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Bibliotecários e patrimônio educativo: depoimentos de participantes do VII Simpósio Iberoamericano: História, Educação, Patrimônio-Educativo

Texto da Comissão Temporária de Patrimônio Bibliográfico e Documental

Imagem: Site do Simpósio

O Simpósio Iberoamericano: História, Educação, Patrimônio-Educativo tem reunido pesquisadores que tratam da temática do Patrimônio Histórico- Educativo- Cultural. Organizado pela Rede Iberoamericana para a Investigação e a Difusão do Patrimônio Histórico-Educativo – RIDPHE e pelo Centro Internacional de Cultura Escolar – CEINCE, a sétima edição do evento ocorreu no período de 22 a 25 de julho de 2019 em Berlanga de Duero, na região de Soria, Espanha, e teve como tema Patrimônio Histórico-Educativo Material e Imaterial: Memória, Diversidade, Alteridade.

Bibliotecários brasileiros marcaram presença com a apresentação de seus estudos e pesquisas. Confira o depoimento de alguns deles.

Profa. Dra. Cleonice Aparecida de Souza, CRB-8/6713

Profa. Dra. Cleonice Aparecida de Souza, CRB-8/6713
Imagem: Arquivo Pessoal

Coordenadora do Sistema de Bibliotecas da Universidade São Francisco – USF. Docente na USF e PUC-Campinas.

Trabalhos apresentados:

Revista Vozes de Petrópolis: a presença dos franciscanos na educação brasileira por meio dos impressos, trabalho conjunto com o prof. Dr. Claudino Gilz

Editora Vozes: uma das instâncias representativas do patrimônio educativo dos franciscanos na história da imprensa brasileira, trabalho conjunto com o prof. Dr. Claudino Gilz

A minha aproximação ao tema do patrimônio educativo se deu mais pela prática de bibliotecária e docente. Assim como investigar as interfaces entre educação, história, patrimônio e memória em espaços educativos formais e não formais, tendo por escopo disseminar suas potencialidades para pesquisas acadêmicas. O modo como os livros e periódicos eram tratados nas pesquisas educacionais permitiu entender a invisibilidade desses objetos. Tradicionalmente tais fontes eram tomadas como suportes de narrativas, ideias, ideologias, valores, ou seja, como conteúdo. Entretanto, Chartier (2004) aponta que elas têm materialidade, pois foram produzidos num processo de produção de mercadoria numa sociedade capitalista. Nesse sentido participar do VII Simpósio, que teve o propósito de reunir pesquisadores tratando da temática do Patrimônio Histórico Educativo Cultural, ampliou as oportunidades para troca de ideias sobre o potencial investigativo referente à imaterialidade das fontes e informações pertinentes a elas. Além de unir por meio de abordagens interdisciplinares e disponibilizar um espaço de reflexão e interação entre pesquisadores das diferentes áreas do conhecimento. Para além dos espaços das unidades de informação o papel do profissional bibliotecário se liga diretamente ao patrimônio educativo ao considerar que a educação patrimonial é a realização de ações educativas de preservação, apropriação e valorização do patrimônio cultural. Já que o patrimônio cultural é a reunião de bens culturais de valor considerado para um determinado conjunto de pessoas ou para o coletivo. Horta, Grunberg e Monteiro (1999, p. 6) afirma que isso ocorre “[…] a partir da experiência e do contato direto com as evidências e manifestações da cultura, em todos os seus múltiplos aspectos, sentidos e significados”. Assim como Farias (2002, p. 62) diz que “[…] cabe à educação patrimonial proceder à escuta e à mediação dos sujeitos sociais portadores de tradições, de saberes e fazeres que, em sua diversidade, constroem atrativos geradores de significação e integradores da identidade e identificação cultural”. Nesse sentido as pesquisas foram apresentadas no eixo patrimônio material da educação, pois as investigações têm atraído interessados no conhecimento e na avaliação da produção intelectual de determinados períodos de nossa história.

CHARTIER, R. Leituras e leitores na França do antigo regime. São Paulo: UNESP, 2004.

FARIAS, E. K. V. A construção de atrativos turísticos com a comunidade. In: MURTA, S. M.; ALBANO, C. (org.). Interpretar o patrimônio: um exercício do olhar. Belo Horizonte: UFMG; Território Brasilis, 2002.

HORTA, M. L.; GRUNBERG, E.; MONTEIRO, A. Q. Guia básica de educação patrimonial. Brasília: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Museu Imperial, 1999.

Joel Martins Luz, CRB-1/2891

Joel Martins Luz, CRB-1/2891
Imagem: Arquivo Pessoal

Docente na Universidade Federal do Mato Grosso – UFMT. Doutorando em Educação na Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP.

Trabalho apresentado:

A Biblioteca histórica e seu espaço de produção: os catálogos da Biblioteca da EE Culto à Ciência de Campinas de 1896 a 1915

Graduei-me em Biblioteconomia em 2008 pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), de lá para cá, minha relação com os acervos de memória tem sido bastante gratificante. Primeiramente, trabalhei por 8 anos em um Instituto de memória legislativa, onde pude vivenciar diversas práticas de tratamento e socialização dos acervos históricos. Quando digo acervos históricos, refiro-me a articulação de diversas fontes documentais, produzidas ou mantidas pelos arquivos, bibliotecas, bem como objetos museais. Em 2011 ingressei no mestrado em educação na mesma universidade, onde pude trabalhar com os documentos escolares, tanto como fonte para a história da educação quanto para a produção dos saberes históricos escolares com alunos e corpo docente de uma determinada escola. A seguir, ingressei na docência na UFMT, onde pude desenvolver outras atividades voltadas aos temas da memória, educação e acervos, sobretudo, incitar meus alunos para esse vasto campo de atuação, ainda pouco explorado por bibliotecários. O campo do patrimônio histórico-educativo, tem se pautado na interdisciplinaridade, estabelecendo as relações necessárias, tanto com nós bibliotecários, como com os arquivistas, museólogos e historiadores, no sentido de reintegrar acervos muitas vezes dispersos e abandonados pelas escolas. Os historiadores da educação têm se ocupado dessas pesquisas, mas é preciso uma maior aproximação dos documentalistas. Atualmente, cursando doutorado em educação na Unicamp, venho me dedicando a bibliotecas históricas escolares, sua materialidade, práticas e patrimonialização, articulado ao projeto de modernização da escola. Fiquei bastante empolgado com o número de bibliotecários presentes no Simpósio Iberoamericano do Patrimônio Histórico-Educativo, em Berlanga de Duero, na Espanha. Foi uma oportunidade de nos aproximarmos e quem sabe, talvez, pensar caminhos para expandir nossos interesses nesse tema tão importante para que nossas escolas se tornem também, lugares de memória.

Rosaelena Scarpeline, CRB-8/2737

Rosaelena Scarpeline, CRB-8/2737
Imagem: Arquivo Pessoal

Doutoranda em História da Arte pelo IFCH-Unicamp. Foi Diretora da Biblioteca do Centro de Memória da Unicamp. Integrante da Comissão Temporária de Patrimônio Bibliográfico e Documental do CRB-8.

Trabalho apresentado:

Professores e preceptoras: a educação doméstica no interior do Estado de São Paulo

O trabalho de recuperação do patrimônio escolar em nosso país é muito recente, as discussões encontradas sobre esse tema sempre remetem ao patrimônio material. O trabalho por mim apresentado no Simpósio está relacionado com o patrimônio imaterial da educação, pois procura pistas que possam validar o trabalho de professores e professoras estrangeiras no Estado de São Paulo, como educadores domésticos, a partir dos anos oitenta do século XIX. A pratica da educação doméstica se estendeu pelo mundo urbano e rural paulista, onde famílias abastadas proporcionavam aos seus filhos e filhas uma educação ampla e bilingue em tempo integral. Podemos afirmar que esse tipo de educação foi responsável por moldar os gostos e comportamentos de toda uma geração, assim como ser a ponte de ligação entre a modernização higienista e social no seio dessas famílias. É necessário recuperarmos os saberes, praticas, técnicas e conhecimentos que esses homens e mulheres transmitiram para se transformarem em referenciais identitários e não apenas fragmentos soltos, em diários esquecidos e, pequenas menções feitas pelos viajantes que circularam pelo Estado de São Paulo durante o século XIX. Nesse sentido, é grande a importância que o patrimônio educacional imaterial traga à tona essas memórias como produção simbólica de um determinado tempo histórico e a transforme em bens culturais que possam ser transmitidos as novas gerações.

Luciana Maria Napoleone, CRB-8/5808

Maria Lucia Beffa, Luciana Napoleone e Fabiano Cataldo
Imagem: Arquivo Pessoal

Bibliotecária no Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Coordenadora da Comissão Temporária de Patrimônio Bibliográfico e Documental do CRB-8.

Trabalho apresentado :

Educação patrimonial em bibliotecas: desafios para bibliotecários e bibliotecas de instituições de ensino

Fabiano Cataldo de Azevedo, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO, Maria Lucia Beffa, Faculdade de Direito da USP – FDUSP, e Luciana Maria Napoleone – Tribunal Regional Federal da 3ª Região – TRF3.

A realização desse trabalho foi um processo muito enriquecedor por muitos motivos. De início permitiu a combinação da prática profissional e da experiência em sala de aula. Visão acadêmica e reflexão da prática somadas para pensar o patrimônio educativo como uma expressão do patrimônio bibliográfico e documental. Normalmente separadas, a teoria e a prática puderam ser aproximadas, integradas. E ainda, o trabalho conjunto com colegas é sempre gratificante porque permite identificar, abordar o tema com uma abrangência ou profundidade que dificilmente conseguiríamos sozinhos. O segundo motivo diz respeito ao tema estudado. O patrimônio educativo está diretamente relacionado aos esforços de valorização do bibliotecário e da biblioteca escolar. Conhecer e preservar o patrimônio já existente nas escolas e nas instituições de ensino em geral (edifício, móveis, livros, documentos, práticas, personagens) e fazer da biblioteca (mais) um espaço de sua fruição deve ser uma competência buscada pelos bibliotecários. E ainda pensar a identificação do patrimônio bibliográfico e documental nessas instituições como uma estratégia de sua valorização e preservação. Por fim, a experiência de participação em eventos é essencial para acompanhar as discussões na área, conhecer os pesquisadores e interessados, estabelecer contatos e parcerias. Muitas vezes considerados espaços eminentemente acadêmicos, os simpósios, congressos são também locais de atuação profissional e enriquecimento da formação. Acredito que os eventos são plataforma para emergência da inteligência da coletiva de uma área. Finalizo compartilhando a urgência dos bibliotecários participarem e apresentarem seus trabalhos e reflexões em eventos fora da área da biblioteconomia e ciência de informação.

E ainda um outro trabalho de profissional bibliotecário integrou a programação:

Os cadernos escolares como fonte para a escrita da história da educação

Cesar Augusto de Castro e Samuel Luís Velazquez Castellanos, Universidade Federal do Maranhão – UFMA.

A diversidade dos temas apresentados expressa a riqueza da área para pesquisa e para trabalho. Com a Lei de Universalização das Bibliotecas Escolares, Lei 12.244/2010, os bibliotecários escolares têm a possibilidade de identificar, valorizar e fazer uso do patrimônio educativo de suas instituições. Essa área pode ser mais explorada pelos bibliotecários por meio de um trabalho interdisciplinar com professores, estudantes, pesquisadores e toda a comunidade escolar.

Para mais informações sobre o Simpósio https://sihepe.blogspot.com/p/o-vii-simposio-iberoamericano-historia.html

Para conhecer o CEINCE https://www.ceince.eu/

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