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Aprender Ciências com Monteiro Lobato

O Dia Nacional do Livro Infantil é comemorado em 18 de abril, data escolhida em homenagem ao nascimento de Monteiro Lobato. Autor do Pré-Modernismo brasileiro, Lobato deixou uma grande contribuição para a literatura infanto-juvenil com mais da metade de seus livros.

Lobato inseriu nas histórias vários elementos da cultura brasileira desde lendas até costumes de quem vive no interior e foi além com elementos da literatura universal e até a mitologia grega. Mais especificamente, o autor gostava muito de ciências e acreditava que a sua divulgação e ensino seriam muito importantes para o desenvolvimento da nossa sociedade.

Como exemplos, os livros ‘História das Invenções’, ‘Serões de Dona Benta’, ‘Viagem ao Céu’ e ‘O poço do Visconde’ são excelentes. Em ‘História das Invenções’, Dona Benta conta a história do mundo, desde a origem do Universo, surgimento e evolução da vida na Terra, da espécie humana, a agricultura e artefatos até a invenção do Visconde de Sabugosa, que na obra toda faz papel de cientista.

Em ‘Serões de Dona Benta’ são abordadas Física, Química, Biologia e até a Astronomia, que também aparece em ‘Viagem ao Céu’. ‘O poço do Visconde’ trata da Geologia e da importância de investimentos em estudos pela busca de petróleo em solo nacional. Este tema também foi tratado no livro ‘O escândalo do petróleo’, que mencionava o descaso do governo em preferir a submissão do país às companhias petrolíferas norte americanas. Lobato admirava o modelo americano, mas defendia a liberdade econômica de nosso país e considerava que as riquezas naturais como o petróleo e a siderurgia eram muito importantes para o progresso. Vários estudos discutem a relação da literatura de Monteiro Lobato com o ensino de ciências, sobre a história e a natureza da ciência, a motivação para estudar ciência, o método científico, concepção empirista ou revolucionária da ciência e suas aplicações.

A literatura de Monteiro Lobato mostra a importância que o autor dava às relações do homem com a ciência e se contrapunha à literatura infantil da época baseada nos contos de fadas europeus. Suas histórias tinham duas vertentes principais. A primeira relacionada à informação e à formação com abordagem pedagógica sobre uma variedade de campos do conhecimento. A segunda voltada à ficção onde a realidade se junta com a fantasia na resolução de problemas no contexto de seus personagens.

A abordagem do conhecimento científico na literatura infantil de Lobato está diretamente ligada ao meio social, cultural e político que viveu. Além da obra infantil de Monteiro Lobato, muitas outras podem ser usadas para estimular a aprendizagem das ciências. Minha sugestão para pais e professores de alunos dos anos iniciais é que estimulem as crianças à leitura das obras de Monteiro Lobato, mas fazendo discussões levando em conta a atualização de informações e discutindo as questões sociais também.

Infelizmente Lobato em alguns momentos teve abordagens preconceituosas e racistas como no caso do caipira Jeca Tatu e Tia Nastácia, sempre dócil negra que cuidava de todos. Mesmo assim, vale a pena a leitura das obras com as crianças por serem elementos para gerarem reflexões e discussões que contribuam para acabar de uma vez com o racismo e qualquer tipo de preconceito.

A leitura é importante para todas as áreas. Quem lê bastante aprende a se explicar e a entender sobre qualquer assunto. Numa frase que ficou famosa de Monteiro Lobato, ele disse: “Quem mal lê, mal ouve, mal fala, mal vê”.

Texto por Paulo Bretones, atualmente Professor Associado da Universidade Federal de São Carlos

Fonte: Periscópio

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