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Biblioteconomia

Livros de ativistas pró-democracia desaparecem de bibliotecas em Hong Kong

Títulos são retirados do catálogo de bibliotecas públicas após entrada em vigor de nova lei de segurança imposta pela China. “Hong Kong vive, agora, numa sociedade orwelliana do século 21”, denuncia ativista.

O ativista Joshua Wong apontou que dois de seus livros foram retirados do catálogo das bibliotecas do território

Livros de autoria de ativistas pró-democracia de Hong Kong têm sido retirados do catálogo das bibliotecas públicas do território, mostram sistemas de consultas online, dias após a entrada em vigor de uma rígida lei de segurança nacional imposta pelo governo chinês.

Entre os livros que foram retirados estão títulos escritos por Joshua Wong, um dos ativistas pró-democracia mais conhecidos da cidade, e Tanya Chan, uma parlamentar filiado ao Partido Cívico, uma legenda liberal e pró-democrática. Ambos ganharam proeminência em 2014 durante a Revolução dos Guarda-chuvas, como ficou conhecida a série de protestos para pedir eleições livres no território.

De acordo com o jornal South China Morning Post, pelo menos nove títulos sumiram das bibliotecas. Entre eles estão títulos do acadêmico Chin Wan, considerado o ideólogo do movimento para a autonomia de Hong Kong.

Joshua Wong foi o primeiro ativista a chamar a atenção para a remoção dos seus livros neste domingo (05/07). “Menos de uma semana após a implementação da Lei de Segurança Nacional, as bibliotecas públicas de Hong Kong começaram a colocar os livros em revisão e a suspender os empréstimos, incluindo dois dos meus livros, publicados em 2013 e 2015”, escreveu Wong no Twitter, ilustrando a mensagem com a foto da pesquisa no site rede de bibliotecas do território. “Hong Kong vive, agora, numa sociedade orwelliana do século 21”, completou.

O Departamento de Lazer e Serviços Culturais de Hong Kong, responsável pela gestão da rede de bibliotecas públicas, confirmou a retirada dos títulos do catálogo enquanto durar uma análise para apurar se as obras violam ou não a nova lei de segurança nacional. “Durante o processo de análise, os livros não estarão disponíveis para empréstimo”, disse o departamento.

Promulgada na última terça-feira pelo presidente chinês, Xi Jinping, após ser adotada pelo Comitê Permanente da Assembleia Popular Nacional, a nova lei prevê punições severas para quatro tipos de condutas consideradas contra a segurança do Estado: atividades subversivas, secessão, terrorismo e conluio com forças estrangeiras que ponham em risco a segurança nacional.

Hong Kong foi devolvida pelo Reino Unido à China em 1997 sob um acordo que garantia ao território 50 anos de autonomia e liberdades que não são aplicadas no resto da China, sob um mecanismo de “um país, dois sistemas”. Mas a nova lei vem sendo encarada por críticos como um evento que efetivamente marca o fim das garantias especiais ao território.

Até o momento, dez pessoas foram presas por acusações no âmbito da nova lei, que inclui sentenças de prisão perpétua e permite que suspeitos sejam julgados na China continental em alguns casos.

A legislação foi amplamente condenada por países como EUA e Reino Unido, além de grupos e ativistas de direitos humanos. O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, disse: “[A China] prometeu 50 anos de liberdade ao povo de Hong Kong e deu apenas 23.”

Já ONG Anistia Internacional afirmou em comunicado que a lei representa uma grande “ameaça” aos direitos humanos em Hong Kong e que “a partir de agora a China terá o poder de impor as suas leis contra qualquer um que considerar suspeito de cometer um crime”.

“A velocidade e o sigilo com os quais a China adotou essa legislação aumentam o medo de que Pequim tenha criado uma arma de repressão para usar contra críticos do governo, incluindo pessoas que apenas expressam as opiniões de maneira pacífica”, disse o chefe da organização para a China, Joshua Rosenzweig.

Entre 2015 e 2016, a China já havia sido acusada de tentar suprimir a divulgação de livros de ativistas pró-democracia no caso conhecido como os Desaparecimentos da Causeway Bay Books, quando cinco livreiros de uma livraria conhecida por vender títulos críticos aos líderes de Pequim foram detidos por vários meses na China continental.

Fonte: Deutsche Welle

Bibliotecas públicas abrem inscrições para Clubes de Leitura online

A Biblioteca de São Paulo e a Biblioteca Parque Villa-Lobos abrem inscrições para Clubes de Leitura online em julho.

Os livros “A Obscena Senhora D” e “Marrom e Amarelo” estarão no centro do debate dos Clubes de Leitura Online da Biblioteca de São Paulo (BSP) e da Biblioteca Parque Villa-Lobos (BVL), respectivamente, nos dias 24 e 31 de julho. Para participar das atividades, realizadas em parceria com a editora Companhia das Letras, é necessário fazer inscrição (vagas limitadas).

A BSP e a BVL são instituições da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, geridas pela Organização Social SP Leituras, eleita, pelo segundo ano consecutivo, uma das 100 Melhores ONGs do Brasil.

Em “A Obscena Senhora D”, de Hilda Hilst, a protagonista, uma mulher de 60 anos, fica viúva e se refugia no vão da escada da casa que dividia com o marido. Sozinha e em luto, ela refaz a trajetória de sua vida e se questiona sobre sua própria existência. Já em “Marrom e Amarelo”, de Paulo Scott, o mais velho de dois irmãos negros, Federico, é chamado em Brasília para discutir cotas raciais nas universidades. Em meio aos debates, ele se recorda da infância e da adolescência, em Porto Alegre, ao lado do irmão Lourenço, e dos episódios de discriminação que ambos sofreram.

Em ambos os casos, a editora parceira do programa dará gratuitamente aos primeiros inscritos em cada um dos eventos uma cópia eletrônica dos livros. Os encontros serão realizados por meio da plataforma Zoom, através de link que será enviado aos participantes por e-mail.

Os Clubes de Leitura Online fazem parte da programação das bibliotecas e vão de encontro ao conceito #CulturaemCasa, da Secretaria, que visa estimular o distanciamento social por meio da ampliação do acesso e da oferta de conteúdos virtuais dos equipamentos. A BSP (http://www.bsp.org.br/) e a BVL (http://www.bvl.org.br/) continuam com atividades presenciais suspensas. Para mais informações, visite os sites das bibliotecas.

BSP – Clube de Leitura Online em parceria com a Companhia das Letras

“A Obscena Senhora D”, de Hilda Hilst. Dia 24 de julho, das 15h às 17h. Vagas limitadas. Inscrições abertas pelo link: www.bsp.org.br/inscricao. Ao se inscrever, os primeiros participantes recebem um link da editora para baixar o título gratuitamente

BVL – Clube de Leitura Online em parceria com a Companhia das Letras

“Marrom e Amarelo”, de Paulo Scott. Dia 31 de julho, das 15h às 17h. Vagas limitadas. Inscrições a partir das 10h do dia 10 de julho pelo link: www.bvl.org.br/inscricao. Ao se inscrever, os primeiros participantes recebem um link da editora para baixar o título gratuitamente.

Fonte: Resenhando

Biblioteca Municipal de Lençóis Paulista possui mais de 1500 arquivos no acervo digital

Texto por Pamela Neri

O distanciamento social necessário durante a pandemia da COVID- 19 nos afastou das pessoas e também, de alguns bons hábitos. Com museus e bibliotecas fechados, o acesso à cultura e leitura se tornou inviável para parte da população.

Conhecida nacionalmente como a Cidade dos Livros, Lençóis Paulista tem mais livros do que habitantes e a Biblioteca Municipal Orígenes Lessa é referência em todo o estado com um acervo riquíssimo.

Biblioteca Municipal Orígenes Lessa – Foto: Prefeitura Municipal

O que muitos não sabem, porém, é que, apesar de fechada, nossa biblioteca tem parte do seu acervo disponível digitalmente.

As obras disponibilizadas em PDF são de uma amplitude imensa! É possível encontrar livros do ano 1585. Além de séculos de história contida nesses livros, a plataforma também disponibiliza jornais, revistas e até documentos históricos da cidade.

Os arquivos são fotografias do livro original físico, o que garante uma experiência que vai além do texto pois, as obras antigas tem um visual super diferente das atuais, sem contar as cores do papel já escurecido pelo tempo e até algumas marquinhas de uso.

Os arquivos estão disponíveis para download no site da biblioteca e a Secretaria de Cultura disponibilizou um vídeo de como acessar o acervo digital. Não deixe de conferir!

Fonte: Solutudo

Com lives, Biblioteca convida para o Torneio de Literatura Fantástica

Promovido pela Biblioteca Municipal Prof. Nelson Foot desde 2018, sempre no período de férias, o Torneio de Literatura Fantástica já começou, este ano, em ambiente virtual. Todos os sábados haverá uma live (transmissão ao vivo) pelo Instagram, para que os fãs de Harry Potter possam matar as saudades e trocar ideias com convidados e especialistas na saga da autora britânica J. K. Rowling.

Segundo a diretora do Departamento de Fomento à Leitura da Unidade de Gestão de Educação (UGE), Camila Rosalem, a atividade já é consagrada no calendário da biblioteca e, neste mês de julho, chegaria à sua sexta edição. A necessidade de distanciamento social, porém, fez com que um novo formato fosse idealizado, diferente das edições anteriores. “Em parceria com o historiador Victor Menezes, doutorando em gerontologia pela Unicamp, que apoia voluntariamente as ações na biblioteca no campo da literatura fantástica, sugerimos aos fãs a partir de 14 anos que acompanhem as lives que ele realizará todos os sábados de julho pelo seu perfil do Instagram, sempre com um convidado, assim como ele, especialista em Harry Potter”, explica.

Torneio de Literatura Fantástica na biblioteca: este mês, a sexta edição será on-line. Fotos: Fotógrafos PMJ

A primeira live foi realizada no último sábado (4), tendo como convidado Thiego Novais, do Canal Observatório Potter, com um bate-papo sobre as obras e uma análise em diferentes aspectos das personagens trazidos pela literatura. Para participar, não é necessária inscrição prévia; basta acessar o perfil do instagram @paraalemdehogwarts.

As próximas lives serão realizadas no dia 11, com Isabella Otto, sob o tema “Feminismos e Harry Potter”; no dia 18, é a vez de “Harry Potter e a Terceira Idade”, com Heloísa Barros e Olívia Mendonça, do Programa UniversIDADE”; dia 19, “Harry Potter e os fãs”, com Vanessa Martins, mestranda em Comunicação; dia 25, Héctor Cury, professor da Universidade Federal do Rio Grande, traz o tema “Harry Potter no ensino de Direito”; e finalizando o mês, no dia 26, a doutora em arqueologia Gabriella Rodrigues aborda “Harry Potter e o Turismo”. Todas as lives têm início às 16h.

Para a diretora Camila Rosalem, Harry Potter encanta gerações com suas histórias fantásticas. “E nada melhor que ele para atrair os jovens para os livros e as viagens de conhecimento proporcionadas pela leitura”, argumenta. O Torneio de Literatura Fantástica, nesta edição, tem ao apoio da Editora Rocco, responsável pela publicação das obras de Harry Poter no Brasil.

Fonte: Prefeitura de Jundiaí

Biblioteca municipal de Itapetininga oferece acervo literário em formato online

Leitores serão cadastrados por idade e receberão um login que permitirá acesso de qualquer lugar.

Texto por G1 Itapetininga e Região

Biblioteca Municipal de Itapetininga — Foto: Reprodução/Street View

Usuários da biblioteca Dr. Júlio Prestes de Albuquerque, em Itapetininga (SP), poderão agora acessar o acervo literário em formato online por meio de um login que será disponibilizado pelo espaço, permitindo leituras em computadores ou tablets.

De acordo com a prefeitura, esta plataforma conta com um acervo de mais de 30 mil livros infantis, infanto-juvenis e adultos de diversos gêneros e em vários idiomas, além de jornais e revistas do mundo todo. Os leitores serão cadastrados por idade e receberão um login que permitirá acesso de qualquer lugar.

A plataforma conta ainda com um aplicativo de celular, compatível com todos os sistemas operacionais, que permite ao usuário baixar os livros e ler sem internet. O software da plataforma não permite cópias e download, cumprindo a legislação de direitos autorais.

Para ter acesso à plataforma é necessário entrar em contato com a biblioteca através do número (15) 3272- 3265, das 8h às 14h, além de informar o nome completo e idade. O contato pode ser feito também pelo email bibliotecaitape@hotmail.com, com o assunto ‘cadastro biblioteca digital’.

Os interessados receberão um login com o link e também algumas instruções sobre a plataforma. Serão cerca de 300 logins volantes liberados pelo período de 15 dias para cada pessoa. Após a liberação do login, o leitor deverá entrar no site da plataforma e escolher livremente entre as obras de acordo com a faixa etária.

Com um sistema simples, as buscas podem ser feitas por autor, gênero ou assunto e é possível ler até três livros por vez. Conforme a disponibilidade de logins, será possível renovar o empréstimo virtual.

Fonte: G1 Itapetininga e Região

Biblioteco – Episódio 15: Biblioteconomia e conservadorismo

O professor Oswaldo Francisco Almeida Júnior é uma das sumidades que sempre debateu o papel social e político da Biblioteconomia e do exercício profissional bibliotecário. São inúmeros artigos, livros e textos que debatem a questão sob diversos aspectos. O Biblioteco tem a honra de contar com a participação do intelectual em sua décima quinta edição. Desta vez, a discussão se dará acerca do conservadorismo que tanto tem caracterizado a Biblioteconomia brasileira ao longo das décadas. E você não pode deixar de ouvir! O episódio conta com a apresentação dos bibliotecários Raphael Cavalcante e Ricardo Queiroz. Estamos disponíveis no Spotify e nos principais agregadores de podcast.

Clique na imagem para ouvir o programa

Fonte: Biblioteconomia – FESPSP

Férias escolares em SP: Biblioteca de São Paulo oferece oficina de quadrinhos, curso para produção de videoclipes e contação de histórias

Em julho, a programação da Biblioteca de São Paulo traz uma boa dose de cultura pop. Tem oficina de quadrinhos e um curso para produção de videoclipes de baixo orçamento, além dos programas permanentes, como o Segundas Intenções e o Clube de Leitura. Importante lembrar que a biblioteca está com atividades presenciais suspensas e o prazo de devolução dos livros foi automaticamente renovado até que elas voltem a acontecer.

Programas permanentes como o Lê no Ninho, Hora do Conto, Pintando o 7 e o Leitura ao Pé do Ouvido ganharam novo formato, com dicas nos sites, envio de peças informativas por e-mail e até vídeos em nossas redes sociais. Veja nas páginas da biblioteca no Facebook (@BSPbiblioteca) e no Instagram (@bspbiblioteca).

Lourenço Mutarelli ministra a oficina online “Histórias em Quadrinhos”, que aprofunda o olhar dos participantes sobre esta arte, para que possam entender sua complexidade e construção. As aulas acontecem em julho entre os dias 20 e 24, das 19 às 21h, e são indicadas para maiores de 16 anos. As vagas são limitadas e preenchidas por ordem de inscrição.

No curso online “Produção de Videoclipe de Baixo Orçamento”, Diana Boccara e Leo Longo contam em uma única aula como realizaram mais de 100 videoclipes ao redor do mundo e dividem com os alunos seu processo de criação e produção. O encontro ocorre no dia 30, das 15h às 17h, e é indicado para maiores de 15 anos. Confira a disponibilidade de vagas.

As atividades gratuitas online têm inscrições pelo link www.bsp.org.br/inscricao (vagas limitadas). Com a necessidade de estimular o distanciamento social e outras medidas de proteção contra o contágio pelo do novo coronavírus, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa criou o #Culturaemcasa, que amplia a oferta de conteúdos virtuais dos equipamentos culturais.

Outros programas do mês de julho:

Segundas Intenções – Bate-papo com o escritor Bernardo Ajzenberg. Mediação de Manuel da Costa Pinto. Dia 13 de julho, das 19h às 20h. Transmissão ao vivo na página da BSP no Facebook (@BSPbiblioteca). Não é necessário fazer inscrição.

Clube de Leitura Online – Dia 24 de julho, das 15h às 17h, por meio da plataforma Zoom. O livro escolhido é “A obscena Senhora D”, de Hilda Hilst. Vagas limitadas, preenchidas por ordem de inscrição. Inscrições abertas no dia 6 de julho, a partir das 10h, pelo linkwww.bsp.org.br/inscricao. Os primeiros participantes confirmados receberão link para baixar o livro. Parceria com Companhia das Letras.

Saiba mais no site da BSP: http://www.bsp.org.br.

Fonte: São Paulo para Crianças

Bibliotecas do Senado e da Câmara destacam presença feminina em seus acervos digitais

Stella Vaz (no alto) e Judite Martins participaram do Parlabiblio, iniciativa das bibliotecas do Senado e da Câmara Fonte: Agência Senado

As bibliotecas do Senado e da Câmara promoveram na quarta-feira (1º) um debate sobre a produção feminina presente no acervo digital das duas Casas. O evento, que ocorreu por meio de uma “live” transmitida pela internet, faz parte do Parlabiblio, iniciativa das duas bibliotecas para apresentar seus serviços e acervos digitais, além de incentivar a leitura e a discussão de temas relevantes.

Participaram do encontro de quarta-feira as bibliotecárias Stella Vaz, do Senado, e Judite Martins, da Câmara. O encontro foi transmitido pelos perfis das duas bibliotecas no Instagram: @biblioteca.senado e @biblioteca.camara. Essas lives estão armazenadas no IGTV dos dois canais e podem ser vistas a qualquer momento.

Durante o debate, as duas profissionais fizeram uma análise histórica, com base nas obras apresentadas, sobre a produção feminina e a atuação das mulheres na conquista de direitos civis, políticos e sociais. Elas também discutiram a importância dessas escritoras, que, ressaltaram, foram responsáveis por conquistas como o direito das mulheres de votar e serem votadas.

Stella Vaz apresentou algumas das obras da coleção Escritoras do Brasil, com destaque para os livros Mármores, de Francisca Júlia da Silva; A Mulher Moderna, de Josefina Álvares; e Opúsculo Humanitário, de Nísia Floresta. Ela apresentou ainda estudos da Consultoria Legislativa do Senado e bibliografias sobre autoras negras e masculinidades. Todos esses títulos estão disponíveis na biblioteca digital do Senado.

O encontro, segundo Stella, trouxe conscientização sobre a trajetória histórica da pauta feminina na busca da conquista de direitos e sobre o quanto ainda falta conquistar.

Durante séculos as mulheres foram silenciadas, e hoje nós temos essa abertura para tentar resgatar a história delas, oferecendo essas obras em nossos acervos digitais. Mas ainda há um grande caminho a ser percorrido — disse Stella.

Judite Martins também mencionou alguma das obras disponíveis no acervo digital da Câmara, como os livros O Voto Feminino no Brasil e Bertha Lutz, ambos de autoria de Teresa Cristina de Novaes Marques. As obras integram a série Perfil Parlamentar (73), das Edições Câmara.

Para Judite, essas duas obras são de grande relevância, pois na primeira (O Voto Feminino no Brasil) a autora traça uma linha do tempo dos principais eventos que levaram à aquisição do direito da mulher de votar e ser votada. A outra (Bertha Lutz) traz a biografia, com a atuação parlamentar e a trajetória política, de uma das mais destacadas lideranças do movimento feminista na primeira metade do século XX.

Nossa atuação aqui não visa apenas condenar nem desprezar a produção masculina, mas dar destaque à produção feminina, fazendo uma análise histórica de como as mulheres adquiriram o direto de fala na sociedade. Trazer essa temática é uma forma de reduzir as desigualdades históricas. Hoje há muitas deputadas, senadoras e servidoras públicas, e estamos aqui para representar essa temática. Tem muita mulher produzindo no Parlamento e isso se reflete nas bibliotecas digitais — observou Judite.

Fonte: Agência Senado

Livros além das grades: por que focar nas Bibliotecas Prisionais?

Entrevista com Lisa Krolak, do “Instituto para a Aprendizagem ao Longo da Vida” da UNESCO

Sem dúvida, as prisões são alguns dos ambientes mais difíceis nos quais as bibliotecas podem ser encontradas, trabalhando com leitores que enfrentam problemas complexos. No entanto, ajudando a desenvolver novas habilidades e a preparar apenados para a vida do lado de fora, elas podem ter um grande impacto. Para descobrir mais, trazemos a entrevista feita com Lisa Krolak, bibliotecária-chefe do Instituto para a Aprendizagem ao Longo da Vida da UNESCO na Alemanha.

Lisa é autora do livro “Books Beyond Bars: The transformative potential of prison libraries” (Livros Além das Grades: O potencial transformador das bibliotecas prisionais), lançado no Congresso Mundial da IFLA (WLIC) em 2019 na capital da Grécia, Atenas. 

Ela preside o Grupo de Trabalho da IFLA sobre Bibliotecas Prisionais, estabelecido sob a Seção de Serviços de Biblioteca para Pessoas com Necessidades Especiais (LSN). Para mais informações, você pode contatá-la diretamente.

1) Por que focar nas bibliotecas prisionais em particular?

De acordo com padrões internacionais, os presos têm o direito de acesso à educação e informação, incluindo serviços de bibliotecas de qualidade. No entanto, na realidade, a maioria das bibliotecas prisionais não possui recursos suficientes e trabalha isoladamente. A opinião pública geralmente não é a favor de tratar bem os prisioneiros e vê o encarceramento como punição ou dissuasão. No entanto, um dia, a maioria dos prisioneiros é libertada e deve ser do nosso interesse que eles possam viver vidas livres de crimes depois. É mais provável que os presos venham de grupos e comunidades pobres, discriminados e marginalizados, e é mais provável que tenham tido uma experiência educacional limitada ou inexistente do que o resto da sociedade. Muitos têm dificuldades em ler e escrever e provavelmente nunca ou raramente usaram uma biblioteca antes. Oferecer oportunidades educacionais, incluindo serviços de biblioteca de qualidade, é uma maneira de apoiar sua reabilitação.

2) Que diferença as bibliotecas prisionais podem fazer?

O acesso à educação e, mais especificamente, bibliotecas e materiais de leitura podem ajudar a quebrar o ciclo de desvantagens educacionais, pobreza, violência e crime. Além de apoiar a aprendizagem ao longo da vida e a oportunidade de melhorar os níveis educacionais, as bibliotecas prisionais podem fornecer serviços que ajudem os prisioneiros em suas vidas diárias e os auxiliem em planejar sua liberação. Fornecer materiais para a leitura de prazer e outras oportunidades de entretenimento é uma maneira construtiva de passar o tempo livre e pode ser um meio de distração e fuga das preocupações diárias. As bibliotecas prisionais também apoiam a coesão social, atuando como locais de encontro com um ambiente calmo, descontraído e seguro, além de espaços para leituras, debates e cultura. Além disso, há o potencial transformador de participar de atividades de alfabetização (como círculos de leitura ou oficinas de escrita criativa), que propiciam o pensamento crítico e permitem que os apenados reflitam sobre sua vida. Usar os serviços da biblioteca da prisão é uma das poucas oportunidades nas quais os presos têm autonomia e responsabilidade de fazer suas próprias escolhas, selecionando o que ler e como se informar.

3) Que fatores os impedem de conseguir isso?

Pouquíssimos países têm sistemas bem estabelecidos de bibliotecas prisionais administrados por bibliotecários profissionais. Na maioria dos lugares, elas são administradas por funcionários designados da prisão, com a ajuda de reclusos ou voluntários da comunidade que não receberam ou receberam pouco treinamento em biblioteconomia prisional.

4) Que escopo existe para a aprendizagem e o intercâmbio mútuos entre bibliotecários penitenciários e outros bibliotecários?

As bibliotecas prisionais fazem parte da comunidade mais ampla de bibliotecas. Idealmente, os presos devem receber os mesmos serviços de biblioteca que as pessoas que vivem fora da prisão. Existem sistemas em que as bibliotecas prisionais são ramificações da rede de bibliotecas públicas locais. Isso garante padrões profissionais e a chance de introduzir prisioneiros em um serviço público que, esperançosamente, eles continuarão usando quando forem libertos. Em outros países, o sistema de bibliotecas públicas fez um esforço organizado para modernizar as bibliotecas prisionais de acordo com seus padrões. De qualquer forma, bibliotecários públicos e prisionais devem se conectar e trabalhar juntos. Eles podem se reunir regularmente, compartilhar materiais e planejar atividades comuns, como leituras de autores dentro e fora das prisões. As bibliotecas prisionais também podem participar de atividades culturais da comunidade em geral, como noites de leitura ou eventos de leitura em voz alta, que podem servir como uma ponte perfeita entre os dois mundos.

5) Que medidas você planeja tomar para garantir que os tomadores de decisão compreendam o valor de bibliotecas prisionais eficazes? O que você espera que eles façam?

No meu Instituto, o Instituto para a Aprendizagem ao Longo da Vida da UNESCO, publicaremos em março um resumo de políticas sobre bibliotecas prisionais destinadas a tomadores de decisão. Ele será distribuído no próximo Congresso do Crime da ONU em abril de 2020, alcançando autoridades penitenciárias de todo o mundo. Este mês, meu livro sobre bibliotecas prisionais foi publicado em alemão. Enviaremos para todas as prisões de língua alemã na Alemanha, Áustria e Suíça. Duas cópias cada, uma para a administração penitenciária e uma para o serviço de biblioteca da prisão. Além disso, forneceremos a todos os ministros federais alemães e senadores da Justiça uma cópia gratuita.

Para enfatizar ainda mais o potencial transformador das bibliotecas prisionais precisamos realizar e coletar mais pesquisas sobre os benefícios e os impactos das bibliotecas prisionais e encontrar maneiras de compartilhar essas descobertas com os tomadores de decisão. Os documentos de políticas internacionais já pedem o estabelecimento de bibliotecas prisionais, mas não fornecem diretrizes ou padrões de qualidade, particularmente sobre financiamento. Os tomadores de decisão podem ter a melhor intenção e consultar as políticas mais bem escritas, mas se no final do dia eles não fornecerem orçamento suficiente para materiais, atividades e treinamento contínuo para os funcionários da biblioteca da prisão, o serviço da biblioteca simplesmente não alcançará seu potencial.

6) Como você planeja levar esse trabalho adiante na IFLA?

No Congresso Mundial da IFLA em Atenas, em agosto de 2019, iniciamos um Grupo de Trabalho sobre Bibliotecas Prisionais. No momento, compreendemos cerca de 40 bibliotecários penitenciários e bibliotecários públicos, acadêmicos e pessoas que trabalham em organizações da sociedade civil com foco em apoiar as bibliotecas penitenciárias. O grupo já forneceu informações valiosas para o as políticas acima mencionadas para as bibliotecas prisionais. Em uma próxima etapa preencheremos a página do projeto recém-criado das bibliotecas prisionais, localizado no site da Seção da IFLA sobre Serviços de Biblioteca para Pessoas com Necessidades Especiais (LSN), com informações relevantes.

No início do verão, começaremos a atualizar e revisar as Diretrizes da IFLA para a prestação de serviços de biblioteca para apenados, pois as atuais diretrizes datam de 2005. As novas Diretrizes serão apresentadas em uma sessão sobre bibliotecas prisionais, que ocorrerá no Congresso Mundial da IFLA em Roterdã em agosto de 2021, onde esperamos também poder visitar uma biblioteca prisional.

Saiba mais sobre o trabalho da Seção da IFLA sobre Bibliotecas que Atendem Pessoas com Necessidades Especiais.

A maioria das bibliotecas prisionais enfrentam desafios significativos. Elas geralmente são insuficientemente financiadas, não são muito atraentes e estão localizadas em locais inadequados e inacessíveis. Além disso, elas geralmente precisam contar com materiais doados e frequentemente desatualizados que não refletem os interesses, níveis de leitura, habilidades linguísticas ou necessidades da população carcerária. Em muitas bibliotecas prisionais um foco especial deve ser dado aos prisioneiros com baixos níveis de alfabetização e com formação em idiomas não nativos. Isso pode ser feito fornecendo materiais fácil leitura e em vários idiomas, mas esses materiais específicos não estarão disponíveis em muitas bibliotecas prisionais.

Entrevista originalmente feita pela IFLA (Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias). 

Tradução: Anderson Santana, Bibliotecário, Chefe Técnico do Serviço de Biblioteca e Documentação do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP). 

Fonte: Biblioteconomia Social

Biblioteca Municipal de Itaquá tem livros disponíveis para empréstimo diferenciado nesta quarentena

Texto por Itaquá

Você sabia que grandes obras literárias surgiram em tempos de quarentena? Exemplos disso são os grandes clássicos de William Shakespeare como Macbeth e Rei Liar. Que tal aproveitar o tempo livre em companhia de uma boa leitura?

Por questões de segurança é necessário realizar o agendamento por whatsapp (11)96818-6274 ou por e-mail biblioteca.municipalitaqua@gmail.com.

Através desses canais de comunicação você saberá  se o livro que deseja está disponível para empréstimo, evitando assim que sai de casa desnecessariamente.

É preciso levar documento de identidade e comprovante de endereço para fazer o cadastro e poder levar para casa os exemplares disponíveis. Assim como em outras repartições públicas é preciso utilizar máscaras e evitar levar crianças e idosos.

A Biblioteca está localizada na Avenida João Fernandes da Silva, 53, no bairro Vila Virgínia. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 4754-2111 / 96818-6274

Fonte: Prefeitura Municipal de Itaquaquecetuba

Variedades biblioteca de amparo lança projeto de entrega livros delivery

Os dez primeiros livros serão entregues na terça-feira,. dia 30 Foto: Divulgação

A Biblioteca Municipal “Carlos Ferreira”, em Amparo, lança na terça-feira (30) o projeto “Leitura em Casa”, que consiste na entrega de livros às pessoas cadastradas por meio do sistema delivery. O serviço fica disponível às terças-feiras e quintas-feiras, das 14h às 17h, e tem como objetivo estimular a leitura em tempos de isolamento social por conta do avanço do novo coronavírus.

De acordo com a bibliotecária Renata Pegoraro Soldateli, os interessados podem pedir os títulos e agendar a entrega por meio do telefone (19) 3807-2508 ou pela rede social Facebook, na página oficial da biblioteca encontrada no endereço www.facebook.com/biblioteca.carlosferreira.

Os pedidos serão atendidos por ordem de chegada. Um motorista devidamente identificado será o responsável pela entrega e por receber a devolução dos livros. O regulamento segue o mesmo do período pré-pandemia, com empréstimo válido por 10 dias e multa no valor R$ 1,50 a cada dia de atraso na devolução.

Cada pessoa pode solicitar no máximo uma unidade na categoria Literatura, até seis em obras infantis e dois das categorias infanto-juvenil, didáticos e paradidáticos. Todas as regras do projeto podem ser encontradas na página da biblioteca no Facebook.

Antes de chegar às mãos dos leitores, as obras são higienizadas e entregues com total segurança pelas equipes da biblioteca. O espaço conta com ao menos 25 mil títulos. O projeto “Leitura em Casa” é uma iniciativa da Secretaria de Cultura e Turismo.

‘Geladeiroteca’ é outra novidade

A Biblioteca Municipal “Carlos Ferreira” traz como novidade a “Geladeiroteca”, uma geladeira em desuso e sem motor com livros para a doação. O equipamento será instalado em frente do espaço literário, na Praça Monsenhor João Baptista Lisboa,141, na terça-feira (30), das 7h30 às 11h.

Segundo a bibliotecária Renata Pegoraro Soldateli, idealizadora da inciativa, quem passar pela calçada vai encontra uma mesa com álcool em gel para a devida higienização. “Mas fica a orientação para que as pessoas mantenham o devido distanciamento social no momento do manuseio os livros”, diz. Renata. Ela acrescenta que doações também são aceitas para o reabastecimento da “Geladeiroteca”.

Terça-feira é dia Geladeiroteca Foto: Divulgação

Fonte: ROTAS DAS ÁGUAS

Bibliotecas do Senado e da Câmara debatem em live produção literária feminina

Texto por Comunicação Interna

Stella Maria Vaz (na foto), bibliotecária do Senado, e Judite Martins, bibliotecária da Câmara, abordarão conteúdos e obras das bibliotecas digitais das duas Casas que tratam de temas relacionados à mulher e à produção literária e acadêmica feminina
Osmar Arouck/Biblioteca do Senado

As bibliotecas do Senado Federal e da Câmara dos Deputados promovem mais uma live para apresentar ao público serviços, produtos e acervos on-line disponíveis nas duas Casas legislativas. Desta vez, as bibliotecárias Stella Maria Vaz, do Senado, e Judite Martins, da Câmara, abordarão conteúdos e obras das bibliotecas digitais que tratam de temas relacionados à mulher e à produção literária e acadêmica feminina. A transmissão pode ser acompanhada no Instagram pelos canais @biblioteca.senado e @biblioteca.camara, nesta quarta-feira (1º), às 17h.

A Parlabiblio, explicou Stella Vaz, é uma iniciativa das duas Casas que surgiu para reforçar a atuação das respectivas bibliotecas nas redes, em meio às mudanças comportamentais promovidas pelo distanciamento social (devido à pandemia de coronavírus). Segundo a servidora, a live de quarta-feira, além de trazer ao conhecimento do público o acervo de autoras femininas presentes nas bibliotecas das duas Casas, pretende ainda promover a fala, a escuta, o protagonismo e o empoderamento feminino.

— Além de ser uma oportunidade de contato positivo do cidadão com o Parlamento, o qual está atento às necessidades sociais e aberto ao diálogo, isso reforça o papel das bibliotecas como espaço fomentador de leitura, cultura e reflexão, democratizando o acesso à informação e estimulando o pleno exercício da cidadania — ressaltou Stella, ao reforçar a importância do trabalho neste momento em que as bibliotecas permanecem fechadas ao público por causa do isolamento social.

Fonte: Agência Senado

Itapetininga conta com Biblioteca Digital e acervo de mais de 30 mil títulos

A Biblioteca Municipal “Dr. Júlio Prestes de Albuquerque”, no município de Itapetininga, foi uma das dezenove bibliotecas públicas de todo o país a ser contemplada com uma verba de R$ 100 mil para implantação de biblioteca digital. O edital foi lançado pelo Governo Federal em 2018 e no estado de São Paulo, além de Itapetininga, também foram contemplados os municípios de Itanhaém, São Carlos e São Caetano do Sul.

O espaço foi um dos escolhidos graças ao sucesso dos projetos literários para diversas idades e públicos, pela variedade de acervo e grande número de leitores cadastrados. E também por editais anteriores em que a Biblioteca já foi contemplada.

Com o recurso do Governo Federal e a contrapartida do município, a Biblioteca comprou dispositivos de leitura de livros digitais, conhecidos por e-readers, tablets, móveis para o novo espaço que será criado e a licença para acesso de uma plataforma de livros digitais.

Esta plataforma conta com um acervo de mais de 30 mil livros infantis, infantojuvenis e adultos de diversos gêneros e em vários idiomas, além de jornais e revistas do mundo todo. Os leitores serão cadastrados por idade e receberão um login que permitirá acesso de qualquer lugar por meio de computador ou tablet.

Outro destaque é que a plataforma conta com um aplicativo de celular, compatível com todos os sistemas operacionais, que permite ao usuário baixar os livros e ler off-line. Assim a leitura pode ser feita mesmo sem acesso à internet. O software da plataforma não permite cópias e download, cumprindo a legislação de direitos autorais.

Como ter acesso à plataforma?

Para ter acesso, basta ligar na Biblioteca Municipal, no telefone (15) 3272- 3265, das 8h às 14h e fornecer nome completo e idade ou então enviar um e-mail para bibliotecaitape@hotmail.com, com o assunto ‘cadastro biblioteca digital’. O interessado receberá um login com o link e algumas instruções sobre a plataforma.

Como funciona a plataforma

A Biblioteca oferecerá 300 logins volantes, que serão liberados por 15 dias para cada pessoa. Com o login liberado, o leitor deve entrar no site da plataforma e escolher livremente entre as obras de acordo com a faixa etária.

O sistema é bastante simples e permitirá a busca por autor, gênero ou assunto. É possível ler até três livros por vez e a plataforma permite que a leitura seja continuada de onde parou.  Assim, conforme a disponibilidade de logins, será possível renovar o empréstimo virtual.

Mesmo que um leitor esteja lendo um determinado livro, é possível que outras pessoas também possam ler, já que o acesso é virtual. Isso permite um alcance maior de obras a diferentes pessoas. A plataforma também permite a criação de clubes de leitura virtual e relatórios periódicos de acesso por obra e leitor.

Fonte: Prefeitura Municipal de Itapetininga

Os tesouros da Biblioteca Joanina, do livro gigante tão antigo como Portugal à Bíblia que faz chorar os judeus

Texto por Osvaldo Bertolino

Delfim Leão é vice-reitor da Universidade de Coimbra e João Gouveia Monteiro é diretor da Biblioteca

Professor João Gouveia Monteiro, tendo ligação familiar muito forte à Universidade de Coimbra, pois o seu pai foi reitor, recorda-se da primeira vez que entrou na Biblioteca Joanina?

J.G.M. – Foi seguramente antes da tomada de posse do meu pai como reitor, em fevereiro de 1970, portanto, teria 12 anos incompletos. Nasci e cresci em Coimbra.

Para um jovem que gosta de ler, entrar nesta biblioteca do século XVIII é como entrar num local quase sagrado…

J.G.M. – Sim, é um templo, um templo laico. Quando se entra, é essa sensação que se tem, com D. João V lá ao fundo no altar, e aquela arquitetura, aquela estrutura de sala e aquela decoração são difíceis de encontrar num edifício laico. Portanto, sim, é um templo sagrado, e para quem tem amor aos livros tem um significado especial.

Professor Delfim Leão, recorda-se de quando foi a primeira vez que entrou na Biblioteca Joanina?

D.L. – Sou do Porto e o meu contacto com a Joanina é muito marcado pela minha experiência já enquanto estudante, e está também ligado à pessoa que, na altura, era o diretor da Biblioteca Geral, um professor carismático, já falecido, Aníbal Pinto de Castro. Ele foi também meu professor e foi, de certa forma, pela mão dele que visitei a Joanina, com a exigência, com o humor cáustico, mas também com o sentido de que estávamos a pisar solo sagrado; ou seja, entrar ali implicava não apenas o respeito pelo património construído, pelo valor imaterial de todas as obras que lá estão reunidas, mas também pelo que significa entrar numa biblioteca com este peso, com esta tradição, com este conhecimento acumulado, e de que forma é que isso se reflete depois sobre o ser estudante, o próprio respeito que se tem pela investigação e pelo estímulo que se recebe. Sou da área dos Estudos Clássicos, portanto, a minha área de trabalho são o Grego e o Latim, o Português também, mas a antiguidade é algo com que eu lido muito – a edição do próprio texto e, depois, aqueles problemas de perceber uma palavra que não se consegue transcrever e tentar adivinhar o que esteja por detrás – e, entrar numa biblioteca onde todos os sentidos ficam alerta, o deslumbramento, a visão que se tem, o próprio olfato, faz que haja todo um conjunto de pequenas sensações que se retiram a partir daí, até o estalido de abrir um livro, que é algo que me impressiona sempre.

Quando é que, como estudante, teve de recorrer à Biblioteca Joanina?

J.G.M. – Creio que no meu tempo de estudante nunca requisitei nenhuma obra da Biblioteca Joanina. Mas, de facto, há muitas obras que ainda hoje vêm à consulta. Estimamos que cerca de 680 obras da Joanina vêm para a Biblioteca Geral para serem consultadas na nossa sala de leitura pois os leitores que requisitam obras da Joanina consultam-nas nesse outro edifício. Já não há a utilização dos gabinetes de leitura, que são lindíssimos, têm vista para o Mondego, ficam do lado esquerdo quando entramos na biblioteca e têm particularidades fantásticas. Têm dois banquinhos de pedra e uma mesa no meio, que desliza para trás e para a frente para poder ser utilizada por canhotos e por destros, e tendo em conta a luz solar, tem a luz vinda da esquerda para os destros e da direita para os canhotos.

Mas o professor, enquanto estudante de licenciatura, não consultou a Joanina, foi mais como investigador?

J.G.M. – Enquanto estudante de licenciatura trabalhei muito aqui na Biblioteca Geral, mas não me recordo de ter requisitado nenhum livro da Joanina, não tinha necessidade disso. Como sou de História, trabalhava até mais no arquivo da universidade e, portanto, isso não aconteceu, e como sou de História Medieval, tão-pouco aconteceu mais tarde, uma vez que a documentação que me interessa e as obras que me interessam são sobretudo dos séculos XIV e XV, e a Joanina isso não tem.

Quem requisita as tais 680 obras? Estamos a falar de investigadores portugueses, estamos a falar também de académicos estrangeiros?

J.G.M. – Sim, estamos a falar de uns e de outros. A Joanina tem cerca de 60 mil obras com uma cronologia aproximadamente entre o século XVI e o século XVIII.

Professor Delfim Leão, no seu caso, sentiu alguma vez necessidade de recorrer à Biblioteca Joanina?

D.L. – Bom, no meu caso, ainda recuo mais no tempo. Trabalho essencialmente textos dos séculos VIII-VI a.C., em particular obras gregas. A nossa biblioteca não tem esse tipo de obras, embora tenha dotações que foram sendo feitas ao longo do tempo, em particular traduções em latim, que era a grande língua de comunicação, a língua franca. Há colegas da minha área que trabalham muito, por exemplo, a época do Renascimento e a receção dos autores clássicos, e aí tem. Penso, por exemplo, na coleção dos Conimbricenses dos comentários a Aristóteles que são, de facto, traduções feitas em latim, extremamente válidas e que conheceram edições que se espalharam por todo o mundo de então, verdadeiramente globais enquanto manuais de apoio ao estudo da filosofia aristotélica. Portanto, continuam a encontrar aqui material em primeira mão, utilíssimo para fazer precisamente este processo de transposição para a atualidade, não apenas da digitalização das obras para se poder trabalhar com uma cópia e não pôr em causa a preservação dos originais, mas também a transcrição do próprio texto para suportes digitais atuais e também a sua impressão num livro que, digamos, seja moderno, assim como a sua tradução e interpretação.

Alguém que desconheça a Joanina iria dizer que os seus livros são sobretudo em português, mas tem também em latim. E que outras línguas comporta?

J.G.M. – São línguas muito diversas. Na Biblioteca Joanina há muita obra em português, há muitíssima obra em latim e também há obras noutras línguas – espanhol, francês, inglês. A cronologia daquelas obras vai até ao século XVIII e é fácil encontrar uma variedade grande de línguas. Há obras em alemão. Também é isso que ajuda a explicar porque é que a biblioteca é procurada por estrangeiros, se fosse só em português haveria a barreira da língua e ficaríamos reduzidos à Península Ibérica, ao Brasil e pouco mais.

O fundo original não é do rei, D. João V manda construir a biblioteca, mas os livros não são dele?

J.G.M. – O espólio da Biblioteca Joanina, antes de existir o edifício do século XVIII que D. João V mandou construir, era já da biblioteca da Universidade de Coimbra, que era uma biblioteca muito rica e que não tinha um edifício próprio, mas que já tinha muita procura por parte de intelectuais portugueses e estrangeiros. Foi exatamente por se sentir um pouco, digamos, envergonhado por esta situação que o reitor na altura, que era Nuno da Silva Teles, escreveu a D. João V uma famosa carta, no dia 8 de junho de 1716, em que lhe expõe a situação, e é isso que funciona como trigger junto do rei para decidir então rematar o complexo do Paço das Escolas com a construção deste edifício extraordinário, com esta fisionomia de templo, tão templo que até está encostado à Capela de São Miguel.

Há notícia de D. João V visitar a Biblioteca?

J.G.M. – Seguramente, visitou tanto a biblioteca como a capela. Aliás, a minha suposição é que a inauguração do órgão barroco da Capela de São Miguel tenha sido feita pelo próprio Carlos Seixas, que era um homem de Coimbra, músico desde muito jovem e que se tornou músico da corte de D. João V. Foi para lá trabalhar com Domenico Scarlatti, que logo que ouviu Seixas tocar terá feito um comentário do género: “Eu é que vou ter lições consigo”, porque, de facto, Seixas era um músico extraordinário. Portanto, essa ambiência há de ter trazido aqui, segura e merecidamente, o rei.

Dos livros da Biblioteca Joanina, quais escolheria se eu lhe pedisse para enumerar dois ou três tesouros?

J.G.M. – Bem, se quisermos utilizar um critério cronológico – que também interessa, porque a antiguidade dos livros só por si é um mérito -, escolheria aquela obra que é habitualmente chamada Bíblia “atlântica”. É uma obra que é da idade da fundação de Portugal, tem uma cronologia que se aponta para meados do século XII, em quatro volumes. É o livro mais antigo da biblioteca, de enormes dimensões, e é por isso que tem esse nome; atlântica não tem que ver com o oceano, tem que ver é com a figura mitológica do gigante Atlante, pois um livro daquele tamanho tinha de ser carregado por uma pessoa musculada. Depois, uma das outras obras, seria a Bíblia hebraica, que é, aliás, muito visitada até por delegações de Israel.

Estamos a falar de um livro impresso?

J.G.M. – Estamos a falar de um livro dos finais do século XV. Os manuscritos hebraicos praticamente desapareceram por causa da Inquisição. Não sabemos se foi impresso em Portugal, mas provavelmente é da Península Ibérica. Pode ter sido em Sevilha. Em Portugal, até ao século XV existem menos de 20 bíblias deste género e só estão nas bibliotecas mais ricas do mundo. Portanto, pela sua antiguidade, por um certo mistério que o seu trajeto encerra – diz-se que pode ter estado ligado a uma família muito famosa de judeus que foram expulsos de Portugal nos finais do século XV, os Abravanel, um dos quais foi tesoureiro de D. Afonso V e depois teve uma função de destaque também na mesma área das finanças na corte de Isabel, a Católica; depois acabou por ter de fugir também, foi para Itália. Esta bíblia sabe-se que foi comprada no século XIX, até se conhece o valor da compra, 700 mil reis, e é de certa maneira um símbolo. É por isso que as comunidades israelitas que aqui vêm observam aquilo com verdadeira comoção, chegam a chorar perante aquela obra. É um pouco o testemunho sob a forma de livro da diáspora da comunidade judaica.

Existe alguma primeira edição de Os Lusíadas?

J.G.M. – Sim, existe uma primeira edição de Os Lusíadas, naturalmente, e também a Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto. Os tesouros da biblioteca estão distribuídos por diversas zonas, pela Biblioteca Joanina, pela casa-forte, pela Sala de São Pedro, também pela Livraria do Visconde da Trindade. Portanto, poderíamos incluir aqui uma série de outros títulos, estou só a destacar estes quatro ou cinco que me parecem suficientemente emblemáticos, mas poderia incluir as famosas Tábuas dos Roteiros da Índia, de D. João de Castro, que é um livro que tem ilustrações absolutamente fantásticas, e que acrescentam tanto àquilo que as narrativas da Índia nos dizem que ainda hoje é consultado por investigadores que querem ver as ilustrações, as marcas de água, tudo isso. Outras obras, que estão mais ligadas ao grande progresso da ciência no século XVIII, também, no sentido para o qual a reforma pombalina na década de 1770 encaminhou a Universidade de Coimbra, mais virado para o experimentalismo, para a observação da natureza. Temos entre milhão e meio e dois milhões de volumes.

Professor Delfim Leão, em relação aos visitantes, há-os como a comunidade israelita que vem aqui quase pelo simbolismo de determinado livro, mas outros vêm pela beleza. Os turistas que chegam a Coimbra procuram mais a biblioteca do que a própria universidade?

D.L. – A Joanina é claramente a joia da coroa dentro do património construído da universidade e, também, com todo o valor intangível que lhe está associado. Eu diria que são dois princípios que jogam completamente um com o outro – a ideia da universidade, com a antiguidade, o peso central que tem na lusofonia, o espaço onde durante séculos as elites dos vários países lusófonos foram sendo formadas, e a biblioteca como símbolo visível dessa mesma dignidade. É isso mesmo que impressiona quem nos visita. Para nós também é um desafio grande porque a universidade tem tido um acrescento de visitantes, já anda perto da casa do meio milhão por ano – este ano é atípico, pelas razões conhecidas da pandemia – e isto cria desafios grandes, concretamente para quem tem a responsabilidade de gerir o próprio património e, sobretudo, garantir que ele vai ser mantido para as gerações que se seguem. Na verdade, recebemos um património que foi bem preservado e temos essa obrigação também. Neste momento visitam-nos sobretudo portugueses, mas habitualmente visitam-nos muitos brasileiros que vêm à procura daquilo que são as raízes da própria identidade.

Porque até à independência do Brasil praticamente todos os seus licenciados eram formados em Coimbra.

D.L. – Exatamente. E eles sentem que a riqueza do Brasil também ajudou a dar à Universidade de Coimbra e à própria Biblioteca Joanina este carácter especial.

Foi mesmo o ouro do Brasil que permitiu a D. João V ter os meios para esta biblioteca?

D.L. – Essa é a tese dominante, mas há uma outra que diz que dependeu mais até das pessoas aqui da zona, que com os seus tributos mais modestos ajudaram a construir este monumento.

J.G.M. – As últimas investigações que têm sido feitas pelos nossos melhores especialistas de História da Universidade de Coimbra, como o professor Fernando Taveira da Fonseca, apontam muito mais para um grande investimento da própria universidade na construção da Biblioteca Joanina. A construção decorreu entre 1717 e 1728 e está averiguado que a universidade investiu nesta construção uma soma de 67 contos de reis, o que era mais ou menos um terço das receitas totais da universidade nesta altura. Portanto, não foi o ouro do Brasil. O Brasil está representado na Biblioteca Joanina, evidentemente, pelas madeiras extraordinárias que lá estão – pau-santo, ébano, etc. -, sobretudo nas mesas, no mobiliário, porque as estantes são de madeira de carvalho, mas a edificação da Biblioteca Joanina assentou muito no esforço financeiro da Universidade de Coimbra.

Conservar estas obras com séculos é um esforço diário?

J.G.M. – Sim, claro. É uma luta, e é uma luta difícil, porque os recursos humanos não são muitos, a responsabilidade é enorme na gestão e na conservação daquele património. Não há nenhum livro na Biblioteca Joanina que não tenha sido retirado, limpo e recolocado no período do último ano, por exemplo. Tem sido feito um investimento grande na reabilitação de livros que são mais atacados por fungos ou por bactérias, através, por exemplo, do restauro das encadernações que é feito pelos próprios funcionários que limpam o espaço, se forem coisas relativamente diminutas. A Biblioteca Geral e o Arquivo da Universidade juntaram-se para, com o apoio da Fundação Engenheiro António de Almeida, passarem a ter, a partir do final deste ano, uma oficina de conservação e restauro boa e modernamente equipada aqui na Biblioteca, que sirva toda a comunidade universitária. Portanto, é preciso utilizar as técnicas mais modernas de desinfestação dos livros, o que se pode fazer agora melhor, porque o meu antecessor, o professor José Bernardes, teve a boa ideia de adquirir duas câmaras de anoxia que permitem sufocar os bichos, porque transforma o oxigénio em azoto e ao fim de 21 dias esses livros saem desinfestados.

Os tesouros da Biblioteca Joanina, do livro gigante tão antigo como Portugal à Bíblia que faz chorar
© Fernando Fontes / Global Imagens

Com toda essa tecnologia para cuidar dos livros, os morcegos são um mito?

J.G.M. – Os morcegos não são um mito. Existem duas colónias, mas não sabemos se foram colocados de propósito ou não, possivelmente não. Há uma coincidência aqui com a biblioteca de Mafra nesse aspeto, que também é da lavra de D. João V, e também não há nenhuma dúvida de mais duas coisas. Primeiro, que eles são úteis a comer bicharada que faria mal aos livros, gerando ali uma espécie de nicho ecológico que ajuda a proteger as obras. A outra coisa que também é certa é que, provavelmente, essas duas colónias já são extremamente reduzidas. Só saem durante a noite, por uma frestazinha que nunca podemos entaipar na porta principal da Joanina, para se hidratarem, para caçar, reentram, às vezes fazem umas aparições fugazes durante um concerto noturno, por exemplo, lá assustam um ou outro espectador, mas em geral não incomodam e prestam um serviço. Não são eles, por si só, que mantêm a dignidade do espaço, isso é também o esforço das pessoas que lá trabalham. Agora, devo dizê-lo, temos a alegria de ter a reitoria da Universidade de Coimbra sensibilizada para fazer as intervenções de manutenção daquele edifício que são precisas, designadamente ao nível da cobertura, do telhado e de algumas paredes onde há deteção de infiltrações de humidade. É um edifício robusto, com paredes de mais de dois metros, mas, de qualquer maneira, todos os edifícios, por mais robustos que sejam, tal como os organismos humanos, também precisam de ser protegidos e acarinhados. Isso vai ser feito, até porque há muito tempo que se fazem monitorizações quinzenais de temperatura, humidade e poluição dentro do espaço da Biblioteca Joanina.

Professor Delfim Leão, há também um esforço para dar acesso ao que está na Joanina e na Biblioteca Geral através de meios informáticos, certo?

D.L. – Não é possível ter nenhum tipo de biblioteca realmente marcante sem um investimento programático sério. Podemos pegar na primeira das grandes bibliotecas emblemáticas, a de Alexandria, no reino dos Ptolomeus, que só foi possível construir porque os faraós entenderam que deveriam consignar a essa biblioteca uma parte muito substancial do seu rendimento. Vimos na construção da Joanina que além do investimento que foi feito pela coroa, pelo rei, houve uma decisão programática da universidade de afetar à sua biblioteca uma parte importante dos seus rendimentos. Isto leva-nos, naturalmente, a tomar decisões também programáticas, não apenas na curadoria daquilo que é o livro tradicional no seu formato mais analógico, mas naquilo que é a decisão de apostar em bibliotecas digitais e na sua abertura ao mundo. Este é um tema profundamente importante, atual, porque nunca na história, como aconteceu nos últimos meses, nunca a humanidade ficou em grande parte vedada de ter acesso às fontes do conhecimento. De facto, as bibliotecas digitais e, sobretudo, o movimento do acesso aberto foram absolutamente centrais para que fosse possível continuar a investigação, no fundo também a ocupar as pessoas, dar-lhes esperança naquilo que estão a fazer. Claramente, esse é um movimento que já tem expressão e vai ser reforçado. A universidade está muito empenhada não apenas em ser um ponto de referência, mas até em liderar, em parte, esse processo aberto no que respeita à informação e às publicações sobretudo. Isto cria desafios de natureza vária, não apenas digitalizar e tornar disponíveis documentos muito importantes para serem consultados a partir do exterior. Isso permite proteger os originais porque não têm de ser tão manuseados. Temos aqui, à parte da Biblioteca Geral, provavelmente um dos fundos musicais mais importantes da Península Ibérica muito pouco estudados. Temos matéria para gerações de músicos estudarem, que está a ser neste momento curada, portanto, os manuscritos, os objetos em si, estão a ser recuperados por uma empresa espanhola. É um investimento conjunto da Biblioteca Geral, da reitoria, do centro de investigação. Esses documentos são digitalizados, tornados públicos, são depois transcritos e, finalmente, tornados matéria viva, ou seja, para que aquela música que tem estado em silêncio há séculos possa voltar à vida. É um processo realmente notável. Agora, isso implica opções estratégicas importantes porque não basta digitalizar, importa garantir que aquilo que se digitaliza não leva ao esquecimento do objeto original, que não pode ficar descurado. Aquilo que se digitaliza implica um esforço de curadoria futura importante. Eu até diria, talvez mais exigente do que o livro tradicional, porque o livro tradicional resiste nesse formato. Podemos esquecer-nos do livro durante anos e, em princípio, se não houver um acidente, um incêndio, uma inundação, ele resiste. Com o objeto digital não podemos lidar da mesma forma.

Por exemplo, a Bíblia “atlântica” é um desses livros que faz sentido digitalizar?

D.L. – Penso que sim. Temos a alma mater que é precisamente a biblioteca digital dessas preciosidades, está catalogada segundo alguns dos temas que são mais relevantes, muitas vezes ligados a projetos de investigação que têm interesse particular num determinado acervo. Eu diria que estas joias, por assim dizer, faz sentido digitalizá-las e torná-las acessíveis. É uma opção nem sempre fácil, porque se é um objeto único, naturalmente que se o digitalizamos e tornamos completamente público e aberto podemos correr o risco de ele não atrair tanta gente ao processo de veneração do original. Por outro lado, diria que é um risco que vale a pena correr, porque torna-se conhecido, torna-se visível a todos, e isso é algo que é extremamente positivo, mas, por outro lado, a emoção de ver o original torna-se uma experiência sensorial única.

J.G.M. – Queria só acrescentar que um dos projetos da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra – isto até é em primeira mão – é o de fazermos em 2022 um colóquio sobre grandes bibliotecas da história da humanidade. Pode ser muito interessante quer para estudiosos quer para satisfazer a curiosidade do público em geral, seja sobre grandes bibliotecas seja sobre grandes documentos da história da humanidade, como a Magna Carta, por exemplo, que é uma coisa de uma página e é um dos grandes produtos de exportação da cultura inglesa no mundo. Tínhamos também previsto para este outubro, mas vamos repô-lo num calendário diferente, provavelmente em meados de abril de 2021, um colóquio sobre turismo e património, para trazermos cá de diversos outros lugares da Europa, do Alhambra de Granada, de França, de Itália, do Trinity College de Dublin, gente que tem esta experiência de necessidade de equilibrar o património com o turismo. Isto para virem contar aqui o seu percurso e partilhar connosco as soluções, para que nós nos possamos também iluminar um pouco mais nas decisões que temos de tomar para conseguirmos preservar o património sem deixar de corresponder à pressão turística. Em anos normais – não é o caso -, entre março e outubro, a chamada época alta, temos na Biblioteca Joanina 1600 visitantes por dia. (Diário de Notícias)

Fonte: O outro lado da notícia

5 bibliotecas comunitárias em São Paulo que você precisa conhecer

Texto por Rafael

Quer saber mais sobre São Paulo e está cansado de ir nos mesmos lugares? Conheça algumas das bibliotecas comunitárias da cidade.

Ler em casa é um ótimo exercício para a manter a mente em ordem e distraí-la, principalmente, com tantos acontecimentos no mundo. Por isso, uma boa ideia para quem gosta de se manter atualizado sobre a literatura é conhecer as bibliotecas comunitárias de São Paulo.

Com isso, você não só se sente melhor, como também adquire conhecimentos e pode repassá-lo para pessoas com os mesmos interesses. Além do mais, conhece ótimos lugares em São Paulo que merecem todo o reconhecimento.

Assata Shakur

Gosta de literatura escrita por pretos? Então, a biblioteca comunitária Assata Shakur é o lugar certo para você. Por lá, é possível encontrar todo tipo de literatura focada na cultura preta. Além de dar o reconhecimento merecido para esses escritores, você lê ótimos livros que, muitas vezes, passaram despercebidos em sua rotina.

Se o local te interessou e você deseja dar uma passadinha por lá, a biblioteca comunitária Assata Shakur está localizada na zona Leste de São Paulo, próximo à Avenida Trumain.

Ecofuturo

Nessa época de pandemia, o melhor a se fazer é ficar em casa, lendo muitos livros sem colocar o pé para fora. Para isso, a biblioteca comunitária Ecofuturo pode ser uma boa opção para os amantes de leitura.

Trata-se de um site no qual você tem acesso a livros on-line. Com o objetivo de trazer literatura sobre meio ambiente e educação, esta pode ser uma boa opção para as crianças e os adultos interessados no assunto.

Além disso, no site, você consegue localizar outras bibliotecas comunitárias de São Paulo e é possível contribuir com os projetos do local a fim de estimular mais ainda a preservação e a conscientização do meio ambiente.

Caminhos da Leitura

A biblioteca comunitária mais antiga de São Paulo, Caminhos da Leitura é um passeio e tanto para quem deseja conhecer a cidade e ler ótimos livros. Além de muita literatura, no ambiente, também há sessões de filmes.

Ela fica em um cemitério em Parelheiros. Ou seja, em vez de fazer um passeio, você conhece três locais em uma localização só! Então, se der uma passada pela região, esta, com certeza, é uma ótima opção de lugar para conhecer.

Djeanne Firmino

A biblioteca comunitária Djeanne Firmino é um ambiente familiar localizado em São Paulo. Aberto em 2009, por Robinson Padial, o local é uma ótima opção para os que desejam conhecer melhor as ações da região. Além disso, ele conta com diversos eventos a fim de incluir a comunidade, entre eles, mediações de poesia e incentivo a ajuda de moradores.

Solano Trindade

Localizada no bairro de Cidade Tiradentes, esta biblioteca comunitária oferece dinâmicas sem custo, com foco nos direitos humanos, no acesso ao livro, à leitura, à literatura, à informação e à cultura. Outros destaques são a democratização do patrimônio cultural afro-brasileiro, as camadas da população menos assistida e a fruição de bens, produtos e serviços culturais.

Um fato curioso é que o ambiente utiliza linguagem do movimento hip hop na execução de práticas educativas formais e informais. Dessa forma, estimula a cultura preta e o combate a ações racistas.

Incentivar bibliotecas comunitárias não só garante que esses ambientes permaneçam abertos, mas também estimula jovens e adultos nos estudos relacionados à literatura. Portanto, visitar esses locais são uma maneira de conhecer mais sobre a cidade e seus bairros.

Fonte: Portogente

Biblioteca Municipal de Mogi das Cruzes volta a oferecer empréstimo de livros a partir desta segunda-feira

PARA TODOS O acervo da Biblioteca Municipal Benedicto Sérvulo de Santana reúne 35 mil títulos de vários segmentos e atendem às pesquisas estudantis como a comunidade em geral com sua farta e diversificada literatura. (Foto: divulgação)

A partir de segunda-feira, dia 29, a Biblioteca Municipal Benedicto Sérvulo de Santana volta a emprestar livros mediante agendamento. A reserva poderá ser feita pelos telefones 4798-6986 e 4798-6987, de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas, ou a qualquer momento pelo email biblioteca.cultura@pmmc.com.br. A retirada dos títulos será de segunda a sexta, das 11 às 15 horas, exclusivamente no piso térreo do Centro Cultural de Mogi das Cruzes, e com restrições de acesso e obrigatoriedade do uso de máscaras.

O atendimento presencial e acesso à biblioteca foram interrompidos em março devido às restrições adotadas para reduzir os riscos de contaminação pelo novo Coronavírus.

Esta retomada do serviço de empréstimo, com as devidas ações de prevenção, é possível por conta da reclassificação de Mogi das Cruzes e demais cidades do Alto Tietê da fase 1-vermelha para a fase 2-laranja no Plano São Paulo, que permite a flexibilização da quarentena com a reabertura de setores comerciais e de serviços.

“Nosso objetivo é facilitar o acesso a livros e conteúdos didáticos, principalmente para os estudantes que se preparam para o Exame Nacional do Ensino Médio”, explica o secretário municipal de Cultura e Turismo, Mateus Sartori. Antes da pandemia, os livros didáticos eram restritos a consultas na biblioteca. A mudança é para que os estudantes tenham a oportunidade de continuar a preparação para o Enem mesmo com a biblioteca ainda fechada.

“No processo de empréstimo dos livros, seguiremos todos os protocolos sanitários para atendimento, incluindo higienização de livros na entrega e uma espécie de ‘quarentena’ dos exemplares após a devolução, que ficarão separados do restante do acervo por quatro dias, sem uso ou novos empréstimos nesse período”, completa Sartori.

Acervo

A Biblioteca Municipal existe oficialmente desde 1948, sendo seu acervo variado para atender, principalmente, a pesquisas estudantis e empréstimo de livros de literatura a toda a população mogiana, disponibilizando prontamente todo tipo de conhecimento.

O acervo é composto por mais de 35 mil títulos dos mais diversos segmentos, dentre eles literatura brasileira, estrangeira, infantil, biografias, almanaques, dicionários, história e contos de Mogi das Cruzes. Possui ainda em seu acervo diversos títulos em Braille, sistema de leitura por meio do tato, direcionado a portadores de necessidades visuais.

Prefeitura

Também devido à flexibilização da quarentena, a Prefeitura de Mogi das Cruzes está agendando atendimentos presenciais aos munícipes. O atendimento é de segunda a sexta, das 11h às 15h, exclusivamente no piso térreo e também com restrições de acesso e obrigatoriedade do uso de máscaras.

O agendamento pode ser feito diretamente no site, pelo endereço http://agendamentopac.pmmc.com.br/ (sete dias por semana, 24 horas por dia) ou pelos telefones 94333-8153 e 99769-9505 (de segunda a sexta, das 8 às 17 horas)

Fonte: O Diário

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Sua biblioteca pessoal arrumadinha

Quem tem muitos livros em casa jamais fica sem companhia ou distração. Mas também pode desenvolver uma vontade doida de organizar sua biblioteca, principalmente quando não pode sair muito de casa.

O pessoal do Instituto Moreira Salles, antecipando que muita gente iria ter essa vontade durante o isolamento social, fez um texto muito interessante sobre o assunto, vejam:

Dando um jeito nos livros

Se você gosta da ideia, preparamos mais algumas dicas sobre organização de bibliotecas particulares.

Não exagere

Muita gente nos pergunta como poderia organizar seus livros como “igualzinho como vocês fazem na biblioteca”. Bem, essa talvez não seja uma boa ideia. Grandes bibliotecas universitárias ou públicas têm uma organização bastante complexa, que exige a atuação de profissionais com graduação em biblioteconomia, os bibliotecários.

Se você tem uma biblioteca grande, com uns três mil livros ou mais, e gostaria de uma organização profissional, vai precisa contratar serviços de um bibliotecário. Caso contrário, não complique. Os livros são seus, arrume-os de um jeito que seja confortável para você usar e fácil de manter. Projetos ambiciosos do tipo “vou fazer uma base de dados para os meus livros” geralmente são abandonados pela metade, e aí você se arrisca a ter uma biblioteca meio organizada e a descobrir que gostava mais da sua biblioteca totalmente bagunçada.

Planeje bem a ordenação

Uma boa organização física dos livros nas estantes resolve a maior parte dos problemas, mas pense bem antes de começar, porque movimentar livros dá trabalho, provoca espirros e dores lombares.  Não existe a forma certa de ordenar livros na casa da gente, existe a que melhor se adaptar às suas necessidades.

O primeiro passo é identificar grandes categorias para fazer a primeira divisão, de acordo com o que predominar no acervo. Por exemplo:

Ficção

Não- Ficção

Poesia

Quadrinhos

Referência (dicionários, guias e outras obras de consulta rápida)

Essas categorias podem ser subdivididas ou não, dependendo da quantidade de livros e do gosto do proprietário. Os livros de ficção podem ser divididos por gêneros ou país de origem do escritor, por exemplo. Para os não-ficcionais, normalmente a melhor solução é separá-los por assuntos gerais,como arte, história, economia, linguística etc. Se quiser partir de uma lista  pré-existente, veja esta tabela dos assuntos mais comuns nas pesquisas da ECA, tirada da Classificação Decimal de Dewey.

Critérios sentimentais ou estéticos, como Livros Preferidos, Livros bonitos e Candidatos a doação, ou funcionais, como Livros do mestrado ou Leituras de viagem também são perfeitamente aceitáveis em bibliotecas particulares. O importante é que o dono ou dona dos livros os encontre com facilidade e fique feliz com sua organização.

Dentro de cada categoria os livros podem ser ordenados pelo sobrenome do autor, por ordem de chegada ou por ordem nenhuma, dependendo da disposição do proprietário.

Para quem tem pouco espaço em casa, mas tem condições de mandar fazer estantes sob medida, organizar os livros simplesmente por tamanho pode ser uma boa opção. Prateleiras de alturas diferentes, para livros pequenos, médios e grandes permitem aproveitar melhor o espaço. Vejam o que fizemos em nosso armário de livros de artista, para acomodar tamanhos diferentes. Uma prateleira especial permite guardar livros que precisam ser mantidos na horizontal, sem empilhar mais do que quatro ou cinco volumes.

Crie um catálogo

Talvez a organização física não seja suficiente e você sinta a necessidade de ter um catálogo para encontrar seus livros. Um jeito fácil é fazer uma planilha no Excel, com poucos dados para não complicar sua vida. Uma opção mais interessante são os aplicativos disponíveis gratuitamente na web como o Library Thing ou o Libib, que funcionam como redes sociais.

Registro do Libib

No Libib, o usuário lê o código de barras do livro com o celular e os dados e a capa são capturados e jogados em sua pasta. É possível criar pastas temáticas para organizar melhor a coleção e acrescentar tags nos registros. O recurso das tags permite atribuir assuntos específicos aos livros, complementando a organização física e facilitando a localização dos livros. Na versão gratuita dá para inserir até 5000 itens, divididos em até 100 coleções. Na versão paga, é possível fazer controle de empréstimos. A captura dos códigos de barras não costuma funcionar para livros mais antigos. Nesse caso, é preciso fazer uma busca pelo ISBN ou outros dados do livro. Se o item não for localizado, é preciso registrar os dados manualmente. Mesmo assim, ainda é mais simples do que trabalhar com planilhas, e o resultado é visualmente mais agradável. É o sistema que usamos para divulgar os livros novos que chegam à Biblioteca.

Proteja-se

Conservar seus livros é importante, mas não tanto quanto manter sua saúde. Se for limpar, mudar de lugar ou manusear seu acervo por muito tempo, procure usar máscaras para se proteger do pó e dos fungos, mesmo que não tenha alergias. E nesses tempos de pandemia, se comprar livros novos, deixe-os em “quarentena” por uns 5 dias.

Informe-se

Se precisar de sugestões ou quiser tirar dúvidas, fale conosco. Não dá para ensinar “como organizar bibliotecas”, pelas mesmas razões que um dentista teria para não ensinar o paciente a tratar seus próprios dentes, mas podemos sempre dar umas dicas.

Fonte: Blog da Biblioteca

“Los usuarios son el alma de la biblioteca”

Texto por Fran Cano

Alicia Arenas Villén (Alcalá, 1964) no intuyó de niña que iba a ser bibliotecaria. Le gustaban las letras, tenía carné para el préstamo de libros, pero jamás pensó que desarrollaría décadas de profesión entre volúmenes de toda clase. Dirige la Biblioteca Pública Municipal Carmen Juan Lovera de Alcalá desde 1996. La digitalización y la llegada de las nuevas tecnologías es, dice, un camino que sigue en marcha. Una obligación que la ha estimulado como profesional.

Acerca del coronavirus, Arenas alaba la respuesta que ha tenido el comercio local, el de los barrios. Ella apenas salió en el confinamiento, aunque en cuanto pudo regresó a trabajar desde la biblioteca. “Estamos deseando de que vuelvan los usuarios”, reconoce la semana en que regresaron las actividades culturales. La quietud del espacio en medio de una tarde noche de lunes impacta. Entra la luz todavía con fuerza. Alicia Arenas atiende a Lacontradejaén.

—¿Cómo llevó ser una bibliotecaria confinada?

—Fue sorprendente. No sabe una hasta qué punto puedes llegar a encajar lo que ocurre, y eso que habíamos leído y escuchado noticias acerca del coronavirus en China. Parecía lejano. Y de pronto nos llamaron a una reunión urgente en el Ayuntamiento de Alcalá. Creo que fue el 12 de marzo. Nos comunicaron que había que cerrar la biblioteca al público. Fue un mazazo. La verdad es que no pensé en el trabajo, sino en lo que se venía. Recuerdo que me fui a casa, por la tarde volví a la biblioteca y le comentamos a lo usuarios que estaría cerrada a partir del día siguiente, viernes 13. Nadie encajaba lo que ocurría. ¿De verdad nos estaba pasando? Pusimos el cartel y el viernes ya trabajamos a puerta cerrada.

Además se comunicaron las medidas de seguridad. Me organicé para trabajar internamente con el personal. Siempre hay mucho trabajo interno en la biblioteca. Yo soy personal de riesgo, y me comunicaron que no podía venir. Tenía que teletrabajar.

—¿Qué tal ha sido el regreso a la presencialidad?

—La vuelta la he llevado bien, porque ya habíamos encajado la situación. No he parado de trabajar. Es cierto que todo es raro. Los libros siguen aquí, pero el alma de la biblioteca son los usuarios. Es extraño venir y ver la biblioteca vacía. Lo único presencial son los préstamos y las devoluciones. Si alguien viene a preguntar por novedades, le mandamos la información por correo electrónico y se formaliza la reserva. El encargo del libro siempre es previo.

—¿Han cambiado las inquietudes de los usuarios desde el confinamiento hasta la nueva normalidad?

—No. Fue curioso lo que pasó con el libro La metamorfosis, de Kafka. De repente tuvo una gran demanda. Pero no han cambiado las inquietudes, sino la manera en que los usuarios se acercan porque ahora no pueden buscar entre las estanterías. Antes el usuario era independiente. Nosotros tenemos todo el catálogo informatizado, unos 28.000 registros, y todo se puede buscar por título, materia, editorial e incluso por fechas. Pero el usuario no está acostumbrado a esta modalidad. Lo normal es venir y conversar desde el mostrador, donde el diálogo lleva a los libros. Ahora la gente dice: “¿Cómo me llevo el libro sin verlo?”. Estamos abundando en el ámbito digital, con la creación de guías de lectura para mandarlas por correo y publicarlas en la cuenta de Twitter de la biblioteca.

—Esta semana han regresado las actividades culturales a la biblioteca. ¿Cómo lo ha vivido?

—Muy bien. Es cierto que también ha sido raro, porque cuando hay una actividad la biblioteca está abierta de par en par. Esta vez fue en el Patio de la Lonja del Arcipreste, con la valla medio abierta para controlar el acceso previa inscripción. Hemos hecho grupos familiares para que la gente de la misma familia pudiese estar junta. Se han respetado las medidas establecidas, desde el metro y medio de distancia hasta el uso de mascarillas.

“EL LIBRO ELECTRÓNICO HA TENIDO MÁS ALTAS QUE NUNCA”

—Ya estamos en nueva normalidad. ¿Tenía ganas?

—Sí, muchas. Yo me vine a trabajar a la biblioteca en cuanto pude, después de Semana Santa. Como estaba todo desinfectado, pude trabajar desde aquí. No había riesgo, porque estaba sola. Puse al día el fondo local y la verdad es que tenía ganas de volver. También me resultó extraño, porque impactaba ver las calles sin vecinos.

—¿Pudo teletrabajar?

—Sí, al principio me agobié, pero con el tiempo me di cuenta que podía hacer muchas cosas. La herramienta principal es el ordenador. Instalé la aplicación necesaria sin problemas y autoricé altas para que los usuarios pudiesen descargar el préstamo de libros electrónicos en la plataforma eBiblio. Me llevé también el teléfono físico y solventé dudas como las vinculadas al carné digital. El libro electrónico ha tenido mucho éxito. Con la pandemia se dieron más altas que nunca. Existía desde hace años, pero el asesoramiento ha ayudado a que sea más utilizado y normalizado. Mi inquietud también era el fondo local, que es la niña bonita de la biblioteca. Faltaban libros por catalogar. Todo fue más sencillo desde aquí, claro.

—¿Cómo ha visto a la ciudadanía de Alcalá durante el confinamiento y en la desescalada?

—He visto poco a mis vecinos. Soy personal de riesgo y no he salido más allá de lo estrictamente indispensable. He sido otra observadora desde el balcón y desde la ventana. Hemos observado más que nunca. Creo que el comercio local ha respondido muy bien, sobre todo a nivel de alimentación. La respuesta en mi barrio, donde hay mucho comercio pequeño, ha sido genial. Me han servido estupendamente. Se lo han currado mucho. El otro día hablaba con una empresaria familiar y me decía que estaban muy cansados. El comercio local está en alza.

—Precisamente ahora la consigna es apostar por lo local, tanto en el comercio como en el turismo. Al final quienes han puesto la cara en el día a día del coronavirus han sido los pequeños comerciantes.

—Exacto. Quienes nos conocen son nuestros ojos a la hora de comprar. Quizá perdemos la referencia de lo que ha pasado, pero lo hemos pasado mal. Con el regreso a la normalidad, me fijo en los bares y siento una contradicción: la alegría de volver a gente en calle y la preocupación de qué puede pasar con las aglomeraciones. Sí creo que estamos siendo en general coherentes y responsables.

“LA GENTE LEE AHORA MÁS, PERO NO SABEMOS QUÉ”

—¿Por qué estudio para ser bibliotecaria?

—Fue casualidad. No era vocacional. Entré en la segunda promoción de la carrera. He tenido carné de biblioteca de Alcalá desde que tenía nueve años. Recuerdo que estaba en un grupo de teatro y en el edificio de los juzgados, donde antes estaba la biblioteca, teníamos un punto de encuentro. Con los años conocí a Paco Toro, que era de la primera promoción, y me habló maravillas de la carrera. Me decía que tenía futuro. Al final me decanté por la diplomatura de Biblioteconomía y Documentación. También me gustaba Turismo. Finalmente hice la carrera, no era algo vocacional, pero es lo mejor que me ha pasado. Me siento muy afortunada, porque me gusta mi trabajo y me da alegrías.

—¿Cuáles son las virtudes para ser eficiente en su profesión?

—Ha cambiado mucho la profesión, sobre todo con la llegada de las nuevas tecnologías. Además, hay que tener en cuenta la figura del documentalista. Yo hice la licenciatura y es una labor que ahora demandan las empresas dado que se genera mucha información.

—Imagino que el perfil es una persona ordenada.

—Claro. El orden tiene que estar, pero ya le digo que las nuevas tecnologías han cambiado el perfil. Yo ahora me he vuelto a formar en biblioteca digital y me doy cuenta de lo importante que es gestionar de forma telemática. También es importante ser buen comunicador desde las redes.

—Decía antes de la entrevista que las tecnologías cada vez le gustan más. ¿Han propiciado que leamos más?

—Pienso que sí. La gente lee más, pero no sabemos qué. Todo es más accesible. Cuando surgió el libro digital, pensé que no tendría éxito, pero la verdad es que ha llegado ya hasta usuarias mayores, que incluso lo reciben como regalo. Algunas me cuentan que les va de maravilla: no pesa, pueden poner la letra que quieran… Es un producto muy útil, muy ligero.

—¿Usted lee ya indistintamente en papel y en digital o tiene preferencias?

—En mi caso tengo en papel todos los libros que no puedo leer. Tengo libro digital, pero no lo utilizo. Entiendo perfectamente a la gente que lo utiliza mucho, porque viaja y es muy cómodo llevar todo en un aparato. El móvil es diferente, pero el libro digital es muy funcional. Incluso puedes subrayar.

—Sabina cuenta que una vez entró Alejandro Sanz a su casa y cuando vio la biblioteca del ubetense dijo: “¿Y tanto libro para qué?”.

—(Risas) ¿Sí? ¿Eso le dijo?

—Se lo cuento por una cuestión: ¿cree que la gente le da la importancia que tiene al libro como fuente de conocimiento?

—Está claro que el libro físico es una fuente de conocimiento. Lo que ocurre es que ahora también hay otras herramientas disponibles. Los libros te dan la capacidad de ser más crítico y las claves para entender el mundo. Como los periódicos. Aquí tengo lectores de libros y lectores de prensa.

—¿Qué tipo de lectores son?

—De todo. Es cierto que el lector que viene a consumir aquí se decanta por la novela. Especialmente la histórica, la novela negra y la romántica. Tenemos, como le decía, muchos usuarios de periódico. Tienen un punto de encuentro y se interesan y comentan las noticias locales. Cada día me gusta mirar las noticias de Alcalá y los propios usuarios reconocen el vínculo con el municipio de protagonistas de informaciones. También tenemos usuarios de tipo familiar. Son parejas jóvenes que utilizan la biblioteca infantil. Y por último tenemos a la gente que viene a consultar el ordenador con acceso a internet. Es muy importante abrir las puertas. La biblioteca es una de las instituciones más democráticas. Aquí está en un punto muy de paso, estratégico. La gente viene como quien va a casa. Es de todos. Incluso hay usuarios que consultan dudas. Sirve para socializar.

—¿Cuándo abrirán como antes?

—Aún no lo sabemos. Estamos deseando de abrir las puertas con las medidas necesarias, como la cita previa. Nosotros estamos trabajando de mañana, de 08:00 a 15:00 horas. Ojalá se llene la biblioteca de personas otra vez.

—Un libro para terminar la entrevista.

—Últimamente he leído obras cortas de autores que no conocía. Me ha gustado Ordesa, de Manuel Vilas. Habla de la memoria familiar y está contado con mucha honestidad. Estuve hace un año en Ordesa de vacaciones y vi el libro. Esperaba que fuese algo parecido a una guía del municipio y es una biografía novelada. Es un libro muy humano y muy profundo. Me ha gustado leerlo en este momento. Los libros también tienen su tiempo.

Fotografías y vídeo: Fran Cano.

Fonte: Lacontradejaén

LGBTQ+ nas bibliotecas

Consumo cultural e a busca de espaços inclusivos

Por Marília Paiva| Presidenta do Conselho Regional de Biblioteconomia – 6ª Região (MG e ES)

O combate ao preconceito contra pessoas LBGTQ+ é uma atitude cada vez mais necessária. Paulatinamente, essa parcela da população conquista representatividade em filmes, músicas, propagandas e livros, ocupando cada vez mais espaço. A participação cultural é notória. A pesquisa Cultura nas capitais: como 33 milhões de brasileiros consomem diversão e arte informa que pessoas assumidas LGBTQ+ acessam mais atividades culturais em geral que pessoas declaradas heterossexuais.

O levantamento ainda revelou que a leitura é um hábito importante, sendo que esse costume ficou em segundo lugar como preferência da comunidade LGBTQ+, e 75% dos entrevistados responderam que têm o hábito de ler livros e 51% responderam ter frequentado uma biblioteca nos últimos 12 meses. Trata-se de um grupo participativo e que frequenta efetivamente as bibliotecas, mesmo com a aparente escassez de ações e iniciativas de inclusão focadas nesse público.

O bibliotecário precisa também buscar formas de suprir as necessidades de informação e demandas desse grupo, incentivando a participação contínua nas atividades, além de torná-lo mais representado também no acervo. Apurar, selecionar e disponibilizar obras, artigos e informativos com representatividade LGBTQ+ é uma forma de transformar a biblioteca em um ambiente mais inclusivo.

Mudança de padrão

A biblioteca deve buscar, por meio de acervo, serviços e atividades, incluir todas as esferas e grupos sociais, especialmente as minorias. Temáticas como a saúde, direitos, história e desafios da comunidade LGBTQ+ devem estar à disposição nas prateleiras. O investimento em obras ficcionais com personagens desse grupo também é uma forma de investir numa sociedade que admita e até aprecie mais as diferenças.

A oferta de obras com personagens e temáticas fora do padrão heteronormativo enriquece a biblioteca, que deve ser um espaço física e intelectualmente acolhedor e seguro, estimulando atividades direcionadas também a esse público.

Em outros lugares do mundo, a preocupação com a inclusão já é uma realidade, promovendo atividades e campanhas nacionais. O Mês do Livro LGBT é um exemplo, celebrado em junho como iniciativa da Associação Americana de Bibliotecas (American Library Association – ALA) com a proposta de atender as necessidades de informação e acesso da comunidade LGBTQ+, do público em geral e dos profissionais de bibliotecas que se identificam como gays, lésbicas, bissexuais e pessoas transgêneras.

Os eventos e programações em bibliotecas são incentivados em todas as regiões, convidando a comunidade local. As ações podem ser simples, mas devem ser muito bem planejadas de modo a promover a inclusão de pessoas que ainda têm que lutar cotidianamente para demonstrar o valor de suas próprias existências.

Fonte: O Tempo

O impacto da COVID-19 nas bibliotecas: considerações sobre a segurança das pessoas e das coleções

Algumas bibliotecas já reabriram, outras estão cogitando reabrir e outras ainda não sabem quando isso irá acontecer, mas para todas o questionamento costuma ser o mesmo: o que devemos considerar sobre a COVID-19 em relação às pessoas que trabalham nas bibliotecas e às coleções?

Para esclarecer um pouco disso, convidamos o médico sanitarista Prof. Dr. José Ricardo de Carvalho Mesquita Ayres (Faculdade de Medicina USP) e a especialista em conservação e restauração de acervos bibliográficos, Norma Cassares (Arquivo Público de SP). Como debatedores, trouxemos Pierre Ruprecht (SP Leituras) e Rosaelena Scarpeline (CRB-8ª Região), sob a mediação de Adriana Ferrari (FEBAB).

Transmissão via YouTube (https://youtu.be/LwEaeIVOjeQ) e Facebook (https://www.facebook.com/febab.federacao/videos/625849768025588/)

POR QUE AS BIBLIOTECAS DEVEM SE ENVOLVER NA TEMÁTICA LGBTQIA+? – PARTE 1

Há duas razões para isso: a primeira delas, a defesa do direito à vida, que abrange tanto o direito de não ser morto, como também o direito de ter uma vida digna

Texto por Cristian Brayner

Por onde a pandemia passou, ela deixou um rastro de dor. No Brasil, em razão da flagrante negligência protagonizada pelo Estado – indiferença desavergonhada, sem máscara, nem nada! –, os sulcos são mais profundos. Apesar desse quadro sofrível, tenho me esforçado para cultivar uma leitura menos amargurada dos acontecimentos.

Fui notando, no curso das semanas, que além das lágrimas, a Covid fez brotar um fio teimoso de solidariedade, uma espécie de desejo coletivo, quase sempre genuíno, de ajudar, de estar presente na vida do outro. Isso resultou num sem número de lives de gente comum e notável compartilhando habilidades, da culinária a veterinária. Eu mesmo não me fiz de rogado: aprendi noções de sânscrito e me esbaldei com Caetano.

As lives bombaram mesmo entre bibliotecários, algumas delas com temas sensacionais. Já imaginaram bibliotecários brasileiros discutindo, em alto e bom som, a respeito de acervos destinados a lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, queers, intersexo, assexual e mais? A convite do Conselho Regional de Biblioteconomia da 8ª Região, tratei com outros colegas desse assunto ainda inusitado, o que me deixou gratamente surpreso.

Afinal, nestes mais de 20 anos como bibliotecário, me deparei por dezenas de vezes com perguntas do tipo: “Livro gays numa biblioteca pública? Para que?” Está embutido nesse questionamento certa preocupação em evitar polêmicas, mantendo-se na trilha mais confortável, o que não deixa de ser compreensível. Afinal, é relativamente recente a discussão a respeito do papel ideológico das bibliotecas na construção e manutenção de práticas de violência ou o seu oposto.

Desse modo, esse tipo de pauta sobre a criação de produtos e serviços específicos para grupos marginais implica reconhecer que as bibliotecas, enquanto artefatos culturais, sempre estiveram envolvidas na construção de sistemas de verdades, sejam estes louváveis ou reprováveis. Afinal, ela compõe a estrutura de poder, essa complexa rede de dispositivos que atravessam toda a sociedade e que nos diz o que é certo ou errado.

Desse modo, é inverídico e frustrante a biblioteca evocar a neutralidade para tentar justificar a uma lésbica a ausência das obras de Vange Leonel em suas estantes. De fato, o silêncio travestido de imparcialidade costuma ser tão virulento quanto uma baioneta.

Mas, o que justificaria a biblioteca se envolver nessa pauta tão melindrosa? Há duas razões para isso: a primeira delas, a defesa do direito à vida, “que abrange tanto o direito de não ser morto […], como também o direito de ter uma vida digna.” (LENZA, 2019, p. 1168). O Brasil é terreno minado a quem possuir uma identidade de gênero diferente do sexo designado no nascimento ou uma orientação sexual distinta da heterossexualidade.

No Ceará, a travesti Dandara foi assassinada a chutes e pedradas pelos vizinhos. Já no interior de São Paulo, a mãe do jovem Itaberli Lozano, inconformada com a sua homossexualidade, recorreu a golpes de faca e ao fogo para eliminá-lo. Os fins trágicos de Dandara e Itaberli não são casos isolados. Segundo levantamento do Grupo Gay da Bahia, um cidadão LGBTQIA+ é assassinado no Brasil a cada 24 horas, o que nos põe no topo desse triste ranking.

Além dos homicídios bárbaros que ilustram as manchetes dos jornais e geram uma indignação efêmera, o bastão da violência simbólica é erguido contra esses indivíduos desde a mais tenra idade: é a risada, é a piada; é o cascudo, é o repúdio. A homofobia brasileira é particularmente gravosa por sua dissimulação.

Recordo-me de um parlamentar que, ao protocolar projeto de lei visando impedir o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, declarou, sem ruborizar: “Não sou homofóbico. A sala lá de casa até foi decorada por um gay.” Assim, pretendendo camuflar o próprio ódio, ele forja uma relação de empatia com sua vítima e a encarcera num espaço seguro e restritivo: é o cabelo, é a moda, é a decoração; nada mais. Dessa narrativa burlesca o agressor, “gente de bem”, sai com a consciência tranquila.

A tensão social brota no minuto em que a vítima ousa pisar na linha riscada por seu algoz. Isso tem-se dado quando a comunidade LGBTQIA+ passou a questionar os discursos que atribuíam ao seu corpo e aos seus desejos uma carga penosa e reprovável. Trata-se de uma disputa pelo poder de fala, o qual legitima todo os modos de vida.

E que discursos são esses que distinguem o sujo do limpo, a virtude do pecado? A religião e o direito, certamente, exercem um papel de destaque nesse processo. Entretanto, como bem nos sugeriu Michel Foucault (1979, p. 182), é importante “[…] captar o poder na extremidade cada vez menos jurídica de seu exercício.” É lá, nesta ponta, que se encontra a biblioteca. Ser sensível ou impassível é escolha dela.

O segundo motivo que deveria levar um bibliotecário a ponderar a respeito dessa pauta é o fato de ter se comprometido, solenemente, na colação de grau defender “o cunho […] humanista” da profissão. Ao prometer publicamente desenvolver seu trabalho “fundamentado […] na dignidade da pessoa humana”, o bibliotecário se coloca, voluntariamente, num estado contínuo de tensão, atento a qualquer sistema de verdade que atente contra a diversidade. Ele é, sob juramento, um combatente contra toda prática de violência. Quem de nós ousaria atribuir o mais fantástico dos mundos aos abraçados pela sigla LGBTQIA+? Lembremos do Itaberli, lembremos da Dandara.

Fonte: Biblioo

História do Livro | As Bibliotecas e a Circulação dos Livros na Idade Média

Às vésperas de se iniciar o período hoje conhecido como Idade Média, o édito de Milão, promulgado em 313 pelo imperador romano Constantino (306 – 337), declarou a liberdade religiosa no Império. Isso permitiu que as bibliotecas das comunidades cristãs se desenvolvessem em plena luz. As primeiras coexistiram com as bibliotecas romanas: o próprio Constantino possuía milhares de volumes em rolos de papiro, alguns dos quais fez transcrever em pergaminho, material mais durável. O trabalho de preservação foi levado adiante por seu sucessor, Constâncio II (337 – 361), na Biblioteca Imperial de Constantinopla, que resistiria até o fim da Idade Média. Muitos clássicos gregos devem sua preservação às cópias bizantinas existentes ali.

A gravura em água-forte é do artista italiano Pietro Aquila (ca. 1650-1692) a partir de obra de Rafael Sanzio e Giulio Romano. Esta impressão é posterior, do século XVIII.

No século V, as bibliotecas romanas tinham desaparecido, ao passo que as cristãs cresciam em número e importância. Anteriores a essa data, houve algumas de vulto, como a do bispo Alexandre, em Jerusalém (século II), a de Cesareia (século III) e a que foi fundada pelo papa Dâmaso I na segunda metade do século IV, para guardar os documentos da Igreja. Nela viria a trabalhar Jerônimo (345 – 420), responsável pela Vulgata, a Bíblia latina. O comércio dos livros era nulo — já não existia a “taberna libraria”, onde, na Antiguidade, os livros copiados em massa eram postos à venda –, e os próprios leitores faziam circular as obras por meio de empréstimos e da confecção de novos exemplares.

Pouco a pouco, o papel de depositários do saber se transferiu dos membros da comunidade para as ordens e mosteiros a que pertenciam, nos quais se formaram bibliotecas e criaram oficinas de produção de livros. Entre os mais destacados contam-se os de Bizâncio, os das Ilhas Britânicas — notadamente a Irlanda, com seu estilo de influência céltica e saxã, que produziu obras únicas –, os de cidades da França e algumas da Espanha anterior à dominação islâmica. Ali, Isidoro, arcebispo de Sevilha (ca. 560 – 636), escreveu o que seria um dos livros mais populares ao longo de toda a Idade Média: a compilação de textos clássicos chamada “Etimologia”, também conhecida como “Origines”.

Além das bibliotecas de mosteiros, havia as particulares, que variavam desde uns poucos volumes colecionados por eruditos até as grandes bibliotecas palacianas. A mais famosa foi a de Carlos Magno (768 – 814), sediada em Aachen, na atual Alemanha, formada em grande parte por doações de nobres que conheciam seu amor pelos livros (e desejavam cair em suas boas graças). Ele próprio costumava enviar a Constantinopla e a outras cidades pessoas encarregadas de copiar ou adquirir manuscritos; a prática também era comum nas bibliotecas monacais, visto não haver outra forma de multiplicar os exemplares.

O chamado “renascimento carolíngio” deu um novo impulso à cultura no Ocidente. Ao mesmo tempo, Al-Andalus, a Península Ibérica sob o domínio islâmico, era um universo à parte. As maiores cidades contavam com bibliotecas, tanto de autores muçulmanos quanto cristãos, visto que as populações hispanorromanas não foram obrigadas a se converter. Artes, ciências e filosofia floresceram, e muitos autores clássicos foram traduzidos para o árabe a partir dos manuscritos conservados em Bizâncio. As viagens para obtenção de cópias eram frequentes, por ordem dos governantes ou iniciativa dos eruditos; a taxa de alfabetização era consideravelmente maior que no restante da Europa Ocidental.

A esse respeito, é importante lembrar que, durante toda a Idade Média, a transmissão da informação e do conhecimento foi feita em sua maior parte por via oral. Nos primeiros séculos, afirma o medievalista Paul Zumthor, menos de 1% da população da Europa ocidental era capaz de ler; nem mesmo o fato de pertencer à Igreja era garantia de que se conhecesse a “ars legendi”. Até por volta dos séculos XII – XIII, a cultura escrita era reservada a muito poucos, e o povo se informava por meio de arautos, ouvia notícias da boca dos viajantes e histórias contadas por trovadores e saltimbancos. Muitas, de autoria anônima, foram registradas durante esse período, como várias versões do Cantar de Mío Cid (o mais famoso poema épico espanhol, datado dos séculos XII-XIII) e outras que estão nas raízes de nossa literatura tradicional.

A partir do século XII, as bibliotecas dos mosteiros foram perdendo importância, ao passo que cresciam as das universidades e catedrais. Nelas costumava haver livros reservados para consulta local, mas outros podiam ser emprestados para os mestres e estudantes. O comércio foi retomado, ainda que de forma incipiente, com base no sistema de “pecia”, que permitia a venda, o aluguel e a cópia de partes de obras; somado ao uso cada vez mais frequente do papel, isso facilitou a circulação do livro. Surgiram tratados de leis, ciências, filosofia e, ainda, obras literárias, quer em latim, quer em língua vernácula. A leitura particular e silenciosa se tornou mais comum, e as edições escritas se multiplicaram, muitas vezes com o patrocínio de mecenas. Dentre estes contam-se os escritores Francesco Petrarca (1304 – 1374) e Giovanni Boccaccio (1313 – 1775), assim como a poderosa família Médici.

Quando, através da imprensa de tipos móveis, finalmente se conseguiu uma forma de produzir livros em maiores quantidades, muitas obras já existentes como manuscritos foram rapidamente impressas. Algumas tinham várias versões, como o livro de Isidoro; os historiadores Febvre e Martin mencionam nada menos que 250 cópias manuscritas de uma obra chamada “Voyage de Jean de Mandeville”. E, tal como já faziam Jerônimo e outros estudiosos ao longo da Idade Média, também alguns dos primeiros e mais famosos impressores se dedicaram a cotejar os manuscritos existentes, a fim de oferecer a seus leitores a versão mais correta possível. 

Esta gravura, pertencente à Divisão de Iconografia, mostra a batalha de Constantino contra Maxêncio, outro nome de Maximiano II, que fora reconhecido como imperador em parte do Império Romano. A batalha teve lugar em 312 na Ponte Mílvia, uma das que cruzam o Rio Tibre. A vitória de Constantino o pôs no caminho que viria a torná-lo o único imperador.

A gravura em água-forte é do artista italiano Pietro Aquila (ca. 1650-1692) a partir de obra de Rafael Sanzio e Giulio Romano. Esta impressão é posterior, do século XVIII.

http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_iconografia/icon3…

Utilizada por estudiosos ao longo de toda a Idade Média e Renascimento, a compilação “Etimologia”, de Isidoro de Sevilha, rapidamente ganhou versão impressa. Veja esta página pertencente a uma edição de 1483, publicado em Veneza, na qual se mostra o mapa do mundo conhecido na concepção do autor. O livro pertence à Divisão de Obras Raras.

http://objdigital.bn.br/objdigital2/acervo_digital/div_obrasraras/or8131…

Outro manuscrito que circulou bastante na Idade Média foi o “Liber de Contemptu Mundi”, de Isaac, bispo de Nínive (cidade da antiga Assíria, hoje parte do Iraque). O autor viveu no século VII e escreveu em siríaco. Sua obra foi amplamente traduzida e difundida através de traduções para o grego e destas para o latim e as línguas românicas. O mais completo manuscrito em português, ornamentado com iluminuras, pertence à Divisão de Manuscritos. Veja as primeiras páginas:

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss_50_2_015.pdf

Para quem desejar ler o livro, a Biblioteca Nacional também disponibiliza o texto em meio eletrônico através do link

http://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/livros_eletronicos/livro_isaac_ni…

(Ana Lúcia Merege)

Fonte: Biblioteca Nacional

Gestão de riscos à saúde e aos acervos bibliográficos será tema de palestra em julho

Convidado será o pesquisador José Luiz Pedersoli, que atuou no Centro Internacional para o Estudo da Preservação e Restauração do Patrimônio Cultural

Percepção e gestão de riscos à saúde e aos acervos bibliográficos e documentais – um paralelo. Esse é o tema da palestra virtual que o pesquisador José Luiz Pedersoli ministrará no dia 23 de julho, às 10h, com mediação do aluno da UNIRIO Bruno Ferreira Leite, doutorando em Ciência da Informação.

Considerado como referência brasileira em gestão de riscos para patrimônio cultural, Pedersoli atuou no Centro Internacional para o Estudo da Preservação e Restauração do Patrimônio Cultural (ICCROM, na sigla em inglês), instituição ligada à ONU.

A iniciativa é uma parceria entre o Departamento de Arquivologia e Biblioteconomia, o grupo de pesquisa Estudos sobre patrimônio bibliográfico e documental, o Laboratório Multidimensional de Estudos em Preservação de Documentos Arquivísticos, o Núcleo Interdisiciplinar sobre preservação e a Biblioteca Oliveira Lima, da Universidade Católica da América (EUA).

A atividade faz parte dos Seminários UNIRIO: gerenciamento de risco e biossegurança em bibliotecas e arquivos no contexto do Covid-19, promovidos pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação, Pesquisa e Inovação (PROGPI).

Interessados devem se inscrever pela página: https://www.even3.com.br/seminariosunirio2020/.

Fonte: UNIRIO

Diálogos para uma biblioteca pública e bibliotecários responsáveis

Texto por Leonardo Marçal*

Victor Flusser em seu artigo “Uma Biblioteca Verdadeiramente Pública”, inicia reflexões acerca do processo de distanciamento entre alguns grupos sociais e a cultura. Afirma que há uma diferenciação clara entre o “povo” – generalidade da população que estão marginalizados do acesso a cultura, também chamados de “não-público” -, e o “público” – recorte específico que se caracteriza pelos que podem acessar a cultura (público potencial) e os que acessam propriamente (público efetivo).

Dá continuidade a reflexão traduzindo a inquietação de que para que uma biblioteca possa verdadeiramente ser chamada de pública, esta deve, necessariamente se voltar para o “não-público”. Esse desafio se expressa de modo bastante visceral ao considerar que o não-público não compreende, no sentido de não fazer qualquer sentido ou funcionalidade, a linha de interação, ou nos dizeres de Flusser, a “palavra” da cultura. Ademais, tampouco detém este mesmo não-publico possibilidades ou fatores condicionantes em seu favor para garantir a constituição de uma “cultura-palavra” que fizesse sentido para si, no âmbito desse possível diálogo.

Assim, começa a fazer cada vez mais sentido a proposição de que para ser verdadeiramente pública, uma biblioteca tem o dever de participar do processo de emersão da “palavra” do não-público. Somente assim pode fazer sentido ofertar uma resposta a aspiração fundamental em favor da igualdade – componente que por si mesmo é estruturante de qualquer política cultural dita libertadora.

A biblioteca deve, desta forma, buscar ofertar acesso crítico ao depósito da herança cultural de determinada coletividade, ou seja, favorecer a mediação cultural por meio de uma síntese dialética com o que ainda será criado, pois na relação com o não-público o material ainda terá que ser construído e o será em conjunto. É por isso que a biblioteca que assume tal papel não pode restringir apenas a cultura literária, mas assume o compromisso e vocação de tornar-se um centro de cultura e ferramenta estratégica de libertação da comunidade a qual pertence.

Todo esse campo de análise, dialoga com o pensamento de Marielle Barros de Moraes, no artigo “Responsabilidade Social Bibliotecária (RSB): o que significa em tempos de rupturas democráticas”. No referido artigo, Moraes aborda aspectos decorrentes de lutas que desencadearam a universalização das bibliotecas nas instituições de ensino do País, por meio da Lei 12.244/2010, e reflete sobre o papel da Responsabilidade Social do Bibliotecário neste contexto.

Reflete com acerto que a tal RSB implica no impulsionamento do acesso à informação de maneira livre e sem quaisquer óbices impostos pela sociedade, pela religião ou mesmo pelo Estado. Assumindo o bibliotecário papel de extrema relevância para a garantia deste cenário.

A autora identifica ainda que a RSB pode assumir três correntes de pensamento bastante características, a saber, a visão tradicional, a visão crítica e a visão neoconservadora.

A visão tradicional pode ser expressa pela ideia instrumentalista de que o profissional da Biblioteconomia deve focar suas atividades na simples e mera organização o acervo e materiais. A visão crítica, por outro lado, entende e enxerga o bibliotecário como incentivador de processos de mediação da informação, ou seja, sendo aquele que promove o deslocamento do eixo de organização documental para o cerne da difusão da informação.

O bibliotecário assume, nesta visão, o encargo de educador do acesso e do uso da informação. Por fim, a visão neoconservadora retroage a ideia inicial de neutralidade e imparcialidade do bibliotecário, que deve apenas satisfazer as necessidades informacionais apresentadas pelo usuário do acervo. A questão que chama a atenção é que no fluxo de satisfação das necessidades de informação é, por conseguinte, garantido o acesso ao sujeito que caracteriza o exercício de sua cidadania. Desta maneira, democratizar o acesso ao conhecimento é, de certa forma, efetivar a democracia na sociedade, razão que dá sentido a biblioteca contemporânea.

Unindo esses aspectos podemos entender que a biblioteca verdadeiramente pública é a que, em tempos de rupturas e tensões democráticas, assume o seu papel de dar palavra e ser da comunidade, como elemento constitutivo de libertação e consolidação do espaço democrático. Mas, para que tal ocorra, os profissionais da Biblioteconomia devem empoderar-se dessa visão crítica do fazer profissional, fator primordial para consolidação dos pilares democráticos e constitutivos de uma nova realidade inclusivista, jamais segregadora.

Referências

FLUSSER, Victor. Uma biblioteca verdadeiramente pública. R. Esc. Bibliotecon. UFMG, Belo Horizonte, v. 9, n. 2, p. 131-138, set. 1980.

MORAES, Marielle Barros de. Responsabilidade Social Bibliotecária (RSB): o que significa em tempos de rupturas democráticas? In: SPUDEIT, Daniela; MORAES, Marielle. Biblioteconomia social: epistemologia transgressora para o século XXI. São Paulo: ABECIN, 2018. p. 49-76.

* Licenciado em Pedagogia, estuda Biblioteconomia na Universidade Federal de Pernambuco. É empreendedor, atuando como MEI na área de Consultoria Educacional. E-mail: professormarcal.edu@gmail.com

Fonte: De Olho na CI

Bibliotecários lançam carta aberta ao Governo e dizem: “estamos disponíveis”

“As Bibliotecas são uma das instituições mais democráticas da sociedade.”

Texto por Redação Shifter

Bibliotecas que funcionam na capital mineira guardam histórias sobre a relação das pessoas com o livro e o conhecimento
(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press %u2013 13/3/18)

Seis bibliotecários assinam uma carta aberta dirigida ao Primeiro-Ministro e à Ministra da Cultura com a esperança de que mais se juntem. Manuela Barreto Nunes, Miguel Mimoso Correia, João de Sousa Guerreiro, Bruno Duarte Eiras, Nuno Marçal e Zélia Parreira dizem que “as Bibliotecas têm vindo a ser negligenciadas nas políticas públicas, e praticamente ignoradas no quadro actual das medidas extraordinárias”. Pedem apoio. Quase um milhar de pessoas já subscreveu esta carta.

“As Bibliotecas são uma das instituições mais democráticas da sociedade”, começam por escrever. “São lugares que combatem o desemprego através do apoio à procura de emprego e da qualificação dos trabalhadores, reduzem os níveis de iliteracia da população, promovem actividades de formação, fomentam a literacia digital, incluindo o apoio assistido na prestação de serviços online por forma a servir melhor o cidadão. São lugares de proximidade e afectividade, que ligam as pessoas, combatem a solidão, estimulam as competências sociais, tornando as comunidades mais coesas. A par com a rede escolar, a rede de serviços de saúde ou os serviços de protecção civil e segurança, estão implementadas em todo o território nacional. São lugares que não podemos dispensar.”

Os seis signatários principais escrevem preocupados com as bibliotecas, que foram “das primeiras instituições a encerrar os seus espaços durante o período de confinamento” e que não têm sido “incluídas e valorizadas” nas políticas do Governo para recuperar o sector cultural.

Em carta aberta pede-se, entre outros pontos, que seja criada uma regulamentação legal para as bibliotecas, à semelhança de outros países europeus, “que contemple, entre outros aspectos, orientação técnica especializada, serviços e (re)qualificação profissional e critérios rigorosos de admissão à profissão”; que “sejam definidas e clarificadas as excepções e limitações apropriadas à legislação de direito de autor, essenciais para o trabalho das bibliotecas, em particular no ambiente digital”; que “seja feita uma aposta na rentabilização dos espaços, equipamentos e recursos das bibliotecas, evitando a duplicação de investimentos e projectos”; que se passe a ver as bibliotecas como entidades que podem assegurar a generalização do acesso às tecnologias digitais a toda a população; e que “seja disponibilizada uma plataforma nacional de livros e conteúdos digitais em língua portuguesa reforçando o papel das bibliotecas enquanto mediadoras da leitura, informação e conhecimento com um modelo de consórcio semelhante ao da B-On”.

A B-On é um consórcio, com fundos públicos e gerido pela FCT, que serve sobretudo universidades, hospitais e outras instituições com publicações científicas. A base desse consórcio permite uma melhor negociação com editoras (normalmente com grandes custos) e o acesso a todos os estudantes e investigadores a milhares de publicações.

“As bibliotecas podem, e têm condições, para participar como agentes activos nos pacotes de estímulo de investimento desenvolvidos pelo Governo no combate à crise, apoiando as populações”, concluem. “Estamos disponíveis.” A carta aberta pode ser consultada no site cartaabertabibliotecas.wordpress.com, criado para o efeito, onde está disponível também para recolha de mais assinaturas. À data deste artigo, cerca de um milhar de pessoas já subscreveu o documento, entre professores, estudantes, historiadores, bibliotecários e engenheiros.

Fonte: SHIFTER

Revele o seu amor pelas bibliotecas de Belo Horizonte

Livro vai mostrar a relação afetiva do morador de BH com espaços de leitura e pesquisa que funcionam na capital. Cidadão é convidado a enviar o seu próprio relato, até 8 de agosto, para o projeto

Texto por Frederico Gandra*

Bibliotecas que funcionam na capital mineira guardam histórias sobre a relação das pessoas com o livro e o conhecimento
(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press %u2013 13/3/18)

Um livro sobre a história afetiva dos moradores de BH com as bibliotecas da cidade vem sendo preparado durante a pandemia, com lançamento previsto para outubro. Campanha realizada nas redes sociais convida o belo-horizontino a participar do projeto.

“A gente sente o afeto, o carinho e a gratidão muito grande das pessoas por esses espaços”, diz a bibliotecária Cleide Fernandes, que coordena o projeto em parceria com a pesquisadora Fabíola Farias. “Nós duas trabalhamos com políticas públicas de acesso a bens da leitura, promoção da literatura e  fortalecimento das bibliotecas”, explica Cleide, funcionária da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais.

O livro vai destacar as múltiplas experiências do cidadão com os espaços de leitura da capital mineira. “Vivemos num momento de muita diversidade, precisamos valorizar isso”, observa Cleide. “São histórias silenciosas que já aconteceram em nossa cidade. No momento, as bibliotecas estão fechadas, mas antes recebiam centenas de pessoas por dia. O que esses leitores pensam e sentem em relação a elas? Queremos registrar a existência desse leitor, marcar a contribuição dele para a história da cidade.”

Trazendo entrevistas de pessoas envolvidas em ações de leitura e com a própria literatura, o projeto conta com a participação de Alessandra Gino (bibliotecária), Aline Cântia (narradora de histórias), Ana Elisa Ribeiro (professora e escritora), Camila Félix (poeta e pesquisadora), Carlito Homem de Sá (leitor do setor de braille da Biblioteca Pública Estadual), Elizete Lisboa (escritora), Etiene Martins (jornalista e livreira), Fabrício José Nascimento da Silveira (pesquisador e professor universitário), Francisco de Moraes Mendes (escritor), Léo Gonçalves (poeta e tradutor), Macaé Evaristo (educadora),  Marcia Maria Cruz (jornalista), Marcílio França Castro (escritor), Maria Antonieta Cunha (editora e professora universitária), Maria Mazzarelo Rodrigues (editora), Nelson Cruz (escritor e ilustrador), Norma de Souza Lopes (poeta e professora), Odilon Esteves (ator e idealizador do projeto Espalhemos poesia), Rafael Mussolini (pedagogo) e Rogério Coelho (escritor e fundador do ColetivoZ – Sarau de Periferia).

O cidadão, que vem sendo convocado a participar por meio de campanha veiculada nas redes sociais, pode enviar depoimentos até 8 de agosto por meio do e-mail historiaafetivabh@gmail.com

“Vamos selecionar as histórias mais significativas para um capítulo do livro”, informa Cleide Fernandes. Quanto mais afetivo o depoimento, melhor, enfatiza. “Se a pessoa tiver uma relação com a leitura na cidade, o relato será muito bem vindo.” As colaborações devem ter até 2,5 mil caracteres. Textos que não constarem do livro serão publicados no blog do projeto.

Com apoio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, o projeto prevê a distribuição gratuita de livros. A princípio, lançamento e exposição estão previstos para daqui a quatro meses. “Deve ser no final de outubro, se tudo der certo”, diz Cleide Fernandes, contando que a ideia é levar a exposição a centros culturais da capital.

*Estagiário sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria

HISTÓRIA AFETIVA DE LEITORES DE BIBLIOTECAS DE BH

Informações: Instagram (@historiaafetivabh)

Depoimentos de moradores, com até 2,5 mil caracteres, podem ser enviados até 8 de agosto pelo

e-mail historiaafetivabh@gmail.com

Fonte: Estado de Minas

Relación de los bibliotecarios de enlace con los indicadores de impacto de la investigación

Miles, R.A., Konkiel, S. and Sutton, S., 2018. Scholarly Communication Librarians’ Relationship with Research Impact Indicators: An Analysis of a National Survey of Academic Librarians in the United States. Journal of Librarianship and Scholarly Communication, 6(1), p.eP2212. DOI: http://doi.org/10.7710/2162-3309.2212

PDF

Con frecuencia se espera que los bibliotecarios universitarios, especialmente en el campo de la comunicación académica, comprendan e interactúen con los indicadores de impacto de la investigación. Sin embargo, gran parte de la literatura actual especula sobre cómo los bibliotecarios universitarios están utilizando e implementando indicadores de impacto de investigación en su práctica.

Este estudio analizó los resultados de una encuesta de 2015 realizada a más de 13,000 bibliotecarios universitarios en Estados Unidos. La encuesta se concentró en la familiaridad de los bibliotecarios universitarios y el uso de indicadores de impacto de la investigación.

Este estudio descubrió hallazgos relacionados con los diversos niveles de familiaridad de los bibliotecarios universitarios con los indicadores de impacto de la investigación y cómo implementan y usan los indicadores de impacto de la investigación en su desarrollo profesional y en sus tareas laborales en la biblioteca.

En general, los bibliotecarios uniuniversitarios con tareas regulares de apoyo a la comunicación académica tienden a tener mayores niveles de familiaridad con los indicadores de impacto de la investigación. En general, los bibliotecarios universitarios están más familiarizados con el recuento de citas y las estadísticas de uso y menos familiarizados con las métricas alternativas. Durante las consultas con el profesorado, es más probable que se aborden el Factor de impacto de la revista (JIF) y los recuentos de citas que el índice h del autor, las métricas alternativas, las medidas cualitativas y las revisiones de expertos por pares. Los resultados de la encuesta también apuntan a un creciente interés en la métrica alternativa entre los bibliotecarios académicos por su avance profesional.

Los bibliotecarios universitarios tienen el desafío constante de seguir el ritmo del panorama cambiante de las métricas de impacto de la investigación y los modelos de evaluación de la investigación. Al mantener el ritmo e implementar indicadores de impacto de la investigación en sus propias prácticas, los bibliotecarios académicos pueden proporcionar un servicio crucial a la comunidad académica en general.

Fonte: Universo Abierto

El Manifiesto de las bibliotecas universitarias del CSUC para acelerar la transformación digital en la educación superior

Las bibliotecas universitarias del Consorci de Serveis Universitaris de Catalunya (CSUC) han elaborado y hecho público un manifiesto en el que destacan la necesidad e importancia de acelerar la transformación digital en la educación superior. Las bibliotecas de las 13 universidades del consorcio (UB, UAB, UPC, UPF, UdL, UdG, URV, UOC, URL, UVic-UCC, UIC, UIB y UJI) manifiestan que «la transformación digital es una exigencia para nuestras instituciones que la crisis sanitaria que vivimos no ha hecho más que poner de relieve y acelerar».

La transformación digital exige organizar el ámbito de la prestación de servicios en consonancia con el nuevo entorno, con el fin de asegurar que la innovación tecnológica llegue de manera efectiva a todos los colectivos de la comunidad universitaria, sin fisuras ni roturas.

Con el objetivo de dar una respuesta eficiente a la situación actual es necesario que desde las bibliotecas se fomente una visión global que ayude a las universidades a dar un paso adelante en la transformación digital de la educación superior en todos sus aspectos. Además de disponer de una visión y una estrategia digital que dé no sólo respuesta a las necesidades emergentes derivadas de la crisis sanitaria sino también a los retos de la próxima década.

Y es por ello por lo que desde las bibliotecas universitarias miembros y participativas del CSUC se comprometen a trabajar en los próximos años en los siguientes proyectos.

Los 10 proyectos del Manifiesto de las bibliotecas universitarias del CSUC ante la COVID-19

  1. Soporte a la docencia digital. Dar soporte a la docencia híbrida y digital desarrollada por los profesores y estudiantes en los próximos años en concordancia con las políticas educativas y de innovación docente de la universidad, potenciando las competencias digitales de la comunidad universitaria.
  2. Incrementar los contenidos docentes digitales. Desarrollar proyectos de creación, gestión y difusión de contenidos docentes digitales elaborados por profesores y estudiantes en el desarrollo de la transmisión y aprendizaje de conocimiento.
  3. Liderar la transición hacia el libro electrónico. Hacer frente al reto más importante que se presenta en relación al mundo de la publicación y edición científica que es la transición, gestión, autoría y lectura de las nuevas colecciones de libros digitales.
  4. Nuevas aplicaciones de mejora de los servicios. Crear y potenciar la innovación de nuevos servicios bibliotecarios y plataformas digitales que den respuesta a las necesidades actuales y futuras de los usuarios.
  5. Transformación de los espacios de acuerdo con los nuevos modelos de aprendizaje. Diseñar y diversificar las bibliotecas como verdaderos espacios de trabajo en grupo, de estudio y de creación, con acceso a las últimas tecnologías educativas, incentivando la movilidad TIC.
  6. Ciencia abierta universitaria. Avanzar en el acceso abierto a las publicaciones científicas, la gestión de los datos y los resultados de la investigación, garantizando el acceso democrático a la información, las colecciones patrimoniales digitales y la nueva documentación científica que produce la investigación de las universidades.
  7. Proyectos transversales. Impulsar proyectos y modelos organizativos que permitan la convergencia, en grados y con modelos diferentes según cada institución, con otros servicios universitarios como los servicios de informática, de ediciones, de idiomas, etc. de la universidad con el fin de mejorar el apoyo a la docencia y la investigación.
  8. Nuevos perfiles y competencias digitales. Definir unos nuevos perfiles profesionales y competencias digitales para el personal que trabaja dando apoyo a la docencia, el aprendizaje y la investigación para que puedan realizar proyectos digitales, formación no presencial a los usuarios y gestionar los nuevos sistemas de información.
  9. Compartir proyectos y recursos. Trabajar en cooperación en el marco del CSUC para establecer alianzas y avanzar en proyectos que permitan mejorar la sostenibilidad eficiente de los recursos y servicios bibliotecarios.
  10. Agenda 2030. Alinear y adaptar los proyectos, objetivos y acciones de las bibliotecas a los objetivos ODS de las universidades derivados de la Agenda 2030.

Fonte: Julián Marquina

Mural de Serviços – Minuto Arte Itaquá: Biblioteca

A Bibliotecária Mariana Ferreira Eloi Onofre (CRB8/9803), da Biblioteca Professor Aroldo de Azevedo, está realizando um trabalho de sugestão de leitura, através de vídeos pelas redes sociais. Confira:

Dicas, Curiosidades e afins

Dicas, Curiosidades e afins

Dicas e Curiosidades sobre leitura. #culturaitaqua #biblioteca #arte #leitura #itaquaquecetuba

Publicado por Secretaria Municipal de Cultura de Itaquaquecetuba em Segunda-feira, 8 de junho de 2020

MINUTO ARTE ITAQUÁ: Biblioteca

MINUTO ARTE ITAQUA

MINUTO ARTE ITAQUÁ: Biblioteca Link para o material em PDF:https://livraria.imprensaoficial.com.br/media/ebooks/12.0.813.132.pdf #culturaitaqua #cultura #itaquaquecetuba #biblioteca #leitura #dicasdeleitura

Publicado por Secretaria Municipal de Cultura de Itaquaquecetuba em Segunda-feira, 15 de junho de 2020

MINUTO ARTE ITAQUÁ: Biblioteca

MINUTO ARTE ITAQUÁ: Biblioteca.Link para o material em PDF: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8150/tde-24082007-151843/publico/TESE_SONIA_MARA_RUIZ_BROWN.pdf #culturaitaqua #cultura #itaquaquecetuba #biblioteca #leitura #dicasdeleitura

Publicado por Secretaria Municipal de Cultura de Itaquaquecetuba em Segunda-feira, 22 de junho de 2020

Envie notícia já existente sobre o serviço de sua biblioteca, ou escreva um texto de até uma lauda com seu nome completo, número de CRB-8, e link para o serviço a ser divulgado

No assunto do e-mail indicar “Mural de Serviços” e envie para crb8@crb8.org.br 

Bibliotecas da USP continuam atuando a distância para apoiar os usuários

Biblioteca da FZEA USP

Atendendo às determinações do Governo do estado de São Paulo e da Reitoria da USP, as atividades presenciais estão suspensas na Universidade. Dessa forma, as equipes das Bibliotecas estão trabalhando em home office. No caso de empréstimos já efetuados, temos realizado a renovação de forma automática, cujo prazo atual é 24 de agosto de 2020.

Ainda não há uma previsão de retorno às atividades presenciais nas Bibliotecas. Isso vai depender da flexibilização das normas de isolamento social para evitar o contágio e propagação da doença COVID-19 em vigor.

Esclarecemos ainda que, em conjunto com as Bibliotecas da USP, a Coordenadoria da Agência USP de Gestão da Informação Acadêmica (AGUIA), adotará diretrizes de trabalho visando à segurança dos indivíduos (alunos, docentes, funcionários e público em geral), dos acervos (desinfecção) e dos ambientes físicos das Bibliotecas (limpeza e higienização), em tempo hábil para organização das equipes e reabertura, quando a Reitoria assim autorizar.

Recursos e Fontes de Informação disponíveis:

Busca Integrada

Bases de Dados A-Z

Livros Eletrônicos (e-Books)

Revistas Eletrônicas A-Z

Dedalus

Periódicos Capes

Teses e Dissertações

Revistas USP

Livros Abertos

Trabalhos Acadêmicos

Acesso Aberto

Produção USP

Espaço do Pesquisador

Repositório CRUESP

Obras Raras

Partituras

Saúde Pública

Tecidoteca

Fonte: AGUIA

Soft skills: porque devemos desenvolver humanidades em Biblioteconomia

Era um dia perdido na memória de julho de 2018, provavelmente estava frio, mas não muito como imaginei que seria meu primeiro inverno no interior do Rio. Antes de me mudar para a cidade de Três Rios, no centro-sul fluminense, imaginei que mudaria para região serrana e que assim como os petropolitanos, meus dias gélidos seriam o cenário perfeito para gastar boa parte do cartão de crédito em roupas novas e pesadas. Ledo engano. Assim como a minha primeira mala de mudança que me fizeram andar de camisas de manga cumprida e tecido de gramatura gaúcha sob sol de quarenta graus. A cidade é mais quente que Bangu e a única coisa que tem em comum com Petropólis é a BR-040.

Depois de ter transformado esse início em uma descrição Tolkieniana totalmente desnecessária e que poderia ter sido resolvida com pesquisas ou telefonemas, aproveito este parágrafo para retomar a minha memória deste dia gélido de julho. Recebi um e-mail que mudaria todo o sentido da minha existência: um pedido de informação sobre a biblioteconomia e o futuro do trabalho pela produção do programa Globo Repórter.

Entendo que estamos em uma época esquisita, em que muita gente tenha revirado os olhos ao ler a palavra Globo, mas lá vamos nós para as minhas memórias afetivas com o programa. Lembro das sextas quando criança em que pernoitava na casa dos meus avós e juntos assistíamos o alecrim dourado sendo semeado enquanto um lobo guará escolhia sua presa lá na misteriosa floresta amazônica, narradas pelo inconfundível Sérgio Chapelin. Assim como, me apaguei fortemente ao programa depois da partida do meu avô e o usei como fortalecedor do meu relacionamento com a minha avó.

Chegava da faculdade correndo para assistirmos juntos as aventuras históricas do queijo, do pão, da serra gaúcha e fazia notas mentais de lugares a se conhecer. Era um alento para fechar o dia após 4h seguidas de normalização documentária. São muitos e muitos anos desejando ter o passaporte da Glória Maria.

Respirei fundo e respondi o e-mail. Que virou um, dois, três telefonemas. E depois mais e-mails. Remarcações de datas. Um processo único para mim que envolveu muita ansiedade, expectativa e principalmente pesquisas.

Virei a louca dos artigos científicos. Li em inglês, espanhol, cacei vídeos em outras áreas, conversei com especialistas. Tudo para me sentir preparada e segura. E dentro de tudo isso percebi que o futuro da biblioteconomia, além da informação, tecnologias, robôs, inteligências artificiais era algo muito mais importante e que a gente tende muito a não valorizar: nossa humanidade.

O que são softs skills e por que são importantes para os bibliotecários?

Sim, caro leitor. Como sempre te fiz ler mil parágrafos antes de entrar de fato no assunto. Assumo. Essa é a minha vida. Esse é o meu clube. Mas vamos lá. Soft skills são habilidades comportamentais, inerentes aos seres humanos. São muito analisadas pelos profissionais de RH para a contratação. Mas quais são essas habilidades? Bem, elas podem ser a criatividade, colaboração, adaptabilidade, inteligência emocional e entre outras que vamos comentar mais abaixo. Inclusive para Daniel Goleman, o pai da inteligência emocional, as soft skills são competências baseadas nas competências socioemocionais.

Alguns diriam que as soft skills são as coisas que a gente fala quando não se tem hard skills, as habilidades técnicas, para se glorificar ou até mesmo para suprir a falta da experiência profissional. Mas ao meu ver, as soft skills resgatam a humanidade envolvida nos processos em uma era em que IAs, IoT, algoritmos e outras muitas tecnologias fazem a parte técnica acontecer, em milionésimos de segundos. Algo humanamente impossível de superar . É claro que para o mercado, é importante dominar as hard skills e ninguém vai ser contratado só porque consegue sentir o outro. Os profissionais do futuro, para mim , do presente, precisam dominar os dois lados. Afinal, é tudo uma questão de equilíbrio.

As 5 principais soft skills do bibliotecário

  1. Colaboração: viver em biblioteca significa também viver em comunidade. Além de conviver com uma equipe na biblioteca, precisamos conhecer e colaborar com outros setores em que estamos inseridos. E lembrar que somos parte de uma classe. A de bibliotecários. A nossa colaboração nos fortifica e nos faz maior. Bibliotecários que possuem a capacidade de colaborar, ampliam a sua atuação e se fazem presentes.
  2. Resiliência: uma vez escrevi que não acreditava em resiliência, pelo significado físico do termo. Para a ciência, resiliência é a capacidade da matéria em voltar ao seu estado original, mesmo após receber alguma interferência. Eu discordo, na humildade, porque acredito na memória do objeto, na memória da matéria. E a memória, assim como os metadados de qualquer informação, jamais será filosoficamente a mesma. Mas aprendi durante a pandemia que a resiliência é mais que voltar em seu estado original. É a capacidade que temos de sermos fortes, de aguentar as adversidades e problemas. A Biblioteconomia para existir no século XXI precisou ser muito resiliente. Para continuar existindo no presente e no futuro precisamos continuar fortes.
  3. Liderança: ser líder não significa saber mandar outras pessoas. O conceito de liderança se fortificou e evoluiu ao longo dos anos. Mas isso qualquer pessoa que tenha lido Augusto Cury ou tenha caído na armadilha da reunião da Hinode já compreende bem. A liderança promove o fortalecimento de outras habilidades pessoais pertinentes como a: responsabilidade, proatividade e independência. O bibliotecário líder influencia positivamente e motiva sua equipe e seus pares; tem a capacidade reconhecer os talentos da sua equipe e gerenciá-los; aprimora habilidades de terceiros; consegue se autogerenciar e ter processos fluídos para tomadas de decisão; tem objetivos e metas claras; entre outros.
  4. Empatia: essa é a palavra do momento. Empatia é capacidade ou habilidade que o ser humano tem de se colocar no lugar do outro. Não é só ‘ah, eu entendo você’. Ter empatia é se livrar de todos os pressupostos e preconceitos, esvaziar-se de si e preencher-se do outro. É ver o mundo através dos olhos, do corpo, da dor do outro. É uma das habilidades mais humanas que possuímos. É a que nos torna pessoas. Ser empático em biblioteconomia é mais que entender o problema de pesquisa do seu usuário. É compreender o usuário. A comunidade. Se colocar no lugar deles e criar mais que serviços, é criar redes, criar uma comunidade. Aliás, um dos bibliotecários mais incríveis que conheço, David Lankes afirma “bibliotecas ruins fazem coleções, bibliotecas boas realizam serviços e bibliotecas excelentes criam comunidades”.
  5. Comunicação eficaz: é comum nas grades curriculares dos cursos de Biblioteconomia as disciplinas voltadas para comunicação em que analisamos as teorias da comunicação, seus ruídos e problemas. Inclusive, foi durante uma aula de comunicação que eu percebi que era uma bibliotecária. Sabemos então que a comunicação é um processo que compreende a troca de informação entre um interlocutor e um receptor. É o nosso primeiro processo social. Nascemos chorando para transmitir a mensagem ao mundo de ‘que droga, reencarnei de novo?’. Brincadeiras à parte, analiso que a comunicação é a soft skill mais importante para a nossa sobrevivência no mercado. A comunicação eficaz é muito além que transmitir uma mensagem a alguém. É compreender e mediar todo o processo envolvido. É conseguir compreender o usuário (empatia!) e levar a informação (seja ela qual for) da maneira que gere menos ruído possível. O quanto a máquina vai conseguir estabelecer isso?

Como aprimorar as soft skills?

Primeiro de tudo precisamos nos olhar no espelho e nos conhecer. Dessas habilidades necessárias, quais eu naturalmente tenho? É um processo de autoconhecimento. Sinceramente acredito que não há nada melhor que terapia para nos compreender, mas não é só isso que vou recomendar aqui.

Por ser habilidades humanas, não é só fazer um curso ou ler, elas precisam ser vivenciadas e exploradas ao longo do tempo. Mas leituras e cursos são primordiais para a compreensão de cada uma delas. Compreender é o primeiro passo para aprender, apreender e reconhecer durante o processo de viver. Conheça abaixo alguns livros e cursos indicados para saber e dominar mais as soft skills:

Inteligência emocional: a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente – Daniel Goleman

Este livro transformou a maneira de pensar a inteligência. Alterou práticas de educação e mudou o mundo dos negócios. Das fronteiras da psicologia e da neurociência, Daniel Goleman trouxe o conceito de “duas mentes” – a racional e a emocional – e explicou como, juntas, elas moldam nosso destino. Segundo Goleman, a consciência das emoções é fator essencial para o desenvolvimento da inteligência do indivíduo.

Inteligência social: a ciência revolucionária das relações humanas – Daniel Goleman

Goleman explica neste novo best-seller a surpreendente precisão de nossas primeiras impressões, explora o carisma, confronta a complexidade da atração sexual e também descreve “o lado sombrio” da inteligência social, do narcisismo ao maquiavelismo e à psicopatia. O autor compartilha sua pesquisa com grande convicção: os seres humanos têm uma predisposição natural para a empatia, a cooperação e o altruísmo. Tudo o que precisamos é desenvolver a inteligência social.

Liderança: a inteligência emocional na formação do líder de sucesso – Daniel Goleman

Ok. Deu para perceber a importância desse autor no desenvolvimento de habilidades humanas, né? Neste livro, o autor observa que não há dúvida de que o QI é a melhor forma de encaminhar as pessoas para as carreiras que lhes são mais adequadas: é preciso um QI com um desvio padrão para lidar com a complexidade cognitiva de profissões como medicina, direito ou contabilidade, ou para ser um executivo de alto nível. No entanto, “na hora de prever quem dentre essas pessoas extremamente inteligentes irá emergir como a mais produtiva, o melhor membro de equipe ou um líder destacado, a inteligência emocional passa a ter mais importância. Isso ocorre porque as habilidades da inteligência emocional — quão bem gerimos nossa vida e nossos relacionamentos — são as habilidades que distinguem aqueles com desempenho excepcional. E quanto mais se sobe em uma organização, maior a importância da IE para distinguir os líderes mais eficazes”, escreve Daniel Goleman.

Comunicação não-violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais – Marshall B. Rosenberg

Manual prático e didático que apresenta metodologia criada pelo autor, voltada para aprimorar os relacionamentos interpessoais e diminuir a violência no mundo. Aplicável em centenas de situações que exigem clareza na comunicação: em fábricas, escolas, comunidades carentes e até em graves conflitos políticos

 

 

Liderança com base nas soft skills – Cyndia Bressan (coord.)

Definidas basicamente como capacidades comportamentais, as soft skills ganharam importância nas corporações e, para atender a um público ávido por estratégias práticas e com comprovação científica para que possam obter os melhores resultados, esta obra reuniu especialistas que fazem uma abordagem diferente desse tema, pois seu foco é a formação de líderes bem-sucedidos. Comunicação efetiva, liderança empática, capacidade de pensamento crítico, motivação, flexibilidade em se adaptar aos cenários, administração do tempo, resolução de conflitos, aprender sempre, postura positiva, resiliência e orientação para os resultados são alguns temas desenvolvidos nos 17 capítulos de Liderança com base nas Soft Skills, uma obra essencial aos profissionais e estudiosos do ambiente corporativo.

Soft skills: conheça as ferramentas para você adquirir, consolidar e compartilhar conhecimentos – José Carlos Cordeiro Martins

Neste livro é apresentada uma caixa de ferramentas que nos permitirá desenvolver alguns soft skills importantes. São elas: leitura de livros, leitura dinâmica, mapas conceituais e mapas mentais, redações e resumos, desenhos de ideias, apresentações orais, histórias, pensamento crítico e argumentação.

 

 

O que esperar do bibliotecário do futuro?

Rudy de Waele, futurista e estrategista em inovação, acredita que o futuro é o resgate da humanidade. O que vai nos separar dos robôs é a nossa capacidade de sentir, sermos empáticos. E como isso nos projeta dentro da biblioteconomia? Particularmente, acredito que o nosso diferencial é ainda ser humano, desenvolver atividades e facilidades que nos conectam entre nós.

“O futurismo não é prever o que vai acontecer, mas fazer escolhas conscientes para criar o futuro de que precisamos”. Rudy de Waele

Resumindo, a capacidade que temos de mediar, de nos conectar e comunicar. É ter habilidade técnica (hard skill) de entender a tecnologia e capacidade humana (soft skill) de mediar para outro ser humano. O bibliotecário é o profissional capaz de traduzir a necessidade do usuário, de transformá-la e entregá-la através da mediação. É isso que nos torna humanos em biblioteconomia. E isso que nos faz sobreviver.

Fonte: Doce Biblioteca

Biblioteca realiza lançamento virtual

Texto por Redação

Em tempos de pandemia, um lançamento de livro por meio de vídeo é o que irá ocorrer no próximo dia 25, quinta-feira, em evento promovido pela Biblioteca Pública Municipal Prof. Nelson Foot, a partir das 18h.

O livro “Comunicação eficiente”, da professora doutora Vivian Rio Stella, apresenta de forma didática e prática como escrever mensagens com clareza, concisão e funcionalidade. O lançamento será pelo Zoom, plataforma para videoconferência, e por isso é necessária inscrição para ter acesso ao link. Interessados em conhecer a obra já podem se inscrever por um link, disponibilizado no site da Prefeitura.

Vivian tem gravado vídeos mensais para a biblioteca, de maneira voluntária, abordando a aprendizagem ao longo da vida, que são apresentados toda última quinta-feira do mês. As técnicas propostas pela autora foram desenvolvidas com base na Linguística Textual (sua área de formação) e em sua experiência de mais de dez anos na realização de cursos em diversas empresas. “Proporcionar ao público a possibilidade de vislumbrar um equilíbrio entre teoria e prática é também um dos papéis da biblioteca, como fomento à aprendizagem, aqui em especial de uma habilidade essencial, como a produção de textos corporativos”, explica a diretora do Departamento de Fomento à Leitura e Literatura, Camila Fernandes de Freitas Rosalem.

A AUTORA

Vivian Rio Stella é doutora em Linguística pela Unicamp e fez pós-doutorado na PUC-SP, no grupo Atelier Linguagem e Trabalho. Idealizadora da VRS Academy, com foco em soluções de aprendizagem colaborativas e criativas, atua como professora em cursos abertos na Casa do Saber e em cursos in company na Associação Brasileira de Jornalismo Empresarial (Aberje) e na Integração Escola de Negócios. É também professora de cursos de extensão na Faculdade de Comunicação Cásper Líbero (SP) e de disciplinas de graduação da Unianchieta, em Jundiaí. É membro do Comitê de Comunicação Interna da Aberje, gestão 2018-2019.

Fonte: Jornal de Jundiaí

Biblioteca de Pirituba participa de debate virtual sobre ações no território noroeste

Texto por Cristina Braga

‘Bibliotecas Públicas e ações no Território Noroeste’ é o tema da live a ser realizada amanhã, dia 19, às 16h, que vai abordar o  papel cultural, função social, prestação de serviços de informações cidadãs, articulações culturais, educacionais, sociais, e, interação/mediação dos públicos no território. A ação é promovida pelo  Ocupa Cidade 2020  articulada por educadoras e educadores da Cidade de São Paulo que buscam dar visibilidade nas várias ações dos territórios, sejam elas educacionais, culturais e sociais.

Participam desse debate virtual Sandro Coelho da Biblioteca Brito Broca, de Pirituba, Beth Pedrosa de Biblioteca Padre Jose de Anchieta, de Perus, Patricia Marçal da Biblioteca Erico Verissimo, de Taipas e Edna de Oliveira Telles da Supervisão Escolar, de Taipas. Veja em https://www.facebook.com/ocupapj.

Fonte: Folha Noroeste

Alicia Sellés: «Las bibliotecas son esenciales y van a tener que reconquistar el espacio digital»

Alicia Sellés, presidenta de la Federación Española de Archivística y Documentación. / LP

ALICIA SELLÉS: PRESIDENTA DE LA FEDERACIÓN ESPAÑOLA DE ARCHIVÍSTICA Y DOCUMENTACIÓN

La experta ve en la crisis actual una oportunidad para que las bibliotecas superen el concepto de plataforma de préstamo

Texto por Laura Garcés

La castellonense Alicia Sellés, presidenta de la Federación Española de Sociedades de Archivística, Biblioteconomía, Documentación y Museística (Fesabid), reflexiona con LASPROVINCIASsobre cómo afectará la crisis sanitaria generada por el coronavirus a la situación y el futuro de las bibliotecas, en particular a su transformación, un proceso que asegura que pasa por recuperar el espacio digital.

–¿Qué efectos tendrá la crisis sanitaria del coronavirus en las bibliotecas?

–Creo que esta crisis debe llevarnos a reflexionar mucho sobre el concepto de biblioteca digital y no sólo como plataforma de préstamo. Debemos tener espacio para hacer biblioteca.

–¿Qué significa hacer biblioteca?

–Que la cultura se tiene que hacer accesible a la gente. Hace años eso significaba acercarla a los libros, antes con leer era suficiente. Pero ahora, además, necesitamos de otros instrumentos. Estos días se ha visto la necesidad de la alfabetización digital, un agente muy importante para romper la brecha que existe. Muchas personas no tienen acceso a internet y disponer de ese servicio les habría facilitado mucho las cosas.

–¿Temen que pueda descender la afluencia de usuarios por miedo al contacto con los libros?

–Pasará como en otros servicios, habrá gente que se pensará mucho acudir, y lo que no me gusta es que no se presten todos los servicios posibles. Las bibliotecas no han parado de trabajar con el préstamo electrónico.

–¿Ha crecido el préstamo electrónico durante el confinamiento?

–Ha subido muchísimo, a un ritmo que no tiene que parar. Las altas de usuarios para el libro electrónico se han incrementado y también se ha ampliado el catálogo digital. Además, ha habido encuentros culturales a través de los canales digitales.

–¿La actual crisis sanitaria retrasará la transformación de las bibliotecas en la Comunitat Valenciana para ir más allá del préstamo?

–Creo que no si se dan cuenta de que el espacio físico es importante y habrá que reconquistarlo, pero también el digital, del que hay gente que se ha quedado fuera. Impulsará la transformación si cuando planteen una biblioteca no sólo piensan en un edificio. Hay gente que no se puede mover. No son sólo espacios de préstamo, también lo son de interacción, aprendizaje y convivencia.

–¿Son esenciales?

–Se cerraron y aunque no haya dicho un Real Decreto que lo son, han dado servicio mediante las nuevas tecnologías. Claro que son esenciales.

–¿Cómo ve la situación de este servicio en la Comunitat Valenciana?

–Ha habido incumplimiento de la Ley de Bibliotecas por personal y espacio. Están fuera de una visión integrada del concepto biblioteca si no hay unidad de Diputación, Ayuntamientos y Generalitat para un acceso universal.

–¿Se necesita más inversión en nuestro territorio?

–Sí, claro. La Comunitat ha primado la biblioteca física, de libros. Se necesita una apuesta mayor por la digitalización. Por ejemplo, es de las pocas comunidades de España que no tiene eFilm.

–¿Falta personal?

–Necesitamos profesionales cualificados y bien posicionados en función de las categorías que les correspondan.

–¿Las bibliotecas móviles son también una necesidad en la Comunitat?

–Sí. Existe una diferencia grande. Hay una parte de interior muy dura. Tiene que haber equilibrio, es necesario buscar una fórmula para que haya para todos, por digital o por espacio físico.

Fonte: Las Provincias

Bibliotecária usa drones para fazer livros chegarem às crianças

Serviço será gratuito e visa facilitar o acesso a recursos educacionais, além de disseminar conhecimento

Texto por Redação

Drone (Foto: Pexels/Reprodução)

Com escolas e bibliotecas públicas fechadas devido à pandemia do novo coronavírus, uma bibliotecária encontrou uma solução para fazer com que as crianças continuem lendo — e de forma gratuita. Utilizando um drone, as entregas estão sendo feitas diretamente na porta dos destinatários, conforme diz o portal The GoodNewsNetwork.

Kelly Passek é bibliotecária do ensino médio, no distrito escolar de Montgomery County, no estado de Virgínia, Estados Unidos, e é uma das primeiras a adotar o serviço de entregas de artigos domésticos por meio de drones em sua cidade. O aparelho é um projeto piloto de uma empresa derivada do Google, a Wing, e já faz entregas de refeições e artigos de casa há algum tempo.

Vendo que a tecnologia poderia ser usadas em benefício das crianças, ela não teve dúvidas em propor a prática. “Acho que as crianças ficarão emocionadas ao saber que serão as primeiras do mundo a receber um livro da biblioteca por drone”, disse Kelly em entrevista ao jornal Washington Post.

O diferencial da Wing é que ela foi a primeira empresa de entregas por drone a receber o certificado de operadora aérea da Federal Aviation Administration, órgão responsável pela regulamentação e todos os demais aspectos da aviação civil nos Estados Unidos. Isso permite que atue como uma companhia aérea do país. A empresa opera na Virgínia desde 2019, fazendo entregas de pacotes de até 1,3 kg, e está presente em Helsinque, na Finlândia, e em mais duas cidades australianas.

Entregas comerciais desse tipo já estão no radar da Amazon há alguns anos — desde que o CEO Jeff Bezos fez a demonstração com um protótipo em 2013, durante uma entrevista. De lá para cá, alguns projetos de drones foram lançados ao redor do mundo. Em 2016, a rede de restaurantes Domino’s começou a usar drones fazer o delivey de pizzas em uma cidade da Nova Zelândia.

O projeto social pode continuar em prática no pós-pandemia: será útil para aqueles que moram longe de uma biblioteca pública e uma comodidade para os que moram perto.

Keith Heyede é chefe de operaçãos da Wing no estado da Virgínia e sente na pele a afinidade com a operação, pois sua mãe também é bibliotecária. No início, os serviços estão sendo disponibilizados de forma imediata a cerca de 600 alunos.

Nos Estados Unidos, as aulas presenciais têm previsão de volta no final de setembro. Até lá, Kelly espera que a novidade desperte a empolgação das crianças pela leitura. “Espero que consigamos atender nossos alunos que já são leitores e também aqueles que pensam que será realmente excelente receber livros entregues por drone”, disse ela.

Fonte: Pequenas Empresas & Grandes Negócios

Sesi promove demissão em massa de bibliotecários, denuncia sindicato

Mais de oitenta profissionais teriam sido demitidos nos últimos dias, situação que se torna ainda mais dramática em função da pandemia, quando a economia se encontra extremamente fragilizada

Texto por Redação

Caminhão do SESI. Foto: divulgação

O Sindicatos do Bibliotecários no Estado de São Paulo (SINBIESP) publicou na última semana uma nota de repúdio contra a demissão em massa de bibliotecários do Serviço Social da Indústria (SESI). Segundo o Sindicato, mais de oitenta profissionais teriam sido demitidos nos últimos dias, situação que se torna ainda mais dramática em função da pandemia, quando a economia se encontra extremamente fragilizada.

Para o SINBIESP, as demissões seriam uma consequência das novas regras trabalhistas implementadas pelo governo do ex-presidente Michel Temer, mas também dos cortes de financiamento do Sistema S, da qual o Sesi faz parte. Recentemente a Medida Provisória 932/2020 determinou a redução de 50% na contribuição feita pelas empresas às entidades que integram o Sistema, pelo período de três meses em função da pandemia.

“Na verdade, as demissões atendem a um projeto de mercantilização da educação, sem qualquer preocupação com a qualidade do ensino. Sob a lógica do mercado, o que se buscou foi a redução de custos, sobrecarregando assim os que ainda lá permanecem, pois terão que gerenciar 3 ou mais unidades, triplicando a carga de trabalho. Nesse momento difícil, devemos nos unir em defesa da nossa profissão e principalmente aos profissionais, que são vítimas da política de austeridade deste sistema neoliberal implantado no país”, diz a nota.

“Ao reduzir os recursos destinados ao SESI e ao SENAI, sob a justificativa de aliviar o caixa das empresas, o governo cria outro problema muito maior: desarticula e, em alguns casos, inviabiliza a principal rede de apoio à tecnologia e à inovação de empreendimentos industriais, bem como para a formação profissional e a saúde e segurança de milhões de trabalhadores em todas as regiões do país”, afirmou recentemente o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade.

Numa entrevista ao vivo realizada nos canais da Biblioo nesta segunda-feira, 15, a bibliotecária e deputada federal Fernanda Melchinna (PSOL/RS) disse que pretende denunciar essa questão na Câmara dos Deputados. “O primeiro setor a parar no meio da pandemia foi justamente o setor de cultura e ele vai ser o último a voltar”, observou a parlamentar destacando que faz questão de se pronunciar sobre a demissão dos bibliotecários no Congresso.

MP 932/2020 deve ser votada na Câmara

De acordo com o site Congresso Em Foco, os deputados devem votar nesta semana a Medida Provisória 932/2020, que reduz as contribuições devidas pelas empresas para financiar o Sistema S durante a pandemia. A MP determina o corte de 50% nos meses de abril, maio e junho e alcança as contribuições cobradas pelas seguintes entidades: Sescoop (setor de cooperativas), Sesi e Senai (indústria), Sesc e Senac (comércio), Sest e Senat (transporte) e Senar (rural).

O relator da MP, deputado Hugo Leal (PSD-RJ), propôs que o corte de 50% das contribuições valesse apenas para abril e maio. Em seguida, voltou a prever uma redução das contribuições no mês de junho, mas em percentual menor, de 25%.

Essa mudança foi articulada pelo governo e alguns partidos do Centrão. Esses percentuais foram defendidos na sessão desta quarta pelo líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), e pelo líder do PL, deputado Wellington Roberto (PB). A votação estava prevista para semana passada, mas, diante das mudanças feitas pelo relator, foi adiada.

A equipe Biblioo procurou o Sesi, mas até o fechamento dessa matéria não obtivemos resposta.

Fonte: Revista Biblioo

Biblioteconomia negra no Brasil: por Franciéle Silva, ganhadora do primeiro lugar do GT6 do Enancib 2019

Texto por Patrícia Osandón – Núcleo de Comunicação Social do Ibict

A partir de inquietações sobre a ausência das questões étnico-raciais dentro dos cursos de Biblioteconomia no Brasil, Franciéle Carneiro Garcês da Silva lançou um questionamento: como promover a inserção da temática africana e afro-brasileira no ensino de Biblioteconomia? O questionamento vem acompanhando os estudos de Franciele desde a graduação, realizada na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC).

Após a graduação, Franciéle Silva prosseguiu os estudos e tornou-se mestre pelo Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação (PPGCI), desenvolvido por meio de convênio entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict). Atualmente, a pesquisadora é doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Os estudos de Franciéle Silva foram reconhecidos durante a 20ª edição do Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (Enancib), principal evento da área no Brasil, que aconteceu em 2019. A comunicação “Biblioteconomia negra brasileira: caminhos, lutas e transformação”, orientada pelo professor Gustavo Saldanha (PPGCI/Ibict/UFRJ), conquistou o primeiro lugar do GT6 (Informação, Educação e Trabalho).

Em entrevista para o site do Ibict, a pesquisadora conta sobre a importância da presença das questões étnico-raciais nos cursos de Biblioteconomia e detalha sua história com a Ciência da Informação. Confira!

Ibict: Conte um pouco da sua trajetória e o que motivou seu estudo?

Franciéle Silva: Eu sou uma mulher negra. Venho do estado do Rio Grande do Sul, da zona rural, lá no extremo sul do país. Como mulher negra, eu sempre passei por muitas situações de racismo dentro das minhas relações não só familiares, mas também de trabalho e nos estudos. Em 2013, ingressei na graduação no curso de Biblioteconomia da Universidade do Estado de Santa Catarina, quando passei a participar do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB), onde aprendi muitas coisas relacionada às questões étnico-raciais.

Foram quatro anos de formação nas questões étnico-raciais, mas percebi que no meu curso isso não era uma coisa que prevalecia. Nós não tínhamos abordagens das questões étnico-raciais nas disciplinas e foi isso que me levou a fazer o primeiro estudo da minha carreira, que foi meu trabalho de conclusão de curso. Nesse trabalho de conclusão, eu entrevistei docentes buscando entender qual era a importância da inserção das questões étnico-raciais para eles, além da história e da cultura afro-brasileira na formação bibliotecária, e se tinham conhecimento de instrumentos normativos sobre isso.

Tenho o entendimento de que o preconceito nasce de um pré-conceito criado a partir daquilo que a gente tem da história que as pessoas contam, da classificação que as pessoas fazem. A gente precisa formar pessoas para entender que todo mundo faz parte do grupo de seres humanos. Somos diferentes e diversos, então cada um tem uma característica, um fenótipo, um pertencimento étnico-racial.

A partir da graduação, eu consegui então ter uma análise local do que os professores consideravam importante e da intersecção entre questões étnico-raciais e o ensino. Quando fui analisar a estrutura do curso, ele não tinha disciplinas específicas sobre isso, mesmo os professores considerando isso muito importante. Eles desconheciam os instrumentos normativos e uma parte dos entrevistados justificou também que, por serem disciplinas mais tecnológicas, não era possível inserir as questões étnico-raciais.

Então, a partir daí, foi possível ter uma percepção maior de como a docência está construída e que, muitas vezes, ela pode sim perpetuar alguns preconceitos. Porque se não se aborda isso dentro da formação, como é que você vai conscientizar os estudantes sobre como olhar para aquela comunidade que vem desde a pós-abolição sofrendo com várias desigualdades?

Ibict: Depois da graduação, quais foram os próximos passos na sua pesquisa com a Biblioteconomia e as questões étnico-raciais?

Franciéle Silva: No mestrado, a partir desse recorte local, eu ampliei a pesquisa. No PPGCI/Ibict/UFRJ, eu tive a sorte de contar com a orientação do professor Gustavo Saldanha e foi partir daí que ele me mostrou algumas outras concepções teóricas, alguns outros movimentos. Conheci o movimento da Black Librarianship, dos Estados Unidos.

Como nos Estados Unidos as pessoas afro-americanas tiveram um período de segregação racial, no qual muitas pessoas não conseguiram acessar as bibliotecas, elas começaram a lutar para serem graduadas em Biblioteconomia, para estarem nesses espaços como bibliotecários* e para levarem informação às populações afro-americanas e transformarem a sociedade por meio do acesso à biblioteca, à leitura e ao livro.

Ibict: Qual a importância de discutir sobre a Biblioteconomia negra brasileira?

Franciéle Silva: Hoje, o meu intuito é que as pessoas negras sejam também reconhecidas como produtoras de conhecimento, como pessoas que estão refletindo, pesquisando e publicando dentro da área não só com viés étnico-racial, mas sobre todas as outras áreas que compõem a Biblioteconomia. Muitas vezes, se você pergunta para as pessoas se elas conhecem um intelectual bibliotecário negro, a maioria não conhece. Então, o intuito de fortalecer esse movimento da Biblioteconomia negra é mostrar quem produz conhecimento e projetos e quem faz ações dentro da biblioteca com viés étnico-racial, refletindo como tornar aquela biblioteca um lugar de representatividade dessa população.

É preciso mudar a biblioteca como sendo um lugar da elite e para elite, ou seja, somente quem faz parte da elite é que deveria estar nesse espaço. A biblioteca deve acolher a todas as pessoas e representá-las. Então, nesse sentido, a Biblioteconomia vem para demonstrar que existem ações, pesquisas e intelectuais dentro do Brasil que estão refletindo sobre questões étnico-raciais e que também há pessoas negras que estão fazendo pesquisas, mas não só pesquisas. A gente também está atuando em prol da questão das políticas de cotas – há pessoas que estão dentro de vários movimentos civis, em todos os espaços. Então, acredito que estudar a Biblioteconomia Negra e promover a sua visibilidade seria uma forma de reconhecer aquelas pessoas que muitas vezes estão “invisibilizadas” porque são bibliotecárias negras.

Ibict: Como pensar uma Biblioteconomia Negra partindo do princípio que a história das produções intelectuais (e da administração dessas produções) foi, em grande parte, construída por homens brancos?

Franciéle Silva: O intuito de reconhecer e de pensar a Biblioteconomia Negra é mostrar que essa intelectualidade existe e que, sim, há uma epistemicídio, que é a supressão, a invisibilidade desse conhecimento que é produzido por pessoas negras. Hoje, nós temos uma gama de livros que têm sido elaborados e produzidos por bibliotecários negros e pensados sobre as questões étnico-raciais. Reconhecer que esses bibliotecários negros estão contribuindo para a construção de uma Biblioteconomia diversa, representativa, antirracista, afro-diaspórica, é importante para desconstruir esse pensamento de que somente o homem branco produz ciência.

A gente tem que desconstruir essa questão relacionada de ver o homem branco nesse lugar de cientista e descolonizar essa Biblioteconomia que ainda é eurocentrada e americanizada. Ou seja, a gente só olha para fora e tenta colocar aquilo que eles produzem dentro do Brasil sem pensar outras realidades que fazem parte do contexto brasileiro e que são muito específicas. Por exemplo, a gente tem que pensar que hoje nós temos alguns impeditivos que fazem com que a população negra ainda esteja em um espaço de desigualdade, tanto educacional quanto financeiro e político.

Quantos de nós estamos representados dentro do Congresso Nacional ou de outros espaços? Quando a gente analisa essa representatividade dessa população, ela não está lá nesses passos de tomada de decisão e de poder, inclusive na ciência. Quando a gente vai olhar palestras, publicações de livros, a maioria dessas publicações é feita por pessoas brancas e quando nós reivindicamos o nosso lugar, o nosso protagonismo, nós somos até taxados de pessoas radicais, mas o movimento da Biblioteconomia Negra não exclui a produção científica feita por pessoas não negras. Ao contrário, é parte dessa produção científica que também está refletindo sobre questões fundamentais para a humanidade.

Ibict: Quais os caminhos para ampliar discussões democráticas sobre racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância?

Franciéle Silva: Para mudar a situação que nós temos hoje – infelizmente muito negativa de muitos retrocessos dentro das políticas públicas, é preciso formar pessoas. Os cursos de Biblioteconomia devem ser modificados para a inserção das questões étnico-raciais, e outras também, como as de gênero, por exemplo. Como é que a gente vai capacitar bibliotecários para serem sensíveis a essas causas se dentro dos nossos meios, os nossos profissionais que estão formando pessoas não estão conscientes de que isso é importante?

Muitas vezes, os docentes também podem propagar um pensamento meritocrático, ou seja, é como se colocasse população negra e branca no mesmo lugar, quando a gente sabe que não é isso: a população negra está em desigualdade desde que o país começou. Os profissionais que formam os bibliotecários têm uma responsabilidade muito forte nesse sentido.

O professor tem que lutar para ter questões relacionadas às humanidades dentro dos projetos político-pedagógicos. Deve fazer parte da nossa profissão, da nossa consciência ético-política enquanto profissionais. Nós temos que trazer representatividade e ajudar na criação de identidade dessas populações, do conhecimento dos aspectos sócio-históricos que nos construíram enquanto população brasileira e, principalmente, mostrar o outro lado que não esse que é hegemônico.

Para ler o trabalho “Biblioteconomia negra brasileira: caminhos, lutas e transformação”, clique aqui.

* Nesta entrevista, quando ler a palavra “bibliotecário”, leia-se bibliotecário ou bibliotecária.

Fonte: IBICT

PROPOSTA DE PISO SALARIAL PARA BIBLIOTECÁRIOS PODE SER DEBATIDA POR SENADORES

Para virar uma sugestão legislativa, o tema precisa receber 20 mil apoios até o final do mês de setembro

 Texto por Redação

O estabelecimento por meio de lei de um piso salarial para bibliotecários pode se tornar uma sugestão legislativa e ser debatida por senadores. Para tanto, uma enquete realizada pelo Senado precisa alcançar a marca de 20 mil apoios, o que pode ser feito no site “Ideia Legislativa” clicando aqui. Até o fechamento desta matéria, 2.488 pessoas já haviam assinado o documento.

“Os bibliotecários regulamentados pela Lei nº 4.084/ 1962, diante das injustiças trabalhistas e salariais sofridas, pede[m] a criação do piso salarial. É necessário que a categoria tenha um salário digno e compatível com suas atribuições e formação, suficiente para a sobrevivência”, diz o texto da pesquisa.

A proposta é que estes profissionais recebam R$1.750,00 para quatro horas diárias de trabalho ou de 20 horas semanais e de R$3.500,00 para o caso de dedicação exclusiva em jornada de oito horas diárias ou para 40 horas semanais.

Ainda de acordo com a enquete, que estará aberta até o dia 29 de setembro deste ano, a proposta prevê reajuste salarial anual, sempre no dia 1º de janeiro e corrigido pela variação do Índice Nacional de Preços do Consumidor (INPC).

Como se sabe, embora a categoria só disponha de piso salarial definido em lei em alguns estados da federação – como é o caso do Rio de Janeiro e de São Paulo – existem recomendações salariais para quase todos os estados. No caso do Rio, o piso salarial, estabelecido em lei estadual, é de R$ 3.158,96 com regime de 40 (quarenta) horas semanais.

MÉDIAS SALARIAIS

Um bibliotecário ganha em média R$ 3.964,61 no mercado de trabalho brasileiro para uma jornada de trabalho de 40 horas semanais de acordo com uma pesquisa do Portal Salário, especializado em estatísticas salariais, junto a dados oficiais do CAGED com um total de 1.264 salários.

Ainda de acordo com essa pesquisa, a faixa salarial do bibliotecário CBO 2612-05 fica entre R$ 3.043,00 salário mediana da pesquisa e o teto salarial de R$ 10.826,19, sendo que R$ 3.618,45 é a média do piso salarial 2020 de acordos, convenções coletivas e dissídios levando em conta profissionais com carteira assinada em regime CLT de todo o Brasil.

O Portal informa que o perfil profissional mais recorrente é o de um trabalhador com 28 anos, do sexo feminino que trabalha 44h semanais em médias em empresas do segmento de educação superior. No entanto, a pesquisa diz que estes profissionais são formados em ciências da computação, ignorando que existe no Brasil formação superior específica para bibliotecários.

Um levantamento realizada pelo BiblioJuris, a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua trimestral do IBGE (4º trimestre de 2018), indicou que São Paulo emprega os bibliotecários mais bem pagos, com piso de R$ 4.158,45, seguido de Rondônia com R$ 3.710,06 e  Rio Grande do Sul, com R$ 3.492,49; enquanto Piauí possui o menor piso salarial, com R$ 1.325,20.

Fonte: Revista Biblioo

Biblioteca do STJ mantém serviços para o público durante a pandemia

​​A quarentena provocada pelo novo coronavírus dificultou o acesso a um insumo essencial para o mundo jurídico: informação. A Biblioteca Ministro Oscar Saraiva continua desempenhando papel fundamental no apoio à prestação jurisdicional do Superior Tribunal de Justiça (STJ), além de auxiliar outras cortes, magistrados e operadores do direito em geral, pesquisadores e estudantes.

Segundo a coordenadora da biblioteca, Rosa Maria de Abreu, a pesquisa de doutrina e legislação é essencial para o trabalho dos julgadores, e os investimentos feitos em conteúdo digital e divulgação on-line se mostraram ainda mais úteis e eficientes neste momento de pandemia.

Com o fechamento de muitas bibliotecas jurídicas e universitárias, a biblioteca do STJ – que também está com o atendimento presencial suspenso – tem sido demandada por usuários de todo o país. Em grande parte, os pedidos vêm de magistrados de outros órgãos e de estudantes de pós-graduação interessados em acessar documentos específicos.

Diversidade de servi​​​ços

A quantidade de acessos à Biblioteca Digital Jurídica do STJ (BDJur) cresceu também por conta da solução de problemas na indexação de suas informações no buscador Google. Com a resolução do problema e o início da quarentena, o número médio de consultas mensais na BDJur passou de 230 mil para mais de 430 mil.

Para Rosa Maria de Abreu, o trabalho da biblioteca assumiu maior relevo na pandemia, pois o acesso ao acervo digital se tornou uma necessidade.

Entre os serviços oferecidos pela biblioteca está a Estante Virtual de Periódicos, que disponibiliza acesso a artigos de mais de cem revistas jurídicas, a e-books e outros conteúdos digitais, por meio de diversas bases de dados jurídicas contratadas – como HeinOnline, Proview, Revista dos Tribunais, Biblioteca Digital Saraiva, BID Forum e outras.

Os usuários podem encontrar também mídias de eventos e palestras que aconteceram no STJ, algumas abertas ao público em geral. Outro serviço mantido durante a pandemia é a publicação da série Bibliografias Selecionadas, que traz fontes de informação – como legislação e textos doutrinários – sobre temas diversos.

A Biblioteca Ministro Oscar Saraiva atende pelos e-mails atendimento.biblioteca@stj.jus.br e pesquisa.biblioteca@stj.jus.br, e também pelo telefone (61) 3319-9054.

Fonte: STJ

Humanidades digitais e o papel das Bibliotecas

O uso de recursos de humanidades digitais, como mapeamento do sistema de informação geográfica (SIG), visualizações de dados e mineração de textos está transformando o estudo das ciências humanas em faculdades e universidades em todo o mundo – e as bibliotecas acadêmicas estão desempenhando um papel central na orientação do uso dessas tecnologias.

De fato, a biblioteca é o principal motivador e defensor do uso das humanidades digitais na maioria das universidades, comprovando o valor da biblioteca no fortalecimento da missão da sua instituição.

Essas conclusões vêm de um estudo envolvendo quase 200 bibliotecários acadêmicos de todo o mundo, conduzido em junho e julho de 2019 pelo Library Journal em conjunto com a Gale, uma empresa Cengage. Os destaques da pesquisa estão detalhados neste relatório.

A pesquisa revela que o uso das humanidades digitais está aprimorando o ensino e as atividades acadêmicas das instituições de ensino superior na maioria dos países. Por exemplo, o uso de ferramentas de análise de texto está trazendo novas ideias para o estudo de obras literárias, e as ferramentas de mapeamento GIS estão ajudando estudantes e acadêmicos a aprofundar sua compreensão das tendências e períodos históricos. Apesar das incursões das instituições, existe uma lacuna significativa no uso das humanidades digitais entre grandes universidades de pesquisa e faculdades menores. Isso sugere uma oportunidade importante para bibliotecas acadêmicas em instituições com menos alunos para assumir uma posição de liderança ao trazer esses recursos para seus campi.

A falta de conhecimento entre os professores é uma das principais razões citadas pelas quais faculdades e universidades não atualmente oferecem recursos de humanidades digitais, e os bibliotecários podem ajudar a resolver esse desafio criando a capacidade do corpo docente de usar essas ferramentas. O custo também é um fator, sugerindo a necessidade de ferramentas econômicas que removem barreiras à academia  digital. Embora apenas uma pequena maioria (54%) das faculdades e universidades ofereça atualmente humanidades digitais, outras 20% planejam adicionar essas capacidades ou estão em processo de fazer isso. As instituições que atualmente as oferecem descobriram que essas ferramentas e métodos estão tornando os temas de humanidades mais acessíveis a uma gama maior de pessoas.

UTILIZAÇÃO DE HUMANIDADES DIGITAIS

Segundo a pesquisa, as tecnologias mais comuns de humanidades digitais em uso atualmente são o mapeamento GIS (usado por 42% das instituições), visualizações de dados (35%) e mineração de texto (33 por cento). A pesquisa sugere que as instituições na vanguarda do uso da tecnologia têm maior probabilidade de incorporar ferramentas de humanidades digitais em seus programas. Em toda a pesquisa, cerca de 5% dos entrevistados descreveram a cultura de sua instituição como um “inovador” em tecnologia e outro 14% disseram que são “pioneiros”. Essas porcentagens são um pouco maiores entre as instituições com recursos de humanidades digitais – e crescem dramaticamente entre instituições que possuem um centro de humanidades dentro da biblioteca.

Embora as humanidades digitais sejam freqüentemente usadas como uma ferramenta de ensino, raramente são oferecidas como uma ferramenta separada campo de estudo, especialmente em instituições menores. Apenas um terço das faculdades e universidades oferece humanidades como um curso individual ou como crédito eletivo para outro curso. Quatorze por cento oferece como diploma de bacharel, 8% como mestrado e apenas 6% oferece como bacharelado. Atualmente, apenas um quarto das instituições traz esses recursos para aulas de 100 níveis ou seminários. Os departamentos que mais se envolvem com as humanidades digitais são os Departamentos de História e Inglês, seguidos pela Literatura e Artes Visuais.

IMPACTO NA APRENDIZAGEM E NA ACADEMIA

Os participantes da pesquisa descreveram várias maneiras inovadoras pelas quais os professores de suas instituições estão usando as humanidades digitais para aprimorar o ensino e a pesquisa. Essas ferramentas e métodos estão envolvendo mais estudantes no estudo de ciências humanas, enquanto expandem o conhecimento de conteúdo dos alunos e sua perspicácia digital.

Na Universidade de Wisconsin-Milwaukee (UWM), um projeto colaborativo chamado “March on Milwaukee” digitalizou artefatos históricos da luta da cidade por direitos civis. Mapas interativos, cronogramas, e outras ferramentas digitais adicionam um contexto valioso que enriquece a compreensão dos alunos sobre o tópico. O projeto teve um “impacto profundo” no ensino da história pública, diz Ann Hanlon, chefe de coleções para bibliotecas UWM.

Os recursos de humanidades digitais ajudam a dar vida aos conceitos abstratos, explica Wendy Kurtz, especialista em humanidades digitais da Gale, professora do Departamento de Espanhol e Português da Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA). “Os alunos podem experimentar o conteúdo com o tato e visualmente com a ajuda de ferramentas de humanidades digitais ”, diz ela.

Além de ajudar na compreensão, essas ferramentas permitem que pesquisadores e estudantes expressem seu conhecimento de maneiras novas e empolgantes.

Muitos professores que consultam o Laboratório de Humanidades Digitais da UWM incorporam recursos multimodais às tarefas em seus cursos, como fazer com que os alunos criem seus próprios podcasts. “Os alunos são capazes de ver a si mesmos como produtores de conhecimento em vez de apenas consumidores ”, diz Hanlon.

Sarah Ketchley, outra especialista em humanidades digitais da Gale que ensina uma Introdução ao Digital do Curso de humanidades da Universidade de Washington, diz que as humanidades digitais ajudam a envolver uma gama de estudantes no estudo de ciências humanas. “Tenho alunos de ciências e humanidades da minha turma”, ela observa. “Por exemplo, tenho estudantes de ciência da computação que estão interessados ​​em fazer uma análise computacional de textos de humanidades. As humanidades digitais como campo de estudo derrubaram barreiras em todo o mundo. ”

O envolvimento de estudantes na criação de artefatos de humanidades digitais tem muitos benefícios, observaram os entrevistados. Aqui estão alguns dos exemplos que eles citaram:

  1. “As humanidades digitais deram aos alunos novas experiências de pesquisa que mudaram seus planos de carreira. “
  2. “As humanidades digitais aumentaram a confiança dos alunos no uso da tecnologia”.
  3. “Isso levou os alunos a experimentar coisas novas e expandir sua gama de habilidades bem como aprender o pensamento crítico em torno da tecnologia.”

O PAPEL DA BIBLIOTECA EM CONDUZIR A CAPACITAÇÃO EM HUMANIDADES DIGITAIS

A biblioteca é líder em ajudar e melhorar o uso de humanidades digitais no campus. Três quartos das bibliotecas acadêmicas oferecem serviços ad hoc que suportam projetos de humanidades, revela a pesquisa – e um quarto das instituições possui centro de humanidades digitais localizado dentro da biblioteca. Ajudando alunos e professores a usar ferramentas e recursos de humanidades digitais é uma maneira significativa de os bibliotecários demonstrarem valor para suas instituições.

Praticamente todos os participantes da pesquisa – 99% – acreditam que a biblioteca deve desempenhar um papel importante no apoio às humanidades digitais, mais comumente como um “colaborador completo do projeto e participante “. Isso já está acontecendo em muitas instituições: quando perguntado sobre o grau de envolvimento de suas bibliotecas no apoio ao uso de humanidades digitais no campus hoje, 36% disseram “muito envolvidos” e 33% disseram “um pouco envolvidos”. Somente 4% não estão envolvidos nas iniciativas de humanidades digitais de suas instituições.

Os bibliotecários estão desenvolvendo a conscientização sobre os recursos de humanidades digitais em seus campus. Eles estão ajudando professores e alunos na pesquisa usando ferramentas de humanidades digitais. E eles estão reunindo pesquisadores de diferentes departamentos para compartilhar ideias. Sessenta e cinco por cento das bibliotecas acadêmicas ajudam os pesquisadores a planejar as necessidades de preservação digital. Sessenta por cento defendem o apoio às humanidades digitais em toda a instituição; 54% aconselham acadêmicos de humanidades digitais no início dos projetos; e pedidos de subsídios de co-patrocinador de 32%.

As fontes mais comuns de financiamento para essas iniciativas são as operações do orçamento da biblioteca (62%) e / ou subsídios (42%). As menores instituições são especialmente dependentes de doações.

Internacionalmente, as doações são menos comuns e mais financiamento provém de orçamentos dos departamentos de tecnologia da informação ou das próprias bibliotecas.

APOIO AO ALUNO

As bibliotecas acadêmicas usam uma variedade de métodos para ensinar os alunos sobre humanidades digitais, fornecendo suporte individual na biblioteca e bibliotecários incorporados que expõem os alunos ao uso dessas ferramentas nas classes. Esses esforços estão afetando a maneira como os alunos interagem com a biblioteca de maneiras positivas, revela a pesquisa.

COMO SUA BIBLIOTECA ENSINA OS ESTUDANTES SOBRE HUMANIDADES DIGITAIS?

Ensinar os alunos sobre humanidades digitais resultou em aumentos “significativos” no uso dos arquivos da biblioteca, bancos de dados e outros materiais para 13% dos entrevistados. 16% dos bibliotecários observaram aumentos “significativos” na empolgação dos alunos em fazer pesquisas e 8% acreditam que a capacitação em humanidades digitais resultou em um novo uso da biblioteca por estudantes que não a utilizavam antes.

Na East Central University, em Oklahoma, a adição de um Laboratório de Humanidades Digitais na biblioteca resultou no que Casey Lowry, especialista em recursos eletrônicos, descreve como um aumento “moderado” no envolvimento dos alunos com a biblioteca e no uso de bancos de dados da biblioteca. No entanto, também mudou a maneira como os alunos veem a biblioteca e seus serviços.

“O novo Laboratório de Humanidades Digitais ajudou os alunos a ver a biblioteca como um espaço para trabalhar em projetos e bibliotecários como recursos úteis quando precisam de ajuda para usar a tecnologia ”, diz ela.

CHAVE PARA O SUCESSO

Bibliotecas que hospedam um centro de humanidades digitais parecem estar bem posicionados para liderar o uso dessas ferramentas no campus – e elas são também colhendo outros benefícios. Enquanto 28% de todas as faculdades e universidades pesquisadas possuem um centro de humanidades digitais localizado na biblioteca, esse percentual sobe para 44% entre instituições de médio porte. Desses, 11% dizem ter o centro dentro do biblioteca aumentou significativamente o uso da biblioteca. Usando uma escala de 10 pontos, a pesquisa solicitou aos bibliotecários que avaliassem a eficácia de seus programas e serviços de humanidades digitais.

Vinte e cinco por cento dos entrevistados deram três respostas inferiores (1, 2 ou 3) e 19% deram as três principais respostas (8, 9 ou 10). No entanto, a classificação de eficácia foi mais alta entre as instituições com centro de humanidades hospedado na biblioteca. 39% dos bibliotecários acreditam que é importante (8, 9 ou 10) adquirir ferramentas e coleções digitais exclusivas para apoiar o uso das humanidades digitais em sua instituição – e esse número sobe para 49% da Association of Research Libraries Membros (ARL). Outra estratégia que parece eficaz é oferecer uma bolsa para promover o uso de humanidades digitais. Dez por cento das bibliotecas em geral – e 19% das bibliotecas que hospedam um centro de humanidades digitais – dizem que fazem isso, incluindo UWM.

“Temos um programa de bolsas de ensino de humanidades digitais bastante recente”, Hanlon diz. “É um programa de incentivo com uma bolsa de US $ 500 que os professores podem usar para suprimentos e despesas, e é concedido a professores que planejam usar algum tipo de digital

ferramenta ou método de humanidades. Eles se reúnem como um grupo algumas vezes durante o semestre no outono para compartilhar o que estão fazendo um com o outro, o que é útil e, em seguida, no semestre da primavera, eles criam documentação e participam de um painel de discussão sobre a experiência deles ”.

Hanlon classificou o suporte de humanidades digitais de sua biblioteca como 9 em 10, e ela credita muito desse sucesso ao cultivo de parcerias. Por exemplo, a biblioteca firmou parceria com o Escritório de Pesquisa, o Centro de Excelência em Ensino e Aprendizagem e outros departamentos para promover o uso de humanidades digitais no campus. “É sobre construção de relacionamento”, diz ela.

SUPERAÇÃO DE BARREIRAS AO USO DE HUMANIDADES DIGITAIS

Embora o uso das humanidades digitais tenha um grande impacto no ensino e na academia, 46% dos participantes da pesquisa disseram que atualmente sua instituição não possui recursos de humanidades digitais. Há uma oportunidade significativa para as bibliotecas ajudarem a preencher essa lacuna, mas os bibliotecários devem ser criativos e engenhoso na forma como eles abordam o desafio.

O tamanho de uma instituição é um fator-chave: mais de 80% das instituições com pelo menos 15.000 os alunos têm recursos de humanidades digitais, em comparação com apenas 37% das escolas com menos de 5.000 alunos.

Universidades com nível de programas de pós-graduação (64%) são mais propensas a oferecer humanidades digitais do que instituições de graduação (53%) e faculdades comunitárias (19%). Em outras comparações, escolas públicas são um pouco mais favoráveis que instituições privadas, e as escolas dos EUA são mais prováveis ​​do que escolas internacionais de usar metodologias de humanidades digitais.

Exatamente metade das instituições que atualmente não oferecem apoio às humanidades digitais disse que gostariam de fazê-lo, mas não tem planos no momento. Quatro por cento estão no processo de adição de humanidades digitais e 16% estão planejando fazê-lo.

Não é de surpreender que o custo seja a maior barreira à entrada, seguido por uma falta de conhecimento entre os professores.

ALAVANCANDO OPORTUNIDADES DE COLABORAÇÃO

A experiência da East Central University é típica de muitas instituições menores. Nesta universidade pública com menos de 4.000 estudantes, o uso das humanidades digitais “ainda é muito novo”, diz Lowry. A universidade adicionou um Laboratório de Humanidades Digitais à sua biblioteca no outono de 2018 com a ajuda de uma bolsa, mas o financiamento não incluía dinheiro para contratar qualquer equipe dedicada de humanidades digitais. Lowry supervisiona o laboratório, além de suas principais responsabilidades, que incluem gerenciar todos os recursos eletrônicos e empréstimos entre bibliotecas.

“Idealmente, o Laboratório de Humanidades Digitais teria uma nova posição na equipe que poderia se concentrar em desenvolver esforços de humanidades digitais no campus, mas isso não aconteceu ”, diz ela. Apesar desse desafio, Lowry espera que as habilidades do corpo docente cresçam significativamente nos próximos anos com os bibliotecários de ligação que trabalham com os departamentos acadêmicos da universidade incentivam e apoiam o uso de humanidades digitais.

“Acredito que os bibliotecários de ligação podem ajudar a aumentar a presença de humanidades digitais através de comunicação com a faculdade ”, diz ela. “Realizei várias sessões de treinamento neste verão com todos

bibliotecários para familiarizá-los com o funcionamento de nossos equipamentos de humanidades digitais, e criamos um plano de comunicação para o próximo ano que ajudará os bibliotecários a espalhar idéias e informações sobre as possibilidades das humanidades digitais para ensino e pesquisa “.

USE O QUE VOCÊ CONSEGUE

Kurtz viu em primeira mão a diferença de capacidade entre grandes universidades de pesquisa e instituições menores. Ela obteve seu diploma de graduação em uma pequena faculdade de artes liberais que não possuía infra-estrutura bem desenvolvida para apoiar humanidades digitais. Depois de se formar, ela trabalhou no Centro de Humanidades Digitais da UCLA, que colaborou com bibliotecários com foco no uso de GIS, metadados e outras especialidades.

“Seria muito mais raro encontrar um bibliotecário de GIS em uma instituição menor”, observa ela. Em faculdades e universidades menores, as bibliotecas devem fazer uso criterioso dos recursos disponíveis. Os bibliotecários também podem advogar por mais recursos convencendo os líderes da importância de humanidades digitais. “Enquadrar como uma necessidade profissional é fundamental”, diz Kurtz. Investir em ferramentas que facilitam o uso das humanidades digitais também pode ajudar. Por exemplo, muitos dos membros do corpo docente não possuem as habilidades técnicas necessárias para tirar proveito dos recursos de humanidades digitais.

Uma plataforma como o Gale Digital Scholar Lab, que Kurtz ajudou a desenvolver, pode resolver esse desafio. “Ela o orienta no processo de criação de um projeto de mineração e visualização de texto, para que você não tenha que ser especialista nesses processos ”, diz ela. “Isso ajuda a quebrar as barreiras de aprendizado dos métodos de humanidades digitais.”

OLHANDO À FRENTE

Apesar dos desafios, uma clara maioria dos entrevistados espera que o suporte da biblioteca nas humanidades digitais aumente no próximo ano.

“As humanidades digitais expandem a audiência que nossa pesquisa envolve”, conclui Ketchley, “e as bibliotecas desempenham um papel valioso na aproximação das pessoas e na expansão de sua capacidade de usar essas ferramentas. ”

SOBRE A PESQUISA

Este relatório é baseado nas respostas de 189 bibliotecários de todo o mundo a uma pesquisa de 37 perguntas enviado por e-mail em 20 de junho de 2019. A pesquisa foi desenvolvida em conjunto com a Gale, uma empresa Cengage. Os dados foram coletados e tabulados pela Divisão de Pesquisa do Library Journal. Os dados não são ponderados. Para os fins desta pesquisa, humanidades digitais se referem à aplicação e / ou desenvolvimento de ferramentas e recursos digitais que permitem aos pesquisadores realizar novos tipos de análises de disciplinas de humanidades, como literatura, história e filosofia.

Os entrevistados consistiram de funcionários que atuam em bibliotecas de instituições de pós-graduação / profissionais (46%), faculdades ou universidades de graduação (38%) e faculdades comunitárias (11%). Setenta e quatro por cento das instituições respondentes estão localizadas nos Estados Unidos e 26 por cento são internacionais. Quase 59% das instituições respondentes são financiadas publicamente.

Os cargos mais comuns daqueles que responderam à pesquisa foram bibliotecário de referência (19%), diretor da biblioteca (15%) e bibliotecário-chefe (13%).

Plataforma Gale de Humanidades Digitais

== Referência ==

GALE. Digital humanities in action: How Academic Libraries Play a Prominent Role in Advancing Digital Humanities on Campus. Gale, Nov. 2019. Disponível em: https://go.aws/2WUwwZ3 Acesso em: 23 maio 2020.

Fonte: AGUIA

Bibliotecas e livrarias que permitem uma volta ao mundo

Texto por Luisa Pereira

Com arquiteturas de diferentes tipos e catálogos para todos os gostos, a visita se torna uma viagem

Biblioteca do Estado, Rússica

No mundo de hoje, a fala e a escrita são consideradas essenciais para que o ser humano se comunique de maneira eficiente, além de serem consideradas as formas mais eficientes de passar memórias e práticas entre as gerações. Os livros são uma maneira de imortalizar esses conhecimentos, impedindo que eles desapareçam com a mudança da sociedade.

Visitar bibliotecas é uma ótima maneira de entender mais sobre um local. Além do conteúdo dos livros, a arquitetura e o estilo do local permitem saber mais sobre a época e o contexto em que o prédio foi fundado, além das referências culturais e dos motivos por trás do acervo. Para quem gosta desse tipo de passeio, é possível fazer uma espécie de volta ao mundo somente conhecendo as bibliotecas de diferentes países. Apreciar lugares como esses pessoalmente é a experiência perfeita para os amantes de livros de histórias. Assim, separe sua passagem aérea e saiba quais você não pode deixar de visitar.

Biblioteca Bodleiana – Oxford, Reino Unido

A Biblioteca Bodleiana é a principal biblioteca de pesquisa da Universidade de Oxford, no Reino Unido, sendo uma das mais antigas da Europa. Ela foi inaugurada em 8 de novembro de 1602, idealizada por John Radcliffe. Um dos prédios que fazem parte do complexo, inclusive, tem um formato circular com uma abóbada no topo, no estilo neogótico, enfatizando a arquitetura impressionante do local. As áreas principais da biblioteca estão abertas ao público, entretanto, certas salas só podem ser visitadas com o acompanhamento de um guia.

Russian State Library –  Moscou, Rússia

Localizada em Moscou, ou Moscovo, a Biblioteca do Estado Russo é a biblioteca nacional da Rússia, sendo a terceira maior do mundo por número de livros, contando com mais de 17 milhões de volumes. Sua arquitetura, assim como a decoração e muitos dos itens de administração, são dos mais clássicos, com ficheiros e guarda-volumes. Além de livros, a biblioteca abriga mapas, registros sonoros, partituras musicais e publicações em diversos dialetos e idiomas. Não é possível retirar uma obra para ler em casa, mas é possível aproveitar os espaços da instalação e fazer a leitura dos livros no local.

Livraria Zhongshuge Hangzhou – Hangzhou, China

Com uma arquitetura futurista e ao mesmo tempo acolhedora, a sensação é de uma livraria ampla e infinita, onde não é possível encontrar o ponto em que as paredes tocam o chão. O efeito impressionante foi criado com o uso de espelhos, sendo projetado pelo estúdio de arquitetura chinês XL-Muse, que idealizou um espaço com o objetivo de que o público ficasse completamente imerso no mundo dos livros.

Cafebrería el Péndulo – Cidade do México, México

O espaço conta com um duplo conceito, funcionando como livraria e café. Sua arquitetura conta com muita luz natural e até a presença de plantas. Por isso, não se espante com as folhas verdes entre as estantes de livros, que resultam em um cenário que transita entre o moderno e o bucólico de maneira muito natural. Além dos livros, o local conta com apresentações literárias, shows e cursos de literatura.

Fonte: Capital News

Bibliotecas do Senado e da Câmara promovem ‘live’ para divulgar acervos digitais

Texto por Comunicação Interna

Biblioteca do Senado está fechada fisicamente desde o início da pandemia. Evento on-line em parceria com a Biblioteca da Câmara possibilita que usuários continuem acessando o acervo pela internet
Roque de Sá/Agência Senado

As bibliotecas do Senado Federal e da Câmara dos Deputados promoveram a primeira live da iniciativa Parlabiblio, que pretende apresentar ao público os serviços e produtos on-line disponíveis nas duas Casas legislativas. O evento reuniu, na quarta-feira (10), os bibliotecários Osmar Arouck, do Senado, e Raphael Cavalcante, da Câmara, para discutir os acervos virtuais disponíveis ao público.

Conforme Arouck, desde o início do isolamento social houve um crescimento de 97% na média mensal de 100 mil acessos da Biblioteca do Senado. Ele acredita que a variedade de itens à disposição das pessoas atraiu atenção para os meios digitais e a tendência é, mesmo após o fim da pandemia do novo coronavírus, isso se manter, avalia.

— Temos publicações digitalizadas por não mais terem direito autoral que impeçam essa transição, mas existem títulos com edições nossas que temos direito de veicular em meio digital apesar de serem recentes. Então há riqueza do que podemos divulgar a nossos usuários. A biblioteca está fechada fisicamente, mas muito ativa no papel que pode desempenhar, particularmente em relação ao Parlamento brasileiro — explicou o bibliotecário.Raphael Cavalcante afirmou que, no caso da Câmara dos Deputados, os campeões de procura são a Constituição Federal e o Regimento Interno da Casa, consultado não apenas pelos parlamentares e seus assessores, mas por estudantes de concursos públicos. Ele destaca, contudo, que o acervo digital conta com cerca de 600 obras consideradas raras e também valiosas para pesquisadores.

— É um material rico e com acesso possível nesses tempos de isolamento social preventiv

o. Outro volume muito acessado é o Prazer de Ler, da editora da Câmara, que disponibiliza clássicos da literatura em domínio público. Esse tipo de produto tem bastante procura — diz o servidor.

O conteúdo e as lives podem ser acompanhadas pelos canais @biblioteca.senado e @biblioteca.camara, no Instagram. O material ficará armazenado no IGTV dos perfis para ser consultado a qualquer momento.

Fonte: Agência Senado

Biblioteca Central disponibiliza minuta de plano de retorno às atividades presenciais

A Biblioteca Central, em consonância com os protocolos internacionais de trabalho que visam ao retorno, em segurança, das bibliotecas universitárias e considerando o esforço coletivo em que ora a comunidade da UNIRIO se encontra de acordo com os GTs que foram designados por meio da Portaria GR nº 388, vem tornar público seu planejamento para o retorno das atividades presenciais das Bibliotecas no período de pós-distanciamento social.

Este foi um trabalho realizado pela Direção do Sistema de Bibliotecas e debatido com todo o corpo técnico dos profissionais que atuam em nossas bibliotecas. Uma das muitas atividades do grupo desenvolvidas nesta quarentena. O documento é dividido em quatro eixos básicos e prevê a manutenção das atividades digitais desempenhadas e desenvolvidas durante o período de afastamento social provocado pela pandemia de COVID-19.

Fonte: UNIRIO

Clara Stanton Jones, a primeira bibliotecária afro-americana presidenta da American Library Association

Texto por Franciéle Carneiro Garcês da Silva

Como estudiosa da Biblioteconomia Negra Americana e Brasileira, tenho encontrado várias pessoas bibliotecárias que ainda não possuem suas contribuições e produções profissional e intelectual (re)conhecidas na Biblioteconomia brasileira. Sendo assim, tomei como missão visibilizar as epistemologias, ações e contribuições desses bibliotecários e bibliotecárias dentro do território brasileiro, em especial, no ensino de Biblioteconomia do país.

Quando estudamos na graduação em Biblioteconomia sobre a American Library Association (ALA), dificilmente (para não dizer nunca) somos apresentados às bibliotecárias e aos bibliotecários negros que contribuíram para o desenvolvimento de bibliotecas e da Biblioteconomia americana. Ademais, muitos de nós até hoje não conhecíamos o movimento realizado pelos bibliotecários e bibliotecárias afro-americanos para a criação de bibliotecas para a população negra durante o período de segregação racial nos Estados Unidos, nem sobre formação de pessoas negras em Biblioteconomia e sequer sobre as ações implementadas para a luta antirracista e antissexista dentro da ALA.

Hoje, venho apresentar Clara Stanton Jones, ativista social, líder visionária, bibliotecária pioneira no campo de serviços de referências em bibliotecas comunitárias e primeira presidenta negra da ALA. Clara graduou-se em Biblioteconomia pela Universidade de Michigan e, por mais de 40 anos, fez parte do movimento pelo oferecimento de bibliotecas para a comunidade afro-americana.

Clara Staton Jones, primeira presidenta negra da American Library Association (ALA) . Fonte: Site da Universidade de Michigan ( https://www.si.umich.edu/about-umsi/news/trailblazing-librarian-u-m-alumna-clara-stanton-jones-elected-michigan-women%E2%80%99s-hall-fame)

Como pioneira, alcançou distinção como a primeira mulher negra e bibliotecária a chefiar a Biblioteca Pública de Detroit, bem como a primeira a dirigir uma importante biblioteca pública e urbana nos EUA. No entanto, Clara Jones enfrentou o racismo e a discriminação como bibliotecária negra atuante em bibliotecas públicas. Em um dos casos, após ser nomeada diretora da Biblioteca de Detroit, mais de 80 membros brancos do Conselho da Biblioteca protestaram contra a sua nomeação e, inclusive, Clara enfrentou petições que tentavam negar suas qualificações para a posse do cargo. Nessa biblioteca, Clara Jones criou um sistema de referência comunitária que passou a ser utilizado por diversas bibliotecas estadunidenses e que até hoje é usado para coleta, organização e fornecimento de informações práticas visando resolver problemas cotidianos das comunidades.

Clara Jones, em frente à principal biblioteca do sistema público de Detroit.
Fonte: Publicação Ebony, Nov/1971.

Apesar das barreiras raciais enfrentadas, na década de 1970, Clara Stanton Jones se tornou a primeira mulher negra e bibliotecária a ser a presidenta da ALA. Com o objetivo de enfrentar o racismo e o sexismo através da Associação, Clara aprovou a Resolução de Conscientização sobre o Racismo e Sexismo da ALA, visto que para esta bibliotecária negra, os Estados Unidos falharam em proporcionar igualdade às minorias étnico-raciais e às mulheres. Além disso – após diversos episódios considerados racistas – , a ALA se comprometeu a abordar o racismo e o sexismo dentro da profissão, adotando a Resolução como programa de ação para combate ao racismo e ao sexismo dentro da Biblioteconomia. Clara Jones tornou-se um membro ativo da Black Caucus da ALA, auxiliando na promoção da justiça, dos direitos humanos, da liberdade intelectual e do combate ao racismo e ao sexismo na profissão.

Clara Stanton Jones, diretora da Biblioteca Pública de Detroit de 1970 a 1978. Fonte: Detroit Public Library, Digital Collections. Em: https://digitalcollections.detroitpubliclibrary.org/islandora/object/islandora%3A145304 .

Referências:

SILVA, Franciéle Carneiro Garcês da. Clara Stanton Jones e sua contribuição para a Biblioteconomia Negra Americana. In: Silva, Franciéle Carneiro Garcês da. (org.). Mulheres Negras na Biblioteconomia. Florianópolis: Rocha, 2019. (Selo Nyota). Disponível em: http://bit.do/mulheresnegras Acesso em: 21 mar. 2020.

SILVA, Franciéle Carneiro Garcês da. Representações sociais acerca das culturas africana e afro-brasileira na educação em Biblioteconomia no Brasil. 2019. 521 f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Universidade Federal do Rio de Janeiro/Escola de Comunicação, Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, Rio de Janeiro, 2019. Disponível em: http://bit.do/francielecgarces Acesso em: 21 mar. 2020.

Fonte: Mulheres na Ciência

Xadrez agora é atividade online na sua biblioteca. Venha participar!

Texto por SPLEITURAS

A BVL agora tem oficinas de xadrez online e você é nosso convidado a participar de mais estes desafios. Não é necessário fazer inscrição e a as atividades serão transmitidas no nosso espaço no Facebook – e também no da Biblioteca de São Paulo, de 23 até 27 de junho. Tudo fácil e simples de acessar, para quem está nos mais diversos níveis de conhecimento das estratégias.

Na BVL, a indicação é para iniciantes ou jogadores de nível intermediário e na BSP, para aqueles com conhecimentos intermediários ou avançados. Confira a programação, que será comandada pelo MF (Mestre Fidei) Adriano Caldeira e venha jogar com a gente!

Biblioteca Parque Villa-Lobos (Facebook: BVLbiblioteca)

Indicado para jogadores iniciantes ou com rating entre 0 e 1400.

23 de junho (terça-feira), das 16h às 17h – As leis do xadrez (regras) e o objetivo do jogo – xeque-mate e casos de empate.

24 de junho (quarta-feira), das 16h às 17h – Exercícios de mate em 1 e exercícios com mates na oitava fileira.

25 de junho (quinta-feira), das 16h às 17h – Os mates elementares – torre e rei contra rei os mates elementares – dama e rei contra rei.

26 de junho (sexta-feira), das 16h às 17h  – Os mates elementares – mate de rei e dois bispos contra rei e os mates de rei, bispo e cavalo conta rei.

27 de junho (sábado), das 16h às 17h – Estratégia geral das aberturas – jogadores iniciantes e jogadores intermediários ou com rating entre 1300 e 1700**.

Biblioteca de São Paulo (Facebook: BSPbiblioteca)

Indicado para jogadores intermediários ou com rating entre 1600 e 1900.

23 de junho (terça-feira), das 11h às 12h – Controle do centro.

24 de junho (quarta-feira), das 11h às 12h – Valor comparativo do bispo e do cavalo.

25 de junho (quinta-feira), das 11h às 12h – Colunas abertas – Criação e aproveitamento.

26 de junho (sexta-feira), das 11h às 12h – Sétima e oitava fileiras.

27 de junho (sábado), das 11h às 12h – Estrutura de peões*.

*Com MF Adriano Caldeira e MN Alessandro Rodrigues da Silva

  **Com MF Adriano Caldeira e Natália Liziane Vicenzi

Saiba mais sobre Adriano Caldeira 

O mineiro Adriano Caldeira começou a jogar xadrez aos 11 anos de idade depois de ter aprendido com seu primo Marco Túlio. Aos 13 anos, venceu o Campeonato Brasileiro Infantil Sub 14 e representou o Brasil na IV Copa Mundial Infantil de Xadrez em Lomaz de Zamora, na Grande Buenos Aires, Argentina. Ele começou a Faculdade de Engenharia Elétrica na PUC Minas, mas, em 1992, aceitou uma proposta da Prefeitura Municipal de Bebedouro (SP) para trabalhar com xadrez e nunca mais parou na atividade. Passou, então, a se dedicar ao xadrez, tendo vencido – em cinco ocasiões – o Aberto do Brasil, evento equivalente à Copa do Brasil no futebol. Se tornou MF (Mestre Fidei), da Federação Mundial de Xadrez. Adriano escreveu dois livros (“Para aprender e ensinar xadrez na escola” e “Mequinho – O xadrez de um grande mestre”), foi técnico da Delegação Brasileira de Menores e, atualmente, trabalha em clube de São Paulo como professor de xadrez, além de  administrar a plataforma de aulas online clubefox.com. Confira algumas de suas premiações:

Campeão Brasileiro Sub 14 – São Paulo – 1984.

4º/6º – IV Copa Mundial Infantil de Xadrez – 1984.

Vice-campeão brasileiro sub 26 – Belo Horizonte – 1988.

Campeão Mineiro Absoluto – 1995 – 1997 – 1999.

Campeão Brasileiro Interclubes – Belo Horizonte – 1995.

Campeão Brasileiro Interclubes – Rio de Janeiro – 1997.

Campeão do Aberto do Brasil – Brasília – 1996; Jundiaí – 1998; Jundiaí – 2000; Ilha Solteira 2002.

Campeão dos Jogos Abertos do Interior de São Paulo – 2001 e 2010.

Campeão da Semifinal do Campeonato Brasileiro Absoluto – Parati – 2001.

Campeão da Semifinal do Campeonato Brasileiro Absoluto – Vitória – 2004.

Importante lembrar que as bibliotecas continuam com atividades presenciais suspensas.

Fonte: Biblioteca Parque Villa-Lobos

Papa nomeia mulheres para Biblioteca Apostólica Vaticana e para Autoridade de Informação Financeira

Biblioteca foi criada há mais de 500 anos e possuiu mais de 80 mil manuscritos. Já a Autoridade de Informação Financeira é instituição da Santa Sé que atua na luta contra a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo.

Papa Francisco em imagem de arquivo — Foto: Reprodução/AP

O Papa Francisco nomeou nesta sexta-feira (12) duas mulheres para funções de liderança no Vaticano para a chefia da Biblioteca Apostólica Vaticana e para Autoridade de Informação Financeira (AIF).

Drª. Raffaella Vincenti assumirá a chefia da Biblioteca Apostólica Vaticana, onde já atuava como secretária. A biblioteca foi criada há mais de 500 anos e possuiu mais de 80 mil manuscritos.

Antonella Sciarrone Alibrandi, de 55 anos, assumirá a Autoridade de Informação Financeira, que é instituição da Santa Sé que atua na luta contra a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo. Atualmente, ele ocupa cargo de pró-reitora vigária da Universidade Católica do Sagrado Coração, na Itália.

Autoridade de Informação Financeira faz parte do Grupo Egmont, que atualmente reúne as unidades de informações financeiras de 152 países e jurisdições. Nesse fórum, os países trocam de informações e tratam de boas práticas de colaboração internacional.

Em julho de 2019, o Papa Francisco nomeou uma brasileira, Cristiane Murray, para atuar como sua vice-porta-voz.

Fonte: G1

Antigamente era assim

Hoje, quando queremos ouvir uma canção ou uma sinfonia que não temos em nossa coleção particular de discos ou CDs, fazemos uma busca e chegamos ao Youtube ou a um serviço qualquer de música por streaming. Muitos nem têm mais coleções em suporte físico, ou não se dão ao trabalho de procurar nelas.

Antigamente, aqueles poucos que tinham sorte de ter acesso a uma biblioteca como a da ECA, que possui há muitos anos uma excelente coleção de discos em vinil, CDs e fitas cassetes, procuravam no catálogo da biblioteca. E como as bibliotecárias faziam para criar um catálogo quando ainda não existiam bases de dados e internet? Na verdade, no caso da Biblioteca da ECA, quando não havia nem microcomputadores?

Bem, era mais ou menos assim:

frente
verso

Uma bibliotecária (ou bibliotecário) analisava a capa, encartes e rótulos do disco e transcrevia a informações importantes para uma ficha, de forma organizada e seguindo determinadas regras para garantir a padronização das informações. Observem que eram registrados os dados gerais do disco, como título, gravadora, data, série etc, e cada uma das faixas.

Essa ficha, que chamávamos de matriz, era de tamanho 10 x 15 cm, bem maior do que as fichas geralmente usadas em catálogos de bibliotecas, para poder mostrar os dados com clareza. Mesmo assim, muitas vezes era necessário usar o verso,ou mesmo duas ou três fichas, para álbuns com vários discos ou conteúdo muito extenso.

Mas não era só isso. Fazíamos também uma ficha pequena, 7,5 por 12,5 cm, para cada uma das peças musicais contidas nos discos. Mais ou menos assim:

As fichas pequenas eram organizadas em ordem alfabética de sobrenome de autor, para que fosse possível localizar a música que se queria ouvir. Se o pesquisador quisesse, também poderia consultar a ficha matriz,  antes de pedir o disco, para ver o conteúdo completo. Tanto as matrizes quanto os discos eram ordenados pelo seu número de localização – no exemplo, D39. Também era feitas fichas para os intérpretes, série, meio de expressão e país de origem dos compositores. No verso da ficha matriz eram indicados quais os desdobramentos – era como se chamavam as fichinhas por autor etc – feitos para cada disco. Isso importante para podermos localizar todo o conjunto de fichas ligadas a um disco, se fosse necessário fazer uma correção ou acrescentar o código das cópias em fita cassete, quando o disco era reproduzido (Fc60, no exemplo).

As bibliotecárias preparavam o rascunho manuscrito das fichas matrizes e passavam para seus auxiliares datilografarem e prepararem os desdobramentos.

E, além disso, para fazer uma boa catalogação, era frequentemente necessário fazer pesquisas para completar dados das capas e rótulos, nem sempre muito corretos.

E todo esse enorme trabalho nem sempre resolvia os problemas de quem pesquisava.  Não era possível, por exemplo, localizar uma obra específica sem saber o nome do compositor ou procurar por número de opus. Também era impossível fazer buscas cruzadas e localizar todas as obras de um compositor interpretadas por um solista ou grupo específico.

Atualmente o trabalho de catalogação de discos está um pouco mais simples e eficiente, já que o registro é feito numa base de dados e a busca pela internet tem praticamente todos os recursos necessários. Mesmo assim, catalogar cada disco, música por música, é uma tarefa demorada. Por esse motivo, muitos discos catalogados por processos manuais ainda não entraram na base de dados. Nosso velho fichário continua disponível, e deve ser consultado sempre que uma determinada gravação não for localizada na base de dados. Funciona, acreditem!

E não deixem de consultar nosso acervo. Temos gravações raras, que nem sempre estão disponíveis na internet.

Vejam mais algumas fichas de antigamente:

O primeiro álbum, comprado em 1971O primeiro álbum, comprado em 1971
verso

Este post só foi possível porque nossa funcionária Ana Paula levou as fichas para casa e está digitalizando todas.

Fonte: Blog da Biblioteca da ECA

Série de Webnários – Fortalecimento das Redes de Informação em Saúde

A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), por meio da sua Representação no Brasil (OPAS Brasil) e do Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME), e a Coordenação Geral de Documentação e Informação, Sub-Secretaria de Assuntos Administrativos da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde (CGDI/SAA/SE/MS) coordenam uma série de webinários que tem o objetivo de fortalecer as redes de informação em saúde, articular e promover a cooperação e participação das Redes Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Bibliotecas do Sistema Único de Saúde (BiblioSUS).

A seguir os seis webinários que já estão programados, com temáticas de interesse geral para toda a Rede Brasileira de Informação em Ciências da Saúde e público em geral.

Use a #redesBVSBibliosus para divulgar os eventos. Participe!

Póximos Eventos Data Prevista
A importância do controle bibliográfico na área da saúde: ampliar a visibilidade e o acesso 29/junho/ 2020
O papel da Rede como disseminador e intermediário do conhecimento científico em saúde 27/agosto/2020
Informação científica sobre COVID-19: o papel dos preprints 02/setembro/2020
Ética na publicação científica 16/setembro/2020
Avaliação da ciência – índices de impacto 30/setembro/2020

Webinar 2 – A importância do controle bibliográfico na área da saúde: ampliar a visibilidade e o acesso!

Apresentar as bases de dados bibliográficas, em especial a ColecionaSUS e LILACS, mostrar indicadores e números que mostrem a importância de realizar o controle bibliográfico e apresentar a metodologia e sistemas que possibilitam alcançar o controle bibliográfico, buscar identificar necessidades de capacitação da Rede, e apresentar as atividades de capacitação que são oferecidas.

Data prevista: 29 de junho de 2020 – 10h00 (horário de Brasília)

Palestrantes: a confirmar

Webinar 3 – O papel da Rede como disseminador e intermediário do conhecimento científico em saúde

Apresentar os recursos e fontes de informação da BVS como um todo, os serviços Minha BVS e eBlueInfo, além de outros recursos da interface de busca da BVS. É importante reforçar a importância da BVS Brasil e as instâncias temáticas brasileiras. Também identificar necessidades de capacitação da Rede para o acesso e uso da informação disponível na BVS. Nesta oportunidade promover o Curso de autoaprendizagem sobre acesso e uso da BVS, que está em processo de atualização.

Data prevista: 27 de agosto de 2020 – 10h00 (horário de Brasília)

Palestrantes: a confirmar

Webinar 4 – Informação científica sobre COVID-19: o papel dos preprints

Este webinar tem por objetivo apoiar na identificação de fontes fidedignas e discutir o papel dos preprints – repositórios de artigos científicos que não passaram por avaliação por pares – na evolução e disseminação da informação científica entre especialistas e para a sociedade.

Data prevista: 02 de setembro de 2020 – 10h00 (horário de Brasília)

Palestrante: LilianDra. Lilian N. Calò

Comunicação Científica em Saúde

BIREME/OPAS/OMS

Lattes

Webinar 5 – Ética na publicação científica

A redação de artigos científicos e relatórios técnicos obedece a uma linguagem universal, independentemente do idioma e a regras estritas, que permite que os experimentos sejam repetidos em qualquer parte e os resultados sejam verificados. Princípios éticos na atribuição de autoria, na manipulação de dados de pacientes com confidencialidade, na redação dos artigos e a identificação de periódicos fidedignos para publicar norteiam a comunicação científica e serão apresentados e discutidos neste webinar.

Data prevista: 16 de setembro de 2020 – 10h00 (horário de Brasília)

Palestrante: LilianDra. Lilian N. Calò

Comunicação Científica em Saúde

BIREME/OPAS/OMS

Lattes

Webinar 6 – Avaliação da ciência: índices de impacto

Os resultados de pesquisa são comunicados à comunidade científica e à sociedade em periódicos científicos, livros, anais de congressos, manuais técnicos e outras formas. Sua avaliação é necessária como indicador de qualidade da pesquisa e se traduz em concessão de recursos para pesquisa, avaliação de programas de pós-graduação, progressão na carreira e outros indicadores.

Data prevista: 30 de setembro de 2020 – 10h00 (horário de Brasília)

Palestrante: LilianDra. Lilian N. Calò

Comunicação Científica em Saúde

BIREME/OPAS/OMS

Lattes

Fonte: Portal da Rede BVS

As inscrições para seleção do mestrado e doutorado em Administração Pública e Governo estão abertas

Texto por CEPESP

Estão abertas as inscrições para mestrado e doutorado Acadêmicos em Administração Pública e Governo da Fundação Getulio Vargas (FGV). Os alunos aprovados em ambos cursos terão isenção de mensalidade. Os cursos possuem três linhas de pesquisa, e o Centro de Política e Economia do Setor Público (FGV Cepesp) está ligado à linha de pesquisa Política e Economia do Setor Público (PESP).

As inscrições podem ser feitas até 9 de outubro de 2020 (com desconto na taxa de inscrição até 1º de julho), com início das aulas em fevereiro de 2020. Em função dos desafios impostos pela pandemia do coronovirus, para este ano há novidades no edital quanto à exigência do teste ANPAD, que foi colocado como opcional.

O objetivo da linha de Política e Economia do Setor Público (PESP) é contribuir para o desenvolvimento democrático do país através do conhecimento produzido pelas suas pesquisas. Ao longo dos últimos anos, a linha de pesquisa de PESP tem sido procurada por alunos de ciência política, jornalismo, direito, economia, administração e outras áreas das ciências sociais. O foco principal de pesquisa é a relação entre política e economia, na compreensão das restrições e potencialidades das políticas públicas.

As pesquisas da linha visam aferir a influência exercida pelas instituições sobre as decisões de políticas públicas. Mais especificamente o trabalho se estrutura nas seguintes linhas de pesquisa: Instituições Políticas, Finanças Públicas, Economia Urbana e Transportes, Economia da saúde, educação e meio ambiente, além de temas ligados à macroeconomia do desenvolvimento e ao processo de desenvolvimento econômico.

Confira, abaixo, informações sobre os docentes da linha de pesquisa PESP:

  • Rudi Rocha – Coordenador da linha, é professor da EAESP-FGV nos cursos de graduação e pós-graduação, é pesquisador do Cepesp/FGV. Suas principais linhas de pesquisa incluem: econometria aplicada e avaliação de políticas públicas; economia da saúde e demografia econômica; e economia do meio-ambiente.
  • Ciro Biderman – professor dos cursos de graduação e pós-graduação em administração pública e economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), e coordenador do Cepesp/FGV. Seus interesses de pesquisa incluem economia urbana e regional (focada em políticas públicas em nível subnacional), com ênfase particular nas políticas fundiárias e sua interação com os mercados imobiliários e custos de transporte.
  • Cláudio Couto – Professor da EAESP-FGV, é pesquisador do Cepesp/FGV e Coordenador do Mestrado Profissional em Gestão e Políticas Públicas (MPGPP) da EAESP-FGV. Tem experiência na área de Ciência Política, com ênfase em Conflitos e Coalizões Políticas, atuando principalmente nos seguintes temas: política brasileira, instituições políticas, processo de governo, partidos políticos, constitucionalismo e democracia
  • Elize Massard – Professora da EAESP-FGV, é pesquisadora do Cepesp/FGV. Sua agenda de pesquisa é interdisciplinar, na fronteira entre a ciência política, economia e saúde pública – com temas ligados à economia política da regulação de produtos e serviços de saúde em perspectiva comparada; integração das políticas de ciência, tecnologia, inovação e saúde; e formulação e implementação de políticas de saúde no Brasil, com ênfase na inovadora e renomada política de controle do HIV/AIDS.
  • George Avelino – Professor da EAESP-FGV, onde é professor nos cursos de pós-graduação, é coordenador do Cepesp/FGV. Tem experiência na área de Ciência Política, com ênfase em Eleições, Partidos e Coalizões Políticas, atuando principalmente nos seguintes temas: política comparada, política subnacional, democracia, partidos políticos e eleições, federalismo e descentralização, políticas públicas
  • Nelson Marconi – Coordenador executivo do Centro de Estudos do Novo Desenvolvimentismo da Fundação Getulio Vargas (FGVcnd). Doutor e Mestre em Economia pela FGV de SP, tendo realizado bolsa sanduíche no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Graduado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Professor adjunto dos cursos de graduação, mestrado e doutorado acadêmico e mestrado profissional em Administração Pública e Governo, na FGV de SP. Tem experiência e desenvolve pesquisas nas áreas de Economia e Gestão Pública, com ênfase em Macroeconomia do Desenvolvimento, Teoria do Desenvolvimento Econômico e Economia do Setor Público.

O edital do processo seletivo para o mestrado acadêmico pode ser conferido aqui, e o edital para o doutorado acadêmico, aqui. Ambos os cursos serão apresentados em um encontro online com suas respectivas coordenadorias no dia 4 de agosto, às 19h, é necessário realizar inscrição, na área “Sessão de Informação”, no link de informações sobre o curso.

Conheça mais sobre a linha de PESP no vídeo do professor Rudi Rocha, coordenador da linha:

Fonte: CEPESP

Live “Bibliotecas prisionais: a realidade do livro e da leitura nas prisões de Portugal”

Nossa Comissão Brasileira de Bibliotecas Prisionais (CBBP) promove nesta webinar uma conversa com a bibliotecária portuguesa Maria José Vitorino, que é mestre em Ciências da Educação e coordena inúmeros projetos de leitura em bibliotecas escolares e prisionais. A mediação fica por conta de Catia Lindemann, Presidente da CBBP.

Conselhos discutem os dez anos da Lei 12.244/10 em série de lives

Texto da Comissão de Fiscalização do CRB-8

Diante da pandemia da COVID-19, a classe bibliotecária demonstrou estar de prontidão… as bibliotecas ainda não reabertas ao público, muitos profissionais aprimorando o aprendizado das tecnologias de videoconferência e trabalho remoto, muitas lives oferecidas diariamente. Eis que em 25 de maio de 2020 a Lei 12244/10 completou 10 anos. O que foi feito pelos profissionais e para profissionais da área? Como as escolas se prepararam para adequação de seus espaços e para a contratação necessária do profissional habilitado?

Pois bem: o CRB-3 (Ceará e Piauí) inaugurou uma série de lives, o Almoço com os Conselhos, no horário de almoço às 12h30, com uma semana de debates sobre um tema especial: Universalização das bibliotecas escolares – avanços e retrocessos nos 10 anos da lei. Em cada dia da semana houve a participação de presidentes e representantes dos Conselhos Regionais de Biblioteconomia, com questionamentos importantes, divulgação das atividades e programas desenvolvidos nos seus Conselhos, na fiscalização dessas bibliotecas até o momento e ainda com a participação online de bibliotecários através de perguntas e críticas.

Nessa série de lives, foi realizado o “Ato Digital para BE (Biblioteca Escolar)” em 29 de maio e houve a criação Grupo Mobilizador em defesa da BE (Biblioteca Escolar) – GMOBE. Profissionais de diversos estados do país ingressaram no grupo, traduzindo a força e o potencial dos bibliotecários escolares, interessados no tratamento adequado de seus locais de trabalho, na contribuição para dar o merecido lugar à biblioteca escolar na educação e na sociedade. Integrantes da área acadêmica, associativa e política também se somaram ao grupo: docentes das Faculdades de Biblioteconomia, doutores em Biblioteconomia, diretores e presidentes de Sindicatos, e Secretários de Educação de alguns estados, como do Maranhão, com representação muito significativa no grupo.

Vários problemas enfrentados pelos Conselhos Regionais em relação à biblioteca escolar foram citados. A integração e a atuação dos bibliotecários nas Secretarias de Educação têm encontrado barreiras: enfrentam diversas dificuldades no desenvolvimento das suas atividades, muitos são obrigados a dividir a atuação nas bibliotecas com os professores, na maioria das vezes readaptados. Um caso citado é o de Minas Gerais (CRB-6), o bibliotecário precisa ter o curso de Pedagogia para acessar ao cargo. Outra informação destacada é a do censo de 2012 com a menção a duas terminologias distintas: a biblioteca escolar e sala de leitura. Importante ressaltar que os Conselhos não vêem diferença entre as duas terminologias, as duas são consideradas bibliotecas e exigem a presença de bibliotecário. Em nível nacional, Jailton Lira, do sindicato de Maranhão, comentou que não houve representatividade dos números de biblioteca escolar no censo. Muitos estados do Nordeste solicitam de forma continuada apoio ao Ministério Público, junto ao Centro de Apoio Operacional – CAO, que tem o objetivo de dar de suporte à sociedade, a fim de obter respaldo jurídico. No Ceará já houve duas audiências públicas com o Estado e município para abrir concursos e tratar de contratações de profissionais habilitados.

Maria Mirtes Ferreira, da Comissão de Biblioteca Escolar da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições (FEBAB) enalteceu o Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB) com a vitória da Lei 12.244/10, e destacou a importância de recuperar a memória dos bibliotecários como pioneiros da busca da qualidade do ensino através da leitura. “Tudo está na atuação e no interesse do profissional bibliotecário”, segundo Maria Mirtes, destacando que o respeito e a importância que se espera para as bibliotecas os e bibliotecários começa com a postura do próprio profissional. Completou ainda que a tecnologia é ferramenta, que precisamos acreditar na profissão e que é necessário agir, não aguardar políticos.

Leoneide Brito, Presidente do CRB-13 (Maranhão), apresentou um resumo dos trabalhos do GMOBE que cresceu bastante, atualmente com 118 participantes, com indicações e divulgações de cursos, lives, livros, revistas infantis, tudo visando o incentivo na formação de leitores ávidos. O Grupo intensivou os encontros virtuais, procurando reunir principalmente os bibliotecários no trabalho de redação das reivindicações, e implementação de políticas públicas para o segmento do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca (LLLB), definir estratégias para o cumprimento da Lei 12.244/10, organização de grupos de trabalho, etc. Uma proposta está sendo estudada para realização de uma Mobilização Virtual em Defesa das Bibliotecas Escolares, na Câmara dos Deputados em Brasília, pautando a vinculação da Biblioteca Escolar no debate nacional sobre o novo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB). Essa proposta da Universidade Federal (UFBA) será levada a conhecimento de apoiadores no Rio Grande do Sul, bem como elaboração de um documento, Carta Aberta em defesa das Bibliotecas Escolares, onde deverá buscar apoio no maior número de entidades representativas devendo ser divulgado em todos os canais de comunicação, enviado às instituições do país, sobretudo aos gestores públicos e representantes do Poder Legislativo.

Foram formados três Grupos de Trabalho (GT), para operacionalizar as ações: GT de Comunicação, GT de Escritas Oficiais e GT de Articulação Política, sendo que todos podem contribuir em seus estados e cidades. Esse movimento é fundamental para a implementação efetiva da biblioteca escolar, envolvendo a classe de profissionais de Bibliotecas Escolares (BE), os Conselhos Regionais (CRBs), os sindicatos de Biblioteconomia, docentes da área, a fim de conclamar políticos, gestores públicos a somarem em prol da biblioteca como organismo fundamental na educação, mesmo antes das primeiras letras, visando a formação de consciência crítica, e em prol da leitura, do livro e da literatura. Excepcional o momento em que ocorre o Ato Digital para Biblioteca Escolar, em meio a uma pandemia que impôs o confinamento a todos, num momento crítico que oportunizou reflexões mais aprofundadas, impulsionando profissionais ao compartilhamento de ideias e experiências. Os debates e iniciativas surgidos criam um ambiente entusiástico e geram uma expectativa positiva para visibilidade e valorização da biblioteca escolar e dos bibliotecários que a escolheram para sua atuação.

A Comissão de Fiscalização do CRB-8 convida a todos os para integrar os esforços e faz votos para que haja muitos frutos para a classe bibliotecária, para a educação e para a sociedade.

A infodemia e a desinformação em escritórios de advocacia em tempos de covid-19

Texto por Marcos Rogerio Gonçalves

Cabe às áreas de conhecimentos dos escritórios de advocacia (e empresariais) fazer a análise acurada dos conteúdos de informação e conhecimento, delineando todas as averiguações em suas minudências, para que possa chegar ao seu advogado, uma informação rigorosa e assertiva.

Infodemia é um termo cunhado e usado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), muito em voga nos dias atuais, associado diretamente à pandemia do novo coronavírus (covid-19) e tem relação intrínseca com outros fenômenos, entre eles o fenômeno da desinformação.

Sendo o mundo jurídico ávido por novos conhecimentos, o advogado não se dissocia da informação, pois é esta o principal insumo do seu conhecimento. São, informação e conhecimento, palavras que não se distanciam da atuação do advogado, mas que podem trazer desinformação, se não forem imbuídas de valor (conhecimento de valor).

A infodemia pode ser definida em três aspectos básicos se dentro de um contexto específico. Assim, é (I) o excesso de informações sobre um determinado assunto que, pelo volume extremamente elevado, tem o poder de direcionar profissionais menos experientes a incorrer em desafortunadas decisões sobre um tema e, em decorrência, distorcer a verdade a ser seguida, e até as políticas que podem ser adotadas para combater conteúdos falsos (e.g.).

Ainda, conforme (II) a autoria, mesmo que seja incialmente de uma fonte primária, rapidamente pode perder sua essência, quando replicada no vasto mundo das redes sociais e da rede mundial de computadores (WWW), bem como quando distribuída nos diversos aplicativos de mensagens instantâneas, o que proporciona o fato das informações vagas, imprecisas e tendenciosas, dificultando o discernimento entre o que é verdadeiro e o falso (as Fake News).

Por último (III) tem relação direta com a autoridade da informação e, neste sentido, é o lado das versões (ou da guerra de versões). É a amalgama que se mostra, e tem forte ralação com a vertente das tendências e do seu uso, para criar outras notícias, para direcionar o leitor, ou usuário final, a pensar de tal maneira, de tal modo, e que, se não houver meios (filtros) pelos quais possa o usuário se distanciar e diferenciar o que é uma informação correta de uma falsa, muitos problemas podem advir da interpretação errada.

O impacto direto nas relações empresariais ocasionado por uma tomada de decisão equivocada, pode ser devastador para a vida profissional do advogado, o que pode ocorrer se ele for abastecido de informações com baixo valor, que contenham vícios. Então, o aconselhamento, passa a ser de “verdades-falsas”. As informações necessitam de um crivo antes de serem usadas, de ser tomada a decisão essencial à manutenção dos negócios. Esse é o uso-fim para os advogados, para sempre estar bem informados, serem os senhores da verdade para o seu cliente.

Os sistemas de informação e de apoio ao advogado não podem, jamais, passar adiante uma orientação com ruídos na comunicação, pelo contrário, devem o conhecimento comunicado ser emoldurados, amparados de cuidados a fim de não se desviarem do seu fim: trazer clareza e elucidar.

Torna-se primordial, assim, que os advogados não sejam tolhidos pela enxurrada de conhecimento resultante da mescla entre notícias falsas com as verdadeiras, que acarretam, certamente, em desinformação. Esta, que entendemos como o que vem sendo a principal fonte geradora de pânico, a essência da tomada de decisão equivocada, precipitada, e a causadora de danos irreparáveis.

Sabidamente, não se pode negar que conforme a velocidade que os boatos circulam, não é possível impor rigor de averiguar sua veracidade. Isso ocorre, por vezes, porque quem dissemina informações falsas, o faz eivado de maledicência, com fito a causar prejuízo, o faz nas sombras.

No sentido contrário, informações divulgadas de forma segura são cercadas por cuidados de checagens e amparadas no fundamento de opiniões diversas, por vezes, de notórias personalidades, em fontes reconhecidas pela boa governança e seriedade com a informação.

Fazendo um paralelo, com a realidade do mundo da advocacia, imaginemos um cenário no qual o excesso de informações geradas por fontes primárias e que são replicadas dentro das redes sociais, dos aplicativos de mensagens e de vários sites e blogs, acabam sendo alteradas e se tornam pouco confiáveis, pelo simples fato de que, em diversos casos, o emissor da informação republicada não é um especialista no assunto. Ou seja, o peso da autoridade varia de acordo com o conhecimento que tem sobre o assunto da discussão. Assim, quais são as fontes e como as classificamos como confiáveis, dentro de um sistema de informação para advogados, em tese?

(I) A fonte primária ou original, são os órgãos governamentais, estes relacionados nas 3 esperas da federação: são os ministérios, secretarias; os órgãos do Poder Judiciário, como os Tribunais; os órgãos do Poder Legislativo: as casas legislativas. Além, também, conceituam-se nesse rol os Institutos de Pesquisas, Associações e Organizações do Terceiro Setor;

(II) Fontes secundária têm intima relação com as fontes primárias, mas aqui podemos dizer que são o resultado, o documento (gravado ou transcrito) que se relaciona diretamente à fonte primária, que motiva (ou é o resultado) a discussão sobre determinado tema, assunto e que ensejou análises e novos documentos e/ou interpretações de terceiros;

(III) Fontes terciárias por sua vez, são aquelas que geralmente chegam aos usuários de forma mais facilmente legível, que têm nos termos utilizados os contornos interpretativos de linguagem mais popular e que se tem mais facilidade de propagação, em escala muito mais ampla, assim alcançando outras camadas da sociedade que não teriam, de outro modo, como acessar e interpretar as fontes primárias e secundárias.

Cabe às áreas de conhecimentos dos escritórios de advocacia (e empresariais) fazer a análise acurada dos conteúdos de informação e conhecimento, delineando todas as averiguações em suas minudências, para que possa chegar ao seu advogado – destino do seu trabalho – uma informação rigorosa e assertiva, preservando a integridade primária em sua essência. E, para que esse serviço de disseminação ocorra dentro de um contexto de normalidade, é necessário seguir alguns passos: conferir se a informação é mesmo da fonte original e se se mantém íntegra, e a própria confiabilidade de fonte original. Também, averiguar se a informação faz sentido (quando foi emitida, quem o fez e o contexto geral dela no momento da sua divulgação), pode ser o início. Entretanto, o esforço nesse sentido só será possível se o exercício diário do aprendizado for constante e ininterrupto.

Fonte: Migalhas

O que a COVID-19 nos ensinou até agora

Por Liliana Giusti Serra. Doutora em Ciência da Informação pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP). Mestre em Ciência da Informação pela Escola de Comunicações e Artes na Universidade de São Paulo (ECA/USP, 2015). Especialista em Gerência de Sistemas (2008) e graduação em Biblioteconomia (1992) pela Fundação Escola Sociologia e Política de São Paulo (FaBCI/FESP). Profissional da informação dos sistemas SophiA Biblioteca e SophiA Acervo.

A pandemia causada pelo novo coronavírus (COVID-19) alterou a rotina de todos. Com as bibliotecas não foi diferente. Do dia para noite, tivemos que aderir ao trabalho remoto, suspendendo as atividades presenciais e mudando bastante as rotinas de trabalho. Agora, com a possibilidade de retorno gradual das atividades, alguns ajustes são necessários para uma adaptação à nova realidade, preservando usuários, colaboradores e acervos.

Vários aspectos têm sido discutidos sobre as medidas necessárias para a reabertura. Bibliotecas estão criando protocolos para orientar usuários e colaboradores sobre os cuidados necessários, como higienização de espaços e recursos bibliográficos devolvidos.

Algumas novas funcionalidades foram desenvolvidas no SophiA Biblioteca e no Philos. Outras, já estavam presentes e revelaram sua pertinência neste momento de tantas incertezas. Algumas ações foram tomadas pelos clientes logo nos primeiros dias de isolamento social, como a operação em lote para alterar as datas de devolução, evitando a geração de multas e bloqueios aos usuários, impedidos de devolver as publicações emprestadas. Este recurso estava presente no SophiA Biblioteca e foi disponibilizado também no Philos, ajudando as bibliotecas escolares.

Outro aspecto que amadureceu bastante foi a disponibilização mais intensa de conteúdos digitais aos usuários. Seja contratando livros digitais ou usufruindo de recursos que foram disponibilizados gratuitamente por um período por fornecedores, ou seja, com o uso de obras em domínio público ou sob as licenças Creative Commons. Não temos dúvida que este é um movimento que veio para ficar e enriquece bastante os acervos das bibliotecas.

Em termos de novidades, está em desenvolvimento a funcionalidade de retenção programada, onde é definido que na devolução os recursos bibliográficos serão automaticamente colocados em quarentena, em período definido pela biblioteca, sem liberar reservas existentes. Após o término da quarentena estabelecida por tipo de material, os itens são liberados, notificando os usuários, caso existam reservas. Esta funcionalidade ajudará as bibliotecas no processo de reabertura dos acervos, sem expor colaboradores e usuários.

Muito tem sido discutido sobre os protocolos que devem ser adotados na devolução. Evidentemente vários fatores devem ser considerados, como tipo de suporte, seu estado físico, a área que receberá os recursos para quarentena etc. Os estudos disponíveis sobre o tempo de permanência do vírus em superfícies apresentam valores que variam de 2 a 15 dias para papéis. Sabemos que soluções líquidas ou em gel para desinfecção não são apropriadas para aplicação em livros e papéis em geral e orientações neste sentido devem ser passadas aos usuários.

Uma opção para diminuir a manipulação dos recursos bibliográficos é usar a funcionalidade de autoempréstimo do APP SophiA (disponível somente para o SophiA Biblioteca). Pelo APP SophiA o usuário pode fazer seu próprio empréstimo, por meio de leitura do código de barras do livro com a câmera do celular, diminuindo aglomerações no balcão de atendimento e o manuseio dos recursos entre colaboradores e usuários. A devolução pode ser feita em caixas para autodevolução (bookdrop), quando os itens devem ser separados do acervo em salas específicas para a quarentena, em local com acesso restrito a poucos colaboradores, devidamente protegidos por equipamentos de proteção individual (EPIs), como máscaras, luvas e aventais. Este espaço deve se ventilado, porém não é recomendado o uso de ar condicionado e ventiladores.

Diversas instituições, clientes SophiA, estão preparando protocolos para a reabertura, onde são dadas orientações sobre higienização de espaços, tempo de quarentena definidos e demais cuidados que devem ser tomados (distância entre as pessoas, uso de salas de leitura, controle de quantidade de pessoas no espaço da biblioteca etc.). Felizmente estamos observando bastante compartilhamento de medidas de segurança e salvaguarda específicas para bibliotecas, divulgadas por instituições do mundo todo. Ao final deste texto, são disponibilizados links com algumas destas iniciativas.

No grupo de clientes SophiA no WhatsApp, foram divulgadas algumas iniciativas de protocolos de reabertura que foram elaborados por instituições como Unicamp, Biblioteca Nacional de Brasília (BNB), Unirio, UERJ, INATEL etc.

Estes materiais visam orientar colaboradores e usuários sobre formas para evitar a transmissão do vírus, os serviços que estão disponíveis, medidas de higiene, salvaguarda e manipulação do acervo, sinalização do ambiente, demarcação de distanciamento no chão, espaço para recebimento das devoluções, estabelecimento de prazos de quarentena de acordo com o tipo de suporte, instalação de escudos de acrílico nos balcões de atendimento etc.

As interações no grupo têm proporcionado uma boa troca de experiências entre bibliotecas de diversos segmentos, além da aproximação com nossos clientes, identificando aspectos que podem ser melhorados no SophiA para facilitar as atividades das bibliotecas neste período de tantas alterações nas rotinas.

A pandemia nos transformou. Algumas destas mudanças provavelmente vieram para ficar. Outras serão descontinuadas assim que o risco de contaminação estiver sob controle. Ninguém ficou indiferente a tudo isso e sair da zona de conforto é obrigatório. O estabelecimento de boas práticas para manipulação do acervo e outras medidas de higiene são positivas, obrigando-nos a repensar rotinas que estavam consolidadas. É um momento de aproximação, união e colaboração entre as pessoas e seus parceiros, construindo este novo normal juntos.

Alguns protocolos disponibilizados online:

UNICAMP: http://www.sbu.unicamp.br/sbu/wp-content/uploads/DiretrizesSBU_Retorno-atividades_COVID_239-ReuniaoColegiado.pdf

Rede de apoio: http://www.sbu.unicamp.br/sbu/atendimentovirtual/

Biblioteca Nacional de Brasília (BnB): http://www.bnb.df.gov.br/index.php/sala-de-imprensa/item/794-protocolo-covid-19-para-medidas-preventivas-a-covid-19-da-bnb

Para saber mais:

IFLA COVID-19 Conceitos básicos: desinfecção patrimônio cultural (vídeo com Mary Striegel)

https://www.ncptt.nps.gov/blog/covid-19-conceitos-basicos-desinfeccao-patrimonio-cultural/

São Paulo (Estado). Protocolos sanitários

https://www.saopaulo.sp.gov.br/wp-content/uploads/2020/05/protocolo-intersetorial-v-07.pdf

CRB/8: Como higienizar os acervos de bibliotecas durante uma pandemia?

http://www.crb8.org.br/como-higienizar-os-acervos-de-bibliotecas-durante-uma-pandemia/

Bibliotecario: un blog de Edgardo Civallero: Bibliotecas, COVID-19 y desinfección: https://www.bibliotecario.org/2011/01/bibliotecas-covid-19-y-desinfeccion.html?fbclid=IwAR21xV_c65d7en5lZHOIP3k8dbIgN_yrPLbShmJ1FMeCHtQw-0K9SVf3hLo

Para participar do grupo de clientes SophiA Biblioteca e Philos no WhatsApp, fale com nossa equipe de Marketing: marketing@prima.com.br.

Fonte: SophiA

Rede de bibliotecas ajuda comunidades mineiras durante a pandemia; saiba como doar

Moradores em situação precária de BH, Sabará e Betim estão recebendo cestas básicas e cartões para alimentação

Texto por Ana Raquel Lelles

As famílias são ajudadas com livros e cestas básicas
(foto: Produtora Antenados)

A pandemia do novo coronavírus intensificou as desigualdades sociais. E observando essa situação, a Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias (RNBC) criou uma campanha de apoio às comunidades brasileiras. A RNBC recolhe alimentos e itens de higiene pessoal e repassa as doações para as bibliotecas parceiras. Os interessados em ajudar podem doar os produtos ou uma quantia monetária na conta corrente de uma das instituições participantes.

Outro projeto que apoia as bibliotecas é o Itaú Social. De acordo com a mediadora de leitura Cleide Moura, a ação do banco disponibilizou R$ 443.250 para as bibliotecas comunitárias mineiras. Ela completa que esse valor foi distribuído conforme a quantidade de pessoas que são ajudadas em cada local. Esse dinheiro pode ser passado para as famílias no formato de um cartão Sodexo, conhecidos como “Cartões Auxílio Alimentação”, onde são creditados R$ 150 por mês num período de três meses. Entretanto, outras bibliotecas preferem investir esse dinheiro em cestas básicas.

As cestas básicas são montadas a partir de doações
(foto: Reprodução Livro Aberto )

Em Minas Gerais, a distribuição é feita com a ajuda da Rede de Bibliotecas “Sou Minas, Uai!”. O Estado de Minas conversou com representantes das bibliotecas comunitárias destas três cidades para saber como está sendo feito a distribuição das doações.

Sou de Minas, uai! e BH

A rede de bibliotecas comunitárias mineiras, Sou Minas, uai!, está ajudando famílias com dificuldades financeira durante a pandemia. Para isso, Daniela Praça, que trabalha na Comunicação da Rede, afirma que, a cada R$600 recebido por doações da RBNC, o dinheiro será repassado para as famílias. Ou seja, as bibliotecas vão receber de R$600 em R$ 600, conforme as doações. “Mas a primeira será a Livro Aberto, devido a necessidade do território no momento ser maior do que as outras reigões”, explica Daniela. “Esse valor será usado para comprar cestas frutas e legumes para 20 famílias da região de BH que perderam seus empregos”, comenta.

Além disso, segundo Daniela, a Sou Minas, Uai! já distribuiu o valor recebido do Itaú Social. “Esse valor foi dividido por sete bibliotecas comunitárias da rede, nos municípios de Sabará, Betim e Belo Horizonte. Cada uma definiu a quantidade de dinheiro e cartões que seriam dados por região”, contou.

Daniela explica que as famílias são cadastradas por meio de telefone para facilitar a organização. Em parceria com a biblioteca Livro Aberto, a Rede distribuiu 186 cartões alimentação, no valor de 150 reais, válidos por 3 meses. Além disso, 114 cestas básicas são distribuídas mensalmente para essas famílias.

A equipe da biblioteca Livro Aberto segue todas as recomendações da OMS ao entregar as doações
(foto: Reprodução Livro Aberto )

Apesar do cadastro já ter expirado, cerca de 300 famílias foram atendidas na região do Bairro Goiânia, em Belo Horizonte, e Alvorada, em Sabará. “Nesse tempo de pandemia, sabemos que muitas pessoas tiveram a sua vida mudada devido ao isolamento social, diminuição de trabalhos, rendas e desemprego. A literatura é um direito humano e nesse momento a literatura vai com alimentos, que também é um direito que não poderia neste momento ser negado a ninguém!”, comentou a equipe em um post no Facebook

Durante a pandemia, a rede de bibliotecas está ajudando em média 985 famílias. Em atividade desde 2010, a Rede Sou de Minas, Uai! é um coletivo de bibliotecas comunitárias localizadas em Belo Horizonte, Betim, Sabará e Santa Luzia. No total, são nove bibliotecas atuando em prol da democratização do acesso ao livro e à leitura em áreas de vulnerabilidade econômica e social das quatro cidades da Grande BH.

“Nossas ações são pautadas na garantia do direito humano à literatura, através de ações culturais. Estão estruturadas com espaços e acervos de qualidade, mediadores de leitura e bibliotecárias aptos a atender às necessidades dos usuários e dos espaços de leitura, que são funcionais e receptivos”, explica Daniela.

Betim

Em Betim, as comunidades atendidas foram as do entorno das bibliotecas, que estão situadas nos bairros São Caetano (Biblioteca Comunitária do GRIASC), Santa Lúcia (Biblioteca Comunitária do Salão do Encontro) e Santo Afonso (Biblioteca Comunitéria do Instituto Ramacrisna). Segundo, a mediadora Cleide, cada uma das bibliotecas ajuda uma quantidade diferente de pessoas.

“Por exemplo, a Biblioteca Comunitária do Instituto Ramacrisna ajuda 170 famílias. Já a Biblioteca Comunitária do GRIASC ajuda cerca de 80. A Biblioteca Comunitária do Salão do Encontro são quase 300”, comenta a mediadora.

Cleide explica que, em Betim, o dinheiro recebido do Itaú Social foi repassado para as bibliotecas em forma cartão Sodexo, o “Cartão Auxílio Alimentação”, com 150 reais para compras em junho, R$ 150 em julho e R$ 150 em agosto. “Porque assim a família pode comprar gás, leite e outros itens que não têm em cestas básicas”, comenta a mediadora.

Nos cartões auxilio alimentação são depositados R$ 150 para ajudar as famílias
(foto: Reprodução Livro Aberto )

O trabalho voluntário feito na cidade é pelos mediadores de leitura, articuladores e bibliotecária e responsável pela comunicação da Rede. “O trabalho de cadastramento de famílias e entregas é feito na rua, enquanto as reuniões de planejamento, relatórios e prestação de contas são feitas em home office”, conta Cleide.

Sabará

Em Sabará, na região metropolitana de BH, a Borrachalioteca ajuda as comunidades carentes da cidade. A equipe da biblioteca comunitária trabalha selecionando livros e divulgação de atividades culturais remotas. Túlio Damascena, mediador de leitura e coordenador da Borrachalioteca, conta que o trabalho da biblioteca comunitária é mais voltado para a cultura.

Durante a pandemia, a biblioteca comunitária está ajudando bastante as comunidades carentes. Segundo Túlio, a equipe procurou fechar parcerias com outras lideranças que já fazem trabalho comunitário para ajudar na organização da doações. “Elegemos seis lideranças e elas foram responsáveis por fazer o levantamento das famílias e depois cada uma dessas lideranças foram responsáveis por essa entrega, tanto do banco de alimentos, como o cartão, as fraldas e as cestas básicas”, explica. Além de receberem alimentos e uma quantia financeira, Tulio conta que cada família recebeu um kit de livro.

Durante a ajuda em Betim, a editora Lê estava presente na entrega das doações da Biblioteca Ramacrisna
(foto: Produtora Antenados)

Ele explica que, num primeiro momento, a campanha contou com apoio do Itaú Social, para as Redes de Bibliotecas que são apoiadas pelo programa Prazer em Ler. “Cada biblioteca vinculada a uma rede (são 11 no total) fez uma avaliação de quantas famílias poderia atender junto à comunidade em que as bibliotecas estão inseridas. Após esse primeiro contato as redes receberam recursos por meio de uma entidade proponente, que repassou a outras instituições”, explicou.

“As bibliotecas da Rede ‘Sou de Minas, uai!’ se mobilizaram e criaram estratégias para que o repasse fosse feito da melhor maneira”, comentou Túlio. Além do suporte do Itaú Social, a RNBC está arrecadando recursos para serem repassadas “para dar continuidade a esse trabalho”.

Segundo Damascena, as entregas das doações estão sendo feitas de duas maneiras: “o suporte do Itaú garantiu o atendimento das famílias por três meses e o recurso da campanha da RNBC está sendo distribuído à medida é captado”. A equipe distribui para as famílias o cartão alimentação, que fica em nome de um dos membros, cadastrada previamente, com o aporte de R$ 150 mensais por três meses. Além disso, algumas famílias estão recebendo cestas básicas e os produtos de higiene pessoal.

“O banco de alimentos, que já existia na comunidade do Bairro Cabral, que ficou comprometida pela chuva que castigou Sabará em janeiro, nesse caso fechamos uma parceria com um sacolão que fez preço de custo nos alimentos e de 15 em 15 dias as pessoas podem retirar nas dependências da biblioteca (Sala Son Salvador)”, conta Túlio. Ele comenta que as famílias terão apoio pelos meses de junho, julho e agosto

O mediador de leitura conta que cerca de 109 famílias foram ajudadas com o com o cartão alimentação desde o início do projeto. “Atendemos cerca de 130 com as cestas básicas, 5 com produtos de higiene pessoal, 50 famílias com o banco de alimentos”, conta Túlio. Os bairros ajudados são Caieira, Cabral, Adelmolândia, Rosário I e II, Roça Grande, Catita, Pompéu, Paciência, entre outros.

As bibliotecas tentam evitar a propagação do vírus durante a entrega
(foto: Reprodução Livro Aberto )

Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias

A Campanha de apoio às comunidades para distribuição de itens de higiene e alimentos é promovida pela Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias (RNBC) e deve continuar até o fim da pandemia. Minas Gerais já está na segunda fase da campanha, ou seja, na segunda vez que ocorre as doações no estado. Além de Minas, o projeto também atua em São Paulo, Rio de Janeiro, Maranhão, Ceará, Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Sul e Pará.

Para ajudar, os doadores podem fazer depósito na conta-corrente de uma das instituições participantes da rede. “Todo o recurso arrecadado será usado para a compra de alimentos, material de higiene, gás e repasse direto, sendo distribuído de acordo com as necessidades de cada comunidade”, destacou Cris Lima, integrante da rede.

Além disso, os interessados podem doar cestas básicas e itens de higiene diretamente às redes de bibliotecas espalhadas pelo país. Em Minas Gerais, os podem ser entregues em Belo Horizonte, Sabará e Betim. Já nos outros estados, as entregas podem ser feitas em Belém e Ananindeua (PA), São Luiz, Fortaleza, Recife, Olinda (PE), Jaboatão dos Guararapes (PE), Salvador, Nova Iguaçu (RJ), Duque de Caxias (RJ), Paraty (RJ), São Paulo, Guarulhos (SP), Mauá (SP), Porto Alegre, Cachoeirinha (RS), Eldorado do Sul (RS), e Esteio (RS).

A RNBC é um movimento pela democratização do acesso ao livro e às bibliotecas. São 119 bibliotecas em 22 municípios nas regiões Norte, Nordeste, Sul e Sudeste, que atendem um público médio de 30 mil famílias.

Para as doações em dinheiro:

ACESA – Associação Cultural Esportiva Social Amigos

CNPJ: 14.810.743/0001-31

Banco: Caixa econômica Federal

Agência: 0049

Conta corrente 14453 Dígito 5

Entre contas CEF: 003 conta 14453-5

Para as doações presenciais, confira os endereços das bibliotecas no site da RNBC

*Estagiária sob supervisão de Álvaro Duarte

O que é o coronavírus?

Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte.

Casos de COVID-19 em Minas Gerais

Clique para conferir número de pacientes infectados por município

Como a COVID-19 é transmitida?

A transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Como se prevenir?

A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de água e sabão para lavar as mãos ou álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.

Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia

Em casos graves, as vítimas apresentam:

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal

Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus.

Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.

Fonte: Estado de Minas Gerais

Acervo da Biblioteca Municipal é organizado durante a pandemia do novo coronavírus

Desde o último dia 1º, funcionários do espaço público já separaram mais de 8 mil livros

Na Biblioteca Municipal, força-tarefa iniciou na última semana

Fechada ao público por conta da pandemia do novo coronavírus (covid-19), a Biblioteca Municipal Martinico Prado passa por organização interna do acervo, realizada pelos funcionários do espaço público. A força-tarefa começou no último dia 1º.

De acordo com a Secretaria Municipal de Cultura, mais de oito mil livros provenientes de doações já foram separados. “Nosso trabalho aqui na Biblioteca não para, mesmo não havendo atendimento ao público, por causa da covid-19. Internamente, estamos separando livros que estavam encaixotados e que futuramente estarão disponíveis aos nossos leitores”, explicou a chefe de serviço da Biblioteca Municipal, Silmara Da Roz Eliseu.

Após a separação dos livros, haverá um processo de triagem de todos os materiais. “Todos os livros que estamos separando são importantes. Alguns exemplares serão doados a asilos, outros estarão disponíveis no pegue-leve da própria Biblioteca, entre outras formas de doações. Os títulos mais novos e repetidos serão guardados e farão parte do nosso acervo. Achamos muitas obras interessantes que estavam guardadas”, acrescentou Gustavo Grandini Bastos, bibliotecário municipal.

A Secretaria de Cultura reforça que, neste período de pandemia, a Biblioteca Municipal permanece fechada para o atendimento ao público. “Os livros emprestados antes da pandemia foram renovados automaticamente e as devoluções serão realizadas posteriormente”, finalizou a chefe de serviço.

Após separação, livros passam por triagem

Fonte: Secom/Prefeitura de Araras

Bibliotecas do Senado e da Câmara apresentam seus serviços pelo Instagram

Texto por Comunicação Interna

Biblioteca do Senado: mudanças de comportamento por conta da pandemia de covid-19 levaram instituição a buscar alternativas de oferecer acervo, produtos e serviços virtualmente
Roque de Sá/Agência Senado
Fonte: Agência Senado

“Um passeio pelas bibliotecas digitais da Câmara e do Senado” é o tema da transmissão ao vivo (live) que acontece na próxima quarta-feira (10), às 18h, patrocinada pelas bibliotecas das duas instituições. A iniciativa, chamada de Parlabiblio, promoverá a partir de agora eventos pela internet para apresentar à população os serviços, produtos e acervos disponíveis nas duas Casas Legislativas. As lives poderão ser acompanhadas pelos canais @biblioteca.senado  e @biblioteca.camara, no Instagram.

Esses eventos virtuais foram a forma que as bibliotecas encontraram para oferecer alternativas ao público diante das mudanças comportamentais provocadas pela pandemia da covid-19.

— A biblioteca é um organismo em constante desenvolvimento e que tem a capacidade de adaptar-se para promover acesso aos recursos informacionais nas atuais condições [de pandemia]. É um momento muito particular em que a biblioteca se sente chamada a contribuir nas ações para minimizar essa situação de desgaste e desconforto que o isolamento social causa na maioria da população — observa o bibliotecário Osmar Arouck, do Senado.

Além de apresentar o acervo, a iniciativa deve promover debates e leituras mediadas para seu público virtual.

Fonte: Agência Senado

Gestores digitais em ascensão

Utilização de redes sociais na comunicação com clientes faz crescer a demanda por profissionais especializados

Texto por Sidnei Santos de Oliveira

As redes sociais redefiniram a maneira como empresas e instituições se conectam com seus públicos. Responsável por organizar campanhas, mediar interações ou mesmo formular estratégias em cenários de grande concorrência, a gestão de mídias sociais passou a exigir de seus profissionais conhecimentos que vão além da produção e divulgação de conteúdos, envolvendo compreensão mais aprofundada sobre comércio eletrônico, análise de dados e de métricas sobre o comportamento dos consumidores nas redes.

De acordo com levantamento divulgado este ano pelo LinkedIn – rede social especializada em negócios e inserção profissional –, a carreira de gestor social está em primeiro lugar na lista das 15 ocupações com maior expansão desde 2015. A lista também traz outras nove atividades ligadas ao campo da tecnologia da informação, como engenharia de cibersegurança e engenharia de dados. Em resposta à crescente demanda por gestores de mídias sociais, começam a surgir programas de formação específicos para a área, tanto na graduação como na pós-graduação.

Requisitados para trabalhar em agências de comunicação e publicidade, departamentos de marketing, portais de comércio eletrônico e instituições de diferentes áreas, os gestores de mídias sociais também podem montar seus próprios negócios, oferecendo serviços que vão desde a formulação de estratégias de comunicação até a mediação de conflitos em comunidades digitais.

“Em casos de pandemia, como a provocada pelo novo coronavírus, torna-se ainda mais importante a formação adequada desses profissionais, que têm de se informar muito bem para repassar aos usuários das redes dados, por exemplo, de como se proteger de doenças e minimizar os efeitos da propagação de notícias falsas”, explica Carol Garcia, coordenadora do curso de mídias sociais digitais do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Desde 2015 a instituição oferece graduação tecnológica em gestão de mídias sociais. Com duração de dois anos, o curso reúne disciplinas teóricas e práticas como antropologia cultural, fotografia digital, web design, práticas de jornalismo on-line, neurociência e comportamento. “Criamos essa graduação a partir da percepção de que muitas empresas possuem em seus quadros pessoas formadas no ambiente de marketing tradicional, que conhecem muito sobre a própria empresa e seu público-alvo, mas não dominam as novas tecnologias”, explica Garcia.

Preocupadas em se aproximar de seus clientes, as organizações enxergam nas redes sociais um poderoso meio de interação, fazendo de seu uso uma ferramenta para traçar estratégias de mercado e identificar as necessidades dos consumidores.“É impossível pensar em uma empresa que consiga sobreviver atualmente fora do ambiente digital”, afirma Mitsuru Higuchi Yanaze, coordenador do curso de marketing digital da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Oferecido como curso de extensão na modalidade de ensino a distância (EaD), o programa reúne conteúdos como estratégias de redes sociais, ferramentas de Search Engine Optimization (SEO), comportamento do consumidor na web e ética e legislação aplicadas à internet. Com duração de três meses e direcionado para quem está realizando ou já possui uma graduação, o curso tem sido procurado por profissionais de marketing, comunicação e gestores empresariais.

Requisitos para gestão de mídias sociais

  1. Habilidade para produção de textos e imagens
  2. Capacidade para lidar com projetos simultâneos
  3. Conhecimento das características das diversas plataformas (Facebook, Instagram, Twitter, dentre outras)
  4. Saber fazer uso da análise de dados fornecida por serviços como o Google Analytics
  5. Conhecimento sobre marketing digital
  6. Rapidez na interação com usuários
  7. Criatividade na elaboração de campanhas e estratégias

Ao destacar a complexidade que envolve a gestão das mídias sociais, Yanaze lembra da necessidade de ir além do treinamento no uso de ferramentas e softwares, fazendo com que o aluno consiga, antes de tudo, interpretar os dados que irá utilizar. “Conhecer os modelos de análise permite que o profissional trabalhe com mais segurança frente à avalanche de dados que caracteriza o momento atual”, avalia.

Ciência nas redes

Amplamente utilizadas por empresas privadas, as redes sociais também servem como um meio de comunicação oficial de instituições de diversos segmentos. Presente nas principais plataformas, a USP, por exemplo, utiliza esses ambientes para divulgar notícias de cunho científico e informações institucionais de interesse público. “Fazemos entre 10 e 15 postagens diárias, sempre levando em conta o que está em pauta no momento”, afirma Denis Pacheco, responsável pela comunicação da universidade no Facebook, Twitter e LinkedIn.

Para produzir os conteúdos divulgados nos canais, Pacheco considera fundamental o conhecimento sobre softwares de edição de fotos e vídeos, bem como o uso de métricas e de inteligência analítica, que possibilitam mensurar o envolvimento dos usuários com as postagens, analisar e interpretar os dados gerados pelas redes. “Como cada mídia tem sua particularidade, é preciso elaborar materiais distintos”, explica.

A interação que se dá no âmbito das plataformas digitais tem atraído a atenção de pesquisadores interessados em compreender com mais profundidade o comportamento de consumidores que utilizam as redes. “A construção da imagem e da identidade de uma marca depende da estratégia que ela define para atuar nessas mídias”, observa Lucia Barros, professora da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-Eaesp), que desde o ano passado vem investigando o ativismo de marcas nas redes sociais.

A partir da constatação de que as marcas hoje precisam se posicionar em relação a causas sociais, econômicas, políticas, ambientais, dentre outras, são comuns as dúvidas sobre como reagir a posturas indesejadas de clientes, como mensagens preconceituosas ou que disseminam ódio, por exemplo – e que, por serem acompanhadas por grande audiência, não podem ser simplesmente ignoradas. O estudo busca analisar os efeitos gerados por respostas institucionais a comentários controversos, em distintas temáticas. “Algumas empresas hoje se comunicam com seus clientes de forma antropomorfizada, ou seja, se comportam como se fossem um ser humano”, informa a pesquisadora. Exemplo dessa prática está na criação de personagens para realizar atendimento em sites e em redes sociais. “Essa postura costuma ser bem-aceita, pois os clientes enxergam a marca de forma mais humana e tendem a identificar-se mais com ela”, completa.

Barros ressalta que, apesar de muitas vezes ter autonomia para administrar conflitos dessa natureza, o gestor deve estar alinhado com as estratégias adotadas pela organização. “É preciso atenção para manter a unidade entre os diversos meios de comunicação. Não adianta a marca dizer uma coisa na televisão e agir de forma diferente nas redes sociais ou mesmo nos pontos de venda”, analisa.

Produzir conteúdos que, além de relevantes, sejam entendidos pelo público em geral se tornou um dos grandes desafios enfrentados pelos gestores de mídias sociais. “A produção escrita utilizada para comunicar socialmente deve estar atenta à questão do letramento digital dos usuários”, explica Marcelo El Khouri Buzato, professor do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas (IEL-Unicamp). Se no passado as dificuldades de se relacionar com a tecnologia se concentravam no manuseio de aparelhos eletrônicos, hoje elas se expandem para a capacidade de interpretação crítica das mensagens, que pode variar de acordo com os diferentes níveis de letramento. “A reflexão sobre os efeitos e as funções do uso social das ferramentas pode ser decisiva na transposição dessas barreiras”, diz.

Mercados locais

A gestão de mídias sociais também tem sido valorizada no desenvolvimento de atividades produtivas em âmbitos regionais. Ao constatar a relevância da produção econômica e cultural da cidade de Caruaru, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) resolveu implantar, em 2015, o curso de comunicação social com ênfase em mídias sociais e produção cultural no Centro Acadêmico do Agreste (CAA-UFPE). Oferecido como bacharelado de quatro anos, o curso foi estruturado a partir de características da região, que reúne, em sua maioria, atividades da área têxtil, do setor moveleiro, da indústria de laticínios, além da produção de artesanatos. “Ao término da graduação, os profissionais saem preparados para inserir essa cadeia de arranjos produtivos na esfera da comunicação”, afirma Diego Gouveia, coordenador do curso. Com proposta de formação mais generalista, o curso da UFPE trabalha para que profissionais tenham maior domínio das distintas linguagens – como a produção de conteúdo em áudio e vídeo – do que sobre suportes específicos, como rádio e televisão. “Isso para que os alunos tenham uma visão mais empreendedora e não se limitem a procurar trabalho nos veículos de comunicação tradicionais”, avalia.

Fonte: Revista Pesquisa FAPESP

“Eles foram capazes de salvar e recuperar milhares de livros dos buracos feitos pelos ataques com mísseis”: Entrevista com Mohammed Jasim, ex-diretor da Biblioteca da Universidade de Mosul

Texto por Mohammed J. Aal-Hajiahmed

Entrevista com Mohammed Jasim, ex-diretor da Biblioteca da Universidade de Mosul e coordenador do apoio internacional à Biblioteca da Universidade de Mosul. Mohammed vai dar-nos uma visão da situação atual na Biblioteca da Universidade de Mosul e o esforço nacional e internacional para restaurá-la. Mohammed coordena esses esforços, trabalhando com instituições locais e internacionais para aumentar o apoio à biblioteca e criar novas coleções. Fazendo uma ligação com as autoridades de Mosul sobre o planeamento e a eventual reconstrução da biblioteca.

Noemi, de Archivoz, conversou com Mohammed sobre a Biblioteca da Universidade Mosul e o seu trabalho de reconstrução.

(Archivoz) Gostaríamos de saber um pouco sobre você – Pode-nos fazer uma introdução?

(Mohammed) Meu nome é Mohammed Jasim Aal-Hajiahmed, sou ex-diretor da Biblioteca da Universidade de Mosul e coordenador de apoio internacional à Biblioteca, desde a destruição e fogos causados pelo ISIS durante a ocupação de Mosul, no norte do Iraque.

Leia a íntegra da notícia em https://www.archivozmagazine.org/pt/eles-foram-capazes-de-salvar-e-recuperar-milhares-de-livros-dos-buracos-feitos-pelos-ataques-com-misseis-entrevista-com-mohammed-jasim-ex-diretor-da-biblioteca-da-universidade-de-mosul/

Fonte: Archivoz

«El acceso abierto ya es imparable»: Entrevista a Uxía Gutiérrez, coordinadora de Bibliosaúde

Texto por Uxia Gutierrez

Entrevistamos a Uxía Gutiérrez, coordinadora de la biblioteca virtual Bibliosaúde, la red de cooperación integrada por las bibliotecas de los centros hospitalarios del Sistema Público de Salud de Galicia.

En un momento tan complicado para nuestros servicios de salud, apreciamos mucho su testimonio experto. Uxía Gutiérrez nos habla sobre su trabajo diario como bibliotecaria en Complexo Hospitalario Universitario de Ferrol, describiendo las particularidades de esta importante faceta de la documentación sanitaria. En la entrevista también nos avanza algunas de las primeras consecuencias visibles de la pandemia para nuestro entorno profesional.

(Archivoz) ¿Cómo llegaste a ser bibliotecaria en un hospital?

(Uxía Gutiérrez) Pues yo estudié en la Universidade de Santiago de Compostela, realicé la licenciatura de Geografía e Historia. Primero me especialicé en Arte, y posteriormente hice la especialidad de Archivística y Biblioteconomía en la misma universidad. En el año 1990 estaba trabajando como colaboradora en la biblioteca del Ateneo Ferrolán por las tardes y en una biblioteca escolar durante unos meses por las mañanas, y salió una convocatoria en el periódico en la que solicitaban personal para la biblioteca del Hospital Arquitecto Marcide. Me presenté, hice unas pruebas y entrevistas y así empecé a trabajar en una biblioteca de hospital. Posteriormente, en el 2005 el Servizo Galego de Saúde convocó oposiciones también para bibliotecarios y consolidé la plaza como personal estatutario.

Leia a íntegra da notícia em https://www.archivozmagazine.org/es/uxia-gutierrez-bibliosaude-acceso-abierto/

Fonte: Archivoz

UFRB disponibiliza e-books gratuitos com temas sobre a pandemia do coronavírus

Texto por Renato Luz

A Comissão Local de Enfrentamento da CoVid-19 do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) divulga o e-book “Estratégias para profissionais de saúde manejarem a ansiedade dos usuários dos serviços de saúde na pandemia”. A obra, no formato e-book, objetiva ajudar os profissionais de saúde no enfrentamento à pandemia, e apresenta discussões sobre medo, ansiedade, e estratégias práticas de intervenção.

A iniciativa partiu do Serviço de Psicologia que adaptou textos da professora Jeane Sakya Campos Tavares e do estudante de medicina, Carlos Antônio Assis de Jesus Filho. A publicações está disponível para leitura online e download gratuito na página do CCS.

“Educação em Tempos de Covid19” – O livro “Educação em Tempos de Covid-19: reflexões e narrativas de pais e professores”, lançado pela Editora Dialética e Realidade, tem a contribuição do professor Eniel do Espírito Santo (CECULT) da UFRB. O docente escreveu em coautoria com a professora Sara Dias-Trindade (Universidade de Coimbra) o capítulo 19 denominado: “Educação a distância e educação remota emergencial: convergências e divergências”.

Segundo Eniel, a obra é uma  resposta imediata às transformações ocorridas num breve espaço de tempo, que alterou o status quo da atuação educacional de professores e pais. “O capítulo apresenta os principais fundamentos da educação a distância (EaD), correlacionando-os com a educação ou ensino remoto emergencial, mesmo considerando-se as limitações de se construir uma narrativa concomitante a sua construção”, afirmou.

O livro encontra-se disponível para download gratuitamente.

Fonte: UFRB

BÁRBARA LISON: “BIBLIOTECAS MELHORAM A DEMOCRATIZAÇÃO, MAS NÃO A GARANTE”

Nessa entrevista, a presidente eleita da IFLA fala a respeito do trabalho como bibliotecária, a dedicação com associações, advocacy e a importância do trabalho coletivo para a biblioteconomia

 Texto por Patrícia Oliveira

A Bárbara Lison é a presidente eleita da Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA, na sigla em inglês). Ela já atuou como membro da direção do Gabinete Europeu da European Bureau of Library, Information and Documentation Associations (EBLIDA), membro do Conselho da Administração da Online Computer Library Center (OCLC), presidente da Bibliothek & Information Deutschland (BID) e.V. (BID), em Berlin, na Alemanha, onde esta entrevista foi gravada. Ela também é diretora da Biblioteca Municipal de Bremen desde 1992. Nessa entrevista, gravada no último mês de janeiro, eu fiz algumas perguntas para ela a respeito do trabalho como bibliotecária, a dedicação com associações, advocacy e a importância do trabalho coletivo para a biblioteconomia.

VOCÊ PODERIA DAR UMA BREVE VISÃO GERAL DE COMO FUNCIONA A ESTRUTURA DAS BIBLIOTECAS NA ALEMANHA E QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS ASSOCIAÇÕES DE BIBLIOTECAS EXISTENTES NO PAÍS?

Nós temos várias bibliotecas estatais, a nível nacional, porque talvez você se lembre, a Alemanha estava sempre dividida em partes, nós tínhamos pequenos territórios, tínhamos reinos, e muitos destes reinos tiveram as suas próprias bibliotecas. Portanto, as bibliotecas estatais, há muitas bibliotecas que são chamadas “State Libraries”. Depois temos também as bibliotecas regionais, e claro que temos as bibliotecas acadêmicas, as bibliotecas de pesquisa, as bibliotecas universitárias. Portanto, elas pertencem aos dezesseis estados.

Assim, cada um dos dezesseis estados cuida das bibliotecas universitárias, das bibliotecas estaduais e das bibliotecas regionais. E depois temos as bibliotecas públicas, que pertencem à comunidade local, portanto os municípios. E não há uma estratégia nacional para reuni-las, para unificar o resultado e a produção dessas bibliotecas. E por isso nós temos que fazer a nossa parte, e temos que tentar convencer os políticos de que eles ganhariam muito mais se houvesse uma estratégia nacional, mesmo assim eles ainda não estão realmente convencidos de que eles deveriam fazer isso. Porque eles têm medo que o nível nacional esteja interferindo no nível do estado, e isso não é permitido pela constituição, quando se trata de cultura/país.

COMO PODEMOS MANTER UMA ESTREITA LIGAÇÃO ENTRE AS DEMANDAS DOS USUÁRIOS, USUÁRIOS E SUAS COMUNIDADES LOCAIS, E AO MESMO TEMPO LIDAR COM DECISÕES EM DIFERENTES ESCALAS DE TOMADA DE DECISÃO, COMO A PRESIDÊNCIA DA IFLA E OUTRAS ASSOCIAÇÕES?

Eu acho que o usuário[1] está em primeiro lugar. Portanto, o usuário é sempre a nossa perspectiva. É o objetivo da nossa perspectiva. Se não pensarmos no indivíduo, no nível mais baixo, isto é, no nível da biblioteca pública, então não podemos pensar no indivíduo também no nível mais alto, isto é, no nível da IFLA. Porque tem de ser uma cadeia, uma cadeia de influências, desde o interesse dos utilizadores, passando pelas bibliotecas, pelas associações, pelas associações nacionais, e depois pelas associações internacionais. Então, se você não vê essa cadeia em que sempre o benefício do usuário é o mais importante, quando se trata de regulamentos, quando se trata de normas, quando se trata de manifestos, que IFLA está emitindo e publicando, quando não pensamos no usuário, quando não pensamos na sociedade, então isso é inútil.

E assim eu acho que os objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU, os SDG’s (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), eles também estão relacionados ao povo, ao homem, à humanidade, ao indivíduo. E assim eu acho que a correlação entre as bibliotecas funciona. As associações trabalham em conjunto com o desenvolvimento sustentável, são todas orientadas para as pessoas, para o indivíduo, e para o benefício do indivíduo. Então isso é tão importante, nós temos que ver o contexto maior. E, na minha opinião, o centro do contexto maior é o indivíduo. E esse é o usuário.

UM DE SEUS OBJETIVOS COMO PRESIDENTA ELEITA DA IFLA É O APRIMORAMENTO MUNDIAL DAS BIBLIOTECAS. EM GERAL, QUAIS SÃO OS DESAFIOS GLOBAIS PARA AS BIBLIOTECAS HOJE? E, ESPECIALMENTE PARA A AMÉRICA LATINA, QUAIS DESAFIOS VOCÊ PODERIA DESTACAR?

Eu acho que o ambiente técnico, em todos os seus aspectos, é realmente um grande desafio. Porque não podemos ignorar o que está acontecendo no mundo técnico. Temos que implementar o resultado, os produtos do técnico em nosso trabalho, a fim de facilitar nosso trabalho, por um lado, para convencer nosso cliente de que somos modernos, que estamos ajudando com os mais modernos instrumentos e itens que temos, dispositivos que temos. Portanto, seguindo o ambiente técnico, e quando você segue o ambiente técnico, você precisa de dinheiro. Então, obtendo dinheiro, tentando obter fundos, para obter recursos. Isso é muito importante.

A combinação entre olhar o mundo exterior, o que está acontecendo, e que não é apenas a América Latina, que está em toda parte. Eu acho que a questão do dinheiro, que está em toda parte, pode ser ainda mais difícil na América Latina, mas eu penso através da minha experiência. Há tantos bibliotecários jovens, muito engajados, muito comprometidos na América Latina que eu já sei, e espero fazê-los saber ainda mais, que há uma boa base com pessoas que deveriam fazer isso. Eles não parecem apenas como “dentro do mundo”, eles se mostram “para o exterior”. Eu acho que isso é realmente uma vantagem na América Latina, esses jovens bibliotecários com essa visão de fora do mundo.

UM PONTO MUITO CRÍTICO PARA UMA ASSOCIAÇÃO É COMO ELA É SUSTENTÁVEL. EU ATÉ ACREDITO QUE SUA EXPERIÊNCIA DIRETA COMO TESOUREIRA DO CONSELHO DA IFLA PODE TER SIDO AINDA MAIS INTENSA NESTA ÁREA. EM SUA VISÃO, QUAL SERIA O SEGREDO PARA UMA GESTÃO FINANCEIRA SUSTENTÁVEL E QUAIS DICAS VOCÊ PODERIA DAR ÀS INSTITUIÇÕES E GRUPOS PROFISSIONAIS QUE ESTÃO INICIANDO SUA JORNADA?

Então, como eu disse, a comunicação é fundamental, mas também o dinheiro é fundamental. Porque quando uma associação de bibliotecas não tem dinheiro, ou apenas o dinheiro para existir, para sobreviver, isso significa que eles não podem dar impacto aos seus utilizadores, às suas partes envolvidas. Portanto, uma associação de bibliotecas deve ter recursos suficientes para mostrar um impacto. E isso é algo que nós diríamos na Alemanha: “O gato está a morder-lhe a cauda.” Porque você só recebe dinheiro dos seus membros, e ainda mais dinheiro se você aumentar as taxas de adesão, quanto mais você lhes mostrar que a sua associação causa impacto. Então você tem que tentar conseguir dinheiro suficiente.

Que na associação da biblioteca na Alemanha nós dissemos que precisamos de mais dinheiro porque queremos introduzir novos projetos, e os projetos não são para as associações, os projetos são para você.  Portanto, se você quer ter mais desenvolvimento no cenário da biblioteca, nós poderíamos dar às mãos, então precisamos de mais dinheiro para ter este campo de trabalho, ou aquele campo de trabalho do pessoal, a fim de desenvolver projetos que são, novamente, necessários e úteis para você. Então para mostrar o seu impacto primeiro, mesmo um pouco de impacto, então tente conseguir dinheiro suficiente, o dinheiro é a chave neste caso, e então você tem a oportunidade de desenvolver novos projetos, e mostrar o impacto da associação.

Por exemplo, o IFLA já fez diversos projetos. “Projeto Jovens Líderes”, “Informação e Acesso Aberto”, e todos estes projetos. E estes projetos, onde a base dada pela “Fundação Gates” com a enorme quantia de 30 milhões de dólares para os próximos 10 anos para continuar com os projetos. Se IFLA não tivesse feito os projetos antes, e não tivesse mostrado a associação como uma associação ativa, ágil e interessada no desenvolvimento, a “Fundação Gates” não nos teria dado esse dinheiro. Então é uma interdependência entre o trabalho das associações, seu impacto e as vontades das pessoas, membros ou fundações, ou outros para entender que dar dinheiro a essas associações, dá um impacto para toda a sociedade. Portanto, não é fácil, mas entenda que não é um passo, são vários passos, sua interdependência entre a associação e o ambiente.

UMA DAS CARACTERÍSTICAS DA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO É A ABSORÇÃO POTENCIAL DA INFORMAÇÃO E A INTERAÇÃO SEM BARREIRAS DE ESPAÇO OU TEMPO. SÃO CARACTERÍSTICAS QUE TAMBÉM TÊM EFEITOS NEGATIVOS, COMO DESINFORMAÇÃO MASSIVA, DESESTABILIZAÇÃO SOCIAL, PROPAGAÇÃO DE NOTÍCIAS FALSAS, MANIPULAÇÃO E ALTERAÇÃO DE CONTEÚDOS SEM CONTROLE E CURADORIA DE AUTORIDADES. NESTE CENÁRIO, COMO PODEM AS BIBLIOTECAS AGIR PARA FORTALECER A DEMOCRACIA E DISSEMINAR INFORMAÇÃO COMO UM BEM SOCIAL, EM APOIO AO DESENVOLVIMENTO DAS SOCIEDADES NA ERA DIGITAL?

Penso que uma das principais questões do trabalho das bibliotecas é melhorar a democratização, não garanti-la.  Nós não podemos garantir isso. Mas devemos melhorar as condições para a democracia, e as condições para que o povo compreenda o valor da democracia.  Então, um mundo, quando li sua pergunta, um mundo veio à minha mente, que se chama: iluminação, esclarecimento. Então eu penso, para iluminar as pessoas, para dar-lhes a oportunidade de entender as informações que elas recebem não na biblioteca, mas as informações, ou o que quer que seja, as notícias, para entender o que elas significam. E fazer perguntas. Portanto, o esclarecimento para mim está sempre relacionada com fazer perguntas, não apenas pegar as coisas que você recebe, mas perguntar por que é assim, de onde vem, qual é a fonte, e tudo isso.

E isto já começa nas bibliotecas, penso eu, assim como nas escolas infantis. Mas a infância… Eu acho que não é só o que você diz: bem, as crianças não precisam saber disto.  As crianças precisam saber para discriminar, isto é isto, isto é aquilo. Não tomar tudo como chega a elas, mas ter sempre uma atitude positiva, mais crítica em relação àquilo com que estão rodeadas. Talvez informação, talvez outras coisas. E nós vemos, quando vemos as Friday for Future, que isto começa. As crianças, os jovens já fazem perguntas porque eles entendem.  E eu acho que a contribuição das bibliotecas para isso pode ser imensa. E isso não é uma garantia. Mas as bibliotecas são uma instituição onde isso pode ser aprendido e treinado através dos bibliotecários e dos materiais que são mostrados e dados às pessoas que vêm às bibliotecas. Portanto, é um instrumento de apoio, eu diria, para um desenvolvimento positivo, e para mim a principal responsável é o esclarecimento.

ASSISTA ABAIXO A ÍNTEGRA DA ENTREVISTA:

[1] A expressão utilizada originalmente pela entrevistada é “utilizador”, que na Alemanha é o termo mais usual para designar as pessoas que utilizam os recursos das bibliotecas. No entanto, optou-se na tradução pela expressão “usuário”, uma vez ser esta mais comum no Brasil, mesmo reconhecendo que ela guarda uma série de discussões teóricas. No vídeo, a expressão “utilizador” foi mantida.

Fonte: Revista Biblioo

Consultar o Diário Oficial do DF ficou mais prático e fácil

Casa Civil reformula site de acesso à publicação, tornando a leitura mais leve, transparente e agradável

Texto por Renata Moura

A partir desta quinta-feira (4), a consulta dos atos administrativos publicados no Diário Oficial do Distrito Federal se tornou mais fácil e transparente. Isto porque a Casa Civil reformulou todo o layout do site, que divulga a publicação. Agora, os usuários podem optar pela consulta integral do documento ou ainda selecionar uma das três seções do jornal. A nova plataforma prevê ainda que a população busque as informações por palavra-chave, edição e/ou data.

“Nosso objetivo foi facilitar cada vez mais a consulta. Ou seja, que ela possa ser feita sem grandes dificuldades por qualquer cidadão”, explica o subsecretário de Tecnologia da Informação da Casa Civil, Antônio Canavieira. “Para fazer isto, utilizamos o que chamamos de arquitetura da informação, que, na verdade, é uma melhor disposição das informações para facilitar o acesso e a consulta dos dados”, completa.

Responsável pela reformulação do serviço, o gestor afirma que o governo tem trabalhado para que a “leitura do DODF seja algo funcional e mais agradável”. “Para muitas pessoas isto era algo penoso e não é para ser assim. Afinal, o diário é algo que todo mundo precisa saber consultar. É o espelho de todas as ações dos poderes”, conclui.

Para chegar ao formato atual apresentado no endereço eletrônico www.dodf.df.gov.br, foram mais de seis meses de um trabalho intenso, utilizando insumos e mão de obra da própria administração pública local. “Reestruturamos todo o projeto do site: banco de dados, códigos, software sem gastar um centavo. Tudo foi feito utilizando o datacenter da GDFNet da Secretaria de Economia, além do nosso próprio parque computacional”, acrescenta.

Mais de oito mil edições do DODF, desde outubro de 2001, estão disponíveis no site para consulta. Segundo informações da TI da Casa Civil, cerca de 100 pessoas consultam simultaneamente a publicação. No último mês, a plataforma recebeu mais de 40,2 mil acessos. “Agora, acreditamos que esse número vai subir bastante porque o formato ficou mais fácil. E isto é muito bom para a transparência e o acompanhamento das ações do governo”, completa a Subsecretária de Atos Oficiais da Casa Civil, Raiana do Egito.

Como consultar

Para ajudar na consulta da publicação oficial, a subsecretária explica o que é possível encontrar em cada seção do DODF. Na primeira, segundo ela, são publicados os atos dos três poderes voltado para as normas e leis. “Encontramos nesse espaço as leis sancionadas, os decretos, emendas a Lei Orgânica, decretos legislativos, resoluções e demais atos resultantes do processo legislativo”, enumera.

Também é possível encontrar na seção I, a publicação de tratados, os atos do Tribunal de Contas do Distrito Federal de interesse geral, além dos normativos do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, excetuando-se os de caráter interno.

Já na seção II, conforme explica Raiana, estão todos os atos relacionados aos servidores civis e militares da Administração Direta e de autarquias e fundações públicas. “Aqui, entram as nomeações e as designações para compor comissões e grupos de trabalho”, exemplifica.

A última parte do DODF é a seção III. “Um espaço dedicado a publicação de extratos de contratos, acordos, editais de licitação, empenho. Comunicados e avisos decorrentes de iniciativas da administração”, explica.

Para utilizar melhor os recursos do novo site do Diário Oficial do DF é importante conhecer qual é a estrutura da publicação. Ela é dividida em três seções, cada uma com uma função específica. Confira abaixo:

Fonte: AGÊNCIA BRASÍLIA

Por uma biblioteconomia decolonial

Texto por Ueliton dos Santos Alves

A proposta desse texto é contribuir com a discussão das teorias decoloniais dentro do campo da Ciência da Informação e Biblioteconomia, na figura da professora doutora Maria Aparecida Moura peço a benção e licença a todas/os que vieram antes, e também a todas/os que agora estão propondo esse debate1.

Figura 1 Joaquín Torres-García – América Invertida.1943

Para pensar decolonialidade é preciso antes conhecer o que é colonialidade. Segundo Aníbal Quijano (2014), a colonialidade trata sobre a constituição de um padrão de poder que não se restringe às questões formais de exploração ou dominação colonial, trata-se de uma ideia que envolve também as diversas formas pelas quais as relações intersubjetivas se articulam a partir de posições de domínio e subalternidade. A colonialidade pode então, ser lida como uma prática que através da ciência moderna/colonial produziu um modelo único, universal e objetivo tendo como referência a Europa.

Um pouco da história dos Estudos Decoloniais

Na década de setenta, formava-se no sul asiático o Grupo de Estudos Subalternos, cujo principal projeto era analisar criticamente a historiografia da Índia feita por ocidentais europeus e também a historiografia eurocêntrica produzida por indianos. A partir dos movimentos insurgentes dos intelectuais indianos desdobra-se nos países que compõem o bloco chamado de Latino Americano um manifesto que apontava para a necessidade de uma releitura das narrativas nacionais, capaz de detectar a ausência de representações da ação e de narrativas das comunidades subalternas, destacadamente ameríndias e de matriz africana.

Figura 2″E para salvar o país, Cristo é ex-militar” (2018), Maxwell Alexandre

É nesse contexto que se dá a constituição do Grupo Modernidade/Colonialidade no final dos anos 1990, que atualmente leva o nome de Modernidade/Colonialidade/Decolonialidade (CMD). Segundo Arturo Escobar (2003), o CMD tem como principal força orientadora uma reflexão continuada sobre a realidade cultural e política latino-americana, incluindo o conhecimento subalternizado dos grupos locais. Para o autor, trata-se de um movimento teórico-metodológico que acabou dando origem à escola de pensamento latino-americana denominada de Estudos Decoloniais, e que alguns autores também chamam de Giro Decolonial (BALESTRIN, 2013)

A prática bibliotecária e a decolonialidade

Quando se discute sobre a função da bibliotecária/o, existe um papel central no desenvolvimento de suas atividades, independente de qual área vai escolher atuar. Ao fazer a escolha para o curso na Universidade de São Paulo, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP-USP) me deparei com a seguinte definição:

O curso está inserido na área de Ciências Sociais Aplicadas e visa formar profissionais da informação aptos para atuarem de forma crítica, ética e humanista nos diversos segmentos do mercado no que concerne ao planejamento, execução e avaliação de atividades inerentes à implantação, gerência e desenvolvimento de unidades de informação, bem como a compreensão dos processos socioculturais relacionados à produção, circulação e apropriação da informação. Para tanto, o profissional formado no curso torna-se apto a aplicar conceitos e práticas na gestão, armazenamento, organização, distribuição e preservação da informação. (BIBLIOTECONOMIA E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 2020, grifo nosso)

Ao me deparar com a possibilidade de ser um profissional que atuaria de forma crítica, ética e humanista, senti que essa poderia ser a profissão para minha vida, mas ao longo do meu contato com a academia e com minha área de atuação, senti que o aspecto que mais teria que desenvolver, era senso crítico. Na medida em que desenvolvi minha consciência social e racial, tudo isso enquanto me “formava”, e depois quando passei a atuar como bibliotecário, foi possível notar que infelizmente o campo profissional ao qual tinha escolhido, ainda tinha essas discussões como fator secundário, uma vez que, toda sua base epistemológica se estruturava a partir de uma visão eurocêntrica.

Ao identificar a isso, instalou-se uma contradição que me fez repensar enquanto profissional: estaria eu, perpetuando uma narrativa única baseada em ideias opressoras? Como romper com essa lógica?

Tais questionamentos me levam de encontro as teorias decoloniais, ao entender sua proposta passo a pensar na possibilidade de aplicá-la em minha prática bibliotecária. O exercício de relacionar as teorias decoloniais com a área da Biblioteconomia e Ciência da Informação me reconectou com a descrição que me fez sentir estar escolhendo a profissão certa. A decolonialidade me apresentou a necessidade de romper com uma narrativa única, a partir disso, repenso toda a narrativa da história de organização e disponibilização do conhecimento.

Figura 3Foto retirada da página do Slam da Guilhermina no facebook

É a partir desse novo olhar que os convido a pensar como os slams, que são batalhas de poesia falada, podem ser considerados manifestações artísticas culturais para incorporar a nova ideia de conhecimento disponível em uma biblioteca, considero-o a materialização da fusão entre a biblioteca e a tradição da oralidade, os slamers através de suas performances, mixam o ato de informar com a arte de contar história, resultando em uma junção que promove um novo cenário cultural, que ainda tem espaço para crescimento, que movimenta e altera uma visão restrita do que é conhecimento2.

Atividades como o slam exemplificam as diversas outras que podem ser vistas como parte do acervo de uma unidade de informação, é uma prática que surge de maneira orgânica que na maioria das vezes ocorre em espaços abertos, como praças, mas que pode ser adotada como uma tática para trazer novos conhecimentos e consulentes para biblioteca.

Uma biblioteca ao abrir seu espaço para movimentos que surgem do público estão rompendo com uma lógica colonial de enxergar a periferia como um espaço que necessita acessar a cultura que vem da academia, que na atualidade é considerada o centro do da produção de conhecimento, aderir atividades como o slam é reconhecer que a periferia é capaz de produzir sua própria epistemologia.

Autores que fundamentam os estudos decoloniais apresentam pesquisas que demonstram que a produção e o controle de informação são instrumentos fortalecedores de uma sociedade baseada na colonialidade. Para Anibal Quijano, um grande intelectual da teoria decolonial, “A colonialidade se reproduz em uma tripla dimensão: a do poder, do saber e do ser.” O monopólio sobre determinados conhecimentos possibilita a constituição de uma narrativa única, tal narrativa pode ser usada para justificar atrocidades como a colonização de outros povos. Esse tipo de monopólio, Quijano vai chamar de colonialidade do saber, que na interpretação de Santos (2007), em linhas gerais é uma narrativa que:

Portanto, excluiu outros saberes e outras formas de interpretar o mundo, desautorizando epistemologias da periferia do ocidente. Tal colonialidade do saber é representada na geopolítica do conhecimento, a partir da qual a razão, a verdade e a ciência são atributos possíveis nas – e das – metrópoles, cabendo aos territórios (ex) coloniais e seus sujeitos o status de objetos, classificados como populares, leigos, naturais, ignorantes, sem lei (SANTOS, 2007, p.72).

Usando do poder de controlar o saber é que surge o terceiro elemento operante, a colonialidade do ser, que é a capacidade de destituição da existência, da condição de humanidade dos outros, dos povos não europeus, é a exterioridade negada. A partir dessa tríade – a colonialidade do poder, do saber e do ser – fundamenta teorias que atribuem quem são e como devem viver cada povo.

A biblioteca como instrumento da decolonialidade

Os três conceitos utilizados pela colonialidade para se estabelecer, são conceitos muito presentes dentro da atuação profissional da área da informação, pois já que a informação é poder, e que as bibliotecas são importantes instrumentos na construção do saber, logo tratam-se de espaços que possibilitam a transformação do ser, sendo assim pode-se dizer que a biblioteconomia sempre teve uma função decolonial, só esteve e ainda está um pouco distante dela.

A partir dessa lógica, bibliotecárias/os nos seus mais diversos campos de atuação tem o compromisso e a responsabilidade com o combate a colonialidade, bibliotecas em suas diferentes tipologias tem como missão romperem com a concentração e controle do conhecimento, suas/seus profissionais devem oferecer condições tanto físicas quanto epistemológicas que permitam aos consulentes construírem com as informações disponibilizadas o seu conhecimento e sua subjetividade, o caráter pedagógico de uma biblioteca resulta em pessoas emancipadas, sendo assim, o trabalho e a existência de bibliotecas são ferramentas fundamentais para a luta decolonial.

Figura 4 Dois títulos que contribuem com o pensamento decolonial dentro da biblioteconomia – Jornal empoderado

Ao longo da história da literatura, muitos autores negros não foram identificados e retratados como negros, se é verdade que a cor do autor não importa para o leitor, por que embranqueceram esses autores? Por que ainda hoje é tão difícil ver editoras que possuem em seus catálogos uma política de paridade de gênero e de raça? O que sustenta a exotização de autoras e autores marginalizadas/os, que muitas vezes têm suas obras compradas apenas por curiosidade, simples e puramente para entender o que escritores “marginais” criam. Carolina Maria de Jesus, por exemplo, teve um número expressivo de vendas na sua primeira obra, as demais obras não fizeram tanto sucesso, e isso se atribui a que, não foi por perda de qualidade literária, mas sim, porque o efeito racista e classista fez com que a curiosidade fosse diminuindo.

No momento em que a palavra representatividade destaca-se em diversas discussões, é preciso ter cuidado para não confundir representatividade com representação, o fato de corpos marginalizados aparecerem em determinados espaços, não quer dizer que eles estão alí com a intenção de levantar uma discussão sobre sua condição de sujeito marginalizado, por exemplo: Se a Tia Anastácia é quem trabalha na cozinha do Sitio do Pica-Pau Amarelo e desenvolve todas as receitas, por que a Dona Benta é quem dá nome a farinha e os livros?

Percebam que nos momentos de valorização dos saberes, quem ganha destaque são os corpos normatizados, os corpos marginalizados estão sempre ligados ao instinto e trabalho físico. Ter a Tia Anastácia presente no texto não a torna sinônimo de representatividade, por vezes, características atribuídas a ela apenas reforçam um imaginário estereotipado que cumpre com o modelo de subalternidade estabelecido pela lógica colonial. A Tia Anastácia ao invés de ter suas características físicas ressaltadas, poderia protagonizar situações que a humanizasse e demonstrasse o seu intelecto.

Quando uma biblioteca começa a enxergar situações como essa, suas/seus profissionais entendem que para de fato cumprir com o seu juramento profissional, precisam adotar políticas que auxiliem na decolonização de seus acervos e de seu espaço, possibilitando assim, que os exemplos apresentados não voltem a se repetir, que autoras e autores marginalizados sejam reconhecidos pelo valor do seu trabalho e não pela sua condição, que corpos marginalizados não sejam usados como atrativos que reforçam uma narrativa de subserviência colonial.

Em suma, pensar uma biblioteca decolonial é produzir um diagnóstico e um prognóstico afastado e não reivindicado pelo mainstream do pós-colonialismo, envolvendo diversas dimensões relacionadas a colonialidade do poder, saber e ser. Cabe ressaltar que não se trata de eliminação ou interdição de determinados saberes, o processo de decolonização não deve ser confundido com a rejeição da criação humana realizada pelo norte global e associado com aquilo que seria genuinamente criado no sul, no que pese práticas, experiências, pensamentos, conceitos e teorias.

Nesse cenário as/os profissionais da informação têm a oportunidade e o dever social de combater essa lógica, cabe a essa/esse profissional contribuir na missão de combate a colonialidade do saber. Embora atuem em diferentes espaços informacionais, há um ponto que os interseccionam, a busca incansável pela democratização das mais variadas informações, dos conhecimentos e dos saberes. Quando o pensamento decolonial lido como contraponto é ampliado para a biblioteconomia, que é uma ciência social aplicada, demonstra que existe uma necessidade de repensar a área, de suas práticas e de sua teorização, para dar espaço aos saberes e práticas não canonizados.

Notas

1 Assistam à aula: O papel da biblioteconomia na redução das desigualdades – Epistemicidio, subalternidade e a naturalização do privilégio – https://www.youtube.com/watch?v=ZEcD1aSLD_0

2  Idealizado por Emerson Alcalde, o Slam da Guilhermina surgiu em 2012 junto com Vander Che e depois completado com Cristina Assunção e Uilian Chapéu. O projeto fomenta a literatura na periferia da zona leste de São Paulo por meio da poetry slam, ou poesia falada. O movimento abre espaço para diferentes vertentes da poesia, mas o que mais é recitado são poesias de resistência. Textos autorais de poetas marginais que vivem na periferia. “A poesia que se faz nos slams, batalhas de poesia, e saraus de periferia são poesias marginais, pois estão tanto a margem do mercado editorial quanto da sociedade”, explica Emerson. Disponível em: https://medium.com/@cari./um-grito-de-resist%C3%AAncia-slam-da-guilhermina-a84c109778b5

Referências bibliográficas

BALLESTRIN, Luciana. América Latina e o giro decolonial. Revista Brasileira de Ciência Política, Brasília, n. 11, p.89-117, ago. 2013. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbcpol/n11/04.pdf>. Acesso em: 08 ago. 2019.

BIBLIOTECONOMIA E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO.: Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo, 2020. Disponível em: https://sites.usp.br/calourofilo/cursos/biblioteconomia-e-ciencia-da-informacao/. Acesso em: 8 maio 2020.

DUSSEL, Enrique. 1492. El encubrimiento del outro. Hacia El origen Del mito de La modernidad. La Paz: Plural Editores, 1994.

ESCOBAR, Arthuro. Mundos y conocimientos de otro modo: el programa de investigación modernidad/colonialidad latinoamericano. Tabula Rasa, nº 1, Bogotá, Colombia, 2003, pp.58-86.

MIGNOLO, Walter Postoccidentalismo: el argumento desde América Latina, In: CASTRO-GÓMEZ, Santiago & MENDIETA, Eduardo (coords.). Teorías sin disciplina: latinoamericanismo, poscolonialidad y globalización en debate. México: Miguel Ángel Porrúa. 1998. Disponível em: < https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000186&pid=S0103-3352201300020000400028&lng=en> Acesso em: 19 de ago. 2019.

QUIJANO, Anibal. La tensión del pensamiento latino americano [1986]. In: ___. Cuestiones y horizontes: de la dependencia histórico-estructural a la colonialidad/descolonialidad del poder. Buenos Aires: Clacso, 2014a. p.697-704. Disponivel em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_nlinks&pid=S0103-4014201800030039100032&lng=en. Acesso em: 19 de ago. 2019.

Figuras

Figura 1: https://universes.art/de/specials/2016/space-to-dream/torres-garcia-zoom

Figura 2: https://www.sp-arte.com/editorial/o-que-e-a-arte-decolonial/

Figura 3: https://www.facebook.com/photo/?fbid=2414781865298658&set=a.2414775781965933

Figura 4: http://jornalempoderado.com.br/ler-e-o-melhor-caminho/

Vídeo

Maria Aparecida Moura – https://www.youtube.com/watch?v=ZEcD1aSLD_0

*Ueliton dos Santos Alves é Bacharel em Ciências da Informação, da Documentação e Biblioteconomia pela USP- Ribeirão Preto. Entende-se como um Bibliotecário agitador cultural. Trabalha na SP Escola de Teatro onde coordena uma biblioteca especializada em teatro, arte e cultura. Atua em uma proposta decolonial para o acervo, buscando por novos referenciais e narrativas que ajudem a descontruir uma visão eurocêntrica das artes. Com as provocações que surgiram a partir do fortalecimento de sua consciência racial e pelas demandas apresentadas em seu espaço de atuação profissional, passa a buscar referências decolonizadoras para pensar o campo da Biblioteconomia.

Biblioteca particular de Fernando Pessoa disponível online

Texto por Revista Pazes

A biblioteca que pertenceu a Fernando Pessoa (1888-1935) – os livros que comprou, recebeu de amigos, ganhou, herdou, editou, leu e profusamente anotou – constitui o maior valor da Casa Fernando Pessoa. A Biblioteca Particular de Pessoa – cerca de 1300 títulos no total, mais de metade em língua inglesa – é o nosso espólio mais valioso e que está na origem da fundação da Casa Fernando Pessoa em 1993.

A Casa Fernando Pessoa é assim originalmente um espaço de e para a leitura: um espaço que nasceu do interior dos livros. Colocam-se questões como: que livros leu Pessoa? Que autores escolheu? Como se podem ver esses traços naquilo que escreveu?

Uma biblioteca desta importância é patrimônio da humanidade. Trata-se de uma biblioteca aberta ao infinito da interpretação – bela, surpreendente e instigante, como tudo o que Fernando Pessoa criou. Usufruam-na.

Ao longo dos últimos anos só uma visita à Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, permitia uma consulta à Biblioteca pessoal do poeta. Agora, todo esse acervo, constituído por 1140 volumes e pela coleção de manuscritos (ensaios e poemas) deixados pelo próprio poeta nas páginas desses livros passa a estar disponível online.

A inovação agora introduzida faz com que esta seja a primeira biblioteca portuguesa integralmente digitalizada. Deste modo, é facultado a todos os leitores, em qualquer parte do globo, o acesso ao importante legado de uma das figuras maiores da cultura portuguesa.

No âmbito deste projeto todas as páginas de cada volume foram digitalizadas e disponibilizadas para consulta página a página ou após o download de uma obra completa na Biblioteca Particular de Fernando Pessoa.

Para além da possibilidade de consulta de cada livro por autor, por ano ou por ordem alfabética, faculta-se ainda a classificação por categorias temáticas.

Para facilitar a compreensão da biblioteca como um todo, foram destacadas as páginas que incluem manuscritos do próprio Fernando Pessoa e foram adicionadas interpretações sobre as suas motivações para a aquisição de determinadas obras.

Este acesso à Biblioteca Particular de Fernando Pessoa foi possível graças a uma combinação de esforços da Casa Fernando Pessoa, de uma equipe internacional de investigadores e da Fundação Vodafone Portugal que acompanhou e apoiou a iniciativa.

Acesse aqui o acervo

Biblioteca Particular de Fernando Pessoa

Fonte: Revista Pazes

IFLA apoia a campanha #1bib1ref, que estimula bibliotecários a inserir referências na Wikipédia

Texto por Carolina Cunha – Núcleo de Comunicação Social do Ibict

Imagine se cada bibliotecário adicionar mais uma referência à Wikipédia? A campanha internacional #1bib1ref (1 bibliotecário, uma referência) é uma iniciativa da Wikimedia Foundation para estimular esses profissionais a inserir referências em artigos da maior enciclopédia online do mundo.

A Wikipédia é uma popular fonte de pesquisa na internet. No entanto, o seu processo descentralizado de edição pode prejudicar a utilização do site como fonte confiável. As referências possibilitam aos usuários averiguar e confirmar a confiabilidade de cada uma das afirmações que foram incluídas.

A campanha #1bib1ref acontece anualmente e pede o apoio de bibliotecários para incluir citações e referências bibliográficas. Dessa forma, podem verificar a qualidade e a credibilidade de um verbete.  Segundo a Wikipédia, qualquer citação de uma fonte confiável é um benefício para seus leitores.

A campanha de 2020 foi lançada no dia 15 de maio e segue até o dia 5 de junho nos países ibero-americanos.  A IFLA (Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias) é uma das apoiadoras da ação na América Latina e no Caribe e convida as comunidades de bibliotecários e gestores da informação a adicionar referências aos artigos da Wikipédia em espanhol ou em português.

Para participar, basta criar uma conta na Wikipédia, encontrar um artigo que precise de referências, localizar uma fonte de informação confiável que respalde a citação e agregar a referência no estilo da Wikipédia em português. Depois, agregue a hashtag #1bib1ref no resumo da edição do texto.

Fonte: IBICT

Clube do livro terá segunda edição online no próximo dia 13

Em sua segunda edição online, o Clube do Livro de Araras, que conta com o apoio da Secretaria Municipal de Cultura, por meio da Biblioteca Municipal, será realizado no próximo dia 13 (sábado), a partir das 15h30, pela plataforma digital Google Meet.

Durante a reunião literária será discutida a obra “A Vida Invisível de Eurídice Gusmão”, da escritora e jornalista pernambucana Martha Batalha. Antes de ser publicado no Brasil, o romance de estreia da escritora foi vendido para editoras da Alemanha e Noruega.

Para participar do encontro é simples. Basta logar a conta de e-mail do gmail, acessar o site – https://meet.google.com/, clicar em “digite o código da reunião”, digitar fyo-fzvo-xum, clicar em “participar” e aguardar a aprovação para entrar na sala on-line. Os internautas participam de bate-papo durante a atividade.

“No primeiro clube online, onde conversamos sobre Vidas Secas, do Graciliano Ramos, contamos com 12 participantes. Além de ararenses, tivemos uma galera de Ribeirão Preto e da capital”, comentou Gustavo Grandini Bastos, bibliotecário municipal.

Em pouco sobre o livro

Antigas cartas de sua irmã Guida, há muito desaparecida, surpreendem Eurídice, uma senhora de 80 anos. No Rio de Janeiro dos anos 1950, Guida e Eurídice são cruelmente separadas, impedidas de viver os sonhos que alimentaram juntas ainda adolescentes. O livro aborda a história destas duas mulheres, duas irmãs, tentando lutar contra as forças sociais que insistem em frustrá-las. Invisíveis em uma sociedade paternalista e conservadora, elas se desdobram para seguir em frente.

Em 2019, a obra foi para os cinemas com o título de “A Vida Invisível”. Com o gênero drama e romance, o longa teuto-brasileiro foi dirigido por Karim Aïnouz e contou com o elenco estrelado por Fernanda Montenegro, Carol Duarte, Julia Stockler e Gregório Duvivier.

O filme ganhou o prêmio principal da Mostra Um Certo Olhar, do Festival de Cannes, no ano de seu lançamento.

Fonte: Notícias de Araras

Bibliotecária do TCMSP participa de webinar sobre Catalogação em tempos de pandemia

Na quarta-feira, 2 de junho, o Grupo de Trabalho em Catalogação realizou o webinar sobre “Catalogação em tempos de pandemia: a prática catalogadora sob a perspectiva de diferentes realidades”, no qual o Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCMSP) foi representado pela servidora Denise Mancera Salgado, que é bibliotecária na Biblioteca da Escola de Gestão e Contas Públicas do TCMSP.

Em sua intervenção, Denise Salgado falou sobre os desafios enfrentados durante a migração de um sistema de trabalho realizado presencialmente no Tribunal para um sistema de teletrabalho, mesmo que este trabalho já estivesse sendo realizado totalmente on-line desde 2019. Ainda havia, no entanto, uma questão de infraestrutura de informática a ser resolvido.

Sobre a necessidade de sistematização da grande quantidade de informações sobre a Covid-19, Denise conta: “Catalogação é a organização da informação. Quando a gente tem uma quantidade de informação muito grande, e o usuário final terá um produto muito mais assertivo quanto mais organizada estiver essa informação. Assim percebemos a importância que o bibliotecário tem”.

A conversa girou em torno do dia a dia dos catalogadores durante o período de pandemia, suas principais dificuldades e as soluções encontradas. Também participaram da conversa Raquel Oliveira, Coordenadora Geral do Sistema Municipal de Bibliotecas de São Paulo; Rafaela Araújo, bibliotecária da Universidade Federal do Ceará, e Marcelly Chrisostimo, produtora de conteúdo sobre biblioteca escolar, leitura e meditação de leitura para o site Mocinha da Biblio.

Clique aqui e confira o webinar na íntegra.

FonteEscola de Contas – TCM/SP

Imperdível: rico acervo de itens da Panair do Brasil agora pode ser visitado online

Texto por Carlos Ferreira

A partir desse final de semana, o Museu Histórico Nacional disponibiliza online 271 itens da coleção Panair do Brasil – a primeira sobre uma empresa incorporada ao acervo do museu.

Resultado de doações feitas por ex-funcionários da empresa e familiares, parte da coleção foi exibida ao público ano passado na exposição “Nas asas da Panair”, que traçou um panorama histórico de uma das empresas pioneiras da aviação comercial no Brasil, tendo funcionado entre 1929 e 1965.

Todos os itens agora online encontram-se com foto e descrição completa na coleção digital. Tem de tudo o que você possa imaginar e que relembra as operações de uma das mais pujantes empresas brasileiras, fechada após decreto.

Também está disponível na biblioteca digital do MHN o catálogo da exposição “Nas asas da Panair”, que reúne imagens da coleção, conta parte da história e traz uma cronologia da empresa.

A coleção

A mostra contém itens da coleção criada em 2017, como resultado de uma parceira entre a empresa Panair do Brasil e a Família Panair, uma associação que reúne antigos funcionários da companhia. Ao longo de um ano foram coletados quase 700 peças, entre objetos e material de divulgação impresso.

Quase todos contribuíram com folhetos, medalhas comemorativas, uniformes, adereços, louça, maletas de mão, brindes, fotografias, fitas e CDs com entrevistas, outros tipos de documentos e pequenos luxos – como protetor de caneta tinteiro, guardanapo de linho e talher de prata dos “tempos da Panair”. Alguns objetos foram adquiridos nos leilões de liquidação da empresa.

Desde sua concepção inicial, foi prevista a doação da coleção ao MHN. Durante dois anos, Rodolfo da Rocha Miranda, diretor-presidente da Panair do Brasil, coordenou a coleta da memorabilia, que foi, concomitantemente, organizada por historiadores e museólogos.

Todos os colaboradores tiveram os itens doados cadastrados e fotografados. A Panair do Brasil financiou a construção da coleção e esta exposição como uma homenagem a seus funcionários, familiares e todos os que, ao longo dos últimos cinquenta anos, contribuíram para manter viva a memória da empresa e daqueles que contribuíram com ela.

“A companhia de aviação Panair é o símbolo de uma época do Brasil quando a viagem de avião representava um ideal de vida moderna. O contato direto com as peças da coleção aproxima todos da história de modo sensível”. Paulo Knauss, diretor do MHN

Anúncio veiculado pela Panair do Brasil em 16 de fevereiro de 1933 (coleção Paulo Laux).

Sobre a Panair

Há exatos 90 anos, em 1929, surgia no Brasil uma subsidiária da americana Nyrba (Nova Iorque – Rio – Buenos Aires) que, no ano seguinte, incorporada pela Pan American, passou a se chamar Panair.

Em 1961, com a entrada dos empresários Celso da Rocha Miranda (1917-1986) e Mario Wallace Simonsen (1909-1965), a Panair teve seu longo processo de nacionalização concluído. Era a Panair que, nos anos 1930 atendia a Amazônia, promovendo a integração da região com o resto do país. Com seus hidroaviões, levava carga e remédios e transportava doentes.

A Panair do Brasil se tornou a segunda maior companhia aérea do mundo e a excelência de atendimento nos voos e em terra rendeu-lhe a expressão “padrão Panair” para designar qualquer coisa que fosse de alta qualidade fora do âmbito da aviação.

Em 10 de fevereiro de 1965, a Panair do Brasil teve suspensas todas as suas concessões de voo, por um despacho do presidente da República Marechal Castello Branco.

A alegação, provadamente inverídica, foi a de que a situação financeira da empresa era irrecuperável. Sem poder operar, a companhia dispensou os funcionários, mas a saúde financeira da companhia permitiu que todos fossem indenizados.

No ano seguinte, ainda sob o choque do desmonte da empresa, foi criada a Família Panair. Desde 1966, o grupo se encontra uma vez por ano para preservar a memória da companhia e a amizade entre eles.

Panair na memória

A canção de Milton Nascimento e Fernando Brant, escrita em 1974, tinha o título “Saudade  dos aviões da Panair”. A empresa fora fechada pelo governo militar e, por precaução, os autores criaram um segundo título: “Conversando no bar”. Foi em um voo da Panair que Brant tomou a primeira coca-cola da sua vida e o menino Milton, segundo ele próprio, era convidado a visitar a cabine de comando quando viajava com os pais.

Em 2005, o jornalista paulista Daniel Leb Sasaki publicou o livro “Pouso forçado”, relançado em 2015 em edição muito ampliada, depois da Lei de Acesso à Informação e da Comissão Nacional da Verdade, que propiciaram ao autor acesso a material inédito. A primeira edição foi indicada ao Prêmio Jabuti.

O cineasta Marco Altberg lançou, em 2007, o documentário “Nas Asas da Panair – uma história de glamour e conspiração”, que narra a história da companhia através de depoimentos de ex-funcionários, dos familiares do seu presidente, Paulo de Oliveira Sampaio, dos acionistas Rocha Miranda e Simonsen e ex-passageiros, como Eduardo Suplicy, Norma Benguell, Milton Nascimento e Fernando Brant.

A exposição “Nas asas da Panair” é uma realização do MHN/Ibram, com patrocínio da Panair do Brasil, produção da Artepadilla e apoio da Associação de Amigos do MHN.

Fonte: AEROIN

¿Cómo desinfectar colecciones en una pandemia?

How to Sanitize Collections in a Pandemic: Conservators weigh in on the mysteries of materials handling during COVID-19 By Lara Ewen | American Libraries, June 1, 2020

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Mantener las bibliotecas seguras es importante tanto para los trabajadores como para los usuarios. Pero durante la actual pandemia de COVID-19, las preguntas sobre cómo hacerlo, especialmente en lo que respecta a materiales y superficies, tienen respuestas complicadas.

Es una situación sin precedentes. Los conservadores, que tienen experiencia en el diagnóstico y la reparación de daños de las colecciones, dicen que falta información histórica sobre la higienización de los materiales de la biblioteca. Además de un poco de evidencia anecdótica en un artículo de la Revista Smithsonian de 2019, hay muy pocos datos históricos disponibles, dice Evan Knight, especialista en conservación de la Junta de Comisionados de Bibliotecas de Massachusetts: “No hay nada publicado o compartido de epidemias anteriores”.

También es un desafío para filtrar a través de la evolución de la investigación. Un estudio realizado en enero en el Journal of Hospital Infection informó que los coronavirus similares al SARS-CoV-2, el responsable del COVID-19, pueden persistir en algunas superficies inanimadas (como metal, vidrio y plástico) hasta nueve días y en el papel hasta cuatro o cinco días. Mientras tanto, datos recientes de los Institutos Nacionales de Salud indican que el SARS-CoV-2 es detectable en aerosoles hasta tres horas, en el cobre hasta cuatro horas, y en el plástico y el acero inoxidable hasta quizás sólo dos o tres días.

La pandemia también presenta desafíos de naturaleza más filosófica. “Es difícil conciliar los requisitos de salud pública de esta pandemia con nuestra misión”, dice Jacob Nadal, director de preservación de la Biblioteca del Congreso (LC), que cerró al público el 12 de marzo y ha cancelado los eventos hasta el 1 de julio. “Es desgarrador ver cómo esta enfermedad nos obliga a dar un paso atrás exactamente en el momento en que íbamos Adar un paso adelante”.

El mejor desinfectante

Sin embargo, retroceder puede ser la mejor defensa contra una amenaza aún en desarrollo. El desinfectante más fácil, seguro y barato es el tiempo. “Esta pandemia es una situación única para la mayoría de los conservadores, así que no sabemos mucho sobre desinfectar en general, y este virus en particular”, dice Knight. “Nuestra opinión es que la profilaxis, o las medidas preventivas, son las mejores”.

Fletcher Durant, director de conservación y preservación de las Bibliotecas George A. Smathers de la Universidad de Florida en Gainesville, sugiere que todas las bibliotecas sigan la recomendación de la ALA del 17 de marzo de cerrar al público. “El aislamiento durante un mínimo de 24 horas, y preferiblemente 14 días, es el mejor desinfectante”, dice. “Es simplemente lo mejor y más seguro que nosotros como bibliotecarios podemos hacer en este momento.” Durant dice que se trata de proteger las bibliotecas así como al público. “Las bibliotecas podrían ser un foco de riesgo para la propagación de la enfermedad, lo que, más allá de los impactos directos sobre la salud, podría reducir la confianza del público en las bibliotecas”.

Eso también significa que las bibliotecas deben permanecer cerradas hasta que se elimine el riesgo de infección pública. “Seríamos los primeros en decir que no estamos equipados para hacer recomendaciones sobre virología, bacteriología o asuntos médicos”, dice Nadal. “Poner en cuarentena la viabilidad del virus es el mejor plan”.

Limpieza y desinfección

Algunas bibliotecas, sin embargo, tienen una misión que impide la cuarentena completa. LC, por ejemplo, sigue apoyando al Congreso durante en las sesiones, lo que requiere que parte del personal esté en el lugar. Otras bibliotecas mantienen servicios con préstamos de materiales en la acera. Eso significa que se justifican métodos de desinfección adicionales.

Las superficies internas duras, como las mesas, las manijas de las puertas, las cubiertas de los libros y los ordenadores, deben limpiarse profesionalmente. Los expertos también señalan que los auriculares de realidad virtual han sido señalados como un factor de riesgo, y las bibliotecas deberían suspender su uso. “Este es un momento para una precaución excepcional”, dice Nadal.

Todo el personal que trabaje en el lugar debe lavarse bien las manos, especialmente cuando manipule libros u otros objetos compartidos. “No hay estudios que respondan específicamente a la pregunta de cuán transmisible puede ser el coronavirus a partir de los materiales más comunes de la biblioteca, [como] el papel recubierto y no recubierto, la tela de los libros o las fundas de poliéster de los libros”, dice Nadal. “Tenemos que buscar información de alta calidad y evaluarla críticamente para determinar como aplicarla a nuestras preocupaciones particulares”

Evitar el daño

Knight dice que los bibliotecarios deben tener cuidado al usar disolventes de limpieza en los libros y otros materiales de biblioteca potencialmente frágiles. “No conozco ningún limpiador o desinfectante ‘menos dañino’, especialmente para cualquier objeto de evidente valor duradero”, dice, explicando que los riesgos para los libros sometidos a limpieza o desinfección acuosa incluyen daños por agua y bisagras y articulaciones debilitadas. “Los libros envueltos en poliéster o polietileno pueden limpiarse y desinfectarse más razonablemente, y las fuertes cubiertas de tela de buckram para encuadernación de bibliotecas probablemente también puedan soportar la limpieza mejorada”, añade. “Pero de nuevo, si uno está planeando limpiar y desinfectar las colecciones, incluso entre los volúmenes polícubiertos, deben entender y aceptar que habrá daños en la colección”.

Hay pruebas de que ciertos métodos pueden no ser eficaces de todos modos. “Las percepciones erróneas comunes pueden ser que rociar o limpiar el exterior de un volumen con Lysol, alcohol o lejía es suficiente para desnaturalizar el virus en todo el volumen”, dice Durant.

La luz ultravioleta (UV) también plantea un riesgo potencial para los materiales de colección debido a su alta intensidad. Y como es difícil confirmar que cada página ha sido expuesta a la luz, el esfuerzo podría resultar infructuoso. “La irradiación germicida UV ha demostrado ser generalmente efectiva a una exposición de 2-5 mili julios por centímetro cuadrado”, dice Durant. “Sin embargo, para que esta exposición sea efectiva, debe ser una exposición completa, [que es] algo que es casi imposible de lograr con libros encuadernados. Ciertamente no es tan efectivo como simplemente aislar los libros”.

Sin embargo, aunque las bibliotecas siguen aprendiendo nuevos procedimientos de preservación, ciertas constantes permanecen. “Este es un buen momento para pensar en el papel de las bibliotecas como guardianes de la memoria y la cultura”, dice Nadal. “Vamos a estar cerrados por un período de tiempo, y nuestra ética de servicio constante hará que esto sea doloroso. Mantener los materiales en cuarentena y fuera de circulación será frustrante. [Pero] somos guardianes de una larga historia, y nuestra principal obligación ahora es asegurarnos de que haya un largo futuro para el conocimiento registrado y la creatividad confiada a nuestro cuidado.”

Recursos adicionales:

Fonte: Universo Abierto

Biblioteca digital de emergência é processada por violação de direitos autorais

Washington, 1 Jun 2020 (AFP) – Quatro grandes editoras apresentaram uma queixa nesta segunda-feira, nos Estados Unidos, contra uma biblioteca digital que oferece acesso gratuito a mais de 1 milhão de livros durante a pandemia.

A plataforma Internet Archive criou em março uma “biblioteca nacional de emergência”, oferecendo gratuitamente 1,4 milhão de livros digitais, em resposta ao fechamento de bibliotecas físicas durante a pandemia do novo coronavírus.

As editoras Hachette (grupo Lagardère), HarperCollins, John Wiley & Sons e Penguin Random House consideraram a iniciativa um ato de pirataria levado adiante sob o pretexto de interesse geral, e entraram com um processo por violaçãde direitos autorais.

“A Internet Archive comete e promove a violação de direitos autorais em larga escala” denunciou María Pallante, presidente da associação profissional de editoras americanas, à qual pertencem as quatro demandantes.

A Internet Archive, empresa californiana especializada em arquivos da web, afirma ter consultado bibliotecas públicas e acadêmicas, e que especialistas em copyright expressaram que a biblioteca de emergência operava dentro do marco legal, à luz do fechamento das bibliotecas físicas.

John Bergmayer, da associação de defesa do consumidor Public Knowledge, lamentou a apresentação da queixa. Segundo ele, a criação desta biblioteca digital gratuita se justificava durante a pandemia, uma vez que a maioria dos livros impressos se tornaram, de fato, inacessíveis.

“Pedimos a criação de uma lei que esclareça o direito das bibliotecas de colocar os livros impressos à disposição dos clientes por via eletrônica, para que possam ser úteis para os eleitores em tempos de emergência”, sugeriu Bergmayer.

“Não há diferença entre o que a Internet Archive faz e atirar um tijolo contra a vitrine de uma mercearia, distribuir os alimentos e, depois, felicitar-se por ter prestado um serviço ao público”, comparou Douglas Preston, da Authors Guild, organização profissional que representa os autores.

Fonte: UOL

Bibliotecas em todo o mundo se preparam para um novo normal

Em todo o mundo, muitos países começaram uma reabertura gradual da vida pública, na tentativa de devolver um senso de normalidade à vida dos cidadãos e diminuir o impacto econômico da pandemia global de Covid-19.

Na Coréia do Sul, o beisebol foi retomado, embora a temporada tenha começado com cinco semanas de atraso e as equipes estejam jogando em estádios vazios decorados com fotos de fãs mascarados.

Apesar de as restrições específicas implementadas e as que são levantadas variarem amplamente em todo o mundo, as bibliotecas estão lutando para descobrir o melhor curso de ação para retomar com segurança o fornecimento de serviços às suas comunidades. A Associação Australiana de Bibliotecas e Informações resume: “Reabrir não significa voltar ao modo como as coisas eram antes da COVID-19; isso significará implementar a abordagem “Novo normal” aos serviços da biblioteca.”

Bibliotecas não são de “baixo risco”

Após o repúdio dos bibliotecários, em 20 de abril, Johns Hopkins alterou seu relatório publicado anteriormente que originalmente classificava as bibliotecas como “de baixo risco” para reabertura. “Há uma percepção de que as bibliotecas ainda são esses templos silenciosos e austeros de conhecimento, mas realmente nos tornamos centros comunitários e locais de encontro”, referiu Peter Coyl, diretor da Biblioteca Pública Montclair em Nova Jersey, num recente artigo da Forbes sobre a mudança.

Isso não surpreende os bibliotecários, que receberam o adendo ao relatório John Hopkins, que afirma que “as bibliotecas que incorporam atividades sociais ou reuniões comunitárias em seus serviços devem se referir à categoria “centros comunitários” – uma categoria considerada de médio a alto risco, semelhante a restaurantes e lojas de varejo.

Conferência de imprensa com cadeiras afastadas a 6 pés de distância

Na Alemanha, a Biblioteca Pública de Bremen realizou uma conferência de imprensa com a CEO, Barbara Lison e a Vice-Ministra da Cultura, Carmen Emigholz, sobre a reabertura da biblioteca.

Coleta na calçada ou remota

Muitos restaurantes continuaram a atender clientes durante toda a pandemia, oferecendo coleta de pedidos on-line ou por telefone. A maioria das bibliotecas suspendeu todos os empréstimos de itens físicos, geralmente aprimorando suas coleções digitais para preencher a lacuna. No entanto, algumas bibliotecas ofereceram coleta na calçada, e muitos a consideram uma primeira fase de reabertura.

Na Colúmbia Britânica, a Biblioteca Pública de Vancouver permite que os usuários agendem um horário de coleta de reservas. Os usuários fornecem sua identificação através de uma janela e, em seguida, recuam para além de 1,5 m, enquanto os funcionários da biblioteca deixam uma sacola com os materiais solicitados do lado de fora da porta. Quando os materiais são devolvidos no alimentador de livros (bookdrop), os funcionários os deixam intocados por 72 horas como medida de segurança.

Obviamente, cada biblioteca precisará tomar as decisões que funcionem melhor para suas circunstâncias individuais, mas a bibliotecária australiana Jane Cowell publicou um artigo oferecendo dicas principais para bibliotecas que oferecem serviços limitados em uma pandemia.

Além disso, as soluções de coleta de reservas reduzem ainda mais o contato do usuário/equipe e ainda fornecem acesso a materiais da biblioteca física. A Ulsan Metropolitan City da Coréia do Sul tem usado os remoteLocker da bibliotheca para fornecer acesso a materiais físicos durante a pandemia. Um estudante universitário de Ulsan compartilhou um relato adorável de sua experiência de uso do serviço em seu blog pessoal.

A Biblioteca Pública de Mokpo, na Coréia do Sul, começou a oferecer coleta noturna de materiais por meio de remoteLockers, em janeiro, pouco antes do início da crise da Covid-19. “Ele permite que a biblioteca alcance mais pessoas locais e… contribui para a expansão da população de leitura da comunidade e a realização de uma cidade de leitura de livros”, referiu o Diretor Cheol-rock Oh.

Reabertura faseada dos edifícios das bibliotecas

Preocupações contínuas de distanciamento social significam que levará um tempo até que as bibliotecas sejam novamente os centros movimentados de atividade comunitária, cheios de histórias, clubes do livro e grupos de estudo. Ainda assim, como algumas empresas começam a reabrir com capacidade limitada, pode ser útil que as bibliotecas recebam dicas daquelas que começaram a reabrir à medida que determinam seu próprio processo para uma abordagem faseada.

Os varejistas estão usando contadores manuais ou tecnologia de contagem de pessoas para garantir que eles não excedam uma capacidade segura, enquanto usam marcações no solo para ajudar aqueles que estão na fila a manter uma distância segura uns dos outros. Medidas semelhantes estão sendo tomadas na Biblioteca Pública de Bremen, na Alemanha, que reabriu aos clientes em 4 de maio.

Sinalização nas escadas da biblioteca
Fila fora da biblioteca

Dentro das lojas, os corredores foram designados para tráfego unidirecional usando sinalização nos topos dos corredores e nos pisos. Restaurantes e cafeterias estão removendo móveis ou movendo-os para que os clientes fiquem a uma distância segura dos outros.

Na China, onde algumas bibliotecas começaram a abrir ao público, práticas similares estão em vigor. Na Biblioteca Pública de Xangai, os clientes usam a conta WeChat da biblioteca para reservar uma hora para pedir materiais. As visitas são limitadas a uma hora e os usuários não podem se sentar ou ler na biblioteca. Os materiais podem ser emprestados apenas da coleção geral do primeiro andar e a área infantil ainda não está aberta para uso. Dentro da biblioteca, diferentes rotas foram estabelecidas para emprestar e devolver itens.

Mulher na fila para biblioteca
Sinalização de biblioteca na mesa
Biblioteca de autosserviço mulher com criança
Distanciamento físico no café

Na Alemanha, as bibliotecas estão abrindo em cada estado. Algumas monitoram o número de usuários dentro da biblioteca exigindo que todos os usuários (inclusive crianças) usem uma cesta separada – as cestas são limitadas e permitem que a equipe veja rapidamente quantos usuários estão dentro da biblioteca. As áreas infantis e os espaços para reuniões de grupo estão fechados e todos os assentos foram removidos. Os clientes são incentivados a limitar suas visitas a 20 minutos (embora isso possa variar de biblioteca para biblioteca) e as instalações estão abertas apenas para emprestar e devolver itens.

A Associação Australiana de Bibliotecas e Informações publicou uma lista de controle muito útil descrevendo uma resposta gradual e bem pensada à reabertura que provavelmente será útil para todas as bibliotecas, independentemente da localização.

Proteção dos funcionários e usuários

Obviamente, um primeiro passo para proteger a saúde e o bem-estar dos funcionários e usuários é impedir o contato com aqueles que já estão doentes. Questionários de saúde e verificações de temperatura estão sendo amplamente utilizados na Ásia para rastrear visitantes antes de permitir a entrada em estabelecimentos. As normas sociais variam amplamente em todo o mundo, e as bibliotecas precisam ser sensíveis aos níveis de tolerância de suas próprias comunidades. No entanto, mesmo nos EUA, algumas empresas estão exigindo verificações de temperatura e EPI para os visitantes.

Uma vez dentro da biblioteca, deve ser tomado cuidado para limitar o contato entre funcionários e usuários. Além de fornecer à equipe máscaras e luvas, algumas instituições estão tomando precauções suplementares. Em Brandemburgo, Alemanha, as recomendações da Associação dos Museus de Brandemburgo incluem a construção de escudos de acrílico para as bilheterias, fornecendo desinfetante para os funcionários, recebendo cartões de crédito em vez de dinheiro e a limpeza regular das instalações. A Associação de Bibliotecas da Alemanha publicou recomendações para a reabertura de bibliotecas, assim como um grupo interassociativo de bibliotecários na França.

Distanciamento físico na biblioteca

Seções da biblioteca bloqueadas na área infantil

No entanto, ao contrário dos restaurantes e museus, que têm um número limitado de itens com toque elevado para desinfetar, as bibliotecas podem conter milhares de materiais, muitos dos quais não podem ser simplesmente limpos com desinfetante. Na China, muitas bibliotecas estão usando desinfetantes UV para desinfetar materiais após o retorno. Em outras partes do mundo, as bibliotecas estão desenvolvendo seus próprios protocolos – alguns com vários book drops estão usando um por dia e, em seguida, recuperam materiais após um período de espera de 72 horas. Outros estão configurando seus sistemas AMH para entregar itens devolvidos às caixas onde os materiais permanecem por um período de três dias antes de serem manuseados. As diretrizes francesas também recomendam uma quarentena de três dias para materiais de papel ou cartão, mas recomenda uma quarentena de 10 dias para aqueles com capas plásticas.

A Biblioteca Pública de Bremen, na Alemanha, fez uma parceria com uma companhia de teatro local para criar espaços de trabalho protegidos com acrílico para a equipe. Essa solução criativa significa que a biblioteca paga apenas pelos materiais, enquanto o trabalho é fornecido pelo teatro como parte de uma parceria de colaboração.

As bibliotecas com soluções de retorno automatizadas podem garantir que os retornos são atualizados nas contas dos usuários imediatamente, permitindo que eles evitem multas por atraso ou excedam os limites máximos de empréstimos enquanto esperam que os materiais sejam tocados com segurança.

Autoatendimento e serviço sem toque mais importantes do que nunca

Pré-Covid 73% dos compradores preferiram lidar com suas transações por meio de autoatendimento. Desde que a pandemia começou, 87% dos compradores de supermercado preferem fazer compras em lojas com opções robustas de autoatendimento sem toque.

Embora a ameaça desse vírus em particular termine, não há dúvida de que ele terá um impacto permanente nas percepções das pessoas sobre segurança e preferências por contato limitado. Na sequência da Covid-19, as tecnologias de bibliotecas de autoatendimento serão mais importantes do que nunca.

Para reduzir o risco para funcionários e usuários, as bibliotecas devem incentivar os usuários a emprestar e devolver itens por meio de quiosques de autoatendimento sempre que disponíveis, eliminando a necessidade de interação humana desnecessária. As estações de desinfetante para as mãos na saída automática podem reduzir a contaminação das superfícies; no entanto, os selfChecks da bibliotheca podem ser facilmente configurados para uma experiência completamente sem contato. Além disso, os usuários podem pedir materiais diretamente de seus próprios dispositivos móveis com o checkout cloudLibrary, reduzindo o medo ou a ansiedade dos usuários da biblioteca.

O futuro das bibliotecas é perfeitamente físico e digital

Não é necessário dizer que bibliotecários e funcionários da biblioteca demonstraram uma notável coragem, criatividade e resiliência durante essa crise. Sem o benefício de construções e materiais físicos, as bibliotecas continuaram a servir suas comunidades, oferecendo coleções digitais, clubes de livros em videoconferência, histórias gravadas e transmitidas, webinars e consultoria on-line.

À medida que as bibliotecas de todo o mundo começam a reabrir, essas novas formas virtuais de conexão e comunicação se tornarão uma parte cada vez mais importante do ambiente das bibliotecas.

Enquanto os usuários estão se adaptando rapidamente aos ambientes virtuais de vida e trabalho, eles ainda desejam conexões humanas e experiências familiares pessoais. As bibliotecas devem atrair usuários com serviços perfeitamente físicos e digitais. A bibliotheca espera fazer parceria e ajudar bibliotecas de todo o mundo a transformar essa interrupção em uma oportunidade de reimaginar o uso futuro de suas bibliotecas.

Fonte: bibliotheca

NOVAS ORIENTAÇÕES A BIBLIOTECAS PÚBLICAS E COMUNITÁRIAS COVID-19

Reiterando o respeito à autonomia dos entes da Federação,  a Coordenação-Geral do Sistema Nacional de Bibliotecas compartilha novas orientações com o objetivo primordial de preservar a saúde pública e o bem-estar da população, bem como de sugerir cuidados com todos os profissionais que trabalham nesses equipamentos.

No que diz respeito especificamente às bibliotecas do Ministério da Cidadania, o OFÍCIO CIRCULAR Nº 2/2020/SE/MC, de 16 de abril, determinou para os próximos 30 dias a suspensão do “acesso do público externo a bibliotecas, auditórios e outros espaços de uso coletivos nas dependências do Ministério”, ampliando o prazo de ofício circular anterior.

Em atenção a medidas de salvaguarda do acervo e de recomendações de conduta frente ao quadro da pandemia mundial do Covid-19, esta Coordenação-Geral  disponibiliza informações sobre material coletado com os Coordenadores dos Sistemas Estaduais e do Distrito Federal de Bibliotecas Públicas, baseados em recomendações da Organização Mundial da Saúde, dos Conselhos Regionais de Biblioteconomia, da International Federation of Library Associations e em publicações técnicas reconhecidas da área de biblioteconomia:

  1. Atividades em bibliotecas: limpeza, higienização e desinfecção. Orientações produzidas pela Agência USP de gestão da informação acadêmica da Universidade de São Paulo. http://www.aguia.usp.br/noticias/atividades-em-bibliotecas-limpeza-higienizacao-e-desinfeccao/
  2. Como higienizar os acervos de bibliotecas durante uma pandemia? Artigo da Revista Biblioo no qual especialistas analisam os mistérios do manuseio de materiais bibliográficos durante o período da COVID-19. https://biblioo.cartacapital.com.br/como-higienizar-os-acervos-de-bibliotecas-durante-uma-pandemia/
  3. COVID-19: orientações práticas para salvaguarda de acervos em bibliotecas. http://www.crb8.org.br/covid-19-recomendacoes-para-salvaguarda-de-acervos-em-bibliotecas/
  4. Mais do que nunca manter o ambiente da biblioteca e o acervo higienizados será fundamental para a boa saúde da equipe e dos leitores. Artigo (p.15) com procedimentos de higienização de acervos publicado pelo projeto Conservação Preventiva em Bibliotecas e Arquivos. http://arqsp.org.br/wp-content/uploads/2017/08/1_9.pdf
  5. Sete medidas a serem consideradas para criar um protocolo de ação ao reabrir as bibliotecas, artigo de Julián Marquina. https://drive.google.com/file/d/1V0dI6zatznStmngBVRAkTjL8x1Q6CWJB/view
  6. Manter os usuários informados sobre os cuidados será vital para a contenção do vírus. Usem cartazes e informações de fontes confiáveis, como os do Ministério da Saúde. https://www.saude.gov.br/campanhas/46452-coronavirus
  7. Persistência do coronavírus no ambiente: como evitar transmissão indireta por superfícies? https://pebmed.com.br/persistencia-do-coronavirus-no-ambiente-como-evitar-transmissao-indireta-por-superficies/
  8. Preparação das bibliotecas ante ao coronavírus: saiba como sua unidade de informação pode proceder. http://abdf.org.br/gidj/noticias/item/46-preoparacao-bibliotecas-corona-virus
  9. Ofício do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas com orientações a bibliotecas públicas e comunitárias COVID-19. http://snbp.cultura.gov.br/orientacoes-a-bibliotecas-publicas-e-comunitarias-covid-19/
  10. Coronavírus e resíduos sólidos: como lidar com a questão em tempos de pandemia. Deve-se tomar bastante cuidado com os resíduos sólidos gerados nas bibliotecas que podem estar contaminados. http://www.ibict.br/sala-de-imprensa/noticias/item/2112-coronavirus-e-residuos-solidos-como-lidar-com-a-questao-em-tempos-de-pandemia
  11. Com o objetivo de combater as mensagens falsas e reforçar as fontes confiáveis e seguras, a biblioteca do Senado lançou um guia de fontes primárias de informação sobre a pandemia da COVID-19. http://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/570174/Coronavirus_COVID-19_Fontes_primarias.pdf?sequence=9&isAllowed=y
  12. Para manter as pessoas informadas sobre as atitudes de prevenção contra a COVID-19, a Fiocruz disponibiliza materiais que podem ser compartilhados no Facebook, WhatsApp e no Instagram. São materiais produzidos pela campanha de comunicação Se liga no Corona!, que tem como foco a prevenção da doença considerando as condições de vida e habitação de populações em situação de vulnerabilidade socioambiental. https://portal.fiocruz.br/se-liga-no-corona; http://mareonline.com.br/

Fonte: SNBP

Bibliotecas de Ilhabela ampliam uso de ferramentas digitais durante a quarentena

As Bibliotecas Municipais, importantes equipamentos culturais públicos do município, tem recebido investimento da Prefeitura de Ilhabela, por meio da Secretaria de Cultura, no uso das ferramentas digitais durante a quarentena.

Apesar estarem com o atendimento presencial suspenso, as unidades aproveitaram o momento para buscar alternativas para prestar alguns serviços como: dicas de leitura, livros gratuitos para baixar, indicação e divulgação de lives de contação de histórias, encontros com autores, divulgação de vídeos informativos e mais recentemente, a publicação digital e gratuita do livro Antologia Literária, resultado dos dois concursos literários realizados no ano passado, que conta com mais de 200 nomes inscritos.

Premiação dos Concursos Literários

A equipe de funcionários da biblioteca realizou nesse mês, a premiação dos vencedores do Concurso de Poesia, com a entrega dos troféus nas residências, em razão do Decreto 8.030/2020, que cancelou a cerimônia de premiação. Os vencedores, que já haviam recebido o valor do prêmio no mês de abril, foram contemplados com o troféu que simboliza o reconhecimento do talento e da valorização da arte e cultura por parte da prefeitura.

Ponto MIS Ilhabela

Outra ação importante é a continuidade do programa Ponto MIS, uma parceria do município com o a Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa, através do Museu da Imagem e do Som, que a Biblioteca recebe há anos e que foi renovada em 2020, com novo formato, por conta da quarentena. Através do site do Ponto MIS os espectadores podem participar do Bate-papo de cinema, se inscrevendo para assistir a um filme em horário marcado e depois participar de um bate papo virtual com personalidades importantes do audiovisual.

Todas as informações do Ponto MIS Ilhabela são divulgadas no perfil do Instagram https://www.instagram.com/pontosmisilhabela/ e no site da Prefeitura.

Oficinas Culturais

Outra parceria importante que Biblioteca manteve é com o programa Oficinas Culturais, também com Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, através da Poiesis Organização Social de Cultura. Nesta semana de maio iniciou as primeiras atividades on-line do Programa Oficinas Culturais no Interior. As atividades presenciais do Programa Oficinas Culturais no Interior e estas serão retomadas quando houver liberação por parte dos órgãos competentes.

Site e perfil do Instagram

Todas as ações divulgadas ficam disponíveis no perfil da biblioteca no Instagram, que pode ser acessado pelo link: https://www.instagram.com/bibliotecadeilhabela/. Lá são publicadas diariamente dicas de leitura, sites para baixar livros gratuitamente, eventos literários e conteúdo de interesse cultural variado para adultos e crianças. O site com um breve histórico da biblioteca é o https://www.ilhabela.sp.gov.br/servicos/biblioteca/ e de lá também é possível acessar o catálogo físico das bibliotecas, sem necessidade de ser usuário matriculado.

Fonte: Tudoem Ilhabela

Bibliotecas brasileiras – avanços e desafios para a universalização do livro, leitura e literatura

Texto por Rede de Leitura e Escrita de Qualidade para Todos

Em 2010, o Brasil assumiu o compromisso de universalizar e qualificar suas bibliotecas escolares no prazo de dez anos. Segundo a lei 12.224, de 24 de maio de 2010, a partir de 2020 nenhum aluno, de rede pública ou particular, deixaria de ter em sua escola um espaço dedicado ao livro, à leitura e à pesquisa.

Findo o prazo fixado na lei, a meta não foi alcançada: estamos longe de zerar o nosso déficit de bibliotecas escolares. Há um projeto de lei em tramitação no Congresso, o PL 5656/19, que objetiva prorrogar o cumprimento da meta para até 2024, bem como estabelecer parâmetros relacionados  a padrão de qualidade. A sociedade, no entanto, não está parada, à espera da ação governamental para garantir o direito à leitura e formação leitora e escritora. Diversos projetos comunitários e de instituições voltadas à formação de leitores vêm atuando de forma inspiradora para fazer valer o direito universal à biblioteca escolar para todos os estudantes do país, seja por meio de projetos, debates e pesquisas, seja pela cobrança por políticas públicas.

Na segunda, 1º de junho, a Rede LEQT — Leitura e Escrita de Qualidade para Todos vai promover uma live para debater os dez anos que se passaram desde a promulgação da lei e o que vem sendo feito pelo direito à leitura no país. A live contará com Maria das Graças Monteiro Castro, presidente da Comissão Brasileira de Bibliotecas Escolares/FEBAB e professora do curso de Biblioteconomia da UFG, Christine Baena Castilho Fontelles, idealizadora e coordenadora da campanha Eu Quero Minha Biblioteca, e Bruninho Souza, da Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura, Rede de Leitura  LiteraSampa, que integra a Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias. A mediação será de Sandra Medrano, coordenadora pedagógica da Comunidade Educativa Cedac. Participantes da rede LEQT, eles vão refletir sobre o papel das bibliotecas comunitárias e públicas, as relações entre elas e as possíveis e necessárias ações para que o direito à leitura seja garantido no Brasil.

Na opinião de Christine Fontelles, “estamos diante de um desafio civilizatório que merece a máxima focalização”. Ela destaca a importância da qualificação das bibliotecas escolares e formação dos profissionais para que se tornem efetivamente espaços de formação de leitores e de aprendizagem. Para este momento, destaca a importância da constituição e/ou preparação de grupos de incidência para planejar agenda de mobilização de recursos públicos por bibliotecas em escolas.

Maria das Graças Monteiro Castro acredita que “mesmo com uma legislação específica completando dez anos e com a publicação  recente  da Resolução Nº 220, de 13/05/2020, que dispõe sobre os parâmetros a serem adotados para a estruturação e o funcionamento das bibliotecas escolares, ainda não conseguimos situar a biblioteca escolar no contexto do sistema educacional brasileiro (educação infantil; ensino fundamental, ensino médio e educação de jovens e adultos) e nem as atribuições dos entes federados (união, estados e municípios).

Bruninho Souza avalia que as bibliotecas escolares podem ser um espaço de fortalecimento das ações literárias que já acontecem no entorno, um jeito de envolver a comunidade na vida e nos processos que acontecem dentro e fora dos muros da escola. “Exemplo disso é como jovens mediadores de leitura da Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura inspiraram outros jovens a se engajarem para reabrir as suas bibliotecas escolares, despertando neles o sentimento de protagonismo”.

Sobre a Lei 12.224

Em 24 de maio de 2010, foi promulgada a lei N. 12.224, que tornou obrigatória a todo estabelecimento escolar, público ou privado, a existência de uma biblioteca.  O texto determinava que os sistemas de ensino teriam um prazo de dez anos para assegurar a universalização desses equipamentos.

No entanto, após uma década, a Lei ainda carece de regulamentação.  O PL 9.848/18, em tramitação no Câmara dos Deputados, visa corrigir essa lacuna com a definição do conceito de biblioteca. A proposta prorroga para 2024 o prazo para que todas as escolas do País tenham biblioteca com acervo mínimo de um título para cada aluno matriculado e um bibliotecário por escola e institui o Sistema Nacional de Bibliotecas Escolares.

O prazo estipulado pela lei terminou no domingo, dia 24/5, sem que o objetivo de universalização tenha sido atingido. Segundo o Censo Escolar 2019, no ensino fundamental apenas 52% das escolas contam com uma biblioteca ou sala de leitura, somando todas as esferas administrativas — federal, estadual, municipal e privada. Das escolas públicas municipais, 41,4% contam com uma biblioteca ou sala de leitura. Nas redes estaduais, o percentual é de 81,4%, e na rede privada, 80,5%.

Na área rural, onde o acesso à cultura e à educação de qualidade se apresenta de forma ainda mais precária, só há bibliotecas em 23% das escolas. É importante ressaltar que os dados podem estar sobrepostos, entre sala de leitura e biblioteca, como pouco ou nada se sabe sobre a qualidade da estrutura disponível, do acervo, das práticas leitoras promovidas e da vinculação com o projeto político pedagógico das escolas, fundamental para que a biblioteca cumpra seu papel.

Rede LEQT

Entre os objetivos da Rede está a atuação junto às diferentes esferas de governo e à sociedade para propor políticas públicas, projetos e ações que ampliem a leitura e a escrita de qualidade em nosso país. Criada em 2012, como uma das redes temáticas do GIFE, hoje reúne mais de 80 organizações, dos mais diferentes perfis, que atuam na área de leitura e escrita em todo o território nacional.

Publicado por: Rede LEQT

Fonte: GIFE

SP Leituras traz atividades online durante a pandemia

Texto por Agência Brasil

Com o fechamento das bibliotecas públicas, a SP Leituras – Associação Paulista de Bibliotecas e Leitura –, organização social sem fins lucrativos, traz uma série de atividades online, como conversas com escritores, curso de literatura pré-vestibular, oficinas de empreendedorismo, entre outras.

Para quem está se preparando para um dos maiores vestibulares do país (Fuvest), há o  curso preparatório para resolver questões que envolvem conhecimento das obras da Fuvest 2021. Indicado para pessoas acima de 16 anos, o curso busca ampliar, para esses jovens, o leque de conhecimento das obras clássicas de maneira lúdica, crítica, construindo e desconstruindo conceitos sobre as narrativas para compreendê-las e assimilá-las com propriedade. O curso é oferecido às terças e quintas até o dia 25 deste mês, das 15h às 17h30.

Com carga horária de 22 horas e meia, o curso é ministrado por Naiara Costa, professora de literatura e escrita criativa em cursinhos pré-vestibular, com mais de 11 anos de experiência, por meio da Plataforma Zoom Meeting. As inscrições podem ser feitas no link www.bsp.org.br

Verifique as datas em que os livros serão abordados:

02/06 - Quincas Borba, de Machado de Assis

04/06 - Angústia, de Graciliano Ramos

9/06 - Claro Enigma, Carlos Drummond de Andrade

16/06 - Romanceiro da Inconfidência, Cecília Meireles

18/06 - Campo Geral, Guimarães Rosa

23/06 - Mayombe, Pepetela

25/06 - Nove Noites, Bernardo Carvalho

Segundas Intenções Online

Convidada da nova edição do Segundas Intenções Online da Biblioteca de São Paulo (BSP), a cearense Jarid Arraes se destaca entre os escritores nordestinos da tradição do cordel e da poesia por imprimir mais urbanidade, mais diversidade e mais contemporaneidade às histórias que conta.

O bate-papo com ela, que será transmitido na página da BSP ocorre hoje (1º), das 19h às 20h, e terá a mediação do crítico Manuel da Costa Pinto. Não é necessário fazer inscrição.

Natural de Juazeiro do Norte, Jarid aprendeu a ler em casa, antes de ir para a escola. Filha de pai cordelista e mãe professora, desde pequena mergulhou na leitura de poetas como Carlos Drummond de Andrade e Augusto dos Anjos. Mais tarde, quando descobriu os livros de Conceição Evaristo, soube que podia também escrever suas próprias poesias e cordéis.

A bibliografia de Jarid tem o premiado Redemoinho em dia quente, ganhador do Prêmio APCA de Literatura na categoria contos, e Heroínas brasileiras em 15 cordéis. Morando em São Paulo desde 2014, ela cuida do Clube de Escrita para Mulheres e é curadora do selo Ferina, da Pólen Livros.

Crítica literária

A oficina online Críticas sem Crise: da Poesia à Prosa está na programação de junho da BVL, com encontros marcados para os sábados, dias 6, 13, 20 e 27 de junho, sempre das 14h às 17h. A proposta é que os participantes aprendam e apliquem técnicas, a partir da leitura de textos de escritoras brasileiras contemporâneas, para a criação de resenhas. A atividade, indicada para maiores de 18 anos, faz parte do projeto Literatura Brasileira Contemporânea no Século 21, realizado em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). As inscrições para a oficina foram abertas em dia 15 de maio.

Ao final do curso, as resenhas resultantes das aulas podem ser publicadas em blog da iniciativa. Carina Carvalho, que comandará essa oficina, tem como objetivo contribuir para que cada um possa compartilhar sua voz e postura crítica nos textos criados durante os encontros.

Carina é poeta, trabalha com edição e revisão de materiais didáticos e de aprendizagem socioemocional, além de mestra em Estudos Literários pela Unifesp. Ela assina a série poética Ensaio para sair de casa, que integrou a coletânea do 2º Prêmio Ufes de Literatura e é autora dos livros de poemas Marambaia, Passiflora e Corpo Clareira.

Lê no Ninho

O Lê no Ninho é uma opção de programa em família para que os pais reproduzam ou recriem com os pequenos, buscando encantá-los com a leitura, as histórias e até com a música.

Para contribuir e transformar o confinamento em um momento de estabelecer novos laços e memórias em família, a BSP preparou um tutorial para realizar, em casa, que é feito na biblioteca nas manhãs dos fins de semana, reunindo pais, cuidadores e filhos.

Com esse objetivo, toda semana, sempre aos domingos às 11h, conteúdos exclusivos serão disponibilizados no facebook da BSP.

A inspiração pode vir também de vídeos, disponibilizados semanalmente nas redes sociais. A ideia é estimular o contato com a leitura em crianças entre 6 meses e 4 anos, por meio de experiências lúdicas com os livros.

Fonte: Isto É Dinheiro

Clube do Livro de Itapetininga realiza encontro online

Evento será no próximo sábado (6) e contará com uma conversa entre os participantes sobre a obra literária ‘Frankestein’, de Mary Shelley.

Texto por G1 Itapetininga e Região

Clube do Livro de Itapetininga realiza encontro online — Foto: Reprodução/Street View

Por conta da pandemia de coronavírus e do distanciamento social, a biblioteca de Itapetininga (SP) realizará, através do Clube do Livro, um encontro virtual no próximo sábado (6).

Durante o evento haverá uma conversa entre os participantes sobre a obra literária “Frankestein”, de Mary Shelley. O livro pode ser baixado gratuitamente através deste link.

O bate-papo acontecerá através do Google Meet, às 16h. Para participar é necessário comentar na publicação do Facebook e entrar em contato com a administração da página para receber o link de acesso.

Fonte: G1 Itapetininga e Região

La Biblioteca de Alejandría: cuna de conocimiento en el mundo antiguo

Texto por Elena Martínez

  • Hacemos un recorrido por la historia de esta famosa biblioteca partiendo de sus orígenes.
  • Fue el epicentro de cultura, saber y conocimiento más importante de la época helénica.

¿Quién no ha oído hablar alguna vez de la famosa Biblioteca de Alejandría? Seas amante de la Historia o no, seguro que a lo largo de tu vida has escuchado rumores o leído acerca de esta gran biblioteca situada a orillas del Nilo, que se convirtió en centro universal de la cultura en la época antigua. Alejandro Magno, famoso conquistador macedonio y artífice de la expansión de la cultura helénica por toda Asia, fundó la ciudad de Alejandría en el año 331 a.C, tras liberar a Egipto de la dominación persa que por aquel entonces padecía.

Alejandro había sido tutelado e instruido por el filósofo macedonio Aristóteles, quien guió al joven Alejandro en su desarrollo intelectual y personal, y al cual le inculcó un gran amor por la lectura, el conocimiento y el estudio. La prematura muerte de Alejandro produjo que el imperio macedonio se fragmentase en diversos reinos, conocidos como los reinos de los sucesores, muchos de los cuales fueron gobernados por generales cercanos al conquistador macedonio. Concretamente en Egipto, seria Ptolomeo I Sóter, general de su ejército y compañero de la infancia, quien se erigiría como gobernante de Egipto, instituyendo de facto la que sería conocida como la dinastía Ptolemaica.

Ptolomeo compartía el amor por el conocimiento al igual que Alejandro, y en su honor, mandó construir la mayor biblioteca jamás construida. Otros autores, afirman que no fue Ptolomeo I, sino su hijo, Ptolomeo II Filadelfo, quien reinó entre los años 283-246 a.C, el que ordenaría construir la biblioteca. Fuese finalmente padre o hijo quien la ordenase construir, se mandó erigir junto al templo de las musas, construido años atrás, y símbolo relevante del prestigio Ptolemaico.

Desgraciadamente, no disponemos de información acerca de su diseño, solo sabemos que se erigió como parte de una estructura todavía mayor. Pocas décadas después se construyó otra biblioteca en la ciudad griega de Pérgamo, que tal y como afirmaban sus coetáneos, se basó en el diseño de la de Alejandría, por lo que gracias a los restos arqueológicos de esta biblioteca podemos hacernos una idea de su grandiosidad.

La biblioteca de Alejandría no solo tenía como fin la misión de albergar entre sus paredes escritos de antiguos autores, sino que además, se diseñó como escuela para instruir la mente de aquellos que acudiesen al lugar en busca de conocimiento y sabiduría, imitando al Liceo fundado en Atenas por Aristóteles. La famosa biblioteca se dedicó, durante más de dos siglos, a copiar todos los rollos del mundo conocido.

Desgraciadamente, durante la segunda guerra civil de la república romana (año 48 a.C), cuando el famoso Julio César se encontraba sitiado en Alejandría, ordenó a sus soldados prender fuego a varias naves con la intención de bloquear la flota enemiga. El fuego se extendió sin control, y afectó a gran parte de la biblioteca, perdiéndose entre las llamas infinidad de obras de valor incalculable. El gran dramaturgo romano Séneca, llegó a afirmar que durante el incendio se perdieron más de cuarenta mil obras.

Desde aquel incendio, la famosa biblioteca fue viniendo a menos, hasta que finalmente, en el siglo III, concretamente en el año 272 d. C, las tropas del emperador romano Aureliano la destruyeron por completo. Fue en su asedio a la ciudad de Alejandría, entonces en manos de la Reina Zenobia, cuando devastaron por completo el distrito de Brucheion, espacio donde se encontraban ubicados los restos de la antigua biblioteca.

Así se perdió lo que se convirtió en el epicentro de cultura, saber y conocimiento más importante de la época helénica. ¿Qué grandes obras se habrán perdido entre sus llamas? ¿Imagináis que dicha biblioteca hubiese sobrevivido a todos estos acontecimientos históricos? ¿Qué relatos, historias, y repuestas hubiésemos hallado en sus escritos? Son preguntas a las que jamás daremos una respuesta exacta.

Daniel Mayer / CC BY-AS

Fonte: Lecturalia

QUAIS CAMPOS DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL O BIBLIOTECÁRIO PRECISA ESTUDAR?

Texto por Barbara Coelho

Em 1989 uma doutora em psicolinguística e um Ph.D. em Engenharia Elétrica escreveram um relevante artigo sobre as perspectivas da inteligência artificial (IA) na Biblioteconomia e na Ciência da Informação. Embora não tendo sido escrito por pesquisadores da CI, esse que foi, provavelmente, o primeiro trabalho em português publicado sobre o tema na Biblioteconomia, aponta possibilidades de aplicação de dois campos da IA, sendo eles os sistemas especialistas e o processamento de linguagem natural (PLN).

A primeira vez que tive contato com este trabalho foi em 2015, quando tive a oportunidade de ver uma apresentação do Watson da IBM – já falei sobre ele aqui na matéria Computação Cognitiva: novas perspectivas para a Ciência da Informação – e depois de então passei a me questionar porque não tive acesso a este texto antes na minha graduação? ou nos eventos da área que frequentei durante o mestrado?, ou ainda nos Anais e revistas da área?

O artigo que serviu para eu abrir esta discussão hoje foi digitalizado e pode ser recuperado no portal da BRAPCI, mas continua me causando certos questionamentos internos sobre passividade da área e silenciamento do tema durante muito tempo na Ciência da Informação.

Outro dia, escutei uma bibliotecária perguntar se eu sabia qual era o motivo da IA ter demorado tanto para chegar ao Brasil. Eu respondi que não havia demorado, mas talvez a CI e, em especialmente, a Biblioteconomia não a tenham percebido ou mesmo não se via dialogando com a IA de maneira mais próxima. Mas a problemática é que na contemporaneidade nos vemos frente a inteligência artificial e constantemente desafiados a interagir com ela.

A interação homem-máquina está preste a sucumbir à observação da interação máquina-máquina. Esse aspecto não irá exigir somente dos profissionais novas formas de trabalho, mas sim requerer de toda a área novos modelos de negócio para inter-relacionar-se com a informação enquanto instituição biblioteconômica. E como estamos com relação a isso?

Frente ao que tenho pesquisado sobre o tema no Laboratório de Tecnologias Informacionais e Inclusão Sociodigital (LTI Digital), começo a perceber que a IA envolve uma “nova problematização da inclusão digital”. E diante a isso, os campos que merecem atenção do bibliotecário envolvem:

  • Dados tabulares – Até o presente momento podemos vislumbrar a atividades ligadas à gestão da informação e à gestão do conhecimento;
  • Processamento de Linguagem Natural (PLN) – Em campos da classificação, indexação estudos cognitivos e de mediação da informação;
  • Sistemas especialistas – Apoio ao atendimento e curadoria digital;
  • Interação com computação cognitiva – Interage bem com campos da representação e fontes de informação;
  • Visão computacional – A experiência da abordagem documental.

Sabendo que estamos no meio do campeonato, vale salientar que pode ser que o jogo mude e precisamos estar preparados para isso. Contudo, por hora é o que vislumbramos e compreendemos que precisamos estudar tais temas da IA pensando na probabilidade de interação entre seus campos e os campos da Biblioteconomia. Não sabemos quanto tempo ainda teremos para que bibliotecários usem a IA para interagir de forma institucionalizada com a informação e os usuários, de maneira como já nos acostumamos com outros sistemas.

Saiba mais:

SIQUEIRA, I. Semeghini P.; PEREIRA, Antônio E. C. Perspectivas de aplicação da inteligência artificial à biblioteconomia e à ciência da informação. R. Bras.Bibliotecon.e Doc., São Paulo, 22 (112) :39-80, jan./jun.19.

Fonte: InfoHome – OFAJ.COM.BR

Global Digital Library, una biblioteca digital para llevar libros a todos los niños del mundo

Más de 600 millones de niños no saben leer a pesar de haber asistido a la escuela. Una de las principales razones es que no tienen acceso a recursos de lectura de calidad para esos primeros grados. La biblioteca digital Global Digital Library recoge más de 4.000 libros gratis en 50 idiomas, y los pone a disposición de todo el mundo en la web, en el móvil y para su impresión.

Global Book Alliance está detrás de esta biblioteca digital mundial. Su objetivo es proporcionar acceso a recursos de lectura gratuitos y de alta calidad para los primeros grados en idiomas que los niños utilizan y comprenden. Para finales de 2020 quieren proporcionar recursos de lectura en 100 idiomas, aunque recientemente la Agencia Noruega para la Cooperación al Desarrollo ha anunciado que llegarán a 250 idiomas en un año, siendo su objetivo final el ofrecer libros gratuitos a todos los niños del mundo para el 2030. Por cierto, comentar que la plataforma facilita la traducción y localización de recursos en más de 300 idiomas.

Global Book Alliance es un esfuerzo internacional en el que participan múltiples interesados que trabajan para transformar el desarrollo, la adquisición y la distribución de libros a fin de garantizar que ningún niño se quede sin libros. La misión de la Alianza Mundial del Libro es garantizar que los niños de todo el mundo dispongan de los libros y el material didáctico que necesitan para aprender a leer y leer para aprender.

Además del acceso vía web (ya sea a través un ordenador, tablet o smartphone) a libros e incluso juegos, me gustaría destacar el repositorio de la Global Digital Library en el que hay más de 500 archivos de libros listos para imprimir. Estos archivos incluyen las portadas y contraportadas y todas las páginas interiores con ilustraciones de alta resolución. Actualmente este repositorio está en 23 idiomas, incluidos los idiomas utilizados en varios países de África y Asica, además de su idioma puente, el inglés.

Respositorio para la impresión de libros de la Global Digital Library

Todos los contenidos de esta biblioteca digital están bajo alguna licencia Creative Commons, siendo las principales CC BY y CC BY-SA. Estas licencias impulsan la innovación y la creatividad, incluyendo la reutilización comercial. Además, apoyan firmemente el objetivo general de la Global Digital Library de compartir, traducir y contextualizar los materiales educativos de lectura para los primeros grados, los libros de texto abiertos y los recursos educativos abiertos.

Tres cosas para terminar: (1) Es un magnífico recurso a tener en cuenta para proporcionar lecturas a los peques de la casa, del colegio o de la biblioteca. (2) Muchos libros de esta biblioteca digital son utilizados en la aplicación para aprender a leer que Google ha lanzado: Read Along. (3) He echado en falta los libros con letras en mayúscula para esas primeras lecturas que hacen los peques cuando están aprendiendo a leer.

Fonte: Julián Marquina

Livros da Fuvest são apresentados a vestibulandos em evento online

Texto por Agência Brasil

Com a pandemia de covid-19 e as recomendações das autoridades médicas e sanitárias para que todos evitem aglomerações e fiquem em casa, o Projeto BBM, da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, da Universidade de São Paulo (USP), precisou se reinventar para continuar aproximando os jovens vestibulandos dos livros e autores. Para continuar propiciando o acesso e a compreensão das obras que fazem parte da lista de livros obrigatórios do vestibular da Fuvest, o projeto, que existe desde 2017 de forma presencial, ganhou versão virtual.

Segundo os organizadores, desde o início o projeto é um dos grandes sucessos de público da instituição e, ao longo dos anos, vem atraindo cada vez mais interessados em conhecer melhor as obras. Por meio de parceria com cursinhos pré-vestibular populares (como o Clarice Lispector, Florestan Fernandes, Poli e Psico), o BBM promove encontros mensais de análises literárias e bate-papo com o público sobre os livros.

A iniciativa parte da convicção de que a USP deve estreitar seus laços com a sociedade para quebrar barreiras entre o grande público e o universo científico e acadêmico”, destacou o coordenador do projeto, professor Alexandre Macchione Saes.

Com a necessidade de cancelamento dos encontros e os calendários dos exames de admissão de universidades mantidos, a coordenação optou por oferecer ao público transmissões de vídeo online com esses conteúdos, por meio do canal da BBM no youtube. O canal está recebendo os vídeos de encontros já gravados. Entre eles estão: Angústia, de Graciliano Ramos; Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade; A Relíquia, de Eça de Queiroz; Poemas escolhidos, de Gregório de Matos; Quincas Borba, de Machado de Assis; e Mayombe, de Pepetela.

Os encontros ao vivo, com interação entre público e professores, estão marcados para amanhã (28) (Nove noites, de Bernardo Carvalho),  25 de junho (Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles), e 30 de julho (Campo Geral, de Guimarães Rosa). As transmissões ao vivo acontecem sempre às 14h30, no endereço: bbm.usp.br. Além dos vídeos gravados e dos encontros ao vivo, o site disponibiliza textos introdutórios e explicativos sobre as obras.

Fonte: Isto É Dinheiro

BIBLIOTECONOMIA NEGRA BRASILEIRA

A trajetória, a ideia da pesquisa, os resultados e as percepções sobre a questão

 Texto por Franciéle Garcês

Desde a graduação tenho estudado e refletido sobre a inserção das culturas africana e afro-brasileira na biblioteconomia. Atuei como bolsista no Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade do Estado de Santa Catarina (NEAB/UDESC), o qual me inseriu no mundo de intelectuais negras(os) e suas contribuições para a discussão sobre as relações étnico-raciais, estudos descoloniais, epistemologias não-hegemônicas, entre outras perspectivas antirracistas. Dentro do meu curso, a discussão sobre as populações negras, suas necessidades de informação para transformação social, política e educacional, assim como o estudo de intelectuais negras(os) da biblioteconomia era algo limitado.

Meu trabalho de conclusão de curso, orientado pela professora Daniella Pizarro, me permitiu fazer um estudo da inserção da questão étnico-racial no ensino de biblioteconomia daquela instituição, a partir das percepções docentes. De posse dos resultados da pesquisa e com todo o trabalho realizado pelo NEAB/UDESC durante anos, assim como as pesquisas voltadas para as discussões étnico-raciais feitas pelas bibliotecárias negras Graziela dos Santos Lima, Sandra Fontes e Andreia Sousa da Silva – que, como eu, atuaram como bolsistas do NEAB/UDESC – além do trabalho da professora Daniella Pizarro junto ao Departamento, foi introduzida a disciplina de Relações étnico-raciais durante a reformulação do currículo de biblioteconomia. Inclusive, a Andreia Sousa da Silva foi aprovada como professora assistente para atuar nesta disciplina, o que foi um grande ganho para o curso.

Posteriormente, na dissertação, o intuito foi ampliar em nível nacional a análise da introdução das culturas africanas e afro-brasileiras nos cursos de biblioteconomia brasileiros. Assim, fui aprovada no mestrado em ciência da informação, do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT/UFRJ) e, neste programa, fui orientada pelo professor Gustavo Saldanha, o qual incentivou que eu fosse o mais longe possível dentro da pesquisa em busca de perspectivas contra-hegemônicas e voltadas para às problemáticas sociais na Biblioteconomia.

Foi também o professor Gustavo que comentou sobre a Black Librarianship Americana como um movimento internacional dessas perspectivas e incentivou que eu explorasse os aspectos históricos, teóricos e os protagonistas desse movimento. Estudando sobre tal movimento dos Estados Unidos, descobri uma infinidade de bibliografias, intelectuais, eventos e ações dentro do movimento associativo e da área que demonstraram o percurso em prol do acesso de pessoas afro-americanas à formação em biblioteconomia, às bibliotecas e informação durante o período de segregação.

A partir daí, voltamos nosso olhar para o contexto brasileiro e nos perguntamos se existia uma Biblioteconomia Negra Brasileira (BNB). Elaborei um formulário para encontrar bibliotecárias(os) negras(os) pelo país e o lancei nas mídias sociais. O retorno foi muito positivo, pois descobri várias pessoas negras bibliotecárias, muitas ainda desconhecidas para mim.

Com uma ampla coleta de dados, desde eventos até os currículos lattes de bibliotecárias(os) negras(os), foi possível comprovar a existência da Biblioteconomia Negra Brasileira a partir do movimento reflexivo que discute a formação na área, a atuação bibliotecária de profissionais negras(os), presença e atuação no movimento associativo e a produção científica realizada por bibliotecários negras(os) e não-negras(os) sobre questões étnico-raciais.

Dentre os dados, encontramos o primeiro livro que aborda sobre o negro, o qual foi elaborado e publicado em 1988 pela Biblioteca Nacional e se chama “Para uma história do negro no Brasil”. Encontramos também a atuação de bibliotecárias(os) negras(os) dentro de associações profissionais, FEBAB, conselhos federal e regionais da área. No Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB), hoje, estamos no terceiro presidente do CFB bibliotecário negro, o professor Marcos Miranda. Dentre as primeiras graduações de pessoas negras em biblioteconomia encontramos a Regina Tonini, que por muitos anos foi bibliotecária da Petrobrás. Na docência, a professora Maria Aparecida Moura como primeira professora e bibliotecária negra titular da Escola de Ciência da Informação e com importante produção científica e atuação profissional em prol de causas antirracistas e das ações afirmativas dentro da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Os eventos científicos como o Painel Biblioteconomia em Santa Catarina, o Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação (CBBD), em Santa Catarina, Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (ENANCIB), também contaram com apresentações de trabalhos e palestras que tinham o recorte étnico-racial. Importante frisar que houve um aprofundamento na produção científica e em estudos de pós-graduação no campo, a partir da implementação da Lei de Diretrizes e Base da Educação Brasileira (LDB) e da Lei nº 10.639/2003, que trouxeram a obrigatoriedade do ensino de história e cultura negras nas redes de ensino brasileiras.

Com a análise do currículo lattes e com os dados do mapeamento, verificamos que existem bibliotecárias(os) negras(os) que realizam ações enfoque étnico-racial dentro das bibliotecas brasileiras, mesmo que muitos não divulguem essas ações via produção científica. Assim, englobando tudo isso criamos a Cronologia da Biblioteconomia Negra Brasileira – publicada nos anexos da dissertação.

A pesquisa demonstrou que há tempos a questão étnico-racial tem sido abordada, refletida e discutida dentro do campo biblioteconômico-informacional, em especial por pessoas bibliotecárias negras. Ou seja, esse movimento da Biblioteconomia Negra não é novo – vide a Black Librarianship Americana que tem sua existência datada desde 1808 -, o que ainda existe é um discurso de que são discussões e pesquisas inaugurais, quando na verdade bibliotecárias(os) negras(os) já estão pensando a formação bibliotecária (que ainda possui um viés eurocentrado e norteamericanizado, em grande parte fora das realidades do nosso país); o racismo presente nas relações; a branquitude presente nas práticas profissionais e na docência, responsabilidade ético-política para a cidadania etc. E mais importante: estão buscando soluções para resolver esses problemas.

Dentre os pontos positivos tenho percebido a ampliação do movimento de bibliotecárias(os) negras(os) pelo país. Atualmente temos o Coletivo Nacional de Bibliotecárias(os) Negras(os), cuja criação aconteceu a partir da união das pessoas autoras da obra coletiva “Bibliotecárias(os) Negras(os): ação, pesquisa e atuação política”, publicada pela Associação Catarinense de Bibliotecários em 2018. Há também a formação de Coletivos Regionais, como o Coletivo de Bibliotecárias(os) Negras(os) de São Paulo e outros ainda em construção.

Além disso, a criação do Encontro Nacional de Bibliotecárias(os) Negras(os) e Antirracistas, cuja a primeira edição foi realizado no ano passado, agregou pessoas bibliotecárias negras e não-negras para discussão de diversas ações de engajamento em prol de melhores condições de emprego e trabalho, acesso à educação e à capacitação, desconstrução do racismo institucional e estrutural, além de ações voltadas para o fortalecimento identitário das populações de origem africana em bibliotecas e unidades de informação.

No entanto, apesar da existência da Biblioteconomia Negra Brasileira, quando chegamos à formação bibliotecária, esse movimento ainda é desconhecido, assim como é incipiente a introdução das culturas africanas e afro-brasileiras nos currículos dos cursos presenciais de biblioteconomia brasileiros. Na pesquisa, identificamos 16 disciplinas sobre as questões étnico-raciais em mais de 2.200 analisadas. Ainda, nas entrevistas com docentes vimos que mesmo considerando importante as temáticas, percebemos que muitos ainda desconhecem intelectuais negras(os) da biblioteconomia, pesquisas e projetos sobre essas questões, assim como poucos introduzem essas discussões em sala de aula.

A falta de formação para uma biblioteconomia antirracista e afrodiaspórica traz essas e outras consequências, especialmente em uma sociedade como a brasileira, onde a branquitude e o racismo são estruturantes e estruturadores das relações sociais, trabalhistas, políticas e econômicas; e o mito da democracia racial e a meritocracia são utilizados como justificativas frente às desigualdades presentes na sociedade.

Somente com uma transformação curricular dos cursos que promova conhecimento sobre aspectos sociohistóricos de construção do país e percepção crítica sobre manutenção das desigualdades e opressões sofridas pelas populações negras – que são deixadas à margem para exploração de uma sociedade capitalista – é que poderemos formar profissionais com consciência ético-política, comprometidos com a diversidade e sensibilizados para questões sociais e étnico-raciais. O que se espera é o enfretamento dos obstáculos supracitados para a construção de uma Biblioteconomia brasileira com um currículo antirracista, que contemple epistemologias diversas e perspectivas coletivas de construção cidadã de uma sociedade.

Mapeamento de bibliotecárias(os) negras(os)

Na esteira desse debate e dessas pesquisas, estamos realizando o mapeamento de bibliotecáras(os) negras(os). O intuito é conhecer e visibilizar a todas as pessoas negras da biblioteconomia no doutorado. Quero me aprofundar nas epistemologias negro-africanas da biblioteconomia e no pensamento de bibliotecárias(os) negras(os) para visibilizá-los como intelectuais e colaboradoras(es) da construção da nossa profissão em todos os setores, desde o ensino até a atuação. Para colaborar com a pesquisa, as pesquisas podem acessar o link do mapeamento clicando aqui. Os livros sobre e por bibliotecári@s negr@s podem ser baixados aqui.

Fonte: REVISTA BIBLIOO

COMO MOSTRAR NOSSAS BIBLIOTECAS E OS SEUS ACERVOS DURANTE A QUARENTENA?

Algumas experiências das instituições alemãs são especialmente importantes para que os profissionais saibam como proceder nesse momento

Texto por Patrícia Oliveira

As bibliotecas em memoriais são bastante especiais, pois elas lidam tanto com a lembrança e a carga simbólica das instituições em que estão inseridas, quanto com a produção e a elaboração artística, probatória ou teórica sobre os memoriais e os fatos relacionados a eles. Elas trazem consigo, muitas das vezes, a autenticidade de materiais originais e relatos de sobreviventes, e também as fases e transformações interpretativas dos fatos ali vividos, sendo um ambiente por excelência, de convivência, debate e aprendizado constante.

Os eventos que motivam a criação desses memoriais exigem a sua elaboração através da visitação constante aos temas que eles carregam, e essa é apenas uma das diversas razões que justificam a criação de acervos bibliográficos e arquivísticos nesses locais, como uma nova camada de informação histórica.

Entretanto, em um momento bastante atípico no mundo, com o impedimento voluntário ou compulsório de visitação a memoriais, as bibliotecas dessas instituições seriam fundamentalmente afetadas, desde que não ativassem também formas de transmitir seus conteúdos, serviços e acervos para um público que não vai poder visitá-las durante esse intervalo.

A utilização de hashtags como #Closedbutopen (fechadas mas abertas), #MuseumFromHome (museu a partir de casa), #BibliothekenSindDa (bibliotecas estão aqui) é importante por atuar dentro das redes sociais e gerar interação a partir de seus assuntos em destaque, além de dar a chance de através de uma hashtag ou um reposting, aparecer para públicos que não as conheciam.

Mas, meu desejo com esse texto é exatamente apresentar algumas ideias que encontrei por aqui, na Alemanha, onde realizo estágio na Fundação Alexander von Humboldt, dentro das próprias instituições, e que me ajudam a pensar o como fazer, a partir de nossas atuais demandas, possibilidades técnicas em trabalho não presencial, e porque não, também o nosso desejo para o futuro próximo de mostrar ao público formas de explorarem todo o nosso potencial como acervos e serviços, seja física ou remotamente.

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A produção de conteúdo para internet por terceiros, seja em formato de blogs, vídeos, postagens no instagram e twitter, pode ser excelente ferramenta de divulgação dos temas dos memoriais para diferentes públicos, principalmente aquele que não terá acesso físico ao local de memória. Ou mesmo com o fechamentos das escolas, momento em que muitas atividades de ensino e aprendizagem estão sendo ministradas online, a disponibilização de material referenciado com qualidade e licença de utilização aberta para fins educativos não comerciais, é uma boa medida para apoiar a divulgação dos memoriais, da memória dos locais e do trabalho dos profissionais de acervo e subsidiar o desenvolvimento de materiais com qualidade.

Eu recomendo aqui o projeto piloto Mauer Fotos, da Fundação Muro de Berlim (Gedenkstatte Berliner Mauer), que está disponibilizando, pela primeira vez, documentos originais que registram todo o período de duração do Muro, e com o diferencial de serem fotos de acervo também de particulares, trazendo uma ampla gama de aspectos do cotidiano de como o Muro foi uma das feridas da cidade por 28 anos. A sugestão do Memorial é que os utilizadores indiquem a fonte e o fotógrafo a partir do princípio “Use, compartilhe, participe” (“Nutzen, Teilen, Mitmachen”).

O que eu adoro nesse projeto, além de ter acesso a registros muito especiais e inéditos e utilizar um material que eu sei que teve um trabalho prévio de pesquisa e checagem por profissionais qualificados, é poder também contribuir com dados adicionais sobre as fotos, e dessa forma interagir e colaborar na construção da precisão da informação.

NÓS SENTIMOS SUA FALTA! SAIBA MAIS SOBRE A BIBLIOTECA QUE VOCÊ PODERÁ (RE)VISITAR!  CONVITE PARA VISITAR O ESPAÇO FÍSICO

Um ponto que me chama muito a atenção na comunicação das bibliotecas aqui em boa parte das redes sociais é o tom mais familiar e próximo. Por exemplo, desde que o lockdown foi forçando o fechamento ao público dessas instituições, eu vejo pelo menos uma, duas postagens das bibliotecas dizendo que sentem falta dos frequentadores #Wirvermisseneuch (nós sentimos sua falta), e fotos das prateleiras sem visitas, das cadeiras vazias e do silêncio nos corredores.

Esse tipo de mensagem, além de indicar quem é afinal o protagonista que demanda nossas ações, coleções e serviços, também abre mais um espaço de interação entre a biblioteca e a comunidade, para convidar os seus membros a visitarem seus acervos ao vivo, em breve. Nos comentários, os usuários podem tirar dúvidas acerca do fechamento, da entrega de materiais, do atraso e até de novos empréstimos, para quando os serviços estabilizarem.

Também é o momento que é possível mostrar tudo aquilo que está disponível no seu espaço físico quando a quarentena acabar, e deixar um ar de saudade e/ou de boas-vindas para a sua biblioteca, principalmente porque muitas das bibliotecas memoriais são apenas bibliotecas de referência. Esse é o exemplo do vídeo da Biblioteca do Topografia do Terror. O Bibliotecário Florian apresenta de forma muito amigável e concisa, o que a biblioteca pode oferecer quando estiver reaberta.

VOCÊ CONHECE NOSSA COLEÇÃO? QUE TAL UTILIZAR OS NOSSOS GUIAS NA NOSSA MEDIATECA?  CONVITE PARA CONHECER A PRODUÇÃO

Nas bibliotecas memoriais, o catálogo é uma forma de memória acessível: ela complementa a produção de conteúdo acerca do tema dos memoriais, e manifesta a nossa produção de sistematização, indexação e classificação deles. É uma outra possibilidade de acessar a memória para além dos artefatos e dos lugares autênticos. Os guias podem ser desde os mais convencionais, onde em formato texto nós apresentamos nossas coleções, ou mesmo em formatos que envolvam outros tipos de conteúdo complementar, além do material de arquivo e bibliográfico, como fotografias, vídeos, testemunhos em áudio, filmes.

Para esse exemplo, eu quero apresentar a Biblioteca de Mídia da STASI (Stasi-Mediathek), que apresenta acervos que destacam o modo de operação, estrutura, métodos e desenvolvimento do Ministério de Segurança do Estado da Alemanha.

É um ótimo modelo de como apresentar as informações gerais de forma cronológica em formato de linha do tempo, e com adições a coleções temáticas, como a “Operação Pantera Negra” envolvendo três membros do partido em uma troca tiros em Ramstein, ou a hercúlea operação para um show de 15 minutos do roqueiro Udo Lindenberg em 1983 na República Democrática da Alemanha (antiga Alemanha Oriental),  ou até a conexão da polícia secreta e as ações durante os “Jogos Olímpicos de 1972”.

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Não somente quando o usuário nos procura no balcão, mas quando ele ainda está no processo de levantamento de fontes de pesquisa, os manuais de procedimentos, as FAQs podem estar no ar para dar mais informações sobre o que e o como é possível encontrar em nossos acervos e nossos serviços o que se está buscando. Na impossibilidade da visita física, ou no atendimento remoto imediato, esses guias são o primeiro acesso às nossas possibilidades como espaço de informação.

Aqui na Alemanha eu encontrei um lindo exemplo, feito pela equipe do NS-Dokumentationszentrums der Stadt Köln (NS – DOK Koln). Nessa biblioteca, o público é bastante variado: funcionários da casa, imprensa, alunos da educação básica e ensino superior, pesquisadores e também público infanto-juvenil, devido a oferta robusta de programação para esse público no Memorial. No site, é possível encontrar uma animação sobre como fazer uma pesquisa sobre o Nacional-Socialismo. O vídeo tem a linguagem bastante acessível, e mostra o passo a passo das etapas da pesquisa, envolvendo os aspectos de organização de tempo, sugestão de procedimentos de busca e apresentação de um checklist elaborado pela equipe.

Esses são apenas alguns exemplos de como mobilizar o público para conhecer melhor, ou pela primeira vez, os nossos espaços e também o nosso trabalho em bibliotecas. Claro que aqui ou meu recorte engloba iniciativas de bibliotecas em memoriais com temática sensível, e isso envolve problemas de ordem legal, como a disponibilização de materiais com identificação pessoal, conteúdos que sem a devida contextualização poderiam ser manipulados para utilização inadequada na internet, ou mesmo imagens e depoimentos com alta carga de violência e emoção.

Entretanto, mesmo com essas questões, as instituições discutiram e apresentaram saídas com soluções simples, que podem ter significativo impacto positivo em interações com os usuários, estando eles dentro ou fora das paredes de nossas bibliotecas. E na sua biblioteca, centro de documentação e arquivo, qual tipo de iniciativa você adotou ou deseja adotar? Quais são as suas principais dificuldades em tomar alguma iniciativa? Vamos pensar juntos?

Fonte: REVISTA BIBLIOO