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Biblioteca da Presidência passa por obra para abrigar equipe da primeira-dama e perde espaço

Por TV Globo — Brasília

Biblioteca da Presidência perde espaço para receber equipe coordenada pela primeira-dama

A tradicional biblioteca da Presidência da República, em Brasília, está perdendo espaço para receber a equipe coordenada pela primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

A biblioteca fica em um prédio anexo ao Palácio do Planalto, ao lado da vice-presidência. Reportagem publicada na edição de “O Globo” na internet mostra que o espaço será reduzido pela metade.

Segundo a reportagem, essa é a segunda vez que o governo federal banca uma reforma para abrigar Michelle Bolsonaro e sua equipe na Esplanada. Há sete meses, foram gastos R$ 330 mil em obras no Ministério da Cidadania para adaptar salas para a primeira-dama e servidoras do Pátria Voluntária.

O Programa Nacional de Incentivo ao Voluntariado – o Pátria Voluntária – foi criado em julho. Tem por objetivo promover, valorizar e integrar o trabalho voluntário no país. Era ligado ao Ministério da Cidadania, mas em dezembro passou para a Casa Civil. Por isso, a transferência para o Palácio do Planalto.

A biblioteca da Presidência foi criada no governo do presidente Wenceslau Brás, entre 1914 e 1918, quando a sede do governo ainda era no Rio de Janeiro. Com a construção de Brasília, primeiro foi instalada no prédio principal do Planalto, mas em 1979 foi transferida para o anexo.

Tem um acervo de 42 mil itens – três mil discursos de presidentes da República, obras de direito, economia e administração. É aberta ao público de segunda a sexta-feira.

O presidente do Conselho Regional de Biblioteconomia, Fabio Cordeito, conta que esteve na biblioteca. E que viu o andamento das obras. Ele disse que conversou com servidores e foi informado que o acervo está acomodado no novo espaço. Mas a área disponível ao público terá de ser reduzida. Para Fabio Cordeiro, a preocupação é com o futuro da biblioteca.

“O risco de diminuir de tamanho é porque uma biblioteca é um organismo em crescimento, então ela tem que ter espaço para garantir que os acervos futuros caibam nesse espaço físico. Então, a medida que os governos forem passando, novas políticas vão sendo criadas, políticas precisam ser preservadas para a história do país e para memória institucional de todo o governo”, disse.

Em nota, a Secretaria- Geral da Presidência informou que “a biblioteca da Presidência da República, inclusive em razão de sua relevância institucional, vem passando por um permanente processo de modernização”, e que “no que se refere às recentes alterações do espaço físico destinado à biblioteca da Presidência da República, é importante registrar, primeiramente, que 100% do acervo físico será preservado, em condições técnicas adequadas.”

“Ainda a esse respeito”, diz a nota, “cabe esclarecer que havia em torno de 40% de espaço não utilizado nas estantes da biblioteca, de forma que, mesmo com as alterações promovidas, ainda restará margem para ampliação do acervo.”

A Secretaria informou também que “por outro lado, essas mudanças também visam otimizar os espaços físicos da Presidência, permitindo que outras atividades relevantes possam ser desempenhadas pelos seus servidores.”

A reação do presidente Bolsonaro destoou do tom sóbrio da nota da Secretaria-Geral da Presidência da República.

Depois de afirmar que a primeira-dama fará trabalho gratuito em prol dos deficientes, fez um gesto agressivo contra os repórteres.

“Estão descendo a lenha que a biblioteca vai diminuir. Em vez de elogiar a primeira-dama, ficam criticando”, disse. “Quem age dessa maneira merece outra banana”, afirmou o presidente.

Leia a íntegra da nota da Secretaria-Geral da Presidência:

“A Biblioteca da Presidência da República, inclusive em razão de sua relevância institucional, vem passando por um permanente processo de modernização.

Nesse sentido, ressalta-se que os acervos presidenciais, como discursos e fotografias, já se encontram em formato digital, acessível pela página biblioteca.presidencia.gov.br, contendo todo material histórico presidencial.

Essa digitalização do acervo de ex-presidentes da República foi a primeira etapa, já concluída e institucionalizada, do processo de modernização institucional. Na sequência, pretende-se, em parceria com a Imprensa Nacional (IN), concluir a digitalização de todos os diários oficiais já circulados, o que ensejaria, em um segundo momento, a possibilidade de deslocamento do respectivo acervo da PR para compor o Museu da IN.

No que se refere às recentes alterações do espaço físico destinado à Biblioteca da Presidência da República, é importante registrar, primeiramente, que 100% do acervo físico será preservado, em condições técnicas adequadas.

Ainda a esse respeito, cabe esclarecer que havia em torno de 40% de espaço não utilizado nas estantes da Biblioteca, de forma que , mesmo com as alterações promovidas, ainda restará margem para ampliação do acervo.

Ademais, havia mais de 100 m2 destinados à área administrativa da biblioteca, que agora será ajustado à real necessidade dessas atividades.

A intenção da Administração da PR é seguir modernizando a Biblioteca, inclusive com a inserção de novas tecnologias que permitam maior acesso da população e dos servidores.

Por outro lado, essas mudanças também visam otimizar os espaços físicos da PR, permitindo que outras atividades relevantes possam ser desempenhadas pelos seus servidores.”

Fonte: G1

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