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A palavra na primeira infância

A palavra é o primeiro alimento do bebê. É ela que conduz a criança ao desenvolvimento emocional e cognitivo, à construção do imaginário e ao processo de aquisição da linguagem.

Em todas as culturas, as crianças se reconhecem, compreendem tempos e espaços, criam vínculos e constroem memórias afetivas por meio da palavra. Por esse motivo, o direito à leitura e a outros bens culturais deve ser garantido, para que tenham oportunidades de desenvolver as competências de leitura e escrita necessárias ao pleno exercício da cidadania. 

O psicanalista colombiano Evélio Cabrero-Parra considera que a linguagem cotidiana tende a ser imperativa, dando orientações e limites sobre o que fazer ou não. A literatura, por sua vez, oferece novo vocabulário e histórias de outros lugares, perspectivas e possibilidades. 

Quando um adulto lê para uma criança, ela escuta com maior liberdade e apreende o que necessita.

O afeto e a disponibilidade dos pais são mais determinantes para as práticas de leitura do que a condição socioeconômica. A qualidade das interações e conversas no ambiente familiar favorece a apropriação de ferramentas essenciais para viver e conviver em mundo letrado e a participação efetiva em sociedade que é mediada pela palavra. As escolas e creches, embora não sejam as únicas responsáveis pela promoção da leitura, acabam sendo lugares privilegiados para garantir o acesso à palavra, à cultura e à arte.

Em março, autores e ilustradores de literatura infantojuvenil e especialistas em temas e políticas ligados à primeira infância, à cultura e ao desenvolvimento infantil trouxeram à tona, durante o Seminário Internacional Arte, Palavra e Leitura na Primeira Infância, realizado no Sesc Pinheiros, em São Paulo, a reflexão sobre os diferentes olhares que podem contribuir para ampliar referenciais e inspirar novas práticas. 

A escritora e educadora Yolanda Reyes, reconhecida na área de formação de leitores, destaca a necessidade de refletir sobre a pedagogia de literatura, que deve dar vazão à imaginação das crianças e jovens para que sejam capazes de recriar o caminho deixado pelas pegadas do criador/autor. 

Um de seus questionamentos nos ajuda a refletir: ‘De onde surgiu esse consenso que obriga todos a sublinharem a mesma coisa em um mesmo parágrafo de um conto, a entenderem rapidamente as mesmas ideias principais e a enxergarem todas as obras a partir de um mesmo ponto de vista?’. E sua conclusão: ‘No fundo, os livros são isso: conversas sobre a vida. E é urgente, sobretudo, aprender a conversar’.

Texto por Dianne Melo, gestora de programas e projetos sociais e educacionais do Itaú Social.

Fonte: Diário do Grande ABC

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