazon, com o serviço Kindle, tem vários títulos disponíveis.

Social Comics é um streaming que disponibiliza lançamentos de algumas editoras nacionais, independentes e licencia materiais diretamente para a sua plataforma, como os super-heróis da Valiant Entertainment (BloodshotX-O ManowarNinjak e outros), Abstract Studios (Estranhos no Paraíso e Rachel Rising) e Hasbro (Transformers).

Digital Comics oferece quadrinhos independentes e algumas obras da Oni Press e IDW.

Super Comics é ainda mais uma opção para leitura via streaming., com quadrinhos nacionais, Rick and Morty, Turma do Pernalonga e outros.

Social Comics e Digital Comics

O digital é um mercado com muito potencial a ser explorado, mas ainda está começando. Plataformas, editoras e autores estudam como ele se desenvolve e as opções que oferece, mas é fato que chegou para ficar.

Afinal, oferece facilidade para ler, comprar e armazenar.

O digital e o físico não são concorrentes, mas sim complementos do mesmo negócio. A quebra de paradigma de um modelo tradicional para outro que oferece mais alternativas é o que estamos vivendo neste momento.

Talvez daqui a alguns anos este texto não faça sentido. É o que se espera, pois significaria que quadrinhos estarão chegando a mais pessoas, sem precisarem da deficitária distribuição física e, especialmente, remunerando os autores de forma justa e correta, pelo trabalho que realizam.

ComiXology

Fonte: UNIVERSO HQ

Revisão sistemática e recursos sobre COVID-19

Moreno Barros

paranóides como eu e bbtecários que trabalham com revisão sistemática, tá quase impossível acompanhar o science in the making e a quantidade crescente de publicações sobre #COVID19, mas

1) aqui um site que contém todos os papers diários indexados na PubMed, Embase, bioRxiv e MedRxiv (demora um pouco para carregar)

https://zika.ispm.unibe.ch/assets/data/pub/ncov/

2) tem uma abordagem metodológica para a revisão sistemática em tempo real, e os códigos pro harvesting nas bases no github, aqui:

https://ispmbern.github.io/covid-19/living-review/

3) termos de busca para as revisões estão se modificando conforme a doença avança/estabiliza, mas comumente estão usando esse string aqui na PubMed:

“(\”Wuhan coronavirus\” [Supplementary Concept] OR \”COVID-19\” OR \”2019 ncov\”[tiab] OR ((\”novel coronavirus\”[tiab] OR \”new coronavirus\”[tiab]) AND (wuhan[tiab] OR 2019[tiab])) OR 2019-nCoV[All Fields] OR (wuhan[tiab] AND coronavirus[tiab])))))”

4) aqui os préprints só da medRxiv e do bioRxiv:

https://connect.biorxiv.org/relate/content/181

5) quase todos editores/vendedores eliminaram o paywall para assuntos relacionados ao covid19, aqui uma lista. quem precisar de algo específico que não esteja aberto via portal capes e afins pode tentar fazer contato via sibi das unis (ou falem comigo):

https://docs.google.com/…/2PACX-1vT3pF6oX93Ok0GqSvQuqOh…/pub

6) alguns motivos óbvios pra manter bibliotecas fechadas:

https://twitter.com/oodja/status/1238855481197842432

7) esse é o gráfico da morbidez mais decente e mais atualizado:

https://coronavirus.jhu.edu/map.html

8) outras novidades eu tô colocando no twitter e na minha newsletter, sempre que der. minha lista sobre covid:

https://twitter.com/i/lists/1239530064523468800

9) twitter é o lugar mais rápido pra ler revisões direto dos especialistas, exemplos abaixo

https://twitter.com/davidasinclair/status/1238972082756648960

https://twitter.com/AdamJKucharski/status/1239209782894002177

https://twitter.com/michaelzlin/status/1239675364172914688

Fonte: Bibliotecários Sem Fronteiras

QUADRINISTAS BRASILEIROS DISTRIBUEM HQS DIGITAIS DE GRAÇA

Damos dicas de HQs que você pode curtir

Com o impacto da quarentena na rotina das pessoas por causa do coronavírus, quadrinistas brasileiros se juntaram para criar a #CoronaConBR. Um site que reúne mais de 100 HQs digitais para download gratuito.

As histórias são de autores novos e experientes, repletas de diversos estilos e gêneros, você pode conferir as HQs e fazer download no site oficial CoronaConBR. Aproveitem porque é por tempo limitado!

Se você gostar de algum quadrinho, compartilhe nas suas redes sociais, mostre para amigos e familiares e fale para compartilhar também, vamos ajudar os autores nesse momento difícil. Vamos ser solidários e valorizar a arte que sem ela tudo estaria ainda mais complicado nesse momento.

Fizemos uma curadoria de alguns pra vocês começarem!

Entrespaço

O que você faria se fosse enviado para a Lua em uma solitária missão de resgate? Como lidaria com a pressão se precisasse lidar com seus próprios demônios enquanto alcança a maior realização de sua vida?

Sombras do Recife – vol.1

Duas histórias do imaginário do terror e folclore de Pernambuco: “Boca de Ouro” e “A Presença Dela – Emparedada da Rua Nova”. Boca de Ouro: Hq inspirada na assombração de Recife e obra “O Boca de Ouro”.

São Paulo dos Mortos – vol.1

Zumbis invadem São Paulo! A série São Paulo dos Mortos conta histórias de Zumbis ambientadas nas cinzentas ruas da cidade, explorando variados temas e propondo novas perspectivas ao gênero.

Orixás – O dia do silêncio

A saga Orixás, de Alex Mir, narra as lendas e contos do imaginário africano (e como foi trazido para o Brasil). Você pode testar todos e começar por este: O dia do silêncio.

Reparos

Uma amizade entre uma garotinha e um velho ranzinza. Como eles encontram perguntas e respostas no meio de uma oficina bagunçada.

Inclusive, curtimos tanto Reparos, que fizemos um vídeo sobre!

 

E não se esqueçam: fiquem em casa!

Fonte: Garotas Geeks

Mauricio de Sousa diz que além de lavar as mãos, Cascão também está tomando banho para combater o coronavírus

Por G1 SP — São Paulo

Cascão se previne contra o novo coronavírus

Cascão se previne contra o novo coronavírus

O desenhista Mauricio de Sousa, criador da Turma da Mônica, disse que colocou o Cascão para lavar as mãos no combate ao coronavírus com o objetivo de passar uma mensagem positiva e alertar sobre a importância da higiene pessoal no combate à disseminação do vírus. O personagem é conhecido por não gostar de tomar banho e estar sempre “sujinho”. Além de lavar as mãos, Cascão, que tem medo de água, também está tomando banho e encomendou até sabonetes.

Ele ressaltou que Cascão ouviu as orientações das autoridades sanitárias para se prevenir contra a doença. “Não é muito usual, não era muito comum, mas depois dessa pandemia ele ouviu bem o que o pessoal estava falando, ouviu as autoridades sanitárias e resolveu que vai entrar na roda do pessoal que tá se cuidando, se preocupando com a higienização e tá lavando as mãos, mas consta que também está tomando banho”, disse o cartunista na manhã desta terça-feira (31), em entrevista ao Bom Dia São Paulo.

Em uma imagem publicada na página oficial da história em quadrinhos, Mônica, Cebolinha, Magali e outros personagens da famosa turminha colocam Cascão diante de uma torneira e alertam: “Lavar as mãos salva vidas”.

“Já lavaram as mãos? Esta é a principal forma de se prevenir contra o novo coronavírus”, destaca o post no Twitter oficial da Turma da Mônica.

Para alertar sobre combate ao coronavírus, Turma da Mônica coloca Cascão para lavar as mãos — Foto: Reprodução/Twitter

Para alertar sobre combate ao coronavírus, Turma da Mônica coloca Cascão para lavar as mãos — Foto: Reprodução/Twitter

Aos 84 anos, Mauricio de Sousa faz parte do grupo de risco de contaminação da Covid-19 e, de forma bem humorada, disse que está se cuidando. “Está tudo bem, eu quero continuar brigando para que possamos, eu e a Turma da Mônica toda, continuarmos passando mensagens positivas, mensagens atualizadas em cima do noticiário que está atualizando e não custa nada a gente continuar com esse processo, esse trabalho com o Cascão do lado. Ele encomendou, inclusive, hoje mais dois sabonetes, deve estar muito bem intencionado”.

Além do desenho que viralizou com o momento histórico do personagem da Turma da Mônica, o desenhista diz que também criou um desenho animado e uma cartilha de orientação para o leitor nas redes sociais “A tecnologia está me ajudando a estar com vocês e estou gostando de algumas possibilidades novas que a tecnologia está me mostrando nessa emergência.”

Mauricio diz que teve que se reinventar para continuar atraindo o interesse do público durante décadas. “Estou desenhando há 60 anos e história em quadrinhos é uma atividade que exige criatividade, que exige que você se reinvente, que exige que você venda novidades porque o público se renova”, afirmou.

'Vai fazer falta', diz Maurício de Sousa sobre Daniel Azulay, morto pela Covid-19

‘Vai fazer falta’, diz Maurício de Sousa sobre Daniel Azulay, morto pela Covid-19

Cascão, personagem criado por Maurício de Sousa — Foto: Divulgação

Cascão, personagem criado por Maurício de Sousa — Foto: Divulgação

Dicas de prevenção contra o coronavírus — Foto: Arte/G1Dicas de prevenção contra o coronavírus — Foto: Arte/G1

Dicas de prevenção contra o coronavírus — Foto: Arte/G1

Fonte: G1 

Revista ‘Memórias’ implementa ‘fast track’ para publicação de estudos sobre coronavírus

Texto por Maíra Menezes (IOC/Fiocruz)

Artigos sobre o novo coronavírus (Sars-CoV-2) poderão ser publicados em apenas 24 horas na revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, um dos mais antigos e conceituados periódicos científicos da América Latina.

Considerando a importância do rápido compartilhamento de dados durante a pandemia, a revista disponibilizou uma via expressa para a divulgação das pesquisas. Já utilizado para trabalhos sobre zika, chikungunya, febre amarela e ebola, o sistema Fast Track permite a publicação após a avaliação de um editor, enquanto o processo de revisão por pares está em andamento.

“O sistema Fast Track foi lançado durante a epidemia de zika no Brasil, alinhado com a chamada para compartilhamento de dados em emergências de saúde pública realizada pela [Organização Mundial da Saúde] OMS. A resposta imediata e a adesão da comunidade científica a essa chamada reforçam a ideia de que a ciência aberta está se tornando parte do caminho da publicação científica”, afirmou o editor do periódico, Adeilton Brandão.

Para orientar os leitores, a informação de que revisão por pares está em andamento é sinalizada nos artigos publicados na seção Fast Track. O período de dados abertos é mencionado na publicação final em artigos aceitos após a revisão por pares. Em caso de rejeição, os autores permanecem livres para publicação em outras plataformas.

A submissão de artigos pode ser realizada através do site da revista.

Fonte: FIOCRUZ

Comissão Brasileira de Bibliotecas Universitárias (CBBU) divulga serviços de informação que estão disponibilizando fontes de informação sobre o Coronavírus

Comissão Brasileira de Bibliotecas Universitárias (CBBU) divulgou em sua Página no Facebook várias postagens contendo fontes de informação sobre o Coronavírus, liberadas, por um certo período de tempo, por serviços de informações internacionais.

Portal de Periódicos Capes

Editores internacionais com os quais a CAPES mantém contrato, por meio do Portal de Periódicos, liberaram acesso aos seus conteúdos, enquanto durar a pandemia de COVID-19. A ação foi motivada pela situação atual de confinamento e restrição de contato, e pretende apoiar a comunidade de pesquisa no processo de entendimento e minimização do impacto do novo coronavírus.

Saiba mais

JSTOR

Materiais JSTOR de acesso aberto acessíveis ao público. Um conjunto expandido de conteúdo disponível para instituições onde os estudantes foram deslocados devido ao COVID-19 até 30 de junho de 2020.

O número de livros disponíveis por meio desse esforço cresce diariamente, à medida que mais editores participam.

Cambridge e Oxford abriram os arquivos de suas impressoras universitárias – que também abrigam bancos de dados on-line – para acesso público até o final de maio.

Saiba mais

Dotlib

Dada a espantosa proliferação do COVID-19 mundo afora, muitas de nossas editoras parceiras na área da saúde optaram por disponibilizar à comunidade científica mundial uma série de links com informações, estudos e conteúdos especializados a respeito do vírus. São fontes de informação seguras, coerentes, reais e com um claro contexto clínico.

Saiba mais

Proquest

Até meados de junho, os clientes do ProQuest Ebook Central afetados pelo COVID-19 terão acesso ilimitado a todos os seus títulos comprados pela EBC de mais de 50 editoras. Isso significa que todas as licenças, incluindo modelos de usuário único e 3 usuários, se tornarão automaticamente licenças de acesso ilimitado durante esse período, ajudando os bibliotecários a fornecer informações valiosas a seus usuários neste ambiente em constante mudança.

Saiba mais

Annual Reviews

Annual Reviews remove o controle de acesso em resposta à pandemia de COVID-19. Para ajudar os muitos estudantes, professores e pesquisadores que trabalham e estudam remotamente durante a pandemia do COVID-19, a partir de hoje, são disponibilizados os periódicos a todos, sem controle de acesso, até quinta-feira, , 30 de abril de 2020. Nesta data, será avaliada a necessidade de estender essa política.

Saiba mais

JOVE

JOVE, base de dados de vídeos de experimentos científicos, esta oferecendo acesso gratuito à sua videoteca com intenção de auxiliar no aprendizado remoto devido a pandemia do COVID-19.

Neste link: https://info2.jove.com/coronavirusvideo estão os vídeos disponibilizados gratuitamente com o foco no Coronavirus.

Clarivate Analytics

Página do CLARIVATE ANALYTICS aberto para acesso a qualquer pessoa com informações sobre o Corona Vírus. Esse link está aberto para acesso a qualquer pessoa, não precisando estar em acesso autorizado. São relatórios, artigos científicos em conteúdo completo, análises e inclusive, um acesso temporário ao software Cortellis Drug Discovery Intelligence, e pode ser divulgado para qualquer interessado, dentro ou fora da instituição: https://clarivate.com/coronavirus-resources/

A praia da Ubook é o audiolivro

Maior plataforma de conteúdo em áudio por streaming da América Latina, a carioca Ubook define estratégia para se tornar a maior do mundo.

Flávio Osso, CEO “Nossa meta é ser a maior plataforma de ‘audiotainment’ do mundo. O áudio pode ser mais uma forma de democratizar o acesso à cultura no País” (Crédito: Claudio Gatti )

Streaming, podcast, eBook, webinar, audiolivro. O mundo da tecnologia tem incorporado, numa velocidade pandêmica, diversos novos formatos para distribuição de conteúdo – e a ascensão da Netflix nos últimos anos exemplifica o fenômeno com precisão. É nesse ambiente que a carioca Ubook, fundada em 2014 e hoje maior a plataforma de conteúdo em áudio por streaming da América Latina, planeja se tornar também a maior do mundo. Se o coronavírus permitir, a empresa vai abrir capital na bolsa de Toronto (a TSX) ainda neste ano, onde deve captar cerca de R$ 10 milhões, segundo estimativas, e chegar a um valor de mercado de 100 milhões de dólares canadenses (cerca de R$ 350 milhões) nos próximos dois ou três anos. “Nossa meta é ser a maior plataforma de ‘audiotainment’ do mundo”, afirma Flávio Osso, fundador e CEO da Ubook. “O áudio pode ser mais uma forma de democratizar o acesso à cultura no nosso País.”

A ambição do empresário está sustentada nos números de crescimento do mercado. Com faturamento estimado em R$ 25 milhões por especialistas do setor, a Ubook vem acelerando sua produção de conteúdo original. Em três anos, passou de 50 horas de programação própria por mês para as atuais 450 horas. Esse avanço está em sintonia com a expansão da demanda. O podcast, por exemplo, é uma das mídias que têm mais crescido nos últimos anos. Um levantamento feito pela plataforma Deezer mostra que os programas de áudio sob demanda aumentaram 67% no País em 2019. A pesquisa aponta que, no geral, a adesão aos podcasts tem sido maior no Brasil do que em certos países no exterior.

Na França e na Alemanha, locais em que há um crescimento vertiginoso, o formato teve um crescimento expressivo de 50% em um ano, mas ainda ficou atrás do índice registrado no Brasil. Além de mostrar o crescimento da mídia no País, o estudo revelou que os brasileiros são bastante engajados com o formato. Entre os ouvintes no Brasil, 25% tendem a consumir mais de uma hora de programas em áudio por dia. Graças ao poder dos podcasts de manter a atenção do público por uma grande quantidade de tempo, a mídia tem ganhado a atenção de empresas de publicidade, que investem em novas formas de anunciar dentro do serviço.

Além disso, companhias de renome no mundo do streaming, como Spotify, Deezer, Amazon e Google, alem da Ubook, estão investindo no segmento por meio de programas originais. E a tendência é de que o setor veja seus rendimentos subirem nos próximos anos. Segundo levantamento da consultoria PwC, os podcasts geraram um faturamento publicitário de US$ 1 bilhão em 2019 globalmente. Até 2023, o valor deve subir cerca de 21%.

Todos os números confirmam que a publicação de áudio continuará sua trajetória ascendente. “Nos últimos sete anos consecutivos, o crescimento tem sido de dois dígitos em todo o mundo. É algo realmente extraordinário”, afirma Chris Lynch, copresidente da Audio Publishers Association (APA). “Mais audiolivros sendo produzidos significa que as pessoas estão ouvindo mais do que nunca.”

O plano de abertura de capital no Canadá pela Ubook tem sido bem desenhado pelo CEO e investidores. Com operações em países como México, Colômbia, Chile, Peru, Portugal e Espanha, a empresa planeja com a injeção de dólares no IPO (sigla em inglês para oferta pública inicial de ações) acelerar sua internacionalização e fortalecimento dos negócios com aquisições. “Não queremos estar em todos os países com um pontinho, como se fosse um tabuleiro de War. A ideia é ser dominante nos mercados onde estamos”, afirma Osso.

APORTE Recentemente, a Ubook recebeu aporte de R$ 3,2 milhões do fundo Cypress M3 FIP, da TM3 Investimentos, uma gestora independente de recursos focada em empresas brasileiras de middle-market, que tem como um dos principais investidores o empresário Marcel Malczewski, fundador da Bematech. “A Ubook vem crescendo de forma acelerada. Apesar de jovem, é uma empresa financeiramente muito saudável”, diz Malczewski. “O audiobook tem ocupado o espaço do livro eletrônico, mercado que vem perdendo força”, acrescentou.

O aumento exponencial da aceitação do audiolivro no Brasil e no mundo tem outras razões, segundo Osso. Além da enorme facilidade da tecnologia, já que a plataforma pode ser acessada de forma simples por tablets e celulares, através de aplicativo ou navegador de internet, a necessidade de otimizar o tempo também ajuda. “Um exemplo disto é durante o trânsito, tanto para quem está dirigindo ou se locomovendo por transportes públicos, o tráfego é mais caótico a cada dia e as pessoas tendem a considerar este um período perdido”, diz Osso. “Ouvir um livro enquanto se está parado no trânsito traz a sensação de aproveitar muito melhor este tempo.” A Ubook recebeu também aporte de R$ 20 milhões da Confrapar, gestora de fundos para empresas de tecnologia, em um movimento que antecede o IPO.

Marcel Malczewski “A Ubook vem crescendo de forma acelerada. Apesar de jovem, é uma empresa financeiramente muito saudável” (Crédito:Claudio Gatti)

A listagem na TSX será pelo processo conhecido como “reverse takeover” (aquisição reversa), que consiste em uma empresa utilizar uma outra já registrada em bolsa, mas inativa, para negociar suas ações. Ao assumir o controle de uma companhia registrada na bolsa do Canadá, por exemplo, uma empresa brasileira ganha exposição mundial. Segundo Osso, a Ubook está preparada. Com mais de 100 mil audiobooks em cinco idiomas, 1,5 mil jornais e revistas em áudio, 350 mil podcasts e mais de 2,8 milhões de usuários em 2019, a estratégia é seguir os passos da Netflix.

Vamos ser a Netflix de olhos fechados”

Entrevista com Flávio Osso, CEO da Ubook

Flávio Osso, CEO da Ubook. (Crédito:Claudio Gatti)

O crescimento da Ubook no País reflete o baixo grau de leitura do Brasil?

Existe essa mística de que o brasileiro lê pouco. Mas não é isso. Está lendo cada vez mais. O que está mudando é o formato. As pessoas estão o tempo todo lendo posts nas redes sociais. Não é o que gostaríamos que estivessem lendo. Poderiam ler mais livros. Por isso, como as pessoas mudaram os hábitos de consumo, temos também livros impressos, mas estamos buscando entregar conteúdo na situação e no momento em que estão dispostos a consumir.

Qual a meta da empresa?

Nossa meta é ser a maior plataforma de ‘audiotaintment’ do mundo. Temos audiobooks, séries e documentários, programas de entrevistas, stand up comedy. Hoje produzimos muito conteúdo original. Muito na linha de outras empresas de streaming, muito focada em filme, fazemos nosso conteúdo próprio em áudio. Além disso, a Ubook, que antes era só audiobook, hoje tem outras verticais de conteúdo em áudio. Temos documentários, noticia em tempo real, em parceria com Reuters e The Guardian.

Os livros digitais aparentemente fracassaram. Os audiobooks correm esse risco?

Não acho que foi um fracasso. O que houve foi um erro de expectativa. Não se substitui um hábito construído em milênios, com os livros, por um dispositivo novo, um smartphone ou um tablet. Houve uma super expectativa, que pra mim nunca fez sentido. Um livro custa R$ 29, R$ 39 ou R$ 49. Para começar a ler no digital, começa em R$ 300 para cima.

Os conteúdos em áudio não podem prejudicar o setor de leitura?

A gente não quer que as pessoas ouçam mais do que leiam. A gente quer que o consumidor consuma conteúdos. O áudio pode ser mais uma forma de democratizar o acesso à cultura. Não temos a pretensão de substituir nada.

O Netflix conseguiu multiplicar seus resultados quando deixou de ser uma plataforma de distribuição de conteúdo para se tornar uma produtora de conteúdo. O plano do Ubook é semelhante?

Com certeza. A produção de conteúdo original é o caminho para crescer. Hoje, 70% da nossa produção é de conteúdo original. O Netflix é nosso benchmark. Eles estão focados no vídeo. A gente, no áudio. A essência é a mesma. Ao se tornar o maior do mundo, vamos ser a Netflix de olhos fechados.

O livro em papel vai acabar?

Não. É inimaginável que uma cultura que existe desde o pergaminho vai acabar. Sempre vai ter o seu espaço. Mas isso não significa que temos que obrigar as pessoas a consumir um único formato. O importante é ter a liberdade de escolha. Tem espaço para todo mundo.

A ameaça maior é para o rádio?

No formato tradicional do rádio, com certeza. Já tive uma emissora de rádio aqui no Rio de Janeiro, a Jovem Pan. As rádios que estão dando certo são as que entenderam essa movimentação. A freqüência FM é só um meio de entregar o conteúdo. Uma rádio que tem uma marca forte, como a Jovem Pan, o que importa é a reputação do nome e a qualidade do conteúdo, não importa o meio. Para os veículos que já são tradicionais, é muito mais importante a solidez e seriedade da marca. Para elas, sempre vai haver cliente para consumir o conteúdo, em qualquer meio.

Está mantida a intenção de IPO?

Sim. O coronavírus atrapalha os planos, mas mantemos firmes e fortes com o plano. A gente sempre entendeu que para nos tornar grande, é importante a abertura de capital fora do Brasil. Além de ser um mercado em dólar, o Canadá tem um foco em empresas pós-startup. É uma bolsa que está nos apoiando muito e está muito próxima da Nasdaq. Há muito investidor americano que investe no mercado canadense, principalmente no segmento de tecnologia.

Fonte: Época Negócios

CBL e SNEL lançam nova pesquisa para medir o mercado digital de livros

PUBLISHNEWS, REDAÇÃO

O objetivo é analisar o que as editoras estão produzindo e comercializando de forma digital, ou seja, pesquisa irá cobrir tanto e-books quanto audiolivros e suas diferentes formas de comercialização

Uma das principais notícias do início de 2020 foi a mudança na tradicional e importantíssima Pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro. Realizado desde 2006, o estudo saiu das mãos da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e foi para a multinacional Nielsen, que já monitora desde 2013 o varejo de livros do país.

A pesquisa tem por missão analisar anualmente os números registrados pelo mercado, dando um panorama dos livros físicos produzidos e comercializados no País. O que a pesquisa mostra é o PIB do livro impresso no Brasil, dando uma cifra que demonstra o tamanho desse mercado.

A notícia de agora é que o instituto de pesquisa vai ampliar a já consagrada Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro e criar um segundo estudo: a Pesquisa Conteúdo Digital do Setor Editorial Brasileiro.

Em 2017, ainda sob a batuta da Fipe, foi realizado o Censo do Livro Digital, que buscou responder a pergunta: “qual a importância dos livros digitais no setor editorial brasileiro?”. O estudo apontou na época que dois terços das editoras não investiam em livros digitais e que esse formato perfazia apenas 1,09% do faturamento total do setor. Esse número apresentado pela Fipe na época era bem menor do que a estimativa mais pessimista do mercado.

Agora, o novo estudo, que deverá ter periodicidade anual e tem como base os dados de 2019, prevê ampliar um pouco o seu escopo, indo além dos e-books vendidos de forma mais tradicional. Segundo a Nielsen, o objetivo agora é analisar o que as editoras estão produzindo e comercializando de forma digital, ou seja, a pesquisa irá cobrir tanto e-books quanto audiolivros e suas diferentes formas de comercialização.

O questionário entrou no ar nesta quinta-feira (12) e a Nielsen enviará um link exclusivo para cada editora. Basta clicar para abrir e começar o preenchimento. Cabe destacar que o questionário não precisa ser respondido de uma única vez, os dados já inseridos são salvos automaticamente e o usuário pode retomar de onde parou. O prazo para responder o questionário vai até o dia 31 de março.

Para mais informações, o editor pode escrever para Mariana Bueno pelo e-mail producao.vendas@nielsen.com. Os dois estudos – tanto a dos livros físicos quanto dos conteúdos digitais – serão realizadas pela Nielsen a pedido da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL).

Fonte: PUBLISHNEWS

Pesquisador da UFG desenvolve mapas com língua de sinais para ajudar surdos

Por Vanessa Chaves, G1 GO

Estudantes surdos enfrentam dificuldades na leitura de mapas tradicionais, em Goiânia — Foto: Pedro Moreira/Arquivo Pessoal

Estudantes surdos enfrentam dificuldades na leitura de mapas tradicionais, em Goiânia — Foto: Pedro Moreira/Arquivo Pessoal

Um pesquisador da Universidade Federal de Goiás (UFG) desenvolveu mapas adaptados com a língua brasileira de sinais (libras). Eles podem auxiliar no ensino de cartografia na escola e até mesmo na locomoção de surdos pela cidade.

“A primeira pessoa que testou o mapa foi minha mãe, que é surda, e foi uma felicidade enorme. Eu vi a expressão no rosto dela, de que ela leu e entendeu o mapa, foi bacana demais, foi incrível”, disse o professor de geografia Pedro Moreira.

O projeto foi desenvolvido em 2016, durante o doutorado do pesquisador. Segundo ele, os mapas são usados em diversos locais e situações, como em pontos de ônibus, shoppings e aplicativos de transporte, mas, geralmente, não estão em libras.

“Meus pais são surdos. Alguns primos e tios também são. Sou professor de geografia e também tenho alunos surdos. Eu sempre via uma dificuldade muito grande deles em entender mapas, por um motivo simples, os mapas não têm linguagem em libras”, afirma Pedro.

Mapas

Ele desenvolveu o mapa-múndi e um mapa da população do Centro-Oeste. As adaptações são no título, legenda, escala, orientação, que indica a direção, e as coordenadas geográficas, que informam latitude e longitude.

O projeto saiu do papel em abril de 2019. Para garantir que os surdos pudessem ler os mapas de forma mais completa, o pesquisador também usou a datilologia, que é um sistema de representação das letras do alfabeto, e a visografia, uma representação gráfica da língua de sinais.

O pesquisador disse que o próximo projeto será o desenvolvimento de um atlas, com mais possibilidades de sinais e espaços para a compreensão de pessoas surdas. Ele destacou que o resultado da pesquisa foi gratificante, tanto pelo lado pessoal quanto pelo profissional.

“Ver meus pais e meus alunos lendo o mapa foi gratificante demais. Lembrei de quando eles não conseguiam ler, Hoje isso não existe mais. Eu, como professor, posso dar um mapa aos meus alunos surdos e eles conseguem entender, assim como os outros alunos. É uma possibilidade de inclusão imensa”, conta o professor.

Além dos mapas didáticos desenvolvidos, Moreira desenvolve mapas de inclusão em linguagem de sinais para shoppings, empresas de ônibus e até para aplicativos.

Mapa desenvolvido com linguagem de sinais para surdos, em Goiânia — Foto: Pedro Moreira/Arquivo Pessoal

Mapa desenvolvido com linguagem de sinais para surdos, em Goiânia — Foto: Pedro Moreira/Arquivo Pessoal

Fonte: G1 Goiás

Apoio institucional a periódicos científicos contribui para o registro e a democratização do conhecimento

Pesquisa em Ciência da Informação mostra como as universidades estaduais paulistas têm dado suporte às publicações científicas

Texto por Maria Eduarda Nogueira

Os cadernos de laboratório de Marie Curie, prêmio Nobel de Química, precisam ser guardados em caixas de chumbo, porque ainda emitem radioatividade. Para evitar o risco de contaminação, é preciso usar roupas especiais para manusear os documentos. Mesmo com essa possibilidade, as pessoas se submetem aos perigos. Os motivos podem ser vários, mas um é essencial: estes cadernos são uma forma de registrar o fazer científico.

Hoje, pesquisas podem ser documentadas de formas bem menos analógicas (e radioativas!). Além das monografias, dissertações e teses, os periódicos científicos também são de grande importância. Em sua dissertação de mestrado, orientada pela professora Daisy Pires Noronha, a pesquisadora Solange Alves Santana se dedicou a estudar como as universidades estaduais paulistas apoiam institucionalmente esse tipo de publicação.

Através da pesquisa, a aluna do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI) concluiu que o apoio das instituições promove visibilidade e democratiza o acesso ao conhecimento científico. “As instituições percebem a importância de fortalecer os seus periódicos por meio de ações pontuais, como apoio financeiro, criação de portais de revistas, utilização de ferramentas para gerenciamento do fluxo editorial e capacitação e qualificação das equipes”, explica a pesquisadora.

Em sua dissertação “Políticas e programas institucionais de apoio a periódicos científicos em universidades públicas estaduais paulistas: panorama histórico e indicadores de atividade”, Santana utiliza dois termos que por vezes podem ser confundidos. A política institucional é mais abrangente, oferecendo diretrizes gerais de planejamento, coordenação, execução e avaliação  dos programas, que por sua vez estão relacionados às ações propriamente ditas.

As bibliotecas são lugares de armazenamento e divulgação de conhecimento científico. Foto: Mariana Chama.

A proposta inicial da pesquisadora era estudar as universidades federais, mas a existência de diferenças entre elas impediu que uma mesma metodologia fosse usada. As estaduais paulistas, por sua vez, possuem condições semelhantes entre si. A comparação, no entanto, não deve ser feita sem contextualização, adverte a pesquisadora.

Isso se aplica também aos indicadores de atividade dos periódicos. No Brasil, o sistema Qualis é o mais célebre – divididas por área do conhecimento, as publicações são avaliadas anualmente conforme um sistema alfanumérico, sendo A1 o mais elevado e C o de peso zero. “É preciso sempre contextualizar. A periodicidade e o número de artigos variam e por isso é difícil fazer comparações”, diz Santana.

Em linhas gerais, os periódicos científicos são definidos como publicações editadas em fascículos com designação numérica e cronológica. Além disso, possuem também um registro, chamado de ISSN (Número Internacional Normalizado para Publicações Seriadas).

O surgimento desses documentos remonta ainda ao século 17, coincidindo com o incremento da ciência experimental. Desde então, os periódicos estiveram relacionados à formalização do processo de comunicação científica.

A pesquisadora explica que eles também têm como função “salvaguardar com propriedade as descobertas científicas, estabelecer a propriedade intelectual, servir como fonte de informação para pesquisadores”. Além disso, os periódicos podem ser vistos como um importante instrumento para a manutenção do padrão e da qualidade da ciência.

As universidades, ao darem apoio para essas publicações, confrontam o cenário brasileiro de instabilidade para os pesquisadores e pós-graduandos. “Com o estabelecimento das políticas [institucionais], temos um compromisso com a continuidade das ações”, conclui Santana.

Você sabia que a ECA possui 16 revistas científicas em atividade? Conheça cada uma delas clicando aqui

Fonte: ECA/USP

Direito autoral deve ser respeitado mesmo que foto esteja disponível na internet

Direito autoral deve ser respeitado mesmo que foto esteja disponível na internet

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) deu provimento ao recurso de um fotógrafo para garantir seus direitos autorais sobre uma foto utilizada sem permissão pela Academia de Letras de São José dos Campos (SP).

O colegiado concluiu que o fato de a imagem estar disponível na internet, onde podia ser encontrada facilmente por meio dos sites de busca, não isenta o usuário da obrigação de respeitar os direitos autorais do autor. Pelo uso indevido da foto, a academia foi condenada a pagar R$ 5 mil de danos morais.

O fotógrafo ajuizou ação declaratória de propriedade intelectual de imagem após perceber que a academia estava utilizando uma de suas fotos sem autorização. O juízo de primeiro grau condenou a academia a inserir o nome do autor junto à foto e a pagar R$ 354 de danos materiais.

Na intern​​et

A sentença, porém, não reconheceu danos morais – o que foi mantido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) sob o fundamento de que a foto havia sido disponibilizada livremente pelo fotógrafo na internet, sem elemento que permitisse identificar a sua autoria.

No recurso especial, o fotógrafo alegou que a indenização por danos morais era devida, uma vez que não houve indicação da autoria, e questionou o entendimento do TJSP de que a foto estaria em domínio público.

A relatora, ministra Nancy Andrighi, lembrou que a Lei de Direitos Autorais impede a utilização por terceiros de obra protegida, independentemente da modalidade de uso, nos termos dos artigos 28 e 2​9. Segundo ela, entre os direitos morais do autor está a inserção de seu nome na obra; na hipótese de violação desse direito, o infrator deve responder pelo dano causado.

“Os direitos morais do autor – previstos na Convenção da União de Berna de 1886 e garantidos pelo ordenamento jurídico brasileiro – consubstanciam reconhecimento ao vínculo especial de natureza extrapatrimonial que une o autor à sua criação”, afirmou a ministra.

Presunção equiv​​ocada

Ao justificar o provimento do recurso, a relatora assinalou que, ao contrário do entendimento do TJSP, “o fato de a fotografia estar acessível mediante pesquisa em mecanismo de busca disponibilizado na internet não priva seu autor dos direitos assegurados pela legislação de regência, tampouco autoriza a presunção de que ela esteja em domínio público, haja vista tais circunstâncias não consubstanciarem exceções previstas na lei”.

Nancy Andrighi salientou que o próprio provedor de pesquisa apontado pelo TJSP anuncia, ao exibir as imagens após a busca, que elas podem ter direitos autorais, sugerindo, inclusive, que se consulte material explicativo disponibilizado acerca da questão, acessível pelo link Saiba Mais.

“Portanto, assentado que o direito moral de atribuição do autor da obra não foi observado no particular – fato do qual deriva o dever de compensar o dano causado e de divulgar o nome do autor da fotografia –, há de ser reformado o acórdão recorrido” – concluiu a ministra, arbitrando em R$ 5 mil o valor dos danos morais.

Leia o acórdão.

Fonte: Superior Tribunal de Justiça

Um Atlas para viajar pelo território e pela literatura ao mesmo tempo

Perceber a evolução histórica das paisagens no território continental português através de excertos de obras literárias dos séculos XIX e XX é possível através do projeto Atlas das Paisagens Literárias de Portugal Continental, uma parceria entre o IELT e o IHC, unidades de investigação da FCSH – Universidade Nova de Lisboa.

Sandra Gonçalves

“Com um grande estrondo o comboio entrou na estação. A plataforma ficou logo cheia de gente, que ia, arrebatada, com embrulhos, chapeleiros, acotovelando-se. Saloios com os passos pesados das suas solas pregueadas, apressavam-se; havia nas faces um ar estremunhado e pasmado; uma criança chorava desesperadamente…”

Assim descrevia Eça de Queirós, em 1880, a Estação de Santa Apolónia, em Lisboa. Excerto literário da obra “A Capital”, uma fulgente crítica aos oportunistas, aos falsos intelectuais, aos vícios de uma sociedade que vivia de expedientes menos honestos. Este é um dos 7.541 apontamentos que podem ser encontrados no Atlas das Paisagens Literárias de Portugal Continental, coordenado por Natália Constâncio e Daniel Alves, investigadores do IELT e IHC, respetivamente.

Através da leitura de obras literárias de escritores dos séculos XIX e XX, foram selecionados excertos que, por sua vez, foram referenciados a uma unidade territorial. Um trabalho rigoroso e exaustivo que pode agora ser consultado a partir de qualquer dispositivo com ligação à Internet (smartphone, tablet, PC) na aplicação online deste Atlas.

Concebido em 2010 pela investigadora Ana Isabel Queiroz, do Instituto de História Contemporânea, o projeto esteve adormecido até 2018, altura em que a coordenadora lançou o desafio a Natália Constâncio e Daniel Alves para lhe darem um novo impulso.

O que começou por ser um trabalho académico está agora aberto a todos os utilizadores para consulta, permitindo perceber a evolução da paisagem portuguesa através de excertos literários. Um menu no topo da aplicação permite escolher por entre 194 autores, 385 obras, 7.541 excertos literários e 27 temas, num total de 2.926 localizações precisas. Com o sistema de informação geográfica (GIS) ligado, a aplicação identifica a localização do utilizador e mostra todos os excertos literários que constam da base de dados num raio de 500 metros.

A base de dados do Atlas reúne mais de sete mil excertos recolhidos por “leitores de paisagens literárias”, em mais de 385 obras, de 194 escritores, do século XIX ao XX

Fapesp lança Rede de Repositórios de Dados Científicos

Plataforma permite acesso aos dados gerados em pesquisas científicas de instituições de São Paulo e amplia visibilidade a estudos

Texto por Portal do Governo

Plataforma permite busca por instituição, autor, assunto, ano ou palavras-chave
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), com apoio de universidades paulistas, desenvolveu uma ferramenta que permite acessar dados associados às pesquisas realizadas em todas as áreas do conhecimento no Estado de São Paulo. A Rede de Repositórios de Dados Científicos foi lançada em 16 de dezembro de 2019 e disponibiliza dados gerados em pesquisas científicas, independentemente de sua publicação em artigos científicos.

A plataforma envolve as seis universidades públicas do Estado de São Paulo: Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Universidade Federal do ABC (UFABC) e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); além do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e a Embrapa Informática Agropecuária (CNPTIA/Embrapa).

O portal foi desenvolvido pela USP e permite busca por instituição, autor, assunto, ano ou palavras-chave. A primeira versão da Rede disponibiliza por exemplo um banco de dados contendo toda a rede de drenagem da hidrografia brasileira sob a forma de grafos e um repositório de imagens de sintomas de doenças de plantas disponibilizado pelo CNPTIA-Embrapa.

Para o pesquisador que gerou os dados, a Rede de Repositórios aumenta a visibilidade da sua pesquisa, permitindo o seu compartilhamento e reuso em novas pesquisas.

“A ciência, entendida como um bem público, exige comunicação e o acesso aos resultados de projetos de pesquisas deve ser pleno, sem restrições, para que privilégios não sejam criados. A Rede de Repositórios de Dados Científicos do Estado de São Paulo vai dar conhecimento e acesso público não só aos pesquisadores, mas também para o contribuinte paulista que paga para que pesquisas sejam realizadas no Estado de São Paulo”, disse o presidente da Fapesp, Marco Antonio Zago.

Visibilidade e registro

O diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz, afirma que a Rede é mais uma ação relacionada à Ciência Aberta (Open Science, na versão em inglês), que tem o objetivo de ampliar a divulgação do conhecimento por meio de plataformas digitais.

“Iniciativas que buscam facilitar a integração e a colaboração entre pesquisadores têm dois resultados principais: o melhor progresso da ciência e a maior eficiência no uso de recursos que custeiam a pesquisa. A nova rede tem esse intuito. É uma iniciativa pioneira e bem sintonizada com as práticas de Open Science. Ela vai dar um grande impulso para o desenvolvimento científico do Estado de São Paulo”, afirma Cruz.

Para a integrante da Coordenação Adjunta da Fapesp para o Programa de Pesquisa em eScience e Data Science, Claudia Bauzer Medeiros, a iniciativa é pioneira na América Latina e amplia a visibilidade da ciência no Estado de São Paulo.

“Um Plano de Gestão de Dados faz parte das boas práticas de pesquisa, com o planejamento, desde o início de uma proposta, sobre quais dados serão produzidos e como serão gerenciados, compartilhados e preservados. Essa iniciativa é um avanço enorme. Evita que muitos dados importantes, seja pela qualidade, caráter histórico ou raridade, se percam”, diz Medeiros, que também é professora do Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Fonte: Portal do Governo

Exemplar de livro raro de Isaac Newton é descoberto em biblioteca em Córsega

Um exemplar da primeira edição de um livro de Isaac Newton, na qual ele expõe suas três leis sobre o movimento, que juntamente com a da gravitação universal criaram os fundamentos da física moderna, foi encontrado em uma biblioteca na ilha francesa da Córsega.

Vannina Schirinsky-Schikhmatoff, diretora de conservação da biblioteca pública Fesch em Ajaccio, Córsega, revelou que encontrou uma cópia desta obra do século XVII ao estudar um índice de quem era o fundador da biblioteca, Luciano Bonaparte, um dos irmãos de Napoleão.

“Encontrei este ‘santo graal’ na sala principal (da biblioteca), escondido nas estantes superiores”, contou à AFP.

“A capa está um pouco danificada, mas o interior está em excelentes condições. Trata-se da pedra angular da (aplicação) das matemáticas modernas”, afirmou.

O texto em latim, “Philosophiae Naturalis Principia Mathematica” (Princípios matemáticos da filosofia natural), é a obra-prima publicada pela primeira vez por Newton em 1687.

O célebre físico se inspirou ao ver uma maçã cair de uma árvore de seu jardim em Grantham, Inglaterra, o que o levou a elaborar as leis clássicas da gravidade, do movimento e da ótica.

As traduções para inglês foram publicadas posteriormente, mas as edições originais (“editio princeps”) são particularmente apreciadas pelos colecionadores.

“Um exemplar de uma primeira edição em latim foi vendida por 3,7 milhões de dólares em um leilão realizado pela Christie’s anos atrás, e é a mesma que a da biblioteca de Ajaccio”, afirmou Schirinsky-Schikhmatoff, referindo-se a um leilão em Nova York, em dezembro de 2016.

Não se trata da primeira raridade encontrada na biblioteca Fesch desde o início de uma revisão exaustiva de seu acervo de coleções há alguns anos.

Em 2018, Schirinsky-Schikhmatoff descobriu o estudo “Thesaurum Hyeroglyphicorum” sobre hieróglifos egípcios datado de 1610, cerca de dois séculos antes de o francês Jean-François Champollion decifrar parte da “Pedra de Roseta”

Fonte: Estado de Minas

Livro, arma da cultura e do saber

Luiz Carlos Amorim
Escritor, editor e revisor
Mencionei, em uma outra crônica recente, que 2020 não começou muito bem, mas me referia ao mau tempo que vem causando estragos em alguns pontos do Brasil. Mas se olharmos para o estado lastimável em que se encontram a cultura e a educação deste país, entre outras coisas, percebemos que, infelizmente, a coisa chega a ser bem mais grave. No início de fevereiro, estouraram notícias de censura de livros de literatura clássica e também contemporânea, em Rondônia. Em seguida, a biblioteca da Presidência, em Brasília, foi desmontada para dar lugar a um gabinete da primeira-dama do país. Antes disso tudo, o presidente criticou os livros didáticos, dizendo, entre outras coisas, que “os livros hoje em dia, como regra, são um amontoado de muita coisa escrita”. Os “políticos” brasileiros não têm nenhuma cultura e não fazem nenhuma questão de ter.
O que está acontecendo? Já não basta o estado de falência da educação brasileira, agora vamos demonizar os livros para que se leia menos ainda do que já se lê por aqui? E isso tudo partindo das “autoridades” maiores do país, que deveriam zelar pela educação de seus cidadãos, pela manutenção da cultura e da arte para todos. Eles, que são pagos por nós, que estão a nosso serviço, que estão a serviço do povo e deveriam trabalhar para ele, e que fazem justamente o contrário.
É inadmissível, mas o estado de Rondônia censurou – ia mandar recolher das bibliotecas, mesmo, mas depois, com o clamor do povo, indignado com o retrocesso e falta de respeito, voltou atrás – livros de grandes escritores brasileiros como Mário de Andrade, Ferreira Goulart, Rubem Fonseca, Nelson Rodrigues, Machado de Assis, Euclides da Cunha e outros, e também escritores internacionais, como Franz Kafka, Edgar Allan Poe. A desculpa? Os livros foram “considerados inadequados para crianças e adolescentes”. Quem serão esses “experts” em literatura do governo de Rondônia que acham que têm competência para refugar obras de grandes escritores e autores de clássicos? Voltamos no tempo, regredimos, em vez de nos desenvolver, de progredir? Estamos voltando ao nazismo, à inquisição? É inacreditável.
E a biblioteca da Presidência, num país onde o presidente acha que os livros “têm muita coisa escrita”, foi desmontada, porque o “governo” precisava de mais espaço para mais um gabinete para a primeira-dama. A biblioteca da Presidência abriga 42 mil itens, mais 3 mil discursos de presidentes, pois uma de suas funções é preservar a memória dos presidentes do país. Com o desmonte, a biblioteca presidencial do Planalto terá seus espaços de estudo, convivência e leitura praticamente extintos. Também não terá mais capacidade de aumentar o acervo.
Mas já em setembro de 2019, a censura ameaçava o direito de expressão e da livre escolha dos cidadãos deste país: Crivella, prefeito do Rio de Janeiro, colocou fiscais da prefeitura para percorrer os estandes da Bienal do Livro, que acontecia na Cidade Maravilhosa, para verificar se não havia livros que estavam fora do padrão que eles estipularam. Ou seja: livros que tratassem da temática gay, pois foi o beijo entre dois meninos na história em quadrinhos Vingadores que deflagrou em Crivella a prepotência de censurador. Como disse a jornalista Mônica Bergamo, “um novo e sombrio tempo se anuncia, da intolerância, da repressão ao pensamento, da interdição ostensiva ao pluralismo de ideias e do repúdio ao princípio democrático”.
Vivemos tempos bicudos. Mais e mais eventos de violência contra o livro vêm acontecendo neste nosso país. Vamos começar a queimar livros, agora, em praça pública, como em tempos idos que não deveriam ser revividos? Estamos vendo a luz no fim do túnel se apagar. Isso é muito grave. Há que se fazer alguma coisa, pois isso não pode continuar. Livro é uma arma perigosa, sim, mas contra a ignorância, a intolerância e a falta de cultura.

Escape poético

Tese da FaE investiga livros não ficcionais para crianças que lançam mão de elementos da literatura e das artes visuais

No livro Plume, publicado em 2012, a escritora e ilustradora francesa Isabelle Simler oferece breve compêndio de aves, desde as mais comuns, como a galinha e o pato, até outras menos conhecidas, como o íbis e o martim-pescador. Destinado ao público infantil, o volume fornece informações sobre os bichos – nesse sentido, é natural pensar que se trata de um livro restrito à divulgação científica. Mas a autora introduz ao menos um elemento que incita à imaginação: em cada página, aparece um pedaço do corpo de um gato, de nome Plume (pena, em francês).

A obra de Isabelle Simler é exemplo claro de um produto híbrido, que introduz elementos ficcionais na não ficção, e um dos 30 livros, brasileiros e estrangeiros, analisados na pesquisa de doutorado do bibliotecário Marcus Vinícius Rodrigues Martins, defendida em fevereiro deste ano no Programa de Pós-graduação em Educação da UFMG.

“Investiguei obras que apresentam a ideia de complementaridade, nas quais se encontra a ficção dentro da não ficção. Elas trabalham a informação e, ao mesmo tempo, a delicadeza e a imaginação”, comenta Marcus Vinícius. Segundo ele, os livros não ficcionais superam a perspectiva do conteúdo didático e escolarizante, oferecendo maneiras diferentes de as crianças ampliarem seu repertório em espaços como a casa, um museu, um parque ou uma biblioteca fora da escola.

Página de Plume: presença do gato estimula a imaginação
Página de Plume: presença do gato estimula a imaginaçãoAcervo da pesquisa

“Esses livros têm em comum um escape poético, eles fazem a informação dialogar com a literatura e as artes visuais. Além disso, convocam à participação do pequeno leitor, que interage com a obra. Faz-se uma aliança da voz da criança com a do adulto especialista. Em um dos volumes que estudei, o autor sugere que o leitor fotografe nuvens, antes de abordar o assunto do ponto de vista científico”, explica o pesquisador.

Pêndulo ampliado

De acordo com Marcus Vinícius Martins, os estudos sobre obras não ficcionais para a infância são incipientes, mesmo em países com tradição de pesquisa sobre livros infantis. A base bibliográfica para seu trabalho incluiu produção teórica em português, francês, espanhol e inglês. “Encontrei, com muita frequência, nesse material, uma separação bem marcada entre ficção e não ficção, o que parece explicar a falta de construções teóricas sedimentadas”, diz o bibliotecário.

Marcus explorou a metodologia de expansão na arquitetura de sua análise. Com isso, ele logrou “ampliar o pêndulo entre ficcionalidade e não ficcionalidade para pensar a obra híbrida e dar visibilidade ao uso de dispositivos ficcionais, como forma de quebrar a racionalidade científica tão presente na não ficcionalidade”, segundo trecho da tese.

O autor ressalta que, nas escolas, o interesse é maior pelos livros de ficção, e as obras não ficcionais são tratadas apenas como suporte didático para conteúdos disciplinares. Ele considera que esses livros têm potencial mais amplo, de “abrir um tema e apresentar o mundo” ao público infantil. Na tese, Marcus recorre a ideias da teórica canadense Nikola Von Merveldt para esclarecer a interação entre imagem e palavra. “Muitos livros não ficcionais equiparam o texto visual e o verbal na construção da informação. Assim, não há sobreposição de discursos para informar o leitor. Ademais, elementos como a fuga de convenções referentes à divulgação científica e a multiplicidade de vozes dialogam para atingir um constructo verbal e visual coerente”, escreve o agora doutor em educação, que foi orientado pela professora Célia Abicalil Belmiro.

Um dos aspectos a que Marcus Vinícius Martins pretende se dedicar é o da mediação. Segundo ele, é preciso discutir como conduzir rodas de leitura com base nas obras híbridas e apresentar esse gênero a mediadores em potencial, como professores, pedagogos e bibliotecários. O pesquisador sugere ainda alguns temas para futuros estudos, como a presença de recursos como gráficos, infográficos e mapas conceituais nas obras não ficcionais, novos direcionamentos para a divulgação de ciência, o intercâmbio da educação artística com a científica e a estética da não ficção.

TeseLivros não ficcionais para crianças
Autor: Marcus Vinícius Rodrigues Martins
Orientadora: Célia Abicalil Belmiro
Defesa: 12 de fevereiro, no Programa de Pós-graduação em Educação

Itamar Rigueira Jr.

Autores e livreiros relatam suas experiências com o livro digital

Seja no lugar de escritor, ou do leitor, nomes locais e nacionais observam os rumos e a adaptação ao suporte literário

O Kindle, da Amazon, é uma das tecnologias difundidas no Brasil para a leitura no suporte digital

O romance “A Sombra de um outro Mundo” (ficção científica), e-book da escritora cearense Mylena Araújo (28), já alcançou mais de 30 mil visualizações. Desde que começou a publicar nas plataformas digitais há quatro anos, ela comemora a possibilidade de interagir com os leitores em tempo real. Na sequência dessa publicação, surgiram o miniconto “Tereza” e a série de contos macabros “Lugar Nenhum”.

Habituada à plataforma de autopublicação do Wattpad, Mylena, contudo, não tem, como leitora, preferência entre livros digitais e físicos. Para a autora, existe uma complementariedade de ambos os formatos. “Não há uma versão melhor que a outra. Cada uma oferece aquilo de que o leitor necessita”, identifica.

A exemplo de Mylena, o autor L.M Ariviello (nome artístico do cearense Manoel Oliveira) costuma publicar seus textos no Wattpad. O segundo livro, “A Herdeira de Hélzius”, está disponível em versão impressa e digital. Com o e-book, Ariviello admite que a recepção da obra ainda é tímida. “Apesar de muita gente ler no formato digital hoje em dia, eu percebo certa resistência. Muitos leitores são tradicionais e preferem o livro físico mesmo”, destaca ele.

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Mylena Araújo conquistou seu público leitor pela ferramenta digital de autopublicação do WattpadFoto: Alexandre de Almeida

Segundo Alexandre Munhoz, gerente de Kindle no Brasil, os leitores passam a ler mais, quando adotam o livro digital. “E não necessariamente trocam um suporte pelo outro. Não vemos uma disputa (entre digital e impresso)”, reflete.

Vencedora do 4º Prêmio Kindle de Literatura com a obra “Dias Vazios”, a psicóloga e escritora carioca Bárbara Nonato acrescenta que muitos leitores ainda veem os livros digitais como “aperitivos” da versão impressa. Além de R$ 30 mil pelo prêmio da Amazon, ela ganhou a oportunidade de publicar seu novo livro no papel, por meio da Editora Nova Fronteira.

“Quando comecei a escrever, meu primeiro livro saiu impresso. Depois publiquei outros só no digital, e alguns leitores falavam ‘ah, quando sair impresso eu compro’. Hoje, vejo que tudo está mais amplo nesse sentido. Muita gente tem se adaptado à leitura digital”, observa a autora.

Grandeza

Para Angela Gutierrez, presidente da Academia Cearense de Letras, a grandeza de uma obra literária não se perde à medida que o leitor troca de suporte. “Machado de Assis continuará a ser um escritor extraordinário se sua obra for lida em um e-book. Mas leio pouco em suporte digital. Desde criança, me afeiçoei ao livro de papel. O prazer da leitura vem, claro, da qualidade intrínseca da obra, mas, algumas vezes, pode ser intensificado por certos paratextos que a apresentam”, conta a escritora.

Vencedor do prêmio Jabuti de Literatura em duas categorias, em 2018, o cearense Mailson Furtado chama atenção para a predominância de um “nicho” formado por leitores jovens no ambiente digital.

Segundo o autor de “À Cidade”, esse público “lê principalmente prosa, em sua grande maioria títulos categorizados como ‘young adults’, em suas diversas vertentes: fantasia, ficção científica, terror”, detalha. Mailson enfatiza que disponibilizar sua obra no formato digital ajudou-lhe a alcançar um público distinto do leitor do livro impresso.

Em 2011, a escritora cearense Julie Oliveira publicou uma “versão animada” de seu livro infantil, “Brincando com Matemática”, pela Conhecimento Editora, empresa na qual trabalhou como sócio-editora. A publicação saiu nos primórdios do livro digital no Brasil e, tanto sua concepção, como a recepção dos leitores, ganhou ares de experimentação.

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A escritora cearense Julie Oliveira teve experiência de produzir um e-book ainda antes da chegada da Amazon no mercado brasileiroFoto: Isanelle Nascimento

“Além disso, a editora não tinha muitos conhecimentos sobre esse mercado, tampouco recursos de investimento/marketing em torno desses suportes. Lembro que, curiosamente, os retornos de leitores que recebemos foram todos de pessoas sediadas em outros países. Pra mim, representou na época uma possibilidade de expandir as fronteiras a partir desses ‘novos formatos’”, reflete Julie.

Distinção

Os autores são unânimes em sinalizar como o livro impresso tem seu espaço consolidado no mercado livreiro (apesar da atual crise das livrarias) e apelos bem distintos em relação ao e-book. Sobre os pontos a favor da aquisição do suporte de leitura digital, dois dos itens mais sensíveis são a portabilidade e a questão do impacto ambiental.

“A vantagem principal seria a portabilidade, em um mundo cada vez mais fluído em tempo-espaço, isso conta demais. Entre outras, citaria, a depender dos dispositivos, a interação que se tem com o próprio texto, os hiperlinks, e por vezes até o contato direto com o autor”, elenca Mailson.

Ariviello se diz do “time que defende os e-books”, mesmo sem ter tido uma boa experiência quanto à formação de leitores via suporte digital. “Acho que eles são o futuro. É uma forma mais politicamente correta, não destrói o meio ambiente para criar papel. No Wattpad, você pode ter contato com outras pessoas que estão lendo aquele mesmo livro”, conta o autor cearense.

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L.M Ariviello observa como boa parte dos leitores ainda é muito fiel ao livro impressoFoto: Isanelle Nascimento

Rapidez

Julie Oliveira destaca como o e-book favorece a pesquisa de trechos específicos da obra, a interação com o acesso ao significado das palavras e links similares. E reforça a praticidade de armazenamento das obras e para carregar consigo os dispositivos.

“Esse é um ponto extraordinário, nesses tempos de malas que ‘tem que ser leves’. Além da quantidade de ‘autores independentes’ que tem se autopublicado e utilizado esses mecanismos para distribuição de suas obras”, acrescenta a escritora.

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Mailson Furtado destaca a presença de leitores jovens no “nicho” dos suportes de leitura digitalFoto: Helene Santos

Mailson Furtado complementa como a acolhida de todos os formatos é um caminho espontâneo para o autor encontrar seus leitores. “Creio que o escritor deve estar onde existam leitores, não podemos negar qualquer que seja o formato. Afinal, a literatura ali está”, observa.

Revista Memória e Informação torna pública a chamada para publicação no dossiê “patrimônio bibliográfico e documental”

As investigações sobre patrimônio documental e bibliográfico vêm assumido protagonismo cada vez maior no campo acadêmico nacional e internacional. Concomitantemente, em universidades e programas de pós graduação, essa temática tem se apresentado como objeto de pesquisa em número crescente de trabalhos. Essa riqueza de informação se agrega às discussões que alunos e docentes realizam em seminários, palestras e conferências, preocupados com os impactos, as conexões, as contradições e as relações operadas nas diversas e frutíferas abordagens que o debate sobre patrimônio bibliográfico e documental pode suscitar ao campo acadêmico.

A revista Memória e Informação recebe, até 30 de abril de 2020, artigos para o dossiê  especial “Patrimônio Bibliográfico e documental”. O número terá como editor convidado o professor Fabiano Cataldo, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.

O dossiê pretende agregar trabalhos originais de arquivistas, bibliotecários, museólogos, historiadores e acadêmicos em geral sobre Patrimônio Bibliográfico e documental no Brasil, na América Latina e na Europa. Ao reunir pesquisadores e acadêmicos com produção sobre o tema, pretendemos trazer à luz aspectos ainda silenciados nesse campo. Aqui destacamos a predominância de uma confusa discussão conceitual que atinge não somente o campo empírico mas, sobretudo, a área de gestão de acervos.  Além disso, as discussões, muitas vezes privilegiam como campo de análise os acervos históricos e antigos, acarretando sérios problemas de silenciamento e apagamento da memória local, bem como problemas relacionados à gestão de coleções contemporâneas.

Nessa próxima edição, o objetivo é  encorajar enfoques que abordem paralelos entre educação patrimonial; bibliotecas e arquivos; patrimônio bibliográfico e documental em tempos de crise; revisão de literatura; relação com a conservação preventiva; patrimônio bibliográfico e documental no âmbito da Agenda 2030; relação com acervos dos séculos XX e XXI; patrimônio bibliográfico em bibliotecas universitárias, especializadas e públicas; e, inserção desse conteúdo nos currículos de cursos como Biblioteconomia, Arquivologia e Museologia, por exemplo. Os estudos de caso só serão aceitos se acompanhados de abordagem teórica que demonstre o caminho das ações. Na seção Documentos, a prioridade será dada àqueles que justificadamente enquadram-se nas categorias de “Patrimônio Bibliográfico” ou “Patrimônio Documental” e que estejam digitalizados e de acesso público.

Sobre a Revista Memória e Informação

A revista Memória e Informação é uma publicação científica interdisciplinar, da área de Ciência da Informação, com a missão de contribuir para a divulgação de pesquisas inéditas, análises teóricas, casos práticos de gestão e notas técnicas que possibilitem subsidiar a reflexão acadêmica e a prática profissional sobre iniciativas sustentáveis em organizações privadas, públicas e da sociedade civil.

O artigo deverá ser original e não ter sido publicado anteriormente nem estar sendo considerado para publicação em outra publicação. Para mais detalhes sobre as regras de submissão da revista, favor consultar as Instruções aos Autores. Os artigos deverão ser enviados pelo ScholarOne.

Para mais informações, envie uma mensagem para: revistamemoriaeinformacao@rb.gov.br

Editores: Ana Lígia Medeiros, Daniela Sophia e Fabiano Cataldo

Prazo de submissão de artigo: até o dia 30 de abril de 2020

Publicação: junho de 2020.

Fonte: Fundação Casa Rui Barbosa

Como sobrevivem as últimas videolocadoras de São Paulo na era do streaming

Por Evanildo da Silveira, BBC

No auge, locadoras de vídeo somaram cerca de 4 mil lojas em São Paulo — Foto: Getty images via BBC

No auge, locadoras de vídeo somaram cerca de 4 mil lojas em São Paulo — Foto: Getty images via BBC

O fotógrafo baiano João Alvarez passeava pelo centro de São Paulo há cerca de um ano quando se deparou com uma raridade: uma locadora de filmes, uma das últimas ainda existentes na capital paulista hoje.

O fotógrafo baiano João Alvarez passeava pelo centro de São Paulo há cerca de um ano quando se deparou com uma raridade: uma locadora de filmes, uma das últimas ainda existentes na capital paulista hoje.

Localizada no edifício Copan, projetado por Oscar Niemayer e um dos cartões postais da cidade, a Vídeo Connection é uma prova de que ainda é possível alugar filmes em lojas físicas — especialmente os clássicos e os mais antigos, que de outra forma estariam perdidos para sempre para os amantes do cinema e para as novas gerações. A maioria deles, dizem donos de locadoras e aficionados, não está disponível nos serviços de streaming nem em outras plataformas.

A videolocadora do Copan é uma das poucas sobreviventes entre as mais de 4 mil que já existiram na maior metrópole da América do Sul. Elas persistem e ocupam um nicho específico de mercado, atendendo clientes como Alvarez. “Eu sou um amante do cinema”, diz ele.

“Meu principal hobby é ver filmes. Eu e minha mulher assistimos a cinco por semana, em média. Acho que não podemos ficar reféns do streaming, pois os melhores filmes de arte e os clássicos não estão ali. Eles só são encontrados nas locadoras.”

A história das locadoras de filmes em São Paulo — e no Brasil — começou no final da década de 1970. A primeira da capital paulista surgiu em 1977. Inaugurada como Disk Filmes, tornou-se, um ano depois, a conhecida Omni Vídeo.

“No mesmo ano e ao mesmo tempo surgiu o primeiro videoclube do país, chamado justamente Vídeo Clube do Brasil'”, conta o cineasta Alan Oliveira, autor do documentário CineMagia: A História das Videolocadoras de São Paulo, lançado em 2017.

As lojas ganharam destaque no início da década de 1980, momento em que o videocassete começou a se popularizar no país. As redes 2001, Real Vídeo e Vídeo Norte, por exemplo, surgiram em 1982.

Daí para frente, começou o boom das videolocadoras em São Paulo e em todo o Brasil. “Nós mostramos esse processo no filme, que envolve a transformação do mercado de fitas alternativas (VHS gravadas) para as seladas (originais das distribuidoras), seguindo para a chegada do DVD em 1997”, diz Oliveira.

O auge das locadoras se deu exatamente nesse período de mudança de tecnologia, do analógico para o digital. De acordo com o autor de CineMagia, o avanço na qualidade de imagem e som trazido pela chegada do DVD fidelizou clientes de maneira inédita no mercado.

Videocassete começou a se popularizar no país no início da década de 1980 — Foto: Getty Images via BBC

Videocassete começou a se popularizar no país no início da década de 1980 — Foto: Getty Images via BBC

Isso se seguiu até 2006, com a chegada do blu-ray, uma tecnologia ainda mais poderosa que o DVD, mas que não chegou a decolar no país.

Prejudicadas pela popularização dos downloads de filmes e dos DVDs piratas, as locadoras começaram a fechar logo em seguida. A chegada das plataformas de streaming no país, a partir de 2011, só intensificou esse movimento, segundo Oliveira.

“Vendo tudo isso acontecer, senti a necessidade de documentar essa história”, revela. “Não o processo de fechamento delas, mas sim a magia que existia (e ainda existe) na experiência de entrar nesses maravilhosos espaços urbanos de cinefilia.”

“O documentário ‘CineMagia’ é uma homenagem a esses 40 anos do mercado de home video, começando em 1976 e seguindo até 2016”, conta.

“Mais do que falar sobre ‘um suposto fim’ [das locadoras], minha ideia sempre esteve voltada para o começo. Sempre tive fascínio em entender como a coisa toda nasceu e se transformou com os avanços da tecnologia ao longo dos anos. Está tudo lá no filme.”

Auge

É difícil saber exatamente o número de videolocadoras que existiram nesse período. “O cálculo que fizemos para o filme levou em consideração a listagem de lojas que realizavam compras de filmes (VHS e DVD) das principais distribuidoras do país, no período de dezembro de 1998 a fevereiro de 1999”, diz o diretor.

“A cidade de São Paulo tinha cerca de 4.000 listadas e, no país, cerca de 11.500, sendo mais de 900 cadastradas apenas em 1998. Isso dá uma dimensão da velocidade e do crescimento do negócio e das vendas naquele período.”

É claro que esse número oscilou muito até 2006, quando a maioria das lojas e algumas distribuidoras começaram a encerrar seus serviços. Nessa mesma época, o Rio de Janeiro tinha cerca de 1.600 estabelecimentos, praticamente a metade do número da capital paulista.

Hoje, a Vídeo Connection é uma das raríssimas videolocadoras de São Paulo que vivem exclusivamente da locação de filmes e da conversão de fitas VHS para DVD.

A história da loja começou em 1985, quando foi inaugurada na rua da Consolação, região central de São Paulo, com 120 títulos em VHS. “Nós pegávamos os filmes na Omni Vídeo, copiávamos e colocávamos para alugar”, conta o dono da empresa, Paulo Sérgio Baptista Pereira. “Depois, começamos a trabalhar também com filmes pornôs, para atender os motéis.”

Em 1986, a empresa começou a atuar também como revendedora de filmes, adquiridos diretamente nas produtoras. “Fomos a primeira distribuidora do Brasil para outras empresas”, diz.

“Passamos a crescer muito e separamos a locadora, que instalamos aqui no Copan. Abrimos novas lojas, muitas delas dentro de grandes empresas, chegando a ter 15 no total. Isso foi até 1995, quando o cenário começou a mudar e o número de estabelecimentos passou a diminuir.”

O surgimento do DVD, porém, reverteu esse movimento e gerou nova disparada no número de lojas. O bom momento durou até cerca de 2010, quando começou a pior fase deste mercado. “A pirataria já estava pesada, mas não chegou a comprometer nosso negócio”, diz Pereira. “O que atrapalhou mesmo foi o streaming, que chegou com força a partir de 2012. Cheguei até pensar em fechar a loja.”

55 cópias de ‘Titanic’

Foi em 1995 que Gilberto Donizetti Petruche resolveu realizar o antigo sonho de montar uma videolocadora, no ano. Largou o emprego numa grande empresa, na qual era gerente administrativo, para fundar o Centro Cultural Videolocadora Charada, em Sapopemba, zona leste de São Paulo.

Ele alugou uma sala perto de sua casa e inaugurou a loja, sob o nome provisório de Vídeo Clube Ação, com 294 títulos. “Meu grande objetivo era ser mais do que uma locadora, ou seja, ser um clube”, conta Petruche.

“A ideia era exibir filmes, fazer debates, conversar. Mas não deu certo, porque o movimento das locações foi tão grande que a ideia de clube ficou em segundo plano. Não dava tempo de conversar com os clientes. Tivemos que alugar um espaço maior. Atingimos o auge no dia 2 de janeiro de 2000, quando locamos, num único dia, 880 fitas VHS. Nessa época, a média era de 300 filmes por dia. Cheguei a comprar 55 cópias do filme Titanic.”

O DVD, que a Charada começou a disponibilizar a partir de 2001, deu sobrevida à loja. A queda começou há cerca de 10 anos, quando o número locações diminuiu para 1.000 por mês.

“De 5 anos para cá, a redução foi ainda maior”, diz Petruche. “Hoje, alugamos cerca de 100 fitas por mês. Então, voltamos à ideia inicial e a locadora virou um clube. Vendemos discos de vinil, oferecemos aulas de violão, guitarra, bateria e realizamos shows.”

Dez anos mais antiga, a Televideo, localizada no Belenzinho, também na zona leste de São Paulo, e inaugurada em 1985, tem uma história semelhante.

No auge, chegou a alugar 3.000 filmes por mês. “Hoje, nosso movimento é insignificante perto do que já foi”, conta o proprietário, Marcelo Martins.

Advogada Christina Nobre aluga filmes semanalmente na Televideo — Foto: Getty Images via BBC

Advogada Christina Nobre aluga filmes semanalmente na Televideo — Foto: Getty Images via BBC

“Em um final de semana bom, locamos cerca de 25 filmes. Por isso, ao longo dos últimos anos, mudei o foco do meu ramo, passando a ser mais uma loja de conveniência do que uma simples videolocadora. Vendo sorvetes, doces, bolachas, presentes, bebidas, produtos para informática, acesso à internet, impressões de boletos, currículos, fotos. Só continuo comprando os lançamentos ainda pela paixão que tenho pelo cinema.”

Sorte de clientes fiéis, como a advogada Christina Fernanda Cobianchi Nobre, que há mais de 10 anos retira filmes semanalmente na Televideo. “Eu gosto de lojas físicas, porque posso ver as opções nas prateleiras, pegar a capa do vídeo e ler o resumo”, diz. “Além disso, há títulos que a gente só encontra em locadoras, principalmente antigos, que a geração de hoje não conhece. Não podemos deixar isso morrer.”

Para Pereira, as videolocadoras experimentam, atualmente, um pequeno aumento do movimento e do interesse das pessoas. “Quando elas perceberam que nem tudo o que queriam estava disponível no streaming ou na internet, começaram a voltar às lojas”, explica.

“Como estou praticamente sozinho no mercado paulistano, meu movimento voltou a crescer a partir do final de 2017 e no início de 2018. No auge, por volta de 1995 e 1996, chegamos a ter 4.000 locações num mês, número que caiu para cerca de 300 ou 400, em 2016. Agora, chegam a 800 mensalmente. Estou sem funcionários, mas até estou pensando em contratar alguém.”

Donos de locadoras de filmes renovam negócios para sobreviver

 Fonte: G1

Acervo da Cinemateca Brasileira foi afetado pela enchente em São Paulo

A água chegou a cerca de um metro de altura no galpão da Vila Leopoldina, na Zona Oeste da capital paulista. Entre os itens que estão no depósito estão cópias de longas, curtas e cinejornais. Até agora, a direção não falou sobre o assunto.

Lixo ficou acumulado na entrada da Cinemateca, na Vila Leopoldina (Crédito: Leandro Gouveia / CBN)
Lixo ficou acumulado na entrada da Cinemateca, na Vila Leopoldina. Crédito: Leandro Gouveia / CBN

Texto por Leandro Gouveia

Quando o galpão da Cinemateca Brasileira, na Vila Leopoldina, foi inaugurado, em 2011, o então diretor, Carlos Magalhães, demonstrou preocupação com os frequentes alagamentos na região. Em entrevista à Folha de São Paulo, na época, ele disse que, por precaução, os filmes ficariam no mezanino. Quase nove anos depois, a água da chuva não só entrou no galpão como atingiu parte do acervo.

No local, estão principalmente cópias de longas e curtas-metragens de várias épocas, além de cinejornais. Segundo uma fonte da CBN, ainda não é possível saber a dimensão dos danos. Algumas películas que estavam dentro de latas ficaram intactas, mesmo depois de submersas. Por outro lado, também é possível que filmes danificados não tenham mais as matrizes que geram as cópias e tenham se perdido pra sempre. O acervo documental, que inclui cartazes, roteiros e contratos, não foi afetado.

Desde terça-feira, depois que a água baixou, funcionários estão limpando o galpão e trabalhando na triagem do material. A reportagem CBN esteve no prédio nesta quinta-feira. Sem saber que estava sendo gravada, uma funcionária disse que foi orientada a não dar nenhuma informação.

Da recepção da Cinemateca foi possível ver caixas de papelão destruídas, embalagens de equipamentos e um arquivo de aço acumulados. No térreo, funcionários com máscaras trabalhavam na análise de fotografias e livros doados, de menor valor histórico.

O galpão foi criado por causa da falta de espaço na sede, que fica na Vila Clementino, na Zona Sul da capital. Os materiais atingidos pela água foram pra lá em 2015 por causa de uma reforma no prédio principal e não voltaram por falta de verba e funcionários. Especialistas em cinema e preservação ouvidos pela reportagem disseram que a instituição funciona como uma caixa-preta e que não sabem o que está no galpão.

A Cinemateca Brasileira é administrada desde 2018 pela Associação Comunicativa Roquette Pinto. Em dezembro, o governo Bolsonaro rompeu o contrato com a organização social, que também era responsável pela TV Escola, e desde então a gestão funciona por meio de um contrato emergencial.

Desde terça-feira, a CBN solicita informações à associação sobre a dimensão dos danos causados pela água, mas até agora não houve resposta. A Secretaria Especial de Cultura, ligada ao Ministério da Cidadania, também não quis se posicionar. Depois de ser alertada pela CBN, a diretoria da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual solicitou informações sobre a enchente à Cinemateca.

Em 2016, a sede da Vila Clementino sofreu um incêndio que destruiu cerca de mil rolos de filmes da década de 40.

Atualização 15h

Após a veiculação da reportagem, a Secretaria Especial da Cultura, ligada ao Ministério da Cidadania, enviou uma nota. Leia na íntegra:

A Secretaria Especial da Cultura informa que está sendo feita a avaliação dos danos decorrentes da inundação dos dias 9 e 10 de fevereiro. Informações preliminares da Cinemateca Brasileira indicam que foram atingidas apenas cópias de difusão, sem prejuízo à memória do cinema brasileiro.

Fonte: CBN

 

Old Book Illustrations, un sitio web cargado de ilustraciones en dominio público presentes en libros antiguos

Alice's adventures in Wonderland by Peter Newell

Old Book Illustrations, un sitio web cargado de ilustraciones en dominio público presentes en libros antiguos

Hay ilustraciones en los libros que se pueden considerar como auténticas obras de arte. Ilustraciones que acompañan y deleitan a las personas lectoras en el transcurso de la historia. Imágenes que ayudan y guían al intelecto en la formación de una imagen visual del texto que se va leyendo. Es verdad que hay imágenes e imágenes. Que no todas cumplen con esa exquisitez artística que un amante de las ilustraciones espera encontrar. Pero si eres de esas personas exigentes en cuanto a las imágenes que ilustran los libros no te puedes perder el sitio web Old Book Illustrations.

Old Book Illustrations nació del deseo de compartir ilustraciones de una modesta colección de libros, que nos propusimos escanear y publicar. Con la gran cantidad de recursos disponibles en línea, se hizo cada vez más difícil resistir la tentación de explorar otras colecciones e incluir estas imágenes junto con las nuestras. Aunque hubiera sido posible ampliar considerablemente el marco temporal de nuestra búsqueda, optamos por mantener nuestro enfoque en el período original en el que comenzamos por razones de gusto, coherencia y sentido práctico.

Comentar que las restricciones legales han hecho que únicamente se publiquen y difundan ilustraciones presentes en libros de dominio público. Tal y como señalan, esto explica por qué en su base de datos no hay ilustraciones publicadas por primera vez antes del siglo XVIII o después del primer cuarto del siglo XX.

Esperamos ser un destino de elección para los visitantes más interesados en las ilustraciones románticas victorianas y francesas. Entendemos el romanticismo francés en su sentido más amplio y trazamos su línea final, al menos en el ámbito de la ilustración de libros, a la muerte de Gustave Doré.

The Plague of Darkness - Gustave Doré
The Plague of Darkness – Gustave Doré

En la actualidad Old Book Illustrations tiene cerca de 4.000 ilustraciones, las cuales pueden buscarse a través de su buscador inicial o del buscador avanzado. Entre ellas se pueden encontrar trabajos de Gustave Doré, considerado como uno de los más famosos ilustradores del siglo XIX, y de Peter Newell, ilustrador del clásico Las aventuras de Alicia en el país de las maravillas de Lewis Carroll. También se puede buscar por artistas, grabadores, formatos, editores, temáticas, técnicas y títulos. Además de las ilustraciones también hay en dicho sitio web artículos que hablan tanto de los autores de las ilustraciones como de los libros en las que están presentes.

Nos esforzaremos por añadir regularmente artículos, ya sea biografías o piezas cortas sobre libros y el contexto cultural en el que fueron publicados. Escogeremos estos textos lo más cerca posible del tema, para conservar lo que podamos del sabor y la sensibilidad de una época.

Las imágenes presentes en Old Book Illustrations han sido restauradas con la finalidad de buscar la impresión perfecta buscada por el artista. Aun así, y para aquellos internautas que prefieren experimentar las imperfecciones de las tecnologías de impresión de antaño o los estragos del tiempo inalterados, las imágenes también pueden visualizarse y descargarse tal y como se encuentran en la actualidad a través de los archivos raw scan.

The editions of Caxton and Wynkyn de Worde were his delight - Cecil Aldin
The editions of Caxton and Wynkyn de Worde were his delight – Cecil Aldin

¿Qué es hacer Clipping?

Los profesionales de las relaciones públicas y prensa se enfocan cada vez más en hacer un seguimiento inmediato de la cobertura de los medios tradicionales y no tradicionales, así como de cualquier otra información que afecte la reputación corporativa o imagen de marca o vender un político.

Con el auge de Internet y la proliferación de los nuevos medios digitales, los responsables de comunicación tienen, a un solo clic, mucha información. Datos que bien utilizados permiten:

• Controlar el entorno

• Anticipar una futura crisis de reputación

• Detectar oportunidades

• Definir estrategias

• Identificar influencers

Podríamos seguir enumerando funcionalidades pero con esto ya nos hacemos una idea de la necesidad de utilizar el clipping para ir más allá del seguimiento de la marca.

Clipping es una voz inglesa que se traduce como recorte. En español se utiliza clipping o press clipping para designar la actividad de seleccionar los artículos o recortes de prensa en los que una empresa determinada ha aparecido en forma de noticia.

Con el actual desarrollo de los medios informativos, en la era de la sociedad de la información, el clipping se puede realizar ya no solo en formato papel, sino también digitalizado. La importancia de esta acción de comunicación se ve incrementada con el desarrollo de Internet y la aparición del fenómeno Blog.

En los albores de Internet era menos determinante el control de estos parámetros en las organizaciones, pero según estudios de diversas universidades estadounidenses, el clipping es hoy una de las principales labores de los departamentos y empresas de comunicación.

Cada aparición en prensa tiene un precio. Una noticia no es lo mismo que un anuncio, sin embargo ocupa tiempo en televisión y radio, espacio en la prensa e internet… Es por ello que las organizaciones encaminan sus esfuerzos a las relaciones públicas como motor capaz de generar apariciones en los medios de comunicación.

El clipping, como recolector de todas esas apariciones, permite igualar la cifra de esas apariciones sobre la tarifa publicitaria, y por tanto calcular el valor monetario de la aparición. Sin embargo, existen valores añadidos relativos a no ser un anuncio sino una noticia.

Desde los círculos académicos se señala el background publicitario que posee el ciudadano como un handicap de la publicidad, frente a la noticia que redacta el periodista; figura que aparece ante el ciudadano relacionada con el progreso, la veracidad, el derecho de información, la libertad de expresión.

TIPS
Crear un plan para el monitoreo en redes sociales
Decidir por qué se va a monitorear (atención al cliente, comentarios de los clientes, seguimiento del progreso de las campañas de #hashtag…).

¿Se trata de generar clientes potenciales?, ¿atender a los clientes?, ¿construir presencia en las redes sociales?, ¿mejorar la reputación?.

Elegir una herramienta de monitoreo de redes sociales adecuada
Que se ajuste tanto al presupuesto como a las necesidades.

Hay muchas herramientas de monitoreo de redes sociales en el mercado. Las herramientas gratuitas (Google Alerts, TweetReach, etc.) son opciones, pero tampoco recuperarán la mayoría de los resultados. Esto puede ser suficiente para algunos usuarios, pero para el sector empresarial siempre será recomendable el uso de herramientas de rango medio o de servicio profesional completo como la que ofrece Pressclipping.

Proporcionar formación y materiales de capacitación y aprendizaje para orientar al personal en el uso de la herramienta. La mayoría de las herramientas de monitoreo de redes sociales no son difíciles de operar, aunque requieren de un aprendizaje específico al principio.

Elegir bien las palabras clave a controlar (nombre de la marca o compañía, el producto o servicio y #hashtag). Será necesario mirar más allá de las palabras clave sobre la marca o compañía, supervisar a los competidores y los términos negativos, como BASHtags, para identificar oportunidades en las que se pueda brindar asistencia.

El monitoreo de las redes sociales es un proceso activo que proporciona datos históricos. Requerirá de la observación de resultados y de ajustes durante el proyecto.

Explorar todas las funciones que ofrece la herramienta de monitoreo de redes sociales. No dejaremos que ninguna función se desperdicie. Podría estarse perdiendo análisis significativos, filtros útiles, informes PDF generados rápidamente y métricas importantes.

Priorizar resultados de acuerdo con el orden de importancia. Algunas herramientas incorporan funciones como los filtros de análisis de sentimientos (positivo/negativo/neutro), muy útiles para aportar una idea de la cantidad de comentarios negativos que la compañía / producto ha estado recibiendo.

Utilizar el filtro de influencers que mostrará si hay personas influyentes que hablan sobre las palabras clave o hashtags de la compañía. Esto es importante porque los influencers tienen grandes audiencias y crean tendencias. Monitorear el #hashtag servirá para ver con qué frecuencia se usa y de qué tratan las conversaciones en las que aparece.

Es crucial comenzar a monitorear lo antes posible para obtener un conjunto propio de datos históricos y compararlos así con los resultados más recientes. Esto requiere un poco de paciencia y un monitoreo diligente de las redes para lograr identificar así las causas de picos, caídas, patrones o irregularidades en los resultados.

Fonte: Palermonline Noticias

Tidos como doutrinários, livros didáticos vão ficar mais leves em 2021

Além da mudança no conteúdo, proposta do governo federal inclui a inserção de símbolos nacionais na capa dos livros

O presidente Jair Bolsonaro pretende fazer uma mudança no conteúdo dos livros didáticos a partir do próximo ano. Além de ter a bandeira do Brasil na capa e o Hino Nacional, o material deve ser mais leve e menos profundo. O governo acredita que a função do livro didático é ensinar e não doutrinar. O Programa Nacional do Livro Didático foi criado em 1985 pelo governo federal com objetivo de distribuição gratuita para os alunos das escolas públicas de ensino fundamental de todo o País.

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Para entender que mudanças podem ser feitas e como estão os livros atuais, a repórter Sandra Capomaccio conversou com o professor Maurício Pietrocola, titular  de Metodologia de Ensino da Faculdade de Educação da USP. Seu ponto de vista é que não será possível se ater apenas ao que vem escrito nos livros, pois em tempos de globalização fica impossível não usar informações complementares na classe.

Acompanhe, pelo link acima, a íntegra da matéria.

Fonte: Jornal da USP

La digitalización no puede con el libro

Pablo Rodríguez Canfranc

Amazon.es registra este Sant Jordi la mayor venta de ebooks de su historia

 

Hace ya más de diez años que el libro electrónico llegó al mercado y, sin embargo, su tasa de penetración sigue siendo muy reducida. Por alguna razón, no acabamos de aceptar desprendernos del tacto del papel y de la lectura a través de un objeto físico, con sus páginas y su portada.

Diversas son las razones para esto. Una encuesta a lectores realizada por We are testers, arrojó como principales factores de rechazo a los soportes digitales la costumbre y la inercia que tenemos de leer en medios tradicionales. Casi la mitad de los encuestados que prefieren el papel afirman que así disfrutan más del libro, y más de la quinta parte de los mismos, reconoce que les resulta difícil cambiar sus usos y costumbres de lectura.

Otro trabajo de campo realizado por la Universidad de Arizona, citado por la revista Futurity, aporta más luz sobre este tema. Un resultado muy curioso que aflora de él es que los participantes de los focus groups afirman no tener la sensación de propiedad completa sobre un libro digital, por ejemplo, al no poder copiar el archivo para poder leerlo en distintos dispositivos. A diferencia del libro publicado en papel, el electrónico no se puede prestar, regalar o revender, factores que limitan su valor, a juicio de los encuestados.

Un aspecto interesante que plantea es la relación sentimental que establecemos con el libro físico, que a menudo nos ayuda a expresar nuestra identidad. Los libros presentes en las estanterías de las casas dicen mucho sobre la personalidad y las inclinaciones del morador.

El formato papel nos llega a más sentidos que la vista. El olor de la tinta de un libro nuevo o el tacto de las páginas, establecen una experiencia sensorial que va más allá del mero texto, y esto es algo que el soporte digital no aporta.

Muchos de los participantes en el estudio afirmaron que al adquirir un ebook tienen la sensación de estar alquilándolo más que comprándolo. No genera sensación de propiedad.

Posiblemente, las cifras de ventas de lectores para libros electrónicos hayan crecido más llevadas por el impulso caprichoso de tener el último grito en tecnología, que por una necesidad real de los usuarios. Una de las principales críticas del sector editorial a este soporte es que no aporta prácticamente nada nuevo a la experiencia lectora; sus ventajas se reducen a que los títulos digitales son más baratos que los físicos y que se pueden almacenar muchos libros dentro del espacio reducido del dispositivo. Pero poco más.

Uno de los caminos que tiene el sector editorial para adaptarse al mundo digital es seguir los pasos de la música y el audiovisual, y crear plataformas de streaming de libros. De esta forma, igual que ocurre en Spotify y Netflix, el usuario paga una tarifa plana y tiene acceso a un voluminoso catálogo de títulos, que puede leer, pero no poseer.

Ya existen experiencias de bibliotecas digitales en este sentido, como Nubico, 24Symbols, Kindle Unlimited, o la que ha creado la startup española Odilo. Y, sin embargo, el mundo del libro presenta rasgos específicos que obstaculizan, de alguna forma, la posibilidad de ofrecer las obras como un servicio streaming.

Por una parte, resultaría muy difícil establecer un servicio gratuito sostenido con publicidad, como tiene Spotify. Aunque el consumidor de música acepta las interrupciones publicitarias como algo inevitable para poder disfrutar la gratuidad, sería impensable para muchos lectores el aceptar ser interpelados por anuncios durante la lectura.

El otro factor es que la industria editorial resiste y no ha vendido todavía sus catálogos en masa a las plataformas de streaming, a diferencia de las empresas de audiovisual, que han claudicado hace tiempo.

Fonte: CatalunyaPress

Objeto livro: para além da reificação

Por Jean Pierre Chauvin, professor de Cultura e Literatura Brasileira da ECA-USP

Jean Pierre Chauvin – Foto: Arquivo pessoal

Publicado pela primeira vez em 2013, O que é um livro? resulta de conferência homônima ministrada no ano anterior, por João Adolfo Hansen, em uma das unidades do Sesc São Paulo, sob a mediação de Joaci Pereira Furtado. O projeto da nova edição, em capa dura, é assinado por Gustavo Piqueira e Samia Jacintho, da Casa Rex. Para além do rico invólucro, capaz de atrair o leitor, a sobrevoar em livrarias, destaco algumas passagens do volume, de modo que ele experimente partes do todo, digamos, como tira-gosto. De imediato, diga-se que Hansen não aborda exclusivamente o assunto sugerido pelo título. Claro esteja, não se trata de uma monografia ou de um manual tecnicista com linguagem redutora ou simplista, cujo propósito fosse definir estreitamente o objeto do ensaio – o que suporia motivações incompatíveis com o repertório, a lucidez e o posicionamento político de seu autor.Isso posto, o que esperar de um livro que se propõe a falar sobre o livro? Que ele trate não só do valor de troca ou do fim mercante e mercantilizável do artefato; mas sobre um artefato, espécie cultural dentre vários formatos e gêneros. Esse objeto está situado no tempo e no espaço e, como tal, relaciona-se ao suporte material de que se compõe e aos usos que dele se espera ou podem ajuizar: “[…] o livro não é um objeto natural, mas artificial, material e simbólico”. Muito antes de circular entre nobres, filósofos ou padres da Renascença, no formato encadernado – com direito à lombada, capa, folha de guarda, cola, linha, miolo e quarta-capa – o livro, que se conhece desde meados do século XV, foi rolo de esticar e recolher, depois códice para melhor folhear, carregar, manusear. Ele sucedeu o milenar papiro egípcio e o pergaminho (não por acaso, criado em Pérgamo, bem antes de Cristo); adquiriu a forma rústica “[…] no tempo de Cícero e Varrão”, período em que passou a fazer “parte da vida dos homens instruídos”; e chegou à versão industrializada das folhas de papel, produzidas em série, muito antes da autonomização do(a) autor(a), ao final do século XVIII.

Por ser um bem simbólico, o conteúdo que nele mora necessita ser situado, espacial e temporalmente, por aquele que o lê. Matéria de que se compõe, o livro pode se orientar e respaldar por preceptivas retóricas e regras da poética, fruto de mentalidades diversas e respectivos pressupostos, métodos e fins. Sobretudo, ele “[…] é memória porque é seleção do que culturalmente se julga significativo e lembrável”. Muitos homens autorizados (ou seja, alinhados com a auctoritas, imitando modelos da longa tradição que o antecederam) debruçaram-se sobre o livro, embora discorressem a partir de situações, por vezes, muito distintas. Reconstituir a genealogia desse objeto seria tarefa para numerosos volumes a tratar de um fiel depositário da memória: “Vieira diz no século XVII o que disseram no século XX os alemães teóricos da recepção da leitura, como Jauss, Robert Weinmann e Iser: um livro não tem ação em si mesmo, mas causa grandes efeitos porque é lido, sendo por isso mesmo o somatório sempre inacabado de suas leituras”.

Submetido aos dogmas e arbítrios de homens poderosos (discretos ou vulgares), frequentemente a disseminação da leitura foi interpretada como atividade viciosa e, portanto, censurável. Bastaria mencionar o dia 10 de maio de 1933, quando os nazistas promoveram a enorme queima de livros de teor dito “judaizante”. Ou a “limpeza” moral de materiais perniciosos, realizada durante o reinado de Dom José I (conforme os desígnios do Marquês de Pombal), em meados do Setecentos – segundo procedimentos inquisitoriais que, em Portugal, remontavam ao início do século XVI. A esse respeito, lembre-se que uma das 95 teses de Martinho Lutero, afixadas nas portas das igrejas de Wittenberg, em 1517, defendia o estudo particular da Bíblia pelo fiel:

“O Concílio de Trento decretou a tese herética e proibiu a leitura da Bíblia pelos católicos, para impedir o livre-exame. Isso teve consequências que até os reis aliados do papa, como a Espanha e Portugal, escolheram manter as populações dos reinos e as populações pobres, negras e indígenas das colônias da América analfabetas, e a palavra de Deus foi transmitida oralmente a elas pelo padre iluminado pelo Espírito Santo”.

Seria necessário assinalar que “[…] o intervalo cronológico e semântico do livro em relação ao leitor precisaria ser suprido tendo em vista os elementos condicionantes da época em que o texto originalmente veio a público”. Se até o século XVIII o nome de um letrado ou homem de ciência sobrepujava o título dado à “sua” obra, de lá para a frente, “[…] a coisa se inverteu: a autoria dos livros de ciência se dissolveu na generalidade de um campo em que a iniciativa da pesquisa do cientista individual é somente um elemento hiperespecializado de um conhecimento anônimo”. Vivemos em outro tempo, evidentemente. Uma das características mais peculiares, na relação do livro com o público adepto do mundo ciber, é que, por intermédio do espaço virtual, as obras “[…] estão desierarquizadas nessas mídias como as peças de um joguinho Lego”. Para um internauta de nossos dias, desatento às condições de escritura e protocolos de leitura vigentes em outros tempos, Aristóteles valeria tanto quanto uma resenha sobre um filme de ação, feita de bricolagens.

Outra questão: a vigência dos direitos autorais, ao final do século XVIII, em que o escritor passou a ser tratado como um profissional liberal. Um pino a participar, com variável conhecimento da cortesania e da etiqueta, dos trâmites comercializáveis. Algo muito diferente acontecia na Roma antiga, quando “[…] não havia direitos autorais e era costume o autor pedir a amigos que fizessem modificações nos rolos que possuíam com sua obra”. Isso provocou numerosas diferenças entre as versões (simultâneas ou não) de um mesmo texto. Elas foram detectadas “[…] principalmente nos séculos XV e XVI, quando muitíssimos eruditos das cidades italianas passaram a editá-los e, depois, nos séculos XIX e XX, quando especialistas e filólogos fizeram edições críticas”. Não por acaso, o objeto livro também mudou em formato e propósitos. Atribui-se ao tipógrafo italiano Aldo Manuzio (1449-1515) a redução de tamanho, o que favoreceu o deslocamento da palavra impressa por entre pessoas e acervos, ruas, aposentos, ateliês e salões da corte.

Em O que é um livro?, o professor anuncia abordagem complementar, em que o eixo gravita em torno do objeto livro, mas também leva em conta os papéis e lugares do leitor. Alguém menos experimentado poderá não ver que, até recentemente, a expressão de um autor se ligava ao assunto, em adequação decorosa ao gênero discursivo. Nesse caso, poderá denegar as alusões pretendidas pelo autor, no momento da enunciação. Nesse sentido, caberia estabelecer uma analogia do leitor (que ignora ou desvaloriza os códigos de outro tempo) com a figura do louco, em seu eterno presente “[…] assim como a loucura, que ignora sua própria ficção, a alienação é ignorância […] da particularidade histórica da regra culta e dos poderes da regra”. Por que isso acontece? Porque raramente quem lê leva em conta os preceitos e expedientes utilizados em um texto: “[…] a desconsideração do simbólico corresponde à ignorância do artificial do texto e da sua própria ficção como leitor e caracteriza a leitura inepta e insuficiente como ideologia, etnocentrismo ou universalização da particularidade do seu imaginário de leitor”.

Ao ler, há que se preservar algum distanciamento e estipular parâmetros, conforme o recorte temático e a delimitação histórica, sem perder de vista pelo menos uma parcela dos ingredientes que orientam o que, onde, quando e como o texto foi enunciado, mais ou menos entre a Antiguidade e o final do século XVIII: “[Na hiperinterpretação], o leitor, principalmente o leitor escolar, descobre intenções que o autor quis dizer mas não disse, subordinando projetivamente a informação do texto ao seu imaginário, sem observar que sua interpretação deve ter limites determinados pela regulação retórica do gênero e do regime discursivo do texto”. Haveria que se evitar particularizações excessivas e anacrônicas, frente ao que se escreveu com outras premissas, mediante múltiplos procedimentos e objetivando diversos fins. Afinal, a leitura também tem história – por exemplo, aquela reverberada pela sociedade classista e imitadora canhestra de fidalgos, sedimentada no início do século XIX e atomizada, pelo menos desde 1980, graças ao neoliberalismo. É o que Hansen chama de “leitura besta”, pois “[…] faz falar uma vontade obtusa, cheia de si […], impondo-se à força”:

“Como ler textos do Antigo Regime, como os coloniais, que pressupõem outros conceitos de tempo histórico, poder, pessoa, autoria, texto e público, e não conhecem categorias como ‘literatura’, ‘plágio’, ‘direitos autorais’ e os estilos que os classificam unitariamente nas nossas histórias literárias, Classicismo, Barroco, Neoclassicismo etc.?”.

O que é um Livro?, de João Adolfo Hansen, Cotia/São Paulo, Ateliê/Edições do Sesc, 2019, 72 pp.

Ilustremos. O primeiro verso de Os Lusíadas – poema épico com 10 cantos, 1.102 estrofes, 8.616 versos –, escrito por um soldado português entre as décadas de 1550 e 1570 – demandaria uma leitura muito bem aparelhada, sob o risco de o texto modelar (e que imita modelos) ser tratado com despeito ou fastio por alguém que sequer compreendeu aquilo que leu, devido a numerosas limitações: “[…] a expressão ‘armas e barões assinalados’ é uma antecipação, uma síntese prévia da matéria, do gênero e do estilo do poema […] o eventual leitor de Camões deve observar que já no primeiro verso o poema fornece o protocolo de leitura adequada”. Pode-se supor que o livro de João Adolfo Hansen contenha “tom” provocativo, especialmente se atentarmos para a hipótese de que “[…] o leitor tem antes de tudo de suplementar a sua própria insignificância, a sua falta de significação”. Mas isso seria dizer óbvio e pouco. Neste livro sobre os livros, Hansen assume a persona do ensaísta que comove, deleita e ensina – segundo os preceitos de Cícero. Sob esse aspecto, O que é um livro? também pode ser entendido como fala forjada com um misto de sabedoria, coerência e inconformismo. Nada mais conveniente, pois, que este pequeno grande livro inaugure a Coleção Bibliofilia, da Ateliê.

Fonte: Jornal da USP

A revolução da representatividade no mundo dos quadrinhos

Isabella Botelho

No Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos, saiba mais sobre a representatividade na arte

“Eu só quero que vocês saibam que a Marvel sempre foi e sempre será um reflexo do mundo que vemos da nossa janela. Esse mundo pode mudar e evoluir, mas uma coisa que nunca irá mudar é o jeito que contamos nossas histórias de heroísmo. Essas histórias tem espaço para todos, independentemente de seu gênero, religião ou cor da sua pele”, afirmou Stan Lee em um vídeo de outubro de 2017. A mensagem do autor e executivo da Marvel, morto em outubro de 2017, foi um tipo de resposta aos fãs que protestavam contra o crescente espaço dado a temas como inclusão e diversidade nos quadrinhos da editora.

Para o bem ou para o mal, o universo da cultura pop está em constante mudança. Por conta disso, o surgimento de algumas polêmicas é parte natural desse processo. Essa situação ocorre por vários motivos como, por exemplo, a dificuldade do público em aceitar algo diferente do tradicional. Um dos primeiros temas a serem abordados e que gerou polêmica para os fãs de quadrinhos foi a representatividade feminina.

Segundo a pesquisa Geek Power 2020, realizada pelo Omelete Company em parceria com a Mindminers, 63% da comunidade geek é composta por homens. Esse resultado aponta para uma velha afirmação de que o universo geek é machista, o que justifica a atitude reacionária de alguns ao verem minorias serem representadas nos quadrinhos. No entanto, a representatividade não parece ser uma brisa passageira, ela veio para ficar e tem tomado cada vez mais espaço.

Cultura e nacionalidade

Tanto a Marvel quanto a DC apostam em personagens provenientes de diferentes partes do mundo. Isso ajuda a trazer à tona diferentes culturas que não são retratadas costumeiramente, como é o caso do povo romani, por exemplo.

Na Marvel, temos a Feiticeira Escarlate como representante dos romani, assim como seu irmão, Mercúrio. A dupla também tem uma origem judia por serem filhos de Magneto. A Ásia também está bem representada com Blindspot (chinês), Armor (japonesa) e Amadeus Cho (coreano). A América Latina é o continente de origem de diversos personagens como Ventania (venezuelana), Motoqueiro Fantasma (mexicano), Inferno (colombiano) e Mancha Solar (brasileiro). A representatividade africana fica por conta de Tempestade (queniana) e Pantera Negra. Cheyenne e Apache dão voz à cultura indígena.

Já na DC, o Asa Noturna representa o povo romani. O Lanterna Verde, por sua vez, um dos personagens mais famosos da editora, é afro-americano. Miranda Tate é descendente de chineses e árabes. Batwoman representa a comunidade judaica. Atom (chinês), Katana (japonesa) e Linda Park (coreana) são os personagens de origem asiática.

Sexualidade e identidade de gênero

Representar diferentes sexualidades tem sido um tanto quanto recente por parte da indústria das HQs, no entanto, aos poucos as empresas conseguiram inserir personagens que representam a realidade da comunidade LGBTQI+. No caso da Marvel, a bissexualidade é representada por Daken, filho de Wolverine. Seus poderes envolvem ferormônios e sedução, os quais ele já usou para despertar o interesse de homens e mulheres. Wiccano, filho da Feiticeira Escarlate, e Teddy Altman, filho do Capitão Marvel, são referência na Marvel quando se trata de homossexualidade. Eles têm um relacionamento e já até mencionaram noivado. No entanto, o primeiro e até hoje principal personagem gay da Marvel foi o Estrela Polar, criado na década de 70. Deadpool, um dos principais personagens da editora é pansexual e também se enquadra na comunidade.

A DC não fica atrás e também aposta muito na diversidade. A editora aborda a assexualidade, falta de atração sexual por qualquer pessoa, através da personagem Tremor. Já a intersexualidade, variação de caracteres sexuais que inclui cromossomos ou órgãos genitais que dificultam a identificação de um indivíduo como totalmente feminino ou masculino, é representada pelo Cavaleiro Brilhante. A editora também criou Lee Serrano, um personagem não-binário, que não se identifica nem como homem e nem como mulher.

Doença e deficiência 

Na Marvel, o Gavião Arqueiro traz a representatividade aos deficientes auditivos. Já Mercúrio é portador de transtorno de personalidade limítrofe, um padrão de comportamento anormal caracterizado pela instabilidade nos relacionamentos interpessoais. Um personagem bem famoso é o Demolidor, que é deficiente visual. Já na DC, a representatividade dos deficientes auditivos cabe ao Flautista, enquanto o Doutor Meia-Noite representa os deficientes visuais. Além, é claro, da Bat-Girl, que combate o crime em uma cadeira de rodas.

Fonte: Mercadizar

Quadrinhos infantis ganham exposição em São Paulo

Texto por Marcelo Naranjo

Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo – AQC-ESP comemora o Dia do Quadrinho Nacional com a exposição Quadrinhos Infantis Brasileiros, na Biblioteca Latino-Americana Victor Civita do Memorial da América Latina, dos dias 30 de janeiro até 10 de fevereiro de 2020.

A abertura oficial será no dia 1º de fevereiro, sábado, das 10h às 14h.

Um bate-papo com autores de quadrinhos infantis acontece no local, às 11h, com a presença dos artistas Cesar Sandoval (Turma do Arrepio e Trapalhões), Marco Cortez (Senninha), Denise Ortega (roteirista do Sitio do Pica-pau amarelo e Menino Maluquinho), Régis Rocha (Herói) e Jal (MSP).

Exposição 150+1 ano de Quadrinhos Brasileiros em 150 tiras, realizada em 2019 celebrando os 150 anos de Nhô Quim de Ângelo Agostini – a primeira história em Quadrinhos do Brasil – será agora realizada na Biblioteca Pública Municipal Professor Ernesto Manoel Zink, em Campinas, de 30 de janeiro a 29 de fevereiro.

A entrega do 36º Troféu Ângelo Agostini acontece no dia 13 de Junho de 2020, com exposições, palestras, bate-papo, feira de quadrinhos e a entrega do troféu aos melhores de 2019, também na Biblioteca Latino-Americana Victor Civita do Memorial da América Latina. A programação será divulgada próxima do evento.

Fonte: UNIVERSO HQ

CONHEÇA DEZENOVE FONTES DE INFORMAÇÃO SEGURAS SOBRE ÁFRICA E AFRICANIDADES

As fontes de informação, de diversas instituições pelo mundo, reunem centenas de milhares de publicações, a maioria das quais avaliadas por especialistas da área

Biblioteca Zink celebra o Dia do Quadrinho Nacional com exposições, feira e oficina

By Cultura Carta Campinas

A Biblioteca Pública Municipal “Professor Ernesto Manoel Zink” comemora 150+1 anos da história do quadrinho nacional com várias atividades que começam no dia 30 de janeiro e vão até o dia 29 de fevereiro. Entre as atividades previstas estão exposições, bate-papos com quadrinistas, feira de HQs, jogos, K-pop, oficina de origamis e exibição de documentário.

A abertura será com a exposição de tiras da AQC – Associação dos Quadrinistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo. A mostra pode ser vista das 9h às 17h e a entrada é gratuita. Também no dia 30, haverá a revoada de quadrinhos – vários HQs serão espalhados por espaços públicos para serem encontrados e lidos.

(Foto: Divulgação)

Já no dia 8 de fevereiro serão abertas duas exposições: uma em homenagem ao quadrinista Laudo Ferreira e outra que dá destaque aos quadrinhos distópicos. A distopia é o oposto da utopia. A segunda prevê um sistema perfeito, um estado ideal, onde vigora a máxima felicidade e concórdia dos cidadãos. Ou seja, uma sociedade perfeita. No entanto, a distopia vai diretamente contra essa definição. A abertura das duas exposições será às 11h e podem ser vistas pelo público das 11h às 19h, até 29 de fevereiro.

A entrada é gratuita.

No dia 30 de janeiro de 1869 foi publicada a primeira história de quadrinho brasileira: “As Aventuras de Nhô-Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte”, de autoria do cartunista Angelo Agostini.  Assim, foi a partir de 1984 que se instituiu, por meio da Associação dos Quadrinistas e Cartunistas do Estado de São Paulo (AQC-ESP), a data em que se comemoraria o Dia do Quadrinho Nacional.

Dia do Quadrinho Nacional na Biblioteca Zink – 7ª edição De 30 de janeiro a 29 de fevereiro 2020 Biblioteca Pública Municipal “Professor Ernesto Manoel Zink” Avenida Benjamin Constant, 1.633, Centro.

(Carta Campinas com informações de divulgação)

Fonte: Carta Campinas

Curso – Gestão da Privacidade da Informação – próximas turmas de apresentação da norma ABNT NBR ISO/IEC 27701:2019

Em dezembro de 2019 foi lançada uma norma de extrema importância: a ABNT NBR ISO/IEC 27701.

Esta norma orienta a implementação de um sistema de gestão da privacidade da informação e estende as normas 27001 e 27002 de segurança da informação de forma que sejam normas de segurança da informação e privacidade.

Sua importância está vinculada a necessidade das organizações em geral de se adequarem aos requisitos e princípios das legislações de proteção de dados, atualmente em vigor em mais de 100 países, entre eles o Brasil com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Ao apresentar as melhores práticas internacionais de proteção de dados, a norma fornece as empresas um direcionamento seguro para as suas ações de adequação. Mais que isso, um direcionamento que não traz perdas dos esforços já feitos em muitas empresas para a implantação de um sistema de gestão de segurança da informação de acordo com a norma ABNT NBR ISO/IEC 27001.

A norma também abre novas perspectivas para os profissionais de segurança da informação, treinados de acordo com a ABNT NBR ISO/IEC 27002, acrescentando os conhecimentos necessários para qualifica-los como profissionais de segurança da informação e privacidade. Profissionais que serão necessários para apoiar tecnicamente o Encarregado de Proteção de Dados ou, se este for o encaminhamento tomado pelo mercado, atuar neste papel.

Para apoiar empresas e profissionais na adoção da norma, a ABNT também lançou em dezembro de 2019 o curso introdutório à 27701 (Fundamentos do Sistema de Gestão da Privacidade da Informação-SGPI, de acordo com a norma ABNT NBR ISO/IEC 27701).

Com carga horária de 16 horas, o curso apresenta os fundamentos do sistema de gestão da privacidade da informação definido na norma, mostrando a estrutura de privacidade na qual ela se baseia (ISO/IEC 29100), seus requisitos e controles.

O curso não exige conhecimento prévio das normas NBR ISO 27001 e NBR ISO 27002, porém, com certeza, este contribui para um melhor aproveitamento do conteúdo apresentado.

Seu público alvo são pessoas envolvidas na implementação, gestão ou acompanhamento da proteção de dados pessoais. Particularmente: profissionais de segurança da informação, encarregados de proteção de dados, Data Protection Officers (DPOs), especialistas em tecnologia da informação, consultores técnicos, advogados interessados em normas técnicas que deem apoio a medidas de adequação à legislação, profissionais da área de Compliance e de gestão de riscos de TI, bem como prestadores de serviços de TI em geral.

São abordados no curso orientações, requisitos e controles relacionados a:

  • Estrutura de Privacidade da Informação
  • Governança e organização da segurança da informação e privacidade
  • Gestão de riscos de segurança da informação e privacidade
  • Política de segurança da informação e privacidade
  • Gestão dos ativos de acordo com a segurança da informação e privacidade
  • Segurança da informação e privacidade nos Recursos Humanos
  • Segurança física
  • Segurança da informação e privacidade na comunicação e operação
  • Controle de acesso
  • Desenvolvimento seguro
  • Gestão de incidentes de segurança da informação e privacidade
  • Continuidade dos negócios
  • Compliance
  • Condições para a coleta e tratamento dos dados
  • Obrigações para com os titulares de dados pessoais
  • Compartilhamento e transferência de dados pessoais
  • Instrutor da ISO (Genebra) no curso oficial sobre as normas ISO IEC 27001 E ISO IEC 27002, nos anos de 2011 e 2012;
  • Instrutor da ABNT, desde 2006, no curso oficial sobre as normas ISO IEC 27001 e ISO IEC 27002
  • Líder da Delegação do Brasil nas reuniões do ISO/IEC JTC 1/SC 27, Comitê responsável pela elaboração das normas ISO 27001, ISO 27002, ISO 27701 e demais normas que apoiam a ISO 27701
  • Coordenador da Comissão da CE-021.000.027, espelho no Brasil do Comitê ISO/IEC JTC 1/SC 27 .
  • Relator do projeto NBR ISO/IEC 27701
  • ISO 27001 Sênior Lead Auditor
  • Consultor em Sistemas de Gestão da Segurança da Informação e Privacidade
  • Consultor de Segurança da Informação e Gestão de Riscos de TI
  • Membro da Comissão da CE-021.000.027
  • Relator do projeto NBR ISO/IEC 29100
  • Professor no curso LGPD na Prática da Fundação Vanzolini

O material didático do curso é composto pela apostila, pelas normas ABNT NBR ISO/IEC 27001, ABNT NBR ISO/IEC 27002 e ABNT NBR ISO/IEC 27701, e por vários exercícios de fixação de conceitos. O curso é ministrado pelos seguintes instrutores:

Ariosto Farias Júnior:

  • Instrutor da ISO (Genebra) no curso oficial sobre as normas ISO IEC 27001 E ISO IEC 27002, nos anos de 2011 e 2012;
  • Instrutor da ABNT, desde 2006, no curso oficial sobre as normas ISO IEC 27001 e ISO IEC 27002
  • Líder da Delegação do Brasil nas reuniões do ISO/IEC JTC 1/SC 27, Comitê responsável pela elaboração das normas ISO 27001, ISO 27002, ISO 27701 e demais normas que apoiam a ISO 27701
  • Coordenador da Comissão da CE-021.000.027, espelho no Brasil do Comitê ISO/IEC JTC 1/SC 27 .
  • Relator do projeto NBR ISO/IEC 27701
  • ISO 27001 Sênior Lead Auditor
  • Consultor em Sistemas de Gestão da Segurança da Informação e Privacidade

Carlos Alberto Iglesia Bernardo:

  • Consultor de Segurança da Informação e Gestão de Riscos de TI
  • Membro da Comissão da CE-021.000.027
  • Relator do projeto NBR ISO/IEC 29100
  • Professor no curso LGPD na Prática da Fundação Vanzolini

As inscrições para as duas próximas turmas do curso já estão abertas no portal de cursos da ABNT. Os cursos ocorrerão nos dias 13 e 14 de fevereiro, e 12 e 13 de março de 2020. As vagas são limitadas e, pela importância da norma, a previsão é de que a procura seja significativa. Assim, sugerimos que não deixe sua inscrição para a última hora.

Também há a possibilidade da contratação de cursos para turmas fechadas em empresas. Se tiver interesse, entre em contato com a área de cursos da ABNT (capacitacao@abnt.org.br).

Fonte: Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)

Entre dribles e quadros: relação entre o futebol e as histórias em quadrinhos

Texto por Bianca Loiola

A interação entre diferentes linguagens e recursos é um dos aspectos que estão inseridos no processo de comunicação humana. Partindo desse princípio, as histórias em quadrinhos se apresentam como um importante veículo que integra variados recursos comunicativos, revelando-se nessa pesquisa por possuir potencial expressivo, possibilitando a construção de narrativas.

Mundialmente, o Brasil é conhecido por diversos aspectos, um deles, é que o país é considerado um dos grandes pilares para o desenvolvimento e a popularidade do futebol. Esse título perpassa um imaginário social desde 1938 – que foi o marco principal para a inserção do futebol-arte na identidade nacional (GUTERMAN, 2009). Com o passar dos anos, a sociedade adquiriu um crescente gosto pelo futebol e esta paixão do torcedor pela seleção brasileira e seus respectivos clubes de futebol foi considerada elemento essencial no cotidiano dos indivíduos, influenciando na construção de memória e identidade.

A relação entre o futebol e os quadrinhos não é algo tão surpreendente, visto que na década de 40, o argentino Lorenzo Molas originou diversos mascotes para os clubes de futebol do Rio de Janeiro. Em tal ato, cada clube era representado por um personagem, o “Pato Donald”, personagem de desenhos animados e histórias em quadrinhos dos estúdios de Walt Disney, passou a representar o Botafogo de Futebol e Regatas (BFR), o marinheiro “Popeye”, personagem clássico dos quadrinhos criado por Elzie Crisler Segar, já posava como símbolo do Clube de Regatas do Flamengo (CRF), o “Almirante” no Clube de Regatas Vasco da Gama (CRVG), o “Cartola” no Fluminense Football Club (FFC) e o “Diabo” no América Football Club (AFC), também foram representações de personagens que davam alusão aos respectivos clubes (PESSOA, 2012).

A maior parte das histórias em quadrinhos que abordam o futebol partem do gênero infantil, porém, elas não isentam o acesso e a leitura a outros tipos de público, visto que o alcance e o consumo dessa produção pode ser disponibilizado para qualquer indivíduo. Desse modo, foram destacadas quatro características observadas na relação entre o futebol e as histórias em quadrinhos:

  • Primeiro Contato: As histórias em quadrinhos aplicadas ao gênero infantil estão inseridas no primeiro contato do leitor com a leitura e o próprio item, atentando-se ao fato da interação do público infantil com o quadrinho sobre futebol. Aos demais públicos também considerou o aspecto do primeiro contato, pois os mesmos podem não estar familiarizados a esse tipo de suporte específico voltado para a disseminação de conteúdos esportivos relativos ao seu respectivo clube. Pode se compreender que o primeiro contato pode gerar novos olhares e interesses para as histórias em quadrinhos desenvolvendo novos conhecimentos e novas linguagens para aquele indivíduo. As histórias em quadrinhos podem influenciar na formação da identidade do torcedor, visto que, na narrativa são apresentados conteúdos que destacam as épocas vitoriosas dos clubes de futebol, ou seja, indiretamente, a vangloriação de seus feitos históricos podem induzir o indivíduo a torcer por aquele clube.
  • Uso suavizante: As linguagens das histórias em quadrinhos por serem produzidas em massa para o quadrinho infantil, possuem um uso suavizante, ou seja, um estilo leve que promove acesso à narrativa por meio de textos e imagens que acabam sendo um atrativo maior para o leitor, que pode desenvolver a interpretação daquele contexto esportivo, possibilitando um registro memorialístico do respectivo clube.
  • Incentivo à leitura: Por possuir uma linguagem suavizante, as histórias em quadrinhos podem chamar a atenção do leitor e instigá-lo a consumir em massa mais itens deste gênero. O indivíduo, através do hábito de ler, inicia um ciclo viciante de novas leituras, novas interpretações e atribuições de significados para cada item lido.
  • Memória por tabela: As histórias em quadrinhos voltadas para o futebol, por se tratarem de feitos históricos dos clubes que aconteceram em décadas ou até mesmo séculos, faz com que o leitor da geração atual possa não ter vivido ou estado presente em certos acontecimentos, porém, independente de tal circunstância, o indivíduo pode desenvolver o sentimento de pertencimento histórico a aquele contexto por meio da noção de memória por tabela (POLLAK, 1992).

Podemos considerar que o mundo da bola e o mundo das histórias em quadrinhos formam uma eficiente dupla de ataque no campo de entretenimento, desse modo, tanto a representação de mascotes de clubes de futebol, quanto à inserção de histórias em quadrinhos que retratam o ambiente futebolístico, têm sua importância por narrar um conteúdo que faz parte do imaginário social do brasileiro e possibilitar a construção da memória e identidade da sociedade.

E você, já leu alguma história em quadrinhos que aborde a temática do futebol ou algum outro esporte?

*Texto resumido do artigo científico “Entre dribles e quadros: a construção da memória social do futebol brasileiro pela linguagem das histórias em quadrinhos” apresentado na 6as. Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos (ECA/USP)*

Referências:

GUTERMAN, M. O futebol explica o Brasil: uma história da maior expressão popular do país. São Paulo: Contexto, 2009.

PESSOA, F. M. L. Mascotes e “merchandising” no futebol carioca da década de 1940. XV Encontro Regional de História – ANPUH-Rio, 2012. Disponível em: <http://www.encontro2012.rj.anpuh.org/resources/anais/15/1338409790_ARQUIVO_Mascotesemerchandisingnofutebolcariocadadecadade1940.pdf>.

POLLAK, M. Memória e Identidade social. In: POLLAK, M. Estudos históricos, 2. ed. Rio de Janeiro: Cpdoc/FGV, 1992.

Fonte: Linkedin

Libros ‘vivientes’ en realidad aumentada, un proyecto mendocino

Un joven bibliotecario desarrolló un proyecto de realidad aumentada, por el cual los libros ‘cobran vida’ a través del celular mediante el despliegue de imágenes, videos y figuras 3D, con el objetivo de revalorizar la literatura para los jóvenes.

NICOLÁS MUNILLA

Las nuevas tecnologías pueden transformarse en importantes herramientas que impulsen motivaciones elementales en la formación del ser humano, como el acceso a la lectura. En ese sentido, un joven bibliotecario mendocino desarrolló un proyecto de realidad aumentada (RA) por el cual los libros ‘cobran vida’ a través de la pantalla del celular, mediante el despliegue de imágenesvideos y figuras 3D, con el objetivo de revalorizar la literatura para los jóvenes.

La realidad aumentada consiste en el desarrollo de tecnologías que permiten la visualización de información adicional sobre un entorno real, captada a través de la cámara de un dispositivo con un software específico previamente instalado y que contenga datos gráficos añadidos. Así, los elementos tangibles se combinan visualmente con los elementos artificiales, volviéndose una inserción a la virtualidad que mantiene una conexión con el mundo real.

Se trata de un sistema que se popularizó en los últimos años gracias a aplicaciones como Pokémon GO, y además se utiliza ampliamente en diversos campos como la industria, la medicina, el arte, el comercio y la educación.

En Mendoza existen varios desarrollos con realidad aumentada, pero hace pocos meses comenzó un proceso de vinculación con la literatura, o más específicamente, con la promoción y accesibilidad a la lectura. Federico Grenón es un joven bibliotecario que lleva a cabo su proyecto ‘La Biblioteca de Cara a las Nuevas Tecnologías’, que consiste en la ejecución de varias herramientas basadas en la RA que conectan el mundo de los libros con los lectores a través de técnicas digitales innovadoras, como códigos QR y marcadores audiovisuales.

Para ello, utiliza aplicaciones y plataformas web como HP Reveal y ArgumentedClass, que permiten la creación de recursos de realidad aumentada como imágenes, videos, música o figuras 3D, con el fin de potenciar los contenidos estáticos impresos, en este caso las portadas de libros, generando interactividad y dinamismo al usuario.

Asimismo, diseñó códigos QR escaneables para acceder a una serie de audiolibros y facilitó la distribución de ebooks gratuitos entre estudiantes.

FEDERICO GRENÓN.

Grenón se contactó en junio del año pasado con las escuelas secundarias Presidente Raúl Alfonsín (de gestión estatal) y Virgen del Carmen de Cuyo (privada), y la Biblioteca Municipal Julio Fernández Peláez, todas en Maipú, para comenzar su iniciativa: “Por medio de esa articulación, en la que participaron además profesoras del área de Lengua y Literatura, nos dimos cuenta que la mayoría de los niños y adolescentes no estaba leyendo, no tenía interés en la lectura y los títulos les parecían absurdos. Además les pesaba el factor económico, ya que no podían costear la compra de los libros requeridos para las clases”, contó a MDZ.

El primer paso fue la transformación en códigos QR de la colección de cuentos Lecturas Grabadas, publicada en la página web del Ministerio de Educación de la Nación: “Como cada cuento posee un link para ingresar, lo que hice entonces fue quitar ese hipervínculo y recodificarlo en un código QR que al ser escaneado con un celular, te redirige automáticamente al audio. Es más atractivo, más llamativo y ahorra clicleos”. Alrededor de quince de estos audiolibros configurados con este módulo fueron distribuidos en las citadas escuelas y la biblioteca municipal.

En una segunda etapa, Federico aprovechó el gestor de software libre Calibre para descargar libros digitales acordados previamente con las docentes. “Luego los chicos se acercaban a la biblioteca con un pendrive y recibían una copia en PDF para leerla en sus casas o en la sala de computación”,

añadió.

Con estas herramientas ya incorporadas, Grenón avanzó en lo que sería el punto culmen del proyecto: “Armamos un sector especial en la biblioteca municipal donde colocamos los libros para que fueran escaneados, ya sea con una aplicación que podían descargar en sus celulares o, como algunos directamente no querían bajarla, con mi teléfono que les prestaba”. Al escanear la tapa, el usuario entraba a la RA para ahondar en la información virtual de alguno de los dieciséis libros exhibidos, como La dama del alba con un tenebroso esqueleto, Drácula y un fragmento del clásico film ‘Nosferatu’, El Principito junto a la versión cinematográfica animada de 2015 y El señor de los anillos: la Comunidad del Anillo con una cinemática del personaje Gandalf.

“La reacción fue excelente, los chicos se coparon muchísimo. Y si bien son considerados nativos digitales, algunas veces tanta información los marea, por lo que uno como gestor bibliotecario del conocimiento tiene que brindarles estas herramientas para encauzarlos hacia una selección libre de la información”, expresó Federico.

Para el joven bibliotecario, la RA genera valores añadidos en la promoción de la lectura: “Incentiva la motivación con el uso de una tecnología innovadora en el usuario, más allá de la edad, la situación socioeconómica o el nivel educativo; genera un mayor acceso a la información de la obra a través de una imagen, un código, una palabra o un breve texto, ampliando las oportunidades de adentrarse en conocimientos no observables a primera vista; y fomenta el uso de tecnología gratuita gracias a su funcionamiento óptimo en dispositivos sencillos, como celulares de gama

media”.

Aunque tuvo un impacto positivo en la comunidad estudiantil y bibliotecaria local, la iniciativa no perduró en el tiempo, por lo que Grenón apunta a conseguir nuevos interesados y plantea desafíos más ambiciosos: “En el futuro quiero crear mi propia aplicación de realidad aumentada, que incluya una guía de libros visible en un catálogo online, con la posibilidad de prestar esa facilidad a diferentes ámbitos, como bibliotecas y escuelas”.

Federico sostuvo que la incorporación de estas herramientas innovadoras es una acción fundamental en la transformación que atraviesan las bibliotecas: “Hay que enfocarnos en los tiempos que apremian, donde la biblioteca no solo son libros y estanterías sino que debe adoptar el papel de precursora y facilitadora de nuevas tecnologías. Para ello, la biblioteca debe generar su espacio propio, ser motivo de consulta y también de crítica para seguir mejorando, pero sobre todo debe empaparse de su entorno. Así, tendrá que mutar del sitio fijo en donde espera a los usuarios al de exploración para la búsqueda de ellos, captando su atención y satisfaciendo sus demandas”.

Fonte: MDZ Diario de Mendoza

Exposição de HQ’s acontece na Biblioteca Municipal até dia 30/01

Mostra comemora o dia Nacional das Histórias em Quadrinhos, no dia 30 de janeiro

A Biblioteca Municipal de Franca está promovendo uma exposição de HQs para comemorar o Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos, comemorado no dia 30 de janeiro.

A mostra literária tem como tema os clássicos da literatura brasileira adaptados para os quadrinhos, além de tiras e charges cedidas pelo cartunista Gilmar Barbosa.

A exposição tem como objetivo incentivar a reflexão sobre o comportamento humano por meio dos quadrinhos. A visita pode ser feita de segunda a sexta-feira das 8 às 18 horas.

A Biblioteca Municipal está localizada à Av. Champagnat, 1808 – Centro.

​Fonte: Jornal de Franca

“Os jornais centenários têm muito a ensinar para o jornalismo atual”, afirma a pesquisadora Hérica Lene

Kassia Nobre

A jornalista e pesquisadora Hérica Lene acaba de lançar o e-book “Jornais Centenários do Brasil” (Labcom-UB, 2020). A obra é resultado de uma pesquisa de pós-doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) sobre os jornais brasileiros que atingiram ou ultrapassaram a marca temporal dos 100 anos.

O Portal IMPRENSA conversou com a pesquisadora sobre os desafios e as estratégias de sobrevivência dos jornais no atual contexto de crise do jornalismo e busca por novos modelos de negócio de produção da notícia.

Hérica realizou 17 entrevistas com dirigentes de jornais (diretores, editores ou chefes de redação). “Nos discursos dos dirigentes dos jornais centenários, a tradição é vista como patrimônio e fortalecimento das marcas e como um elemento importante que contribui, em algum nível, para a manutenção dos periódicos em circulação”, explica.

Crédito:Divulgação Labcom-UB
Portal IMPRENSA – Conta sobre o processo da pesquisa que resultou no livro. Como surgiu a ideia de escrever sobre os jornais centenários?

Hérica Lene – O livro “Jornais Centenários do Brasil” (Labcom-Ubi, 2020) é resultado da minha pesquisa do pós-doutorado em Comunicação e Cultura pela UFRJ, que fiz de 2017 a 2018, mas iniciei essa busca pela trajetória e situação dos jornais centenários bem antes, em 2014,  em um projeto do grupo de pesquisa que coordeno na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), onde dou aula. Inclusive, obtive a aprovação de um edital de pesquisa do CNPq para desenvolver esse estudo.

Eu pesquiso na área de História da Imprensa desde que ingressei na vida acadêmica, após ter sido repórter dos jornais capixabas A Tribuna e A Gazeta e da Gazeta Mercantil (caderno regional Espírito Santo).

A crise dos jornais impressos é um tema importante de ser investigado e acompanhado. Muitos jornais tradicionais morreram, como o Jornal do Commercio do Rio de Janeiro, infelizmente. A própria Gazeta Mercantil, onde trabalhei há anos, foi um importante jornal que fechou com pouco mais de 80 anos de circulação.  Então, eu queria saber como os jornais centenários estavam enfrentando a situação de convergência e que estratégias estão lançando mão para sobreviverem nesse contexto.

Ao iniciar a pesquisa sobre os jornais centenários, em 2014, eram 28 com mais de 100 anos que constavam na lista da Associação Nacional dos Jornais (ANJ). Até o primeiro semestre de 2019, além do emblemático Jornal do Commercio (RJ), também suspenderam suas atividades na imprensa de São Paulo: Diário de S.Paulo, A Mococa, o Diário do Povo e Comércio do Jahú.

Outro historicamente muito importante para a imprensa brasileira – o Jornal do Brasil – migrou para o on-line em 2010, mas voltou a circular impresso em 2018 no Rio de Janeiro. Foi o único que deixou o corpo “papel” para o digital, mas voltou ao suporte anterior. Conseguiu circular impresso apenas por um ano, até março de 2019, e retomou a ser apenas on-line.

Outros três deixaram de circular impresso e migraram definitivamente para o on-line: O Mossoroense, o Correio Riograndense e o A Cidade. Outros dois centenários, no entanto, sobrevivem circulando somente em versões impressas e não têm edição na internet: O Taquaryense e o Gazeta de Ouro Fino. Outros dois foram adquiridos pelo poder público: A União e a Tribuna do Norte, o que dá fôlego para continuarem circulando em suas versões impressas no que tange ao custo da produção e impressão.

E outros dois atingiram a marca temporal dos 100 anos no primeiro semestre de 2019: Gazeta do Povo, de Curitiba, Paraná, que, a partir de 1º de junho de 2017, passou de impresso para on-line, mantendo a edição impressa unificada apenas no fim de semana; e o Jornal do Commercio, de Recife, Pernambuco, que se mantém nos suportes papel e o on-line.

O desafio da pesquisa foi relacionar o passado (um pouco da trajetória dos jornais) com o presente (as estratégias). Por isso, ele foi feito no formato enciclopédico, com um tópico para cada jornal e um pouco de sua história junto com a entrevista de um representante que falasse dessas ações do presente. A metodologia foi pesquisa bibliográfica e entrevistas com os dirigentes dos jornais (diretores, editores ou chefes de redação).
Portal IMPRENSA – Você fala sobre os desafios e as estratégias de sobrevivência destes jornais nos dias de hoje. Você poderia falar um pouco sobre este tópico? Como os jornais centenários lidam com alguns desafios, como as redes sociais, a desinformação online, etc.?

Hérica Lene – Consegui realizar 17 entrevistas durante o período do pós-doutorado e todos os depoimentos trataram das dificuldades de continuar atraindo novos leitores, que migram para as plataformas móveis. O que a pesquisa mostra é que, de Norte a Sul do país, o jornal impresso está em crise, inserida na conjuntura da crise geral do negócio de jornalismo.

Os jornais têm buscado valorizar a proximidade na abordagem das notícias em busca de atrair os leitores como um valor-notícia fundamental, além do investimento na plataforma da internet e da busca de canais de interação com seus públicos, para receber demandas dos leitores e sugestões de pauta. Em tempos de globalização instantânea das informações, o local e o regional são valorizados.

Resumi em 12 pontos principais os resultados da pesquisa:
1) Dificuldades de sobrevivência para todos, independente do porte do jornal (diário ou semanal, se de regiões metropolitanas ou do interior);
2) Busca de um novo modelo de negócio, de estratégias que ajudem os jornais a se sustentar já que houve queda de publicidade com a circulação de conteúdo informativo e noticioso pela internet;
3) A maioria dos jornais centenários migrou para a plataforma da internet;
4) Equipes reduzidas de profissionais estão produzindo o conteúdo dos jornais;
5) Busca de uma maior interação com seus públicos, via redes sociais;
6) Renovar a carteira de leitores e atrair os jovens é visto como um grande desafio dos jornais atualmente;
7)  A tradição é considerada como muito importante para manutenção do jornal;
8) Com relação a abordagem noticiosa, muitos jornais trabalham com “redação integrada”, no sentido de que as equipes trabalham no mesmo espaço físico, mas prevalece o tratamento diferenciado para o impresso (que segue uma linha argumentativa mais fundamentada em opiniões e análises) e no on-line (notícias mais curtas); Uma tendência: o conteúdo do papel ter um tratamento mais analítico, com contextualização, enquanto o digital tem um caráter mais factual e noticioso, e onde se busca experimentação com conteúdos em áudio e vídeo;
9) Os entrevistados dos jornais localizados no interior evidenciam que sofrem mais dificuldades em manter os periódicos em circulação em função da concorrência com o jornalismo veiculado na plataforma de internet;
10) Jornais de médio e pequeno porte adotaram uma “superedição” de final de semana como forma de diminuir custos;
11) Enfoque na cobertura de notícias locais e regionais como um diferencial para enfrentar a concorrência das mídias digitais, onde há rápida circulação de notícias nacionais e internacionais;
12) Crise econômica de 2014 como agravante da crise dos jornais impressos, que perderam anunciantes e assinantes;
 Diante do quadro apresentado, observa-se redução de equipes de jornalistas e busca de um modelo de negócio que sustente o jornal.  O futuro dos impressos, portanto, segue incerto no contexto de crise do jornalismo.
Há menos leitores do jornalismo impresso, cujas tiragens despencam. E menos anunciantes, que costumavam responder pela maior fatia das receitas. As diferentes mídias se concentram em uma só plataforma, a internet, onde se colhe mais audiência e se busca, com dificuldades, o faturamento publicitário do passado.
Portal IMPRENSA – O que os jornais centenários podem ensinar para as novas produções jornalísticas?

Hérica Lene – Os jornais centenários têm muito a ensinar para o jornalismo atual porque a longevidade lhes trouxe tradição e capital simbólico.

Infelizmente, tudo indica que o jornal impresso em papel como principal produto de um modelo de indústria jornalística consolidado no século XX está morrendo. O jornalismo, no entanto, segue necessário e vivo em muitos lugares. Em processo de mutação, jornais assumem novos “corpos” ao migrarem para o suporte digital, sobretudo, os mais longevos e tradicionais.

A crescente complexidade das sociedades contemporâneas, com a experiência de múltiplos ritmos, extrapola a resposta que um jornal impresso pode dar, já que seu tempo é fixado pela impressão.

Nos discursos dos dirigentes dos jornais centenários, a tradição é vista como patrimônio e fortalecimento das marcas e como um elemento importante que contribui, em algum nível, para a manutenção dos periódicos em circulação.

O próprio alcance de sua permanência em circulação na longevidade dos anos, e nas intempéries dos ciclos econômicos, lhes confere capital simbólico e uma credibilidade que os jornais on-line ainda não conquistaram. Por isso, mesmo, eles continuam sendo importantes referências de jornalismo para as novas produções jornalísticas.
O e-book “Jornais Centenários” está disponível aqui.

Na era digital, livros físicos ainda são preferência de leitores

MARIANA CHECONI

Mesmo com a era digital e a tecnologia, que proporciona diversas maneiras de ler livros e histórias, algumas pessoas preferem o bom e velho livro de papel. Seja pela sensação que ele traz ou pelo conforto aos olhos, diversos motivos fazem com que as páginas não substituam as telas.

O jovem Gabriel Lima Alvares Nogueira conta que não abre mão dos livros físicos por conta da sensação que eles trazem. “Tocar as páginas e sentir o cheiro dos livros novos quando chegam em casa ou quando compro na livraria não tem preço. Gosto também dos detalhes de cada um, como a lombada, capa e contracapa. Além disso, gosto de sentir o peso dele nas mãos e pensar que em poucas gramas posso viajar para outro universo”, afirma.

Gabriel conta que seu gênero favorito é épico. “O Senhor dos Anéis, As Crônicas de Gelo e Fogo e Hobbit são alguns dos meus preferidos”, revela.

Para a estudante de jornalismo Amanda Schnaider, a sensação do livro físico vai além do toque. “Ter ele em mãos parece que me faz mergulhar ainda mais na história. Meus gêneros favoritos são romance e ficção. Gosto bastante de histórias sobrenaturais e de aventuras, mas também as de amor, com drama envolvido. Um livro que junte todos esses gêneros conquista meu coração”, conta.

Não só pelo contato e pelo envolvimento nas histórias, mas também para admirá-los, os livros podem servir para decorar os ambientes. “Gosto de juntar todos os livros em uma estante no meu quarto e olhar para eles toda vez que passo. O problema é que tenho que manter a estante bem limpa para não atacar a minha rinite”, brinca Amanda.

A professora de literatura Priscila Lopes Polachini ressalta a importância da leitura para a formação das pessoas. Por isso, é importante incentivar logo na infância. “A bagagem literária é de extrema importância para a formação de jovens leitores. Auxilia no enriquecimento do vocabulário e na formulação da linguagem oral e escrita”, explica.
“Hoje em dia, estimular os jovens a ler é uma tarefa complexa, pois os meios eletrônicos atraem mais que um livro. O segredo está em oferecer uma leitura que instigue o novo leitor para a descoberta deste mundo maravilhoso”, completa.

Benefícios

Uma das vantagens da leitura para o cérebro é que melhora o funcionamento, pois ler aumenta as conexões neurais, fazendo com que o cérebro funcione melhor. É como fazer ginástica, só que para a cabeça.

Além disso, uma pesquisa da Universidade Emory, dos EUA, descobriu que ler afeta nosso cérebro como se realmente tivéssemos vivenciado os eventos sobre o qual estamos lendo.
Além disso, ainda estimula a criatividade, melhora a inteligência, refina a escrita e o vocabulário e também incita o senso crítico.

Quando lemos um livro em estilo romance, por exemplo, a capacidade de imaginar o cenário em que a ação se desenvolve, além da imagem física dos personagens, leva a criar um outro mundo dentro de nossas cabeças.

A leitura é um grande exercício para o cérebro, por isso, quanto mais se pratica a leitura, mais o cérebro é ativado. Todos os gêneros de leitura têm resultados similares.

Procura por livrarias cresce 8% no Natal

Para as livrarias, o Natal é uma das principais datas por conta da alta demanda de presentes, especialmente de amigo-secreto. De acordo com dados do índice Cielo do Varejo Ampliado ,o destaque do Natal de 2019 foram as livrarias. No levantamento, que compara o mesmo período do ano anterior, o segmento de livrarias, papelarias e afins teve um crescimento no Natal de 8%.

O diretor de Marketing, E-commerce e TI de uma livraria da cidade, Felipe Pavoni, conta que os três livros mais vendidos de 2019 foram ‘A Sutil Arte De Ligar O Foda-Se’, de Mark Manson; ‘O Poder da Autorresponsabilidade’, de Paulo Vieira; e ‘O Milagre Da Manhã’, de Elrod Hal. “Estes foram os três títulos mais vendidos no ano. Já os gêneros mais procurados em 2019 foram autoajuda, negócios, literatura, administração e direito. Também observamos um crescimento em vendas de livros infantis”, conta.

Pavoni ainda ressalta que as pessoas continuam consumindo os livros físicos. “Isso acontece mesmo entre os jovens, que já nasceram cercados de tecnologia. O hábito de leitura dos livros digitais é complementar ao livro físico. Identificamos que mais de 30% de clientes que compram um livro digital, adquirem o mesmo título também no formato físico. Acreditamos que as possibilidades digitais podem estimular a leitura pela praticidade e mobilidade, especialmente em um país como o Brasil, onde as pessoas podem levar muito tempo em deslocamentos urbanos – como casa e trabalho”, explica.

Fonte: Jornal de Jundiaí

Audiobook grátis em português: lista traz quatro apps para ouvir livros

Por Graziela Silva, para o TechTudo

Audiobooks são livros para ouvir em aplicativos. Audiolivros de romance, espírita e clássicos da literatura brasileira estão disponíveis de graça ou por meio de assinatura paga em apps para iPhone (iOS) ou celulares Android. Na lista abaixo, confira quatro aplicativos que fornecem áudios de livros em português para ouvir no celular. Fáceis de usar e práticos, eles prometem deixar a leitura mais dinâmica com funções como download de audiobooks, e galeria de livros completos para ouvir em qualquer lugar. Confira a seguir as vantagens e desvantagens de cada aplicativo, e saiba como usá-los.

Apps têm os melhores audiobooks para baixar e ouvir em qualquer lugar — Foto: Graziela Silva/TechTudo
Apps têm os melhores audiobooks para baixar e ouvir em qualquer lugar — Foto: Graziela Silva/TechTudo

1. 12min

O aplicativo 12min é uma plataforma com seleção de resumos em áudio de livros mundialmente populares. O objetivo do app é fazer com que o usuário aprenda algo novo, todos os dias em 12 minutos, por meio da leitura das ideias principais das obras. Entretanto, nem sempre os resumos são cronometrados nesse tempo limite.

O acervo do app 12min oferece resumos de áudio livros com as principais ideias das obras — Foto: Reprodução/Graziela Silva
O acervo do app 12min oferece resumos de áudio livros com as principais ideias das obras — Foto: Reprodução/Graziela Silva

A ferramenta oferece um extenso acervo gratuito de audiolivros em português, e é possível desfrutar de benefícios extras com um plano anual de R$ 249,99. A assinatura permite ouvir os audiolivros em qualquer lugar mesmo sem conexão à Internet, e receber mais novidades em resumos por mês. Mesmo o catálogo do aplicativo sendo focado em livros de não-ficção (voltados ao desenvolvimento pessoal), também estão disponíveis na plataforma obras clássicas da literatura, como Dom Casmurro, de Machado de Assis.

2. LibriVox Audio Books

Apesar da biblioteca com muitos audiobooks em inglês, o LibriVox também possui algumas narrações de obras da literatura brasileira. Para encontrá-las, basta escolher português como idioma na tela inicial do aplicativo. Diferente de outros apps para ouvir livros, o LibriVox não possui versão paga porque todas as obras disponíveis são de domínio público. Assim, seu acervo é composto essencialmente por livros clássicos, sem possuir obras literárias da atualidade.

A interface é simples e fácil de navegar, mesmo com o inglês configurado como idioma padrão. Todo o catálogo é dividido em gêneros, autores, listas ou novidades. A ferramenta de pesquisa permite procurar audiobooks específicos por meio de palavras-chave. Sugestões de leitura também aparecem na tela principal. Antes da narração, o usuário pode ler um resumo do livro. Já a história é dividida em seções de áudios, que são alternadas na leitura. Além disso, os leitores podem avaliar os audiobooks em estrelas.

O LibriVox possui apenas audiolivros de obras que já pertencem ao domínio público — Foto: Reprodução/Graziela Silva
O LibriVox possui apenas audiolivros de obras que já pertencem ao domínio público — Foto: Reprodução/Graziela Silva

3. Audiolivros do Tocalivros

Desde obras sobre negócios e investimentos a livros infantis, o app do Tocalivros tem grande variedade de narrações em português. Contudo, ainda que alguns exemplares estejam disponíveis grátis, a maioria dos audiobooks só é acessada por assinatura. Atualmente, o Tocalivros está com um plano ilimitado no valor de R$ 214,90. O app ainda permite escutar uma prévia do audiobook antes da compra, e oferece ao usuário um download gratuito de qualquer audiolivro.

É possível ouvir audiolivros gratuitos em português por meio dos Audiobooks do Tocalivros — Foto: Reprodução/Graziela Silva
É possível ouvir audiolivros gratuitos em português por meio dos Audiobooks do Tocalivros — Foto: Reprodução/Graziela Silva

Entre os benefícios do app do Tocalivros, está a possibilidade de controlar a velocidade da narração, fazer marcações durante a leitura e escutar o livro offline. O catálogo do aplicativo é atual e tem uma categoria especial para crianças com clássicos contos de fadas.

4. Ubook

Ubook é um app para quem deseja ouvir livros no celular a qualquer momento. Sua interface é semelhante a aplicativos de música, tipo o Spotify. A galeria possui muitos exemplares, principalmente da literatura contemporânea. Algumas obras do catálogo são acessadas de modo gratuito e em português, ou em outros idiomas. Os livros são separados em mais de 30 categorias, que incluem formatos como jornais e HQs.

Para ter acesso ao conteúdo completo do Ubook, é preciso pagar uma assinatura de R$ 249,90 por ano, ou de R$ 29,90 por mês. Um elemento interessante do app é a seção dedicada ao público infantil, que é personalizada com cores diferentes e um catálogo completo de audiolivros infantis. Outro recurso inovador é que ele possui uma aba para notícias. Nessa parte, o usuário pode ler as principais manchetes do que acontece no Brasil, no mundo ou em outras áreas de interesse.

Além de disponibilizar audiobooks gratuitos, o Ubook possui uma versão personalizada de livros em áudio para crianças — Foto: Reprodução/Graziela Silva
Além de disponibilizar audiobooks gratuitos, o Ubook possui uma versão personalizada de livros em áudio para crianças — Foto: Reprodução/Graziela Silva

Fonte: Tech Tudo

Como produzir conteúdo em vídeo para quem tem deficiência auditiva ou visual?

Processo envolve muito estudo e a tentativa de transmitir, sem perdas, as impressões obtidas com o produto original; lei já obriga a acessibilidade em salas de cinema

João Pedro Malar*
 Em dezembro de 2019 a Disney anunciou o lançamento de curta-metragens que resumem os filmes de princesas da empresa, todos feitos em língua de sinais. A ideia da iniciativa era tornar o conteúdo acessível para pessoas com deficiência auditiva.
A intérprete de Libras Lilian Amano durante o processo de produção de conteúdo audiovisual acessível
A intérprete de Libras Lilian Amano durante o processo de produção de conteúdo audiovisual acessível

Foto: Caki Filmes / Divulgação / Estadão

Porém, nos comentários de um desses curtas, disponíveis no Youtube, surgiram questionamentos sobre a língua de sinais usada. “A intenção é muito boa, pena que não alcançou seu objetivo. Pois não é língua de sinais internacional como está relatado, nem Libras (Língua Brasileira de Sinais)”, relatou usuário identificado como Eventer HR.

Procurada pelo E+, a assessoria da Disney esclareceu que o material realmente não era produzido tendo como base a Língua Brasileira de Sinais, mas sim uma língua internacional. Mas, afinal, essa língua existe?

Línguas de sinais

Cássia Geciauskas Sofiato, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE-USP), comenta que existe sim uma língua internacional de sinais, geralmente chamada de gestuno.

“O gestuno, ou língua de sinais internacional, é conhecido por vários surdos e utilizada em situações específicas, tais como eventos acadêmicos e congressos internacionais, com a participação de surdos e ouvintes de vários países do mundo”, comenta Cássia.

A professora, que pesquisa e trabalha com Libras, fala que, por experiência própria, o gestuno ainda é pouco conhecido no Brasil e poucas pessoas são fluentes nele. Sobre a implementação da língua no País, Cássia considera que ela seria benéfica, mas complexa. “Acho difícil em função de uma série de fatores, entre eles a falta de profissionais com fluência para o ensino”, comenta.

Na opinião dela e de outros pesquisadores, o gestuno não chega a ser uma língua real, pois ela foi criada e adaptada, não tendo uma origem na cultura de uma sociedade. É comum que cada país tenha a sua própria língua de sinais, que respeita particularidades culturais.

Esse fator não impede influências de outros países. Cássia explica, por exemplo, que a língua brasileira de sinais teve, em seu início, uma forte influência da língua de sinais francesa. A língua brasileira de sinais começou a ser utilizada no século 19, sendo reconhecida por lei em 2002.

“No caso de alguns países, isso [a influência] se deu em função de [outras nações] terem iniciado o trabalho com surdos nos séculos 16, 17, e 18 tornando-se uma espécie de ‘referência’, mas isso não é uma regra geral”, explica a professora.

Outro elemento que está presente na língua de sinais, e em qualquer outra língua, é o regionalismo. Assim como o paulista fala ‘bolacha’ e o carioca fala ‘biscoito’, é possível encontrar sinais com significados específicos em uma região do país. “Apesar desse regionalismo, é perfeitamente possível utilizar a língua brasileira de sinais em qualquer estado brasileiro e ser compreendido se a pessoa tiver fluência em Libras”, ressalta Cássia.

Como produzir um conteúdo audiovisual acessível?

Trazer a acessibilidade para um conteúdo audiovisual, de modo que ele possa ser aproveitado por pessoas com deficiências auditivas e visuais, é um processo que envolve várias etapas.

Carlos Silva, mais conhecido como Cadu Silva, é um dos donos da Caki Filmes. A empresa trabalha, desde 2016, com a produção de conteúdo acessível, envolvendo filmes, séries e documentários, além de seus trailers.

Silva explica que, no geral, o processo começa com os produtores assistindo à obra original. O objetivo, então, é passar as mesmas impressões que eles tiveram para um espectador que tenha alguma deficiência ligada à visão ou à audição.

Essa transmissão envolve o uso de audiodescrição, quando uma pessoa narra a cena, legendas descritivas, que não apenas incluem falas mas a descrição do que está acontecimento e a presença de um intérprete de Libras.

Confira os trailers acessíveis de Sequestro Relâmpago e Carcereiros, produzidos pela Caki Filmes:

“Nunca podemos invadir as falas do filme, sempre buscamos brechas onde tem uma trilha ou silêncio, mas cada filme tem suas características”, explica Silva. Uma dificuldade, por exemplo, é quando os filmes possuem muitos diálogos, com poucos “respiros” para a inclusão da audiodescrição.

Para ele, o contato com pessoas com deficiências audiovisuais na produção do conteúdo é “imprescindível”. “Todo conteúdo que produzimos tem que ser verificado com o público alvo, todo material é validado”, explica. E a acessibilidade vai além do filme em si. Silva comenta que, no passado, os menus de filmes em DVD não eram acessíveis para quem possuía deficiência, impedindo até o início da obra.

Também existem desafios específicos, como em filmes de comédia. “O humor não é o mesmo pra quem tem algum tipo de deficiência”, explica Silva. Segundo o produtor, é comum que digam que uma fala engraçada é “piada de ouvinte”. É necessário, então, que ela seja adaptada.

Às vezes o conteúdo possui especificidades tão grandes que a inclusão delas é complexa demais para compensar o esforço. Essa situação ocorre com algumas gírias, quando se opta pela inclusão de uma explicação literal e a perda de poder da expressão.

“Sempre tem um período de pesquisa de sinais, um período só de estudo, em que buscamos garantir que os sinais usados sejam os mais universais possíveis”, comenta Silva.

Confira uma parte do processo de produção de um trailer acessível:

Como a lei lida com a acessibilidade no audiovisual?

Uma instrução normativa de 2016 da Agência Nacional de Cinema (Ancine) buscou implementar o Estatuto da Pessoa com Deficiência, de 2015, que determina que os “serviços de radiodifusão de sons e imagens devem permitir o uso de subtitulação de legenda oculta, janela com intérprete de Libras e audiodescrição”.

A Instrução Normativa 128 definiu metas e prazos para esse processo, determinado que as salas de cinema fossem se tornando acessíveis aos poucos. Os prazos foram postergados diversas vezes. No final de 2019, ele foi adiado novamente, com um novo limite sendo colocado para 2021.

Silva explica que, hoje, os filmes que recebem apoio do governo são obrigados a realizar o processo de acessibilidade. Isso permitiu que filmes nacionais, que geralmente possuem verbas curtas, pudessem realizar esse processo, que costuma ter um custo elevado.

Em relação às salas de cinema, a indicação de que elas foram adaptadas e possuem conteúdo acessível é feito por meio de duas luzes superiores nos cantos superiores da tela. É importante que o consumidor, ao comprar o ingresso, pergunte se há salas adaptadas e, então, solicite o equipamento que permite o acesso à audiodescrição. No geral, as salas devem ter até três kits de audiodescrição.

Os kits possuem um fone de ouvido e uma caixa de som, que permitem que as pessoas ouçam à audiodescrição, e uma tela, onde aparecerão o intérprete de libras e a legenda descritiva.

Silva destaca que o contato com o público que possui alguma deficiência visual ou auditiva após o contato com o material acessível é sempre muito positivo. “É uma galera carente de cultura, e eles precisam ser inseridos”, destaca.

*Estagiário sob supervisão de Charlise Morais

Fonte: Terra

Audiolivros caem no gosto dos leitores

Com o uso massificado de smartphones, a leitura “à moda antiga” acabou perdendo espaço e novas tecnologias foram conquistando a cabeça dos mais jovens

Visão e audição. Dois sentidos diferentes que se complementam perfeitamente. Um bom leitor também sabe ouvir, e vice-versa, pois consegue extrair das páginas os gritos de uma batalha ou as juras de amor de um casal apaixonado.

Com a vida cada vez mais corrida e, consequentemente, com o tempo mais curto do cotidiano, os livros vão ficando na estante e as histórias mofam por falta de uso. É claro que os leitores clássicos ainda apreciam o contato com as páginas e o cheiro de uma obra recém-saída do forno. No entanto, com o uso massificado de smartphones, a leitura “à moda antiga” acabou perdendo espaço e novas tecnologias foram conquistando a cabeça dos mais jovens.

Os audiolivros (livros gravados), por exemplo, hoje representam uma boa parcela de vendas nas editoras. No Brasil, o consumo aumentou bastante nos últimos anos, seguindo a tendência de um nicho de mercado norte-americano. Para se ter uma ideia, surgiram ainda na década de 80, sobretudo com títulos infantis, nas esquecidas fitas K7 e depois em CDs. Porém, nenhuma das ideias pegou muito bem.

Os audiobooks ressurgiram com força total nos anos 2000, na carona de diversos aplicativos e com a mão do marketing de grandes empresas, como a Amazon. Existem milhares de títulos disponíveis atualmente, alguns gravados com as vozes dos próprios escritores. Já imaginou ouvir O Iluminado sendo narrado pelo próprio autor, Stephen King?

Os especialistas destacam que tanto o formato impresso como o narrado em áudio têm espaço garantido, uma vez que o consumidor tem o direito de ler ou ouvir o que quiser no momento que melhor lhe convier.

Importante salientar que existem muitos sites com audiolivros grátis para deficientes visuais, sendo o da Fundação Dorina Nowill o maior. A grande maioria é cobrada, sobretudo os que respeitam direitos autorais.

“Qualquer hora, qualquer lugar” 
A vida da jornalista Emanuelle Dal Ri, chefe de redação do jornal Gazeta da Serra, em Sobradinho, é bastante corrida. Trabalho, casa, faculdade, família… etc. Muitas vezes só dá tempo de ler à noite, pouco antes de dormir, ritual criado desde a adolescência para ter uma boa noite de sono.

A leitura de vários títulos, atrasada há tempos, seguia um ritmo lento. Mas ela achou uma solução: os audiolivros. Apaixonou-se desde a primeira obra: O Morro dos Ventos Uivantes, há seis anos. Hoje, acumula um acervo de mais de mil livros em áudio. E está sempre em busca de novos títulos. “Eu lembro da minha infância. Meus avós contavam histórias muito boas, e acho que isso me despertou para os livros em áudio. Estou quase sempre com um fone de ouvido, em volume adequado, claro.”

Emanuelle acumula um acervo de mais de mil livros em áudio

Fonte: GAZ

O que o ataque de Bolsonaro contra livros didáticos esconde?

Declaração do presidente pode ocultar tentativa de, futuramente, lotar livros de “conteúdo anticientífico, revisionismo histórico, teoria da conspiração, pregação religiosa, moralismo e preconceitos”

“Presidente provavelmente colocará os lunáticos da laia dele (e não pesquisadores) para avaliar as coleções produzidas pelas editoras”

São Paulo – “Os livros hoje em dia, como regra, são um montão de amontoado de muita coisa escrita. Tem que suavizar aquilo.” As palavras do presidente de extrema-direita, Jair Bolsonaro (sem partido), ganharam grande repercussão nas redes sociais e na imprensa nos últimos dias. O bolsonarismo, que ironicamente promove um escândalo sobre um suposto “partidarismo” no ensino, pode, na prática, tentar impor sua ideologia radical como única na educação brasileira.

Bolsonaro disse também que “a partir de 2021, todos os livros serão nossos, feitos por nós. Os pais vão vibrar. Vai estar lá a bandeira do Brasil na capa. Vai ter lá o hino nacional”. Aparentemente ele, bem como sua equipe, não possuem o conhecimento necessário sobre o tema para dissertar a respeito, como argumenta  a jornalista Sílvia Amélia, que atuou no Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale) e na Instituição da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde ajudou a criar o “Letra A”, um jornal para professores alfabetizadores brasileiro.

“Tudo é possível que este governo enfie nos novos livros didáticos, já que o presidente provavelmente colocará os lunáticos da laia dele (e não pesquisadores) para avaliar as coleções produzidas pelas editoras. E os donos de editoras mais inescrupulosos, interessados num pedaço desse orçamento bilionário, podem se adequar. E muito provavelmente os professores perderão a chance de escolher qual coleção usar”, argumenta, em artigo publicado na revista vitruvius.

Para a coordenadora do Comitê do Distrito Federal da Campanha Nacional Pelo Direito à Educação, Catarina dos Santos, o presidente se aventura em um campo sem o conhecimento adequado. “O presidente não tem condição nenhuma de analisar o material didático nas escolas. primeiro, Porque ele não tem formação para isso; segundo, porque ele não conhece esse material didático”, disse.

Catarina segue apontando o desconhecimento dos auxiliares do presidente em entrevista concedida hoje (8) à Rádio Brasil Atual. “Eles condenam Paulo Freire mas nunca leram. Condenam materiais didáticos. Falavam sobre kits que nunca existiram. O presidente faz avaliação de um material que não conhece. Quando ele fala que a escola precisa de livros suaves, material de colorir, afirma que a escola não precisa garantir educação de qualidade para as escolas públicas. Ao contrário, os livros são insuficientes, precisamos melhorar”, afirmou.

“É impossível conhecer esse país com livros de colorir”, afirma Catarina dos Santos

“Não dá para imaginar um país que respeite sua população, que respeite a diversidade, que conheça a riqueza que o Brasil tem sem uma população que conheça o país. É impossível conhecer esse país com livros de colorir. É muito importante que nós tenhamos acesso a bons livros, a uma boa educação”, completou.

Como é?

O governo brasileiro é o maior comprador de livros didáticos no mundo. Esse amplo mercado foi construído a partir de uma legislação implantada em 1985, o Plano Nacional do Livro Didático (PNLD). “Como esses livros são comprados? Por licitação, comparando preços, como pode se fazer ao comprar cadeira, carteira ou qualquer objeto? Não. Livro não se compra assim. O PNLD estabeleceu, ao longo dos anos, comissões de pesquisadores que realizavam uma análise minuciosa de todos os livros didáticos lançados pelas editoras. E a partir dai elaboravam pareceres”, explica.

Após tal parecer, os livros didáticos ainda passam pelo crivo de professores em cada escola. Isso permite ao programa uma adaptação regional, além de impedir a “imposição de ideologias”, tal como Bolsonaro agora pretende. “Não tinha imposição do governo, nem algo que possa chamar de ‘viés ideológico’, já que em cada lugar uma coleção de livros diferente podia ser adotada. Inclusive os professores eram livres para ignorar os livros mais bem classificados pelos pesquisadores e escolher uma coleção que considerassem mais fácil de usar. E isso acontecia muito”, completa a jornalista.

Futuro sombrio

A ideologia bolsonarista tem concepções no mínimo questionáveis. Gurus de membros do governo chegam a questionar até mesmo se a Terra é redonda, ou se mudanças climáticas são reais. O viés ultraconservador também ameaça a boa educação laica. “É triste demais que a qualidade desses livros esteja tão perigosamente ameaçada. Inclusive de passar a conter conteúdo anticientífico, revisionismo histórico, teoria da conspiração, pregação religiosa, moralismo e preconceitos.”

Interesses ocultos

Para a especialista, ainda podem existir interesses comerciais nessa guinada ao obscurantismo nos livros didáticos. “Estejam atentos que Bolsonaro faz isso não só para impor o seu ‘viés ideológico’ (que seriam livros sem o que ele chama de ideologia de gênero e com muito patriotismo), mas também para enriquecer parceiros com ligação direta com editoras e outras megaempresas na área de educação. Tem gente com muita grana por trás dessa conversa fiada do presidente de que os livros didáticos brasileiros são ‘lixo’.”

E se fosse o Lula?

O historiador e cientista político Roberto Bitencourt da Silva fez uma provocação em texto publicado pelo Jornal GGN. E se fosse o ex-presidente Lula, um líder operário, a dizer que “livros são um montão de amontoado de coisa escrita”? “Dizer que seria motivo de chacota entre as burguesias internas e razão para enorme preocupação entre as faixas mais humildes, populares ou altas dos trabalhadores e mesmo entre dilatas franjas da pequena burguesia, seria dizer o mínimo”, escreveu. “Interessante no caso do livro didático é que esse tipo de observação feita pelo reacionário e entreguista presidente tende a não alterar, em absolutamente nada, a opinião formada pelas classes dominantes e por significativas faixas dos estratos médios da nossa sociedade.”

Fonte: Rede Brasil Atual

Digitalização facilita vida de autores na chegada de livros aos leitores

Tecnologia permite que os autores tenham mais autonomia e independência na hora de ver seu texto se tornar uma obra literária

Egle Cisterna

Da Redação

Com a tecnologia, autores ganham autonomia para ver seus livros publicados

Se, há dez anos, publicar um livro exigia toda uma peregrinação de escritores às editoras, muitas vezes não bem-sucedida, hoje, a tecnologia permite que os autores tenham mais autonomia e independência na hora de ver seu texto se tornar uma obra literária.

Para isso, existem diversas plataformas diferentes que possibilitam que, de forma prática, intuitiva e gratuita, a pessoa possa realizar o desejo de ter um livro e chegar aos leitores.

Uma das mais antigas no País é a do Clube dos Autores. A empresa conta com mais de 70 mil livros publicados e tem 40 obras novas por dia em sua plataforma.

“Hoje, o cenário é o melhor possível, por conta da crise no mercado editorial, que forçou as editoras a se repensarem. Antes, tínhamos editoras com grande controle e querendo cobrar dos autores. Isso não se sustentou e abriu espaço para a autopublicação”, explica Ricardo Almeida, fundador e CEO do Clube de Autores.

Apesar de toda a facilidade, Almeida afirma que não basta apenas conseguir publicar. É importante também que o livro chegue aos leitores. Para isso, o escritor tem que pensar além da história. “É preciso encarar o livro como um produto que vai para o mercado. É preciso revisar o texto, fazer uma capa bonita que desperte atenção e uma sinopse atrativa. Não é difícil, mas exige trabalho”, ensina.

Sucesso

No Clube dos Autores, o paulistano Thiago Fantinatti conseguiu colocar nas páginas de um livro o relato da viagem que fez de bicicleta, entre setembro de 2008 e novembro de 2009, passando por seis países da América do Sul. A aventura deu origem a Trilhando Sonhos, um dos títulos mais vendidos pela plataforma de autopublicação.

“Quando terminei de escrever o livro, não enviei o manuscrito e nem cogitei editoras tradicionais. Pesquisei pela internet e me interessei pelo modelo”, conta Fantinatti, que aponta como uma das vantagens não ter necessidade de se envolver com a operação logística do pagamento e da entrega do livro. “Já sobe o livro e sai vendendo”.

Ainda no Clube dos Autores, há a possibilidade do leitor comprar o livro digital ou a versão impressa, que é feita de acordo com a demanda do público.

Mais vendidos

A Amazon também tem sua ferramenta de publicação, a Kindle Direct Publishing (KDP), a plataforma mais popular no mundo. Entre os 100 livros mais vendidos pela multinacional, 30 deles vêm da autopublicação.

“Um autor autopublicável é, muitas vezes, um empreendedor. Uma dica que a gente dá é de ajudar na comunicação”, diz o gerente geral da Kindle Amazon Brasil, Alexandre Munhoz. Dependendo do tipo escolhido para publicação, a empresa paga até 70% dos royalties para o autor.

Hoje, a Amazon conta com mais de 100 mil títulos vindos do KDP. De acordo com Munhoz, um dos fatores que fez o número de obras aumentar foi a criação do Prêmio Kindle, que já está na quarta edição.

A vontade de publicar livros é tão grande que já existem mais de 40 plataformas e aplicativos com esta finalidade. Alguns, inclusive de editoras tradicionais, como o Escrytos, da Leya.

Fonte: A Tribuna

O LIVRO CUSTA CARO? REFLEXÕES SOBRE PREÇO E VALOR DO LIVRO

Por Haroldo Ceravolo Sereza

A sensação de que o preço do livro é alto deriva não de um aumento real do preço do produto, que se tornou mais barato num momento de aumento de renda dos mais pobres. Ou seja, havia um duplo movimento que favoreceria a percepção do barateamento do livro. Essa percepção não se materializa por uma pressão contrária: nos últimos anos o capitalismo não apenas nos tomou tempo de lazer para transformá-lo em trabalho, mas tomou também tempo de descanso para transformá-lo, por meios digitais, em consumo.

Afinal, o livro é caro ou barato? O que determina a percepção de preço e de valor do livro no mercado brasileiro? A questão frequentemente é tratada de modo impressionista ou excessivamente objetiva, sem espaço para dimensões outras que as avaliadas quantitativamente. Uma reportagem recente do jornal gaúcho Zero Hora, sem apresentar esses dados, no entanto, não hesitou em afirmar em seu lide: “Há um consenso entre os leitores: o preço do livro deveria ser mais baixo”.

O gráfico abaixo apresenta a variação do preço real do livro, em comparação com os preços de mercado, segundo a mais longeva pesquisa sobre o mercado editorial brasileiro, realizada pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) para as duas mais representativas entidades do setor, a Câmara Brasileira do Livro e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros. O levantamento é feito reunindo dados fornecidos por editores de livros do país. A partir de um questionário anual, a pesquisa chega a dados sobre o tamanho do mercado e sua divisão (governo, livrarias, vendas diretas etc.). Um dos dados que vêm sendo acompanhados desde 2006 é justamente o do preço médio dos livros. Como sugere o gráfico, o mercado identifica uma queda no preço real (descontada a inflação) da ordem de 35% desde 2006. De 2015 em diante há uma estabilização do preço real, ainda que o preço nominal do livro tenha crescido pouco menos de 30% nesses 12 anos.

Fonte: Pesquisa Fipe-CBL-SNEL, 2018. <http://pesquisaeditoras.fipe.org.br/Home/Relatorio/1>. Acesso em 15/12/2019.

Dados isolados podem corroborar essa tese. Um exemplo concreto: em abril de 2004, foi lançado o livro A Revolução dos Cravos (ed. Alameda), de Lincoln Secco, um livro de 296 páginas em formato 14 x 21 (o mais tradicional formato de livro no país) por R$ 38,60. Corrigido pelo IGP/M até novembro de 2019, o livro custaria R$ 94,93; pelo IPCA, R$ 89,41[1]. Atualmente, um livro semelhante, escrito como uma tese ou dissertação por um professor universitário, custaria bem menos. Fale com eles, de Daisy de Camargo, da mesma editora, lançado em 2019 com um tamanho 9,5% menor (268 páginas, mesmo formato), tem o preço de capa de R$ 50,00[2], um decréscimo, em termos reais, evidente. Sugiro também aos economistas que nos leem a verificação do preço do livro comparado à gasolina, à pizza e à entrada de cinema – entre outros. Quase que certamente, o livro viveu uma deflação que não se verificará, em igual proporção, com a maioria dos preços de produtos presentes no mercado, sejam eles essenciais ou não, duráveis ou não, do mercado de cultura ou não.

Além de a curva apontar para a redução do preço real do livro, há um fator que, em tese, jogaria a favor da percepção contrária. O livro de papel permanece sendo uma mercadoria não efêmera. Talvez seja um dos objetos do dia a dia cuja “vida útil” se imagina para além da própria vida do primeiro leitor. As bibliotecas ainda são herdadas, até mais do que móveis da casa. As pessoas compram livros imaginando que poderão ser lidos pelos filhos, sobrinhos, netos ou amigos. Em Da dificuldade de ser cão[3], pensando filosoficamente a questão dos animais domésticos, Roger Grenier afirma que eles são animais para sofrer, uma vez que o dono de um cão ou gato imagina, em geral, que os animais morrerão antes dele. Num certo sentido, podemos pensar o oposto dos livros: são objetos da esperança, uma expressão da humanidade do leitor que continuará viva após sua morte. Não à toa, as bibliotecas de grandes pensadores são preservadas, às vezes com requintes fetichistas: a biblioteca de Florestan Fernandes, na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), por exemplo, foi “recomposta” mantendo a organização deixada pelo pensador – simbolicamente, preservando sua forma organizar as ideias.

Eventualmente, contrariando a maré da opinião pública, representantes do setor editorial expressam o que é discutido nos bastidores: em setembro de 2016, a diretora do grupo Record, Sonia Jardim, foi entrevistada pelo jornal Folha de S.Paulo e declarou que as editoras estavam “desde 2004 sem subir preços de acordo com a inflação. Criou-se na cabeça do consumidor as faixas de preço de R$ 19,90, R$ 29,90…”. O título da matéria era ainda mais explícito: “Preço do livro precisa subir, diz Sonia Jardim, presidente do grupo Record”. Em 2014, o editor Ivan Pinheiro Machado, proprietário da LP&M, afirmou à Zero Hora, categoricamente, que o livro no Brasil “é muito barato. Principalmente se for comparado à Europa e aos EUA”, defendendo, também a redução na prática de pagamento de direitos autorais, o que evidentemente provocou forte reação de autores:

Olha aqui (pega ao acaso um livro francês na estante): este livro de bolso custa 15 euros, cerca de R$ 50. Dias atrás, estava em Ouro Preto e 
um autor reclamou que os livros eram caros. Respondi: "Caro é o direito autoral, se baixar o direito autoral para 5% vai baratear". 
É 10% do preço de capa. Quando vendo um livro de R$ 60 para uma grande rede de livrarias a R$ 30, R$ 6 ficam com o autor. 
Então o autor é dono de 20% da editora, ninguém ganha 20% nesse ciclo, nem a gráfica, nem os editores[4].

Os dados e as declarações, no entanto, contrastam com a percepção corrente, expressa em afirmações como “o livro é caro no Brasil”, “o brasileiro lê pouco”, “o brasileiro não tem dinheiro para comprar livros”. De onde, então, partiria essa percepção generalizada? Por que uma dúzia de anos de queda nos preços não é capaz de mudar o senso comum sobre o livro e o mercado editorial?

Como estamos no campo das ideias e opiniões, não é possível afirmar com certeza. Parto, neste texto, do princípio de que a razão da ideia recorrente do “livro caro” está ligada à especificidade da mercadoria livro. Essa especificidade faz com que o livro seja percebido, no mercado do consumo, como uma mercadoria especial, carregada de valores simbólicos, alguns deles não mensuráveis em dinheiro ou com correspondente valor de troca. Compreender essas especificidades ajuda a pensar melhor o mercado editorial, que considero estruturante para a economia e para a democracia, permitindo traçar estratégias e políticas públicas que superem a meta, talvez menos significativa do que se imagina, de baixar o preço do livro novo.

Denis Diderot, ainda no século 18, ao escrever sobre as especificidades do livro, escreveu um pequeno texto com um longo título: “Carta histórica e política endereçada a um magistrado sobre o comércio do livro, sua condição antiga e presente, seus regimentos, seus privilégios, as permissões tácitas, os censores, os vendedores ambulantes, a travessia das pontes do sena e outros temas relativos à política literária”. Como o título gigante mostra, a cadeia econômica do livro constitui uma questão complexa e como tal deve ser tratada[5].

O primeiro fator a se registrar é que o livro é uma das mais antigas mercadorias do capitalismo, essencial na sua construção não apenas ideológica, mas também na organização como mercado. Como mercadoria, o livro, no entanto, não entra completamente na lógica das chamadas “leis de mercado”: um livro não concorre diretamente com outro livro. Os livros podem se parecer uns com os outros materialmente, mas são diferentes em sua essência, que está no conteúdo, e é esse conteúdo que define o valor de uso único, para cada leitor, da mercadoria livro. Duas marcas de pneus disputam o consumidor que precisa de pneus: o valor de uso das duas marcas é semelhante, ainda que uma possa ser melhor ou mais barata que a outra. No livro, não: um consumidor que precisa de um livro não precisa, necessariamente, do outro.

Essa característica única do livro faz com que sua feitura seja, simultaneamente, artesanal e industrial: a primeira fase da produção de um livro, sua escritura, tradução e, parcialmente, sua diagramação, responde a feituras únicas, para cada obra, não inteiramente reprodutíveis ou reaproveitáveis de uma edição para a outra. Após essa fase, há outra, que responde a critérios industriais e de distribuição física (e, atualmente, digital) muito mais associadas à modernidade: a impressão em gráficas e a comercialização por diversos meios, seja a banca de jornal, a livraria, seja a venda pela internet e, mais contemporaneamente, a difusão por redes de computador.

Todas as mudanças que aceleraram a produção e a reprodução do livro e, em boa medida, colaboraram na redução do preço do livro nos últimos anos, não mudam substancialmente, no entanto, um aspecto fundamental da economia do livro: seu consumo. O tempo de leitura não muda radicalmente com a impressão sob demanda ou com a difusão digital. Para usar o linguajar matemático e econômico, podemos dizer que o tempo e o volume de consumo é praticamente fixo quando o tema é o livro. A leitura de uma página, pelo mesmo leitor, independentemente de ela ser feita em papel ou no meio digital, durará um tempo semelhante. Mais imaterial ainda é a contabilização do tempo para a compreensão do que foi lido, o que fica aqui apenas como sugestão.

Otempo, acreditamos, portanto, é chave para compreender a percepção do preço do livro como alto. Ainda que tal contabilização não entre diretamente no “cálculo” do preço do livro pelo editor e pelo livreiro, esse tempo e o valor deste tempo estão presentes na cabeça do leitor. Essa relevância do tempo se expressa de muitos modos, e uma das formas contemporâneas é o meme: abaixo, segue uma reprodução da página de resultados do Google para imagens que utiliza a frase, em inglês, “So many books, so little time”:

Resultado da busca pela frase “So Many Books, So Little Time”, no Google . Acesso em 15/12/2019.

O tempo para ler o livro que vai adquirir é um fator fundamental para o leitor. Um clube de leitura bem sucedido mantém, em sua página na internet, o que chamou de “calculadora literária”[6], uma ferramenta para os assinantes atuais ou futuros calcularem quanto tempo precisam para concluir uma leitura. Como se trata de um plano de compra recorrente, do tipo “clube do livro”, ou seja, o assinante receberá a cada período pré-determinado um novo livro, é central para a empresa estimular o leitor a controlar o ritmo da leitura das obras que recebe – se o leitor deixar de ler o livro enviado por algumas vezes, ele torna-se um sério candidato a deixar de assinar o serviço. Assim, a pergunta que a calculadora faz é bastante objetiva: “Quanto preciso ler por dia para ler 1 livro por mês?”

Essa questão não é nova para os editores, que intuitivamente ou às vezes com discursos aparentemente ingênuos se rebelam contra “as modernidades” que roubariam tempo de leitura. O surgimento do livro de bolso, ainda no século 19, na Inglaterra, foi resultado não apenas da evolução da capacidade produtiva e do uso do papel barato para as edições populares: para a classe operária urbana, ainda lutando por jornadas de trabalho mais razoáveis, o tempo de leitura era exíguo. Foi “criando tempo” para a leitura dos trabalhadores, a partir de 1848, que a Routledge, antes uma editora sem tanto sucesso entre tantas outras, ao lançar a coleção “The Railway Library” (Biblioteca da Ferrovia), tornou-se uma grande corporação e hoje é uma das principais publicadoras de obras acadêmicas do mundo[7]. O livro precisava caber no bolso para poder ser lido no tempo das viagens de trem. Os “pocket books”, sintomaticamente, se associavam assim a outro objeto que também viajava no bolso das pessoas e que estava diretamente ligado ao tempo: o relógio. O bolso do “livro de bolso” não é, portanto, uma metáfora apenas para o preço baixo e para a portabilidade, mas é também um indicador de controle do tempo de leitura.

E atualmente? Vivemos de fato um processo de aceleração do tempo? Ou temos, por outro lado, uma expansão do capitalismo sobre o tempo individual? Parece-nos desnecessário apontar que há uma sensação de falta de tempo generalizada pela população e uma pressão para a aceitação de trabalhos sem respeito à jornada constitucional – no Brasil, de 44 horas semanais.

Como pouco cabe mais dizer neste texto, gostaria de propor esse salto: a sensação de que o preço do livro é alto deriva não de um aumento real do preço do produto, que, como sugere a pesquisa da Fipe, se tornou mais barato num momento de aumento de renda dos mais pobres. Ou seja, havia um duplo movimento que favoreceria a percepção contrária, a do barateamento do livro. O movimento do mundo, no entanto, sugere que essa percepção não se materializa por uma pressão contrária: o capitalismo não apenas nos tomou, nos últimos anos, tempo de lazer para transformá-lo em trabalho, mas tomou também tempo de descanso para transformá-lo, por meios digitais, em consumo.

Num cenário como esse, dois movimentos simbólicos “encarecem” simbolicamente o livro e parecem ser mais fortes que os movimentos que chamaríamos de “concretos”. O tempo torna-se na prática mais escasso para o leitor, o que, associado à concorrência com outras formas de entretenimento e estudo, mais rentáveis para o capital, torna o custo do livro – posterior à sua compra – para o leitor muito mais alto.

Ampliar o tempo de repouso e limitar as abordagens de estímulo ao consumo: essa seria, hoje, a essência de um projeto que visasse a baratear, de fato, o preço da leitura.

Haroldo Ceravolo Sereza é jornalista formado pela ECA-USP e doutor em literatura brasileira pela FFLCH-USP. Autor dos livros Florestan – A inteligência militante (Boitempo, 2005), Trinta e tantos livros sobre a mesa(Oficina Raquel, 2018) e coautor de À Espera da Verdade – histórias de civis que fizeram a ditadura militar(Alameda, 2016). Premiado como editor com o Jabuti de Livro do Ano – 2015, categoria não-ficção, com A Casa da Vovó – Uma biografia do DOI-CODI, de autoria do jornalista Marcelo Godoy. É editor da Alameda Casa Editorial desde 2004 e diretor de redação do site Opera Mundi desde 2009. Crítico literário, trabalhou no jornal Folha de S.Paulo como correspondente em Paris e nas editorias Brasil, Cadernos Especiais e Ilustrada. No jornal O Estado de S. Paulo, foi repórter do Caderno 2, especializado em literatura.

[1] Para corrigir os valores, utilizamos a “Calculadora do Cidadão” do Banco Central do Brasil. <https://www3.bcb.gov.br/CALCIDADAO/publico/corrigirPorIndice.do?method=corrigirPorIndice>. Acesso em 15/12/2019.

[2] Segundo o site da editora. <http://www.alamedaeditorial.com.br/historia/fale-com-eles>. Acesso em 15/12/2019.

[3] Grenier, Roger. Da dificuldade de ser cão. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

[4] Zero Hora, 9/8/2019.  Ivan Pinheiro Machado: “Pessoas que criam ideias para livros digitais não entendem de cultura”. Acesso em 15/12/2019. A nosso ver, a questão dos direitos autorais é secundária na discussão que estamos propondo, de modo que a deixaremos de lado neste texto.

[5] Uma tradução com o título resumido Carta sobre o Comércio do Livro foi publicada pela editora Casa da Palavra em 2002). Diderot, Denis. Carta sobre o comércio do livro. Tradução: Bruno Feitler. Rio de Janeiro/Cotia: Casa da Palavra/Ateliê, 2002.

[6] TAG Livros. Calculadora literária. <https://taglivros.com/calculadora>. Acesso em 15/12/2019.

[7] Conf. o verbete “Routledge, George”, do Dictionary of National Biography, 1885-1900. <https://en.wikisource.org/wiki/Routledge,_George_%28DNB00%29>. Acesso em 15/12/2019.

Fonte: ComCiência

Selos postais, museologia e o registro da memória

Hoje, 18 de dezembro, é celebrado o Dia do Museólogo. Como toda data comemorativa, é importante refletir sobre sua importância a partir do significado da museologia nos dias atuais. Além disso, vale fazer uma aproximação entre esta área de conhecimento e a filatelia.

De acordo com a Lei Nº 7.287, de 18 de Dezembro de 1984, que regulamenta a profissão, o museólogo é responsável pelo planejamento, direção, administração e supervisão de museus e instituições culturais similares. Pode atuar na área de pesquisa, educação e administração/conservação do acervo museológico. Apesar de a lei ser dos anos 1980, esta carreira não é recente. O primeiro curso de museologia brasileiro é o Curso de Museus, criado em 1932 e ministrado pelo Museu Histórico Nacional. Hoje em dia, tem caráter de graduação e está sob responsabilidade da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).

Não obstante a criação pioneira do curso de Museus, de acordo com um estudo de Luciana Ferreira da Costa, durante todo o século XX só foi criada mais uma graduação, em 1969, na Universidade Federal da Bahia. Somente no início do século seguinte os cursos de museologia se espalharam pelo país, hoje contando com 16 no total. Essa expansão é explicada devido às políticas de incentivo aos espaços museais no início dos anos 2000 (a Política Nacional dos Museus – PNM) que resultaram, dentre outras ações, na criação do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM). Em conjunto, o incentivo à expansão do ensino universitário promovido nos mesmos anos resultou na criação de novos espaços para a museologia. A área, então, passou a estar sob a tutela de instituições de ensino e pesquisa de qualidade, sendo a maioria dos cursos atualmente ofertados por universidades federais.

A formação de novos museólogos nos últimos anos é bastante positiva no que concerne à filatelia, uma vez que os selos e as coleções filatélicas podem ser objeto de análise destes profissionais. O próprio Museu Nacional dos Correios conta com museólogos responsáveis pelo acervo da instituição, inclusive o filatélico. Além disso, alunos de graduação recentemente passaram a se interessar pela temática e surgiram trabalhos que tiveram como fontes de estudo o acervo filatélico do Museu dos Correios. É o caso das duas monografias de Natasha Meija Buarque, sobre a presença de mulheres nos selos postais brasileiros. Por outro lado, a filatelia se beneficia da análise feita pelo método específico da museologia. Passa-se, então, a produzir conhecimento a partir da utilização dos selos como fonte.

O espaço de atuação dos museólogos vem a conhecimento do público: os museus nos selos postais brasileiros

Outra questão que deve ser levada em consideração é a representação em selos do espaço de atuação do museólogo. De uma maneira geral, os museus foram focalizados em anos diversos e há uma tendência para figurar uma obra ou parte do acervo e não a fachada do museu em si. Este tipo de registro tem uma vantagem: o selo, como objeto que circula, é responsável por levar ao conhecimento da população amplas informações visuais e textuais sobre as instituições museais e seus acervos. Ou seja, qualquer pessoa que adquira um selo sobre esta temática poderá ter contato com o que reside dentro de um museu sem conhecê-lo fisicamente.

É interessante notar como os museus e os selos postais guardam entre si semelhanças. Ambos são responsáveis, à sua maneira, em conservar e registrar aquilo que é tido como significativo na construção cultural, social e histórica de determinados grupos.

Assim, o selo, como objeto responsável pelo registro memorialístico daquilo que é considerado importante por determinados setores da sociedade, ao longo do tempo, trouxe os museus e seus acervos como parte essencial das políticas de cultura do Brasil. Isso é visível, inclusive, nas datas de lançamento dos selos. O primeiro a ser circulado com esta temática é de 1968 e é uma homenagem ao Museu Nacional pelos seus 150 anos. Nesse período, consolidavam-se os passos para a profissionalização da museologia, que se desenvolvia então somente em curso ministrado no Rio de Janeiro. Coincidentemente, o último espaço a ser celebrado em selo é também o mesmo Museu, que completou seu bicentenário em 2018, mesmo ano em que a instituição, infelizmente, foi acometida por um incêndio. Em comum entre as duas emissões, está a presença da Harpia ou gavião-real, ave símbolo do Museu Nacional.

A filatelia, em 1968 e em 2018, trouxe à tona a importância desta instituição, lembrando que os museus e seus profissionais, os museólogos, são de grande relevância tanto no passado quanto no presente e, por isso, objetos de registro filatélico.

Referências:

BUARQUE, Natasha Meija. A Visibilidade das Mulheres por Meio da Filatelia Brasileira: Identificação e Problematização de Gênero no Acervo Filatélico do Museu dos Correios (1843- 2015). Trabalho de Conclusão de Curso em Museologia. UnB, Brasília: 2018.

COSTA, Luciana Ferreira da. Percurso Histórico da Formação em Museologia No Brasil. XIX Encontro Nacional De Pesquisa Em Ciência Da Informação. Universidade Estadual de Londrina. Anais Eletrônicos, Londrina, 2018.

LEI Nº 7.287, de 18 de Dezembro de 1984. Dispõe sobre a regulamentação da profissão de museólogo. Disponível em <http://cofem.org.br/legislacao_/legislacao/#lei-7287>

Fonte: Correios

Biblioteca Brasiliana cria plataforma virtual Atlas dos Viajantes do Brasil

Projeto desenvolvido na Universidade de São Paulo facilita acesso a relatos de viagens de séculos passados

Seleção de viajantes buscou cobrir uma ampla área do território brasileiro. Reprodução

Texto por Joice Santos

Escolha um viajante.” Assim começa o convite para um passeio na interface da plataforma interativa Atlas dos Viajantes no Brasil, um projeto que abarca uma coleção histórica disponível na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da Universidade de São Paulo (USP). As viagens abrangem do Uruguai à Guiana Francesa, da costa nordestina do Brasil aos confins da Amazônia. Sobre a capital paulista, há descrições surpreendentes para os dias de hoje como esta do comerciante e mineralogista britânico John Mawe (1764-1829), datadas de outubro de 1807: “São Paulo, situada num agradável planalto, com cerca de duas milhas de extensão, é banhada, na base, por dois riachos, que, na estação das chuvas, a transformam em ilha; ligando-se ao planalto por um caminho estreito. Os riachos desembocam em largo e belo rio, o Tietê, que atravessa a cidade, numa milha de extensão, tomando a direção sudoeste”.

O Atlas dos Viajantes no Brasil foi apresentado ao público em um evento na Brasiliana em 13 de novembro por João Cardoso, curador da biblioteca, e pelo geógrafo Ian Rebelo Chaves, responsável pela elaboração dos mapas. Na ocasião, o público pode interagir com a plataforma e aprender sobre os viajantes incluídos. Segundo o curador, eles levaram em conta a diversidade em termos de nacionalidade, áreas visitadas e foco de interesse, entre outros aspectos, para definir os primeiros sete viajantes a figurar no atlas.

Em poucos cliques, na plataforma, surge o traçado percorrido pelos navegantes, entre brasileiros e estrangeiros. As narrativas estão presentes em livros, álbuns, atlas e manuscritos. Por meio deles, é possível conhecer aspectos da economia, da sociedade, da natureza e da política de séculos passados. O cotidiano da população, a rotina dos escravos, a maneira como nativos pescavam e a destreza ao se embrenhar na mata são detalhes reproduzidos nos textos selecionados do atlas.

O material produzido pelos viajantes foi selecionado e organizado de acordo com assuntos e temas pelo grupo de Cardoso. Em seguida, as informações foram usadas por Chaves para obter a localização citada por eles com base nos dados geográficos presente nos relatos. Essa parte foi importante para criar as narrativas cartográficas do caminho percorrido. Por último, desenvolveu-se mecanismos de visualização, busca, filtragem e comparação dos conteúdos.

A maioria dos trajetos passou por São Paulo Reprodução

Os viajantes

O acervo da Brasiliana tem relatos de viajantes desde o século XVI. Os primeiros selecionados – cujas narrativa se situam nos séculos XVIII e XIX – foram os naturalistas alemães Johann Baptist von Spix (1781-1826) e Carl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868), o missionário metodista norte-americano Daniel Parish Kidder (1815-1891), o médico e explorador alemão Robert Christian Barthold Avé-Lallemant (1812-1884), o ouvidor e intendente-geral português Francisco Xavier Ribeiro Sampaio (1741-1812/14), o explorador e cientista francês Charles-Marie de la Condamine (1701-1774) e John Mawe, citado no início desta reportagem.

A formação e os interesses de cada um dos viajantes tiveram impacto na forma como decidiram explorar o Brasil. “Avé-Lallemant queria conhecer as colônias alemãs no sul do país”, explica o geógrafo. Chaves contou ainda que os naturalistas Spix e Martius fizeram o trajeto mais longo, por isso especialmente interessante. Esses elementos e peculiaridades fazem parte de 1.200 obras do acervo da Brasiliana que foram pesquisadas e serviram de fonte.

O curador João Cardoso destaca que a iniciativa visou unificar e divulgar o acesso ao acervo da biblioteca. Com isso, imaginou propor essa nova experiência para os pesquisadores, professores e interessados na história e na geografia brasileiras. O projeto surgiu em 2017 e ganhou corpo com a participação de Chaves, que passou a integrar a equipe em 2018.

Para dar continuidade ao projeto, o geógrafo ressalta que será necessário apoio financeiro e a colaboração de especialistas com o aporte de ideias e a sugestão de rumos que ampliem o acesso ao material histórico da biblioteca. “Tivemos nessa primeira fase o financiamento da USP e do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social]”, conta Chaves. A parte de programação da plataforma é feita por uma empresa terceirizada.

O Atlas dos Viajantes do Brasil pode ser consultado no site da Brasiliana. Também está disponível um tutorial para uso da plataforma. Com um vasto acervo de livros e manuscritos, a biblioteca reúne o acervo doado pelo bibliófilo José Mindlin (1914-2010) e sua mulher Guita (1916-2006), que se especializou em restaurar livros. A Brasiliana foi criada em 2005 e é aberta ao público desde 2013, no campus da USP, na Cidade Universitária, em São Paulo.

A maioria dos trajetos passou por São Paulo Reprodução

Trechos de relatos de três viajantes sobre São Paulo no século XIX

John Mawe, comerciante e mineralogista britânico, em outubro de 1807

Viagens ao interior do Brasil

“São Paulo, situada num agradável planalto, com cerca de duas milhas de extensão, é banhada, na base, por dois riachos, que, na estação das chuvas, a transformam em ilha; ligando-se ao planalto por um caminho estreito. Os riachos desembocam em largo e belo rio, o Tietê, que atravessa a cidade, numa milha de extensão, tomando a direção sudoeste. Sobre ele existem várias pontes, algumas de pedra, outras de madeira, construídas pelo último governador. As ruas de São Paulo, devido à sua altitude (cerca de cinquenta pés acima da planície), e à água, que quase a circunda, são, em geral, extraordinariamente limpas; pavimentadas com grés, cimentado com óxido de ferro, contendo grandes seixos de quartzo redondo, aproximando-se do conglomerado. Este pavimento é uma formação de aluvião, contendo ouro, de que se encontram muitas partículas em fendas e buracos, depois das chuvas pesadas, quando são diligentemente procuradas pelos pobres. (…)

(…) As moléstias endêmicas não se alastram mais aqui. A varíola, a princípio, e mesmo mais tarde, dizimou grande parte da população, mas seu progresso foi dominado pela introdução da vacina. Os médicos atendiam num grande hall, pertencente ao governador, onde ficavam à disposição do público, sendo a vacinação gratuita. Espera-se que a fé nesse preventivo se difunda pelo povo, incompetente para discutir méritos da controvérsia que tanto prejudicou o emprego da vacina na Europa. (…)”

Daniel Kidder, missionário norte-americano, sobre o bairro do Ipiranga, em 1839 Reminiscências de viagens e permanências nas províncias do Brasil

Chegou finalmente o dia em que tínhamos de deixar São Paulo em companhia de diversos outros viajantes. Partimos à noite, com a intenção de pernoitar em São Bernardo. Distanciados dos companheiros, fizemos uma rápida digressão para tocar na fazenda de D. Gertrudes, no Ipiranga. Essa propriedade era uma das mais ricas e produtivas dessa senhora. Produzia pêssegos, maçãs e outras frutas comuns ao país, que, cultivadas tão perto da cidade, eram facilmente vendidas. Fabricavam também aí grande quantidade de garapa, o suco da cana de açúcar, simples, e em estado de fermentação parcial. Essa bebida é muito apreciada e usada nesta região do Brasil. Veem-se constantemente pelas ruas, mulheres com grandes potes de barro na cabeça, ou ao lado, quando sentadas, vendendo garapa. Apesar da notoriedade e produtividade dessa fazenda suas construções eram rústicas e as culturas estavam em completo desleixo, tal como nenhum português, feitor de escravos, toleraria.”

Robert Avé-Lallemant, médico alemão, em setembro de 1858

Viagem pelas províncias de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo

Cheguei a São Paulo ao meio-dia. Com um bom animal pode-se fazer comodamente o percurso de Santos a São Paulo num dia e até muito facilmente, trocando-se a cavalgadura em casa do senhor Melo, no Rio Grande. Com a troca do animal pode-se concluir muito bem a pequena viagem em dez horas.”

(…) Algumas ruas, um ou outro bairro bonitos e às vezes até magníficos; em alguns lugares, fileiras de casas assobradadas e, além disso, bom empedramento com calçadas, mas em geral ruas estreitas e a cidade absolutamente irregular.

As igrejas que vi são bonitas, algumas ornadas, no entanto nenhuma me causou grande impressão. A Faculdade de Direito dá uma boa impressão e parece-me o mais notável de todos os edifícios da cidade. (…)”

Fonte: Revista Pesquisa FAPESP

O papel do jornal e a ausência das bancas

Cineasta argentino radicado no Brasil reflete sobre a rápida substituição do papel impresso e da leitura concentrada

Carlos Pronzato*
Prevalecem outros objetos pendurados, como brinquedos, artefatos tecnológicos baratos, lembranças turísticas e faixas de times de futebol / Pedro Carrano

Fico pasmo ao ver as antigas bancas de jornais do centro da cidade do Rio de Janeiro, especificamente na Cinelândia, Carioca e Lapa, no coração da antiga capital federal, substituírem aqueles objetos de papel impresso, que atravessaram séculos desde Gutemberg e acompanharam todos os passos da humanidade através do tempo, por prateleiras abarrotadas de biscoitos, chocolates e outras guloseimas e iguarias as mais variadas, normalmente mercadorias de supermercados, hoje comercializados até em farmácias!

Fenômeno atualíssimo e pernicioso que vem destruindo dia a dia aquele habito saudável – hoje obsoleto para muitos -, de concentração na leitura, em oposição à velocidade da informação instantânea, volátil e dispersiva de computadores e celulares.

Nem aquele útil costume – nas laterais e até pendurados na frente das bancas -, de colocar em exposição os tabloides convidativos para uma leitura informativa matinal, está conseguindo sobreviver. Prevalecem outros objetos pendurados, como brinquedos, artefatos tecnológicos baratos, lembranças turísticas e faixas de times de futebol. Processo similar sofrem as grandes livrarias, como a espetacular Livraria Cultura, por exemplo, que bem no estilo do El Ateneo, de Buenos Aires, restaurou e ocupou o antigo Cinema Vitória e teve que fechar suas portas. Embora outras como Da Vinci, Livraria da Travessa, etc., consigam permanecer no mundo real com a era digital no pescoço, incluindo cafés e atrativos lançamentos.

Não sei qual o diagnóstico neste preciso momento em cidades deste porte noutros países do mundo, mas o fenômeno parece estender seus tentáculos sobre a leitura dos jornais de papel, sem piedade. Por aqui se optou por trocar toda a mercadoria, embora mantendo a estrutura de uma tradicional banca de jornais, todavia perdendo a sua vocação original.

Depois destas quase minhas condolências, instalado já há algum tempo no apartamento de uma amiga no Rio de Janeiro, todos os dias me surpreendo pegando dois jornais de grande circulação por baixo da porta, dos quais ela tem assinatura. Confesso que até acordo mais cedo apenas para usufruir desta desintoxicante experiência de ler em papel durante o café da manhã.

Com todo o respeito a quem lê muito mais em computadores e celulares, da voracidade inútil de milhões de postagens e fake news em grupos de Whatsapp, incontáveis notícias sobre as quais apenas se pousam os olhos e outras milhares de curiosidades que morrem como borboletas, nada, até hoje, pode substituir a leitura no papel e a sua perene atenção – e conservação -, independente da qualidade do texto, como este que, caro leitor, está agora diante dos seus olhos, analógico como ainda é o ato de ler, tocar e respirar.

Edição: Pedro Carrano

Fonte: Brasil de Fato

Marisa Midori faz balanço de 2019 para os livros e as bibliotecas

Segundo a professora, este foi um ano muito difícil, sem margem para otimismo

A professora Marisa Midori apresentou em sua coluna Bibliomania, que foi ao ar no dia 13 de dezembro, um balanço de 2019 para os livros e as bibliotecas. “Quando pensamos em uma retrospectiva da Bibliomania, ou seja, das situações dos livros e das bibliotecas no Brasil, ou mesmo na América Latina, não há margem para otimismo”, diz.

A professora comenta alguns casos trágicos, como o ataque de vândalos à Biblioteca da Universidade de Brasília, ocorrido ainda no final de 2018, em que rasgaram livros sobre direitos humanos; e na Bolívia, quando a oposição de direita ameaçou atear fogo na casa do ex-vice-presidente Álvaro García Linera, bibliófilo e grande intelectual de esquerda, possuidor de mais de 30 mil volumes em sua biblioteca. Além disso, Marisa fala sobre a recente saída de Helena Severo da presidência da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

Mesmo depois de um ano difícil, a professora termina com uma mensagem otimista. “Espero que a população se torne cada vez mais sensível para o livro e para as bibliotecas, atentando não só para elas como espaço de sociabilidade, mas também para a importância dessas instituições como guardiãs da memória. “É preciso pensar cada vez mais em 2020 que livro é símbolo do livre pensamento”, finaliza.

Fonte: Jornal da USP

El mercado de los audiolibros está en auge

Texto por: FRANZISKA HEGER 

¿Qué significa esto para las editoriales?

Las ventas físicas siguen representando el volumen principal de las ventas del mercado editorial, pero hace años que se observa una tendencia clara en alza hacia los formatos digitales.

¿Cuáles son los factores de crecimiento de un mercado editorial digital y del auge del audiolibro? Por encima de todo están los desarrollos tecnológicos que ya forman parte de nuestra vida cotidiana, como los ya indispensables smartphones, la creciente incorporación de altavoces inteligentes en nuestros hogares y de sistemas audio inteligentes en nuestros vehículos. Paralelamente, en los últimos años se ha producido una diversificación interesante en el panorama comercial de los audiolibros que ha abierto una oferta muy variada para el cliente final: portales como Scribd o Storytel han desarrollado opciones para usuarios muy activos con una suscripción de tarifa plana, mientras que otros como Google Play Books o Kobo han incluido el audiolibro a su oferta de contenidos editoriales digitales con la opción de descarga unitaria. Según un estudio de Dosdoce, el valor estimado de las ventas de audiolibros en español puede pasar de aproximadamente 5 millones de dólares en 2018 a casi 9 millones de dólares en este 2019. A la creciente oferta de portales de contenidos se suman también portales de streaming de música, que están contribuyendo de forma significativa al crecimiento de los ingresos digitales.

No obstante, las editoriales mantienen todavía una actitud escéptica y cautelosa cuando se trata de la comercialización de sus contenidos en estos portales de streaming. Por eso, merece la pena detenerse para analizar datos concretos y desarrollos futuros: a finales de 2018, Spotify registró en todo el mundo 207 millones de usuarios. Esto supone un enorme potencial de lectores que podrán descubrir también los audiolibros disponibles en la plataforma. Actualmente los medios se consumen principalmente vía tablet o smartphone, y según un estudio de la española AIMC (Asociación para la Investigación de Medios de Comunicación) un 7% de la población dispone de un altavoz inteligente en su hogar y un 11% afirma usar asistentes virtuales de voz. No cabe duda de que la industria se está moviendo hacia ese lugar: la interacción con la voz.

La respuesta a esta realidad solo puede consistir en aprovechar este potencial con las estrategias correctas y la tecnología adecuada. Actualmente apenas se están utilizando aún los altavoces inteligentes para el consumo de audiolibros, en parte porque todavía no disponen de la posibilidad de guiar al usuario en la búsqueda de un audiolibro de su preferencia. Para ello, Bookwire ha desarrollado un asistente de voz que se dedica exactamente a eso: guiar al usuario en el mundo de los audiolibros para llevarle a recomendaciones de audiolibros que se correspondan con sus preferencias. De este tipo de soluciones tecnológicas se benefician tanto las editoriales como el usuario final.

Las editoriales también pueden aprovechar el mercado de consumo en streaming y su rapidísimo crecimiento con las estrategias apropiadas y soluciones técnicas inteligentes: los audiolibros pueden y deben estar optimizados para los portales de streaming, de manera que se puedan consumir como pistas de música y monetizar de forma óptima los valiosos contenidos ofrecidos por los audiolibros. En este sentido, Bookwire dispone de la tecnología necesaria para adecuar la entrega de los contenidos a estas plataformas y facilita, además, una gestión flexible e inteligente de la explotación de un contenido en los diferentes modelos de negocio.

En definitiva, para las editoriales se trata de conseguir visibilidad para sus títulos y precisamente en aquellos lugares donde pueden conseguir nuevas audiencias y clientes. En la actualidad esto se produce sobre todo, aunque no de forma exclusiva, en los portales del mundo de la música que se están abriendo a la categoría del audiolibro y combinando la música con la palabra.

Debemos tener una mente abierta para los cambios y ser capaces de anticiparnos y aprovechar bien las tendencias globales, en lugar de esperar a que estas desaparezcan.

Fonte: Publishnews

BREVE HISTORIA DEL LIBRO COMO SÍMBOLO DE REFINAMIENTO (Y OSTENTACIÓN) CULTURAL

Los bibliófilos, por Tito Lessi

Desde el momento en que nacieron los primeros sistemas de escritura en Egipto, Mesopotamia y China en torno al cuarto milenio a.C., la lectura empezó a considerarse como algo extraordinario. Las tablillas de arcilla en las que se inscribían las marcas y signos se consideraban objetos únicos, valiosísimos y, en ocasiones, sagrados o mágicos. La capacidad para descifrar e interpretar los signos y símbolos que había en ellas era prácticamente un don que estaba reservado a unos pocos elegidos. Curiosamente, esa importancia simbólica de la lectura se ha mantenido a lo largo de la historia y aún hoy en día muchos lectores siguen acercándose a los textos escritos en busca de refugio espiritual. Durante muchos siglos la lectura ha sido una señal de estatus cultural y social que tenía su expresión más elevada en el amor incurable y desmesurado por los libros.

El elitismo cultural está presente en los libros prácticamente desde su orígenes. En la antigua Mesopotamia solo un pequeño grupo de privilegiados escribas tenía el conocimiento necesario para descifrar las tablillas cuneiformes. El acceso a ese conocimiento era protegido celosamente por los propios escribas, conscientes de que esa autoridad cultural les otorgaba un tremendo prestigio. Es esa la primera vez en la historia que nos encontramos a la lectura vinculada a a un estatus y un poder simbólicos.

En Roma, desde el siglo II a.C., volvemos a encontrar los libros asociados al prestigio cultural al ser convertidos en artículos de lujo que solo los más adinerados podían costearse. No deja de ser sorprendente que el mismísimo Séneca, en el siglo I d.C., criticara la actitud de las personas que «sin educación escolar usan los libros no como herramientas de estudio sino como decoraciones para el comedor». Además de arremeter contra los extravagantes coleccionistas de pergaminos afirmando que las bibliotecas, atestadas hasta el techo, se habían convertido en «un ornamento esencial de una casa rica», el filósofo cordobés fue muy crítico con las lecturas públicas ‒recitatio‒ que se pusieron muy de moda en la época al considerarlas pura ostentación cultural para la promoción política y el lucimiento social de los ciudadanos ricos. Y no fue el único que censuró esta costumbre. Algunos de los más importantes escritores satíricos, como Horacio, Petronio, Juvenal o Marcial, también lo hicieron.

Filobiblión

Tras la caída del Imperio Romano en el siglo V, las bibliotecas privadas se convirtieron en el símbolo máximo de elegancia, sofisticación y refinamiento. Para reafirmar su superioridad social, muchos nobles invirtieron importantes esfuerzos durante la Edad Media para poseer una. La máxima referencia en esta época es el monje benedictino y obispo de Durham Richard de Bury, considerado uno de los primeros coleccionistas de libros de la historia. Para transmitir su amor por los libros a los clérigos Bury escribió el Filobiblión, el documento bibliófilo más importante de la Edad Media. Bury presentaba en pleno siglo XIV los síntomas propios del bibliómano: el acaparamiento excesivo y desorbitado de libros. En el Filobiblión habla de esa obsesión acaparadora y de sus esfuerzos para establecer la bibiloteca de Oxford. El monje tenía tantos libros que era imposible entrar en sus aposentos sin pisarlos. En el prólogo del Filobiblión Bury admite que su exaltado amor por los libros le llevó a abandonar todas las cosas terrenales. Pero además de una especie de defensa de su ambicioso apetito coleccionista, el Filobiblión incluye valiosos detalles para bibliotecarios sobre cómo prestar y cuidar los libros.

Bibliófilo en La nave de los locos

Es como si Bury intuyera las críticas que podían derivar de su pasión. Y de hecho las hubo. El humanista alsaciado Sebastian Brant recoge al bibliófilo como uno de los 112 tipos de tontos que pueblan su sátira La nave de los locos. Pero aunque el libro de Brant fue todo un éxito, resultó insuficiente para poner freno al cada vez más extendido amor por los libros. A partir del Renacimiento, gracias al desarrollo del comercio, el estatus económico deja de identificarse con la nobleza de la sangre y los libros no son ya tanto un signo de distinción social como del dinero que se posee. Esto, unido a la aparición de la imprenta, hace que los libros se conviertan en objetos más extendidos y la lectura en una actividad más habitual. Los libros no son ya ese elemento misterioso al que tienen acceso unos pocos privilegiados sino una forma de conocer el mundo y de conocerse a sí mismo. La vinculación espiritual, por tanto, se mantiene, aunque en otro sentido.

Ese componente inmaterial es lo que muchos pintores tratan de plasmar durante el siglo XVI. En el Renacimiento se ponen de moda los cuadros sobre libros y los retratos de personas leyendo. Un ejemplo es el retrato que Agnolo Bronzino hace de Dante, sosteniendo una enorme edición abierta del Paradiso. El libro dice muchísimo de Dante: el poeta aparece con ese estatus asociado acestralmente a la lectura, como un ser lleno de madurez espiritual, culturalmente superior.

Dante por Agnolo Bronzino

Desde el siglo XVIII la lectura pierde casi por completo su condición elitista y se extiende al conjunto de la población. Los antiguos intelectuales, temerosos de perder su exclusividad, tienden a referirse a sí mismos como «hombres de letras». Es también el momento en el que la bibliofilia se convierte más que nunca en una obsesión malsana, en bibliomanía, considerada una enfermedad en el siglo XIX. Aparece la figura del coleccionista dispuesto a invertir toda su vida y su fortuna en construir la biblioteca personal más espectacular. Como Thomas Phillipps, que consiguió recopilar una colección personal de 40.000 libros impresos y unos 60.000 manuscritos, la colección más grande de todo el siglo XIX. Para ello tuvo que invertir una cantidad de dinero de entre doscientas mil libras y un cuarto de millón, con un gasto medio de cuatro o cinco mil libras al año, lo que le llevó a él y a su familia a la ruina. Ya lo dijo el propio Phillipps en alguna ocasión, quería tener una copia de todos los libros del mundo. O el caso de Richard Heber, que poseía ocho casas en las que guardaba más de 146.000 libros raros, una colección en la que gastó una fortuna de unas 100.000 libras. Los libros son, a partir de ese momento, una forma de elitismo económico más que cultural.

Los bibliófilos, por Luis Jimenez y Aranda

Por otra parte, desde el momento en que ya todo el mundo puede leer, la única forma de distinguirse es diferenciar una buena lectura de una mala. Esa es la opinión que encontramos, ya en el siglo XX, en Virginia Woolf, que en El lector común describe al lector medio como alguien «apresurado, inexacto y superficial», peor educado que el crítico y con una serie de deficiencias «demasiado obvias para ser señaladas». También lo hace Vladímir Nabokov en Lecciones de Literatura Europeacomo recuerda Ivan Thays. Esta idea, curiosamente, ha llegado hasta nuestros días. No es extraño encontrar a críticos literarios que distingan entre la alta literatura y la de masas, adjudicándole un valor cultural desigual a cada una de ellas. De esta manera, el sentimiento elitista de superioridad cultural consigue mantenerse intacto a pesar de que la lectura se haya convertido en una actividad habitual en buena parte del mundo.

El bibiófilo, por Johann Hamza

Con la aparición de los libros digitales el significado de la lectura ha cambiado. El clásico enfrentamiento entre los libros impresos y los electrónicos esconde detrás mucha más simbología de lo que parece. La lectura digital, ya sea a través de ordenadores, de tabletas, de smartphones, o incluso de ebooks, parece estar presente en todas partes. Y volviendo a la distinción que hacía Woolf, tiende a asociarse con la peor de las lecturas posibles, la menos profunda, la más rápida y superficial, una idea defendida y aplaudida por infinidad de autores, como Nicholas Carr, por señalar solo uno de ellos. Se da entonces un hecho singular: gracias a la tecnología digital los libros físicos han vuelto a recuperar su estatus de distinción y refinamiento cultural. Como en el retrato de Dante, las personas consiguen construir su identidad a través del soporte en el que leen. Por una parte los libros impresos conectan con una tradición que tiene milenios y por otra permiten hacer una ostentación de la lectura que con los soportes digitales no es posible. Eso explica que muchas de las primeras ediciones del siglo XX han doblado su precio en muy poco tiempo. No es lo mismo ver en el parque a un adolescente leyendo un libro impreso que verlo leyendo en la pantalla de su móvil. Un padre que lee a su hijo en el transporte público está poniendo de manifiesto al mundo su superioridad cultural al transmitir de forma evidente a otro ser humano su amor por los libros.

No estamos muy lejos de lo que criticaba Séneca: las bibliotecas privadas siguen siendo símbolos de ostentación cultural. Con muchísimo acierto y humor el dibujante Jeffery Koterba consigue plasmas esta realidad. El clásico intelectual de fachada aparece sentado con su clásica pipa de fumar ante su biblioteca, ahora compuesta únicamente por libros digitales. Un lector que intuimos común, siguiendo la terminología de Virginia Woolf, se sorprende y afirma: «Kindle, Nook, Sony Reader… Creo, Hardwick, que esta es una biblioteca impresionante».

Viñeta de Jeff Koterba

Fonte: La piedra de Sísifo

Na onda dos Audiolivros: a nova leitura que só cresce no Brasil e no mundo

Obras fonográficas estão em ascensão impulsionadas pela febre dos podcasts e pelo consumo fácil via smartphone. Editoras brasileiras possuem acervo de mais de 10 mil títulos e assinatura mensal com modelo de negócio inspirado pela Netflix

Por: 

audiolivros

Um feito histórico colocou os audiolivros em destaque este ano. Pela primeira vez, a tradicional feira do livro de Frankfurt, na Alemanha, reservou um espaço exclusivo (de 660m²) para esse tipo de obra.

Para quem ainda não conhece, os audiolivros – ou audiobooks – são as adaptações faladas dos livros convencionais. Com os aplicativos certos, o leitor/ouvinte pode baixar e ouvir o conteúdo em qualquer lugar.

De acordo com o jornal Nexo, o consumo é tendência para 2020 – e os formatos vêm se aprimorando. Além da narração tradicional, efeitos sonoros e até vozes alternativas para os personagens já podem ser encontradas.

O formato de audiolivros também permite o consumo por assinatura – algo que já acontece com as obras físicas.

Audiolivros

Foto Unsplash

AutiBooks, por exemplo, uma editora do gênero criada pelos sócios da Sextante, Intrínseca e Record, cobra R$19,90 por mês do usuário para disponibilizar um audiolivro a cada 30 dias.

Lançada em junho de 2019, a plataforma concorre com outras como UbookTocalivros e a sueca Storytel, que também têm planos com valores entre R$19,90 a R$29,90.

Atualmente, os Estados Unidos são o maior produtor e consumidor de audiolivros do mundo. O faturamento foi de US$940 milhões em 2018 e mais de 44 mil títulos lançados.

audiolivros

Audible, empresa da Amazon para o segmento, é a maior do mercado americano, inclusive com produção exclusiva de histórias para a plataforma. Segundo os dados de venda, é a ficção que faz mais sucesso, principalmente audiolivros de mistério, suspense, fantasia e ficção científica.

Para atrair ainda mais o público, as editoras contam com celebridades para narrar as histórias. Michelle Obama, ex-primeira-dama norte-americana, narrou seu próprio livro – “Minha História”–, Scarlett JohanssonMeryl Streep e Jane Fonda também já colocaram suas vozes em obras para a plataforma.

E você, já ouviu algum livro em versão fonográfica? Hora de apostar.

Fonte: Consumidor Moderno

Foi o primeiro jornal português. E ajudou D. João IV a consolidar o poder em 1640

O primeiro número da “Gazeta em Que Se Relatam as Novas Que Houve Nesta e Que vieram de Várias Partes” – que haveria de ficar conhecida como Gazeta da Restauração – foi publicado em novembro de 1641 e posto a circular a 3 de dezembro do mesmo ano. Tinha 12 páginas GAZETA DA RESTAURAÇÃO / BNP

O primeiro jornal português nasceu um ano depois de Portugal recuperar a independência, a 1 de Dezembro de 1640. A Gazeta da Restauração foi acarinhada por D. João IV e seus apoiantes que viram neste periódico “um excelente instrumento de propaganda” de legitimação do novo poder e uma forma de denegrir os feitos dos espanhóis. Há 375 anos, as relações entre o poder político e o jornalismo já davam que pensar

Texto Manuela Goucha Soares

D.João IV gostava da simplicidade do Alentejo e teria pouca paciência para os enfeites e fausto que os rituais das cortes barrocas exigiam. A política tem as suas regras, e o trineto de D. Manuel I que nascera destinado a ser o oitavo Duque de Bragança acabaria persuadido a juntar-se ao grupo de revoltosos que, em 1640, quis acabar com o poder de Filipe IV de Espanha (III de Portugal) e a política centralizada do seu valido Conde-Duque de Olivares.

Viviam-se tempos complicados em todos os reinos do velho continente. Desde o primeiro quartel do século XVII que o clima político favorecia o despertar da imprensa, e as gazetas “multiplicam-se por toda a Europa”, como escreve José Tengarrinha na “Nova História da Imprensa Portuguesa”: Primeiro surgiu a de Basileia em 1610, depois a de Frankfurt e Viena em 1615, Hamburgo em 1616, Berlim em 1617, Praga em 1619, Amesterdão em 1620, Londres em 1622. Anos mais tarde é a vez de chegarem a Florença e Roma.

D. João, o quarto de Portugal, foi entronizado a 15 de dezembro de 1640. E usou um fato que já tinha vestido um ano antes, facto que muito desconcerto causou entre os nobres
D. João, o quarto de Portugal, foi entronizado a 15 de dezembro de 1640. E usou um fato que já tinha vestido um ano antes, facto que muito desconcerto causou entre os nobres D.R.

Uma das mais importantes e que mais terá influenciado a génese da patriótica Gazeta da Restauração, foi a “Gazette de France”, que surgiu em 1631, com o alto patrocínio do Cardeal Richelieu, o todo poderoso primeiro-ministro de Luís XIII.

Menos de um ano depois de ser aclamado rei em Lisboa por um grupo de 71 portugueses, El-Rei D. João, o quarto de Portugal, fez saber que concedia “alvará” de publicação a Manuel de Galhegos, “impressor, livreiro” para editar ,“imprimir” e “vender em todos estes reinos e senhorios as Gazetas das novas deste Reino”. Este primeiro periódico português de publicação regular, haveria de ficar conhecido por Gazeta da Restauração. O alvará régio foi concedido a “14 de Novembro de 1641”, como se lê num livro de Jorge Pedro de Sousa, investigador e professor da Universidade Fernando Pessoa.

Segundo número da Gazeta da Restauração foi impresso em dezembro de 1641 e entrou em circulação a 11 de janeiro do ano seguinte. Tinha mais 4 páginas do que o primeiro e número e custava mais 4 réis, ou seja 10 réis, em vez de 6
Segundo número da Gazeta da Restauração foi impresso em dezembro de 1641 e entrou em circulação a 11 de janeiro do ano seguinte. Tinha mais 4 páginas do que o primeiro e número e custava mais 4 réis, ou seja 10 réis, em vez de 6. GAZETA DA RESTAURAÇÃO / BNP

Ao Expresso, Sousa diz que “muitas notícias da Gazeta portuguesa, à semelhança das notícias da Gazette francesa, que lhe serviu de modelo, apresentavam enquadramentos que se podem considerar propagandísticos”

O poder régio era constantemente engrandecido e a pessoa do rei sempre enaltecida” pela Gazeta da Restauração. Nas notícias dadas sobre a guerra com os espanhóis, que se mantém alguns anos após a aclamação de D. João como rei de Portugal, “os portugueses venciam todas as escaramuças e batalhas e causavam sempre um enorme número de baixas nos inimigos, mas estes raramente conseguiam fazer o mesmo às hostes portuguesas. Classifico, por isso, a Gazeta como um periódico infopropagandístico”, acrescenta o professor da Universidade Fernando Pessoa.

O 9º número da Gazeta da Restauração foi impresso em julho de 1642 e posto a circular em agosto seguinte. Nos dois meses seguintes, agosto e setembro, a Gazeta não foi impressa por causa de uma disposição régia que proibiu todas as “gazetas gerais”
O 9º número da Gazeta da Restauração foi impresso em julho de 1642 e posto a circular em agosto seguinte. Nos dois meses seguintes, agosto e setembro, a Gazeta não foi impressa por causa de uma disposição régia que proibiu todas as “gazetas gerais”. GAZETA DA RESTAURAÇÃO / BNP

O nono número da Gazeta da Restauração foi impresso em julho de 1642 e posto a circular em agosto. Nos dois meses seguintes, agosto e setembro, a Gazeta não seria impressa por determinação do rei. A proibição régia visaria sobretudo as publicações gerais, menos regulares, mas foi também foi aplicada à Gazeta da Restauração.

Se entre a pequena nobreza, o povo e alguns mercadores havia numerosos apoiantes do novo poder, parte da grande nobreza permanecia recetiva à ideia da monarquia dual que governou Portugal entre 1580 e o 1º de Dezembro de 1640.

ARREFECIMENTO DO CLIMA GEROU ESCASSEZ ALIMENTAR

Em Portugal os tempos eram de guerra e crise económica. A Europa sentia os efeitos da Guerra dos 30 anos, que eclodira em 1618 e só terminaria em 1648. Como se isso não bastasse, experimentava-se um período de arrefecimento climático geral, responsável por uma “crescente escassez alimentar”, como explica a historiadora Mafalda Soares da Cunha.

Numa delicada situação de guerra, o poder régio não estava seguro de ter controlo sobre todas as notícias publicadas, embora os impressos, em princípio, se encontrassem ainda sujeitos às regras da censura prévia estabelecidas na Carta de Filipe II”, escreve Tengarrinha. O problema, é que as folhas impressas eram muitas, e o “aparelho censório” tinha “dificuldades de controlar todos os papéis que apareciam”.

A bandeira da Restauração - proclamada a 1 de Dezembro de 1640 no Palácio da Independência, em Lisboa - tinha um fundo verde e uma cruz branca e vermelha, e havia de inaugurar a última dinastia reinante em Portugal, a dos Bragança
A bandeira da Restauração – proclamada a 1 de Dezembro de 1640 no Palácio da Independência, em Lisboa – tinha um fundo verde e uma cruz branca e vermelha, e havia de inaugurar a última dinastia reinante em Portugal, a dos Bragança. DR

É neste contexto que D. João IV reforça as disposições censórias; o decreto régio de 19 de agosto de 1642 “visava, assim, não apenas as Gazetas da Restauração, mas sobretudo outras das numerosas publicações eventuais [não periódicas] que se apresentavam impropriamente com a designação de ‘gazetas’ ou de qualquer modo eram assim classificadas”, explica José Tengarrinha na sua “História da Imprensa Portuguesa”.

Dois meses depois de ter sido suspensa, a Gazeta da Restauração, voltou a ser impressa… mas com novas orientações editoriais e novo cabeçalho. Foi assim que surgiu a “Gazeta Primeira do Mês de Outubro de Novas Fora do Reino”, que entrou em circulação a 18 de novembro. Tal como o primeiro número da Gazeta, impresso em novembro de 1641, tinha 12 páginas e custava 6 réis.

NUMERO DE PÁGINAS DITAVA O PREÇO

Foram publicados 36 números da Gazeta da Restauração – nas suas várias versões – entre outubro de 1641 e setembro de 1647. Pode ter havido mais números, mas foram estes que sobreviveram e chegaram até nós.

 Gazetas de vários meses e vários anos, nomeadamente as que relatavam novas de todas as partes do reino e as que só relatavam novas de fora do reino
Gazetas de vários meses e vários anos, nomeadamente as que relatavam novas de todas as partes do reino e as que só relatavam novas de fora do reino. GAZETA DA RESTAURAÇÃO / BNP

Na Gazeta não há peças de opinião como hoje as conceberíamos. Os periodistas de Seiscentos, na generalidade dos países da Europa continental, viam-se a si mesmos como historiógrafos do presente. A sua principal referência era a escrita da história, o registo cronológico dos factos notáveis da vida dos povos. Por isso, o periodismo emergente foi noticioso por toda a Europa continental”, diz Jorge Pedro de Sousa.

A análise de conteúdo efetuada à Gazeta demonstrou que somente 1% das peças inseridas no periódico não deve ser classificada como notícia. Algumas notícias, porém, continham passagens opinativas: 3% até à interrupção de 1642; 14% depois, quando a Gazeta se converteu na Gazeta de Novas de Fora do Reino, passando os seus conteúdos a serem quase integralmente traduzidos da Gazette francesa, mesmo os respeitantes a Portugal, como revela um trabalho de Patrícia Teixeira”, explica o professor Jorge Pedro de Sousa.

Em tempos de guerra, o poder régio legislou no sentido de privilegiar o noticiário de fora do reino
Em tempos de guerra, o poder régio legislou no sentido de privilegiar o noticiário de fora do reino. GAZETA DA RESTAURAÇÃO / BNP

Sousa considera que este “projeto resultou da iniciativa privada”. Até à data da suspensão dos vários periódicos em 1642, a Gazeta foi seguramente “acarinhada pelo poder régio”. É provável que o tenha sido posteriormente, já que o novo poder “viu na Gazeta um excelente instrumento de propaganda da restauração da independência do reino”, acrescenta Sousa.

D. JOÃO IV CONHECIA O PODER DA DIPLOMACIA E DA IMPRENSA

O primeiro rei da dinastia de Bragança gostava de “caçar e de música”, diz a professora e investigadora Leonor Freire Costa, co-autora com Mafalda Soares da Cunha do livro “D. João IV”, da editora Temas & Debates.

No dia da sua entronização, 15 de dezembro de 1640, desconcertou parte da nobreza por ter trajado com “sobriedade algo modesta, tendo em conta a relevância da ocasião”, lê-se no livro das duas autoras. Esta preferência pela roupa confortável e simples para os padrões das cortes da época, em que fazia “gala” – como diz Freire Costa – tornar-se-ia uma marca da sua “atitude” e forma de estar. Contrariamente ao que as regras do poder real exigiam, o rei gostava de fazer demasiadas refeições acompanhado – em vez de comer sozinho como seria expectável − e de dizer algumas piadas. Mas, se estas características foram vistas como desconcertantes por muitos, o certo é que houve uma estratégia clara de legitimação do novo poder.

Mafalda Soares da Cunha lembra que o trabalho da “diplomacia portuguesa foi notável” para obter o reconhecimento do novo poder junto das entidades políticas estrangeiras e, a nível interno, o rei ou os que o rodeavam terão percebido a importância da imprensa.

O QUE NOS ENSINA A HISTÓRIA SOBRE JORNALISMO E POLÍTICA

Podemos considerar D. João IV como o primeiro governante [português] que percebeu a importância dos escritos impressos”, diz ao Expresso Felisbela Lopes, professora de Jornalismo na Universidade do Minho: O apoio régio às Gazetas era o modo de “controlar a opinão pública na época” – já que o reino vivia tempos em que a crise económica e a escassez de alimentos poderiam fomentar motins municipais.

O rei e os seus conselheiros certamente conheciam o caso da Gazette [francesa] e perceberam que uma publicação portuguesa com características semelhantes poderia ser benéfica para a propaganda da nova dinastia de Bragança e para a sua legitimação simbólica”, diz Jorge Pedro de Sousa.

Felisbela Lopes lembra que “o passado ensina-nos muito sobre alguns tiques do presente, e este elo umbilical que existe entre o jornalismo e o poder político. Como é que desfazemos este elo de ligação quando o jornalismo nasceu de uma ligação com o poder dominante?”, pergunta a docente da Universidade do Minho.

A verdade, é que hoje “há processos [mais] complexos” mas “há múltiplas manipulações que continuam a existir”, acrescenta Felisbela Lopes.

Da Gazeta da Restauração chegaram até nós 36 números. Houve edições bimestrais, meses em que não foi publicada, e outros em que foi impresso mais do que um número. O papel era caro e o preço da Gazeta variou de acordo com o número de páginas impressas, fixando-se maioritariamente nas 12 páginas e 6 réis de custo.

Sobre a tiragem, Sousa diz que “tendo em conta as tiragens médias da época” é de admitir que o “número de cópias por número não deverá ter superado as 300. A maioria das cópias circulavam em Lisboa, especialmente na Corte. No entanto, haveria quem comprasse gazetas e outras publicações em Lisboa com o objetivo de as ir lendo de terra em terra, a troco de uma pequena quantia; e outras eram enviadas por mensageiros e correios para outros lugares,por exemplo, para as sedes de bispado, para agentes importantes na administração e defesa do território, para certos conventos”.

Fonte: Expresso

Novas formas de leitura: a renovação dos audiobooks

Plataformas de streaming apostam em renovação no hábito de ler

O entretenimento em formato de áudio não é uma novidade. Mas o que se reinventou nas últimas décadas foi a forma com que as pessoas acessam esses conteúdos, afinal, as transmissões de rádio-novelas e programas ao vivo em ondas AM e FM agora dividem espaço com o que é produzido nos canais de streaming.

Hoje, é  quase uma exigência usufruir esses conteúdos de forma instantânea. E nesse universo, onde as séries e filmes também figuram, os livros têm seu espaço. E o seu formato audível, conhecido como audiobooks, vem passando por um período de renovação.

Um dos exemplos dessa adaptação a essas novas tecnologias é a plataforma sueca Storytel. Criada em 2005, a empresa implantou um conceito que chegou ao Brasil há poucos meses: consumir livros online a qualquer momento e em qualquer dispositivo.

André Palme é o representante da Storytel no Brasil (Foto: Gui Ruiz/Divulgação)

Para acessar os mais de 300 mil conteúdos disponíveis no programa em todo o mundo, que se dividem entre os próprios audiobooks e podcasts, é necessário fazer uma assinatura, que custa R$ 27,90 por mês. Aqui no Brasil, é possível acessar conteúdos em inglês e português. Para André Palme, representante da Storytel no aqui no país, o áudio surge como uma alternativa de levar informação e entretenimento para os assinantes: “O fato do áudio permitir que seu consumo seja realizado praticamente em qualquer momento, e de qualquer forma, como os smartphones, faz com que haja, cada vez mais, espaço para o crescimento deste segmento. Além disso, trata-se de uma oportunidade para consumo de conteúdos facilmente inseridos ao longo da jornada diária”.

A ideia é colocar o hábito da leitura em dia, facilitando para aqueles que, por diversos motivos, não encontram tempo para ler. Palme explica que o público que se associa à plataforma já mantém uma relação mais intensa com a tecnologia, e tem um perfil menos conservador quando o assunto é leitura. Afinal, não é todo mundo que se adapta em trocar um livro físico por essa experiência de ouvir histórias em momentos rotineiros, como no trânsito ou enquanto está em casa.

Mas, ao contrário daqueles que dão exclusividade ao formato físico, André não enxerga a relação da tecnologia e literatura como complementar, e não excludente. “A tecnologia não vem para substituir formatos, mas sim para completar e somar. Ou seja, ela propicia que o consumidor conheça e tenha acesso a conteúdos de uma nova maneira. O áudio vem para agregar, para ser mais uma maneira de acesso às obras já conhecidas e também às novas”, afirma.

 Vozes especiais

E sobre os títulos encontrados dentro da plataforma, é necessário dizer que tem de tudo. Em um mercado onde existem pouquíssimas opções para consumir os audiobooks desta forma, as “prateleiras” da biblioteca virtual agradam todos os gostos. Clássicos da literatura nacional, a exemplo de Os Sertões, de Euclides da Cunha, Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato, e o sempre controverso e aclamado Dom Casmurro, de Machado de Assis, se juntam a outros nomes famosos em todo o mundo, como o mundo encantado em O Magnífico Mágico de Oz, por L. Frank Baum, e O Pequeno Príncipe, escrito na década de 40 por Antoine de Saint Exupéry.

Este último ganha ainda mais relevância dentro da plataforma, já que para algumas obras foram convidadas vozes marcantes para dar vida às páginas do livro. No caso do registro de Antoine, quem narra o enredo é o jornalista, apresentador e escritor Marcelo Tas, enquanto o suspense Assassinato no Expresso Oriente, de Agatha Christie, é interpretado pelo dublador Mauro Ramos.
Para quem não o conhece, Mauro marcou a história da dublagem no Brasil, principalmente em desenhos animados, por papéis como Pumba, em o Rei Leão, Sullivan, de Monstros S.A, e por ter substituído Bussunda, após sua morte, na voz do ogro Sherek.

Este talvez seja o grande “up” que a tecnologia incorpora. Ao invés de se limitar o espaço da literatura, alternativas apresentadas com esse boom do universo online só atraem cada vez mais pessoas e, consequentemente, estimulam o hábito da leitura quase diária. “Sempre dizemos que voz e texto são o primeiro casamento que fazemos e por isso vamos sempre atrás das melhores vozes para cada tipo de conteúdo em áudio. Cada projeto é pensado de forma única para chegarmos ao melhor resultado para o ouvinte”, comenta André, que vê essa narração como um atrativo para aquém assina a plataforma.

Booktuber

A tecnologia também se tornou uma importante parceira no trabalho da booktuber baiana Barbara Sá. Através do YouTube, a influencer de livros se tornou uma referência nesse meio, quando começou a usar o universo online para falar de sua experiência com a literatura. Primeiro com um blog e agora com um canal na plataforma, que tem mais de 40 mil inscritos.

Bárbara também enxerga esse movimento de forma positiva: “Na verdade a internet democratizou o acesso à leitura. Todos os dias você tem um livro gratuito que pode ser baixado ou comprado, e em seguida compartilhado”, lembra. Outro fator positivo destacado por ela é a facilidade em ter o livro, até porque “menos é mais”, disse a escritora ao contar de sua experiência com o Kindle, marca de um leitor de livros digital, desenvolvida pela Amazon.

A booktuber Bárbara Sá trabalha há oito anos com seu blog, e agora com o canal no YouTube (Foto: Divulgação)

O surgimento dessas vertentes dentro da literatura não apresentou apenas um novo mundo para os leitores, mas também para quem produz conteúdo. No caso do blog de Bárbara, batizado de Segredo Entre Amigas, os usuários têm a oportunidade de conhecer novas obras, principalmente de autores considerados independentes, ou seja, sem editora. “Se tornou mais barato lançar um livro. Facilitou para todos aqueles que não têm condições de publicar um livro por uma editora”, completou Bárbara, reforçando o discurso da democratização.

* Com orientação da editora Ana Cristina Pereira

Fonte: Correio24hrs

Mais de 100 mil discos de vinil estão sendo digitalizados para qualquer um ouvir

Embora muitos possam achar que as antigas formas de mídia possam estar ultrapassadas, elas ainda têm seu valor e apreço por muitos. Existe uma instituição sem fins lucrativos que desde 1996 tem como objetivo arquivar a internet, o Internet Archive.

Fonte: zeissolharesdomundoFonte: zeissolharesdomundo

Embora muitos possam achar que as antigas formas de mídia possam estar ultrapassadas, elas ainda têm seu valor e apreço por muitos. Existe uma instituição sem fins lucrativos que desde 1996 tem como objetivo arquivar a internet, o Internet Archive. A associação sem fins lucrativos tem como intuito proporcionar “acesso universal a todo conhecimento”, assim como uma biblioteca tradicional, só que de forma digital.

O Internet Archive, no início deste ano, em parceria com a Biblioteca Pública de Boston, começou a digitalizar uma coleção de mais de 100 mil gravações de áudio que estão em formatos como cilindros de cera, 78rpm e discos de vinil (LPs). De acordo com o diretor de projetos especiais do Internet Archive, CR Saikley:

“O LP foi nosso principal meio musical por mais de uma geração. De Elvis, aos Beatles e ao Clash, o LP foi testemunha do nascimento de Rock & Roll e Punk Rock. Foi parte integrante de nossa cultura das décadas de 1950 a 1980 e é importante preservarmos para as gerações futuras.”

De acordo com o Blog do site, muitos dos arquivos de áudio da Biblioteca Pública de Boston nunca foram ripados para formato digital. Para evitar que as obras musicais desapareçam, o Internet Archive está digitalizando todas as mídias que estão em risco para que futuramente elas possam ser apreciadas.

Antes do LP ser ripado, há o escaneamento da arte da capa em alta resolução, do próprio disco e de qualquer acessório que acompanhe o disco. São registrados também os dados do álbum como, por exemplo, o ano, a gravadora, a lista de faixas, os compositores, os músicos, etc.

Capa do disco de Vinil digitalizada e ampliada para mostrar a resolução. Fonte: blog.archive.org
Capa do disco de Vinil digitalizada e ampliada para mostrar a resolução. Fonte: blog.archive.org

Depois de realizar a catalogação dos discos de vinil, eles são digitalizados. Para isso o Internet Archive fez uma parceria com a Innodata Knowledge Services, organização que trabalha com machine learning e conversão de formatos digitais. Um funcionário da empresa parceira digitaliza 12 LPs por vez. Como o processo para digitalizar o Long Play é em tempo real, é preciso em média 20 minutos para gravar um lado do disco, obtendo assim uma eficiência de 10 Vinis convertidos por hora, utilizando 12 leitores de LPs.

Leitores de disco de Vinil realizando a digitalização do áudio. Fonte: blog.archive.org

Leitores de disco de Vinil realizando a digitalização do áudio. Fonte: blog.archive.org
Os arquivos gravados a partir dos discos de Vinil são convertidos para o formato FLAC, que precisa ser cortado para que a pessoa possa ouvir mais facilmente a faixa desejada. Para fazer o corte, são utilizados dois algoritmos, onde o primeiro analisa os espaços nos sulcos do disco, que geralmente coincidem com os espaços entre as músicas, e o segundo que “escuta” o arquivo de áudio e detecta espaços silenciosos entre as músicas. Com a utilização destes algoritmos, há um corte com 80% de precisão, porem há alguns arquivos de áudio mais complexos para serem cortados, onde há palmas entre os intervalos das músicas, e por conta destes casos há uma verificação manual dos arquivos antes de serem adicionados ao banco de dados online.

Existem no momento aproximadamente 900 LPs advindos da Biblioteca Pública de Boston no site do Internet Archive. O trabalho ainda está em andamento de acordo com o Blog do site, e de acordo com a organização sem fins lucrativos, ainda há 285 mil discos de Vinil doados por pessoas. Acesse os arquivos dos LPs aqui.

Observação: Muitos álbuns podem ser ouvidos de forma integral, porem alguns deles só é possível ouvir trechos de 30 segundos devido a direitos autorais.

Fonte: Oficina da Net

Livro: uma paixão

MARIA CLARA BINGEMER *

As centenas de feiras literárias organizadas todos os anos nas capitais, nas cidades do interior, no sertão, no semiárido e nas periferias nos dão uma boa oportunidade para prestar homenagem a esse grande, fiel e inseparável amigo, feito de papel, cola, grampo, linhas e letras que é o livro. Essa moldura recheada de conteúdos os mais diversos: paixão, aventura, amor, dor, suspense e, sobretudo, a mais elevada forma de atividade do espírito humano: a atividade literária, a criação do texto, a inspiração poética.

Lamentavelmente vamos ficando poucos os que ainda nos aproximamos do livro com paixão ansiosa. Trata-se de uma verdadeira aventura amorosa abrir um novo livro, virar suas páginas, tocar seu papel e sentir-lhe a consistência, cheirá-lo e finalmente mergulhar em seu conteúdo, absorvendo ávida e deliciosamente as palavras mágicas que nos fazem viajar, sofrer, chorar, rir, amar, refletir, rezar…

As novas tecnologias entraram com força em nossas vidas, atraindo-nos e conquistando-nos por inteiro com sua rapidez, eficiência e imediatez. O clique de um botão envia pela internet a antes carta perfumada e laboriosamente escrita, que passava pelas etapas do selo, do correio, do carteiro. O telefone celular agora não se limita a receber e enviar chamadas telefônicas, mas envia e recebe mensagens eletrônicas, toca música, apresenta os mais variados jogos. A rede faz chegar do outro lado do mundo livros inteiros em questão de minutos e mesmo segundos. E disponibiliza bibliotecas, periódicos e artigos onde se pode, sem sair da frente da tela do computador, fazer o que antes se fazia das páginas impressas do livro.

Há ainda a televisão, que a cada dia apresenta capítulos de novela e sessões de “reality shows”. Breve será interativa e poderemos “conversar” com ela e através dela, tal como já fazemos através da internet no computador.

E, no entanto…será que se trata da mesma coisa? Será idêntica a experiência que temos e vivemos diante de um computador ou de uma televisão e aquela que desafia todas as nossas energias e faculdades mentais diante das páginas de um livro novo, recém aberto, ou de um livro antigo e tão amado que se tornou amigo de infância e que não cansamos de revisitar e reler?

Não há dúvida que as novas tecnologias revolucionaram para melhor nossas vidas e nos trouxeram contribuições inestimáveis em termos de possibilidades de aceder mais veloz e diligentemente a toda e qualquer informação que desejamos. Porém, é inegável que essas mesmas tecnologias podem criar em nós uma espécie de dependência, de vício, que funciona como uma droga que nos impede de estar abertos e disponíveis a outras coisas. É assim que as novas gerações podem passar horas brincando em um computador, em salas de “chat” na internet em conversas que muitas vezes não são tão produtivas. Ou não perder um capítulo de novelas e “reality shows” que vão encurtando e atrofiando cada vez mais sua potencialidade criativa, não estimulada por contribuições sempre menores e menos significativas.

Enquanto a leitura do livro nos desafia, nos exige e nos ajuda a fazer novas interpretações e sínteses que vão nos permitir viver as situações vitais com maior preparação e um quadro de referências mais ricas, muitas das novas tecnologias, sobretudo se utilizadas com excesso e falta de discernimento, podem instaurar uma comunicação veloz, sim, mas sem muita consistência. A prova disso é o tamanho dos poucos textos que acompanham a louca dança das imagens na internet: são cada vez mais curtos, escritos em estilo menos elaborado, cheios de erros de português ou eivados de uma gíria própria que exclui as gerações nela não iniciadas.

A leitura exige tempo, calma e investimento. Ler um grande texto, uma bela poesia, um denso ensaio pede atenção, concentração, reflexão. Parece ser coisa que não se está mais disposto a exercitar nos tempos que correm. Rezar diante de uma passagem bíblica, de um salmo, ou de um poema religioso pede que toda a pessoa – corpo e espírito – esteja voltada para as letras que na escritura desenham paciente e paulatinamente o rosto do divino buscado ansiosa e amorosamente.

As feiras literárias conseguem trazer-nos de volta um pouco da velha paixão e respeito que merecem esses tão fiéis e adoráveis amigos que são os livros. Quem sabe, também e não menos, conseguem nos devolver algo do sentimento tão profundamente humano que vê e sente a leitura como um ato que tem algo de profundo e de sagrado?

* teóloga, professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio e autora de “Simone Weil – Testemunha da paixão e da compaixão” (Edusc), entre outros livros

COLUNA | QUADRINHOS: NOVAS PUBLICAÇÕES DISCUTEM PASSADO E PRESENTE DAS HQS BRASILEIRAS

Iniciativas como a Banda e o Catálogo HQ Brasil indicam que o meio dos quadrinhos no Brasil mantém a saúde, apesar dos baques econômicos e políticos enfrentados nos últimos anos

Exposição Quadrinhos no MIS, em São Paulo Foto: Edilson Dantas / Agência O GloboExposição Quadrinhos no MIS, em São Paulo Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

Num ano de desmontes e desespero generalizado, principalmente na cultura, é um alento ver iniciativas promissoras em áreas como os quadrinhos brasileiros. Mesmo com obstáculos, por exemplo a dificuldade de acesso ao público e a crise compartilhada com o mercado editorial, de que fazem parte, os criadores e comentadores de HQs nacionais têm se articulado, exibindo vitalidade e pensamento crítico.

Há, evidentemente, um vasto grupo de artistas que, por meio da linguagem dos quadrinhos, tenta repensar nossas formas de ver e viver o Brasil e o mundo. Não é uma novidade no país de Millôr Fernandes, Henfil e Glauco. Quero destacar aqui outro tipo de iniciativa, que em 2019 ganhou um espaço talvez inédito: a reflexão sobre quadrinhos.

Uma linguagem artística, a da literatura e a do cinema, a dos quadrinhos, não vive apenas de criadores. É preciso que haja um ecossistema, um circuito de produção e repercussão, a partir do qual a criação possa se adensar e se tornar mais complexa, mais ousada (penso em algo próximo ao conceito de “sistema literário”, de Antonio Candido). Além dos artistas, portanto, é preciso que haja um público leitor dos quadrinhos, grupos de editores que os disponibilizem e uma série de críticos, dispostos a pensar de modo aprofundado sobre as novidades e as continuidades na criação.

Nesse sentido, o ano de 2019 já começou com um marco: a exposição Quadrinhos, no MIS, que, aberta no fim de 2018, buscava sintetizar a história dessa linguagem, unindo a perspectiva brasileira e a universal (apesar de predominantemente europeia e norte-americana). O público teve contato com os mais diversos autores e gêneros de quadrinhos, de diversos países e tendências, e assim pôde identificar recorrências e diálogos dentro dessa tradição global. Por sorte, não foi a única iniciativa do tipo ao longo do ano.

Agora no início de novembro, foi lançado o primeiro número da revista Banda , que resume bem as duas faces da crítica de quadrinhos em 2019. Por um lado, na figura de seus idealizadores reconhecemos vários participantes do tal ecossistema que toda linguagem artística requer. Dos quatro editores da Banda (Carlos Neto, Douglas Utescher, Gustavo Nogueira e Thiago Borges), três são jornalistas com atuação expressiva na área de quadrinhos:

Neto toca o canal Papo Zine , no YouTube; Nogueira, o site Êxodo; Borges, o blog O Quadro e o Risco. Utescher, por sua vez, é um dos donos da Ugra Press, loja e editora de HQs em São Paulo. Assim, tanto a crítica quanto a distribuição de quadrinhos estão contempladas de saída na Banda .

Por outro lado, a revista é um belo exemplo de uma iniciativa mais reflexiva. Tem entre seus objetivos situar os quadrinhos brasileiros num contexto mais amplo, o que se vê em seu slogan: “A história além dos quadrinhos”. Com o tema “Clássicos da HQ Brasileira”, a revista traz em seu primeiro número dez listas com obras que especialistas e artistas julgam incontornáveis nos quadrinhos nacionais, mas sem a pretensão de esgotar o debate. Um fio que atravessa a revista é de constante interrogação: o que significa um clássico? Pode-se falar em clássico na HQ brasileira? Que critérios utilizar? As indagações partem da efeméride de Diomedes, de Lourenço Mutarelli, um forte candidato a clássico, assim como, talvez no futuro, Marcelo D’Salete, objeto de uma reportagem. São algumas sugestões; a definição, porém, fica para outro participante do ecossistema: o leitor.

Se a exposição Quadrinhos e a revista Banda voltam o olhar para o passado, tentando entender de que modo ele pode nutrir o presente, outro marco de 2019 prefere se concentrar na atualidade: o Catálogo HQ Brasil. Editado por Érico Assis e disponível gratuitamente na internet, o livro de pouco mais de 150 páginas traz um panorama da produção de quadrinhos no Brasil de 2009 a 2018. Pretende servir de introdução, de retrato instantâneo; por isso, oferece diversas informações para que o leitor vá atrás das obras que lhe despertem a curiosidade.

Embora tenha sido encomendado para a divulgação da cultura brasileira no exterior, conforme explicita o prefácio de Luiz Alberto Figueiredo Machado (embaixador em Portugal), o livro não se confunde com uma vitrine ufanista ou patrioteira. Quem se interessar por obras de quadrinistas como André Dahmer e Raphael Salimena, Lovelove6 ou Aline Zouvi, entre outros mencionados pelo livro, logo descobrirá temáticas, críticas e procedimentos que desagradariam profundamente os setores reacionários no poder. Religião, política, história, sexualidade, opressão, humor: a última década dos quadrinhos brasileiros ofereceu de tudo, e dos mais diversos ângulos (nem sempre, ou melhor, quase nunca favoráveis).

 Somadas, iniciativas como a Banda e o Catálogo HQ Brasil indicam que o meio dos quadrinhos no Brasil mantém a saúde, apesar dos baques econômicos e políticos enfrentados nos últimos anos. Quem acompanha as HQs nacionais pode até se surpreender ao flagrar-se com esperança: com iniciativas assim promissoras, com um fortalecimento do ecossistema de produção e recepção, com a tradição rica e crítica dos quadrinhos brasileiros, com artistas veteranos e novatos que seguem criando, com tudo isso, pode até ser que estejamos assistindo a um bom momento. É melhor aproveitá-lo; são tão raros.
Fonte: ÉPOCA

Internet Archive cria empréstimo digital de livros importantes da Wikipédia

Por Wagner Wakka

O Internet Archive quer tornar a Wikipédia uma plataforma ainda mais confiável para pesquisa. Para isso, quer dar aos usuários acesso às obras que são citadas como fontes dentro da plataforma.

Atualmente, grande parte da confiabilidade dos verbetes apresentados na Wikipédia se dá por conta da apresentação das fontes. Quando se tem uma explicação, se ela for realmente válida, deve conter um link ou uma citação para um vídeo, texto, áudio ou livro que justifica aquela afirmação.

O problema é que nem toda fonte é digitalizada. Ou seja, se a página da Wikipédia cita um livro físico, por mais possível que seja comprá-lo em papel ou encontrá-lo em bibliotecas, o usuário não consegue confirmar a informação exposta, a não ser que se comprometa com uma boa dose de esforço.

A ideia do Internet Archive, site que busca guardar a memória da rede, é de digitalizar todas as obras que são citadas na Wikipédia, permitindo que os usuários possam conferir as informações apontadas como fonte na plataforma.

A organização começou um novo movimento para escanear os livros e permitir acesso a uma prévia de pelo menos três páginas do trabalho citado.

A proposta foi apresentada no blog do Internet Archive como uma parceria entre os dois sites. O objetivo final é permitir que usuários possam emprestar versões digitais de cada livro por uma ou duas semanas, como em uma biblioteca. No fim, o Internet Archive quer ter um arquivo de todos os livros já publicados no mundo.

“O que está escrito em livros por vários séculos é essencial para informar as gerações de estudantes digitais. Nós esperando conectar leitores com livros trazendo os livros de papel para a web, começando pela Wikipédia”, explica Brewster Kahle, bibliotecário digital do Internet Archive.

O sistema funciona com base no Controlled Digital Lending (ou controle de empréstimo digital, em tradução livre). Trata-se de um método que permite a legalização do empréstimo de livros, tendo o controle de cópias compradas por uma instituição. Isto é, se uma biblioteca conta com 10 cópias, o sistema consegue garantir que somente 10 pessoas possam “emprestar” uma versão digital por vez.

Embora o sistema seja promissor e considere que há uma compra para empréstimo como acontece em bibliotecas, o CDL (como é chamado) ainda não é um método regularizado, sendo que ainda precisa ser regulamentado por lei.

Contudo, esta não é uma tarefa tão simples assim. Segundo o blog da organização, digitalizar um livro custa perto de US$ 20 (aproximadamente R$ 80), somado ao preço de manter isso disponível. “O objetivo é trazer outros 4 milhões de livros importantes online nos próximos anos”, aponta a empresa.

 Para isso, a companhia está abrindo espaço para que pessoas possam patrocinar o projeto ou mesmo fazer doações para a instituição.
Fonte: Canaltech

“O Pasquim” faz 50 anos e ganha exposição em São Paulo

Do UOL

Capa da edição 223 de “O Pasquim”Imagem: Divulgação

A partir do dia 19 de novembro, o Sesc Ipiranga, em São Paulo, recebe a exposição “O Pasquim 50 anos”, que comemora o aniversário de meio século da primeira edição do jornal carioca fundado em 1969. Com curadoria de Zélio Alves Pinto e Fernando Coelho dos Santos, a abertura da exposição será realizada em conjunto com o lançamento da página do jornal na plataforma digital da Biblioteca Nacional, que disponibilizará todas as edições do periódico para pesquisa.

“O Pasquim” surgiu no final da década de 1960 como um projeto do cartunista Jaguar e dos jornalistas Tarso de Castro e Sérgio Cabral. Jovial e debochado, tornou-se símbolo do jornalismo alternativo durante a ditadura civil-militar brasileira, regime instaurado entre 1964 e 1985. Seu ar cômico e irreverente desafiava os preceitos morais da elite carioca.

Reportagens e artigos comportamentais que falavam sobre sexo, drogas e divórcio conquistavam leitores e promoviam discussões singulares para a época.

Responsável por realizar um jornalismo mais oralizado, o semanário ficou conhecido por suas longas entrevistas, feitas principalmente em ambientes festivos, cheias de intromissões dos colaboradores.

Batizada de “a patota”, as reuniões de pauta uniam jornalistas, cartunistas e intelectuais como Millôr Fernandes, Ziraldo, Jaguar, Chico Buarque, Ivan Lessa, Paulo Francis, Vinícius de Moraes, Glauber Rocha, Odete Lara, Carlos Prósperi, Sérgio Augusto, Henfil, Fortuna, Cacá Diegues, Miguel Paiva, Carlos Leonam, entre tantos outros.

Para Fernando Coelho dos Santos, um dos curadores da exposição, “a seleção dos trabalhos que compõem a exposição propõe um olhar na trajetória desse periódico de humor através da história dos costumes e da política brasileira, tendo como protagonistas autores geniais que, mesmo nas dificuldades, mantiveram o jornal rodando.”

A exposição

Definida como uma exposição “eminentemente gráfica” por Daniela Thomas, cineasta e cenógrafa que assina a expografia junto a Felipe Tassara e Stella Tennenbaum, a história do semanário ocupa toda a unidade com diferentes formatos.

Na área de convivência, destinada principalmente a leitura e encontro, a intervenção “O Som do Pasquim” traz discos de vinil lançados ao longo da história do jornal. Com fones de ouvidos e banquinhos, a estrutura apresenta obras como a primeira gravação de Águas de Março, de Tom Jobim, produção que lançou João Bosco no lado B; Caetano Veloso lançando Fagner; Jorge Bem e Trio Mocotó com participação de Leila Diniz; entre outros. Além disso, o visitante pode ouvir o LP Anedotas do Pasquim com piadas contadas por Ziraldo, Chico Anisio, Golias e Zé Vasconcelos.

Detalhe de ilustração publicada em “O Pasquim” Imagem: Divulgação.

Ainda no espaço, uma Linha do Tempo proporciona uma viagem entre 1969 e 1991, ano da última publicação do periódico, com 50 capas e textos complementares.

O quintal do Sesc Ipiranga recebe diferentes intervenções: As Máximas do Pasquim, coletânea de frases lema que foram publicadas em todas as edições, entre elas “Pasquim, um jornal a favor do contra” e “Na terra de cego quem lê Pasquim é rei” ocupam a parede do solário.

Estruturas giratórias que apresentam quadrinhos de diferentes artistas também são destaque na exposição. Cerca de 12 produções inéditas trazem Histórias da Patota contadas por artistas como Paulo Caruso, Luiz Gê, Miguel Paiva e Pryscila Vieira.

Na área superior, a Praça de Ipanema relembra o famoso bairro carioca onde o “Pasquim” nasceu e fez sucesso.

No galpão da unidade, uma redação com 26 rotativas de diversos trabalhos publicados é recriada para o público imergir na realidade do periódico. Uma mesa-vitrine traz fotos, livros e revistas selecionados pela curadoria. Além disso, os visitantes também podem ouvir histórias dos colaboradores em um telefone e redigir suas ideias em uma máquina de escrever.

Edição número 28 de “O Pasquim” Imagem: Divulgação.

Em frente à principal área expositiva, o espaço Turma do Pasquim exibe cerca de 33 integrantes da patota em homenagem aos mais de 4.000 colaboradores do jornal. Nomes como Millôr, Chico Buarque, Caetano Veloso, Vinicius de Moraes, Jô Soares e Elke Maravilha são representados em tamanho real, acompanhados por uma curta biografia.

Também na área externa, A Gripe do Pasquim revive o momento em que 11 integrantes do semanário foram presos. O motivo da detenção teria sido uma brincadeira. Na 71ª edição, o quadro “Independência ou Morte”, de Pedro Américo, apresentado entre os conteúdos daquele número, ganhou um balão sobre a cabeça de Dom Pedro 1º que dizia: “Eu quero mocotó! “. Nesse espaço, serão apresentadas histórias da patota no “tempo de xilindró” através de vídeos, cartuns censurados e diversos outros registros.

Outras duas salas brincam com as diferentes formas com as quais os redatores trabalhavam as temáticas da época. Na sala Pasquim Ativista, cartazes e placas com frases cobrem as paredes e rememoram o comprometimento do semanário com assuntos como a sustentabilidade, anistia e as Diretas Já. O segundo espaço, denominado Pasquim Incorreto, é composto por módulos que lembram monóculos e traz recortes de diversos conteúdos que fizeram parte da publicação, com a proposta de que sejam vistos pelas lentes do passado e provoquem reflexões sobre o presente.

Sobre a plataforma

Em conjunto com a exposição, a Fundação Biblioteca Nacional lança um site dedicado ao semanário. Além de todas as 1.072 edições digitalizadas, a plataforma possibilita a pesquisa no conteúdo por meio de palavras-chaves. O trabalho de digitalização levou mais de um ano e teve o apoio da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e do cartunista Ziraldo, que cederam exemplares para completar a coleção da Biblioteca Nacional, além da colaboração de Fernando Coelho dos Santos com a produção de conteúdo.

A plataforma conta também com uma seção de “memórias”, com textos produzidos por colaboradores do “Pasquim” e índices de seções do jornal, trazendo uma nova experiência para o público. Foram identificados mais de 4.000 mil colaboradores e mais de 200 seções ao longo dos 22 anos em que o “Pasquim” circulou.

Digitalizadas e disponíveis no portal de periódicos da Biblioteca Nacional – a Hemeroteca Digital Brasileira -, a plataforma integra um acervo de mais de 7.000 mil títulos históricos em formato digital.

Serviço

Abertura: dia 19 de novembro de 2019, às 19h

Visitação: 20/11 de 2019 a 12/4 de 2020

Horário: terça à sexta-feira, de 9h às 21h30. Sábados, de 10h às 21h30.

Domingos e feriados, de 10h às 18h30.

Endereço: Sesc Ipiranga – Rua Bom Pastor, 822 – Ipiranga.

Telefone: (11) 3340-2000.

Fonte: UOL

Literatura e mundo geek são as atrações da 1ª Festa Literária de Jundiaí

Evento trouxe 53 expositores, entre artistas plásticos, cosplayers, ilustradores, caricaturistas, quadrinistas e escritores no Parque da Uva

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Jundiaí recebe 1ª Festa Literária com programação gratuita

Literatura e mundo geek são as atrações da 1ª Festa Literária de Jundiaí (Foto: Reprodução/Prefeitura de Jundiaí)

 Neste sábado (9), o Parque da Uva recebeu mais um evento da Festa Literária de Jundiaí (FLIJ), que começou no dia anterior e terá, até o dia 15, uma extensa programação gratuita pela cidade.

O objetivo do evento é incentivar o hábito da leitura entre crianças, jovens e adultos e é uma realização da Unidade de Gestão de Cultura (UGC) da Prefeitura e do Conselho Municipal de Política Cultural, por meio da Câmara Setorial de Literatura e apoio das demais Câmaras.

Esta edição da Festa tem como curadora Rosana Congílio e homenageia as escritoras Júlian Heimann e Mariazinha Congílio (está “in memorian”). O evento deste sábado se repete no domingo (10), também no Parque da Uva.

Neste fim de semana, a 13ª JundComics, que trouxe 53 expositores, entre artistas plásticos, cosplayers, ilustradores, caricaturistas, quadrinistas, entre outros, além de cerca de 30 autores literários que também estavam presentes para a realização da 1ª Festa Literária.

Responsável pela organização da JundComics, o ilustrador Ede Galileu contou que aguarda até este domingo a passagem de cerca de 5 mil pessoas pelo Parque da Uva, para prestigiar não só os expositores, como as demais atrações programadas para o evento.

“Entre nossas palestras, conseguimos trazer nomes como Marcio Antonio Cortez, que é ilustrador de literatura em quadrinhos; pockets shows como o do Harry Potter, e apresentação de bandas, como a Ryusei, que tem um repertório baseado em temas de séries, animes e videogames”, diz, lembrando que no domingo (10), às 14h, a palestra “Quadrinhos e Literatura Fantástica” será feita pelo quadrinista e escritor Tiago Zanetic.

Rosana Congílio, que assim como Ede Galileu integra o Conselho Municipal de Política Cultural de Jundiaí, contou estar empolgada com a realização da 1ª FLIJ. “Esta mistura de públicos é uma oportunidade de troca, de conhecimento, e de possibilidades de termos nomes como Júlia Heimann, que é uma das nossas homenageadas, Élvio Santiago, e tantos outros interagindo com autores mais jovens, com artistas do cenário de quadrinhos. Isso é muito positivo”, destacou.

Mistura de públicos

A estudante autodidata de desenhos, Giovanna Montrés, de 14 anos, pediu à mãe que a levasse ao Parque para participar da JundComics. “Adoro o universo geek e não queria perder a oportunidade”, disse.

O artista plástico, Elbert Alves da Cunha, 24 anos, llevou algumas de suas esculturas para a mostra e aproveitava o público presente para explicar um pouco de sua técnica de modelagem, realizada em massa clay. “Acho muito importante eventos como este, porque é uma forma do público conhecer o nosso trabalho.”

Já na parte literária, a romancista histórica Tuka Vilhena estava ansiosa para apresentar sua mais nova produção literária, o romance “Honra ou Traição”. “A história se passa na Escócia, em 1359, e vou lançar aqui na FLIJ, que é uma ótima oportunidade para que o público da cidade conheça os talentos daqui. Eu, por exemplo, sou aqui de Jundiaí, mas vendo muito mais meus livros pela internet”.

Para conferir toda a programação de eventos da 1ª FLIJ, clique aqui.

Quando Surgiram Os Mangás?

Saiba tudo sobre a origem dos mangás e aposte nas informações desse artigo para se envolver nesse universo artístico único!

  Redação
Quando Surgiram Os Mangás?

Os clássicos mangás são datados de muito tempo atrás e, a cada ano, se reinventam mais e mais a fim de atingir a todos os públicos amantes desse tipo de leitura, que é advinda do Japão.

Mas você sabe quando foi que surgiram os mangás? Sabendo mais sobre eles, a inspiração que você precisava para buscar os melhores de seu gênero favorito estará logo abaixo!

Confira tudo sobre esse estilo de leitura que, até mesmo em termos de estrutura, é diferente de todo o conceito ocidental de entretenimento literário e aposte nele!

Quando Surgiram Os Mangás?

Surgimento dos mangás

Para saber, de fato, tudo o que é preciso ter em mente sobre os mangás, é necessário ter em mente alguns fatores:

  • Origem e surgimento dos mangás
  • Características desse estilo de leitura
  • A relação entre imagem e leitura
  • O típico exagero
  • Estilos de mangá

Cada um desses pontos será especificamente abordado abaixo – então fique de olho para não perder nenhuma informação importante e para começar a apostar nessa opção hoje mesmo!

Origem e surgimento dos mangás

Os mangás surgiram na época feudal, sendo advindos dos chamados “teatros de sombra” japoneses.

Quem deu início aos primeiros títulos conhecidos foi o grupo de viajantes que saia e voltava para o país, carregando consigo as lendas e aprendizados contidos em seu caminho.

Aos poucos, essas histórias e lendas foram ganhando popularidade e passaram a ser, de fato, registradas, mas não da forma que as conhecemos hoje.

Na época, os mangás possuíam um teor apenas ilustrativo e, para que sua narrativa se enquadre na disseminada no século XXI, é preciso retornar ao século XX.

Foi apenas no século XX que as primeiras impressões de histórias publicadas foram feitas – passando a serem vistas como tradições pelo povo japonês.

Portanto, ainda que existam registros relacionados ao mangá desde o feudalismo, ele só ganhou o formato pelo qual é conhecido hoje no século XX.

Características desse estilo de leitura

Sabendo de onde vieram os mangás, alguns leigos podem se perguntar, de fato, o que são eles.

Mangás são histórias em quadrinhos que falam de todo e qualquer tema que você possa imaginar, inclusive de uma série de temáticas que, posteriormente, ganharam espaço como animes populares.

O que torna o mangá único em relação a outros tipos de quadrinhos é uma junção de sua estrutura, que é lida de forma completamente diferente da leitura ocidental (de trás para a frente e da esquerda para a direita e sua relação entre imagem e leitura.

Quando Surgiram Os Mangás?

A relação entre imagem e leitura

Um mangá não possui uma estrutura fixa para que seja considerada uma peça desse tipo.

Ele pode ter quantos quadrinhos e desenhos o autor desejar. Porém, para que seja considerado um mangá, é preciso que ele faça a tradicional relação entre imagem e leitura.

Essa relação é muito importante para a cultura japonesa em função de sua própria escrita, uma vez que cada kanji representa uma palavra diferente.

Isso faz com que haja uma relação direta entre a imagem e a palavra escrita. Essa linearidade poderá sempre ser encontrada por leitores de mangá!

O típico exagero

Além de todos os detalhes acima dados, também é importante enfatizar o “exagero” dado aos personagens e as situações vividas por eles.

Justamente por conter uma extensa relação entre palavra e imagem, o exagero se mostra uma forma de expressão única e característica dos mangás.

Estilos de mangá

Existem dezenas de mangás diferentes que podem ser lidos por seus fãs. Basta escolher um gênero e é certo que você será rodeado de infinitas opções! Se você se interessou por esse tipo de arte, dê uma chance a ela e confira por si só sua unicidade!

Fonte: Portal Nerdsite

Pequena bibliografia online sobre livros antigos e/ou raros: português, inglês e francês

Palestra: História do Livro

A palestra abordará sucintamente o processo histórico do surgimento e processos de produção dos livros, a partir do desenvolvimento dos suportes e instrumentos para escrita, discorrendo sobre a ideia de reunião e proteção das informações, apresentando formatos como o volumen, codex, livros medievais, o advento da tipografia até o aparecimento dos livros digitais e a encadernação de conservação.

Público-Alvo: Público geral, 3ª idade, encadernadores, bibliotecários, arquivistas, museólogos, conservadores-restauradores e estudantes destas áreas, ou áreas correlatas.