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Covid-19

Como usar a pandemia em favor da biblioteca

Texto por Liliana Giusti Serra

A pandemia do coronavírus (COVID-19) veio para transformar a vida de todo mundo. Nada e nem ninguém passou ileso, em escalas diversas. Ainda sem previsão do término da situação de pandemia, embora com a retomada de algumas atividades, pessoas e instituições estão se adaptando à nova realidade. Com as bibliotecas não é diferente.

No início da decretação da quarentena muitas atividades foram suspensas. Aos poucos, algumas ações foram voltando adaptadas. Mais de seis meses após o início deste período, é possível identificar se os ajustes feitos deram os resultados esperados e como voltar à normalidade adaptada daqui em diante.

Se por um lado o fechamento de bibliotecas diminuiu a oferta de serviços aos usuários, por outro, podemos encarar este período como uma oportunidade para realizar ações que nem sempre conseguimos fazer em tempos normais. Essa pausa do público presencial pode e deve ser aproveitada para realizar rotinas nos metadados da coleção, inventário e ações de preservação.

Grandes bibliotecas possuem equipes que podem se dedicar exclusivamente para o tratamento e manutenção do catálogo de autoridades e do bibliográfico. Em instituições menores, com equipe reduzida, normalmente todos fazem de tudo um pouco. Padronizar nomes de pessoas, entidades, eventos, títulos uniformes e assuntos é uma ação delicada e precisa ser feita com muito cuidado, principalmente quando as autoridades são trabalhadas, visto que as mudanças afetam diretamente o catálogo bibliográfico.

Leia a matéria completa publicada pela SophiA

¿Qué hay de los bibliotecarios en tiempos de pandemia?

En un entorno educativo crecientemente digital, los bibliotecarios necesitan reevaluar el criterio de habilidades necesarias para seguir ejerciendo.

Texto por Sofía García-Bullé

En 2016, Meredith Schwartz, editora en jefe del Library Journal, escribió un artículo sobre las habilidades que necesitarían los bibliotecarios para adaptarse a las necesidades del siglo XXI, entre ellas, colaboración, comunicación, buen trato con la gente, creatividad, innovación, pensamiento crítico, análisis de datos, flexibilidad, liderazgo, dominio de la mercadotecnia, administración de proyectos y manejo de tecnología. 

Esto fue mucho antes de que el surgimiento del COVID-19 instalara al mundo entero en una situación de aislamiento y medidas preventivas, además de plantear las preguntas, ¿esta lista de habilidades aún es relevante? ¿Cuántas de estas han aplicado las y los bibliotecarios? ¿Han tenido un impacto positivo en la comunidad educativa?

La biblioteca y la comunidad

Las bibliotecas estuvieron entre los espacios más impactados por el aislamiento mandatorio. Hoy en día, no sirven únicamente al propósito de prestar libros, se han vuelto espacios de desarrollo integral y aprendizaje alternativo.

Ahora, en tiempos de pandemia, las bibliotecas han tenido que dejar en segundo plano la función de ser meros repositorios de libros en favor de ofrecer espacios públicos que sirvan como refugio y cubran las necesidades básicas para los miembros de su comunidad. 

Lei a matéria completa publicada pelo Observatorio de Innovación Educativa

Adolescente baianas criam cabine para desinfectar livros e recebem prêmio em competição nacional de robótica

Estudantes criaram a proposta depois de perceberam que livros de bibliotecas deveriam ficar em ‘quarentena’ por 14 dias para novo empréstimo, por causa da Covid-19.

Cabine para desinfecção de livros — Foto: Arquivo Pessoal

Um grupo de estudantes de Candeias, região metropolitana de Salvador, foi uma das equipes premiadas no Desafio SESI de Robótica Covid-19. O objetivo era apresentar propostas inovadoras para o combate à doença e as jovens desenvolveram uma cabine de desinfecção de livros para bibliotecas.

O projeto de Ana Clara Freitas (13 anos), Jade Santos (13 anos), Natália Jesus (14 anos) e Wililane Barbosa (15 anos), que formaram a equipe “Robolife”, ficou entre os 39 melhores, dentre mais de 400 projetos enviados para o concurso. A proposta delas foi eleita a melhor na categoria “Pesquisa”. Elas são estudantes do 9º ano do ensino fundamental.

A ideia das jovens surgiu ao perceberem que livros de bibliotecas tem de passar por uma “quarentena” de catorze dias antes de ser emprestado novamente para outra pessoa. A medida adotada é para evitar a propagação do novo coronavírus.

No entanto, este procedimento atrasa a circulação dos livros. Por isso, as meninas idealizaram uma cabine que utiliza o ozônio como agente desinfetante. A invenção permite que os livros sejam disponibilizados, depois de apenas alguns minutos, sem colocar em risco os profissionais das bibliotecas e os leitores.

Leia a matéria completa publicada pelo G1

Covas assina protocolo para reabertura de museus, teatros e eventos na cidade de SP

Prefeitura só vai liberar retorno, no entanto, quando município avançar para a fase verde do plano estadual de flexibilização. Expectativa é que avanço aconteça na próxima reclassificação, marcada para 9 de outubro.

Texto por Marina Pinhoni e Vivian Souza

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), assinou no início da tarde desta quinta-feira (24) os protocolos de reabertura dos setores de cultura na cidade. As atividades incluem eventos, teatro, museus, exposições, circo e bibliotecas. O protocolo para abertura de cinemas já havia sido assinado.

Embora algumas atividades nesses setores já sejam autorizadas pelo governo estadual para regiões que estão há mais de 28 dias na fase amarela do Plano SP de flexibilização econômica, Covas afirmou que só vai liberar a reabertura quando o município avançar para a fase verde.

A expectativa da gestão municipal é de que a mudança para a fase mais permissiva aconteça na próxima reclassificação estadual, prevista para o dia 9 de outubro. Atualmente, todas as regiões de São Paulo estão na fase amarela.

As regras assinadas nesta quinta autorizam eventos para até 600 pessoas como convenções, seminários, workshops, palestras e feiras, mas as festas continuam temporariamente proibidas. Eventos para mais 600 pessoas precisarão de uma autorização especial da gestão municipal, mas o limite é para até 2 mil pessoas.

“Muito mais do que ter a prefeitura falando o que deve e o que não deve ser feito num momento de retomada, parte do segredo tem sido ouvir cada setor que a gente tem autorizado a reabertura pra dizer de que forma as regras de isolamento, de proteção as pessoas, aos clientes, aos funcionários devem ser observadas”, disse o prefeito.

Leia a matéria completa publicada pelo G1

Biblioteca Municipal reabre para empréstimos e devoluções de livros

Após seis meses com atendimento ao público suspenso devido à pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2), causador da covid-19, a Biblioteca Municipal Martinico Prado está reaberta para empréstimos e devoluções de livros.

O funcionamento do espaço público é das 8h às 17h, de segunda a sexta-feira, respeitando todos os protocolos de higiene e distanciamento social para o combate à covid-19. Os serviços internos, como ajustes do acervo e catalogação de materiais, estavam ocorrendo normalmente no local.

Os usuários não têm acesso ao interior da Biblioteca. Eles são atendidos pelos funcionários na porta do local, que fica do lado da Rua América, respeitando o distanciamento social e a obrigatoriedade de utilização de máscaras, tanto para os funcionários quanto para os leitores.

Segundo a direção, os livros devolvidos pelos usuários serão higienizados e ficarão em quarentena por 14 dias. Após esse prazo, eles estarão disponíveis para empréstimo novamente. No período de paralisação, 568 livros estavam em posse dos leitores da Biblioteca. Ao longo da quarentena, todos os exemplares foram renovados automaticamente, sem a cobrança de multas aos usuários.

Leia a matéria completa publicada pelo Notícias de Araras

As Bibliotecas públicas face à pandemia da COVID-19

Com a inviabilização de eventos presenciais, de forma a manter o distanciamento social, as bibliotecas adaptaram-se a novas realidades e reinventaram a disponibilização de eventos culturais

Texto por Anabela Anjos

Num contexto atípico e ectópico, em fase de pandemia, as bibliotecas públicas/municipais viram inicialmente os seus espaços encerrados.

Findo o estado de emergência, determinou o calendário do desconfinamento que as bibliotecas abrissem as suas portas, logo na primeira fase do plano nacional objetivando reinstituir alguma normalidade a estes tempos insólitos.

Enquanto organizações dinâmicas, as bibliotecas procuraram adaptar-se a esta nova conjuntura e paulatinamente implementaram medidas suplementares de higienização dos espaços, iniciaram a oferta de serviços mínimos, entregaram livros de forma inovadora, através de empréstimos domiciliários, em regime de take away, e aplicaram políticas de quarentena aos livros devolvidos.

Com a inviabilização de eventos presenciais, de forma a manter o distanciamento social, as bibliotecas adaptaram-se a novas realidades e reinventaram a disponibilização de eventos culturais. Investindo em novos conteúdos e serviços online, com a ajuda de plataformas digitais, as bibliotecas, em tempo de isolamento social, continuaram a cumprir a sua missão, mantiveram o contacto com os seus leitores, conquistaram novos públicos e possibilitaram o usufruto de algumas iniciativas a partir de casa.

Leia a matéria completa publicada pelo Postal

Parceria Comissão de Bibliotecas Escolares e Comissão de Patrimônio Bibliográfico e Documental

Com a publicação dos protocolos para as Bibliotecas Escolares em razão da Covid-19, pela Comissão de Patrimônio Bibliográfico e Documental em junho/2020, nasceu uma parceria com a Comissão de Bibliotecas Escolares, para orientar as escolas na reabertura das Bibliotecas Escolares que estava previsto, a princípio, para agosto de 2020.

A ideia inicial foi a criação de uma live, repassando os cuidados com o atendimento, com os livros e o acolhimento dos alunos nas Bibliotecas, para que fosse feito um atendimento seguro para as crianças e adolescentes. Porém, com o adiamento do retorno às aulas e a não abertura das Bibliotecas Escolares, as duas comissões voltaram seus cuidados para as crianças e seus responsáveis, em suas casas, e suas relações com os livros, em tempo de Covid-19.

Assim nasceu a Webserie Helena contra o Covid-19, que nessa primeira live irá ensinar Cuidados com os livros.

Biblioteca Municipal de Mogi das Cruzes retoma serviços de atendimento ao público

Prefeitura de Mogi das Cruzes

Texto por Leandro Cesaroni

A Biblioteca Municipal Benedicto Sérvulo de Sant’Anna, em Mogi das Cruzes, retomou o atendimento aos munícipes, com serviços de entrega e recebimento de livros emprestados, mediante prévio agendamento.

Outra novidade é que também já está no ar o sistema de acervo online, que permite a pesquisadores, educadores e comunidade em geral a realização de pesquisas simples ou avançadas por assunto, título da obra ou nome do autor.

Quem já é cadastrado e deseja retirar alguma obra, deve fazer contato prévio, pelos telefones 4798-6986 ou 4798-6987. Já quem deseja se associar à Biblioteca também deve fazer contato telefônico e, no momento da inscrição, é necessário apresentar duas fotos 3 x 4, um documento de identidade e comprovante de residência atual.

O acervo online está disponível para consulta de todos os interessados. Além de pesquisar os livros disponíveis, também é possível aos associados consultar reservas antigas ou ainda fazer a renovação de empréstimos, mediante inserção de código e senha.

Leia a matéria completa publicada pelo site Notícias de Mogi.

Bibliotecas Públicas e equipamentos culturais de SMC na quarentena da Covid-19

As Bibliotecas Públicas e outros equipamentos culturais de SMC estão fechados. Veja informações dos trabalhos online e de informações de combate à pandemia do Covid-19.

As Bibliotecas Públicas, Pontos de Leitura, Bosques de Leitura e o Ônibus da Cultura do Sistema Municipal permanecerão fechadas por tempo indeterminado durante a pandemia.

A Prefeitura de São Paulo adotou medidas para evitar a proliferação do coronavírus (Covid-19) na cidade, e desde março anuncia informações sobre as medidas tomadas.

Entres essas medidas, estão o cancelamento de eventos do poder público, alvarás e autorizações emitidas para eventos privados que gerem qualquer tipo de aglomeração, além do fechamento de todos os equipamentos culturais municipais como Casas de Cultura, Teatros, Centros Culturais, Bibliotecas e as Salas de Cinema do Circuito SP Cine por tempo indeterminado.

Os equipamentos culturais se adequaram ao momento e muitos passaram a oferecer serviços online, por meio dos sites do Portal da Prefeitura e suas mídias sociais.

O site do Sistema Municipal de Bibliotecas divulga as programações online que ocorrem durante este período e direciona, por meio de link, para a mídia social – Facebook, Instagram, Youtube – onde acontecem as lives ou a gravação dos eventos.  Veja aqui a lista das midias sociais das bibliotecas de bairro, BibliotecasSP no Facebook, Instagram, Biblioteca Mário de Andrade Facebook, Youtube e Instagram, e do Centro Cultural São Paulo #ccspdecasa.

O novo coronavírus causa a doença respiratória denominada de COVID-19, responsável pela morte de milhares de pessoas em cinco continentes. A COVID-19 chegou ao Brasil no dia 26 de fevereiro.

Consulte o site da Secretaria de Saúde – Coronavirus para obter informações sobre a doença e das ações de SMS.

 A Secretaria de Relações Internacionais faz um levantamento internacional de recomendações e medidas adotadas para o enfrentamento da Covid-19 com a finalidade de contribuir para a formulação de projetos e ações de contenção que estão sendo aplicadas na cidade de São Paulo. O documento é atualizado semanalmente, acesse todas as edições do mapeamento de ações internacionais de enfrentamento ao coronavírus.

Controladoria Geral – Transparência COVID-19 – sados, legislação e informações específicas a respeito das medidas tomadas para o combate ao coronavirus.

Fonte: Prefeitura Municipal de São Paulo

Combate à desinformação pelas bibliotecas no cenário da pandemia do novo coronavírus

Por Marta Leandro da Mata

A biblioteca pode ser caracterizada como um centro de recursos e de aprendizagem, com a disponibilização de diversos tipos de materiais (impresso, eletrônico e virtuais) e oferecimento de variados serviços, que estarão em consonância com o tipo de biblioteca e a comunidade em que faz parte, visando a sanar as necessidades informacionais de seus usuários. Acrescenta-se que alguns produtos estão condicionados aos recursos destinados às bibliotecas.

Esses serviços compreendem ações de âmbito educacional, informacional e cultural, como, por exemplo, visita guiada, empréstimo entre bibliotecas, salas de leitura, apoio à normalização, empréstimo domiciliar, levantamento bibliográfico, empréstimo de equipamentos eletrônicos, treinamento de bases de dados, Rede Wireless, orientação na ficha catalográfica, hora do conto, clube de leitura, exposições artísticas e/ou de temáticas emergentes, café literário, serviço de referência, ações de competência em informação, entre outros.

É importante salientar que com a pandemia do novo coronavírus (COVID-19), as bibliotecas tiveram que se reinventar, isto é, criar novas abordagens no que diz respeito aos produtos, recursos e serviços fornecidos tradicionalmente, fazendo uso principalmente das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), com ênfase nas mídias sociais e até mesmo nos recursos analógicos.

Neste sentido, destacam-se os serviços relacionados à competência em informação, mais especificamente, aos processos de avaliação de informação e de notícias falsas e/ou distorcidas, visando o combate à desinformação no que diz respeito ao novo coronavírus. Enfatiza-se que estes serviços podem contribuir para as questões no âmbito sanitário no Brasil, observando-se a difusão massiva de informações falsas e/ou distorcidas a este respeito, que têm provocado grande impacto por meio da manipulação da opinião da população, culminando com a ampliação de casos de contaminação do vírus no país.

Lei a matéria completa publicada no site InfoHome.

O que vai mudar na segurança da informação no cenário pós-coronavírus

Texto por Redação

Na medida em que o mundo planeja a retomada para a reabertura da economia, fica claro que nunca vamos voltar ao “normal” que conhecíamos antes. Os impactos da pandemia da covid-19 vão durar ainda muito tempo, mudando os negócios e a sociedade mesmo em um cenário pós-coronavírus.

Nos últimos meses marcados pela necessidade de isolamento social, os líderes e profissionais de segurança ficaram focados no combate a ameaças imediatas com o objetivo de proteger os funcionários para que não caíssem em campanhas de phishing e malware tendo o coronavírus como tema e para garantir a segurança do acesso remoto.

Agora, porém, os líderes de segurança precisam pensar em como a pandemia vai afetar as operações, os modelos de trabalho e as estratégias de segurança em longo prazo.

O grande número de demissões, o aumento do número de pessoas trabalhando de casa e o crescimento da contratação de freelancers e consultores, por exemplo, estão forçando as empresas a repensarem seus modelos de controle de acesso às informações. Há ainda outros aspectos que devem mudar para sempre em um cenário pós-coronavírus.

Leia a matéria completa publicada no site do Mundo Hacker.

Modelo de digitalização ressalta novas maneiras de cultura, mas não dá conta da inclusão

Austeridade fiscal e ausência de políticas públicas exigem uma preparação do setor da cultura no pós-pandemia, com aspectos positivos e negativos

Texto por Sofia Aguiar

Medidas de prevenção para a entrada na Livraria Martins Fontes, em Santos. Foto: Sofia Aguiar/Jornal do Campus

“Quem nos salvou nessa quarentena? Não foi o Bolsonaro nem as políticas sanitárias”, questiona Jorge Freire, ator e produtor cultural, ao analisar o estilo de vida do brasileiro durante o período de isolamento social pelo novo coronavírus. A resposta para a pergunta destaca uma nova interpretação de cultura como sustento e refúgio durante a pandemia: “foram as lives”, responde o ator.

As novas medidas de isolamento tiraram um dos grandes pilares das expressões culturais: o contato social. Na paralisação de aglomerações e plateias, o setor enfrenta demissões, fechamentos de empresas e abandono de artistas que não têm como se manter. Na parte da política, a cultura é também alvo de abandono e falta de lideranças, como a destituição de Regina Duarte como ministra da Cultura sem respostas à movimentação dos artistas por medidas públicas para aliviar os efeitos crise.

Enquanto o suporte público não chega, o setor se organiza como pode para amenizar a situação. Sob a impossibilidade de contato, a nova agenda cultural se baseia na potencialização de um modo digital e utilização de tecnologia de informação e comunicação. No entanto, engana-se quem acredita que a vulnerabilidade do setor seja decorrente apenas da pandemia. Para Jorge, o mergulho no campo digital já era uma tendência nos últimos anos, principalmente pela crise enfrentada, mas que será potencializado. “As políticas de subsídio para que os grupos não fechem são voltados para o digital. Todos os lugares que fomentam cultura já estão atentos a essa nova plataforma”, analisa o produtor. 

Novos públicos

Rumores de que o coronavírus iria impactar drasticamente a cultura transformaram o início da pandemia em um momento de muita incerteza para a Companhia das Letras. Com uma produção baseada principalmente em lançamentos e venda de livros físicos, a visão era a mais pessimista possível. Marina Pastore, gerente de Projetos Digitais da empresa, comenta que, apesar do cenário, as novas formas de produzir conteúdo mostraram que “a crise é da livraria, não do livro”. Com ações como disponibilização de e-books grátis no início da pandemia e produção de lives, “o que estamos vendo é que o e-commerce conseguiu recuperar uma parte que foi perdida com o fechamento das livrarias físicas e que o e-book está tendo um crescimento muito grande”, aponta Marina.

Leia a matéria completa publicada no site do Jornal do Campus.

Higienização de material bibliográfico e COVID-19: opinião de conservadores-restauradores

Texto da Comissão Temporária de Patrimônio Bibliográfico e Documental

Face às recomendações nacionais e internacionais sobre procedimentos pós pandemia, a  Comissão Temporária de Patrimônio Bibliográfico e Documental do CRB-8 identificou algumas recomendações divergentes, principalmente no que diz respeito a limpeza do livros. Uma corrente recomenda colocar em quarentena os livros que estão emprestados, e uma segunda corrente que recomenda a limpeza da capa dos mesmos com produtos de limpeza.

Para dirimir essa dúvida, durante os meses de junho e julho foram consultados conservadores-restauradores que gentilmente emitiram sua opinião para divulgação no Bob News Expresso para esclarecimento de dúvidas e fundamentação do trabalho em bibliotecas nesse período.

Acompanhe os depoimentos dos especialistas:

Castorina Augusta Madureira de Camargo, Especialista em Conservação de Acervos, Conservadora – Restauradora, Arquivo Edgard Leuenroth/IFCH/UNICAMP

Considerando esse novo cenário mundial que estamos enfrentando com a pandemia causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, precisamos levar em conta a saúde dos profissionais de biblioteconomia e pesquisadores. Tendo em vista a alta transmissão e gravidade do coronavírus, precisamos assegurar que os livros emprestados das bibliotecas não sejam mais um fator de transmissão. Diante disso, temos que pensar qual a melhor maneira de barrar esse contágio.

Deixo aqui meu ponto de vista, entre fazer a quarentena ou a desinfecção dos livros. Esclareço que a quarentena ainda é o melhor método e mais viável diante da nossa realidade. Precisamos analisar que o maior tempo de manuseio dos livros dá-se pelas capas, o mesmo é deixado em várias superfícies, então devemos considerar o material da capa do livro para estabelecer o tempo da quarentena, que vai alterar de livro para livro. A desinfecção pensada como uma possibilidade de diminuir o tempo da quarentena para livros muito procurados, pode trazer riscos e causar danos irreversíveis, sendo recomendado fazer este procedimento somente os profissionais conservadores e restauradores.

Fernanda Bredariol

Considerando os procedimentos de conservação preventiva para acervos bibliográficos a utilização dos produtos de limpeza não seria recomendada, por conterem um teor de acidez que podem ocasionar a acidificação e consequentemente a aceleração da degradação dos materiais, além de não garantir a higienização total da obra.

A quarentena seria uma recomendação mais adequada para as obras que retornam dos empréstimos, visto que o isolamento físico não dispõe de agentes de degradação para o acervo e ainda garante que as obras não serão um meio de transmissão do vírus. Enquanto o tempo de quarentena a ser adotado, aconselho seguir os resultados das pesquisas sobre a permanência do vírus nas superfícies, tendo em vista os diferentes materiais que compõe o acervo.

Francisca Caravellas, Montmartre Studio ‘Arte Conservação e Restauro de Bens Culturais

O mundo foi surpreendido pela Covid-19. Pouco ou nada sabemos a respeito desse inimigo invisível de um poder destrutivo jamais visto neste século. Infelizmente, o planeta parou em reverência a esse terrível mal. Não só na área médica, mas em toda estrutura humanística houve uma mudança drástica nos hábitos e costumes do homem moderno, bem como no âmbito da conservação preventiva de livros, papéis ou até mesmo no universo das esculturas.

O pensar do conservador e restaurador também sofreu mudanças. Esses profissionais começaram a divergir em seus posicionamentos e passaram a ter um ângulo mais abrangente na visão de como acondicionar ou mesmo higienizar uma obra. Como Conservadora e Restauradora acredito que a higienização das obras não seja o caminho mais adequado no momento. Sugiro submetê-las a quarentena, em uma embalagem plástica, de preferência a vácuo por de quinze dias, com margem de segurança de mais dez dias. Após esse período, a obra poderá ser manuseada e analisada por profissionais multidisciplinares que poderão emitir parecer a respeito.

Isis Baldini

É muito difícil expressar uma opinião de forma sucinta sobre um tema complexo e que envolve instituições com realidades distintas, seja em recursos humanos, técnicos e/ou financeiros. De modo geral, existem dois momentos em que a limpeza de livros e documentos será recomendada no pós-pandemia. A primeira será quando os profissionais voltarem às instituições. Devemos lembrar que os espaços ficaram fechados durante muito tempo e, por isso, não será necessário, neste primeiro momento pensar em COVID-19 no acervo, desde que este não tenha sido manuseado na quarentena, mas em fungos e bactérias que podem ter se proliferado nos ambientes e que, além de deteriorarem os materiais celulósicos, são danosos para a saúde humana. Desta forma, as primeiras providências seriam ventilar, desinfetar as áreas de trabalho e higienizar o acervo. Como esta higienização deva ser realizada dependerá de uma avaliação prévia do grau de comprometimento da coleção e dos recursos humanos e financeiros disponíveis.

A segunda será quando os livros e documentos voltarem a ser manuseados. Neste caso, para evitar a transmissão do COVID-19 pelo contato, independente da estrutura funcional da instituição, considero mais seguro que se faça a quarentena de 6 dias para folhas soltas e 14 dias para livros, conforme recomendado por instituições internacionais. Deve-se ter em mente que o livro é um objeto tridimensional, interativo, composto de vários materiais: papel, colas de origens diferentes, plásticos, tecidos, papelão, metal, etc.; cada qual com um tempo diferente de sobrevida do vírus em sua superfície. Não considero adequada a utilização de desinfetantes, inclusive álcool, porque nem todas as instituições possuem conservadores com conhecimento técnico sobre a resistência dos materiais e das tintas aos produtos. Além disso, executar um tratamento químico (folha a folha no caso do livro) a cada vez que um livro ou documento for manuseado poderá danificar sua estabilidade intrínseca, acelerando o processo de degradação e colocando em risco a integridade física e estrutural do bem a ser preservado. Devemos ter em mente que dificilmente voltaremos à normalidade que conhecemos e, por isso, temos que aproveitar este tempo para planejar a longo prazo os trabalhos no pós-pandemia, dentro da realidade de cada instituição.

Confira a opinião de mais conservadores restauradores

Como lidar com acervo bibliográfico durante o contágio pela COVID – 19, Edmar Moraes Gonçalves, Conservador-restaurador

Comentários sobre COVID-19 e procedimentos seguros para a preservação dos acervos, Fernanda Mokdessi Auada, Conservadora-restauradora autônoma

Como lidar com acervo bibliográfico durante o contágio pela COVID – 19

Edmar Moraes Gonçalves, Conservador-restaurador

Tem surgido muitos artigos sobre o assunto com várias correntes de pensamento que trata de desinfecção ou quarentena, com recomendações que variam de acordo com cada tipo de superfície. Especificamente falando de livros, segundo o blog da Biblioteca Nacional da Espanha (http://blog.bne.es/blog/como-actuar-con-los-libros-ante-el-riesgo-de-contagio-por-covid-19/), o vírus pode permanecer por vários dias nos livros, que inclui suportes como papel, plástico, couros ou pergaminho e para que não se corra risco de contaminação o ideal é não fazer nada, deixá-los em quarentena por até 14 dias, que é o mesmo tempo de quarentena para os humanos.

Ainda se tratando de acervos importantes do patrimônio cultural, como livros antigos devemos evitar a utilização de qualquer produto químico que possa provocar danos à suas encadernações.

Em caso de extrema necessidade, em que há a urgência de se ter ou dar acesso a uma obra que pode estar infectada pelo vírus, temos que adotar todos os protocolos de higienização. Essa higienização deverá ser feita por um profissional de conservação, que deverá estar paramentado com uso de Equipamento de Proteção Individual – EPI, como máscara cirúrgica, óculos, touca e guarda pó. E com a obra dentro de uma mesa de higienização com sucção ou em uma capela de exaustão, proceder a limpeza com trincha em todas as folhas da obra e da capa. Em um local bem arejado e sobre uma mesa, após limpá-la com uma flanela umedecida com álcool 70%, deixar a obra, já higienizada, aberta e em pé sob quarentena por 48 horas. Após esse período a obra poderá ser manuseada com uso de luvas de algodão e máscara, e depois poderão retornar a seus locais de origem.

Todo cuidado é pouco com esse vírus, que pouco conhecemos e, portanto na minha opinião o melhor é se precaver e aguardar a hora certa para manusear obras que não temos certeza se estão ou não infectadas pelo Covid-19. E devemos estar atentos às pesquisas e recomendações dos especialistas e instituições da área de patrimônio e preservação.

Fonte bibliográfica

Acervos Arquivístico e bibliográfico

AMERICAN LIBRARIES. How to Sanitize Collections in a Pandemic. Disponível em: https://americanlibrariesmagazine.org/blogs/the-scoop/how-to-sanitize-collections-covid-19/

ARQUIVO CENTRAL DA UFJF. Covid-19 e arquivos a proteção de pessoas e acervos em tempos de pandemia. Disponível em: http://www.ufjf.br/arquivocentral/files/2020/05/COVID-19-E-ARQUIVOS-A-PROTE%C3%87%C3%83O-DE-PESSOAS-E-ACERVOS-EM-TEMPOS-DE-PANDEMIA-Arquivo-Central.pdf

BIBLIOTECA NACIONAL DA ESPANHA. Cómo actuar con los libros ante el riesgo de contagio por COVID -19. http://blog.bne.es/blog/como-actuar-con-los-libros-ante-el-riesgo-de-contagio-por-covid-19/

FIOCRUZ. ICICT. Rede de Bibliotecas Fiocruz. 10 medidas de prevenção para as bibliotecas da Fiocruz. Disponível em: https://www.icict.fiocruz.br/sites/www.icict.fiocruz.br/files/10%20MEDIDAS%20DE%20PREVENCAO%20PARA%20AS%20BIBLIOTECAS%20DA%20FIOCRUZ_revisado.pdf

INSTITUTE OF MUSEUM AND LIBRARY SERVICES. Mitigating COVID-19 When Managing Paper-Based, Circulating, and Other Types of Collections (Webinar). Disponível em: https://www.imls.gov/webinars/mitigating-covid-19-when-managing-paper-based-circulating-and-other-types-collections

LIBRARY OF CONGRESS. The Impact of Hand Sanitizers on Collection Materials. https://www.loc.gov/preservation/scientists/projects/sanitize.html.

THE NORTHEAST DOCUMENT CONSERVATION CENTER. Disinfecting Books and Other Collections. Disponível em: https://www.nedcc.org/free-resources/preservation-leaflets/3.-emergency-management/3.5-disinfecting-books

Confira a opinião de mais conservadores restauradores

Comentários sobre COVID-19 e procedimentos seguros para a preservação dos acervos, Fernanda Mokdessi Auada, Conservadora-restauradora autônoma

Higienização de material bibliográfico e COVID-19: opinião de conservadores-restauradores 

COMENTÁRIOS SOBRE COVID-19 E PROCEDIMENTOS SEGUROS PARA A PRESERVAÇÃO DOS ACERVOS

Texto por Dra. Fernanda Mokdessi Auada, Conservadora-restauradora autônoma

A pandemia de Covid-19 trouxe uma série de novos desafios a serem enfrentados pelas instituições detentoras de acervos como bibliotecas, arquivos e museus. Por tratar-se de um fenômeno recente, há pouco conhecimento a respeito do comportamento do vírus nestes ambientes e, das pesquisas existentes, nos deparamos com dados diversos e muitas vezes inconclusivos. Desta forma, ainda não há dados científicos comprovados sobre a viabilidade e permanência do COVID-19 nos objetos histórico-culturais, tampouco sobre a eficiência dos tratamentos de limpeza e desinfecção dos acervos.

Isto posto, deve-se considerar que no geral, quanto maior a eficiência desinfetante do método, maior o risco para a saúde e para os bens culturais. Caso seja inevitável recorrer à desinfecção, o tratamento deve sempre ser realizado por pessoal técnico especializado e qualificado para tal. Um conservador-restaurador que conheça as características e particularidades do acervo ou objeto a ser tratado deve participar das discussões para tomada de decisão.

A quarentena é a maneira mais segura, fácil e válida para impedir a transmissão indireta em qualquer um dos materiais que compõem as coleções sem o risco de danificá-los ao aplicar produtos cuja eficácia ainda é incerta. Os testes recentes do Projeto REALM em materiais específicos de biblioteca, e outros estudos, documentam uma atenuação do vírus SARS-CoV-2 apenas esperando 3 dias. Deve-se considerar que materiais específicos podem precisar de períodos de quarentena maiores. Portanto, em casos de incerteza ou desconhecimento dos materiais, uma quarentena de 7 dias é apropriada para qualquer item do acervo.

Tais obras com suspeita de contaminação devem ser isoladas em ambiente separado ou colocadas em bolsas plásticas fechadas, identificadas e datadas antes de retornar ao seu local de origem. Deve-se tomar cuidado para não criar microclima dentro das bolsas. Finalizada a quarentena, podem ser consultadas novamente sem risco, mas aconselha-se sempre o uso de máscaras e luvas e a higiene das mãos.

Um acervo não pode se tornar um vetor de risco. Portanto, diante da incerteza de saber se o vírus está viável, trabalha-se permanentemente com as referências de que o valor máximo são as vidas humanas e que a prevenção é o método mais eficiente de proteção.

Bibliografia

Balzer, Cass. ¿Cómo será la reapertura de las bibliotecas tras la pandemia? CRB-8 – Conselho Regional de Biblioteconomia – 8º Região, 24/04/2020 http://www.crb8.org.br/como-sera-la-reapertura-de-las-bibliotecas-tras-la-pandemia/ (acesso em 08/07/2020)

Canadian Conservation Institute (CCI). Caring for Heritage Collections during the COVID-19 Pandemic. CCI COVID-19 Task Force: Irene Karsten, Janet Kepkiewicz, Simon Lambert, Crystal Maitland and Tom Strang. Additional contributions by Evelyn Ayre and Roger Baird. 17/04/2020. https://www.canada.ca/en/conservation-institute/services/conservation-preservation-publications/canadian-conservation-institute-notes/caring-heritage-collections-covid19.html#a2  (acesso em 08/07/2020)

            Tradução para o português disponível em http://apoyonline.org/pt_BR/new-covid-19-updates/ (acesso em 08/07/2020)

Costa, Fernanda. Coronavírus – a atuação das bibliotecas hoje e o que podemos esperar do futuro. CRB-8 – Conselho Regional de Biblioteconomia – 8º Região, 30/04/2020.  http://www.crb8.org.br/coronavirus-a-atuacao-das-bibliotecas-hoje-e-o-que-podemos-esperar-do-futuro/ (acesso em 08/07/2020)

CRB-8. Atividades em Bibliotecas: limpeza, higienização e desinfecção. Conselho Regional de Biblioteconomia – 8º Região, 24/03/2020 http://www.crb8.org.br/atividades-em-bibliotecas-limpeza-higienizacao-e-desinfeccao/

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            Tradução para o português por Chico de Paula: Como higienizar os acervos de bibliotecas durante uma pandemia? CRB-8 – Conselho Regional de Biblioteconomia – 8º Região,   06/06/2020 http://www.crb8.org.br/como-higienizar-os-acervos-de-bibliotecas-durante-uma-pandemia/ (acesso em 08/07/2020)

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            Tradução para o português por Lívia Aguiar Salomão: COVID-19 e o Setor de Bibliotecas em Termos Mundiais. Senado Federal. Abril/2020.  https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/571649/COVID-19_Biblioteca_IFLA.pdf?sequence=1&isAllowed=y (acesso em 08/07/2020)

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Sanchez, Arsenio. Como proceder com os livros contra o risco de contágio da COVID-19. Tradução: Fernanda M. Auada. Blog de Biblioteca Nacional de España. 02/02/2020. http://blog.bne.es/wp-content/uploads/2020/04/Como-proceder-com-os-livros-contra-o-risco-de-contagio-da-COVID-19-BNE-2020.pdf (acesso em 08/07/2020)

Striegel, Mary. Covid-19, COVID-19 Conceitos Básicos: Desinfecção Patrimônio Cultural. Centro Nacional de Tecnologia e Treinamento para Preservação (NCPTT). April 6, 2020. https://www.ncptt.nps.gov/blog/covid-19-conceitos-basicos-desinfeccao-patrimonio-cultural/  (acesso em 08/07/2020)

Valentín, N. Fazio, A. T. Análisis de la incidencia del SARS-CoV-2 en bienes culturales. Sistemas de desinfección. Fundamentos y estrategias de control. Revisão https://www.ge-iic.com/wp-content/uploads/2020/05/COVID-Publicaci%C3%B3n-Nieves-Valent%C3%ADn-Alejandra-Fazio.pdf (acesso em 08/07/2020)

Confira a opinião de mais conservadores restauradores

Como lidar com acervo bibliográfico durante o contágio pela COVID – 19, Edmar Moraes Gonçalves, Conservador-restaurador

Higienização de material bibliográfico e COVID-19: opinião de conservadores-restauradores

Seminários UNIRIO e Simpósio de Preservação de Conservação de Acervo do TOI, informação especializada em conservação em tempos de pandemia

Texto da Comissão Temporária de Patrimônio Bibliográfico e Documental

Logo no início da pandemia, a Comissão Temporária de Patrimônio Bibliográfico e Documental do CRB-8 identificou a necessidade de acompanhar as demandas profissionais na área de preservação e conservação de acervos em período de pandemia. Ao mesmo tempo, avaliou a impossibilidade de realizar essa tarefa a contento isoladamente. Desde então, vem observando as iniciativas neste campo para realização de parcerias.

Uma dessas iniciativas, desde abril deste ano, foi o Núcleo Interdisciplinar sobre Preservação (NIP) da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), que vem desenvolvendo duas atividades muito oportunas para os profissionais da área de biblioteconomia, documentação e arquivos, o Observatório de Opiniões e os Seminários UNIRIO.

O Núcleo está vinculado ao Laboratório Multidimensional de Estudos em Preservação de Documentos Arquivísticos e conta com a participação de quatro docentes: Profa. Brenda Rocco, Prof. Bruno Leite e Profa. Stefanie Freire, do Departamento de Arquivologia, e Prof. Fabiano Cataldo, do Departamento de Biblioteconomia.

O Observatório de Opiniões, interessado em monitorar as necessidades e demandas profissionais, postou a pergunta abaixo que continua disponível para colaborações. Convidamos a todos a partilharem sua opinião:

Você acha que os acervos em Arquivos e Bibliotecas estão mais sujeitos a riscos durante a pandemia de Covid-19? Quais?

Já os Seminários UNIRIO trazem uma série de palestras com especialistas em preservação e conservação. Yerko Andrés Quitral, bioquímico e palestrante internacional, inaugurou a série de palestras em 16 de junho. Na oportunidade, gentilmente antecipou a disponibilização de um artigo para colaborar com os estudos e fundamentaçãoprofissionais gestores de coleções bibliográficas e arquivísticas. Em 23 de julho, a palestra de José Pedersolli, do Centro Internacional de Estudos para a Conservação e Restauro de Bens Culturais – ICCROM, deu continuidade à série. . Links para a gravação das palestras e para o artigo no final deste texto.

Em 23 de julho, a palestra de José Pedersolli, do Centro Internacional de Estudos para a Conservação e Restauro de Bens Culturais – ICCROM, deu continuidade à série; e brevemente terá a gravação disponibilizada.

Para a palestra de 04 de agosto com Jandira Flaeschen, presidente da Associação Brasileira de Conservadores-Restauradores de Bens Culturais – ABRACOR e integrante da Biblioteca Nacional, foi firmada uma parceria com a Comissão Organizadora do VI Simpósio de Preservação e Organização de Acervo do TOI. Nesta data, será realizado o Simpósio do TOI na parte da manhã e, à tarde, o Seminário UNIRIO.

O VI Simpósio de Preservação e Organização de Acervo do TOI vem sendo preparado desde abril com a participação com participação da Comissão de Patrimônio. Pela convergência de interesses e dos temas discutidos, as organizações somaram esforços e trabalharam para a criação de  diálogo entre os eventos. Link para a inscrição nos eventos no final do texto.

A parceria para divulgação e apoio aos Seminários UNIRIO será mantida para as palestras seguintes, buscando a dar mais visibilidade aos eventos de informação especializada e de capacitação profissional neste momento desafiador enfrentado pelos profissionais de informação e pela humanidade.

Inscrições abertas

VI Simpósio Preservação e Conservação de Acervo – Biossegurança e Conservação de Livros e Documentos: Protocolos e Melhores Práticas. 04/08, das 9h às 13h

Seminários UNIRIO – Conservação Preventiva em Biblioteca e COVID-19: ações e reflexões, com Jandira Flaeschen. 04/08, das 15h às 16h30. Vagas limitadas

Palestras e artigos

Gravação da Webconferência “Contaminación permenante: invisibilidad de processos técnicos y riesgos de salud en personal de bibliotecas”, proferida por Yerko Andrés Quitral no dia 16 de junho de 2020, das 15h00 às 16h60. Clique aqui.

[ABNT] QUITRAL, Yerko Andrés. Bibliotecas frente a la pandemia COVID-19 : fundamentos y acciones en Latioamérica. 2020. Material elaborado para o  evento Seminários UNIRIO: Gerenciamento de risco e biossegurança em bibliotecas e arquivos no contexto do COVID-19

[APA] QUITRAL, Y. A. (2020 June 16). Bibliotecas frente a la pandemia COVID-19 : fundamentos y acciones. Rio de Janeiro: Seminários UNIRIO: Gerenciamento de risco.

Internet das Coisas na medicina já atua no combate à covid-19 no Brasil

Parceria entre Hospital das Clínicas de SP e Carenet otimiza trabalho de profissionais da saúde com dados em tempo real e análise preditiva

Texto por Carla Matsu

Foto: Adobe Stock

A Internet das Coisas tem sido apontada como a grande protagonista que habilitará a Quarta Revolução Industrial mundo afora. Dispositivos no chão de fábrica alimentados com sensores e combinados à tecnologias como Inteligência Artificial já permitem o tipo de conhecimento e previsibilidade que aumentam a eficiência e mitigam erros. Na saúde, a Internet das Coisas Médicas, entretanto, ganha outra dimensão mais sensível: a própria vida humana.

Munidos de conectividade e inteligência, os dispositivos em hospitais à beira dos leitos em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) conseguem entregar a médicos e enfermeiros dados em tempo real para personalizar tratamentos e apoiar tomadas de decisão. Leve essa habilidade para um dos momentos mais críticos da saúde pública na história – a pandemia do novo coronavírus – e esta equação terá o potencial de melhorar não só o dia a dia nos corredores hospitalares, como aumentar as chances de recuperação de pacientes com covid-19.

Um dos casos de uso da Internet das Coisas Médica que tem se mostrado bem-sucedido no Brasil é uma parceria recente firmada entre a divisão de UTI Respiratória do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP), o NETi – Núcleo Especializado em Tecnologia da Informação – HC e a healh tech Carenet. A colaboração, que se iniciou há cerca de dois meses, utiliza da plataforma Orchestra, solução de integração da Carenet, para automatizar certas atividades em UTIs.

Na prática, o software da Carenet consegue integrar sistemas de gestão de prontuários eletrônicos e equipamentos médicos. No caso do Hospital das Clínicas, a Orchestra integra dados do ventilador artificial, o tomógrafo de impedância elétrica (que monitora o pulmão de pacientes) e o monitor multiparamétrico (que colhe dados como atividade respiratória, batimentos cardíacos e saturação de oxigênio). Esses dados, então, são disponibilizados em um dashboard digital de forma automática por dispositivos móveis para as equipes de intensivistas. Este processo, segundo Fernando Paiva, VP de Customer Success & Digital Sales Transformation da Carenet, consegue otimizar aquilo que é burocrático e manual. “Com isso, o profissional consegue fazer um trabalho verdadeiramente assistencial ao paciente”, diz Paiva.

Esta tarefa manual de informar dados em um prontuário consome, segundo a healhtech, cerca de 33% do turno de um enfermeiro. Ao mesmo tempo, ao automatizar essa responsabilidade, consegue-se tirar da equação a possibilidade do erro humano. Essa operação manual, diz Paiva, tem uma margem de 20% a 30% de erro humano.

Acesse a matéria completa publicada pelo Computerworld

O impacto da COVID-19 nas bibliotecas: considerações sobre a segurança das pessoas e das coleções

Algumas bibliotecas já reabriram, outras estão cogitando reabrir e outras ainda não sabem quando isso irá acontecer, mas para todas o questionamento costuma ser o mesmo: o que devemos considerar sobre a COVID-19 em relação às pessoas que trabalham nas bibliotecas e às coleções?

Para esclarecer um pouco disso, convidamos o médico sanitarista Prof. Dr. José Ricardo de Carvalho Mesquita Ayres (Faculdade de Medicina USP) e a especialista em conservação e restauração de acervos bibliográficos, Norma Cassares (Arquivo Público de SP). Como debatedores, trouxemos Pierre Ruprecht (SP Leituras) e Rosaelena Scarpeline (CRB-8ª Região), sob a mediação de Adriana Ferrari (FEBAB).

Transmissão via YouTube (https://youtu.be/LwEaeIVOjeQ) e Facebook (https://www.facebook.com/febab.federacao/videos/625849768025588/)

Pesquisa quer medir o impacto da pandemia nos setores cultural e criativo

Trabalhadores e empresas do setor editorial e livreiro também podem participar do estudo que coleta dados até o próximo dia 16

De acordo com estudo da Firjan/Senai, os setores cultural e criativo movimentaram R$ 171,5 bilhões e deram trabalho a 5,2 milhões de pessoas em 2018. Agora, afetados pelo isolamento social, empreendedores, artistas e trabalhadores desses setores veem-se diante de desafios variados, sabendo que, provavelmente serão os últimos a retomarem com atividades presenciais. Diante desse quadro, o Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura, o Sesc, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e a Representação no Brasil da Unesco uniram forças para colocar na rua uma pesquisa para avaliar o impacto do covid-19 nos setores cultural e criativo do Brasil. O objetivo é dimensionar os impactos de curto e médio prazo da pandemia, orientando o debate e a criação de saídas para a crise atual.

O sociólogo Rodrigo Correia do Amaral, um dos coordenadores da pesquisa, lembra que nos últimos 25 anos, o Brasil viveu uma profissionalização intensa do trabalho no setor cultural, impulsionado tanto pela ampliação do acesso ao ensino superior, como pelas políticas que distribuíram recursos para os círculos artísticos mais estabelecidos, associações e produtores independentes. Ele defende que o mercado relativamente forte criado sob esses estímulos (compras públicas, isenções tributárias, incentivos fiscais, editais etc.) estimulou os interessados a procurarem oficinas, cursos superiores e de pós voltados à produção e gestão cultural. “O maior perigo que a pandemia de Covid-19 coloca neste momento é a exclusão desse universo de pequenos empresários, profissionais e empreendedores individuais surgido neste processo”, explica.

Acesse a matéria completa publicada pelo PublishNews

Live sobre “Guerras informacionais no contexto da pandemia de COVID-19”

Bate papo ao vivo no dia 09/05, no nosso canal do Instagram @webconcib, com a professora Maria Aparecida Moura. É Pós-doutora em Semiótica pela Maison de Sciences de I’ Homme, doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, mestre em Educação pela UFMG. Atualmente é professora titular na UFMG e desenvolve a pesquisa “interseccionalidade e Organização Social do Conhecimento”.

Fonte: webconcib

USP e Fapesp criam repositório de informações clínicas para subsidiar pesquisas sobre covid-19

Plataforma conta com dados de 75 mil pacientes, 1,6 milhão de exames e 6,5 mil dados de desfecho; iniciativa também conta com participação do grupo Fleury e dos hospitais Sírio-Libanês e Israelita Albert Einstein

Texto por Elton Alisson, da Agência FAPESP

Pesquisadores de universidades e instituições de pesquisa de todo o país passam, a partir de hoje (17/06) a ter acesso ao COVID-19 Data Sharing/BR, o primeiro repositório do país com dados demográficos e exames clínicos e laboratoriais anonimizados de pacientes que fizeram testes para COVID-19 em unidades laboratoriais e hospitais do Estado de São Paulo.

O objetivo da plataforma é compartilhar informações clínicas de pacientes anonimizados para subsidiar pesquisas científicas sobre a doença nas diversas áreas de conhecimento.

A base de dados compartilhados é resultado de uma iniciativa da FAPESP, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), e já conta com a adesão de hospitais e unidades laboratoriais de atendimento a pacientes.

A parceria reúne, nesta primeira etapa, o Grupo Fleury e os hospitais Sírio-Libanês e Israelita Albert Einstein, que disponibilizaram informações, infraestrutura, tecnologias e recursos humanos próprios para viabilizar o compartilhamento de dados. A FAPESP está contatando outras instituições de atendimento a pacientes para compartilhar informações no repositório COVID-19 Data Sharing/BR.

Luiz Eugênio Mello, diretor científico da FAPESP – Foto: Léo Ramos Chaves / Pesquisa Fapesp

“A ideia central da plataforma é subsidiar a pesquisa científica sobre a COVID-19 ao compartilhar dados que não seriam disponibilizados de outra forma, de modo a mobilizar a comunidade de cientistas da computação, matemáticos e analistas de informações, para que possam contribuir com novas ideias para o enfrentamento da atual epidemia da doença”, disse Luiz Eugênio Mello, diretor científico da FAPESP, durante coletiva de imprensa on-line para o lançamento do repositório, realizada pela FAPESP.

O repositório abrigará, inicialmente, dados abertos e anonimizados de 75 mil pacientes, 6.500 dados de desfecho e um total de mais de 1,6 milhão de exames clínicos e laboratoriais realizados em todo o país pelo Grupo Fleury e na cidade de São Paulo pelos hospitais Sírio-Libanês e Israelita Albert Einstein desde novembro de 2019.

Ainda que o primeiro caso da doença no Brasil tenha sido registrado em fevereiro, pelo Hospital Albert Einstein, o período de cobertura dos dados permitirá que as pesquisas analisem o histórico de saúde dos pacientes, bem como busquem evidências de sintomas da COVID-19 em pacientes atendidos anteriormente. Novos dados serão inseridos pelo Grupo Fleury, Hospital Sírio-Libanês e Einstein regularmente.

O repositório disponibilizará três categorias de informação: dados demográficos (gênero, ano de nascimento e região de residência do paciente) e dados de exames clínicos e/ou laboratoriais, além de informações, quando disponíveis, sobre a movimentação do paciente, como internações, por exemplo, e desfecho dos casos, como recuperação ou óbitos. Em uma segunda etapa, o COVID-19 Data Sharing/BR abrigará também dados de imagens, como radiografias e tomografias.

“Em termos de valores, a obtenção desses dados por outros meios representaria um custo da ordem de centenas de milhões de reais. A gratuidade no acesso a essas informações será possível em razão da disponibilidade e generosidade dessas três instituições participantes da iniciativa”, disse Mello.

João Eduardo Ferreira, professor do Instituto de Matemática e Estatística e superintendente de Tecnologia da Informação da USP – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

O lançamento do repositório tem um cronograma de três etapas. Uma versão pequena do conjunto de dados será inicialmente disponibilizada hoje (17/06) para um período-piloto de consultas. Dessa forma, a comunidade de pesquisa poderá baixar os dados e começar a analisá-los e visualizá-los usando técnicas de ciência de dados.

Até o dia 24 de junho, os grupos de pesquisa interessados poderão enviar dúvidas e comentários para os responsáveis pelo repositório COVID-19 Data Sharing/BR pelo e-mail covid19datasharing@fapesp.br. Esse feedback da comunidade durante o período-piloto será usado para melhorar as informações e a documentação do repositório. O conjunto inicial completo dos dados abertos e anonimizados será disponibilizado ao público a partir do dia 1º de julho.

“Neste primeiro momento iremos disponibilizar um conjunto de dados-piloto, para análise exploratória, para à medida que os analistas de dados comecem a usá-los sejam melhorados”, disse João Eduardo Ferreira, professor do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP, participante do projeto.

Avanço na compreensão da doença

Edgar Rizzatti, diretor-executivo médico do Grupo Fleury – Foto: Reprodução/Grupo Fleury

O diretor-executivo médico do Grupo Fleury, Edgar Rizzatti, destacou que o repositório permitirá o acesso a dados para a realização de pesquisas não só pela comunidade científica, mas também para o desenvolvimento de soluções tecnológicas por empreendedores e startups.

“Desde o início da pandemia temos sido procurados por startups, pesquisadores de universidades e instituições de pesquisa, em iniciativas isoladas ou em colaboração, interessados na disponibilização de dados anonimizados de pacientes com COVID-19 para o desenvolvimento de projetos de pesquisa ou para o desenvolvimento de estratégias em ciências de dados ou de algoritmos de inteligência artificial. Por isso, acredito que essa iniciativa pioneira permitirá um melhor entendimento da COVID-19”, afirmou.

Luiz Fernando Lima Reis, diretor de ensino e pesquisa do Sírio-Libanês – Foto: Divulgação/Finep

A opinião de Rizzatti é compartilhada por Luiz Fernando Lima Reis, diretor de ensino e pesquisa do Sírio-Libanês. “A base de dados possibilitará à comunidade científica ter acesso a dados que refletem a situação atual da epidemia de COVID-19 no Brasil e as características que a doença adquiriu no país, que só poderá ser combatida por meio de soluções baseadas em dados”, disse.

O pesquisador ressaltou o cuidado tomado pelo comitê gestor do repositório em garantir a anonimização de todos os dados dos pacientes, de forma a preservar suas identidades, e atender todas as exigências da Lei Geral de Proteção de Dados.

 

Luiz Vicente Rizzo, diretor-superintendente de pesquisa do Albert Einstein – Foto: Reprodução/Albert Einstein

O diretor-superintendente de pesquisa da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, Luiz Vicente Rizzo, ressaltou que o momento atual representa uma oportunidade para mostrar a pujança da pesquisa que também tem sido feita em instituições não governamentais voltadas ao combate da COVID-19.

“Temos hoje no Einstein 68 projetos de pesquisa em andamento relacionados à COVID-19, iniciados nos últimos seis meses, e mais 113 em vias de ser inicializado. Isso mostra que nós, como instituições não governamentais, temos um papel importante e podemos contribuir muito para a pesquisa no Estado de São Paulo e no país”, disse.

Origem do repositório

A ideia de criação do repositório COVID-19 Data Sharing/BR surgiu há pouco mais de um mês e foi concretizada rapidamente graças a outro projeto lançado pela FAPESP no final do ano passado, a Rede de Repositórios de Dados Científicos do Estado de São Paulo.

A rede, que levou quase três anos para ser desenvolvida, disponibiliza em uma plataforma aberta dados associados a pesquisas científicas desenvolvidas em todas as áreas de conhecimento por instituições de ensino superior e pesquisa públicas no Estado de São Paulo. A mesma plataforma abrigará também o repositório COVID-19 Data Sharing/BR.

Sylvio Canuto, pró-reitor de Pesquisa da USP – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

O desenvolvimento da rede, que inclui um buscador de metadados, contou com o envolvimento das seis universidades públicas do Estado de São Paulo – USP, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Universidade Federal do ABC (UFABC) e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) –, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e a Embrapa Informática Agropecuária (CNPTIA/Embrapa).

“O compartilhamento de dados é essencial para enfrentar uma situação como a que estamos vivendo agora e que deverá ser perene”, disse Sylvio Canuto, pró-reitor de pesquisa da USP.

Na avaliação de Cláudia Bauzer Medeiros, professora do Instituto de Computação da Unicamp e participante do projeto, o repositório de dados será útil não só para pesquisas sobre COVID-19, mas também no futuro, para eventualmente orientar políticas públicas para evitar que situações como a atual voltem a acontecer ou minimizar os efeitos de futuras pandemias.

“O repositório reúne dados produzidos por brasileiros, que irão contribuir para a ciência mundial”, afirmou.

Este texto foi originalmente publicado por Agência Fapesp de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

Fonte: Jornal da USP

Biblioteca do STJ mantém serviços para o público durante a pandemia

​​A quarentena provocada pelo novo coronavírus dificultou o acesso a um insumo essencial para o mundo jurídico: informação. A Biblioteca Ministro Oscar Saraiva continua desempenhando papel fundamental no apoio à prestação jurisdicional do Superior Tribunal de Justiça (STJ), além de auxiliar outras cortes, magistrados e operadores do direito em geral, pesquisadores e estudantes.

Segundo a coordenadora da biblioteca, Rosa Maria de Abreu, a pesquisa de doutrina e legislação é essencial para o trabalho dos julgadores, e os investimentos feitos em conteúdo digital e divulgação on-line se mostraram ainda mais úteis e eficientes neste momento de pandemia.

Com o fechamento de muitas bibliotecas jurídicas e universitárias, a biblioteca do STJ – que também está com o atendimento presencial suspenso – tem sido demandada por usuários de todo o país. Em grande parte, os pedidos vêm de magistrados de outros órgãos e de estudantes de pós-graduação interessados em acessar documentos específicos.

Diversidade de servi​​​ços

A quantidade de acessos à Biblioteca Digital Jurídica do STJ (BDJur) cresceu também por conta da solução de problemas na indexação de suas informações no buscador Google. Com a resolução do problema e o início da quarentena, o número médio de consultas mensais na BDJur passou de 230 mil para mais de 430 mil.

Para Rosa Maria de Abreu, o trabalho da biblioteca assumiu maior relevo na pandemia, pois o acesso ao acervo digital se tornou uma necessidade.

Entre os serviços oferecidos pela biblioteca está a Estante Virtual de Periódicos, que disponibiliza acesso a artigos de mais de cem revistas jurídicas, a e-books e outros conteúdos digitais, por meio de diversas bases de dados jurídicas contratadas – como HeinOnline, Proview, Revista dos Tribunais, Biblioteca Digital Saraiva, BID Forum e outras.

Os usuários podem encontrar também mídias de eventos e palestras que aconteceram no STJ, algumas abertas ao público em geral. Outro serviço mantido durante a pandemia é a publicação da série Bibliografias Selecionadas, que traz fontes de informação – como legislação e textos doutrinários – sobre temas diversos.

A Biblioteca Ministro Oscar Saraiva atende pelos e-mails atendimento.biblioteca@stj.jus.br e pesquisa.biblioteca@stj.jus.br, e também pelo telefone (61) 3319-9054.

Fonte: STJ

Bibliotecas do Senado e da Câmara promovem ‘live’ para divulgar acervos digitais

Texto por Comunicação Interna

Biblioteca do Senado está fechada fisicamente desde o início da pandemia. Evento on-line em parceria com a Biblioteca da Câmara possibilita que usuários continuem acessando o acervo pela internet
Roque de Sá/Agência Senado

As bibliotecas do Senado Federal e da Câmara dos Deputados promoveram a primeira live da iniciativa Parlabiblio, que pretende apresentar ao público os serviços e produtos on-line disponíveis nas duas Casas legislativas. O evento reuniu, na quarta-feira (10), os bibliotecários Osmar Arouck, do Senado, e Raphael Cavalcante, da Câmara, para discutir os acervos virtuais disponíveis ao público.

Conforme Arouck, desde o início do isolamento social houve um crescimento de 97% na média mensal de 100 mil acessos da Biblioteca do Senado. Ele acredita que a variedade de itens à disposição das pessoas atraiu atenção para os meios digitais e a tendência é, mesmo após o fim da pandemia do novo coronavírus, isso se manter, avalia.

— Temos publicações digitalizadas por não mais terem direito autoral que impeçam essa transição, mas existem títulos com edições nossas que temos direito de veicular em meio digital apesar de serem recentes. Então há riqueza do que podemos divulgar a nossos usuários. A biblioteca está fechada fisicamente, mas muito ativa no papel que pode desempenhar, particularmente em relação ao Parlamento brasileiro — explicou o bibliotecário.Raphael Cavalcante afirmou que, no caso da Câmara dos Deputados, os campeões de procura são a Constituição Federal e o Regimento Interno da Casa, consultado não apenas pelos parlamentares e seus assessores, mas por estudantes de concursos públicos. Ele destaca, contudo, que o acervo digital conta com cerca de 600 obras consideradas raras e também valiosas para pesquisadores.

— É um material rico e com acesso possível nesses tempos de isolamento social preventivo. Outro volume muito acessado é o Prazer de Ler, da editora da Câmara, que disponibiliza clássicos da literatura em domínio público. Esse tipo de produto tem bastante procura — diz o servidor.

O conteúdo e as lives podem ser acompanhadas pelos canais @biblioteca.senado e @biblioteca.camara, no Instagram. O material ficará armazenado no IGTV dos perfis para ser consultado a qualquer momento.

Fonte: Agência Senado

Biblioteca Central disponibiliza minuta de plano de retorno às atividades presenciais

A Biblioteca Central, em consonância com os protocolos internacionais de trabalho que visam ao retorno, em segurança, das bibliotecas universitárias e considerando o esforço coletivo em que ora a comunidade da UNIRIO se encontra de acordo com os GTs que foram designados por meio da Portaria GR nº 388, vem tornar público seu planejamento para o retorno das atividades presenciais das Bibliotecas no período de pós-distanciamento social.

Este foi um trabalho realizado pela Direção do Sistema de Bibliotecas e debatido com todo o corpo técnico dos profissionais que atuam em nossas bibliotecas. Uma das muitas atividades do grupo desenvolvidas nesta quarentena. O documento é dividido em quatro eixos básicos e prevê a manutenção das atividades digitais desempenhadas e desenvolvidas durante o período de afastamento social provocado pela pandemia de COVID-19.

Fonte: UNIRIO

Virtualização, compartilhamento de espectro e inteligência artificial são tendências aceleradas pela covid-19

Texto por  Heloisa Paiva

Especialista diz que esse tripé tecnológico é responsável por manter o mundo em atividade, mesmo quando tudo parece paralisado

A pandemia do novo coronavírus exigiu medidas por vezes drásticas para conter a disseminação da doença. O Brasil agora ocupa a segunda posição no ranking, ficando atrás somente dos Estados Unidos em número de casos. Todos estão aprendendo a conviver com esta fase de incertezas, tentando movimentar a economia do jeito que é possível. O mundo aprendeu finalmente a trabalhar em home office e uma coisa é certa: o delivery de tecnologia está aumentando mais do que o previsto e deve ser responsável por adiantar várias tendências que caminhavam a passos lentos.

Dados da 31ª Pesquisa Anual do Uso de Tecnologia da Informação (TI) no Brasil, divulgada no início deste mês pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), revelam que o Brasil registra 424 milhões de dispositivos digitais em uso atualmente, entre smartphones, tablets, notebooks e computadores – o que dá em média dois dispositivos por habitante. Mais da metade deles são celulares inteligentes. Mesmo antes da pandemia, o vídeo ocupava mais de 70% do conteúdo transmitido pela rede móvel. Isso aumentará exponencialmente no mundo pós-covid19 e sobrecarregará as redes móveis que não foram projetadas para lidar com essa carga.

Na opinião de Adriano Filadoro, diretor-presidente da Online Data Cloud , “a pandemia demonstrou a importância da prontidão digital, que permite que os negócios e a vida continuem de uma forma diferente, mas eficiente. Criar a infraestrutura necessária para apoiar um mundo digitalizado, além de incorporar as tendências que garantem competitividade nos negócios, é essencial para qualquer empresa. O que nós estamos vendo é o tripé que mantém a vida das pessoas assentado em bases tecnológicas. Ou seja, o trabalho deve estar o mais digitalizado possível, os estudos a distância têm de ser uma opção viável para todos o quanto antes e o entretenimento deve ser socorrido pela tecnologia enquanto aglomerações significarem risco aumentado para a disseminação da doença”.

Filadoro aponta TRÊS tendências que estão transformando rapidamente a realidade:

  1. Virtualização. “O volume de dados transmitidos aumentou muito durante a quarentena, levando as operadoras móveis a fazer com que a infraestrutura de rede seja capaz de suportar esse aumento. Como recursos físicos demandam altos investimentos, a virtualização vem se mostrando uma opção inteligente. A virtualização de RAN (Regional Area Network), por exemplo, vem sendo adotada por muitas operadoras de rede. O ganho de escalabilidade e elasticidade resulta numa rede mais eficiente e econômica. Além disso, a virtualização também pode ser empregada em rede aberta, abrindo caminho para a inovação. Outro ponto importante são os desktops virtuais. Essa solução permite ao colaborador acessar o ambiente da empresa com todas as aplicações existentes. É possível trabalhar remotamente como se estivesse na mesa de trabalho da empresa, com todos os dados necessários para dar continuidade às atividades de rotina. Quando o isolamento chegar ao fim, ainda assim é prudente deixar desktops em nuvem, para que sejam ativados em situações de emergência”.
  2. Compartilhamento de espectro. “Já se sabe que o compartilhamento de infraestrutura será fundamental para o bom desenvolvimento do 5G no país, incluindo postes, torres, dutos, condutos etc. Mas também o espectro deve ser compartilhado, maximizando sua utilização e ainda abrindo oportunidade para novos negócios. As tendências tecnológicas deixam claro que em um mundo pós-covid19 mais conteúdo será assistido e consumido em dispositivos móveis . As videoconferências caíram rapidamente no gosto das pessoas, principalmente porque eliminam o problema do deslocamento – tão complexo nas grandes cidades. Sendo assim, vão continuar a ser um recurso muito usado em reuniões, aulas online ou vídeos para entretenimento. Para evitar o congestionamento da rede e melhorar a experiência do usuário, as empresas vão aderir a um dos vários tipos de compartilhamento de espectro”.
  3. Inteligência Artificial. “A inteligência artificial e o aprendizado de máquina estão desempenhando um papel cada vez maior nas empresas. Quando a comunicação estiver sendo feita com auxílio desses sistemas, fazendo uso de espectro compartilhado, a carga será monitorada continuamente nas várias redes. Dependendo dos dados, do número de usuários e da carga da rede, a inteligência artificial pode contribuir na tomada de decisão quando se tem de escolher parâmetros ideais para fornecer conteúdo. Sendo assim, as redes podem decidir automaticamente mudar a transmissão de um espectro para outro em tempo real, melhorando bastante a experiência do usuário. Além disso, a inteligência artificial é capaz de transformar dados em conhecimento, levando à tomada de decisões mais assertivas e com mais chances de sucesso. As empresas que conseguem obter novos insights, monitorando o negócio a partir dos dados atuais, otimizando os processos e monetizando o conhecimento adquirido através da análise dos dados estão na vanguarda dos acontecimentos . É essa análise de dados, levada a um patamar mais elevado, que permitirá melhorar a experiência do cliente, agilizar operações e inovar em velocidade máxima”.

Fontes:

Adriano Filadoro, diretor-presidente da Online Data Cloud, empresa com 26 anos de atuação na indústria de TI. http://www.onlinedatacloud.com.br

http://abori.com.br/tecnologia-e-engenharia/pandemia-deve-acelerar-a-transformacao-digital-no-brasil-aponta-fgv/file:///Users/helo/Downloads/22-11-2016-qualcommmudancas-na-politica-deespectro.pdf  

Fonte: Segs

Elefante Letrado libera acesso a acervo de livros digitais para auxiliar escolas durante período de isolamento social

Texto  por  Guilherme Ricacheski

Com mais de 4 milhões de livros lidos, plataforma de incentivo a leitura coloca biblioteca com 579 títulos em português e 421 livros em inglês à disposição de alunos de todas as instituições de ensino.

Mostrando solidariedade em meio à pandemia da Covid-19, as empresas têm buscado fazer a sua parte para contribuir com a sociedade. É o caso do Elefante Letrado, plataforma de leitura digital fundada em 2013 com o propósito de promover a formação do hábito da leitura e o desenvolvimento da compreensão leitora em estudantes do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental. A plataforma pode, ainda, ser utilizada na Educação Infantil.

Neste período de isolamento social, a empresa oferece, de forma gratuita, 30 dias de acesso a todas as funcionalidades da plataforma para as escolas utilizarem e indicarem aos seus alunos. Até o momento, o Elefante Letrado já doou mais de R$ 100 mil na distribuição gratuita do serviço para escolas de todo o Brasil.

O Elefante Letrado está presente em 15 estados brasileiros e cinco países, Brasil, Estados Unidos, Holanda, Japão e Reino Unido. O acervo inclui obras de 214 autores, com 579 livros em português e 421 em inglês. Nomes como Ziraldo e Monteiro Lobato são encontrados na plataforma, que conta com uma curadoria especializada e livros nivelados de acordo com a fluência e a compreensão leitora.

A sócia-fundadora do Elefante Letrado, Scheila Vontobel, destaca a importância da ação em meio à situação atual: “A pandemia da Covid-19 é algo que atinge a população como um todo, por isso a decisão de estarmos à disposição das escolas e dos alunos, auxiliando-os a manter o hábito da leitura e seguir as atividades de aprendizagem durante este período”, afirma. “Acreditamos que essa gratuidade irá facilitar para que uma gama de escolas e estudantes possa conhecer o nosso trabalho e se beneficiar dos conteúdos que desenvolvemos com tanto comprometimento e cuidado”, completa.

Sobre o Elefante Letrado

A plataforma de leitura Elefante Letrado disponibiliza livros de diferentes gêneros textuais (contos, poesias, crônicas, fábulas, entre outros), classificados de acordo com níveis de proficiência do leitor. O estudante faz seu próprio percurso de leitura, escolhendo entre títulos variados e avançando nos diferentes níveis à medida que realiza os jogos de compressão leitora, que estão alinhados a descritores da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Com isso, os professores têm acesso, em tempo real, a relatórios de desempenho dos estudantes, permitindo que educadores e estudantes reflitam sobre o progresso nas diferentes habilidades de leitura. Os alunos também conseguem gravar as leituras e responder questões sobre as obras.

Fonte: Segs

A infodemia e a desinformação em escritórios de advocacia em tempos de covid-19

Texto por Marcos Rogerio Gonçalves

Cabe às áreas de conhecimentos dos escritórios de advocacia (e empresariais) fazer a análise acurada dos conteúdos de informação e conhecimento, delineando todas as averiguações em suas minudências, para que possa chegar ao seu advogado, uma informação rigorosa e assertiva.

Infodemia é um termo cunhado e usado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), muito em voga nos dias atuais, associado diretamente à pandemia do novo coronavírus (covid-19) e tem relação intrínseca com outros fenômenos, entre eles o fenômeno da desinformação.

Sendo o mundo jurídico ávido por novos conhecimentos, o advogado não se dissocia da informação, pois é esta o principal insumo do seu conhecimento. São, informação e conhecimento, palavras que não se distanciam da atuação do advogado, mas que podem trazer desinformação, se não forem imbuídas de valor (conhecimento de valor).

A infodemia pode ser definida em três aspectos básicos se dentro de um contexto específico. Assim, é (I) o excesso de informações sobre um determinado assunto que, pelo volume extremamente elevado, tem o poder de direcionar profissionais menos experientes a incorrer em desafortunadas decisões sobre um tema e, em decorrência, distorcer a verdade a ser seguida, e até as políticas que podem ser adotadas para combater conteúdos falsos (e.g.).

Ainda, conforme (II) a autoria, mesmo que seja incialmente de uma fonte primária, rapidamente pode perder sua essência, quando replicada no vasto mundo das redes sociais e da rede mundial de computadores (WWW), bem como quando distribuída nos diversos aplicativos de mensagens instantâneas, o que proporciona o fato das informações vagas, imprecisas e tendenciosas, dificultando o discernimento entre o que é verdadeiro e o falso (as Fake News).

Por último (III) tem relação direta com a autoridade da informação e, neste sentido, é o lado das versões (ou da guerra de versões). É a amalgama que se mostra, e tem forte ralação com a vertente das tendências e do seu uso, para criar outras notícias, para direcionar o leitor, ou usuário final, a pensar de tal maneira, de tal modo, e que, se não houver meios (filtros) pelos quais possa o usuário se distanciar e diferenciar o que é uma informação correta de uma falsa, muitos problemas podem advir da interpretação errada.

O impacto direto nas relações empresariais ocasionado por uma tomada de decisão equivocada, pode ser devastador para a vida profissional do advogado, o que pode ocorrer se ele for abastecido de informações com baixo valor, que contenham vícios. Então, o aconselhamento, passa a ser de “verdades-falsas”. As informações necessitam de um crivo antes de serem usadas, de ser tomada a decisão essencial à manutenção dos negócios. Esse é o uso-fim para os advogados, para sempre estar bem informados, serem os senhores da verdade para o seu cliente.

Os sistemas de informação e de apoio ao advogado não podem, jamais, passar adiante uma orientação com ruídos na comunicação, pelo contrário, devem o conhecimento comunicado ser emoldurados, amparados de cuidados a fim de não se desviarem do seu fim: trazer clareza e elucidar.

Torna-se primordial, assim, que os advogados não sejam tolhidos pela enxurrada de conhecimento resultante da mescla entre notícias falsas com as verdadeiras, que acarretam, certamente, em desinformação. Esta, que entendemos como o que vem sendo a principal fonte geradora de pânico, a essência da tomada de decisão equivocada, precipitada, e a causadora de danos irreparáveis.

Sabidamente, não se pode negar que conforme a velocidade que os boatos circulam, não é possível impor rigor de averiguar sua veracidade. Isso ocorre, por vezes, porque quem dissemina informações falsas, o faz eivado de maledicência, com fito a causar prejuízo, o faz nas sombras.

No sentido contrário, informações divulgadas de forma segura são cercadas por cuidados de checagens e amparadas no fundamento de opiniões diversas, por vezes, de notórias personalidades, em fontes reconhecidas pela boa governança e seriedade com a informação.

Fazendo um paralelo, com a realidade do mundo da advocacia, imaginemos um cenário no qual o excesso de informações geradas por fontes primárias e que são replicadas dentro das redes sociais, dos aplicativos de mensagens e de vários sites e blogs, acabam sendo alteradas e se tornam pouco confiáveis, pelo simples fato de que, em diversos casos, o emissor da informação republicada não é um especialista no assunto. Ou seja, o peso da autoridade varia de acordo com o conhecimento que tem sobre o assunto da discussão. Assim, quais são as fontes e como as classificamos como confiáveis, dentro de um sistema de informação para advogados, em tese?

(I) A fonte primária ou original, são os órgãos governamentais, estes relacionados nas 3 esperas da federação: são os ministérios, secretarias; os órgãos do Poder Judiciário, como os Tribunais; os órgãos do Poder Legislativo: as casas legislativas. Além, também, conceituam-se nesse rol os Institutos de Pesquisas, Associações e Organizações do Terceiro Setor;

(II) Fontes secundária têm intima relação com as fontes primárias, mas aqui podemos dizer que são o resultado, o documento (gravado ou transcrito) que se relaciona diretamente à fonte primária, que motiva (ou é o resultado) a discussão sobre determinado tema, assunto e que ensejou análises e novos documentos e/ou interpretações de terceiros;

(III) Fontes terciárias por sua vez, são aquelas que geralmente chegam aos usuários de forma mais facilmente legível, que têm nos termos utilizados os contornos interpretativos de linguagem mais popular e que se tem mais facilidade de propagação, em escala muito mais ampla, assim alcançando outras camadas da sociedade que não teriam, de outro modo, como acessar e interpretar as fontes primárias e secundárias.

Cabe às áreas de conhecimentos dos escritórios de advocacia (e empresariais) fazer a análise acurada dos conteúdos de informação e conhecimento, delineando todas as averiguações em suas minudências, para que possa chegar ao seu advogado – destino do seu trabalho – uma informação rigorosa e assertiva, preservando a integridade primária em sua essência. E, para que esse serviço de disseminação ocorra dentro de um contexto de normalidade, é necessário seguir alguns passos: conferir se a informação é mesmo da fonte original e se se mantém íntegra, e a própria confiabilidade de fonte original. Também, averiguar se a informação faz sentido (quando foi emitida, quem o fez e o contexto geral dela no momento da sua divulgação), pode ser o início. Entretanto, o esforço nesse sentido só será possível se o exercício diário do aprendizado for constante e ininterrupto.

Fonte: Migalhas

O que a COVID-19 nos ensinou até agora

Por Liliana Giusti Serra. Doutora em Ciência da Informação pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP). Mestre em Ciência da Informação pela Escola de Comunicações e Artes na Universidade de São Paulo (ECA/USP, 2015). Especialista em Gerência de Sistemas (2008) e graduação em Biblioteconomia (1992) pela Fundação Escola Sociologia e Política de São Paulo (FaBCI/FESP). Profissional da informação dos sistemas SophiA Biblioteca e SophiA Acervo.

A pandemia causada pelo novo coronavírus (COVID-19) alterou a rotina de todos. Com as bibliotecas não foi diferente. Do dia para noite, tivemos que aderir ao trabalho remoto, suspendendo as atividades presenciais e mudando bastante as rotinas de trabalho. Agora, com a possibilidade de retorno gradual das atividades, alguns ajustes são necessários para uma adaptação à nova realidade, preservando usuários, colaboradores e acervos.

Vários aspectos têm sido discutidos sobre as medidas necessárias para a reabertura. Bibliotecas estão criando protocolos para orientar usuários e colaboradores sobre os cuidados necessários, como higienização de espaços e recursos bibliográficos devolvidos.

Algumas novas funcionalidades foram desenvolvidas no SophiA Biblioteca e no Philos. Outras, já estavam presentes e revelaram sua pertinência neste momento de tantas incertezas. Algumas ações foram tomadas pelos clientes logo nos primeiros dias de isolamento social, como a operação em lote para alterar as datas de devolução, evitando a geração de multas e bloqueios aos usuários, impedidos de devolver as publicações emprestadas. Este recurso estava presente no SophiA Biblioteca e foi disponibilizado também no Philos, ajudando as bibliotecas escolares.

Outro aspecto que amadureceu bastante foi a disponibilização mais intensa de conteúdos digitais aos usuários. Seja contratando livros digitais ou usufruindo de recursos que foram disponibilizados gratuitamente por um período por fornecedores, ou seja, com o uso de obras em domínio público ou sob as licenças Creative Commons. Não temos dúvida que este é um movimento que veio para ficar e enriquece bastante os acervos das bibliotecas.

Em termos de novidades, está em desenvolvimento a funcionalidade de retenção programada, onde é definido que na devolução os recursos bibliográficos serão automaticamente colocados em quarentena, em período definido pela biblioteca, sem liberar reservas existentes. Após o término da quarentena estabelecida por tipo de material, os itens são liberados, notificando os usuários, caso existam reservas. Esta funcionalidade ajudará as bibliotecas no processo de reabertura dos acervos, sem expor colaboradores e usuários.

Muito tem sido discutido sobre os protocolos que devem ser adotados na devolução. Evidentemente vários fatores devem ser considerados, como tipo de suporte, seu estado físico, a área que receberá os recursos para quarentena etc. Os estudos disponíveis sobre o tempo de permanência do vírus em superfícies apresentam valores que variam de 2 a 15 dias para papéis. Sabemos que soluções líquidas ou em gel para desinfecção não são apropriadas para aplicação em livros e papéis em geral e orientações neste sentido devem ser passadas aos usuários.

Uma opção para diminuir a manipulação dos recursos bibliográficos é usar a funcionalidade de autoempréstimo do APP SophiA (disponível somente para o SophiA Biblioteca). Pelo APP SophiA o usuário pode fazer seu próprio empréstimo, por meio de leitura do código de barras do livro com a câmera do celular, diminuindo aglomerações no balcão de atendimento e o manuseio dos recursos entre colaboradores e usuários. A devolução pode ser feita em caixas para autodevolução (bookdrop), quando os itens devem ser separados do acervo em salas específicas para a quarentena, em local com acesso restrito a poucos colaboradores, devidamente protegidos por equipamentos de proteção individual (EPIs), como máscaras, luvas e aventais. Este espaço deve se ventilado, porém não é recomendado o uso de ar condicionado e ventiladores.

Diversas instituições, clientes SophiA, estão preparando protocolos para a reabertura, onde são dadas orientações sobre higienização de espaços, tempo de quarentena definidos e demais cuidados que devem ser tomados (distância entre as pessoas, uso de salas de leitura, controle de quantidade de pessoas no espaço da biblioteca etc.). Felizmente estamos observando bastante compartilhamento de medidas de segurança e salvaguarda específicas para bibliotecas, divulgadas por instituições do mundo todo. Ao final deste texto, são disponibilizados links com algumas destas iniciativas.

No grupo de clientes SophiA no WhatsApp, foram divulgadas algumas iniciativas de protocolos de reabertura que foram elaborados por instituições como Unicamp, Biblioteca Nacional de Brasília (BNB), Unirio, UERJ, INATEL etc.

Estes materiais visam orientar colaboradores e usuários sobre formas para evitar a transmissão do vírus, os serviços que estão disponíveis, medidas de higiene, salvaguarda e manipulação do acervo, sinalização do ambiente, demarcação de distanciamento no chão, espaço para recebimento das devoluções, estabelecimento de prazos de quarentena de acordo com o tipo de suporte, instalação de escudos de acrílico nos balcões de atendimento etc.

As interações no grupo têm proporcionado uma boa troca de experiências entre bibliotecas de diversos segmentos, além da aproximação com nossos clientes, identificando aspectos que podem ser melhorados no SophiA para facilitar as atividades das bibliotecas neste período de tantas alterações nas rotinas.

A pandemia nos transformou. Algumas destas mudanças provavelmente vieram para ficar. Outras serão descontinuadas assim que o risco de contaminação estiver sob controle. Ninguém ficou indiferente a tudo isso e sair da zona de conforto é obrigatório. O estabelecimento de boas práticas para manipulação do acervo e outras medidas de higiene são positivas, obrigando-nos a repensar rotinas que estavam consolidadas. É um momento de aproximação, união e colaboração entre as pessoas e seus parceiros, construindo este novo normal juntos.

Alguns protocolos disponibilizados online:

UNICAMP: http://www.sbu.unicamp.br/sbu/wp-content/uploads/DiretrizesSBU_Retorno-atividades_COVID_239-ReuniaoColegiado.pdf

Rede de apoio: http://www.sbu.unicamp.br/sbu/atendimentovirtual/

Biblioteca Nacional de Brasília (BnB): http://www.bnb.df.gov.br/index.php/sala-de-imprensa/item/794-protocolo-covid-19-para-medidas-preventivas-a-covid-19-da-bnb

Para saber mais:

IFLA COVID-19 Conceitos básicos: desinfecção patrimônio cultural (vídeo com Mary Striegel)

https://www.ncptt.nps.gov/blog/covid-19-conceitos-basicos-desinfeccao-patrimonio-cultural/

São Paulo (Estado). Protocolos sanitários

https://www.saopaulo.sp.gov.br/wp-content/uploads/2020/05/protocolo-intersetorial-v-07.pdf

CRB/8: Como higienizar os acervos de bibliotecas durante uma pandemia?

http://www.crb8.org.br/como-higienizar-os-acervos-de-bibliotecas-durante-uma-pandemia/

Bibliotecario: un blog de Edgardo Civallero: Bibliotecas, COVID-19 y desinfección: https://www.bibliotecario.org/2011/01/bibliotecas-covid-19-y-desinfeccion.html?fbclid=IwAR21xV_c65d7en5lZHOIP3k8dbIgN_yrPLbShmJ1FMeCHtQw-0K9SVf3hLo

Para participar do grupo de clientes SophiA Biblioteca e Philos no WhatsApp, fale com nossa equipe de Marketing: marketing@prima.com.br.

Fonte: SophiA

Rede de bibliotecas ajuda comunidades mineiras durante a pandemia; saiba como doar

Moradores em situação precária de BH, Sabará e Betim estão recebendo cestas básicas e cartões para alimentação

Texto por Ana Raquel Lelles

As famílias são ajudadas com livros e cestas básicas
(foto: Produtora Antenados)

A pandemia do novo coronavírus intensificou as desigualdades sociais. E observando essa situação, a Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias (RNBC) criou uma campanha de apoio às comunidades brasileiras. A RNBC recolhe alimentos e itens de higiene pessoal e repassa as doações para as bibliotecas parceiras. Os interessados em ajudar podem doar os produtos ou uma quantia monetária na conta corrente de uma das instituições participantes.

Outro projeto que apoia as bibliotecas é o Itaú Social. De acordo com a mediadora de leitura Cleide Moura, a ação do banco disponibilizou R$ 443.250 para as bibliotecas comunitárias mineiras. Ela completa que esse valor foi distribuído conforme a quantidade de pessoas que são ajudadas em cada local. Esse dinheiro pode ser passado para as famílias no formato de um cartão Sodexo, conhecidos como “Cartões Auxílio Alimentação”, onde são creditados R$ 150 por mês num período de três meses. Entretanto, outras bibliotecas preferem investir esse dinheiro em cestas básicas.

As cestas básicas são montadas a partir de doações
(foto: Reprodução Livro Aberto )

Em Minas Gerais, a distribuição é feita com a ajuda da Rede de Bibliotecas “Sou Minas, Uai!”. O Estado de Minas conversou com representantes das bibliotecas comunitárias destas três cidades para saber como está sendo feito a distribuição das doações.

Sou de Minas, uai! e BH

A rede de bibliotecas comunitárias mineiras, Sou Minas, uai!, está ajudando famílias com dificuldades financeira durante a pandemia. Para isso, Daniela Praça, que trabalha na Comunicação da Rede, afirma que, a cada R$600 recebido por doações da RBNC, o dinheiro será repassado para as famílias. Ou seja, as bibliotecas vão receber de R$600 em R$ 600, conforme as doações. “Mas a primeira será a Livro Aberto, devido a necessidade do território no momento ser maior do que as outras reigões”, explica Daniela. “Esse valor será usado para comprar cestas frutas e legumes para 20 famílias da região de BH que perderam seus empregos”, comenta.

Além disso, segundo Daniela, a Sou Minas, Uai! já distribuiu o valor recebido do Itaú Social. “Esse valor foi dividido por sete bibliotecas comunitárias da rede, nos municípios de Sabará, Betim e Belo Horizonte. Cada uma definiu a quantidade de dinheiro e cartões que seriam dados por região”, contou.

Daniela explica que as famílias são cadastradas por meio de telefone para facilitar a organização. Em parceria com a biblioteca Livro Aberto, a Rede distribuiu 186 cartões alimentação, no valor de 150 reais, válidos por 3 meses. Além disso, 114 cestas básicas são distribuídas mensalmente para essas famílias.

A equipe da biblioteca Livro Aberto segue todas as recomendações da OMS ao entregar as doações
(foto: Reprodução Livro Aberto )

Apesar do cadastro já ter expirado, cerca de 300 famílias foram atendidas na região do Bairro Goiânia, em Belo Horizonte, e Alvorada, em Sabará. “Nesse tempo de pandemia, sabemos que muitas pessoas tiveram a sua vida mudada devido ao isolamento social, diminuição de trabalhos, rendas e desemprego. A literatura é um direito humano e nesse momento a literatura vai com alimentos, que também é um direito que não poderia neste momento ser negado a ninguém!”, comentou a equipe em um post no Facebook

Durante a pandemia, a rede de bibliotecas está ajudando em média 985 famílias. Em atividade desde 2010, a Rede Sou de Minas, Uai! é um coletivo de bibliotecas comunitárias localizadas em Belo Horizonte, Betim, Sabará e Santa Luzia. No total, são nove bibliotecas atuando em prol da democratização do acesso ao livro e à leitura em áreas de vulnerabilidade econômica e social das quatro cidades da Grande BH.

“Nossas ações são pautadas na garantia do direito humano à literatura, através de ações culturais. Estão estruturadas com espaços e acervos de qualidade, mediadores de leitura e bibliotecárias aptos a atender às necessidades dos usuários e dos espaços de leitura, que são funcionais e receptivos”, explica Daniela.

Betim

Em Betim, as comunidades atendidas foram as do entorno das bibliotecas, que estão situadas nos bairros São Caetano (Biblioteca Comunitária do GRIASC), Santa Lúcia (Biblioteca Comunitária do Salão do Encontro) e Santo Afonso (Biblioteca Comunitéria do Instituto Ramacrisna). Segundo, a mediadora Cleide, cada uma das bibliotecas ajuda uma quantidade diferente de pessoas.

“Por exemplo, a Biblioteca Comunitária do Instituto Ramacrisna ajuda 170 famílias. Já a Biblioteca Comunitária do GRIASC ajuda cerca de 80. A Biblioteca Comunitária do Salão do Encontro são quase 300”, comenta a mediadora.

Cleide explica que, em Betim, o dinheiro recebido do Itaú Social foi repassado para as bibliotecas em forma cartão Sodexo, o “Cartão Auxílio Alimentação”, com 150 reais para compras em junho, R$ 150 em julho e R$ 150 em agosto. “Porque assim a família pode comprar gás, leite e outros itens que não têm em cestas básicas”, comenta a mediadora.

Nos cartões auxilio alimentação são depositados R$ 150 para ajudar as famílias
(foto: Reprodução Livro Aberto )

O trabalho voluntário feito na cidade é pelos mediadores de leitura, articuladores e bibliotecária e responsável pela comunicação da Rede. “O trabalho de cadastramento de famílias e entregas é feito na rua, enquanto as reuniões de planejamento, relatórios e prestação de contas são feitas em home office”, conta Cleide.

Sabará

Em Sabará, na região metropolitana de BH, a Borrachalioteca ajuda as comunidades carentes da cidade. A equipe da biblioteca comunitária trabalha selecionando livros e divulgação de atividades culturais remotas. Túlio Damascena, mediador de leitura e coordenador da Borrachalioteca, conta que o trabalho da biblioteca comunitária é mais voltado para a cultura.

Durante a pandemia, a biblioteca comunitária está ajudando bastante as comunidades carentes. Segundo Túlio, a equipe procurou fechar parcerias com outras lideranças que já fazem trabalho comunitário para ajudar na organização da doações. “Elegemos seis lideranças e elas foram responsáveis por fazer o levantamento das famílias e depois cada uma dessas lideranças foram responsáveis por essa entrega, tanto do banco de alimentos, como o cartão, as fraldas e as cestas básicas”, explica. Além de receberem alimentos e uma quantia financeira, Tulio conta que cada família recebeu um kit de livro.

Durante a ajuda em Betim, a editora Lê estava presente na entrega das doações da Biblioteca Ramacrisna
(foto: Produtora Antenados)

Ele explica que, num primeiro momento, a campanha contou com apoio do Itaú Social, para as Redes de Bibliotecas que são apoiadas pelo programa Prazer em Ler. “Cada biblioteca vinculada a uma rede (são 11 no total) fez uma avaliação de quantas famílias poderia atender junto à comunidade em que as bibliotecas estão inseridas. Após esse primeiro contato as redes receberam recursos por meio de uma entidade proponente, que repassou a outras instituições”, explicou.

“As bibliotecas da Rede ‘Sou de Minas, uai!’ se mobilizaram e criaram estratégias para que o repasse fosse feito da melhor maneira”, comentou Túlio. Além do suporte do Itaú Social, a RNBC está arrecadando recursos para serem repassadas “para dar continuidade a esse trabalho”.

Segundo Damascena, as entregas das doações estão sendo feitas de duas maneiras: “o suporte do Itaú garantiu o atendimento das famílias por três meses e o recurso da campanha da RNBC está sendo distribuído à medida é captado”. A equipe distribui para as famílias o cartão alimentação, que fica em nome de um dos membros, cadastrada previamente, com o aporte de R$ 150 mensais por três meses. Além disso, algumas famílias estão recebendo cestas básicas e os produtos de higiene pessoal.

“O banco de alimentos, que já existia na comunidade do Bairro Cabral, que ficou comprometida pela chuva que castigou Sabará em janeiro, nesse caso fechamos uma parceria com um sacolão que fez preço de custo nos alimentos e de 15 em 15 dias as pessoas podem retirar nas dependências da biblioteca (Sala Son Salvador)”, conta Túlio. Ele comenta que as famílias terão apoio pelos meses de junho, julho e agosto

O mediador de leitura conta que cerca de 109 famílias foram ajudadas com o com o cartão alimentação desde o início do projeto. “Atendemos cerca de 130 com as cestas básicas, 5 com produtos de higiene pessoal, 50 famílias com o banco de alimentos”, conta Túlio. Os bairros ajudados são Caieira, Cabral, Adelmolândia, Rosário I e II, Roça Grande, Catita, Pompéu, Paciência, entre outros.

As bibliotecas tentam evitar a propagação do vírus durante a entrega
(foto: Reprodução Livro Aberto )

Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias

A Campanha de apoio às comunidades para distribuição de itens de higiene e alimentos é promovida pela Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias (RNBC) e deve continuar até o fim da pandemia. Minas Gerais já está na segunda fase da campanha, ou seja, na segunda vez que ocorre as doações no estado. Além de Minas, o projeto também atua em São Paulo, Rio de Janeiro, Maranhão, Ceará, Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Sul e Pará.

Para ajudar, os doadores podem fazer depósito na conta-corrente de uma das instituições participantes da rede. “Todo o recurso arrecadado será usado para a compra de alimentos, material de higiene, gás e repasse direto, sendo distribuído de acordo com as necessidades de cada comunidade”, destacou Cris Lima, integrante da rede.

Além disso, os interessados podem doar cestas básicas e itens de higiene diretamente às redes de bibliotecas espalhadas pelo país. Em Minas Gerais, os podem ser entregues em Belo Horizonte, Sabará e Betim. Já nos outros estados, as entregas podem ser feitas em Belém e Ananindeua (PA), São Luiz, Fortaleza, Recife, Olinda (PE), Jaboatão dos Guararapes (PE), Salvador, Nova Iguaçu (RJ), Duque de Caxias (RJ), Paraty (RJ), São Paulo, Guarulhos (SP), Mauá (SP), Porto Alegre, Cachoeirinha (RS), Eldorado do Sul (RS), e Esteio (RS).

A RNBC é um movimento pela democratização do acesso ao livro e às bibliotecas. São 119 bibliotecas em 22 municípios nas regiões Norte, Nordeste, Sul e Sudeste, que atendem um público médio de 30 mil famílias.

Para as doações em dinheiro:

ACESA – Associação Cultural Esportiva Social Amigos

CNPJ: 14.810.743/0001-31

Banco: Caixa econômica Federal

Agência: 0049

Conta corrente 14453 Dígito 5

Entre contas CEF: 003 conta 14453-5

Para as doações presenciais, confira os endereços das bibliotecas no site da RNBC

*Estagiária sob supervisão de Álvaro Duarte

O que é o coronavírus?

Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte.

Casos de COVID-19 em Minas Gerais

Clique para conferir número de pacientes infectados por município

Como a COVID-19 é transmitida?

A transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Como se prevenir?

A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de água e sabão para lavar as mãos ou álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.

Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia

Em casos graves, as vítimas apresentam:

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal

Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus.

Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.

Fonte: Estado de Minas Gerais

Acervo da Biblioteca Municipal é organizado durante a pandemia do novo coronavírus

Desde o último dia 1º, funcionários do espaço público já separaram mais de 8 mil livros

Na Biblioteca Municipal, força-tarefa iniciou na última semana

Fechada ao público por conta da pandemia do novo coronavírus (covid-19), a Biblioteca Municipal Martinico Prado passa por organização interna do acervo, realizada pelos funcionários do espaço público. A força-tarefa começou no último dia 1º.

De acordo com a Secretaria Municipal de Cultura, mais de oito mil livros provenientes de doações já foram separados. “Nosso trabalho aqui na Biblioteca não para, mesmo não havendo atendimento ao público, por causa da covid-19. Internamente, estamos separando livros que estavam encaixotados e que futuramente estarão disponíveis aos nossos leitores”, explicou a chefe de serviço da Biblioteca Municipal, Silmara Da Roz Eliseu.

Após a separação dos livros, haverá um processo de triagem de todos os materiais. “Todos os livros que estamos separando são importantes. Alguns exemplares serão doados a asilos, outros estarão disponíveis no pegue-leve da própria Biblioteca, entre outras formas de doações. Os títulos mais novos e repetidos serão guardados e farão parte do nosso acervo. Achamos muitas obras interessantes que estavam guardadas”, acrescentou Gustavo Grandini Bastos, bibliotecário municipal.

A Secretaria de Cultura reforça que, neste período de pandemia, a Biblioteca Municipal permanece fechada para o atendimento ao público. “Os livros emprestados antes da pandemia foram renovados automaticamente e as devoluções serão realizadas posteriormente”, finalizou a chefe de serviço.

Após separação, livros passam por triagem

Fonte: Secom/Prefeitura de Araras

AS TECNOLOGIAS DE GEOLOCALIZAÇÃO E CRISE EPIDEMIOLÓGICA: REFLEXÕES PARA UMA SOLUÇÃO CONCILIATÓRIA

Texto por Oscar Carlos Cidri Neto

Alex Mecabô – Mestrando em Direito das Relações Sociais na Universidade Federal do Paraná/UFPR. MBA em Gestão e Business Law pela FGV. Pesquisador do Grupo de Estudos em Direitos Autorais e Industriais – GEDAI/UFPR. E-mail: mecabo.alex@gmail.com

Alice de Perdigão Lana – Mestranda em Direito das Relações Sociais na Universidade Federal do Paraná/UFPR. Bolsista CAPES. Pesquisadora do Grupo de Estudos em Direitos Autorais e Industriais – GEDAI/UFPR e do Grupo Direito, Biotecnologia e Sociedade – BIOTEC/UFPR. E-mail: aliceplana@gmail.com

Natalí de Lima Santos – Pós-graduanda em Big Data e Comunicação. Especialista em Direito da Comunicação Digital. Bacharel em Biblioteconomia. Pesquisadora do Grupo de Estudos em Direitos Autorais e Industriais – GEDAI/UFPR. E-mail: santosnathlima@gmail.com

Revisão: Roberto Nelson Brasil Pompeo Filho

A COREIA DO SUL E A COLETA DE DADOS SIGILOSOS  NO COMBATE DO COVID-19

A solução da Coreia do Sul para controle do COVID-19, intensamente comentada nos veículos de notícias poucos meses atrás, já parece old news. O rastreamento por meio de aplicativos de celular, que coletavam dados detalhados (e às vezes sigilosos) dos cidadãos, como histórico de GPS[1], dividiu a opinião internacional.

Enquanto a maioria aplaudia o aumento da vigilância por um “bem maior” (a contenção da disseminação do Sars-Cov-2), especialistas da área da privacidade alertavam para os inúmeros possíveis efeitos deletérios de um controle tão amplo da vida de cada cidadão por parte do Estado.

Rapidamente, assim, a discussão se polarizou: saúde pública versus privacidade. Colocada dessa forma, a escolha parece fácil. A saúde pública, especialmente em tempos de pandemia, é uma prioridade geral; a privacidade, por outro lado, esse conceito tão abstrato e vilipendiado no século XXI, é facilmente deixada de lado. Mas será que realmente é necessário escolher um ou outro? As tecnologias de rastreamento, úteis para enfrentar a pandemia, não necessariamente demandam violações de privacidade em massa.

Conforme explica Mariana Valente, diretora do InternetLab, existem dois grandes sistemas[2]. O primeiro usa dados de geolocalização – informações de onde geograficamente o celular está ou esteve em determinado momento. Os celulares podem ser localizados por meio da triangulação de antenas. Quem destaca essa localização geralmente são as empresas de telecomunicação, mas as empresas de tecnologia, provedoras de serviços de internet, também coletam tais dados.

O  TRATAMENTO DOS DADOS NA TECNOLOGIA CONTACT TRACING

Os dados de geolocalização podem ser usados de forma agregada ou individualizada. Na forma agregada, os dados são vistos como conjunto, para fins estatísticos, servindo para o monitoramento de concentração – o que permite entender se as medidas de isolamento estão sendo eficazes. Não é possível ver exatamente o que cada indivíduo fez. Já na utilização de forma individualizada, os dados de geolocalização podem dar o trajeto minucioso de cada indivíduo.

Essas tecnologias não são adequadas para o contact tracing – rastrear com quem alguém potencialmente infectado teve contato. Elas não são precisas o suficiente, pois o contágio pressupõe uma proximidade de 2m. É possível articulá-la com outros dados (como compras em cartão de crédito) para aprimorar a precisão, como fez a Coreia do Sul, mas isso envolve uma coleta muito maior de dados – o que pode resultar em mais violações de privacidade.

O segundo sistema, que funciona para o contact tracing, se baseia no sinal de bluetooth de cada celular. Nesse caso, não é necessário saber a localização de cada pessoa – o que importa é a proximidade. O aplicativo, usando essa tecnologia, saberá quais dispositivos estiveram próximos. Aqui, a tecnologia ajuda pessoas contaminadas a notificar outras pessoas, com quem tiveram proximidade física, de seu exame positivo. Tal informação também pode ser útil para o desenvolvimento de políticas públicas.

AS HIPÓTESES DE VIOLAÇÃO DE PRIVACIDADE

A possível violação de privacidade vem justamente na forma como se lida com esses dados. Existem duas maneiras: a primeira é o modelo centralizado, pelo qual uma autoridade tem acesso a essas informações e aos identificadores dos usuários individuais. Essa informação pode gerar, em um bom cenário, um aviso da autoridade responsável de que a pessoa está infectada para as pessoas com quem ela entrou em contato.

No entanto, em países com tendências autoritárias, isso pode significar o envio de forças policiais para a casa de todos esses indivíduos, com objetivo de removê-los a força ou algo pior. Além do mais, isso daria à autoridade responsável pelo banco de dados a informação de que certas pessoas estiveram em contato em dado momento – algo aparentemente simples, mas que pode fornecer dados sensíveis, como o pertencimento a determinado grupo político ou religioso, ou mesmo casos extraconjugais.

O segundo modelo, descentralizado, depende de informações que ficam armazenadas no celular de cada pessoa, com um banco de dados menos robusto. Aqui, os identificadores de cada pessoa encontrada são anônimos, e a autoridade responsável não tem acesso à informação particular de cada indivíduo. Frise-se: a autoridade responsável pelo banco de dados não conta com dados de contato de cada usuário, que permitiriam sua identificação imediata.

A QUESTÃO DA PRIVACIDADE NA TECNOLOGIA UTILIZADA NO BRASIL PARA CONTROLE DA PANDEMIA

A temática é controversa. As medidas emergenciais de vigilância adotadas por alguns países demonstram o quão frágil é o direito à liberdade e privacidade. Em Israel, o governo autorizou – sem supervisão judicial e aprovação parlamentar – a Agência de Segurança a coletar os dados de celulares dos cidadãos e repassar ao Ministério da Saúde, de maneira que será possível alertar àqueles que possivelmente foram expostos ao vírus e monitorar os infectados. Porém, a Associação dos Direitos Civis já se manifestou, alegando ser uma medida inadequada, já que a tecnologia utilizada no processo de coleta é a mesma usada no rastreamento de combate ao terrorismo.[3]

Em sentido semelhante, utilizando recursos dispostos na Big Data, o Brasil também adotou ações para controlar a disseminação do Sars-Cov-2. Em São Paulo e Rio de Janeiro, os governos estaduais firmaram parcerias com as operadoras de telefonia, objetivando o acesso de dados de geolocalização para auxiliar no enfrentamento da doença.

O rastreamento, neste caso, é feito pelo sinal emitido pelas antenas do aparelho celular. Em seguida, são representados em “mapas de calor”, que indicarão maior ou menor concentração de pessoas em determinados locais e períodos.

Assim, seria possível identificar pontos de aglomerações, mapear o fluxo de pessoas nas principais vias da cidade e comprovar a eficácia das medidas de distanciamento social, a fim de evitar o crescimento acelerado da doença, como aconteceu em outros países.

De acordo com as operadoras de telefonia brasileiras, peças centrais deste modelo, os dados repassados são anonimizados e cumprem com a tutela de privacidade dos usuários.

No entanto, é certo que, além de não haver consentimento do titular dos dados para as finalidades pretendidas, há, também, deficiência na fundamentação que pavimentaria o reconhecimento da necessidade de implantação do monitoramento. Quais são os projetos estatais vinculados a este monitoramento? Qual a efetividade do rastreamento para o controle e dispersão das aglomerações? Qual a linha de tempo (nascimento e morte) dos dados pessoais coletados?

A ausência de um planejamento robusto que denote, em minúcias, os trajetos e pretensões repousadas sobre estes sistemas de monitoramento de geolocalização invalidam toda a pretensa boa intenção do administrador público de utilizar a tecnologia para fins de proteção à saúde e incolumidade pública.

Paralelamente, a prefeitura de Recife implementou um aplicativo próprio para monitorar a localização dos celulares, obter dados de deslocamento e acompanhar em quais locais as medidas de restrições estão sendo cumpridas.

Diferente de São Paulo e Rio de Janeiro, o município utilizará a tecnologia desenvolvida por uma startup que faz uso de triangulação de redes wi-fi e sensores de bússola dos smartphones – exatamente como dispõe o primeiro sistema anteriormente apresentado.

Além disso, a empresa coleta dados a partir de aplicativos de terceiros, que possuem, em suas políticas de privacidade, a autorização de transmissão de dados a parceiros comerciais, sobretudo para fins de marketing direcionado[4].

Neste modelo, o fundamento não se socorre na anonimização supostamente empreendida pelas empresas de telefonia, mas, sim, do pretenso consentimento do usuário a partir da (suposta) ciência das políticas de privacidade de determinados aplicativos de telefone.

Em ambos os modelos, no entanto, aproveita-se de uma lacuna deixada pela postergação de vigência da Lei Geral de Proteção de Dados, ignorando-se que a própria dinamização do direito à privacidade agasalha a necessidade de respeito à autodeterminação informativa. Corrobora, neste sentido, interessante acórdão proferido pelo STJ, já nos idos de 2010, debruçado sobre a veiculação indevida da imagem de um sujeito na internet, que concluiu: “com o desenvolvimento da tecnologia passando a ter um novo conceito de privacidade que corresponde ao direito que toda pessoa tem de dispor com exclusividade sobre as próprias informações, ou seja, o consentimento do interessado é o ponto de referência de todo o sistema de tutela da privacidade”[5].

Em verdade, o deslocamento do debate para a dualidade “proteção de dados versus saúde”, nuclear para a aceitação da implementação dos mecanismos de monitoramento de geolocalização no contexto de Sars-Cov-2, denota um certo desprestígio que a privacidade detém em contextos de massificação do cyberspace[6].

O discurso de proteção à vida, em um cenário de crise epidemiológica, é cômodo e superficial, mas desconsidera a existência de mecanismos tecnológicos aptos a resguardar, também, o direito à privacidade – ou, ao menos, reduzir os riscos de perfilização[7] indevida, monitoramento estatal excessivo e manipulação de massas.

O segundo sistema aqui apresentado, baseado nos sinais de bluetooth dos aparelhos celulares, quando formatado pelo modelo descentralizado, se alimenta de bancos de dados menos robustos e anonimizados (pelo menos de forma imediata).

A alocação de recursos e esforços governamentais para o monitoramento dos cidadãos, com fundamento na necessidade de dispersão das aglomerações, pode parecer louvável, mas exige um debate qualificado e que contemple, em igual medida, todos os direitos fundamentais envolvidos.

A coleta desmedida de dados pessoais, principalmente em ano eleitoral, acende o alerta acerca da desvirtuação das ferramentas tecnológicas para finalidades pouco republicanas e menos honrosas que a defesa da “saúde pública”.

REFERÊNCIAS:

[1] A Estratégia da Coreia do Sul de contenção da COVID-19. In: Boletim GEDAI abril de 2020 – Especial Coronavírus. Disponível em: https://www.gedai.com.br/a-estrategia-da-coreia-do-sul-de-contencao-da-covid-19/. Acesso em: 11 maio 2020.

[2] Podcast “Antivírus”. Ep. 04: “Geolocalização é vigilância?”. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=KkBfpTTKU7c&feature=youtu.be. Acesso em: 16 abr. 2020.

[3] Israel começa a monitorar celular de contaminados com coronavírus. Disponível em: https://noticias.r7.com/internacional/israel-comeca-a-monitorar-celular-de-contaminados-com-coronavirus-17032020. Acesso em: 14 maio 2020.

[4] Prefeitura do Recife coleta localização dos celulares para mapear isolamento social. Disponível em: https://teletime.com.br/25/03/2020/prefeitura-do-recife-coleta-localizacao-dos-celulares-para-mapear-isolamento-social/. Acesso em: 14 maio 2020.

[5] STJ. REsp 1.168.547/RJ. Rel. Min. Luis Felipe Salomão. J. 11.05.2010.

[6]“O cyberspace é um conceito transcendente às experiências da Internet, tendo não somente como panorama um meio de comunicação digital, mas um espaço que abrange uma nova forma de vida social e de cultura: a cybersociety”. (LIMA, Cíntia Rosa Pereira de; PEROLI, Kevin. Direito Digital: Compliance, Regulação e Governança. São Paulo: Quartier Latin, 2019. p. 23)

[7] “Esta técnica, conhecida como profiling, pode ser aplicada a indivíduos bem como estendida a grupos. Nela, os dados pessoais são tratados, com o auxílio de métodos estatísticos, inteligência artificial e outras mais, com o fim de obter uma metainformação, que consistiria numa síntese dos hábitos, preferências pessoais e outros registros da vida desta pessoa. O resultado pode ser utilizado para traçar um quadro de tendências das futuras decisões, comportamentos e destinos de uma pessoa ou grupo. A técnica pode ter várias aplicações desde, por exemplo, o controle de entrada em um determinado país pela alfândega […]bem como uma finalidade privada, como o envio seletivo de mensagens publicitárias de um produto apenas para seus potenciais compradores, dentre inumeráveis outras”. (DONEDA, Danilo. Da privacidade à proteção de dados pessoais. São Paulo: Renovar, 2006. p. 175)

Fonte: GEDAI

UFRB disponibiliza e-books gratuitos com temas sobre a pandemia do coronavírus

Texto por Renato Luz

A Comissão Local de Enfrentamento da CoVid-19 do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) divulga o e-book “Estratégias para profissionais de saúde manejarem a ansiedade dos usuários dos serviços de saúde na pandemia”. A obra, no formato e-book, objetiva ajudar os profissionais de saúde no enfrentamento à pandemia, e apresenta discussões sobre medo, ansiedade, e estratégias práticas de intervenção.

A iniciativa partiu do Serviço de Psicologia que adaptou textos da professora Jeane Sakya Campos Tavares e do estudante de medicina, Carlos Antônio Assis de Jesus Filho. A publicações está disponível para leitura online e download gratuito na página do CCS.

“Educação em Tempos de Covid19” – O livro “Educação em Tempos de Covid-19: reflexões e narrativas de pais e professores”, lançado pela Editora Dialética e Realidade, tem a contribuição do professor Eniel do Espírito Santo (CECULT) da UFRB. O docente escreveu em coautoria com a professora Sara Dias-Trindade (Universidade de Coimbra) o capítulo 19 denominado: “Educação a distância e educação remota emergencial: convergências e divergências”.

Segundo Eniel, a obra é uma  resposta imediata às transformações ocorridas num breve espaço de tempo, que alterou o status quo da atuação educacional de professores e pais. “O capítulo apresenta os principais fundamentos da educação a distância (EaD), correlacionando-os com a educação ou ensino remoto emergencial, mesmo considerando-se as limitações de se construir uma narrativa concomitante a sua construção”, afirmou.

O livro encontra-se disponível para download gratuitamente.

Fonte: UFRB

Mais conectados, livreiros avaliam impacto de quarentena e preparam reabertura

Texto por Maria Fernanda Rodrigues – Estadão Conteúdo

Quando for seguro sair de casa novamente, não vamos encontrar mais algumas lojas da Saraiva espalhadas por shoppings de São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Canoas e São Caetano. Enfrentando a pior crise de sua história, que vem de antes mas foi agravada pela pandemia, a rede, que está em recuperação judicial, está fechando pelo menos 7 livrarias – mas esse número pode chegar a 19 num futuro próximo.

No mesmo barco, a Cultura acaba de apresentar um novo plano de recuperação e tenta negociar com editoras outra forma de voltar a ter crédito com elas e livros para vender, propondo dividir o pagamento na hora, o Split, com uma porcentagem extra para amortecer a dívida recente.

Enquanto as duas lidavam com seus problemas nesses dois meses, outras livrarias e redes usavam a criatividade para seguir vendendo, mesmo com as portas fechadas. Usaram WhatsApp, investiram no e-commerce, aprenderam a fazer marketing digital, ouviram o cliente. Alguns deram férias aos funcionários. Houve alguma demissão. E, embora os números não sejam animadores – segundo a Nielsen, o varejo registrou queda de 33% em maio, em relação a 2019, e acumula perdas de 13% em 2020 -, elas estão conseguindo, com mais ou menos dificuldade, passar por isso. E algumas até já se preparam para a reabertura.

Não há uma data certa para isso acontecer. A Associação Nacional de Livrarias está ouvindo seus associados para apresentar uma proposta para a prefeitura de São Paulo. Quando essa resposta sair, Alexandre Martins Fontes já estará com a sua Livraria Martins Fontes minimamente adaptada. Nesta semana, foram instalados escudos protetores nos caixas e adesivos no chão, demarcando um distanciamento seguro além de máscara para funcionários, álcool em gel. Tudo conforme manda o novo figurino.

Apesar disso, Martins Fontes não acredita que haverá um movimento minimamente parecido com o de antes do coronavírus, e continua apostando no e-commerce, que já era importante para a empresa, no serviço de televendas que criou agora e em marketplace (por exemplo, é possível comprar pela Amazon um livro que será vendido e entregue pela Martins Fontes). “A pandemia chegou para mudar para sempre a maneira como as pessoas consomem bens e serviços e confirmou a importância da tecnologia. Vamos investir mais do que nunca em infraestrutura logística, comunicação e marketing digital”, disse o livreiro que projetava faturar 30% do que havia sido previsto antes, mas que fechou abril e maio com 75%.

O que salvou a Leitura, a maior rede em número de lojas, foi o caixa anterior, principalmente, e as vendas online – e olha que, até o ano passado, a mineira nem tinha mais um e-commerce (a regra lá é não manter aberta uma loja deficitária por muito tempo, e o site era). Entre 20 de março e o final de abril, com as 73 lojas fechadas e atendimento só pelo e-commerce e delivery, a venda caiu 96%, diz Marcus Telles, sócio da rede. A Leitura demitiu 10% dos funcionários e, mesmo agora com o início da reabertura em algumas cidades, ele prevê demitir mais 10% de seus funcionários em julho – e diz que dará preferência a eles quando retomar as contratações em novembro. Os planos, porém, não foram desacelerados e a Leitura quer encerrar este ano estranho com 79 lojas (uma foi fechada mês passado).

E como foi a reabertura? “As duas lojas de rua de Belo Horizonte voltaram acima das expectativas e venderam quase igual a antes. As seis de Brasília recomeçaram faturando 60% do que seria o normal.”

Voltando para um cenário mais modesto e menos virtual. Samuel Seibel, dono da Livraria da Vila, disse que, por ser uma livraria de loja física, o impacto foi muito forte. “Nossa filosofia sempre foi a de criarmos uma relação pessoal com o cliente, indicando livros e trocando ideias. Por priorizar as lojas físicas, o e-commerce só foi lançado em dezembro. Janeiro e fevereiro serviram de teste sem saber o que viria pela frente. E, quando houve o fechamento das lojas, tínhamos pelo menos o site para vender”, comentou. O crescimento tem sido dia a dia, e as vendas online equivalem ao faturamento de uma pequena loja da rede, que já reabriu em Curitiba e em Londrina.

A Travessa também sofreu o baque. “Muito doloroso ver as lojas fechadas”, disse Rui Campos, que não demitiu, mas suspendeu contratos e reduziu jornada. Segundo ele, o site teve um incremento de 50% nas vendas e, somado ao televendas, a Travessa está faturando cerca de 20% do que faturaria em condições normais. Rui citou Vinicius de Moraes, que diz a vida é arte do encontro, e completou: “A Travessa é um espaço pensado para encontros. Do livro com o leitor e de pessoas que gostam de livros com pessoas que gostam de livros. Vai continuar a ser.”

A Blooks também aposta na livraria como ponto de encontro, e Elisa Ventura acha que os eventos não voltam tão cedo. Por outro lado, com algum investimento no site, as vendas online melhoraram – mas elas representam 10% do que vendiam nas lojas antes. A lição que fica? “Que é fundamental olhar melhor para o cliente, fazer um atendimento personalizado e atender demandas de regiões onde não há lojas físicas”, disse.

A Mandarina estava começando a entender o mercado quando teve que fechar as portas, sete meses depois da inauguração, em Pinheiros. De lá para cá, tem vendido pelo WhatsApp porque o e-commerce só começa a funcionar na semana que vem. “Conseguimos manter a receita para pagar as contas e aceitamos todas as ajudas. Fizemos parceria com Milton Hatoum, que assinou livros para os clientes; com a Companhia das Letras, que ofereceu linha de crédito para mantermos a folha; e com editoras menores, como a Nós, que destinou parte das vendas de abril para a livraria”, contou Roberta Paixão.

Muitas editoras estão tentando ajudar pequenas livrarias, mas existe uma sensação de que uma nova fase conturbada vai começar – com as editoras, receosas de novos calotes, endurecendo negociações. “A indústria vai precisar dar crédito para o varejo, embora ela já faça isso consignando os livros.

Esperávamos que a ajuda do governo chegasse com mais facilidade”, disse Marcos da Veiga Pereira, presidente do Sindicato Nacional de Editores de Livros. Há uma proposta de projeto de lei, do senador Jean Paul Prates, para ajudar o mercado durante o período de calamidade, mas ela nem sequer entrou na pauta. “Para o ecossistema do mercado editorial, a livraria é fundamental. Uma importante vitrine. O varejo online não dá conta da quantidade novos títulos”, afirmou Pereira.

“Torço muito para que esse processo de reabertura não tenha um soluço mais grave. O medo de todos é a segunda onda do coronavírus.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Bem Paraná

Na Amazônia, as bibliotecas estão sendo incendiadas

A penetração do coronavírus ao longo do rio Tapajós, no Pará, está matando os anciãos dos povos tradicionais. Com eles, a doença leva embora história e memória

Texto por Bruna Rocha e Rosamaria Loures, em El País

“Saiba que no meu país, toda vez que um velho morre, uma biblioteca é incendiada”, disse o grande intelectual malinês Amadou Hampaté Bâ em 1962. A frase foi dita em resposta a um senador norte-americano que acusava africanos de serem “ingratos, analfabetos e ignorantes” em sessão do Conselho Executivo da UNESCO.

A formulação de Hampaté Bâ nos ajuda a compreender a importância do ancião para sociedades orais, que transmitem seu conhecimento e história a partir da palavra falada. O provérbio se aplica perfeitamente aos povos da floresta da Amazônia —sejam indígenas, ribeirinhos ou quilombolas— bem como todos os povos e comunidades tradicionais pelo Brasil que têm em seus velhos fontes de conhecimento, autoridade moral, orientação política e espiritual. São justamente esses alicerces que, por pertencerem ao principal grupo de risco da covid-19, estão entre os primeiros a morrer. E em série: estamos assistindo a um genocídio em tempo real.

Nos últimos dias, temos seguidamente recebido notícias que indicam a penetração do coronavírus ao longo do rio Tapajós, no oeste do Pará, inclusive no seu médio e alto curso, onde vive grande parte do povo Munduruku e os ribeirinhos de Montanha e Mangabal, que se autodenominam beiradeiros. Seis velhos Munduruku já faleceram. Jerônimo Manhuary (86 anos) em 10 de maio; Angélico Yori (76 anos) em 22 de maio; Raimundo Dace (70 anos) em 26 de maio; Vicente Saw (71 anos) em 1º de junho; Amâncio Ikõ (60 anos) em 02 de junho e Acelino Dace (77 anos) em 03 de junho.

A morte destes anciãos vai muito além da tragédia local e familiar. Como destacado em uma carta das Associações Munduruku: “Também nos preocupamos com a perda da nossa história, guardada e transmitida por nossos velhos, sábios e pajés, para quem o vírus é mais perigoso.” Os anciãos dessas comunidades representam seus repositórios de conhecimento sobre o território, a história do grupo, a fabricação de objetos e alimentos específicos, dentre outros.

Acabamos de saber que uma das principais referências para o povo Munduruku do médio Tapajós, Amâncio Ikõ Munduruku, não resistiu e faleceu hoje, 02 de junho. Estava desde sábado em uma UTI em Belém, sedado e intubado, respirando com auxílio de ventilação mecânica. Nascido em 1960 no alto rio Tapajós, chegou com a família em Itaituba no início da década de 1970. Sua história se mistura com a de Itaituba, que à época tinha apenas uma rua. Em ironia amarga, a família escolheu o local que se tornaria a Praia do Mangue por ele ser suficientemente próximo a um posto médico que poderia atender sua mãe. Além da luta pela saúde, a vida de Amâncio se caracterizou também pela luta por educação diferenciada, pelo território e pela identidade. Amâncio brigou pelo direito dos Munduruku poderem registrar seus nomes originais, e não nomes de brancos como obrigavam os cartórios, em suas carteiras de identidade. Com apoio de parceiros, fundou a Associação Pariri em 1996, que segue sendo fundamental na luta por direitos. Foi ele, ainda, que aconselhou o cacique Juarez Saw, que também deixou o alto Tapajós, a retomar parte do território ancestral Munduruku que hoje é a Terra Indígena Sawre Muybu/Daje Kapap Eïpi. “Meu pai é um grande guerreiro”, ressalta um de seus filhos, Ikõ Biatpu Munduruku. Ikõ temia que seu pai, como seu avô, morresse sozinho em Belém.

Apenas após grande insistência da família que Amâncio foi levado à Unidade de Pronto Atendimento de ambulância. Antes saudável, seu quadro se agravou rapidamente, apresentando insuficiência respiratória aguda, queda na saturação de oxigênio e comprometimento do pulmão. Como Itaituba, cidade de mais de 100 mil habitantes, possui apenas quatro leitos de UTI e todos estavam ocupados, uma solicitação de remoção aérea foi feita no dia 27 de maio. Amâncio apenas realizaria a viagem no dia 30, após ter sido intubado e reanimado manualmente até atingir um nível de saturação mínimo para poder sobreviver à viagem. Em áudio circulado pelo WhatsApp, uma médica intensivista que o atendeu denuncia a falta de equipamentos, insumos e materiais básicos. Em suas redes sociais, a assessoria de comunicação da Prefeitura do Município de Itaituba oferece outra versão, alegando que uma UTI aérea foi “imediatamente” disponibilizada para Amâncio, e que a solicitação de leito em Belém foi realizada pela Secretaria Municipal de Saúde de Itaituba, ignorando a articulação fundamental da COIAB –Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira– para que isso ocorresse.

No alto Tapajós, a grande penetração do garimpo de ouro pode ser diretamente relacionada à rápida disseminação da covid-19. No dia 21 de maio, após uma reunião na aldeia Jacarezinho em que se discutiu a legalização do garimpo em terra indígena, os garimpeiros encorajaram Mundurukus de diversas aldeias próximas à cidade, inclusive crianças, a irem à cidade de Jacareacanga participar de uma carreata a favor do garimpo, contrariando os conselhos do pessoal da vigilância sanitária e do Distrito Sanitário Especial Indígena Tapajós. Isto contribuiu de forma decisiva para levar o vírus às aldeias, explicando porque o cacique Vicente, que sequer havia saído de sua aldeia, Sai Cinza, foi morto pela covid-19. Dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) registraram que, em abril de 2020, a TI Munduruku figurou como a terra indígena mais desmatada do país, desmatamento esse intimamente associado ao avanço do garimpo.

Dispneico, com saturação de oxigênio em cerca de 60%, Martinho Borõ Munduruku está internado em isolamento no Hospital Municipal de Jacareacanga (onde não há leito de UTI). Nascido em 1943, morador da aldeia Caroçal Rio das Tropas e antigo cacique, é considerado um dos primeiros professores Munduruku, que alfabetizou muitas crianças e lutou pela educação e saúde. Grande historiador, conhece os cânticos Munduruku, e participava das assembleias promovidas pelo povo Munduruku, assim como de ações autônomas de fiscalização do território. Sempre preocupado em “contar as histórias dos antepassados para que as crianças saibam as histórias dos nossos avós,” trabalhou como relator da História dos Antigos Munduruku (1977-1979). Há mais de uma semana Martinho, que é diabético, começou a apresentar sintomas. Segundo relatos, o médico do Serviço Especial de Saúde Indígena que se encontrava na aldeia teria dito a quem apresenta sintomas parecidos com os da covid-19 que estariam com virose. Já com dificuldade de respirar, Martinho foi removido de avião até o hospital de Jacareacanga apenas na última sexta, 29 de maio. Lá, começou a ser tratado com hidroxicloroquina, o que piorou seu estado de saúde. Endossada pela Secretaria de Saúde do Pará, a aplicação deste tratamento pode ser feito mesmo em pacientes “no início de sintomas.” Considerando o quadro descrito pelo seu sobrinho, Jair Boro, que ao chegar em Jacareacanga o tio mal conseguia falar e a alta probabilidade de sua acompanhante não dominar a língua portuguesa, é de se perguntar até onde o “consentimento” dado pelo tratamento, tão enfatizado pelo Ministério da Saúde, seria válido.

Em Montanha e Mangabal, após uma grande luta contra grileiros que tentaram os expulsar violentamente de sua terra e que, em peças judiciais, os tacham de invasores, os beiradeiros tiveram uma parte de seu território histórico contemplado por um Projeto de Assentamento Agroextrativista em 2013. A decisão histórica foi embasada por amplo espectro de provas que incluíam registros feitos por viajantes desde o século XIX, antigos registros de batismo – e, fundamentalmente, pela memória coletiva do grupo, transmitida pelos mais velhos e alicerçada em marcos da paisagem. Uma das principais matriarcas dessa comunidade, Odila Braga dos Anjos forneceu relatos, fotografias e documentos que seriam fundamentais ao processo. Nascida em 1937 na localidade de Lajinha, dona Diloca, como é conhecida, tem onze irmãos e teve dez filhos no beiradão do Tapajós. É uma fonte de conhecimento sobre a história do grupo e sua intricada rede de parentesco. Agora, sua hipertensão preocupa filhos e netos mais do que nunca. Garimpeiros vivem aportando no porto da comunidade Sapucaia, onde vive dona Odila, para acessar a bica d’água que sai do morro. Não se sabe se andam armados. É possível que estejam contaminados. Conforme relatado por moradores do território, há confirmações de garimpeiros contaminados, com um caso que agora se encontra em uma UTI na cidade de Santarém.

Nos últimos 500 anos, a invasão dos territórios indígenas sempre veio acompanhada de surtos epidêmicos. A diferença agora se dá pela dimensão da degradação ambiental, sem igual, e pela rapidez do alastramento do vírus. Essa degradação está desfigurando paisagens que serviam como referências de memória para os povos da floresta que vivem no Tapajós. A chegada da covid-19 no médio e alto Tapajós agora aprofunda a degradação das singulares história e tradição destes territórios.

Uma comparação com a destruição ao patrimônio histórico e cultural gerada pelo incêndio do Museu Nacional em setembro de 2018 é possível, mas nem isso poderá abranger o abalo desestruturante e irreversível que está em curso para os povos da floresta, que frequentemente apresentam altos índices de comorbidades resultantes de processos desordenados de contato com a sociedade industrial, que incluem mudanças abruptas da dieta, atividades laborais insalubres e precariedade do atendimento à saúde.

Na ausência de equipamentos médicos para todos, basear a escolha sobre quem vive e quem morre a partir de parâmetros de idade, como tem sido discutido em contextos urbanos, ignora a centralidade dos anciãos para os povos da floresta. Jair Boro Munduruku, primeiro arqueólogo Munduruku formado pela Universidade Federal do Oeste do Pará, escreveu: “Os nossos anciãos têm grande conhecimento. Contam sobre acontecimentos envolvendo o nosso povo, sobre como as coisas eram feitas e porquê, assim como o que não poderia ser feito.” Foi o conhecimento dos anciãos que garantiu o reconhecimento territorial de diferentes povos da floresta, e que os informa sobre suas raízes. E não apenas eles: cada vez mais, pesquisadores de diferentes áreas têm consultado os anciãos locais sobre flora, fauna, história e um universo de informações. Agora, estas bibliotecas estão sendo incendiadas.

*Bruna Rocha é arqueóloga pela Universidade Federal do Oeste do Pará.

Rosamaria Loures é doutoranda em Antropologia na Universidade de Brasília.

Cacique Vicente Saw, morto em primeiro de junho por covid-19, cumprimenta o então Cacique Geral do povo Munduruku, Biboi, ao lado do futuro (e atual Cacique Geral, Arnaldo), em sua aldeia em fevereiro de 2013.VINICIUS HONORATO

Fonte: Blog Combate Racismo Ambiental

Companhia das Letras cria fundo para ajudar pequenas livrarias

Texto por Gabriela Glette

A pandemia do coronavírus não traz consequências “apenas” para o sistema de saúde, mas já está impactando vários setores da sociedade. Um deles é a economia, que promete uma desaceleração recorde e aumento considerável do desemprego. Para lutar contra isto, o Grupo Companhia das Letras anunciou a criação de um fundo de 400 mil reais para auxiliar as livrarias independentes que operam no mercado editorial brasileiro. Vale lembrar que as pequenas e médias empresas serão as mais prejudicadas na crise que já começa a se instalar.

O fundo destina-se exclusivamente ao auxílio na folha de pagamento dessas pequenas livrarias, para evitar o desemprego de muitos livreiros que dedicam a vida a uma das funções mais nobres que existem. Uma maneira eficaz de acabar com a burocracia e a lentidão dos processos, que têm impedido às pequenas livrarias o acesso aos créditos oferecidos pelo governo federal e pelos grandes bancos.

A partir de criação deste fundo, o grupo disponibilizou o CiaLog, que faz entregas do e-commerce das livrarias pequenas, criou um e-book gratuito orientando esses profissionais a atuar nas vendas online, e ainda renegociou dívidas das pequenas e médias livrarias.

Uma das editoras mais tradicionais do mercado editorial brasileiro, a Companhia das Letras reafirma sua fé no livro em seus diferentes formatos e acredita que, sem as pequenas as livrarias, a diversidade de opinião em um país que oficialmente despreza sua produção cultural ficam seriamente comprometida. Que iniciativa! A cultura nunca foi tão importante quanto agora!

Fonte: Hypeness

Editoras nos EUA processam o Internet Archive alegando pirataria

Texto por Rafael Rigues

Biblioteca digital Open Library oferece 1,4 milhão de títulos para empréstimo gratuito, com temas que vão de livros infantis a material de referência para cursos universitários

O projeto Internet Archive (IA) visa construir uma biblioteca digital com “acesso universal a todo conhecimento”, oferecendo materiais digitalizados como versões preservadas de sites (via Wayback Machine), software, jogos de videogame, músicas, filmes e milhões de livros.

Um dos projetos do Internet Archive é a Open Library, uma biblioteca online que em março, como resposta à epidemia de Covid-19, colocou no ar 1,4 milhão de títulos digitalizados pelo Internet Archive e obtidos na coleção de três bibliotecas parceiras do projeto.

O catálogo cobre os temas mais variados, de literatura infantil a material de referência para cursos universitários. Os livros podem ser emprestados gratuitamente e lidos por tempo limitado (duas semanas) em aparelhos compatíveis com o software Adobe Digital Editions, ou em uma janela no navegador.

Infelizmente, as grandes editoras nos EUA (Hachette Book Group, Inc., HarperCollins Publishers LLC, John Wiley & Sons, Inc. e Penguin Random House LLC) não gostaram da idéia, e estão processando o IA alegando infração de copyright. Segundo o processo, “a Open Library não é uma biblioteca, é um agregador não licenciado e site de pirataria”.

Página da Open Library. Fonte: Reprodução

As editoras afirmam que o IA está “engajado em infração proposital de copyright em larga escala. Sem nenhuma licença ou pagamento aos autores ou editoras, o IA escaneia livros impressos, envia estes livros escaneados aos seus servidores e distribui integralmente cópias digitais destes livros através de sites acessíveis ao público. Com apenas alguns cliques, qualquer usuário conectado à Internet pode baixar cópias digitais completas de livros que ainda estão protegidos por Copyright”.

O Internet Archive afirma que a Open Library é completamente legal, e cita o sistema Controlled Digital Lending (Empréstimo Digital Controlado), que limita a duração e quantidade de empréstimos, como evidência da legalidade do projeto. Segundo o IA, fora o fato de atuar na Internet a Open Library não é muito diferente de uma biblioteca física.

As editoras estão indo “direto para a jugular” do IA, alegando violação direta de direitos autorais para cada um dos trabalhos protegidos por copyright oferecidos pela biblioteca, pedindo o pagamento de US$ 150 mil (Quase R$ 800 mil) em danos por violação.

Multiplicando isso pelo número de livros no catálogo (1,4 milhão), chegamos à estonteante soma de US$ 210 bilhões, ou mais de R$ 1,1 trilhão. Se o IA “tentar fugir da responsabilidade” culpando seus próprios usuários por violação, o processo também alega violação secundária de direitos autorais.

“O réu é secundariamente responsável sob as teorias de responsabilidade contributiva, indução e responsabilidade indireta pela reprodução subjacente, distribuição, exibição pública e desempenho público das Obras dos Autores, bem como pela criação de derivados infratores das Obras dos Autores”, acrescenta.

Fonte: Olhar Digital

¿Cómo desinfectar colecciones en una pandemia?

How to Sanitize Collections in a Pandemic: Conservators weigh in on the mysteries of materials handling during COVID-19 By Lara Ewen | American Libraries, June 1, 2020

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Mantener las bibliotecas seguras es importante tanto para los trabajadores como para los usuarios. Pero durante la actual pandemia de COVID-19, las preguntas sobre cómo hacerlo, especialmente en lo que respecta a materiales y superficies, tienen respuestas complicadas.

Es una situación sin precedentes. Los conservadores, que tienen experiencia en el diagnóstico y la reparación de daños de las colecciones, dicen que falta información histórica sobre la higienización de los materiales de la biblioteca. Además de un poco de evidencia anecdótica en un artículo de la Revista Smithsonian de 2019, hay muy pocos datos históricos disponibles, dice Evan Knight, especialista en conservación de la Junta de Comisionados de Bibliotecas de Massachusetts: “No hay nada publicado o compartido de epidemias anteriores”.

También es un desafío para filtrar a través de la evolución de la investigación. Un estudio realizado en enero en el Journal of Hospital Infection informó que los coronavirus similares al SARS-CoV-2, el responsable del COVID-19, pueden persistir en algunas superficies inanimadas (como metal, vidrio y plástico) hasta nueve días y en el papel hasta cuatro o cinco días. Mientras tanto, datos recientes de los Institutos Nacionales de Salud indican que el SARS-CoV-2 es detectable en aerosoles hasta tres horas, en el cobre hasta cuatro horas, y en el plástico y el acero inoxidable hasta quizás sólo dos o tres días.

La pandemia también presenta desafíos de naturaleza más filosófica. “Es difícil conciliar los requisitos de salud pública de esta pandemia con nuestra misión”, dice Jacob Nadal, director de preservación de la Biblioteca del Congreso (LC), que cerró al público el 12 de marzo y ha cancelado los eventos hasta el 1 de julio. “Es desgarrador ver cómo esta enfermedad nos obliga a dar un paso atrás exactamente en el momento en que íbamos Adar un paso adelante”.

El mejor desinfectante

Sin embargo, retroceder puede ser la mejor defensa contra una amenaza aún en desarrollo. El desinfectante más fácil, seguro y barato es el tiempo. “Esta pandemia es una situación única para la mayoría de los conservadores, así que no sabemos mucho sobre desinfectar en general, y este virus en particular”, dice Knight. “Nuestra opinión es que la profilaxis, o las medidas preventivas, son las mejores”.

Fletcher Durant, director de conservación y preservación de las Bibliotecas George A. Smathers de la Universidad de Florida en Gainesville, sugiere que todas las bibliotecas sigan la recomendación de la ALA del 17 de marzo de cerrar al público. “El aislamiento durante un mínimo de 24 horas, y preferiblemente 14 días, es el mejor desinfectante”, dice. “Es simplemente lo mejor y más seguro que nosotros como bibliotecarios podemos hacer en este momento.” Durant dice que se trata de proteger las bibliotecas así como al público. “Las bibliotecas podrían ser un foco de riesgo para la propagación de la enfermedad, lo que, más allá de los impactos directos sobre la salud, podría reducir la confianza del público en las bibliotecas”.

Eso también significa que las bibliotecas deben permanecer cerradas hasta que se elimine el riesgo de infección pública. “Seríamos los primeros en decir que no estamos equipados para hacer recomendaciones sobre virología, bacteriología o asuntos médicos”, dice Nadal. “Poner en cuarentena la viabilidad del virus es el mejor plan”.

Limpieza y desinfección

Algunas bibliotecas, sin embargo, tienen una misión que impide la cuarentena completa. LC, por ejemplo, sigue apoyando al Congreso durante en las sesiones, lo que requiere que parte del personal esté en el lugar. Otras bibliotecas mantienen servicios con préstamos de materiales en la acera. Eso significa que se justifican métodos de desinfección adicionales.

Las superficies internas duras, como las mesas, las manijas de las puertas, las cubiertas de los libros y los ordenadores, deben limpiarse profesionalmente. Los expertos también señalan que los auriculares de realidad virtual han sido señalados como un factor de riesgo, y las bibliotecas deberían suspender su uso. “Este es un momento para una precaución excepcional”, dice Nadal.

Todo el personal que trabaje en el lugar debe lavarse bien las manos, especialmente cuando manipule libros u otros objetos compartidos. “No hay estudios que respondan específicamente a la pregunta de cuán transmisible puede ser el coronavirus a partir de los materiales más comunes de la biblioteca, [como] el papel recubierto y no recubierto, la tela de los libros o las fundas de poliéster de los libros”, dice Nadal. “Tenemos que buscar información de alta calidad y evaluarla críticamente para determinar como aplicarla a nuestras preocupaciones particulares”

Evitar el daño

Knight dice que los bibliotecarios deben tener cuidado al usar disolventes de limpieza en los libros y otros materiales de biblioteca potencialmente frágiles. “No conozco ningún limpiador o desinfectante ‘menos dañino’, especialmente para cualquier objeto de evidente valor duradero”, dice, explicando que los riesgos para los libros sometidos a limpieza o desinfección acuosa incluyen daños por agua y bisagras y articulaciones debilitadas. “Los libros envueltos en poliéster o polietileno pueden limpiarse y desinfectarse más razonablemente, y las fuertes cubiertas de tela de buckram para encuadernación de bibliotecas probablemente también puedan soportar la limpieza mejorada”, añade. “Pero de nuevo, si uno está planeando limpiar y desinfectar las colecciones, incluso entre los volúmenes polícubiertos, deben entender y aceptar que habrá daños en la colección”.

Hay pruebas de que ciertos métodos pueden no ser eficaces de todos modos. “Las percepciones erróneas comunes pueden ser que rociar o limpiar el exterior de un volumen con Lysol, alcohol o lejía es suficiente para desnaturalizar el virus en todo el volumen”, dice Durant.

La luz ultravioleta (UV) también plantea un riesgo potencial para los materiales de colección debido a su alta intensidad. Y como es difícil confirmar que cada página ha sido expuesta a la luz, el esfuerzo podría resultar infructuoso. “La irradiación germicida UV ha demostrado ser generalmente efectiva a una exposición de 2-5 mili julios por centímetro cuadrado”, dice Durant. “Sin embargo, para que esta exposición sea efectiva, debe ser una exposición completa, [que es] algo que es casi imposible de lograr con libros encuadernados. Ciertamente no es tan efectivo como simplemente aislar los libros”.

Sin embargo, aunque las bibliotecas siguen aprendiendo nuevos procedimientos de preservación, ciertas constantes permanecen. “Este es un buen momento para pensar en el papel de las bibliotecas como guardianes de la memoria y la cultura”, dice Nadal. “Vamos a estar cerrados por un período de tiempo, y nuestra ética de servicio constante hará que esto sea doloroso. Mantener los materiales en cuarentena y fuera de circulación será frustrante. [Pero] somos guardianes de una larga historia, y nuestra principal obligación ahora es asegurarnos de que haya un largo futuro para el conocimiento registrado y la creatividad confiada a nuestro cuidado.”

Recursos adicionales:

Fonte: Universo Abierto

Biblioteca digital de emergência é processada por violação de direitos autorais

Washington, 1 Jun 2020 (AFP) – Quatro grandes editoras apresentaram uma queixa nesta segunda-feira, nos Estados Unidos, contra uma biblioteca digital que oferece acesso gratuito a mais de 1 milhão de livros durante a pandemia.

A plataforma Internet Archive criou em março uma “biblioteca nacional de emergência”, oferecendo gratuitamente 1,4 milhão de livros digitais, em resposta ao fechamento de bibliotecas físicas durante a pandemia do novo coronavírus.

As editoras Hachette (grupo Lagardère), HarperCollins, John Wiley & Sons e Penguin Random House consideraram a iniciativa um ato de pirataria levado adiante sob o pretexto de interesse geral, e entraram com um processo por violação de direitos autorais.

“A Internet Archive comete e promove a violação de direitos autorais em larga escala” denunciou María Pallante, presidente da associação profissional de editoras americanas, à qual pertencem as quatro demandantes.

A Internet Archive, empresa californiana especializada em arquivos da web, afirma ter consultado bibliotecas públicas e acadêmicas, e que especialistas em copyright expressaram que a biblioteca de emergência operava dentro do marco legal, à luz do fechamento das bibliotecas físicas.

John Bergmayer, da associação de defesa do consumidor Public Knowledge, lamentou a apresentação da queixa. Segundo ele, a criação desta biblioteca digital gratuita se justificava durante a pandemia, uma vez que a maioria dos livros impressos se tornaram, de fato, inacessíveis.

“Pedimos a criação de uma lei que esclareça o direito das bibliotecas de colocar os livros impressos à disposição dos clientes por via eletrônica, para que possam ser úteis para os eleitores em tempos de emergência”, sugeriu Bergmayer.

“Não há diferença entre o que a Internet Archive faz e atirar um tijolo contra a vitrine de uma mercearia, distribuir os alimentos e, depois, felicitar-se por ter prestado um serviço ao público”, comparou Douglas Preston, da Authors Guild, organização profissional que representa os autores.

Fonte: UOL

Bibliotecas em todo o mundo se preparam para um novo normal

Em todo o mundo, muitos países começaram uma reabertura gradual da vida pública, na tentativa de devolver um senso de normalidade à vida dos cidadãos e diminuir o impacto econômico da pandemia global de Covid-19.

Na Coréia do Sul, o beisebol foi retomado, embora a temporada tenha começado com cinco semanas de atraso e as equipes estejam jogando em estádios vazios decorados com fotos de fãs mascarados.

Apesar de as restrições específicas implementadas e as que são levantadas variarem amplamente em todo o mundo, as bibliotecas estão lutando para descobrir o melhor curso de ação para retomar com segurança o fornecimento de serviços às suas comunidades. A Associação Australiana de Bibliotecas e Informações resume: “Reabrir não significa voltar ao modo como as coisas eram antes da COVID-19; isso significará implementar a abordagem “Novo normal” aos serviços da biblioteca.”

Bibliotecas não são de “baixo risco”

Após o repúdio dos bibliotecários, em 20 de abril, Johns Hopkins alterou seu relatório publicado anteriormente que originalmente classificava as bibliotecas como “de baixo risco” para reabertura. “Há uma percepção de que as bibliotecas ainda são esses templos silenciosos e austeros de conhecimento, mas realmente nos tornamos centros comunitários e locais de encontro”, referiu Peter Coyl, diretor da Biblioteca Pública Montclair em Nova Jersey, num recente artigo da Forbes sobre a mudança.

Isso não surpreende os bibliotecários, que receberam o adendo ao relatório John Hopkins, que afirma que “as bibliotecas que incorporam atividades sociais ou reuniões comunitárias em seus serviços devem se referir à categoria “centros comunitários” – uma categoria considerada de médio a alto risco, semelhante a restaurantes e lojas de varejo.

Conferência de imprensa com cadeiras afastadas a 6 pés de distância

Na Alemanha, a Biblioteca Pública de Bremen realizou uma conferência de imprensa com a CEO, Barbara Lison e a Vice-Ministra da Cultura, Carmen Emigholz, sobre a reabertura da biblioteca.

Coleta na calçada ou remota

Muitos restaurantes continuaram a atender clientes durante toda a pandemia, oferecendo coleta de pedidos on-line ou por telefone. A maioria das bibliotecas suspendeu todos os empréstimos de itens físicos, geralmente aprimorando suas coleções digitais para preencher a lacuna. No entanto, algumas bibliotecas ofereceram coleta na calçada, e muitos a consideram uma primeira fase de reabertura.

Na Colúmbia Britânica, a Biblioteca Pública de Vancouver permite que os usuários agendem um horário de coleta de reservas. Os usuários fornecem sua identificação através de uma janela e, em seguida, recuam para além de 1,5 m, enquanto os funcionários da biblioteca deixam uma sacola com os materiais solicitados do lado de fora da porta. Quando os materiais são devolvidos no alimentador de livros (bookdrop), os funcionários os deixam intocados por 72 horas como medida de segurança.

Obviamente, cada biblioteca precisará tomar as decisões que funcionem melhor para suas circunstâncias individuais, mas a bibliotecária australiana Jane Cowell publicou um artigo oferecendo dicas principais para bibliotecas que oferecem serviços limitados em uma pandemia.

Além disso, as soluções de coleta de reservas reduzem ainda mais o contato do usuário/equipe e ainda fornecem acesso a materiais da biblioteca física. A Ulsan Metropolitan City da Coréia do Sul tem usado os remoteLocker da bibliotheca para fornecer acesso a materiais físicos durante a pandemia. Um estudante universitário de Ulsan compartilhou um relato adorável de sua experiência de uso do serviço em seu blog pessoal.

A Biblioteca Pública de Mokpo, na Coréia do Sul, começou a oferecer coleta noturna de materiais por meio de remoteLockers, em janeiro, pouco antes do início da crise da Covid-19. “Ele permite que a biblioteca alcance mais pessoas locais e… contribui para a expansão da população de leitura da comunidade e a realização de uma cidade de leitura de livros”, referiu o Diretor Cheol-rock Oh.

Reabertura faseada dos edifícios das bibliotecas

Preocupações contínuas de distanciamento social significam que levará um tempo até que as bibliotecas sejam novamente os centros movimentados de atividade comunitária, cheios de histórias, clubes do livro e grupos de estudo. Ainda assim, como algumas empresas começam a reabrir com capacidade limitada, pode ser útil que as bibliotecas recebam dicas daquelas que começaram a reabrir à medida que determinam seu próprio processo para uma abordagem faseada.

Os varejistas estão usando contadores manuais ou tecnologia de contagem de pessoas para garantir que eles não excedam uma capacidade segura, enquanto usam marcações no solo para ajudar aqueles que estão na fila a manter uma distância segura uns dos outros. Medidas semelhantes estão sendo tomadas na Biblioteca Pública de Bremen, na Alemanha, que reabriu aos clientes em 4 de maio.

Sinalização nas escadas da biblioteca
Fila fora da biblioteca

Dentro das lojas, os corredores foram designados para tráfego unidirecional usando sinalização nos topos dos corredores e nos pisos. Restaurantes e cafeterias estão removendo móveis ou movendo-os para que os clientes fiquem a uma distância segura dos outros.

Na China, onde algumas bibliotecas começaram a abrir ao público, práticas similares estão em vigor. Na Biblioteca Pública de Xangai, os clientes usam a conta WeChat da biblioteca para reservar uma hora para pedir materiais. As visitas são limitadas a uma hora e os usuários não podem se sentar ou ler na biblioteca. Os materiais podem ser emprestados apenas da coleção geral do primeiro andar e a área infantil ainda não está aberta para uso. Dentro da biblioteca, diferentes rotas foram estabelecidas para emprestar e devolver itens.

Mulher na fila para biblioteca
Sinalização de biblioteca na mesa
Biblioteca de autosserviço mulher com criança
Distanciamento físico no café

Na Alemanha, as bibliotecas estão abrindo em cada estado. Algumas monitoram o número de usuários dentro da biblioteca exigindo que todos os usuários (inclusive crianças) usem uma cesta separada – as cestas são limitadas e permitem que a equipe veja rapidamente quantos usuários estão dentro da biblioteca. As áreas infantis e os espaços para reuniões de grupo estão fechados e todos os assentos foram removidos. Os clientes são incentivados a limitar suas visitas a 20 minutos (embora isso possa variar de biblioteca para biblioteca) e as instalações estão abertas apenas para emprestar e devolver itens.

A Associação Australiana de Bibliotecas e Informações publicou uma lista de controle muito útil descrevendo uma resposta gradual e bem pensada à reabertura que provavelmente será útil para todas as bibliotecas, independentemente da localização.

Proteção dos funcionários e usuários

Obviamente, um primeiro passo para proteger a saúde e o bem-estar dos funcionários e usuários é impedir o contato com aqueles que já estão doentes. Questionários de saúde e verificações de temperatura estão sendo amplamente utilizados na Ásia para rastrear visitantes antes de permitir a entrada em estabelecimentos. As normas sociais variam amplamente em todo o mundo, e as bibliotecas precisam ser sensíveis aos níveis de tolerância de suas próprias comunidades. No entanto, mesmo nos EUA, algumas empresas estão exigindo verificações de temperatura e EPI para os visitantes.

Uma vez dentro da biblioteca, deve ser tomado cuidado para limitar o contato entre funcionários e usuários. Além de fornecer à equipe máscaras e luvas, algumas instituições estão tomando precauções suplementares. Em Brandemburgo, Alemanha, as recomendações da Associação dos Museus de Brandemburgo incluem a construção de escudos de acrílico para as bilheterias, fornecendo desinfetante para os funcionários, recebendo cartões de crédito em vez de dinheiro e a limpeza regular das instalações. A Associação de Bibliotecas da Alemanha publicou recomendações para a reabertura de bibliotecas, assim como um grupo interassociativo de bibliotecários na França.

Distanciamento físico na biblioteca

Seções da biblioteca bloqueadas na área infantil

No entanto, ao contrário dos restaurantes e museus, que têm um número limitado de itens com toque elevado para desinfetar, as bibliotecas podem conter milhares de materiais, muitos dos quais não podem ser simplesmente limpos com desinfetante. Na China, muitas bibliotecas estão usando desinfetantes UV para desinfetar materiais após o retorno. Em outras partes do mundo, as bibliotecas estão desenvolvendo seus próprios protocolos – alguns com vários book drops estão usando um por dia e, em seguida, recuperam materiais após um período de espera de 72 horas. Outros estão configurando seus sistemas AMH para entregar itens devolvidos às caixas onde os materiais permanecem por um período de três dias antes de serem manuseados. As diretrizes francesas também recomendam uma quarentena de três dias para materiais de papel ou cartão, mas recomenda uma quarentena de 10 dias para aqueles com capas plásticas.

A Biblioteca Pública de Bremen, na Alemanha, fez uma parceria com uma companhia de teatro local para criar espaços de trabalho protegidos com acrílico para a equipe. Essa solução criativa significa que a biblioteca paga apenas pelos materiais, enquanto o trabalho é fornecido pelo teatro como parte de uma parceria de colaboração.

As bibliotecas com soluções de retorno automatizadas podem garantir que os retornos são atualizados nas contas dos usuários imediatamente, permitindo que eles evitem multas por atraso ou excedam os limites máximos de empréstimos enquanto esperam que os materiais sejam tocados com segurança.

Autoatendimento e serviço sem toque mais importantes do que nunca

Pré-Covid 73% dos compradores preferiram lidar com suas transações por meio de autoatendimento. Desde que a pandemia começou, 87% dos compradores de supermercado preferem fazer compras em lojas com opções robustas de autoatendimento sem toque.

Embora a ameaça desse vírus em particular termine, não há dúvida de que ele terá um impacto permanente nas percepções das pessoas sobre segurança e preferências por contato limitado. Na sequência da Covid-19, as tecnologias de bibliotecas de autoatendimento serão mais importantes do que nunca.

Para reduzir o risco para funcionários e usuários, as bibliotecas devem incentivar os usuários a emprestar e devolver itens por meio de quiosques de autoatendimento sempre que disponíveis, eliminando a necessidade de interação humana desnecessária. As estações de desinfetante para as mãos na saída automática podem reduzir a contaminação das superfícies; no entanto, os selfChecks da bibliotheca podem ser facilmente configurados para uma experiência completamente sem contato. Além disso, os usuários podem pedir materiais diretamente de seus próprios dispositivos móveis com o checkout cloudLibrary, reduzindo o medo ou a ansiedade dos usuários da biblioteca.

O futuro das bibliotecas é perfeitamente físico e digital

Não é necessário dizer que bibliotecários e funcionários da biblioteca demonstraram uma notável coragem, criatividade e resiliência durante essa crise. Sem o benefício de construções e materiais físicos, as bibliotecas continuaram a servir suas comunidades, oferecendo coleções digitais, clubes de livros em videoconferência, histórias gravadas e transmitidas, webinars e consultoria on-line.

À medida que as bibliotecas de todo o mundo começam a reabrir, essas novas formas virtuais de conexão e comunicação se tornarão uma parte cada vez mais importante do ambiente das bibliotecas.

Enquanto os usuários estão se adaptando rapidamente aos ambientes virtuais de vida e trabalho, eles ainda desejam conexões humanas e experiências familiares pessoais. As bibliotecas devem atrair usuários com serviços perfeitamente físicos e digitais. A bibliotheca espera fazer parceria e ajudar bibliotecas de todo o mundo a transformar essa interrupção em uma oportunidade de reimaginar o uso futuro de suas bibliotecas.

Fonte: bibliotheca

NOVAS ORIENTAÇÕES A BIBLIOTECAS PÚBLICAS E COMUNITÁRIAS COVID-19

Reiterando o respeito à autonomia dos entes da Federação,  a Coordenação-Geral do Sistema Nacional de Bibliotecas compartilha novas orientações com o objetivo primordial de preservar a saúde pública e o bem-estar da população, bem como de sugerir cuidados com todos os profissionais que trabalham nesses equipamentos.

No que diz respeito especificamente às bibliotecas do Ministério da Cidadania, o OFÍCIO CIRCULAR Nº 2/2020/SE/MC, de 16 de abril, determinou para os próximos 30 dias a suspensão do “acesso do público externo a bibliotecas, auditórios e outros espaços de uso coletivos nas dependências do Ministério”, ampliando o prazo de ofício circular anterior.

Em atenção a medidas de salvaguarda do acervo e de recomendações de conduta frente ao quadro da pandemia mundial do Covid-19, esta Coordenação-Geral  disponibiliza informações sobre material coletado com os Coordenadores dos Sistemas Estaduais e do Distrito Federal de Bibliotecas Públicas, baseados em recomendações da Organização Mundial da Saúde, dos Conselhos Regionais de Biblioteconomia, da International Federation of Library Associations e em publicações técnicas reconhecidas da área de biblioteconomia:

  1. Atividades em bibliotecas: limpeza, higienização e desinfecção. Orientações produzidas pela Agência USP de gestão da informação acadêmica da Universidade de São Paulo. http://www.aguia.usp.br/noticias/atividades-em-bibliotecas-limpeza-higienizacao-e-desinfeccao/
  2. Como higienizar os acervos de bibliotecas durante uma pandemia? Artigo da Revista Biblioo no qual especialistas analisam os mistérios do manuseio de materiais bibliográficos durante o período da COVID-19. https://biblioo.cartacapital.com.br/como-higienizar-os-acervos-de-bibliotecas-durante-uma-pandemia/
  3. COVID-19: orientações práticas para salvaguarda de acervos em bibliotecas. http://www.crb8.org.br/covid-19-recomendacoes-para-salvaguarda-de-acervos-em-bibliotecas/
  4. Mais do que nunca manter o ambiente da biblioteca e o acervo higienizados será fundamental para a boa saúde da equipe e dos leitores. Artigo (p.15) com procedimentos de higienização de acervos publicado pelo projeto Conservação Preventiva em Bibliotecas e Arquivos. http://arqsp.org.br/wp-content/uploads/2017/08/1_9.pdf
  5. Sete medidas a serem consideradas para criar um protocolo de ação ao reabrir as bibliotecas, artigo de Julián Marquina. https://drive.google.com/file/d/1V0dI6zatznStmngBVRAkTjL8x1Q6CWJB/view
  6. Manter os usuários informados sobre os cuidados será vital para a contenção do vírus. Usem cartazes e informações de fontes confiáveis, como os do Ministério da Saúde. https://www.saude.gov.br/campanhas/46452-coronavirus
  7. Persistência do coronavírus no ambiente: como evitar transmissão indireta por superfícies? https://pebmed.com.br/persistencia-do-coronavirus-no-ambiente-como-evitar-transmissao-indireta-por-superficies/
  8. Preparação das bibliotecas ante ao coronavírus: saiba como sua unidade de informação pode proceder. http://abdf.org.br/gidj/noticias/item/46-preoparacao-bibliotecas-corona-virus
  9. Ofício do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas com orientações a bibliotecas públicas e comunitárias COVID-19. http://snbp.cultura.gov.br/orientacoes-a-bibliotecas-publicas-e-comunitarias-covid-19/
  10. Coronavírus e resíduos sólidos: como lidar com a questão em tempos de pandemia. Deve-se tomar bastante cuidado com os resíduos sólidos gerados nas bibliotecas que podem estar contaminados. http://www.ibict.br/sala-de-imprensa/noticias/item/2112-coronavirus-e-residuos-solidos-como-lidar-com-a-questao-em-tempos-de-pandemia
  11. Com o objetivo de combater as mensagens falsas e reforçar as fontes confiáveis e seguras, a biblioteca do Senado lançou um guia de fontes primárias de informação sobre a pandemia da COVID-19. http://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/570174/Coronavirus_COVID-19_Fontes_primarias.pdf?sequence=9&isAllowed=y
  12. Para manter as pessoas informadas sobre as atitudes de prevenção contra a COVID-19, a Fiocruz disponibiliza materiais que podem ser compartilhados no Facebook, WhatsApp e no Instagram. São materiais produzidos pela campanha de comunicação Se liga no Corona!, que tem como foco a prevenção da doença considerando as condições de vida e habitação de populações em situação de vulnerabilidade socioambiental. https://portal.fiocruz.br/se-liga-no-corona; http://mareonline.com.br/

Fonte: SNBP

Inteligência coletiva pode ser a chave para um mundo mais colaborativo

O compartilhamento dos saberes através da tecnologia indica um novo movimento social e você está participando ativamente disso. Entenda!

A crise desencadeada pela disseminação do novo coronavírus está gerando uma colaboração global inédita: cientistas e pesquisadores do mundo todo estão unindo esforços para alimentar bancos de dados coletivos, aperfeiçoar medicamentos para  a Covid-19 e encontrar uma vacina adequada.

Em outras frentes, engenheiros, designers, pesquisadores e empreendedores de várias áreas se engajam em laboratórios mundiais de fabricação digital, os chamados fablabs, para desenvolver tecnologia para produzir, em larga escala, respiradores artificiais, máscaras de proteção e outros materiais necessários para os profissionais da saúde, linha de frente no combate à pandemia.

A mobilização coletiva e interdisciplinar é talvez o exemplo mais concreto de que a humanidade está caminhando para um novo estágio de evolução cultural e social, a chamada inteligência coletiva. O conceito foi criado na metade dos anos 90 pelo sociólogo e filósofo francês Pierre Lévy, considerado um dos pensadores mais importantes da contemporaneidade.

Dedicado ao estudo da interação entre sociedade e tecnologias da informação, Lévy é entusiasta da internet como potencializadora de novas formas de construção colaborativa e democratização do conhecimento humano, que envolvem a participação dos indivíduos e a coordenação de suas diferentes habilidades.

Apesar do nome, a inteligência coletiva também faz referência a ações que mobilizam competências e habilidades individuais e enriquecem mutuamente a todos que participam desse movimento.

Saberes individuais, coletivos e compartilhados

A inteligência coletiva não surgiu com a internet e tampouco é algo exclusivo dos seres humanos, como descreveu Lévy em palestra realizada no Senac São Paulo, em 2014.  “Formigueiros, colmeias de abelhas, sociedades de mamíferos, pássaros e cardumes de peixes. Todos esses animais são capazes de coordenar a si mesmos quando enxergam, por exemplo, um perigo. Eles analisam o ambiente e resolvem o problema em conjunto”.

Mas os seres humanos têm algumas vantagens: a linguagem, o desenvolvimento e a apropriação de tecnologias complexas e de instituições sociais, legais, religiosas e econômicas. “A riqueza da inteligência coletiva humana é que cada membro da sociedade tem uma consciência pessoal, uma representação interna do funcionamento do todo e uma representação pessoal do seu papel no funcionamento desse todo”, explica o autor.

Assim, as conexões promovidas a partir da internet fazem com que todo mundo que está na rede seja capaz não só de aprender com os saberes já acumulados e disponíveis, mas também de ensinar, de agregar ainda mais valor e potência a essa construção coletiva.

“A maior parte da comunicação atual se dá através de uma memória comum. Nós transformamos essa memória. Toda vez que fazemos um tuíte ou adicionamos um post em nosso blog, nós transformamos a relação entre os dados em memória comum”, afirma Pierre Lévvy.

Para facilitar o entendimento, imagine que você está estudando um assunto qualquer. Um dos primeiros passos é buscar na internet por publicações, artigos e estudos já desenvolvidos sobre o tema. Quando você faz uma curadoria dessas informações e, por exemplo, posta uma frase que te chamou atenção nas suas redes sociais com uma hashtag, você ajudou a catalogar esse conteúdo e a expandir o alcance dele.

Assim, nos ambientes virtuais, a comunicação ocorre de todos para todos, a informação torna-se compartilhada e o armazenamento de informações torna-se cada vez mais descentralizado. É o que o autor chama de desterritorialização dos saberes. Se antes os saberes valorizados estavam nas bibliotecas e restrito a poucos, hoje está em todo lugar.

Inteligência Coletiva na educação

Durante palestra em Buenos Aires, na Argentina, organizada pela Organização de Estados Iberoamericanos (OEI), em 2015, Pierre Lévy falou sobre inteligência coletiva para educadores, destacando o papel desses profissionais para formar indivíduos autônomos que possam exercer bem seu papel na construção coletiva dos saberes.

“Nesse novo ambiente de comunicação, somos livres, somos empoderados como autores e, ao mesmo tempo, somos como bibliotecários quando colocamos hashtag ou tagueamos o conteúdo. Somos também críticos, escrevemos nossos comentários sobre músicas, filmes, livros, fotografia, etc. Há uma democratização da cultura crítica”, destaca Lévy.

Segundo o autor, é imprescindível que essa nova atuação individual na construção dos saberes coletivos seja feita a partir da reflexão e da consciência crítica. E a promoção desses mecanismos pode ser feita por educadores a partir do que o autor chama de uma nova forma de alfabetização.

“É preciso fornecer ferramentas intelectuais aos jovens para que eles construam autonomia, para que sejam capazes de trabalhar, aprender e construir suas vidas nesse novo ambiente”.

Na proposta de Lévy, essas ferramentas cognitivas passam pelo desenvolvimento de pesquisa a partir dos interesses dos indivíduos, a seleção e a diversificação criteriosa de fontes, a análise crítica de dados, a responsabilidade e a colaboração, por fim, a construção de uma memória e um saber coletivo.

“Vale dizer que a inteligência coletiva não é algo pronto. É como uma utopia, uma direção para uma evolução cultural da sociedade”, enfatiza o autor.

Fonte: Fundação Telefônica VIVO

Bibliotecas de Ilhabela ampliam uso de ferramentas digitais durante a quarentena

As Bibliotecas Municipais, importantes equipamentos culturais públicos do município, tem recebido investimento da Prefeitura de Ilhabela, por meio da Secretaria de Cultura, no uso das ferramentas digitais durante a quarentena.

Apesar estarem com o atendimento presencial suspenso, as unidades aproveitaram o momento para buscar alternativas para prestar alguns serviços como: dicas de leitura, livros gratuitos para baixar, indicação e divulgação de lives de contação de histórias, encontros com autores, divulgação de vídeos informativos e mais recentemente, a publicação digital e gratuita do livro Antologia Literária, resultado dos dois concursos literários realizados no ano passado, que conta com mais de 200 nomes inscritos.

Premiação dos Concursos Literários

A equipe de funcionários da biblioteca realizou nesse mês, a premiação dos vencedores do Concurso de Poesia, com a entrega dos troféus nas residências, em razão do Decreto 8.030/2020, que cancelou a cerimônia de premiação. Os vencedores, que já haviam recebido o valor do prêmio no mês de abril, foram contemplados com o troféu que simboliza o reconhecimento do talento e da valorização da arte e cultura por parte da prefeitura.

Ponto MIS Ilhabela

Outra ação importante é a continuidade do programa Ponto MIS, uma parceria do município com o a Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa, através do Museu da Imagem e do Som, que a Biblioteca recebe há anos e que foi renovada em 2020, com novo formato, por conta da quarentena. Através do site do Ponto MIS os espectadores podem participar do Bate-papo de cinema, se inscrevendo para assistir a um filme em horário marcado e depois participar de um bate papo virtual com personalidades importantes do audiovisual.

Todas as informações do Ponto MIS Ilhabela são divulgadas no perfil do Instagram https://www.instagram.com/pontosmisilhabela/ e no site da Prefeitura.

Oficinas Culturais

Outra parceria importante que Biblioteca manteve é com o programa Oficinas Culturais, também com Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, através da Poiesis Organização Social de Cultura. Nesta semana de maio iniciou as primeiras atividades on-line do Programa Oficinas Culturais no Interior. As atividades presenciais do Programa Oficinas Culturais no Interior e estas serão retomadas quando houver liberação por parte dos órgãos competentes.

Site e perfil do Instagram

Todas as ações divulgadas ficam disponíveis no perfil da biblioteca no Instagram, que pode ser acessado pelo link: https://www.instagram.com/bibliotecadeilhabela/. Lá são publicadas diariamente dicas de leitura, sites para baixar livros gratuitamente, eventos literários e conteúdo de interesse cultural variado para adultos e crianças. O site com um breve histórico da biblioteca é o https://www.ilhabela.sp.gov.br/servicos/biblioteca/ e de lá também é possível acessar o catálogo físico das bibliotecas, sem necessidade de ser usuário matriculado.

Fonte: Tudoem Ilhabela

A importância da leitura em tempos de isolamento

Além de ser uma forma de explorar o mundo sem sair de casa, ler também alivia o estresse e nos deixa mais feliz. Confira algumas histórias inspiradoras

Texto por Sistema Fecomércio

A psicóloga do Sesc Fortaleza, Telma Fernandes, explica que, diante do atual momento, muitos estão desenvolvendo um nível alto de estresse. Para a profissional, uma das sugestões para as pessoas lidarem melhor com a situação é ler. — Foto: Pixabay

A rápida propagação do Novo Coronavírus (COVID-19) levou o mundo inteiro a adotar medidas preventivas de isolamento social. Nesse período, é fundamental ficar em casa para conter o avanço da doença, assim como enfrentar os riscos para quem trabalha em serviços essenciais, o que tem gerado impactos na vida das pessoas. A mudança da rotina de casa, dos filhos e do trabalho, as incertezas sobre o presente e o futuro, o bombardeio de informações, o medo, enfim, são apenas alguns dilemas enfrentados pela maioria da população neste período de pandemia e isolamento social.

Além dos cuidados essenciais com higienização e alimentação, o atual momento exige uma atenção especial para nós mesmos, uma vez que a falta de conhecimento e de uma solução imediata gera um aumento de ansiedade, insegurança, estresse, tristeza e outros sentimentos. Só para se ter uma ideia, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendou algumas ações com o objetivo de amenizar os impactos negativos da pandemia, como escrever e, principalmente, ler. Neste momento, os livros têm sido ótimos companheiros de quarentena.

“A leitura é a minha grande paixão, logo, nesse momento, mais do que nunca, reconheço o poder que o livro tem, pois abre portas à reflexão, é um suporte de autoconhecimento. Não tenho dúvidas de que ler, neste momento, é o que eu mais tenho feito para viver melhor o isolamento”, relata Ivana Chaves, assistente de biblioteca do BiblioSesc.

Para ela, os livros são poderosos aliados para a nossa saúde mental e felicidade, mesmo em tempos de pandemia, uma vez que o hábito da leitura ajuda a avaliar novas perspectivas ou respostas, o que funciona inclusive como um alívio, pois nos permite desbravar os desafios enfrentados pelos personagens nas narrativas. “Outro ponto consolador é o fato de que a leitura faz com que o leitor perceba que ele não está sozinho na vivência de suas adversidades”, pontua.

Ivana Chaves não é a única que encontra nos livros um conforto neste momento de incertezas e desafios. O universitário Quintino Barbosa, de Sobral, também está aproveitando a quarentena para colocar a leitura em dia. “Minha relação com a leitura é, com certeza, um casamento estável, de amor e compromisso. Nesse período, tenho mergulhado ainda mais no mundo da literatura e da arte como um tudo”, declara. Desde o início do isolamento, ele já leu “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, “Tieta do Agreste”, de Jorge Amado, dentre outros clássicos, além de livros de contos e poesia. “Para mim, é uma rica fonte de divertimento e conhecimento“, destaca.

Literatura faz bem à saúde

A psicóloga do Sesc Fortaleza, Telma Fernandes, explica que, diante do atual momento, muitos estão desenvolvendo um nível alto de estresse. Para a profissional, uma das sugestões para as pessoas lidarem melhor com a situação é ler. Relaxamento muscular, meditação, ativação da memória e promoção da empatia são apenas alguns dos benefícios de uma boa leitura. “A dica é escolher livros com temas e assuntos que você se identifica, que prenda a sua atenção e faça você mergulhar no contexto, transformando-se, assim, em mais um personagem da história”, afirma.

A outra sugestão para aliviar a tensão é escrever. Conforme ressalta a psicóloga, adotar uma rotina de anotações diárias sobre nossas emoções alivia os sentimentos, ajuda a processar as angústias e organiza os pensamentos. “As anotações podem ser feitas em poucas linhas. Relate, busque formas de entender, aceitar e trabalhar suas emoções”, orienta.

É o que Quintino costuma fazer, mas, no seu caso, seus relatos vêm em forma de contos e poesias. “Escrever é uma das atividades que mais gosto de fazer, é minha sina realmente. Ler, escrever, ouvir música, desenhar, pensar, enfim tudo isso me ajuda a me manter tranquilo e entretido”, ressalta.

A arte de se aproximar

O BiblioSesc é a unidade móvel de biblioteca do Sesc que oferece à comunidade de Fortaleza, bem como da região Metropolitana, o livre acesso às estantes, através de um cadastro gratuito feito com um documento de identificação e um comprovante de endereço. A ideia é possibilitar o empréstimo de livros e revistas gratuitamente, pelo prazo de catorze dias, mesmo prazo em que as visitas ocorrem, ou seja, de catorze em catorze dias.

No entanto, por conta da pandemia, as visitas do BiblioSesc foram suspensas temporariamente, mas isso não significa que boas iniciativas não estejam chegando aos ávidos leitores. O vínculo, explica Ivana Chaves, segue por meio do WhatsApp, ferramenta que tem sido uma ponte para o envio de sugestões de livros, cursos online, bem como arquivos de obras virtuais disponibilizadas gratuitamente, links de lives literárias, dicas de vídeos e curiosidades sobre o universo da leitura.

“Foi a alternativa que encontramos para amenizar o impacto do isolamento em nossas vidas, além de ajudar a superar a saudade que sentimos dos nossos encontros. Os grupos que criamos são espaços de trocas literárias, que ajudam a fidelizar nosso contato com os leitores e amenizar a ansiedade deles”, afirma.

E é assim, mantendo a leitura em dia, que pessoas como Quintino e Ivana seguem na esperança por dias melhores. Como a bibliotecária costuma dizer, precisa-se, mais do que nunca, semear livros para nos aproximar, da vida e dos outros, chegar perto, estar junto, mesmo durante o isolamento social. “E quando tudo isso passar, e você avistar um belo caminhão, com aplicações adesivas nos tons azul, branco e amarelo, já sabe do seu semear. Portanto, em breve, todos vão poder nos procurar para colocar o papo e as reservas em dia. O abraço está garantido, além de livros à mão cheia, claro”, conclui Ivana Chaves, saudosa, mas cheia de esperança em dias melhores.

Fonte: G1

Clube do Livro de Itapetininga realiza encontro online

Evento será no próximo sábado (6) e contará com uma conversa entre os participantes sobre a obra literária ‘Frankestein’, de Mary Shelley.

Texto por G1 Itapetininga e Região

Clube do Livro de Itapetininga realiza encontro online — Foto: Reprodução/Street View

Por conta da pandemia de coronavírus e do distanciamento social, a biblioteca de Itapetininga (SP) realizará, através do Clube do Livro, um encontro virtual no próximo sábado (6).

Durante o evento haverá uma conversa entre os participantes sobre a obra literária “Frankestein”, de Mary Shelley. O livro pode ser baixado gratuitamente através deste link.

O bate-papo acontecerá através do Google Meet, às 16h. Para participar é necessário comentar na publicação do Facebook e entrar em contato com a administração da página para receber o link de acesso.

Fonte: G1 Itapetininga e Região

Incentivar crianças a ler pode deixar a quarentena mais leve

Para a professora Elaine Assolini, a leitura, além de entreter, acalma e ajuda a explicar o mundo para os pequenos

Texto por Flavia Coltri

A mudança de rotina causada pela quarentena tende a deixar as pessoas mais ansiosas, apavoradas e até mesmo entediadas. As crianças não estão livres desses sentimentos e, por conta disso, muitos pais buscam atividades que possam tornar o período um pouco mais suave para os pequenos.

Segundo a professora Elaine Assolini, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, a leitura é uma ótima opção de ocupação para as crianças. Ela explica que ler durante a quarentena pode acalmar e ajudar a explicar o mundo e também o que está acontecendo no momento.

Elaine destaca que os livros não devem ser deixados de lado com o fim do isolamento social, pois são fundamentais para a educação nessa faixa etária. “Crianças que leem não caem nas armadilhas do funcionamento ideológico da linguagem, portanto, serão cidadãos críticos, sujeitos que vão discutir o mundo à sua volta.”

A leitura de obras clássicas é sempre bem-vinda. A professora indica alguns nomes e obras da literatura brasileira como Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato, Ou Isto ou Aquilo, de Cecília Meireles, e O Menino Maluquinho, de Ziraldo, entre outros clássicos infantis.

Fonte: Jornal da USP

COMO MOSTRAR NOSSAS BIBLIOTECAS E OS SEUS ACERVOS DURANTE A QUARENTENA?

Algumas experiências das instituições alemãs são especialmente importantes para que os profissionais saibam como proceder nesse momento

Texto por Patrícia Oliveira

As bibliotecas em memoriais são bastante especiais, pois elas lidam tanto com a lembrança e a carga simbólica das instituições em que estão inseridas, quanto com a produção e a elaboração artística, probatória ou teórica sobre os memoriais e os fatos relacionados a eles. Elas trazem consigo, muitas das vezes, a autenticidade de materiais originais e relatos de sobreviventes, e também as fases e transformações interpretativas dos fatos ali vividos, sendo um ambiente por excelência, de convivência, debate e aprendizado constante.

Os eventos que motivam a criação desses memoriais exigem a sua elaboração através da visitação constante aos temas que eles carregam, e essa é apenas uma das diversas razões que justificam a criação de acervos bibliográficos e arquivísticos nesses locais, como uma nova camada de informação histórica.

Entretanto, em um momento bastante atípico no mundo, com o impedimento voluntário ou compulsório de visitação a memoriais, as bibliotecas dessas instituições seriam fundamentalmente afetadas, desde que não ativassem também formas de transmitir seus conteúdos, serviços e acervos para um público que não vai poder visitá-las durante esse intervalo.

A utilização de hashtags como #Closedbutopen (fechadas mas abertas), #MuseumFromHome (museu a partir de casa), #BibliothekenSindDa (bibliotecas estão aqui) é importante por atuar dentro das redes sociais e gerar interação a partir de seus assuntos em destaque, além de dar a chance de através de uma hashtag ou um reposting, aparecer para públicos que não as conheciam.

Mas, meu desejo com esse texto é exatamente apresentar algumas ideias que encontrei por aqui, na Alemanha, onde realizo estágio na Fundação Alexander von Humboldt, dentro das próprias instituições, e que me ajudam a pensar o como fazer, a partir de nossas atuais demandas, possibilidades técnicas em trabalho não presencial, e porque não, também o nosso desejo para o futuro próximo de mostrar ao público formas de explorarem todo o nosso potencial como acervos e serviços, seja física ou remotamente.

VOCÊ PRECISA DE NOSSO ACERVO PARA GERAR CONTEÚDO DE QUALIDADE? CONVITE PARA UTILIZAÇÃO DOS ACERVOS PARA FINALIDADES EDUCATIVAS E CULTURAIS

A produção de conteúdo para internet por terceiros, seja em formato de blogs, vídeos, postagens no instagram e twitter, pode ser excelente ferramenta de divulgação dos temas dos memoriais para diferentes públicos, principalmente aquele que não terá acesso físico ao local de memória. Ou mesmo com o fechamentos das escolas, momento em que muitas atividades de ensino e aprendizagem estão sendo ministradas online, a disponibilização de material referenciado com qualidade e licença de utilização aberta para fins educativos não comerciais, é uma boa medida para apoiar a divulgação dos memoriais, da memória dos locais e do trabalho dos profissionais de acervo e subsidiar o desenvolvimento de materiais com qualidade.

Eu recomendo aqui o projeto piloto Mauer Fotos, da Fundação Muro de Berlim (Gedenkstatte Berliner Mauer), que está disponibilizando, pela primeira vez, documentos originais que registram todo o período de duração do Muro, e com o diferencial de serem fotos de acervo também de particulares, trazendo uma ampla gama de aspectos do cotidiano de como o Muro foi uma das feridas da cidade por 28 anos. A sugestão do Memorial é que os utilizadores indiquem a fonte e o fotógrafo a partir do princípio “Use, compartilhe, participe” (“Nutzen, Teilen, Mitmachen”).

O que eu adoro nesse projeto, além de ter acesso a registros muito especiais e inéditos e utilizar um material que eu sei que teve um trabalho prévio de pesquisa e checagem por profissionais qualificados, é poder também contribuir com dados adicionais sobre as fotos, e dessa forma interagir e colaborar na construção da precisão da informação.

NÓS SENTIMOS SUA FALTA! SAIBA MAIS SOBRE A BIBLIOTECA QUE VOCÊ PODERÁ (RE)VISITAR!  CONVITE PARA VISITAR O ESPAÇO FÍSICO

Um ponto que me chama muito a atenção na comunicação das bibliotecas aqui em boa parte das redes sociais é o tom mais familiar e próximo. Por exemplo, desde que o lockdown foi forçando o fechamento ao público dessas instituições, eu vejo pelo menos uma, duas postagens das bibliotecas dizendo que sentem falta dos frequentadores #Wirvermisseneuch (nós sentimos sua falta), e fotos das prateleiras sem visitas, das cadeiras vazias e do silêncio nos corredores.

Esse tipo de mensagem, além de indicar quem é afinal o protagonista que demanda nossas ações, coleções e serviços, também abre mais um espaço de interação entre a biblioteca e a comunidade, para convidar os seus membros a visitarem seus acervos ao vivo, em breve. Nos comentários, os usuários podem tirar dúvidas acerca do fechamento, da entrega de materiais, do atraso e até de novos empréstimos, para quando os serviços estabilizarem.

Também é o momento que é possível mostrar tudo aquilo que está disponível no seu espaço físico quando a quarentena acabar, e deixar um ar de saudade e/ou de boas-vindas para a sua biblioteca, principalmente porque muitas das bibliotecas memoriais são apenas bibliotecas de referência. Esse é o exemplo do vídeo da Biblioteca do Topografia do Terror. O Bibliotecário Florian apresenta de forma muito amigável e concisa, o que a biblioteca pode oferecer quando estiver reaberta.

VOCÊ CONHECE NOSSA COLEÇÃO? QUE TAL UTILIZAR OS NOSSOS GUIAS NA NOSSA MEDIATECA?  CONVITE PARA CONHECER A PRODUÇÃO

Nas bibliotecas memoriais, o catálogo é uma forma de memória acessível: ela complementa a produção de conteúdo acerca do tema dos memoriais, e manifesta a nossa produção de sistematização, indexação e classificação deles. É uma outra possibilidade de acessar a memória para além dos artefatos e dos lugares autênticos. Os guias podem ser desde os mais convencionais, onde em formato texto nós apresentamos nossas coleções, ou mesmo em formatos que envolvam outros tipos de conteúdo complementar, além do material de arquivo e bibliográfico, como fotografias, vídeos, testemunhos em áudio, filmes.

Para esse exemplo, eu quero apresentar a Biblioteca de Mídia da STASI (Stasi-Mediathek), que apresenta acervos que destacam o modo de operação, estrutura, métodos e desenvolvimento do Ministério de Segurança do Estado da Alemanha.

É um ótimo modelo de como apresentar as informações gerais de forma cronológica em formato de linha do tempo, e com adições a coleções temáticas, como a “Operação Pantera Negra” envolvendo três membros do partido em uma troca tiros em Ramstein, ou a hercúlea operação para um show de 15 minutos do roqueiro Udo Lindenberg em 1983 na República Democrática da Alemanha (antiga Alemanha Oriental),  ou até a conexão da polícia secreta e as ações durante os “Jogos Olímpicos de 1972”.

VOCÊ PRECISA DE AJUDA? PRODUÇÃO DE MATERIAL DE SUPORTE À PESQUISA

Não somente quando o usuário nos procura no balcão, mas quando ele ainda está no processo de levantamento de fontes de pesquisa, os manuais de procedimentos, as FAQs podem estar no ar para dar mais informações sobre o que e o como é possível encontrar em nossos acervos e nossos serviços o que se está buscando. Na impossibilidade da visita física, ou no atendimento remoto imediato, esses guias são o primeiro acesso às nossas possibilidades como espaço de informação.

Aqui na Alemanha eu encontrei um lindo exemplo, feito pela equipe do NS-Dokumentationszentrums der Stadt Köln (NS – DOK Koln). Nessa biblioteca, o público é bastante variado: funcionários da casa, imprensa, alunos da educação básica e ensino superior, pesquisadores e também público infanto-juvenil, devido a oferta robusta de programação para esse público no Memorial. No site, é possível encontrar uma animação sobre como fazer uma pesquisa sobre o Nacional-Socialismo. O vídeo tem a linguagem bastante acessível, e mostra o passo a passo das etapas da pesquisa, envolvendo os aspectos de organização de tempo, sugestão de procedimentos de busca e apresentação de um checklist elaborado pela equipe.

Esses são apenas alguns exemplos de como mobilizar o público para conhecer melhor, ou pela primeira vez, os nossos espaços e também o nosso trabalho em bibliotecas. Claro que aqui ou meu recorte engloba iniciativas de bibliotecas em memoriais com temática sensível, e isso envolve problemas de ordem legal, como a disponibilização de materiais com identificação pessoal, conteúdos que sem a devida contextualização poderiam ser manipulados para utilização inadequada na internet, ou mesmo imagens e depoimentos com alta carga de violência e emoção.

Entretanto, mesmo com essas questões, as instituições discutiram e apresentaram saídas com soluções simples, que podem ter significativo impacto positivo em interações com os usuários, estando eles dentro ou fora das paredes de nossas bibliotecas. E na sua biblioteca, centro de documentação e arquivo, qual tipo de iniciativa você adotou ou deseja adotar? Quais são as suas principais dificuldades em tomar alguma iniciativa? Vamos pensar juntos?

Fonte: REVISTA BIBLIOO

Las recomendaciones de REBIUN para la reapertura de las bibliotecas universitarias y científicas

La Red de Bibliotecas Universitarias Españolas (REBIUN) ha creado y publicado un documento con una serie de recomendaciones para la reapertura de las bibliotecas universitarias y científicas. El objetivo de estas recomendaciones es servir como un documento base de referencia y guía para que las bibliotecas puedan desarrollar e implementar sus propios planes de vuelta a la presencialidad. Comentar que en dicho documento se especifican detalladamente todos y cada uno de los elementos y servicios a tener en cuenta para hacer una reapertura segura para las personas, además de los medios para seguir ofreciendo el servicio vía online.

Desde la puesta en marcha por parte de las autoridades gubernamentales de las medidas que progresivamente se han adoptado para evitar la propagación del virus COVID-19, la Universidad ha modificado su funcionamiento, servicios y procedimientos con el objetivo de no interrumpir la docencia y mantener su actividad académica por medios telemáticos. Se plantean ahora unas recomendaciones dirigidas de forma específica a las bibliotecas que forman parte de la red con el objetivo de que sean un documento base que pueda servir de referencia y guía a las bibliotecas para desarrollar e implementar sus propios planes de vuelta a la presencialidad.

Entre los principios generales de las «Recomendaciones REBIUN para un protocolo sobre reapertura de las bibliotecas universitarias y científicas» cabe destacar el desarrollo de medidas que garanticen la seguridad de los trabajadores y de los usuarios, la necesidad del distanciamiento social y la buena conducta de los usuarios para contener la pandemia, la evaluación y revisión continua de las medidas con el objetivo de adaptarlas,  y el inicio de la actividad presencial de las bibliotecas universitarias condicionado a la presencialidad de la comunidad universitaria en el campus.

Antes de compartir los puntos más destacados de esta propuesta de protocolo de actuación para la reapertura de las bibliotecas universitarias y científicas, y que bien resumen desde REBIUN, comentar que es un excelente trabajo. Quizás de los más extensos y detallados de todos los que he visto hasta ahora. Y, cómo no, agradecer la mención que me hacen en dicho documento por el post que escribí a principios de abril: 7 medidas a tener en cuenta para crear un protocolo de actuación ante la apertura de las bibliotecas.

  1. Preparación inicial de las bibliotecas universitarias y científicas

Del personal

  • Valoración en cada momento del grado de presencialidad estrictamente necesario en relación a los servicios y tareas a desarrollar.
  • Posponer la vuelta a la presencialidad del personal en situación de riesgo.
  • Adopción de medidas organizativas: teletrabajo, redistribución de tareas y establecimiento de turnos.
  • Información y participación del personal en la elaboración de los planes de reapertura de las bibliotecas universitarias y científicas.
  • Información de las medidas y normas de higiene, así como de procedimientos a seguir que garanticen el establecimiento de un entorno de trabajo seguro.
  • Organizar la entrada/salida al trabajo de forma escalonada.

De las instalaciones

  • Zonas de trabajo individualizadas o bien separadas con mamparas y manteniendo la distancia social especialmente en los mostradores de préstamo.
  • Zonas internas de trabajo (despachos): en general se evitará la presencia de más de una persona por despacho, cuando esto no sea posible, se mantendrá una distancia de, al menos, 2 metros por persona.
  • Individualizar el espacio de trabajo: mobiliarios, sillas, etc. Si no es posible individualizar equipos, al menos teclado y ratón.
  • Ventilación de espacios preferentemente de forma natural.
  • Establecimiento de circuitos de entrada y salida y de circulación por los edificios (escaleras de subida y bajada, circulación por la izquierda, derecha, etc.)
  • Refuerzo de la desinfección de las instalaciones y superficies de trabajo, así como las de uso por parte de los usuarios una vez que llegue el momento de apertura de las salas.

De los procesos

  • Potenciar el teletrabajo en aquellas unidades en las que no sea imprescindible una presencialidad: adquisiciones, catalogación, circulación.
  • Ordenación de salas y depósitos: colocación de fondos desinfectados realizando la tarea de forma individual y con mascarilla y guantes.
  • Concentración de procesos que forman parte de un mismo flujo de trabajo para que participen el mínimo número de personas posible.
  • Evitar reuniones presenciales y reparto de documentos impresos para las mismas.
  • Suprimir reuniones informales en zona de café y/o descanso.
  • Se evitará el desplazamiento del personal dentro de las instalaciones, o entre unas áreas de trabajo y otras y evitar el uso de ascensores.
  1. Puesta en marcha de los servicios en las bibliotecas universitarias y científicas

Medidas en las que prevalece el distanciamiento social con los usuarios y desinfección de equipamiento

  • Marcado de los puestos de lectura.
  • Control de aforo y circuitos de circulación de personas.
  • Restricción de acceso a zonas en las que no sea posible controlar distanciamiento social (salas de trabajo).
  • Formación de forma virtual.
  • Medidas de desinfección e higiene de los puestos de lectura.
  • Uso de mamparas en zonas de atención a usuarios y atención directa con guantes y mascarilla.
  • Señalización de puntos de espera manteniendo distanciamiento social.
  • Restricción de acceso (mediante señalización) a las zonas de libre acceso a los fondos bibliográficos.
  • Establecimiento de sistemas de préstamo previa petición (al menos en las primeras fases).
  • Retirada de equipamiento informático de uso público y restablecimiento progresivo según la evolución.
  • Disponibilidad de gel hidroalcohólico para manipular las máquinas de autopréstamo, llegado el caso.

Servicio de préstamo

Devolución de documentos

  • Contemplar acciones progresivas para la devolución de materiales, evitando la presencia masiva en las bibliotecas (al menos 15 días de plazo a partir de la fecha de vencimiento final de devolución).
  • Mediante datos estadísticos de préstamo, planificar las devoluciones estableciendo días o franjas concretas.
  • Reflejar en los sistemas de gestión a efectos informativos el estado de “ejemplar en cuarentena”.
  • Eliminar las sanciones a aquellos usuarios que les venció el préstamo unos días antes del cierre.
  • Aplicación del periodo de cuarentena a ordenadores, periféricos, DVDs…
  • Evitar el contacto bibliotecario-usuario en el momento de la devolución.
  • Facilitar la devolución de materiales a estudiantes Erasmus o residentes en otras localidades

Cuarentena de materiales

  • Establecer un circuito propio para los materiales que pasen a estar en cuarentena.
  • Habilitar un espacio físico diferenciado para materiales en cuarentena (libros, paquetería…).
  • Habilitar un protocolo de desinfección para materiales que lo permitan (materiales con superficies plásticas).
  • Establecer un período de 10 días para la cuarentena de materiales.
  • Manipulación del fondo de forma segura (guantes, mascarilla).
  • Identificar la fecha de depósito en cuarentena y ubicar el fondo en entorno seguro cerrado (bolsas de plástico, cajas de cartón o estanterías específicas para ello).
  • El uso de máquinas para la desinfección de fondo bibliográfico daña los materiales. Dada su inversión, se recomienda su uso si se van a incorporar como un procedimiento habitual del tratamiento documental más allá de este período concreto.
  • Los documentos que ingresan en la biblioteca vía adquisiciones tienen que pasar por el circuito establecido para la cuarentena.

Reestablecimiento del servicio de préstamo

  • Incorporar para el préstamo materiales disponibles en libre acceso con garantías de desinfección.
  • Ajustar los tiempos establecidos para las reservas incorporando los 10 días establecidos para la cuarentena.
  • Evitar préstamo de libros en papel cuando exista en la biblioteca versión electrónica.
  • Solicitar a los docentes que incluyan en sus bibliografías recomendadas títulos disponibles en versión electrónica.
  • Establecer un servicio de préstamo con cita previa (fase inicial) o bien controlar las aglomeraciones.
  • Fijar un punto de entrega y recogida único en la biblioteca de los materiales en préstamo para evitar el contacto físico.
  • Ampliar los plazos de préstamo para los periodos de corta duración.
  • Aminorar las sanciones.
  • Para personas con factor de riesgo y movilidad reducida, establecer un servicio de préstamo por mensajería.
  • Disponer de gel hidroalcohólico en la zona de máquinas de autopréstamo cuando se estime su restablecimiento.
  1. Información y sensibilización

Objetivo. Generar confianza para todos: la biblioteca un espacio seguro. Implicación de todos para hacer de la biblioteca un espacio seguro.

Información a los usuarios

  • Sobre medidas higiénicas y sanitarias para el correcto uso de los servicios y expuesta en zonas de entrada y de paso obligado.
  • Sobre el aforo, limitación y nuevas formas de uso de los servicios disponibles.
  • Señalética para el distanciamiento social, puestos de lectura a emplear, zonas o servicios restringidos.

Información al personal

  • Medidas adoptadas para garantizar la seguridad.
  • Nuevos procedimientos implementados para un entorno seguro.
  • Participación en el plan de reanudación de los servicios de biblioteca.

Medios

  • Imagen de campaña, eslogan y señalética diferenciada.
  • Soporte impreso y redes sociales, página web.
  • Canalizando dudas, sugerencias, etc… por parte de los usuarios.
  1. La biblioteca digital. Servicios y contenidos digitales
  • Priorizar la adquisición de contenido electrónico sobre papel, especialmente en bibliografía recomendada, así como las plataformas de préstamo electrónico.
  • Desarrollar servicios de digitalización conforme a lo establecido en la legislación en materia de derechos de autor.
  • Dirigir consultas y trámites con la biblioteca a un entorno digital (chat, pregunte al bibliotecario, formularios…)
  • Consolidar la oferta de cursos de formación on-line, incorporando nuevas herramientas que permitan una mayor interacción con los usuarios (videoconferencia, agregación de archivos…)
  • Producir nuevos materiales formativos y guías de contenidos dirigidos a los alumnos.
  • Impulsar el papel de la biblioteca en el desarrollo de la Ciencia abierta (repositorio institucional).
Imagen superior cortesía de Shutterstock

Fonte: Julián Marquina

Livros em quarentena, agendamentos e atendimento na porta: como a Biblioteca Pública de Porto Alegre retomou seus trabalhos

Espaço cultural foi autorizado a reabrir após o último decreto da prefeitura da Capital

Livros devolvidos não irão diretamente para as prateleiras da biblioteca Josué Guimarães
Lauro Alves / Agencia RBS

Texto por Marina Pagno

Caminhar a passos lentos pelos corredores, passar mais de uma vez entre as estantes empilhadas de livros, tocá-los e escolhê-los com as próprias mãos são atitudes corriqueiras e bem pessoais de quem frequenta bibliotecas. Esse cenário, porém, teve de ser modificado na Biblioteca Pública Municipal Josué Guimarães, em Porto Alegre, que retomou seus trabalhos na manhã desta segunda-feira (25) com outra rotina e trazendo novas experiências para funcionários e leitores.

O “novo normal” da biblioteca se dá com atendimentos na porta e retiradas e devoluções de livros por agendamento. Desde a semana passada, quando a prefeitura autorizou a reabertura de bibliotecas e museus na Capital, a equipe da Josué Guimarães começou a entrar em contato com quem ficou com livros em casa enquanto o local estava fechado, além de organizar o espaço para recebê-los.

— Estamos priorizando os usuários da biblioteca que estão com livros em casa para devolver, combinando horários para que venham até aqui fazer a devolução e para que mandem por e-mail, de forma antecipada, os títulos que querem retirar — explica a diretora Renata Borges.

Apenas funcionários da Biblioteca Pública podem acessar os livros do acervo. Para bloquear a entrada, foi colocada uma mesa em frente à porta de vidro, transformando o espaço no novo ambiente de devolução e retirada dos volumes. Renata conta que, por isso, prefere dizer que os atendimentos foram retomados e não que a biblioteca reabriu as portas.

— As pessoas não vão poder chegar aqui e escolher como antigamente — diz.

Os agendamentos

Para combinar a devolução ou a retirada de livros, o contato deve ser feito pelo e-mail bibliot@portoalegre.rs.gov.br. A partir daí, a equipe agenda um dia e um horário que fique bom para o usuário e para o local, já que ocorre apenas um atendimento por vez. O telefone (51) 3289-8078 também está disponível para fazer os agendamentos. Esse, inclusive, foi o canal usado pelo aposentado Carl Ernst Conrad Hofmeister, o primeiro leitor a chegar à porta da biblioteca na manhã desta segunda.

— Eu liguei na sexta-feira (22), me atenderam e marcaram para que eu fosse hoje (segunda), às 10h. Entreguei meus livros na porta e eles já haviam selecionado outros livros que eu havia pedido ainda na sexta — conta o leitor de 83 anos.

Carl Ernst Conrad Hofmeister, 83 anos, devolveu e retirou livros na porta da biblioteca
Lauro Alves / Agencia RBS

Hofmeister devolveu dois livros da biblioteca, que deveriam ter sido deixados no local ainda em 30 de março, mas que ficaram estacionados em sua casa por conta das restrições provocadas pelo coronavírus. Ele aproveitou a viagem e pegou mais três exemplares.

— Para quem gosta de ler, é bom essa reabertura, porque cinema está fechado, teatro está fechado, então é um bom entretenimento — diz, sobre a retomada do funcionamento do local que contribui com seus hábitos de leitura há cinco anos.

Catálogo online e curadoria

Se o usuário não pode entrar na biblioteca, como escolher novas obras para leitura? O caminho recomendado é a consulta no catálogo online que engloba todas as bibliotecas geridas pela prefeitura da Capital. Por ele, dá para conferir os títulos disponíveis no acervo da Josué Guimarães e solicitar os exemplares por agendamento. Para acessar, é só clicar aqui.

Quem não tem muita habilidade ou acesso à internet conta com a ajuda dos funcionários, que fazem uma espécie de curadoria sugerindo livros com base nas últimas obras retiradas pelo usuário ou perguntando para eles, na hora do agendamento, seus gostos de leitura do momento.

— É um trabalho que a gente já fazia antes, mas muito mais cegamente do que agora. A gente acaba tendo que intermediar o acesso ao acervo com mais frequência do que antes — explica a diretora Renata Borges.

Quarentena

Outra mudança significativa na Biblioteca Pública Municipal se refere à chegada dos livros. Todas as obras que retornam ao local são colocadas em quarentena, isoladas por 14 dias em uma caixa para evitar possíveis contaminações. Após o período, os livros são higienizados na parte externa e retornam para as prateleiras.

— Não temos como higienizar página por página, então esse é o melhor jeito de evitar possíveis transmissões, ficar um período grande isolado. E aqui dentro só manuseamos os livros com máscaras e luvas — diz Renata, sobre os cuidados entre os funcionários.

Nas redes sociais, a biblioteca também está ativa no Instagram, no Twitter e no YouTube, onde há postagens para que os usuários mantenham a ligação com a literatura mesmo nesse período de menos contato físico.

— A gente sentiu a importância da biblioteca nesse período em que ficou fechada. Muita gente nos ligou na semana passada querendo saber dos atendimentos, tivemos muitos retornos positivos, é isso que está pesando agora — conclui Renata.

Outros espaços reabrem

Além da Biblioteca Pública Municipal, o Museu Joaquim José Felizardo e o Arquivo Público Municipal também reabriram as portas nesta segunda, com restrições e horários reduzidos.

As pinacotecas, previstas para retomar as atividades nesta semana, tiveram uma mudança na programação. A Ruben Berta está recebendo agendamentos para receber visitantes a partir de 2 de junho. Já a Aldo Locatelli permanecerá fechada até segunda ordem.

Confira, abaixo, os novos horários e as restrições em cada local:

Biblioteca Pública Municipal Josué Guimarães

Atendimento presencial mediante agendamento para empréstimos e devoluções, com limitação de uma pessoa por vez.

Horário: das 9h às 15h, de segunda a sexta.

Consulta local e acesso ao acervo seguem suspensos.

Informações e agendamentos pelo e-mail bibliot@portoalegre.rs.gov.br.

Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo

Jardim aberto e exposições com acesso limitado a duas pessoas por sala.

Horário: das 13h às 17h, de segunda a sexta.

Atendimento a pesquisadores do acervo fotográfico mediante agendamento, pelo telefone (51) 3289-8276 ou pelo e-mail karina.santos@portoalegre.rs.gov.br.

Agendamento de pesquisa para os demais acervos pelo e-mail museu@smc.prefpoa.com.br.

O agendamento de grupos segue suspenso.

Arquivo Histórico Municipal Moysés Vellinho

Atendimento presencial mediante agendamento com limitação de uma pessoa por turno.

Horário: das 9h às 11h e das 13h às 15h, de segunda a sexta. Entre 11h e 13h, será realizada higienização da sala de pesquisa.

Pesquisador deverá levar seus Equipamentos de Proteção Individual (luvas e máscara).

Informações e agendamentos pelo telefone (51) 3289-8282 ou 3289-8278 ou pelo e-mail arquivohistorico@smc.prefpoa.com.br.

Pinacoteca Ruben Berta

Atendimento a visitantes e pesquisadores ao acervo e exposições mediante agendamento pelo telefone (51) 3289-8292 ou pelo e-mail acervo@portoalegre.rs.gov.br.

Horário: terças e quintas, das 13h às 17h.

O agendamento de grupos segue suspenso.

Centro de Documentação e Memória – Cinemateca Capitólio

Atendimento presencial mediante agendamento, com limitação de uma pessoa por hora.

Horário: das 9h às 15h, de segunda a sexta.

Pesquisador deverá levar seus Equipamentos de Proteção Individual (luvas e máscara).

Informações e agendamentos pelos telefones (51)3289-7464 e 3289-7469 e pelo e-mail pesquisacapitolio@gmail.com.

Fonte: GaúchaZH

Covid-19: desinfecção e bens culturais, as recomendações do Dicastério para a Cultura

“O patrimônio cultural é um bem não renovável”. Portanto, “toda ação que possa influenciar seu estado de conservação deve ser adequadamente conhecida, avaliada, documentada e acordada com os especialistas”.

Sensibilizar os responsáveis ​​pela custódia e gestão do patrimônio cultural ,para evitar possíveis danos causados ​​pelo uso inadequado de produtos desinfetantes ou pela aplicação de procedimentos incorretos por falta de conhecimento.

Esse é o objetivo das recomendações compartilhadas pelo Pontifício Conselho para a Cultura para fazer frente à situação provocada pela Covid-19 em relação à gestão, limpeza e desinfecção do patrimônio cultural. O documento pretende oferecer “indicações muito simples e necessárias para evitar danos irreversíveis aos objetos mais preciosos e delicados presentes em nossas igrejas”.

A desinfecção de ambientes, paramentos, vasos sagrados para o local de culto – especifica o Dicastério na apresentação do texto – é “necessária neste período de emergência sanitária”, mas de diversas partes chegaram relatórios sobre as intervenções efetuadas com “o uso de detergentes não adequados para objetos de arte e patrimônio cultural”.

Em particular, é feita referência ao uso de produtos corrosivos, como alvejantes, amoníaco e detergentes, que geram resíduos muito prejudiciais e, portanto, não devem ser utilizados em complexos monumentais, prédios históricos, sítios arqueológicos, objetos, bens móveis, tecidos e bordados, porque poderiam causar danos irreversíveis.

Neste sentido, a necessidade de oferecer um vademecum que, conforme especificado, não foi elaborado pelo Pontifício Conselho para a Cultura, mas é compartilhado por ele. A premissa é que “o patrimônio cultural é um bem não renovável”. Portanto, “toda ação que possa influenciar em seu estado de conservação deve ser adequadamente conhecida, avaliada, documentada e acordada com os especialistas”.

Recomenda-se “bom senso”: “o sabão é um bom desinfetante para a Covid-19”; portanto, em superfícies e pisos, é melhor usar “soluções hidro alcoólicas diluídas ou sabões neutros, sempre aplicados sob pressão controlada e sob a orientação de um técnico da conservação de bens culturais”.

Aos responsáveis ​​por tais operações, bem como a todos os que entram em contato com o patrimônio, sugere-se o uso de luvas, máscaras e roupas que possam ser lavadas após a operação de limpeza. O uso de fumigação e pulverização não são recomendados em bens imóveis.

Considerando que as igrejas e outros locais tenham ficado fechados por meses, é improvável que o vírus tenha sobrevivido nestes ambientes. Neste sentido, é sempre necessário “ventilar os espaços, tanto para a segurança e a saúde dos trabalhadores e dos fiéis”, quanto “para a correta conservação do patrimônio cultural”.

Quanto aos bens móveis, quando houver suspeita de contaminação, sugere-se que sejam retirados ou delimitados em uma área inacessível por pelo menos até 14 dias.

Nunca desinfetar uma obra de arte, um objeto histórico ou um documento com álcool ou produtos de limpeza. Ao contrário de vários objetos sem interesse histórico, como grades, maçanetas, corrimãos, recomenda-se uma limpeza mais cuidadosa, prestando atenção para evitar o uso de substâncias que possam danificar acabamentos e superfícies. (PO)

Antes da reabertura das igrejas na Itália na Fase 2, Basílicas e igrejas foram sanitizadas e desinfectadas

Fonte: Vatican News

Conversa sobre Segurança de Acervos

A segurança de acervos é uma temática urgente em qualquer situação. Mas, com a reabertura pós-quarentena das bibliotecas, arquivos e museus, a preocupação com essa temática fica salientada.

Como proteger nossos colegas, frequentadores e o entorno? Como atuar ativamente na mitigação de riscos? Como incidir na conscientização sobre a riqueza patrimonial e histórica dos acervos e a necessidade de traçarmos estratégias para a sua preservação?

Perguntas como essas foram respondidas no dia 13 de maio as 16h, na união dos canais @bibliotecasmemoriais (Bibliotecária Patricia Oliveira) com o ótimo @preservabiblio (Bibliotecária Jullyana Araújo)

Nós entrevistamos a historiadora Solange Rocha.

Currículo Solange Rocha: Bacharel em História pela Universidade Santa Úrsula/USU, especializada em Restauração e Conservação de Bens Culturais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ, trabalhou no Arquivo Nacional, Museu Nacional de Belas Artes e, atualmente, no Museu de Astronomia e Ciências Afins. Coordenadora Geral do Projeto de elaboração da Política de Preservação de Acervos Institucionais e idealizadora, coordenadora e, atualmente, membro da comissão de elaboração do curso Segurança de Acervos Culturais/MAST. Participação no Projeto de Capacitação e Apoio à Implementação do Sistema Nacional de Arquivos do Estado-SNAE e do Acordo Geral de Cooperação entre a República de Moçambique e a República Federativa do Brasil, organizado e coordenado pelo Arquivo Nacional e a Agencia Brasileira de Cooperação. Com o intuito de disseminar o conhecimento em Segurança de Acervos criou um canal no youtube, objetivando passar o conhecimento adquirido na área de preservação e segurança patrimonial, o Preservação e segurança de acervos https://www.youtube.com/channel/UCsQn…

Minicurrículo Jullyana Araújo: Bibliotecária formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), mestranda em Preservação de Acervos de Ciência & Tecnologia, no MAST. Áreas de pesquisa: preservação; conservação preventiva; gestão de risco em bibliotecas. Insta da Bibliotecária Jullyana Araújo @preservabiblio

Minicurrículo Patricia Oliveira: Bibliotecária formada pela Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA), professora de história formada pela UNICSUL, mestranda em Ciências Sociais e Humanas da UFABC, bolsista Líder do Amanhã pela Fundação Alexander von Humboldt. Áreas de pesquisa: memória, história, coleções e gestão de bibliotecas. Redes sociais do canal Bibliotecas em memoriais: https://linktr.ee/bibliotecasmemoriais

Fonte: Bibliotecas em Memoriais

Bibliotecária da região faz vídeo criativo com mensagem de valorização da vida em tempos de pandemia

Tânia Cristina de Moura Silva que é bibliotecária da Biblioteca Pública Professor Luiz Balbino / DIVULGAÇÃO

Um vídeo postado pela bibliotecária, de Entre Rios de Minas, chamou a atenção pelo conteúdo e pela criatividade. Com um amplo conhecimento de literatura ela usou inúmeros títulos de livros para criar um texto de valorização da vida em tempos de pandemia.

“Querendo participar da Campanha #Viralizacultura, da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte, Lazer e Turismo de nossa cidade procurei uma forma de criar uma mensagem positiva em meio a essa triste pandemia usando o meu material de trabalho e de amor, os livros”, disse a nossa reportagem, Tânia Cristina de Moura Silva que é bibliotecária da Biblioteca Pública Professor Luiz Balbino, onde desenvolve um grande trabalho a frente do órgão.

Formada em Biblioteconomia, hoje denominada Ciência da Informação, pela UFMG há mais de 25 anos, Tânia não nasceu em Entre Rios, mas sua família é originária da cidade. “Não sou nascida em Entre Rios mas meu coração sempre foi, crescemos aqui entre férias na casa de minha avó e na casa de tios na Zona Rural. Além de meu marido ser também filho da terra, nos conhecemos na Festa da Colheita, mais tradicional impossível”, disse.

Em junho fazem 3 anos que estou a frente da Biblioteca Pública Professor Luiz Balbino

Fonte: Correio de Minas

COVID-19: RECOMENDAÇÕES PARA SALVAGUARDA DE ACERVOS EM BIBLIOTECAS

A Covid-19 é transmissível principalmente por meio de gotículas de saliva, depois de tosse ou espirro e também com o contato com superfícies ou pessoas contaminadas (apertos de mãos, toques, etc.), seguindo de contato com a boca, nariz ou olhos.

O VÍRUS EM SUPERFÍCIES

  • É improvável que alguém possa infectar-se ao manusear, por exemplo, um livro de biblioteca[1]. No entanto, como essas gotículas e, portanto, o vírus, se deposita em superfícies, espera-se que as dos itens em acervos podem ser depósito do vírus, e por isso, transmissores. Dessa maneira, é cauteloso proceder como se confirmadamente tais itens fossem transmissores.
  • Estudos realizados até o momento mostram que o vírus da COVID-19 pode ficar em superfícies por vários dias. Para metal, vidro e plástico, estima-se até 9 dias; para papel estima-se de 4 a 5 dias; e para madeira até 4 dias. Foi verificado que, no geral, o vírus permanece em superfícies de 4 a 9 dias.
  • Dessa maneira, é aconselhado o isolamento de instituições detentoras de acervos – como bibliotecas, museus e também arquivos. Ou seja, a orientação é que elas permaneçam fechadas durante a pandemia e pelo menos até a eliminação do risco para o público, quando será possível, novamente, o mínimo de aglomeração.

LIMPEZA?

  • Todos os especialistas e conservadores ouvidos nos artigos consultados são absolutamente contra a limpeza do acervo utilizando produtos como desinfetantes, cloros e álcool, seja em aerossol ou líquidos.
  • O motivo da não recomendação de limpeza é simples: tais produtos têm grande potencial para danificar livros e outras peças de valor, por vezes de maneira irreversível. Podem causar oxidação, dissolução de tintas, de anotações, desbotamento da cor, etc. É preferível isolar o acervo/a coleção/os itens por um período de tempo em que o vírus não sobreviva mais.
  • Utilizar raios UV também não é recomendado: podem causar forte oxidação e, no geral, não é possível o alcance em todos os “cantos” do item.
  • Objetos históricos, móveis e outras artes decorativas têm a mesma recomendação: sem limpeza agressiva e produtos químicos fortes sem saber quais serão as consequências a longo prazo e sem consultar um conservador-restaurador.
  • Para livros que possam ter estado em contato com o vírus, o desinfetante mais eficiente seria justamente não fazer nada – esperar e manter os livros em quarentena por pelo menos 14 dias. Evita-se duas coisas: a transmissão, e danificá-los com a aplicação de materiais de limpeza.
  • O recomendado é a limpeza apenas de áreas comuns e locais que muitos tocam, como maçanetas, mesas, cadeiras, bancadas, etc.
  • Na limpeza de superfícies e locais de uso comum recomenda-se o uso de luvas e, se possível, óculos de proteção. Devido à escassez desses EPIs no momento e à prioridade dos profissionais da saúde, caso a instituição esteja fechada, a limpeza deve ser feita quando for possível funcionar novamente.

MELHOR RECOMENDAÇÃO: ISOLAMENTO

  • O isolamento é a medida recomendada tanto durante quanto após a pandemia, no caso de devoluções de livros e outros, por exemplo. Durante, preserva-se a saúde dos trabalhadores e também do acervo; após, colocando livros devolvidosem quarentena, evita-se contágios desnecessários.
  • Falando do pós-pandemia, recomenda-se uma quarentena para todos os itens devolvidos às bibliotecas. Para manuseá-los para dentro e fora dessa quarentena, recomenda-se o uso de luvas que devem ser descartadas imediatamente após o manuseio, para que nada mais seja tocado. Após isso, lavar as mãos da maneira e pela quantidade de tempo recomendada pela Organização Mundial da Saúde.
  • Isolamento a nível de objeto, de item pode ser feito colocando-os em bolsas plásticas com zíper, tomando o cuidado de colocar uma etiqueta com a informação do objeto, a data de colocação na bolsa, e o motivo.
  • Caso um espaço para quarentena não seja possível, os itens podem ser colocados em bolsas/sacolas, que deverão ser lacradas por até 14 dias.
  • Os livros que tenham sido utilizados por pessoas doentes devem ser colocados em bolsas de plástico com fecho duplo. Uma vez com o livro dentro, é necessário limpar o exterior da bolsa com um produto de limpeza apropriado. Cuidado para que o produto não entre dentro da bolsa. Uma vez limpo, manter a bolsa em zona segura e isolada por 14 dias.
  • Atenção: Dependendo das próximas semanas, é recomendável checar se o acervo tem algum risco de vazamentos repentinos; infiltrações; roubos e/ou furtos e enchentes. Se possível, eleger uma pessoa para periodicamente ir checar o acervo.

SAIBA QUE…

  • No momento, o desinfetante, a limpeza mais barata, simples, segura e eficiente é o tempo.
  • Se for absolutamente necessário permanecer aberto, é prudente traçar um plano de funcionamento que não permita aglomerações e/ou muitos usuários ao mesmo tempo; que também não tenha muitos funcionários; uma equipe de limpeza deverá ser treinada para limpeza do espaço de forma a não danificar o acervo; livros e demais itens devolvidos deverão ser colocados em quarentena. O funcionamento terá de ser adaptado para o momento em questão.
  • Se existe o plano ou pensamento de limpar e/ou desinfetar coleções, durante ou após a pandemia, entenda e aceite que irão ocorrer danos e/ou perdas de material.
  • A Dr. Mary Striegel, do NCPTT, em vídeo sobre o assunto, caso fechar a instituição não seja uma opção, recomendou utilizar uma solução de sabão neutro e água com papel toalha para limpar superfícies e itens do acervo que possivelmente foram tocados pelo público. No entanto, é preciso cuidado com pinturas, detalhes pintados em tintas frágeis, finalizações sensíveis, e materiais que podem reagir à essa combinação.

[1] Como dito pela Dra. CaitlinPedati, diretora médica e epidemiologista do Departamento de Saúde Pública de Iowa, EUA.

*Baseado em artigos e postagens online do Coordinated Statewide Emergency Preparedness (EUA); American Libraries Magazine (EUA); Northeast Document Conservation Center (EUA); National Center for Preservation Technology and Training (EUA); State Library of Iowa (EUA), da Biblioteca Nacional da Espanha e da Secretaria de Saúde do Paraná (Brasil).

Compilado, traduzido e elaborado por Jullyana Araujo (PPACT/MAST).

Fonte: GIDJRJ

Como a pandemia de covid-19 impacta o mundo do trabalho

Texto por Amanda Ferreira Nunes de Lima

Crise causada pelo coronavírus traz à tona desafios sociais e políticos de um mercado de trabalho cada vez mais informal e baseado em tecnologias de comunicação 

Desde que os governos estaduais e o Ministério da Saúde passaram a recomendar a quarentena para mitigar a propagação da covid-19, muitas empresas e instituições públicas estão adotando o teletrabalho, também conhecido como home office. No caso de serviços essenciais que não podem ter atividades presenciais suspensas, equipes têm sido reduzidas e submetidas a rodízio e escalonamento.

Enquanto alguns empresários e governantes temem os efeitos da desaceleração das atividades econômicas, trabalhadores sentem a pressão de um contexto de crescente fragilização de  direitos, que a pandemia parece aprofundar. Um exemplo é a Medida Provisória 936/2020, publicada pelo governo federal em 1º de abril. O documento permite a suspensão do pagamento de até 100% dos salários, por um prazo de no máximo três meses. A compensação que o governo oferece ao trabalhador corresponde a uma porcentagem calculada sobre o seguro-desemprego a que ele teria direito, e não sobre o salário. Essa medida, portanto, coloca no horizonte de milhões de pessoas a possibilidade de uma grande perda em suas rendas.

“Em primeiro lugar, é preciso destacar que as medidas de isolamento social são necessárias, porque não existe cobertura de infraestrutura para atendimento – hospitais, leitos, médicos, respiradores – para muitas pessoas ao mesmo tempo.” A afirmação é da professora do Departamento de Comunicações e Artes, Roseli Figaro, que coordena o Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho (CPCT). Fundado em 2003, o CPCT se dedica a compreender como a comunicação e suas tecnologias se relacionam com as constantes transformações no mundo do trabalho e nos discursos associados a ele.

Se a situação é preocupante para aqueles com carteira assinada, trabalhadores autônomos e informais – como os entregadores de aplicativos de comida – se encontram em condições ainda mais difíceis. “Espremida no SUS, sem moradia adequada, sem saneamento básico, sem emprego decente, vivendo de bicos e do trabalho em empresas de plataforma, [a população mais pobre] não tem a quem recorrer. Se não trabalha, não ganha, não pode ficar doente, não pode recolher-se para a prevenção. É uma situação dramática, desumana, bárbara”. A docente enfatiza como a Reforma Trabalhista aprovada no mandato de Michel Temer e a política econômica do atual governo contribuem para o agravamento deste quadro, com o aumento do desemprego e da informalização do mercado de trabalho.

Outro fator que tem contribuído para o crescimento dos empregos informais é a expansão da chamada gig economy. O termo é usado para descrever um conjunto de formas alternativas de trabalho, de caráter autônomo e temporário, caracterizadas pela ausência de vínculo empregatício e pela frequente mediação de plataformas de serviços on-line, como aplicativos de entrega ou de transporte. Na gig economy, a maioria dos trabalhadores não tem acesso a vale-alimentação, férias remuneradas, décimo terceiro salário e seguridade social.

Em momentos como a atual crise causada pelo coronavírus, as consequências sociais desta ausência de direitos trabalhistas podem tomar proporções desastrosas, custando a saúde e até mesmo a vida de trabalhadores e suas famílias. Além disso, as mudanças nas formas e relações de trabalho durante a pandemia, como a MP 927/2020 demonstra, podem representar um risco para os direitos que trabalhadores formais ainda possuem. Segundo Figaro, a covid-19 traz ainda outros desafios sociais e políticos importantes, que têm a ver com o papel cada vez maior desempenhado pelas tecnologias de comunicação no trabalho e em outros âmbitos de nossas vidas.

Plataformas de serviços on-line como Uber Eats e Ifood estão por trás da expansão da gig economy. Imagem: Fluxo Marginal/ Instagram

As TICs e a intensificação da jornada de trabalho

TIC. Você pode ainda não conhecer essa sigla, mas sabe muito bem o que ela significa. As Tecnologias da Informação e da Comunicação estão presentes em nosso cotidiano na forma de redes, hardwares, aplicativos e plataformas que possibilitam o contato entre pessoas e a troca de informações para os mais diversos fins. Em tempos de distanciamento social, as TICs ganharam ainda mais protagonismo, sobretudo no mundo do trabalho.

Para quem trabalha em home office, internet e ferramentas como Whatsapp, Zoom e Hangouts são indispensáveis. Mas a conexão constante proporcionada por esses recursos, especialmente aqueles disponíveis no celular, pode tornar os limites entre trabalho, afazeres domésticos, vida pessoal e lazer menos definidos. Em um mundo pautado pela avalanche de informações e reações em rede, tudo é urgente, e quando menos se espera, uma demanda de trabalho que em outros tempos seria adiável pode se impor em pleno horário de descanso.

“As TICs intensificam a jornada de trabalho e a expandem para a vida privada, não há mais espaço fora do trabalho. Tudo e todo o tempo é trabalho. Você não descansa. Isso traz danos para a saúde física e mental das pessoas”, comenta Figaro. Além do eventual impacto na privacidade e nas relações familiares do trabalhador, a forma como as tecnologias de comunicação estendem a jornada laboral traz ainda outro problema: fica difícil mensurar e remunerar devidamente o tempo dedicado ao trabalho fora do expediente regular.

Para a professora, essa nova relação com o trabalho e com o tempo representa uma verdadeira mudança cultural, que exigirá disciplina e reorganização por parte dos trabalhadores. “Todos os suportes que permitem a conexão para a comunicação demandam do sujeito uma adequada gestão de si para trabalhar, refazer normas de trabalho que antes eram presenciais. Há uma tensão para o desenvolvimento de novas rotinas para se implementar o trabalho”. Figaro ressalta também como esse contexto exige o desenvolvimento de novas habilidades para o uso das TICs, que impactam especialmente trabalhadores mais velhos e menos escolarizados.

O uso de recursos próprios do trabalhador, como computador, internet e energia elétrica é outra questão a ser considerada. A Consolidação das Leis do Trabalho prevê que esses e outros detalhes relativos ao home office devem ser negociados diretamente entre funcionário e empregador, ficando estabelecidos no contrato de trabalho. Falta, portanto, uma legislação mais específica. A forma com que as TICs utilizam os dados que produzimos ao trabalhar também carece de regulamentação.

O conceito de trabalho do consumidor

Figaro chama atenção para a grande quantidade de dados gerados a cada vez que usamos as TICs. “Tudo que você digita, fala, mostra no seu computador ou celular é um dado.” As várias plataformas que acessamos ao utilizar computadores e celulares recolhem inúmeras informações sobre hábitos de consumo e navegação nas redes. Além disso, é sabido que microfones e câmeras dos nossos dispositivos captam dados do que acontece ao redor. “Esse dado – em sentido figurado – se transforma numa montanha de dados, em uma mina, que será minerado, reorganizado e vendido com diferentes finalidades: desde publicidade até interesses políticos, como vimos recentemente com os casos do Brexit, eleições nos EUA e no Brasil.” Segundo a docente, essa infinidade de dados tem um valor tão grande quanto a falta de transparência sobre seu recolhimento.

Hoje, todos nós produzimos uma imensa quantidade de conteúdos para as gigantes da web, que lucram muito oferecendo pouca coisa em troca. Com um terço da população mundial em isolamento, as perspectivas do GAFAM (acrônimo para o grupo de empresas formado por Google, Amazon, Facebook, Apple e Microsoft) nunca foram tão promissoras. A professora explica: “do trabalhador do Uber, da Amazon, (..) ao consumidor dos serviços online, ao usuário de Facebook etc., todos nós, em escalas diferentes de qualidade de informação, trabalhamos para as plataformas.” Chamado de “trabalho do consumidor” pela professora Ursula Huws, da Universidade Metropolitana de Londres, esse fenômeno evidencia a urgência de medidas para regular a coleta, o processamento e o fornecimento dos dados produzidos com o uso das TICs. Trata-se de mais um desafio para a manutenção de direitos individuais e coletivos em meio a transformações cada vez mais radicais nos conceitos de trabalho, consumo e mercadoria.

Ainda é incerto quanto tempo a pandemia e o distanciamento social devem durar. Também não é possível saber agora quais legados a crise deixará. Não sem um certo ceticismo, Figaro avalia que o atual momento pode ser um ponto de inflexão na forma como vemos nossas relações virtuais, com consequências que podem se estender para o plano concreto, o das relações sociais. “Sem dúvida, este é um momento de virada. Estamos premidos e não temos outra saída. O saldo positivo é o aprendizado. Talvez possamos nos organizar de forma mais solidária para podermos fazer as mudanças progressistas e humanistas de que necessitamos.” Dentre essas mudanças, a docente ressalta, está a superação de narrativas exploratórias (como a do “empreendedor de si”) e a reivindicação do trabalho decente.

Fonte: ECA/USP

Como higienizar os acervos de bibliotecas durante uma pandemia?

Especialistas analisam os mistérios do manuseio de materiais bibliográficos durante o período da Covid-19

Cómo desinfectar los libros de la biblioteca en una pandemia

Qué hacer y cómo desinfectar los libros de la biblioteca

El personal bibliotecario se encuentra en la difícil situación sobre qué hacer y cómo desinfectar los libros de la biblioteca. La respuesta no es fácil, incluso puede que no la haya. Es verdad que a finales del siglo XIX y principios del XX hubo otras situaciones similares, pero lamentablemente no se dejó constancia sobre el procedimiento llevado a cabo más allá de los baños en vapor, la desinfección con formaldehído, o incluso la incineración de los «libros infectados». Ahora bien, la revista American Libraries ha tratado este tema… y ha llegado a la conclusión de que el tiempo es el mejor desinfectante.

Mantener las bibliotecas seguras es importante tanto para los trabajadores como para los usuarios. Pero durante la actual pandemia de COVID-19, las preguntas sobre cómo hacerlo, en particular cuando se trata de materiales y superficies, tienen respuestas complicadas.

En dicho artículo se ha preguntado a varios conservadores y preservadores de colecciones bibliotecarias, los cuales han manifestado que la mejor medida preventiva llevada hasta ahora ha sido el cierre de las bibliotecas. Este tiempo de inactividad en la circulación de los libros hace que cualquier partícula portante de coronavirus (COVID-19) muera y no se propague a nadie. Más teniendo en cuenta que la vida del coronavirus en superficies como el papel o el cartón varía de las veinticuatro horas a los cuatro o cinco días.

Todo el personal que trabaje en el lugar [biblioteca] debe instituir un lavado de manos minucioso, especialmente cuando manipule libros o cualquier objeto compartido en la biblioteca. «No hay estudios que respondan específicamente a la pregunta de cuán transmisible puede ser el coronavirus a partir de los materiales más comunes de la biblioteca, [como] el papel recubierto y no recubierto, la tela de los libros o las fundas de poliéster», dice Jacob Nadal (Director de Conservación de la Library of Congress). «Tenemos que buscar información de alta calidad y evaluarla críticamente para determinar cuán bien se aplica a nuestras preocupaciones particulares».

También hay otros métodos que van más allá de la espera y requieren la acción. Eso sí, métodos que pueden dañar los libros si se hace un uso erróneo de ellos. El menos dañino de entre todos ellos sería la utilización de disolventes de limpieza. Los que más daños pueden ocasionar, sin asegurar que sea eficaz, son los desinfectantes, alcohol o lejía. Y la luz ultravioleta también representa un riesgo potencial para los materiales debido a su alta intensidad. Según comenta la COSTEP MA (Coordinated Statewide Emergency Preparedness) «no es aconsejable utilizar limpiadores líquidos o en aerosol en libros, papeles o impresiones sin encuadernar, o superficies pintadas»

«Vamos a estar cerrados por un período de tiempo, y nuestra ética de servicio constante hará que esto sea doloroso. Mantener los materiales en cuarentena y fuera de circulación será frustrante. [Pero] somos guardianes de una larga historia, y nuestra principal obligación ahora es asegurarnos de que haya un largo futuro para el conocimiento y la creatividad que se nos han encomendado», dice Nadal.

¿Qué hacer con los libros de la biblioteca que están en préstamo?

Ahora bien, no se dice nada sobre los libros que están en posesión de las personas y que una vez pasada esta situación volverán a las bibliotecas. Quizás la mejor medida para evitar la propagación y desinfectar los libros de la biblioteca sea tener en cuarentena durante una semana dichos libros. No es una práctica que se haya tenido en cuenta todavía, pero más vale prevenir. Según comenta el Sistema de Bibliotecas del Condado de Orange (California), «no desinfectamos libros u otros materiales prestados, ya que esta práctica no está actualmente recomendada por los Centros de Control de Enfermedades». Aunque la Biblioteca Estatal de Iowa comenta que «es poco probable que alguien pueda infectarse con COVID-19 al manipular un libro de la biblioteca. Las bibliotecas deben continuar limpiando las cubiertas de los libros de acetato y las cubiertas de los CDs y DVDs».

El Notheast Document Conservation Center (NEDCC) recomienda una cuarentena de 72 horas como la forma más segura y efectiva después de que los libros hayan sido manipulados por el personal de la biblioteca y por las personas usuarias. También comentan que el personal bibliotecario debe utilizar guantes y quitárselos una vez que haya hecho la manipulación de libro. Después de quitarse los guantes, el personal debe lavarse las manos.

El uso de desinfectantes líquidos es perjudicial para los materiales de la biblioteca y los archivos y no se recomienda. Tampoco se recomienda la exposición a rayos UV como medio de esterilización.

Y para finalizar, como bien decían los marcapáginas que las bibliotecas de las Misiones Pedagógicas, «cuando acabes tu trabajo, lávate las manos y coge el libro que has pedido en la Biblioteca».

¿Qué opinan las bibliotecas sobre la desinfección de los libros?

Biblioteca Regional de Murcia

Desde la Biblioteca Regional de Murcia me comentan que unos días antes de la reincorporación de los empleados se hará una desinfección profunda de las instalaciones, depósitos y colecciones en salas públicas. En cuanto a la devolución de esos libros que están en préstamo, dicen que se optará por una cuarentena. Pasado dicho tiempo se revisarán los libros e incluso se tirarán los que estén más viejos.

Biblioteca Nacional de España

Hace un par de días, Arsenio Sánchez Hernampérez, experto del departamento de Preservación y Conservación de Fondos la Biblioteca Nacional de España, me comentó más sobre el tema de desinfectar los libros de la biblioteca. Ahora ha sido publicado su post en el Blog BNE. En él dice que es contrario a la desinfección ya que los productos que son efectivos en superficies duras o para desinfectar plásticos o la ropa son dañinos para el papel o las tintas y podrían causar oxidación e hidrólisis ácida de la celulosa, disolución de tintas de tampón y de las anotaciones en bolígrafo o rotulador, cambios de color en las tintas, etc. Dice que, al utilizar el agua como vehículo, son doblemente inapropiados ya que generan debilitamiento del soporte, deformaciones, y solubilización de los adhesivos de la encuadernación. Por otro lado, la esterilización con radiación UV causaría una fuerte oxidación en los soportes y sólo sería efectiva en las partes expuestas a la radiación, quedando sin desinfección las ocultas, especialmente en la zona de la costura en los libros encuadernados o en el interior de las solapas de las encuadernaciones rústicas modernas. Todas estas zonas son inaccesibles a la radiación UV y podrían retener carga viral durante horas. Por tanto, tampoco es viable su utilización. Termina diciendo que paradójicamente, la desinfección más efectiva sería no hacer nada salvo esperar y mantener los libros en una cuarentena durante 14 días.

«Los libros que han sido utilizados por personas enfermas deberán ser introducidos en una bolsa de plástico con doble autocierre. Se limpiará el exterior de la bolsa con un producto viricida (agua y lejía) con cuidado que la solución limpiadora no penetre al interior. Una vez limpio, se mantendrá en una zona segura durante 14 días. Una vez superada la cuarentena, el libro podrá volver a ser consultado sin riesgo».

Red de Bibliotecas Públicas de Castilla-La Mancha

Óscar Arroyo (Jefe de Servicio de Bibliotecas, Libro y Lectura de Castilla-La Mancha) me comenta que «desde siempre, los temas de higiene y desinfección de documentos no es algo ajeno a ningún bibliotecario que haya gestionado préstamos domiciliarios, pero la situación actual ha puesto este tema en el debate preferente de todas las bibliotecas».

Desde nuestro punto de vista práctico (tenemos en este momento miles de libros en las casas de los usuarios confinados), lo más prudente será establecer un nuevo periodo de cuarentena para los materiales que se vayan devolviendo. Estableceremos un protocolo claro de actuación que dé seguridad en primer lugar a los trabajadores que reciban las devoluciones, mediante la puesta a disposición de los necesarios equipos de autoprotección. En segundo lugar, se habilitarán espacios estancos donde almacenar los fondos devueltos durante el periodo de cuarentena y veremos las opciones de poder aislar aún más cada documento individual mediante el uso de bolsas de plástico desechables. Supongo que en nuestro sistema de gestión de la colección tendremos que crear también, un nuevo estado de los documentos «en cuarentena»…

Imagen superior cortesía de Shutterstock

Fonte: Julián Marquina

Atividades em Bibliotecas: limpeza, higienização e desinfecção

Considerando a necessidade de prevenção de doenças, especial atenção deve ser dada às atividades realizadas em ambientes de trabalho, incluindo as Bibliotecas. Algumas recomendações podem ser úteis. 

PROCEDIMENTOS GERAIS

  • Ao tossir ou espirrar, cubra o nariz e a boca com lenço descartável; descarte o lenço no lixo e lave as mãos; caso apresente sintomas de resfriado, evite contato com outras pessoas, permaneça em casa;
  • Evite aglomerações e ambientes fechados e mantenha distância social de ao menos um metro;
  • Procure manter os ambientes ventilados;
  • Não compartilhe objetos de uso pessoal, como canetas, lápis, copos, celular, etc.;
  • Mantenha as superfícies livres de adornos e os objetos de trabalho limpos;
  • Mantenha a higiene das mãos, rosto e cabelos;
  • Evite levar as mãos à boca e nariz antes de estarem limpas;
  • Antes de manusear objetos de uso compartilhado, lave suas mãos.

LIMPEZA GERAL

De acordo com matéria divulgada recentemente [1] com base em estudo publicado na revista científica “New England Journal of Medicine” [2] o coronavírus responsável pela doença Covid-19 consegue sobreviver até 3 dias em algumas superfícies, como plástico ou aço.

Nesse sentido, segundo a ANVISA [3], as pessoas responsáveis pela limpeza, gerenciamento de resíduos sólidos e efluentes sanitários devem manter os procedimentos operacionais padronizados (POP), incluindo o uso de EPI, descritos, atualizados e acessíveis;

  • Nunca varrer superfícies a seco, pois esse ato favorece a dispersão de microrganismos que são veiculados pelas partículas de pó. Se for necessário, deve ser utilizada a técnica de varredura úmida;
  • Limpar todas as superfícies de trabalho como mesas e balcões diariamente, bem como as superfícies potencialmente contaminadas, tais como cadeiras/ poltronas, corrimãos, maçanetas, apoios de braços, encostos, bandejas, interruptores de luz e ar, controles remotos, paredes adjacentes, portas e janelas, com produtos autorizados para este fim;
  • Não utilizar adornos (anéis, pulseiras, relógios, colares, piercing, brincos) durante a realização dos procedimentos de limpeza;
  • Manter os cabelos presos, barba feita ou aparada e protegida, unhas limpas e aparadas; Os calçados devem ser fechados e impermeáveis; Lembrar que o uso de luvas não substitui a higiene adequada das mãos com água e sabão; O uso de álcool gel 70% é pertinente após higiene adequada das mãos;
  • Friccionar as superfícies com pano embebido com água e detergente neutro ou enzimático, entre outros de igual ou superior eficiência; Após o procedimento de limpeza e desinfecção, nunca tocar desnecessariamente superfícies, equipamentos, utensílios ou materiais (tais como telefones, maçanetas, portas) enquanto estiver com luvas, para evitar a transferência de microrganismos para outros ambientes e pessoas;
  • Utilizar produtos saneantes devidamente regularizados na Anvisa;
  • Utilizar produto de limpeza ou desinfecção compatível com material do equipamento\superfície;
  • Lixeiras: Aplicar um desinfetante de uso geral, deixar agir por 30 minutos e depois enxaguar;
  • Panos de limpeza: a lavagem com sabão em pó e enxague é suficiente para eliminar o vírus dos tecidos, mas a água utilizada em baldes destinada a esse fim deve ser trocada com frequência.

HIGIENIZAÇÃO DE ACERVOS

Segundo Spinelli [4], a higienização refere-se à conservação preventiva dos acervos e “descreve a ação de eliminação das sujidades generalizadas que se encontram sobre os livros e os documentos e a eliminação de seus agentes agressores, […] objetivando, entre outros fatores, a permanência estética e estrutural dos documentos, atuando também como elemento de prevenção à saúde das pessoas envolvidas com estes acervos.” [4]

A higienização deve ser realizada por profissionais especializados, […] “que  devem passar por um treinamento específico quanto aos cuidados ao manusear os documentos, principalmente os mais frágeis que precisam de maiores cuidados e atenção, para que não ocorram riscos de novos danos, como também ter conhecimentos razoáveis para a identificação dos agentes nocivos, o que irá agilizar e facilitar a limpeza.” [4]

DESINFECÇÃO – Orientar os colaboradores a:

  • Utilizar produtos de limpeza compatíveis com as superfícies de trabalho, pisos e equipamentos, de modo a higienizá-los sem danificá-los; na falta de produtos específicos, utilizar solução de limpeza sendo uma(1) parte de água sanitária para nove (9) partes de água.

== REFERÊNCIAS ==

[1] VALADARES, Marcelo. Quanto tempo o coronavírus sobrevive nas superfícies? Estudo aponta que plástico e aço ampliam a sobrevida. G1 Notícias. Bem estar.  19 março 2020. Disponível em: https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/03/19/quanto-tempo-o-coronavirus-sobrevive-nas-superficies-estudo-aponta-que-plastico-e-aco-ampliam-a-sobrevida.ghtml Acesso em: 19 mar. 2020.

[2] VAN DOREMALEN, N. et al. Aerosol and Surface Stability of SARS-CoV-2 as Compared with SARS-CoV-1. The New England Journal of Medicine, Correspondence March 17, 2020. DOI: https://www.nejm.org/doi/10.1056/NEJMc2004973 Disponível em: https://www.nejm.org/doi/pdf/10.1056/NEJMc2004973?articleTools=true

[3] ANVISA. PROCEDIMENTO: LIMPEZA E DESINFECÇÃO DE AMBIENTES, EQUIPAMENTOS, UTENSÍLIOS POTENCIALMENTE CONTAMINADOS, GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS E EFLUENTES SANITÁRIOS. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/documents/219201/5777769/PROCEDIMENTO+01+-+PLD-Residuo-Efluentes-/54d4b6eb-36a9-45d9-ba8b-49c648a5f375 Acesso em: 17 março 2020.

[4] SPINELLI, J. Recomendações para a higienização de acervos bibliográficos & documentais. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, 2010. Disponível em: https://www.bn.gov.br/sites/default/files/documentos/producao/recomendacao/recomendacoes-higienizacao-acervos-bibliograficos//recomendacoes_higienizacao_jaime.pdf Acesso em: 20 março 2020.

Fonte: AGUIA USP