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Bibliotecas escolares: para o que servem?

Segundo a Lei Federal nº 12.244/10, toda escola brasileira deverá ter uma biblioteca até 2020. Porém, a existência de uma biblioteca já é suficiente para que ela contribuia para a formação de crianças e adolescentes? Esse questionamento está presente na dissertação de mestrado de Lilian Viana, defendida na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Em sua pesquisa, Viana aponta que a definição de biblioteca estipulada na Lei não engloba as ações dos jovens que fariam uso dela e é preciso pensar em algumas políticas para que esse espaço realmente ajude os estudantes a entrar em contato com cultura e informação.

O texto da Lei define biblioteca como “a coleção de livros, materiais videográficos e documentos registrados em qualquer suporte destinados a consulta, pesquisa, estudo ou leitura”. Dessa forma, aponta a pesquisadora, basta que a escola organize seus livros e materiais, e a lei está cumprida. Viana defende que a biblioteca deve ser mais que um acervo, “pois iniciativas nessa direção mostram-se deficientes ao desconsiderarem a importância de ações para que jovens e crianças relacionem-se com informação e cultura em perspectiva crítica e afirmativa”.

Na dissertação é defendida a importância de que bibliotecas escolares sejam locais onde a informação, além de disponibilizada, é apropriada, possibilitando que os alunos se tornem protagonistas na busca por conhecimento. Para que isso aconteça, a pesquisadora defende a formação de pessoal qualificado, que entenda o ambiente e possa orientar os alunos. Além disso, ela destaca que o Brasil não possui uma cultura de biblioteca escolar e que isso precisa ser mudado através de ações que mostrem sua relevância. “Muitos podem afirmar que a mesma é importante, mas quantos efetivamente consideram-na indispensável à formação de crianças e jovens?”, questiona.

A participação comunitária é essencial para mudar essa realidade. Viana lembra que cada região brasileira possui suas próprias particularidades e isso deve ser levado em conta na hora de se pensar em políticas públicas sobre o assunto. Entretanto, ela propõe alguns pontos que podem ser trabalhados em comum: vontade política, protagonismo profissional, tempo político, diálogo política e conhecimento, protocolos implícitos e explícitos, visibilidade da ação, comunicação de novas representações, qualificação e formação dos quadros profissionais, instâncias de negociação, renovação da política e participação comunitária.

A dissertação foi defendida em dezembro de 2014 e pode ser lida na íntegra na Biblioteca Digital da USP.

Fonte: Leiagora

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