Página inicial / Notícias / Arquidiocese lança inventário documental de igrejas históricas do Recife e de Olinda

Arquidiocese lança inventário documental de igrejas históricas do Recife e de Olinda

O evento organizado pela arquidiocese será nesta sexta-feira (15) no Seminário Maior, localizado na Várzea, bairro da Zona Oeste da capital pernambucana

Publicado em 10/02/2019, às 08h08

Acervo foi recolhido de 33 igrejas históricas do Recife e de Olinda para compor o Arquivo Dom José Lamartine / Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem

Acervo foi recolhido de 33 igrejas históricas do Recife e de Olinda para compor o Arquivo Dom José Lamartine
Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem
Cleide Alves
cleide@jc.com.br

As prateleiras do Arquivo Dom José Lamartine Soares da Arquidiocese de Olinda e Recife guardam relíquias. São livros de missas, casamentos, batizados e óbitos, inventários, bulas e breves papais, entre outros documentos produzidos por igrejas históricas e tombadas das duas cidades. O acervo é inédito e não se resume a correspondências entre padres e bispos. “É a história das nossas vidas registrada em folhas de papel”, declara a restauradora Débora Mendes.

Nos livros encadernados e nos papéis avulsos há informações sobre o cotidiano dos moradores (quem casou com quem, pedidos de separação feitos por mulheres vítimas de violência doméstica, doenças que matavam crianças e adultos); sobre as irmandades (regulamentos, atas, deveres e obrigações dos integrantes) e sobre as igrejas (construções, ampliações, reformas, substituições de material construtivo de altar, demolições, nome de entalhadores, pintores e artistas).

“São documentos administrativos das igrejas e das irmandades, dos séculos 17 ao 20, que permitem traçar o perfil sociológico e antropológico da população”, destaca Débora Mendes, coordenadora do Projeto de Preservação da Memória do Arquivo Dom Lamartine da Arquidiocese de Olinda e Recife. Um dos documentos relata a história de uma mulher, no século 19, que pedia a separação porque o marido queria filhos, ela não tinha vontade de ser mãe e o esposo ameaçava se jogar da janela da casa e se ela não cedesse.

O projeto, iniciado em 10 de maio de 2018 com apoio da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), termina na próxima sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019, com o lançamento do Inventário da Documentação das Igrejas de Olinda e Recife e exposição de peças do acervo. O evento é aberto ao público, às 10h, no Seminário Maior Arquidiocesano, onde fica o Arquivo Dom Lamartine, na Avenida Afonso Olindense, 1764, na Várzea, Zona Oeste do Recife.

Débora Mendes esclarece que o trabalho executado de maio a fevereiro não contempla a restauração do acervo, coletado em 22 igrejas do Recife e 11 templos católicos de Olinda em 2016 e 2017. “Fizemos a organização de todo o material para criar as condições necessárias à pesquisa”, explica. Os livros encadernados, impresso e manuscrito, foram higienizados página por página. As folhas avulsas estão acondicionadas em caixas polionda para proteger o documento.

Separados por igreja, o acervo da arquidiocese ganhou ficha técnica para análise (estado de conservação, tipo de papel, se é impresso ou manuscrito, situação da tinta) e identificação por título, assunto e ano. São 3.053 fichas. A Igreja de São José dos Manguinhos, nas Graças, Zona Norte do Recife, tem o maior número de catalogação, mas veio da Igreja de São Pedro dos Clérigos, em Santo Antônio, no Centro do Recife, o documento mais antigo do arquivo.

“É uma verba do testamento, de 1685, manuscrita em papel artesanal do século 17, com a destinação dos bens de uma pessoa”, diz Débora Mendes. A Igreja de São Pedro dos Clérigos tem a maior parte dos documentos vindos do Vaticano. Um deles é o breve expedido pelo Papa Pio VI, em 1776, autorizando missas privilegiadas para exorcismo no templo.

Classificação

A papelada resgatada se soma ao arquivo já existente na arquidiocese. Como estavam sem uso e guardados de forma inadequada nas igrejas, muitos se deterioram. Quase a metade do acervo recolhido em 2016 e 2017 encontra-se com estado de conservação ruim, 47%. Apenas 10% foram classificados em bom estado, 35% são regulares e 8% estão em situação péssima, sem condições de recuperação ou podem ser parcialmente restaurados. Alguns livros nem abrem mais.

Acácia Coutinho, coordenadora do Arquivo Dom Lamartine da arquidiocese, informa que o acervo está disponível para pessoas que tenham conhecimento em paleografia. As consultas devem ser previamente agendadas. Ela avisa que o Inventário da Documentação das Igrejas de Olinda e Recife não será vendido. A publicação é destinada a universidades, arquivos e bibliotecas. Posteriormente, será colocado no site da arquidiocese.

O resgate do acervo documental das igrejas é uma ação da Comissão Pastoral Arquidiocesana de Bens Culturais, coordenada pelo padre Rinaldo Pereira. Participaram do projeto os restauradores Célia Salsa, Wellington de Oliveira e Givaldo Bernardino e os historiadores Felipe Fernandes, Rafael Benevides e Diego Rodrigues.

Fonte: Jornal do Commercio

Sobre admin

Check Also

10 consejos para mantener en perfectas condiciones los libros de tu biblioteca personal

10 consejos para mantener en perfectas condiciones los libros de tu biblioteca personal Los libros …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *