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Fontes de Informação

Aurélio, caçador de borboletas

Ou, na verdade, de palavras-borboletas, como lembra Cezar Motta no recém-lançado livro que conta a história do dicionário famoso e de seu autor

Texto por Marcello Rollemberg

Fotomontagem: Camila Paim/Jornal da USP com imagens de Arquivo e Freepik

Um caçador de borboletas, a correr com uma rede em busca das palavras que voavam. Era assim que Aurélio Buarque de Holanda – criador do mais prestigioso dicionário brasileiro, aquele que leva seu nome e, mais do que isso, o define, substantivo absoluto – conceituava seu trabalho de dicionarista. Escritor talentoso que poderia ter ido longe na literatura se não houvesse sucumbido ao prazer de caçar palavras com uma rede metafórica para, então, dissecá-las em verbetes, hedonista, inquieto, grande conversador e contador de histórias, Aurélio também acumulava outros predicados menos abonadores e bem complexos: desorganizado, descumpridor de prazos e um tanto desleixado. Esse rápido retrato pessoal pode ser a síntese daquele intelectual que queria criar um dicionário para chamar de seu e que por décadas deu com os burros n’água – muito devido às características listadas há pouco, muito também por causa de um mercado editorial reticente. E, no final, o livro, o “pai dos burros” definitivo acabou saindo e se tornou o maior sucesso editorial do País, com mais de 15 milhões de exemplares vendidos em pouco mais de 25 anos desde que foi lançado, em 1975. O dicionário – uma proeza – ficou 42 semanas seguidas na lista dos mais vendidos da revista Veja, isso quando tanto listas quanto a publicação tinham bem mais prestígio. Mas a história não é tão simples assim – nunca é.

A capa do livro de Cezar Motta – Foto: Reprodução

E esse axioma, por assim dizer, pode ser agora comprovado com o lançamento de Por Trás das Palavras, do jornalista Cezar Motta. Lançado pela recém-criada editora Máquina de Livros, a obra conta as aventuras e desventuras que marcaram a criação e edição do Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Quem? Pode esquecer o nome pomposo e oficial. É só chamá-lo de “Aurélio” – no final das contas, o título acabou sendo Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa.

Mas não adianta procurar essa definição – “Aurélio” – de dicionário no próprio. Ela não está lá. Nunca esteve e, provavelmente, nunca estará. “Seria pernóstico e pretensioso”, explicou – talvez com falsa modéstia – o “Mestre”, como amigos e discípulos chamavam Aurélio Buarque de Holanda. Ou, como definiu certa vez Mauro de Salles Villar, braço direito de Antônio Houaiss – o autor da obra que compete com o “Aurélio” pelo lugar mais alto no pódio da lexicografia em português, apesar de, como diz Motta, ser mais “rebuscado”: “O uso de ‘Aurélio’ como significado de dicionário é, na verdade, uma metonímia”.

Antônio Houaiss e Aurélio Buarque de Holanda – Foto: Arquivo pessoal de Aurélio Baird Buarque Ferreira/ Extraída do livro Por Trás das Palavras

Figuras de retórica à parte, o livro de Cezar Motta conta de forma instigante todas as idas e vindas que envolveram a edição do dicionário, tendo, obviamente, como ator principal o seu criador. O trabalho de Motta – oficialmente equilibrado em seis capítulos, sem sumário – pode também ser dividido em duas partes: a primeira, marcada por descumprimentos de prazos, fracassos, frustrações e pela incansável e conturbada busca por um mecenas, aquela figura patrocinadora generosa, protetora das artes e das letras – como bem define, claro, o “Aurélio”. A segunda, com o estrondoso sucesso após o lançamento, em 1975, e as subsequentes e intestinas disputas judiciais pela coautoria e por direitos autorais que levaram anos para serem dirimidas. Está tudo lá. Contar histórias da confecção de dicionários pode ser muito mais eletrizante do que imagina a vã filosofia do leitor menos atento – ainda mais quando fala-se de um que, ao sair à luz, pesava pouco mais de três quilos, custava o equivalente hoje a R$ 120,00, tinha 1.536 páginas em papel-bíblia e apresentava 120 mil verbetes.

Dr. Johnson, Webster e Oxford

Aurélio Buarque de Holanda Ferreira (1910-1989) nasceu em Passo do Camaragibe, no interior de Alagoas, e aos 13 anos foi viver com a família em Maceió. Adolescente de fartos cabelos avermelhados, alto e inquieto, Aurélio não era necessariamente um aluno exemplar, mas chamava a atenção. Mas, por mais que se esforçasse, quem atraía mesmo a atenção entre os colegas de classe era um tal de Pelópidas Guimarães Brandão Gracindo, que a dramaturgia brasileira passaria a conhecer décadas mais tarde como Paulo Gracindo. “Logo de início, o novato se mostrara inquieto e insubordinado. Ele era de natureza um tanto avessa a quanto lhe limitasse os impulsos”, o descreveu um outro colega de turma no liceu alagoano, Arnon de Mello, que viria  a ser governador de Alagoas e pai de Fernando Collor de Mello.

Depois que saiu da escola aguentou empregos burocráticos no governo alagoano até 1938, quando surgiu uma oportunidade de se mudar para o Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Foi trabalhar na Revista do Brasil, dirigida pelo historiador Octávio Tarquínio de Sousa e, aos poucos, foi angariando prestígio junto à intelectualidade da então capital federal, até estrear como ficcionista com o livro Dois Mundos, lançado em 1942.

Ele começou a ganhar fama como dicionarista nos anos 1950, quando assumiu a condição de revisor principal do Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, editado pela Civilização Brasileira. “Mas o cargo não era suficiente para Aurélio, que mais tarde renegaria o Pequeno Dicionário e passaria a sonhar com um de sua autoria exclusiva”, conta Cezar Motta. Isso, mesmo ele sabendo que a vida de dicionarista nunca foi nada fácil, como bem definiu o dr. Samuel Johnson, grande lexicógrafo inglês do século 18, ele mesmo autor de um dos primeiros dicionários na língua de Shakespeare. Para ele, com certa rabugice, quem se dedicava a essa atividade era “um burro de carga, um inofensivo trabalhador de uma tarefa inglória, exaustiva e sem nenhum reconhecimento da sociedade”.

Correções feitas no “Aurélio” – Foto: Arquivo pessoal de Nélida Piñon/ Extraída do livro Por Trás das Palavras

O próprio Aurélio tinha uma outra definição para dicionarista. Quem quisesse trabalhar com dicionário deveria ser “muito vivo, inteligente; e um bocado burro”, afirmou ele em uma entrevista ao Pasquim em 1975, na época do lançamento do seu dicionário. “Se você for violentamente inteligente, parte com muita sede ao pote e não faz nada. As palavras são muito ariscas”, continuou ele na entrevista reproduzida no livro de Motta. Buscar o sentido das palavras não é algo simples e tudo muda com o tempo. Para se ter uma ideia, a primeira edição da histórica Enciclopédia Britânica, de meados do século 18, trazia esta definição para mulher: “female of the man”. Nada mais. Lacônica, reducionista e machista até as polainas do rei Jorge III. Mas era o retrato de sua época. No “Aurélio”, verbetes de outros dicionários ganharam, às vezes, dezenas de definições a mais.

Para fazer seu dicionário, Aurélio tinha em mente duas grandes obras: o Webster americano e o Oxford inglês. O primeiro, publicado desde 1828 e que estabeleceu um padrão para o inglês falado nos Estados Unidos, é criação do advogado, professor, jornalista e lexicógrafo Noah Webster. Chamava-se An American Dictionary of the English Language. Ok. Vá procurá-lo por esse nome. Nada feito. Mas se pedir um “Webster”… Pois é, cada língua com seu Aurélio. Quando foi lançado, o dicionário foi um fracasso editorial, vendendo apenas 2.500 exemplares. Mas a história se encarregou de consertar esse deslize.

Já o Oxford tem uma história um pouco mais curiosa. Em 1878, a Sociedade Filológica da Inglaterra decidiu fazer o seu próprio dicionário, uma obra definitiva que abrangesse não só o inglês falado na Grã-Bretanha, mas também nos Estados Unidos e nas colônias, como Canadá e Austrália. E escolheram, por óbvias razões acadêmicas e financeiras, a Universidade de Oxford para cuidar da empreitada. E os acadêmicos da prestigiosa universidade elegeram o professor escocês James Murray para pilotar o projeto. Murray não se fez de rogado e colocou anúncios em jornais ingleses, americanos e das colônias pedindo ajuda voluntária com palavras de toda e qualquer especialidade. O mais prolífico colaborador de Murray era um camarada chamado William Chester Minor, que toda semana enviava cem páginas caprichosamente manuscritas com sugestões de léxicos sobre história, medicina e guerras. Curioso, Murray decidiu finalmente conhecer seu assíduo colaborador. E descobriu que ele era, na verdade, um médico veterano da guerra civil americana internado em um asilo para loucos nos arredores de Londres. Dado a surtos psicóticos, Minor havia matado um operário a tiros. Essa história é muito bem contada no livro O Professor e o Demente, de Simon Winchester – e virou um filme interessante, estrelado por Mel Gibson e Sean Penn.

Bem se vê, a tarefa de dicionarista não é fácil, nem deve ser solitária – Aurélio Buarque chegou a ter cerca de 120 colaboradores para pesquisar palavras as mais diversas e criar seus verbetes. E é mais séria ainda quando não se tem nem dinheiro nem editora. E quando se tem as duas coisas, não se cumpre os prazos.

Sucesso e brigas judiciais

Marina Baird, Aurélio e Margarida dos Anjos – Foto: Arquivo pessoal de Nélida Piñon/ Extraída do livro Por Trás das Palavras

Essa era, na verdade, a cornucópia de problemas que rondavam Aurélio Buarque de Holanda e seu dicionário. Claro que sua fama de intelectual só fez aumentar ao longo dos anos – ao ponto de ele ser eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1961. Mas sua fama de desorganizado e descumpridor de prazos também era uma constante. E os colaboradores mais próximos, de primeira hora, como Joaquim Campelo – guardem esse nome – e Margarida dos Anjos (filha do poeta Cyro dos Anjos), além de sua mulher, Marina Baird, viam como era difícil conseguir uma editora. Mas estavam todos dedicados a editar “o dicionário”, aquele que desbancaria qualquer outro, principalmente o Caldas Aulete, o, digamos, “Aurélio” do Brasil de finais da década de 1950.

Aurélio Buarque de Holanda ao tomar posse como membro da Academia Brasileira de Letras, em 1961 – Foto: Reprodução/ Extraída do livro Por Trás das Palavras

“No fim dos anos 50, todos os principais editores do País já acreditavam  que seria Aurélio Buarque de Holanda  o autor do grande dicionário da língua portuguesa que o mercado editorial tanto esperava. Mas Joaquim Campelo via um grave problema: na confluência da busca da perfeição com a realidade prática do trabalho, Aurélio se perdia”, escreve Cezar Motta, citando Joaquim Campelo, que passou a colaborar diretamente com Aurélio desde meados dos anos 1950 e ficou ao seu lado por três décadas. Foi Campelo, mais prático, que ficou encarregado de conseguir possíveis financiamentos para viabilizar o dicionário e também tentar tornar o trabalho mais objetivo. Isso, sem nunca ter recebido um tostão de Aurélio – o dicionarista considerava que a experiência e os conhecimentos que passava ao auxiliar eram pagamento suficiente, conta Cezar Motta. Durante muito tempo, esse trabalho foi um insucesso só. E a culpa era do Mestre. “Disciplinado, Campelo estranhava os hábitos de Aurélio, que acordava às 10 ou 11 horas, era desorganizado e caótico. O Mestre, segundo ele, era um pesquisador brilhante, leitor compulsivo, mas preguiçoso à sua maneira; fazia anotações de forma desconexa, acumulava papéis com novas palavras e definições nos bolsos, baús e gavetas”, afirma Motta em seu livro. Isso, sem se falar em outra característica de Aurélio: ser centralizador.

Em todas as tentativas de levar o dicionário adiante, a equipe – seguindo uma rotina de trabalho, buscando ideias e palavras em outros dicionários para aprimorar e aumentar seus significados em novos verbetes e preparando abonações (as citações literárias que referendam a definição dada) – se via paralisada justamente por quem menos deveria impedir o trabalho de caminhar. “A coisa empacava justamente no Mestre Aurélio, que retinha  o trabalho pelo seu natural perfeccionismo. Era comum que verbetes simples ganhassem mais de cem acepções diferentes. Aurélio não tinha qualquer disciplina ou compromisso com prazos”, escreve Cezar Motta. Isso aconteceu nas várias vezes em que houve a tentativa de se tirar o dicionário do mundo das ideias. Foi assim com a revista O Cruzeiro, nos anos 1950, e com a Editora Delta, nos anos 1960, para ficarmos em apenas dois exemplos. Em ambos  os casos, a situação foi a mesma: interesse grande na obra, entusiasmo inicial e depois… nada mais. Nas duas situações, Aurélio recebeu adiantamentos ou salário mensal, repassou trabalho para a equipe e prometeu entregar os verbetes. E fez como se a expressão “cumprimento de prazo” não estivesse entre eles – Cezar Motta afirma em seu livro que havia a desconfiança de que Aurélio atrasava propositadamente a entrega de originais para continuar recebendo seu salário. Para a revista, não entregou uma página sequer dois anos depois de assinar o contrato – e o acordo foi encerrado. Com a Delta, do empresário Abrahão Koogan, a mesma coisa: dois anos depois de assinado o contrato, nada feito. Resumindo: todos os editores e possíveis financiadores estavam agora escaldados e ninguém queria embarcar em uma barca lexicográfica furada. Mas Joaquim Campelo, que trabalhava também no Jornal do Brasil, continuava tentando – mesmo com dinheiro curto ou sem nenhum. Até o ex-presidente Juscelino Kubitscheck, então dono de uma financeira, foi procurado, mas educadamente declinou da proposta.

Até que a editora Regina Bilac Pinto, dona da Forense, fez uma sugestão: que tal Carlos Lacerda, dono da Editora Nova Fronteira? Campelo foi à editora – Aurélio não sabia negociar nada além de palavras -, falou com executivos da Nova Fronteira e com o próprio Lacerda, que, em um primeiro momento, não gostou da ideia. Mas acabou convencido pelo escritor e jornalista João Condé: “Foi Condé que convenceu Carlos Lacerda de que a Editora Nova Fronteira daria um passo histórico com a publicação do dicionário ‘Aurélio’”, escreve Cezar Motta. E, finalmente, a coisa andou. O contrato foi firmado em 17 de abril de 1974.

Em um ritmo frenético de entrega de originais, da letra A até a Z, o “Aurélio” ganhou forma e foi lançado no Rio de Janeiro, com toda a pompa e circunstância, no dia 11 de julho de 1975, “o ponto mais alto da carreira de um dos grandes filólogos brasileiros”, como atesta Motta. Mas o cartapácio de mais de 1.500 páginas já estava nas livrarias desde março, com uma tiragem inicial de 18 mil exemplares – e com cerca de mil erros, corrigidos nas reimpressões seguintes. O livrão não parou mais de vender. Em 11 anos, o “Aurélio” venderia o triplo de toda a obra reunida de Jorge Amado. E a disputa legal por seus direitos autorais começou.

Joaquim Campelo – Foto: Arquivo pessoal de Joaquim Campelo/ Extraída do livro Por Trás das Palavras

Isso porque Campelo, o fiel escudeiro que entrara na página de rosto do dicionário como colaborador, havia sido excluído de novos contratos de edição e reimpressão tanto do “Aurélio” quanto de seu filhote, o Minidicionário Aurélio, uma ideia que Sérgio Lacerda, filho do dono da Nova Fronteira, teve em 1977. A relação de Campelo e Aurélio já tinha azedado ainda em 1974, quando o ainda amigo achou que o Mestre estava pedindo dinheiro a Lacerda à sua revelia. O colaborador ameaçou colocar fogo nos originais do dicionário, mas a situação amainou – mas não cicatrizou. Com a nova perspectiva sobre os direitos autorais, Campelo processou Aurélio e a Nova Fronteira, mas perdeu todas as disputas, até no STF. A pendenga só acabou em 1985, mas a mágoa de Campelo permaneceu – até porque Aurélio, no prefácio à primeira edição, cita 43 nomes de pessoas que foram determinantes para a confecção da obra. Joaquim Campelo não está entre eles.

O “Aurélio” teve outros filhotes além do Minidicionário: o Aurélio escolar, o Mini Aurélio Infantil – com ilustrações de Ziraldo – e suas versões eletrônicas, primeiro ainda com a Nova Fronteira, depois com a Editora Positivo, detentora de seus direitos desde o começo do século 21. A concorrência aumentou muito nos últimos anos, mas a obra continua uma referência essencial – e é atualizado periodicamente pela lexicógrafa carioca Renata Menezes.

Aurélio Buarque de Holanda morreu no dia 27 de fevereiro de 1989, dois meses antes de completar 79 anos, depois de padecer por oito anos do mal de Parkinson. Morreu em casa, já que nos últimos tempos se recusava a ir a hospitais. Em sua última internação, porém, ele ainda conseguiu dar uma mostra de como, mesmo doente, ainda tinha uma ligação intensa com as palavras e com a língua portuguesa, como conta Beto Sales, filho do escritor Herberto Sales, no prefácio de Por Trás das Palavras:

“Na última vez que vi o Mestre, fui com meu pai visitá-lo no hospital, sua derradeira internação. Minado pela luta contra o mal de Parkinson, o Aurélio que estava ali na cama em nada lembrava a vibrante presença do homem que aproximou o brasileiro de sua língua. Mal balbuciava muxoxos guturais. De súbito, entra no quarto a médica que vinha acompanhando seu delicado quadro naqueles dias, e triunfalmente cumpre à risca o rito de mostrar bom humor diante da nossa patética impotência: ‘Grande mestre, vim aqui só para lhe ver!’. Aquele uso errado da transição do verbo ‘ver’ era a centelha para saber se de fato o Mestre ainda guardava com o nosso mundo algum elo. Olhei para a cama e vi Aurélio se retorcer com incrível dificuldade, seu tronco e braços enrijecendo como a preceder um movimento brusco que lhe seria impraticável, sua boca abrir além do que a letargia da doença permitia, e num esforço brutal sussurrar: ‘Vê-lo, vêêê-lo’”.

Por Trás das Palavras, de Cezar Motta, Editora Máquina de Livros, 192 páginas, R$ 49,00 (impresso), R$ 32,00 (e-book).

Fonte: Jornal da USP

Bastidores do Dicionário Aurélio, o maior sucesso editorial brasileiro de todos os tempos

Cezar Motta

Cezar Motta lança, pela Máquina de Livros, de Bruno Thys Luiz André AlzerPor trás das palavras – As intrigas e disputas que marcaram a criação do dicionário ‘Aurélio’, o maior fenômeno do mercado editorial brasileiro. E tenta explicar como um livro de referência transformou-se no maior best seller brasileiro de todos os tempos, com mais de 15 milhões de exemplares vendidos.

O personagem central do livro é o Dicionário Aurélio e os bastidores da obra, revelados em detalhes pelo autor. Num trabalho de reportagem minucioso, Motta descreve a dinâmica de produção da mais ambiciosa obra de referência do País. Ele colheu depoimentos de quem esteve na linha de frente do dicionário e construiu uma narrativa que lembra o romance, não fossem reais os personagens. Foram escritores, acadêmicos, editores, jornalistas, políticos e empresários – um painel da intelectualidade do País – que participaram ou testemunharam os momentos determinantes de Aurélio Buarque de Holanda e sua equipe.

Cezar Motta é formado em Jornalismo pela UFF, trabalhou nas rádios Nacional e JB, na TV Globo, na revista Veja, e nos jornais O Fluminense, O Globo, Jornal do Brasil, Folha de S.Paulo, Correio Braziliense e Zero Hora. Passou ainda pela Comunicação Social do Senado Federal. É autor de Até a última página: uma história do Jornal do Brasil, de 2018.

Fonte: Portal do Jornalistas

Conheça a plataforma que cataloga livros de fotografias brasileiras

No site, o público pode acessar coletâneas, catálogos de exposição, livros de artistas fotográficos, jornais e revistas da área, entre outros

Texto por Thiago Fonseca

Capitais do Brasil: da água ao fogo – Foto: Bento Viana / Divulgação

São tantos livros no site “Base de dados de livros de fotografia” que fica até difícil escolher apenas um para explorar. A plataforma é um site que reúne obras de fotografias feitas no Brasil e na América Latina. Criado pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC), do Distrito Federal, a ideia é ser uma base de dados referenciais, biblioteca digital e espaço de reflexão crítica. Em resumo, fazer um inventário dos livros e disponibilizar para o público.

Por lá, já é possível encontrar mais de 600 referências, livros na íntegra, registros de fotolivros e de outros tipos de publicações sobre fotografia. Tem coletâneas, catálogos de exposição, obras de artistas fotográficos, jornais e revistas da área, entre outros.

O site é bem fácil de navegar. Uma opção é usar a ferramenta para buscar os trabalhos individualmente e por temas. Tem ainda coleções que o projeto já montou, como, por exemplo, sobre Brasília, manuais técnicos e registros de artistas.

Em breve a base de dados pretende disponibilizar uma ferramenta colaborativa, para que qualquer pessoa possa enviar  informações e imagens referentes à outras publicações que não estão catalogadas no projeto.

Leia a matéria completa publicada pelo Culturadoria

Os diferentes formatos de livros digitais [EPUB, MOBI e AZW]

Sua biblioteca ao alcance das mãos; o que significam e onde usar os diferentes formatos de livros digitais: EPUB, MOBI e AZW

Texto por Tatiana Vieira

Pensando em adquirir um dispositivo de leitura (e-reader) e carregar menos peso no dia a dia? Decidiu o dispositivo, mas ainda não conhece os diferentes formatos de livros digitais: EPUB, MOBI e AZW? Antes de realizar uma compra, leia neste artigo e faça a escolha certa, de acordo com o dispositivo ou uso desejado.

Os diferentes formatos de livros digitais EPUB, MOBI ou AZW (Imagem: Perfecto Capucine/Unsplash)

EPUB

EPUB é um padrão aberto para e-books do International Digital Publishing Forum (IDPF) e significa publicação eletrônica. O formato é um sucessor do antigo padrão Open eBook (OED) e ganhou popularidade como um formato de e-book baseado em XML independente de fornecedor.

Pode ser lido pelo Kobo eReader, dispositivos BlackBerry, aplicativo iBooks da Apple em execução em computadores Macintosh e dispositivos iOS, aplicativo Google Play Livros em execução em dispositivos Android e iOS, Barnes & Noble Nook, Amazon Kindle Fire, Sony Reader, BeBook, Bookeen Cybook Gen3 (com firmware v2 e superior), Adobe Digital Editions, Lexcycle Stanza, FBReader, PocketBook eReader, Aldiko, o complemento do Mozilla Firefox EPUBReader, Lucifox, Okular e outros aplicativos de leitura.

Adobe Digital Editions usa o formato .epub para seus e-books, com proteção de gerenciamento de direitos digitais (DRM) fornecida por meio de seu mecanismo ADEPT proprietário. A estrutura ADEPT e os scripts foram submetidos a engenharia reversa para contornar este sistema DRM.

Existem dois tipos de EPUBs: Relowable e Install-Layout.

O Reflow-enabled EPUB é o formato usado no romance comum. Eles são chamados de “fluidos” porque não estão vinculados a um número de página específico – o texto flui por quantas páginas forem necessárias. Se você aumentar o tamanho da fonte de um EPUB otimizado, menos palavras aparecerão na tela. Portanto, é claro que o livro tem mais páginas.

O Fixed-layout EPUB é exatamente o que parece. O livro é estático, como um arquivo PDF. Tudo é definido em uma posição específica: texto, imagens, áudio, etc. Nada se move e o texto não pode ser redimensionado, portanto, esses arquivos EPUB podem ter números de página no cabeçalho ou rodapé. Um livro infantil ilustrativo, por exemplo.

Leia matéria completa publicada pelo Tecnoblog e conheça mais sobre os formatos: MOBI e AZW

OMS e Wikipédia juntam-se para combater “pandemia de desinformação” sobre Covid-19

Colaboração tem o objetivo de disponibilizar “informação confiável sobre saúde pública”

Texto por Paulo Ricardo Pereira

“Partilhando conhecimento por um mundo mais saudável” / Fonte: Wikimedia Foundation

Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Fundação Wikimedia, entidade administradora da Wikipédia, anunciaram esta quinta-feira (22) uma colaboração para expandir o acesso do público às informações mais recentes e confiáveis sobre a Covid-19. A enciclopédia de livre acesso e participação comunitária tornar-se-á numa ferramenta contra a “pandemia de desinformação”.

Num momento em que os surtos de Covid-19 são cada vez mais recorrentes, com cidades como Paris ou Madrid com ordens decretadas de recolher obrigatório, a OMS refere, em comunicado, que a colaboração pretende disponibilizar “informação confiável sobre saúde pública”. A organização acrescenta ainda que a estabilidade social “depende de forma crescente da compreensão partilhada dos factos”.

É neste sentido, e tendo em conta que o vírus da Sars Cov 2 não é ainda totalmente compreendido pelas autoridades de saúde, o que provoca uma crescente onda de fake news e conteúdos infundados, que a colaboração se coloca como mais um instrumento de informação verificada. Através desta cooperação, “pessoas de todos os cantos do mundo vão poder aceder e partilhar infografias, vídeos, e outros conteúdos sobre saúde pública da OMS na Wikimedia Commons, uma biblioteca digital de imagens e conteúdos multimédia de livre acesso”. 

Leia a matéria completa publicada pelo Espalha Factos

A ciência tem pressa: ‘Outra estação’ avalia implicações dos ‘preprints’

Publicação de estudos sem revisão de conteúdo ganhou impulso na pandemia, mas resultados desses trabalhos devem ser vistos com cautela

O medRxiv é um dos principais repositórios de ‘preprints’ sobre o coronavírus
Breno Benevides I Rádio UFMG Educativa

Nos últimos meses, resultados de várias pesquisas circulam pela internet com informações ou descobertas inéditas relacionadas ao novo coronavírus. Parte desses trabalhos, que tem alimentado a imprensa e até os grupos de WhatsApp, recebe o nome de preprints e ainda não foi publicada em periódicos científicos, mas já leva uma série de resultados ao público em velocidade sem precedentes na história da ciência. Os preprints ou pré-publicações são como manuscritos de uma pesquisa. Eles recebem esse nome porque ainda não passaram pela rigorosa avaliação feita por outros especialistas, à qual se submetem os artigos tradicionais.

A ausência de processos de revisão do conteúdo desperta críticas de parte da comunidade científica, já que muitos resultados ou informações dos preprints podem conter erros. Mas também há aqueles que defendem esse modelo, com base no argumento de que esses trabalhos aceleram a difusão de conclusões que podem ser úteis para o desenvolvimento de vacinas eo tratamento de doenças, por exemplo. Essa rapidez ganhou ainda mais importância com a situação de emergência sanitária provocada pela covid-19.

As vantagens e desvantagens dos preprints são debatidas no novo episódio do programa Outra estação, da Rádio UFMG Educativa. Foram entrevistados a pesquisadora do Laboratório de Estudos Avançados do Jornalismo e coordenadora da especialização em jornalismo científico da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Germana Barata, o professor do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG Vasco Azevedo, o professor do Departamento de Sociologia da UFMG Yurij Castelfranchi, que também é coordenador da Especialização em Comunicação Pública da Ciência da UFMG, e o diretor do programa SciELO, Abel Packer.

Leia a matéria completa publicada pela Universidade Federal de Minas Gerais

Ler ouvindo: audiolivro oferece praticidade

Formato se mostra como opção para impulsionar leituras

Texto por Germana Macambira

Michell Platini, diretor da Associação Pernambucana de Cegos – Foto: Michell Platini/Divulgação

Bentinho e Capitu, Rubião e Quincas Borba e Brás Cubas e todas as histórias que rodeiam a respectiva trilogia machadiana “Dom Casmurro”, “Quincas Borba” e “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, literalmente chegaram aos ouvidos do diretor da Associação Pernambucana de Cegos, Michell Platini, nos idos anos em que prestou vestibular.

“Eu não encontrava livros em Braile nem ampliados, com letras maiores”, explica ele que, à época, tinha baixa visão e precisava de conteúdos de literatura para ser aprovado e ingressar em uma universidade.

A partir de então, apresentado que foi a narrativas em audiolivro, não se afastou mais do formato que vem ganhando adeptos, em paralelo ao mercado tradicional de leituras e aos e-books, seja pela praticidade (liberdade) de degustar romances, ficção, biografias, poesias e tantos outros, onde quer que se esteja, seja pelo acompanhar vivências de personagens trocando o correr dos olhos nas páginas pelo abrir dos ouvidos.

“A questão da narração é essencial para se apegar (ou não) a um audiobook. Um livro sem ritmo de leitura, sem pontos e vírgulas, é ruim, tira o estímulo”, complementa Michell, que cita o escritor pernambucano Valdir de Oliveira, autor de “Fábulas da Gente (2018), publicado também no formato de audiolivro com contexto de contos e fábulas contadas em tom lúdico e  por diversas vozes.

Leia a matéria completa publicada pelo site Folha de Pernambuco.

Nada como um livro sobre livro para reavivar o amor pelos livros

A Biblioteca
Imagem: Elizabeth Shippen Green

Texto por Rodrigo Casarin

Acontece com todo leitor. Às vezes olho para um livro, olho para outro, tento ler alguma coisa, mas bate um bode. Tem horas que o prazer pela leitura some e Graciliano Ramos algum é capaz de me segurar em suas páginas. Sem dramas. Jogo um videogame, passo raiva com o São Paulo, fico perdido com “Dark”… Logo a vontade de ler volta. Mas nem sempre.

Começo a me preocupar se a relação com os livros fica estremecida por mais de um dia. Até pelas obrigações, sem chances de ficar muito tempo longe de contos, romances, biografias e afins – e ler algo com má vontade só não é pior do que ler o Menino do Acre. Nesses momentos, no meu caso, um tipo específico de obra funciona que é uma maravilha para reavivar a paixão: justamente livros que falam sobre livros.

Passei por isso tem pouco tempo. Foi a chance para, com uma cerveja por perto numa tarde de preguiça, passear por alguns títulos bem interessantes lançados recentemente. O grandalhão “William Morris – Sobre as Artes do Livro” é lindo. Faz parte de uma coleção que a Ateliê Editorial vem publicando sobre precursores e nomes relevantes da história da editoração. Neste volume, óbvio, temos o trabalho de William Morris, designer dos mais famosos do século 19. Quem cuidou da edição, que faz um bom apanhado da história do livro na Inglaterra, foi Gustavo Piqueira, artista que vem se destacando há algum tempo em nosso mercado editorial.

Leia a matéria completa publicada pelo site UOL.

Audiolivros ganham força com novas tecnologias

Texto por Roseli Andrion

Ler um livro ou escutar uma história?! Em um mundo onde as pessoas têm cada vez menos tempo para si mesmas e vivem o tempo todo bombardeadas de informação, uma tecnologia relativamente antiga combinada com plataformas bem modernas de distribuição vem ganhando força e chama cada vez mais atenção. São os audiolivros: livros na íntegra narrados por uma voz humana em formato digital. Eles voltaram com tudo…

Quando surgiram pela primeira vez, ainda nos anos 80, os áudios eram gravados em fitas K7. Dependendo da sua idade você provavelmente nunca sequer teve contato com uma dessas. Depois a gravação passou para o também já ultrapassado CD, lembra dele? Nenhuma das duas tecnologias pegou no Brasil e o audiolivro acabou meio esquecido na história. Mas agora o momento é outro; audiolivro por assinatura via streaming; estilo Netflix. Moderno, né?

Aqui no Brasil, o faturamento do setor de audiolivros quadruplicou nos últimos quatro anos. Nos Estados Unidos, com quase 90 milhões de títulos disponíveis, o setor cresceu 20% a mais em relação ao resto da indústria editorial durante os primeiros oito meses de 2017.

Leia a matéria completa publicada pelo Olhar Digital para saber quais são essas novas tecnologias.

Ubook vale a pena? Veja como funciona assinatura, catálogo e preço

Plataforma oferece variedade de livros, podcasts e outros conteúdos por meio de assinatura mensal

Texto por Barbara Ablas, para o TechTudo

O Ubook é um serviço que disponibiliza audiolivros, podcasts, e-books, entrevistas, séries, cursos e notícias em áudio. A ferramenta pode ser acessada por meio do site e em aplicativos para celulares Android e iPhone (iOS). O funcionamento é semelhante ao de serviços de streaming, como Netflix, Spotify e Rdio, e o recurso já soma mais de seis milhões de usuários.

A plataforma possui mais de 400 mil títulos de livros em várias áreas de conhecimento, diferentes idiomas e um vasto acervo exclusivo para o público infanto-juvenil. O site também é considerado a maior plataforma de conteúdo em áudio por streaming da América Latina. Os conteúdos são gravados por narradores, atores, editores, autores e sonoplastas profissionais. Além disso, os usuários podem usufruir gratuitamente de parte do conteúdo ou fazer uma assinatura com acesso ilimitado. Confira, a seguir, como funciona o Ubook e veja os principais destaques da plataforma.

Plataforma para ouvir livros oferece a possibilidade de navegar em milhares de conteúdos — Foto: Barbara Ablas/TechTudo
  1. O que é e como funciona o Ubook?

O Ubook é um serviço de assinatura de audiolivros e livros digitais por streaming que pode ser acessado via site (www.ubook.com) ou pelos aplicativos disponíveis para celulares. Os conteúdos ficam disponíveis em uma estante virtual, da mesma maneira que os filmes na Netflix ou no Globoplay, por exemplo, podendo ser acessados a qualquer hora e lugar. Para fazer login na plataforma, é necessário preencher um cadastro com uma conta de e-mail ou do Facebook.

Uma vantagem do acesso pelo app é a possibilidade de fazer o download das obras e ouvi-las mesmo sem conexão com a Internet, o que é bom para quem deseja economizar o pacote de dados. O sistema também tem a opção “Sleep”, que permite programar o tempo que o conteúdo deve tocar e quando deve parar de funcionar. Outras funcionalidades que merecem destaque são o player com botões de play e pause, controle de volume, opção de adiantar ou retroceder a narração e alteração de capítulos. O usuário pode ainda alternar entre diferentes dispositivos, utilizar marcadores para saber onde parou e continuar depois, e classificar o produto em até cinco estrelas.

Acesse a matéria completa publicada pelo Techtudo e conheça mais sobre as plataformas, o catálogo, o conteúdo gratuito e as formas de assinatura da Ubook. 

Los Archivos Disney, un tesoro de la industria del cine

Dibujo inicial de uno de los fotogramas de ‘Dumbo’. / EFE

Un libro saca a la luz la tarea realizada por un bibliotecario para conservar los recuerdos asociados a la factoría de dibujos animados

Texto por Silvia García Herráez

En 1967 Dave Smith, un bibliotecario de California, empezó a recopilar información sobre las películas y la vida de Walt Disney. En 1970 Roy O. Disney (hermano de Walt) le contrató para crear los Archivos Disney, que, 50 años después, son un tesoro para la industria cinematográfica. Smith se unió a la compañía Disney el 22 de junio de 1970 (fecha oficial de la creación de los archivos) como su primer archivero. Su tarea inicial fue catalogar y documentar cada artículo que se encontraba en la oficina de Walt Disney en Burbnak, un espacio que no se había tocado desde la muerte del productor en diciembre de 1966.

El trabajo que realizó el archivero no solo permitió a la compañía recuperar algunos objetos que se dieron por perdidos, sino que también hizo posible recrear con fidelidad la oficina de Walt. Las fotos que el archivero tomó serían fundamentales para su restauración en 2015, dejándola tal cual se veía a su fallecimiento en 1966.

Smith, de cuya muerte se cumple un año y medio, desempeñó la labor de jefe archivero de Disney de 1970 a 2010. En 2007 fue nombrado ‘Disney Legend’, por la labor tan importante que realizó en todo este tiempo. Durante cinco décadas, los Archivos de Walt Disney han salvaguardado cuidadosamente los artículos más preciados de la historia de la compañía Disney. Desde guiones originales, accesorios, trajes y objetos de los rodajes hasta la correspondencia de Walt, dibujos, mapas de los parques temáticos, mercancías, millones de fotografías de archivo y multitud de efectos personales.

«Walt creó un tipo de espectáculo único con el que supo transmitir el carácter mágico y especial del mundo, y en ningún momento dejó de aprender, de cambiar y de aspirar a nuevos horizontes. Esta evolución es algo que siempre me ha fascinado de Walt Disney», explica John Lasseter en el libro ‘Los archivos de Walt Disney. Sus películas de animación 1921-1968’ (Taschen). Los Archivos se dividen en diferentes departamentos: investigación, colecciones, exposiciones, operaciones, biblioteca de fotos y laboratorio digital. La función de cada uno no solo es recopilar y conservar todos los aspectos de la historia de Disney, sino también hacer que ese material esté disponible para investigadores de todas las áreas de la compañía Disney, así como para historiadores, escritores y documentalistas.

Objetos con magia

Dan Lanigan, coleccionista de atrezo de cine, afirmaba a Efe en una entrevista que esos objetos históricos, «reliquias podríamos llamar, no solamente te ayudan a entender cómo se hicieron y cuál es la historia de cada película, sino que también te hacen sentir parte de ella». Por esa razón, decidió hacer ‘Prop Culture’ (Disney+), la serie documental que lleva al espectador al viaje de la búsqueda de objetos perdidos para devolverlos a los archivos de Walt Disney con su esplendor original.

«Esos objetos tienen una magia increíble. Cada vez que vemos alguno de ellos nuestra mente enseguida se teletransporta a esa película. Es como si esos accesorios tuvieran una conexión fuerte con nuestra mente, y eso me parece muy especial», señalaba el coleccionista. Hoy, desde Mickey Mouse -el primer personaje que alumbró la factoría Disney- hasta los más recientes, pasando por Blancanieves, Cenicienta, Pinocho o Peter Pan, tienen su hueco en la historia del cine no solo en la gran pantalla, sino también en sus Archivos.

Fonte: El Diario Vasco

A infodemia e a desinformação em escritórios de advocacia em tempos de covid-19

Texto por Marcos Rogerio Gonçalves

Cabe às áreas de conhecimentos dos escritórios de advocacia (e empresariais) fazer a análise acurada dos conteúdos de informação e conhecimento, delineando todas as averiguações em suas minudências, para que possa chegar ao seu advogado, uma informação rigorosa e assertiva.

Infodemia é um termo cunhado e usado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), muito em voga nos dias atuais, associado diretamente à pandemia do novo coronavírus (covid-19) e tem relação intrínseca com outros fenômenos, entre eles o fenômeno da desinformação.

Sendo o mundo jurídico ávido por novos conhecimentos, o advogado não se dissocia da informação, pois é esta o principal insumo do seu conhecimento. São, informação e conhecimento, palavras que não se distanciam da atuação do advogado, mas que podem trazer desinformação, se não forem imbuídas de valor (conhecimento de valor).

A infodemia pode ser definida em três aspectos básicos se dentro de um contexto específico. Assim, é (I) o excesso de informações sobre um determinado assunto que, pelo volume extremamente elevado, tem o poder de direcionar profissionais menos experientes a incorrer em desafortunadas decisões sobre um tema e, em decorrência, distorcer a verdade a ser seguida, e até as políticas que podem ser adotadas para combater conteúdos falsos (e.g.).

Ainda, conforme (II) a autoria, mesmo que seja incialmente de uma fonte primária, rapidamente pode perder sua essência, quando replicada no vasto mundo das redes sociais e da rede mundial de computadores (WWW), bem como quando distribuída nos diversos aplicativos de mensagens instantâneas, o que proporciona o fato das informações vagas, imprecisas e tendenciosas, dificultando o discernimento entre o que é verdadeiro e o falso (as Fake News).

Por último (III) tem relação direta com a autoridade da informação e, neste sentido, é o lado das versões (ou da guerra de versões). É a amalgama que se mostra, e tem forte ralação com a vertente das tendências e do seu uso, para criar outras notícias, para direcionar o leitor, ou usuário final, a pensar de tal maneira, de tal modo, e que, se não houver meios (filtros) pelos quais possa o usuário se distanciar e diferenciar o que é uma informação correta de uma falsa, muitos problemas podem advir da interpretação errada.

O impacto direto nas relações empresariais ocasionado por uma tomada de decisão equivocada, pode ser devastador para a vida profissional do advogado, o que pode ocorrer se ele for abastecido de informações com baixo valor, que contenham vícios. Então, o aconselhamento, passa a ser de “verdades-falsas”. As informações necessitam de um crivo antes de serem usadas, de ser tomada a decisão essencial à manutenção dos negócios. Esse é o uso-fim para os advogados, para sempre estar bem informados, serem os senhores da verdade para o seu cliente.

Os sistemas de informação e de apoio ao advogado não podem, jamais, passar adiante uma orientação com ruídos na comunicação, pelo contrário, devem o conhecimento comunicado ser emoldurados, amparados de cuidados a fim de não se desviarem do seu fim: trazer clareza e elucidar.

Torna-se primordial, assim, que os advogados não sejam tolhidos pela enxurrada de conhecimento resultante da mescla entre notícias falsas com as verdadeiras, que acarretam, certamente, em desinformação. Esta, que entendemos como o que vem sendo a principal fonte geradora de pânico, a essência da tomada de decisão equivocada, precipitada, e a causadora de danos irreparáveis.

Sabidamente, não se pode negar que conforme a velocidade que os boatos circulam, não é possível impor rigor de averiguar sua veracidade. Isso ocorre, por vezes, porque quem dissemina informações falsas, o faz eivado de maledicência, com fito a causar prejuízo, o faz nas sombras.

No sentido contrário, informações divulgadas de forma segura são cercadas por cuidados de checagens e amparadas no fundamento de opiniões diversas, por vezes, de notórias personalidades, em fontes reconhecidas pela boa governança e seriedade com a informação.

Fazendo um paralelo, com a realidade do mundo da advocacia, imaginemos um cenário no qual o excesso de informações geradas por fontes primárias e que são replicadas dentro das redes sociais, dos aplicativos de mensagens e de vários sites e blogs, acabam sendo alteradas e se tornam pouco confiáveis, pelo simples fato de que, em diversos casos, o emissor da informação republicada não é um especialista no assunto. Ou seja, o peso da autoridade varia de acordo com o conhecimento que tem sobre o assunto da discussão. Assim, quais são as fontes e como as classificamos como confiáveis, dentro de um sistema de informação para advogados, em tese?

(I) A fonte primária ou original, são os órgãos governamentais, estes relacionados nas 3 esperas da federação: são os ministérios, secretarias; os órgãos do Poder Judiciário, como os Tribunais; os órgãos do Poder Legislativo: as casas legislativas. Além, também, conceituam-se nesse rol os Institutos de Pesquisas, Associações e Organizações do Terceiro Setor;

(II) Fontes secundária têm intima relação com as fontes primárias, mas aqui podemos dizer que são o resultado, o documento (gravado ou transcrito) que se relaciona diretamente à fonte primária, que motiva (ou é o resultado) a discussão sobre determinado tema, assunto e que ensejou análises e novos documentos e/ou interpretações de terceiros;

(III) Fontes terciárias por sua vez, são aquelas que geralmente chegam aos usuários de forma mais facilmente legível, que têm nos termos utilizados os contornos interpretativos de linguagem mais popular e que se tem mais facilidade de propagação, em escala muito mais ampla, assim alcançando outras camadas da sociedade que não teriam, de outro modo, como acessar e interpretar as fontes primárias e secundárias.

Cabe às áreas de conhecimentos dos escritórios de advocacia (e empresariais) fazer a análise acurada dos conteúdos de informação e conhecimento, delineando todas as averiguações em suas minudências, para que possa chegar ao seu advogado – destino do seu trabalho – uma informação rigorosa e assertiva, preservando a integridade primária em sua essência. E, para que esse serviço de disseminação ocorra dentro de um contexto de normalidade, é necessário seguir alguns passos: conferir se a informação é mesmo da fonte original e se se mantém íntegra, e a própria confiabilidade de fonte original. Também, averiguar se a informação faz sentido (quando foi emitida, quem o fez e o contexto geral dela no momento da sua divulgação), pode ser o início. Entretanto, o esforço nesse sentido só será possível se o exercício diário do aprendizado for constante e ininterrupto.

Fonte: Migalhas

Consultar o Diário Oficial do DF ficou mais prático e fácil

Casa Civil reformula site de acesso à publicação, tornando a leitura mais leve, transparente e agradável

Texto por Renata Moura

A partir desta quinta-feira (4), a consulta dos atos administrativos publicados no Diário Oficial do Distrito Federal se tornou mais fácil e transparente. Isto porque a Casa Civil reformulou todo o layout do site, que divulga a publicação. Agora, os usuários podem optar pela consulta integral do documento ou ainda selecionar uma das três seções do jornal. A nova plataforma prevê ainda que a população busque as informações por palavra-chave, edição e/ou data.

“Nosso objetivo foi facilitar cada vez mais a consulta. Ou seja, que ela possa ser feita sem grandes dificuldades por qualquer cidadão”, explica o subsecretário de Tecnologia da Informação da Casa Civil, Antônio Canavieira. “Para fazer isto, utilizamos o que chamamos de arquitetura da informação, que, na verdade, é uma melhor disposição das informações para facilitar o acesso e a consulta dos dados”, completa.

Responsável pela reformulação do serviço, o gestor afirma que o governo tem trabalhado para que a “leitura do DODF seja algo funcional e mais agradável”. “Para muitas pessoas isto era algo penoso e não é para ser assim. Afinal, o diário é algo que todo mundo precisa saber consultar. É o espelho de todas as ações dos poderes”, conclui.

Para chegar ao formato atual apresentado no endereço eletrônico www.dodf.df.gov.br, foram mais de seis meses de um trabalho intenso, utilizando insumos e mão de obra da própria administração pública local. “Reestruturamos todo o projeto do site: banco de dados, códigos, software sem gastar um centavo. Tudo foi feito utilizando o datacenter da GDFNet da Secretaria de Economia, além do nosso próprio parque computacional”, acrescenta.

Mais de oito mil edições do DODF, desde outubro de 2001, estão disponíveis no site para consulta. Segundo informações da TI da Casa Civil, cerca de 100 pessoas consultam simultaneamente a publicação. No último mês, a plataforma recebeu mais de 40,2 mil acessos. “Agora, acreditamos que esse número vai subir bastante porque o formato ficou mais fácil. E isto é muito bom para a transparência e o acompanhamento das ações do governo”, completa a Subsecretária de Atos Oficiais da Casa Civil, Raiana do Egito.

Como consultar

Para ajudar na consulta da publicação oficial, a subsecretária explica o que é possível encontrar em cada seção do DODF. Na primeira, segundo ela, são publicados os atos dos três poderes voltado para as normas e leis. “Encontramos nesse espaço as leis sancionadas, os decretos, emendas a Lei Orgânica, decretos legislativos, resoluções e demais atos resultantes do processo legislativo”, enumera.

Também é possível encontrar na seção I, a publicação de tratados, os atos do Tribunal de Contas do Distrito Federal de interesse geral, além dos normativos do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, excetuando-se os de caráter interno.

Já na seção II, conforme explica Raiana, estão todos os atos relacionados aos servidores civis e militares da Administração Direta e de autarquias e fundações públicas. “Aqui, entram as nomeações e as designações para compor comissões e grupos de trabalho”, exemplifica.

A última parte do DODF é a seção III. “Um espaço dedicado a publicação de extratos de contratos, acordos, editais de licitação, empenho. Comunicados e avisos decorrentes de iniciativas da administração”, explica.

Para utilizar melhor os recursos do novo site do Diário Oficial do DF é importante conhecer qual é a estrutura da publicação. Ela é dividida em três seções, cada uma com uma função específica. Confira abaixo:

Fonte: AGÊNCIA BRASÍLIA

Postais ilustrados mostram o Porto de antigamente

© Carlos Pereira Cardoso Avenida de Massarellos (1905-1910), a actual Alameda Basílio Teles

“Porto. Postais ilustrados antigos nas colecções da BPMP” é um acervo documental, disponível online, com mais de 700 postais que mostram como eram as ruas, mercados e jardins da Invicta desde o final do século XIX.

Texto Por Bebiana Rocha

Segundo a página da autarquia, este é “um dos mais relevantes fundos documentais da Biblioteca Pública Municipal do Porto” e reúne documentos digitalizados e disponibilizados pelos serviços municipais da cultura. O objectivo é não só preservar estes conteúdos únicos, mas também permitir passar melhor o tempo nesta quarentena. O acervo inclui postais “anteriores à Implantação da República e abrange a época áurea da edição e circulação do bilhete-postal ilustrado em Portugal”, período compreendido entre 1898-1940.

Alguns dos exemplares são raros, outros mais recentes, que foram incluídos pelo seu interesse para a história da cidade, como os azulejos do claustro da Biblioteca Pública Municipal do Porto. Vai poder conhecer os espaços, costumes, a vida económica, social e cultural do Porto de antigamente. Há vistas panorâmicas, azulejos, estátuas, cemitérios, lagos e fontes, fotografias da Foz, dos edifícios, ruas e jardins. Mostra também como eram os transportes, os divertimentos e a publicidade da altura.

As imagens são da autoria de fotógrafos anónimos e conceituados, como Aurélio Paz dos Reis e Domingos Alvão, ou ainda de artistas plásticos como Amadeo de Souza-Cardoso.

Fonte: Time In

Fotografía de prensa: directrices para un tratamiento archivístico normalizado de los distintos niveles de organización de los fondos

Texto: Elena Alfaya

Introducción

Es mi objetivo proporcionar directrices técnicas para llevar a cabo un tratamiento archivístico normalizado de las unidades y agrupaciones documentales fotográficas de prensa que forman parte de sus centros de documentación y/o archivo fotográfico. Proporcionar un tratamiento archivístico normalizado a las fotografías favorecería la visibilidad, accesibilidad a los investigadores a los grandes fondos e inclusión en bases de datos y fototecas digitales y virtuales. Hoy en día contamos con sistemas de bases de datos que ayudan en este propósito pero si queremos dar visibilidad a las fotografías deben estar descritas siguiendo modelos internacionales para poder ser recuperadas fácilmente y desde cualquier lugar. Es así como conseguimos resultados óptimos.

Las fotografías deben tratarse siguiendo los principios generales y fundamentales de la Archivística pero esto no siempre es así. Muchas fotografías son tratadas siguiendo sistemas propios del archivo al que pertenecen o del banco de imágenes en el que se encuentran.

Hacemos una propuesta de tratamiento archivístico normalizado de las fotografías de prensa debido a que no encontramos criterios comunes ni unificados sino una variedad descriptiva muy heterogénea, poca información sobre fondos fotográficos que sea accesible a todos los investigadores, pocas colecciones fotográficas en línea, dificultad para la recuperación de fondos fotográficos, dispersión de los mismos y falta de enlaces entre fondos fotográficos dispersos. Esta falta de acceso a los fondos fotográficos está condicionada por la Ley de Propiedad intelectual relativa a autores fotográficos que extiende el plazo de protección a 70 años postmortem del fotógrafo. “Los derechos de explotación de la obra duran toda la vida del autor y setenta años después de su muerte o declaración de fallecimiento.” (BOE 14.04.2018. Artículo 26, Capítulo 1, Título III, p.15) Y sin embargo, los archivos deben proporcionar “acceso y difusión de la información y el conocimiento necesarios para fines educativos, científicos y de desarrollo” (IFLA, 2012)”. Las fotografías de prensa son documentos de archivo y forman parte de nuestro patrimonio cultural. Su organización y difusión garantiza la reconstrucción de nuestra historia.

Son los documentalistas gráficos quienes gestionan los archivos fotográficos y recuperan información de fondos propios y de bancos de imágenes comercializadas así como de fondos fotográficos de otros medios, archivos y colecciones. El proceso al que se someten a las fotografías de archivo es intelectual y ha de ser hecho por profesionales especializados que sepan cómo interrogar los documentos sea y qué tipos de usuarios pueden necesitar acceder y recuperar la información.

Guia: como acompanhar animes e mangás no Brasil oficialmente?

Separamos as principais plataformas e editoras responsáveis pelos conteúdos no país

Texto por Fábio Garcia

Durante muito tempo quem quisesse acompanhar animes e mangás aqui no Brasil precisava aprender um outro idioma ou então apelar para fontes não oficiais.

Porém, com o avanço da tecnologia e o crescimento mercado editorial daqui, atualmente é muito fácil ler mangás recém-lançados no Japão ou então ver um episódio de anime poucas horas após a exibição japonesa. Como são muitas formas de se aproveitar esse conteúdo, fizemos um guia para você saber quais as fontes oficiais dos animes e mangás que tanto adoramos.

No caso dos mangás, o mercado nacional começou em meados dos anos 80 com a publicação de Lobo Solitário e Akira, mas foi no final de 2000 que a Editora Conrad trouxe Dragon Ball e Os Cavaleiros do Zodíaco, os primeiros mangás com leitura oriental e formato parecido com o japonês. De lá pra cá muitas editoras vieram, algumas se foram, e a variedade de títulos está gigantesca.

Já entre os animes, durante muito tempo o público brasileiro era refém de emissoras de televisão ou lançamentos em home video, por sorte o streaming surgiu e agora temos muitas possibilidades de se assistir animes por meios oficiais. Acredite, é possível assistir a mais de 80% da produção de animes da temporada no Japão! Listamos alguns dos meios aqui, e ainda lembramos de canais de televisão que exibem animações japonesas. Confira as dicas abaixo:

MANGÁ: EDITORA JBC

Divulgação

Com a crise da editora Conrad, a JBC se tornou a editora de mangás mais antiga em atividade. Seu catálogo atual tem títulos de peso como My Hero AcademiaBoa Noite Punpun e o clássico Akira. Além dos mangás físicos, disponíveis em livrarias e lojas especializadas, a JBC também aposta no mercado de quadrinhos digitais.

Inclusive ela é a única editora brasileira a lançar em lojas digitais os capítulos de mangá simultaneamente com o Japão, possibilitando que os fãs de séries como The Seven Deadly SinsEdens Zero e Card Captor Sakura Clear Card leiam as séries junto dos japoneses.

MANGÁ: EDITORA PANINI

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Atualmente a maior editora de mangás do país é a Panini, que começou como quem não quer nada em 2002 publicando a versão mangá de Gundam Wing.

O catálogo da Panini é imenso, tendo NarutoOne Piece, Jojo’s Bizarre AdventurePokémon e por aí vai. Sempre antenada às novidades, ela também deve trazer em breve Demon SlayerAs Quíntuplas e Spy x Family. A grande vantagem da Panini é o fato de ela estar presente em bancas de jornal por todo o país, além das livrarias e lojas especializadas.

MANGÁ: OUTRAS EDITORAS

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Atualmente temos muitas editoras lançando mangás no Brasil. A NewPOP Editora, por exemplo, tem títulos de peso como Made in AbyssGTO e Devilman, e ainda é uma das únicas que apostam em light novels, como Re:Zero e No Game No Life. Outra que chegou há pouco mas já conquistou o público com sua qualidade é a Pipoca & Nanquim.

Derivada de um famoso canal de YouTube, a editora já conseguiu publicar mangás de autores renomados como Jiro Taniguchi e Hirohiko Araki. Um mais elogiados por parte do público é o mangá-documentário Virgem Depois dos 30, uma obra pesada que mostra uma faceta do Japão nunca mostrada antes. Não podemos esquecer também a editora Veneta, responsável por trazer mangás em formato de luxo como Ayako de Osamu Tezuka e vários outros.

MANGÁ: APPS DE CELULAR

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Uma das maiores revistas de mangás do mundo é a Shonen Jump. Recentemente, a editora Shueisha passou a disponibilizar os capítulos mais recentes de seus mangás no site e aplicativo MangaPlus, como forma de intimidar a pirataria de capítulos. Ou seja, semanalmente o fã brasileiro pode acompanhar os capítulos mais recentes de One PieceDragon Ball SuperMy Hero Academia e muito mais.

A estratégia parece ter dado certo, pois alguns fãs pararam de traduzir mangás famosos por não conseguir competir com a velocidade do oficial. Embora os capítulos mais antigos sejam deletados depois de algumas semanas, alguns mangás como Spy x Family estão inteiros lá. Infelizmente, somente em inglês e espanhol. Outro aplicativo que permite ler mangás é o Crunchyroll Manga, mas precisa ser assinante da Crunchyroll. Há uma variedade boa de mangás e alguns títulos como Edens Zero, são disponibilizados semanalmente junto com o Japão (mas capítulos mais antigos são deletados). Infelizmente, também só em inglês.

ANIME: CRUNCHYROLL

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O serviço de streaming totalmente dedicado a material japonês é o paraíso para quem curte animação japonesa. Muito mais do que uma simples “Netflix de anime”, a Crunchyroll oferece a chance do assinante assistir aos animes poucas horas após a exibição japonesa, com legenda em português.

No catálogo da Crunchyroll estão as maiores séries do outro lado do mundo, como NarutoDragon Ball SuperBleachHunter x Hunter, HaikyuuMy Hero AcademiaAttack on Titan e muito mais. Alguns animes, como Mob Psycho 100Black Clover e Bungou Stray Dogs também estão disponíveis com dublagem em português. A Crunchyroll ainda permite que uma pessoa não assinante assista aos animes, mas aí os episódios ficam com intervalos comerciais e sem a qualidade máxima.

ANIME: NETFLIX

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O maior serviço de streaming do mundo se rendeu fácil aos animes. Mesmo com a produção original intensa, uma parte bem considerável das visualizações da plataforma vem dos animes, então a Netflix começou a investir pesado em séries.

Cavaleiros do ZodíacoEvangelionPokémonHi Score GirlViolet EvergardenKakegurui e outros estão disponíveis na plataforma, geralmente com a opção de se assistir dublado ou legendado. Aos mais afobados, um aviso importante: os animes da Netflix são lançados após o término no Japão, ou seja, você precisa esperar um pouquinho a mais.

ANIME: PRIME VIDEO

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Assim como a Netflix, o Prime Video apostou muito em um catálogo de animes. Além de clássicos como InuYashaSonic X, Pokémon e Street Fighter Victory, o serviço de streaming da Amazon também traz animes recentes como Fire ForceWotakoi e Dororo.

Prime Vídeo também oferece transmissão de episódios à medida que são lançados no Japão, porém o serviço os disponibiliza somente uma semana após a transmissão original.

ANIME: REDE BRASIL

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Mas não pense que o anime morreu na televisão aberta! A Crunchyroll fez uma parceria com a Rede Brasil e exibe animes dublados todos os dias. Atualmente quem tem dado as caras na emissora é o anime Black Clover, um dos sucessos recentes da Shonen Jump, e um rodízio de animes que podem ser vistos no streaming do serviço.

ANIMES: PLAYTV

Assim como fez com a Rede Brasil, a Crunchyroll realizou uma parceria com o canal pago e exibe semanalmente episódios dublados de Re:Zero e Darling in the FranXX às quartas-feiras, dentro do programa Mais Geek. Foi o retorno dos animes ao canal, que até algum tempo atrás exibia Yu-Gi-Oh e Naruto Shippuden.

Fonte: Omelete

UFSCar e USP lançam atlas de regiões hidrográficas de São Carlos

Está disponível para download gratuito o e-book “Atlas histórico e socioambiental das regiões hidrográficas do município de São Carlos – SP”, cuja principal proposta “é compilar e analisar informações de ótima qualidade e procedência e, de maneira democrática, torná-las disponíveis, em linguagem clara e acessível, a pessoas com diferentes faixas etárias, formações e condições sociais e econômicas”, como consta no prefácio da publicação, escrito por Davi Gasparini Fernandes Cunha, professor do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da Universidade de São Paulo (USP).

A publicação é organizada por Denise de Freitas, docente do Departamento de Metodologia de Ensino (DME) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e Silvia Aparecida Martins dos Santos, especialista de laboratório do Centro de Divulgação Científica e Cultural (CDCC) da USP, na área de Ensino de Ciências, Biologia e Educação Ambiental, e contou com a dedicação de mais de 20 pessoas, entre autores, colaboradores e revisores. Trata-se de um material pedagógico de apoio direcionado a estudantes e professores dos ensinos Fundamental e Médio, para auxiliar na abordagem de assuntos como a origem e a formação geológica da região, a flora e a fauna e a história da ocupação urbana, em diferentes períodos, focalizando os impactos gerados nas sub-bacias hidrográficas da região de São Carlos.

O trabalho é resultado do projeto “A utilização de bacias hidrográficas como unidade de pesquisa, ensino e extensão”, no contexto da Difusão e Popularização da Ciência e Tecnologia (C&T), apoiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), realizado em parceria entre o DME e o CDCC. Do projeto também foi originada a exposição itinerante “São Carlos por suas bacias”, que recebeu financiamento pelo 4º Edital Santander/USP/FUSP (parceria do banco Santander com a USP e a Fundação de Apoio à USP) de fomento às iniciativas de Cultura e Extensão.

O atlas está disponível para download gratuito no site do CDCC, em https://bit.ly/2RFHHSf.

Fonte: São Carlos Agora

Biblioteca do Senado atualiza guia de fontes primárias sobre novo coronavírus

Bases de dados incluem provedores privados de informação científica
Pedro França/Agência Senado
Fonte: Agência Senado

A Biblioteca do Senado atualizou o guia de fontes primárias de informação sobre o coronavírus com novas bases nacionais e internacionais de conteúdo científico e acadêmico, num total de 19 novos itens. Entre as mais recentes fontes de pesquisa incluídas no guia estão os sites da Associação Médica Brasileira, da National Library of Medicine (EUA) e da plataforma Especialistas e Pesquisas-Coronavírus, desenvolvidas especialmente para tratar do tema pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia. Segundo o bibliotecário Osmar Arouck, do Serviço de Pesquisa Parlamentar (Sepesp), o documento,  disponível aqui,  já teve mais de 2.400 visualizações.  

Osmar relatou que, em consequência da pandemia, muitos provedores privados de informação científica abriram o acesso de suas bases, o que permitiu tornar público esse conteúdo e incluí-lo no material desenvolvido pela Biblioteca do Senado. Ele ressalta que o Sepesp tem mantido uma rotina diária de identificação de fontes confiáveis de informação sobre a covid-19 focada em duas linhas principais: informações sobre a doença e ações para o enfrentamento da pandemia. Esse trabalho, informou o servidor, tem a função de conservar o caráter de atualidade e integridade que a própria demanda desse tipo de informação exige.

A nossa Biblioteca está atuando na busca, sistematização e disseminação de informação de qualidade para que as decisões tomadas no Senado sejam realizadas com base em conhecimento seguro e atual. Deste modo, nos sentimos associados às ações que beneficiam a população brasileira e podemos oferecer à nação um serviço público de qualidade — disse Osmar.

A coordenadora da Biblioteca, Patrícia Coelho, reforça a necessidade da atualização do guia e diz que a ideia é incluir outros conteúdos sempre que uma nova base de pesquisa estiver disponível.

A importância dessa atualização é colocar à disposição dos parlamentares e do público em geral novas fontes de informação confiáveis — informou a coordenadora.

Patrícia afirmou ainda que a Biblioteca está à disposição para realizar pesquisas bibliográficas sobre o novo coronavírus e outros assuntos. O atendimento está sendo feito pelo e-mail biblioteca@senado.leg.br.

O guia de informações primárias e outros documentos de interesse amplo estão disponíveis na Biblioteca Digital do Senado Federal.

Fonte: Agência Senado

Há 180 anos, chegava a fotografia na imprensa brasileira

Há exatos 180 anos, a imprensa brasileira entrava em êxtase. Na verdade, não só a imprensa: a comunidade científica e a sociedade letrada, em geral, também estavam fascinadas com a notícia da façanha de dois cientistas franceses: Joseph Nicèphore Niépce (1765-1833) e Louis Jacques Mandé Daguerre (1787-1851). Não era para menos. A eles se deve a descoberta da daguerreotipia, ou seja, da fotografia.

Texto por Bruno Brasil

Rio de Janeiro a partir da Ilha das Cobras

Criado em 1839, logo no ano seguinte o daguerreótipo chegou ao Brasil. E, como no restante do mundo, chegou para revolucionar a forma como registramos a realidade à nossa volta. A imprensa e as artes, naturalmente, foram os meios que mais sentiram reflexos da inovação.

De início, separamos hoje algumas das primeiras considerações de jornais cariocas de vulto, a respeito da novidade. Parece que foi o Jornal do  Commercio quem deu o furo, no texto “Revolução nas artes do desenho”, de título para lá de certeiro, publicado em 1° de maio de 1839 – leia-o integralmente no link disponível no fim do texto. “Finalmente passou o daguerreotypo para cá os mares”, comemorava o mesmo Jornal do Commercio já em 17 de janeiro de 1840, sem deixar de ressaltar: “Hé preciso ter visto a cousa com os seus proprios olhos para se poder fazer idéa da rapidez e do resultado da operaçao”. “Quem de nós, há somente um anno, teria acreditado no daguerreotypo?”, se pergunta o Diário do Rio de Janeiro cerca de um mês depois. 

Como não poderia deixar de ser, logo toda a elite da capital imperial – e também de fora dela – passou a querer experimentar a novidade. Qual seria, afinal, o fascínio de ter a sua imagem “real”, como um reflexo de espelho, impressa para a posteridade? Uma nova classe surgiu cá por este lado do Atlântico: a dos daguereotipistas, que começaram a anunciar seus serviços nos jornais, no que seriam os classificados, onde àas vezes ficavam logo ao lado de avisos de escravos fugidos. Adeus às longas horas na mesma posição cansativa em frente aos obsoletos retratistas à óleo!

Fonte: Biblioteca Nacional

Biblioteca do Senado abre ao público bases de estudos sobre o novo coronavírus

 

— Com essa iniciativa, a Biblioteca do Senado permite que se tenha acesso a essas informações mais rapidamente — ressaltou ela.

Daliane destacou que isso é importante em um contexto de proliferação de fake news, no qual é comum haver dúvidas no momento de identificar quais informações são confiáveis e seguras. Ela acrescentou que a lista oferecida será atualizada sempre que uma nova base estiver disponível.

Coordenadora da Biblioteca do Senado, Patricia Coelho relata que a ideia surgiu a partir dos vários pedidos de pesquisa sobre o novo coronavírus. Patricia observou que, apesar de haver muitos sites e sistemas de monitoramento da doença, as pessoas encontram dificuldades para encontrá-los.

— Nós procuramos agrupar as fontes que estão dispersas. Mas essa não é uma lista exaustiva, pois a cada dia surgem novas fontes. E há muita informação que não é confiável. Nós reunimos fontes do Brasil e de outros países, além de artigos científicos, em bases de dados confiáveis. São fontes primárias, originais — explicou.

De acordo com Patricia, a Biblioteca do Senado está à disposição para realizar outras pesquisas bibliográficas sobre o novo coronavírus. O atendimento é feito pelo e-mail .

Fonte: Agência Senado

Biblioteca do Senado lança guia de fontes oficias sobre a covid-19

Como parte das ações do Congresso para enfrentar a crise do coronavírus, a Biblioteca do Senado lançou um guia de fontes nacionais e internacionais sobre a covid-19. A iniciativa é uma forma de ajudar a combater a disseminação de mensagens falsas sobre o assunto e divulgar informações seguras para a população que precisa se proteger e saber agir em caso de suspeita. A Biblioteca Digital do Senado pode ser acessada nesse link: senado.leg.br/biblioteca.

Fonte: Agência Senado

O legado de Albert Uderzo, cartunista de Asterix e Obelix

Cocriador dos personagens ícones da cultura europeia, artista é referência no mundo das histórias em quadrinhos

380 milhões de exemplares vendidos. Tradução em 111 idiomas. 14 filmes de animação e live-action. Um parque temático. Esse é parte do saldo do sucesso de Asterix e Obelix, história em quadrinhos criada por René Goscinny e Albert Uderzo. Os dois amigos gauleses agora seguem seu rumo “órfãos” dos criadores originais. No dia 24 de março, Uderzo sofreu uma crise cardíaca fatal, 43 anos depois da morte de seu parceiro Goscinny.

O legado deixado pelo cartunista não se resume aos personagens simbólicos para a cultura europeia. Para Celbi Pegoraro, pesquisador do Observatório de Histórias em Quadrinhos, Uderzo deixou também “uma influência positiva em quadrinhistas e animadores ao redor do mundo”.

Desde 2013, Asterix e Obelix é de responsabilidade do roteirista Jean-Yves Ferri e do desenhista Didier Conrad, apesar das histórias continuarem a ser atribuídas aos criadores originais. Mesmo após décadas de existência, os aldeões da Gália continuam célebres. Asterix e os pictos, primeiro volume publicado por Ferri e Conrad, vendeu 2 milhões de cópias em uma semana, só na França.

O que explica o sucesso das HQs de Asterix e Obelix

Para o pesquisador do Observatório, a criação de um “universo singular com personagens que captam muito do espírito francês” é um dos motivos que contribuiu para que as histórias se tornassem populares no mundo afora. “Ao contrário de outras criações da escola franco-belga como Tintin e Spirou, as aventuras de Asterix parecem ter uma aceitação muito maior fora da Europa”, diz Pegoraro.

O estilo de grafismo dos desenhos, semelhante àqueles dos Estados Unidos nas décadas de 1940 e 1950, também explica o alcance que a HQ conseguiu fora do centro França-Bélgica. Neste vídeo, é possível ver Uderzo desenhando um de seus célebres personagens.

Em entrevista para o jornal Le Parisien, em 2018, Uderzo ressalta que Asterix e Obelix tem um “espírito transgeracional, independente”. Mas diz que nem ele mesmo pode explicar o sucesso de sua criação. “É como se você me perguntasse a receita da poção mágica”, responde, em referência ao filme Asterix e o Segredo da Poção Mágica, lançado no mesmo ano da entrevista.

Cartunista Albert Udezo, criador das HQ's de Asterix e Obelix
Em parceria com René Goscinny, o cartunista Albert Uderzo marcou a cultura europeia com as histórias de Asterix e Obelix. Foto: Serge Picard/Le Parisien

A cultura franco-belga em Asterix e Obelix

Ambos de nacionalidade francesa, Uderzo e Goscinny conseguiram retratar elementos da história e cultura de seu país de forma precisa. Nas HQs é possível identificar não apenas aspectos do período da resistência da Gália aos romanos, mas também o cotidiano da política e burocracia locais, como explica Celbi Pegoraro.

“Os autores trabalham muito bem a religiosidade de cada povo e os estereótipos europeus quando apresentam os fleumáticos bretões, os militaristas godos, os esquentados da Hispânia e os indolentes corsos. As brincadeiras com a linguagem abusam do uso de trocadilhos e as piadas recorrentes são apresentadas sem exageros.”

Fonte: ECA/USP

Diretório de fontes de informação científica de livre acesso sobre o Coronavírus

Diretório de fontes de informação científica de livre acesso sobre o Coronavírus, criado e mantido pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), tem como objetivo reunir as fontes de informação científica em acesso aberto, nacional e internacional, que disponibiliza conteúdos sobre o Coronavírus e COVID-19. Além dos artigos científicos já publicados e também aqueles que, de tão recentes, ainda não foram publicados. O Diretório reúne dados de pesquisa, ensaios clínicos, teses, dissertações e outros materiais referentes à produção dos pesquisadores do mundo todo. A navegação no Diretório é feita a partir dos diferentes tipos de fontes levantadas.

Trata-se de um Diretório que possui atualização constante. A equipe do Ibict está realizando buscas por fontes de informação em acesso aberto diariamente. Destacamos a valiosa colaboração do Grupo de Pesquisa Gestão da Informação e do Conhecimento na Amazônia (GICA), liderado pela Profa. Dra. Célia Regina Simonetti Barbalho e com a vice-liderança da Profa. Dra. Danielly Inomata, ambas da Universidade Federal do Amazonas.

Como é um trabalho de identificação e acesso à fontes de informação, convidamos a todos para participar indicando-nos fontes que, por ventura, ainda não estejam listadas neste Diretório. A indicação de novas fontes pode ser feita por meio do email: diretoriodefontes@ibict.br

É importante deixar claro que o objetivo deste Diretório é identificar e facilitar o acesso à produção científica nacional e internacional relacionada ao Coronavírus. Entretanto é importante frisar que nem todas as fontes aqui apresentadas são, em situação normal, fontes de acesso aberto. Muitas delas, notadamente em sua grande maioria internacionais, são de propriedade de grandes editoras comerciais, que cobram altos valores pelo seu acesso. Esperamos que este momento de crise mundial traga uma mudança definitiva no processo de comunicação científica. A começar que essas editoras comerciais, que têm lucros astronômicos com o conhecimento gerado por pesquisadores do mundo inteiro. É fundamental que essas editoras comerciais reavaliem a suas práticas e passem a cobrar valores que, de fato, não impeçam a disseminação dinâmica e irrestrita dos novos conhecimentos científicos, que resultam em um avanço mais célere da Ciência. Afinal, não podemos esquecer, e esta crise está nos lembrando, que a Ciência é um bem de toda a humanidade!

Fonte: Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict)

Quadrinhos digitais abrem novas possibilidades, mas editoras ainda tentam torná-los uma opção viável

Texto por Samir Naliato

O mercado editorial digital continua avançando, ainda que em velocidade mais lenta do que outras mídias, como música e audiovisual. Novas tecnologias, a exemplo dos tablets e smartphones, têm sido importantes, mas editoras e leitores ainda esbarram em problemas para a opção ser mais difundida.

Países como o Brasil, com dimensões continentais e uma rede tecnológica deficitária, enfrentam um obstáculo a mais. Nos Estados Unidos, as editoras de quadrinhos, como MarvelDCImageDark Horse e outras, disponibilizam todos as suas publicações no formato digital em serviços próprios ou terceirizados, ainda que as vendas jamais tenham alcançado o mesmo número do impresso.

Ou seja, no mercado norte-americano, a conta ainda não fecha para quem produz.

DC Comics digital

Por outro lado, no Japão, um dos mercados com mais consumidores e leitores do mundo, as vendas do digital superaram o impresso pelo segundo ano consecutivo, em 2019.

Se por um lado o digital facilita e simplifica etapas da produção (como a distribuição, o principal problema por aqui) e do consumo, por outro exige características que nem sempre estão disponíveis em âmbito nacional com a mesma eficácia: uma rede de internet fixa e móvel estáveis, computadores e notebooks.

A leitura dos quadrinhos (virada de página, zoom e outros recursos próprios, como leitura guiada) é feita com o uso do mouse ou do teclado.

Aparelhos como tablets Samsung ou iPad com telas de 10 polegadas também podem ser ótimas saídas, por simularem uma experiência bem próxima de revistas tradicionais.

A leitura digital aparece como uma opção viável e rápida em momentos como o que o mundo está vivendo agora, com a pandemia do coronavírus e o pedido de autoridades para as pessoas permanecerem em suas casas. Não é por acaso que vários autores independentes e editoras como PaniniEuropaMarsupialMythosJambôMSPComix Zone e outras estão disponibilizando conteúdo gratuito pelo meio digital, uma vez que a facilidade, rapidez e alcance são justamente os seus grandes benefícios.

Plataformas de streaming de filmes e séries são as mais utilizadas, já que as opções para leitura são mais limitadas.

Mangá digital

O mercado editorial brasileiro, como um todo, enfrenta uma crise há alguns anos. Gigantes do meio, como a Editora Abril e diversas livrarias passam por dificuldades. Se as vendas tradicionais sofrem esses problemas, um campo novo, ainda em formação, também vivencia essa realidade.

No Brasil, há algumas opções disponíveis para leitores lerem quadrinhos digitalmente.

Amazon, com o serviço Kindle, tem vários títulos disponíveis.

Social Comics é um streaming que disponibiliza lançamentos de algumas editoras nacionais, independentes e licencia materiais diretamente para a sua plataforma, como os super-heróis da Valiant Entertainment (BloodshotX-O ManowarNinjak e outros), Abstract Studios (Estranhos no Paraíso e Rachel Rising) e Hasbro (Transformers).

Digital Comics oferece quadrinhos independentes e algumas obras da Oni Press e IDW.

Super Comics é ainda mais uma opção para leitura via streaming., com quadrinhos nacionais, Rick and Morty, Turma do Pernalonga e outros.

Social Comics e Digital Comics

O digital é um mercado com muito potencial a ser explorado, mas ainda está começando. Plataformas, editoras e autores estudam como ele se desenvolve e as opções que oferece, mas é fato que chegou para ficar.

Afinal, oferece facilidade para ler, comprar e armazenar.

O digital e o físico não são concorrentes, mas sim complementos do mesmo negócio. A quebra de paradigma de um modelo tradicional para outro que oferece mais alternativas é o que estamos vivendo neste momento.

Talvez daqui a alguns anos este texto não faça sentido. É o que se espera, pois significaria que quadrinhos estarão chegando a mais pessoas, sem precisarem da deficitária distribuição física e, especialmente, remunerando os autores de forma justa e correta, pelo trabalho que realizam.

ComiXology

Fonte: UNIVERSO HQ

Revisão sistemática e recursos sobre COVID-19

Moreno Barros

paranóides como eu e bbtecários que trabalham com revisão sistemática, tá quase impossível acompanhar o science in the making e a quantidade crescente de publicações sobre #COVID19, mas

1) aqui um site que contém todos os papers diários indexados na PubMed, Embase, bioRxiv e MedRxiv (demora um pouco para carregar)

https://zika.ispm.unibe.ch/assets/data/pub/ncov/

2) tem uma abordagem metodológica para a revisão sistemática em tempo real, e os códigos pro harvesting nas bases no github, aqui:

https://ispmbern.github.io/covid-19/living-review/

3) termos de busca para as revisões estão se modificando conforme a doença avança/estabiliza, mas comumente estão usando esse string aqui na PubMed:

“(\”Wuhan coronavirus\” [Supplementary Concept] OR \”COVID-19\” OR \”2019 ncov\”[tiab] OR ((\”novel coronavirus\”[tiab] OR \”new coronavirus\”[tiab]) AND (wuhan[tiab] OR 2019[tiab])) OR 2019-nCoV[All Fields] OR (wuhan[tiab] AND coronavirus[tiab])))))”

4) aqui os préprints só da medRxiv e do bioRxiv:

https://connect.biorxiv.org/relate/content/181

5) quase todos editores/vendedores eliminaram o paywall para assuntos relacionados ao covid19, aqui uma lista. quem precisar de algo específico que não esteja aberto via portal capes e afins pode tentar fazer contato via sibi das unis (ou falem comigo):

https://docs.google.com/…/2PACX-1vT3pF6oX93Ok0GqSvQuqOh…/pub

6) alguns motivos óbvios pra manter bibliotecas fechadas:

https://twitter.com/oodja/status/1238855481197842432

7) esse é o gráfico da morbidez mais decente e mais atualizado:

https://coronavirus.jhu.edu/map.html

8) outras novidades eu tô colocando no twitter e na minha newsletter, sempre que der. minha lista sobre covid:

https://twitter.com/i/lists/1239530064523468800

9) twitter é o lugar mais rápido pra ler revisões direto dos especialistas, exemplos abaixo

https://twitter.com/davidasinclair/status/1238972082756648960

https://twitter.com/AdamJKucharski/status/1239209782894002177

https://twitter.com/michaelzlin/status/1239675364172914688

Fonte: Bibliotecários Sem Fronteiras

QUADRINISTAS BRASILEIROS DISTRIBUEM HQS DIGITAIS DE GRAÇA

Damos dicas de HQs que você pode curtir

Com o impacto da quarentena na rotina das pessoas por causa do coronavírus, quadrinistas brasileiros se juntaram para criar a #CoronaConBR. Um site que reúne mais de 100 HQs digitais para download gratuito.

As histórias são de autores novos e experientes, repletas de diversos estilos e gêneros, você pode conferir as HQs e fazer download no site oficial CoronaConBR. Aproveitem porque é por tempo limitado!

Se você gostar de algum quadrinho, compartilhe nas suas redes sociais, mostre para amigos e familiares e fale para compartilhar também, vamos ajudar os autores nesse momento difícil. Vamos ser solidários e valorizar a arte que sem ela tudo estaria ainda mais complicado nesse momento.

Fizemos uma curadoria de alguns pra vocês começarem!

Entrespaço

O que você faria se fosse enviado para a Lua em uma solitária missão de resgate? Como lidaria com a pressão se precisasse lidar com seus próprios demônios enquanto alcança a maior realização de sua vida?

Sombras do Recife – vol.1

Duas histórias do imaginário do terror e folclore de Pernambuco: “Boca de Ouro” e “A Presença Dela – Emparedada da Rua Nova”. Boca de Ouro: Hq inspirada na assombração de Recife e obra “O Boca de Ouro”.

São Paulo dos Mortos – vol.1

Zumbis invadem São Paulo! A série São Paulo dos Mortos conta histórias de Zumbis ambientadas nas cinzentas ruas da cidade, explorando variados temas e propondo novas perspectivas ao gênero.

Orixás – O dia do silêncio

A saga Orixás, de Alex Mir, narra as lendas e contos do imaginário africano (e como foi trazido para o Brasil). Você pode testar todos e começar por este: O dia do silêncio.

Reparos

Uma amizade entre uma garotinha e um velho ranzinza. Como eles encontram perguntas e respostas no meio de uma oficina bagunçada.

Inclusive, curtimos tanto Reparos, que fizemos um vídeo sobre!

 

E não se esqueçam: fiquem em casa!

Fonte: Garotas Geeks

Comissão Brasileira de Bibliotecas Universitárias (CBBU) divulga serviços de informação que estão disponibilizando fontes de informação sobre o Coronavírus

Comissão Brasileira de Bibliotecas Universitárias (CBBU) divulgou em sua Página no Facebook várias postagens contendo fontes de informação sobre o Coronavírus, liberadas, por um certo período de tempo, por serviços de informações internacionais.

Portal de Periódicos Capes

Editores internacionais com os quais a CAPES mantém contrato, por meio do Portal de Periódicos, liberaram acesso aos seus conteúdos, enquanto durar a pandemia de COVID-19. A ação foi motivada pela situação atual de confinamento e restrição de contato, e pretende apoiar a comunidade de pesquisa no processo de entendimento e minimização do impacto do novo coronavírus.

Saiba mais

JSTOR

Materiais JSTOR de acesso aberto acessíveis ao público. Um conjunto expandido de conteúdo disponível para instituições onde os estudantes foram deslocados devido ao COVID-19 até 30 de junho de 2020.

O número de livros disponíveis por meio desse esforço cresce diariamente, à medida que mais editores participam.

Cambridge e Oxford abriram os arquivos de suas impressoras universitárias – que também abrigam bancos de dados on-line – para acesso público até o final de maio.

Saiba mais

Dotlib

Dada a espantosa proliferação do COVID-19 mundo afora, muitas de nossas editoras parceiras na área da saúde optaram por disponibilizar à comunidade científica mundial uma série de links com informações, estudos e conteúdos especializados a respeito do vírus. São fontes de informação seguras, coerentes, reais e com um claro contexto clínico.

Saiba mais

Proquest

Até meados de junho, os clientes do ProQuest Ebook Central afetados pelo COVID-19 terão acesso ilimitado a todos os seus títulos comprados pela EBC de mais de 50 editoras. Isso significa que todas as licenças, incluindo modelos de usuário único e 3 usuários, se tornarão automaticamente licenças de acesso ilimitado durante esse período, ajudando os bibliotecários a fornecer informações valiosas a seus usuários neste ambiente em constante mudança.

Saiba mais

Annual Reviews

Annual Reviews remove o controle de acesso em resposta à pandemia de COVID-19. Para ajudar os muitos estudantes, professores e pesquisadores que trabalham e estudam remotamente durante a pandemia do COVID-19, a partir de hoje, são disponibilizados os periódicos a todos, sem controle de acesso, até quinta-feira, , 30 de abril de 2020. Nesta data, será avaliada a necessidade de estender essa política.

Saiba mais

JOVE

JOVE, base de dados de vídeos de experimentos científicos, esta oferecendo acesso gratuito à sua videoteca com intenção de auxiliar no aprendizado remoto devido a pandemia do COVID-19.

Neste link: https://info2.jove.com/coronavirusvideo estão os vídeos disponibilizados gratuitamente com o foco no Coronavirus.

Clarivate Analytics

Página do CLARIVATE ANALYTICS aberto para acesso a qualquer pessoa com informações sobre o Corona Vírus. Esse link está aberto para acesso a qualquer pessoa, não precisando estar em acesso autorizado. São relatórios, artigos científicos em conteúdo completo, análises e inclusive, um acesso temporário ao software Cortellis Drug Discovery Intelligence, e pode ser divulgado para qualquer interessado, dentro ou fora da instituição: https://clarivate.com/coronavirus-resources/

A praia da Ubook é o audiolivro

Maior plataforma de conteúdo em áudio por streaming da América Latina, a carioca Ubook define estratégia para se tornar a maior do mundo.

Flávio Osso, CEO “Nossa meta é ser a maior plataforma de ‘audiotainment’ do mundo. O áudio pode ser mais uma forma de democratizar o acesso à cultura no País” (Crédito: Claudio Gatti )

Streaming, podcast, eBook, webinar, audiolivro. O mundo da tecnologia tem incorporado, numa velocidade pandêmica, diversos novos formatos para distribuição de conteúdo – e a ascensão da Netflix nos últimos anos exemplifica o fenômeno com precisão. É nesse ambiente que a carioca Ubook, fundada em 2014 e hoje maior a plataforma de conteúdo em áudio por streaming da América Latina, planeja se tornar também a maior do mundo. Se o coronavírus permitir, a empresa vai abrir capital na bolsa de Toronto (a TSX) ainda neste ano, onde deve captar cerca de R$ 10 milhões, segundo estimativas, e chegar a um valor de mercado de 100 milhões de dólares canadenses (cerca de R$ 350 milhões) nos próximos dois ou três anos. “Nossa meta é ser a maior plataforma de ‘audiotainment’ do mundo”, afirma Flávio Osso, fundador e CEO da Ubook. “O áudio pode ser mais uma forma de democratizar o acesso à cultura no nosso País.”

A ambição do empresário está sustentada nos números de crescimento do mercado. Com faturamento estimado em R$ 25 milhões por especialistas do setor, a Ubook vem acelerando sua produção de conteúdo original. Em três anos, passou de 50 horas de programação própria por mês para as atuais 450 horas. Esse avanço está em sintonia com a expansão da demanda. O podcast, por exemplo, é uma das mídias que têm mais crescido nos últimos anos. Um levantamento feito pela plataforma Deezer mostra que os programas de áudio sob demanda aumentaram 67% no País em 2019. A pesquisa aponta que, no geral, a adesão aos podcasts tem sido maior no Brasil do que em certos países no exterior.

Na França e na Alemanha, locais em que há um crescimento vertiginoso, o formato teve um crescimento expressivo de 50% em um ano, mas ainda ficou atrás do índice registrado no Brasil. Além de mostrar o crescimento da mídia no País, o estudo revelou que os brasileiros são bastante engajados com o formato. Entre os ouvintes no Brasil, 25% tendem a consumir mais de uma hora de programas em áudio por dia. Graças ao poder dos podcasts de manter a atenção do público por uma grande quantidade de tempo, a mídia tem ganhado a atenção de empresas de publicidade, que investem em novas formas de anunciar dentro do serviço.

Além disso, companhias de renome no mundo do streaming, como Spotify, Deezer, Amazon e Google, alem da Ubook, estão investindo no segmento por meio de programas originais. E a tendência é de que o setor veja seus rendimentos subirem nos próximos anos. Segundo levantamento da consultoria PwC, os podcasts geraram um faturamento publicitário de US$ 1 bilhão em 2019 globalmente. Até 2023, o valor deve subir cerca de 21%.

Todos os números confirmam que a publicação de áudio continuará sua trajetória ascendente. “Nos últimos sete anos consecutivos, o crescimento tem sido de dois dígitos em todo o mundo. É algo realmente extraordinário”, afirma Chris Lynch, copresidente da Audio Publishers Association (APA). “Mais audiolivros sendo produzidos significa que as pessoas estão ouvindo mais do que nunca.”

O plano de abertura de capital no Canadá pela Ubook tem sido bem desenhado pelo CEO e investidores. Com operações em países como México, Colômbia, Chile, Peru, Portugal e Espanha, a empresa planeja com a injeção de dólares no IPO (sigla em inglês para oferta pública inicial de ações) acelerar sua internacionalização e fortalecimento dos negócios com aquisições. “Não queremos estar em todos os países com um pontinho, como se fosse um tabuleiro de War. A ideia é ser dominante nos mercados onde estamos”, afirma Osso.

APORTE Recentemente, a Ubook recebeu aporte de R$ 3,2 milhões do fundo Cypress M3 FIP, da TM3 Investimentos, uma gestora independente de recursos focada em empresas brasileiras de middle-market, que tem como um dos principais investidores o empresário Marcel Malczewski, fundador da Bematech. “A Ubook vem crescendo de forma acelerada. Apesar de jovem, é uma empresa financeiramente muito saudável”, diz Malczewski. “O audiobook tem ocupado o espaço do livro eletrônico, mercado que vem perdendo força”, acrescentou.

O aumento exponencial da aceitação do audiolivro no Brasil e no mundo tem outras razões, segundo Osso. Além da enorme facilidade da tecnologia, já que a plataforma pode ser acessada de forma simples por tablets e celulares, através de aplicativo ou navegador de internet, a necessidade de otimizar o tempo também ajuda. “Um exemplo disto é durante o trânsito, tanto para quem está dirigindo ou se locomovendo por transportes públicos, o tráfego é mais caótico a cada dia e as pessoas tendem a considerar este um período perdido”, diz Osso. “Ouvir um livro enquanto se está parado no trânsito traz a sensação de aproveitar muito melhor este tempo.” A Ubook recebeu também aporte de R$ 20 milhões da Confrapar, gestora de fundos para empresas de tecnologia, em um movimento que antecede o IPO.

Marcel Malczewski “A Ubook vem crescendo de forma acelerada. Apesar de jovem, é uma empresa financeiramente muito saudável” (Crédito:Claudio Gatti)

A listagem na TSX será pelo processo conhecido como “reverse takeover” (aquisição reversa), que consiste em uma empresa utilizar uma outra já registrada em bolsa, mas inativa, para negociar suas ações. Ao assumir o controle de uma companhia registrada na bolsa do Canadá, por exemplo, uma empresa brasileira ganha exposição mundial. Segundo Osso, a Ubook está preparada. Com mais de 100 mil audiobooks em cinco idiomas, 1,5 mil jornais e revistas em áudio, 350 mil podcasts e mais de 2,8 milhões de usuários em 2019, a estratégia é seguir os passos da Netflix.

Vamos ser a Netflix de olhos fechados”

Entrevista com Flávio Osso, CEO da Ubook

Flávio Osso, CEO da Ubook. (Crédito:Claudio Gatti)

O crescimento da Ubook no País reflete o baixo grau de leitura do Brasil?

Existe essa mística de que o brasileiro lê pouco. Mas não é isso. Está lendo cada vez mais. O que está mudando é o formato. As pessoas estão o tempo todo lendo posts nas redes sociais. Não é o que gostaríamos que estivessem lendo. Poderiam ler mais livros. Por isso, como as pessoas mudaram os hábitos de consumo, temos também livros impressos, mas estamos buscando entregar conteúdo na situação e no momento em que estão dispostos a consumir.

Qual a meta da empresa?

Nossa meta é ser a maior plataforma de ‘audiotaintment’ do mundo. Temos audiobooks, séries e documentários, programas de entrevistas, stand up comedy. Hoje produzimos muito conteúdo original. Muito na linha de outras empresas de streaming, muito focada em filme, fazemos nosso conteúdo próprio em áudio. Além disso, a Ubook, que antes era só audiobook, hoje tem outras verticais de conteúdo em áudio. Temos documentários, noticia em tempo real, em parceria com Reuters e The Guardian.

Os livros digitais aparentemente fracassaram. Os audiobooks correm esse risco?

Não acho que foi um fracasso. O que houve foi um erro de expectativa. Não se substitui um hábito construído em milênios, com os livros, por um dispositivo novo, um smartphone ou um tablet. Houve uma super expectativa, que pra mim nunca fez sentido. Um livro custa R$ 29, R$ 39 ou R$ 49. Para começar a ler no digital, começa em R$ 300 para cima.

Os conteúdos em áudio não podem prejudicar o setor de leitura?

A gente não quer que as pessoas ouçam mais do que leiam. A gente quer que o consumidor consuma conteúdos. O áudio pode ser mais uma forma de democratizar o acesso à cultura. Não temos a pretensão de substituir nada.

O Netflix conseguiu multiplicar seus resultados quando deixou de ser uma plataforma de distribuição de conteúdo para se tornar uma produtora de conteúdo. O plano do Ubook é semelhante?

Com certeza. A produção de conteúdo original é o caminho para crescer. Hoje, 70% da nossa produção é de conteúdo original. O Netflix é nosso benchmark. Eles estão focados no vídeo. A gente, no áudio. A essência é a mesma. Ao se tornar o maior do mundo, vamos ser a Netflix de olhos fechados.

O livro em papel vai acabar?

Não. É inimaginável que uma cultura que existe desde o pergaminho vai acabar. Sempre vai ter o seu espaço. Mas isso não significa que temos que obrigar as pessoas a consumir um único formato. O importante é ter a liberdade de escolha. Tem espaço para todo mundo.

A ameaça maior é para o rádio?

No formato tradicional do rádio, com certeza. Já tive uma emissora de rádio aqui no Rio de Janeiro, a Jovem Pan. As rádios que estão dando certo são as que entenderam essa movimentação. A freqüência FM é só um meio de entregar o conteúdo. Uma rádio que tem uma marca forte, como a Jovem Pan, o que importa é a reputação do nome e a qualidade do conteúdo, não importa o meio. Para os veículos que já são tradicionais, é muito mais importante a solidez e seriedade da marca. Para elas, sempre vai haver cliente para consumir o conteúdo, em qualquer meio.

Está mantida a intenção de IPO?

Sim. O coronavírus atrapalha os planos, mas mantemos firmes e fortes com o plano. A gente sempre entendeu que para nos tornar grande, é importante a abertura de capital fora do Brasil. Além de ser um mercado em dólar, o Canadá tem um foco em empresas pós-startup. É uma bolsa que está nos apoiando muito e está muito próxima da Nasdaq. Há muito investidor americano que investe no mercado canadense, principalmente no segmento de tecnologia.

Fonte: Época Negócios

Pesquisador da UFG desenvolve mapas com língua de sinais para ajudar surdos

Texto por Vanessa Chaves, G1 GO

Estudantes surdos enfrentam dificuldades na leitura de mapas tradicionais, em Goiânia — Foto: Pedro Moreira/Arquivo Pessoal
Estudantes surdos enfrentam dificuldades na leitura de mapas tradicionais, em Goiânia — Foto: Pedro Moreira/Arquivo Pessoal

Um pesquisador da Universidade Federal de Goiás (UFG) desenvolveu mapas adaptados com a língua brasileira de sinais (libras). Eles podem auxiliar no ensino de cartografia na escola e até mesmo na locomoção de surdos pela cidade.

“A primeira pessoa que testou o mapa foi minha mãe, que é surda, e foi uma felicidade enorme. Eu vi a expressão no rosto dela, de que ela leu e entendeu o mapa, foi bacana demais, foi incrível”, disse o professor de geografia Pedro Moreira.

O projeto foi desenvolvido em 2016, durante o doutorado do pesquisador. Segundo ele, os mapas são usados em diversos locais e situações, como em pontos de ônibus, shoppings e aplicativos de transporte, mas, geralmente, não estão em libras.

“Meus pais são surdos. Alguns primos e tios também são. Sou professor de geografia e também tenho alunos surdos. Eu sempre via uma dificuldade muito grande deles em entender mapas, por um motivo simples, os mapas não têm linguagem em libras”, afirma Pedro.

Mapas

Ele desenvolveu o mapa-múndi e um mapa da população do Centro-Oeste. As adaptações são no título, legenda, escala, orientação, que indica a direção, e as coordenadas geográficas, que informam latitude e longitude.

O projeto saiu do papel em abril de 2019. Para garantir que os surdos pudessem ler os mapas de forma mais completa, o pesquisador também usou a datilologia, que é um sistema de representação das letras do alfabeto, e a visografia, uma representação gráfica da língua de sinais.

O pesquisador disse que o próximo projeto será o desenvolvimento de um atlas, com mais possibilidades de sinais e espaços para a compreensão de pessoas surdas. Ele destacou que o resultado da pesquisa foi gratificante, tanto pelo lado pessoal quanto pelo profissional.

“Ver meus pais e meus alunos lendo o mapa foi gratificante demais. Lembrei de quando eles não conseguiam ler, Hoje isso não existe mais. Eu, como professor, posso dar um mapa aos meus alunos surdos e eles conseguem entender, assim como os outros alunos. É uma possibilidade de inclusão imensa”, conta o professor.

Além dos mapas didáticos desenvolvidos, Moreira desenvolve mapas de inclusão em linguagem de sinais para shoppings, empresas de ônibus e até para aplicativos.

Mapa desenvolvido com linguagem de sinais para surdos, em Goiânia — Foto: Pedro Moreira/Arquivo Pessoal
Mapa desenvolvido com linguagem de sinais para surdos, em Goiânia — Foto: Pedro Moreira/Arquivo Pessoal

Fonte: G1 Goiás

Um Atlas para viajar pelo território e pela literatura ao mesmo tempo

Perceber a evolução histórica das paisagens no território continental português através de excertos de obras literárias dos séculos XIX e XX é possível através do projeto Atlas das Paisagens Literárias de Portugal Continental, uma parceria entre o IELT e o IHC, unidades de investigação da FCSH – Universidade Nova de Lisboa.

Sandra GonçalvesPort

“Com um grande estrondo o comboio entrou na estação. A plataforma ficou logo cheia de gente, que ia, arrebatada, com embrulhos, chapeleiros, acotovelando-se. Saloios com os passos pesados das suas solas pregueadas, apressavam-se; havia nas faces um ar estremunhado e pasmado; uma criança chorava desesperadamente…”

Assim descrevia Eça de Queirós, em 1880, a Estação de Santa Apolónia, em Lisboa. Excerto literário da obra “A Capital”, uma fulgente crítica aos oportunistas, aos falsos intelectuais, aos vícios de uma sociedade que vivia de expedientes menos honestos. Este é um dos 7.541 apontamentos que podem ser encontrados no Atlas das Paisagens Literárias de Portugal Continental, coordenado por Natália Constâncio e Daniel Alves, investigadores do IELT e IHC, respetivamente.

Através da leitura de obras literárias de escritores dos séculos XIX e XX, foram selecionados excertos que, por sua vez, foram referenciados a uma unidade territorial. Um trabalho rigoroso e exaustivo que pode agora ser consultado a partir de qualquer dispositivo com ligação à Internet (smartphone, tablet, PC) na aplicação online deste Atlas.

Concebido em 2010 pela investigadora Ana Isabel Queiroz, do Instituto de História Contemporânea, o projeto esteve adormecido até 2018, altura em que a coordenadora lançou o desafio a Natália Constâncio e Daniel Alves para lhe darem um novo impulso.

O que começou por ser um trabalho académico está agora aberto a todos os utilizadores para consulta, permitindo perceber a evolução da paisagem portuguesa através de excertos literários. Um menu no topo da aplicação permite escolher por entre 194 autores, 385 obras, 7.541 excertos literários e 27 temas, num total de 2.926 localizações precisas. Com o sistema de informação geográfica (GIS) ligado, a aplicação identifica a localização do utilizador e mostra todos os excertos literários que constam da base de dados num raio de 500 metros.

A base de dados do Atlas reúne mais de sete mil excertos recolhidos por “leitores de paisagens literárias”, em mais de 385 obras, de 194 escritores, do século XIX ao XX

Como sobrevivem as últimas videolocadoras de São Paulo na era do streaming

Texto por Evanildo da Silveira, BBC

No auge, locadoras de vídeo somaram cerca de 4 mil lojas em São Paulo — Foto: Getty images via BBC
No auge, locadoras de vídeo somaram cerca de 4 mil lojas em São Paulo — Foto: Getty images via BBC

O fotógrafo baiano João Alvarez passeava pelo centro de São Paulo há cerca de um ano quando se deparou com uma raridade: uma locadora de filmes, uma das últimas ainda existentes na capital paulista hoje.

Localizada no edifício Copan, projetado por Oscar Niemayer e um dos cartões postais da cidade, a Vídeo Connection é uma prova de que ainda é possível alugar filmes em lojas físicas — especialmente os clássicos e os mais antigos, que de outra forma estariam perdidos para sempre para os amantes do cinema e para as novas gerações. A maioria deles, dizem donos de locadoras e aficionados, não está disponível nos serviços de streaming nem em outras plataformas.

A videolocadora do Copan é uma das poucas sobreviventes entre as mais de 4 mil que já existiram na maior metrópole da América do Sul. Elas persistem e ocupam um nicho específico de mercado, atendendo clientes como Alvarez. “Eu sou um amante do cinema”, diz ele.

“Meu principal hobby é ver filmes. Eu e minha mulher assistimos a cinco por semana, em média. Acho que não podemos ficar reféns do streaming, pois os melhores filmes de arte e os clássicos não estão ali. Eles só são encontrados nas locadoras.”

A história das locadoras de filmes em São Paulo — e no Brasil — começou no final da década de 1970. A primeira da capital paulista surgiu em 1977. Inaugurada como Disk Filmes, tornou-se, um ano depois, a conhecida Omni Vídeo.

“No mesmo ano e ao mesmo tempo surgiu o primeiro videoclube do país, chamado justamente Vídeo Clube do Brasil'”, conta o cineasta Alan Oliveira, autor do documentário CineMagia: A História das Videolocadoras de São Paulo, lançado em 2017.

As lojas ganharam destaque no início da década de 1980, momento em que o videocassete começou a se popularizar no país. As redes 2001, Real Vídeo e Vídeo Norte, por exemplo, surgiram em 1982.

Daí para frente, começou o boom das videolocadoras em São Paulo e em todo o Brasil. “Nós mostramos esse processo no filme, que envolve a transformação do mercado de fitas alternativas (VHS gravadas) para as seladas (originais das distribuidoras), seguindo para a chegada do DVD em 1997”, diz Oliveira.

O auge das locadoras se deu exatamente nesse período de mudança de tecnologia, do analógico para o digital. De acordo com o autor de CineMagia, o avanço na qualidade de imagem e som trazido pela chegada do DVD fidelizou clientes de maneira inédita no mercado.

Videocassete começou a se popularizar no país no início da década de 1980 — Foto: Getty Images via BBC
Videocassete começou a se popularizar no país no início da década de 1980 — Foto: Getty Images via BBC

Isso se seguiu até 2006, com a chegada do blu-ray, uma tecnologia ainda mais poderosa que o DVD, mas que não chegou a decolar no país.

Prejudicadas pela popularização dos downloads de filmes e dos DVDs piratas, as locadoras começaram a fechar logo em seguida. A chegada das plataformas de streaming no país, a partir de 2011, só intensificou esse movimento, segundo Oliveira.

“Vendo tudo isso acontecer, senti a necessidade de documentar essa história”, revela. “Não o processo de fechamento delas, mas sim a magia que existia (e ainda existe) na experiência de entrar nesses maravilhosos espaços urbanos de cinefilia.”

“O documentário ‘CineMagia’ é uma homenagem a esses 40 anos do mercado de home video, começando em 1976 e seguindo até 2016”, conta.

“Mais do que falar sobre ‘um suposto fim’ [das locadoras], minha ideia sempre esteve voltada para o começo. Sempre tive fascínio em entender como a coisa toda nasceu e se transformou com os avanços da tecnologia ao longo dos anos. Está tudo lá no filme.”

Auge

É difícil saber exatamente o número de videolocadoras que existiram nesse período. “O cálculo que fizemos para o filme levou em consideração a listagem de lojas que realizavam compras de filmes (VHS e DVD) das principais distribuidoras do país, no período de dezembro de 1998 a fevereiro de 1999”, diz o diretor.

“A cidade de São Paulo tinha cerca de 4.000 listadas e, no país, cerca de 11.500, sendo mais de 900 cadastradas apenas em 1998. Isso dá uma dimensão da velocidade e do crescimento do negócio e das vendas naquele período.”

É claro que esse número oscilou muito até 2006, quando a maioria das lojas e algumas distribuidoras começaram a encerrar seus serviços. Nessa mesma época, o Rio de Janeiro tinha cerca de 1.600 estabelecimentos, praticamente a metade do número da capital paulista.

Hoje, a Vídeo Connection é uma das raríssimas videolocadoras de São Paulo que vivem exclusivamente da locação de filmes e da conversão de fitas VHS para DVD.

A história da loja começou em 1985, quando foi inaugurada na rua da Consolação, região central de São Paulo, com 120 títulos em VHS. “Nós pegávamos os filmes na Omni Vídeo, copiávamos e colocávamos para alugar”, conta o dono da empresa, Paulo Sérgio Baptista Pereira. “Depois, começamos a trabalhar também com filmes pornôs, para atender os motéis.”

Em 1986, a empresa começou a atuar também como revendedora de filmes, adquiridos diretamente nas produtoras. “Fomos a primeira distribuidora do Brasil para outras empresas”, diz.

“Passamos a crescer muito e separamos a locadora, que instalamos aqui no Copan. Abrimos novas lojas, muitas delas dentro de grandes empresas, chegando a ter 15 no total. Isso foi até 1995, quando o cenário começou a mudar e o número de estabelecimentos passou a diminuir.”

O surgimento do DVD, porém, reverteu esse movimento e gerou nova disparada no número de lojas. O bom momento durou até cerca de 2010, quando começou a pior fase deste mercado. “A pirataria já estava pesada, mas não chegou a comprometer nosso negócio”, diz Pereira. “O que atrapalhou mesmo foi o streaming, que chegou com força a partir de 2012. Cheguei até pensar em fechar a loja.”

55 cópias de ‘Titanic’

Foi em 1995 que Gilberto Donizetti Petruche resolveu realizar o antigo sonho de montar uma videolocadora, no ano. Largou o emprego numa grande empresa, na qual era gerente administrativo, para fundar o Centro Cultural Videolocadora Charada, em Sapopemba, zona leste de São Paulo.

Ele alugou uma sala perto de sua casa e inaugurou a loja, sob o nome provisório de Vídeo Clube Ação, com 294 títulos. “Meu grande objetivo era ser mais do que uma locadora, ou seja, ser um clube”, conta Petruche.

“A ideia era exibir filmes, fazer debates, conversar. Mas não deu certo, porque o movimento das locações foi tão grande que a ideia de clube ficou em segundo plano. Não dava tempo de conversar com os clientes. Tivemos que alugar um espaço maior. Atingimos o auge no dia 2 de janeiro de 2000, quando locamos, num único dia, 880 fitas VHS. Nessa época, a média era de 300 filmes por dia. Cheguei a comprar 55 cópias do filme Titanic.”

O DVD, que a Charada começou a disponibilizar a partir de 2001, deu sobrevida à loja. A queda começou há cerca de 10 anos, quando o número locações diminuiu para 1.000 por mês.

“De 5 anos para cá, a redução foi ainda maior”, diz Petruche. “Hoje, alugamos cerca de 100 fitas por mês. Então, voltamos à ideia inicial e a locadora virou um clube. Vendemos discos de vinil, oferecemos aulas de violão, guitarra, bateria e realizamos shows.”

Dez anos mais antiga, a Televideo, localizada no Belenzinho, também na zona leste de São Paulo, e inaugurada em 1985, tem uma história semelhante.

No auge, chegou a alugar 3.000 filmes por mês. “Hoje, nosso movimento é insignificante perto do que já foi”, conta o proprietário, Marcelo Martins.

Advogada Christina Nobre aluga filmes semanalmente na Televideo — Foto: Getty Images via BBC
Advogada Christina Nobre aluga filmes semanalmente na Televideo — Foto: Getty Images via BBC

“Em um final de semana bom, locamos cerca de 25 filmes. Por isso, ao longo dos últimos anos, mudei o foco do meu ramo, passando a ser mais uma loja de conveniência do que uma simples videolocadora. Vendo sorvetes, doces, bolachas, presentes, bebidas, produtos para informática, acesso à internet, impressões de boletos, currículos, fotos. Só continuo comprando os lançamentos ainda pela paixão que tenho pelo cinema.”

Sorte de clientes fiéis, como a advogada Christina Fernanda Cobianchi Nobre, que há mais de 10 anos retira filmes semanalmente na Televideo. “Eu gosto de lojas físicas, porque posso ver as opções nas prateleiras, pegar a capa do vídeo e ler o resumo”, diz. “Além disso, há títulos que a gente só encontra em locadoras, principalmente antigos, que a geração de hoje não conhece. Não podemos deixar isso morrer.”

Para Pereira, as videolocadoras experimentam, atualmente, um pequeno aumento do movimento e do interesse das pessoas. “Quando elas perceberam que nem tudo o que queriam estava disponível no streaming ou na internet, começaram a voltar às lojas”, explica.

“Como estou praticamente sozinho no mercado paulistano, meu movimento voltou a crescer a partir do final de 2017 e no início de 2018. No auge, por volta de 1995 e 1996, chegamos a ter 4.000 locações num mês, número que caiu para cerca de 300 ou 400, em 2016. Agora, chegam a 800 mensalmente. Estou sem funcionários, mas até estou pensando em contratar alguém.”

Donos de locadoras de filmes renovam negócios para sobreviver
 Fonte: G1

CONHEÇA DEZENOVE FONTES DE INFORMAÇÃO SEGURAS SOBRE ÁFRICA E AFRICANIDADES

As fontes de informação, de diversas instituições pelo mundo, reunem centenas de milhares de publicações, a maioria das quais avaliadas por especialistas da área 

Entre dribles e quadros: relação entre o futebol e as histórias em quadrinhos

Texto por Bianca Loiola

A interação entre diferentes linguagens e recursos é um dos aspectos que estão inseridos no processo de comunicação humana. Partindo desse princípio, as histórias em quadrinhos se apresentam como um importante veículo que integra variados recursos comunicativos, revelando-se nessa pesquisa por possuir potencial expressivo, possibilitando a construção de narrativas.

Mundialmente, o Brasil é conhecido por diversos aspectos, um deles, é que o país é considerado um dos grandes pilares para o desenvolvimento e a popularidade do futebol. Esse título perpassa um imaginário social desde 1938 – que foi o marco principal para a inserção do futebol-arte na identidade nacional (GUTERMAN, 2009). Com o passar dos anos, a sociedade adquiriu um crescente gosto pelo futebol e esta paixão do torcedor pela seleção brasileira e seus respectivos clubes de futebol foi considerada elemento essencial no cotidiano dos indivíduos, influenciando na construção de memória e identidade.

A relação entre o futebol e os quadrinhos não é algo tão surpreendente, visto que na década de 40, o argentino Lorenzo Molas originou diversos mascotes para os clubes de futebol do Rio de Janeiro. Em tal ato, cada clube era representado por um personagem, o “Pato Donald”, personagem de desenhos animados e histórias em quadrinhos dos estúdios de Walt Disney, passou a representar o Botafogo de Futebol e Regatas (BFR), o marinheiro “Popeye”, personagem clássico dos quadrinhos criado por Elzie Crisler Segar, já posava como símbolo do Clube de Regatas do Flamengo (CRF), o “Almirante” no Clube de Regatas Vasco da Gama (CRVG), o “Cartola” no Fluminense Football Club (FFC) e o “Diabo” no América Football Club (AFC), também foram representações de personagens que davam alusão aos respectivos clubes (PESSOA, 2012).

A maior parte das histórias em quadrinhos que abordam o futebol partem do gênero infantil, porém, elas não isentam o acesso e a leitura a outros tipos de público, visto que o alcance e o consumo dessa produção pode ser disponibilizado para qualquer indivíduo. Desse modo, foram destacadas quatro características observadas na relação entre o futebol e as histórias em quadrinhos:

  • Primeiro Contato: As histórias em quadrinhos aplicadas ao gênero infantil estão inseridas no primeiro contato do leitor com a leitura e o próprio item, atentando-se ao fato da interação do público infantil com o quadrinho sobre futebol. Aos demais públicos também considerou o aspecto do primeiro contato, pois os mesmos podem não estar familiarizados a esse tipo de suporte específico voltado para a disseminação de conteúdos esportivos relativos ao seu respectivo clube. Pode se compreender que o primeiro contato pode gerar novos olhares e interesses para as histórias em quadrinhos desenvolvendo novos conhecimentos e novas linguagens para aquele indivíduo. As histórias em quadrinhos podem influenciar na formação da identidade do torcedor, visto que, na narrativa são apresentados conteúdos que destacam as épocas vitoriosas dos clubes de futebol, ou seja, indiretamente, a vangloriação de seus feitos históricos podem induzir o indivíduo a torcer por aquele clube.
  • Uso suavizante: As linguagens das histórias em quadrinhos por serem produzidas em massa para o quadrinho infantil, possuem um uso suavizante, ou seja, um estilo leve que promove acesso à narrativa por meio de textos e imagens que acabam sendo um atrativo maior para o leitor, que pode desenvolver a interpretação daquele contexto esportivo, possibilitando um registro memorialístico do respectivo clube.
  • Incentivo à leitura: Por possuir uma linguagem suavizante, as histórias em quadrinhos podem chamar a atenção do leitor e instigá-lo a consumir em massa mais itens deste gênero. O indivíduo, através do hábito de ler, inicia um ciclo viciante de novas leituras, novas interpretações e atribuições de significados para cada item lido.
  • Memória por tabela: As histórias em quadrinhos voltadas para o futebol, por se tratarem de feitos históricos dos clubes que aconteceram em décadas ou até mesmo séculos, faz com que o leitor da geração atual possa não ter vivido ou estado presente em certos acontecimentos, porém, independente de tal circunstância, o indivíduo pode desenvolver o sentimento de pertencimento histórico a aquele contexto por meio da noção de memória por tabela (POLLAK, 1992).

Podemos considerar que o mundo da bola e o mundo das histórias em quadrinhos formam uma eficiente dupla de ataque no campo de entretenimento, desse modo, tanto a representação de mascotes de clubes de futebol, quanto à inserção de histórias em quadrinhos que retratam o ambiente futebolístico, têm sua importância por narrar um conteúdo que faz parte do imaginário social do brasileiro e possibilitar a construção da memória e identidade da sociedade.

E você, já leu alguma história em quadrinhos que aborde a temática do futebol ou algum outro esporte?

*Texto resumido do artigo científico “Entre dribles e quadros: a construção da memória social do futebol brasileiro pela linguagem das histórias em quadrinhos” apresentado na 6as. Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos (ECA/USP)*

Referências:

GUTERMAN, M. O futebol explica o Brasil: uma história da maior expressão popular do país. São Paulo: Contexto, 2009.

PESSOA, F. M. L. Mascotes e “merchandising” no futebol carioca da década de 1940. XV Encontro Regional de História – ANPUH-Rio, 2012. Disponível em: <http://www.encontro2012.rj.anpuh.org/resources/anais/15/1338409790_ARQUIVO_Mascotesemerchandisingnofutebolcariocadadecadade1940.pdf>.

POLLAK, M. Memória e Identidade social. In: POLLAK, M. Estudos históricos, 2. ed. Rio de Janeiro: Cpdoc/FGV, 1992.

Fonte: Linkedin

Audiobook grátis em português: lista traz quatro apps para ouvir livros

Por Graziela Silva, para o TechTudo

Audiobooks são livros para ouvir em aplicativos. Audiolivros de romance, espírita e clássicos da literatura brasileira estão disponíveis de graça ou por meio de assinatura paga em apps para iPhone (iOS) ou celulares Android. Na lista abaixo, confira quatro aplicativos que fornecem áudios de livros em português para ouvir no celular. Fáceis de usar e práticos, eles prometem deixar a leitura mais dinâmica com funções como download de audiobooks, e galeria de livros completos para ouvir em qualquer lugar. Confira a seguir as vantagens e desvantagens de cada aplicativo, e saiba como usá-los.

Apps têm os melhores audiobooks para baixar e ouvir em qualquer lugar — Foto: Graziela Silva/TechTudo
Apps têm os melhores audiobooks para baixar e ouvir em qualquer lugar — Foto: Graziela Silva/TechTudo

1. 12min

O aplicativo 12min é uma plataforma com seleção de resumos em áudio de livros mundialmente populares. O objetivo do app é fazer com que o usuário aprenda algo novo, todos os dias em 12 minutos, por meio da leitura das ideias principais das obras. Entretanto, nem sempre os resumos são cronometrados nesse tempo limite.

O acervo do app 12min oferece resumos de áudio livros com as principais ideias das obras — Foto: Reprodução/Graziela Silva
O acervo do app 12min oferece resumos de áudio livros com as principais ideias das obras — Foto: Reprodução/Graziela Silva

A ferramenta oferece um extenso acervo gratuito de audiolivros em português, e é possível desfrutar de benefícios extras com um plano anual de R$ 249,99. A assinatura permite ouvir os audiolivros em qualquer lugar mesmo sem conexão à Internet, e receber mais novidades em resumos por mês. Mesmo o catálogo do aplicativo sendo focado em livros de não-ficção (voltados ao desenvolvimento pessoal), também estão disponíveis na plataforma obras clássicas da literatura, como Dom Casmurro, de Machado de Assis.

2. LibriVox Audio Books

Apesar da biblioteca com muitos audiobooks em inglês, o LibriVox também possui algumas narrações de obras da literatura brasileira. Para encontrá-las, basta escolher português como idioma na tela inicial do aplicativo. Diferente de outros apps para ouvir livros, o LibriVox não possui versão paga porque todas as obras disponíveis são de domínio público. Assim, seu acervo é composto essencialmente por livros clássicos, sem possuir obras literárias da atualidade.

A interface é simples e fácil de navegar, mesmo com o inglês configurado como idioma padrão. Todo o catálogo é dividido em gêneros, autores, listas ou novidades. A ferramenta de pesquisa permite procurar audiobooks específicos por meio de palavras-chave. Sugestões de leitura também aparecem na tela principal. Antes da narração, o usuário pode ler um resumo do livro. Já a história é dividida em seções de áudios, que são alternadas na leitura. Além disso, os leitores podem avaliar os audiobooks em estrelas.

O LibriVox possui apenas audiolivros de obras que já pertencem ao domínio público — Foto: Reprodução/Graziela Silva
O LibriVox possui apenas audiolivros de obras que já pertencem ao domínio público — Foto: Reprodução/Graziela Silva

3. Audiolivros do Tocalivros

Desde obras sobre negócios e investimentos a livros infantis, o app do Tocalivros tem grande variedade de narrações em português. Contudo, ainda que alguns exemplares estejam disponíveis grátis, a maioria dos audiobooks só é acessada por assinatura. Atualmente, o Tocalivros está com um plano ilimitado no valor de R$ 214,90. O app ainda permite escutar uma prévia do audiobook antes da compra, e oferece ao usuário um download gratuito de qualquer audiolivro.

É possível ouvir audiolivros gratuitos em português por meio dos Audiobooks do Tocalivros — Foto: Reprodução/Graziela Silva
É possível ouvir audiolivros gratuitos em português por meio dos Audiobooks do Tocalivros — Foto: Reprodução/Graziela Silva

Entre os benefícios do app do Tocalivros, está a possibilidade de controlar a velocidade da narração, fazer marcações durante a leitura e escutar o livro offline. O catálogo do aplicativo é atual e tem uma categoria especial para crianças com clássicos contos de fadas.

4. Ubook

Ubook é um app para quem deseja ouvir livros no celular a qualquer momento. Sua interface é semelhante a aplicativos de música, tipo o Spotify. A galeria possui muitos exemplares, principalmente da literatura contemporânea. Algumas obras do catálogo são acessadas de modo gratuito e em português, ou em outros idiomas. Os livros são separados em mais de 30 categorias, que incluem formatos como jornais e HQs.

Para ter acesso ao conteúdo completo do Ubook, é preciso pagar uma assinatura de R$ 249,90 por ano, ou de R$ 29,90 por mês. Um elemento interessante do app é a seção dedicada ao público infantil, que é personalizada com cores diferentes e um catálogo completo de audiolivros infantis. Outro recurso inovador é que ele possui uma aba para notícias. Nessa parte, o usuário pode ler as principais manchetes do que acontece no Brasil, no mundo ou em outras áreas de interesse.

Além de disponibilizar audiobooks gratuitos, o Ubook possui uma versão personalizada de livros em áudio para crianças — Foto: Reprodução/Graziela Silva
Além de disponibilizar audiobooks gratuitos, o Ubook possui uma versão personalizada de livros em áudio para crianças — Foto: Reprodução/Graziela Silva

Fonte: Tech Tudo

Selos postais, museologia e o registro da memória

Hoje, 18 de dezembro, é celebrado o Dia do Museólogo. Como toda data comemorativa, é importante refletir sobre sua importância a partir do significado da museologia nos dias atuais. Além disso, vale fazer uma aproximação entre esta área de conhecimento e a filatelia.

De acordo com a Lei Nº 7.287, de 18 de Dezembro de 1984, que regulamenta a profissão, o museólogo é responsável pelo planejamento, direção, administração e supervisão de museus e instituições culturais similares. Pode atuar na área de pesquisa, educação e administração/conservação do acervo museológico. Apesar de a lei ser dos anos 1980, esta carreira não é recente. O primeiro curso de museologia brasileiro é o Curso de Museus, criado em 1932 e ministrado pelo Museu Histórico Nacional. Hoje em dia, tem caráter de graduação e está sob responsabilidade da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).

Não obstante a criação pioneira do curso de Museus, de acordo com um estudo de Luciana Ferreira da Costa, durante todo o século XX só foi criada mais uma graduação, em 1969, na Universidade Federal da Bahia. Somente no início do século seguinte os cursos de museologia se espalharam pelo país, hoje contando com 16 no total. Essa expansão é explicada devido às políticas de incentivo aos espaços museais no início dos anos 2000 (a Política Nacional dos Museus – PNM) que resultaram, dentre outras ações, na criação do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM). Em conjunto, o incentivo à expansão do ensino universitário promovido nos mesmos anos resultou na criação de novos espaços para a museologia. A área, então, passou a estar sob a tutela de instituições de ensino e pesquisa de qualidade, sendo a maioria dos cursos atualmente ofertados por universidades federais.

A formação de novos museólogos nos últimos anos é bastante positiva no que concerne à filatelia, uma vez que os selos e as coleções filatélicas podem ser objeto de análise destes profissionais. O próprio Museu Nacional dos Correios conta com museólogos responsáveis pelo acervo da instituição, inclusive o filatélico. Além disso, alunos de graduação recentemente passaram a se interessar pela temática e surgiram trabalhos que tiveram como fontes de estudo o acervo filatélico do Museu dos Correios. É o caso das duas monografias de Natasha Meija Buarque, sobre a presença de mulheres nos selos postais brasileiros. Por outro lado, a filatelia se beneficia da análise feita pelo método específico da museologia. Passa-se, então, a produzir conhecimento a partir da utilização dos selos como fonte.

O espaço de atuação dos museólogos vem a conhecimento do público: os museus nos selos postais brasileiros

Outra questão que deve ser levada em consideração é a representação em selos do espaço de atuação do museólogo. De uma maneira geral, os museus foram focalizados em anos diversos e há uma tendência para figurar uma obra ou parte do acervo e não a fachada do museu em si. Este tipo de registro tem uma vantagem: o selo, como objeto que circula, é responsável por levar ao conhecimento da população amplas informações visuais e textuais sobre as instituições museais e seus acervos. Ou seja, qualquer pessoa que adquira um selo sobre esta temática poderá ter contato com o que reside dentro de um museu sem conhecê-lo fisicamente.

É interessante notar como os museus e os selos postais guardam entre si semelhanças. Ambos são responsáveis, à sua maneira, em conservar e registrar aquilo que é tido como significativo na construção cultural, social e histórica de determinados grupos.

Assim, o selo, como objeto responsável pelo registro memorialístico daquilo que é considerado importante por determinados setores da sociedade, ao longo do tempo, trouxe os museus e seus acervos como parte essencial das políticas de cultura do Brasil. Isso é visível, inclusive, nas datas de lançamento dos selos. O primeiro a ser circulado com esta temática é de 1968 e é uma homenagem ao Museu Nacional pelos seus 150 anos. Nesse período, consolidavam-se os passos para a profissionalização da museologia, que se desenvolvia então somente em curso ministrado no Rio de Janeiro. Coincidentemente, o último espaço a ser celebrado em selo é também o mesmo Museu, que completou seu bicentenário em 2018, mesmo ano em que a instituição, infelizmente, foi acometida por um incêndio. Em comum entre as duas emissões, está a presença da Harpia ou gavião-real, ave símbolo do Museu Nacional.

A filatelia, em 1968 e em 2018, trouxe à tona a importância desta instituição, lembrando que os museus e seus profissionais, os museólogos, são de grande relevância tanto no passado quanto no presente e, por isso, objetos de registro filatélico.

Referências:

BUARQUE, Natasha Meija. A Visibilidade das Mulheres por Meio da Filatelia Brasileira: Identificação e Problematização de Gênero no Acervo Filatélico do Museu dos Correios (1843- 2015). Trabalho de Conclusão de Curso em Museologia. UnB, Brasília: 2018.

COSTA, Luciana Ferreira da. Percurso Histórico da Formação em Museologia No Brasil. XIX Encontro Nacional De Pesquisa Em Ciência Da Informação. Universidade Estadual de Londrina. Anais Eletrônicos, Londrina, 2018.

LEI Nº 7.287, de 18 de Dezembro de 1984. Dispõe sobre a regulamentação da profissão de museólogo. Disponível em <http://cofem.org.br/legislacao_/legislacao/#lei-7287>

Fonte: Correios

Biblioteca Brasiliana cria plataforma virtual Atlas dos Viajantes do Brasil

Projeto desenvolvido na Universidade de São Paulo facilita acesso a relatos de viagens de séculos passados

Seleção de viajantes buscou cobrir uma ampla área do território brasileiro. Reprodução

Texto por Joice Santos

Escolha um viajante.” Assim começa o convite para um passeio na interface da plataforma interativa Atlas dos Viajantes no Brasil, um projeto que abarca uma coleção histórica disponível na Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da Universidade de São Paulo (USP). As viagens abrangem do Uruguai à Guiana Francesa, da costa nordestina do Brasil aos confins da Amazônia. Sobre a capital paulista, há descrições surpreendentes para os dias de hoje como esta do comerciante e mineralogista britânico John Mawe (1764-1829), datadas de outubro de 1807: “São Paulo, situada num agradável planalto, com cerca de duas milhas de extensão, é banhada, na base, por dois riachos, que, na estação das chuvas, a transformam em ilha; ligando-se ao planalto por um caminho estreito. Os riachos desembocam em largo e belo rio, o Tietê, que atravessa a cidade, numa milha de extensão, tomando a direção sudoeste”.

O Atlas dos Viajantes no Brasil foi apresentado ao público em um evento na Brasiliana em 13 de novembro por João Cardoso, curador da biblioteca, e pelo geógrafo Ian Rebelo Chaves, responsável pela elaboração dos mapas. Na ocasião, o público pode interagir com a plataforma e aprender sobre os viajantes incluídos. Segundo o curador, eles levaram em conta a diversidade em termos de nacionalidade, áreas visitadas e foco de interesse, entre outros aspectos, para definir os primeiros sete viajantes a figurar no atlas.

Em poucos cliques, na plataforma, surge o traçado percorrido pelos navegantes, entre brasileiros e estrangeiros. As narrativas estão presentes em livros, álbuns, atlas e manuscritos. Por meio deles, é possível conhecer aspectos da economia, da sociedade, da natureza e da política de séculos passados. O cotidiano da população, a rotina dos escravos, a maneira como nativos pescavam e a destreza ao se embrenhar na mata são detalhes reproduzidos nos textos selecionados do atlas.

O material produzido pelos viajantes foi selecionado e organizado de acordo com assuntos e temas pelo grupo de Cardoso. Em seguida, as informações foram usadas por Chaves para obter a localização citada por eles com base nos dados geográficos presente nos relatos. Essa parte foi importante para criar as narrativas cartográficas do caminho percorrido. Por último, desenvolveu-se mecanismos de visualização, busca, filtragem e comparação dos conteúdos.

A maioria dos trajetos passou por São Paulo Reprodução

Os viajantes

O acervo da Brasiliana tem relatos de viajantes desde o século XVI. Os primeiros selecionados – cujas narrativa se situam nos séculos XVIII e XIX – foram os naturalistas alemães Johann Baptist von Spix (1781-1826) e Carl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868), o missionário metodista norte-americano Daniel Parish Kidder (1815-1891), o médico e explorador alemão Robert Christian Barthold Avé-Lallemant (1812-1884), o ouvidor e intendente-geral português Francisco Xavier Ribeiro Sampaio (1741-1812/14), o explorador e cientista francês Charles-Marie de la Condamine (1701-1774) e John Mawe, citado no início desta reportagem.

A formação e os interesses de cada um dos viajantes tiveram impacto na forma como decidiram explorar o Brasil. “Avé-Lallemant queria conhecer as colônias alemãs no sul do país”, explica o geógrafo. Chaves contou ainda que os naturalistas Spix e Martius fizeram o trajeto mais longo, por isso especialmente interessante. Esses elementos e peculiaridades fazem parte de 1.200 obras do acervo da Brasiliana que foram pesquisadas e serviram de fonte.

O curador João Cardoso destaca que a iniciativa visou unificar e divulgar o acesso ao acervo da biblioteca. Com isso, imaginou propor essa nova experiência para os pesquisadores, professores e interessados na história e na geografia brasileiras. O projeto surgiu em 2017 e ganhou corpo com a participação de Chaves, que passou a integrar a equipe em 2018.

Para dar continuidade ao projeto, o geógrafo ressalta que será necessário apoio financeiro e a colaboração de especialistas com o aporte de ideias e a sugestão de rumos que ampliem o acesso ao material histórico da biblioteca. “Tivemos nessa primeira fase o financiamento da USP e do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social]”, conta Chaves. A parte de programação da plataforma é feita por uma empresa terceirizada.

O Atlas dos Viajantes do Brasil pode ser consultado no site da Brasiliana. Também está disponível um tutorial para uso da plataforma. Com um vasto acervo de livros e manuscritos, a biblioteca reúne o acervo doado pelo bibliófilo José Mindlin (1914-2010) e sua mulher Guita (1916-2006), que se especializou em restaurar livros. A Brasiliana foi criada em 2005 e é aberta ao público desde 2013, no campus da USP, na Cidade Universitária, em São Paulo.

A maioria dos trajetos passou por São Paulo Reprodução

Trechos de relatos de três viajantes sobre São Paulo no século XIX

John Mawe, comerciante e mineralogista britânico, em outubro de 1807

Viagens ao interior do Brasil

“São Paulo, situada num agradável planalto, com cerca de duas milhas de extensão, é banhada, na base, por dois riachos, que, na estação das chuvas, a transformam em ilha; ligando-se ao planalto por um caminho estreito. Os riachos desembocam em largo e belo rio, o Tietê, que atravessa a cidade, numa milha de extensão, tomando a direção sudoeste. Sobre ele existem várias pontes, algumas de pedra, outras de madeira, construídas pelo último governador. As ruas de São Paulo, devido à sua altitude (cerca de cinquenta pés acima da planície), e à água, que quase a circunda, são, em geral, extraordinariamente limpas; pavimentadas com grés, cimentado com óxido de ferro, contendo grandes seixos de quartzo redondo, aproximando-se do conglomerado. Este pavimento é uma formação de aluvião, contendo ouro, de que se encontram muitas partículas em fendas e buracos, depois das chuvas pesadas, quando são diligentemente procuradas pelos pobres. (…)

(…) As moléstias endêmicas não se alastram mais aqui. A varíola, a princípio, e mesmo mais tarde, dizimou grande parte da população, mas seu progresso foi dominado pela introdução da vacina. Os médicos atendiam num grande hall, pertencente ao governador, onde ficavam à disposição do público, sendo a vacinação gratuita. Espera-se que a fé nesse preventivo se difunda pelo povo, incompetente para discutir méritos da controvérsia que tanto prejudicou o emprego da vacina na Europa. (…)”

Daniel Kidder, missionário norte-americano, sobre o bairro do Ipiranga, em 1839 Reminiscências de viagens e permanências nas províncias do Brasil

Chegou finalmente o dia em que tínhamos de deixar São Paulo em companhia de diversos outros viajantes. Partimos à noite, com a intenção de pernoitar em São Bernardo. Distanciados dos companheiros, fizemos uma rápida digressão para tocar na fazenda de D. Gertrudes, no Ipiranga. Essa propriedade era uma das mais ricas e produtivas dessa senhora. Produzia pêssegos, maçãs e outras frutas comuns ao país, que, cultivadas tão perto da cidade, eram facilmente vendidas. Fabricavam também aí grande quantidade de garapa, o suco da cana de açúcar, simples, e em estado de fermentação parcial. Essa bebida é muito apreciada e usada nesta região do Brasil. Veem-se constantemente pelas ruas, mulheres com grandes potes de barro na cabeça, ou ao lado, quando sentadas, vendendo garapa. Apesar da notoriedade e produtividade dessa fazenda suas construções eram rústicas e as culturas estavam em completo desleixo, tal como nenhum português, feitor de escravos, toleraria.”

Robert Avé-Lallemant, médico alemão, em setembro de 1858

Viagem pelas províncias de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo

Cheguei a São Paulo ao meio-dia. Com um bom animal pode-se fazer comodamente o percurso de Santos a São Paulo num dia e até muito facilmente, trocando-se a cavalgadura em casa do senhor Melo, no Rio Grande. Com a troca do animal pode-se concluir muito bem a pequena viagem em dez horas.”

(…) Algumas ruas, um ou outro bairro bonitos e às vezes até magníficos; em alguns lugares, fileiras de casas assobradadas e, além disso, bom empedramento com calçadas, mas em geral ruas estreitas e a cidade absolutamente irregular.

As igrejas que vi são bonitas, algumas ornadas, no entanto nenhuma me causou grande impressão. A Faculdade de Direito dá uma boa impressão e parece-me o mais notável de todos os edifícios da cidade. (…)”

Fonte: Revista Pesquisa FAPESP

Na onda dos Audiolivros: a nova leitura que só cresce no Brasil e no mundo

Obras fonográficas estão em ascensão impulsionadas pela febre dos podcasts e pelo consumo fácil via smartphone. Editoras brasileiras possuem acervo de mais de 10 mil títulos e assinatura mensal com modelo de negócio inspirado pela Netflix

Por: 

audiolivros

Um feito histórico colocou os audiolivros em destaque este ano. Pela primeira vez, a tradicional feira do livro de Frankfurt, na Alemanha, reservou um espaço exclusivo (de 660m²) para esse tipo de obra.

Para quem ainda não conhece, os audiolivros – ou audiobooks – são as adaptações faladas dos livros convencionais. Com os aplicativos certos, o leitor/ouvinte pode baixar e ouvir o conteúdo em qualquer lugar.

De acordo com o jornal Nexo, o consumo é tendência para 2020 – e os formatos vêm se aprimorando. Além da narração tradicional, efeitos sonoros e até vozes alternativas para os personagens já podem ser encontradas.

O formato de audiolivros também permite o consumo por assinatura – algo que já acontece com as obras físicas.

Audiolivros
Foto Unsplash

AutiBooks, por exemplo, uma editora do gênero criada pelos sócios da Sextante, Intrínseca e Record, cobra R$19,90 por mês do usuário para disponibilizar um audiolivro a cada 30 dias.

Lançada em junho de 2019, a plataforma concorre com outras como UbookTocalivros e a sueca Storytel, que também têm planos com valores entre R$19,90 a R$29,90.

Atualmente, os Estados Unidos são o maior produtor e consumidor de audiolivros do mundo. O faturamento foi de US$940 milhões em 2018 e mais de 44 mil títulos lançados.

audiolivros

Audible, empresa da Amazon para o segmento, é a maior do mercado americano, inclusive com produção exclusiva de histórias para a plataforma. Segundo os dados de venda, é a ficção que faz mais sucesso, principalmente audiolivros de mistério, suspense, fantasia e ficção científica.

Para atrair ainda mais o público, as editoras contam com celebridades para narrar as histórias. Michelle Obama, ex-primeira-dama norte-americana, narrou seu próprio livro – “Minha História”–, Scarlett JohanssonMeryl Streep e Jane Fonda também já colocaram suas vozes em obras para a plataforma.

E você, já ouviu algum livro em versão fonográfica? Hora de apostar.

Fonte: Consumidor Moderno

COLUNA | QUADRINHOS: NOVAS PUBLICAÇÕES DISCUTEM PASSADO E PRESENTE DAS HQS BRASILEIRAS

Iniciativas como a Banda e o Catálogo HQ Brasil indicam que o meio dos quadrinhos no Brasil mantém a saúde, apesar dos baques econômicos e políticos enfrentados nos últimos anos

Exposição Quadrinhos no MIS, em São Paulo Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo
Exposição Quadrinhos no MIS, em São Paulo Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

Num ano de desmontes e desespero generalizado, principalmente na cultura, é um alento ver iniciativas promissoras em áreas como os quadrinhos brasileiros. Mesmo com obstáculos, por exemplo a dificuldade de acesso ao público e a crise compartilhada com o mercado editorial, de que fazem parte, os criadores e comentadores de HQs nacionais têm se articulado, exibindo vitalidade e pensamento crítico.

Há, evidentemente, um vasto grupo de artistas que, por meio da linguagem dos quadrinhos, tenta repensar nossas formas de ver e viver o Brasil e o mundo. Não é uma novidade no país de Millôr Fernandes, Henfil e Glauco. Quero destacar aqui outro tipo de iniciativa, que em 2019 ganhou um espaço talvez inédito: a reflexão sobre quadrinhos.

Uma linguagem artística, a da literatura e a do cinema, a dos quadrinhos, não vive apenas de criadores. É preciso que haja um ecossistema, um circuito de produção e repercussão, a partir do qual a criação possa se adensar e se tornar mais complexa, mais ousada (penso em algo próximo ao conceito de “sistema literário”, de Antonio Candido). Além dos artistas, portanto, é preciso que haja um público leitor dos quadrinhos, grupos de editores que os disponibilizem e uma série de críticos, dispostos a pensar de modo aprofundado sobre as novidades e as continuidades na criação.

Nesse sentido, o ano de 2019 já começou com um marco: a exposição Quadrinhos, no MIS, que, aberta no fim de 2018, buscava sintetizar a história dessa linguagem, unindo a perspectiva brasileira e a universal (apesar de predominantemente europeia e norte-americana). O público teve contato com os mais diversos autores e gêneros de quadrinhos, de diversos países e tendências, e assim pôde identificar recorrências e diálogos dentro dessa tradição global. Por sorte, não foi a única iniciativa do tipo ao longo do ano.

Agora no início de novembro, foi lançado o primeiro número da revista Banda , que resume bem as duas faces da crítica de quadrinhos em 2019. Por um lado, na figura de seus idealizadores reconhecemos vários participantes do tal ecossistema que toda linguagem artística requer. Dos quatro editores da Banda (Carlos Neto, Douglas Utescher, Gustavo Nogueira e Thiago Borges), três são jornalistas com atuação expressiva na área de quadrinhos:

Neto toca o canal Papo Zine , no YouTube; Nogueira, o site Êxodo; Borges, o blog O Quadro e o Risco. Utescher, por sua vez, é um dos donos da Ugra Press, loja e editora de HQs em São Paulo. Assim, tanto a crítica quanto a distribuição de quadrinhos estão contempladas de saída na Banda .

Por outro lado, a revista é um belo exemplo de uma iniciativa mais reflexiva. Tem entre seus objetivos situar os quadrinhos brasileiros num contexto mais amplo, o que se vê em seu slogan: “A história além dos quadrinhos”. Com o tema “Clássicos da HQ Brasileira”, a revista traz em seu primeiro número dez listas com obras que especialistas e artistas julgam incontornáveis nos quadrinhos nacionais, mas sem a pretensão de esgotar o debate. Um fio que atravessa a revista é de constante interrogação: o que significa um clássico? Pode-se falar em clássico na HQ brasileira? Que critérios utilizar? As indagações partem da efeméride de Diomedes, de Lourenço Mutarelli, um forte candidato a clássico, assim como, talvez no futuro, Marcelo D’Salete, objeto de uma reportagem. São algumas sugestões; a definição, porém, fica para outro participante do ecossistema: o leitor.

Se a exposição Quadrinhos e a revista Banda voltam o olhar para o passado, tentando entender de que modo ele pode nutrir o presente, outro marco de 2019 prefere se concentrar na atualidade: o Catálogo HQ Brasil. Editado por Érico Assis e disponível gratuitamente na internet, o livro de pouco mais de 150 páginas traz um panorama da produção de quadrinhos no Brasil de 2009 a 2018. Pretende servir de introdução, de retrato instantâneo; por isso, oferece diversas informações para que o leitor vá atrás das obras que lhe despertem a curiosidade.

Embora tenha sido encomendado para a divulgação da cultura brasileira no exterior, conforme explicita o prefácio de Luiz Alberto Figueiredo Machado (embaixador em Portugal), o livro não se confunde com uma vitrine ufanista ou patrioteira. Quem se interessar por obras de quadrinistas como André Dahmer e Raphael Salimena, Lovelove6 ou Aline Zouvi, entre outros mencionados pelo livro, logo descobrirá temáticas, críticas e procedimentos que desagradariam profundamente os setores reacionários no poder. Religião, política, história, sexualidade, opressão, humor: a última década dos quadrinhos brasileiros ofereceu de tudo, e dos mais diversos ângulos (nem sempre, ou melhor, quase nunca favoráveis).

 Somadas, iniciativas como a Banda e o Catálogo HQ Brasil indicam que o meio dos quadrinhos no Brasil mantém a saúde, apesar dos baques econômicos e políticos enfrentados nos últimos anos. Quem acompanha as HQs nacionais pode até se surpreender ao flagrar-se com esperança: com iniciativas assim promissoras, com um fortalecimento do ecossistema de produção e recepção, com a tradição rica e crítica dos quadrinhos brasileiros, com artistas veteranos e novatos que seguem criando, com tudo isso, pode até ser que estejamos assistindo a um bom momento. É melhor aproveitá-lo; são tão raros.
Fonte: ÉPOCA

“O Pasquim” faz 50 anos e ganha exposição em São Paulo

Do UOL

Capa da edição 223 de “O Pasquim” Imagem: Divulgação

A partir do dia 19 de novembro, o Sesc Ipiranga, em São Paulo, recebe a exposição “O Pasquim 50 anos”, que comemora o aniversário de meio século da primeira edição do jornal carioca fundado em 1969. Com curadoria de Zélio Alves Pinto e Fernando Coelho dos Santos, a abertura da exposição será realizada em conjunto com o lançamento da página do jornal na plataforma digital da Biblioteca Nacional, que disponibilizará todas as edições do periódico para pesquisa.

“O Pasquim” surgiu no final da década de 1960 como um projeto do cartunista Jaguar e dos jornalistas Tarso de Castro e Sérgio Cabral. Jovial e debochado, tornou-se símbolo do jornalismo alternativo durante a ditadura civil-militar brasileira, regime instaurado entre 1964 e 1985. Seu ar cômico e irreverente desafiava os preceitos morais da elite carioca.

Reportagens e artigos comportamentais que falavam sobre sexo, drogas e divórcio conquistavam leitores e promoviam discussões singulares para a época.

Responsável por realizar um jornalismo mais oralizado, o semanário ficou conhecido por suas longas entrevistas, feitas principalmente em ambientes festivos, cheias de intromissões dos colaboradores.

Batizada de “a patota”, as reuniões de pauta uniam jornalistas, cartunistas e intelectuais como Millôr Fernandes, Ziraldo, Jaguar, Chico Buarque, Ivan Lessa, Paulo Francis, Vinícius de Moraes, Glauber Rocha, Odete Lara, Carlos Prósperi, Sérgio Augusto, Henfil, Fortuna, Cacá Diegues, Miguel Paiva, Carlos Leonam, entre tantos outros.

Para Fernando Coelho dos Santos, um dos curadores da exposição, “a seleção dos trabalhos que compõem a exposição propõe um olhar na trajetória desse periódico de humor através da história dos costumes e da política brasileira, tendo como protagonistas autores geniais que, mesmo nas dificuldades, mantiveram o jornal rodando.”

A exposição

Definida como uma exposição “eminentemente gráfica” por Daniela Thomas, cineasta e cenógrafa que assina a expografia junto a Felipe Tassara e Stella Tennenbaum, a história do semanário ocupa toda a unidade com diferentes formatos.

Na área de convivência, destinada principalmente a leitura e encontro, a intervenção “O Som do Pasquim” traz discos de vinil lançados ao longo da história do jornal. Com fones de ouvidos e banquinhos, a estrutura apresenta obras como a primeira gravação de Águas de Março, de Tom Jobim, produção que lançou João Bosco no lado B; Caetano Veloso lançando Fagner; Jorge Bem e Trio Mocotó com participação de Leila Diniz; entre outros. Além disso, o visitante pode ouvir o LP Anedotas do Pasquim com piadas contadas por Ziraldo, Chico Anisio, Golias e Zé Vasconcelos.

Detalhe de ilustração publicada em “O Pasquim” Imagem: Divulgação.

Ainda no espaço, uma Linha do Tempo proporciona uma viagem entre 1969 e 1991, ano da última publicação do periódico, com 50 capas e textos complementares.

O quintal do Sesc Ipiranga recebe diferentes intervenções: As Máximas do Pasquim, coletânea de frases lema que foram publicadas em todas as edições, entre elas “Pasquim, um jornal a favor do contra” e “Na terra de cego quem lê Pasquim é rei” ocupam a parede do solário.

Estruturas giratórias que apresentam quadrinhos de diferentes artistas também são destaque na exposição. Cerca de 12 produções inéditas trazem Histórias da Patota contadas por artistas como Paulo Caruso, Luiz Gê, Miguel Paiva e Pryscila Vieira.

Na área superior, a Praça de Ipanema relembra o famoso bairro carioca onde o “Pasquim” nasceu e fez sucesso.

No galpão da unidade, uma redação com 26 rotativas de diversos trabalhos publicados é recriada para o público imergir na realidade do periódico. Uma mesa-vitrine traz fotos, livros e revistas selecionados pela curadoria. Além disso, os visitantes também podem ouvir histórias dos colaboradores em um telefone e redigir suas ideias em uma máquina de escrever.

Edição número 28 de “O Pasquim” Imagem: Divulgação.

Em frente à principal área expositiva, o espaço Turma do Pasquim exibe cerca de 33 integrantes da patota em homenagem aos mais de 4.000 colaboradores do jornal. Nomes como Millôr, Chico Buarque, Caetano Veloso, Vinicius de Moraes, Jô Soares e Elke Maravilha são representados em tamanho real, acompanhados por uma curta biografia.

Também na área externa, A Gripe do Pasquim revive o momento em que 11 integrantes do semanário foram presos. O motivo da detenção teria sido uma brincadeira. Na 71ª edição, o quadro “Independência ou Morte”, de Pedro Américo, apresentado entre os conteúdos daquele número, ganhou um balão sobre a cabeça de Dom Pedro 1º que dizia: “Eu quero mocotó! “. Nesse espaço, serão apresentadas histórias da patota no “tempo de xilindró” através de vídeos, cartuns censurados e diversos outros registros.

Outras duas salas brincam com as diferentes formas com as quais os redatores trabalhavam as temáticas da época. Na sala Pasquim Ativista, cartazes e placas com frases cobrem as paredes e rememoram o comprometimento do semanário com assuntos como a sustentabilidade, anistia e as Diretas Já. O segundo espaço, denominado Pasquim Incorreto, é composto por módulos que lembram monóculos e traz recortes de diversos conteúdos que fizeram parte da publicação, com a proposta de que sejam vistos pelas lentes do passado e provoquem reflexões sobre o presente.

Sobre a plataforma

Em conjunto com a exposição, a Fundação Biblioteca Nacional lança um site dedicado ao semanário. Além de todas as 1.072 edições digitalizadas, a plataforma possibilita a pesquisa no conteúdo por meio de palavras-chaves. O trabalho de digitalização levou mais de um ano e teve o apoio da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e do cartunista Ziraldo, que cederam exemplares para completar a coleção da Biblioteca Nacional, além da colaboração de Fernando Coelho dos Santos com a produção de conteúdo.

A plataforma conta também com uma seção de “memórias”, com textos produzidos por colaboradores do “Pasquim” e índices de seções do jornal, trazendo uma nova experiência para o público. Foram identificados mais de 4.000 mil colaboradores e mais de 200 seções ao longo dos 22 anos em que o “Pasquim” circulou.

Digitalizadas e disponíveis no portal de periódicos da Biblioteca Nacional – a Hemeroteca Digital Brasileira -, a plataforma integra um acervo de mais de 7.000 mil títulos históricos em formato digital.

Serviço

Abertura: dia 19 de novembro de 2019, às 19h

Visitação: 20/11 de 2019 a 12/4 de 2020

Horário: terça à sexta-feira, de 9h às 21h30. Sábados, de 10h às 21h30.

Domingos e feriados, de 10h às 18h30.

Endereço: Sesc Ipiranga – Rua Bom Pastor, 822 – Ipiranga.

Telefone: (11) 3340-2000.

Fonte: UOL

Quando Surgiram Os Mangás?

Saiba tudo sobre a origem dos mangás e aposte nas informações desse artigo para se envolver nesse universo artístico único!

Quando Surgiram Os Mangás?

Os clássicos mangás são datados de muito tempo atrás e, a cada ano, se reinventam mais e mais a fim de atingir a todos os públicos amantes desse tipo de leitura, que é advinda do Japão.

Mas você sabe quando foi que surgiram os mangás? Sabendo mais sobre eles, a inspiração que você precisava para buscar os melhores de seu gênero favorito estará logo abaixo!

Confira tudo sobre esse estilo de leitura que, até mesmo em termos de estrutura, é diferente de todo o conceito ocidental de entretenimento literário e aposte nele!

Quando Surgiram Os Mangás?

Surgimento dos mangás

Para saber, de fato, tudo o que é preciso ter em mente sobre os mangás, é necessário ter em mente alguns fatores:

  • Origem e surgimento dos mangás
  • Características desse estilo de leitura
  • A relação entre imagem e leitura
  • O típico exagero
  • Estilos de mangá

Cada um desses pontos será especificamente abordado abaixo – então fique de olho para não perder nenhuma informação importante e para começar a apostar nessa opção hoje mesmo!

Origem e surgimento dos mangás

Os mangás surgiram na época feudal, sendo advindos dos chamados “teatros de sombra” japoneses.

Quem deu início aos primeiros títulos conhecidos foi o grupo de viajantes que saia e voltava para o país, carregando consigo as lendas e aprendizados contidos em seu caminho.

Aos poucos, essas histórias e lendas foram ganhando popularidade e passaram a ser, de fato, registradas, mas não da forma que as conhecemos hoje.

Na época, os mangás possuíam um teor apenas ilustrativo e, para que sua narrativa se enquadre na disseminada no século XXI, é preciso retornar ao século XX.

Foi apenas no século XX que as primeiras impressões de histórias publicadas foram feitas – passando a serem vistas como tradições pelo povo japonês.

Portanto, ainda que existam registros relacionados ao mangá desde o feudalismo, ele só ganhou o formato pelo qual é conhecido hoje no século XX.

Características desse estilo de leitura

Sabendo de onde vieram os mangás, alguns leigos podem se perguntar, de fato, o que são eles.

Mangás são histórias em quadrinhos que falam de todo e qualquer tema que você possa imaginar, inclusive de uma série de temáticas que, posteriormente, ganharam espaço como animes populares.

O que torna o mangá único em relação a outros tipos de quadrinhos é uma junção de sua estrutura, que é lida de forma completamente diferente da leitura ocidental (de trás para a frente e da esquerda para a direita e sua relação entre imagem e leitura.

Quando Surgiram Os Mangás?

A relação entre imagem e leitura

Um mangá não possui uma estrutura fixa para que seja considerada uma peça desse tipo.

Ele pode ter quantos quadrinhos e desenhos o autor desejar. Porém, para que seja considerado um mangá, é preciso que ele faça a tradicional relação entre imagem e leitura.

Essa relação é muito importante para a cultura japonesa em função de sua própria escrita, uma vez que cada kanji representa uma palavra diferente.

Isso faz com que haja uma relação direta entre a imagem e a palavra escrita. Essa linearidade poderá sempre ser encontrada por leitores de mangá!

O típico exagero

Além de todos os detalhes acima dados, também é importante enfatizar o “exagero” dado aos personagens e as situações vividas por eles.

Justamente por conter uma extensa relação entre palavra e imagem, o exagero se mostra uma forma de expressão única e característica dos mangás.

Estilos de mangá

Existem dezenas de mangás diferentes que podem ser lidos por seus fãs. Basta escolher um gênero e é certo que você será rodeado de infinitas opções! Se você se interessou por esse tipo de arte, dê uma chance a ela e confira por si só sua unicidade!

Fonte: Portal Nerdsite

Las claves para la verdadera transformación editorial y digital de los periódicos

Según Jean Christophe Demarta, Senior VicePresident Global Advertising en The New York Times, la publicidad digital nunca llegará a pagar un periodismo de calidad.

periódicos

Con la revolución digital, los medios en papel se vieron obligados a transformarse para continuar dando respuesta a un consumidor que cambió de manera notable su forma de acceder al contenido.

Para hablar sobre esta transformación editorial en un referente internacional como The New York Times, Jean Christophe Demarta, Senior VicePresident Global Advertising del medio, ha acudido al encuentro organizado por la Asociación de Directivos de Comunicación, Dircom, en la Universidad CEU San Pablo de Madrid.

Durante el evento, se ha puesto de manifiesto la importancia de contar con gente joven en los medios y profesionales capaces de crear un contenido visual y atractivo para su audiencia. “Los periódicos no morirán cuando lo hagan sus actuales lectores, pero hay que sumar jóvenes periodistas con visiones nuevas a las redacciones”, ha enfatizado.

El universo digital supone un gran reto para los medios tradicionales, por lo que Demarta no ha dudado en hablar de desafíos durante su intervención. El primero, la propagación masiva de fake news, un frente abierto que The New York Times está dispuesto a erradicar. “Es muy difícil y complicado hablar de este tema. Incluso nosotros mismos, como medio, hemos sido calificados de fake news”, ha confesado. Para combatir esta “sombra digital”, el conocido periódico centra gran parte de su trabajo en la verificación de los datos.

“Hay que mantenerse fiel a tu promesa de marca”

“En 2017, el mercado empezó a reconocer que un cambio de modelo económico para un medio de información basado en la suscripción de contenidos de calidad era necesario y que la información gratuita no tenía sentido”, ha dicho el experto de The New York Times. Un modelo de negocio que ha demostrado funcionar, registrando ya 4,7 millones de suscripciones de pago.

Para poder centrar los esfuerzos en la consecución de una verdadera información de calidad, Jean Christophe Demarta, ha destacado como crucial que la principal fuente de financiación para un medio no sea la publicidad. “Es un mito pensar que la publicidad digital puede llegar a pagar únicamente un periodismo de calidad. No es cierto”, ha asegurado.

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“Hay que mantenerse fiel a tu promesa de marca, crear historias que se adapten a todas las plataformas, hacerlo interesante, visual y con movimiento, y fomentar la interacción de los lectores”. Según Demarta, la tendencia de financiación de los medios se centra en el branded content, y no tanto en la publicidad tradicional.

En el acto han participado también Natalia Pérez Velasco, directora del Grado de Periodismo en la Universidad CEU San Pablo, y Eduardo Bartolomé, vicepresidente de Dircom y director de Comunicación y Relaciones Institucionales de Siemens.

Exposição Batman 80 abre em SP com imersão na jornada do homem-morcego

Texto por Osmar Portilho

Fãs do homem-morcego têm um refúgio garantido em São Paulo até o dia 15 de dezembro. Aberta hoje ao público no Memorial da América Latina, em São Paulo, a exposição Batman 80 propõe uma jornada dos fãs de Bruce Wayne desde os quadrinhos, passando por TV, cinema e games.

“O que nós construímos foi uma homenagem à altura da importância de um personagem como o Batman. Criamos uma experiência imersiva para fãs e também para o público geral conhecer mais sobre o homem-morcego, seu universo e como ele evoluiu ao longo desses 80 anos”, disse Ivan Freitas da Costa, curador da exposição.

A pompa da mansão Wayne

Esqueça as catracas: a entrada da Batman 80 é uma rica porta de madeira. Ao atravessá-la, você se depara com uma reprodução da luxuosa mansão Wayne, onde você pode contemplar a longa mesa de jantar, bisbilhotar a biblioteca de Bruce ou se sentar próximo da lareira. É claro: toda a cenografia é acompanhada por quadrinhos raros, brinquedos antigos muitos itens invejáveis de colecionadores.

Batcaverna e os vilões

Deixando o luxo para trás, a reprodução da Batcaverna usa todo o potencial tecnológico do tema passear pela evolução de Batman em todas as mídias possíveis. Na sequência, um longo corredor passeia pelas celas do asilo Arkham com os principais rivais de Batman: são fichas técnicas e totens interativos com as vozes de cada um deles.

Enquanto Bane, Charada e outros têm destaque menor, Arlequina, Mulher-Gato e Coringa ganharam espaços com mais ativações. O espaço destinado ao arquirrival de Batman, inclusive, tem a sala mais legal entre todas. As icônicas risadas de A Piada Imortal estampam todas as paredes, que exibem brinquedos, miniaturas e referências para todos aqueles que interpretaram o personagem. A missão aqui de criar um perturbador covil de Coringa foi realizada com êxito: espelhos distorcidos, armadilhas e uma parede cheia de bonecas. Bizarro! E legal demais também.

O encontro com o homem-morcego

É natural que os inimigos de Batman ocupem um espaço tão grande da exposição, afinal, eles são vitais para a criação da saga e são donos de personalidades mais marcantes que do próprio Bruce Wayne no imaginário dos fãs. Além de passear, pela mansão Wayne e Batcaverna, a Batman 80 também nos coloca em locais clássicos: que tal encontrar o comissário Gordon no teto da delegacia com o Batsinal apontado para o céu escuro de Gotham? Está lá. Os encontros com homem-morcego acontecem em diversos pontos da jornada, mas ganha um tom apoteótico ao se deparar com uma estátua gigante do super-herói na despedida da exposição.

Serviço: Batman 80 – A exposição

Data: de 5 de setembro a 15 de dezembro de 2019
Local: Memorial da América Latina | Espaço Multiuso | Portões 8, 9 e 13
Avenida Auro Soares de Moura Andrade, 664 (Zona Oeste), São Paulo, SP, 01156-001
Estação Barra Funda do Metrô
Estacionamento pago no local.

Ingressos

Terça a Sexta: R$ 35,00 inteira e R$ 17,50 meia
Sábados, Domingos e Feriados: R$ 45,00 inteira e R$ 22,50 meia
Meia-entrada para estudantes, idosos, professores e portadores de necessidades especiais conforme legislação vigente
Entrada gratuita para crianças até 4 anos
Ingressos com hora marcada à venda no site www.batman80expo.com.br e na bilheteria do Memorial.

Fonte: UOL

São Paulo em quadrinhos – Cidade e identidade

Bairro da Liberdade é um dos principais destinos turísticos de São Paulo e marcado pela presença de imigrantes e descentes de japoneses que começaram a chegar a partir do início do século XX, seguidos por coreanos e chineses. Um fato pouco conhecido é que a história do bairro começa como um bairro negro, uma área periférica, antes denominado Bairro da Pólvora.  A Praça da Liberdade se chamava Largo da Forca até 1891 por ser cenário de execuções de escravos e criminosos, e foi palco de revoltas como na execução do soldado Chaguinhas. O nome dado à praça  eventualmente se estendeu à todo o bairro.

Onde hoje passam as ruas Galvão Bueno, Glória e a Rua dos Estudantes era onde se localizava o cemitério público, para onde iam esses corpos. Para os condenados o trajeto era Igreja dos Aflitos, Largo da Forca, Igreja dos Enforcados (onde eram velados) e o cemitério público. Posteriormente foi criado o atual Cemitério da Consolação, para onde foram transferidos muitos desses corpos e abriram-se ruas e avenidas, ocupadas pela população. Inicialmente os imigrantes japoneses foram se fixando por lá graças aos preços baixos de aluguéis. Quem vê as ruas hoje ocupadas por restaurantes, lojas das mais variadas, não imagina que até pouco tempo atrás ainda se encontravam ossadas de escravos nas construções que eram levantadas na região.

Quadrinhos sobre a Liberdade

Na busca de entender sua própria identidade, a autora Marilia Marz desenvolveu um trabalho de história em quadrinhos contando a história desses encontros de culturas no Bairro da Liberdade. Ela traduz a caminhada como prática estética através de sua percepção da cidade de encontro com sua narrativa pessoal. Após voltar de um intercâmbio ela se viu confrontada com essas questões e decidiu pesquisar mais a fundo esses encontros que permeiam sua vivência na cidade. O quadrinho além de um traço muito marcante pelo viés arquitetônico também pode ser lido de duas maneiras (a encadernação permite que ele seja lido tanto de um lado como de outro) onde seu início e fim se encontram.

“Como foi o meu primeiro quadrinho grande, criar uma narrativa pessoal foi algo muito natural, acredito que até mais fácil do que se fosse de outro ponto de vista. Mesmo assim, como a HQ fala de um tema que sempre me causou muitos questionamentos e sofrimento, às vezes foi muito difícil de encarar tudo isso, mas acho que acabou sendo a melhor coisa que eu poderia ter feito por mim mesma e pelo trabalho. Por outro lado, a parte da narrativa sobre o Bairro da Liberdade também foi muito gratificante de desenhar e criar, foi tudo o que eu sempre quis dizer para aquele lugar, que é tão importante para mim. “

Quem é Marília Mars?

Marília Marz é ilustradora e quadrinista de São Paulo. Autora do quadrinho Indivisível, ela possui uma produção intensa de tirinhasquadrinhos e designIndivisível é resultado do seu trabalho de conclusão de curso (2017) e foi selecionado pelo prêmio da convocatória Des.gráfica (feira de quadrinhos e publicações  independentes com curadoria de Rafael Coutinho, realizada pelo MIS – Museu da Imagem e do Som e 2018, que ganhou impressão única de 50 unidades com capa em serigrafia.

O quadrinho fez bastante sucesso no seu lançamento na feira e a autora decidiu então reeditá-lo por conta própria e cobrir os custos de impressão por financiamento coletivo (crowdfunding) por campanha no Catarse . Encerrada em 4 de junho deste ano com  128% da meta. Essa edição além de conter material inédito como rascunhos e outros desenhos, também trará a parte teórica do TCC, e será possível ter acesso a todo o seu processo de pesquisa, suas referências históricas e conhecer mais sobre seu processo criativo.

A invisibilização histórica

Outro aspecto a ser abordado nesta edição é a mudança de nome da estação Liberdade do Metrô-SP para Liberdade-Japão (24 de julho de 2018) por meio de decreto do governador Márcio França. Essa decisão foi tomada sem que houvesse qualquer tipo de discussão aberta sobre a necessidade de mudança ou quais interesses seriam atendidos e ignora a existência de comunidades não-nipônicas e tão diversas, presentes no bairro e que constróem a história da cidade de forma tão singular.

A invisibilização histórica dessas comunidades que reivindicam sua existência em episódios tão violentos como execuções em praça pública, revoltas populares, imigração motivada por guerra ou por melhores condições de vida é novamente institucionalizada e reafirmada por uma decisão vertical, focada em uma única narrativa excludente. Marília como pesquisadora fala que teve dificuldade em encontrar material em vista dessas práticas:  “foi difícil justamente por conta do apagamento sistemático da memória negra da cidade, da história e, por consequência, dos livros. Isso me fez recorrer à história oral como fonte válida para o trabalho. Por conta desse apagamento histórico, acho que o meu maior desafio na verdade foi traçar a linha entre realidade e ficção, principalmente porque estava fazendo um trabalho acadêmico, então não sabia muito bem o que me seria permitido e válido. No final das contas, minha orientadora acabou me incentivando muito a criar a minha própria narrativa e encarar o trabalho como ficção (o que faz total sentido), ainda que ficção histórica. A partir daí tudo fluiu muito bem, mas tive algumas inseguranças e dúvidas em relação a isso no começo”

Eventos e outros projetos

Esse ano a autora estará presente na Comic Con Experience pela primeira vez e lá será possível adquirir o volume do Indivisível revisto e atualizado e da campanha do Catarse. A autora ainda irá participar de outros eventos de quadrinhos e publicação independente e pretende lançar o volume em evento próprio mas ainda com data a confirmar. É possível acompanhar o trabalho dela em seu site e  pelas redes sociais Twitter e Instagram. Sobre a possibilidade de novos trabalhos, a autora conclui: “Tenho sim vontade de fazer mais trabalhos assim, principalmente sabendo que o Bairro da Liberdade é só um dos vários lugares de São Paulo que guarda uma memória negra muito rica e, infelizmente, quase invisível. Me interesso muito por narrativas que falem sobre a cidade, mas por hora quero tentar algo mais fictício e atual, sem cunho histórico – mesmo se for para tratar de temas similares.”

Fonte: Freakmarket

O negro nos quadrinhos do Brasil, da Editora Peirópolis, está à venda

O livro O negro nos quadrinhos do Brasil (formato 17 x 24 cm, 344 páginas), do professor e escritor Nobu Chinen, é um lançamento da Editora Peirópolis.
Texto por Marcelo Naranjo

A obra é fruto de minuciosa pesquisa, buscando compreender a construção da imagem do negro nas narrativas gráficas, desde as artes visuais em seus primeiros registros da presença dos africanos no Brasil, sequestrados e escravizados para servir ao propósito colonizador, até a produção atual, do mainstream às HQs autorais.

Ao mesmo tempo em que expõe, como o próprio autor diz, “a verdadeira face de um país preconceituoso e racista, mas que resiste em admitir essa característica”, Nobu promove um justo resgate de parte importante de nossa historiografia, em que a crescente, porém insuficiente, marca de autores negros vem influenciando positivamente a forma de representação do negro nessa mídia, restituindo-lhe o papel fundamental na formação de nosso país como nação política independente.

Dois eventos vão marcar a publicação deste estudo inédito sobre as mídias e a questão étnico-racial: uma sessão de autógrafos no dia 22 de agosto, às 19h, durante as 6as. Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos, evento que reúne cerca de 400 pesquisadores da área na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, e, no sábado, dia 31 de agosto, a partir das 16h, na Ugra Press (Rua Augusta, 1371 – Loja 116), em São Paulo/SP.

O livro está à venda nas versões impressa (R$ 72,00) e e-book (R$ 43,20). Confira outras informações no site da editora.

Fonte: UNIVERSO HQ

Como os portais de conhecimento médico auxiliam na tomada de decisão clínica

conhecimento médico

Ferramentas podem otimizar custos, manter profissionais atualizados e evitar erros de procedimento

Os portais de conhecimento médico são ferramentas de comunicação que levam conteúdo, informação e atualização aos profissionais de saúde e, sobretudo, focam em ajudar na promoção da segurança do paciente. O objetivo é amparar a decisão clínica, tornando-a mais eficiente e, consequentemente, melhorando a eficiência operacional. 

Esses recursos – que sistematizam informações médicas baseadas em evidências científicas –  permitem, entre outras coisas, otimizar o uso de medicamentos, melhorar a efetividade de tratamentos, além de evitar erros de procedimento, graças ao acesso às pesquisas globais, informações atualizadas sobre fármacos e a emissão de alertas quando atrelados ao prontuário eletrônico do paciente.

Alexandre Erik Costa, gerente de contas da MV, explica como portais como Wolter Kluwers Health (que inclui as soluções Lexicomp e UpToDate), Clinical Key e Micromedex, entre outros, auxiliam na tomada de decisão clínica e na gestão hospitalar.

Os principais resultados esperados aparecem na sequência.

  • Acesso a pesquisas atualizadas: os portais de conhecimento médico se baseiam em dois tipos de soluções de apoio à decisão clínica. Uma delas dá acesso a pesquisas científicas atualizadas sobre doenças e tratamentos Por exemplo: um médico que está com um caso de microcefalia em mãos poderá acessar uma base de dados de estudos científicos que mostrará as pesquisas mais recentes sobre o assunto, assim como os tratamentos mais difundidos.  “O médico consegue fazer muito rapidamente uma pesquisa sobre o caso clínico que ele está estudando. Consegue pesquisar não somente dados básicos sobre a doença, como também informações atualizadas dos últimos trabalhos publicados sobre a enfermidade”, explica Costa.
  • Dados sobre remédios e interação medicamentosa: a base de fármacos é a ferramenta pela qual o profissional de saúde pode ter detalhes sobre os medicamentos prescritos e suas reações adversas e toxicologia. Por meio dela, é possível analisar a administração e dosagens adequadas para diferentes casos, ter acesso a advertências e precauções, bem como avaliar o conteúdo clínico, tais como diretrizes de prática clínica e a compatibilidade com a base de dados da farmácia clínica. A solução ainda detalha as interações medicamentosas – droga a droga, droga alimento, droga via de aplicação, droga idade, droga sexo -, além de indicar se a medicação prescrita pode ser administrada com outra e se vai causar reação adversa ou não.
  • Criação de indicadores:  para o gestor, trabalhar com portais de conhecimento médico é uma forma de criar indicadores hospitalares que servirão de referência para a assistência e, com isso, ganhar tempo em decisões estratégicas. “O primeiro impacto da informatização dos sistemas é operacional, mas como todas as informações de alertas são salvas e gravadas no sistema, o gestor pode criar indicadores clínicos relacionados aos alertas, de forma que ele possa treinar melhor a equipe. A princípio, indiretamente, ele pode criar visões e indicadores baseados nesses alertas e, a partir disso, tomar decisões que melhorem processos”, diz Costa.
  • Alertas do prontuário eletrônico: como são muitos os tipos de interações, o importante é que elas apareçam em formas de alertas quando sincronizadas com o prontuário eletrônico do paciente (PEP), para se ganhar tempo e eficiência na hora do atendimento. Para Costa, integrar esses bancos de dados com o prontuário eletrônico do paciente ajuda, sobretudo, o médico e o gestor a economizar tempo na hora de adotar um diagnóstico e um tratamento do paciente. “Em vez de o médico ir atrás da informação, o sistema já traz informação quando o sistema identificar que existe algum tipo de interação. A própria fornecedora é a responsável por alimentar e manter as bases. Com toda essa base integrada ao prontuário eletrônico, o médico tem ações bem simples a partir dos alertas enviados pelo PEP”, afirma.
  • Menos erros médicos: o cruzamento dos bancos de dados com o PEP aumenta a chance de se evitar erros médicos na administração de medicamentos ou de promover reações adversas perigosas. Isso porque todos os profissionais envolvidos terão acesso a todas as informações em mãos para tomar a melhor decisão. Pode-se, então, manter o tratamento usando outra droga, em virtude das consequências. Caso o hospital trabalhe com a farmácia clínica, ela vai conseguir visualizar os alertas vindos do PEP e a justificativa do médico para aquela prescrição. Ele tem essa segurança”, afirma Costa. A farmácia hospitalar também consegue observar os alertas e entender por que o médico –  mesmo com o alerta das informações, tanto da base de fármacos quanto de conhecimento, disponíveis no sistema –  optou por seguir informações e prescrever determinados fármacos.

Entenda como funcionam os portais

A empresa holandesa Wolter Kluwers Health fornece os dois tipos de soluções: a base de pesquisa UpToDate, que oferece informações e estudos mais recentes sobre diversos diagnósticos; e a Lexicomp, a base de fármacos que fornece dados sobre medicamentos de forma geral, além das interações medicamentosas. Tais informações podem ser acessadas online, em smartphones e tablets, e através da integração com EHRs (Eletronic Health Records ou registros eletrônicos de saúde)e outros sistemas de informações clínicas.

Outra ferramenta, a ClinicalKey, da Elsevier (editora de literatura médica), mantém uma base de dados de pesquisas, livros e periódicos médicos para consulta, nos mesmos moldes citados acima, sem, no entanto, uma base de fármacos.

Já a Micromedex, solução da norte-americana Truven Health Analytics, tem funcionalidades bastante abrangentes. Ela é a fornecedora de informações médico-científicas, de medicamentos, toxicologia e exames, integradas ao Sistema de Informatização Hospitalar (SIH), baseadas em uma extensa fonte de conhecimento e de interações. Por meio da ferramenta também é possível monitorar os diversos tipos de interações medicamentosas e ainda a possibilidade de vigilância em tempo real dos pacientes em risco.

Fonte: MV

PORTAL SOBRE ACESSIBILIDADE NAS BIBLIOTECAS

Fonte de informação para auxiliar os profissionais da informação para o atendimento das necessidades informacionais de pessoas cegas nas bibliotecas.

Esse Portal tem como objetivo apresentar as principais normas, legislações, tecnologias assistivas, publicações e demais orientações para os profissionais da Biblioteconomia no que tange à acessibilidade para pessoas com deficiência visual.

No Brasil, a acesso à informação e à educação são direitos constitucionais previstos na Constituição Federal que estabelece:

Art. 5º – Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza … [e] é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação […]. Inciso XIV – É assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional. (BRASIL, 1988).

Para assegurar e fortalecer ações para a concretização dos direitos constitucionais, a exemplo do acesso a informação e a educação citados acima, em 2015 a ONU firmou junto aos chefes de Estado e de Governo e altos representantes, inclusive o Brasil, 17 novos objetivos de desenvolvimento sustentável global para o plano de ação da Agenda 2030 que visa “Concretizar os direitos humanos de todos e alcançar a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres e meninas. Eles são integrados e indivisíveis, e equilibram as três dimensões do desenvolvimento sustentável: a econômica, a social e a ambiental” (ONU, 2015).

A Agenda 2030 é um plano de ação que “[…] corresponde à um conjunto de programas, ações e diretrizes que orientarão os trabalhos das Nações Unidas e de seus países membros rumo ao desenvolvimento sustentável” (ONU, 2017) inclusive para as pessoas, o planeta e para a prosperidade.

Dentro da Agenda 2030, o objetivo 16 aborda “Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, facilitar o acesso à justiça para todos e criar instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis”. Dentro deste, o item 16.10 orienta para “Assegurar o acesso público à informação e proteger as liberdades fundamentais, em conformidade com a legislação nacional e os acordos internacionais”.

Para as bibliotecas, estes objetivos contribuem para o desenvolvimento e implementação de estratégias para eliminar barreiras de acesso à informação das pessoas com deficiência. O objetivo 16 evidencia a necessidade da atualização e adequação dos espaços e serviços das bibliotecas como também da formação de competências profissionais do bibliotecário.

Dessa forma, surgiu a ideia de desenvolver esse Portal para que ele seja uma importante fonte de informação para os bibliotecários e bibliotecárias adequarem os espaços e serviços das bibliotecas e demais unidades de informação de acordo com as normas e legislações vigentes sobre acesso à informação das pessoas com deficiência visual.

O Portal é um dos resultados da pesquisa desenvolvida no mestrado profissional em Gestão de Unidades de Informação realizado no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Gestão da Informação da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC).

A pesquisa completa está publicada na dissertação intitulada A OFERTA DE UM SERVIÇO INFORMACIONAL ACESSÍVEL PARA ESTUDANTES CEGOS POR MEIO DE UM PROGRAMA PARA DESENVOLVIMENTO DA COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS desenvolvida por mim e orientada pela professora Daniela Spudeit entre 2017/2019.

Arlete Ferreira da Silva

Fonte: Gestão do PPGInfo – Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)

Conheça a ‘Lesboteca’, a biblioteca livre das lésbicas

Texto pLiteraturor Gabriela Glette

Se a visibilidade feminina continua sendo muito inferior à masculina na sociedade patriarcal em que vivemos, o que falar das lésbicas? A sexualidade da mulher ainda é considerada tabu e prova disso é a dificuldade em se encontrar literatura lésbica de qualidade. Por isso, a bibliotecária Débora Mestre criou o site site “Lesboteca”.

Amara Moira

Em menos de 6 meses de criação, o site já reúne mais de 120 obras, entre elas contos, romances, biografias e até mesmo histórias em quadrinhos. Inclusive, quem quiser indicar obras, mesmo que não seja de sua autoria, pode entrar em contato com o site.

Hoje muito se discute sobre feminismo e direito das mulheres, mas ainda falta muito para alcançarmos a representatividade total. Por isso, diversas autoras fazem releituras de histórias clássicas, como “Romeu e Julieta”, que acabou sendo transformado em “Julieta e Julieta”. Iniciativa incrível, que tem tudo para continuar crescendo!

Fonte: Hypeness

Quadrinhos: gênero se reinventa com maior uso na educação e abordando temas adultos

Texto por Bernardo Almeida
“Considero quadrinhos parte da literatura, vários teóricos e o senso comum tenham uma tendência em separar”, diz Carol Cunha
“Considero quadrinhos parte da literatura, vários teóricos e o senso comum tenham uma tendência em separar”, diz Carol Cunha 

Os exemplares tornaram o romance gráfico “Dom Casmurro de Machado de Assis” no livro mais requisitado por professores da rede pública de ensino dentro da vertente literária do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD Literário) em 2018, voltado para alunos da 1ª a 3ª séries do Ensino Médio.

A adaptação foi feita em 2011 pela editora Nemo – braço de histórias em quadrinhos da editora Autêntica – com ilustração de José Aguiar e roteiro de Wellington Srbek, que já havia adaptado “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, outro romance machadiano, um ano antes.

Srbek frisa que a adaptação para as salas de aula não tem objetivo ou pretensão de substituir a original, publicada pela primeira vez em 1899. “Trata-se de uma releitura, homenagem que fazemos ao grande autor e à obra original”, diz. “Os quadrinhos têm grande apelo para o público jovem, e o diálogo entre imagens e palavras contribui para que os jovens mergulhem na narrativa, potencializando o despertar do interesse pela leitura e também a formação de novos leitores”, pondera.

É a mesma compreensão do presidente da Associação Nacional de Livrarias (ANL), Bernardo Gurbanov. “Esse formato constitui uma porta de entrada para o mundo da leitura e da imaginação, um convite ao conhecimento”.

Para Gurbanov, a “aproximação da literatura em forma simplificada e ilustrada é importante para os jovens que, muitas vezes, praticam um tipo de leitura fragmentada, não aprofundando o suficiente para ler obras mais consistentes, porque além de imaginação, a leitura requer o esforço da concentração”.

A tática é ainda mais válida ao levar os jovens a buscar o texto original, garante Célia Abicalil Belmiro, pesquisadora do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita da UFMG (Ceale). No entanto, ela destaca que é importante manter a essência da obra, apesar da linguagem mais acessível, que cativa o público. “Não fica bom quando o objetivo é facilitação, sem a preocupação com o pano de fundo e o enquadramento que se dá, porque aí você perde a densidade literária. Tão importante quanto a história em si é o modo como se conta essa história”, analisa.

Romances gráficos

As histórias em quadrinhos são mais comumente associadas aos gibis de super-heróis, narrativas infantis e assuntos cômicos, como o espaço ocupado por quadrinistas em jornais.

Desde a década de 1970, no entanto, os quadrinhos passaram por uma legi-timação cultural, e com a nomenclatura de graphic novels (romances gráficos, em inglês) adentraram espaços mais nobres, explica o coordenador do Observatório de História em Quadrinhos da USP, Waldomiro Vergueiro.

“O que se tinha antes era de que a linguagem dos quadrinhos só fosse adequada para assuntos de menor importância e para pessoas sem a mesma capacidade de leitura. E podem ser usadas assim, mas não há nada que impeça os quadrinhos de tratar assuntos como holocausto, suicídio ou questão de gênero”, ratifica, lembrando da HQ Maus, de Art Spielgeman, agraciada com o prêmio Pulitzer em 1992.

O termo graphic novel foi popularizado por Will Eisner. É um recorte dentro do universo das HQs, em formato de livro e com histórias fechadas, na maioria voltadas para um público adulto e com conteúdo mais denso.

“Os HQs deixaram só o espaço das bancas e foram para as livrarias, bibliotecas públicas e acadêmicas, congressos acadêmicos e exposições”.

A tendência de tratar temas densos nas HQs tem se consolidado, mas o gênero ainda sofre com certa resistência para não ser equiparado à literatura geral. É o que lembra Carol Cunha, professora da escola de artes visuais Casa dos Quadrinhos. “Em 1991, Neil Gaiman ganhou o prêmio literário World Fantasy Award de melhor história curta pela edição 19 da HQ Sandman. Foi a primeira e única vez em que uma HQ conquistou esse prêmio, e no ano seguinte, as regras do concurso foram mudadas para isso não se repetir. Uma pena!”.

Fonte: Hoje em Dia

Curso “Fontes de informação para pesquisa”

A B-So promove o curso “Fontes de informação para pesquisa”

O conteúdo do curso é:

– Periódicos Eletrônicos

– E-Books

– Bases de Dados

– Repositórios Institucionais

– Ferramentas para citações e referências

O curso será ministrado pelo bibliotecário André Pereira da Silva, no dia 27/06  (quinta-feira),  das 19h as 20h na

Sala Multiuso 1 da Biblioteca Campus Sorocaba (B-So).

Inscrições em https://forms.gle/Qito3ki1rYq3LAhL6 até o dia 26/06.

HQ conta ditadura argentina a jovens

‘Esma’, de Juan Carrá e Iñaki Echeverría, tem três objetivos: contar a história, destacar a resistência e não naturalizar o horror daquele período

Juan Carrá e Iñaki Echeverría em frente à Escuela de Mecánica de la Armada (ESMA), em Buenos Aires
Juan Carrá e Iñaki Echeverría em frente à Escuela de Mecánica de la Armada (ESMA), em Buenos Aires

Dois artistas argentinos buscam manter viva a memória dos horrores sofridos durante a última ditadura militar da Argentina (1976-1983) – que deixou cerca de 30 mil desaparecidos, segundo estimativas – utilizando o formato das graphic novels para dialogar com a geração que cresceu após esse período.

O livro “Esma”, sigla em espanhol para Escola Superior de Mecânica da Marinha – onde funcionou um centro clandestino de detenção e tortura -, do jornalista Juan Carrá e do ilustrador Iñaki Echeverría, tem três objetivos: contar a história, destacar a resistência e não naturalizar o horror daquele período.

“Não tivemos parentes desaparecidos durante a ditadura, mas isso não significa que não nos sintamos comprometidos com a memória desse período. Por isso, nos comprometemos a falar sobre essa parte de nossa história da forma que sabemos fazer de melhor, que é contar histórias”, disse Carrá.

O enredo é narrado através dos olhos de um jornalista fictício que tem de cobrir um julgamento relacionado ao centro de detenção. Sobre a escolha do formato, Carrá disse que o livro e a linguagem em particular “adicionam um olhar que coloca em foco o horror da ditadura para que atinja as novas gerações de uma forma mais atraente”. “(Graphic Novel) é um gênero que nos permite chegar a um público mais jovem e para o qual julgamos ser importante manter viva essa memória.”

Fonte: Diário da Região

Você conhece a origem dos almanaques?

A criação da publicação antecede os tipos móveis e metálicos de Gutenberg e foi trazido para o Ocidente no final da Idade Média

Texto por Ricardo Chaves

O almanaque trazia a língua das cidades e dos campos em que caía. Assim toda terra possuiu no mesmo instante, os primeiros almanaques […] Todos tinham almanaques. Nem só elas, mais também as matronas e os velhos e os rapazes, juízes, sacerdotes, comerciantes, governadores, fâmulos, era moda trazer o almanaque na algibeira.

MACHADO DE ASSIS

MACHADO DE ASSIS (1839-1908)

Acervo do Musecom / Reprodução
Le Grand Calendrier Compost dês Bergers, 1471Acervo do Musecom / Reprodução

O almanaque possui uma origem remota, que antecede aos tipos móveis e metálicos de Gutenberg. Trazido do Oriente para o Ocidente, no final da Idade Média, o mais antigo foi encontrado no Egito Antigo, datando do século 13 a.C. Na Europa, tornou-se conhecido graças aos astrólogos árabes. Segundo o historiador Jacques le Goff, em sua obra História e Memória (1996), o primeiro almanaque surgiu, na Europa, por volta de 1455.

O termo almanaque deriva, segundo alguns autores, de al-manakh, referindo-se ao local onde os árabes nômades se reuniam para orar e relatar as experiências de viagens ou notícias de outras terras.

No Brasil, os almanaques chegavam por meio de publicações contrabandeadas da Europa, já que a coroa portuguesa proibia a circulação de impressos na colônia. Após a chegada da Família Real, em 1808, e a instalação da Imprensa Régia, estabeleceu-se uma imprensa local com o lançamento dos primeiros periódicos e a instalação de tipografias particulares.

O Almanach para a Bahia, lançado, em 1812, na Tipografia de Manoel Antônio da Silva Serva, foi o primeiro a ser impresso no Brasil. De acordo com o padrão europeu, tinha a função também de calendário. A publicidade nas páginas ajudava a despertar o interesse. Enquanto nos jornais predominavam textos, os almanaques eram repletos de imagens. Isso deve ter contribuído para o seu sucesso, pois, gravuras atrativas e explicativas conquistavam o expressivo número de analfabetos da época. Segundo a escritora e professora Jerusa Pires Ferreira, o êxito se atribui também ao fator econômico, pois se utilizavam de papel de baixo custo, com anúncios custeando sua produção.

Acervo Musecom / Reprodução
Annuario do Estado do Rio Grande do Sul, 1895Acervo Musecom / Reprodução

No nosso Estado, em 1808, sob a responsabilidade de Manoel Antônio de Magalhães, surgiu, na forma manuscrita, devido à ausência de uma tipografia local, o pioneiro Almanaque da Vila de Porto Alegre. Ainda no século 19, dois almanaques, entre outros, aqui se destacaram: o Anuário da Província do Rio Grande do Sul (1885-1914) e o Almanaque Literário e Estatístico do Rio Grande do Sul. Ambos fazem parte do acervo do Museu da Comunicação, dirigido pelo museólogo Welington Silva.

O Anuário foi um grande sucesso editorial. Por muitos anos, foi responsabilidade do positivista Graciano Alves de Azambuja, que ocupou o cargo de diretor-geral da Instrução Pública do Rio Grande do Sul e dirigiu a Escola Normal de Porto Alegre e a Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul. Publicado na Capital por Gundlach & Cia, contou com importantes autores gaúchos, como João Simões Lopes Neto, cujas poesias ali publicadas, constituíram-se na fonte do seu famoso Cancioneiro Guasca (1910). A partir de 1896, nosso primeiro cronista, Antônio Álvares Pereira Coruja, também colaborou. Em 1892, foi rebatizado com o título Almanaque do Estado.

Acervo Musecom / Reprodução
Almanak Litterario e Estatistico da Província do Rio Grande do Sul, 1890Acervo Musecom / Reprodução

O importante Almanaque Literário e Estatístico do Rio Grande do Sul (1889-1917) totalizou 29 edições. Finalizado na Tipografia da Livraria Americana, em Rio Grande, por Carlos Pinto & Cia Sucessores, seu organizador foi Alfredo Ferreira Rodrigues, membro fundador da Academia Rio-Grandense de Letras e membro do Instituto Histórico e Geográfico do RS. Visando à divulgação cultural, literária e ao entretenimento, é uma excelente fonte de pesquisa.

Colaboração de Carlos Roberto Saraiva da Costa Leite, pesquisador e coordenador do setor de imprensa do Museu da Comunicação HJC

Fonte: GaúchaZH

Série de TV desvenda artistas responsáveis pela criação dos quadrinhos brasileiros

Texto por Murilo Oliveira

De arte menor ao status de nona arte, as HQs estão no centro da revolução cultural desde a década de 20. Se no mercado internacional é possível listar infinidade de criações e autores aclamados, quem são os nomes por trás dos quadrinhos brasileiros? A série documental ‘HQuem – A Arte de desenhar Histórias’ trará a resposta por meio de entrevistas com artistas e especialistas da área. Produzido pela FBL Criação e Produção com direção geral de Rozane Braga, o projeto está em fase de filmagens e estreia prevista para 2020 no canal de TV por assinatura Prime Box Brazil.

A pop arte dos anos 60 e a revolução da linguagem a partir dos anos 80 conferiram aos quadrinhos prestígio comparável às demais manifestações artísticas, com quadrinistas clássicos ganhando projeção internacional. Dentro deste contexto, o roteiro da série se aprofundará na produção de quadrinhos brasileiros e a respectiva trajetória profissional de seus criadores, além das HQs do Brasil contemporâneo seja elas do mercado comercial ou independente.

HQuem – A Arte de desenhar Histórias’ terá 13 episódios que mostrarão o trabalho desenvolvido por um artista diferente em seu ateliê de criação, espaços públicos e privados que os inspiraram e pontos de encontro da cultura pop. Eles são: Fabiane Langone (personagem Chiquinha); Arthur Garcia (gibis Jaspion, Os Trapalhões e Zorro); Marcelo d’Salete (HQs Angola Janga e Cumbe); Wagner William (HQs O Maestro e O Cuco); Julia Bax (HQs X-Men); Eloar Guazzeli (quadrinhos do Sítio do Picapau Amarelo); Fabio Zimbres (criador da Coleção Mini Tonto de HQs alternativas); Mateus Santalouco (criador da série Mondo Urbano); Cris Peter (Astronauta – Magnetar); Ana Luiza Koehler (ilustradora do romance Awrah); Shiko (graphic novels O Azul Indiferente do Céu e Talvez seja Mentira); Roberta Cirne (HQ Sombras do Recife); e Gabriel Jardim (“Turma do Morro”, releitura dos personagens da Turma da Mônica Jovem).

Especialistas do mercado editorial também serão entrevistados pela série, além de fãs e leitores, para esclarecerem as peculiaridades do universo HQ sob o viés da exigência de capacidade interpretativa, tanto visual quanto verbal. Alguns dos nomes são Xico Sá (escritor e jornalista), José Roberto Lovetro, o Jal (cartunista e criador do Troféu HQ Mix); Sonia Luyten (especialista em mangás); e Ramon Vitral (referência em jornalismo de quadrinhos no Brasil). “A série passeará pela experimentação estética e brinca com os limites entre o imaginário do quadrinista, seja através de recursos videográficos, seja através de efeitos sonoros”, revela a diretora Rozane Braga.

Fonte: O Vício

Sinônimo de quadrinhos, revista ‘Gibi’ surgiu há 80 anos

Texto por Télio Navega

Em maio de 1944, envio da revista Gibi na antiga sede do jornal O Globo Foto: Arquivo O Globo / Agência O Globo
Em maio de 1944, envio da revista Gibi na antiga sede do jornal O Globo Foto: Arquivo O Globo / Agência O Globo

Se hoje a palavra gibi é um sinônimo para revista em quadrinhos, a razão se encontra no passado, em uma publicação lançada alguns meses antes do início da Segunda Guerra Mundial. No dia 12 de abril de 1939, as pessoas que foram às bancas depararam-se com um novo título, no formato meio tabloide e com 32 páginas ao preço de 300 réis.

Chamada de “Gibi” em referência a uma gíria do período para menino, moleque, a edição trazia em sua capa o personagem Charlie Chan e, no alto, por trás do logotipo, um garoto convidando o leitor a mergulhar nas aventuras daquele lançamento que era em preto e branco mas continha algumas páginas impressas em vermelho e amarelo. Numa época sem internet, jogos eletrônicos ou ao menos TV em cores, as HQs funcionavam como uma saudável fuga da realidade para o público infanto-juvenil.

Capa da revista
Capa da revista “Gibi” nº 1, de 12 de abril de 1939 Foto: Reprodução          

Além do astuto detetive chinês que virou filme e até desenho animado, o primeiro número do “Gibi” continha também o clássico personagem Ferdinando, de Al Capp; o faroeste “Bronco Piler”; “Cesar e Tubinho”, de Roy Crane; e outras histórias, num mix que, em outras edições, apresentaria ainda Tarzan, Flash Gordon, Príncipe Valente, Dick Tracy e Spirit.

— O fato de ter se tornado sinônimo de revista em quadrinhos no Brasil demonstra o quanto o “Gibi” foi importante para os leitores e, portanto, para a formação e consolidação de um mercado de quadrinhos no país — explica o pesquisador de HQs Nobu Chinen, autor de um dos artigos do livro “Gibi — A revista sinônimo de quadrinhos” (VL). — O “Gibi” ajudou a formar gerações de fãs de personagens como Fantasma e Mandrake, entre outros, que posteriormente ganharam revistas próprias de enorme sucesso.

Um ótimo negócio

O “Gibi” não era a única publicação do gênero disponível nas bancas naquela época. Fazia companhia ao “Globo Juvenil”, também de Roberto Marinho, e ambos concorriam, respectivamente, com a “Mirim” e o “Suplemento Juvenil”, de Adolfo Aizen. A disputa do mercado de quadrinhos era acirrada, e quem ganhava com a profusão de títulos era o leitor.

Mas foi no segundo semestre daquele ano de 1939 que o “Gibi” ganhou força. Marinho assinou um contrato de exclusividade com a King Features Syndicate e os quadrinhos que antes saíam no suplemento da concorrência migraram para as publicações do GLOBO. O maior número de obras disponíveis fez com que o “Gibi” passasse a circular três vezes por semana — em vez de duas, como no início — e ganhasse edições especiais, com histórias completas, e álbuns dedicados a um só personagem.

Grande parte da disputa pelo público leitor de quadrinhos no Brasil desse período é contada pelo jornalista Gonçalo Júnior no livro “A Guerra dos Gibis — a formação do mercado editorial brasileiro e a censura aos quadrinhos, 1933-64” (Companhia das Letras).

Jornalista e professor do Departamento de Letras da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Paulo Ramos fala dos quadrinhos como motor propulsor de vendas dos jornais. Ao menos naqueles anos:

— Na época, e isso poucos comentam, publicar quadrinhos era um bom negócio e significava aumento das vendas dos jornais — observa Ramos. — Quem detinha os direitos de publicação das melhores séries, por consequência, tinha a chance de conquistar mais leitores.

Revista
Revista “Gibi” número 2 Foto: Reprodução

Ao ser indagado sobre a razão de não existir mais nas bancas “revistas mix”, compilando histórias de vários personagens e promovendo uma maior diversidade para o leitor em um mesmo título, Ramos conclui:

— Na minha percepção, as tiras começaram um processo de ocupação das mídias digitais. Tanto que elas estão gradativamente perdendo espaço nos jornais. Diante desse cenário, uma publicação impressa, vendida em bancas, com reuniões de tiras, como era o “Gibi”, tende a não ser tão atraente para os leitores contemporâneos.

Fonte: https://oglobo.globo.com

El regreso del lado A y B: Empresa francesa vuelve a producir casetes de música

Estados Unidos, Reino unido y Alemania son los principales consumidores del formato.

El regreso de los cassetes / AFP

Marc Ferrez, o fotógrafo que registrou a escravidão e o Brasil do Império

Escravos em terreiro de uma fazenda de café na região do Vale do Paraíba/ Vale do Paraíba, c. 1882/ Coleção Gilberto Ferrez/ Acervo Instituto Moreira Salles

Imagens de escravos sendo explorados, da expansão ferroviária pelo país e de cidades que ainda estavam muito longe de ser as grandes metrópoles de hoje estão entre as que mais chamam a atenção no acervo de Marc Ferrez, um dos principais fotógrafos a registrar o Brasil do século 19. Uma mostra reunindo mais de 300 itens deixados pelo carioca que nasceu em 1843 e morreu em 1923 estreia hoje no Instituto Moreira Salles de São Paulo e fica em cartaz até 21 de julho. São documentos, objetos diversos e, claro, fotos que nos ajudam a refletir inclusive sobre o país que temos hoje.

“A importância do trabalho de Ferrez reside no fato de ter documentado o Brasil do século 19, desde 1860, até o início do século 20, fazendo, portanto, a transição do Império para a República. Suas imagens registram visualmente um país em transformação, cheio de contradições, e permitem que pensemos nas contradições atuais da sociedade brasileira, sua desigualdade, todas as questões de gênero, raça…”, diz Sergio Burgi, coordenador da área de Fotografia do IMS e curador de “Marc Ferrez: Território e Linguagem”.

Panorama Parcial do Rio de Janeiro/ Rio de Janeiro, c. 1885/ Coleção Gilberto Ferrez/ Acervo Instituto Moreira Salles.

Ferrez atuou como fotógrafo oficial na comissão geológica formada pelo Império em 1875 para realizar um levantamento do território nacional, oportunidade que permitiu que se transformasse na primeira pessoa a registrar em imagens diversas regiões do país. Também mirou suas lentes para o desenvolvimento da ciência e da engenharia no Brasil, além de seguir de perto diversos empresários da época. Fotografando as fazendas de café no vale do Paraíba, no interior de São Paulo, que mostra como os barões exploravam a mão de obra escrava de homens, mulheres e crianças.

Burgi ainda destaca que Ferrez nos ajuda a entender o crescimento da importância da imagem em nossa sociedade. “Sua trajetória acompanha as próprias transformações no campo da imagem, e talvez isso seja o mais relevante em relação aos dias de hoje. É naquele momento que se formam todas as condições para que a imagem passe a ter o papel que teve na sociedade ao longo do século 20 e mesmo agora no século 21. Esse fenômeno atual da imagem na cultura tem suas raízes exatamente no período da carreira do Ferrez”.

Além da mostra, o IMS também está lançando o livro “Marc Ferrez. Uma Cronologia da Vida e da Obra”, de Ileana Pradila Ceron, responsável pelo Núcleo de Pesquisa em Fotografia de Pesquisa em Fotografia do instituto.

Charles F. Hartt, com a cidade do Recife ao fundo, durante levantamento da Comissão Geológica do Império/ Recife – PE, 1875/ Coleção Gilberto Ferrez/ Acervo Instituto Moreira Salles.
Arsenal da Marinha/ Recife, PE, c. 1875/ Acervo Instituto Moreira Salles.
Carro de bois/ Minas Gerais, c. 1885/ Acervo Instituto Moreira Salles.
Negra da Bahia e índia Botocudo/ Bahia, c. 1876/ Acervo Instituto Moreira Salles.
Partida para colheita do café/ Vale do Paraíba, c. 1885/ Acervo Instituto Moreira Salles.
Na estrada de ferro de Santos a São Paulo/ São Paulo, c. 1880/ Acervo Instituto Moreira Salles.
Obras de abastecimento de água/ Rio de Janeiro, c. 1880/ Coleção Gilberto Ferrez/Acervo Instituto Moreira Salles.
Obras do abastecimento de água do reservatório D. Pedro II/ Rio de Janeiro, 1879/ Coleção Jennings Hoffenberg / Acervo Instituto Moreira Salles.
Ilha de Paquetá/ Rio de Janeiro, c. 1885/ Coleção Gilberto Ferrez/ Acervo Instituto Moreira Salles.
Escola Militar na Praia Vermelha/ Rio de Janeiro, c. 1880/ Coleção Gilberto Ferrez/ Acervo Instituto Moreira Salles.
Largo São Bento/ São Paulo, c. 1892/ Acervo Instituto Moreira Salles.
Palácio do Governo/ São Paulo, c. 1892/ Acervo Instituto Moreira Salles.
Autorretrato de Marc Ferrez com cerca de 36 anos de idade, c. 1879/ Rio de Janeiro/ Coleção Gilberto Ferrez/ Acervo Instituto Moreira Salles.

Fonte: Blog Página Cinco

Plataforma reúne 400 bancos de dados para uso por pesquisadores

Site fundado em 2003 pelo professor e sociólogo Brasilio Sallum facilita o acesso a informações e pesquisas para cientistas políticos e sociais
Texto por Paulo Marcondes

O Consórcio de Informações Sociais (CIS) está trabalhando na captação de bancos de dados junto à comunidade acadêmica. Pesquisadores e laboratórios podem submeter dados de trabalhos produzidos durante a criação de teses, dissertações, iniciações científicas, etc.

A ideia da plataforma, vinculada aos departamentos de Sociologia e Ciência Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, é gerar um intercâmbio de informações com pesquisas qualitativas e quantitativas em diversos campos das Ciências Sociais e áreas relacionadas.

Dentro do CIS, o usuário pode encontrar dados e materiais de pesquisa sobre desigualdade de gênero, violência, eleições, arte e cultura, direitos humanos, descriminalização de drogas, entre outros temas. É possível também observar variáveis, como idade, sexo e até mesmo cruzar essas informações. Os questionários usados na pesquisa e sua abrangência, além de outros materiais metodológicos, são disponibilizados pelo site.

A plataforma pode facilitar o trabalho de pesquisadores. “A ideia por trás do CIS é de que os dados produzidos pela comunidade acadêmica são subaproveitados: o pesquisador produz, faz alguns artigos, às vezes escreve um livro e isso nunca mais é usado. A ideia é que tornando esses dados públicos, eles possam ser usados por outros pesquisadores. O CIS existe para corrigir essa deficiência”, explica Edison Bertoncelo, coordenador do CIS e professor do Departamento de Sociologia da FFLCH.

A plataforma surgiu em 2003, fundada pelo professor Brasilio Sallum Jr., do Departamento de Sociologia da FFLCH, que se inspirou no Inter-Universitary Consortium for Political and Social Research (ICPSR), criado pela Universidade de Michigan nos anos de 1960.

Atualmente com mais de 400 bancos de dados, os professores Gustavo Venturi, do Departamento de Sociologia, Glauco Peres e Lorena Barberia, do Departamento de Ciência Política, fazem parte da coordenação do CIS.

Recentemente, uma parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública foi firmada e dados de duas pesquisas estão disponíveis no CIS: Percepção sobre violência sexual e atendimento a mulheres vítimas nas instituições policiais, de agosto de 2016 e Visível e invisível: a vitimização de mulheres no Brasil, de março de 2017. Os dois estudos tiveram colaboração do Instituto DataFolha.

Desafios

“Nós temos um problema para captar banco de dados. Mobilizamos as nossas redes e incentivamos as pessoas a doarem seu banco, no entanto, isso não é institucionalizado no Brasil. Em outros lugares do mundo, na Inglaterra, por exemplo, uma vez que a pessoa recebe uma bolsa de pesquisa, em contrapartida, ela precisa compartilhar os dados com algum banco”, conta Edison.

Como muitos sociólogos ainda têm dificuldades para manejar dados quantitativos, a plataforma também disponibiliza uma série de vídeos no Youtube ensinando o pesquisador a construir bancos com os programas mais comuns. Além desse conteúdo, o site também aponta para tutoriais de outras pessoas.

O conteúdo disponibilizado é gratuito. Para ter acesso ao material disponível, é necessário um cadastro que pode ser feito clicando aqui. Caso haja alguma dúvida no momento de enviar o seu banco de dados, há um manual explicando todo o processo.

Mais informações: (11) 3091-2066, e-mail contato.cis@usp.br e site www.cis.org.br

Fonte: USP/FFLCH

Mapa interactivo busca crear una biblioteca virtual de arte urbano de Uruguay

 

Montevideo, 10 mar (EFE).- La iniciativa uruguaya StreetArt.uy busca crear una “biblioteca virtual” del arte urbano del país suramericano para promocionar los murales y esculturas que hay en el territorio y preservar el patrimonio que crea ese arte efímero.

De momento el mapa interactivo de este portal, que fue declarado de interés turístico por Uruguay, cuenta con quinientos lugares que marcan tanto los murales actuales como los que ya no están.

Para nosotros el arte urbano es un patrimonio vivo, pero, también, al ser parte de nuestra identidad, de nuestra narrativa diaria es parte de la memoria”, señaló a Efe el encargado de la gestión cultural y administración del proyecto, Manuel Rivoir.

Según el experto este mapa es una “biblioteca virtual”, pues muestra no solo una foto del grafiti o escultura urbana, sino que señala qué artista la hizo.

La difusión y promoción de los artistas urbanos, para valorar su arte, para entender que es un trabajo y para articular con futuros clientes”, destacó Rivoir bajo la fachada de una antigua cárcel de mujeres que hoy está recubierta de coloridas piezas.

En este sentido, el experto dijo que las paredes de Uruguay las pintan tanto artistas nacionales como internacionales.

De España está David de la Mano que hace muchos años que está radicado en Uruguay tiene un estilo muy específico, porque él pinta en blanco en negro y más vinculado al arte de seres sobrenaturales”, detalló y dijo que este artista europeo pinta “donde el arte no llega”, haciendo referencia a barrios marginales.

Aunque la mayoría de los puntos del mapa se encuentran en la capital más austral de América, también hay señalizaciones en otras zonas.

En los años 90 surgieron las ciudades museos, San Gregorio de Polanco, en Tacuarembó, en el medio del Uruguay, es una ciudad muy pequeña que está al borde de un río, que decidió juntar muchos artistas y escultores y empezó a pintar arte muralista afuera”, detalló Rivoir.

Además, el gerente cultural indicó otros lugares que destacan por su arte callejero como Mercedes (suroeste), Rosario (suroeste), Punta del Este (sureste) y un “pueblo pequeño” llamado 25 de Agosto que pese a albergar 450 personas cuenta con cerca de ochenta murales.EFE

Fonte: Contacto Hoy

Acervo de filmes de Thomaz Farkas sobre Brasil popular é reunido em site

Neto do fotógrafo e cineasta disponibiliza 34 curtas e médias metragens rodados entre os anos 1960 e 1980
“Beste”: o filme de Sergio Muniz, de 1970, com produção de Thomaz Farkas, é um dos destaques do canal Foto: Divulgação / Divulgação

RIO — Na década de 1960, em um Brasil efervescente, eram poucos os filmes centrados na condição popular do país. Havia uma lacuna de registros sobre a saga de trabalhadores rurais rumo aos grandes centros — e também sobre dureza e beleza da vida nas periferias.

Jovens então desconhecidos — como os irmãos Lauro e Eduardo Escorel, Vladimir Herzog, Geraldo Sarno e outros — juntaram-se para criar filmes como “Viramundo” (de Sarno, 1965), “Marimbás” (de Herzog, 1963) e muitos outros para refletir sobre esses temas; assim surgiu a Caravana Farkas.

O nome se deve ao fato de que todos esles foram produzidos, dirigidos ou fotografados por Thomaz Farkas, húngaro que veio para São Paulo com a família, em 1930, aos 6 anos, e que se tornou conhecido principalmente por sua obra fotográfica (hoje no acervo do Instituto Moreira Salles). Agora, todos esses filmes encontram-se reunidos no Canal Thomaz Farkas , iniciativa do técnico de som Guilherme Farkas, seu neto.

— A grande motivação de oferecer todo o acervo em alta qualidade é fazer com que ele seja mais visível, e de modo intuitivo, tanto para pesquisa como para outras apropriações —, explica Guilherme, cujo avô morreu em 2011, em São Paulo.

Os 34 filmes, de curta e média metragens, estão disponíveis via streaming. Vão desde “Memória do cangaço” (o primeiro, de 1964, de Paulo Gil Soares) a “Hermeto campeão” (1981), do próprio Farkas. Além disso, há extras como fotografias de bastidores e documentos, como a tese de doutorado sobre o cinema documentário feita por Farkas, apresentada à USP em 1972.

LIMITES E INOVAÇÕES NO CINEMA NACIONAL

Para o pesquisador e professor de Cinema da UFF Rafael de Luna, a Caravana foi pioneira ao retratar um Brasil sob tensão entre a modernidade e as tradições populares.

O cineasta Thomaz Farkas Foto: Reprodução
O cineasta Thomaz Farkas Foto: Reprodução

— Essas obras foram realizadas em meio a um momento de renovação do cinema brasileiro — e do documentário, em particular —, em que cineastas se dedicaram a fazer um retrato crítico da sociedade nos filmes, voltando-se para a riqueza cultural do povo, ao mesmo tempo em que denunciavam o nosso enorme abismo social.

Nas décadas seguintes, houve revisões e debates quanto à abordagem nesses filmes. Em seu livro “Cineastas e imagens do povo” (1985), o crítico Jean-Claude Bernardet, por exemplo, apontou uma certa distância entre realizadores e sujeitos em cena.

Para De Luna, porém, há grande reconhecimento do ineditismo deste mergulho em culturas populares, pouco documentadas à época.

— Uma revisão mais recente, a partir de um maior distanciamento, tem sabido reconhecer suas limitações, fruto de uma conjuntura histórica, mas também suas qualidades e pioneirismo —, completa De Luna.

As tecnologias de captação da época também foram decisivas para a empreitada: com o uso de câmeras de 16mm e inovações na captação de som, as equipes puderam se aproximar dos acontecimentos e pessoas retratadas de modo inédito. Assim, foram feitos registros muito próximos de procissões no Sertão, tal como do futebol de várzea na periferia paulistana e também de ensaios de uma escola de samba antes do Carnaval carioca.

— Os filmes não se voltaram apenas para o interior, mas também para as grandes cidades e, sobretudo, como nelas conviviam atraso e progresso. Sem um olhar condescendente ou discriminatório, trouxeram temas, cenários e personagens para as telas brasileiras com interesse e intensidade inéditos até então — analisa De Luna.

Para o neto de Farkas, a iniciativa convoca o público para julgar a validade e importância dos registros, acima de tudo:

— Não se trata de apenas glorificar o trabalho, mas oferecer todo o material possível para que os interessados decidam: quais os feitos e limites dessas obras? Debruçar-se sobre registros populares é essencial para sabermos como produzir imagens pertinentes de um país em eterna construção.

CARAVANA FARKAS, O QUE ASSISTIR, POR CONSUELO LINS*

“Memória do cangaço” (1964/Paulo Gil Soares)

Entrevistas com ex-cangaceiros, viúvas de cangaceiros, e uma conversa com um elegante matador de cangaceiro Coronel Rufino, que narra com detalhes o modo como os cangaceiros eram mortos, entre os quais Corisco. Vemos ali imagens e falas que ressoam Deus e o Diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, de quem Paulo Gil Soares foi assistente de direção e co-roteirista. Pela primeira vez em um filme, as conhecidas imagens do bando de Lampião realizadas por Benjamin Abrahão em 1936.

“Nossa Escola de samba” (1965/Manuel Horácio Gimenez)

A preparação para o desfile da Unidos de Vila Isabel ao longo dos meses, narrado do ponto de vista de um dos fundadores. Embora não seja o próprio personagem a narrar, o esforço de aproximação de uma narração subjetiva é notável, em um momento em que a narração clássica, “objetiva”, distanciada, que dizia ao espectador o que ele devia pensar sobre o que via, era norma. Belas imagens de Thomas Farkas e Alberto Salvá Contel de uma favela carioca em 1964/65.

“Viva Cariri!” (1969/70 Geraldo Sarno)

Entre os vários interesses desse filme sobre a região da cidade de Juazeiro e a devoção ao Padre Cícero, uma conversa imperdível entre uma beata e o cineasta, no recinto dos ex-votos dos devotos, que emerge em três momentos do filme.

“De raízes e rezas, entre outros” (1972/Sergio Muniz)

Filme de montagem a partir do material produzido por Thomaz Farkas ao longo da década de 60, sob a marca do tropicalismo, presente no modo de cortar imagens e sons, na ausência de narração e no gesto de retomar fragmentos de músicas, poemas, trechos da trilha sonora de filmes (“Deus e o diabo na terra do sol”, entre eles) e ritmos da cultura do nordeste. “Esse filme utiliza a realidade como se fosse ficção”, diz a cartela inicial do filme, assumindo de vez algo que, querendo ou não o diretor, acontece com todos os documentários. Sergio Muniz revela-se nessa coleção de obras um inventor original de trilhas sonoras, dando pouca ou nenhuma atenção à narração tradicional.

“Um a um” (1976/Sergio Muniz)

Curta feito de incríveis planos sequências de Thomas Farkas ao som de uma música cubana no interior de um dos últimos armazéns de catação manual de café. Encenações originais das conversas não-naturalistas do diretor com  o dono do armazém e com as mulheres catadeiras.

“Hermeto Campeão” (1981/Thomas Farkas)

Com uma câmera de observação atenta, Hermeto Paschoal é filmado em pleno flagrante de improvisação, experimentação, sozinho, ao lado de músicos em casa, na natureza capturando os sons dos bichos. As narrações são de Hermeto e dos músicos que o acompanham.

*Consuelo Lins é professora da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO/UFRJ)

Fonte: O GLOBO

30 filmes sobre livros, escritores, editoras e livrarias

A literatura sempre rendeu boa matéria-prima para o cinema; selecionamos 30 filmes que retratam os bastidores do mundo dos livros

Texto por Maria Fernanda Rodrigues
cinema sempre gostou de personagens escritores – reais e ficcionais. E tem feito bons filmes sobre os bastidores do mundo dos livros: o processo criativo e de escrita, o trabalho de uma editora, o dia a dia dentro de uma livraria, o impacto da literatura na vida de leitores e por aí vai.

Às vésperas do Oscar, que em 2019 tem Glenn Close concorrendo na categoria melhor atriz por seu papel em A Esposa, em que ela é casada com um escritor que vence o Nobel, e Melissa McCarthy como uma escritora com bloqueio criativo que acaba procurada pelo FBI em Poderia me Perdoar?, selecionamos 30 filmes para quem gosta de literatura – filmes sobre livros, escritores, editoras, livrarias e leitores.

30 filmes sobre livros

A Esposa, Björn Ronge (2019)

Joan Castleman (Glenn Close) abriu mão de seu talento literário para seu marido poder brilhar em A Esposa. Ao saber que ele seria premiado com o Nobel de Literatura, ela entra em crise e decide abandoná-lo depois de 40 anos juntos. O filme mostra os bastidores da mais prestigiada premiação do mundo dos livros, na Academia Sueca, e os bastidores da vida do casal.

Poderia me Perdoar?, Marielle Heller (2018)

Baseado em fatos reais, Poderia me Perdoar? se passa na década de 1990 e conta a história da escritora Lee Israel (Melissa McCarthy). Sem conseguir se adaptar às mudanças do mercado editorial, sofrendo um bloqueio criativo e sem dinheiro para pagar o aluguel, ela encontra uma carta da comediante Fanny Brice, personagem da biografia que tenta escrever, e percebe o interesse de sebos e colecionadores por esse tipo de raridade. Decide, então, forjar mensagens e bilhetes escritos por nomes famosos.

Meia-noite em Paris, Woody Allen (2011)

Gil (Owen Wilson) é um roteirista americano que gostaria de ser um grande escritor. Durante uma viagem a Paris com a noiva e a família dela, ele sai sozinho para alguns passeios noturnos e, quando o relógio bate meia-noite, ele é transportado para a Paris dos anos 1920, onde conhece alguns dos escritores e artistas que inveja: F. Scott Fitzgerald, Gertrude Stein, Ernest Hemingway, Salvador Dali, entre outros. Esse é o enredo de Meia-noite em Paris.

O Escritor Fantasma, Roman Polanski (2010)

Em O Escritor Fantasma, Adam Lang (Pierce Brosnan) é um ex-primeiro ministro britânico que vive em semi-exílio numa ilha do Maine, nos Estados Unidos. Duramente criticado por ter autorizado a prisão e tortura de suspeitos de terrorismo, Lang trabalha em sua autobiografia, pela qual recebeu US$ 10 milhões antes mesmo de começar a escrever. Quando McCrea, velho amigo de Lang e autor do livro, morre, a editora logo contrata um substituto (Ewan McGregor). Ghost writer do livro, ele vai entrevistar o político e concluir o manuscrito – mas em meio a acusações e suspeitas de que McCrea foi assassinado, o escritor passa a temer por sua própria vida.

As Horas, Stephen Daldry (2002)

As Horas conta a história de como o romance Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf, repercute na vida de três mulheres de gerações diferentes que, de um jeito ou de outro, têm de lidar com o tema do suicídio em suas vidas. São elas: Clarissa Vaughan (Maryl Streep), uma americana às voltas com uma recepção para um amigo portador do vírus da Aids; Laura Brown (Julianne Moore), uma grávida, nos anos 1950, com um filho pequeno e um casamento infeliz; e a própria Virginia Woolf (Nicole Kidman), que, nos anos 1920, enfrenta uma depressão enquanto tenta terminar seu romance.

O Carteiro e o Poeta, Michael Radford (1994)

Por razões políticas o poeta Pablo Neruda (Philippe Noiret) se exila em uma ilha na Itália. Lá, um desempregado (Massimo Troisi) quase analfabeto é contratado como carteiro extra, encarregado de cuidar da correspondência do poeta. Os dois iniciam uma grande amizade, que é contada em O Carteiro e o Poeta, adaptação do livro do escritor chileno Antonio Skármeta.

Encontrando Forrester, Gus Van Sant (2000)

Jamal Wallace (Robert Brown) é um adolescente que ganha uma bolsa de estudos em uma escola de elite de Manhattan pelo seu desempenho nos testes e na quadra de basquete. Após uma aposta com seus amigos, ele conhece ele conhece William Forrester (Sean Connery), um talentoso e recluso escritor com quem desenvolve uma profunda amizade. Percebendo talento para a escrita em Jamal, Forrester procura incentivá-lo para seguir este caminho. Essa é a história narrada em Encontrando Forrester.

Minhas Tardes com Margueritte, Jean Becker (2010)

Baseado no livro de Marie-Sabine, Minhas Tardes com Margueritte retrata um encontro improvável entre Germain (Gérard Depardieu), um cinquentão quase analfabeto, e Margueritte (Gisèle Casadesus), uma senhora apaixonada por livros. Ele senta ao lado dela no parque e ela recita versos em voz alta, dando a ele a chance de descobrir a magia dos livros, que nunca fizeram parte da vida dele. Mas ela está perdendo a visão.

Os Belos Dias de Aranjuez, Wim Wenders (2017)

Os Belos Dias de Aranjuez se passa no verão, na cidade espanhola do título, e apresenta um escritor que começa a usar sua máquina de escrever para contar uma história passada num terraço. Um homem e uma mulher conversam. Eles revelam intimidades e discutem conflitos morais, familiares e sexuais.

Providence, Alain Resnais (1977)

Obra-prima de Resnais, Providence retrata um escritor Clive Langham (John Gielgud) que, prestes a perder a batalha para um câncer, reúne seus familiares enquanto luta, também, para terminar seu derradeiro romance. Vemos no filme a evolução da estrutura literária desse romance, em que Clive usa como modelo sua família, transformando de modo perverso a personalidade dos filhos.

Desconstruindo Harry, Woody Allen (1998)

Em Desconstruindo Harry, Harry Block (Woody Allen) é um escritor que usa suas experiências amorosas como inspiração para livros e contos, o que não agrada nem um pouco as pessoas ligadas a ele. Convidado para uma homenagem que será feita pela faculdade de onde foi expulso quando jovem, ele se vê sem companhia. Após acompanhar um amigo, Richard (Bob Balaban), em um exame médico, ele aceita viajar com ele como retribuição. Harry convida ainda Cookie (Hazelle Goodman), uma prostituta negra com quem tem um programa na noite anterior da viagem. Prestes a partir, Harry tem a ideia de sequestrar seu filho para que ele possa ver o pai sendo homenageado, mesmo com a mãe dele, Joan (Kirstie Alley), tendo proibido sua viagem.

Shakespeare Apaixonado, John Madden (1999)

O jovem astro do teatro londrino William Shakespeare (Joseph Fiennes) sofre de bloqueio criativo e não consegue escrever sua peça. Um dia, ele conhece Viola De Lesseps (Gwyneth Paltrow), uma jovem que sonha em atuar, algo proibitivo no final do século 16. Para burlar o preconceito e ter sua chance, Viola se disfarça de homem e começa a ensaiar o texto de Will, que começou a fluir e passou a dar vazão ao amor entre os dois. O que eles não contavam era com o casamento arranjado pela família entre Viola e Lorde Wessex (Colin Firth). Essa é a história de Shakespeare Apaixonado.

Louca Obsessão, Rob Reiner (1990)

Em Louca Obsessão, o famoso escritor Paul Sheldon (James Caan) sofre um acidente de carro e é socorrido pela enfermeira Annie (Kathy Bates), que afirma ser sua fã número um. Ela o leva para sua isolada casa e cuida de sua saúde, mas um dia acaba tendo acesso aos originais do próximo livro do escritor e descobre que sua personagem predileta será morta. Essa revelação faz com que sua personalidade doentia se revele e Sheldon se vê à mercê das loucuras da admiradora.

Mais Estranho Que a Ficção, Marc Forster (2007)

Em Mais Estranho Que a Ficção, Harold Crick (Will Ferrell), um funcionário da Receita Federal, passa a ouvir seus pensamentos como se fossem narrados por uma voz feminina. A voz narra não apenas suas ideias, mas também seus sentimentos e atos com grande precisão. Apenas Harold consegue ouvir esta voz. O incômodo aumenta ainda mais quando descobre pela voz que está prestes a morrer, o que o faz desesperadamente tentar descobrir quem está falando em sua cabeça e como impedir sua própria morte. Enquanto isso, a narradora luta para completar o que pode ser seu melhor livro.

O Mestre dos Gênios, Michael Grandage (2016)

O Mestre dos Gênios conta a história do editor Max Perkins (Colin Firth), que trabalhou na editora Scribner com alguns dos maiores gênios da literatura, como Ernest Hemingway (Dominic West), F. Scott Fitzgerald (Guy Pearce) e Thomas Wolfe (Jude Law).

A Garota do Livro, Marya Cohn (2016)

Em A Garota do Livro, Alice Harvey (Emily VanCamp), de 28 anos, é assistente editorial, mas sonha em ser escritora. Filha de um poderoso agente literário de Nova York, ela vai ser obrigada a enfrentar dolorosos acontecimentos de seu passado ao ser convidada para trabalhar no lançamento de um livro de Milan Daneker (Michael Nyqvist), um antigo cliente de seu pai que se aproximou dela no início da adolescência dela com a desculpa de orientar seus escritos e que deixou marcas profundas e traumáticas na garota.

A Proposta, Anne Fletcher (2009)

Na comédia romântica com cara de Sessão da Tarde A Proposta, Margaret Tate (Sandra Bullock) é uma poderosa editora de livros, que se vê em apuros ao ser comunicada de sua deportação para o país-natal, o Canadá. Para evitar que isto ocorra ela declara estar noiva de Andrew Paxton (Ryan Reynolds), seu assistente. Perseguido por Margaret há anos, ele aceita participar da farsa, mas impõe algumas condições.

As Palavras, Brian Klugman e Lee Sternthal (2012)

Rory Jansen (Bradley Cooper) trabalha em uma editora de livros. Ele sonha em publicar seu próprio livro, mas a cada nova tentativa se convence mais de que não é capaz de escrever algo realmente bom. Um dia, em uma pequena loja de antiguidades, ele encontra uma pasta com várias folhas amareladas. Rory começa a ler e logo não consegue tirar a história da cabeça. Logo ele resolve transcrevê-la para o computador, palavra por palavra, e a apresenta como se fosse seu livro. O texto é publicado e Rory se torna um sucesso de vendas. Mas tudo muda quando ele conhece um senhor (Jeremy Irons) que lhe conta a verdade por trás do texto encontrado.

Nunca Te Vi, Sempre Te Amei, David Hugh Jones (1987)

Nunca Te Vi, Sempre Te Amei conta a história de Helene Hanff (Anne Bancroft), uma escritora americana, que por 20 anos se corresponde com Frank Doel (Anthony Hopkins), o gerente de uma livraria especializada em edições raras e esgotadas. Tudo começou pelo fato de Helene adorar livros raros, que não se encontravam em Nova York. Só que ela não poderia imaginar que uma carta para uma pequena livraria em Londres, que negocia livros de segunda mão, a levaria a iniciar um correspondência afetuosa com Frank.

Mensagem Para Você, Nora Ephron (1999)

Mensagem Para Você é um clássico das comédias românticas e retrato ainda atual da briga das pequenas e grandes livrarias. Kathleen (Meg Ryan), dona de livraria independente, inicia conversa na internet com um desconhecido (Tom Hanks). De repente, a vida dela é abalada com a chegada de uma enorme livraria, que pode acabar com o negócio que sua família toca há 42 anos, e começa a implicar com o executivo. Ela só não suspeita que ele seja a pessoa por quem ela acaba se apaixonando na troca de e-mails.

Um Lugar Chamado Notting Hill, Roger Mitchell (1999)

Um Lugar Chamado Notting Hill, outro clássico da comédia romântica. Will (Hugh Grant), dono de livraria especializada em livros de viagem localizada em Notting Hill, em Londres, recebe a inesperada visita de uma atriz americana famosa, Anna Scott (Julia Roberts), e eles se apaixonam.

A Livraria, Isabel Coixet (2018)

No final da década de 50, uma mulher (Emily Mortimer) recém-chegada em uma pacata cidade do litoral da Inglaterra decide abrir uma livraria. Sua iniciativa é vista com maus olhos pela conservadora comunidade local, que passa a se opor tanto a ela quanto ao seu negócio, obrigando-a lutar por seu estabelecimento. A Livraria é baseado no livro homônimo de Penelope Fitzgerald.

O Clube de Leitura de Jane Austen, Robin Swicord (2007)

Baseado no livro de Karen Joy Fowler, O Clube de Leitura de Jane Austen acompanha a história de Bernadette (Kathy Baker), que foi casada 6 vezes e hoje vive sozinha, que sugere a criação do clube do livro Sempre Austen o Tempo Todo, dedicado aos livros da escritora Jane Austen, alegando que ela é perfeita para curar os males do mundo. Jocelyn, Allegra, Prudie, Sylvia e Grigg aceitam fazer parte dele e reúnem mensalmente para discutir uma obra da escritora inglesa. Com o tempo eles se abrem sobre suas vidas, percebendo as mudanças neles ocorridas.

A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata, Mike Newell (2018)

Em A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata, Juliet Ashton (Lily James) é uma escritora na Londres de 1946 que decide visitar Guernsey, uma das Ilhas do Canal invadidas pela Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, depois que ela recebe uma carta de um fazendeiro contando sobre como um clube do livro local foi fundado durante a guerra. Lá ela constrói profundos relacionamentos com os moradores da ilha e decide escrever um livro sobre as experiências deles na guerra.

Além das Palavras, Terence Davies (2016)

Além das Palavras conta a história da poeta americana Emily Dickinson (Cynthia Nixon). Na infância, nos anos 1800, ela cresceu numa família rica. Seu interesse pelas palavras e o cotidiano a faz começar escrever poemas. Mas ela sempre é muito solitária.

Sylvia – Paixão Além de Palavras, Christine Jeffs (2003)

A história de Sylvia Plath (Gwyneth Paltrow), uma das mais principais escritoras americanas, é contada em Sylvia – Paixão Além de Palavras. Nascida em Boston durante a Grande Depressão, Sylvia ainda jovem tentou cometer suicídio, na casa de sua mãe. Ela viaja à Inglaterra para estudar em Cambridge e lá conhece o jovem poeta Ted Hughes (Daniel Craig), por quem se apaixona e vive um longo romance.

Capote, Bennett Miller (2006)

Em novembro de 1959, Truman Capote (Philip Seymour Hoffman) lê um artigo sobre o assassinato de quatro integrantes de uma conhecida família de fazendeiros no Kansas. O assunto chama sua atenção já que ele acredita ser esta a oportunidade perfeita de provar que, nas mãos do escritor certo, histórias de não ficção podem ser tão emocionantes quanto as de ficção. Acompanhado pela escritora Harper Lee (Catherine Keener), sua amiga de infância, ele viaja até lá e surpreende a sociedade local com sua voz infantil, seus maneirismos femininos e roupas não convencionais. A história é contada em Capote.

Miss Potter, Chris Noonan (2006)

A britânica Beatrix Potter (Renée Zellweger) se tornou um verdadeiro fenômeno da literatura no início do século 20 ao criar um dos personagens mais queridos da literatura infantil, Peter Rabbit, o Pedro Coelho. Miss Potter conta sua história e as dificuldades do início da carreira.

Cora Coralina – Todas as Vidas, Renato Barbieri (2017)

Cora Coralina – Todas as Vidas resgata a história da poeta e doceira Cora Coralina, revelada já idosa e que viveu até os 95 anos. Não se trata de uma cinebiografia tradicional tentando dar conta de uma rica história de vida. É um docfic em que vemos atrizes no papel de Cora, mas não numa narrativa linear ou cronológica. São elas Walderez de Barros, Teresa Seiblitz, Camila Márdila, Maju Souza e Camila de Queiroga. O filme é permeado por poemas e por infomações e imagens documentais.

?Mary Shelley, Haifaa Al Mansour (2018)

É a história da juventude de Mary Shelley, autora do clássico Frankenstein, contada a partir de seu romance com o poeta Percy Shelley.

Em Busca da Terra do Nunca, Marc Forster (2004)

J.M. Barrie (Johnny Depp) é um bem-sucedido autor de peças teatrais, que, apesar da fama, enfrenta problemas com seu trabalho mais recente, que não foi bem recebido pelo público. No filme Em Busca da Terra do Nunca, Barrie reencontra a inspiração ao fazer sua caminhada diária pelos jardins Kensington, em Londres. É lá que ele conhece a família Davies, formada pela viúva Sylvia (Kate Winslet) e seus quatro filhos. Da convivência com as crianças, o escritor cria seu personagem de maior sucesso: Peter Pan.

 Fonte: Terra

Armandinho ganha novo livro e reforça caráter questionador

Nova compilação de tiras reafirma o menino de cabelos azuis como um intérprete mordaz de nosso tempo

Texto por Marcos Corbari
Lançamento de “Armandinho Dez” na CCXP, o maior evento de quadrinhos do Brasil / Foto: Silvio Y. Sato

Contando com mais de um milhão de seguidores no Facebook, além de incontáveis leitores que o conhecem através dos jornais impressos, o personagem Armandinho, criado pelo catarinense Alexandre Beck, está com livro novo lançado. A décima primeira compilação de tiras – Armandinho Dez – traz micronarrativas produzidas e publicadas em 2016, ano de forte ebulição política com as violações democráticas que redundaram no golpe jurídico-parlamentar que afastou Dilma Roussef da presidência e colou em seu lugar Michel Temer.

– Foi inevitável que neste período tão turbulento as tirinhas ganhassem um tom mais crítico e menos ingênuo -, explica Beck, já explicitando que as micronarrativas de seu personagem trazem uma interpretação concreta dos fatos que seu autor testemunha. “Alguns leitores questionam porque o Armandinho aborda alguns temas mais incômodos e tenho insistido em explicar que assim como manifestar-se a respeito de um assunto é uma opção política, silenciar também seria”, aponta o autor.

Ninguém solta a mão de ninguém

Recentemente autor e personagem foram alvo de críticas de entidades corporativas e até de ameaças propagadas por segmentos conservadores por expressar críticas pontuais, chegando até mesmo a ter a publicação do personagem cancelada por alguns jornais – um deles, o Diário de Santa Catarina, onde o personagem “nasceu”. “Isso assusta e incomoda, é claro, mas não me sentiria bem em não tocar nesses assuntos tendo espaço para propor reflexão a respeito”. Neste caso específico, colocou em pauta o preconceito racial estrutural e o corporativismo profissional; o primeiro a respeito da relação de forças policiais com a população negra e pobre, o segundo abordando sobre a possível recusa de profissionais médicos em cobrir vagas remotas antes ocupadas pelos profissionais cubanos que deixaram o país.

Beck afirma que já esperava por repercussões semelhantes. Isso já havia acontecido em outros momentos, como quando tocou em assuntos sensíveis à segmentos específicos, como a religião, por exemplo. O que surpreendeu agora foi a intensidade e velocidade com tudo se deu. “Essas pessoas sentem que tem seu comportamento legitimado por vozes que estão em posições de poder e já não se importam em manifestar-se de forma aberta e cada vez mais agressiva”, constata. O contraponto, porém, veio em forma de muitas manifestações de apoio por parte de leitores e até mesmo de profissionais ligados aos segmentos criticados e que compreendem a importância da crítica, bem como a razão dos questionamentos propostos. “Então é isso, senti também muito carinho e proteção vindo até de onde menos esperava, pude compreender bem o sentido dessas palavras de ordem que nos desafiam a ninguém soltar a mão de ninguém”.

Empatia segue sendo um desafio

Mas é bom registrar, o espectro de crítica social alinhavado ao longo da publicação vai além: através de Armandinho, seu sapo de estimação, família e amigos, Beck costuma abordar temáticas como a preservação do meio ambiente, a empatia com o próximo, os direitos humanos, o enfrentamento as diversas formas de preconceito, além, é claro, do cotidiano das relações interpessoais no ambiente familiar, na escola e na sociedade como um todo. “Armandinho é um personagem que muitas vezes faz rir, mas não tem essa obrigação”, alerta.

Muitos leitores consideram Armandinho semelhante à Mafalda, personagem do argentino Quino, que notabilizou-se pela linha crítica frente a períodos de instabilidade democrática em seu país. Beck se diz lisonjeado pela lembrança, mas evita comparações. “Armandinho segue sendo construído, assim como eu continuo me construindo como ser humano e é difícil prever até onde vamos ir”, explica. Quanto aos temas semelhantes, não titubeia em responder: “É fato que vivemos um momento de exceções e violações, onde devemos estar prontos para caminhar lado a lado e busco com as tirinhas compartilhar algumas reflexões que são muito minhas, mas que procuro sempre imaginar como seria se estivesse no lugar do outro”.

Serviço:

O leitor do Brasil de Fato/RS já se acostumou a ler a cada edição impressa do jornal as tiras do personagem. Agora fica o convite para conferir em Armandinho Dez e também nas compilações anteriores, os questionamentos deste menino ingenuamente invocado. O livro é uma publicação da Artes & Letras Comunicação – selo controlado pelo próprio autor – e tem distribuição nacional através da Editora Belas Letras, de Caxias do Sul. Pode ser encontrado em livrarias ou adquirido diretamente na loja virtual da distribuidora: https://belasletras.com.br/. O valor de venda, sugerido pela distribuidora, é de R$ 29,90.

Fonte: Brasil de Fato

Um ano de produção da literatura infantil e juvenil

Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil lança anuário com toda a produção literária de seus associados

A Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (Aeilij) acaba de colocar no ar o seu Anuário de 2019. Nele estão listados os livros lançados pelos criadores associados durante o ano passado. A publicação, cuja capa é ilustrada por Maria Carolina Pereira Jorge, traz ainda uma entrevista com João Paulo Hergesel, vencedor da última edição do Prêmio Barco a Vapor, uma linha do tempo das principais atividades da entidade durante 2018 e resenhas dos livros vencedores do I Prêmio Aeilij: Catarina e o lagarto (All Print), de Katia Gilaberte; Esopo: Liberdade para as fábulas (Escarlate), de Luiz Antonio Aguiar, e A alma secreta dos passarinhos (Olho de Vidro), de Elisabeth Teixeira. Para conferir o Anuário, clique aqui.

Google lança nova ferramenta de busca para dados científicos

Plataforma Dataset Search foi desenhada para facilitar o acesso a conjuntos de dados dispersos em milhares de repositórios.

Texto por Fábio de Castro

Voltada especialmente para a comunidade acadêmica, uma nova ferramenta de busca lançada pela Google promete facilitar o acesso de pesquisadores a conjuntos de dados científicos que atualmente estão pulverizados em milhares de repositórios online mantidos por instituições de pesquisa.

Lançada em setembro, a ferramenta, chamada Dataset Search, ajuda pesquisadores a encontrar facilmente os dados completos de estudos disponíveis em repositórios dos mais variados tipos – como sites de editoras, agências governamentais e instituições de pesquisa, em bibliotecas digitais e em páginas pessoais de cientistas, por exemplo.

A empresa já havia lançado um serviço voltado para a comunidade científica, o Google Scholar – em português Google Acadêmico –, que é uma ferramenta de busca de artigos e relatórios de pesquisa. Havia demanda, porém, para um sistema de busca específico para dados, já que, segundo a empresa, “no mundo atual, cientistas de muitas disciplinas e um número crescente de jornalistas vivem e respiram dados” e eles estão dispersos na internet.

Bons resultados

A nova ferramenta será de grande importância para a ciência, especialmente em áreas que utilizam grandes volumes de dados, segundo o professor Marcelo Finger, chefe do Departamento de Ciências da Computação do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da Universidade de São Paulo (USP).

“É surpreendente que a Google, que lida com um público da ordem de bilhões de usuários, lance mais uma ferramenta voltada para a comunidade científica, que é um público numericamente limitado. Mas ela será sem dúvida muito importante para a comunidade”, disse Finger.

Convidado por Direto da Ciência para testar o Dataset Search, Finger – que é um dos coordenadores da área de Ciência e Engenharia da Computação da Fapesp – considerou a ferramenta útil para aumentar a disponibilidade de dados.

“Fiquei bem impressionado e cheguei a recomendar para um aluno. Ainda há algumas limitações – notei, por exemplo, que quando se faz uma busca só aparecem os dez primeiros resultados. Mas, do ponto de vista científico, para quem desenvolve trabalhos com bases em dados, já é muito útil. A disponibilidade de dados é fundamental para a ciência, porque permite elevar o grau de reprodutibilidade das pesquisas”, disse Finger.

Maior disponibilidade de dados

O pesquisador diz acreditar que o Dataset Search crescerá rapidamente. “Quem possui dados de pesquisa em um repositório, ou é responsável por uma biblioteca de dados online, vai se interessar por tornar seus dados mais disponíveis e por indexá-los na ferramenta”, afirmou.

Natasha Noy, pesquisadora em inteligência artificial da Google, divulgou que a empresa estimulará fornecedores de dados a adotarem o padrão aberto desenvolvido pela empresa para descrever as informações relacionadas a seus dados, aos metadados e à própria instituição que os produziu.

“Desenvolvemos diretrizes para que os fornecedores de conjuntos de dados descrevam seus dados de uma forma que o Google possa entender melhor o conteúdo das páginas: quem criou, quando foi publicado, como os dados foram coletados, quais são os termos de uso, etc.”, disse a pesquisadora no Blog da Google.

“Notei que, além de dar acesso aos conjuntos de dados, a ferramenta também indica artigos da literatura científica que mencionam, utilizam, ou descrevem esses dados. Acredito que será de grande utilidade em todas as áreas do conhecimento – biologia, linguística, física, oceanografia e assim por diante. Minha área de pesquisas, em processamento de linguagem natural, vai se beneficiar muitíssimo”, afirmou Finger.

Segundo Natasha Noy, a ferramenta foi lançada com foco em dados de ciência ambiental, ciências sociais e de pesquisa governamental, mas a quantidade de conjuntos de dados disponível aumentará continuamente à medida que o serviço se torne mais popular.

“Esse tipo de busca tem sido um sonho para muitos pesquisadores nas comunidades de dados abertos de ciência”, disse ao blog da Google o chefe da área de dados da agência Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês), Ed Kearns.

“Para a NOAA, cuja missão inclui o compartilhamento de nossos dados com outros cientistas, essa ferramenta é chave para que tornemos nossas informações mais acessíveis para uma comunidade de pesquisadores cada vez maior”, disse Kerns.

Na imagem acima, sede da Google em Mountain View, na California, Estados Unidos. Foto: Noah Loverbear, sob licença Creative Commons Attribution-Share Alike 3.0 Unported.

Fonte: Direto da Ciência

Como usar o Google Acadêmico para pesquisar artigos científicos

Serviço do Google permite procurar por temas e palavras-chave em milhares de artigos publicados mundo afora. Saiba como utilizar

O Google Acadêmico é uma ferramenta de pesquisas do Google feita para encontrar artigos acadêmicos na web. O produto, criado pela gigante das buscas em 2004, permite que qualquer pessoa busque referências e citações em milhares de artigos científicos publicados em fontes confiáveis de literatura acadêmica mundo afora.

A ferramenta é a favorita de muitos universitários buscando por bibliografias para enriquecer seus trabalhos de conclusão de curso (o temido TCC), ou pós-graduandos, mestrandos, dourantos e pesquisadores em geral que precisam de uma fonte confiável de informação sobre ciências exatas, da natureza e humanas.

Mas para quem não conhece, o Google Acadêmico pode parecer um pouco assustador à primeira vista. Este artigo tem como objetivo te ensinar o básico da ferramenta e mostrar como conseguir os melhores resultados para a sua bibliografia.

Como funciona o Google Acadêmico

Assim como o Google “normal”, o Acadêmico é um motor de busca que tem como base um grande banco de dados de links da internet. Ao pesquisar por um termo ou palavra-chave, o buscador lista os artigos científicos, livros e teses mais relevantes que contenham o conteúdo da sua busca.

Os artigos em questão podem estar acessíveis publicamente no site de uma universidade ou instituto, por exemplo. Mas é bom ter em mente que muitas vezes estão em arquivos de revistas científicas comerciais que cobram uma assinatura pelo acesso ao conteúdo completo.

Nestes casos, o Google Acadêmico faz a indexação de apenas um trecho do artigo, geralmente um resumo ou informações para a citação do autor. É basicamente como o Google Imagens faz para proteger fotos que estão em bancos de mídia que cobram assinatura, por exemplo, dando apenas uma prévia do conteúdo pago.

A relevância de um resultado é definida a partir de informação como o nome do autor, quantas vezes ele já foi citado, a publicação na qual a pesquisa foi divulgada, a frequência com que ela é citada em artigos e teses de outras pessoas e também o conteúdo do estudo completo, se ele tem a ver com o tema que você está buscando.

Como pesquisar no Google Acadêmico

A primeira coisa que você precisa fazer para usar o Google Acadêmico é acessar scholar.google.com através do seu navegador. A página principal é idêntica à do buscador padrão, com uma grande barra de texto para você digitar o termo, assunto ou palavra-chave que está buscando.

Para refinar sua pesquisa, você pode optar por resultados apenas em língua portuguesa ou em qualquer idioma. Digite o termo que você está procurando e pressione “Enter” no teclado. Na página dos resultados, você pode refinar as pesquisas por data e idioma, por exemplo.

Ao lado de cada resultado de pesquisa há um link e uma indicação entre colchetes sobre o formato daquele artigo – isto é, se está numa página simples da web (HTML) ou num arquivo de leitura (PDF). Clique naquele que lhe parece o mais indicado para a sua pesquisa.

Além disso, é possível usar a busca avançada para filtrar os resultados se estiver em busca de algo bem específico. Na página inicial do Google Acadêmico, clique no menu de três linhas no canto superior esquerdo da tela e depois clique em “Pesquisa avançada”.

Nesta janela você pode definir buscas com várias opções de palavras-chave, excluir opções e onde elas aparecem no artigo. Dá para usar a ferramenta para pesquisar apenas em trabalhos acadêmicos assinados por uma pessoa específica, publicados num determinado veículo ou em um período de tempo exato, ainda.

‘Meu perfil’ e ‘Minha biblioteca’

A guia “Meu perfil” do Google Acadêmico é uma ferramenta que permite que você, autor de pesquisas e teses, fique de olho em como os seus artigos são citados mundo afora. Basta clicar nesta opção na página principal do Google Acadêmico, criar o seu perfil (incluindo nome, afiliação, e-mail e áreas de interesse) para começar.

Em seguida, o próprio Google Acadêmico vai sugerir uma lista de artigos que ele acredita que tenham sido publicados ou escritos, pelo menos em parte, por você. Selecione aqueles que são realmente de sua autoria e clique na seta para a direita no topo da tela.

Na próxima tela você deve escolher entre permitir que o Google Acadêmico encontre automaticamente seus novos artigos e altere os artigos já existentes por conta própria, ou que ele envie um e-mail para confirmar atualizações. Por fim, escolha entre manter seu perfil público (isto é, visível por qualquer um) ou não. Clique em “Concluído” quando acabar.

Já o recurso “Minha biblioteca” permite que você organize online uma coleção de artigos, referências e citações encontradas no Google. Para salvar um artigo na biblioteca, clique no ícone de uma estrela localizado logo abaixo do link que te interessa. Eles serão guardados nesta guia.

Aqui, você pode organizar os artigos salvos por período, checar a lixeira por artigos deletados e gerenciar marcadores. Estes marcadores servem para separar os artigos que você salvou por categorias personalizadas, o que também ajuda na hora de organizar suas referências bibliográficas.

Fonte: Olhar Digital

Editoras não estão animadas com o suposto “Netflix de revistas” da Apple

Texto por Bruno Santana

Há alguns meses, comentamos aqui as supostas movimentações iniciais da Apple para relançar o serviço da Texture, a plataforma de revistas digitais comprada pela Maçã que funciona como uma espécie de “Netflix de periódicos” — isto é, você paga um valor fixo mensal e tem acesso a um grande catálogo de todas as edições mais recentes de várias revistas e jornais do mundo.

A Texture continua oferecendo seu serviço de forma independente (ou seja, não há qualquer menção à Apple nas suas páginas ou integração com o ecossistema da Maçã), mas, aparentemente, isso deverá mudar em breve: os planos de Cupertino são justamente relançar a plataforma como um serviço próprio, altamente integrado ao app News e com várias novidades. O problema? As editoras não estão muito animadas com essa ideia.

Citando fontes próximas do assunto, a Bloomberg publicou recentemente uma matéria afirmando que a Apple está tentando convencer publicações como o New York Times e o Wall Street Journal não só a incluir seus produtos na nova plataforma, como adaptá-los a ela. Atualmente, a Texture exibe uma versão estática das páginas da revista ou do jornal no seu smartphone ou tablet (pense num PDF), mas a ideia da Maçã é tornar os conteúdos bem mais dinâmicos, aproximando-os de artigos da internet.

Os planos da Apple envolvem também uma mudança na estrutura de preços do serviço. Atualmente, a Texture cobra US$10/mensais, com um adicional de US$5 caso o usuário queira ter acesso a publicações especiais, como a New Yorker. A Maçã quer eliminar esse “plano especial” e cobrar apenas uma assinatura de US$10 que englobe todos os jornais e revistas.

Isso, claro, espanta as editoras: só o New York Times, por exemplo, cobra mais que US$10 por mês pelo acesso à sua plataforma online (após os meses promocionais introdutórios). Ninguém sabe, exatamente, qual será a distribuição de lucros desse novo serviço da Apple, mas uma coisa é certa — será um ganho menor do que se cada usuário fizer uma assinatura separada. Por outro lado, o número de pessoas interessadas na plataforma da Maçã pode ser exponencialmente maior — afinal, estamos falando de um serviço embutido em dezenas de milhões de dispositivos ao redor do mundo.

Numa época de incertezas para o mercado editorial (só em 2018, as vendas de publicidade em revistas devem cair 10%), uma ideia como a da Apple tanto pode ser uma salvação quanto um canto do cisne. Algumas ideias foram jogadas aqui e ali: o jornalista Steven Brill, por exemplo, citou a possibilidade de os veículos incorporarem suas paywalls dentro da plataforma — o que, na opinião deste que vos escreve, seria uma grande estupidez. Afinal, você já está pagando e teria de pagar mais ainda para continuar?

O fato é que a Maçã está no campo: executivos da empresa, como Eddy Cue e a ex-executiva da editora Condé Nast Liz Schimel, estão tendo reuniões frequentes com grandes nomes do mercado editorial para convencê-los de que a plataforma da Apple é uma salvação para as revistas e os jornais. Eles dão como exemplo o Apple Music, que ajudou a revitalizar a indústria fonográfica e já tem mais de 50 milhões de assinantes em menos de quatro anos.

Se o sucesso será repetido nas publicações, teremos de aguardar para ver.

Fonte: MacMagazine

10 sitios web para deleitarse con mapas y colecciones cartográficas

Existen infinidad de sitios web para consultar mapas y distintos materiales cartográficos, ya sean actuales o más antiguos. Tanto las bibliotecas como los archivos son de las entidades que más han trabajado en la digitalización de dichos materiales, junto a otros proyectos online y colecciones privadas, para ponerlos a disposición tanto del público general como de investigadores, estudiosos o simplemente a aficionados a la cartografía. La verdad es que hay materiales que son auténticas maravillas e incluso obras de arte. Es por ello por lo que nos hemos animado a compartirlos con todos vosotros.

Bibliotecas y archivos han hecho un gran trabajo en la digitalización de material cartográfico

Algo que no os debéis perder, y que también queremos compartir con todos vosotros, es el libro The History of Cartography. Un excelente libro compuesto por tres volúmenes y puesto a disposición de todas las personas que lo quieran descargar en formato pdf.

“Un importante logro de la publicación académica… Aprenderemos mucho no sólo sobre mapas, sino sobre cómo, por qué y con qué consecuencias las civilizaciones han aprehendido, ampliado y utilizado el potencial de los mapas” Josef W. Konvitz

Y es que hay tantas colecciones digitales que nos ha resultado complicado seleccionar solamente diez, así que sentimos si alguna de vuestras favoritas se ha quedado fuera. No obstante, os animamos a compartir dichas colecciones a través de los comentarios y así enriquecer este post.

Old Maps Online

OldMapsOnline.org tiene indexados cerca de 400.000 mapas gracias a las colecciones digitales en abierto de archivos y bibliotecas. El proyecto empezó a partir del amor por la historia y el patrimonio de los mapas antiguos. En la actualidad participan en él grandes instituciones como la New York Public Library, la British Library, la biblioteca de Harvard, el Institut Cartogràfic i Geològic de Catalunya…

Old Maps Online

Biblioteca Digital Hispánica

La Biblioteca Digital Hispánica posee una gran cantidad de material cartográfico. Destacan sus colecciones de Atlas y material cartográficoCartas náuticas y Mapas Colección Mendoza.

La colección de Geografía y mapas está formada por un importante número de mapas antiguos y modernos de todo el mundo, aunque la mayor parte corresponde a España; atlas y obras especializadas en Cartografía, Geografía, Astronomía, descripción de países y libros de viajes.

Biblioteca Digital Hispánica

David Rumsey Map Collection

La colección digital de mapas de David Rumsey posee más de 75.000 mapas y fotos online. La colección se centra en mapas raros de los siglos XVI al XXI de América, Asia, África, Europa, Oceanía… y está formada por atlas, mapas, globos terráqueos, libros de exploración, cartas marítimas…

David Rumsey Map Collection Cartoteca Digital del Institut Cartogràfic i Geològic de Catalunya

La Cartoteca Digital es el depósito de documentos digitalizados de la Cartoteca de Catalunya. Se pueden encontrar documentos cartográficos y fotografías para su consulta y descarga a alta resolución. El proyecto empezó en el año 2003 y tiene previsto añadir progresivamente todos sus fondos -mapas, libros, fotografías, fondos documentales- a la consulta en línea.

Cartoteca Digital del Institut Cartogràfic i Geològic de Catalunya

Mapas y Atlas de la Biblioteca Pública de Nueva York

La Biblioteca Pública de Nueva York puso hace unos años a disposición del público más de 20.000 trabajos cartográficos para ser visualizados online o descargarlos en alta resolución. Comentan que no es necesario hacer mención de procedencia de las imágenes y que las comparten para inspirar todo tipo de creatividades, innovación y descubrimientos.

Mapas y Atlas de la Biblioteca Pública de Nueva York

Instituto Geográfico Nacional

Desde el Servicio de Documentación Geográfica y Biblioteca del Instituto Geográfico Nacional se pueden descargar hasta más de 36.000 mapas de los fondos históricos del instituto.

El Centro de Descargas (CdD) es un sitio web del Centro Nacional de Información Geográfica (CNIG) desde donde se pueden descargar gratuitamente ficheros digitales de carácter geográfico generados por la Dirección General del Instituto Geográfico Nacional (IGN).

Instituto Geográfico Nacional

Gallica (Cartes)

Desde Gallica (Biblioteca Digital de la Biblioteca Nacional de Francia) se puede consultar íntegramente la colección de Anville y el corpus de portulanos. El Servicio hidrográfico de la Marina y las series del fondo general se están sometiendo a la digitalización. Destacable también la cartografía de África, Europa, Japón y de la propia Francia.

Gallica (Cartes)

Proyecto georrefenciador de la Biblioteca Británica

El proyecto de Georreferenciador de la British Library es un proyecto de crowdsourcing de datos sobre ubicaciones para hacer localizables sus vastas colecciones de mapas utilizando la geotecnología.

Proyecto georrefenciador de la Biblioteca Británica

Colección de mapas de la Library of Congress

La colección de mapas de la Library of Congress muestra la amplia variedad de entornos físicos y variedad de elementos culturales para las áreas geográficas en un determinado momento.

Colección de mapas de la Library of Congress

Colección de mapas y planos del Archivo General de Simancas

Colección de Mapas, Planos y Dibujos del Archivo General de Simancas.

Colección de mapas y planos del Archivo General de Simancas

Imagen superior cortesía de Shutterstock

Fonte: Comunidad Baratz

Aplicativo disponibiliza primeiras HQs brasileiras gratuitamente

REPRODUÇÃO DA CAPA DO ORIGINAL, DO COLECIONADOR ATOS EICHLER, QUE GENTILMENTE CEDEU SEU EXEMPLAR PARA A EDIÇÃO DESTA OBRA DO ROMANCISTA JOSÉ DE ALENCAR, RECRIADA EM ILUSTRAÇÕES DO GRANDE PINTOR E DESENHISTA FRANCISCO ACQUARONE. (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Lu e Vitor Cafaggi, Marcello Quintanilha, Fábio Moon e Gabriel Bá, Marcelo D’Salete, Adriana Melo. São muitos os quadrinistas brasileiros que hoje fazem sucesso aqui e no exterior. Mas você já se pegou imaginando quem foram os precurssores desse mercado e como eram primeiras HQs do Brasil?

Uma parceria entre o aplicativo Social Comics e o Senado Federal permite que você leia na íntegra e gratuitamente uma versão digital dos primeiros quarinhos do país. Nhô-Quim, O Tico-Tico e O Guarani são as primeiras obras disponibilizadas pela iniciativa, que visa popularizar o acesso a referências históricas do Brasil.

Publicada na revista Vida Fluminense em 30 de janeiro de 1869, Nhô-Quim é considerada a primeira história em quadrinhos brasileira e também uma das mais antigas do mundo. Na época, as histórias criadas pelo italiano Angelo Agostini eram divididas em capítulos nas páginas centrais da revista — e parte desse acervo foi recuperado para ser lido através do aplicativo.

AS AVENTURAS DE NHÔ QUIM OU IMPRESSÕES DE UMA VIAGEM À CORTE (FOTO: ANGELO AGOSTINI)

Muito antes do Superman, o Brasil já tinha o seu primeiro herói nacional dos quadrinhos infantis, o Juquinha. Publicado em 14 de fevereiro de 1906 na revista O Tico-Tico, o personagem foi criado por J. Carlos, como era conhecido o chargista, ilustrador e designer brasileiro José Carlos de Brito e Cunha. O autor também foi responsável por criar o personagem Giby, o primeiro afro-brasileiro dos quadrinhos, que era companheiro de Juquinha e foi tão marcante que o seu nome se tornou sinônimo de HQ no Brasil.

No app, está disponível a obra Memórias d’O Tico-Tico – Juquinha, Giby e Miss Schocking, que reúne as primeiras experiências gráficas de J. Carlos, com texto e pesquisa de Athos Eichler Cardoso. As imagens foram restauradas por Josias Wanzeller da Silva.

MEMÓRIAS D’O TICO-TICO – JUQUINHA, GIBY E MISS SHOCKING (FOTO: DIVULGAÇÃO)

A terceira obra disponibilizada no app é a adaptação da obra de José de Alencar O Guarani. Lançada em 1937, a história foi ilustrada pelo historiador de arte F. Acquarone. No Social Comics, os leitores têm acesso ao volume 235 com 122 páginas.

REPRODUÇÃO DA CAPA DO ORIGINAL, DO COLECIONADOR ATOS EICHLER, QUE GENTILMENTE CEDEU SEU EXEMPLAR PARA A EDIÇÃO DESTA OBRA DO ROMANCISTA JOSÉ DE ALENCAR, RECRIADA EM ILUSTRAÇÕES DO GRANDE PINTOR E DESENHISTA FRANCISCO ACQUARONE. (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Todos os materiais do Senado apresentam matérias especiais e conteúdos extras sobre a importância histórica de cada um deles.

Similar à Netflix, a Social Comics é um serviço de streaming de quadrinhos com mais de 5 mil obras em seu acervo e permite que o leitor crie contas gratuitas ou por assinatura. As primeiras HQs brasileiras estão disponíveis para todos os tipos de conta, mas outros conteúdos podem ser conferidos a partir de R$14,90 ao mês. Turma da Mônica, Disney/Pixar, The Walking Dead, Valiant, Estranhos no Paraíso e 10 Pãezinhos são algumas das marcas disponíveis no app.

Fonte: GALILEU

O arquivo online de quadrinhos antigos em domínio público

Texto por André Cabette Fábio

Digital Comic Museum permite pesquisar por editora ou mesmo buscar quadrinhos em inglês publicados em jornais. Acervo vai até o final dos anos 1950

IMAGEM PRESENTE NA CAPA DO GIBI BRIDE’S DIARY
Foto: Reprodução

Lançado em 2010, o site Digital Comic Museum é um repositório online de quadrinhos em inglês criados até o final da década de 1950 e disponíveis já em domínio público, o que permite sua reprodução.

O site pede que usuários se registrem antes de baixar os quadrinhos. Isso pode ser feito de forma gratuita. Também é possível lê-los online.

Ele não traz clássicos de grandes franquias famosas, como DC e Marvel. Mas traz uma lista de editoras de quadrinhos e também uma sessão dedicada exclusivamente a quadrinhos publicados em jornais.

Entre eles está a tirinha Brainy Bowers, publicada entre 1903 e 1905. Ela conta a história de um homem engenhoso, que veste um chapéu cônico, como o de um mago, e cria soluções originais para os problemas que encontra.

HISTÓRIA BRAINY BOWERS, PUBLICADA NO INÍCIO DO SÉCULO 20
Foto: Reprodução

Também é possível encontrar publicações de super-heróis alternativos que não atingiram sucesso suficiente para serem comprados e mantidos por grandes editoras, como o super herói Black Cobra, publicado entre 1954 e 1955.

Ou a história Bride’s Diary, publicada entre 1955 e 1956, que conta dramas amorosos do ponto de vista de donas de casas.

CAPA DE GIBI DO BLACK COBRA
Foto: Reprodução

Fonte: Nexo

O PAPEL SOCIAL DA BIBLIOTECA PÚBLICA FRENTE AOS RECURSOS INFORMACIONAIS DIGITAIS

Em um país como o Brasil a maioria das pessoas não sabe ou não compreende a função da biblioteca na sociedade

Livro da editora Peirópolis analisa a estrutura narrativa dos quadrinhos

Por Samir Naliato

A editora Peirópolis lançou o livro Estrutura Narrativa nos Quadrinhos – Construindo sentido a partir de fragmentos (formato 16,8 x 23,8 cm, 208 páginas, acabamento brochura, R$ 62,00), escrito por Barbara Postema.

Já está à venda na Amazon Brasil com desconto.

Neste livro, a autora busca explicar como os quadrinhos se comunicam e criam o significado, com destaque para dois aspectos da linguagem. Primeiro, sua qualidade pictórica, que recebe mais ênfase em relação aos elementos verbais-textuais. Em seguida, a autora enfoca a narrativa e suas características nos quadrinhos, assim como a análise literária proporcionada por eles.

A “estrutura narrativa” refere-se ao potencial das imagens, às funções narrativas dos quadros e à sua sequência, além dos conceitos narratológicos mais tradicionais.

Barbara apresenta uma fundamentação para a maneira como os quadrinhos estruturam suas narrativas. Em cada nível de significação, eles se apoiam em lacunas e ausências para construir sentido e guiar o leitor em uma experiência significativa.

O livro tem prefácio do professor e pesquisador Waldomiro Vergueiro e é publicado com o Observatório de Histórias em Quadrinhos da ECA-USP.

Estrutura Narrativa nos Quadrinhos

Fonte: UNIVERSO HQ

Esta enciclopédia online coleta dados sobre mídias obsoletas

Texto por André Cabette Fábio

Plataforma ‘Museum of Obsolete Media’ é tocada por professor britânico, que começou a pesquisar assunto em 2006

Disco de vinil, fita cassete compacta, microcassete, laserdisc, betamax, WAV, WMA, DVD ou blu-ray são apenas alguns dos vários formatos usados no decorrer do tempo para gravar arquivos de áudio.

No início de 2006, o bibliotecário e professor britânico Jason Curtis começou a estudar o assunto, e coletar informações sobre diferentes formatos usados para armazenamento de dados. Ele organizou o que aprendeu em uma plataforma online chamada Museum of Obsolete Media.

No site, ele escreve que o assunto interessou a ele quando percebeu que muitos dos formatos que havia conhecido quando mais jovem, como fitas de vídeo, fitas cassetes e disquetes, estavam desaparecendo. “Alguns eram substituídos por outros arquivos, porém, cada vez mais, sem nenhum formato físico, à medida que o conteúdo passa a ser entregue por meio da internet.”

Ele afirma que nesse processo se surpreendeu com a quantidade de formatos existentes. “Conforme a coleção crescia, eu ficava sabendo de mais e mais formatos dos quais eu nunca tinha nem ouvido falar, e a vontade de colecioná-los aumentou. A coleção nunca ficará completa, já que muitos formatos são tão raros que é difícil achar informações sobre eles.”

A coleção traz formatos conhecidos, assim como obscuros, e é dividida em:

Áudio, como o “magnabelt”, uma cinta magnética usada para gravar vozes, lançada pela IBM em 1961.

FOTO: REPRODUÇÃO MAGNABELT, LANÇADO PELA IBM EM 1961

Formatos de vídeo, como o TeD, ou television electronic disc, um formato lançado em 1975 pela Telefunken e pela Teldec na Alemanha Ocidental, com capacidade para 10 minutos de vídeos em cores.

FOTO: REPRODUÇÃO TELEVISION ELECTRONIC DISC, LANÇADO EM 1975 POR TELEFUNKEN E TEDEC

Formatos de dados, como o Miniature Card, lançado em 1995, com capacidade de até 64 megabytes e compatibilidade com os formatos ROM, DRAM e SRAM. Ele concorria com CompactFlash e SmartMedia.

FOTO: REPRODUÇÃO MINIATURE CARD, LANÇADO EM 1995

Formatos de filmes, como o VistaScreen, lançado em 1955 por uma empresa britânica homônima e usado para visualizar fotografias ou ilustrações 3D.

FOTO: REPRODUÇÃO VISTASCREEN, LANÇADO EM 1955 POR EMPRESA HOMÔNIMA EXPRESSO O arquivo de fotografia criado coletivamente por colombianos

Fonte: NEXO JORNAL

Dessacralizar e desmistificar o livro

Um dos últimos posts que escrevi foi sobre como o desenvolvimento de coleções é importante para bibliotecas e sobre como algumas pessoas se surpreendem pelo fato de livros irem para o lixo às vezes: muitas pessoas bem intencionadas acreditam que livros, apenas por serem livros, precisam ser armazenados e disponibilizados ao público, independentemente de avaliação.

Por que isso acontece?

A sacralização, ou mistificação, do livro ocorre quando alguém — uma pessoa ou uma instituição — coloca o objeto livro como foco de preocupação. Esta atitude procura estabelecer uma forma de valorização do livro, mesmo que enquanto objeto, e de todas as funções a ele relacionadas, como a leitura e a educação. Contudo, há mais prejuízos do que benefícios em tal abordagem.

Valorizar o livro (e consequentemente a leitura) se diferencia da sua mistificação, pois o segundo se atém ao objeto.

Ao tratar o livro como objeto sacralizado, todas as atividades a ele relacionada ficam impossibilitadas de serem questionadas. O seu descarte enquanto lixo, como visto na postagem anterior, se torna motivo de preocupação e ansiedade — além de se transformar em polêmica midiática — sem que se sejam entendidos (ou sequer cogitados) os motivos que levaram alguém ou alguma instituição a tomar a decisão. Com a abordagem mistificadora, o objeto incorpora em si próprio toda uma gama de significado, e, ao atacar o objeto, entende-se que o que está sendo atacado são os significados incorporados. No caso do livro, dizer que um deles é lixo pode vir a ser entendido que “Educação” e “Cultura”, por exemplo, podem ser também considerados lixo.

Já na valorização do livro, o que tem peso — seja financeiro, emocional, afetivo, cultural, social, educativo — não é apenas o objeto. Valorizar o livro, em contraposição a mistificá-lo, significa reconhecer a importância de cada uma das esferas que o objeto toca: livros são importantes, sim, mas porquebibliotecas são importantes, porque o ensino é importante, porque a cidadania cultural é importante, porque o lazer é importante. Valorizar um livro deveria significar colocá-lo em perspectiva de todas as implicações a ele relacionadas. Valorizar um livro significa explicar que “Este livro é importante porque…”.

Aquilo que é mistificado não pode ser criticado ou questionado — ou apenas sob duras penas de estigmatização. Qualquer dúvida levantada sobre o livro, quando objeto sagrado, é recebida sob vaias e acusações de iconoclastia. Tudo aquilo que é sacralizado ou mistificado se torna mais distante do real.

E o prejuízo desta falta de criticidade se dá na dificuldade de dialogar sobre prioridades, valores e ações de valorização.

Não sacralizar, mas valorizar

Para discutirmos o valor de um livro, é necessário, de antemão, reconhecer que diferentes atores atribuirão diferentes valores a esta classe de objetos: há quem veja livros como a salvação da sociedade; há quem nunca sentiu falta de ler livros em seu cotidiano.

Somente a partir do momento em que reconhecemos a existência de uma gama de valores atribuída ao livro é que podemos pensar sobre como organizar recursos para definir prioridades: bibliotecas escolares, livros de literatura, publicações científicas, livros acessíveis… qual deles é o mais importante, ou o mais prioritário? Em que momento e para quem? As perguntas são necessárias, pois recursos (inclusive tempo) são escassos e se há mais de uma prioridade, o senso de importância passa a ser dividido, logo, diminuído.

Simplesmente afirmar “Livros são importantes”, como se qualquer livro fosse tão relevante quanto qualquer outro em qualquer contexto, acaba por diluir justamente o debate sobre prioridades. E bibliotecários deveriam ser os primeiros a fomentar a desmistificação do livro, pois para cada leitor há um livro, e há um livro para cada leitor.

Inclusive é bastante problemático delegarmos apenas aos livros (e à leitura) valor cultural. Estou olhando pra vocês, pessoal da Biblioteconomia.

Uma cultura (elitista) baseada em leitura

É inegável que discutir acesso à leitura é discutir elitismo. Em uma população não-leitora, quem tem acesso corriqueiro a livros são poucos e, provavelmente, é quem tem recursos financeiros para manter este luxo. Infelizmente, no Brasil, quem pode ter acesso a livros acaba por preferir comprá-los a usar bibliotecas (e, logo, lutar por bibliotecas melhores).

E valorizar livros (não apenas mistificá-los) está diretamente relacionado com a ideia de que há uma “alta” e uma “baixa cultura”.

Sim, livros são realmente importantes, estimulam a aquisição de vocabulário, estimulam a memória, permitem registrar conhecimento de uma forma duradoura jamais vista antes na história da humanidade. Livros são ótimas ferramentas para estudo e lazer, em grupo ou solitariamente.

Mas livros não são tudo — e entra aqui novamente a provocação sobre a valorização do livro e a função das bibliotecas.

Livros não são tudo, porque não é apenas o acesso ao livro que permite alguém a desenvolver sua cidadania cultural. Livros não são tudo, porque não é apenas a criação de bibliotecas estipulada por lei que as fará serem boas a quem as usa. Bibliotecas não são depósitos onde as pessoas vão absorver conhecimento.

E livros, eventualmente, podem ser vistos erroneamente como objetos para absorção de conhecimento.

Grupos de estudo, grupos de debate, grupos de trocas culturais, grupos para diversão, além de propiciar um espaço seguro e acolhedor para se pensar criticamente sobre diferentes mídias e ferramentas (músicas de diferentes estilos, noticiários de diferentes linhagens políticas, propagandas em diferentes formatos e persuavisidades, revistas de diferentes especialidades, aplicativos com os mais diferentes fins, para citar apenas alguns)… Bibliotecas podem, e deveriam, fazer tudo isso. Mas infelizmente o que se vê é a ideia de que livros são a solução para todos nossos males — e que o serviço principal de bibliotecas deve ser oferecer o acesso a livros. Ao falarmos sobre valorização de livros, precisamos falar sobre valorização de culturas — de toda sua gama: cultura de massa, cultura oral, cultura popular, cultura erudita, cultura visual, cultura material, cultura imaterial.

Ao falarmos apenas sobre valorizar o livro, corremos o risco de enaltecê-lo apenas como objeto (e, logo, mistificá-lo). Ou seja: perdemos a oportunidade de defender o acesso à cultura na qual cada pessoa tem interesse em participar. Defender apenas a cultura escrita e erudita — defender o livro como objeto — nos afasta de todas as outras possibilidades educativas, criativas e recreativas que temos (ou deveríamos ter) à nossa disposição.

Fonte: Tecnologias e Ciências da Informação – BLOG DE FERNANDO P. BIBLIOTECÁRIO

Livro: tradição & inovação

Marisa Midori Deaecto é professora de História do Livro na Escola de Comunicações e Arte (ECA) da USP

Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Conta-se que logo após a impressão das primeiras Bíblias, no então desconhecido ateliê tipográfico de Johannes Gutenberg, situado na pequena Mogúncia (atual Mainz), seu sócio e avalista Johan Fust correu para Paris com uma dúzia de exemplares, a fim de converter em dinheiro os livros recém-impressos. No velho Quartier Latin, onde pulsava uma vida universitária e a economia do livro manuscrito medrava, a desconfiança foi enorme. Um homem germânico de posse de uma dúzia de Bíblias idênticas? Isso só poderia ser coisa do demônio! Não demorou Fust passar por Faust… e fugir de Paris. Um quarto de século mais tarde, a mesma Paris dos mestres copistas, encadernadores, livreiros e pergaminheiros, viria a ser um dos principais centros tipográficos da Europa.

Não há inovação que se imponha sem desconfianças e resistências.

A Bíblia de Gutenberg, a famosa Bíblia de 42 linhas – o fac-símile acaba de ser publicado pela editora Taschen, sob a direção de Stephen Füssel – consiste em um testemunho material eloquente dos meios e do esforço aplicado por seu criador para que aquele livro, detentor de uma revolução sem precedentes, reproduzisse, sem maiores alardes, as Bíblias manuscritas então em voga. É que a inovação técnica, para Gutenberg, não teria valor se não correspondesse à tradição, ao gosto dos leitores.

Todavia, ninguém duvidará, como bem afirma Frédéric Barbier[1], em estudo recém-publicado no Brasil, que a invenção da imprensa significou “a primeira revolução midiática” do Ocidente, ao abalar toda a estrutura do sistema de comunicação e da própria sociedade, em meados do século XV. De modo análogo, uma nova revolução no sistema de comunicação se anuncia, há pelo menos duas décadas. Passado e presente nos convidam a refletir sobre o impacto das tecnologias de informação e comunicação sobre o livro.

A maior invenção do novo milênio aparece sob a forma do livro digital, ou e-book. Os suportes eletrônicos apresentam muitas qualidades em relação aos livros: em um mesmo objeto podemos armazenar bibliotecas tão extensas que não poderão ser lidas no espaço de uma vida; eles são leves e portáteis, tanto quanto os celulares, os quais, na verdade, têm se mostrado muito mais úteis, até para a leitura; a tela é iluminada, o que permite ler em qualquer ambiente. Entre essas e muitas outras vantagens, vale dizer que o livro eletrônico não se desprendeu do livro tradicional no que toca às formas de leitura. Ele simula o barulho da folha, reconstitui a composição da página impressa e a estrutura do texto impresso. Talvez porque a tradição, no caso das práticas de leitura, seja mais resistente a mudanças do que a própria concepção do objeto. Embora o e-book pudesse ser nomeado de qualquer coisa, não fosse a força da palavra-ideia livro.

Esses suportes têm sido alvo de tantas comparações que, hoje em dia, é difícil tomar um partido seguro. Livros eletrônicos e textos digitais compõem a vida de leitores e leitoras de diferentes gerações, tão naturalmente quanto os livros e os textos impressos. Seria um erro afirmar que texto e livro se confundem, da mesma forma que não se pode demonizar nenhuma dessas mídias. Os textos são inerentes aos suportes, poder-se-ia mesmo admitir que os suportes compõem textualidades, de tal forma que o continente não se aparta do conteúdo. E todos esses elementos se integram e interagem em um mesmo sistema midiático.

No velho Quartier Latin, onde pulsava uma vida universitária e a economia do livro medrava, a desconfiança foi enorme. Um homem germânico de posse de uma dúzia de Bíblias idênticas? Isso só poderia ser coisa do demônio! Não demorou Fust passar por Faust… e fugir de Paris

Notemos que da mesma maneira que Gutenberg se esforçou para guardar no livro impresso os componentes de uma tradição manuscrita, também as novas tecnologias se esforçam para preservar o que há de melhor na tradição do impresso. As tecnologias tornaram até mesmo possível o acesso ilimitado e sem fronteiras aos livros depositados nas bibliotecas do mundo!

Então, por que ferir a tradição e forçar o tempo?

A inovação que representou o livro impresso se ancorou nas sociedades desenvolvidas, para então se difundir na direção das semiperiferias e periferias em escala mundial. O movimento é lento, sobretudo quando se trata de atingir as camadas leitoras de uma dada sociedade. Leitores se apoiam na tradição, pois as próprias instituições formadoras – desde as escolas primárias até as próprias bibliotecas – são resistentes às transformações. É preciso respeitar o tempo e as tradições de cada cultura.

O próprio mercado sinaliza essa realidade: os livros impressos superam em produção e vendas os e-books. Porém, em alguns circuitos não faz sentido insistir nos velhos e ultrapassados códices, particularmente nos setores universitários, cujas pesquisas, fortemente associadas às demandas da indústria e do consumo de tecnologias, consistem justamente em forçar o tempo e desafiar a tradição.

Não há inovação que se imponha sem desconfianças e resistências

Diante de realidades às vezes discrepantes, o que fazer? Impor uma mídia sobre a outra? Fechar as livrarias, exigir das editoras um compromisso maior com os livros eletrônicos, alterar o tempo de aprendizado dos leitores, obrigar toda uma sociedade a ler a fórceps?

Outro paralelo. Sabe-se que durante a Revolução Francesa as bibliotecas principescas e religiosas foram saqueadas, pois elas simbolizavam um passado e um regime que deveriam ser superados. O que foi feito dos livros? Eles foram acomodados em modernas bibliotecas públicas, mantidas pelos municípios. Mutatis mutandis, podemos dizer que no processo revolucionário, o caminho mais sábio é aquele que tira partido da tradição em proveito do desenvolvimento e do progresso.

É preciso converter a tecnologia para o bem da cultura. Livros impressos são ainda necessários, tanto quanto as livrarias. Eles disponibilizam materialmente um mundo ainda pouco desbravado pelos jovens leitores brasileiros, muitos deles ingressantes nas universidades. E isso não se faz em detrimento das mídias eletrônicas e dos novos suportes, elas conformam hoje um circuito paralelo e igualmente rentável.

Porém, sabemos que o sucesso da inovação no campo da leitura só é possível sobre um terreno bem cimentado de leitores. Noutros termos, não há inovação que se imponha sem uma tradição bem fundada.

[1] Frédéric Barbier, A Europa de Gutenberg. O Livro e a Invenção da Modernidade Ocidental (Séculos XIII-XVI). São Paulo: Edusp, 2018.

Fonte: Jornal da USP

A cartografia do Brasil nas coleções da Biblioteca Nacional (1700-1822)

A cartografia Cartografia do Brasil nas colecções da Biblioteca Nacional foi um projecto de levantamento e descrição da cartografia manuscrita e impressa relativa ao Brasil, existente nas colecções das Áreas de Cartografia, Iconografia e Divisão de Reservados da Biblioteca Nacional. O projecto, da responsabilidade da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses e da Biblioteca Nacional, foi desenvolvido ao longo de dois anos (1998-2000) no âmbito das comemorações dos 500 anos da descoberta do Brasil.

O objectivo principal do projecto foi conhecer e divulgar a documentação cartográfica existente nas colecções da Biblioteca Nacional. Foram objecto de levantamento sistemático os documentos cartográficos, manuscritos e impressos, das colecções de Reservados, de Cartografia e de Iconografia. O período cronológico abrangido situou-se entre 1700 e 1822. A partir de 1700, pelo facto do século XVIII ser, por excelência, o tempo do Brasil na História da Cartografia Portuguesa; até 1822 porque a data da independência do território constitui, por si só, um marco cronológico com repercussões na responsabilidade e origem da cartografia oficial posterior . 

Do levantamento realizado foram identificados e seleccionados trezentos e setenta e nove mapas, que deram origem a trezentas e trinta e três descrições bibliográficas, uma vez que alguns mapas se encontram subordinados a um título comum e, por essa razão, foram descritos em segundo nível. São mapas de autores portugueses e estrangeiros, incluindo reedições e variantes do mesmo mapa. Trata-se de um conjunto de mapas avulsos e de mapas oriundos de diferentes tipos de publicações, tais como livros de viagens, histórias gerais, atlas ou, ainda, mapas soltos ou conjuntos de mapas, que foram retirados das obras em que foram originalmente publicados. Foram contemplados os mapas desde a escala da planta de edifício até à escala da inserção do Brasil na América do Sul. 

Este Projecto contou com a coordenação científica do Professor João Carlos Garcia, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e com a colaboração de especialistas de diferentes áreas do saber, designadamente com uma equipa de investigadores e bolseiros da Comissão Nacional para os Descobrimentos Portugueses das áreas de História da Cartografia, História do Brasil e Geografia Histórica; na Biblioteca Nacional, contou com a coordenação biblioteconómica da responsável da Área de Cartografia e envolveu uma equipa de funcionários, de diferentes áreas, entre os quais, os Bibliotecários que têm a seu cargo as colecções estudadas.

Procurou-se, assim, que a comunidade científica pudesse contar com uma obra de referência que disponibilizasse toda a informação resultante do estudo das colecções analisadas, informação essa que foi disponiblizada, de uma forma organizada e sistemática, de acordo com as normas internacionais em vigor, ISBD-CM (International Standard Bibliographic Description for Cartographic Materials).

Os resultados deste projecto consubstanciaram-se nas seguintes publicações e eventos: 

Este catálogo tem por base um levantamento sistemático realizado nas colecções especiais da Biblioteca Nacional (Reservados, Iconografia e Cartografia). Foram identificados e seleccionados 379 mapas, que deram origem a 333 descrições bibliográficas, uma vez que alguns mapas se encontram subordinados a um título comum e, por essa razão, foram descritos em segundo nível. São mapas de autores portugueses e estrangeiros, incluindo reedições e variantes do mesmo mapa. Trata-se de um conjunto de mapas avulsos e de mapas oriundos de diferentes tipos de publicações, tais como livros de viagens, histórias gerais, atlas ou, ainda, mapas soltos ou conjuntos de mapas, que foram retirados das obras em que foram originalmente publicados. Foram contemplados os mapas desde a escala da planta de edifício até à escala da inserção do Brasil na América do Sul.

Acesse a página do projeto A cartografia Cartografia do Brasil nas colecções da Biblioteca Nacional”

A Cartografia do Brasil nas Colecções da Biblioteca Nacional (1700-1822) | Exposição

No caso do Brasil, o processo ideológico de identificacão do território de colonização portuguesa com a “Nova Lusitania” está indissociavelmente ligado à sua crescente importancia política e económica, que se verificou ao longo dos séculos XVII e XVIII, processo esse que ocorreu paralelo às sucessivas tentativas de atribuição de identidade e a construção do sentimento de unidade espacial, manifestando-se no pensamento político, na produção historiográfica, geográfica e cartográfica. 

A exposição A Nova Lusitânia, que esteve patente na Biblioteca Nacional entre 23 de Novembro de 2000 e 21 Fevereiro de 2001, foi um dos resultados mais relevantes do projecto de inventariação da cartografia setecentista do Brasil, tendo permitido divulgar a qualidade e a diversidade dos mapas que se guardam na Biblioteca Nacional a um público mais vasto. 

De um universo de mais de trezentos mapas foram seleccionados cerca de oitenta de entre os mais representativos, na sua maioria mapas impressos, mas também alguns manuscritos. Foram, assim, expostos quer mapas avulsos, quer mapas insertos em atlas ou outras obras, como descrições geográficas, livros de viagens, relatos de embaixadores, de militares ou de viajantes, de grande e de pequena escala, e de dimensões diferentes, que incluem desde pequenos mapas, que servem de ilustrações de livros, aos grandes mapas parietais da América do Sul. 

Os mapas seleccionados foram organizados em cinco núcleos, em que procurámos reconstituir dentro da Biblioteca Nacional outras tantas bibliotecas setecentistas, onde cada um dos mapas, ou dos volumes que os contêm, poderiam ter estado antes de chegar até nós. 

Guião: http://livrariaonline.bnportugal.pt/Issue.aspx?i=22194

Gravuras (D. 118 R e C.C. 1690 A): adquirir fac-símiles das duas gravuras em http://livrariaonline.bnportugal.pt/Issue.aspx?i=22195; consultar cópia digital dos dois documentos originais em: http://purl.pt/881 e http://purl.pt/898.

Publicação baseada no texto de Paulo Roberto Almeida

Fonte: Diplomatizzando

O acervo biográfico que conta a história mundial da fotografia

O chamado ‘Catálogo de Identidades Fotográficas’ da Biblioteca Pública de Nova York permite buscar fotógrafos por país, gênero, processo fotográfico e ano de atuação

RETRATO DE UM BOULEVARD DE PARIS FEITO PELO PIONEIRO LOUIS DAGUERRE, EM 1838
Foto: Reprodução

Graças a trabalhos de digitalização de acervo, encontrar fotos do século retrasado acessíveis na internet deixou de ser uma tarefa complicada. Uma base on-line, no entanto, se dedicou a um objetivo um pouco distinto: deixar ao alcance virtual do público não as fotografias propriamente, mas o maior número de informações a respeito de quem deu vida a elas.

É o que faz o Catálogo de Identidades Fotográficas – ou PIC, na sigla em inglês – da Biblioteca Pública de Nova York com seu acervo biográfico com registros de mais de 120 mil fotógrafos e coleções. O trabalho, capitaneado pelo especialista em fotografia da instituição David Lowe, levou 13 anos para ficar pronto.

A base, cuja primeira versão foi ao ar em 2016, coleciona uma gama de informações sobre fotografias do mundo inteiro desde 1687. Entre elas, além do nome de cada fotógrafo – empresa ou coletivo – é possível filtrar a busca pelo seu gênero, nacionalidade, país onde nasceu, trabalhou ou morreu.

É possível ainda escolher os dados pelo processo fotográfico utilizado (daguerreótipo, gelatina de prata etc), formato das imagens (cartões-postais, foto estereoscópica etc), ou pelas fontes que providenciaram os dados a respeito do fotógrafo ou pelo nome da instituição responsável pelo seu acervo.

Embora se anuncie como uma base de dados biográficos de fotografia de potencial interesse a “historiadores, estudantes, genealogistas ou qualquer amante da história da fotografia”, ela talvez despertasse pouco interesse, não fosse sua “interface experimental” intuitiva e fácil de usar.

Os filtros podem ser selecionados em uma lista na barra lateral à esquerda, enquanto os resultados aparecem em uma tela ao centro. Em paralelo, um mapa exibe com setas coloridas os pontos onde o fotógrafo buscado nasceu, trabalhou, instalou-se em estúdios próprios e, por fim, morreu.

A base permite a busca até de fotógrafos responsáveis por registros em imagens feitas fora do planeta – representados no mapa pela lua do filme “Viagem à Lua” (1902), do pioneiro do cinema George Méliès – como é o caso do astronauta americano Buzz Aldrin, autor da primeira selfie feita no espaço, em 1966.

MAPA DE ACERVO BIOGRÁFICO MOSTRA LOCAIS ONDE FOTÓGRAFOS NASCERAM, TRABALHARAM E MORRERAM
FOTO: REPRODUÇÃO/PIC/NYPL

Para ajudar na exploração, a biblioteca também preparou um glossário com os processos fotográficos, bem como uma linha do tempo sobre a história da fotografia.

No site do catálogo, a biblioteca lista todas as fontes biográficas usadas na base de dados, a qual também está disponível para download gratuito pelo Github. Para constar na base, o fotógrafo precisa ser listado como autor de trabalhos fotográficos por um museu reconhecido ou ser amplamente conhecido (nesses casos, a biblioteca faz uso de informações presentes em bases como a da Wikipedia).

Do Brasil

O acervo contempla mais de 1,1 mil fotógrafos de nacionalidade brasileira, na grande maioria homens. Entre eles, Chichico Alkmim (1886-1978), Claudio Edinger (1952), Bob Wolfenson (1954) e Sebastião Salgado (1944).

Entre as mulheres, aparecem nomes como Regina Vater (1943), Claudia Andujar (1931), Cláudia Jaguaribe (1955) e Adriana Varejão (1964). 

Texto por Murilo Roncolato

Fonte: Nexo

UFSCar promove exposição com cartões postais do acervo de Florestan Fernandes

Mostra, que é aberta ao público, pode ser visitada até o dia 13 de abril

Exposição está disponível no Piso 5 da Biblioteca Comunitária da UFSCar (Foto: Divulgação BCo)

No âmbito da programação especial de recepção dos novos estudantes da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) – a Calourada 2018 -, o Departamento de Coleções de Obras Raras e Especiais (DeCORE) da Biblioteca Comunitária (BCo) da Universidade promove a exposição “Florestan Fernandes: viagens contadas a partir de postais”. A mostra apresenta um total de 105 postais que o sociólogo Florestan Fernandes (1920-1995) – considerado o fundador da Sociologia Crítica no Brasil – recebeu ao longo de sua vida de amigos, alunos e intelectuais.  

Os cartões expostos na Biblioteca são de mais de 20 países diferentes, dentre os quais se destacam Afeganistão, África, Áustria, Cuba, Dinamarca, Espanha, França, Índia, Itália, Portugal e Ucrânia. A exposição é gratuita, aberta a todas as pessoas interessadas e pode ser visitada até o dia 13 de abril, de segunda a sexta-feira, das 8 horas às 17h45, no Piso 5 da BCo, localizada na área Norte do Campus São Carlos da UFSCar. Mais informações podem ser obtidas no Portal da Biblioteca ou pelo telefone (16) 3351-8428.

Fonte: A Cidade ON / São Carlos

Por que quadrinhos?

Texto por Érico Assis

Uma das missões autoimpostas desta coluna é responder: “Por que quadrinhos?”. E responder não a quem tem paredes forradas de gibi, mas ao leitor relativamente recém-chegado. Quem sabe àquele leitor de literatura que ainda tem medo de colocar o pé nesse laguinho, mas que ouviu dizer que rola boas leituras nas HQs. Até porque, por exemplo, a editora do José Saramago, do George Orwell, da Patti Smith, da Svetlana Aleksiévitch e do Daniel Galera também publica quadrinhos, e a maioria não é para criança.

Não sou o único que faz isso. Tem algum elemento mal explicado nessa cultura dos quadrinhos que faz os leitores virarem evangelizadores, batendo na porta dos que ainda não conhecem a palavra + desenho. Tem um pouco de síndrome de vira-lata nisso aí. Talvez seja viralatismo fingido, talvez – com os filmes derivados fazendo bilhões e os selos de quadrinhos em editora de respeito – seja desnecessário ficar evangelizando. Mas enfim.

O caso é que a Hillary Chute lançou mais um livro. A proposta do livro parece ser da evangelização e o público-alvo tem todo jeito de ser aquela figura intelectualizada, grande leitor de prosa, que está em dúvida quanto ao maiô ou sunga para entrar no supracitado laguinho. (Resposta: venha com a roupa que quiser; não é um laguinho.) E Chute batizou o livro com o nome mais bonito e sintético que se pode ter pra essa missão: Why Comics?, “Por Que Quadrinhos?”.

Já falei da autora por aqui. Em 2014, ela lançou um livro de entrevistas com os luminares dos quadrinhos dos EUA. Fora outros dois livros sobre HQ e várias matérias que publica por aí, também foi ela que tirou MetaMaus do Art Spiegelman – o livro cuja espinha dorsal é uma longa entrevista entre ela e o autor de Maus (e que sairá pela Companhia algum dia).

Chute sabe quais autores e quais HQs quer apresentar aos evangelizados. E confia que o burburinho sobre algumas delas já chegou aos ouvidos desse público: “parece que tem muita autobiografia, né?”; “tem muita história com doença”; “não tem super-herói em tudo?”; “tem bastante história gay”; “é meio pornô, né?” O sumário serve de guia para responder essas dúvidas, com nomes de capítulos em forma de perguntas: “Why superheroes?” (por que super-heróis?), “Why sex?” (por que sexo?), “Why queer?” (por que elegebetequetcetera?).

A cada pergunta, Chute faz um apanhado do que esse tema tem de histórico nos quadrinhos (norte-americanos, sobretudo) antes de focar em uma ou duas obras que analisa com mais profundidade. O primeiro capítulo, “Why disaster?” (por que desastres?), enfoca Art Spiegelman de Maus a À sombra das torres ausentes, fazendo um paralelo com Gen, o relato em primeira pessoa da bomba atômica em Hiroxima, por Keiji Nakazawa. “Why sex?” conta a história dos Crumb – Robert e Aline Kominsky, que expõe suas safadezas individuais, de casal e coletivas em público desde os anos 1960 – e a visão mais delicada sobre sexo adolescente, de Phoebe Gloeckner em O diário de uma garota normal.

Why the Suburbs?” ressalta que existe uma visão bastante crítica à vida suburbana desde as tiras (Belinda, Peanuts) até obras recentes como Black Hole, de Charles Burns, e Building Stories, de Chris Ware. “Why Cities?” (por que cidades?) cruza American Splendor, de Harvey Pekar, com Love & Rockets, dos irmãos Hernandez. Joe Sacco (“por que guerra?”)Marjane Satrapi, Lynda Barry (“por que minas?”), Allie Brosh (“por que doenças e deficiências?”) e outros e outras têm seu tempinho de holofote crítico.

Chute adora fazer links, pois tem um conhecimento enciclopédico de citações, de curiosidades, de cenas nas obras dos autores e suas biografias. O capítulo “Why punk?”, por exemplo, faz o trajeto coalhado de ramificações que conecta Black Flag, Gary Panter, Os Simpsons, Sonic Youth e a Etsy. A autora também adora fazer fofoca. Quem foi o semifamoso que a Lynda Barry namorou aos 20 e poucos, com quem o Gary Panter dividia apartamento e você sabia que o nome real da Marjane Satrapi não é Marjane Satrapi? (Eu não sabia.) Boas fofocas.

Apesar de os títulos de capítulos terminarem em pontos de interrogação, Chute não dá respostas simples a nenhuma pergunta. Você que tente juntar as pecinhas para confiar no argumento dela de que sexo, subúrbios, punk, desastres e guerras são temas que cruzam muitas HQs.

Quanto à pergunta do título, também não há uma resposta clara. Mas a leitura do sumário já anuncia uma das justificativas que os evangelizadores tentam apontar como ponto forte dos quadrinhos: ela é a mídia marginal por excelência. Ou onde os marginais se reúnem: os punks, as vítimas dos subúrbios e as vítimas das guerras, os doentes e deficientes, as meninas sub-representadas, os/as/xs queer. Todos estes conseguem se mostrar e mostrar os seus, em traço, cor e fala, sem os apetrechos e custo do cinema e sem a pompa da literatura, mas com a vivacidade da representação gráfica embalada em narrativa. Basta papel, caneta e alguma coisa pra botar pra fora.

Por isso, quadrinhos.

* * * * *

Texto por Érico Assis: jornalista, tradutor e doutorando. Mora em Florianópolis e contribui mensalmente com o blog com textos sobre histórias em quadrinhos. Também escreve em seu site pessoal, A Pilha.

Fonte: Blog da Companhia