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Biblioteca do Senado destaca 15 autoras neste Mês da Consciência Negra

Lista foi produzida pela biblioteca do Senado Federal para incentivar a leitura de escritoras negras

 Texto por Deborah Fortuna

A autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie e a brasileira Djamila Ribeiro integram a lista (foto: Reprodução/ Facebook; Arquivo Pessoal)

Em homenagem ao Dia da Consciência Negra, a biblioteca Acadêmico Luiz Viana Filho, do Senado Federal, listou quinze livros de escritoras negras que compõem o acervo do local. O “Boletim de bibliografias selecionadas, autoras negras: protagonismo feminino” traz um panorama e incentiva a leitura dessas obras.

O boletim está inserido no Plano de Equidade de Gênero e Raça do Senado Federal, edição de 2019 a 2021 — uma publicação que está alinhada com o 5º objetivo dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.  

“A presença literária e no mercado editorial, em geral, destaca autores homens. Então, queríamos trazer as mulheres, principalmente as mulheres negras porque a presença delas é ainda menor”, explicou a coordenadora da biblioteca Patrícia Coelho.

A lista também traz obras de diferentes gênero literários, entre ficção, poesia e outros. “A maioria dessas obras também fala sobre a importância do empoderamento feminino e da luta de mulheres negras”, completou Coelho.

Uma das escritoras destacadas na lista é Cristiane Sobral, 45 anos. Autora de “Não vou mais lavar os pratos” (2010), “Só por hoje vou deixar o meu cabelo em paz” (2014), “O Tapete Voador (2016)”, “Terra Negra (2017)”, Sobral diz que as escritoras negras ainda compõem um percentual muito pequeno no mercado, o que faz com que elas fujam das editoras tradicionais e busquem crescimento em publicações independentes ou mercados menores. “Cada vez mais eu tenho descoberto e encontrado um número expressivo de pessoas negras [na literatura]. O que significa que nossa invisibilidade não significa inexistência”, disse.

Para a autora, o projeto tem grande importância para dar visibilidade à escrita e à história do povo negro, que, a partir do olhar de mulheres negras, são vistos não apenas como objetos de estudo, mas também como protagonistas, com histórias de “rompem o imaginário dos estereótipos”, com histórias de amor, superação, entre outras. “É muito importante ter mulheres negras como contadoras, como escritoras, ficcionistas e inventoras de suas narrativas”, completou.

O acervo está aberto ao público para consulta local. A biblioteca do Senado funciona de 9h às 18h30 de segunda a sexta-feira.

Veja a lista abaixo:

  1. Sejamos todos feministas – Chimamanda Ngozi Adichie

Neste livro, Adichie parte de sua experiência pessoal de mulher e nigeriana para mostrar que muito ainda precisa ser feito até que se alcance a igualdade de gênero. Segundo ela, tal igualdade diz respeito a todos, homens e mulheres, pois será libertadora para todos.

  1. Mulher negra: política governamental e mulher – Sueli Carneiro, Tereza Santos e Albertina Gordo de Oliveira Costa

Nesta publicação, apresenta-se um amplo diagnóstico sobre a situação da mulher no país durante 1975 e 1985, década declarada pela ONU como década da mulher

  1. Mulheres, raça e classe – Angela Davis

Publicado em 1981, tornou-se referência obrigatória para se pensar a dinâmica da exclusão capitalista, tomando como nexo prioritário o racismo e o sexismo.

  1. Insubmissas lágrimas de mulheres – Conceição Evaristo

O livro se revela um retrato de solidariedade e afeição feminina, por tocar no que é essencial, no que move, no que aproxima e une mulheres e, em especial, mulheres negras.

  1. Má feminista – Roxane Gay

A obra é uma seleção se ensaios engraçados e perspicazes. A autora nos leva a uma viagem sobre sua própria evolução como mulher negra, ao mesmo tempo em que nos transporta a um passeio pela cultura nos últimos anos. Má feminista é um olhar afiado, e nos alerta para a maneira pela qual a cultura que nos envolve torna-nos quem somos.

  1. Um defeito de cor – Ana Maria Gonçalves

Um defeito de cor projetou nacionalmente a escritora contando a trajetória da Kehinde, nascida no Benin (atual Daomé), desde o instante em que é escravizada, aos oito anos, até seu retorno à África, décadas mais tarde, como mulher livre.

  1. Diáspora negra no Brasil – Linda M Heywood

A obra ilustra como povos africanos remodelaram suas instituições culturais, crenças e práticas na medida em que interagiam com os negociantes de escravos portugueses até o ano de 1800. A partir daí a obra segue os centros-africanos que foram trazidos para o Brasil e mostra como a cultura da África Central foi incorporada pela cultura brasileira.

  1. Feminism is for everybody – Bell Hooks

Neste livro, Hooks mostra a natureza do feminismo e seu compromisso contra o sexismo, exploração sexista e qualquer forma de opressão. O livro apresenta uma visão original sobre políticas feministas, direitos reprodutivos, beleza, luta de classes feminista, feminismo global, trabalho, raça e gênero.

  1. Quarto de despejo – Carolina Maria de Jesus

Carolina era uma moradora da favela do Canindé e trabalhava como catadora. Registrava seu cotidiano nas folhas encontradas no lixo. Descoberta por um jornalista, ela publicou o primeiro livro Quarto de despejo: Diário de uma Favelada em 1960.

  1. Amor – Toni Morrison

Em Amor, Morisson refaz a mitologia do amor de uma perspectiva sombria e cria uma verdadeira jóia literária.

  1. Úrsula e outras obras – Maria Firmina dos Reis

Maria Firmina dos Reis foi a primeira escritora negra de que se tem notícia em nossa literatura. Neste livro, de 1859, ela descreve a crueldade do tráfico de pessoas sequestradas na África e transportadas nos porões dos “tumbeiros”. Neste mesmo romance, a crítica da escritora abrange o retrato lamentável da condição feminina da época.

  1. Quem tem medo do feminismo negro? – Djamila Ribeiro

Ensaio autobiográfico e uma seleção de artigos publicados no blog da revista CartaCapital (2014-2017). Recupera memórias de seus anos de infância e adolescência para discutir o que chama o silenciamento que sempre sofreu.

  1. Chica da Silva – Joyce Ribeiro

Em uma narrativa romanceada, a trajetória da escrava mineira Chica da Silva é contada misturando fatos com ficção. Joyce fez uma pesquisa meticulosa e imagina como foi a vida da personagem. Depois de muita luta para ser aceita em uma sociedade escravagista, a poderosa semianalfabeta Chica da Silva, ganha uma posição de destaque na cidade na cidade de Diamantina, Minas Gerais.

  1. Não vou mais lavar os pratos – Cristiane Sobral

Em Não vou mais lavar os pratos, 123 poemas ligados ao cotidiano, abordam temas como maternidade, memórias da infância, relações familiares e a situação atual da mulher negra, o grito da negritude.

  1. A cor púrpura – Alice Walker

Referência na luta contra o racismo e o machismo, a obra retrata a vida de Celie, mulher negra no sul dos Estados Unidos da primeira metade do século XX. Através de cartas, a protagonista conta sua trajetória de abusos físicos e psicológicos sofridos desde a infância pelo padrasto e depois pelo marido.

Fonte: Uai

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