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Biblioteca é mais importante em escolas em áreas mais pobres, mostra estudo

POR ANTÔNIO GOIS

A existência de bibliotecas ou salas de leitura está positivamente associada ao desempenho em Língua Portuguesa e Matemática, especialmente em escolas que atendem alunos mais pobres. É o que indica uma pesquisa que será apresentada nos dias 2 e 3 de setembro no Fórum de Educação, durante a Bienal do Livro. O estudo foi realizado por pesquisadores do Insper e encomendado pelo Instituto Pró-Livro. Foram visitadas, em 17 Estados, 500 escolas onde o desempenho em Língua Portuguesa na Prova Brasil (exame oficial de aprendizagem do MEC) era maior, para entrevistar pessoalmente diretores, professores e responsáveis pelas bibliotecas. A partir dessas conversas foi possível identificar que a presença de um responsável qualificado pelo espaço, de um professor que se envolve em atividades de pesquisa e leitura e incentiva os alunos a frequentarem a biblioteca, a qualidade do acervo, e o uso de recursos eletrônicos foram fatores de correlação mais positiva com o desempenho.

Na avaliação de Zoara Failla, coordenadora da pesquisa pelo Instituto Pró-Livro, o resultado mais relevante está no fato de o impacto do uso das bibliotecas ser maior em escolas que atendem alunos de menor nível socioeconômico.  Para Sergio Firpo, responsável pela pesquisa no Insper, os resultados reforçam evidências de que, no caso de famílias com menos condições de garantir recursos educacionais adequados aos seus filhos, o papel da escola torna-se mais relevante. No ano que vem, acaba o prazo estipulado pela Lei 12.244/2010 para que todas as escolas do Brasil possuam bibliotecas. Estamos bem longe disso, já que apenas 31% dos colégios públicos e 57% dos particulares têm esse equipamento.

O simples fato de existir uma biblioteca na escola obviamente não é garantia de que o aprendizado aumentará. Mas a falta ou inadequação de material de biblioteca é apontada pela maioria (51%) dos diretores brasileiros como um problema grave, que afeta o aprendizado dos alunos em suas escolas, de acordo com a Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem, realizada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Na média da OCDE –formada principalmente por nações ricas – essa proporção é de apenas 16%.

É muito difícil mensurar o impacto causado diretamente por uma biblioteca escolar no aprendizado de alunos. Há, porém, um razoável número de estudos acadêmicos confirmando o que é intuitivo: incentivar o hábito de leitura desde cedo têm impactos positivos, que não se restringem ao aprendizado na escola. Um estudo publicado no ano passado na revista científica Pediatrics – da Academia Americana de Pediatria – mostrou que um programa da prefeitura de Boa Vista (RR) e do Instituto Alfa e Beto com beneficiários do Bolsa Família levou a ganhos significativos de vocabulário, desenvolvimento cognitivo e na qualidade das interações entre crianças de 2 e 4 anos e seus cuidadores. Uma explicação foi que, mais do que simplesmente distribuir e recomendar a leitura, houve orientação de profissionais aos pais sobre como fazer uma leitura mais interativa, estimulando conversas entre pais e filhos.

O desafio maior das políticas públicas em grande escala e em contextos de alta desigualdade é como fazer isso com qualidade no caso de famílias de baixa renda e escolaridade. São justamente aquelas que, de acordo com o estudo encomendado pelo Instituto Pró-Livro, podem ser as maiores beneficiadas de uma política de incentivo à leitura.

Fonte: O GLOBO

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