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Breve história da literatura indígena contemporânea: pioneiros

Eliane Potiguara aos 27 anos
Imagem: Instagram/Eliane Potiguara

Texto por Fred Di Giacomo

Quando a jovem Eliane Potiguara, indígena e periférica, começou a publicar poemas, crônicas e jornalismo independente, no final da década de 1970, o que viria a ser chamado de “literatura indígena” ainda não sonhava em existir – era literalmente tudo mato.

Contemporânea dos poetas marginais da “geração mimeógrafo”, Eliane publicava “poemas-pôster” e cartilhas mimeografadas com suas criações artísticas desde 1979. Um ano depois, sairia o primeiro livro publicado por autores indígenas oficialmente: “Antes o mundo não existia” (Livraria Cultura Editora), de Umúsin Panlõn Kumu e Tolamãn Kenhíri, membros do povo Desana.

De 1980 até 1996, o acesso dos escritores indígenas ao mercado literário foi difícil. A produção da “literatura nativa”, como prefere o escritor guarani Olivio Jekupé, era viabilizada de maneira guerrilheira. Em 1996 a publicação de “Histórias de Índio” (Companhia das Letrinhas), de Daniel Munduruku, deu início a um boom do que se chamou “literatura indígena”, transformada pelas grandes editoras em um nicho de livros infanto-juvenis. Foi nessas décadas que floresceu o que a escritora e acadêmica Graça Graúna chama de “literatura indígena contemporânea” (livros com autoria individual e elementos da literatura ocidental que se diferenciavam dos mitos orais da “literatura indígena clássica”).

Para contar a história destes pioneiros, homenageio o clássico “Mate-me por favor” composto por entrevistas dos artistas fundadores do punk, sem intervenções do narrador. Me parece fazer sentido em uma literatura que começou oral e debate, com atenção, as questões referentes ao lugar de fala. Aqui, troquei algumas ideias com Eliane Potiguara, 70, Olivio Jekupé, 54, Aílton Krenak, 66, e Daniel Munduruku, 56. Seria interessante ter falado também com Kaka Werá, Graça Graúna, Daniel Cabixi, Umúsin Panlõn Kumu e Tolamãn Kenhíri, mas essa fica para o volume dois dessa breve história.

Acesse a matéria completa publicada pelo ECOA por um mundo melhor e conheça mais sobre a literatura indígena.

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