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Biblioterapia

A Literatura Como Remédio

Não há dúvida de que a leitura dos grandes clássicos da literatura universal seja um meio privilegiado para o nosso desenvolvimento intelectual e cultural. Mas e se nos dissessem que, além disso, esta leitura pode nos curar de muitas doenças da alma? Baseado numa experiência desenvolvida originalmente numa escola de medicina, este livro fala sobre um experimento (o Laboratório de Leitura) que, partindo da leitura e discussão coletiva dos clássicos, tem propiciado um poderoso efeito humanizador e terapêutico que vem transformando a vida de muitas pessoas.

Fonte: Martin Claret Editora

Biblioterapia: Udesc mobiliza ação para auxiliar pessoas que estão em casa a enfrentarem o período de quarentena

O projeto “Dito Efeito Literário” divulga vídeos com declamação de poesias, narração de histórias e reflexões

Por Estúdio NSC
Biblioterapia: Udesc mobiliza ação para auxiliar pessoas que estão em casa a enfrentarem o período de quarentena (Foto: Freepik)

Muitas pessoas estão procurando ajuda para enfrentarem a quarentena estimulando a saúde mental, desafiada em tempos de isolamento social. Pensando nesse público, a coordenadoria de Cultura da Pró Reitoria de Extensão Cultura e Comunidade da Udesc está produzindo vídeos curtos com declamação de poesias, narração de histórias e reflexões, para auxiliar nesse momento é que é necessário lidar com mudanças e adversidades.

— É senso comum que o hábito da leitura eleva o desempenho acadêmico, e ele vem sendo estudado como propulsor da criatividade, do desenvolvimento de habilidades afetivas, que se dá na catarse, na projeção e introjeção que a leitura proporciona — diz a bibliotecária Karin Vanelli, que também é psicanalista.

O projeto explora os benefícios da biblioterapia, que é o uso do livro, leitura e literatura como recurso de autocuidado. Os vídeos estão sendo publicados periodicamente no youtube do projeto “Dito Efeito Literário”. Ali são levantadas informações biográficas, históricas e psicossociais, e compartilhadas impressões sensíveis sobre a leitura, por meio das quais o leitor é levado à outros universos.

O material também está sendo veiculado na Rádio Udesc 100.1 FM às segundas, 20h e terças, 23h.

Fonte: NSC Total

BIBLIOTERAPIA USA A LEITURA PARA TRATAR DEPRESSÃO E REDUZIR ESTRESSE E ANSIEDADE

Por Luciane Borrmann

 Praticar a leitura faz bem à imaginação, à memória e aos neurônios.

Um livro, um contador de histórias e um grupo de pessoas. Como isso pode influenciar a vida e a saúde de um indivíduo? Uma história ao ser lida, narrada ou dramatizada pode fazer surgir vários sentidos nas pessoas, estimular emoções, aliviar angústias pessoais, promover a empatia e identificação com os personagens, ver as coisas de outra maneira. As palavras têm o poder de transformação, tem conteúdo e significado, estruturam as nossas ideias e ajudam a desenvolver a nossa história como indivíduo. A leitura produz pensamento, gera oportunidades, aproxima pessoas e dá dignidade ao ser humano.

“A leitura é imprescindível para escrever, para interpretar e ser cidadão, entender o que está acontecendo no seu dia a dia, no universo”, diz Danielle Thiago Ferreira, bibliotecária e diretora técnica de serviços da Biblioteca da Área de Engenharias e Arquitetura da Unicamp. “A leitura traz esse tipo de perspectiva, de a pessoa se entender como cidadão do mundo. É ponto de partida para se compreender como gente e ter consciência do todo.”

Ler é um exercício para o cérebro que estimula novas ligações neurais, as sinapses, e pode ajudar a evitar algumas doenças degenerativas como Alzheimer. Para Danielle, quando se adquire o hábito de ler, independente do que for, da quantidade ou do tamanho do texto, o leitor sai do seu mundo, entra na história, e tudo isso requer mais da imaginação.

Quando a leitura tem a função terapêutica é conhecida como biblioterapia, que é uma forma de contar histórias com o objetivo de mobilizar as atividades dos leitores, ouvintes ou espectadores na tentativa de fazer surgir as emoções e apaziguá-las como uma catarse, além de proporcionar a identificação com as personagens ficcionais e ainda permitir a realização de uma introspecção. Segundo a docente Clarice Fortkamp Caldin, do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), doutora em literatura e autora do livro Biblioterapia – Um cuidado com o ser, a biblioterapia é uma forma de dar atenção ao desenvolvimento do ser mediante a contação de histórias.

A terapia com livros é uma técnica de aconselhamento realizado por um grupo de profissionais – psicólogo, educador, bibliotecário ou assistente social – e é conduzida baseada em comentários de leitura e avaliação dos resultados. A palavra só tem efeito terapêutico quando há seleção de livros e a prescrição é de acordo com as necessidades do ouvinte. Portanto o terapeuta prescreve material específico para dar assistência a uma pessoa, ou um grupo de pessoas, na solução de seu problema específico, além de entender como esse material pode ser impactante. O método biblioterapêutico baseia-se em seis componentes básicos: a catarse, o humor, a identificação, a introjeção, a projeção e a introspecção. Há todo um processo que envolve aspectos da terapia, como ter o primeiro contato e entender o que aplicar e depois como trabalhar o feedback dessa leitura.

Caldin, da UFSC, diz que “esse diálogo é bem proveitoso no sentido de compartilhar sentimentos, tristezas ou alegrias e isso é terapêutico. Sem constranger o público, tenta-se estabelecer uma conversa em que todos se sintam à vontade e exponham suas ideias, seus pontos de vista, fortalecendo a relação de amizade do grupo”. No grupo também é exercitado o acolhimento da diversidade.

Há dois tipos de biblioterapia, as quais Clarice faz questão de distinguir: a clínica e a de desenvolvimento. A biblioterapia clínica se preocupa com a doença e é aplicada por psicólogos. O público que recebe esse cuidado é bem variado: crianças de creche, de idade escolar, de casas de passagem, jovens, adultos, idosos. Os locais também são variados como hospitais, unidades escolares, asilos, empresas, condomínios, prisões, bibliotecas etc.

Já a biblioterapia de desenvolvimento busca aliviar angústias pessoais, estimular emoções, promover o diálogo. Assim, não se fala em pacientes. É aplicada por bibliotecários, professores e procura integrar e harmonizar as dimensões sensoriais, afetivas e sociais do ser humano.  O cuidado do aplicador dessa modalidade de biblioterapia se manifesta na criação de um ambiente caloroso, de respeito às individualidades e sentimentos e na procura do restabelecimento do conforto psico-físico-social de todos e de cada um individualmente. É muito importante o diálogo após a história como meio de combater o desânimo e aumentar a autoestima das pessoas.

Geralmente a terapia com livros é realizada em grupos, mas também é muito comum a biblioterapia solitária, quando o leitor elege determinado livro como uma ajuda para lidar com seus problemas, para encontrar uma solução para eles, de forma inconsciente ou não.

A literatura possui a capacidade de funcionar como terapia mas não se pode dizer que todo livro é terapêutico. A leitura, a narração e a dramatização de um texto literário possuem desdobramentos terapêuticos que atuam no receptor de maneiras diversas, dependendo do momento, das circunstâncias e dos problemas que esse receptor está vivenciando. Por isso Caldin enfatiza que não é seguro organizar uma lista pronta de livros que se aplique a todos. Uma história que permite elaborar de maneira positiva eventos traumáticos para uma pessoa pode não ter esse mesmo efeito em outra pessoa.

Qualquer ato impensado, palavras duras, preconceitos, podem provocar ou instigar a violência, intolerância e depressão. A literatura não fica imune a isso. Por esse motivo, quando a biblioterapia é aplicada em grupo, o ideal é selecionar textos leves como crônicas, em que o humor predomina.

É bom ressaltar que livros de autoajuda não são literários, portanto não são recomendados na biblioterapia. E a terapia com livro não exclui medicamentos e terapias convencionais.

A contação
Os livros são aplicados para diferentes situações e faixas etárias.  Há certos livros que cativam por suas histórias de ficção, romances, contos, poesias e que tocam profundamente. “A literatura tem esse poder de encantar, de seduzir pela palavra, pelo enredo, pelo desfecho, pela conduta das personagens. A metáfora presente na efabulação permite interpretações diversas, o que é terapêutico, pois lemos na história o que gostaríamos que tivesse acontecido de fato” afirma Caldin. “Cada leitura é uma releitura, uma retomada – por esse motivo cada vez que lemos a mesma história vemos coisas diferentes nela e sentimos coisas diferentes também, dependendo de nossas expectativas ou lembranças.”

Elaine Villalba de Moraes, psicanalista e biblioterapeuta, trabalhou durante sete anos como voluntária de uma ONG contando histórias em hospitais. Atualmente também forma contadores. Para ela, o papel de um contador de história, de um mediador é ficar atento para que as pessoas continuem a extrair o que realmente aquela história está querendo dizer. “Quando a história é montada em cima de fantasia, conto de fadas, ficção, fábulas, não fica velha nunca. Ela guarda uma essência que é válida para sempre.”

Luciane Borrmann é jornalista e cursa especialização em jornalismo científico do Labjor/Unicamp

Fonte: Comciência

O poder terapêutico dos contos

Grupo formado por 24 especialistas lança livro sobre o valor educativo das narrativas

Por ANA ELIZABETH DINIZ

Engana-se quem pensa que as fábulas, os contos e as histórias são narrativas infantis, dotadas apenas de intenção lúdica. Há muita força nesse universo capaz de auxiliar no desenvolvimento e em descobertas transformadoras.

Um exemplo é o da consultora Ludmila Leite, que rompeu uma relação abusiva ao se lembrar de um conto indiano. “Nele, Buda caminha com seus discípulos quando surge um sujeito destemperado à sua frente, gritando impropérios. Buda nada faz, escuta tudo calmamente. Desconcertado pela não reação de Buda, o homem atormentado vai embora. Assim eu fiz. Num episódio de agressão verbal, virei as costas e fui embora”, relata Ludmila.

Trabalhando efetivamente com a força dos contos em abordagens terapêuticas e educativas, um grupo de 24 especialistas vai lançar o livro “Contos que Curam” (ver agenda), que tem coordenação editorial de Claudine Bernardes e Flávia Gama e trata de temas relevantes, como: autoaceitação, resiliência, gratidão, ressignificação, amor, entre outros.

Segundo Flávia Gama, empreendedora, pesquisadora e especialista em storytelling, por trás da aparente simplicidade dos contos, muitas vezes desprezados pelos adultos, há assuntos complexos e negações que são impostas pela nossa cultura.

“No conforto de uma história há uma permissão para viver suas angústias e encarar suas dificuldades a partir de um lugar seguro. A narrativa não é sobre quem está lendo (diretamente), é sobre o personagem, então ele pode se permitir experimentar todos aqueles sentimentos conflitantes e que trazem desconforto. E ele faz isso porque é uma história”, analisa Flávia.

Os símbolos presentes nos contos de fadas, diz ela, são carregados de poderosas metáforas sobre questões profundas que, muitas vezes, crianças e adultos não conseguem identificar e nomear.

“Percebe-se ali algo que incomoda, mas, quando o indivíduo mergulha na história, ele consegue identificar. Quando a pessoa escuta ou lê um conto ou uma história, ela se conecta mais fácil e profundamente com a história”, comenta Flávia.

Ao se conectar com os elementos simbólicos da narrativa, diz Flávia, “ela consegue atingir um grau de empatia, acaba se colocando no lugar do outro e identifica o que está sentindo. Quando o personagem sente raiva, medo, inveja, não sou eu, é o personagem, mas começo a reconhecer esse sentimento também em mim”, diz a pesquisadora.

Um elemento sempre presente nos contos de fadas é o final feliz. “Isso é muito importante, principalmente para as crianças, porque traz esperança e as incentiva a buscar novos caminhos para conquistar seu próprio final feliz. Quando identifico no personagem o que ele pensa, sente e como se supera naquela história, encontro minhas próprias respostas, começo a me organizar internamente, a nomear minhas emoções e posso criar um novo final para minha própria história”, propõe a pesquisadora.

Quando idealizou esse projeto, Flávia pretendia que ele fosse um instrumento de desenvolvimento humano, de cura para sentimentos e emoções e um caminho de educação emocional.

“Quando as pessoas descobrem seu poder de criar os próprios finais felizes, de ressignificar suas histórias de dor, reescrever os capítulos da própria vida numa versão mais encantada e leve, elas encontram a cura para suas almas”, finaliza.

O ser humano é muito simbólico

Claudine Bernardes vive há 15 anos na Espanha, onde trabalha como professora de técnicas narrativas e contoexpressão, na Escuela de Terapia Psicoexpresiva Humanista del Instituto Iase. Essa trajetória só foi possível depois que passou a usar os contos para se comunicar melhor com seu filho que tem Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

“Sentia-me agoniada por não exercer a maternidade de forma efetiva. Até que, durante uma contação de história, percebi que consegui me comunicar com meu filho e que ele assimilou a mensagem mais facilmente”, relembra Claudine.

A educadora diz que trabalha com os contos sempre com a intenção de se comunicar com o interior da outra pessoa, com seus símbolos e provocar nela uma mudança, desde que ela deseje e que seja benéfica.

“Utilizamos os símbolos do inconsciente pessoal e coletivo e as metáforas, que são uma forma de nos comunicarmos com a outra pessoa a partir do que ela já conhece da vida. Os contos terapêuticos são construídos com essa função de comunicar-se com a outra pessoa, de convidá-la a iniciar uma jornada de mudança”, revela Claudine.

O conto se comunica com a outra pessoa na medida em que ela necessita mudar. “Cada conto será interpretado de forma diferente por cada pessoa, de acordo com sua experiência de vida. Isso porque o ser humano é altamente simbólico”, observa a educadora.

Dramas do protagonista incitam mudanças em quem escuta

A proposta do livro “Contos que Curam” é extrapolar a história. “Queremos ajudar os profissionais que trabalham com o desenvolvimento humano a explorar as emoções e as percepções, tanto pelo método socrático quanto pelas dinâmicas que propomos em cada capítulo do livro, que traz histórias poderosas capazes de despertar tudo isso. Após cada conto apresentado, há uma oficina proposta para educadores, psicólogos e contadores de histórias”, comenta Flávia Gama.

Para Claudine Bernardes, a ideia do livro é compartilhar o conhecimento de forma didática e ajudar as pessoas em seu crescimento pessoal e simbólico.

“A sociedade atual está cada vez mais racional e rasa simbolicamente, e isso é um problema, pois impossibilita nosso crescimento como seres humanos. Ao vivenciar os dramas do protagonista do conto, a pessoa identifica-se com suas lutas e dificuldades e faz a jornada do herói. O processo de crescimento e amadurecimento traz um conhecimento que leva a uma mudança de conduta”, finaliza.

Estímulo

Função. O conto é mágico ao estimular a imaginação; ético ao transmitir ensinamentos morais; e espiritual ao promoverem a compreensão de verdades metafísicas.

Agenda

O lançamento do livro “Contos que Curam” será nesta quarta (20), dia 20, às 19h30, no Ateliê Ananda Sette, na rua Conde de Linhares, 1.051, bairro Luxemburgo. Entrada gratuita. Informações: (31) 98571-8801.

Lançamento

  • “Contos que Curam”
  • Coordenação editorial de Claudine Bernardes e Flávia Gama
  • Literare Books International
  • 216 páginas, R$ 49,90

Fonte: O TEMPO

Pediatra cria gibi para acalmar crianças antes de cirurgias em hospital de Jundiaí

Por Marília Moraes*, G1 Sorocaba e Jundiaí

Gibi foi criado para acalmar pacientes em hospital de Jundiaí — Foto: Tribuna de Jundiaí/Divulgação

Gibi foi criado para acalmar pacientes em hospital de Jundiaí — Foto: Tribuna de Jundiaí/Divulgação

Com o objetivo de instruir as famílias e amenizar a ansiedade de crianças prestes a passar por cirurgias, o especialista em cirurgia pediátrica Márcio Lopes Miranda criou um gibi lúdico e informativo para pacientes de Jundiaí (SP).

O médico conta que a ideia surgiu a partir da necessidade de conversar com os familiares e a criança através de um contato mais humano, desconstruindo os termos médicos.

“Uma cirurgia traz ansiedade e nervosismo às pessoas próximas e, de forma lúdica, buscamos explicar detalhadamente todos os passos do procedimento para tranquilizar”, explica.

Pediatra cria gibi ilustrativo para acalmar crianças antes de cirurgia em Jundiaí — Foto: Márcio Lopes Miranda/Arquivo Pessoal

Pediatra cria gibi ilustrativo para acalmar crianças antes de cirurgia em Jundiaí — Foto: Márcio Lopes Miranda/Arquivo Pessoal

Distribuído gratuitamente em hospitais públicos e privados, o gibi “Gol de Placa!” conta a história de Luke, uma criança prestes a passar por uma cirurgia de hérnia inguinal. Todo o processo que envolve o procedimento é ilustrado no decorrer do livro.

“Escolhemos mostrar o procedimento da hérnia inguinal pela alta incidência em ambos os sexos, servindo como exemplo de uma cirurgia ambulatorial, ou seja, um procedimento de pequeno porte cirúrgico.”

Para o projeto sair do papel, o médico contou com a ajuda voluntária de pais de crianças beneficiadas pelo gibi. “O pai de um paciente é artista gráfico e a mãe de um outro paciente é escritora de livros infantis. Eles se interessaram em fazer o projeto ganhar vida”, conta.

Ilustração do gibi foi feita pelo pai de uma criança operada pelo médico recentemente — Foto: Reprodução/D7 Editora

Ilustração do gibi foi feita pelo pai de uma criança operada pelo médico recentemente — Foto: Reprodução/D7 Editora

Além do diálogo fácil e das ilustrações coloridas, o médico conta que falar a linguagem da criança é fundamental.

“Procuramos contar para uma criança a história de outra criança, desconstruindo a linguagem médica. O paciente, pais, avós, tias e familiares também se sentem mais acolhidos e tranquilizados”, explica.

“Procuramos desconstruir os termos médicos e falar a linguagem da criança. Às vezes, os profissionais não conseguem dar a devida explicação detalhada necessária para o paciente e os responsáveis sobre o procedimento. O gibi veio para nos ajudar neste aspecto.”

O resultado do projeto pode ser percebido pelo médico e pela equipe logo no retorno do paciente ao consultório.

“Eles trazem o gibi de volta e mostram quais partes aconteceram com eles e também com o Luke [personagem]. Também relatam que levaram até à escola e mostraram aos amigos e professores. Ficamos muito felizes”, comenta.

Nova edição

O retorno que o cirurgião pediátrico teve com o projeto foi tão grande que a segunda edição do gibi já está pronta, com previsão de lançamento para o dia 10 de agosto.

“Ficamos tão satisfeitos com a primeira edição que já produzimos a segunda. Nesta, contamos a história de Belinha, uma menina portadora da doença mielomeningocele, uma má formação congênita na coluna vertebral”, explica.

Segundo o médico, o projeto não tem fins lucrativos e, enquanto houver dúvidas, as edições dos gibis continuarão.

“Não vendemos e, sim, oferecemos para a população. Todos os serviços públicos e privados aprovaram o projeto. O mais importante foi a aceitação familiar, independente da cultura ou classe social”, completa.

*Colaborou sob supervisão de Ana Paula Yabiku.

Biblioterapia: como é que os livros curam?

A ideia – de que os livros podem ajudar a ultrapassar os mais diversos problemas – é simples e vem das civilizações clássicas. César Ferreira e Sandra Barão Nobre são biblioterapeutas.

Nos últimos meses, César Ferreira, o biblioterapeuta com espaço de atendimento na Lx Factory em Lisboa, já recebeu desde crianças com dificuldades de leitura e dislexia a pessoas a lidar com o luto. No Porto, Sandra Barão Nobre lançou o próprio “consultório” há um ano. A actividade, que hoje já se estabeleceu em países como o Reino Unido e começa a ganhar adeptos em Portugal, é bem menos esotérica do que possa parecer. Na acepção mais simples, define-se — segundo a Infopédia — como o “tratamento de doenças através da leitura de livros”. Na verdade, provavelmente já todos o fizemos de uma forma ou de outra, ao recomendar um livro a alguém, aponta Sandra Barão Nobre.

Aliás, o aproveitamento da leitura para fins terapêuticos vem do tempo dos gregos e dos romanos. Ao longo da história, há relatos de médicos que utilizavam passagens da Bíblia para ajudar à cura e, ao longo do século XX, começaram a surgir os primeiros estudos nesta área. Um dos grandes impulsionadores da prática foi o filósofo Alain de Botton, que em conjunto com outros colegas, fundou, em 2008, The School of Life — uma organização dedicada à “inteligência emocional”, que oferece aulas e diferentes tipos de terapia. Num dos vídeos do YouTube, que soma mais de 2,6 milhões de seguidores, é explicado em menos de cinco minutos por que é que a literatura é importante para o ser humano: “Dá-nos um leque de emoções e eventos que levaríamos anos, décadas, milénios, para sentir directamente.” Ou seja, é um “simulador de realidade” que nos permite de forma segura sentir na pele, por exemplo, como é passar por um divórcio, matar alguém e ter remorso e abandonar o emprego para fazer uma viagem à volta do mundo.

É no The Therapist, recentemente aberto no Lx Factory, que César Ferreira pratica a biblioterapia. O espaço alberga outros tipos de terapias alternativas como a medicina chinesa e a aiurvédica. “Neste caso estamos a trabalhar o propósito da vida”, explica ao PÚBLICO, no início da consulta com Emília. Na primeira sessão, a cliente vinha à procura de algo sem saber ao certo o quê. “Tenho uma doença que, pela lógica, vai limitar-me o meu futuro. E qualquer pessoa procura o futuro”, desabafa.

Alquimista, de Paulo Coelho, e Mude a Sua Vida em 7 Dias, de Paul McKenna são alguns dos livros que já lhe foram recomendados. Hoje tem toda a certeza que quer mudar de profissão e fazer do hobby do restauro a sua actividade principal, mas aquilo que ainda a está a travar é a “questão financeira”. Ao longo da sessão, César vai explorando vários aspectos, colocando perguntas como “Achas que, se tivesses essa parte [financeira] segura, avançavas imediatamente?” e “Quanto tempo podes dedicar ao restauro por dia?”. Actua quase como um profissional de coaching.

Pessoas que lêem muito

Não há propriamente um curso que consiga por si só formar um biblioterapeuta. “Para se ser um bom biblioterapeuta tem de se ter, acima de tudo, competência ao nível da análise humana”, explica César Ferreira, licenciado em Filosofia e mestre em Ciências da Informação e da Comunicação. Depois, evidentemente, há que ler muito e ter interesse em literatura, continua. Antes de ter mudado de vida — o que agora está a ajudar Emília a fazer — era bibliotecário. Também já fez várias formações na área do comportamento humano e defende que “nunca iria ser um bom biblioterapeuta”, se se focasse só numa área. “A formação mais valiosa que tenho é aquilo que sempre fui durante a minha vida.”

Já Sandra Barão Nobre tornou-se bibioterapeuta por conta própria, em Maio de 2016. Antes de abandonar definitivamente o emprego de “livreira online” na Wook, da Porto Editora, fez as malas e viajou durante seis meses, por 14 países — e deu início a um projecto paralelo, que resultou no livro Volta ao Mundo com os Leitores, um livro que actualmente está nos tops das livrarias. Quando regressou a Portugal, percebeu que “não conseguia continuar a trabalhar como antes”. Então, tirou o certificado de coaching practitioner — a sua educação formal é em Relações Internacionais — e fez um curso de biblioterapia para a infância e juventude na Universidade do Porto. Os biblioterapeutas devem ser “pessoas empáticas que leiam muito”, defende.

A biblioterapeuta diz que, regra geral, “as pessoas chegam com assuntos muito concretos” para resolver e, em grande parte dos casos, estão ligados aos relacionamentos. Na primeira sessão, procura “conhecer a pessoa o melhor possível”: o que a levou a procurar a biblioterapia, quais são os seus objectivos, o que é que acha que a biblioterapia pode fazer naquele momento e quais os hábitos de leitura. A partir daí, prepara um relatório fundamentado com cerca de dez livros. Nas sessões seguintes, à medida que vão avançando na lista, a conversa gira à volta da leitura e do que esta suscitou. Em média, diz, cada pessoa demora entre duas a três sessões a atingir os seus objectivos.

Num dos casos mais peculiares, Sandra recebeu uma cliente que precisava de ajuda para desenvolver novos interesses literários. Já tinha lido muitos livros, inclusive de diferentes géneros, mas estava saturada e não conseguia perceber porquê. No final, a biblioterapeuta recomendou que explorasse literatura além das fronteiras da Europa e América.

Sandra Barão Nobre prefere recomendar livros de ficção. “O trabalho interior que é feito é muito mais intenso e profundo quando se lê um bom livro de ficção. Acredito sobretudo no poder transformador da ficção pelo papel da metáfora”, explica. Dentro da não-ficção, recomenda por vezes livros de desenvolvimento pessoal, mas evita a auto-ajuda. “Não tenho preconceito nenhum [em relação à auto-ajuda], mas é muito óbvia. Isso qualquer leitor, quando acha que precisa de ajuda, vai a uma livraria procurar.” César Ferreira concorda: “A ideia é a pessoa viver a história, mas que, no final, não acabe ali.” Um dos processos importantes da biblioterapia, continua, “é a pessoa passar os seus desafios para a personagem e conseguir perceber como a personagem os resolve”.

Durante as consultas, é preciso saber orientar os clientes. O biblioterapeuta diz que é importante ter confiança no caminho: “É uma das coisas que procuram em nós.” Além do mais, continua, “a partir do momento em que se faz um bom diagnóstico, tem-se o caminho muito facilitado”. Assim foi durante a tarde de sexta-feira. No final da consulta Emília já falava noutro tom: “Se calhar é uma questão emocional e eu estava a desculpar-me com a questão financeira. Durante a infância [a segurança financeira] foi algo que sempre me foi transmitido.”

Emília saiu do consultório com mais dois livros para ler: O Peregrino, de Luís Ferreira, e A Única Coisa, de Jay Papasan e Gary Keller. O primeiro “é um livro de acção”, sobre o Caminho de Santiago — que Emília sonha percorrer até à Galiza — e o segundo deverá ajudá-la a concentrar-se no restauro, tomando os passos necessários para que se torne na sua actividade principal. Neste caso concreto, o terapeuta recomendou que desse especial atenção a um capítulo de perguntas.

Vários tipos de consulta

Além das sessões individuais de acompanhamento de 90 minutos (60 euros), César recebe grupos — nomeadamente famílias, cujos filhos estão a ter alguma dificuldade com a leitura — e faz sessões de leitura em voz alta com massagem. Também na Lx Factory lecciona aulas de speed reading (leitura rápida). O espaço lisboeta vai receber em breve um segundo biblioterapeuta, revela Joana Teixeira, dona do The Therapist. Este vai complementar a área com uma componente de cineterapia, que envolve filmes e séries. Para Outubro, está previsto um workshop de biblioterapia.

Sandra Barão Nobre está a desenvolver a biblioperapia corporativa. A ideia — que já experimentou durante algum tempo numa start up — é “trabalhar com pequenos grupos, colocando toda a gente focada numa determinada obra ou conjunto de obras, em prol de um objectivo comum”.

Na biblioterapia clínica trabalha em conjunto com médicos. No Centro Hospitalar do Porto, onde é voluntária, vai uma vez por semana ler a uma unidade do Hospital de Santo António. “Aí lido com uma equipa que acredita profundamente nos benefícios da leitura em voz alta às pessoas que estão internadas”, conta. Por vezes, chega a coordenar esforços com os profissionais, para que lhe dêem informação sobre o perfil dos doentes, faixa etária e hábitos de leitura — assim consegue fazer escolhas mais personalizadas.

A biblioterapia não substitui — nem o pretende fazer — outros tipos de terapia, como a psicologia ou a psiquiatria. Sandra Barão Nobre diz que por vezes recebe pessoas que estão a ter um tipo de acompanhamento médico e que a procuram, de forma complementar. Apesar de nunca ter acontecido, garante que está atenta a possíveis sinais que sugiram que alguém tenha necessidade de acompanhamento médico especializado.

Sandra prefere não chamar à biblioterapia ciência, pois “a ciência implica que os resultados da metodologia aplicada sejam sempre os mesmos”. Ora, “um livro será sempre diferente nas mãos de cada leitor”.

Fonte: PÚBLICO

Projeto estimula leitura em crianças e jovens de hospital da UFF

Projeto para estímulo da leitura no HUAP
Assessoria de Imprensa Universidade Federal Fluminense

Ideia que começou em 2017 expande-se e conquista pais e pacientes

Por Alana Gandra

O relato positivo das equipes médicas dos setores de psiquiatria e neurologia pediátricas garantiu a continuidade do projeto de estímulo à leitura para crianças e jovens que aguardam atendimento no Hospital Universitário Antonio Pedro (Huap), da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (RJ).O projeto foi iniciado em 2017 pela psiquiatra Valéria Pagnin, chefe do Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental do Huap e coordenadora da iniciativa, e sua parceira, a pedagoga e técnica em assuntos educacionais Lílian Silva. As duas começaram a ideia sem associação a nenhuma pesquisa.“É um projeto de extensão, de estímulo à leitura. O que a gente colheu de dados informalmente, com os médicos, é que as crianças entram para as consultas mais tranquilas”, explica Lílian. Ela acrescenta que as crianças e jovens ficam mais tranquilos e mais motivados: “Está dando supercerto. A gente está muito feliz com o projeto.”

Segundo Valéria, a leitura é uma maneira de a pessoa ver e interpretar o mundo em que vive. “E essa leitura precisa ultrapassar os limites da visão física e auditiva para ocupar também a ótica da fantasia”, ressalta.

Doações

Com base no interesse das crianças e adolescentes, muitos pais, mães e responsáveis pelos pacientes também começaram a ler os livros. Eles sentam-se nas cadeiras de leitura, pegam os livros e levam para casa. Uma das maiores preocupações de Valéria e Lílian é como poderão continuar alimentando as estantes. Elas não propõem uma biblioteca, em que a pessoa pega um livro emprestado e devolve. “A proposta é que o livro siga em frente. Por isso estou sempre agoniada, procurando mais doações”, declara Lílian.

Segundo a pedagoga, as bibliotecas populares municipais Cora Coralina e Anísio Teixeira, de Niterói, ajudam o projeto com doações de livros. “O projeto só sobrevive com a doação de livros”, afirma.

Projeto para estímulo da leitura no HUAP
Projeto depende de doações de livros para manter-se  – Assessoria de Imprensa Universidade Federal Fluminense
Levantamento

Até o fim do ano, será levantado o número de crianças e adolescentes beneficiados até agora pelo projeto. A iniciativa estendeu-se para os funcionários do hospital e as pessoas que fazem exames médicos. “O projeto acabou encantando outras pessoas”.

Também professora da rede municipal de ensino de Niterói, Lílian Silva revelou que, das 92 escolas municipais da cidade, só cinco têm bibliotecas escolares, apesar de a Lei 12.244/2010determinar que todas as escolas devem ter uma biblioteca. Segundo Lílian, as bibliotecas populares acabam dando um suporte necessário para atender a alunos e professores, além de oferecerem contação de histórias e várias atividades ligadas aos livros.

Voluntários

O projeto de estímulo à leitura da UFF está aberto à participação de voluntários para ler a crianças e para doações de livros. “Uma pessoa que goste de ler vai encantar a criança também”. As doações podem ser encaminhadas para o Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental do Huap, no terceiro andar do prédio anexo do hospital. Segundo Lílian, muitos levam os livros para casa e retornam com outras obras, que colocam diretamente na estante: “Acho maravilhoso esse movimento”.

Os professores do ensino fundamental, vinculados à Rede Municipal de Ensino de Niterói, também são convidados a participar do projeto como ledores e contadores de histórias. Alunos do curso de medicina manifestaram interesse em participar, o que poderá ocorrer a partir do próximo semestre, como atividade extracurricular.

Valéria e Lílian querem acrescentar mais estantes ao projeto, mais livros e uma cobertura maior na recepção do hospital, onde pacientes da oncologia e ginecologia, entre outras especialidades, aguardam atendimento. “A gente quer encantar os adultos também com a leitura”, diz Lílian. Para isso, elas precisam de doações de estantes e de livros. A Associação dos Colaboradores do Huap é outro apoiador importante do projeto, doando mesas, cadeiras, livros e brinquedos para os pacientes crianças e jovens.

Edição: Wellton Máximo

Unesp: Projeto leva leitura a pacientes internados em Botucatu

Iniciativa denominada ‘Biblioteca sobre Rodas’ conta com a participação de estudantes de quatro cursos da área da Saúde

Do Portal do Governo

O projeto “Biblioteca sobre Rodas” torna o período de internação no Hospital das Clínicas (HC) de Botucatu, no interior do Estado, mais leve por meio da leitura. A iniciativa é conduzida por alunos de diversos cursos da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que se dedicam a tornar esse processo menos traumático para os pacientes.A leitura e uma boa dose de atenção são utilizadas pelos estudantes no HC. A visita dos alunos faz parte do projeto de extensão, por meio da arrecadação dos materiais impressos (revistas, livros e gibis, por exemplo) distribuídos nas enfermarias.

A ação, que já completou doze anos, é ligada à Faculdade de Medicina da Unesp, do campus de Botucatu. Duas vezes por semana, os integrantes do projeto percorrem os corredores do HC com exemplares e estão disponíveis ao diálogo para amenizar as dificuldades do ambiente hospitalar.

“Os pacientes, em geral, durante o período de internação, estão fragilizados e inseguros. Há uma série de sentimentos negativos. Então, a presença da juventude que chega com um sorriso traz um acolhimento e uma humanização para o momento da assistência”, explica à TV Unesp Adriana do Valle, professora da universidade.

Laços

A possibilidade de criar laços com a comunidade atrai universitários de quatro cursos da área da Saúde. Com isso, 89 alunos de todos os anos se revezam nas visitas. “Eu realmente tinha a ideia de que não dava para ficar conversando com o paciente. Entramos no curso pensando nisso. Ajuda bastante nos voltarmos para a pessoa e não para a doença que ela tem”, afirma a estudante de Medicina Aline Campos à TV Unesp.

Internado no Hospital das Clínicas de Botucatu, Armelindo dos Santos escolheu uma história em quadrinhos para acompanhar durante o período de tratamento. A atenção que recebeu dos alunos levou força para conseguir a alta hospitalar. “Gostei muito de eles terem vindo aqui. Tudo ajuda. É um divertimento”, ressalta à TV Unesp o paciente.

Inês da Silva, acompanhante de Armelindo, também aprova a iniciativa do projeto de extensão. “Temos que ficar aqui e há poucas pessoas para conversarmos. A iniciativa ajuda bastante na recuperação”, salienta à TV Unesp.

“Trata-se de uma recordação positiva daquele momento negativo da vida do indivíduo. Ele poderá sorrir ao se lembrar de um período vivenciado no hospital, que foi um carinho e um afeto. Acho que isso é positivo”, completa a docente Adriana do Valle.

Fonte: Portal do Governo

Literatura como tratamento – Moacyr Scliar

  

Moacyr Scliar- foto: Genaro Joner / Agência RBS
Literatura serve para muitas coisas. Serve para informar, serve para divertir — e serve também para curar ou, ao menos, para minorar o sofrimento das pessoas. Duvidam? Pois então fiquem sabendo que desde 1981 existe nos Estados Unidos uma Associação Nacional para a Terapia pela Poesia, cuja finalidade é o uso da literatura para o desenvolvimento pessoal e o tratamento de situações patológicas. A associação edita o Journal for Poetry Therapy, realiza cursos e confere o título de especialista em biblioterapia. O biblioterapeuta trabalha em hospitais, instituições psiquiátricas e geriátricas, prisões. O método é relativamente simples: ele seleciona um poema, um conto, um trecho de romance que é lido para a pessoa. A resposta emocional desta é então discutida.

E respostas emocionais a textos podem ser muito intensas. Exemplo eloquente é Werther, de Goethe, cujo jovem personagem se suicida. A publicação da obra suscitou uma onda de suicídios por toda a Europa, coisa que até hoje é evocada quando se discute a veiculação de notícias similares pela mídia. O mecanismo básico que aí funciona é o da identificação, algo que começa muito cedo. Bruno Bettelheim mostrou que os contos de fadas exercem um papel importante na formação do psiquismo infantil, não apenas fornecendo modelos com os quais a criança pode se identificar, como também provendo uma válvula de escape para as tensões emocionais. Na adolescência, os modelos passam a ser outros. E houve época em que os jovens aprendiam a fazer sexo com a literatura conhecida como pornográfica (lembrança pessoal: jovens do Colégio Júlio de Castilhos devorando as páginas suspeitosamente amareladas de um velho livro cujo título não recordo, mas que falava na “grutinha do prazer”). E, no século xix, eram os grandes romances — aqueles de Balzac, por exemplo — que ensinavam as pessoas a viver. Esse papel foi assumido pelo cinema e pela tv, mas a proliferação das obras de autoajuda mostra que as pessoas continuam acreditando em livros como guias para a saúde e para a cura.

Por último, mas não menos interessante, a literatura é importante como fator de estabilidade emocional para os próprios escritores. A associação entre talento e distúrbio psíquico é antiga. Aristóteles já observava que o gênio com frequência é melancólico. Shakespeare dizia que se associam na imaginação o lunático, o poeta e o amante, o que tem contrapartida no dito popular: “De poeta e de louco todos nós temos um pouco”. Kay Redfield Jamison, professora de psiquiatria na Universidade Johns Hopkins, estudou a vida de numerosos poetas e escritores, concluindo que há “uma convincente associação, para não dizer real superposição”, entre temperamento artístico e distúrbio emocional ou mental (doença bipolar, no caso). Nessas condições, escrever pode ser uma forma de descarregar a angústia e de colocar (ao menos no papel) ordem no caos do mundo interno. Porque a palavra é um instrumento terapêutico, é o grande instrumento da psicanálise. E a palavra escrita tem a respeitabilidade, a aura mística que cerca textos fundadores de nossa cultura, como é o caso da Bíblia. Kafka dizia que era um absurdo trocar a vida pela escrita. Mas ele também reconhecia que sua própria vida era absurda e, nesse sentido, estava optando por uma alternativa com potencial para redimi-lo.

Não precisamos chegar ao extremo de um Kafka. Toda pessoa se beneficiará do ato de ler e de escrever. É terapia, sim, e é terapia prazerosa, acessível a todos. O que, em nosso tempo, não é pouca coisa.

[31/5/2003]

— Moacyr Scliar, no livro “Território da emoção: crônicas de medicina e saúde”. [organização e prefácio de Regina Zilberman]. São Paulo: Companhia das Letras, 2013

Saiba mais sobre Moacyr Scliar: Moacyr Scliar – uma vida entre a medicina e a literatura

Fonte: Revista Prosa Verso e Arte

Poesia vira terapia para Alzheimer na terra de Shakespeare

Stratford upon Avon (Reino Unido) – Uma adolescente começa a ler um poema de Rudyard Kipling, rompendo o silêncio em uma sala cheia de idosos: “se puder manter a calma/quando todos à tua volta já a perderam”, quando um deles, doente de Alzheimer, completa com um murmúrio: “você será um homem, meu filho!”.

Para combater a perda de memória que afeta 800 mil pessoas no Reino Unido, instituições especializadas e hospitais estão recorrendo à poesia.

A melodia e o ritmo de versos conhecidos consegue bater na porta da memória, servem de “detonador que ativa” a palavra e as lembranças, explicou Jill Fraser. A associação “Kissing it Better”, que ela dirige, organiza leituras em asilos para idosos.

Quando os pacientes “escutam uma palavra que conseguem lembrar de um poema, eles ganham o dia”, contou Elaine Gibbs, diretora do lar para idosos Hylands, que abriga 19 velhinhos em Stratford upon Avon, terra natal de William Shakespeare, região central da Inglaterra.

Com os cabelos grisalhos presos e vestido florido, Miriam Cowley ouve com atenção uma jovem que lê o poema “À Margarida”, de William Wordsworth, um clássico nas escolas britânicas.

“Sabia o poema, mas tinha esquecido. Aprendi quando era menina”, lembrou esta antiga professora, que sofre com a perda de memória recente. “Terei belos sonhos, sonhos tranquilizadores, de margaridas e árvores”, comemorou.

Quando se chega a este centro, “todo mundo está sentado em seu canto e, de repente, você começa a ler um poema em voz alta e vê como o olhar deles se ilumina”, explicou Hannah Ciotkowski, uma voluntária de 15 anos.

“É maravilhoso quando se juntam a você para terminar um verso”, continuou Anita Wright, de 81 anos, ex-atriz da respeitada companhia Royal Shakespeare (RSC), que também lê neste lar e integra o projeto “Kissing it Better”, que conta com voluntários de 6 a 81 anos.

O ritmo da poesia “cola no nosso eu mais profundo”, assegurou Lyn Darnley, que chefia o departamento de voz e texto da RSC.

“A poesia pode afetar, recuperar lembranças, não só emoções, mas também da profundidade da linguagem”, continuou Darnley.

Anita Wright lembrou de uma experiência emocionante. Ela estava lendo um poema sobre um homem que se despedia da amada, quando uma idosa começou a chorar e lembrou da morte do namorado.

“Não tinha dito uma só palavra desde que entrou na instituição e este poema abriu as comportas porque remeteu a um episódio de sua vida”, explicou Anita, emocionada.

“A poesia não cura a senilidade”, disse Dave Bell, enfermeiro da organização Dementia UK, que luta contra o Alzheimer. “Mas tem o poder de, como a música, devolver confiança aos pacientes: eles descobrem que lembram de algo”. Além disso, “permite criar um laço entre gerações”, acrescentou.

“Quando for velha”, disse Hannah, de 15 anos, “vou querer que as pessoas venham me ver para ler poemas e cantar músicas para mim”.

Fonte: Revista Pazes

Leitura, um ótimo remédio

Você sabia que muitas doenças podem ser combatidas com ajuda do hábito pela leitura? O próprio Alzhaimer, que é uma doença degenerativa que afeta primeiro a memória e, depois, todas as funções cerebrais, é uma delas.  Muitas crianças internadas em hospitais por todo o mundo têm melhora no quadro de saúde por causa da leitura. E tudo isso com essa prática simples: ler um bom livro.

Fonte: Blog da Saúde

Conheça a biblioterapia e como a leitura pode combater a ansiedade

Muitos recorrem à leitura para desligar-se do mundo real e conhecer outros universos, mas o que a maioria dos “devoradores de livros” não sabe, é que a função da leitura vai muito além do deleite pessoal. Isso porque, hoje em dia, a prática literária já é utilizada no tratamento de problemas psicológicos. A origem dessa técnica, ainda pouco difundida no Brasil, é histórica. “Os egípcios, gregos e romanos já compreendiam a leitura como um remédio eficaz para o tratamento das dores da alma. Em 1272, os hospitais orientavam a seus pacientes a leitura do alcorão. E mesmo posteriormente, durante a Primeira Guerra Mundial, a biblioterapia ajudou a amenizar os traumas sofridos pelos soldados que participaram do confronto”, explica a biblioteconomista Isabel Cristina Venere, de 47 anos, que defendeu tese sobre o assunto.

A ampliação da percepção e da sensação de independência e a redução de medos e ansiedades são apenas alguns dos benefícios proporcionados pela biblioterapia. “A leitura age no equilíbrio emocional dos indivíduos, levando-os ao relaxamento extremo e estimulando a memória, sem falar que sua prática proporciona benefícios a todas as faixas etárias”, reitera a especialista.

A coordenadora de eventos, Regiane Rodrigues Rossini, de 46 anos, começou a ler frequentemente ainda jovem e logo descobriu o potencial terapêutico da leitura.
“Em agosto de 2012 sofri um derrame pulmonar e fiquei sem poder andar muito por algum tempo. Nesse período, como não podia fazer exercícios físicos, comecei a participar de um clube de leitura. Além de fazer novas amizades, o clube ampliou meus horizontes literários e, aos poucos, fui voltando às minhas atividades normais”, afirma, ressaltando o quão prazerosa pode ser a prática.

Efeitos
Os efeitos da biblioterapia se devem à imersão proporcionada pela literatura. “O ser humano acaba tendo um envolvimento emocional com o texto, aplicando o que lê a sua própria vida, é uma espécie de catarse literária”, acrescenta a biblioteconomista. Mas o simples ato de ler não corresponde à pratica da biblioterapia. “É algo bem mais complexo, uma vez que o material utilizado sempre é escolhido por uma equipe de profissionais, que estudam a situação de cada paciente”, frisa Isabel.

Ainda que sua eficácia seja comprovada, a biblioterapia não substitui nenhum tratamento médico. De acordo com o psicólogo Jefferson Willian Bucci, a biblioterapia é uma prática auxiliar. “Não se trata de uma prática psicológica, mas sim de uma terapia complementar, que pode auxiliar na solução dos problema da mesma forma que a prática de esportes, ou a acupuntura, por exemplo, portanto, não dispensa outros tratamentos de forma alguma”, esclarece.

A coordenadora de eventos Regiane Rossini conta que superou problemas pessoais com a prática da leitura (Foto: Rui Carlos)
A coordenadora de eventos Regiane Rossini conta que superou problemas pessoais com a prática da leitura (Foto: Rui Carlos)

3 passos simples para trabalhar com biblioterapia

A biblioterapia é, basicamente, um tratamento terapêutico por meio de livros. Pode ser oferecida em hospitais, asilos, penitenciárias e outros ambientes, além de atender diferentes públicos, tais como pessoas com deficiência física, doentes crônicos e dependentes, segundo informações do Nexo Jornal.

Se você quer saber como pode se especializar em biblioterapia, veja 3 dicas para atuar nessa área!

Dica 1: Leia livros sobre biblioterapia

O bibliotecário que deseja atuar como biblioterapeuta pode iniciar seus estudos com a leitura de livros, tais como:

  • Biblioterapia, de Marc-Alain Ouaknin
  • Biblioterapia, de Ana Lídia Sobrinho Rudakoff
  • Biblioterapia: um cuidado com o ser, de Clarice Fortkamp Caldin
  • Farmácia literária: mais de 400 livros para curar males diversos, de depressão e dor de cabela a coração partido, de Ella Berthoud e Susan Elderkin
  • A literatura como remédio, de Dante Gallian
  • Biblioterapia, de Marilia M. Guedes Pereira

Dica 2: Visite sites de biblioterapeutas

Biblioterapeutas possuem sites que anunciam os serviços que oferecem e alguns publicam também os valores das sessões. Alguns deles são:

Dica 3: Faça cursos sobre biblioterapia

A internet facilitou muito a capacitação, pois a partir dela é possível fazer cursos de praticamente qualquer assunto. Com a biblioterapia não é diferente: atualmente já existem cursos online sobre biblioterapia!

Um deles é o Jornada da Biblioterapia, que ensina 5 passos para viver de biblioterapia. O curso é oferecido pelo Observatório do Livro e da Leitura e possui aulas online, e-books e outros conteúdos, além de três bônus incríveis!

As informações completas sobre podem ser acessadas no site do curso Jornada da Biblioterapia.

Fonte: Mundo Bibliotecário

Presença de cães é novidade na roda de leitura da Biblioteca

Foto: Nadalin Fotografia/Divulgação BP

Objetivo é estimular os processos de aprendizagem das crianças a partir do caráter terapêutico da interação com animais. Além da participação dos cães e adestradores, haverá mediação da escritora Célia Cris Silva. O evento acontece às 14h30.

A Biblioteca Pública do Paraná promove na quarta-feira (30) uma roda de leitura assistida por cães — atividade que busca estimular os processos de aprendizagem das crianças a partir do caráter terapêutico da interação com animais. O evento é gratuito e acontece a partir das 14h30 na Seção Infantil da BPP.

Nessa roda de leitura, os cães interagem de diferentes maneiras, sendo responsáveis por selecionar os livros, participar das histórias ou mesmo serem protagonistas das narrativas. A inciativa faz parte do projeto de Educação Assistida por Animais (EAA), do Instituto Cão Companheiro, e tem como objetivo incentivar a leitura e promover a comunicação e a socialização entre crianças.

Além da participação dos cães e adestradores, a roda de leitura tem a mediação da escritora Célia Cris Silva, vencedora do prêmio Jabuti de 2009 na categoria de melhor livro paradidático, com sua obra Diário de bordo.

Serviço

Roda de leitura com assistência de cães

30 de maio, às 14h30, na Seção Infantil da BPP

Rua Cândido Lopes, 133, Centro – Curitiba

Entrada franca

Mais informações: 3221-4985

Fonte: Agência Estadual de Notícias do Estado do Paraná

Entre ler e curar a partir de outras abordagens

A Roda de Biblioterapia, aberta ao público, que acontece na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, promovida pela associação de servidores da casa (FOTO: FABIANE DE PAULA)

A literatura aparece como recurso terapêutico através de uma premissa bem simples: pela leitura, a mensagem toca o leitor e em suas questões existenciais. Outras possibilidades de se explorar a linguagem com finalidades terapêuticas ainda são um campo (bem) aberto para a Psicologia, mas experiências afins de outras áreas têm consolidado a atividade.

É o caso das rodas de “Biblioterapia”. Formulada a partir de estudos da Biblioteconomia, a atividade reúne grupos de pessoas dispostas a encontrar sentido entre o que se lê e a própria sensibilidade.

No Ceará, a Associação dos Servidores da Assembleia Legislativa do Estado (Assalce) promove uma roda de Biblioterapia, aberta ao público, desde outubro de 2017. A atividade acontece atrelada à “Estante Assalce – Ler Cuidando do Ser com Biblioterapia”. Localizada na Biblioteca César Cals da Assembleia (Dionísio Torres), a estante reúne “livros-remédio” – publicações clássicas que tocam em questões existenciais.

Pensada para acolher questões dos servidores da Assembleia Legislativa (AL-CE), a roda acontece ora na biblioteca, ora na sede da Assalce.

“O objetivo é trabalhar com clássicos. Um clássico não é assim por acaso, ele trabalha muito as relações humanas. O tempo valida o clássico. Não é que o contemporâneo não vai ser abordado pela Roda. Mas queremos esse ‘algo mais’ para ajudar a provocar uma catarse (entre os participantes)”, reflete Jacqueline Assunção, servidora pública e idealizadora do projeto.

Durante a dinâmica da Roda de Biblioterapia, os mediadores mostram fragmentos do livro em questão, e apresentam a “poética” da obra. Diferente de um clube de leitura, não é necessário ler o livro na íntegra. “A biblioterapeuta não é como uma terapeuta. O grande terapeuta, no caso, é o livro. Nas rodas a gente oferece a poética e cada um tem sua interpretação. Não há o que se falar em debate, há de se falar em composição”, explica a idealizadora.

Jacqueline observa que a Estante Assalce abriga um exemplar de todo livro que passa pela Roda. “O servidor, que não pode ir à roda, pode pegar o livro na estante depois”, situa.

Para as próximas edições do encontro, a servidora conta que deve abordar questões da vida contemporânea e da psicanálise, como o suicídio. “Quando trago esse tema, ou o da própria morte, não é querendo trazer algo fúnebre, mas uma coisa real. Pra gente se apropriar desse assunto com mais clareza”, esclarece Jacqueline.

A servidora reforça que a intenção da Roda de Biblioterapia é estimular uma espécie de “profilaxia da alma”, sem a pretensão de formular uma crítica literária e falar de “alta literatura”, escolas e estéticas. “Importa aqui a mensagem que o livro traz. E o que vai ser evocado em cada ouvinte”, sintetiza.

Viés alternativo

Os psicólogos fazem uma abordagem mais recente, em relação à Biblioteconomia, sobre a literatura como recurso terapêutico. Segundo a psicóloga Nara Barreto, a Biblioterapia já é um “link antigo” dos bibliotecários. “Eles estão mais à frente do que os psicólogos, nesse aspecto”, frisa ela.

Nara e a sócia Luiza Braga, também psicóloga, promoveram há uma semana, a última edição da Roda de Conversa “Reflexões sobre a literatura como um recurso terapêutico”. O papo aconteceu no Núcleo Veredas Psicológicas (Meireles) e, diferente do Clube de Leitura organizado pelas psicólogas (exclusivo para profissionais e estudantes da área), a atividade é aberta ao público mediante inscrição paga.

“A roda funciona como um grupo de leitura, que as pessoas falam basicamente de quais aspectos da obra (em questão) tocaram elas. Assim como a condição de qualquer grupo, é delicado falar das pessoas através dos livros. Então é importante investir nessa formação da biblioterapia enquanto teoria, quanto na formação dos grupos”, observa Nara Barreto.

Dentre as perguntas da atividade, as psicólogas questionam: “Até onde a ficção pode ajudar a compreender e manejar a realidade?”. Nara conta que, dentre seus pacientes, ela costuma indicar leituras “sem delongas”. E também recebe indicações de volta.

“Eles levam livros pra terapia, personagens para a terapia. Além disso, tem outro aspecto valioso: (a leitura) tira o paciente da solidão que ele está vivendo. E quando ele lê, vê a superação do conflito”, reflete a psicóloga.

Na dinâmica da Roda de Conversa, é comum que apareçam questões pessoais dos participantes. Como sinaliza a ética da psicologia, a situação é de sigilo e não é possível se fazer algum registro de imagem ou texto, a fim de preservar a intimidade do grupo.

Para ela e Luiza Braga, unir literatura e psicologia é um processo comum à formação das duas. Nara enfatiza que o hábito da leitura, em si, já traz um potencial curativo e transformador. “A literatura pra gente sempre foi uma paixão especial, e que tem um processo muito semelhante à psicologia. Como recurso terapêutico, como espelhamento dentro de um contexto clínico, como expansão dos limites do ser, e de enxergar a si mesmo”, reflete.

Pelo corpo sensível 

Raimundo Severo Júnior: “O corpo é muito paradoxal na nossa cultura, porque ocupa um lugar de destaque e, ao mesmo tempo, é um lugar de muita vergonha na experiência de cada um”

O psiquiatra, arteterapeuta e dançarino Raimundo Severo Júnior, 55, começou a encarar a dança como uma terapia ainda nos anos 1980. Depois de conhecer a biodança, Severo passou por hospitais e pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), e introduziu uma terapia corporal junto aos pacientes.

Mesmo sem haver a intenção explícita de adentrar um processo terapêutico, ele descobriu, depois de começar a estudar dança contemporânea, nos anos 90, que poderia desenvolver uma “terceira coisa”, a dançaterapia.

“Comecei a perceber que algumas práticas artísticas, realizadas em determinadas condições, têm um potencial terapêutico em si”, observa Severo.

Dentre várias frentes de atuação, hoje ele facilita grupos de dançaterapia e coordena uma formação na atividade (pelo Instituto Aquilae). O terapeuta coloca que um ponto crucial na consolidação da dança como um processo terapêutico – uma perspectiva ainda rara – é fazer o paciente se desvencilhar da ideia de um “corpo ideal”, na forma, e descobrir um “corpo sensível”.

“O corpo é muito paradoxal na nossa cultura, porque ocupa um lugar de destaque e, ao mesmo tempo, é um lugar de muita vergonha na experiência de cada um. (Antes de cada sessão) faço uns 20, 30 minutos de educação somática (do corpo), com exercícios que ajudam cada um perceber melhor seu corpo”, revela. O terapeuta reflete que um corpo “idealizado” não necessariamente “anda junto” de uma vivência prazerosa. Trabalhando com vídeos para avaliar os pacientes a partir de seus movimentos, Severo conta como é comum as pessoas ficarem com vergonha ao se ver na tela, mesmo que tenham experimentado boas sensações com a dança.

“Eu mesmo passei muito tempo me filmando enquanto dançava, pra ter coragem de propor isso aos outros. Não achava ético propor até eu perder a vergonha. Tento tirar um pouco a gravidade disso, dizendo ‘vê-lo se movimentando só é novidade pra você. Todo mundo sabe como você se move'”, observa.

Severo compartilha que a reação dos pacientes ao se verem dançando são diversas. Há quem ache que se soltou demais, mas acha, no vídeo, “que está muito amarrado”. N’outro sentido, pessoas que se julgavam “amarradas” se enxergam mais livres no registro.

Fugaz

Facilitador da formação em arteterapia, Severo expõe que o trunfo das artes visuais, nesse contexto, é que os resultados são concretos, as figuras persistem no tempo. Quanto à dança, o trabalho “é fugaz, e pode até persistir na forma do vídeo, mas não tem a mesma riqueza. Nas artes visuais é mais fácil perceber qual é a poética do paciente. Na dança, ainda discutimos muito sobre isso”, admite o terapeuta.

Indagado sobre qual seria o espaço da dança no cenário da arteterapia hoje, Severo pondera a respeito da separação do campo terapêutico “por linguagens”. “Prefiro pensar que não é preciso reservar o termo ‘arteterapia’ para as artes visuais, porque hoje em dia as fronteiras se borraram muito, são muito tênues”, complementa.

Severo pontua a necessidade do trabalho em dançaterapia ainda ganhar espaço. No Brasil, foram pioneiros da atividade, cita ele, Klauss e Angela Vianna. O casal desenvolveu um trabalho de autoconhecimento e apropriação do corpo.

O terapeuta força como, na dançaterapia, o corpo do próprio paciente é a matéria de expressão criativa. A partir disso, ele justifica a menor adesão ao processo, por conta das inibições com o corpo. “Quando as pessoas começam a praticar, normalmente elas se surpreendem como se sentem à vontade com o corpo delas”, conclui.

O arteterapeuta revela um prazer em trabalhar na interface (entre arte e terapia) e mantém um frescor na direção de atender os pacientes e formar novos arteterapeutas. Embora tenha uma formação acadêmica “convencional”, como psiquiatra (e ele ainda atende, também, medicando), ele coloca que sua questão foi ampliar os potenciais de ajuda e de cura das pessoas. “Não acredito que as condições clínicas precisem só de soluções clínicas. As pessoas da área de psiquiatra e psicologia precisam conhecer intervenções de outra natureza, que toquem em questões existenciais”, atenta.

Fonte: Diário do Nordeste

Biblioterapia: 10 livros que podem ajudar na cura de doenças físicas e emocionais

Em 12 de março, celebramos o Dia do Bibliotecário. Em homenagem aos profissionais do paraíso dos livros, vamos falar sobre biblioterapia!

Quem chega no meio de uma conversa e escuta a palavra biblioterapia tem grandes chances de fazer várias interpretações aleatórias – e até equívocadas – do seu real significado. Esta comprovado: mergulhar na leitura como prática terapêutica traz mais benefícios do que a medicina poderia supor. E, embora muitos ainda não tenham ouvido falar, a técnica já tem sido estudada – pelo menos – desde os meados ou século 20. A pesquisa intitulada “A leitura como função terapêutica: biblioterapia” (1940), da professora Clarice Fortkamp Caldin, investigou uma série de definições de pesquisadores de diferentes gerações.

No último dia 1º de março, completou um ano que a clínica lisboteca The Therapist decolou com inúmeros tratamentos alternativos – entre eles, as sessões biblioterapêuticas. Cada sessão consulta custa, em média, 60 euros. No lugar de antibióticos, cirurgias e exames delicados, a proposta (genial) de tratamento é prescrita pelo o que mais amamos por aqui: leitura de livros!

Vamos descomplicar?

Os gêneros literários de poesia e ficção, em especial, são os maiores aliados aos tratamentos de doenças físicas e da alma, pois são obras que despertam a imaginação e a identificação com personagens. Isso renova o senso de realidade, de esperança e de vida. A biblioterapia é um método profundo e eficaz que acredita na cura nas feridas do corpo e da simples ato de ler. Mas, atenção: não é qualquer leitura “ao leo” . São bibliografias direcionadas – dependendo das faixas etárias, específicas aos diagnósticos e personalizadas para cada caso. O resultado agrega não apenas ao autoconhecimento, mas impulsiona nosso cérebro ao prazer pela leitura e busca respostas para as angústias.

Biblioterapia em casa!

Baseados na obra Farmácia Literária, de Ella Berthoud e Susan Elderkin, fizemos uma lista de 10 livros recomendados para a biblioterapia. Consultórios psicológicos, hospitais, asilos, penitenciárias e orfanatos já adotaram este método de leitura como um ingrediente imprescindível para um novo recomeço de vida. Confira!


Sentiu que a covardia te dominou?

O sol é para todos, de Harper Lee

Publicado em 1960, o clássico americano escrito por Harper Lee narra a história de Atticus – um correto e corajoso advogado – que assume um caso judiciário de um homem negro – acusado de estupro por uma mulher branca. O resultado é surpreendente. Aprendemos uma grande “lição de moral” – que tem atravessado as gerações e não é à toa que estima-se que a obra tenha vendido mais de 40 milhões de cópias em todo mundo desde o seu lançamento. Vale lembrar também que o título ganhou adaptação para o cinema com três prêmios Oscars, além do Pulitzer de Literatura para a autora em 1961. Veja também algumas curiosidades sobre a autora aqui! Receba uma dose de coragem após esta leitura sensacional!

O sol é para todos, de Harper Lee


Você tem medo de uma morte súbita?

Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez

Aqui você se depara com uma narrativa capaz de mudar sua perspectiva da vida como um clico maior. A história se passa na aldeia de Macondo. Trata-se da solitária família Buendía, na qual todos os membros (e todos as gerações) foram acompanhadas por Úrsula, uma personagem centenária e uma famosa matriarca da história da literatura latino-americana. Aprendemos com o clássico do autor colombiano que todos os personagens padecem de solidão – não só pelo isolamento, mas pelo estado de espírito o qual eles são submetidos. Mergulhe de corpo e alma na história!

Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez


Vontade de abandonar o barco – no relacionamento, trabalho ou vida?

Coelho corre, de John Updike

Pressão de todos os lados, frustração e zero sentido na rotina. Clichês à parte, mas seu barco parece estar naufragando? Esta é a mesma sensação de Harry “Coelho” Agstrom. No passado, ele foi um astro do basquete juvenil, um grande herói admirado e requisitado. Hoje, porém, ele é um jovem adulto, 27 anos, casado, com um filho (e um bebê a caminho) e convive com a sensação de que o melhor da sua vida ficou pra trás. Diante das suas questões e insatisfações, o personagem apenas corre dos medos, riscos e “perigos” da vida. Tudo muda quando, diante de um frentista no posto de gasolina, Coelho chega a conclusão de que “o único jeito de chegar a algum lugar é pensar para onde você está indo antes de ir”.

Coelho corre, de John Updike


Sofreu um aborto?

A mulher viajante no tempo, de Audrey Niffenegger

Poucas episódios são tão traumáticos quanto um aborto. Um ambiente ensanguentado e a impotência de um médico diante da perda de um feto certamente é uma das piores dores da vida. Enquanto você se recupera, então, você precisa ler “A mulher viajante no tempo”. A história de amor entre Clare e Henry – que se conheceram quando ela tinha apenas 6 anos e ele 35. Calma, Henry não é um pedófilo, mas sim, um viajante no tempo. Quando os protagonistas finalmente se casam, começam a lidar com um grande problema: Clare não consegue engravidar. Foram cinco abortos espontâneos e a principal suspeita é a de que os fetos estejam herdando o “gene” da viagem no tempo – e deixando o útero antes do tempo. Um romance simplesmente inspirador!

A mulher viajante no tempo, de Audrey Niffenegger


Cuidando de alguém com câncer?

Um quarto para ela, de Helen Garner

O primeiro romance da autora australiana após um intervalo de 16 anos sem escrever. A autora narra a história de amizade entre Helen e Nicola. Helen se prepara para acolher sua amiga debilitada pelo câncer, que luta para não perder a fé e a esperança. O livro nos ensina sobre empatia, encorajamento e força quando nos deparamos com cenas – disfarçadas de tratamento – que estão levando uma das pessoas mais importantes da nossa vida irem embora gradativamente.

Um quarto para ela, de Helen Garner


Você tem vontade de sumir e sair sem rumo?

Qualquer lugar menos aqui, de Mona Simpson

Se você convive com uma sensação de fuga constantemente, tem pavor de tudo o que te prende e sente que a estrada é seu lugar, encontramos uma bibliografia (perfeita) para você. Anne tem 12 anos e sofre de ansiedade por não ter uma residência fixa. Sua mãe, Adele, após romper do terceiro casamento entra num ciclo de mudanças de casa junto com a filha. O que faz a adolescente entrar em profunda crise consigo, pois ela compreende que precisa de estabilidade e uma rotina “normal” para se desenvolver como uma adolescente.

Qualquer lugar menos aqui, de Mona Simpson 


Problemas com alcoolismo?

O iluminado, de Stephen King

A história de Jack Torrance é arrepiante, mas dois grandes males acometem a sua vida: o consumo excessivo de álcool e seu temperamento explosivo. A combinação o levará a um hotel fantasmagórico onde, provavelmente, o personagem ficará isolado por vários dias até a neve cair. Até que ele entra em uma onda imaginária e de “espíritos” que lhe coloca diante de um legítimo gim – episódio que fará o leitor ir atrás de um suco de laranja em vez de um drinque (para sempre!).

O iluminado, de Stephen King


Síndrome do pânico?

Mulher das dunas, de Kobo Abe

Só quem é “agorafóbico” sabe o desconforto de se ver em um lugar novo. Talvez o personagem Jumperi Niki se sinta da mesma forma e por isso decide viajar para uma região deserta e costeira, procurando por uma nova espécie de insetos. O trajeto seguia bem, mas a leitura nos surpreende com um ponto de virada ao se deprar com casas alojadas no fundo de buracos com 15 metros de profundidade.

Mulher das dunas, de Kobo Abe


Você se sente malsucedido?

Pétala escarlate, flor branca, de Michel Faber

Todo dia você recebe notícias de coisas boas da vida que estão acontecendo na vida dos seus amigos, familiares, conhecidos e vizinhos? O que acaba despertando uma certa confusão sobre o que você realmente quer, já que se afundou em seus insucessos e fracassos. Talvez Michel Faber tenha algumas respostas satisfatórias com seu enredo. Uma jovem heroína começa sua história em um lugar totalmente improvável: em uma zona de prostituição. Forçada a vender o seu corpo, Sugar cresce acreditando que não existe outra possibilidade de “ser aquecida”. Aprendemos com o escritor uma lição muito além do que questões de sorte ou pontos de partida, mas sobre elevar-se à sabedoria e determinar seu próprio futuro – e não o dos outros.


Uma amizade que se rompeu ou partiu?

Até mais, vejo você amanhã, de William Maxwell

A realidade de nunca mais rever alguém que amamos parece uma tragédia. Mas esse romance (um tanto triste, se prepare!) nos leva a refletir sobre o quanto vale a pena consertar uma amizade. Inicialmente, o livro conta a história de dois amigos vivem isolados nas vastas campinas, são únicos um para o outro. Cinquenta anos depois, o narrador muda o curso da história e nos ensina uma profunda lição sobre mágoas, ressentimentos, perdão e reconciliação. A maior premissa da obra é nos ensinar a nunca tratar um amigo de uma forma a qual você possa se arrepender no futuro.

 


Fonte: Estante Virtual Blog

Projeto de leitura leva entretenimento às crianças do Hospital de Amor Infantojuvenil

Quem vê os olhos brilhantes da professora aposentada, Yara Regina Calado, 69 anos, nem imagina o amor que a voluntária da Associação Voluntária de Combate ao Câncer (AVCC) tem pela leitura e pelas crianças do Hospital de Amor Infantojuvenil. É com um sorriso largo no rosto e uma alegria contagiante que a leitora visita as crianças que estão em tratamento na unidade, todas as terças-feiras, das 14h às 16h, e quartas-feiras, das 9h às 11h.

Após 18 anos atuando nas escolas de São Paulo como professora infantil e coordenadora pedagógica, Yara aprendeu a amar o convívio com os pequenos e ganhou experiência para elaborar projetos. “A gente nasce professora. Não é a gente que escolhe, é a profissão que nos escolhe”. Com tanto conhecimento e um coração repleto de vontade de fazer o bem, ela resolveu desenvolver um projeto de leitura para crianças da Hospital.

O início do projeto
Tudo começou quando Yara mudou-se para Barretos (da metrópole para o interior) e estranhou a mudança de costumes e hábitos. Para dar mais “vida” à sua rotina, ela iniciou sua missão como voluntária da AVCC, em 2015, e logo entrou em contato com o Hospital Infantojuvenil, demonstrando seu interesse em ler histórias para os pacientes. A ideia foi aprovada e, em 2016, as crianças da unidade ganharam uma ‘madrinha de leitura’.

“Eu tenho uma concorrência muito grande, que são os celulares, mas eu procuro trazer os livros que eles escolhem, para estabelecer uma relação da história contada ali com a vida deles”, contou a aposentada, que afirma encontrar boas razões para tocar o projeto a cada encontro com os pacientes.

A aceitação dos familiares foi bastante positiva. De acordo Tamires Nascimento, mãe da paciente Fabiani Serra Silva, de apenas 6 anos, é muito importante que a filha tenha acesso a um projeto didático como esse. “Minha filha adora ler e eu sempre procuro contar histórias antes dela dormir. Os preferidos são os contos de fadas e quando eu não conto a história corretamente, ela sempre me corrige”.

Vestindo uma camiseta com a estampa de uma de suas princesas favoritas, a Bela, do clássico ‘A Bela e A Fera’, Fabiani escuta, atentamente, a história escolhida por ela mesma, enquanto a ‘contadora’ Yara, toda empolgada, tenta minimizar a dura rotina de tratamento da pequena, na sala de quimioterapia. “Pense em uma coisa que você quis. Agora encontre com os olhos da mente e a sinta no seu coração”, leu a professora.

Contribuição
Atualmente, Yara compra os livros que leva para os pacientes, mas se diz receptiva para receber doações, já que as crianças estão cada dia mais exigentes.
Além disso, a professora espera contar com a contribuição de novos voluntários no projeto de leitura, a fim de entreter e divertir ainda mais crianças da instituição.

Fonte: Hospital do Câncer de Barretos

Livros, remédio da alma?

Por Fabíola Farias

“Conversa para pai dormir” / Ilan Brenman (texto) e Guilherme Karsten (ilustrações)

Dias atrás, um amigo me escreveu pedindo sugestões de livros para uma criança que perdera o avô, com quem tinha uma ligação muito forte. A busca por livros que tratem de temas relacionados a situações dolorosas ou delicadas é muito comum, acontece com frequência em livrarias e bibliotecas. Em um dia o bullying, no outro a pedofilia, depois a separação dos pais e sempre, de maneira bastante recorrente, a morte.

Diante da dor e do desamparo, buscamos nos proteger,e especialmente às crianças, em um colo quente, macio e, de preferência, seguro. Esperamos que os livros consigam tratar de algo que nos escapa ou amedronta, quase sempre com expectativa de ludicidade – parece haver necessidade de tornar a dor e o incômodo mais palatáveis, como se isso fosse possível.

A OFERTA MAIS GENEROSA QUE PODEMOS FAZER ÀS CRIANÇAS SÃO HISTÓRIAS, IMAGENS E PALAVRAS QUE AMPLIEM REPERTÓRIO PARA COMPREENDER E ORGANIZAR O MUNDO, NUM EXERCÍCIO DE AUTOCONHECIMENTO E DE ENCONTRO COM O OUTRO”

Não é necessária uma pesquisa muito complexa para descobrir que há livros, bons e ruins, sobre tudo e, por estranho que pareça, sob medida até mesmo para o que desconhecemos. Mas me pergunto se, por melhores que sejam, aplicados como remédio “funcionam” como esperado por quem os busca.

Não tenho dúvidas de que narrativas – livros, filmes, canções – que tratem de algo que nos toca nos ajudam, muitas vezes, a compreender um pouquinho o que vivemos em momentos específicos. Nessas situações, entendemos que nosso sofrimento e nosso medo fazem parte da vida e são, em grande medida, o que nos liga às outras pessoas, que sofrem e temem como nós; ao saber do outro, sabemos um pouco mais de nós mesmos e isso nos permite voltar ao outro com menos fissuras.

O importante é que, nesses casos, os livros se tornem uma abertura para a criança pensar, falar (se quiser) e elaborar a dor, a perda, e, assim, fazer a experiência da tristeza. Apesar de parecer pequena a oferta para quem, inconscientemente, busca uma solução imediata em um momento difícil, esse já é um grande convite.

São muitos os caminhos que trilhamos na tentativa de aplacar a dor, especialmente a das crianças. Para elas, que nascem em um mundo velho e desigual e carregam o fardo de construir um futuro melhor, tentamos, amorosa e inutilmente, construir atalhos.

Mas se pensamos fora da lógica produtiva, aquela que nos obriga a ganhar tempo em tudo para competir e a estar sempre bem, talvez não seja bom encurtar as distâncias. E onde digo “talvez”, certamente por delicadeza de linguagem, cabe uma daquelas poucas certezas que colocamos em marcha ao longo da vida: precisamos viver nossas experiências no tempo que elas exigem.

OS LIVROS NOS OFERECEM TEMPO DILATADO, EM QUE VIVEMOS CEM ANOS EM ALGUMAS HORAS OU UM ÚNICO DIA EM QUINHENTAS PÁGINAS, SUBVERTENDO O TEMPO DO TEMPO”

Os livros nos oferecem e convidam a esse tempo dilatado, em que vivemos cem anos em algumas horas ou um único dia em quinhentas páginas, subvertendo o tempo do tempo. Para além de livros sobre morte quando alguém querido morre ou sobre separação quando o casamento dos pais chega ao fim, a oferta mais generosa que podemos fazer às crianças e a nós mesmos são histórias, imagens e palavras que ampliem seu repertório para compreender e organizar o mundo, num exercício de autoconhecimento e de encontro com o outro.

(Em tempo: sobre esse tema, vale a leitura do belo ensaio Lendo na casa da guerra, de Marina Colasanti).

Fabíola Farias é graduada em Letras, mestre e doutoranda em Ciência da Informação pela UFMG. É leitora-votante da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil e coordena a rede de bibliotecas públicas da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte.

Fonte: Brinque Book