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Bibliotecários cobram ações de candidatos

Segundo Dalvyn Moraes, perspectiva para estudantes é a pior possível
Segundo Dalvyn Moraes, perspectiva para estudantes é a pior possível /MARCELO G. RIBEIRO/JC

Texto por Isabella Sander

Reunindo estudantes, profissionais, professores e técnicos em Biblioteconomia, o movimento Bibliotecários em Marcha elaborou uma carta para entregar aos candidatos ao governo do Rio Grande do Sul. O documento pede o cumprimento da Lei Federal nº 12.244/2010, conhecida como Lei da Biblioteca Escolar, que estabelece que todas as instituições de ensino públicas tenham, até 2020, uma biblioteca, e que cada espaço tenha um bibliotecário como responsável. Como o último concurso público em escolas estaduais foi feito em 1994, apenas 20 dos profissionais concursados ainda estão na ativa, havendo em torno de 100 vagas ociosas. O organizador do movimento, Dalvyn Nunes de Moraes, contou ao Jornal do Comércio quais são as reivindicações do grupo.

Jornal do Comércio – Como foi a recepção à carta pelos candidatos?

Dalvyn Nunes de Moraes – Infelizmente, foi bem complicado chegar até os candidatos. Somente o Júlio Flores (PSTU) e o Roberto Robaina (PSOL) nos receberam e assinaram a carta, se comprometendo a atendê-la. Vamos tentar, durante esta semana, ir até os candidatos, mas, se não conseguirmos, vamos focar nos que ficarem para o segundo turno.

JC – Quais as demandas trazidas por vocês?

Moraes – É o cumprimento da Lei nº 12.244/2010, que diz que toda escola pública tem que possuir biblioteca e que, em cada uma, deve ter um bibliotecário responsável. Não é o que acontece hoje no nosso Estado, infelizmente. As escolas sequer têm bibliotecas, quanto menos um bibliotecário. O Rio Grande do Sul teve um concurso público, em 1994. Já passou-se muito tempo, e, desde lá, sobraram só 20 profissionais para cuidar de todo o Estado, que tem milhares de escolas e bibliotecas. Queremos atualizar isso, porque é essencial. A Escola Protásio Alves, por exemplo, uma das maiores da Capital, está com a biblioteca – que é boa e tem acervo adequado e computadores – fechada.

JC – Os candidatos se comprometem com o que exatamente?

Moraes – Com a realização de concurso público. O Conselho Regional de Biblioteconomia da 10ª Região (CRB10) e a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) entraram em acordo de que o emergencial seria suprir as 100 vagas já existentes e ociosas no Estado, lotando os bibliotecários nas Coordenadorias Regionais de Educação (CREs). O ideal seria ter um bibliotecário para cada escola, mas não há profissionais suficientes hoje no Estado para colocar em cada biblioteca, então é preciso primeiro preencher essas vagas e, depois, entrar no debate sobre todas as bibliotecas de fato.

JC – Qual a expectativa de atender à Lei nº 12.244/2010 até o fim do prazo, em 2020?

Moraes – Não estamos nem um pouco confiantes, até porque, quando foi feita a lei, não se pensou muito em um plano prático. Só se colocou um prazo, mas é algo que demora, precisa de concursos públicos. O Ministério Público diz que só podemos abrir denúncia contra o Estado depois que passar o prazo, porque não passando o prazo não é ilegal, mas a contratação não vai acontecer de um dia para o outro, então acredito que tenhamos que começar a luta bem antes.

JC – Além da carta, quais outras atividades estão previstas pelo movimento?

Moraes – Queremos ir aos municípios saber se estão cumprindo a lei e se têm bibliotecários contratados. Já sabemos que cidades como Viamão, Canoas e Alvorada não estão cumprindo, e têm profissionais só na biblioteca municipal, mas nas escolas não. Também faremos o primeiro encontro dos Bibliotecários em Marcha no dia 25 de outubro, às 9h, na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs).

JC – Qual a perspectiva de quem entra hoje no mercado de trabalho da biblioteconomia?

Moraes – A perspectiva é a pior possível. Tenho contato com pessoas que estão se formando agora e a perspectiva inicial é o desemprego. A biblioteconomia esteve muito bem por um tempo, mas vem piorando desde o final do governo Dilma Rousseff e, agora, no governo Michel Temer, deu uma piorada geral em termos de emprego. Também tem a questão das vagas, que pagam pouco, às vezes menos de R$ 1 mil para um bibliotecário. As pessoas aceitam por necessidade, mas é ruim, porque se mantém esse tipo de salário nas outras vagas. Mas tem uma juventude muito indignada que está entrando na faculdade e só precisa de uma luz sobre o que fazer, como fazer para melhorar a situação. São justamente eles que estão tentando se organizar agora. Espero que, desta vez, a nossa voz, pelo menos, seja ouvida.

Fonte: Jornal do Comércio

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