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Bibliotecas Particulares

Os livros de Philip Roth voltam para ‘casa’

Biblioteca de Newark onde o escritor se formou como leitor recebeu, após a morte dele, um legado de 7.000 volumes e dois milhões de dólares. Apesar da pandemia, uma equipe trabalha para catalogar esse tesouro

O escritor Philip Roth, diante de uma de suas lanchonetes favoritas de Newark, em dezembro de 1968.THE LIFE IMAGES COLLECTION VIA GETTY IMAGES BOB PETERSON

Texto por Pablo Guimón

Do fundo de uma caixa de papelão emerge o álbum de graduação de Philip Roth, guardado desde 1946, depois de sua passagem pela escola da Chancellor Avenue, em Newark, Nova Jersey. Lema: “Não pise no desvalido”. Canção: It Might As Well B Spring, da comédia musical A Feira da Vida, que tinha obtido o Oscar de melhor canção original em 1945. Embora suas colegas de classe lhe deixassem mensagens românticas e beijos de batom nas folhas, seu interesse então parecia residir principalmente no beisebol, seu esporte preferido. Escritor favorito: o autor de romances juvenis de beisebol John Tunis. Herói: o jornalista radiofônico Norman Corwin. Philip Roth queria ser jornalista. “Tenho toda a confiança em você”, escreveu-lhe seu pai, com aquele clássico carinho carregado de exigência.

A caixa é uma das que estão distribuídas pelas humildes estantes metálicas de uma recôndita sala, à qual se chega por um labirinto de corredores cheios de livros, no andar térreo da biblioteca pública de Newark. O álbum é um caderno pequeno, com páginas do tamanho de cartões-postais e capas duras azuis, metido em um estojo de cartolina já quebrado. Nas primeiras folhas, o aluno, prestes a se formar, preenche um questionário com essas pinceladas pessoais. As páginas seguintes estão cheias de dedicatórias, de seus pais, de seus colegas.

Uma relíquia simpática, que permite saber o que se passava na cabeça de um menino de 13 anos que se transformaria em um dos grandes romancistas norte-americanos. Descobrir, por exemplo, como esses livros juvenis de Tunis contribuíram para o imaginário do autor, a ponto de, em Pastoral Americana, seu alter ego Nathan Zuckerman recorrer a um dos personagens de Tunis para descrever o Sueco, seu ídolo de juventude, através do que Roth mostra o lado sombrio do sonho americano.

O pequeno álbum abre uma porta pela qual transparece o mundo do escritor adulto. Permite compreender um pouco mais como se entrelaçam em sua obra a realidade e a ficção. Há passagens mais indeléveis na impudica O Complexo de Portnoy, mas naquele romance de 1969, que lançou Roth ao estrelato, Alexander Portnoy conta como preencheu o questionário pessoal de seu álbum de graduação na escola primária. O lema que escolheu é o mesmo que o próprio Roth havia escrito no seu. Mas Portnoy quer ser advogado, não jornalista. E seus heróis são Thomas Paine e Abraham Lincoln, não Norman Corwin. Tanto se debateu sobre o que é fictício e o que autobiográfico em O Complexo de Portnoy que, em Zuckerman Libertado (1981), o autor zomba dessas especulações. Naquele livro, o protagonista Nathan Zuckerman é atacado por leitores incapazes de acreditarem que as cenas de sexo de Carnovsky, o romance dentro do romance de O Lamento de Portnoy, fossem apenas um produto da sua imaginação.

Lei a matéria completa publicada no site do EL PÁIS.

Bibliotecas particulares: o antes e o depois da morte de quem as criou

Texto por Gaspar Micolo

Amam os livros ou, antes, a leitura. Levam anos a acumulá-los, décadas a vê-los crescer em prateleiras cada vez maiores. E quando o fim lhes parece cada vez mais próximo, há que pensar na vida dos livros após a dos donos. “Como todas as coisas que vamos acumulando na vida, por muito que gostemos delas, não as podemos levar connosco”, diz o jurista e escritor Onofre dos Santos.

Os povos civilizados e desenvolvidos produzem livros
Fotografia: DR

A biblioteca ideal, construída em décadas, não tarda a clamar por um novo dono, exactamente por não a “podermos levar connosco”. Um novo proprietário que não a deixe morta, porque, para continuar viva, uma biblioteca tem que ser alimentada com livros novos. Por isso, há quem pense em doar à Biblioteca Nacional, a iniciativas particulares de espaços de leitura nas comunidades ou iniciar o seu próprio centro de investigação.

Quase todos se recusam a vender, evitando que o esforço de uma vida, como se a biblioteca se constituísse num corpo, se desfizesse com a partida, perdendo a alma.

A directora da Biblioteca Nacional, Diana Afonso, revela que há cada vez mais individualidades que fazem chegar à instituição as suas colecções privadas, antes mesmo da morte. “Temos recebido doações”, confirma, esclarecendo que quem tiver essa pretensão deve ter um inventário e garantir que os livros estejam em bom estado, além de facilitar a visita dos técnicos para uma vistoria.

Considerada como uma das mais ricas doações, Diana Afonso revela que a esposa de um falecido embaixador está a doar a biblioteca da família, desde 2019, restando até agora livros por avaliar e entregar à instituição pública.

O desejo de um filho do Namibe em Portugal

Leia a matéria completa publicada no site Jornal de Angola.

Sua biblioteca pessoal arrumadinha

Quem tem muitos livros em casa jamais fica sem companhia ou distração. Mas também pode desenvolver uma vontade doida de organizar sua biblioteca, principalmente quando não pode sair muito de casa.

O pessoal do Instituto Moreira Salles, antecipando que muita gente iria ter essa vontade durante o isolamento social, fez um texto muito interessante sobre o assunto, vejam:

Dando um jeito nos livros

Se você gosta da ideia, preparamos mais algumas dicas sobre organização de bibliotecas particulares.

Não exagere

Muita gente nos pergunta como poderia organizar seus livros como “igualzinho como vocês fazem na biblioteca”. Bem, essa talvez não seja uma boa ideia. Grandes bibliotecas universitárias ou públicas têm uma organização bastante complexa, que exige a atuação de profissionais com graduação em biblioteconomia, os bibliotecários.

Se você tem uma biblioteca grande, com uns três mil livros ou mais, e gostaria de uma organização profissional, vai precisa contratar serviços de um bibliotecário. Caso contrário, não complique. Os livros são seus, arrume-os de um jeito que seja confortável para você usar e fácil de manter. Projetos ambiciosos do tipo “vou fazer uma base de dados para os meus livros” geralmente são abandonados pela metade, e aí você se arrisca a ter uma biblioteca meio organizada e a descobrir que gostava mais da sua biblioteca totalmente bagunçada.

Planeje bem a ordenação

Uma boa organização física dos livros nas estantes resolve a maior parte dos problemas, mas pense bem antes de começar, porque movimentar livros dá trabalho, provoca espirros e dores lombares.  Não existe a forma certa de ordenar livros na casa da gente, existe a que melhor se adaptar às suas necessidades.

O primeiro passo é identificar grandes categorias para fazer a primeira divisão, de acordo com o que predominar no acervo. Por exemplo:

Ficção

Não- Ficção

Poesia

Quadrinhos

Referência (dicionários, guias e outras obras de consulta rápida)

Essas categorias podem ser subdivididas ou não, dependendo da quantidade de livros e do gosto do proprietário. Os livros de ficção podem ser divididos por gêneros ou país de origem do escritor, por exemplo. Para os não-ficcionais, normalmente a melhor solução é separá-los por assuntos gerais,como arte, história, economia, linguística etc. Se quiser partir de uma lista  pré-existente, veja esta tabela dos assuntos mais comuns nas pesquisas da ECA, tirada da Classificação Decimal de Dewey.

Acesse a matéria completa publicada no Blog da Biblioteca da ECA e veja as demais dicas para a organização da sua biblioteca pessoal

Biblioteca particular de Fernando Pessoa disponível online

Texto por Revista Pazes

A biblioteca que pertenceu a Fernando Pessoa (1888-1935) – os livros que comprou, recebeu de amigos, ganhou, herdou, editou, leu e profusamente anotou – constitui o maior valor da Casa Fernando Pessoa. A Biblioteca Particular de Pessoa – cerca de 1300 títulos no total, mais de metade em língua inglesa – é o nosso espólio mais valioso e que está na origem da fundação da Casa Fernando Pessoa em 1993.

A Casa Fernando Pessoa é assim originalmente um espaço de e para a leitura: um espaço que nasceu do interior dos livros. Colocam-se questões como: que livros leu Pessoa? Que autores escolheu? Como se podem ver esses traços naquilo que escreveu?

Uma biblioteca desta importância é patrimônio da humanidade. Trata-se de uma biblioteca aberta ao infinito da interpretação – bela, surpreendente e instigante, como tudo o que Fernando Pessoa criou. Usufruam-na.

Ao longo dos últimos anos só uma visita à Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, permitia uma consulta à Biblioteca pessoal do poeta. Agora, todo esse acervo, constituído por 1140 volumes e pela coleção de manuscritos (ensaios e poemas) deixados pelo próprio poeta nas páginas desses livros passa a estar disponível online.

A inovação agora introduzida faz com que esta seja a primeira biblioteca portuguesa integralmente digitalizada. Deste modo, é facultado a todos os leitores, em qualquer parte do globo, o acesso ao importante legado de uma das figuras maiores da cultura portuguesa.

No âmbito deste projeto todas as páginas de cada volume foram digitalizadas e disponibilizadas para consulta página a página ou após o download de uma obra completa na Biblioteca Particular de Fernando Pessoa.

Para além da possibilidade de consulta de cada livro por autor, por ano ou por ordem alfabética, faculta-se ainda a classificação por categorias temáticas.

Para facilitar a compreensão da biblioteca como um todo, foram destacadas as páginas que incluem manuscritos do próprio Fernando Pessoa e foram adicionadas interpretações sobre as suas motivações para a aquisição de determinadas obras.

Este acesso à Biblioteca Particular de Fernando Pessoa foi possível graças a uma combinação de esforços da Casa Fernando Pessoa, de uma equipe internacional de investigadores e da Fundação Vodafone Portugal que acompanhou e apoiou a iniciativa.

Acesse aqui o acervo

Biblioteca Particular de Fernando Pessoa

Fonte: Revista Pazes

Organização de Bibliotecas Pessoais: conheça as vantagens de contratar um Bibliotecário para esse serviço

fonte: https://quadrosdecorativos.net/dicas-de-decoracao-como-fazer-uma-biblioteca-em-casa/

A Paixão pela literatura, cinema, músicas e o conhecimento em geral  nos faz adquirir muitas obras literárias, livros técnicos, revistas DVD’s, CD’s, e até mesmo LP”s,  no decorrer de nossa trajetória, formando verdadeiras Bibliotecas Pessoais em nossas casas. Ali estão as obras que fizeram parte de nossas histórias e nos  ajudaram a forjar nossas personalidades, caráter e valores.

Do mesmo modo, os álbuns de fotos familiares, brinquedos e outros objetos são partes tangíveis de nossas memórias, nossas infâncias e nossas raízes, ali estão as lembranças de nossos entes queridos distantes ou falecidos  bem como dos grandes momentos que somente nós conseguimos compreender e enxergar o valor.

Há também os profissionais liberais como os Engenheiros, Advogados, Professores, Médicos entre outros fazem parte de um público que majoritariamente possuem vastas e diversificadas bibliotecas particulares, com obras e informações muitas vezes dificilmente encontradas no mercado convencional.

No entanto com o passar dos anos, encontrar algo nessas grandes e valiosas coleções se torna cada vez mais difícil, isso sem contar àqueles empréstimos que nunca são devolvidos e que nem nos lembramos mais para quem emprestamos. Fora tudo isso nos deparamos com a sujeira e o aspecto de desorganização que esses acervos podem trazer ao nosso lar.

É nesse contexto que vem surgindo no mercado profissionais que tratam e organizam essas coleções deixando-as com características semelhantes às melhores Bibliotecas do Brasil e do Mundo, os Bibliotecários. Você já ouviu falar deles?

Os Bibliotecários são profissionais de nível superior, formados no Curso de Biblioteconomia, sua atuação tem o objetivo de catalogar, classificar, indexar a informação buscando os melhores meios para sua recuperação sempre pensando no melhor para o usuário dessa mesma informação.

Os Bibliotecários trabalham em Bibliotecas Públicas, Escolares, Universitárias ou Particulares, Centros de Documentação, Arquivos, Museus, Centros Culturais, Editoras, Provedores de Internet, ONGs, clubes e associações, ou mesmo em sites de e-commerce.

Dentre os processos que um Bibliotecário pode executar em uma coleção pessoal de livros, filmes, discos e outros objetos estão:

Higienização da coleção;

Classificação de acordo com os assuntos e tipo de material;

Catalogação em sistema especializado em gestão de acervos com possibilidade de realização de empréstimos e devoluções;

Cadastro de palavras chave para facilitar a busca por assunto;

Carimbagem de personalizada;

Colagem de etiquetas nas obras;

Organização nas estantes de acordo com os assuntos e autores.

Muitas são as vantagens em contratar um Bibliotecário experiente para organizar sua Biblioteca Particular, dentre as quais:

Controle total do acervo (para aqueles que emprestam e não curtem devolver);

Acesso em software específico o que facilitam as buscas;

Total organização por assuntos;

Agilidade e eficiência na recuperação das informações;

amplas possibilidades de busca;

Limpeza e organização no ambiente.

Esse mercado vem crescendo exponencialmente e alguns Bibliotecários abriram  empresas especializadas nessa atividade inclusive com pacotes personalizados e serviços retirada e devolução da coleção, caso o cliente não fique a vontade com o transito de pessoas em sua residência.

Fonte: Linkedin

“Soy el bibliotecario del edificio donde vivo”: cómo pintar la aldea durante la pandemia, según Jorge Carrión

En plena cuarentena, mientras el coronavirus confina al mundo entero, el escritor y periodista español transformó su biblioteca personal en un acervo colectivo para sus vecinos. “Cuando alguien me pide libros, les paso propuestas, llegamos a un acuerdo, desinfecto los libros y se los dejo en la puerta”, cuenta en diálogo con Infobae Cultura 
(@jorgecarrion21)
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Texto: Luciano Sáliche

¿Cuántos libros hay en tu casa? Si esa respuesta ya es difícil, ¿cuántos libros hay en el mundo? Diez años atrás, Google intentó llegar a una aproximación. Su objetivo era la digitalización total. Con metadata y algoritmos llegó a una cifra extraña: 129.864.880. Pero hablaba de títulos, no de libros, con lo cual habría que multiplicar por la cantidad de impresiones. Hay editoriales que hacen 300 ejemplares por título y otras, las más grandes, cinco mil. A mediados de la década pasada, la Unesco decía que se publicaban 2.2 millones de libros por año en el mundo. Podemos multiplicar, sumar, volver a multiplicar y el número será apenas un bosquejo. Libros hay, sobran; el problema está, por supuesto, en cómo llegar a las casi ocho mil millones de personas que habitan el planeta.

“Soy el bibliotecario del edificio donde vivo”, escribió Jorge Carrión, escritor y crítico literario español, lanzando una piedra al tumultuoso mar de Twitter. De a diez, de a cien, de a mil llegaron las interacciones. “He puesto mi biblioteca al servicio de la comunidad de vecinos; me consultan por WhatsApp; les ofrezco varias posibilidades; los libros que decidimos se los dejo en la puerta. Está siendo estupendo. Por si alguien quiere replicarlo”, completó en aquel tuit del martes pasado. “Pinta tu aldea y pintarás el mundo”, decía Tolstoi. En tiempos de pandemia, los departamentos, las casas, los ranchos se descascaran. Hay que pintar todo de nuevo. Pincel en mano, Carrión se propuso bañar de literatura el edificio del barrio de El Poblenou, en Barcelona, donde hoy vive.

Además de leer, Jorge Carrión escribe. Sus libros nadan por diversos géneros: novelas —Los muertos, Los huérfanos Los turistas, entre otras—, cómics —Barcelona: los vagabundos de la chatarra y Gótico—, crónicas —por ejemplo, Norte es Sur— y ensayos —Librerías y Contra Amazon*, entre otros—. Es también periodista —desde 2016 escribe para The New York Times— y docente de literatura. Ahora, desde su departamento, mientras sus dos hijos se entretienen dibujando cómics en una tarde sin sol ni demasiado para hacer, habla con Infobae Cultura. Con la notebook abierta frente a sus ojos, tipea palabras que, encadenadas, forman ideas y retratan su mundo, el mundo.

(@jorgecarrion21)
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—¿Cómo surgió la idea de convertirte en el bibliotecario del edificio?

—Llevaba ya cuatro semanas de encierro cuando me di cuenta de que mis vecinos quizá no tenían la suerte de tener tantos libros como yo en casa. Entonces se me ocurrió preguntarles por el grupo de WhatsApp si necesitaban lectura. Y la respuesta fue positiva.

—¿Cómo lo estás llevando a cabo?, ¿hay horarios, días de consulta?

—Somos solamente siete familias en el edificio, de modo que cuando alguien me pide libros, les paso propuestas, llegamos a un acuerdo, desinfecto los libros y se los dejo en la puerta. Al cabo de unos días o semanas, cuando ellos deciden, los intercambio por otros. Los libros están cinco días en cuarentena.

—¿Dónde estás pasando la cuarentena y con quién?

—En casa, en una esquina del barrio de El Poblenou, de Barcelona, con mi esposa y con mis hijos.

—¿Cómo se vive la cuarentena en tu barrio y en tu edificio?

—Con tranquilidad, por suerte. La tranquilidad de poder comprar la comida y los bienes de primera necesidad que necesitamos, de poder ir al supermercado cada vez que sea preciso. En el barrio hay muchas fábricas okupadas, mucha gente que recoge chatarra para vivir, que no lo está pasando nada bien. De hecho, quienes piden dinero habitualmente en la puerta de los supermercados han empezado a pedir comida.

—¿Cómo la estás viviendo vos, te cambió mucho la rutina?

—He sido muy afortunado, tanto por lo que te he contado, como por el hecho de que el Máster en Creación Literaria de la Universidad Pompeu Fabra que dirijo ya había acabado las clases. Ahora los chicos (varios argentinos, uruguayos y chilenos, por cierto), están escribiendo sus proyectos finales, encerrados en sus casas, de modo que yo también puedo trabajar en eso desde mi computadora. En el resto de mis trabajos, los artículos, los libros, los proyectos, ya estoy habituado a no moverme de aquí. Por supuesto que ahora dedico muchas horas a jugar con los niños, a ser su maestro y a limpiar. Pero lo llevamos bien.

Algunos libros de Jorge Carrión
Algunos libros de Jorge Carrión

—¿Qué libros te han pedido los vecinos?

—Muchos libros infantiles, cómics y álbum ilustrado. Solamente tres vecinas me han pedido novela: les he dejado Alegría, de Manuel Vilas, Libertad, de Jonathan Franzen, y Los recuerdos del porvenir, de Elena Garro.

—¿Alguna anécdota graciosa o curiosa en estos préstamos de libros?

—De momento, no. Pero sí que me ha sorprendido que, a raíz de mi iniciativa, los vecinos han empezado a prestarse libros entre ellos, sobre todos lo que tienen niños de entre 9 y 12 años.

—¿Pudiste convertir a alguien ajeno a los libros en lector?

—Creo que no. Pero sí he introducido a un chico a la lectura de cómic para jóvenes, que es un género bastante nuevo y realmente fascinante. De hecho, me di cuenta de que mis hijos tenían el libro repetido y se lo regalé.

—Tu idea fue muy comentada en las redes, ¿te sorprendió la trascendencia?

—Las redes son muy caprichosas. Ya casi nada me sorprende en ellas. También han sido bien recibidas otras propuestas que he impulsado durante las últimas semanas, como un taller de no ficción por WhatsApp, que está yendo muy bien, o un ciclo de conferencias sobre los clásicos y la idea de crisis, que empiezo el martes en el Zoom de la librería Nollegiu. Agradezco a las redes sociales que me permitan estar en contacto con mis lectores del resto del mundo, sobre todo de América Latina. Y sí, a veces, se vuelven un poco locas.

(@jorgecarrion21)
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La iniciativa se reproduce de formas impredecibles. Bajo su mismo tuit, algunas personas cuentan que en sus edificios y barrios sucede lo mismo. Un usuario, por ejemplo, posteó una foto donde se ve una pila de títulos y un cartel: “Estos libros son para ayudar a pasar el tiempo”. En Argentina, Patricio Zunini —también periodista, también escritor— dejó una caja con libros en la entrada del edificio donde vive. Al otro día, varios vecinos se llevaron material de lectura. Uno dejó una carta: “Estamos muy agradecidos por este generoso gesto que tan bien nos hace en estos momentos”. Lo contó en las redes sociales, así como también el economista y politólogo Alejandro Prince y la profesora Flavia Pittella, que subieron fotos sobre cómo colectivizar la lectura en el encierro.

¿Cuándo empezó la cuarentena? La respuesta varía según los países. ¿Cuándo terminará? Eso nadie lo sabe. Algunos, los más optimistas, dicen: pronto. Los pesimistas: nunca. También están los que ya aprendieron a convivir con la incertidumbre, que creen que la normalidad volverá cuando se descubra la vacuna contra el covid-19. Mientras tanto, todos estamos sobreviviendo. Hay realidades más duras, pero el problema global es qué hacer con el tiempo. Más redes sociales, más televisión, más videollamadas. El fantasma del aburrimiento es gigante. Sin embargo, para combatirlo o, mejor, para no temerle más, está la literatura. Los lectores lo saben: no hay mejor antídoto contra el tedio que un buen libro. Jorge Carrión también lo sabe. De hecho, lo milita.

(@jorgecarrion21)
(@jorgecarrion21)

—¿Cómo ves el futuro de la literatura?, ¿creés que cambiarán los hábitos?

—Sin duda, todo cambia, y estamos en un lento proceso de digitalización de la lectura, que probablemente se acelere en este extraño 2020.

—Por último, ¿qué hacés y qué te rodea mientras respondés estas preguntas?

—Estoy tomando notas para un artículo y respondiendo e-mails como éste, mientras mis hijos de cuatro y cinco años dibujan en la misma mesa del comedor su primera página de cómic. Les he trazado las líneas de seis viñetas. Al menor le he dibujado yo los personajes y él los pinta; el mayor se ha atrevido a hacerlo solo. ¡Dos artistas!

*Contra Amazon (Galaxia Gutemberg) es un ensayo en defensa de las librerías en el que Jorge Carrión reflexiona sobre cómo la tienda online y otras empresas cambian la forma que tenemos de entender la lectura y la literatura.

Fonte: Infobae

LibraryThing: software para pequenas bibliotecas

Olá. Meu nome é Moreno, eu sou um dos editores do blog Bibliotecários Sem Fronteiras. Ao longo dos anos um dos posts mais procurados do blog é uma lista de softwares de automação de bibliotecas, incluindo softwares proprietários, livres, aplicativos, softwares de grande, médio e pequeno porte.

Qual software é o melhor para a minha biblioteca? Essa é uma das dúvidas mais comuns de quem possui uma coleção de livros que começa a ficar grande demais; ou quem está começando a trabalhar em uma nova biblioteca que ainda não foi automatizada; quem trabalha com pequenos acervos e deseja migrar de um software a outro; alguém que simplesmente deseja começar a catalogar uma pequena biblioteca.

Após testar inúmeras ferramentas e softwares disponíveis, dentre eles os conhecidos Biblivre, Wininis, Koha, aplicativos como Libib, redes como Goodreads, entre outros, a minha recomendação para pequenas bibliotecas que desejam organizar e gerenciar livros, usuários e empréstimos é o LibraryThing.

O LibraryThing possui todas as funcionalidades principais presentes nos demais softwares mas com um foco maior nos módulos de catalogação e OPAC, essenciais aos bibliotecários. Além disso ele é um sistema baseado na web, não requer instalação ou atualizações, basta ter um computador com acesso à internet. O LibraryThing oferece a possibilidade de importar dados do Amazon e de aproximadamente 5 mil bibliotecas ao redor do mundo, em formato Marc, XML, CSV, metadados em padrão Dublin Core, classificação CDD e interoperabilidade z39.50. O catálogo online funciona em paralelo ao LibraryThing, se chama TinyCat, e oferece um painel administrativo para controle de usuários e empréstimos. O LibraryThing possui uma versão gratuita e oferece planos pagos, dependendo do tamanho da biblioteca.

Neste curso vamos ver como funciona o LibraryThing, suas vantagens, desvantagens, recursos, e entender por que ele é uma ótima escolha para a gestão de bibliotecas de pequeno porte.

O curso ficará aberto gratuitamente por 14 dias (a partir de hoje, dia 19 de março). Aproveite o tempo de quarentena e atualize-se.

Fonte: Class Cursos

Exposição “Vozes dos Livros” traz livros raros da Coleção de Ema Klabin em São Paulo

Texto por Cristina Aguilera

De 17 de julho a 1º  de setembro , das 14h às 18h, a Casa-Museu Ema Klabin promove a segunda edição da Exposição “Vozes dos Livros”.  Durante a programação, os visitantes poderão conhecer livros raros que fazem parte da coleção de Ema Klabin e ouvir trechos dos mesmos durante a visita .Será possível prestigiar desde um Programa de inauguração do  Teatro Maria Della Costa até obras raras de:  Jean-Baptiste Debret (Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil), Mario de Andrade (Macunaíma –Cem Bibliófilos do Brasil – com ilustrações de Carybé), Jorge de Lima (Poemas Negros,  com ilustrações  de Lasar Segall), Simone de Beauvoir (La Femme Rompue –  ilustrada pela irmã Hélène de Beauvoir  e com dedicatória da autora para Ema Klabin), entre outras.

Foto: Divulgação

Com o tema “Identidades Paulistanas: O que eu trago? O que eu Levo”, a exposição percorre diferentes narrativas de construção de São Paulo que transitam entre a literatura e as antigas livrarias da cidade, o teatro, o costume de se corresponder por cartas com os entes distantes, a atuação da mulher na vida intelectual da cidade, a presença indígena e das populações negras em obras como Macunaíma, nos poemas de Jorge de Lima, em Câmara Cascudo ou em Cecília Meireles.

Investigando essa vasta Coleção em sua diversidade linguística e estilística encontramos vozes que falam dos paulistanos, e sua diversidade. São Paulo de muitos idiomas, que agregou muitas formas de ser e viver trazidos de países distantes ou de outros estados, das populações indígenas originárias ou das populações negras que vieram escravizadas.

Foto: Divulgação

Instalações sonoras:

A cada cômodo da casa de Ema Klabin  o público vai se surpreender com instalações sonoras com trechos marcantes de livros da coleção de Ema Klabin.

Os textos foram gravados em uma curadoria minuciosa pela  equipe técnica do museu. Trechos de obras  de Bertolt Brecht, Câmara Cascudo, Jean Baptiste Debret, Cecília Meireles, entre outros,  poderão ser apreciados.

A ideia da Exposição Vozes dos Livros” é por meio de instalações sonoras que apresentam trechos de livros,  emprestar a voz para tantas outras vozes que vivem nessa incrível coleção de Ema Klabin. Também queremos convidar cada um dos visitantes a somar a sua voz e sua história a nossa. E refletir sobre o que a gente traz e o que a gente leva das nossas relações aqui em São Paulo”,  explica a coordenadora do setor educativo da Fundação Ema Klabin, Cristiane Alves.

A programação contará também com oficinas e visitas fomentando um espaço de troca e diálogo entre a exposição e seus visitantes

Serviço:

Exposição “Vozes dos Livros” na Fundação Ema Klabin:

Data: 17 de julho a 1º  de setembro – De 4ª a domingo

Horário: das 14h às 18h

Entrada :  Sábados, domingos e feriados:  entrada franca. De  4ª a  6ª : R$10  – Sem agendamento

Local: Fundação Ema Klabin   – Endereço:  Rua Portugal, 43, Jardim Europa, São Paulo  http://emaklabin.org.br/   Fone : 3897- 3232

Não há estacionamento no local

Fonte: Surgiu

O destino das bibliotecas particulares que se tornaram públicas

Texto por Bruno Thys

(Foto: Divulgação Biblioteca Brasiliana Mindlin – Guita e José)

Dia desses, recebi um e-mail com uma lista das mais incríveis bibliotecas do planeta: a de Praga, a Real Biblioteca de Dinamarca, a de São Marcos, em Veneza, a da Universidade de Coimbra, o nosso Real Gabinete Português de Leitura, joia arquitetônica do Rio, entre outras. A mensagem incluía fotos muito bonitas e pensei no esforço de tanta gente, por tantos anos, para criá-las e trazê-las aos nossos dias. São instituições, quase todas centenárias, de países que enfrentaram guerras, catástrofes, crises financeiras etc.

Enquanto me deliciava com o conteúdo do e-mail, pensei também nos esforços individuais para formar bibliotecas particulares. Meu pai, por exemplo, dava a vida por sua bela biblioteca de perfil afrancesado – recheada de obras de Balzac, Flaubert, Moliére, e Maupassant -, que ocupava o principal cômodo de nossa casa, em Copacabana. No fim da vida ele a doou ao Colégio Pedro II, onde estudou.

Era um santuário desenhado para ser, de fato, uma biblioteca caseira, com estantes, cadeira e luzes apropriadas à leitura. Todos os que a conheceram ficavam, de alguma forma, impactados. A quantidade e a organização dos livros dentro de um apartamento, era, é e será sempre algo raro e marcante.

Nada, porém, se comparava à catedral erguida, livro a livro, por José Mindlin, o grande bibliófilo brasileiro. Dono da Metal Leve – uma das maiores fábricas de peças para a indústria automobilística -, Mindlin, com apoio de Guita, sua mulher, dedicou a vida a reunir as mais importantes obras já editadas no mundo sobre o Brasil.

Ele mantinha em sua casa, no Brooklin, algo em torno de 40 mil volumes: livros raros sobre a formação do país, escritos por viajantes que aqui aportaram; os primeiros mapas, diários e originais de obras centenárias, ilustradas manualmente sobre fauna e flora, entre tantas outras raridades. Fazem parte do acervo o texto de Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa, datilografado e com correções à mão, além das primeiras descrições do Brasil de André Thevet e Jean de Léry.

Não tive o privilégio de conhecer Mindlin pessoalmente; lia e assistia com interesse suas entrevistas e ouvi de Alberto Dines, mestre de várias gerações de jornalistas, relatos sobre a biblioteca. Os dois eram grandes amigos e Dines frequentava a casa do Brooklin também como pesquisador. Ele se referia ao Mindlin simplesmente como “Zé”.

A vida de José Mindlin girava em torno de sua biblioteca, organizada em quatro grandes segmentos: assuntos brasileiros, literatura, arte e livros como objeto de arte. No início dos anos 2000, já com mais de 80 anos, ele decidiu doá-la à USP, o que seria formalizado só em 2006 – quando foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. A burocracia fez de tudo para atrasar o sonho de Mindlin. Doar um bem privado a uma instituição pública no país exige infinita persistência e santa paciência.

Não fosse a burocracia, Mindlin teria presenciado a derradeira e mais importante parte de sua obra: a abertura ao público da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, em março de 2013, num prédio especialmente construído pela USP, na Cidade Universitária, para abrigá-la em sua integralidade. Ele faleceu três anos antes da inauguração. Desnecessário dizer que é visita obrigatória para quem gosta de livros, de Brasil, de história, de pesquisa e, sobretudo, de grandes exemplos.

Mindlin poderia fazer o que bem entendesse com sua fortuna – foi um dos homens mais ricos do país – e decidiu, na adolescência, formar uma biblioteca, sonho acalentado com Guita, sua companheira desde a Faculdade de Direito, que morreu em 2006. Aliás, a paixão de Guita pelos livros levou-a a montar um laboratório na casa do Brooklin para recuperar, encadernar, conservar e manter a biblioteca impecável.

Foram oitenta anos de garimpo, que incluíram um sem número de viagens em busca de raridades, visitas regulares a sebos e contatos com caçadores de preciosidades em várias partes do mundo. O resultado de tamanho esforço é simplesmente espetacular, principalmente num país em que a memória e a cultura recebem pouca atenção. Conhecer a biblioteca dos Mindlin é reverenciar o melhor do esforço humano em favor da sociedade.

“Nunca me considerei o dono desta biblioteca. Eu e Guita éramos os guardiães destes livros, que são um bem público”, disse Mindlin, no ato da doação, justificando o sentido de sua paixão e obra. Embora more no Rio, distante portanto da Biblioteca Mindlin, toda vez que a visito fico em dúvida se é a relevância do acervo ou o belíssimo exemplo do casal o que mais me emociona.

Ao manusear cada obra da Brasiliana dos Mindlin, imagino o trabalho e alegria do colecionador ao encontrá-la, reuni-la e oferecê-la a seus verdadeiros donos: os leitores e pesquisadores interessados na formação do Brasil. Difícil saber o que despertou, em Mindlin, o desejo de fazer da coleção de livros um projeto de vida. Arriscaria dizer que, como meu pai, Mindlin era filho de imigrantes, nasceu em 1916 e se apaixonou tanto pelo país que foi buscar nas fontes originais a história e as histórias do Brasil.

Ele achou muito mais do que buscava: Mindlin declarava ter lido 7 mil dos quase 40 mil títulos de seu acervo. E nisso residia uma questão que tirava seu sono. Para ele, seus livros só faziam sentido juntos: o valor da biblioteca estava no conjunto dos títulos, e não em volumes ou coleções isoladas. Nesse sentido, a doação à USP representava a eliminação do risco de desmembramento do acervo.

A USP, aliás, pegou o bastão e fez sua parte. Além de biblioteca, o lugar funciona como um ativo centro de cultura, pesquisa e produção de conhecimento sobre livros e o Brasil. Há eventos, debates, cursos, exposições e tantas outras atividades regulares. Parte do acervo também pode ser acessada através de buscas digitais, processo iniciado por Mindlin e Guita quando os livros ainda estavam no Brooklin.

Embora não fossem vaidosos, é impossível que José e Guita não tivessem orgulho do que legaram ao país. É um case de contribuição humana e merece ser sempre lembrado. Por falar em lembrança, quem sabe eu não receba em breve um novo e-mail com a relação de importantes bibliotecas privadas que se tornaram públicas, como a de Guita e José Mindlin?

Fonte: OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA

Acervo do professor Jorge Nagle é doado à Escola de Sociologia e Política

LIVROS E PASSAROS Josiane Pereira ajudou a cuidar da biblioteca do professor Jorge Nagle. (Foto: divulgação)

O acervo composto por 20 mil livros da biblioteca particular do professor Jorge Nagle foi doado à Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). A transferência de todos os títulos foi feita durante dois anos, com o acompanhamento de Nagle, que faleceu na semana passada, aos 90 anos.

O professor chegou em Mogi das Cruzes no fim dos anos 1990 para trabalhar na Universidade de Mogi das Cruzes. Ali, atuou no Núcleo de Estudos e Pesquisas em Ensino. Gostou tanto de Mogi que para cá se mudou. E organizou na casa onde passou a morar, no Socorro, o acervo que impressionava quem o conhecia. O conjunto foi doado à Escola de Sociologia e Política em vida, como afirma Josiane Pereira, que ajudou a cuidar da biblioteca.

QUEM FOI Jorge Nagle atuou no Núcleo de Estudos e Pesquisas em Ensino da UMC, sua biblioteca contém mais de 20 mil títulos. (Foto: divulgação)

Josiane havia trabalhado com o também professor José Ênio Casalec, na mesma função: os cuidados com os livros. Quando este faleceu, passou a cuidar da biblioteca de Nagle, e deverá continuar com essa função e com os cuidados com os pássaros que ele alimentava há 16 anos, na pracinha do Socorro.

Os livros eram a grande paixão. A biblioteca é considerada como uma das maiores e mais completas que permaneceram na cidade. “Ele não juntava livros, ele construiu um acervo de uma maneira que contagiava. Eu aprendi muito com ele. Nunca vi alguém ter tanto carinho pelo livro. Quando chegava algum com uma capa suja, ele tinha uma ‘misturinha’ especial para limpar, e se não conseguisse recuperar a original, fazia ele mesmo uma outra capa. Era extraordinário com as pessoas, que ajudava sempre. Lidava com pessoas que não eram intelectuais como ele, gostava de ficar entre as pessoas simples”. Josiane foi contagiada pelo mestre.

Formada em história pela Universidade de Santos, mas mogiana de nascimento, ela participa da ONG Amigos e Eu, de Jundiapeba, onde reside. Uma vez por semana, ela leva os próprios livros, que passou a colecionar, e lê para as crianças nas atividades de incentivo à leitura.

O professor Nagle cultivou amizades em Mogi, como a do médico e professor Melquíades Machado Portela. “Era um homem de inteligência aguçada, seletivo nas amizades, e com um conhecimento em educação que pouquíssimos possuem. Era um polimata, que falava com propriedade de assuntos que iam de sociologia, religião, filosofia, humanidades como poucos”.

Durante a passagem do educador pela UMC, Melquíades comentou que Nagle participou de um período denominado “’Novo Rumo”, caracterizado pelos investimentos em pesquisas e estudos. Nagle, que foi reitor da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo) atuou na instituição mogiana entre 1987 e 2000. Após isso, adotou Mogi em definitivo.

De hábitos simples, como a comida sem sal e formada praticamente só por legumes cozidos, o professor tinha controle dos problemas de saúde que chegaram com a idade. “Era muito saudável, mas caiu uma primeira vez, e teve um forte edema, e teve uma segunda queda, quando se desequilibrou ao atravessar a rua do Mercadão, e ficou sete dias internado, teve alta, e dois dias depois, novamente foi para o hospital, de onde não mais voltou”. Ele teve um agudo edema pulmonar, causa de sua morte.

Na casa do professor, prosseguirão os cuidados com os cerca de 2 mil livros e com os passarinhos que chegam pela manhã e à tarde em busca das frutas, e apelidados carinhosamente de “venezuelanos”.

Jorge Nagle foi enterrado como recomendou, no sábado passado: após um rápido velório (três horas), sem paletó e nem gravata, e nenhuma cerimônia religiosa. Mas ao som de música clássica, com flores do campo, uma bandeira do time do coração, o Corinthians, e um exemplar de Paidéia – A Formação do Homem Grego, de Werner Jaeger, que fala sobre o sistema de educação e ética desenvolvido na Grécia Antiga, sustentado por temas como Retórica, Matemática, Música, Geografia, Historia, Filosofia, e outros, com o intento de formar um cidadão ético e completo.

Fonte: O Diário

10 consejos para mantener en perfectas condiciones los libros de tu biblioteca personal

Los libros son uno de los bienes materiales más preciados que tenemos en casa y en nuestras vidas

10 consejos para mantener en perfectas condiciones los libros de tu biblioteca personal

Los libros son uno de los bienes materiales más preciados que tenemos en casa. Estos ocupan un lugar importante en ella y en nuestras vidas. Nos gusta disponer, deleitarnos y mostrar a las personas que vienen a casa que tenemos una excelente colección de libros en perfectas condiciones. Para ello basta con seguir una serie de cuidados para que no se deterioren y luzcan el mayor tiempo posible como cuando salieron de la librería.

Existen multitud de consejos para cuidar y conservar nuestros libros. Recomendaciones que van desde su disposición en el hogar (como no exponerlos a la luz directa del sol, no tenerlos en habitaciones húmedas, limpiarles el polvo, colocarlos de manera uniforme) hasta consejos sobre su uso y utilización (no forzarlos al abrir, no subrayar o escribir en ellos, no comer o beber mientras leemos…). Te sugiero que sigas los siguientes consejos para que puedas presumir por mucho tiempo de biblioteca personal.

Es verdad que algunas recomendaciones pueden parecer algo exageradas, pero no está de más tenerlas en cuenta a la hora de llevar a cabo una buena planificación en cuanto a conservación y preservación libresca. El amor que profesas por tus libros puede no ser compartido por el resto de personas de la casa, es por ello por lo que es importante mostrar que para ti son muy importantes y que deben ser tratados y respetados de igual modo que haces tú.

1. No expongas los libros a la luz directa del sol.

La exposición prolongada a los rayos solares provocará la decoloración del lomo y cubierta del libro, la sequedad y amarilleamiento de las páginas y la posible pérdida de la intensidad de la tinta. Es por eso por lo que las estanterías de libros no deben estar situadas cerca de ventanas que no cuenten con persianas, cortinas o estores que eviten la entrada directa de la luz solar.

2. Protege los libros de la humedad, así como de las fuentes de calor y de los constantes cambios de temperatura.

Tu colección de libros debe estar en una habitación que cuente con un ambiente estable, y en la que exista un equilibrio entre la humedad y la temperatura.

  • Un exceso de humedad provocará que se ondulen las páginas y se deformen. [Por cierto, espero que no te humedezcas el dedo para pasar las páginas] Por el contrario, la sequedad del ambiente provocará que se seque en exceso el papel y se vuelva quebradizo.
  • Por otro lado, los cambios constantes de temperatura también son perjudiciales para nuestra colección de libros por la dilatación y contracción de sus materiales. Así que habría que evitar a toda costa que las estanterías con nuestros libros estén cerca de las ventanas ya que son los lugares de la casa con mayor contacto con la climatología exterior. Ni tampoco cerca de radiadores, estufas, chimeneas o aires acondicionados.

También habría que tener en cuenta no tener plantas cerca de los libros. La humedad de las plantas (y su peligro al regalar) sumado a la atracción que ejercen sobre los insectos no son buenos compañeros para el cuidado de nuestros libros. La playa y la piscina también son un peligro por la humedad… y el baño, además, por los olores. Por cierto, nada de exponer los libros a aerosoles anti olores… su humedad y olor puede ser fatales para la colección.

3. Limpia el polvo de los libros asiduamente, y concienzudamente, al menos, una vez al mes

Con el paso del tiempo nuestros libros van acumulando polvo como cualquier otro elemento de la casa. Asiduamente se deben limpiar con un plumero o mismamente con una aspiradora. Los libros también deben «respirar», por lo que te aconsejo que ventiles la habitación de vez en cuando para renovar el aire. Con esto te quiero decir también que nada de encarcelar los libros en vitrinas para evitar el polvo, estarías haciendo que no contasen con la humedad necesaria.

Mensualmente (vale, quizás me he excedido, dejémoslo en trimestralmente) limpia uno por uno el polvo de los libros pasando un paño seco o una brocha por sus tapas, cubiertas y cantos. Hay quien recomienda incluso hacer una hojeada rápida del libro para evitar el polvo depositado en los cantos. Por cierto, ya que te hablo de polvo, nada de toser o estornudar sobre el libro.

Con esta limpieza más concienzuda, además, debes revisar si los libros tienen algún tipo de «enfermedad», como pudieran ser hongos o insectos. Si algún libro de tu colección está mal, aíslalo e intenta ponerle solución antes de volverlo a colocar en su sitio. Esto evitará que el resto de libros también sean infectados. Para evitar hongos y mohos, presta atención a la temperatura y humedad de la habitación. Para evitar insectos puedes utilizar remedios caseros como hacer bolsitas con hierbas o especias y colocarlas en las estanterías.

4. La colocación de los libros en las estanterías es más importante de lo que piensas.

Los libros deben descansar lo más cómodamente para ellos según sus dimensiones, y no por nuestros gustos decorativos. Te recomiendo colocar los libros de forma vertical y, más o menos, por el mismo tamaño. Esto ayudará que formen un conjunto y queden bien acomodados, favoreciendo así el buen alineamiento de las páginas y el mantenimiento del encolado en la encuadernación.

Es importante que no estén muy apretados los unos con los otros, ni que queden bastante holgados. Esto último pensando en los libros de tapas blandas y que tienden a una rápida deformación. Es interesante también dejar un espacio tras los libros que favorezca la ventilación y el «respirar» que te he comentado en el anterior punto.

Los libros más pesados se pueden colocar de forma horizontal para equilibrar el peso en una base mayor. Por cierto, si tienes la intención de colocar libros en horizontal sobre los libros colocados en vertical, asegúrate de que estos últimos forman una base uniforme y lisa para evitar la deformación con el paso del tiempo de los libros colocados en horizontal por tener una «mala postura».

5. No fuerces los libros al abrirlos.

A la hora de utilizar los libros, bajo ningún concepto los abras a 180 grados para que queden planos sobre la mesa, y me atrevería a decir que tampoco a 120 grados. No es la postura más idónea si lo que queremos es conservar su encuadernación. Abre el libro respetando el ángulo de apertura que la encuadernación te permita sin llegar a forzarla. Créeme que sabrás cuál es su tope (si has escuchado un chasquido ya es tarde). Lo ideal sería abrirlos a 90 grados. Sí, tienes razón, no es lo más cómodo para leer, pero quizás sí para el bienestar de nuestros libros.

6. No subrayes, escribas, guardes o pegues nada en los libros… y no dobles las esquinas de las páginas.

Existe infinidad de actos que se pueden realizar sobre un libro y que bien pudieran ser considerados como actos vandálicos sobre bienes personales. Si lo que quieres es conservar tus libros por el mayor tiempo posible, por favor, no hagas nada de lo que enumero a continuación:

  • Subrayar frases o pasajes que te parezcan interesantes.
  • Escribir notas en los márgenes.
  • Arrancar hojas porque te encantan o porque odias lo que dicen.
  • Doblar las esquinas de las páginas para marcar por dónde vas.
  • Usar marcadores no apropiados: flores, hojas, marcapáginas de baja calidad de impresión (una baja calidad de impresión puede dejar manchas en las páginas de los libros), objetos con cierto grosor…
  • Usar marcadores con pegamento (posits). Estos pueden decolorar el papel e incluso dañar la tinta.
  • Usar libros para calzar mesas o sillones.
  • Utilizar los libros como posavasos.

7. No comas o bebas mientras estás leyendo un libro… ¡Y lávate las manos antes de leerlo!

Seguro que tu adicción por los libros hace que no puedas parar de leerlos. Lees al despertar, en el transporte público, en las esperas, en el baño (ya sabes lo que pienso de la humedad y olores), en los viajes… Y también lees mientras estás comiendo o tomando un aperitivo. Mucho cuidado con esto, por favor.

Las manchas de grasa que puedes dejar sobre las páginas del libro son difícilmente reparables, por no hablar de los líquidos (agua, café, leche…) o restos de comida que pudieran quedar entre las páginas (migas de pan, sobre todo). Un descuido o un accidente nos puede pasar a cualquiera, por eso (y por el bien de tu colección de libros) trata de evitar comer y beber mientras estás leyendo.

Ah… y muy importante: Si acabas de terminar de comer y te dispones a leer, lávate las manos. Esto evitará traspasar posibles restos de grasa, comida u olores a los libros. Bueno, casi mejor, lávate y sécate bien las manos siempre antes de empezar a leer.

8. Ten mucho cuidado cuando saques los libros fuera de casa.

Los libros son para disfrutarlos en cualquier lugar y momento. Esto hace que sean fieles compañeros de viaje y te acompañen allá donde vayas. A la hora de transportarlos pueden sufrir daños accidentales al meterlos en la mochila o en el bolso. Daños como rasguños y manchas en las tapas o cubierta, o el doblamiento de las páginas. Para ello te recomiendo utilizar una funda para «vestir» tu libro para que pueda volver a casa tal y como lo sacaste de la estantería.

Por otro lado, las inclemencias del tiempo (hablo de la lluvia) pueden causar estragos en tus libros si no los transportas en un lugar en el que queden bien protegidos. Para este caso puedes llevar siempre contigo una bolsa con cierre hermético y guardar ahí el libro ante las adversidades climatológicas.

También tienes que tener cuidado si lees de pie en el transporte público y se tropieza alguien sobre ti. Esto podría dañar el libro, sobre todo doblar sus páginas. Trata de proteger siempre el libro ante este tipo de situaciones.

Para finalizar, aunque hay muchos más peligros, si estás leyendo bajo un árbol en el parque es probable que caiga sobre el libro alguna sustancia no identificada. No te diré que leas con un paraguas o con el libro metido en la bolsa hermética, pero sí que trates de evitar los árboles en floración y que tengan nidos de pájaros.

9. Una vez que termines de leer el libro déjalo de nuevo en su sitio.

Un libro que no está en su sitio es un libro perdido… o que puede sufrir cualquier accidente. Cada vez que termines de leer un libro, colócalo de nuevo en su lugar. Con esta acción podrás evitar que quede a la vista de cualquier persona que no tiene tanto amor y aprecio por los libros. Ya sean amigos, familiares o animales de compañía (como perros o gatos). ¿Quién no se ha sentado alguna vez en el sofá sobre un libro oculto tras un cojín? ¿O quién no ha visto a alguien apartar de malas maneras un libro que está sobre la mesa? Por eso, se responsable de tus libros si quieres mantenerlos en perfectas condiciones el máximo tiempo posible.

Por cierto, y no es que tenga que ser un ritual, pero no vayas con prisa a la hora de colocar el libro en la estantería. La cuestión es no forzar el libro a colocar ni el resto que está a su lado. Ya sabes que la encuadernación y el papel de la mayoría de los libros tienden a ser frágiles y doblarse.

10. Presta tus libros solamente a personas de confianza.

Existen múltiples formas de proteger tus libros ante el préstamo a amigos y familiares. Por ejemplo: no dejarlos a la vista, hacer saber que son tu mayor tesoro e incluso decidir no prestar a nadie tus libros.

Sin llegar al extremo de no prestar, pongámonos en el caso de te gusta dejar tus libros a otras personas y que los disfruten tanto como tú. Ahora bien, recuerda que lo que quieres es mantener el libro en cuestión en perfectas condiciones… y para eso se tienen que cumplir las anteriores condiciones.

Yo te recomendaría (sin dudarlo) que los prestases sola y exclusivamente a personas de tu confianza. Con confianza quiero decir que prestes tus libros a personas que los tratarán de igual modo que haces tú.

Fonte: Julián Marquina

Biblioteca Calil e seu raro acervo

Um  patrimônio literário valiosíssimo está a venda. A família de Líbano Calil tenta negociar a biblioteca de 15 mil títulos que o livreiro construiu durante uma vida inteira. Eles não querem vender os livros separadamente, procuram uma instituição interessada em todo o acervo, que em termos de raridade, é comparável à biblioteca de José Mindlin, outra importante coleção doada a Universidade de São Paulo.

Fonte: Metrópolis

UFSCar oferece visitação monitorada em coleções de obras raras e especiais da Biblioteca Comunitária

Texto por Ivan Lucas

Foto: Arquivo DeCORE/BCo
Atividade é ofertada às terças-feiras para grupos, escolas e público em geral, mediante agendamento

O Departamento de Coleções de Obras Raras e Especiais (DeCORE) da Biblioteca Comunitária (BCo) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) oferece visitação gratuita monitorada para grupos, escolas e outros públicos que tenham interesse em conhecer suas obras raras. Com a visita, os participantes conhecerão um pouco de cada coleção do DeCORE, que engloba itens como a biblioteca particular do escritor e jornalista Luís Martins, comprada pela Universidade em 1995, com obras de Literatura Brasileira, Literatura Europeia e Artes, com grande número de obras com dedicatórias de personalidades como Tarsila do Amaral, Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade, dentre outras.

O acervo também tem a coleção do escritor e crítico literário Henrique Luiz Alves, que é inteiramente dedicada à Literatura Brasileira, com várias primeiras edições e com dedicatórias de diversos autores. O DeCORE possui, também, o acervo de livros do sociólogo Florestan Fernandes, além de minimuseu que reúne os objetos pessoais do sociólogo, como placas de homenagens, distinções, óculos, máquina de escrever, fotos da família, diplomas, bem como a beca que Fernandes utilizou durante a solenidade em que recebeu o título de Doutor Honoris Causa na Universidade de Coimbra, Portugal. Todos os objetos do minimuseu foram cedidos pela família do sociólogo.

Outra coleção especial do Departamento é a do militar e político Luiz Carlos Prestes, adquirida em março de 2018 pela Universidade por meio de doação de sua filha, Anita Prestes. Há, também, fascículos da Revista Ilustração Brasileira (RIB) – com publicações de 1920 a 1951, que retratam os usos e costumes do Brasil -; e as coleções Ficção Científica e Brasiliana – esta última reunindo um conjunto de obras específicas sobre História, Geografia e viagens do Brasil.

Dentre os materiais raros alocados no DeCORE destacam-se, por fim, os livros mais antigos do acervo da BCo – de autoria do poeta português Francisco de Sá Miranda, publicados em 1784 -; as primeiras edições das obras “As Meninas” e “Porão e Sobrado”, de Lygia Fagundes Telles; assinatura do escritor Raduan Nassar em livros de sua autoria adquiridos para as Coleções Especiais; assinatura de Fidel Castro; dentre vários outros.

As visitas ao DeCORE acontecem às terças-feiras, nos três períodos de funcionamento da Biblioteca – manhã, tarde ou noite. Pessoas interessadas devem preencher um formulário de agendamento (disponível em http://bit.ly/2Vzht3W). Mais informações podem ser obtidas pessoalmente com a equipe do DeCORE, localizado no Piso 5 da BCo, área Norte do Campus São Carlos, entre 8 e 22 horas, ou pelo telefone (16) 3351-8428 ou e-mail colesp.bco@ufscar.br.Fonte: www.radiosanca.com.br

Em SP, filhos tentam negociar biblioteca de Líbano Calil, com títulos valiosos

Por Agência Estado

Uma luz baixa, a mesa de estudos, a velha máquina de escrever, as prateleiras abertas para arejar e o cheiro de livro usado. Quase tudo naquele espaço remete à presença do patriarca, Líbano Calil, falecido em 1993, e responsável pela construção de um tesouro guardado no fundo de uma casa, no bairro do Ipiranga, na zona sul de São Paulo: uma biblioteca particular. O lugar tem cerca de 15 mil exemplares raros, uma coleção comparável (em termos de qualidade) às bibliotecas de José Mindlin (hoje na Cidade Universitária) e da família Safra.

Desde o falecimento do pai, os filhos de Calil, Maristela e Líbano (conhecido como Libaninho) tentam vender a biblioteca do pai. À princípio, a notícia da venda circulava apenas entre um seleto grupo de especialistas. Mas, desde janeiro do ano passado, o anúncio foi postado na página do sebo da família, a Livraria Calil Antiquária.

Os irmãos já não falam mais em preço – pois temem pela própria segurança. Mas, claramente, são herdeiros de um patrimônio literário valioso. “Por favor, não coloque valores. Hoje em dia, precisamos nos preocupar com esse tipo de coisa”, pediu Maristela. Mas, para se ter uma ideia por alto, alguns exemplares da biblioteca podem custar mais de US$ 10 mil (R$ 38,6 mil) no mercado de livros raros. Maristela e Líbano já tentaram vender para universidades e governos – eles não pretendem desmembrar a biblioteca ou comercializar exemplares avulsos.

Na biblioteca, é possível encontrar todas as primeiras edições da obra de Machado de Assis; a primeira edição autografada por Guimarães Rosa de Grande Sertão Veredas; muitas obras de autores modernistas (sempre em 1.ª edição), como o Pau Brasil (Oswald de Andrade) e da revista Klaxon, editada entre 1922 e 1923 (marco para o modernismo). Além disso, estão lá, e em bom estado, obras como Arte de Furtar, Espelho de Enganos, e Theatro de Verdades, do Padre Antônio Vieira, em uma edição de 1744; e Reflexões Sobre a Vaidade dos Homens ou Discursos Morais Sobre os Efeitos da Vaidade, de Matias Aires, em uma edição de 1752. Todo o acervo é autenticado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Paixão

O patriarca, de origem libanesa e nascido na cidade de Catiguá, próxima a Catanduva, desenvolveu sua paixão pelos livros desde muito cedo. Quando criança, guardava o dinheiro que ganhava para comprar doces, ir ao cinema ou ao teatro para gastar com livros. Pensou em trabalhar com médico, mas uma lesão ocular fez com que deixasse essa vocação para trás. Começou com um pequeno sebo próximo à Catedral da Sé – tendo o cuidado de separar quais eram os livros do sebo e quais seriam os livros de sua biblioteca.

Desde 1945, a Livraria Calil Antiquária funciona no 9.º andar do número 88 da Rua Barão de Itapetininga, no centro da cidade. O local é um labirinto, bem organizado, de livros – são quase 450 mil títulos. Por lá, já foram gravadas propagandas de TV e uma cena do filme sobre a vida de Carlos Marighella, dirigido por Wagner Moura, mas ainda não lançado no Brasil.

É na livraria que a filha de Calil, Maristela, passa todos os dias. Atende clientes eventuais, faz negócios pela internet e ouve música clássica. Por ter herdado a paixão do pai, trata os livros como seres vivos e uma verdadeira fonte de prazer e sabedoria. Não raro, atua para comprar bibliotecas particulares. “Tento vender a do meu pai para que mais gente tenha acesso ao seu acervo, mas, ao mesmo tempo, vou atrás de famílias que estão vendendo as suas bibliotecas, para que não se percam ou estraguem.”

A mesma paixão está no DNA do irmão de Maristela, o Libaninho. Apesar do desejo de vender a biblioteca do pai, ele diz já saber o que fazer com o dinheiro de uma futura venda. “Olha, vou te contar, acho que eu investiria na criação de uma nova biblioteca, como essa aqui do meu pai.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: www.folhadaregiao.com.br

A biblioteca de… Martha Abreu

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“A biblioteca de…”  é uma coluna que pretende trazer o mundo dos livros de referências intelectuais ao grande público. Já foram entrevistados os cientistas políticos  Maria Celina D’Araujo e Octavio Amorim Neto, e o historiador Marcos Napolitano. O intuito é  convidar nossos leitores a conhecerem mais o universo  de grandes intelectuais, pesquisadores, professores e artistas ligados a diferentes áreas do conhecimento.  Aquele ou aquela que nos  inspira pode indicar caminhos de leitura fundamentais para o nosso aprendizado. Por isso, conhecer o que essas referências  leem  é mais do que uma simples curiosidade:  é, antes de tudo, um modo de  descobrir novos horizontes do saber.

A convidada dessa edição é a historiadora Martha Abreu.

Doutora em História pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Martha Abreu é professora titular da Universidade Federal Fluminense (UFF). Tendo estudado temas como cultura popular, diáspora, cativeiro e escravidão africana no século XIX, é referência básica para quem procura entender mais a discussão racial e seus desdobramentos no Brasil. Ao lado de Hebe Mattos, produziu inúmeros artigos e livros sobre a temática, destacando-se Passados Presentes (EdUFF, 2012). Em 2003, escreveu, junto a Rachel Soihet, um livro que se tornou obrigatório nas discussões sobre História e educação, Ensino de História: conceitos, temáticas e metodologias (Casa da Palavra, 2003). Mantém, junto a outras estudiosas, o site Conversa de Historiadoras.

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1. Que livro recomenda para quem está iniciando na área de História?

Eu recomendo todos os livros de João José Reis, mas especialmente Domingos Sodré, um sacerdote africano: escravidão, liberdade e candomblé na Bahia do século XIX. Através de Sodré, acompanhamos a luta dos escravizados africanos pela liberdade, seus movimentos em busca da reconstrução de suas vidas e de sua autonomia, no campo familiar, religioso e político. Ao lado de Domingos Sodré, percorremos grande parte da história da Bahia e do Brasil no século XIX, com evidentes repercussões até nossos dias. João Reis nos oferece uma das melhores oportunidades para acompanhar o trabalho do historiador com suas fontes, métodos, discussões historiográficas, rigor teórico e envolvente narrativa.

Mas não posso deixar de citar outros historiadores que foram fundamentais para a reescrita da história da escravidão e da abolição a partir da década de 1980, tais como Sidney Chalhoub, Silvia Lara, Robert Slenes, Flavio Gomes, Maria Helena Machado e Hebe Mattos.

2. Qual foi o livro que mais gostou de escrever?

Eu gostei de escrever todos. A escrita da história é uma atividade fascinante, embora sempre trabalhosa, tanto em livro, como em roteiros de filmes, atividade que tenho me aventurado. Já que preciso escolher, decido pelo último, até porque é o mais recente e tenho saudades do tempo da escrita: Da Senzala ao Palco: canções escravas e racismo nas Américas, 1870-1930. Esse livro partiu da pesquisa em torno das músicas criadas pelos escravizados na diáspora, como o cakewalk e o jongo, mas que acabaram fazendo sucesso no próspero mercado cultural das partituras para piano, dos teatros de revista e da indústria fonográfica, em todas as Américas. Foi fruto também de uma longa experiência no magistério e nas atividades de orientação sobre o Atlântico Negro, assim como de inúmeras visitas de pesquisa a comunidades negras detentoras de patrimônios culturais.

Entre as melhores novidades do livro, destaco o papel central do protagonismo dos músicos negros, entre o final do século XIX e início do XX, na transformação da música moderna. Com seu talento e presença no mundo artístico, ao lado de seus gêneros e estilos, enfrentaram e subverteram inúmeras situações de racismo. Foi também muito revelador conseguir aproximar e conectar tão de perto as relações raciais no Brasil e Estados Unidos no campo cultural.

3. Que livro que você escreveu teve maior repercussão e crítica? A que atribui isso?

Acho que foi o Império do Divino: festas e cultura popular no Rio de Janeiro, 1830-1900. Talvez porque tenha sido um dos primeiros trabalhos em que o tema das festas (e da cultura popular) despontou no campo da historiografia brasileira (ao lado também dos livros de Rachel Soihet, Maria Clementina Pereira Cunha e Leonardo Pereira). Com foco no Rio de Janeiro, o livro caminha pelo período imperial e republicano, mostrando as íntimas relações entre cultura, política e história social. As festas não mais poderiam ser vistas na história do Brasil como válvulas de escape, oportunidades de fuga das tensões sociais ou distantes das lutas políticas pela cidadania.

Entretanto, acho que meu livro de maior vendagem foi o que organizei com Rachel Soihet sobre Ensino de História, em 2003. Esse livro inaugurou um novo compromisso dos pesquisadores universitários com o ensino de história. Passou a ser muito citado por professores e tornou-se referência de muitos concursos públicos. Desde então, é possível verificar um considerável aumento do intercâmbio entre os pesquisadores das universidades e os professores de história, embora muita coisa ainda precise ser feita.

4. Qual livro de História é obrigatório ter na estante?

Para quem se interessa pela história dos populares e dos trabalhadores dentro do campo que conhecemos como “história vista de baixo”, incorporando a perspectiva das lutas no campo cultural, a leitura da obra de E.P. Thompson sobre A Formação da Classe Operária é obrigatória. Mas, em nosso país, não é mais possível escrever ou ensinar história sem a discussão da questão racial e da história das mulheres. Nesse sentido, gosto de destacar o livro de Wlamyra Albuquerque, O Jogo da Dissimulação. Abolição, Raça e Cidadania no Brasil. A autora não só atualiza o leitor nas lutas dos escravizados pela abolição, como dá um passo fundamental para nossa compreensão sobre os processos de racialização que operam nas relações sociais desde então.

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5. Em sua biblioteca, tirando as suas próprias obras, qual autor(a) está mais presente?

Os livros de minha parceira Hebe Mattos, fundamentais para a compreensão do Brasil escravista e das lutas sociais no pós-abolição (entre eles, Das Cores do Silêncio, Cidadania e Escravidão e Memórias do Cativeiro). Eu e Hebe Mattos crescemos juntas como historiadoras e passamos, nos últimos 15 anos, a trabalhar em parceria na pesquisa sobre memórias do cativeiro e racismo, especialmente em comunidades quilombolas. Hebe trazia sua bagagem do campo da história social da escravidão e eu a formação em história social da cultura e da cultura popular. Escrevemos muitos trabalhos juntas e realizamos três filmes que envolvem a escrita da história em vídeo, sem dúvida uma nova e importante dimensão do trabalho do historiador: “Memórias do Cativeiro” (2005), “Jongos, Calangos e Folias, Música Negra, Memória e Poesia” (2007) e “Passados Presentes, Memória Negra no Sul Fluminense”.

6. Qual foi o último livro que você leu e te marcou?

Eu adoro o gênero biografia. Tenho lido belos trabalhos sobre personagens que nos fazem sentir de uma forma mais próxima a história e, principalmente, as lutas antirracistas, como, por exemplo, o livro de Julio Claudio da Silva, sobre a atriz Ruth de Souza e a autobiografia da imbatível Michelle Obama. Mas o livro que mais me marcou mesmo nos últimos tempos foi Becos da Memória de Conceição Evaristo. Através da narrativa de uma jovem, Maria Jovem, e das memórias de Conceição, percorremos as fortes histórias de personagens de uma  favela que se transformava. Suas tristezas e sofrimentos são narrados com enorme sensibilidade, aproximação e delicadeza. É um livro imperdível.

7. Qual o seu livro preferido fora da área de História?

Não é exatamente um livro “fora” da área de História, pois foi escrito por um sociólogo negro, Paul Gilroy, sobre as trocas culturais e musicais no mundo Atlântico. Gilroy consegue nos fazer compreender como as trocas culturais atlânticas, desde o tráfico negreiro, foram fundamentais para a emergência da música negra e para a transformação artística e estética do mundo contemporâneo, do cakewalk ao samba, do jazz ao chorodo pagode ao hiphop. Sem dúvida, estamos num mundo conectado e profundamente marcado pela presença africana (tanto no campo cultural, como nos séculos de trabalho forçado), embora isso ainda não seja devidamente valorizado.

8. Qual tema você pretende abordar no seu próximo livro?

Nunca tive coragem de estudar diretamente o mundo do samba. É um mundo quase sem fim por sua força criativa musical e local fundamental de discussão da própria nação brasileira. Mas a maturidade intelectual talvez esteja me deixando mais atrevida e disposta a contribuir para a construção de uma história dos samba que valorize o músico negro e seu protagonismo – e não celebre o gênero como local do encontro de uma nação mestiça, ironicamente tão marcada pela desigualdade e pelo racismo. Se pensarmos bem, temos poucos trabalhos sobre a história do samba produzidos por historiadores. Como há muito material memorialístico, fica a impressão, totalmente equivocada, de que já sabemos tudo sobre a história do  samba. Bem, minha contribuição, se tudo der certo, será em torno da fundação das Escolas de Samba no final da década de 1920. Pretendo demonstrar, com densidade, o quanto seus fundadores estavam diretamente ligados ao legado dos últimos africanos aqui chegados no século XIX e ao patrimônio cultural construído por seus antepassados no tempo do trabalho forçado nas plantações de café do velho Vale do Paraíba (fluminense, mineiro e paulista). Filhos e netos de escravizados fundaram as instituições culturais mais longevas e modernas da cidade do Rio de Janeiro: as Escolas de Samba. Não será importante contar essa história dessa forma?

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Para acessar o lattes de Martha Abreu, clique aqui.

Fonte: NO CENÁCULO

Biblioteca de Pederneiras expõe miniaturas de artesão da cidade

Aposentado começou a fazer as esculturas após descobrir câncer

Confecção das miniaturas funciona como terapia para artesão. Prefeitura de Pederneiras/Divulgação

Pederneiras – A Biblioteca Municipal “Paula Rached” de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) recebe uma exposição de miniaturas de madeira e alumínio confeccionadas pelo artesão pederneirense Jorge Fagundes de Brito, um aposentado de 58 anos que, após a descoberta de um câncer de pele, começou a fazer as esculturas para se distrair e aliviar o estresse trazido pela doença.

“A Biblioteca sempre procura expor e valorizar a criatividade pederneirense e esse é, além disso, um exemplo de superação. Convido a todos para visitarem a exposição e aproveitarem para conhecer os novos livros que a biblioteca adquiriu recentemente”, declara a bibliotecária Adriana Couto.

A Biblioteca Municipal fica na eua Santos Dumont, O-40, Centro, ao lado da Secretaria Municipal de Educação, e funciona das 7h30 às 11h30 e das 13h às 16h30. Informações pelo (14) 3252-3100.

Fonte: Jornal da Cidade

9 programas para gestionar tu biblioteca personal de libros electrónicos

Herramientas para administrar y gestionar nuestra colección de libros electrónicos

9 programas para gestionar tu biblioteca personal de libros electrónicos

En ocasiones, nuestra biblioteca personal de libros electrónicos vive en un caos absoluto. Son tantos los archivos que tenemos en el disco duro (en el mejor de los casos organizados por carpetas de autor o año) que nos da muchísima pereza ponernos a darle un poco de sentido y orden a nuestra colección digital. Este problema no va a desaparecer por sí solo, es más, seguro que va a ir creciendo con el paso de los años.

Pasamos por etapas en las cuales nos gusta ir acumulando más y más archivos de libros electrónicos, y que lo más seguro es que nunca leamos. Poseídos por una fuerza que nos empuja hacia el tsundoku digital(aunque se asemeja más a un síndrome de Diógenes digital) nos vemos arrastrados a descuidar la importancia de la catalogación y organización para saber qué tenemos y dónde lo tenemos. De ahí la importancia de contar, al igual que sucede con nuestra biblioteca personal de libros impresos, con herramientas para administrar y gestionar nuestra colección de libros electrónicos.

Sin duda que Calibre es la mejor opción (seguro que ya conocéis este software para administrar los ebooks), pero existen otras alternativas. Otros programas con los cuales administrar, gestionar, catalogar y organizar nuestra colección digital. Y con los cuales podremos, entre otras cosas, gestionar los metadatos de los libros electrónicos, convertir nuestros ebooks a otros formatos, crear estanterías digitales personalizadas… Nada que no pueda hacer Calibre. Aun así, os presento a continuación una lista con algunos programas para administrar libros electrónicos (ebooks management)… porque en los pequeños detalles están las grandes diferencias.

 

1. Calibre

Calibre es un administrador de libros electrónicos poderoso y fácil de usar. Los usuarios de dicha herramienta dicen que es excepcional y que no puede faltar. Con ellas podrás ahorrar tiempo en la gestión de tu colección de libros electrónicos, usarlo en cualquier parte, dispone de un visor de ebooks completo, además podrás editar los libros de tu colección. También es completamente gratuito y de código abierto, ideal para usuarios ocasionales y expertos en informática.

Calibre

2. Alfa eBooks Manager

Alfa Ebooks Manager es un programa que te permite organizar tus libros electrónicos y en papel en una única biblioteca electrónica. Con este programa podrás tener todos tus libros en un solo lugar y catalogar cualquier información del libro. También podrás personalizar la apariencia de tu biblioteca electrónica y escanear (y editar) los metadatos de los ebooks. Dispone de un lector de libros electrónicos incorporado y podrás convertir tus libros electrónicos de un formato a otro, entre otras cosas.

Alfa Ebooks Manager

3. Adobe Digital Editions

Adobe Digital Editions permite organizar tus publicaciones digitales y administrar tus dispositivos con opciones para crear estanterías personalizadas ordenadas por título, autor y editor. También permite buscar palabras clave en todos los capítulos de tus libros electrónicos a través de una funcionalidad intuitiva de búsqueda de texto completo. Además, de ser una buena solución es imprescindible para solicitar en préstamo libros electrónicos en la biblioteca.

Adobe Digital Editions

4. Booknizer

Booknizer es un poderoso organizador de bibliotecas para libros en cualquier formato: papel, electrónico (EPUB, MOBI, PRC, PDF, FB2) y de audio (MP3, M4b, WMA, etc.). Con la ayuda de este programa podrás: Ordenar tu biblioteca y organizar tus libros de manera sencilla, recordar el argumento de un libro en particular y cuánto te ha gustado, obtener información sobre otras obras del autor y su biografía, y llevar un registro de los libros que prestas a tus amigos.

Booknizer

5. LUCIDOR

LUCIDOR es un programa de ordenador para leer y gestionar tus libros electrónicos. Admite libros electrónicos en el formato de archivo EPUB y catálogos en formato OPDS. Con este programa podrás leer libros electrónicos en EPUB, organizar tu colección de libros electrónicos en una librería local, buscar y descargar libros electrónicos de Internet y convertir feeds y páginas web en libros electrónicos.

LUCIDOR

6. eXtreme Books Manager

Con eXtreme Books Manager podrás administrar todos tus libros electrónicos en tu disco duro, además de tus libros, revistas y cómics. Dispone de un nuevo diseño con más opciones para elegir y una nueva interfaz más limpia y simple. Con este programa podrás catalogar tus libros electrónicos simplemente escaneando tus dispositivos. El escáner del dispositivo es nuevo, ahora es más inteligente y puede catalogar automáticamente toda tu colección.

eXtreme Books Manager

7. BookONO E-book Manager

BookONO es un administrador y lector de libros electrónicos (PDF y EPUBs) diseñado como un complemento para Calibre. Donde Calibre intenta tomar control total sobre tus libros, este programa te da control sobre ellos. Intenta además tomar una dirección diferente en términos de su interfaz de usuario, proporcionando una experiencia estética más agradable para el usuario que Calibre. También permite la sincronización y que múltiples personas puedan acceder a tus libros desde cualquier lugar.

BookONO

8. All My Books

All My Books es un software fácil de usar y realmente poderoso. Con este programa podrás gestionar y organizar tu biblioteca de libros de manera sorprendentemente rápida y fácil. Recoge información sobre libros de varias bases de datos en línea tan pronto como ingresas el título del libro. Por lo tanto, te ayuda a administrar tu biblioteca de libros sin esfuerzo y te ofrece un montón de funciones vitales para cada colección de libros electrónicos.

All My Books

9. Epubor

Epubor es un buen administrador de libros electrónicos que te permite administrarlos desde diferentes fuentes. Te ayuda a clasificar, modificar, convertir y transferir tus libros electrónicos, y facilita la gestión de tus colecciones electrónicas. Con este programa podrás catalogar tus libros electrónicos y modificar sus metadatos, o convertir y transferir libros electrónicos encriptados, entre otras funcionalidades.

Epubor

Imagen superior cortesía de Shutterstock

Fonte: Julián Marquina

Biblioteca “assassina” envenena, aos poucos, família no leste da China

Por iG São Paulo

Quando o filho do casal começou a apresentar sintomas de rinite alérgica, a família resolveu investigar o que estava causando o problema na criança

Foto: Creative Commons/Flickr Abhi Sharma
Quando os filhos do casal ficaram doentes, a família resolveu investigar a biblioteca particular da casa

Algumas bibliotecas guardam livros secretos, obras raríssimas e documentos registrados há milhares de anos. Outras, porém, parecem esconder segredos um pouco mais perigosos no meio de suas páginas: veneno. Foi o que aconteceu com uma família chinesa, que não percebeu como a concentração de livros da biblioteca de sua casa estava se tornando uma grande ameaça.

Com milhares de livros acomodados em sua biblioteca , um casal da cidade de Taizhou, no leste da China, começou a investigar os sintomas de rinite alérgica em seu filho. Depois de algum tempo e muito dinheiro gasto em exames e tratamentos, receberam a chocante notícia de que todos os membros da família estavam sendo, pouco a pouco, envenenados pelas obras literárias.

Há anos os adultos sofriam com tosses constantes cuja origem nunca fora descoberta, mas eles só resolveram procurar um médico quando o filho ficou doente. O casal despendeu mais de 8 mil yuans (quase R$ 4 mil) em tratamentos médicos e exames, mas nada parecia funcionar, e os médicos não sabiam o que mais poderia ser a causa da doença na criança.

De acordo com o portal South China Mourning Post , a mãe do menino pensou que, talvez, a resposta para os problemas estivesse no ar da casa. Foi então que ela pediu às autoridades da cidade que testassem o ar do apartamento, assim descobrindo que havia uma quantidade acima do normal deformaldeído em todos os cômodos.

Montando as peças do quebra-cabeça 

Ao descobrirem que um perigoso composto químico tinha tomado conta de sua casa, o casal começou a se perguntar qual seria a origem do formaldeído, composto orgânico que é considerado uma ameaça quando ultrapassa a marca de 0,08 miligramas por metro quadrado.

No quarto do casal, os testes revelaram 0,1 miligrama por m² , mas a família ficou chocada quando descobriu que a sala, que concentrava a maior parte de sua coleção de livros, os níveis chegaram a 0,26 miligramas. E então, puderam chegar àquilo que estava deixando seu filho doente.

Responsável por causar problemas respiratórios e no sistema imunológico, o formaldeído é um gás incolor que exala um odor muito forte. Ele pode ser encontrado em diversos objetos do cotidiano, como carpetes, roupas, cervejas e até mesmo na tinta usada em livros , jornais e revistas. 

Resolvido o mistério, os médicos recomendaram ao casal que melhorassem a ventilação dentro do apartamento – mas alguns especialistas acreditam que se livrar de alguns dos livros da biblioteca seja ainda a melhor solução.

Fonte: Último Segundo

Acervo milionário de histórias em quadrinho do Batman é furtado

De acordo com o dono da coleção, cerca de 439 quadrinhos foram roubados

Mais de 400 quadrinhos da coleção de Rand Lawrence foram furtados
Mais de 400 quadrinhos da coleção de Rand Lawrence foram furtados (Foto: Reprodução)

O diretor de arte da Pedigree Comics, Rand Lawrence, teve uma parcela do seu acervo de revistas em quadrinho roubado em Boca Raton, na Flórida.

“439 quadrinhos verificados foram furtados do meu depósito. Como vocês sabem, eu organizei a melhor coleção do Batman e Detective Comics que existe”, escreveu Rand, que ainda lembrou que deixa sua coleção em um local com ar condicionado e tranca dupla.

O diretor de arte disse que tem uma pista de quem possa ter furtado sua coleção, mas prefere não divulgar para não atrapalhar as investigações.

O acervo de Rand era avaliado em US$ 1,4 milhão por conter várias edições raras de histórias do Homem-Morcego. Entre as raridades furtadas, estava “Batman #2 – 8”, série de quadrinhos lançadas em 1939.

Fonte: A TRIBUNA

Antropólogo belga doa 2,4 mil livros à Unicamp: ‘A vida tem que continuar e os livros também’

Entre os títulos doados pelo professor aposentado da Universidade Estadual de Campinas (SP) estão obras de antropologia, teologia, fotografia, artes visuais e etnologia.

O antropólogo e teólogo Etienne Samain, professor aposentado da Unicamp, em Campinas (SP), doou 2.400 livros à biblioteca do IFCH — Foto: Françoise Biernaux

O teólogo e antropólogo belga Etienne Samain doou 2,4 mil livros de sua coleção para a biblioteca do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp. Entre os títulos cedidos pelo professor aposentado da Universidade Estadual de Campinas (SP) estão obras de antropologia, teologia, fotografia, artes visuais e etnologia.

“A vida tem que continuar e os livros também. Esses livros se tornarão adultos e podem viajar, tenho confiança neles e que estão seguros junto a Unicamp e o IFCH”, diz Samain.

Os livros doados pelo belga se juntam a outros 250 mil títulos que fazem parte do acervo da Biblioteca ‘Octávio Ianni’. Constantemente a Unicamp recebe livros de pessoas físicas e jurídicas, principalmente as doações póstumas, feitas por familiares de ex-professores.

De acordo com a diretora técnica Valdinéia Sonia Petinari, a doação de Samain é a maior de uma coleção particular com o dono ainda vivo desde que assumiu o posto, há dois anos. E isso permitiu um diálogo com o doador e considerações sobre a coleção.

“As pessoas me chamam de generoso. Eu não sei se a generosidade pode ser definida como estar aberto a um futuro que não me pertence apenas, mas pertence a muitos outros”, afirma o antropólogo.

A doação de Samain é responsável por abrir uma catalogação de antropologia e imagem, já que até então, os livros eram separados por outras categorias, de acordo com a doutora em multimeios, Fabiana Bruno.

Fabiana teve as teses de doutorado e mestrado orientadas pelo professor Etienne. Ela conta que a biblioteca pessoal do antropólogo teve participação fundamental na sua formação acadêmica. “É uma biblioteca muito preciosa para antropologia visual e da imagem”, afirma.

“Tenho dado aula sobre o tema e nem todos os autores estavam disponíveis. A biblioteca do professor tem um enorme número de autores que trabalham essas relações, é uma enorme contribuição”, diz Fabiana.

Sem intenção de colecionar

Etienne Samain é natural da Bélgica e chegou ao Brasil em 1973. Em 1984 foi convidado para ingressar na Unicamp, onde foi coordenador do Programa de Pós-Graduação em Multimeios do Instituto de Artes até 2015.

O professor conta que a biblioteca pessoal foi adquirida ao longo da vida, de acordo com o campo de conhecimento e pesquisa em que ele e seus alunos estavam envolvidos no momento. Ele próprio apelida o acervo de “um arquivo vivo, uma memória” de sua trajetória acadêmica.

“Nunca tive nem o desejo nem o projeto de criar uma biblioteca, nunca. Ela surgiu com o tempo.”

A escolha pela biblioteca do IFCH se deu pela conclusão de que o instituto apresenta o melhor suporte de conservação e divulgação dentro da universidade, apesar de o professor dizer ter grande apreço pela biblioteca do Instituto de Artes. “Tiver que fazer uma escolha”, diz.

Fonte: G1 Campinas e Região

Cuidados com os livros em casa

Entenda como planejar uma biblioteca em casa aliando prazer e conservação

Durante a vida acadêmica é comum que os membros da comunidade adquiram exemplares físicos de livros, revistas e periódicos da área de estudos e de interesse. Mas qual a melhor maneira de montar uma biblioteca em casa? 

Jacyntho Lins Brandão, professor Titular da Faculdade de Letras da UFMG, já tinha a sua biblioteca, em 1972, quando ingressou no curso de Letras da Universidade. Contudo, a vida de estudante, pesquisador e professor fez com que ele fosse adquirindo novos livros, ao longo do tempo. Hoje eles somam cerca de cinco mil exemplares.

Na casa do professor, a biblioteca sempre foi o cômodo mais frequentado. Primeiramente pelos filhos, que ali brincavam enquanto o pai trabalhava, e hoje pelos netos, que deixam várias marcas pelo espaço. Para Jacyntho essa interação é muito importante, porque os livros estão ali para serem usados.

Pensando nessa junção de prazer e trabalho, Diná Araujo, coordenadora da Divisão de Coleções Especiais e Obras Raras da Biblioteca Central da UFMG, apresenta algumas medidas importantes para garantir durabilidade e conservação dos livros e que implicam cuidados na acomodação, limpeza, iluminação e organização dos livros. No vídeo, produzido pela TV UFMG, a bibliotecária mostra como procedimentos simples ajudam a combater a poeira, fungos e amarelamento das páginas. 

Entrevistados: Jacyntho José (prof. Titular Faculdade de Letras UFMG) e Diná Araújo (Divisão de Coleções Especiais e Obras Raras – BU UFMG)
Produção e reportagem: Júlia Calasans e Olívia Resende.
Imagens: Samuel do Vale
Edição de Conteúdo: Olívia Resende
Edição de imagens: Kennedy Sena

Fonte: UFMG

O ‘pranto mudo dos livros’ de Antonio Candido

Biblioteca com seis mil obras do crítico, ensaísta e fundador do IEL passa a ser oficialmente da Unicamp

Acervo Delfim Netto guarda preciosidades em forma de livros

Iniciada nos anos 40, coleção se encontra hoje na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP

Por Leila Kiyomura

O Acervo Delfim Netto, instalado na biblioteca da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP: 88 mil volumes, a que o professor acrescenta mais obras a cada semana – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

É uma rotina que o leitor, pesquisador Antonio Delfim Netto, de 90 anos, faz questão de manter. Professor Emérito da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, ele envia, toda semana, os livros que acabou de ler para a biblioteca da FEA. Por enquanto, já doou 88 mil volumes, que integram o Acervo Delfim Netto daquela biblioteca. São livros de diversas áreas do conhecimento, que o leitor começou a comprar no início dos anos 1940 nas livrarias e sebos da cidade.

“A doação de sua biblioteca foi oficializada em 2011 e, segundo o professor, o gesto foi uma retribuição e gratidão por tudo que a Universidade de São Paulo lhe proporcionou ao longo de sua carreira”, conta a bibliotecária Sandra Maria La Farina, responsável pelo acervo. “A sua meta é que pesquisadores e estudantes tenham acesso aos seus livros, que são, na verdade, um vasto material de pesquisa. Sua expectativa é que o acervo entusiasme e incentive os novos alunos.”

Acervo conserva as obras completas dos gregos Platão e Aristóteles e do francês René Descartes, além de prateleiras repletas de livros de Karl Marx e seguidores – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

O professor dispôs 260 mil itens devidamente cadastrados no banco de dados de sua biblioteca, pois em seu sistema se cadastram capítulos de livros, artigos de compêndios, artigos de periódicos e outros materiais. No decorrer de três anos, o acervo foi devidamente separado, catalogado e indexado. “Os livros, folhetos, compêndios e separatas foram cadastrados no Banco de Dados Bibliográficos da USP, o Dedalus”, explica Sandra.
Depois de organizado com todos os requisitos técnicos e ambiente especialmente projetado, o Acervo Delfim Netto foi inaugurado em julho de 2014. Para surpresa de todos, a “biblioteca de trabalho e não de raridades”, como define o professor, reúne preciosidades. “Podemos citar a primeira edição da obra de John Maynard Keynes, The General Theory of Employment, Interest and Money, de 1936, e a primeira edição de An Inquiry into the Nature and Causes of Wealth of Nations, de Adam Smith, em três volumes, de 1776”, afirma a bibliotecária.

A sala de Delfim Netto, transferida para a biblioteca da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

Sandra abre as estantes deslizantes do acervo para apresentar as prateleiras com os 36 volumes originais da Encyclopédie ou Dictionnaire Raisonné des Sciences, des Arts et des Métiers, a célebre Enciclopédia editada no século 18 por Denis Diderot e Jean D’Alembert, com artigos escritos por 130 colaboradores, como Voltaire, Rousseau e Montesquieu.

O enfoque principal é a ciência econômica e disciplinas correlatas ao pensamento econômico, como matemática, filosofia, sociologia, história, geografia, ciências atuariais, psicologia, direito, religião, entre outras.

Interessante também é a 11ª edição da Encyclopaedia Britannica, lançada em 1910 e 1911, com seus 32 volumes. “O enfoque principal é a ciência econômica e disciplinas correlatas ao pensamento econômico, como matemática, filosofia, sociologia, história, geografia, ciências atuariais, psicologia, direito, religião, entre outras”, conta Sandra. “Há também uma grande parte do acervo dedicada às ciências naturais, com obras de física, química e biologia. Além disso, o acervo é rico em enciclopédias, obras de literatura e artes e dicionários de diferentes línguas e assuntos.”

Livros de todas as áreas do conhecimento compõem o Acervo Delfim Netto – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

Entre visitantes assíduos da biblioteca estão os estudantes de Filosofia. O acervo tem obras completas dos gregos Platão e Aristóteles e também do francês René Descartes. Também os pesquisadores e estudantes de Letras e Literatura se deleitam com uma das primeiras edições de Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões, e da Divina Comédia, de Dante Alighieri. “Há livros da história da formação do Brasil, com mapas, ilustrações e registros”, continua a bibliotecária, deslizando as estantes e apresentando as prateleiras repletas de livros. “Tem um acervo muito extenso sobre o marxismo e suas vertentes. Há coleções de obras completas de Karl Marx, São Tomás de Aquino, Darwin e Voltaire. E o mais curioso: o leitor pode observar edições diferentes do mesmo livro, refletindo o espírito do professor de bom colecionador.”

Sandra destaca também a coleção de compêndios. “Um compêndio é uma coletânea de artigos organizada pelo próprio professor. Quando Delfim lê um artigo e este lhe interessa, ele solicita à sua equipe que providencie as referências daquele estudo, que serão anexadas e encadernadas junto ao artigo que deu origem à coletânea. Por fim, os muitos escritos do professor Delfim, ao longo de sua carreira, também completam o acervo.”

Ninguém pode ter ilusões, o desenvolvimento não é um processo tranquilo, calmo, no qual cada um de nós vai manter a sua posição. O desenvolvimento é um processo doloroso, difícil, trabalhoso.

Junto com a sua biblioteca, Delfim Netto doou também todo o mobiliário. Há um espaço que reproduz a sua sala, com a grande escrivaninha de imbuia, com um tampo revestido em couro, porém já gasto de tantos livros que foram lidos sobre ele. Há ainda cadeiras estofadas, um mobiliário todo torneado e uma pequena máquina de escrever portátil, branca, da marca Odessa.

Detalhe da mesa de trabalho de Delfim Netto – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

Pelas paredes estão todos os seus diplomas, obtidos ao longo da vida, bem emoldurados. Um ambiente povoado de lembranças do estudante que iniciou sua biblioteca aos 14 anos de idade. “O professor Delfim conta que trabalhava como office-boy na Gessy Lever e, por influência do médico Ayrton Alves Aguiar, que conhecera na empresa, começou a se interessar pelos livros. Os dois discutiam a coleção Espírito Moderno, organizada por Monteiro Lobato e Godofredo Rangel. A partir daí, o professor se tornou um frequentador assíduo de sebos e livrarias no Brasil e no mundo”, narra a bibliotecária Sandra. “Inicialmente, a biblioteca ocupou um quarto da casa onde morava com sua mãe, no bairro da Aclimação, em São Paulo. Depois ocupou o apartamento que habitou nos Jardins, também em São Paulo. No fim dos anos 80, a biblioteca, já contando com uma imensa quantidade de volumes, teve de ser transferida para um sítio em Cotia, pois o peso dos livros ameaçava comprometer as estruturas do edifício. Nesse terceiro endereço, a biblioteca ficou até o processo de mudança para a USP.”

Nessa sala com os diplomas, há estantes com mais livros. Sandra tira da prateleira uma edição de arte que salta aos olhos: Alice’s Adventures in Wonderland, de Lewis Carrol. As ilustrações são do mestre do Surrealismo, o catalão Salvador Dalí. A história é reproduzida em aquarelas. Um trabalho de extrema delicadeza. A edição foi publicada em 1969 pela New York’s Maecenas Press-Random House.

Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

A consulta ao Acervo Delfim Netto é restrita à sala de leitura, não sendo permitido o livre acesso às estantes. Os livros também não são emprestados. A reprodução só pode ser feita por meio fotográfico, sem utilização de flash, ou por meio de digitalização na própria sala, mediante autorização do bibliotecário responsável. Não é permitida a reprodução integral das obras, de acordo com a legislação de direitos autorais vigente.

Logo na entrada da biblioteca da FEA, há um painel reproduzindo a biblioteca original do paulistano Antonio Delfim Netto. O visitante é acolhido por uma frase que ele escreveu em 1972, especialmente válida para os estudantes de hoje:

Ninguém pode ter ilusões. O desenvolvimento não é um processo tranquilo, calmo, no qual cada um de nós vai manter a sua posição. O desenvolvimento é um processo doloroso, difícil, trabalhoso. Cada um vai ter as suas posições sociais mudadas, porque o mundo à nossa volta está mudando. Quem correr vai ficar onde está, quem parar vai ser atropelado. Esta é a noção clara de desenvolvimento. Não existe outra.

Mais informações sobre o Acervo Delfim Netto podem ser obtidas no endereço https://www.fea.usp.br/biblioteca/acervo-delfim-netto.

Fonte: Jornal da USP

Coleção do professor Eduardo Peñuela enriquece acervo da USP

Parte dos 3 mil itens da coleção já está disponível na Biblioteca da Escola de Comunicações e Artes (ECA)

Por Letícia Tanaka
O Códice Vaticano, um dos valiosos itens do acervo do professor Eduardo Peñuela Cañizal, hoje depositado na Biblioteca da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

“Maravilhosa.” É assim que a bibliotecária Silvana Leite, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, descreve a coleção do professor Eduardo Peñuela Cañizal (1933-2014). O docente, um dos fundadores da escola, guardou durante sua vida cerca de 3 mil itens, entre livros, filmes, gravuras, fotografias e revistas. No ano passado, a família do professor doou essa coleção para a Biblioteca da ECA, e agora os itens estão sendo catalogados. Alguns já se encontram disponíveis para consulta e empréstimo.

Livros sobre cinema, arte, filosofia e história estão entre os itens doados à ECA pela família do professor Eduardo Peñuela – Foto: Marcos Santos / USP Imagens
Livro sobre cinema, uma das especialidades de Peñuela – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

A maior parte do acervo é composta de livros e filmes, alguns raros e de edições limitadas. A catalogação do material começou este ano e contou com a ajuda do professor Mateus Araújo Silva, do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da ECA. Silva selecionou 468 livros e folhetos que considerou os mais importantes.

O professor Eduardo Peñuela Cañizal (1933-2014), um dos pioneiros da ECA – Foto: Divulgação / ECA

Peñuela também era professor do curso de Audiovisual da ECA. Por isso, a maioria dos itens da sua coleção está relacionada à arte. Mas livros sobre filosofia e história também estão no acervo. “É um enriquecimento muito grande para a biblioteca”, comenta Silvana. Isso se deve ao fato de que 70% do material selecionado é novidade para as prateleiras da faculdade. Alguns dos livros são raros e considerados por si mesmos como obras de arte.

Uma das raridades da coleção de Peñuela, por exemplo, é o Códice Mexicanus I, um manuscrito pictórico que retrata a origem do mundo e dos reis mixtecos, um povo ameríndio pré-colonial. Os desenhos foram reproduzidos em uma cartilha e o livro que acompanha as imagens traduz e explica o significado de cada desenho. A peça original se encontra na Biblioteca Nacional de Viena e a reprodução do livro foi limitada.

O mesmo ocorre com Reliquias Coloniales, outro livro raro da coleção do professor. Com tiragem de apenas 2 mil exemplares, numa única edição, o livro mostra como era a vida colonial das capitanias espanholas na Bolívia e traz desenhos dos projetos de urbanização nesses locais. Há também uma edição do limitado Arte de Pájaros, livro de poemas de Pablo Neruda com a temática de pássaros. Neruda convidou diversos de seus amigos artistas para ilustrar a obra, tornando o livro uma obra de arte poética e visual.

Apreciador dos movimentos artísticos mexicanos do século XX, Peñuela também possuía vários livros sobre Frida Khalo e Diego Rivera, duas referências artísticas mundiais. Além disso, o acervo do professor inclui uma vasta coleção de livros e filmes do cineasta espanhol Luis Buñuel. O professor era pioneiro nos estudos sobre o diretor surrealista, que exerceu forte influência sobre outros diretores, entre eles Pedro Almodóvar.

Eduardo Peñuela Cañizal veio para o Brasil ainda menino, fugindo com sua família da ditadura de Francisco Franco na Espanha. Formou-se na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e ficou conhecido como um dos maiores especialistas do País nas áreas de teoria do cinema e poética das manifestações não verbais. Ajudou a fundar a ECA, ao lado de outros professores da escola, da qual foi diretor entre 1993 e 1996. O professor faleceu em 2014, ainda no exercício da profissão.

Fonte: Jornal da USP

Anita Prestes profere palestra e inaugura mostra na UFSCar

Evento, que terá como foco a vida do pai dela, o político Luiz Carlos Prestes, será realizado dia 24 de setembro na Biblioteca Comunitária


Anita Prestes profere palestra e inaugura mostra na UFSCar (Foto: Borges)

No dia 24 de setembro, a Biblioteca Comunitária (BCo) da UFSCar receberá Anita Leocádia Prestes, filha de Luiz Carlos Prestes – militar e político brasileiro que comandou a revolucionária marcha Coluna Prestes entre os anos de 1925 e 1927 – e de Olga Benário Prestes, para a inauguração de uma linha do tempo retratando a trajetória do político e para a abertura da exposição “Linha do tempo de Luiz Carlos Prestes… Fragmentos”, com objetos que pertenceram a ele, cuja exibição pública é inédita. Os itens expostos são presentes recebidos por Prestes de familiares e amigos, em diversas épocas de sua vida. Já a linha do tempo destaca momentos marcantes da carreira do político. O evento tem início às 10 horas, nas dependências da BCo, localizada na área Norte do Campus São Carlos da UFSCar. A mostra estará disponível para visitação até 19 de outubro, no saguão da BCo, de segunda a sexta-feira, das 8 horas às 22 horas, e aos sábados, das 8 às 14 horas.

Também no dia 24, a partir das 14 horas, Anita Prestes vai proferir a palestra “Luiz Carlos Prestes, a Constituinte e a Constituição de 1988”. O intuito é debater a Constituição, que comemora 30 anos em 2018. A atividade também terá apresentação do professor Marcos Cesar de Oliveira Pinheiro, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), que abordará o tema “A relevância histórica de Luiz Carlos Prestes e seu legado político para as novas gerações”. As palestras terão transmissão online, com acesso neste link.

Em seguida, às 16 horas, acontece o lançamento de dois livros: “Luiz Carlos Prestes: um comunista brasileiro” e “Olga Benário Prestes: uma comunista nos arquivos da Gestapo”, ambos de autoria de Anita Prestes, que estará disponível para autógrafos. Haverá venda antecipada das obras na Livraria da EdUFSCar e durante o evento. As palestras e o lançamento serão no Teatro Florestan Fernandes, na área Norte do Campus. A participação é gratuita, sem necessidade de inscrição prévia e aberta ao público.

A iniciativa é uma realização do Departamento de Ação Cultural (DeAC) em parceria com o Departamento de Coleções de Obras Raras e Especiais (DeCORE), ambos da BCo, vinculada ao Sistema Integrado de Bibliotecas (SIBi) da UFSCar. Mais informações estão disponíveis no Portal da Biblioteca.

Doação do acervo de Prestes à UFSCar 
A exposição “Linha do tempo de Luiz Carlos Prestes… Fragmentos” e a linha do tempo que serão inauguradas são compostas por parte do material do acervo do político doado para a UFSCar. No último mês de março, chegaram à Universidade mais de 360 pacotes, com livros, documentos, correspondências, fotos, quadros, medalhas e outros objetos pessoais do militar. A intenção da BCo é montar um minimuseu com todas peças e disponibilizar os livros pertencentes a Prestes para a comunidade em geral. Detalhes sobre a doação do acervo estão em matéria publicada no Portal da UFSCar.

Sobre Anita Prestes 
Anita Leocádia Prestes nasceu em 1936, na prisão de mulheres de Barnimstrasse, em Berlim, na Alemanha nazista. É filha do militar e político brasileiro, Luiz Carlos Prestes, e Olga Benário Prestes, alemã. Afastada da mãe aos 14 meses de idade, antes de vir para o Brasil, em outubro de 1945, viveu exilada na França e no México com a avó paterna, Leocádia Prestes, e a tia Lygia. Autora de vários livros sobre a atuação política de Prestes e a história do comunismo no Brasil, é doutora em História Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF), professora do Programa de Pós-Graduação em História Comparada da Universidade Federal de Rio de Janeiro (UFRJ) e Presidente do Instituto Luiz Carlos Prestes.

MAC reabre Biblioteca com acervo de Walter Zanini e inaugura livraria

Acervo foi doado por família de Zanini, primeiro diretor do museu; livraria é especializada em obras sobre arquitetura e arte

(Da esq. p/ dir.) O reitor Vahan Agopyan; o diretor-presidente da Edusp, Lucas Antonio Moscato; o diretor do MAC, Carlos Roberto Ferreira Brandão; a esposa de Walter Zanini, Neusa Zanini; e a professora Cristina Freire – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

Uma cerimônia, realizada no dia 27 de agosto, marcou a reabertura da Biblioteca Lourival Gomes Machado e a inauguração de uma Livraria da Editora da USP (Edusp) no prédio do Museu de Arte Contemporânea (MAC), localizado no Parque do Ibirapuera, em São Paulo.

A Biblioteca reabre com uma novidade: a incorporação dos 12 mil exemplares doados pela família de Walter Zanini, primeiro diretor do MAC, falecido em 2013.

Zanini foi diretor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, historiador, crítico de arte e curador. Dirigiu o MAC de 1963 a 1978. Teve importante papel na criação do Departamento de Artes Plásticas da ECA e do Programa de Pós-Graduação em Artes, pioneiro no Brasil na concessão de títulos de mestre e doutor nessa área.

“A doação da Biblioteca de Walter Zanini torna o MAC ainda mais singular e importante como, um dia, seu primeiro diretor imaginou. Trata-se do legado que mostra a grandeza do historiador e intelectual brasileiro que Zanini foi”, afirmou a professora titular e curadora do museu, Cristina Freire, em seu discurso de abertura da cerimônia.

O reitor da USP, Vahan Agopyan, agradeceu a generosidade e o altruísmo da família Zanini em compartilhar a coleção. “Com a doação, duplicamos nosso acervo e passamos a oferecer aos usuários uma das mais importantes bibliotecas públicas de arte contemporânea do País”, destacou o reitor.

Foram incorporados à Biblioteca os 12 mil exemplares doados pela família de Walter Zanini – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

Outro importante espaço que passa a fazer parte do prédio do MAC é a nova livraria da Edusp, instalada no mezanino, em uma área de 80 metros quadrados. A livraria será a primeira da editora especializada em livros de artes e arquitetura. Também haverá um espaço dedicado para eventos de lançamento das obras editadas pela Edusp.

“Essa nova livraria reforça uma das principais missões da Universidade, que é a extensão cultural, e nos dá a oportunidade de apresentar ao público o catálogo qualificado de obras produzidas por nossa editora”, avaliou o diretor-presidente da Edusp, Lucas Antonio Moscato.

Para o diretor do museu, Carlos Roberto Ferreira Brandão, tanto a Biblioteca quanto a livraria da Edusp são importantes instrumentos para expandir a presença do MAC na cidade e fazem parte do projeto de ampliar as atrações do museu para o público.

Em abril deste ano, foi inaugurado o Restaurante Vista, localizado no último andar do prédio. O restaurante tem capacidade para 120 lugares e faz parte do complexo gastronômico do MAC, que já conta com uma cafeteria, o Vista Café, inaugurada em julho de 2017.

Essa é a primeira livraria da Edusp especializada em obras de arquitetura e artes – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

Fonte: Jornal da USP

E se a sua biblioteca privada fosse de todos nós?

Chama-se BiblioSol e é uma das propostas em votação no Orçamento Participativo Portugal. A ideia é simples – abrir as bibliotecas privadas ao usufruto público – e nasceu de uma constatação de Renato Soeiro: “A quantidade de livros que podiam ser tão úteis e que passam a vida fechados nas estantes…”.

A ideia surgiu (não só, mas também) porque Renato Soeiro sabe muito bem o que é ter uma grande biblioteca em casa e sabe muito bem o quanto ela poderia ser útil se mais pessoas, além de si e dos seus próximos, tivessem acesso ao que contém. A ideia surgiu porque Renato sabe que não está sozinho. “A quantidade de livros que há na casa das pessoas que podiam ser tão úteis e que passam a vida fechados nas estantes…”, lamenta ao PÚBLICO. Para esta ideia, que ganhou o nome BiblioSol – Rede Cooperativa de Leitores e é agora candidata ao Orçamento Participativo de Portugal, instrumento cuja votação decorre on-lineaté 30 de Setembro, contribuiu outra constatação: “Tanta gente, nomeadamente estudantes, tem de fazer longos percursos até uma biblioteca para ler o livro que pretende quando, se calhar, tem a morar ao lado uma pessoa que lho emprestava.”

A BiblioSol, explica Renato Soeiro, um dos proponentes, com César Silva, deste projecto (os dois tinham propostas semelhantes, que acabaram fundidas), pretende funcionar como uma rede através da qual as bibliotecas e os arquivos privados do país poderão abrir-se à comunidade, “sem prejuízo da propriedade e do usufruto do proprietário”.

O método idealizado para pôr a BiblioSol em prática é da maior simplicidade. Cada proprietário, assim o deseje, inscreve a sua biblioteca na rede, deixando o seu contacto e a sua morada e disponibilizando-se a ser abordado por leitores, também eles inscritos na rede, e devidamente autenticados para protecção dos espólios, em busca de obras ou áreas de saber específicas. Dessa forma, eliminam-se distâncias – “no fundo, é aquele velho projecto das bibliotecas itinerantes da Gulbenkian, que levavam os livros a casa das pessoas” –, abre-se um rico e diversificado património privado à comunidade – “há espalhadas pelas vilas e aldeias, principalmente nas velhas casas senhoriais, colecções fantásticas de livros antigos que estão ali perdidos e que acabam por não servir para rigorosamente nada” – e, pormenor muito importante para Renato Soeiro, abrem-se portas a uma relação de proximidade, humanizada, entre o leitor e este novo bibliotecário.

Alguém que está a fazer um estudo sobre uma qualquer temática descobre na rede quem tem os livros que lhe interessam e põe-se em contacto. Quem empresta pode introduzi-lo ao livro, sugerir outras obras, fazer aconselhamento na investigação”, ilustra Renato Soeiro: “Permite uma relação que pode ser engraçada nos dois sentidos”, acrescenta este homem de 65 anos, morador em Francelos, Vila Nova de Gaia. Está a pensar, por exemplo, num velho professor jubilado que passa o seu saber a um jovem estudante e imagina este a retribuir, dando conta ao velho professor das novidades da área na qual aquele trabalhou toda a sua vida.

O apoio estatal solicitado na candidatura ao Orçamento Participativo de Portugal é de 70 mil euros e será canalizado para a criação do site que agregará a rede idealizada por Renato Soeiro e César Silva e para o apoio técnico posterior indispensável à catalogação das bibliotecas privadas aderentes, um esforço que os proponentes imaginam coordenado com a Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas.

Além das vantagens já elencadas, garantia-se assim uma outra. Há algumas semanas, na sua crónica semanal no PÚBLICO, escrevia Pacheco Pereira: “Livros são uma das coisas que nos nossos dias têm mais probabilidade de ir parar ao lixo. Não exagero, é mesmo assim. As razões são cada vez mais habituais: despejos ou mudanças de casa sob a pressão das novas rendas e leis do inquilinato, e as novas casas por sua vez não têm espaço para os livros, divórcios, falecimentos, e ‘os meus filhos não se interessam por isto’”. Ora, com a rede instalada e a informação sobre os conteúdos destas bibliotecas publicamente disponível, Estado ou privados poderiam investir na preservação de acervos de relevo quando desaparecerem os seus proprietários. Renato Soeiro tem em casa, por exemplo, uma vasta colecção de filosofia e epistemologia reunida pelo professor Armando de Castro (1918-1999) que não encontrara lugar quer junto da família, quer na biblioteca da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, baptizada com o nome do advogado e economista. “Como me dava muito bem com ele, telefonaram-me e lá fui. Trouxe uma carrinha cheia do chão ao tecto com todos os livros dele de filosofia e epistemologia, com os seus apontamentos a lápis, o que é delicioso. É bom que se ponha à disposição de quem quiser.” Este é ponto fulcral.

“O que mais ninguém tem”

A história da biblioteca especializada de Armando de Castro, numa área que não se lhe associaria automaticamente, tem-na Renato Soeiro repetida, com outros nomes e noutros âmbitos. A sua biblioteca e arquivo, que se dedicará agora a “arrumar e catalogar, depois de anos de acumulação”, inclui abundante documentação sobre o movimento estudantil durante a vigência do Estado Novo, o que motivou, de resto, permutas com a Ephemera de Pacheco Pereira. Inclui também o material que foi recolhendo nos anos em que trabalhou no Parlamento Europeu em Bruxelas, enquanto membro do secretariado político do Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia / Esquerda Nórdica Verde e da Comissão Executiva do Partido da Esquerda Europeia, ou enquanto coordenador europeu da Esquerda Anti-Capitalista Europeia. “Às vezes os arquivos até são mais importantes do que os livros. Os livros são produzidos em grandes quantidades, os arquivos, os papéis, são mais perecíveis”, assinala.

Como em tudo, claro que há excepções. E a de que o proponente da BiblioSol nos fala exemplifica na perfeição o que se pode ganhar com as bibliotecas privadas que se pretende abrir. Durante alguns anos, Renato Soeiro criava com um escritor e poeta uns “livrinhos” especiais, em edição reduzidíssima e não comercial, que ambos distribuíam aos amigos no Natal. Algures em Dezembro, o poeta e escritor corria as ruas do Porto, pela noite, e deixava a obra exclusiva, com inéditos da sua autoria, nas caixas de correio das amizades contempladas. “O engraçado é que, certa vez, num programa de televisão de balanço literário de fim de ano, o [professor e ensaísta] Arnaldo Saraiva disse que um dos melhores livros do ano era um desses livrinhos que fazíamos. Gerou-se uma enorme confusão porque as pessoas iam às livrarias, procuravam e ninguém encontrava o raio do livro.”

O escritor era Manuel António Pina (1943-2012) e os “livrinhos” encontram-se na biblioteca de Renato Soeiro. Talvez um dia, se a BiblioSol se tornar realidade, um jovem estudioso da obra de Pina lhos requisite. Este poderá depois encaminhá-lo para uma raridade chamado La Nuit, pequena edição de 95 exemplares, em francês, que o autor de Cuidados Intensivos imprimiu com Renato Soeiro para oferecer numa feira do livro de Bordéus. Poderá mostrar-lhe mais ainda. “Além de ter sido muito meu amigo, [Manuel António Pina] é alguém com quem trabalhei numa actividade que não está divulgada, a de publicitário. Como todos os grandes poetas, também trabalhou uns anos em publicidade.” Juntos, criaram campanhas para a Apple, por exemplo, e Renato Soeiro guardou mais do que as memórias das “divertidas sessões nocturnas de criação publicitária”, de que dará conta, em Setembro, em conferência que apresentará na próxima Feira do Livro do Porto. “Tenho os apontamentos de tudo isso, dos textos, dos manuscritos, caixas e caixas de arquivos. Os livros muita gente terá, isto de certeza que mais ninguém tem.”

A BiblioSol quer justamente que não se perca o “que mais ninguém tem”. Para que todos tenham acesso às riquezas do património que tantos guardam entre portas. Para que a cadeia do conhecimento se propague, de leitor para leitor.

Fonte: ÍPSILON

Jornada “Bibliotecas privadas e patrimônio bibliográfico: achegas e reflexões”

 

PALESTRA INAUGURAL

“Digitalização de livros raros e coleções especiais: critérios, segurança e difusão”

Dia 4 de setembro de 2018, às 16h

Prof. Dr. Fabiano Cataldo de Azevedo (UNIRIO)

Dia 5 de setembro de 2018.

08h às 8h30: Credenciamento.

08h30 às 9h: Mesa de abertura: autoridades do IGHB

9h às 13h: Mini-Curso “As histórias que cada exemplar de livro nos conta: marcas de propriedade, proveniência e dedicatórias”.

Ementa: o objetivo deste mini curso será apresentar e discutir as principais marcas que ao longo dos anos passam fazer parte de determinados exemplares de livros. Pretendemos categorizar sua importância como memória e fonte, evidenciando suas características narrativas e documentais. Procuraremos também evidenciar o diálogo que possuem as bibliotecas de origem e exortar a atenção que é necessário ter na biblioteca de destino, em caso de compras e doações.

Responsáveis: Prof. Dr. Fabiano Cataldo de Azevedo (UNIRIO) e Profa. Me. Stefanie Cavalcanti Freire (UNIRIO)

Mais informações: https://www.eventbrite.com.br/e/jornada-bibliotecas-privadas-e-patrimonio-bibliografico-achegas-e-reflexoes-tickets-49174281600

Saiba porquê estas adolescentes são colecionadoras de livros

Texto por Tatiana Marin

A paixão pela leitura das colecionadoras de livros. | Foto: Hermann Traub/Pixabay

Oinsetinho que desperta o prazer pela leitura está picando os adolescentes desta geração. Mesmo com um leque de dispositivos eletrônicos a disposição, a paixão pelos livros acomete os jovens com esta “doença” saudável que é o vício pela leitura e as fazem ser colecionadoras de livros.

Em 2015 a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Ibope, por encomenda do Instituto Pró-Livros revelou um dado interessante. Entre os que afirmam que leem por gosto, a grande maioria compõe-se e adolescentes entre 11 e 13 anos (42%) e crianças de 5 a 10 anos (40%).

Outro indicativo é o perceptível aumento de esforços do mercado editorial direcionado aos jovens. Sagas e coleções infanto-juvenis vem ocupando cada vez mais espaço nas prateleiras das livrarias e, com isso, impulsionam os ávidos jovens leitores em busca dos novos lançamentos.

Em mais um capítulo do especial sobre bibliotecas e a Lei 12.224, contamos um pouco sobre adolescentes que amam ler e são colecionadoras de livros.

Sair da realidade”

Com a meta de ler 50 livros em 2018, Fernanda Sanches Machado Rocha, de 13 anos tem no mínimo 40 livros em sua estante – entre eles, 5 em inglês -, mas este número não representa a quantidade de livros que já leu. “Eu só guardo os meus preferidos, os outros eu troco no sebo”, diz ela. Até o momento, Fernanda já leu 29 livros.

Sempre gostei de ler e lia gibi,  mas parei de ler por um tempo”, conta ela. Mas o livro de fantasia “Enraizados” recobrou a avidez pela leitura. “Depois que li este livro pensei ‘ler é tão legal, porque eu parei?’”, questionou-se. Ela também lê livros digitais, mas prefere os de papel.

Livro para mim é um jeito de sair da realidade, a gente pode entrar em qualquer história e se perder totalmente. Leitura é uma coisa que muda a vida. Quanto mais a gente lê, mais forma seu caráter. É um jeito diferente de se divertir, se entreter e escapar do celular”, define

Alguns dos livros de Fernanda. | Foto: Arquivo Pessoal

A mãe de Fernanda, a médica Magali da Silva Sanches Machado, de 54 anos, acha muito interessante este gosto pela leitura. “Ainda mais nesses dias de hoje que a gente vê eles no celular. Acho muito interessante ela gostar de ler. Abre um outro mundo, aumenta o vocabulário”, avalia Magali e conta que Fernanda até influencia os amigos.

O gosto da filha é tamanho que às vezes é preciso refrear os impulsos. “Se ela vai na livraria, quer comprar uns 4 ou 5 livros, então às vezes dou uma segurada. Às vezes eu digo ‘não aguento mais comprar livro’, mas meu marido diz ‘não reclama’. A gente fala assim brincando, mas gosto muito desse hábito dela”, explica.

Um trem invisível”

A vida de leitora de Giovanna Pereira, de 14 anos, é dividida entre a época em que apenas gostava de ler e agora, que é viciada em leitura. O responsável por isso foi um livro dado de aniversário pela avó. Nos nichos do seu quarto estão distribuídos cerca de 60 livros, entre os que leu a pedido da escola e os que comprou e ganhou. Ela não se desfaz de nenhum. “Eu tenho dó”, explica.

Neste ano ela já leu 11 livros e tem 17 publicações na sua lista de desejos. Mas seu sonho de consumo é a coleção “Instrumentos Mortais”. “Não é de terror”, adverte, “mas tem tema sobrenatural”, adiciona.

Ler é viajar momentaneamente para lugares que você nunca vai conseguir ir. É como se fosse um ticket ou bilhete de um trem invisível para um lugar inalcançável na realidade. A leitura faz a pessoa ter sonhos e querer ler mais”, detalha Giovanna.

Vitória Gomes Rodrigues, de 14 anos, é outra das colecionadoras de livros e tem um acervo um pouco menor, com cerca de 30 livros. Ela conta que na 6ª série sua família mudou-se de cidade e na nova escola havia um projeto de leitura nas férias. “A escola de antes não incentivava a leitura”, conta.

Com a incumbência da escola para as férias, ela não só escolheu e leu o livro, como descobriu a paixão pelas histórias. “Eu achei um livro com histórias de garotas normais, baseadas em histórias das princesas, eu gostei muito”, relata ela.

400 livros

Júlia Mazzini ainda não é adolescente, tem 9 anos, mas quando chegar lá vai bater, não só os da sua idade, mas também adultos. Na verdade, já bate. Segundo seu pai, o jornalista André Mazzini, “ela já deve ter lido uns 400 livros. Ela tem muito mais livros do que eu e minha esposa já lemos na vida inteira”.

Júlia lê desde os 3 anos. | Foto: Arquivo Pessoal

Também, pudera, Júlia aprendeu a ler e escrever aos 3 anos. “Começou o fascínio desde então. Minha esposa, que é pedagoga, e eu sempre lemos muito e temos muitos livros em casa”, afirma o jornalista. “Este gosto dela começou a se espalhar para outros mundos. Ela ganhou o concurso nacional de redação da Folha de São Paulo aos 6 anos”, conta o pai.

Eu gosto da sensação de entrar no personagem, é uma viagem que se faz sem sair do lugar, a gente mergulha como se fosse uma lagoa e se esquece do mundo”, descreve Julia, que prefere os grandes livros, “com mais história”.

Ao ser perguntada sobre qual livro ela está lendo no momento ela responde: “vários”. Simples assim. Alguns deles são “Harry Potter e a Ordem da Fênix” que faz parte da coleção que ela está terminando. Ainda tem “Pax”, que está lendo com a mãe e, com o irmão mais novo, está relendo “Felizmente o Leite”.

O pai percebe o benefício que a leitura trouxe à filha. “Ela consegue desenvolver diálogos de reflexões muito interessantes com a gente por conta da leitura. Consegue lidar com os sentimentos, situações adversas, na escola ou em outro ambiente. Ela tem a capacidade de refletir sobre o que acontece, o que é um tanto incomum com a maioria das crianças, e acredito que isso seja devido à leitura”, pontua.

Fonte: Mídia Max

Unicamp recebe biblioteca de Antonio Candido

Acervo se soma a 1.367.813 itens do Sistema de Bibliotecas da Unicamp, instância fundamental nas atividades de ensino, pesquisa e extensão

A biblioteca do professor, ensaísta e crítico literário Antonio Candido de Mello e Sousa, composta por aproximadamente seis mil livros, acaba de ser doada pela família do intelectual à Unicamp. A transferência do acervo, que já está de posse da Universidade, foi oficializada por meio de carta assinada no último dia 10 de julho pelas três filhas de Antonio Candido, Ana Luisa Escorel, Laura de Mello e Souza e Marina de Mello e Souza. Depois de analisados e catalogados, os volumes serão incorporados às Coleções Especiais e Obras Raras da Biblioteca Central Cesar Lattes (BC-CL).

Os livros que integram a biblioteca doada à Unicamp abrangem diferentes áreas do conhecimento, entre as quais literatura, história, sociologia, antropologia e geografia. Entre os volumes estão também itens raros, como as primeiras edições de obras de Oswald de Andrade e Mário de Andrade, sendo que muitos exemplares contêm dedicatórias desses autores. Há, ainda, títulos de Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Gilberto Freyre, Alvaro Lins, Sérgio Buarque de Holanda, Clarice Lispector e Lygia Fagundes Teles.

Ademais, o acervo é constituído por uma importante Proustiana, compreendendo um número considerável de edições da obra de Marcel Proust, bem como de estudos sobre o escritor francês. “Trata-se do conjunto de livros que Antonio Candido manteve consigo até morrer, uma vez que ao longo da vida doou quantidades significativas de títulos para diferentes bibliotecas, inclusive da Unicamp. Os livros ora oferecidos em doação são os que escolheu manter perto de si, bem como os mais valiosos”, afirmam as filhas do intelectual em carta enviada ao reitor Marcelo Knobel.

Foto: Scarpa
Maria Helena Segnorelli, diretora da Biblioteca de Coleções Especiais e Obras Raras da BC-CL, e as caixas do acervo de Antonio Candido

A coordenadora-geral da Universidade, professora Teresa Atvars, considera uma grande honra receber a biblioteca de Antonio Candido. “Ele ajudou a construir a Unicamp, fundando o Instituto de Estudos da Linguagem (IEL). Além disso, deixou um enorme legado em suas áreas de atuação e participou ativamente da vida brasileira, sobretudo na defesa da democracia”, pontua a dirigente. De acordo com a coordenadora associada da BC-CL, Valéria dos Santos Gouveia Martins, “os volumes serão inicialmente analisados, catalogados e tratados tecnicamente, para depois serem incorporados às Coleções Especiais e Obras Raras e ficarem disponíveis para consulta”, explica.

A escolha da Universidade para receber a biblioteca de Antonio Candido é um reconhecimento à importância da instituição e também ao Sistema de Bibliotecas da Unicamp (SBU). O SBU, que está vinculado à Coordenadoria Geral da Universidade (CGU), é composto por 29 bibliotecas, sendo uma central, uma de área (Engenharias) e 27 localizadas nas faculdades, institutos e centros e núcleos de pesquisa. Mais que armazenar livros, esse sistema constitui um valioso conjunto de fontes de informação, disponíveis em diversos suportes, que incluem bases de dados, catálogos de bibliotecas, repositórios institucionais, patentes, teses, periódicos científicos etc.

Os números relacionados ao SBU impressionam pelo tamanho e são reveladores do indispensável suporte que o sistema oferece às atividades de ensino, pesquisa e extensão. Segundo os últimos dados consolidados, o acervo possui 1.367.813 itens. Entre eles, 42.311 periódicos eletrônicos, 484 bases de dados e 273.674 e-books. Em 2017, o orçamento do SBU foi de R$ 12,9 milhões. “É fundamental para a Unicamp contar com um complexo de bibliotecas que atenda de modo adequado às necessidades de natureza acadêmica dos alunos de graduação e pós-graduação, assim como as áreas de pesquisa e inovação”, entende a coordenadora-geral. Segundo a professora Teresa Atvars, o SBU é considerado historicamente, por todas as gestões, como estratégico para as atividades da Universidade.

Foto: Scarpa
A coordenadora-geral da Universidade, professora Teresa Atvars: “É fundamental para a Unicamp contar com um complexo de bibliotecas que atenda de modo adequado às necessidades de natureza acadêmica dos alunos de graduação e pós-graduação, assim como as áreas de pesquisa e inovação”

Valéria Martins observa que o SBU mantém contatos e colaborações com as melhores bibliotecas do exterior. “Nossas atividades têm padrão internacional. Estamos sempre atuando no sentido de atualizar nossos acervos e serviços. Além disso, os profissionais vinculados ao sistema participam periodicamente de cursos e congressos. A cada experiência desse gênero, nós promovemos um encontro no qual compartilhamos os conhecimentos adquiridos com toda a equipe”, relata.

Paralelamente a essas atividades, o SBU desenvolve ações específicas com cada um dos seus públicos. No caso dos estudantes de graduação, por exemplo, existe uma preocupação de transmitir a esse segmento boas práticas de pesquisa. “Temos atuado no sentido de esclarecer os alunos sobre o que é plágio e como fazer as citações em seus trabalhos acadêmicos. Utilizamos o software Turnitin, que verifica a originalidade dos textos, apontando para as semelhanças entre o texto apresentado e os documentos contidos na base de dados do sistema e páginas da internet. Também pretendemos oferecer em breve aos estudantes de graduação, seguindo as diretrizes do nosso planejamento estratégico, uma oficina para orientá-los a utilizar os nossos recursos informacionais da melhor forma possível”, adianta a coordenadora associada do SBU.

Em relação à pesquisa, prossegue Valéria Martins, o sistema consolidou uma importante parceria com a Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP), no sentido de qualificar ainda mais o repositório de produção científica da Unicamp e a gestão dos dados de pesquisa. “Um ponto que temos destacado para os nossos docentes e pesquisadores é a importância do uso do ORciD [Open Researcher and Contributor ID], uma ferramenta digital de identificação que permite ao usuário armazenar e gerir informações relativas à sua produção junto às entidades científicas”, diz. Espera-se que todos os docentes e pesquisadores da Unicamp adotem, em breve, esta “identidade”.

Foto: Scarpa
A coordenadora associada do SBU, Valéria Martins: “Nossas atividades têm padrão internacional. Estamos sempre atuando no sentido de atualizar nossos acervos e serviços”

No âmbito da extensão, o SBU tem participado ativamente ao longo dos últimos anos de importantes programas da Universidade, como o Ciência e Arte nas Férias, destinado a estudantes do primeiro e segundo ano do Ensino Médio de escolas públicas de Campinas, Valinhos, Vinhedo e Jaguariúna, Limeira e Piracicaba; e o UniversIDADE, criado para oferecer às pessoas acima dos 50 anos, integrantes ou não da comunidade universitária, um conjunto de atividades capaz de mantê-las ativas física e mentalmente.
Novo momento

A professora Teresa Atvars destaca a importância de o sistema de bibliotecas estar se modernizando constantemente e em contato com os seus públicos. “À medida que a tecnologia evolui, nós também temos que evoluir. O modelo de ‘biblioteca’ da época em que eu ingressei na Unicamp, para fazer pós-graduação, não existe mais. Ela deixou de ser apenas um edifício que ‘abriga’ livros e fonte de consultas. Hoje, graças aos recursos na área da Tecnologia da Informação e Comunicação, a biblioteca não abre e não fecha mais. Uma tese defendida, um livro, um manuscrito e uma obra podem ser consultados via internet, a qualquer hora do dia ou da noite, de segunda-feira a domingo. Ao mesmo tempo, temos usuários que querem ou necessitam comparecer fisicamente às nossas unidades. Isso nos obriga a estarmos preparados para atender adequadamente tanto online quanto o usuário presencial”, exemplifica.

Ao mesmo tempo, acrescenta a coordenadora-geral, há uma demanda crescente por parte dos usuários do SBU por espaços compartilhados, ambientes nos quais possam ocorrer estudos e discussões de maneira coletiva. “Estamos caminhado para esse modelo, a exemplo do que estão fazendo algumas bibliotecas no exterior”, garante Valéria Martins. Segundo ela, o SBU está analisando a criação de um Espaço Maker, local que estimula o conceito de “fabricação digital”. Nele, os usuários colocam a mão na massa para dar, de forma colaborativa, concretude a diferentes projetos.

Fotos: Scarpa
A primeira edição de Macunaíma, com dedicatória de Mário de Andrade, é um dos livros raros da biblioteca do professor Antonio Candido

Indispensável assinalar ainda, conforme a professora Teresa Atvars, a importância das coleções físicas, dado que elas têm um forte componente de natureza histórica, aspecto importante para qualquer área do conhecimento. “Trata-se de um patrimônio que precisa ser preservado. A biblioteca do professor Antonio Candido vem se somar a várias outras. O equilíbrio entre a biblioteca moderna e a tradicional é que oferece uma enorme riqueza de possibilidades à nossa produção acadêmica”, analisa a docente.
Acessibilidade

Um componente de destaque no trabalho do SBU é o seu Laboratório de Acessibilidade (LAB), pioneiro no Brasil. Criado em 2002 com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o objetivo do LAB é proporcionar aos usuários com necessidades especiais um ambiente adequado à realização de seus estudos e pesquisas, com maior autonomia e independência. O espaço está situado no primeiro andar da BC-CL. O funcionamento é de segunda à sexta-feira, das 9h às 17h.

Segundo a professora Teresa Atvars, uma coisa é ter uma biblioteca capacitada para atender a pessoas sem qualquer necessidade especial. Outra é dispor de um espaço perfeitamente montado para atender também aos usuários com deficiência. “Nós dispomos de recursos que permitem que um cego, por exemplo, possa acessar o conhecimento. Ainda não atingimos o ponto ideal, mas a Unicamp é uma das poucas universidades brasileiras na qual um deficiente visual pode assistir a uma aula superando parte de suas dificuldades. É estratégico continuarmos buscando as melhores formas de apoiar as pessoas com deficiência”, declara a coordenadora-geral.

Veja mais:

Fonte: Jornal da Unicamp

Com títulos a perder de vista, bibliotecas pessoais são verdadeiros ‘xodós’

Só quem é apaixonado pelo universo encantado dos livros entende o que significa ter o próprio acervo em casa. Com títulos a perder de vista, estas bibliotecas pessoais são verdadeiros “xodós” para quem passou anos colecionando obras literárias.

Nesta semana, o MidiaMAIS está produzindo uma série de reportagens sobre bibliotecas, lembrando a Lei nº 12.244/2010, que determina que instituições de ensino tenham o próprio acervo com bibliotecários contratados. Já falamos sobre a visão de estudantes e professores sobre as bibliotecas em escolas, contamos a história de como este espaço coletivo de livros moldou a vida do poeta e jornalista Rafael Belo e listamos as principais bibliotecas de Campo Grande.

Na matéria desta quarta-feira (8), o MidiaMAIS mostra acervos pessoais, pequenas e grandes coleções de livros guardados em casa. De quem passou uma vida inteira guardando obras e hoje tem uma biblioteca com bem mais de mil livros a quem ainda começa a construir o próprio acervo, encontramos pérolas e raridades. Confira!

Juntando as bibliotecas

Quando a jornalista Evelise Couto, 33 anos, e o funcionário público Daniel Rockenbach, 36 anos, foram morar juntos, há cinco anos, não juntaram apenas as escovas de dente, mas também a biblioteca pessoal que cada um tinha. Hoje, os dois somam um acervo com mais de 3 mil obras, com os mais diversos títulos. E com o tempo, o casal encontrou até obras que agradassem aos dois.

A biblioteca de Evelise e Daniel foi montada em um quarto separado no apartamento do casal | Foto: arquivo pessoal

“Eu e a Eve não líamos as mesmas coisas, eu gosto de literatura fantástica e ela foge de terror e ficção científica. Quando ela começou a participar do Vórtice Fantástico nós começamos a encontrar leituras em comum, o que acontece agora também com o Leia Mulheres. O Conto da Aia de Margaret Atwood é um ficção científica distópica que acabamos lendo juntos em virtude do grupo e nós dois gostamos muito no final”, conta Daniel.

A biblioteca foi montada em um quarto separado no apartamento do casal, com prateleiras em todas as paredes.

E além dos livros, Evelise e Daniel compartilham também uma pontinha de ciúmes pelos livros. “Quando eu acho que a pessoa vai ler, faço questão de emprestar, quero muito que ela leia até pra conversar sobre depois da leitura. Mas na maioria esmagadora das vezes eu me frustro quando empresto porque a pessoa acaba pegando o livro e sequer lê. Isso foi desenvolvendo um ciúme dos livros a ponto de eu criar regras do tipo não pego emprestado se não vou emprestar ou empresto só um determinado número de livros pra que eu tenha controle do que saiu. A triste verdade é que perdi muitos bons livros emprestando, algumas edições bem raras inclusive. E não é só com os livros: filmes e jogos também. Seria fácil dizer que perdi a conta dos que nunca voltaram mas a real é que lembro de cada um”, confessa Daniel.

Desde a infância

Na biblioteca fantástica da artista Miska Thomé há livros de quando ela tinha quatro anos e também os primeiros volumes dos gibis do Tarzan e do Tio Patinhas, todos ainda muito bem conservados. O número de títulos, ela não faz nem ideia, mas garante que há duas estantes só de livros sobre arte.

Miska biblioteca particular | Foto: Marcos Ermínio

Além de exemplares do jornal “O Pasquim”, Miska também destaque a obra “A Viagem Filosófica”, de Alexandre Rodrigues Ferreira, e “Os Sertões de Euclides da Cunha”, edição de 1940. A biblioteca foi montada em um espaço junto ao ateliê e embaixo do quarto da artista, que é no estilo loft, formando quase um mundo encantado a parte dentro da casa dela.

Lá, Miska tem de tudo um pouco, livros da cultura de Mato Grosso do Sul, vinil, revistas, obras de literatura estrangeira, garante que já leu o acervo inteiro. “São obras que fizeram parte da minha vida toda, de todas as fases, é a minha história. Leio por deleite e por estudo. Com os livros viajamos sem sair do lugar”, diz a artista.

E este coleção de livros de todos os tipos ela divide com amigos e família. “Agora são os netos que estão curtindo este acervo”, conta.

Herança da mãe

A coleção de livros do artista e contador de histórias Ciro Ferreira, 48 anos, é uma herança da mãe dele, talvez a maior delas. “Em 1979, quando vim de Camapuã para Campo Grande, comecei a ter acesso aos livros. Eu tinha uns 11 anos, minha mãe era empregada doméstica, mas ela sempre comprava gibis e livros pra mim. E foi aí que tudo começou”, conta.

De lá para cá, Ciro construiu um acervo com mais de 700 títulos. E mesmo depois de adulto, a mãe de Ciro continua agregando à biblioteca pessoal do artista. “O último livro que ganhei da minha mãe foi ‘Assim se Benze em Minas’, que fala sobre as benzedeiras de Minas Gerais. Isso tens uns 10 anos”, conta.

Herança que ele também faz questão de deixar para a filha. “Quando nasceu minha filha, comecei a comprar livros para ela. Hoje, com 21 anos, ela é formada em Letras e já está no mestrado. É o maior legado que eu poderia deixar”, afirma.

Mas o artista comemora também as obras literárias que ganha de presente. “Recentemente, ganhei a coleção completa da obra do escritor sul-mato-grossense Hélio Serejo. Já li duas vezes todos os livros e uso alguns textos dele para contar história”, pontua Ciro.

Biblioteca de Iniciante

Embora o acervo de livros ainda seja tímido, com cerca de 75 títulos, a terapeuta holística Cristina Gasparetto tem o sonho gigante de construir a própria biblioteca. “No começo, não era minha intenção montar uma biblioteca particular, mas hoje já tenho vontade”, conta.

Cris e seus livros vivos | Foto: arquivo pessoal

Para Cris, não é apenas uma biblioteca particular, mas sim um mundo a parte formado por livros. “Quando compramos um livro, estamos levando um pouco de nós mesmos para casa, só que é um “nós” com a capacidade de transformação. Os livros que escolhemos muitas vezes falam mais sobre nós do que sobre a própria história ou autor em si. Por isso, construir um acervo em casa é como nos “reconstruir” pouco a pouco, com direito a expansão plena da mente, da própria vida. Às vezes, precisamos de livros que nos façam chorar. Às vezes precisamos de livros que nos façam rir. Por vezes, alguns que falam de coisas diferentes das que conhecemos, mas que conversam com a gente, como um amigo, um parceiro, ou um professor”, pontua a terapeuta.

Sobre os títulos, ela coleciona dos mais variados e ressalta que um dos preferidos do acervo dela é “Alice no País das Maravilhas”. “Não curto romance por exemplo. A maioria fala sobre comportamento humano de alguma uma forma. Tem os que falam sobre Bruxaria, tarôs, cristais, Feng Shui, além de História. Tenho um bem antigo sobre a história dos Celtas que amo. E tenho aquele livro absurdo da Santa Inquisição, o Maleus Maleficarum”, conta.

E ela finaliza a entrevista reforçando a leitura de todas as obras que guarda pela casa. “Comprar um livro e não ler, é como matá-lo. Um livro só tem vida quando é lido. Por isso é mais válido ter um pequeno acervo de livros vivos, do que uma grande biblioteca de livros mortos”, completa.

Fonte: MidiaMAIS

Palestra: Olhares que constroem coleções: reflexões sobre algumas bibliotecas particulares paulistas

Clique na imagem para realizar sua inscrição

Tomando os colecionadores como eixo de análise, são apresentados resultados de estudo exploratório sobre duas bibliotecas particulares paulistas. A partir do conhecimento e experiência da equipe técnica das instituições, são combinados a biografia do colecionador, o conhecimento das instituições e o conhecimento do acervo. O primeiro dos olhares que constroem acervos é o do colecionador: assim são traçadas relações entre o acervo das bibliotecas e a vida de seus colecionadores, exemplificados no circuito da comunicação de Darnton. O segundo dos olhares é o do curador, que identifica e preserva os esquemas mentais e lógicos do colecionador, reconhece as relações entre documentos bibliográficos,documentais e objetos da instituição e promove o diálogo entre os objetos e coleções. O terceiro olhar considerado é o da instituição, apontando para a necessidade de somar experiências e iniciativas das diversas instituições no reconhecimento e preservação da memória de seus colecionadores e de suas bibliotecas. Finalmente, traz considerações para bibliotecas jurídicas e sugestões para a preservação de memória dos colecionadores no acervo.

Palestrantes

Ivani Di Grazia Costa

Foi Coordenadora da Biblioteca e Centro de Documentação do MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand por 30 anos, onde foi responsável por todas as atividades desenvolvidas no departamento. Formada em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP e pós-graduação lato sensu em Preservação, Conservação e Restauro de Documentação Gráfica pela Associação Brasileira de Encadernação e Restauro – ABER. Realizou diversos projetos na área de organização de arquivo histórico e fotográfico, banco de dados, vocabulário controlado e obras raras, além da curadoria nas várias exposições iconográficas e bibliográficas da Biblioteca e Centro de Documentação do MASP.

Luciana Maria Napoleone

Bacharel em Biblioteconomia e Documentação pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Bibliotecária do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – MASP (1994 a 1997), da Faculdade de Direito da USP (1997 a 2010) e do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (2010 até o momento). Bibliotecária consultora em projetos da Biblioteca do MASP (2002 a 2015). Conselheira do Conselho Regional de Biblioteconomia da 8ª Região (2006-2008 e 2009-2011) e Diretora Técnica na atual gestão (2018-2020). Conselheira do Grupo de Documentação e Informação Jurídica de São Paulo – GIDJ/SP (2013-2014). Atualmente é Supervisora da Seção de Tratamento da Informação da Divisão de Biblioteca do TRF3. Coautora de trabalhos na área de biblioteca jurídica e biblioteca de artes.

Inscrições

Através do formulário, https://bit.ly/2KGC9We, ou por e-mail, crb8@crb8.org.br

Biblioteca Comunitária da UFSCar promove exposição com objetos pertencentes a Luiz Carlos Prestes

Mostra é gratuita, aberta às pessoas interessadas e está disponível para visitação até o dia 9 de julho
Jogo de xadrez em marfim oferecido a Prestes em viagem à China – Crédito: BCo-UFSCar

O Departamento de Coleções de Obras Raras e Especiais (DeCORE) da Biblioteca Comunitária (BCo) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) promove a exposição “Luiz Carlos Prestes: Fragmentos… testemunhos presentes em sua linha do tempo”. A mostra reúne vários objetos pertencentes a Prestes, militar e político brasileiro que comandou a revolucionária marcha Coluna Prestes entre os anos de 1925 e 1927.

Os materiais expostos são presentes recebidos por Prestes de familiares e amigos, em diversas épocas de sua vida. Destacam-se a miniatura de gráfica clandestina dos comunistas nos anos de 1930 feita pelo artista José Mauro Hid da Silva de Oliveira, como forma de homenagem a Prestes; e um jogo de xadrez em marfim, chinês, oferecido ao militar em sua viagem à China, em 1959. As peças do jogo possuem características fisionômicas e culturais dos chineses.

A mostra é gratuita, aberta às pessoas interessadas e está disponível para visitação até o dia 9 de julho, de segunda a sexta-feira, das 8 às 17h45, no Piso 5 da BCo, localizada na área Norte do Campus São Carlos da UFSCar.

DOAÇÃO DO ACERVO DE PRESTES À UFSCar

A exposição “Luiz Carlos Prestes: Fragmentos… testemunhos presentes em sua linha do tempo” representa parte do material do acervo do político doado para a UFSCar. No mês de abril, chegaram na Universidade mais de 360 pacotes, com livros, documentos, correspondências, fotos, quadros, medalhas e outros objetos pessoais do militar.

Além da exposição em cartaz, a intenção da BCo é montar um minimuseu com as peças, bem como disponibilizar os livros pertencentes a Prestes para a comunidade em geral. Detalhes sobre a doação do acervo estão em matéria publicada no Portal da UFSCar, em https://bit.ly/2q4rFD2.

Fonte: São Carlos Agora

Esclarecimento do IEB sobre a biblioteca de Antonio Candido

O Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) emitiu uma nota sobre notícia publicada no jornal Folha de S. Paulo

Em cinquenta anos de carreira acadêmica, Antonio Candido deu contribuições inestimáveis para a cultura brasileira – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

É inverídica a informação que a USP recusou a biblioteca de Antonio Candido, publicada no Painel das Letras, no dia 7 de abril. Em dezembro do ano passado, o Conselho do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da Universidade aprovou, por unanimidade, a aquisição da referida biblioteca, conforme pareceremitido pelo órgão.

O laudo mencionado na nota foi feito por uma comissão especializada e se refere a um protocolo estabelecido pelo IEB para avaliação de oferta de acervos nas condições de venda ou doação. Ressalte-se que a decisão quanto à aquisição ou não de determinado acervo cabe ao Conselho do Instituto.

No que tange à biblioteca de Antonio Candido, passos prévios já tinham sido dados, com o apoio da Reitoria da USP, para que fosse encaminhado um pedido de auxílio à Fapesp, com o intuito de se captarem os recursos necessários para a efetivação da compra, no valor de R$ 500 mil. A oferta de venda, no entanto, foi retirada.

Importante destacar que, por outro lado, deu-se prosseguimento ao processo de doação dos arquivos — acervo fotográfico e documental — de Antonio Candido e da professora Gilda de Mello e Souza, os quais já se encontram no IEB, em processo de higienização e de organização, para que, em breve, sejam disponibilizados para consulta pública.

São Paulo, 9 de abril de 2018

Profa. Dra. Sandra Margarida Nitrini

Diretora do IEB-USP

Texto por Adriana Cruz

Fonte: Jornal da USP

Após não da USP,  biblioteca de Antonio Candido vai para a Unicamp

Grupo de empresários se organiza para comprar os livros e doá-los para a universidade

Inicialmente negociada para ir para a USP, a biblioteca de Antonio Candido vai para a Unicamp —são 7.000 volumes. Os livros seriam vendidos para a USP, mas um parecer da universidade disse que a aquisição geraria duplicatas em seu acervo e não estavam higienizados, o que gerou um desconforto com a família do intelectual.

Normalmente, uma higienização é feita depois de aquisições do tipo. A ideia era que a biblioteca ficasse no Instituto de Estudos Brasileiros, onde já estão seus papéis.

Assim, as filhas de Candido decidiram que a biblioteca iria para Campinas, como doação. Um grupo de empresários se organiza para comprar os livros e doá-los para a Unicamp, mas, mesmo que isso não dê certo, a família pretende doá-los da mesma forma.

Essas são as obras que o crítico literário manteve consigo até o fim, porque já havia doado a maior parte de seus livros em vida para diversas universidades. No conjunto, além de títulos com dedicatórias, há livros raros que ele havia herdado da família.

Ilustração de Nelson Cruz no livro infantil ‘Os Trabalhos da Mão’, de Alfredo Bosi, que a editora Positivo lança em breve – Divulgação

Cemitério de padres A Contexto publica, em maio, “O Pavilhão dos Padres”, de Guillaume Zeller. O livro conta a história de padres, monges e seminaristas católicos mortos no campo de concentração de Dachau, entre 1938 e 1945. Dos 2.579 religiosos enviados ao campo, 1.034 foram mortos.

Poesia e política A editora independente Luna Parque publicará, em breve, “O Inferno É Verde”, com dois poemas longos da francesa Leslie Kaplan. O livro fala de manifestações no subúrbio de Paris, relacionando-as a uma visita que a autora fez ao Brasil, e aborda a possibilidade de a poesia pensar os acontecimentos políticos. Tradução de Zéfere.


Poesia visual A Iluminuras lança em breve “Trio Pagão”, volume com poemas visuais de Sérgio Medeiros. O autor foi inspirado por sua convivência, há 30 anos em uma aldeia no Mato Grosso com o índio Jerônimo Tsawé, que preenchia cadernos com uma caligrafia imaginária.

Carta de amor Editado pela finada Cosac Naify, volta às livrarias a “Carta a D.”, escrita pelo escritor austro-francês André Gorz a Dorinne, a sua mulher, que sofria de uma doença incurável. No documento, que sai pela Companhia das Letras, ele lembra a trajetória intelectual e de militância dos dois. O casal se suicidou junto em 2007, e um bilhete encontrado na casa foi acrescentado ao livro.

Texto por Maurício Meireles

Painel das Letras

Coluna é editada pelo jornalista Maurício Meireles.

Fonte: Folha de S. Paulo

UFSCar recebe doação de acervo de Luiz Carlos Prestes

Instituição recebeu mais de 360 pacotes com livros, fotos, documentos, cartas e outros itens pessoais de Prestes

Lembrança do PCB pertencente a Preste
Crédito: DeCORE – BCo-UFSCar

No mês de março, a Biblioteca Comunitária (BCo) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) recebeu a doação de arquivos do acervo de Luiz Carlos Prestes, militar e político brasileiro que comandou a revolucionária marcha Coluna Prestes entre os anos de 1925 e 1927. Para tanto, no dia 19 de março, a BCo recebeu a visita de Anita Prestes, filha do militar com a militante comunista judia Olga Benário. Chegaram na Universidade mais de 360 pacotes, que contêm livros pertencentes a Prestes, bem como documentações e correspondências de amigos e familiares, fotos, quadros, medalhas e outros objetos pessoais do político.

O intuito é organizar o material e disponibilizá-lo na BCo para a consulta de pessoas interessadas. “Este é um acervo histórico muito rico para pesquisas, sobretudo para historiadores, sociólogos e outros pesquisadores que estudam a temática do comunismo. Teremos na UFSCar uma fonte riquíssima a ser explorada por esses pesquisadores”, ressalta Izabel da Mota Franco, bibliotecária do Departamento de Coleções de Obras Raras e Especiais (DeCORE) da BCo.

Franco conta que todos os objetos recebidos estão etiquetados e separados por períodos – pré-prisão, prisão e pós-prisão. “Neste primeiro momento, nós cuidaremos dos livros, para disponibilizá-los à consulta de todas as pessoas interessadas. Para isso, já iniciamos o processo de análise de cada obra, que possivelmente passarão por higienização e pequenos reparos. Além disso, as que necessitarem serão encaminhadas para restauro, seguido de catalogação no sistema da Biblioteca”, informa Franco. Segundo a bibliotecária, os livros pertencentes a Prestes devem estar disponíveis para consulta da população a partir do segundo semestre de 2018.

Em seguida, a equipe da BCo pretende disponibilizar os demais objetos de Prestes para a montagem de um minimuseu, iniciativa que deve atrair não só pesquisadores, mas também a comunidade local, para visitas. “O intuito é mostrar curiosidades de Prestes e, consequentemente, elementos e conteúdos que fazem parte da história brasileira, sobretudo à comunidade de São Carlos e região”, relata a bibliotecária. Os materiais pertencentes a Luiz Carlos Prestes estarão disponíveis no Piso 5 da BCo, localizada na área Norte do Campus São Carlos da UFSCar.

Mais informações sobre a doação do acervo para a Universidade podem ser conferidas em matéria produzida pela TV UFSCar, em https://bit.ly/2GwXwY2.

Sobre Luiz Carlos Prestes

Luiz Carlos Prestes foi um militar e político brasileiro, casado com a militante comunista judia alemã Olga Benário. Além de comandar a Coluna Prestes, foi líder do Partido Comunista Brasileiro (PCB) por mais de 50 anos. Em 1936, o político foi preso, juntamente com Olga, que estava grávida de Anita à época e acabou sendo entregue a agentes do governo nazista alemão. Prestes foi uma das figuras da América Latina mais perseguidas do século XX.

Fonte: ABC do ABC

Casa de escritor é uma verdadeira biblioteca

Os escritores não moram em casas, habitam verdadeiras bibliotecas, com livros espalhados em estantes (ou mesas, escrivaninhas e outros móveis) pela sala, pelos quartos, na cozinha e até no banheiro. “Na minha casa os livros estão em todos os espaços, menos na geladeira e no fogão. Eles brotam”, conta Socorro Acioli, autora de obras como A bailarina fantasma e A cabeça do santo. Os livros, muitos, até parecem ganhar vida, “andam sozinhos, mudam de lugar, visitam os amigos”.

Para a escritora Maria Amalia Camargo, sua biblioteca é morada de dragões, piratas, astronautas, reis e rainhas. “Na minha estante moram livros que me viram crescer. Moram livros que eu li na idade adulta, mas que me fazem voltar a ser criança. Moram dragões, piratas, sereias, astronautas, reis e rainhas. Moram histórias escritas por pessoas fantásticas que tenho a sorte de conhecer. Moram histórias sobre pessoas inspiradoras que jamais terei a chance de encontrar. Moram lugares que me fazem viajar sem sair do lugar. Moram muitos bichos que falam e alguns bichos que se acham livros.”

Já as estantes de alguns autores são a própria mala, uma espécie de “biblioteca-tenda”. É o caso do escritor e ilustrador Roger Mello, que há tempos virou um nômade que carrega suas obras preferidas pelos quatro cantos do mundo, de aeroporto em aeroporto. “O livro é um objeto de deslocamento. O livro é um outro que se carrega no bolso, na bolsa, debaixo do braço, na mão”, diz Roger, que ainda reflete sobre as bibliotecas invisíveis como as de Jorge Luis Borges e de Lygia Bojunga.

Pedimos a alguns escritores que nos contassem sobre a relação com suas estantes de livros. Confira mais abaixo.

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Uma estante no plural

 

Minha estante não existe. Não assim no singular. São inúmeras. Em minha casa há estantes no meu escritório, na sala, no corredor, no meu quarto, nos dos meus filhos e em todos os outros cômodos da casa. Incluindo o banheiro. E mais na casa de praia, igualmente com prateleiras cheias de livro na sala  e nos quartos. Periodicamente, eu me disciplino a ser desapegada e dou para bibliotecas enormes quantidades de livros, que continuo adquirindo ou recebendo sem parar. Nos que guardo, procuro arrumar por assunto. Por exemplo, algumas são só de poesia, outras de ficção brasileira, ficção em espanhol, ficção em inglês etc. Outras são só de críticas, ensaios, reportagens. Outras de literatura infantil. Outras só de clássicos – de Homero a Eça de Queirós e Machado de Assis. Outras duas são de dicionários. Mas muitas vezes acaba sobrando para as prateleiras vizinhas. Dentro do assunto, tento arrumar por ordem alfabética de autor. Pelo meio dos livros, tenho porta-retratos com fotos da família. E canecos com canetas, lápis, pincéis e tesoura. E num cantinho, pelo meio dos livros, bonecos de personagens que fui ganhando ou juntando em viagens. Como esse é um ângulo bastante fotogênico, foi o que escolhi para mostrar.”

ANA MARIA MACHADO, autora de Histórias à brasileira e A princesa que escolhia

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Identidade dupla

Costumo brincar que sou duas pessoas ao longo da semana. De segunda de manhã até quarta na hora do almoço, sou o Leo professor, no curso de jornalismo do UniBH. Desde 1997, já lecionei disciplinas tão variadas como Jornalismo Cultural, Teoria da Comunicação, Técnicas de Reportagem e Fundamentos de Cinema… Mas aí, quando dá meio-dia da quarta, eu troco de fantasia e viro o Leo escritor! É hora de inventar contos e poemas, fazer traduções, visitar escolas e, claro, ler muita literatura. O engraçado é que a minha estante é um espelho perfeito dessa dualidade. São duas portas de correr, em vidro fosco: quando abro a porta da esquerda, aparece a biblioteca do jornalista e a literatura se embaça; quando abro a da direita, acontece o oposto, e eu mergulho no universo literário. Só de olhar para as duas imagens, é fácil pra perceber que o Leo escritor é bem mais caótico que sua metade professor!”

LEO CUNHA, coautor de As fantásticas aventuras da vovó moderna

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Em busca da palavra certa

Dicionários, dicionários, muitos dicionários. Esses são os livros mais à mão no entorno da minha desorganizada mesa de trabalho. Por que tantos dicionários, vocês podem me perguntar? Porque o dicionário é a ferramenta do escritor. Muitas e muitas vezes sinto falta da palavra certa, do adjetivo correto, do verbo preciso. Além do pesadíssimo Houaiss, há os dicionários de sinônimos, os analógicos, os de dialetos regionais e de jargões. Mais acima, já um tanto distante da mesa, estão os livros que publiquei, e que preciso consultar de tempos em tempos seja para corrigir para uma segunda edição ou por outro motivo. E mais acima ainda, estão os livros que comprei para ler, mas até hoje não li. Em sua maioria são autores brasileiros, portugueses, angolanos e moçambicanos. Num certo sentido, também são ferramentas de trabalho, pois os leio para enriquecer meu vocabulário e aprimorar meu estilo. Além, é claro, do prazer em si da leitura. Falei de minha mesa de trabalho. Em outros cantos da casa, em outras prateleiras, há os livros de poesia, os de história, os políticos. Há até um cantinho com os livros que a cada semana doo a uma biblioteca, pois já não tenho espaço para tantos livros e os mais que continuo comprando, por vício e por prazer.”

BERNARDO KUCINSKI, autor de Imigrantes e mascates

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Uma biblioteca-tenda

A minha estante é nômade. Já viajou de país em país por causa da literatura, por cidades, feiras, convenções, escolas. A maior parte na vida da espécie humana na terra fomos nômades. Caminhamos desde a África ao encontro do mundo, e de nós mesmos, através da descoberta do ‘outro’. O livro é um objeto de deslocamento. O livro é um outro que se carrega no bolso, na bolsa, debaixo do braço, na mão. O seu formato de códice, de feixe de páginas, foi criado para facilitar até mesmo fugir da destruição do livro. Placas de argila são quase eternas, rolos de pergaminhos trazem uma leitura que envolve o corpo todo, mas são pesados e não têm uma forma que ajude a carregá-los. O códice trouxe a possibilidade portátil de deslocar a ficção de palavras e imagens no espaço. Sempre carrego livros quando viajo. Eles sairão da mochila e da mala e irão para mesas em escolas, em feiras do livro. Mesas que também mudam sempre de lugar. Uma mesa num café cheio de bossa, onde passar o tempo é muito mais que passar o tempo. É a construção de uma biblioteca invisível como as de Borges e de Lygia Bojunga. Recebo sempre outros livros de outros autores, de crianças, prospectos de museus, e meus cadernos, fazendo parte dessa biblioteca móvel, que tem contexto e cheiro e tem movimento. Uma biblioteca-tenda?

Muitas vezes, no meio do caminho, faço uma “boneca” de livro, uma maquete, um rascunho, colando e costurando pedaços de papel que encho de “pedaços de ideias”, onde um novo livro vai se desenhando. Como faziam os calígrafos numa caravana. É assim que crio. É ai que  gosto de escrever as palavras, à mão, pra entender a forma do texto e das imagens. Dois potes de tinta, cores escolhidas com muito “pensa e repensa”, a cor é uma espécie de “dor”. O livro é um objeto que vem com a ideia de que haverá a viagem, e a lombada do livro se relaciona com as várias bibliotecas por onde caminha. Sabe o que é a lombada do livro? Nem toda estante é um móvel, mas penso que poderia ser, e o livro, como um módulo dessa estante que compõe uma biblioteca maior, é também um módulo, uma espécie de átomo, a menor partícula indivisível, que ainda quer e precisa se dividir. Nossa cabeça, nossos olhos conversam com o livro como se estivéssemos diante de um espelho, daí o nome das partes do livro terem os mesmos nomes das partes do corpo humano. O olho, a folha de rosto, a orelha do livro, o pé de página, a respiração entre as linhas e as folhas. E, finalmente, as páginas das guardas que ligam a capa ao miolo do livro. O miolo do livro remexe os miolos da nossa cabeça em movimento. Minha estante é a estante do nômade.”

ROGER MELLO, autor de Inês e João por um fio

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Uma estante, uma rede e muita inspiração

 

“Tenho tatataravós índios, africanos e portugueses, não poderia ser mais brasileiro. Consegui instalar uma rede no meu escritório, onde gosto de ficar escarrapachado lendo, escrevendo, pensando, nadando (no sentido de fazer nada). Atrás da rede está uma grande estante que durante décadas quis, e hoje tenho. Bem grande, com pedaços separados, onde os livros estão separados por tipos: escrita, roteiros, literatura; livros grandes de arte e referências; poesia; teatro; e assim por diante. A parte com dicionários fica bem atrás da mesa, onde está também uma parte com uma boa papelada com ‘escritas em andamento’. Andei me desapegando e doei algumas pilhas dos livros para a biblioteca de uma escola. Doei e doeu: fui pegando um por um, alguns reli uns trechos, outros li, outros dei uma olhada e coloquei de volta na estante. Tem outra bem menor no meu quarto, com os cento e trinta e sete livros que eu vou ler assim que terminar o que leio agora…”

FLAVIO DE SOUZA, autor de Sabadão joia e O livro do ator

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Um cantinho só da poesia

“Em todos os lugares onde vivi sempre criei para os livros de poesia um espaço à parte. Em geral são três estantes um pouco menores do que as demais, e mais bagunçadas também. Um pouco porque pego esses livros com muita frequência e de maneira caótica – de repente a vontade de voltar a um verso me faz mexer ali e um livro puxa outro. Como conheço perfeitamente essa coleção pela lombada, não me importo muito em ordená-la alfabeticamente. E há sempre uns ‘infiltrados’ morando nessa estante, são livros de ensaio ou pequenas edições inclassificáveis que leio no mesmo espírito com que leio os poemas. O Cultura e opulência no Brasil, do Antonil, mora aí. No alto fica pousada uma parte da minha pequena coleção de vasos, como vigias silenciosos, sempre a postos…”

LAURA ERBER, autora de Nadinha de nada

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Livros em todo lugar!

Na minha casa os livros estão em todos os espaços, menos na geladeira e no fogão. Eles brotam. Minha biblioteca oficial são duas estantes fechadas, cada uma com cinco prateleiras fartas. É nela que organizo meus livros mais importantes e tento separá-los por assuntos. O problema é que nunca, nunca mesmo eu consigo organizar tudo lá dentro. Ganho livros dos alunos, das editoras, de amigos escritores e, pelas minhas contas, chegam no mínimo uns dez livros por semana aqui. O critério de organização é por temas. Tenho uma prateleira só para livros teóricos, outra só para os autores latino-americanos, outra para os portugueses e africanos. Mais uma para livros de culinária, em outros idiomas, mas raramente isso está assim tão certinho. Tenho a impressão de que eles andam sozinhos, mudam de lugar, visitam os amigos. Esse é um critério importante: deixo os amigos bem perto. Um dia eu decidi que não era saudável acumular tantos livros em casa sabendo que eu não terei tempo suficiente para ler tudo. A verdade é essa. Então comecei a criar o hábito de fazer doações para bibliotecas públicas e comprar o livro em e-book. Também sou fã dos livros digitais. Os grandes textos, a literatura de verdade existe nas palavras. Os leitores digitais são práticos e me permitem levar uma biblioteca imensa em uma viagem, gastando um espaço pequeno. Assim, posso dizer que tenho duas bibliotecas, a física e a digital. Quando olho para elas, eu me lembro da frase do escritor francês Jules Renard: ‘Quando penso nos livros que ainda vou ler, tenho a certeza de que serei feliz’. Essa é a felicidade de uma leitora como eu: saber que há tanta coisa boa para ler na vida.”

SOCORRO ACIOLI, autora de A bailarina fantasma

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A casa que virou biblioteca

O quarto costuma ser o lugar mais querido de uma jovem. Acontece que, na casa de meus pais, havia uma boa biblioteca. Era meu refúgio, meu lugar preferido, que continha, além de livros, fotos e mapas, uma mesa de madeira maciça. Na semana passada, olhando para minha própria casa lotada de livros em todos os cômodos, percebi que praticamente moro dentro de uma biblioteca. Recentemente, herdei a mesa de meu pai e logo a transformei em estante. Ela ficou reservada para os livros de autores de literatura irlandesa, como Bram Stocker, James Joyce e William B. Yates. Sempre os pesquisei, mas agora o fascínio só fez aumentar. Sobre a mesa, o grande prato de cobre que pertencia à minha bisavó baiana. Uma lembrança de minha mãe. Se meu pai, Luiz Prieto, foi o guardião dos livros, minha mãe, Valdeti, foi a grande contadora de histórias, a escrita e a voz emprestando-me ideias para meus próprios livros. Espero sempre que eles encontrem seus lugares em suas respectivas estantes, recebendo acolhida carinhosa.”

HELOISA PRIETO, autora de O estranho caso da massinha fedorenta e Vó coruja

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Três dimensões de um eu

Há algumas estantes na casa, mas a que fica mais perto de mim, quase em cima da minha cabeça, é esta da foto. Nunca tinha prestado muita atenção nela. Porém agora, olhando com atenção, vejo que minha estante revela três eus. No primeiro andar fica o eu-escritor, com os livros que escrevi e aqueles nos quais tenho algum texto. Também há fotos de família, caveiras (penso um bocado na morte) e uns bonecos engraçados, como uma múmia e um toureiro. No segundo andar fica o eu-leitor. É onde estão os livros que estou lendo ou quero ler. Não faço ideia de como o senhor Spock se teleportou para lá. Por fim, no terceiro andar fica o eu-não-posso-ficar-sentado-o-dia-todo-nesta-cadeira. Ali ficam uns (poucos) troféus de natação, medalhas de pedestrianismo (só de participação) e uns prêmios de cinema. Há também um Jabuti, mas trata-se de um intruso (que eu não tiro porque teria que levantar da cadeira).”

JOSÉ ROBERTO TORERO, coautor de Branco, belo e cinderelo e Abecê da liberdade

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A morada de dragões, piratas, astronautas, reis e rainhas

Na minha estante moram livros que me viram crescer. Moram livros que eu li na idade adulta, mas que me fazem voltar a ser criança. Moram dragões, piratas, sereias, astronautas, reis e rainhas. Moram histórias escritas por pessoas fantásticas que tenho a sorte de conhecer. Moram histórias sobre pessoas inspiradoras que jamais terei a chance de encontrar. Moram lugares que me fazem viajar sem sair do lugar. Moram muitos bichos que falam e alguns bichos que se acham livros. Minha estante de infantis e livros de arte é uma mini-micro amostra da biblioteca da família. Com pai historiador, mãe jornalista e irmão arqueólogo, as paredes de casa sempre foram cobertas de livros. Até o corredor do apartamento virou lugar deles. Comigo, lá na roça, tenho uma mistura de prateleiras e caixas que fazem do meu escritório um pedaço cheio de imaginação. Para os meus gatos, aqui também é um cantinho inspirador: às vezes, a estante vira uma parede de escalada, outras, um parque de diversões (com direito a muitos livros espalhados pelo chão).”

MARIA AMÁLIA CAMARGO, autora de Meu vizinho é chato pra cachorro!

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Um nicho de aconchegos

Quando fiz 18 anos comprei uma estante da Lundia Willo com meu primeiro salário. Isso já faz muito tempo e ela continua comigo – sempre no meu quarto – com infinitas camadas de pintura. O lugar dos livros “do agora”, cada prateleira dedicada a um assunto: pesquisa de contos, romances na fila de espera para serem percorridos, estudos de artes narrativas, coletâneas de contos tradicionais, artes da memória, tradições populares brasileiras, mestres do caminho e nas beiradas os livros enormes pra manter todos os outros  em pé. Essa pequena estante não é como as outras que povoam a casa. Aparentemente a mesma monótona ordenação por assunto, como nas outras. Só que aqui, alguns livros guardam coisas  escondidas no meio de suas páginas, há  fotos que separam brochuras, curiosidades incatalogáveis. Nicho de aconchegos. Essa estante é o continente perfeito, em si mesmo uma longa história, que vive a emoldurar as histórias entremeadas nas histórias que cada um e todos esses livros contém. Nunca lidas, jamais contadas, cúmplices por mil e uma noites. Até o além.”

REGINA MACHADO, autora de Nasrudin e A formiga Aurélia e outros jeitos de ver o mundo

Fonte: Blog das Letrinhas

Amantes dos livros tomam iniciativa de disseminar conhecimento abrindo os próprios centros de leitura

Com coleções próprias, eles também disponibilizam coleções em lugares não convencionais

O historiador Amilcar Martins Filho disponibiliza cerca de 1,8 mil obras raras, além de um acervo de títulos correntes, no Instituto Cultural Amilcar Martins, na Rua Ceará (foto: LEANDRO COURI/EM/D.A.PRESS)

O amor pelos livros e, principalmente, pela história de Minas fez com que o historiador e professor Amilcar Vianna Martins Filho reunisse ao longo da vida um acervo bibliográfico de peso. Em 2001, quando criou o Icam, instituto cultural que homenageia seu pai, o parasitologista e pesquisador Amilcar Vianna Martins (1907-1990), ele decidiu levar a sua coleção para lá. “Inicialmente, o Icam funcionou no Edifício Acaiaca, no Centro, e desde 2010, temos uma sede própria na Rua Ceará, no Funcionários. O instituto promove uma série de atividades, mas o carro-chefe é a biblioteca”, comenta Amílcar.

Além de se caracterizar como uma biblioteca de referência e pesquisa, o espaço é um importante centro de preservação do patrimônio cultural bibliográfico do estado. A Coleção Mineiriana do Icam reúne hoje cerca de 14 mil títulos, entre livros, opúsculos e periódicos, sobre a história e a cultura mineiras. Ali é possível encontrar volumes sobre história, cultura, política, arquitetura, culinária, biografias de mineiros ou escritas por mineiros, além de romances.

O acervo é aberto à comunidade, mas as consultas devem ser feitas in loco. “Geralmente, quem vem são historiadores, professores, estudantes ou pessoas que estão desenvolvendo pesquisas sobre algum aspecto da história de Minas. Mas a biblioteca é aberta a qualquer um”, frisa.

O espaço é dividido em duas partes – uma com as obras correntes, que vão de 1940 até hoje (a maior parte do acervo) e a outra com obras raras, que ele chama de “a joia da coroa” (1,8 mil exemplares), incluindo publicações dos séculos 18, 19 e 20 (até 1940).

Temos obras raríssimas aqui. Até livros conhecidos como ‘cabeça de bacalhau’, aqueles que todo mundo sabe que existe, mas ninguém nunca viu”, diz o historiador. Entre as raridades está Triunfo eucarístico, publicada em 1734, sobre a festa realizada em Vila Rica no ano anterior para a inauguração da Matriz do Pilar. Outro tesouro é o livro Áureo trono episcopal, publicado em 1749, sobre a chegada do primeiro bispo a Mariana.

São dois livros raríssimos e fundamentais para o estudo da história de Minas Gerais dos setecentos”, pontua. “Recentemente, a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Ciência, a Educação e a Cultura) divulgou que a coleção de obras raras da nossa biblioteca foi contemplada com o título Memória do Mundo. É o primeiro acervo bibliográfico brasileiro a receber tal honraria. Ela virou um patrimônio do mundo”, celebra.

MERCEARIOTECA Em 2014, o geógrafo João Alves da Silva Filho comprou uma mercearia no Padre Eustáquio, na Região Noroeste de BH. Os livros sempre fizeram parte da sua rotina e da mulher, a jornalista e escritora Leida Reis, e foi então que os decidiram levar uma parte do acervo para o estabelecimento. Nascia assim a Mercearioteca.
“A gente acabou vendendo a mercearia, e o novo dono não levou o projeto adiante. Mas a ideia proliferou. Começamos a levar os livros para outros pontos comerciais”, conta Leida.

Hoje, há três unidades de Mercearioteca no Padre Eustáquio (Auto Escola Padre Eustáquio, Bar Tudo no Ponto e Alonsos’Burguer), além do São Lucas (Cantina do Sorriso), e outra em Patrocínio, no interior de Minas. “Acredito que o livro de papel ainda tem muita vida, é um objeto que instiga o leitor. O empréstimo é meio informal, mas tudo que é feito para estimular a leitura é sempre positivo”, afirma Leida, que se prepara para lançar seu primeiro livro infantil em abril, As árvores invisíveis.

UNIVERSIDADES PERMITEM CONSULTAS A SEUS ACERVOS

As 25 bibliotecas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) são abertas à visitação da comunidade, que pode usar os espaços de estudo, visitar as exposições e participar de outros eventos abertos ao público. No entanto, o empréstimo domiciliar de livros pode ser feito apenas por pessoas com vínculo com a universidade, mediante apresentação da carteirinha institucional.

As pessoas sem vínculo com a UFMG têm a opção de fazer o empréstimo rápido, que permite a retirada do material da biblioteca por duas horas, e é realizado mediante preenchimento de formulário e retenção de documento de identidade durante o período de empréstimo.

As bibliotecas da PUC Minas também são abertas ao cidadão para uso interno do espaço físico e dos conteúdos. O empréstimo não é liberado à comunidade, mas é disponibilizado todo o suporte na localização e acesso à informação, assim como a possibilidade de cópia do material, respeitada a Lei de Direitos Autorais.

Já a Biblioteca da Academia Mineira de Letras, que possui aproximadamente 35 mil livros, ainda não está aberta à comunidade. Está em desenvolvimento o projeto de organização da Biblioteca da AML, com o objetivo de disponibilizar parcialmente o acervo, a partir de 2019, a pesquisadores das áreas de literatura, história e política social de Minas Gerais e do Brasil.

z FORA DA PRATELEIRA

Veja onde encontrar as bibliotecas não convencionais

»  MERCEARIOTECAS

  • Auto Escola Padre Eustáquio. Praça do Nino, Padre Eustáquio,
    (31) 3462-0339. Funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h.
    Bar Tudo no Ponto. Rua Curral Del Rey, 142, Padre Eustáquio, sem telefone. Funciona diariamente, das 12h às 23h.

  • Alonsos’Burguer. Rua Curral Del Rey, 331, Padre Eustáquio, (31) 3412-1342. Funciona diariamente, das 17h às 2h.

  • Cantina do Sorriso. Rua Visconde de Taunay, 263, São Lucas,
    (31) 2515-3559. Aberto de segunda-feira a sábado, das 10h às 15h.

»  BIBLIOTECA DO INSTITUTO  CULTURAL AMILCAR MARTINS

Rua Ceará, 2.037, Funcionários,  (31) 3274-6666. Funciona de  segunda a sexta-feira, das 9h às  12h e das 13h às 18h

Texto por Ana Clara Brant

Fonte: Uai

O acaso dos livros

Tão importante quanto o texto é a maneira como um livro chega ao seu leitor. Há sempre a mão do destino nos encontros mais importantes. É um prazer ir a uma livraria, passear pelas prateleiras e encontrar um exemplar que, de fato, valha a leitura, que sopre um vento novo, que seja um alívio, uma janela aberta.

Há outra maneira de promover esse encontro, quando ele acontece em uma prateleira, ninho ou geladeira cheias de livros para doação. Tem sido assim para muita gente, como parte de uma onda de iniciativas que fazem a literatura circular de uma maneira não convencional, quase no contrafluxo do movimento de escolha e compra. Circulam por aí relatos lindos de pessoas que acharam um texto em um desses pontos de doação e deixou sua vida mudar, palavra a palavra.

Dois projetos em Fortaleza, quase como o mesmo nome, encontraram a forma certa de compreender do que se trata esse movimento: Livro Livre e Livros Livres. O primeiro está espalhado pela Cidade, cuidado por uma leitora dedicada chamada Anitta Moura. O segundo, no plural, é um projeto da Biblioteca da Universidade Federal do Ceará, no Campus do Pici e em outros campi, organizado com carinho e muito esforço pela Islânia Castro.

A biblioteca pessoal mora mesmo na lembrança. Quando o acaso ajuda a construir esse relicário de leituras, o olhar alcança muito além do que estava na rota

A ideia é a mesma: os livros são recebidos, cuidados, marcados com seus carimbos de liberdade e ganham mundo para que encontrem os leitores. Nos pontos de doação e troca, a moeda é só mesmo o desejo de ler. É um conceito de relação com a leitura que subverte a ideia do apego, do ciúme, dos livros acumulados pela casa. É um sebo solidário, uma biblioteca que se doa e se desmancha, ao mesmo tempo em que se refaz todos os dias. Não parece um bocado com o fantástico livro de areia do Jorge Luis Borges? Aquele que nunca é o mesmo e que não obedece a qualquer regra de numeração ou impressão?

Há outra coisa acontecendo nessa relação entre livros e acaso. Estamos revivendo os tempos áureos do Círculo do Livro, surpreendentemente melhorado com um novo clube de assinaturas: Tag Livros. Assinando o clube, o leitor recebe em sua casa um ou dois livros por mês, dependendo do plano. São edições exclusivas, escolhidas por um time de curadores de primeira qualidade e que trazem para o assinante a possibilidade de ler algo que talvez nunca chegasse por outros caminhos. As edições são muito bonitas, chegam direto em casa. A Tag é uma proposta genial, que vem como um respiro aliviado no meio de uma crise grave no mercado editorial brasileiro.

É de acasos que se faz o percurso de um leitor. Acho, aliás, que todos que leem muito deveriam escrever cartas sobre isso, sobre o que ficou de tantas leituras ao longo do tempo. Nem tudo fica, muita coisa vai embora com o vento. Alguns autores permanecem, apaixonam, marcam. Algumas frases, vários sentimentos. A biblioteca pessoal mora mesmo na lembrança. Quando o acaso ajuda a construir esse relicário de leituras, o olhar alcança muito além do que estava na rota. Toda vida precisa dos desvios do destino. Os livros são mensageiros dos bons descaminhos.

Texto por Socorro Acioli

Fonte: O Povo

Por que você deve cercar-se de mais livros do que conseguirá ler em vida

Uma prateleira (ou um leitor de livros digitais) cheia de livros revela boas coisas sobre a sua mente.

A aprendizagem ao longo da vida ajudará você a ser mais feliz, ganhar mais e até mesmo manter-se saudável, dizem os especialistas.

Mais do que isso, muitos dos empresários mais inteligentes do mundo, de Bill Gates a Elon Musk, insistem que a melhor maneira de ser mais inteligente é lendo. Então, o que você faz?

Você compra livros, muitos livros.

Mas a vida é corrida e intenções são uma coisa, ações são outra. Logo você encontra sua prateleira (ou leitor digital) com títulos que você pretende ler um dia, ou livros que você folheou e depois abandonou.

Seria isso é um desastre para o seu projeto de se tornar uma pessoa mais sábia e inteligente?

Se você nunca lê nenhum livro, então sim. Talvez você queira aprender alguns truques para arrumar um tempo para ler em sua vida agitada e por que vale a pena dedicar algumas horas por semana ao aprendizado.

Mas se é apenas porque o seu ritmo de leitura não acompanha nem de perto seu ritmo de compra de livros, eu tenho boas notícias para você (e para mim, que definitivamente me encaixo nesta categoria): sua biblioteca lotada não é um sinal de fracasso ou ignorância, é um emblema de honra.

Por que você precisa de uma “antibiblioteca”

Este é o argumento que o autor e estatístico Nassim Nicholas Taleb explica em seu bestseller “O Cisne Negro”. O sempre fascinante blog “Brain Pickings” fuçou e destacou esta parte em um post muito legal.

Taleb inicia suas reflexões com uma piada sobre a incrível biblioteca do escritor Umberto Eco, que contém uma quantidade de livros de cair o queixo: 30 mil volumes.

Eco leu mesmo todos esses livros?

É claro que não, mas esse não era o ponto de cercar-se de tanto potencial de conhecimento ainda não realizado. Ao fornecer um lembrete constante de tudo que ele não sabia, a biblioteca de Eco o manteve intelectualmente faminto e continuamente curioso.

Uma coleção de livros que você não leu e que cresce constantemente pode fazer o mesmo por você. Taleb escreve:

“Uma biblioteca particular não é um apêndice estimulante do ego, mas uma ferramenta de pesquisa. Livros lidos são bem menos valiosos que os não lidos.

A biblioteca deve conter o tanto quanto você não sabe sobre seus recursos financeiros, taxas de hipoteca e o atual mercado imobiliário que caiba nela.

Você vai acumular mais conhecimento e mais livros a medida que fica mais velho e o crescente número de livros não lidos nas prateleiras vão olhar para você ameaçadoramente.

Na verdade, quanto mais você sabe, maior é a prateleira de livros não lidos. Vamos chamar essa coleção de livros não lidos de antibiblioteca.”

Uma antibiblioteca é um lembrete poderoso de suas limitações – a vasta quantidade de coisas que você não sabe, sabe pela metade, ou que um dia perceberá que estava errado.

Ao conviver diariamente com esse lembrete, você pode levar a si mesmo em direção ao tipo de humildade intelectual que aprimora as tomadas de decisões e conduz o aprendizado.

“Pessoas não andam por aí com anticurrículos dizendo a você o que elas não estudaram ou vivenciaram (esse é o trabalho dos concorrentes), mas seria legal se elas fizessem isso”, afirma Taleb.

Por quê? Talvez porque um fato psicológico bem conhecido é de que o mais incompetente é quem é mais confiante de suas habilidades e o mais inteligente é quem é cheio de dúvidas (sério, isso é chamado de efeito Dunning-Kruger).

É igualmente bem estabelecido que quanto mais prontamente você admite que não conhece as coisas, mais rápido você aprende.

Então pare de se culpar por comprar muitos livros ou por ter uma lista de livros para ler que você nunca vai terminar nem em três vidas. Na verdade, todos os livros que você não leu são um sinal de sua ignorância.

Mas se você sabe o quanto é ignorante, você está muito a frente da maioria das outras pessoas.

Este artigo é uma tradução do Awebic do texto originalmente publicado em Inc.escrito por Jessica Stillman.

Fonte: Awebic

UFSCar promove exposição com cartões postais do acervo de Florestan Fernandes

Mostra, que é aberta ao público, pode ser visitada até o dia 13 de abril

Exposição está disponível no Piso 5 da Biblioteca Comunitária da UFSCar (Foto: Divulgação BCo)

No âmbito da programação especial de recepção dos novos estudantes da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) – a Calourada 2018 -, o Departamento de Coleções de Obras Raras e Especiais (DeCORE) da Biblioteca Comunitária (BCo) da Universidade promove a exposição “Florestan Fernandes: viagens contadas a partir de postais”. A mostra apresenta um total de 105 postais que o sociólogo Florestan Fernandes (1920-1995) – considerado o fundador da Sociologia Crítica no Brasil – recebeu ao longo de sua vida de amigos, alunos e intelectuais.  

Os cartões expostos na Biblioteca são de mais de 20 países diferentes, dentre os quais se destacam Afeganistão, África, Áustria, Cuba, Dinamarca, Espanha, França, Índia, Itália, Portugal e Ucrânia. A exposição é gratuita, aberta a todas as pessoas interessadas e pode ser visitada até o dia 13 de abril, de segunda a sexta-feira, das 8 horas às 17h45, no Piso 5 da BCo, localizada na área Norte do Campus São Carlos da UFSCar. Mais informações podem ser obtidas no Portal da Biblioteca ou pelo telefone (16) 3351-8428.

Fonte: A Cidade ON / São Carlos

Acervo de escritor de Cabo Verde é entregue à Biblioteca Nacional do país

Mesa diretora do evento

Cerca de dois mil livros do autor cabo-verdiano Luís Romano Madeira de Melo foram repatriados a Cabo Verde. O acervo foi transportado da cidade de Natal (RN) ao país pela Fragata “Independência”, da Marinha do Brasil. A cerimônia para a entrega dos livros aconteceu no dia 15 de fevereiro, a bordo da “Independência”, no porto de Praia, em Cabo Verde. O acervo foi entregue para a Biblioteca Nacional do país africano.

A cerimônia de devolução foi presidida pelo Ministro da Cultura e das Indústrias Criativas de Cabo Verde, Abraão Vicente, e contou com a presença do Embaixador do Brasil no país, José Carlos de Araújo Leitão; da curadora da Biblioteca nacional de Cabo Verde, Fátima Fernandes; e da Professora Doutora Simone Caputo Gomes.

De acordo com o ministro Abraão Vicente, o regresso da biblioteca de Luís Romano ao país é o cumprimento de uma missão e um “momento histórico” para a literatura, artes e cultura do arquipélago. “Luís Romano é um corpo enorme estendido entre as ilhas de Cabo Verde e Brasil”, afirmou o ministro. Na ocasião, a Marinha do Brasil (MB) foi condecorada com o 2.º Grau da Medalha de Mérito Cultural, e Luís Romano, a título póstumo, com o 1.º Grau da medalha. O Comandante da Fragata “Independência”, Capitão de Fragata Marcelo Lancelotti, foi o representante da MB na imposição.

O evento motivou a inclusão do Porto de Praia, em Cabo Verde, para a realização de escala logística da Fragata “Independência”, no deslocamento para a cidade de Beirute, para a realização da operação “Líbano XIII”, a partir de março de 2018.

O escritor

Luís Romano de Madeira Melo foi um poeta, romancista e folclorista cabo-verdiano, que viveu exilado muitos anos no Brasil, radicado na cidade de Natal (RN). Deixou uma vasta obra, com destaque para o romance “Famintos” (1962), seu livro mais conhecido e referência da literatura cabo-verdiana. O acervo foi deixado a cargo da Professora Doutora Simone Caputo Gomes, da Universidade de São Paulo, após o falecimento do escritor em Natal, onde estava exilado desde a década de 1960.

Entrega da medalha pelo Ministro da Cultura e Indústrias Criativas de Cabo Verde ao Comandante da Fragata “Independência”

Fonte: Marinha do Brasil

Passeio pelo acervo da família Bornheim, doado à Biblioteca da UCS, revela apreço por tesouros da Literatura da Filosofia

Coleção de 4 mil livros foi oferecida à Universidade pela poetisa e trovadora Gerda Bornheim em seu testamento. Muitos exemplares eram de seu irmão, o filósofo Gerd Bornheim

Em fase de catalogação, acervo deve ficar disponível para consulta local ainda neste semestre, no setor de Coleções e Obras Raras
Foto: Cláudia Velho / Divulgação

Andrei Andrade

No apartamento da Rua Marquês do Herval em que viveu até o fim dos seus dias, a professora, poeta e trovadora caxiense Amália Marie Gerda Bornheim, morta em setembro do ano passado, mantinha um acervo de mais de 4 mil livros, expostos em estantes que circundavam a sala onde gostava de se dedicar à leitura. Parte considerável dos exemplares pertenceu ao irmão, Gerd Alberto Bornheim (1929-2002), um dos mais reconhecidos filósofos brasileiros, nascido em Caxias do Sul. Sem herdeiros, Gerda registrou em testamento a intenção de doar a coleção à Biblioteca Central da Universidade de Caxias do Sul (UCS), onde desde novembro as obras aguardam pelo trâmite técnico para ficar à disposição da comunidade.

O passeio pelo acervo é uma perdição para quem gosta de mergulhar na intimidade das mentes mais fascinantes. Além das predileções por Jean-Paul Sartre e Martin Heidegger, filósofos cuja obra Gerd foi o introdutor nas universidades brasileiras, há romances de todas as épocas em diversos idiomas, como francês, italiano, espanhol e alemão (Gerd viveu em exílio na Europa entre 1970 e 1974), muitos nunca traduzidos para o português. Um passada de olhos pelas prateleiras também desperta a atenção para as obras completas de Machado de Assis e de Luís de Camões, uma vasta coleção de autores franceses e alemães, antigos compêndios de psicologia e muitas antologias poéticas.

Gerda Bornheim, em 2016, na sala em que mantinha sua biblioteca. Doação foi feita através do seu testamento, em novembro do ano passado
Foto: Roni Rigon / Agencia RBS

Embora ainda precise ser feito um estudo sobre a eventual raridade de algumas obras, muitos exemplares chamam a atenção por serem edições bastante antigas, algumas datando da primeira década do século passado. Também é interessante perceber a atenção com que os irmãos liam cada livro – há páginas inteiras sublinhadas e rabiscadas – e o grande zelo com a conservação. A maioria dos exemplares mais antigos tem folhas de louro entre a capa e a primeira página, para espantar as traças. A coordenadora administrativa da biblioteca, Michele Baptista, ressalta que esse acervo, assim como outras coleções especiais, recebem tratamento especial visando a melhor conservação. 

É importante capacitarmos cada vez mais nossos bibliotecários para dar o devido tratamento a esse tipo de acervo, que é o primeiro que recebemos por testamento, mas não queremos que seja o único. É preciso saber reconhecer qual a importância de cada obra e qual a forma de higienização correta. Livros mais antigos, por exemplo, precisam estar na temperatura adequada, para facilitar a resistência do papel, e em ambiente limpo e com menor circulação de pessoas, para que não seja mexido e folheado o tempo todo. A pesquisa também só pode ser feita pelo usuário acompanhado de um funcionário – explica Michele.

Obra de William Shakespeare em edição alemã de 1921
Foto: Cláudia Velho / Divulgação

Por ora armazenados em prateleiras numa sala no térreo da biblioteca, os livros serão higienizados, tratados e catalogados pela equipe da biblioteca. Primeira coleção que a UCS recebe através de testamento, a expectativa é de que ainda no primeiro semestre o acervo passe a integrar o setor de Coleções Especiais e Obras Raras, que permite apenas a consulta local.

Dedicatórias e cartões-postais

Tanto Gerd quanto a irmã poetiza tinham o hábito de usar cartões-postais como marcadores de páginas. Parte do fascínio em descortinar o acervo está na possibilidade de encontrar pérolas que remetem a episódios da vida dos irmãos, como o cartão recebido por Gerd após ter sido afastado de suas atividades como professor na UFRGS, em 1968, cassado pelo regime militar. No postal, remetido de Heidelberg, na Alemanha, um ex-aluno chamado Valério pede desculpas pelo atraso (a carta é de 1969), mas lamenta o ocorrido:

Podes imaginar o quanto isso abateu a Vera e a mim, que nas tuas aulas aprendi a perguntar filosoficamente. Nesse momento obscuro para ti e para todos nós, manifestamos o nosso pesar e a nossa solidariedade”, diz um trecho da mensagem. 

Foto: Cláudia Velho / Divulgação

A passagens marcantes misturam-se dedicatórias singelas, como a que Gerd, com caligrafia exemplar aos 11 anos, oferece o romance Um Rio Imita o Reno (1939), de Vianna Moog, à mãe. Entre os livros que pertenceram à Gerda – que são a maior parte do acervo, já que boa parte da biblioteca do irmão foi doada à Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) – muitos têm dedicatórias de amigas também escritoras, que se referem à poetisa como colega da causa  literária. Também há exemplares ofertados pelas editoras à época do lançamento, tendo em Gerda Bornheim uma leitora especial, digna de receber o exemplar como cortesia. 

Rumo à digitalização

A Biblioteca Central da UCS deve passar por um projeto de digitalização do acervo de coleções e obras raras ainda este ano. Além de favorecer a pesquisa a estudantes de outras universidades, que poderiam pesquisar pelo site, sem precisar se deslocar até a universidade, o processo também ajuda na conservação dos exemplares.  Atualmente, o setor de coleções conta com mais de 30 mil títulos, entre livros, teses e periódicos.

Fonte: Pioneiro