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Acervo do professor Jorge Nagle é doado à Escola de Sociologia e Política

LIVROS E PASSAROS Josiane Pereira ajudou a cuidar da biblioteca do professor Jorge Nagle. (Foto: divulgação)

O acervo composto por 20 mil livros da biblioteca particular do professor Jorge Nagle foi doado à Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). A transferência de todos os títulos foi feita durante dois anos, com o acompanhamento de Nagle, que faleceu na semana passada, aos 90 anos.

O professor chegou em Mogi das Cruzes no fim dos anos 1990 para trabalhar na Universidade de Mogi das Cruzes. Ali, atuou no Núcleo de Estudos e Pesquisas em Ensino. Gostou tanto de Mogi que para cá se mudou. E organizou na casa onde passou a morar, no Socorro, o acervo que impressionava quem o conhecia. O conjunto foi doado à Escola de Sociologia e Política em vida, como afirma Josiane Pereira, que ajudou a cuidar da biblioteca.

QUEM FOI Jorge Nagle atuou no Núcleo de Estudos e Pesquisas em Ensino da UMC, sua biblioteca contém mais de 20 mil títulos. (Foto: divulgação)

Josiane havia trabalhado com o também professor José Ênio Casalec, na mesma função: os cuidados com os livros. Quando este faleceu, passou a cuidar da biblioteca de Nagle, e deverá continuar com essa função e com os cuidados com os pássaros que ele alimentava há 16 anos, na pracinha do Socorro.

Os livros eram a grande paixão. A biblioteca é considerada como uma das maiores e mais completas que permaneceram na cidade. “Ele não juntava livros, ele construiu um acervo de uma maneira que contagiava. Eu aprendi muito com ele. Nunca vi alguém ter tanto carinho pelo livro. Quando chegava algum com uma capa suja, ele tinha uma ‘misturinha’ especial para limpar, e se não conseguisse recuperar a original, fazia ele mesmo uma outra capa. Era extraordinário com as pessoas, que ajudava sempre. Lidava com pessoas que não eram intelectuais como ele, gostava de ficar entre as pessoas simples”. Josiane foi contagiada pelo mestre.

Formada em história pela Universidade de Santos, mas mogiana de nascimento, ela participa da ONG Amigos e Eu, de Jundiapeba, onde reside. Uma vez por semana, ela leva os próprios livros, que passou a colecionar, e lê para as crianças nas atividades de incentivo à leitura.

O professor Nagle cultivou amizades em Mogi, como a do médico e professor Melquíades Machado Portela. “Era um homem de inteligência aguçada, seletivo nas amizades, e com um conhecimento em educação que pouquíssimos possuem. Era um polimata, que falava com propriedade de assuntos que iam de sociologia, religião, filosofia, humanidades como poucos”.

Durante a passagem do educador pela UMC, Melquíades comentou que Nagle participou de um período denominado “’Novo Rumo”, caracterizado pelos investimentos em pesquisas e estudos. Nagle, que foi reitor da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo) atuou na instituição mogiana entre 1987 e 2000. Após isso, adotou Mogi em definitivo.

De hábitos simples, como a comida sem sal e formada praticamente só por legumes cozidos, o professor tinha controle dos problemas de saúde que chegaram com a idade. “Era muito saudável, mas caiu uma primeira vez, e teve um forte edema, e teve uma segunda queda, quando se desequilibrou ao atravessar a rua do Mercadão, e ficou sete dias internado, teve alta, e dois dias depois, novamente foi para o hospital, de onde não mais voltou”. Ele teve um agudo edema pulmonar, causa de sua morte.

Na casa do professor, prosseguirão os cuidados com os cerca de 2 mil livros e com os passarinhos que chegam pela manhã e à tarde em busca das frutas, e apelidados carinhosamente de “venezuelanos”.

Jorge Nagle foi enterrado como recomendou, no sábado passado: após um rápido velório (três horas), sem paletó e nem gravata, e nenhuma cerimônia religiosa. Mas ao som de música clássica, com flores do campo, uma bandeira do time do coração, o Corinthians, e um exemplar de Paidéia – A Formação do Homem Grego, de Werner Jaeger, que fala sobre o sistema de educação e ética desenvolvido na Grécia Antiga, sustentado por temas como Retórica, Matemática, Música, Geografia, Historia, Filosofia, e outros, com o intento de formar um cidadão ético e completo.

Fonte: O Diário

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