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Bibliofilia (Então, vamos jogar nossos livros fora?)

Por José Figueiredo

Autores como Umberto Eco e Jorge Luis Borges têm textos a respeito do assunto, demonstrando o culto pelo livro como objeto – algo além da Literatura.

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A traça, de Carl Spitzweg

Uma das grandes questões surgidas com as novas tecnologias foi a do suporte do texto. Muitos viram a cara para novos formatos (pdf, epub etc.) por acharem que não é a mesma coisa que o livro, que perde a graça e assim por diante. Antes de entrarmos na questão em si, gostaria de relembrar alguns fatos históricos interessantes.

Ao contrário do que muitos pensam, o formato livro nem sempre foi o suporte para o texto. Já escrevemos em tábuas de barro e pedra, em papiros e outros tipos de rolos – só para ficar nos mais arcaicos e conhecidos. É provável que as mesmas discussões que temos hoje sobre o valor do livro e do e-book sejam semelhantes às feitas na transição do pergaminho para o livro, como muitos o apontam.

Tendo isso em mente temos que diferenciar outro ponto importante na discussão, que por vezes é confundido com amor a Literatura: a bibliofilia. O nome é feio, porém auto-explicativo. O fetiche pelo objeto livro pode ser um dos motivos para boa parcela dos leitores serem resistentes a novos formatos do texto. Autores como Umberto Eco e Jorge Luis Borges têm textos a respeito do assunto, demonstrando o culto pelo livro como objeto – algo além da Literatura.

(Quero fazer um adendo importante. O fato de ser bibliófago e consequentemente não gostar de suportes de texto não está sendo posto aqui como bom ou mau, apenas é um dos tantos lados a serem vistos e considerados em meio à questão. O que se pretende com este texto não é dar respostas, mas levantar perguntas sobre o assunto.)

Dito isso, sigamos.

A questão principal que devemos levantar quando se fala sobre o assunto talvez seja mais simples e menos apocalíptica ao invés de dizer “o livro é melhor por isso” ou “o digital é melhor por aquilo”. Devemos levar em conta, por exemplo, como se dá a formação do leitor e do suporte por ele utilizado nesse processo. Assim, um leitor com mais de trinta anos, no geral, é menos apto a aceitar formatos digitais pelo simples fato de ter sua formação maciça com o formato físico. As gerações mais novas, no entanto, já criadas dentro do meio digital e acostumadas a lidar com suas ferramentas, inclusive quando se trata de texto, são mais favoráveis a essa forma de leitura. Não há certo ou errado ao se escolher um epub ou um calhamaço, é uma simples escolha baseada na sua experiência como leitor.

Cá chegamos à outra discussão um tanto inconveniente e vazia: o fim do livro. É normal que quando algo novo surge se faça com que os objetos já existentes (e seus amantes) temam pelo seu fim. Com o livro não foi diferente. O caso, porém, que me surpreende é o fato de certas pessoas pensarem ou pregarem o fim do livro físico devido à era digital. A esses, apenas lembro que atualmente há quem escreva em papiro e – surpreendam-se – em tábuas de pedra (seja lá qual for o motivo). O livro como o conhecemos hoje provavelmente não desaparecerá da face da Terra. Pode acontecer da sua circulação diminuir com o avanço das novas gerações, mais adaptadas ao meio digital.

Gostaria, enfim, de levantar um último ponto sobre a questão, talvez a mais importante de todas: o que importa de fato é o formato ou o texto, fim último tanto do livro como do pdf? Deixo a pergunta e a reflexão para cada um.

Fonte: Homo Literatus

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