Antigamente era assim

Hoje, quando queremos ouvir uma canção ou uma sinfonia que não temos em nossa coleção particular de discos ou CDs, fazemos uma busca e chegamos ao Youtube ou a um serviço qualquer de música por streaming. Muitos nem têm mais coleções em suporte físico, ou não se dão ao trabalho de procurar nelas.

Antigamente, aqueles poucos que tinham sorte de ter acesso a uma biblioteca como a da ECA, que possui há muitos anos uma excelente coleção de discos em vinil, CDs e fitas cassetes, procuravam no catálogo da biblioteca. E como as bibliotecárias faziam para criar um catálogo quando ainda não existiam bases de dados e internet? Na verdade, no caso da Biblioteca da ECA, quando não havia nem microcomputadores?

Bem, era mais ou menos assim:

frente
verso

Uma bibliotecária (ou bibliotecário) analisava a capa, encartes e rótulos do disco e transcrevia a informações importantes para uma ficha, de forma organizada e seguindo determinadas regras para garantir a padronização das informações. Observem que eram registrados os dados gerais do disco, como título, gravadora, data, série etc, e cada uma das faixas.

Essa ficha, que chamávamos de matriz, era de tamanho 10 x 15 cm, bem maior do que as fichas geralmente usadas em catálogos de bibliotecas, para poder mostrar os dados com clareza. Mesmo assim, muitas vezes era necessário usar o verso,ou mesmo duas ou três fichas, para álbuns com vários discos ou conteúdo muito extenso.

Mas não era só isso. Fazíamos também uma ficha pequena, 7,5 por 12,5 cm, para cada uma das peças musicais contidas nos discos. Mais ou menos assim:

As fichas pequenas eram organizadas em ordem alfabética de sobrenome de autor, para que fosse possível localizar a música que se queria ouvir. Se o pesquisador quisesse, também poderia consultar a ficha matriz,  antes de pedir o disco, para ver o conteúdo completo. Tanto as matrizes quanto os discos eram ordenados pelo seu número de localização – no exemplo, D39. Também era feitas fichas para os intérpretes, série, meio de expressão e país de origem dos compositores. No verso da ficha matriz eram indicados quais os desdobramentos – era como se chamavam as fichinhas por autor etc – feitos para cada disco. Isso importante para podermos localizar todo o conjunto de fichas ligadas a um disco, se fosse necessário fazer uma correção ou acrescentar o código das cópias em fita cassete, quando o disco era reproduzido (Fc60, no exemplo).

As bibliotecárias preparavam o rascunho manuscrito das fichas matrizes e passavam para seus auxiliares datilografarem e prepararem os desdobramentos.

E, além disso, para fazer uma boa catalogação, era frequentemente necessário fazer pesquisas para completar dados das capas e rótulos, nem sempre muito corretos.

E todo esse enorme trabalho nem sempre resolvia os problemas de quem pesquisava.  Não era possível, por exemplo, localizar uma obra específica sem saber o nome do compositor ou procurar por número de opus. Também era impossível fazer buscas cruzadas e localizar todas as obras de um compositor interpretadas por um solista ou grupo específico.

Atualmente o trabalho de catalogação de discos está um pouco mais simples e eficiente, já que o registro é feito numa base de dados e a busca pela internet tem praticamente todos os recursos necessários. Mesmo assim, catalogar cada disco, música por música, é uma tarefa demorada. Por esse motivo, muitos discos catalogados por processos manuais ainda não entraram na base de dados. Nosso velho fichário continua disponível, e deve ser consultado sempre que uma determinada gravação não for localizada na base de dados. Funciona, acreditem!

E não deixem de consultar nosso acervo. Temos gravações raras, que nem sempre estão disponíveis na internet.

Vejam mais algumas fichas de antigamente:

O primeiro álbum, comprado em 1971O primeiro álbum, comprado em 1971
verso

Este post só foi possível porque nossa funcionária Ana Paula levou as fichas para casa e está digitalizando todas.

Fonte: Blog da Biblioteca da ECA

Sobre admin

Check Also

.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *